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UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ
CURSO DE DIREITO

A POSSIBILIDADE DE CONTRATAÇÃO DE ADVOGADO PARA DEFESA DE ENTE


PÚBLICO POR INEXIGIBILIDADE

MICHELLANGELLO MARTINS SCHERER

PORTO ALEGRE,
2016.
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MICHELLANGELLO MARTINS SCHERER

A POSSIBILIDADE DE CONTRATAÇÃO DE ADVOGADO PARA DEFESA DE ENTE


PÚBLICO POR INEXIGIBILIDADE DE LICITAÇÃO

Trabalho de Conclusão de Curso – Artigo


Jurídico Científico apresentado como
requisito parcial para a obtenção do título
de Bacharel em Direito, pelo Curso de
Direito da Universidade Estácio de Sá.

Prof. Orientador: Gladstone Felippo


Santana.

PORTO ALEGRE,
2016.
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A POSSIBILIDADE DE CONTRATAÇÃO DE ADVOGADO PARA DEFESA DE ENTE


PÚBLICO POR INEXIGIBILIDADE DE LICITAÇÃO

Michellangello Martins Scherer1

RESUMO

Um tema de extrema importância, de difícil cognição e com grandes impactos na


Advocacia Pública é a possibilidade de contratação de advogado para defesa de
ente público por inexigibilidade de licitação. Tem-se como problema principal
verificar se existem hipóteses à contratação de advogado para defender a
Administração Pública em processos judiciais e administrativos mesmo estando
presente a figura do Advogado do Estado. Sendo assim, é preciso analisar as
formas de contratação direta expressas na Lei de Licitações com ênfase no artigo 25
e incisos. Posteriormente, examina-se o problema debatido. A Advocacia Pública
somente será atividade exclusiva do Estado quando a Administração possuir em seu
quadro institucional órgão responsável pelos serviços advocatícios. É obrigatório o
concurso público a fim de ingressar na carreira estatutária. Porém, há cargos
comissionados destinados aos funcionários públicos e pessoas externas ao
funcionalismo para realizar atividades de direção, chefia ou assessoramento. Por
estes motivos, a Advocacia Pública fica submissa à vontade dos agentes políticos.
Em contrapartida, o cargo comissionado busca as ideologias partidárias do agente
político com mandato em vigor. Nesta senda, é imprescindível que a Advocacia
Pública seja revestida de blindagem. Portanto, deve-se priorizar o concurso público.
Há os casos em que não se possui servidores como Advogados Públicos. Assim, na
falta da possibilidade de concurso público, a Administração Pública precisa
promover processo licitatório. Em última circunstância, optar-se-á pela contratação
de advogado por inexigibilidade. Diante destes aspectos, os órgãos de controle
compreendem em seu posicionamento atual pela validade da contratação de
advogado por inexigibilidade de licitação.

Palavras-chave: Contratação direta. Advogado. Inexigibilidade.

ABSTRACT

A theme of extreme importance, difficult cognition and with large impacts on Public
Advocacy is the possibility of hiring a lawyer to defend public entity for waiver of
bidding. has as main problem check for assumptions to the legal contract to defend
the Public Administration in judicial and administrative proceedings even being
present the figure of the State Attorney. So you need to analyze the forms of direct
contracts expressed in the Public Procurement Law with emphasis in Article 25 and
items. Later, it examines the discussed problem. The Public Advocacy will only be
exclusive activity of the state where the Administration has in its institutional body
responsible for legal services. It is mandatory to tender in order to join the statutory
career. But there commissioned positions for civil servants and people outside the

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Graduando em Direito da Universidade Estácio de Sá.
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civil service to carry out the direction of activities, leadership or advice. For these
reasons, the Public Advocacy is submissive to the will of political actors. In contrast,
commissioned position search partisan ideologies of the political agent with mandate
in force. In this vein, it is essential that the Public Advocacy is coated shield.
Therefore, priority should be given the tender. There are cases that do not have
servers as Public Attorneys. Thus, in the absence of the possibility of a public tender,
the Public Administration must promote bidding process. In the latter circumstance, it
will opt for hiring a lawyer for unenforceability. Considering these aspects, the control
units include in your current position for the validity of hiring lawyer for waiver of
bidding.

Keywords: Direct contracting. Lawyer. Unenforceability.

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. As formar de contratação direta pela Administração


Pública. 2.1. A licitação dispensada e dispensável. 2.2. A inexigibilidade e o instituto
do credenciamento. 3. As hipóteses e seus requisitos à inexigibilidade de licitação. 4.
A possibilidade de contratação de advogado pela Administração Pública para
defendê-la por inexigibilidade de licitação sem este ser detentor de cargo público. 5.
O atual posicionamento dos órgãos de controle. 5.1. O posicionamento do Supremo
Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça. 5.2. O posicionamento do
Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul. 5.3. O posicionamento do
Tribunal de Contas da União e do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do
Sul. 5.4. O posicionamento do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do
Brasil. 6. Conclusão. Referências.

1 INTRODUÇÃO

A possibilidade de contratação de advogado para defender a Administração


Pública em causas judiciais e administrativas por inexigibilidade de licitação é um
tema complexo e debatido constantemente.
A polêmica acerca do assunto evidencia uma preocupante questão. Em regra
e por previsão Constitucional, os entes públicos possuem profissionais competentes
e qualificados no seu quadro de servidores, os quais obtiveram aprovação em rígido
processo seletivo, concurso público, para compor os cargos da Advocacia Pública.
Em regime de exceção, existem os cargos comissionados que são destinados
aos funcionários públicos para funções de direção, chefia e assessoramento.
Todavia, é possível a contratação para cargos de comissão de pessoas alheias à
carreira estatutária, os quais são escolhidos por questões políticas pelo agente
político ou administrador.
Nesta senda, se existe um corpo de Advogados Públicos capacitados junto à
Administração Pública, deve-se compreender o por quê a Lei nº 8.666/93 possibilita
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a contratação de advogado para defender órgãos públicos em causas


administrativas e judiciais.
Para entender os reais motivos do legislador, é imprescindível analisar a
Constituição Federal de 1988 primeiramente, a qual consagra a obrigatoriedade de
prévio processo licitatório para contratação de obras, serviços, aquisições e
alienações, a fim de, posteriormente, explorar as formas de contratação direta,
elencadas nos artigos 17, 24 e 25 da Lei nº 8.666/93.
É preciso abordar as hipóteses em que ocorre a inexigibilidade com ênfase
na prestação de serviços, bem como avaliar os seus requisitos essenciais a serem
preenchidos, tais como, a notória especialização do profissional e a natureza
singular do serviço.
Com este cenário tão controverso, são propostas diversas demandas junto
aos órgãos de controle externo com o objetivo de invalidar a contratação de
advogados por inexigibilidade por ser uma ofensa às garantias constitucionais da
Advocacia Pública.
Por este motivo, é necessário avaliar o atual posicionamento dos órgãos de
controle externos (Supremo Tribunal Federal, Superior Tribunal de Justiça, Tribunal
de Contas da União, Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, Tribunal
de Contas do Estado do Rio Grande do Sul), inclusive o entendimento do Conselho
Federal da Ordem dos Advogados do Brasil.

2 AS FORMAS DE CONTRATAÇÃO DIRETA PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 37, inciso XXI2, consagra que
para contratações com o Poder Público é necessária prévia licitação. Em regime de
exceção, a própria lei disporá as situações às quais não precisará que seja feito o
procedimento de licitação (JACOBY FERNANDES, 2014, p. 170).

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Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade,
moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: [...] XXI - ressalvados os casos
especificados na legislação, as obras, serviços, compras e alienações serão contratados mediante
processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com
cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta,
nos termos da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica
indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações. [...].
5

Utilizar-se de um procedimento licitatório para a contratação com a


Administração Pública é almejar a proposta mais vantajosa, sem querer privilegiar
quaisquer licitantes durante o certame (MENEZES, 2014, p. 21).
Sendo assim, a licitação é um procedimento administrativo vinculado em que
a Administração Pública escolhe a melhor proposta ofertada pelos licitantes, visando
assegurar a celebração de contrato administrativo e a melhor aquisição de bens ou
serviços (CARVALHO FILHO, 2015, p. 240).
Tendo sua origem como procedimento, a licitação é composta por atos
consecutivos e vinculantes à Administração e aos participantes que desejam firmar
contrato administrativo com o ente público. Deste modo, têm-se igualdade entre
todos os licitantes interessados, concorrência leal e eficiência nos negócios da
Administração (MEIRELLES, ALEIXO, BURLE FILHO, 2014, p. 297).
Apesar da licitação ser a regra acolhida pela Carta Magna, existem casos em
que, quando não há possibilidade de procedimento licitatório, a Administração
Pública pode efetuar contratações diretas, conforme as situações autorizadas pela
legislação infraconstitucional (JUSTEN FILHO, 2014, p. 528).
Tais situações são organizadas em duas categorias basicamente. Os casos
de inexigibilidade e as hipóteses de dispensa de licitação. Os dois grupos são
regulados pela Lei nº 8.666/93, podendo haver legislação específica elencando
hipóteses de dispensa não previstas na Lei de Licitações.
Primeiramente, o ente público precisa analisar a situação e verificar se a
licitação é exigível ou inexigível. Caso se trate de situação exigível, examinam-se, os
requisitos de dispensa de licitação. Assim, se não for quaisquer circunstâncias de
inexigibilidade ou dispensa, haverá procedimento administrativo de licitação.
A Administração Pública é obrigada a justificar e instruir o processo
administrativo de contratação direta com elementos que comprovem a real
necessidade de dispensa ou inexigibilidade de licitação, o motivo da escolha do
fornecedor ou executante de obra ou serviço, bem como a justificativa do preço
(MEIRELLES, ALEIXO, BURLE FILHO, 2014, p. 320).

2.1 A LICITAÇÃO DISPENSADA E DISPENSÁVEL

A dispensa de licitação é uma das formas em que o ente público tem de


contratar diretamente os bens ou serviços desejados. Todavia, ela tem como
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característica a inconveniência do interesse público em optar pelo procedimento


licitatório, uma vez que a disputa entre os interessados é viável (JUSTEN FILHO,
2014, p. 529).
Apesar de não ser um entendimento unânime, a doutrina majoritária brasileira
faz distinção das contratações diretas em licitação dispensada, dispensável e
inexigível, expressas na Lei nº 8.666/93. (JACOBY FERNANDES, 2014, p. 178).
A licitação dispensável prevê hipóteses as quais o procedimento licitatório é
juridicamente viável. Contudo, a legislação dispensa o gestor público de realizá-la.
Em contra partida, a licitação dispensada tem situações expressas na Lei de
Licitações a qual determina que não ocorra o procedimento administrativo de
licitação (CARVALHO FILHO, 2015, p. 256).
Desta forma, a licitação dispensada está prevista no artigo 173 do Estatuto
das Licitações; a dispensável se encontra expressa no artigo 244 da Lei nº 8.666/93;
e a licitação inexigível está elencada no artigo 25 da Lei de Licitações (JACOBY
FERNANDES, 2014, p. 178).
Esta classificação apresentada tem grandes efeitos práticos no entendimento
da doutrina majoritária, tendo em vista que existem consequências diferentes para
cada caso.
Portanto, é preciso estabelecer diferenças entre licitação dispensada e
dispensável. No primeiro caso, o ente público realiza a alienação de seu patrimônio.
Já nos casos de licitação dispensável, a Administração Pública é quem compra ou
toma o serviço.
Além do supracitado, existem outros aspectos importantes a serem
comentados. Na licitação dispensada não é preciso atentar pontualmente a todos os
pressupostos elencados no art. 26 da Lei de Licitações, com ressalva aos §§2º e 4º
do art. 17. Ao contrário, a licitação dispensável é obrigatória à observância e
cumprimento das formalidades apresentadas no art. 26 da Lei 8.666/93, salvo o art.
24 em seus incisos I e II.
Assim, a legislação torna facultativo ao administrador não promover a licitação
(critério de oportunidade e conveniência), sendo, portanto, dispensável. O rol

3
Art. 17. A alienação de bens da Administração Pública, subordinada à existência de interesse
público devidamente justificado, será precedida de avaliação e obedecerá às seguintes normas:[...].
4
Art. 24. É dispensável a licitação:[...].
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elencado no art. 24 da Lei de Licitações é taxativo, não existindo outras


possibilidades para que a licitação seja dispensável (MENEZES, 2014, p. 35).

2.2 A INEXIGIBILIDADE E O INSTITUTO DO CREDENCIAMENTO

A inexigibilidade precede a dispensa de licitação. Esta acontece quando a


disputa para pactuar contrato administrativo com o ente público é inviável entre os
particulares, uma vez que, caso haja possibilidade de certame, é obrigatório o
procedimento de licitação, salvo os casos de dispensa consagrados em legislação
(JUSTEN FILHO, 2014, p. 528).
Importante frisar que existe dicotomia entre ambas as formas de contratação
direta. A inexigibilidade emana da natureza das coisas, sujeitando-se as
circunstâncias de cada caso. Por outro lado, a dispensa nasceu da vontade
legislativa, sendo suas hipóteses restritas ao disposto nos artigos 17 e 24 do
Estatuto das Licitações. Estas são as razões as quais o rol apresentando em lei para
a inexigibilidade de licitação é meramente exemplificativo e o da dispensa é taxativo.
A inviabilidade de competição entre os concorrentes nos casos de
inexigibilidade ocorre porque somente há um particular apto a prestar o serviço
pretendido pela Administração ou por causa do objeto almejado ter características
peculiares. Desta forma, foram criadas pelo legislador três hipóteses as quais
configuram o caráter de inviabilidade de competição, podendo o gestor público
executar a contratação direta (JACOBY FERNANDES, 2014, p. 537).
O artigo 255, caput, da Lei nº 8.666/93 apresenta a inviabilidade de
competição de forma genérica e as hipóteses as quais ocorrem à inexigibilidade de
licitação em seus incisos, em rol exemplificativo, tais como: fornecedor exclusivo,
inciso I; e o contratado ser o único que pode prestar o serviço desejado pela
Administração, incisos II e III (MEIRELLES, ALEIXO, BURLE FILHO, 2014, p. 317).

5
Art. 25. É inexigível a licitação quando houver inviabilidade de competição, em especial: I - para
aquisição de materiais, equipamentos, ou gêneros que só possam ser fornecidos por produtor,
empresa ou representante comercial exclusivo, vedada a preferência de marca, devendo a
comprovação de exclusividade ser feita através de atestado fornecido pelo órgão de registro do
comércio do local em que se realizaria a licitação ou a obra ou o serviço, pelo Sindicato, Federação
ou Confederação Patronal, ou, ainda, pelas entidades equivalentes; II - para a contratação de
serviços técnicos enumerados no art. 13 desta Lei, de natureza singular, com profissionais ou
empresas de notória especialização, vedada a inexigibilidade para serviços de publicidade e
divulgação; III - para contratação de profissional de qualquer setor artístico, diretamente ou através de
empresário exclusivo, desde que consagrado pela crítica especializada ou pela opinião pública.
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O instituto do credenciamento é amplamente recomendado pelo Tribunal de


Contas da União. Entende a Egrégia Corte que não existe inviabilidade de
competição se são convocados todos os profissionais de uma área em específica.
Então, se a Administração contratar todos os interessados que preencham os
requisitos estipulados e fixar o valor o qual pretende pagar, não haverá competição
entre os licitantes (JACOBY FERNANDES, 2014, p. 540, 541 e 546).
Ainda, o Tribunal de Contas da União sugere a fixação de critérios objetivos
para o credenciamento e a adoção de critérios de pré-qualificação por parte da
Administração, a fim de que os serviços a serem realizados sejam comuns, podendo
ser prestado pela maioria dos profissionais do mercado de um determinado setor.
Por fim, existem duas categorias de credenciamento, o fechado e o aberto. A
dicotomia estabelecida entre ambos ocorre quanto ao rito. O credenciamento
fechado deve respeitar o procedimento de pré-qualificação, isto é, a Administração
publica edital indicando os documentos necessários para se habilitar e convocando
os licitantes interessados. Fixa-se data certa com o intuito de receber os envelopes
fechados com a habilitação e avaliar os documentos. Em contra partida, o
credenciamento aberto não estipula data certa para que os interessados se
credenciem e não há envelope fechado com habilitação. Os documentos são
entregues diretamente no órgão competente que os julgará, definindo se credencia
ou não o licitante.

3 AS HIPÓTESES E SEUS REQUISITOS À INEXIGIBILIDADE DE LICITAÇÃO

Estão expressas no artigo 25 do Estatuto de Licitações as hipóteses de


inexigibilidade de licitação. Cumpre informar que o rol apresentado é exemplificativo,
podendo ser de mais possibilidades. Sendo assim, são casos de inexigibilidade: o
fornecimento exclusivo de bens (inciso I); e a contratação de profissionais os quais
são os únicos que reúnem condições de prestar o serviço almejado pela
Administração Pública – incisos II e III (MEIRELLES, ALEIXO, BURLE FILHO, 2014,
p. 317 e 318).
O inciso I do art. 25 do Estatuto remete ao produtor ou vendedor exclusivo,
assim, a lei prevê como inviável a disputa entre licitantes para aquisição de um
produto em que só haja um vendedor exclusivo no mercado, não havendo condições
de concorrer em preço e qualidade.
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É de suma importância distinguir a exclusividade industrial da exclusividade


comercial. Os produtos oriundos da primeira são privativos do País, já a segunda é
dos vendedores e representantes comerciais, sendo esta exclusividade relacionada
ao mercado o qual o vendedor ou representante comercial atua.
Ainda, a exclusividade pode ser dividida em duas classificações. A
exclusividade absoluta depende de um único representante comercial ou vendedor
exclusivo no país, ou seja, só existe um fornecedor do produto no país. Por outro
lado, a exclusividade relativa está atrelada a região onde será feita a aquisição do
bem (CARVALHO FILHO, 2015, p. 277 e 278).
Assim, a exclusividade relativa está vinculada à região ou praça onde será
feita a licitação, caso seja convite; ao registro cadastral, em caso de tomada de
preço; e no País, tratando-se de concorrência (MEIRELLES, ALEIXO, BURLE
FILHO, 2014, p. 318).
Para que haja a exclusividade, esta deve ser comprovada por meio de
atestado fornecido pelo órgão competente de registro comercial local, onde é
realizada a licitação, pelo sindicato ou federação ou confederação patronal, ou
entidades equivalentes (CARVALHO FILHO, 2015, p. 277 e 278).
Importante frisar que a legislação expressamente impossibilita a
Administração Pública de ter preferência por determinada marca, inclusive àquelas
já uniformizadas ou padronizadas junto ao órgão público. Todavia, existe ressalva, a
qual permite a preferencia para aquisição de uma determinada marca destinada ao
apoio logístico estratégico das Forças Armadas, com exceção de materiais de apoio
administrativo ou de uso pessoal (MEIRELLES, ALEIXO, BURLE FILHO, 2014, p.
318 e 319).
Outra possibilidade de inexigibilidade de licitação expressa pela Lei 8.666/93
é para a contratação de serviços técnicos especializados desde que seja
comprovada a natureza singular da prestação de serviço. Para isto, o legislador
criou um rol de serviços técnicos profissionais especializados, elencados no artigo
136 da Lei de Licitações, bastando, apenas, a fim de inviabilizar a competição e

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Art. 13. Para os fins desta Lei, consideram-se serviços técnicos profissionais especializados os
trabalhos relativos a: I - estudos técnicos, planejamentos e projetos básicos ou executivos; II -
pareceres, perícias e avaliações em geral; III - assessorias ou consultorias técnicas e auditorias
financeiras ou tributárias; IV - fiscalização, supervisão ou gerenciamento de obras ou serviços; V -
patrocínio ou defesa de causas judiciais ou administrativas; VI - treinamento e aperfeiçoamento de
pessoal; VII - restauração de obras de arte e bens de valor histórico. VIII - (Vetado).
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contratar por inexigibilidade, configurar o caráter singular do objeto pretendido pela


Administração Pública, expresso no inciso II do artigo 25 do Estatuto.
Diferentemente do que ocorre no inciso I do artigo 25 da Lei nº 8.666, em que
o objeto só se constitui em compra, o objeto do inciso II do respectivo artigo se
refere tão somente a contratação de serviços (JACOBY FERNANDES, 2014, p.
606).
É preciso que os profissionais ou as empresas interessadas em firmar
contrato administrativo diretamente com a Administração Pública comprovem a sua
notória especialização, através de publicações, pareceres, equipe técnica, estudos,
experiências, etc (CARVALHO FILHO, 2015, p. 279).
Apesar da Administração concluir que o trabalho a ser realizado é essencial,
se torna extremamente difícil encontrar o profissional de notória especialização, uma
vez que pode haver mais de uma pessoa com tais características no mercado.
Portanto, não é obrigatória a existência de apenas um profissional ou empresa de
notória especialização.
Sendo assim, a notória especialização está diretamente associada com a
natureza singular, tendo em vista que somente a notória especialização não
inviabilizaria a competição, o objeto deve ser singular. A Administração fixa,
primeiramente, a prestação de um serviço peculiar pretendido para, posteriormente,
conectar com o elemento de notória especialização. Portanto, a natureza singular do
objeto é a regra para que se configure inexigibilidade de prestação de serviço
(JACOBY FERNANDES, 2014, p. 610, 612 e 614).
Ainda, tentando atribuir mais conteúdo à singularidade, esta é eivada
exclusivamente do interesse público, a busca pelo bem comum, o qual deve
respeitar os princípios básicos da administração pública, oriundos do artigo 37 da
Constituição Federal – legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
eficiência.
Deve-se verificar que nas hipóteses de execução de projeto básico ou
executivo, há requisitos a serem preenchidos, expressos nos artigos 12 e 111 da Lei
de Licitações.
A Suprema Corte em seus julgamentos atuais em relação à contratação direta
de advogados entende ser possível efetuar este contrato, desde que comprovados
requisitos tais como um procedimento administrativo antecedente, a notória
especialização do profissional e a singularidade do serviço o qual será prestado, o
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preço compatível com o praticado pelo mercado e a impossibilidade do serviço


pretendido ser prestado pelos integrantes da Administração Pública (CARVALHO
FILHO, 2015, p. 280).
Seguindo uma sequência lógica cognitiva, caso haja possibilidade de
competição entre os particulares, como regra geral, deve-se adotar procedimento
licitatório de modalidade de concurso a fim de contratar serviços técnicos
profissionais especializados, consoante o entendimento do §1º do artigo 13 da Lei
de Licitações. Verificando-se a impossibilidade de concorrência, agir-se-á pelo
procedimento de contratação direta de inexigibilidade, desde que a natureza do
serviço seja singular, isto é, com características individualizadoras em relação ao
trabalho a ser executado (MEIRELLES, ALEIXO, BURLE FILHO, 2014, p. 319 e
320).
Importante ressaltar que a melhor modalidade de licitação é o concurso para
contratação de serviços técnicos profissionais especializados, mas nada impede que
seja feita a contratação por convite, tomada de preço ou concorrência, caso exista a
possibilidade concorrência entre os interessados em contratar com a Administração
(JACOBY FERNANDES, 2014, p. 605 e 607).
Não obstante ao supracitado, destaca-se que todos os requisitos devem estar
em harmonia, agir conjuntamente, caso sejam tomados isoladamente, não se pode
assegurar a inexigibilidade de licitação.
Por fim, a lei prescreve como inexigível a licitação para a contratação de
quaisquer profissionais do setor artístico – consoante o artigo 25, inciso III, da Lei nº
8.666/93 –, mesmo que o negócio venha a ser celebrado pelo seu empresário. Logo,
a fim de que haja a contratação de artista, como nas outras hipóteses de
inexigibilidade, é preciso comprovar requisitos fundamentais, os quais serão
apresentados a seguir (MEIRELLES, ALEIXO, BURLE FILHO, 2014, p. 320).
Dá-se esta inexigibilidade por causa da natureza que inviabiliza a competição,
pois a arte é personalíssima. Portanto, a Administração não teria como fixar critérios
de avaliação objetivos para a contratação, devendo pactuar o contrato de forma
direta (CARVALHO FILHO, 2015, 278 e 279).
Tem-se que, para ocorrer à contratação de artista, é precisar a consagração
deste pela crítica especializada ou pela opinião pública. Deste modo, o critério de
consagração pela crítica especializada é relativo, uma vez que depende de fatores
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os quais variam em tempo e espaço, pois o artista pode ser reconhecido em


determinados locais, por certos públicos ou avaliado pela crítica especializada.

4 A POSSIBILIDADE DE CONTRATAÇÃO DE ADVOGADO PELA


ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA PARA DEFENDÊ-LA POR INEXIGIBILIDADE DE
LICITAÇÃO SEM ESTE SER DETENTOR DE CARGO PÚBLICO

Hodiernamente, a fim de contratar serviços de advogado, o sistema jurídico


brasileiro vigente submete a Administração Pública ao concurso público ou à
licitação, podendo contratar diretamente por inexigibilidade em casos peculiares
previstos na própria Lei de Licitações (MENEZES, 2014, p. 18 e 57).
A Constituição Federal de 1988 dispôs em seu artigo 37, inciso II e V7 que é
obrigatório o concurso público para a investidura de cargos ou empregos públicos.
No entanto, existe exceção que são os cargos comissionados, livres de nomeação e
exoneração. Estes destinados à direção, chefia ou assessoramento.
Para que ocorra a contratação de serviços jurídicos é extremamente
necessária à especialização ou experiência do profissional um determinado ramo do
direito a ser contratado pela Administração Pública a fim de defendê-la em causa
própria (JACOBY FERNANDES, 2014, p. 614).
De acordo com o supracitado, a Lei de Licitações, expressamente em seu
inciso II do artigo 25, permite a contratação de serviços técnicos com profissionais
de notória especialização, cujo objeto pretendido pela Administração tenha natureza
singular, enumerados no artigo 13 do referido diploma licitatório (LEFÈVRE, 2014, p.
103).
Ainda, o artigo 13, inciso V, da Lei nº 8.666/93 autoriza contratação direta de
serviços jurídicos a fim de patrocinar ou defender ente público em causas judicias ou
administrativas por meio do instituto da inexigibilidade de licitação, desde que se
cumpram os requisitos expressos no artigo 25, inciso II, da mesma Lei, os quais são:

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Art. 37. [...] II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em
concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do
cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão
declarado em lei de livre nomeação e exoneração; [...] V - as funções de confiança, exercidas
exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em comissão, a serem
preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei,
destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento;[...].
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singularidade do serviço a ser prestado e a notória especialização do profissional


desejado pela Administração (MENEZES, 2014, p. 61 e 62).
Portanto, os serviços advocatícios que tenham caráter singular e possuam
como liame direto a imprescindibilidade de serviços técnicos profissionais de notória
especialização, exigindo dos profissionais advogados de uma determinada seara
conhecimento extraordinário, acima dos patamares regulares de mercado, podem
ser contratados de forma direta pela Administração (DALLARI, 1998, p. 55).
Destaca-se que não se pode substabelecer ou transferir o serviço inexigível a
outro advogado, mesmo sendo sócio ou colaborador do mesmo escritório de
advocacia, tendo em vista a descaracterização do requisito de notória
especialização (MENEZES, 2014, p. 63).
Em contrapartida ao supramencionado, a Administração Pública deve, em
regra, possuir no seu quadro próprio de servidores advogados, os quais são
contratados mediante concurso público. Este fato possibilitaria uma prestação de
serviço, em tese, mais eficiente, pois os profissionais que atuam de forma
permanente e contínua conhecem, teoricamente, o nascedouro dos problemas
institucionais reais enfrentados pelos entes públicos (LEFÈVRE, 2014, p. 104).
A advocacia não é atividade exclusiva do Estado. Contudo, se o ente público
possuir em seu quadro institucional órgão responsável pelos serviços jurídicos
advocatícios públicos, será considerada atividade exclusiva do Estado. O Advogado
de Estado possui vínculo jurídico específico, visa ao interesse público, não podendo,
em quaisquer hipóteses, sucumbir ao interesse particular, subjetivo (HARDY, 2004,
p. 128).
O cerne da discussão se enfatiza quando o ente público, ora contratante,
possui um corpo de advogados integrados na estrutura estatal, como, por exemplo,
as procuradorias, as quais obtiveram aprovação em um rigoroso processo seletivo
(concurso público), atestando a sua qualidade, fazendo com que se vise ao
interesse da Administração Pública (interesse coletivo) e não do Administrador.
Desta forma, quando não há procuradoria ou um corpo de advogados junto à
Administração Pública, torna-se uma temática árdua de impossibilitar a contratação
de advogados ou viabilizar competição entre os mesmos (MADEIRA, 2014, p. 733).
Outro ponto importante de frisar é sobre os cargos comissionados na
Administração Pública são exclusivos a quem possui cargo efetivo em regra. Nesta
senda, as atividades de direção, chefia e assessoramento são destinadas aos
14

concursados. Porém nada impede designar pessoas de fora da carreira estatutária,


desde que exerçam exclusivamente as atividades de direção, chefia ou
assessoramento (MENEZES, 2014, p. 109).
Ainda, destaca-se que as atividades postulatórias para defesa de patrimônio
público são inatas de Advogados Públicos. Os agentes em cargo de comissão têm
suas tarefas voltadas exclusivamente para as funções de direção, chefia e
assessoramento, não se envolvendo na defesa de bens públicos.
Neste viés, é inaceitável que a Advocacia Pública seja desempenhada por
quem vise a questões políticas e não possui técnica jurídica, bem como não tenha
compromisso com os preceitos da Administração Pública (ARNAUD, 2012).
A grande adversidade a qual emana dos cargos de comissão está relacionada
com o agente político, uma vez que este, eleito por determinado mandato, exige do
comissionado comprometimento político partidário e submissão junto às diretrizes
políticas estabelecidas, interferindo diretamente no interesse público e, por
consequência, enfraquecendo as instituições públicas. Logo, não há como
desempenhar atividades profissionais livre de preocupações quando existe ausência
de autonomia (ZOCKUN, 2012).
Por estes motivos, a Advocacia Pública precisa ser guarnecida por uma
blindagem contra os agentes políticos a fim de promover maior autonomia às
instituições estatais, devendo afastar os profissionais transitórios de cargos de
comissão (OLIVEIRA, 2008).
Todavia, mesmo com a existência de uma estrutura organizada de advogados
contratados por concurso público pela Administração, existem situações específicas
ou peculiares às quais necessitam da contratação de advogado estranho ao quadro
de servidores do órgão público, seja por fatores econômicos que inviabilizam a
contratação de advogados mediante concurso público ou porque um advogado seria
melhor para satisfazer determinada atividade singular, podendo ocorrer à
contratação por inexigibilidade de licitação (LEFÈVRE, 2014, p. 103).
Tem-se como exemplo a possibilidade de todos os procuradores ajuizarem
ação contra o município com o intuito de defender suas garantias institucionais.
Caso o Procurador Geral não esteja também na defesa dos interesses da instituição,
ele poderá fazer a defesa do município (BANDEIRA, 2011).
Giza-se também que mesmo o Procurador não fazendo parte de ajuizamento
de ação para garantir o interesse da instituição da Procuradoria, denota-se pela
15

possibilidade da contratação de advogado para defesa de ente público por


inexigibilidade de licitação.
Logo, se a Administração Pública desejar contratar advogado para promover
ou defendê-la em causas judiciais ou administrativas sem que o objeto tenha
natureza anômala, cometerá ilegalidade por violar requisitos fundamentais à
inexigibilidade, mesmo o sendo o contratado profissional de notória especialização
(MENEZES, 2014, p. 66).
Os serviços de natureza simples podem ser feitos por quaisquer escritórios de
advocacia do mercado de trabalho. Não são eivados de complexidade, bem como
não precisam que o profissional a realiza-lo tenha especialização (JACOBY
FERNANDES, 2014, p. 615).
Por este motivo que, quando for possível a escolha objetiva, o Estatuto das
Licitações permite a contratação de profissionais para serviços simples por meio
procedimento licitatório na modalidade concurso, expresso no §1º8 do artigo 13 do
referido diploma (DALLARI, p.57, 1998).
Importante frisar que a contratação de advogado em causas judiciais ou
administrativas de órgão público, pode ser mais satisfatória e eficiente em situações
de natureza singular. É por este motivo que a Lei nº 8.666/93 permite a contratação
de advogado para defender a Administração Pública por inexigibilidade de licitação
(LEFÈVRE, 2014, p. 105).
O objetivo central da contratação de advogado para defender ente público por
inexigibilidade de licitação não é o de esvaziar o disposto no artigo 1329 da
Constituição Federal, pois a Carta Magna não impede a contratação de advogado
em caráter temporário para resolução de questões específicas, quanto menos no
âmbito Municipal (DALLARI, 1998, p. 51 e 56).
Ademais, a contratação por inexigibilidade de advogado pela Administração
Pública não tem caráter reincidente de causas judiciais as quais sejam oriundas do
mesmo objeto. Cabe ao ente público, após advogado autônomo cumprir com o
serviço de natureza singular, promover a capacitação de seus Advogados de Estado

8 o
Art. 13. [...]§ 1 Ressalvados os casos de inexigibilidade de licitação, os contratos para a prestação
de serviços técnicos profissionais especializados deverão, preferencialmente, ser celebrados
mediante a realização de concurso, com estipulação prévia de prêmio ou remuneração.
9
Art. 132. Os Procuradores dos Estados e do Distrito Federal, organizados em carreira, na qual o
ingresso dependerá de concurso público de provas e títulos, com a participação da Ordem dos
Advogados do Brasil em todas as suas fases, exercerão a representação judicial e a consultoria
jurídica das respectivas unidades federadas.
16

com intuito de que seu próprio corpo técnico esteja preparado para atuar em
demandas as quais por ventura possam ocorrer novamente (MENEZES, 2014, p.
65).
Sendo assim, a característica principal desta contratação direta de advogado
especializado fortalece o corpo de Advogados do Estado, uma vez que proporciona
uma troca de experiências e orientações, podendo ser feito um trabalho preventivo
deste elo entre advogado altamente qualificado e Advogado Público, evitando falhas
da Administração Pública e, por consequência, reduzindo as ações judiciais ou
administrativas contra o Poder Público (DALLARI, 1998, p. 51 e 52).
Ainda, existem pequenos Municípios que contratam diretamente advogados
por uma remuneração módica com a finalidade de em caso de existir Procuradoria,
auxiliá-la em demandas, e por ventura se inexistir a Procuradoria, para atuar no
lugar desta ou fornecer orientações jurídicas ao Município.
Giza-se que estes advogados mesmo não sendo notoriamente especializados
como requer os requisitos de inexigibilidade possuem conhecimentos e experiências
na seara do direito público quando comparados com outros advogados que militam
em outras áreas do direito.
Por fim, pode-se contratar advogado para defender Prefeito acusado de
cometer crime de responsabilidade ou infração político-administrativa, uma vez que
a acusação ocorre no exercício do mandato popular e não da pessoa física
(FERREIRA, 2008, p. 810 e 811).
O agente político pratica seus atos em nome da coletividade e não em nome
próprio, pois lhe fora atribuído o munus público. Entretanto, caso o seu ato seja
praticado com desvio de finalidade, não se admite o patrocínio de sua defesa pela
Administração Pública.

5 O ATUAL POSICIONAMENTO DOS ÓRGÃOS DE CONTROLE

A jurisprudência que versa sobre a contratação de advogado por


inexigibilidade de licitação para defender a Administração Pública em causas
judicias ou administrativas é assunto de extrema relevância, tanto para o Poder
Judiciário como ao Tribunal de Contas da União (JUSTEN FILHO, 2014, p. 507 e
508).
17

5.1 O POSICIONAMENTO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL E DO SUPERIOR


TRIBUNAL DE JUSTÇA

A Corte do Supremo Tribunal Federal decidiu pelo não conhecimento do


Recurso Extraordinário nº 466.705/SP no ano de 2006. Com esta decisão, não se
pode fazer uma análise quanto à temática da possibilidade de contratação de
advogado por inexigibilidade de licitação para defender o ente público.
Em decisão mais recente (2014), Supremo Tribunal Federal, em inquérito nº
3.074/SC, cujo relator foi o Ministro Roberto Barroso, decidiu pela maioria dos votos
que para haver a contratação direta de escritório de advocacia por inexigibilidade
para defender ente público devem ser observados alguns requisitos, tais como: a
existência de procedimento administrativo formal; a notória especialização
profissional; a natureza singular do serviço; demonstração à inadequação da
prestação do serviço pelos integrantes do Poder Público; e cobrança de preço
compatível com o praticado pelo mercado.
Todavia, há de se ressaltar o voto do Ministro Marco Aurélio, uma vez que o
mesmo optou por receber a denúncia justamente pelo tema aqui debatido. Em seu
entendimento, o Município de Joinville, Santa Catarina, é de grande porte e possui
corpo estruturado de Advogados do Estado devidamente remunerados,
Procuradoria, o qual estava preparado para promover a demanda judicial, inclusive
com a peça exordial já feita.
Atualmente, a Suprema Corte julgará o Recurso Extraordinário nº 656.558,
cujo o Relator é o Ministro Dias Toffoli. A contratação de advogado por
inexigibilidade de licitação para defender órgão público em causas judicias ou
administrativas está novamente no Supremo Tribunal Federal.
Mesmo a posição do Supremo Tribunal Federal estando sedimentada quanto
ao reconhecimento da contratação de advogado por inexigibilidade de licitação para
defender a Administração Pública, diversas são as iniciativas que tentam alterar o
entendimento da Suprema Corte a fim de impugnar qualquer contratação direta de
advogado pelos entes públicos (LEFÈVRE, 2014, p. 103).
Cabe salientar que o Superior Tribunal de Justiça apreciou o assunto
abordado, o qual deu origem ao Recurso Extraordinário nº 656.558, em seu Recurso
Especial nº 488.842/SP, e definiu ser necessário para contratação de advogado por
inexigibilidade cumprir com os requisitos de singularidade do objeto pretendido e a
18

notória especialização do profissional a ser contratado, sob pena de incidir as


penalidades da Lei nº 8249/92, isto é, a Lei de Improbidade Administrativa, mesmo
existindo Advogado Público devidamente remunerado, desde que este não possua
condições para a especificidade da demanda.

5.2 O POSICIONAMENTO DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO


GRANDE DO SUL

Em sua jurisprudência atual – Apelação Cível nº 70061076162, Apelação


Cível nº 70064476526 e Agravo nº 70067566422 – o Tribunal de Justiça do Estado
do Rio Grande do Sul tem o entendimento de que para configurar a inexigibilidade
de licitação é imprescindível comprovar a inviabilidade de competição (artigo 25,
caput), singularidade do serviço prestado e notória especialização do profissional
almejado (inciso II do artigo 25 da Lei de Licitações).
Ainda, destaca sobre a impossibilidade de contratar escritório advocatício com
a finalidade de prestar serviços jurídicos de natureza simples ou corriqueiros, os
quais não se caracterizam como singulares.

5.3 O POSICIONAMENTO DO TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO E DO


TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

A Suprema Corte de Contas possui a súmula 3910 e a 25211, as quais


abordam a matéria de contratação de notórios profissionais especializados por
inexigibilidade. Em sua primeira súmula orienta que é preciso existir a natureza
singular do objeto, serviço almejado pela Administração, sendo insuscetível aferir
por critérios objetivos de qualificação do processo de licitação.
A segunda súmula não contraria o disposto na primeira, apenas acrescenta a
necessidade de comprovar a presença de três requisitos inerentes a inexigibilidade

10
Súmula Nº 039 de 04/12/1973 – A inexigibilidade de licitação para a contratação de serviços
técnicos com pessoas físicas ou jurídicas de notória especialização somente é cabível quando se
tratar de serviço de natureza singular, capaz de exigir, na seleção do executor de confiança, grau de
subjetividade insuscetível de ser medido pelos critérios objetivos de qualificação inerentes ao
processo de licitação, nos termos do art. 25, inciso II, da Lei nº 8.666/1993.
11
Súmula Nº 252 de 31/03/2010 – A inviabilidade de competição para a contratação de serviços
técnicos, a que alude o inciso II do art. 25 da Lei nº 8.666/1993, decorre da presença simultânea de
três requisitos: serviço técnico especializado, entre os mencionados no art. 13 da referida lei,
natureza singular do serviço e notória especialização do contratado.
19

expressa no inciso II do artigo 25 da Lei de Licitações, os quais são: serviço técnico


especializado, descrito pelo art. 13 da Lei nº 8.666/93; a natureza singular do serviço
e a notória especialização do contratado.
Ademais, as decisões dos acórdãos do Tribunal de Contas da União são
sedimentadas em relação ao tema abordado, pois a fim de contratar advogado por
inexigibilidade é indispensável à natureza singular do objeto, a notória
especialização do profissional e a inviabilidade de competição. Ainda, é refutada a
argumentação de confiança entre o Administrador e contratado, uma vez que não há
amparo legal, conforme acórdãos nº 669/2012, 2.012/2007 e 213/1999.
O Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul tem o mesmo
entendimento que o Tribunal de Contas da União. Porém, há divergência na
compreensão da contratação ser baseada no elemento confiança. Pode ocorrer a
contratação devido à confiança entre contratante e contratado desde que esteja
vinculado o requisito de notória especialização do profissional, tendo em vista a
decisão nº 1C-0011/2013, processo 001072-02.00/10-2.

5.4 O POSICIONAMENTO DO CONSELHO FEDERAL DA ORDEM DOS


ADVOGADOS DO BRASIL

O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, por sua súmula nº


412, entende pela inexigibilidade do próprio procedimento de licitação para
contratação de serviços advocatícios pela Administração Pública devido à
singularidade da atividade, a notória especialização e a inviabilidade objetiva de
competição, não podendo ser aplicado o disposto no artigo 89 da Lei de Licitações.
A súmula nº 513 impede a responsabilização do advogado, civil ou
criminalmente, por emitir parecer técnico sobre dispensa ou inexigibilidade de
licitação, visto que cumpre atividade no exercício da profissão.

12
SÚMULA N. 04/2012/COP – ADVOGADO. CONTRATAÇÃO. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
INEXIGIBILIDADE DE LICITAÇÃO. Atendidos os requisitos do inciso II do art. 25 da Lei nº 8.666/93,
é inexigível procedimento licitatório para contratação de serviços advocatícios pela Administração
Pública, dada a singularidade da atividade, a notória especialização e a inviabilização objetiva de
competição, sendo inaplicável à espécie o disposto no art. 89 (in totum) do referido diploma legal.
13
SÚMULA N. 05/2012/COP – ADVOGADO. DISPENSA OU INEXIGIBILIDADE DE LICITAÇÃO.
CONTRATAÇÃO. PODER PÚBLICO. Não poderá ser responsabilizado, civil ou criminalmente, o
advogado que, no regular exercício do seu mister, emite parecer técnico opinando sobre dispensa ou
inexigibilidade de licitação para contratação pelo Poder Público, porquanto inviolável nos seus atos e
20

Isto porque os serviços advocatícios têm peculiaridades impeditivas em sua


legislação no que tange a disputa pelo cliente. Não se pode realizar entre entidade
de advogados processo de licitação cujo critério seja o menor preço ou que torne o
menor preço como fator para o julgamento.
Por este motivo que o Estatuto das Licitações admite a contratação de
advogados por procedimento de licitação pela modalidade de concurso, pois a
Administração Pública é quem apresenta previamente a remuneração ofertada para
o serviço desejado (DALLARI, 1998, p. 53 e 54).

6 CONCLUSÃO

Atualmente, o tema de contratação de advogado por inexigibilidade de


licitação está em voga novamente no Supremo Tribunal Federal, em sede de
Recurso Extraordinário nº 656.558.
Em outras situações, este assunto já esteve na Suprema Corte. Por exemplo,
o inquérito nº 3.074/SC, o qual foi decidido, por maioria dos votos, pela possibilidade
de contratação de advogado para defender ente público, desde que respeitados os
requisitos essenciais previstos no inciso II do artigo 25 da Lei de Licitações. Por
outro lado, o Recurso Extraordiário nº 466.705/SP (2006), também chegou ao
Supremo Tribunal Federal, entretanto, o recurso não foi conhecido.
A polêmica em questão é o por quê contratar advogado por inexigibilidade,
sendo que diversos entes da Administração Pública possuem quadro próprio de
Advogados Públicos extremamente capacitados para desempenhar as mesmas
atividades, os quais visam ao interesse público e não o particular do administrador
ou agente político.
Trata-se de matéria de difícil cognição, uma vez que o advogado contratado
por inexigibilidade de licitação atuaria nas demandas administrativas e judiciais no
lugar do corpo de advogados integrados à estrutura estatal.
A contratação de profissionais para realizar atividades jurídicas frente à
Administração Pública deve ser feita por concurso público, este que é obrigatório.
Paralelamente e em regime de exceção, têm-se os cargos comissionados livres de
nomeação e exoneração. Estes são, via de regra, cargos de confiança

manifestações no exercício profissional, nos termos do art. 2º, § 3º, da Lei n. 8.906/94 (Estatuto da
Advocacia e da OAB).
21

oportunizados aos servidores públicos. Contudo, nada impede que o administrador


contrate pessoas fora da carreira estatutária.
Assim sendo, a Advocacia Pública fica submissa à vontade dos agentes
políticos, o que enfraquece a Administração Pública. O Advogado Público conhece a
história da instituição e visa ao interesse público, praticando suas atividades de
maneira eficiente. Ideologia controversa ao cargo comissionado, pois geralmente
são pessoas subalternas às diretrizes políticas do mandatário. Por estes motivos, a
Advocacia Pública precisa se revestir de autonomia, necessita de blindagem,
devendo-se afastar os cargos transitórios de comissão e a submissão ao agente
político.
Ainda, existem situações às quais o ente público não possui Advogado
Público, como por exemplo, os municípios do interior do estado, tendo como solução
a contratação de advogado por inexigibilidade de licitação a fim de prestar o serviço
desejado, mesmo que para desempenhar atividades corriqueiras.
Deve-se priorizar o concurso público para a contratação de profissionais do
setor jurídico a fim de promover o fortalecimento a Advocacia Pública e responder as
demandas tanto administrativas como judiciais do ente público.
Em segundo plano, na falta da possibilidade de concurso público, a
Administração Pública precisa promover processo licitatório entre advogados para
obter a prestação de serviços de natureza jurídica.
A Constituição Federal de 1988, em seu inciso XXI do artigo 37, exige à
Administração Pública prévia licitação para contratação de obras, serviços,
aquisições e alienações. A própria Carta Magna prevê no mesmo dispositivo que
podem existir exceções quanto à obrigatoriedade de prévia licitação, devendo ser
estipuladas em lei específica. Desta forma, a contratação direta pode ser feita em
último caso, quando não se tem condições de visar ao concurso público e ao
procedimento licitatório.
Não contrário a Constituição Federal de 1988, o Estatuto das Licitações
contempla estas ressalvas como formas de contratação direta, sendo elas: a
dispensa de licitação – tanto dispensável (artigo 24) como dispensada (artigo 17) –
inexigibilidade de licitação (artigo 25) e o instituto do credenciamento (entendimento
do Tribunal de Contas da União). Todas essas formas de contratação direta
possuem suas hipóteses e requisitos, algumas com rol taxativo (dispensa de
22

licitação) e outras com rol exemplificativo (inexigibilidade de licitação, a qual deu


origem ao instituto do credenciamento).
Importante frisar que a matéria para a qual o advogado foi contratado pelo
ente público por inexigibilidade não pode ser reincidente. Cabe à própria
Administração Pública promover a capacitação de seus Advogados Públicos a fim
de diminuir as demandas judiciais e administrativas, através de uma política de
prevenção.
Neste mesmo viés, o objetivo de contratar advogado por inexigibilidade em
última circunstância não tem como finalidade esvaziar o disposto no artigo 132 da
Constituição Federal de 1988, mas sim, fortalecer cada vez mais a Administração
Pública.
Por fim, a contratação de serviços advocatícios por inexigibilidade para
defender a Administração Pública em causas judiciais e administrativas é válida,
desde que em regime de exceção (preservando-se primeiro o concurso público para
contratação de novos Advogados Públicos; na falta destes o procedimento de
licitação) e pela peculiaridade do serviço almejado pela Administração Pública,
conforme o artigo 25, inciso II, combinado com o artigo 13, inciso V, ambos da Lei nº
8.666/93.

REFERÊNCIAS

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Federal às Procuradorias Municipais. Jus Navegandi : Teresina, 2012. Disponível
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15:52.

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23

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<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8666cons.htm>. Acesso em: 21 maio
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<http://www.oab.org.br/Content/pdf/sumulas/sumula-04-2012-COP.pdf>. Acesso em:
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inexigibilidade de licitação. Contratação. Poder Público. Disponível em:
<http://www.oab.org.br/Content/pdf/sumulas/sumula-05-2012-COP.pdf>. Acesso em:
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BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial nº 488.842. Administrativo.


Ação Civil Pública. Improbidade administrativa. Serviço de advocacia. Contratação
com dispensa de licitação. Violação à Lei de Licitações (Lei 8.666/93, arts. 3º, 13 e
25) e à Lei de Improbidade (Lei 8.429/92, art. 11). Execução dos serviços
contratados. Ausência de prejuízo ao erário. Aplicação de multa civil em patamar
mínimo. Recorrente: Ministério Público do Estado de São Paulo. Recorrido: Adilson
Franco Penteado e outros. Relator: Ministro João Otávio de Noronha. Disponível em:
<https://ww2.stj.jus.br/processo/pesquisa/?tipoPesquisa=tipoPesquisaNumeroRegist
ro&termo=200201630483&totalRegistrosPorPagina=40&aplicacao=processos.ea>.
Acesso em: 09 mar. 2016 às 20:00.

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inexigência indevida de licitação. Serviços advocatícios. Rejeição da denúncia por
falta de justa causa. Recorrente: Ministério Público Federal. Recorrido: Henrique
Chiste Neto e outros. Ministro: Roberto Barroso. Disponível em:
24

<http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=401861
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Administração Pública: inexigibilidade de licitação para contratação de serviços de
advocacia com sociedade profissional de notória especialização (L. 8.666/93, art. 25,
II e §1º). Recorrente: Ministério Público de São Paulo. Recorrido: Advocacia Alberto
Rollo S/C e Jesus Adib Abi Chedid. Relator: Ministro Sepúlveda Pertence. Disponível
em:
<http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=232566
8>. Acesso em: 02 abr. 2016 às 15:11.

BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário nº 656.558.


Recorrente: Antônio Sérgio Baptista Advogados Associados S/C Ltda. Recorrido:
Ministério Público do Estado de São Paulo. Ministro: Dias Toffoli. Disponível em:
<http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=413825
8>. Acesso em: 02 abr. 2016 às 15:50.

BRASIL. Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul. Decisão nº 1C-


0011/2013. Penalidade pecuniária. Imposição de multa. Descumprimento de normas
de administração financeira e orçamentária. Alerta. A origem deve ser alertada para
evitar a reincidência das falhas apontadas e promover o saneamento do que é
passível de regularização. Gestão Fiscal. Emissão de parecer pelo atendimento da
Lei de Responsabilidade Fiscal. Parecer das contas. As inconformidades
constatadas não comprometem as contas sob apreciação, devendo ser emitido
parecer favorável à sua aprovação. Recorrente: Alcides Scussel. Recorrido:
Ministério Público de Contas. Relator: Conselheiro Algir Lorenzon. Disponível em:
<http://srv00.tce.rs.gov.br:8081/tcrsnet/lpext.dll?f=templates&fn=main-hit-j.htm&2.0>.
Acesso em: 20 abr. 2016 às 19:00.

BRASIL. Tribunal de Contas da União. Denúncia nº 001.552./1999-6. Denúncia.


Presentes os requisitos de admissibilidade insculpidos no art. 213 do Regimento
Interno. Conhecimento. Inspeção da Unidade Técnica demonstrou, de imediato, a
improcedência de parte da denúncia. Subsistência de outras irregularidades.
25

Audiência prévia dos responsáveis. Razões de justificativa suficiente para afastar


parte das impropriedades. Contratação direta de escritório pertencente a ex-
funcionários do Conselho Regional de Farmácia de Santa Catarina, logo após a
rescisão do contrato de trabalho. Causas judiciais de natureza comum. Possibilidade
da realização de licitação. Comportamento culposo dos responsáveis. Aplicação de
multa. Determinação à Entidade. Juntada do presente feito às contas do CRF/SC
referentes ao exercício de 1998. Remessa de peças do processo ao Ministério
Público Federal. Recorrente: Álvaro Luiz Parente e outros. Relator: Ministro
Benjamin Zymler. Disponível em:
<https://contas.tcu.gov.br/juris/Web/Juris/ConsultarTextual2/Jurisprudencia.faces?nu
meroAcordao=213&anoAcordao=1999>. Acesso em: 20 abr. 2016 às 19:44.

BRASIL. Tribunal de Contas da União. Relatório de Auditoria nº 018.009/2004-9.


Auditoria. Contratação de serviços advocatícios por inexigibilidade de licitação.
Inviabilidade de competição não comprovada. Orçamento estimativo do custo global
de obras sem informação de quantitativos. Multa. Determinações. Recorrente:
Renato Tadeu Seghésio e outros. Relator: Ministro Augusto Sherman. Disponível
em:
<https://contas.tcu.gov.br/juris/Web/Juris/ConsultarTextual2/Jurisprudencia.faces?nu
meroAcordao=2012&anoAcordao=2007>. Acesso em: 20 mar. 2016 às 19:37.

BRASIL. Tribunal de Contas da União. Representação nº 010.952/2005-0.


Contratação direta dos serviços técnicos enumerados no art. 13 da Lei nº
8.666/1993. Inviabilidade de competição não caracterizada. Procedência. Multa.
Determinações. Recorrente: Christian Luiz da Silva e outros. Recorrido: Gilberto
Gaeski. Relator: Ministro Marcos Bemquerer. Disponível:
<https://contas.tcu.gov.br/juris/Web/Juris/ConsultarTextual2/Jurisprudencia.faces?nu
meroAcordao=669&anoAcordao=2012>. Acesso em: 20 abr. 2016 às 19:28.

BRASIL. Tribunal de Contas da União. Súmula nº 39. A inexigibilidade de licitação


para a contratação de serviços técnicos com pessoas físicas ou jurídicas de notória
especialização somente é cabível quando se tratar de serviço de natureza singular,
capaz de exigir, na seleção do executor de confiança, grau de subjetividade
insuscetível de ser medido pelos critérios objetivos de qualificação inerentes ao
26

processo de licitação, nos termos do art. 25, inciso II, da Lei nº 8.666/1993.
Disponível em:
<https://contas.tcu.gov.br/juris/Web/Juris/ConsultarTextual2/Sumulas.faces?textoPes
quisa=39&>. Acesso em 20 de mar. 2016 às 19:09.

BRASIL. Tribunal de Contas da União. Súmula nº 252. A inviabilidade de


competição para a contratação de serviços técnicos, a que alude o inciso II do art.
25 da Lei nº 8.666/1993, decorre da presença simultânea de três requisitos: serviço
técnico especializado, entre os mencionados do art. 13 da referida lei, natureza
singular do serviço e notória especialização do contratado. Disponível em:
<https://contas.tcu.gov.br/juris/Web/Juris/ConsultarTextual2/Sumulas.faces?textoPes
quisa=252&>. Acesso em: 20 mar. 2016 às 19:20.

BRASIL. Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul. Agravo nº


70067566422. Agravo. Apelação Cível. Direito Público não especificado. Ação Civil
Pública. Serviços de advocacia. Inexigibilidade. Hipótese não configurada. Ausência
dos requisitos autorizadores. Nulidade do respectivo contrato administrativo.
Valores. Ressarcimento. Descabimento. Vedação ao enriquecimento sem causa.
Agravante: Município de Esteio e Dallagnol e Advogados Associados. Agravado:
Ministério Público. Relator: Desembargador Carlos Eduardo Zietlow Duro.Disponível
em:
<http://www.tjrs.jus.br/busca/search?q=70067566422&proxystylesheet=tjrs_index&cli
ent=tjrs_index&filter=0&getfields=*&aba=juris&entsp=a__politica-
site&wc=200&wc_mc=1&oe=UTF-8&ie=UTF-
8&ud=1&lr=lang_pt&sort=date%3AD%3AS%3Ad1&as_qj=70064476526&site=ement
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às 01:00.

BRASIL. Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul. Apelação Cível nº


70061076162. Apelações Cíveis. Ação Civil Pública. Improbidade administrativa.
Município de Bagé. Prefeito. Contratação de sociedade de advogados sem licitação.
Questão da inexigibilidade da licitação. Inviabilidade da competição. Requisitos da
singularidade e da notória especialização. Preliminares. I – Preliminares 1.
Inaplicabilidade da Lei 8.429/92 aos agentes políticos. Apelante: Luis Eduardo
27

Colombo dos Santos e Dallagnol – Advogados Associados. Apelado: Ministério


Público. Relator: Desembargador Irineu Mariani. Disponível em:
<http://www.tjrs.jus.br/busca/search?q=70064476526&proxystylesheet=tjrs_index&cli
ent=tjrs_index&filter=0&getfields=*&aba=juris&entsp=a__politica-
site&wc=200&wc_mc=1&oe=UTF-8&ie=UTF-
8&ud=1&lr=lang_pt&sort=date%3AD%3AS%3Ad1&as_qj=70061076162&site=ement
ario&as_epq=&as_oq=&as_eq=&as_q=+#main_res_juris>. Acesso em: 02 abr. 2016
às 00:39.

BRASIL. Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul. Apelação Cível nº


70064476526. Improbidade administrativa. Prefeito. Sociedade de advogados.
Contrato de prestação de serviços de advocacia. Licitação. Inexigibilidade. Nulidade.
Parecer. Apelante: Ministério Público e Ary José Vanazzi. Apelado: Município de São
Leopoldo e outros. Apelado: Relator: Desembargadora Maria Isabel de Azevedo
Souza. Disponível em:
<http://www.tjrs.jus.br/busca/search?q=70064476526&proxystylesheet=tjrs_index&cli
ent=tjrs_index&filter=0&getfields=*&aba=juris&entsp=a__politica-
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