A AÇÃO SOCIAL COMO RESULTADO PRÁTICO DA JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ RICARDO MARTINS MATIOLI Tese elaborada na Faculdade Teológica Sul

Americana

INTRODUÇÃO. I - A JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ. 1 – A Firmeza da Fé. 2 - Motivação para o Serviço. 3 - Somos a Justiça de Deus II – AÇÃO SOCIAL EM UMA IGREJA JUSTIFICADA. 1 – A Igreja Primitiva. 2 – A Reforma. 3 - A América Latina. 4 - A Igreja Presbiteriana em Londrina. III – DESAFIOS DE UMA ECLESIOLOGIA SERVIÇAL. 1 – A diaconal política da Igreja. 2 – Obedecendo a Grande Comissão. 3 – Jesus o Pão da Vida. 4 – Ação Social como provedora da comunhão. IV - BIBLIOGRAFIA

INTRODUÇÃO.

A justificação é pela fé em Cristo. Não se trata de pressupostos da tradição cristã apenas. Ela é tema de todo o agir da eclesiologia que emana da praticidade da vivência cristã. Diríamos, mais ainda, que a justificação está para a exigência ética da ação social assim como a fé está para a vida cristã. A espiritualidade cristã, nesse contexto, é a junção de fé e prática. O objetivo dessa reflexão teológica é afirmar que o ministério diaconal só é possível para aqueles que foram alcançados pela justiça divina. A ekklesia manifesta esses princípios como algo visível da fé justificadora. Para tanto, fundamentarei, inicialmente, três características básicas da justificação pela fé, a saber: a) a firmeza da fé; b) a motivação para o serviço; e c) somos a justiça de Deus Depois, apresentarei historicamente a ação social dentro de uma igreja justificada. Não considerarei a questão pessoal que a justificação exerce na teologia dogmática, mas sim irei um pouco mais além, utilizando a teologia sistemática, optando por uma linha reformada de prática teológico-pastoral, ou seja, na questão sistemática enquanto justificadora das estruturas eclesiásticas para a manifestação da diaconia cristã. Pois, entendendo que a igreja é serva - veio ao mundo para servir e tendo Cristo como exemplo-mor - é pois a exemplificação da igreja justificada na prática da ação social. Para tanto, a exposição da Igreja Presbiteriana Maanaim de Londrina como articuladora da ação social no meio da comunidade é símbolo figurativo do aspecto visível da justificação pela fé em Cristo. Por fim, apresentarei a Igreja serva num contexto latino-americano que, profeticamente exerce missão diaconal.

I - A JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ.

1 – A FIRMEZA DA FÉ.

A justificação pela fé provoca no cristão a segurança da salvação já alcançada pelo trabalho de Cristo. Ela possui o caráter de firmar o cristão no caminho de Jesus. Promove, ainda, a convicção frente aos desafios provocados pela missão. Essa firmeza se torna, então, no princípio básico da vida cristã. A firmeza da fé é algo para ser vivido e praticado. Não é mera discussão transcendente a respeito da experiência cristã com o Espírito, mas a vivência da realidade espiritual que move e estimula os cristãos a uma prática de fé visível. É, pois, a firmeza da fé que possibilita ao mundo o enxergar as obras. Sendo assim, a fé é somente para os que crêem, é somente em Cristo e é somente para a justificação. Berkhof nos dá uma compreensão clara sobre a segurança da fé:

"Devido à certeza que a expressão "segurança da fé" nem sempre se usa no mesmo sentido, é preciso fazer uma cuidadosa distinção. Há uma dupla segurança, ou seja: primeiro, a segurança objetiva da fé, que é "a certa e indubitável convicção de que Cristo é tudo o que declara ser e que fará tudo o que promete". Convence-nos, em geral, que esta segurança é a da essência da fé. Segundo, a segurança subjetiva da fé, ou a segurança da graça e da salvação, que consiste em um sentido de segurança e proteção, que se levanta em muitos casos à altura de uma convicção firme de cada crente como indivíduo já pode ter seus pecados perdoados e salvo sua alma."

Podemos

perceber

que

a

exposição

teológica

de

Berkhof

define

classicamente a eficácia da fé (objetiva e subjetiva), ou seja ao mesmo tempo que nos leva a crer em Cristo como cumpridor de todas as suas promessas, Ele mesmo convence-nos de que somos perdoados e salvos. Quanto a essa realidade salvífica de Cristo não há argumentos que desdizem dessa firmeza. Estar firme em Cristo é compreender o aspecto apologético da fé. Berkhof conclui sobre a firmeza da fé a partir de estudos históricos que ela proporcionou aos de tradição reformada. Gustaf F. Aulén dá outros um aspecto duplo da fé:

"De um lado, Deus subjuga a alma humana; de outro, o homem voltase para Deus e a Ele se entrega. A referência à atividade do homem não implica numa negação de que a origem e a existência da fé sejam devidas exclusivamente ao "ato" de Deus e ao "ato" do homem, ou opor um ao outro, envolve uma racionalização comprometedora."

Aulén nos faz perceber que o homem volta-se para Deus e isto o leva a se comprometer com Ele, de modo que seu crer não é simplesmente porque lhe dá vantagens, mas porque lhe dá disposição a não negar o amor divino. E a este respeito Aulén afirma ainda:

"É evidente para a fé que a atividade do amor divino não pode ser julgada ou avaliada segundo padrões humanos. Não cabe ao homem decidir, a partir do ponto de vista do seu próprio poder, o que é e o que não é obra do amor divino. A fé sabe muito bem que o amor divino pode esconder-se na ira, malgrado esta pareça diametralmente oposta àquele. Não se atreve a interpretar os modos de agir do amor divino baseado no desenvolvimento histórico. Não esquece que Deus não só é Deus revelado mas também o Deus que, nas circunstâncias da vida terrena, se esconde do homem. A firmeza da fé, apegando-se ao amor divino não obstante o testemunho dos eventos terrenos, tem sempre um tom de apesar de."

Assim Aulén mostra que a firmeza da fé apegada ao amor divino se torna em um poder que gera na vida do homem a vontade divina, fazendo com que todas as suas atividades se caracterizem pelo amor. E na medida que esse amor de Deus penetra na sua vida leva-o em direção ao seu próximo. Como disse Lutero, "O cristão deve ser um "Cristo" para o seu próximo". Para Lutero, o homem precisa ser salvo a fim de poder fazer o bem, sendo assim o ego humano descresse, e cresce nas mãos de Deus como instrumento de seu amor. Para o apóstolo Paulo, a salvação pela fé é um novo projeto de Deus (Rm 3:21-26; 5:9,11; 6:19,21,22, 7:6; 8:1-18,22; 11:5,30,31 e 16:26) uma vez que a lei se revelou ineficaz, não tornou o homem justo, não o liberta do pecado e pela fé em

Ele nos torna justos pelo dom do seu Espírito Santo. dos homens só pede a fé em Cristo. da ação social. gratuitamente. tudo aquilo que a lei não conseguia fazer. do serviço. o certo é que Paulo não aboliu a Lei. a lei sempre demarca sob os limites da suspeita. mas suspeita de sua verdade. pois tudo é graça".MOTIVAÇÃO PARA O SERVIÇO.Cristo Jesus todo homem pode ser justificado. pois o justificado não confia nela. neste argumento. significa renunciar a toda força humana para depender somente da força de Deus para entrar na prática da fé pelos desafios: da missão. Ele faz o resto. sem esperar que nós nos tornemos justos. Envia seu Filho para morrer na cruz. Paulo se opõe entre a lei e a fé e entre as obras da lei e a fé e. A despeito de muitas discussões sobre esta questão. Cristo é substituto dos sacrifícios expiatórios da Antiga Aliança. mas situa o gesto salvador de Cristo como instrumento de libertação e propiciação. independentemente de qualquer mérito de sua parte. Para o apóstolo. não há exclusão de outros povos que não vivam sob a Lei judaica. Não pede a iniciativa humana. mediante a fé (Rm 3:25). Assim. Comblin assevera que Deus ama primeiro e toma a iniciativa de perdoar antes que o homem pudesse realizar sequer algumas obras boas. Vê-se com clareza que o cristão depende totalmente de Deus e não pode pensar em ser autor de sua própria salvação pelas obras. 2 . Assim. de algo que não apenas se crê ser verdadeiro. Pelo Espírito Santo e pelo efeito da redenção de Cristo ele aprende a agir nesta dependência e torna-se capaz de agir fazendo o bem. o que a lei não fazia. porém o caminho da fé o fundamenta em uma esperança sólida. . etc. mas que é verdadeiro. Suas obras nada acrescentam. Perrot diz que "o homem é justificado só pela fé. por seu próprio sangue.

a sua importância. "pois o próprio Filho do homem não veio para ser servido. O hino que Paulo consagra a Cristo em Fl 2:6-11 nos mostra que Cristo veio como servo. O Espírito é o confirmador (selo) desse estímulo provocado. para que. mas se elas são geradas por motivações erradas nada valem. É uma ação a favor do ser humano. uma vez que a ação está a serviço da vida. Assim o Senhor quer que a motivação para o serviço esteja Nele e todos são convidados a seguir seu exemplo. dignidade. vendo Cristo como modelo e a inspiração para o seu serviço. A resposta é a execução do serviço proposto pela Missão de Deus. como eu vos fiz. o cristão não precisa servir a Ele somente dentro de seu ambiente eclesiástico. Estas considerações tornam clara a idéia que a motivação está na fé em Cristo. A motivação certa para o serviço é a humildade com o próximo. Portanto. E além de ser exemplo ensina a humildade e serviço e diz a seus discípulos: "Porque eu vos dei o exemplo.A fé em Cristo é o estímulo provocado no coração do cristão. isto em razão de que o cristão pode estar cheio de atividades. em segundo lugar que este exemplo divino deve ser seguido por todo "cristão" que tem sua vida em Cristo. Kjell Nordstokke nos dá a seguinte compreensão acerca da esfera da ação: pois é somente a partir de Deus que o ser humano pode adquirir . pois Deus não está apenas interessado em que fazemos. manifestou sua preocupação com a salvação de todos os homens e do homem como um todo. e a motivação errada sempre traz conseqüências funestas" É com a motivação certa que o cristão deve servir. mas para servir e dar sua vida em resgate por muitos" (Mc 10:45). Assim. Jesus Cristo é o maior exemplo de servo." (Jo 13:15). Manfred Grellet ressalta a importância dessa motivação correta dizendo que "a correta motivação conduz ao bom serviço. façais vós também. manifestando o mesmo espírito de serviço. A motivação é tão importante quanto a ação. mas o porquê fazemos. a motivação para o serviço deverá ser buscada com muito cuidado e ponderação. Este exemplo divino revela em primeiro lugar. agindo somente pela ação do Espírito Santo.

A fim de que sejam para isso habilitados. se opõe contra a dignidade humana. pelo contrário. somos chamados a ser embaixadores em nome de Cristo no Ministério (em grego: diakonia) da reconciliação". seguindo o exemplo de Jesus. pois somente por meio de Sua atuação é que podemos tornar autêntico o serviço e fazer superabundar as boas obras e a vida. paz e alegria no Espírito (Rm 14:17). não devem por isso torna-se negligentes. é necessário que recebam a influência efetiva do mesmo Espírito Santo para operar neles tanto o querer como o realizar segundo o seu beneplácito. É através do Espírito Santo que se concretizam o contato e o compromisso com o projeto de vida de Jesus. devem esforçar-se por dinamizar a graça de Deus que está neles. como se não fossem obrigados a cumprir qualquer dever senão quando movidos especialmente pelo Espírito. contudo. estão abertos às pretensões e à ação do Espírito Santo." ."Aqueles que estão na esfera da ação de Jesus. que se resume na palavra servir. além da graça que já receberam. Na Confissão de Fé de Westminister há a seguinte colaboração com respeito à ação do Espírito para a realização das boas obras: "A capacidade de fazer boas obras de algum modo não provém dos crentes. Jesus personificou o reino. o homem justificado se empenha pela libertação de tudo aquilo que oprime. ou melhor dizendo." Pelo fato de a motivação estar inserido no ato da justificação. Nordstokke conclui ainda: "A partir dessa realidade de onde Deus reconcilia o mundo consigo. Um outro fator motivador para o serviço está na operação do Espírito Santo na vida do cristão. reduz ou acaba com a vida. mas inteiramente do Espírito de Cristo. significa dizer também que o justificado vive as qualidades do reino: justiça. Neste sentido.

do outro lado. conseqüentemente. 1:4ss. I Sm 24:15). e. No Antigo Testamento a situação do povo israelita no Egito reflete a injustiça e nos dá uma compreensão do significado da justiça de Deus. O promotor dessa justiça é Cristo. IISm 4:11s.g. entre membros da mesma família. Com respeito ao período monárquico. de um lado. Gn 38:26. De outro lado. a ênfase dada pelos sacerdotes e profetas refletia o desejo de que o rei fosse alguém digno da qualidade ideal de justiça. SEEBASS diz: "Antes do exílio. que obedece a vontade de Deus (Is 11:4ss. Além dessa qualidade ideal. O rei deveria praticar a justiça em sua administração. A justificação é o ato de justiça de Deus em nós. I Rs 3:32. E. Is 3:10. Ez 3:20. O Êxodo exemplifica a justiça de Deus como sendo o cumprimento de sua vontade. a justiça do homem não é tanto assunto de relacionamento com Deus quanto de relação com o próximo. de modo geral. que surgiu quando os chefes de Israel confundiram a Torá. costumes e sistemas de governo de outros povos. e o anúncio da justiça somente poderia ser aquele que decretasse a liberdade para o povo. uma vez que o contexto daquele povo era de escravidão.SOMOS A JUSTIÇA DE DEUS Pela fé. A justiça foi encontrada nos grandes reis da história de Israel. pela lei de Deus (Sf 2:3). opressão e dominação religiosa. que geram opressão e morte. Gn 18:23. sendo que seu comportamento se regula. 6. Nesse aspecto. com as tradições. Davi (II Sm 8:15. que gera vida.3 . Gn 6:9). mediante as relações humanas (e. Amós 5:4. será tido como justo aquele que obedece a lei e pratica a justiça. 14 e o Livro de Oséias . Amós 5:7 e 6:12 referem-se a estes dois aspectos juntos. o rei muitas vezes era interpretado como a manifestação da era messiânica. isto é. No período monárquico já existia uma grande dificuldade com relação à justiça e à lei da vida (Torá). Isso aconteceu quando Israel elegeu um rei que assumiria o lugar do único Rei Iahweh. somos feitos justiça de Deus. I Rs 3:6) e Salomão (I Rs 10:9). ou entre o rei e um dos seus oficiais.

quando há um grande desnível. Este termo justiça sofreu muitas alterações através do tempo. quero desenvolver os conceitos básicos da justiça de Deus e alguns termos correlatos na tentativa de explicitar melhor essa doutrina no contexto neo-testamentário. libertação. E esse significado baseia-se na sua fidelidade à aliança. Assim. A morada do justo é a morada que Deus protege (cf. . Assim. no Antigo Testamento. justificação etc. O apóstolo Paulo sistematiza a doutrina da justiça de Deus e da justificação pela fé. O movimento profético conseguiu dar uma nova dimensão à justiça de Deus. uma preocupação pela justiça diante de Deus mediante os relacionamentos interpessoais. nas traduções em português de justiça.10). justiça (At 24:25). é libertar os fracos e oprimidos. Há que se reconhecer que é no Novo Testamento que é dado o sentido estritamente teológico da expressão "justiça de Deus". em piedade (Mt 6:1). Nessa parte. Também encontramos esta evolução no Novo Testamento e em toda a doutrina social da igreja primitiva. Essa justiça é a obra que Iahweh realiza em seu povo." E no profetismo que a justiça de Deus possui a compreensão salvífica. ser justo é favorecer o lado mais fraco. Os sacerdotes são vestidos de justiça e as portas da justiça são as portas da salvação (Sl 132:9. ser justo é pegar o que está embaixo e colocar no mesmo nível dos de cima.testificam. aquilo que é justo (Ef 5:9) ou ainda pode ser justificado e é justificado (Rm 10:4. a justiça passa a ser a grande esperança do oprimido no pacto feito por Deus em sua aliança: “A restauração messiânica será uma reflorescência da justiça divina. respectivamente). É libertar os oprimidos”. O substantivo δ ι κ α ι ο σ υ ν η resultou. Ora. que há de realizar os mais ardentes desejos de todos os oprimidos e miseráveis”. A noção de justiça de Deus ganhou a conotação de “fidelidade”. Muitos verbetes hebraicos podem ser traduzidos como salvação. 118:19). justificação (Gl 2:21). de modo geral. direito (I Jo 2:29). “Justiça. chegando a identificá-la como atuação salvífica de Deus. Jó 8:6). até chegar-se à sua compreensão. Podemos diferenciar θ ε ο υ δικα ι ο σ υ ν η ε κ ν ο µ ο υ e δικα ι ο σ υ ν η (justiça da lei e justiça de Deus.

O terceiro refere-se a Cristo como “fiel e verdadeiro. forma externa de conduta ética. Em Romanos. A justiça de Deus é. Deus em serviço (1:17. 7) a fé como pré-requisito à justificação (1:17). 3) o centro da cruz (3:25s. todavia sua tradução mais correta em português diz respeito ao julgamento (Ap 15:4) e a um ato justo (Ap 19:8). Enfim. deixava a pessoa sempre com um sentimento de culpa. O primeiro refere-se ao Parácleto como Advogado (Espírito Santo. Este δικα ι ο σ υ ν η substantivo muitas vezes serve de sinônimo para . e. 10:4). que somente aquele que morreu de fato para o pecado é. portanto. destaca várias vezes a temática fé e lei. 3:25). ou seja. O segundo uso do termo se apresenta num duplo aspecto: como alguém justificado e que consequentemente pratica a justiça. 10) justiça como o poder da nova vida (5:12-21). É o entendimento claro da doutrina da salvação como um ato do Deus Justo. Esse ato justo pode ser atribuído somente a um único homem: Cristo Jesus. 2) uma ação divina. se concretizou na de Deus. aquele que vive na prática do pecado. A salvação é a conseqüência da justiça de Deus. pois é nascido de Deus. E é em Paulo que essa compreensão é mais profunda. Esse ato somente se concretiza para aqueles que crêem em Cristo e depositam nEle a sua fé. A Lei. 4) Deus é e demonstra justiça (3:25). também. Paulo. 8) justiça em relação à esperança (10:4-10). Vale lembrar. a salvação do cristão é o resultado da justiça de Deus. Os sentimentos de felicidade e auto-satisfação oferecem uma compreensão subjetiva dessa doutrina. enquanto que a compreensão objetiva leva-nos à práxis cristã. 5:9s. a da lei. encontramos cerca de 10 usos diferentes da expressão justiça de Deus: 1) para toda a humanidade (Rm 1-3). um ato justo realizado em Cristo Jesus para nossa salvação. e julga e peleja com justiça”(Ap 19:11). portanto. 9) justiça e o Espírito Santo (3:28). Seebass descreve três usos exclusivos para δ ι κ α ι ο σ υ ν η . 18. em João 16:10). 5) justificação legal (8:34). justificado (Rm 10:4).Pois. É por esse motivo que o apóstolo Paulo escreve sua carta aos romanos com as seguintes palavras: "a . em sua carta aos Romanos. 6) a relação com o perdão dos pecados (4:7). que convencerá o mundo que a justiça será manifestada mediante a volta de Jesus a Seu pai.

resistindo e quebrando a resistência daquilo que está contra o amor. e 3) a experiência do novo Ser como processo (santificação). Assim. A relação do Deus de Israel com sua nação baseia-se em uma aliança. Paul Tillich. Ainda no Velho Testamento. A aliança exige justiça. E. define o tema da justiça de Deus como expressão básica do princípio de salvação do homem em Cristo.) mas nesse processo a justiça não só afirma e seduz. A Lei transmitia uma exigência ao homem de justificar-se através do seu próprio esforço. Essa expressão.. A justiça de Deus se manifesta nos dias de hoje através de grupos que interpretam os escritos bíblicos com uma ótica enraizada numa única esperança: eliminar a injustiça. as ambigüidades da justiça aparecem toda vez que ela é exigida e atualizada. ao cumprir a sua tarefa missiológica. e justiça. o cumprimento dos mandamentos. Mas a justiça de Deus é o ato através do qual ele permite que as conseqüências auto-destrutivas da alienação existencial se desencadeiem. A experiência do novo Ser é dividida em três etapas: 1) a experiência do novo Ser como criação (regeneração).. pois “justiça é aquele aspecto do amor que afirma direito independente do objeto e do sujeito na relação de amor (. Portanto. ela também resiste e condena”. contudo. denunciando-a. 2) a experiência do novo Ser como paradoxo (justificação). isto é. exigido pela pregação neotestamentária. encontramos várias referências da justificação pela fé sem a necessidade da Lei. TILLICH propõe mais uma vez que se pregue o amor como pressuposto da Comunidade Espiritual. Esse conflito resultou numa teoria conhecida como teoria do conflito entre amor e justiça. O exercício da justiça é a ação de seu amor. Isso significa que Deus é independente de sua nação e de sua própria natureza individual”. não pode haver conflito em Deus entre seu amor e sua justiça”. Deus se dá a conhecer ao ser humano através . Para Tillich. E ameaça a violação da justiça com rejeição e destruição. Isso também implica num conflito entre o amor cristão. pois é feita em nome daquele princípio que implica em ultimacidade e universalidade: o princípio da justiça. Deus radicalmente condena essa atitude.justiça de Deus se revela da fé para fé" (Rm 3:21-4:25). dada gratuitamente por Deus na pessoa de Jesus Cristo. “não é imperialista. a Igreja deve levar em conta que a “justiça de Deus não é um ato especial de punição calculado de acordo com a culpa do pecador.

Sendo assim. porque o evento salvífico pôs término ao curso antigo do mundo. da morte e ressurreição de seu Filho. nós também. entendo como a ação de tornar justo o perdão dos pecados.de sua atuação na História e. Cristo é o único instrumento da justificação. temos o Espírito que nos convence do juízo. de quem nada podemos exigir. A justificação é um dom de Deus. 1 – A IGREJA PRIMITIVA. “É forense e escatológico. principalmente através da vida. do pecado e da justiça e nos leva a toda verdade (João 14 ). é a ação de Deus em Cristo e de Cristo em nós. pois nos coloca na posição de “perdoados em Cristo Jesus”. também é escatológico. uma vez justificados em Cristo. No presente tempo. pois é importante analisar as Escrituras e ver a do Ministério de Jesus na prática da ação social. A fé é ação gratuita e justificadora de Deus. O termo justo quer significar “num relacionamento justo”. baseada na pressuposição de que ele tem fé. sendo o primeiro a assumir responsabilidade social quanto aos pobres. De certa forma. sem pecado algum. . temos o perdão dos pecados. Rudolf Bultmann acredita que a ação de “tornar justo” a alguém (diakioó) é uma atividade totalmente divina. II – AÇÃO SOCIAL EM UMA IGREJA JUSTIFICADA. sendo que a justiça já é imputada ao homem no presente. pois assim como Cristo foi encontrado justo. que nos obriga a agir com a gratuidade e atitude semelhante à sua para com nossos irmãos. mas. como tal. e introduziu a nova era”. Considerando a fé como o primeiro passo do homem ao processo da manifestação da justiça salvífica de Deus. creio que a expressão dikaiosune theou pode ser compreendida como o perdão dos pecados num tempo futuro.

Is 61:1). nas bem-aventuranças Mt 5:3 e em Lc 6:20. Em Mc 12:41-44 e Lc 21:1-4. na aflição. confiam somente em Deus (Cf Sl 68:28-29. aos odiados.Em o Novo Testamento o termo grego evangelhos não se refere somente ptwco. Albert Nolan descreve que a palavra "pobre" abrange todos os oprimidos que dependem da misericórdia de outrem. A forma expandida de Mateus ressalta o fundo histórico vétero-testamentário e judaico daqueles que. Jesus não ficou indiferente à pobreza nem mesmo à situação econômica da pessoas. Mt 19:21 qualifica esta declaração ao incluir a condição: "se queres ser perfeito". os mendigos. além das privações. que parecia irrisória. aos que choram. os camponeses e os escravos. Lc 18:22). as bem-aventuranças se confirmam essencialmente à pobreza. Sua vida em si. pelo contrário trouxe uma nova perspectiva para todos aqueles que se sentem oprimidos. aos famintos. era um ato de amor. Em Lucas. E os maiores sofrimentos desta classe. O conceito básico de "pobre" nos àqueles que despossuídos. Jesus se identifica com os pobres nas bem-aventuranças. Nenhuma das duas passagens emprega pobre no sentido social geral. Os pobres dependiam totalmente da caridade de outras pessoas. e devemos incluir ainda nesta lista os operários diaristas não qualificados. sendo que muitos destes eram doentes e aleijados e não tinham outra alternativa senão mendigar. aos pobres. Os evangelhos sinóticos retratam sua vida. dá-o aos pobres" (Mc 10:21. era muito maior do que a oferta dos ricos. eram economicamente sendo que 24 vezes somente nos evangelhos. Jesus disse que a oferta da viúva pobre. em primeiro lugar. eram a vergonha e o desprezo (Lc 16:3). Nos evangelhos sinóticos Jesus disse ao rico que queria herdar a vida eterna: "Vai vende o que tens.j (ptöchos) ocorre 34 vezes. Seu modo de viver não só se identificava com os pobres mas também com o conceito vétero-testamentário da pobreza. Inclui. que dependiam das esmolas de sociedades piedosas e do tesouro do Templo. e ao mesmo tempo fez a escolha de se lançar sob os cuidados do Pai. Havia também as viúvas e os órfãos. Jesus pertencia a esta classe humilde e não tentou sair dela. Sua . 32-33. e seguem-se os "ais" contra os ricos. Jesus fala dos pobres em Mt 11:5.

que significa intestinos. Seu nome refletia seu caráter. A igreja primitiva narrada em Atos mostra-nos que os primeiros cristãos compreenderam o significado de serem embaixadores de Cristo. entranhas. sua fé. Mt 14:14." Jesus mostrou um sentimento humano. usado em todos esse textos (Mt 9:36. 14:14). . significa movimento ou impulso que brota das próprias entranhas da pessoa. o caso de Barnabé.36-37). em particular. cf. um líder cristão que era notável pela sua bondade (11:24). comprometeramsedos com a evangelização. sua vida justificada. Este livro cita.compaixão o tornou diferente de todos os outros (Mt 9:36.34). proclamaram (kerigma) as boas novas (evangélion) e supririam as necessidades dos irmãos (diakonia). Mt 20:34). é derivado do substantivo splagchnon. portanto.44. Lc 7:13. E com esta estratégia alcançaram o mundo conhecido do primeiro século sendo chamados cristãos. e a Igreja primitiva vai assumir também este sentimento e vai desenvolver uma evangelização através da ação social. uma reação das tripas. (At 11:26). Outro aspecto que podemos ver no livro de Atos. ou coração. as partes internas das quais parecem surgir as emoções fortes. ou seja. At 4. vísceras. e esta compaixão é o sentido da parábola do bom samaritano (Lc 10:25-37). que possuía um campo: vendeu-o e deu a soma aos Apóstolos (Atos 4. e este sentimento causou grande impacto sobre as pessoas que eram oprimidas. que mostra a Igreja Primitiva como uma igreja justificada. Nolan faz o seguinte comentário a respeito da compaixão que Jesus sentia: "A palavra "compaixão" é fraca demais para exprimir a emoção que movia Jesus: O verbo grego spagchnizomai. pois ganharam a admiração do povo (At 5:13). O verbo grego. também retra as ações econômicas de forma organizada Atos fala da ação de por em comum tudo o que os irmãos possuíam: "Vendiam suas propriedades e seus campos e partilhavam o resultado entre todos segundo as necessidades de cada qual" (At 2. Mc 6:34.

Existe ainda um fato que é considerado por Coleman a respeito de alguns cristãos que levianamente largavam os seus empregos e se recusavam a trabalhar. faz o seguinte comentário: "Sabemos que pelo menos um outro contemporâneo judaico à seita Qumrãn. a este respeito. dizem a mesma coisa. pois achavam que Jesus voltaria a qualquer momento. a uma verdadeira caixa comum onde os cristãos depositavam suas ofertas . pois a igreja de Jerusalém vai depender das igrejas gentílicas. Lucas parece fazer referência a algo mais. mas na forma do caminho mais excelente do amor cristão. É possível que se tenha inspirado na descrição da comunidade de Qumrân. Assim a igreja de Jerusalém mostra sua generosidade e demonstra espontaneamente que o dom do Espírito não está apenas na forma de línguas e profecia. Já vimos como a narração de Lucas assume certo colorido essênio. adotou este modo de vida (1QS 6). A recomendação é dura.A interpretação desta ação de por em comum os bens é difícil. Mas para Coleman o mais comum neste período era que os primeiros cristãos perdiam seu emprego ao abraçarem a fé. Isso faz alusão ao serviço das viúvas (At 2:6. Na verdade sua . dá-se devido ao fato de serem elas vítimas das perseguições que os crentes judeus sofrem. O apóstolo Paulo ensina que estes deveriam passar fome. mas essa dependência. segundo Champlin. outros eram expulsos do convívio de sua família e por estes motivos passavam grandes dificuldades. Podemos entendê-la como uma instituição de ação social para auxiliar os indigentes em suas necessidades. os crentes deveriam evitá-los (2Ts 3:15). Howard Marshal.1). I. Isso nos parece hoje menos impressionante. Filo e Josefo. nas suas descrições dos essênios (com os quais usualmente se identificaram os cunranitas). a maneira comum da assistência social na Sinagoga. e assim eles têm seus bens confiscados e desmanteladas as suas fontes de ganho. pois descobrimos que tal uso existia entre os sadocitas (saduceus). Se essa medida não modificasse o comportamento do indivíduo." Devemos considerar que essa experiência não dura muito tempo.

pois os crentes de Antioquia pensavam que deveriam ajudar a irmãos necessitados. e que esta eleição vai criar o precedente para o que vamos encontrar como ofício na igreja mais tarde. porém. Mas ainda não foi neste momento que se instituiram os diáconos. a não ser que receba um adjetivo como "pastoral". Visto que qualquer pessoa se inclina para suas . que se queixavam de verem suas viúvas abandonadas. sem exceção. as igrejas tinham muita compaixão pelas necessidades dos pobres de suas comunidades e de outras também. Os cristãos instituíram um serviço em favor dos pobres. político". Na ocasião que Jerusalém sofre perseguição e passa por grande crise social os crentes de Antioquia enviaram para eles suprimentos (At 11:28-29). embora seja uma forma de diakoneo. ou melhor. o que vai se assemelhar muito com o sistema da Sinagoga. sendo seguidores daquele que veio "não para ser servido. Porquanto nada existe de mais acertado do que aqueles que têm semeado as realidades espirituais." De um modo geral. que seria controlado pelos apóstolos. mas para servir". da qual deriva a palavra diácono. ele não é específico. John R. devem colher também coisas terrenas. 'médico" ou outro. os apóstolos se aproveitam desta ocasião para se munirem de colaboradores.prática mostra nada mais que a justiça de Deus se fazendo presente através do povo. Vamos vê-los a pregar as boas novas e a batizar (Atos 6). de quem haviam recebido o Evangelho. para darem suas vidas em ministério. Na realidade. Todos os cristãos. "social". unicamente ao desempenho do serviço em favor dos pobres. Calvino fala que essa gratidão não merecia pequeno louvor. W. são chamados para ministrar. Horton argumenta que os sete não são chamados diáconos nesta passagem. Stott dá a seguinte conotação para esta passagem: "Diakonea é um termo geral para serviço. É certo que dentro desta organização econômica da igreja primitiva haviam problemas que surgiram dos protestos dos helenistas. Os Apóstolos instituíram entre eles homens que pudessem cuidar destas necessidades. Não se destinaram. Stanley M.

próprias necessidades. Comblin comenta que haviam duas motivações para que um missionário pudesse entrar em uma cidade grega: como filósofo. e quando um filósofo aparece e o agrada. e em segundo lugar pelo tratamento que dá aos pobres. é convidado por um chefe de família que o recebe na sua casa e o sustenta. pois fazia o gratuitamente (1Co 9:15-18). por sua vez. Sua teoria e prática reflete. apareceendo numa praça pública. A igreja Primitiva aprendeu o ensino de Jesus pelo qual todos são chamados a servir ao próximo. Deus rejeita o poder da cultura e escolhe aqueles que são mais fracos. Sua condição não lhes permitia acesso à cultura grega. E é neste sentido que eles imitaram a Cristo. Sua opção era pela classe dos trabalhadores. o apóstolo deixa de lado as sinagogas para entrar na evangelização no mundo pagão não recebeu nada por este trabalho. não o fizeram. Paulo se situa diretamente no bairro dos trabalhadores. Desta forma. todos aqueles homens poderiam ter objetado. queria sempre preservar sua independência. onde ficariam os que não trabalhavam e possuíam escravos. Diante da resistência dos judeus quanto à questão da circuncisão. ou então como hospede na casa de uma família rica e ficaria dependente desta família. para confundir os sábios (1Co 1:27). Assim. Para isso. Todos seus programas vão derivar destes dois aspectos. O apóstolo não queria entrar na cidade pelo bairro dos pobres e nem dos ricos. Paulo esconde-se de sua cultura para se identificar com o povo. Paulo se apresenta em sua tarefa missionária sem nenhum prestígio que possa lhe conferir superioridade. ensina a liberdade. mas se preocuparam e os ajudaram. pois os pobres o eram tanto de bens materiais como também de cultura. em primeiro lugar por nações que estão distantes. ou seja. É um fato inegável sua preocupação com os pobres (Gl 2:9-10). pois entrar através dela significava escolher a fraqueza e a carência de poder. porém. a opção que Paulo e foi justamente daquilo que ele iria ensinar. pois serviram com liberalidade. O apóstolo Paulo dá um passo decisivo para o avanço missionário mostrando sua concepção social na evangelização. por isto não tinha outro caminho senão trabalhar. Dessa maneira. faz dos cristãos . e necessitam serem alcançadas. escolheu o caminho do trabalho pois não queria ser pesado para ninguém (1Ts 2:9). Paulo. Este era o ponto de partida.

dizia ele. que se completava com a caridade. e outro está no amor (que se deriva da fé). o cristão se torna livre de todas as coisas. a lei de Deus é a caridade. a não ser apenas a primeira condição para participar da graça de Deus. E quando vemos o pensamento de Lutero a respeito da fé. o que só é possível pela fé. pois para eles a fé não oferecia qualquer garantia para a vida cristã. .. mas entendeu que para ser igreja justificada precisava ser instrumento de justificação.. Todos estes argumentos nos mostram que a igreja primitiva se preocupava com as necessidades das pessoas. assim como nós também. e a ninguém subornado. esta simbolizando o serviço mútuo. O cristão é o servo submisso a todos. carecemos de sua misericórdia". Ao lermos alguns escritos dos grandes Reformadores vimos que a doutrina mais pregada e ensinada era a da Justificação pela Fé (sola fide). o cristão deve antes possuir-se totalmente. pois nisso consiste a verdadeira vida cristã. para o apóstolo. Sobre isto Lutero diz: "A fim de poder dar-se totalmente.servos uns dos outros pela caridade (Gl 5:13). inspirada por boas obras. a fé tem dois sentidos: um é que. pela fé. o amor a Deus e ao próximo. Nosso próximo sofre em sua indigência e carece dos bens que possuímos. cumpriremos a lei de Cristo. tinham não apenas o desejo de levar o reino de Deus adiante. por isso na sua prática assumiu à sua responsabilidade de fazer ação social.. o forte assistirá o mais fraco. Só assim será possível voltarse com Deus ao próximo e consagrar-se ao seu serviço no espírito de cordialidade espontânea. pois. indigentes diante de Deus.. como filhos de Deus. E. 2 – A REFORMA. somos incentivados a nos identificar com ele.

buscar a glória de Deus e nada desejar para si. pois a vida cristã consiste: "em tudo querer o que Deus quer. pois é no cuidado pelos mais fracos e desamparados que Deus é glorificado" Lutero. Assim como Lutero defendeu que o cristão liberto (justificado) é submetido por Deus a todos. sermos despertados pela imensa pobreza que nos cerca. Podemos perceber que Lutero se preocupava com os pobres. demonstrando que.Ninguém se esforçou mais que Lutero para diminuir esse vão e fazer a ligação entre a fé salvadora e a ação social. Lindberg faz o seguinte comentário a respeito deste período: "O conselho da cidade formulou sua Beutelordnung ou Ordem do Erário. Sua vigéssima-primeira proposta começa. à sua semelhança. pois o crescimento da pobreza e de mendigos era problema que ninguém podia ignorar. sustentou o sistema monástico e providenciou méritos no céu para os doadores. E também contribuiu para que as autoridades organizassem um sistema para desviar recursos das ordens monásticas em declínio. Foi anotado pela mão de Lutero. um rascunho que foi descoberto nos arquivos públicos pelo historiador Karl Müller. providenciar uma verba para o sustento dos pobres e ao mesmo tempo estimular o envolvimento da população na assistência social. "Uma das maiores necessidades é a abolição de toda mendicância na Cristandade". Entretanto. O desejo de agir em prol dos necessitados apareceu resumidamente nas 95 Teses (1517) onde Lutero argumentou que é melhor dar aos pobres e emprestar às necessitadas que comprar indulgências. embora a administração das mudanças fossem a . devemos também. não visando qualquer recompensa material ou espiritual. sua reforma em prol dos pobres não foi bem sucedida e hoje caiu no esquecimento. mas simplesmente com o objetivo de fazer a vontade de Deus. O exemplo que Lutero deixa é simples: o cristão deve se livrar de seu eu e viver uma vida onde seu amor por Deus seja espontâneo. Alguns escritores afirmam que esta medida em Wittemberg serviu para três finalidades importantes: manteve os pobres vivos.

Calvino tem como princípio básico nesta área que em Cristo não há mais nem escravos nem livres. é o lado social da Reforma. Lutero do seu refúgio secreto em Wartburg. A receita seria usada para sustentar os desempregados. órfãos e crianças destituídas. farei nada por meu próximo nesta vida senão o que reconheço como sendo necessário. Seu pensamento nesta área e tão importante quanto o de Lutero. A ordem baniu da cidade os mendigos. uns dos mais notáveis reformadores. e financiar artesãos no começo da sua profissão. irmandades e guildas fossem ajuntadas no erário. porque pela fé gozo uma abundância de todas as coisas em Cristo". O resultado será um novo compromisso moral com a sociedade. O crente justificado deve pensar como Lutero "Darei-me ao meu próximo como Cristo se ofereceu por mim. e talvez o mais importante. Este. Caso os recursos fossem insuficientes os cidadãos seriam obrigados a contribuir com uma taxa anual de acordo com seu patrimônio. Quando se evoca a tradição reformada para falar sobre a ação social no período da Reforma. pela fé. os frades mendicantes e os estudantes estrangeiros sem meios de sustento".responsabilidade de Carlstadt. Mas nem todos os protestantes concordaram com essa função tão limitada. viver uma vida de serviço decorrente do amor a Deus. pois. e que o cristão justificado se torna livre para poder. pois Cristo aboliu todas as divisões de classes. que deu muita ênfase à questão dos mais fracos e desamparados. Isso significa . dizendo que é inadequada para suas necessidades. Também. sistematizador das doutrinas reformadas. A Ordem da Cidade de Wittenberg exigiu que as receitas das igrejas. edificador e saudável. o cristão estivesse livre das exigências da Lei. foi a força inovadora. conforme Martinho Lutero: uma mudança voluntária baseada na liberdade de justificação pela fé. pagar bolsas de estudo nas escolas públicas. não se pode deixar de lado João Calvino. Todos estes argumentos mostram que Lutero lutou para que os necessitados fossem amparados e que. fornecer dotes para as donzelas pobres quando se casarem. o dinheiro seria usado para o sustento do clero. através da fé. E também não podem negar a preocupação que Lutero teve com os mais fracos e desamparados.

organizada e dirigida pelo Estado . O rico tem uma missão econômica de providenciar ao mais pobre parte de sua riqueza. a fim de que alguns não sofram necessidades enquanto outros têm em supérflua abundância". de tal maneira que o pobre deixa de ser pobre e ele mesmo deixe de ser rico. bem como o seguro médico. Conforme Calvino.mas exercida pelo ministério eclesiástico dos diáconos não tivesse discriminação nacionais. "Com a adoção da Reforma. Bieler comenta o seguinte pensamento de Calvino: "Somos todos ricos em relação a alguém. uma vez que pela fé o crente em Cristo está restaurado na sua dignidade de filho de Deus. fazendo com que estes supram as necessidades uns dos outros. reconstitui sua justa relação com o próximo. Calvino devolve ao cristianismo a comunhão espiritual que Cristo estabelece entre os membros de seu corpo. "Que haja um . Esta igualdade é da vontade de Deus. mas ainda assim encontra seus irmãos numa fraternidade que exclui toda discriminação. Esse sistema social médico. de velhice e de invalidez. Cada um socorra os indigentes na medida de suas possibilidades. Por isso Calvino considera que na escala de valores de Deus não há nenhuma correspondência entre o valor espiritual e o valor moral de um homem e sua riqueza ou pobreza. promovesse a assistência domiciliar e incluísse um serviço de medicina social. assim como era na igreja primitiva. Esta preocupação diaconal da Reforma fica clara com o comentário de Bieler." Esta igualdade pregada pelo reformador tem como objetivo levar os membros do corpo de Cristo à restauração social do mundo. "A vontade de Deus é que haja tal analogia e igualdade entre nós. Mas sempre advertiu que todos são responsáveis uns pelos outros.que o cristão vive a fé autêntica quando toma consciência da influência do seu meio social. A preocupação de Calvino de que a igreja tivesse esta prática fez com que ele recriasse o serviço diaconal. de velhice e de invalidez foi aperfeiçoado por Calvino que trabalhou para que essa assistência. Genebra já criara a instituição do hospital geral.

médico e um cirurgião. assim como Jesus Cristo deu-se por nós. Este pensamento calvinista de que o homem pode socorrer o próximo com seus bens. a herança da tradição reformada dentro da visão social ganhou muita força. preocupado com a educação da população. encarregados de cuidar do hospital e de visitar os outros pobres". o exemplo mais marcante deste período. fica claro que a Reforma e sua tradição proporcionaram muitos frutos sociais. como na França.. como também a humanização do sistema penitenciário. na Inglaterra. Este seu entusiasmo e compromisso com o evangelismo e com a ação social alcançaram muitos outros evangelistas. Muitos historiadores dizem que a influência de Wesley foi tão grande que evitou que a Inglaterra entrasse em uma revolução. Wesley se colocou como um pregador do evangelho que elevou a consciência social na sua época. Não nos faltam dados para poder perceber que estes eventos somente ocorreram pela fé em Cristo. às expensas da cidade. A paixão por justiça social e essa sensibilidade por erros humanos era tão forte que o escritor Buyers relata que "Por cinco dias Wesley andou na neve pelas ruas de Londres. Em uma avaliação daquilo que os reformadores ou os de linha reformada produziram. e a filantropia afetou profundamente a sociedade desta época. na Inglaterra.W. Temos em John Wesley. tendo sido também um profeta da retidão social. . Um dos resultados mais expressivos do movimento wesleyano se deu em 1780. provocando nos corações destes homens a execução do serviço proposto pela Missão de Deus. com amor. pedindo auxílio para socorrer os pobres daquela cidade". que lutou contra várias injustiça sociais. quando. a melhoria das condições nas fábricas e nas minas. Segundo John R. produziu influência até hoje. a educação acessível ao público e tantos outros avanços para a sociedade. dizem as ordenanças de 1541.. e a partir disto as coisas começaram a mudar ocasionando desde a abolição dos escravos e de seu tráfico. Robert Raikes instituiu a Escola Dominical como uma maneira de ministrar às crianças pobres a educação religiosa e secular. No movimento de reavivamento do século XVIII. Stott. O evangelho que pregava inspirava as pessoas a se envolverem em causas sociais em nome de Cristo.

a fidelidade ao evangelho e ao desenvolvimento social foram aspectos visíveis na história. que assumiu seu chamado de ser igreja justificada e sua presença no meio do povo tem significado muito importante para as classes menos desfavorecidas. . o Congresso de Lausane. para atingir esta porcentagem. a partir de 1810 começa a presença missionária protestante na América Latina. até por volta do ano de 1900 quase toda a população da América era considerada católica. trazendo a um rápido crescimento chegando em 1960 em mais de 20% da população protestante. muitos caminhos tiveram que ser seguidos para se chegar neste crescimento que. trouxe grande avanço para evangelização e a justiça social. onde constaram as seguintes afirmações: "Após três seções introdutórias sobre o propósito de Deus. Por isso. e da colonização na América Latina. Esta última declara que a 'evangelização e o desenvolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão". intitulada 'A Natureza da Evangelização' e. 'A Responsabilidade Social Cristã'. Este fato é histórico e que não se pode negar. São praticamente 400 anos de catolicismo. onde os missionários não tenham lutado para diminuir a injustiça mediante trabalhos sociais. pois há um abismo entre os ricos e os pobres na América Latina. 3 . pois dificilmente encontraremos um lugar onde o protestantismo chegou. Sabemos que ainda há muito para ser feito. influenciado por este pensamento reformado. o equilíbrio. A história da evangelização na América Latina nos mostra que. Com mais de 500 anos da chegada de Cristóvão Colombo no Caribe. ou seja.Por certo. em julho de 1974. queremos mostrar os sinais presentes na igreja protestante da América Latina. seguiu-se a Quarta palestra.A AMÉRICA LATINA. a autoridade da Bíblia e a singularidade de Cristo. em seguida. na Suíça. Neste congresso nasce o Pacto de Lausane. sem dúvida nenhuma.

Assim. O protestantismo começou a se organizar a partir da metade século XIX. A verdade desta declaração é profunda e é com este sentimento que os primeiros missionários chegaram à América Latina. serem acuados pela intolerância católica. asilos. e a isto observa Russel P. Trouxeram muitos avanços e juntamente com isso tentaram reproduzir condições semelhantes de suas origens na América Latina. apesar das dificuldades e divergências que a igreja enfrentou. onde a luta pela total transformação e ordenação da sociedade sob a Palavra visava a justificação pela fé. Estes pioneiros chegaram com ideais do liberalismo. sua presença está marcada pela fé que testemunha a ação de Deus através desta igreja justificada. alívio da fome e numerosos trabalhos que são do conhecimento comum e até hoje não cessaram. ao falar da teologia protestante na América Latina conta-nos que apesar de no começo do século o protestantismo ter sido considerado como religião de estrangeiros e marginalizados e de os seus seguidores. no aspecto econômico. levavam escolas para todos e promoviam a liberdade do indivíduo.Citamos como exemplos o estabelecimento de hospitais. A história das missões evangélicas retratam numerosos exemplos entre o anúncio do evangelho e o . Assim podemos entender que os primeiros protestantes latino-americanos herdaram um princípio reformado que Martinho Lutero. João Calvino e outros auferiram através de um movimento libertador. a exemplo dos reformadores. Para tanto. e com a proposta de reforçar a modernização e a industrialização. orfanatos. os primeiros protestantes tiveram seus fundamentos na Bíblia. com a vinda de missionários dos países centro-europeus e do Atlântico Norte. Rubens Alves. Shedd: "Todo cristão deve se concientizar de que a Bíblia não nos permite acompanhar indiferentemente a miséria dos que são oprimidos por impiedosos dominadores avarentos". Portanto estas são evidências de que. "os protestantes ousaram falar de justiça social".

lançaramse neste compromisso de justiça social. teve em cada época um conteúdo diferente. na Fazenda Huatajata. onde os missionários batistas canadenses fizeram um experimento de reforma agrária. mesmo não sendo uma teologia oficial. Podemos citar também a cidade Titicaca. para a qual Enrique Dussel dá as seguintes características: "Em cada tempo terá um conteúdo diferente: lutará em favor do índio na época da conquista. quando o missionário presbiteriano George Chamberlain e sua esposa. as missões presbiterianas.. no Brasil. misturando meninos e meninas numa mesma sala de aula. pelas classes populares.. em Jesus Cristo libertador.serviço. no coração da América Latina”. Tais afirmações vão influenciar muito a ação da Igreja Católica na América Latina se considerarmos que nesta época já era muito comum falar da pobreza e do reino de Deus. Los Angeles. atualmente". a educação em todo o país. na Bolívia. no século XIX. anos depois. Iniciava-se ali uma verdadeira revolução no ensino do Brasil. nas décadas de 60 e 70. que iniciou suas atividades em 1870. abriram as portas de sua casa para educar três crianças: uma menina e dois meninos. Temos..Deus está presente. alcançando-se pessoas de todas as raças e credos. a favor das Reduções na fase dos jesuítas. entre eles o Instituto Presbiteriano Mackenzie.. Convém olharmos para os católicos que. que iria mudar. na região indígena de Cuzco de língua quéchua e aimará. e instalam-se vários colégios. vivo. . em 1810. que trazem consigo uma característica da Reforma que era Igreja e a escola caminhando juntas. onde foi criada uma granja experimental e desenvolvidos novos cultivos e serviços de saúde. realizada em Puebla. Mary Chamberlain. ali havendo um desenvolvimento educacional e de saúde onde antes havia exploração e marginalização. Anos mais tarde este compromisso foi reforçado com a posição tomada em 1979 na III Conferência Episcopal Latino Americana.clara e profética opção preferencial e solidária pelos pobres” e de que “. Dentre estas ações missionárias-sociais está o caso do Peru que. pela emancipação. uma vez que a Teologia da Libertação. que foi marcada pelas reafirmações da “.

começa renovar-se a preocupação com a justiça social. porém estes só foram mencionados na tentativa de mostrar que na América Latina a ação dos protestantes corrobora essas afirmações. pela celebração. seus membros entendem que estes quatro pilares torna-os um celeiro de agentes de mudanças. acredito eu. agora depois de um tempo. uma estrutura através da qual a graça é medida pelos sacramentos . uma vez que não se mostram consistentes na experiência interior e que. As comunidades eclesiais de base se constituíam de quatro elementos que fazem dela uma Igreja visível: pela fé. possuídos pelo Espírito. pois percebeu que a Igreja como uma instituição sacerdotal de salvação.Percebemos que neste período as comunidades eclesiais de base foram um importante instrumento de evangelização nas classes populares. Lutero e a herança luterana têm alguma contribuição para dar a todos nós. Richard Shaull escreve a este respeito: "As comunidades eclesiais de base recriam a experiência pentecostal (Atos 2 e 4) da igreja como comunidade. pois a variedade destes é muito grande. terem se retirado dos campos evangelisticos. Se este despertar revolucionário tem de ser sustentado e tem de promover o fundamento teológico sólido.não tinha nenhuma razão forte para valorizar a comunidade. que lutam pela dignidade da vida e dos meios de vida. Russel Shedd chama a atenção dizendo que a teologia da libertação vai ocupar um espaço nesta época. Neste sentido o Dr. o essencial para a existência da Igreja era sua hierarquia e seu sacerdócio. e significava "O modo de ser Igreja no meio do povo. não seu povo". pela comunhão e pela missão. pelo fato do não-envolvimento dos cristãos conservadores ou melhor os evangélicos. Uma comunidade de homens e mulheres. De fato. se sente chamada a viver uma nova qualidade de vida. Poderíamos multiplicar o número de textos. que servem como motivação para servir. na medida em que reparte suas possessões materiais e juntos procuram continuar a obra de Cristo no mundo. Aqui. que o Espírito suscitou nos últimos 30 anos na América Latina". É a fé em Cristo nasce de uma ação gerada pelo Espírito . Assim.

em Londrina esta presença também assume este chamado. A proclamação da justificação pela fé foi elaborada nesta região por protestantes presbiterianos. e que a grande maioria não têm se preocupado e demonstram desinteresse total com esta questão. Ficou claro que no passado os protestantes assumiram o compromisso de igreja justificada e que sua ação na sociedade era muito forte para diminuir as injustiças. metodistas e batistas. através da ação social.Colossinho e com o desenvolvimento do trabalho. Em 1940 é fundado o Ginásio Londrinense . Assim. em parceria com algumas igrejas evangélicas da cidade.Santo. Podemos celebrar a Deus por importantes feitos. . em 1945 o Rev. que deixaram suas marcas na busca por justiça. nesta exposição colocamos apenas alguns fatores para afirmar que os cristãos precisam voltar a mostrar estas características que marcaram a evangelização protestante na América Latina. A partir de sua chegada.A IGREJA PRESBITERIANA EM LONDRINA. a Igreja Presbiteriana do Brasil em Londrina procurou contribuir de várias formas. A história nos mostra a Igreja Presbiteriana chegando a Londrina em 1930. desenvolveu um papel muito importante na vida social da cidade. e Professor Zaqueu de Melo (Ministro da Igreja Presbiteriana do Brasil) funda o Instituto Filadélfia de Londrina. Diante desde panorama. Assim como os protestantes na América Latina assumiram o chamado de ser igreja justificada. 4 . sendo de muito significado para as classes menos desfavorecidas. que tem tido conseqüências até hoje. sendo organizada a primeira Igreja em 19/07/1936 (Igreja Presbiteriana de Londrina). É verdade também que hoje o número de igrejas envolvidas nesta missão é bem menor.

mas ainda preservamos as características de uma igreja justificada. da falta de emprego ou de condições de manutenção . Hoje o Hospital Evangélico de Londrina. atendendo também em outras áreas. que assume sua responsabilidade social. O custo para manutenção deste centro é de oito mil reais mês. de alguns convênios com a Prefeitura Municipal. A igreja presbiteriana cresceu e hoje temos o seguinte panorama: a Igreja Presbiteriana do Brasil em Londrina conta hoje com oito igrejas. Todo este histórico nos faz perceber que o primeiros protestantes em Londrina tinham uma precaução com a vida social da cidade. A Igreja Central possui também um centro de recuperação de dependentes químicos chamado Meprovi (Movimento Evangélico Pró-Vida) que teve seu início em 27 de agosto de 1987 e que já beneficiou mais de mil e quinhentas pessoas. oriundos da Igreja Presbiteriana Central. trabalho que começou em agosto deste ano. das drogas. e diante da necessidade de ajudar os doentes da cidade. possui 1. de acordo com estatísticas de 1997 do Supremo Concílio via email. membros. talvez não com a mesma intensidade. Esta entidade assistencial possui hoje 36 pessoas internadas. e este impacto deixou marcas que refletem ainda hoje na igreja presbiteriana. tem se destacado na área social por intermédio de uma Secretaria de Assistência Social. sonho que em 1953 começou a se tornar real. Faz os seguintes trabalhos sociais: a Igreja Presbiteriana Central de Londrina. Governo do Estado e de membros e voluntários. ou não membros. nasce também em 1947 através do amor cristão a idéia de se construir um hospital evangélico. jurídica e psicológica. e presta assistência ambulatorial. que atende cerca de cinqüenta crianças desamparadas através de um creche. que atende mais de quarenta famílias com cestas básicas e de uma agência de empregos que tem colaborado com as pessoas desempregadas. Com estes trabalhos a Igreja Presbiteriana Central de Londrina tem se transformado em uma ferramenta na mão de Deus para alcançar parte destas famílias da cidade que estão se perdendo por causa do álcool.753 membros comungantes e 534 membros não comungantes. é um dos maiores e mais bem equipados do Brasil.Com a visão de poder colaborar com a cidade. Na área infantil a Igreja Presbiteriana Central de Londrina possui o Meprovi Pequenino.

uma escola voltada para o campo profissional e escolar. Nesta escola a fé é apresentada de uma forma natural e tem servido para abençoar muitas . por apadrinhamento. e a igreja tem se dedicado a este trabalho assistindo também as famílias destas crianças conforme suas necessidades. um projeto assistencial para propiciar educação alternativa e qualificação profissional. A Igreja Presbiteriana Arco-Íris também tem participado do serviço social. em janeiro de 1998. Hoje o MAI conta com mais de 280 alunos. Para se inscrever nas aulas as crianças e adolescentes devem cursar o ensino regular em escolas estaduais ou municipais e a renda familiar não pode ultrapassar três salários mínimos. através da justiça social de suas obras. O MAI trabalha com crianças e adolescentes na faixa etária de 08 a 17 anos e. É condição primordial para a confirmação do aluno no Projeto que ele seja visitado para constatação do nível familiar. A creche funciona nas instalações da igreja e as necessidades têm sido suprida por doações espontâneas de membros. que conta hoje com vinte e cinco crianças. com alguns moços e pais de alunos.Ministério Assistencial de Informática. Assim nasceu o MAI . Nestes trabalhos esta Igreja tem nos mostrado o verdadeiro significado da justificação pela fé. da esperança. Em junho de 1997 teve início a creche Arco-Íris através do CEDIC (Centro Evangélico de Desenvolvimento Integral da Criança). das boas obras.da casa e dos filhos. às vezes com cestas básicas vidas. que doou os primeiros equipamentos e de algumas outras empresas. a igreja e os sócios da associação contribuem mensalmente. há uma lista de espera ou outro atendimento. Os professores do Laboratório de Informática foram capacitados por meio de cursos ministrados por voluntários e estão também sendo profissionalizados. O custo para sustento deste projeto é de dois mil reais por mês. entendendo que muito mais do que discurso o homem precisa do amor prático. Na Zona Norte de Londrina a Igreja Presbiteriana Maanaim de Londrina resolveu criar. O trabalho é desenvolvido por seis funcionários. especialmente entre famílias de baixa renda e desenvolver com crianças e adolescentes uma escola de informática que trouxesse uma melhoria tanto no meio escolar quanto no seu próprio convívio social. O Projeto contou com o apoio do Instituto Filadélfia de Londrina. esporadicamente.

Sabemos que não iremos resolver os graves problemas que eles enfrentam na escola. energia elétrica. Este projeto em menos de um ano. pois todos os alunos são visitados periodicamente e têm algumas de suas necessidades supridas. temos outras famílias em situação um pouco melhor mas que enfrentam da mesma forma. a cidade possui 52. duas salas de aulas. Considerando também a condição inadequada de água. já demonstra ótimos resultados. e mais 14. das oito igrejas presbiterianas em Londrina apenas três desenvolvem um trabalho que alcança estes necessitados. atendimento psicológico e aconselhamento. dificuldades econômicas. Esta difícil realidade da cidade de Londrina tem trazido conseqüências seríssimas a este povo e. esgoto.7% em favelas rurais. de acordo com o último Censo de 1991. vinte computadores e seis professores. do IBGE. Será que podemos afirmar que todas são igrejas justificadas? . como podemos observar. que afetam diretamente a formação educacional de seus filhos. já que este ficou conhecido pela ampla divulgação na imprensa. Como resultado deste trabalho a Igreja passou a ocupar uma posição melhor na comunidade. Londrina é uma cidade com quase quinhentos mil habitantes. como cesta básica. Aumentou também o número de participantes na igreja.0 % de suas crianças morando em lares com renda de até um salário mínimo mensal. no lar e na sociedade. 27. pois além de trabalhar com a obra social a igreja está sendo mobilizada. Assim podemos afirmar que falta ainda por parte das igrejas presbiterianas de Londrina uma consciência maior da ação social.com o nome de mais de cem crianças.9% destas crianças moram em favelas dentro da cidade. mas com certeza esta pequena contribuição será a oportunidade que muitos destes menores terão para mudarem o curso de suas vidas com uma nova perspectiva.

A igreja primitiva vai instituir o ofício dos diáconos. Desta forma. No judaísmo o serviço era exercido através das esmolas. No Antigo Testamento em grego diakonos refere-se aos servidores profissionais da corte. 1 – A DIACONAL POLÍTICA DA IGREJA. Agora. Algo abaixo da dignidade do judeu livre (Lc 7:44-45). mas este significado se ampliou e passou a incluir os cuidados do lar e. diakoneo "serviço" e diakonos para servidor. Assim podemos ver como a igreja justificada se desenvolveu através da história e o que isto significou para nós hoje. Nas seções anteriores enfatizamos como a justificação pela fé é evidenciada pelos cristãos e que somos a justiça de Deus. diakoneo era uma palavra muito empregada na época de Jesus. anos posteriores ao da narrativa de Atos 6. Em o Novo Testamento. Inicialmente diakoneo se referia a um garçom que serve a mesa. Neste sentido todos os cristãos devem ser diakonoi (servos) de Cristo (Jo 12:26). e a igreja guardou essa palavra grega para designar responsabilidades sociais. finalmente.III – DESAFIOS DE UMA ECLESIOLOGIA SERVIÇAL. Assim precisamos de uma visão clara desta política. refere-se aos servos ou escravos e seus senhores. quaisquer ajuda ou cuidados pessoais. (Mt 22:13). O termo usado para diaconia se origina do grupo de palavras que acompanha diakoneo que significa "servir". pois esta passagem é precursora do ofício diaconal. E a este respeito Nordstokke escreveu: . e não de prestação de serviços. nosso objetivo é mostrar como a Política Diaconal se aplica na igreja e como esta política pode ajudar de modo prático a ação social e a missão da igreja.

"Ora. “Ministério é diaconia. conforme Atos 6. mais tarde. que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério (diakonia) da reconciliação" 2Co 5:18. assevera que a nomeação dos diáconos era originalmente apostólica. Segundo Champlim. na sua epístola aos Coríntios. O apóstolo Paulo entendeu que. os ministros são chamados diakonoi (servos). Diaconia é na verdade o exemplo de Cristo. a função destes diáconos eram aliviar as mão dos apóstolos para que eles se dedicassem à oração e ao ministério da palavra (At 6:4). Clemente de Roma. Suas atividades também não se restringiram a este trabalho específico. na verdadeira acepção da palavra e na sua expressão mais adequada”. contínuo e representativo de hoje". tudo provém de Deus. em conseqüência. Eram exigidas qualificações espirituais e tinham responsabilidades com o trabalho material. Deduzimos então que o diaconato originou-se do cuidado das viúvas da Igreja de Jerusalém. e também da necessidade de proporcionar ajuda à comunidade cristã."Neste texto de Atos. ampliou o objetivo e a natureza desse ofício. nossa condição só poderia ser de servos e. Paulo emprega a palavra . Paulo emprega didasko em Rm 12:7. e como "auxiliadores do ministério". Na Vulgata. Em outras palavras. xliv. tal como sucede a tudo mais. mas a passagem do tempo. é serviço. enquanto que as demais versões traduzem diakonos como ministro. xlii. é um Dom. os sete escolhidos para "diaconar" às mesas não são chamados de diáconos. o termo grego usado era diaconus (Fp 1:1. 1tm 3:8). se destacando na diaconia da palavra. até que o mesmo se tornou posição eclesiástica. Assim. O cristianismo nasce com esta idéia de que o serviço tinha como importância e função edificar o Corpo. como Cristo. porque vemos alguns. podemos ver este serviço sendo introduzido na igreja primitiva de maneira natural até se aplicar em uma pessoa possuidora de determinado cargo na sociedade cristã. dentro da igreja. Portanto. Por isso. referindo-se a que um cargo. a diversidade nos serviços. O ofício e a função dos diáconos teve começo no tempo dos apóstolos. também não podemos indicar esta passagem Bíblica como fundamentação para a instituição do ministério diaconal público. que correspondem às adversidades de serviços (1Co 12:4).

apoiam-se em teorias e práticas. Todos os dons na igreja estão a serviço da vida e é assim que cada membro deste corpo é útil. pois vai se fundamentar cristológicamente e eclesiologicamente. E para isso é necessário avaliar as causas da necessidade. formar pessoas. . solidariedade e esperança". fazem uma comunidade equilibrada que produz frutos de justiça (ações) . Kjell Nordstokke adverte: "Onde a natureza diaconal da Igreja é percebida. tudo com o fim de modificar a situação dos necessitados. Como diz Ray C Stedman: “A clara intenção de Deus é que através da igreja verdadeira o mundo possa ver Jesus Cristo em ação”. administrar recursos. que deve ficar clara: a Diaconia é serviço e tem fundamento na fé. Também temos que ter a consciência que o Ministério da Palavra (kerigma) e Serviço (diakonia) andam juntos. a ação diaconal vai deixar de ser algo "periférico". Ou seja o significado deste revestimento espiritual especial para a vida da comunidade. Não vai mais haver dicotomia "palavra x serviço. Existe uma diferença entre diaconia e ação social. multiplicando o amor. tem como ação profissional técnica com dimensões políticas.grega charisma significando um revestimento pessoal com a graça de Deus para o serviço do Corpo de Cristo. se estrutura. no exemplo de Jesus Cristo. relacionadas apenas com primeiras damas. mas tem sido feita também por organizações não governamentais que trabalham na perspectiva social. têm os aspectos que olham para dentro. e se prepara para a ação. e a assistência social é dever do Estado. a esperança e a fé. Ação social muitas vezes tem se transformado em ações paternalistas. A política diaconal na igreja é formada a partir do momento em que se organiza. Pessoas preparadas e vocacionadas para o Kerigma e a diakonia. e outros que olham para fora. já a ação social ou assistência social. para a edificação. O serviço passa a ser a marca e o poder na Igreja e se expressará numa espiritualidade de humildade.

a fim de que ela não caia no erro de ser paternalista.É necessário que a igreja justificada reflita sobre estas duas ações. mas porque o amor tende à busca os outros. Este é o trabalho que Jesus confiou à igreja que ele mesmo justificou. amparo. alimentou pessoas. uma vez que para fazer o serviço social da igreja seja necessário a parte técnica e prática. 2 – OBEDECENDO A GRANDE COMISSÃO. Ele também preparou para que fossem por todo o mundo e pregassem o Evangelho a toda criatura (Mc 16. se necessário. .15). Jesus deixa assim a grande tarefa de que. mas conforme o modelo bíblico vemos que a ação é muito mais que apenas fazer assistência social. Ela tem seu propósito em auxiliar a igreja. trazendo como sempre a idéia de paternidade. mas ao chamar (vinde). de acolhida. mas teve como propósito principal instalar a fé na sua pessoa como Cristo o Filho de Deus que veio para salvar os perdidos. Seu convite foi vinde a mim (Mt11:28). assim como Ele amou e se entregou. Na prática. esta deve ser a missão de todo cristão: não ficar satisfeito apenas porque recebeu amor de Deus. Podemos dizer que a igreja tem que ter o cuidado de saber qual o tipo de assistência que o povo necessita. Foi para isto que Ele veio e é com este fim que ele envia. à luta pelos outros. mas sim transformadora. Jesus demonstrou compaixão pelos necessitados. Por isso Paulo escreve a Timóteo dando as qualificações de um diácono (1Tm 3:8-13). para que o corpo cresça bem edificado. a ação diaconal da igreja tem esta função de assistência social. à entrega aos outros estando disposto até a dar a vida. operou milagres.

como os religiosos. de tal forma que essas características juntas formam a "espiritualidade missionária".14). sob a convicção de que Cristo nos enviou. sofrer e gastar-se a serviço do próximo. uma vez que a razão de ser da igreja é sua própria missão.2. que invade toda dimensão da relação humana. que devemos ir. Sua preocupação com a comunidade é tão abrangente quanto a de Jesus. com compaixão. Podemos então perceber que a grande comissão surge de uma igreja justificada com o propósito claro de fazer a vontade de Deus. Assim a obra missionária da igreja está totalmente relacionada à fidelidade ao mandamento de Jesus. Sobre isto John Stott faz a seguinte declaração: "Missão é a nossa resposta humana à divina comissão. de pregação. Assim a igreja participa de sua tarefa missionária de espalhar as boas novas por meio de testemunho. de viagens missionárias. Em outras palavras. de boas obras (Tt 3:1. de praticar o bem e a mútua cooperação (Hb 13:16) e de tantos outros meios. mas sai a serviço do seu próximo para promover-lhe tanto o suprimento espiritual quanto o físico. não só individuais. que tanto inclui evangelismo quanto responsabilidade social. . a ação social é conseqüência da evangelização. planejando e orando. Timóteo Carriker defende a tese de que a missão da Igreja se desenvolve em duas esferas.8. John Stott completa esta idéia dizendo que o cristão que ama seu próximo não fica apenas conversando. históricas e sociais. Fazer missão é ir ao mundo solitário a fim de. É todo estilo de vida cristão. e que é para o mundo.A igreja justificada que vive a herança reformada mantém viva esta chama de proclamar ao mundo o evangelho. mas mergulha dentro dele. sendo uma de batalha espiritual e a outra em um engajamento histórico e social. e que esta missão nestes dois planos ocorrem ao mesmo tempo e têm características coletivas. Vê-se então que o cristão justificado que está ativamente preocupado com a justiça social não se preocupa apenas com o "sagrado". portanto. que não foge do mundo. para viver e trabalhar para ele". envolvendo-se com cada um levado pelo amor de Deus. sujar as mãos. mas também com o "secular". pessoais.

Suas patrióticas palavras foram: "Só lamento ter apenas uma vida para dar pelo meu país". Viva de modo que seus esforços tenham significação na evangelização mundial. "Protestou Paulo "esforcei-me por pregar o evangelho". A grande comissão nos faz refletir de como deve ser feita esta obra. sempre . Ninguém. O trabalho número um de Deus merece o esforço principal do homem. Mc 16:15) onde a igreja justificada rompe as barreiras e fronteiras e vai a todas as partes.. Uma vida para investir!. tem mais de uma vida. Mesmo que isto lhe custe caro podemos ver que uma vida justificada por Deus tem muita importância no seu reino. Podemos dizer então que uma igreja justificada é uma igreja voltada para esta missão. senão para aqueles que já foram justificados por Deus e separados para tão grande obra. Esta tarefa da grande comissão não é para qualquer um. Norman Lewis faz o seguinte comentário a respeito de se esforçar.O sentido da grande comissão é que devemos ir e fazer discípulos por todo mundo (Mt 28:19. Natam Hale. tem que assumir responsabilidades e se esforçar. sim. pois fica claro nos textos que a obra tem que ser cumprida. mas tem que haver envolvimento com as pessoas. Há. No evangelho de João Jesus diz: "Assim como o Pai me enviou.. morreu como espião. Uma comunidade justificada é aquela que apresenta condições satisfatórias de nutrir-se da fonte inesgotável de alimentação: Jesus." O crente justificado pela fé tem no seu coração este desejo de servir a Deus. em amor. uma vez que iniciada não pode ser abandonada. famoso como guerreiro revolucionário. 3 – JESUS O PÃO DA VIDA. e esta missão de evangelização não pode ser apenas anunciar as boas novas . homem ou mulher. eu também vos envio" (Jo 20:21).

necessidade de recorrer a Cristo enquanto "pão da vida". 4 – AÇÃO SOCIAL COMO PROVEDORA DA COMUNHÃO. Ação social é evangelismo através da comunhão. do amor e do trabalho para o nosso semelhante. A justificação inspira esperança básica na vida. Também devemos ter a consciência de que qualquer ação missionária que ignora totalmente a dimensão de servir o "Pão da vida" em todos os sentidos pode tornar-se apenas promotora de uma instituição. é gastar tempo buscando a compreensão básica da outra pessoa. É sem dúvida estar disposto a levar o fardo um dos outros. A solidariedade faz parte da igreja que se alimenta do "pão da vida". Esta ação gerada nos leva ao mundo para ajudarmos as pessoas a se alimentarem do verdadeiro "Pão". a . e isto só pode ser feito pelo serviço. agora vive. "leite materno e espiritual". Portanto. A igreja primitiva mostrou sinais de uma igreja justificada a partir do momento que começou a viver em comunhão. deixando assim de cumprir o anúncio integral do evangelho. Uma vez que o homem é justificado para que seja a justiça de Deus. Deve. pois resulta em compromisso e cumprimento da missão. Jesus é o pão que mata a fome dos famintos. Uma das coisas que torna relevante a justificação pela fé consiste no tipo de visão que ela nos dá do mundo. Havendo esperança. Em outras palavras. A fome de uma comunidade justificada não deve restringir-se somente à pregação da Palavra. Afinal. esta se transforma em serviço. o Cristo que não está na cruz. sua preocupação social é em si uma atitude solidária com a vida. uma vida justificada leva o "Pão da vida" ao mundo. nutrir-se da comunhão. ou seja. ainda. "alimento espiritual". é comprometimento de vida. a solidariedade é levar o "pão da vida" aos ferimentos espirituais e carnais. Este grande sinal de ação do Espírito sobre a comunidade. que tendo morrido uma vez pelo pecado.

. A palavra koinonia ("comunhão") no mundo grego significava a estreita união entre os homens. Neste texto de Atos a koinonia tem um sentido absoluto. vemos a comunhão se manifestando da seguinte forma. A ação social pertence à missão da igreja e deve encorajar seus membros à responsabilidade social e à busca da justiça social. É. Koinonia fala do nosso relacionamento com outros cristãos. "todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum" (2:44). Indica a unanimidade levada a efeito pelo Espírito. Uma comunidade que pratica a diaconia está concomitantemente oportunizando a prática da fé justificadora. e pode também ser traduzida como comunhão ou fraternidade Litúrgica na adoração. É afirmar que a Igreja justificada se envolve e se compromete com a missão de servir ao próximo num . É claro que o próximo pode significar contextualmente os irmãos da própria comunidade como os de fora. pois. Havia também nesta época uma crise social.comunhão entre os cristãos. caía na graça do povo. pois ela revela uma grande oportunidade para a prática do amor ao próximo. Em Atos. "E perseveravam. Não deve enclausurar-se de maneira a viver em guetos. em conseqüência da situação econômica da Palestina e devido a distúrbios contínuos. “pela liberalidade que contribuís (koinönias) para eles e para todos" 2Co 9:13. O indivíduo era complemente apoiado na comunidade. como parte essencial da vida de adoração.. A igreja primitiva preocupava-se com os membros da comunidade quanto a problemas financeiros. mas frutificar a realidade da koinonia (envolvimento e compromisso) como conseqüência da justificação pela fé. A igreja justificada tem que viver em comunhão. nesse contexto que Atos considera a ação social como evangelização comunicativa a partir do contexto da comunhão. e "tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração" (2:46). Paulo trazia a Jerusalém coletas que eram a expressão tangível da comunhão das igrejas. e também muitos pescadores e camponeses que migraram para a Galiléia tinham dificuldades em ganhar a vida na capital. pois o ministério diaconal possibilita à comunidade a manutenção da comunhão. e levava diretamente para o evangelismo (Atos 2:47). na comunhão" (At 2:42).

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