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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA

GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL

CARACTERIZAÇÃO FÍSICA DOS RESÍDUOS


SÓLIDOS DOMÉSTICOS PRODUZIDOS NOS
MUNICÍPIOS DE CRUZ DAS ALMAS E SAPEAÇU-
BA.

ERIKA PEREIRA MACÊDO

CRUZ DAS ALMAS, 2013


UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA

GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL

CARACTERIZAÇÃO FÍSICA DOS RESÍDUOS


SÓLIDOS DOMÉSTICOS PRODUZIDOS NOS
MUNICÍPIOS DE CRUZ DAS ALMAS E SAPEAÇU-
BA.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à


Universidade Federal do Recôncavo da Bahia como
parte dos requisitos para obtenção do título de
Engenheira Sanitarista e Ambiental.

Orientadora: Profª Msc. Lidiane Mendes


Kruschewsky Lordelo

ERIKA PEREIRA MACÊDO

CRUZ DAS ALMAS, 2013

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA

GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL

CARACTERIZAÇÃO FÍSICA DOS RESÍDUOS


SÓLIDOS DOMÉSTICOS PRODUZIDOS NOS
MUNICÍPIOS DE CRUZ DAS ALMAS E SAPEAÇU-
BA.

Aprovada em: 27/ 05 /2013

EXAMINADORES:

Profª. Msc. Lidiane Mendes Kruschewsky Lordelo _____________________________

Profª. Msc. Anaxsandra da Costa Lima Duarte_________________________________

Prof. Dr. Jesus Manuel Delgado Mendez______________________________________

ERIKA PEREIRA MACÊDO

CRUZ DAS ALMAS, 2013

4
AGRADECIMENTOS

A Deus, por ser tão presente em minha vida e por todas a bênçãos.
Aos meus pais (Dinancí e Edmilson) por todo amor, apoio, por acreditarem em mim,
por possibilitarem a realização desse sonho e por me passarem conforto e tranquilidade
em cada momento difícil.
As minhas irmãs (Ana Carolina e Thayane) por todo amor, apoio, alegrias e
companheirismo.
Aos meus amigos e família pelo incentivo e compreenderem minhas ausências.
Aos meus colegas de graduação, especialmente (Bárbara e Denise) pela amizade,
companheirismo, dias e noites de estudos, alegrias e pelo apoio.
As amigas de república pelo incentivo, zelo e carinho.
À Danileile e Leandro Rosa por toda ajuda no desenvolvimento do trabalho.
À professora Anaxsandra, pelo auxílio, orientações e contribuições para esse trabalho e
por toda paciência e cordialidade.
A minha orientadora Lidiane Kruschewsky, pela orientação, disponibilidade, paciência,
cordialidade e incentivo.
Aos profissionais da Arqtec Engenharia, por me ajudarem tanto na disponibilização de
equipamentos, permissão de entrada ao aterro quanto na execução do trabalho e
disponibilização de dados.
À UFRB e CETEC pela disponibilização de transporte.
À FAPESB pela concessão da bolsa de Iniciação Científica.

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA

CARACTERIZAÇÃO FÍSICA DOS RESÍDUOS SÓLIDOS DOMÉSTICOS


PRODUZIDOS NOS MUNICÍPIOS DE CRUZ DAS ALMAS E SAPEAÇU-BA.

RESUMO

A caracterização física dos resíduos sólidos domésticos é uma ação extremamente


importante para o planejamento dos equipamentos de coleta, tratamento e disposição
final desses materiais. Permite identificar os riscos proporcionados pelos resíduos à
saúde humana e ambiental. O presente trabalho tem por objetivo a análise quanti-
qualitativa e comparativa dos resíduos sólidos domésticos dos municípios de Cruz das
Almas e Sapeaçu, através da identificação da composição gravimétrica, peso específico
e geração per capita, analisando quais fatores podem ter influenciado a geração desses
resíduos e identificando possíveis alternativas de direcionamento adequado de cada tipo
de resíduo e o impacto do desvio de matérias sobre a vida útil do aterro sanitário. A
metodologia adotada consistiu na busca por dados bibliográficos, documentais e
levantamento de campo. A caracterização consistiu na determinação da composição
gravimétrica, peso específico e geração per capita. Para obtenção das amostras de RS
adotou-se o método do quarteamento proposto pela NBR 10007(ABNT, 2004). Foi
verificado que há maior descarte de resíduos orgânicos no município de Sapeaçu
(51,4%) ante Cruz das Almas (39,2%). Já a geração de recicláveis é mais expressiva no
segundo município (37%) enquanto Sapeaçu gera aproximadamente (31,9 %). A
geração per capita média foi maior no município de Cruz das Almas (0,69 kg/hab.dia),
Sapeaçu apresentou geração de 0,43 kg/hab.dia. O peso específico aparente médio
verificado em Sapeaçu (136,2 kg/m³) e em Cruz das Almas foi de (147,8 kg/ m³). Foi
identificado que se houvesse o desvio dos materiais recicláveis e orgânicos para
alternativas como reciclagem e compostagem o Aterro Sanitário Integrado de Cruz das
Almas teria um ganho de 13 anos de vida útil.

6
LISTA DE FIGURAS

Figura 4. 1- Descarga de Resíduos Sólidos Domésticos no Aterro ................................ 40


Figura 4. 2-Área destinada à realização quarteamento ................................................... 40
Figura 4. 3-Despejo de RS na lona ................................................................................. 40
Figura 4. 4- Quarteamento .............................................................................................. 40
Figura 4. 5-Separação dos materiais ............................................................................... 41
Figura 5. 1- Localização do Aterro Sanitário Integrado de Cruz das Almas.................. 46

LISTA DE QUADROS
Quadro 3. 1- Categorias de materiais adotadas em estudos de caracterização de resíduos
sólidos no Brasil ............................................................................................................. 19
Quadro 3. 2-Código de cores dos resíduos sólidos ......................................................... 27
Quadro 5. 1-Setores de coleta de RS em Cruz das Almas .............................................. 47

LISTA DE TABELAS
Tabela 3. 1- Coleta de RSU nos Estados e Distrito Federal ........................................... 21
Tabela 5. 1-Comparação da composição gravimétrica dos RSD de Cruz das Almas e
Sapeaçu com os encontrados para o aterro sanitário de Cruz das Almas e de Salvador 55
Tabela 5. 2- Quantidade diária de resíduos depositados no aterro sanitário com e sem
desvio de materiais gerados em Cruz das Almas e Sapeaçu .......................................... 62

LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 5. 1- - Resíduos descartados segundo categoria de abrangência ....................... 49
Gráfico 5. 2- Amostras de Resíduos (Cruz das Almas) .................................................. 50
Gráfico 5. 3-Amostras de Resíduos (Sapeaçu) ............................................................... 51
Gráfico 5. 4 -Composição Gravimétrica dos RSD dos Municípios de Cruz das Almas e
Sapeaçu ........................................................................................................................... 52
Gráfico 5. 5-Composição gravimétrica em peso dos tipos de plástico em Cruz das
Almas .............................................................................................................................. 53
Gráfico 5. 6-Composição gravimétrica em peso dos tipos de plástico em Sapeaçu ...... 53
Gráfico 5. 7-Composição gravimétrica em peso dos tipos de papel em Cruz das Almas
........................................................................................................................................ 54
Gráfico 5. 8-Composição gravimétrica em peso dos tipos de papel em Sapeaçu .......... 54
Gráfico 5. 9- Geração per capita de RSD nos municípios de Cruz das Almas e Sapeaçu
........................................................................................................................................ 56
Gráfico 5. 10-Panorama da geração dos RSD nos municípios de Cruz das Almas e
Sapeaçu nos últimos 6 anos ............................................................................................ 57
Gráfico 5. 11-Peso Específico Aparente Médio dos Municípios Estudados .................. 58
Gráfico 5. 12- Peso específico dos RSD por amostra (Cruz das Almas) ....................... 59
Gráfico 5. 13- Peso específico dos RSD por amostra (Sapeaçu).................................... 59

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LISTA DE ABREVIATURAS/ SIGLAS/SÍMBOLOS

°C - grau Celsius
ABNT- Associação Brasileira de Normas Técnicas
ABRELPE- Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos
C: N - relação carbono :nitrogênio
CEMPRE – Compromisso Empresarial com a Reciclagem
CONAMA- Conselho Nacional de Meio Ambiente
hab.- habitante
IBAM - Instituto Brasileiro de Administração Municipal
IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
IDH- Índice de Desenvolvimento Humano
kg – quilograma
km² - quilômetro quadrado
L - litro
m ³- metro cúbico
NBR - Norma Brasileira Regulamentadora
PDDU- Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano
PEAD – Polietileno de Alta Densidade
PEBD – Polietileno de Baixa Densidade
PET – Polietileno Tereftalato
pH -potencial hidrogeniônico
PIB - Produto Interno Bruto
PNSB – Pesquisa Nacional de Saneamento Básico
PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
PP – Polipropileno
PS – Poliestireno
PVC – Policloreto de Vinila
RS - Resíduos Sólidos
RSD - Resíduos Sólidos Domésticos/Domiciliares
RSU - Resíduos Sólidos Urbanos
SISNAMA - Sistema Nacional do Meio Ambiente
SNIS- RS- Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento- Resíduos Sólidos
SNVS - Sistema Nacional de Vigilância Sanitária

8
SUASA- Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária
t –tonelada

9
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ................................................................................................. 12
2 OBJETIVOS ....................................................................................................... 14
2.1 OBJETIVOS GERAIS ..................................................................................... 14
2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS .......................................................................... 14
3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ....................................................................... 15
3.1 RESÍDUOS SÓLIDOS: CONCEITO E CLASSIFICAÇÃO ............................... 15
3.2 CARACTERIZAÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS ............................................. 16
3.2.1 Composição Gravimétrica ............................................................................. 17
3.2.2 Geração Per Capita ....................................................................................... 20
3.2.3 Peso Específico Aparente .............................................................................. 21
3.4 GERENCIAMENTO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS ........................................ 23
3.5 CENÁRIO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS NO BRASIL ...................................... 35
3.6 CENÁRIO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS NA BAHIA ........................................ 36
4 METODOLOGIA .............................................................................................. 37
4.1 PESQUISA BIBLIOGRÁFICA ...................................................................... 37
4.2 PESQUISA DOCUMENTAL ......................................................................... 38
4.3 LEVANTAMENTO DE DADOS PRELIMINARES SOBRE O SISTEMA
ATUAL DE COLETA DOS RSD NOS MUNICÍPIOS ............................................ 38
4.4 DETERMINAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DOS RESÍDUOS
SÓLIDOS DOMÉSTICOS ......................................................................................... 38
4.4.1 Composição Gravimétrica ........................................................................ 41
4.4.2 Geração per capita.................................................................................... 41
4.4.3 Peso Específico Aparente ......................................................................... 42
4.5 CONSTRUÇÃO DO BANCO DE DADOS ................................................... 42
4.6 AVALIAÇÃO DE FATORES QUE INFLUENCIAM A GERAÇÃO DE
RESÍDUO ................................................................................................................... 43
4.7 AVALIAÇÃO DO IMPACTO NO ATERRO SANITÁRIO A PARTIR DO
DIRECIONAMENTO ADEQUADO DOS RS ......................................................... 43
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO ....................................................................... 45
5.1 CARACTERIZAÇÃO DOS MUNICÍPIOS E DA ÁREA DE ESTUDO ...... 45
5.1.1 Cruz das Almas......................................................................................... 45
5.1.2 Sapeaçu ..................................................................................................... 45
5.1.3 Aterro Sanitário Integrado de Cruz das Almas ......................................... 46
5.2 LEVANTAMENTO DE DADOS PRELIMINARES SOBRE O SISTEMA
ATUAL DE COLETA DOS RSD NOS MUNICÍPIOS ............................................ 47
5.2.1 CRUZ DAS ALMAS ................................................................................... 47

10
5.2.2 SAPEAÇU.................................................................................................... 48
5.3 DETERMINAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DOS RESÍDUOS
SÓLIDOS DOMÉSTICOS ......................................................................................... 48
5.3.1 Composição Gravimétrica ........................................................................ 48
5.3.2 Geração per capita.................................................................................... 56
5.3.3 Peso Específico Aparente ......................................................................... 57
5.4 AVALIAÇÃO DE FATORES QUE INFLUENCIAM A GERAÇÃO DE
RESÍDUO ................................................................................................................... 60
5.5 AVALIAÇÃO DAS POSSIBILIDADES DE DIRECIONAMENTO
ADEQUADO DOS RS............................................................................................... 60
6 CONCLUSÃO .................................................................................................... 64
7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................ 66
8 APÊNDICE 1 -QUESTIONÁRIO ..................................................................... 70

11
1 INTRODUÇÃO

A urbanização das cidades e o crescimento populacional aliados à produção e ao


consumo de bens menos duráveis tem colaborado para um aumento na produção de
resíduos sólidos urbanos (RSU). Essa situação tem estimulado estudos sobre os resíduos
sólidos (RS) e demonstrado a importância do seu adequado gerenciamento para a
manutenção da saúde humana, ambiental e econômica.

A inexistência e a ineficiência da sistematização de dados confiáveis quanto às


características dos resíduos sólidos gerados por uma população dificultam a prestação e
o controle operacional dos serviços de limpeza urbana e o adequado gerenciamento dos
resíduos sólidos (ALMEIDA, 2004 citado por DELUCA e GRANDI, 2007).

A determinação das quantidades de resíduos sólidos gerados e coletados tem grande


relevância para o estabelecimento das diretrizes da Política Nacional de Resíduos
Sólidos que incluem a elaboração dos Planos de Resíduos Sólidos, nas esferas: nacional,
estadual e municipal.

A identificação, caracterização, e quantificação dos RS possibilitam a avaliação da


geração de resíduos, a seleção de equipamentos específicos, concepção de rotas de
coleta, elaboração de programas de recuperação de materiais. Possibilita também,
averiguar quais materiais podem ser reusados e reciclados, o que permite a geração de
renda para população, bem como aumenta vida útil do local de disposição final de
resíduos.

O Aterro Sanitário Integrado de Cruz das Almas recebe resíduos de quatro municípios:
Cruz das Almas, Sapeaçu, São Felipe e Conceição do Almeida. Dentre esses, Cruz das
Almas, considerada uma cidade de médio porte, é a que mais contribui para a
quantidade de resíduos depositada no aterro. Essa cidade estabelece intensas relações
comerciais, demográficas e de serviços com Sapeaçu, município de pequeno porte. É
muito comum esse tipo de relação entre municípios de médio e pequeno porte próximos
geograficamente. Assim, Cruz das Almas e Sapeaçu foram selecionados como objetos
para análise das características físicas dos resíduos sólidos produzidos em cidades com
características semelhantes.

12
Os resultados da comparação da geração e descarte dos resíduos sólidos domésticos
(RSD) dos municípios integrantes de um mesmo aterro e com afinidades de relações
podem subsidiar a elaboração de um modelo de gestão adequado para municípios com
atributos parecidos, facilitando a tomada de decisão e as ações das entidades públicas e
privadas.

Atualmente a gestão dos resíduos sólidos nas cidades de Cruz das Almas e Sapeaçu
baseia-se a coleta e destinação final dos materiais. Existe uma baixa preocupação com
os tipos de materiais gerados, e em como esses materiais podem ser reaproveitados,
retardando a necessidade de disposição em aterro. Diante disso, a quantidade de
materiais que adentram o aterro de Cruz das Almas é grande, aumentando as chances de
contaminação do meio e acelerando o aumento das demandas por novas áreas de
deposição de resíduos.

Com a caracterização dos resíduos gerados nos municípios de Cruz das Almas e
Sapeaçu será possível apresentação de: a) soluções que aumentem a vida útil do aterro,
visto que são os maiores contribuintes para a massa de resíduos depositada no aterro; b)
alternativas de redução na geração de resíduos sólidos, através da geração de renda para
os catadores de recicláveis; c) melhoria das condições ambientais; d) proposta de
compostagem para a fração orgânica.

13
2 OBJETIVOS

2.1 OBJETIVOS GERAIS

O objetivo geral deste trabalho é realizar a caracterização física dos resíduos sólidos
domésticos dos municípios Cruz das Almas e Sapeaçu, ambos integrantes do Aterro
Sanitário Integrado de Cruz das Almas, com vistas a comparar a geração e descarte
desses materiais e fornecer dados que direcionem a atuação das entidades
governamentais ou privadas para o gerenciamento dos resíduos sólidos.

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 Avaliar quanti-qualitativamente os resíduos encaminhados ao aterro sanitário,


através da determinação da composição gravimétrica, peso específico aparente dos
materiais e da geração per capita de resíduos sólidos;

 Avaliar como os fatores: época do ano e aspectos socioeconômicos afetam a


geração dos resíduos, em cada município;

 Avaliar as possibilidades de manejo adequado para cada tipo de resíduos.

14
3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

3.1 RESÍDUOS SÓLIDOS: CONCEITO E CLASSIFICAÇÃO

Resíduos sólidos são materiais diversos (inertes, minerais e orgânicos), resultantes de


atividades humanas e naturais, que podem ser parcialmente utilizados, gerando, entres
outros aspectos, a proteção da saúde pública e a economia dos recursos naturais (Lima,
2001).

Monteiro e colabradores (2001) conceituam resíduo sólido ou "lixo" como todo material
sólido ou semissólido indesejável e que precisa ser removido por ter sido considerado
inútil por quem o descarta em qualquer recipiente destinado a este ato.

Boscov (2008) define resíduos sólidos urbanos como aqueles produzidos nas
residências e estabelecimentos comerciais, nos logradouros públicos e nas variadas
atividades desenvolvidas nas cidades, incluindo os resíduos de varrição de ruas e praças.

De acordo com a Norma Brasileira Regulamentadora (NBR) 10.004/2004 da


Associação Brasileira de Normas Técnicas – (ABNT):

“Resíduos sólidos são aqueles nos estados sólido e semissólido


que resultam de atividades de origem industrial, doméstica,
hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam
incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de
tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e
instalações de controle de poluição, bem como determinados
líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento
na rede pública de esgotos ou corpos de água, ou exijam para
isso soluções técnica e economicamente inviáveis em face à
melhor tecnologia disponível” (ABNT, 2004).

Os resíduos sólidos podem ser classificados quanto à origem e quantos aos riscos
potenciais de contaminação do meio ambiente.

Quanto à natureza ou origem os RS podem ser agrupados em: lixo doméstico,


comercial, público, domiciliar especial (entulhos de obras, pilhas e baterias, lâmpadas,
pneus) e resíduos de fontes especiais (industrial, radioativo, de serviços de saúde,
agrícola, de portos, aeroportos e terminais rodoferroviários) (MONTEIRO, 2001).

Quanto os riscos potenciais de contaminação, pela NBR 10.004/2004 e pela Política


Nacional de Resíduos Sólidos (BRASIL, 2010) tem-se que os resíduos podem ser
Perigosos (Classe I) e Não Perigosos (Classe II).

15
Os resíduos perigosos são aqueles que em função de suas características de
inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade ou patogenicidade apresentam
riscos a saúde pública e ao meio ambiente quando manuseados ou descartados de
maneira inadequada (ABNT, 2004; BRASIL, 2010).

Os RS não perigosos podem ser (ABNT, 2004; BRASIL, 2010):

 Classe II-A- Não Inertes: podem ter propriedades de combustibilidade,


biodegradabilidade ou solubilidade em água. Podem ocasionar riscos à saúde e ao
ambiente, mas não se enquadram nos resíduos perigosos ou nos resíduos inertes.

 Classe II-B- Inertes: suas características não oferecem riscos à saúde ou ao meio
ambiente.

3.2 CARACTERIZAÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS

A NBR 10.004 (ABNT, 2004) caracteriza os resíduos em: características físicas,


químicas e biológicas. As características químicas são divididas em: poder calórico, pH,
composição química e relação carbono/nitrogênio. As biológicas são aquelas
determinadas pela população microbiana e os agentes patogênicos do lixo que junto
com a caracterização química podem selecionar o método de tratamento e disposição
final mais adequado. As características físicas são divididas em Geração Per Capita,
Composição Gravimétrica, Peso Especifico Aparente, Teor de Umidade e
Compressividade.

A caracterização dos resíduos sólidos é um relevante instrumento de gestão, a qual deve


ser adaptada de acordo com os objetivos a serem buscados (LIPOR, 2000;
CARVALHO, 2005 citados por BASSANI, 2011).

As características dos RS podem variar em função dos fatores culturais, hábitos de


consumo, geográficos, sociais, econômicos, número de habitantes no local, nível
educacional, gênero, faixa etária, variações sazonais, clima, desenvolvimento e
atividades básicas de manutenção da vida (BIDONE e POVINELLI, 1999;
MONTEIRO e colaboradores, 2001; LIMA, 2001; BOSCOV, 2003).

A caracterização, quantificação e identificação dos resíduos sólidos tem grande


importância sanitária, pois através do conhecimento dessas características podem ser
tomadas medidas de prevenção e controle de doenças e de riscos causados ao ambiente

16
pelo incorreto acondicionamento, coleta e transporte e disposição final desses materiais
(LIMA, 2001).

Geralmente o principal objetivo das caracterizações dos resíduos sólidos está


relacionado ao planejamento da forma de disposição final mais adequada a ser aplicada
em uma determinada comunidade; ou viabilizar a implantação de um sistema de
tratamento; e avaliar a viabilidade de aproveitamento dos materiais inorgânicos para
instalação de uma usina de triagem e posterior venda dos materiais recicláveis
(STECH,1990 citado por OLIVEIRA e colaboradores, 1998).

A caracterização física, identificação e quantificação dos resíduos sólidos permitem


avaliar a geração de resíduos e assim, selecionar equipamentos específicos, conceber
rotas de coleta, determinar o tamanho da frota, elaborar programas de recuperação de
materiais, identificar a viabilidade econômica e funcional da implantação da coleta
seletiva numa comunidade e obter indicadores.

Para Carvalho (2005), caracterizar os resíduos sólidos urbanos de um município, e/ou


determinar a composição física dos mesmos, é uma tarefa difícil, mas essencial para
elaboração de qualquer projeto na área de resíduos sólidos. Os resultados obtidos na
caracterização de RSU de uma cidade podem ser comparados com outros locais, ou
podem servir de base para comunidades que ainda não tenham realizado essa
caracterização (GOMES, 1997 citado por MARQUES JUNIOR, 2005).

Dahlen e Lagerkvist (2008) citados por Bassani (2011), afirmam que os procedimentos
mais utilizados nos estudos de composição do RS são: planejamento e projeto das
análises, amostragem e divisão da amostra, triagem manual, classificação dos
componentes, avaliação e tratamento dos dados.

As características físicas dos resíduos, principalmente, a composição gravimétrica, o


peso específico são as que mais se destacam no processo de dimensionamento dos
equipamentos de limpeza urbana, tratamento e disposição final de RS.

3.2.1 Composição Gravimétrica

A porcentagem de cada material que compõe uma amostra de resíduos em relação ao


peso total desta é denominada composição gravimétrica.

17
Essa característica tem uma grande influência nas propriedades geomecânicas dos RSU.
Quanto maior a quantidade de um determinado componente, maiores as semelhanças
entre as características gerais do maciço do local de disposição dos resíduos e as
características desse componente (BOSCOV, 2008).

O conhecimento sobre os fatores que determinam a origem e formação dos resíduos


sólidos em diferentes localidades é necessário para a melhor compreensão das variações
ocorridas na composição gravimétrica.

O teor de materiais putrescíveis é importante, pois influi na geração de chorume e gás,


no desenvolvimento de pressões neutras no interior do maciço sanitário, no teor de
umidade e na resistência ao cisalhamento e na compressibilidade dos RSU (BOSCOV,
2008).

As composições podem ser simplificadas em alguns tipos de materiais ou bem


detalhadas, podendo ser usadas para dimensionamento de uma usina de reciclagem e
compostagem ou ainda para estudo preciso de reciclagem ou de coleta seletiva
(MONTEIRO e colaboradores, 2001).

A segregação dos resíduos não segue um padrão ideal, entretanto, de acordo com
Bassani (2011) recomenda-se que seja utilizado um número limitado de categorias
primárias (não mais de 10), e que as características dos materiais sejam definidas de
modo a reduzir o risco de mal-entendidos e aumentar a possibilidade de comparações
entre os diversos estudos ao longo no tempo entre regiões e países.

O número e os tipos de categorias contempladas nos estudos dependem do objetivo


pretendido e das características dos geradores. Diferentes categorias de componentes
podem ser obtidas a partir da composição gravimétrica, como: matéria orgânica; resto
de comida; plástico duro; plástico mole; papel e papelão; vidro; metal ferroso; metal não
ferroso; resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos; pano, trapo, couro e borracha;
madeira; contaminante biológico; contaminante químico; pedra, terra e cerâmica e
outros. O Quadro 3.1 apresenta algumas categorias de RS adotadas em experiências
nacionais de determinação gravimétrica. A partir dessas categorias podem ser definidas
as tecnologias de acondicionamento, coleta, transporte, tratamento e disposição final
para os resíduos sólidos.

18
Quadro 3. 1- Categorias de materiais adotadas em estudos de caracterização de resíduos sólidos no
Brasil

Local Referência Categorias Nº de


Bibliográfica categorias
Canela – RS Pessin (2006) Matéria Orgânica Putrescível; Plástico; Papel e 12
Papelão; Metal Ferroso; Metal Não ferroso;
Pano,Trapo, Couro e
Borracha;Madeira;Contaminante
Biológico;Contaminante Químico; Pedra, Terra e
Cerâmica; Diversos
Salvador- BA Limpurb (2010) Matéria Orgânica; Papel/Papelão; Vidro/Louça; 9
Plástico; Metal; Borracha; Trapo/Couro; Entulho;
Madeira
Hidrolândia- Carvalho (2005) Matéria Orgânica; Metal ferroso/não ferroso; Pet; 7
GO Papel/Papelão; Plástico; Vidro; Outros
Lajeado-RS e Casaril e Material orgânico; Fraldas; Plástico mole; Papel 15
Estrela-RS colaboradores, higiênico; Plástico duro; Papel/jornal; Vidro;
(2009) Papelão; Rejeito; Metal/alumínio; Trapos; Tetra
Pack; PET; Isopor ;Madeira
Bela Vista – Marques Júnior Matéria Orgânica; Plásticos; Papel/ 6
GO (2005) Papelão; Metal; Vidro; Outros.
Feira De Campos e De Matéria orgânica putrescível; Cascas e restos de 13
Santana – BA Conto (2002) coco; Plásticos; Papel e papelão; Contaminante
biológico; Pano, terra, couro e borracha;Vidro;
Diversos;
Metal ferroso; Contaminante químico; Metal não
ferroso; Madeira;Misto.
Pato Branco – Tabalipa e Fiori Matéria Orgânica; Papel/Papelão; Alumínio; Aço; 12
PR (2006) Plástico Filme; Embalagens Pet; Plástico rígido;
Vidro; Têxteis; Embalagens Longa Vida;
Diversos; Material Farmacêutico.
Indaiatuba- Mancini e Restos de comida; Lixo de jardim + fezes; Lixo de 27
SP colaboradores banheiro; Fraldas descartáveis; Embalagens com
mais de um material; Embalagens longa vida (tipo
(2005)
Tetra Pak); Tecidos; Curiosidades* Vidro; Papel
em bom estado; Papel em mau estado; Latas de
aço; Alumínio; Pilhas; Entulho, Calçados;
Plásticos**
* (produtos de ocorrência inusitada, como urso de pelúcia, garrafas térmicas, circuitos eletrônicos etc.);
**PEBD rígido; PEBD filme; PEAD rígido; PEAD filme; PP rígido; PP filme; Poliestireno (PS);
Poliestireno expandido (isopor); Policloreto de vinila (PVC); PET incolor e PET colorido.
FONTE: Próprio autor.

Os componentes presentes nos RSD podem apresentar um potencial de patogenicidade,


pois são impregnados por substâncias como fezes e excrementos, secreções, produtos de
processos infecciosos ou inflamatórios em humanos e animais e material orgânico
proveniente de higiene (PESSIN e colaboradores, 2006).

19
Mattei e Escosteguy (2007) citados por Casaril e colaboradores, (2009), consideram,
que a caracterização física de resíduos sólidos para identificação da sua composição
gravimétrica é bastante representativa, se realizada logo após a coleta dos resíduos. Já
para Pessin e colaboradores (2006), a atividade de catação de materiais recicláveis antes
da coleta pode influenciar no resultado final da análise da composição gravimétrica de
resíduos sólidos após a coleta alterando as relações estabelecidas entre a quantidade de
resíduos gerada e a coletada.

3.2.2 Geração Per Capita

A geração per capita relaciona a quantidade de resíduos gerada em determinado período


e uma determinada população.

Monteiro e colaboradores (2001) afirmam que a geração per capita é necessária para a
projeção da quantidade de resíduos a coletar e a dispor, para o dimensionamento de
veículos e das unidades do sistema de limpeza urbana e é importante na determinação
da taxa a ser paga pelo serviço de coleta.

De acordo com os referidos autores (2001), no Brasil, muitos técnicos adotam uma faixa
de produção per capita de resíduos sólidos de 0,5 a 0,8 kg/hab.dia para municípios de
médio porte, 0,5 kg/hab.dia para municípios de pequeno porte, 0,8 kg/hab.dia, para
grandes municípios e, valores acima de 1,0 kg/ hab.dia, para megalópoles.

O Ministério das Cidades (2003) citado por Boscov (2008) indicou que o Brasil tem
uma geração de RS de 0,74 kg/hab.dia e que em cidades com até 200.000 habitantes,
esse parâmetro físico varia entre 0,47 e 0,7 kg/hab.dia, e entre 0,80 e 1,20kg/hab.dia nas
cidades de maior população.

A geração de RSU no Distrito Federal e nos estados brasileiros é apresentada na Tabela


3.1. Nesta, fica perceptível que os estados mais populosos produzem uma maior
quantidade de resíduos. Entretanto a geração per capita de RS não acompanha essa
proporção.

20
Tabela 3. 1- Coleta de RSU nos Estados e Distrito Federal

Estados e Distrito População (hab.) Quantidade de RSU coletada RSU coletado por habitante
Federal (2011) (t/dia) (kg/hab.dia)
Centro Oeste
Distrito Federal 2.521.692 4.031 1,599
Goiás 5.492.664 5.758 1,048
Mato Grosso 2.518.930 2.484 0,986
Mato Grosso do Sul 2.121.814 2.176 1,026
Norte
Acre 541.685 465 0,858
Amapá 614.250 541 0,881
Amazonas 2.800.454 3.228 1,153
Pará 5.263.019 4.924 0,936
Rondônia 1.156.574 984 0,851
Roraima 351.925 306 0,87
Tocantins 1.105.197 912 0,825
Nordeste
Alagoas 2.317.116 2.233 0,964
Bahia 10.171.489 10.623 1,044
Ceará 6.411.067 6.998 1,092
Maranhão 4.193.266 3.911 0,933
Paraíba 2.859.893 2.660 0,930
Pernambuco 7.106.060 6.942 0,977
Piauí 2.066.703 1.947 0,943
Rio Grande do Norte 2.490.496 2.349 0,943
Sergipe 1.538.073 1.429 0,929
Sudeste
Espírito Santo 2.959.949 2.655 0,897
Minas Gerais 16.836.700 15.737 0,935
Rio de Janeiro 15.580.702 20.305 1,303
São Paulo 39.874.768 55.214 1,385
Sul
Paraná 8.974.350 7.672 0,855
Rio Grande do Sul 9.138.637 7.457 0,816
Santa Catarina 5.311.095 4.054 0,763
Total (27 capitais) 162.318.568 177.995 1,097
FONTE: Adaptado de Abrelpe (2011).

3.2.3 Peso Específico Aparente

Peso específico aparente é o peso do material solto em função do volume ocupado


livremente, sem qualquer compactação. Sua determinação é fundamental para o

21
dimensionamento correto da frota de coleta, de contêineres e caçambas estacionárias
(MONTEIRO e colaboradores, 2001).

O peso específico dos resíduos depende principalmente da composição gravimétrica:


materiais leves ou putrescíveis apresentam menor peso específico. Materiais triturados
podem formar arranjos mais densos do que resíduos in natura. Resíduos compactados
são mais densos do que resíduos soltos (BOSCOV, 2008).

Para Carneiro (2006), a composição gravimétrica dos resíduos tem grande influência
sobre o peso específico, sendo geralmente maior, com a maior quantidade de resíduos
orgânicos. Por outro lado, altos valores de peso específico podem ser indicativos de
práticas relacionadas à catação de recicláveis e à coleta seletiva, pois a retirada dos
resíduos recicláveis atribui proporcionalmente maiores teores de material orgânico
resultando em elevados pesos específicos devido ao maior teor de umidade
(CARNEIRO, 2006).

O peso específico varia para cada componente, por isso, é de difícil determinação.
Assim, podem surgir grandes erros à utilização de um valor médio para todos os
componentes.

Bidone e Povinelli (1999) afirmaram que o peso específico médio de resíduos está
diminuindo em função do crescimento da industrialização e do consumo de alimentos
preparados, que proporcionam a diminuição da quantidade de matéria orgânica no
resíduo doméstico e o aumento de papeis e plásticos.

Tal tendência foi observada com diminuição do peso específico de 500 kg/m³ em 1920
para 140 kg/m³ em 1970. Em 1999 adotava-se o valor de 192 kg/m³ como média
representativa do peso específico dos resíduos sólidos brasileiros. Já, para Monteiro e
colaboradores (2001), na falta de dados precisos sobre o peso específico de resíduos
domiciliares pode – se a adotar o valor de 230 kg/m³.

O estudo do peso específico dos resíduos sólidos requer bastante atenção, pois, por
serem heterogêneos, variam em gravimetria e granulometria de acordo com a
composição dos resíduos. Esta pode ser influenciada pela sazonalidade de eventos, pelo
poder aquisitivo da população atendida pela coleta dos resíduos sólidos, até as crises
econômicas (SILVEIRA, 2004).

22
3.4 GERENCIAMENTO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS

O sistema de gerenciamento de resíduos sólidos é composto pelas seguintes etapas:


geração, acondicionamento, coleta e transporte, tratamento e disposição final.

O acondicionamento dos resíduos sólidos domésticos é de responsabilidade do gerador,


porém a coleta, o transporte e a disposição final dos resíduos sólidos para áreas de
tratamento são atribuições do serviço público.

3.4.1 Geração de Resíduos Sólidos

A geração de resíduos sólidos é inerente às atividades humanas. É um fenômeno diário


e que ocorre em quantidades e composições que dependem do tamanho da população,
do desenvolvimento econômico da localidade, nível de instrução, hábitos alimentares e
de higiene e época do ano (BIDONE E POVINELLI, 1999). Assim, devem ser
buscadas alternativas que controlem os malefícios que os resíduos podem causar ao
ambiente e à saúde pública.

Há muito tempo os resíduos não representavam grandes problemas, pois eram gerados
em menor quantidade e eram basicamente compostos por materiais biodegradáveis.
Com o desenvolvimento econômico, crescimento populacional e aumento do consumo
de produtos industrializados, os resíduos passaram a se tornar mais complexos e
diversificados e a demorar mais tempo para serem degradados.

De acordo com Bidone e Povinelli (1999) regiões mais desenvolvidas economicamente


geram maior quantidade de resíduos recicláveis e apresentam menor desperdício que
países mais pobres.

O aumento na geração de resíduos pela população alerta para a capacidade e


disponibilidade de áreas para a disposição final desses, portanto os aterros sanitários
deveriam receber o mínimo de resíduos possível, garantindo-lhes maior vida útil
(CASARIL e colaboradores, 2009).

Bidone e Povinelli (1999) indicam o gerenciamento dos resíduos focado na redução da


geração, reutilização, reciclagem e educação ambiental da população como solução para
o problema da produção acentuada de resíduos.

A Redução está relacionada à diminuição do consumo de bens e produtos, e


consequentemente na diminuição da quantidade de resíduos sólidos gerados. A

23
Reutilização consiste no aproveitamento de produtos, objetos ou embalagens sem que
estes sofram alterações ou processamentos complexos, passando apenas por uma
limpeza. A Reciclagem é o processo de transformação dos resíduos em novos produtos
ou semelhantes aos produtos de origem.

3.4.2 Acondicionamento
Essa atividade é de responsabilidade do gerador, seja um ambiente comercial, industrial
ou um domicílio. Consiste no armazenamento do resíduo em um recipiente adequado ao
seu tipo e quantidade até o momento da coleta e transporte. O acondicionamento pode
ser interno, quando ocorre dentro do estabelecimento, ou externo, local onde o resíduo é
colocado para coleta pública.

No Brasil, os resíduos domésticos geralmente são armazenados em sacolas plásticas,


são utilizados também vasilhames plásticos ou metálicos ou feitos de pneus. Materiais
perigosos devem ser segregados e acondicionados isoladamente para distinção e coleta.
Líquidos devem ser descartados separadamente, vidro e materiais perfuro cortantes
devem ser embrulhados em papel.

O mau acondicionamento retarda e encarece o serviço de limpeza pública e ainda pode


aumentar os riscos de acidentes de trabalho pela utilização de recipientes pouco
resistentes, mal vedados e com excesso de peso (CARNEIRO, 2006).

Apesar de ser uma ação do gerador, o acondicionamento pode e deve ser orientado pelo
prestador do serviço. O acondicionamento correto do lixo e disposição dos recipientes
no local, dia e horários estabelecidos pelo Órgão de Limpeza Urbana é essencial para o
funcionamento eficaz da coleta e transporte dos resíduos (Monteiro e colaboradores,
2001). Ainda de acordo com Monteiro e colaboradores (2001), acondicionar
adequadamente os RS é importante para evitar acidentes, proliferação de vetores,
reduzir impactos estéticos e olfativos, diminuir a heterogeneidade de resíduos (quando
existe coleta seletiva).

3.4.3 Coleta e Transporte de RSD

A coleta de lixo é a ligação entre o acondicionamento interno e o sistema de disposição


final (MONTEIRO, 2001a). É o ato de recolher resíduos previamente acondicionados

24
por seus geradores e direcioná-los ao tratamento e disposição final sanitariamente
adequada, evitando assim problemas de saúde e impactos ao meio ambiente.

Geralmente os serviços de coleta de RSD são realizados por órgãos municipais de


limpeza urbana ou por empresas terceirizadas ou sistemas mistos (Monteiro, 2001a).
Alguns fatores influenciam diretamente na qualidade da coleta dos resíduos domésticos,
como características da caçamba do caminhão coletor, guarnição, frequência e horário
de coleta (Lima, 2001).

Os veículos coletores geralmente tem caçamba do tipo baú ou com sistema de


compactação. As caçambas baú tem capacidade máxima de 15 m³ e transportam uma
pequena carga de lixo não compactado, exceto pelo pisoteamento do ajudante, assim
ocorre à subutilização do chassi. Esses veículos tem menor custo inicial, porém, em
longo prazo não se faz interessante (Lima, 2001). Os veículos compactadores, apesar do
alto custo inicial são mais interessantes quando o destino final dos RS é o aterro
sanitário, pois além da diminuição do volume devido à trituração dos resíduos, facilitam
a decomposição dos mesmos conseguindo coletar maior quantidade de RS.

O número de trabalhadores que compõem a guarnição coletora deve ser bem analisado
para que a coleta e transporte dos resíduos sólidos sejam realizados de forma eficiente,
atendendo a toda a demanda de serviço em tempo hábil.

A operação de transporte corresponde ao tempo empregado pelo caminhão desde o


momento do recebimento do lixo do último recipiente até o esvaziamento do lixo do
primeiro recipiente da seguinte viagem de coleta (MONTEIRO, 2001a).

Comumente regiões centrais e comerciais das cidades são contempladas por coleta de
frequência diária, devido a grande produção de lixo; em áreas residenciais e menos
adensadas, a coleta ocorre em dias alternados; e em locais de difícil acesso ou distantes
a coleta ocorre por escala (CARNEIRO, 2001).

A coleta do lixo domiciliar deve ser realizada em cada área em intervalos de tempo
regulares, nos mesmos dias e horários, para que a população fique condicionada a
colocar o lixo no local e horário de coleta adequados (MONTEIRO e colaboradores,
2001). Assim, o resíduo ficará menos tempo exposto a intempéries, à ação de pequenos
animais e de vetores; além de evitar prejuízos estéticos e olfativos.

Na determinação do horário da coleta, devem ser observados: intervalos amplos entre os


turnos diurno e noturno, para que problemas surgidos em um turno não influenciem no

25
outro. Em locais de movimento diurno intenso é indicada a coleta noturna e em regiões
de clima quente, devem ser evitados horários de calor excessivo, pois esse pode
influenciar na queda da produtividade (CARNEIRO, 2006).

A rota deve seguir o itinerário planejado e considerar o enchimento completo da


capacidade do caminhão coletor para otimização da coleta e redução do número de
viagens do veículo. Todos os serviços de limpeza pública devem ser monitorados
periodicamente pelo seu respectivo órgão gestor bem como pela população, esta, deve
denunciar caso perceba alguma deficiência na prestação dos serviços.

Para Monteiro e colaboradores, (2001), o acompanhamento da regularidade da coleta


pode ser feito com o controle do peso do material coletado, nos mesmos dias da semana
em semanas consecutivas. Devem ser observadas também a ocorrência de pontos de
acumulação de lixo, que podem representar a deficiência na execução da coleta.

3.4.3.1 Coleta Seletiva

É a coleta dos resíduos separados pelos usuários conforme sua constituição ou


composição (BRASIL, 2010).

Essa ação tem como benefícios: o incentivo à prática da cidadania; preservação de bens
naturais; aumento da vida útil dos aparelhos de destino final, economia de energia nos
processos produtivos e alerta sobre a problemática da crescente geração de RS no
mundo. As desvantagens estão relacionadas ao alto custo de operação, atendimento a
pequena parte da população; e à dificuldade de ressarcimento dos serviços através de
taxas de limpeza pública e de coleta (LIMA, 2001).

A coleta seletiva é um relevante instrumento da Política Nacional de Resíduos Sólidos


(PNRS) para o reaproveitamento e reciclagem de materiais e no auxilio a mitigação da
quantidade de resíduos que serão dispostos no solo de forma adequada, podendo ser
implantada de forma individual ou por consórcios entre municípios vizinhos. Segundo
Brasil (2010), os municípios e estados com essa alternativa implantada, principalmente
em consórcio, e que insiram os catadores na coleta seletiva, tem prioridade ao acesso de
investimentos públicos relativos à limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos.

Os principais materiais separados para reciclagem e coletados na coleta seletiva são:


papéis, plásticos, metais. Estes materiais juntos formam cerca de 38% do peso do lixo,
mas representam uma parcela ainda mais significativa em volume (LIMA, 2001).

26
A participação social e a infraestrutura do galpão de triagem e dos veículos coletores
são elementos fundamentais para o sucesso da coleta seletiva, para isso, são necessários
investimentos na divulgação, informação, sensibilização, conscientização e mobilização
das comunidades receptoras do serviço e dos trabalhadores envolvidos no mesmo
(LIMA, 2001).

3.4.3.1.1 Tipos de resíduos de coleta seletiva

Os resíduos de coleta seletiva são definidos de acordo com as localidades e com o


mercado da reciclagem local. Os materiais geralmente separados por esse tipo de
atividade são divididos em: orgânicos (úmidos); recicláveis (secos): papéis, papelão,
plásticos, metais, vidros, têxteis; e rejeitos, materiais que não são passiveis de
reciclagem. O Quadro 3.2 apresenta o código de cores do Conselho Nacional do Meio
Ambiente (CONAMA, 2001) para os diferentes tipos de resíduos.

Quadro 3. 2-Código de cores dos resíduos sólidos

COR DO CONTÊINER MATERIAL

Marrom Resíduos orgânicos

Vermelho Plásticos

Azul Papéis/papelão/tetra pak

Amarela Metais

Verde Vidros

Cinza Rejeitos

FONTE: CONAMA (2001)

a) Resíduos orgânicos
São os resíduos provenientes de restos animais e vegetais. Segundo Lima (2001) os
resíduos orgânicos, com exceção do papel, representam em média 62% do lixo
brasileiro. Neste percentual estão inclusos os resíduos domiciliares e comerciais.

Grande parte do lixo orgânico resulta do desperdício de alimentos durante a produção,


industrialização, armazenagem, transporte e distribuição. Grandes quantidades de

27
produtos hortifrutigranjeiros são perdidas em supermercados por descuido no manuseio
pelos consumidores (PROBLEMAS BRASILEIROS, 1993 citado por LIMA, 2001).

b) Papel

Os papeis são materiais confeccionados basicamente de celulose e aditivos químicos.


Representam aproximadamente 41,8% da média nacional dos resíduos de coleta seletiva
(CEMPRE, 2010 citado por BASSANI, 2011). Estão inclusos nesse tipo de material:
papelão, arquivo, misto, jornal e tetra pak.

O papelão é geralmente utilizado na forma de caixas para transportar produtos. Essas


embalagens são totalmente recicláveis e biodegradáveis e causam baixo impacto
ambiental em todos os estágios de seu ciclo de vida e chega a um índice de 80% de
reciclagem no Brasil (CEMPRE, 2011 citado por BASSANI, 2011).

Os papéis arquivo (papel branco) são aqueles feitos de poupa de celulose e apresentam
alta qualidade. São adotados na confecção de documentos. Os papéis mistos são aqueles
utilizados em revistas, folders, papéis coloridos, sacolas de papel, representam de
20,07% a 26,15% dos papéis (BASSANI, 2011). O jornal é feito com menos celulose e
mais fibras de madeira, assim, tem menor qualidade, compõem de 26,6% a 37,45% dos
papéis (BASSANI, 2011). As embalagens Tetra Pak são potencialmente recicláveis,
mas por serem constituídas de camadas de plástico, papel cartão e alumínio, no Brasil,
ainda não são recicladas em escala comercial devido à falta de mercado para o produto
(Lima, 2001). Embalam alimentos de forma segura, sem a utilização de conservantes
(BASSANI, 2011).

Em 1997, cerca de 500 toneladas de embalagens de tetra pak foram transformadas em


papel higiênico, papel ondulado e sola de sapato (GAZETA MERCANTIL, 1997 citada
por LIMA, 2001).

Segundo ABRELPE (2011), em 2009 foram produzidos no Brasil 9428 mil toneladas de
papel (de todos os tipos). Nesse mesmo ano a taxa de recuperação desse material atingiu
46%.

c) Plásticos

Os plásticos são materiais de difícil biodegradação, feitos de resinas sintéticas,


derivadas de recursos naturais, principalmente petróleo (CEMPRE, 1998). Nessa

28
categoria de materiais estão inseridos os plásticos maleáveis como: sacolas de mercado,
sacos de lixo, embalagens de leite e sucos, lonas; e os plásticos rígidos ou duros, que
são as garrafas de refrigerantes, recipientes de produtos de limpeza, potes de alimentos,
tubos e conexões e outros.

A limitação da reciclagem de plásticos ocorre quando esses são produzidos por misturas
de polímeros. Tal fato dificulta o reaproveitamento industrial e pode influenciar na
depreciação da qualidade do novo produto (CEMPRE, 2011 citado por BASSANI,
2011).

d) Metais

Os metais quanto a sua composição podem ser: ferrosos ou não ferrosos. Os ferrosos
são os materiais compostos de ferro e aço e os não ferrosos os de alumínio, cobre
chumbo, níquel e zinco, que compõem juntos 6,7% dos resíduos da coleta seletiva
(CEMPRE, 2010 citado por BASSANI, 2011).

São materiais de alta resistência, força mecânica e de fácil moldagem, sendo largamente
utilizados em equipamentos, estruturas e em embalagens em geral. (CEMPRE, 1998).

A grande vantagem da reciclagem de metais é a redução dos custos na fase redução do


minério de metal, com energia, transporte e produção em larga escala (CEMPRE, 1998).

As limitações da reciclagem dos metais estão relacionadas à sua mistura com impurezas
presentes no lixo, como terra, matéria orgânica, excesso de umidade, plástico, vidro,
areia e outros metais, que geram mais escória nos fornos de fundição (BASSANI,
2011).

e) Vidros

Os vidros são compostos por materiais como areia, calcário, barrilha e feldspato. São
materiais duráveis e de alto potencial de reaproveitamento. São utilizados
principalmente na produção de embalagens para alimentos, bebidas, cosméticos, objetos
de decoração (CEMPRE, 1998).

Para ser reciclado o vidro deve ser separado por cor para manter a estética do produto
final e preservar o seu valor. Cacos de vidros direcionados para reciclagem não podem
estar misturados a terras, pedras, cerâmicas, louças, pedaços de cristais, espelhos,

29
lâmpadas pois estes diminuem a resistência do produto final (CEMPRE, 2011 citado por
BASSANI, 2011).

Segundo Bassani (2011), embora o vidro possa ser totalmente reciclado e gerar um
produto reciclado de mesma qualidade do produto original, seu baixo valor comercial,
grande volume de armazenamento e o risco de acidentes durante o manuseio, quando
quebrados, inibem a sua separação para reciclagem.

f) Têxteis

Os resíduos têxteis são compostos por peças do vestuário, roupas, sapatos e acessórios.
Estes também podem ser reutilizados e reciclados.

A reutilização ocorre através da doação e conserto de roupas, e até utilização como pano
de limpeza, mas, para isso, esses materiais não devem ser misturados a outros resíduos,
evitando assim danos às peças (BASSANI, 2011).

Da reciclagem de têxteis podem ser fabricados produtos como: estopas e TNT (tecido
não tecido), fibras para preenchimentos de almofadas para confecção de cobertores e
colchões e para a fabricação de isolantes (SETOR RECICLAGEM, 2009 citado por
BASSANI, 2011). No Brasil, essa prática ainda não é muito adotada, e na maioria das
vezes que ocorre está mais voltada para o artesanato.

g) Rejeitos

Segundo Brasil (2010), rejeitos são os resíduos sólidos que tem esgotadas todas as
possibilidades de tratamento e recuperação por processos tecnológicos disponíveis e
economicamente viáveis, devendo ser encaminhados à disposição final ambientalmente
adequada.

São compostos por materiais diversos que por terem sido misturados com outros
produtos, como produtos químicos, orgânicos, perderam a capacidade de
reaproveitamento ou reciclagem.

3.4.4 Tratamento de Resíduos Sólidos Domésticos

O tratamento consiste na aplicação de procedimentos físicos ou biológicos que reduzam


a quantidade ou o potencial poluidor do resíduo sólido, impedindo o seu descarte em

30
locais inadequados ou tornando-o biologicamente estável e inerte (MONTEIRO,
2001b).

A população pode ajudar na eficácia do tratamento reduzindo da quantidade de lixo, o


desperdício, reaproveitando materiais, separando recicláveis dentro do domicílio ou
empreendimento e descartando adequadamente o resíduo gerado (MONTEIRO, 2001b).

Dentre os principais métodos de tratamento estão à reciclagem, incineração,


compostagem.

3.4.4.1 Reciclagem

De acordo com Brasil (2010), reciclagem é o processo de transformação dos resíduos


sólidos que envolve a alteração de suas propriedades visando à transformação em
insumos ou novos produtos, observadas as condições e os padrões estabelecidos pelos
órgãos competentes.

Para Lima (2001), reciclagem é um processo no qual um material já utilizado é


reinserido ao processo produtivo, sendo utilizado da mesma maneira ou sendo
transformado em um novo produto.

Existem duas formas de reciclagem: direta ou pré-consumo e a pós-consumo. A


primeira é aquela que ocorre quando os materiais são processados na própria linha de
produção; a pós-consumo ocorre quando são processados os materiais descartados no
lixo por usuários.

A reciclagem traz alguns benefícios como: preservação de recursos naturais; economia


de energética; economia de transporte, devido à redução do material encaminhado para
aterros; geração de emprego e renda; e conscientização da população para as questões
ambientais (MONTEIRO, 2001b).

Monteiro (2001b) afirma que o alto custo do beneficiamento de recicláveis pode levar à
negligência por parte das indústrias que lidam com sucata, essa, por sua vez pode deixar
de empregar tecnologias limpas no processamento devido aos altos preços de
processamento, podendo causar sérios danos ao ambiente.

Para a realização da reciclagem é necessária à separação dos materiais que compõem o


lixo, como plásticos, papéis, metais, papelão e vidro para que estes sejam beneficiados
pela indústria e transformados em produtos comercializáveis.

31
O ideal é que a separação dos materiais ocorra no interior da unidade geradora, pois
quando misturados a líquidos e materiais orgânicos, terra, gordura e contaminantes
variados o beneficiamento do material é dificultado, aumentando assim o seu custo.
Assim, estabelece-se uma relação de importância entre reciclagem e coleta seletiva que
é a coleta que recolhe os resíduos previamente separados pelo gerador.

3.4.4.2 Incineração

É uma tecnologia térmica de tratamento de RS que consiste na queima de materiais a


alta temperatura (200°C a 1200° C) em mistura com uma quantidade de ar adequada
durante um determinado intervalo de tempo. Esse processo acontece numa instalação
denominada usina de incineração. Seu uso é justificado na falta de espaço físico para
implantação de aterros e na necessidade de produção energética.

Os resíduos orgânicos ficam reduzidos a seus constituintes minerais, principalmente


carbono gasoso e vapor d’água e cinza (LIMA, 2001). Os custos de implantação e
operação desse tipo de usina são altos, por isso em países em desenvolvimento são
utilizadas para o tratamento de resíduos de saúde e perigosos. Segundo Monteiro
(2001b), para que uma usina de incineração com recuperação de energia seja viável
economicamente devem ser processadas quantidades superiores a 250.000 t/ano.

A energia gerada por essas usinas pode ser vendida gerando receita para os cofres
públicos. Entretanto é preciso cautela quando da sua instalação para evitar a poluição do
ar e outros prejuízos.

3.4.4.3 Compostagem

É o processo biológico aeróbio e controlado de transformação de resíduos orgânicos,


restos de origem vegetal e animal, em resíduos estabilizados (BIDONE e POVINELLI,
1999). O produto final gerado por esse processo apresenta características distintas do
material de origem. Pode ser aplicado no solo, melhorando suas características e sem
acarretar riscos ao meio ambiente (LIMA, 2001).

Para a produção de um composto de boa qualidade são necessárias condições físicas e


químicas adequadas à ação de microrganismos. A compostagem pode ser feita por dois
métodos: o método natural e método acelerado.

32
No método natural, o material orgânico é disposto em pilhas, que tem o material
revolvido por equipamentos apropriados para que ocorra a aeração necessária para a
decomposição biológica (LIMA, 2001). Pelo método acelerado, a areação do material é
realizada por tubulações perfuradas sobre as quais são colocadas as pilhas, ou colocando
os resíduos em reatores rotatórios, no sentido contrário ao da corrente de ar (LIMA,
2001). Após essa etapa os resíduos são submetidos ao método natural. Por esse processo
o composto fica pronto em dois ou três meses enquanto que pelo método natural isso
ocorre com três ou quatro meses (LIMA, 2001).

A velocidade de decomposição depende também da estrutura molecular de cada


material. Materiais ricos em carbono como palhas e resíduos de poda degradam mais
lentamente que resíduos úmidos domésticos (devido à alta relação carbono/nitrogênio).
Resíduos com maiores concentrações de nitrogênio são decompostos mais rapidamente
(BIDONE e POVINELLI, 1999).

3.4.5 Destinação Final de Resíduos Sólidos Domésticos

De acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12305/2010) a destinação


final ambientalmente adequada pode ser entendida como:

“A destinação de resíduos que inclui a reutilização, a


reciclagem, a compostagem, a recuperação e o
aproveitamento energético ou outras destinações admitidas
pelos órgãos competentes do Sisnama, do SNVS e do
Suasa, entre elas a disposição final, observando normas
operacionais específicas de modo a evitar danos ou riscos
à saúde pública e à segurança e a minimizar os impactos
ambientais adversos” (BRASIL, 2010).
A reciclagem e compostagem por serem também métodos de tratamento de resíduos
foram apresentadas na seção anterior. Nesta seção, serão apresentados os métodos de
disposição final no solo: lixão, aterro controlado e aterro sanitário.

3.4.5.1 Lançamento a céu aberto (Lixão ou Vazadouro)

É uma forma inadequada disposição final de RS no solo, na qual não há adoção de


medidas de proteção ambiental e da saúde pública.

Esse tipo de disposição facilita a disseminação de vetores como ratos, baratas,


mosquitos; provoca odores desagradáveis e poluição do solo e das águas superficiais e

33
subterrâneas pelos lixiviados: chorume, líquido da decomposição do material orgânico;
e das águas pluviais. Não há controle da quantidade de resíduo descartado, nem da sua
origem (BIDONE e POVINELLI, 1999).

3.4.5.2 Aterro controlado

É um local de recepção de resíduos, que conta com algumas tecnologias executivas no


seu desenvolvimento como o recobrimento dos resíduos. Entretanto, na área não há
impermeabilização da base, não realiza coleta e tratamento do chorume, assim como
não executa a drenagem e queima do biogás.

O chorume fica retido no interior do aterro, devido à falta de coleta. Esse volume pode
ser reduzido evitando a entrada de água da chuva no aterro através do cobrimento do
lixo com material argiloso e executando uma camada de impermeabilização superior
quando o aterro atinge sua cota máxima operacional (MONTEIRO, 2001).

Esse tipo de aterro não é exatamente adequado, sendo uma solução compatível para
pequenos municípios que não tem equipamentos compactadores (BIDONE e
POVINELLI, 1999). Não é melhor alternativa de destinação final dos RSD, porém é
uma técnica preferível quando comparada ao vazadouro. Sua implantação é conveniente
em áreas de lençol freático profundo, a mais de três metros do nível do terreno.

3.4.5.3 Aterro sanitário

O aterro sanitário é a solução tecnicamente mais indicada para a disposição final dos
resíduos sólidos. Consiste na deposição dos RS sobre o terreno previamente
impermeabilizado por argila ou manta geotêxtil. Os resíduos são confinados em
camadas que são cobertas por materiais inertes para evitar danos ao meio ambiente, à
saúde e à segurança pública (MONTEIRO e colaboradores, 2001). Aterros sanitários
são projetados para confinar os RS na menor área e reduzi-los ao menor volume
possível. Essa solução deve comportar os resíduos por um longo período de forma
segura e controlada. O chorume deve ser coletado e tratado e os gases liberados pelo
lixo devem ser drenados e queimados (BIDONE e POVINELLI, 1999).

Um aterro sanitário deve apresentar como unidades operacionais: células distintas para
resíduos de origens distintas (célula de lixo domiciliar; célula de lixo hospitalar);
impermeabilização de base e superior (opcional); sistema de coleta e tratamento dos

34
líquidos percolados; sistema de coleta e queima (ou beneficiamento) do biogás; sistema
de drenagem pluvial; sistemas de monitoramento ambiental, topográfico e geotécnico; e
pátio de estocagem de materiais.

O aterro sanitário ainda deve ser instalado em locais distantes de corpos hídricos, ser
isolado visualmente por cerca vegetal; estradas de acesso e serviço; balança rodoviária e
sistema de controle de resíduos; guarita de entrada e prédio administrativo; oficina e
borracharia (MONTEIRO e colaboradores, 2001).

As vantagens dessa forma de disposição final em relação às outras são: baixo custo de
investimento inicial de implantação e de operação; alta flexibilidade operacional; pode
ser construído em áreas degradadas e de baixo valor comercial.

O Brasil não tem muita prática no reaproveitamento de resíduos. Algumas experiências


foram bem sucedidas na recuperação de materiais dos resíduos sólidos urbanos,
entretanto o montante aproveitado não foi significativo em relação ao volume de
resíduos gerados devido os altos custos de reaproveitamento, grandes distâncias entre as
tecnologias de reaproveitamento e as fontes geradoras (OlIVEIRA, 2011). Para
CASSINI e outros, 2003 citados por OLIVEIRA, 2011, esses fatores tornam o
aterramento de resíduos um método necessário para a disposição de grandes
quantidades de materiais não recuperáveis.

3.5 CENÁRIO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS NO BRASIL

O desenvolvimento, a globalização e a melhoria no poder aquisitivo da população


estimulam a produção de resíduos. Para Tabalipa e Fiori (2006) esses fatores são os
responsáveis pelo aumento de resíduos sintéticos no Brasil e em países em
desenvolvimento. Estes, por sua vez, quando depostos diretamente no solo em lixões
causam significativo impacto ambiental e riscos à saúde pública.

Em 2008, a maioria das cidades brasileiras (50,8%) adotavam lixões como locais de
destinação final de resíduos sólidos, 22,5% em aterros controlados e 27, 7% em aterros
sanitários. Ainda que alta essa percentagem teve grande diminuição quando comparada
a apresentada pelo Brasil no ano 1989, no qual 88,2 % dos municípios dispunham seus
resíduos em lixões (IBGE, 2010).

Foi verificada ainda nessa pesquisa que as regiões Nordeste e Norte registravam
maiores quantidades de municípios destinando os RS em lixões, respectivamente 89,3 e

35
85,5%, enquanto as regiões sul (15,8%) e sudeste (18,7%) apresentaram menores
percentuais (IBGE, 2010). Entre os anos de 2000 e 2008 houve um aumento de 10,4%
no percentual de cidades que adotam aterros como locais para a destinação final dos
resíduos.

Segundo IBGE (2010), o número de programas de coleta seletiva passou de 58 em 1989


para 994 em 2008, o que representa um aumento significativo no aproveitamento da
fração reciclável dos resíduos brasileiros. Esse crescimento foi mais acentuado nas
regiões do sul e sudeste brasileiro. No que se refere ao aproveitamento do material
reciclável, foi constatado que os principais materiais segregados eram: papel e/ou
papelão, plástico, vidro e metal (materiais ferrosos e não ferrosos) (IBGE, 2010).

De acordo com ABRELPE (2011), em 2011 a geração de resíduos sólidos no Brasil foi
de aproximadamente 62 milhões de toneladas, 1,8% a mais que no ano de 2010, índice
100% superior à taxa de crescimento populacional urbano no mesmo período e que
segue a tendência dos anos anteriores, só que um pouco menor.

Em 2011 foram coletados 55.534.440 toneladas de resíduos, 2,5% maior que a


quantidade coletada no ano anterior (ABRELPE, 2011). Esse crescimento foi superior
ao apresentado pela geração de resíduos nos mesmos anos, demonstrando uma
ampliação na cobertura dos serviços de coleta de RSU (ABRELPE, 2011).

Em pesquisa realizada pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento-


Resíduos Sólidos (SNIS- RS, 2012), em 2010 verificou-se que a região sudeste do
Brasil, com 99, 2%, é a que apresenta o maior índice de cobertura do serviço de coleta
regular de resíduos sólidos e as regiões de menores índices são a Norte com 96, 5% e a
Nordeste com 97,1% da população urbana.

A média da massa de RSU coletada per capita nos municípios participantes do SNIS-
2010- RS foi de 0,93 kg/hab.dia. Em 39.1% desses municípios há ocorrência do serviço
de coleta seletiva de resíduos sólidos domiciliares (SNIS-RS, 2012). Sendo os maiores
percentuais de ocorrência apresentados pelas regiões sul (50,3%) e sudeste (48,4%) e o
menor pela região nordeste (12,4%).

3.6 CENÁRIO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS NA BAHIA

Na Bahia, dos 417 municípios, em 335 municípios tem a prefeitura como única
executora dos serviços de manejo de resíduos sólidos, em 41 cidades outras entidades

36
são as executoras dos serviços, nas outras 41 cidades os serviços são compartilhados
entre prefeituras e outras entidades (PNSB, 2008).

De acordo com Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (2008) em cerca de 42% de


municípios baianos as entidades prestadoras dos serviços de manejo dos resíduos
sólidos informaram ter conhecimento da presença de catadores em seus vazadouros ou
aterros. No ano de 2008, haviam na Bahia 44 cooperativas ou associações de catadores
com 1326 catadores associados ou cooperados e distribuídas em 26 municípios.

Segundo ABRELPE (2011), em 2010 a população urbana da Bahia gerava 13.565 t/dia
de resíduos sólidos dos quais apenas 10.375 t/ dia eram coletadas. No ano seguinte a
geração de resíduos foi de 13.509 t/ dia, apresentando uma pequena diminuição em
relação a 2010, enquanto a quantidade coletada nesse ano chegou a 10.623t/dia. Dos
resíduos coletados em 2011, 30,8% eram encaminhados para aterros sanitários, 35,5%
para aterros controlados e 33,7% para lixões.

4 METODOLOGIA

A metodologia adotada consistiu em: pesquisa bibliográfica sobre a temática; pesquisa


documental; levantamento de dados preliminares sobre o sistema atual de coleta dos
resíduos sólidos domésticos em Cruz das Almas e Sapeaçu; determinação das
características físicas dos resíduos sólidos urbanos; construção do banco de dados;
avaliação do impacto no aterro sanitário a partir do direcionamento adequado dos RS e;

avaliação de fatores que influenciam a geração de resíduo.

4.1 PESQUISA BIBLIOGRÁFICA

Para a elaboração desse trabalho foi realizado levantamento bibliográfico por meio de
consultas aos planos diretores das cidades cujos resíduos sólidos oriundos foram
estudados; livros, monografias, dissertações e trabalhos técnico-científicos. Esses
documentos tratam sobre composição gravimétrica, geração per capita e peso específico
de resíduos sólidos em cidades com características similares; normas técnicas,
legislações que tratam sobre resíduos sólidos; políticas públicas de diminuição de
geração de resíduos sólidos encaminhados ao aterro; coleta seletiva e compostagem. Foi
consultada a Lei nº 12305/2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que dispõe
sobre os princípios, objetivos, instrumentos, e diretrizes relativos à gestão integrada e ao

37
gerenciamento de resíduos sólidos. As normas da Associação Brasileira de Normas
Técnicas foram a NBR 10004/2004 e a NBR 10007/2004 que tratam respectivamente da
classificação e da amostragem dos resíduos sólidos. Também foram consultados os
dados demográficos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para
identificação da população de cada município, além do Produto Interno Bruto (PIB) e o
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de cada um dos municípios estudados,
utilizados na identificação da possível influência das condições de vida e econômica na
geração dos resíduos sólidos domésticos.

4.2 PESQUISA DOCUMENTAL


Essa pesquisa consistiu na busca de documentos com informações sobre: a área de
estudo; sobre dados históricos da geração e composição gravimétrica dos resíduos que
chegam ao aterro; na consulta a croquis e mapas referentes à coleta, transporte, para
identificação dos geradores dos resíduos investigados e pesquisas ao registro de
recebimento resíduos do aterro.

Os dados necessários foram obtidos nas prefeituras dos municípios e no próprio aterro.

4.3 LEVANTAMENTO DE DADOS PRELIMINARES SOBRE O SISTEMA


ATUAL DE COLETA DOS RSD NOS MUNICÍPIOS

O levantamento de dados sobre o serviço de coleta nos municípios de Cruz das Almas e
Sapeaçu foi feito por meio de entrevistas semi-estruturadas com os responsáveis pelo
departamento de limpeza urbana entre maio e junho de 2012. Foram levantadas
informações sobre o percentual da população atendida pelo serviço, estimativa de
população não atendida, setores de coleta, população de cada setor, existência de mapas
ou croquis de delimitação das áreas de coleta, bairros atendidos, frequência e horário de
coleta, quantidade e tipo de caminhões coletores, número de viagens, origem dos
resíduos, produção coletada, e número de trabalhadores.
O questionário utilizado durante as entrevistas encontra-se no Apêndice 1.

4.4 DETERMINAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DOS RESÍDUOS


SÓLIDOS DOMÉSTICOS

Para a determinação das características físicas dos RSD foi estipulada a coleta de 3
amostras de cada área atendida pela coleta de lixo, isto é, de cada setor de coleta de lixo.

38
As amostras foram coletadas em dias de terça à sexta-feira, no período de julho de 2012
a março de 2013, contemplando assim diferentes estações do ano. A quantidade de
amostras adotada é o número mínimo indicado pela NBR 10007(ABNT, 2004) para a
obtenção da faixa de variação da concentração do resíduo.
Para a obtenção de uma amostra representativa de resíduos, foi escolhido 1 caminhão de
cada setor de coleta. O método do quarteamento foi adotado para a separação dos
resíduos e posterior triagem e identificação, segundo o proposto pela NBR 10007
(ABNT, 2004).
Após a descarga dos resíduos no aterro (Figura 4.1), 4 tonéis de 120 L eram preenchidos
com resíduos coletados de diferentes pontos do montante descarregado (PESSIN, 2006
adaptado). Estes foram transferidos para uma área preparada com lona plástica (5m x
5m) (Figura 4.2) e tiveram as sacolas plásticas, embalagens nas quais a população
acondiciona o lixo para descarte, rompidas. Em seguida os resíduos sólidos foram
misturados e submetidos ao quarteamento (Figuras 4.3 e 4.4). O quarteamento é o
processo no qual um volume de material é misturado com o uso de pás, dividido em
quatro partes iguais, das quais duas partes opostas entre si eram selecionadas como
amostra de estudo e as outras duas descartadas. Os quatro tonéis juntos armazenavam
um volume de 480L de resíduos, dos quais foram efetuados dois quarteamentos até a
obtenção de uma amostra de 120 L, que corresponde ao volume de um tonel. O volume
da amostra não é especificado em normatização técnica brasileira.

39
Figura 4. 1- Descarga de Resíduos Sólidos Figura 4. 2-Área destinada à realização
Domésticos no Aterro quarteamento

FONTE: Autoria Própria


FONTE: Autoria Própria

Figura 4. 3-Despejo de RS na lona Figura 4. 4- Quarteamento

FONTE: Autoria Própria FONTE 1: Autoria Própria

Após o quarteamento, a partir da amostra de 120 L foram identificados: a composição


gravimétrica, a geração per capita e o peso específico aparente dos resíduos sólidos. As
atividades práticas da caracterização dos RS foram realizadas na área do próprio aterro e
ocorriam com o auxílio dos trabalhadores do aterro e de 2 estagiários de um projeto de
pesquisa relacionado à Caracterização de Resíduos. Os quarteamentos eram feitos pelos

40
trabalhadores do aterro. A separação (Figura 4.5), pesagem e as anotações de campo
eram realizadas pela discente e os estagiários auxiliavam na separação dos materiais.
Cada parâmetro foi definido pela média aritmética do valor apresentado pelas amostras.

Figura 4. 5-Separação dos materiais

FONTE: Autoria Própria

4.4.1 Composição Gravimétrica

A composição gravimétrica representa o percentual de cada componente em relação ao


peso total da amostra de resíduos analisada (BOSCOV, 2008).

Os componentes do lixo foram selecionados e pesados manualmente em balança


mecânica. A identificação dos materiais aconteceu de acordo com as seguintes classes:
plástico rígido, plástico maleável, tetra pak, papéis comuns, papelão, vidro, metal,
matéria orgânica, panos/trapos, resto de comida e resíduos comuns. Estas classes foram
escolhidas no intuito de distinguirem frações recicláveis, compostos orgânicos e os
rejeitos. A composição gravimétrica é determinada pela Equação 1.

(1)

4.4.2 Geração per capita

A geração per capita de RSU é a relação entre a quantidade de resíduos urbanos gerada
diariamente em uma determinada área e o número de habitantes dessa mesma área
(MONTEIRO e colaboradores, 2001).
A geração per capita foi calculada a partir de dados do registro de pesagem mensal dos

41
resíduos domésticos, provenientes dos municípios estudados, realizado pela empresa
que gerencia o aterro sanitário. Foram utilizados nesse cálculo: número de habitantes no
município, quantidade de resíduos coletados mensalmente, e número de dias de coleta
no mês. Obteve-se a geração per capita por dia para cada mês pela Equação 2:

(2)

Onde:

Gper capita‘ = geração per capita (kg/ hab x dia); Qresíduos= quantidade de resíduos
coletados mensalmente (kg); P= população (hab); n= número de dias de coleta no mês.

A população utilizada foi obtida através de consulta ao banco de dados demográficos do


Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística- IBGE. Foi adotado N=26, número de dias
no mês em que há coleta de resíduos, pois não há coleta nos domingos.

A geração per capita do município foi adquirida pela média dos valores mensais.

4.4.3 Peso Específico Aparente

É a função do peso do resíduo solto pelo volume ocupado livremente, sem


compactação. É importante para o dimensionamento da frota de coleta adequada, bem
como dos locais e recipientes de acondicionamento. Serve para estimar o restante de
vida útil do aterro, considerando o volume já aterrado (MONTEIRO e colaboradores,
2001).
Para determinação do peso dos resíduos, cada contêiner cheio foi pesado e teve
descontada a tara do recipiente. O peso específico aparente foi conseguido pela razão
entre a massa total da amostra e o volume (fixo) do recipiente, conforme apresentado na
Equação 3:

(3)

O peso específico representativo dos resíduos de cada cidade foi obtido pela média
aritmética dos pesos específicos de cada amostra.

4.5 CONSTRUÇÃO DO BANCO DE DADOS

Os dados obtidos em campo foram inseridos em planilhas do Excel for Windows para o

42
tratamento dos dados: construção de gráficos e para permitir a comparação entre os
parâmetros avaliados entre os municípios.

Desse modo, para cada município, foram armazenados, por coleta, as quantidades de
resíduos coletados, os setores de coleta, a composição gravimétrica e o cálculo do peso
específico aparente.

4.6 AVALIAÇÃO DE FATORES QUE INFLUENCIAM A GERAÇÃO DE


RESÍDUO

Os dados das características físicas dos resíduos foram cruzados com a época do ano,
com aspectos socioeconômicos e culturais de cada cidade para averiguação da
influência desses aspectos sobre a geração dos resíduos.

4.7 AVALIAÇÃO DO IMPACTO NO ATERRO SANITÁRIO A PARTIR DO


DIRECIONAMENTO ADEQUADO DOS RS

O estudo gravimétrico desenvolvido pressupõe uma análise criteriosa das melhores


formas de aproveitar os resíduos gerados pela população. O resultado do estudo
possibilitou identificar a porcentagem dos resíduos gerados e destinados no aterro
podem receber destinos como reutilização e reciclagem, e formação de húmus.

Após identificar a composição dos RS gerados foi analisada a possibilidade de


direcionar adequadamente cada tipo de resíduo. Os fatores analisados foram: existência
de associações ou cooperativas de resíduos recicláveis; potencial da cidade em
aproveitar o húmus oriundo do resíduo orgânico e por fim a avaliação do aumento da
vida útil do aterro com o desvio dos resíduos para outras soluções.

Os levantamentos das associações ou cooperativas e aproveitamento do húmus foram


feitos a partir de contato com as prefeituras dos municípios de Cruz das Almas e
Sapeaçu. O fator limitante para o registro foi à localização das associações ou
cooperativas e de usinas de compostagem. Nos dois casos, a localização precisava estar
no sitio dos municípios trabalhados devido à dificuldade de transporte das prefeituras.

Para avaliação dos efeitos do desvio dos materiais recicláveis e orgânicos para a
reciclagem e compostagem, sobre a vida útil do aterro foi adotada a mesma equação
utilizada pela empresa que elaborou o projeto executivo do Aterro Sanitário Integrado

43
de Cruz das Almas apresentada por Oliveira (2012). Utilizando essa equação é possível
conhecer o aumento do tempo de operação do aterro caso o montante de resíduos
recebidos seja diminuído (Equação 4).

. (4)

Onde:

Vu = vida útil do aterro;

Q= quantidade de resíduos recebidos pelo aterro no cenário atual;

q= quantidade de RS que o aterro receberia caso os resíduos recicláveis e orgânicos de


Cruz das Almas e Sapeaçu fossem direcionados para reciclagem e Compostagem.

N= número de anos que o Aterro ainda suporta.

44
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.1 CARACTERIZAÇÃO DOS MUNICÍPIOS E DA ÁREA DE ESTUDO

5.1.1 Cruz das Almas

A cidade de Cruz das Almas está situada na sub-região do Recôncavo Sul Baiano, a 146
km da capital do estado, Salvador. Tem uma área de 145, 742 km² e é limitada pelos
municípios de Muritiba, São Félix, São Felipe e Sapeaçu. De acordo com IBGE (2012)
apresenta uma população de 59.470 habitantes podendo ser considerada uma cidade de
médio porte.

Cruz das Almas destaca-se na região do recôncavo pelo comércio e por ser um polo
regional na prestação de serviços e educação, apresentando escolas e universidades
públicas e privadas. A atividade agrícola é voltada principalmente para plantações de:
fumo, laranja, limão tahiti e mandioca De acordo com o IBGE (2010), apresenta um
PIB de R$ 7640,17 e segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento -
PNUD (2000) o IDH é de 0,723.

O clima predominante no município é tropical sub- úmido, sendo a temperatura média


anual de 23, 5°C, a umidade relativa do ar média de 82% e a precipitação pluviométrica
média anual de 1.117 mm. O período chuvoso ocorre geralmente entre os meses de abril
e junho e o seco entre agosto e outubro (PDDU, 2007).

5.1.2 Sapeaçu

A cidade de Sapeaçu possui um território de 117 km² e uma população de 16619 mil
habitantes (IBGE, 2012), sendo considerado um município de pequeno porte. Também
situada no Recôncavo Sul Baiano é circundada pelos municípios de Cruz das Almas,
Conceição do Almeida, Castro Alves e Cabaceiras do Paraguaçu e dista de 155 km da
capital baiana. Segundo o PNUD (2000), apresentava nesse mesmo ano um IDH Médio
de 0, 677. Em 2008 apresentou PIB per capita de R$ 3863, 37 (IBGE, 2008).

A temperatura média no município é de 24,3ºC. A base da economia é a agricultura, na


qual se destacam os cultivos de laranja, banana e mandioca.

Os municípios de Cruz das Almas e Sapeaçu estabelecem entre si constantes e intensos


fluxos econômico, demográfico e de negócios (PDDU, 2007).

45
A relação de proximidade entre Sapeaçu e Cruz das Almas, além do potencial comercial
e de prestação de serviços dessa última, fazem com que parcela significativa da
população sapeaçuense utilize Cruz das Almas como praça de comércio e serviços
(educacionais, sobretudo), estreitando o relacionamento entre os dois municípios
(PDDU, 2007).

5.1.3 Aterro Sanitário Integrado de Cruz das Almas

Os resíduos sólidos coletados nos municípios Cruz das Almas e Sapeaçu são
encaminhados para o Aterro Sanitário Integrado de Cruz das Almas. Este foi implantado
na área do antigo lixão cruzalmense e está localizado a 12 km do centro comercial de
Cruz das Almas, na localidade Tereza Ribeiro, e nas proximidades de Sapeaçu (Figura
5.1). O aterro tem uma área de 23 hectares, mas a área de utilização é de 19 ha.

Figura 5. 1- Localização do Aterro Sanitário Integrado de Cruz das Alma s

FONTE - Adaptado de http://reconcavodiario.blogspot.com.br/p/documentarios.html e Oliveira


(2011)

O aterro começou a operar em 2006, funcionando das 06 às 18 horas de segunda-feira a


sábado. Foi projetado pra uma vida útil de 15 anos e recebe atualmente resíduos
domiciliares, de serviço de saúde, poda e entulho. A previsão para sua capacidade total
de deposição dos resíduos até o ano de 2021 é de 565.751m³ (OLIVEIRA, 2011).

46
Além de receber os RS de Cruz das Almas e Sapeaçu, também recebe resíduos de
Conceição do Almeida e São Felipe. Dentre os municípios consorciados Cruz das
Almas é o que contribui com maior quantidade de resíduos, devido ao maior número de
habitantes em relação às demais cidades (OLIVEIRA, 2011).

5.2 LEVANTAMENTO DE DADOS PRELIMINARES SOBRE O SISTEMA


ATUAL DE COLETA DOS RSD NOS MUNICÍPIOS

5.2.1 CRUZ DAS ALMAS

De acordo com o responsável pelo serviço de coleta e limpeza urbana, com exceção de
algumas áreas periféricas, aproximadamente 100% da população cruzalmense é
atendida por esses serviços. A coleta do tipo alternada é predominante em maior parte
do município. A região central e as vias de acesso comum a diferentes bairros tem
coleta diária.

Nesse município a coleta é feita por setores (Quadro 5.1). Estes são divididos conforme
a proximidade dos bairros e a capacidade do caminhão coletor. Assim, bairros
adjacentes tem mesma frequência de coleta. Não existe um itinerário de coleta pré-
definido, ficando a escolha do roteiro a ser seguido a cargo do motorista do caminhão.

Quadro 5. 1-Setores de coleta de RS em Cruz das Almas

Setor Bairros
Setor 1 Tabela, Inocoop e Ana Lucia, Loteamento Plácido, Tesoura, Sapucaia
Embrapa, Suzana1, Bairro Chapadinha, Areal e Bairro da Palmeira, Alberto
Setor 2 Passos, Miradouro, Bela Vista
Setor 3 Centro
Setor 4 Itapicuru, Edla Costa e Coplan, Brejinhos
São Judas Tadeu, Parque da Suzana, Tiradentes, Santo Antônio, 2 de julho,
Setor 5 Dona Rosa, Loteamento José Augusto Sampaio, Passinhos
Toquinha, Lisboa, Alto do Coqueiro, Pumba e Morrinho, Parque Lauro
Setor 6 Passos, Garcia, Engenho Maravilha
Primavera, Lauro Passos, Fonte do Doutor e Matadouro, Bom Sucesso,
Setor 7 Vilarejo, Loteamento Vila Alzira, Assembléia
FONTE 2: Autoria Própria

A frota de coleta é composta por 3 caminhões compactadores (10 m³) e 1 caçamba


alugada para coleta de resíduos domésticos, poda e de varrição. Não há controle do
número de viagens diárias de cada veículo coletor. A equipe de limpeza pública é

47
formada por 21 garis, 4 motoristas de caminhões, 4 fiscais, 1 chefe de departamento, 2
operadores de máquina e 1 merendeira.

5.2.2 SAPEAÇU

Segundo o responsável pelo gerenciamento dos resíduos sólidos do município grande


parte da cidade é contemplada pelo serviço público de coleta de resíduos. A coleta é
dividida em dois setores, o primeiro inclui o centro comercial e toda a área urbana, e o
segundo abrange os distritos e bairros mais afastados do centro. 100% da população
sapeaçuense é atendida por esses serviços, com exceção de poucas áreas periféricas. A
coleta na área urbana ocorre em dias de segundas-feiras/quartas-feiras/sextas-
feiras/sábados, nos distritos a coleta é feita nas terças e quintas-feiras.

A frota de coleta é formada por 6 caçambas. A coleta é iniciada a partir das 7 horas da
manhã em ambos os setores, sendo que nos dias de segunda/terça/quarta e sexta -feira o
caminhão chega a realizar até 3 viagens/dia, na quinta-feira ocorrem duas viagens e no
sábado apenas 1. A equipe de coleta é composta por 8 funcionários, dos quais 2 são
motoristas.

5.3 DETERMINAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DOS RESÍDUOS


SÓLIDOS DOMÉSTICOS

Para a determinação das características físicas dos resíduos sólidos, as amostras foram
coletadas de terça à sexta-feira e selecionadas de setores de coleta distintos para que os
resultados demonstrassem a geração cotidiana de resíduos dos municípios. Foram
adotados esses dias da semana pelo fato da coleta e descarte de resíduos no aterro
acontecer de forma alternada ou diária, a depender da localidade. Sendo assim, os RS
dispostos no aterro na terça-feira tinham o mesmo gerador dos RS da quinta-feira,
comportamento semelhante para os dias quarta/sexta-feira.

5.3.1 Composição Gravimétrica

Os componentes do lixo foram selecionados e pesados manualmente em balança


mecânica. Os materiais foram identificados segundo três categorias: compostos
biodegradáveis: matéria orgânica e resto de comida; frações recicláveis: plástico rígido,

48
plástico maleável, tetra pak, papéis comuns, papelão, vidro, metal; e rejeitos:
panos/trapos e resíduos comuns.
Identificou-se que os resíduos domésticos gerados em Cruz das Almas e dispostos no
aterro apresentam a seguinte composição 39,2% de material biodegradável, 37% de
materiais recicláveis e 23, 8% de rejeito (Gráfico 5.1). Já Sapeaçu demonstrou as
mesmas categorias os respectivos valores: 47,4%; 32,6% e 19,9%. Ambas as cidades
refletiram a situação demonstrada pelo panorama da composição gravimétrica média de
RSU no Brasil, apresentado pela ABRELPE (2011) no qual os materiais apresentavam a
seguinte participação: 51,4% de matéria orgânica, 31,9 % de recicláveis e 16,7 % de
outros (resíduos comuns).

Gráfico 5. 1- Resíduos descartados segundo categoria de abrangência

FONTE - Autoria Própria

O Gráfico 5.2 exibe a composição gravimétrica de cada amostra de resíduos sólidos


domésticos do município de Cruz das Almas. As amostras foram coletadas em
diferentes épocas do ano, sendo a primeira realizada em julho de 2012 e a segunda em
setembro do mesmo ano. A terceira coleta de amostra ocorreu entre os meses de
fevereiro e março de 2013. As amostras foram identificadas de acordo com a ordem de
coleta como amostras 1, 2 e 3.

49
Gráfico 5. 2- Amostras de Resíduos (Cruz das Almas)

FONTE: Autoria Própria

A partir dos valores apresentados pelo Gráfico 5.2, percebe-se a predominância da


matéria orgânica em todas as coletas (acima de 30%); seguida pelos resíduos comuns,
que variaram entre 15,8 e 21,7% e plásticos, de 10,2 a 12,4% para plásticos maleáveis e
entre 5,4 e 9,7% os plástico rígidos.

Foi percebido um decréscimo no descarte dos alimentos preparados, da primeira para


última amostragem, esse passou de 5,8 para 3,4%. O rejeite de vidros também reduziu
de 3,2 % na primeira amostragem para 0,5 % nas seguintes.

Com relação ao município de Sapeçu os valores obtidos nas diferentes amostras


também apresentaram comportamento semelhante quanto à participação do material na
composição do resíduo descartado.

50
Gráfico 5. 3-Amostras de Resíduos (Sapeaçu)

FONTE: Autoria Própria

A matéria orgânica se destaca como material descartado em maior quantidade


apresentando valores entre 32,7% e 48,8% (GRÁFICO 5.3). O segundo material de
maior expressão entre as amostras foram os resíduos comuns (10,8 e 21,5%). O plástico
maleável foi o terceiro material (12,7 a 13,6%) de destaque no lixo sapeaçuense.

A partir dos valores obtidos das amostras, foi realizada uma média aritmética para
determinação da quantidade média de cada material selecionado.

Independentemente do município, o material mais significativamente descartado foi o


de origem orgânica, sendo que o maior descarte (40,6%) ocorreu no município de
Sapeaçu (Gráfico 5.4). O valor apresentado por Cruz das Almas para o mesmo
componente foi de 34,6%. Este comportamento condiz com o esperado por Monteiro e
colaboradores (2001), o qual indica que as regiões mais desenvolvidas economicamente
geram menor quantidade de matéria orgânica devido ao maior consumo de alimentos
industrializados. Os valores apresentados demonstram o potencial de reaproveitamento

51
desse tipo de material, que quando compostado pode ser utilizado como adubo orgânico
e na geração de energia.

O segundo tipo de material mais abundante em ambos os municípios foi o resíduo


comum, nesse caso composto principalmente por espuma, fraldas descartáveis e
material de higiene pessoal, representando 19,2% do resíduo cruzalmense e 15,1 % do
sapeaçuense.

Gráfico 5. 4 -Composição Gravimétrica dos RSD dos Municípios de Cruz das Almas e Sapeaçu

FONTE: Autoria Própria

Dos materiais recicláveis os que tiveram maior expressão foram os plásticos, 18,6% dos
RS de Cruz das Almas e 20% de Sapeaçu. Esses valores foram superiores ao
apresentado para o Brasil (13,5%) pela ABRELPE (2012), entretanto, foram muito
próximos ao encontrado por Oliveira (2011) em pesquisa realizada no aterro sanitário de
Cruz das Almas (21,9%). Os plásticos maleável e duro representaram respectivamente
cerca de 11,1% e 7,5% do material descartado no primeiro município (Gráfico 5.5), e
13% e 7% no segundo (Gráfico 5.6). Entre os plásticos maleáveis se destacaram as
sacolas plásticas de supermercados e embalagens de alimentos. Os plásticos rígidos
foram representados principalmente por garrafas de refrigerantes, iogurtes e vasilhas
para acondicionamento de alimentos, quebradas.
52
Gráfico 5. 5-Composição gravimétrica em peso Gráfico 5. 6-Composição gravimétrica em peso
dos tipos de plástico em Cruz das Almas dos tipos de plástico em Sapeaçu

FONTE: Autoria Própria FONTE: Autoria Própria

A maior quantidade de plásticos moles entre os plásticos descartados pode ser


relacionada à cultura de reutilização das embalagens de plásticos duro na organização
doméstica, e à atuação de catadores de recicláveis que privilegiam a coleta desse tipo
material devido ao maior valor de mercado e maior possibilidade aproveitamento dos
mesmos. Os plásticos maleáveis além de se misturarem mais facilmente aos resíduos
úmidos e estarem mais susceptíveis a danos, são utilizados para acondicionar o lixo, o
que favorece a sua participação mais efetiva entre os plásticos encaminhados à
destinação final.

Os papéis, de modo geral, contribuíram em 13,9% para o RSD cruzalmense e em 11%


para o sapeaçuense. Tais valores foram próximos aos encontrada para a média nacional
(13,1%) (ABRELPE, 2011). Quanto aos papéis comuns, aqueles papéis passíveis de
reciclagem e que não se encaixaram como papelão, tetra pak e papeis sanitários, foi
observado que o maior descarte por Cruz das Almas (6,2%) (Gráfico 5.7), enquanto que
Sapeaçu descartou apenas 2,8% desse material como mostra o Gráfico 5.8. Muitos
desses papéis eram do tipo arquivo, cadernos usados e até livros que poderiam ser
encaminhados para bibliotecas públicas, ou mesmo para doação à cooperativas de
catadores.

53
Gráfico 5. 7-Composição gravimétrica em peso Gráfico 5. 8-Composição gravimétrica em peso
dos tipos de papel em Cruz das Almas dos tipos de papel em Sapeaçu

FONTE: Autoria Própria FONTE: Autoria Própria

A maior geração de papéis comuns por Cruz das Almas pode ser explicada pelo maior
número de escritórios, instituições de ensino e estabelecimentos comerciais em Cruz das
Almas e a falta de informatização em muitos desses locais, o que favorece a maior
impressão de documentos e posterior descarte desses, além do rejeite de cadernos e
livros usados.

Por outro lado a população sapeaçuense descartou maior quantidade de papelão (5,2%)
com relação à população cruzalmense (4,1%), ainda que pequena a diferença de
percentuais. Tal fato pode está associado à atuação de catadores de papelão em Cruz das
Almas. Os papelões identificados eram compostos especialmente por restos caixas.
Quanto à geração de tetra pak as populações tiveram comportamento semelhantes: 3,6
% para Cruz das Almas e 3,0% Sapeaçu.

No que diz respeito a vidros e metais, percebe-se que os dois municípios tiveram
comportamento semelhantes à realidade nacional, (2,4%) segundo ABRELPE (2011),
uma baixa taxa de descarte. Sendo os percentuais de vidro iguais a 1,4 % em Cruz das
Almas e 0,3% em Sapeaçu e os valores de metal foram respectivamente 3,1 e 1,3%. Os
percentuais encontrados para metal foram inferiores ao esperado para o Brasil (4%) de
acordo com Monteiro e colaboradores (2001), mas encontram-se na faixa do resultado
encontrado por Oliveira (2011), 2,7% para o aterro de Cruz das Almas. Tal fato pode
está relacionado à coleta de metais por catadores de recicláveis.

Os panos e trapos apresentaram percentuais bastante próximos: representando 4,8% do


resíduo sapeaçuense e 4,6% do cruzalmense. Muitas das peças selecionadas estavam em

54
bom estado e poderiam ser reutilizadas após reformas e consertos ou transformadas em
novos produtos. A maior quantidade de resto de comida descartada foi proveniente de
Sapeaçu (6,8%) enquanto que Cruz das Almas descartou apenas (4,6%).

A Tabela 5.1 apresenta uma comparação entre os dados de composição gravimétrica


obtidos no presente estudo e os valores encontrados por Oliveira (2011) no Aterro
Sanitário Integrado de Cruz das Almas e por Santos (2011) em Salvador. Nessa, pode-
se perceber uma relação de coerência entre os resultados obtidos em ambas as
pesquisas.

Tabela 5. 1-Comparação da composição gravimétrica dos RSD de Cruz das Almas e Sapeaçu com
os encontrados para o aterro sanitário de Cruz das Almas e de Salvador

ATERRO INTEGRADO DE CRUZ


COMPONENTES CRUZ DAS DAS ALMAS SALVADOR
SAPEAÇU
(%) ALMAS SANTOS
OLIVEIRA(2011) (2011)
PLÁSTICO RÍGIDO 7,5 7,0
PLÁSTICO 21,9 20,96
MALEÁVEL 11,1 13,0
PAPÉIS COMUNS 6,2 2,8
15
PAPELÃO 4,1 5,2 17,8

TETRA PAK 3,6 3,0


VIDRO 1,4 0,3 2,4 3,44
METAL 3,1 1,3 2,7 3,1
PANO/TRAPOS 4,6 4,8 6,6 3,81
RESÍDUOS
COMUNS 19,2 15,1 8,9 16,04
MATÉRIA
ORGÂNICA 34,6 40,6
42,4 35,41
RESTO DE
COMIDA 4,6 6,8
FONTE: Autoria Própria

Percebe-se também por essa tabela que tanto Cruz das Almas quanto Sapeaçu tem uma
produção significativa de recicláveis, respectivamente 37% e 32,6%, apresentando
valores muitos próximos aos encontrados para a capital baiana (35,4%), e valores
superiores de resíduos orgânicos: Cruz das Almas (39,2%), Sapeaçu (47,4%) e Salvador
(35,41%). Esse comportamento indica o potencial de reaproveitamento desses materiais,
que se interceptados pela coleta seletiva e encaminhados para triagem e compostagem
podem gerar emprego e renda para parte da população, a partir da organização de
cooperativas de catadores de recicláveis e do comércio dos materiais selecionados, bem
como aumentar a vida útil do aterro sanitário.

55
5.3.2 Geração per capita

Quanto à geração per capita média de resíduos sólidos dos municípios no ano de 2012,
as caracterizações indicaram para o município de Cruz das Almas uma geração per
capita de 0,69 kg/hab.dia (Gráfico 5.9), resultado condizente com a faixa geralmente
utilizada para municípios de médio porte, de 0,50 a 0,80 kg/hab.dia de resíduos sólidos
para cidades com até 500 mil habitantes (MONTEIRO, 2001).

Gráfico 5. 9- Geração per capita de RSD nos municípios de Cruz das Almas e Sapeaçu

FONTE: Autoria Própria

Sapeaçu apresentou geração de 0,43 kg/hab.dia, valor um pouco inferior, mas, muito
próximo ao valor mais utilizado para municípios com até 30 000 habitantes, 0,50
kg/hab.dia (MONTEIRO e colaboradores, 2001). Essa pequena diferença pode estar
associada ao grande fluxo de atividades estabelecidas entre a população desse município
e as cidades circunvizinhas, visto que parte da população se desloca para cidades um
pouco mais desenvolvidas como Cruz das Almas, Santo Antônio de Jesus para
desenvolver atividades de trabalho, estudo, compras, comércio e para serem atendidos
por serviços de saúde, contribuindo assim para geração de resíduos das cidades um
pouco maiores.

A maior geração de resíduos por Cruz das Almas reflete as indicações feitas por autores
como Dangi e colaboradores (2008) e Alzamawi e colaboradores (2009) citados por
Onofre (2011), que acreditam que quanto maior o poder aquisitivo da população maior a
geração de resíduos.

Com base nos dados apresentados no Gráfico 5.10, um panorama da geração dos RSD
nos últimos 6 anos, de 2007 até 2011 houve um crescimento na produção de resíduos

56
domiciliares, entretanto, no ano de 2012 houve um decréscimo de aproximadamente 9
% em Cruz das Almas e de 16% em Sapeaçu em relação a 2011.

Gráfico 5. 10-Panorama da geração dos RSD nos municípios de Cruz das Almas e Sapeaçu nos
últimos 6 anos

FONTE: Autoria Própria

O ápice da geração e coleta dos resíduos domésticos ocorreu para Cruz das Almas no
Ano de 2011, 0,76 kg/hab.dia, e para Sapeaçu no ano de 2010, atingindo a marca de
0,57 kg/hab.dia.

De acordo com Moraes (2003) citado por Rocha e Aguiar (2012), a taxa de geração per
capita de resíduos urbanos tem crescido com o passar dos anos, e só, aos poucos tem se
percebido a necessidade de redução da geração de resíduos. Ainda segundo Moraes
(2003) essa ação deve ser priorizada na gestão integrada e sustentável de resíduos
sólidos urbanos. Desse modo, a conscientização da população para minimizarem a
geração de resíduos e maximizarem o reaproveitamento de seus materiais é fundamental
(ROCHA e AGUIAR, 2012).

5.3.3 Peso Específico Aparente

A cidade que apresentou a menor quantidade de resíduos orgânicos foi a que apresentou
o maior valor de peso específico aparente médio de RSD, Cruz das Almas, com 147,8
kg/m³ enquanto que Sapeaçu obteve o valor de 136,2 kg/m3 para o mesmo parâmetro
(Gráfico 5.11). Esse fato pode ser justificado pela maior ocorrência de catadores de
materiais recicláveis, como plásticos, papéis e papelões no primeiro município, a

57
retirada dos recicláveis da massa de resíduos proporciona maiores teores de material
orgânico ao RSD atribuindo-o maior peso específico.

Os valores encontrados para as duas cidades foram inferiores aos apresentados por
cidades de portes semelhantes. Segundo o trabalho realizado por Tabalipa e Fiori
(2006), Pato Branco/PR, com então 62234 habitantes, e porte semelhante ao Cruz das
Almas, apresentou peso específico de 262,82 kg/m³. No estudo feito por Carvalho
(2006), os resíduos sólidos domiciliares de Hidrolândia/GO, cidade considerada
pequena, apresentaram 160, 19 kg/m³ de peso específico.

Gráfico 5. 11-Peso Específico Aparente Médio dos Municípios Estudados

FONTE: Autoria Própria

Os Gráficos 5.12 e 5.13 trazem o peso específico dos resíduos por amostra
respectivamente para as cidades de Cruz das Almas e Sapeaçu.

Percebe-se com base no Gráfico 5.12 que houve uma oscilação nas faixas de valores do
peso específico entre as amostras. Na primeira amostragem o peso específico foi de 134,
6 kg/m³, caindo para 120 kg/m3 na segunda e atingindo o valor de 187,3 kg/m³ na última
amostra.

58
Gráfico 5. 12- Peso específico dos RSD por amostra (Cruz das Almas)

FONTE: Autoria Própria

Já no Gráfico 5.13, percebe-se um comportamento distinto no tocante do peso


específico das amostras. Foram encontrados valores ascendentes que variaram de 84,9
kg/m³ no primeiro momento do estudo para 170,8 kg/m³ na terceira amostragem.

Gráfico 5. 13- Peso específico dos RSD por amostra (Sapeaçu)

FONTE: Autoria Própria

Esse crescimento pode ser associado ao aumento do descarte dos resíduos orgânicos e
resto comida da primeira amostra para a última, fato esse que agrega valor a peso
específico final.

59
5.4 AVALIAÇÃO DE FATORES QUE INFLUENCIAM A GERAÇÃO DE
RESÍDUO

No tocante da composição gravimétrica para o município de Cruz das Almas não foram
percebidas grandes influências sazonais sobre as características do material descartado.
Mas, foi verificada a maior geração de resíduos orgânicos nessa cidade no mês de
setembro, mês no qual o município estava em plenas atividades comerciais,
econômicas, estudantis, em campanha eleitoral e com maior contingente populacional
quando comparada com os períodos das outras duas amostragens, nas quais a cidade
passava por período de greve universitária ou fim de férias.
Já, para Sapeaçu foi percebido que no verão, última coleta, houve um acréscimo de 17%
da quantidade de matéria orgânica descartada em relação à amostra coletada nos
períodos de inverno e primavera, o mesmo ocorreu para os rejeitos. Esse fato pode está
relacionado ao período de férias, no qual grande parte da população de pequenas
cidades, por falta de recursos econômicos ou por escolha, permanece na mesma e de um
modo geral, tende a se alimentar mais, a consumir mais frutas da época e a gerar maior
quantidade de resíduos orgânicos e inservíveis.
Contrariando o esperado por Monteiro (2001), a geração de embalagens plásticas, vidro
ou metais diminui no período de inverno, por outro lado papeis e papelões ganharam
maior expressão nesse período.
A quantidade de resíduos produzidos nos dois municípios comprovou o apontado na
literatura por diversos autores como Monteiro (2001) e Carneiro (2006), sendo maior na
cidade mais desenvolvida socioecomicamente, como é o caso de Cruz das Almas ante a
Sapeaçu.

5.5 AVALIAÇÃO DAS POSSIBILIDADES DE DIRECIONAMENTO


ADEQUADO DOS RS

A partir da identificação dos materiais que compunham a massa de resíduos sólidos


descartada pelos municípios de Cruz das Almas e Sapeaçu foram buscadas em ambos os
municípios potenciais destinos para os materiais recicláveis possivelmente segregados e
resíduos orgânicos a exemplo de associações ou cooperativas de recicláveis e usinas de
compostagem.

60
De acordo com um estudo realizado por Leal (2012), o município de Cruz das Almas
apresenta 3 categorias de catadores: a) autônomos; b) pequenos grupos de catadores e;
c) 4 grandes organizações voltadas para segregação e venda de recicláveis.

Em consulta à Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente de Cruz das Almas foi


diagnosticado o conhecimento apenas da existência de uma associação de catadores, que
trabalha em parceria com essa secretaria e conhecimento sobre a existência de catadores
que trabalham individualmente.

A divergência entre as informações obtidas na Secretaria de Agricultura e Meio


Ambiente do município de Cruz das Almas e as adquiridas em consulta ao estudo
realizado por Leal (2012) indica que as outras três associações não estão registradas no
município e atuam também com o desconhecimento da sociedade cruzalmense. Esta
falta de articulação entre população e organizações impacta negativamente sobre a
operacionalidade dos serviços, uma vez que a população também poderia ser agente no
processo de segregação de resíduos contribuindo para a facilidade de execução desse
processo.

Como a Associação Cata Renda Ambiental é a única na cidade de Cruz das Almas
regulamentada, os resultados apresentados são referentes a esta. A Associação que atua
desde o ano de 2010, segregou durante neste ano 12.064,50kg de resíduos; em 2011,
29.037 kg; 2012, 35.343,10 kg e até o mês de março de 2013, 9.839kg. Os resultados do
estudo gravimétrico indicaram a produção de 478.566,4 kg de resíduos de recicláveis
por mês. A proposta de direcionar os resíduos recicláveis gerados na cidade de Cruz das
Almas favorecerá no aumento de 99,4% do total recebido na Associação. Essa ação
contribuirá para o aumento da vida útil do aterro, rendimento mensal no salário dos
associados, questões ambientais, e sociais.

Ainda segundo Leal (2012), essas grandes associações conseguem trabalhar com
grandes quantidades de material reciclável e melhor beneficiá-los em detrimentos aos
outros dois tipos de segmentos de coleta seletiva e venda desses materiais. Essas
organizações são muitas vezes as mediadoras de venda de matérias até para os
trabalhadores autônomos e tem relações próximas com catadores, indústrias e
intermediários.

A comunicação entre catadores e indústria na região é dificultada pela baixa quantidade


e qualidade do material coletado tanto por catadores autônomos, quanto pelos

61
organizados (LEAL, 2012). Desse modo, o mercado local apresenta uma grande
demanda pela pelo material reciclável que deixa de ser segregado e é encaminhado ao
aterro sanitário de Cruz das Almas.

De acordo com Santana, (2010) o município de Sapeaçu conta com uma central de
compostagem, sendo esse o potencial destino para os resíduos orgânicos produzidos no
município.

Em nenhuma das Secretárias do município e nem na prefeitura de Sapeaçu tem-se


conhecimento sobre a existência de associações de catadores de recicláveis, mas sabe-se
que existe a atuação de catadores individuais no município.

O aterro sanitário integrado de Cruz das Almas começou a operar no ano de 2006, tendo
uma vida útil estimada de 15 anos. Passados sete anos da sua inauguração e
considerando a manutenção do montante de resíduos recebidos pelo aterro, atualmente
em torno de 52 t/ dia, restariam apenas 8 anos de vida útil. Com o possível
direcionamento dos resíduos recicláveis e orgânicos dos municípios de Cruz das Almas
e Sapeaçu para reciclagem e compostagem, a quantidade de RSD encaminhados para o
aterro reduziria para 19,94 t/dia. Desse modo, a partir da Equação 4, a vida útil do aterro
passaria para aproximadamente 21 anos, 13 anos a mais que o tempo previsto para a
continuidade do funcionamento do aterro. A Tabela 5.2 apresenta a vida útil estimada
para o aterro sanitário com a manutenção do cenário atual de geração e disposição final
de RSD e o ganho de vida útil com o direcionamento dos materiais recicláveis e
orgânicos gerados em Cruz das Almas e Sapeaçu para a reciclagem e compostagem.

Tabela 5. 2- Quantidade diária de resíduos depositados no aterro sanitário com e sem desvio de
materiais gerados em Cruz das Almas e Sapeaçu

Cenário Atual
Vida Útil Restante Estimada
Resíduos Sólidos Domésticos (t/dia) Destino Final
(anos)

Aterro
51,82 8
Sanitário

Cenário com novo direcionamento dos resíduos recicláveis e orgânicos de Cruz


das Almas e Sapeaçu
Vida Útil Restante Estimada
Resíduos Sólidos Domésticos (t/dia) Destino Final (anos)
Recicláveis (Cruz das Almas e 15,1
Sapeaçu) 0 Reciclagem 21
Orgânicos (Cruz das Almas e 16,7 Compostagem

62
Sapeaçu) 7
Rejeitos (Cruz das Almas e Aterro
Sapeaçu) 9,61 sanitário
RSD dos outros municípios 10,3 Aterro
3 sanitário
FONTE: Autoria Própria

Percebe-se então o desvio desses materiais do aterro impactaria positivamente sobre o


aterro e retardaria a procura por novas áreas para a disposição dos resíduos sólidos
desses municípios e das outras duas cidades que utilizam o aterro sanitário. Deve-se
ainda retardar que o aterro ainda pode ter um maior ganho de tempo de utilização
quando envolvidos nesse comportamento os municípios de Conceição do Almeida e São
Felipe.

63
6 CONCLUSÃO

De modo geral os municípios estudados revelaram grande potencial gerador de resíduos


recicláveis e orgânicos, sendo que o município de população com maior renda per
capita (Cruz das Almas) gerou maior quantidade de recicláveis (37%) quando
comparado a Sapeaçu (32,6%), que tem população de menor renda. Já os resíduos
orgânicos foram encontrados em maior quantidade neste município (47,4%) quando
comparado a Cruz das Almas (39,2%).

Dentre os resíduos recicláveis os que mais se destacaram foram os plásticos, papeis e


papelões. Percebeu-se que entre os têxteis, existiam peças do vestuário em bom estado e
muitas precisando apenas de pequenos reparos, ou seja, foram encontradas peças que
poderiam ser encaminhadas para doação.

Os fatores que mais influenciaram a produção de resíduos foram o econômico e o


contingente populacional. Sendo a geração maior quanto maior o nível econômico e
quanto maior a população do município.

No que se refere às possibilidades de direcionamento dos resíduos orgânicos e


recicláveis, foram identificados no município de Cruz das Almas a existência tanto de
associações quanto de catadores individuais, demonstrando possíveis instalações para
recebimento do material e ainda a existência de trabalhadores. Já no Município de
Sapeaçu sabe-se apenas da ação de catadores autônomos. Foi verificado durante esse
estudo que a administração pública municipal de ambas as cidades tem pouco ou
nenhum conhecimento sobre a existência dessas iniciativas.

Esta pesquisa mostrou que em caso de direcionamento dos resíduos recicláveis e


orgânicos e recicláveis de Cruz das Almas e Sapeaçu para outros destinos que não o
aterro, esse, teria um ganho significativo em sua vida útil, 13 anos a mais que o tempo
previsto para o funcionamento do aterro em caso de continuidade de recebimento do
montante atual de resíduos sólidos, aproximadamente (52 t/dia), retardando a procura
por outras áreas para disposição final. Esse ganho pode aumentar quando considerados
os outros dois municípios que compõem o aterro.

Os resíduos sólidos domiciliares dos municípios de Cruz das Almas e Sapeaçu


apresentaram-se em quantidade e qualidade potencial para serem encaminhados para
reciclagem e compostagem, entretanto para a identificação da viabilidade econômica

64
financeira devem ser realizados estudos criteriosos sobre o custo de implantação,
operação desses sistemas.

65
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setembro/2012.

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8 APÊNDICE 1 -QUESTIONÁRIO

Nome: Data:
Cargo: Cidade:
Contato:

1) Qual o percentual de população atendida pelo serviço de coleta de resíduos

sólidos (RS)?

2) Qual a estimativa de população das áreas não atendidas por esse serviço?

3) Quais os setores de coleta de resíduos sólidos domésticos? Existe um croqui ou

mapa da área atendida?

4) Qual a população de cada comunidade?

5) Qual é a frequência de coleta de RS em cada setor?

6) Quais os horários de coleta?

7) Quantos são os veículos coletores?

8) Quais os números de viagem por veículo?

9) Qual o itinerário seguido por cada caminhão?

10) Qual a produção coletada de resíduos sólidos domésticos?

11) Qual o número de trabalhadores alocados na coleta desse tipo de resíduo

(fiscais, motoristas, operadores de máquina)?

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