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Dilatação do Tempo

Por Glauber Luciano Kítor

É comprovado experimentalmente que a velocidade da luz é constante para qualquer


observador, independente de sua velocidade ou da velocidade da fonte luminosa. Foi o
que se observou indiretamente no experimento de Michelson – Morley em 1881. Isto
também pode ser constatado viajando em aviões supersônicos portando relógios de alta
precisão e neste caso o relógio “atrasa”. Partículas de vida média curta, da ordem de
frações de segundos, emitidas pelo Sol podem ser detectadas na Terra o que implica
aumento em sua vida média!

A dilatação do tempo é uma conseqüência da invariância da velocidade da luz.


Considere a seguinte situação: uma pessoa viaja numa nave e passa por outra pessoa em
um ponto P. A nave viaja paralelamente a um espelho de modo que o pulso luminoso
emitido retorne para o observador de dentro da nave. Observe a figura 01:

Figura 1: na diagonal a trajetória vista pelo observador que está fora da nave e na vertical a
trajetória conforme é vista pelo observador que está dentro da nave.

O observador de dentro da nave vê a luz ir e voltar ao longo de uma linha reta


perpendicular ao deslocamento da nave. Já o observador que está fora da nave vê a luz
se propagar na diagonal, sendo que o pulso luminoso vai em direção ao espelho e depois
é refletido pelo mesmo em direção à nave.

Figura 2: figura geométrica formada pela trajetória dos pulsos luminosos vistos pelos
observadores: em repouso; em movimento.
Para os dois observadores a velocidade da luz é a mesma. Com base nisto, podemos
deduzir a equação que mostra a dilatação do tempo, analisando um dos dois triângulos
da figura 2.

Usamos Δt1 para a luz percorrer metade do seu caminho ao longo da linha d, segundo o
observador em repouso, fora da nave. Este mesmo intervalo de tempo será usado pra
medir o tempo gasto pela nave pra percorrer a distância a.

Será usado Δt2 para o intervalo de tempo gasto para a luz percorrer a distância b, que
corresponde à altura do triângulo, segundo o observador em movimento, dentro da nave.
Desta forma, teremos:

Podemos deduzir que a distância a, percorrida pela nave, é dada por:

a = v.Δt1 (conforme figura 02)

Para o observador de dentro da nave, o caminho b percorrido pelo pulso luminoso é:

b = c.Δt2 (conforme figura 02)

E para o observador de fora da nave, a distância d percorrida pela luz é:

d = c.Δt1 (conforme figura 02)

 Onde
v = velocidade do observador em movimento;
c = velocidade da luz;
Δt2 = intervalo de tempo que passa para o observador em movimento, que será
denominado tempo dilatado.
Δt1 = intervalo de tempo transcorrido para o observador em repouso, também
chamado tempo próprio.

Podemos aplicar o teorema de Pitágoras, sabendo que:

𝑎² + 𝑏² = 𝑑²

Substituindo pelos equivalentes, obteremos:

𝑣²𝛥𝑡1² + 𝑐²𝛥𝑡2² = 𝑐²𝛥𝑡1²

𝑐²𝛥𝑡2² = 𝑐²𝛥𝑡1² − 𝑣²𝛥𝑡1²


Dividimos dos dois lados pelo fator c² e obteremos:

𝛥𝑡2² = 𝛥𝑡1² − (𝑣²/𝑐²)𝛥𝑡1²

𝛥𝑡2² = 𝛥𝑡1²(1 − 𝑣²/𝑐²)

Extraindo a raiz quadrada dos dois lados obteremos o tempo para o observador de
dentro da nave:

𝑣2
∆𝑡2 = ∆𝑡1 √1 −
𝑐2

Este resultado mostra que o tempo medido pelo observador de dentro da nave é
numericamente menor, o que nos leva a concluir que ele teria sofrido uma dilatação, ou
seja, como se cada unidade sofresse uma expansão em relação às unidades do tempo
próprio. Lembrando que este último é o intervalo de tempo medido pelo observador
considerado em repouso.

No relógio do observador em repouso, seria medido um tempo numericamente maior do


que o tempo medido dentro da nave, e este depende do fator:

1
2
√1 𝑣2
𝑐

Leia também:

 Teoria da Relatividade

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

EISBERG, Robert RESNICK, Robert. Física Quântica – Átomos, Moléculas, Sólidos,


Núcleos e Partículas. Tradução de Paulo Costa Ribeiro, Ênio Costa da Silveira e Marta
Feijó Barroso. Rio de Janeiro:Campus, 1979