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Dicionário de ingredientes para e cuidados da Tradução da 3ª edição norte-americana M. Varinia Michalun

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Dicionário de ingredientes para e cuidados da Tradução da 3ª edição norte-americana M. Varinia Michalun e
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Tradução da 3ª edição norte-americana

de ingredientes para e cuidados da Tradução da 3ª edição norte-americana M. Varinia Michalun e Natalia
de ingredientes para e cuidados da Tradução da 3ª edição norte-americana M. Varinia Michalun e Natalia

M. Varinia Michalun e Natalia Michalun

Dicionário de ingredientes para e cuidados da Tradução da 3ª edição norte-americana Os ingredientes utilizados

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Dicionário de ingredientes para e cuidados da Tradução da 3ª edição norte-americana Os ingredientes utilizados em
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Dicionário de ingredientes para e cuidados da Tradução da 3ª edição norte-americana Os ingredientes utilizados em

Tradução da 3ª edição norte-americana

Os ingredientes utilizados em cosméticos ainda são um mistério para a maioria dos consumidores e para muitos profissionais que trabalham com os cuidados da pele. Isso aumenta as preocupações, tendo em vista a rapidez com que novos ingredientes e conceitos surgem no mercado.

Este dicionário ajudará os profissionais e consumidores de cosméticos a entender os nomes difíceis dos produtos, as regulamentações e as práticas de identificação e rotulagem da indústria cosmética. As pessoas querem saber o que esperar do produto que estão usando. O objetivo deste livro é fornecer a elas as ferramentas necessárias para obter esse conhecimento.

as ferramentas necessárias para obter esse conhecimento. 9 ISBN 13 978-85-221-1833-5 ISBN 10 85-221-1833-7 788522
as ferramentas necessárias para obter esse conhecimento. 9 ISBN 13 978-85-221-1833-5 ISBN 10 85-221-1833-7 788522

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ISBN 13 978-85-221-1833-5 ISBN 10 85-221-1833-7 788522 118335
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Dicionário de ingredientes para cosmética e cuidados da pele

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Michalun, Natalia Dicionário de ingredientes para cosmética e cuidados da pele/Natalia Michalun e M. Varinia Michalun; tradução Mauro Silva; revisão técnica Maria Cecília Beltrami. -- São Paulo: Cengage Learning: Editora Senac São Paulo, 2010. Título original: Milady’s skin care and cosmetic ingredients dictionary.

ISBN 978-85-221-1833-5

1. Cosméticos - Dicionários 2. Pele - Cuidados

e higiene I. Michalun, M. Varinia. II. Beltrami, Maria Cecília. III. Título.

10-06009

CDD-668.5503

Índice para catálogo sistemático:

Dicionário De ingreDientes para cosmética e cuiDaDos Da pele

traDução Da 3 a eDição norte-americana

natalia michalun

e

m. Varinia michalun

traDução

mauro silVa

reVisão técnica maria cecília Beltrami

memBro Da comissão técnica De cosméticos (ctcos) Do conselho regional De Química (crQ – 4 a região)

Da c omissão t écnica De c osméticos (ctcos) Do c onselho r egional De Q
Da c omissão t écnica De c osméticos (ctcos) Do c onselho r egional De Q
Dicionário de ingredientes para cosmética e cuidados da pele – Tradução da 3 a edição

Dicionário de ingredientes para cosmética e cuidados da pele – Tradução da 3 a edição norte-americana

© 2010, 2001, 1993 Milady, parte da Cengage Learning

© 2011 Cengage Learning Edições Ltda.

© 2010 Editora Senac São Paulo

Natalia Michalun e M. Varinia Michalun

Gerente Editorial: Patricia La Rosa

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro poderá ser reproduzida, sejam quais forem os meios empre- gados, sem a permissão, por escrito, das editoras. Aos infratores aplicam-se as sanções previstas nos artigos 102, 104, 106 e 107 da Lei n o 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.

Editora de Desenvolvimento: Gisela Carnicelli

Supervisora de Produção Editorial: Fabiana Alencar Albuquerque

Título Original: Milady’s Skin Care and Cosmetic Ingredients Dictionary (ISBN 13: 978-1-4354-8020-9; ISBN-10: 1-4354-8020-1)

 
 

Para informações sobre nossos produtos, entre em contato pelo telefone 0800 11 19 39

Tradução: Mauro Silva

Revisão Técnica: Maria Cecília Beltrami

Para permissão de uso de material desta obra, envie seu pedido para direitosautorais@cengage.com

Copidesque: Mariana Gonzalez

Revisão: Daniele Fátima e Carol Tuska Yamamoto

 

Diagramação: Alfredo Carracedo Castillo

Capa: Absoluta Publicidade e Design

©

2011 Cengage Learning. Todos os direitos reservados.

 

ISBN-10: 85-221-1833-7 ISBN-13: 978-85-221-1833-5

Cengage Learning Condomínio E-Business Park Rua Werner Siemens, 111 – Prédio 11 Torre A –

Cengage Learning Condomínio E-Business Park Rua Werner Siemens, 111 – Prédio 11 Torre A – Conjunto 12 – Lapa de Baixo CEP 05069-900 – São Paulo – SP Tel.: (11) 3665-9900 – Fax: (11) 3665-9901 SAC: 0800 11 19 39 Para suas soluções de curso e aprendizado, visite www.cengage.com.br

Administração Regional do Senac no Estado de São Paulo

Presidente do Conselho Regional: Abram Szajman

Diretor do Departamento Regional: Luiz Francisco de A. Salgado

Superintendente Universitário e de Desenvolvimento: Luiz Carlos Dourado

Editora Senac São Paulo

Editora Senac São Paulo Rua Rui Barbosa, 377 – 1 o andar Bela Vista – CEP 01326-010 Caixa Postal 1120 – CEP 01032-970 – São Paulo – SP Tel. (11) 2187-4450 – Fax (11) 2187-4486 E-mail: editora@sp.senac.br Home page: http://www.editorasenacsp.com.br

Conselho Editorial: Luiz Francisco de A. Salgado Luiz Carlos Dourado Darcio Sayad Maia Lucila Mara Sbrana Sciotti Marcus Vinicius Barili Alves

Editor: Marcus Vinicius Barili Alves

Coordenação de Prospecção e Produção Editorial:

Isabel M. M. Alexandre

Supervisão de Produção Editorial: Pedro Barros

Gerência Comercial: Marcus Vinicius Barili Alves

Supervisão de Vendas: Rubens Gonçalves Folha

Coordenação Administrativa: Carlos Alberto Alves

Impresso no Brasil. Printed in Brazil.

Dedicatória

Aos esteticistas que, com grande dedicação e sinceridade, se esforçam para ajudar seus clientes a ter e manter uma pele saudável e mais bonita.

Sobre a revisora técnica

Maria Cecília Beltrami formou-se em Química Industrial pelas Faculdades Oswaldo Cruz e é pós-graduada em Administração de Marketing pela Funda- ção Armando Álvares Penteado (Faap). Atuou mais de 20 anos em indústrias far- macêuticas nacionais e internacionais, e possui sólida vivência na área de gestão de qualidade, envolvendo legislação sanitária para insumos e produto acabado. É membro da Comissão Técnica de Cosméticos (CTCOS) do Conselho Regional de Química – 4 a Região (CRQ4) e está à frente da Consultoria Beltrami, empresa de prestação de serviços na área de gestão de qualidade e desenvolvi- mento de projetos de melhoria contínua, visando a atender as demandas dos setores farmacêutico, cosmético, alimentício e de insumos.

Sumário

Prefácio

ix

PARTE I: A pele

1

Capítulo 1: Fisiologia da pele

7

Capítulo 2: Penetração do produto

23

Capítulo 3:

Tipos e condições de pele

31

Capítulo 4: Definição de termos

47

PARTE II: Ingredientes para produtos

79

PARTE III: Apêndice: nomes latinos em botânica

347

Aviso aos leitores

As editoras não asseguram nem garantem nenhum dos produtos aqui descritos, assim como não

realizam análises independentes associadas a informações sobre produtos contidas neste livro. As editoras não assumem, assim como renunciam expressamente, qualquer obrigação de obter e incluir informações que não sejam aquelas fornecidas às editoras pelo fabricante.

O leitor fica expressamente advertido de que deve considerar e adotar todas as precauções quanto

à segurança, que possam ser indicadas neste livro, assim como deve evitar todos os perigos em poten-

cial. Ao seguir as instruções aqui contidas, o leitor assume, por sua vontade, todos os riscos associados

a tais instruções. As editoras não fazem representações nem garantias de qualquer espécie, incluindo, mas não se

limitando, as garantias de adequação a qualquer propósito específico ou à comercialização. Além disso, tais representações não estão implícitas com relação ao material aqui apresentado, e as editoras não assumem nenhuma responsabilidade referente a tal material.

As editoras não se responsabilizam, também, por nenhum possível dano especial, exemplar ou que

ocorrer como consequência, parcial ou totalmente, do uso ou da dependência, por parte pelos leitores, deste material.

Prefácio

Este livro representa um longo caminho percorrido. No entanto, a motivação

que nos fez escrever o dicionário continua até hoje. Os ingredientes utilizados em cosméticos ainda são um mistério para a maioria dos consumidores e para muitos profissionais que trabalham com os cuidados da pele. Isso aumenta as preocupa- ções, tendo em vista a rapidez com que novos ingredientes e conceitos surgem no mercado – sem mencionar a quantidade. Os consumidores de cosméticos que- rem entender os nomes difíceis dos produtos, as regulamentações do governo e as práticas de identificação e rotulagem da indústria cosmética. Consumidores

e profissionais, porém, estão cada vez mais bem informados para avaliar esses

produtos e passam a prestar atenção nos ingredientes. As pessoas querem saber (e com razão) o que esperar do produto que estão usando. Se ninguém pode lhes dar uma resposta satisfatória, vão procurá-la elas mesmas. O objetivo deste livro

é fornecer ao leitor as ferramentas necessárias para obter esse conhecimento. Sempre acreditamos que o valor dos ingredientes está na interação com a pele ou na interação entre eles para que a formulação seja eficaz. Sendo assim, para melhor entender o desempenho do produto, este livro traz uma pequena seção sobre fisiologia e teoria dos cuidados com a pele. Mas, por favor, isso é um di- cionário, e não um manual de cosmética. A seção que trata dos cuidados com a pele serve para ajudar na compreensão geral e não deve sobrepor-se ao principal objetivo do livro. Se este dicionário for lido do começo ao fim, algumas informações parecerão repetitivas, especialmente nos capítulos iniciais. Essa repetição é proposital, pois acreditamos que os leitores irão procurar informações ou definições específicas, e queremos que encontrem informações detalhadas em cada tópico. Finalmente, o Capítulo 4, no qual a definição dos termos quase sempre mostra como um item se relaciona com a formulação e com a pele. Não fornece defini- ções técnicas, que consideramos uma questão à parte. Utilizamos fontes de informações norte-americanas e europeias. Somos gratos

a todas elas, mas são muitas para serem mencionadas individualmente. Deseja- mos expressar nosso especial agradecimento ao sr. Joe DiNardo, que, como sem- pre e com infinita paciência, ajudou-nos a entender os ingredientes mais novos e as nuances das formulações. Nossos quatro revisores foram valiosos, e queremos expressar os mais sinceros agradecimentos por seus esforços. Foi um trabalho

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| Dicionário de ingredientes para cosmética e cuidados da pele

extremamente cuidadoso, lendo cada página e fazendo comentários e observa- ções úteis, que frequentemente nos levou a refinar alguns conceitos e/ou revisar verbetes, tornando-os mais precisos e claros. Com isso, esta edição ficou bem melhor. Finalmente agradecemos a Martine Edwards e Philip Mandl, da Cengage Learning, pela generosa compreensão dos fatores pessoais que adiaram, por vá- rios meses, a conclusão desta edição. Esperamos que este livro forneça respostas às muitas perguntas de esteticistas e consumidores a respeito de ingredientes utilizados em cosméticos.

Introdução

PARTE I

A pele

Sem a pele humana, os produtos cosméticos não fazem nenhum sentido. Seu valor, eficácia, função, virtude e seus problemas são válidos apenas dentro da estrutura da pele, que devem embelezar e realçar. Para que os cosméticos, espe- cialmente os produtos utilizados nos cuidados com a pele, tenham algum valor, é importante entender como eles atuam na pele, qual função ou funções desem- penham, quais problemas resolvem e como a pele pode reagir a eles. Sem essa compreensão, o uso de cosméticos para cuidados com a pele continua sendo um mistério, para alguns traduzido em “esperança em um frasco”, para outros a “solução mágica” para diversos problemas da pele. O primeiro passo para resolver o mistério da ação desses produtos é fazer duas perguntas básicas: “o que são cosméticos?” e “o que eles podem fazer?” A rigor, cosméticos são produtos que permanecem na superfície da pele. Em uma definição menos rigorosa, cosméticos para cuidados com a pele são aque- les produtos que penetram na camada superior da pele, mas não alcançam a derme e não são absorvidos pelos capilares sanguíneos. Produtos que penetram na camada dérmica e são absorvidos pelo sistema capilar recebem a classifica- ção de farmacêuticos, e estão sujeitos às exigências de segurança da Food and Drug Administration (FDA). 1 No sentido mais estrito, produtos cosméticos são formulados para o embelezamento da pele e não devem alegar qualquer tipo de ação semelhante à de um fármaco.

1. No Brasil, a agência reguladora com funções semelhantes às da FDA é a Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

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| Dicionário de ingredientes para cosmética e cuidados da pele

A definição original de cosméticos foi estabelecida em 1938, quando se acre-

ditava que a pele fosse quase impermeável. Embora essa definição ainda seja legalmente aplicável, agora há conhecimento muito mais profundo sobre a fisio-

logia da pele, seus componentes químicos e a relação entre a estrutura e a quí- mica da pele e os ingredientes utilizados em cosméticos. Não há mais dúvidas de que um grande número de ingredientes possui a capacidade de penetrar na pele e oferecer algum tipo de benefício. Embora o rápido avanço desse conhecimento tenha beneficiado aqueles que, por exemplo, sofrem de acne e hiperpigmentação, as maiores conquistas foram no combate ao envelhecimento. Também equilibrou a ênfase no cuidado com

a pele entre ingredientes e combinações de ingredientes que não apenas “corri-

gem”, mas também “evitam” a ocorrência de problemas e danos à pele. Sabe-se agora que a principal “prevenção” vem dos antioxidantes. São particularmente importantes como um meio de minimizar danos às células causados pelos radi- cais livres, ajudando assim a evitar seu envelhecimento. Os antioxidantes, por- tanto, são agora incorporados a um amplo espectro de produtos, de hidratantes

a cremes para os olhos e produtos para a proteção contra o sol e pós-sol. Novos conhecimentos levaram ao desenvolvimento de novos cosméticos “high tech” (de alta tecnologia) e ao surgimento da categoria cosmecêutico –

um termo que une “cosmético” a “farmacêutico”. Alguns fabricantes especiali- zaram-se em cosmecêuticos, e os líderes da categoria em sua maior parte estão nos Estados Unidos. Eles tendem a patentear tecnologias específicas dos ingre- dientes, e frequentemente moléculas completas, bem como os seus nomes como marcas registradas, utilizando-as como temas de uma marca. Isso faz as com- panhias líderes no setor da cosmecêutica geralmente desenvolver, incorporar e utilizar suas próprias especialidades de ingredientes.

A Food and Drug Administration (FDA) e a Agência Nacional de Vigilân-

cia Sanitária (Anvisa), assim como a comunidade científica, não reconhecem o

termo “cosmecêutico”. A indústria cosmética usa esta palavra para se referir a produtos cosméticos que tem um benefício medicinal ou como medicamento.

O ato da Food, Drug and Cosmetic (FD&C) define medicamento como aque-

les produtos que curam, tratam, diminuem ou previnem doenças ou que afetam

a estrutura ou função do corpo humano. Enquanto os medicamentos são sujei-

tos a um processo de revisão e aprovação pela FDA, os produtos cosméticos não

necessitam de aprovação pela FDA antes da sua venda ao consumidor. Se um produto tem propriedades de medicamento, deve ser aprovado como tal.

Parte I: A pele

|

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A Anvisa define medicamento como produto farmacêutico tecnicamente ob-

tido ou elaborado, com finalidade profilática, curativa, paliativa ou para fins de diagnóstico. No Brasil, a Anvisa define produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes como preparações constituídas por substâncias naturais ou sintéticas, de uso ex- terno nas diversas partes do corpo humano, pele, sistema capilar, unhas, lábios, órgãos genitais externos, dentes e membranas mucosas da cavidade oral, com o

objetivo exclusivo ou principal de limpá-los, perfumá-los, alterar sua aparência e/ou corrigir odores corporais e/ou protegê-los ou mantê-los em bom estado. Além disso, a Anvisa classifica os produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes em produtos grau 1 e grau 2, e os critérios para esta classificação foram definidos em função da probabilidade de ocorrência de efeitos não de- sejados devido ao uso inadequado do produto, sua formulação, finalidade de uso, áreas do corpo a que se destinam e cuidados a serem observados quando de sua utilização. Os produtos grau 1 são de higiene pessoal, cosméticos e perfumes cuja formulação cumpre com a definição adotada e caracterizam-se por possuir pro- priedades básicas ou elementares, cuja comprovação não seja inicialmente ne- cessária e não requeiram informações detalhadas quanto ao seu modo de usar e suas restrições de uso, em razão de suas características intrínsecas. Os produtos grau 2 também são de higiene pessoal, cosméticos e perfumes, cuja formulação cumpre com a definição adotada e possuem indicações especí- ficas, com características que exigem comprovação de segurança e/ou eficácia, bem como informações e cuidados, modo e restrições de uso. Os produtos cos- méticos não podem ter indicação ou menções terapêuticas.

A velocidade do desenvolvimento da tecnologia cosmética pode continuar

aumentando com resultados agora difíceis de prever. A nanotecnologia é um exemplo. As principais empresas de cosméticos estão investindo pesado em pes- quisa nessa área. Essa poderá ser a próxima “grande novidade” em cosméticos; no entanto, seu futuro ainda é incerto. Embora haja uma proliferação de ingredientes de “alta tecnologia” e uma expansão de novas categorias de cosméticos, tais como os cosmecêuticos, isto está sendo complementado por um aumento simultâneo na compreensão cientí- fica dos produtos de origem botânica. À medida que os pesquisadores identifi- cam com maior precisão os constituintes químicos individuais de produtos botânicos, ingredientes naturais com alvos mais específicos e mais sofisticados

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| Dicionário de ingredientes para cosmética e cuidados da pele

são incorporados aos cosméticos. Os carotenoides, por exemplo, são reconhecidos por seu grande número de componentes individuais, cada um com funções es- pecíficas. Químicos cosmetólogos também enfatizam o uso de flavonoides indi-

viduais, peptídeos, polifenóis e fitoestrógenos. Além disso, esses químicos estão combinando ingredientes naturais com ingredientes sintéticos, criando assim um conjunto maior de ingredientes para formulação. O resultado é que produ- tos formulados com ingredientes naturais representam um dos segmentos que mais crescem no mercado de cosméticos. O interesse do consumidor por cosméticos naturais e/ou orgânicos cresce junto a uma confusa terminologia de marketing. Esses cosméticos entram em categorias mal definidas e não regulamentadas, nas quais uma disposição de diferentes termos é utilizada para apresentar os benefícios do produto. Os con- sumidores facilmente se confundem em meio a nuances de termos como “natu- ral”, “derivado de matérias-primas naturais”, “extratos de plantas naturais”, “orgânico” e “porcentagem de conteúdo orgânico no conteúdo total do mate- rial de origem botânica”. Por vezes, algumas afirmações parecem indicar que

os consumidores devem procurar apenas produtos que sejam 100% naturais, se

quiserem um cosmético puro ou algo de “melhor” qualidade. Na verdade, todos

os “produtos naturais” contêm certa porcentagem de ingredientes sintéticos.

Numa tentativa de diferenciação, alega-se que o produto “não contém con- servantes”. Isso, porém, não é possível, pois a adição de conservantes em cos- méticos é obrigatório por lei, por motivos de segurança e saúde. Talvez seja “sem parabeno”, mas isso não significa que o produto não tem conservantes, já que a fórmula poderá conter outros sistemas conservantes que não apresentem o mesmo e longo histórico de segurança dos parabenos. Mudanças significativas nas formulações cosméticas têm ocorrido desde o ano 2000. Pesquisadores das áreas dermatológica e química avançaram em seus conhecimentos de fisiologia e dos componentes químicos da pele, e como estes interagem com produtos químicos aplicados à pele na forma de cosméticos.

O conceito de cosmecêutica expandiu-se e tornou-se ainda mais sofisticado e

eficaz. Produtos à base de material botânico voltaram a ser valorizados e a ter credibilidade à medida que as formulações tornam-se cada vez mais sofistica- das em termos de tecnologia e resultados. Os filtros solares passam a ter mais proteção contra UVA e o PABA (para-aminobenzoic acid – ácido para-amino- benzoico) foi praticamente eliminado de todas as formulações. Ingredientes de origem animal agora são substituídos por equivalentes de origem botânica ou

Parte I: A pele

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manufaturados sintéticos. Os antioxidantes são enfatizados como um meio de se evitar danos à pele e prevenir contra o envelhecimento. A nanotecnologia chega ocupando lugar de destaque na pesquisa e no desenvolvimento, e seu potencial ainda é desconhecido. Ninguém pode prometer solução para todos os problemas da pele, tampouco a “juventude eterna”. No entanto, a indústria de cosméticos avança continuamente em seu objetivo de melhorar a aparência e a saúde da pele, ao mesmo tempo que faz do “envelhecimento lento e suave” uma realidade possível e agradável. Os produtos cosméticos e a química por trás deles podem ser extremamen- te valiosos para a pele. Já que a meta é trazer-lhe benefícios, a fim de avaliar com propriedade as ações positivas ou os problemas potenciais dos produtos cosméticos e seus ingredientes, torna-se crucial entender como funciona a pele, como e por que um produto pode ou não penetrar nela, e quais cuidados podem requerer certos tipos e condições de pele. Assim, é impossível uma discussão significativa sobre ingredientes sem correlacionar o desempenho do produto com a função da pele. Nos capítulos seguintes apresentaremos um grande número de componentes químicos da pele e outros termos técnicos. O leitor também ficará familiariza- do com a nova terminologia usada pelos químicos cosmetólogos, agora sendo incorporada às novas formulações de produtos. As definições de alguns desses termos aparecem no Capítulo 4.

CAPíTulo 1

CAPíTulo 1 Fisiologia da pele A pele é um órgão complexo e multifuncional, e que atrai

Fisiologia da pele

A pele é um órgão complexo e multifuncional, e que atrai muita atenção e pesquisa científica. A ciência está constantemente descobrindo os segredos da fisiologia da pele, das substâncias químicas ali presentes e suas interações. Esse conhecimento, por sua vez, aumenta a compreensão dos processos patológicos da pele e de seu envelhecimento. Os cientistas estão identificando cada um dos compostos químicos da pele, bem como as reações químicas e fisiológicas que aceleram o envelhecimento. Entendendo melhor esse processo, os laborató- rios desenvolvem e incorporam novos ingredientes aos produtos cosméticos, podendo reduzir ou desacelerar o envelhecimento e outros problemas de pele, além de combatê-los e/ou corrigi-los. Um grande número de novos ingredientes para cosméticos tem sido incorporado nesses produtos nos últimos dez anos, e espera-se que isso continue em ritmo acelerado. Vários deles servem para retar- dar o processo de envelhecimento, rejuvenescer a pele, solucionar problemas e mesmo reduzir o risco de câncer de pele. Um melhor conhecimento de sua fisiologia permite elaborar formulações mais específicas e eficazes nos cuidados com a pele.

As funções da pele

Sendo o maior órgão do corpo, a pele desempenha uma série de funções funda- mentais que resultam de múltiplas reações químicas e físicas que ocorrem em seu interior. A pele é uma barreira que protege o corpo de elementos externos, de ferimentos e da oxidação. Também ajuda a manter a temperatura do corpo cons- tante, fazendo-o adaptar-se às diferentes temperaturas e condições atmosféricas

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| Dicionário de ingredientes para cosmética e cuidados da pele

do ambiente por meio do controle da perda de umidade. A pele recebe infor- mação sensorial, desempenhando um papel ativo no sistema imunológico ao proteger o corpo contra doenças. A fim de poder cumprir todas essas funções – protetora, metabólica, sensorial e imunológica – a pele deve manter suas pró- prias capacidades de autorreparação e integridade funcional. Os produtos cosméticos são muito importantes para a função protetora da pele. Filtros solares protegem contra a radiação UV e, portanto, contra o enve- lhecimento prematuro e o câncer de pele. Cremes e loções com efeito bacteri- cida reduzem e/ou controlam a proliferação excessiva de bactérias na pele, um problema associado particularmente à pele oleosa, e uma das principais causas do desenvolvimento da acne. E, ao formar uma barreira invisível na superfície

da pele, ingredientes hidratantes específicos podem ajudar a reduzir a perda de umidade, que resulta em desidratação. A pele também protege os órgãos in- ternos contra a exposição ao oxigênio. Sem ela, esses órgãos rapidamente se oxidariam, assim como acontece com uma banana ou uma maçã descascada, quando seu interior fica exposto ao ar. Através da secreção de suor e sebo, a pele executa uma função excretória, eliminando várias substâncias nocivas resultantes de atividades metabólicas do intestino e do fígado. A pele também secreta hormônios e enzimas. Quando a composição química da pele não é compatível com determinado(s) ingrediente(s) de um produto, o resultado é uma sensibilidade geral a esse produto e mesmo reações alérgicas.

O grande número de terminações nervosas na pele a torna sensível ao toque.

Consequentemente, a pele é um órgão sensorial e ponto de percepção de frio,

calor e dor.

A pele desempenha funções imunológicas, principalmente através das células

de Langerhans, que carregam antígenos da pele para o sistema linfático. O ex- cesso de radiação UV destrói ou inibe o funcionamento das células de Langerhans, aumentando o risco de câncer de pele.

A pele tende a ser discutida e tratada como uma entidade separada; assim,

essa íntima relação entre ela e o corpo geralmente é desprezada ou esquecida. Embora proteja o corpo de diversas maneiras, a pele e sua condição são gover- nadas por várias funções corporais internas. Por exemplo, a oleosidade surge da hiperatividade de glândulas sebáceas. Problemas de pigmentação se devem à enzima tirosinase, e são regulados por funções hormonais. Dadas essas rela- ções, para que a pele tenha uma boa aparência é preciso uma boa saúde geral,

Capítulo 1 – Fisiologia da pele |

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mediante nutrição, exercícios e descanso apropriados. Essa conexão também realça os problemas potenciais que podem ser causados por ingredientes que penetram profundamente na derme, se forem sistematicamente absorvidos pelo sistema capilar. Quando a pele funciona em perfeita harmonia, o resultado é uma cútis bela, radiante e saudável. Quando ela não está em harmonia devido à deterioração causada pela idade, sol, infecção bacteriana, hiperqueratinização ou simples- mente perda da umidade natural, os produtos cosméticos servem para ajudar a

restaurar o equilíbrio e a beleza. Devem fazê-lo, porém, trabalhando em conjun-

to com a estrutura bastante complexa da pele.

Componentes e estrutura da pele

A pele possui uma estrutura microanatômica bastante complexa. Além de

milhares de células cutâneas, em 2,5 cm 2 de pele, que varia de 1 mm a 4 mm

de espessura, existem cerca de 650 glândulas sudoríparas, 65 folículos pilosos,

17 metros de capilares, 71 metros de nervos, milhares de terminações nervosas, células de Merkel para percepção sensorial e células de Langerhans para prote- ção imunológica. A pele também contém melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina, que lhe dão cor e pontos de pigmentação, ou sardas. Para se ter uma boa imagem, desenhe um quadrado de 2,5 cm e tente colocar

ali dentro 650 pontos representando os poros sudoríparos. Depois pegue um carretel de linha, meça 17 metros e coloque dentro do quadrado. Se tiver difi- culdade com 650 pontos e 17 metros de linha, imagine mais 1.300 terminações nervosas e 71 metros de nervos! Tudo isso pode ser encontrado em 2,5 cm 2 de pele, aproximadamente a espessura de algumas folhas de papel empilhadas. A pele abriga uma variedade de glândulas, que são importantes não só por suas funções intrínsecas, mas também porque representam uma rota de entra-

da na pele para certos compostos químicos. Sua principal função é sintetizar

substâncias que podem resfriar o corpo, proteger e aumentar a maleabilidade

da pele, ou eliminar impurezas como elementos minerais ou colesterol. Entre

elas estão as glândulas sebáceas e as duas glândulas sudoríparas: as écrinas e

as

apócrinas. As glândulas sebáceas estão ligadas ao mesmo ducto que contém o folícu-

lo

piloso. São as responsáveis pela secreção de substâncias oleosas na pele e

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| Dicionário de ingredientes para cosmética e cuidados da pele

encontram-se acondicionadas em vesículas. Os ductos das glândulas sebáceas terminam na porção superior do folículo piloso. Geralmente há apenas uma glândula por folículo, mas em algumas partes existem mais, o que resulta em

maior secreção de substâncias oleosas (sebo) nessa área. Essas glândulas são en- contradas em quase todas as partes do corpo. A face e as costas contêm o maior número por centímetro quadrado, estando ausentes na palma das mãos e na sola dos pés. O sebo secretado pelas glândulas sebáceas lubrifica a pele e ajuda

a impedir a evaporação da umidade; também possui propriedades fungicidas.

A secreção excessiva está associada ao desenvolvimento da acne, enquanto uma

secreção insuficiente torna a pele seca. As glândulas sudoríparas são abundantes em toda a pele. As glândulas écrinas são as mais numerosas. Seu ducto secretor termina como um poro diretamente na superfície da pele. Muito numerosas na sola dos pés e na palma das mãos, secretam um fluido transparente composto principalmente de água, ácido lático, ureia, toxinas e mesmo substâncias bactericidas. A principal função dessa secre-

ção é resfriar o corpo e manter o equilíbrio térmico com o ambiente. As glândulas sudoríparas apócrinas situam-se nas axilas, pálpebras, região púbica e genitais. Ficam inativas até a puberdade, sendo estimuladas pelas emoções e pelo estresse. A excreção dessas glândulas é muito limitada; não ocorre diretamente na super- fície da pele, mas primeiramente na parte superior do orifício pilossebáceo, e dali para a superfície da pele. A perspiração das glândulas apócrinas pode apre- sentar um odor desagradável devido a uma reação química entre a excreção, o oxigênio e as enzimas produzidas pela microflora do folículo piloso.

É importante observar que sujeiras, impurezas e a asfixiação, ou grumos, que

aparecem nos poros ocorrem no folículo piloso e são o resultado de uma mistu- ra produzida por substâncias oleosas e corneócitos queratinizados presentes no

folículo. Limpar a pele significa eliminar as impurezas desses poros. A perspiração (transpiração) não tem essa função. Pode ajudar a limpar a pequena abertura dos poros sudoríparos, mas não limpará o poro do folículo piloso – aquele através do qual são secretadas as substâncias oleosas. É comum esse equívoco por parte daqueles que pensam que as saunas ou a perspiração limpam a pele.

A superfície da pele é ácida. Seu pH, também conhecido como manto prote-

tor, é formado pela combinação de vários componentes. Na camada córnea, in- cluem o sebo naturalmente secretado e a perspiração (que contém ácido lático), bem como reações químicas que ocorrem na epiderme, gerando vários ácidos relativamente fortes e solúveis em água. Na camada córnea, o pH da pele varia

Capítulo 1 – Fisiologia da pele |

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de 4,4 a 5,6, dependendo do indivíduo e da parte do corpo. Também parece variar entre as etnias. À medida que se passa da camada córnea, na epiderme, para a derme, o nível do pH aumenta e torna-se neutro (pH 7,0). Esse processo

ainda não é muito bem compreendido. A acidez da pele ajuda a manter sua força e coesão, a evitar infecções im- pedindo o crescimento de bactérias, e facilita a esfoliação de células mortas na superfície. Uma das principais razões por que os sabões – especialmente sabões adstringentes ou desinfectantes com pH alto – são prejudiciais à pele

é porque esta necessita de um meio ácido para funcionar apropriadamente.

Assim, após o uso de certos produtos para limpar a pele, é necessário aplicar uma loção balanceadora. Quando esses produtos para limpeza têm um pH

neutro ou alcalino, o nível de acidez da pele precisa ser restaurado. Sem isso,

a pele irá recuperar sua acidez em cerca de 20 minutos ou mais, dependendo

do nível de desequilíbrio criado. Sensações como frio, calor, pressão, vibração e esticamento (tanto da pele quanto dos tendões), resultam em um fluxo de impulsos nervosos detectados e transmitidos ao cérebro por terminações nervosas encapsuladas. Todos esses componentes e ações são encontrados dentro das unidades bási- cas do tecido cutâneo, o qual se divide em três camadas.

As camadas da pele

A pele é um conjunto de tecidos altamente especializado e complexo, dividido em três camadas: epiderme, derme e hipoderme, também conhecida como tela

ou camada subcutânea (ver Figura 1.1). Há vários tipos diferentes de células na pele, e entre as mais importantes es- tão os queratinócitos, melanócitos, fibroblastos, as células imunocompetentes (células de Langerhans), células migratórias mononucleares e mastócitos. Além desses vários tipos, a pele também contém tecidos conectivos ricos em matriz extracelular (MEC), cujos componentes são responsáveis principalmente pela flexibilidade da pele – sua maleabilidade e elasticidade. Outras funções fisiologicamente importantes, como hidratação, regulação da temperatura e regulação da permeabilidade cutânea, dependem de células

e componentes químicos específicos da MEC. Essas funções regulatórias estão

intimamente ligadas à interação entre as células e substâncias químicas da pele

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| Dicionário de ingredientes para cosmética e cuidados da pele

Poro sudoríparo Haste pilosa Papila dérmica Estrato córneo sensorial tátil Estrato lúcido Epiderme Estrato
Poro sudoríparo
Haste pilosa
Papila dérmica
Estrato córneo
sensorial tátil
Estrato lúcido
Epiderme
Estrato
Estrato
espinhoso
Estrato
Derme
basal
Glândula sebácea
Tecido adiposo
Folículo piloso
Papila pilosa
Fibra nervosa
Veia
Artéria
Nervo

germinativo

Músculo eretor do pelo

Glândula sudorípara Corpúsculo de Paccini (ou corpúsculo lamelar)

Terminação nervosa

subcutâneo (hipoderme)

Figura 1.1 – As camadas da pele

através de receptores especiais localizados na membrana celular. Esses recepto- res podem ser vistos como antenas que ajudam as células a se comunicar umas com as outras e com o ambiente. Também são capazes de se ligar a vários com- ponentes químicos que passam entre as células. Entre essas substâncias estão certos ingredientes cosméticos (como o retinol) que interagem com as células e desempenham sua função terapêutica somente por receptores da célula. Alguns desses receptores cumprem importantes funções fisiológicas. Quando os recep- tores não funcionam apropriadamente, o desempenho fisiológico da pele pode ser prejudicado, acelerando danos ou a deterioração, como é o caso do enve- lhecimento. Embora o funcionamento dos receptores seja um conceito estudado com mais profundidade pela medicina e pelas ciências farmacêuticas, em cosmé- tica o papel dos receptores para a eficácia do retinol já está bem estabelecido. A epiderme é a parte da pele visível a olho nu. É uma camada muito fina: sua espessura varia de 1,6 mm na sola do pé a 0,04 mm nas pálpebras. A epiderme contém diversos tipos de células, entre elas os queratinócitos, envolvidos em um constante processo de reprodução para substituir células esfoliadas; células

Capítulo 1 – Fisiologia da pele |

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de Langerhans para proteção imunológica; melanócitos para a coloração da pele; e células de Merkel, envolvidas na função do tato. É nessa camada da pele que os produtos são aplicados, e aquela com a qual um produto cosmético fica mais em contato e onde ocorrem a limpeza, a esfoliação, o aquecimento ou a hidratação.

A segunda camada cutânea, a derme, encontra-se abaixo da epiderme e a ela

está ligada pela membrana basal. A derme representa a parte mais importante

da pele. É formada por tecidos conectivos, colágeno, elastina, folículos pilosos, glândulas sebáceas, glândulas sudoríparas (écrinas), vasos sanguíneos e nervos que transmitem sensações de dor, coceira e temperatura. Também existem célu- las nervosas especializadas que transmitem as sensações de toque e pressão.

A terceira camada cutânea, a hipoderme, é a mais profunda de todas. Con-

sistindo principalmente de tecidos conectivos e gordurosos, a hipoderme é mui- to mais espessa que a derme. Sua espessura, todavia, depende da parte do corpo avaliada e da quantidade de gordura que o indivíduo possui. Essa camada é

importante para a regulação da temperatura corporal. Para melhor entender o impacto que um produto cosmético pode ter na pele,

é preciso examinar mais detalhadamente cada uma das camadas, incluindo sua composição e função.

A epiderme

Entender a epiderme é extremamente importante para discutir a penetração do produto, a definição de ação cosmética versus ação farmacêutica de acordo com

a FDA, e a eficácia do produto. A epiderme dá à pele seu brilho, juventude, textura

e boa aparência. É responsável pela saúde da pele como um todo, protegendo-a da perda de umidade e da penetração de bactérias. Raios ultravioleta, acne, doen-

ças visíveis da pele, fumaça de cigarro, poluição e câncer de pele, tudo isso afeta essa camada. Trata-se de um tecido metabolicamente ativo, que sintetiza os lipídeos e con- tém todos os componentes necessários para formar a camada protetora. Uma vez que a epiderme é a camada mais externa da pele, ela atua como uma barreira inicial ao ataque dos oxidantes. A epiderme apresenta uma capacidade protetora

e antioxidante maior que a derme, pois abriga as vitaminas E e C e a superóxido

dismutase, compostos essenciais que sequestram radicais livres. Essa camada tam- bém contém grandes quantidades de glicosaminoglicanos e ceramidas.

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| Dicionário de ingredientes para cosmética e cuidados da pele

A epiderme é ainda dividida em cinco subcamadas de células, todas metaboli-

camente muito ativas. Da superfície da pele até a derme, as cinco camadas são:

1. Camada córnea

2. Camada lúcida

3. Camada granulosa

4. Camada espinhosa

5. Camada germinativa

As células epidérmicas são formadas na camada germinativa e migram para a camada córnea. Nesse processo de deslocamento, as células epidérmicas so- frem várias modificações químicas, passando de células protoplásmicas moles a “escamas” de superfície achatada facilmente destacáveis.

A epiderme acumula uma grande quantidade de água. A camada germi-

nativa é a que apresenta o maior conteúdo de água, com cerca de 80% do total. Cada camada subsequente possui menos água como porcentagem de sua

composição química total, com a camada córnea contendo apenas entre 10% e 15%. A água é mantida no gel citoplásmico da célula e nos canais intercelulares (espaços entre as células). Quanto mais jovem o corpo, mais água a pele acumu- la. A capacidade da pele de reter água diminui com a idade, o que a torna mais vulnerável à desidratação e às rugas.

A epiderme também é a primeira barreira contra agressores imunológicos,

graças às células de Langerhans. Essas células dendríticas são formadas na me- dula óssea e migram para as camadas dérmica e epidérmica da pele. Uma vez concluída a migração, as células de Langerhans são tipicamente encontradas nas camadas mais inferiores da epiderme, compreendendo cerca de 5% da po- pulação total de células epidérmicas. Essas células engolfam corpos estranhos, carregando os invasores para o sistema linfático, onde serão processados e eliminados. As células de Langerhans são sensíveis à radiação ultravioleta e fa- cilmente danificadas por raios UV. Mesmo pequenas exposições à radiação UV poderão danificar essas células o suficiente para reduzir sua capacidade imuno- lógica. Com a idade, essas células também diminuem em quantidade, uma das razões do aumento da incidência de doenças da pele com o passar do tempo. Em uma pessoa jovem, leva aproximadamente 28 dias para que uma célula migre da camada germinativa para a camada córnea. Com o passar do tempo, a velocidade desse processo diminui significativamente. Estima-se que após os 50

Capítulo 1 – Fisiologia da pele |

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anos o mesmo processo leve cerca de 37 dias. Em termos de envelhecimento da pele, isso indica que a estimulação de suas funções, seja manualmente, por meio de massagem facial, seja pela atividade de produtos cosméticos, causaria melho- ras no metabolismo celular. Os intervalos de tempo de 28 e 37 dias também são importantes quando se trata de sensibilidade da pele e do mau uso de esfoliações faciais. Uma célula leva 28 dias ou mais para chegar à superfície da pele, portanto estamos naturalmente esfoliando uma camada de células mortas por dia. Depen- dendo da aspereza do material, o uso de esfoliações pode remover mais camadas de células mortas da superfície do que seria apropriado, aumentando potencial- mente a sensibilidade da pele. Além disso, o mau uso de esfoliações poderá exa- cerbar a atividade das glândulas sebáceas, intensificando assim a produção de substâncias oleosas, o oposto do que o usuário geralmente deseja obter.

Camadas epidérmicas: O conhecimento das camadas epidérmicas nos permite compreender alguns dos problemas da desidratação, sensibilidade, envelhecimen-

to e pigmentação, o que por sua vez ajuda a associar a eficácia do produto e do ingrediente às exigências da pele. As células das camadas germinativa, espinhosa, granulosa e lúcida são chamadas de queratinócitos e predominam na epiderme. A principal função da epiderme é gerar a camada superior, a camada córnea. Um sistema de formação de queratinócitos funcionando de modo inapropriado não pode gerar uma camada córnea cosmeticamente aceitável. Portanto, um impor- tante fator para uma pele bonita parece ser o metabolismo apropriado dos que- ratinócitos, gerando assim uma camada córnea saudável. A importância está em proteger contra a perda de umidade e a penetração de bactérias e micróbios.

A camada germinativa, também conhecida como camada basal, é onde as cé-

lulas se reproduzem por mitose: uma célula se divide em duas, idênticas entre si e

à célula mãe. Após a subdivisão, uma célula permanece na camada basal e a outra é empurrada para as camadas mais externas, na direção da camada mucosa. Em

peles jovens, a camada germinativa é a mais espessa da epiderme. Aqui as células são grandes e maleáveis, contendo uma alta porcentagem de água.

À medida que as células se deslocam, começam a ser preenchidas com uma

substância granular chamada queratina (daí o termo queratinócito). Os quera- tinócitos perdem água, ficam mais achatados e seu núcleo começa a degenerar. Eles secretam, nos espaços intercelulares, um “cimento” formado por lipídeos, colesterol, ácidos graxos saturados livres e ceramidas, aumentando a coesão en- tre as células e assim contribuindo para tornar a epiderme uma barreira eficaz.

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| Dicionário de ingredientes para cosmética e cuidados da pele

Em sua última fase de migração, as células chegam à camada córnea (tam- bém conhecida como estrato córneo). Essa camada é considerada tão impor- tante e crítica para a penetração do produto, hidratação da pele e redução de sua sensibilidade que geralmente é estudada separadamente das outras camadas epidérmicas. A camada córnea é o que vemos como a nossa pele. Em peles jovens e saudáveis, é formada por 18 a 23 camadas de células secas achatadas (corneócitos) firmemente cimentadas. O número real de camadas depende de vários fatores, incluindo a secreção de substâncias oleosas e o próprio sistema de descamação da pele. O estrato córneo é mais espesso na palma das mãos e na sola dos pés. Os cientistas dividem o estrato córneo em duas camadas distintas:

a camada compacta, onde os corneócitos estão ligados uns aos outros e funcio- nam como uma barreira, e a camada externa, onde ocorre a renovação. Nesta segunda camada, a ruptura da união celular provoca a descamação, permitin- do a eliminação contínua dos corneócitos. Aqui, à medida que os corneócitos gradualmente se desprendem, numerosos espaços são formados entre as células onde as bactérias que vivem na pele encontram refúgio e crescem, alimentando- -se dos corneócitos remanescentes. Essas bactérias estão adaptadas ao ambiente ácido do estrato córneo. Outras bactérias, conhecidas como transientes, podem estar presentes na superfície da pele, mas as condições de pH não lhe são favo- ráveis e elas não se desenvolvem. O processo natural de renovação celular é enzimaticamente controlado. Enzimas específicas dissolvem as ligações que mantêm os corneócitos unidos, permitindo que eles se desprendam. Se esse processo não estiver funcionando apropriadamente, uma quantidade exagerada de células mortas irá se acumular na superfície da pele. A pele oleosa parecerá grossa e áspera, e a pele envelhe- cida, fina e frágil. No entanto, ambas tendem a apresentar um estrato córneo espesso. A camada córnea retém apenas cerca de 10% a 15% de sua umidade original. Suas principais atividades são impedir a desidratação excessiva dos tecidos da pele e a entrada de material estranho. As células são conservadas unidas e circundadas por lipídeos e ceramidas, bem como glicoproteínas, des- mossomos, produtos originados da quebra de peptídeos, produtos sebáceos e enzimas ativas. Os lipídeos intercelulares desempenham um papel crucial nas propriedades de retenção de água na pele, agindo como uma barreira, captu- rando água e impedindo a perda excessiva de água. Ceramidas são responsáveis por mais de 40% do total de lipídeos intercelulares, e também desempenham um papel vital na capacidade de retenção de água na pele.

Capítulo 1 – Fisiologia da pele |

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A camada córnea inclui um fator natural de hidratação (NMF, na sigla em

inglês) formado de substâncias hidrossolúveis (capazes de se dissolver na água)

e higroscópicas (capazes de reter água) que regulam a permeabilidade seletiva

da camada córnea. O NMF é composto de 40% de aminoácidos livres, cerca de 12% de PCA, 12% de lactose, 7% de ureia e 30% de uma grande variedade de outros materiais. A exposição a detergentes muito fortes e a condições cli- máticas severas pode resultar em níveis menores de NMF, tornando a pele frágil e seca.

A espessura da camada córnea, o arranjo apropriado das células de super-

fície e a força do cimento celular determinam em grande parte a capacidade de penetração de um produto ou ingrediente. Um estrato córneo bem formado

tende a ser fino e compacto, com uma estrutura celular ordenada, que lembra

o trançado de uma cesta, e possui uma acentuada função de barreira. Isso é

normal em peles jovens e saudáveis. Quando a camada córnea é grossa e suas células estão arranjadas em um padrão irregular de escamas, a ação natural de proteção da pele é reduzida, permitindo uma penetração mais rápida de substâncias. Essa é uma das razões por que alguns produtos podem provocar uma sensação de queimação na pele muito seca e escamosa. Quando a pele é excessivamente úmida, também pode ocorrer sensibilidade porque a “barreira”

foi amolecida, resultando em maior facilidade de penetração para o produto. Para peles envelhecidas ou danificadas, ingredientes como os alfahidroxiácidos (AHAs) tendem a reestruturar um estrato córneo anormal, dando-lhe uma es- trutura mais saudável e ordenada.

O pigmento da pele, ou melanina, é formado na camada mais profunda da

epiderme por células chamadas melanócitos. Esse pigmento é posteriormente transferido para os queratinócitos, dando à pele sua cor. A produção excessiva de melanina é induzida quer por exposição à luz UV (p. ex., banho de sol, câ- maras de bronzeamento), quer por desequilíbrios hormonais. No primeiro caso, os melanócitos produzem melanina adicional para proteger a pele dos danos causados pelos radicais livres. Uma vez interrompida a exposição excessiva à luz UV, o processo de esfoliação e de movimento celular ascendente permite à pele eliminar lentamente as células excessivamente pigmentadas e recuperar a cor normal. Por exemplo, alguns meses após as férias de verão, a pele recupera sua cor normal. No segundo caso, a tendência dos melanócitos será continuar a produzir melanina em uma taxa mais alta, independentemente de mudanças no equilíbrio hormonal, o que torna difícil reverter a hiperpigmentação.

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Na epiderme, a proteção imunológica cabe às células de Langerhans. Sua função é detectar a penetração de corpos estranhos, capturá-los e carregá-los até os linfócitos no sistema linfático. Uma resposta imunológica é então ativada, neutralizando e finalmente eliminando o elemento estranho.

O toque é percebido pelas células de Merkel, situadas entre os queratinócitos.

Essas três células epidérmicas especializadas, os melanócitos, as células de Langerhans e as células de Merkel, somam entre 13% e 20% do total das célu-

las epidérmicas.

A complexidade da camada epidérmica é surpreendente, especialmente con-

siderando-se sua espessura. Além das diferentes células presentes, suas funções específicas e a relação umas com as outras, ocorre ainda a atividade dos recepto-

res celulares, sua comunicação e interações fisiológicas e químicas. Todos esses elementos precisam manter um equilíbrio adequado para assegurar o metabolis- mo e o funcionamento apropriado dos queratinócitos e da camada córnea.

apropriado dos queratinócitos e da camada córnea. Figura 1.2 – Fibras dérmicas (cortesia de Geo. A.

Figura 1.2 – Fibras dérmicas (cortesia de Geo. A. Hormel and Co.)

Capítulo 1 – Fisiologia da pele |

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Sem um tal equilíbrio, a beleza e a saúde da pele ficam prejudicadas. Assim,

os

cuidados com a pele e a atitude de se evitar condições severas tornam-se mui-

to

importantes se a meta desejada for a saúde e a beleza da pele.

A derme

A derme é a segunda camada da pele. É de 10 a 40 vezes mais espessa que a

epiderme (ver Figura 1.1). Dentro dela estão os apêndices da pele, os folículos

pilosos, glândulas sebáceas, dois tipos de glândulas sudoríparas (glândulas écri- na e apócrina), e mais uma complexa rede capilar e nervosa. Sua constituição

é

de 80% de umidade, tecidos de elastina que conferem propriedades elásticas

e

fibras de colágeno que fornecem um arcabouço estrutural (ver Figura 1.2). O

colágeno representa cerca de 70% das proteínas dérmicas e confere resistência,

resiliência e tração. Por volta de 20 tipos diferentes de fibras colágenas já foram identificadas. O processo de cura das feridas é otimizado quando a reparação começa com a produção de fibras de colágeno bem finas e continua com fibras de colágeno de espessura cada vez maior. Formam-se queloides quando o pro- cesso de cura da ferida começa com fibras de colágeno mais grossas. Além do colágeno e da elastina, a derme possui uma variedade de outras fibras, agrupa- das como glicoproteínas estruturais, e um conjunto de substâncias químicas sob

a denominação de glicosaminoglicanos. Estes são responsáveis pela hidratação, maleabilidade e retenção de água. Também regulam a permeabilidade, forne- cem resistência à pressão e são responsáveis pela orientação das proteínas. Por meio de uma vasta rede de capilares e vasos sanguíneos, a derme forne-

ce energia e nutrição à epiderme, e desempenha um papel crítico na cura e na

termorregulação. É responsável pela arquitetura de suporte e pela elasticidade da pele, que também dependem de uma quantidade de água bem equilibrada na derme e nas outras camadas da pele. Para facilitar a hidratação essencial, a derme age como um reservatório de água. Também protege o corpo de danos mecânicos e cumpre um importante papel na percepção sensorial e como regu- lador interno. As células de Langerhans, responsáveis pela imunoproteção, também estão presentes na derme. A derme consiste em uma membrana conectiva espessa entrecruzada por va- sos sanguíneos, vasos linfáticos, fibras nervosas e muitas terminações nervosas sensoriais. O colágeno e a elastina, as duas principais fibras proteicas da derme,

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| Dicionário de ingredientes para cosmética e cuidados da pele

agem como um sistema natural de suporte para as fibras nervosas, folículos pilosos, vasos sanguíneos e glândulas sebáceas e sudoríparas localizadas nessa camada, além de conferir força e elasticidade à pele.

O colágeno é o principal componente da derme, sendo basicamente uma

cadeia de aminoácidos que inclui alanina, arginina, lisina, glicina, prolina e hidroxiprolina. Sua produção começa com a elaboração de procolágeno, que depois passa por uma série de modificações e é transformado em colágeno co- mum. O procolágeno é bastante higroscópico e absorve água em muitas vezes o seu peso. Um decréscimo no conteúdo de procolágeno com o tempo pode estar relacionado ao aumento do ressecamento e falta de elasticidade associados à pele madura. Em peles não danificadas ou normais, diferentes tipos de fibras de elastina compõem de 2% a 4% da derme. Elas formam uma estrutura interco- nectada que confere à pele elasticidade e resiliência. No microscópio, a elastina aparece como fibras curtas sobrepondo-se umas às outras e formando uma rede irregular no interior da derme, concentrada principalmente nos segmentos mais inferiores dessa camada. A importância da elastina é desproporcional à quanti- dade relativamente pequena encontrada na derme. Preenchendo o espaço entre o colágeno e a elastina estão as glicoproteínas, formando algo semelhante a um manto protetor. Entre essas glicoproteínas,

encontramos glicosaminoglicanos e fibronectina. Glicosaminoclicanos são uma mistura de várias substâncias químicas responsáveis pela distribuição das proteínas na pele e regulação de sua permeabilidade, bem como pela hidratação, malea- bilidade, retenção de água e por um ambiente apropriado ao desenvolvimento das células dérmicas. Os glicosaminoglicanos constituem um material dérmico fundamental que proporciona suporte, lubrificação e um ambiente adequado para o desenvolvimento das células dérmicas. Também possuem uma grande ca- pacidade de se ligar à água, sendo, portanto, cruciais para um turgor (distensão normal) saudável, o conteúdo de água e a elasticidade da pele. Embora às vezes sejam chamados de mucopolissacarídeos, não são exatamente a mesma coisa. Os mucopolissacarídeos são um componente dos glicosaminoglicanos. Com a idade, o conteúdo de glicosaminoglicanos diminui, reduzindo assim a capacida- de da pele de reter água e aumentando a propensão ao ressecamento.

O funcionamento adequado da camada dérmica, bem como o conteúdo

de água, são os responsáveis pela maciez e elasticidade da pele. Uma derme

funcionando apropriadamente é fundamental para uma aparência jovem e bela da pele.

Capítulo 1 – Fisiologia da pele | 21

A hipoderme

Terceira e última camada da pele, a hipoderme, também conhecida como tela subcutânea, conecta a pele com os tecidos musculares. Essa camada é altamente elástica e possui células de gordura como “absorvedoras de choque”, servindo assim de suporte para estruturas delicadas como vasos sanguíneos e termina- ções nervosas. A hipoderme pode ser considerada como extensão dos fortes feixes fibrosos e elásticos que formam a derme. Com seus diversos e diminutos componentes e sua estrutura multiestratifi- cada, a pele é extraordinariamente complexa. Para que ela seja saudável e bela, são necessários equilíbrio e um funcionamento adequado de todos os elementos inter-relacionados. À medida que aumenta o conhecimento a respeito de como ela funciona, os químicos cosmetólogos passam a ter mais elementos novos a consi- derar quando procuram melhorar o funcionamento de diferentes mecanismos e a formulação de produtos cosméticos apropriados para os cuidados da pele. Entre as preocupações do químico cosmetólogo estão:

• evitar ou reduzir danos à pele nas camadas dérmica e epidérmica. Além da correção, esse tem sido o ponto forte focal para o desenvolvimento de produtos e seleção de ingredientes;

• aumentar a hidratação da pele para garantir um funcionamento adequa- do. Isso também envolve a preservação e o reforço da função de barreira epidérmica;

• ajudar a pele a manter o equilíbrio químico, assegurando assim um fun- cionamento apropriado;

• selecionar ingredientes para uma performance otimizada nas camadas onde devem desempenhar uma função específica.

Outro desafio para o químico cosmetólogo é que isso deve ser feito dentro das diretrizes estabelecidas que definem cosméticos e produto de penetração. Quanto mais se sabe a respeito da pele e de sua complexidade e composição química e de como e por que ela funciona, mais oportunidades haverá de identificar ingredientes ou compostos que possam lhe oferecer importantes benefícios. Isso significa manter a beleza e a saúde da pele e retardar os danos causados pela pas- sagem do tempo – supondo, é claro, que esses ingredientes alcancem seu destino dentro da pele inalterada. Esse é mais um desafio para o químico cosmetólogo.

CAPíTulo 2

CAPíTulo 2

Penetração do produto

Atualmente, a maioria dos consumidores de cosméticos conhece e preocupa- -se com os ingredientes ativos de um produto e sua capacidade de penetrar na

pele. O conceito de penetração, porém, não é tão simples; é mais correto pensar em termos de “liberação do ingrediente” em um sítio-alvo dentro da pele. Isso inclui sítios específicos na superfície da pele – o estrato córneo –, pois nem todos os ingredientes devem penetrar. Para garantir a eficácia do produto, é importante considerar sua formulação total, não apenas os ingredientes ativos. Estes precisam ser liberados no sítio- -alvo, mesmo se o alvo for a superfície do estrato córneo. Portanto, agentes ou veículos de liberação que facilitam a penetração, tais como os lipossomas, tam- bém devem ser levados em consideração. O retinol encapsulado, por exemplo, penetra com menos irritação que o retinol livre. Além disso, os cosméticos con- têm muitos outros ingredientes, que incluem emulsificantes, espessantes e agen- tes gelificantes, estabilizantes e conservantes. Cada um deles desempenha uma função que ajuda a tornar o produto completo. Para não impedir ou neutralizar

a atividade, esses ingredientes também precisam desempenhar sua própria fun-

ção e, ao mesmo tempo, ser compatíveis com os ingredientes ativos. Não há dúvida de que os ingredientes penetram. Há, porém, numerosas questões que surgem dessa compreensão – até onde eles podem ou devem pene- trar, tanto para serem eficazes em seu sítio-alvo quanto/ou para permanecerem nos limites dos cosméticos, e não dos produtos farmacêuticos. Outra questão

importante é como manter a integridade dos ingredientes ativos ao longo de seu percurso em direção ao sítio-alvo. Uma das perguntas feitas pelos químicos cos- metólogos é qual a porcentagem do ingrediente ativo que efetivamente atinge

o sítio-alvo.

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| Dicionário de ingredientes para cosmética e cuidados da pele

A hiperpigmentação e o uso de inibidores de tirosina/melanina são um bom exemplo do quanto é difícil e, no entanto, crítico para a eficácia do produto o conceito de penetração. O ingrediente designado como ativo precisa cruzar a

barreira lipídica do estrato córneo, atravessar a estrutura celular da epiderme, penetrar nos melanócitos e chegar até os melanossomos – ao mesmo tempo em que conserva sua integridade química e estrutural a fim de provocar a reação química que pode inibir a transformação da tirosina em melanina. Isso não é pouca coisa. Na outra extremidade do espectro estão os filtros solares. Estes precisam permanecer na superfície da pele para serem realmente eficazes. Assim, a eficácia do produto não é só uma função dos ingredientes ativos.

É uma função de toda a formulação, já que todo o conjunto de ingredientes

trabalha em sinergia para garantir que o componente ativo alcance o alvo sem impedir sua capacidade de agir. Para entender a eficácia do produto, as perguntas tradicionais ainda são válidas: como os produtos penetram? A penetração é importante para a eficácia

cosmética do produto? A penetração do produto é crucial para o real tratamen-

to cosmético de determinados tipos e condições de pele?

Podemos começar a respondê-las entendendo com clareza a definição dos parâmetros de penetração do produto, incluindo os porquês, o como e os fato-

res que podem afetá-la.

o que é penetração do produto?

Por definição, penetração do produto é o movimento de substâncias químicas

através da pele. Embora o estrato córneo proporcione uma barreira à penetração,

a pele agora é reconhecida como um membrana semipermeável. Microrganis-

mos não podem penetrar em uma pele intacta, mas substâncias químicas podem.

A pele seletivamente permite a passagem de moléculas em ambos os sentidos

– de dentro para fora e de fora para dentro. Apesar disso, uma quantidade sig-

nificativa de substâncias químicas de aplicação tópica na forma de cosméticos e loções é absorvida pela pele (possivelmente 60%). A maior parte dos agentes que penetra na pele precisa atravessar a matriz lipídica intercelular, pois esses lipídeos formam uma barreira quase contínua no estrato córneo. Essa barreira pode variar consideravelmente dependendo da idade do indivíduo, do sítio anatômico consi- derado e até mesmo da estação do ano. Em distúrbios de pele, incluindo a pele

Capítulo 2 – Penetração do produto | 25

seca e muito seca, essa barreira – e portanto a permeabilidade do estrato córneo

– é comprometida e os produtos podem penetrar com mais facilidade. Para muitos consumidores, a eficácia parece ser uma função da penetração

do produto. Na verdade, a eficácia do produto é determinada por uma grande variedade de fatores, incluindo os ingredientes ativos incorporados, a quantida- de de ativos utilizados, os veículos selecionados para ajudar a transportar esses ativos até seus sítios-alvo, a quantidade de ativos que de fato chega ao sítio-alvo

e a capacidade de os ativos ali permanecerem tempo suficiente para otimizar suas

funções e conceder o benefício desejado. Para o uso mais eficiente de um ingre- diente ativo é preciso atingir uma concentração efetiva no sítio-alvo e minimizar concentrações onde o ativo é improdutivo ou potencialmente nocivo. Uma questão importante para os formuladores de cosméticos é garantir que os ingredientes não penetrem na derme e sejam dali carregados para a corrente sanguínea, através dos sistemas capilares. Isso seria a absorção do produto pela pele, chegando até o sistema circulatório, o que o colocaria no domínio dos produtos farmacêuticos. O conceito de liberação do ingrediente em um sítio-alvo deve também dis- tinguir entre liberação dérmica e liberação transdérmica. No primeiro caso, o sítio de atividade é o estrato córneo, a epiderme viável e/ou a derme. No segun- do caso, o sítio de ativação está além da derme, sendo o sistema circulatório o sítio-alvo normal. Tradicionalmente, a liberação cosmética refere-se somente à liberação na superfície da epiderme. A liberação transdérmica é estritamente uma área farmacológica. Isso resulta em um claro parâmetro de entendimento:

ingredientes cosméticos precisam ser liberados na pele e não através da pele. Portanto, uma das questões fundamentais que envolvem a penetração do pro- duto cosmético é evitar a liberação transdérmica e manter o princípio ativo dentro de uma camada cutânea específica. Atualmente, os cientistas investigam dois métodos para obter esse resultado. Um deles é assegurar que o princípio ativo chegue ao seu alvo e ali permaneça ativo. O outro é garantir que ele se torne inativo caso ultrapasse o sítio desejado. Químicos cosmetólogos geralmente encontram-se diante de questões relacionadas: quanto permanece como resí- duo na pele? Quanto chega ao sítio-alvo? Quanto poderia estar seguindo mais adiante através da pele, alcançando o sistema circulatório? E qual é o equilíbrio ou proporção ideal dessas possibilidades? Também é importante lembrar que, ao avaliar a eficácia de um produto, basear conclusões unicamente no potencial de penetração poderá ser enganoso.

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| Dicionário de ingredientes para cosmética e cuidados da pele

Por exemplo, os clareadores de pele devem penetrar na epiderme e alcançar a camada basal a fim de inibir a enzima tirosinase, responsável pela produção de melanina. No entanto, os descolorantes também podem permanecer na superfície do estrato córneo para descolorar o pigmento acumulado. Em ambos os casos poderão ser eficazes, mas seu potencial de penetração difere. Absorvedores de UV são um bom exemplo de produtos que precisam permanecer na superfície da pele para serem verdadeiramente benéficos. Se eles penetrarem, tornam-se menos eficazes porque ultrapassaram o sítio de ação. Na extremidade oposta do espectro de filtros solares estão os antioxidantes e moléculas com propriedades antienve- lhecimento. Estas tendem a exercer a maior parte de seus benefícios quando estão na epiderme ou mesmo na derme e, portanto, sua eficácia é altamente dependente da penetração visando ao alvo. Hidratantes podem funcionar de diferentes ma- neiras. Aqueles que funcionam por oclusão devem permanecer na superfície da pele; outros, tais como os umectantes, devem penetrar nas camadas superficiais e ali ajudar a reter a água. Assim, a necessidade de penetração do produto e a sua eficácia devem estar em correlação direta com a função do ingrediente.

Por que os produtos penetram?

Os produtos penetram por via de dois canais principais: o canal extracelular e

o canal intercelular. Em tratamentos tópicos, o órgão de absorção é a pele, con-

tudo, no interior da pele há numerosos sítios-alvo diferentes. Entre eles o poro filossebáceo e os ductos sudoríparos, o estrato córneo, a epiderme viável e a jun- ção epidermicodermal. Não poucas vezes, as mesmas substâncias ativas agirão em vários desses sítios-alvo. A velocidade de penetração depende do tamanho das moléculas, do veículo liberador e do estado de integridade e saúde da pele. Está claro que a capacidade da pele de servir como uma barreira depende muito de uma camada córnea intacta. A remoção ou alteração dessa camada por raspagem ou descamação (devido ao ressecamento), aplicação de produtos como Retin-A ou alfa-hidroxiácidos, ressecamento da pele ou doenças como eczema e psoríase podem aumentar a penetração do produto. O movimento através da camada córnea depende do tamanho das molé- culas de cada ingrediente e de sua tendência a interagir metabolicamente com

a química da pele e com os receptores celulares. Se esse movimento for lento,

haverá uma concentração significativa do produto. Isso resulta na formação de

Capítulo 2 – Penetração do produto | 27

algo semelhante a um reservatório, onde a camada córnea retém o que penetrou além de suprir os tecidos subjacentes com um determinado composto durante um período após a aplicação. A camada córnea pode, assim, funcionar com uma dupla função – como barreira e como reservatório –, estocando compostos durante horas após a aplicação na pele. Algumas doenças podem alterar a velocidade de absorção tópica. Por exem- plo, o diabetes é conhecido por mudar a estrutura da junção epidérmico-dermal e a função capilar, aumentando a capacidade de absorção da pele em diabéticos crônicos. Além disso, a penetração química varia em diferentes partes do corpo. Na face e no escalpo (couro cabeludo), por exemplo, a absorção geralmente é de cinco a dez vezes maior que em outras partes.

Como os produtos penetram?

A

camada córnea, com suas células fortemente ligadas entre si, é o maior obstácu-

lo

à penetração do produto. A segunda barreira é a junção epidérmico-dermal, ou

membrana basal. Se uma das funções da pele é servir como barreira, protegendo o corpo contra a penetração de materiais estranhos, como os ingredientes químicos ou cosméticos poderão penetrar? Estruturalmente, a pele absorve. Essa absorção ocorre através dos poros pilossebáceos, ductos das glândulas sudoríparas, canais intercelulares que mantêm as células juntas e o próprio sistema celular. Na verdade, uma grande porcentagem dos produtos de aplicação tópica nun- ca penetra na camada córnea por causa de uma ou mais das seguintes razões:

• tamanho das moléculas (muito grandes);

• retenção ou fixação na superfície por outros ingredientes presentes no pro- duto;

• evaporação (se for volátil);

• adesão à superfície das células córneas e depois perda por esfoliação.

Os produtos que conseguem penetrar podem:

• atravessar as células epidérmicas e o cimento celular;

• formar um reservatório ligando-se à camada córnea (ou à gordura subcu- tânea), de onde poderão ser liberados bem lentamente;

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| Dicionário de ingredientes para cosmética e cuidados da pele

• ser metabolizados por processos próprios da pele;

• penetrar na derme e ali permanecer;

• penetrar na derme e serem absorvidos para a microcirculação pelos capi- lares (este é um método de absorção usado no campo farmacêutico; são exemplos a nicotina e os adesivos de estrógeno).

Embora os porquês e o como da penetração do produto já tenham sido esclarecidos, também é importante considerar aquilo que pode afetar esse tipo de ação.

Fatores que afetam a penetração do produto

As condições de saúde da camada córnea são o principal fator que afeta a velo- cidade e a extensão da absorção da pele. Outro fator é a hidratação da pele. Um dos métodos mais comuns para aumentar a penetração é por meio da oclusão (captura de líquido ou gás, neste caso na camada córnea), a fim de se impedir a evaporação de água da superfície, o que faz aumentar a hidratação da camada córnea. Esse é o conceito por trás do uso das máscaras faciais. Ambientes com umidade relativa acima de 80% também podem resultar em uma hidratação significativa da pele. Deve-se observar, porém, que embora a pele apresente uma grande capacidade de absorção da água, sua capacidade de retenção é bem menor. À medida que a camada córnea amolece devido à hidra- tação excessiva (durante banhos prolongados, por exemplo), sua função como barreira é enfraquecida, aumentando a perda de umidade e a desidratação. Uma das principais rotas para a penetração química na camada córnea é através dos lipídeos nos espaços intercelulares. A composição lipídica da cama- da córnea afeta, portanto, a penetração. Dada a miscibilidade (capacidade de se misturar) entre os óleos, substâncias químicas dissolvidas em carreadores à base de óleo penetrarão com mais facilidade nas camadas epidérmicas do que aquelas dissolvidas em água. No entanto, substâncias lipofílicas (que têm afinidade por óleos) têm mais dificuldade para continuar penetrando, pois as camadas epidér- micas inferiores possuem mais água do que o estrato córneo, sendo, portanto, lipofóbicas. Sabe-se que água e óleo não se misturam facilmente, se é que se misturam. Os carreadores em que são dissolvidos ou misturados os ingredien- tes para uma aplicação conveniente e controle da concentração do ingrediente desempenham papel importante na determinação da velocidade de penetração.

Capítulo 2 – Penetração do produto | 29

Em alguns casos, a absorção química pode ser limitada pelo carreador utilizado,

e não pela função de barreira própria das camadas da pele. Por exemplo, em

produtos em que os princípios ativos precisam permanecer na superfície da pele (como os absorsores de UV e hidratantes protetores), formulações baseadas em óleos oferecem ótimos resultados. Por outro lado, para vencer o desafio de fazer passar ingredientes ativos hidrofílicos (que têm afinidade pela água) pelos espaços intercelulares à base de lipídios no estrato córneo, é preciso um certo número de reações cosméticas, que podem aumentar a hidratação nessa cama- da, ou então tecnologias de liberação, como os lipossomas. A penetração do produto é agora um fato tão amplamente aceito que a preo- cupação atual é com a velocidade e a profundidade atingidas pelos ingredientes. Muitas técnicas têm sido desenvolvidas para obter uma penetração controlada do produto. Entre elas, o uso de vetores (lipossomas), materiais naturais de encapsulamento e outros sistemas. Em cada sistema de liberação, o objetivo é enviar um ingrediente ativo até o sítio-alvo, e ali mantê-lo, de modo que possa oferecer o máximo de benefícios, evitando ao mesmo tempo quaisquer reações negativas, tais como irritação, absorção dérmica ou outros efeitos indesejados.

Teste de produto

Uma variedade de métodos de teste é utilizada para determinar a função de um ingrediente ativo na pele e onde ele se localiza uma vez introduzido topicamen- te. Esses testes podem ser in vitro e in vivo, e geralmente utilizam extensos e complexos programas de computador. Nos testes in vitro, a pele é cultivada em recipientes de vidro onde as células se reproduzem 20 vezes ou mais. Amostras de pele também podem ser obtidas de pacientes submetidos a cirurgia plástica ou algum outro tipo de cirurgia em que se elimina um segmento da pele. O trabalho in vitro apresenta grandes vantagens em termos de tempo, custo e con- siderações éticas quando a toxicidade é um problema em potencial. Produtos testados in vivo são aplicados em animais e seres humanos. Os

estudos in vivo fornecem as informações mais diretas, pertinentes e conclusivas, especialmente quando o efeito sistêmico de um produto está sendo questionado

– isto é, como o produto pode afetar o corpo como um todo. Os métodos utili-

zados no teste in vivo dependem do que os cientistas estão tentando provar. Por exemplo, a fim de se estabelecer o nível de hidratação e os benefícios de reparação

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| Dicionário de ingredientes para cosmética e cuidados da pele

de um produto ou ingrediente para pele seca, cientistas usam voluntários instruí- dos a tratar a pele com sabonete comum por vários dias, sem utilizar hidratan- tes suplementares. Passado algum tempo, são feitas medidas para determinar o ressecamento da pele. Em seguida, os pesquisadores dão um produto hidratante

a alguns voluntários e um placebo aos outros. Em intervalos periódicos, mede-

-se a hidratação da pele de todos os sujeitos, a fim de se determinar a velocida- de de hidratação com o tempo. No caso do teste de filtros solares, o objetivo

é manter os ingredientes ativos nas camadas superiores do estrato córneo, ga-

rantindo assim eficácia e evitando questões de toxicidade. Técnicas de remoção com fita adesiva (tape-stripping) são muito utilizadas neste caso, além de amos- tras de sangue e urina. Em alguns desses testes foram encontrados filtros solares

orgânicos no plasma sanguíneo e na urina. O mesmo não aconteceu com filtros solares à base de minerais. No caso de produtos que permanecem na superfície da pele ou na camada córnea, os pesquisadores aplicam o produto na pele e depois o removem com uma fita adesiva ou por raspagem. A velocidade de penetração do produto e a alteração celular em diferentes níveis de penetração são então estudadas, geral- mente com o uso de modelos complexos de computadores. Para produtos que supostamente penetram nas camadas dérmicas, seu efeito sistêmico é também avaliado com modelos sofisticados de computadores, que permitem aos pesquisadores ver não só até que ponto o produto penetrou, mas também quais foram as mudanças causadas na estrutura celular. Os compostos estudados são marcados e sua penetração é acompanhada na pele e no sangue, na urina e em outros fluidos corporais. No entanto, as quantidades que pene- tram na pele geralmente são muito pequenas e exigem um equipamento extre- mamente sensível para detectar sua presença no corpo. Pelo que sabemos das funções da pele, os produtos (ou, mais precisamente, os ingredientes específicos neles contidos) podem, nas condições corretas, pene- trar, geralmente por absorção. A penetração, no entanto, pode não ser o mais importante para a eficácia de um produto. Em certos casos, na verdade pode até ser indesejável ou contraproducente. Grandes progressos estão sendo feitos na química dos cosméticos e para en- tender como funciona a pele. Com esse conhecimento, novas tecnologias estão disponíveis, facilitando a penetração do produto até o ponto máximo de eficá- cia, com o mínimo de efeitos colaterais.

CAPíTulo 3

CAPíTulo 3

Tipos e condições de pele

A correta identificação dos tipos e condições de pele é fundamental para

selecionar com sucesso produtos cosméticos eficazes. Embora existam tantas variações sutis de tipos e condições de pele quanto o número de seres huma- nos, certas características predominantes permitem que os tipos de pele sejam agrupados em três classificações, e as condições em outras seis. Na maior parte dos casos, os indivíduos apresentam uma combinação de tipos de pele e mais uma ou duas condições de pele. Os produtos geralmente são formulados para atender situações específicas. Este capítulo tem como objetivo ajudar a relacionar as exigências da pele aos ingredientes cosméticos mais benéficos para o indivíduo. Também é útil para identificar por que um certo produto pode ou não oferecer os resultados esperados, e também identificar reações negativas em potencial.

Tipos de pele

Os tipos de pele são hereditários, resultado do funcionamento das glândulas sebáceas. Podem ser classificados em três categorias: normal, oleosa e seca. Na maior parte dos casos, os indivíduos têm uma combinação de tipos de pele, tais como uma Zona T (em torno dos olhos, nariz e queixo) oleosa e faces normais. É claro que esses tipos de pele ocorrem em diversas graus, como muito oleosa ou muito seca, levemente oleosa ou levemente seca.

A noção de que a pele pode ser oleosa ou seca é mais uma confusão de con-

ceito do que uma realidade. Por exemplo, quando as pessoas descrevem sua pele como tendo sido oleosa e de repente tornou-se seca, referem-se a um tipo de

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| Dicionário de ingredientes para cosmética e cuidados da pele

pele oleosa que está perdendo umidade em razão do excesso de ressecamento. Isso geralmente é causado pelo uso exagerado de adstringentes, sabonetes e/ou esfoliantes em uma tentativa de reduzir a secreção de óleo. Embora a pele seja do tipo oleosa, esse ressecamento deve ser considerado uma condição da pele e chamado apropriadamente de desidratação, que é uma falta de umidade e não de oleosidade. De modo geral, parece haver uma tal obsessão com a oleosidade que as pessoas esquecem da umidade. É muito comum ouvir “Não preciso de um hidratante, minha pele é oleosa”. É importante lembrar que a pele tem oleo- sidade produzida pelas glândulas sebáceas e água que vem dos canais interce- lulares, e que ambas são importantes para a beleza e para retardar o processo de envelhecimento.

Pele normal

A pele normal tem hidratação, tônus muscular e resiliência perfeitos, produzi-

dos pela umidade e pelos tecidos adiposos. Há uma intensa atividade biológica na camada basal, a circulação sanguínea é ativa e o metabolismo, equilibrado.

A pele normal tem aparência macia, hidratada, carnuda, suave e nova, além de

apresentar brilho e cor saudáveis. A camada córnea tem uma textura fina e não

há rugas, linhas de expressão ou poros abertos visíveis. O melhor exemplo de pele normal é a das crianças, do nascimento até geral-

mente a puberdade. Glândulas sebáceas funcionando com taxa de secreção nor- mal também ocorrem em indivíduos maduros que já tiveram pele oleosa. Com

a idade, a taxa de secreção das glândulas sebáceas diminui e torna-se normal.

Neste último caso, porém, a pele normal é diferente da pele normal jovem, visto que não há uma atividade biológica intensa na camada basal e, na maioria dos casos, a maleabilidade e a cor deterioraram. Envelhecimento em virtude da passagem do tempo, exposição ao sol e ou- tros elementos externos, como clima rigoroso, desidratação e cuidados insu- ficientes constituem o principal fator de deterioração da pele normal. Outros fatores incluem consumo insuficiente de água e dieta inadequada. Chá, café e refrigerantes não compensam a água, pois seu processamento pelo corpo é diferente. Alimentos sem vitaminas, enzimas e aminoácidos não oferecem às

células os nutrientes necessários para a reprodução e crescimento celular. Cui- dados inapropriados com a pele, como a falta de limpeza, são muito comuns em

Capítulo 3 – Tipos e condições de pele | 33

crianças e adolescentes devido à falta de informação. O uso de sabonetes muito fortes e de esfoliantes, o clima e o ambiente contribuem para a deterioração da pele normal. A exposição ao sol e aos elementos sem a devida proteção resseca, desidrata e envelhece a pele.

A pele normal requer limpezas matutinas e vespertinas apropriadas e prote-

ção contra a oxidação causada pelos radicais livres. O uso consistente de hidra- tantes protetores durante o dia, para impedir a perda de umidade, e cremes

hidratantes à noite é essencial. É importante que esses produtos contenham antioxidantes, como as vitaminas E e C, idebenona ou coenzima Q10. Esfolia- ções ocasionais também são benéficas. A proteção contra o sol é extremamente importante, mesmo para as crianças. Estas não devem ir à praia sem um filtro solar apropriado ou sair na neve sem um bom creme protetor, incluindo a pro- teção do FPS. 1 Para a pele normal, é fundamental a prevenção contra danos.

Pele oleosa

A pele oleosa é uma condição hereditária que se desenvolve em consequência

da excessiva ativação das glândulas sebáceas. Essa atividade é controlada pelo andrógeno, ou hormônio masculino. A pele oleosa pode ser reconhecida por sua aparência lustrosa, grossa e consistente. Os poros mostram-se dilatados, geral- mente devido ao óleo acumulado no folículo pilossebáceo. Poros dilatados têm sua condição agravada quando a pele está desidratada. Uma cútis oleosa tende a parecer suja e descuidada – com manchas ocasionais no queixo ou na região da testa –, além de dar uma sensação gordurosa ao tato. Climas úmidos e quentes tendem a exacerbar as secreções das glândulas sebáceas, tornando a pele mais oleosa. Os problemas com esse tipo de pele po- dem se agravar pelo uso incorreto de produtos e a tendência a secá-la, seja com

sabonetes muito fortes, seja com o uso excessivo de adstringentes e esfoliantes.

A superestimulação das funções da pele por meio de esfoliação ou de massagem

estimuladora deve ser evitada.

A pele oleosa pode ser classificada em duas subcategorias: oleosa (sem de-

ficiência de água) e oleosa desidratada (com deficiência de água). No primeiro caso, a pele tem uma hidratação apropriada; embora seja oleosa ao tato e pare-

ça oleosa, não dá a sensação de “seca”. Na segunda subcategoria, falta umidade

1. Fator de proteção solar.

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| Dicionário de ingredientes para cosmética e cuidados da pele

à pele. Todas as características da pele oleosa estão presentes, mas o indiví-

duo tende a se queixar de “pele seca”. Geralmente as pessoas com pele oleosa tendem a usar ingredientes ressecantes e desidratantes, em um esforço para se sentirem “menos oleosas”. O resultado é uma pele flocosa, áspera e escamosa. Quando esse tipo de condição se desenvolve, é comum o “autodiagnóstico” de pele seca e a aquisição de produtos ricos em óleos. Como a pele já tem gor- dura suficiente, esses produtos somente agravam sua condição de oleosidade, resultando em manchas, cravos, etc. Não é raro indivíduos com pele oleosa concluírem que não precisam de hidratante porque têm pele oleosa. Portanto, é importante distinguir que a oleosidade vem das glândulas sebáceas e a umidade, dos canais intercelulares.

Os cuidados com a pele oleosa exigem uma limpeza completa, porém suave, de manhã e no final da tarde. Hidratantes protetores diurnos ajudarão a pele a manter sua maleabilidade e umidade. Cremes noturnos, géis ou loções devem ajudar a regular a secreção das glândulas sebáceas. É essencial manter a pele oleosa limpa e hidratada, com os devidos cuidados. Esfoliantes como os AHAs ou os BHAs são altamente recomendados, bem como o uso semanal de esfo- liantes à base de enzimas que promovem a descamação para ajudar a melhorar

a aparência e a textura da pele oleosa, reduzindo a hiperqueratose. Quando

devidamente cuidado, esse é o tipo de pele preferido, já que nele o processo de formação de rugas é retardado. Substâncias ativas, incluindo aquelas de origem botânica que podem ajudar a regular ou reduzir as secreções das glândulas sebáceas, são altamente benéficas. Ingredientes ativos adequados podem ser incluídos, mas não se limitam à geleia real e vitamina F. Entre os produtos de origem botânica apropriados estão o ale- crim; óleo e bálsamo de limão, por sua ação antisséptica e depurativa; todas as frutas cítricas, pois são antibacterianas, antissépticas e adstringentes; o fruto da rosa, por suas propriedades antissépticas e sua capacidade de regular a secreção das glândulas sebáceas; a sálvia, que é um antisséptico e antibacteriano; milefólio, que tem propriedades adstringentes e antissépticas; e o hortelã e o tomilho, que agem como solventes das gorduras e também sobre as glândulas sebáceas.

Pele seca

A pele seca se desenvolve como resultado de glândulas sebáceas pouco ativas.

Embora hereditária como a pele oleosa, também é consequência do envelheci-

Capítulo 3 – Tipos e condições de pele | 35

mento. Como todas as atividades corporais diminuem com o tempo, o mesmo acontece com a atividade das glândulas sebáceas. A pele seca tende a ficar desidratada. Poderá tornar-se escamosa, áspera e apresentar pruridos. Rara- mente apresenta cravos, e quando aparecem é na região do nariz. A falta de oleosidade na pele seca reduz sua capacidade de reter umidade, já que a oleo- sidade da pele age como barreira natural contra a perda de umidade. A pele seca caracteriza-se por ser muito fina, bastante delicada e tênue. A secreção insuficiente de óleo destitui a pele da “cola” necessária para reter as células na camada córnea. Como resultado, a pele seca tem menos células na camada córnea que a pele oleosa. Na pele seca, os poros são quase invisíveis. A pele também tende a se enrugar mais facilmente e geralmente é marcada por pe-

quenas linhas superficiais. Os problemas da pele seca se agravam com a exposição ao sol, vento e calor. Cuidados inapropriados, especialmente a falta de proteção contra a perda de umi- dade, exacerbam ainda mais o problema. O tratamento para esse tipo de pele deve incluir o uso de produtos que estimulem as funções da pele, ativem a secreção das glândulas sebáceas e forneçam uma hidratação profunda. Hidratantes que formam uma película “vedante” sobre a superfície da pele impedem ou reduzem

a

perda de umidade e incluem ingredientes de alto peso molecular, tais como

o

colágeno, ácido hialurônico e silicones naturais (p. ex., dimeticona). Outros

ingredientes hidratantes também são essenciais para ativar a capacidade natural da pele de reter a água e para hidratá-la ainda mais. Entre esses ingredientes estão os ácidos glicólico e lático, glicerina, ureia, ceramidas e colesterol. Esses hidratantes multifuncionais são essenciais para a pele seca. Cremes nutrientes,

que podem estimular as funções da pele e a secreção da glândula sebácea, são altamente recomendados. Assim como acontece com todos os tipos de pele, o uso de produtos com ingredientes antioxidantes é fundamental para retardar os danos causados às células. O uso de máscaras hidratantes e nutrientes também

é aconselhável para a pele seca. Ingredientes apropriados para a pele seca incluem, mas não se limitam a, vitamina E (tocoferol), PCA, ginseng, extrato de dente-de-leão, óleo de abacate, óleo de macadâmia, ácido hialurônico, ceramidas e mucopolissacarídeos. En- tre os produtos de origem botânica estão: erva-de-são-joão, eficaz para melho- rar a circulação; aloe vera (babosa ou aloé), por sua capacidade de hidratação profunda; sálvia, que é estimulante e revigorante; e o extrato de flor de laran- jeira, que é calmante e aliviante.

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| Dicionário de ingredientes para cosmética e cuidados da pele

Pele mista

A pele mista tende a apresentar faces normais e uma Zona T oleosa, ou faces

secas e Zona T normal. A pele não pode ser seca e oleosa ao mesmo tempo. Não há uma tendência a um tal extremo em um espaço tão pequeno. Geral-

mente, quando a pele é clasificada como seca e oleosa, ela é oleosa ou oleosa

e normal desidratada.

Condições da pele

As condições da pele se desenvolvem com o tempo e se aplicam a todos os tipos de pele (com exceção da acne, que não costuma aparecer em pele seca), resul- tando em muitas combinações que tornam a pele de cada pessoa única. As con- dições mais comuns são: desidratação, couperose, sensibilidade, pigmentação, envelhecimento, acne vulgaris e rosácea. Essas condições desenvolvem-se por

várias razões, incluindo: baixo conteúdo de água na pele; produção excessiva de células córneas; metabolismo precário; danos por radicais livres; produção de mela- nina em desequilíbrio ou excessiva; cuidados inadequados com a pele; excessiva exposição ao sol ou uso de câmaras de bronzeamento; e falta de proteção contra

o ambiente, incluindo o sol.

Desidratação

A desidratação – ou falta de umidade suficiente no sistema celular e nos canais

intercelulares – é uma das condições mais comuns da pele. As causas são: o

comprometimento da permeabilidade da barreira de lipídeos; rachaduras na pele devido à diminuição na maleabilidade, maciez e flexibilidade do estrato córneo; redução no tamanho dos corneócitos achatados e do estrato córneo;

e menor capacidade de reter a umidade, geralmente resultado de uma redução

nos níveis de glicosaminoglicanos devido ao envelhecimento da pele. A desidratação é agravada por condições atmosféricas que incluem muito sol e vento, bem como o não uso de filtros solares e/ou de hidratantes protetores diurnos. Outros fatores de agravamento são o uso inapropriado de produtos de beleza; lavagem com sabões muito fortes e água; ingestão de chá, café, refrige- rante ou diuréticos; e não beber água o suficiente.

Capítulo 3 – Tipos e condições de pele | 37

A pele desidratada tem uma aparência seca, escamosa e flocosa. Parece es-

ticada. Ao ser levemente puxada, a pele “encrespa” de um modo semelhante a quando se puxa o canto de uma folha de papel de seda muito fino. Às vezes,

a pele parece possuir uma fina camada adicional sobre ela. Isso fica evidente especialmente no nariz e na testa.

A desidratação é uma das condições mais difíceis de diagnosticar. Geralmente

é confundida com ressecamento, que tecnicamente é uma falta de oleosidade. In- felizmente, desidratação e ressecamento apresentam muitas semelhanças. Tanto

a pele seca quanto a pele oleosa podem estar desidratadas. A pele seca poderá

desidratar-se porque a pele fina tem dificuldade em reter a umidade interna. A pele oleosa torna-se desidratada pelo uso de sabões ou sabonetes fortes e o uso

excessivo de adstringentes. Quando a pele oleosa se desidrata, as camadas superfi- ciais das células endurecem e bloqueiam a secreção de gordura. O resultado é que

o óleo fica acumulado sob a camada córnea. Isso é particularmente prejudicial

no caso de alguém com acne, porque também resulta no enclausuramento da infecção. Para pôr fim à confusão entre desidratação e ressecamento, a melhor abordagem é primeiro diagnosticar o tipo de pele e depois a condição da pele. Os cuidados com a pele desidratada requerem o uso de hidratantes com

ingredientes que irão proteger a pele da perda de umidade, além de restaurar a hidratação interna. Ingredientes hidratantes que podem ajudar a pele a reter a umidade interna, reduzindo a perda de água transdérmica, geralmente têm alto peso molecular, por exemplo, o colágeno e o ácido hialurônico. Além disso, para ajudar a aumentar a umidade interna da pele, o uso de AHAs poderá ativar

a capacidade de retenção de água dos glicosaminoglicanos, e também ser com-

plementado por ingredientes que adicionem umidade à pele, tais como glicerina, ureia e propilenoglicol. A fim de se restaurar ou fortalecer a barreira de lipídeos da pele (e assim reduzir a perda transepidérmica de água), ingredientes como ceramidas, colesterol e ácidos graxos são essenciais. O aloé é um importante ingrediente de origem botânica para peles desidratadas. Além de hidratantes com esses ingredientes, os cuidados apropriados incluem a aplicação semanal ou quinzenal de máscaras hidratantes, dependendo do nível de desidratação.

Couperose

A couperose é uma vermelhidão temporária ou crônica que aparece na face. Surge

como vasos sanguíneos vermelhos brilhantes, pequenos, dilatados e espiralados,

geralmente nas faces, em torno do nariz e, às vezes, no queixo.

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| Dicionário de ingredientes para cosmética e cuidados da pele

A couperose ocorre principalmente como resultado de paredes capilares com

pouca elasticidade. Quando há um repentino fluxo de sangue, porque a pessoa enrubesceu ou devido ao calor excessivo ou outro estímulo qualquer, os capi-

lares se expandem, dando lugar à intensificação do fluxo sanguíneo. Quando a quantidade de sangue retrocede, os capilares se contraem e voltam ao tamanho normal. Se a parede capilar não for suficientemente elástica, expandirá, mas não contrairá novamente a sua forma ou tamanho original. O resultado são capila- res distendidos, que irão acumular células sanguíneas dentro de sua estrutura, dando assim a aparência de uma vermelhidão difusa ou local.

A couperose é agravada por condições atmosféricas, como climas quentes

ou frios, pelo uso de água excessivamente fria ou quente, transtornos nervosos, distúrbios digestivos, saunas, exercícios que deixam a face muita vermelha, in- gestão de álcool e de líquidos muito quentes, ingestão de alimentos picantes, en- rubescimento e exposição excessiva ao sol. Indivíduos que sofrem de couperose e que também usam Retin-A devem consultar-se com um médico, pois esse produto pode agravar sua condição. Deve-se tomar cuidado para que a pele nessas condições não seja excessi- vamente exposta à água quente ou fria. Cremes ou loções noturnas que aju- dam a fortalecer as paredes capilares são úteis. Produtos com ingredientes refrescantes e vasoconstritores também são benéficos. Ingredientes de origem botânica igualmente benéficos para a couperose incluem a uva; castanha-de- -cavalo; erva-de-são-joão, para atividade anti-inflamatória; e acácia, por suas propriedades aliviantes.

Sensibilidade

De modo geral, o termo sensibilidade é usado quando a pele imediatamente

apresenta reações adversas ou mudanças indesejadas em resposta a fatores ex- ternos, tais como produtos cosméticos ou farmacêuticos ou produtos comuns de toucador.

A sensibilidade da pele pode manifestar-se como inflamação, vermelhidão,

constrição, prurido, queimação, manchas, flocosidade, placas escamosas, in- chaços etc. É importante distinguir pele reativa de pele sensível. A pele reativa poderá experimentar quaisquer das ocorrências acima citadas, mas o fará alea- toriamente; em outras palavras, não irá reagir ao mesmo produto ou ingredien- te da mesma maneira cada vez que forem utilizados. Na verdade, talvez reaja

Capítulo 3 – Tipos e condições de pele | 39

uma vez e nunca mais. A pele considerada clinicamente (isto é, efetivamente) sensível irá responder de modo previsível (da mesma maneira) toda vez que um ingrediente ou produto específico for aplicado. A percepção da sensibilidade

cutânea em consumidores de um modo geral é alta. Pesquisas mostram que em alguns países mais de 60% das mulheres reportam que possuem pele sensível. Do ponto de vista científico, porém, estima-se que não mais de 20% da popu- lação possa ter pele sensível, e destes, somente 2% a 5% podem ser atribuídos

a ingredientes cosméticos. A pele reage com sensibilidade quando o estrato córneo sofre algum dano e produtos podem penetrar diretamente nas camadas mais profundas da epider- me e/ou da derme. Além disso, os próprios componentes químicos da pele, sua

flora bacteriana e/ou seus antígenos – substâncias que estimulam uma resposta imunológica – podem reagir aos componentes químicos de um produto e causar uma reação de sensibilidade. Uma vez que a composição química da pele de cada pessoa varia, isso pode ser o suficiente para que um indivíduo apresente sensibilidade a um determinado ingrediente enquanto outro não. Fatores como

o clima e os níveis de poluição ambiental também combinam com a própria

química da pele. Isso pode produzir uma reação química ou derivados químicos que depois interagem com os ingredientes de um produto cosmético, resultando

em uma reação de sensibilidade. Pele sensível é um problema altamente complexo e difícil de resolver. Entre as possíveis razões para essa condição está a sensibilidade do sistema nervoso, que apresenta uma resposta intensificada a estimulações cutâneas que normal- mente seriam irrelevantes; uma forte resposta imunológica consistindo em uma intensa resposta por parte dos anticorpos; uma barreira defeituosa que permite

a rápida penetração de ingredientes na epiderme e na derme, o que rapidamente ativa a resposta sensorial. Ingredientes que costumam causar sensibilidade são as fragrâncias, conser-

vantes e alguns filtros solares químicos. É importante observar que um ingre- diente pode não ser, via de regra, um sensibilizador, mas a pele de um determi- nado indivíduo pode ser sensível a essa substância química em particular. Um ingrediente é considerado sensibilizador se a maioria das pessoas apresentar sensibilidade a ele. Quando ocorre uma reação em casos isolados, dizemos que

o indivíduo é sensível, e não que o ingrediente é sensibilizador. Em última aná- lise, as reações de sensibilidade são muito complexas e dependem do indivíduo que as experimenta.

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| Dicionário de ingredientes para cosmética e cuidados da pele

É sensato pessoas com pele sensível usarem cosméticos mais suaves e deli-

cados. Do ponto de vista da formulação, os químicos cosmetólogos constan- temente avaliam novos ingredientes antialergênicos, anti-inflamatórios e anti- -irritantes. Interessante notar que esses ingredientes tendem a ser derivados de origem botânica. Os mais populares são: camomila, extrato de raiz de alcaçuz, aloe vera, gerânio, tussilagem e erva-de-são-joão.

Pigmentação

A pigmentação é um processo normal na atividade celular que ocorre dentro

da pele. A hiperpigmentação resulta de uma distribuição desigual da melanina sobre a superfície da pele, seja devido à acumulação de pigmento, como no caso das manchas da idade e lentigo, ou à produção irregular de melanina pelos me- lanócitos, como no caso do melasma.

O melanócito é uma célula localizada na camada basal da epiderme. Dali ele

projeta uma série de dendritos (tentáculos), cada um deles circundando apro- ximadamente 36 queratinócitos. No interior dos melanócitos estão os mela- nossomos, que produzem a melanina. Quando novos queratinócitos circundam uma porção dendrítica do melanócito, há um processo químico pelo qual os melanossomos são capazes de migrar para os queratinócitos. Uma vez no que- ratinócito, o melanossomo perde sua membrana e libera melanina. Isso confere aos queratinócitos – e portanto à pele – sua cor natural. A melanina é produzida

pela proteína tirosina, que é ativada pela enzima tirosinase em um ambiente oxidante (isto é, por causa dos radicais livres). Assim, a exposição à luz UV e a consequente formação de radicais livres estimula um aumento na produção de melanina. A reação também é controlada por hormônios, o que explica por que o melasma pode ser uma consequência da gravidez e do uso de contraceptivos. Acredita-se também que períodos prolongados de estresse intenso podem cau- sar melasma em indivíduos suscetíveis.

A taxa de produção de melanina varia de pessoa para pessoa e entre as ra-

ças, sendo maior nos indivíduos de pele mais escura. A melanina age como um filtro, protegendo a pele e o corpo contra os efeitos nocivos da radiação solar. A irritação superficial, geralmente causada pela exposição ao sol, ativa ainda mais

a

produção de melanina, aumentando a quantidade desse pigmento na pele.

O

bronzeado, portanto, é basicamente a resposta protetora da pele contra os

danos internos provocados pelos radicais livres.

Capítulo 3 – Tipos e condições de pele | 41

O lentigo, geralmente conhecido como “manchas da idade”, ocorre quando

há uma acumulação irregular de melanina nas camadas epidérmicas superfi- ciais. No caso do melasma, ou hiperpigmentação local, ocorre a pigmentação quando os melanócitos produzem uma quantidade maior de melanina em uma dada área da pele, e/ou quando a melanina não é propriamente absorvida pelas células queratínicas. O melasma ocorre como resultado de desequilíbrios hor- monais causados pela gravidez, uso de pílulas anticoncepcionais, menopausa ou distúrbios nervosos. Manchas escuras também podem ser consequência de

irritação na superfície da pele, como aquelas causadas pelas condições de acne.

O melhor tratamento para pigmentação é baseado em agentes branqueado-

res ou despigmentantes e ingredientes que podem ajudar a regular a atividade dos melanócitos. Entre os branqueadores e os agentes clareadores da pele, sejam de origem botânica, sejam manufaturados sinteticamente, estão as plantas cítri- cas, idebenona, ácido kójico, óleo de limão, tília e milefólio. A hidroquinona, um ingrediente branqueador bastante eficaz, foi excluída da categoria de ingre- diente cosmético em vários países devido ao seu efeito potencial de danificar os melanócitos. Alguns agentes branqueadores somente devem ser aplicados à noite, pois certos ingredientes tendem a reagir com a luz do sol e agravar ainda mais o problema. Ingredientes importantes que regulam a produção de melanina incluem os antioxidantes, pois esses podem reduzir os radicais livres que estimulam a ati- vidade dos melanócitos. Entre tais ingredientes estão o ácido alfa-lipoico, chá verde, idebenona, superóxido dismutase e as vitaminas E e C. Além disso, in- gredientes anti-inflamatórios e aliviantes são essencias para reduzir a irritação potencial da pele, que também agrava a produção de melanina. Ingredientes es- foliantes, como ácido glicólico ou ácido salicílico, ajudam a eliminar a pigmen- tação acumulada na superfície. É importante evitar fortes irritações na pele com ingredientes esfoliantes, pois isso poderá agravar o problema da pigmentação. Em todos os casos, ao tentar corrigir a hiperpigmentação – uma das condições de pele mais preocupantes – é fundamental o uso de um filtro solar de alto FPS

durante todo o dia, não importando se faz sol ou se o tempo está nublado, se é ve- rão ou inverno. A exposição direta ao sol durante o verão deve ser evitada, pois a luz UV intensifica o processo de oxidação responsável pela pigmentação. É claro que o uso de câmaras de bronzeamento também deve ser evitado.

A não utilização do filtro solar poderá neutralizar quaisquer resultados que

o tratamento venha a oferecer.

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| Dicionário de ingredientes para cosmética e cuidados da pele

Envelhecimento

O envelhecimento da pele é um processo biológico complexo que afeta várias

camadas cutâneas – especialmente a derme – e que resulta em modificação do material genético. Entre os eventos que ocorrem no processo de envelhecimento estão a deficiência de componentes nutricionais em diferentes tecidos, destrui-

ção celular por causa da excessiva exposição ao sol, o efeito dos radicais livres

na

membrana celular, deterioração da programação genética do DNA e redução

da

proliferação celular. O impacto no tecido cutâneo é a perda de elasticidade,

reduzida capacidade de regular os níveis de água e uma replicação, ou processo

de renovação, menos eficiente. As consequências são atrofia da pele e um pro-

cesso geral de degeneração.

O envelhecimento da pele é caracterizado por um estrato córneo mais es-

pesso e epiderme e derme mais finas. Linhas e rugas ficam mais acentuadas em consequência de um maior ressecamento e desidratação causados pelo fato de

a pele ficar mais delgada e pela redução na atividade das glândulas sebáceas.

A cútis parece murcha e assume uma coloração de “marfim envelhecido” à

medida que diminui a produção de melanina. A pele envelhecida é reconhe- cida por sua falta de elasticidade, de firmeza e afundamento causado pela perda de colágeno e elastina na derme. O envelhecimento é acompanhado de uma desaceleração na proliferação das células. A espessura da pele também

diminui com a idade. Em média, a pele perde cerca de 6% de sua espessura a cada 10 anos. Isso significa que uma pessoa com 100 anos terá perdido apro- ximadamente 60% do volume inicial de sua pele. Isso causa impacto tanto na epiderme quanto na derme.

O envelhecimento cutâneo pode ser agrupado em duas categorias. A pri-

meira é o envelhecimento intrínseco ou cronológico, que resulta da passagem do tempo e é um processo lento e irreversível de degeneração tecidual. O en- velhecimento intrínseco está associado à transformação do tecido conectivo e

à diminuição da regeneração celular. A segunda categoria é o envelhecimento

extrínseco. Geralmente é chamado de fotoenvelhecimento, pois se deve princi- palmente à exposição ao sol (UV), o que causa danos ou destrói as capacidades

reprodutivas da célula e degenera o colágeno. Entre suas características clínicas estão as linhas de expressão e rugas, aspereza, pigmentação, couperose, que- ratose actínica e câncer de pele. Outros fatores que podem causar ou acelerar

o envelhecimento extrínseco estão a exposição a elementos naturais, estresse e

Capítulo 3 – Tipos e condições de pele | 43

estilo de vida. Além do mais, o envelhecimento da pele é composto por proble- mas de saúde, desequilíbrios hormonais, cuidados inadequados na juventude e nutrição inapropriada, o que despoja a pele dos nutrientes necessários para a reprodução e o crescimento. Tratamentos antienvelhecimento enfatizam a volta a um aspecto mais suave

e jovem, atenuando e normalizando a aparência da pele envelhecida pelo sol ou

por outros agentes externos. Com a atual tecnologia de cuidados da pele, no entanto, torna-se cada vez mais possível enfatizar a prevenção do envelhecimen- to cutâneo, bem como a correção ou melhoria dos sinais visíveis. Já está bem estabelecido que o envelhecimento é mediado por danos causados por radicais livres, e tem origem na radiação UV (seguido da fumaça de cigarro). Assim, o primeiro passo no tratamento antienvelhecimento é proteger a pele da forma- ção de radicais livres e de seus danos com o uso de filtros de UV, e aumentar os níveis de antioxidantes por meio do uso de produtos ricos em substâncias dessa natureza. Se a correção for feita sem qualquer prevenção, o que foi corrigido à

noite poderá ser danificado durante o dia. Ingredientes altamente eficazes estão disponíveis para correção. Entre os mais sofisticados atualmente disponíveis estão a idebenona, poderoso antioxidante que reduz a destruição do colágeno

e parece afetar o envelhecimento intrínseco; várias formas de vitamina A, es-

pecialmente o retinol ou ácido retinoico, que são reconhecidos como um dos melhores ingredientes para estimular as funções cutâneas; ácido glicólico, para normalizar o metabolismo da pele; neuropeptídeos (CL-F5, pequenos segmentos de aminoácidos que agem como mensageiros para as células, e feromônios, que servem como mensageiros químicos para a comunicação entre as células, além de atrair respostas comportamentais ou neurológicas. Entre os ingredientes de origem botânica benéficos no tratamento antienvelhecimento estão: o damasco, por suas vitaminas A, B, C e D e pelo conteúdo antioxidante; a cenoura, pela vitamina A e os sais minerais; e a raiz forte, por sua capacidade de melhorar a condição dos tecidos conectivos, regular as funções da pele, intensificar os me- canismos de defesa e impedir e/ou contrapor-se à fomação de rugas. Ao tratar o envelhecimento da pele, é importante que os princípios ativos sejam revitalizadores, normalizadores, estimulantes e hidratantes, além de pro- tetores. Nenhum ingrediente ou produto por si só pode satisfazer todas essas exigências. Um regime de cuidados completos com a pele deverá incluir aplica- ções diárias de filtro solar para proteção; hidratação adequada e hidratantes an- tioxidantes; e cremes corretivos, loções, géis ou emulsões com princípios ativos

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| Dicionário de ingredientes para cosmética e cuidados da pele

que estimulem e revitalizem as funções da pele, forneçam nutrientes, neutrali- zem danos químicos e estimulem a atividade e a comunicação intercelulares. O uso semanal de máscaras poderá ajudar no processo de hidratação e melhorar a cor e a textura da pele, além de suavizar as linhas de expressão e as rugas.

Acne vulgaris

Essa condição caracteriza-se por pequenos pontos de infecção, numerosos ou esparsos. A pele que apresenta acne vulgaris é oleosa e, em muitos casos, pode parecer mal cuidada, com cravos, mílios e poros entupidos. A acne não é uma doença interna que emerge na superfície da pele. É o resultado combinado de quatro elementos: hormônios androgênicos, excessiva queratinização e aglome- ração celular na camada córnea e no folículo sebáceo, produção de oleosidade

e uma superpopulação de bactérias conhecidas como Propionibacterium acnes

( P. acnes ). Outros tipos de acne, como a cística e a rosácea, devem ser tratadas por um dermatologista. Alguns dos muitos fatores que agravam a acne incluem oleosidade excessiva, não remoção completa da oleosidade e sujeira da pele, desequilíbrios hormo-

nais, hiperqueratinização, alergia e sensibilidade alimentares, falta de vitami- nas (especialmente vitamina A) e acidez insuficiente da pele. A acne também

é agravada por condições climáticas, especialmente o calor e a umidade, que

promovem o desenvolvimento bacteriano; o uso de adstringentes e cosméticos ressecadores; dieta inadequada; estresse; e o hábito de furá-las ou espremê-las. As pessoas que têm acne devem enfatizar a limpeza em casa e com um profis- sional da área, e a hidratação da pele. Os produtos mais eficazes são aqueles com ingredientes que regulam a secreção das glândulas sebáceas, hidratam, curam, corrigem o pH da pele, aliviam e reduzem a inflamação, apresentam ação anti- bacteriana e promovem uma leve esfoliação das camadas de corneócitos.

Rosácea

A rosácea é uma condição inflamatória de longa duração que ocorre na face.

Embora ainda não seja conhecida sua causa exata, foram desenvolvidas várias teorias sobre sua origem. Entre elas, vasos sanguíneos que se dilatam com mui-

ta facilidade, daí o aumento do fluxo sanguíneo próximo à superfície da pele,

tornando-a avermelhada e ruborizada; certas bactérias presentes nos ácaros.

Capítulo 3 – Tipos e condições de pele | 45

Demodex, de outro modo inofensivos, e que podem ativar uma resposta in- flamatória; superprodução de duas proteínas inflamatórias que aumentam os níveis de uma terceira proteína que resulta nos sintomas da rosácea; um alto nível de ocorrência das enzimas trípticas do estrato córneo (SCTE, na sigla em inglês), precursoras de um peptídeo causador da rosácea. Até agora nenhuma dessas possibilidades foi comprovada como sendo a causa. As pessoas que têm rosácea experimentam uma ruborização inapropriada que geralmente não está associada à sudorese e/ou à vermelhidão facial per- sistente. É comum apresentarem rompimentos nos vasos sanguíneos (telan- giectasias ou couperose) e surtos de inflamação que causam pápulas vermelhas (pequenas saliências) ou pústulas. No entanto, comedões (cravos e mílios) não fazem parte da rosácea. Clinicamente, a rosácea pode assemelhar-se à acne vulgaris e geralmente

é confundida com a couperose ou com a pele sensível; porém, são condições

distintas e que requerem soluções diferentes. Em contraste com a acne, os come-

dões estão ausentes. A acne vulgaris está associada ao entupimento dos ductos das glândulas sebáceas, resultando em cravos e espinhas na face e, às vezes, nas costas, ombros ou peito. A rosácea parece estar ligada à rede vascular da pele central da face e causa vermelhidão, saliências, pústulas e outros sintomas que raramente aparecem em outras partes do corpo.

A presença da rosácea independe do tipo de pele, já que pode afetar peles

secas e flocosas e também peles normais ou oleosas. O importante é identificar

o tipo de pele e usar os produtos mais adequados.

A pele com rosácea tende a ficar sensível e facilmente irritada. É importan-

te evitar ingredientes e produtos que possam queimar, causar ardor ou irritar

a pele, incluindo aqueles que possuem álcool, hamamélis, fragrância, mentol,

menta, óleo de eucalipto, óleo de cravo, ácido salicílico, esfoliantes, tônicos e adstringentes. Produtos que contêm enxofre ou ácido azeláico podem ser pres- critos pelo médico como alternativa ou adjuvante na terapia com antibióticos.

A rosácea não tem cura.

Filtros ou bloqueadores solares eficazes contra todo o espectro de UVA e UVB podem ser especialmente importantes para a pele com rosácea, pois essa condição pode ser particularmente suscetível a danos causados pelo sol, resul- tando em acessos dessa condição. Recomenda-se um FPS de valor 15 ou maior. Bloqueadores físicos que utilizam o óxido de zinco ou o dióxido de titânio po- derão ser eficazes se os filtros solares causarem irritação.

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A U.S. National Rosacea Society é a maior organização no mundo que pres- ta apoio e orientação às pessoas que sofrem de rosácea, oferecendo todos os anos informação e serviços educacionais a centenas de milhares de pacientes e profissionais de saúde.

Comentário final

Ao diagnosticar a pele, recomenda-se que primeiro se identifique o tipo de pele. Isso evitará confundir ressecamento (falta de oleosidade) com desidratação (fal- ta de água). Também ajudará muito na identificação apropriada de um produto com ingredientes verdadeiramente benéficos para a pele em questão. O diagnós- tico adequado de um tipo e/ou condição de pele é fundamental para identificar o produto que contenha os ingredientes terapêuticos mais valiosos.

CAPíTulo 4

CAPíTulo 4

Definição de termos

Absorvedores de UV (filtros de UV) – termo para compostos químicos capazes de absorver luz ultravioleta (UV), reemitindo-a ou reabsorvendo-a de um modo inofensivo, e assim difundindo sua energia nociva. Quando a luz UV atinge a molécula de um absorvedor de UV, a molécula é estimulada a um ní- vel maior de energia. Quando volta ao estado original, o excesso de energia que foi absorvido é emitido como luz com estado de energia diferente. Cada molécula de filtro solar pode repetir esse ciclo de absorção-emissão múltiplas vezes antes de decair. Absorvedores de UV comuns incluem compostos orgâ- nicos. Filtros solares inorgânicos são partículas insolúveis que se depositam na superfície da pele e não são absorvidas pelas camadas cutâneas. Entre os absorvedores de UV estão as seguintes famílias de substâncias químicas:

benzofenonas – absorvem luz UV que ultrapassa a faixa de 320 nm. Infe- lizmente, como materiais, elas são sólidas, o que dificulta a manipulação para incorporá-las aos produtos cosméticos.

cinamatos – filtros solares antigos, particularmente cinamatos de benzila. Possuem uma boa absorção de UV na faixa de 305 nm. Atualmente, prefere- -se o metoxicinamato de etil-hexila (antes metoxicinamato de octila) por ser insolúvel em água, o que o torna ideal para produtos impermeáveis à água.

bloqueadores físicos – compostos capazes de refletir a luz UV, impedin- do-a assim de atingir a pele. O dióxido de titânio e o óxido de zinco são dois dos bloqueadores mais comuns e populares. Inovações na tecnologia de manipulação do óxido de zinco e do dióxido de titânio têm criado ver- sões micronizadas em que a luz UV não é refletida mas, sim, espalhada, e que não apresentam um filme visível sobre a pele.

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salicilatos – as primeiras substâncias químicas com função de filtro solar a serem amplamente utilizadas em preparações comerciais. Salicilato de benzila, salicilato de etilhexila (antigamente, salicilato de octila) e salici- lato de hometila estão entre os mais populares. Os salicilatos são ideais para uso em filtros solares de UVB porque absorvem raios UV na faixa de 310-300 nm. Também apresentam um excelente perfil de segurança. Ver também filtro solar. Ácido – refere-se ao nível de pH de uma substância, variando de 0, para a mais ácida, a 6,9, para a menos ácida. Os ácidos são utilizados em formulações cosméticas por várias razões: neutralizar substâncias que, de outra forma, seriam muito alcalinas para a pele; como princípios ativos para desempe- nhar uma função específica com base em suas propriedades particulares (por exemplo, ácido hialurônico, ácidos graxos essenciais etc.); e como esfolia- dores e agentes para peeling (por exemplo, os alfa-hidroxiácidos). Somente aqueles ingredientes ácidos de pH muito baixo serão irritantes para a pele. É importante lembrar que a pele é ácida. Ácido graxo – ver ácido graxo essencial. Ácido graxo essencial (AGE) – principal unidade formadora da gordura do cor- po e das membranas celulares. Se o conteúdo de AGE na pele apresentar um declínio, o mesmo acontecerá com a elasticidade. Enquanto isso, aumentará

a perda de água transepidérmica e também a aspereza e a escamosidade da

pele. Como as membranas celulares são em grande parte feitas de fosfolipí- deos, AGEs de aplicação tópica podem ser metabolizados na pele, normali- zando a camada de lipídeos da célula e melhorando a capacidade da camada córnea de reter água. Exemplos de AGEs são os ômegas 3, 6 e 9. Adstringente – refere-se à constrição dos tecidos. Considera-se que melhora a

aparência de poros grandes e abertos. Os adstringentes também são usados para reduzir o conteúdo de óleo na superfície da pele e reequilibrar seu nível ácido após o uso de certos produtos de limpeza. É o caso de produtos com pH maior que o da pele. O uso excessivo de adstringentes pode resultar em ressecamento superficial. Álcali – uma medida de nível de pH: substâncias com 7,1 são as menos alcalinas

e aquelas com 14 são as mais alcalinas. Os álcalis são utilizados nos cosmé-

ticos para balancear fórmulas que apresentam um nível ácido indesejado:

eles elevam o pH de fórmulas com nível ácido baixo, o que pode ser irritante para a pele. Por exemplo, se a formulação tem um pH abaixo de 4, pode-se

Capítulo 4 – Definição de termos | 49

adicionar um álcali para elevá-la até 4,4 ou 5,6, que é mais próximo do valor

de pH cutâneo. Ao mesmo tempo, cosméticos com altos níveis alcalínicos

irritarão a pele. Álcoois – amplamente utilizados em cosméticos como solventes, carregadores e adstringentes. Quando incorporados como ingredientes ativos, será por ra- zões antissépticas, antivirais e bactericidas. Álcoois são compostos orgânicos que contêm um grupo hidroxila (OH) em sua molécula. São reconhecidos pelo sufixo -ol, como no caso do etanol para álcool etílico, e isopropanol para álcool isopropílico. Compostos em que aparece a terminação -ol de- vem, portanto, ser identificados como álcoois, mesmo se a palavra “álcool” não estiver presente após a denominação. Os álcoois também são encontra- dos nos óleos essenciais. Geraniol, nerol e linalol são alguns exemplos. Aldeído – pode ser usado como reagente químico, solvente, fragrância ou, quan- do aparece como ingrediente ativo, como um composto aliviante ou antis- séptico. O aldeído é um composto orgânico que contém um grupo carboxila (O e H) em sua molécula. Isso é diferente do OH dos álcoois. No aldeído, o “O” do oxigênio e o “H” do hidrogênio estão ligados, cada um deles, indi- vidualmente ao átomo de carbono “C”. No grupo alcoólico, o “OH” está ligado como uma unidade. Geralmente, os aldeídos são reconhecidos pelo sufixo -al, como em citral, geranial ou etanal para aldeído etílico.

H

C
C

O

aldeído

C

álcool

OH

Antioxidante – refere-se à capacidade de um ingrediente de desacelerar, impedir

ou

bloquear a oxidação causada pelos efeitos nocivos dos radicais livres.

O

próprio sistema de defesa antioxidante enzimática e não enzimática da

pele protege-a contra os danos causados pelos radicais livres. Quando, po- rém, a quantidade de radicais livres formada é maior que a capacidade do sistema de defesa natural da pele, imediatamente ocorrem danos à célula. Assim, como parte de um “processo de prevenção de danos”, antioxidantes estão sendo adicionados aos cosméticos para aumentar o reservatório na- tural dessas substâncias na pele. Alguns dos antioxidantes mais comuns em

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cosméticos são o betacaroteno, coenzima Q10, glutationa, chá verde, idebe- nona, superóxido dismutase e as vitamina E e C. Já está bem demonstrado que uma mistura ou “coquetel” de antioxidantes pode aumentar os efeitos fotoprotetores de uma formulação. Um único antioxidante exposto a radi- cais livres poderá tornar-se ele próprio um radical livre, embora menos ati- vo. Quando utilizado junto a outros antioxidantes, geralmente ocorre uma reação em cadeia, onde cada antioxidante “tem a sua vez” num processo de neutralização contínua de um radical livre, até que ele seja totalmente neutralizado. Os antioxidantes são fundamentais na prevenção de proble- mas que decorrem com a idade, e seu uso diário em produtos cosméticos ajuda a reduzir os danos do envelhecimento induzidos pela radiação UV. O termo antioxidante também pode ser aplicado a um composto que impede que outros se oxidem ou se tornem rançosos (no caso de gorduras e óleos). Assim, alguns ingredientes com propriedades antioxidantes também são uti- lizados em sistemas conservantes. Ver também radicais livres; sequestrantes de radicais livres. Aromaterapia – refere-se ao uso de óleos essenciais para fins terapêuticos e na perfumaria. Seu uso em produtos de beleza varia de ferramenta de marketing ao uso de fregrâncias em cosméticos e ao valor terapêutico associado às apli- cações tópicas dos óleos essenciais. O valor terapêutico advém tanto do uso tópico quanto de alterações psicológicas mais sutis que resultam da inalação do perfume. Essas alterações podem incluir um sentimento geral de bem-estar, mudanças de estado emocional e mesmo um aumento e/ou diminuição nos níveis de produtividade. Ver também substância de origem botânica. Átomo – o menor componente de um elemento químico que ainda retém as pro- priedades desse elemento. O átomo é composto de cargas positivas e nega- tivas chamadas prótons e elétrons, respectivamente. Os prótons encontram- -se no núcleo do átomo, enquanto os elétrons localizam-se em camadas em torno do núcleo. Todo átomo de um mesmo elemento tem o mesmo número de elétrons e prótons. Uma combinação de átomos forma uma substância maior chamada molécula. biodisponível (bioativo; biodisponibilidade) – refere-se à quantidade de ingre- dientes absorvidos e que se tornam disponíveis no sítio de ação na célula após a aplicação. bloqueador solar – termo não incorporado à monografia final da FDA, de maio de 1999, o que o torna “não monográfico”. Isso significa que o termo blo-

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queador solar não pode aparecer no rótulo do produto e nem nos materiais promocionais. Ver filtro solar. carbômeros – grupo de polímeros de alto peso molecular amplamente utiliza- do como espessantes, agentes suspensores e estabilizantes de emulsões em grande variedade de produtos de beleza. A alta transparência e a textura singular que conferem proporcionou-lhes a liderança na evolução de pro- dutos em gel. Os benefícios associados aos carbômeros incluem textura es- pecífica e controle de fluxo de formulação, estabilização da emulsão óleo/ água altamente eficaz e suspensão permanente de ingredientes insolúveis ou imiscíveis. carreador (veículo) – componente de uma fórmula cosmética que pode afetar a eficácia, estabilidade e tempo de liberação dos ingredientes ativos, bem como a tolerância cutânea e a localização final dos ingredientes ativos nos diferentes níveis da pele. Carreadores também determinam a facilidade de aplicação do produto e a profundidade de penetração. citocinas – nome genérico utilizado para descrever um grupo de peptídeos e proteínas solúveis que agem como reguladores na modulação das atividades funcionais de células e tecidos. comedogênico – descreve um ingrediente que tende a aumentar a aglomeração de queratinócitos no folículo pilossebáceo, criando assim um bloqueio no folículo e causando a formação de comedões. condicionador para pele – termo genérico referente à capacidade de um ingre- diente de ajudar a manter a pele num estado ideal. O condicionador pode contribuir para melhorar o tônus, a textura, maciez, suavidade e a aparência geral da pele. conservante – ingrediente adicionado à formulação para segurança contra mi- crorganismos e estabilidade. Durante o uso pelo consumidor, os conservan- tes protegem o produto contra microrganismos indesejáveis (geralmente vis- tos como bolor) que podem ser introduzidos num frasco aberto e tornar-se um possível risco à saúde. Isso vale especialmente para produtos que contêm extratos de plantas. Sem conservantes, esses produtos do dia a dia ficariam repletos de bactérias, bolor e fungos. Um conservante ideal deve incluir um amplo espectro antibacteriano/an- tifúngico; ser atóxico, não irritante e livre de outros efeitos sensibilizantes; compatível com os outros produtos da formulação; e compatível com a em- balagem do produto. Embora somente alguns conservantes possam causar

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| Dicionário de ingredientes para cosmética e cuidados da pele

irritação e sensibilização, as pessoas tendem a acreditar que esse é o caso da maior parte deles. Isso resultou nos cosméticos “sem conservantes”. Na verdade, produtos “sem conservantes” não precisam de um sistema conser- vante. Eles são considerados “autoconservantes” por terem um baixo valor de pH, surfactantes e antioxidantes incorporados, substâncias químicas aro- matizantes, álcoois e alguns óleos essenciais e outros ingredientes utilizados para dificultar o crescimento e sobrevivência de microrganismos. A ideia de que cosméticos sem conservantes são mais seguros que aqueles que os possuem não é necessariamente verdadeira. O uso de conservantes em cos- méticos é uma exigência regulatória. No Brasil, o controle sanitário da produção, comercialização de produ- tos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes, nacionais e importados, é feito pela Anvisa, que estabelece requisitos específicos para as formulações desses produtos com relação ao uso de conservantes, assim como menciona- do na definição de corantes e filtro solar. O órgão estabelece normas como, por exemplo, lista de conservantes permitidos nestas formulações. cor – pode ser classificada como FD&C, D&C e Ext. D&C. Corantes FD&C são aprovados para uso em alimentos, fármacos e cosméticos. Corantes D&C podem ser usados somente em medicamentos e cosméticos, incluindo aqueles que entram em contato com as membranas mucosas e os que são in- geridos. Uma classificação Ext. D&C indica o uso de um corante certificado para uso em medicamentos e cosméticos que não entram em contato com as membranas mucosas e não são ingeridos. (Nota: essas definições devem ser utilizadas apenas como diretrizes, já que alguns corantes FD&C não são mais aprovados para uso cosmético.) Uma classificação de corante pode ser dividida em três partes. Por exem- plo, com o FD&C Vermelho n o 4, a primeira parte indica qual categoria de certificação FDA o pigmento se enquadra; a segunda, fornece a cor; e o número indica qual o vermelho que está sendo usado. Se estiver classificado como FD&C Amarelo n o 6 Al Laca, o Al Laca refere-se ao “laca alumínio” e indica o uso de um pigmento orgânico do grupo laca, um corante solúvel em água e absorvido na alumina. Três tipos de materiais para coloração são utilizados em produtos cosmé- ticos: inorgânico, orgânico e corantes. Pigmentos inorgânicos são compostos insolúveis à base de íons metálicos. Tendem a apresentar uma boa estabilida- de e são amplamente utilizados em maquiagem para os olhos e para a face.

Capítulo 4 – Definição de termos | 53

Pigmentos orgânicos tendem a ter uma cor mais viva, mas oferecem menos tonalidades. Esse tipo de pigmento é ainda dividido em três subcategorias:

lacas (corantes solúveis em água e absorvidos em alumina), tonalizadores (bário orgânico ou sais de cálcio) e pigmentos verdadeiros. Embora os pig- mentos verdadeiros sejam os menos utilizados em cosméticos, são os mais estáveis dos três. As lacas são as menos estáveis e os tonificadores ficam entre os dois. Corantes são usados principalmente em produtos de toucador como xampus e loções. Há seis classes de corantes solúveis em água de uso muito comum em cosméticos e cuja estabilidade depende da estrutura química. Entre elas estão os azo, indigoides e xantenos. Corantes também ocorrem naturalmente em algumas plantas. Os corantes listados nos rótulos de ingrediente estão sob jurisdição da FDA. Atualmente há 65 ingredientes diferentes aprovados pela FDA para uso como aditivos corantes em cosméticos. Estes variam de ingredientes de origem natural, como o betacaroteno, a minerais, como a mica e o óxido de zinco, e os FD&C, D&C e os Ext. D&C anteriormente citados. A maioria deles foi aprovada antes de 1988. No Brasil, o controle sanitário da produção, comercialização de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes, nacionais e importados, é feito pela Anvisa, ligada ao Ministério da Saúde, a qual tem por finalidade institucional, promover a proteção da saúde da população, por meio de legislações gerais e específicas e o Sistema de Vigilância Sanitária no Brasil abrange as esferas federal, estadual e municipal. Existem requisitos específicos estabelecidos pela Anvisa para as formu- lações de produtos higiene pessoal, cosméticos e perfumes e com relação ao uso de corantes, a Anvisa, estabelece normas como, por exemplo, lista de corantes permitidos nestas formulações. cosmecêutico – uma combinação das palavras cosmético e farmacêutico. Na indústria e em marketing o termo é atribuído tanto ao tipo de ingrediente quanto à categoria de cosméticos. Não há nenhuma definição legal ou oficial de “cosmecêutico”. É utilizado para descrever uma variedade de produtos que promovem uma boa aparência e afetam a estrutura da pele. Com o avanço no conhecimento da fisiologia e química da pele, muitos outros in- gredientes desse tipo estão sendo incorporados a produtos comercializados como cosméticos. Estes são apresentados principalmente como “correto- res” que influenciam as funções biológicas da pele para fins de combate ao

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| Dicionário de ingredientes para cosmética e cuidados da pele

envelhecimento, às rugas e para promover o rejuvenescimento cutâneo. Al- guns dos mecanismos de ação atribuídos aos ingredientes cosmecêuticos in- cluem a ativação de receptores celulares (retinoides); melhoria na função de barreira (a maior parte dos hidratantes); aumento da esfoliação (AHAs e BHAs); normalização dos mecanismos de reparação celular (peptídeos com cobre); inibição da oxidação (antioxidantes); e regulação da comunicação celular (peptídeos). À medida que o conhecimento avança, espera-se que a categoria cosmecêutica continue a crescer e a ampliar o uso de ingredientes sofisticados. Do ponto de vista comercial, o termo cosmecêutico está sendo utilizado para indicar que um determinado produto pode ser mais eficaz do que se espera de sua classificação como cosmético. Enquanto a lei federal para alimentos, medicamentos e cosméticos dos Estados Unidos (FD&C Act – Food, Drug and Cosmetic Act) não reconhe- ce o termo “cosmecêutico”, a indústria cosmética usa esta palavra para referir-se a produtos cosméticos que têm um benefício medicinal ou agem como medicamento.

A lei da FD&C define medicamentos como aqueles produtos que curam,

tratam, diminuem ou previnem doenças ou que afetam a estrutura ou fun- ção do corpo humano. Enquanto nos Estados Unidos os medicamentos são

sujeitos a um processo de revisão e aprovação pela FDA antes de sua comer- cialização, os cosméticos não o são. Se um produto tem a propriedade de medicamento, ele deve ser aprovado como tal. No Brasil, a Anvisa também não reconhece o termo “cosmecêutico” e por meio de regulamentação específica, define cosmético e medicamento.

A Anvisa define cosméticos como produtos de higiene pessoal e perfumes

como preparações constituídas por substâncias naturais ou sintéticas, de uso externo nas diversas partes do corpo humano, pele, sistema capilar, unhas, lábios, órgãos genitais externos, dentes e membranas mucosas da cavida- de oral, com o objetivo exclusivo ou principal de limpá-los, perfumá-los, alterar sua aparência e/ou corrigir odores corporais, protegê-los ou mantê- -los em bom estado. Define medicamento como produto farmacêutico, tecni- camente obtido ou elaborado, com finalidade profilática, curativa, paliativa ou para fins de diagnóstico. Com relação aos produtos cosméticos, a legislação brasileira é um pouco di- ferente da FDA, pois a Anvisa classifica os produtos cosméticos de acordo com o seu risco sanitário, sendo produtos de grau 1 e grau 2, respectivamente.

Capítulo 4 – Definição de termos | 55

Para os produtos cosméticos grau de risco 1, os fabricantes não necessitam de uma pré-aprovação da Anvisa para a comercialização destes produtos, no entanto, devem cumprir os requisitos da legislação vigente por meio de uma

notificação de produto junto à Anvisa. Já para os produtos grau de risco 2, os fabricantes necessitam registrá-los na Anvisa, conforme legislação vigente, para uma análise prévia antes da comercialização destes produtos. Neste caso, a comercialização é autorizada mediante o deferimento do registro do produ- to pela Anvisa publicada no DOU – Diário Oficial da União.

A Anvisa não considera como cosméticos os produtos utilizados em proce-

dimentos invasivos, tais como: botox, silicones, metacrilatos, tintas para tatua- gem, maquiagem definitiva, por exemplo. Esses produtos são regularizados na

Anvisa na área de medicamentos ou área de produtos para saúde (correlatos). Os produtos cosméticos no Brasil não podem ter indicação ou menções terapêuticas. Os apelos e alegações declarados na rotulagem destes produtos devem ser comprovados e não induzir o consumidor a erro.

cosméticos naturais – rigorosamente falando, cosméticos naturais devem refe- rir-se somente àqueles em que todos os ingredientes são naturais. Essa termi- nologia, no entanto, é aplicada a uma variedade de conceitos, que abrangem desde produtos feitos a partir de plantas de cultivo orgânico até produtos quimicamente manufaturados e que contêm alguns extratos vegetais.

O termo “natural” em cosmética pode ser enganoso, já que tudo que vem

da natureza é considerado natural, incluindo plantas, minerais, animais e insetos. Desse ponto de vista estrito, o óleo mineral e o petrolato devem ser considerados naturais, pois são encontrados na natureza. Essa classificação também inclui produtos presentes em “cosméticos na- turais”. Entre esses produtos estão os ingredientes naturais que foram, ou podem ter sido, quimicamente processados. Em quase todos os casos, produtos químicos estão presentes em “cosmé- ticos naturais”. E em quase todos os casos, exceto quanto aos óleos essenciais, conservantes são adicionados a esses produtos. Quanto mais compostos or- gânicos houver em um produto, maior a chance de perecer em um curto intervalo de tempo, se não for propriamente preservado. O consumidor pre- cisa apenas considerar quanto tempo dura uma maçã ou um frasco de leite mesmo quando dentro do refrigerador. Embora os consumidores insistam cada vez mais em produtos “natu- rais” e/ou “orgânicos”, é importante examinar as alegações do fabricante

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| Dicionário de ingredientes para cosmética e cuidados da pele

com certo ceticismo. O termo “natural” não é regulamentado por nenhu- ma agência governamental e, portanto, não foram estabelecidas diretrizes e padrões quanto ao que pode ou não ser considerado “cosmético natural”.

Fica, pois, aberto à interpretação dos fabricantes e dos consumidores. Ver também cosméticos orgânicos. cosméticos orgânicos – tendem a referir-se a cosméticos que incorporam extra- tos de plantas de cultivo orgânico ou então às macerações dessas plantas. Estas geralmente são mais ativas do que os extratos, podem apresentar maior ten- dência a causar sensibilidade ou reações alérgicas e validade mais curta. Diferentemente dos produtos que aparecem em alimentos orgânicos,

o termo “orgânico” em cosmética não é regulamentado pelo governo e nem mesmo definido. Os padrões têm sido criados por laboratórios ou associações de fabricantes em alguns países, e não seguem nenhuma regra uniforme de um país para outro. Na Europa, o Grupo Europeu de Traba- lho para Padronização em Cosméticos, que abrange várias organizações, atua no sentido de harmonizar padrões em produtos usados para cuidados pessoais. Em 2005, o Ministério da Agricultura dos Estados Unidos decla- rou que produtos agrícolas – incluindo os produtos para cuidados pessoais

– que possuem conteúdo de cultivo orgânico poderão atender aos padrões

do National Organic Program (NOP) e ser rotulados como “100% or- gânico”, “orgânico”, ou “feito com ingredientes orgânicos”, segundo os regulamentos do NOP. Antes dessa declaração, as empresas recebiam cer-

tificação orgânica para os ingredientes de origem agrícola, mas não para

o produto acabado. No entanto, cosméticos que não estão de acordo aos

padrões orgânicos do NOP podem mesmo assim utilizar a palavra “orgâ- nico” em seus produtos porque essa palavra é uma alegação de marketing não regulamentada. A falta de regulamentação e a percepção do consumidor de que “orgâni- co” é melhor resultaram em muitas manipulações de marketing em relação ao conceito de cosmético “orgânico”. Segundo as melhores diretrizes au-

toimpostas, cosméticos orgânicos são feitos de material vegetal certificado

e de cultivo orgânico, não usam ingredientes geneticamente modificados,

utilizam somente conservantes selecionados (geralmente uma quantidade significativa de álcoois naturais e ácido salicílico), seguem uma lista restrita de matérias-primas usadas no processamento, não usam radiação para desin- fecção, e não usam corantes e fragrâncias sintéticos. Geralmente, permite-se

Capítulo 4 – Definição de termos | 57

uma pequena quantidade de ingredientes químicos, em torno de 5% da for- mulação total. Mesmo as melhores diretrizes, porém, podem ser manipuladas, resul- tando em interpretações errôneas. Por exemplo, um produto pode citar um valor percentual de orgânicos como se representasse o valor total de ingredientes orgânicos. Uma leitura mais cuidadosa indicaria que, na ver- dade, a porcentagem listada representa a quantidade de material orgânico na quantidade total do material vegetal do produto. Uma vez que o rótulo não apresenta a porcentagem total de material vegetal presente na fórmula, a verdadeira quantidade de material orgânico não pode ser calculada. Por exemplo, o produto poderá ter 20% de material vegetal, e 80% desse mate- rial poderá ser de cultivo orgânico. O rótulo e a propaganda são elaborados de modo que o consumidor possa interpretar que 80% do produto é “orgâ- nico”, quando, de fato, somente 16% (80% dos 20%) da formulação total são orgânicos. Infelizmente, pelas atuais práticas regulatórias, não é fácil para os consumi- dores distinguir quais os cosméticos orgânicos que são “realmente” orgânicos. cristal líquido – é definido como uma substância que flui como um líquido, mas conserva algumas das características de estrutura ordenada dos cristais. Em cosméticos, aplica-se principalmente a compostos que podem encapsular substâncias ativas e permitir um padrão de liberação gradual. São considera- dos intermediários entre os sólidos e os líquidos. Emoliente – substância gordurosa de ação lubrificante que faz a pele ficar mais suave e mais flexível. Os emolientes também possuem um efeito hidratante, reduzindo a evaporação da umidade da superfície da pele através da difusão de água na camada córnea e nos tecidos subjacentes. Embora praticamente qualquer material gorduroso possa tornar a pele mais suave, diferentes emo- lientes produzem diferentes resultados e texturas na pele. Existem mais de 600 emolientes, oferecendo várias características para a formulação, como oleosa, seca, áspera, lisa, penetrante, não penetrante, lustrosa, fosca, ou qualquer combinação que o formulador deseje obter. A escolha do emolien- te é uma opção do formulador com base no desempenho desejado para o produto e considerando os outros ingredientes presentes na formulação. Emulsão – óleo e água misturados como uma substância, como um creme ou loção, pelo uso de um emulsificante. Quando o óleo é disperso em água, dizemos que se trata de uma emulsão de óleo-em-água, abreviada como o/a.

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| Dicionário de ingredientes para cosmética e cuidados da pele

A fase oleosa pode conter óleos, gorduras e ceras. Emulsões de óleo-em-água

oferecem vários benefícios: podem agir como emolientes, conferindo uma textura agradável à pele ao preencher os espaços entre as células mortas; ou

suavizar a pele e melhorar as propriedades de retenção de umidade, deixan- do um filme cuja função é repelir a água. A outra forma de emulsão é a de água-em-óleo, ou a/o, em que a água é dispersa em óleo. Dependendo dos objetivos dos ingredientes e do produto, isso pode facilitar a penetração do ingrediente até o sítio-alvo desejado. Quando as emulsões se desestabilizam,

a causa poderá ser um destes fatores ou uma combinação deles: alta tempe-

ratura, evaporação da água, contaminação por microrganismo ou reações químicas indesejadas. Emulsões são o sistema de liberação mais comum uti- lizado em produtos cosméticos, visto que possibilitam uma liberação rápida e conveniente de uma ampla variedade de ingredientes. Emulsificante – em um sistema homogeneizado, o emulsificante mantém os in- gredientes à base de óleo e de água unidos, ajudando a estabilizar a interação entre ambas as fases, evitando assim a separação na formulação cosmética. Encapsulamento (microencapsulamento) – processo em que quantidades micros- cópicas de uma substância são envolvidas por um tênue filme de polímero ou por uma vesícula. Lipossomas são um exemplo de encapsulamento. Algumas

das muitas razões para seu uso nas formulações cosméticas são a liberação controlada, redução da irritação, redução da evaporação e liberação mais fácil através da barreira de lipídeos. Ver também liberação controlada. Enzima – biologicamente, uma proteína altamente específica e complexa pre- sente em formulações cosméticas pode agir ao menos de três formas: como catalisador, esfoliante e antioxidante. Como catalisador, ela poderá acelerar ou produzir uma reação química. Sem as enzimas, dados a temperatura e o pH geralmente encontrado nas células, a maior parte das reações químicas não ocorreriam com velocidade suficiente para manter a célula viva. Enzi- mas são específicas para o tipo de reação que catalisam, podendo aumentar

a velocidade de uma reação de cem a mil vezes. Como esfoliantes, as enzimas mais comuns são de origem vegetal, como a papaína do mamão papaia. Tendem a ser usadas para intensificar a atividade de enzimas de ocorrência natural na pele. Estas, responsáveis pela esfoliação superficial de células mortas, agem pela quebra das ligações intercelulares. Como antioxidantes, enzimas como a superóxido dismutase (SOD) operam convertendo radicais livres que contêm oxigênio, perigosos e altamente rea-

Capítulo 4 – Definição de termos | 59

tivos, em formas menos reativas. Também têm sido usadas em cosméticos para reduzir o conteúdo de conservantes, já que algumas podem proteger as formulações cosméticas de ataques de bactérias. A concentração correta de qualquer enzima em um produto é muito im- portante: quando insuficiente, não será eficaz, e em excesso pode causar reações adversas ou ser tóxica. Espécies com oxigênio reativo – ver radicais livres.

Espessante/agente gelificante – proporciona “massa” aos cosméticos, aumenta

a estabilidade, melhora a ação suspensora e contribui para a textura do pro-

duto, facilitando sua aplicação. Alguns espessantes/gelificantes podem for- mar filmes, conferem afinidade à pele e agem como carreadores/liberadores para ingredientes ativos. A maior parte dos espessantes é sintética; apenas 10% são de origem natural. ésteres – produtos resultantes da combinação de ácidos orgânicos e álcoois. Podem ser naturais ou sintéticos, líquidos ou sólidos, dependendo das pro-

priedades das substâncias reagentes. Insolúveis em água, substituem os óleos

e as gorduras para fornecer composição e conservação mais uniformes. São

bem tolerados pela pele e possuem ação lubrificante e emoliente. Os ésteres também são encontrados nos óleos essenciais. Geralmente, até mesmo pe- quenas quantidades de ésteres característicos são cruciais para as notas mais requintadas na fragrância de um óleo essencial. fator de proteção solar (fPS) – medida do tempo que a pele leva para ficar ver- melha quando exposta à radiação ultravioleta. Refere-se somente à proteção contra UVB. Não se aplica à proteção contra UVA. O número FPS do filtro solar identifica o tempo de exposição necessário para produzir uma verme- lhidão mínima ou dose eritematógena mínima (DEM) em pele desprotegida. Um FPS 15, por exemplo, significa que o filtro solar oferece proteção 15 vezes maior contra a vermelhidão da exposição aos raios UVB do que na au- sência de qualquer aplicação de filtro solar. Como a resposta da DEM varia de um indivíduo para o outro, o valor do FPS também varia. Em novembro de 2007, a FDA propôs uma nova regra para filtros so- lares. Essa regra expandiu as categorias de desempenho do produto de FPS 30 para FPS 50+. Ficou estabelecido que qualquer produto com FPS de no mínimo 2 e não mais que 12 oferece proteção mínima contra queimadu- ras de sol. Produtos com FPS entre 12 e 30 oferecem proteção moderada contra queimaduras de sol. E produtos com FPS entre 30 e 50+ oferecem

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| Dicionário de ingredientes para cosmética e cuidados da pele

alta proteção contra queimaduras de sol. Essa mudança baseou-se no ar- gumento de que o FPS 50 oferece mais proteção contra UVB que os valores mais baixos.

Além disso, a regra proposta em 2007 criou um sistema de classificação para UVA. Esse sistema seria baseado numa escala que vai de uma a quatro estrelas, uma estrela representando uma baixa proteção contra UVA; duas estrelas, proteção média; três estrelas, proteção alta; e quatro estrelas, a mais alta proteção disponível contra UVA para um filtro solar, sem necessidade de prescrição médica. Se um filtro solar não oferecer pelo menos uma proteção de baixo nível (uma estrela), a FDA propõe que o rótulo frontal do produto, próximo aos valores de FPS, traga a especificação “sem proteção contra UVA”. Essa nova regra poderá entrar em vigor nos próximos anos. filtro solar – como termo técnico, refere-se a substâncias ou compostos quí- micos específicos elaborados para proteger a pele contra raios ultravioleta (UV) nocivos. Os filtros solares podem absorver, refletir e/ou espalhar a radiação UV, protegendo a pele dos efeitos danosos do sol. De um modo menos preciso, porém, o termo é usado para denominar uma classe es- pecial de produtos para cuidados pessoais que contêm ingredientes que filtram a radiação solar. Diferentemente dos produtos normais para a pele ou dos outros cosméticos, nos Estados Unidos esses produtos são classi- ficados como fármacos e, portanto, regulamentados pela Food and Drug Administration (FDA). Os filtros solares devem absorver e/ou refletir tanto os raios UVB quanto os UVA. Isso é muito importante porque, embora a luz UVA seja responsável pelo bronzeamento e a UVB cause queimaduras de sol, ambas são nocivas à pele

e aumentam o risco de câncer de pele. A formulação de um filtro solar UVA/

UVB eficaz requer o uso de várias substâncias filtrantes, já que aquelas que são muito eficazes contra os raios UVB não o são necessariamente contra UVA. A proteção diária contra UVA é muito importante, pois essa radiação

é um fenômeno constante o ano todo.

A última monografia para filtros solares lançada pela FDA foi em maio de 1999 e estabeleceu as condições sob as quais filtros solares vendidos sem necessidade de prescrição médica são geralmente reconhecidos como seguros

e eficazes, sem identificação errônea. Ingredientes da Categoria I são aque- les que a FDA classifica como “Geralmente Reconhecidos como Seguros e Eficazes”. No caso de substâncias químicas de ação protetora, a seguinte

Capítulo 4 – Definição de termos | 61

tabela para a Categoria I foi aprovada pela FDA e implementada em 2001. Desde então, ocorreram apenas pequenas modificações nos Estados Unidos, enquanto a lista de substâncias aprovadas tem sido expandida significativa- mente na União Europeia. Obter um produto com fator de proteção solar mais alto não é necessa- riamente uma questão de incluir mais substâncias químicas com capacidade de filtragem, pois isso poderá aumentar o custo e a irritação potencial no produto final. É preciso pensar em alternativas. Várias das substâncias que

Ingredientes ativos para filtros solares – Categoria I Concentrações máximas permitidas em formulações finais

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Nome

Concentração

Nome farmacêutico

CFR

INCI

Máxima

ou alternativo

352.10 1

(a)

PABA

até 15%

ácido 4-aminobenzoico butil-metoxi-dibenzoilmetano ou avobenzona cinoxato

(b)

avobenzone

até 3%

(c)

cinoxate

até 3%

(d)

(reservado)

(e)

benzophenone-8

até 3%

dioxibenzona

(f)

homosalate

até 15%

homosalato

(g)

(reservado)

(h)

methyl anthranilate

até 5%

meradimato octocrileno octinoxato octisalato oxibenzona padimato O ensulizola sulisobenzona dióxido de titânio salicilato de trolamina óxido de zinco

(i)

octocrylene

até 10%

(j)

ethylhexyl methoxycinnamate 2

até 7,5%

(k)

ethylhexyl salicylate 3

até 5%

(l)

benzophenone-3

até 6%

(m)

ethylhexyl-dimethyl PABA 4

até 8%

(n)

phenylbenzimidazole sulfonic acid

até 4%

(o)

benzophenone-4

até 10%

(p)

titanium dioxide

até 25%

(q)

TEA-salicylate

até 12%

(r)

zinc oxide

até 25%

1 21 CFR 352.10 designa o Código de Regulamentação Federal dos Estados Unidos a respeito de ingredientes ativos para protetores solares.

2 Nova nomenclatura (INCI) para o octyl methoxycinnamate.

3 Nova nomenclatura (INCI) para o octyl-salicylate.

4 Nova nomenclatura (INCI) para o octyl dimethyl PABA. Em Cosmetics & Toiletries, 113(3), March 2000, p. 69.

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aparecem na tabela anterior geralmente são utilizadas juntas numa formu- lação de filtro solar para oferecer um espectro de proteção mais amplo. A aprovação da FDA é exigida para as combinações de ingredientes em filtros solares. Nas regras propostas em 2007, duas novas combinações químicas foram aprovadas: avobenzona com ácido fenilbenzimidazol sulfônico (ensi- lizola), e avobenzona com óxido de zinco. Também há a necessidade de educação do consumidor. A eficácia do filtro solar não depende apenas dos ingredientes utilizados. Depende também de como o usuário faz a aplicação. Filtros solares devem ser aplicados de ma- neira homogênea e em quantidades suficientes para se obter a proteção ade- quada. O FPS declarado de um filtro solar baseia-se em testes padronizados de laboratório, quando o produto é aplicado a uma espessura homogênea de 2 mg/cm 2 . Comparando com a espessura média de 0,5 mg/cm 2 aplicada pelo usuário normal, observa-se que no caso do uso típico, a espessura média de

aplicação do filtro solar pode variar de 0 a 1,2 mg/cm 2 ! Além disso, os filtros solares são uma categoria de produto que devem permanecer na superfície da pele para que haja uma proteção ideal. Assim, não é correto massagear o filtro solar durante a aplicação para assegurar a “penetração”. As aplicações devem ser espalhadas de forma homogênea na superfície da pele, com suaves toques. Ver também absorvedores de UV. No Brasil, existem requisitos específicos estabelecidos pela Anvisa para as formulações de produtos higiene pessoal, cosméticos e perfumes e, assim como mencionado na definição de corantes e de conservantes. Com relação ao uso de filtros solares, a agência estabelece normas como, por exemplo, lista de filtros solares permitidos nestas formulações. fator natural de hidratação (fNH) – encontrado na camada córnea, o FNH compreende substâncias higroscópicas e solúveis em água que regulam a permeabilidade seletiva da camada. O FNH é composto de aproximadamen- te 40% de aminoácidos livres, 12% de PCA, 12% de lactose, 7% de ureia

e cerca de 30% de uma grande variedade de outros materiais. A exposição

a detergentes fortes e condições climáticas severas pode resultar em níveis menores de FNH, tornando a pele frágil e seca. A elaboração de hidratantes modernos depende em selecionar vários in-

gredientes higroscópicos com propriedades e efeitos semelhantes ao do FNH

e combiná-los com veículos eficazes.

filtros de UV – ver absorvedores de UV.

Capítulo 4 – Definição de termos | 63

fitoestrogênio – constituinte da planta que apresenta eficácia estrogênica. O es- trogênio estimula os fibroblastos a produzir colágeno e ácido hialurônico e, por isso, acredita-se que plantas que contêm fitoestrogênio intensificam a for- mação de colágeno e de ácido hialurônico. Amora, extrato de lírio, espinafre, trevo-dos-prados e isoflavonas da soja apresentam eficácia estrogênica. fitoterapia – refere-se ao uso de plantas ou extratos de plantas por seu valor terapêutico no produto cosmético. Inclui o uso de extratos de plantas, água destilada e óleos essenciais. flavonoides – também conhecidos como bioflavonoides. O termo refere-se a um tipo de extrato de planta classificado como flavonoides, isoflavonoides e neoflavonoides. Existem aproximadamente 3 mil substâncias identificadas como flavonoides. Além do efeito antioxidante, os flavonoides também de- mostraram atividade anti-inflamatória, antialergênica, antiviral, antienvelhe- cimento e anticarcinogênica. São utilizados em tratamentos contra enve- lhecimento cutâneo, pois parecem melhorar a condição do colágeno e, em menor grau, a elasticidade, aspereza e hidratação da pele. Além disso, pare- cem regular a secreção das glândulas sebáceas. Os flavonoides são muito comuns em plantas e cumprem várias funções. Fornecem às flores pigmentos amarelos ou vermelhos/azuis e protegem a planta contra ataques de microrganismos e insetos. Os efeitos benéficos de frutas, verduras, legumes e chás, ou mesmo do vinho tinto, têm sido atribuí- dos a seus componentes flavonoides, e não a nutrientes e vitaminas conhecidos. Flavonoides são encontrados em amoras, framboesas, morangos, frutas cí- tricas, no cacau, chá verde, na salsa, no vinho tinto e na soja. Os flavonoides mais importantes são as quercetinas, consideradas as mais ativas e encontradas em muitas plantas medicinais, e as epicatecinas, encontradas no cacau. Estudos mostram que esses flavonoides, e mais os da folha da videira, frutas cítricas e chá verde podem penetrar na pele. fragrância – compostos naturais e sintéticos são adicionados às formulações cosméticas para dar um aroma, sobrepor-se a odores químicos e mesmo para comunicar mensagens sutis, tais como imagem e posição no mercado. Estudos sobre a percepção que o consumidor tem da eficácia do produto de- monstraram que, utilizando produtos com a mesma base, estes recebiam uma avaliação de desempenho diferenciada dependendo da fragrância incluída. As fragrâncias também têm sido fonte de alergias cosméticas. Um estu- do da FDA concluiu que mais de 1% dos casos de dermatite alérgica por

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contato com cosméticos era causado pela fragrância. Observações indicam que, na verdade, entre 7% e 18% de todos os indivíduos podem ter alguma forma de sensibilidade ou intolerância a fragrâncias. Assim, produtos apre- sentados como hipoalergênicos não têm fragrâncias. No rótulo de ingredien- tes, é muito difícil determinar se a fragrância utilizada é natural ou sintética, uma fragrância conhecida ou uma marca proprietária. Uma terminologia como “extratos de plantas” indica extratos utilizados para fins terapêuticos e/ou de fragranciamento. Não há como saber a origem da uma fragrância apenas consultando o rótulo. Com a crescente popularidade da aromaterapia, muitos produtos de be- leza dependem de substâncais de origem botânica já incorporadas como fra- grância. Sua dupla função é atraente: o formulador obtém valor terapêutico potencial e fragrância sem ofender a preferência do consumidor pelo “ver- de” ou criar receio em aumentar a sensibilidade da pele. Hidrólise – processo químico em que proteínas complexas são degradadas em moléculas de menor peso molecular, incluindo seus componentes, que são os aminoácidos. A hidrólise ocorre por meio de reações ácidas ou por ação de enzimas. Proteínas hidrolisadas, portanto, são aquelas de peso molecular menor que o de sua fonte e que possuem maior afinidade com a pele. Assim, são mais facilmente incorporadas às formulações cosméticas. Geralmente, o termo hidrolisado, tão comuns nos rótulos de cosméticos, não identifica os aminoácidos envolvidos ou o processo de hidrólise utilizado. Higroscópico – descreve um ingrediente que rapidamente absorve e retém água. Hipoalergênico – descreve um produto cosmético que não deverá produzir rea- ções alérgicas. Esse termo costuma ser aplicado a produtos que não contêm fragrância e trazem um tipo especial de conservante. As causas e as varieda- des de alergias são tão amplas que é muito difícil afirmar que um produto é realmente hipoalergênico. A alergicidade não diz respeito ao produto, mas à sensibilidade do indivíduo. ingredientes oclusivos – utilizados para diminuir a perda de umidade da pele. Com suas moléculas grandes, os ingredientes oclusivos tendem a formar filmes. liberação controlada – descreve uma liberação gradual e sistemática de um ingrediente ativo na pele, evitando assim os “picos” e “vales” de disponibi- lidade característicos de aplicações tópicas regulares. Inclui tecnologias de encapsulamento em lipossomas ou polímeros. Ingredientes ativos encapsu- lados podem apresentar uma evaporação mais controlada e maior compa-

Capítulo 4 – Definição de termos | 65

tibilidade com a pele, causar menos irritação e maximizar o tempo de sua presença na superfície da pele ou dentro da epiderme. Quando exigido, tal sistema reduzirá a penetração potencial. Esses sistemas poderão liberar seu

conteúdo, geralmente de uma vez só, por ruptura, devido à pressão, abrasão ou dissolução de seu envoltório. Ver também encapsulamento. lipídeo – refere-se a gorduras ou a substâncias semelhantes a gorduras (óleos, ceras) e abrange diversos compostos, incluindo triglicérides, fosfolipídeos e esteroides, como o colesterol. Lipídeos são elementos importantes para que

a camada córnea tenha estrutura e funcionamento saudáveis. São responsá-

veis por um volume significativo do estrato córneo, constituindo de 6% a 10% do peso da camada córnea. São encontrados principalmente nos espa-

ços intercelulares. Lipídeos intercelulares formam uma barreira para várias substâncias que poderiam penetrar na pele. Os lipídeos incorporados aos cosméticos ajudam a hidratar a pele, reno- vando sua função como barreira, seja substituindo lipídeos removidos com

a limpeza, permitindo a permanência dos lipídeos epidérmicos, apesar de

ambientes adversos, seja pela renovação da capacidade da pele de se ligar à água. A função da pele como barreira contra a perda de umidade é propor- cional ao conteúdo de lipídeos no interior da camada córnea. mascaramento – refere-se a um ingrediente que pode ajudar a “ocultar” qualquer odor desagradável que possa naturalmente surgir da combinação de subs- tâncias químicas utilizadas na formulação de um cosmético. Um ingrediente de mascaramento pode ser muito diferente de uma fragrância. Enquanto a fragrância proporciona um odor agradável, o ingrediente de mascaramento poderá simplesmente ajudar a neutralizar odores desagradáveis. molécula – substância formada pela combinação de átomos semelhantes ou diferentes, unidos por ligações químicas. As moléculas têm propriedades ca- racterísticas. Por exemplo, uma molécula de água é composta de dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio. O tamanho de uma molécula é estabelecido pelo número de átomos, o que determina sua capacidade de penetração nas camadas cutâneas. Quanto maior a molécula, menor a sua capacidade de penetrar na pele. Além disso, moléculas grandes demoram para evaporar e difundir-se através da pele. Moléculas menores têm maior volatilidade (ca- pacidade de evaporação). Nanotecnologia – tecnologia em rápido desenvolvimento baseada em partículas extremamente pequenas (nano) de múltiplas aplicações (um nanômetro está

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para o metro assim como uma bola de gude está para o tamanho da Terra). Em nanoescala, as moléculas tendem a alterar muitas de suas características. Por exemplo, o óxido de zinco e o dióxido de titânio mudam de branco para incolor. A indústria cosmética também classifica a nanotecnologia em nano- partículas insolúveis e solúveis, nanoemulsões e sistemas de nanoliberação. Nanopartículas insolúveis de dióxido de titânio e óxido de zinco são usa- das há muitos anos como filtros de UV para oferecer um amplo espectro de proteção contra UVA e UVB. Essas duas moléculas são transparentes em nanoescala, portanto diferente de sua característica cor branca. Sendo assim, não deixam um filme esbranquiçado sobre a pele. Demonstrou-se que as nanopartículas insolúveis, dióxido de titânio e óxido de zinco, não penetram além do estrato córneo. A nanotecnologia com ingredientes orgânicos é agora utilizada na for- mulação de produtos antienvelhecimento, acreditando-se que partículas me- nores são mais rapidamente absorvidas na pele e poderão reparar danos com mais facilidade e eficiência. Em dimensões nano, porém, os compostos orgânicos apresentam maior capacidade de penetração e diferentes carac- terísticas de toxicidade, se comparados ao mesmo composto ou substância química em tamanho “normal”. Assim, nanopartículas orgânicas que con- seguem penetrar podem apresentar o risco de possíveis reações secundárias, cuja natureza ainda não é conhecida. Nanoemulsões e sistemas de nanolibe- ração estão sendo usados para uma liberação eficaz e rápida penetração de princípios ativos na pele. Dadas as expressas preocupações com efeitos potenciais não desejados da nanotecnologia, um abrangente sistema de regulamentação é visto como fundamental para garantir a implementação segura dessa tecnologia. Tanto a FDA nos Estados Unidos quanto a Comissão Europeia estão atentas aos nanomateriais devido às incertezas que envolvem uma penetração rápida e de nível desconhecido. A FDA e o Comitê Científico para Produtos Cosméti- cos da União Europeia concluíram que as nanopartículas de dióxido de titâ- nio e de óxido de zinco são seguras para uso em filtros solares. Para outros nanoelementos, a FDA está esperando um retorno do setor de cosméticos para desenvolver as recomendações que sua Força Tarefa em Nanotecnolo- gia utilizará para estabelecer diretrizes nessa área. Captalizando com o conceito de nano, algumas empresas estão renomean- do uma variação de sua tecnologia como ingredientes “mega-small”. Os

Capítulo 4 – Definição de termos | 67

consumidores, portanto, precisarão estar atentos à manipulação dos concei- tos de nano. A nanotecnologia poderá tornar-se um conceito revolucionário nos cui-

dados com a pele, ou então uma área regulamentada pelo governo e que requer aprovação especial para uso. Por enquanto, a novidade dessa tecno- logia e suas potenciais controvérsias ainda não foram suficientemente desen- volvidas para se prever seu futuro na cosmética. Neutralizado – diz-se quando um produto químico foi adicionado para levar

o pH da formulação a próximo de 7, ou seja, neutro. Parcialmente neutra- lizado é quando um produto químico é adicionado para deslocar o pH do composto na direção do 7, ou o mais próximo do valor neutro.

óleo essencial – substância oleosa volátil de origem vegetal. Óleos essenciais contêm vitaminas, hormônios, antibióticos e/ou antissépticos. Esses óleos estão presentes como gotículas entre as células das plantas. Desempenham um papel importante na bioquímica da planta e também são responsáveis por sua fragrância. Os óleos essenciais já têm muitas propriedades demons- tradas e atribuídas, como antissépticos, antibióticos aliviantes e calmantes, podendo agir também como conservantes. Esses óleos são extraídos por di- versos métodos que permitem a conservação de sua integridade. A destilação

é o método mais comum para obter óleos essenciais de plantas. O rendimen-

to desses óleos varia entre 0,005% a 10%, dependendo do tipo de planta. Quanto menor o rendimento, mais caro o óleo. A qualidade e a química dos óleos essenciais poderá variar de acordo com a parte da planta de que

é extraído (raiz, casca, flores, folha), a hora do dia e/ou o ano em que foi

colhido, o lugar onde a planta cresce (planícies, regiões montanhosas) e os métodos de cultivo.

oligoelemento – refere-se a elementos-traço com ação catalítica importante em reações enzimáticas para assegurar o metabolismo normal da célula. Entre eles estão o cobre, magnésio, selênio e zinco. Algumas fontes indicam que

a aplicação indiscriminada desses oligoelementos, quer separados, quer em

combinação com outro, poderá ser absolutamente ineficaz, e mesmo nociva para a pele. Outros citam testes experimentais em que a presença de oli- goelementos em uma formulação melhora a afinidade de um derivado de proteína, aumentando a hidratação. Parabenos – família de conservantes sintéticos amplamente utilizados em cos- méticos no mundo todo, desde a década de 1920, devido a sua eficácia,

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baixo risco de irritação e estabilidade. Essa família inclui o butilparabeno, etilparabeno, metilparabeno e propilparabeno, os dois últimos sendo os mais comuns. Todos esses parabenos são eficazes contra um amplo espectro de microrganismos, incluindo a maior parte dos fungos e bactérias. Eles im- pedem o crescimento de possíveis contaminantes, como leveduras e bolores. São utilizados em quantidades que variam de 0,1% a 0,5% da formulação total. Estima-se que 30% ou menos da quantidade total de parabeno utiliza- da (entre 0,03% e 1,15%) possa penetrar na pele. Em 2004, a segurança dos parabenos como conservantes foi questionada em um estudo realizado no Reino Unido, que avaliava o uso de desodoran- tes contendo essas substâncias. Avaliou-se se o uso prolongado de parabe- nos era biocumulativo e se estava de algum modo relacionado ao câncer de mama. Desde então, químicos cosmetólogos familiarizados com a atividade dos parabenos sustentam que sua acumulação a partir de aplicações tópicas não é possível porque, uma vez que os parabenos entram na pele, formam metabólitos incapazes de mimetizar o estrogênio. Outros estudos indicam que, depois de entrar na pele, os parabenos são metabolizados em ácido para-hidroxibenzoico, e apenas uma pequena porcentagem permanece em sua forma original como parabeno. Estudos mais recentes parecem invalidar a alegação de risco potencial de câncer de mama para o uso de cosméticos com parabenos. Outros es- tudos mostram que os parabenos são de mil a 1 milhão de vezes menos estrogênicos que o estradiol, o principal composto estrogênico do corpo. O metilparabeno é o que apresenta o efeito menos estrogênico, aproximada- mente 2,5 milhões de vezes menos potente que o 17-beta-estradiol, seguido do etilparabeno. Considera-se que os fitoestrogênios, substâncias de plantas com qualidade semelhantes à do estrogênio, tais como soja, trevo, morango, sálvia, ginseng, trevo-dos-prados, abóbora e o fruto da roseira (entre ou- tros), possuem efeitos estrogênicos naturais de mil a 1 milhão de vezes maior que os dos parabenos. A Food and Drug Adminsitration (FDA) declarou: “A FDA está ciente de que a atividade estrogênica no corpo está associada a certas formas de câncer de mama. Embora os parabenos possam agir de modo semelhante ao estrogênio, têm demonstrado atividade estrogênica bem menor que o es- trogênio de ocorrência natural no corpo.” Apesar da declaração, o uso de parabenos em cosméticos continua polêmico. Estudos mais abrangentes são

Capítulo 4 – Definição de termos | 69

necessários para determinar conclusivamente o verdadeiro alcance do dano potencial causado pela exposição prolongada aos parabenos resultante do uso diário de cosméticos. Embora os parabenos usados em cosméticos e produtos de toucador se- jam manufaturados sinteticamente, também são formados naturalmente a partir de um ácido (ácido p-hidroxibenzoico), encontrado na framboesa e na amora.

Peptídeos – polímeros curtos formados pela ligação de alfa-aminoácidos. Quan- do essa cadeia de aminoácidos é pequena, a molécula é chamada de peptí- deo. Quando é maior, dá-se o nome de polipeptídeo. Proteínas são moléculas polipeptídicas. Embora as proteínas não possam penetrar na pele, peptídeos menores podem ser absorvidos. A capacidade de juntar aminoácidos em diferentes números, forman- do assim diferentes peptídeos e polipeptídeos, confere a esses ingredientes várias propriedades benéficas quando incorporados a produtos cosméti- cos. Esses benefícios incluem desde maior elasticidade da pele e maciez

a melhorias na aparência das rugas, redução da inflamação e reparação

dos tecidos. Também se afirma que os peptídeos podem ativar as funções regenerativas da pele, aumentar quantidade de colágeno e sintetizar outros componentes epidérmicos. Para aplicação cosmética, utilizam-se peptídeos naturais derivados do algodão, arroz, trigo, caseína e soro do leite. Têm várias aplicações em for- mulações para cabelo e pele, com base na distribuição do peso molecular, conteúdo de aminoácidos, solubilidade e perfil odorífero. Os peptídeos po-

dem ser naturais ou sintéticos. pH – refere-se ao nível de acidez ou alcalinidade de um determinado ingrediente ou produto químico. Como, numa substância, é o hidrogênio que determina

o nível de acidez ou alcalinidade, o símbolo pH representa a força (p, do

inglês, power) da molécula de hidrogênio (H). O pH dos ácidos varia de 0 a 6,9, e dos álcalis, de 7,1 a 14. Um pH 7 é considerado neutro. A importância do pH de um produto baseia-se em sua correlação com o pH da pele. A pele humana tem um pH na faixa ácida, variando de 4,4 a 5,6, dependendo do indivíduo e da região da pele testada. O valor do pH superficial deve-se aos ácidos presentes no estrato córneo. Fatores externos, como a transpiração, tendem a tornar a pele mais ácida. Quanto maior o valor do pH da pele, menos ácida ela é, e maior sua reação de sensibilidade a compostos muito

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ácidos, geralmente proporcionando uma sensação de queimação e verme- lhidão. Quanto menor o pH da pele, mais ácida ela é, e assim será menos sensível a compostos ácidos, tais como peelings e outros esfoliantes. Como exemplo prático, uma pele com pH 5 será mais sensível a um produto com AHA e de pH 3,8 do que uma pele com pH 4,4. Polímeros – moléculas grandes formadas de molécuals menores da mesma subs- tância. Em cosmética, os polímeros fazem parte do conceito de encapsula- mento utilizado para uma liberação sustentada e controlada dos ingredientes ativos. Os polímeros melhoram a liberação de lubrificantes e protetores da pele, além de prolongar sua hidratação. Também agem como emulsificantes. Ver também liberação controlada.

Polifenóis – família de antioxidantes de origem botânica muito poderosos. Os polifenóis também reforçam o colágeno e a elastina ao mesmo tempo que impedem a degradação de elementos fundamentais dos tecidos, necessários

à saúde da pele. Os polifenóis presentes no chá verde incluem, mas não se

limitam, às catequinas, tais como o galato de epigalocatequina (EGCC), epi- galocatequina (EGC), epicatequina 3-galato (ECG) e epicatequina (EC). Na natureza existem antioxidantes que também agem como anti-inflamatórios

e anticarcinogênicos. O polifenol estabilizado da semente da uva atua junto

a ácidos graxos essenciais para proteger as células contra os radicais livres.

Acredita-se que os polifenóis possam tratar e/ou evitar certas condições da pele, como linhas de expressão e rugas, rosácea, irregularidades na superfície

e hiperpigmentação.

Precipitado – pequenas partículas (acima de 1 mícron) que se desprendem de uma

suspensão por causa da gravidade ou como resultado de descarga elétrica. Precursores – compostos intermediários de alto potencial biológico que, quando ativados, são convertidos em outra substância específica. Esse é o caso, por exemplo, do ergosterol (provitamina D2), que é transformado, pela radiação ultravioleta, em vitamina D. O caroteno (provitamina A) é um precursor que também pode ser transformado em vitamina A. Precursores biológicos também são definidos como pequenas moléculas capazes de penetrar na pele e, uma vez ali – por meio de uma reação química com substâncias químicas e/ou enzimas da própria pele – convertem-se em outro composto relacionado que não poderia ter penetrado em seu estado original em razão do tamanho da molécula ou de problemas de afinidade. Um exemplo é o palmitato de retinila. Quando aplicado à pele, uma certa porcen-

Capítulo 4 – Definição de termos | 71

tagem é convertida, através de processo enzimático, em retinol. Acredita-se que algumas substâncias rotuladas como precursores biológicos estimulam a síntese de colágeno, elastina, proteoglicanos e glicoproteínas estruturais. Princípio ativo (ingrediente ativo) – ingrediente com valor de “tratamento”. Quando aplicado à pele, desempenha função terapêutica ou benéfica, como curar, hidratar, suavizar, tonificar etc. Proteína – cadeia de aminoácidos unidas por ligações peptídicas. A incorpora- ção de proteínas em preparações cosméticas pode oferecer benefícios como formação de um filme e hidratação, regeneração, estimulação da proliferação celular e redução da irritação potencial de certos surfactantes. Originalmen- te, a maior parte da proteína utilizada era de animais. Agora, geralmente são substituídas por proteínas de origem vegetal. Fontes usuais e adequadas de proteína vegetal incluem amêndoa, aveia, arroz, soja e trigo. radiação ultravioleta – energia oriunda do sol e que percorre o espaço na forma de luz visível. A luz do sol é composta de muitos comprimentos de onda distribuídos ao longo do espectro eletromagnético. À medida que esses raios solares atravessam a atmosfera da Terra, certos comprimentos de onda são filtrados. O restante chega até à superfície do planeta como luz UV e infravermelha, sendo agrupado em três categorias: UVA, UVB e UVC. A atmosfera filtra quase toda a luz na faixa UVC, mas não na UVA ou UVB. A UVA penetra fundo na pele e pode causar efeito fototóxico no nível de derme. A UVB, de comprimento de onda mais curto, é responsável prin- cipalmente pela vermelhidão cutânea, pois sua penetração e concentração restringem-se quase que exclusivamente à epiderme. De um modo geral, a luz UV pode causar um amplo espectro de reações, que incluem leve queima- dura na pele, edema e hiperpigmentação, envelhecimento prematuro, danos no DNA e câncer de pele. Além disso, a luz UV pode ativar a produção, na pele, de substâncias químicas secundárias (p. ex., a enzima colagenase) com capacidade de acelerar o envelhecimento e causar danos às funções cutâneas normais. Ver também UVA; UVB; UVC. radicais livres (espécies que contêm oxigênio reativo) – átomos ou moléculas de oxigênio muito reativos, com carga elétrica e altamente instáveis. Radi- cais livres são formados quando um átomo de oxigênio perde um elétron. A perda do elétron torna o átomo ou a molécula eletricamente instável. Para restabelecer a estabilidade, os radicais livres tendem a capturar elétrons de outras substâncias a fim de se neutralizar. A reação pode resultar em dois

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processos diferentes: a) o efeito de neutralização de um radical livre pode le- var à formação de outro, causando uma reação em cadeia em que um grande número de reações de radicais livres ocorre segundos após a reação inicial; ou b) eles se ligam à membrana celular, o que permite sua reestabilização, mas no processo um novo composto de oxidação é formado e acaba danifi- cando a membrana, o DNA e os mecanismos de reparação da célula etc. Por isso é importante que a pele tenha um estoque de antioxidantes.

A instabilidade e a alta reatividade dos radicais livres é corrigida quando

eles doam ou recebem um elétron de outra molécula. A molécula de oxigênio, necessária à sobrevivência do organismo, é um dos principais produtores de radicais livres no corpo. Internamente, os radicais livres são produzidos por

reações metabólicas. Externamente, são resultado de radiação UV, pesticidas, poluição do ar, drogas, fumaça de cigarro, estresse e estilos de vida não sau- dáveis. O corpo tem seu próprio mecanismo natural de proteção contra danos causados por radicais livres. Essa capacidade de proteção diminui com a idade

e quando o corpo é exposto a situações em que a quantidade de radicais livres

formados é maior que a capacidade natural do corpo de neutralizá-los. Além disso, a produção de radicais livres acima de um certo nível é responsável por numerosos problemas indesejados. Eles são considerados o fator n o 1 por trás do envelhecimento cutâneo. Causam danos ao DNA, às membranas celulares

e ao tecido conectivo da derme, particularmente ao colágeno, estimulando a produção da enzima colagenase.

O resultado geral são danos às células, alterações na estrutura da mem-

brana celular e diminuição da elasticidade e flexibilidade da pele. Os radicais

livres também são nocivos às células de Langerhans, diminuindo a eficácia do sistema imunológico da pele. Além do mais, favorecem a produção de subs-

tâncias químicas secundárias. Essas substâncias causam reações químicas nega- tivas e danos às células que acentuam o envelhecimento cutâneo. É importante observar a necessidade de uma certa quantidade de radicais livres para que

a pele funcione adequadamente. A quantidade excessiva é que causa sérios

danos, geralmente irreversíveis. reação química – refere-se à transformação de uma ou mais substâncias em uma ou mais substâncias diferentes. retinoides – refere-se a ingredientes derivados da vitamina A. Incluem o reti- nol, ésteres retinílicos e o palmitato de retinila. Os retinoides desempenham importante papel na reparação de peles danificadas e fotodanificadas. O tra-

Capítulo 4 – Definição de termos | 73

tamento com retinoides pode resultar na regeneração do tecido colagênico dérmico, inibindo a formação excessiva da enzima colagenase, responsável pela quebra do colágeno dérmico e também por promover a síntese de colá- geno. A capacidade dos retinoides de aumentar a quantidade dos colágenos do tipo I e II torna-os importantes na prevenção contra contusões, rompi- mentos e ulcerações na pele madura. O retinol tornou-se o retinoide preferi- do para uso cosmético. Sensibilizador – refere-se a ingredientes que podem provocar uma reação de sensibilidade, como vermelhidão na pele, inchaço, coceira ou qualquer outra reação adversa. Sequestrantes de radicais livres (antirradicais livres, antioxidantes) – compo- nentes que se contrapõem ao efeito destrutivo dos radicais livres. Compos- tos como a vitamina E (as diferentes formas de tocoferol), vitamina C (na forma de ácido ascórbico) e os flavonoides são exemplos de ingredientes atualmente considerados como sequestrantes de radicais livres. Podem ser incorporados sistemicamente ou topicamente para ajudar a reduzir os efei- tos dos radicais livres, decompondo-os em compostos contra os quais o cor- po possui defesas. Sistema de liberação – sistema químico que libera o ingrediente ativo no sítio- -alvo de ação da pele a fim de otimizar o desempenho. Sistemas de liberação podem afetar a reação da pele, a penetração do ingrediente e sua eficácia. A não ser que o ingrediente ativo seja liberado no lugar certo dentro da pele, e na concentração apropriada, a eficácia do produto poderá ser questionada. Ver também Capítulo 2, Penetração do produto. Solubilizante – ajuda a dissolver materiais normalmente insolúveis, como fra- grâncias e óleos. Substância de origem botânica – elementos de vegetais que contêm constituin- tes ativos e que podem elicitar certas respostas biológicas quando aplica- dos à pele. Essas substâncias fornecem um amplo espectro de benefícios, dependendo dos constituintes específicos da planta. A eficácia geralmente está associada ao nível de concentração dos constituintes ativos presentes na formulação, à capacidade da pele de absorvê-los, ao efeito que outros ingredientes presentes na formulação podem ter sobre o constituinte ativo e ao grau de penetração do constituinte. Embora as substâncias de origem botânica fossem tradicionalmente utilizadas por sociedades antigas como remédios para quaisquer distúrbios externos e internos, seu valor foi quase

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reduzido ao folclore e ao boato quando comparado à eficácia dos ingredien- tes sintéticos identificados, medidos e testados. À medida que a pesquisa revela os diferentes componentes moleculares de extratos botânicos, é de- monstrado que todas as substâncias de origem botânica possuem moléculas biologicamente ativas. Essas moléculas são as responsáveis pelas proprie- dades terapêuticas atribuídas à planta. Por exemplo, o bisabolol foi isolado e identificado como um dos constituintes de ação calmante da camomila; e os flavonoides, presentes numa ampla variedade de plantas, agora são re- conhecidos como poderosos antioxidantes com atividade anti-inflamatória, antialergênica, antiviral, antienvelhecimento e anticarcinogênica. Substâncias de origem botânica podem ser incorporadas a um produ- to de diversas formas: todo o fitocomplexo (por exemplo, pétalas de rosa maceradas ou cenouras maceradas); extrato (por exemplo, extrato de raiz de alcaçuz); frações ou determinados elementos do extrato (por exemplo, flavonoides ou terpenos); e os constituintes isolados ou componentes quí- micos ativos do extrato (por exemplo, ácido glicirretínico, de ocorrência natural na raiz de alcaçuz). A atividade terapêutica associada a uma subs- tância de origem botânica pode também variar com base na parte da planta utilizada. O extrato do fruto de uma planta poderá ter valores terapêuticos não encontrados num extrato da folha, por exemplo. Independentemente da forma em que a substância é incorporada (inteira, fração ou constituin- te isolado), a concentração apropriada de um componente químico ativo incorporado à formulação cosmética é crucial para determinar o benefício oferecido por esse extrato específico da planta. Apenas adicionar um ex- trato a um produto cosmético não garante benefícios no tratamento. O conhecimento da performance dessas substâncias e a parte da planta que é incorporada na formulação é importante para diferenciar benefícios reais de técnicas de marketing. As pesquisas continuam a identificar os ingredientes que conferem valor terapêutico aos compostos de origem botânica. À medida que aumenta o conhecimento sobre a ação de constituintes botânicos biologicamente ati- vos, seu uso em preparações cosméticas continuará a crescer. Atualmente, cosméticos à base de ingredientes de origem botânica representam um dos segmentos que mais cresce no mercado. Nem todas essas substâncias são apropriadas para os cuidados da pele. Dependendo do ingrediente, tipo e condição de pele, ou a quantidade utilizada

Capítulo 4 – Definição de termos | 75

do produto, algumas substâncias de origem botânica podem causar sérias ir- ritações e/ou reagir com outros ingredientes químicos da pele, resultando em reações alérgicas. À medida que aumenta a compreensão que se tem dessas

substâncias e de suas propriedades terapêuticas, também aumenta o conhe- cimento a respeito do uso e da manipulação adequada na cosmética. Surfactante (agente ativo na superfície) – ingrediente que baixa a tensão super- ficial dos cosméticos, auxiliando no espalhamento de produtos quando apli- cados à pele. Surfactantes geralmente são encontrados em agentes de limpe- za, emulsificantes, agentes espumantes, solubilizantes e agentes umectantes. Existem aproximadamente 2 mil surfactantes diferentes disponíveis para o formulador cosmético. A atual tarefa na área de cosméticos é desenvolver surfactantes de baixa irritação que obtenham o máximo de emulsificação, solubilização e efeito de dispersão, causando reações mínimas com as células da epiderme. Os efeitos nocivos dos surfactantes na pele manifestam-se com ressecamento, aspereza, escamação e vermelhidão.

A irritação por surfactantes é responsável por um grande número de reações

adversas na pele. O nível de irritação depende do tipo de surfactante utiliza- do, sua concentração e duração do contato com a pele. O uso exagerado de surfactantes, combinado com sensibilidade preexistente, extremos de tempe-

ratura ou de pH, baixa umidade ou o uso combinado de outros irritantes potenciais, tais como, abrasivos, branqueadores ou solventes lipídicos, pode provocar reações como irritação, inflamação, rachaduras e aspereza. tamponamento – refere-se a um processo químico pelo qual um composto (ou compostos) é adicionado a uma formulação para manter o pH constante, independentemente da adição de outros ingredientes. UVA – luz composta de comprimentos de onda que variam de 400 nm a 340 nm.

A UVA tem o menor potencial de energia, mas penetra fundo na pele, intera-

gindo com um maior número de estruturas e danificando o colágeno e a elas- tina por meio da produção de substâncias químicas secundárias que digerem essas proteínas, causando rugas. A UVA também pode danificar a estrutura celular, provocar mutações ou deleções no DNA e inativar alguns de seus mecanismos de reparação. A UVA promove carcinogênese e também imuno- depressão. Os danos por ela causados são cumulativos, evidenciando-se nas rugas, no afundamento da pele e outros sinais visíveis de envelhecimento. A luz UVA é responsável por cerca de 95% de toda a radiação UV que penetra na pele. Os raios UVA também se originam de lâmpadas conhecidas como

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sun lamps e de câmaras de bronzeamento, que são tão nocivos quanto os raios que vêm diretamente do sol. UVb – luz composta de comprimentos de onda que variam de 340 nm a 280 nm.

É a região do espectro de queimadura ou eritêmica, porque pode penetrar no

estrato córneo e na epiderme, causando vermelhidão e queimaduras na pele. Diretamente absorvida pelas moléculas de DNA, a UVB é um verdadeiro car- cinógeno na pele e, junto com certos agentes químicos, pode agir como um

iniciador de tumores.

UVc – luz composta de comprimentos de onda que variam entre 280 nm e 200 nm.

A UVC tem o menor comprimento de onda e a energia mais alta, já que com-

primento de onda e energia estão inversamente relacionados. Quase toda a

luz dessa faixa é filtrada pela atmosfera da Terra. Veículo (carreador) – composto cosmético utilizado para diluir um ingrediente ativo, regular sua penetração na pele e/ou ajudar na aplicação superficial. Ob- servou-se que o grau de eficácia do ingrediente varia de acordo com o veículo usado. A isso chama-se de “efeito de veículo”. Em filtros solares, por exemplo,

a mesma quantidade de material ativo em um veículo, como óleo ou álcool,

é menos eficaz do que o mesmo material em um veículo do tipo loção, o que por sua vez é menos eficaz que o veículo creme. O termo veículo também

refere-se a componentes utilizados que conferem estabilidade ou consistência

a cosméticos. Uma formulação pode ter um ou mais veículos. Muitas vezes, um veículo pode também ser um princípio ativo (por exemplo, álcool).

Vitaminas – grupo de substâncias essenciais para o funcionamento, crescimento

e desenvolvimento normal da célula. As vitaminas dividem-se em duas cate-

gorias: lipossolúveis, que são armazenadas nos tecidos adiposos do corpo;

e solúveis em água (hidrossolúveis), que são utilizadas imediatamente pelo corpo. A pesquisa química e cosmética sobre o impacto das vitaminas nos cuidados com a pele tem resultado na validação e na ampliação do papel que certas vitaminas desempenham nos produtos cosméticos. A vitamina A

e seus derivados são fundamentais entre os ingredientes antienvelhecimen-

to; as vitaminas E e C são ótimos antioxidantes com efeitos sinergísticos; e outras vitaminas, como B, F, H e P têm sido usadas como ingredientes para cosméticos em diferentes épocas. Atualmente, demonstrou-se cientificamen-

te o importante valor cosmético das vitaminas A, C e E.

Embora a maioria dos consumidores considere as vitaminas como mate- riais naturais, em cosmética elas podem ser de origem natural ou sintetica-

Capítulo 4 – Definição de termos | 77

mente produzidas. A maior parte dos ingredientes vitamínicos atualmente usados em formulações cosméticas são versões sintéticas das vitaminas, de- rivados de vitaminas ou algum elemento específico da vitamina. Umectante – utilizado nas formulações cosméticas para aumentar o conteúdo de umidade da pele. Os umectantes têm a capacidade de se ligar à água, por isso são considerados hidratantes.

PARTE II

Ingredientes para produtos

Introdução

Este dicionário representa uma análise dos ingredientes para cosméticos atual- mente encontrados em rótulos de produtos para cuidados com a pele. Para compilar essa informação, os autores solicitaram rótulos de fabricantes norte-americanos e de importadores de produtos para pele. Esses ingredientes, além de outros utilizados em formulações desse tipo, foram então divididos em ordem alfabéti-

ca. As funções do ingrediente foram analisadas com base em dados publicados (mídia impressa e eletrônica), informações fornecidas pelos fabricantes e entre- vistas com químicos cosmetólogos de empresas de cosméticos. Nenhum dado sobre desempenho do produto foi diretamente obtido dessas empresas. A razão foi evitar o risco de descrever o desempenho do produto baseado em argumen- tos de marketing. Para manter a uniformidade, substâncias de origem botânica foram classifi- cadas e descritas, sempre que possível, pelo nome usado com mais frequência, sendo que os outros nomes aparecem em seguida. A acácia (Acacia), por exem- plo, pode ser encontrada sob a letra A, como acacia (catechu negro; goma-acá-

Para auxiliar o leitor com os nomes botâni-

cia; goma-arábica; goma de acácia

cos em latim, compilou-se, no apêndice ao final do dicionário, uma referência em ordem alfabética. Por exemplo, sob a letra A está a Acacia senegal – acácia. Outro exemplo é a castanha-da-índia, cujo nome latino é Aesculus hippocastanum.

A indústria de cosméticos está padronizando rapidamente a lista de ingre- dientes para facilitar a localização dos nomes pelo consumidor. Fabricantes dos Estados Unidos, União Europeia, Japão e outros países estão utilizando a Nomenclatura Internacional de Ingredientes para Cosméticos (INCI, na sigla

).

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Dicionário de ingredientes para cosmética e cuidados da pele

em inglês) para nomes de compostos ou substâncias químicas que aparecem como ingredientes nos rótulos de seus produtos. Exceções ao uso dos nomes INCI incluem algumas substâncias de origem botânica, agentes de coloração e aqueles nomes INCI não aceitos pelos consumidores ou pelo governo em um mercado específico. Os nomes INCI têm ajudado a reduzir as inconsistências encontradas no passado. Essas inconsistências incluíam a ordem da palavra; o uso do nome

completo por um fabricante e uma abreviação ou abreviação parcial por outro;

o uso, por alguns, do nome latino para substâncias de origem botânica e os

nomes comuns, por outros etc. Os nomes INCI são considerados universais e, portanto, geralmente não são traduzidos para as línguas locais, embora gover-

nos locais possam exigir a tradução. Independentemente da padronização INCI, às vezes alguns ingredientes apa- recerão na forma abreviada ou com uma abreviação e um nome químico: EDTA e DMDM hidantoína (DMDM hydantoin – nomenclatura INCI) são exemplos.

Geralmente, essas abreviações são o padrão INCI. Este dicionário faz tantas re- missões recíprocas quantas for possível. Alguns cosméticos também trazem no- mes comerciais designados pelo fabricante para proteger a natureza proprietária do ingrediente e/ou da formulação. Nomes comerciais não aparecem nas listagens da INCI. Substâncias químicas também podem aparecer na lista de ingredientes com um nome de marketing que impeça a identificação de sua composição. Nesta edição, fizemos um esforço para usar os nomes INCI sempre que pos- sível. Quando houve mudança significativa de nome, ambos – o nome original

e o nome INCI – aparecem na ordem alfabética apropriada. A função do in-

grediente, porém, é discutida sob o nome INCI ou na sua forma de referência atual mais comum. Outros nomes para a mesma substância química aparecem com uma nota de referência para o nome INCI. Por exemplo, o hidroxianisol butilado (butylated hydroxyanisole) é geralmente conhecido como BHA (no-

menclatura INCI). Esse ingrediente aparece nas duas formas de referência, mas

é descrito somente como BHA, pois esta é a mais comum. Outro exemplo é a

benzofenona-3 (benzophenone-3), também conhecida como oxibenzona (oxy- benzone). Aparece e é descrita em benzofenona-3 (benzophenone-3 – nomencla- tura INCI), mas também pode ser encontrada como oxibenzona (oxybenzone), com referência para descrição no primeiro ingrediente. Ingredientes que aparecem sob o nome comercial são remetidos em ambos os sentidos e descritos sob o nome químico sempre que o componente químico

Parte II: Ingredientes para produtos | 81

foi revelado ou pôde ser determinado. Um exemplo é o Ajidew ® , nome comer- cial para o PCA de sódio (sodium PCA – nomenclatura INCI). Neste caso, Ajidew ® aparece na letra A, remetendo a sodium PCA, para a descrição das propriedades do ingrediente. Em alguns casos, certos ingredientes desempenham funções muito semelhan-

tes. Sua inclusão em uma formulação é determinada pela reação com outros ingredientes presentes, preferência do formulador e/ou custo. Em tais casos, apresenta-se uma descrição em um dos ingredientes e todos os outros são reme- tidos a ele. Este é o caso com certos PEGs e lauril éteres (laureths). Por exemplo,

o PEG-10 laurato de sorbitano (PEG-10 sorbitan laurate – nomenclatura INCI)

é um agente em solução utilizado para limpeza e solubilização. O PEG-40 laura-

to de sorbitano (PEG-40 sorbitan laurate – nomenclatura INCI), PEG-44 laurato de sorbitano (PEG-44 sorbitan laurate – nomenclatura INCI), PEG-75 laurato de sorbitano (PEG-75 sorbitan laurate – nomenclatura INCI) e PEG-80 laurato de sorbitano (PEG-80 sorbitan laurate – nomenclatura INCI), todos referem- -se ao PEG-10 laurato de sorbitano (PEG-10 sorbitan laurate – nomenclatura INCI), já que possuem função similar. Alguns ingredientes aparecem na lista para efeito de marketing. Considere, por exemplo, lama fango (fango mud). Fango é lama em italiano; sua descrição encontra-se no verbete fango. Outras listas deixam espaço para uma ampla interpretação, sem identificação real do(s) ingrediente(s). Termos vagos e orien- tados para o marketing, sempre que óbvios, são observados no dicionário. Um exemplo são as frações botânicas ativas que aparecem sob a letra A. Essa é uma descrição que envolve dois ou mais extratos vegetais não identificados, o que impede a determinação do desempenho do ingrediente. No Brasil, a Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária – por meio

de resolução específica definiu que todos os ingredientes utilizados nos produtos de higiene e limpeza, cosméticos e perfumes devem ser listados de acordo com

a nomenclatura INCI – International Nomenclature of Cosmetics Ingredients

(Nomenclatura Internacional de Ingredientes Cosméticos), a qual é adotada mundialmente. Essa decisão baseou-se no fato de que o INCI permite desig- nar de forma única e simplificada a composição dos ingredientes no rótulo dos produtos cosméticos. Dessa forma, o objetivo do uso da nomenclatura INCI é facilitar a identificação de qualquer ingrediente, proveniente de qualquer país, por ser uma codificação universal, com um sistema para todos os países sem distinção de idioma, caracteres, nem de alfabeto.

82

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Dicionário de ingredientes para cosmética e cuidados da pele

Para alguns ingredientes, quantidades diminutas e baixas concentrações são uma exigência absoluta para uma resposta apropriada da pele. Para outros, baixas concentrações tornam-lhes ineficazes. Além disso, outros ingredientes presentes em uma formulação podem impactar o desempenho e a biodispo- nibilidade de certos componentes ativos. Quando se trata do valor de eficácia conforme declarado nos rótulos ou em material promocional, em alguns casos a única maneira de ter certeza é levar em conta a reputação e a confiabilidade do fabricante do cosmético. Nem quem escreveu este livro nem um leitor de rótulos de ingredientes está em posição de determinar a eficácia do ingrediente ou do produto baseado na sequência de ingredientes listados.

Regulamentações para a rotulagem de ingredientes cosméticos

As regulamentações para a rotulagem de ingredientes cosméticos foram estabe- lecidas pela FDA em 1977. Elas exigem que os ingredientes estejam listados em ordem decrescente de predominância pela nomenclatura estabelecida em fontes de referência de nomes de ingredientes. Hoje, a fonte de referência dominante é o International Cosmetic Ingredient Dictionary and Handbook, onde estão lis- tados os nomes INCI. Ingredientes que emprestam sabor (e aroma) e fragrância precisam ser identificados pelos termos aroma e/ou fragrância, conforme apro- priado. Isentos de exposição no rótulo submetidos a esses regulamentos estão os nomes de ingredientes comerciais secretos. Há um esquema para analisar as solicitações de isenção por segredo comercial. Esses regulamentos aplicam-se apenas a produtos para venda em varejo. Cosméticos utilizados em estabeleci- mentos profissionais como salões ou clínicas de beleza, ou amostras grátis, não podem ser incluídos na exigência de declaração de ingrediente. A lista de ingredientes está impressa na embalagem do produto ou de algum modo ali afixada. Se um produto é embalado em dois recipientes – geralmente frasco, tubo ou pote – em uma caixa, exige-se que os ingredientes estejam im- pressos no rótulo da embalagem do recipiente externo. Considere um produ- to para limpeza de pele vendido em uma caixa: a lista de ingredientes precisa aparecer na caixa. Qualquer listagem no frasco é opcional. Se, no entanto, o recipiente externo não for usado, então a lista precisa aparecer no recipien- te principal, neste caso, no frasco do produto de limpeza. Essas listas podem

Parte II: Ingredientes para produtos | 83

aparecer em qualquer painel de informações de uma embalagem visível ao con- sumidor, ou em uma etiqueta, fita ou cartão firmemente afixado à embalagem externa. O regulamento especifica que a informação tem de ser proeminente, evidente e clara. Os ingredientes listados devem ser identificados pelo nome estabelecido pelo comissário da FDA para fins de rotulagem de ingredientes. Se não houver um nome estabelecido pelo comissário, a identificação deve ser feita com o nome adotado para o ingrediente nas edições e suplementos das seguintes fontes (lis- tadas em ordem descendente de prioridade de utilização):

International Cosmetic Ingredient Dictionary & Handbook 1

United States Pharmacopoeia

National Formulary

Food Chemical Codex

USAN and the USP Dictionary of Drug Names

Teoricamente, se o nome de um ingrediente não aparece em nenhuma dessas fontes, então deve ser utilizado o nome geralmente reconhecido pelos consumi- dores ou um nome químico ou técnico. Os regulamentos europeus, todavia, exi- gem que os ingredientes sejam listados pelo nome comum, e esse nome comum, com poucas exceções, é o nome INCI. A confusão original envolvendo os compostos à base de ervas está dimi- nuindo graças à padronização INCI. No passado, havia muitos casos em que substâncias de origem botânica apareciam com o nome botânico (latino) em alguns produtos e com o nome comum em outros. Na maior parte das vezes, os nomes INCI são latinos e geralmente irreconhecíveis para o consumidor. Para resolver isso, os fabricantes estão optando por incluir o nome botânico seguido, entre parênteses, do nome comum. Assim, o extrato de toranja (grapefruit) po- dia ser encontrado como extrato de Citrus paradisi (toranja). A questão pode tornar-se ainda mais complicada pelo modo como as empresas fabricantes de cosméticos decidem grafar os ingredientes utilizados. Cada vez mais, porém, ocorre a padronização.

1. Antigamente o CTFA, Cosmetic Ingredient Dictionary, desempenhava a mesma função, tendo sido substituído por essa nova publicação, já que a maior parte da terminologia INCI baseia-se nas listas originais do CTFA. (NT)

84

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Dicionário de ingredientes para cosmética e cuidados da pele

A Anvisa também dispõe de uma legislação específica de rotulagem de pro-

dutos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes, que é obrigatória e além de outras exigências, requer uma lista dos ingredientes da fórmula na rotulagem dos produtos, expressos de acordo com a nomenclatura INCI. Para cumprir a Lei de Integridade na Embalagem e Rotulagem (Fair Pa- ckaging and Labeling Act), os ingredientes de uma formulação devem estar arrolados em ordem descendente de predominância. A exceção é o cosmético que também é um medicamento. Neste caso, o ingrediente ativo farmacológi- co deve aparecer antes do ingrediente ativo cosmético. Cada ingrediente com

ação farmacológica deve ser declarado como “ingrediente ativo” e identificado pelo nome estabelecido para o referido ingrediente ativo. A segunda exceção à ordem da regra de predominância é que, se um ingrediente é considerado con- fidencial pela FDA, pode-se usar, no final da declaração, a denominação “ou- tros ingredientes” em vez do nome real do ingrediente. Em lugar de “outros ingredientes”, algumas empresas incluem na lista um ingrediente ou grupo de ingredientes considerados proprietários utilizando uma denominação ado- tada por elas e que não permite identificação em nenhuma das fontes citadas. As empresas devem submeter uma solicitação à FDA para que o ingrediente tenha status de segredo comercial. A Lei de Liberdade de Informação decla- ra que “Um segredo comercial poderá consistir em qualquer fórmula, pa- drão, dispositivo ou compilação de informações utilizados em um negócio e que lhe dá a oportunidade de obter uma vantagem sobre os concorrentes que não o conhecem ou usam.” Em outras palavras, segredo comercial é uma informação de valor não conhecida por outros e que não poderá ser pronta- mente verificada.

A legislação brasileira não define uma ordem de prioridade na relação dos

ingredientes listados na rotulagem, no entanto, os ingredientes deverão estar lis- tados na embalagem externa, ou seja, na embalagem secundária dos produtos, de acordo com a legislação de rotulagem para os produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes. Os produtos cosméticos não podem ter indicação ou menções terapêuticas e induzir o consumidor a erros. O produto elaborado com finalidade terapêutica, de acordo com a Anvisa é considerado medicamento e, neste caso, segue uma legislação específica de rotulagem.

A regulamentação da rotulagem permite que ingredientes presentes em con-

centrações de 1% ou menos sejam listados em qualquer ordem, contanto que apareçam depois dos ingredientes presentes em concentrações maiores em sua

Parte II: Ingredientes para produtos | 85

ordem de predominância. Corantes presentes em qualquer concentração pode- rão ser listados em qualquer ordem após a listagem dos outros ingredientes. A Anvisa possui requisitos específicos para a formulação dos produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes, como, lista de corantes, conservantes e filtros solares permitidos, lista de substâncias proibidas e de uso restrito.

A
A

Acacia (Acacia senegal) goma de acácia; catechu negro; goma-arábica: usada frequentemente em remédios tradicionais como agente aliviante e anti-infla- matório. Também usada como goma vegetal para espessamento do produto. Na forma de extrato, a acácia é recomendada para peles secas, sensíveis ou delicadas. Acácia é a seiva ressecada e viscosa da árvore da acácia africana. Pode causar erupções na pele em casos de alergia. Acacia corresponde à nomenclatura INCI, no entanto, existem vários tipos, como Acacia arabica; Acacia catechu; Acacia dealbata; Acacia concinna etc. Acacia gum – goma acácia: ver acacia. Açaí (Euterpe oleracea) – óleo da polpa do açaí: parece ter poderosas proprie- dades antioxidantes e a capacidade de ajudar a regular os lipídeos cutâneos, promovendo assim atividades de reparação da pele. Derivado das bagas do açaizeiro (da família da palmeira); seus constituintes incluem ácidos gra- xos essenciais (ômega-6 e ômega-9), vitamina C, polifenóis e fitoesteróis. É recomendado para uso em hidratantes, produtos de pós-sol e preparações cosméticas destinadas a melhorar a maciez da pele. Euterpe oleracea corres- ponde à nomenclatura INCI, no entanto, existem seis tipos de Euterpe ole- racea de acordo com a apresentação, como, por exemplo, Euterpe oleracea fruit extract (extrato da fruta do açaí), Euterpe oleracea pulp powder (pó da polpa do açaí). Acerola extract (Malpighia emarginata) extrato de acerola: acredita-se que te- nha propriedades antioxidantes e atue como um sequestrante de radicais li- vres em razão do seu alto conteúdo de ácido ascórbico. Também é hidratante e tônico para o cabelo. A acerola é derivada do fruto maduro de uma variedade de cereja das Antilhas ou de Barbados. Malpighia emarginata corresponde à nomenclatura INCI, no entanto, existem três tipos de Malpighia emarginata de acordo com a apresentação, como, por exemplo, Malpighia emarginata fruit

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| Acetamide MEA – acetamida etanolamina

A extract (extrato da fruta acerola), Malpighia emarginata seed extract (extra- to da semente da acerola) etc. Acetamide mEA – acetamida etanolamina: umectante recomendado para uso em emulsões. De acordo com os fabricantes, possui propriedades anti-irritantes. Acetate – acetato: um sal de ácido acético. Embora apareça nos rótulos como acetato, para determinar sua ação apropriada precisa ser seguido de outro nome (por exemplo, acetato de tocoferol), que indicará a função do composto. Acetone – acetona: solvente considerado um ingrediente não comedogênico, ocasionalmente usado em tônicos para a pele. Pode ter um efeito ressecante e muito irritante, dependendo da concentração e frequência de uso. Acetyl hexapeptide-1 – acetil hexapeptídeo-1: peptídeo regulador da melanina que parece estimular a pele a produzir esse pigmento. Acredita-se que mime- tiza o próprio mecanismo natural de defesa da pele contra UVB. Encontrado em produtos de proteção solar e produtos para o tratamento do envelheci- mento e de manchas de sol. Acetyl hexapeptide-3 – acetil hexapeptídeo-3: peptídeo que, acredita-se, inter- cepta e detém a transmissão dos sinais químicos responsáveis pelas contra- ções musculares que podem resultar em linhas de expressão e formação de rugas, embora também ajude a reduzir a aparência das rugas já existen- tes. Encontrado principalmente em cremes antienvelhecimento, antirrugas e também em cremes para os olhos. Acetyl hexapeptide-8 – acetil hexapeptídeo-8: um peptídeo antirrugas. Sinteti- camente produzido e considerado altamente eficaz, estudos clínicos indicam que pode reduzir a profundidade de rugas já existentes. Poderá ser incor- porado a produtos comercializados como tendo efeito tópico-Botox ® ou de “eliminação de rugas”. Acetyl cysteine – acetilcisteína: condicionador de pele. Também pode ter uma aplicação antienvelhecimento devido à capacidade demonstrada de regular a atrofia da pele e reduzir o aparecimento de linhas de expressão e rugas. Ver também cysteine. Acetylated lanolin – lanolina acetilada: emoliente que ajuda a formar, na pele, filmes que repelem a água. Acetylated lanolin alcohol – álcool de lanolina acetilada: apresenta proprieda- des amaciantes para a pele e também antialergênicas. Trata-se de um éster que se assemelha a esteroides geralmente encontrados na pele. Considerado

Acrylates/dimethicone methacrylate copolymer – copolímero de acrilato | 89

por algumas fontes como altamente comedogênico e com um potencial de irritação apenas moderado. Achillea millefolium extract – extrato de milefólio: ver yarrow extract. Acrylates/acrylamide copolymer – acrilamida: possui a capacidade de formar filme e é semelhante aos copolímeros de acrilato. Acrylamide/sodium acryloyldimethyl taurate copolymer – copolímero de acri- lamida/taurato de sódio acriloildimetila: usado como espessante e/ou estabi-

lizante. Considerado não irritante. Ver também polímero (Capítulo 4). Acrylates – ver acrylates copolymer. Acrylates copolymer – copolímero de acrilato: capaz de absorver as secreções cutâ- neas, reduzindo assim o brilho da pele e proporcionando uma superfície mais apropriada para aplicação de maquiagem. O copolímero de acrilato também confere uma consistência agradável à preparação cosmética e ajuda a reduzir qualquer sensação de oleosidade que o produto possa dar. Suas variadas apli- cações incluem: a incorporação a produtos para a limpeza de pele, tratamentos para controle da oleosidade, maquiagem, pós soltos e compactos. Utilizado com vários outros ingredientes, incluindo glicerina, ciclometicona, palmitato de retinol e óleos vegetais, o copolímero de acrilato prolonga a disponibili- dade desses outros ingredientes para a pele através de uma atividade do tipo liberação gradual. Também ajuda a combater algumas propriedades negativas quando aplicado à pele, ou a melhorar ainda mais as positivas. Por exemplo,

o copolímero de acrilato reduz a viscosidade e a untuosidade da glicerina, ao

mesmo tempo que prolonga sua disponibilidade na rede intersticial da pele. Quando aparece junto com o palmitato de retinol, o copolímero de acrilato me-

lhora a estabilidade da formulação e aumenta o tempo de contato com a pele. Acrylates/ c 10-30 alkyl acrylate crosspolymer – polímero cruzado de acrilato/ acrilato de C 10-30 alquila: emulsificante para emulsões de óleo em água com propriedades espessantes e estabilizantes similares às de um carbômero. Considerado uma segunda geração em relação aos carbômeros, é mais imper- meável. Permite a liberação imediata do componente de fase oleosa da formu- lação após a fricção do produto na pele. Utilizado em emulsões hidratantes

e cremes, filtros solares impermeáveis e emulsões de fragrância. Ver também

carbômeros (Capítulo 4). Acrylates/dimethicone methacrylate copolymer – copolímero de acrilato/meta- crilato de dimeticona: emoliente com capacidade de formar filme. Também impede que preparações cosméticas empastem.

A

90

| Acrylates/octylacrylamide copolymer – copolímero de acrilato/octilacrilamida

A

Acrylates/octylacrylamide copolymer – copolímero de acrilato/octilacrilamida:

proporciona uma barreira para a perda de umidade, também apresentan- do propriedades de impermeabilidade. É muito encontrado em produtos de beleza que requerem um componente formador de filme, incluindo os filtros solares impermeáveis, produtos que não borram, e hidratantes para as mãos

e para o corpo. Estudos indicam que ele permite a liberação gradual de prin-

cípios ativos durante certo intervalo de tempo. Outras propriedades incluem

resistência à fricção e retenção da fragrância. Acrylic acid/acrylonitrogens copolymer – copolímero de ácido acrílico/acrilo- nitrogênios: utilizado como emulsificante principal, proporcionando capaci- dade de aglutinação e de controle de viscosidade. Também pode contribuir para as propriedades hidratantes de um produto, agindo como um formador de filme na superfície da pele. Geralmente é encontrado em preparações que exigem impermeabilidade. Acrylic acid polymers – polímeros de ácido acrílico: podem ser empregados como espessantes, estabilizantes de dispersão e modificadores de viscosida- de para cosméticos. Estudos clínicos não indicam nenhuma reação dérmica ou irritações. Active botanical fractions – frações botânicas ativas: esta é uma denominação vaga que envolve dois ou mais extratos botânicos não identificados, o que impede uma determinação apropriada dos ingredientes ou seu real valor. Essa denominação, porém, é acompanhada de uma declaração de que a mis- tura combina ação antielastase de frações ativas da planta e, portanto, pode ser usada para preservar a elastina. Adansonia digitata – ver baoab. Adenosine – adenosina: estudos indicam ação antirrugas e amaciante para

a pele.

Adenosine phosphate – fosfato de adenosina: nucleotídeo (unidades formado- ras do ácido nucleico) adicionado a produtos de beleza para que o produto possa agregar água e umidade à pele. Agrimony extract (Agrimonia eupatoria) extrato de agrimônia: adstringente. Considerado um ingrediente botânico benéfico para uso em tônicos. Agrimo- nia eupatoria corresponde à nomenclatura INCI, no entanto, existem quatro tipos de Agrimonia eupatoria de acordo com a apresentação, como Agri- monia eupatoria flower extract (extrato da folha da agrimônia), Agrimonia eupatoria root extract (extrato da raiz da agrimônia) etc.

Alcohol denat, SD Alcohol 40 – álcool SD-40, álcool 40 | 91

AHA – ver alpha hydroxy acid. Ajidew ® – ver sodium PCA. Ajidew A-100 – ver PCA. Ajidew N-50 – ver sodium PCS. Alanine (alanina) – aminoácido que pode atuar como agente condicionador para a pele. Geralmente utilizado em combinação com outros aminoácidos. Albumen (albumina) – ver egg protein. Albúmen extract (extrato de albumina) – ver egg extract.

Alchemilla extract (Alchemilla vulgaris) extrato de alquemila (lady’s mantle):

de acordo com a fitoterapia contemporânea, a alquemila é adstringente e benéfica para tratar ferimentos e deter o sangramento. É anti-inflamatória

e alivia a dor. Além disso, acredita-se que possa combater os radicais livres e filtrar a radiação UV. Seus constituintes incluem taninos, saponinas, ácido salicílico, ácidos graxos, esteróis e aminoácidos. A raiz, os pedúnculos em floração e as folhas são as partes usadas. Alchemilla vulgaris corresponde

A

à nomenclatura INCI, no entanto, existem os tipos extract (extrato) e leaf

extract (extrato de folhas). Ver também lady’s mantle extract. Alcohol – álcool (álcool SD-40; álcool SDA-40; etanol; álcool etílico): ampla- mente utilizado na indústria de cosméticos como antisséptico e também como solvente, dada a sua grande capacidade de dissolver gordura. Geralmente usado em diferentes concentrações em tônicos para a pele, acne, loções pós- -barba, perfumes, loções para bronzeamento e águas de colônia. Quando utilizado em altas concentrações, o álcool resseca a pele. É fabricado por meio da fermentação do amido, açúcar e outros carboidratos. c 12-16 alcohol – álcool C 12-16 : mistura de álcoois graxos com uma série de carbo- nos ligados (uma extensão de 12 a 16 carbonos). Esse tipo de modificação às vezes é utilizado por formuladores de cosméticos para facilitar a penetração de outro ingrediente na pele ou para simplesmente criar uma molécula maior, quando exigido para fins de formulação. Ver também alkyl benzoate, C 12-13 . c 14-22 alcohols l /c 12-20 Alkyl glucoside – álcool, C 14-22 /C 12-20 alquilglicosídeo:

emulsificante adequado para preparações em spray. Alcohol benzoate/c 12-15 álcool C 12-15 benzoato: ver C 12-15 alkyl benzoate. Alcohol denat, SD Alcohol 40 – álcool SD-40, álcool 40: versão de alta qualida- de do álcool etílico e designado especialmente para uso cosmético. Evapora quase imediatamente, deixando os ingredientes ativos na superfície da pele. Propriedades antibacterianas lhe são atribuídas. “SD” é o acrônimo para

92

| alcohol SDA-40 – álcool SDA-40

A “especialmente desnaturado” (specially denatured, em inglês), e o número 40 não está relacionado à porcentagem de álcool na formulação, mas à qua- lidade do álcool. Ver também alcohol. alcohol SDA-40 – álcool SDA-40: outro modo de descrever o alcohol denat, SD Alcohol 40 – álcool SD-40. Pode ser lido como “álcool especial desna- turado” (special denatured alcohol, em inglês). Ver também alcohol denat, SD Alcohol 40.

Aleppo gall (Quercus robur) galha de Alepo (extrato de broto de carvalho):

substância ativa de origem botânica utilizada em protetores solares para combater os radicais livres, como filtro de UV e por suas atividades de re- paração da pele em casos de danos causados por radiação UV. A galha de Alepo ajuda a combater os efeitos nocivos dos raios UVA e protege a pele, graças a sua capacidade de filtrar UVB. Também possui propriedades ads- tringentes e antissépticas, o que a torna útil no tratamento de queimaduras

e ferimentos. Tradicionalmente, a galha de Alepo também era usada no tra-

tamento de eczema. Quercus robur corresponde à nomenclatura INCI, no entanto, ainda existem os tipos bud (broto), bark (casca), root (raiz). Alfalfa extract (Medicago sativa) extrato de alfafa: substância de origem bo- tânica com propriedades tônicas e descongestionantes. A alfafa é uma planta perene amplamente cultivada e que também pode ser encontrada em estado natural nas margens de campos e em vales pouco profundos. O extrato é obtido das folhas. Medicago sativa corresponde à nomenclatura INCI, no entanto, existem oito tipos de Medicago sativa de acordo com a apresenta- ção, como, por exemplo, Medicago sativa leaf extract (extrato da folha de

alfafa), Medicago sativa seed powder (pó da semente da alfafa) etc. Algae extract – extrato de alga marinha: substância ativa usada para normalizar

a umidade da pele e proporcionar flexibilidade e firmeza à epiderme. Existem

muitos tipos de algas, e com propriedades diferentes. Dependendo da varie- dade utilizada, os benefícios para a pele podem incluir atividade imunológica e de combate aos radicais livres, melhoria na condição dérmica, reestruturação, redução de rugas e renovação do tecido. Algas também podem agir como formadoras de filme, hidratantes e emolientes. Fabricantes de cosméticos rara- mente revelam a classe de algas utilizada. Isso geralmente faz parte do “segre- do” da formulação. Algae extract corresponde à nomenclatura INCI. Algae extract and pullulan – extrato de algas e pululana: usado para deixar a pele mais firme. Os fabricantes garantem efeito de enrijecimento imediato e

Allantoin – alantoína | 93

de longo prazo graças à capacidade de estimular e fortalecer as fibras de co- lágeno da pele. Esse polissacarídeo de alga (a pululana é um açúcar natural com capacidade de formar filme e reter umidade) também pode apresentar alguma atividade antioxidante. Os fabricantes o indicam como benéfico para formulações antienvelhecimento e antirrugas e para cosméticos que desejem reivindicar um efeito de lifting. Os componentes incluem as vitaminas B12

e C. Pullulan corresponde à nomenclatura INCI. Neste caso, é uma mistura

dos extratos de alga e pululana. Algae oil – óleo de algas: ver algae extract; seaweed extract. Algae protein proteína de algas: estudos mostram que algumas variedades específicas são boas substitutas para o colágeno de origem animal. Tam- bém estão descobrindo que a proteína de algas apresenta efeitos hidratantes potencialmente melhores em níveis mais baixos de uso, e menos viscosida- de, geralmente associada com o uso em níveis mais altos de colágeno de ori- gem animal. Nomenclatura INCI: algae extract. Ver também algae extract; seaweed extract. Algin algina (ácido algínico; alginato de potássio; alginato de sódio): usada em formulações cosméticas como espessante, estabilizante e agente gelifican- te. Obtida de diferentes variedades de algas castanhas. Nomenclatura INCI:

Algin (alginato de sódio); Alginic acid (ácido algínico); Potassium alginate (alginato de potássio); Sodium alginate sulfate (éster sulfúrico do alginato de sódio). Alginate – alginato: usado como agente espessante em preparações cosméti- cas. O alginato pode ser utilizado em microcápsulas e é obtido de extratos marinhos. A nomenclatura INCI abrange várias substâncias à base de algi- nato (alginate).

Alginic acid – ácido algínico: ver algin. c 12-15 alkyl benzoate – benzoato de alquila; C 12-15 (c 12-15 alcohol benzoate) – C 12-15 álcool benzoato: emulsificante usado em filtros solares, também age como solubilizante para a oxibenzona, além de dar uma agradável textura

à pele. Trata-se de uma mistura de álcoois sintéticos. Nomenclatura INCI:

C 12-15 alkyl benzoate. Allantoin – alantoína: extrato botânico considerado restaurador, calmante e também aliviante. Também ajuda a proteger a pele de fatores externos no- civos (p. ex., queimadura pelo vento). É tida como excelente anti-irritante temporário, e acredita-se que auxilie no tratamento de peles danificadas,

A

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| Allyl methacrylates crosspolymer – polímero cruzado de metacrilatos de alila

A estimulando o crescimento de novos tecidos. A alantoína é apropriada para peles sensíveis, irritadas e com acne. Derivada da raiz de confrei, é conside- rada não alergênica. Allyl methacrylates crosspolymer – polímero cruzado de metacrilatos de alila:

sistema de liberação polimérico. De acordo com o fabricante, é suficien- temente versátil para liberar um amplo espectro de ingredientes reativos, tais como o retinol. Também pode liberar ingredientes voláteis com sucesso, como fragrâncias, e solubilizar outros com facilidade, como no caso do filtro solar avobenzona. Almond flour – farinha de amêndoa: usada principalmente em sabões para dar maior consistência e ação esfoliante. Almond meal – farelo de amêndoa: usado em cosméticos para obter uma ação esfoliante. Não tem nenhum outro efeito direto na pele. É encontrado em diferentes tamanhos: do n o 1, muito fino, até o n o 10, muito grande. O fa- relo de amêndoa é feito da casca da amêndoa. Nomenclatura INCI: Prunus amygdalus dulcis seed meal (farelo de semente de amêndoa doce). Almond oil, bitter (Prunus amygdalus amara) óleo de amêndoa amarga: ser- ve como emoliente e carreador, conferindo uma textura elegante à pele e auxiliando no espalhamento de cremes, loções e óleos de banho. Obtido da amêndoa amarga, supõe-se que permaneça refrescante por mais tempo que

o óleo de amêndoas doces. É o óleo essencial volátil destilado da amêndoa,

também usado em fragrâncias e aromas. Quando utilizado em altas concen- trações, costuma causar fortes reações alérgicas, incluindo dor de cabeça. Nomenclatura INCI: Prunus amygdalus amara kernel oil – óleo da semente da amêndoa amarga. Almond oil, sweet (Prunus amygdalus dulcis) óleo de amêndoa doce: serve como emoliente e carreador, conferindo uma textura elegante à pele e au- xiliando no espalhamento de cremes, loções e óleos de banho. O principal constituinte do óleo de amêndoa doce é a oleína, com uma pequena propor- ção do glicerídeo ácido linoleico. Muito semelhante em composição ao óleo de oliva, é obtido de amêndoas doces que passaram por um processo de lim- peza e trituração, deixando-as em forma de pó. O pó é então prensado a frio

e deixado em repouso por uma ou duas semanas. Após esse período, o óleo

é filtrado e geralmente descolorado. O óleo de amêndoa doce é o óleo trigli- cerídeo (óleo vegetal) derivado das amêndoas. Nomenclatura INCI: Prunus amygdalus dulcis oil – óleo de amêndoa doce.

Aloe vera – aloé/babosa | 95

Almond powder – pó de amêndoa: ver almond flour. Almond protein – proteína de amêndoa: possui propriedades de retenção de umidade. Derivada do farelo de amêndoa. Nomenclatura INCI: Prunus amygdalus dulcis protein – proteína da amêndoa doce. Almondermin ® : deixa a pele com uma textura aveludada. Possui propriedades hidratantes, alisantes e aliviantes. Almondermin ® é um extrato botânico que mistura amêndoas doces com marshmallow.

Aloe extract – extrato de aloé: substância de origem botânica muito popular e há séculos reconhecida pelas suas propriedades medicinais benéficas: antibióticas, anti-inflamatórias e no tratamento de ferimentos. Esses benefícios também se estendem aos cuidados da pele. O aloé (ou babosa) é usado com frequência em preparações cosméticas devido às suas aparentes propriedades hidratantes, aliviantes e calmantes. É excelente para peles secas e sensíveis, bem como para

o tratamento de queimaduras de sol e outras pequenas queimaduras, picadas

de insetos e irritações da pele. O extrato de aloé é obtido das folhas de aloe vera e também é chamado de gel de aloé. Ver também aloe vera.

Aloe juice – suco de aloé: também conhecido como gel de aloé. Tecnicamente,

o termo suco de aloé aplica-se a uma versão diluída do gel de aloé. Ver tam-

bém aloe vera. Aloe vera – aloé/babosa: emoliente e resina de goma formadora de filme, com propriedades hidratante, amaciante, curativa, antimicrobiana e anti-infla- matória. Sua capacidade hidratante é a sua característica mais reconhecida. O aloé fornece umidade diretamente ao tecido cutâneo. Outras propriedades incluem regulação da umidade e uma aparente capacidade de absorver luz UV. Tem um efeito levemente relaxante sobre a pele, sendo assim benéfica para peles sensíveis, queimadas de ou expostas ao sol. Na medicina folcló- rica, foi bastante popular como remédio para queimaduras. Costuma ser usada em géis como um refrescante e relaxante eficaz para peles irritadas, daí sua popularidade em preparações pós-sol por trazer resfriamento e alí- vio. Além disso, é também um componente eficaz em emulsões formuladas para a regulação de peles secas. Aparentemente, a aloé vera tem um efeito sinérgico quando utilizada junto com outras substâncias anti-inflamatórias. Concentrações acima de 50% aumentam o fluxo de sangue na área da apli- cação. Embora os constituintes importantes da aloé vera sejam minerais, po- lissacarídeos, aminoácidos e carboidratos, 99,5% de seu conteúdo é água. Seus benefícios em produtos para a pele dependem da concentração apropriada,

A

96

| Aloe vera gel – gel de aloé

A

já que diferentes concentrações resultam em diferentes benefícios e produtos

finais. Um extrato quase inodoro e praticamente incolor é derivado da seiva do aloé. É utilizada em cosméticos na forma de gel (também chamado de

extrato) ou em uma versão diluída, conhecida como suco de Aloe vera. Aloe vera gel – gel de aloé: mucilagem obtida das folhas de Aloe vera. Ver tam- bém Aloe vera. Alpha bisabolol – alfa bisabolol: ver bisabolol. Alpha hydroxyacid (AHA) – alfa-hidroxiácido (AHA): nome que se dá a uma família de ácidos de ocorrência natural geralmente chamados de “ácidos de frutas”. Os AHAs são utilizados em produtos cosméticos como hidratantes, emolientes e esfoliantes. Também são empregados no tratamento de danos causados pela luz e hiperpigmentação; em nível clínico, eczema e ictiose.

A atividade e benefícios associados dependem do tipo de AHA utilizado, a

concentração empregada e o pH da fórmula. Os benefícios atribuídos a essas substâncias ativas incluem redução das linhas de expressão e rugas superfi-

ciais, clareamento da pigmentação superficial e pele mais macia e flexível, com melhoria na hidratação. Esses benefícios observados são resultado da atividade do AHA para normalizar o estrato córneo, reduzindo sua espessu-

ra por meio de esfoliação e a criação de uma estrutura mais compacta; maior

hidratação da pele devido a propriedades umectantes naturais; capacidade de ativar o ácido hialurônico, que, por sua vez, reterá maior quantidade de água na pele; e aumento da espessura dérmica devido ao aumento da hidra- tação e normalização das funções cutâneas. Existem seis AHAs fundamen- tais encontrados em várias plantas e frutas: o ácido glicólico, encontrado no sumo da cana-de-açúcar; ácido lático do leite coalhado e do suco de tomate; ácido málico encontrado em maçãs; ácido tartárico das frutas e do vinho;

e ácido cítrico encontrado em limões, abacaxis, laranjas e outras frutas. O ácido pirúvico também é um AHA. AHAs usados em preparações cosmé-

ticas são derivados sintéticos. As propriedades esfoliantes e de redução da hiperqueratinização em alguns AHAs torna-os ingredientes importantes em produtos para acne, para reduzir a queratose actínica e melhorar a aparên- cia da pele envelhecida. Suas propriedades emolientes e hidratantes também ajudam a pele seca e envelhecida. De todos os AHAs, os ácidos glicólico

e lático, e seus sais, são os mais populares para uso nos cuidados da pele.

São considerados os mais eficazes; sua eficácia foi validada por um grande número de estudos científicos. Dos dois, o ácido glicólico é tido como um

Apha lipoic acid – ácido alfalipoico (ALA) | 97