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Regime Jurídico Administrativo, Princípios e

Poderes da Administração Pública


O poder do Estado só existe por conta do seu dever. Poder e dever formam uma
relação muito importante no direito administrativo. É a relação poder-
dever/dever-poder. Esta relação é uma relação que se apresenta justamente
nos princípios de direito administrativo. Ex: o Estado pode desapropriar uma
propriedade privada sem o dono dessa querer (consentimento), e esse poder
só poderá ser exercidopelo Estado se ele estiver respeitando todos os princípios
constitucionais expressos no direito admnistrativo (legalidade,
impessoalidade,moralidade, publicidade e eficiência)

Princípios Constitucionais Explícitos e Fundamentais: que se coagulam no


princípio da legalidade, impessoalidade, moralidade, públicidade e eficiência.
(artigo 37 da CF – são de observância obrigatória para toda a administração
pública, direta e indireta)

Princípios Constitucionais Implícitos e Fundamentais (art. 37, caput, CF): estão


implicitamente agregados no corpo da CF, eles não estão expressos, mas eles
são de observância obrigatória também.
ex: razoabilidade e proporcionalidade, segurança jurídica, ampla defesa,
autotula, continuidade do serviço público, supremacia do interesse público
sobre privado, etc.

Primeiramente o que vem a ser o Direito Administrativo? Sucintamente, diz-se de


um ramo do direito público que ocupa uma das funções do Estado: a função
administrativa. O Direito Administrativo Brasileiro pode ser considerado um direito
codificado, pois o mesmo é regido por princípios, regras e normas.

Leciona-se: “o conceito de Direito Administrativo Brasileiro, para nós, sintetiza-se


no conjunto harmônico de princípios jurídicos que regem os órgãos, os agentes
e as atividades públicas tendentes a realizar concreta, direta e imediatamente
os fins desejados pelo Estado” [1]. Helly Lopes Meirelles, por sua vez destaca o
elemento finalístico na conceituação: os órgãos, agentes e atividades
administrativas como instrumentos para realização dos fins desejados pelo Estad

A Administração Pública representa o conjunto de órgãos e agentes estatais no


exercício da função administrativa, independentemente se pertencentes ao
Poder Executivo, ao Legislativo, ao Judiciário, ou a qualquer outro organismo
estatal (como Ministério Público, Defensorias Públicas e etc).

Portanto, “Administração Pública” considera-se o conjunto de órgãos e de


pessoas jurídicas as quais a lei atribui o exercício da função administrativa do
Estado; e a “administraçãopública” tem-se a ótica de que é um complexo de
atividades concretas e imediatas desempenhadas pelo Estado sob os termos e
condições da lei visando o atendimento das necessidades coletivas.
O Regime Jurídico Administrativo consiste no conjunto de regras, normas e
princípios que estruturam a Administração Pública, sempre evidenciando a
supremacia do interesse público sobre o interesse particular. Basicamente,
visando a "integridade" da coisa pública, referido regime tem a finalidade de
nortear as atividades desempenhadas pelos seus agentes.

Segundo Marçal Justen Filho, "o regime jurídico de direito público consiste no
conjunto de normas jurídicas que disciplinam o desempenho de atividades e
de organizações de interesse coletivo, vinculadas direta ou indiretamente à
realização dos direitos fundamentais, caracterizado pela ausência de
disponibilidade e pela vinculação à satisfação de determinados fins."

Cumpre ressaltar que a Administração Pública deve sempre buscar o bem


estar coletivo e, para tanto, deve obedecer estritamente tanto os princípios
expressos quanto os princípios implícitos que regem sua atuação.

Não há que se falar em hierarquia em se tratando da aplicação dos princípios


implícitos e expressos, posto que ambos possuem a mesma força jurídica. Vale
destacar que os princípios considerados basilares da atividade Pública são
princípios implícitos, sendo eles: (i) supremacia do interesse público sobre o
privado e (ii) indisponibilidade dos interesses públicos por parte da
Administração Pública.

Os princípios expressos encontram-se consagrados no


Art. 37 caput da Constituição Federal de 1988, veja-se:
"Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá
aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
eficiência e, também (..)" (LlMPE)

Tais princípios embasam toda a sistemática do direito administrativo, ou seja,


são a base e alicerce para todo o desenvolver da disciplina.

Princípios Expressos

Princípio da Legalidade (Seabra Fagundes): administrar significa aplicar a lei de


ofício – “admnistradodor só pode fazer o que a Lei manda – subordinação aos
critérios da Lei” – o administrador pautado na legalidade faz aquio que a lei
determina, se assim não for o admnistrador estará agindo com vício – ilegal, o
quais atos devem ser anulados por parte da administração pública (autotutela)
ou pelo próprío judiciário.

(esse princípio se dá como um limite ao abuso de poder... filósofos: Locke e


Montesquieu – em virtude disso tudo hoje nós temos o chamado Estado de
Direito, ou seja, o Estado só faz aquilo que a lei determina/autoriza – esse
principio regula toda a ação do Estado, quando ele deve ou não agir ... obs: no
caso de omissão de lei o Estado não pode agir, porque o Estado está distrito ao
cumprimento estrito da legalidade, o que é bem diferente para o particular ...
o particular não é regulado pela estrita legalidade, mas sim goza de uma
legalidade aberta, uma legalidade que não exige que ele faça só o que a lei
determina, quando a lei não fala nada, o particular está autorizado a fazer a
ação, não precisa estar a lei regulando todas as ações... o particular pode fazer
tudo aquilo que a lei não proíbe .... já o estado não, pois ele está submisso a
estrita legalidade)

Lei 9784/89, artigo 54 fixa o prazo que o administrador tem para anular atos
ilegais (em regra 5 ano, salvo se comprovado a má-fé).

Súmula 346 e 743 – permitem que o administrador anule os atos ilegais por ele
praticado.

Principio da Impessoalidade: siginfica auência de subjetividade – o


administrador ao atuar ele atua em nome do órgão a que ele pertence (teoria
do órgão: o agente está representando a vontade do Estado, não atuando
com base na sua própria vontade e se assim você não pode tratar com
privilégios ou prejuízos o administrador, ao contrário, você deve agir de forma
impessoal, com ausência de subjetividade – situação por exemplo quanddo
escolho alguém para cargo em comissão e esse alguém não pode ser por
exemplo quando escolho alguém para cargo em comissão e esse alguém não
pode ser o meu parente – Súmula Vinculante STF 13 veda o nepotismo não só
na administração pública mas também no judiciário. Observação: tal
enunciado não trata de alguns cargos que acaba por violar o princípio da
impessoalidade deixando de falar por exemplo daqueles que são titulares de
cargos políticos (ex: secetário municipal de educação; tais cargos políticos ante
a falta de proibição continuam permitidos). A súmula também só elenca até o
parentesco de 3º grau, não sendo portanto proíbidos os de 4º, mas não significa
que não atenta aos pricípios morais da eficiência.

O Estado não pode fazer preferências a determinada pessoa, não pode


conceder privilégios em suas relações jurídicas, ou não pode prejudicar
deterinadas pessoas... se ele fizer isso ele foge a finalidade da lei... a lei deve
atender ao interesse público .. o interesse de todo. A lei não pode conceder um
privilégio especial a não ser que a própria lei regule, porém nessa situação,
como a lei é isonômica, ela vai fazer diferença apenas para aqueles que
necessitam de uma diferença; ex: quando a lei regula algumas situações
diferentes para gestantes, idosos ou para aqueles que são mais humildes
economicamente.

Situação: prefeito que desapropria outrem por esse ser seu “inimigo político”. O
único objetivo da desapropriação foi prejudicar ... está ferindo o princípio da
impessoalidade. Isso não pode acontecer.

Princípio da Moralidade: CF/88 – Ideia da boa administração

O conceito de morabilidade está inserida dentro de um conceito vago ou


interminado, mas deve existir uma essência para que essa modalidade seja
obedecida, pois a não observância dessa moralidade pode acarretar em uma
improbidade administrativa (o que é contrário à honestidade, corrupção
admnistrativa). Se o adminstrador não agir pautado na moralidade, não
bedecer o ordenamento jurídico, ele vai cometer improbidade administativo,
sendo punido inclusive com diversas penalidades, tais como a suspensão dos
direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade de bens, tudo
como estabelece o artigo 37, §4º, CF + Art. 12, inciso I, II, III da Lei 8429 de 1992.

Vai além da legalidade. O Estado além de obedecer a lei, o Estado deve


praticar atos leais, atos vinculados a ética, boa administração. O bom
administrador não pode tão somente cumprir o que diz a lei, ele tem também
de ser honesto, ético. Só assim esse administrador vai decidir com retidão, com
de acordo com a moralidade.

Ex: súmula vinculante contra o nepotismo (usar o poder para entregar aos
parentes – fere o principio da moralidade)

Principio da Publicidade: no direito administrativo é um dos principios que vai


possibilitar que exista por parte do administrado um controle do que está
acontecendo na máquina administrativa. Quando um administrador pratica u
mato e da publicidade ele está dando ciencia ao administrado daquilo que
está acontecendo na máquina admnistrativa, e o adinistrado tendo ciencia
poderá controlar o ato. Publicidade também serve para o inicio de contagem
de prazo. Pra complementar, um dispositivo do artigo 37, §1, que trás um
publicidade especifica para os órgãos e campanhas realizadas pelo poder
publico ( as obras, os servições e campanhas realizadas pelo poder público
deve ter uma publicidade com caráter educativo e informativo, de orientação
social, não posso desse ato e dessa informação dar uma conotação que
configure promoção pessoal da autoridade – publicidade exagerada em que
o administrador objetva mais do que dar publicidade a sua promoção,
promoção pessoal é proibido – inclusive configura ato de improbidade
administrativa).

Regra: todo ato tem de ser público, e alguns deles precisam ser além de
públicos, publicados (D.O).

Com a publicidade pode o povo fiscalizar o estado, a controladoria fiscalizar o


trabalho de outros órgãos, o MP fiscalizar os outros órgãos, pode o tribunal de
contas calcular as contas públicas para saber se o dinheiro público está sendo
utilizado para o interesse público. Com isso permite que se saiba onde foi
empregada a coisa pública, onde foi empregada, se está ou não correto.

Principio da Eficiência: (objetivo: tornar o Estado mais ágil – faze com que o
Estado perca a burocracia, devendo o Estado agir com agilidade, pois se não,
não se consegue atender as necesidades da coletividade, os quais são flexiveis
e mudam a todo tempo .. ex: pessoa morre em corredor de hospital após ficar
dias esperando por atendimento médico .. resposta: a administração fallhou e
a responsabilidade é toda dela por fedir o princípio da eficiência) significa
produtividade + economina = signfica que o administrador nã srá edificente se
ele gastar tudo o que ele gasta com folha de pagamento por exemplo .. a Lei
de Responsabilidade Fiscal (L.C. 101 de 2000) fixa limites para a União e para o
Estado com gasto de folhas de pagamento e diz “ se naquele orgao estatal
houver um limite acima daquilo que está fixado por essa lei, alguel terá que ser
exonerado para se buscar essa eficiência, e essa lei estabelece uma orde de
quem será exonerado para ficar dentro do limite ... primeiramente são
exonerados os funcionários de cargo em comissão, depois os servidores não
estaveis e por fim os servidores estáveis se necessário for .. lembrando que nessa
situação elecando o motivo para essa exoneração ‘ reduzir gastos com folhas
de pagamento’ é a chamada racionalização da máquina administrativa, a
partir dai eu estou vinculada a esses motivos .. teoria dos motivos determinantes
.. uma vez praticado o ato, o motivo para o ato deve ser verdadeiro, sob pena
de invalidação do ato ( por exemplo: estou proibido de no dia seguinte eu
colocar outra pessoa para ocupar aquea mesma função, pois o motivo
alegado deve ser verdadeiro e existente).

Princípios Implícitos:

Princípio da Supremacia do Interesse Público sobre o Particular:estabelece que


o interesse do Estado deve prevalecer em relação ao Interesse Particular. Deve
existir uma relação de verticalidade entre o que o Estado busca que é o BEM
COMUM, o INTERESSE PÚBLICO e essas determinações do Estado devem fazer
com que o administrado se submeta a essas determinações. Esse é o princípio
da supremacia do interesse público. Na verdade esse princípio confere
verdadeiros privilégios, prerrogativas ao administrador para que ele, fazendo
uso dessas prerrogativas faça com que o administrado se submeta a elas. Nós
temos diversos institutos do Direito Administrativo que são consequênia do
príncipio. São eles: (1) poder de polícia (liita atuação do particular em nome do
interesse público); (2) Instituto dos Atributos dos Atos Administrativos (porque que
um ato administrativo goza de presunção de legitimidade? Porque a vigilância
sanitária quando determina o fechamento de um estabelecimento que está
em desacordo com as regras sanitárias, esse estabelecimento primaface vai ser
fechado? Por conta do atributo de presunção de legitimidade que são
revestidos os atos administrativo que na verdade são consequência do princípio
da supremacia do interesse público sobre o particular. Também a questão que
envolve o tema a intervenção do Estado na propriedade. O instituto que
autoriza existir a desapropriação do imóvel particular por razões de utilidade
pública, necessidade pública ou interesse social e os termos do artigo 5º, inciso
XXIV da CF só são possívis por conta da existência do princípio da supremacia,
da mesma forma o Instituto da requisição (art. 5º, XXV) que permite ao Estado
requisitar a propriedade do particular numa situação que houver um dano ao
particular). As cláusulas exorbitantes dos contratos administrativo que conferem
certa prerrogativas ao administrador, prerrgativas essas que não estão
presentes em contratos formados entre particulares (ex: instituto da
encorporação – permite que o administrador passa extinguir o contrato de
concessão por vontade unilateral – motivo de interesse público).

Relação de desigualdade entre as partes, da verticalidade da relação jurídica.


É a partir desse princípio que a administração pública consegue se sobrepor ao
particular – superioridade do Estado em relação ao indivíduo para que normas
de caráter coletivo, de finalidade pública tenham repercurssão para vida em
sociedade. Pode-se afirmar que a Supremacia do Interesse público sobre o
privado é um princípio IMPLÍCITO do artigo 37 da constituição, mas ele é
MAIS...ele é considerado o princípio BASILAR, o mais importante do direito
administrativo.

Princípio da Indisponibilidade do Interesse Público: significa que o Administrador


não pode abrir mão do interesse público. O administrador exerce função
pública (age em nome da coletividade) e por essa razão não pode dispor de
um interesse que não é seu. É por essa razão que diversos institutos são
obrigatórios no Direito Aministrativo, por exemplo se eu administrador quero
adquirir alguma coisa, precisa fazer o procedimento licitatório prévio
(procedimento para poder escolher a melhor proposta para o administrador) –
isso observa o princípio da indisponibilidade e interesse público. Da mesma
manira quando o administrador realiza ou abre um concurso público (autor
possibilitando que em patamar de igualdade os interessados disputem aquele
certame, não dando privilégio para alguns, não violando tal princípio).

OBSERVAÇÃO: greve do servidor – Art. 37, inciso VII da CF, que é norma de
eficácia limitada diz que é possível o servidor exercer o direito de greve, porém
esse direito de greve ele vai ser exercido nos termos da lei .. só que surge o
problema da chamda sindrome da inefetividade das normas constitucionais,
pois falta norma regulamentando o assunto. O que fazer esse para exercer esse
direito então? O STF resolveu essa questão em 2007 quando julgou três
mandados de injunção (670, 708 e 712), adotando uma teoria uma concretista
geral, decidiu ao julgar esses mandados de injunção que enquanto não vier a
lei especifica que regulamenta a greve para o serviço público, nós iremos utilizar
no que couber a lei que regulamenta a regra no setor privado que é a lei
7783/89.

Principio da continuidade dos serviços públicos: significa que o serviço público


deve ser prestado de forma continua e sem interrupções (deve existir uma
continuidade de prestação daquele serviço ao particular), porém,
excepcionalmente pode ocorrer a descontinuidade da prestação em algumas
hipóteses sendo tais hipóteses definidas na Lei 8987/95, de modo que tais
hipóteses não violem os principios da continuidade dos serviços públicos.
Exemplo: situações emergências ainda que não haja aviso prévio; interrupção
com aviso prévio ao usuário do serviço, como em situações de inadimplemento
ou por desobediência de normas técnicas colocando em risco a segurança das
instalações, é o famoso gato.

Princípio da Razoabilidade e da Proporcionalidade: em conjunto são


chamados do “princípio da proibição de excesso”. São princípios que proíbem
o administrador público de se fazer da legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência, para poder abusar do ato administrativo. O princípio
da razoabilidade é elencado pelo princípio da teoria do homem médio em que
se deve fazer tudo aquilo que seus pares na mesma situação fariam. São os
meios e fins de um ato administrativo que deve ser pautado de forma razoal,
consensual. Tal conceito (razoabilidade) muitas vezes se confunde com o
conceito do princípio da proporcionalidade. O princípio da proporcionalidade
é elencado como a força versus a falta do administrado.

Ex: imagine que exista um fiscal sanitário do município e em um mercado ele


encontra produtos estragados; a lei dá as competências do fiscal .. são as
seguintes: (1) multar o estabelecimento, (2) destruir as mercadorias, (3)
suspender o estabelecimento de 1 a 90 dias .. então a lei dá a competência ao
fiscal para aplicar a penalidade, também deu as diretrizes que eram achar
produtos estragados, e também deu os limites. O mínimo que ele pode fazer é
multar e o máximo é suspender até 90 dias... se ele fizer menos que o mínimo ou
mais que o máximo é ABUSO, pois a omissão da administração pública é tida
como abuso de poder. “Se você se omitir para menos, ou fizer a mais do que a
lei está pedindo, será abuso de poder e você será responsabilizado”.

Os conceitos de razoabilidade e proporcionalidade parecem que são os


mesmos princípios. Repare que a proporcionalidade está dentro da
razoabilidade. Então os conceitos que você usa para razoabilidade, você
também usa para a proporcionalidade, os conceitos se confundem.

Ex: um estabelecimento com um pote de margarina estragado e outro


estabelecimento com uma tonelada de carne estragada ... aplicar a
suspensão de 90 dias nos dois estabelecimentos estaria correto?

Se você como fiscal fizer isso, você não estará sendo razoavel pois você não
estará aplicando a teoria do homem médio, e você também não está sendo
proporcional, pois você aplicou uma sanção a uma falta que o administrado
cometeu, porém é desproporcional a sua força em relação a falta (se a falta é
pequena a força deve ser pequena, se a falta é grande a força deve ser
grande. Isso é chamado de proteção ao interesse ou ao bem público
alcançado. Portanto, não basta ser legal, moral, público, impessoal, e eficiente,
ainda sim, você deve coadunar com os principios da razoabilidade e da
proporcionalidade que são considerados principios constitucionais implicitos da
proibição de excesso.

Razoabilidade: conduta – ação = deve ser uma decisão adequada e


necessaria para atingir o resultado que você pretende que deve ser razoavel
Proporcionalidade: força - aplicação

Principio da Autotutela: signfica revisão que a administração faz dos seus


próprios atos, é nada mais nada a menos que um controle interno realizado pelo
administrador, de forma que esse anule os atos que são ilegais, e revogue os
atos que são incovenientes ou inoportunos ao interesse público, revogação é
um juizo feito hoje daquilo que foi produzido ontem, opera efeito ex nunc (de
hoje em diante).

Está previsto na súmula 473 do STF – A administração pode anular seus próprios
atos quando eivados de vícios que os tornem ilegais, porque deles não se
originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade,
respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a
apreciação judicial.

Principio da Especialidade: prestar o serviço público conforme prevê a lei

OBSERVAÇÃO: o que é o instituto da estabilização de efeitos? Se já houver


passado o prazo de 5 anos que a administração pública tem para anular atos
ilegais, e mesmo assim ela percebe vários anos depois que o ato que ela
praticou é inválido ou ilegal, talvez a anulação nesse caso traga muito mais
maleficios do que beneficios ... nesse caso a administração mantém aquele ato
ainda que ilegal, e tambem não pode convalidar (consertar), mas ela mantém
o ato ainda que ilegal, mas vai estabilizar os seus efeitos ... manutenção do ato
ainda que ilegal mas com o objetivo de respeito ao principio da segurança
juridica, boa fé, e confiança.

OBSERVAÇÃO: não existe hierarquia entre os entes da Administração Indireta e


os da Administração Direta (o que existe é o controle).

OBSERVAÇÃO: não existe hierarquia entre os princípios

Princípio da Motivação: todo ato da administração pública além de ser público


deve ser motivado (fundamentar), porém, atos discricionários não precisam de
motivação, desde que não recaiam em dois casos: atos de caráter punitivo e
atos que onerem a administração pública.

Princípio da Segurança Jurídica: “a lei não poderá prejudicar ato jurídico


perfeito, direito adquirido e coisa julgada” – assegurar que pode haver um novo
entendimento/adequação/entendimento/alteração de lei, sem prejudicar o
que já ocorreu. (ex: que os já aposentados tivessem que se adequar as novas
normas de aposentadoria).

Princípio do Devido Processo Legal: é o princípio que assegura a todos o direito


a um processo com todas as etapas previstas em lei e todas as garantias
constitucionais. Se no processo não forem observadas as regras básicas, ele se
tornará nulo. É considerado o mais importante dos princípios constitucionais, pois
dele derivam todos os demais. Ele reflete em uma dupla proteção ao sujeito, no
âmbito material e formal, de forma que o indivíduo receba instrumentos para
atuar com paridade de condições com o Estado-persecutor.

PERGUNTAS:

1) A medida provisória conflita com o princípio da legalidade admnistrativa? É


uma excessão ao princípio da estrita legalidade, porque não é lei e o Estado
tem o dever de cumprir. [ em caso de medida provisória, estado de defesa e
estado de sítio, abre-se exceçõs ao princípio de legalidade, porque em todas
as outras situações, o Estado tem o dever de cumprir a lei.]
(A Medida Provisória (MP) é um instrumento com força de lei, adotado pelo
presidente da República, em casos de relevância e urgência. Produz efeitos
imediatos, mas depende de aprovação do Congresso Nacional para
transformação definitiva em lei. Seu prazo de vigência é de sessenta dias,
prorrogáveis uma vez por igual período. Se não for aprovada no prazo de 45
dias, contados da sua publicação, a MP tranca a pauta de votações da Casa
em que se encontrar (Câmara ou Senado) até que seja votada. Neste caso, a
Câmara só pode votar alguns tipos de proposição em sessão extraordinária.)

2)Qual a diferença entre lei e regulamento?


A primeira diferença é relacionado a origem. A lei se origina do processo
legislativo. O regulamento é um ato administrativo, que pode ser realizado por
todos os poderes, mas via de regra quem realiza esse tipo de ato é o poder
executivo. A segunda diferença se diz respeito a hierarquia, pois o regulamento
é submisso a lei (a lei prevalece sobreo regulamento), e caso ele desrespeite a
lei ele será ilegal, ou seja o regulamento serve para explicar a lei. E a ultima
diferença é o poder que a lei tem de inovar na ordem jurídica, só ela pode criar
novos direitos e novas obrigações, os quais ainda não foram idealizados pelo
ordenamento jurídico, o regulamento (ato administrativo) não pode criar novos
direitos e novas obrigações, pois em primeiro lugar ele não se presta pra isso, e
o mais importante porque está expresso no artigo 5º, inciso II, que ninguém será
obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa se não em virtude de lei
(apenas lei).

3) O nepotismo fere algum princípio de direito aministrativo?

Sim. Fere em primeiro lugar o princípio da moralidade, pois o administrador


público tem que pensar no interesse público e não no bem da família dele. E
depois fere também o princípio da impessoalidade, pois o Estado deve ser
impessoal, e no nepotispo acaba por beneficiar alguém, o que não pode.

4) O princípio da publicidade admite exceção?

Sim, tal princípio é uma regra que admite exceções. Exemplo: estrutura militar ...
o Estado não tem interesse em deixar público os planos militares brasileiros e
nossa defesa nacional, portanto em caso de segurança nacional e do Estado
os atos administrativos podem ser sigilosos.