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O “eu” digital

A internet surgiu no período da Guerra Fria, inicialmente para fins militares. Hoje em dia,
utilizada para diversas finalidades, e uma que vem ganhando bastante destaque são as redes sociais,
cenário fértil para a superexposição do “eu” exibicionista. Devido à grande exposição, seus usuários
estão tornando-se alvos fáceis de criminosos e ou doenças. Um outro agrave é a crescente vigilância
que a tecnologia vem incidindo sobre as pessoas, abrindo espaço para que o Estado chamado de
“Leviatã” pelo filósofo Hobbes, possa exercer um maior controle social.
Os usuários mais presos ao vício do exibicionismo estão ousando cada vez mais nas suas
postagens. Os aparelhos celulares mais modernos estão se utilizando de um termo que ficou muito
famoso nas redes sociais, a selfie(autorretrato), para atingir esse público que não cansa de se exibir.
Estes por sua vez, tornam-se vítimas fáceis de criminosos e ou doenças psicológicas. Em meados de
2014 inúmeras celebridades tiveram suas fotos íntimas vazadas por hackers em toda a web. O
escritor Augusto Cury em seu livro “Ansiedade” alerta sobre o mal do século, doenças como
transtorno de ansiedade, depressão entre tantas outras, não raro os consultórios de psicólogos estão
cheios de pessoas que não suportam a vida real e mergulham na “vida teatral” das redes sociais.
E os consequências da superexposição no ambiente virtual não param por ai. A séria de
televisão Black Mirror, explora em seus episódios de ficção científica, um futuro próximo onde a
natureza humana e a tecnologia de ponta entram em um perigoso conflito. A China atualmente,
desenvolve um programa governamental que parece ter sido inspirado no seriado de TV. As pessoas
serão constantemente avaliadas tendo base as suas relações em redes sociais, créditos bancários, por
exemplo, é um dos inúmeros tópicos que serão avaliados pelo governo chinês. As pessoas se
tornarão meros seres digitais.
Em vista dos argumentos apresentados, é imprescindível que todos se conscientizem de
que se não guiada da forma correta a tecnologia pode a vir acarretar diversos problemas. Os pais
devem impor limites aos seus filhos no tocante à superexposição nas redes sociais, tendo em vista
que estes são os mais vulneráveis. A sociedade, a Igreja, a escola, devem reforçar em seu ambiente
de atuação as vantagens do advento da internet, por exemplo, o gigantesco acesso ao conhecimento,
a facilidade de se relacionar com pessoas em todo o mundo etc. Para que só assim as pessoas
deixem de compor uma sociedade alienada e não permita que o estado de protetor passe a ser o
monstruoso “Leviatã” citado por Hobbes.