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APOSTILA PARA O SEMINÁRIO DE EVANGELIZAÇÃO

Org. Prof. Gildelânio da Silva1 (gildelanio@hotmail.com)

1. Evangelização e Missões

O objetivo dessa apostila é orientar os leitores sobre a missão evangelizadora da


igreja de Cristo e tratar da relação entre evangelismo e missões na teoria e prática.
Depois mostrar o valor do discipulado para conferir e/ou garantir uma melhor
evangelização dos membros na igreja de hoje.

A igreja de Jesus tem duas finalidades fundamentais: A glorificação do Pai (a


missão objetivo) e a proclamação do Filho (a missão tarefa). Toda a obra da igreja deve
ser operada em torno da glória de Deus e de anunciar seu Filho como Senhor e Salvador
do mundo.

“Assim, quer vocês comam, quer bebam, quer façam qualquer


outra coisa, façam tudo para a glória de Deus.” (1 Co. 10.31)

E disse-lhes: "Vão pelo mundo todo e preguem o evangelho a


todas as pessoas.” (Mc. 16.15)

1.1 - Diferença básica entre evangelismo e missões:

Evangelismo é a pregação do evangelho dentro da mesma cultura, ou região


onde vive o obreiro; Missões identificam-se com a proclamação do evangelho numa
cultura, ou num país (grupo étnico) diferente do país daquele obreiro.

1.2 - O que é missões?

“... é a comunicação das Boas Novas com o propósito de dar a indivíduos e grupos uma
oportunidade válida de aceitar Jesus Cristo, tendo como alvo persuadir aos homens a
aceitar Jesus Cristo como Senhor e Salvador, e segui-lo na comunhão de sua Igreja”.2

Jamais houve na mente de Jesus qualquer distinção entre missões nacionais e


missões mundiais. Só havia evangelismo de escopo mundial. Este é o dever maior da
Igreja e o seu cumprimento é o dever de todos. A missão da Igreja é a ação de sair de
suas quatro paredes, de sua cultura, de seu povo, de sua língua, de seus costumes, para
anunciar àqueles que estão perdidos, o evangelho redentor de Cristo.

Diante dessas verdades vamos apresentar uma filosofia missionária da igreja.

1
Mestre em Teologia do Novo Testamento e professor em diversas áreas da teologia, como: Missões,
Heresiologia, Liderança, homilética e hermenêutica, Teologia Sistemática, Teologia Bíblica, etc.
2
(Comitê de Lausanne para a Evangelização Mundial)
1.3 - Filosofia missionária:

I. Missões é a ação divina que conta com a cooperação do homem.


II. A tarefa suprema da Igreja é missões.
III. Cada cristão tem responsabilidade na obra missionária.
IV. Há necessidade de vocações específicas dos que são enviados.
V. A obra missionária visa principalmente à pessoa do evangelizando.
VI. A obra missionária requer um profundo senso de responsabilidade e
dependência de Deus, para se evitar erros e até mesmo modificar estruturas.
VII. A autonomia dos campos deve ser orientada e incentivada por um programa
bilateral de ação ajustável ao ambiente onde a mensagem é proclamada.

Como igreja de Cristo, devemos crer que a obra missionária tem mão dupla: tem
a ação divina e humana. Jamais poderemos fazer a parte de Deus e Ele conta conosco
que façamos a nossa.

Nessa missão suprema da igreja de proclamar o evangelho de Cristo cada crente


deve assumir sua responsabilidade missionária com sua igreja e com o mundo de está
preparado para pregar aqui e agora, bem como para ser enviado aos confins da terra
como missionário oficial vocacionado.

Toda a obra e todo evangelista ou missionário devem está sujeitos a Deus e


sensíveis a sua voz orientadora para colocar os programas e estratégias de trabalho em
prática para edificação da igreja e evangelização do mundo.

1.4 – A Finalidade da Missão

A finalidade dessa missão é a concretização da vontade de Deus na coletividade


chamada de raça humana. Um cristão por ser cristão, onde quer que esteja, e é por isso
mesmo um missionário onde estiver. Todas as vocações visam à concretização da
vontade de Deus; todas são, igualmente, significativas.

O missionário já não orienta sua vida por suas necessidades materiais, e sim à
luz daquilo que Deus quer que ele faça. A atividade graciosa de Deus procura ir além do
passado, cria sempre gente nova, comunidades novas, situações novas.

Não devemos fazer nada na vida que não seja para glória de Deus ou que não
foque a missão de Deus. (Soli Deo Gloria / Missio Dei). As nações (etinias, povos)
serão alcançadas e então virá o fim. (Mateus 24.14; 28.19).
1.5 - Missões na Bíblia

Desde o princípio, a missão de Deus é a de restaurar o homem perante Si e


perante o próprio homem.

 Abraão: Deus quis criar um povo seu, um reino de Deus entre os homens.
 Salmistas: conclamavam a todos os povos e nações, a renderem louvores,
adoração e serviço ao Senhor.
 Os profetas também revelaram os propósitos universais de Deus (Isaías,
Jeremias, Ezequiel, Daniel, Jonas).

Tanto no Antigo Testamento quanto no Novo encontramos a missão de Deus em


ação. De Abraão a Jonas, De Gênesis a Malaquias, percebemos o quanto Deus quer seu
povo dedicado a missão de levar os povos do mundo adorando seu santo Nome e
recebendo sua salvação da Grande Promessa de vida na chegada do Messias, Jesus.

Jesus Cristo, o Mediador da Nova Aliança

 Cristo retoma todas as coisas que o primeiro Adão perdeu (Cl 2.10; Hb 2.7-9);

 É a Semente da mulher da Aliança Adâmica (Gn 3.15; o 12.31; Gl 4.4; 1 Jo 3.8;


Ap 20.10);

 Nele se cumpriu a promessa feita a Sem na Aliança com Noé (Gn 9.16; Cl 2.9);

 É o Filho de Abraão obediente até a morte (Gn 22.18; Gl 3.16; Fl 2.8);

 Viveu sem pecado sob a Aliança Mosaica e levou por nós sua maldição (Gl
2.10-13);

 Viveu em obediência, sob a Aliança Palestiniana, e vai realizar suas promessas


(Dt 28.1-30.9);

 É a Semente, o Herdeiro e o Rei da Aliança Davídica (Mt 1.1; Lc 1.31-33); e

 O seu sacrifício é o fundamento da Nova Aliança (Mt 26.28; 1 Co 11.25).

A missão da igreja também é a missão da Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo).


Somos batizados em nome dos três não por acaso. O Pai que nos criou e enviou o Filho
para nos redimir, eles nos deram o Santo Espírito que nos regenera e santifica até o dia
de nossa glorificação na eterna vida com Deus no céu.
O Espírito Santo na Obra Missionária

 O Espírito Santo é o poder de Missões.

 É imprescindível para a salvação da pessoa.

 Incentiva-nos a uma vida de santidade e pureza diante de Deus.

 O ministério do Espírito Santo em testificar que somos filhos de Deus, em ser a


garantia de nossa salvação e em nos dar esperança é particularmente importante
na obra de missões.

Para tudo que fizermos, temos que ser guiados pelo Espírito, e para tudo que
pregarmos, temos que ter o amparo e a base bíblica que é nosso manual de fé e prática.
Vejamos o que nos dizem os textos bíblicos abaixo:

Pedro respondeu: "Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus


Cristo para perdão dos seus pecados, e receberão o dom do Espírito Santo.” (Atos dos
Apóstolos 2:38)

“Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas
testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra". (Atos
1.8)

Respondeu Jesus: "Digo a verdade: Ninguém pode entrar no Reino de Deus se não
nascer da água e do Espírito. O que nasce da carne é carne, mas o que nasce do Espírito
é espírito. Não se surpreenda pelo fato de eu ter dito: É necessário que vocês nasçam de
novo. (João 3:5-7)

"O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas-novas aos
pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos
cegos, para libertar os oprimidos.” (Lucas 4:18)

“Não entristeçam o Espírito Santo de Deus, com o qual vocês foram selados para o dia
da redenção.” (Efésios 4:30)

“quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu de forma
imaculada a Deus, purificará a nossa consciência de atos que levam à morte, para que
sirvamos ao Deus vivo!” (Hebreus 9:14)
A Grande Comissão

 É a sublime expressão da suprema vontade de Deus – a salvação do homem.

 Condensação missionária do AT – Lucas 24. 44-48

 Autoridade e comissão – Mateus 28.18-20

 Seis aspectos da ordem – Marcos 16.15-20

 A capacitação para a obra missionária – João 20.21,22

 A razão do batismo do Espírito Santo – Atos 1.8

O texto em 1 Coríntios 3.5-9 apresenta alguns princípios para o evangelismo. A


primeira verdade a ressaltar é que o resultado está no solo (v. 5), que é o coração da
pessoa. É Deus quem salva as pessoas e não o evangelista. A segunda verdade é que a
responsabilidade é do semeador (v. 6-8). Antes que o evangelista ou pregador chegue à
igreja ou à cidade, Deus já está trabalhando no coração das pessoas; depois que o
evangelista vai embora, Deus continua trabalhando no coração das pessoas, através do
seu Espírito. Deus é o único responsável pelo crescimento e pelos resultados. Um planta
e outro rega, mas Deus dá o crescimento. A terceira verdade evidente no texto é que a
regeneração está na semente, que é a mensagem do evangelho (Rm 1.16); há poder na
mensagem, pois quando a raiz pega há transformação de vida, para a glória de Deus.

Atividade para fixação do conteúdo: Leia Atos 2.37-47 e escreva as bases


(pelo menos cinco) para a igreja hoje (resposta pessoal)
SEGUNDA PARTE – A IMPORTÂNCIA DO DISCIPULADO

“E disse-lhes: Vinde após mim e eu vos farei pescadores de homens” (Mat. 4:19)

A igreja de Cristo é como uma pesca maravilhosa. Primeiro somos pescados e


depois saímos a pescar. Todos somos chamados para sermos pescadores de homens de
um certo modo. Mas a estrutura atual das igrejas evangélicas tem impedido o
crescimento, pois os crentes alcançam um determinado grau de crescimento espiritual e
ficam estagnados naquele grau: não continuam crescendo, não geram novas ovelhas,
não alimentam essas ovelhas, e a igreja não cresce. Na maioria das igrejas, os pastores
não estão aperfeiçoando os santos para a obra do ministério (Ef 4.11,12). Estes, por sua
vez, não estão aptos a orientarem outros na caminhada cristã. Então, não acontece a
multiplicação, o crescimento.

O objetivo dos dons concedidos à igreja de Jesus Cristo é o aperfeiçoamento dos


santos e a edificação do corpo de Cristo. Quando o evangelista estiver atuando bíblica,
espiritual e criativamente na Igreja, o corpo inteiro de Cristo será mais maduro em
estatura, estabilidade, discurso e serviço. Uma igreja preparada espiritualmente para o
evangelismo precisa satisfazer antes a três necessidades:

1) Constante aprendizagem da Palavra;

2) Vida em comunhão plena com os irmãos;

3) Adoração em espírito e em verdade.

Os homens que Jesus chamou para andar perto não eram os milionários da sua
época e nem os grandes líderes religiosos existentes nas sinagogas, não eram políticos
expressivos e nem autoridades de alto escalão do governo, eram homens comuns de
várias camadas sociais e que foram preparados para vida missionária e fazer discípulos
para Cristo.

1. O que é o discipulado?

O Discipulado Cristão é um relacionamento do Mestre e aluno, baseado no


modelo de Cristo e seus discípulos, no qual o Mestre reproduz muito bem no aluno a
plenitude da vida que tem em Cristo, que o aluno é capaz de treinar outros para
ensinarem a outros.

O Discipulado é a única maneira de evitar-se a má nutrição espiritual e a


fraqueza dos filhos espirituais pelos quais somos responsáveis. É o único método que
produzirá crentes maduros que poderão inverter a deteriorização física e espiritual dos
povos.
2. O Que é um Discípulo?

Pensemos em Jesus: Ele esteve com seus discípulos dia e noite; Seus discípulos
escutavam suas pregações constantemente; Memorizavam seus ensinamentos; Viam-no
viver a vida que ensinava.

Discípulo: É o aluno que aprende as palavras, os atos e o estilo de vida de seu


Mestre com a finalidade de ensinar a outros.

“A outro disse Jesus: Segue-me. Ele, porém, respondeu: Permite-me ir primeiro


sepultar meu pai. Mas Jesus insistiu: Deixa os mortos sepultar seus próprios mortos. Tu,
porém, vai e prega o reino de Deus” ( Lucas 9 57-60)

O propósito do discipulado é equipar alguém que morreu para si mesmo a


reproduzir noutras pessoas um caráter como o de Cristo.

Lc. 6.40 “Nenhum aluno é mais importante do que o seu professor. Porém,
quando tiver terminado os estudos, o aluno ficará igual ao seu professor”.

Lc. 6.40 “O discípulo não está acima do seu mestre; todo aquele, porém, que for
bem instruído será como o seu mestre”. (RA)

I Jo. 2.6 “Quem diz que vive unido com Deus deve viver como Jesus Cristo
viveu”. (NTLH)

I Jo. 2.6 “Aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim
como ele andou”. (RA)

Mt. 28.19 “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em


nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; 20ensinando-os a guardar todas as coisas
que vos tenho ordenado…”.

Tem um monte de gente no meio da igreja que nunca gerou um discípulo sequer
para Jesus. Muitos não geram discípulos porque escondem sua identidade de discípulo,
“Agente secreto”. O verdadeiro discípulo é uma carta aberta para ser lida por todo o
mundo ao seu redor.

“Vós sois a nossa carta, escrita em nosso coração, conhecida e


lida por todos os homens, 3estando já manifestos como carta de
Cristo, produzida pelo nosso ministério, escrita não com tinta,
mas pelo Espírito do Deus vivente, não em tábuas de pedra, mas
em tábuas de carne, isto é, nos corações”. (2 Co. 3.2-3)
O maior prazer de um discípulo deve ser gerar outros discípulos de Jesus assim
como ele é. Não se canse de convidar pessoas para a célula e nem para o culto; mostre
sua cara ao mundo. O que nós somos isso nós geramos. Ovelha gera ovelha, discípulo
gera discípulo. Ninguém pode ser chamado de discípulo de Jesus se não tiver as marcas
da identidade de um verdadeiro discípulo. Pregue a palavra da salvação, fale do amor de
Deus para as pessoas, mostre sua cara. NINGUEM PODE SER UM DISCÍPULO
VERDADEIRO SE NÃO GERAR OUTROS DISCÍPULOS PARA ELE.

Seremos verdadeiros discípulos de Jesus quando demonstrarmos que o amamos


através das nossas atitudes em todos os momentos, quando nossa família vê que tudo o
que somos na igreja também somos em nossas casas, quando as pessoas que trabalham
conosco sabem que somos verdadeiros discípulos de Jesus.

“Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós


mesmos, porque se alguém é ouvinte da palavra e não praticante assemelha-se ao
homem que contempla num espelho o seu rosto natural, pois a si mesmo se contempla e
se retira, e para logo se esquece de como era a sua aparência, mas aquele que considera
atentamente na lei perfeita, lei da liberdade e nela persevera, não sendo ouvinte
negligente, mas operoso e praticante, esse será bem aventurado no que realizar” (Tiago
1:22-25)

"Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. 2 Todo ramo que, estando em
mim, não dá fruto, ele corta; e todo que dá fruto ele poda, para que dê mais fruto ainda.
3 Vocês já estão limpos, pela palavra que tenho falado. 4 Permaneçam em mim, e eu
permanecerei em vocês. Nenhum ramo pode dar fruto por si mesmo se não permanecer
na videira. Vocês também não podem dar fruto se não permanecerem em mim. 5 "Eu
sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dará
muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma. 6 Se alguém não
permanecer em mim, será como o ramo que é jogado fora e seca. Tais ramos são
apanhados, lançados ao fogo e queimados. 7 Se vocês permanecerem em mim, e as
minhas palavras permanecerem em vocês, pedirão o que quiserem, e será concedido. 8
Meu Pai é glorificado pelo fato de vocês darem muito fruto; e assim serão meus
discípulos. 9 "Como o Pai me amou, assim eu os amei; permaneçam no meu amor. 10
Se vocês obedecerem aos meus mandamentos, permanecerão no meu amor, assim como
tenho obedecido aos mandamentos de meu Pai e em seu amor permaneço. 11 Tenho
dito estas palavras para que a minha alegria esteja em vocês e a alegria de vocês seja
completa. (João 15.1-11)

Atividade para fixação do conteúdo: Leia os textos acima e escreva


características de um verdadeiro discípulo (pelo menos cinco) para a igreja hoje.