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O ESTADO

Uma das maiores dificuldades encontradas na realização deste estudo foi a dualidade do
sentido de "Estado". É aconselhável aos possíveis leitores que saibam identificar quando
o sentido de "Estado" é utilizado como sociedade em sua totalidade e quando é utilizado
como sendo uma instituição à parte.

Esse discernimento será útil na leitura, pois o conceito varia no decorrer do trabalho.

Definição

Definir o estado é uma tarefa muito difícil, pois vários pensadores no decorrer do
processo histórico tentaram realizar essa tarefa, muitas caíram no vazio das
indefinições; enquanto outros conseguiram uma especificação mais clara.

Alguns identificaram o Estado como a sociedade em si ; outras separaram o estado


como sendo uma instituição à parte, como um instrumento de controle e organização.

1 – Natureza e Essência

Alguns autores localizam o início do estado no Século XVI na Antigüidade Clássica (


Cidades Gregas e Império Romano ), porém, outros, preferem dar a aparição do Estado
no início dos Tempos Modernos.

Atualmente na Europa, o Estado é definido como sendo, povo, território e Poder


político, essa opinião européia se espalhou por todo o mundo.

O Estado é soberano dado a aquiescência do homem no que diz respeito aos seus
direitos ou sendo ele um sedente dos seus direitos buscando assim sua proteção no
mesmo.

O homem sempre viveu em uma sociedade, porém, nem sempre sob o julgo de um
Estado, por exemplo, atualmente o simples fato de usarmos um serviço público.

Todo Estado tem sua própria jurisprudência , onde o que é aceito e legitimado vem de
seu próprio território.

O estado é também o conjunto de seus governantes que o organiza: Poder Executivo,


Legislativo e Judiciário.

2 – Origem

Exponho aqui, o que realmente podemos entender e conhecer de como surgiu o Estado,
seu significado e as necessidades de sua criação.
Com a idéia dos pensadores podemos concluir que seu surgimento era necessário para
que a humanidade se desenvolvesse e pudesse desfrutar da paz e tranqüilidade, tendo
assim seus direitos naturais resguardado.

Resumo aqui textos de vários pensadores analisando-os em todos os seus aspectos.

JOHN LOCKE

A filosofia de Locke é baseada no Jusnaturalismo, ou seja na diferença entre Estado


Natural e Sociedade.

Locke define o Estado de Natureza como os homens vivendo de comum acordo com a
razão, em perfeita liberdade, ninguém tendo mais do que qualquer outro, não existindo
qualquer autoridade para intermediar ou julgar os mesmos. Os homens são escravos da
natureza.

A única regra nesse Estado é a obrigação à lei da natureza (a razão), sendo o homem
livre e capaz de ordenar suas próprias ações, posses e pessoas nos limites da lei da
natureza; é também o Estado de paz, boa vontade, assistência mútua e preservação.

Essa lei existe para que haja paz e a preservação da humanidade.

Ele define essa razão como sendo todos os homens iguais e independentes e que os
mesmos não devem prejudicar os outros, na vida, na saúde, na liberdade.

Nesse Estado todos têm o direito de castigar quem lhe prejudicar para assim ser
preservado e fazer com que o mesmo se arrependa e que os outros não tomem o
exemplo dele, tornando-se assim executores da lei da natureza.

O Estado de Guerra é um estado de inimizade e destruição, e ele se inicia quando algum


homem tenta se colocar sobre domínio ou poder absoluto sobre outro homem, saindo
assim do Estado de Natureza, onde todos os homens têm a mesma igualdade entre eles.

Para ele o Estado Civil nasce a partir do momento em que os indivíduos escolhem
alguém (neutro) para fazer justiça, evitando assim o Jusnaturalismo, ou que o homem
faça justiça com suas próprias mãos.

HOBBES

Para Hobbes o Estado de Natureza e o Estado de Guerra são idênticos, e impedem que
os homens cheguem a paz, pois, se todos tem direito a todas as coisas sempre
permaneceríamos em estado de guerra. E a ameaça de guerra jamais levaria ao
desenvolvimento pois não se desenvolve nenhuma atividade administrativa ou
produtiva.

Hobbes, em seu pensamento define o Estado de Natureza como sendo um Estado não
político, onde se predomina a paixão, onde sempre existirá a guerra pelo fato de não
existir um poder comum.
Ele considera também que no Estado de Natureza, não existindo um pacto, todos os
homens tem direito a todas as coisas e, em conseqüência nenhuma ação poderia ser
considerada como injusta. Ele considera o homem como sendo mau e ainda afirma "O
homem é lobo do próprio homem".

As leis naturais são regras de prudência, que não obrigam pois se fossem respeitadas
não haveria necessidade de se formar um pacto. Resumindo o Estado de natureza para
Hobbes não passa de uma ideologia.

O pacto, onde se predomina a razão e não a paixão, significa no abandono e


transferência mútua de direitos e a renúncia dos direitos naturais, criando-se assim o
Estado, que vai ser um terceiro com autoridade reconhecida por todos que vai obrigar a
todos a manter a paz e a segurança.

Somente com a cooperação e a soberania pode se formar o Estado.

ROUSSEAU

Rousseau não considera como sendo ruim para o homem o Estado de Natureza e, ainda
afirma: "O Homem é bom por natureza e quem o corrompe é a sociedade".

Para Rousseau os homens devem formar por agregação um conjunto de forças para que
sejam resguardados os seus direitos de liberdade e seus bens. E esse conjunto de forças
nada mais é do que o Contrato Social, que para existir todos tem que aceitá-lo em
comum acordo.

Rousseau se coloca contra o regime de representativo, pois segundo ele a lei que não for
criada em acordo com a vontade do povo é nula.

O resumo das cláusulas deste contrato é: a alienação de cada um dos associados, cada
um dando-se completamente, a condição de igualdade, sendo assim ninguém se
interessa em torna-la onerosa.

Na passagem do Estado de Natureza para o Estado Civil o homem abre mão da sua
liberdade natural mas em troca ganha a liberdade civil e a propriedade de tudo o que
possui.

O Contrato Social nada mais é do que uma escolha: ser livre em todos seus atos mas
sofrer seus contrastes ou aceitar a liberdade em limites mas com a garantia da lei, da paz
e da harmonia civil.

MAQUIÁVEL

Maquiável afirma em seu pensamento que um país se desenvolve principalmente se


tiver uma burguesia forte, que defenda os direitos de um país e de seu povo.

É o fundador da Ciência da política moderna, que faz a distinção entre política e


religião. Para ele a ética moral da política é bem diferente da ética moral da religião, por
isso ele destaca que o Estado se rompa totalmente com a Igreja. Ele justifica seu
pensamento com base em que na moral cristã os valores espirituais são superiores aos
políticos.

Em seu livro "O Príncipe", Maquiável narra que o príncipe como sendo um governante
investido de poder coloca suas atitudes para governar seu Estado, segundo ele o príncipe
tem que adquirir a confiança e o respeito de seu povo e prefere mais o amor de seu povo
a que sua proteção por meio de fortalezas; ele frisa também que o príncipe não deve ser
somente bom, mas se parecer bom.

Em seu livro ele também explica o que um príncipe deve fazer para ser estimado pelo
seu povo.

3 – Justificação

O Estado é necessário para que as pessoas tenham segurança jurídica e entendimento


entre si, baseadas no Direito ( Lei ) para uma maior organização da civilização.

Minha conclusão :

Pelo trabalho exposto posso realmente entender e conhecer como surgiu o Estado
Moderno, bem como seu significado e as necessidades de sua criação.

Com as idéias dos pensadores podemos concluir que seu surgimento era necessário para
que a humanidade se desenvolve e pudesse desfrutar da paz e tranquilidade, tendo assim
seus direitos naturais resguardado.
Evolução Histórica do Estado
Introdução

O trabalho adiante estará explicando a Evolução Histórica do Estado, desde a sua


origem, formação; estará explicando também a origem do Estado Antigo; Estado Grego;
Estado Romano; Estado Medieval e Estado Moderno.

O estudo da origem do Estado implica duas espécies de indagação, uma diz respeito a
época do aparecimento do Estado, a outra é relativa aos motivos que determinaram o
seu surgimento.

O termo vem do latim status que significa estar firme, que pode ser interpretado como
situação permanente de convivência e ligada a sociedade política, mas também é certo
que o nome Estado só aparece indicando uma sociedade política no século XVI, o termo
indica também condição pessoal do indivíduo perante os direitos civis e políticos, que
do ponto de vista jurídico é visto como "o sujeito da Ordem Jurídica, na qual realiza a
comunidade de vida de um povo".

O desenvolvimento do Estado não segue uma progressão retilínea, pois houveram


avanços arrojados, retrocessos profundos, longas estagnações e até mesmo eclipses
duradouros marcaram a sua marcha no tempo e no espaço.

I. Estado Antigo

O Estado Antigo também pode ser classificado como Estado Oriental ou Estado
Teocrático, esses se referem às formas de Estado mais recuadas no tempo, que
começam a se definir entre as antigas civilizações do Oriente ou propriamente dito do
Mediterrâneo. A família, a religião, o Estado, a organização econômica formavam um
conjunto confuso, sem diferenciação aparente. Em conseqüência, não se distingue o
pensamento político da religião, da moral, da filosofia ou das doutrinas econômicas.

Em geral, nas antigas civilizações orientais não existiam doutrinas políticas, mas sim,
uma única forma de governo, que era a monarquia absoluta, exercida em nome dos
deuses tutelares dos povos. O primeiro traço comum que devemos colocar em relevo é o
que se refere à estrutura heterogênea daqueles Estados: eram formados e mantidos pela
força das armas. Os povos viviam constantemente em guerra. O imperador que
triunfasse em maior número de batalhas anexava os territórios conquistados e
escravizava as populações vencidas, formando um grande império com plena
hegemonia sobre vastas e determinadas regiões. A diferenciação de classes e castas era
um traço comum. Os nobres, os chefes militares e os sacerdotes do culto nacional
gozavam de largas regalias, enquanto os parias e os escravos viviam à margem das leis.
Verdade é que o Estado é simultaneamente um fato social e como tal passível de estudo
pela sociologia, como também é um fenômeno normativo e, nessas condições,
conhecível e estudável pelo Direito.

No Estado Antigo há uma convivência de dois poderes, um humano e um divino,


variando a influência deste, segundo circunstâncias de tempo e lugar.

II. Estado Grego

Embora seja comum a referência ao Estado Grego, na verdade não se tem notícia da
existência de um Estado único, englobando toda a civilização helênica. Realmente,
embora houvesse diferenças profundas entre os costumes adotados em Atenas e Esparta,
dois dos principais Estados gregos, a concepção de ambos como sociedade política era
bem semelhante, o que permite a generalização. A característica fundamental é a
cidade- Estado, ou seja, a polis, como uma sociedade política de maior expressão.

A Polis começou a evoluir, a partir do século VIII ou IX a.C., da monarquia patriarcal


para a república democrática direta, de fundo aristocrático. Em fins do século IV a.C.
completou-se essa evolução, surgindo a constituição clássica da Cidade helênica. O
Estado ateniense, com seu magnífico corpo de leis, foi sem dúvida, a mais bela
expressão da democracia grega. A Polis era uma associação política e ao mesmo tempo
uma comunidade religiosa, mas não se confundiam Estado e Religião nas mesmas
instituições. As divindades gregas não conferiam caráter místico à autoridade, como
ocorria nas monarquias orientais.

No Estado Grego o indivíduo tem uma posição peculiar. Há uma elite, que compõe a
classe política, com intensa participação nas decisões do Estado, a respeito dos assuntos
de caráter público. Entretanto, nas relações de caráter privado a autonomia da vontade
individual é bastante restrita. Assim, pois, mesmo quando o governo era tido como
democrático, isto significava que uma faixa restrita da população – os cidadãos – é que
participava das decisões políticas, o que também influiu para a manutenção das
características de cidade- Estado, pois a ampliação excessiva tornaria inviável a
manutenção do controle por um pequeno número.

III. Estado Romano

Pode parecer por demais artificial falar-se num Estado Romano como coisa bem
caracterizada e uniforme, sabendo-se que ele teve início com um pequeno agrupamento
humano, experimentou várias formas de governo, expandiu seu domínio por uma
grande extensão do mundo, atingindo povos de costumes e organizações absolutamente
díspares, chegando à aspiração de constituir um império mundial. Uma das
peculiaridades mais importantes do Estado Romano é a base familiar da organização,
havendo mesmo quem sustente que o primitivo Estado, a civitas, resultou da união de
grupos familiares (as gens), razão pela qual sempre se concederam privilégios especiais
aos membros das famílias patrícias, compostas pelos descendentes dos fundadores do
Estado.
Assim como no Estado Grego, também no Estado Romano, durante muitos séculos, o
povo participava diretamente do governo, mas a noção de povo era muito restrita,
compreendendo apenas uma faixa estreita da população. Como governantes supremos
havia os magistrados, sendo certo que durante muito tempo as principais magistraturas
foram reservadas às famílias patrícias, em longa e lenta evolução, outras camadas
sociais foram adquirindo e ampliando os direitos, sem que até o final, desaparecessem a
base familiar e a ascendência de uma nobreza tradicional.

No Estado Romano se distinguia o direito da moral, limitando-se à segurança da ordem


pública; a propriedade privada era um direito quiritário que o Estado tinha empenho em
garantir; o homem gozava de relativa liberdade em face do poder estatal, não sendo
obrigado, praticamente, a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;
o Estado era havido como nação organizada; a vontade nacional era a fonte legítima do
Direito. A conquista do mundo, sonho dos imperadores, era a diretriz suprema de sua
história. Roma, a cidade eterna, seria a capital do universo.

IV. Estado Medieval

Muita coisa já foi escrita sobre a Idade Média, classificada por alguns como a noite
negra da história da Humanidade e glorificada por outros como um extraordinário
período de criação, que preparou os instrumentos e abriu os caminhos para que o mundo
atingisse a verdadeira noção do universal. Estado Medieval se caracteriza pelo
cristianismo, as invasões bárbaras e o feudalismo.

Desde logo se percebe que, no Estado Medieval, a ordem era sempre bastante precária,
pela improvisação das chefias, pelo abandono ou pela transformação de padrões
tradicionais, pela presença de uma burocracia voraz e quase sempre todo- poderosa, pela
constante situação de guerra, e, inevitavelmente, pela própria indefinição das fronteiras
políticas.

O Estado Medieval é uma afirmação solene da lei, a Idade Média, aliás, não conheceu o
absolutismo monárquico com as características que assumiu essa forma de governo na
renascença e no início da Idade Moderna. São características fundamentais do Estado
Medieval também a forma monárquica de governo; supremacia do direito natural;
confusão entre os direitos público e privado; descentralização feudal; submissão do
Estado ao poder espiritual representado pela Igreja Romana.

Tudo isso era causa e conseqüência de uma permanente instabilidade política,


econômica e social, gerando uma intensa necessidade de ordem e de autoridade, que
seria o germe de criação do Estado Moderno.

V. Estado Moderno

Terminada, assim a Idade Média, instituiu-se, por força das circunstâncias, o


monarquismo absolutista, que corresponde a uma época de transição para os tempos
modernos. O fortalecimento do poder central era o único meio de se restabelecer a
unidade territorial dos reinos. Sem a concentração de poderes, ou seja, fora da idéia do
absolutismo monárquico, não havia possibilidade de se promover a unidade nacional
dentro do Estado Moderno.

As deficiências da sociedade política medieval determinaram as características


fundamentais do Estado Moderno. A aspiração à antiga unidade do Estado Romano,
jamais conseguida pelo Estado Medieval, iria crescer de intensidade em conseqüência
da nova distribuição da terra. Com efeito, o sistema feudal, compreendendo uma
estrutura econômica e social de pequenos produtores individuais, constituídas de
unidades familiares voltadas para a produção de subsistência, ampliou o número de
proprietários, tanto dos latifundiários quanto dos que adquiriram o domínio de áreas
menores.

Era já o Estado Moderno, cujas marcas fundamentais, desenvolvidas espontaneamente,


foram-se tornando mais nítidas com o passar do tempo e à medida que, claramente
apontadas pelos teóricos, tiveram sua definição e preservação convertidas em objetivos
do próprio Estado.

Estado Moderno é aquele que se submete a leis que limitam o exercício do seu poder,
não abdicou das suas prerrogativas de soberania. Essa é a razão pela qual continua ele a
gerir os seus negócios com independência em face dos demais Estados e, internamente,
com uma ascendência sobre todos os demais interesses, que lhe é assegurada pelo
monopólio da força. Dentro do Estado só este pode fazer uso legítimo da coação física.
Em situações extremas ele autoriza o uso desta aos particulares, o que não renega o
princípio de ser o titular exclusivo desse privilégio.

Antes, contudo, conviria passar em revista o estudo dos três elementos em que
normalmente se decompõe o Estado: território, povo e poder.

Conclusão

Com este trabalho pude ampliar os meus conhecimentos sobre Teoria Geral do Estado,
Evolução Histórica do Estado, pude também ter uma visão ampliada de vários autores
sobre um mesmo assunto.

Pude compreender também que o Estado é organização política sob a qual vive o
homem moderno. Ela caracteriza-se por ser resultante de um povo vivendo sobre um
território delimitado e governado por leis que se fundam num poder não sobrepujado
por nenhum outro externamente e supremo internamente.

Apesar da Evolução Histórica do Estado pode se perceber que ainda há muitos traços da
Antiguidade no momento presente, assim como há também dentro dos outros Estados
fora do Estado Moderno.

Bibliografia

DALLARI, Dalmo de Abreu

Elementos de Teoria Geral do Estado


22ª edição atualizada – Saraiva – São Paulo – 2001.

MALUF, Sahid

Teoria Geral do Estado

23º edição – Saraiva – São Paulo – 1995.

BASTOS, Celso Ribeiro

Curso de Teoria Geral do Estado

3º edição – Saraiva – São Paulo – 1995.