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Instituto Federal Sul-riograndense

Coordenadoria de Design
Curso de Comunicação Visual
Disciplina de história do design I
Professor Antonio Silveira Junior

Apontamentos a partir de MEGGS, Phillip; PURVIS, Alston W. História do Design


Gráfico. São Paulo: Cosac Naify, 2009, pp. 215-226.

O movimento Arts and Crafts e seu legado

Final do século XIX

Cai a qualidade do design e produção de livros, vítimas da Revolução Industrial.

William Pickering (1796-1854): separação do design e produção tipográfica.

• Definição de formato;
• Seleção de tipos;
• Ilustrações;
• Produção sob intensa supervisão pessoal e cordial relação de trabalho.

Pickering e Charles Whittingham (1795-1876): Imprensa Chiswick

• Reviveu os tipos de Caslon;


• Busca de simplicidade clássica;
• Revitalização das formas góticas: Livro de Oração Comum (Book of Common Prayer).

Publicação de “Os Elementos de Euclides:”

• Cores brilhantes;
• Cor substituía a rotulação alfabética para identificar linhas, formas, etc...
• Cores e estruturas precisas antecipavam a arte abstrata do século XX.

Movimento Arts and Crafts:

Movimento que surge na Inglaterra, no final do século XIX, como reação à confusão social,
moral e artística da Revolução Industrial. (MEGGS, 2009, p. 216)

• Retorno aos ofícios manuais;


• Abominação dos bens de Produção em massa;

Willian Morris (1834-1896)

• Líder do movimento;
• Clareza de propósito;
• Fidelidade à natureza dos materiais;
• Fidelidade à expressão pessoal (do designer e do trabalhador/artesão).
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Professor Antonio Silveira Junior

John Ruskin (1819-1900)

• Escritor e artista;
• Inspiração filosófica do movimento;
• União da arte e trabalho;
• Design e construção da catedral gótica como exemplo que deveria ser reconquistado;
• Crítica à Industrialização e tecnologia pela cisão entre arte e sociedade.

Em sua visão, a consequência disso era :

• Pastiche de modelos históricos;


• Declínio na criatividade;
• Design feito sem preocupação estética.

Preocupava-se com:

• Justiça social;
• Habitação (dos trabalhadores da indústria/operários);
• Educação;
• Aposentadoria;
• Consciência social;

Morris era amigo de Phillip Webb. Sofreu influência do pré-Rafaelita Dante Gabriel Rossetti
(1828-1882).

Red House:
Projeto de Phillip Webb, com planta funcional em “L”, para Morris;Morris supervisionou o
design de interiores e de artes aplicadas: mobília, vitrais e tapeçarias. Inicia-se aí sua vocação
para o design (MEGGS, 2009, p. 218);

1861 — Morris, Marshall, Faulkner & Company


• Brilhante designer de padrões bidimendionais;
• Mais de 500 projetos de papéis de parede, tecidos, carpetes e tapeçarias;
• Desenho fluente e estudo atento de botânica;
• Artes medievais e plantas eram sua inspiração.

1875 — Morris & Co.


• Único proprietário;
• Junção de artes e ofícios: sanar a insipidez da produção em massa e a falta de trabalho
digno (MEGGs, 2009, p. 219);
• Preocupação moral com a exploração dos pobres;
• Anti-scrape: sociedade fundada com base na preocupação com a depredação do
patrimônio arquitetônico.
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Arthur H. Mackmurdo (1851-1942)


• Inspirou-se em Morris;
• Viajou pela Itália entre 1878-1880 e fez um caderno de croquis com estudo das
estruturas do Renascimento, bem como de ornamentos, plantas e formas da natureza.

Century Guild (1882):


Selwyn Image (1849-1930)
Herbert R. Horne (1864-1916)
• Elevar as artes do design para seu lugar de direito.
• A nova estética: artistas mais novos (que a geração de Morris) incorporavam
influências do design renascentista e japonês.
• Faziam um “elo” entre o movimento Arts and Crafts e a estilização floral do Art
Nouveau. (MEGGS, 2009, p. 219).
• Demonstravam paixão pela idade média;
• Antevêem o Art Nouveau, pelo desenvolvimento de padrões florais. Os padrões eram
precoces para o seu tempo. O Art Nouveau só vai explodir na década seguinte.

Mackmurdo: Precursor da imprensa particular e do renascimento do design de livros. Buscou


recuperar e reconquistar o design pré-Revolução industrial a partir de:
• Acabamento cuidadoso;
• Materiais de alta qualidade;

The Century Guild Hobby Horse:

Primeira revista com impressão refinada dedicada às artes visuais a partir de um ponto de
vista do Arts and Crafts. Dissolve-se em 1888.
Mackmurdo buscava a unificação entre construção e ornamento (antecipa o Art Nouveau).
Hobby Horse: Impressão como uma “forma séria” de design. (MEGGS, 2009, p. 221):

• Páginas bem elaboradas;


• Margens generosas;
• Amplo entrelinhas;
• Ilustrações xilográficas à mão;
• Cabeçalhos e vinhetas decorativas;
• Capitulares ornamentadas.

Selwyn Image: Todas as formas de expressão visual merecem o estatuto de arte. Projetou
tipos, ilustrações mosaicos, vitrais, bordados.

Kelmscott Press

Emery Walker: “O ornamento, seja qual for, figura ou padronagem, deve fazer parte da
página, deve estar integrado ao plano global do livro”.
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• Design semelhante à arquitetura:


• Papel, tinta, tipo, espaçamento, margens, ilustração, ornamento à Unidade ao
projeto.

Morris: Kelmscott Press (de 1891-1898)

• Mais de 18.000 exemplares;


• 53 títulos diferentes.

Troy: tipo gótico de notável legibilidade:


• Caracteres mais largos;
• Maior diferenciação entre caracteres parecidos;
• Arredondamento das partes curvas.

Chaucer: Versão menor do tipo Troy:

• Meticulosa impressão manual;


• Papel artesanal;
• Xilogravuras à mão;
• Retorno aos estilos do passado;

A kelmscott realiza a impressão de “The Works of Geoffrey Chaucer” (escritor inglês do século
XIV, um dos nomes mais importantes da literatura inglesa medieval, dentre eles Os Contos
da Cantuária), onde Morris produz mais de 200 capitulares.

Morris é a figura central e mais emblemática do movimento Arts and Crafts e ao mesmo
tempo paradoxal:

• Busca refúgio no passado, na arte manual;


• Fidelidade aos materiais;
• Conversão do útil em belo;
• Adequação à função.

Dilemas sempre presentes:

• Artes e ofícios versus Arte e Indústria.


• Arte para a classe trabalhadora versus produção de móveis para ricos.

A influência de William Morris e da Kelmscott Press no Design Gráfico:

• Design de livro;
• Imitação estilística direta de filetes do passado;
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• Conceito de “livro bem feito”;


• Belos projetos tipográficos baseados em modelos anteriores;
• Buscou unidade do design.

Outra polêmica à a complexidade de Morris engana: a maioria de suas páginas eram


executadas tendo em vista a legibilidade. Os livros eram compostos como uma totalidade
harmoniosa. Havia a revisão de estilos tipográficos do passado, com aprimoramento de fontes
disponíveis, capitulares, filetes e ornamentos intercambiáveis e repetíveis.