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VISÃO HISTÓRICO-CRÍTICA-DIALÉTICA: UMA PERCEPÇÃO DAS DISCIPLINAS

TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO E SOCIOLOGIA PARA A FORMAÇÃO BASE


DO PROFISSIONAL DE ADMINISTRAÇÃO

Alair Helena Ferreira


alair@sumare.edu.br
Doutora
Aline Villela de Mello Motta
aline.motta@sumare.edu.br
Mestre
Faculdade Sumaré
Visão Histórico-Crítica-Dialética: Uma Percepção das Disciplinas Teoria Geral da
Administração e Sociologia para a Formação Base do Profissional de Administração

Alair Helena Ferreira


Aline Villela de Mello Motta

Resumo

O artigo discute a vivência das docentes-autoras nas disciplinas de Teoria Geral da Administração
(TGA) e Sociologia e Ética nas Organizações, a partir de uma revisão bibliográfica. Nessa perspectiva,
propõe e analisa, a partir de uma visão critica e dialética, a participação de tais disciplinas na grade
curricular do curso de Administração, como fundamentais para a formação do profissional crítico. A
questão principal discutida é como essas disciplinas se enquadram no processo de construção de um
posicionamento questionador do aluno de Administração. Os resultados mostram que é possível sair
dos “lugares comuns” e refletir sobre a prática docente.

Palavras-chave: Teoria Geral da Administração; Sociologia Organizacional; Profissional


Crítico.
Considerações Iniciais

Entender a Educação Superior no Brasil como um fenômeno integrante do modelo de


desenvolvimento capitalista e o papel desempenhado pelas instituições em diferentes momentos
históricos auxilia no processo de compreensão do papel das Instituições de Ensino Superior
(IES) e seus objetivos, em diferentes momentos de atuação.
A discussão sobre a democratização do Ensino Superior no Brasil pode ser analisada sob
a perspectiva histórico-crítica, conforme destaca Silva & Sguissard (2001), ao tratar sobre o
ensino universitário privado e as ações de reforma da Educação Superior. Os discursos
apresentados acerca do debate sobre as atividades de ensino, pesquisa e extensão demonstram os
interesses econômicos dos agentes privados, representados por diretores e reitores das
instituições particulares, em transformar a educação em mercadoria, e como a atividade
econômica e sua exploração direcionaram-se para o ensino massificado, no qual a estrutura de
crescimento foi calcada em professores com baixa qualificação, até meados dos anos 80.
Mesmo em contradição com a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e a Constituição Federal,
artigo 207, que trata da indissociabilidade do ensino, pesquisa e extensão, o poder de
investimento dos capitalistas, na fase neoliberal, conseguiu ampliar suas bases tendo como apoio
o discurso da democratização, uma vez que o setor público não atendia à demanda de Educação
Superior no país.
O processo de reestruturação produtiva, na esfera econômica, proporcionou uma
reorganização empresarial que refletiu em demandas específicas no sentido da formação de
profissionais com conhecimento e formação direcionados para a nova fase de desenvolvimento
capitalista. Com a abertura econômica nos anos 90, efetivada com a redução de impostos de
importação, queda das barreiras alfandegárias e entrada de investimentos diretos estrangeiros no
país, muitas empresas nacionais passaram por um processo de reeducação dos seus funcionários.
Algumas delas, inclusive, detectaram situações de funcionários não alfabetizados e que não
conseguiam fazer operações de cálculo básicas, como percentuais para implementar os modelos
de Qualidade Total, que contemplavam os controles estatísticos de processos (CEP). Dessa
forma, muitas empresas, que resistiram à concorrência de grandes empresas estrangeiras,
passaram a selecionar seus funcionários baseadas em critérios de formação universitária, atitude
que se converteu na concepção de alunos conteudistas ou com caráter técnico.
No entanto, o governo, representado pelo MEC nos anos 90, começou a implementar as
métricas para controlar a qualidade da Educação Superior por meio do Provão, avaliação
institucional via Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), dentre outras
frentes que tentam dar uma resposta à sociedade que “consome” os serviços educacionais.
Há que se destacar que um país, com qualidade de ensino, gera reflexos na qualidade de
vida e melhorias econômicas, advindas de um desenvolvimento político-econômico, com
empregos qualificados e geração de renda compatível. Focar em políticas públicas que forneçam
educação com qualidade aos cidadãos propicia desenvolvimento em longo prazo para o país.
Portanto, projetos sociais que almejam ampliar a base de alunos no Ensino Superior, ou
reduzir o valor das mensalidades nas instituições particulares, ou ainda, ampliar as vagas
públicas, precisam primar por profissionais qualificados na educação, com políticas de
investimentos em formação, para dar condições ao profissional de educação de orientar os alunos
com uma visão de mundo que lhe propicie a capacidade de aprender e ter uma visão crítica sobre
o contexto político-econômico-social que o rodeia. Particularmente, a percepção é a de que esse
resultado só será possível com o tripé: ensino, pesquisa e extensão.
Citando Silva & Sguissard (2001, pg. 203) ao apresentar a fala do Prof. Roberto Moreia:
“...torna-se reprodutivo e acrítico se desatrelado da pesquisa e extensão”, quando se refere à
função do ensino. Portanto, a democratização do Ensino Superior deve ser monitorada pelo
Estado com políticas claras que possam cobrar, das instituições de ensino, a qualidade desse
serviço e dar os limites para a expansão na iniciativa privada.
Este artigo é resultado de uma pesquisa bibliográfica associada à vivência das docentes-
autoras nas disciplinas de Teoria Geral da Administração (TGA) e Sociologia e Ética nas
Organizações, o qual propõe e analisa, a partir de uma visão critica e dialética, a participação de
tais disciplinas na grade curricular do curso de Administração, como fundamentais para a
formação do profissional crítico. De que forma essas disciplinas se enquadram no processo de
construção do conhecimento e desenvolvimento de um posicionamento questionador do aluno de
Administração, que ultrapasse o modus operandi da atividade? Nesse sentido, o artigo se propõe
a:
a) apresentar TGA como a disciplina que deveria discutir as diferentes formas de organização do
trabalho e seus efeitos sobre as relações de subordinação do trabalho ao capital, a partir de
autores que representam ideologias fornecedoras de sustentação ao crescimento e reprodução do
modelo de desenvolvimento econômico na sociedade capitalista.
b) analisar a Sociologia como uma ciência que estuda as estruturas sociais, o comportamento
social e as variações das sociedades, suas formas e seus fatores, com o objetivo de habilitar o
indivíduo a uma observação crítica dos fatos intelectuais e morais por meio dos quais os grupos
humanos constituem-se e progridem. É necessário que o administrador seja um observador da
sociedade da qual faz parte.

Teoria Geral da Administração: reprodução do gerencialismo ou uma percepção histórica?

Algumas questões geram um despertar para o ensino dos estudos sobre a TGA no que
tange a duas questões: inserção e forma.
Por um lado, os determinantes sociais e políticos que emergem da construção social da
realidade, possibilitam demonstrar a Administração como ciência desenvolvida para o controle.
Por outro, a gestão pode ser entendida como um conjunto de técnicas funcionalistas na utilização
e reprodução do capital, cujo conteúdo se desmembra em modelos ideais de organização do
trabalho dos quais as empresas modernas se apropriam.
Essa dicotomia é refletida no primeiro ponto - inserção – a maneira como se dá a inclusão
da disciplina TGA na grade curricular do curso Bacharelado de Administração. Uma alternativa
pode ser a opção dotada de elementos que formem alunos críticos da realidade e agentes de
transformação social à medida que possam entender o “porquê” e não somente o “como” dos
processos de produção capitalista. Compreender o que faz o gerente vai mais além do planejar,
organizar, dirigir e controlar. Questões críticas: “por que faz?” e “por que é o gerente quem
faz?”.
A partir da Revolução Industrial têm-se construções históricas que auxiliam o
entendimento dessas questões. Uma vez que esse marco produziu desafios administrativos
importantes, com a incorporação do progresso técnico pelas grandes corporações industriais, os
planos de produção começaram a apresentar mudanças significativas. Em termos de produção, o
panorama era o desenvolvimento da técnica de produção em massa e o surgimento das grandes
corporações industriais, que investiam consideravelmente em equipamento e tecnologia visando
ao rendimento humano na produção (Landes, 1969).
Nesse contexto, podemos discutir a questão da forma. O Taylorismo surge na aplicação
dos métodos das ciências aos problemas da Administração, com o objetivo de atingir uma
elevada eficiência industrial, através do the best way, ou o melhor caminho para se desempenhar
tarefas. Os principais métodos científicos aplicáveis aos problemas da administração em resolver
o aumento da produtividade e a redução dos custos de produção foram observação e mensuração.
A principal implicação desse processo é a simplificação extrema do trabalho que é reduzido a
uma só operação, ou mesmo a um só movimento, e a produtividade passa a ser responsabilidade
da organização e não mais do indivíduo.
As funções da gerência surgem devido ao trabalho cooperativo e o capitalista assume esta
função por ser ele o dono do capital e responsável pela minimização das incertezas do processo
de produção. A coordenação é necessária num sistema complexo, com mais pessoas, o capitalista
é o gerente e tem uma função social – é o gerente porque é o capitalista, conforme ressalta
Braverman (1974).

O sistema de pagamento por peças produzidas é a conversão do trabalho por tempo,


de forma a tentar converter o trabalhador em cúmplice voluntário da sua própria
exploração. A força de trabalho livre exigia métodos coercitivos para habituar os
empregados às suas tarefas diárias, utilizando métodos de total dominação econômica,
espiritual, moral e física. (p.64)

A gerência científica foi fundada pelo engenheiro americano Frederick W. Taylor (1856-
1915) que elaborou uma nova proposta de organização do trabalho com a aplicação de métodos e
técnicas da engenharia industrial na forma de organizar o trabalho. No contexto anterior, a
produção familiar impedia a divisão do trabalho e, no empenho de comprar o trabalho acabado,
aliviava o capitalista das incertezas do sistema com a fixação de determinado custo unitário. O
controle sem a centralização era impossível e assim o requisito para a gerência era a reunião de
trabalhadores na empresa, sob a supervisão de um capataz.
O Taylorismo tenta resolver o problema da falta de conhecimento da gerência quanto às
rotinas de trabalho e do tempo necessário para sua realização, da ausência de uniformidade nas
técnicas e métodos de trabalho, bem como da subjetividade do trabalhador, uma vez que a
subordinação mecânica não consegue controlar o trabalho que o capitalismo necessita. A
Administração Científica, além de fornecer uma sustentação ideológica, sistematiza esse
controle, contribuindo para a reprodução do sistema capitalista. Porém, o controle objetivo não é
total, já não existe uma mecanização plena, a mecanização é definida para cada setor do trabalho,
além de cada setor definir o seu trade-off, considerando mecanização versus flexibilidade.
Braverman (1974) destaca que o trabalho é afetado, por diversos fatores, tais como: a
história passada pelo trabalhador; condições sociais gerais sob as quais trabalham; condições
próprias da empresa; condições próprias do seu trabalho; organização do processo de trabalho;
diferentes formas de supervisão. Com vistas a ampliar os estudos da gerência, Elton Mayo
pesquisa o ajustamento do trabalhador ao processo de produção em curso, projetado pelo
engenheiro industrial, preocupando-se com a seleção, adestramento e manipulação, pacificação e
ajustamento da mão de obra, a fim de adaptá-las ao processo de produção de trabalho assim
organizado.
A concorrência capitalista impõe a divisão do trabalho como princípio fundamental da
organização industrial, na oficina é imposta pelo planejamento e controle. As operações não são
separadas umas das outras como são atribuídas a diferentes trabalhadores. A divisão do trabalho
aumenta a produtividade à medida que aumenta a destreza do trabalhador individualmente,
diminuindo o tempo gasto na produção, permitindo que um homem faça o trabalho de muitos.
Braverman (1974) constata que não é só a técnica pura que interessa ao capitalista, mas o
consórcio da técnica com o capital. Formam-se dois pólos, aquele cujo tempo nada vale –
execução – e outro cujo tempo é extremamente valioso – planejamento –, lei geral da divisão do
trabalho capitalista.
A partir deste recorte histórico, pode-se demonstrar como a TGA seria vista de uma
maneira crítica, apresentando os “porquês” e não somente o “quê” e “como” o processo
administrativo é conduzido nas organizações. Também há temas transversais no ensino da TGA
como conflito, controle e cultura organizacional, no entanto, esta foi uma opção que conduz à
reflexão sobre os primórdios do papel da gerência no contexto do Taylorismo.
Segundo Wolff (1993), a atividade da universidade possui problemas complexos, cuja
solução requer habilidade e imaginação por parte do corpo docente e da administração. Enquanto
o capitalismo requer trabalhadores com habilidade técnica e alto nível de imaginação,
inventividade e iniciativa individual, o sistema, por sua vez, exige crescimento, que se baseie na
inovação técnica e administrativa. Entretanto, o ser humano é levado a desenvolver atividades
criativas por motivações internas, e não somente pelo crescimento econômico contínuo.

Para que estudar Sociologia?

Partindo da ementa do curso, em Sociologia e Ética nas Organizações, como o próprio


nome expõe, pretende-se abordar a emergência do pensamento sociológico e da ética nas
relações humanas. Além de desenvolver o pensar, refletir sobre a importância das ciências
sociais no processo histórico como uma das fontes de contribuição para as mudanças da
sociedade e da ética na compreensão do comportamento humano. Com isso, introduzir o aluno
no conhecimento das condições histórico-sociais de emergência da Sociologia, as principais
correntes de interpretação que caracterizam seu desenvolvimento e os rumos contemporâneos
dessa disciplina, tendo em vista o desenvolvimento de uma perspectiva sociológica dos
fenômenos e problemas econômicos e administrativos.
Existe no homem a preocupação constante com questões sociais. Em cada época, esse
homem encontra formas diferentes para equacionar e solucionar esses problemas. A Sociologia
surge, como ramo da ciência, a partir da revolução industrial do século XIX, devido à
necessidade dos homens compreenderem os inúmeras questões sociais que surgiam – uma
sociedade baseada em uma economia manufatureira, passa a ser industrial, por exemplo.
Podemos dizer que, de maneira geral, o homem sempre tentou dominar a natureza. A
cada nova descoberta julga o homem ter atingido a plenitude de domínio, até surgirem novos
problemas para os quais não conta com a solução. O momento em que estamos, conhecido por
alguns como pós-modernidade, terminou o processo que a filosofia começara desde a Grécia
(séc. V a.C.) - o desencantamento do mundo. Isto é, a passagem do mito à razão, da magia à
ciência e à lógica. Esse processo libertou as artes da função e finalidade religiosas dando-lhes
autonomia. Na modernidade, com a adoção da racionalidade como paradigma para o
desenvolvimento social, econômico e cultural, um espaço privilegiado foi reservado para a
técnica. A fim de conquistar o progresso, a ciência e a técnica se encontram no posto de
comando, assegurando o triunfo da razão. Em outros termos, a sociedade industrial, é uma
sociedade da técnica decidida pelo saber científico. Nesse quadro, a racionalidade - categoria
proposta por Max Weber em seus diversos livros - ganha a capacidade de promover submissão
política.
Em contrapartida, na atualidade, vivemos como se estivéssemos obrigados a ver o que é
exaustivamente reproduzido pelas fotografias, tela de cinema e TV, pinturas, cartazes, outdoors,
computadores… É bem verdade que a partir desse suposto tecnicismo da modernidade foram
alteradas as relações pessoais entre os indivíduos, reduzindo-as a uma artificialidade de
encontros sociais e ritmos de trabalho. Nas cidades, a agitação gera desencontros entre as
pessoas, bem como o mundo já não se faz conhecer apenas pelos livros ou histórias contadas.
Fragmentam-se as relações, aumentando os mecanismos de apreensão dos objetos, pessoas e
fatos. O homem da cidade grande, retratado por Walter Benjamin (1992), era um duelista da
multidão, acostumado às estocadas e choques.
Walter Benjamin, nascido em 15 de julho de 1892, em Berlim, foi filósofo e um grande
crítico da sociedade moderna. Segundo ele, agora é como se fôssemos obrigados a perder a
capacidade de pensar e raciocinar.
Estudar a sociedade é como se remássemos contra a maré. Em compensação, desenvolver
um pensamento crítico é preciso. Em uma sociedade em transformação, como a brasileira, a
universidade não deve se limitar a encontrar pequenas respostas, deve formular grandes e novas
perguntas. E, para Buarque (1994), o momento exige a mais absoluta liberdade de pensamento e
o compromisso maior com o destino do país.
A universidade brasileira, segundo Buarque (1994), foi concebida de acordo com
modelos dos países desenvolvidos, comprometida com a eficiência de cada Faculdade
independente. Hoje, atravessamos um momento de crise, a universidade perde o heroísmo da luta
pela democracia política que o país conquistou com a sua ajuda. O modelo sócio-econômico que
financiava suas pesquisas entra em crise. A universidade perde a crença nos seus produtos, a
sociedade perde a crença na universidade. Há, ainda, consciência de que o passado acabou, mas
não se vislumbra um novo futuro.
Como resultado, a experiência cultural - esse conjunto de conhecimento e modificações
que o exercício prático ou mental traz às faculdades, pode ser direto ou intuitivo, não apenas
racional, ou melhor, a vida cotidiana, mune-se e arma-se cada vez mais de signos, simulacros os
mais diversos dos objetos do mundo. Ser cidadão era conviver com a fugacidade dos contatos
sociais e, principalmente, com a reposição contínua de imagens nas ruas, vitrines, jornais e
revistas. Viver era também se adaptar à congestão de nossas retinas, ao prazer provocado pelas
imagens, pelo poder de vê-las e tocá-las em suas reproduções - partindo do princípio de que a
obra de arte sempre foi reprodutível. Agora, a tradição cultural - tanto a oral, contada pelos
antepassados, quanto a escrita pela história oficial - recebe a influência de uma civilização
entregue a suas alegorias, às teias e reproduções de suas próprias imagens. Se, na oralidade, o
nome como o ato de contar perpetuavam e atualizavam a memória da comunidade e, mesmo, na
tradição ocidental da escrita, na qual a linearidade histórica do texto servia de interpretações para
as gerações futuras, o contemporâneo imaginário social de fotografias, filmes e imagens
eletrônicas traz uma atividade mnemônica associada cada vez mais ao fluxo irrestrito do
inconsciente, da infância e do caráter emocional das imagens. Se a matéria era para o
pensamento cartesiano, o fracasso, pois recuperava o tempo, a infância, o inconsciente e o
antigo, a colagem videográfica só confirma a vitória dos últimos. Benjamim compara e iguala o
mago e o cirurgião ao pintor e o operador de câmera. Pois enquanto tanto o mago quanto o pintor
observam seus trabalhos a uma certa distância, o operador, como o cirurgião, intervêm
profundamente na “textura da realidade”. É ou não necessário, estudar Sociologia e Ética nas
Organizações?
Considerações Finais

A partir das questões observadas em apenas duas disciplinas da grade curricular do curso
de Administração, TGA e Sociologia, criamos mais anseios acerca do que pode ser construído a
partir da teoria crítica.
Não tivemos aqui a pretensão de propor soluções, pelo contrário, a partir de nossa realidade
tivemos a oportunidade de levantar mais questionamentos, como se seguem:
 A Educação Superior está servindo de muleta para dar suporte e continuidade às relações de
dominação capitalista?
 Há uma cientifização dos mercados ou mercantilização das ciências?
 Quem educa os educadores?
Nesse sentido, verifica-se uma lacuna a ser sanada nos cursos de bacharelado que, ao nosso
ver, transcendem aos planos de ensino e permeiam estruturas políticas e institucionais das IES.
O desafio da educação pode estar no equilíbrio de forças que movem a diversidade de
interesses dos agentes das IES. Resgatar o "sentido de uso" no processo de construção da própria
história individual pode abrir um espaço de reflexão e capacidade crítica que gera valores sociais
que contaminam e iniciam o processo de articulação entre grupos, que podem gerar mudanças
em longo prazo, impactantes não somente no ambiente universitário, mas na sociedade na qual
está inserida.
Referências Bibliográficas

BENJAMIN, Walter. Sobre Arte, Técnica, Liguagem e Política. Lisboa: Relógio D’Água, 1992.
BRAVERMAN. Trabalho e Capital Monopolista. Rio de Janeiro: Zahar, 1980.
BUARQUE, Cristóvão. A aventura da universidade. São Paulo: Unesp, 1994.
LANDES, D.S. The Unbound Prometeus. Cambridge: Cambridge University Press, 1980.
SILVA JR., J. R. e SGUISSARD, U. Novas faces da Educação Superior no Brasil. São Paulo:
Cortez, 2001.
WOLFF, R. P. O ideal da universidade. Parte I. 29- 86p. São Paulo: Unesp, 1993.