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&

ARQUITETURA AÇO
Uma publicação do Centro Brasileiro da Construção em Aço número 15 setembro de 2008

Marquises
e escadas
“ A tecnologia do aço tem que ser pensada tanto no seu conjunto

quanto nos seus detalhes. Ela é arquitetura e desenho industrial

ao mesmo tempo.” arquiteto Siegbert Zanettini

Um dos mais experientes arquitetos brasileiros na utilização de estruturas


metálicas, Zanettini está presente, nesta edição, com o projeto de amplia-
ção do Hospital Albert Einstein. Ali, a marquise metálica com estrutura em
tubos de aço causa impacto aos visitantes. Este projeto, ao lado de outras
marquises, aparece na matéria de abertura, onde selecionamos alguns
exemplares deste componente fundamental na arquitetura. Há marquises
nos mais variados desenhos e materiais conjugados ao aço em diversos
tipos de acabamento, proporcionando sempre rapidez de montagem e leve-
za estética às edificações.
A festejada marquise do Auditório do Ibirapuera, chamada “Labareda”,
com desenho de Oscar Niemeyer, merece destaque nesta edição, assim como
alguns projetos que chamam atenção não apenas pela marquise, mas tam-
bém pela escada, os dois temas dessa edição: o Centro Brasileiro Britânico, de
Botti Rubin, o Aeroporto de Natal, de Sérgio Parada, a Mahle Metal Leve, de
Roberto Loeb, e o Shopping Salvador, de André Sá e Francisco Mota.
Em Memória, relembramos um projeto histórico: o Planetário do
Ibirapuera, construído em 1957 e restaurado nos anos 2000, exibindo ampla
marquise sustentada por tirantes de aço.
As escadas aparecem numa seleção com formas diferenciadas e
usos distintos, abrangendo desde as mais sofisticadas, como a da Clube
Chocolate e a da Competition, às mais populares, como as implantadas nos
CEUs da Prefeitura de São Paulo, as pré-fabricadas projetadas pela Tecsteel
para a CDHU e a da Cohab. Acompanhando funções e usos, o aço entra
em cena demonstrando seu potencial técnico ao se adaptar às variadas
linguagens arquitetônicas.
E uma novidade: a partir dessa edição, Arquitetura & Aço passa a ofere-
cer um serviço ao leitor: uma página com os endereços dos profissionais e
fornecedores que participaram das matérias apresentadas.
Alex Ferro / agência Pedra Viva

Os editores

ARQUITETURA&AÇO 1
Arquitetura & Aço nº 15
setembro 2008
Nelson Kon

sumário
10. 14. 16.

Foto de capa: "Labareda", a mar-


quise do Auditório Ibirapuera,
desenhada por Oscar Niemeyer 22.
04. 08. 18. 24.
ENDEREÇOS 31

04. Uma seleção de marquises mostra o potencial do aço em diversos acabamentos e desenhos variados.
08. No Aeroporto de Natal, a marquise e a escada são características marcantes desta edificação quase
100% em aço. 10. Denominada “Labareda”, a marquise do Auditório Ibirapuera tem sido a mais festejada

pelo público paulistano. 14. Aço e vidro compõem harmoniosamente a marquise e a escada do Centro Brasileiro

Britânico. 16. Um resgate da história do Planetário do Ibirapuera, inaugurado em 1957, cuja marquise é

sustentada por tirantes de aço. 18. Na Mahle Metal Leve, o aço permitiu desenhos esbeltos para os brises

e para a marquise. 22. Perfis tubulares e vidro compõem a escada e a marquise do Shopping Salvador. 24.

Das mais sofisticadas às populares, as escadas de aço apresentam perfil escultórico nesta seleção.
Boas-vindas...
MARQUISES RECEPCIONAM , ABRIGAM , PROTEGEM . GERALMENTE
CONSTITUEM A PRIMEIRA IMPRESSÃO DE UMA EDIFICAÇÃO . O S
LIVROS TÉCNICOS AS CLASSIFICAM COMO ALPENDRE EM BALANÇO
SUSTENTADO POR MÃOS - FRANCESAS , QUE TÊM COMO FUNÇÃO A
DE RESGUARDAR PLATAFORMAS DE ESTAÇÕES , VITRINES , CALÇA -
DAS ETC . HOJE, USA - SE MARQUISE PARA DESIGNAR PRATICA -
MENTE TODAS AS COBERTURAS ABERTAS NAS LATERAIS . ASSIM,
SELECIONAMOS ALGUMAS MARQUISES COM DESENHOS INOVA -
DORES E QUE CUMPREM O PAPEL DE ORGANIZAR A ENTRADA DE
CORTE
TRANSVERSAL
PRÉDIOS COMERCIAIS E HOSPITALARES E QUE , ALIADAS AO USO DO
AÇO , GANHAM LEVEZA E FUNCIONALIDADE

CENTRO EMPRESARIAL E CULTURAL JOÃO DOMINGUES DE ARAÚJO/SÃO PAULO, SP


Aço empregado: aço patinável de maior resistência à corrosão; cálculo estrutural: Eng. Flávio D'Alambert; fornecimento
e montagem da estrutura metálica: Engemetal
HOSPITAL ALBERT EINSTEIN/SÃO PAULO, SP
Aço empregado: ASTM A53 (tubos) e ASTM A36 (para planos e laminados); cálculo estrutural: SVS Projetos Estruturais; fornecimento e
montagem da estrutura metálica: Alufer; execução da obra: Fonseca & Mercadante
Fotos acervo Zanettini Arquitetura

Projetado por Rino Levi na década de 1950 e inaugurado dez anos depois, o Hospital Albert Einstein necessitou adequar algumas áreas para
atender melhor aos usuários, como recepção, espera de pacientes e acompanhantes e estacionamento de carros. O projeto de retrofit, criado
em 1998 pelo arquiteto Siegbert Zanettini, enfocou a ampliação dos espaços da entrada e o resultado ainda surpreende após uma década.
Um dos destaques do projeto é o novo átrio, que segundo o arquiteto, constitui um elemento de valorização da fachada do prédio, tornando-
a mais contemporânea. A área ampliada recebeu estrutura metálica com 36 m de comprimento, pintura eletrostática branca e fechamento
em vidro. A marquise, com 3,60 m de altura e balanço de 7,70 m, é sustentada por tirantes de aço. Montada em tempo recorde (cerca de
dez dias), a estrutura tem pilares constituídos por perfis I com seção 30 x 30 cm, distanciados 7,20 m entre si, soldados e aparafusados no
edifício antigo. Nas vigas principais e nas peças de contraventamento, foram usados perfis tubulares com diâmetro de 273 mm e 168/355
mm, respectivamente, e a carga da estrutura em balanço recai somente sobre os cinco pilares.
No entanto, a inovação tecnológica deste projeto está no modo como se obteve a curvatura dos perfis tubulares: tradicionalmente, a peça é
calandrada a frio e os tubos vão sendo curvados sob pressão que alteram sua seção, apresentando pequenas ondulações no raio interno. No
novo processo, a peça é curvada eletromagneticamente sem deformações graduais, preservando integralmente sua seção original. Envolve-
se a peça com uma bobina por onde flui uma corrente alternada, criando-se um campo magnético que induz um potencial elétrico para a
peça e, conseqüentemente, um fluxo de corrente. A resistência da peça ao fluxo causa o aquecimento que permite a curvatura de tubos com
até 20 polegadas de diâmetro.

“A idéia foi a de se ter uma grande cobertura com 7 m de balanço e, num só tempo,
Fotos Cacá Bratke

buscar a leveza e a simplicidade, como se fosse um pano jogado sobre dois apoios.”
Assim o arquiteto Carlos Bratke resume o projeto da marquise do Centro Empresarial
e Cultural João Domingues de Araújo, executada em aço tipo COR sobre apoios per-
pendiculares à fachada, dando personalidade ao edifício de 16 andares e desafiando
a materialidade do metal.
A maior dificuldade do projeto foi o grande balanço, “solucionado por uma série de
vigas triangulares de forma que duas chapas, a superior e a inferior, acabassem em
uma só linha”, destaca o arquiteto.
Ainda pouco utilizado no Brasil, o aço COR possui em sua composição elementos que
aumentam a resistência à corrosão. Sua principal característica, quando deixado apa-
rente, é a formação de uma pátina de cor avermelhada que se forma com a exposição
aos agentes do ambiente com o passar do tempo e que protege o aço da corrosão.

ARQUITETURA&AÇO 5
CONTINENTAL SQUARE FARIA LIMA/SÃO PAULO, SP
Aço empregado: aço patinável de maior resistência à corrosão; cálculo estrutural, forneci-
mento e montagem da estrutura metálica: Beltec Engenharia; execução da obra: Inpar

Arrojo e sofisticação são as marcas do complexo Continental Square Faria


Lima, situado no bairro da Vila Olímpia, em São Paulo, composto por três
unidades: uma torre de escritórios Continental Office Tower e dois blocos
justapostos que abrigam o flat Caesar Business e o hotel Caesar Park.
Um dos destaques deste projeto do escritório Aflalo&Gasperini é o acesso
principal, pela rua Olimpíadas: a praça central recebeu uma marquise de
220 m² em balanço, revestida com vidros laminados incolores de 10 mm e
fixados com gaxetas de silicone em quadros metálicos, cuja característica
é a leveza do desenho. Para completar a cobertura da marquise, um plano
horizontal curvo recebeu painéis metálicos na face interna e telhas metálicas
na externa.
Com 45 m de comprimento, 10 m em sua área mais larga e 11 m em balanço,
Fotos acervo Aflalo & Gasperini

a marquise utiliza perfis de aço patinável, com tratamento superficial à base


de epóxi e poliuretano. Para sua sustentação, foram adotadas quatro grandes
mãos-francesas, apoiadas em colunas metálicas de 250 mm de diâmetro,
dispostas a cada 2,5 m, que nascem de pilares de concreto e estão fixadas, na
parte superior, em uma viga de concreto, integrante do terraço.
Os perfis possuem o mesmo conceito utilizado nas fachadas, com acabamento
de pintura eletrostática na cor branca. Na interface dos quadros foi utilizado
silicone de cor neutra.

6 ARQUITETURA&AÇO
VIVO, SÃO PAULO/SP
Aço empregado: ASTM A36 (estrutura) e A304 (revestimento); cálculo estrutural, fornecimento e montagem da estrutu-
ra metálica: Phyton Engenharia e Equipamentos Industriais; construtora: Walter Torre Jr. Construtora

Investindo em novas instalações para as sedes da empresa em várias capitais do país, a Vivo construiu edificações que empregam o que
há de mais moderno em tecnologia e sistema construtivo. Na capital paulistana, o impacto começa logo na entrada. Para recepcionar as
pessoas, clientes e funcionários, o arquiteto Edo Rocha projetou uma marquise de 4,5 m x 22 m, e 3 m de altura, suportada por pilares
de aço inox 304 (revestimento) encravados em espelhos d’água, distantes 6 m uns dos outros, e com guarda-corpos também em aço
inox. “A idéia foi deixar a estrutura aparente e colocamos os pilares nos espelhos d’água para dar leveza ao projeto. O teto, cujo forro é
do tipo minibrise, em policarbonato compacto jateado permite a entrada de luz natural”, destaca o arquiteto Mauro Halluli, do escritório
Edo Rocha. Assim, a nova sede da Vivo, implantada no bairro do Brooklin, em São Paulo (SP) exibe um exemplo de projeto arquitetônico
arrojado que também chama a atenção pela torre de 100 m, com efeitos multicoloridos, à frente dos dois blocos da empresa. (D.P.) M
Fotos Carlos Gueller

ARQUITETURA&AÇO 7
Fotos Ricardo Junqueira

Inspiração na natureza
Com restrições de tempo, espaço, mas muita ajuda da natureza local, o arquiteto Sérgio
Parada elabora projeto pioneiro, quase 100% em aço, em Natal, RN

O Aeroporto Internacional Augusto Severo, em Natal (RN), ção e ventilação naturais, além de um
é o primeiro do país executado inteiramente em aço. Segundo cuidado com o entorno paisagístico, a
o autor do projeto, o arquiteto Sérgio Roberto Parada, expert em brisa e a luz abundantes do local, que
projetos aeroportuários, o aço foi uma solução lógica e natural. definiram a linguagem arquitetônica
Afinal, além de permitir grande plasticidade, o material responde adotada. A circulação de ar deve-se, em
satisfatoriamente às exigências da Infraero, como rapidez e adap- parte, à forma sinuosa da estrutura,
tação do projeto às fundações já existentes que delimitavam vãos obtida por meio de treliças, formadas
estruturais de 12 m. por perfis tubulares, com seção trans-
Assim, o novo terminal de passageiros, localizado junto a outro versal variável. No encontro das cober-
já existente, deveria ser dimensionado para atender a 1,5 milhão turas, a instalação de um shed reforça
de passageiros/ano, em um nível A de conforto, de acordo com as os recursos de iluminação e ventilação
normas internacionais. dos espaços internos.
A cobertura assume papel de destaque no conjunto e privile- Telhas metálicas, duplas e ondu-
gia grandes aberturas de modo a garantir o máximo de ilumina- ladas, pré-calandradas com isola-

 ARQUITETURA&AÇO
sinuosa apresentam na parte mais baixa pé-direito de 5 m, na seção
intermediária 7 m, na parte mais elevada o pé-direito chega a 13,5 m,
e um balanço de 23 m.
As escadas internas também assumem papel importante na
configuração dos espaços. No saguão de embarque e desembarque,
ela tem degraus de perfis dobrados, piso de granito, corrimão tubu-
lar e vigas estruturais – tudo na cor branca – ficando o laranja da
estrutura geométrica, formada por perfil tubular metálico, respon-
sável pelo contraste.
Além de razões pragmáticas, as formas sinuosas marcantes
desta edificação podem evocar o mar e as dunas típicas de Natal
– um dos cartões-postais mais belos do país. (I.G.) M

As marquises metálicas apresentam formato sinuoso inspirado nas famosas


dunas de Natal e têm pé-direito de até 13,5 m em sua parte mais elevada. A
sustentação fica a cargo de braços com articulações na base. A escada principal
em forma helicoidal foi desenhada estruturalmente com dois tipos de apoio: um
vertical central e outro nos diversos níveis de chegada, dando ao conjunto uma
ambigüidade proposital de leveza e robutez

> Projeto arquitetônico: Sérgio resistência à corrosão em perfis > Fornecimento da estrutura
Roberto Parada soldados (vigas, pilares, chapas metálica: Cibresme/Tecnoserv
> Colaboradores: Antônio Henrique de nós), perfis dobrados a frio > Execução da Obra: Empire

Sottovia e José Mauro de Barros (terças, travamentos, pontaletes Tecnologia S/A


Gabriel (co-autores), Rodrigo Marar, e acessórios da cobertura) > Local: Natal, RN

Antônio Carlos, Mariano Garcia, e perfis tubulares das marquises > Data do projeto: 1998

Gilson Freire e Renata Scafuto > Cálculo estrutural: Technica > Conclusão da obra: 2000

> Área construída: 13 mil m2 Consultoria e Projetos (Paulo


> Aço empregado: aço de maior André B. Barroso)

mento de lã de vidro, e o colchão de


ar criado entre esta superfície e o
forro asseguram o necessário confor-
to termo-acústico.
Importante elemento de transição
entre os espaços interno e externo do
edifício, as marquises metálicas são
sustentadas por braços ou pés-de-gali-
nha que funcionam com três articula-
ções na base, ligadas a um aparelho fixo
e a uma articulação superior, solução
que minimiza problemas de deforma-
ção na cobertura e reduz as cargas nas
fundações. Estas marquises em forma

ARQUITETURA&AÇO 
Fotos Nelson Kon
“Labareda” no parque
PARA O AUDITÓRIO MUSICAL DO PARQUE IBIRAPUERA, OSCAR NIEMEYER CONCEBEU UMA MARQUISE
CONSIDERADA UMA VERDADEIRA OBRA DE ARTE – E A TRANSFORMOU NA FESTEJADA MARCA REGISTRADA
DO ESPAÇO, ONDE REINA A CALMARIA DA NATUREZA

10 ARQUITETURA&AÇO
QUANDO O PÚBLICO OUVIU os acordes então, diversas promessas de que a obra seria construída animaram
iniciais das Bachianas, de Villa-Lobos, o arquiteto, que se apressava em adaptar o desenho a novos pedidos
em outubro de 2005, estava finalmente e condições. No total, 12 versões foram criadas até 2005, quando
inaugurado o Auditório do Ibirapuera. finalmente a proposta saiu do papel.
Foram mais de 50 anos em compasso Em sua forma definitiva, o Auditório do Ibirapuera ganhou uma
de espera, desde os primeiros traços do volumetria surpreendentemente simples – e, por isso mesmo, genial.
arquiteto Oscar Niemeyer para a cria- Trata-se de um bloco único, com planta trapezoidal e corte triangular,
ção de um espaço destinado a espetá- que abriga palco, foyer e platéia. Tudo erguido em concreto armado e
culos musicais no Parque do Ibirapuera revestido com pintura impermeabilizante inteiramente branca.
até a implantação do projeto. Quem dá o tom da marcante identidade visual do espaço é
A idéia original surgiu em 1951, a marquise metálica vermelha que envolve a porta de entrada,
quando Niemeyer foi convidado para erguendo-se em direção ao céu com força monumental. O elemento
projetar o conjunto de edifícios do par- possui tanta personalidade que foi transformado em logomarca do
que paulistano. Na ocasião, o prédio auditório e, dado seu formato, oficialmente batizado de “Labareda”.
não foi considerado essencial e acabou Com 7,5 m de largura nos apoios, 5,5 m de largura na extremi-
indo para o fundo da gaveta. A partir de dade e 16 m de balanço, a marquise foi inserida posteriormente no

De dentro ou de fora: a platéia interna do Auditório do Ibirapuera comporta aproximadamente 800 pessoas; nos fundos do palco, uma
porta com 20 m de largura permite a exibição de espetáculos na área externa, para mais de 15 mil expectadores

ARQUITETURA&AÇO 11
> Projeto arquitetônico: Oscar Niemeyer
> Área construída: 4.870 m²
> Aço empregado: ASTM A36

> Cálculo estrutural: José Carlos

Sussekind e Mário Terra


> Fornecimento da estrutura metálica:

Construmet
> Execução da obra: Construtora OAS

> Local: São Paulo, SP

> Data do projeto: setembro de 2002

> Conclusão da obra: dezembro de 2004

contexto da obra. “Por isso, precisávamos de rapidez em sua execu- do edifício por meio de chumbadores
ção”, afirma o arquiteto Jair Valera, que trabalha há mais de 30 anos químicos.
no escritório de Niemeyer. Segundo ele, a partir desta necessidade, Com 4.870 m2 de área construída, o
a opção pelo aço foi o caminho natural. “Tecnicamente, poderíamos Auditório Ibirapuera tem sido um ponto
ter apostado em outro material. No entanto, a facilidade de insta- de atração em São Paulo, com a realiza-
lação das peças metálicas, que já chegaram prontas ao canteiro, foi ção de shows musicais das mais diver-
decisiva”, completa. sas culturas internacionais e nacionais.
Para dar vida à sinuosa imaginação de Niemeyer, as chapas de O palco do Auditório também merece
aço foram moldadas ainda na indústria, a partir de um processo destaque: uma boca de cena de 28 m
de deformação a frio com o uso de calandras. “Uma técnica que de largura, 15 m de profundidade e uma
não é nenhum bicho-de-sete-cabeças”, explica o engenheiro Wilson porta de 20 m, localizada ao fundo, que,
Ramos da Silva, diretor da Construmet, empresa fornecedora da quando aberta, permite espetáculos na
estrutura metálica. Dividida em três tiras longitudinais, a marquise área externa para aproximadamente 15
foi facilmente montada no campo e encaixada nas vigas de concreto mil pessoas. (C.P.) M

A simplicidade dá o tom à volumetria do edifício: palco, foyer e platéia foram acomodados em um bloco único, com corte triangular.
A marquise metálica vermelha, batizada de “Labareda”, surge imponente com a assinatura de Oscar Niemeyer

Fotos Nelson Kon

12 ARQUITETURA&AÇO
Manuais da Construção em Aço

NovoManual
Viabilidade
Econômica
Saiba como obter no site:
www.cbca-ibs.org.br

Revista Arquitetura&Aço Nº 6
Foto: Carlos Alberto Maciel
Carlos Gueller
Elegância britânica
O CENTRO BRASILEIRO BRITÂNICO COMBINA FUNCIONALIDADE, INOVAÇÃO E TRADIÇÃO – BEM AO ESTILO
INGLÊS . A ESCOLHA DOS MATERIAIS , COMO O AÇO E O VIDRO , CONFIRMA TAL PREMISSA

DOIS VOLUMES ROBUSTOS E SIMÉTRICOS unidos por uma caixa A fachada de 285 m2 de pano de vidro do saguão
foi montada sem caixilhos. Para isso, foi utiliza-
central leve e translúcida. Trata-se do Centro Brasileiro Britânico
do sistema do tipo spider-glass em que garras
(CBB), localizado no bairro de Pinheiros, em São Paulo, em terreno aparafusam uma folha de vidro à outra e fitas
de 5 mil m2. O prédio destaca-se não só por sua forte presença de silicone completam a vedação. É interessante
observar, ainda, que, para sustentar toda esta
arquitetônica como pelas múltiplas funções que congrega. Afinal, estrutura transparente e conferir um inusita-
é neste imponente e moderno prédio que estão a Sede da Cultura do desenho geométrico, foi implantada uma
delicada rede de tubos de aço na parte interna
Inglesa, o Consulado Britânico, a Câmara de Comércio, entre outras desta fachada
instituições da área educacional, cultural, comercial e política que
representam as relações entre a Inglaterra e o Brasil.

14 ARQUITETURA&AÇO
O projeto, elaborado pelo escritório de vidro na parte anterior e na posterior, próxima ao prédio, ocul-
Botti Rubin Arquitetos Associados, esco- ta uma treliça horizontal que absorve os esforços de compressão
lhido por meio de um concurso privado, decorrentes do processo de atirantamento.
deveria, desta maneira, combinar fun- Mesmo no interior do edifício a dupla aço-vidro é destaque. A
cionalidade e imponência. “O projeto se escada que liga o térreo às galerias de exposição do mezanino é
destaca pela leveza, em que elementos, formada por degraus de vidro temperado de 40 mm de espessura e
como espelhos d’água, aço aparente perfis laterais em U em chapa dobrada, vinculados a um espaçador
combinado com o vidro ressaltam estes que garante o afastamento para o encaixe do guarda-corpo, tam-
aspectos”, explica Mark Rubin. bém de vidro. Com isso, o público pode não apenas apreciar o espe-
A fachada frontal confirma isso. lho d’água sob os pés, como observar reflexos da luz que incide na
Com 285 m2, é formada por vidros estru- água e rebate nos degraus e nos patamares translúcidos. (I.G.) M
turais ultra-resistentes, importados da
Inglaterra, fixados uns aos outros pelos
vértices com garra de aço (spider), dis- > Projeto arquitetônico: Botti > Cálculo estrutural: Eng.
pensando caixilhos e molduras. Outro Rubin Heloísa Martins Maringone
Área construída: 11.545 m2 (Cia de Projetos)
elemento estrutural que confirma tal >

> Aço empregado: ASTM A36 > Execução da obra: Racional


premissa é a marquise lateral, com lar-
Engenharia Ltda.
> Fornecedor da estrutura
gura de 14,80 m e balanço de 6,50 m, > Local: São Paulo, SP
metálica: Projecta Estrutura
executada em perfis-caixa que variam Metálica > Data do projeto: 1999
de 100 a 200 mm. Esta estrutura, que > Conclusão da obra: 2000
dá acesso ao foyer, sustenta a cobertura
Gerson Bilezikjian
Cristiano Mascaro

ARQUITETURA&AÇO 15
memória

Nelson Toledo
Fotos Arquivo
Planeta metálico
AÇO POSSIBILITA A INCORPORAÇÃO DE NOVAS TECNOLOGIAS E RESTAURO , COM
UM MÍNIMO DE INTERFERÊNCIA , EM OBRA - SÍMBOLO DA ARQUITETURA DOS ANOS
1950 DA CIDADE DE SÃO PAULO: O PLANETÁRIO DO I BIRAPUERA
Nelson Toledo

16 ARQUITETURA&AÇO
> Projeto arquitetônico: Paulo
Faccio e Pedro Dias Arquitetura

Nelson Toledo
> Colaboradores: Luis Antônio
Cambiaghi Magnani; Orlando
Morassi Júnior e Piti Rezende
> Aço empregado: ASTM A36
> Cálculo estrutural: Eng. Wagner Internamente, o Planetário sofreu várias interferências para que pudesse com-
de Carvalho portar as novas atividades e tecnologias relacionadas à astronomia. Mas, como
ressalta o arquiteto Luis Cambiaghi Magnani, sempre com a premissa de restaurar
> Execução da obra: Construtora
e preservar o desenho arquitetônico original. Um exemplo desta decisão é a cúpula
Cyrela
de madeira que fica sob a abóbada de concreto. Muito danificada pela umidade e
> Local: São Paulo, SP ataque de cupins, os projetistas resolveram substituí-la por uma outra idêntica e
> Data do projeto: 2002 deixá-la à mostra. Assim, parte do mezanino está propositalmente sem forro para
que os visitantes apreciem esta estrutura formada por arcos e forro de peroba-rosa
> Conclusão da obra: 2006 e sustentada por perfis de aço, uma vez que, como exalta Cambiaghi, “observar a
feitura primorosa dessa cúpula de madeira é, por si só, uma aula de engenharia”

INAUGURADO EM 1957 e conside- projeção tornaram necessária uma reforma. Em 2002, a Prefeitura
rado pioneiro na América Latina, o abriu licitação para a recuperação deste patrimônio tombado pelo
Planetário Aristóteles Orsini, conheci- Conpresp (Conselho Municipal de Tombamento e Preservação do
do como Planetário do Ibirapuera, tem Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo)
sido atração para um público de todas e pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico,
as idades interessado no espetáculo da Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo).
reprodução da abóbada celeste. O projeto escolhido foi o dos arquitetos Paulo Faccio, Pedro Dias
Projetado pelos arquitetos Roberto e Luis Antonio Cambiaghi Magnani, que adotou como diretrizes a
Goulart Tibau, Eduardo Corona e recuperação das características externas do edifício e, internamen-
Antonio Carlos Pitombo, a edificação te, as adequações necessárias à acessibilidade. “Na maquete origi-
compreende basicamente uma cúpu- nal, percebemos que a idéia era ancorar a marquise com tirantes
la semi-esférica de 20 m de diâmetro, a partir do anel circundante. O projeto foi alterado antes da cons-
onde um aparelho mecânico projeta- trução: o anel deixou de ser estrutural, mas na nossa intervenção
va as imagens espaciais, de estrelas manteve-se como elemento arquitetônico”, esclarece Magnani.
e planetas. A grande marquise é uma estrutura simples em treliças planas,
O planetário ainda impressiona por de perfis de chapas dobradas com revestimento metálico em todas
seu porte e aparência, semelhante a as superfícies. Apresenta balanço de 16,60 m e espessura variável
uma nave espacial metálica, pousan- (frontal 0,64 m, central de 1,04 m e 0,48 m próxima ao edifício). Tem
do entre as árvores do parque. Uma formato trapezoidal (10,15 m na base junto ao edifício e 14,80 m no
marquise de dimensões avantajadas, extremo oposto) e perfil ascensional (2,33 m junto ao acesso e
executada em estrutura metálica e ati- 4,45 m na outra face).
rantada à cúpula, enfatiza o acesso e A aquisição de um novo equipamento digital tornou necessá-
prenuncia o clima do interior. ria outra tela de projeção – pré-moldada, composta de nervuras
Desgastes naturais ocorridos ao em forma de arco e chapas metálicas perfuradas. “Para suportá-la,
longo do tempo em sua estrutura (infil- empregamos uma estrutura de aço, em balanço, que a sustenta a
trações e infestação de cupins) e mesmo uma altura que permite a circulação do público ao redor de toda a
a defasagem tecnológica do aparelho de sala de projeção”, explica o arquiteto. (I.G.) M

ARQUITETURA&AÇO 17
Conceito
eco-tech

AS ESCOLHAS SUSTENTÁVEIS NORTEARAM O PROJETO ; A TEC -


NOLOGIA DO AÇO GARANTIU QUE MARQUISE E BRISES FOSSEM
EXECUTADOS DE FORMA RÁPIDA E INTELIGENTE

A UNIÃO DE TECNOLOGIA E SUSTENTABILIDADE é exemplar neste


projeto: o novo Centro de Pesquisas e Tecnologia da Mahle Metal
Leve, que leva a assinatura dos arquitetos Roberto Loeb e Luis
Capote, foi concebido de forma a respeitar as características do
terreno de topografia irregular e adotar novas tecnologias cons-
trutivas. Localizado em uma reserva florestal da Mata Atlântica, na
Serra do Japi, em Jundiaí (SP), o resultado é um edifício industrial
que em nada lembra os espaços convencionais das antigas cons-
truções fabris.
Por se tratar de uma área de preservação ambiental, o objetivo
foi adaptar o edifício ao solo íngreme. Para tanto, a dupla apostou
em uma ousada volumetria baseada em semicírculos escalonados:
o conjunto divide-se em três anéis incrustados nas encostas do
terreno, cada um com dois pavimentos e cerca de 10 m de desnível
entre eles. No primeiro anel, ficam as áreas administrativa e de
infra-estrutura, auditório e estacionamento. No segundo, laborató-
rios e data center. No terceiro, o coração da indústria: salas especiais
para pesquisa de novas tecnologias, cada uma com necessidades
técnicas específicas, como sistema de abastecimento de gases, isola-
mento acústico, base antivibração e detecção e combate a incêndio.
Os anéis foram construídos a partir de peças de concreto pré-
moldadas, ou moldadas in loco, de acordo com as necessidades
específicas de cada trecho. A tecnologia do aço garantiu rapidez e

18 ARQUITETURA&AÇO
Elementos metálicos compõem a fachada do
edifício. No detalhe à direita, brises protegem
as laterais do prédio sem barrar a vista pano-
râmica para a Mata Atlântica, que se descortina
através de enormes painéis de vidro. Abaixo,
destaque para as marquises metálicas que
cobrem a área de embarque e desembarque
de veículos: as peças foram criadas a partir de
telhas trapezoidais do tipo sanduíche, com alta
performance em isolamento térmico e acústico

Fotos Nelson Kon

ARQUITETURA&AÇO
> Projeto arquitetônico: Roberto
Loeb e Luis Capote
> Área construída: 17.500 m2
> Aço empregado: ASTM A36,

ASTM A572 GR50


> Cálculo estrutural: Renato Gioielli

(Grupo Dois Engenharia de


Estruturas)
> Fornecimento da estrutura

metálica: Sulmeta Construções


> Execução da obra: Racional

Engenharia
> Local: Jundiaí, SP

> Data do projeto: junho de 2006

> Conclusão da obra: junho de 2008

O desafio do projeto era implantar um centro tecnológico de grande porte em

Fotos Nelson Kon


uma área de preservação ambiental; a solução foi acomodar a construção ao
terreno íngreme, evitando a necessidade de terraplenagem. Acima, a inusitada
volumetria, baseada em anéis semicirculares. Nas imagens à direita, a marquise,
a passarela de ligacão entre os edifícios e o espelho d'água

praticidade para os brises que contornam a fachada e a marquise que


protege a área de embarque e desembarque no primeiro pavimento.
“Mais do que conquistar praticidade, com o uso do aço pudemos
lançar mão de elementos mais leves e esbeltos”, diz o arquiteto Luis
Capote. Os brises, que favorecem o conforto térmico sem barrar a
entrada da luz natural, são compostos por chapas metálicas ondu-
ladas e perfuradas, instaladas sobre grandes panos de vidro que
oferecem uma generosa vista para a mata. Já a marquise, sobre o
estacionamento, é composta por telhas trapezoidais do tipo sandu-
íche com isolamento termo-acústico. “Além da alta performance, as
peças metálicas permitiram que chegássemos a um balanço de 7,5
m, por meio de um sistema de pórticos engastados nos pilares de
concreto”, completa o engenheiro Renato Gioielli, responsável pelo
cálculo estrutural da obra.
A integração da arquitetura com a paisagem é marca registrada
de Loeb, conhecido por projetar parques industriais que valorizam
as relações humanas e, conseqüentemente, o bem-estar dos fun-
cionários. Sem deixar de seguir esta trilha, neste novo projeto o
arquiteto optou por valorizar também a atmosfera high-tech – que
reflete a modernidade da companhia, uma das maiores do mundo
no ramo de peças para motores automotivos – e sistemas construti-
vos racionais – que tornaram possível executar em tempo mínimo
um edifício tão técnico e complexo. (C.P.) M

20 ARQUITETURA&AÇO
Associação Brasileira da
Construção Metálica

Atuando há mais de 30 anos no mercado


brasileiro da construção em aço, a ABCEM
reúne fabricantes de estruturas e coberturas
metálicas, empresas de galvanização, indústria
de componentes e materiais complementares,
escritórios e profissionais de arquitetura e
engenharia.

Principais programas e atividades:

Desenvolvimento e qualificação de mão de obra


Cursos, Workhsops, Seminários, Palestras
Programas de Qualidade
Promoção e disseminação da construção
metálica no mercado brasileiro

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Informações
www.abcem.org.br www.construmetal.com.br
Flutuando
no espaço
UM DOS MAIORES CENTROS COMERCIAIS DO NORDESTE DO PAÍS, O SALVADOR SHOPPING INOVA AO IMPLANTAR
UMA ESCADA CUJO BALANÇO RENDEU-LHE O NOME POPULAR DE "ESCADA VOADORA"

SÃO 180 MIL M2, 263 lojas, 21 escadas rolantes, o mesmo número Associados a travamentos, estes pila-
de elevadores, quatro esteiras rolantes e escadas monumentais. res funcionam estruturalmente como
Trata-se do Salvador Shopping, projetado pelos arquitetos André pórtico espacial. Em aço inox, os guar-
Sá e Francisco Mota e considerado um megaempreendimento para da-corpos foram fixados à estrutura
a região Nordeste do país. Foram utilizadas aproximadamente 7 principal da escada por parafusos.
mil toneladas de aço de alta e média resistência mecânica, como o Outro destaque do projeto é a mar-
ASTM A572 GR 50 e o ASTM A588. quise de entrada. Seu perfil em for-
Um dos destaques do projeto é a chamada "escada voadora" mato de "asa de pássaro" tem o trecho
implantada no vazio central da edificação. Concebida com patama- maior, de 16 m, ancorado na edificação
res triangulares em balanço de 10,25 m, a escada interliga todos os e com balanço de 8 m. O conjunto está
pavimentos e tem estrutura metálica e degraus de vidro laminado apoiado em um pórtico cujos pilares
de 20 mm. Os pontos de fixação das estruturas localizam-se próxi- têm 3,3 m de altura e 60 cm de diâme-
mos aos primeiros e últimos degraus de cada lance, onde se apóia tro. A estrutura é de aço ASTM A588 e
a estrutura metálica que dá a sensação de estar solta no espaço. Os a grelha estrutural da cobertura envi-
pilares, que vão do piso térreo ao último pavimento, são metálicos, draçada é constituída de módulos de
tubulares, vazados, com 400 mm de diâmetro e 10 m de altura. 1,20 x 2,00 m. (L.V.L.) M

Na página ao lado, a "escada voadora" que


passou a ser a grande atração do local dada
a sensação de estar solta no ar, com mais de
10 m de balanço

> Projeto arquitetônico: André Sá


e Francisco Mota
> Área construída: 180 mil m²
> Aço empregado: ASTM A572 GR
50 e o ASTM A588.
> Cálculo estrutural: Enpro
Engenharia e Projetos
> Execução: Codeme
> Local: Salvador, BA
> Data do projeto: 2005
O formato "asa de pássaro" é marcante na marquise de entrada do shopping, que > Conclusão da obra: 2007
tem um balanço de 8 metros sustentado por pilares metálicos com 3,3 m de altura

22 ARQUITETURA&AÇO
Fotos divulgação

ARQUITETURA&AÇO 23
ACADEMIA COMPETITION/SÃO PAULO, SP
Aço empregado: ASTM A36 (estrutura) e SAE 1010-1020 (degraus); cálculo estrutural,
fornecimento e montagem da estrutura metálica: Poliaço; execução da obra: Tessler

EVOLUÇÃO
TECNOLÓGICA E A CRIATIVIDADE DOS ARQUITETOS , NO ENTANTO , DERAM - LHES DESENHOS TÃO INOVADORES QUE ,
ATUALMENTE , FIGURAM COMO ELEMENTO ESCULTÓRICO DE UMA CONSTRUÇÃO , GRAÇAS ÀS FORMAS INUSITADAS E
A
ESCADAS TÊM O PAPEL FUNDAMENTAL DE INTEGRAR OS PAVIMENTOS DE UMA EDIFICAÇÃO .
Como esculturas
À ASSOCIAÇÃO DE MATERIAIS COMO VIDRO , MADEIRA E AÇO

Sidnei Palatnik
AS

As escadas da Academia Competition, localizada em São Paulo (SP), desempenham um papel


fundamental na compreensão da arquitetura que os autores do projeto, Marco Donini e Francisco
Zelesnikar, quiseram imprimir à reforma do antigo Colégio Imaculada Conceição que, desde 1999,
ganhou novo uso. A escada da fachada foi projetada para solucionar a distribuição do fluxo dos alu-
nos pelos vários andares. Em formato de serpente, é o grande destaque do projeto, pois confere a
sensação de que atravessa o prédio na diagonal, resultando num layout agradável e instigante. Como
um apêndice da fachada, a escada metálica tem traçado fluído e contínuo, suavizando o desenho
retilíneo e a rigidez da estrutura original. Encaixada entre os vãos dos pilares de concreto existentes,
o elemento com sua sinuosidade deixa transparecer o movimento interno da academia às pessoas
que circulam pela rua e, aos alunos, permite visualizar o exterior.

24 ARQUITETURA&AÇO
Foi inaugurado em abril deste ano um dos primeiros prédios do
Rio de Janeiro a receber a pré-certificação do US Green Building
Council, que regula os mais modernos conceitos de sustentabilidade:
é o Edifício Cidade Nova que abriga a nova sede da Universidade
Petrobras, órgão da área de Recursos Humanos da estatal. Projetado
pelo arquiteto Ruy Rezende, tem 52 mil m² de área construída e nove
andares, com capacidade para operar simultaneamente com cerca de
quatro mil pessoas.
Para ligar as áreas comuns do primeiro pavimento, foi construída
uma escada helicoidal em aço. Pensada para o átrio (coberto por uma
clarabóia, recoberta por planos de vidro, de aproximadamente 900
m2), a escada foi projetada para ser um ponto focal marcante no edifí-
cio. “Desta forma, optou-se por uma escada metálica, leve, helicoidal,
para lançar por todo o átrio o olhar de quem a usasse”, descreve Ruy
Rezende. A escada é composta por uma folha dupla de aço dobrado,
estruturada por pilares escultóricos distribuídos em espiral ao seu
redor e com alturas diferentes.
A opção pelo aço, segundo o arquiteto, se deu porque o material é
100% reciclável, integrando-se perfeitamente ao conceito de sustenta-
bilidade do projeto. “Além disso, a leveza pretendida para o elemento
não seria conseguida por meio do concreto.”
Fotos acervo Ruy Rezende Arquitetura

UNIVERSIDADE PETROBRAS/RIO DE JANEIRO, RJ


Aço empregado: A36; cálculo estrutural: Eng. Heloísa Martins Maringone (Cia de Projetos); fornecimento
ARQUITETURA&AÇO 25
e montagem da estrutura metálica: Construmet; execução da obra: Confidere
COHAB PEDRO FACCHINI/SÃO PAULO, SP
Aço empregado: ASTM A36 (chapas de piso, em aço galvanizado), ASTM A120 (tubos), SAE 1020 (barras quadradas);
cálculo estrutural: Gepro Engenharia; montagem da estrutura metálica: Construtora Cronacon

“Com materiais simples, como alvenaria arma-


Bacco Arquitetos Associados

da, estrutura metálica, tintas de linha, caixilhos


de aço etc., os mesmos usados pela Cohab em
outros projetos, conseguimos fazer uma obra
diferenciada que privilegiou o espaço tridimen-
sional e garantiu a uma população carente um
local digno para morar.” É desta forma que o
arquiteto Marcelo Barbosa, do escritório Barbosa
& Corbucci, explica o partido do edifício constru-
ído pela Companhia Metropolitana de Habitação
(Cohab) na rua Pedro Facchini, no bairro pau-
listano do Ipiranga, que utilizou materiais de
qualidade em uma construção popular.
São 12 unidades habitacionais distribuídas em
três pavimentos acessados por escadas metá-
licas externas. “O aço possibilitou a instalação
da escada no local pretendido e a colocação de
degraus vazados (chapa perfurada), que permi-
tem a entrada de luz natural nos ambientes do
térreo. Um tratamento de galvanização a fogo deu
à escada, toda revestida com esmalte branco, um
aspecto industrial contrastante com a edificação
em alvenaria”, finaliza o arquiteto. Este projeto
recebeu o Prêmio Asbea 2004, na categoria
edifícios residenciais multifamiliares.

26 ARQUITETURA&AÇO
CENTROS EDUCACIONAIS UNIFICADOS, SÃO PAULO/SP
Aço empregado: aço patinável de maior resistência à corrosão; cálculo estrutural: Eng. Alberto Hamazaki; Arquitetos – CEU Butantã: Vera Lúcia
Domschke, Cristiano Arns Kato, Alan Chu Silveira, Tomaso V. Lateana, Fabiana Nakabayashi Paulinetti e Mário E. Ferreira da Silva; CEU Jambeiro:
Marcelo Ferraz e Francisco Fanucci; CEU Perus: Ângelo Bucci, Fernando de Mello, Marta Moreira e Milton Braga (MMBB Arquitetos)

Nelson Kon
CEU Butantã

CEU Jambeiro CEU Perus


Fotos Rosa Carlos

A partir de vários símbolos de infinito sobre- maior cidade brasileira; para os arquitetos, é dar dignidade às classes baixas com
postos, os arquitetos Alexandre Delijaicov, espaços urbanos que tenham referenciais significativos da cultura arquitetônica.
André Takiya e Wanderley Ariza (da Divisão de “As extremidades das escadas permitem trocar de lance sem precisar voltar, as
Projetos do Departamento de Edificações – Edif pessoas admiram a paisagem e podem escolher o novo percurso que querem
– da Prefeitura de São Paulo) estabeleceram o fazer pela varanda, para oeste ou para leste; admirar o ‘entardecer’ ou o ‘ama-
percurso-conceito das escadas laterais dos 21 nhecer’”, explica Alexandre Delijaicov, descrevendo-as como um ponto de encon-
Centros Educacionais Unificados (CEU) cons- tro de pessoas e como as loggias européias, calçadas cobertas que oferecem
truídos na periferia pela Prefeitura, entre 2003 abrigo do sol e da chuva.
e 2004, durante a primeira fase do projeto. O Executadas em aço patinável de maior resistência à corrosão, do ponto de vista
objetivo dos CEUs é oferecer educação, cultura estrutural as escadas laterais formam um triângulo perfeito, têm 20 m de largura
e lazer para as regiões carentes da periferia da e 3,75 m de altura em cada lance.

ARQUITETURA&AÇO 27
CLUBE CHOCOLATE/SÃO PAULO, SP SOUZA, CESCON AVEDISSIAN,
Aço empregado: ASTM A36, aço inox A304; cálculo estrutural: Kurkdjian & Fruchtengarten; fornece- BARRIEU E FLESCH ADVOGADOS/
dor e montagem da estrutura metálica: SCA Caldeiraria Ltda.; execução da obra: Fairbanks & Pilnik SÃO PAULO, SP

O vazio criado para interligação dos três anda-


res do escritório paulistano Souza, Cescon
Avedissian, Barrieu e Flesch Advogados, loca-
lizado no E-Tower, edifício com infra-estrutura
de alta tecnologia situado no bairro Vila Olímpia,
em São Paulo, é a cena principal para os clien-
tes, e o personagem principal é a escada.
Com esta idéia cenográfica, os arquitetos
Henrique Reinach e Maurício Mendonça dese-
nharam a escada escultural, com estrutura em
aço carbono e revestida em aço inox escovado
e vidro, que liga os pavimentos do escritório de
advocacia. “A escada precisava ser um ótimo ator,
ou seja, do tipo que não precisa chamar atenção
para ser notado; o resultado é um desenho leve,
discreto e transparente, que não bloqueia a luz
que se difunde por todo o vazio aberto entre os
pavimentos”, descreve Maurício Mendonça.
Estruturada pelas laterais, com fixação ape-
nas nas extremidades inferior e superior, seu
desenho foi definido por chapas laterais corta-
das, com o mesmo traçado dos degraus. Estas
chapas em aço suportam os degraus de vidro
laminado de 30 mm, que são também a única
ligação estrutural entre as duas chapas.
A obra trabalhou com um cronograma total de
Tuca Reinés

Projetada por Isay Weinfeld, a principal característica da loja Clube Chocolate


– situada em terreno de pequena frente na Rua Oscar Freire, uma das mais sofis-
ticadas da capital paulista – é o amplo vazio interno e a escada capaz de integrar MCKINSEY, SÃO PAULO/SP
espacialmente seus quatro pavimentos. Para tanto, os pisos são atirantados e
vedados apenas por guarda-corpos, ganhando forma de um avarandado contínuo,
debruçando-se sobre um grande jardim tropical, no nível do subsolo.
Os acessos à loja são atendidos por elevador hidráulico e pela grande escada
helicoidal de 9,70 m de altura, disposta neste vazio, nos fundos da loja, de modo
a ganhar especial destaque. Seu formato e os materiais empregados – estrutura
em aço ASTM A36 e guarda-corpos em aço inox 304 com acabamento polido
espelho – contrastam harmoniosamente com os degraus de madeira e conferem
um layout contemporâneo ao ambiente de linhas retas. O sistema construtivo
utilizado na loja rendeu ao escritório do arquiteto o prêmio Abcem (Associação
Brasileira da Construção Metálica) 2006.

Corte Longitudinal

28 ARQUITETURA&AÇO
Aço empregado: SAE 1020 (estrutura principal onde estão fixados os degraus em vidro), aço inox
A304 (revestimento desta estrutura, spiders de fixação de vidros e guarda-corpos); cálculo estrutu-
ral, fornecimento e montagem da estrutura metálica: Plasmont

Fotos Divulgacão

três meses e o aço foi fundamental na agilida-


de e, especialmente, no processo construtivo,
segundo o arquiteto, pois o trabalho foi todo
desenvolvimento com o prédio em funciona-
mento. “A maior dificuldade que encontramos
na execução da escada foi nas emendas, pois
as chapas estruturais não puderam vir inteiras
para a obra. Por isso, o acabamento final de
escovação precisou ser muito bem feito”, fina-
liza Maurício.

Aço empregado: SAE 1020; cálculo estrutural, fornecimento


e montagem da estrutura metálica: Ser-Cop

Elegância e leveza são características marcan-


tes da escada projetada pelo escritório Roberto
Loeb Associados para a sede da McKinsey.
Pintada em branco, a escada helicoidal em
aço interliga os andares e transmite a imagem
pretendida pela empresa: um local sofisticado,
moderno. Com corrimão metálico de tubos de
3,4 polegadas em linhas paralelas, o guarda-
corpo lembra uma pauta musical, conforme
descreve o arquiteto Roberto Loeb. Os degraus
são em chapa de aço revestidos de madeira,
com um diâmetro total aproximado de 4 m e
largura de 1,30 m.
“Como o prédio estava em uso e para não
afetar a estrutura do concreto, optamos por
fazê-la em aço para dar a leveza requerida pelo
ambiente, além de permitir que a escada fosse
implantada in loco, pois veio em módulos do
fabricante”, explica Loeb.
Divulgação

ARQUITETURA&AÇO 29
LIVRARIA CULTURA/SÃO PAULO, SP
Aço empregado: ASTM A36; cálculo estrutural: Modus;
fornecedor da estrutura metálica: Permetal

Fotos Fran Parente


Um local adequado para a leitura, reflexão e
encontros intelectuais. Assim é a nova loja da
Livraria Cultura, no Conjunto Nacional, em São
Paulo, a maior do país. Instalada em 2007 no
espaço do antigo Cine Astor, a livraria exibe
soluções arquitetônicas originais, como o apro-
veitamento dos diversos níveis do local, cujos
acessos são realizados por rampa, elevador ou
escada, que leva ao primeiro pavimento.
Construída em aço ASTM A36 e madeira freijó,
a escada tem como diferencial o desenho, que
ganhou em leveza com os materiais escolhi-
dos, de forma a entrar em sintonia com as
características da loja. “A opção pela estrutura
metálica deveu-se à rapidez no processo de
construção e melhor aproveitamento do espa-
ço, sem falar na leveza que proporcionou ao
desenho do projeto”, afirma Fernando Brandão,
arquiteto responsável pelo projeto.

COMPANHIA DE DESENVOLVIMENTO HABITACIONAL


E URBANO DE SÃO PAULO/SÃO PAULO, SP
Projeto arquitetônico: Arq. Jaime Gonçalves de Souza (Tecsteel); aço empregado: aço patinável de maior resistência à corrosão; cálculo
estrutural: Eng. Mauri Rezende Vargas (Tecsteel); fornecimento e montagem da estrutura metálica: Brastubo; execução da obra: Alusa

Rapidez na montagem, precisão, qualidade construtiva. Estes são alguns dos


benefícios de dois tipos de escadas pré-fabricadas projetadas pela Tecsteel para
a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano de São Paulo, órgão da
Secretaria Estadual da Habitação: uma escada com dois lances e um patamar inter-
mediário e outra de um lance único sem patamar intermediário, ambas utilizadas
em conjuntos habitacionais, com 1,30 m de largura e degraus com 30 cm de largura
Fotos Roberto Inaba

e 17,4 cm de altura. Fabricadas com aço patinável de maior resistência à corrosão


e com alta resistência mecânica, são montadas apenas com parafusos, “o que per-
mite uma execução rápida, precisa e com grande qualidade construtiva”, destaca o
arquiteto Jaime Gonçalves de Souza, da Tecsteel. “O baixo peso das peças permite
manuseio e montagem sem equipamentos especiais, como gruas, guindastes etc.
Após a montagem, os degraus são preenchidos com concreto”, completa.
As vigas das escadas são fabricadas com perfis tipo C, formados a frio, e os
degraus feitos de chapas dobradas compondo um V. A fabricação de todas as
peças foi feita numa prensa convencional, do tipo “dobradeira”. Outro importante
benefício é que esta solução dispensa a construção de uma escada de serviço
para atendimento à obra. (D.P.) M

30 ARQUITETURA&AÇO
Endereços
> ESCRITÓRIOS DE E-mail: projeto@pparquitetura. Gepro Engenharia Fonseca & Mercadante Ltda. Diadema (SP)
ARQUITETURA com.br Av. Cupecê, n° 6.062, bloco 2, Rua Henrique Monteiro, n° 121 Tel.: (11) 4070-7070
Aflalo & Gasperini Arquitetos www.pparquitetura.com.br loja 13 – Jardim Miriam – – Pinheiros – São Paulo (SP) E-mail: engemetal@engemetal.
Rua Helena, n° 235, 2° andar São Paulo (SP) Tel.: (11) 3819-1280 com.br
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Tel.: (11) 3032-1110 Estruturas Rua Olimpíadas, n° 205, 2° Alto de Pinheiros –
André Sá e Francisco Motta E-mail: rmaa@rmaa.com.br Rua Batataes, n° 146 – Jardim andar – Vila Olímpia – São Paulo (SP)
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Rio Vermelho – Salvador (BA) Roberto Loeb e Associados Tel.: (11) 3057-2978 Tel.: (11) 3036-3000 www.hunterdouglas.com.br
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Arqdonini – Marco Donini e Tel.: (11) 3081-6344 Av. Chedid Jafet, n° 222 – n° 717 – Guarulhos (SP)
Francisco Zelesnikar E-mail: loeb@loebarquitetura. Kurdjian & Fruchtengarten Vila Olímpia – São Paulo (SP) Tel.: (11) 2823-9205
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– Ibirapuera – São Paulo (SP) www.loebarquitetura.com.br Rua George Eastman, n° 160, www.racional.com
Tel.: (11) 3887-7866 6° andar – São Paulo (SP) Phyton Engenharia e
E-mail: arqdonini@arqdonini. Ruy Rezende Arquitetos Tel.: (11) 3758-2388 Walter Torre S/A Equipamentos Industriais
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Rio de Janeiro (RJ) www.projecta.com.br
Fernando Brandão Terra Fortaleza (CE)
Tel.: (21) 2105-9500
– Arquitetura + Design Tel.: (21) 2523-7173 Tel.: (85) 3236-4477
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Rua João Lourenço, n° 91 – thesis.com.br E-mail: tecnoserv@veloxmail.
São Paulo (SP) Heloísa Martins Maringone Av. Cel. Oliveira Lima,
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Construtora Cyrela www.tecnoserv.ind.br
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n° 1.455, 3º andar –
Tel.: (11) 3061-2603 Paulista (Cosipa) E-mail: sca@scacaldeiraria.com.br
São Paulo (SP)
Isay Weinfeld E-mail: cia_proj@uol.com.br Av. do Café, n° 277, Torre B,
Tel.: (11) 4502-3000 Ser-Cop
Rua André Fernandes, n° 175 E-mail: relacionamento@cyrela. 8°e 9° andares – Vila Guarani
– Itaim-Bibi – São Paulo (SP) Flávio D’Alambert Rua Tenente Aly C. de Paula,
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ARQUITETURA&AÇO 31
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32 ARQUITETURA AÇO
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