Você está na página 1de 33

Texto para as questões 1 a 4

Os estados e a União não têm recursos para coisa alguma. Hoje em dia, com essa
preocupação neoliberal de Estado mínimo, de redução das atividades públicas, de
sucateamento da máquina pública, eu faço uma pergunta: se todas as atividades ficassem com
a iniciativa privada e o Estado fosse reduzido a uma única atividade, qual seria essa
atividade? A justiça, administrar a justiça. E isso pressupõe segurança. Se o estado abdicar de
uma dessas funções, ele simplesmente deixa de ser Estado. A palavra Estado existe desde
Maquiavel e significa uma nação com um governo institucionalizado e dotada de
estabilidade. Estado e estabilidade têm a mesma raiz. Um estado que deixa de ter estabilidade
deixa de ser estado. E um estado que deixa de ter segurança pública deixa de ter estabilidade.
(Flávio Bierrenbach. Entrevista. Folha de São Paulo. 06/08/2011. Com adaptações.)

1. A afirmação de que estado e estabilidade têm a mesma raiz leva a algumas inferências a
partir da tese defendida pelo autor. Tendo como base isso, assinale a alternativa que não
corresponde às possiblidades interpretativas da relação entre estado e estabilidade.

a) Não se pode constituir um estado sem estabilidade, sem segurança pública.


b) Estado e estabilidade possuem a mesma raiz porque expressam valor de solidez,
segurança, firmeza.
c) A estabilidade é consequência da segurança pública e, por isso, torna-se uma das
funções do estado institucionalizado.
d) Estado e estabilidade são consequências do Estado mínimo, características alcançadas
pelo processo de privatização.
e) Sem estabilidade não há estado. Sem segurança pública não há estabilidade.
Resposta: D

Resposta: D
Comentários:
O autor, de forma alguma, afirma que estado e estabilidade são consequências do
Estado mínimo. Na verdade, quando fala desse Estado, cita, em seguida, a redução das
atividades públicas e o sucateamento da máquina pública. A privatização aparece como
consequência dessa redução em um processo de pergunta condicional, para saber qual
seria a função do Estado se a maioria das atividades ficasse reduzida à iniciativa privada.
Por isso, é errado afirmar que Estado e estabilidade são características possíveis por conta
do processo de privatização, pois o autor defende que a estabilidade é alcançada por meio
da segurança pública e o Estado torna-se Estado quando tem estabilidade.
Assim, estão corretas as alternativas A, B, C, E.

2. A partícula SE em “se todas as atividades ficassem com a iniciativa privada e o Estado


fosse reduzido a uma única atividade, qual seria essa atividade?” tem valor adverbial de:

a) causa
b) consequência
c) condição
d) conformidade
e) concessão

Resposta: C
Comentários:
A conjunção SE, neste contexto frásico, apresenta valor adverbial de condição. O
autor condiciona a única função do estado ao fato de se ter iniciativa privada. Em termos
sintáticos, considerando o período analisado, o SE introduz oração subordinada adverbial
condicional. Devemos lembrar que as orações subordinadas adverbiais expressam, de
acordo com a gramática tradicional, nove circunstâncias à oração principal:
a) Causal: motivo ou causa da afirmação presente na oração principal.
Principais conjunções: porque, visto que, já que.
b) Comparativa: comparação a algo declarado na oração principal.
Principais conjunções: que, como, tal .... qual.
c) Conformativa: conformidade, em acordo.
Principais conjunções: como, conforme.
d) Concessiva: concessão, contraste, oposição.
Principais conjunções: embora, apesar de que, mesmo que.
e) Consecutiva: consequência, efeito.
Principais conjunções: que (antecedido de tão/tal/tamanho) , de modo que.
f) Condicional: condição, possibilidade.
Principais conjunções: se, caso, desde que.
g) Final: finalidade, objetivo.
Principais conjunções: para que, a fim de que.
h) Proporcional: proporção, na mesma relação, intensidade.
Principais conjunções: à proporção que, à medida que.
i) Temporal: tempo.
Principais conjunções: quando, desde que, enquanto.
Assim, a oração subordinada adverbial condicional é introduzida pelas conjunções
SE, CASO, DESDE QUE.
Para não confundir e ter certeza de que se trata de conjunção condicional, basta
substituir o SE pelo CASO, pois, como já apresentamos anteriormente, apresentam o
mesmo valor: o de condição, de possibilidade.
Destacamos ainda que algumas conjunções aparecem em mais de uma oração
adverbial, como podemos perceber com a locução conjuntiva DESDE QUE: pode ser
condicional ou temporal.
A fim de evitar a classificação equivocada, é preciso dar atenção ao valor semântico
que apresentam no período:
 Não deu notícias, desde que viajou = marcação de tempo. Não dá notícias desde o
período que viajou. Equivale a ASSIM QUE.
 Irei à reunião, desde que não chova = condição, possibilidade. Se não chover, irei
à reunião; caso contrário, não irei. Equivale a CASO.

3. A respeito da estrutura sintática do texto, assinale a alternativa incorreta:

a) Na nona linha, a palavra que é um pronome relativo porque introduz oração subordinada
adjetiva.
b) Na nona linha, a palavra que é uma conjunção integrante porque introduz oração
subordinada substantiva.
c) Na terceira linha, o período introduzido pela conjunção se apresenta três orações.
d) Na terceira linha, após os dois pontos, há uma oração subordinada adverbial condicional.
Resposta: B
Comentários:
A questão avalia o conhecimento do candidato acerca da diferença entre pronome relativo
e conjunção integrante. Para isso, devemos lembrar que esta última introduz orações
subordinadas substantivas e o primeiro inicia orações subordinadas adjetivas.
Recordemos, primeiro, a conjunção integrante:
* Introduz orações subordinadas substantivas.
* As orações substantivas são: subjetivas, objetivas diretas, objetivas indiretas,
completivas nominais, predicativas e apositivas.
* Como conjunção integrante, QUE serve para ligar a oração principal à oração
subordinada, ou seja, serve para completar o sentido de um verbo ou de um nome presente na
oração principal. Observe os seguintes exemplos:
1. Clara disse que não fez o exercício.
Primeira oração: clara disse
Segunda oração: que não fez o exercício
O verbo dizer da primeira oração pede complemento, pois Clara disse o quê? Disse
alguma coisa, disse que não fez o exercício.
Dessa forma, o verbo dizer pede um complemento sem preposição, tendo, por isso, a
segunda oração como objeto direto.
Como se observa, o quê apenas liga o verbo da primeira oração ao seu complemento que é
toda a segunda oração.
Veja outros exemplos:
2. Lorena tem medo de que não seja aprovada.
Primeira oração: Lorena tem medo.
Segunda oração: de que não seja aprovada.
O nome medo da primeira oração pede complemento, pois quem tem medo tem medo de
algo, tem medo de quê. Nesse caso, não é mais o verbo que pede complemento, mas o nome
medo.
Tal exemplo confirma que a conjunção integrante que serve apenas para ligar o verbo ou
o nome da oração principal à oração subordinada.
LEMBRETE: a oração principal é aquela que não tem conjunção e apresenta um nome ou
verbo que tem como complemento uma oração chamada subordinada.
OBSERVAÇÃO: alguns gramáticos explicam a conjunção integrante que, dizendo que,
quando tem essa função, é possível substituir toda a oração subordinada por ISSO ou ISTO.
Ex.: Pedro declarou / que não participará do congresso de fisiologia.
Substituindo, tem-se: Pedro declarou ISSO.
Se essa substituição for possível, o quê é realmente conjunção integrante.
Agora, recordemos o pronome relativo:
Introduz orações subordinadas adjetivas.
* As orações adjetivas podem ser restritivas ou explicativas.
* As orações restritivas sevem para delimitar ou restringir um antecedente.
* As orações explicativas servem para explicar ou generalizar um antecedente.
* Serve para substituir um antecedente, ou seja, uma palavra ou expressão que já apareceu
no período antes.
Ex.: O livro que eu comprei é muito bom.
Primeira oração: o livro é muito bom.
Segunda oração: que eu comprei.
Observe: o pronome QUE se refere ao antecedente o livro, podendo, por isso, ser
substituído por ele:
Que eu comprei
Que = o livro
Então:
O livro eu comprei.
Ajustando a oração:
Eu comprei o livro.
ATENÇÃO: os gramáticos explicam esse pronome, afirmando que ele pode ser substituído
por o qual e suas flexões.
Dessa forma, o período em questão poderia ser escrito também assim:
O livro o qual eu comprei é muito bom.
LEMBRETE: as orações adjetivas restritivas são escritas sem vírgulas e as explicativas
com vírgulas.
Ex.: A obra de arte que eu vi é inesquecível.
Primeira oração: a obra de arte é inesquecível.
Segunda oração: que eu vi = oração subordinada adjetiva restritiva.
As crianças, que estão reprovadas, não terão férias.
Primeira oração: as crianças não terão férias.
Segunda oração: que estão reprovadas = oração adjetiva explicativa.
Dessa forma, a letra B está errada porque o conectivo QUE não é conjunção integrante e
sim pronome relativo. Ele possui como antecedente o substantivo ESTADO. Vejamos:

 E um estado que deixa de ter segurança pública deixa de ter estabilidade.

O QUAL

Na alternativa C, temos sim três orações porque temos três verbos, a saber: ficassem,
fosse e seria.
Na alternativa D, conforme vimos na segunda questão, temos oração subordinada
adverbial condicional.
4. O termo sucateamento presente no segundo período do texto tem valor conotativo,
expressando ideia de:

a) sucata, ferro velho, no caso, a máquina do estado é um ferro velho.


b) reciclar, aproveitar o que foi destruído, tendo que reaproveitar o que sobrou da máquina do
estado.
c) degradação, destruição da máquina do estado, tendo como causa o processo de redução das
atividades públicas em decorrência das privatizações.
d) coisa velha, impossível de ser reaproveitada, resgatada.
e) As alternativas B e C estão corretas.

Resposta: C
Comentários:

Vimos, no primeiro simulado, que a conotação relaciona-se a valores sobrepostos ao


signo, constituídos de valores sociais, de impressões ou reações psíquicas. Dessa forma, a
alternativa que expressa o sentido conotativo de sucateamento na expressão sucateamento
da máquina pública é a C, já que o autor, ao empregar esse substantivo, lançou mão da ideia
de destruição ou degradação do estado como consequência de privatizar a maioria funções
públicas.
Nesse caso, não faz efeito de sentido com sucata, reciclagem nem coisa velha.

5. Há concordância verbal que não está de acordo com os princípios da língua padrão em:

a) Fui eu quem lhe apresentou na semana passada.


b) Fui eu que fiz o discurso da formatura.
c) A maior parte dos funcionários não veio trabalhar hoje
d) A multidão foram levadas pelos policiais.
e) A maioria das notas estão disponíveis no computador.

Resposta: D
Nesta questão, há casos particulares de concordância verbal.
O primeiro refere-se à concordância com os pronomes relativos QUE e QUEM.
Com o pronome QUE, o verbo concorda com o antecedente:
 Fui eu que fiz o almoço hoje = FIZ concordando com o antecedente EU.

Com o pronome relativo QUEM, o verbo concorda com o antecedente ou fica na


3ª pessoa do singular:
 Fui eu quem fiz o almoço hoje = FIZ concordando com o antecedente EU.

 Fui eu quem fez o almoço hoje = FEZ concordando com o pronome relativo
QUEM.
Assim, as alternativas A e B estão corretas. Em A, o verbo está em terceira
pessoa do singular, concordando com o pronome relativo QUEM. Em B, o verbo
concorda com o antecedente EU.
Com as expressões a maioria de, grande parte de, a maior parte de, em que o
coletivo vem especificado, o verbo pode ficar na terceira pessoa do singular
concordando com essas expressões ou no plural concordando com o substantivo
plural que as segue:
A maioria dos candidatos desistiu de fazer o concurso = DESISTIU
concordando com maioria.
A maioria dos candidatos desistiram de fazer o concurso = DESISTIRAM
concordando com candidatos.
Por isso, estão corretas as alternativas C e E.

Quando o coletivo não vem especificado, o verbo fica no singular, pois, embora
expresse ideia de plural, a palavra está escrita no singular.
A multidão gritava sem parar = Certo.
A multidão gritavam sem parar = Errado.

Por tal regra, a alternativa D está errada.

6. É possível que façam um discurso sobre a situação política do país, a segunda oração é:
a) subordinada substantiva subjetiva
b) subordinada adverbial predicativa
c) principal
d) subordinada substantiva objetiva direta
e) subordinada substantiva objetiva indireta
Resposta: A
Comentários:
A questão explora conhecimentos sobre período composto por subordinação,
especificamente, de orações substantivas.
Conforme apresentamos na terceira questão, as orações subordinadas substantivas
apresentam valor de substantivos, exercendo, assim, algumas funções sintáticas. Iniciaremos
a explicação das que aparecem nesta questão.
a) Subjetiva: exerce função de sujeito.
A oração principal vem com verbos que não apresentam sujeito, pois este está na oração
subordinada. Assim, os verbos da oração principal apresentam-se na terceira pessoa do
singular ou na terceira pessoa do singular mais partícula apassivadora SE e, ainda,
podem aparecer com o verbo SER na terceira pessoa do singular mais predicativo do
sujeito: convém (terceira pessoa), sabe-se (terceira pessoa + partícula apassivadora SE),
é importante (verbo SER na terceira pessoa + predicativo do sujeito).
ATENÇÃO: para não esquecer, listamos, aqui, alguns verbos ou expressões verbais que,
geralmente, aparecem na oração principal de orações subordinadas substantivas subjetivas:
convém, sabe-se, é preciso, é importante, é necessário, pensa-se, é possível, torna-se
importante, etc.
Toda vez que esses verbos aparecerem nessa flexão, a oração subordinada é substantiva
subjetiva.
Vamos analisar uma frase:
 É preciso / que estudem mais = o que é preciso? A resposta não está na primeira
oração, mas na segunda. Então, o sujeito da primeira oração é toda a segunda
oração, por isso, está é chamada de subordinada substantiva subjetiva.
Outra forma de análise é dividir o período em orações:
 É necessário / que estudemos mais.
 1ª oração: é necessário
 2ª oração: que estudemos mais
Obsevem que a primeira oração “é necessário” não apresenta sujeito, já que esta função é
exercida pela segunda oração.
Então, “que estudemos mais” é oração subordinada substantiva subjetiva:
 É necessário / que estudemos mais
Or. Principal Or. Subordinada substantiva objetiva direta
Conforme vimos na terceira questão, podemos substituir a oração substantiva pelo
pronome demonstrativo ISSO. Vamos analisar:

 É necessário que estudemos mais.

 É necessário ISSO.
Ajustando a oração, temos: Isso é necessário = o que é necessário? Isso. Temos, então, a
função de sujeito. Logo, a oração “que estudemos mais” exerce a função de sujeito.
b) Objetiva direta: exerce a função de objeto direto.
A oração principal desta oração subordinada apresenta sujeito mais verbo que precisa de
complemento sem preposição:
 A aluna pediu / que a professora a ajudasse com a lição do livro.
 1ª oração: a aluna pediu.
 Pediu o quê? = o verbo PEDIR exige complemento sem preposição. Temos como
reposta toda a segunda oração: que a professora a ajudasse com a lição do livro.
 Que a professora a ajudasse com a lição do livro = completa o sentido do verbo
PEDIR sem preposição, exerce, então, a função sintática de objeto direto. Como é
uma oração, classifica-se como oração subordinada substantiva objetiva direta.

A aluna pediu / que a professora a ajudasse com a lição do livro.

Or. Principal Or. Subordinada substantiva objetiva direta


ATENÇÃO:
É possível que o sujeito da oração principal esteja oculto (desinencial) ou indeterminado:

(sujeito oculto: nós)


 Pedimos / que a professora ajudasse com a lição do livro.

Or. Principal Or. Subordinada substantiva objetiva direta

c) Predicativa: exerce função de predicativo do sujeito.


Sabemos que o predicativo do sujeito é o termo que caracteriza, indica estado ou atribui
qualidade ao sujeito. Vem, geralmente, com o verbo de ligação SER.
A oração principal da predicativa vem com essa característica morfossintática: sujeito +
verbo SER. O predicativo é exercido pela oração subordinada substantiva:
 A verdade é / que ele não virá hoje.
 1ª oração: a verdade é = sujeito “a verdade”; verbo de ligação “é” (verbo SER na
terceira pessoa do singular).
 Se a oração principal vem com sujeito mais verbo de ligação SER, a oração
subordinada só pode ser Predicativa.
 Assim, a 2ª oração: que ele não virá hoje = é predicativo da oração principal “a
verdade é”. Como é toda uma oração, classifica-se como oração subordinada
substantiva predicativa.

A verdade é / que ele não virá hoje.

Or. Principal Or. Subordinada substantiva predicativa

d) Oração subordinada substantiva objetiva indireta: exerce a função sintática de objeto


indireto.
A oração principal desta oração apresenta sujeito mais verbo que precisa de
complemento com preposição.
 Duvidamos / de que ele venha ainda hoje.
 1ª oração: Duvidamos = o sujeito é desinencial/oculto (nós) e o verbo DUVIDAR
pede complemento com preposição.
 Duvidamos de quê? Exige complemento com preposição. Temos como resposta toda
a segunda oração: de que ele venha ainda hoje.
 De que ele venha ainda hoje = completa o sentido do verbo DUVIDAR, com a
preposição DE, exerce, então, a função sintática de objeto indireto. Como é uma
oração, classifica-se como oração subordinada substantiva objetiva indireta.
Duvidamos / de que ele venha ainda hoje.

Or. Principal Or. Subordinada substantiva objetiva indireta


Voltando para a questão, diante dessas explicações, vimos que oração em destaque no
período, “é possível que façam um discurso sobre a situação política do país”, classifica-se
subordinada substantiva subjetiva, pois a oração principal não apresenta sujeito, pois este
está na segunda oração:
 É possível / que façam um discurso sobre a situação política do país.
 1ª oração – principal: é possível = o que é possível? A resposta é a segunda oração.
 2ª oração – subordinada substantiva subjetiva.
Como a segunda oração exerce a função de sujeito, podemos colocá-la antes da oração
principal:
 Que façam um discurso sobre a situação política do país / é possível.
Observamos, assim, que a oração iniciada pela conjunção QUE realmente exerce a
função de sujeito da oração principal.
LEMBRETE:
A oração principal é aquele que precisa de uma oração que a complete, exercendo uma
função sintática. Para reconhecê-la, basta perceber que ela não apresenta
conjunções/conectivos, no caso de orações subordinadas introduzidas por conjunções,
chamadas também de desenvolvidas.

Texto para as questões 7 e 8

“Senti tocar-me no ombro; era Lobo Neves. Encaramo-nos alguns instantes, mudos,
inconsoláveis. Indaguei de Virgília, depois ficamos a conversar uma meia hora. No fim desse
tempo, vieram trazer-lhe uma carta; ele leu-a, empalideceu muito e fechou-a com a mão
trêmula”.
(MACHADO DE ASSIS, in Memórias Póstumas de Brás Cubas).

7. Sabendo que a vogal A na língua portuguesa pode ser artigo definido, pronome e
preposição, assinale a alternativa que apresenta erro quanto ao emprego dessa vogal.

a) Em ficamos a conversar uma meia hora, o A é preposição antecedendo um verbo no


infinitivo.
b) Em ele leu-a, temos pronome pessoal oblíquo empregado em substituição ao nome carta,
como recurso de coesão anafórica.
c) Na oração fechou-a com a mão trêmula, temos um A pronome oblíquo para referir-se a um
termo que apareceu antes no texto, no caso, a carta.
d) Em ficamos a conversar uma meia hora, o A é artigo porque determina o substantivo
conversa.
e) Apenas a alternativa A está correta.
Resposta: D
Comentários:
Na alternativa D, A não é artigo e sim preposição, pois está antes do verbo
conversar. A frase pode levar o candidato ao erro porque cita o substantivo conversa.
Mas não temos substantivo e sim o verbo conversar que se apresenta em locução
verbal com o verbo auxiliar ficamos. Temos, portanto, uma preposição entre dois
verbos: ficamos e conversar. Por isso, a alternativa A está correta.
Em B e D, há pronome pessoal oblíquo, já que podem facilmente ser substituídos
pelo pronome pessoal do caso reto: ELA.
 Ele leu-a = leu o quê? A carta (ela).

8. Quanto à colocação pronominal, assinale a alternativa que não corresponde à norma culta
da língua:
a) Eu me dedicarei aos estudos para o concurso a partir de hoje.
b) Alguém te dirá algumas verdades sobre essa mentira descabida.
c) Sente-se, por favor, e diga logo o que quer aqui.
d) Outro gerente se dará bem no cargo com certeza.
e) Já falou-se sobre disciplina nesta classe?
Resposta: E
Comentários:
Quanto à colocação pronominal, a gramática normativa determina que os
pronomes oblíquos (o, a, me, te, se, vos, nos) podem ser colocados antes, no meio e
depois do verbo. No entanto, essa colocação não é feita de forma aleatória. É preciso
obedecer a algumas regras, expostas a seguir:
a) Próclise: pronome oblíquo antes do verbo. De acordo com as regras da norma
padrão, há palavras que atraem o pronome para antes da flexão verbal, dentre
elas destacamos:
 Palavras de valor negativo: nunca, jamais, não, ninguém, etc.
Ex.: Ninguém me trouxe o livro solicitado
 Advérbios: amanhã, ontem, hoje, etc.
Ex.: Amanhã me diga o que fazer.
Se houver pausa em decorrência do uso da vírgula, há ênclise torna-se
obrigatória:
 Amanhã, diga-me o que fazer = advérbio amanhã vem isolado por vírgula, o
pronome oblíquo deve vir depois do verbo.
 Pronomes relativos: que, o qual, quem.
Ex.: o livro que te emprestei é muito bom.
 Presença de conjunções ou locuções conjuntivas subordinativas: porque, para
que, que, etc.
Ex.: Fiquei mais tranquila, porque me devolveu o livro ontem.
b) Ênclise: pronome oblíquo depois do verbo. De acordo com a gramática
normativa, não se pode iniciar uma frase com o pronome oblíquo.
 Empresta-me o livro, por favor = correto, pronome oblíquo não deve iniciar
frase, deve-se, então, empregá-lo depois do verbo.
 Me dê três livros de Língua Portuguesa = errado para a gramática normativa,
pois não se deve iniciar frases com pronomes oblíquos.
c) Mesóclise: pronome oblíquo no meio do verbo, quando este está no futuro do
presente ou no futuro do pretérito.
 Emprestar-te-ei dois livros de Língua Portuguesa = verbo emprestar no futuro
do presente emprestarei. Correto o emprego.
 Te emprestarei os livros = errado.
Atenção: mesmo que haja essa flexão verbal (futuro do presente ou futuro do
pretérito), se houver caso de próclise, o pronome oblíquo ficará sempre antes do
verbo. Isso significa que a próclise é preferível à ênclise e à mesóclise.
 Amanhã te emprestarei o livro = mesmo com o verbo no futuro do presente,
como há advérbio, palavra atrativa de próclise, o pronome oblíquo
obrigatoriamente fica antes do verbo.
Com os pronomes pessoais do caso reto (eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas) ou com
sujeito expresso, a próclise também pode ser feita.
 Eu te emprestarei o livro amanhã = como há pronome pessoal Eu, a próclise
deve prevalecer.
 Nossa professora te emprestará o livro amanhã.
Voltando à questão, analisamos como errada a alternativa E, pois há uma palavra
atrativa de próclise: o advérbio JÁ.

9. Assinale a alternativa em que a crase está empregada corretamente.

a) Não se esqueça de chegar a casa dos Monteiros cedo.


b) Prefiro essa roupa aquilo, pois não devo explicações à ninguém
c) Refiro-me aquela pessoa de azul sentada ali na frente.
d) Chegaram até à área linguística demarcada pelos primeiros pesquisadores.
e) É difícil tentar andar a cavalo quando se coloca a espera de uma pessoa.
Resposta: D
Comentários:
No primeiro simulado, vimos que crase é a fusão de duas vogais: A artigo definido
e A preposição. É usada quando há um verbo ou nome (substantivos e adjetivos) que
exige a presença da preposição A (sãos caso de regência verbal e nominal),
acompanhado de substantivos femininos que podem ser usados com artigo definido
A.
Depois que entendemos o que é crase, devemos lembrar que, para a ocorrência do
acento indicativo de crase, chamado de acento grave, há casos particulares para o seu
uso. Vejamos alguns:
a) Com a palavra CASA, só usaremos acento indicativo de crase quando vier
determinada, especificada.
 Não se esqueça de chegar a casa = sem acento indicativo de crase, pois a
palavra CASA não está determinada.
 Não se esqueça de chegar à casa dos Monteiros = com acento indicativo de
crase, pois a palavra CASA determinada, especificada.
Por isso, a alternativa A está errada.
b) Com os pronomes demonstrativos Aquele, Aquilo, empregamos acento
indicativo de crase quando o verbo exigir a preposição A que se junta ao A do
pronome demonstrativo e forma: àquele, àquilo.
 Prefiro essa roupa àquilo = Quem prefere, prefere algo A alguma coisa. O
verbo preferir exige a preposição A. Então, há ocorrência de crase.
Para perceber a presença da preposição, podemos substituir o pronome
demonstrativo por outro que não inicie por A, como o ISSO.
 Prefiro essa roupa a isso = comprovamos que o verbo preferir exige a
preposição A.
Assim, estão erradas as alternativas B e C, porque o pronome demonstrativo
não apresenta acento indicativo de crase. Como os verbos preferir e referir-se
exigem a preposição A, o acento indicativo de crase, nesse caso, é obrigatório.
c) Com a preposição ATÉ, o acento indicativo de crase é facultativo, isto é,
podemos colocar o acento indicativo de crase ou não.
 Vou até a porta ou vou até à porta = porta é um substantivo que admite o
emprego do artigo feminino A. Crase facultativa.
Assim, a alternativa D está correta.
d) Diante de substantivos masculinos não se usa crase. Então a expressão “a
cavalo” na alternativa E está correta sem o acento indicativo de crase. No
entanto, na locução prepositiva à espera de, a ocorrência de crase é
obrigatória, pois a regra da norma padrão determina que há crase em locuções
adverbiais, prepositivas e conjuntivas femininas, desde que admitam o artigo
A.
 À espera de uma pessoa, eu estou = locução prepositiva feminina à espera de,
crase obrigatória.

10. Somente uma alternativa apresenta a palavra “muito” como pronome indefinido, assinale-
a.
a- Faz muito tempo que não a encontro para uma conversa.
b- Ele é muito lento para os trabalhos domésticos.
c- É um caso muito discreto.
d- Ele estivera passando muito mal.
e- Você é muito esperto e inteligente em matemática.
Resposta: A
O vocábulo MUITO pode ser pronome indefinido ou advérbio.
Como pronome indefinido acompanha substantivo, concordando com este em
número e gênero. Então, na alternativa A, temos pronome indefinido que acompanha
o substantivo TEMPO.
Para ter certeza disso, podemos substituir o substantivo singular por outro no
plural e perceber que o pronome MUITO vai também para o plural:
 Faz muito tempo = faz muitos anos: MUITO foi para o plural, porque é
pronome que acompanha o substantivo ANOS.
Por isso, a alternativa A está correta, pois MUITO se apresenta como pronome
indefinido.
Como advérbio, fica invariável, intensificando adjetivos ou modificando verbos ou
advérbios.
 Ele é muito lento = MUITO é advérbio, pois vem antes do adjetivo LENTO,
intensificando-o.
 Passando muito mal = MUITO é advérbio porque modifica o advérbio de
modo MAL, expressando também ideia de intensidade.
Assim, MUITO é advérbio em B, C, D e E.
11. Marque a alternativa correta quanto à correspondência no emprego dos tempos verbais:

a) Porque arrumara trabalho, pagou a conta.


b) Se tivesse arrumado trabalho, pagaria a conta.
c) Embora arrume trabalho, não pagará a conta.
d) Embora tenha arrumado trabalho, não pagou a conta.
e) Se arrumar trabalho, pagaria a conta.
Resposta: E
Comentários:
Para se ter correspondência entre os tempos e modos verbais, devemos atentar-se
para o seguinte:
a) O verbo no pretérito mais que perfeito é empregado para expressar que uma
ação ocorreu antes de outra no passado. Por isso, deve ser empregado em
correspondência ao pretérito perfeito, como aparece na alternativa A:
 Porque arrumara trabalho, pagou a conta = ARRUMARA está no pretérito
perfeito porque indica que a ação de arrumar trabalho ocorreu antes da ação
de pagar a conta, ambos no tempo passado.
b) O Pretérito imperfeito do subjuntivo deve ser empregado em relação ao
futuro do pretérito do indicativo, como acorre com a letra B.
* Se tivesse arrumado trabalho, pagaria a conta = TIVESSE no futuro do
subjuntivo fazendo correspondência com o futuro do pretérito PAGARIA, ambos
indicando uma ação que poderia ter acontecido, mas não aconteceu.
Como na alternativa E temos PAGARIA no futuro do pretérito, mas não
temos o verbo ARRUMAR no pretérito imperfeito do subjuntivo, ela é a
alternativa incorreta.
c) O presente do subjuntivo pode fazer correspondência com o futuro do
presente, como ocorre na letra C:
 Embora arrume trabalho, não pagará a conta = ARRUME no presente do
subjuntivo fazendo correspondência com o futuro do presente PAGARÁ,
para indicar uma oposição concessiva.
d) O pretérito perfeito composto, no modo subjuntivo, faz correspondência com
pretérito perfeito do modo indicativo:
 Embora tenha arrumado trabalho, não pagou a conta = TENHA ARRUMADO no
pretérito perfeito composto do subjuntivo em relação a PAGOU no pretérito perfeito
do indicativo.

12. Ao transpor para a voz passiva a oração “o rapaz ia escrevendo as respostas


rapidamente”, obtém-se a forma verbal:
a) foram escritas; d) eram escritas;
b) iam sido escritas; e) seriam escritas.
c) iam sendo escritas;
Resposta: C
Comentários:
No primeiro simulado, vimos que nem toda voz ativa pode ser transformada em voz
passiva. Para isso, é necessário que o verbo da voz ativa seja transitivo direto (verbo
que exige complemento sem preposição – VTD), pois o seu complemento (objeto
direto - OD) será o sujeito paciente.
Exemplo:
Luísa Maria criou uma brincadeira de boneca. (voz ativa)

VTD OD
 O objeto direto será sujeito paciente;
 O sujeito da voz ativa será agente da passiva;
 Verbo criar será transformado em locução verbal. Como está no pretérito
perfeito, o verbo auxiliar ser ficará nesse mesmo tempo verbal
acompanhado do particípio criado;
Então:
Uma brincadeira de boneca foi criada por Luísa Maria.

Sujeito paciente agente da passiva

A questão traz uma diferença porque apresenta uma voz ativa com uma locução
verbal, com o verbo auxiliar IA e o verbo principal ESCREVENDO. O princípio de
transformação para a voz passiva é o mesmo. A diferença é que teremos uma voz
passiva com três verbos, com o verbo auxiliar SER na mesma flexão do verbo
principal escrevendo e este transformado para o particípio (escrita ou escrito). O
verbo auxiliar IA, da voz ativa, na muda de tempo verbal na voz passiva, apenas
concorda com o sujeito em número e pessoa. Vejamos:
 O rapaz ia escrevendo as respostas rapidamente. (voz ativa)

Sujeito OD

 Objeto direto passa a ser sujeito na voz passiva;


 Sujeito da ativa passa a ser agente da passiva antecedido da preposição
POR.
 Ia escrevendo = verbo ser flexionado no gerúndio (sendo) e escrevendo no
particípio escritas. Verbo Ia concordando com sujeito paciente “as
respostas”.
Então:
As respostas iam sendo escritas pelo rapaz rapidamente.

Locução verbal na voz passiva

Por isso, a alternativa correta é a letra C.

13. Na manchete “Porto duplica queixas de violência doméstica”, há um termo


preposicionado que exerce a função sintática de:

Fonte: http://www.lusomotores.com/index.php?option=com_content&view=article&id=1672&catid=338&Itemid=118

a) Objeto indireto
b) Objeto direto preposicionado
c) Complemento nominal
d) Adjunto adnominal
e) Predicativo do sujeito
Resposta: C
Comentários:
A função sintática exercida pelo termo preposicionado “de violência” é de
complemento nominal.
Complemento nominal completa, como o próprio nome já diz, sentidos de nomes
(substantivos, adjetivos e advérbios) que precisam de complemento com preposição.
Esses nomes são chamados de nomes transitivos, pois se lermos até eles,
perceberemos que precisam de uma informação a mais. Essa informação é chamada,
pela sintaxe, de complemento nominal.
Destacamos que os substantivos que precisam de complemento nominal são
abstratos, derivados de verbo:
 Tenho dúvida dessa resposta = tenho dúvida de quê?
 Observem que é o substantivo dúvida, derivado do verbo duvidar, que
precisa de complemento.
 Como é um substantivo, o seu complemento é chamado de complemento
nominal.
Não se confunde com objeto indireto, termo também preposicionado, porque este
completa sentido de verbos com preposição. Já o complemento nominal, como
explicamos anteriormente, completa nomes regidos por preposição:
 Ele se queixou de você = ele se queixou de quem? Aqui, é o verbo
QUEIXAR-SE que precisa de complemento, então DE VOCÊ exerce
função de objeto indireto.
 Porto duplica queixas de violência doméstica = porto duplica queixas de
quê? Aqui, o nome queixas (substantivo) é que precisa de complemento,
então DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA exerce a função de complemento
nominal.
Está correta a alternativa C.

14. A degradação ao estado brasileiro acontece sempre que novos casos de corrupção são
apresentados e comprovados.
O termo destacado é:
a) Sujeito
b) Adjunto adnominal
c) Complemento nominal
d) Objeto indireto
Resposta: C
Comentários:
Ao estado brasileiro complementa o sentido do nome degradação (substantivo).
Então, como é um termo preposicionado (preposição A), que completa o sentido de
um nome, sua função é de complemento nominal. Para mais detalhes, reler os
comentários da questão 13.

Texto para questões 15 a 17

O trabalho doméstico em Angola deixou de ser uma selva porque está consagrado na lei.
Em tempos remotos, as empregadas domésticas ficavam em casa de patrões até à invalidez
física e sem quaisquer direitos. Se, no passado, essas trabalhadoras eram analfabetas, hoje já
têm formação e informação. Os tempos mudaram radicalmente as relações entre empregadas
e patrões. A cidadania é para todos. Mas ainda existem problemas. Há patrões que as
despedem sem justa causa, sem pré-aviso, sem indenização e sem respeito pelos seus direitos.
É preciso criar mecanismos / que protejam efetivamente, e não apenas no papel, a relação
laboral das empregadas domésticas.

(Joaquim Xaxana, abril de 2011, com adaptações. Texto integral disponível em


http://jornaldeangola.sapo.ao/19/46/empregadas_domesticas).

15. Considerando os argumentos elencados pelo autor, assinale a alternativa que apresenta
leitura interpretativa equivocada:

a) Compreende-se, a partir da temática do texto, que o trabalho doméstico em


Angola não era amparado pela lei.
b) Pode-se interpretar que as empregadas domésticas em Angola não reivindicavam
seus direitos porque tinham baixa escolaridade e porque desconheciam as
prerrogativas legais referentes ao serviço desempenhado na casa dos patrões.
c) É possível inferir do texto que os direitos são válidos a todos os cidadãos e, por
isso, as empregadas domésticas de Angola têm todos os direitos garantidos por
parte de seus empregadores, ou seja, a lei do serviço doméstico realiza-se sem
falhas e sem prejuízos a essas profissionais.
d) Pode-se criticar a validade integral dessa lei, uma vez que ainda existem falhas,
direitos ainda não totalmente contemplados, exigindo fiscalização mais efetiva,
embora seja legislação aprovada pelo Poder Público.
e) Apenas a alternativa A está errada.

Resposta: C
Comentários:
O texto aborda como o trabalho doméstico em Angola passou a ser lei no país.
Para isso, destaca as mudanças que ocorreram, nos últimos anos, entre patrões e
empregadas.
Embora retrate essa mudança, faz uma ressalva afirmando que muito ainda
precisa ser feito para que os direitos das empregadas domésticas sejam realmente
efetivados e válidos para além do papel. Por isso, a alternativa C é a errada, pois
não é possível inferir, a partir das ideias desenvolvidas pelo autor, que todos os
diretos dessas profissionais estejam totalmente garantidos pelos seus patrões. O
que o autor afirma é justamente o contrário: “os tempos mudaram radicalmente as
relações entre empregadas e patrões. A cidadania é para todos. Mas ainda existem
problemas. Há patrões que as despedem sem justa causa, sem pré-aviso, sem
indenização e sem respeito pelos seus direitos”

16. “Há patrões que as despedem sem justa causa, sem pré-aviso, sem indenização e sem
respeito pelos seus direitos”. O conectivo introduz uma oração subordinada:
a) adjetiva restritiva
b) substantiva completiva nominal
c) adverbial comparativa
d) adjetiva explicativa
e) adverbial causal
Resposta: A
Comentários:
A pergunta refere-se ao conectivo QUE, que, este caso, introduz oração subordinada
adjetiva restritiva.
Para entender melhor, devemos lembrar que a oração adjetiva exerce função de adjetivo e
vem introduzida por pronomes relativos (que, quem, o qual e flexões, cujo e flexões, etc).
Nesse caso, o conectivo QUE é pronome relativo porque ele se refere a um antecedente,
patrões. Quando perguntamos quem as despedem, temos como resposta “patrões” que faz
parte da oração anterior. Dessa forma, o pronome relativo recebe esse nome porque tem
como função referir-se ou informar algo de um termo ou expressão já visto antes.
Além disso, o pronome “que”, por ser relativo, pode ser substituído por “o qual” e suas
flexões (os quais, as quais, do qual, da qual, etc):
 Há patrões que as despedem sem justa causa, sem pré-aviso, sem indenização e
sem respeito pelos seus direitos = Há patrões os quais as despedem sem justa
causa, sem pré-aviso, sem indenização e sem respeito pelos seus direitos.
Em decorrência dessas propriedades morfossintáticas, esse pronome é sim pronome
relativo. E todo pronome relativo introduz oração subordinada adjetiva que exerce função
própria dos adjetivos, o de adjunto adnominal, e pode ser classificada em restritiva e
explicativa. A primeira não vem isolada por vírgula; a segunda vem isolada por vírgula.
Como a oração adjetiva, introduzida pelo pronome relativo QUE, na questão analisada,
não é isolada por vírgula, ela é adjetiva restritiva.
Resposta correta: letra A.

17. “O trabalho doméstico em Angola deixou de ser uma selva porque está consagrado na
lei”. A oração sublinhada é subordinada:
a) substantiva objetiva direta
b) adjetiva restritiva
c) adjetiva explicativa
d) adverbial causal
e) adverbial consecutiva
Resposta: D
Comentários:
Conforme vimos na segunda questão, as orações subordinadas adverbiais expressam, de
acordo com a gramática tradicional, nove circunstâncias à oração principal:
a) Causal: motivo ou causa da afirmação presente na oração principal.
Principais conjunções: porque, visto que, já que.
b) Comparativa: comparação a algo declarado na oração principal.
Principais conjunções: que, como, tal .... qual.
c) Conformativa: conformidade, em acordo.
Principais conjunções: como, conforme.
d) Concessiva: concessão, contraste, oposição.
Principais conjunções: embora, apesar de que, mesmo que.
e) Consecutiva: consequência, efeito.
Principais conjunções: que (antecedido de tão/tal/tamanho) , de modo que.
f) Condicional: condição, possibilidade.
Principais conjunções: se, caso, desde que.
g) Final: finalidade, objetivo.
Principais conjunções: para que, a fim de que.
h) Proporcional: proporção, na mesma relação, intensidade.
Principais conjunções: à proporção que, à medida que.
i) Temporal: tempo.
Principais conjunções: quando, desde que, enquanto.
Assim, a segunda oração do período “O trabalho doméstico em Angola deixou de ser uma
selva porque está consagrado na lei” é adverbial causal, pois, além de ser introduzida pela
conjunção causal porque, expressa o motivo pelo qual o trabalho doméstico deixou de ser
uma selva em Angola.
Resposta correta: D

Texto para a questão 18


A expressão “direitos humanos” é uma forma abreviada de mencionar os direitos
fundamentais da pessoa humana. Sem esses direitos, a pessoa não consegue existir ou não é
capaz de se desenvolver e de participar plenamente da vida. Todos seres humanos devem ter
assegurados, desde o nascimento, as condições mínimas necessárias para se tornarem úteis à
humanidade, como também devem ter a possibilidade de receber os benefícios que a vida em
sociedade pode proporcionar. É a esse conjunto que se dá o nome de direitos humanos.
Assim os direitos humanos correspondem a necessidades essenciais da pessoa
humana, para que a pessoa possa viver com dignidade, pois a vida é um direito humano
fundamental. E para preservar a vida todos tem que ter direito à alimentação, à saúde, à
moradia, à educação, e tantas outras coisas.
Pessoas com valor igual, mas indivíduos e culturas diferentes.
Uma pessoa não vale mais do que a outra, uma não vale menos do que a outra e
sabemos que todas devem ter o direito de satisfazer aquelas necessidades.
Um ponto deve ficar claro desde logo: a afirmação da igualdade de seres humanos não
quer dizer igualdade física nem intelectual ou psicológica. Cada pessoa humana tem sua
individualidade, sua personalidade, seu modo próprio de ver de sentir as coisas. Assim,
também, os grupos sociais têm sua cultura própria, que é resultado de condições naturais e
sociais.

Fonte: http://www.mundovestibular.com.br/articles/4606/1/DIREITOS-
HUMANOS/Paacutegina1.html. Trecho com adaptações.
18. A alternativa que não corresponde às ideias do texto é:
a) Compreende-se do texto que a expressão Direitos Humanos referem-se às
necessidades fundamentais de qualquer cidadão, que envolvem a própria vida até as
questões relacionadas à moradia, alimentação, saúde, etc.
b) A partir da temática dissertada, pode-se fazer a seguinte interpretação: os Direitos
Humanos existem porque a sociedade é homogênea, não havendo particularidades e
diferenças significativas entre grupos socioculturais.
c) Entende-se que os valores e direitos fundamentais à vida de cada ser humano não
podem ser diferenciados, pois devem ser asseguradas a qualquer pessoa as
necessidades básicas de sobrevivência. Para os Direitos Humanos, o valor de pessoa é
igual a todos, as diferenças dizem respeito às culturas, às personalidades, aos
costumes, dentre outros.
d) A seguinte crítica não cabe à noção de Direitos Humanos defendida no texto: não
respeita as diversidades individuais, uma vez que todos são iguais perante a lei, e por isso,
as particularidades psicológicas e físicas não são consideradas. A igualdade engloba tudo,
inclusive as subjetividades.

Resposta: B
Comentários:
O autor defende que os Direitos Humanos são os direitos fundamentais da
pessoa humana, destacando as necessidades essenciais que toda pessoa precisa para
existir e sobreviver.
Além disso, defende que esses diretos dão às pessoas um valor igual e, por
isso, um ser não vale menos ou mais que o outro. Todos devem ter suas necessidades
básicas supridas diariamente, princípio dos Direitos humanos: “uma pessoa não vale
mais do que a outra, uma não vale menos do que a outra e sabemos que todas devem
ter o direito de satisfazer aquelas necessidades”.
Ao tratar dessa igualdade de direitos, o autor pontua as diferenças culturais,
físicas, intelectuais e psicológicas. Isso significa que todos têm o mesmo valor para os
direitos humanos, mas são diferentes em termos de individualidade, personalidade,
dentre outros: “um ponto deve ficar claro desde logo: a afirmação da igualdade de
seres humanos não quer dizer igualdade física nem intelectual ou psicológica”.
Diante dessa afirmação, não podemos inferir que a sociedade é homogênea,
que não há diferenças culturais entre os grupos sociais, tal como afirma a alternativa
B. Ao contrário disso, há na conclusão a declaração de que “os grupos sociais têm sua
cultura própria, que é resultado de condições naturais e sociais”.
A resposta, portanto, é a alternativa B, pois o que consta nela não pode ser
pressuposto das ideias apresentadas no texto.

19. A palavra em destaque é advérbio em que alternativas?

I- A mãe mal entendia o que os filhos diziam.


II- Mal acordávamos, começávamos a trabalhar.
III- Não faças o mal a ninguém.
IV- Filho, você é bem tolo, viu?
V- Façam sempre o bem a qualquer pessoa.

a) I e IV
b) II e V
c) III e IV
d) IV e V
e) I e V
Resposta: A
Comentários:
As palavras MAL e BEM podem ser advérbios de modo, mas também podem
aparecer, no contexto frásico, como substantivos se vierem antecedidos de um
determinante, que pode ser o artigo definido ou indefinido.
Assim, nas frases III e V, esses vocábulos foram empregados de forma
substantivada, pois se apresentam com artigo definido O antes: Não faças o mal a
ninguém (artigo O antes de MAL); Façam sempre o bem a qualquer pessoa (artigo O
antes de BEM).
Serão advérbios – modificando adjetivos, verbos e os próprios advérbios –
quando indicarem o modo de uma ação e a intensidade de uma qualidade, a exemplo
do que acontece nas frases I e IV. Em I, o advérbio MAL expressa o modo como mãe
entendia os filhos: ela entendia mal os filhos, podendo ser substituído por BEM, já
que MAL quando é advérbio pode ser transformado em BEM; e BEM, quando
advérbio, em MAL. Em IV, o advérbio BEM intensifica a característica de ser tolo,
equivale a MUITO: Filho, você é bem tolo, viu? = Filho, você é muito tolo, viu?
Os vocábulos Mal e Bem serão, portanto advérbios quando indicarem modo ou
intensidade, equivalendo, no caso de MAL, como advérbio de modo, a BEM; e BEM ,
como advérbio de intensidade, a MUITO:
 Mal (advérbio de modo) = bem
 Bem (advérbio de intensidade) = muito
. A resposta correta é, portanto, a alternativa A.
Na frase II, temos a palavra MAL empregada como valor de conectivo ou de
conjunção adverbial de tempo, pois pode ser substituída pela locução conjuntiva
adverbial temporal ASSM QUE:
 Mal acordávamos, começávamos a trabalhar = Assim que acordávamos,
começávamos a trabalhar.
Então, MAL pode ter valor de conjunção quando for substituído por outras
conjunções de tempo, como ASSIM QUE e QUANDO.

20. A palavra em destaque está INCORRETAMENTE flexionada na frase:


a) Os guarda-chuvas ficaram destruídos após o temporal.
b) Quaisquer que forem os resultados, deveremos ficar felizes.
c) A menina ganhou dois anelzinhos de esmeralda.
d) os textos técnico-científicos possuem uma linguagem peculiar, clara e precisa.
e) Três dos dois guarda-roupas foram danificados durante a mudança para a casa nova.

Resposta: C
Comentários:
Esta questão explora conhecimentos sobre a flexão de substantivos e adjetivos,
dentre eles os compostos e os diminutivos.
Nos substantivos compostos formados por verbo + substantivo, deve-se flexionar
apenas a última palavra, no caso o substantivo:
 Guarda-chuva = guarda-chuvas (verbo + substantivo)
 Guarda-roupa = guarda-roupas (verbo + substantivo)
 Errado: guardas-chuvas; guardas-roupas.
Nos adjetivos compostos formados por dois adjetivos (adjetivo + adjetivo), deve-
se flexionar também apenas a última palavra:
 Técnico-científico = técnico-científicos
 Errado: técnicos-científicos
A exceção é surdo-mudo. Embora seja um composto formado por dois adjetivos,
ambos vão para o plural: surdos-mudos.
Estão corretas, portanto, as alternativas A, D e E.
Para formar o diminutivo plural, devemos dar atenção ao seguinte:
 É preciso, primeiro, passar o substantivo para o plural:
Anel = anéis
 Depois, passar para o diminutivo, retirando do plural a terminação S:
Anéis – Retira o S = Anei + inho (sufixo de diminutivo)
 Forma o diminutivo plural: aneizinhos
Por isso, a alternativa C é a errada, pois o diminutivo plural de anéis é aneizinhos
e não anelzinhos, conforme as regras da gramática normativa.
Quanto à palavra qualquer, presente na alternativa B, sabemos que é a única da
Língua Portuguesa que forma plural no meio e não no final da palavra: qualquer =
quaisquer

21. Com relação à regência verbal, assinale a opção correta.


a) A mãe assistiu o filho durante a resolução do dever de casa.
b) O professor aspirava uma pós-graduação.
c) As estagiárias obedeceram a gestora durante o conselho de classe.
d) Seu estudo visava a aprovação no curso de pós-graduação.
e) Eu namorei com o Ricardo durante dois anos.

Resposta: A
Comentários:
A questão aborda alguns casos particulares de regência verbal, vejamos:
a) ASSISTIR no sentido de dar assistência, ajudar é verbo transitivo direto
(VTD), pede complemento sem preposição:
 A mãe assistiu o filho = Correto. VTD, pois tem valor de ajudou.
b) ASPIRAR no sentido de almejar, pretender é verbo transitivo indireto (VTI),
exigindo a preposição A.
 O professor aspirava uma pós-graduação = Errado. Está sendo usado no
sentido de almejar. É VTI, pede preposição A.
 O professor aspirava a uma pós-graduação = Correto. Agora, apresenta a
preposição A.
No sentido de absorver, inalar é verbo transitivo direto, pede complemento
sem preposição.
 A moça aspirava o pó da sala = Correto. Está no sentido de absorver, é
VTD, complemento sem preposição.
c) OBEDECER é verbo transito indireto (VTI), pede complemento com a
preposição A.
 Quem obedece, obedece A algo, A alguém.
 As estagiárias obedeceram a gestora durante o conselho de classe =
Errado. Para indicar a preposição, é necessário colocar o acento indicativo
da crase, pois o verbo pede a preposição A e o substantivo gestora admite
o uso do artigo definido A.
 As estagiárias obedeceram à gestora durante o conselho de classe =
Correto. É VTI com a preposição A (lembramos que A preposição + A
artigo = À).
Para ter certeza da presença da preposição, é só transformar o substantivo
feminino em masculino:
 As estagiárias obedeceram à gestora = As estagiárias obedeceram ao
gestor (AO é preposição A + artigo definido O).
 As estagiárias obedeceram o gestor = Errado. O verbo obedecer pede
preposição A.
d) VISAR no sentido de pretender é verbo transitivo indireto e exige a preposição
A
 Seu estudo visava a aprovação no curso de pós-graduação = Errado. Está
sendo usado no sentido de pretender, precisa do acento indicativo de crase
para indicar a presença da preposição A (lembramos que A preposição + A
artigo = À).
 Seu estudo visava à aprovação no curso de pós-graduação = Correto. é
VTI com a preposição A.
Para ter certeza da presença da preposição, é só transformar o substantivo
feminino em masculino:
 Seu estudo visava ao curso de pós-graduação = AO é preposição A +
artigo definido O.
No sentido de dar visto é verbo transitivo direto (VTD), pede complemento sem
preposição.
 O vendedor visou o cheque da professora = no sentido de “deu o visto”, é
VTD, complemento sem preposição.
e) NAMORAR é VTD, pede complemento sem preposição.
 Eu namorei com o Ricardo durante dois anos = Errado, pois namorar é
VTD, complemento sem preposição.
 Eu namorei o Ricardo durante dois anos = Correto, complemento sem
preposição.
É comum na fala corriqueira empregar o verbo namorar com a preposição
COM, no entanto, de acordo com a gramática normativa Quem namora,
namora alguém e não com alguém.
Diante dessas explicações, a única alternativa que apresenta regência verbal
correta é a A.

22. Assinale a frase que apresenta regência nominal incorreta.

a) O álcool é prejudicial à saúde.


b) Carlos estava inclinado em aceitar a proposta de emprego.
c) Ana sempre foi muito tolerante com os amigos.
d) É triste sentir desprezo por alguém.
e) Em relação ao assunto, prefiro ficar calada.
Resposta: B
Comentários:
Quanto à regência nominal, destacamos que:
a) Prejudicial pede preposição A.
 Quem é prejudicial, é prejudicial a alguém, a algo.
b) Tolerante pede preposição COM.
 Quem é tolerante, é tolerante com alguém, com algo.
c) Desprezo pede preposição POR.
 Quem sente desprezo, sente desprezo por alguém, por algo.
d) Relação pede preposição A.
 Quem faz relação, faz relação a alguém, a algo.
e) Inclinado pede preposição A, PARA.
 Quem está inclinado, está inclinada a algo, para algo.
Assim, a alternativa B é a errada.
23. Tendo como base as regras pontuação, assinale a alternativa que apresenta erro quanto ao
emprego da vírgula:
a) Depois do almoço, os jovens disseram, que estudariam na biblioteca.
b) Os jovens disseram que, depois do almoço, estudariam na biblioteca.
c) Os jovens disseram que estudariam na biblioteca depois do almoço.
d) Os jovens disseram que estudariam, depois do almoço, na biblioteca.
e) Somente a alternativa D está correta.

Resposta: A
Comentários:
Sobre o uso da vírgula, destacamos que:

 Não se usa vírgula:

 Na ordem direta:

Ex.: Aquela aluna fez um texto no colégio.

# Na ordem inversa, normalmente se usa a vírgula.

Ex.: No colégio, aquela aluna fez um texto.

#Na ordem direta, haverá vírgulas quando uma expressão de valor explicativo ou
adverbial ficar intercalada, separando o sujeito do verbo ou este de seus
complementos:

 Ex.: Aquela menina, aluna exemplar, fez a redação no colégio.

Por isso, a alternativa A está errada , pois a vírgula está separando o verbo do
seu complemento, que, nesse caso, é uma oração subordinada substantiva:

 Depois do almoço, os jovens disseram, que estudariam na biblioteca =


Errado. O verbo disseram pede complemento. Disseram o quê? A resposta
é a oração iniciada pela conjunção QUE.

 Depois do almoço, os jovens disseram que estudariam na biblioteca =


Correto, pois não se separa o verbo do seu complemento.

Quanto ao emprego da vírgula em adjuntos adverbiais, destacamos o seguinte:

Para a gramática normativa, é facultativo o uso da vírgula em advérbios que


estão ao final da frase:
 Os jovens disseram que estudariam na biblioteca depois do almoço =
Depois do almoço é advérbio de tempo, empregado ao final da frase.
Nesse caso, o uso da vírgula é facultativo.
Em se tratando de advérbios longos em início ou intercalado à oração (no
meio), geralmente, separando sujeito e predicado, o uso da vírgula é obrigatório. Se
vier intercalado, o advérbio deve vir isolado entre vírgulas, antes e ao final dele:
 Os jovens disseram que, depois do almoço, estudariam na biblioteca =
Correto. Adjunto adverbial depois do almoço no meio da frase, uso da
vírgula obrigatório. Observem que é preciso colocar vírgula antes e depois
do advérbio, isolando-o, pois está intercalado à oração (no meio).

A mesma situação ocorre com a frase da alternativa D:

 Os jovens disseram que estudariam, depois do almoço, na biblioteca.

24. A palavra invejável é formada por derivação:


a) prefixal
b) sufixal
c) parassintética
d) regressiva
Resposta: B
Comentários:
Quanto aos processos de formação de palavras, trabalhado também no primeiro simulado,
destacamos que:
a) Derivação prefixal ocorre pelo acréscimo de prefixo: Infeliz (prefixo IN);
b) Derivação sufixal ocorre pelo acréscimo de sufixo: livrinho (sufixo INHO);
c) Derivação parassintética: ocorre o acréscimo simultâneo de prefixos e sufixos, em que
a retirada de um desses elementos não permite a existência de uma palavra da
Língua Portuguesa. Por exemplo, se retirarmos o sufixo ECER de enraivecer, não é
possível a formação da palavra enraiv em nosso idioma.
d) Derivação regressiva ocorre pela subtração de algum sufixo, geralmente, das
terminações AR, ER, IR de verbos que dão origem a substantivos abstratos: sufoco
surge do verbo sufocar; pesca do verbo pescar, ataque do verbo atacar; ameaça do
verbo ameaçar e, assim, por diante.
Assim, Invejável é formada por derivação sufixal porque apresenta o radical inveja e o
sufixo vel.

25. Assinale a alternativa errada quanto à concordância nominal


a) Gostava de usar sapatos meio coloridos
b) Resolvemos situações as mais terríveis possível.
c) Estejamos alerta, pois a corrupção ainda continuará.
d) Os documentos estão anexos ao protocolo.
e) Ela mesma redigiu seu pedido de demissão.
Resposta: B
Comentários:
A questão aborda algumas particularidades de regência nominal. Sobre elas,
destacamos o seguinte:
a) ALERTA, para a gramática tradicional, é sempre invariável, por isso,
empregada sempre no singular:
 Estejamos alerta, pois a corrupção ainda continuará = Correto, pois alerta
é sempre invariável, não se flexiona.
b) ANEXO concorda com o substantivo que acompanha ou se refere:
 Os documentos estão anexos ao protocolo = Correto, pois concorda com o
substantivo documentos.
A expressão EM ANEXO é invariável, não se flexiona:
 Os documentos estão em anexo.
c) MESMO concorda com pronome ou com o substantivo que acompanha ou se
refere:
 Ela mesma redigiu seu pedido de demissão = Correto, pois concorda com
o pronome ELA.
d) MEIO é variável quando é numeral, indicando metade. É invariável quando é
empregado como advérbio de intensidade, modificando adjetivos.
Atenção: como numeral, refere-se diretamente a um substantivo. Como advérbio
equivale a “mais ou menos”.
 Tomou meia garrafa de café = Correto, pois é numeral, equivale à metade,
refere-se ao substantivo garrafa.
 Gostava de usar sapatos meio coloridos = Correto, pois é advérbio,
equivale a “mais ou menos”, modifica o adjetivo coloridos.
e) POSSÍVEL acompanhado de expressões superlativas O MAIS, A MAIS, O
MELHOR concorda com o artigo que as integra:
 Os resultados eram os melhores possíveis = Correto, pois possível
concorda com o artigo OS no plural.
 Resolvemos situações as mais terríveis possível = Errado, pois possível
deveria concordar com o artigo As no plural.
Assim, a concordância errada está na alternativa B.