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CEMU

ÁREA DE FORMAÇÃO DE QUÍMICA


CURSO TÉCNICO DE QUÍMICA INDUSTRIAL

FASCÍCULO DE APONTAMENTO DE QUÍMICA GERAL


11ª CLASSE

DOCENTE: ENG.º EUGÉNIO JOSÉ LUINDULA MANUEL

2017
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DE QUÍMICA GERAL PARA 11ª
CLASSE: G.S.I

REACÇÃO QUÍMICA
EQUILÍBRIO QUÍMICO
VOLUMETRIA DE NEUTRALIZAÇÃO
VOLUMETRIA DE REDOX

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REACÇÃO QUÍMICA

Solução e unidade de concentração


Concentração química
Solução é uma mistura homogênea de duas ou mais substâncias. A espécie em menor
quantidade em uma solução é chamada de soluto, e a espécie em maior quantidade é
chamada de solvente.

Concentração química de uma substância refere-se à quantidade de soluto contida em


um dado volume ou massa de solução ou de solvente.

 Concentração molar ou molaridade


A concentração em mol/l é o número de molis do soluto contidos num litro de solução.
n m (s)
C=M= = = [mol⁄l]
V(l) V(l) × MG
 Concentração comum
É a unidade de concentração mais simples. É expressa pela letra C, e calculada por:
m(soluto)
C= = [g⁄l]
V(solução,L)
 Concentração molal ou molalidade
É definida como o número de molis de soluto dissolvido em kg de solvente.
n(soluto)
𝔐= = [mol⁄kg] ou [molal]
massa(solvente,kg)

 Fração e Percentagem molar


A fração molar, simboliza pela letra x, é definida como sendo a razão entre o número de
molis do componente A e o número total de molis presentes. É utilizada quando existem
vários componentes, ou quando não há distinção entre soluto e solvente, isto é, quando a
quantidade dos componentes presentes na solução é semelhante.
Para uma mistura com vários componentes:
nA
xA =
nA + nB + n C + ⋯ + nN
xA + xB + xC + ⋯ + xN = 1

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 Fração mássica
Semelhantemente ao conceito de fração molar, a fração mássica de um componente
representa a razão entre a massa desse componente e massa total da solução. Existe
ainda a fração volumétrica, quando multiplicadas por 100%, nos dão a percentagem
mássica e volumétrica, respetivamente.

 Parte por milhão – ppm


É uma forma de expressar a concentração de soluções muito diluídas, onde se relaciona
quantas partes do soluto estão contidas num milhão de partes da solução. É calculada
assim:
massa (mg) massa (mg)
C= =
massa (solução,kg) massa (solução, 106 mg)
 Percentagem
Frequentemente a concentração é expressa em termo de percentagem (parte por 100%).
Infelizmente, esta pratica é fonte de ambiguidades, pois a percentagem pode ser expressa
de varias formas, as três mais comuns são:
massa (soluto)
% peso (massa⁄massa) = × 100
massa (solução)
volume (soluto)
% peso (volume⁄volume) = × 100
volume (solução)
massa (soluto)
% peso (peso⁄volume) = × 100
volume (solução),mL

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EQUAÇÃO QUÍMICA
Representa-se uma reação química através de uma equação química. Você já deve estar
familiarizado com estas equações, pois toda vez que um fenômeno químico tem de ser
ilustrado, utilizam-se estas equações. Considere a equação química representada abaixo:
C12 H22 O11 + 24 H2 SO4 → 24 SO2 + 12 CO2 + 35 H2 O

As substâncias que estão antes da seta são chamadas de reagentes e as que estão após a
seta são chamadas de produtos, ou seja, os reagentes são as substâncias que vão reagir
para formar os produtos da reação química.

Os números que antecedem cada substância são os coeficientes estequiométricos, que são
os menores números inteiros que indicam a proporção entre as espécies que estão
reagindo e sendo formadas, ou seja, indicam o balanço estequiométrico da reação
química. Na reação acima, para cada molécula de celulose (C12 H22 O11 ), são necessárias
24 moléculas de ácido sulfúrico e são formadas 24 moléculas de dióxido de enxofre, 12
moléculas de dióxido de carbono e 35 moléculas de água.
Pode também utilizar-se a mesma relação para número de molis, ao invés de número de
moléculas, o que em geral é mais conveniente.

A seta que separa os reagentes dos produtos pode ser simples ou dupla. A seta simples
indica que a reação ocorre apenas no sentido indicado; enquanto que a seta dupla mostra
que a reação é reversível, isto é, existe um equilíbrio entre os dois sentidos da reação.

Sobre ou sob a seta que separa os reagentes dos produtos na equação química, podem ser
indicadas as condições necessárias para que a reação ocorra. Para isso costumam ser
utilizados símbolos. Abaixo estão alguns desses símbolos e seu significado:
∆ − calor fornecido à reação;
λ − energia luminosa (luz);
cat. −catalisador;
∇ − energia eléctrica.
Estado de agregação dos reagentes e produtos é indicado ao lado de cada substância, entre
parênteses, utilizando-se os símbolos (s) para sólido, (l) para líquido, (g) para gasoso e
(aq) para aquoso.

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Por exemplo:

2H2 O(l) → 2H2 (g) + O2 (g)
Esta representação significa que a água líquida, sob uma descarga elétrica, decompõe-se
em hidrogênio e oxigênio gasosos. É comum também encontrar a indicação do estado
físico em notação subscrita.

Uma equação química deve estar balanceada, ou seja, deve mostrar que átomos não são
criados nem destruídos em uma reação, apenas combinam-se de formas diferentes.
Portanto, a mesma quantidade de átomos de um elemento que existe nos reagentes deve
existir nos produtos da reação. Os coeficientes da reação nos fornecem a proporção entre
os compostos que reagem e os que são formados, deixando a equação balanceada.

CLASSIFICAÇÃO DAS REAÇÕES QUÍMICAS


As reações químicas podem ser classificadas mediante vários critérios. Vamos mostrar
aqui alguns dos mais importantes.

 Reação de oxirredução
Reações de oxirredução são aquelas que apresentam transferência de eletrões entre os
reagentes, ou seja, são aquelas onde ocorre variação do Nox de alguns dos elementos
envolvidos na reação. A oxidação é a perda de eletrões, e a espécie que doa seu elétron
se oxida.
Fe+2 + e̅ → Fe+3

O ião Fe+2 perde um elétron, isto é, sofre oxidação, e passa para a forma Fe+3. O elemento
que se oxida provoca a redução de um outro elemento. Diz-se então que o elemento que
se oxida é o agente redutor, pois provoca a redução de outro elemento.
A redução é o ganho de eletrões, e a espécie que recebe um elétron se reduz.
Sn+4 + 2e̅ → Sn+2

O ião Sn+4 ganha dois eletrões, isto é, sofre redução, e passa para a forma Sn+4 O elemento
que se reduz provoca a oxidação do outro elemento. Diz-se que o elemento que se reduz
é o agente oxidante, que provoca a oxidação em outro elemento.

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Portanto:
 O agente oxidante sofre redução, provocando a oxidação da outra espécie participante
da reação.
 O agente redutor sofre oxidação, provocando a redução da outra espécie participante
da reação.
Observe que não existe uma reação de oxidação sem haver uma reação de redução. A
ocorrência de uma depende, exclusivamente, da ocorrência da outra. São reações de
oxirredução as reações de combustão, de corrosão e várias outras. Veja o exemplo abaixo
da reação de combustão do carbono:
C + O2 → CO2
O carbono (substância simples) passou do Nox 0 para Nox +4, portanto ele perdeu +4,
portanto ele perdeu eletrões, se oxidou e seu Nox aumentou. Já o oxigénio (substancia
simples também) passou do Nox 0 para o Nox -2, portanto se reduziu e seu Nox diminui.
Logo, o oxigénio (O2) é o agente oxidante, pois causou a oxidação do carbono, e o
carbono (C) é o agente redutor, pois causou a redução do oxigénio.

 Reação de análise ou decomposição


É o nome dado às reações em que uma única substância é decomposta em uma ou mais
substâncias.
Vejamos alguns exemplos, como a decomposição da água em hidrogênio e oxigênio,
mediante a passagem de uma corrente elétrica, ou a decomposição térmica do carbonato
de cálcio.

2H2 O → 2H2 + O2

CaCO3 → CaO + CO2

Podemos dar nomes para essas reações de decomposição de acordo com a condição
necessária para que a reação ocorra. Assim,
 Pirólise: é a decomposição que ocorre mediante fornecimento de calor;
 Eletrólise: é a decomposição que ocorre pela passagem de corrente elétrica;
 Fotólise: é a decomposição que ocorre por irradiação luminosa.

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 Reação de síntese ou composição
É o nome dado às reações em que duas ou mais substâncias, simples ou compostas,
formam apenas uma substância composta.
Vejamos alguns exemplos:
C + O2 → CO2
CaO + CO2 → CaCO3

Se todos os reagentes forem substâncias simples, a reação é chamada de síntese total. Se


houver pelo menos uma substância composta entre os reagentes, a reação é de síntese
parcial.

 Reação de deslocamento ou simples troca


É aquela em que uma substância simples reage com uma substância composta,
produzindo outra substância simples e outra substância composta.
Veja este exemplo, em que o ferro, por ser mais reativo, desloca o cobre, gerando um
depósito de cobre metálico.
C + O2 → CO2

 Reação de dupla troca


São as reações em que duas substâncias compostas reagem entre si, produzindo
duas outras novas substâncias compostas.
HCl + NaOH → NaCl + H2 O
A reação acima é uma reação de dupla troca, pois há uma permuta entre o hidrogênio do
ácido e o catião da base, e duas novas substâncias compostas são formadas. Toda reação
de neutralização é uma reação de dupla troca.
Outro exemplo:
NaCl + AgNO3 → AgCl + NaNO3

 Reação ácido-base
Esse tipo de reação já foi apresentado anteriormente quando as funções inorgânicas
foram abordadas. Dentro desse tópico, podemos citar as reações de:
a) Neutralização: reação entre um ácido e uma base, em que sal e água são formados.
HCl + NaOH → NaCl + H2 O

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b) Hidrólise: é o processo inverso da neutralização. Sais formados a partir de ácidos
ou bases fracas apresentam reação inversa, isto é, reagem com a água regenerando o
ácido e/ou a base correspondente. Assim, quando esses sais são dissolvidos em água
podem formar soluções com caráter ácido ou básico. As reações de hidrólise estão
sempre em equilíbrio. Observe o exemplo de reação de hidrólise abaixo, onde
prevalece o caráter ácido da solução.
NH4 + + Cl− + H2 O → NH4 OH + H + + Cl−
NH4 + + H2 O → NH4 OH + H +

 Reação exotérmica e endotérmica


Todo sistema apresenta uma tendência natural de caminhar para um estado de menor
energia. Quanto menos energia puder ser gasta para organizar um sistema, assim a
natureza procederá.
O conteúdo de calor de um sistema é chamado de entalpia. A variação de entalpia (↑ H),
isto é, o conteúdo de calor dos produtos menos o conteúdo de calor dos reagentes (↑ H =
HP − HR ), medida a pressão constante, retrata a quantidade de calor libertada ou
absorvida na reação. É expressa em unidade de energia, kJ ou kJ/mol.
∆H positiva − o sistema absorve energia
∆H negativa − o sistema liberta energia

Então, quanto ao calor envolvido em uma reação, ela pode ser classificada em:
 Reação exotérmica: são as reações químicas que libertam calor;
 Reação endotérmica: são as reações químicas que absorvem calor.

O calor é representado nestas reações pela variação de entalpia, escrita ao fim da reação.
Se a reação é endotérmica, isto é, absorve calor, a variação da entalpia é positiva. Se a
reação é exotérmica, isto é, libera calor, a variação de entalpia é negativa.
Por exemplo:

C(s) + O2 (g) → CO2 (g) ∆H = −393,5 kJ

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 Espontaneidade de uma reação
Para prever a espontaneidade de uma reação química, devemos avaliar não só o conteúdo
de calor do sistema, como também seu grau de desordem, pois há na Natureza uma
tendência de caminhar tanto para um estado de menor energia quanto para o estado de
maior desordem possível. O grau de desordem de um sistema é chamado de entropia.

A variação de entropia (ΔS), isto é, o grau de desordem dos produtos menos o grau de
desordem dos reagentes (ΔS= Sp -Sr), nos indica o estado de desordem do sistema. É
expressa em unidades de energia por temperatura absoluta (J/K) ou em unidades de
energia por temperatura absoluta por mol (J/K.mol).
ΔS positiva – o sistema aumenta sua desordem
ΔS negativa – o sistema diminui sua desordem

As variações de entalpia e entropia estão relacionadas, para valores de temperatura


e pressão constantes, pela seguinte equação:
∆G = ∆H − T × ∆S
onde o termo ΔG, denominado variação de energia livre de Gibbs, corresponde à máxima
energia útil que é possível retirar de um sistema. Se o valor de ΔG é negativo, isto indica
que a reação química é espontânea, isto é, ocorrerá no sentido apresentado na equação.
Se ΔG é positivo, o processo não é espontâneo e, por conseguinte, a reação inversa será
espontânea.

CÁLCULO ESTEQUIOMÉTRICO
Uma equação química balanceada expressa a quantidade química equivalente de
reagentes e produtos. O cálculo estequiométrico é o cálculo das quantidades de reagentes
e produtos das reações químicas feito com base nas leis das reações.
Desse modo, pode-se calcular a quantidade de produtos formada a partir dos reagentes ou
a quantidade de reagentes necessária para formar determinada massa de produto, sempre
com base na equação química balanceada. Também se utiliza o cálculo estequiométrico
para determinar a eficiência de uma reação e a pureza das substâncias formadas.

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TIPOS DE FÓRMULAS

 Fórmula percentual: indica a percentagem, em massa, de cada elemento que


constitui a substância.
Primeiro passo, determinar a massa molecular da substância.
A seguir as percentagens de cada constituinte.
Ex: CH4.
16____________________100% 16 _____________100%
C{ X = 75% H { Y = 25%
12 ___________________X; 4 ________________Y;
Desse modo, temos: C75% H25%

 Fórmula mínima ou empírica: indica a menor proporção, em números inteiros de


mol, dos átomos dos elementos que constituem uma substância.

Ao determinar a fórmula mínima, devemos:


a) Calcular o número de mol de átomos de cada elemento;
b) Dividir os resultados pelo menor valor encontrado.

Vejamos um exemplo:
Uma amostra contém 2,4 g de carbono e 0,6 g de hidrogênio (Dados: massas atômicas:
C = 12, H = 1). Para determinar a fórmula mínima do composto?

 Fórmula molecular: indica o número real de átomos de cada elemento na molécula.


Em alguns casos, a fórmula molecular é igual à fórmula mínima; em outros, porém, é um
múltiplo inteiro da fórmula mínima.
Fórmula molecular = (fórmula mínima) × n
em que n é inteiro.
1º método A partir da percentagem em massa, calculando a fórmula mínima. Vitamina C
(massa molecular = 176)
C = 40,9% em massa = 40,9 g
100 g { H = 4,55% em massa = 4,55 g
O = 54,6% em massa = 54,6 g

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2º método: é relacionando as percentagens em massa com a massa molecular do
composto.
C = 40,9%
{ = 4,55% ; MM = 176
H
O = 54,6%
considerando que a sua fórmula molecular seja: Cx Hy Oz
agora devemos relacionar as percentagens em massa com as massas atômicas e a massa
molecular:

As leis das reações químicas são basicamente as seguintes:


1) Lei de Lavoisier ou Lei da Conservação das Massas: “Na natureza nada se cria, nada
se perde, tudo se transforma”, ou, “Quando uma reação química ocorre em um
ambiente fechado, a massa total antes da transformação é igual à massa total após a
transformação”.

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2) Lei de Proust ou Lei das Proporções Constantes: “Uma determinada substância pura,
qualquer que seja sua origem, contém sempre os mesmos elementos combinados na
mesma proporção em massa.”

3) Lei Volumétrica de Gay-Lussac ou Lei das Combinações dos Volumes Gasosos:


“Quando medidos nas mesmas condições de temperatura e pressão, os volumes dos
reagentes e produtos gasosos formam uma proporção constante, de números inteiros
e pequenos.”

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REACÇÕES NO LABORATÓRIO E NA INDÚSTRIA
Os cálculos estequiométricos vistos até agora referem-se a condições teóricas. Na prática,
em certas situações, os reagentes são misturados em quantidades não estequiométricas,
ou então apresentam impurezas. Nem sempre, também, as reações ocorrem com
aproveitamento total. A seguir estudaremos algumas dessas situações práticas.

 Reagente em Excesso e Reagente Limitante


Quando misturamos dois reagentes que não estão em proporção estequiométrica, um
deles será consumido totalmente, sendo denominado reagente limitante. O outro
reagente, do qual restará certa quantidade sem reagir, será denominado reagente em
excesso.

Para resolver questões que envolvem reagentes limitantes e em excesso, podemos seguir
as etapas abaixo:
a) considere um dos reagentes como limitante e determine quanto de produto seria
formado;
b) repita o procedimento para o outro reagente;
c) a menor quantidade de produto encontrada corresponde ao reagente limitante e indica
a quantidade de produto formada.

RENDIMENTO DE UMA REAÇÃO QUÍMICA


Na prática, quando realizamos uma reação química, mesmo utilizando quantidades
estequiométricas dos reagentes, nem sempre conseguimos obter a quantidade máxima
possível dos produtos. Isso acontece por vários fatores. Assim, é comum que a reação
ocorra com um rendimento real menor que o rendimento teórico (100%).
A percentagem real de rendimento pode ser determinada desta maneira:

Exemplo: sabendo que a formação da água ocorre segundo a equação:


𝟐𝐇𝟐 (𝐠) + 𝐎𝟐 (𝐠) → 𝟐𝐇𝟐 𝐎 (𝐯). Determine o rendimento de um experimento no qual 2 g
de hidrogénio reagiram com 16 g de oxigeno, produzindo 14,4 g de água.

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CAPÍTULO II: EQUILÍBRIO QUÍMICO

 Definição de Equilíbrio
A maioria das reações que nós trabalhamos, quando realizadas num sistema fechado, é
reversível. Quando colocamos substâncias num recipiente e elas começam a reagir, vão
formando novas substâncias chamadas produtos. Após determinado tempo, estes
produtos reagem entre si, produzindo as substâncias iniciais. Este processo ilustra uma
reação reversível, como demonstrado na equação genérica a seguir:

 Lei da Velocidade da Reação e Constante de Equilíbrio (Kc)


Vamos agora observar o que ocorre com a velocidade dessas reações (direta e inversa).
A velocidade de uma reação é diretamente proporcional ao produto das concentrações em
mol/L dos reagentes dessa reação (Lei de Ação das Massas ou Lei de Guldberg-Waage).
Considere a Reação Elementar genérica:

A expressão da velocidade de uma reação pode ser assim representada:

A explicação para a existência de um termo elevado ao quadrado é que poderíamos


escrever a equação anterior da seguinte forma:

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Voltemos à nossa reação:

Podemos escrever a expressão da velocidade da reação direta (da esquerda para a direta)
V1:
V1 = k1 × [N2 O4 ]
E a equação para a reação inversa (da direta para a esquerda) V2 será:
V2 = k 2 × [NO2 ]2
Quando o sistema atinge o equilíbrio, podemos igualar V1 e V2:
k1 [NO2 ]2
V1 = V2 ⟹ k1 × [N2 O4 ] = V2 = k 2 × [NO2 ]2 ⟹ =
k 2 [N2 O4 ]
Como k1 e k2 são constantes, então k1/k2 também é uma constante. Essa nova constante é
chamada constante de equilíbrio, e é simbolizada por Kc.
Para o equilíbrio:

[NO2 ]2
Kc =
[N2 O4 ]

Concluindo: a lei de equilíbrio (Kc) expressa em função das concentrações é definida


como a multiplicação das concentrações, em mol/l, dos produtos, divididas pelas
concentrações dos reagentes, todas elevadas aos respetivos coeficientes estequiométricos.
aX + bY → produtos
[C]c [D]d
aA + bB ⇆ cC + dD; K c =
[A]a [B]b
outro exemplo:
H2 (g) + I2 (g) ⇄ 2H (g)
[HI]2
Kc =
[H2 ][I2 ]

Exemplo 1: escreva a expressão da lei de equilíbrio (Kc) para os seguintes sistemas:


a) 2SO2 (g) + O2 (g) ⇄ 2SO3 (g)
b) Fe2+ (aq) + Cu2+ (aq) ⇄ Fe3+ (aq) + Cu+ (aq)
c) 2NO2 (aq) ⇄ 2NO(g) + O2 (g)

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SIGNIFICADO DE KC: quê informação pode retirar-se do fato de se conhecer o Kc de
uma reação?
Se o Kc de uma reação for muito alto, pode concluir-se que, ao atingir o equilíbrio, haverá
muito produto do que reagente, logo, será maior a extensão da reação direta.
Por outro lado, se os valores de Kc forem muito baixos, observa-se que reação direta será
favorecida, ou seja, no equilíbrio ter-se-á mais reagentes do que produtos.

Exemplo 2: num sistema em equilibrio a 25ºC, as concentraçoes de NOCl (g), NO (g) e


Cl2 (g) são, respetivamente, iguais a 5 mol/l, 0,00005 mol/l e 2 mol/l. calcule o Kc a 25ºC,
para a reação.

LEI DA DILUIÇÃO DE OSTWALD


No final do século XIX, Friedrich Wilhelm Ostwald, químico de origem russo-germânica,
deduziu pela primeira vez uma expressão matemática relacionando a constante de
ionização, a concentração em mol/L e o grau de ionização para monoácidos e monobases.
Para compreendermos a expressão proposta por Ostwald, vamos elaborar o seguinte
raciocínio:
Ao adicionarmos um ácido à água, podemos relacionar o número de mol adicionado com
número de mol ionizado:
n° de moles ionizado
α=
n° de moles inicais (n)

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Assim, o número de mol de cada espécie na condição de equilíbrio é:
HA = n − α × n ou n(1 − α)
H + = nα
A− = nα
Usando esses valores, vamos determinar o valor de Ki:
nα nα
[H + ] × [A− ] × V α2 n α2
Ki = ⇒ Ki = V = × ⇒ Ki = ×M
[HA] n(1 − α) 1 − α V 1−α
V
No caso dos ácidos fracos (α<5%), o valor de (1-α) na expressão será considerado
aproximadamente 1. Assim, a expressão do K será representada por:
K i = α2 × M
Como Ki é uma constante, quanto menor for a concentração molar (M), ou seja, quanto
mais diluída a solução, maior será o grau de ionização (α).

Exemplo 3: o ácido acetilsalicílico, mais conhecido como aspirina, é um ácido orgânico


fraco, cuja fórmula será representada por HAsp. Uma solução aquosa é preparada
dissolvendo-se 0,1 mol de HAsp por litro. A concentração de H+ nessa solução é 0,004M.
calcule o Ka da aspirina.

Exemplo 4: para a reação representada a seguir, em que todas as substâncias estão na


fase gasosa:

Realizada a uma dada temperatura, o valor de Kc é 40 e as concentrações de CO é 0,05


mol/l e do CO2 0,1 mol/l. calcule a concentração em mol/l de gás oxigénio nesse
equilíbrio.

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 Sistemas Gasosos
Em sistemas gasosos, a quantidade de reagente e produtos também pode ser verificada
pela pressão parcial de cada um dos gases participantes da reação, porque a concentração
molar de um gás é diretamente proporcional a sua pressão parcial. Para comprovar esta
relação, basta observar a lei dos gases ideais.
n
PV = nRT ou P = × RT
V
Em n/V corresponde à concentração molar.

Quando utiliza-se as pressoes parciais para descrever um sistema em equilibrio, utiliza-


se a constante de equilibrio de Kp.
Exemplo 5: reaçao entre gás nitrogénio e gás hidrogéno na produção de amónia:

A lei de equilíbrio desta reação pode ser descrita em função das concentrações molares,
como visto anteriormente:
[N2 ]2
Kc =
[N2 ][H2 ]3
Ou em função das pressões parciais:
P 2 NH3
Kp =
PN2 P 3 H2

Exemplo 6: o gás SO3 pode ser decomposto em SO2 e O2 a altas temperaturas, de


acordo com a equação:
2SO3 (g) ⇌ 2SO2 (g) + O2 (g)
As pressões parciais dos componentes no equilíbrio são: para oxigénio é 12 atm, dióxido
de enxofre é 4 atm e para o trióxido de enxofre é 8 atm. Determine o valor de Kp para o
sistema.

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 Relação entre Kp e Kc
Para algumas reações, os valores de Kp e Kc são iguais. Porem, para mutas outras, as
duas constantes apresentam valores diferentes. Portanto, é necessário calcular uma a
partir da outra.
A equação que nos permite fazer esse calculo é deduzida a partir da lei dos gases ideias.
K p = K c × (R × T)∆n

 Grau de equilíbrio
Considere um frasco fechado, inicialmente, com 9 moles de ozónio. Admita que no
equilíbrio entre ozónio e oxigénio existam 6 moles de ozónio e 4,5 moles de oxigénio.
Para calcular o número de moles de ozónio que reagiram, temos:
n (reagiram) = 9 – 6 = 3 moles de ozónio.
Determina-se a percentagem de moles de ozónio que reage:

Essa percentagem é denominada grau de equilíbrio (α). Pode calcular-se o grau de


equilíbrio para determinado reagente diretamente pela expressão:

É muto importante que você saiba diferenciar grau de equilíbrio e constante de equilíbrio.

A uma temperatura constante, o grau de equilíbrio é variável, porque depende da


concentração inicial do reagente que estiver sendo analisado. Entretanto, a constante de
equilíbrio, como o próprio nome indica, terá valor fixo para cada equilíbrio.

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Exemplo 7: a tabela a seguir é valida para o seguinte equilíbrio de decomposição,
realizado a 500ºC:

a) Por que o valor de Kc não varia?


O valor de Kc não varia, porque, mantida a temperatura constante, a constante de
equilíbrio não depende das concentrações iniciais dos reagentes ou dos produtos?
b) Calcule o grau de decomposição do amoníaco, em cada experiencia, considerando o
volume do recipiente igual a 1 litro?

Nota: O equilíbrio químico pode existir somente em sistemas fechados em que o


conteúdo material não é aumentado nem diminuído, permanecendo assim com as
concentrações constantes.

EXERCÍCIOS
1) Para o equilíbrio CO2 + H2 ⇄ CO + H2 O. Numa determinada temperatura, a constante
Kc vale 8,4. Uma analise apontou os seguintes resultados, em determinado instante de
uma experiencia: [CO2] = 0,2 mol/l; [H2] = 0,3 mol/l; [CO] = 1,2 mol/l; [H2O] = 0,4 mol/l.

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2) num recipiente de 1 litro, colocou-se 1 mol de PCl5. Supondo o sistema:
PCl5 ⇄ PCl3 + Cl2
Homogéneo e em temperatura tal que o PCl5 esteja 80% dissociado. Determine a Kc para
esse sistema?

3) dado Kc = 61 para reação: N2 (g) + 3H2 (g) ⇄ 2NH3 (g) a 500K. Calcule se mais
amoníaco tenderá a se formar quando a mistura de composição 0,00223 mol/l de N2.
0,00124 mol/l de H2 e 0,112 mol/l de NH3 estiver presente um recipiente a 500K.

2.1 EQUILÍBRIO QUÍMICO EM SOLUÇÕES AQUOSAS

Equilíbrios iónicos em geral


 Conceitos iniciais
Equilíbrio iónico é o caso particular dos equilíbrios químicos em que aparecem iões. Os
iões estão presentes em todas as soluções aquosas.

Todo equilíbrio químico que envolve a participação de iões é denominado equilíbrio


iónico.
A ionização de um composto covalente na água, formando um ácido, ou a dissociação de
uma base em meio aquoso são exemplos de processos reversíveis que dão origem a
equilíbrios iónicos. Considere, por exemplo, as reações genéricas a seguir, em que A
representa um anião qualquer e C representa um catião qualquer:

 Ionização
reacção directa
HA + H2 O (l) ⇔ H3 O+ (aq) + A− (aq)
Se HÁ for um ácido forte, o equilíbrio estará deslocado no sentido da reacção directa; se
for um ácido fraco, o equilíbrio estará deslocado no sentido da reacção inversa.

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 Dissociação
reacção directa
COH ⇔ C + (aq) + OH − (aq)
Se COH for uma base forte, o equilíbrio estará deslocado no sentido da reacção directa;
se for uma base fraca, o equilíbrio estará deslocado no sentido da reacção inversa.

Teoria sobre o conceito de ácido e base:


 Teoria de Bronsted-Lowry
Ácido: é qualquer espécie química lhe liberta ou doa protões (H+);
Base: é qualquer espécie química que recebe protões.

 Teoria de Arrhenius
À ideia de ácido está associado o sabor azedo, como acontece com o vinagre e o limão;
e, à ideia de base (ou álcali), estão associados um sabor adstringente e uma sensação
semelhante à provocada pelo sabão, ao tacto.
Os chamados ácidos de Arrhenius, por ionização, produzem H+, e as bases de
Arrhenius produzem OH-.
O confronto ácido vezes base é muito importante para compreender o comportamento
das substâncias químicas.

 Teoria de Lewis
Ácido: é a espécie química receptora de pares de electrões (agente eletrófilo);
Base: é a espécie doadora de pares de electrões (agente nucleófilo).
Considerando a estrutura das substancias envolvidas numa reacção do tipo ácido-base, o
conceito de Lewis não é diferente do conceito de Bronsted-Lewis, só é mais amplo.
Para que uma espécie química possa receber um protão (H+) e funcionar como uma base
de Bronsted-Lowry, deve obrigatoriamente ter um par de electrões disponíveis, não
compartilhados. Veja os exemplos:
NH3 (aq) + H2 O ↔ NH4 (aq) + + OH − (aq)
Ou mais especificamente, o que ocorreu com o NH3:
NH3 + H + → NH4 +

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O NH3, que nessa reacção funciona como base de Bronsted-Lowry, apresenta um par de
electrões não compartilhados, que foi utilizado para receber um protão (H+). Assim, o
NH3 também é uma base de Lewis.
O conceito de Lewis aumenta o número de espécie químicas que podem ser classificadas
como ácidos ou como bases. Assim, um protão ou mesmo um catião podem funcionar
como ácido, ou seja, podem receber um par de electrões.

 Constante de ionização ou de dissociação


Como os equilíbrios iónicos em soluções (em geral aquosas), Ki é definida a partir da
constante de equilíbrio Kc. Considere, por exemplo, a reacção genérica e reversível:
reacção directa
HA + H2 O (l) ⇔ H3 O+ (aq) + A− (aq)
A expressão de Kc para essa reacção é:
[H3 O+ ] × [A− ]
Kc =
[HA] × [H2 O]
[H3 O+ ]×[A− ]
K c × [H2 O] = ; K i = K c × [H2 O], então temos:
[HA]

[H3 O+ ] × [A− ]
Ki =
[HA]
Analogamente, para a dissociação de uma base:
reacção directa
COH ⇔ C + (aq) + OH − (aq)
[C+ ] × [OH − ]
Ki =
[COH]
Em relação aos equilíbrios iónicos, é importante observar que:
 Quanto maior o valor de Ka, maior a ionização do ácido e, portanto, maior a sua força
e vice-versa;
 Quanto maior o valor de Kb, maior a dissociação da base e, portanto, maior a sua força
e vice-versa;
 Os valores de Ka e de Kb, assim como os valores de Kc, só variam com a temperatura.

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 Poliácidos e Polibases
A ionização de um poliácido ou a dissociação de uma polibase ocorrem em varias etapas,
tantas quantos forem os catiões hidrónio, H3O+, formados pelo ácido, ou os aniões
hidróxido, OH-, libertados pela base.
Para cada uma dessas etapas, calculam-se os valores de Ki e de α.

 A etapa 1, parte do H3A, uma molécula neutra. O primeiro hidrogénio é libertado


como um protão, H+, que estabelece uma ligação covalente com a água. O processo
ocorre com certa facilidade;
 A etapa 2 parte do H2A-, um anião monovalente. Segundo hidrogénio é mais difícil
de ser libertado, pois existe a atracção eléctrica entre o anião e o protão, H+;
 A etapa 3 parte do HA2-, um anião bivalente. Terceiro hidrogénio é muito difícil de
ser libertado, pois a atracção eléctrica entre esse anião e o protão, H+, é bem mais
intensa.
Conclusão: Ki1 >>>Ki2>>>Ki3 e α1>>> α2>>> α3. Sendo:
[H2 A] × [H3 O+ ] [HA2− ] × [H3 O+ ]
K i1 = ; K i2 =
[H3 A] [H2 A− ]
[A3− ] × [H3 O+ ] [A3− ] × [H3 O+ ]3
K i3 = e K in =
[HA2− ] [H3 A]
Prova-se que: K i1 × K i2 × K i3 = K in ; sendo Kin a constante de equilíbrio associada à
equação global. Acompanhe:
[H2 A] × [H3 O+ ] [HA2− ] × [H3 O+ ] [A3− ] × [H3 O+ ]
K i1 × K i2 × K i3 = × ×
[H3 A] [H2 A− ] [HA2− ]
[A3− ] × [H3 O+ ]3
K i1 × K i2 × K i3 = = Kin
[H3 A]

 Constante de ionização de ácidos (Ka)


De acordo com arrhenius, ácido são substâncias que, em solução aquosa, se ionizam e
libertam o ião H+ como único tipo de catão. Na verdade, essa reacção é uma reacção
reversível, na qual há um equilíbrio.

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Considere um ácido genérico HÁ, cujo equilíbrio em solução aquosa pode ser
representado de duas maneiras:
HA (aq) ↔ H(aq) + + A(aq) −
HA + H2 O (l) ↔ H3 O+ (aq) + A− (aq)
[H3 O+ ] × [A− ]
Kc =
[HA] × [H2 O]
Água é constante.
K a = K c × [H2 O]
[H3 O+ ] × [A− ]
Ka =
[HA]
Numerador é constituído por iões em solução e o denominador é a parte não ionizada.
Pode perceber-se que: quanto maior for a concentração em mol/l de iões na solução, maior
será o valor de Ka.
Os valores das constantes de ionização de muitos ácidos já foram determinados
experimentalmente e encontra-se tabelados à mesma concentração e temperatura. Por
meio dos valores tabelados podemos comparar a força desses ácidos:

No caso de um ácido com mais de um hidrogénio ionizável, por exemplo, o ácido


sulfídrico (H2S), a ionização irá ocorrer em duas etapas:
1ª etapa: H2 S ⇄ H + + HS − 2ª etapa: HS − ⇄ H + + S 2−
Com isso, teremos duas constantes de ionização:
[H + ] × [HS − ] [H + ] × [S 2− ]
1ª Ionização: K1 = 2ª Ionização: K 2 =
[H2 S] [HS − ]

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Experimentalmente, podemos determinar também os valores dessas constantes:
K1 = 1,1 × 10−7 K 2 = 1,0 × 10−19
Note que o valor de K1 é muito maior do que o valor de K2, o que permite concluir que a
1ª ionização é muito mais fácil de ocorrer do que a 2ª que, por ter uma constante muito
baixa, será desprezada para efeito de cálculo.
Assim, deveremos considerar que a concentração de iões H+ presente na solução aquosa
de um poliácido é proveniente da sua 1ª ionização.

 Constante de ionização de bases (Kb)


Assim, como definimos a constante de ionização para ácidos (Ka), também podemos
definir a constante de dissociação, ou ionização, para as bases: Kb,
NH3 (aq) + H2 O ↔ NH4 (aq) + + OH − (aq)
[NH4 + ] × [OH − ]
Kb =
[NH3 ]
A 25ºC, a Kb para amoníaco é igual a 1,8 × 10−5 , o que nos faz concluir que essa é uma
base fraca. Note que a concentração da água, por ser uma constante, não aparece na
expressão de Kb. Generalizando, temos: para qualquer base (BOH): BOH ⇄ B+ + OH −
[B+ ] × [OH − ]
Kb =
[BOH]
Quanto maior é o valor de Kb, maior é a sua força e maior é a [OH − ].

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PRODUTO IÓNICO DA ÁGUA E pH
A água pura se ioniza segundo a equação:
H2 O ⇄ H + + OH −
Na verdade, esse processo é mais bem explicado pela auto-ionização da água:

Veja que a primeira molécula de água provocou a ruptura da segunda molécula, formando
os iões H3O+ (hidrónio) e OH- (oxidrila). Abreviadamente, podemos escrever:
2 H2 O ⇄ H3 O+ + OH −

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