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Maio

O novo acordo monetário sobre o


qual ninguém está falando
A três quilômetros da Casa Branca, o Poderoso Chefão das finanças
globais reuniu dirigentes de bancos centrais, ministros e grandes
economistas para coordenar uma mudança massiva nas guerras
cambiais. Essa mudança pode derrubar o rei dólar de seu trono ainda
neste ano...

Por Jim Rickards

Como Don Corleone no filme O Poderoso Chefão, o FMI fez uma oferta que o Japão “não
pode recusar”. Em outras palavras, não foi uma oferta; foi uma ameaça. E ela terá grande
impacto no sistema monetário internacional. Preste bastante atenção…

Por trás de seu lenço Hermès, terninho Chanel e do sotaque francês, Madame Christine Lagarde,
diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), é uma espécie de Don Corleone
implacável quando se trata de ameaçar membros que saem da linha de seu plano global- aquele feito
para enriquecer as elites à custa de investidores comuns, como você.

Christine Lagarde é o Poderoso Chefão das finanças mundiais. Conforme mercados de capital
girarem nos próximos meses, haverá tanto drama financeiro e violência quanto a observada nos
filmes de Coppola.

A história do FMI é ainda mais complexa do que a dinâmica da família Corleone. Nós contaremos o
enredo para que você possa preservar sua riqueza antes do banho de sangue no final.

As “Cinco Famílias” do Sistema Financeiro Global

Nos filmes de O Poderoso Chefão, havia cinco famílias que controlavam os esquemas. Elas eram de
Nova York, mas depois expandiram nacionalmente (para Las Vegas) e internacionalmente (para
Havana). As famílias eram os Corleones, os Barzinis, os Tattaglias, os Cuneos e os Straccis.

Esses nomes fictícios foram baseados em famílias reais do crime organizado, os Gambinos, os
Colombos, os Bonannos, os Genoveses e os Luccheses.

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Na condução diária dos esquemas, as famílias eram iguais, e cada uma tinha seu próprio território.
Na prática, uma das famílias tendia a dominar as outras e a oferecer tratados de paz quando guerras
irrompiam.

Nos filmes, a família mais poderosa era a Corleone. Na vida real, a família mais poderosa da máfia
eram a Gambino; chefes antigos da família Gambino incluem Carlo Gambino, Paul Castellano e
John Gotti.

O chefe de cada família era chamado de capofamiglia (chefe da família). O chefe da família mais
poderosa era chamado de capo di tutti capi (chefe de todos os chefes).

O sistema financeiro global também tem cinco famílias. Elas são os EUA, a China, o Japão, a
Europa e o FMI. Juntas, essas cinco famílias controlam dois terços do PIB mundial e mais de dois
terços de todo o ouro do mundo.

Como a Máfia, essas cinco famílias têm seus territórios e esquemas especializados na forma de
impressão de dinheiro, taxas de juros negativas e déficit financeiro.

Esses esquemas foram criados para extrair riqueza dos cidadãos e a redirecionar para as elites.
Exemplos incluem gerentes de grandes bancos, insiders de hedge fund, barões de private equity e
bilionários da tecnologia. Em troca, as elites pagam impostos e fazem contribuições em campanhas
que mantêm as famílias no poder.

Como resultado das políticas adotadas por essas cinco famílias, a desigualdade de renda nos EUA
está pior do que no final da década de 1920. Na China, a situação é ainda mais grave.

O cidadão comum é vitimado pelo sistema da mesma forma que o lojista que tem a janela quebrada
(ou pior) caso não pague o tributo ao crime organizado.

Às vezes, acontecem guerras entre as cinco famílias. No passado, eram guerras mundiais altamente
destrutivas, mas os grandes poderes não se enfrentaram diretamente desde que as tropas chinesas e
americanas entraram em choque na Guerra da Coreia. Em vez disso, guerras cinéticas ocorrem
indiretamente “por procuração” e em lugares como Vietnã, Iraque e Síria.

Hoje, quando os grandes poderes entram em guerra, o campo de batalha é o mundo financeiro. O Irã
e os EUA tiveram uma guerra financeira em 2012–2013 (os EUA estavam ganhando até que o
presidente Obama estabeleceu uma trégua em dezembro de 2013 para dar início às negociações
nucleares). A Rússia e os EUA estão em guerra financeira no momento. Ela está sendo feita com
sanções por causa das invasões russas à Geórgia, à Crimeia e ao leste ucraniano.

Às vezes, os limites entre uma guerra financeira e uma guerra cinética não são tão claros. Um
exemplo disso são os recentes esforços russos para sobrevoar embarcações da Marinha e aviões de
vigilância dos EUA no Mar Negro.

O tipo mais perigoso de guerra financeira entre as cinco famílias é a guerra cambial. Uma nova
guerra deste tipo começou em 2010 e continua até hoje.

Mudanças bruscas em taxas de câmbio podem ter efeitos devastadores em ações, bonds,
commodities e imóveis. Entender a dinâmica das guerras cambiais e financeiras, de modo geral, é
crucial para evitar perdas e lucrar nos mercados da atualidade.

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Quando a guerra da Máfia foge de controle, o capo di tutti capi entra em cena para negociar um
tratado de paz. O mesmo acontece nas guerras cambiais.

De agosto de 2015 a janeiro de 2016, as guerras cambiais estavam saindo de controle. Os mercados
de ações dos EUA quebraram duas vezes (e foram resgatados em setembro de 2015 e fevereiro de
2016 com falas dovish do Fed).

As guerras cambiais estavam ficando perigosas para o sistema financeiro mundial. Um pânico que o
Fed não seria capaz de conter poderia ocorrer.

Era hora de Christine Lagarde, capo di tutti capi, oferecer um tratado de paz. Isso aconteceu no dia
26 de fevereiro de 2016, em Xangai, China.

O resultado é o que estamos chamando de O Acordo de Xangai

As guerras cambiais começaram em 2010 com o yuan fraco. Pouco mais de uma semana depois,
Tim Geithner, Ministro do Tesouro americano, estava reclamando da manipulação da moeda e do
yuan barato.

Em 2011, a China estava um pouco melhor e os EUA estavam presos em um ciclo de pouco
crescimento, saindo da recessão de 2008–2009. Um dólar fraco era necessário para dar a economia
americana um estímulo na forma de mais exportação, mais empregos no setor e mais inflação por
causa dos preços de importação.

Essa é a fórmula base das guerras cambiais – preços de exportação mais baixos para criar empregos
e preços de exportação mais altos para obter inflação.

Guerras cambiais envolvem desvalorização da moeda como forma de flexibilização monetária. É o


que se faz quando é impossível conseguir crescimento de outra forma.

O problema é que não dá para todo mundo desvalorizar a moeda ao mesmo tempo. É
matematicamente impossível. É preciso revezar.

Em 2010, foi a vez da China e, em 2011, foi a vez dos EUA. O dólar atingiu uma baixa histórica em
agosto de 2011.

O PIB real dos EUA cresceu 4,6% no quarto trimestre de 2011 — a maior taxa desde a recessão de
2009.

Foi uma ótima notícia, mas outra família estava sofrendo – o Japão.

O Japão precisava desesperadamente de ajuda e a buscou por meio das guerras cambiais. Em
dezembro de 2012, o primeiro-ministro Shinzo Abe anunciou um programa econômico para
recuperar o crescimento japonês.

Ele foi chamado de “Abenomics” e tinha três “flechas”, política monetária, reforma estrutural e
política fiscal. A política monetária tinha o objetivo explícito de causar um iene fraco.

Funcionou. O iene caiu rapidamente de 90 para 124 por dólar, o que estimulou a economia japonesa
em 2013, da mesma forma que o dólar barato estimulou a economia americana em 2011.

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Enquanto a China, os EUA e o Japão se revezavam com a moeda fraca entre 2010 e 2013, a Europa
estava sofrendo com um euro forte. Foi o período da crise grega. A Europa também passou por duas
recessões no caminho. Em 2014, era hora de um euro fraco.

Isso foi feito em duas fases. Em junho de 2014, Mario Draghi e o BCE adotaram juros negativos.
Em janeiro de 2015, Draghi introduziu o “euro QE”, uma forma expandida de impressão de
dinheiro.

O euro caiu para transitórios 1,05 por dólar em janeiro de 2015, tendo chegado perto desse valor
diversas vezes desde então.

Como aconteceu com as outras desvalorizações, a economia Europeia teve algum alívio. Nós
paramos de ouvir sobre a crise grega depois do verão de 2015.

Essa história mostra que as guerras cambiais, de 2010 a 2015, ocorreram de forma tranquila. Cada
uma das cinco famílias obteve algum benefício econômico (a China em 2010, os EUA em 2011, o
Japão em 2013 e a Europa em 2015).

As guerras cambiais estavam sendo administradas com sucesso pelas cinco famílias. É assim que a
Máfia opera quando há paz; todos se dão bem, mesmo que haja algum resquício de desconfiança
mútua.

Mas, no verão de 2015, uma nova guerra começou. A China tentou enfraquecer sua moeda sem
consultar os outros com antecedência. No dia 11 de agosto de 2015, a China lançou uma
desvalorização chocante de 3% em apenas um dia.

Todos nós sabemos o que aconteceu depois. Os mercados de ações americanos despencaram. No
final de agosto, os investidores estavam olhando para o abismo.

O Fed imediatamente recuou em seu plano de aumentar os juros (o chamado “liftoff”) em setembro.
O aumento dos juros foi postergado, e um rali de alívio começou.

O mesmo aconteceu entre dezembro de 2015 e janeiro de 2016. Dessa vez, o Fed foi em frente com
o liftoff e aumentou os juros dos EUA em 0,25% em 16 de dezembro de 2015.

A China usou o aumento de juros do Fed como desculpa para desvalorizar o yuan novamente. Dessa
vez, tudo foi feito furtivamente, desvalorizando o yuan em pequenos passos dia após dia.

Os mercados não se deixaram enganar, seus participantes perceberam o que estava acontecendo e
imediatamente descontaram a desvalorização futura.

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“China trapaceia nas guerras cambiais”

Novamente, os mercados de ações americanos quebraram em resposta à desvalorização chinesa. Do


dia 1 de janeiro de 2016 ao dia 11 de fevereiro de 2016, as ações americanas tiveram seu pior início
de ano da história e entraram em território de correção técnica, perto de um bear market.

O Fed veio ao resgate novamente. Membros como William Dudley, presidente do Fed de Nova
York, fizeram uma série de discursos dovish e o Fed desistiu de um aumento de juros em março. De
novo, as ações dos EUA tiveram um rali de alívio. De meados de fevereiro a meados de abril, os
danos de janeiro foram dissolvidos e as ações se recuperaram, graças aos Fed.

Mas o jogo estava ficando perigoso. Quantas vezes o Fed poderia resgatar o mercado? Por quanto
tempo os chineses brincariam com fogo ao desvalorizar o yuan?

Na verdade, a China precisava de um yuan mais barato. A economia chinesa é a segunda maior do
mundo e anos de investimentos desperdiçados, bolhas de ativos, acumulação de dívidas e corrupção
estavam se voltando contra ela.

O yuan estava ficando mais forte desde 2011 quando EUA, Japão e Europa começaram a se revezar
na desvalorização de suas moedas.

Era a vez da China...

Entra em cena o secreto Acordo de Xangai

Esse era o estado das coisas quando os chefes das famílias se reuniram em Xangai, China, no dia 26
de fevereiro deste ano. Tecnicamente, era uma reunião dos ministros de finanças e dos membros dos
bancos centrais do G-20.

Mas reuniões formais do G-20 e do FMI são usadas para conduzir reuniões alternativas informais. A
reunião do G-20 em Xangai era o disfarce perfeito para uma “conversa’ entre as cinco famílias,
lideradas pela chefe dos chefes — Christine Lagarde.

EUA, China, Japão, Europa e FMI concordaram que a China precisava de um alívio. A segunda
maior economia do mundo não cai sem levar boa parte do mundo junto.

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Aliás, os EUA também estavam enfraquecidos. O crescimento real do PIB no quarto trimestre de
2015 foi de apenas 1,4%.

A previsão para o primeiro trimestre de 2016, feita pelo Fed de Atlanta, é de 0,3%, valor muito
próximo ao de uma recessão. Ambos os trimestres devem ser muito fracos e a tendência é de queda.
Parece que os EUA caminham rumo a uma recessão. Mesmo que uma recessão técnica seja evitada,
o crescimento fraco na maior economia do mundo tem efeito cascata e vai arrastar a economia
global.

Com China e EUA enfraquecidos, é hora de outra mudança nas guerras cambiais.

O problema é como enfraquecer a moeda chinesa sem acabar com os mercados de ações ao redor do
mundo. Lagarde não quer uma repetição do que aconteceu em agosto de 2015 e em janeiro de 2016.
O objetivo da conversa em Xangai era elaborar um plano para dar à China alívio sem causar um
pânico global.

Evolução do “PIBNow” do Fed de Atlanta

O “PIBNow”,previsão em tempo real do Fed de Atlanta, mostra


o crescimento da economia dos EUA no primeiro trimestre de
2016 em 0,3%, valor muito próximo aos de recessões.

Traders estavam se concentrando obsessivamente na relação yuan/dólar (o código é CNY/USD). Se


CNY/USD pudesse ser deixado imperturbado, talvez ninguém percebesse o que estava
acontecendo.

A solução era agir nos EUA, na Europa e no Japão enquanto a China não fazia nada. Essa foi a
essência do Acordo de Xangai.

Europa e Japão enrijeceriam suas políticas e fortaleceriam suas moedas. Os EUA flexibilizariam
suas políticas e enfraqueceriam o dólar. A China manteria a indexação ao dólar para que o CNY/
USD continuasse igual.

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Um euro e um iene mais fortes são a mesma coisa que um yuan mais fraco sob a perspectiva
chinesa. A China tem um maior relacionamento comercial com a Europa e o Japão do que com os
EUA.

O alívio para a China proveniente de um euro e um iene fortes é significativo. Ao mesmo tempo, um
dólar mais fraco significa um yuan mais fraco se a indexação for mantida. A China está
aproveitando enquanto o Fed acaba com o dólar.

Essa é a essência do Acordo de Xangai. A China não faz nada, mas consegue uma grande
desvalorização nas guerras cambiais, e ninguém percebe, porque o CNY/USD fica estável. Voilà.

A ciência da inferência causal nos mostra o que mais ninguém vê

Antes de continuarmos esta cronologia e de atualizarmos a história, é importante abordar uma


questão levantada pelos críticos.

Economistas e analistas de Wall Street contrariam a existência do Acordo de Xangai. Eles dizem
que não há registro público, comunicado de imprensa, comunicado final ou outra prova de que o
Acordo de Xangai existe. Ouço isso o tempo todo em minhas entrevistas em rádio e TV.

A primeira resposta é que é claro que não há prova documentada. O Acordo de Xangai é secreto.
Por que Lagarde ou qualquer membro das cinco famílias emitiria um comunicado sobre algo que é
segredo? Eles não fariam isso.

Esse é o problema que eu enfrentava o tempo todo em meu trabalho na CIA. Nossa função era
identificar a ação do inimigo com antecedência. O inimigo não telefonava para dizer “prepare-se,
aqui vai o próximo ataque”. O inimigo opera em segredo, da mesma forma que as cinco famílias.

Quando é uma questão de vida ou morte – ou dinheiro – não é aceitável desistir do problema porque
não há provas por escrito. É preciso utilizar outros métodos.

Uma das principais ferramentas que utilizávamos na CIA se chamava inferência causal. Ela é
bastante rigorosa e matematicamente guiada. Já a vi sendo usada em reuniões SECRETAS sobre as
quais não posso falar, mas posso falar sobre o método em si porque ele se baseia em matemática
aplicada bastante conhecida. Essa é a ferramenta perfeita para provar a existência do Acordo de
Xangai mesmo que Wall Street não queira enxergar a verdade.

A inferência causal possui três passos:

Passo 1: Comece com uma hipótese e atribua as probabilidades da melhor forma que puder com
base nas informações disponíveis. Caso esteja começando com quase nenhuma informação, atribua
probabilidades “50/50”. Isso quer dizer que há probabilidades iguais de você estar certo ou errado.

Passo 2: Continuamente colete novas informações depois que a hipótese esteja formada. Utilize as
informações para atualizar as probabilidades originais. Pergunte-se, “Quais as chances de isso
acontecer se minha hipótese original estiver certa? Quais as chances de isso acontecer se minha
hipótese original estiver errada?”

Cada evento tem sua própria probabilidade relativa à hipótese original. As chances originais são
atualizadas com base na soma de todas as probabilidades (um pouco de cálculo integral é

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necessário, mas você pode pular esses detalhes. Eles já estão nos modelos que utilizamos para
produzir o Strategic Intelligence para você).

Passo 3: Em algum momento, você terá uma alta probabilidade de que a tese esteja correta ou
poderá descartá-la como lixo. Nas ocasiões em que houver grandes probabilidades, você pode partir
para a ação nos mercados. Se a probabilidade for de 90% ou mais, você pode tratar a hipótese como
fato para todos os efeitos práticos.

O processo é parecido com o de um detetive tentando solucionar um crime sem testemunhas. Você
fica coletando evidências de suspeitos até ter um caso.

Para ilustrar esse método, vamos considerar 10 eventos distintos. Suponha que cada evento tenha
um desfecho binário. Isso significa que cada evento tem dois desfechos possíveis que provam ou
descreditam uma hipótese inicial. Você pode pensar nos desfechos binários como “preto ou branco”
ou “cara ou coroa”.

Mas há dois tipos de eventos. O primeiro tipo é aleatório. É como jogar uma moeda. O resultado
pode ser cara ou cora, mas é impossível saber com antecedência.

O segundo tipo depende do caminho. Isso significa que cada evento depende de outros ou se
relaciona a um único fator determinante.

Para algo como o Acordo de Xangai, eventos subsequentes definitivamente dependeriam do


caminho. Todos eles seriam afetados pelo acordo secreto. Eventos não seriam um jogar de moeda
aleatório, seriam predeterminados por entendimento secreto.

Agora, vamos contrastar esses dois tipos de sequências de eventos. Se estivermos jogando moedas,
quais são as chances de 10 “caras” seguidas? Cada jogada apresenta uma chance de 50% de dar
cara, e nenhuma jogada é afetada pela anterior. Então as chances são de aproximadamente 1 em
1.000.

Matematicamente, isso é expresso por (1/2)*10 ou (0,5 x 0,5 x 0,5 x 0,5 x 0,5 x 0,5 x 0,5 x 0,5 x 0,5
x 0,5 = 0,0009765625 ≈ 0,001).

Uma chance em mil não é impossível. Se fosse um evento diário, poderia acontecer uma vez a cada
três anos. Mesmo assim, as chances contra são muito altas, e ninguém elaboraria uma hipótese
pensando que a sequência de 10 “caras” fosse acontecer todas as vezes.

As evidências de um Acordo de Xangai estão se empilhando

Considere 10 eventos críticos que aconteceram desde 26 de fevereiro. Cada um teve um desfecho
binário com antecedência. Vamos chamar aqueles que confirmam o Acordo de Xangai de “cara” e
aqueles que o refutam de “coroa”. Por enquanto, não vamos pensar se esses eventos são aleatórios
ou dependentes do caminho.

Os eventos são:

• 27/02/2016, em Xangai, G-20, o Ministro do Tesouro dos EUA, Jack Lew, diz, “nos manteremos
informados... vamos tentar não nos surpreender”. Cara.

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• 27/02/2016, em Xangai, G-20, Christine Lagarde diz, “havia uma renovada sensação de urgência,
e uma renovada sensação de ação coletiva”. Cara.

• 10/03/2016, o BCE enrijece as políticas em relação às expectativas ao dizer que não vai mais
flexibilizar. Cara.

• 10/03/2016, o Banco do Japão enrijece as políticas em relação às expectativas ao não expandir


programa de estímulos. Cara.

• 16/03/2016, o Fed flexibiliza as políticas em relação às expectativas com um comunicado à


imprensa bastante dovish. Cara.

• 29/03/2016, Janet Yellen deixa sua nova política dovish explícita com um discurso no Clube
Econômico de Nova York. Cara.

• 3/04/2016, Luc Everaert, responsável pelo FMI no Japão diz, “Não há motivos para o Japão
intervir neste momento”. Cara.

• 14/04/2016, Christine Lagarde alerta o Japão que as condições para intervenção de câmbio
estrangeiro para enfraquecer o iene não ocorreram. Cara.

• 14/04/2016, Christine Lagarde diz que está “muito satisfeita” pelo Fed ter adotado uma postura
mais dovish com base no “status internacional da economia”. Cara.

• 15/04/2016, um membro do BCE diz, “Havia um acordo implícito sobre as taxas de câmbio no
comunicado do G20”. Cara.

Eu poderia adicionar muito mais à lista, mas você entendeu a ideia.

O que acabamos de ver? Obtivemos 10 caras seguidas com as chances de 1.000 contra 1 ou vimos
que o caso do Acordo de Xangai é verdade?

Não acho ruim ter sorte de vez em quando, mas não vou basear minha análise em chances altamente
improváveis.

O que vemos aqui é uma evidência de que os eventos, desde o encontro das cinco famílias em
Xangai no dia 26 de fevereiro, deram “cara” consistentemente.

É altamente provável que essa sequência não seja aleatória, mas dependente do caminho. Todos
esses eventos dependem de um evento inicial – o secreto Acordo de Xangai.

Wall Street pode escolher a cegueira. Eu prefiro utilizar os métodos que aprendi na CIA para
solucionar problemas difíceis quando a vida das pessoas, ou a riqueza delas, estão em jogo.

Veja o que meu método está mostrando...

O Acordo de Xangai será uma realidade operativa nos mercados cambiais nos próximos anos. Nós
podemos utilizar o conhecimento tanto para preservar nossa riqueza quanto para percebermos
grandes oportunidades de lucro quando as circunstâncias permitirem.

O que está acontecendo no Acordo de Xangai?

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Para responder a essa pergunta, passei parte do mês passado na Reunião de Primavera do FMI em
Washington, D.C. Foi uma versão mais longa da reunião do G-20 em Xangai e foi a primeira vez
que as cinco famílias se reuniram desde uma reunião menor em Paris no dia 22 de março.

Um dos eventos mais memoráveis que vi em Washington foi a coletiva de imprensa de Christine
Lagarde no dia 14 de abril. Foi nessa ocasião que Lagarde colocou seu chapéu de Poderoso Chefão
e ameaçou o Japão. Veja a transcrição exata da pergunta e da resposta:

Pergunta: Os estímulos dos bancos centrais não estão preparando o mundo para uma inflação de
ativos ainda maior do que a que vimos até o momento? Provavelmente você poderia dizer que todo
o excesso de dívida que vemos ao redor do mundo é evidência disso. Se não, talvez o Japão ou
outros países deveriam considerar financiamento monetário direto?

Sra. Lagarde: Quanto ao Japão, temos critérios robustos de acordo com os quais consideramos
uma intervenção legítima, e isso claramente pode acontecer em caso de, e apenas em caso de,
volatilidade muito perturbadora que deve ser evitada. Estamos observando de perto o que acontece
nos mercados japoneses.

O conteúdo e o tom da fala foram incontestáveis. Depois do Acordo de Xangai, o iene se fortaleceu
com implicações negativas para o crescimento e para os mercados de ações japoneses.

Houve uma pressão enorme no Banco do Japão feita pelo governo japonês para intervir e
enfraquecer o iene (contrário ao Acordo de Xangai).

Na fala acima, Lagarde está alertando o Japão para que não intervenha no câmbio internacional para
enfraquecer o iene. Ela diz que o único momento para intervenção é aquele de “volatilidade muito
perturbadora”, que não é o caso hoje. (O iene está se fortalecendo, mas de forma ordenada). Ela
alerta o Japão, “Estamos observando de perto.”

É uma ameaça implícita de que se o Japão renegar o Acordo de Xangai, ele terá que pagar o preço.
O FMI tem alavancagem porque é o banco central do mundo de fato. Ele tem alavancagem para
fornecer dólares ou DSEs caso haja uma crise de liquidez ou um pânico de mercado no Japão
(ambos podem estar muito próximos).

O FMI usou esse tipo de coisa na Grécia, no Chipre e na Ucrânia nos últimos anos. O Poderoso
Chefão estava fazendo uma oferta que o Japão não poderia recusar — cumpra o Acordo de Xangai,
e o ajudaremos se você precisar; renegue-o e ficará sozinho.

Aliás, a transcrição acima não capta a linguagem corporal. Lagarde apresentou uma conduta
bastante ameaçadora durante sua fala.

Se você deseja ver sua imitação de O Poderoso Chefão, dispnibilizamos o vídeo aqui.

Apesar da ameaça implícita de Lagarde ao Japão, o autor da pergunta levantou um ponto


importante. O dinheiro fácil ao redor do mundo, seja proveniente do Japão, da China, dos EUA ou
da Europa, não está apenas criando bolhas de ativos prontas a estourar? O mundo não está se
tornando cada vez mais instável, caminhando para outro pânico como o de 2008, só que pior?

Minha visita a Washington para a Reunião de Primavera do FMI aumentou essas preocupações. Um
dos eventos mais importantes de cada uma das reuniões do FMI (primavera e outono) é uma
atualização do Relatório Sobre a Estabilidade Financeira Global.

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Veja uma parte da transcrição da coletiva de imprensa sobre o novo relatório. José Viñals, diretor do
Departamento de Assuntos Monetários do FMI, diz:

Primeiro, riscos macroeconômicos são maiores, refletindo um cenário econômico mais fraco e mais
incerto em relação ao crescimento e à inflação, refletindo também um sentimento mais moderado...
Segundo, a queda nos preços das commodities e as preocupações em relação à economia chinesa
colocaram pressão em mercados emergentes e em mercados de crédito de economias avançadas.

Por fim, a confiança na eficiência das políticas caiu em meio às preocupações sobre a habilidade
de políticas monetárias desgastadas compensarem o impacto de maiores riscos políticos e
econômicos. Mais cedo, ainda neste ano, mercados reagiram negativamente e visivelmente em
relação a esse desenrolar. Equities globais despencaram, a volatilidade aumentou muito, conversas
sobre recessão em economias desenvolvidas aumentaram, e os preços das ações de bancos
sofreram significativamente.

Hoje a situação nos mercados parece melhor se comparada às baixas de meados de fevereiro.
Mercados de ações recuperaram uma parte razoável de suas perdas, o preço do petróleo está mais
alto e a volatilidade diminuiu. Essa melhora ocorreu logo após algumas boas notícias no campo
econômico, algumas ações intensificadas do Banco Central Europeu e do Banco do Japão, e após a
adoção de uma atitude mais cautelosa em relação ao aumento de juros pelo Fed nos EUA. A China
também aumentou os esforços para fortalecer suas políticas, estimular o crescimento e estabilizar o
câmbio.

Uma questão chave que abordamos neste relatório é se a instabilidade que vimos no mês passado
realmente já passou. É um evento isolado ou um alerta de que é preciso fazer mais? Eu acredito na
segunda hipótese.

Perceba que Viñals se refere a “meados de fevereiro” como o fim do mais recente período de
volatilidade e tumulto. É uma data muito próxima a do Acordo de Xangai, que deve ter sido
discutido e planejado antes da reunião, que ocorreu no dia 26 de fevereiro.

Também note como Viñals se refere ao Japão, à Europa, aos EUA e à China logo após o ocorrido,
referindo-se a “notícias melhores... bem como a tomada de políticas mais intensas.” Esse é um
reconhecimento tácito da coordenação conduzida pelas cinco famílias.

Importante para nós, Viñals e o FMI estão dizendo que a instabilidade ainda não ficou no passado.

Estamos em um período de calmaria entre duas tempestades

As nuvens de incerteza geopolítica e de mercados de capital se intensificaram desde o Acordo de


Xangai e a Reunião de Primavera do FMI.

Veja uma pequena amostra de grandes acontecimentos (além daqueles que já mencionamos) com
potencial para derrubar os mercados nos próximos meses:

• No dia 17 de abril, o Congresso brasileiro votou a favor do impeachment da presidente Dilma


Rousseff. O Brasil é a oitava maior economia do mundo, um grande exportador de petróleo e um
grande importador de produtos manufaturados e de commodities de todas as partes do mundo. A
incerteza política decorrente do julgamento de um impeachment e as revelações que ainda podem
surgir criam ventos fortes não apenas para o Brasil, mas para toda a economia.

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• No dia 23 de junho, o Reino Unido fará um referendo sobre ficar ou deixar a União Europeia. A
opinião da elite espera que o Reino Unido continue na UE, mas talvez não seja o caso. Pesquisas
recentes mostram que a maioria deseja sair. As revelações do Panama Papers sobre contas
offshore da família do primeiro-ministro David Cameron prejudicaram sua autoridade moral
como líder dos que defendem “ficar”. Terrorismo na Europa (com a expectativa de mais ataques),
bem como a intensificação da crise humanitária na Síria também estão direcionando os britânicos
para votar em “sair”. Sair da União Europeia seria um choque para a libra (que já está perdendo
valor com a antecipação). Se o Reino Unido deixar a UE, a Escócia pode deixar o Reino Unido e
se juntar ao euro sozinha.

• A Arábia Saudita ameaçou se livrar de aproximadamente $ 750 bilhões em Treasuries se o


congresso aprovar a legislação que permite processos contra o reino por seu suposto
envolvimento nos ataques de 11 de setembro. Uma venda massiva como essa pode fazer com que
os juros disparem, o que pode causar uma perda na confiança no maior mercado de títulos do
mundo, além de derrubar a economia dos EUA devido ao peso das taxas de juros mais altas.

• Confrontos geopolíticos continuam a aumentar principalmente devido à observação da fraqueza


ou indiferença dos EUA. A China começou a enviar aeronaves militares a pistas construídas em
suas ilhas artificias no Mar da China Meridional. A Rússia tem sobrevoado embarcações e
aeronaves americanas chegando a proximidades perigosas. É temporada de guerra no Iraque, e a
batalha para retomar a cidade de Mosul de Daesh (o Estado Islâmico) vai se intensificar. A Rússia
está cercando a Turquia por três lados (Mar Negro, Armênia e Síria) e quer vingança pela
derrubada do caça-bombardeiro russo alguns meses atrás. Por fim, a Coreia do Norte está testando
mais armas nucleares e mísseis de longa distância.

A lista continua. Qualquer uma dessas zonas vermelhas pode se transformar rapidamente em uma
crise global que afundaria os mercados.

Quase não há períodos na história em que foi possível observar o mundo e não encontrar uma ou
mais crise potencial no horizonte. Ainda assim, a matriz de ameaças hoje é particularmente densa e
aparece em relação a um panorama de risco sistêmico global que é independente de riscos
geopolíticos. A combinação dos dois – um evento geopolítico que desencadeia um colapso
financeiro – é bastante assustadora.

Por enquanto, o Acordo de Xangai está fornecendo alívio onde necessário (China e EUA), mesmo
que imponha prejuízos àqueles menos capazes de suportá-los (Europa e Japão). É a natureza das
guerras cambiais quando elas são administradas com cuidado. Para cada vencedor, há um perdedor.

Agora, o Japão parece ser o maior perdedor do Acordo de Xangai. O iene está ficando mais forte, o
que prejudica as exportações, a criação de empregos e os lucros corporativos. A economia do país já
está fraca e conta com a maior relação dívida-PIB entre os grandes players.

Esta edição do Strategic Intelligence tem uma recomendação específica que possibilita lucros com
a dinâmica do Acordo de Xangai. Como a China está recebendo o maior alívio econômico das cinco
famílias, ela seria o marco zero para a recomendação do mês. Tres Knippa falará mais sobre o
assunto…

E fique ligado nos próximos relatórios e nos cinco links semanais. O Acordo de Xangai é uma
jogada de longo prazo que seguiremos de perto nos próximos meses. O Poderoso Chefão teve um
segundo e um terceiro filmes. O Acordo de Xangai também terá.

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 RICKARD’S STRATEGIC INTELLIGENCE 

O ponto da virada da China finalmente


chegou
Você já ouviu falar sobre as cidades fantasma, os bancos das sombras
e a aterrisagem iminente (hard landing) por anos. Agora, o Acordo de
Xangai finalmente pôs data e hora para a crise chinesa. Continue lendo
para uma jogada vencedora, conforme o governo responde...

Por Tres Knippa, editor colaborador

Logo, a China terá um impacto em seu portfólio e em seu patrimônio que você não poderia ter
previsto. Ignore os últimos acontecimentos por sua conta e risco financeiros.

Seu portfólio sofreu na crise financeira de 2007/08? Se você pudesse ter identificado os riscos em
2006, teria mudado sua alocação de ativos para reduzir as perdas?

É claro que teria. Essa é a chance que estou lhe oferecendo hoje. Tenho a sua atenção?

A crise da China é três ou quatro vezes PIOR do que a crise financeira de 2008.

O mesmo setor responsável por quebrar as ações americanas em 2008 causará a nova quebra: o
setor bancário.

Em 2008, os bancos dos EUA concederam empréstimos por meio de uma grande alavancagem ao
mercado de hipotecas. Quando esses empréstimos começaram a apresentar problemas (porque os
devedores não tinham dinheiro para pagar), as hipotecas começaram, como dizemos no Texas, “a
bater no ventilador”.

Estimativas conservadoras das perdas do setor bancário dos EUA durante a crise ficam em $ 850
bilhões. As perdas globais estão próximas de $ 15 trilhões.

Por que você deveria se importar com a China agora? $ 15 trilhões é muito dinheiro... mas, com o
passar dos anos, o sistema bancário chinês, poderia causar perdas 300–400% maiores que isso.

O que um colapso do setor bancário chinês e da economia chinesa significam para um crescimento
global já anêmico e para valuations muito esticados?

Na época da crise financeira de 2008, o S&P 500 viu sua pontuação cair de 1400 para 600. E agora
a iminente crise chinesa tem potencial de ser um evento financeiro global maior que o de 2008–
2009.

Assistiremos primeiro uma queda de aproximadamente 50% no Shanghai Composite Index, oo


principal índice de ações chinesas. Isso, sem dúvidas, vai derrubar o preço das ações americanas em

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 RICKARD’S STRATEGIC INTELLIGENCE 

pelo menos 30% nos próximos 2 anos. Conforme o sistema bancário da China implode, será difícil
manter as taxas de crescimento que até então sustentaram um aumento global no preço de ações.

Um pequeno gráfico e o fim do “milagre chinês”

É compreensível que você esteja cético. Afinal, muitas pessoas estão há tempos prevendo o colapso
da China. Peço então, por favor, que observe o gráfico abaixo:

Ativos bancários chineses

A linha representa o número de empréstimos que os bancos chineses fizeram. Os tomadores de


empréstimos utilizam o dinheiro para operar negócios ou para realizar empreendimentos
imobiliários. Então, eles usam os lucros das empreitadas para pagar os empréstimos. Mas se os
tomadores de empréstimos não usam o dinheiro para aumentar seu negócio o suficiente para pagar a
dívida, eles se tornam inadimplentes.

Com isso em mente, olhe o gráfico mais uma vez. O total de empréstimos por liquidar de bancos
chineses cresceram de $ 3,5 trilhões para mais de $ 34 trilhões em 11 anos. Um aumento de 871%.

Mas adivinha? A economia chinesa “só” cresceu 407% nos últimos 11 anos. Esse é o principal
problema da China. E ele vai piorar.

Tomadores de empréstimos chineses teriam dificuldades em pagar essa dívida mesmo no melhor
cenário econômico possível.

Então, como você acha que eles vão pagar as dívidas quando a economia global continua a
desacelerar e os EUA entram em recessão?

Não é nada bonito e aqui está a prova…

Hoje, 45% de todos os empréstimos chineses são feitos apenas para pagar juros dos empréstimos
atuais.

Você acha que é uma boa ideia usar seu Visa para pagar os juros do American Express? De jeito
nenhum.

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 RICKARD’S STRATEGIC INTELLIGENCE 

Mentiras, mentiras descaradas e estatísticas oficiais chinesas

Estimativas oficiais do governo sugerem que empréstimos improdutivos cheguem a 1,8%. Parece
baixo demais para mim. Suspeito desse número porque o governo chinês tem bons motivos para
fazer com que ele pareça menor.

Uma reflexão mais precisa dos verdadeiros números levaria em consideração empréstimos com
mais de 90 dias de atraso. Se você considerar esses números, então empréstimos improdutivos
pulam para 5%.

Se você adicionar uma pilha de empréstimos improdutivos conhecidos como evergreen loans
(quando você faz um empréstimo existente e posterga o principal, então o cronometro é zerado de
novo e ele deixa de ser um empréstimo improdutivo), o número pula para 8,6%.

Empréstimos improdutivos em 8,6% causam perdas de $ 2,97 trilhões ao sistema bancário chinês. É
um pouco mais do que o PIB total do Reino Unido.

Uma estimativa privada que eu vi sugere que, se você incluir o sistema bancário “das sombras”, o
total de empréstimos improdutivos ficaria mais próximo de 21%. Game over.

$ 34,5 trilhões em dívidas bancárias oficiais fazem sentido em uma economia com um PIB total de
$ 10,3 trilhões?

Claro que não. Não é possível aumentar um sistema bancário de forma mais rápida do que a
economia. Não para sempre. A matemática atrapalha.

Você sabe como as dívidas são pagas se a economia não produz receita suficiente para pagá-la?

Eu também não sei. Ela não vai ser paga. Você já deve ter percebido isso. O governo chinês já sabe
disso. E logo, quando o crash chegar, todo mundo vai saber.

É por isso que você deve tomar a frente da situação. É um grande risco para a economia global e
para o preço de ações. Essa situação se traduz em maior risco ao seu portfólio. É hora de se
proteger... e de se posicionar para ganhos.

Apesar dos avisos, o colapso ainda não aconteceu. Mas vai acontecer... e a janela de oportunidade
logo vai se fechar.

Made in China: O próximo “big short”

A história de crescimento da China evoluiu desde o início da década de 1990. Primeiro, ele foi
estimulado pelas exportações. A mão de obra barata fez com que os produtos chineses inundassem o
mundo e colocou muitos chineses para trabalhar.

Preciso avisá-lo: a China não é uma democracia. A única forma de os líderes chineses perderem
seus empregos é por meio de uma revolução. E o caminho mais rápido para uma revolução é deixar
a população passar fome.

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Essa não é uma opção para a China. Taxa de desemprego baixa e crescimento da economia são
cruciais para manter os membros do partido no poder, e eles sabem disso.

Entender essa questão é entender que os governantes chineses sempre pensaram em si mesmos
primeiro... em todos os casos sem exceção.

O crescimento chinês evoluiu de uma história de exportação para uma história de consumo.
Governantes chineses sabem que o crescimento precisa continuar. O setor de exportação diminuiu
devido ao baixo crescimento global e ao aumento dos custos da mão de obra chinesa.

Autoridades na China já pensam no próximo impulsionador de crescimento do PIB, com gastos


domésticos, gastos com infraestrutura e expansão corporativa, tudo isso com dívidas que não
poderão ser pagas.

O “milagre do crescimento” chinês está se revelando diante de nossos olhos. É hora de partir para a
ação, de ter em mente que o governo chinês pensará apenas em seu próprio interesse.

Todos os dias, a mídia patrocinada pelo governo dá a mesma notícia: “Não há nada acontecendo
aqui.” Isso é uma prova implícita de que com certeza algo está acontecendo aqui. Não é preciso
dizer a verdade quando a imprensa mente para você.

Do ponto de vista dos investimentos, isso é positivo. Muitas pessoas acreditaram na história oficial.
Isso significa que poucos investidores apostaram contra a China. É por isso que você ainda tem a
vantagem de ser um dos primeiros…

Uma recomendação valiosa para lucrar com a crise da dívida chinesa

Para lucrar com os problemas da China, mais especificamente de seus mercados de ações, minha
sugestão é o Direxion China Bear ETF (CHAD: NYSEArca).

Governantes chineses serão forçados a recapitalizar o subcaptalizado sistema bancário. Isso levará
ao enfraquecimento do yuan. O Banco Popular da China vai resgatar os bancos chineses nos
próximos anos por um único motivo... não há outra opção.

Espero que os governantes reajam às más notícias em vez de antecipá-las. Quando começarmos a
ver um aumento drástico da inadimplência, haverá grande pressão nos índices de ações chineses. É
aí que o desastre vai aparecer primeiro.

CHAD vai na direção oposta do índice CSI 300. Esse ETF “inverso” retorna -100% do retorno do
CSI 300 de um único dia. Ações de CHAD operaram a $ 64 durante a desvalorização do yuan em
setembro de 2015.

Conforme o sistema bancário entra em colapso, CHAD pode subir muito além da alta anterior de $
64. Não acredito que $ 164 esteja fora de questão. Esse ETF se apoia fortemente no setor bancário
chinês, então se encaixa perfeitamente à minha hipótese.

Ação a tomar: Comprar Direxion China Bear ETF (CHAD) até $ 45 por ação.

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Tudo de bom,

Jim Rickards
Editor da Strategic Intelligence

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