Você está na página 1de 17

ISEL

Instituto Superior de Engenharia de Lisboa

Fundamentos de Máquinas Elétricas

Guia de Trabalhos
Ensaio do transformador monofásico

Área Departamental de Engenharia Mecânica


Laboratório de Máquinas Elétricas

Lima de Oliveira: jloliveira@deea.isel.ipl.pt

MARÇO/2016

1/17
1 Objetivos gerais
Este trabalho tem como objetivo geral o estudo do comportamento do transformador monofásico.

2 Objetivos específicos
Ensaiar um transformador monofásico para recolha de dados;
Desenvolver um modelo teórico para o transformador (circuito equivalente de Stainmetz) a partir
dos dados recolhidos nos ensaios, utilizando o Simulink;
Simular o comportamento teórico desse transformador usando o circuito equivalente;
Ensaiar o transformador em carga e comparar resultados reais com os dados teóricos obtidos com o
circuito equivalente.

3 Conhecimentos necessários
A realização deste trabalho pressupõe já terem sido adquiridos os seguintes conhecimentos:

- Conhecer o circuito equivalente do transformador (circuito de Steinmetz);


- Conhecer os procedimentos para realizar os ensaios em vazio, em curto-circuito e em carga;
- Saber ligar e fazer leituras de aparelhos de medida de tensão, corrente e potência;
- Realizar operações matemáticas utilizando números complexos;
- Conhecer o software Simulink;

4 Planeamento do trabalho
Este trabalho processa-se em cinco etapas:

1ª Etapa: Realização de quatro ensaios com o transformador: vazio, curto-circuito, carga e medição
de resistência do primário.
Por uma questão de facilidade, para aproveitar ligações comuns a mais que um ensaio,
podem realizar-se todos os ensaios numa mesma sessão. O registo das leituras deve ser
feito utilizando a tabela da figura 34.
2ª Etapa: Cálculo do circuito equivalente em Simulink.
Utilizar o Simulink para desenvolver um modelo de cálculo do circuito equivalente, que a
partir dos resultados dos ensaios calcule os elementos do circuito equivalente , ,
, , e .
O modelo deve apresentar estes valores através de elementos “Display”.
3ª Etapa: Simulação do comportamento do transformador em Simulink.
A simulação é feita considerando constante a tensão do primário e variável a corrente de
carga . Os valores da corrente variam de 0 até . Nesta simulação vamos considerar o
argumento da corrente constante.
Assim, ao circuito equivalente, vai ser introduzido um novo elemento que representa a
corrente teórica no primário. Esta corrente é caracterizada por dois valores:
Módulo: uma gama de valores desde 0A até In. É representada pela introdução do
elemento ”Clock”. Os seus limites são definidos através da funcionalidade
”Configuration Parameters”.

2/17
Argumento: Representada pelo ângulo de desfasagem relativamente à tensão do primério
(eixo horizontal). É representado no modelo pela introdução de um elemento “Constant”
com o valor: - 36.87º
O modelo deve ser desenvolvido de forma a exibir (utilizando elemento “Plot”) gráficos
do comportamento das seguintes grandezas em função da corrente do primário:
Tensão no secundário;
Potência de perdas no ferro e no cobre;
Rendimento;
Potência útil;
4ª Etapa: Validação do modelo de circuito equivalente.
Introduzir no modelo os resultados do ensaio em carga para comparar com os valores
teóricos de . Adicionar ao modelo um novo elemento (“Lookup Table”) com os
valores de obtidos experimentalmente no ensaio em carga.
5ª Etapa: Observar a diferença entre a curva experimental de e a curva teórica obtida com o
modelo usando a desfasagem pré-estabelecida para a corrente (deverão apresentar-se
afastadas uma da outra).
Executar várias simulações com diferentes valores de desfasagem até experimentalmente
encontrar um valor que produza uma curva teórica o mais aproximada possível da curva
experimental.

4.1 Detalhe do planeamento


Serão realizados os seguintes ensaios em laboratório:
- Vazio;
- Curto-circuito;
- Carga;
- Medição da resistência do primário;

As próximas figuras pretendem contribuir para consolidar o conhecimento do circuito equivalente


relativamente ao contexto do transformador.

Fig. 1 – Representação simbólica do transformador. Visíveis os terminais, correntes e tensões do


primário e secundário.

3/17
Fig. 2 – Representação mostrando o interior com os enrolamentos reais e o núcleo de ferro.

Fig. 3 – Representação com o circuito de perdas ( e ), impedância equivalente do primário ( e


), transformador ideal e impedância equivalente do secundário ( e ).

Fig. 4 – Esquema simplificado com deslocamento do circuito de perdas para ficar ligado diretamente
aos terminais do primário.

Fig. 5 – Impedância equivalente do secundário reduzida ao primário ( ; ).

Fig. 6 – Representação da impedância equivalente do transformador reduzida ao primário (


e ) e transformador ideal (com o desenho simplificado).

4/17
Fig. 7 – Representação detalhada (localização e nomenclatura) apenas das grandezas que devem ser
consideradas para aplicar no formulário do transformador ideal (não confundir estas grandezas com
outras, constantes em figuras anteriores, que tinham os mesmos nomes apesar de estarem em
diferentes localizações).

Fig. 8 – Representação no interior a cheio, apenas a parte do circuito equivalente que é normalmente
considerada em esquemas.

Fig. 9 – Representação simplificada do circuito equivalente tal como é utilizado normalmente.

1ª Etapa: Realização de quatro ensaios com o transformador

1º - Ensaio em vazio

Esquema de ligações

Fig. 10 – Ligação dos aparelhos de medida ao transformador real.

5/17
Fig. 11 – A mesma ligação tendo por fundo o circuito equivalente. Na parte a tracejado não circulam
correntes neste ensaio.

Fig. 12 – Apenas a parte do circuito equivalente considerada neste ensaio.

Procedimento de ensaio
- Ligue os aparelhos de medida ao primário do transformador, deixando o secundário
em aberto (sem ligação de carga alguma);
- Aplique uma tensão alternada de valor igual à tensão nominal desse lado do
transformador;
- Efetue as seguintes leituras: , ,

Ensaio em curto-circuito

Esquema de ligações

Fig. 13 - Ligação dos aparelhos de medida ao transformador real.

Fig. 14 – O interior com o circuito equivalente. A tracejado o circuito de perdas que neste ensaio pode
ser desprezado.

6/17
Fig. 15 – O interior já sem o circuito de perdas.

Fig. 16 – Pode representar-se a ligação do curto-circuito do outro lado do transformador ideal e evitar
representar a parte a tracejado.

Fig. 17 – O circuito equivalente já simplificado.

Fig. 18 – O circuito equivalente tal como é considerado neste ensaio.

Procedimento de ensaio
- Ligue os aparelhos de medida ao primário do transformador e ligue os dois terminais
do secundário um ao outro (curto-circuito);
- Aplique uma tensão alternada inicial de valor 0V e vá gradualmente aumentando até a
corrente apresentar o valor nominal para esse lado do transformador;
- Efetue as seguintes leituras: , ,

7/17
Ensaio em carga;

Esquema de ligações

Fig. 19 – Ligação para o ensaio em carga

Fig. 20 – Circuito equivalente


Procedimento de ensaio
- Ligue os aparelhos de medida. Ligue a resistência de carga no secundário;
- Aplique a tensão nominal no primário;
- Realize as seguintes leituras (ainda sem carga, ): , ;
- Introduza uma carga, reajuste a tensão para o valor nominal e realize as leituras;
- Vá introduzindo novas cargas, reajustando sempre a tensão antes das leituras, até a
corrente atingir o valor nominal.

Ensaio de medição da resistência de um enrolamento

Esquema de ligações

Fig. 21 - Ligação para medição de .


Procedimento de ensaio
- Ligue os aparelhos de medida ao primário do transformador;
- Aplique uma tensão contínua;
- Efetue as seguintes leituras: ,

8/17
Ensaio de medição da relação de transformação (facultativo);

Esquema de ligações

Fig. 22 - Ligação para medição da relação de transformação.


Procedimento de ensaio
- Ligue os aparelhos de medida como na figura;
- Aplique uma tensão alternada igual à tensão nominal no primário do transformador;
- Efetue as seguintes leituras: ,

2ª Etapa: Cálculo do circuito equivalente em Simulink.


Desenvolver um modelo em Simulink, para cálculo dos elementos do circuito equivalente ,
, , , e .
Este modelo deve usar os resultados dos ensaios e deve conter variáveis em vez dos valores
dos ensaios deste transformador em particular (o modelo deverá ser genérico para poder ser
usado no cálculo de outros transformadores).

Fig. 23 – Variáveis em vez de valores no modelo de Simulink.


Os valores dos ensaios deste transformador devem ser introduzidos num m-file (script em
algumas versões do Mathlab) .
Nota: a execução do “m-file”vai criar na memória do Mathlab as variáveis com os respetivos
valores.
Quando posteriormente correr o modelo em Simulink, este como precisa de valores para as
suas variáveis, vai à memória do Mathlab procurar eventuais variáveis que lá estejam
definidas com os mesmos nomes e se as encontrar, usa esses valores. É importante pois que as
variáveis usadas no Simulink e as variáveis criadas no “m-file” sejam as mesmas, por exemplo
usar os mesmos nomes e usar só minúsculas em ambos os lados.
9/17
Sugestão de nomes para as variáveis a usar no m-file e no Simulink (em minúsculas):
- potência nominal aparente [VA]
- tensão nominal do primário [V]
- corrente nominal do primário [A]
- tensão nominal do secundário [V]
- corrente em vazio [A]
- potência em vazio [W]
u1cc - tensão de curto-circuito [V]
- potência em curto-circuito [W]
- tensão em DC para medição da resistência do primário [V]
- corrente em DC para medição da resistência do primário [A]

% chapa de caracteristicas do transformador


sn=750
u1n=150
i1n=5
u2n=150
% ensaio em vazio lado primario
i10=0.54
p10=23
% ensaio em cc lado primário
u1cc=53.6
p1cc=60
% medicao resistencia r1
u1dc=1.88
i1dc=1.45
Fig. 24 - Exemplo de um m-file (as linhas que iniciam com % são comentários).

Fig. 25 – Exemplo de variáveis criadas em memória no Mathlab após execução do “m-file” (as
variáveis aparecem na janela “Workspace”).

10/17
Antes de correr o modelo em Simulink, deve ir ao Mathlab e executar o “m-file”, (os “m-files”
são executáveis, basta escrever o nome deles na janela “Command Window”). Só depois é que
deve correr o modelo em Simulink.
Entre no Simulink e desenvolva um modelo para cálculo do circuito equivalente a partir das
variáveis que representam os resultados dos ensaios.
No final, crie um subsystem com todo o modelo e dê-lhe o nome “Circuito equivalente
aproximado”.
As entradas do subsystem, são todas as variáveis que estão no “m-file”.
As saídas do subsystem são todos os elementos do circuito equivalente, como na figura
seguinte.

Fig. 26 - Subsystem para calcular o circuito equivalente

3ª Etapa: Simulação do comportamento do transformador em Simulink.


Vamos usar o circuito equivalente para simular o comportamento do transformador.
A simulação consiste em introduzir no modelo um elemento que represente a corrente
(corrente na carga), fazê-la variar ao longo de uma gama de valores desde 0 A até ao valor
nominal e observar como se comportam algumas grandezas que vamos selecionar para
observar em gráfico (tensões, potências etc.).
Vamos considerar para argumento de um valor pré-estabelecido relativamente à tensão no
primário (eixo horizontal) e que se que se vai manter constante ao longo da simulação. O
valor é o seguinte: -36,87º.
Adicione ao modelo anterior dois novos elementos do Simulink:
Este elemento representa o módulo da corrente .

Este elemento representa o argumento da corrente.

11/17
Fig. 27 – Limites de variação para o elemento clock

Para atribuir valores ao módulo da corrente, parametrize o Clock (menu principal +


Simulation + Configuration Parameters…) de modo a gerar valores que variam entre um
mínimo e um máximo seguintes:
- Limite inferior = 0
- Limite superior = sn/u2n (corrente nominal no lado da carga)

Fig. 28 – Limites de variação para o elemento clock

O valor do argumento é inicialmente definido como o angulo em graus de valor: -36.87º.


O modelo deve mostrar em gráficos a evolução de algumas grandezas em função da corrente.
Desenvolva agora os cálculos necessários para em conjunto os elementos do circuito
equivalente produzidos pelo modelo anterior e a corrente (módulo e argumento) obter
graficamente as seguintes grandezas do transformador:

12/17
Nota: O conhecimento do comportamento do transformador, observado do lado do secundário
(Cliente), reveste-se de importância elevada pois permite definir formas de controlo dessas
grandezas. Numa ótica de distribuição de energia, algumas grandezas como por ex. tensão e
potência ,podem ser alvo de valores garantidos ao Cliente pelas empresas
distribuidoras de energia e serem por isso até objeto de compromissos contratuais.
4ª Etapa: Validação do modelo de circuito equivalente.
Vamos analisar os resultados teóricos obtidos com o modelo, comparando-os com os
resultados reais de um ensaio em carga.
Para o efeito vamos adicionar ao modelo um novo elemento (“Lookup Table”) com os
valores de obtidos experimentalmente no ensaio em carga e comparar com os valores
teóricos de .
Objetivo: comparar a curva de variação da tensão no secundário obtida teoricamente (com
base em valores pré-estabelecidos para o módulo e argumento da corrente de carga), com os
valores de tensão no secundário obtidos experimentalmente no ensaio com uma carga real
(com um fator de potência à partida desconhecido).
Atendendo a que nesta simulação o fator de potência teórico na carga não é constante, é
provável que as curvas real e teórica estejam afastadas.
O bloco Lookup Table tem uma entrada, uma saída e parâmetros no seu interior. Os
parâmetros servem para inserir os valores do ensaio real. Vai dar origem a uma curva no
gráfico com os valores reais.

Fig. 29 – Elemento Lookup Table

Entrada: ligada ao Clock (para efeitos de sincronização com o modelo);


Parâmetros: Insira os valores de corrente e tensão na carga. Veja exemplo na Tabela e na
figura seguinte como foram inseridos os valores do seguinte ensaio.

0 147
1,06 142
2,26 140
3,10 135
4,00 130
4,80 124

Fig. 30 – Tabela com valores reais do ensaio

13/17
Fig. 31 – Parâmetros do elemento Lookup Table.

Saída: utilize um Mux para juntar esta saída (valores reais) com a com a saída (valores teóricos)
para poder observar as duas num mesmo gráfico (Scope).

Fig. 32 – Ligação do mux com a Lookup Table.

5ª Etapa: Observar a diferença entre a curva experimental de e a curva teórica obtida com
o modelo.
Executar várias simulações com diferentes valores de desfasagem da corrente até experimental-
mente encontrar um valor que produza uma curva teórica o mais aproximada possível da curva
experimental.

5 Estrutura do relatório
Tente assegurar-se que a estrutura do relatório segue um padrão lógico de apresentação do trabalho
e assuma que o leitor já conhece os conceitos teóricos. Evite a inclusão de informação generalista
ou irrelevante. Foque o conteúdo do relatório nos resultados teóricos da simulação e nos valores
reais obtidos nos ensaios.
A seguinte informação deve estar presente no Relatório:
Página de rosto

14/17
- Identificação do estabelecimento de ensino, departamento e disciplina
- Título do relatório: ENSAIO DO TRANSFORMADOR MONOFÁSICO
- Identificação do Professor
- Ano letivo e semestre
- Turma e número e nome dos elementos do grupo (máximo 3 elementos)
- Data de entrega
Página 2
- Objetivo do trabalho: descrição breve (5 linhas)
- Identificação do transformador indicando o fabricante, modelo, características
nominais e relação de transformação que for indicada pelo professor:

Sn V1 I1 V2 I2 Relação de
[VA] [V] [A] [V] [A] transformação

Fig. 33 –Tabela com características nominais do transformador

- Indicação de quais os ensaios realizados (nota: é dispensada no relatório a repetição


dos esquemas de ligação e procedimentos de ensaio que já constem deste Guia).
Preencha as colunas em “Leituras” na seguinte tabela, com os resultados dos ensaios.

Leituras
Ensaios V1 I1 P1 V2
V A W V
vazio
cc -
Medição de R1 (DC) - -

Leituras Cálculos
Ensaios Perdas Perdas
V1 P1 V2 I2 I1 P útil 
cu fe
V W V A A W W W %
carga

Fig. 34 –Tabela com leituras dos ensaios do transformador

Páginas 3 e 4
Apresente o cálculo dos elementos do circuito equivalente e preencha a tabela seguinte

15/17
Fig. 35 –Elementos do circuito equivalente

Preencha agora as colunas “Cálculos” na tabela da fig. 34


Páginas 5 e 6
Apresente os seguintes quatro gráficos (coloque legendas em todos os gráficos) gerados pelo
Simulink:
- Gráfico 1: para a desfasagem inicial
- Gráfico 2: para o valor de desfasagem
que melhor aproxime as duas curvas.
- Gráfico 3: ;
- Gráfico 4:
Página 7
Conclusões (max. 250 palavras)
O Relatório deve ser apresentado até 15 dias após a realização de cada ensaio.

Fig. 36 – Aspeto aproximado de um relatório tipo.

6 Notas sobre aparelhos de medida

Medições
Determine o calibre a usar em cada aparelho de medida em função dos valores da chapa de
características do transformador. No laboratório encontra aparelhos de medida analógicos e
digitais de vários fabricantes.

16/17
Por vezes os fabricantes podem dotar os seus aparelhos de algumas particularidades
nomeadamente a possibilidade de leitura de mais que uma grandeza (multímetros).
Os esquemas de ligações para os aparelhos de medida são os seguintes:

medição de correntes medição de tensões medição de potências

com amperímetro com voltímetro com wattímetro

com pinça com pinça com pinça

Leituras
Pinças:
Algumas pinças permitem a visualização de duas ou mais grandezas em simultâneo no mesmo
display. Outras mostram as grandezas uma de cada vez, mas têm de ser seleccionadas através de
um seletor.
Wattímetros analógicos:
A potência medida, por vezes não corresponde ao número de divisões lidas no mostrador.
Pode ter de ser afetada por um fator multiplicador que depende do terminal amperimétrico
utilizado (há mais que um) e da posição do seletor de tensão. Observe as instruções no mostrador.

17/17