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A obra que venho apresentar é “Se isto é um homem” de Primo Levi.

Primo Levi
nasceu em Turim, em 1919, e suicidou-se em 1987, na mesma cidade. Licenciado em
Química, participou na resistência contra a ocupação nazi, e foi preso e internado no
campo de concentração de Auschwitz. Esta obra é contada na primeira pessoa e é uma
das mais lúcidas e impressionantes visões dos campos de extermínio nazis.
Nesta obra é abordada a visão de um Homem, neste caso o próprio autor, que foi
levado para um campo de extermínio e conta todos os episódios marcantes e reais que
foram vivenciados pelo mesmo. O autor foca-se principalmente em dois aspetos desta
experiência nazi, que são apresentados de forma emocionante para o leitor, a primeira
perspetiva é feita para nos fazer entender o comportamento do homem para com o
homem, dai o titulo, “se isto é um homem”, reforçando a condição daqueles homens,
vistos como animais selvagens para os nazis que tinham em vista, principalmente, o
extermínio judeu. A segunda perspetiva foca-se no pensamento/consciencialização
interior do próprio autor, a forma como o homem consegue superar-se interiormente,
a capacidade de resistência perante a dor física e psicológica.
Na minha opinião este livro foca-se nestes dois tipos de dor.
Por um lado temos a dor física, expressa em vários sentidos ao longo da obra, todas as
personagens do livro sofrem persistentemente devido à fome, ao cansaço, à fadiga,
fraqueza, doença e, consequentemente, morte. A condição do homem é levada ao
extremo do degradante, o leitor é levado a pensar/imaginar, de forma muitas vezes
aflitiva, a forma de viver daqueles homens, iguais a todos nós, a viver com tanta
miséria humana. Por exemplo, o excerto “………” que nos evidencia a fome que aqueles
homens passavam, que até a dormir rangiam os maxilares como se estivessem a
comer.
Por outro lado a dor psicológica, esta sem dúvida bastante marcante para mim , o
narrador exprime todas as suas emoções uma vez que a sua personagem vivencia
sentimentos variados que vão desde a curiosidade inicial até ao egoísmo, passando
pelo pensamento suicida, a saudade, desconstruindo o ser humano para no fim voltar
a renascer. Escolhi o excerto “……” . Este excerto, no meu ponto de vista, destaca a
forma individualista, egoísta e egocêntrica que a solidão, a dor, o medo, a angustia traz
ao ser humano, que deixa os seus princípios morais, civilizados, racionais atrás do
arame farpado. É como se o homem fosse adotando as ideias nazis, o espirito de ódio,
a sua desintegração física e até do seu próprio espirito.
Concluo assim que, a obra de Levi é forte o suficiente para mostrar toda a redução
daquela matéria abstrata que faz do homem humano. Algumas cenas parecem ficção,
toda aquela crueldade e loucura é chocante e provoca indignação perante qualquer
ser racional e sensato. Na minha opinião “Se isto é um homem” reflete acima de tudo
sobre o próprio homem, sobre a sua incoerente existência, sobre o seu egoísmo, a sua
miséria, é um reflexo pessimista quanto ao que a alma humana pode apodrecer e o
extremo da sua própria loucura, mas também acentua positivamente a capacidade de
resistência e sobrevivência do Homem, que depois da destruição arranja maneira de se
reerguer.