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O Iluminismo

História do Iluminismo, o pensamento no Século das Luzes, critica ao


absolutismo, pensadores iluministas, Rousseau, Montesquieu, Voltaire,
Locke, Diderot e D'Alembert, idéias dos principais filósofos, filosofia e
política nos séculos XVII e XVIII.

Introdução

Este movimento surgiu na França do século XVII e defendia o domínio


da razão sobre a visão teocêntrica que dominava a Europa desde a Idade
Média. Segundo os filósofos iluministas, esta forma de pensamento
tinha o propósito de iluminar as trevas em que se encontrava a
sociedade.

Os ideais iluministas

Os pensadores que defendiam estes ideais acreditavam que o


pensamento racional deveria ser levado adiante substituindo as crenças
religiosas e o misticismo, que, segundo eles, bloqueavam a evolução do
homem. O homem deveria ser o centro e passar a buscar respostas para
as questões que, até então, eram justificadas somente pela fé.

Século das Luzes

A apogeu deste movimento foi atingido no século XVIII, e, este, passou


a ser conhecido como o Século das Luzes. O Iluminismo foi mais
intenso na França, onde influenciou a Revolução Francesa através de
seu lema: Liberdade, igualdade e fraternidade. Também teve influência
em outros movimentos sociais como na independência das colônias
inglesas na América do Norte e na Inconfidência Mineira, ocorrida no
Brasil.

Para os filósofos iluministas, o homem era naturalmente bom, porém,


era corrompido pela sociedade com o passar do tempo. Eles acreditavam
que se todos fizessem parte de uma sociedade justa, com direitos iguais
a todos, a felicidade comum seria alcançada. Por esta razão, eles eram
contra as imposições de caráter religioso, contra as práticas
mercantilistas, contrários ao absolutismo do rei, além dos privilégios
dados a nobreza e ao clero.

Os burgueses foram os principais interessados nesta filosofia, pois,


apesar do dinheiro que possuíam, eles não tinham poder em questões
políticas devido a sua forma participação limitada. Naquele período, o
Antigo Regime ainda vigorava na França, e, nesta forma de governo, o
rei detinha todos os poderes. Uma outra forma de impedimento aos
burgueses eram as práticas mercantilistas, onde, o governo interferia
ainda nas questões econômicas.
No Antigo Regime, a sociedade era dividida da seguinte forma: Em
primeiro lugar vinha o clero, em segundo a nobreza, em terceiro a
burguesia e os trabalhadores da cidade e do campo. Com o fim deste
poder, os burgueses tiveram liberdade comercial para ampliar
significativamente seus negócios, uma vez que, com o fim
do absolutismo, foram tirados não só os privilégios de poucos (clero e
nobreza), como também, as práticas mercantilistas que impediam a
expansão comercial para a classe burguesa.

Principais filósofos iluministas

Os principais filósofos do Iluminismo foram: John Locke (1632-1704),


ele acreditava que o homem adquiria conhecimento com o passar do
tempo através do empirismo; Voltaire (1694-1778), ele defendia a
liberdade de pensamento e não poupava crítica a intolerância religiosa;
Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), ele defendia a idéia de um estado
democrático que garanta igualdade para todos; Montesquieu (1689-
1755), ele defendeu a divisão do poder político em Legislativo,
Executivo e Judiciário; Denis Diderot (1713-1784) e Jean Le Rond d
´Alembert (1717-1783), juntos organizaram uma enciclopédia que
reunia conhecimentos e pensamentos filosóficos da época.

O Iluminismo
As transformações econômicas e sociais da Idade Moderna, principalmente a Revolução Industrial e
os progressos científicos, provocaram mudanças na maneira de pensar e de sentir dos europeus.
A Revolução Inglesa do século XVII e a Revolução Industrial do século XVIII foram conduzidas pela
burguesia inglesa, o objetivo desses movimentos revolucionários era destruir as estruturas econômicas,
sociais e políticas que sustentavam o Antigo Regime, tais como o direito divino dos reis, a política
econômica mercantilista e o poder político da Igreja Católica.
A crise do Antigo Regime foi acompanhada por um conjunto de novas idéias filosóficas e econômicas
que defendiam a liberdade de pensamento e a igualdade de todos os homens perante as leis. As idéias
econômicas defendiam a prática da livre iniciativa. Esse movimento cultural, político e filosófico que
aconteceu entre 1680 e 1780, em toda a Europa, sobretudo na França, no século XVIII, ficou conhecido
como Iluminismo, Ilustração ou Século das Luzes.
Os iluministas caracterizavam-se pela importância que davam à razão. Somente por meio da razão,
afirmavam ser possível compreender perfeitamente os fenômenos naturais e sociais. Essas idéias
baseavam-se no racionalismo. Defendiam a democracia, o liberalismo econômico e a liberdade de culto
e pensamento. Na verdade, o Iluminismo foi um processo longo do qual as transformações culturais
iniciadas no Renascimento prosseguiram e se estenderam pelo século XVII e século XVIII.
As idéias iluministas influenciaram movimentos como a Independência dos Estados Unidos, a
Inconfidência Mineira e a Revolução Francesa.
O Iluminismo iniciou-se na Inglaterra, mais foi na França, que atingiu seu maior desenvolvimento.
Foi na França que viveram os maiores pensadores iluministas, Voltaire, Montesquieu, Rousseau, Diderot
e D´Alembert.

Principais filósofos iluministas:

John Locke (1632-1704): filósofo inglês, autor de Ensaio sobre o Entendimento Humano, rejeitou o
conceito de idéias inatas. Afirmava que a experiência é a base de todo o conhecimento. Combateu o
absolutismo, negando a origem divina dos reis e afirmando que o governo nasce de um entendimento
entre governantes e governados.

Voltaire (1694-1778): François-Marie Arouet, escritor francês, crítico do absolutismo e dos


privilégios da Igreja e da nobreza. Por suas críticas, foi preso duas vezes, deixando a França e exilando-
se na Inglaterra. Atraído pelas idéias de John Locke, escreveu as Cartas Inglesas, nas quais exalta a
liberdade de pensamento, de religião e às instituições inglesas, criticando indiretamente a França.
Montesquieu (1689-1755): Charles Louis de Secondant, barão de Montesquieu. Considerado o pai
do liberalismo burguês foi jurista, filósofo e escritor. Em sua principal obra O Espírito das Leis, expôs
sua teoria da divisão do poder político em Poder Legislativo – elabora e aprova as leis; Poder Executivo
– executa as leis e administra o país; Poder Judiciário – fiscaliza o cumprimento das leis. Suas idéias
influenciaram a organização de praticamente todos os governos pós-Revolução Francesa.

Jean-Jacques Rousseau (1712-1778): filósofo francês, nascido na Suíça, foi o mais radical entre os
iluministas. Ao contrário de Voltaire e Montesquieu, ele não foi porta-voz da burguesia e sim das
camadas mais populares. Suas idéias contrariavam, por exemplo, um dos princípios centrais da
sociedade burguesa - a propriedade privada. Segundo Rousseau, esta era a raiz da infelicidade humana,
pois trazia consigo a desigualdade e a opressão do mais forte sobre o mais fraco. Suas principais obras
foram: Discurso sobre a Origem da Desigualdade entre os Homens e Contrato Social.
Democrata, defendeu a igualdade entre os homens; afirmava que o poder político emana do povo;
exerceu grande influência na Revolução Francesa e na filosofia dos séculos posteriores.

Denis Diderot (1713-1784) e Jean Le Rond D´Alembert (1717-1783):Diderot organizou a


Enciclopédia, auxiliado pelo matemático D´Alembert, onde foram reunidos todos os conhecimentos da
época. Transformou-se, por isso, em veículo das idéias do Iluminismo. Proibida pelas autoridades, por
criticar os poderes estabelecidos, a Enciclopédia circulou clandestinamente, sua elaboração, iniciada em
1751, foi concluída em 1772.

Além dos filósofos, o Iluminismo foi representado pelos economistas, que atacaram a intervenção do
Estado nos assuntos econômicos, defendendo, portanto, a liberdade total nas atividades econômicas.
Essa teoria econômica foi chamada deFisiocracia.

Os principais economistas fisiocratas foram: François Quesnay (1694-1774),Robert Turgot (1727-


1781), Vicent Gournay (1712-1759), Adam Smith (1723-1790) e David Ricardo (1772-1823).

Os Déspotas Esclarecidos

Com o avanço dos ideais iluministas que ganhavam cada vez mais adeptos e para impedir as
desordens e as revoluções por parte dos setores descontentes da sociedade, alguns governantes
europeus viram-se obrigados a realizar reformas socias e econômicas a fim de modernizar seus países,
mas sem abrir mão do poder. Eram os chamados déspotas esclarecidos.

Os déspotas esclarecidos, como ficaram conhecidos os reis que aderiram as idéias iluministas,
criaram uma legislação favorável ao comércio e à produção manufatureira, com o objetivo de fortalecer
a burguesia, criaram escolas laicas (não religiosas), decretaram a liberdade de culto, a fim de reduzir os
privilégios do clero católico.
Essas reformas duraram, normalmente, apenas o período correspondente ao governo de cada um
dos monarcas, sendo anuladas pelos seus sucessores.

Os principais déspotas esclarecidos:

Frederico II, rei da Prússia (1712-1786): desenvolveu a agricultura, aboliu a tortura nos
interrogatórios, fundou escolas e organizou um grande exército, expandindo seus domínios sobre
territórios que antes pertenciam à Áustria e à Polônia.

Catarina II, czarina da Rússia (1762-1796): criou escolas e hospitais e esforçou-se por introduzir
as idéias dos filósofos franceses em seu país.

Jose II, imperador da Áustria (1780-1790): reduziu o poder da Igreja, confiscando-lhe muitas
terras. Libertou os servos, aboliu as obrigações feudais e organizou o exército.

Marquês de Pombal (1699-1782): ministro do rei Dom Jose I, de Portugal, Pombal expulsou os
jesuítas do país, incentivou o comércio e as manufaturas e fortaleceu o poder real. Reformou o sistema
de ensino, tirando as escolas do controle das ordens religiosas.

Conde de Arandas (1719-1798): ministro do rei Carlos III, da Espanha. Incentivou o


desenvolvimento econômico do país e executou reformas administrativas que fortaleceram o poder real.

Esse período teve sua origem durante o século XVIII, primeiramente no


continente europeu, onde ocorriam profundas transformações cientificas e
culturais; afetando profundamente a atividade teológica. Assim, as raízes desse
período encontram-se no humanismo da Renascença e no socianianismo, no
deismo da Inglaterra do século XVII.

Contudo, mesmo com todas essas mudanças ocorrendo dentro dos


sistemas filosóficos, acabaram auxiliando o surgimento desse sistema,
favorecendo novas descobertas e teorias no campo das ciências naturais
(Newton) e no campo da jurisprudência (Grotius, Pufendor); bem como no
campo da teologia; pois favoreceu o pietismo, servindo para promover o
desenvolvimento de alguns sentidos.

Assim, passaremos a ver quais as mudanças ocorridas durante esse


período:

O campo do PENSAMENTO FILOSÓFICO foi profundamente


transformado, principalmente através da nova filosofia escolástica que
substituiu o escolasticismo aristotélico nas universidades alemãs do século
XVIII. Sendo que isso pode ser observado através do conceito metafísico
que foi substituído por um conceito empírico e atomista da realidade. Outra
mudança que aconteceu refere-se ao fato de que a antiga filosofia objetiva
foi substituída por uma forma prática e utilitária de sabedoria, cujo objetivo
primordial era o de ensinar o homem a entender e controlar seu ambiente e
gozar a felicidade neste mundo (que era também conhecida como filosofia
da moderação). Pois, o antigo pensamento partia do objeto, ou seja, a
metafísica procurava um conhecimento objetivo do significado mais
profundo da realidade.

Foi durante esse período que surgiu um dos mais importantes


pressupostos, que fazia referência ao novo conceito de educação; uma
vez que a filosofia não mais se considerava serva da teologia. Isso
aconteceu uma vez que essa foi libertada da influência da segunda e da
metafísica escolástica, passando a basear-se nas observações da
experiência e em princípios racionais. Dessa maneira, esse sistema estava
baseado na idéia de que a erudição humanista, a religião e a moral, a lei e a
política podem ser fundamentadas em princípios racionais específicos,
comuns aos homens de todas as épocas. Assim, o conhecimento natural
era considerado como sendo autônomo, imediatamente acessível e na
íntegra evidente a todos, sem ter sido obscurecido pelo pecado original.

Outro campo onde ocorreram profundas transformações foi no campo das


ciências naturais, pois os estudiosos começaram a aplicar o método
matemático, bem como se fundamentar na observação empírica, vindo esse
a ser de interesse primordial. Dessa maneira, somente no século XVIII que
a concepção do sistema solar apresentada por Copérnico no século XVI foi
geralmente aceita, deixando a Terra de ser considerada o centro de tudo e
o homem passou a ser apenas um grão de poeira no universo. Assim, o
conceito aristotélico de certa forma foi substituído pela explicação
mecânico-atomista do mundo, consistindo a vida num espaço inalterável,
onde as coisas são compostas de partículas que exercem influência
mecânica umas sobre as outras, preenchendo o espaço. E os homens não
mais consideravam as formas substanciais como sendo os elementos
básicos no edifício do universo; mas pensavam somente em termos de
entidades materiais; tendo como resultado dessa explicação mecânica da
natureza, o contraste básico entre matéria e espírito, sensitivo e supra-
sensível.

Dessa maneira, a idéia acima se opunha diretamente a antiga maneira de


conceituar o mundo, pois essa estava centrada na crença que a razão
humana tem competência para observar e controlar seu ambiente, para
estabelecer leis para os fatos da vida; bem como para as regras da
sociedade humana. Tudo isso, pelo fato de que uma explicação racionalista
da natureza e uma doutrina racionalista de moralidade resultaram dessa
nova atitude.

Assim, podemos ver que o iluminismo caracterizou-se por uma fé ingênua


no homem e em suas potencialidades.

Outro campo no qual o iluminismo exerceu profundas mudanças foi na


jurisprudência, onde Hugo Grotius (1645) forneceu a base para o moderno
conceito de direitos naturais. Pois, a idéia de lei natural era integrada no
contexto da revelação e no conceito bíblico de homem. Porém, nessa nova
fase, esses direitos passaram a basear na razão humana, bem como eles
serviam de base comum para a administração pública da lei, onde a
moralidade baseava-se na razão autônoma.

É interessante notarmos que durante esse período surgiu um novo


conceito sobre o estado, onde a antiga tradição luterana considerava a
autoridade instituição divina, comissionada para o protetor de ambas as
tábuas da lei”, onde homens como Tomás Hobbes conceberam a idéia do
estado secular, baseando-se na indulgência humana, cuja finalidade era a
de promover a salus publica, ou seja, o bem estar geral. Contudo, como o
estado era dirigido por um príncipe absolutista as considerações políticas
eram colocadas acima das eclesiásticas, levando a perda de independência
da igreja. Dessa forma, nesse novo modelo, que também era baseado
numa fé otimista na razão, acreditava-se ser o homem capaz de organizar
os problemas políticos de tal maneira que o bem comum seria conseguido.
Mas foi somente na metade do século XVIII que a neologia, ou seja a
teologia racionalista começou a aparecer entre os protestantes alemães.

Mas, a mudança mais importante gerada por esse novo sistema esta
baseada no novo conceito de religião natural. Assim, segundo Herberto de
Cherbury existe uma religião natural, comum a todos os homens e
independente de revelação, pela qual o homem pode tornar-se bem-
aventurado, mesmo sem o conhecimento da revelação. Segundo esse
conceito Cristo além de ser um sábio mestre, possuía sobretudo um
exemplo de virtudes; onde o conteúdo da religião natural fosse apresentado
nas cinco proposições seguintes: 1) há um Deus, um ser supremo; 2) que
deve ser cultuado e servido; 3) este culto consiste acima de tudo em
piedade e virtude; 4) que desvios do pecado exigem arrependimento; e
5) havendo arrependimento, haverá também o perdão, o mal será punido e
bem recompensado numa vida futura.

Porém, mesmo com tudo o que foi descrito acima, é importante destacar
que a cultura do Iluminismo se distinguiu por sua crescente secularização.
Onde a novo forma de ciência natural passa a se ocupar com uma explicação
imanentista do mundo; além do fato de que a cultura secular desenvolve-se
independentemente da igreja e de suas confissões.

Contudo, isso acabou não implicando na rejeição do cristianismo ou da


religião, mas trouxe consigo profunda alteração dos pressupostos para a
teologia e a pregação cristã; fato que pode ser observado nas seguintes
tendências que influenciaram a teologia do iluminismo:

1) A teologia formou-se mais ou menos dependente da filosofia


e do pensamento racionalista; ou seja, em vez de exigir que a
razão se sujeitasse ao testemunho da Escritura, passou-se a
crer firmemente que a revelação e princípios racionais estão
em completa harmonia; uma vez que se desejava justificar a
revelação perante o tribunal da razão.

2) Ao lado dessa racionalização da teologia havia a tendência


de moralizar; onde essa passou a ser a principal preocupação
no conceito de vida moderna, racional; do que a religião. Isso
aconteceu pelo fato de que se considerava como principal
finalidade do cristianismo o fato de se conseguir uma
moralidade elevada; além dessa constituir o conteúdo ético.

3) Já em terceiro lugar, vemos que a idéia de que a religião se


fundamentava em especial em princípios racionais acabava
fortalecendo a concepção individualista, uma vez que essa
estava baseada nas experiências da própria pessoa.

4) E em quarto lugar, foi a tendência de “humanizar” o


cristianismo, de acomodá-lo a uma estrutura antropocêntrica,
esperando com isso a que a teologia trouxesse o bem-estar
humano, procurando harmonizar as verdades teológicas com
princípios racionais, que acabou provocando a rejeição do
cristianismo.

A TEOLOGIA INGLESA NA ERA DO ILUMINISMO:

Surgida no final do século XVII, período marcado predominantemente


pelo ponto de vista denominado “latitudinarismo”, onde seus representantes
acreditavam que a revelação concordava plenamente com a razão e com os
princípios religiosos discerníveis através dela, dando origem a teologia inglesa.

Além disso, em contraste com os deístas, estes não desejavam


substituir o cristianismo tradicional pela religião natural, mas julgavam que a
religião revelada tinha seu melhor sustentáculo na razão; pelo fato de que
acreditavam ser a fé a convicção baseada em considerações racionais; bem
como defendiam que as verdades religiosas não podiam ser provadas, mas
com certeza a moral poderia ser atingida, em parte com base na suposição que
a Bíblia era a única fonte fidedigna e que os milagres confirmam sua
autoridade.

Porém, uma grande contribuição a essa linha de pensamento foi feita


pelo filósofo João Locke (1632-1704) relacionado à questão de fé e do
conhecimento. Pois ele distinguia claramente entre a revelação e razão,
afirmando que as proposições da fé repousam sobre bases completamente
diversas das verdades da razão. Assim, revelação direta, tal como a que veio
aos profetas e apóstolos, implica numa certeza igual à associada ao
conhecimento evidente. Conseqüentemente, a revelação chegou até nós
através de linguagem e compreensão humanas.

Por esse motivo que a fé cristã deve sempre ser julgada até certo ponto
pela razão, e só pode ser aceita se não for contrária aos princípios evidentes
da razão.

E foi seguindo esse pensamento que Locke procurou apresentar em um


dos seus livros, um cristianismo bíblico puro, independente da teologia
posterior e dos credos da igreja; onde não negou a doutrina da trindade, mas
procurou encontrar os equivalentes bíblicos de seus termos.

Dessa forma, seguindo essa forma de pensamento que Locke encontra


os protótipos de duas tendências que chegaram a se tornar característicos da
teologia do iluminismo na Inglaterra, que foram:

1) consistia no desejo de demonstrar a racionalidade do cristianismo;


2) referia-se a questão de reproduzir o que se considerava ser uma
forma não corrompida da doutrina bíblica.

Mas, existe algo que não podemos deixar de destacar que toda
mensagem de Wesley destinava-se a levar as pessoas a uma vida de fé
ativa e santidade.

Contudo, apesar das diferenças de opinião, Wesley desenvolveu a


doutrina da fé e obras, numa direção que o afastou mais do ponto de vista da
Reforma, aproximando-a da concepção inglesa; onde era mantido que as obras
são a condição necessária para a justificação.

Outra doutrina defendida e que causou grande controvérsia, proclamada


por Wesley dizia respeito a predestinação, que proclamava a graça universal
à moda arminiana e que se opôs veemente à idéia da eleição divina para a
condenação.

E foi esse o motivo que causou a divisão ocorrida dentro do metodismo.


Teologia de Transição:

Constituindo outro termo empregado para agrupar os teólogos alemães


do século XVIII, que combinaram uma atitude conservadora face à antiga
tradição luterana com a posição filosófica da parte inicial do iluminismo e a
teologia do pietismo.

Dessa forma, João Francisco Buddeus substituiu a filosofia escolástica


de Aristóteles por uma filosofia “eclética”, salientando especialmente o uso
prático do conhecimento; onde a metafísica era limitada à explicação de certos
conceitos úteis à teologia; evidenciando uma atitude empírica em suas obras.

Contudo, para fins práticos eram salientados energicamente: que o alvo


da teologia era considerado como sendo a apresentação daquilo que o homem
pecador deve saber para ser salvo; onde a revelação não pode conter qualquer
coisa contrária à religião natural.

É importante destacar-se que foi Buddeus o primeiro a escrever a


história do Antigo Testamento e da era Apostólica; sendo João George Walch,
conhecido como o historiador da igreja e editor das obras de Lutero, como um
dos seus mais destacados discípulos.

Wolffianismo Teológico:

Foi Cristiano Wolff o responsável por edificar um sistema de filosofia


escolástica racional, usando a matemática como modelo. Para ele, enquanto a
filosofia escolástica anterior tratava da diversidade de existência de modo mais
empírico, o assim chamado método de demonstração visava descrever as
coisas de maneira tal que um atributo seria derivado de outro em relação
estritamente lógica; onde a educação deveria basear-se em conceitos claros e
específicos; onde nada deve ser apresentado sem prova.

Já quando comparamos essa posição com a Teologia da Transição,


observamos que o Wolffianismo representava um retorno a uma posição mais
objetiva; uma vez que sua teologia acabava formando um sistema logicamente
conseqüente, sujeito à argumentação racional.

Assim, um dos influenciados por esse pensamento foi Jacó Baumgarten


que em uma de suas obras caracterizava-se pro sóbria racionalidade e
escrupulosa divisão lógica do material. Ou seja, aceitava a harmonia entre
razão e revelação; onde o próprio conhecimento de Deus que possuímos nos
conduz a idéia de revelação Especial, e as provas racionais para verdades das
Escrituras nos convencem que a Bíblia é fonte desta revelação.

Neologia:
Esse termo refere-se a uma etapa no desenvolvimento teológico da era
do Iluminismo em que o deismo inglês conseguiu estabelecer uma cabeça de
ponte na vida cultural da Alemanha.

É interessante notarmos que enquanto o Wolffianismo defendia a


doutrina tradicional da igreja com o auxílio da razão, a neologia representava a
transição a uma consciente crítica dos dogmas.

Além disso, a maior modificação gerada por esse desenvolvimento foi


que a Bíblia foi inserida no esquema do desenvolvimento humano; bem como o
Antigo Testamento foi separado do Novo Testamento como algo pertencente a
um nível inferior e o conteúdo da Bíblia foi exposto à crítica com base em
normas modernas.

Outro ponto destacado diz respeito ao psicologismo moralista


da Neologia que andava de mãos dados com um conceito otimista do homem,
pois se pensava que a doutrina do pecado original era contrária à idéia do valor
humano. Assim, Cristo não era considerado como Filho de Deus, em lugar
disso se dizia que era o Salvador enviado pelo Pai, e todas as referências à
expiação e à satisfação eram omitidas; supondo ser o Espírito apenas um
poder para se fazer o bem.

Um outro defensor dessa linha, Semler foi responsável por lançar os


fundamentos para a história do dogma como disciplina separada; onde o
cânone era simplesmente a coleção dos escritos que a igreja aceitara.
Contudo, não reconhecia qualquer autoridade canônica original.

Agora, a fim de explicar a falta de concordância entre o Novo


Testamento e a Religião moralista, Semler presumiu que Jesus e os
apóstolos se adaptaram conscientemente às idéias de seu tempo. Portanto, o
cristianismo podia ser desenvolvido acima e além da posição bíblica, o que
constituí sua capacidade de aperfeiçoamento; além de que a revelação não
coincide com a Escritura.

Já João Augusto Ernesti (1781), professor em Leipzing foi responsável


no campo da hermenêutica, onde a interpretação histórico-gramatical da
estrutura deveria formar a base para a atividade teológica; além de que esse
não reconhecia a exigência do pietismo concernente à piedade pessoal do
intérprete.

RACIONALISMO E O SUPERNATURALISMO:

Constituindo uma posição dentro do iluminismo, o racionalismo


teológico defendido principalmente por Immanuel Kant, era diferente do
Naturalismo; uma vez que esse não negava a revelação. Pelo contrário, insiste
que a religião moralista da razão é a única religião necessária, sendo que o
aspecto mais importante dessa experiência religiosa era a modificação no
caráter por cujo intermédio o “mal radical” no homem é derrotado e o bem
trazido à tona. Isso acontece através da punição e do arrependimento, cabendo
a igreja fornecer o impulso que conduz a salvação.

Agora, um dos mais notáveis dogmáticos do racionalismo foi Júlio


Augusto Luis Wegscheider, que rejeitava ou deturpava os ensinamentos
básicos do cristianismo. Milagres, bem como tudo o que fosse sobrenatural
eram rejeitados; a conversão era concebida em sentido pelagiano; os
sacramentos eram interpretados simbolicamente e a ressurreição de Cristo
como despertamento de morte aparente; afirmando que a morte de Cristo
simboliza o fato que os sacrifícios cessaram. Não se aceitava a expiação,
mantendo que a ascensão era conto de fadas. E o conceito de pecado original
era rejeitado como ilusão sombria, onde o arrependimento supunha-se ser obra
do próprio homem, e por fim, o batismo era considerado como cerimônia de
dedicação e a ceia do Senhor como festa memorial.

Porém, o racionalismo sofreu oposição


do SUPERNATURALISMO que se fundamentava na necessidade de revelação
e da autoridade da Escritura. Todavia, ambos tinham esta característica
comum: um conceito intelectualista da religião. A substância dessa era
apresentada em termos de proposições doutrinárias, chegando até mesmo a
descoberta pela razão humana e outras somente através da revelação.

Em contraste a tudo isso, várias tendência intermediárias surgiram,


sendo influenciados até mesmo pelo romantismo, o qual afirmava que: quando
os homens deixaram de pensar na religião como coleção de doutrinas,
passando a considera-la elemento da vida pessoal da alma, a alternativa entre
o racionalismo e o supernaturalismo não era mais relevante, pois ambos
podiam ser integrados num ponto de vista uniforme. Ou seja, a religião não era
mais considerada em termos de moralidade e metafísica, mas como
manifestação independente da vida espiritual do homem.

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