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Subdivisão de Publicidade e Propaganda / CECOMSAER


Prepare seu plano de voo
Edição nº 254 Ano 44
Outubro / Novembro / Dezembro - 2017

Subdivisão de Publicidade e Propaganda / CECOMSAER


30
CAPA
Dimensão 22
Conheça os 22 milhões de
km2 de responsabilidade
da FAB

08 ENTREVISTA
Mil dias de Comando
Tenente-Brigadeiro Rossato faz
14 MISSÃO DE PAZ
Brasil dá adeus ao Haiti
Conheça o legado da Missão de Paz
reflexões sobre seus mil dias à frente da ONU no Haiti
da Aeronáutica

EXPEDIENTE

Publicação oficial da Força Aérea Brasileira, a Chefe da Subdivisão de Produção e Divulgação: Distribuição Gratuita
revista Aerovisão é produzida pela Agência Ten Cel Av Rodrigo José Fontes de Almeida Acesse a edição eletrônica:
Força Aérea, do Centro de Comunicação Social www.fab.mil.br/publicacao/listagemAerovisao
da Aeronáutica (CECOMSAER).
Edição: Tenente Aline Fuzisaki Impressão: Gráfica Pallotti ArtLaser.
(Jornalista Responsável - 44325/SP)
Chefe do CECOMSAER: Contato: redacao@fab.mil.br
Brigadeiro do Ar Antonio Ramirez Lorenzo Esplanada dos Ministérios, Bloco M, 7º Andar
CEP: 70045-900 - Brasília - DF
Tiragem: 18 mil exemplares.
Vice-Chefe do CECOMSAER:
Coronel Av Flávio Eduardo Mendonça Tarraf Período: Outubro / Novembro / Dezembro
2017 - Ano 44 Erramos
Na edição 243 – Junho/Julho/Agosto, na página 28,
Chefe da Divisão de Comunicação Integrada: Estão autorizadas transcrições integrais ou parciais das
onde se lê “(...) até chegar nos campos político e tático”,
Coronel Av José Frederico Júnior matérias, desde que mencionada a fonte. leia-se “até chegar nos campos político e estratégico”.

4 Out/Nov/Dez/2017 Aerovisão
Veja a edição digital

38 ENSINO
ITA em expansão
Instituto Tecnológico de Aeronáutica tem
novas instalações e aumentou o número
de vagas

56 TREINAMENTO
Sem tirar os pés do chão
Simuladores ajudam na preparação de
militares

Cabo Andre Feitosa / Agência Força Aérea


Tenente Raphael Kersul

22 DIA DO AVIADOR
Venha ser piloto da FAB
Conheça a carreira na Força Aérea
Brasileira

Veja na FAB TV (youtube.com/portalfab)


REESTRUTURAÇÃO
Pensando nos desafios futuros, a Força Aérea
Brasileira está passando por um processo de Rees-
truturação. Um vídeo institucional apresenta, de
maneira simples e objetiva, as transformações na
FAB. Confira!

FAB EM AÇÃO
O Programa acompanhou o Esquadrão de Demons-
tração Aérea (EDA), conhecido como a Esquadrilha da
Fumaça, na missão na Colômbia e na Região Norte do
Brasil. Por onde passou, a Fumaça atraiu milhares de
pessoas e encantou o público.

Aerovisão Out/Nov/Dez/2017 5
Aos Leitores

A Dimensão 22
A última edição da nossa revista em das tropas e do apoio aéreo da FAB no
2017 chega com uma missão histórica: Haiti, missão que se encerrou neste ano.
apresentar a nova campanha da Força O futuro nunca deixa de ser vis-
Aérea Brasileira, a Dimensão 22. lumbrado pelos profissionais da FAB
Mais do que apenas uma campanha e a ela ligados, assim podemos notar
ocasional, a Dimensão 22 surge como o nas matérias que falam das ampliações
DNA da FAB, o ente que faltava para das instalações do ITA e de alguns dos
unir, em apenas um conceito, todas as projetos visionários da FAB.
diversas ações executadas nos mais Saiba também como ingressar para
diferentes campos de atuação da Força. a seleta família de aviadores da FAB, e
Ao representar uma impressionan- conheça como são utilizados os simula-
te área de 22 milhões de quilômetros dores de voo para aprimoramento dos
quadrados, nos quais a FAB cumpre nossos tripulantes. “Nossa capa:
sua missão por meio das ações de CON- Aproveitem nossa edição especial, A arte do Tenente Publicitário Wander
TROLAR, DEFENDER e INTEGRAR, a conheçam e, acima de tudo, dissemi- Marcel Barros Chaves apresenta a nova
Dimensão 22 retrata a grandiosidade da nem o conceito da Dimensão 22. Ele campanha da Força Aérea Brasileira, a
Força Aérea Brasileira. deve ser uma fonte de orgulho de cada Dimensão 22
Trata-se de um conceito que fará integrante desta nobre família e repre-
parte do dia a dia de cada militar e, mui- senta, mais do que nunca, o fabuloso
to em breve, do povo brasileiro, pois é alcance das “Asas que protegem o País”!
justamente em função dele que todo
nosso efetivo se desdobra diariamente, Boa Leitura!
para cumprir com suas responsabilida-
des nessa área que corresponde a mais Brigadeiro do Ar
de duas vezes o continente europeu. Antonio Ramirez Lorenzo
Isso sem falar em apoios a situações Chefe do Centro de Comunicação
que extrapolam essa área, como é o caso Social da Aeronáutica

Aerovisão Out/Nov/Dez/2017 7
ENTREVISTA

Mil dias no Comando


da Força Aérea

Pensada há alguns anos, a Reestruturação


da Força Aérea Brasileira ganhou impulso
quando o Tenente-Brigadeiro Nivaldo Luiz
Rossato assumiu o Comando da Aeronáutica, em
janeiro de 2015. Desde então, a instituição está
passando por uma reorganização administrativa
e operacional, que visa à melhoria contínua dos
processos e ao aumento da efetividade dos recursos
disponíveis para a Força. Ao completar mil dias à frente da
Instituição, o Comandante avalia como a implementação
de projetos estratégicos como o Satélite Geoestacionário de
Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), o Gripen NG e
o KC-390 vai contribuir para aprimorar nossas capacidades
operacionais, garantir a soberania do espaço aéreo brasileiro e
integrar nosso território, de acordo com a Estratégia Nacional
de Defesa. Além disso, nesta entrevista, o Tenente-Brigadeiro
Rossato fala sobre as perspectivas de Comando para o próximo
ano. “Nossa expectativa é continuar o processo de renovação
e consolidar novos conceitos”, afirma o Comandante.
TENENTE JORNALISTA EMÍLIA MARIA

8 Out/Nov/Dez/2017 Aerovisão
Ao completar mil dias no Comando
da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro
Rossato fala sobre o processo de Re-
estruturação da FAB e os principais
objetivos alcançados

Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea

Aerovisão Out/Nov/Dez/2017 9
O senhor completa mil dias de Co- dessas organizações para que foquem aliado ao processo de Reestruturação?
mando no mês de outubro com grande em sua atividade principal. Estamos falando em tecnologia.
parte deles dedicados à Reestruturação Minha avaliação, portanto, é de A tecnologia é justamente um dos
da Força. É possível fazer uma avalia- que os objetivos, gradativamente, principais aspectos que viabilizam a
ção dos principais objetivos alcança- serão alcançados e as adaptações te- Reestruturação, pelo uso de sistemas
dos até agora com esse processo? rão continuidade, já que o processo e Tecnologia da Informação (TI) em
A Reestruturação da Força Aérea, larga escala. A operação destes novos
diferente do que muitas pessoas pen- e complexos sistemas de armas exige
sam, não é algo recente. Ela já vem “Não podemos jamais uma Força com amplo domínio dos
sendo pensada há alguns anos e, após processos, mais leve na estrutura, mais
muito estudo, começou a ser colocada esquecer a razão focada na atividade-fim, mais profis-
em prática no ano passado. Entre os sionalizada nas áreas específicas, sejam
principais objetivos dessas mudanças, da necessidade de administrativas ou operacionais. Caso
que buscam garantir a perenidade e a não consigamos esta evolução, pouco
evolução da FAB, estão a reorganização termos uma estrutura poderemos extrair destes modernos
administrativa e operacional da Força e equipamentos. Os novos sistemas de ar-
a concentração das atividades adminis-
trativas. Buscamos a melhoria contínua
organizacional mas que estamos implantando são mais
eficientes e estão de acordo com a nova
dos processos e o aumento da efetivida-
de dos recursos disponibilizados para
moderna e eficiente” Estratégia Nacional de Defesa (END).
Neste diapasão, a reestruturação leva
a Força, sejam humanos ou materiais. em conta a distribuição de nossas Uni-
Com isso, visamos ao aumento da de Reestruturação é algo dinâmico e dades no território de forma otimizada.
eficiência em função da concentração estamos buscando correções ao longo O avanço das tecnologias no setor
de mão de obra qualificada, cultura de sua implantação. aéreo e, consequentemente, os ganhos
organizacional, padronização de pro- operacionais que obtivemos e conti-
cedimentos, economia nas aquisições Como o senhor avalia o reapare- nuamos obtendo com a aquisição de
e contratações de serviços, além do lhamento da FAB, como a aquisição novos vetores, nos permite trabalhar
pleno atendimento das expectativas das do Gripen NG e do KC-390, além da de maneira diferenciada a questão
organizações apoiadas e a desoneração modernização de outras aeronaves, territorial. A velocidade e a autonomia

A Reestruturação da FAB ganhou


forças quando o Tenente-Brigadeiro
Rossato assumiu o Comando da
Aeronáutica, em janeiro de 2015. As
mudanças visam garantir a reorga-
nização e a evolução da Força Aérea

Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea

10 Out/Nov/Dez/2017 Aerovisão
Comandante da Aeronáutica durante
o lançamento do SGDC, em maio. O
satélite, que é monitorado pela FAB,
garante segurança nas comunicações
e amplia a capacidade operacional das
Forças Armadas brasileiras

Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea


das aeronaves que passaremos a ter re- armas com alta tecnologia, capazes de nais farão o papel que nos cabe, ou seja,
duzirão nossas limitações e poderemos cumprir uma variada gama de missões proteger nosso patrimônio. O poder
conseguir alcançar satisfatoriamente e pessoal com alta capacitação. Nosso aéreo é o principal meio de dissua-
o que se espera de uma Força Aérea País é gigantesco, com riquezas quase são, garantidor de nosso patrimônio,
– como a defesa do espaço aéreo, as infinitas, áreas de baixa densidade guardião de nossa soberania. Devemos
missões humanitárias ou de resgate – estar sempre preparados, ocupar nos-
ainda que o esquadrão acionado esteja sos espaços, instalar a infraestrutura e
distante geograficamente.
No caso das aeronaves citadas, o
“O poder aéreo é o integrar plenamente nosso País.

KC-390 será a espinha dorsal da nossa


Aviação de Transporte. Da Amazônia
principal meio de dissu- O lançamento do Satélite Geoes-
tacionário de Defesa e Comunicações
à Antártida, a frota terá um papel Estratégicas (SGDC), este ano, voltou
fundamental para os mais diversos asão, garantidor de nos- as atenções do País e do mundo para
projetos do Estado brasileiro, da a inserção do Brasil na era espacial.
pesquisa científica à manutenção da so patrimônio, guardião O senhor poderia avaliar a partici-
soberania. Essa aquisição, aliada à do pação da FAB no programa espacial
Gripen NG, aprimora nossas capaci- de nossa soberania” brasileiro?
dades operacionais e fortalece os ali- Dentro da Estratégia Nacional de
cerces necessários para a garantia da Defesa (END), a área espacial é atribui-
soberania do espaço aéreo brasileiro. populacional, grandes florestas e água ção da Força Aérea. Devemos integrar
Não podemos jamais esquecer a em abundância. Este conjunto desperta as atividades espaciais, pois o monitora-
razão da necessidade de termos uma a cobiça internacional e não podemos mento e o uso do espaço são condições
estrutura organizacional moderna e ser ingênuos e acreditar que somente a indispensáveis para o cumprimento
eficiente, equipamentos e sistemas de diplomacia ou organismos internacio- das tarefas da Marinha, do Exército

Aerovisão Out/Nov/Dez/2017 11
e da Força Aérea. As possibilidades aeronaves para essas missões? diferença para muitos brasileiros.
oferecidas pelo uso de satélites óticos, Nosso País é carente de meios de
radar, de comunicações e de geoposi- transporte rodoviário, ferroviário e Ainda falando de missões voltadas
cionamento nos permitem um aumento aéreo, necessitando do poder público à ajuda humanitária, foram realizadas
significativo da consciência situacional para atendimento de certas necessi- muitas operações acionadas a partir de
de todo nosso território, como as áre- dades críticas como no transporte de desastres naturais ou acidentes, como
as de fronteiras e as áreas marítimas. órgãos. Este sempre foi um anseio da o incêndio no Chile em janeiro deste
Permite-nos, também, o uso dual como sociedade, o qual cumpríamos apenas ano, a enchente no Peru em março e
no controle ambiental, planejamento da com nossos próprios recursos de horas o resgate das vítimas do acidente da
malha rodoviária, planejamento urbano de voo, na medida do possível. Entre- Chapecoense no fim de 2016. O senhor
das grandes cidades e uso intensivo na tanto, após o Decreto Presidencial e a acredita que esse papel solidário da
agricultura, entre outras oportunidades. assinatura de um acordo com o Minis- FAB é uma referência?
Pelas responsabilidades que a END tério da Saúde para ressarcimento dos Sim. Acredito que não só a FAB,
nos atribuiu, e avaliando quantitati- custos das horas voadas, nossa atuação mas o Brasil tem um histórico de soli-
vamente os resultados que o Brasil pôde ser ampliada. Assim, qualquer dariedade, de sempre estar à disposição
alcançou até hoje na área espacial, foi esquadrão da FAB pode ser acionado dos vizinhos quando necessitam. No
elaborado um estudo envolvendo o caso das missões de ajuda aos outros
Ministério da Defesa e o Ministério países, isso demonstra a amizade e a
de Ciência, Tecnologia, Inovação e “As possibilidades diplomacia que existem na América
do Sul e isso é, claramente, recíproco.
Comunicações (MCTIC) e apresentada
a proposta de um novo modelo de go-
vernança desta importante área para a
oferecidas pelo uso O apoio que os brasileiros tiveram na
Colômbia, após o acidente com o avião
soberania de nosso País. A partir desta
nova estrutura, esperamos que seja
de satélites óticos que transportava a equipe da Chapeco-
ense, e o tratamento que recebemos até
possível dar um novo impulso na área hoje naquele país, são provas de que a
espacial, definindo necessidades, custos nos permitem um solidariedade não é exclusiva do Brasil.
e prazos para nosso programa espacial. É importante ressaltar, ainda, que
Quanto ao SGDC, citado na per- aumento significativo nossos militares atuam nesse tipo de mis-
gunta, trata-se de um satélite de órbita são sempre que necessário e quando acio-
geoestacionária, exclusivamente bra- da consciência nados pela Presidência da República ou
sileiro. Foi fabricado e lançado pelos pelo Ministério da Defesa, inclusive nos
franceses e está localizado sobre o Bra- situacional de todo resgates ou atendimentos aos brasileiros.
sil a 36.000 km de distância. O SGDC
está pronto para ampliar significativa-
mente a capacidade de comunicações
nosso território” Na reestruturação da Força Aérea
foi adicionada à Missão da FAB a ativi-
militares (o D do SGDC) que utilizam dade de integrar o território brasileiro
25% da capacidade do satélite. Os dependendo do trajeto em que o órgão – “Manter a soberania do espaço aéreo
outros 75% do satélite (o C do SGDC) precise ser transportado. Fruto disso, os e integrar o território nacional, com
futuramente serão utilizados por todos aviões da FAB já transportaram mais de vistas à defesa da Pátria“. O senhor
os brasileiros através da denominada 300 órgãos em missões que chegaram a diria que essa mudança oficializa algo
“banda larga”, principalmente em mais de 2.000 horas de voo até agora. que já vinha sendo realizado?
regiões remotas, desassistidas pelas Assim, além de estarmos cumprin- Com certeza. As missões de inte-
empresas que exploram este tipo de do essas missões que salvam vidas, é gração não são operações subsidiárias
serviço de comunicação. possível perceber a motivação e a sen- e estão no mesmo nível da manutenção
sação de dever cumprido por parte dos da soberania do espaço aéreo. Essas
O Comando da Aeronáutica tam- nossos militares, sejam os pilotos, os missões fazem parte da FAB desde a
bém se destaca pelo expressivo au- mecânicos, os profissionais de saúde, a sua criação, em 1941, quando o Correio
mento do número de transporte de tripulação ou aqueles que trabalham na Aéreo Nacional (CAN) era responsável
órgãos. Embora essa não seja uma das coordenação e no apoio de solo. Cada pela entrega de correspondências em
atividades-fim da Força Aérea Brasilei- envolvido nessas missões tem a certeza todas as regiões do Brasil.
ra, como o senhor vê a utilização das de que seu trabalho faz uma grande Além disso, o apoio da FAB na

12 Out/Nov/Dez/2017 Aerovisão
Amazônia, seja levando mantimentos
aos Pelotões de Fronteira, seja reali-
zando transporte de doentes e feridos
de locais isolados a hospitais, é algo

Sargento Alexandre Manfrim / Agência Força Aérea


também realizado há muito tempo. O
próprio transporte de órgãos, de que
já falamos, ou o transporte de urnas
durante as eleições para comunidades
mais afastadas, tudo isso faz parte da
integração do território nacional e, em
um país com as dimensões continen-
tais do Brasil, a FAB cumpre muito
bem este papel.

Empresa Altave / internet


Quais as perspectivas de Comando
para o próximo ano?
Para 2018, a consciência das difi-
culdades políticas e econômicas pelas
quais passa nosso País não deve afetar
nossa vontade de construir uma Força
Aérea melhor. Devemos aproveitar este
momento de transição na recuperação
econômica para nos prepararmos para
O reaparelhamento da Força Aérea
o futuro. Nossa expectativa é continuar
traz ganhos operacionais e incentiva
o processo de renovação e consolidar a formação e a capacitação dos mili-
novos conceitos. Estaremos também tares, para que todo o efetivo esteja
implementando fortemente a área de apto a operar as novas tecnologias
inseridas na FAB
formação e capacitação para que nosso
efetivo acompanhe as novas tecnologias
inseridas na Força Aérea, por meio responsabilidade dentro do Ministério
de novos equipamentos e sistemas
de armamentos. Nossos programas
“Um país com da Defesa e que precisa de um impulso
para se tornar realidade. Nós o faremos.
de formação e pós-graduação estão
se adequando às novas necessidades. as dimensões Na área de divulgação da Força
Aérea, pretendemos conscientizar
Além disso, cursos de especialização, nossa população com a campanha
mestrado e doutorado serão incenti- continentais do Brasil “Dimensão 22”, que se refere aos 22
vados para que a qualidade de nossos milhões de quilômetros quadrados de
militares faça a diferença. necessita de uma território e espaço aéreo pelos quais a
Também acredito que os dois pro- FAB é responsável na defesa, controle
jetos fundamentais para o futuro da instituição pública e integração. É um tema importante
Força Aérea estão mais próximos da que queremos abordar e divulgar de
realidade. A entrada em operação do que cumpra esse papel maneira clara para toda a sociedade
KC-390, prevista para a metade de 2018, brasileira. Trata-se de um cenário imen-
vai incrementar nossa aviação de trans-
porte com a possibilidade de execução
de integração” so e que nos dá a dimensão da grandeza
da atuação da Força Aérea.
de uma ampla gama de missões. Pen- Então, as perspectivas são coe-
sando um pouco mais à frente, temos da próxima década será um salto signi- rentes com o momento atual e estou
um grupo de oficiais especialmente ficativo para a nossa Aviação de Caça. certo de continuar contando com a
designados para planejar a implantação Não podemos deixar de citar também a compreensão, o comprometimento, a
do Gripen NG em Anápolis (GO). A questão espacial, estratégica – atividade lealdade e o empenho de todo o efetivo
implantação desta aeronave no início indispensável – que está sob a nossa no cumprimento de suas missões.

Aerovisão Out/Nov/Dez/2017 13
MISSÃO DE PAZ DA ONU

Zbogom, Haiti!
Mais de treze anos após a chegada dos primeiros militares
brasileiros para compor a Missão das Nações Unidas para a
Estabilização do Haiti (MINUSTAH), é hora de dizer adeus
– ou zbogom, em creolo haitiano. Para o Brasil, e, em especial,
para a Força Aérea Brasileira, trata-se do fim de um ciclo, que
trouxe experiência e amadurecimento para futuras atuações
em missões de paz
TENENTE JORNALISTA GABRIELLI DALA VECHIA

Menino haitiano acena para soldado


fotógrafo da Força Aérea Brasileira
após distribuição de água e alimen-
tos feita pelos militares logo depois
do terremoto que assolou o país em
2010 e matou mais de 300 mil pes-
soas: há esperança em meio ao caos

14 Out/Nov/Dez/2017 Aerovisão
Aerovisão
Out/Nov/Dez/2017
Soldado Sérgio Kremer / Agência Força Aérea

15
E
ra 2004 quando o primeiro avião
da Força Aérea Brasileira (FAB),
à época um KC-137 (Boeing 707),
tocou o solo haitiano pela primeira vez.
A missão era realizar o transporte de
tropas e suprimentos que viabilizariam
a participação de militares brasileiros
na Missão das Nações Unidas para
Estabilização do Haiti (MINUSTAH).
Àquela altura, nem se imaginavam os

Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea


contornos que esse envolvimento toma-
ria ao longo de mais de 13 anos: o apoio
a cada semestre se transformou em
uma ponte aérea durante os primeiros
meses após o terremoto de 2010, envio
de hospital de campanha e, desde 2011,
composição das tropas de infantaria.
Em abril de 2017, em decisão unâ-
nime do Conselho de Segurança da
ONU, foram decretados o fim da mis-
são e o início da desmobilização – que
aconteceriam gradualmente até 15 de
outubro. Para o contingente brasileiro,
que teve envolvimento do primeiro
ao último dia, a data final foi 31 de
agosto: ao longo desses anos, cerca de
37.500 militares das Forças Armadas
brasileiras compuseram a missão no

Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea


Haiti, sendo que todo o componente
militar da MINUSTAH sempre esteve
subordinado a um Oficial-General do
Exército Brasileiro.
A participação da FAB começou
com a troca semestral de contingente
e ressuprimento, segundo explica o
Coronel da reserva Nelson Augusto
Bacellar. Ele defendeu uma disserta-
ção de mestrado sobre a importância
de a FAB possuir uma aeronave de
transporte estratégica para o apoio ao
Haiti. “Diferentemente de outros países
atuantes na MINUSTAH, que realizam
revezamento anual dos seus militares,
o Brasil optou por fazê-lo a cada seis
meses. Isso exigiu um grande esforço da
Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea

FAB”, afirma. O Oficial explica que essa

O esforço aéreo da FAB somou


mais de 12 mil horas voadas em
prol do Haiti, seis mil toneladas
de cargas transportadas e em
torno de 64 mil passageiros

16 Out/Nov/Dez/2017 Aerovisão
escolha foi motivada por fatores como apoiar e suprir sua tropa no Haiti. Ao das quais, 18 militares que atuavam na
obter melhor desempenho operacional, longo do período, foram utilizados o missão. Com isso, a situação, que já era
oferecer oportunidade para um número KC-137 (Boeing 707), o C-130 Hércules, crítica e levou a ONU a interferir, ficou
maior de militares, evitar desgastes e o C-105 Amazonas, o C-99 e, a partir ainda mais grave. Em visita ao local do
outras complicações decorrentes da de 2016, o C-767 (Boeing 767). De 2004 desastre, o então Presidente Lula decla-
exposição continuada a uma situação a 2017, foram mais de 12 mil horas rou que “todos os países, dos maiores
extrema. Essa é a postura brasileira voadas, mais de 6 mil toneladas de aos menores, estavam dispostos a fazer
desde a primeira vez que o País partici- cargas transportadas e em torno de 64 todo e qualquer sacrifício para ajudar
pou, com tropas, de uma missão de paz: mil passageiros transportados. o Haiti”. E isso exigiu outros envolvi-
a UNEF I, em 1957, no Canal de Suez. Mas o que começou, para a FAB, mentos da Força.
Segundo o Coronel de Infantaria da como apoio aerologístico, adquiriu ou- O atual Comandante da Ala 11 (área
Aeronáutica Josbecasi Moreira Lima, tras dimensões a partir de 2010. O país do Galeão, no Rio de Janeiro), Briga-
que atua na Subchefia de Operações caribenho sofreu, em 12 de janeiro de deiro do Ar Mozart de Oliveira Farias,
de Paz do Ministério da Defesa, o 2010, um terremoto de alta magnitude era piloto do Esquadrão Corsário (2º/2º
Brasil foi o único país da América do (7 graus na escala Richter), em que, se- GAV) em janeiro de 2010. A bordo do
Sul que sempre utilizou suas próprias gundo dados oficiais, 316 mil pessoas KC-137, o aviador sobrevoava o mar do
aeronaves militares para movimentar, morreram – entre elas, 22 brasileiros, Caribe, com pouso previsto para dali

A distribuição de água e alimentos


que chegavam por intermédio de

Soldado Sérgio Kremer / Agência Força Aérea


doações de outros países era uma
das atividades cotidianas das Forças
Armadas brasileiras

Aerovisão Out/Nov/Dez/2017 17
a uma hora e meia em Porto Príncipe, incessante. Trabalhávamos em turnos dimento à vítima do terremoto.
capital haitiana. Ele fazia o primeiro dos para disponibilizar e não interromper Em um primeiro momento, as
dez voos previstos para aquela troca de o fluxo de saída dos C-130 Hércules e equipes de saúde estavam focadas
contingente. Pelo controle de tráfego do KC-137. Um verdadeiro esforço de em procedimentos cirúrgicos e
aéreo, foi informado de que os planos guerra”, relembra o Brigadeiro Mozart. ortopédicos emergenciais. Depois,
haviam mudado. “Não imaginávamos Um dos primeiros voos levou a passaram a tratar sequelas e mo-
que aquilo poderia estar acontecendo, bordo um Hospital de Campanha léstias pré-existentes, como des-
até termos a confirmação de que várias (HCAMP). O Coronel Médico da re- nutrição e doenças contagiosas.
aeronaves na área já estavam sendo serva Roberto Thury, que hoje atua na “Os pais ofereciam os filhos para
desviadas para outras localidades e Diretoria de Saúde (DIRSA), esteve que levássemos embora, isso doía
que a palavra earthquake [terremoto] era à frente desta missão. Segundo ele, o demais. Tivemos de equilibrar um
pronunciada a todo o momento pelos hospital chegou ao local 72h após o atendimento com amor, com um
pilotos e órgãos de controle. Por pouco, terremoto e as equipes de saúde fizeram pouco de distanciamento, para
não presenciamos in loco o terremoto”, 11 mil atendimentos durante os cinco evitar isso”, relembra o Major
relembra o piloto. meses que lá permaneceram – o que Farias.
O rodízio foi cancelado e deu dá uma média de 73 pacientes por dia. Também era da Força Aérea
lugar a uma verdadeira ponte-aérea “Quando chegamos, o cenário era de Brasileira a primeira equipe de
Brasil-Haiti, voltada para a ajuda hu- total desolação. Havia, na garagem do comunicação que chegou ao local
manitária, que durou seis meses. Só BRABAT [Batalhão Brasileiro de Força após a tragédia, para mostrar ao
nesse período, foram 219 voos, conta- de Paz], mais de 50 pessoas acomoda- mundo suas dimensões. Isso por-
bilizando mais de 4 mil horas voadas das em instalações improvisadas. Foi que, com os danos à estrutura aero-
em prol do Haiti. Isso corresponde a a missão mais próxima de uma ação portuária e o aumento no fluxo de
24 voltas ao redor da Terra. Em termos beligerante que o HCAMP da FAB já aeronaves militares que chegavam
de transporte, somaram-se quase 5 mil participou”, conta o Coronel. para prestar ajuda – que era uma
pessoas e em torno de 1.900 toneladas Na foto abaixo, o hoje Major Médico média diária de cem nos primeiros
de carga. “A rotina de trabalho era Marco Antônio de Farias fazia um aten- dias – não havia modo de os órgãos

Cabo Silva Lopes / Agência Força Aérea


Major Farias (à esquerda, utilizando
estetoscópio) atende criança vítima
do terremoto no Haiti em Hospital de
Campanha da Força Aérea

18 Out/Nov/Dez/2017 Aerovisão
Soldado Sérgio Kremer / Agência Força Aérea
Soldado Sérgio Kremer / Agência Força Aérea
Soldado Sérgio Kremer / Agência Força Aérea

Registros de moradores haitianos logo após o terremoto, considerado uma


das maiores tragédias humanitárias do século. Antes do desastre, o país
caribenho já apresentava altos índices de violência e instabilidade política

de imprensa acessarem o país. perceber o tamanho do estrago, era milhares de cliques e enquadramentos,
O então Soldado Sérgio Kremer tudo uma massa acinzentada, não dava ele escolhe uma que fala de esperança:
relembra que estava em casa, jantando, para distinguir nenhuma construção. um menino que, com fardos de água
quando soube pela televisão sobre o No translado até a sede do batalhão que acabara de ganhar, acenava e sorria
terremoto e imaginou que poderia ser brasileiro, tivemos uma real imersão no para a câmera (foto da página 15).
acionado, pois servia como fotógrafo no que havia acontecido. A cidade parecia
Centro de Comunicação Social da Ae- que tinha sido bombardeada, quase Ajuda também em solo
ronáutica (CECOMSAER). Sua intuição nada estava em pé. As pessoas anda- Embora a FAB tenha participado
não falhou: a ligação convocando para a vam na rua de um lado para o outro, da MINUSTAH desde o início com o
viagem veio no dia seguinte, logo cedo: havia medo no olhar delas”, relembra. apoio aéreo, um ano após o terremo-
ele, um jornalista e um cinegrafista O fotógrafo conta que se surpreen- to, engajou-se também em outro front
pegariam carona em um C-130 Hércu- deu com o carinho do povo haitiano pe- de batalha: de 2011 a 2017, passou
les que partiria no mesmo dia rumo à los militares brasileiros – chamados de a compor as tropas de infantaria do
capital haitiana, levando alimentos e bon bagay pelos moradores locais, que batalhão brasileiro. Nesse período,
remédios. “O avião estava tão cheio significa ‘gente boa’ em creolo haitiano. aproximadamente 300 militares se
que fomos sentados em cima das caixas. “A ajuda dos outros países foi funda- revezaram no Haiti.
Não dava nem para ficar sentado com mental ao Haiti, caso contrário, eles Segundo o Brigadeiro de Infantaria
a coluna ereta, pois não tinha espaço”, não teriam água para beber. Eles não da Aeronáutica Luiz Cláudio Topan, foi
explica Sérgio. tinham um governo forte e subsistiam uma iniciativa que surgiu da própria
O que era para ser um bate-volta do turismo. Aqui no Brasil, as pessoas Força Aérea, já que o tipo de missão
acabou virando uma estada de doze não fazem ideia do quanto os nossos desenvolvido era muito semelhante
dias e gerando mais de 5 mil fotos militares trabalharam e como isso foi às atividades de Garantia da Lei e da
sobre a situação do país. “Quando nos fundamental”, avalia ele. Questionado Ordem (GLO). “Já incorporamos a ex-
aproximamos para pouso já deu para sobre qual a foto preferida dentre os periência nas missões de GLO de que

Aerovisão Out/Nov/Dez/2017 19
Tenente-Coronel Edison Cassio Aguirre de Souza
Sobrevoo em áreas na região norte do Haiti
mostra os alagamentos causados pela passagem
do Furacão Irma no país. Tropas foram deslo-
cadas para avaliar a situação do local

Momentos antes do embarque,


o emocionado abraço do militar,

Sargento Alexandre Manfrim / Agência Força Aérea


que despede-se da família para
cumprir sua missão no Haiti

20 Out/Nov/Dez/2017 Aerovisão
participamos e estamos incluindo nas Segundo o Tenente-Coronel Médico se”, explicou o Tenente-Coronel Aguirre.
atividades de Polícia de Aeronáutica Edison Cassio Aguirre de Souza, que
e Segurança de Instalações”, explica o esteve no último contingente brasileiro Encerra-se um ciclo, mas...
Oficial-General. e era o único militar da FAB no Estado- Apesar do fim do ciclo no Haiti, a
Foram obtidos ganhos operacionais -Maior da missão à época do furacão, a Força Aérea Brasileira segue atuando
em aspectos técnicos e procedimentais, experiência do General que está à frente em missões de paz da ONU por meio
como domínio de determinados equipa- da MINUSTAH foi essencial. Ocupando de observadores e assessores (staff officer)
mentos, uso de armamento não letal, via- o cargo de Force Comander, o General do individuais. Atualmente, seis oficiais
turas operacionais e operações conjuntas Exército Brasileiro Ajax Porto Pinheiro, da Força estão distribuídos entre Saara
com aeronaves remotamente pilotadas. já havia tido a experiência com o Fura- Ocidental e diferentes regiões do Sudão.
“Tivemos pleno sucesso naquilo que cão Matthew, em 2016, que deixou 800 Segundo explica o Major de Infan-
a gente pretendia no Haiti. As metas mortos no Haiti. Portanto, assim que taria da Aeronáutica Jarbas de França
foram 100% atendidas. Mas o tempo os órgãos de monitoramento climático Holanda, que atua em uma célula
passa e precisamos nos manter ativos na indicaram a chegada do Irma à região ligada a missões de paz no Comando
participação em missões de paz”, avalia. norte do país, foram enviados dois ba- de Preparo (COMPREP), o Brasil está se
talhões de militares brasileiros para lá. articulando para não interromper seu
Mais um capítulo de ajuda: Fura- “O furacão desviou e não tiveram apoio à ONU. Por isso, apresentou os
cão Irma muitos danos, apenas enchentes. Ainda meios de suas Forças Armadas ao Sis-
Já durante o processo de desmobili- assim, as tropas foram deslocadas para o tema de Prontidão de Capacidades de
zação das tropas, ou seja, enquanto os norte do país, a fim de avaliar a situação Manutenção da Paz das Nações Unidas.
países se preparavam para retirar suas e ter certeza. Estávamos prontos para dar “Ainda não se sabe para qual missão
tropas do Haiti, uma nova surpresa uma resposta imediata se necessário fos- o Brasil pode ser convidado pela ONU.
exigiu pronta-resposta dos peacekeepers: Enquanto isso, a Força Aérea tem feito
considerado, inicialmente, furacão de estudos relacionados às necessidades de
categoria 5, o Irma atingiu o país, assim material e de pessoal, bem como naquilo
como toda a área do Caribe e sul que concerne à logística de aeronaves”,
dos Estados Unidos. afirma o Major França.

Tereza Sobreira

Embarque do último contingente brasileiro


no Boeing 767 da FAB para a Missão das
Nações Unidas para Estabilização do Haiti
(MINUSTAH) que durou mais de 13 anos

Aerovisão Out/Nov/Dez/2017 21
AVIADORES

Quem quer ser


piloto da FAB?
Entenda como é a formação do aviador da Força
Aérea Brasileira (FAB), que pode começar os
estudos na Escola Preparatória de Cadetes do
Ar ou na Academia da Força Aérea, passa pelos
esquadrões de especialização em Natal (RN) e,
depois, chega aos esquadrões operacionais em
todas as regiões do País
TENENTE JORNALISTA JOÃO ELIAS

22 Out/Nov/Dez/2017 Aerovisão
Tenente Cleber Nichelli

Foto do Tenente Cleber Nichelli realizando ação


de patrulhamento aéreo nas imediações de Campo
Grande (MS), a bordo de um A-29 Super Tucano

Aerovisão Out/Nov/Dez/2017 23
Na Academia da Força Aérea, o Cadete recebe
instruções militares e acadêmicas. Ao se for-
mar, torna-se Aspirante a Oficial e segue para
Natal (RN), onde recebe instruções na aviação
de combate escolhida

Q
uem sonha em se tornar pilo- curso, tiveram as maiores notas e foram to ano. O primeiro avião a ser voado é o
to da Força Aérea Brasileira aprovados no TAPMIL. T-25, no segundo ano, em que os cadetes
(FAB) precisa, inicialmente, Esse é o caso do Cadete Aviador aprendem as regras elementares do voo,
passar na seleção para o Curso de For- Rodrigo Moreira de Brito Macedo além de fazer manobras e acrobacias. No
mação de Oficiais Aviadores (CFOAV) que, em 2011, entrou na EPCAR e, quarto ano, é utilizado T-27 Tucano, que
da Academia da Força Aérea (AFA), atualmente, está no quarto ano da voa mais rápido e mais alto.
localizada em Pirassununga, a 210 AFA. “Meu pai é Coronel Aviador da
Km da capital paulista. A disputa por reserva; eu sempre admirei o trabalho O Programa de Especialização
uma vaga na AFA é tão concorrida dele e quis seguir os mesmos passos. Operacional
quanto o curso de medicina em uma Quando fiquei sabendo da EPCAR, Ao se formar na AFA, os cadetes se
universidade pública. O candidato resolvi me preparar para o exame de tornam Aspirante a Oficial e seguem
tem que enfrentar provas teóricas, lá. Ao final do curso, fiz os testes neces- para a cidade de Natal (RN), onde
além de testes físico, psicológico e sários e entrei direto na AFA”, diz ele. passam um ano recebendo instruções
de saúde. Ele também realiza o Teste O curso na Academia da Força no Programa de Especialização Opera-
de Aptidão para Pilotagem Militar, Aérea é realizado em regime de inter- cional (PESOP) na aviação de combate
conhecido como TAPMIL, em que é nato. O aluno tem instruções militares escolhida ao final do quarto ano da
avaliado o potencial psicomotor para e acadêmicas. Ao final dos quatro anos, academia: Caça; Asas Rotativas; Trans-
a pilotagem e, também, habilidades é conferida a graduação de Bacharel porte; Patrulha ou Reconhecimento.
cognitivas, como a atenção e o racio- em Administração, com ênfase em Ad- O PESOP é coordenado adminis-
cínio espacial. ministração Pública; e de Bacharel em trativamente pela Ala 10 e operacio-
A FAB também possui uma Escola Ciências Aeronáuticas, com habilitação nalmente pelo Grupo de Instrução Tá-
de Ensino Médio, a Escola Preparatória em Aviação Militar. tica e Especializada (GITE) e pelas três
de Cadetes do Ar (EPCAR), localizada Para realizar o primeiro voo, os Ca- unidades aéreas sediadas em Natal. De
em Barbacena, no interior de Minas detes se dedicam, inicialmente, a estudar janeiro a março, os estagiários passam
Gerais. Quem cursa a EPCAR não pre- manuais de aeronaves e de procedimen- pelo Curso de Tática Aérea (CTATAE),
cisa fazer um novo exame de admissão tos de voo. Ele tem que saber toda a teoria no GITE, em que aprendem os princí-
para a AFA, porque parte das vagas é antes de começar as instruções práticas, pios e orientações teóricas necessárias
reservada aos alunos que, ao final do que são realizadas no segundo e no quar- para atuar em combate. O curso, tam-

24 Out/Nov/Dez/2017 Aerovisão
Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea
bém, prepara o Aspirante para assumir básica e outra avançada. A primeira de oxigênio; de proteção contra gelo; de
responsabilidades como Oficial da FAB. consiste na adaptação ao tipo de aero- navegação; de comunicação; etc).
Depois, são encaminhados para os nave a ser voada na aviação escolhida “Quando o Aspirante chega a Natal,
esquadrões de acordo com a aviação: e pode ter uma exigência cognitiva a adaptação dele ao avião em si, ele tira
Esquadrão Joker (2º/5º GAV) prepara os maior, por conta da quantidade e com- de letra. A dificuldade maior é a parte
pilotos da Aviação de Caça; Esquadrão plexidade dos sistemas embarcados modernizada, a parte da aviônica em-
Rumba (1º/5º GAV) capacita os pilotos a serem operados, como é o caso dos barcada, os sistemas eletrônicos do avião
de Transporte, Patrulha e Reconheci- bimotores. Na parte avançada do cur- que precisam ser operados”, explica
mento; e o Esquadrão Gavião (1º/11º so, os estagiários aprendem as missões o Instrutor da Aviação de Transporte,
GAV) é responsável pela formação dos específicas de cada aviação como, por Capitão Emanuel do Socorro Verderosa
pilotos de Asas Rotativas (helicópteros). exemplo, missões de combate (dogfi- Santos. “Se antigamente o piloto não
Para o Aspirante Matheus Albuquer- ght), tiro aéreo, emprego de armamen- tinha que saber operar tantos sistemas,
que Brum dos Santos, que faz o Curso de to (ar-solo), reconhecimento e busca. o voo em si era muito mais suado, muito
Especialização Operacional de Asas Ro- As aeronaves utilizadas no treina- mais trabalhoso, porque ele precisava
tativas, o que mais marcou foi a transição mento são: A-29 Super Tucano, para os checar várias vezes o funcionamento
da vida de Cadete para Oficial. “Como aviadores de Caça; C-95 Bandeirante, da máquina. Hoje, o avião faz todo esse
Cadete, você tem atribuições que, apesar para os estagiários das aviações de trabalho, só que a preparação teórica é
de ter grandes responsabilidades, ainda Transporte, Reconhecimento e Patru- muito mais complexa, mais exigente,
está em processo de formação, então, o lha; e o H-50 Esquilo, para as Asas mas, uma vez que o piloto absorve isso, o
nível de orientação é muito maior que Rotativas. Cada Aspirante realiza, em voo é muito mais tranquilo, mais preciso
o de iniciativa. E, quando você chega ao média, 100 horas de voo durante o ano. e mais seguro”, complementa.
PESOP, passa a ter uma autonomia mui- As aeronaves modernas voadas pela Ao concluir o PESOP, o aviador
to maior. A gente precisa ter iniciativa, FAB chegam a embarcar cerca de 30 siste- é transferido para os esquadrões da
ser proativo, buscar o melhor caminho mas operacionais básicos, considerando FAB distribuídos em todo o País, de
para cumprir aquela missão”, explica. apenas os que o piloto deve estar apto acordo com a sua especialização (veja
Os Cursos de Especialização Ope- a operar (ex.: aviônica, que é a interface a arte), onde vão colocar em prática o
racional nos esquadrões são compos- piloto-aeronave; sistema de alerta; de que aprenderam na especialização, já
tos, basicamente, por duas fases, uma iluminação; de combustível; de freio; no contexto operacional.

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Subdivisão de Publicidade e Propaganda / CECOMSAER
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29
Subdivisão de Publicidade e Propaganda / CECOMSAER
INSTITUCIONAL

Dimensão 22:
o DNA da FAB
Conheça a nova campanha institucional da Força
Aérea Brasileira
CORONEL AVIADOR JOSÉ FREDERICO JÚNIOR

U
ma Força Aérea presente em
Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea

22 milhões de km². É assim


que a Força Aérea Brasileira, a
partir do mês de outubro, se apresenta
na Campanha Dimensão 22. Um con-
ceito moderno que sintetiza a respon-
sabilidade de atuação da instituição
no cumprimento da sua missão, em
sintonia com os desafios do futuro. Tem
em seu código genético o compromisso
de controlar, defender e integrar o País
numa dimensão muito maior que os li-
mites geográficos que ele possui. Muito
além do Monte Caburaí (RR) ao Chuí
(RS), alcançando dimensões espaciais.
Preparando-se para os 100 anos da
instituição, que serão comemorados em
2041, a campanha divulga a responsa-
bilidade da missão da FAB – “manter a
soberania do espaço aéreo e integrar o
território nacional, com vistas à defesa
da pátria”, representada nas ações de
controlar, defender e integrar que serão
amplamente divulgadas para toda a so-
ciedade, através de peças publicitárias
de cunho informativo.
A Força Aérea Brasileira é respon-
sável por defender o espaço aéreo, que
compreende os 8,5 milhões de km² de
extensão de todo o território brasileiro
somado à Zona Econômica Exclusiva
(ZEE) – que possui 3,5 milhões de km².
A ZEE se refere a uma faixa que vai da
região Sul a Norte, abrangendo também
toda a faixa litorânea do Atlântico.
As duas partes somadas totalizam 12
milhões km², que correspondem à área
de atuação das unidades operacionais
posicionadas em pontos estratégicos,

30 Out/Nov/Dez/2017 Aerovisão
Subdivisão de Publicidade e Propaganda / CECOMSAER
Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea

Em sintonia com os desafios do futu-


ro, a nova campanha da Força Aérea
Brasileira retrata o compromisso de
controle, defesa e integração do País

Aerovisão Out/Nov/Dez/2017 31
Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea
Desde 1944, a Força Aérea assumiu o compromisso internacional
de prestação de serviços de Busca e Salvamento, que alcança todo
o território nacional e parte do Oceano Atlântico

Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea

Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea

Uma nação protegida e integrada é resultado de um controle eficiente


do espaço aéreo. Para isso, são 12 mil profissionais acompanhando
rotas, monitorando o tráfego e garantindo a segurança das aeronaves

realizando a segurança nas fronteiras e um planejamento acurado, que já vem e as responsabilidades pela condução
garantindo a defesa da Pátria. sendo feito há algum tempo. Para o da aviação civil em todo o mundo logo
Além disso, em cumprimento aos Oficial-General, este é o momento de após o fim a Segunda Guerra Mundial.
acordos internacionais no que diz respei- esclarecer o tamanho da responsabili- Já naquela época, a Força Aérea Brasi-
to ao controle do espaço aéreo, a FAB é dade diária dos mais de 70 mil militares leira – recém-criada em 1941, assumiu o
responsável também por controlar voos e servidores civis, que estão preparados compromisso internacional de prestação
em mais de 10 milhões de km² sobre o para cumprir à risca a missão da FAB, de serviços de Busca e Salvamento (SAR,
Oceano Atlântico. Portanto, a Dimensão 24 horas por dia e 365 dias por ano. do inglês Search and Rescue) aos aviões
22 se refere à área total (12 mi km² + 10 “A Dimensão 22 é um conceito que comerciais que realizavam as rotas sobre
mi km²) sob a responsabilidade das ‘Asas demonstra o quanto nos empenhamos o Atlântico Sul e às aeronaves que cruza-
que protegem o País’: 22 milhões de km² para cumprir o nosso papel. Na questão vam todo o território brasileiro. Desde
– quase três vezes mais que o tamanho do controle do espaço aéreo, por exem- então, o serviço SAR se mantém nos 22
do Brasil, mais que o dobro da área do plo, é inimaginável a extensão do nosso milhões de quilômetros quadrados.
continente europeu. compromisso”, acrescenta. Devido a esse trabalho que trans-
Embora integrar o país nas regiões cende fronteiras até hoje, esquadrões
mais inóspitas seja um trabalho diário Controlar de Busca e Salvamento da FAB atuaram,
para os militares, desde a criação do Cor- A área de abrangência do controle por exemplo, em casos como o do Air
reio Aéreo Nacional (CAN) até os tempos de tráfego aéreo da FAB, que alcança France 447, em 2009, quando a aeronave
atuais, o conceito visa traduzir o quanto parte do Oceano Atlântico, começou que saiu do Rio de Janeiro com destino
a FAB quer fortalecer seu compromisso ainda no século passado. Em 1944, a Paris se acidentou com 228 pessoas a
com o Brasil em toda sua amplitude. países participantes da Convenção bordo em pleno Atlântico. Conseguir
De acordo com o Comandante da de Chicago criaram a Organização de identificar o ponto da queda do avião,
Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro Ni- Aviação Civil Internacional (OACI), que mesmo com todas as coordenadas ge-
valdo Luiz Rossato, a campanha exigiu ficaria encarregada de traçar as regras ográficas, exigiu um trabalho apurado

32 Out/Nov/Dez/2017 Aerovisão
Aerovisão
Out/Nov/Dez/2017
33
Subdivisão de Publicidade e Propaganda / CECOMSAER
34 Out/Nov/Dez/2017 Aerovisão
A campanha Dimensão 22 chega para consolidar o projeto
de Reestruturação da Força Aérea, que torna a FAB uma
instituição operacionalmente moderna para atuar de forma
integrada em defesa dos interesses nacionais

Subdivisão de Publicidade e Propaganda / CECOMSAER

Aerovisão Out/Nov/Dez/2017 35
36
Out/Nov/Dez/2017
Aerovisão
Subdivisão de Publicidade e Propaganda / CECOMSAER
das equipes SAR da FAB, que já se habi- fundamentais à população
tuaram com o trabalho de identificação carente em áreas inóspitas.
na terra e no mar.
Atualmente, o serviço de controle Futuro
é realizado por diversas torres de con- E é olhando para o
trole em aeródromos, Destacamentos futuro que a Força Aé-
de Controle do Espaço Aéreo (DTCEA) rea tem investido nos
distribuídos em vários pontos do país, programas de reapare-
além de quatro Centros Integrados de lhamento e moderniza-
Defesa Aérea e Controle de Tráfego ção de suas aeronaves.
Aéreo (CINDACTA). São 12 mil profis- A Campanha Dimensão
sionais acompanhando rotas, prestando 22 também contempla
serviços de informações aeronáuticas e Projetos Estratégicos da
garantindo o controle do tráfego aéreo. FAB, como a aeronave mi-
litar multimissão KC-390 –
Defender fabricado pela Embraer – e a
É utilizando toda a sua estrutura aquisição dos 36 caças Gripen NG.
de defesa aérea nas Aviações de Caça, Ambos vão permitir que a instituição
Transporte, Patrulha Marítima, Reco- esteja cada vez mais preparada para con- SAAB
nhecimento e de Asas Rotativas que tinuar mantendo o controle, a integração
a FAB cumpre um dos pilares de sua e a defesa do espaço aéreo.
missão. As unidades aéreas estão em “A Força Aérea deve ser uma insti- O Gripen NG faz parte do programa de
modernização da Força Aérea e será o
alerta permanente para que qualquer tuição ágil no planejamento e na execu- primeiro caça da FAB com tecnologia de
ameaça não coloque em risco a segu- ção de suas atividades, mas deve estar última geração
rança do País. sempre voltada para o cumprimento de
Alem da aviação, a instituição com- sua missão primária, que é empregar o vigilância da Amazônia e fronteiras;
plementa essas atividades com ações poder aéreo e espacial em proveito do patrulha marítima da Amazônia Azul;
terrestres de defesa antiaérea, contra- Brasil, e contribuir para o desenvolvi- busca e salvamento; telecomunicações;
terrorismo e de Garantia da Lei e da mento tecnológico do setor. O aprimo- inovações da agricultura; proteção am-
Ordem (GLO) na área em que lhe é ramento contínuo das ações estratégicas biental; meteorologia e urbanismo.
determinada: 12 milhões de km². de controle, defesa e integração do País Para o Comandante da Aeronáutica,
são essenciais para que a Força Aérea é impossível falar de futuro sem reco-
Integrar esteja preparada para os novos desafios, nhecer que a FAB é o resultado de todos
Ajuda humanitária, ações de saúde, sempre pensando nas gerações futuras”, que trabalham constantemente no desejo
construção de pistas, transporte de ór- ressalta o Tenente-Brigadeiro Rossato. de aprimorar a instituição. Do soldado
gãos em prol da vida de alguém. Todas Dentro do aspecto tridimensional do ao oficial-general, desde as escolas de
essas acões são feitas com aeronaves conceito de 22 milhões de km², a FAB formação ao mais alto posto do Alto-
da FAB por todo o Brasil. Pousar numa também tem se posicionado no setor -Comando, a Campanha Dimensão 22
área de difícil acesso, como numa aldeia aeroespacial. Ao lançar o Satélite Geo- é resultado do empenho constante de
indígena na Floresta Amazônica, exige a estacionário de Defesa e Comunicações todos os integrantes da FAB.
habilidade dos pilotos e a competência Estratégicas (SGDC), em maio deste ano, “A Dimensão 22 é a consolidação
de um batalhão de militares que apoia a instituição dá um passo importante da responsabilidade de atuação da
e ampara toda essa estrutura. rumo à independência tecnológica ae- Força Aérea Brasileira, uma instituição
Integrar sempre fez parte da missão roespacial do País. Ele é o primeiro de com grande capacidade dissuasória,
da FAB e, com a Campanha Dimensão vários satélites que compõem o Progra- operacionalmente moderna, que atua
22, deve se tornar algo evidente aos ma Estratégico de Sistemas Espaciais de forma integrada para a defesa dos
olhos da nação. Nos 8,5 milhões de km² (PESE), de uso dual, ou seja, que atuarão interesses nacionais, sustentada pelos
do nosso território, militares cruzam o tanto na área civil quanto na militar, pilares da Disciplina, Patriotismo,
país para garantir que, através de ações proporcionando vários benefícios na Integridade, Comprometimento e Pro-
cívico-sociais, transporte de urnas e ou- vida da população brasileira, como: fissionalismo”, pontua o Comandante
tros serviços, seja possível levar direitos defesa e segurança; monitoramento e da Aeronáutica.

Aerovisão Out/Nov/Dez/2017 37
EDUCAÇÃO E CIÊNCIA

Em parceria com o Ministério da


Educação (MEC), o ITA amplia
suas instalações visando formar
mais profissionais para o mercado
de engenharia e aeronáutica

38 Out/Nov/Dez/2017 Aerovisão
Expansão e
modernização
Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea

Centro de referência em ensino de engenharia


no Brasil, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica
(ITA) está com novas instalações e aumentou o
número de vagas
TENENTE JORNALISTA RAQUEL ALVES

Aerovisão Out/Nov/Dez/2017 39
A
obra de expansão, realizada em
parceria com o Ministério da
Educação (MEC), no Instituto “Estamos abrindo mais
Tecnológico de Aeronáutica, em São José
dos Campos (SP), resultou na ampliação oportunidades para os alu-
da área dos laboratórios, salas de aulas
e alojamentos para os estudantes, e no nos. Queremos que eles
aumento do número de vagas.
Com a ampliação das instalações, a sejam profissionais qua-
partir de 2018, a instituição de educação
e ensino superior do Comando da Ae- lificados para que o mer-
ronáutica, ofertará o dobro de vagas aos
interessados em ingressar nos cursos de cado enxergue-os como
graduação, nas modalidades de Enge-
nharia Aeronáutica, Eletrônica, Mecâni- engenheiros de qualidade”,
ca-Aeronáutica, Civil-Aeronáutica, Com-
putação e Aeroespacial. A expansão, que afirma o Reitor do ITA
já estava no plano de desenvolvimento
da instituição, surgiu da necessidade de
crescer e oferecer um maior número de Salas de aula amplas e modernas vão
oferecer a possibilidade de realizar telecon-
profissionais ao mercado de engenharia ferências para cursos internacionais, pro-
e aeronáutica no país. movendo intercâmbio de conhecimentos
“Desde sua criação, o ITA vem re-
formulando a ampliação do número de O projeto de ampliação das instalações do
vagas. O país e a indústria cresceram, ITA prevê novas salas de aula, laborató-
principalmente a área aeroespacial, e rios, bibliotecas, auditório e alojamento
para os estudantes
consequentemente, a demanda por pro-
fissionais aumentou”, destaca o Reitor
do ITA, Professor Doutor Anderson

Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea


Ribeiro Correia.
O vestibular da instituição é um dos
mais concorridos do Brasil. Por ano, o
ITA oferece 110 vagas para quase 12.500
candidatos. Já a Escola Politécnica da
USP, que também forma engenheiros,
oferece 870 vagas anualmente para
quase 10 mil concorrentes. O Instituto
Tecnológico de Aeronáutica já formou
cerca de 6.000 engenheiros desde a sua
fundação. Com as obras de expansão, as
vagas para seleção chegarão a 240.
Além do aumento do número de
vagas, o Instituto também ampliou o
espaço acadêmico. O projeto, que co-
Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea

meçou a ser executado em 2014, prevê


a construção de três novos prédios que
abrigarão novas salas de aula, laborató-
rios, biblioteca, auditório e alojamentos
para os estudantes. O investimento do
Ministério da Educação em recursos no
projeto foi de R$ 53 milhões.

40 Out/Nov/Dez/2017 Aerovisão
Outro ponto importante do projeto
de expansão trata da contratação de
80 professores, sendo que 60 serão
por meio de concurso público e 20 por

Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea


redistribuição de vagas adicionais de
universidades federais. Atualmente, o
ITA comporta 150 professores dentro
do quadro de profissionais de ensino.
“Esse incremento de profissionais trará
novas iniciativas e, também, troca de
experiências com os que já trabalham
no ITA”, enfatiza o reitor.
Além de incrementar o corpo do-
cente, o ITA está aplicando novos mé-
todos de ensino. Com a ampliação das
salas de aula, os alunos exercerão mais
as atividades práticas que as teóricas,
pois os espaços serão maiores e as áre-
as reconfiguradas, permitindo, assim,
que os alunos realizem trabalhos em
grupo com auxílio dos equipamentos.
“As salas que tínhamos eram pequenas
e não suportavam o número de alunos.
A ampliação vai nos permitir ter todo
o aparato para que os grupos possam
trabalhar nos projetos. Isso ajuda
muito na formação do engenheiro”,
esclarece o reitor.
A primeira fase do O ITA é a única escola de ensino
projeto de ampliação superior do Brasil que oferece aloja-
começou em 2014 mento para 100% dos alunos, modelo
que as universidades de engenharia
de outros países usam para manter o
aluno sempre próximo dos estudos.
Com a reforma, o alojamento, que
antes comportava 630 alunos, terá o
número de vagas ampliadas para 800.
Além dos alunos brasileiros, também
são usuários do alojamento os estu-
dantes estrangeiros (Portugal, Holanda,
França e Alemanha). Alunos de outras
universidades que fazem intercâmbio
no Instituto, por meio de convênio,
também poderão usar o espaço.

Construindo com responsabilidade


Oferecer estrutura adequada para
alunos e professores é o objetivo da
expansão do ITA. Salas de aula amplas
e modernas, possibilitando a realização
de teleconferências, e novos laborató-

Aerovisão Out/Nov/Dez/2017 41
Acervo ITA

Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea


Acervo ITA

As novas instalações do ITA foram projetadas com

Acervo ITA
soluções sustentáveis, para oferecer uma estrutura
adequada aos alunos e professores, mantendo o
projeto original elaborado por Oscar Niemeyer
Atualmente, a instituição oferece 110 vagas para
cursos de engenharia e tem um dos vestibulares
mais concorridos do Brasil. Com a ampliação, o
número de vagas para seleção deve chegar a 240

Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea

42 Out/Nov/Dez/2017 Aerovisão
Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea
Os novos laboratórios permitirão o aprimoramento de profissio-
nais nos cursos de graduação e pós-graduacão, voltados para as
áreas de engenharia e aeronáutica

Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea

rios, podendo receber mais alunos e Por determinação do Comando da Ae- de outras instituições parceiras, como
dispondo de mais equipamentos. Esses ronáutica, a obra foi fiscalizada por uma a Fundação Getúlio Vargas (FGV) e de
são elementos que trazem motivação aos Organização Militar (Comissão de Obras países como a França e a Holanda.
alunos e professores. do DCTA) criada e capacitada para acom-
A nova estrutura foi pensada com panhar todos os módulos da ampliação. Mestrado e Doutorado
responsabilidade. A área de 16 mil m² Os alunos de graduação do ITA
foi projetada com soluções sustentáveis O que muda no ensino podem também cursar o mestrado ou
e pensada de modo a manter o padrão Os benefícios da expansão e amplia- doutorado, em consonância com a gra-
das primeiras construções, elaboradas ção do ITA não serão apenas para os duação. “Estamos abrindo mais oportu-
pelo arquiteto Oscar Niemeyer, na dé- que cursam, mas também para os que nidades para os alunos. Queremos que
cada de 1940. estão se preparando para ingressar no eles sejam profissionais qualificados
Os espaços foram construídos com Instituto. Além de aumentar o número para que o mercado enxergue-os como
mais ventilação, área com maior apro- de vagas e ampliar as parceiras com ór- engenheiros de qualidade”, comenta o
veitamento de luz natural, inserção de gãos não governamentais e instituições Reitor. O ITA oferece cursos de mes-
ar-condicionado central e reuso da água internacionais, o ITA criou três novos trado e doutorado por meio de cinco
de chuva para a manutenção de limpe- cursos de curta duração, que darão uma programas de pós-graduação, subdi-
za. Esses são os mecanismos implanta- formação complementar aos alunos. Os vididos em 22 áreas de concentração.
dos para a economia sustentável, como interessados poderão cursá-los ainda Recentemente, foi inaugurado o
relata o Reitor. “Teremos uma grande durante a graduação. Esses cursos são curso de Pós-Graduação em Pesquisa
economia de energia com a implantação chamados de minor (modelo americano Operacional, em parceria com a Univer-
dos métodos sustentáveis. Não pode- de estudo complementar). São eles: En- sidade Federal de São Paulo (UNIFESP),
mos pensar no projeto sem estimar a genharia Física (que já está em execução), mestrado em Segurança da Aviação, em
economia”, ressalta o Professor Doutor Engenharia de Sistema e Engenharia de parceria com a Universidade Federal
Anderson Ribeiro Correia. Inovação (que estão em fase de planeja- do Ceará (UFCE), e ainda está previsto
A primeira fase da obra de expansão mento). O corpo docente desses cursos para 2018 a abertura do curso em Com-
foi concluída em setembro deste ano. é composto, também, por professores putação Embarcada.

Aerovisão Out/Nov/Dez/2017 43
CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Inovar
para fazer
o futuro
Preocupada com a busca de soluções
para construir a Força Aérea do futuro,
a FAB tem fomentado suas próprias
pesquisas voltadas ao desenvolvimento
tecnológico. Conheça três estudos que
prometem resultar em otimização
operacional e melhoria nas condições
de voo
TENENTE JORNALISTA RAQUEL TIMPONI

Pesquisas voltadas para a manutenção


de aeronaves atendem às diferentes
frotas e auxiliam o gerenciamento da
aviação de defesa e comercial do País

44 Out/Nov/Dez/2017 Aerovisão
Aerovisão
Out/Nov/Dez/2017
45
Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea
Se, em 23 de outubro de 1906, dia
do voo do 14-Bis de Santos Dumont,
alguém dissesse que, em 2017, um avião
como o Embraer E2 voaria a 900 km/h,
provavelmente seria tachado de sonha-
dor. Assim como voar do Rio de Janeiro
a Tóquio em pouco mais de duas horas
parece um sonho.
Da mesma forma que permanece a
busca do homem contemporâneo pelo
encurtamento de distâncias, também
continua a ser preocupação, por exem-
plo, maior eficiência na manutenção
de aeronaves para aumento do ciclo
de vida delas, além de estudos para
melhorias do desempenho humano
operacional em aeronaves.
Pensando na realização de projetos
para otimização de processos e para
facilitar o cotidiano, pesquisadores do
Instituto Tecnológico de Aeronáutica
(ITA) e do Instituto de Estudos Avan-
çados (IEAv), ambos do Departamento O protótipo do primeiro veículo
de Ciência e Tecnologia Aeroespacial brasileiro hipersônico aspirado, o
(DCTA), e do Programa de Pós-Gra- 14-X, visa ao desenvolvimento de
uma nova geração de aeronaves de
duação em Desenvolvimento Humano exploração espacial, que poderão
Operacional (PPGDHO), da Universi- voar a mais de 6.000km/h
dade da Força Aérea (UNIFA), estão
desenvolvendo propostas de estudo o pesquisador precursor dos estudos
nessas temáticas, com aplicação direta nesse campo para o Brasil, ex-Diretor do
na Força Aérea Brasileira (FAB). IEAv, Coronel Engenheiro Marco Antô-
nio Sala Minucci, “o sistema hipersônico
Voo hipersônico aspirado aspirado apresenta vantagens, como
Tecnologias que permitam avanços ganho de espaço de carga útil, além da
como a ponte-aérea Brasil-Japão, men- redução de peso total de decolagem e da
cionada acima, estão deixando de ser quantidade de combustível necessário
apenas histórias de ficção científica. O para operação”.
IEAv, por exemplo, realiza estudo de Apesar de o Instituto de Aeronáutica
sistemas de voo do futuro, atuando no e Espaço (IAE), outra organização militar
desenvolvimento de tecnologias para da FAB, já desenvolver a propulsão hi-
emprego militar e civil, que farão ae- persônica para foguetes em trajetória ao
ronaves voarem a mais de 6.000 km/h espaço, atualmente, os motores foguetes
– trata-se do projeto 14-X, nomeado em ainda carregam no interior o combustível
homenagem ao centenário do 14-Bis, em e o oxigênio utilizado para a combustão.
2006. A novidade é a utilização do pró- Para o atual gerente do projeto, Major
prio oxigênio atmosférico para a queima Engenheiro Tiago Cavalcanti Rolim, “o
de combustível em vez de transportá-lo caráter estratégico dessa tecnologia para
a bordo. a FAB e para o Brasil está apoiado na pos-
Esse processo ocorre a partir do motor sibilidade do lançamento de cargas úteis
de propulsão SCRamjet (do inglês Super- mais pesadas e na reutilização do veículo
sonic Combustion Ramjet). Segundo analisa lançador e de seu sistema de propulsão,

46 Out/Nov/Dez/2017 Aerovisão
A manutenção das aeronaves é chave para sua
prontidão operacional e extensão da vida útil
de toda a frota. Para tratar dessas questões, foi previstos para 2020, 2022, 2024 e 2026,
inaugurado um novo laboratório no Instituto com lançamentos programados para
Tecnológico de Aeronáutica ocorrer a partir do Centro de Lançamen-
to de Alcântara (CLA), no Maranhão.

Apoio logístico integrado para


manutenção de aeronaves
Uma segunda pesquisa que mere-
ce destaque e tem aplicações diretas
para a FAB é fruto da recém criação do
Laboratório de Engenharia Logística
do ITA (AeroLogLab). Com o objetivo
de fornecer apoio logístico integrado e
suporte às diferentes frotas, as pesqui-

Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea


sas visam a contribuir para a melhoria
do gerenciamento do ciclo de vida de
aeronaves que atendem ao setor de
defesa e comercial do País.
“A ideia é trabalhar esse tipo de
engenharia, considerando as comple-
xidades de uma frota de aeronaves
que interferem na manutenção e nos
reduzindo significativamente os custos respectivos ciclos de vida. O foco está
de operação”, enfatiza. na engenharia do processo de desenvol-
Métodos alternativos de acesso vimento e de operação, o que implica
ao espaço fazem parte da concepção análises desde o desenho de um novo
de uma nova geração de veículos de sistema, com análise de questões de
exploração espacial, de veículos que suporte, visando a minimizar as não
representarão um horizonte de opor- conformidades, quando a frota estiver
tunidades científicas e comerciais, em serviço”, explica o Coordenador do
com maior eficiência e segurança, para AeroLogLab, Coronel Aviador Fernan-
atender a missões civis ou militares. do Teixeira Mendes Abrahão.
“O domínio da tecnologia SCRamjet A principal vantagem é que esses
pela Força Aérea Brasileira colocará o métodos de estudo podem garantir que
Brasil em um grupo restrito de países aeronaves de última geração, como o
que poderão ter acesso facilitado ao KC-390 e o Gripen NG, permaneçam
espaço nas próximas décadas, alavan- operacionais por mais tempo, resultan-
cando sua indústria aeroespacial e de do em maior capacidade de resposta
defesa e inaugurando uma nova era de para as respectivas frotas. Em análise
exploração comercial e estratégica do dos índices de otimização gerados pe-
espaço”, explica o Diretor do IEAv, Coro- las pesquisas em manutenção das aero-
Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea

nel Aviador Roberto da Cunha Follador, naves, o pesquisador Coronel Abrahão


que também participa do projeto como explica: “existe uma faixa ampla de
coordenador dos ensaios em voo. otimização, entre a possibilidade de
Os próximos passos da pesquisa são atividade de manutenção ser feita do
a construção e a realização de ensaios, modo como sempre foi realizada e ser
em solo e em voo, de um demonstrador feita de forma ótima. Em termos gerais,
tecnológico do veículo hipersônico, que se considerarmos as melhorias de tec-
utiliza o motor SCRamjet como sistema nologia e de conhecimento na área, a
de propulsão e o hidrogênio como com- manutenção feita de forma ótima pode
bustível. Quatro ensaios em voo estão propiciar uma economia que varia de

Aerovisão Out/Nov/Dez/2017 47
23 a 31% no orçamento necessário para Avaliação ergonômica da cabine de Subdiretoria de Abastecimento (SDAB)
se manter a frota nos mesmos níveis de voo do KC-390 da FAB. O objetivo é que sejam aplica-
serviço”. Desse modo, com a aplicação Outra pesquisa que merece desta- dos na indústria aeroespacial e têxtil,
dos estudos, é possível prover um plano que, e traz benefícios diretos para os o que significa uma possibilidade para
de manutenção mais eficaz e eficiente, aviadores da Força Aérea Brasileira, adaptação de equipamentos de voo e das
garantindo redução de custos e aumento consiste no levantamento de dados aeronaves, de acordo com dados especí-
da disponibilidade da frota. antropométricos de pilotos militares ficos da população brasileira.
Com relação às diferenças de manuten- brasileiros para estabelecer uma relação “O levantamento antropométrico e
ção entre os tipos de sistemas de aeronaves, direta com o desenvolvimento das cabi- a criação do banco de dados permiti-
de asas rotativas e de asas fixas, o pesqui- nes de voo, uniformes e equipamentos rão que as futuras aeronaves a serem
sador avalia. que existem peculiaridades de voo e de proteção individual. adquiridas e/ou desenvolvidas com a
no projeto de cada aeronave. “Assim como Fruto de uma pesquisa anterior de contribuição da FAB passem a contar
há diferença da aviação comercial para doutorado, que consistiu na coleta de com dados específicos, mais precisos,
a aviação de caça, de uma aeronave de dados de 39 medidas antropométricas atuais, válidos e confiáveis. Isso pro-
transporte para uma de patrulha, o nível em 2.339 pessoas, sendo 2.123 homens porciona a correta compatibilização e
de desgaste das partes varia em função e 216 mulheres, nas cinco regiões do interação entre as equipagens”, avalia o
da operação. O gerenciamento do suporte Brasil, os resultados obtidos foram dis- Coordenador do Programa de Pós-Gra-
precisa ser flexível, adequado ao uso de ponibilizados para a Embraer e para a duação em Desenvolvimento Humano
cada aeronave”, completa.
Entre as principais pesquisas desen-
volvidas pelo laboratório, destacam-se:
1) os estudos de custos, relacionados
aos problemas que envolvem formas de
gastar melhor com manutenção dentro
de um orçamento para aeronaves; 2) es-

Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea


tudos da necessidade de modernização
de aeronaves em operação, após muito
tempo de serviço, de forma a avaliar
o momento adequado e fatores que
implicam as tomadas de decisão; e 3)
projetos offset de suporte de aeronaves
como o Gripen NG e o KC-390.
“A ideia é alinhar o laboratório ao
O levantamento de dados antropométricos
tempo da entrega desses dois novos permite a adequação das cabines de voo,
sistemas. Esta última pesquisa já conta uniformes e equipamentos de proteção in-
com a colaboração da Saab, fabricante dividual das tripulações brasileiras
do caça, e está relacionada à tecnologia
de suporte de aviões de mesma gera-
ção, atualmente adquiridos pela FAB”,
completou o Coronel Abrahão. Atu-
almente, estão associados à pesquisa
Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea

junto à Saab, cinco projetos de mestrado


de alunos brasileiros e professores do
laboratório, com previsão para início
em 2019, o que se constitui em uma
oportunidade de formação de pesqui-
sadores especialistas para gerenciarem
a área. Além dessas, muitas outras
pesquisas de cunho interdisciplinar,
referentes ao apoio logístico integrado,
podem ser verificadas no laboratório.

48 Out/Nov/Dez/2017 Aerovisão
Operacional (PPGDHO), Coronel Aviador
Umas das aplicações da pesquisa
avaliou a ergonomia da cabine da Gilvan Vasconcelos da Silva.
aeronave KC-390, resultando em Nesse caminho, a Comissão Coordena-
melhoria no conforto e eficiência dora do Programa Aeronave de Combate
para a tripulação
(COPAC) já encaminhou o banco de da-
dos antropométricos da FAB à Saab, para
possíveis aplicações na aeronave de dois
lugares, como adequações no layout
da cabine e no dimensionamento
de alguns ajustes, considerando o
biotipo dos pilotos da FAB.
Outra aplicação direta da pesqui-
sa ocorreu na avaliação e testagem do
cumprimento dos requisitos de ergo-
nomia da cabine de voo da aeronave
KC-390, em desenvolvimento pela
Embraer, proporcionando melhor
acomodação da faixa antropométrica
definida nos requisitos da Força Aé-
rea, de maneira a melhorar o confor-
to e a eficiência das atividades das
tripulações para qual a aeronave
foi projetada. A pesquisa contri-
bui para avaliação e melhoria da
cabine de voo, para a disposição
de comandos e controles nos
painéis e consoles, bem como
garantir a faixa de acomodação
antropométrica mais próxima do
perfil do brasileiro.
“Pode-se citar, como apli-
cação, o reposicionamento do
painel de extinção de fogo, que
permite a adequada acomoda-
ção ao percentil feminino (medi-
das que compõem a amostra dos
dados, por ordem crescente) de
estatura 156 cm; a inserção de ajuste de
altura nos braços das cadeiras da tripulação,
proporcionando maior conforto e menor es-
Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea

forço na coluna vertebral, podendo retardar


o tempo de fadiga; a melhoria da relação
de giro do punho do steering (volante que
permite controlar a aeronave durante o táxi),
diminuindo o esforço sobre a articulação
do punho; o reposicionamento do trilho da
cadeira dos pilotos, permitindo uma maior
aproximação com o painel e facilitando a
operação por pilotos de menor estatura,
principalmente as mulheres; entre outras
adequações”, finaliza o Coronel Gilvan.

Aerovisão Out/Nov/Dez/2017 49
SEGURANÇA DE VOO

Risco de fauna
O conflito entre a aviação e os animais é um
perigo constante no Brasil e no mundo – e
todos precisam agir para minimizar o problema
e diminuir a incidência dessas ocorrências
aeronáuticas
TENENTE JORNALISTA FELIPE BUENO
TENENTE RELAÇÕES PÚBLICAS CÂNDIDA SCHWAAB

50 Out/Nov/Dez/2017 Aerovisão
Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea

Foto tirada durante o recebimento


dos helicópteros H225M (na FAB,
batizados como H-36 Caracal) em
Itajubá (MG). Aves são ameaças reais
a todo o tipo de aeronave

Aerovisão Out/Nov/Dez/2017 51
U
m controlador de tráfego aéreo duas mortes no Brasil. Existem vários e contribuir com o esforço coletivo, para
não direcionaria uma aeronave outros acidentes com fortes indícios de que o número de colisões possa ser re-
rumo a uma pista obstruída. terem sido causados por fauna e que ti- duzido e tenhamos céus cada vez mais
Um piloto não iria em direção a uma veram como consequência, por exemplo, seguros”, explica.
zona de tempestade intensa. Muitos tripulantes com sequelas graves, como Estudos indicam que mais de 90%
são os fatores de risco que devem ser perda da visão. No campo financeiro, o das colisões com fauna acontecem
evitados pela aviação – mas um deles custo anual do conflito aviação-fauna enquanto as aeronaves estão voando a
ainda é constantemente menospreza- é superior a US$ 3 bilhões em todo o até 1.000 metros (3.500 pés) de altura.
do. Colisões com animais são o tipo de mundo, já que causam danos diretos Esta distribuição espacial permitiu a
incidente aeronáutico mais repetitivo às aeronaves, e custos indiretos, com identificação da região prioritária para
no mundo – e considerado pela Federal atrasos e cancelamentos de voos. No reduzir a atração de fauna: a Área de
Aviation Administration (FAA), entidade Brasil, esse cálculo total gira em torno Segurança Aeroportuária (ASA), um
reguladora da aviação norte-americana, de US$ 220 milhões anuais e estimativas raio de 20 quilômetros a partir da pista,
um dos grandes desafios a ser superado indicam que os registros representam em todos aeródromos brasileiros.
para garantir a segurança em aeródro- somente 30% do total de colisões. Embora a maioria das colisões seja
mos no mundo inteiro. O risco de fauna “Para gerenciar o risco da fauna causada pela presença de fauna dentro
ainda é, por vezes, difícil de ser gerencia- na aviação, é necessária a participação do próprio aeródromo, o tratamento
do, talvez pela dificuldade de controle de diversas entidades e organizações, inadequado do resíduo sólido, na
dos animais no espaço aéreo, talvez pela atestando, na prática, o princípio do maior parte das cidades brasileiras,
falta de treinamento especializado das Sistema de Investigação e Prevenção de gera focos atrativos para animais em
equipes em terra com relação ao tema. Acidentes Aeronáuticos (SIPAER), que locais que estão sob a responsabilida-
Mas este panorama precisa ser revertido. diz que a prevenção de acidentes requer de do poder público. Desse modo, o
De acordo com dados do Centro de mobilização geral”, afirma o Chefe do controle da presença de fauna na ASA
Investigação e Prevenção de Acidentes CENIPA, Brigadeiro do Ar Frederico Al- deve ser integrado ao planejamento
Aeronáuticos (CENIPA), desde o início berto Marcondes Felipe. “Nesse sentido, e uso do solo, realizado pelo poder
da aviação, colisões com fauna já causa- o Centro de Investigação e Prevenção de público municipal.
ram mais de 470 fatalidades, incluindo Acidentes Aeronáuticos busca fomentar A instalação de edificações que se

Carcará, ave de rapina muito comum no


centro-oeste brasileiro, e o urubu são as aves
que, estatisticamente, mais colidem com
aeronaves. Os pássaros são responsáveis
por 90% das colisões reportadas

Relatório CENIPA

52 Jul/Ago/Set/2017 Aerovisão
Out/Nov/Dez/2017 Aerovisão
Aeronave de caça A-1 avariada
devido à colisão com pássaro
durante o voo. O CENIPA es-
tima que colisões com fauna já
causaram mais de 470 fa-
talidades, incluindo
duas mortes no
Brasil

Relatório CENIPA
configuram como focos atrativos ou o uso do solo, estando condicionados ao das espécies-problema, deve-se elen-
com potencial de atração de fauna cumprimento de exigências normativas car as ações com o objetivo de mitigar
na ASA, tais como vazadouros ambientais e específicas de segurança os riscos identificados, priorizando o
de lixo, aterros sanitários e mata- operacional da aviação. controle dos focos de atração dessas
douros, também constitui sério risco Dentro dos aeródromos, operadores espécies”, afirma o Tenente Biólogo
à segurança de voo. Isto acontece devem minimizar a presença não só de Weber Galvão Novaes, do CENIPA.
porque as condições favorecem a aves, mas também de animais terres- Experiências internacionais demons-
concentração de aves nestes locais tres. Mamíferos e répteis podem repre- tram que a redução progressiva da pre-
e, quando retornam para suas áreas sentar danos mais severos às aeronaves sença de fauna é obtida com a diminuição
de descanso, acabam cruzando a devido ao tamanho e peso maiores em da atratividade no aeródromo. Isto é
trajetória de aeronaves. relação às aves – por isso, é imprescindí- alcançado com a aplicação de medidas
Com o objetivo de minimizar este vel que exista proteção adequada para passivas no local, através da modificação
problema, foi sancionada pela Presi- limitar o acesso de animais terrestres do ambiente, eliminando ou limitando o
dência da República, em 2012, a Lei onde há operação de aeronaves. Ainda uso de fontes de água, alimento e abrigo
12.725, que dispõe sobre o controle da assim, aves representam mais de 90% pela fauna na área do aeródromo.
fauna e estabelece regras que visam das colisões reportadas, em virtude O levantamento das espécies-pro-
à diminuição do risco de acidentes e da alta mobilidade e imprevisibilida- blema acontece por meio de censos
incidentes aeronáuticos decorrentes de de movimentos. “Conhecer bem de fauna, que identificam os locais em
da colisão de aeronaves com espé- o problema, ou seja, as espécies que que cada espécie é comumente vista,
cimes da fauna nas imediações de mais causam risco às operações em um os padrões de movimento diários e
aeródromos. Esta lei estabeleceu a aeródromo, é peça fundamental neste sazonais, a massa média, as caracterís-
ASA e restringiu o aproveitamento e quebra-cabeça. A partir da definição ticas gregárias, características do voo e

Aerovisão Out/Nov/Dez/2017 53
Relatório CENIPA
TECNOLOGIA

Aeronaves de grande porte também não estão No detalhe, técnico do CENIPA colhe ma-
imunes ao risco de fauna. Pilotos que passaram terial para investigação do incidente acima.
por isso precisam preencher uma ficha relativa No Brasil, o reporte de colisão com animais
à ocorrência, disponível no site do CENIPA é obrigatório

Relatório CENIPA

54 Out/Nov/Dez/2017 Aerovisão
No mundo inteiro, o custo anual do
conflito aviação-fauna é superior a
US$ 3 bilhões, já que causa danos
diretos às aeronaves, além dos custos
Relatório CENIPA

indiretos para o setor aéreo

outros elementos julgados relevantes colisões com fauna também são fun- dados estejam disponíveis para pesquisa
para a segurança das operações aéreas. damentais neste processo de avaliação no Sistema de Gerenciamento de Risco
Posteriormente, é feita a avaliação de de risco. Em nosso País, o reporte de Aviário (SIGRA) e possam ser utilizados
risco de fauna no aeródromo, a qual colisão é feito ao CENIPA e é obrigató- nas ações de gerenciamento do risco de
tem o objetivo de classificar as espécies rio, já que são ocorrências aeronáuticas. fauna. Os dados de todos os eventos
de fauna existentes. Ela é baseada em Quase colisões e avistamentos de fauna envolvendo fauna na aviação brasileira,
parâmetros de probabilidade e seve- têm reporte altamente recomendado, desde o ano 2011, estão disponíveis para
ridade, utilizando dados retroativos pois fazem parte do processo de iden- a consulta de qualquer cidadão, no site
(reportes de colisão e de quase colisão) tificação de perigos, o que é essencial do CENIPA, bastando apenas acessar o
e proativos (censos de fauna). para a conscientização de tripulantes, SIGRA. Na opção “pesquisar”, é possível
De acordo com o Assessor de Risco controladores de tráfego aéreo e ope- filtrar a busca por aeródromo, espécie
de Fauna do CENIPA, Tenente-Coronel radores de aeródromos. envolvida, fase do voo, ou mesmo baixar
Henrique Rubens Balta de Oliveira, a Mas, como o reporte deve ser fei- todo o banco de dados em planilha.
implementação do trabalho de equipes to? O CENIPA disponibiliza a Ficha
especializadas em gerenciamento sobre CENIPA 15 (FC15), ferramenta desti- Mortes no Brasil
risco de fauna é um passo importante nada exclusivamente para o reporte Há dificuldade para encontrar ves-
para aplicar as medidas citadas. “O de eventos envolvendo fauna, que tígios de colisão com fauna em aciden-
objetivo é operar as aeronaves com se- deve ser preenchida preferencialmente tes aéreos no mundo. Muitos acidentes
gurança e eficiência. A pronta-resposta on-line, facilitando o processamento fatais na aviação brasileira podem ter
de equipes treinadas e equipadas para de dados. O formulário, disponível sido causados por fauna, mas a in-
retirar animais da área crítica do aeró- em português ou inglês, apresenta vestigação não conseguiu detectar os
dromo é fundamental para reduzir pre- um conjunto de dados relativos à indícios necessários para tal conclusão.
juízos com colisões e, até mesmo, para ocorrência, que deve ser preenchido No Brasil, foram confirmados dois
evitar a perda de aeronaves que servem seguindo as orientações contidas na acidentes fatais com aeronaves milita-
para manter a nossa soberania”, afirma. própria FC15. O acesso é feito no portal res envolvendo fauna. Um no Rio de
do órgão: http://www.fab.mil.br/cenipa/ Janeiro (RJ) e outro em Guaratinguetá
Cadastramento de incidentes Quanto melhor a qualidade dos re- (SP), em 1962: cada acidente resultou
Os reportes de colisões e quase portes, menor será o tempo para que os na morte de um tripulante.

Aerovisão Out/Nov/Dez/2017 55
TREINAMENTO

Voar sem tirar os


pés do chão
Primeiros simuladores de voo surgiram há mais de um
século e, ainda hoje, são utilizados em todo o mundo. Além
de agregarem valores operacionais para a Força Aérea
Brasileira, reduzem custos e asseguram elevados níveis
de segurança para o treinamento completo das tripulações
TENENTE JORNALISTA CRISTIANE DOS SANTOS

H
istoricamente, os simuladores da realidade encontrada nos controles
de voo surgiram da necessi- das aeronaves”, conta.
dade de prevenir acidentes Os primeiros simuladores não pos-
que vitimavam os pioneiros da aviação suíam instrumentos de navegação. O
e causavam prejuízo financeiro para os objetivo, inicialmente, era demonstrar os
envolvidos na nova atividade. Segundo efeitos dos controles sobre a atitude do
o Suboficial Jefferson Eduardo dos Santos avião tripulado e treinar para a operação
Machado, militar do Museu Aeroespacial das aeronaves. “A independência de
(MUSAL) e doutor em História Compa- movimento de cada item, como ailerons,
rada, pela Universidade Federal do Rio profundores e leme (partes móveis das
de Janeiro (UFRJ), as primeiras evoluções asas de aeronaves), não possibilitava
tecnológicas dos simuladores surgiram uma reprodução verdadeira do compor-
por volta de 1910. O “barril de aprendi- tamento das aeronaves. Com o tempo,
zado” de Antoinette, criado na França, é foram adicionados controles de aero-
uma dessas invenções. “Não se tratava naves convencionais e instrumentos ao
de um avião fixo ao solo. Este simulador cockpit, que mostravam ao piloto se eles
consistia essencialmente em duas me- estavam voando em um nível satisfató-
tades de tambor, um colocado em um rio”, complementa o historiador.
pedestal e o outro que representava um Mais de um século depois, os simu-
cockpit. O piloto se sentava no meio do ladores continuam sendo um importan-
barril superior, que era movido manual- te instrumento de instrução da aviação.
mente e, em seguida, tinha que controlar Eles são utilizados para a qualificação
várias situações de voo”, explica. de tripulantes técnicos, mas não apenas.
O Suboficial da FAB conta que os Somente nestes equipamentos, é possí-
inventores buscavam intensamente a vel treinar determinadas emergências
evolução desses equipamentos, uma vez críticas, como pane em voo, sem risco à
que as condições de voo e dos aparelhos vida dos profissionais. A economicida-
eram conseguidas através do uso da
força humana. “As máquinas do tipo
Antoinette, com atuadores mecânicos e
elétricos, ficavam ligadas aos controles
do simulador. A automação tinha como
objetivo a movimentação da fuselagem
Acervo MUSAL

e do piloto em treinamento, a fim de que


fosse levado a situações mais próximas

56 Out/Nov/Dez/2017 Aerovisão
Cabo Andre Feitosa / Agência Força Aérea

Simuladores como este da foto, de


aeronaves A-29 Super Tucano,
auxiliam no treinamento dos
pilotos e na adequação a novos
sistemas, a baixos custos e com
maior segurança

Aerovisão Out/Nov/Dez/2017 57
de é outra grande vantagem do uso dos cabines de cada aeronave, a partir de suas entidades certificadoras europeias. O
simuladores. Em alguns treinamentos, peculiaridades, passou a ser essencial na equipamento proporcionará aos pilotos
o custo chega a um sexto de um treina- época”, explica o Suboficial Jefferson. do AH-2 o treino de procedimentos de
mento real. Além disso, com os apara- De lá para cá, os aprimoramentos emergência, de todas as fases do voo,
tos complexos nos sistemas hidráulicos não pararam. O uso de simuladores e o emprego do armamento.
e elétricos, os simuladores recriam os pelas Forças Armadas também não. Ainda com a intenção de oferecer trei-
movimentos de uma aeronave durante Atualmente, a Força Aérea Brasileira namentos mais fiéis à realidade, os pilo-
o seu voo e servem como instrumento possui um portfólio de 16 simuladores, tos da FAB têm à disposição o simulador
de ensino, treinamento e, em alguns ca- sendo 12 de aeronaves de asas fixas, da aeronave C-105 Amazonas. Sediado
sos, ajudam as autoridades a investigar três de artilharia de defesa antiaérea em Manaus (AM), no Esquadrão Arara
as causas de acidentes aéreos. e um simulador tático de tripulação, (1°/9° GAV), o equipamento recebeu, em
utilizado para treinamento tático e 2016, a classificação D. Os simuladores de
Simuladores promovem sensação planejamento de missões executadas voo do tipo Full Flight Simulator são divi-
fiel de voo pela aeronave P-3 AM Orion. Há, ainda, didos em níveis de detalhes técnicos que
No meio militar, os simuladores outros seis projetos em andamento, in- variam entre A, B, C ou D. Ser classificado
de voo despertaram grande interesse cluindo simuladores para as aeronaves com a categoria “Delta” significa que a
durante a Segunda Guerra Mundial. KC-390 e Gripen, que ainda serão rece- simulação é capaz de reproduzir 100%
Com o início do conflito, a necessidade bidas pela FAB. Outro projeto em an- da realidade de um voo.
de novos pilotos aumentou e, com ele, a damento é para o helicóptero de ataque O Comandante do Esquadrão de
aquisição dos aparelhos, especialmente AH-2 Sabre. Neste caso, o simulador Simulação do 1º/9º GAV, Tenente Avia-
pelas Forças Aéreas do Japão, União das será Flight Training Device Level 3, nível dor Adalberto Martins Pereira e Souza,
Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), máximo para a categoria de aeronaves explica que, ao ser classificado como
França e Alemanha. “A ambientação nas de asas rotativas, de acordo com as categoria “Delta”, o simulador garante

Um dos futuros simuladores da


FAB servirá para o treinamento
de pilotos do helicóptero de ata-
que AH-2 Sabre

Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea

58 Out/Nov/Dez/2017 Aerovisão
Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea
aos pilotos e mecânicos treinamentos
próximos da realidade. “É possível trei-
nar com movimento em todos os eixos,
diferentemente do simulador estático,
que não reproduz a dinâmica. Com este
equipamento, é possível ter a sensação
de gravidade, aceleração e frenagem do
avião. O sistema motion permite mobili-
dade em todos os eixos com sensação de
deslocamento. Se o piloto puxar o avião
para subir, por exemplo, vai sentir toda a
sensação da gravidade”, explica.
O simulador do avião de transporte
O militar destaca, ainda, que o si- C-105 Amazonas é o único que a FAB
mulador é utilizado na formação básica, possui na categoria “Delta”, ou seja,
na adaptação dos pilotos e em diversos com sistemas que permitem treina-
procedimentos que seriam inviáveis mentos próximos à realidade do voo
e perigosos praticar em um avião de
verdade. “Existe uma lista extensa de

Cabo Andre Feitosa / Agência Força Aérea


procedimentos de emergência para trei-
nar, como corte do motor, fogo e pouso
do avião na água. Além disso, há o uso
de NVG (sigla em inglês para óculos de
visão noturna), treinamento de voo por
instrumento, além do lançamento de
cargas e de paraquedistas”, enumera.
O processo de qualificação foi re-
alizado por uma equipe da Agência
Nacional de Aviação Civil (ANAC),
única entidade brasileira apta a emitir
a certificação aeronáutica baseada em
regulamentos internacionais. A análise
técnica mediu a fidelidade do simula-
dor. Neste sentido, foram verificadas as
grandes áreas de desempenho da aero-
nave, qualidade de voo, sons, sensação A FAB também possui simulado-
res para treinar os pilotos de caça
dos movimentos e representação visual.
antes das primeiras missões reais
Assim como em um avião de trans-
porte real, o simulador C-105 Ama-
zonas comporta dois pilotos e um Militares da Força Aérea Colombiana Velho (RO) e outra unidade em Campo
mecânico no terceiro assento. Este ter- também realizam exercícios periódicos Grande (MS). Este último, situado no
ceiro assento pode ainda ser utilizado no simulador da FAB. Esquadrão Flecha (3º/3º GAV), também
por outro piloto, no caso de operação é utilizado pelo Esquadrão de Demons-
de navegação aérea. A utilização do Simulador de aviões de caça tração Aérea (EDA) e pelo Instituto de
simulador, além de agregar valores Mesmo sem reproduzir fielmente a Pesquisa e Ensaio em Voo (IPEV).
operacionais, reduz o esforço aéreo e o realidade de um voo, o simulador da O treinador pode ser utilizado para
custo gasto para treinamento. aeronave A-29 é um equipamento capaz simulação de procedimentos normais,
Além de ser utilizado pelo Es- de viabilizar o treinamento de diversas de emergência, de voo por instrumento,
quadrão Arara (1°/9° GAV), também missões operacionais. São cinco treina- de precisão e não precisão. Além disso,
treinam no equipamento os militares dores como estes na Força Aérea, sendo também permite simulação de navega-
do Esquadrão Pelicano (2°/10° GAV) dois localizados em Natal (RN), um em ção por rádio, com utilização de cená-
e do Esquadrão Onça (1°/15° GAV). Boa Vista (RR), um simulador em Porto rios reais de ligação entre aeroportos

Aerovisão Out/Nov/Dez/2017 59
como de Guarulhos (SP) e Galeão (RJ). Nas duas fotos ao
O Chefe da Seção de Operações do lado, militares da
FAB em simulação
Esquadrão Flecha, Major Arthur Ribas e em operação real
Teixeira, explica que o equipamento de missão antiaérea
pode ser utilizado por pilotos em re-
adaptação, ou seja, que ficaram muito
tempo sem voar, para treinamento
inicial, procedimentos de emergência,
treinamento de familiarização com o
sistema aviônico, navegação e empre- Simulador da aero-
nave C-105 Amazo-

Tenente Correa Marcel


go de armamento. O treinador tem a nas, da Força Aérea
cabine idêntica a uma aeronave A-29. Brasileira, reproduz
O cenário, desenvolvido pelo Centro 100% do voo
de Computação da Aeronáutica de
São José dos Campos (SP), é projetado
em três telas. As imagens são captadas
previamente, via satélite, e aplicadas no
terreno da simulação. Já a pista é um
projeto gráfico feito no computador,
com o objetivo de dar mais precisão
para pouso, decolagem e taxiamento.
“Dependendo do treinamento, há mais
ou menos detalhes, como prédios, ruas
e pista”, explica o Major Arthur.
De acordo com o militar, o simula-
dor tem toda a simbologia e a aviônica
do avião A-29, permitindo realizar
treinamentos como o tiro aéreo, missão
de ataque ao solo a baixa altura, missão
de escolta e interceptação de aeronaves.
Lançamento de bombas, lançamento de
foguete e execução de tiro terrestre tam-
bém são funcionalidades da aeronave
que podem ser treinadas no simulador.

Treinamento de Defesa Antiaérea


Além dos simulares de voo, a FAB
também conta com treinadores para
defesa antiaérea. O KONUS 9F859 tem
a finalidade de prover treinamento das
unidades de tiro do sistema IGLA. O
Comandante do Primeiro Grupo de
Defesa Antiaérea (1º GDAAE), Major
de Infantaria Antonio Fernandes Filho,
explica que o simulador possui as mes-
mas características do míssil real. “Ele é
ligado a uma estação de treinamento, ou
seja, um computador com software onde
fica um instrutor, que monta o exercício
que o atirador vai realizar”.
O sistema permite escolher diferen-

60 Out/Nov/Dez/2017 Aerovisão
tes alvos, com vários níveis de dificulda-
de, como, por exemplo, um helicóptero,
uma aeronave de asa fixa ou um veículo
aéreo não tripulado. No caso de aviões,
o alvo pode ser uma aeronave de caça,
com maior velocidade, ou pode ser uma
de transporte, menos rápida. Também
é possível programar os cenários. “O

Cabo V. Santos / Agência Força Aérea


atirador consegue visualizar o mesmo
cenário de uma situação real”, explica
o Major Fernandes. Além disso, é pos-
sível selecionar critérios como eixo de
aproximação da aeronave, velocidade
e posição, que pode ser em um terreno
fixo ou em movimento. “Geralmente,

Subdivisão de Publicidade e Propaganda / CECOMSAER


nas primeiras missões, são colocadas
combinações mais fáceis, tanto de alvo,
como de cenário. Conforme o atirador
vai ganhando habilidade, o instrutor do
simulador aumenta a dificuldade, com-
binando aviões de maior performance,
cenários mais difíceis, com nuvens que
camuflam o inimigo”, exemplifica.
O simulador é uma ferramenta bas-
tante eficaz, com baixo custo, que per-
mite que os atiradores realizem todos os
procedimentos de uma situação real. O
míssil é idêntico ao real, com o mesmo
peso, tamanho, alavanca de manejo e
botões seletores. “É uma reprodução
fiel, com exceção do explosivo”, com-
plementa o Major Fernandes.
Quatro projetores são voltados
para uma tela, reproduzindo um
cenário panorâmico para o atirador,
inclusive com som síncrono. A tela
é instalada e fixada a uma armação
em formato de cone 3D, de modo a
proporcionar ao atirador uma vista
da superfície interna da tela de 192°
horizontalmente e 60° verticalmente.
Para reproduzir o ambiente acús-
tico (sincronizado com a imagem), é
usado um sistema de som que inclui
seis alto-falantes colocados em torno
do atirador para criar efeitos de áudio
mais realistas. Ao final de cada simu-
lação, o sistema realiza uma avaliação
do exercício, apontando os procedi-
mentos que precisam ser melhorados
no desempenho do atirador.

Aerovisão Out/Nov/Dez/2017 61
MEMÓRIA FAB

A lendária fortaleza
voadora B-17
O possante quadrimotor que contribuiu decisivamente
para a vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial
TENENTE-BRIGADEIRO ASTOR NINA DE CARVALHO NETTO

E
m dezembro de 1964, após a con- Luftwaffe (Força Aérea Alemã) descobriu
clusão de estágio no 5º Grupo de que a única maneira de destruir uma B-17
Aviação, na época, sediado em no ar seria num ataque vertical, de baixo
Natal (RN), fui classificado no 6º Grupo para cima, de modo a atingir a barriga
de Aviação, com sede em Recife (PE). do avião. Para sanar esta fragilidade, foi
Parecia um sonho. Recém-promovido, colocada uma ponte de metralhadora .50
um Segundo Tenente iria pilotar a For- embaixo do avião. Com esta medida, a
taleza B-17, possante quadrimotor, que B-17 tornou-se imbatível e plena credora
contribuiu decisivamente para a vitória do título de Fortaleza Voadora.
dos aliados na Segunda Guerra Mundial.
O 6º Grupo de Aviação era constitu- As Fortalezas Voadoras B-17 na FAB
ído por dois Esquadrões: o 1º/ 6º GAV, No ano de 1950, a FAB adquiriu as
voltado para as missões de Busca e aeronaves B-17. Já em 24 de janeiro de
Salvamento, e o 2º/ 6º GAV, dedicado 1951, foi criado o Centro de Treinamento
às missões de Fotorreconhecimento e de Quadrimotores (CTQ), unidade aérea
Busca e Salvamento. que recebeu as aeronaves B-17 e estava
O quadrimotor B-17 foi fabricado pela sediada na Base Aérea do Galeão. O CTQ O Tenente-Brigadeiro
Boeing, que produziu 12.731 unidades deu uma nova dimensão à FAB, tendo, Astor, atualmente na re-
no período de 1936 a 1945, num esforço em seu acervo, quadrimotores que po- serva, foi o último piloto
de B-17 da Força Aérea.

Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea


da indústria norte-americana para pro- diam cruzar o Atlântico. Posteriormente, Ele destaca a importância
porcionar um elevado poder aéreo aos o CTQ foi transferido para a Base Aérea da aeronave para a vitória
Estados Unidos da América durante o do Recife e, depois, extinto, dando lugar dos Aliados na Segunda
Guerra Mundial. Cat
conflito mundial. Avião com grande raio ao 1º/ 6º GAV, criado em 25 de setembro
de ação e elevado teto de voo, alcançava de 1953. Em 20 de novembro de 1957, foi
até 35.600 pés (10.850 metros), utilizando ativado o 6º Grupo de Aviação, com dois
um super turbocompressor nos motores. esquadrões: o 1º/6º GAV e o 2º/6º GAV.
A B-17 ficou conhecida como Forta- Na FAB, de 1951 a 1969, as B-17
leza Voadora, porque foi considerada voaram 61.225 horas e escreveram belas
inexpugnável. Com suas oito torres de páginas da história da nossa Força Aérea.
tiro, equipadas com 13 metralhadoras No período de 1957 a 1960, por serem
.50, conseguiu destruir cerca de 160 caças as únicas aeronaves militares brasileiras
alemães que a atacaram. Foi a aeronave com capacidade de cruzar o Atlântico,
que lançou o maior número de bombas apoiaram logisticamente o “Batalhão
no Teatro Europeu. Das 1,5 milhão de Suez”, contingente do Exército Brasileiro
bombas lançadas sobre a Alemanha, que atuou na Faixa de Gaza, como inte-
500.000 saíram das B-17. grante da Força de Paz das Nações Uni-
Depois de sofrer numerosas perdas, a das no Oriente Médio. Em 1960, foram

62 Out/Nov/Dez/2017 Aerovisão
Aeronave B-17 em exposição
em organização da FAB na
capital pernambucana. Veja
mais detalhes sobre a aeronave
na próxima página

oceano. Era tão importante encontrar um


avião acidentado ou um barco à deriva,
como transmitir para os helicópteros ou
navios de resgate a posição exata do ob-
jeto da missão. De dia, navegava-se pelo

Acervo pessoal
sol; de noite, pelas estrelas, usando o sex-
tante, aparelho que localizava os astros
segundo a posição dada pelo Almanaque
Náutico, editado pela Marinha do Brasil.
Assim, no século XX, os pilotos de B-17
utilizaram os mesmos métodos de orien-
tação usados pelos antigos navegadores.
Os desígnios de Deus permitiram
que, nos postos de Segundo e Primeiro
Tenente, eu voasse mais de 2.000 ho-
ras como piloto de B-17. Foram horas
marcadas pelo companheirismo, pelo
profissionalismo e por muita vibração.
Ao citá-las, presto uma especial home-
nagem àqueles que comigo comparti-
lharam as emoções daqueles momentos
substituídas nessa missão pelos Douglas e à construção de estradas, portos e inesquecíveis e relembro com carinho
C-54, do 1º/2º Grupo de Transporte, ad- canais. Tudo isso numa época em que os então Majores Vicente de Magalhães
quiridos na época pela FAB. os satélites ainda não estavam sendo Moraes, Elahir Amaral da Nóbrega e Sa-
Nas milhares de horas voadas no usados para obtenção de fotografias. muel de Barros Wanderley; os Capitães
Brasil, as B-17 participaram também de Nas incontáveis missões de Busca Guido Góes, Olegário Santos, Marcio
missões de Reconhecimento e de Busca e Salvamento, contribuiu localizando Callafange e Bruno Cariello; os Tenentes
e Salvamento. Como avião de Reconhe- e auxiliando no resgate de tripulantes José Luiz de Oliveira Coelho, Waldomiro
cimento, a B-17 participou da chamada e passageiros de aeronaves e navios Bezerra de Melo, Welington Rezende e
“Guerra da Lagosta”, em 1963, quando acidentados. Muitas dessas missões Rivaldo Paurilio Cardozo.
barcos pesqueiros franceses tentaram a foram realizadas na Amazônia. Vários Como último piloto de B-17 antes da
pesca predatória da lagosta em águas também foram os aviões com problemas desativação da aeronave na FAB, destaco
territoriais brasileiras, e realizou recobri- mecânicos que foram interceptados e a importância desse vetor para a vitória
mento aerofotográfico para importantes orientados pelas B-17 quando realiza- dos Aliados na Segunda Guerra e a cer-
órgãos como a Petrobrás, o Conselho vam a travessia do Atlântico. teza de que, nos Teatros de Operações
Nacional de Geografia e a Diretoria de Como na época não existiam os daquela época, todas as aviações foram
Hidrografia e Navegação da Marinha. modernos auxílios à navegação aérea e igualmente importantes. Assim como
Centenas de quilômetros quadrados do sistemas, como o GPS, os pilotos de B-17 Santos-Dumont disse ser o Demoiselle
território nacional foram fotografados se serviam da Navegação Astronômica o avião mais belo e perfeito por ele in-
para pesquisa de petróleo, confecção para realizar com precisão as missões de ventado, resta-me dizer que a B-17 foi
de mapas e cartas hidrográficas neces- Busca e Salvamento e Reconhecimento, a mais bela, a mais robusta e majestosa
sárias à navegação fluvial e marítima principalmente na Amazônia ou sobre o aeronave que eu pilotei.

Aerovisão Out/Nov/Dez/2017 63
AERONAVE HISTÓRICA

Boeing B-17
Tripulações da B-17 posando com a aero-
nave no ano de chegada do avião à FAB. À
época, os militares vestiam o macacão de
voo de cor cáqui e utilizavam quepe com
esse tipo de uniforme. É possível verificar
que o avião ainda não havia sido pintado
com sua matrícula na FAB

Conhecido como a cinco aeronaves configuradas Centro de Treinamento de


Fortaleza Voadora, o Boeing para Busca e Salvamento e Quadrimotores (CTQ), na
B-17 chegou à Força Aérea uma para aerofotogrametria, Base Aérea do Galeão (RJ).
Brasileira em 1951. Eram que passaram a operar no No total, a FAB adquiriu
64 Out/Nov/Dez/2017 Aerovisão
Ficha técnica

Acervo CECOMSAER
Envergadura: 31,62 m
Comprimento: 22,65 m
Altura: 5,81 m
Peso máximo: 25.129kg
Ve l o c i d a d e m á x i m a :
500km/h
Alcance: 4.020km

12 aeronaves, que voaram B-17 nunca operaram com as aeronaves brasileiras


entre 1951 e 1969. essa designação no Brasil. também realizaram diversas
Embora orginalmente Além das missões SAR missões do Correio Aéreo
fossem bombardeiros, os e de aerofotogrametria, Nacional (CAN).
Aerovisão Out/Nov/Dez/2017 65
VOO MENTAL Os artigos publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seus autores e
não representam necessariamente a opinião do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica

Marcos Troyjo – economista e cientista social, particular, destacam-se nossas relações


é professor da Universidade Columbia, onde econômicas com a China. Tal intercâmbio
dirige o BRICLab, centro sobre Brasil, Rússia, já é volumoso, sobretudo se levarmos em
Índia e China. consideração o histórico dos últimos 15
anos, em que um comércio bilateral de
US$ 1 bilhão foi alçado a US$ 80 bilhões.

Desglobalização traz Quando, no entanto, examinamos


de perto a composição de nossas ex-
portações à China, basicamente enxer-

riscos (e oportunidades) gamos minério-de-ferro, complexo soja


e alguns outros poucos bens de baixo

para o Brasil
valor agregado. E, no fluxo de expor-
tações chinesas para o Brasil, veem-se
máquinas, satélites, computadores.
Há mais malefícios que pontos positi- tunidades. Acordos entre países latino- Nunca é demais repisar um dado es-
vos na tendência à desglobalização que se -americanos e europeus têm agora tarrecedor: uma tonelada de produto bra-
aprofunda no mundo. Por um lado, se o boa chance de sair do papel, já que os sileiro exportado para a China vale US$
consumidor está acostumado a comprar europeus estão ávidos por tais tratativas. 200. Uma tonelada de produto chinês
um brinquedo no Vietnã por uma fração Nesse sentido, a EMBRAER, 3ª maior exportado para o Brasil vale US$ 3 mil.
de custo, ele provavelmente está tirando fabricante de jatos comerciais do mundo Há, então, um desequilíbrio estrutural na
posto de trabalho de alguém que faria e líder na indústria aeroespacial e de de- balança comercial Brasil-China que não
esse produto no Brasil ou nos EUA. Por fesa da América Latina, ao fechar acordos vai mudar porque os EUA se fecharam.
outro, esse mesmo consumidor é com- para a venda de aeronaves KC-390 a paí- Ainda que o cenário externo esteja
pensado com um bem muito mais barato. ses europeus, eleva a aviação brasileira a desafiador, nossos problemas internos —
Essa dinâmica permite uma melho- um nível que proporciona oportunidades falta de estratégia, coordenação e ambien-
ra na eficiência da economia. Aquelas inéditas para o desenvolvimento tecnoló- te para se concentrar nos grandes temas
pessoas que produziriam o tal brinque- gico e comercial do nosso País. do desenvolvimento — continuam sendo
do em países de maior custo relativo Já com os EUA, o cenário comercial os principais determinantes de nossa
poderiam ser (re)treinadas para fazer para o Brasil não fica pior, pois nosso baixa participação no comércio global.
outras coisas em que o país tenha mais País não será muito afetado por políticas No campo da defesa, o Brasil tem
vantagens comparativas. mais protecionistas da Casa Branca. Isso caminhado para o desenvolvimento de
Vamos supor que essa retórica é bom, mas pelas razões erradas. tecnologias. Em atendimento às orien-
desglobalizadora vingue cada vez O Brasil é dos poucos países que con- tações da Estratégia Nacional de Defesa,
mais. O resultado disso será inflação segue a façanha de acumular sucessivos o País lançou o seu primeiro satélite – o
no mundo. Maior inflação convidará déficits comerciais com os EUA. Isso faz SGDC – que deu início a uma nova era
a políticas monetárias mais apertadas. com que nós não estejamos na tela de para a Força Aérea Brasileira. Focada no
E eventualmente políticas comerciais radar protecionista de Trump. setor aeroespacial, a FAB está investindo
ainda mais protecionistas. Isso significa que aumentaremos as na capacitação de profissionais para o
Ora, como fica o Brasil nesse cenário? exportações para os EUA? Não neces- mercado de engenharia e aeronáutica no
Na área fundamental da globalização sariamente, com possível exceção das país, especialmente com a ampliação da
que é o comércio exterior, o Brasil é um commodities minerais. Se nestes próximos capacidade do Instituto Tecnológico de
dos países isolados do mundo. Desde o quatro anos Trump for de fato agressivo Aeronáutica (ITA), que oferece cursos
Descobrimento, raramente temos mais na questão da infraestrutura, isso vai jo- de graduação e pós-graduação na área.
do que 25% do PIB resultantes da soma gar o preço das matérias-primas minerais A longo prazo, podemos esperar o
de valores de exportação e importação. lá para cima. fortalecimento da indústria nacional de
Após passar por uma experiência Em outras regiões do mundo, tam- defesa para que o Brasil conquiste sua
nacional-desenvolvimentista nos últimos bém é forçoso reconhecer que a situação autonomia e, num futuro não muito dis-
anos, em que se manteve o país fechado, não está necessariamente ruim para tante, também possa exportar tecnologia
o Brasil resolveu se abrir. Contudo, o nós. O Sudeste Asiático cresce de forma e inovação, ampliando sua participação
mundo está com mais portas fechadas. robusta e desloca para cima a curva no comércio global, deixando as relações
Há, no entanto, algumas boas opor- de demanda por alimentos. E, nesse econômicas mais favoráveis ao País.

66 Out/Nov/Dez/2017 Aerovisão