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Hermenêutica e Aplicação do Direito.

Introdução

“1- Hermenêutica Jurídica tem por objetivo o estudo e a sistematização dos processos
aplicáveis para determinar o sentido e o alcance das expressões do Direito.”
“ As leis positivas são formuladas em termos gerais (...) sem descrê minúcias. É tarefa
primordial do executor a pesquisa da relação entre o texto abstrato e o caso concreto para
aplicar o Direito. Para conseguir, (...) o executor extrai da norma tudo o que na mesma se
contém: é o que se chama interpretar, isto é, determinar o sentido e o alcance das
expressões do Direito.”
“3- A Hermenêutica descobre e fixa os princípios que regem a Interpretação. Ou seja, a
Hermenêutica é a teoria científica da arte de interpretar.”
“7- Não basta conhecer as regras aplicáveis para determinar o sentido e o alcance dos
textos. Parece necessário reuni-las e, num todo harmônico, oferecê-las ao estudo, em um
encadeamento lógico. (...) Intervenha a Hermenêutica, a fim de proceder à sistematização
dos processos aplicáveis para determinar o sentido e o alcance das expressões do Direito.”
Aplicação do Direito.
“8- A aplicação do Direito consiste no enquadrar um caso concreto à norma jurídica
adequada. (...) Em outras palavras: tem por objetivo descobrir o modo e os meios de
amparar juridicamente um interesse humano.
“O direito precisa transformar-se em realidade eficiente, no interesse coletivo e também
no individual. Isso se dá, ou mediante a atividade dos particulares, no sentido de cumprir
a lei, ou pela ação, espontânea ou provocada, dos tribunais contra as violações das normas
expressas, e até mesmo contra as simples tentativas de iludir ou desrespeitar dispositivos
escritos e consuetudinários. Assim resulta a Aplicação, voluntária quase sempre; forçada
muitas vezes.”
“9- (...) Nas linhas gerais antolha-se fácil a classificação; porém, quando se desce às
particularidades, à determinação da espécie, as dificuldades surgem à medida das
semelhanças frequentes e embaraçosas.”
“Busca-se, em primeiro lugar, o grupo de tipos jurídicos que se parecem, de modo geral,
com o fato sujeito ao exame; reduz-se depois a investigação aos que, revelam semelhança
evidente, mais aproximada, por maior número de faces; o último na série gradativa, o que
se equipara, mais ou menos ao caso proposto, será o dispositivo colimado.”
“Entre preceitos que promanam da mesma origem e se contradizem, cumpre verificar a
data de publicação, a fim de saber qual o que revoga implicitamente o outro. Se os dois
surgiram simultaneamente, ou pertencem ao mesmo repositório, procure-se conciliá-los,
quanto possível. Se (...) são de natureza diferente, faça-se prevalecer o estatuto
fundamental sobre todos os ramos do Direito positivo, a lei sobre o regulamento, costume,
uso, ou praxe.”
“10- Para atingir, pois, o escopo de todo o Direito objetivo é força examinar: a) a norma
em sua essência, conteúdo e alcance (quoetio juris, no sentido estrito); b) o caso concreto
e suas circunstâncias (questio facti); c) a adaptação do preceito à hipótese em apego.
“A adaptação de um preceito ao caso concreto pressupõe: a) a Crítica, a fim de apurar a
autenticidade e, em seguida, a constitucionalidade da lei, regulamento ou ato jurídico; b)
a interpretação, a fim de descobrir o sentido e o alcance do texto; c) o suprimento das
lacunas, com o auxílio da analogia e dos princípios gerais do Direito; d) o exame das
questões possíveis sobre ab-rogação, ou simples derrogação de preceitos, bem como
acerca da autoridade das disposições expressas, relativamente ao espaço e ao tempo.”
“A Aplicação não prescinde da Hermenêutica: a primeira pressupõe a segunda, como a
mediação a dianose. (...) a Hermenêutica tem um só objeto – a lei; a outra (Aplicação),
tem dois – o Direito, no sentido objetivo, e o fato.”
Interpretação.

“14- (...) Toda lei é obra humana e aplicada por homens; portanto imperfeita na forma e
no fundo, e dará duvidosos resultados práticos, se não verificarem, com esmero, o sentido
e o alcance das suas prescrições.”
“ Incube ao intérprete aquela difícil tarefa. Procede à análise e também à reconstrução da
síntese. Examina o texto em si, o seu sentido, o significado de cada vocábulo. Faz depois
obra de conjunto; compara-o com outros dispositivos da mesma lei, e com os de leis
diversas, do país ou de fora. Inquire qual o fim da inclusão da regra no texto, e examina
este tendo em vista o objetivo da lei e do Direito em geral. Determinar por este processo
o alcance da norma jurídica, e, assim, realiza, de modo completo, a obra moderna
hermeneuta.”
“Interpretar uma expressão de Direito (...) é, sobretudo, revelar o sentido apropriado para
a vida real, e conducente a uma decisão reta.”
“15- Talvez constitua a Hermenêutica o capítulo menos seguro, mais impreciso da ciência
do Direito; porque a partilha da sorte da linguagem. (...) A dificuldade reside no estofo,
na matéria, no objeto do estudo; bem como em o número ilimitado dos meios auxiliares
e na multiplicidade das aplicações. Há desproporção entre a norma, legislativa ou
consuetudinária, e o Direito propriamente dito, cuja natureza coHmplexa não pode ser
esgotada por uma regra abstrata.”
“16- Por mais hábeis que sejam os elaboradores de um Código, logo depois de
promulgado surgem dificuldades e dúvidas sobre a aplicação de dispositivos bem-
redigidos. (...) Fixou-se o Direito Positivo; porém a vida continua, envolve, desdobra-se
em atividades diversas, manifesta-se sob aspectos múltiplos: morais, sociais, econômicos.
(...) Assim, apenas o sentido se adapta às mudanças que a evolução opera na vida social.”
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