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Artigo

O ASPECTO PLURAL DA CLIENTELA DOS DOCENTES


As dimensões complexas da avaliação dos resultados obtidos pelos docentes
sob o enfoque de cada grupo de interessados.

Luiz Antonio Genghini1


Sandra Maria Roque Nantes de Castilho 2
Elizete Fagundes Montalvão3
Edna Barberato Genghini4

RESUMO

O resultado do trabalho dos docentes não se restringe ao contato com o estudante


porque este é apenas o catalisador de interesses múltiplos que envolvem atores como
o aluno, a instituição de ensino, a família, a sociedade, o mercado de trabalho e o
governo. Este trabalho analisa as condições para o desenvolvimento de recursos
estruturais e pedagógicos visando tornar o processo mais eficiente e eficaz no
planejamento e nas práticas pedagógicas, considerando o marco legal e o aporte
teórico disponível, para que cada instituição realize seus projetos conforme as
disponibilidades de seus entornos, no contexto de cada uma, a fim de possibilitar o
atendimento efetivo à clientela plural que o docente atende a partir da sala de aula.

PALAVRAS-CHAVE: DOCENTE, CLIENTELA, ALUNOS, AVALIAÇÃO.

INTRODUÇÃO

Um dos assuntos mais abordados pela mídia e, provavelmente mais discutido nas
reuniões pedagógicas dos estabelecimentos de ensino, certamente está relacionado
ao desempenho dos docentes diante de uma clientela ampla, que seguramente não se
restringe aos resultados das atividades desenvolvidas junto aos alunos, nas salas de
aula e nos demais ambientes de estudo. Trata-se de uma relação com agentes
múltiplos, com padrões de expectativas diferentes aos quais os docentes têm que se
preocupar de algum modo em atender.
A clientela do docente é complexa, pois vai desde o aluno em sala de aula
que deve aprender as lições e se preparar para a vida, a família que espera realizar os
sonhos e objetivos familiares diante de uma sociedade dinâmica e cada vez mais
exigente, o próprio estabelecimento de ensino que para manter-se competitivo diante
do cenário social e político deseja portar uma imagem de respeito e aceitação, da
comunidade que quer ver os seus membros triunfando, mercado de trabalho que
anseia por pessoal qualificado e, finalmente, do governo que precisa prestar contas
dos investimentos e produzir evidências de crescimento para justificar suas políticas e
se apresentar diante dos órgãos internacionais a fim de mostrar imagens politicamente
corretas, para se habilitar na busca de verbas em programas institucionais e até de
atrair investimentos para o país.
Tudo começa e termina na sala de aula e o professor, nem sempre
consciente de seu papel, trabalhando em condições restritas e tentando dialogar com
alunos que nem sempre desejam se alinhar com os objetivos institucionais e sociais,
desafia diariamente as mazelas e as dificuldades de levar o conhecimento a quem
precisa.
Este trabalho, uma pesquisa exploratória sobre documentos, especialmente
textos legais e literatura específica, é um conjunto de dados, consolidado de
informações que produzem um contexto de conhecimento destinado a ajudar o
docente a analisar melhor seu papel e a propor melhores maneiras de trabalhar sua
profissão. Por outro lado, não é nenhum manifesto ideológico ou posicionamento
pessoal dos autores, porque não pretende levantar bandeiras nem discutir ou atacar
posições que possam parecer diferentes da linha assumida aqui, uma vez que o tema
é absolutamente vasto, polêmico e comporta diversas vertentes, logo, respeitamos
todas as correntes e acreditamos que a diversidade enriquece os processos.
Assim sendo, abordamos a linha de pensamento liberal sob o amparo da
legislação vigente e da bibliografia disponível, tentando mostrar caminhos para que o
docente compreenda o universo profissional em que se encontra e possa melhorar seu
posicionamento diante da clientela plural que se apresenta diariamente na sala de aula
personificada pela figura do aluno.
Devido às limitações materiais e ao objetivo deste trabalho as abordagens
darão prioridade ao contexto do ensino superior.
O AMBIENTE COMPETITIVO DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO

Uma vez que se encontram no ambiente de prestação de serviços todas as


instituições de ensino participam competitivamente dos processos destinados a levar
seus serviços até seus clientes finais, não importando se estão no universo das
escolas públicas oficiais ou das particulares. Cada entidade colherá, para si e para
seus clientes, os resultados decorrentes de suas estratégias de comunicação com os
seus públicos-alvo e da forma de tratar diretamente com os alunos, aqueles que,
representando todos os clientes interessados em seu trabalho, se apresentam em sala
de aula. É do desempenho da escola e dos alunos que a frequentam que sairão todas
as evidências para avaliação, cujos dados servirão para que a instituição seja
percebida pela sociedade em geral, esta um composto nervoso de todos os clientes
interessados em seus resultados.
Levando em conta o contexto complexo da relação com a clientela, parece
ser recomendável que as instituições de ensino se apoderem de ferramentas de
gestão que vão desde o planejamento estratégico (PORTER, 1986) até o marketing
(KOTLER E OUTROS) com a finalidade de cobrir adequadamente todas as frentes
que formam o universo do ensino, de modo a produzir resultados consistentes aos
olhos de todos os interessados, priorizando a aprendizagem do aluno, aquele que
representando todos os demais se apresenta em sala de aula, muitas vezes
desprovido de qualquer recurso material ou emocional, fato, aparentemente
decorrente da nossa própria tradição social.
Entretanto, independentemente das mazelas, uma vez que a instituição se
apresentou para a missão cabem-lhe as decisões e implantações necessárias para se
transformar no agente de mudanças esperado por todos. É sobre este papel
transformador e a utilização de ferramentas de gestão (SOBRAL, PECI, 2013) que
vamos discorrer com o objetivo de consolidar em poucas páginas um plano de ação
que poderá servir de partida para que docentes maximizem os resultados obtidos com
o tempo e os recursos que tiverem à disposição.
ANÁLISE DO AMBIENTE OPERACIONAL DA INSTITUIÇÃO

Antes de se lançar às atividades de cunho prático que deverão levar a


instituição a desempenhar o seu papel na sociedade é recomendável que se faça um
planejamento estratégico a fim de identificar os pontos fortes e fracos, as ameaças e
as oportunidades, que se determinem as forças que poderão concorrer para ajudar ou
para alijar a instituição durante seu turno operacional (PORTER, 1986), no caso das
instituições de ensino em ciclos anuais ou semestrais, conforme os parâmetros que a
Lei determinar.
O primeiro passo da análise de ambiente é o de conhecer-se a si mesma. A
instituição deverá fazer um estudo completo de seus recursos internos em todos os
sentidos, determinando quais são os elementos de que disporá para o cumprimento de
sua jornada. Nesse caso devem-se verificar todas as variáveis internas, conforme
recomenda a figura 1, inspirada em Porter (1986).

O segundo passo será de identificar as forças influentes na área de


atuação, respeitando os contextos materiais, sociais, legais e institucionais, porque é
desse universo que surgirá o elemento complexo e definitivo chamado de clientela,
todos representados pelas figuras dos alunos, sejam eles brilhantes ou trôpegos. É,
também, do meio ambiente que virão os recursos para o desenvolvimento e
implantação da estratégia, bem como, de lá sairão, também, os concorrentes, que não
perderão tempo em ocupar os melhores lugares da plateia representada pelas forças
que no final o docente terá que agradar, conforme sugere a figura 2, inspirada em
Porter (1986).

Levando-se em conta as sugestões acima, cujo estudo poderá ser


aprofundado com a leitura cuidadosa de manuais de Administração e de Marketing,
listados no final, pode-se passar à contextualização da docência no âmbito legal, uma
vez que a Lei é a determinante positiva que estabelece bases e padrões mínimos para
a atuação dos estabelecimentos que se dedicarem a qualquer atividade humana
regulamentada, no nosso caso o ensino.

CONTEXTUALIZAÇÃO DO UNIVERSO DA EDUCAÇÃO PARA DEFINIR O PAPEL


DO DOCENTE

No Brasil, assim como em outros países positivistas a regulamentação das


atividades respeita a hierarquia das leis que têm em seu topo a Constituição Federal
seguida de legislação ordinária específica até as normas internas que regulam a ação
diária de cada agente interveniente.
A Constituição Federal de 1988 trata do assunto educação em seu Capítulo
III, Seção I, artigos 205 a 214, enquanto a Lei 9.394 de 20/12/1996 estabelece as
diretrizes e bases da educação nacional (LDB), mostrando um cenário amplo do que o
docente deve aguardar, logo em seu artigo 1º ao estabelecer que ―A educação
abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência
humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e
organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais‖, enquanto o artigo 13
do mesmo diploma determina o que se espera do professor:
Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de:
I - participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de
ensino;
II - elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pedagógica do
estabelecimento de ensino;
III - zelar pela aprendizagem dos alunos;
IV - estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor
rendimento;
V - ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de participar
integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao
desenvolvimento profissional;
VI - colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a
comunidade.
(www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm, acesso em 11/12/2016).

No âmbito das universidades a mesma LDB, estabelece em seu artigo 43,


quais são as finalidades da educação superior, conforme segue:
Art. 43. A educação superior tem por finalidade:
I - estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do
pensamento reflexivo;
II - formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a
inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da
sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua;
III - incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica, visando o
desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura, e,
desse modo, desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive;
IV - promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos
que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do
ensino, de publicações ou de outras formas de comunicação;
V - suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional e
possibilitar a correspondente concretização, integrando os conhecimentos que
vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual sistematizadora do
conhecimento de cada geração;
VI - estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente, em particular
os nacionais e regionais, prestar serviços especializados à comunidade e
estabelecer com esta uma relação de reciprocidade;
VII - promover a extensão, aberta à participação da população, visando à
difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da
pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição.
VIII - atuar em favor da universalização e do aprimoramento da educação
básica, mediante a formação e a capacitação de profissionais, a realização de
pesquisas pedagógicas e o desenvolvimento de atividades de extensão que
aproximem os dois níveis escolares.(Incluído pela Lei nº 13.174, de 2015).
(www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm, acesso em 11/12/2016).

Em relação à formação do docente, aquele que em última instância


protagonizará o papel de entregar do conhecimento prometido pela instituição e
deverá estimular os estudantes a absorverem o conhecimento com a finalidade de se
tornarem cidadãos mais úteis e participativos no tecido social, a LDB parametrizou as
bases de formação do professor da educação básica no artigo 61 que sofreu
alterações em 2009 e 2016 como segue:
Art. 61. Consideram-se profissionais da educação escolar básica os que, nela
estando em efetivo exercício e tendo sido formados em cursos reconhecidos,
são: (Redação dada pela Lei nº 12.014, de 2009)
I – professores habilitados em nível médio ou superior para a docência na
educação infantil e nos ensinos fundamental e médio; (Redação dada pela Lei
nº 12.014, de 2009)
II – trabalhadores em educação portadores de diploma de pedagogia, com
habilitação em administração, planejamento, supervisão, inspeção e orientação
educacional, bem como com títulos de mestrado ou doutorado nas mesmas
áreas; (Redação dada pela Lei nº 12.014, de 2009)
III - trabalhadores em educação, portadores de diploma de curso técnico ou
superior em área pedagógica ou afim; e (Redação dada pela Medida Provisória
nº 746, de 2016)
IV - profissionais com notório saber reconhecido pelos respectivos sistemas de
ensino para ministrar conteúdos de áreas afins à sua formação para atender o
disposto no inciso V do caput do art. 36. (Incluído pela Medida Provisória nº 746,
de 2016)
Parágrafo único. A formação dos profissionais da educação, de modo a atender
às especificidades do exercício de suas atividades, bem como aos objetivos das
diferentes etapas e modalidades da educação básica, terá como fundamentos:
(Incluído pela Lei nº 12.014, de 2009).
I – a presença de sólida formação básica, que propicie o conhecimento dos
fundamentos científicos e sociais de suas competências de trabalho; (Incluído
pela Lei nº 12.014, de 2009).
II – a associação entre teorias e práticas, mediante estágios supervisionados e
capacitação em serviço; (Incluído pela Lei nº 12.014, de 2009).
III – o aproveitamento da formação e experiências anteriores, em instituições de
ensino e em outras atividades. (Incluído pela Lei nº 12.014, de 2009).
(www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm, acesso em 11/12/2016).

Seguindo, nos artigos 65 e 66, a LDB trata genericamente da formação do


professor universitário estabelecendo a carga horária mínima e a exigência de pós-
graduação, prioritariamente em nível de mestrado ou doutorado, contemplando,
excepcionalmente o notório saber, conforme a transcrição seguinte:

Art. 65. A formação docente, exceto para a educação superior, incluirá prática
de ensino de, no mínimo, trezentas horas.
Art. 66. A preparação para o exercício do magistério superior far-se-á em nível
de pós-graduação, prioritariamente em programas de mestrado e doutorado.
Parágrafo único. O notório saber, reconhecido por universidade com curso de
doutorado em área afim, poderá suprir a exigência de título acadêmico.
(www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm, acesso em 11/12/2016).
Determinado o marco legal para a prática da docência, é recomendável
abordar alguns fragmentos de Marketing a fim de facilitar a compreensão da proposta
e a contextualização do papel do docente no universo competitivo das instituições de
ensino.

MARKETING: CONCEITOS, PROCESSOS E AÇÕES COMPATÍVEIS COM A


ATIVIDADE PEDAGÓGICA

Sem embargo, podemos classificar o marketing utilizado pelas instituições


de ensino no contexto do marketing de serviços, tão bem abordado por Kotler e outros
em seu excelente trabalho ―Marketing de Serviços Profissionais‖ como ―O marketing é
um processo social e gerencial por meio do qual os indivíduos e os grupos obtêm
aquilo de que precisam e também o que desejam, em razão da criação e da troca de
produtos/serviços de valor com outras pessoas‖. (BOOMS, JO APUD KOTLER,
HAYES, BLOOM, 2002, p.7).
Os mesmos autores ensinam que ―Um serviço consiste em uma ação,
desempenho ou ato que é essencialmente intangível e não acarreta necessariamente
a propriedade do que quer que seja. Sua criação pode ou não estar vinculada a um
produto material‖. (KOTLER, HAYES, BLOOM, 2002, p.283).
Da mesma forma que ocorre com produtos de consumo ou industriais, os
serviços, ao serem formatados para os clientes devem se subordinar a algumas regras
que se destinam a assegurar o atendimento ao cliente final e à preservação do
fornecedor, a fim de que este não dilapide seus recursos e que possa continuar as
atividades ao longo do tempo, preservando seus patrimônios e assegurando a
satisfação de seu cliente final. Um dos recursos amplamente utilizado pelas
organizações e que cabe perfeitamente quando se fala em serviços é o mix ou
composto de marketing, geralmente compreendido como os 4 P’s, uma contribuição
inestimável de McCarthy e Perreault em sua obra ―Marketing Essencial‖ (1997), ou
seja P1- Produto ou serviço, P2- Preço, P3- Praça ou logística de entrega e o P4-
Promoção ou comunicação e promoção. Embora alguns autores sugiram o
desdobramento do composto de marketing em outros P’s, é de McCarthy e Perreault.
(1997, p. 45) a seguinte recomendação: ―É útil reduzir todas as variáveis para as
quatro básicas que formam o composto de marketing: Produto; Preço, Ponto de venda
e Promoção‖, certamente para facilitar os processos de observação, avaliação e
decisão.
Nesse contexto, imagina-se que o planejamento de uma instituição de
ensino deve levar alguns elementos em consideração a fim de elaborar seu Plano
Estratégico e os respectivos detalhamentos para que suas decisões cheguem até o
público-alvo por intermédio da ação pedagógica dos docentes. Apenas a guisa de
sugestão, segue um quadro para estimular as pesquisas e a criatividade no sentido de
oferecer o que há de melhor, conforme a vocação de cada instituição:
Principais informações para um plano de marketing detalhado:
1- Levantamento de Informações
a) Análise interna
b) Análise externa
2) Lista de Problemas e Oportunidades
3) Determinação de objetivos
4) Desenvolvimento da Estratégia
Institucional
Por departamento
Por implementador
Estrutura
Segmento ou público-alvo
Composto de marketing
5) Determinação do orçamento
6) Resultados esperados.

Deve-se levar em conta que a pesquisa de mercado para os objetivos


desejados abrange no mínimo as demandas e necessidades do público-alvo e que um
plano de marketing deve conter os objetivos estratégicos, estabelecer o composto de
marketing, definir as funções e projetar os recursos, deve incluir um plano de ação
detalhado e estabelecer a forma de implantar e controlar as atividades, aplicando
recursos de administração como o PODC/PDCA (Planejamento, Organização, Direção
e Controle ou Plan, Do, Control e Act), conforme ensinam Sobral e Peci (2013, 2ª ed.,
partes 2 e 3).
No caso de instituições de ensino todo o planejamento deverá respeitar o
marco legal, o ambiente organizacional e o ambiente de tarefas, conforme a sequência
seguinte:
Contexto Institucional a ser considerado no Planejamento
Estratégico de Instituições de Ensino:
 Ambiente legal: Lei nº 9.394 de 20/12/1996 – LDB e
suplementares.
 Ambiente institucional:
o Projeto Pedagógico Institucional (PPI)
o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI)
o Projeto Pedagógico de Curso (PPC)
o Currículo
o Plano de Ensino (por disciplina)
 Ambiente de Tarefa: Plano de aula, aulas, atividades,
avaliação.

A fim de que não se erre o alvo, é interessante uma abordagem mais ampla
a respeito do perfil complexo e multifacetado dos CLIENTES DO DOCENTE, aqueles
que receberão diretamente o produto/serviço sob a forma de aulas e aqueles que
perceberão o desempenho dos docentes e da instituição por meio dos resultados
levados pelos egressos, de volta à comunidade/sociedade de onde vieram sob a forma
de realizações ou não.
Com a finalidade de assegurar a formulação de perguntas certas na fase de
pré-elaboração do planejamento, propomos um esquema de identificação dos clientes
do docente na ilustração 3, cuja análise levará os formuladores do planejamento a
identificar todas as expectativas a serem atendidas.

Finalmente, tendo identificados os clientes do docente, seguem algumas


sugestões para elaboração de um projeto de atendimento a partir dos elementos
disponíveis no contexto de cada instituição, considerando o Ambiente Legal, Lei nº
9.394 de 20/12/1996 – LDB e suplementares, o Ambiente Institucional, composto pelo
Projeto Pedagógico Institucional (PPI), pelo Plano de Desenvolvimento Institucional
(PDI), pelo Projeto Pedagógico de Curso (PPC), pelo Currículo do Curso e pelos
Planos de Ensino (Ementas), enquanto no ambiente de tarefas serão elaborados os
planos de aulas, ministradas as aulas, as atividades serão aplicadas e o desempenho
será avaliado.

Em consonância com a LDB, o Projeto Pedagógico Institucional (PPI) define


o que se tem intenção de realizar no futuro – tem dimensão utópica, devendo
transformar em real os princípios e práticas subjacentes a uma instituição. De acordo
com Oliveira (2011)
O Projeto Pedagógico Institucional – PPI norteia a realização da missão
institucional, na medida em que estabelece os parâmetros de condução das
atividades acadêmicas e apresenta políticas institucionais compostas por um
conjunto de estratégias necessárias à consecução dos objetivos maiores da
educação superior e da Instituição. Tal documento serve de ferramenta para o
planejamento estratégico das Instituições de Ensino Superior (IES) (OLIVEIRA,
2011, p.2).

O processo de construção do PPI exige reflexão e debates entre os


segmentos da comunidade universitária sobre:
- Visão de mundo contemporâneo e o papel da Escola Superior em face da
conjuntura globalizada e tecnológica;
- O ensino, a pesquisa e a extensão como componentes para a formação
crítica do futuro profissional e cidadão;
- Produção e socialização dos conhecimentos na busca da articulação entre
a situação real e a desejada dos diferentes atos operacionais e administrativos,
conceituais e pedagógicos.
Sem fugir do contexto da legislação, o Plano de Desenvolvimento
Institucional (PDI) é um instrumento de gestão sob a forma de planejamento flexível
pautado em objetivos e metas para um período determinado. Sua elaboração deve ser
de caráter coletivo e os referenciais são os resultados da avaliação institucional. O PDI
articula-se ao PPI ao apresentar os seguintes eixos temáticos: perfil institucional;
gestão institucional (organização administrativa, organização e gestão de pessoal,
política de atendimento ao discente); organização acadêmica (organização didático-
pedagógica, oferta de cursos e programas — presenciais e a distância); infraestrutura;
aspectos financeiros e orçamentários e avaliação e acompanhamento do
desenvolvimento institucional.
O Projeto Pedagógico de Curso (PPC) é elaborado mediante o
envolvimento dos profissionais relacionados com o curso e deve dialogar com o PPI,
incorporando seus valores. É um documento de mesma dimensão do PPI e nele se
pauta ainda que se restrinja a um determinado curso. É a referência de todas as ações
e decisões do curso. Cada PPC articulará a especificidade da(s) área(s) de
conhecimento(s) no contexto da respectiva evolução histórica do campo de saber,
estabelecendo, ao mesmo tempo, o espaço particular relacionado à sua história. A
organização curricular, que prevê as ações pedagógicas regulares do curso, elemento
fundamental de um Projeto Pedagógico, é orientada por Diretrizes Curriculares
Nacionais. O PPC define a identidade formativa nos âmbitos humano e profissional,
concepções e orientações pedagógicas, matriz curricular e estrutura acadêmica de
seu funcionamento.
O Currículo por sua vez delimita o Espaço de formação plural, dinâmico e
multicultural, fundamentado nos referenciais sócio antropológicos, psicológicos,
epistemológicos e pedagógicos em consonância com o perfil do egresso, o conjunto
de elementos que integram os processos de ensinar e de aprender num determinado
tempo e contexto, garantindo a identidade do curso e o respeito à diversidade regional.
O Plano de Ensino deve conter os elementos do Currículo, de modo
detalhado, contemplando os conhecimentos e saberes necessários à formação das
competências estabelecidas no perfil do egresso; estrutura curricular; ementário;
bibliografias básica e complementar; estratégias de ensino; recursos materiais;
serviços administrativos, de laboratórios e infraestrutura de apoio.
O Plano de Aula pode definir atividades habituais ou ocasionais. Uma
atividade habitual pode ser diária, semanal ou quinzenal, e é ideal para intensificar o
contato com um conteúdo. Já uma atividade ocasional é motivada por uma ocorrência
inesperada – um fato relatado pela mídia ou uma informação obtida por docente ou
pelos alunos e levada para a sala de aula no calor dos acontecimentos. Não é preciso
inventar uma relação entre esse conteúdo e o que o professor vinha trabalhando.
Basta ser um pouco flexível no planejamento e incluí-lo.
Finalmente, a respeito dos Sistemas de Aferição e Avaliação, deve-se levar
em conta que o docente será avaliado, por intermédio dos resultados de seu trabalho,
em vários níveis, da multiplicidade aos interesses diversos de sua clientela, conforme
já se viu anteriormente. Assim, em nível legal consideram-se as formas previstas em
Lei (LDB e regulamentações): Avaliação da Instituição; Avaliação do corpo docente e
Avaliação do corpo discente. Em Nível Institucional as aferições ocorrem por meio de
avaliações internas, por meio de pesquisas; realização de provas institucionais;
realização de provas regimentais; relatos à ouvidoria e atendimento direto pelos
coordenadores dos departamentos específicos e pelos professores.
Em nível mercadológico a avaliação ocorre por meio de pesquisas e
publicações da mídia, como é o caso do RUF- Ranking Universitário Folha que publica
pesquisa anual, a fim de aferir a aceitação dos alunos para realização de trabalhos e
estágio, a preferência pela contratação dos egressos e até pela projeção dos egressos
no mercado de trabalho atuando como executivos ou como empreendedores. Em nível
social, embora a apuração seja mais difícil, infere-se que ao adquirir o diploma de
curso superior os alunos passem a contabilizar sensíveis mudanças em suas vidas
projetando o impacto em melhorias para toda a sociedade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

É fato que a implementação de mudanças em áreas muito complexas como


a do ensino é demorada, demandando um período transitório longo para que todos os
agentes se adaptem e se adequem aos novos parâmetros. Com a Lei 9394/96 não foi
diferente, uma vez que introduziu muitas mudanças estruturais e praticamente obrigou
a instituições de ensino a competirem em clima de livre mercado para se
consolidarem.
O ambiente geral mudou muito a partir da LDB e alguns quesitos ainda
estão em fase de implantação, enquanto as Instituições vêm aos poucos se
adaptando, até porque, o MEC vem pressionando e as características de mercado as
obrigam a competir.
O Cliente do Docente é um conjunto de variáveis, muitas vezes conflitante,
que envolve a Instituição que o contratou, a direção do curso para o qual trabalha, o
estudante que é o que recebe o produto/serviço prometido, o mercado que é o
empregador do egresso, a família e a sociedade que assimilam o impacto da boa ou
da má formação recebida pelo egresso e o ambiente dinâmico das mudanças,
influenciado pela tecnologia, especialmente a internet e as redes sociais, sucatou o
conhecimento numa velocidade incrível.
Diante de tanta responsabilidade o professor não tem mais condições de se
apresentar em sala de aula sem que tenha se preparado. Lecionar se tornou uma
profissão estratégica que demanda conhecimento amplo da estrutura do curso para o
qual leciona. É atividade multidisciplinar e exige um conjunto vasto de competências e
habilidades com atualização permanente.
Entretanto, a atuação e o desempenho do professor se vincula às
condições da instituição, à qualidade de seu desempenho e de seu planejamento, aos
recursos que oferece e à maneira de se relacionar com o docente apresentando-lhe as
expectativas da clientela múltipla que ele ira atender.
Portanto, a fim de atender o composto de uma clientela complexa e
exigente o docente deve se apoiar numa abordagem sistêmica do curso no qual atua,
a fim fazer com que o conteúdo de sua disciplina se encaixe no contexto das demais,
visando à formação ampla e plena do egresso. Por outro lado, isto só será possível se
o docente realizar o planejamento para todo o período, antes de pensar em cada plano
de aula individualmente e se cercar de fontes fidedignas de informações, mantendo
biblioteca relativa à sua especialidade atualizada, adotando atitudes e assumindo
postura dinâmica e comprometida com os processos em busca dos melhores
resultados.

Abstract

THE PLURAL ASPECT OF TEACHERS' CLIENTELLA: The Complex Dimensions


of the Evaluation of the Results Obtained by the Teachers under the Focus ff
Each Stakeholder Group.

The result of the work of teachers is not restricted to contact with the student because
this is only the catalyst of multiple interests that involve actors such as the student,
educational institution, family, society, labor market and government. This work
analyzes the conditions for the development of structural and pedagogical resources in
order to make the process more efficient and effective in planning and pedagogical
practices, considering the legal framework and the available theoretical contribution, so
that each institution can carry out its projects according to the availability of its
surroundings , in the context of each one, in order to enable the effective attendance to
the plural clientele that the teacher attends from the classroom.
KEY-WORDS: TEACHER, CLIENTELA, STUDENTS, EVALUATION.

REFERÊNCIAS

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ccivil_03/Leis/L9394.htm (acesso em 11/12/2016).
RUF Ranking Universitário Folha 2015. Disponível em http://ruf.folha.uol.com.br/
2015/, acesso em 11/12/2016.

AUTORIA
1) Luiz Antonio Genghini - Mestrado em Administração pela Universidade
Guarulhos (2001). Atualmente é sócio psicopedagogo consultor organizacional de
MENTOR Orientação Psicopedagógica Ltda. e professor da Universidade Paulista –
UNIP.
2) Sandra Maria Roque Nantes de Castilho, Mestrado em Educação pela
Universidade Cidade de São Paulo, Brasil (2002), Professora na Universidade
Paulista- UNIP.
3) Elizete Fagundes Montalvão, graduação em Letras pela PUC SP, Mestrado em
Ciências do Envelhecimento pela Universidade São Judas Tadeu, Brasil (2013), Pós-
graduação e Ensino a Distância – EAD pela UNIP, São Paulo. Professora da
Universidade Paulista- UNIP.
4) Edna Barberato Genghini, Mestrado em Ciências Humanas pela Universidade
de Guarulhos, Brasil (2002), Diretora e Psicopedagoga MENTOR Orientação
Psicopedagógica Ltda. Professora da Universidade Paulista – UNIP.