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Freud, no texto aborda de modo conciso a natureza da criação e suas

implicações, além de explicar a gênese do ato criativo na fantasia, começando quando


criança, iniciando-se na brincadeira, evoluindo na vida adulta, como uma forma
reprimida de manifestação no inconsciente, consequentemente ele explicita suas
posições acerca da fantasia do mundo real e imaginativo, desse modo traçando uma
linha tênue, entre os tipos de realidade.

Neste texto, surgi uma dúvida primordial que embasa toda a discussão: o que é a
realidade psíquica? Para responder essa pergunta é preciso acompanhar as
modificações que o termo foi sofrendo ao longo das obras de Freud. Primero, têm-se
a palavra utilizada para designar vários tipos de realidade como “realidade do
pensamento” e “realidade externa” (Projeto para uma psicologia científica). Por fim,
no último ensaio de totem e tabu, o termo realidade psíquica designa uma realidade
que contrapõe a realidade concreta. Na análise feita por Freud, em escritores criativos
e devaneios, a criança ao brincar cria um mundo que não está desligado da realidade,
“Apesar de toda a emoção com que a criança catexiza seu mundo de brinquedo, ela
distingue perfeitamente da realidade”. Dessa maneira, a criança liga os seus objetos
internos (imaginativos) a realidade externa. Há uma similaridade na forma com que
acontece a criatividade nos escritores, em comparação ao brincar infantil, isto é, em
ambos os casos existe um forte investimento de emoção, portanto, é possível notar
que a realidade psíquica se dá em uma realidade interna, que não pode ser reduzida
a simples interpretações da imaginação, mas que é de fato o inconsciente que
manifesta seus desejos nas fantasias. Freud entende que o desejo da criança é
revelado nas brincadeiras, que representa sua vontade de tonar-se adulto. Já o artista,
não possui mais a ilusão da primeira infância, mas é através da criação artística que
ele realiza suas imaginações e fantasias. Então, pode-se inferir que a realidade
psíquica é o campo das representações de um indivíduo, não um campo estático, mas
sim ativo, pois está ligado as redes de associação das representações possíveis. No
segundo momento, Freud traça algumas características sobre a fantasia, no que se
refere a compressão da realidade subjetiva do sujeito, dando ênfase a mutabilidade
dessas fantasias no decorrer da vida psíquica de qualquer indivíduo, comprando a
fantasia com a temporalidade da vida, o autor estabelece três tempos que marca a
ideação de cada indivíduo.
Freud ver uma linearidade temporal que marca a vida dos seres humanos divide o
“tempo psíquico” em três, são eles: passado, presente e futuro, esses tempos agem
nas lembranças traumáticas dos sujeitos que utiliza representações e experiências
anteriores (na infância) fazendo com que sejam representados na forma de desejos.
Isso, resulta na criação de um devaneio ou fantasia. Em consonância a isso, o desejo
segundo Freud, “o desejo que o entrelaça” os três períodos, então é possível
estabelecer uma relação com a vida do autor e suas obras “podemos encarar a
situação como se segue. Uma poderosa experiência no presente desperta no escritor
criativo uma lembrança de uma experiência anterior (geralmente de sua infância), da
qual se origina então um desejo que encontra realização na obra criativa”. Já em
Lacan (1967b/2003, p. 259), a fantasia vai se construir como uma “janela para o real”.
O acesso do real só é possível ser atingindo de forma simbólica através da mediação
com a fantasia, assim trona-se possível alcançar a realidade através de operações
simbólicas advindas da cultura e da sua linguagem, temos então uma relação do
indivíduo com um objeto no qual é “descarregado” sua pulsão.
Portanto, conclui-se, que os indivíduos que escodem seus devaneios, com medo de
mostrar o que está oculto, revela todo a sua rejeição dos sentimentos nas obras de
arte. O sentimento de repulso reprimido é desfaçado em características dos
personagens construídos, nesse sentido é oferecido aos leitores das obras as
apresentações das fantasias, denominado por Freud como “prêmio e estímulo”, ou
seja a satisfação ocorre tanto do o leitor se regozija em poder ver seus desejos
secretos descoberto na literatura “deleitarmos com nossos próprios devaneios, sem
auto-acusações.