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MEDICINA LEGAL

CADERNO DE
EXERCÍCIOS EM
MEDICINA LEGAL
Exercícios de fixação
Reginaldo Franklin

2014
COLETÂNIA DE PROVAS DO CURSOS DE DIREITO E DE MEDICINA

QUESTÕES COM RESPOSTAS COMENTADAS

ESQUEMAS CORPORAIS

MINUTA DE ÓBITO

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APOIO / INSTITUTO MÉDICO-LEGAL AFRÂNIO PEIXOTO
CADERNO DE EXERCÍCIOS
EM MEDICINA LEGAL
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO

REGINALDO FRANKLIN

2014

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Franklin, Reginaldo

Caderno de exercícios em medicina legal: exercícios de fixação / por


Reginaldo Franklin. – 2014

vi, 230 f. : il. ; 29,5 cm.

Digitado (original).

Material Didático – Universidade do Grande Rio; Centro


Universitário Plínio Leite – Anhanguera e Instituto Médico-Legal Afrânio
Peixoto; Rio de Janeiro, 2014

1. Introdução ao Estudo da medicina Legal e do Corpo de Delito. 2.


Antropologia, Tanatologia Forense, Estudo da Imputabilidade,
Psicossexualidade, Sexologia Forense e Traumatologia Forense. I.
Franklin, Reginaldo (autor). II. Unigranrio.

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Prof. Reginaldo Franklin

Biólogo, Médico e Bacharel em Direito

Médico Perito-Legista da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro

Professor de Medicina Legal da UNIGRANRIO e UNIPLI-


ANHANGUERA

AO TRATAR DO TEMPO, CERTAMENTE O FUTURO


É DOS MAIS INCERTOS. O PASSADO É
IRREPARÁVEL E O PRESENTE REPRESENTA O
MOMENTO MAIS PRÓXIMO DAS NOSSAS DECISÕES
E DOS NOSSOS PASSOS. EM CADA SEGUNDO,
PODEMOS VIVER OU MORRER. PORTANTO, HÁ
UMA NECESSIDADE DE VIGILÂNCIA CONSTANTE,
MAS ESSENCIALMENTE MANTER A FIDELIDADE
AOS NOSSOS SENTIMENTOS E COERENTE COM OS
NOSSOS ATOS.

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NA GALERIA DOS GRANDES MÉDICOS, DESTACAM-SE ALGUNS PELA
ARTE, OUTROS PELOS RESULTADOS, E UMA PARCELA, PELA HABILIDADE
RECONHECIDA, PELA ÉTICA E RESPEITO AO PRÓXIMO. OS PRIMEIROS
SÃO OS VERDADEIROS MESTRES. O SEGUNDO REGOZIJA ORGULHO
ENTRE OS HOMENS, E OS ÚLTIMOS, PELA SIMPLICIDADE E HUMILDADE,
SÃO NOTÓRIOS HIPOCRÁTICOS, E ASSENTAM-SE AO LADO DE APOLO.

Reginaldo Franklin

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PREFÁCIO DO AUTOR

Prezados alunos dos cursos de graduação, pós-graduação ou aqueles com o


objetivo de preparação para concursos públicos, ou professores buscando um material
de questões para aplicação em aulas.

Apresento-lhes um caderno de exercícios, fruto da experiência do autor em sala


de aula e em concursos públicos.

Objetiva compatibilizar o ensino teórico e prático com as necessidades de


formação de conduta ética, moral e legal do acadêmico de medicina, da aplicabilidade
da medicina legal como instrumento do Direito para o Bacharel, e, sobretudo, apoio ao
candidato para os concursos públicos que apura conhecimentos em medicina forense.

Integra esta apostila a colaboração da professora Adriane Rêgo que vem assomar
sua vivência no apaixonante caminho do magistério.

O autor é médico perito-legista da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro e


com título de especialista pela associação Brasileira de Medicina Legal, atualmente
Associação Brasileira de Medicina Legal e Perícias Médicas.

Faz-se imprescindível para acompanhar as aulas, os livros textos deste autor que
versam com os títulos: “Perguntas e Respostas Comentadas em Medicina Legal” (2ª
edição); “Medicina Legal Aplicada”; “Manual Prático Para o Perito Legista” e
“Medicina Legal Descomplicada”, todos pela editora Rubio, alguns ainda na fase de
pré-lançamento.

Recomendamos ainda o material didático do professor Roberto Blanco, os livros


de medicina legal dos professores Genival Veloso de França e Higyno de Carvalho
Hércules.

Boa leitura, bom proveito e sucesso nos seus objetivos.

Reginaldo Franklin

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SUMÁRIO

Capítulo 1: Introdução ao estudo da Medicina Legal e Corpo de Delito ....7

Capítulo 2: Estudo Médico-Legal da Imputabilidade .............................. 31

Capítulo 3: Estudo Médico-Legal de Psicossexualidade e da Sexologia


Criminal .................................................................................................. 51

Capítulo 4: Fenomenologia da Morte – Tanatologia Forense ................. 65

Capítulo 5: Lesionologia Mecânica ......................................................... 118

Capítulo 6: Lesionologia Física ............................................................... 141

Capítulo 7: Lesionologia Química, Bioquímica, Biodinâmica e Mista .. 160

Capítulo 8: Lesionologia Físico-Química – Asfixiologia ....................... 169

Capítulo 9: Diagnóstico em Medicina Legal – Exercícios rápidos ......... 184

Coletânea de provas aplicadas no curso de Medicina ............................. 202

Coletânea de provas aplicadas no curso de Direito ................................ 224

Anexo 1 – minuta do óbito ............................................................... 230

Anexo 2 – Esquemas corporais ........................................................ 231

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CAPÍTULO 1

INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA MEDICINA LEGAL E CORPO DE


DELITO

1) Pai da Medicina Legal:


(a) Afrânio Peixoto
(b) Nina Rodrigues
(c) Ambroise Paré
(d) Lacassagne

Resposta: C

Figuram como expoentes fundadores da medicina legal, o francês Ambroise Paré


(1510 – 1590) e os italianos Paulus Zacchias (1584 – 1659), e Fortunato Fidelis (1550 –
1630).

Ambroise Paré, cirurgião do exército francês, é considerado o pai da Medicina


Legal. Definia este campo da medicina social como “a arte de fazer relatórios em juízo”.
Lançou em 1575 um tratado sobre Medicina Legal, denominado “Des Rapports et des
Moyens d’ Embaumer les Corps Morts”, destacando, entre outros temas, o diagnóstico
das feridas, as formas de asfixias, diagnóstico da virgindade e técnicas de
embalsamamento.

Acreditava-se na época que os projéteis eram venenosos e que deveriam ser tratados
com óleo fervente.

Com a falta do óleo, Ambroise paré substituiu por uma mistura de gema de ovo,
óleo de rosas e terebintina, constatando uma melhor e mais rápida cicatrização.

Para Souza Lima o fundador da medicina legal seria o romano Paulus Zacchias
(1584 – 1659), médico pessoal do papa Inocêncio X e Alexandre VII, ressaltando sua
obra – “Questiones Médico-Legales”, em nove a dez volumes, publicados entre 1621 e
1651, como a mais completa e de valor científico elevado.

Entretanto, o primeiro tratado mais completo foi publicado em 1602 por Fortunato
Fidelis (1550 – 1630), dividido em quatro livros, intitulado “De Relationibus
Medicorum”. Zacchias e Fidelis foram categóricos nos estudos da patologia moderna
aplicada as mortes violentas.

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2) Categorizou a medicina legal como um complexo tríplice por sua natureza
médica, seu espírito jurídico e seu caráter social:
(a) Lacassagne
(b) Devergier
(c) Simonin
(d) Thoinot

Resposta: C

Entre os conceitos de Medicina Legal, aquele que reflete o fim maior a que se
destina a perícia médico-forense é a categorização da medicina legal por SIMONIN,
entendendo-a como um complexo que atende a sociedade através de um espírito jurídico
da medicina.

3) Define a medicina legal como a arte de fazer relatórios em juízo:


(a) Ambroise Paré
(b) Lacassagne
(c) Thourdes
(d) Simonin

Resposta: A

Considerado o pai da medicina legal, Ambroise Paré, definia a ciência médico-legal


como uma arte de fazer relatórios em juízo. Para Lacassagne é “A arte de por os
conceitos médicos ao serviço da administração da justiça”.

Segundo a definição de Tourdes é “A aplicação dos conhecimentos médicos às


questões que concernem aos direitos e deveres dos homens reunidos em sociedade”.

4) “É a ciência do médico aplicada aos fins da ciência do direito”:


(a) Ambroise Paré
(b) Lacassagne
(c) Buchner
(d) Tardieu

Resposta: C

O enunciado entre aspas aponta a definição de medicina legal por Buchner. Uma das
mais interessante e abrangente, apontando o direito como ciência e dependente em
alguns aspectos, onde se aplica, outras ciências como a medicina.
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5) Patrono da Medicina Legal do Rio de Janeiro:
(a) Leonídeo Ribeiro
(b) Afrânio Peixoto
(c) Nina Rodrigues
(d) Oscar Freire

Resposta: B

Júlio Afrânio Peixoto (1876-1947) nasceu em Lençóis, na Bahia e faleceu aos 70


anos no Rio de Janeiro. Foi médico, político e romancista.

Ocupou a cadeira 7 da Academia Brasileira de Letras, sucedendo a Euclides da


Cunha, quando de sua morte em 1909, o qual foi por ele necropsiado, e sucedido por
Afonso Pena Júnior.

Ocupou também a cadeira nº 2 da Academia Brasileira de Filologia, a qual ajudou a


fundar. É considerado o patrono da medicina legal do Rio de Janeiro, recebendo o seu
nome o Instituto Médico-Legal.

6) A nacionalização da Medicina Legal brasileira se iniciou na Faculdade de


Medicina do Rio de Janeiro com a entrada de:
(a) Agostinho José de Souza Lima
(b) Raymundo Nina Rodrigues
(c) Oscar Freire de carvalho
(d) Estácio de Lima

Resposta: A

A medicina legal brasileira foi muito influenciada pela medicina legal francesa,
alemã e italiana, tendo maior presença a primeira.

A história da medicina legal nacional é dividida, segundo Oscar Freire de Carvalho,


em três fases: 1ª fase (estrangeira – até 1877), 2ª fase (transição – de 1877 até 1895,
com Souza Lima) e 3ª fase (nacionalização – a partir de 1895, com Nina Rodrigues).

O cunho nacional dessa especialidade se deu no Rio de Janeiro com a entrada de


Agostinho José de Souza Lima na Faculdade de Medicina em 1877, sucedendo a
Ferreira de Abreu, que após reestruturação da cátedra, introduziu o primeiro curso
prático de tanatologia forense.

A questão deixa uma brecha com relação à alternativa “A”, ao frisar o início da
nacionalização e especificamente no Estado do Rio de Janeiro, entendendo, entretanto,

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que historicamente esta fase, a nível nacional, é considerada como um período de
transição.

7) A verdadeira nacionalização da medicina legal no Brasil se deu com:


(a) Agostinho José de Souza Lima
(b) Raymundo Nina Rodrigues
(c) Oscar Freire de Carvalho
(d) Estácio de Lima

Resposta: B

No Brasil, a nacionalização da medicina legal se consolidou com os trabalhos de


Raymundo Nina Rodrigues no Estado da Bahia, adaptando a medicina legal mundial
com a realidade criminal, jurídica e antropológica brasileira.

Nas palavras de FLAMÍNIO FÁVERO (1991, p. 31): “Nina Rodrigues pregava


pela palavra e pelo exemplo o nosso dever de verificarmos todas as contribuições
científicas estrangeiras, quer de técnica, quer de doutrina, tendo sempre em conta as
condições diversas do nosso meio físico, psíquico e social”.

Fonte: Fávero, F. Medicina Legal. Belo Horizonte, editora Villa Rica, 12ª ed. 1991, p.
31)

8) A primeira publicação de cunho médico legal no Brasil versava sobre:


(a) O ensino prático de Tanatologia por Souza Lima
(b) A necropsia do regente João Bráulio Muniz
(c) A impugnação de um laudo pericial
(d) O reconhecido valor de Oscar freire

Resposta: C

Na história forense, cita-se que em 1247 é publicado o livro “Xi Yuan Ji Li”, sendo
o primeiro registro da aplicação médica para solucionar crimes, cuja tradução é
“Compilação de Casos Resolvidos”.

A primeira necropsia oficial ocorreria em 1521, quando uma suspeita por


envenenamento, levaria a necropsia do Papa Leão XIII.

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Em 1525 um documento italiano intitulado como “Editto dela gran carta dela vicaria
di Napoli”, instituía o parecer dos peritos antes da decisão do magistrado.

No século XIX o detetive francês Eugène François Vidocq, criava a primeira força
de detetives – “Sûrete de Paris”. O Código Criminal Carolino, promulgado por Carlos
Magno em 1532, determinava o exame médico da vítima e do agente nos casos de
homicídio, aborto, infanticídio e lesão corporal.

No Brasil o primeiro registro médico-legal se deu no Rio de Janeiro, em 1814 e foi


de natureza impugnativa.

O médico mineiro Gonçalves Gomide, então senador do império, impugnou o


exame médico realizado pelos clínicos Antônio Pedro de Souza e Manuel Quintão da
Silva, em uma jovem que a consideram santa.

Tal registro foi intitulado como “impugnação Analítica ao exame feito pelos clínicos
Antônio Pedro de Souza e Manuel Quintão da Silva”.

A primeira necropsia no Brasil ocorreu em 1835 quando o cirurgião da família


imperial brasileira – Hércules Octávio Muzzi publicou no Diário da Saúde, a necropsia
do Senhor Regente Bráulio Muniz, realizada 22 horas depois da morte, às 14 horas do
dia 21 de setembro de 1835.

9) Reconhecido como “o espírito original da Medicina Legal brasileira”:


(a) Afrânio Peixoto
(b) Nina Rodrigues
(c) Oscar freire
(d) Souza Lima

Resposta: B

A terceira fase histórica da medicina legal é dita fase de nacionalização. Ela se deu
com Nina Rodrigues na Bahia. Adaptou as ciências criminais estrangeiras à realidade
nacional. Com Nina Rodrigues tem início a originalidade dos trabalhos científicos no
campo médico-legal. Afrânio Peixoto o denominava como “o espírito original da
medicina legal brasileira”.

10) Ganhou fama de “grande químico e mau médico-legista”:


(a) Ferreira de Abreu
(b) Afrânio Peixoto
(c) Oscar Freire
(d) Souza Lima

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Resposta: A

Francisco Ferreira de Abreu condecorado como Barão de Teresópolis, nascido em


Porto Alegre, foi médico, educador e pesquisador.

Destacou-se no campo da toxicologia com relevantes trabalhos entre 1855 e 1877.


Um apaixonado e aplicado toxicologista, a ponto de afastar-se da medicina legal pura,
rendendo-lhe uma consagração de “tão grande químico quanto mau médico-legista”.

11) A quem se deve os seguintes postulados: “O perito deve atuar com a ciência do
médico, a veracidade da testemunha e a equanimidade do juiz; É necessário abrir
os olhos e fechar os ouvidos; Deve-se seguir o método cartesiano; pensar com
clareza para esclarecer com precisão”:
(a) Lacassagne
(b) Nerio Rojas
(c) França
(d) Paré

Resposta: B

Nério Rojas é uma das mais célebres figuras na medicina legal mundial. Opinava
que: “Se a saúde física da sociedade desenvolveu a higiene e a medicina social, sua
saúde moral, que tem na justiça uma de suas bases mais sólidas, desenvolveu a
medicina legal”.

Assim definia a medicinal legal: “É a aplicação dos conhecimentos médicos aos


problemas judiciais”. É autor do decálogo ético abordado na questão em apreço.

12) Demonstra genericamente a autenticidade e a veracidade de um fato:


(a) Testemunha
(b) Documento
(c) Perícia
(d) Prova

Resposta: D

A prova é a demonstração genérica e autêntica da veracidade de um fato. Sua


produção necessita de alguns pré-requisitos: admissibilidade (prova genética),
pertinência, concludência e possibilidade de realização.

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As provas estão elencadas a título de exemplo no art. 212 do código Civil (CC),
uma vez que são admitidas em Direito todas as provas moralmente legítimas (incluindo
as provas inominadas). Representam “os olhos do processo”.

Nas palavras de FERNANDO CAPEZ (2011, p. 344) – “Objeto da prova é toda


circunstância, fato ou alegação referente ao litígio sobre os quais pesa incerteza, e que
precisam ser demonstrados perante o juiz para o deslinde da causa”. Afora os fatos que
independem de prova, todos os demais são imprescindíveis, quando possível à
demonstração probatória do fato, mesmo aqueles admitidos pelas partes (fato
incontroverso).

Fonte: Capez, F. Curso de Processo penal. São Paulo, Editora Saraiva, 18ª ed. 2011, p.
344

13) A sinonímia denominada “Questiones Médico-Legalis” se deve a:


(a) Lacassagne
(b) P. Zacchias
(c) Reinesius
(d) A. Paré

Resposta: B

“Questiones Médico-Legalis”, é uma coletânea de nove a dez volumes publicados


no período de 1621 a 1651, de autoria de Paulus Zacchias, considerado por Souza Lima
como o verdadeiro fundador da medicina legal.

14) Descrição minuciosa de uma perícia médico-legal:


(a) Relatório médico-legal
(b) Consulta médico-legal
(c) Parecer médico-legal
(d) Atestado médico

Resposta: A

A descrição minuciosa de uma perícia é uma formalidade expressa no Art. 160 do


Código de Processo Penal (CPP). A descrição compõe a 4ª etapa da confecção do laudo
médico-legal.

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Representa a etapa mais importante, caracterizando o “visum et repertum”. Ela
aparece no documento médico-legal denominado Relatório Médico-Legal.

15) Sequência do Relatório Médico-Legal:


(a) Preâmbulo, Quesitos, Histórico, Descrição, Discussão, Conclusão e Respostas
aos Quesitos
(b) Preâmbulo, Quesitos, Histórico, Descrição, Conclusão e Respostas aos Quesitos
(c) Preâmbulo, Histórico, Descrição, Discussão, e Respostas aos Quesitos
(d) Preâmbulo, Histórico, Descrição, Discussão, Conclusão e Quesitos

Resposta: A

O Relatório Médico-Legal é uma espécie de documento médico-legal. Compõem os


documentos: atestados, notificações, relatório médico-legal, consulta médico-legal,
parecer médico-legal e depoimento oral.

Os atestados são afirmações de um fato médico e de suas implicações. Podem ser


simples, administrativo ou judiciário.

As notificações são de natureza compulsória e tem implicações sanitárias e de saúde


pública.

A natureza da consulta é de cunho esclarecedor sobre pontos duvidosos ou


controversos no corpo do laudo. Encontra respaldo no Art. 181 e parágrafo único do
CPP. É imprescindível a quesitação específica.

O parecer é uma opinião técnica sobre os fatos demonstrados por uma ou mais
provas, valendo-se o parecerista somente de sua experiência e de tudo que foi lavrado
nos laudos. Portanto, não há descrição nesse documento.

O depoimento oral é um documento reduzido a termo em audiência pela inquirição


do perito desde pontos duvidosos até implicações técnicas que levaram as devidas
conclusões.

Entre todos os documentos médico-legais o que apresenta mais etapas é o Relatório


Médico-Legal. São elas sequencialmente: preâmbulo, quesitos, histórico, descrição,
discussão, conclusão e respostas aos quesitos.

16) Parte do Relatório Médico-Legal que demonstra o “visum et repertum”:


(a) Discussão
(b) Descrição
(c) Conclusão
(d) Histórico
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Resposta: B

A descrição minuciosa de uma perícia é a materialização de tudo que foi apurado,


dando-lhe um caráter de perpetuidade.

É traduzida em um laudo, constituindo um instrumento jurídico. Corresponde a


perícia propriamente dita, quanto que vale em ver e referir com detalhes.

O “visum et repertum” pode ser objeto de dúvida que motiva a requisição de


consulta médico-legal, depoimento oral e parecer. Entretanto, em nenhum deles não é
possível o exame direto.

17) A seita japonesa radical “Verdade Suprema” foi a responsável pelo ataque
terrorista no metrô de Tókio em 1995, utilizando-se do gás sarin, deixando doze
mortos e 5 mil feridos. Este gás foi classificado como arma de destruição em
massa pela resolução 687 das Nações Unidas. O referido gás compromete o
Sistema Nervoso. Qual grupo químico pertence o gás sarin:
(a) Organofosforado
(b) Organoclorado
(c) Neuroléptico
(d) Hilariante

Resposta: A

O gás Sarin é uma substância tóxica do grupo dos organofosforado, classificada


como arma de destruição em massa pela resolução 687 das Nações unidas.

Trata-se do 2-fluorometilfosforiloxipropano, um líquido ou gás incolor e inodoro ou


levemente adocicado, cuja fórmula molecular é: C4H10FO2P.

É um competidor da acetilcolina. A intoxicação leva um quadro de intensa


contração muscular, hipersalivação, sudorese, náuseas e vômitos, bradicardia, paralisia e
cegueira. A morte se dá por insuficiência respiratória.

18) O gás hilariante foi descoberto em 1772 pelo químico inglês Joseph Priestley.
Possui efeito anestésico e euforizante. Este gás se refere ao:
(a) Dióxido de enxofre
(b) Organoclorado
(c) Óxido nitroso
(d) Nitrogênio

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Resposta: C

O gás hilariante é um gás incolor, não inflamável, de odor adocicado, e possui efeito
anestésico fraco e euforizante, daí a sua denominação.

Provavelmente o aspecto risonho se deve as contrações dos músculos da mímica


facial. Trata-se do óxido nitroso ou protóxido de azoto, cuja fórmula molecular é N2O.

19) Qual dos sinais clínicos pode o periciado ludibriar a argúcia do perito frente a
evento doloroso:
(a) Muller
(b) Levi
(c) Imbert
(d) NRA

Resposta: A

A dor é um fenômeno físico-químico subjetivo de difícil avaliação pericial quanto a


veracidade de sua existência e intensidade.

Alguns sinais clássicos para sua investigação é elencada nas alternativas da questão
em discussão.

O ponto doloroso é estimulado após procedimentos que tentam ora desviar a atenção
do periciado, ora precedidos de aferição de sinais vitais e clínicos.

Assim sendo, no sinal de Muller é delimitado por um círculo a área dolorosa, e


alternativamente são estimulados por digito pressão os pontos dolorosos e não dolorosos
nesta área, estando o periciado com os olhos vendados.

Na simulação, o periciado acaba se confundindo por não perceber a mudança do


estímulo. Entretanto, um periciado mais atento poderá ludibriar a manobra pericial.

Os sinais de Levi e Imbert são fundamentados nas alterações do diâmetro pupilar e


aumento da frequência do pulso, respectivamente.

No método de Levi apenas o ponto doloroso é estimulado.

No método de Imbert, sendo o membro superior o segmento doloroso, pede-se ao


periciado que segure um peso.

Sendo verdadeira a dor, espera-se contração ou dilatação pupilar.

Sendo o membro inferior, o apoio único sobre este desencadeia um aumento na


frequência do pulso.

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20) Qual tipo de simulação mais propriamente pode ocorrer em pacientes
psiquiátricos:
(a) Metassimulação
(b) Parassimulação
(c) Simulação pura
(d) Dissimulação

Resposta: D

As simulações são mais comuns no campo da infortunística dados os benefícios


seja para esquivar da atividade laboral ou com intuito de auferir vantagens frente a
legislação trabalhista. As alegações podem ser de condições inexistentes (simulação
pura), de exacerbar as que existem (metassimulação), de associar outros sintomas
inexistentes ao que de fato há (parassimulação) ou negar perturbações existentes
(dissimulação).

A dissimulação é de proveito pessoal e social. É uma autopressão psicológica do


obstáculo, perda ou dor emocional (DEPAULO, KASHY, KIRKENDOL, WYER e
EPSTEIN, 1996, pp. 979-995).

É uma situação frequente no detento, no empregado, no aluno, no filho e outros,


devendo ficar atento o psicólogo, o Juiz, o empresário, o professor, os pais etc.

Nos pacientes psiquiátricos o mais comum é a dissimulação, muitas vezes


objetivando dá uma ideia de melhora para o profissional, e assim receber alta. O
esquizofrênico, por exemplo, evita falar sobre os seus sintomas. Outros transtornos se
omitem por vergonha, como decorrentes de pensamento obsessivo obsceno.

Fonte: De Paulo, BM; Kashy, Kirkendol, SE; Wyer, MW; Epstein, JA. Lying in
everyday life. Journal of Personality and Social Psychology. Arlington. nº 70, 1996,
pp. 979-995

21) O que possibilitou desmascarar a farsa do goleiro chileno Roberto Rojas, em


1989, no Maracanã, contra o Brasil, durante a partida para a classificação da
Copa do Mundo na Itália foi o fato de:
(a) A lesão encontrada não guardar relação causal com a ação do agente térmico
e seus artefatos
(b) A lesão encontrada não guardar relação causal com o mecanismo de ação da
navalha
(c) Ter sido encontrada uma navalha no gramado próximo ao goleiro chileno
(d) A lesão encontrada não guardar relação temporal com o evento alegado

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Resposta: B

Na ocasião do evento, foi alegado pelo goleiro chileno, uma lesão decorrente da
ação do artefato luminoso atirado intencionalmente pelo torcedor. Entretanto,
pericialmente a correlação entre a alegação e a lesão é de cunho subjetivo e é apreciada
na discussão.

Sendo a descrição a etapa mais importante do exame pericial, sendo esta de caráter
objetivo, implica ser este o momento que minuciosamente é descrita a lesão e auferido o
mecanismo de ação. No caso, a ação lesiva foi de natureza cortante, sendo o mecanismo
tangencial e em “arco de violino”.

22) A autolesão:
(a) Configura crime quando objetiva auferir vantagem econômica
(b) Configura crime quando objetiva ludibriar a perícia
(c) Constitui contravenção penal
(d) Não constitui crime

Resposta: A

Dos crimes contra o patrimônio previstos no CPP, figura no Art. 171 o crime de
estelionato. Assim reza o artigo: “obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em
prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou
qualquer outro meio fraudulento”.

A primeira vista a autolesão não constitui crime se não há outro objetivo senão a
flagelação pura.

Quando a intenção for somente de ludibriar a perícia, ainda que se molde no artigo
como induzir ou manter alguém em erro, não seria estelionato, pois fundamentado no
princípio da reserva legal, o fim colimado com o ato é auferir vantagem econômica,
como bem expressa o inciso V do referido artigo: “destrói, total ou parcialmente, ou
oculta coisa própria, ou lesa o próprio corpo ou a saúde, ou agrava as consequências da
lesão ou doença, com intuito de haver indenização ou valor de seguro”.

23) As informações hospitalares de vítima fatal não condizente com os achados


necroscópicos apontam um caso de:
(a) Parassimulação
(b) Dissimulação
(c) Simulação
(d) NRA

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Resposta: D

Nenhuma das respostas anteriores. É uma condição muito frequente em nosso meio.
Seja pela massificação de atendimentos e o médico não tem o tempo devido para o
preenchimento correto do documento que acompanha a guia de remoção cadavérica ou
desconhece a importância das informações transcritas como valor de comprovação
pericial, ou, de maior gravidade, quando o cadáver encaminhado ao IML não for aquele
informado no boletim médico.

24) A prova admitida pelo Direito é denominada:


(a) Concludente
(b) Pertinente
(c) Genética
(d) Possível

Resposta: C

Os critérios que norteiam a produção das provas são: admissibilidade, pertinência,


concludência e possibilidade de realização. É admissível a prova que não contraria a Lei
ou os costumes judiciários.

Seria o critério maior ou como é denominada – prova genética. É pertinente, a prova


fundada não contrária aos fatos narrados no processo. Sendo o objetivo esclarecer um
ponto sobre o qual pesa incerteza, é elementar que ela seja concludente. Por fim que
seja possível de realização.

25) Vítima de disparo de arma de fogo é atendida em Hospital Público de região


metropolitana. O médico plantonista expede um atestado de lesão caracterizada
por fratura do úmero direito e anexa ao atestado o laudo da radiografia. O
Delegado de Polícia vem apensar ao inquérito os respectivos laudos como prova
pericial. Fundamentado nas normas do Ordenamento Jurídico pátrio, conclui-se
que a prova juntada ao inquérito:
(a) Poderá gerar invalidade do ato por ofensa à norma processual
(b) Nula por constituir uma prova ilícita na origem
(c) Nula por afronta as normas de direito material
(d) Válida pela fé pública do médico

Resposta: A

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O exame de corpo de delito é uma fórmula processual. Com o Título VII – Da
Prova, o capítulo II que trata do exame do corpo de delito e das perícias em geral,
expressa o Art. 158 do CPP: “Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o
exame de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do
acusado”.

O Art. 564 do referido diploma legal estabelece os casos que ocorrerão a nulidade,
como bem define o inciso III (“por falta das fórmulas ou dos termos seguintes”), alínea
b: “o exame de corpo de delito nos crimes que deixam vestígios, ressalvando o disposto
no Art. 167”.

A ressalva diz respeito quando do desaparecimento do vestígio. Nessa condição a


informação hospitalar será de grande valia como exame indireto. O que não é o caso da
questão em pauta.

Portanto, trata-se de uma ofensa a norma processual. Entretanto, poderá invalidar o


ato como fundamenta FERNANDO CAPEZ (2011, p. 114 e p. 119): “... Ora, se o
inquérito é dispensável, e assim o diz expressamente o art. 39, §5º, do CPP, e se o
Ministério Público pode denunciar com base apenas nos elementos que tem, nada há
que imponha a exclusividade às polícias para investigar os fatos criminosos sujeitos à
ação penal pública”... “Não sendo o inquérito policial ato de manifestação do Poder
Jurisdicional, mas mero procedimento informativo destinado à formação da opinio
delicti do titular da ação penal, os vícios por acaso existentes nessa fase não acarretam
nulidades processuais, isto é, não atingem a fase seguinte da persecução penal: a da ação
penal. A irregularidade poderá, entretanto, gerar a invalidade e a ineficácia do ato
inquinado”.

26) O perito, fundamentado no parágrafo único do Art. 162 do Código de processo


penal, pode dispensar o exame cadavérico interno quando os sinais externos são
suficientes para diagnosticar a causa da morte e nada de relevante se faz
necessário apurar. Tal condição não carece de outras provas por tratar-se de fato:
(a) Concludente
(b) Axiomático
(c) Notório
(d) Inútil

Resposta: B

Os fatos que independem de prova são: axiomáticos, notórios, presunções legais e


fatos inúteis.

- 20 -
A questão aborda um exame necroscópico onde os sinais externos são suficientes
para a conclusão da causa da morte, não sendo imperioso o exame interno, pois não há
outro fato relevante a ser apurado.

Por ser o fato evidente e a convicção pericial já está formada, não mais há que
apurar, caracterizando o fato como axiomático ou intuitivo. O exposto tem respaldo
legal no Art. 162 do CPP.

27) Indivíduo, voluntariamente, coloca-se em estado de embriaguez completa por


ingestão de substância etílica e comete um crime. Esta condição por força da actio
libera in causa, não admite prova em contrário em favor da inimputabilidade, por
tratar-se de:

(a) Inadmissibilidade de exame psiquiátrico


(b) Fato axiomático
(c) Presunção legal
(d) Fato notório

Resposta: C
A questão narra um caso de estado de embriaguez voluntária. Doutrinas contrárias a
parte, trata-se de um conhecimento do senso comum que o estado de embriaguez
desencadeia alterações na consciência e com repercussões na autodeterminação.
A questão não informa o estado psíquico prévio do agente e tão pouco a intenção, o
que friamente, a título de análise, devemos considerar um indivíduo mentalmente são e
sem o dolo de cometer crime.
Fundamentado na teoria da actio libera in causa – ação liberta da causa, a prova por
si só é de natureza presuntiva. Portanto, estamos diante de uma presunção como prova,
elencada no Art. 212 do CC.

28) Há confissão, como prova textualmente legal, quando:

(a) A verdade admitida seja favorável a outra parte sem, entretanto for contrária ao
seu interesse
(b) A verdade admitida pela parte seja contrária ao seu interesse e favorável ao
adversário
(c) A verdade admitida pela parte seja somente contrária ao seu interesse
(d) Simplesmente a parte admite a verdade de um fato

Resposta: B

- 21 -
Trata-se de uma questão de letra de Lei. Segundo o Art. 348 do CPC: “Há confissão,
quando a parte admite a verdade de um fato, contrário ao seu interesse e favorável ao
adversário. A confissão é judicial e extrajudicial”.

29) Nos casos de litisconsortes, a confissão judicial por um deles:

(a) Faz prova independente do cônjuge sobre bens imóveis


(b) Faz prova unicamente contra o confitente
(c) Faz prova contra todos os litisconsortes
(d) Não faz prova

Resposta: B

Trata-se de uma questão de letra de Lei. Segundo o Art. 350 do CPC: “A confissão
judicial faz prova contra o confitente, não prejudicando, todavia, os litisconsortes”.

30) A ilustração de um laudo com prova fotográfica, microfotográfica ou esquema


se faz:

(a) Imprescindível somente quando se trata de crime contra a liberdade sexual


(b) Imprescindível somente quando se trata de crime contra a vida
(c) Imprescindível para dar solidez ao laudo
(d) Necessária sempre que conveniente

Resposta: D

Os critérios que imperam a utilização da fotografia, microfotografia, desenhos e


esquemas para ilustração de um laudo são: possibilidade (Art. 164 e 165 do CPP) e
conveniência (Art. 170 do CPP), destacando o primeiro para a representação das lesões
e o segundo em relação às perícias de laboratório. Entretanto, o legislador dá uma
conotação mais geral, teleológica, alcançando outros pormenores da perícia.

31) Os cadáveres no local de crime serão:


(a) Fotografados somente a face para comprovação de identificação
(b) Fotografados a critério do perito
(c) Fotografados quando possível
(d) Sempre fotografados

- 22 -
Resposta: D

Os cadáveres no local de crime serão sempre fotografados como textualmente reza o


Art. 164 do CPP. Também é exigência do referido artigo que a primeira tomada
fotográfica do cadáver é na posição que foi encontrado, porém as lesões externas ficam
na dependência da possibilidade assim proceder.

32) Qual a natureza jurídica do cadáver de interesse penal:


(a) Bem fora do comércio
(b) Coisa de ninguém
(c) Coisa comum
(d) Objeto

Resposta: D

Há uma proteção especial ao cadáver, incluindo Direitos de personalidade, como


se depreende do Art. 12 do CC.

A relevância do tema diz respeito a definir a natureza jurídica do cadáver e qual


direito deve prevalecer.

Ante a natureza jurídica, o cadáver é considerado no todo ou em parte,


entretanto, segmentos isolados ou órgãos não podem ser considerados cadáveres.

Nessa linha também não são considerados cadáveres a ossada (despojo humano),
o feto (sem personalidade jurídica), o cadáver mumificado (relíquia histórica) etc.

Nas palavras de CUPIS (2004, p. 98): “... o corpo humano, depois da morte,
torna-se uma coisa submetida à disciplina jurídica, coisa, no entanto, que não podendo
ser objeto de direitos privados patrimoniais, deve classificar-se entre as coisas extra
commercium (fora do comércio).

Não sendo pessoa, enquanto viva, objeto de direitos patrimoniais, não pode sê-lo
também o cadáver, o qual, apesar da mudança de substância e de função conserva o
cunho e o resíduo de pessoa viva”.

Outros doutrinadores como CUNHA GONÇALVES (apud SILVA, 2000, pp. 21


e 25) defende que os direitos de personalidade se continuam com a morte como aduz:
“quando um corpo volta ao nada, a consciência segue um destino social entre os vivos”.
A questão aborda não a título de tutela, mas simplesmente o fato que levou a finitude da
vida do agora de cujus.

Quando a interrupção da vida se deu de forma violenta, o cadáver passa a ser


acautelado pelo Estado e enquanto haver interesse no esclarecimento da morte é

- 23 -
juridicamente um objeto, quando após toda a verdade elucidada e não amais passível de
exame pericial é entregue a família para as devidas honras fúnebres.

Fontes: Cupis, Adriano de. Os Direitos da Personalidade. Campinas: Romana, 2004,


p. 98

Cunha Gonçalves apud Silva, JAF. Tratado do Direito Funerário. São Paulo: Método
editora, 2000, V. 1, p. 21 e 25

33) Qual a natureza jurídica do cadáver de interesse cível:


(a) Bem fora do comércio
(b) Coisa de ninguém
(c) Coisa comum
(d) Objeto

Resposta: A

No mesmo escopo dos argumentos no comentário da questão de número 30, aqui


não se trata de cadáver de interesse penal, porém não pode mesmo assim seguir o
regime do Direito das Coisas.

O cadáver ou parte dele não pode ser comercializado, mas passível de doação no
todo ou de seus órgãos, sem fim econômico lucrativo, segundo legislação especial, seja
para ensino e pesquisa ou para fins de transplante.

34) Qual a natureza jurídica das cinzas de um cadáver cremado:


(a) Bem fora do comércio
(b) Coisa comum
(c) Res nulius
(d) Objeto

Resposta: C

Ao que tudo parece, a palavra cadáver vem da junção em latim que traduzida
significa carne dada aos vermes.

O processo de cremação reduz o cadáver a cinzas, quando não mais possível


identifica-lo com a aparência de corpo. Portanto, as cinzas não mais representam um
cadáver. Salvo a disposição de última vontade do de cujus, quanto ao destino que

- 24 -
deverá ser dado as suas cinzas, estas são desconsideradas até como coisas,
representando nada mais que coisa nenhuma ou res nullius, ficando a cargo do herdeiro
imediato o destino segundo a sua vontade.

35) Os vestígios de autolesão como mostra a figura, com fins de causar prejuízo a
outrem, é considerado na origem como:

(a) Verdadeiro
(b) Forjado
(c) Ilusório
(d) Falso

Resposta: B

Inicialmente remetemos o leitor ao comentário da questão de número 20. Os


vestígios podem ser: verdadeiro, forjado e ilusório.

O vestígio verdadeiro é o que interessa a perícia. É aquele que guarda relação de


causalidade e temporalidade com o fato criminoso.

Infere veracidade ao fato, tornando-se uma evidência. É traduzida e materializada


em um laudo como um instrumento.

Entretanto, outros vestígios também podem apontar outras peculiaridades, como os


vestígios forjados para auferir vantagem econômica, para ludibriar a interpretação
pericial ou ocultar outro crime.

Os vestígios ilusórios são próprios da falsa interpretação da realidade ou


simplesmente representar um descuido quanto ao isolamento e preservação da cena do
crime, tornando o ambiente contaminado ou não saneado pericialmente.

- 25 -
36) Dá entrada no IML, o corpo de um feto, onde está registrado na guia de remoção
cadavérica como sendo filho de Maura Givanilda Opena. O legista ao final
aponta que se trata de natimorto com 2,2 Kg e estima um desenvolvimento fetal
compatível com gestação de pelo menos oito meses completos. Na informação
hospitalar, o obstetra anexa laudo ultrassonográfico onde consta que 24 horas
antes do óbito havia batimentos cardiofetais e a cesariana foi indicada para
extração de feto morto. Na confecção de documento médico-legal para
sepultamento, assinale as assertivas corretas:
(a) No campo referente a data do nascimento deve constar: a data registrada na
ultrassonografia quando ainda se permitia observar o batimento cardiofetal
(b) No campo referente a data e hora da morte deve constar: um traço linear
prejudicando o campo
(c) No campo referente a data e hora da morte deve constar: a data registrada na
ultrassonografia
(d) No campo referente ao nome do falecido deve constar: filho de Maura
Givanilda Opena
(e) No campo referente a data e hora da morte deve constar: a data por ocasião da
necropsia
(f) Deve-se primeiro orientar a família a procurar o cartório para registro de
nascido morto
(g) Deve-se primeiro orientar a família a procurar o cartório para registro de
nascido vivo
(h) No campo referente ao nome do falecido deve constar: recém-nascido
(i) No campo referente ao nome do falecido deve constar: feto morto
(j) No campo referente ao nome do falecido deve constar: natimorto

Respostas: e, i

Certamente não se trata de inviabilidade fetal pelo tempo de desenvolvimento


intrauterino.

A questão não esclarece a causa da morte, nem se o feto apresentava malformações.


Muito provavelmente o legista deve colher material para exame toxicológico e
histopatológico.

Diante da pouca informação e o que se objetiva a questão, por certo no campo


referente a causa e a data da morte jamais poderá traçar uma linha.

O que se tem a periciar não é um natimorto, mas um feto morto, pelo que informa a
parada cardíaca intra-útero e a indicação da cesariana.

Portanto, de todas as alternativas as mais corretas dão ênfase ao nome e a data da


morte, onde deve constar como sendo de feto morto e a data da necropsia,
respectivamente.

- 26 -
37) Tratando-se de exame de aborto (feto), com vínculo materno definido e desejo
familiar de sepultamento, a confecção da Declaração de Óbito com a causa da
morte:
(a) É obrigatória se o feto possui sinais de idade gestacional igual ou superior a 20
semanas, comprimento igual ou superior a 25 cm e peso igual ou superior a
500g
(b) É obrigatória se o feto possui sinais de idade gestacional igual ou superior a 22
semanas, ou comprimento igual ou superior a 35 cm, ou peso igual ou superior
a 550g
(c) Não é realizada, sendo o feto acautelado no IML ou inumado após termo
circunstanciado
(d) Independe da idade gestacional, peso e comprimento do feto

Resposta: D

A declaração de Óbito (DO) a partir de 1976 se tornou documento de modelo único


em todo território nacional.

Emitir uma declaração de óbito é um ato médico de cunho obrigacional com


previsão na legislação.

Nos casos de morte fetal o médico só está obrigado a preencher DO de feto em caso
de idade gestacional igual ou superior a 20 semanas, ou comprimento igual ou superior
a 25 cm, ou peso igual ou superior a 500g (Resolução CFM 1.779/2005).

Nos casos de morte fetal com parâmetros inferior ao definido pela resolução, o
médico se obriga a confeccionar a DO se a família manifestar desejo de sepultar o feto.

Adendo à parte, de acordo com orientações do Ministério da Saúde, a DO deve ser


emitida independente da duração da gestação, do peso e da estatura, se há sinais de vida
extrauterina (nascido vivo), não se tratando nesse caso de óbito fetal.

Óbitos fetais com biometria inferior ao definido pela Resolução CFM 1.779/2005,
deve seguir ao que é preconizado pela Resolução RDC nº 306, de 7 de dezembro de
2004, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

Elenca tal resolução a regulação técnica de gerenciamento dos resíduos de serviços


de saúde, como peças anatômicas amputadas, órgãos e fetos com biometria inferior a
estabelecida.

No caso de natimorto, criança que nasceu sem vida, em função de relevância


jurídica, prevê o Ordenamento Jurídico que o registro deve ser lavrado o assento de
natimorto no Livro C-auxiliar (Lei 6.015/1973, Art. 53).

- 27 -
38) Qual a natureza jurídica do exame de corpo de delito:
(a) Instrumento de prova
(b) Elemento de prova
(c) Espécie de perícia
(d) Meio de prova

Resposta: C

Em relação às provas, a perícia é genericamente meio de prova. As espécies de


perícia são: exame, vistoria e avaliação (Art. 420 CPC). A questão é capciosa na medida
em que a palavra exame é destacada em negrito e sublinhada, pois corpo de delito é
elemento de prova.

39) Qual a natureza jurídica do laudo de exame de corpo de delito:


(a) Instrumento de prova
(b) Elemento de prova
(c) Meio de prova
(d) Indício

Resposta: A

Na mesma espreita da questão anterior, sendo a perícia um meio de prova (prova


crítica), o corpo de delito, um elemento de prova, o laudo constitui juridicamente um
instrumento de prova, que anexado ao inquérito ou processo vem a caracterizar um
indício.

40) A luz do Processo Penal, a necropsia forense é uma perícia do tipo:


(a) Avaliação oficial, extrínseca e liberatória
(b) Vistoria oficial, intrínseca e percipiendi
(c) Oficial, extrínseca e vinculatória
(d) Oficial e intrínseca

Resposta: D

No bojo do entendimento processual e manifesto princípio da oficialidade, a


necropsia forense é um exame requisitado por autoridade competente. Por tratar-se de
materialidade da infração penal, o cadáver guarda relação direta com o fato, sendo a
necropsia uma perícia de natureza intrínseca.

- 28 -
41) A figura abaixo reflete a preservação do local vistas ao princípio médico-legal
de:

(a) Legalidade expressa no art. 169 do CPP


(b) Ambroise Paré
(c) Lombroso
(d) Locard

Resposta: D

Figura que demonstra a necessidade do isolamento e preservação da cena do crime


como bem reza o Art. 169 do CPP. Edmond Locard (1877-1966), conhecido como
Sherloch Holmes da França, pioneiro da ciência forense, introduziu o conceito ou teoria
da trocas, ou teoria de Locard, segundo a qual há troca de materialidade entre a vítima,
o agente e o local.

42) A perícia médico-legal mediante o exame de corpo de delito na produção de


um laudo caracteriza respectivamente em relação à classificação da prova
técnica:
(a) Meio, elemento e instrumento
(b) Meio, instrumento e elemento
(c) Instrumento, meio e elemento
(d) Instrumento, elemento e meio

Resposta: A

Os destaques da questão apontam a natureza jurídica do que se propõe. Assim a


perícia é um meio de prova. O exame de corpo de delito acaba por caracterizar um
elemento de prova, propriamente mais em relação ao corpo de delito, que por si só

- 29 -
configura uma evidência. O laudo vincula ou não o vestígio examinado ao fato
criminoso. Caracteriza este último um instrumento de prova.

43) Qual das funções ocupa a mesma posição do perito como auxiliar da justiça,
dentro do organograma processual:
(a) Testemunha
(b) Promotoria
(c) Advocacia
(d) Intérprete

Resposta: D

Dentro do organograma processual os auxiliares da justiça podem ser secundário,


terciário ou especial.

Os auxiliares secundários podem ser eventual ou permanente.

São permanentes, o escrivão e o oficial de justiça.

São auxiliares secundários eventuais, o depositário, o administrador, o intérprete e o


perito (do Art.139 ao 153 CPC).

44) O perito legista examina:


(a) O instrumento e o corpo humano
(b) A evidência de um delito
(c) O vestígio de um delito
(d) O indício de um delito

Resposta: C

O exame de corpo de delito é uma espécie de perícia.

Enquanto exame, o que se apura é o vestígio quanto à veracidade da sua relação


com o fato criminoso.

Portanto, o legista examina vestígios, que uma vez comprovada a sua relação
com o fato, imputa caracterizá-lo como corpo de delito, tornando-se então uma
evidência de crime.

- 30 -
CAPÍTULO 2
ESTUDO MÉDICO-LEGAL DA IMPUTABILIDADE

1) Doutrinariamente, a imputabilidade como capacidade de imputação aponta um


fato:
(a) Psíquico, considerado em concreto
(b) Psíquico, considerado em abstrato
(c) Físico, considerado em concreto
(d) Físico, considerado em abstrato

Resposta: A

A imputabilidade é um requisito da culpabilidade. Somado à antijuricidade e o fato


típico, integra o conceito analítico tripartite de crime, em obediência ao ordenamento
jurídico pátrio.

É um fenômeno psíquico caracterizado pelo domínio da consciência e da


autodeterminação (vontade). Sendo um fenômeno psíquico, faz-se imprescindível a
análise do caso concreto, dada as variações de entendimento e resposta psíquica frente
às condições diversas.

Este é o entendimento desse instituto jurídico, como expressa o Art. 26 do CP, cujo
critério de inimputabilidade é biopsicológico. Não basta ser doente mental, apresentar
desenvolvimento mental incompleto ou retardado.

É preciso que ao tempo da ação ou da omissão, seja inteiramente incapaz de


entender ou de autodeterminar-se de acordo com esse entendimento.

2) Conceitualmente, a imputabilidade encerra uma:


(a) Responsabilidade
(b) Espontaneidade
(c) Hereditariedade
(d) Aptidão

Resposta: D

A personalidade encerra uma aptidão para ser titular de Direitos e de obrigações. A


capacidade é a quantidade dessa aptidão.

- 31 -
Ao nascer, a pessoa adquire a capacidade de Direito, tornando-se com capacidade de
fato quando chegar a maioridade e com ela a sanidade mental, e o devido ajuste com o
meio social. Ambos são Institutos do Direito Civil.

A imputabilidade é um Instituto do Direito Penal que por definição jurídica é o


domínio da consciência e da vontade. Conceitualmente encerra uma responsabilidade
penal, pois se espera que com esse domínio a pessoa tenha a potencialidade de entender
o caráter da ação ou da omissão e de conduzir-se de modo diverso, desde que amparado
pelo ordenamento jurídico.

3) A responsabilidade em relação à imputabilidade encerra uma:


(a) Especificidade
(b) Consequência
(c) Aptidão
(d) Causa

Resposta: B

É oportuno esclarecer que a culpabilidade é o grau de reprovabilidade social, sendo


caracterizada na íntegra pela imputabilidade, potencial consciência da ilicitude e
exigibilidade de conduta diversa.

A potencialidade de conhecer a ilicitude é uma proteção legal insculpida no Art. 3º


da Lei de Introdução ao Código Civil (LICC) que expressa: “Ninguém se escusa de
cumpri a lei, alegando que não a conhece”.

Assim como reza o Art. 21 do CP: “O desconhecimento da lei é inescusável”. É


preciso frisar que ninguém conhece todas as leis.

Entretanto, o que se exige é a pessoa ter potencialidade para saber o que é certo e o
que é errado.

Portanto, diante do caso concreto a pessoa conhecendo a natureza do ato (lícito ou


ilícito) e com domínio da consciência e da vontade, deve conduzir-se de acordo com os
preceitos legais.

Ilícito ou antijurídico é uma relação de contrariedade entre a conduta e o


ordenamento jurídico (ilicitude formal) ou ao senso comum de justiça (ilicitude
material).

A exigibilidade de conduta diversa está atrelada diretamente à consciência do ato.


Entretanto, algumas condições essa exigibilidade estará contaminada como no caso de
coação moral irresistível e a obediência hierárquica.

- 32 -
Portanto, a responsabilidade encerra uma consequência. Porém fique atento ao caso
concreto e ao seguinte detalhe: um esquizofrênico em surto de desrealização vem a
cometer um crime (homicídio, por exemplo).

O esquizofrênico nessa condição teve culpa no crime, foi o responsável pelo crime.
Entretanto, ante ao prejuízo de seu domínio sobre a sua consciência e sua vontade, era
ao tempo da ação inimputável.

Sendo inimputável, não há culpabilidade, apesar de ter cometido um fato típico e


antijurídico. Não tendo culpabilidade não há que falar em responsabilidade penal.
Entretanto, responde de alguma forma.

As espécies de sanção são: pena e medida de segurança. O que dá subsídio a pena é


a culpabilidade, e à medida de segurança, á periculosidade.

Portanto, o esquizofrênico do exemplo, entrará no critério para medida de


segurança. A medida de segurança poderá ser por internação em hospital judiciário, se o
crime cometido for punido com reclusão, ou por acompanhamento ambulatorial, se o
crime cometido for punido com detenção.

Em última análise, a responsabilidade sempre encerra uma consequência.

4) Pré-requisito da responsabilidade penal:


(a) Imputabilidade
(b) Personalidade
(c) Capacidade
(d) Moralidade

Resposta: A

Como exposto no comentário da questão anterior, a imputabilidade é um pré-


requisito da responsabilidade penal.

A imputabilidade é um dos critérios da culpabilidade. A culpabilidade somada à


antijuricidade (ilicitude) e ao fato típico constitui o conceito analítico de crime, segundo
o critério de nossa legislação.

Sendo o fato apenas típico e antijurídico, porém, sem culpabilidade, não há que falar
em crime, mas tão somente em infração penal.

Fato típico é aquele que se ajusta ao modelo legal, descrito como tipo, onde define
os elementos integrantes (conduta dolosa ou culposa, resultado, nexo de causalidade e
tipicidade). O resultado e o nexo causal aparecem nos crimes materiais.

- 33 -
Tipicidade é o enquadramento formal e concreto da conduta em correspondência
com a descrição do modelo legal. Porém, para caracterizar adequação típica há que
constatar que o comportamento foi doloso ou culposo (teoria finalista) e motivado para
produzir um dano relevante (teoria social).

5) Na esquizofrenia o que primeiro desaparece é a:


(a) Associação de ideias
(b) Ambivalência
(c) Afetividade
(d) Iniciativa

Resposta: C

A esquizofrenia é um transtorno mental severo caracterizado por alucinações,


delírios, estados catatônicos e depressivos, com nítida ou insidiosa desorganização do
pensamento, da percepção e das emoções.

Anteriormente era classificada em: simples, hebefrênica, catatônica e paranoide.


Atualmente, segundo a DSAM-IV, é classificada em cinco categorias: paranoide,
desorganizado, catatônico, indiferenciado e residual.

A forma hebefrênica é a mais grave e de prognóstico sombrio. Esquizofrenia é


um termo introduzido pelo psiquiatra suíço, EUGEM BLEULER, em 1911, para
significar mente dividida.

HENRIQUE ROXO (apud Hélio Gomes, 1987, p. 158) apontava como tríade
essencial: perda da afetividade, perda da iniciativa e associação extravagante de ideias.

A primeira a desaparecer é a afetividade comprometendo o relacionamento com


os pais, irmãos, amigos, cônjuge etc.

A perturbação da iniciativa se caracteriza pelo desleixo consigo mesmo e


indecisões.

Na associação extravagante de ideias, o enfermo mental apresenta nítida


modificação de sua personalidade, perdendo o interesse por coisas que anteriormente
eram por ele apreciadas.

Demonstra conceitos irreais e absurdos, sendo frequentemente estereotipado


como “louco”.

São comuns nos esquizofrênicos a vadiagem, escândalos, acusações falsas,


agressões, homicídios, automutilações e suicídios.

- 34 -
Fonte: Gomes, Hélio. Medicina Legal. Rio de Janeiro, Livraria Freitas Bastos, 25ª ed,
1987, p. 158).

6) Denominação dada a incoerência entre o que se sente e o que é exteriorizado,


muito comum no esquizofrênico:
(a) Paramimia
(b) Catatonia
(c) Paranóia
(d) Distimia

Resposta: A

Entre outras apresentações da esquizofrenia se encontra com frequência a


ambivalência (sentimentos com polos contrários – gosta e não gosta, quer e não quer
etc.) e a paramimia (contrariedade entre o que se sente e o que se extereoriza).

HÉLIO GOMES (1987, p. 158), em relação à paramimia, exemplifica a


condição que o enfermo chora diante de uma história alegre e rir quando a história é
triste.

Fonte: Gomes, Hélio. Medicina Legal. Rio de Janeiro, Livraria Freitas Bastos, 25ª ed,
1987, p. 158).

7) Forma clínica da esquizofrenia que não cursa com alucinação:


(a) Hebefrênica
(b) Catatônica
(c) Paranóide
(d) Simples

Resposta: D

A forma simples da esquizofrenia, outrora denominada demência simples, apresenta


os sinais clássicos da enfermidade, com alterações da afetividade, pensamentos
desajustados e condutas extravagantes.

Na Forma hebefrênica se observa a queda progressiva da intelectualidade,


sentimentos desagregados com perda da iniciativa, da emoção, da ética e dos cuidados
básicos consigo. Nesta forma não há delírios e alucinações.

- 35 -
Na catatônica há alteração da motilidade, podendo ser caracterizada pela agitação ou
pelo estupor, pela rigidez postural (catatonia cérea) ou flexibilidade.

Na forma paranoide chama atenção a ideia de posse fixa e o eco de pensamento.

8) Características elementares da forma paranoide da esquizofrenia descritas por


Kraepelin:
(a) Ideia de posse fixa e eco do pensamento
(b) Delírios e alucinações
(c) Alucinações e Ilusão
(d) Delírios e ilusões

Resposta: A

Segundo KRAEPELIN, a ideia de posse fixa e o eco de pensamento são elementos


essenciais para o diagnóstico da forma paranoide da esquizofrenia.

A ideia de posse fixa é caracterizada por alteração da cinestesia, apresentando o


indivíduo um sentido de estar sendo possuído e tendenciado por outro.Podem relatar
beliscões, socos, choques, descaso etc.

No eco de pensamento, o enfermo relata que suas ideias ou o seu pensar são
roubados e falados em voz alta por outro.

9) As impulsões nos sujeitos epilépticos podem conduzi-los ao homicídio, suicídio,


à cleptomania, ao exibicionismo e aos atentados ao pudor (HÉLIO GOMES,
1987, p. 154). Outra possibilidade de importância forense é o andar sem rumo,
às vezes por semanas, sem se quer recordar do evento. Tal possibilidade se
denomina:
(a) Dromomania
(b) Paramimia
(c) Catatonia
(d) Distimia

Resposta: A

A epilepsia é uma síndrome que pode ou não ser precedida por aura. O sinal mais
evidente é a convulsão. Após a crise (estado pós-comicial) o enfermo pode apresentar
um estado crepuscular prolongado ou não, caracterizado pela turvação da consciência.
Esse estado pode levar o indivíduo a situações variadas.

- 36 -
Como exemplos, impulsão para caminhar sem rumo (dromomania), voltar-se para o
exibicionismo, roubar coisas diversas (cleptomania), violentar sexualmente,
automutilar, matar e suicidar-se.

Um estado crepuscular grave, manifestado por agitação psicomotora foi apontado


por LEGARND DU SAULLE nos crimes epilépticos violentos com as seguintes
características: Ausência de motivo, de remorso e de premeditação; ato súbito,
instantâneo; execução com ferocidade; múltiplos golpes; amnésia.

10) Assinalar a alternativa que não é típica do assassino serial:

(a) (b) (c) (d)

Resposta: D

O assassino em série ou serial killer é um criminoso psicopata ou sociopata, com


peculiaridades próprias de acordo com sua psicopatia.

Atua periodicamente ou com frequência regular, por um modus operandi e


deixando uma marca ou “assinatura”, que em geral o qualifica.

Segundo MACDONALD (1963, 120: 125-130), o assassino serial apresenta três


característica comportamentais durante a infância: urinam na cama, provocam
incêndios e demonstram crueldade com os animais (tríade de MacDonald).

Podem ser organizados ou não. São intelectualmente normais e convívio social


satisfatório. Atuam numa sequência definida em fases: Aura (1ª fase), pesca (2ª
fase), galanteadora (3ª fase), captura (4ª fase), assassinato ou totem (5ª fase) e
depressão (6ª fase).

A vítima geralmente é selecionada, sendo rara a ocasionalidade. Assim podem


selecionar homossexuais, prostitutas, crianças, idosos, mendigos etc. Apresentam a
necessidade de imprimir sofrimento a vítima, levando a crer que muito raramente
utilizam da arma de fogo como meio de execução.

- 37 -
Fonte: Macdonald, J.M. The Threat to Kill. Am. J. Psychiatry, 1963, 120: 125-130

ANALISE O TEXTO

Um jovem de 14 anos de idade foi preso em flagrante delito por furtar a bolsa de
uma idosa mediante ameaça com uma faca.

O fato narrado incorre nos termos do Estatuto da Criança e Adolescente (ECA –


Lei 8.069/90) como crime sujeito a pena de reclusão de quatro a dez anos, e multa.

O responsável pelo jovem comprova a identificação e idade do mesmo pela


certidão de nascimento e documento de identidade expedido pelo IFP.

Alega ao Delegado que se trata de doente mental, porém deixa claro que essa é a
sua impressão pessoal, uma vez que não há história médica pregressa que aponte tal
diagnóstico.

O Delegado de Polícia fundamentado nos incisos VII e VIII do Art. 6º do CPP


requisita os seguintes exames: Identificação (pelo Instituto de Identificação Félix
Pacheco -IIFP); Determinação da idade (pelo Instituto Médico-Legal Afrânio
Peixoto – IMLAP) e exame de Insanidade Mental (pelo IMLAP).

O advogado do jovem alega abuso de poder da autoridade policial arguindo que


não se pode privar a liberdade no caso em pauta, pois se trata de criança, e o exame
de identificação criminal não cabe pelo fato do jovem está civilmente identificado e
carecer de justificativa prevista legalmente.

Fica caracterizado o constrangimento ilegal submeter uma pessoa à identificação


criminal quando identificado civilmente, com base no art. 5º, LVIII da CRFB-88.
Fundamentado neste pormenor entra com recurso de Habeas Corpus.

Fontes: ECA – Lei 8.069/90. Artigos 2º, 103, 104, 106, 107, 109 e 112. Lei
12.037/2009 - CP – Art. 157 / CPP – Art. 6º VII, VIII; Art. 149 CRFB – Art. 5º
LVIII e Art. 228 / Súmula 568 STF Material Didático: Direito Constitucional.
Alexandre de Moraes, 2007, 22ª ed. P.121.

11) Há quatro impropriedades jurídicas no primeiro parágrafo da narrativa.


Complete o quadro:

PALAVRA ERRADA CORREÇÃO FUNDAMENTO LEGAL


Art.
Art.
Art.
Art.

- 38 -
Respostas: De acordo com o Estatuto da Criança e Adolescente e o CP, o quadro ficaria
assim:

PRESO APREENDIDO Art. 107 ECA


FURTAR ROUBAR Art. 157 CP
CRIME ATO INFRACIONAL Art. 103 ECA
RECLUSÃO MEDIDA DE SEGURANÇA Art. 112 ECA

12) No último parágrafo algumas frases e palavras foram destacadas.

a. Não se pode privar a liberdade no caso em pauta. ( ) Certo ( ) Errado

Fundamentação Legal: ...................................................................................

b. Pois se trata de criança. ( ) Certo ( ) Errado

Fundamentação Legal: ...................................................................................

c. O exame de identificação não cabe pelo fato do jovem está civilmente identificado e
carecer de justificativa prevista legalmente. ( ) Certo ( ) Errado

Fundamentação Legal: ...................................................................................

d. Fica caracterizado o constrangimento ilegal submeter uma pessoa à identificação


criminal quando identificado civilmente. ( ) Certo ( ) Errado

Fundamentação Legal: .......................................................................................................

e. Entra com recurso de Habeas Corpus. ( ) Certo ( ) Errado

Justificativa Simples: .......................................................................................................

f) Quanto aos exames solicitados pelo Delegado de Polícia:

f.1. Exame de identificação. ( ) Procede ( ) Não procede

Fundamentação Legal: .......................................................................................................

- 39 -
f.2. Determinação da Idade. ( ) procede ( ) Não procede

Fundamentação Legal: .......................................................................................................

f.3. Exame de Insanidade Mental. ( ) Procede ( ) Não procede

Fundamentação Legal: .......................................................................................................

Respostas: Com a devida fundamentação legal e jurídica, as lacunas ficariam


assim preenchidas:

a)Errado, Art. 106 ECA; b) Errado, Art. 2º ECA; c) Certo, Art. 109 ECA – Art. 5º
LVIII CRFB – Art. 1º Lei 12.037/2009; d) Errado, Súmula 568 STF; e) Errado,
Habeas Corpus não é recurso; f.1) Não procede, Art. 109 ECA – Art. 5º LVIII
CRFB; f.2) Não procede, Art. 109 ECA – Art. 5º LVIII CRFB, Art 1º Lei
12.037/2009; f.3) Não procede, Art. 149 CPP.

13) Qual o critério médico-forense de modificação da imputabilidade penal do caso


em estudo:
(a) Biopsicológico
(b) Psiquiátrico
(c) Mesológico
(d) Biológico

Resposta: D

O menor, por questão de idade e sendo o entendimento que não há maturação


psíquica, é um critério de modificação da imputabilidade de natureza biológica.

Decorre de conclusão própria da lei.

Portanto, tratando-se de menoridade, a presunção absoluta (juris et de jure), por si


só, já faz prova de inimputabilidade frente a legislação comum.

14) O valor probante, no caso concreto narrado, que aponta para inimputabilidade
sem a necessidade da perícia psiquiátrica forense é:
(a) O responsável legal que testemunha sua impressão pessoal que o jovem é doente
mental
(b) O Documento de Certidão de nascimento que aponta a idade do agente
(c) A Presunção legal absoluta estabelecida pela menoridade
(d) A Presunção legal relativa estabelecida pela menoridade

- 40 -
Resposta: C

O fato jurídico pode ser provado mediante: confissão, documento, testemunha,


presunção e perícia.

Assim reza o Art. 212 do CC. O valor de prova que o menor é inimputável frente a
legislação comum, decorre de conclusão própria da lei por presunção absoluta, não
admitindo prova em contrário.

15) A inimputabilidade em função da menoridade é atribuída à:


(a) Desenvolvimento mental incompleto
(b) Desenvolvimento mental retardado
(c) Enfermidade mental
(d) Demência

Resposta: A

O entendimento predominante e que dá subsídio legal como critério de


inimputabilidade por presunção absoluta, é que o menor apresenta imaturidade psíquica.

Assim sendo, é um critério biológico que vincula a idade à maturidade para o


entendimento sobre a ilicitude e de autodeterminar-se de acordo com esse entendimento.

Trata-se de desenvolvimento mental incompleto apontado no Art. 26 do CP.

16) O critério psicológico implícito no art. 26 do CP guarda relação com:


(a) A capacidade de autodeterminação
(b) A alteração mental preexistente
(c) O tempo da ação ou omissão
(d) A capacidade de entender

Resposta: C

Não basta ter doença mental, apresentar desenvolvimento mental incompleto ou


retardado, para caracterizar inimputabilidade.

Nos termos do Art. 26 do CP, é preciso apurar se ao tempo da ação ou da omissão o


indivíduo era inteiramente incapaz de entender a ilicitude do fato e dominar sua vontade
de acordo com esse entendimento.

Portanto, é ao tempo da ação ou da omissão que fica implícito o critério psicológico


para inimputabilidade.

- 41 -
17) Qual princípio jurídico está sendo comprometido quando o réu é submetido a
hipnose forense?
(a) Dignidade da Pessoa humana
(b) Presunção de Inocência
(c) Adequação social
(d) Ofensividade

Resposta: A

A hipnose é entendida juridicamente como uma doença mental transitória, onde o


indivíduo é submetido a uma condição de transe que venha a embotar ou sugestionar a
sua consciência e sua vontade.

Sendo um meio ardil e ilegítimo, a hipnose forense afronta o Princípio da Dignidade


da Pessoa Humana, de resguardo e proteção constitucional.

18) Analisar os dois casos verídicos cuja alegação da defesa foi homicídio por
sonambulismo:

1º Caso - Scott Falater matou a esposa dele, Yarmila, aplicando-lhe inicialmente 44


facadas, e em seguida afogou-a na piscina. O evento durou mais de cinquenta minutos.
Scott foi mais de duas vezes a garagem para esconder as roupas ensanguentadas de sua
mulher, onde teria escondido a faca do crime, e depois guardou tudo em uma caixa e
colocou no porta-malas do carro. Ao todo foram 64 ações.

2º caso – Kenett Parks, aos 23 anos de idade, na noite de 1987, pegou o carro e foi até a
casa dos sogros. Foi para a cozinha e apanhou uma faca. A sogra ao deparar com o
genro tentou acordá-lo. Kenett desferiu cinco golpes de faca na sogra, matando-a. O
sogro tentou desarmá-lo e escapou da morte. Ao acordar e ver a cena, Kenett se
desesperou e se entregou na delegacia.

Fundamentado na ciência médica responda:

A- Qual dos casos aponta para um episódio de sonambulismo:

( ) 1º caso ( ) 2º caso

B- Quais argumentos apoiam ou invalidam a tese de crime sob o efeito do


sonambulismo:

Para o 1º caso:

- 42 -
Para o 2º caso:

Respostas: Com a devida fundamentação legal e jurídica, os questionamentos ficam


assim respondidos:

A) O 2º caso;
B) Para o 1º caso: quase impossível o sonambulismo durar mais de 50 minutos; o
sonâmbulo é incapaz de planejar as suas ações. Neste caso foram 64 ações. O
córtex cerebral que é a área que planeja está dormindo; Para o 2º caso: ação
violenta após a tentativa de acordar o sonâmbulo; não há planejamento; o agente se
mostra confuso.

19) Condições previstas no ordenamento jurídico pátrio, dentro da inimputabilidade,


que configuram desenvolvimento mental incompleto:
(a) Menoridade e débil mental
(b) Débil mental e silvícola
(c) Surdo-mudo e Imbecil
(d) Menoridade e silvícola

Resposta: D

O menor, o silvícola isolado e o surdo-mudo sem acompanhamento cultural,


enquadram-se no caput do Art. 26 do CP como apresentando desenvolvimento mental
incompleto.

O idiota, o imbecil, o débil mental e o débil mental fronteiriço, integram o grupo das
oligofrenias, sendo indicado no referido artigo como desenvolvimento mental retardado.

20) O desenvolvimento mental incompleto atribuído ao índio se deve:


(a) As diferenças culturais entre a indígena e a sociedade
(b) A inadaptação deste à tábua de valores da sociedade
(c) Ao retardamento psíquico em função da sua cultura
(d) A condição neuroanatômica própria do índio

Resposta: B

A Lei 6.001/1973 é o estatuto do Índio assinada pelo Presidente da República –


Emílio G. Médici.

- 43 -
Trata-se de uma lei que regula a situação jurídica dos índios e das comunidades
indígenas, objetivando preservar a sua cultura e integrá-los progressivamente à
comunhão nacional (Art. 1º).

Mantendo a rigidez quanto as definições e etimologia das palavras, diferencio o


índio do silvícola, que a primeira vista parece ser a mesma coisa.

No meu entendimento pessoal, silvícola é o índio que nasce e vive exclusivamente


em ambiente selvagem. Sem contato com a sociedade comum. O índio pode até nascer
em comunidade indígena, deixando de ser silvícola quando passa a conviver integrado a
sociedade comum.

Entendo, portanto, que o desenvolvimento incompleto atribuído ao índio se deve a


não adaptação aos valores da sociedade, ou seja, tratamos aqui do tão somente silvícola.

21) Por força do art. 56, caput, do Estatuto do Índio (Lei 6.001 ̸ 73), o silvícola
plenamente adaptado, frente às consequências penais, é considerado:
(a) Imputável, porém há uma atenuante obrigatória pela sua condição de índio
(b) Imputável, respondendo na totalidade como qualquer cidadão
(c) Semi-imputável
(d) Inimputável

Resposta: A

Segundo expõe o Art. 4º da Lei 6.001/1973, os índios são considerados:


isolados, em vias de integração e integrados em relação à comunhão nacional.

A questão trata do Art. 56 do referido diploma legal, em que o índio se encontra


plenamente adaptado a sociedade comum.

Portanto, a infração penal cometida pelo índio tem conotação de imputabilidade,


mas dada a sua condição de índio, a lei prevê que da condenação, este deverá ser
beneficiado por uma atenuante.

Art. 56. No caso de condenação de índio por infração penal, a pena deverá ser atenuada
e na sua aplicação o juiz atenderá também ao grau de integração do silvícola. O grifo é
nosso.

22) Qual a qualificação jurídica psíquica do silvícola não adaptado?


(a) Desenvolvimento mental incompleto
(b) Desenvolvimento mental retardado
(c) Doença mental
(d) Alienação social
- 44 -
Resposta: A

O silvícola não adaptado é aquele classificado como isolado ou em vias de


integração, como reza o Art. 4º do Estatuto do Índio, nos incisos I e II. A qualificação
jurídica nesses casos e com base no Art. 26 do CP é de desenvolvimento mental
incompleto.

23) O índio, atrelado, única e exclusivamente, à cultura silvícola, entra no critério


biológico de inimputabilidade, por não apresentar:
(a) Domínio da consciência da ilicitude
(b) Cultura da sociedade comum
(c) Capacidade cognitiva
(d) Capacidade volitiva

Resposta: A

O que leva à inimputabilidade do silvícola isolado, como bem expõe a questão, e


guardando fidedignidade ao diagnóstico jurídico definido no Art. 26 do CP, é a ausência
de domínio da consciência da ilicitude, uma vez que estamos tratando de
inimputabilidade.

Lembrar que se quer o silvícola isolado não tem o potencial de consciência da


ilicitude, quanto mais o domínio. Aí estaríamos tratando de um dos pressupostos da
culpabilidade.

O fato é que o problema não é de natureza de domínio da consciência, mas sim de


potencial para saber o que é certo ou errado.

24) A inviabilidade de o silvícola não integrado compreender a ilicitude se deve ao:


(a) Conjunto de valores culturais diverso da sociedade comum
(b) Retardamento da capacidade cognitivo-volitiva
(c) Desenvolvimento mental incompleto
(d) Desenvolvimento mental retardado

Resposta: A

O que inviabiliza o silvícola compreender a ilicitude é o conjunto de valores


diverso da sociedade comum, daí sua classificação como isolado.

O Art. 21 do CP trata do erro sobre a ilicitude do fato, onde preceitua que o


desconhecimento da lei é inescusável. Complementa que se o erro sobre a ilicitude do

- 45 -
fato for inevitável, não haverá pena, e se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um
terço. Inescusável é evitável.

Porém, tratando-se de silvícola isolado, é uma espécie de erro de proibição


inevitável (escusável, invencível), por inexistir a potencial consciência da ilicitude.

Considera-se invencível porque exclui o dolo e a culpa, não podendo ser


vencido com emprego de precaução. Portanto, tal erro exclui a culpabilidade
(FERNANDO CAPEZ, 2012, pp. 187-188).

Fonte: Capez, F. Direito Penal Simplificado – Parte Geral. São Paulo, 15ª ed, 2012,
pp. 187-188

25) O silvícola não integrado, na condição de inviabilidade da compreensão da


ilicitude, por força da barreira de sua cultura, é absolvido por falta de
culpabilidade, pois este incide em erro:
(a) De proibição invencível
(b) De proibição evitável
(c) In procedendo
(d) De pessoa

Resposta: A

Segundo o caput do Art. 20 que trata do erro sobre elementos do tipo, erro de
tipo, é o erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime. Portanto, é o erro que
recai sobre os elementos objetivos.

Nas palavras de FERNANDO CAPEZ (2012, p. 131), “erro de tipo é o


desconhecimento ou falsa ideação de uma situação de fato, um dado da realidade ou
uma relação jurídica, descritos no tipo legal, como seus elementos, suas circunstâncias
ou como dados irrelevantes”.

As formas de erro tipo são: essencial (recai sobre elementares e circunstâncias)


ou acidental (recai sobre dados secundários – sobre o objeto, pessoa, execução etc.).

É marcante no erro essencial a não consciência da ilicitude fática ou


desconhecimento da circunstância.

O erro essencial pode ser invencível (inevitável, escusável) ou vencível (evitável


inescusável). COSTA MACHADO (2013, pp. 36-37) interpreta o citado artigo
ensinando que no erro inevitável, exclui qualquer tipicidade, dolosa e culposa.

- 46 -
Complementa que no erro evitável, exclui somente o dolo, permitindo-se a
sanção por crime culposo se há previsão legal.

A questão aborda um exemplo de erro sobre a ilicitude do fato em função da não


potencialidade do silvícola conhecer a ilicitude, por ser isolado da comunhão nacional.
Portanto, é um erro de proibição invencível por ser inevitável (Art. 21 do CP).

Fontes: Capez, F. Direito Penal Simplificado – Parte Geral. São Paulo, 15ª ed, 2012,
pp. 187-131

Machado, C (organizador). Código penal Interpretado. São Paulo, Manole, 3ª ed,


2013 pp. 36-37

26) Declarar a inimputabilidade ou interdição é de competência:


(a) Dupla, jurídica e médica
(b) Exclusivamente jurídica
(c) Exclusivamente médica
(d) Psiquiátrica

Resposta: B

A inimputabilidade e a interdição são institutos jurídicos, penal e civil,


respectivamente.

Trata-se de “diagnósticos” jurídicos e de competência exclusiva do judiciário.


Naturalmente são fundamentados em provas.

No caso do menor, a fundamentação pela inimputabilidade é por presunção legal


absoluta. Não há necessidade de exame médico, salvo diante de dúvidas quanto à idade,
quando então, a critério judiciário ou da autoridade policial, poderá ser realizado o
exame de determinação de idade.

Tratando-se de silvícola, o Juiz poderá requisitar o exame antropológico para


classificação do índio dentro dos critérios definidos no Art. 4º na Lei 6.001/1973.

Compete, exclusivamente ao judiciário, requisitar o exame de sanidade mental do


agente (Art. 149 do CPP) e do apenado que se conclui pela semi-imputabilidade ou no
caso de superveniência de doença mental, como critério de conversão da pena para
medida de segurança (Art. 41 do CP e Art. 183 da Lei de Execução Penal – LEP).

- 47 -
Caso a vítima dê sinais de enfermidade mental ou deficiência mental, a autoridade
policial pode requisitar o exame de sanidade mental para casos específicos como
exemplo o capitulado no Art. 217-A §1º (estupro de vulnerável).

Nos casos de interdição por demência senil, prodigalidade e outros, a autoridade


judiciária se apoiará em laudo psiquiátrico.

27) Um psicótico paranoide em crise é inimputável ao tempo do crime, devido à


falta (de):
(a) Arrependimento do que fez
(b) Juízo crítico da realidade
(c) Memória de suas ações
(d) Autodeterminação

Resposta: B

A esquizofrenia paranoide é umas das formas clínicas da esquizofrenia,


caracterizada por delírios primários, essencialmente por percepção de persecutoriedade
ou de grandiosidade, porém com relativa preservação da intelectualidade e do afeto.

É das formas a mais homogênea e não cursa com deterioração da personalidade. O


enfermo se mostra geralmente reservado, desconfiado e com tendência a agressividade.
Das alucinações, a mais comum é a auditiva.

A percepção ilusória de perseguição pode levar o enfermo à extrema ansiedade, ao


suicídio, ou evoluir com raiva e violência. Portanto, há uma alteração do juízo crítico da
realidade e comportamentos variados, podendo ser de natureza médico-legal.

28) Na tentativa de recorrer à inimputabilidade, um indivíduo autor de determinado


crime, alega que não se recorda do fato a ele atribuído. Dá subsídio à alegação o
estado:
(a) De analfabetismo
(b) De embriaguez
(c) Crepuscular
(d) Psicótico

Resposta: C

Das alternativas, a amnésia para fatos imediatamente anteriores é característica


marcante do estado crepuscular.

- 48 -
Este estado aparece mais comumente no epiléptico em estado pós-comicial.

A amnésia anterógrada também é vista em determinadas toxicomanias, no


sonambulismo e quadros demenciais.

Caso a alegação fosse de não saber o que estava fazendo, estaríamos diante de
condições culturais de desconhecimento da ilicitude (silvícola, por exemplo) ou diante
de embriaguez completa.

29) No estado psicótico há prejuízo da racionalidade:


(a) Abstrata e intelectual
(b) Pragmática
(c) Volitiva
(d) Social

Resposta: A

O que caracteriza a psicose é a desrealização, distorção da realidade ou perda do


contato com a realidade através de ilusões, alucinações, desestruturação do eu etc.

Não há prejuízo da memória, nem da cognição. Entretanto, apesar de possibilitar o


convívio social e não apresentar alterações da realidade pragmática, obedecendo a
regras e fórmulas, o enfermo não apresenta juízo crítico do que faz, em geral apoiado
em princípios ou fatos ilógicos e irreais (realidade abstrata e intelectual).

30) O menor de 18 anos de idade, emancipado, é:


(a) Penal e civilmente incapaz
(b) Penal e civilmente capaz
(c) Penalmente incapaz
(d) Civilmente incapaz

Resposta: C

Segundo o Art. 5º do CC “a menoridade cessa aos dezoito anos completos,


quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil”. É o momento
que se adquire a capacidade de fato.

Entretanto, há uma previsão de cessar a incapacidade para os menores, como


reza o parágrafo único do citado artigo, nas seguintes condições, elencadas nos incisos
que se seguem: I – pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante
instrumento público, independentemente de homologação judicial, ou por sentença do

- 49 -
juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos; II – pelo casamento; III
– pelo exercício de emprego público efetivo; IV – pela colação de grau em curso de
ensino superior; V – pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de
relação de emprego, desde que, em função deles, o menor com dezesseis anos completo
tenha economia própria.

Quanto ao casamento entre menores com dezesseis anos completos e sem


anuência de um dos pais, a autorização poderá ser suprida pela autoridade judiciária,
sem possibilidade de recurso (Art. 1.519 CC).

Os pais serão citados para no prazo de cinco dias apresentar razões. Não
comparecendo os pais, segue o pleito à revelia. Aduzida as razões pelos pais, o juiz
determinará audiência de instrução e julgamento e em seguida será proferida a sentença,
da qual não cabe recurso.

Porém o casamento será por regime de separação de bens (Art. 1.641, III, CC).
Ainda assim, os pais, tutores ou curadores poderão revogar a autorização até a
celebração do casamento (Art. 1.518 CC).

Chama atenção que a idade núbil para homens e mulheres é de 16 anos


completos. Entretanto, aufere o Art. 1.551 do CC, legalidade ao casamento que resultou
gravidez, independente da idade. No bojo do Art. 935 do CC, “a responsabilidade civil é
independente da criminal...”. Por mais que o menor tenha sido emancipado, ainda
assim, permanece inimputável penalmente frente a legislação comum.

- 50 -
CAPÍTULO 3
ESTUDO MÉDICO-LEGAL DA PSICOSSEXUALIDADE E
DA SEXOLOGIA CRIMINAL

1) Libido voltada para objetos:


(a) Froteurismo
(b) Fetichismo
(c) Uranismo
(d) Dolismo

Resposta: B

Instinto sexual é um padrão sexual congênito que aflora em impulsos denominados


pulsões que reflete a libido. Libido é o desejo sexual. Esta pode estar voltada para
regiões do próprio corpo, ou do corpo do outro, e demais peculiaridades como mostra a
questão. No caso de objetos a libido seria uma manifestação fetichista.

A sexualidade normal se reveste de egossintonia, afetividade, sem prejuízo para


terceiro e termina em cópula. O desvio sexual pode acontecer dentro de um critério de
normalidade se há correspondência entre o casal. Sendo a conduta rígida, impulsiva e
compulsiva, estaremos diante de um comportamento parafílico.

2) O gráfico abaixo do comportamento sexual aponta um caso de:

4
t (s)

(a) Impotência coeundi


(b) Ejaculação precoce
(c) Anorgasmia
(d) Ninfomania

- 51 -
Resposta: B

Pelo que mostra o gráfico há excitação, platô e pico de orgasmo em 4 segundos e


com resolução imediata. Trata-se, portanto, de ejaculação precoce.

3) Espécie de pigmalionismo:
(a) Apotemnofilia
(b) Erotomania
(c) Fetichismo
(d) Dolismo

Resposta: D

O pigmalionismo é um desvio parafílico caracterizado pelo desejo sexual por


estátua. Uma das formas de pigmalionismo é para bonecas, sendo esta forma chamada
de dolismo.

4) Homossexual com atração por outros homossexuais:


(a) Homófilo
(b) Íncubo
(c) Súcubo
(d) Alófilo

Resposta: A

A homossexualidade dentro de suas peculiaridades pode revestir-se de detalhes


que diferencia um homossexual do outro.

Aquele com satisfação sexual voltada para outro homossexual se chama


homófilo.

Caso sua postura seja ativa, denomina-se de íncubo.

Sendo sua postura passiva, denomina-se de súcubo.

Alófilo é o desejo sexual do homossexual independente da preferência sexual do


outro.

Quando o desejo está voltado para o bissexual, chamaremos este caso de


anfífilo.

- 52 -
5) O gráfico abaixo reflete o desempenho sexual de um homem de 29 anos de
idade onde é definida a relação entre o tempo (∆t em minutos) e a intensidade
da resposta sexual. Assinale a alternativa que melhor se adéqua ao caso
considerando que o jovem com oito meses de casado, não padece de nenhum
distúrbio metabólico, sem história de atividade sexual pregressa com a referida
esposa, e que esta descontente não atinge o orgasmo em função do que informa
o gráfico:

1 ∆t

(a) Assiste razão ao cônjuge entrar com pedido de nulidade de casamento com
fundamento legal definido no art. 1.557, inciso III Código Civil
(b) Assiste razão ao cônjuge entrar com pedido de anulabilidade de casamento com
fundamento jurídico definido por erro essencial sobre a pessoa do outro
caracterizado por impotência coeundi
(c) O gráfico esclarece prejuízo da fase relacional o que impede o orgasmo mútuo
(d) O gráfico aponta ejaculação precoce sem o tempo devido para o orgasmo do
cônjuge

Resposta: B

O gráfico mostra um caso de impotência instrumental ou impotência coeundi que


era desconhecida pelo cônjuge.

Há excitação, porém não há sustentação, pois em 1 minuto o jovem perde a


potência, não chegando ao orgasmo, pelo que mostra o gráfico.

Sendo por ele conhecido e não revelando o fato ao cônjuge, enseja critério para
anulabilidade do casamento.

6) “Abuso Sexual” se conjuga com:


(a) Conjunção carnal mediante violência ou grave ameaça, unicamente
(b) Atentado violento ao pudor, unicamente
(c) Qualquer tipo de violação sexual
(d) Violência sexual contra menor

- 53 -
Resposta: C

Qualquer atentado contra a liberdade, respeito e dignidade sexual de outrem,


caracteriza a violência sexual.

E como gênero, apresenta as espécies: abuso sexual e exploração sexual.

Abuso sexual é quando a ação é única e exclusiva sexual.

Diferente da exploração que tem conotação mais mercantil com pornografia,


tráfico, turismo sexual e prostituição.

A princípio qualquer alternativa seria considerada correta, pois todas caracterizam


abuso sexual.

Entretanto, para efeito de prova de avaliação de conhecimento, as alternativas “a” e


“b” expressam ao final que seriam unicamente de natureza abusiva.

A violência sexual contra menor contempla ainda a figura da vulnerabilidade.


Portanto, a melhor resposta ou a mais completa seria qualquer violação sexual.

7) A personalidade parafílica se reveste de um caráter:


(a) Epileptóide, explosivo e anancástico
(b) Depressor, inflexível e compulsivo
(c) Opressor, flexível e compulsivo
(d) Opressor, rígido e impulsivo

Resposta: D

O que caracteriza a parafilia é a natureza impulsiva, rígida e compulsiva de repetir


o mesmo comportamento desviado sexual, não admitindo desvios ou alternativas para
atingir a satisfação sexual.

8) O fetichismo transvéstico é um tipo de parafilia caracterizada pela excitação


sexual mediante a utilização de roupas femininas por parte do:
(a) Homossexual íncubo
(b) Homossexual súcubo
(c) Homossexual alófilo
(d) Heterossexual

Resposta: D

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Por definição os homossexuais podem desejar outro homossexual (homófilos),
indistintamente homo ou heterossexual ((alófilos) ou bissexual (anfífilos).

Entre um relacionamento homossexual, aquele que exerce o papel ativo se


denomina íncubo e aquele que adota uma postura passiva é o súcubo.

O fetichismo transvéstico é um transtorno descrito exclusivamente em


heterossexuais, cujo desvio sexual é voltado para vestir-se com roupas femininas.
Quando chegam a masturbação, sentem-se tanto como homem quanto como mulher.

9) Considere as definições, e a seguir complete a coluna:


a- Inserção da mão no interior da vagina ou cavidade anorretal;
b- Tipo de masoquismo cuja excitação é obtida pela introdução de agulhas;
c- Tipo de masoquismo cuja excitação se dá pela privação de oxigênio;
d- Excitação sexual pela ingestão de urina ou contato desta com a pele (“chuva
dourada”);
e- Introdução de pênis artificial ou algo semelhante na vagina ou ânus.
f- O mesmo que passiofilia

( ) Fisting ou fistfucking

( ) Belonofilia

( ) Hipoxifilia

( ) Urofilia

( ) Pseudopeolagnia

( ) Sadomasoquismo

Resposta: a, b, c, d, e, f

As respostas estão relacionadas na mesma sequência da coluna inicial. Refletem


nada mais que conceitos de parafilias.

10) A candalagnia ou candaulismo é a excitação em assistir o coito do parceiro com


terceiro. Constitui esta prática uma forma de:
(a) Sadomasoquismo
(b) Voyerurismo
(c) Fetichismo
(d) Sadismo

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Resposta: B

Voyeurismo é uma conduta compulsiva mais comum no sexo masculino onde há


satisfação erótica em observar pessoas despidas. Também é denominada de tealagnia ou
escopofilia.

Entrega-se geralmente a masturbação, porém sem satisfação completa.

Uma forma de Voyeur é a candalagnia ou candaulismo, onde a satisfação erótica se


dá em observar o seu cônjuge em atividade sexual com terceiro, sem, entretanto,
participar. Difere da mixoscopia, pois aqui não há relação de parentesco com o voyeur.

11) Considere as definições e correlacione às colunas:


a- Atração sexual por adolescentes do sexo masculino entre 10 e 16 anos de idade;
b- Falsa parafilia caracterizada pela busca de sensação dolorosa sem conteúdo
erótico;
c- O mesmo significado de exibicionismo;
d- Forma de coprolalia onde se busca o prazer obsceno pelo telefone;
e- Tipo de fetichismo onde o prazer está concentrado em uma parte específica do
corpo;
f- Ato sexual em si mesmo;
g- Atração erótica por genitais depilados;
h- Excitação por parceiros vendados;
i- Atração sexual por mulheres obesas (big beautiful woman)
j- Atração sexual por aqueles que tenham cometido crimes

( ) Hebefilia ( ) Apodisofilia ( ) Escatologia telefônica ( ) Parcialismo


( ) Acomioclitismo ( ) Amaurofilia ( ) Hibristofilia

Respostas: a, c, d, e, g, h, j.

Hebefilia é o desejo sexual por adolescentes.

Apodisofilia é um tipo de exibicionismo voltado para expor a genitália.

Escatologia telefônica é a excitação sexual por telefonema obsceno.

Parcialismo é uma forma de fetiche voltado para determinadas regiões do corpo.

Acromioclitismo é o desejo sexual por genitais depilados.

Amaurofilia é a excitação onde o outro se encontra sem condições de ver, como os


olhos vendados ou na obscuridade.

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Hibristofilia (síndrome de Bonnie e Clyde) é o desejo sexual ou afinidade por
criminoso. É mais frequente nas mulheres.

12) Um ginecologista atende uma paciente de 27 anos de idade, com quadro de


hemorragia transvaginal e com história de auto aborto há dois dias pelo método
químico-farmacológico. A paciente roga ao médico reservas quanto à sua
revelação. Sem maiores complicações, evoluiu satisfatoriamente com cura.
Tratando-se de aborto com previsão legal no Art. 124 do Código Penal, o
ginecologista:
(a) Está impedido de revelar o fato em face do sigilo médico, tendo respaldo ético e
legal
(b) Deve prestar queixa contra a paciente na Delegacia de Polícia
(c) Deve denunciar a paciente diretamente ao Ministério Público
(d) A seu critério noticiar ou não o crime na Delegacia

Resposta: A

O sigilo médico é fundamentado em princípio ético dos mais rígidos e tradicionais


da medicina.

Trata-se de uma segurança do paciente em revelar a verdade e de confiança entre as


partes, que norteia um dos princípios da relação médico-paciente.

Possibilita diagnóstico seguro e tratamento eficaz.

O médico não comete crime de revelação de segredo profissional quando diante de


justa causa (estado de necessidade) e dever legal.

Na questão em estudo predomina o sigilo médico, uma vez que noticiar o crime a
autoridade levaria a procedimento criminal contra a sua paciente, que se recuperou
satisfatoriamente.

Está longe da justa causa e do dever legal, e com as razões que se seguem.

Segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM) são condições que respaldam o


médico a revelar o segredo: atestados de óbito; doenças de notificação compulsória
(Art. 269 CP e Art. 13 da Lei nº 9.434/1997); abuso sexual; aborto criminoso; defeitos
físicos ou patologias que propiciam erro essencial quanto à pessoa que gera a nulidade
de casamento; perícias médicas judiciais e outras.

O inciso II do Art. 5º da Constituição Federal (CF), dá ensejo ao princípio da


legalidade, ao expressar que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma
coisa senão em virtude de lei”.

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No mesmo artigo, o inciso X garante a inviolabilidade da intimidade, da imagem e
da honra, como textualmente reza – “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a
honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou
moral decorrente de sua violação”.

O Art. 154 do CP penaliza a violação do segredo profissional, com detenção de 3


(três) meses a 1 (um) ano, ou multa, nos seguintes termos – “revelar alguém, sem justa
causa, segredo, de que tem ciência em razão de função, ministério, ofício ou profissão, e
cuja revelação possa produzir dano a outrem”.

No âmbito processual penal, no Art. 207 lê-se: “São proibidas de depor as pessoas
que, em razão de função, ministério, ofício ou profissão, devam guardar segredo, salvo
se, desobrigadas pela parte interessada, quiserem dar o seu testemunho”.

No CPC, o Art. 347 torna lícito e justificado o silêncio ao expressar que “A parte
não é obrigada a depor de fatos: II – a cujo respeito, por estado ou profissão, deva
guardar sigilo”.

O Art. 73 do Código de Ética Médica veda ao médico “revelar fato de que tenha
conhecimento em virtude do exercício de sua profissão, salvo por motivo justo, dever
legal ou consentimento, por escrito, do paciente”.

No mesmo diploma ético, o Art. 74, quanto ao menor, assim se posiciona, vedando
ao médico – “Revelar sigilo profissional relacionado a paciente menor de idade,
inclusive a seus pais ou representantes legais, desde que o menor tenha capacidade de
discernimento, salvo quando a não revelação possa acarretar dano ao paciente”.

A questão aborda um fato criminoso, tipificado como aborto, por parte da própria
autora do delito. Como o abortamento não evoluiu insatisfatoriamente, tem respaldo
legal o médico na Lei das Contravenções Penais (Decreto-Lei nº 9.760/1946), em
relação a omissão de comunicação de crime, isentando-se da pena de multa, pois levaria
a procedimento criminal contra a paciente, como declara o Art. 66. “Deixar de
comunicar à autoridade competente: II – crime de ação pública, de que teve
conhecimento no exercício da medicina ou de outra profissão sanitária, desde que a ação
penal não dependa de representação e a comunicação não exponha o cliente a
procedimento criminal”.

Entretanto o sigilo profissional é de natureza relativa, quando diante de valores


sociais mais relevantes.

Caso o aborto tenha sido provocado por terceiro ou evoluído com lesão corporal
grave e morte, ficaria caracterizado um crime complexo (Art. 101 CP), autorizando o
médico a revelar o segredo por justa causa.

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13) Cliente maior de idade revela ao médico, em sigilo, ter sido vítima de violência
sexual mediante ameaça. Diante do exposto e com evolução favorável da
paciente, o médico deve:
(a) Enviar cópia do prontuário ao Ministério Público para que este movimente uma
ação penal pública
(b) Registrar no prontuário a revelação e guardar segredo frente ao princípio ético
de sigilo médico
(c) Guardar segredo médico e não registrar no prontuário
(d) Apresentar queixa crime na Delegacia de Polícia

Resposta: B

Ação Penal é o direito de movimentar o Estado-Juiz a justapor o direito penal


positivo ao caso concreto.

A ação penal genericamente pode ser pública ou privada, conforme o crime


repercute na coletividade ou venha afetar sobremaneira o íntimo do indivíduo,
respectivamente.

As espécies de ação penal são: pública incondicionada; pública condicionada à


representação do ofendido, ou de seu representante legal, ou através da requisição do
Ministro da Justiça; exclusivamente privada e ação subsidiária da pública.

O titular exclusivo da ação penal pública é o Ministério Público, mediante peça


acusatória inaugural denominada denúncia.

Na exigência da lei, a ação penal pública pode ser representada pelo ofendido ou
mediante requisição do Ministro da Justiça (Art. 100 §1º CP).

Na ação penal privada propriamente dita, como critério de procedibilidade, a


iniciativa se dá mediante queixa do ofendido ou de seu representante legal (Art. 100 §2º
CP), ou quando do silêncio do Ministério Público no prazo legal, caracterizando a ação
privada subsidiária da pública (Art. 100 §3º CP).

Em geral a ação penal é pública incondicionada. Aplica-se em sua maioria aos


crimes capitulados na parte especial do Código Penal.

São exemplos de ação condicionada à representação: crime de lesão corporal leve,


lesão corporal culposa etc. São crimes de ação privada: calúnia, difamação, injúria,
abandono de animais, violação de direito autoral etc.

Não confundir com Inquérito Policial, cujas diligências objetivam apurar crime e
autoria.

A autoridade policial toma conhecimento de fato aparente criminoso nas seguintes


formas: direta (notitia criminis inqualificada) pela atividade cotidiana, pelos jornais,

- 59 -
pela polícia ostensiva, pela notícia anônima (delação apócrifa) etc.; indireta (notitia
criminis qualificada) como pela delação, requisição da autoridade judiciária ou do
Ministro da justiça, ou por representação do ofendido; e notitia criminis por cognição
coercitiva, como em caso de prisão em flagrante.

A questão em pauta faz alusão ao princípio ético do sigilo médico amplamente


abordado nos comentários da questão anterior e outro de natureza legal expressa no Art.
225, da Lei 12.015/2009, que reza – “Nos crimes definidos nos Capítulos I e II deste
Título, procede-se mediante ação penal pública condicionada à representação”.

Os citados capítulos tratam dos crimes contra a liberdade sexual e dos crimes contra
vulnerável. Portanto, em relação a questão, somente a vítima poderá representar
denúncia do crime. Ressalvo, entretanto que o parágrafo único do citado artigo
complementa – “Procede-se, entretanto, mediante ação penal pública incondicionada se
a vítima é menor de 18 (dezoito) anos ou pessoa vulnerável”.

Nesse caso secundariamente a ação condicionada se torna incondicionada (Ação


Secundária). Tal inovação da Lei 12.015/2009 detalha a declaração genérica prescrita na
súmula 608 do STF – “No crime de estupro, praticado mediante violência real, a ação
penal é pública incondicionada”.

14) Médico urologista é chamado em juízo para ser indagado quanto a defeito físico
irremediável de paciente seu, que impede o ato sexual, ensejando por parte do
cônjuge á anulação do casamento. Diante do exposto o médico tem:
(a) O dever de não revelar segredo médico, fundamentado primordialmente no
princípio ético e legal do sigilo profissional
(b) O dever de revelar a verdade o que foi indagado pela autoridade, mesmo que
tenha sido apurado na condição profissional
(c) A seu critério decidir ou não revelar segredo que lhe foi revelado ou
diagnosticado no âmbito profissional
(d) O dever de revelar somente o segredo médico que não exponha a intimidade de
seu paciente

Resposta: B

O casamento estabelece comunhão de vida, com base na igualdade de direitos e


deveres dos cônjuges (Art. 1.511 CC).

Entre outras particularidades, a consumação do matrimônio deve incluir o


concurso sexual.

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Quando não se conclui por defeito físico irremediável que impede o ato sexual, e
desconhecido pelo cônjuge, estaremos diante de um caso de erro essencial ou
substancial quanto à pessoa do outro.

O defeito físico aqui aludido se denomina impotência coeundi instrumental. O


médico não comete crime de revelação de segredo profissional quando diante de justa
causa (estado de necessidade) e dever legal.

Segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM) são condições que respaldam o


médico a revelar o segredo: atestados de óbito; doenças de notificação compulsória
(Art. 269 CP e Art. 13 da Lei nº 9.434/1997); abuso sexual; aborto criminoso; defeitos
físicos ou patologias que propiciam erro essencial quanto à pessoa que gera a nulidade
de casamento; perícias médicas judiciais e outras.

A questão trata de uma condição física irremediável que impede o coito e enseja
a anulação de casamento, em face de erro essencial quanto à pessoa do outro.
Entendendo que o cônjuge desconhecia o fato.

Portanto, o médico deve revelar o segredo quando arguido judicialmente. Os


impedimentos matrimoniais podem ser dirimentes ou proibitivos.

Os impedimentos dirimentes levam a nulidade do casamento de forma absoluta


(ordem pública) ou relativa (interesse particular).

Os proibitivos ou suspensivos não geram invalidez, mas criam obstáculo ao que


se propõe. Não podem casar (Art. 1.521 CC): quando há relação de parentesco natural
por consanguinidade até o terceiro grau (eugenia) ou civil por afinidade (ordem moral).
Não devem casar (Art. 1.523 CC): aquele em estado de viuvez que tiver filho do
cônjuge falecido, antes do inventário dos bens e partilha entre os herdeiros; a viúva ou
mulher com casamento nulo ou anulado, até dez meses depois do início da viuvez, ou da
dissolução conjugal para evitar o turbacio sanguinis (evitar dúvida sobre a paternidade);
etc.

É anulável o casamento (Art. 1.550 CC) de quem não completou a idade mínima
para casar; do menor em idade núbil, quando não autorizado por seu representante legal;
por vício da vontade etc.

Quanto ao vício da vontade podemos citar o erro essencial quanta à pessoa do


cônjuge quanto a identidade, honra e boa fé; ignorância de crime inafiançável que
tornem insuportável o convívio; quanto á ignorância de defeito físico irremediável ou
moléstia grave e transmissível e ignorância de doença mental.

No caso de erro essencial o prazo para anular é de 3 anos e de 4 anos para


coação, a contar da data da celebração do casamento.

O impedimento absoluto pode ser feito por qualquer do povo com capacidade.
Tratando-se de causa suspensiva, o que é abordada na questão, só pode ser oposto por

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parentes em linha reta ou colaterais até segundo grau, sejam consanguíneos ou afins,
durante o processo de habilitação matrimonial, com um tempo de 15 dias após a
publicação do edital (COSTA MACHADO, 2009 p. 1207).

Às impotências podem ser: coeundi (instrumental masculina e feminina);


generandi (esterilidade masculina) e concipiendi (esterilidade feminina).

O casamento é um negócio jurídico. E os negócios jurídicos podem ser


emanados de erros. Diz o Art. 138 do CC – “São anuláveis os negócios jurídicos,
quando as declarações de vontade emanarem de erro substancial que poderia ser
percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio”.

“Erro é a noção equivocada sobre algo” (COSTA MACHADO, 2009, p. 152).


Complementa o Art. 139 do CC que “o erro é substancial quando: I – interessa à
natureza do negócio, ao objeto principal da declaração, ou a alguma das qualidades a ele
essenciais; II – concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se
refira a declaração de vontade, desde que tenha influído nesta de modo relevante”.

No Art. 169 CC está explícito que “o negócio jurídico nulo não é suscetível de
confirmação, nem convalesce pelo decurso do tempo”.

Fonte: Costa Machado, A.C. (organizador). Código Civil Interpretado. São Paulo,
Editora Manole, 2ª ed., 2009, p. 152 e 1207

15) Uma paciente, maior de idade, chega a um serviço de ginecologia e obstetrícia


requerendo um procedimento de abortamento alegando gravidez proveniente de
estupro. Diante da solicitação o médico atendente:
(a) Deve levar o requerimento a direção e esta compor uma equipe multidisciplinar,
lavrar os documentos necessários e atender à solicitante
(b) Deve proceder ao abortamento mediante apresentação de Boletim de Ocorrência
Policial e laudo de exame de corpo de delito
(c) Negar de pronto o requerimento e orientar a paciente a procurar uma Delegacia
de Polícia
(d) Somente agendar o procedimento mediante Alvará judicial

Resposta: A

Por presunção de veracidade, o médico atendente deve encaminhar a solicitação à


direção para compor uma equipe multidisciplinar e agendar o procedimento.

Portanto não há necessidade de Alvará Judicial, Boletim de Ocorrência da Polícia e


de Relatório Médico-Legal.

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O médico assim procede acreditando na declaração da vítima e tem respaldo no Art.
20 do CP §1º que diz – “é isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas
circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima”.

O aborto é autorizado quando: há risco de vida ou para a saúde da gestante; se a


gravidez resultou de estupro; gravidez de feto anencéfalo.

A portaria nº 1.508 de 1º de setembro de 2005 do Ministério da Saúde esclarece que


os Procedimentos de Justificação e Autorização da Interrupção da Gravidez, são
divididos em cinco partes que compõem o Termo de Consentimento Escrito na forma
que se segue: 1º) Termo de relato circunstanciado; 2º) Termo de responsabilidade: a
mulher ou seu representante legal declara como verdade e legítima todas as informações
prestadas. Deve constar que a declarante está ciente quanto as consequências do crime
de falsidade ideológica (Art. 299 CP) e de aborto (Art. 124 CP); 3º) Parecer Técnico;
4º)Termo de consentimento livre e esclarecido; 5º) Termo de Aprovação do
Procedimento de Interrupção da Gravidez: firmado pela equipe multidisciplinar.

16) O abortamento legal é permitido somente até a idade gestacional de:


(a) 20 semanas
(b) 25 semanas
(c) 30 semanas
(d) 32 semanas

Resposta: A

Historicamente, o aborto passou a condição de crime a partir do Código


Criminal de 1830, punindo somente o terceiro.

Com o advento do Código Criminal de 1890, foi incluída a figura típica do auto
aborto. O Código Penal Brasileiro de 1940 introduziu o conceito de aborto legal.

As espécies de aborto são: aborto provocado pela gestante ou com seu


consentimento (Art.124 CP); aborto provocado por terceiro sem (Art. 125 CP) ou com
(Art. 126 CP) consentimento da gestante; forma qualificada de aborto (Art. 127 CP);
aborto necessário (Art. 128, I, CP) e aborto no caso de gravidez resultada de estupro
(Art. 128, II, CP).

As duas últimas espécies são realizadas pelo médico com amparo legal.
Qualquer uma delas não depende de Alvará Judicial, Requisição do Ministério Público
ou de Exame Médico-Legal.

Faz-se imprescindível atender as exigências definidas na portaria nº 1.508 de 1º


de setembro de 2005 do Ministério da Saúde, que trata dos Procedimentos de
Justificação e Autorização da Interrupção da Gravidez.

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Os documentos exigidos para a interrupção da gravidez são a depender da
indicação: Quando a gestação oferece risco de vida ou a saúde da mulher: laudo técnico
detalhado e com respaldo científico assinado por dois médicos, sendo um deles
ginecologista-obstetra, e o termo de consentimento da mulher ou de seu representante
legal; Casos de anencefalia: seguir a determinação da Resolução 1.989 de 10 de maio de
2012 (CFM) onde constam duas fotografias identificadas e datadas, uma com feto em
posição sagital e outra em corte transversal para mostrar a ausência de calota craniana e
cérebro; laudo técnico assinado por dois médicos, sendo um deles ginecologista-
obstetra, e termo de consentimento da mulher ou de seu representante legal.

É oportuno frisar que não apresentando encéfalo se conclui pela inviabilidade de


vida extrauterina. Esse é o entendimento atual do Supremo tribunal Federal (STF),
desclassificando nesse caso a figura de aborto, mas sim de “antecipação terapêutica do
parto”.

Portanto, não há necessidade de Alvará Judicial. Segue a advertência que a não


exigência de autorização judicial é única e exclusiva para anencéfalos, o que não ocorre
diante de outras malformações; Gravidez resultante de estupro: aqueles elencados nos
comentários da questão nº 16.

A interrupção da gestação nas duas primeiras condições independe da idade


gestacional.

Com relação à gravidez proveniente de estupro, a interrupção só é autorizada se


a gestação não avança além da 20ª semana.

Como a questão não particulariza a formalidade da indicação e que das


alternativas não há indeterminação quanto ao tempo gestacional, entendemos que se
trata de gravidez proveniente de estupro.

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CAPÍTULO 4
FENOMENOLOGIA DA MORTE - TANATOLOGIA
FORENSE

1) Qual dos fenômenos transformativos cadavéricos ainda assim permite exames


toxicológicos e histopatológicos:
(a) Mumificação
(b) Corificação
(c) Maceração
(d) Adipocera

Resposta: B

A corificação é um fenômeno transformativo conservador raro, descrito por DELLA


VOLTA em 1985, próprio dos sepultamentos em urnas metálicas, em geral de zinco,
fechadas hermeticamente.

O cadáver se apresenta com a aparência de couro curtido, abdome escavado, e


preservação da musculatura, e do tecido celular subcutâneo. As vísceras estão
amolecidas e conservadas. Estes detalhes permitem os exames de toxicologia e
histopatologia.

2) Qual das condições particulares do cadáver, diante dos fenômenos


transformativos conservadores, afasta a possibilidade de adipocera e aproxima
da mumificação:
(a) Feto morto retido
(b) Homem obeso
(c) Criança magra
(d) Mulher obesa

Resposta: C

A questão faz alusão a uma condição particular intrínseca ao cadáver que o


predispõe ao processo de mumificação, afastando-se da saponificação.

Favorecem a mumificação: meio quente, ventilado, seco e de atividade bacteriana


reduzida, ou artificialmente por processos de embalsamamento.

- 65 -
O cadáver se apresenta reduzido de volume e peso, pardacento ou enegrecido, pele
ondulada e de consistência endurecida.

Repara que nessa abordagem não há uma condição própria do cadáver, mas tão
somente do ambiente a que ele está exposto.

A adipocera ou saponificação é um fenômeno transformador conservador tardio, em


geral localizado, de natureza microbiológica e bioquímica, caracterizado pela
untuosidade cadavérica. Dá-se aproximadamente a partir da 6ª semana de pós-morte por
um processo enzimático bacteriano que hidrolisa as gorduras neutras, transformando-as
em ácidos graxos, sendo os mais comuns o ácido palmítico e o esteárico, e em menor
proporção o ácido oleico.

Os ácidos graxos em ambiente argiloso, poroso, impermeável ou de pouca


permeabilidade, tal como região de ventilação reduzida com água estagnada, pantanosa,
concentrada em minerais, sofrem uma reação química de esterificação, dando origem a
sabões de cálcio (saponificação).

Tomam a aparência de cera, acastanhada ou esbranquiçada, ou amarelo-acinzentada,


mole, quebradiça e fétida, daí a denominação adipocera.

Comprometem predominantemente o tecido adiposo e em menor frequência o tecido


muscular.

São mais frequentes nas crianças, mulheres, obesos e aqueles que não padecem de
doença lipídica degenerativa.

Aqui já demonstra algumas peculiaridades do cadáver que favorecem ao processo de


saponificação quando em ambiente propício.

Das alternativas chama atenção o sexo e a constituição, ou seja, sexo feminino e a


obesidade.

3) Os gases “cadavéricos” não inflamáveis predominam temporalmente:


(a) No 1º dia, e em seguida a partir do 5º dia
(b) Nos três primeiros dias de morte
(c) A partir do 3º dia de morte
(d) A partir do 5º dia de morte

Resposta: A

Os gases da putrefação podem ser inflamáveis e não inflamáveis. No primeiro dia de


morte aparecem os gases não inflamáveis (CO2).

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Do segundo ao quarto dia, gases inflamáveis (HC e H). A partir do 5º dia retornam
os gases não inflamáveis (N e NH4).

4) Assinalar a estrutura que apresenta o maior tempo de vitalidade dentro do


contexto de “vida residual”:
(a) Glândulas sudoríparas
(b) Epitélio respiratório
(c) Espermatozoides
(d) Córnea

Resposta: C

A morte celular pode se dá pela apoptose (morte celular programada), por


patologia (ex. silicose) ou pela interrupção da vida como um todo.

A primeira é a morte fisiológica, a segunda evolui com necrose e a última por


um processo de desintegração orgânica.

Alguns tecidos e células guardam uma vida residual resistente à autólise inicial,
como mostra o quadro a seguir:

TECIDO / ESPERMATOZÓIDES GL. SUDORÍPARAS EP. RESPIRATÓRIO MUSCULATURA CÓRNEA


CÉLULA
VIDA RESIDUAL MOTILIDADE EXCITAÇÃO ELÉTRICA MOTILIDADE EXCITAÇÃO ELÉTRICA VITALIDADE
TEMPO LIMITE 36 HS 30 HS 13 HS 6 HS 6 HS

5) Assinalar o par de estruturas que apresentam praticamente o mesmo tempo de


vitalidade dentro do contexto de “vida residual”:
(a) Glândulas sudoríparas e espermatozóide
(b) Epitélio respiratório e espermatozóide
(c) Musculatura e espermatozóide
(d) Musculatura e córnea

Resposta: D

Dentro do contexto pelo que mostra o quadro apresentado no comentário da questão


anterior, a musculatura e a córnea apresentam o mesmo tempo de vitalidade residual
pós-morte.

- 67 -
6) Qual a causa de morte que mais facilmente favoreceria o processo
transformativo de mumificação:
(a) Obeso com infarto do miocárdio
(b) Grandes perdas sanguíneas
(c) Choque séptico
(d) Eletrocussão

Resposta: B

A mumificação é um fenômeno transformativo conservador. Extrinsecamente os


meio quentes, ventilado, seco e de atividade bacteriana reduzida, propiciam à
mumificação.

Portanto, uma condição peculiar anterior à morte, intrínseca a pessoa, caracterizada


por desidratação intensa ou perda líquida, ou volêmica, somada a condição ambiental
favoreceriam a marcha cadavérica para mumificação.

7) Locais úmidos, pantanosos e sem ventilação possibilita um processo


transformativo conservador cadavérico tipo:
(a) Saponificação
(b) Mumificação
(c) Corificação
(d) Petrificação

Resposta: A

Saponificação é um fenômeno transformador conservador tardio, em geral


localizado, de natureza microbiológica e bioquímica, caracterizado pela untuosidade
cadavérica.

Dá-se aproximadamente a partir da 6ª semana de pós-morte por um processo


enzimático bacteriano que hidrolisa as gorduras neutras, transformando-as em ácidos
graxos, sendo os mais comuns o ácido palmítico e o esteárico, e em menor proporção o
ácido oleico.

Os ácidos graxos em ambiente argiloso, poroso, impermeável ou de pouca


permeabilidade, tal como região de ventilação reduzida com água estagnada, pantanosa,
concentrada em minerais, sofrem uma reação química de esterificação, dando origem a
sabões de cálcio (saponificação).

Tomam a aparência de cera, acastanhada ou esbranquiçada, ou amarelo-acinzentada,


mole, quebradiça e fétida, daí a denominação adipocera. Comprometem
- 68 -
predominantemente o tecido adiposo e em menor frequência o tecido muscular. São
mais frequentes nas crianças, mulheres, obesos e aqueles que não padecem de doença
lipídica degenerativa.

8) Qual a região de eleição para escarificar e aplicar o papel de tornassol,


objetivando apontar mais precocemente a acidez cadavérica:
(a) Extremidade externa da esclerótica
(b) Borda interna da pálpebra superior
(c) Abdome
(d) Tórax

Resposta: C

A acidez cadavérica pode ser provada mediante a aplicação de haste metálica ou da


utilização da fenolftaleína e azul de tornassol, conforme mostra o quadro:

SINAL DE ACIDEZ METODOLOGIA RESULTADO

LABORD INTRODUZIR AGULHA DE AÇO POLIDA NO O BRILHO METÁLICO PERMANENCE –


TECIDO; AGUARDAR 30 MIN. E RETIRAR MORTE POSITIVA

BRISSEMORET E AMBARD TROCARTER NO FÍGADO OU BAÇO; RETIRAR REAÇÃO ÁCIDA NO MORTO


FRAGMENTOS DE TECIDO; APLICAR TORNASSOL
AZUL

LECHA-MARZO APLICAR O TORNASSOL ENTRE O BULBO E A MUDA A TONALIDADE DO PAPEL NA


PÁLPEBRA SUPERIOR; RETIRAR EM 2 A 3 MIN. MORTE POSITIVA

DE-DOMINICIS ESCARIFICAR A PELE E APLICAR O TORNASSOL; MUDA A TONALIDADE DO PAPEL NA


PREFERÊNCIA PELO ABDOME, POIS É A ÁREA MORTE POSITIVA
ONDE A ACIDEZ É MAIS PRECOCE

Pelo que mostra o quadro, o abdome é o sítio anatômico de eleição para verificar
precocemente a acidez cadavérica.

9) Qual das frases guarda relação com o primeiro evento transformativo destrutivo
cadavérico:
(a) “Terminada a vida da vida, começa a vida da morte” (ALVES DE MENEZES)
(b) “Morte é a cessação dos atos vitais” (THOINOT)
(c) “Morre-se pelo cérebro, pelo pulmão ou pelo coração” (tríade de BICHAT)
(d) “A morte é ácida” (ROBERTO BLANCO)

- 69 -
Resposta: D

Os fenômenos cadavéricos são divididos em abióticos e transformativos. Os


abióticos são avitais, imediatos e consecutivos.

São consecutivos: resfriamento, desidratação, hipóstases e rigidez. Os


transformativos dão a certeza da realidade da morte. Podem ser destrutivos ou
conservadores.

O primeiro fenômeno destrutivo é a autólise. O aumento seletivo da permeabilidade


das membranas plasmáticas, liberação de enzimas proteolíticas dos lisossomos,
destruição celular e consequente queda do pH, marcam a primeira fase dos fenômenos
destrutivos (autólise).

A acidez é de curta duração, dando sequência à putrefação com a proteólise


bacteriana. Há descarboxilação dos aminoácidos com liberação de CO2 e amina, e que
desdobram para formar a amônia (NH4). Esta alcaliniza a célula elevando o pH entre
8,0 a 8,5.

Portanto, a questão trata da autólise que incialmente leva a acidez celular.

10) Qual dos achados necroscópicos não pode ser tomado exclusivamente como um
evento post-mortem:
(a) Deposição e fixação do sangue nas superfícies anterior da cabeça e pernas,
posterior dos antebraços, e dorso das mãos, de um cadáver resgatado da água
(b) Trismo cadavérico, rigidez da nuca e dos membros superiores, e com membros
inferiores flácidos, em um cadáver de criança com doze anos de idade e
intervalo pós-morte de aproximadamente oito horas
(c) Pergaminhamento da pele no sulco deixado por uma corda, em cadáver em
suspensão completa
(d) Coágulos lardáceos não aderidos à câmara ventricular esquerda do coração em
cadáver com indicativos de morte não agônica

Resposta: C

A marcha da rigidez cadavérica é peculiar a cada caso a depender das condições do


corpo no momento da morte e das condições ambientais.

Em geral a rigidez precoce evolui com baixa intensidade e duração limitada.

A rigidez tardia tende a ter maior intensidade e duração prolongada.

- 70 -
O fato é que a intensidade da resposta muscular no pós-morte depende dos níveis de
reserva de glicogênio, dos níveis de ácido láctico e das peculiaridades da fibra muscular
nos diferentes músculos.

A rigidez pode ser instalada em vida. Observam-se nos estados agônicos em


pacientes portadores de tétano, na intoxicação pela estricnina, ergotamina, magnésio e
nas mortes resultadas da destruição dos tecidos do sistema nervoso central.

Em atenção à alternativa “b”, em contraste com as demais, remete-nos a um


raciocínio crítico e cuidadoso com os eventos clínicos anteriores a morte.

Não desconsiderar dados epidemiológicos (relação faixa etária com agravo a saúde).

Associados a patologias com comprometimento do Sistema Nervoso, que cursam


com contração viciosa (opistótono etc.) e, sobretudo desconforme com a marcha
cadavérica (tempo para a instalação da rigidez).

11) Segundo a prova de DONÉ, amplamente refutada, o sangue retirado dos vasos
sanguíneos de um cadáver:
(a) Coagula se deixado em contato com qualquer cavidade orgânica do cadáver
(b) Coagula na forma fibrinocruórica
(c) Coagula na forma hemática pura
(d) É incoagulável

Resposta: D

A coagulação sanguínea é um fenômeno vital, caracterizado por uma cascata de


reações químicas complexas, sendo fundamental a conversão do fibrinogênio em
fibrina.

O fenômeno é dividido em duas vias (intrínseca e extrínseca), com participação de


XIII fatores e dois cofatores de importância (cálcio e vitamina K).

Segundo DONNÉ a incoagulabilidade sanguínea é um sinal de morte.

Entretanto, a coagulação pode ocorre após a morte, mas com profundas diferenças
na estrutura das plaquetas e na disposição dos elementos participantes do fenômeno.

Macroscopicamente, nota-se que o coágulo vital é aderente, criando resistência à


lavagem, o que não se dá com o coágulo pós-morte.

- 71 -
12) Qual das frases não pode ser tomada como verdade absoluta em relação à rigidez
cadavérica:
(a) Musculatura desidratada endurece mais rapidamente que outra hidratada
(b) Áreas de edema demoram mais a entrar em rigidez que as demais
(c) Nas mortes por asfixias, espera-se rigidez intensa e precoce
(d) Instala-se, sequencialmente, no sentido crânio-podálico

Resposta: D

A sequência craniocaudal para o fenômeno da rigidez cadavérica é um tanto


questionada na atualidade com as observações iniciais que se seguem.

A rigidez cadavérica é um fenômeno, sobretudo químico que se desenvolve em


todos os músculos do corpo.

SIMPSON (1974) relata que o rigor mortis é o evento cadavérico mais


conhecido, porém também o mais incerto e o menos confiável para estimar o intervalo
pós-morte.

KIGHT (p. 925) assevera que é praticamente inútil a determinação do tempo de


morte pelo rigor. No cadáver o rigor mortis não ocorre em função da contração
muscular, mas tão somente um enrijecimento sem encurtamento das fibras, cujas
proteínas actina e miosina são fixadas entre si por uma ponte química irreversível.

O rigor mortis é explicado pela desidratação muscular que produz coagulação da


miosina associada ao aumento do ácido láctico no músculo (teoria de BRUCKE e
KUHNE).

A rigidez fica evidente entre duas e 3 horas de intervalo pós-morte, tem seu
ponto máximo entre oito e 12 horas e resolução entre a 12ª e a 24ª hora, coincidindo
com o início da fase de putrefação.

Na concepção de SCHIFF: “A rigidez não é o primeiro sinal de morte, mas o


último sinal de vida”.

Para o pediatra francês PIERRE NYSTEN (1912) e SOMMER, a sequência do


fenômeno se dá no sentido craniocaudal e se desfaz no sentido contrário. Esta então tem
início pela face, dando continuidade pela mandíbula, nuca, tronco, membros superiores
e membros inferiores (lei de NYSTEN-SOMMER).

Alguns autores explicam que o fenômeno ocorre em todos os músculos ao


mesmo tempo, apenas os grupos musculares menores sofrem o processo mais
precocemente.

- 72 -
O fato é que a intensidade da contração muscular na pós-morte depende dos
níveis de reserva de glicogênio, dos níveis de ácido láctico e das peculiaridades da fibra
muscular nos diferentes músculos.

A rigidez pode ser instalada em vida. Observam-se nos estados agônicos em


pacientes portadores de tétano, na intoxicação pela estricnina, ergotamina, magnésio e
nas mortes resultadas da destruição dos tecidos do sistema nervoso central.

Um tipo especial denomina-se rigidez cadavérica cataléptica, estatuária ou


plástica. Desenvolve-se de forma instantânea sem o relaxamento muscular que precede
a rigidez comum. Trata-se de um espasmo súbito, guardando a posição que mantinha
quando a morte o surpreendeu (espasmo cadavérico – sinal de KOSSU).

Fontes: Knight, Bernard. Inquérito Sobre Patologia Pediátrica Forense em Otário.


V. 4, anexo 4, p. 925

Simpson, K. Medicina Legal. Edward Arnold, 1974

13) As estrias de ZHAN são linhas transversais de tonalidade vermelho intenso e


pálido entremeado, observados em coágulos sanguíneos. Este achado em
necropsia aponta coágulos do tipo:
(a) Lardáceo, sendo indicativo de morte agônica
(b) Lardáceo, sendo indicativo de morte súbita
(c) Cruórico, refletindo coágulo post-mortem
(d) Trombo, refletindo coágulo intra-vitam

Resposta: D

O quadro a seguir traça as diferenças entre coágulos e trombos, e que


possibilitam o raciocínio na questão.

PARTICULARIDADE TROMBO COÁGULO CRUÓRICO COÁGULO LARDÁCEO

ATIVIDADE IN VIVO PÓS-MORTE PÓS-MORTE

TEXTURA RUGOSO LISO LISO

SUPERFÍCIE OPACO BRILHANTE BRILHANTE

ADERÊNCIA ADERENTE NÃO ADERENTE NÃO ADERENTE

- 73 -
FRIABILIDADE FRIÁVEIS POUCO FRIÁVEIS POUCO FRIÁVEIS

COLORAÇÃO DE BRANCACENTO A VERMELHO AMARELADO


VINHOSO

ELASTICIDADE NÃO ELÁSTICO ELÁSTICO ELÁSTICO

UMIDADE SECO ÚMIDO ÚMIDO

LAMINAÇÃO LAMINADO – LINHAS DE ELEMENTOS SANGUÍNEOS RICO EM FIBRINA


ZHAN SEDIMENTADOS

14) Qual dos gráficos melhor reflete a relação entre temperatura retal e tempo em
horas, como critério de determinação do intervalo pós-morte:
(a) (b) (c) (D)

Resposta: C

No cadáver não existe a termogênese. A Lei de Newton descreve uma curva


exponencial para a perda de calor para pequenos objetos com superfície regular,
preceituando que “a taxa de perda de calor de um corpo é proporcional à diferença de
temperaturas existentes entre o corpo e seus arredores”. Não sendo uma estrutura
uniforme, o arrefecimento do corpo humano não segue a Lei de Newton, dada a sua
forma irregular e heterogeneidade de tecidos e com propriedades físicas diferentes.

37⁰C

12 horas

curva de esfriamento cadavérico (MARSHALL-HOARE)

- 74 -
15) Considerando as assertivas com relação ao fenômeno de ZSACO:
I- A resposta muscular pode ser obtida somente entre oito e 12 horas de morte.
II- Na segunda fase, a contração é localizada e desaparece em um segundo.
III- Na terceira fase, a contração é localizada e fraca, mas duradoura.
IV- O estímulo contrai todo o músculo até 2 horas de morte somente.
V- É um fenômeno de resposta à excitação mecânica espontânea.
VI- É um fenômeno de resposta à excitação mecânica provocada.
VII- É um fenômeno de resposta à excitação elétrica.

São corretas:

(a) III, IV e VII


(b) III, V e VI
(c) III, V e VI
(d) II, III e VI

Resposta: D

A contração idiomuscular mecanicamente estimulada, como critério de


determinação do tempo de morte tem se mostrado promissor, porém os dados ainda são
inconsistentes.

Na série de SOPHIE WARTHER et. al (2011), a prova pode ser obtida até 13
horas após a morte, sendo o estímulo da porção superior do braço mais fidedigno que o
da coxa.

Segundo os especialistas há três fases vinculadas ao tipo de resposta à excitação


mecânica do músculo. Estimulando o músculo até duas horas e meia após a morte,
pode-se deparar com uma contração que toma todo o músculo. Este fenômeno se
denomina de ZSACO.

Com o passar do tempo esta contração fica limitada a uma região do músculo e
duração fugaz, desaparecendo em até um segundo (2ª fase).

Ainda assim é possível até 13 horas de morte, como apontou SOPHIE


WARTHER, obter na 3ª fase, uma resposta ao estímulo com uma contração fraca,
porém duradoura, por algumas horas.

Fonte: Warther, S; Sehner, S; Raupach, T; Puschel, K e Anders, S. Estimation of the


time since death post-mortem contractions of human skeletal muscles following
mechanical stimulation (idiomuscular contraction). Int. J. Legal Med., 2011

- 75 -
16) A posição de boxeur assumida pelo cadáver carbonizado, com os braços
abduzidos e as mãos voltadas para adiante do corpo, guardam relação com o
fenômeno de:
(a) Contratura muscular post-mortem
(b) Contração muscular ante-mortem
(c) Retração muscular post-mortem
(d) Espasmo cadavérico

Resposta: A

O exame externo de um cadáver carbonizado revela um corpo reduzido de volume,


com aspecto anegrado, fuliginoso e friável.

A ação intensa do calor desidrata os músculos que entram em contratura e


consequentes flexões articulares vigorosas, levando algumas vezes a fraturas dos
membros e do crânio.

Há hiperextensão da coluna cervical e toracolombar (“atitude em epistótomo”). Os


dedos flexionam-se sobre as mãos (“dedos em garras”), que se flexionam sobre os
antebraços, estes sobre os braços e estes em relação às articulações dos ombros.

O mesmo fenômeno ocorre com as articulações dos membros inferiores com


exuberante flexão das pernas sobre a coxa e estas sobre o quadril.

Portanto, o cadáver assume uma posição de luta como um fenômeno exclusivamente


post-mortem denominado de posição de lutador, de boxeador, ou sinal de
DEVERGIER.

17) A rigidez muscular cadavérica se deve à:


(a) Endurecimento muscular sem encurtamento das fibras
(b) Endurecimento muscular com encurtamento das fibras
(c) Contração muscular com encurtamento das fibras
(d) Contração muscular sem encurtamento das fibras

Resposta: A

No cadáver o rigor mortis não ocorre em função da contração muscular, mas tão
somente um enrijecimento sem encurtamento das fibras, cujas proteínas actina e
miosina são fixadas entre si por uma ponte química irreversível.

Em consequência deste evento pós-morte, podemos observar a expulsão fetal, a


ejaculação pós-morte pela contração da vesícula seminal e a dilatação pupilar.

- 76 -
Em detrimento da evolução da morte, ainda assim os músculos respondem aos
estímulos elétricos ou mecânicos até 6 horas após a morte, assim como a pupila dilata,
respondendo à atropina quando decorridas 4 horas de morte.

O rigor mortis é explicado pela desidratação muscular que produz coagulação da


miosina associada ao aumento do ácido láctico no músculo (teoria de BRUCKE e
KUHNE).

A rigidez fica evidente entre 2 e 3 horas de intervalo pós-morte, tem seu ponto
máximo entre 8 e 12 horas e resolução entre a 12ª e a 24ª hora, coincidindo com o
início da fase de putrefação.

18) A tonalidade esverdeada da mancha abdominal na fossa ilíaca direita na fase de


coloração da putrefação se deve a um (uma):
(a) Aminoácido
(b) Proteína
(c) Lipídio
(d) Gás

Resposta: B

A putrefação em geral tem início no abdome, ao nível da fossa ilíaca direita, dada a
proximidade do cecum, rico em bactérias, com a parede abdominal.

Nos recém-nascidos pela restrição da presença de bactérias intestinais, a putrefação


inicia pelas vias respiratórias, ou outra porta de entrada natural.

A putrefação obedece a uma marcha de evolução, que didaticamente é dividida em


períodos: cromático ou de coloração, enfisematoso ou gasoso, coliquativo e
esqueletização.

O período cromático tem início em 18 a 24 horas de morte e dura de 7 a 12 dias.

Apresenta-se com uma mancha verde abdominal que reflete a intensa atividade
bacteriana no ceco, com produção de gás sulfídrico, que aí se acumula por ser o ceco
um segmento dilatado e livre do intestino grosso, que ascende e se combina com a
hemoglobina formando uma proteína denominada sulfometemoglobina
(sulfametoxiemoglobina).

Dada a proximidade com a parede abdominal, a mancha verde fica evidente na pele
da fossa ilíaca direita, difundindo-se gradativamente aos outros segmentos em três a
cinco dias.

- 77 -
19) Qual o evento cadavérico que é limítrofe entre a fase de coloração e a fase
gasosa ou enfisematosa da putrefação:
(a) Circulação póstuma de BROUARDEL
(b) Mancha verde abdominal
(c) Fixação das hipóstases
(d) Rigidez generalizada

Resposta: A

A putrefação obedece a uma marcha de evolução em períodos: cromático ou de


coloração, enfisematoso ou gasoso, coliquativo e esqueletização.

O período cromático tem início em 18 a 24 horas de morte e dura de 7 a 12 dias.

Apresenta-se com uma mancha verde abdominal que reflete a intensa atividade
bacteriana no ceco, com produção de gás sulfídrico, que aí se acumula, ascende e se
combina com a hemoglobina formando uma proteína denominada sulfometemoglobina
(sulfametoxiemoglobina).

O período enfisematoso ou fase gasosa tem início em uma semana e dura cerca de
30 dias.

Os gases da putrefação (H2S, NH4 e H fosforado) infiltram o tecido subcutâneo,


particularmente no abdome e em tecidos areolares como face, pescoço, mamas e
genitais externos (gigantismo cadavérico).

Pela distensão gasosa os olhos são projetados para adiante, a língua se insinua entre
os dentes, a epiderme se destaca e a mucosa retal se exterioriza.

O sangue rechaçado para a periferia dá um desenho vascular característico,


denominado circulação póstuma de BROUARDEL.

Pelo que expõe a questão e fundamentado em observação tanatológica, o evento de


produção de gases da putrefação acaba por dar formação à circulação cadavérica por um
mecanismo de rechaçamento da coluna sanguínea, que a nosso ver é limítrofe entre a
fase de coloração e a fase enfisematosa.

20) A rigidez muscular cadavérica compromete os músculos:


(a) Esqueléticos e estriado cardíaco, somente
(b) Esqueléticos, estriado cardíaco e liso
(c) Esqueléticos e liso, somente
(d) Esqueléticos, somente

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Resposta: B

Logo na 1ª hora da morte o músculo cardíaco é o primeiro a experimentar o


fenômeno da rigidez cadavérica.

Seguem-se o diafragma e músculos intercostais (1 a 2 horas), músculos periorbitais,


músculos da nuca e da mímica facial (2 a 3 horas), músculos cervicais, torácicos e dos
membros (3 a 4 horas), e os demais entre seis e 9 horas de pós-morte, inclusive os
músculos lisos.

21) Associar as colunas com relação à rigidez cadavérica:


1. A rigidez se inicia logo após a morte, sendo totalmente instalada na 15ª hora.
2. A rigidez tem início na 1ª hora da morte, generaliza entre duas e 3 horas, sendo
máxima após 5 a 8 horas.
3. Classifica a rigidez de precoce até muito tardia.

( ) Regra de BONNET

( ) Regra de FÁVERO

( ) Regra de NIDERKORN

(a) 1, 2, 3 (c) 3, 1, 2
(b) 2, 1, 3 (d) 1, 3, 2

Resposta: A

SIMPSON (1974) relata que o rigor mortis é o evento cadavérico mais


conhecido, porém também o mais incerto e o menos confiável para estimar o
intervalo pós-morte.

Algumas regras são reconhecidas e levadas em consideração nesta estimativa.

As mais aceitas são: regra de Bonnet; regra de Fávero e regra de Niderkorn.

Para Bonnet a rigidez tem início na 1ª hora da morte, generaliza entre duas e 3
horas, sendo máxima após 5 a 8 horas.

A rigidez tem início na 1ª hora da morte, generaliza entre duas e 3 horas, sendo
máxima após cinco a 8 horas.

Considera-se precoce a rigidez o que vem definido pela regra de Niderkorn


(apud VANRELL, 2007, p. 192), sendo aquela que ocorre até a 3ª hora; normal
entre três e 6 horas de morte; tardia entre a 6ª e 9ª hora, e muito tardia acima da 9ª
hora.

- 79 -
Fonte: Vanrell, JP; Borborema, ML. Vademecum de medicina legal e odontologia
legal. São Paulo: JH Mizuno, 2007, p. 192

22) Com base na marcha cadavérica complete o quadro quanto ao tempo de morte:

ACHADOS NECROSCÓPICOS TEMPO DE


MORTE
a. Flacidez generalizada; sensação térmica externa quente; sem hipóstases < 2 horas
b. Nuca rígida; trismo cadavérico; esboço de hipóstases; fundoscopia
revela papilas óptivas vazias
c. Rigidez da nuca, mandíbula e mmss; hipóstase discretamente acentuada; Entre 4 a 6 horas
fundoscopia revela anel isquêmico de metade do diâmetro papilar
d. Rigidez generalizada; hipóstase instalada; sem mancha verde Entre 8 e 16 horas
abdominal; fundoscopia revela desaparecimento das artérias
e. Rigidez generalizada; discreta mancha verde abdominal; fundoscopia Entre 16 e 24 horas
revela reforço da fragmentação venosa e desaparecimento das artérias
do fundo de olho
f. Mancha verde abdominal instalada; flacidez muscular em início; Entre 24 e 48 horas
fudoscopia revela papilas e máculas não perceptíveis
g. Mancha verde extensa; fundo de olho só perceptível na periferia
h. Fundo de olho irreconhecível Entre 72 e 96 horas

Resposta: b. entre 2 a 4 horas; g. entre 48 e 72 horas;

23) Retardam a perda de calor pelo cadáver:


(a) Umidade elevada e ambiente fechado
(b) Umidade baixa e ambiente aberto
(c) Umidade baixa e chuva
(d) Chuva e vento

Resposta: A

A taxa de resfriamento do cadáver depende dos seguintes fatores: Massa do corpo,


área de superfície corporal, idade, nutrição e postura do corpo; Temperatura do corpo no
momento da morte e temperatura do ambiente; Outros fatores ambientais como
ventilação e umidade, e temperatura do microambiente do cadáver.

- 80 -
O resfriamento cadavérico ou algor mortis é um processo físico por excelência. O
corpo se esfria por transferência de calor para o ambiente (radiação), ou favorecida pela
corrente de ar (convecção), ou por contato direto com outro objeto (condução).

Cessada a circulação sanguínea, o mecanismo mais eficiente para a perda de calor


no cadáver é a perda por radiação.

A corrente de ar intensifica esta perda por convecção assim como o contato direto
com superfícies frias.

A chuva aumenta a sua velocidade, mas a umidade alta retarda o processo por
reduzir a evaporação ao nível da pele, já que 1g de H2O consome 0,54 cal ao se
evaporar.

24) À medida que afastamos da hora da morte, o ponto crioscópico do sangue:


(a) Aumenta progressivamente em razão da decomposição orgânica
(b) Diminui progressivamente em razão da decomposição orgânica
(c) Aumenta progressivamente em razão da queda da temperatura
(d) Diminui progressivamente em razão da queda da temperatura

Resposta: B

A crioscopia trata de uma propriedade coligativa onde o ponto crioscópico aponta a


redução da temperatura de congelamento de um líquido em função do número de
partículas dissolvidas.

Aumentando-se o número de partículas dissolvidas, reduz-se o ponto crioscópico em


função da redução do ponto de congelamento.

Com a decomposição orgânica cadavérica, aumenta-se o número de partículas


menores, de modo que o ponto crioscópico reduz progressivamente com o intervalo
pós-morte.

25) Fenômeno cadavérico de maior utilidade para a determinação do intervalo pós-


morte nas primeiras 24 horas após a morte:
(a) Rigidez cadavérica
(b) Arrefecimento
(c) Desidratação
(d) Livores

- 81 -
Resposta: B

Encerrada as funções vitais, entram em ação os fenômenos químicos, físicos e


biológicos evolutivos da morte.

Os três mecanismos iniciais são a rigidez, o fenômeno de hipóstase e o resfriamento


(tríade da morte).

Dos três aquele que melhor dá sustentação ao intervalo pós-morte nas primeiras 24
horas é o resfriamento ou arrefecimento cadavérico.

26) Assinale a alternativa falsa quanto ao arrefecimento cadavérico:


(a) Um cadáver em supino fetal arrefece menos que em supino dorsal ou ventral
(b) O volume e a massa corporal do cadáver tem influência no arrefecimento
(c) A perda de temperatura não se dá de forma imediata
(d) O arrefecimento cadavérico é um fenômeno linear

Resposta: D

O corpo se esfria por transferência de calor para o ambiente (radiação), ou


favorecida pela corrente de ar (convecção), ou por contato direto com outro objeto
(condução).

A temperatura do cadáver geralmente aumenta após a morte, sobretudo a retal,


levando cerca de 4 horas para voltar à temperatura do momento da morte.

Retornando a temperatura do momento da morte passa a cair na razão de 0,5⁰C por


hora nas três primeiras horas, seguindo com queda de 1grau por hora.

O equilíbrio térmico com o meio ambiente se faz em torno de 20 horas nas crianças
e 24 a 26 horas nos adultos.

No cadáver não existe a termogênese. A Lei de Newton descreve uma curva


exponencial para a perda de calor para pequenos objetos com superfície regular.

Preceitua-se que “a taxa de perda de calor de um corpo é proporcional à diferença de


temperaturas existentes entre o corpo e seus arredores”.

Não sendo uma estrutura uniforme o arrefecimento do corpo humano não segue a
Lei de Newton, dada a sua forma irregular e heterogeneidade de tecidos e com
propriedades físicas diferentes.

- 82 -
27) Não guarda relação com a rigidez cadavérica:
(a) Acúmulo de ácido láctico
(b) Queda dos níveis de ATP
(c) Desidratação
(d) Lividez

Resposta: D

A rigidez cadavérica é um fenômeno, sobretudo químico que se desenvolve em


todos os músculos do corpo.

Com a morte há um retardo no aparecimento da rigidez. Caracteriza a fase de pré-


rigor (flacidez primária), onde o glicogênio de reserva é metabolizado para produzir
ATP, permitindo a interação da actina com a miosina.

Sem oxigênio o metabolismo é desviado para um processo anaeróbico. Há produção


de ácido láctico e conseguintemente queda do pH que acaba ficando em torno de 5,0 e
5,5.

O rigor mortis é explicado pela desidratação muscular que produz coagulação da


miosina associada ao aumento do ácido láctico no músculo (teoria de BRUCKE e
KUHNE). Portanto, de todas as alternativas, aquela que não tem relação com a rigidez é
a lividez que é uma aparência cadavérica.

28) O arrefecimento tem início:


(a) Linear em todos os segmentos do corpo
(b) Na face, mãos e pés
(c) No abdome
(d) No tórax

Resposta: B

Cessada a circulação sanguínea, o mecanismo mais eficiente para a perda de calor


no cadáver é a perda por radiação, que tem início pelas extremidades – face, mãos e pés.

29) Em relação a mancha de hipóstase, é falso que:


(a) Não se presta a indicar em nenhum caso a causa da morte
(b) Pode indicar mudança de posição do cadáver
(c) É um fenômeno meramente mecânico
(d) Permite estimar o intervalo pós-morte

- 83 -
Resposta: A

Com a morte cessa a circulação sanguínea e a coluna de sangue tende a depositar-se


nas áreas de maior declive nas duas a três horas que se seguem.

Tal fenômeno se denomina hipóstase, sendo evidente nos segmentos externos do


corpo, nas vísceras (hipóstase visceral) e nos dentes por deposição sanguínea nos
capilares da polpa dental e saída de hemácias (dentes rosados ou Pink Teeth).

É um fenômeno puramente físico, entretanto a coloração da mancha pode indicar


causa da morte, como nos casos de intoxicação pelo monóxido de carbono, onde
adquirem uma tonalidade de carmin.

30) Em relação à decomposição cadavérica, é possível afirmar que em iguais


condições de temperatura, 1 semana de putrefação ao ar livre equivale a:
(a) Três semanas na água
(b) Duas semanas na água
(c) Uma semana na água
(d) Cinco dias na água

Resposta: B

A questão trata de um fenômeno observado por CASPER. Os fenômenos


cadavéricos destrutivos são: autólise, putrefação e maceração.

Os fenômenos conservadores são representados pela mumificação, saponificação,


petrificação e coreificação.

Segundo CASPER o tempo de degradação cadavérica depende da condição


ambiental. Assevera que uma semana no ar equivale a duas semanas na água e a oito
semanas se inumado na terra.

31) Qual informação perinecroscópica é de extrema importância para o perito legista


que procura discutir em seu laudo o intervalo pós-morte, fundamentado na
temperatura do cadáver, cujo corpo estava exposto a um ambiente aberto, sem
corrente de ar e em pleno dia de calor no Rio de Janeiro a uma temperatura de
40ºC:
(a) Hora de encontro do cadáver
(b) Umidade relativa do ar
(c) Geografia da região
(d) Vegetação local

- 84 -
Resposta: B

A perinecroscopia médico-legal (PNML) não deve ser confundida com a


perinescroscopia criminal.

A necroscopia é reservada para o necrotério. Cabe ao perinecroscopista legista


levantar as questões de importância médico-forense do local.

São questões de importância médica na cena do crime: posição e temperatura do


cadáver, temperatura ambiente, umidade relativa do ar, clima, ventilação, geografia
(vegetação, solo etc.), dados entomológicos e tafonômicos etc.

Portanto, são de importância perinecroscópica para apreciação necroscópica: 1.


Cadáver exposto às intempéries: putrefação acelerada; 2. Corpos enterrados: retarda a
decomposição em oito vezes; 3. Em solo argiloso: decomposição cadavérica vagarosa;
4. Corpo na água: a putrefação é duas vezes mais demorada; 5. Umidade do ar: acelera a
putrefação; 6. Oscilação térmica: o início da putrefação é favorecido na faixa de 21 a
38°C; 7. Umidade do ar elevada, ambiente ventilado e altas temperaturas favorecem a
mumificação; 8. Cianuretos e arsênico inibem o crescimento bacteriano. Retardam a
putrefação.

Como o objetivo do legista é discutir no laudo o IPM, fundamentado na temperatura


corporal e com os dados já a disposição, se faz relevante saber a umidade relativa do ar,
uma vez que estando elevada, sabe-se que retarda o processo de arrefecimento, por
reduzir a evaporação ao nível da pele, já que 1g de H2O consome 0,54 cal ao se
evaporar.

32) Qual ou quais os principais mecanismos de perda de calor por um cadáver com
temperatura superior ao do ambiente, onde não ar corrente de ar:
(a) Convecção e Condução
(b) Convecção e radiação
(c) Condução e radiação
(d) Evaporação

Resposta: C

O resfriamento cadavérico ou algor mortis é um processo físico por excelência. O


corpo se esfria por transferência de calor para o ambiente (radiação), ou favorecida pela
corrente de ar (convecção), ou por contato direto com outro objeto (condução).

Portanto, pelo que aborda a questão, em local sem corrente de ar, deixa de favorecer
a convecção, sendo a condução e a radiação os únicos mecanismos eficazes.

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33) Qual das células abaixo resiste mais tempo à autólise por não conter lisossomos
ricos em enzimas:
(a) Fibra muscular cardíaca
(b) Fibra muscular lisa
(c) Hepatócito
(d) Neurônio

Resposta: D

A autólise é um processo celular de transformação destrutiva do cadáver, cuja


intensidade depende da concentração de enzimas proteolíticas.

Portanto, por este fato, as células da mucosa gástrica, da mucosa intestinal e do


pâncreas, desenvolvem o evento com maior rapidez.

Da questão o neurônio não apresenta lisossomos ricos em enzimas, daí o processo


autolítico, comparativamente com as demais alternativas.

34) Denominação do período que mantém a rigidez generalizada até o início da


reversão:
(a) Período de Lacassagne
(b) Período de resolução
(c) Período de espasmo
(d) Período de estado

Resposta: D

A rigidez cadavérica é precedida por uma flacidez. A instalação é progressiva e


generaliza em todos os músculos. Esta fase se denomina período de estado. Esse
período se mantém até a reversão do quadro com a flacidez.

35) Considerando a relação entre o tipo de alimento e o tempo, em horas, de


permanência deste no estômago, e com vistas à cronotanatognose, qual a
estimativa temporal entre a última refeição e a morte, cujo conteúdo gástrico se
apresenta com pão em fase intermediária da digestão, desconsiderando as
devidas ressalvas do estado digestivo peculiar para cada indivíduo:
(a) Entre 1 a 2 horas
(b) Entre 2 a 3 horas
(c) Entre 3 a 4 horas
(d) Entre 4 a 5 horas

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Resposta: B

A permanência dos alimentos no estômago depende do tipo de alimento, da


quantidade e das peculiaridades digestivas de cada um.

A questão não informa a quantidade e desconsidera a digestão individual. Refere


que se trata de pão na fase intermediária da digestão.

Os carboidratos são os primeiros a completar a digestão no estômago, seguido das


proteínas e por final os lipídios.

Sabe-se que líquidos como água, chá, café e leite, permanecem na câmara gástrica
por 1 a 2 horas. Massas, bolachas, laranjas, carne de ave, por 2 a 3 horas.

Em geral pão, arroz e verduras permanecem por 3 a 4 horas. Entretanto, alerta a


questão que se trata de carboidratos em fase intermediária e ainda são reconhecidos
como pão. Por estimativa é forçoso admitir que a alternativa correta é a “b”.

36) Com vistas à cronotanatognose, qual dos nutrientes é de esvaziamento mais


lento na câmara gástrica:
(a) Sais minerais
(b) Carboidratos
(c) Proteínas
(d) Lipídeos

Resposta: D

O esvaziamento gástrico depende, fundamentalmente, da constituição do alimento.


Os carboidratos são os primeiros a sofrer desintegração enzimática, iniciada na cavidade
oral. Segue a digestão das proteínas e por fim, lentamente o esvaziamento lipídico, cuja
digestão será intensa ao nível duodenal.

37) Fundamentado, única e exclusivamente, no estado digestivo do conteúdo


gástrico encontrado em um cadáver vítima de morte súbita suspeita, onde se
encontra alimento identificado como carne de porco em fase final de digestão, é
possível estimar que o evento se deu quanto tempo após a última refeição:
(a) Entre a 1ª e a 2ª hora
(b) Entre a 2ª e a 3ª hora
(c) Entre a 3ª e a 4ª hora
(d) Entre a 4ª e a 5ª hora

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Resposta: C

Tratando-se de carne de porco, estamos falando de lipídios, cujo esvaziamento


gástrico é demorado, entre a 4ª e a 5ª horas.

Entretanto, ainda possível identificar a carne de porco. Portanto, podemos estimar


que o evento morte se deu três a quatro horas após a morte.

38) Fundamentado, única e exclusivamente, no estado digestivo do conteúdo


gástrico encontrado em um cadáver vítima de disparo de arma de fogo, onde se
encontra alimentos apontados como carboidratos, lipídeos e proteínas em fase
inicial de digestão, é possível estimar que o evento violento se deu quanto tempo
após a última refeição:
(a) Na 1ª hora
(b) Na 2ª hora
(c) Na 3ª hora
(d) Na 4ª hora

Resposta: A

Tratando-se de alimentos reconhecidos como carboidratos, proteínas e lipídeos,


em fase inicial de digestão, fica evidente que a morte se deu na 1ª hora após a
ingesta alimentar, como explicadas nos comentários das questões anteriores.

39) Os achados necroscópicos de um feto com história de “expulsão de feto morto”,


caracterizados por derrames serossanguinolentos e áreas de descolamento
cutâneo, possibilita estimar que se trate de:
(a) Maceração asséptica com morte intrauterina de pouco menos de 12 horas
(b) Maceração asséptica com morte intrauterina de pouco menos de 6 horas
(c) Maceração asséptica com morte intrauterina de pouco mais de 24 horas
(d) Maceração séptica com morte intrauterina de pouco menos de 24 horas

Resposta: C

A evolução da maceração em ambiente asséptico é a fundamentação da estimativa


de morte fetal intra útero.

Os estágios são classificados em graus e cada qual com suas peculiaridades. O


estágio grau 0 é caracterizado pelo aspecto bolhoso da pele e aponta morte fetal intra
uterina em menos de oito horas.

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O início de descolamento epidérmico indicaria um intervalo de morte entre oito e 24
horas, caracterizando o estágio grau 1.

A questão descreve feto morto com áreas de descolamento cutâneo e derrame


serossanguinolento.

Aqui a maceração asséptica se encontra em estágio grau 2 e avança por pouco mais
de 24 horas de morte.

No estágio grau 3 se observam derrames cavitários turvos e parênquima hepático


com uma tonalidade amarelo acastanhado, apontando evolução de morte por
aproximadamente 48 horas.

40) O achado necroscópico único de um feto com história de “expulsão de feto


morto”, caracterizado por pele de aspecto bolhoso, possibilita estimar um tempo de
morte intra-útero:

(a) Entre 8 e 12 horas


(b) Inferior a 8 horas
(c) De 6 horas
(d) De 4 horas

Resposta: B

Dentro dos estágios de maceração asséptica, o achado isolado de bolhas epidérmicas


em feto morto retido, indica grau 0 de maceração e tempo de morte inferior a 8 horas.

41) O achado necroscópico único de um feto com história de “expulsão de feto


morto”, caracterizado por descolamento da epiderme, possibilita estimar um
tempo de morte intra-útero:
(a) Entre 8 e 12 horas
(b) Entre 8 e 24 horas
(c) De 12 horas
(d) De 24 horas

Resposta: B

Dentro dos estágios de maceração asséptica, o achado de descolamento epidérmico


em feto morto retido, indica grau1 de maceração e tempo de morte entre oito e 24 horas.

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42) O achado necroscópico de um feto com história de “expulsão de feto morto”,
caracterizado por derrames turvos das cavidades serosas, fígado de coloração
amarelo-castanho, possibilita estimar um tempo de morte intra-útero:
(a) Em torno de 12 horas
(b) Em torno de 24 horas
(c) Em torno de 48 horas
(d) De 18 horas

Resposta: C

Dentro dos estágios de maceração asséptica, o achado de derrames turvos em


cavidades serosas e fígado com aspecto esteatótico, em feto morto retido, indica grau 3
de maceração e tempo de morte por aproximadamente 48 horas.

43) Desconsiderando qualquer outro parâmetro pericial, qual a estimativa de


sobrevivência fetal cujos achados necroscópicos são caracterizados por: tumor
do parto acentuado, sangue materno sobre o corpo, pele avermelhada e recoberta
por vérnix caseoso, cordão umbilical branco-azulado, estômago com ar e
pulmões com áreas de expansão e atelectasia:
(a) Mais de 24 horas de sobrevivência
(b) Poucas horas de sobrevivência
(c) Até 24 horas de sobrevivência
(d) Acima de 24 horas

Resposta: B

A sobrevivência fetal extrauterina pode ser estimada com base no aspecto


cadavérico.

Imediatamente após o parto o infante nascido apresenta: corpo com sangue


materno; tumor do parto evidente (caput sucedâneo); pele vermelha e untada com vérnix
caseoso; cordão umbilical de tonalidade branco-azulado; observam-se saliva, muco e ar
na câmara gástrica; pulmões exibem expansão e áreas de atelectasia.

Evolui em até 24 horas com redução do tumor do parto por absorção;


ressecamento do vérnix caseoso; o cordão umbilical perde o brilho, achata-se e exibe
uma orla de eliminação; nota-se evacuação do mecônio e mielinização do nervo óptico.

Entre vinte e quatro a 48 horas o caput sucedâneo está bem reduzido; a epiderme
se descama; o cordão umbilical se encontra seco e orla de eliminação praticamente
completa.

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Entre quarenta e oito a 72 horas praticamente não se percebe o tumor do parto; o
cordão umbilical toma um aspecto de couro; descamação epidérmica acentuada e
ausência de mecônio.

Entre o quarto e o 5º dia se observam ausência do tumor do parto; descamação


epidérmica intensa e mielinização completa do nervo óptico.

No 6º dia ocorre a queda do cordão umbilical; vasos umbilicais abdominal estão


praticamente obliterados e com início de fibrose; descamação epidérmica não tão
evidente. Mais de oito dias os vasos umbilicais estão obliterados e fibrosados e se pode
constatar fechamento do foramen botalis.

44) Desconsiderando qualquer outro parâmetro pericial, qual a estimativa de


sobrevivência fetal cujos achados necroscópicos são caracterizados por: tumor
do parto com sinais de absorção, cordão umbilical achatado e início da orla de
eliminação, evacuação de mecônio e mielinização do nervo óptico:
(a) Até 12 horas
(b) Até 24 horas
(c) Até 36 horas
(d) Até 48 horas

Resposta: B

Dentro da evolução pós-parto, os achados de tumor do parto com sinais de absorção,


cordão umbilical achatado e início da orla de eliminação, evacuação de mecônio e
mielinização do nervo óptico, permite estimar a sobrevivência fetal até as primeiras 24
horas.

45) Desconsiderando qualquer outro parâmetro pericial, qual a estimativa de


sobrevivência fetal cujos achados necroscópicos são caracterizados por:
reduzido tumor do parto, descamação epidérmica, cordão umbilical dessecado e
com orla de eliminação, evacuação de mecônio abundante:
(a) Entre 12 e 24 horas
(b) Entre 24 e 48 horas
(c) Entre 48 e 72 horas
(d) Entre 72 e 86 horas

Resposta: B

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Dentro da evolução pós-parto, os achados de reduzido tumor do parto,
descamação epidérmica, cordão umbilical dessecado e com orla de eliminação,
evacuação de mecônio abundante, permite estimar a sobrevivência fetal entre vinte e
quatro e 48 horas.

46) Desconsiderando qualquer outro parâmetro pericial, qual a estimativa de


sobrevivência fetal cujos achados necroscópicos são caracterizados por:
resquício do tumor do parto, extensa descamação epidérmica, cordão umbilical
coriáceo e sem mecônio:
(a) Entre 24 e 48 horas
(b) Entre 48 e 72 horas
(c) Entre 72 e 86 horas
(d) Mais de 86 horas

Resposta: B

Dentro da evolução pós-parto, os achados de resquício do tumor do parto, extensa


descamação epidérmica, cordão umbilical coriáceo e sem mecônio, permite estimar a
sobrevivência fetal entre quarenta e oito e 72 horas.

47) Desconsiderando qualquer outro parâmetro pericial, qual a estimativa de


sobrevivência fetal cujos achados necroscópicos são caracterizados por: ausência
do tumor do parto, intensa descamação epidérmica, cordão umbilical
mumificado e mielinização completa do nervo óptico:
(a) Entre o 3º e 4º dia
(b) Entre o 4º e 5º dia
(c) Entre o 6º e 7º dia
(d) Mais de 7 dias

Resposta: B

Dentro da evolução pós-parto, os achados de ausência do tumor do parto, intensa


descamação epidérmica, cordão umbilical mumificado e mielinização completa do
nervo óptico, permite estimar a sobrevivência fetal entre o quarto e 5º dia.

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48) Desconsiderando qualquer outro parâmetro pericial, qual a estimativa de
sobrevivência fetal cujos achados necroscópicos são caracterizados por: ausência
do tumor do parto, reduzida descamação epidérmica, queda do cordão umbilical
e fibrose dos vasos umbilicais:
(a) Aproximadamente no 5º dia
(b) Aproximadamente no 6º dia
(c) Aproximadamente no 7º dia
(d) Aproximadamente no 8º dia

Resposta: B

Dentro da evolução pós-parto, os achados de ausência do tumor do parto, reduzida


descamação epidérmica, queda do cordão umbilical e fibrose dos vasos umbilicais,
permite estimar a sobrevivência fetal por seis dias.

49) Desconsiderando qualquer outro parâmetro pericial, qual a estimativa de


sobrevivência fetal cujos achados necroscópicos são caracterizados por: ausência
do tumor do parto, reduzida descamação epidérmica, queda do cordão umbilical,
fibrose dos vasos umbilicais e obliteração dos vasos umbilicais intra-abdominal:
(a) Aproximadamente no 7º dia
(b) Aproximadamente no 8º dia
(c) Aproximadamente no 9º dia
(d) Mais de 10 dias

Resposta: B

Dentro da evolução pós-parto, os achados de ausência do tumor do parto, reduzida


descamação epidérmica, queda do cordão umbilical, fibrose dos vasos umbilicais e
obliteração dos vasos umbilicais intra-abdominal, permite estimar a sobrevivência fetal
por oito dias.

50) Desconsiderando qualquer variável individual ou climática, espera-se que fase


cadavérica enfisematosa tem início evidente por volta de:
(a) 12 horas
(b) 24 horas
(c) 36 horas
(d) 48 horas

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Resposta: B

A putrefação obedece a uma marcha de evolução, que didaticamente é dividida em


períodos: cromático ou de coloração, enfisematoso ou gasoso, coliquativo e
esqueletização.

O período enfisematoso ou fase gasosa tem início durante a primeira semana de


morte e dura cerca de 30 dias.

Em 24 horas de morte já se pode ter sinais de início do período enfisematoso, porém


há predomínio dos fenômenos cromáticos.

Entretanto, com 48 horas de morte os sinais enfisematosos já estão evidentes. Os


gases da putrefação (H2S, NH4 e H fosforado) infiltram o tecido subcutâneo,
particularmente no abdome e em tecidos areolares como face, pescoço, mamas e
genitais externos (gigantismo cadavérico).

Pela distensão gasosa os olhos são projetados para adiante, a língua se insinua entre
os dentes, a epiderme se destaca e a mucosa retal se exterioriza.

O útero pode ser parido e o sangue rechaçado para a periferia dá um desenho


vascular característico, denominado circulação póstuma de BROUARDEL.

Os membros ficam abduzidos e flexionados caracterizando a posição de lutador. A


epiderme se destaca em retalhos pela expansão gasosa, formando inicialmente as
flictenas putrefativas, com conteúdo transudado, de reação vital negativa, baixa proteica
e ausência de congestão no fundo.

A ruptura das flictenas permite o dessecamento do córion que assim se apergaminha


e escurece. Os órgãos parenquimatosos como o fígado, os rins e o baço estão infiltrados
por líquidos espumosos. As vísceras ocas exibem flictenas intracavitários. Os órgãos
formados quase exclusivamente de musculatura lisa resistem à putrefação, como o útero
e a próstata.

51) Desconsiderando qualquer variável individual ou climática, espera-se que a


circulação póstuma de Brouardel se inicia no pós-morte entre:
(a) 12 e 24 horas
(b) 24 e 48 horas
(c) 48 e 72 horas
(d) 72 e 86 horas

Resposta: C

Apesar de que por volta de 24 horas de morte já se pode ter sinal que dá início ao
período enfisematoso, a presença de circulação póstuma de Brouardel, que se faz
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acompanhar de tumefação da face e da genitália externa, representa o limite entre a fase
cromática e a fase enfisematosa, que aparece entre quarenta e oito e 72 horas de morte.

52) Desconsiderando qualquer variável individual ou climática, espera-se que a fase


cadavérica coliquativa se inicia no fim da:
(a) 1ª semana
(b) 2ª semana
(c) 3ª semana
(d) 4ª semana

Resposta: A

No período coliquativo há redução dos tecidos, que se tornam amolecidos e


concentrados, caracterizando uma massa de putrilagem. Registra-se o seu início no fim
do primeiro mês, e prolonga-se por 2 a 3 anos. Entretanto, na 1ª semana de morte já se
pode ter início o fenômeno coliquativo da morte. A redução acentuada da massa de
putrilagem expõe as peças ósseas, dando início ao período de esqueletização, que pode
durar de 3 a 5 anos.

53) A estimativa do crescimento do pelo como parâmetro para determinação do


tempo de morte fundamenta-se na afirmação que o pelo cresce a razão de:
(a) 12 µ / hora
(b) 16 µ / hora
(c) 18 µ / hora
(d) 21 µ / hora

Resposta: D

Segundo dados de cronotanatognose, alguns fâneros podem dar uma estimativa de


pós-morte, pois continuam a crescer. Assim, para o pelo há um crescimento de 21 µ /
hora.

54) A concentração de potássio no humor vítreo tem valor como parâmetro de


tempo pós-morte:
(a) Apenas nas primeiras 12 horas após o óbito, independente do clima
(b) Apenas nas primeiras 24 horas após o óbito, independente do clima
(c) Apenas nas primeiras 12 horas após o óbito em climas quentes
(d) Apenas nas primeiras 12 horas após o óbito em climas frios

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Resposta: C

A concentração de potássio no humor vítreo é de grande valia para a estimativa do


tempo de morte.

Sabe-se que há um aumento progressivo na concentração do potássio neste líquido


biológico.

Entretanto, os valores são confiáveis nas primeiras 12 horas de morte em clima


quente ou nas primeiras 24 horas em climas frios.

55) A concentração de potássio no humor vítreo como parâmetro de tempo pós-


morte em clima frio é:
(a) Reduzida nas primeiras 24 a 48 horas
(b) Progressiva nas primeiras 24 horas
(c) Reduzida nas primeiras 24 horas
(d) Inalterada a qualquer tempo

Resposta: B

Conforme apontado no comentário da questão anterior, a concentração de potássio


no humor vítreo aumenta nas primeiras 24 horas de morte em clima frio.

56) A concentração de potássio no humor vítreo como parâmetro de determinação


do tempo de pós-morte só tem valor pericial quando acompanhada da
informação:
(a) Do clima perinecroscópico e não decorridas mais de 24 horas do óbito
(b) Do clima perinecroscópico e não decorridas mais de 48 horas do óbito
(c) Do clima perinecroscópico independente do tempo de óbito
(d) Da temperatura do cadáver no estado ante-morte

Resposta: A

Faz-se imprescindível para dar subsídio a estimativa de pós-morte.

Os fundamentos são a concentração do potássio no humor vítreo, a determinação do


clima no local de encontro do cadáver, e que este tempo não seja superior a 12 horas em
clima quente, e 24 horas em clima frio.

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57) Desconsiderando o clima, espera-se que a concentração do potássio no humor
vítreo como parâmetro pós-morte:
(a) Aumente progressivamente nas primeiras 12 a 24 horas
(b) Reduza progressivamente nas primeiras 12 a 24 horas
(c) Aumente progressivamente nas primeiras 48 horas
(d) Permaneça inalterada

Resposta: A

A progressiva concentração de potássio no humor vítreo só tem valor nas primeiras


doze a 24 horas de óbito para a estimativa do tempo de morte.

Em clima quente a estimativa é mais fidedigna nas primeiras doze horas. Em clima
frio se estende por vinte e quatro horas.

58) O estado de morte aparente (imobilidade, apneia e ausência de pulso) é


denominada de:
(a) Estado hipocrático imediato
(b) Tríade de Lacassagne
(c) Tríade de Charcot
(d) Tríade de Thoinot

Resposta: D

A clássica descrição de morte aparente é denominada de tríade Thoinot


caracterizada por: apneia, imobilidade e ausência de pulso.

59) Os fenômenos cadavéricos consecutivos se instalam:


(a) Concomitantemente e finalizam em momentos diferentes
(b) Concomitantemente, assim como a sua terminalização
(c) Cada qual ao seu tempo, assim como o seu término
(d) Progressivamente, porém com interdependência

Resposta: C

Encerrada as funções vitais, entram em ação os fenômenos químicos, físicos e


biológicos evolutivos da morte.

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Os três mecanismos iniciais são a rigidez, o fenômeno de hipóstase e o
resfriamento (tríade da morte).

Os fenômenos abióticos consecutivos são: resfriamento do corpo, hipóstase,


rigidez e desidratação.

Os métodos clássicos de estimativa do tempo de morte são: o método das taxas e


o método da concordância.

O primeiro é fundamentado em medidas temporais estabelecidas para cada fase.

O segundo método traça uma estimativa por concordância em fenômenos


definidos, tal como o tempo de esvaziamento gástrico.

O resfriamento cadavérico ou algor mortis é um processo físico por excelência.

O corpo se esfria por transferência de calor para o ambiente (radiação), ou


favorecida pela corrente de ar (convecção), ou por contato direto com outro objeto
(condução).

A rigidez cadavérica é um fenômeno, sobretudo químico que se desenvolve em


todos os músculos do corpo.

A marcha da rigidez é peculiar a cada caso a depender das condições do corpo


no momento da morte e das condições ambientais.

Com a morte cessa a circulação sanguínea e a coluna de sangue tende a


depositar-se nas áreas de maior declive nas duas a três horas que se seguem.

Tal fenômeno se denomina hipóstase, sendo evidente nos segmentos externos do


corpo, nas vísceras (hipóstase visceral) e nos dentes por deposição sanguínea nos
capilares da polpa dental e saída de hemácias (dentes rosados ou pink teeth).

A desidratação é um fenômeno de ordem física, dependente da causa da morte,


da temperatura ambiente, da circulação e umidade do ar.

A baixa umidade do ar, ventilação satisfatória, superfície extensa e temperatura


alta, beneficiam a evaporação tegumentar.

A evaporação tegumentar reflete a perda de peso corporal, a dessecação,


alterações dos globos oculares e pergaminhamento (consistência dura e amarelada)
da pele e mucosas.

Portanto, Os fenômenos cadavéricos consecutivos se instalam cada qual ao seu


tempo, assim como o seu término.

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60) Desconsiderando qualquer outro parâmetro pericial, a perda de peso por
desidratação cadavérica no adulto oscila entre:
(a) 10 e 18g / kg / dia
(b) 18 e 20g / kg / dia
(c) 20 e 25g / kg / dia
(d) 25 e 30g / kg / dia

Resposta: A

A desidratação é um fenômeno de ordem física, dependente da causa da morte, da


temperatura ambiente, da circulação e umidade do ar.

No cadáver de um adulto em geral ocorre na razão de 10 a 18g / kg / dia.

Os fetos e recém-nascido, com maior proporção de água, perdem peso na proporção


de 8 g/Kg /24 horas; com a perda líquida, a pele fica seca, pardacenta e pergaminhada.

As mucosas dos lábios tornam-se endurecidas e pardacentas, notadamente nos


cadáveres de recém-nascidos e crianças.

A desidratação ocular cursa com mancha negra da esclerótica, turvação da córnea,


perda da tensão do globo ocular e formação da tela viscosa.

61) Qual dos fenômenos físicos de perda de calor é mínima no cadáver:


(a) Evaporação
(b) Convecção
(c) Condução
(d) Radiação

Resposta: A

Os mecanismos de perda de calor no vivo são: irradiação, condução, convecção e


evaporação. A irradiação se faz através de ondas no espectro infravermelho, favorecida
pela corrente sanguínea, respondendo por aproximadamente 60% da perda de calor.
Com a morte cessa a corrente circulatória, porém ainda assim há perda de calor por esse
mecanismo. Das alternativas, a evaporação ou perda de calor pelo suor é a mais
comprometida, pois é dependente de estímulo neuro-hormonal.

62) Fenômeno cadavérico de ordem química:


(a) Desidratação
(b) Esfriamento
(c) Hipóstase
(d) Rigidez
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Resposta: D

A rigidez cadavérica é um fenômeno, sobretudo químico que se desenvolve em


todos os músculos do corpo.

Com a morte há um retardo no aparecimento da rigidez, caracterizando a fase de


pré-rigor (flacidez primária), onde o glicogênio de reserva é metabolizado para produzir
ATP, permitindo a interação da actina com a miosina.

Sem oxigênio o metabolismo é desviado para um processo anaeróbico com


produção de ácido láctico e conseguintemente queda do pH que acaba ficando em torno
de 5,0 e 5,5.

Na fisiologia da contração muscular o estímulo nervoso excita a fibra muscular, que


pelo sistema T permite a saída de cálcio iônico do retículo endoplasmático para o
hialoplasma.

O cálcio hialoplasmático ao nível das miofibrilas desbloqueia os sítios de ligações


da actina que passam a interagir com a miosina.

Cessado o estímulo neural, o músculo retorna ao seu estado de repouso, retornando


o cálcio à cisterna do retículo.

No cadáver o rigor mortis não ocorre em função da contração muscular, mas tão
somente um enrijecimento sem encurtamento das fibras, cujas proteínas actina e
miosina são fixadas entre si por uma ponte química irreversível.

O rigor mortis é explicado pela desidratação muscular que produz coagulação da


miosina associada ao aumento do ácido láctico no músculo (teoria de BRUCKE e
KUHNE).

O fato é que a intensidade da contração muscular na pós-morte depende dos níveis


de reserva de glicogênio, dos níveis de ácido láctico e das peculiaridades da fibra
muscular nos diferentes músculos. A rigidez pode ser instalada em vida. Observam-se
nos estados agônicos em pacientes portadores de tétano, na intoxicação pela estricnina,
ergotamina, magnésio e nas mortes resultadas da destruição dos tecidos do sistema
nervoso central.

63) Fenômeno climático que não favorece a desidratação cadavérica:


(a) Clima quente e úmido
(b) Baixa umidade do ar
(c) Clima frio e seco
(d) Ventilação

- 100 -
Resposta: A

A desidratação é o primeiro evento consecutivo e guarda relação com a perda


inicial do peso.

Os cadáveres de crianças e fetos desidratam mais rapidamente (8g/kg de peso


por dia).

O adulto perde entre 10 a 18g/kg de peso por dia (VANRELL, 2004, p. 133).

São sinais de desidratação: perda de peso; sinais oculares (córneas turvas ou


opacificadas; tela viscosa; redução da tensão do globo ocular, deformidade da pupila,
mancha enegrecida da esclerótica - sinal de SOMMER E LARCHER, que inicialmente
é de tonalidade pardacenta, passando a azulada, e em seguida a preto.

Tem um formato triangular com a base voltada para o limbo).

A área de pele desidratada pode mostrar-se endurecida e amarelada


(apergaminhamento).

Entretanto, em certas condições, como no sulco dos enforcados, esta


apresentação não se deve ao processo normal de evaporação, mas sim a ação do laço
que expulsa por compressão o líquido para as áreas adjacentes.

A baixa umidade do ar, temperatura ambiental elevada, boa ventilação e


superfície ampla, favorecem a evaporação e consequentemente acelera a desidratação.
Clima quente e úmido eleva a umidade do ar, retardando a perda líquida.

Fonte: Vanrell, JP. Manual de Medicina Legal - Tanatologia. São Paulo: Editora de
Direito, 2004, 2ª ed, p. 133

64) Primeiro fenômeno cadavérico da ordem física a se iniciar:


(a) Desidratação
(b) Esfriamento
(c) Hipóstase
(d) Autólise

Resposta: C

Os dados tanatológicos objetivam diagnosticar a realidade da morte e descrever


os fenômenos cadavéricos, buscando determinar o intervalo pós-morte.

Apuram-se as alterações da marcha tanatológica decorrentes de mortes


específicas e possibilita confrontar com as particularidades perinecroscópicas.

- 101 -
A evolução cadavérica é um processo complexo com muitas variáveis externas e
internas ao corpo, criando um campo de controversas e incertezas.

Segundo THOINOT (1913, p. 59, apud Hércules, p. 145), os fenômenos


cadavéricos decorreriam de processos físicos passivos.

SIMONIN classifica estes fenômenos em físicos, químicos e biológicos.

São processos de evolução física: desidratação, esfriamento e hipóstase; e


química: autólise, rigidez, putrefação, maceração e processos de conservação.

Certamente em toda evolução cadavérica, desde os fenômenos autolíticos até


mesmo após a deterioração das partes moles, há presença marcante da ação
microbiológica e da fauna entomológica, caracterizando eventos biológicos.

A hipóstase se dá por sedimentação da coluna sanguínea nas áreas de maior


declive, após a cessação do sistema circulatório.

Portanto, é o primeiro fenômeno físico a ocorrer, mas de percepção e fixidez


tardia, quando comparada a desidratação.

Fonte: Thoinot, L. La Mort. Livro II, em précis de Médecine Legale, p. 53. O. Doin et
Cie., Paris, 1913. In Hércules, HC. Medicina Legal: Texto e Atlas. Rio de janeiro,
Atheneu, 2005, p. 145

65) A umidade do ar elevada, em relação ao cadáver exposto, retarda a:


(a) Desidratação
(b) Putrefação
(c) Autólise
(d) Rigidez

Resposta: A

Favorecem a desidratação cadavérica pelo mecanismo de evaporação: A baixa


umidade do ar, temperatura ambiental elevada, boa ventilação e superfície ampla.

Retardam a desidratação cadavérica: Clima quente e úmido, e consequentemente


umidade do ar elevada.

- 102 -
66) A maceração cadavérica é um fenômeno:
(a) Físico-químico
(b) Biológico
(c) Químico
(d) Físico

Resposta: C

A maceração é um fenômeno transformativo destrutivo de natureza química, próprio


dos corpos submersos em meios líquidos estéreis ou contaminados.

A característica mais notável é a redução da consistência da pele, fragilizando a


epiderme, que se torna amolecida, friável, corrugada e facilmente se destaca dos planos
profundos, como retalhos, expondo a derme vermelha embebida em hemoglobina.

Acrescentam-se o mesmo processo nas mucosas dos órgãos internos e a


desestabilização das peças articulares e ósseas. São processos de evolução química
cadavérica: autólise, rigidez, putrefação, maceração e processos de conservação.

67) Os fenômenos cadavéricos passivos decorrentes da parada cardiorrespiratória


são da ordem:
(a) Físico-química
(b) Biológica
(c) Química
(d) Física

Resposta: D

Não há sinal patognomônico da finitude da vida. O que se busca apurar é o


diagnóstico da realidade da morte (tanatognose), o tempo de instalação e o término de
cada evento evolutivo (cronotanatognose).

Os fenômenos cadavéricos são divididos em abióticos e transformativos. Os


primeiros são imediatos e consecutivos, os últimos poderão ser destrutivos ou
conservadores.

Encerrada as funções vitais, entram em ação os fenômenos químicos, físicos e


biológicos evolutivos da morte.

Segundo THOINOT (1913, p. 59, apud Hércules p. 145) os fenômenos


cadavéricos decorreriam de processos físicos passivos.

- 103 -
Os fenômenos cadavéricos passivos decorrentes da parada cardiorrespiratória
são de natureza física. Portanto, citam-se a desidratação, o esfriamento e a hipóstase.

Fonte: Thoinot, L. La Mort. Livro II, em précis de Médecine Legale, p. 59. O. Doin et
Cie., Paris, 1913. In Hércules, HC. Medicina Legal: Texto e Atlas. Rio de janeiro,
Atheneu, 2005, p. 145

68) Com a morte a temperatura interna do cadáver, inicialmente:


(a) Permanece inalterada por 2 horas
(b) Permanece inalterada por 4 horas
(c) Reduz somente na 2ª hora
(d) Se eleva

Resposta: D

O resfriamento cadavérico ou algor mortis é um processo físico por excelência. O


corpo se esfria por transferência de calor para o ambiente (radiação), ou favorecida pela
corrente de ar (convecção), ou por contato direto com outro objeto (condução).

A temperatura do cadáver geralmente aumenta após a morte, sobretudo a retal,


levando cerca de 4 horas para voltar à temperatura do momento da morte.

Algumas condições favorecem mais ainda este aumento, como nas mortes por
septicemias.

A tomada da temperatura retal é de grande valia para estimar a hora da morte nas
primeiras 18 horas.

A temperatura de realidade da morte era admitida quando a temperatura retal


chegasse a 25⁰C (limite de Le BOM).

Entretanto há registros de 21,8⁰C (PARROT) em pessoas vivas. Atualmente


considera-se incompatível com a vida, o limite de 20⁰C.

Retornando a temperatura do momento da morte passa a cair na razão de 0,5⁰C por


hora nas três primeiras horas, seguindo com queda de 1grau por hora.

O equilíbrio térmico com o meio ambiente se faz em torno de 20 horas nas crianças
e 24 a 26 horas nos adultos. No cadáver varia de dois a cinco graus Celsius entre 2 e 12
horas após a morte.

- 104 -
69) A curva gráfica que representa o fenômeno de evolução térmica interna do
cadáver é:
(a) Oblíqua descendente
(b) Oblíqua ascendente
(c) Reta transversal
(d) Sigmoide

Resposta: D

No cadáver não existe a termogênese. A Lei de Newton descreve uma curva


exponencial para a perda de calor para pequenos objetos com superfície regular,
preceituando que “a taxa de perda de calor de um corpo é proporcional à diferença de
temperaturas existentes entre o corpo e seus arredores”.

Não sendo uma estrutura uniforme o arrefecimento do corpo humano não segue
a Lei de Newton, dada a sua forma irregular e heterogeneidade de tecidos e com
propriedades físicas diferentes.

37⁰C

12 horas
curva de esfriamento cadavérico (MARSHALL-HOARE)

70) Sítio anatômico para aferir a temperatura cadavérica com fim de determinação
da hora da morte pela equação de Moritz:
(a) Hepática
(b) Axilar
(c) Retal
(d) Oral

Resposta: C

- 105 -
O método de MORITZ estima o intervalo pós-morte, admitindo que a temperatura
retal no momento da morte é de 37⁰ C: TR - 37º C + 3 = ∆t da morte

71) A umidade do ar em relação ao fenômeno térmico cadavérico:


(a) Mantém a temperatura cutânea constante
(b) Reduz a perda de calor
(c) Eleva a perda de calor
(d) Não exerce influência

Resposta: B

A taxa de resfriamento do cadáver depende dos seguintes fatores: massa do corpo,


área de superfície corporal, idade, nutrição e postura do corpo; temperatura do corpo no
momento da morte e temperatura do ambiente; outros fatores ambientais como
ventilação e umidade, e temperatura do microambiente do cadáver.

Cessada a circulação sanguínea, o mecanismo mais eficiente para a perda de calor


no cadáver é a perda por radiação.

A corrente de ar intensifica esta perda por convecção assim como o contato direto
com superfícies frias.

A chuva aumenta a sua velocidade, mas a umidade alta retarda o processo por
reduzir a evaporação ao nível da pele, já que 1g de H2O consome 0,54 cal ao se
evaporar.

72) Em qual momento o juízo de valor quanto às peculiaridades da hipóstase está


prejudicado:
(a) Quando a rigidez cadavérica ainda não se completou
(b) Quando o cadáver apresenta sinais de espasmo
(c) Quando a curva térmica é atípica
(d) Quando se instala a putrefação

Resposta: D

Com a morte cessa a circulação sanguínea e a coluna de sangue tende a


depositar-se nas áreas de maior declive nas duas a três horas que se seguem.

SUZUTANI et al (1978, pp. 259-267) aponta que o sangue por gravidade pode
levar até 3 dias se depositando. Para KNIGHT (p. 926) a sedimentação do sangue por
gravidade é um indicador de tempo de morte pior que o rigor mortis.

- 106 -
Inicialmente, assumem a forma estriada ou arredondada que se agrupam em
placas.

Posteriormente observa-se a confluência destas placas ocupando uma extensa


área não sujeita a pressões externas.

Espera-se que em oito a 12 horas da morte esta deposição sanguínea venha a


fixar-se, e persistir até a putrefação.

Com a putrefação, as particularidades da hipóstase, como a coloração, ficam


prejudicadas pelas evidentes alterações.

Fontes: Knight, Bernard. Inquérito Sobre Patologia Pediátrica Forense em Otário.


V. 4, anexo 4, p. 926

Suzutani, T.; Ishibashi, H.; Takatori, T. Studies on the Estimation of the PostMortem
Interval. Hokkaido Igaku Zasshi, 1978; 52: 259-267

73) Condição em que há demora na instalação da rigidez cadavérica:


(a) Morte súbita
(b) Infecções
(c) Anemias
(d) Asfixias

Resposta: A

Com a morte há um retardo no aparecimento da rigidez, caracterizando a fase de


pré-rigor (flacidez primária), onde o glicogênio de reserva é metabolizado para produzir
ATP, permitindo a interação da actina com a miosina.

No cadáver o rigor mortis não ocorre em função da contração muscular, mas tão
somente um enrijecimento sem encurtamento das fibras, cujas proteínas actina e
miosina são fixadas entre si por uma ponte química irreversível.

O rigor mortis é explicado pela desidratação muscular que produz coagulação da


miosina associada ao aumento do ácido láctico no músculo (teoria de BRUCKE e
KUHNE).

A marcha da rigidez é peculiar a cada caso a depender das condições do corpo no


momento da morte e das condições ambientais.

Em geral a rigidez precoce evolui com baixa intensidade e duração limitada. A


rigidez tardia tende a ter maior intensidade e duração prolongada. Das alternativas

- 107 -
apontadas, a instalação da rigidez cadavérica é mais demorada na morte súbita, seja
natural ou violenta. Nas anemias e nas asfixias, são mais precoces e duração menor.

74) Na morte por choque insulínico, a rigidez cadavérica se dá:


(a) Precoce e intensa
(b) Tardia e intensa
(c) Precoce leve
(d) Tardia e leve

Resposta: A

As condições que reduzem a oferta de oxigênio na fibra muscular, como na


intoxicação pelo monóxido de carbono, anemias e asfixias, ou sua utilização é
dificultada (intoxicações pelo cianeto), ou o consumo é acelerado (convulsões,
hipertermia etc), propiciam um aporte de ATP celular reduzido, e consequentemente o
processo de desacoplamento actina-miosina está prejudicado, e com isso facilita à
rigidez.

Portanto, a queda da concentração de ATP guarda relação com maior intensidade de


rigidez cadavérica. Assim se dá com quadros tipo morte por choque insulínico, anemias,
convulsões etc.

75) A putrefação cadavérica se inicia no intestino grosso ao nível do ceco,


favorecida pela presença da bactéria:
(a) Clostridium welchii
(b) Bacteróide fragilis
(c) Escherichia coli
(d) Klebsiella sp

Resposta: A

A putrefação propriamente dita é um processo biológico de decomposição da


matéria orgânica em matéria inorgânica por ação das bactérias, fauna macroscópica e
fungos.

A flora bacteriana que predomina inicialmente é a flora aeróbica, enquanto dispuser


de oxigênio tecidual. Ambiente em anaerobiose entra em ação a flora butírica
anaeróbica de GRUBER e a flora de BIENSTOCK-KLEIN.

As bactérias aeróbicas são essencialmente Proteus vulgaris; E. coli; S. albus. As


bactérias anaeróbicas são C. perfringens; C. septicum. A decomposição bacteriana tem
- 108 -
início com as bactérias saprófitas que colonizam o cecum, e identificadas como
Clostridium Welchii.

76) O odor cadavérico característico da ação das bactérias sobre o triptofano se deve
a (ao):
(a) Indol e escatol
(b) Cadaverina
(c) Putrescina
(d) Metano

Resposta: A

A decomposição de glicídios e lipídios praticamente não exala odores


nauseabundos. Ao contrário da decomposição das proteínas que geram produtos
intermediários como o gás sulfídrico, escatol e indol, que dão o cheiro característico de
cadáver.

77) A umidade do ar, isoladamente, em relação ao cadáver exposto, favorece a:


(a) Saponificação
(b) Desidratação
(c) Evaporação
(d) Putrefação

Resposta: D

Algumas condições isoladamente favorece a decomposição, acelerando a


putrefação. Assim é a umidade do ar, a obesidade, os pacientes que falecem em
anasarca, em sepse etc.

78) A umidade do ar, isoladamente, em relação ao cadáver exposto, favorece a:


(a) Desidratação intensificando a perda de calor
(b) Mumificação por reduzir a perda de calor
(c) Petrificação pela contenção de calor
(d) Putrefação e reduz a perda de calor

Resposta: D

- 109 -
A questão leva em consideração a relação entre a umidade do ar, isoladamente, e os
fenômenos cadavéricos particularizados nas alternativas. Pelo exposto e já comentado, a
umidade do ar favorece a putrefação. Entretanto, retarda a perda de calor por reduzir a
evaporação ao nível da pele, já que 1g de H2O consome 0,54 cal ao se evaporar.

79) Cadáver exposto a clima quente, seco e ventilado, tende a evoluir para:
(a) Saponificação
(b) Mumificação
(c) Coreificação
(d) Petrificação

Resposta: B

O clima quente, seco e ventilado não impede a putrefação. Porém desidrata


rapidamente o corpo, favorecendo a marcha cadavérica para a mumificação. O cadáver
se apresenta reduzido de volume e peso, pardacento ou enegrecido, pele ondulada e de
consistência endurecida.

80) Condição favorável à mumificação:


(a) Desidratação rápida
(b) Desidratação lenta
(c) Rigidez precoce
(d) Rigidez tardia

Resposta: A

Pelo exposto quanto a indagação entre a desidratação e a rigidez como condição à


mumificação, apontamos que se trata de um fenômeno transformativo conservador
naturalmente favorecido pelo meio quente, ventilado, seco e de atividade bacteriana
reduzida. Portanto, condições que levam uma rápida desidratação e perda de calor.

81) A coloração da circulação póstuma de Brouardel é predominantemente:


(a) Pardo-avermelhada
(b) Pardo-acinzentada
(c) Pardo-esverdeada
(d) Pardo-amarelada

- 110 -
Resposta: C

A putrefação é marcada externamente pelo aparecimento da mancha verde


abdominal.

Em geral tem início ao nível da fossa ilíaca direita, dada a proximidade do cecum,
rico em bactérias, com a parede abdominal.

Concomitante a extensão da mancha verde, as hemácias vão se rompendo, e a


hemoglobina entra em processo de metabolização, alterando a coloração dos órgãos,
notadamente o coração e a parede dos vasos sanguíneos.

A circulação de Brouardel se dá pele expansão gasosa e compressão dos grandes


vasos e do coração, que empurram o sangue para os vasos periféricos, que se mostram
com uma tonalidade pardo-esverdeada.

82) Intervalo de tempo necessário para a instalação da fase cadavérica denominada


enfisematosa;
(a) 1 a 2 dias
(b) 2 a 3 dias
(c) 3 a 4 dias
(d) 4 a 5 dias

Resposta: B

O período enfisematoso ou fase gasosa tem início em uma semana e dura cerca de
30 dias.

Logo, quando decorridas 24 horas após a morte já se pode notar os sinais


enfisematosos pela produção e distensão dos gases, notadamente no abdome. Porém a
instalação propriamente dita se apresenta entre 2 a 3 dias.

83) Os cristais de Westenhoffer-Rocha-Valverde aparecem na evolução cadavérica a


partir do:
(a) 1º dia
(b) 2º dia
(c) 3º dia
(d) 4º dia

Resposta: C

- 111 -
MARTINHO DA ROCHA e BELMIRO VALVERDE (apud FRANÇA, 2004,
p. 378) descreveram cristais sanguíneos da putrefação, que aparecem no 3º dia de pós-
morte e são vistos até o 35º dia de intervalo pós-morte (cristais de WESTENHOFFER-
ROCHA-VALVERDE).

Da decomposição das hemácias aparecem cristais de tamanhos desiguais,


incolores, laminados ou prismáticos, e facilmente fraturados. São vistos a partir do 3º
dia de morte e persistem até o 35º dia.

Os cristais do sangue putrefeito podem ser revelados com a aplicação de


ferrocianeto de potássio ou Iodo, tomando a coloração de azul e castanho,
respectivamente.

Fonte: França, GV. Medicina legal. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004, p. 378

84) Espera-se que os cristais de Westenhoffer-Rocha-Valverde possam ser notados


na evolução cadavérica até o:
(a) 10º dia
(b) 23º dia
(c) 35º dia
(d) 40º dia

Resposta: C

Os cristais de Westenhoffer-Rocha-Valverde representam hemácias decompostas


pelo processo hemolítico cadavérico.

São revelados por sais de iodo e se apresentam com uma coloração acastanhada ou
azulada. Aparem em 72 horas após a morte e podem ser notados até o 35º dia de morte.

85) Condição que favorece a saponificação cadavérica:


(a) Exposição ao ar, baixa oxigenação, calor úmido e terreno argiloso
(b) Exposição ao ar, alta oxigenação, calor seco e terreno arenoso
(c) Inumação, anaerobiose, calor úmido e terreno rico em sílica
(d) Inumação, baixa oxigenação, calor seco e terreno úmido

Resposta: A

- 112 -
Saponificação é um fenômeno transformador conservador tardio, de natureza
microbiológica e bioquímica, caracterizado pela untuosidade cadavérica.

Dá-se aproximadamente a partir da 6ª semana de pós-morte por um processo


enzimático bacteriano que hidrolisa as gorduras neutras, transformando-as em ácidos
graxos, sendo os mais comuns o ácido palmítico e o esteárico, e em menor proporção o
ácido oleico.

O evento em geral é localizado, mas nada impede a sua generalização. O ambiente


propício para tal fenômeno se caracteriza pela porosidade, impermeabilidade ou
semipermeabilidade, calor úmido, água parada, concentrada em minerais, argilosa ou
pantanosa, baixa ventilação e reduzida oxigenação.

Sendo o tecido rico em gorduras, exposto ao ambiente descrito, poderá ocorrer uma
reação de esterificação ou saponificação, originando sabões de cálcio.

Tomam a aparência de cera, acastanhada ou esbranquiçada, ou amarelo-acinzentada,


mole, quebradiça e fétida, daí a denominação adipocera.

Comprometem predominantemente o tecido adiposo e em menor frequência o tecido


muscular. São mais frequentes nas crianças, mulheres, obesos e aqueles que não
padecem de doença lipídica degenerativa.

86) Percentual mínimo de ácidos graxos impregnados na pele do cadáver necessários


para o diagnóstico macroscópico de adipocera:
(a) 40%
(b) 50%
(c) 60%
(d) 70%

Resposta: D

A saponificação é o processo que leva a adipocera. As características químicas


da adipocera são: densidade menor do que a água; insolubilidade na água, solubilidade
no éter e no álcool à quente; produz uma cor azul-esverdeada quando da reação com
sulfato de cobre diluído (reação de Benda); sua queima produz uma chama amarelada,
exalando um odor amoniacal.

É um fenômeno transformativo de natureza conservadora, porém


necessariamente precedida pela putrefação que tem sua marcha alterada por condições
ambientais próprias.

- 113 -
O ponto importante da putrefação concernente à saponificação é a liberação de
ácidos graxos por hidrólise enzimática das gorduras neutras (triglicerídeos) pelas
bactérias locais, principalmente as do gênero Clostridium.

Os ácidos graxos mais relacionados à formação da adipocera são o ácido


palmítico e o esteárico. Portanto, é evidente que qualquer fator que impeça ou retarde a
putrefação terá repercussão na formação da adipocera.

A título de exemplo, baixas temperaturas (< 21ºC). Apesar do fenômeno já ter


iniciado na primeira semana, somente será notado quando decorridos três meses de
morte, desde que a oferta de ácidos graxos chegue a um percentual de 70%. Sua
coloração varia do amarelo ao acinzentado. O odor é rançoso adocicado.

Fonte: Hercules, H. de Carvalho. Medicinal Legal: Texto e Atlas. Rio de Janeiro,


Atheneu, 2005, p. 155

87) Tempo mínimo estimado de pós-morte suficiente para a instalação de adipocera


cadavérica diante das condições favoráveis ao processo:
(a) Quatro meses
(b) Dois meses
(c) Três meses
(d) Um mês

Resposta: C

Apesar do fenômeno já ter iniciado na primeira semana, somente será notado


quando decorridos três meses de morte, desde que a oferta de ácidos graxos chegue a
um percentual de 70%. Sua coloração varia do amarelo ao acinzentado.

Fonte: Hercules, H. de Carvalho. Medicinal Legal: Texto e Atlas. Rio de Janeiro,


Atheneu, 2005, p. 155

88) Ácidos graxos predominantes na adipocera cadavérica:


(a) Linoleico e linolênico
(b) Palmítico e esteárico
(c) Oleico e linolênico
(d) Oleico e esteárico

- 114 -
Resposta: B

O ponto importante da putrefação concernente à saponificação é a liberação de


ácidos graxos por hidrólise enzimática das gorduras neutras (triglicerídeos) pelas
bactérias locais, principalmente as do gênero Clostridium. Os ácidos graxos mais
relacionados à formação da adipocera são o ácido palmítico e o esteárico.

Fonte: Hercules, H. de Carvalho. Medicinal Legal: Texto e Atlas. Rio de Janeiro,


Atheneu, 2005, p. 155

89) Despojo humano encaminhado ao necrotério apontado como segmento de coxa.


O exame revela material esbranquiçado, mole, baixa friabilidade, aspecto céreo
e odor rançoso. O fenômeno no despojo pode ser apontado como sendo:
(a) Transformativo destrutivo do tipo maceração
(b) Transformativo conservador do tipo adipocera
(c) Transformativo destrutivo do tipo putrefação
(d) Transformativo destrutivo do tipo adipocera

Resposta: B

A aparência de cera, consistência mole, quebradiça e odor rançoso, é típica de


processo de saponificação ou formação de adipocera. Trata-se de um fenômeno
transformativo conservador.

90) Cadáver encaminhado ao necrotério, cujo exame revela segmentos


predominando material esbranquiçado, mole, baixa friabilidade, aspecto céreo e
odor rançoso. Qual dos locais apontados não dá subsídio ao fenômeno
cadavérico instalado:
(a) Local seco e de ampla ventilação
(b) Terreno argiloso
(c) Fossa séptica
(d) Pântano

Resposta: A

As características do cadáver apontam para o fenômeno de formação da adipocera.


As condições ambientais que favorecem tal fenômeno são: calor úmido; local com água
rica em minerais, podendo ser de natureza argilosa, pantanosa ou em fossas, que tenham

- 115 -
baixa oxigenação e reduzida ventilação. Portanto, das alternativas este cadáver não
estava exposto a local seco e ventilado.

91) Tomando como base única e exclusivamente a algidez cadavérica e a aplicação


da equação de Moritz, qual o tempo pós-morte de uma vítima cuja temperatura
retal aferida é de 22ºC:
(a) 17 horas
(b) 18 horas
(c) 24 horas
(d) 36 horas

Resposta: B

Aplica-se a fórmula de Moritz. O método de MORITZ estima o intervalo pós-


morte, admitindo que a temperatura retal no momento da morte é de 37⁰ C:

TR - 37º C + 3 = ∆t da morte

Sendo assim: 22 – 37 + 3 = 18

92) Qual mecanismo de perda de calor cadavérico é favorecido pelo vento:


(a) Evaporação
(b) Convecção
(c) Condução
(d) Radiação

Resposta: B

O resfriamento cadavérico ou algor mortis é um processo físico por excelência. O


corpo se esfria por transferência de calor para o ambiente (radiação), ou favorecida pela
corrente de ar (convecção), ou por contato direto com outro objeto (condução).

Cessada a circulação sanguínea, o mecanismo mais eficiente para a perda de calor


no cadáver é a perda por radiação. A corrente de ar intensifica esta perda por convecção
assim como o contato direto com superfícies frias.

- 116 -
93) Qual fenômeno físico cadavérico e fenômeno ocular inter-relacionado, são
favorecidos pela constância dos olhos abertos do cadáver:
(a) Rigidez do músculo palpebral – hipotonia ocular
(b) Resfriamento – mancha negra na esclerótica
(c) Autólise – opacificação da córnea
(d) Desidratação – tela viscosa

Resposta: D

A constância dos olhos abertos do cadáver favorecem a evaporação da lágrima e


com isso a desidratação, propiciando a deposição de uma película na córnea em
substituição ao brilho característico.

Os demais fenômenos apontados nas alternativas independem da abertura ou


fechamento palpebral.

Fonte: Hercules, H. de Carvalho. Medicinal Legal: Texto e Atlas. Rio de Janeiro,


Atheneu, 2005, p. 146

- 117 -
CAPÍTULO 5
LESIONOLOGIA MECÂNICA

1) Principal causa de hemorragia subaracnóidea não traumática:


(a) Rotura de aneurismas saculares
(b) Microangiopatia degenerativa
(c) Vasculite auto-imune
(d) Meningite herpética

Resposta: A

A principal causa de hemorragia subaracnóidea não-traumática é a ruptura de


aneurismas saculares.

Localiza-se mais frequentemente na junção anterior do polígono de Willis. A


parede do aneurisma não apresenta camada muscular, mostra-se delgada, flácida ou com
uma opacificação própria do espessamento fibroso (BOGLIOLO, 2006, p.880).

As hemorragias subaracnóideas e intraparenquimatosas podem ocorrer


concomitantes ao hematoma extradural e subdural.

Por vezes estas hemorragias podem dar-se de forma dramática de 1 a 2 semanas


do evento traumático, sendo denominadas de Spat-apoplexie (GIROLAME et cols.
2000, p. 1166).

Fontes: Bogliolo, L. Patologia. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 2006, 7ª ed, p. 880

Girolame, U. de; Anthony, D.C. e Frosch, M.P. O Sistema Nervoso Central. In:
Robbins – Cotran, Kumar e Collins. Patologia Estrutural e Funcional. Rio de Janeiro,
Guanabara Koogan, 2000, 6ª Ed.

2) A denominação “púrpura cerebral”:


(a) Ocorre na embolia gordurosa, na malária, na ricketisiose, na leucoencefalite
hemorrágica e nas discrasias sanguíneas
(b) É exclusiva da embolia gordurosa por complicação de lipoaspiração
(c) É exclusiva da embolia gordurosa por fratura de ossos longos
(d) É sempre de natureza iatrogênica

- 118 -
Resposta: A

Púrpura cerebral é a denominação do quadro de hemorragia petequial difusa na


substância branca do cérebro.

É frequente na embolia gordurosa, porém pode ocorrer na evolução de


patologias como discrasias sanguíneas, leucoencefalite hemorrágica aguda, ricketisiose
e malária cerebral (BOGLIOLO, 2006, p.886).

Fonte: Bogliolo, L. Patologia. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 2006, 7ª ed, p. 886

3) Os agentes mecânicos em sua ação vulnerante atuam na vítima:


(a) Modificando o estado inercial
(b) De modo ativo e passivo
(c) De forma biodinâmica
(d) Contundindo

Resposta: A

Os agentes para produzir a lesão se utilizam de uma via ou caminho denominado


meio pelo qual parte da sua origem até atingir o alvo (corpo humano etc.).

Este meio de propagação pode ser pelo ar, pela água, pelo vácuo, propagado ou
impulsionado por um objeto (arma de fogo, arco e flecha etc.), sendo o processo ativo,
passivo ou misto.

Os processos de propagação do agente vulnerante podem dar-se de forma ativa,


passiva ou mista, conforme o deslocamento do instrumento em direção ao alvo parado,
ou o alvo em direção ao instrumento, ou um de encontro ao outro, respectivamente.

O deslocamento do instrumento antes de atingir o alvo é chamado de trajetória e o


deslocamento no interior deste é denominado de trajeto. Os agentes mecânicos agem em
última análise modificando o estado de repouso e de movimento do alvo, ou seja,
modifica o estado inercial.

4) Fator ou fatores intrínsecos dos agentes da ordem mecânica que guardam relação
direta com os efeitos lesivos:
(a) Energia cinética
(b) Massa e inércia
(c) Intensidade
(d) Inércia

- 119 -
Resposta: A

A expressividade lesional dependerá essencialmente da energia cinética do


instrumento. Em suma concorrerão para a gravidade da lesão outras particularidades
físicas como a pressão, a massa, a velocidade e a área de superfície de aplicação.

As fórmulas a seguir mostram a relação das variáveis físicas entre si.

Ec = energia cinética;

Ec = MV²/ 2 M= massa;

V²= velocidade ao quadrado

P = pressão exercida;

P=F/S F = força de aplicação;

S = superfície de aplicação

5) A que se deve a menor frequência de hematoma extradural na criança e no


idoso:
(a) Flexibilidade dos ossos da calvária na criança e sinostoses das suturas
craniananas nos idosos
(b) Flexibilidade dos ossos nas crianças e fibrose da dura-máter nos idosos
(c) Maior aderência da dura-máter à face interna da abóbada craniana
(d) Maior elasticidade dos ossos que compõem a abóbada craniana

Resposta: C

O hematoma epidural ou extradural é de origem arterial, em especial quando a


fratura cruza o trajeto do vaso.

Nas crianças este tipo de hemorragia pode existir sem fratura, dada a
flexibilidade dos ossos do crânio que se deformam sem fraturar.

Porém, tanto nas crianças como nos idosos, o hematoma extradural é pouco
frequente em face da maior aderência da dura-máter à face interna da abóbada craniana
(BOGLIOLO, 2006, p.894).

- 120 -
Fonte: Fonte: Bogliolo, L. Patologia. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 2006, 7ª ed,
p. 894

6) O coquetel “molotov” é constituído por uma mistura de:


(a) Líquidos tipo álcool, óleo diesel, gasolina etc. em um recipiente de vidro e uma
mecha de tecido que serve como pavio para acender
(b) Óleo diesel com gasolina em um recipiente de plástico e uma mecha de tecido
que serve como pavio para acender
(c) Benzeno com clorofórmio, concentrados em um recipiente de vidro que explode
quando quebrado
(d) Álcool com éter em um recipiente de alumínio e um barbante que serve como
pavio para acender

Resposta: A

O coquetel “molotov” é material explosivo incendiário muito utilizado em guerrilha


urbana sendo constituído por uma mistura de líquidos inflamáveis como álcool, óleo
diesel, gasolina, éter, ácido sulfúrico e clorato de potássio, acondicionado em um
recipiente de vidro, e um pano embebido na mistura saindo pelo gargalo.

A denominação molotov deriva do nome de um diplomata soviético chamado


Vyacheslay Mikhailovich Molotov.

7) Caracteriza um quadro de empalamento clássico a introdução de uma estaca de


madeira:
(a) Na cicatriz umbilical chegando à região subesternal no sentido da boca
(b) Na região perianal e saindo na região lombar esquerda
(c) Na região perineal e saindo anteriormente na vagina
(d) No baixo ventre e saindo na mama direita

Resposta: A

Encravamento é o processo de encravar um objeto no corpo humano em geral por


ação pérfurocontundente.

O empalamento é uma espécie de encravamento onde os sítios anatômicos de


eleição são: ânus, vagina e cicatriz umbilical, que originalmente o instrumento deveria
sair pela cavidade oral.

O nosso entendimento, com resguardo inclusive histórico, é que o empalamento se


dá através de vias anatômicas específicas (vagina e ânus) ou por através de via
- 121 -
embrionária cicatrizada (cicatriz umbilical), tendendo a direcionar o instrumento para a
cavidade oral, ou da cavidade oral para a região anal. Foi um método de tortura muito
utilizado pelo Romeno VLAD III, da Valáquia, que introduzia uma estaca de madeira
pelo ânus e transpassava pela cavidade oral. Inspirou o filme de BRAM STOOKER –
VLAD DRÁCULA.

8) Caracteriza um quadro de empalamento clássico e histórico, a introdução de uma


estaca de madeira pelo (ou pela):
(a) Vagina e saindo pelo umbigo
(b) Ânus e saindo pela Vagina
(c) Vagina e saindo pelo ânus
(d) Ânus e saindo pela boca

Resposta: D

O empalhamento clássico e histórico é caracterizado pela introdução do objeto


alongado através de vias anatômicas específicas (vagina e ânus) ou por através de via
embrionária cicatrizada (cicatriz umbilical), tendendo a direcionar o instrumento para a
cavidade oral, ou da cavidade oral para a região anal.

9) Região da dura-máter de menor aderência, denominada de zona descolável de


Marchant:
(a) Temporoparietal
(b) Parietoocipital
(c) Occipital
(d) Frontal

Resposta: A

A porção escamosa do temporal ou segmento têmporo-parietal se mostra mais


delgado e menor aderência da dura-máter. Essa região de fácil descolamento da dura-
máter na face interna da abóbada craniana é denominada de “zona descolável de
MARCHANT”.

10) A presença de nitrocelulose nos cartuchos lhes dá mais eficiência por gerar:
(a) Menos fumaça e mais partículas de metal
(b) Menos fumaça e mais força expansiva
(c) Mais fumaça e menor força expansiva
(d) Mais fumaça e Mais força expansiva

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Resposta: B

A pólvora foi inventada pela China, no século IX, como um propelente denominado
“remédio do fogo”. Esta pólvora era um composto de três partes de salitre – nitrato de
potássio – KNO3 (75%), duas partes de carvão de madeira – atualmente carvão mineral
(15%), e uma parte de enxofre (10%).

Esta constituição original nada mais é que a pólvora negra, cuja inconveniência é a
liberação de muita fumaça e grânulos.

A pólvora branca ou piroxilada é uma mistura de clorato de sódio (50%) e açúcar


branco refinado (50%).

Este propelente também é denominado de pólvora sem fumaça, cuja composição


pode ser simples, constituído somente de nitrocelulose, ou sob a forma de base dupla –
cordite (mistura de nitrocelulose com nitroglicerina).

Portanto, a nitrocelulose gera menos fumaça e maior poder expansivo.

11) Quanto maior a distância entre o centro de massa e o centro de pressão:


(a) A ponta tende a inclinar para baixo durante a trajetória
(b) A ponta tende a inclinar para cima durante a trajetória
(c) Menos estável é o projétil
(d) Mais estável é o projétil

Resposta: C

O projétil segue uma linha de tiro que percorre da boca da arma ao alvo. Esta linha
de tiro é denominada de trajetória, e os movimentos que executa durante o percurso se
chama translação, que tende dar ao projétil um movimento curvilíneo.

Um dos maiores problemas é o aerodinamismo instável do projétil durante a


trajetória, descrevendo por vezes verdadeiras cambalhotas.

A estabilidade do projétil em sua trajetória fica condicionada ao tipo de arma,


essencialmente quanto à ausência de raias no cano da arma (“alma lisa”) ou sua
presença (“alma raiada”), imprimindo este último, movimento de rotação ao projétil,
dando-lhe maior estabilidade aerodinâmica, conferindo um percurso retilíneo e
reduzindo a força de arrasto.

Quando o projétil sai da boca da arma, uma série de forças atua sobre sua
aerodinâmica.

- 123 -
A primeira e mais constante é a força da gravidade que atrai os corpos para o centro
da Terra, que deve ser diferenciada da segunda força, ou força gravitacional, que guarda
relação com a rotação do projétil e com sua velocidade, gerando movimentos de
oscilação (báscula) e translação.

A terceira força, favorecida pela densidade do meio, e contrária ao deslocamento do


projétil, própria do ar atmosférico, cria um atrito denominado de força de arrasto que
reduz a velocidade do projétil.

Durante a translação, o projétil, em uma rotação (360º), executa pequenos círculos


(nutação) em um círculo maior (precessão).

A distribuição não homogenia da massa do projétil, próprio do seu aerodinamismo,


faz com que o seu centro de massa seja deslocada para a base, criando uma condição de
desestabilização na trajetória.

O centro de pressão seria um ponto onde é exercida a força para impulsionar o


projétil.

O ideal para favorecer a estabilidade aerodinâmica do projétil, reduzindo a força de


arrasto, seria alinhar o centro de massa com o centro de pressão, e menor distância entre
os dois, caso contrário menor estabilidade do projétil na trajetória. .

12) Estabiliza a trajetória do projétil em relação ao centro de pressão e ao centro de


massa:
(a) Quando o primeiro está localizado próximo a base do projétil e o segundo
próximo a ponta
(b) Quando o primeiro está localizado próximo a ponta do projétil e o segundo
próximo a base
(c) Quando o primeiro está localizado no ponto médio do projétil e o segundo
próximo a base
(d) Quando os dois centros se anulam durante a trajetória

Resposta: A

Um dos inconvenientes para a estabilidade do projétil em sua trajetória é a força de


arrasto.

O alinhamento entre o centro de pressão e o centro de massa do projétil favorece a


estabilização na trajetória, reduzindo a força de arrasto, mormente se o primeiro estiver
na base e o segundo na ponta do projétil.

- 124 -
13) Em relação a estabilidade na trajetória, as flechas com ponta metálica e haste de
madeira:
(a) São estáveis pelo fato do centro de massa está situado na ponta e o de pressão na
base
(b) São estáveis pelo fato do centro de massa está situado na base e o de pressão na
ponta
(c) São estáveis pelo fato do centro de massa e o de pressão estar localizados na
base
(d) Perdem a estabilidade após 10 metros de deslocamento

Resposta: A

No caso em particular da flecha com a confecção descrita na questão, observam-se


alinhamento de centro de pressão com o centro de massa, estando o primeiro na haste de
madeira e o segundo na ponta, estabilizando a flecha na sua trajetória, sobretudo pela
redução da força de arrasto.

14) Em relação à superfície de deposição entre a zona de esfumaçamento e a zona de


tatuagem, em geral nos tiros a queima roupa, a:
(a) Primeira é mais superficial que a segunda
(b) Segunda é mais superficial que a primeira
(c) Segunda se sobrepõe e mascara a primeira
(d) Primeira contorna a segunda

Resposta: A

Acompanham o projétil (elemento primário), a pólvora combusta (queimada –


fuligem) e incombusta (não queimou ou está queimando), o gás super-aquecido e
micropartículas de metal (elementos secundários).

PÓLVORA INCOMBUSTA –GRÃOS

PÓLVORA COMBUSTA – FUMAÇA

GÁS SUPER-AQUECIDO

MICROPARTÍCULAS DE METAL

- 125 -
Os elementos secundários se dispersam à medida que se afastam da boca da arma,
descrevendo um cone denominado cone de dispersão ou cone de explosão, composto de
gases superaquecidos, grãos de pólvora incombusta, e resíduos da combustão
(combusta).

Os gases superaquecidos são dos elementos secundários, os de menor alcance, que


atingindo a vítima sob a forma de chama, provoca uma queimadura ou zona de
chamuscamento.

Os grãos de pólvora são de maior alcance e dão formação a zona de tatuagem.

Os resíduos da combustão, representados pela fuligem, são de alcance intermediário,


e determinam a zona de esfumaçamento (falsa tatuagem ou tisnado), facilmente
removidos pela lavagem.

Portanto, pelo exposto, sendo os grãos de pólvora, responsáveis pela tatuagem, de


alcance maior que os resíduos de fuligem que determinam o esfumaçamento,
sobressaem estes últimos superficialmente em relação ao primeiro.

15) Em relação aos elementos que dão origem a zona de esfumaçamento e a zona de
tatuagem, podemos afirmar que:
(a) A primeira é propelente e a segunda é exclusivamente um dos produtos da
mistura iniciadora
(b) A primeira é propelente e a segunda é exclusivamente produtos do
espoletamento
(c) A primeira é propelente e a segunda é o alumínio superaquecido
(d) São estados físicos diferentes da mesma substância

Resposta: D

Nos tiros a queima roupa, observar-se-ão: uma área de queimadura ou


chamuscamento, por vezes com crestação dos pelos; uma zona de esfumaçamento ou
halo fuliginoso (tisnado ou falsa tatuagem), proveniente da pólvora combusta
(queimada), mais perceptível com a pólvora negra; impregnação da pele por pólvora
incombusta (que não queimou ou queimou parcialmente), penetrando na epiderme por
força dos gases aquecidos (tatuagem).

Portanto, a zona de esfumaçamento e a zona de tatuagem, nada mais são que a


pólvora em estados físicos diferentes, sendo a primeira a fuligem e a segunda, partículas
da pólvora não completamente queimadas.

- 126 -
16) Em relação à apresentação objetiva entre a zona de esfumaçamento e a zona de
tatuagem, podemos afirmar que:
(a) As duas são por deposições facilmente removidas por lavagem
(b) A primeira é por deposição e a segunda por inscrustamento
(c) A primeira é por incrustamento e a segunda por deposição
(d) As duas são por incrustamento

Resposta: B

A força dos gases aquecidos impulsiona a pólvora queimada e ainda por queimar. A
primeira atinge o alvo por deposição e a segunda marca a pele por incrustação, de modo
que a primeira facilmente se deixa remover pela lavagem.

17) A primeira lesão a ocorrer quando da ação pérfurocontundente de um PAF:


(a) Esfumaçamento
(b) Escoriação
(c) Equimose
(d) Enxugo

Resposta: C

O projétil de arma de fogo é o primeiro a chegar ao alvo. Sendo o alvo o corpo


humano, o primeiro fenômeno a ocorrer é o impacto do projétil com a pele.

Determinando, portanto uma ação contundente por rompimento de vasos sanguíneos


superficiais, e consequentemente, infiltração sanguínea das adjacências.

18) Quando da entrada do PAF a curta distância, a primeira ação mecânica lesional a
ocorrer é de natureza:
(a) Contundente
(b) Perfurante
(c) Cortante
(d) Térmica

Resposta: A

- 127 -
Apesar da ação do PAF ser denominada pérfurocontundente, o primeiro fenômeno é
de natureza contundente, para depois perfurar, e seguir sobremaneira por uma ação
mecânica mista pérfurocontundente.

19) Os resíduos que compõem a orla de enxugo são:


(a) Próprios do projétil, sendo exclusivamente da mistura chumbo-antimônio
(b) Próprios do projétil, sendo exclusivamente de chumbo aquecido
(c) Próprios do projétil, sendo exclusivamente de ferro
(d) Representados pelo “sarro” do cano da arma

Resposta: D

Nos tiros à distância, há somente os efeitos primários ou orlas, provocadas pela


passagem do projétil (equimose; escoriação; alimpadura, enxugo, orla de adstringência
ou orla de CHAVIGNY).

Pela ação contundente, o projétil invagina a pele, rompendo-a, assim como


esgarçam os capilares, cujo sangue infiltra as bordas da ferida (equimose). A escoriação,
própria do arrancamento epidérmico pela ação contundente do projétil, aufere valor
quanto à angulação ou incidência de entrada do projétil na pele da vítima, pela
concentração da escoriação nos quadrantes da ferida. A área de alimpadura ou orla de
enxugo (orla de adstringência), seria os detritos aderidos no projétil, que são deixados
na vertente da ferida (sarro).

20) Associação mais adequada entre as colunas conforme as características das


armas:
1- Espingarda ( ) Arma longa com 1 ou 2 canos, alma lisa
2- Mosquetão ( ) Arma longa, portátil, carregamento manual, alma raiada
3- Escopeta ( ) Cano longo e calibre menor que a espingarda
4- Carabina ( ) Cano longo, alma raiada, comprimento menor que os rifles
5- Rifle ( ) Arma longa, portátil, carregamento manual ou de repetição
6- Fuzil ( ) Automática, raiada e cadência de tiros entre 650 e 750 / min.

(a) 1, 2, 3, 4, 5, 6
(b) 2, 3, 1, 4, 5, 6
(c) 6, 2, 1, 5, 4, 3
(d) 2, 1, 4, 3, 6, 5

- 128 -
Resposta: A

Pelo exposto entre a coluna da esquerda e a coluna da direita, há equivalência entre


o tipo de arma e a característica assinalada no parêntese imediato da coluna contrária.

21) Na sua totalidade, compõe a zona de tatuagem nas feridas provocadas por PAF:
(a) Micropartículas metálicas do cano da arma e grãos de pólvora
(b) Micropartículas metálicas do cano da arma, somente (“sarro”)
(c) Micropartículas metálicas do cano da arma e do projétil
(d) Grãos de pólvora queimada e não queimada, somente

Resposta: D

A força dos gases superaquecidos impulsiona o projétil para adiante junto com
elementos secundários deflagradores do tiro.

Entre eles o mais substancial é a pólvora queimada e não queimada.

A dispersão desse elemento em forma de grãos podem incrustar a pele e determinar


a formação da tatuagem.

22) Dentro de uma noção geral e desconsiderando os avanços da ciência balística,


qual o sinal que aponta a menor distância entre a boca da arma e a vítima:
(a) Chamuscamento
(b) Esfumaçamento
(c) Tatuagem
(d) Enxugo

Resposta: A

O tiro ocorre após eficiente mecanismo de disparo. Acompanham o projétil


(elemento primário), a pólvora combusta e incombusta, o gás super-aquecido e
micropartículas de metal (elementos secundários).

Os elementos secundários se dispersam à medida que se afastam da boca da arma,


descrevendo um cone denominado cone de dispersão ou cone de explosão, composto de
gases superaquecidos, grãos de pólvora incombusta e combusta, e resíduos da
combustão.

- 129 -
Portanto, em função dessa dispersão, os elementos secundários deixarão marcas
delimitando zonas específicas.

No tiro encostado, a silhueta da boca da arma poderá ficar impressa pela ação
térmica e ou contundente (sinal de PUPPE-WERKGAERTNER).

Das alternativas apontadas o sinal que aponta a menor distância entre a boca da
arma e a vítima é o chamuscamento, por vezes com pelos queimados ou a ação térmica
que e deixa impressa a silhueta da boca da arma.

23) Dentro de uma noção geral e desconsiderando os avanços da ciência balística,


qual a distância entre a boca da arma e a vítima, a partir da qual não se
encontram as zonas próprias dos elementos secundários do tiro:
(a) 100 cm
(b) 70 cm
(c) 60 cm
(d) 50 cm

Resposta: B

A questão é um tanto generalista e controvertida em função da variabilidade de


armamento e de cartuchos, cada um com sua peculiaridade.

Porém a título de raciocínio, uma vez que desconsidera os avanços da ciência


balística, é possível estimar a distância do tiro, fazendo-se disparos a diferentes
distâncias com a arma do crime e com o mesmo cartucho em alvo de papelão claro.

A impressão dos elementos secundários do tiro nesse papelão deixará uma


morfologia característica denominada residuograma.

Uma análise da distância do tiro com base no diâmetro e densidade do


esfumaçamento e da tatuagem permite deduzir que ao distanciar do alvo o diâmetro
aumenta e a densidade reduz até desaparecer estes elementos, em face do cone de
dispersão.

Nos tiros a curta distância de três a 4 cm, constata-se o chamuscamento, o


esfumaçamento denso e de pequeno diâmetro, e a ausência de tatuagem, que penetrou
no alvo. Com cinco a 10 cm de distância a tatuagem aparece, o diâmetro do
esfumaçamento aumenta, mas a sua densidade diminui, para desaparecer em distâncias
superiores a vinte ou 30 cm.

- 130 -
Provavelmente a distâncias superiores a sessenta a 70 cm não é mais possível
perceber os elementos secundários do tiro. Esta análise é fundamentada em disparos de
prova com pistola Walther 7,65 mm e não levando em consideração o exame das vestes.

A maioria dos autores limita em 70 cm a distância do disparo, a partir do qual não se


percebe a impressão dos elementos secundários.

24) Dentro de uma noção geral e desconsiderando os avanços da ciência balística,


qual o sinal que isoladamente permite apontar o tiro com a menor distância:
(a) Chamuscamento
(b) Escoriação
(c) Tatuagem
(d) Enxugo

Resposta: A

Naturalmente aquele que para ocorrer aparece em pequenas distâncias como de três
a 4 cm. Nesse caso o chamuscamento. Lembrar que nessa distância o esfumaçamento é
denso e o diâmetro é reduzido.

25) Qual dos elementos não se presta para estimar a proximidade da distância do
tiro:
(a) Chamuscamento
(b) Esfumaçamento
(c) Tatuagem
(d) Enxugo

Resposta: D

As orlas ou lesões que decorrem do impacto do projétil não são parâmetros para
estimar a distância do tiro.

Das alternativas a orla de enxugo é própria da passagem do projétil por através da


pele, não se prestando, portanto, a análise da distância do disparo.

- 131 -
26) Não faz parte do cone de explosão nos disparos de arma de fogo:
(a) Gases superaquecidos
(b) Pólvora combusta
(c) Fuligem
(d) Projétil

Resposta: D

O cone de explosão reúne os elementos que deflagram o tiro e impulsionam o


projétil adiante. Evidente que das alternativas apenas o projétil não faz parte desse cone.

27) Do menor ao maior poder de alcance dos elementos do cone de dispersão,


respectivamente:
(a) Fuligem, gases superaquecidos e grãos de pólvora
(b) Gases superaquecidos, fuligem e grãos de pólvora
(c) Gases superaquecidos, grãos de pólvora e fuligem
(d) Grãos de pólvora, gases superaquecidos e fuligem

Resposta: B

Os elementos secundários dispersam à medida que se afastam da boca da arma,


descrevendo um cone denominado cone de dispersão ou cone de explosão.

Este cone é composto de gases superaquecidos, grãos de pólvora incombusta e


resíduos da combustão (fuligem).

Os gases superaquecidos são dos elementos secundários, os de menor alcance,


que atingindo a vítima, ou sob a forma de chama, provoca uma queimadura ou zona de
chamuscamento.

Os grãos de pólvora são de maior alcance e dão formação a zona de tatuagem.

Os resíduos da combustão, representados pela fuligem, são de alcance


intermediário, e determinam a zona de esfumaçamento (falsa tatuagem ou tisnado),
facilmente removidos pela lavagem.

- 132 -
28) Não guarda relação com o fenômeno de aceleração-desaceleração craniana:
(a) Síndrome da criança espancada
(b) Lesão axonal difusa
(c) Hematoma subdural
(d) Fratura

Resposta: D

O mecanismo por aceleração/desaceleração desenvolve forças inerciais com


lesionologia própria pelo traumatismo interno direto das estruturas móveis contra as
adjacências ou por estiramento e relaxamento bruscos.

A criança vítima de sacudidelas ou de espancamento, o hematoma subdural e lesão


axonal difusa, podem ocorrer por este mecanismo.

No hematoma subdural, as veias-ponte (veias cerebrais superiores) são lesionadas


pelo mecanismo de movimentação cerebral (aceleração/desaceleração), porém com os
seios venosos fixos.

Das alternativas, a fratura não guarda relação com o mecanismo de aceleração-


desaceleração.

29) Considerando a tabela abaixo, podemos afirmar que:

ORLAS ZONAS

CONDIÇÃO DISTÂNCIA CONTUSÃO ESCORIAÇÃO ENXUGO CHAMUSCAMENTO ESFUMAÇAMENTO TATUAGEM

1 ATÉ 5cm X X X X X X

2 ENTRE 5 a X X X X X
10 cm

3 ENTRE 10 a X X X X
30 cm

4 ATÉ 50 cm X X X X

5 MAIS DE 70 X X X
cm

(a) Há uma inconstância do enxugo e do esfumaçamento a partir da condição 2


(b) Todas as condições são aceitáveis como corretas
(c) Na condição 1 o esfumaçamento nunca ocorre
(d) Na condição 4 a tatuagem já não mais aparece

- 133 -
Resposta: B

Pelo exposto no quadro e fundamentado no residuograma de prova pelo disparo da


pistola Walther 7,65 mm e no entendimento da maioria dos autores, todas as condições
apresentáveis são corretas.

30) Área mais comum do hematoma subdural traumático:


(a) Convexidade dos hemisférios cerebrais
(b) Região temporoparietal
(c) Região temporal
(d) Região frontal

Resposta: A

As lesões intracranianas imediatas ao trauma, como fraturas, laceração cerebral,


hematomas extra e subdural, contusão cerebral e lesão axonal difusa, são denominadas
de lesões primárias. Em particular o hematoma subdural traumático. O hematoma
subdural agudo é visto como uma coleção sanguínea coagulada, superficial e sem
infiltração nos sulcos. Apresenta-se ao nível da convexidade dos hemisférios cerebrais,
cujo segmento cerebral subjacente se mostra achatado.

31) Sobre o quadro abaixo:

ARMA VELOCIDADE ALCANCE

REVÓLVER – MUNIÇÃO THV 922,35 m/s 100 m

AR-10 880,00 m/s 3.000 m

AR-15 991,00 m/s 3.500 m

FAL 835,00 m/s 3.000 m

SIG-SAUER 550 1.100 m/s 4.000 m

AK-47 710,00 m/s 3.000 m

(a) Somente é correta a velocidade do revólver


(b) Somente é correto o alcance do AK-47
(c) Incorreta a velocidade do AR-15
(d) O quadro está correto

- 134 -
Resposta: D

Pelo exposto não há desconformidade do quadro com a literatura balística. Conclui-


se pelo quadro que o SIG-SAUER 550 apresenta entre os exemplos a maior velocidade
e o maior alcance.

32) Área mais comumente relacionada ao traumatismo que deixa como sequela
anatomopatológica a denominada plaque jaune, que pode ser foco de descargas
convulsivas:
(a) Ponto do impacto direto
(b) Área de contra-golpe
(c) Área de isquemia
(d) Área da fratura

Resposta: B

No traumatismo craniano direto sem fratura podem ocorrer lesões na área do


impacto (lesão pelo golpe) ou na região diametralmente oposta, sobretudo pelo
fenômeno de flexibilidade cerebral, que permite o choque do encéfalo contra a face
interna da abóbada craniana e pelo estiramento dos vasos, mecanismo este denominado
de contragolpe.

Tanto o impulso quanto o impacto levam a movimentação da cabeça, seja por


translação, rotação ou movimento angular.

Esta última pode ser sagital ou lateral. Chama atenção que tanto um quanto o outro
mecanismo gera uma deformação (compressão, estiramento e secção) e consequente
lesão craniana, vascular ou encefálica.

Nas lesões antigas, sobretudo nas áreas de contragolpe, o segmento lesionado se


apresenta como uma placa retraída, deprimida e de coloração castanho-amarelada,
denominada de plaque jaune, localizada nas cristas dos giros.

33) A espoleta em balística interna é um:


(a) Detonador
(b) Propelente
(c) Explosivo
(d) Protetor

Resposta: A
- 135 -
Os mecanismos de disparo para que efetivamente ocorra o tiro é fundamentado na
queima de uma fonte de energia química (propelente ou carga de projeção),
representada pela pólvora, que deflagra uma explosão que libera gases, que
impulsionam o projétil para adiante.

Os resíduos do tiro que se deposita no interior do cano da arma se chama sarro,


assim como acompanham o projétil que se limpa ou se enxuga na borda ou na vertente
quando penetra no alvo.

Assim, acionado o gatilho, o pino do percutor golpeia a espoleta ao nível da cápsula


(detonação), onde se encontra concentrada uma substância química (mistura iniciadora),
que mediante a produção de uma faísca, inflama a pólvora (deflagração), que queima
progressivamente, por um mecanismo de retardo da explosão, produzindo uma pressão
gasosa que impulsiona o projétil para adiante.

34) A hemorragia em “T” de PIEDELIÈVRE enseja no campo da balística dos


efeitos a:
(a) Orla equimótica da ferida de entrada e o túnel equimótico permanente no trajeto
(b) Orla erosiva da ferida de entrada e o túnel equimótico permanente do trajeto
(c) Orla equimótica da ferida de entrada e a cavitação temporária do trajeto
(d) Equimose visceral na ferida de entrada

Resposta: A

Segundo JOSSELSON (1982), os componentes de um ferimento por arma de


fogo decorreriam de: penetração, cavitação permanente, cavitação temporária e
fragmentação.

A penetração é própria do coeficiente balístico, cuja expressão permite auferir


que, quanto mais fina a ponta do projétil maior será o seu poder de penetração.

A cavitação permanente nada mais seria que o efeito primário de tunelização do


projétil, lesão esta favorecida pela pressão e laceração.

A expansão da cavidade permanente, favorecida pela onda de pressão,


desenvolveria a cavidade temporária.

Conforme a maior elasticidade do órgão (ex. pulmão) ou menor (ex. fígado, rins,
encéfalo, ossos), resistiria ou não ao fenômeno da cavitação temporária,
respectivamente.

O aspecto em “T” da hemorragia é atribuído à orla equimótica e a cavidade


permanente.

- 136 -
Fonte: Josselson, A. Preleção a alunos da Academia Nacional do FBI. Instituto de
Forças Armadas do Exército dos EUA; 1982-1983

35) Qual o aspecto da lesão final e a lei médico-legal que a explica, após a
introdução de instrumento perfurante de médio calibre na figura com as suas
respectivas linhas de força da pele:
(a) 1ª lei de Filhos -
(b) 1ª lei de Filhos -
(c) 2ª lei de Filhos -
(d) Lei de Langer -

Resposta: B

Os agentes perfurantes são instrumentos alongados, com diâmetro transverso


reduzido que age pela ponta, percutindo ou perfurando, em geral afastando as fibras,
cuja expressividade lesional vai depender de seu calibre.

As feridas podem ser puntiformes ou tomar a forma de “casa de botão”, de acordo


com o calibre do instrumento pequeno ou médio, respectivamente.

As lesões provocadas por instrumentos perfurantes de pequeno calibre são


traduzidas fisicamente por um ponto, trajeto estreito, escurecido, de pouco sangramento,
cujo diâmetro é inferior ao diâmetro transverso do agente vulnerante.

A menor gravidade na superfície pode não refletir a gravidade na profundidade, em


especial se as lesões foram provocadas por instrumentos perfurantes de médico calibre.

Os instrumentos perfurantes de médio calibre provocam lesões que obedecem as leis


de FILHOS e LANGER de acordo com o segmento anatômico atingido, fundamentado
na distribuição das linhas de força. As leis de FILHOS e de LANGER são válidas para
lesões provocadas por instrumentos perfurantes de médico calibre.

- 137 -
A 1ª Lei de FILHOS ou Lei da semelhança aponta a aparência da lesão semelhante
àquelas lesões provocadas por instrumentos perfurocortantes de dois gumes, ou seja, em
“casa de botão”.

A 2ª Lei de FILHOS ou Lei do paralelismo guarda relação com regiões de mesma


distribuição de linhas de forças, onde as lesões apresentam o mesmo sentido e direção.

A Lei de LANGER é aplicada quando o instrumento perfurante de médio calibre


age em segmentos anatômicos onde ocorre a confluência de linhas de força, de modo
que a lesão toma um aspecto em ponta de seta, de triângulo ou de um quadrilátero.

Fundamentado na explicação a morfologia da lesão final deixada pelo instrumento


acompanhará o sentido das linhas de força.

36) A onda negativa no Blast se dá por mecanismo de sucção ou de vácuo:


(a) Na direção contrária ao foco da explosão
(b) Em todos os sentidos de forma radiada
(c) Que se afasta do foco da explosão
(d) Na direção do foco da explosão

Resposta: D

Explosão é a transformação súbita e acelerada de natureza físico-química, com


produção expansiva de gases que se estendem a um raio proporcional a carga explosiva.
Nessa expansibilidade deslocam-se escombros e tudo o mais que se encontra no raio de
ação.

O deslocamento de um objeto pode superar a velocidade do som, quando então


aparece uma onda de alta amplitude, ou seja, não há tempo para que o ar a frente do
objeto saia, criando uma onda denominada onda de choque ou onda de
compressibilidade. Com a explosão sobrevém devastação, danos materiais e vítimas.

- 138 -
As lesões decorrem dos efeitos de fragmentação e dos efeitos de ondas de
choque e de pressão. Essencialmente os danos são consequentes às ondas de choque, ao
vento induzido e os efeitos da radiação térmica.

Os efeitos de fragmentação nada mais são que dependentes da natureza da


bomba, que concentra peças que desencadeiam ação contundente.

Os efeitos das ondas de choque, sendo ondas mecânicas, deslocam-se


abruptamente e com alta velocidade, expandindo grande massa de ar (efeito de sopro), e
consequente alteração da pressão regional.

Portanto, os mecanismos de lesões guardam relação com a ação mecânica, em


geral de natureza contundente, e aquelas próprias da ação da onda explosiva (choque e
pressão), caracterizando a síndrome explosiva ou blast injury.

Na concepção de WILLIAM (apud FRANÇA, 2004, p. 83), a força explosiva


para lesionar o homem deve ser no mínimo de 3 libras por polegada quadrada.

A lesão mais simples e frequente na expansão gasosa é a comoção labiríntica,


podendo em maior intensidade, romper a metade anterior do tímpano (blast auditivo).

Por vezes as vítimas fatais de explosões não apresentam lesões externas, porém
com lesões viscerais graves como o hematoma subdural e o hemoventrículo.

Os alvéolos pulmonares se mostram rotos e grandes equimoses subpleurais são


constantes.

A hemorragia conjuntival se mostra presente e uma coleção sanguínea se aloja


no vítreo.

O estômago se apresenta hemorrágico, assim como anéis sanguíneos são


observados nos intestinos.

De todas as vísceras o coração é o que mais suporta o blast.

A partir do foco de explosão, uma onda gasosa de alta pressão positiva desloca
tudo a sua frente e perde força à medida que se afasta da origem.

Entretanto, uma segunda onda, denominada de sucção, de pressão negativa e


favorecida pelo vácuo tende a deslocar-se no sentido do foco da explosão.

Portanto, a partir da detonação do explosivo há uma elevação de pressão


superior a da atmosférica, gerando a onda de choque, seguido de uma redução
pressórica de natureza logarítmica até níveis abaixo da pressão atmosférica (pressão
negativa), até retornar a condição inicial.

- 139 -
Fonte: França, GV. Medicina Legal. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 2004, 7ª ed, p.
83.

37) Com relação a amplitude das ondas provenientes do Blast, afirma-se que:
(a) A onda positiva é maior que a onda negativa
(b) A onda positiva é menor que a onda negativa
(c) A onda positiva é igual a onda negativa
(d) Não há correlação de intensidade

Resposta: A

As ondas gasosas a partir do foco de explosão são de alta pressão positiva


deslocando tudo a sua frente, perdendo força à medida que se afasta da origem. Uma
segunda onda, dita de sucção, de pressão negativa e favorecida pelo vácuo tende a
deslocar-se no sentido do foco da explosão, sendo esta de amplitude menor que a
primeira.

- 140 -
CAPÍTULO 6
LESIONOLOGIA FÍSICA

1) A marca elétrica de JELLINEK é uma:


(a) Radiodermite
(b) Queimadura
(c) Descamação
(d) Metalização

Resposta: B

O aspecto das lesões de entrada e de saída de etiologia elétrica guarda relação


com o tipo de corrente – contínua ou alternada.

As correntes contínuas, por não haver variação dos polos, acabam por produzir
uma reação ácida no polo positivo, de modo que a acidez desidrata e endurece o ponto
de entrada no tecido, e na lesão de saída desenvolve uma reação alcalina, dando ao
tecido uma consistência mais amolecida.

Estas lesões são as mais características, sendo as de entrada denominadas marcas


de JELLINEK. As correntes alternadas mudam constantemente os seus polos, não sendo
possível afirmar qual a lesão de entrada ou de saída, salvo quando da presença da forma
do condutor, quando então fica evidente tratar-se da lesão de entrada.

Por vezes, pelo efeito JOULE, desenvolve queimaduras na lesão de entrada, na


forma de escaras pardacentas ou escuras, de bordos evidentes e sem formação de
bolhas.

A gravidade da queimadura pode estender-se à profundida, atingindo músculos,


ossos e vísceras, sendo a carbonização a apresentação mais grave.

Pelo fenômeno da eletrólise, resíduos de metais, vão salpicar ou impregnar a


lesão de entrada nas correntes contínuas, ou ambas as lesões, nas correntes alternadas
(metalização), sobretudo em correntes de alta voltagem.

A metalização por aspersão fria ou elétrica é muito utilizada na engenharia e


diferencia dos acidentes aqui tratados, mas que ganham importância no campo da
infortunística.

Neste caso a metalização é a aplicação de metal fundido em superfície não


metal.

- 141 -
As lesões de entrada, apesar das variações, são caracteristicamente denominadas
de marca elétrica de JELLINEK.

Histologicamente tem um aspecto de esponja (SIMONIN) com núcleos em


espiral (VARGAS ALVARADO) (apud BLANCO, 2005, p.118).

Nas palavras de FRANÇA (2004, p. 109), na lesão típica a epiderme está


destacada com núcleos vacuolizados e as células mais profundas estão estiradas,
configurando-se em feixes de pelos. Estas marcas podem deixar a forma do condutor,
apresentar-se como um sulco circular ou disforme, porém em geral são lesões circulares,
elípticas ou estreladas, com contornos nítidos, escavadas, em baixo relevo, bordas
elevadas, secas, consistência dura, pergaminhada e com tonalidade amarelo-acastanhado
ou branco-amarelada.

São indolores, não exsudam e não se infectam. Traduz em última análise e ponto
pacífico entre os autores que a marca elétrica é uma forma de queimadura.

Fontes: Blanco. R. Medicina Legal: traumatologia forense e delitos correlates.


Fascículo IV, 2005, p. 118

França, GV. Medicina Legal. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 2004, 7ª ed, p. 109.

2) Representam correntes elétricas contínuas por excelência:


(a) Cósmicas e industriais
(b) Industriais e biológicas
(c) Cósmicas e biológicas
(d) Industriais e químicas

Resposta: C

A energia elétrica como agente vulnerante é comum em nosso meio, apesar da


evolução dos métodos de educação e segurança ambiental, domiciliar e trabalhista. As
fontes de energia elétrica podem ser naturais (cósmicas) ou artificiais.

Historicamente, BENJAMIN FRANKLIN deu uma conotação científica aos


estudos da energia elétrica cósmica.

A corrente elétrica nada mais é que um fluxo ordenado de partículas carregadas


eletricamente, através de um condutor, em face da diferença de potencial elétrico (ddp)
entre as extremidades (tensão elétrica – “voltagem”).

Uma das primeiras dúvidas era quanto ao tipo de corrente que maior segurança
oferecesse ao homem. THOMAS EDSON, o inventor da lâmpada elétrica, considerava

- 142 -
a corrente contínua como a mais segura, contrária a opinião de GEORGE
WESTINGHOUSE, que defendia a corrente alternada.

Uma vez ordenado o fluxo dos elétrons, a corrente pode se dá em sentido único
(corrente contínua – fluxo unidirecional) ou mudar de direção constantemente (corrente
alternada), conforme a constância ou mudanças dos polos.

Na verdade há uma vibração de um elétron contra o outro. A corrente alternada


tem a vantagem de transmitir energia para locais distantes. Esta alternância é medida em
ciclos/segundo (Hertz - Hz).

As fontes de eletricidade podem ser naturais (raios cósmicos ou queraurânticos),


biológicas (lampreia, peixe torpedo, poraquê – Electrophorus electricus) ou
produzidas pelo homem industrialmente. Depreende-se do tipo de corrente, que as
naturais e biológicas são sempre correntes contínuas, e as industriais podem ser
contínuas ou alternadas.

3) Os limites suportáveis da temperatura interna no organismo humano variam para


mais e para menos, respectivamente de:
(a) 6 a 18ºC
(b) 5 a 15ºC
(c) 4 a 15ºC
(d) 4 a 10ºC

Resposta: A

Os animais podem variar a temperatura do seu corpo de acordo com a


temperatura do ambiente (pecilotérmico) ou manter sua temperatura corporal mesmo
diante das variações térmicas ambientais (homeotérmicos).

Independente do tipo de animal, o calor é o subproduto dos processos


metabólicos (termogênese). A produção de calor é desigual e inconstante nos tecidos

- 143 -
orgânicos. A temperatura hepática é mais elevada que a retal, assim como o cérebro é
mais aquecido que o sangue que flui pela artéria carotídea.

A produção de calor no fígado e no coração humano é ligeiramente constante,


sendo maior no fígado, mas variável nos músculos esqueléticos (NEDERGAARD e
CANNON, 1992, pp. 385-420).

Fonte: Nedergaard, J. and Cannon, B. The uncoupling protein thermogenin and


mitochondrial thermogenesis. New Comp Biochem, 1992, 23:385–420

4) Um mergulhador a 20 metros de profundidade no mar tem o seu volume alveolar


reduzido em:
(a) 1/2
(b) 1/3
(c) 1/4
(d) 1/5

Resposta: B

À medida que o mergulhador ganha profundidade, a pressão barométrica vai


aumentando e, consequentemente, o volume alveolar (pulmonar) vai reduzindo.

À pressão ao nível do mar (1 atm) requer um volume de gás aproximadamente de 6


litros. Descendo 10 metros equivale ao aumento da pressão de 2 atm, porém o volume é
reduzido a metade (3 litros). Aos 20 metros, o volume cai para 2 litros, ou seja reduzido
em 1/3.

5) Considerando que o volume alveolar ao nível do mar é de 6 litros, qual o volume


de ar é necessário a ser insuflado pelo cilindro de gás que porta um mergulhador,
quando este estiver a 30 metros de profundidade no mar, para manter o mesmo
suporte gasoso como se estivesse à pressão de 1 atmosfera:
(a) 24 litros
(b) 18 litros
(c) 12 litros
(d) 6 litros

Resposta: A

- 144 -
No caso do mergulhador com equipamento adequado e cilindro de gás, pode-se
manter o mesmo volume gasoso como se estivesse ao nível do mar.

À pressão ao nível do mar (1 atm) requer um volume de gás aproximadamente


de 6 litros. Descendo 10 metros equivale ao aumento da pressão de 2 atm, porém o
volume é reduzido a metade (3 litros).

Nestas condições para manter o volume de 6 litros nos pulmões, faz-se


necessário 12 litros de gás.

Aos 20 metros, o volume cai para 2 litros, necessitando de 18 litros de gás para
manter os 6 litros de suporte.

Aos 30 metros, a pressão é de 4 atm, o volume cai para 1,5 litros, necessitando
de 24 litros de ar para manter os 6 litros ao nível alveolar.

PROFUNDIDADE PRESSÃO ATMOSFÉRICA VOLUME ALVEOLAR VOLUME DE AR


NECESSÁRIOS PARA MANTER
A CONDIÇÃO AO NÍVEL DO
MAR
NÍVEL DO MAR 1 atm 6L 6L
10 m (33 pés) 2 atm 3 L (1/2 vol.) 12 L
20 m (66 pés) 3 atm 2 L (1/3 vol.) 18 L
30 m (99 pés) 4 atm 1,5 L (1/4 vol.) 24 L
40 m (133 pés) 5 atm 1,2 L (1/5 vol.) 30 L

6) É um efeito patológico direto quando do acidente de mergulho pelo aumento da


pressão atmosférica:
(a) Embolia traumática pelo ar
(b) Doença da descompressão
(c) Narcose pelo nitrogênio
(d) Barotrauma de ouvido

Resposta: D

Há um equilíbrio entre a pressão externa sobre o organismo e a sua pressão


interna. O aumento da pressão atmosférica repercute em toda a superfície do organismo.
A resposta a esta variação de pressão pode ser diferente.

Observam-se alterações hemodinâmicas, toxicidade dos gases respirados e


instabilidade pressórica entre o meio hiperbárico e as cavidades orgânicas como seios da
face, ouvido, pulmões e vísceras ocas (HÉRCULES, 2005, p. 284).

- 145 -
O barotrauma aparece quando o organismo perde a capacidade de igualar a
pressão interna às variações da pressão externa.

Das alternativas o efeito direto da pressão atmosférica é aquele percebido pelo


ouvido, uma vez que as alternativas são de efeitos indiretos.

O aumento da pressão atmosférica exerce uma pressão positiva sobre o conduto


auditivo externo que empurra a membrana timpânica e reduz a pressão no ouvido médio
que se continua com a trompa de Eustáquio.

Esta por sua vez canaliza com a faringe que apresenta pressão positiva no
mergulhador com equipamento.

As manobras de Toynbee (tapar o nariz e deglutir) ou de Valsalva (forçar a


expiração com boca e nariz fechados) facilitam a permeabilidade da trompa de
Eustáquio.

A obstrução desse canal faz aumentar a pressão no tímpano que pode romper.

Com a ruptura a sensação dolorosa reduz, mas sobrevém a pressão no ouvido


médio.

Esta acaba rompendo a membrana que fecha a janela redonda e permite a


passagem da água fria para o ouvido interno desencadeando vertigem, zumbido e
surdez.

A obstrução isolada em uma das trompas leva um quadro vertiginoso


denominado vertigem alternobárica.

Caso seja utilizado um tampão no ouvido, o tímpano é abaulado no sentido do


ouvido externo pela pressão da trompa (ouvido reverso), que evolui com edema,
congestão e derrame seroso ou hemorrágico que verte no ouvido externo.

Fonte: Hercules, HC. Medicina Legal: Texto e Atlas. Rio de janeiro, Atheneu, 2005, p.
284

7) É um efeito patológico indireto nos acidentes de mergulho:


(a) Doença da descompressão
(b) Barotrauma sinusal
(c) Rotura de tímpano
(d) Colapso pulmonar

Resposta: A

- 146 -
Das alternativas, a doença da descompressão reflete um efeito indireto dos
acidentes de mergulho.

Quando da subida intempestiva pode ocorrer o fenômeno da descompressão ou


síndrome do mergulhador.

Os gases dissolvidos formarão bolhas e propiciarão uma série de peculiaridades


clínicas de acordo com a gravidade.

Assim temos a título de exemplos a embolia traumática pelo ar (agudo) e a


doença da descompressão (crônico), quase que exclusivas da ação do nitrogênio.

O nitrogênio pela maior concentração atmosférica e não entrar nos processos


metabólicos como o fazem outros gases, torna-se o mais maléfico na dinâmica da
patologia de descompressão.

O nitrogênio, dada a sua maior solubilidade nos lipídios, estará mais concentrado
nos tecidos nervoso e adiposo.

As bolhas de gás aparecem em qualquer região intracelular, extracelular,


intersticial e intravascular.

Alguns autores acreditam que a capa lipoproteica que envolve as bolhas


intravasculares desencadearia a aderência plaquetária, e consequente liberação de
adrenalina, serotonina e fator III da coagulação (WOOLF, 1992).

A predominância do quadro clínico vai apontar o tipo de doença de


descompressão. Manifestações musculoesqueléticas, cutâneas e linfonodais
predominam na doença tipo I. Manifestações respiratórias, cardíacas, neurológicas e
auditivas guardam relação de gravidade e apontam a doença do tipo II.

A denominação – barotraumas é reservada em geral para os casos de


compressão, sem a indigitada formação de bolhas gasosas.

De acordo com o sítio atingido podemos ter barotrauma auditivo (rotura e


hemorragia do tímpano), sinusal (dor, edema e hemorragias), dental (dor), digestivo
(rotura e pneumoperitônio), torácico (edema pulmonar) etc.

Fonte: Woolf, N. Embolism. In: Circulatory disorders, cap. 7, Oxford Textbook of


Pathology. Oxiford University Press, 1992

- 147 -
8) O “apagamento” nas baropatias é um efeito indireto nos acidentes de mergulho,
cujo mecanismo ocorre em dois momentos que se dão na descida e subida,
explicados, respectivamente, pelas leis de:
(a) Torricelli e Henry
(b) Dalton e Boyle
(c) Henry e Dalton
(d) Henry e Boyle

Resposta: D

O aumento da pressão atmosférica leva um quadro de disbarismo com efeitos


orgânicos diretos ou indiretos, oriundos dos fenômenos compressivos e sinais de
intoxicação pelo oxigênio, nitrogênio e gás carbônico (síndrome de POLL e
WATELLE).

Além do oxigênio, nitrogênio e gás carbônico, incluem vapores de água e o gás


hélio em substituição ao nitrogênio nos cilindros utilizados pelos mergulhadores.

Na dependência da velocidade com que o indivíduo é retirado da condição


compressiva, pode instalar-se um fenômeno de descompressão extremamente grave,
com manifestações embólicas de natureza gasosa, favorecidas pela maior concentração
de gases dissolvidos no plasma.

A luz da física, os efeitos diretos e indiretos podem ser explicados pelas leis de
DALTON, BOYLE e HENRY. A lei de DALTON define que uma mistura de gases, a
pressão de cada um é independente da pressão dos demais.

Portanto, a pressão total é a soma das pressões parciais de cada gás, ou seja, ao
nível do alvéolo respiratório, por exemplo, a pressão na parede será o somatório da
pressão parcial de O2, N e CO2, e do gás hélio nos mergulhadores equipados com
cilindros de gás em substituição ao nitrogênio.

𝑃𝑡 = 𝑝1 + 𝑝2 + ⋯ 𝑝𝑛

Em particular nos mergulhadores, os fenômenos compressivos vão se


intensificando de acordo com a profundidade atingida. Dos gases envolvidos no
mergulho, o oxigênio é o único de aproveitamento metabólico, sendo facilitado pela sua

- 148 -
solubilidade no sangue e avidez pela hemoglobina das hemácias, sendo transportado aos
tecidos.

Portanto, em um momento há a presença dos gases no alvéolo respiratório, cada


qual exercendo, independente do outro, sua pressão na parede alveolar, cujo somatório
ou pressão total obedece ao que foi definido por DALTON.

Pelas particularidades de cada gás é compreensível que nesta mistura gasosa o


oxigênio será prontamente absorvido, sendo facilitado pela pressão dos demais gases
sobre ele.

Segundo o físico e químico inglês WILLIAN HENRY, a solubilidade de um gás


em um líquido é proporcional à pressão parcial do gás acima do líquido. Pelo enunciado
depreende-se que a pressão interalveolar elevada intensifica a dissolução dos gases no
plasma.

Entretanto, o nitrogênio absorvido pode a partir de 50 m de profundidade exercer


uma narcose conhecida como “embriaguez das profundidades”.

O oxigênio em excesso é um irritante das vias respiratórias podendo causar


pneumonia, além de desencadear alteração vasomotora com vasoconstrição cerebral e
entorpecimento.

Entretanto, um fenômeno de apagamento por hipóxia pode ocorrer quando da


subida do mergulhador.

Para tanto é preciso compreender uma lei particular da física dos gases.
Considerando a lei de BOYLE-MARIOTTE em um sistema fechado, sob temperatura
constante, o produto da pressão e do volume de uma massa gasosa é constante,
conforme a equação:

𝑝1 𝑥 𝑣1 = 𝑝2 𝑥 𝑣2

Portanto, pressão e volume são inversamente proporcionais, de modo que


aumentando-se a pressão, reduz-se o volume.

- 149 -
À medida que o mergulhador ganha profundidade, a pressão barométrica vai
aumentando e, consequentemente, o volume alveolar (pulmonar) vai reduzindo.

Porém, na descida não há muito problema porque a redução do volume pulmonar


ainda permite equilíbrio entre os gases, mas o oxigênio vai sendo absorvido por força
dos fenômenos estabelecidos pelo princípio de HENRY e de sua solubilidade e fixidez
com a hemoglobina.

Quando o mergulhador decide subir, a depender da velocidade de subida e de sua


reserva de O2, a pressão atmosférica vai reduzindo, e com base na lei de BOYLE, o
volume aumenta.

Entretanto em apneia a pressão parcial de O2 em um volume alveolar elevado não


satisfaz as necessidades fisiológicas, pois parte do O2 já foi utilizado quando da
descida. Por conta disso o indivíduo entra em um processo de hipóxia podendo sofrer
um apagamento (síncope).

9) É uma energia caracterizada por onda mecânica:


(a) Raios X
(b) Raios γ
(c) Som
(d) Luz

Resposta: C

A questão aborda uma particularidade de uma forma de energia que se propaga por
ondas mecânicas.

A Luz é uma onda eletromagnética e/ou partículas (teoria da dualidade onda-


partícula) que se propaga no ar e no vácuo, perceptível pelo olho humano dentro de uma
faixa de comprimento de onda.

Comprimento de onda é a distância em nanômetros (nm) entre dois picos de uma


onda senoidal.

O som é uma onda mecânica longitudinal com propagação do tipo compressiva, a


uma velocidade no ar de 340 m/s, que descreve uma curva sinusoidal, tal qual a luz,
- 150 -
apresentando um comprimento de onda (distância entre duas cristas) e uma amplitude
(γ).

10) O economista brasileiro Gabriel Buchmann morreu de hipotermia após


exposição ao frio intenso na montanha no Malauí, na África. Ele havia
desaparecido no dia 17/7/2009 após iniciar uma escalada no monte Mulanje, no
sul do país. Fundamentado neste caso concreto qual o aspecto pericial que
melhor vai orientar o diagnóstico de morte pela ação do frio:
(a) Espuma sanguinolenta nas vias respiratórias
(b) Rigidez cadavérica precoce
(c) Hipóstase vermelho-clara
(d) Perícia de local

Resposta: D

O frio difuso como agente vulnerante não é frequente em nosso meio. As causas
jurídicas de importância são as de natureza acidental, infortunística e dolosas, a citar
casos de infanticídio por omissão, maus tratos ao idoso e ao doente mental.

São mais vulneráveis aos distúrbios do frio difuso, a criança, o idoso, os


embriagados e os que padecem de inanição.

Os achados clínicos são: hipotermia, vasculopatia cutânea (livedo reticularis),


dificuldade de locomoção, espasmos, tremores, pele anserina, palidez, anemia
hemolítica por anticorpos IgM, convulsões, sonolência, torpor, delírio e coma.

Cada qual na dependência da gravidade da hipotermia. Abaixo de 28ºC o risco


de morte sobrevém por fibrilação ventricular (DANZL e POZOS, 1994, pp.1756-1760).
HÉRCULES (2005, p.325) aduz que a propensão à fibrilação ventricular tem início
abaixo de 32ºC de temperatura corporal.

Não ocorrendo a fibrilação ventricular, a parada cardíaca se dá em diástole em


temperaturas sanguíneas na faixa entre 18ºC e 15ºC (GALINDO e BALDWIN, 1962,
pp. 30-33, e ROSS, 1954, pp. 116-118).

Fisiopatológicamente observam-se: trombocitopenia, com redução da função


plaquetária e leucopenia por sequestro hepático e esplênico, agravado pela supressão da
medula óssea.

Portanto, há tendência ao sangramento, porém um quadro de coagulação


disseminada também pode correr.

Aumento do potássio intracelular e redução dos níveis de fosfato plasmático são


uma constante.

- 151 -
Redução da capacidade do néfron em concentrar a urina (diurese fria).

Hipoglicemia por inibição da liberação de insulina pelo pâncreas e incentivo à


hiperglicemia pela liberação de catecolaminas pelas suprarrenais. Vasoconstrição
cerebral com diminuição da pressão intracraniana.

A hipotermia aumenta a avidez hemoglobínica pelo oxigênio, reduzindo sua


liberação para os tecidos, e consequente produção reduzida de CO2 com queda da pCO2
plasmática (BROWN e HILL, 1923, pp. 297-299).

Temperaturas sanguíneas na faixa entre 4 a 5ºC cristaliza em parte a água


intracelular.

A célula edemacia pela condição hiperosmótica instalada e a rotura das


membranas é inevitável.

O limite de temperatura sanguínea central abaixo de 36ºC é considerado


hipotermia (TAGUCHI e KURZ, 2005, pp. 632-639).

Pode-se classificar a hipotermia em leve (32ºC a 35ºC), moderada (28 a 32ºC) e


profunda (menor que 28ºC).

Na hipotermia leve: tremores, taquicardia, elevação da pressão arterial,


taquipneia e mecanismo de controle da perda de calor, essencialmente a vasoconstrição
periférica.

Na hipotermia moderada: queda da frequência cardíaca e respiratória, midríase,


queda da pressão arterial, redução do reflexo de deglutição, hiporreflexia, ondas de
OSBORN no ECG (onda J) e arritmias atriais.

Nesta fase o mecanismo de tremor não é observado. Os achados necroscópicos


são inespecíficos, favorecendo o diagnóstico, a perícia de local e das circunstâncias de
encontro do cadáver, em especial as condições climáticas. KOLLMAR et cols. (2002,
pp. 868-874), relatam que a motilidade gastroinstestinal é reduzida com a hipotermia.

Portanto, o estado digestivo não se presta como parâmetro de tempo de pós-


morte. Apuram-se na dependência da gravidade e do tempo de exposição: hipóstases
claras; rigidez precoce, intensa e duradoura; manchas róseas localizadas comumente na
face extensora das articulações, sobretudo os cotovelos e joelhos; coagulabilidade
sanguínea reduzida (trombocitopenia e redução da função plaquetária); congestão
polivisceral; edema pulmonar com focos hemorrágicos; isquemia visceral; equimoses
no pescoço; repleção das câmaras cardíacas; notadamente a cavidade cardíaca direita
está dilatada; espuma sanguinolenta nas vias respiratórias; erosões gástricas (úlceras de
WISCHNEVSKY); sinais de pancreatite hemorrágica e esteatonecrose; e disjunções das
suturas cranianas.

- 152 -
Fontes: Galindo, A.; Baldwin, M. Profound hypothermia and ventricular fibrilation
during neurosurgery. Ann Surg, 1962; 156, 30-33

Hércules, H de C. Medicina Legal: texto e atlas. Rio de Janeiro, Atheneu, 2005, p. 325

Kollmar, R.; Frietsch, T,; Georgiadis, D. et al. Early effects of acid-base management
during hypothermia on cerebral infarct volume, edema, and cerebral blood flow in
acute focal cerebral ischemia in rats. Anesthesiology, 2002; 97:868-874

Danzl, D.F. and Pozos, R.S. Accidental hypothermia. N Engl J Med, 1994; 331:1756-
1760

Taguchi, A. and Kurz, A. Thermal management of the patient: where does the
patient loose and/or gain temperature? Curr Opin Anaesthesiol, 2005; 18:632-639.

Brown, W.E.L.; Hill, A.V. The oxygen dissociation curve of blood and its
thermodynamic basis. London; Proc Roy Soc, 1923; 94, pp. 297-299

11) Aspecto da face de uma vítima cuja morte se deu por fibrilação ventricular em
decorrência da ação elétrica:
(a) Máscara equimótica de Morestin
(b) Petéquias na face
(c) Face branca
(d) Face azul

Resposta: C

Afora os casos onde não é possível apontar a causa da morte (“eletrocutado


branco”), em geral a vítima da ação de corrente elétrica vai ao óbito por: fibrilação
ventricular (< 120 volts), parada respiratória periférica (> 120 volts e < 1200 volts),
parada cardiorrespiratória central (> 1200 volts); traumatismo indireto quando
arremessado. Na morte por asfixia – tetanização respiratória apuram-se: pulmões
pesados que aos cortes deixa fluir líquido espumoso (edema pulmonar); enfisema
subpleural; via traqueobrônquica repleta de líquido sanguinolento e espumoso;
petéquias subpleurais e epicárdicas; congestão polivisceral; coração amolecido e sangue
fluido e escuro.

Na morte cerebral têm-se: hemorragia das meninges e sinais hemorrágicos nas


estruturas encefálicas. FRANÇA (2004, p.110), destaca o pontilhado hemorrágico nas
regiões cervicais e dorsais, na região subependimária do assoalho de 4º ventrículo, e as
micropápulas cianóticas na face lateral do tórax (sinal de PIACENTINO).

- 153 -
Não há achados necroscópicos que apontam a morte por fibrilação ventricular.
Aqui a perícia de local e as circunstâncias conhecidas poderão ajudar na elucidação da
causa da morte. Portanto, neste último caso a face em geral é branca.

Fonte: França, GV. Medicina Legal. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 2004, 7ª ed, p.
110.

12) Denominação para o mecanismo de fratura óssea em caso de fulminação:


(a) Efeito martelo
(b) Arco voltaico
(c) Por explosão
(d) Arco elétrico

Resposta: A

Fulminação é a ação sistêmica da eletricidade cósmica sobre o corpo humano que


frequentemente levam a morte.

Observam-se: rotura do tímpano, evisceração, pelos crestados ou carbonizados,


coagulação das proteínas do olho com perda da transparência da córnea e do cristalino,
e frequentemente fraturas ósseas pelo “efeito martelo”.

13) Pápulas na pele exposta a água fria:


(a) Urticária pelo frio de Grassl
(b) Pápulas de Lacassagne
(c) Geladura de Paré
(d) Horripilação

Resposta: A

As alterações causadas pelo frio difuso ou localizado são: Pápulas urticariformes de


Grassl, livedo reticularis, anemia hemolítica por IgM etc.

14) A intensidade do som varia:


(a) Com o quadrado de sua amplitude
(b) Inversamente com sua amplitude
(c) Com a metade de sua amplitude
(d) Diretamente com sua amplitude

- 154 -
Resposta: A

O som é uma onda mecânica que descreve uma curva sinusoidal, apresentando
um comprimento de onda (distância entre duas cristas) e uma amplitude (γ).

A intensidade do som varia com o quadrado de sua amplitude.

Sendo uma onda mecânica há necessidade de um meio material. A velocidade de


propagação é maior nos sólidos, seguido dos líquidos e por fim no meio gasoso. Não se
propaga no vácuo. O tempo (t) de repetição de cada oscilação se denomina período,
sendo sua unidade o segundo (s).

15) A onda sonora é uma onda de:

(a) Neutrons
(b) Prótons
(c) Pressão
(d) Vácuo

Resposta: C

O som é uma onda mecânica longitudinal com propagação do tipo compressiva, ou


por pressão, a uma velocidade no ar de 340 m/s.

16) O ouvido humano detecta frequência de ondas sonoras entre:

(a) 20 a 20.000 Hz
(b) 20 a 2000 Hz
(c) 20 a 200 Hz
(d) 2 a 200 Hz

Resposta: A

- 155 -
A frequência da onda é medida em Hertz (Hz) e aponta a quantidade de período na
unidade de tempo. A faixa de frequência audível para o ouvido humano vai de 16 Hz e
20Hz a 20.000 Hz (20 KHz), de modo que frequência acima (ultrassons) e abaixo
(infrassons) são inaudíveis ao ser humano.

17) Dois sons podem ser distinguidos pelo ouvido humano com diferença de:

(a) 2 Hz
(b) 3 Hz
(c) 4 Hz
(d) 5 Hz

Resposta: A

O som é uma onda mecânica longitudinal de propagação circuncêntrica. A


frequência de percepção pelo ouvido humano varia de 20 a 20.000 Hz. Permite a
audição humana distinguir a diferença entre dois sons com diferenças de 2 Hz.

18) O fenômeno em que a frequência do som que uma pessoa capta ser diferente da
frequência da onda sonora emitida pela fonte, denomina-se efeito:

(a) Doppler
(b) Decibel
(c) Planck
(d) Watt

Resposta: A

Efeito Doppler é a percepção da frequência relativa de um som diferente da


frequência da fonte emitida de acordo com a aproximação e afastamento dessa fonte.

19) O limite mínimo de tensão elétrica para a formação do arco voltaico é de:

(a) 220 V
(b) 350 V
(c) 450 V
(d) 550 V

- 156 -
Resposta: B

Eletroplessão é o mecanismo lesional elétrico cuja energia é de origem industrial.

A gravidade no organismo vai depender da intensidade da corrente elétrica, da


resistência do tecido e da voltagem.

Nada mais que o definido pela 1ª lei de OHM. Da lei da física depreende-se que
aumentando a resistência do meio, a intensidade com que a corrente atravessa o meio diminui.

Essa intensidade reflete a potencialidade de agressividade da corrente, sendo medida em


miliampéres.

A potencialidade também pode ser auferida se a corrente elétrica segue com associação em
série (maior letalidade) ou com associação em paralelo (menor letalidade).

Também são potencialmente agressivas aquelas oriundas de fontes de voltagens elevadas,


superiores a 350 V, cujas lesões pela luminosidade ou pela ação de centelhas com fluxo elétrico
instantâneo, por ruptura dielétrica podem ocorrer sem a necessidade de contato direto com o
condutor (arco elétrico – arcos voltáicos).

20) A amplitude do som no ouvido humano varia aproximadamente de:

(a) 10-5m para o som mais alto tolerável até aproximadamente 10-11m para o som
mais fraco detectável
(b) 10-2m para o som mais alto tolerável até aproximadamente 10-5m para o som
mais fraco detectável
(c) 10-3m para o som mais alto tolerável até aproximadamente 10-6m para o som
mais fraco detectável
(d) 10-4m para o som mais alto tolerável até aproximadamente 10-8m para o som
mais fraco detectável

Resposta: A

O limiar acústico de audição e de dor para o ser humano é apontado em decibéis


(dB) ou Watts acústico, frentes aos tipos de ruídos.

A amplitude do som no ouvido humano varia de 10-5m para o som mais alto
tolerável até aproximadamente 10-11m para o som mais fraco detectável.

- 157 -
O som pode estar implicado como fator desencadeante de crises convulsivas
(epilepsia acústicogênica).

Algumas patologias relacionadas ao som podem ser de caráter pessoal, como a


doença vibro-acústica e o ultrassom. Desestruturam macromoléculas, alteraram o
funcionamento celular pelo fenômeno da cavitação, geram calor no tecido (efeito
térmico) e liberam substâncias ionizantes (efeito químico).

Em geral os ruídos constantes levam a uma perda auditiva gradativa,


essencialmente quando o ruído estiver acima de 85 decibéis (FRANÇA, 2004, p. 111).

A perda é temporária se a exposição é em curto prazo (TTS – Temporary


Threshold Shift).

A exposição prolongada ao ruído pode levar a um quadro de perda auditiva


permanente.

Em geral o processo é isolado ou evolutivo, com zumbidos, recrutamento


(desconforto ao som de alta intensidade), perda da discriminação da fala (desajuste da
altura da voz e do entendimento de fala) e otalgias. O tempo máximo de exposição ao
ruído deve obedecer ao que reza o anexo 1 da NR-15, em relação aos limites de
tolerância.

TEMPO MÁXIMO DE RUÍDO EM


EXPOSIÇÃO DECIBÉIS
8 HORAS 85
3 HORAS 92
1 HORA 100
30 MIN. 105
15 MIN. 110
10 MIN. 112
7 MIN. 115

- 158 -
Fonte: França, GV. Medicina Legal. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 2004, 7ª ed, p.
111.

- 159 -
CAPÍTULO 7
LESIONOLOGIA QUÍMICA / BIOQUÍMICA /
BIODINÂMICA E MISTA

1) Qual a diferença quanto aos efeitos entre os ácidos sulfúrico e nítrico na


formação de escaras, em geral carbonizadas no primeiro e amareladas no
segundo:
(a) Efeito térmico maior no primeiro e praticamente ausente no segundo
(b) Ação liquefaciente do primeiro e coagulante do segundo
(c) Menor efeito desidratante no primeiro
(d) Efeito desidratante maior no primeiro

Resposta: D

À ação química externa é genericamente denominada de ação cáustica, enquanto


a ação interna é dita envenenamento.

As respostas lesivas dependem do agente conforme sua agressão por


desidratação ou por liquefação.

Os efeitos do primeiro são do tipo coagulante, com formação de crostas ou


escaras endurecidas.

Os efeitos do segundo são de natureza liquefaciente, com formação de escaras


úmidas, untuosas e moles.

A tonalidade da expressão lesional depende do agente etiológico. Os ácidos


agem intensamente destruindo a pele e mucosas.

Coagulam proteínas e apresentam poder desidratante. Quanto maior o poder


desidratante maior o desprendimento de calorias e, consequentemente, carbonização do
tecido.

Em ordem decrescente de causticidade podemos apontar o ácido sulfúrico, o


nítrico e o ácido clorídrico.

O ácido sulfúrico dá formação a escaras brancacentas, assim como o ácido


fênico, ou levam à carbonização do tecido.

O ácido clorídrico, à crostas secas acinzentadas. O tecido exposto ao ácido


nítrico adquire uma tonalidade amarelada pela formação de ácido xantoproteico.

- 160 -
Os álcalis reagem com os ácidos graxos saponificando-os e com as proteínas
orgânicas formam os proteinatos.

Também apresentam poder desidratante. Entre os álcalis, o hidróxido de sódio


quando ingerido edemacia e necrosa a parede gástrica (gangrena úmida de TARDIEU)
(BRITO FILHO, 1988 p. 249).

Por vezes a escara deve ser colhida e encaminhada ao laboratório forense para a
identificação da natureza química do agente implicado, como mostra o quadro
(FRANÇA, 2004, p. 112).

ETIOLOGIA E COR DA AGENTE IDENTIFICADOR RESULTADO


ESCARA
ÁCIDO SULFÚRICO CLORETO DE BÁRIO 10% PRECIPITADO BRANCO
ÁCIDO NÍTRICO PARADIFENILAMINA TONALIDADE AZUL
ÁCIDO CLORÍDRICO NITRATO DE PRATA TONALIDADE BRANCA
POTASSA COBALTINITRILO SÓDICO PRECIPITADO AMARELO

Fontes: Brito Filho, D. Toxicologia Humana e Geral. Atheneu, 1988, 2ª ed, p. 249

França, GV. Medicina Legal. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 2004, 7ª ed, p. 112.

2) Sítio anatômico onde se dá a denominada gangrena úmida de TARDIEU:


(a) Estômago
(b) Traqueia
(c) Fígado
(d) Pele

Resposta: A

Os álcalis agem formando proteinatos quando reage com as proteínas orgânicas,


formam sabões por saponificação dos ácidos graxos e apresentam poder desidratante.
Localmente a lesão se apresenta como escaras úmidas e esbranquiçadas.

Entre os álcalis, o hidróxido de sódio quando ingerido edemacia e necrosa a


parede gástrica, e por vezes apagamento das pregas (gangrena úmida de TARDIEU)
(BRITO FILHO, 1988 p. 249).

Fonte: Brito Filho, D. Toxicologia Humana e Geral. Atheneu, 1988, 2ª ed, p. 249

- 161 -
3) Caracteriza essencialmente a síndrome de BURNOUT:
(a) Esgotamento físico e mental
(b) Esgotamento mental
(c) Esgotamento físico
(d) Depressão

Resposta: A

A síndrome de burn-out é um distúrbio psíquico eminentemente depressivo.


Caracteriza-se por exaustão, frustração, depressão, incapacidade e despersonalização.

Foi definida por HERBERT FREUDBERGER como “um estado de esgotamento físico
e mental cuja causa está intimamente ligada à vida profissional” (CORDES e
DOUGHERTY, 1993, pp. 621-656).

Fonte: Cordes, C. and Dougherty, T. A review and integration of research. Academy


of Management Review, 1993, 18: 621-656.

4) Quais as ordens de agentes vulnerantes implicados na causalidade médico-legal


como eventos final e básico no caso de uma vítima de atropelamento com
politraumatismo submetido à intervenção cirúrgica, e que evolui
desfavoravelmente vindo a morrer em choque séptico:
(a) Biodinâmica e contundente
(b) Contundente e mecânica
(c) Biodinâmica e mecânica
(d) Mista e biológica

Resposta: C

A lesão inicial justificante da internação foi de ordem mecânica que evoluiu


desfavoravelmente com infecção e choque séptico.

Este último quadro é classificado dentro da lesionologia médico-legal como


pertencente à ordem biodinâmica.

As lesões da ordem biodinâmica decorrem de complicações clínicas provenientes da


ação de agentes vulnerantes classificados em outra ordem médico-legal.

Representam energias de ordem biodinâmica, o choque clínico (cardiogênico,


hipovolêmico, séptico etc.), a falência de múltiplos órgãos e a coagulação intavascular
disseminada.

- 162 -
5) Qual a natureza médico-legal do quesito que indaga tortura, frente à legislação
especial:
(a) Declaratória
(b) Inquisitorial
(c) Estimatória
(d) Subsidiária

Resposta: D

Energias de ordem mista são em sua maioria de interesse civil, penal e trabalhista, e
representam a conjugação de pelo menos duas ordens de agentes lesivos.

A fadiga, doenças parasitárias, sevícias e torturas são os exemplos mais comuns de


consequências e mecanismos vinculados a esta ordem de agente vulnerante.

Segundo a Lei nº 9.455, de 7 de abril de 1997, define tortura como o sofrimento


físico ou psíquico causado a alguém com emprego de violência ou grave ameaça, com o
fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira pessoa, para
provocar ação ou omissão de natureza criminosa ou então em razão de discriminação
racial ou religiosa.

Portanto, a perícia visa apontar os seguintes elementos para subsidiar a lei da tortura:
o meio empregado (“vis corporalis”, não a “vis compulsiva”) e as consequências
sofridas pela vítima (somente o sofrimento físico e mental e não o constrangimento).

A finalidade e o motivo fogem do objetivo pericial.

6) A positividade pela tortura em um exame necroscópico é fundamentada:


(a) Nas informações da perícia de local quanto à condição deplorável que se
apresenta o cadáver
(b) Nos elementos objetivos que caracterizam o meio empregado e o sofrimento
físico
(c) Nos elementos objetivos que vinculam o tipo de ação com a lesão fatal
(d) No nexo de causalidade entre a conduta e o resultado

Resposta: B

Cabe ao perito frente à investigação da tortura apurar no exame clínico tanto as


lesões que apontam sofrimento físico quanto pistas que possam sugerir sofrimento
psíquico.

No exame necroscópico somente os elementos objetivos que caracterizam o meio


empregado e o sofrimento físico direcionam para um juízo de valor para tortura.
- 163 -
No exame cadavérico o detalhamento das lesões poderão indicar por estimativa o
tipo de instrumento (lesões por assinatura) e a natureza subjetiva quando aplicada em
áreas não vitais, mas simplesmente com o objetivo de aumentar o sofrimento.

7) “Eles o crucificaram, e com ele dois outros: Um de cada lado, e Jesus no meio.
Pilatos redigiu um letreiro e o fez colocar sobre a cruz. Nele estava escrito: Jesus
Nazareno rei dos judeus” (Jo 19, 18-19). Entre outras especulações, acredita-se
que a causa mortis de Jesus tenha sido por asfixia, em face, sobretudo, da fadiga
da musculatura do pescoço, do tórax e da curvatura anterior acentuada do
pescoço, favorecendo, respectivamente, a redução da complacência torácica e
dificultando a passagem de ar pela faringe. Entretanto, mostra a história que antes
da crucificação, o condenado era submetido a prolongada flagelação. As ordens
de agentes vulnerantes implicados, respectivamente, no mecanismo evolutivo de
morte, no processo de crucificação, são:
(a) Biodinâmica e físico-química
(b) Mecânica e físico-química
(c) Mista e físico-química
(d) Biodinâmica e física

Resposta: C

Consideramos o evento asfíxico da crucificação ou crucifixão como um mecanismo


diferenciado das outras formas de asfixia, em face de ser precedido pela flagelação, que
debilita muito a vítima.

Portanto, a ação físico-química é acelerada ou agravada pela ação mista (tortura). A


crucificação foi um mecanismo de execução muito utilizado na antiguidade.

Acredita-se que se originou na Pérsia, sendo difundida por Alexandre para o Egito e
Cartago, e desta última cidade para Roma.

Foi extinta por CONSTANTINO no século IV.

Denomina-se de “patibulum” a barra horizontal da cruz, pesando aproximadamente


50 Kg e “stipes”, a barra vertical.

O crucificado é pendurado de braços abertos e comumente com apoio nos pés (cravo)
para aumentar o tempo de sofrimento, fixados a cruz por amarras ou pregos, sendo
levado a uma condição de exaustão.

A fadiga muscular, em especial a tóracoabdominal, evolui com falência dos


músculos intercostais e abdominais, tornando ineficiente a dinâmica da parede torácica.

- 164 -
Concomitante, os músculos cervicais fragilizados não sustentam a cabeça e a queda
do pescoço para adiante agrava o quadro respiratório, vindo a vítima ao óbito por
asfixia. Para acelerar o processo, os algozes fraturavam os joelhos e perfuravam o tórax
com lança para ter certeza da morte.

8) É considerado “o rei dos venenos”:


(a) Estricnina
(b) Opioides
(c) Cocaína
(d) Arsênio

Resposta: D

O Arsênio é o “rei dos venenos”. Um metaloide que pode ser encontrado na


forma inorgânica ou orgânica.

São aplicados na indústria de vidro, na confecção de semicondutores, em


medicamentos veterinários, em pesticidas, assim como em moluscos e mariscos etc.

As formas mais tóxicas são os arsenatos (sais pentavalentes), arsenitos


(trivalentes) e o gás arsina.

Entre os seus efeitos no organismo podemos apontar prejuízo na utilização da


tiamina, inibição da respiração mitocondrial e competição com o fosfato no sistema de
transporte (ANDRADE FILHO e cols, 2013, pp. 169-171).

Fonte: Andrade Filho, A; Campolina, D e Dias, MB. Toxicologia na Prática Clínica.


Belo Horizonte, Folium, 2013, 2ª ed, pp. 169 -171

9) Qual a etiologia provável de uma vítima fatal de envenenamento cujos dados


necroscópicos significativos são lesões leves coaguladas no esôfago e lesões
gástricas e duodenais severas comprometendo toda a espessura do órgão, e que
informam os familiares que presenciaram a vítima vomitando antes da morte:
(a) Hidrocarboneto
(b) Ácidos fortes
(c) Ácidos fracos
(d) Bases

Resposta: B

- 165 -
A ingestão de ácidos fortes está mais frequentemente associada a lesões
gastroduodenais severas, comprometendo toda a espessura do órgão.

O epitélio escamoso estratificado do esôfago resiste melhor aos ácidos do que as


bases, criando uma proteção por formação de coágulos.

A ingestão de ácido desencadeia um espasmo no antro e piloro favorecendo mais


aos vômitos, comparativamente as bases (ANDRADE FILHO e cols, 2013, p. 210).

Fonte: Andrade Filho, A; Campolina, D e Dias, MB. Toxicologia na Prática Clínica.


Belo Horizonte, Folium, 2013, 2ª ed, p. 210

10) O incêndio na Boate Kiss ocorreu na madrugada de 27 de janeiro de 2013 na


cidade de Santa Maria no Rio Grande do Sul, matando 242 e ferindo 116 pessoas.
É a segunda maior tragédia em número de vítimas por incêndio no Brasil, só
sendo superada pelo incêndio no Gran Circus Norte-Americano em 1961 na
cidade de Niterói, com 503 vítimas. Do que foi apurado se concluiu que o início
do incêndio se deu quando da utilização de um artefato pirotécnico conhecido
como Sputnik pela banda Guizada Fandangueira, que atingiu a espuma de
isolante acústico. Segundo laudo cadavérico a maioria das mortes se deram por
intoxicação pelo cianeto. De posse desses dados qual ou quais as vísceras, devem
ser enviadas ao laboratório de toxicologia que melhor se prestam para pesquisa
de cianeto por conterem maiores níveis tecidual:
(a) Pulmões, coração e cérebro
(b) Medula óssea e fígado
(c) Fígado, pele e rins
(d) Fígado e rins

Resposta: A

Os cianetos são amplamente distribuídos na natureza. Nos vegetais são


comumente encontrados sob a forma de glicosídeos, destacando-se a mandioca, batata
doce, inhame, milho, cana de açúcar, feijão, soja, limão, maçã, pera, pêssego, damasco,
cereja, ameixa etc. Fazem parte da confecção de plásticos, nylon, lã e outros.

O Organismo exposto ao cianeto pode neutralizar a sua ação tóxica,


combinando-se com o enxofre, formando tiocianato, sendo depurado pela urina.

Quando em excesso, o cianeto se fixa a enzima citocromo-oxidase nas hemácias,


prejudicando a utilização de oxigênio pelos tecidos (anoxia histotóxica).

- 166 -
Os antídotos são: nitrito de sódio, hidroxicobalamina, tiossulfato de sódio e o 4-
dimetilaminofenol.

A forma com que é introduzido o cianeto no organismo é que vai direcionar a


pesquisa forense.

Quando ocorre da inalação, os níveis tissulares mais significativos são


encontrados nos pulmões, coração e cérebro.

Quando a intoxicação se dá por ingesta, os níveis mais elevados são encontrados


no fígado (ANDRADE FILHO e cols, 2013, pp. 235-238).

Fonte: Andrade Filho, A; Campolina, D e Dias, MB. Toxicologia na Prática Clínica.


Belo Horizonte, Folium, 2013, 2ª ed, pp. 235-238

11) Chega ao IML um cadáver proveniente de um hospital especializado em doenças


infecto-contagiosas, cujas informações apontam para o diagnóstico de tétano,
porém o médico assistente levanta a suspeita de envenenamento. Diante do
exposto qual substância tóxica o legista deve investigar que leva a um quadro
tetaniforme:
(a) Gás mostarda
(b) Estricnina
(c) Arsênio
(d) Cianeto

Resposta: B

A estricnina é um alcaloide analéptico que age nos cornos ventrais da medula


espinhal bloqueando reversivelmente os receptores pós-sinápticos do neurotransmissor
inibitório glicina, semelhante ao mecanismo da tetanotoxina.

Portanto, leva um quadro de excitação neuronal excessiva que cursa com


cianose, opistótono, trismo, flexão dos membros superiores e extensão dos membros
inferiores, nistagmo, clonus, hiperrefexia, contrações musculares generalizadas e
involuntárias ao menor estímulo como falar, acender a luz etc.

O quadro evolui com o paciente consciente (ANDRADE FILHO e cols, 2013,


pp. 321-322).

Fonte: Andrade Filho, A; Campolina, D e Dias, MB. Toxicologia na Prática Clínica.


Belo Horizonte, Folium, 2013, 2ª ed, pp. 321-322

- 167 -
12) O Gás mostarda é um agente:
(a) Neuromuscular
(b) Emetizante
(c) Vesicante
(d) Irritante

Resposta: C

O gás mostarda ou iperita é um agente vesicante utilizado pela primeira vez na


1ª guerra mundial, em 1917, pelos alemães.

Entretanto, foi produzido em 1822 na Inglaterra por Despretz. É uma substância


líquida, oleosa e incolor, ou amarelada quando impura.

A manifestação clínica mais marcante é a irritação com formação de bolhas na


pele até quadro mais dramático de necrose.

- 168 -
CAPÍTULO 8
LESIONOLOGIA FÍSICO-QUÍMICA / ASFIXIOLOGIA

1) O “cogumelo de espuma” no afogado é uma mistura de:


(a) Líquido aspirado, ar alveolar e secreções respiratórias
(b) Líquido aspirado e secreções respiratórias, somente
(c) Líquido aspirado e ar alveolar, somente
(d) Líquido aspirado, somente

Resposta: A

A morte pelo afogamento é um tipo de asfixia mecânica pura por substituição do


ar respirável por meio líquido.

O afogamento pode ser completo ou incompleto, conforme a imersão total ou


parcial do corpo no líquido.

Quanto ao mecanismo, pode ser primário ou secundário.

Quanto à natureza do líquido, classifica-se em submersão em água doce ou


salgada.

Quanto à apresentação, em branco ou azul.

Os sinais cadavéricos nas vítimas retiradas da submersão podem ser divididos


em sinais externos, que indicam a constância do corpo na água e os sinais internos de
asfixia-submersão.

Para LORIN (2003, pp. 400-7) os sinais mais marcantes de afogamento são a
espuma na boca e narinas e a distensão pulmonar.

O líquido aspirado mistura-se as secreções das vias respiratórias e ao ar alveolar


dando formação ao “cogumelo de espuma” que se exterioriza pela boca e narinas.

Fonte: Lorin de la Grandmaison, G. and Paraire, F. Place of pathology in the forensic


diagnosis of drowning. Ann Pathol; 2003, oct; 23 (5): 400-7

- 169 -
2) A expulsão da espuma dando formação ao “cogumelo de espuma” nos afogados
em água salgada se dá inicialmente por:
(a) Redução do volume torácico
(b) Elevação do diafragma
(c) Pressão alvéolo capilar
(d) Edema pulmonar

Resposta: A

A expulsão da espuma é favorecida pelo relaxamento da musculatura torácica


que reduz o volume torácico e mais adiante a compressão das bases pulmonares pela
elevação do diafragma, em decorrência da distensão gasosa dos cólons (HÉRCULES,
2005 p. 525).

Fonte: Hércules, H. de C. Medicina Legal: Texto e Atlas. Rio de Janeiro, Atheneu,


2005, p. 525

3) A expulsão da espuma dando formação ao “cogumelo de espuma” nos afogados e


mais adiante o intensificando se dá na seguinte sequência:
(a) Relaxamento da musculatura torácica, redução do volume torácico e elevação do
diafragma
(b) Relaxamento da musculatura torácica, elevação do diafragma e redução do
volume torácico
(c) Elevação do diafragma, relaxamento da musculatura torácica e redução do
volume torácico
(d) Redução do volume torácico, relaxamento da musculatura torácica e elevação do
diafragma

Resposta: A

A fisiopatologia da morte por afogamento depende da composição e temperatura


do líquido, e da quantidade aspirada.

Sendo o pulmão o órgão alvo da submersão, há comprometimento imediato da


hematose, instalando-se desequilíbrio ácido-básico (ORLOWSKI, ABULLEIL, and
PHILLIPS, 1987. p.126).

Do afogamento resulta insuficiência respiratória primária de submersão em


líquido (SHEPHERD and SHOFF).

- 170 -
O líquido aspirado mistura-se as secreções das vias respiratórias e ao ar alveolar
dando formação ao “cogumelo de espuma” que se exterioriza pela boca e narinas. Em
condições particulares da natureza do líquido, pode-se ter o “cogumelo de espuma”. A
expulsão da espuma é favorecida pelo relaxamento da musculatura torácica que reduz o
volume torácico e mais adiante a compressão das bases pulmonares pela elevação do
diafragma, em decorrência da distensão gasosa dos cólons (HÉRCULES, 2005 p. 525).

Fontes: Hércules, H. de C. Medicina Legal: Texto e Atlas. Rio de Janeiro, Atheneu,


2005, p. 525.

Orlowski, J.P.; Abulleil, M.M. and Phillips, J.M. Effects of tonicities of saline
solutions on pulmonary injury in drowning. Crit Care Med, 1987; 15. 2: 126

Shepherd, S.M. and Shoff, W.H. Drowning. emedicine-mediscape.com

4) A elevação do diafragma, favorecendo a formação do “cogumelo de espuma” no


afogado por espremer as bases pulmonares se deve:
(a) Ao fenômeno de rigidez muscular cadavérica
(b) Ao esforço da expiração ante-mortem
(c) Ao espasmo muscular cadavérico
(d) À distensão gasosa dos cólons

Resposta: D

Conforme já discutido em comentários das questões anteriores, a expulsão da


espuma é favorecida pelo relaxamento da musculatura torácica que reduz o volume
torácico e mais adiante a compressão das bases pulmonares pela elevação do diafragma,
em decorrência da distensão gasosa dos cólons (HÉRCULES, 2005 p. 525).

Fonte: Hércules, H. de C. Medicina Legal: Texto e Atlas. Rio de Janeiro, Atheneu,


2005, p. 525

5) A tonalidade pulmonar cinza-avermelhada mais escura no afogamento em água


do mar se deve a:
(a) Maior concentração de magnésio na água do mar em relação ao plasma
(b) Maior concentração salina da água do mar em relação ao plasma
(c) Hemoconcentração
(d) Hemodiluição

- 171 -
Resposta: C

O tipo de líquido no qual a vítima submerge desencadeará fenômenos


fisiopatológicos diferentes de acordo com a sua viscosidade, número de partículas
dissolvidas, concentração salina e glicídica, e outros mais que possibilitarão margem de
interpretação da dinâmica do afogamento.

Os afogamentos em água salgada alteram a quantidade do surfactante pulmonar,


porém em água doce a alteração do surfactante é predominantemente de natureza
qualitativa, levando a áreas de atelectasia mais frequentemente que o afogado em água
do mar (GIAMMONA e MODELL, 1967).

Entretanto, é possível com alguns elementos apontar se o afogamento se deu em


água do mar ou água doce, com algumas ressalvas, dada as controvérsias que o tema
suscita.

SPITZ (1993, pp. 498-515) relata que o enfisema aquoso é mais intenso no
afogado de água doce, de modo que aos cortes deixa fluir grande quantidade de líquido
aerado.

O enfisema aquoso por vezes é denominado por alguns autores como o sinal de
BROUARDEL. CASPER descrevia como um quadro de hiperaeria.

A água do mar com uma concentração salina de 3% é hipertônica em relação ao


plasma, com uma concentração de sal de 0,9%. Ao nível alveolar essas diferenças de
concentração favoreceriam o transporte de água do capilar alveolar para o interior do
alvéolo, edemaciando o pulmão e hemoconcentrando o sangue, decorrendo deste
último, uma tonalidade cinza-avermelhada mais escura ao pulmão. Instala-se o enfisema
aquoso de BROUARDEL ou pseudo-enfisema.

Fontes: Giammona, S.T. and Modell, J.H.: Drowning by total immersion, effects on
pulmonary surfactant of distilled water, isotonic saline and sea water. Amer J Dis
Child, 1967, vol 14

Spitz, W. U. Drowning. Capítulo XII, pp. 498 – 515. In: Medico Legal Investigation
of Death. Editor Charles C. Thomas Publisher, 3ª Ed., WERNER U. SPITZ,
Springfield, 1993

6) Sinal mais fidedigno de asfixia por afogamento:


(a) Petéquias subpleurais de Tardieu
(b) Congestão polivisceral
(c) Manchas de Paltauf
(d) Fluidez do sangue

- 172 -
Resposta: C

Dos sinais internos, as manchas de PALTAUF são as mais específicas da asfixia por
afogamento.

São equimoses vermelhas, subpleurais, em geral placas arredondadas, diâmetro


maior que 2 cm e ao que tudo indica ocorrem pela distensão alveolar vigorosa pela
inspiração profunda com rotura alveolocapilar, e consequente infiltração sanguínea
regional.

7) Na ausência de outros elementos, qual dos sinais ainda permite a estimativa de


morte por afogamento nos cadáveres em avançado estado de decomposição:
(a) Infiltração hemoglobínica na face profunda do couro cabeludo
(b) Procidência da língua além das arcadas dentárias
(c) Pesquisa de diatomácea na medula óssea
(d) Hemorragia etmoidal

Resposta: C

Com a morte, o cadáver afunda para em seguida flutuar, afundar e flutuar pela
segunda vez, conforme o estado de desenvolvimento cadavérico.

Por conta da densidade do mar em torno de 1,027 ser maior que a da água doce,
espera-se que o cadáver flutue mais cedo quando imerso em água salgada.

Por ocasião da imersão ou submersão, o cadáver adquire uma posição fletida


com a concavidade do corpo na direção do fundo, estando a cabeça em posição mais
baixa, que adquire pela postura uma tonalidade escura denominada “cabeça de negro”
de LECHA-MARZO.

Com o deslocamento, lesões post-mortem do tipo arrasto serão notadas na região


frontal, dorso das mãos, joelhos e ante pés.

Com o avançar do tempo o cadáver entra em putrefação e os sinais clássicos de


afogamento vão se perdendo. Para PIETTE e DE CARTA (2006, pp. 163 – 1-2:1-9) o
teste da diatomácea é “padrão ouro” no diagnóstico de afogamento (prova de INCZE),
sendo de grande valor em cadáveres putrefeitos.

Fonte: Piette, M.H. and De Carta, E. A. Drowning: still a difficult autopsy diagnosis.
Forensic Sci Int; 2006, nov; 10; 163(1 – 2): 1 – 9

- 173 -
8) Tempo aproximado do aparecimento da hipóstase nos enforcados completos:
(a) 30 minutos
(b) 2 a 4 horas
(c) 4 a 6 horas
(d) 6 a 8 horas

Resposta: A

Enforcamento é um tipo de asfixia mecânica provocada pela ação de um laço


circundando o pescoço, cuja força é exercida pelo peso da vítima.

Quanto ao modo de suspensão, o enforcamento pode ser completo quando a vítima


se encontra em suspensão sem tocar os pés em um apoio e incompleto se assim o fazem.

Quanto à posição do nó, ele pode apresentar-se na face posterior do pescoço


(enforcamento típico) ou não (enforcamento atípico).

O mecanismo de morte pode se dá por obstrução respiratória, circulatória e reflexo


neural, conforme a ação do laço no pescoço.

No enforcamento típico, o mecanismo fisiopatológico é de natureza respiratória,


entretanto na dependência da força e local de aplicação do laço poderemos ter em
qualquer tipo de enforcamento a oclusão vascular (inicialmente a venosa seguida da
arterial) e a ação neural, seja pela compressão do X par de nervo craniano (nervo vago)
ou pelo reflexo do seio carotídeo.

Portanto, a asfixia no enforcamento pode ser puramente mecânica por obstrução


respiratória, por inibição, em face da lesão do nervo vago ou estímulos neurais ao nível
do seio carotídeo, ou por obstrução circulatória.

Entre os sinais consecutivos da morte, as hipóstases tem distribuição peculiar


conforme a posição do enforcado. Nos enforcados completos se acumulam nas porções
inferiores do corpo e se deixam notar em aproximadamente 30 minutos.

9) O aspecto do fundo do sulco no enforcado depende:


(a) Da relação entre a largura do laço com a pressão exercida em cada centímetro
quadrado da pele
(b) Exclusivamente do material que é confeccionado o laço
(c) Exclusivamente da largura do laço
(d) Exclusivamente do peso da vítima

Resposta: A

- 174 -
As particularidades do sulco vão depender da confecção do laço (tecido como
gravata, lenço, ramos de árvores, fios de arame, de nylon etc.), da espessura (fino ou
largo), da presença e da posição do nó, bem como se o nó é fixo ou corrediço, o ponto
de suspensão (local de apoio – porta, prego, galho de árvore, chuveiro etc.), e quanto ao
modo de suspensão se a vítima está suspensa de forma completa ou incompleta,
conforme se encontre sem ou com apoio nos pés, respectivamente.

O aspecto do fundo do sulco no enforcado vai depender da relação entre a largura do


laço com a pressão exercida em cada centímetro quadrado da pele.

10) Qual o diagnóstico médico-legal da asfixia apontada na figura:

(a) Estrangulamento
(b) Enforcamento
(c) Esganadura
(d) Torniquete

Resposta: A

Enforcamento e estrangulamento são asfixias complexas segundo a classificação


de AFRÂNIO PEIXOTO, diferenciadas quanto ao mecanismo de morte e se a
constrição do pescoço por um laço se deu passivamente pelo peso do corpo
(enforcamento) ou ativamente por força externa (estrangulamento).

A aplicação de um laço no pescoço deixará um sulco, cujas características


dependerão do tipo de laço, da força aplicada e do material que confecciona o laço.

Em geral podemos diferenciar o sulco do enforcamento do estrangulamento


como mostra o quadro.

- 175 -
ENFORCAMENTO ESTRANGULAMENTO

OBLÍQUO ASCENDENTE HORIZONTAL

PREDOMINA A VARIABILIDADE PREDOMINA A UNIFORMIDADE

INTERROMPE AO NÍVEL DO NÓ CONTÍNUO

GERALMENTE SULCO ÚNICO GERALMENTE MÚLTIPLO

ACIMA DA CARTILAGEM TIREÓIDE ABAIXO DA CARTILAGEM DA TIREÓIDE

GERALMENTE APERGAMINHADO RARAMENTE APERGAMINHADO

PROFUNDIDADE NÃO UNIFORME PROFUNDIDADE UNIFORME

O sulco deixado pelo estrangulamento é de um modo geral transverso, contínuo,


profundidade uniforme, pálido, amolecido, bordas violáceas e localizado abaixo da
cartilagem tireoide.

Há os estrangulamentos atípicos, como o estrangulamento antibraquial. No golpe de


gravata, a prega do cotovelo do agressor age na face lateral do pescoço, desencadeando
por inibição, um reflexo laríngeo pneumogástrico (reflexo de HERING), sem as fases da
asfixia, com parada cardiorrespiratória imediata.

A vítima não apresenta os sinais clássicos de asfixia por estrangulamento, sendo tal
condição denominada de estrangulamento branco de CLAUDE BERNARD –
LACASSAGNE. Outra atipicidade de estrangulamento é a aplicação do garrote vil, por
um mecanismo de torniquete como mostra a figura.

11) Considerando que o peso do corpo é uma constante, qual a relação entre a largura
do laço e a pressão que ele exerce sobre o pescoço de modo a caracterizar o
fundo do sulco no enforcado:
(a) Depende do número de voltas do laço no pescoço
(b) Depende do material que é confeccionado o laço
(c) Inversamente proporcional
(d) Diretamente proporcional

Resposta: C

- 176 -
Sabe-se que a pressão exercida por um agente é diretamente proporcional a força
aplicada e inversamente proporcional à área de superfície sobre a qual age o agente
(P=F/S).

Sendo o peso da vítima constante, depreende-se que a força é constante.

Portanto, há uma relação inversamente proporcional entre á área de superfície de


ação (largura do laço) e a pressão do agente, de modo que quanto menor a largura do
laço, maior a pressão sobre a pele.

12) A linha argentina (Thoinot) nos sulcos dos enforcados é caracterizada como
sendo:
(a) Transparente e sem brilho
(b) Transparente e brilhante
(c) Opaca e arroxeada
(d) Opaca e preta

Resposta: B

A aplicação de um laço no pescoço deixará um sulco, cujas características


dependerão do tipo de laço, da força aplicada e do material que confecciona o laço. Um
laço duro desidrata a pele por compressão.

O sulco se apresenta com consistência dura e tonalidade pardo-escura, transparente e


brilhante, denominada linha argentina por THOINOT, ou placa argêntica, ou
transparência nacarada por LACASSAGNE.

13) A linha argentina (Thionot) ou transparência nacarada (Lacassagne) nos sulcos


dos enforcados é vista:
(a) Pela superfície da pele na borda superior do sulco
(b) Pela superfície da pele na borda inferior do sulco
(c) Pela face profunda e expondo contra a luz
(d) Pela superfície da pele no fundo do sulco

Resposta: C

A compressão do laço duro e fino contra a pele acaba por desidratá-la, assumindo o
sulco um aspecto prateado.

A constatação da placa argêntica é tecnicamente observada pela face profunda do


sulco e expondo contra a luz, após a ressecção do segmento do sulco.

- 177 -
14) A linha argentina (Thionot) ou transparência nacarada (Lacassagne) nos sulcos
dos enforcados aparece nas áreas:
(a) Moles do pescoço quando o nó é exclusivamente posterior
(b) Duras do pescoço quando o nó é exclusivamente posterior
(c) Moles do pescoço que cedem à pressão do laço
(d) Duras do pescoço quando a vítima é magra

Resposta: C

O sinal da transparência nacarada de LACASSAGNE nos sulcos dos enforcados, não


guarda relação com a posição do nó, porém o tipo constitucional da vítima pode ser
relevante.

Do que foi exposto na questão, estão implicados na formação do respectivo sinal, a


pressão do laço e a área do pescoço de menor resistência, que cede à compressão e
desidrata facilmente por expulsão do líquido tissular para as adjacências.

15) A linha argentina (Thoinot) ou transparência nacarada (Lacassagne) nos sulcos


dos enforcados se deve:
(a) À desidratação no ponto de compressão do laço que expulsa o líquido para as
adjacências, adquirindo um aspecto apergaminhado
(b) À desidratação no ponto de compressão do laço que expulsa o líquido para as
adjacências, adquirindo um aspecto arroxeado
(c) À escoriação linear no ponto de compressão do laço de material áspero,
adquirindo um aspecto pardo
(d) À escoriação linear na borda superior do sulco no ponto de compressão do laço

Resposta: A

A desidratação do sulco, mais facilmente notada no fundo do sulco, dar-se por


compressão, quando o líquido é expulso para as adjacências.

O aspecto nacarado do sulco pode ser visto por transparência após a remoção do
segmento afetado.

É descrito mais frequentemente como linha argentina ou placa argêntica, pelo


aspecto prateado ou apergaminhado que adquire.

- 178 -
16) Em qual situação o sulco de um enforcado será menos nítido:
(a) Vítima magra com enforcamento incompleto em prolongado tempo
(b) Vítima magra com enforcamento incompleto em curto tempo
(c) Vítima magra com enforcamento completo em curto tempo
(d) Vítima obesa com enforcamento incompleto

Resposta: B

Podem determinar algumas peculiaridades no aspecto do sulco deixadas pelo laço, o


tipo de enforcamento, o tempo de suspensão e a constituição da vítima.

Um tempo reduzido de suspensão, mais ainda se esta é incompleta e a vítima é


franzina, certamente menor será a nitidez do sulco.

17) Vítima de asfixia por suposto enforcamento chega ao IML sem o laço e apresenta
sulco oblíquo ascendente, onde se observa ao nível da suposta aplicação do nó,
dois sulcos adjacentes independentes, sendo o inferior de menor profundidade
que o superior. Diante do exposto o perito estima que houve:
(a) Deslizamento do laço do sítio de aplicação no início do evento por pressão
mantida para baixo pelo agente homicida
(b) Deslizamento do laço do sítio de aplicação no início do evento para a porção
superior se a vítima encontrou um ponto de apoio que reduzisse a pressão do laço
(c) Deslizamento do laço do sítio de aplicação no início do evento para a porção
superior
(d) Tentativa inicialmente de estrangulamento e em seguida enforcamento
incompleto

Resposta: C

A suspensão da vítima no enforcamento se dá pelo laço que é formado geralmente


por uma volta e um nó fixo, deslizante, simples ou múltiplo.

Sendo o nó fixo, o sulco é incompleto e mais superficial quanto mais próximo do nó


até ser interrompido.

Quando o nó é corrediço, a tração do corpo sobre a alça faz com que o laço fique
mais apertado comprimindo toda a circunferência do pescoço.

Na condição de laço múltiplo, é possível um pinçamento de pele entre uma volta e


outra, formando uma crista, sendo em geral os sulcos menos profundos.

A questão aponta detalhes do sulco que a princípio é único, oblíquo e ascendente,


tratando-se de enforcamento.
- 179 -
Entretanto, o segmento do sulco mais superficial ou interrompido, faz crer que seja á
área onde se encontrava o nó, e que nesta se observa dois sulcos adjacente sendo o
inferior de menor profundidade que o superior.

Diante do que foi constatado, o perito estima que o laço é único e que a força
constante pelo peso da vítima, deslocou o segmento da alça próxima ao nó do ponto
inicial para cima, e que pelo tempo de suspensão nesta última posição determinou aí
maior profundidade.

18) Vítima de asfixia por suposto enforcamento chega ao IML sem o laço e apresenta
sulco oblíquo ascendente, onde se observa ao nível do nó, dois sulcos adjacentes
com pontes estriadas de arrancamento epidérmico unindo os dois sulcos, sendo o
inferior de menor profundidade que o superior. Diante do exposto o perito pode
suspeitar que houve:
(a) Deslizamento do laço do sítio de aplicação no início do evento para a porção
superior se a vítima encontrou um ponto de apoio que reduzisse a pressão do laço
(b) Deslizamento do laço do sítio de aplicação no início do evento para a porção
superior por pressão mantida para baixo pelo agente homicida
(c) Deslizamento do laço do sítio de aplicação no início do evento para a porção
superior
(d) Tentativa inicialmente de estrangulamento e em seguida de enforcamento

Resposta: D

Esta é uma questão um tanto controvertida e muito semelhante à anterior.

Detalha o autor a presença de estriação por desgaste epidérmico unindo um


sulco ao outro.

Controvertido, porque o fato pode acontecer na condição de deslocamento do


segmento da alça próxima ao nó do ponto inicial de pressão para outro imediatamente
acima, ou refletir como bem descreve o professor Hygino de C. Hércules (2005, p. 493)
uma suspeita de tentativa de estrangulamento anterior.

Fonte: Hércules, HC. Medicina Legal: Texto e Atlas. Rio de Janeiro, Atheneu, 2005,
p. 493

- 180 -
19) Propriedades inerentes ao laço que guarda relação com a profundidade e a largura
do sulco nos enforcados:
(a) Dimensão, força e tempo de ação
(b) Dimensão e força, somente
(c) Dimensão, somente
(d) Força somente

Resposta: A

Sabe-se que a pressão exercida por um agente é diretamente proporcional a força


aplicada e inversamente proporcional à área de superfície sobre a qual age o agente
(P=F/S).

Portanto, a dimensão, a força e o tempo de ação do laço implicam nas peculiaridades


do sulco.

20) O fenômeno de inibição vagal reflexa (reflexo de Hering) como causa de morte
nos afogados brancos é classificado como etiologia vulnerante médico-legal da
ordem:
(a) Físico-química
(b) Biodinâmica
(c) Mecânica
(d) Física

Resposta: B

Na asfixia primária no afogamento, o evento deflagrador é a asfixia propriamente


dita, seguida de parada cardíaca.

A vítima se encontra cianótica e com espuma na boca e narinas. A Escola Francesa


denomina o quadro de “afogado azul”.

Na asfixia secundária há um evento anterior à asfixia que leva a parada cardíaca,


como exemplo o impacto térmico diferencial corpo-líquido ou hidrocussão.

A vítima se apresenta empalidecida e sem espuma na boca e narinas. A Escola


Francesa denomina de “afogado branco”, caracterizando o tão impreciso “afogado
seco”.

É possível do impacto, uma súbita parada cardíaca por inibição vagal reflexa, ou
reflexo de Hering, sendo este um fenômeno biodinâmico e não físico-químico.

- 181 -
21) São os mais congestos na apurada “congestão polivisceral” dos estados asfíxicos:
(a) Fígado e mesentério
(b) Mesentério e baço
(c) Pâncreas e baço
(d) Fígado e baço

Resposta: A

A palavra asfixia deriva do grego asphysxis e significa “sem pulso”, alusão a


teoria galenista que apontava a circulação do ar pelas artérias.

O processo tem início com alterações físicas (mecânicas e gasosas) e respostas


químicas e bioquímicas. Os detalhes necroscópicos gerais são mostrados no quadro a
seguir.

ASFIXIAS
DETALHE NECROSCÓPICO CARACTERÍSTICA
HIPÓSTASES PRECOCES, TONALIDADE ESCURA E ABUNDANTES
CONGESTÃO DA FACE SINAL MAIS CONSTANTE
ESFRIAMENTO MAIS LENTO
RIGIDEZ MAIS LENTA, INTENSA E PROLONGADA
PUTREFAÇÃO MAIS PRECOCE E ACELERADA
SANGUE ESCURO E LÍQUIDO – NÃO SE ENCONTRAM COÁGULOS
CRUÓRICOS - REDUÇÃO DA VISCOSIDADE – O MAIS
INESPECÍFICO
PETÉQUIAS MAIS COMUM NA COMPRESSÃO DO PESCOÇO E
TÓRAX – PODE NÃO SER ENCONTRADA NOS
AFOGADOS
CORAÇÃO AUMENTO DAS CÂMARAS DIREITAS DO CORAÇÃO –
VENTRÍCULO DIREITO CHEIO E O ESQUERDO VAZIO
CONGESTÃO POLIVISCERAL FÍGADO E MESENTÉRIO SÃO OS MAIS CONSTANTES –
BAÇO COM POUCO SANGUE PELA CONTRAÇÃO
DURANTE A ASFIXIA (SINAL DE ÉTIENNE MARTIN)

Depreende-se das características apontadas no quadro que a congestão polivisceral é


mais constante no fígado e no mesentério, e o baço frequentemente apresenta pouco
sangue.

22) Qual o sinal mais constante nas mortes por asfixia:


(a) Esfriamento acentuado
(b) Rigidez prolongada
(c) Congestão da face
(d) Hipóstase precoce

- 182 -
Resposta: C

Entre os sinais gerais de asfixia, como congestão polivisceral, fluidez sanguínea,


petéquias etc., o mais constante é a congestão da face por um mecanismo de estase.

- 183 -
CAPÍTULO 9
DIAGNÓSTICO EM MEDICINA LEGAL
EXERCÍCIO RÁPIDO

1) Analisando a fórmula papiloscópica decadactilar abaixo, conclui-se que:

V – 3344

E – 3021

(a) O dedo médio da mão esquerda apresenta cicatriz


(b) O dedo médio da mão direita apresenta cicatriz
(c) O dedo médio da mão esquerda está ausente
(d) O dedo fundamental é uma presilha externa
(e) O polegar da mão esquerda é um verticilo

Resposta: C
A identificação pode ser médico-legal e policial (judiciária). Buscar a identidade
significa confrontar um registro com outro que o precedeu, corresponde aos três
estágios do processo de identificação – análise, comparação e avaliação, segundo indica
ASHBAUGH.

Portanto, deve haver um primeiro registro, um segundo registro e a identificação


propriamente dita. Para tanto o registro deve valer-se de pelo menos três fundamentos
biológicos (unicidade, imutabilidade e perenidade) e dois fundamentos técnicos
(praticabilidade e classificabilidade).

A unicidade revela a individualidade, guarda relação de especificidade, que


diferencia uma pessoa da outra. Esta característica deve ser imutável, não se alterando
com o tempo (imutabilidade) ou resistindo a ele (perenidade).

O registro desta característica deve ser o de menor complexidade possível,


facilitando tanto a sua obtenção, como o processo de comparação (praticabilidade) e
arquivamento (classificabilidade).

O que se procura na identificação jurídica é revelar a identidade da vítima e do


criminoso; do vivo e do morto; do sexo dúbio; do putrefeito, da ossada e do

- 184 -
carbonizado; daquele resgatado da água e dos escombros; dos cadáveres ou parte deles
nos acidentes de massa; indicar aquele retirado de fossas clandestinas ou emparedados.

A identificação vai além do simplesmente revelar a identidade. Contextualiza no


âmbito forense como um instrumento de controle da impunidade e favorece a família
quando da ansiedade pelo ente querido desaparecido, favorecendo o processo de luto.

Identificação judiciária é um processo de identificação de natureza policial,


independente de conhecimentos médicos, alicerçada basicamente na antropometria e
antropologia.

Evoluiu dos processos antigos de marcação com ferro em brasa (ferrete) com
objetivos de identificação e punição, aos mais utilizados atualmente como o sistema
datiloscópico, passando pelo assinalamento sucinto, fotografia simples, retrato falado e
sistema antropométrico de BERTILLON.

O assinalamento sucinto é a descrição pura e simples da tipologia, tais como


sexo, cor, raça, estatura, compleição física, estado nutricional, ortognatismo ou
prognatismo, lóbulo da orelha livre ou fixo etc.

A fotografia simples consiste no registro fotográfico do indivíduo de frente e de


perfil diante de um painel antropométrico.

Não confundir com a fotografia sinaléptica que consiste em fotografar a pessoa


de frente e de perfil na redução de 1/7.

O Sistema de Bertillon foi o primeiro método científico de identificação criado e


aperfeiçoado por ALPHONSO BERTILLON, fundamentado na antropometria,
descrição e presença de sinais individuais. BERTILLON considerando que a partir dos
20 anos de idade o esqueleto completa o seu processo de crescimento não mais se
modificando, apontou 11 medidas antropométricas como critério antropométrico de
identificação:

1. Diâmetro ântero-posterior da cabeça;


2. Diâmetro transversal da cabeça;
3. Comprimento da orelha direita;
4. Diâmetro bizigomático;
5. Comprimento do pé esquerdo;
6. Comprimento do dedo médio esquerdo;
7. Comprimento do dedo mínimo
8. Comprimento do antebraço;
9. Estatura;
10. Envergadura;
11. Altura do busto.

- 185 -
A Papiloscopia é uma denominação atribuída ao chileno HUMBERTO ORREGO
GAUTHIER, porém o Sistema Dactiloscópico mais aceito foi Idealizado por JUAN
VUCETICH em 1891 e aplicado no Brasil em 1903.

Trata-se do método de identificação onde, através de um revelador, deixa impresso


um conjunto de linhas brancas e pretas em um suporte, impressão esta que corresponde
o reverso do desenho digital.

As linhas brancas e pretas se arranjam de tal modo a configurar três sistemas de


linhas: basal, nuclear e marginal. O encontro desses três sistemas dá formação a uma
região papiloscópica denominada delta. A ausência de delta ou a sua presença define os
quatros tipos fundamentais do Sistema Datiloscópico de VUCETICH:

(a) VERTICILO: dois deltas;


(b) PRESILHA EXTERNA: delta à esquerda;
(c) PRESILHA INTERNA: delta à direita;
(d) ARCO: ausência de delta.

Da disposição dos deltas ou sua ausência, conclui-se pela posição do núcleo,


centralmente no verticilo, núcleo à direita do observador na presilha externa, núcleo à
esquerda na presilha interna e ausência de núcleo ou simplesmente a presença dos
sistemas de linhas basilar e marginal, na impressão digital do tipo arco.

Os tipos fundamentais são representados por uma notação especial. Os polegares


são definidos por letras maiúsculas e os demais dedos representados por algarismos, de
modo que o verticilo (V) corresponde ao algarismo 4, a presilha externa (E) por 3, a
presilha interna (I) por 2 e o arco (A) por 1.

Desta feita, confecciona-se a fórmula datiloscópica, sendo o numerador (série) a


mão direita e o denominador (seção) a mão esquerda. A ausência de dedo é
representado por “0” e a cicatriz por “X”.

- 186 -
O polegar da mão direita é denominado de fundamental e os demais dedos da mão
direita representam a divisão. O polegar da mão esquerda chama-se de subclassificação
e os demais dedos da mão esquerda de subdivisão.

2) Vítima fatal de afogamento em água salgada. Fundamentado nas fotografias a, b


e c, respectivamente, responda:

a. Ordem de agente vulnerante como causa médico-legal da morte:

________________________

b. Denominação médico-legal pelo que mostra as figuras “b” e “c”:

_______________________

c. Dos sinais mostrados pelas figuras, qual o mais característico de afogamento:

_______________________

d. Considerando que a hemorragia nasal apresentada decorra única e exclusivamente do


rompimento de vasos das vias aéreas superiores por hipertensão, qual outro sinal
craniano poderemos encontrar como indicativa dessa elevada pressão local:

______________________________

e. Preencher o atestado de óbito:

- 187 -
Respostas: a) Físico-química; O afogamento é um mecanismo de morte classificado
dentro da ordem físico-química dos agentes vulnerantes, segundo a classificação de
Borri;

b) “Mãos e pés de lavadeira”; É uma denominação pelo aspecto corrugado e macerado


da pele por embebição hídrica:

c) “Cogumelo de espuma”; O sinal mais constante nas asfixias é a congestão da face por
estase. Neste caso em particular de afogamento e pelas figuras expostas, o mais
característico de afogamento é o “cogumelo de espuma”.

d) Sinal de Vargas Alvarado. Os sinais de infiltração sanguínea nas regiões etmoidais


(sinal de Niles) e mastoideas (sinal de Vargas Alvarado) são importantes como
indicadores de afogamento na ausência de traumatismo craniano.

e) Asfixia mecânica por alteração do meio gasoso para o meio líquido; Afogamento;
Ação físico-química.

3) O ator Australiano Heath Ledger interpretou o coringa no filme “Batman O


cavaleiro das Trevas” (The Dark Knigth). Infelizmente o ator veio a falecer
antes da estreia do filme. Segundo o Serviço de Medicina Legal de Nova York a
causa da morte foi intoxicação de medicamentos prescritos. Seus prêmios
póstumos foram o Globo de Ouro e o Oscar como melhor ator coadjuvante. O
coringa é considerado o inimigo mais mortal e enigmático de Batman. É
conhecido como o “Príncipe Palhaço do Crime”, cometendo sem lógica uma
série de crimes. Ele apresenta uma cicatriz deformante na face que vai das
comissuras dos lábios até o ângulo da mandíbula, provocada por ação cortante.
Tal aparência deformante é denominada em medicina forense de:

(a) Cicatriz hipertrófica


(b) Queloide
(c) Aleijão
(d) Gilvaz

Resposta: D

- 188 -
As cicatrizes lineares deformantes provocadas por instrumento cortante na face
são denominadas de gilvaz. Acredita-se que tal denominação é referente a uma vítima
chamada de Gilvaz.

4) Vítima, diante dos familiares e aos gritos que não queria mais viver, derrama
álcool sobre o próprio corpo e acende um isqueiro, colocando-se em chamas.
Imediatamente as chamas são contidas pelos familiares. Após 20 dias de
internação hospitalar vem a óbito por choque séptico, proveniente de infeção
pulmonar e queimaduras de 2º grau em 80% do corpo. Considerando
verdadeiros todos os fatos, a necropsia revela grande queimado, ictérico e
pulmões com sinais de pneumonia difusa, cujos cortes deixam fluir exsudato
purulento. Diante do exposto responda:

a. Ordem de agente vulnerante pelo evento final como causa médico-legal da


morte: ______________________
b. Ordem de agente vulnerante pelo evento inicial como causa médico-legal da
morte; ______________________
c. Causa jurídica da morte: ______________
d. Preencher o atestado de óbito

- 189 -
Respostas:

A. Biodinâmica; em face da evolução para choque séptico, integra o fenômeno


biodinâmico, segundo a classificação de Borri.

B. Físico; o quadro teve início pela ação do calor.

C. Suicídio; considerando os fatos narrados como verdadeiros.

D. Pneumonia; queimaduras de segundo grau em 80% do corpo; ação biodinâmica e


física.

5) Recentemene no programa BBB 13, os participantes foram submetidos a uma


prova de resistência que consistia em equilíbrio em cima de caixinhas dentro de
uma piscina de água fria. Para aumentar o grau de dificuldade, as caixas desciam,
molhando os pés e as pernas, e em seguida voltavam a subir. A desistência do
participante era comunicada à produção, e o mesmo acabava por cair na piscina. A
prova teve início às 23h30 e duração de 18 horas até o último participante sair da
piscina. Andressa e Natália foram as mais queixosas e relatavam dor intensa e
dormência, observando-se placas e faixas vermelhas dos pés localizadas no terço
médio das pernas. Vale ressaltar que os participantes estavam calçados.

Diante do exposto responda:

a. Qual a ordem médico-legal de agente vulnerante estavam submetidos os


participantes? _____________________________

b. Qual o diagnóstico médico-legal quanto à ação do frio localizado (b1), o grau de


lesão segundo a classificação de Callisen (b2) e a fisiopatologia (b3)?

b1 ____________________

- 190 -
b2 ____________________

b3 ______________________________________________________________

c. Qual o diagnóstico clínico, admitindo que as duas participantes apresentavam


uma sensibilidade maior ao frio localizado?
____________________________________

d. Por analogia, qual a denominação médico-legal à condição semelhante os quais


os participantes do BBB 13 foram submetidos com calçados e frio úmido
prolongado?

_________________________________

Respostas:

A. Física; pelo frio.

B1. Geladura; as geladuras são genericamente lesões localizadas, onde o segmento


anatômico está exposto prolongadamente a temperaturas baixíssimas ou
subitamente por um foco congelante.

B2. 1º grau; segundo CALLISEN a geladura pode ser classificada em três graus
cuja evolução obedece a seguinte sequência: inicialmente há uma palidez pela
vasoconstrição regional seguida de uma ruborização por estase sanguínea (1º grau);
estagnado o sangue, acaba por extravasar plasma dando formação a bolha (2º grau);
persistindo a exposição ao frio evoluem desfavoravelmente com coagulação dos
capilares da área afetada e consequente importante déficit de irrigação sanguínea,
hipóxia e necrose (3º grau).

B3. Palidez pela vasoconstrição regional seguida de ruborização por estase


sanguínea.

C. Perniose ou eritema pérnio; A perniose é um edema inflamatório nodular


doloroso das extremidades, que vai desde um eritema à necrose. É mais comum nas
mulheres, sendo um evento de predisposição individual ou precipitado por
patologias prévias. As doenças que mais comumente cursam com perniose são as
de natureza autoimune como a esclerodermia. Exibem um quadro de vasculite e
trombose de vasos arteriais de pequeno e médio calibre.

D. Pé de trincheiras ou pé de imersão; as geladuras são genericamente lesões


localizadas, onde o segmento anatômico está exposto prolongadamente a
temperaturas baixíssimas ou subitamente por um foco congelante. O exemplo
clássico é o “pé de trincheira” ou pé de imersão, onde a vítima imerge os pés em
águas de baixa temperatura, não necessariamente congelante, mas que prolongada a
- 191 -
condição, os pés se tornam frios, pálidos e úmidos. Tal fenômeno foi por demais
relatados na guerra do Vietnam e na 1ª guerra mundial, onde os militares e civis
atravessavam por horas em alagadiços às baixas temperaturas ou permaneciam
como tática de guerra, guarnecido em trincheiras.

6) Responder de forma sucinta e objetiva, e em seguida preencher o campo


referente a causa do óbito conforme os achados necroscópicos que você apontar,
segundo a fotografia.

Vladimir Herzog, jornalista que foi preso na data de 25 de outubro de 1975, no


período do regime militar, foi encontrado morto, suspenso por uma corda, na cela do II
Exército de São Paulo.
Na ocasião foi aventado o suicídio como causa jurídica da morte.
Segundo o legista Harry Shibata, o óbito se deu “por asfixia mecânica”.
Trinta e sete anos depois, atendendo ao clamor da Comissão Nacional da
Verdade, o Juiz Márcio Martins Bonilha Filho, da 2ª Vara de Registros públicos do
Tribunal de Justiça de São Paulo, determinou a retificação do atestado de óbito para
causa da morte que “decorreu de lesões e maus-tratos sofridos em dependência do II
exército-são Paulo”.

a) Citar um argumento médico-legal que poderia ser alegado contrário à retificação do


óbito determinada pela autoridade judiciária, fundamentada única e exclusivamente no
que mostra a figura?
b) Qual ou quais achados necroscópicos genéricos desqualificaria a causa jurídica de
suicídio?
c) Admitindo que a suspensão se deu em vida, quais os achados necroscópicos externos
são compatíveis com o quadro?
d) Preencher o campo da declaração de óbito referente a causa do morte, considerando o
item c:

- 192 -
Respostas:
A. Pelo que mostra a figura, trata-se de asfixia mecânica complexa por constrição do
pescoço por um laço, cujo mecanismo foi enforcamento.
B. Sinais diversos que apontam maus-tratos e tortura, e fundamentalmente, sinais
contrários a ação físico-química e, sobretudo, sinais post mortem em relação a ação
do laço no pescoço.
C. Sulco único oblíquo ascendente no pescoço, acima da cartilagem tireoide,
interrompido ao nível do nó e precedido por superficialidade do sulco; a face pode
está branca e não arroxeada, pois pelo que parece o enforcamento foi típico, ou seja
nó na face posterior do pescoço; espuma sanguinolenta pela boca e narinas; língua
cianótica projetada além das arcadas dentárias; hipóstases na metade inferior do
corpo; púrpuras hipostáticas; petéquias na conjuntiva ocular.
D. Asfixia mecânica por constrição do pescoço por um laço; enforcamento; ação físico-
química.

7) Fundamentado nas figuras e admitindo como verdade a história de vítima de


disparo de arma de fogo, responder e preencher o campo referente a cauda da
morte:

- 193 -
a) Qual a direção e o sentido do instrumento vulnerante? (atenção, o instrumento na
fotografia é o estilete de necropsia utilizado para apurar trajetória).

b) Preencher o campo referente a causa da morte:

Respostas:
A. Da frente para trás e de baixo para cima; referente ao trajeto.
B. Lesão encefálica; ferimento transfixante do crânio; ação pérfurocontundente.

9) Diagnóstico da lesão:

Resposta: Hematoma subdural; As lesões intracranianas imediatas ao trauma, como


fraturas, laceração cerebral, hematomas extra e subdural, contusão cerebral e lesão
axonal difusa, são denominadas de lesões primárias. No hematoma subdural, as veias-
ponte (veias cerebrais superiores) são lesionadas pelo mecanismo de movimentação

- 194 -
cerebral (aceleração/desaceleração), porém com os seios venosos fixos. O hematoma
subdural agudo é visto como uma coleção sanguínea coagulada, superficial e sem
infiltração nos sulcos. No hematoma subdural subagudo há uma mistura de sangue
líquido com sangue coagulado, desenvolvendo-se em 2 a 14 dias após o trauma.

10) Diagnóstico da lesão:

Resposta; Plaque jaune; Na contusão cerebral, à secção transversal da área lesionada se


mostra cuneiforme, estando a base larga voltada para a superfície. Os fenômenos
traumáticos ao nível celular (picnose do núcleo neuronal, eosinofilia citoplasmática e
desestruturação celular) demoram cerca de 24 horas para ocorrer. Nas lesões antigas,
sobretudo nas áreas de contragolpe, o segmento lesionado se apresenta como uma placa
retraída, deprimida e de coloração castanho-amarelada, denominada de plaque jaune,
localizada nas cristas dos giros.

11) Puérpera jovem teve o parto induzido para abreviar a gravidez em face de
complicações de pré-eclâmpsia caracterizada por hipertensão arterial, icterícia e
dispneia, cujos exames laboratoriais revelaram hiperglicemia, trombocitopenia e
elevações da bilirrubina indireta e das transaminases. Veio ao óbito na residência
no 18ª dia pós-parto. Os dados positivos da necropsia revelam luz
traqueobrônquica com espuma clara, edema pulmonar, miocardiopatia dilatada e
a lesão hepática mostrada na figura. Qual a lesão hepática apresentada e qual
provável síndrome clínica evoluiu no curso da gravidez:

- 195 -
Resposta: Hematoma subcapsular em lobo esquerdo do fígado; síndrome HELLP;
A síndrome HELLP é uma complicação ou forma clínica da pré-eclâmpsia mais
frequente em mulheres com doenças crônicas do coração, rins e patologias como
diabetes e lúpus. Caracteriza-se laboratorialmente por hemólise, baixa de plaquetas
e elevação das transaminases.

12) Diagnóstico provável da morte:

Resposta: Asfixia mecânica mista por constrição do pescoço; esganadura; ação físico-
química; É uma forma de asfixia que não admite evento suicida ou acidental, e que pode
vir acompanhada de estrangulamento ou enforcamento. Em geral mostra a superioridade
por força do agente, ou que a vítima tenha sua resistência reduzida ou anulada, como
por exemplo, nos estados de torpor.

13) Tipos de enforcamentos, respectivamente:

- 196 -
Respostas: Atípico completo e típico incompleto; quanto ao modo de suspensão do
enforcado pode ser completa ou incompleta, conforme se encontre sem ou com apoio
nos pés, respectivamente. Quanto à posição do nó, ele pode apresentar-se na face
posterior do pescoço (enforcamento típico) de modo que o laço comprime para trás e
para cima o osso hioide, por vezes fraturando-o, levando a base da língua de encontro à
parede posterior da hipofaringe, impedindo a passagem do ar para as vias repiratórias
inferiores. Comumente o enforcado branco guarda relação com o enforcado típico
(posição do nó posterior) e os enforcados azuis com as variedades da posição do nó,
anterior ou laterais.

14) Diagnóstico médico-legal:

Resposta: Degola; lesão incisa na porção posterior do pescoço.

15) Sinal médico-legal:

Resposta: Sinal de paultauf; infiltrado equimótico por distensão alveolar súbita pela
água; afogamento.

- 197 -
16) Sinal médico-legal:

Resposta: Sinal de Sommer e Larcher; pigmento escuro que caracteriza a exposição da


coroide pela desidratação ocular.

17) Sinal médico-legal:

Resposta: Tela viscosa; acúmulo de detritos na esclerótica e córnea.

18) Sinal médico-legal:

Resposta: Opacificação da córnea; própria da desidratação ocular.

- 198 -
19) Sinal médico-legal:

Resposta: Sinal de Montalti; presença de fuligem na traqueia em queimados.

20) Sinal médico-legal:

Resposta: Sinal de Benassi; esfumaçamento contornando a ferida óssea de entrada de


projétil de arma de fogo em tiros a curta distância.

21) Sinal médico-legal:

Resposta: Halo visceral de Bonnet; equimose contornando a ferida de entrada na


víscera.
- 199 -
22) Denominação para o teste de verificação de respiração autônoma:

Resposta: Docimásia extrapulmonar de Vreden, Wendt e Gelé; Com a respiração e


deglutição, o ar penetra no ouvido médio. Através dessa manobra se pode detectar
através da perfuração do tímpano a presença de ar pela saída de uma bolha.

23) Sinal médico-legal:

Resposta: Sinal de Vinorukova; lesões tipo roturas arqueadas e paralelas no fígado


favorecida pela hipercurvatura hepática.

- 200 -
24) Esquema que mostra as fases do afogamento:

Resposta: Esquema de Ponsold; A morte por afogamento, sucintamente, passa por três
fases: fase de resistência, fase de exaustão e fase de asfixia. Segundo PONSOLD a
morte por asfixia-submersão se dá em cinco fases: I) inspiração profunda antes de
submergir; II) apneia voluntária; III) inspiração forçada; IV) convulsões; V) morte. A
fase III ocorre pela elevação sanguínea dos níveis de CO2 que estimula, ao nível do
tronco cerebral, o reflexo da inspiração. Sem a correção da hematose instala-se uma
anóxia severa evoluindo para a fase V (morte).

- 201 -
COLETÂNIA DE PROVAS DA MEDICINA

MEDICINA LEGAL – 2013 / 1

1) A descrição preliminar quanto às características externa do cadáver com fim


antropotipológico, denomina-se:

a. Assinalamento sucinto e conferem dados secundários de identificação


b. Assinalamento sucinto e conferem dados primários de identificação
c. Sinais sinalépticos e conferem dados secundários de identificação
d. Bertilhonagem e conferem dados secundários de identificação
e. Bertilhonagem e conferem dados primários de identificação

2) Qual a natureza jurídica do cadáver de interesse penal:

a. Bem fora do comércio


b. Coisa de ninguém
c. Coisa comum
d. Res nullius
e. Objeto

3) Alguns assassinos em suas peculiaridades pessoais e criminais são classificados como seriais.
Jack, “o estripador”, representa o mais conhecido desse grupo. Seus crimes se deram no
distrito de Whitechapel, em Londres, na segunda metade de 1888, fazendo das prostitutas
suas vítimas. Edward Theodore Gein, mais conhecido como Ed Gein, nascido em Wisconsin, foi
um serial killer, que entre homicídios, violava sepulturas e das partes dos cadáveres exibia
como troféus e utensílios domésticos. Inspirou os filmes “Psicose” de Alfred Hitchcock e “O
Massacre da Serra Elétrica” de Tobe Hooper. Assinale a alternativa que não é característica
frequente do “Serial killer”:

a. Vítima selecionada segundo os padrões de sua psicopatia


b. Uso da arma de fogo como meio final de execução
c. Utilização de venenos, agindo de forma insidiosa
d. Necessidade de imprimir sofrimento à vítima
e. Em geral com conteúdo sexual

4) Não é um efeito secundário do tiro:

a. Zona de chamuscamento
b. Cavidade permanente
c. Cavidade temporária
d. Zona de tatuagem
e. Pêlo entortilhado

- 202 -
5) A ação da guilhotina é:

a. Pérfuro-contundente
b. Corto-contundente
c. Pérfuro-cortante
d. Contundente
e. Cortante

6) O valor cronológico de uma equimose em função de sua tonalidade é:

a. Inquestionável
b. Duvidoso
c. Absoluto
d. Relativo
e. Falso

7) Substâncias de efeitos análogos ao do álcool são aquelas com:

a. Os mesmos produtos metabólicos do álcool


b. A mesma via metabólica do álcool
c. Fases semelhantes ao do álcool
d. Passagem pelo ciclo de Krebs
e. Efeitos inebriantes

8) Limite médico-legal entre o aborto e o infanticídio:

a. O estado psíquico da mulher


b. O comprimento do feto
c. A idade gestacional
d. O peso do feto
e. O parto

9) Qual forma clínica do aludido estado puerperal, no crime de infanticídio, pode dar subsídio
para o advogado arguir ausência de culpabilidade ante à inimputabilidade penal:

a. Depressão pós-parto
b. Disforia pós-parto
c. Psicose puerperal
d. Demência
e. Blues

- 203 -
10) A inimputabilidade do menor frente a legislação comum é:

a. Dependente do livre arbítrio fundamentado da autoridade judiciária


b. Questionável por depender de perícia psiquiátrica
c. Questionável por tratar-se de presunção relativa
d. Dependente da gravidade da infração penal
e. Inquestionável por presunção absoluta

11) Quais as formas clínicas vinculadas ao “estado puerperal” no crime de infanticídio?

12) Quais as formas jurídicas do crime de aborto?

13) Quais são os tempos da necropsia forense após o recebimento do corpo conforme o
registro na Guia de Remoção Cadavérica e solicitação pela autoridade competente?

14) Responder de forma sucinta e objetiva, e em seguida preencher o campo referente a causa
do óbito conforme os achados necroscópicos que você apontar, segundo a fotografia.

Vladimir Herzog, jornalista que foi preso na data de 25 de outubro de 1975, no período do
regime militar, foi encontrado morto, suspenso por uma corda, na cela do II Exército de São
Paulo. Na ocasião foi aventado o suicídio como causa jurídica da morte. Segundo o legista
Harry Shibata, o óbito se deu “por asfixia mecânica”. Trinta e sete anos depois, atendendo ao
clamor da Comissão Nacional da Verdade, o Juíz Márcio Martins Bonilha Filho, da 2ª Vara de
Registros públicos do Tribunal de Justiça de São Paulo, determinou a retificação do atestado de
óbito para causa da morte que “decorreu de lesões e maus-tratos sofridos em dependência do
II exército-são Paulo”.

a) Citar um argumento médico-legal que poderia ser alegado contrário à retificação do óbito
determinada pela autoridade judiciária, fundamentada única e exclusivamente no que mostra
a figura?

- 204 -
b) Qual ou quais achados necroscópicos desqualificaria a causa jurídica de suicídio?

c) Admitindo que a suspensão se deu em vida, quais os achados necroscópicos compatíveis


com o quadro?

d) Preencher o campo da declaração de óbito referente a causa do morte, considerando o item


c:

15) Fundamentado nas figuras e admitindo como verdade a história de vítima de disparo de
arma de fogo, responder e preencher o campo referente a cauda da morte:

- 205 -
a) Qual a direção e o sentido do instrumento vulnerante? (atenção, o instrumento na
fotografia é o estilete de necropsia utilizado para apurar trajetória).

b) Preencher o campo referente a causa da morte:

- 206 -
MEDICINA LEGAL – 2013/2

1) Com relação ao recurso da fotografia em local de homicídio, o cadáver deve ser:

(a) Posicionado de frente para a fotografia


(b) Somente fotografado o ferimento fatal
(c) Fotografado a critério do perito
(d) Sempre fotografado

2) A Perícia médico-legal, mediante o exame de corpo de delito, na produção de um laudo,


caracteriza, respectivamente, em relação à classificação da prova técnica:

(a) Meio, elemento e instrumento


(b) Meio, instrumento e elemento
(c) Instrumento, meio e elemento
(d) Instrumento, elemento e meio

3) O ator australiano Heath Ledger interpretou o coringa no filme "Batman O Cavaleiro Das
Trevas" (The Dark Knight). Infelizmente o ator veio a falecer antes da estreia do filme. Segundo
o Serviço de Medicina Legal de Nova Iorque a causa da morte foi intoxicação por
medicamentos prescritos. Seus prêmios póstumos foram o Globo de Ouro e o Oscar como
melhor ator coadjuvante. O Coringa é considerado o inimigo mais mortal e enigmático de
Batman. É conhecido como o “Príncipe Palhaço do Crime”, cometendo sem lógica uma série de
crimes. Ele apresenta uma cicatriz deformante na face que vai das comissuras dos lábios até o
ângulo da mandíbula, provocada por ação cortante. Tal aparência deformante é denominada
em medicina forense de:

(a) Cicatriz hipertrófica


(b) Quelóide
(c) Aleijão
(d) Gilvaz

- 207 -
4) A descrição necroscópica: “cadáver de um homem preto, normolíneo, comprimento de
170cm, cabelos pretos, encarapinhados...”, objetiva apontar um dado:

(a) Exclusivamente racial


(b) Antropotipológico
(c) Antropométrico
(d) Étnico

5) O economista brasileiro Gabriel Buchmann morreu de hipotermia após exposição ao frio


intenso na montanha no Malauí, na África. Ele havia desaparecido no dia 17/7/2009 após
iniciar uma escalada no monte Mulanje, no sul do país. Fundamentado neste caso concreto,
qual o aspecto pericial que melhor vai orientar o diagnóstico de morte pela ação do frio:

(a) Espuma hemorrágica nas vias respiratórias


(b) Rigidez cadavérica precoce
(c) Hipóstase vermelho-clara
(d) Perícia de local

6) “Eles o crucificaram, e com ele dois outros: Um de cada lado, e Jesus no meio. Pilatos
redigiu um letreiro e o fez colocar sobre a cruz. Nele estava escrito: Jesus Nazareno rei dos
judeus” (Jo 19, 18-19). Entre outras especulações, acredita-se que a causa mortis de Jesus
tenha sido por asfixia, em face, sobretudo, da fadiga da musculatura do pescoço, do tórax e da
curvatura anterior acentuada do pescoço, favorecendo, respectivamente, a redução da
complacência torácica e dificultando a passagem de ar pela faringe. Entretanto, mostra a
história que antes da crucificação, o condenado era submetido a prolongada flagelação. As
ordens de agentes vulnerantes implicados, respectivamente, no mecanismo evolutivo de
morte, no processo de crucificação, são:

(a) Biodinâmica e físico-química


(b) Mecânica e físico-química
(c) Mista e físico-química
(d) Biodinâmica e física

7) Qual o volume de ar necessário a manter a condição ao nível do mar, para um mergulhador


equipado, quando se encontra a 20m (66 pés) de profundidade (equivalente a 3 atm),
impedindo os efeitos deletérios do aumento da pressão atmosférica:

(a) 24 L
(b) 18 L
(c) 12 L
(d) 6 L

- 208 -
8) Qual o tempo de exposição máximo, em horas, é permitido a um trabalhador submetido a
ruído constante de 85 decibéis, como critério de profilaxia de perda auditiva:

(a) 12
(b) 8
(c) 6
(d) 4

9) Vítima, diante dos familiares e aos gritos que não queria mais viver, derrama álcool sobre o
próprio corpo e acende um isqueiro, colocando-se em chamas. Imediatamente as chamas são
contidas pelos familiares. Após 20 dias de internação no hospital vem a óbito por choque
séptico, proveniente de infecção pulmonar. Considerando verdade todos os fatos, a necropsia
revela grande queimado, ictérico e pulmões com sinais de pneumonia difusa, cujos cortes
deixam fluir exsudado purulento. Diante do exposto responda:

a. Ordem de agente vulnerante pelo evento final como causa médico-legal da morte:

________________________

b. Ordem de agente vulnerante pelo evento inicial como causa médico-legal da morte:

_______________________

c. Causa jurídica da morte:

_______________________

d. Preencher o atestado de óbito:

- 209 -
10) Recentemente no programa BBB 13, os participantes foram submetidos a uma prova de
resistência que consistia em equilíbrio em cima de caixinhas dentro de uma piscina de água
fria. Para aumentar o grau de dificuldade, as caixas desciam, molhando os pés e as pernas, e
em seguida voltavam a subir. A desistência do participante era comunicada à produção, e o
mesmo acabava por cair na piscina. A prova teve início às 23h30 e duração de 18 horas até o
último participante sair da piscina. Andressa e Natália foram as mais queixosas e relatavam dor
intensa e dormência, observando-se placas e faixas vermelhas dos pés aos terço médio das
pernas. Vale ressaltar que os participantes estavam calçados.

Diante do exposto responda:

a. Qual a ordem médico-legal de agente vulnerante estavam submetidos os


participantes? _____________________________

b. Qual o diagnóstico médico-legal quanto à ação do frio localizado (b1), o grau de


lesão segundo a classificação de Callisen (b2) e a fisiopatologia (b3)?

b1 ____________________

b2 ____________________

b3 ______________________________________________________________

c. Qual o diagnóstico clínico, admitindo que as duas participantes apresentavam uma


sensibilidade maior ao frio localizado? ____________________________________

d. Por analogia, qual a denominação médico-legal à condição semelhante os quais os


participantes do BBB 13 foram submetidos com calçados e frio úmido prolongado?

_________________________________

- 210 -
MEDICINA LEGAL – 2013/3

1) O que possibilitou desmascarar a farsa do goleiro chileno Roberto Rojas, em 1989,


no Maracanã, contra o Brasil, durante a partida para a classificação da Copa do
Mundo na Itália, que alegou lesão pelo sinalizador, foi o fato de:
(a) A lesão encontrada não guardar relação causal com a ação do agente térmico e seus
artefatos
(b) A lesão encontrada não guardar relação causal com o mecanismo de ação da navalha
(c) Ter sido encontrada uma navalha no gramado próximo ao goleiro chileno
(d) A lesão encontrada não guardar relação temporal com o evento alegado
(e) A lesão ter características antigas

2) Analisando a fórmula papiloscópica decadactilar abaixo, conclui-se que:

V – 3344

E – 3021

(a) O dedo médio da mão esquerda apresenta cicatriz


(b) O dedo médio da mão direita apresenta cicatriz
(c) O dedo médio da mão esquerda está ausente
(d) O dedo fundamental é uma presilha externa
(e) O polegar da mão esquerda é um verticilo

3) Doutrinariamente, a imputabilidade como capacidade de imputação aponta um


fato:
(a) Psíquico, considerado em concreto
(b) Psíquico, considerado em abstrato
(c) Físico, considerado em concreto
(d) Físico, considerado em abstrato
(e) Físico, que integra o dolo

4) Na esquizofrenia o que primeiro desaparece é a:


(a) Associação de ideias
(b) Ambivalência
(c) Afetividade
(d) Cognição
(e) Iniciativa

- 211 -
5) O gráfico abaixo do comportamento sexual aponta um caso de:

4
t (s)

(a) Impotência coeundi


(b) Ejaculação precoce
(c) Anorgasmia
(d) Ninfomania
(e) Dolismo

6) Um ginecologista atende uma paciente de 27 anos de idade, com quadro de


hemorragia transvaginal e com história de auto aborto há dois dias pelo método
químico-farmacológico. A paciente roga ao médico reservas quanto à sua revelação.
Sem maiores complicações, evoluiu satisfatoriamente com cura. Tratando-se de
aborto com previsão legal no Art. 124 do Código Penal, o ginecologista:
(a) Está impedido de revelar o fato em face do sigilo médico, tendo respaldo ético e
legal
(b) Está impedido de revelar o fato em face do sigilo médico, tendo respaldo ético,
unicamente
(c) Deve prestar queixa contra a paciente na Delegacia de Polícia
(d) Deve denunciar a paciente diretamente ao Ministério Público
(e) A seu critério noticiar ou não o crime na Delegacia

7) Qual o volume de ar necessário a manter a condição ao nível do mar, para um


mergulhador equipado, quando se encontra a 40m (133 pés) de profundidade
(equivalente a 5 atm), impedindo os efeitos deletérios do aumento da pressão
atmosférica:

(a) 30 L
(b) 24 L
(c) 18 L
(d) 12 L
(e) 6 L

- 212 -
8) O abortamento legal é permitido somente até a idade gestacional de:
(a) 20 semanas
(b) 25 semanas
(c) 30 semanas
(d) 32 semanas
(e) 35 semanas

9) O gari Cleonice Vieira de Moraes, de 51 anos de idade, que trabalhava para a


prefeitura de Belém, morreu na manhã do dia 21 de junho, sexta-feira, por infarto
do miocárdio, segundo o diretor do Pronto Socorro (PS). Consta na história que na
tarde da quinta-feira do dia 20, durante a manifestação popular, um policial militar
atirou uma bomba de efeito moral denominada “gás lacrimogênio”. Muitas
pessoas intoxicadas pela fumaça passaram mal, inclusive Cleonice, sendo levada
para o PS. Considerando a linha de desdobramento causal até a morte, a ordem
médico-legal do agente vulnerante ou evento primário, ou inicial, e a possível
composição do gás lacrimogênio, seria:
(a) Físico-química / brometo
(b) Química / cloro-acetona
(c) Química / metilbenzeno
(d) Química / fenilbenzeno
(e) Bioquímica / acroleína

10) Vítima fatal de afogamento em água salgada. Fundamentado nas fotografias a, b e


c, respectivamente, responda:

a. Ordem de agente vulnerante como causa médico-legal da morte:

________________________

- 213 -
b. Denominação médico-legal pelo que mostra as figuras “b” e “c”:

_______________________

c. Dos sinais mostrados pelas figuras, qual o mais característico de afogamento:

_______________________

d. Considerando que a hemorragia nasal apresentada decorra única e exclusivamente do


rompimento de vasos das vias aéreas superiores por hipertensão, qual outro sinal craniano
poderemos encontrar como indicativa dessa elevada pressão local:

______________________________

e. Preencher o atestado de óbito:

- 214 -
MEDICINA LEGAL – 2013/4

1) Os fenômenos transformativos do cadáver são:


(a) Sequencialmente os mesmos e sem particularidades
(b) Podem ser destrutivos ou conservadores
(c) Somente de natureza bacteriana
(d) Exclusivamente conservadores
(e) Exclusivamente destrutivos

2) Analisando a fórmula papiloscópica abaixo, conclui-se que:

I – 23442

E – 3021

(a) O dedo médio da mão esquerda apresenta cicatriz


(b) O dedo médio da mão direita apresenta cicatriz
(c) O dedo fundamental é uma presilha externa
(d) O dedo médio da mão direita está ausente
(e) Trata-se de polidactilia

3) Qual a natureza jurídica do corpo de delito:


(a) Instrumento de prova
(b) Elemento de prova
(c) Meio de prova
(d) Vestígio
(e) Indício

4) Primeira fase da putrefação:


(a) Esqueletização
(b) Enfisematosa
(c) Coliquação
(d) Coloração
(e) Autólise

- 215 -
5) Técnica de necropsia caracterizada pela evisceração em bloco único:
(a) Carl Von Rokitanski
(b) Rudolph Virchow
(c) Maurice Letulle
(d) Anthon Ghon
(e) Mista

6) É um fenômeno transformador conservador tardio caracterizado pela untuosidade


cadavérica em uma vítima encontrada em área pantanosa:
(a) Saponificação
(b) Mumificação
(c) Corificação
(d) Putrefação
(e) Maceração

7) O menor é inimputável frente a legislação comum por:

(a) Prejuízo da volição por imaturidade psíquica


(b) Carecer de consciência da ilicitude
(c) Ausência de dolo em sua ação
(d) Presunção absoluta
(e) Presunção relativa

8) O Infanticídio é um:
(a) Quadro patológico com entidades nosológicas de três tipos: blues, depressão pós-
parto e psicose pós-parto
(b) Quadro patológico caracterizado por transtorno do estresse agudo pós-parto
(c) Quadro patológico onde a puérpera evolui com despersonalização pós-parto
(d) Quadro patológico onde a puérpera evolui com desrealização pós-parto
(e) Tipo criminal especial ou privilegiado do homicídio

9) É um sinal primário ou próprio da ação do projétil como efeito lesivo no corpo


humano:
(a) Zona de esfumaçamento
(b) Zona de queimadura
(c) Zona de tatuagem
(d) Sinal de Benassi
(e) Tronco de cone

- 216 -
10) Preencher o Atestado de Óbito em um caso de vítima de atropelamento que veio a
falecer de choque séptico, 30 dias de evolução na enfermaria, cujos achados
necroscópicos foram: presença de grande quantidade de líquido amarelo citrino na
cavidade torácica; pulmões com sinais de pneumonia; fraturas dos quatro
membros e rafia de lesão hepática por laparotomia:

- 217 -
MEDICINA LEGAL – 2013/5

1) O primeiro fenômeno transformativo do cadáver é de natureza:


(a) Físico-química
(b) Biodinâmica
(c) Biológica
(d) Química
(e) Física

2) Analisando a fórmula papiloscópica abaixo, conclui-se que:

V – 2342

E – 3023

(a) O dedo médio da mão esquerda apresenta cicatriz


(b) O dedo fundamental é uma presilha externa
(c) O polegar da mão direita é do tipo verticilo
(d) O dedo médio da mão direita está ausente
(e) Trata-se de polidactilia

3) Qual a natureza jurídica do laudo pericial:


(a) Instrumento de prova
(b) Elemento de prova
(c) Meio de prova
(d) Vestígio
(e) Indício

4) Segunda fase da putrefação:


(a) Esqueletização
(b) Enfisematosa
(c) Coliquação
(d) Coloração
(e) Autólise

- 218 -
5) Com referência a ferida em “boca de mina de Hoffmann” (figura), provocada por
projétil de arma de fogo, é correto afirmar que:

(a) Ocorre quando o tiro é qualificado como encostado, desde que tenha uma plano
ósseo subjacente
(b) Ocorre quando o tiro é qualificado como encostado, em qualquer região do corpo
(c) Ocorre quando o tiro é qualificado como “a queima roupa” e se dá na cabeça
(d) Ocorre quando o tiro é qualificado como “à distância”, e se dá na cabeça
(e) Representa a ferida irregular e solapada diametralmente oposta à entrada

6) Qual o tipo de fenômeno transformador conservador apresenta um cadáver com


reduzido peso e volume, encontrado em região quente, ventilada e umidade do ar
baixa:
(a) Saponificação
(b) Mumificação
(c) Corificação
(d) Putrefação
(e) Maceração

7) O esquizofrênico por si só é:

(a) Inimputável desde que em conformidade com o critério previsto no caput do art.
26 do Código Penal
(b) Critério de culpabilidade, independente do seu estado de descompensação
(c) Inimputável frente à legislação comum por presunção absoluta
(d) Inimputável frente à legislação especial por condição notória
(e) Inimputável se estiver com quadro de perda da afetividade

- 219 -
8) Ordem geral de agente vulnerante implicado na feridas pérfurocotusas:
(a) Pérfurocontundente
(b) Pérfurocortante
(c) Biodinâmica
(d) Mecânica
(e) Física

9) É um sinal secundário da ação do projétil como efeito lesivo no corpo humano:


(a) Zona de esfumaçamento
(b) Orla de escoriação
(c) Túnel permanente
(d) Orla de equimose
(e) Tronco de cone

10) Preencher o Atestado de Óbito em um caso de vítima de disparo de arma de fogo,


cujos achados necroscópicos foram: duas feridas pérfurocontusas, sendo uma
apontada como entrada na região precordial e saída na região escapular esquerda;
hemotórax esquerdo; lesão transfixante do coração:

- 220 -
MEDICINA LEGAL – 2013/6

1) Qual estimativa em horas de intervalo pós-morte em um cadáver com temperatura


retal de 23ºC, considerando única e exclusivamente a equação de Moritz:
(a) 24
(b) 18
(c) 17
(d) 12
(e) 10

2) Analisando a fórmula papiloscópica abaixo, conclui-se que:

E – 1342

E – 3022

(a) O dedo médio da mão esquerda apresenta cicatriz


(b) O dedo fundamental é uma presilha externa
(c) O polegar da mão direita é do tipo verticilo
(d) O dedo médio da mão direita está ausente
(e) Trata-se de polidactilia

3) Qual a natureza jurídica do corpo de delito:


(a) Instrumento de prova
(b) Elemento de prova
(c) Meio de prova
(d) Vestígio
(e) Indício

4) Primeira fase da putrefação:


(a) Esqueletização
(b) Enfisematosa
(c) Coliquação
(d) Coloração
(e) Autólise

- 221 -
5) Com referência a ferida óssea em tronco de cone no crânio (figuras), provocada
por projétil de arma de fogo, é correto afirmar que:

(a) Ocorre quando o tiro é qualificado como encostado, desde que a entrada seja na
região frontal
(b) Permite apontar a entrada e a saída do projétil
(c) Permite estimar somente a entrada
(d) Permite estimar somente a saída
(e) Está vinculada à ação da pólvora

6) Qual o tipo de fenômeno transformador destrutivo apresenta um cadáver com


fragilidade, corrugamento, consistência reduzida da pele e com nítido descolamento
epidérmico em retalhos mostrando derme desnuda e embebida em hemoglobina:
(a) Saponificação
(b) Mumificação
(c) Corificação
(d) Putrefação
(e) Maceração

7) Jovem abstêmio ingere cerveja em comemoração a sua formatura. Após comete


um delito. Ao exame de embriaguez clínica se apresenta choroso, com memória
perturbada e perda da autocrítrica. À luz processual provavelmente:
(a) Pena reduzida por caso de força maior e embriaguez incompleta
(b) Está isento de pena por caso fortuito e embriaguez completa
(c) Inimputável frente à legislação especial por condição notória
(d) Pena reduzida por caso fortuito e embriaguez incompleta
(e) Não exclui a imputabilidade, respondendo integralmente

- 222 -
8) O gráfico abaixo do comportamento sexual aponta um caso de:

t (s)

(a) Múltiplos orgasmos


(b) Impotência coeundi
(c) Ejaculação precoce
(d) Anorgasmia
(e) Ninfomania

9) É um sinal primário da ação do projétil como efeito lesivo no corpo humano:


(a) Zona de esfumaçamento
(b) Cavidade temporária
(c) Zona de tatuagem
(d) Sinal de Benassi
(e) Tronco de cone

10) Preencher o Atestado de Óbito em um caso de vítima de atropelamento, cujos


achados necroscópicos foram: múltiplas escoriações hemáticas do tipo arrasto e
fraturas de crânio, coluna lombar e membros. Internamente: hematoma subdural,
hemoperitônio, laceração hepática, esplênica e renal.

- 223 -
COLETÂNIA DE PROVAS DO DIREITO

DIREITO / 2013-1

1) Qual indagação médico-legal se faz necessária dentro das limitações do alcance da teoria da
conditio sine qua non, em um caso concreto em que a vítima com um ferimento por projétil de
arma de fogo, ao ser transportada por uma ambulância, que vem a sofrer violenta colisão, tem
como consequência a morte imediata por traumatismo craniano em face da ação
contundente? Qual o fundamento jurídico e legal para tal indagação com vistas ao Direito
penal Subjetivo?

2) Há aplicação médico-legal nos crimes omissivos próprios? Em que consiste? Qual a relação,
nesses crimes, da medicina legal com o Direito penal Subjetivo e efetivamente qua a aplicação
do Direito penal Adjetivo frente às conclusões da perícia médico-legal nesses crimes? Qual a
fundamentação legal?

3) Qual diligência e destinatário, a autoridade policial deve proceder, frente ao flagrante de um


jovem com sinais inebriantes que detém pequena quantidade de droga ilícita, cujo advogado
de defesa alega que se trata de droga para consumo do jovem? Qual o princípio geral do
direito se aplica ao caso, segundo o raciocínio do advogado de defesa? Qual a fundamentação
jurídica e legal em relação ao portador de pequena quantidade de droga ilícita, que embasa o
delegado frente ao flagrante?

- 224 -
4) Qual diligência a autoridade policial poderá proceder frente a um agente delinquente preso
em flagrante delito e que dá sinais de perturbação mental? Qual a fundamentação jurídica e
legal?

5) Das espécies de sanção penal, as medidas de segurança serão cumpridas conforme a


espécie de pena privativa de liberdade aplicada à infração penal. Qual condição médico-legal
poderia, contrariamente aos preceitos legais, converter a espécie de medida de segurança ao
autor de infração penal punida com detenção para aquela punida com reclusão? Qual a
fundamentação legal contrariada?

6) Qual condição médico-forense fundamental aponta para o crime de infanticídio previsto no


art. 123 do CP, que afasta a aplicação do art. 121 do referido diploma legal, e qual o princípio
que soluciona o conflito aparente entre os dispositivos citados?

7) No campo do Direito Canônico há necessidade de perícia médica em um processo de


beatificação e canonização? Em caso afirmativo qual ou quais são as perícias? Qual a
autoridade é competente para a solicitação da perícia e a quem é destinada? O perito médico
deve necessariamente está investido no cargo público de perito legista?

8) Defina nascituro e quais as peculiaridades que são reservadas aos direitos dentro dos
institutos cíveis, no que concerne as condições de embrião pré-implantatório concebido in
vitro, e o alcance desses direitos à prole eventual? Qual a fundamentação legal?

9) Condições que operam o fim da personalidade ou de determinados direitos da


personalidade?

10) Qual a posição do perito dentro do Organograma Processual? Qual a fundamentação


Legal?

- 225 -
DIREITO / 2013-2

1) Qual argumento de defesa, dentro da nosologia médica (classificação de doenças),


você utilizaria para descaracterizar crime de uma mãe sob a influência do estado
puerperal que mata o próprio filho após o parto? Dentro da concepção doutrinária
tripartite qual a fundamentação jurídica para tal possibilidade? Qual o diagnóstico
jurídico médico-legal se impõe de acordo com o argumento da defesa, fundamentado
no art. 26 do CP? Entendendo e acatando as razões da defesa, qual a provável decisão
do Juiz quanto à sanção penal? Quais os pressupostos para tal decisão? Qual a
finalidade dessa sanção? Qual a espécie da sanção sentenciada, o prazo mínimo para
cumprir, e sua fundamentação jurídica e legal? Qual o Sistema mais adequado para o
caso, de acordo com a legislação pátria, vicariante ou duplo binário?

2) Qual fundamentação jurídica e legal dá subsídio ao médico com todas as exigências


documentais, praticar aborto conforme preceitua o Art. 128, II, CP, sem a necessidade
de Alvará Judicial? Quais as opções para a vítima? Qual o tempo gestacional que tal
abortamento pode ser realizado?

3) Quais os documentos de natureza médico-legal, são necessários para dar legalidade ao


abortamento de anencéfalo? Qual o tempo gestacional é permitido o abortamento
nesses casos?

4) Qual conotação jurídica expressa no Art. 129 CP dá margem à interpretação de


impedimento ao médico perito legista fazer prognóstico?

- 226 -
5) Qual argumento legal, em matéria de lesão corporal, impede o legista proceder de
ofício o exame complementar? Qual a finalidade do exame complementar e sua
fundamentação legal? Qual exame genérico o perito legista pode requisitar de ofício?

6) Quanto à propositura da ação penal, a lesão corporal leve fora do âmbito doméstico e
familiar é condicionada ou incondicionada a representação do ofendido? Tratando-se
de lesão corporal grave quem é o titular da ação penal?

7) Particularidades legais que definem lesão grave?

- 227 -
DIREITO / 2013-3

1) Analisar as alegações dos excelentíssimos ministros do Supremo Tribunal Federal por


ocasião do julgamento das arguições de descumprimento de preceito fundamental
(ADPFs) de nº 54 que trata do aborto de anencéfalo:
a. Ayres Brito: “se a gravidez se destina ao nada, a punição de sua interrupção é atípica,
ou seja, não há crime”; “Se todo aborto é interrupção voluntária de gravidez, nem toda
interrupção voluntária de gravidez é aborto”.
b. Gilmar Mendes: discordou da caracterização do aborto de feto anencefálico como
aborto atípico, já que esse tipo de feto ao se transformar em nascituro passa a ser
objeto de proteção até no direito civil. “A regra é a vedação do aborto, e não se pode
considerar atípico o aborto, ainda que terapêutico”.
c. Celso de mello: “A magnitude do direito à vida impõe o confronto com os direios
sexuais e reprodutivos das mulheres”, sobretudo quando se parte do pressuposto de
que “a vida começa com os primeiros sinais de atividades cerebrais”.
d. Cesar peluso: “Todos os fetos anencéfalos, a não ser que estejam mortos, tem vida. Se
o feto não tivesse vivo, não poderia morrer” ... “o aborto provocado de feto
anencéfalo é conduta vedada, de modo frontal, pela ordem jurídica, e esta Corte não
tem poder ou competência para abolir ou atenuar o crime de aborto”.
e. Marco Aurélio: “O feto anencéfalo é um morto cerebral”, apesar de ter “batimento
cardíaco e respiração”. Ou seja, de que “não existe presunção de vida extrauterina”.
f. Lewandowiski: Anencefalia é, na verdade, falta de “parte” do cérebro, difícil de ser
avaliada, e o STF não pode modificar ou interpretar uma lei aprovada pelo Congresso
(o Código Penal), abrindo condições para “abortos em série”.

Com base nas declarações, responda:

- Itens que apresentam argumentação científica médico-legal coerente (2,0 pontos):

_________________________

- Citar um item cuja argumentação científica está em desacordo com conceitos médico-
legais e em seguida justificar sucintamente (2,0 pontos):

__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________

- 228 -
2) São competentes para requisitar exame complementar em caso de lesões corporais :
a. Autoridade Policial e Defensoria
b. Autoridade Policial ou Judiciária
c. Ministério Público e Defensoria
d. Somente o Perito legista
e. Defensoria e ofendido

3) Qual argumentação jurídica dá proteção ao médico praticar aborto proveniente de


estupro, sem alvará judicial, fundamentado na declaração da interessada e toda
documentação pertinente a validar o ato, quando a circunstância narrada pela vítima
se descobre mais tarde que é mentirosa:
a. Erro sobre a ilicitude do fato
b. Descriminantes putativas
c. Causa de justificação
d. Falsidade ideológica
e. Vício formal

4) Qual o critério para indicar internação hospitalar ou tratamento ambulatorial como


regime de aplicação da Medida de Segurança:
a. Espécie de pena privativa de liberdade
b. Espécie de pena restritiva de direitos
c. Espécie de interdição de direitos
d. Regime penitenciário
e. Parecer psiquiátrico

- 229 -
ANEXO 1

MINUTA DO ÓBITO

- 230 -
- 231 -
ANEXO 2

ESQUEMAS CORPORAIS

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- 233 -
- 234 -