Você está na página 1de 574

Índice

Agência Nacional de Saúde Suplementar


ANS
Técnico Administrativo
EDITAL N°01, DE 12 DE NOVEMBRO DE 2015

ARTIGO DO WILLIAM DOUGLAS

LÍNGUA PORTUGUESA

Compreensão e interpretação de textos..............................................................................................................................01


Tipologia textual. Ortografia oficial....................................................................................................................................08
Acentuação gráfica................................................................................................................................................................12
Emprego das classes de palavras.........................................................................................................................................16
Emprego/correlação de tempos e modos verbais...............................................................................................................42
Emprego do sinal indicativo de crase..................................................................................................................................44
Sintaxe da oração e do período............................................................................................................................................49
Pontuação...............................................................................................................................................................................61
Concordância nominal e verbal...........................................................................................................................................64
Regência nominal e verbal...................................................................................................................................................69
Significação das palavras......................................................................................................................................................75
Redação de Correspondências oficiais (Conforme Manual de Redação da Presidência da República). Adequação da
linguagem ao tipo de documento. Adequação do formato do texto ao gênero.......................................................................82

RACIOCÍNIO LÓGICO

Estruturas lógicas. Lógica de argumentação: analogias, inferências, deduções e conclusões.......................................01


Lógica sentencial (ou proposicional). Proposições simples e compostas. Tabelas verdade. Equivalências. Leis de
Morgan. Diagramas lógicos.........................................................................................................................................................02
Lógica de primeira ordem....................................................................................................................................................12
Princípios de contagem e probabilidade.............................................................................................................................14
Operações com conjuntos.....................................................................................................................................................18
Raciocínio lógico envolvendo problemas aritméticos, geométricos e matriciais.............................................................23

Didatismo e Conhecimento
Índice

ÉTICA E CONDUTA NO SERVIÇO PÚBLICO

Ética e moral..........................................................................................................................................................................01
Ética, princípios e valores.....................................................................................................................................................03
Ética e democracia: exercício da cidadania........................................................................................................................05
Ética e função pública...........................................................................................................................................................07
Ética no Setor Público...........................................................................................................................................................10
Constituição Federal de 1988, Títulos I e II, Artigos do 1º ao 16º; Capítulo VII, Artigos 37 ao 41; Título VIII, Artigos
193 a 232....................................................................................................................................................................................... 11
Lei no- 8.112/1990 e alterações: Título IV regime disciplinar (deveres, proibições, acumulação, responsabilidades e
penalidades)..................................................................................................................................................................................25
Lei no- 8.429/92 - lei de Improbidade Administrativa.......................................................................................................33
Decreto no- 1.171/1994 (Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal)..........44
Lei no- 1.079/50 - lei dos Crimes de Responsabilidade; artigos 6º, 74 a 79.....................................................................52
Código Penal: Artigos. 312 a 326, que tratam dos crimes cometidos por funcionário público contra a Administração
Pública...........................................................................................................................................................................................53
Responsabilidade sêxtupla dos servidores públicos. Lei no- 12.527/11 - lei de Acesso à Informação...........................55

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

Constituição: conceito, classificações, princípios fundamentais.......................................................................................01


Direitos e garantias fundamentais. Direitos e deveres individuais e coletivos, direitos sociais, nacionalidade, cidadania,
direitos políticos, partidos políticos............................................................................................................................................10
Organização político-administrativa. União, estados, Distrito Federal, municípios e territórios.................................45
Administração pública. Disposições gerais, servidores públicos......................................................................................53
Poder Legislativo. Congresso Nacional, Câmara dos Deputados, Senado Federal, deputados e senadores................66
Poder Executivo. atribuições do Presidente da República e dos Ministros de Estado...................................................78
Poder Judiciário. Disposições gerais. Órgãos do Poder judiciário. Competências. Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Composição e competências........................................................................................................................................................81
Funções essenciais à Justiça. Ministério público, advocacia e defensoria públicas........................................................93

AGÊNCIAS REGULADORAS E LEGISLAÇÃO BÁSICA

As agências reguladoras e o princípio da legalidade..........................................................................................................01


Órgãos reguladores no Brasil: histórico e característica das autarquias........................................................................04
Lei no- 9.656/1998 - Regulamentação do setor de planos de saúde..................................................................................12
Lei 9.961/2000 - Criação da ANS.........................................................................................................................................23
Lei no- 10.871/2004 e suas alterações - Dispõe sobre a criação de carreiras e organização de cargos efetivos das
autarquias especiais denominadas Agências Reguladoras, e dá outras providências...........................................................29

NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO

Noções de organização administrativa. Administração direta e indireta, centralizada e descentralizada...................01


Ato administrativo: conceito, requisitos, atributos, classificação e espécies....................................................................03
Agentes públicos. Espécies e classificação. Cargo, emprego e função públicos..............................................................06
Poderes administrativos. Hierárquico, disciplinar, regulamentar e de polícia. Uso e abuso do poder..........................07

Didatismo e Conhecimento
Índice
Controle e responsabilização da administração. Controles administrativo, judicial e legislativo. Responsabilidade
civil do Estado..............................................................................................................................................................................10
Lei no- 8.112/1990 e suas alterações (Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da União, das Autarquias e das
Fundações Federais)....................................................................................................................................................................15
Noções de licitação pública: Lei no- 8.666/1993 - Lei de Licitações e Contratos da Administração Pública...............40
Lei no- 10.520/2002 - Lei do Pregão....................................................................................................................................66
IN MPOG/SLTI 02/2008 e suas alterações e IN MPOG/SLTI 04/2010............................................................................68
Decreto no- 5.450/2005 (Pregão Eletrônico).......................................................................................................................88
Decreto no-2.271/1997 (Contratação de serviços pela Administração Pública Federal direta, autárquica e
fundacional)..................................................................................................................................................................................93
Modalidades, dispensa e inexigibilidade. Contratos e compras. Convênios e termos similares....................................84

NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO

Funções da administração: planejamento, organização, direção e controle. Estrutura organizacional......................01


Cultura organizacional.........................................................................................................................................................02
Gestão de pessoas. Equilíbrio organizacional.....................................................................................................................03
Objetivos, desafios e características da gestão de pessoas.................................................................................................05
Comportamento organizacional: relações indivíduo/organização, motivação, liderança, desempenho.......................08
Gestão da qualidade e modelo de excelência gerencial......................................................................................................12
Principais teóricos e suas contribuições para a gestão da qualidade...............................................................................21
Ciclo PDCA............................................................................................................................................................................22
Ferramentas de gestão da qualidade. Modelo do gespublica............................................................................................23
Noções de gestão de processos: técnicas de mapeamento, análise e melhoria de processos...........................................25
Noções de administração de recursos materiais.................................................................................................................29

NOÇÕES DE ARQUIVOLOGIA

Arquivística: princípios e conceitos. Legislação arquivística. Gestão de documentos....................................................01


Protocolos: recebimento, registro, distribuição, tramitação e expedição de documentos. Classificação de documentos
de arquivo. Arquivamento e ordenação de documentos de arquivo. Tabela de temporalidade de documentos de
arquivo. Acondicionamento e armazenamento de documentos de arquivo. Preservação e conservação de documentos de
arquivo..........................................................................................................................................................................................03

NOÇÕES DE ORÇAMENTO PÚBLICO

Princípios orçamentários. Diretrizes orçamentárias. Processo orçamentário. Métodos, técnicas e instrumentos do


orçamento público; normas legais aplicáveis............................................................................................................................01
Receita pública: categorias, fontes, estágios; dívida ativa.................................................................................................15
Despesa pública: categorias, estágios..................................................................................................................................17
Suprimento de fundos...........................................................................................................................................................22
Restos a pagar........................................................................................................................................................................23
Despesas de exercícios anteriores.........................................................................................................................................26
A conta única do Tesouro......................................................................................................................................................27
Definição e tipos de tributos, tarifas, contribuições fiscais e parafiscais..........................................................................41

Didatismo e Conhecimento
SAC

Atenção
SAC
Dúvidas de Matéria
A NOVA APOSTILA oferece aos candidatos um serviço diferenciado - SAC (Serviço de Apoio ao Candidato).
O SAC possui o objetivo de auxiliar os candidatos que possuem dúvidas relacionadas ao conteúdo do edital.
O candidato que desejar fazer uso do serviço deverá enviar sua dúvida somente através do e-mail: professores@
novaconcursos.com.br.
Todas as dúvidas serão respondidas pela equipe de professores da Editora Nova, conforme a especialidade da
matéria em questão.
Para melhor funcionamento do serviço, solicitamos a especificação da apostila (apostila/concurso/cargo/Estado/
matéria/página). Por exemplo: Apostila Professor do Estado de São Paulo / Comum à todos os cargos - Disciplina:.
Português - paginas 82,86,90.
Havendo dúvidas em diversas matérias, deverá ser encaminhado um e-mail para cada especialidade, podendo
demorar em média 10 (dez) dias para retornar. Não retornando nesse prazo, solicitamos o reenvio do mesmo.

Erros de Impressão
Alguns erros de edição ou impressão podem ocorrer durante o processo de fabricação deste volume, caso
encontre algo, por favor, entre em contato conosco, pelo nosso e-mail, sac@novaconcursos.com.br.
Alertamos aos candidatos que para ingressar na carreira pública é necessário dedicação, portanto a NOVA
APOSTILA auxilia no estudo, mas não garante a sua aprovação. Como também não temos vínculos com a
organizadora dos concursos, de forma que inscrições, data de provas, lista de aprovados entre outros independe
de nossa equipe.
Havendo a retificação no edital, por favor, entre em contato pelo nosso e-mail, pois a apostila é elaborada com
base no primeiro edital do concurso, teremos o COMPROMISSO de enviar gratuitamente a retificação APENAS por
e-mail e também disponibilizaremos em nosso site, www.novaconcursos.com.br/, na opção ERRATAS.
Lembramos que nosso maior objetivo é auxiliá-los, portanto nossa equipe está igualmente à disposição para
quaisquer dúvidas ou esclarecimentos.

CONTATO COM A EDITORA:


2206-7700 / 0800-7722556

nova@novaapostila.com.br

@novaconcurso\\

/NOVAConcursosOficial

NovaApostila

Atenciosamente,
NOVA CONCURSOS
Grupo Nova Concursos
novaconcursos.com.br

Didatismo e Conhecimento
Artigo
O conteúdo do artigo abaixo é de responsabilidade do autor William Douglas, autorizado gentilmente e sem cláusula
de exclusividade, para uso do Grupo Nova.
O conteúdo das demais informações desta apostila é de total responsabilidade da equipe do Grupo Nova.

A ETERNA COMPETIÇÃO ENTRE O LAZER E O ESTUDO

Por William Douglas, professor, escritor e juiz federal.

Todo mundo já se pegou estudando sem a menor concentração, pensando nos momentos de lazer, como também já deixou de
aproveitar as horas de descanso por causa de um sentimento de culpa ou mesmo remorso, porque deveria estar estudando.
Fazer uma coisa e pensar em outra causa desconcentração, estresse e perda de rendimento no estudo ou trabalho. Além da
perda de prazer nas horas de descanso.
Em diversas pesquisas que realizei durante palestras e seminários pelo país, constatei que os três problemas mais comuns de
quem quer vencer na vida são:
• medo do insucesso (gerando ansiedade, insegurança),
• falta de tempo e
• “competição” entre o estudo ou trabalho e o lazer.

E então, você já teve estes problemas?


Todo mundo sabe que para vencer e estar preparado para o dia-a-dia é preciso muito conhecimento, estudo e dedicação, mas
como conciliar o tempo com as preciosas horas de lazer ou descanso?
Este e outros problemas atormentavam-me quando era estudante de Direito e depois, quando passei à preparação para concursos
públicos. Não é à toa que fui reprovado em 5 concursos diferentes!
Outros problemas? Falta de dinheiro, dificuldade dos concursos (que pagam salários de até R$ 6.000,00/mês, com status e
estabilidade, gerando enorme concorrência), problemas de cobrança dos familiares, memória, concentração etc.
Contudo, depois de aprender a estudar, acabei sendo 1º colocado em outros 7 concursos, entre os quais os de Juiz de Direito,
Defensor Público e Delegado de Polícia. Isso prova que passar em concurso não é impossível e que quem é reprovado pode “dar a
volta por cima”.
É possível, com organização, disciplina e força de vontade, conciliar um estudo eficiente com uma vida onde haja espaço para
lazer, diversão e pouco ou nenhum estresse. A qualidade de vida associada às técnicas de estudo são muito mais produtivas do que a
tradicional imagem da pessoa trancafiada, estudando 14 horas por dia.
O sucesso no estudo e em provas (escritas, concursos, entrevistas etc.) depende basicamente de três aspectos, em geral,
desprezados por quem está querendo passar numa prova ou conseguir um emprego:
1º) clara definição dos objetivos e técnicas de planejamento e organização;
2º) técnicas para aumentar o rendimento do estudo, do cérebro e da memória;
3º) técnicas específicas sobre como fazer provas e entrevistas, abordando dicas e macetes que a experiência fornece, mas que
podem ser aprendidos.
O conjunto destas técnicas resulta em um aprendizado melhor e em mais sucesso nas provas escritas e orais (inclusive entrevistas).
Aos poucos, pretendemos ir abordando estes assuntos, mas já podemos anotar aqui alguns cuidados e providências que irão
aumentar seu desempenho.
Para melhorar a “briga” entre estudo e lazer, sugiro que você aprenda a administrar seu tempo. Para isto, como já disse, basta
um pouco de disciplina e organização.
O primeiro passo é fazer o tradicional quadro horário, colocando nele todas as tarefas a serem realizadas. Ao invés de servir
como uma “prisão”, este procedimento facilitará as coisas para você. Pra começar, porque vai levá-lo a escolher as coisas que não são
imediatas e a estabelecer suas prioridades. Experimente. Em pouco tempo, você vai ver que isto funciona.
Também é recomendável que você separe tempo suficiente para dormir, fazer algum exercício físico e dar atenção à família ou
ao namoro. Sem isso, o estresse será uma mera questão de tempo. Por incrível que pareça, o fato é que com uma vida equilibrada o
seu rendimento final no estudo aumenta.
Outra dica simples é a seguinte: depois de escolher quantas horas você vai gastar com cada tarefa ou atividade, evite pensar em
uma enquanto está realizando a outra. Quando o cérebro mandar “mensagens” sobre outras tarefas, é só lembrar que cada uma tem
seu tempo definido. Isto aumentará a concentração no estudo, o rendimento e o prazer e relaxamento das horas de lazer.
Aprender a separar o tempo é um excelente meio de diminuir o estresse e aumentar o rendimento, não só no estudo, como em
tudo que fazemos.

*William Douglas é juiz federal, professor universitário, palestrante e autor de mais de 30 obras, dentre elas o best-seller
“Como passar em provas e concursos” . Passou em 9 concursos, sendo 5 em 1º Lugar
www.williamdouglas.com.br
Conteúdo cedido gratuitamente, pelo autor, com finalidade de auxiliar os candidatos.

Didatismo e Conhecimento
LÍNGUA PORTUGUESA
LÍNGUA PORTUGUESA
- Capacidade de observação e de síntese e
COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO - Capacidade de raciocínio.
DE TEXTOS.
Interpretar X Compreender

Interpretar significa
- Explicar, comentar, julgar, tirar conclusões, deduzir.
É muito comum, entre os candidatos a um cargo público, a - Através do texto, infere-se que...
preocupação com a interpretação de textos. Por isso, vão aqui - É possível deduzir que...
alguns detalhes que poderão ajudar no momento de responder às - O autor permite concluir que...
questões relacionadas a textos. - Qual é a intenção do autor ao afirmar que...

Texto – é um conjunto de ideias organizadas e relacionadas Compreender significa


entre si, formando um todo significativo capaz de produzir - intelecção, entendimento, atenção ao que realmente está
interação comunicativa (capacidade de codificar e decodificar ). escrito.
- o texto diz que...
Contexto – um texto é constituído por diversas frases. Em - é sugerido pelo autor que...
cada uma delas, há uma certa informação que a faz ligar-se com a - de acordo com o texto, é correta ou errada a afirmação...
anterior e/ou com a posterior, criando condições para a estruturação - o narrador afirma...
do conteúdo a ser transmitido. A essa interligação dá-se o nome
de contexto. Nota-se que o relacionamento entre as frases é tão Erros de interpretação
grande que, se uma frase for retirada de seu contexto original e
É muito comum, mais do que se imagina, a ocorrência de
analisada separadamente, poderá ter um significado diferente
erros de interpretação. Os mais frequentes são:
daquele inicial.
- Extrapolação (viagem): Ocorre quando se sai do contexto,
acrescentado ideias que não estão no texto, quer por conhecimento
Intertexto - comumente, os textos apresentam referências
prévio do tema quer pela imaginação.
diretas ou indiretas a outros autores através de citações. Esse tipo
- Redução: É o oposto da extrapolação. Dá-se atenção apenas
de recurso denomina-se intertexto.
a um aspecto, esquecendo que um texto é um conjunto de ideias,
o que pode ser insuficiente para o total do entendimento do tema
Interpretação de texto - o primeiro objetivo de uma desenvolvido.
interpretação de um texto é a identificação de sua ideia principal. A
partir daí, localizam-se as ideias secundárias, ou fundamentações, - Contradição: Não raro, o texto apresenta ideias contrárias
as argumentações, ou explicações, que levem ao esclarecimento às do candidato, fazendo-o tirar conclusões equivocadas e,
das questões apresentadas na prova. consequentemente, errando a questão.
Normalmente, numa prova, o candidato é convidado a: Observação - Muitos pensam que há a ótica do escritor e a
ótica do leitor. Pode ser que existam, mas numa prova de concurso,
- Identificar – é reconhecer os elementos fundamentais de o que deve ser levado em consideração é o que o autor diz e nada
uma argumentação, de um processo, de uma época (neste caso, mais.
procuram-se os verbos e os advérbios, os quais definem o tempo).
- Comparar – é descobrir as relações de semelhança ou de Coesão - é o emprego de mecanismo de sintaxe que relaciona
diferenças entre as situações do texto. palavras, orações, frases e/ou parágrafos entre si. Em outras
- Comentar - é relacionar o conteúdo apresentado com uma palavras, a coesão dá-se quando, através de um pronome relativo,
realidade, opinando a respeito. uma conjunção (NEXOS), ou um pronome oblíquo átono, há uma
- Resumir – é concentrar as ideias centrais e/ou secundárias relação correta entre o que se vai dizer e o que já foi dito.
em um só parágrafo.
- Parafrasear – é reescrever o texto com outras palavras. OBSERVAÇÃO – São muitos os erros de coesão no dia-a-dia
e, entre eles, está o mau uso do pronome relativo e do pronome
Condições básicas para interpretar oblíquo átono. Este depende da regência do verbo; aquele do seu
antecedente. Não se pode esquecer também de que os pronomes
Fazem-se necessários: relativos têm, cada um, valor semântico, por isso a necessidade de
- Conhecimento histórico–literário (escolas e gêneros adequação ao antecedente.
literários, estrutura do texto), leitura e prática; Os pronomes relativos são muito importantes na interpretação
- Conhecimento gramatical, estilístico (qualidades do texto) de texto, pois seu uso incorreto traz erros de coesão. Assim sendo,
e semântico; deve-se levar em consideração que existe um pronome relativo
Observação – na semântica (significado das palavras) adequado a cada circunstância, a saber:
incluem--se: homônimos e parônimos, denotação e conotação,
sinonímia e antonímia, polissemia, figuras de linguagem, entre - que (neutro) - relaciona-se com qualquer antecedente, mas
outros. depende das condições da frase.

Didatismo e Conhecimento 1
LÍNGUA PORTUGUESA
- qual (neutro) idem ao anterior. princesas do século 19, passou a servir reis e rainhas do 20: levou
- quem (pessoa) gim tônicas para Vinicius e caipirinhas para Sinatra, uísques para
- cujo (posse) - antes dele aparece o possuidor e depois o Tom e leites para Nelson, recebeu gordas gorjetas de Orson Welles
objeto possuído. e autógrafos de Rockfeller; ainda hoje fala de futebol com Roberto
- como (modo) Carlos e ouve conselhos de João Gilberto. Continua tão nobre
- onde (lugar) quanto sempre foi, seu orgulho permanece intacto.
quando (tempo) Até que chega esse paulista, esse homem bidimensional e sem
quanto (montante) poesia, de camisa polo, meia soquete e sapatênis, achando que o
jacarezinho de sua Lacoste é um crachá universal, capaz de abrir
Exemplo: todas as portas. Ah, paulishhhhta otááário, nenhum emblema
Falou tudo QUANTO queria (correto) preencherá o vazio que carregas no peito - pensa o garçom,
Falou tudo QUE queria (errado - antes do QUE, deveria antes de conduzi-lo à última mesa do restaurante, a caminho do
aparecer o demonstrativo O ). banheiro, e ali esquecê-lo para todo o sempre.
Veja, veja como ele se debate, como se debaterá amanhã,
Dicas para melhorar a interpretação de textos depois de amanhã e até a Quarta-Feira de Cinzas, maldizendo a
Guanabara, saudoso das várzeas do Tietê, onde a desigualdade
é tão mais organizada: “Ô, companheirô, faz meia hora que eu
- Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral do assunto;
cheguei, dava pra ver um cardápio?!”. Acalme-se, conterrâneo.
- Se encontrar palavras desconhecidas, não interrompa a
Acostume-se com sua existência plebeia. O garçom carioca
leitura; não está aí para servi-lo, você é que foi ao restaurante para
- Ler, ler bem, ler profundamente, ou seja, ler o texto pelo homenageá-lo.
menos duas vezes; (Antonio Prata, Cliente paulista, garçom carioca. Folha de
- Inferir; S.Paulo, 06.02.2013)
- Voltar ao texto quantas vezes precisar; (*) Um tipo de coreografia, de dança.
- Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as do autor; 1-) (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE
- Fragmentar o texto (parágrafos, partes) para melhor SÃO PAULO - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO –
compreensão; VUNESP/2013) Assinale a alternativa contendo passagem em que
- Verificar, com atenção e cuidado, o enunciado de cada o autor simula dialogar com o leitor.
questão; (A) Acalme-se, conterrâneo. Acostume-se com sua existência
- O autor defende ideias e você deve percebê-las. plebeia.
(B) Ô, companheiro, faz meia hora que eu cheguei...
Fonte: (C) Veja, aí estão eles, a bailar seu diabólico “pas de deux”.
http://www.tudosobreconcursos.com/materiais/portugues/ (D) Sim, meu caro paulista...
como-interpretar-textos (E) Ah, paulishhhhta otááário...

QUESTÕES Em “meu caro paulista”, o autor está dirigindo-se a nós,


leitores.
(TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO RESPOSTA: “D”.
- ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – VUNESP/2013 -
ADAPTADO) Leia o texto, para responder às questões de números 2-) (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE
1 e 2. SÃO PAULO - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO –
Veja, aí estão eles, a bailar seu diabólico “pas de deux” VUNESP/2013) O contexto em que se encontra a passagem – Se
(*): sentado, ao fundo do restaurante, o cliente paulista acena, deixou de bajular os príncipes e princesas do século 19, passou
a servir reis e rainhas do 20 (2.º parágrafo) – leva a concluir,
assovia, agita os braços num agônico polichinelo; encostado
corretamente, que a menção a
à parede, marmóreo e impassível, o garçom carioca o ignora
(A) príncipes e princesas constitui uma referência em sentido
com redobrada atenção. O paulista estrebucha: “Amigô?!”,
não literal.
“Chefê?!”, “Parceirô?!”; o garçom boceja, tira um fiapo do (B) reis e rainhas constitui uma referência em sentido não
ombro, olha pro lustre. literal.
Eu disse “cliente paulista”, percebo a redundância: o paulista (C) príncipes, princesas, reis e rainhas constitui uma referência
é sempre cliente. Sem querer estereotipar, mas já estereotipando: em sentido não literal.
trata-se de um ser cujas interações sociais terminam, 99% das (D) príncipes, princesas, reis e rainhas constitui uma referência
vezes, diante da pergunta “débito ou crédito?”.[...] Como pode ele em sentido literal.
entender que o fato de estar pagando não garantirá a atenção do (E) reis e rainhas constitui uma referência em sentido literal.
garçom carioca? Como pode o ignóbil paulista, nascido e criado
na crua batalha entre burgueses e proletários, compreender o Pela leitura do texto infere-se que os “reis e rainhas” do século
discreto charme da aristocracia? 20 são as personalidades da mídia, os “famosos” e “famosas”.
Sim, meu caro paulista: o garçom carioca é antes de tudo Quanto a príncipes e princesas do século 19, esses eram da corte,
um nobre. Um antigo membro da corte que esconde, por trás literalmente.
da carapinha entediada, do descaso e da gravata borboleta,
saudades do imperador. [...] Se deixou de bajular os príncipes e RESPOSTA: “B”.

Didatismo e Conhecimento 2
LÍNGUA PORTUGUESA
Texto para a questão 3: Pela leitura do texto percebe-se, claramente, que a autora narra
um momento simples, mas que é prazeroso ao casal.
DA DISCRIÇÃO RESPOSTA: “D”.
Mário Quintana
Não te abras com teu amigo 5-) (SABESP/SP – ATENDENTE A CLIENTES 01 –
Que ele um outro amigo tem. FCC/2014 - ADAPTADA) Atenção: Para responder à questão,
E o amigo do teu amigo considere o texto abaixo.
Possui amigos também...
(http://pensador.uol.com.br/poemas_de_amizade) A marca da solidão
Deitado de bruços, sobre as pedras quentes do chão de
3-) (PREFEITURA DE SERTÃOZINHO – AGENTE paralelepípedos, o menino espia. Tem os braços dobrados e a testa
COMUNITÁRIO DE SAÚDE – VUNESP/2012) De acordo com o pousada sobre eles, seu rosto formando uma tenda de penumbra na
poema, é correto afirmar que tarde quente.
(A) não se deve ter amigos, pois criar laços de amizade é algo Observa as ranhuras entre uma pedra e outra. Há, dentro de
ruim. cada uma delas, um diminuto caminho de terra, com pedrinhas e
(B) amigo que não guarda segredos não merece respeito. tufos minúsculos de musgos, formando pequenas plantas, ínfimos
(C) o melhor amigo é aquele que não possui outros amigos. bonsais só visíveis aos olhos de quem é capaz de parar de viver
(D) revelar segredos para o amigo pode ser arriscado. para, apenas, ver. Quando se tem a marca da solidão na alma, o
(E) entre amigos, não devem existir segredos. mundo cabe numa fresta.
Pela leitura do poema identifica-se, apenas, a informação contida (SEIXAS, Heloísa. Contos mais que mínimos. Rio de Janeiro:
na alternativa: revelar segredos para o amigo pode ser arriscado. Tinta negra bazar, 2010. p. 47)
RESPOSTA: “D”.
No texto, o substantivo usado para ressaltar o universo reduzido
4-) (GOVERNO DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO no qual o menino detém sua atenção é
– SECRETARIA DE ESTADO DA JUSTIÇA – AGENTE (A) fresta.
PENITENCIÁRIO – VUNESP/2013) Leia o poema para responder (B) marca.
à questão. (C) alma.
(D) solidão.
Casamento
(E) penumbra.
Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
Com palavras do próprio texto responderemos: o mundo cabe
mas que limpe os peixes.
numa fresta.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
RESPOSTA: “A”.
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha, 6-) (ANCINE – TÉCNICO ADMINISTRATIVO –
de vez em quando os cotovelos se esbarram, CESPE/2012)
ele fala coisas como “este foi difícil” O riso é tão universal como a seriedade; ele abarca a totalidade
“prateou no ar dando rabanadas” do universo, toda a sociedade, a história, a concepção de mundo.
e faz o gesto com a mão. É uma verdade que se diz sobre o mundo, que se estende a todas
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez as coisas e à qual nada escapa. É, de alguma maneira, o aspecto
atravessa a cozinha como um rio profundo. festivo do mundo inteiro, em todos os seus níveis, uma espécie de
Por fim, os peixes na travessa, segunda revelação do mundo.
vamos dormir. Mikhail Bakhtin. A cultura popular na Idade Média e o
Coisas prateadas espocam: Renascimento: o contexto de François Rabelais. São Paulo: Hucitec,
somos noivo e noiva. 1987, p. 73 (com adaptações).
(Adélia Prado, Poesia Reunida)
Na linha 1, o elemento “ele” tem como referente textual “O
A ideia central do poema de Adélia Prado é mostrar que riso”.
(A) as mulheres que amam valorizam o cotidiano e não gostam (...) CERTO ( ) ERRADO
que os maridos frequentem pescarias, pois acham difícil limpar os
peixes. Vamos ao texto: O riso é tão universal como a seriedade; ele
(B) o eu lírico do poema pertence ao grupo de mulheres que abarca a totalidade do universo (...). Os termos relacionam-se. O
não gostam de limpar os peixes, embora valorizem os esbarrões de pronome “ele” retoma o sujeito “riso”.
cotovelos na cozinha. RESPOSTA: “CERTO”.
(C) há mulheres casadas que não gostam de ficar sozinhas com
seus maridos na cozinha, enquanto limpam os peixes. 7-) (ANEEL – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CESPE/2010)
(D) as mulheres que amam valorizam os momentos mais simples Só agora, quase cinco meses depois do apagão que atingiu pelo
do cotidiano vividos com a pessoa amada. menos 1.800 cidades em 18 estados do país, surge uma explicação
(E) o casamento exige levantar a qualquer hora da noite, para oficial satisfatória para o corte abrupto e generalizado de
limpar, abrir e salgar o peixe. energia no final de 2009.

Didatismo e Conhecimento 3
LÍNGUA PORTUGUESA
Segundo relatório da Agência Nacional de Energia Elétrica O efeito surpresa e de humor que se extrai do texto acima
(ANEEL), a responsabilidade recai sobre a empresa estatal decorre
Furnas, cujas linhas de transmissão cruzam os mais de 900 km A) da identificação numérica atribuída ao louco.
que separam Itaipu de São Paulo. B) da expressão utilizada pelo carteiro ao entregar a carta no
Equipamentos obsoletos, falta de manutenção e de hospício.
investimentos e também erros operacionais conspiraram para C) do fato de outro louco querer saber quem enviou a carta.
produzir a mais séria falha do sistema de geração e distribuição D) da explicação dada pelo louco para a carta em branco.
de energia do país desde o traumático racionamento de 2001. E) do fato de a irmã do louco ter brigado com ele.
Folha de S.Paulo, Editorial, 30/3/2010 (com adaptações).
Considerando os sentidos e as estruturas linguísticas do Geralmente o efeito de humor desses gêneros textuais aparece
texto acima apresentado, julgue os próximos itens. no desfecho da história, ao final, como nesse: “Ah, porque nós
A oração “que atingiu pelo menos 1.800 cidades em 18 brigamos e não estamos nos falando”.
estados do país” tem, nesse contexto, valor restritivo. RESPOSTA: “D”.
(...) CERTO ( ) ERRADO
10-) (CORREIOS – CARTEIRO – CESPE/2011)
Voltemos ao texto: “depois do apagão que atingiu pelo Um homem se dirige à recepcionista de uma clínica:
menos 1.800 cidades”. O “que” pode ser substituído por “o qual”, — Por favor, quero falar com o dr. Pedro.
— O senhor tem hora?
portanto, trata-se de um pronome relativo (oração subordinada
O sujeito olha para o relógio e diz:
adjetiva). Quando há presença de vírgula, temos uma adjetiva
— Sim. São duas e meia.
explicativa (generaliza a informação da oração principal. A
— Não, não... Eu quero saber se o senhor é paciente.
construção seria: “do apagão, que atingiu pelo menos 1800
— O que a senhora acha? Faz seis meses que ele não me paga
cidades em 18 estados do país”); quando não há, temos uma o aluguel do consultório...
adjetiva restritiva (restringe, delimita a informação – como no Internet: <www.humortadela.com.br/piada> (com
caso do exercício). adaptações).
RESPOSTA: “CERTO’.
No texto acima, a recepcionista dirige-se duas vezes ao
8-) (COLÉGIO PEDRO II/RJ – ASSISTENTE EM homem para saber se ele
ADMINISTRAÇÃO – AOCP/2010) “A carga foi desviada e a A) verificou o horário de chegada e está sob os cuidados do
viatura, com os vigilantes, abandonada em Pirituba, na zona dr. Pedro.
norte de São Paulo.” B) pode indicar-lhe as horas e decidiu esperar o pagamento
Pela leitura do fragmento acima, é correto afirmar que, em do aluguel.
sua estrutura sintática, houve supressão da expressão C) tem relógio e sabe esperar.
a) vigilantes. D) marcou consulta e está calmo.
b) carga. E) marcou consulta para aquele dia e está sob os cuidados do
c) viatura. dr. Pedro.
d) foi.
e) desviada. “O senhor tem hora? (...) Não, não... Eu quero saber se o
senhor é paciente” = a recepcionista quer saber se ele marcou
“A carga foi desviada e a viatura, com os vigilantes, horário e se é paciente do Dr. Pedro.
abandonada em Pirituba, na zona norte de São Paulo.” Trata-se RESPOSTA: “E”.
da figura de linguagem (de construção ou sintaxe) “zeugma”,
que consiste na omissão de um termo já citado anteriormente (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – TÉCNICO DA
(diferente da elipse, que o termo não é citado, mas facilmente FAZENDA ESTADUAL – FCC/2010 - ADAPTADA) Atenção:
identificado). No enunciado temos a narração de que a carga foi As questões de números 11 a 14 referem-se ao texto abaixo.
desviada e de que a viatura foi abandonada. Liderança é uma palavra frequentemente associada a feitos
e realizações de grandes personagens da história e da vida social
RESPOSTA: “D”.
ou, então, a uma dimensão mágica, em que algumas poucas
pessoas teriam habilidades inatas ou o dom de transformar-se em
9-) (CORREIOS – CARTEIRO – CESPE/2011)
grandes líderes, capazes de influenciar outras e, assim, obter e
Um carteiro chega ao portão do hospício e grita: manter o poder.
— Carta para o 9.326!!! Os estudos sobre o tema, no entanto, mostram que a maioria
Um louco pega o envelope, abre-o e vê que a carta está em das pessoas pode tornar-se líder, ou pelo menos desenvolver
branco, e um outro pergunta: consideravelmente as suas capacidades de liderança.
— Quem te mandou essa carta? Paulo Roberto Motta diz: “líderes são pessoas comuns
— Minha irmã. que aprendem habilidades comuns, mas que, no seu conjunto,
— Mas por que não está escrito nada? formam uma pessoa incomum”. De fato, são necessárias algumas
— Ah, porque nós brigamos e não estamos nos falando! habilidades, mas elas podem ser aprendidas tanto através das
Internet: <www.humortadela.com.br/piada> (com experiências da vida, quanto da formação voltada para essa
adaptações). finalidade.

Didatismo e Conhecimento 4
LÍNGUA PORTUGUESA
O fenômeno da liderança só ocorre na inter-relação; 13-) (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO –
envolve duas ou mais pessoas e a existência de necessidades TÉCNICO DA FAZENDA ESTADUAL – FCC/2010) O fenômeno
para serem atendidas ou objetivos para serem alcançados, que da liderança só ocorre na inter-relação ... (4º parágrafo)
requerem a interação cooperativa dos membros envolvidos. Não No contexto, inter-relação significa
pressupõe proximidade física ou temporal: pode-se ter a mente e/ (A) o respeito que os membros de uma equipe devem
ou o comportamento influenciado por um escritor ou por um líder demonstrar ao acatar as decisões tomadas pelo líder, por resultarem
religioso que nunca se viu ou que viveu noutra época. [...] em benefício de todo o grupo.
Se a legitimidade da liderança se baseia na aceitação do (B) a igualdade entre os valores dos integrantes de um
poder de influência do líder, implica dizer que parte desse poder grupo devidamente orientado pelo líder e aqueles propostos pela
encontra-se no próprio grupo. É nessa premissa que se fundamenta organização a que prestam serviço.
a maioria das teorias contemporâneas sobre liderança. (C) o trabalho que deverá sempre ser realizado em equipe,
Daí definirem liderança como a arte de usar o poder que existe de modo que os mais capacitados colaborem com os de menor
nas pessoas ou a arte de liderar as pessoas para fazerem o que se capacidade.
requer delas, da maneira mais efetiva e humana possível. [...] (D) a criação de interesses mútuos entre membros de uma
(Augusta E.E.H. Barbosa do Amaral e Sandra Souza Pinto. equipe e de respeito às metas que devem ser alcançadas por todos.
Gestão de pessoas, in Desenvolvimento gerencial na Administração Pela leitura do texto, dentre as alternativas apresentadas, a que
pública do Estado de São Paulo, org. Lais Macedo de Oliveira e está coerente com o sentido dado à palavra “inter-relação” é: “a
Maria Cristina Pinto Galvão, Secretaria de Gestão pública, São criação de interesses mútuos entre membros de uma equipe e de
Paulo: Fundap, 2. ed., 2009, p. 290 e 292, com adaptações) respeito às metas que devem ser alcançadas por todos”.
RESPOSTA: “D”.
11-) (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – TÉCNICO
DA FAZENDA ESTADUAL – FCC/2010) De acordo com o texto, 14-) (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – TÉCNICO
liderança DA FAZENDA ESTADUAL – FCC/2010) Não pressupõe
(A) é a habilidade de chefiar outras pessoas que não pode ser proximidade física ou temporal ... (4º parágrafo)
desenvolvida por aqueles que somente executam tarefas em seu A afirmativa acima quer dizer, com outras palavras, que
(A) a presença física de um líder natural é fundamental para que
ambiente de trabalho.
seus ensinamentos possam ser divulgados e aceitos.
(B) é típica de épocas passadas, como qualidades de heróis da
(B) um líder verdadeiramente capaz é aquele que sempre se
história da humanidade, que realizaram grandes feitos e se tornaram
atualiza, adquirindo conhecimentos de fontes e de autores diversos.
poderosos através deles.
(C) o aprendizado da liderança pode ser produtivo, mesmo se
(C) vem a ser a capacidade, que pode ser inata ou até mesmo
houver distância no tempo e no espaço entre aquele que influencia e
adquirida, de conseguir resultados desejáveis daqueles que
aquele que é influenciado.
constituem a equipe de trabalho. (D) as influências recebidas devem ser bem analisadas e postas
(D) torna-se legítima se houver consenso em todos os grupos em prática em seu devido tempo e na ocasião mais propícia.
quanto à escolha do líder e ao modo como ele irá mobilizar esses
grupos em torno de seus objetivos pessoais. Não pressupõe proximidade física ou temporal = o aprendizado
da liderança pode ser produtivo, mesmo se houver distância no tempo
Utilizando trechos do próprio texto, podemos chegar à e no espaço entre aquele que influencia e aquele que é influenciado.
conclusão: O fenômeno da liderança só ocorre na inter-relação; RESPOSTA: “C”.
envolve duas ou mais pessoas e a existência de necessidades para
serem atendidas ou objetivos para serem alcançados, que requerem 15-) (DETRAN/RN – VISTORIADOR/EMPLACADOR –
a interação cooperativa dos membros envolvidos = equipe FGV PROJETOS/2010)
RESPOSTA: “C”.
Painel do leitor (Carta do leitor)
12-) (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – TÉCNICO
DA FAZENDA ESTADUAL – FCC/2010) O texto deixa claro que Resgate no Chile
(A) a importância do líder baseia-se na valorização de todo o
grupo em torno da realização de um objetivo comum. Assisti ao maior espetáculo da Terra numa operação de
(B) o líder é o elemento essencial dentro de uma organização, salvamento de vidas, após 69 dias de permanência no fundo de
pois sem ele não se poderá atingir qualquer meta ou objetivo. uma mina de cobre e ouro no Chile.
(C) pode não haver condições de liderança em algumas Um a um os mineiros soterrados foram içados com sucesso,
equipes, caso não se estabeleçam atividades específicas para cada mostrando muita calma, saúde, sorrindo e cumprimentando seus
um de seus membros. companheiros de trabalho. Não se pode esquecer a ajuda técnica
(D) a liderança é um dom que independe da participação dos e material que os Estados Unidos, Canadá e China ofereceram
componentes de uma equipe em um ambiente de trabalho. à equipe chilena de salvamento, num gesto humanitário que
só enobrece esses países. E, também, dos dois médicos e dois
O texto deixa claro que a importância do líder baseia-se na “socorristas” que, demonstrando coragem e desprendimento,
valorização de todo o grupo em torno da realização de um objetivo desceram na mina para ajudar no salvamento.
comum. (Douglas Jorge; São Paulo, SP; www.folha.com.br – painel
RESPOSTA: “A”. do leitor – 17/10/2010)

Didatismo e Conhecimento 5
LÍNGUA PORTUGUESA
Considerando o tipo textual apresentado, algumas expressões 17-) (DCTA – TÉCNICO 1 – SEGURANÇA DO TRABALHO
demonstram o posicionamento pessoal do leitor diante do fato – VUNESP/2013) De acordo com o texto, pode-se afirmar que, assim
por ele narrado. Tais marcas textuais podem ser encontradas nos como seus amigos, a autora viaja para
trechos a seguir, EXCETO: (A) visitar um lugar totalmente desconhecido.
A) “Assisti ao maior espetáculo da Terra...” (B) escapar do lugar em que está.
B) “... após 69 dias de permanência no fundo de uma mina de (C) reencontrar familiares queridos.
cobre e ouro no Chile.” (D) praticar esportes radicais.
C) “Não se pode esquecer a ajuda técnica e material...” (E) dedicar-se ao trabalho.
D) “... gesto humanitário que só enobrece esses países.”
E) “... demonstrando coragem e desprendimento, desceram na Eu vou para a Ilha do Nanja para sair daqui = resposta da própria
mina...” autora!
RESPOSTA: “B”.
Em todas as alternativas há expressões que representam a
opinião do autor: Assisti ao maior espetáculo da Terra / Não se 18-) Ao descrever a Ilha do Nanja como um lugar onde, “à beira
pode esquecer / gesto humanitário que só enobrece / demonstrando das lagoas verdes e azuis, o silêncio cresce como um bosque” (último
coragem e desprendimento. parágrafo), a autora sugere que viajará para um lugar
(A) repulsivo e populoso.
RESPOSTA: “B”.
(B) sombrio e desabitado.
(C) comercial e movimentado.
(DCTA – TÉCNICO 1 – SEGURANÇA DO TRABALHO
(D) bucólico e sossegado.
– VUNESP/2013 - ADAPTADA) Leia o texto para responder às (E) opressivo e agitado.
questões de números 16 a 18.
Pela descrição realizada, o lugar não tem nada de ruim.
Férias na Ilha do Nanja RESPOSTA: “D”.
Meus amigos estão fazendo as malas, arrumando as malas nos (POLÍCIA MILITAR/TO – SOLDADO – CONSULPLAN/2013
seus carros, olhando o céu para verem que tempo faz, pensando - ADAPTADA) Texto para responder à questão.
nas suas estradas – barreiras, pedras soltas, fissuras* – sem falar
em bandidos, milhões de bandidos entre as fissuras, as pedras
soltas e as barreiras...
Meus amigos partem para as suas férias, cansados de tanto
trabalho; de tanta luta com os motoristas da contramão; enfim,
cansados, cansados de serem obrigados a viver numa grande
cidade, isto que já está sendo a negação da própria vida.
E eu vou para a Ilha do Nanja.
Eu vou para a Ilha do Nanja para sair daqui. Passarei as
férias lá, onde, à beira das lagoas verdes e azuis, o silêncio cresce
como um bosque. Nem preciso fechar os olhos: já estou vendo
os pescadores com suas barcas de sardinha, e a moça à janela a (Adail et al II. Antologia brasileira de humor. Volume 1. Porto
namorar um moço na outra janela de outra ilha. Alegre: L&PM, 1976. p. 95.)
(Cecília Meireles, O que se diz e o que se entende. Adaptado)
A charge anterior é de Luiz Carlos Coutinho, cartunista
*fissuras: fendas, rachaduras mineiro mais conhecido como Caulos. É correto afirmar que o tema
apresentado é
(A) a oposição entre o modo de pensar e agir.
16-) (DCTA – TÉCNICO 1 – SEGURANÇA DO TRABALHO
(B) a rapidez da comunicação na Era da Informática.
– VUNESP/2013) No primeiro parágrafo, ao descrever a maneira
(C) a comunicação e sua importância na vida das pessoas.
como se preparam para suas férias, a autora mostra que seus
(D) a massificação do pensamento na sociedade moderna.
amigos estão
(A) serenos. Questão que envolve interpretação “visual”! Fácil. Basta observar
(B) descuidados. o que as personagens “dizem” e o que “pensam”.
(C) apreensivos. RESPOSTA: “A”.
(D) indiferentes.
(E) relaxados. 20-) (DNIT – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – ESAF/2013)
Grandes metrópoles em diversos países já aderiram. E o Brasil
“pensando nas suas estradas – barreiras, pedras soltas, fissuras já está falando sobre isso. O pedágio urbano divide opiniões e gera
– sem falar em bandidos, milhões de bandidos entre as fissuras, as debates acalorados. Mas, afinal, o que é mais justo? O que fazer para
pedras soltas e as barreiras...” = pensar nessas coisas, certamente, desafogar a cidade de tantos carros? Prepare-se para o debate que
deixa-os apreensivos. está apenas começando.
RESPOSTA: “C”. (Adaptado de Superinteressante, dezembro2012, p.34)

Didatismo e Conhecimento 6
LÍNGUA PORTUGUESA
Marque N(não) para os argumentos contra o pedágio urbano; Novamente, recorramos ao texto: “no mês de setembro,
marque S(sim) para os argumentos a favor do pedágio urbano. apresentou queda de 2,13%, após oito anos consecutivos de
( ) A receita gerada pelo pedágio vai melhorar o transporte crescimento, sendo essa a primeira redução de oferta para o mês
público e estender as ciclovias. de setembro desde 2003” = retoma o termo “queda de 2,13%.
( ) Vai ser igual ao rodízio de veículos em algumas cidades, RESPOSTA: “CERTO”.
que não resolveu os problemas do trânsito.
( ) Se pegar no bolso do consumidor, então todo mundo vai A todo o momento nos deparamos com vários textos, sejam
ter que pensar bem antes de comprar um carro. eles verbais ou não verbais. Em todos há a presença do discurso, isto
( ) A gente já paga garagem, gasolina, seguro, estacionamento, é, a ideia intrínseca, a essência daquilo que está sendo transmitido
revisão....e agora mais o pedágio? entre os interlocutores. Esses interlocutores são as peças principais
( ) Nós já pagamos impostos altos e o dinheiro não é investido em um diálogo ou em um texto escrito, pois nunca escrevemos
no transporte público. para nós mesmos, nem mesmo falamos sozinhos.
( ) Quer andar sozinho dentro do seu carro? Então pague pelo É de fundamental importância sabermos classificar os textos
com os quais travamos convivência no nosso dia a dia. Para isso,
privilégio!
precisamos saber que existem tipos textuais e gêneros textuais.
( ) O trânsito nas cidades que instituíram o pedágio urbano
Comumente relatamos sobre um acontecimento, um fato
melhorou.
presenciado ou ocorrido conosco, expomos nossa opinião sobre
A ordem obtida é:
determinado assunto, ou descrevemos algum lugar que visitamos,
a) (S) (N) (N) (S) (S) (S) (N) ou fazemos um retrato verbal sobre alguém que acabamos de
b) (S) (N) (S) (N) (N) (S) (S) conhecer ou ver. É exatamente nessas situações corriqueiras que
c) (N) (S) (S) (N) (S) (N) (S) classificamos os nossos textos naquela tradicional tipologia:
d) (S) (S) (N) (S) (N) (S) (N) Narração, Descrição e Dissertação.
e) (N) (N) (S) (S) (N) (S) (N)
As tipologias textuais caracterizam-se pelos aspectos de
(S) A receita gerada pelo pedágio vai melhorar o transporte ordem linguística
público e estender as ciclovias.
(N) Vai ser igual ao rodízio de veículos em algumas cidades, - Textos narrativos – constituem-se de verbos de ação
que não resolveu os problemas do trânsito. demarcados no tempo do universo narrado, como também de
(S) Se pegar no bolso do consumidor, então todo mundo vai advérbios, como é o caso de antes, agora, depois, entre outros:
ter que pensar bem antes de comprar um carro. Ela entrava em seu carro quando ele apareceu. Depois de
(N) A gente já paga garagem, gasolina, seguro, estacionamento, muita conversa, resolveram...
revisão....e agora mais o pedágio?
(N) Nós já pagamos impostos altos e o dinheiro não é - Textos descritivos – como o próprio nome indica, descrevem
investido no transporte público. características tanto físicas quanto psicológicas acerca de um
(S) Quer andar sozinho dentro do seu carro? Então pague determinado indivíduo ou objeto. Os tempos verbais aparecem
pelo privilégio! demarcados no presente ou no pretérito imperfeito:
(S) O trânsito nas cidades que instituíram o pedágio urbano “Tinha os cabelos mais negros como a asa da graúna...”
melhorou.
S - N - S - N - N - S - S - Textos expositivos – Têm por finalidade explicar um assunto
RESPOSTA: “B”. ou uma determinada situação que se almeje desenvolvê-la,
enfatizando acerca das razões de ela acontecer, como em:
21-) (ANAC – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – O cadastramento irá se prorrogar até o dia 02 de dezembro,
portanto, não se esqueça de fazê-lo, sob pena de perder o benefício.
CESPE/2012 - ADAPTADA)
A demanda por transporte aéreo doméstico de passageiros
- Textos injuntivos (instrucional) – Trata-se de uma
cresceu 7,65% em setembro deste ano em relação ao mês de
modalidade na qual as ações são prescritas de forma sequencial,
setembro de 2011. Trata-se do maior nível de demanda para o
utilizando-se de verbos expressos no imperativo, infinitivo ou
mês de setembro desde o início da série de medições, em 2000. De futuro do presente.
janeiro a setembro de 2012, a demanda acumulada apresentou Misture todos os ingrediente e bata no liquidificador até criar
crescimento de 7,30% e a oferta ampliou-se em 5,52% em relação uma massa homogênea.
ao mesmo período de 2011. Entretanto, a oferta (assentos-
quilômetros oferecidos – ASK), no mês de setembro, apresentou - Textos argumentativos (dissertativo) – Demarcam-se pelo
queda de 2,13%, após oito anos consecutivos de crescimento, predomínio de operadores argumentativos, revelados por uma
sendo essa a primeira redução de oferta para o mês de setembro carga ideológica constituída de argumentos e contra-argumentos
desde 2003. (...) que justificam a posição assumida acerca de um determinado
assunto.
O pronome “essa” está empregado em referência à informação A mulher do mundo contemporâneo luta cada vez mais para
“queda de 2,13%”. conquistar seu espaço no mercado de trabalho, o que significa que
(...) CERTO ( ) ERRADO os gêneros estão em complementação, não em disputa.

Didatismo e Conhecimento 7
LÍNGUA PORTUGUESA
Em se tratando de gêneros textuais, a situação não é diferente, - Textos argumentativos (dissertativo) – Demarcam-se
pois se conceituam como gêneros textuais as diversas situações pelo predomínio de operadores argumentativos, revelados
sociocomunicativas que participam da nossa vida em sociedade. por uma carga ideológica constituída de argumentos e contra-
Como exemplo, temos: uma receita culinária, um e-mail, uma -argumentos que justificam a posição assumida acerca de um
reportagem, uma monografia, um poema, um editorial, e assim determinado assunto.
por diante. A mulher do mundo contemporâneo luta cada vez mais para
conquistar seu espaço no mercado de trabalho, o que significa
que os gêneros estão em complementação, não em disputa.
TIPOLOGIA TEXTUAL.
Em se tratando de gêneros textuais, a situação não é di-
ferente, pois se conceituam como gêneros textuais as diversas
situações sociocomunicativas que participam da nossa vida em
sociedade. Como exemplo, temos: uma receita culinária, um e-
A todo o momento nos deparamos com vários textos, se- -mail, uma reportagem, uma monografia, um poema, um edito-
jam eles verbais ou não verbais. Em todos há a presença do rial, e assim por diante.
discurso, isto é, a ideia intrínseca, a essência daquilo que está
sendo transmitido entre os interlocutores. Esses interlocutores
são as peças principais em um diálogo ou em um texto escrito,
pois nunca escrevemos para nós mesmos, nem mesmo falamos ORTOGRAFIA OFICIAL.
sozinhos.
É de fundamental importância sabermos classificar os
textos com os quais travamos convivência no nosso dia a
dia. Para isso, precisamos saber que existem tipos textuais e
gêneros textuais. A ortografia é a parte da língua responsável pela grafia
Comumente relatamos sobre um acontecimento, um fato correta das palavras. Essa grafia baseia-se no padrão culto da
presenciado ou ocorrido conosco, expomos nossa opinião sobre língua.
determinado assunto, ou descrevemos algum lugar que visita- As palavras podem apresentar igualdade total ou parcial no
mos, ou fazemos um retrato verbal sobre alguém que acabamos que se refere a sua grafia e pronúncia, mesmo tendo significados
de conhecer ou ver. É exatamente nessas situações corriqueiras diferentes. Essas palavras são chamadas de homônimas (canto,
que classificamos os nossos textos naquela tradicional tipolo- do grego, significa ângulo / canto, do latim, significa música
gia: Narração, Descrição e Dissertação. vocal). As palavras homônimas dividem-se em homógrafas,
quando têm a mesma grafia (gosto, substantivo e gosto, 1ª pessoa
As tipologias textuais caracterizam-se pelos aspectos de do singular do verbo gostar) e homófonas, quando têm o mesmo
ordem linguística som (paço, palácio ou passo, movimento durante o andar).
Quanto à grafia correta em língua portuguesa, devem-se
- Textos narrativos – constituem-se de verbos de ação de- observar as seguintes regras:
marcados no tempo do universo narrado, como também de ad-
vérbios, como é o caso de antes, agora, depois, entre outros: O fonema s:
Ela entrava em seu carro quando ele apareceu. Depois de
muita conversa, resolveram... Escreve-se com S e não com C/Ç as palavras substantivadas
- Textos descritivos – como o próprio nome indica, descre- derivadas de verbos com radicais em nd, rg, rt, pel, corr e
vem características tanto físicas quanto psicológicas acerca de sent: pretender - pretensão / expandir - expansão / ascender -
um determinado indivíduo ou objeto. Os tempos verbais apare- ascensão / inverter - inversão / aspergir aspersão / submergir
cem demarcados no presente ou no pretérito imperfeito: - submersão / divertir - diversão / impelir - impulsivo / compelir
“Tinha os cabelos mais negros como a asa da graúna...” - compulsório / repelir - repulsa / recorrer - recurso / discorrer
- discurso / sentir - sensível / consentir - consensual
- Textos expositivos – Têm por finalidade explicar um as-
sunto ou uma determinada situação que se almeje desenvolvê- Escreve-se com SS e não com C e Ç os nomes derivados
-la, enfatizando acerca das razões de ela acontecer, como em: dos verbos cujos radicais terminem em gred, ced, prim ou
O cadastramento irá se prorrogar até o dia 02 de dezem- com verbos terminados por tir ou meter: agredir - agressivo /
bro, portanto, não se esqueça de fazê-lo, sob pena de perder o imprimir - impressão / admitir - admissão / ceder - cessão /
benefício. exceder - excesso / percutir - percussão / regredir - regressão
/ oprimir - opressão / comprometer - compromisso / submeter
- Textos injuntivos (instrucional) – Trata-se de uma mo- - submissão
dalidade na qual as ações são prescritas de forma sequencial, *quando o prefixo termina com vogal que se junta com a
utilizando-se de verbos expressos no imperativo, infinitivo ou palavra iniciada por “s”. Exemplos: a + simétrico - assimétrico
futuro do presente. / re + surgir - ressurgir
Misture todos os ingrediente e bata no liquidificador até *no pretérito imperfeito simples do subjuntivo. Exemplos:
criar uma massa homogênea. ficasse, falasse

Didatismo e Conhecimento 8
LÍNGUA PORTUGUESA
Escreve-se com C ou Ç e não com S e SS os vocábulos de O fonema ch:
origem árabe: cetim, açucena, açúcar
Escreve-se com X e não com CH:
*os vocábulos de origem tupi, africana ou exótica: cipó, *as palavras de origem tupi, africana ou exótica: abacaxi,
Juçara, caçula, cachaça, cacique muxoxo, xucro.
*os sufixos aça, aço, ação, çar, ecer, iça, nça, uça, uçu, uço: *as palavras de origem inglesa (sh) e espanhola (J): xampu,
barcaça, ricaço, aguçar, empalidecer, carniça, caniço, esperança, lagartixa.
carapuça, dentuço *depois de ditongo: frouxo, feixe.
*nomes derivados do verbo ter: abster - abstenção / deter - *depois de “en”: enxurrada, enxoval.
detenção / ater - atenção / reter - retenção Observação: Exceção: quando a palavra de origem não
*após ditongos: foice, coice, traição derive de outra iniciada com ch - Cheio - (enchente)
*palavras derivadas de outras terminadas em te, to(r): marte -
marciano / infrator - infração / absorto - absorção Escreve-se com CH e não com X:
*as palavras de origem estrangeira: chave, chumbo, chassi,
O fonema z: mochila, espadachim, chope, sanduíche, salsicha.

Escreve-se com S e não com Z: As letras e e i:


*os sufixos: ês, esa, esia, e isa, quando o radical é substantivo, *os ditongos nasais são escritos com “e”: mãe, põem. Com
ou em gentílicos e títulos nobiliárquicos: freguês, freguesa, “i”, só o ditongo interno cãibra.
freguesia, poetisa, baronesa, princesa, etc. *os verbos que apresentam infinitivo em -oar, -uar são escritos
*os sufixos gregos: ase, ese, ise e ose: catequese, metamorfose. com “e”: caçoe, tumultue. Escrevemos com “i”, os verbos com
*as formas verbais pôr e querer: pôs, pus, quisera, quis, infinitivo em -air, -oer e -uir: trai, dói, possui.
quiseste. - atenção para as palavras que mudam de sentido quando
*nomes derivados de verbos com radicais terminados em substituímos a grafia “e” pela grafia “i”: área (superfície), ária
“d”: aludir - alusão / decidir - decisão / empreender - empresa / (melodia) / delatar (denunciar), dilatar (expandir) / emergir (vir
difundir - difusão à tona), imergir (mergulhar) / peão (de estância, que anda a pé),
*os diminutivos cujos radicais terminam com “s”: Luís - pião (brinquedo).
Luisinho / Rosa - Rosinha / lápis - lapisinho
*após ditongos: coisa, pausa, pouso Fonte:
*em verbos derivados de nomes cujo radical termina com “s”: http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/ortografia
anális(e) + ar - analisar / pesquis(a) + ar - pesquisar
Questões sobre Ortografia
Escreve-se com Z e não com S:
*os sufixos “ez” e “eza” das palavras derivadas de adjetivo: 01. (TRE/AP - TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2011) Entre
macio - maciez / rico - riqueza as frases que seguem, a única correta é:
*os sufixos “izar” (desde que o radical da palavra de origem a) Ele se esqueceu de que?
não termine com s): final - finalizar / concreto - concretizar b) Era tão ruím aquele texto, que não deu para distribui-lo
*como consoante de ligação se o radical não terminar com s: entre os presentes.
pé + inho - pezinho / café + al - cafezal ≠ lápis + inho - lapisinho c) Embora devessemos, não fomos excessivos nas críticas.
d) O juíz nunca negou-se a atender às reivindicações dos
O fonema j: funcionários.
e) Não sei por que ele mereceria minha consideração.
Escreve-se com G e não com J:
*as palavras de origem grega ou árabe: tigela, girafa, gesso. 02. (Escrevente TJ SP – Vunesp/2013). Assinale a alternativa
*estrangeirismo, cuja letra G é originária: sargento, gim. cujas palavras se apresentam flexionadas de acordo com a norma-
*as terminações: agem, igem, ugem, ege, oge (com poucas -padrão.
exceções): imagem, vertigem, penugem, bege, foge. (A) Os tabeliãos devem preparar o documento.
Observação: Exceção: pajem (B) Esses cidadões tinham autorização para portar fuzis.
*as terminações: ágio, égio, ígio, ógio, ugio: sortilégio, litígio, (C) Para autenticar as certidãos, procure o cartório local.
relógio, refúgio. (D) Ao descer e subir escadas, segure-se nos corrimãos.
*os verbos terminados em ger e gir: eleger, mugir. (E) Cuidado com os degrais, que são perigosos!
*depois da letra “r” com poucas exceções: emergir, surgir.
*depois da letra “a”, desde que não seja radical terminado 03. (Agente de Vigilância e Recepção – VUNESP – 2013).
com j: ágil, agente. Suponha-se que o cartaz a seguir seja utilizado para informar os
usuários sobre o festival Sounderground.
Escreve-se com J e não com G: Prezado Usuário
*as palavras de origem latinas: jeito, majestade, hoje. ________ de oferecer lazer e cultura aos passageiros do
*as palavras de origem árabe, africana ou exótica: jiboia, metrô, ________ desta segunda-feira (25/02), ________ 17h30,
manjerona. começa o Sounderground, festival internacional que prestigia os
*as palavras terminada com aje: aje, ultraje. músicos que tocam em estações do metrô.

Didatismo e Conhecimento 9
LÍNGUA PORTUGUESA
Confira o dia e a estação em que os artistas se apresentarão A) Entre eu e a vida sempre houve muitos infortúnios, por isso
e divirta-se! posso me queixar com razão.
Para que o texto atenda à norma-padrão, devem-se preencher B) Sempre houveram várias formas eficazes para
as lacunas, correta e respectivamente, com as expressões ultrapassarmos os infortúnios da vida.
A) A fim ...a partir ... as C) Devemos controlar nossas emoções todas as vezes que
B) A fim ...à partir ... às vermos a pobreza e a miséria fazerem parte de nossa vida.
C) A fim ...a partir ... às D) É difícil entender o por quê de tanto sofrimento, principalmente
D) Afim ...a partir ... às daqueles que procuram viver com dignidade e simplicidade.
E) Afim ...à partir ... as E) As dificuldades por que passamos certamente nos fazem
mais fortes e preparados para os infortúnios da vida.
04. (TRF - 1ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO -
FCC/2011) As palavras estão corretamente grafadas na seguinte 09.Assinale a alternativa cuja frase esteja incorreta:
frase: A) Porque essa cara?
(A) Que eles viajem sempre é muito bom, mas não é boa B) Não vou porque não quero.
a ansiedade com que enfrentam o excesso de passageiros nos C) Mas por quê?
aeroportos. D) Você saiu por quê?
(B) Comete muitos deslises, talvez por sua espontaneidade,
mas nada que ponha em cheque sua reputação de pessoa cortês. 10-) (GOVERNO DO ESTADO DE ALAGOAS – TÉCNICO
(C) Ele era rabugento e tinha ojeriza ao hábito do sócio de FORENSE - CESPE/2013 - adaptada) Uma variante igualmente
descançar após o almoço sob a frondoza árvore do pátio. correta do termo “autópsia” é autopsia.
(D) Não sei se isso influe, mas a persistência dessa mágoa ( ) Certo
pode estar sendo o grande impecilho na superação dessa sua crise. ( ) Errado
(E) O diretor exitou ao aprovar a retenção dessa alta quantia,
mas não quiz ser taxado de conivente na concessão de privilégios GABARITO
ilegítimos.
01.E 02. D 03. C 04. A 05. B
05.Em qual das alternativas a frase está corretamente escrita? 06. E 07. C 08. E 09. A 10. C
A) O mindingo não depositou na cardeneta de poupansa.
B) O mendigo não depositou na caderneta de poupança.
RESOLUÇÃO
C) O mindigo não depozitou na cardeneta de poupanssa.
D) O mendingo não depozitou na carderneta de poupansa.
1-)
(A) Ele se esqueceu de que? = quê?
06.(IAMSPE/SP – ATENDENTE – [PAJEM] - CCI) –
(B) Era tão ruím (ruim) aquele texto, que não deu para distribui-
VUNESP/2011) Assinale a alternativa em que o trecho – Mas ela
lo (distribuí-lo) entre os presentes.
cresceu ... – está corretamente reescrito no plural, com o verbo no
(C) Embora devêssemos (devêssemos) , não fomos excessivos
tempo futuro.
(A) Mas elas cresceram... nas críticas.
(B) Mas elas cresciam... (D) O juíz (juiz) nunca (se) negou a atender às reivindicações
(C) Mas elas cresçam... dos funcionários.
(D) Mas elas crescem... (E) Não sei por que ele mereceria minha consideração.
(E) Mas elas crescerão...
2-)
07. (IAMSPE/SP – ATENDENTE – [PAJEM – CCI] – (A) Os tabeliãos devem preparar o documento. = tabeliães
VUNESP/2011 - ADAPTADA) Assinale a alternativa em que o (B) Esses cidadões tinham autorização para portar fuzis. =
trecho – O teste decisivo e derradeiro para ele, cidadão ansioso e cidadãos
sofredor...– está escrito corretamente no plural. (C) Para autenticar as certidãos, procure o cartório local. =
(A) Os testes decisivo e derradeiros para eles, cidadãos certidões
ansioso e sofredores... (E) Cuidado com os degrais, que são perigosos = degraus
(B) Os testes decisivos e derradeiros para eles, cidadãos
ansioso e sofredores... 3-) Prezado Usuário
(C) Os testes decisivos e derradeiros para eles, cidadãos A fim de oferecer lazer e cultura aos passageiros do metrô,
ansiosos e sofredores... a partir desta segunda-feira (25/02), às 17h30, começa o
(D) Os testes decisivo e derradeiros para eles, cidadões Sounderground, festival internacional que prestigia os músicos que
ansioso e sofredores... tocam em estações do metrô.
(E) Os testes decisivos e derradeiros para eles, cidadãos Confira o dia e a estação em que os artistas se apresentarão e
ansiosos e sofredores... divirta-se!
A fim = indica finalidade; a partir: sempre separado; antes de
08. (MPE/RJ – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – FUJB/2011) horas: há crase
Assinale a alternativa em que a frase NÃO contraria a norma culta: 4-) Fiz a correção entre parênteses:

Didatismo e Conhecimento 10
LÍNGUA PORTUGUESA
(A) Que eles viajem sempre é muito bom, mas não é boa Uso do hífen que continua depois da Reforma Ortográfica:
a ansiedade com que enfrentam o excesso de passageiros nos
aeroportos. 1. Em palavras compostas por justaposição que formam uma
(B) Comete muitos deslises (deslizes), talvez por sua unidade semântica, ou seja, nos termos que se unem para formam
espontaneidade, mas nada que ponha em cheque (xeque) sua um novo significado: tio-avô, porto-alegrense, luso-brasileiro,
reputação de pessoa cortês. tenente-coronel, segunda-feira, conta-gotas, guarda-chuva, arco-
(C) Ele era rabugento e tinha ojeriza ao hábito do sócio de -íris, primeiro-ministro, azul-escuro.
descançar (descansar) após o almoço sob a frondoza (frondosa)
árvore do pátio. 2. Em palavras compostas por espécies botânicas e zoológicas:
(D) Não sei se isso influe (influi), mas a persistência dessa couve-flor, bem-te-vi, bem-me-quer, abóbora-menina, erva-doce,
mágoa pode estar sendo o grande impecilho (empecilho) na feijão-verde.
superação dessa sua crise.
(E) O diretor exitou (hesitou) ao aprovar a retenção dessa alta 3. Nos compostos com elementos além, aquém, recém e sem:
além-mar, recém-nascido, sem-número, recém-casado, aquém-
quantia, mas não quiz (quis) ser taxado de conivente na concessão
-fiar, etc.
de privilégios ilegítimos.
4. No geral, as locuções não possuem hífen, mas algumas
5-)
exceções continuam por já estarem consagradas pelo uso: cor-
A) O mindingo não depositou na cardeneta de poupansa. =
-de-rosa, arco-da-velha, mais-que-perfeito, pé-de-meia, água-de-
mendigo/caderneta/poupança -colônia, queima-roupa, deus-dará.
C) O mindigo não depozitou na cardeneta de poupanssa. =
mendigo/caderneta/poupança 5. Nos encadeamentos de vocábulos, como: ponte Rio-Niterói,
D) O mendingo não depozitou na carderneta de poupansa. percurso Lisboa-Coimbra-Porto e nas combinações históricas ou
=mendigo/depositou/caderneta/poupança ocasionais: Áustria-Hungria, Angola-Brasil, Alsácia-Lorena, etc.

6-) Futuro do verbo “crescer”: crescerão. Teremos: mas elas 6. Nas formações com os prefixos hiper-, inter- e super-
crescerão... quando associados com outro termo que é iniciado por r: hiper-
resistente, inter-racial, super-racional, etc.
7-) Como os itens apresentam o mesmo texto, a alternativa
correta já indica onde estão as inadequações nos demais itens. 7. Nas formações com os prefixos ex-, vice-: ex-diretor, ex-
-presidente, vice-governador, vice-prefeito.
8-) Fiz as correções entre parênteses: 8. Nas formações com os prefixos pós-, pré- e pró-: pré-natal,
A) Entre eu (mim) e a vida sempre houve muitos infortúnios, pré-escolar, pró-europeu, pós-graduação, etc.
por isso posso me queixar com razão.
B) Sempre houveram (houve) várias formas eficazes para 9. Na ênclise e mesóclise: amá-lo, deixá-lo, dá-se, abraça-o,
ultrapassarmos os infortúnios da vida. lança-o e amá-lo-ei, falar-lhe-ei, etc.
C) Devemos controlar nossas emoções todas as vezes que
vermos (virmos) a pobreza e a miséria fazerem parte de nossa vida. 10. Nas formações em que o prefixo tem como segundo termo
D) É difícil entender o por quê (o porquê) de tanto sofrimento, uma palavra iniciada por “h”: sub-hepático, eletro-higrómetro,
principalmente daqueles que procuram viver com dignidade e geo-história, neo-helênico, extra-humano, semi-hospitalar, super-
simplicidade. -homem.
E) As dificuldades por que (= pelas quais; correto) passamos
certamente nos fazem mais fortes e preparados para os infortúnios 11. Nas formações em que o prefixo ou pseudo prefixo termina
na mesma vogal do segundo elemento: micro-ondas, eletro-ótica,
da vida.
semi-interno, auto-observação, etc.
Obs: O hífen é suprimido quando para formar outros termos:
9-) Por que essa cara? = é uma pergunta e o pronome está
reaver, inábil, desumano, lobisomem, reabilitar.
longe do ponto de interrogação.
- Lembre-se: ao separar palavras na translineação (mudança
10-) autopsia s.f., autópsia s.f.; cf. autopsia de linha), caso a última palavra a ser escrita seja formada por hífen,
(fonte: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/ repita-o na próxima linha. Exemplo: escreverei anti-inflamatório
start.htm?sid=23) e, ao final, coube apenas “anti-”. Na linha debaixo escreverei:
RESPOSTA: “CERTO”. “-inflamatório” (hífen em ambas as linhas).

O hífen é um sinal diacrítico (que distingue) usado para ligar Não se emprega o hífen:
os elementos de palavras compostas (couve-flor, ex-presidente) e
para unir pronomes átonos a verbos (ofereceram-me; vê-lo-ei). 1. Nas formações em que o prefixo ou falso prefixo termina
Serve igualmente para fazer a translineação de palavras, isto em vogal e o segundo termo inicia-se em “r” ou “s”. Nesse caso,
é, no fim de uma linha, separar uma palavra em duas partes (ca-/ passa-se a duplicar estas consoantes: antirreligioso, contrarregra,
sa; compa-/nheiro). infrassom, microssistema, minissaia, microrradiografia, etc.

Didatismo e Conhecimento 11
LÍNGUA PORTUGUESA
2. Nas constituições em que o prefixo ou pseudoprefixo termina em 06. Suponha que você tenha que agregar o prefixo sub- às
vogal e o segundo termo inicia-se com vogal diferente: antiaéreo, ex- palavras que aparecem nas alternativas a seguir. Assinale aquela
traescolar, coeducação, autoestrada, autoaprendizagem, hidroelétrico, que tem de ser escrita com hífen:
plurianual, autoescola, infraestrutura, etc. A) (sub) chefe
B) (sub) entender
3. Nas formações, em geral, que contêm os prefixos “dês” e “in” e C) (sub) solo
o segundo elemento perdeu o h inicial: desumano, inábil, desabilitar, etc. D) (sub) reptício
E) (sub) liminar
4. Nas formações com o prefixo “co”, mesmo quando o segundo GABARITO
elemento começar com “o”: cooperação, coobrigação, coordenar, coo-
cupante, coautor, coedição, coexistir, etc. 01. B 02. B 03. A 04. E 05. C 06. D
5. Em certas palavras que, com o uso, adquiriram noção de compo- RESOLUÇÃO
sição: pontapé, girassol, paraquedas, paraquedista, etc.
1-)
6. Em alguns compostos com o advérbio “bem”: benfeito, benque-
A) autocrítica
rer, benquerido, etc.
C) pontapé
D) supermercado
Questões sobre Hífen
E) infravermelhos
01.Assinale a alternativa em que o hífen, conforme o novo Acordo,
está sendo usado corretamente: 2-)B) Nas circunvizinhanças há uma casa mal-assombrada.
A) Ele fez sua auto-crítica ontem.
B) Ela é muito mal-educada. 3-) A) O semianalfabeto desenhou um semicírculo.
C) Ele tomou um belo ponta-pé.
D) Fui ao super-mercado, mas não entrei. 4-)
E) Os raios infra-vermelhos ajudam em lesões. a) pão-duro / b) copo-de-leite (planta) / c) pé de moleque
(doce)
02.Assinale a alternativa errada quanto ao emprego do hífen: a) Usa-se o hífen nas palavras compostas que não apresentam
A) Pelo interfone ele comunicou bem-humorado que faria uma elementos de ligação.
superalimentação. b) Usa-se o hífen nos compostos que designam espécies
B) Nas circunvizinhanças há uma casa malassombrada. animais e botânicas (nomes de plantas, flores, frutos, raízes,
C) Depois de comer a sobrecoxa, tomou um antiácido. sementes), tenham ou não elementos de ligação.
D) Nossos antepassados realizaram vários anteprojetos. c) Não se usa o hífen em compostos que apresentam elementos
E) O autodidata fez uma autoanálise. de ligação.

03.Assinale a alternativa incorreta quanto ao emprego do hífen, 5-) Fez um esforço sobre-humano para vencer o campeonato
respeitando-se o novo Acordo. inter-regional.
A) O semi-analfabeto desenhou um semicírculo. - Usa-se o hífen diante de palavra iniciada por h.
B) O meia-direita fez um gol de sem-pulo na semifinal do - Usa-se o hífen se o prefixo terminar com a mesma letra com
campeonato. que se inicia a outra palavra
C) Era um sem-vergonha, pois andava seminu.
D) O recém-chegado veio de além-mar. 6-) Com os prefixos sub e sob, usa-se o hífen também diante
E) O vice-reitor está em estado pós-operatório.
de palavra iniciada por r. : subchefe, subentender, subsolo, sub-
-reptício (sem o hífen até a leitura da palavra será alterada; /subre/,
04.Segundo o novo Acordo, entre as palavras pão duro (avarento),
ao invés de /sub re/), subliminar
copo de leite (planta) e pé de moleque (doce) o hífen é obrigatório:
A) em nenhuma delas.
B) na segunda palavra.
C) na terceira palavra.
D) em todas as palavras. ACENTUAÇÃO GRÁFICA.
E) na primeira e na segunda palavra.

05.Fez um esforço __ para vencer o campeonato __. Qual alternativa


completa corretamente as lacunas?
A) sobreumano/interregional A acentuação é um dos requisitos que perfazem as regras es-
B) sobrehumano-interregional tabelecidas pela Gramática Normativa. Esta se compõe de algumas
C) sobre-humano / inter-regional particularidades, às quais devemos estar atentos, procurando esta-
D) sobrehumano/ inter-regional belecer uma relação de familiaridade e, consequentemente, colo-
E) sobre-humano /interegional cando-as em prática na linguagem escrita.

Didatismo e Conhecimento 12
LÍNGUA PORTUGUESA
À medida que desenvolvemos o hábito da leitura e a prática de Regras fundamentais:
redigir, automaticamente aprimoramos essas competências, e logo
nos adequamos à forma padrão. Palavras oxítonas:
Acentuam-se todas as oxítonas terminadas em: “a”, “e”, “o”,
Regras básicas – Acentuação tônica “em”, seguidas ou não do plural(s): Pará – café(s) – cipó(s) –
armazém(s)
A acentuação tônica implica na intensidade com que são Essa regra também é aplicada aos seguintes casos:
pronunciadas as sílabas das palavras. Aquela que se dá de forma
mais acentuada, conceitua-se como sílaba tônica. As demais, Monossílabos tônicos terminados em “a”, “e”, “o”, seguidos
como são pronunciadas com menos intensidade, são denominadas ou não de “s”. Ex.: pá – pé – dó – há
de átonas.
De acordo com a tonicidade, as palavras são classificadas Formas verbais terminadas em “a”, “e”, “o” tônicos, seguidas
como: de lo, la, los, las. Ex. respeitá-lo – percebê-lo – compô-lo
Oxítonas – São aquelas cuja sílaba tônica recai sobre a última
Paroxítonas:
sílaba. Ex.: café – coração – cajá – atum – caju – papel
Acentuam-se as palavras paroxítonas terminadas em:
- i, is : táxi – lápis – júri
Paroxítonas – São aquelas em que a sílaba tônica recai na
- us, um, uns : vírus – álbuns – fórum
penúltima sílaba. Ex.: útil – tórax – táxi – leque – retrato – passível - l, n, r, x, ps : automóvel – elétron - cadáver – tórax – fórceps
- ã, ãs, ão, ãos : ímã – ímãs – órfão – órgãos
Proparoxítonas - São aquelas em que a sílaba tônica está na
antepenúltima sílaba. Ex.: lâmpada – câmara – tímpano – médico -- Dica da Zê!: Memorize a palavra LINURXÃO. Para quê?
– ônibus Repare que essa palavra apresenta as terminações das paroxítonas
que são acentuadas: L, I N, U (aqui inclua UM = fórum), R, X, Ã,
Como podemos observar, os vocábulos possuem mais de ÃO. Assim ficará mais fácil a memorização!
uma sílaba, mas em nossa língua existem aqueles com uma
sílaba somente: são os chamados monossílabos que, quando -ditongo oral, crescente ou decrescente, seguido ou não de
pronunciados, apresentam certa diferenciação quanto à intensidade. “s”: água – pônei – mágoa – jóquei
Tal diferenciação só é percebida quando os pronunciamos em
uma dada sequência de palavras. Assim como podemos observar Regras especiais:
no exemplo a seguir:
“Sei que não vai dar em nada, Os ditongos de pronúncia aberta “ei”, “oi” (ditongos abertos),
Seus segredos sei de cor”. que antes eram acentuados, perderam o acento de acordo com a
nova regra, mas desde que estejam em palavras paroxítonas.
Os monossílabos classificam-se como tônicos; os demais,
como átonos (que, em, de). * Cuidado: Se os ditongos abertos estiverem em uma palavra
oxítona (herói) ou monossílaba (céu) ainda são acentuados. Ex.:
Os acentos herói, céu, dói, escarcéu.

acento agudo (´) – Colocado sobre as letras «a», «i», «u» e Antes Agora
sobre o «e» do grupo “em” - indica que estas letras representam as assembléia assembleia
idéia ideia
vogais tônicas de palavras como Amapá, caí, público, parabéns.
geléia geleia
Sobre as letras “e” e “o” indica, além da tonicidade, timbre aberto.
jibóia jiboia
Ex.: herói – médico – céu (ditongos abertos)
apóia (verbo apoiar) apoia
paranóico paranoico
acento circunflexo (^) – colocado sobre as letras “a”, “e” e
“o” indica, além da tonicidade, timbre fechado: Ex.: tâmara – Quando a vogal do hiato for “i” ou “u” tônicos, acompanhados
Atlântico – pêssego – supôs ou não de “s”, haverá acento. Ex.: saída – faísca – baú – país –
acento grave (`) – indica a fusão da preposição “a” com Luís
artigos e pronomes. Ex.: à – às – àquelas – àqueles
trema ( ¨ ) – De acordo com a nova regra, foi totalmente Observação importante:
abolido das palavras. Há uma exceção: é utilizado em palavras Não serão mais acentuados “i” e “u” tônicos, formando hiato
derivadas de nomes próprios estrangeiros. Ex.: mülleriano (de quando vierem depois de ditongo: Ex.:
Müller) Antes Agora
bocaiúva bocaiuva
til (~) – indica que as letras “a” e “o” representam vogais feiúra feiura
nasais. Ex.: coração – melão – órgão – ímã Sauípe Sauipe

Didatismo e Conhecimento 13
LÍNGUA PORTUGUESA
O acento pertencente aos encontros “oo” e “ee” foi abolido. Ex.: O mesmo ocorreu com o verbo pôr para diferenciar da preposição
Antes Agora por.
crêem creem - Quando, na frase, der para substituir o “por” por “colocar”,
lêem leem estaremos trabalhando com um verbo, portanto: “pôr”; nos outros casos,
vôo voo “por” preposição. Ex:
enjôo enjoo Faço isso por você.
Posso pôr (colocar) meus livros aqui?
- Agora memorize a palavra CREDELEVÊ. São os verbos
que, no plural, dobram o “e”, mas que não recebem mais acento como Questões sobre Acentuação Gráfica
antes: CRER, DAR, LER e VER.
Repare: 01. (TJ/SP – AGENTE DE FISCALIZAÇÃO JUDICIÁRIA
1-) O menino crê em você – VUNESP/2010) Assinale a alternativa em que as palavras são
Os meninos creem em você. acentuadas graficamente pelos mesmos motivos que justificam,
2-) Elza lê bem! respectivamente, as acentuações de: década, relógios, suíços.
Todas leem bem! (A) flexíveis, cartório, tênis.
3-) Espero que ele dê o recado à sala. (B) inferência, provável, saída.
Esperamos que os garotos deem o recado! (C) óbvio, após, países.
4-) Rubens vê tudo! (D) islâmico, cenário, propôs.
Eles veem tudo! (E) república, empresária, graúda.

* Cuidado! Há o verbo vir: 02. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE


Ele vem à tarde! SÃO PAULO - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO
Eles vêm à tarde! – VUNESP/2013) Assinale a alternativa com as palavras
acentuadas segundo as regras de acentuação, respectivamente,
Não se acentuam o “i” e o “u” que formam hiato quando seguidos, na de intercâmbio e antropológico.
(A) Distúrbio e acórdão.
mesma sílaba, de l, m, n, r ou z. Ra-ul, ru-im, con-tri-bu-in-te, sa-ir, ju-iz
(B) Máquina e jiló.
(C) Alvará e Vândalo.
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se estiverem seguidas
(D) Consciência e características.
do dígrafo nh. Ex: ra-i-nha, ven-to-i-nha.
(E) Órgão e órfãs.
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se vierem precedidas
03. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ACRE
de vogal idêntica: xi-i-ta, pa-ra-cu-u-ba
– TÉCNICO EM MICROINFORMÁTICA - CESPE/2012) As
palavras “conteúdo”, “calúnia” e “injúria” são acentuadas de
As formas verbais que possuíam o acento tônico na raiz, com “u” acordo com a mesma regra de acentuação gráfica.
tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de “e” ou “i” não serão mais ( ) CERTO ( ) ERRADO
acentuadas. Ex.:
Antes Depois 04. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS
apazigúe (apaziguar) apazigue GERAIS – OFICIAL JUDICIÁRIO – FUNDEP/2010) Assinale a
averigúe (averiguar) averigue afirmativa em que se aplica a mesma regra de acentuação.
argúi (arguir) argui A) tevê – pôde – vê
B) únicas – histórias – saudáveis
Acentuam-se os verbos pertencentes à terceira pessoa do plural de: C) indivíduo – séria – noticiários
ele tem – eles têm / ele vem – eles vêm (verbo vir) D) diário – máximo – satélite

A regra prevalece também para os verbos conter, obter, reter, deter, 05. (ANATEL – TÉCNICO ADMINISTRATIVO –
abster. CESPE/2012) Nas palavras “análise” e “mínimos”, o emprego
ele contém – eles contêm do acento gráfico tem justificativas gramaticais diferentes.
ele obtém – eles obtêm (...) CERTO ( ) ERRADO
ele retém – eles retêm
ele convém – eles convêm 06. (ANCINE – TÉCNICO ADMINISTRATIVO –
CESPE/2012) Os vocábulos “indivíduo”, “diária” e “paciência”
Não se acentuam mais as palavras homógrafas que antes eram recebem acento gráfico com base na mesma regra de acentuação
acentuadas para diferenciá-las de outras semelhantes (regra do acento gráfica.
diferencial). Apenas em algumas exceções, como: (...) CERTO ( ) ERRADO
A forma verbal pôde (terceira pessoa do singular do pretérito perfeito
do modo indicativo) ainda continua sendo acentuada para diferenciar-se 07. (BACEN – TÉCNICO DO BANCO CENTRAL –
de pode (terceira pessoa do singular do presente do indicativo). Ex: CESGRANRIO/2010) As palavras que se acentuam pelas
Ela pode fazer isso agora. mesmas regras de “conferência”, “razoável”, “países” e “será”,
Elvis não pôde participar porque sua mão não deixou... respectivamente, são

Didatismo e Conhecimento 14
LÍNGUA PORTUGUESA
a) trajetória, inútil, café e baú. 3-) “Conteúdo” é acentuada seguindo a regra do hiato;
b) exercício, balaústre, níveis e sofá. calúnia = paroxítona terminada em ditongo; injúria = paroxítona
c) necessário, túnel, infindáveis e só. terminada em ditongo.
d) médio, nível, raízes e você. RESPOSTA: “ERRADO”.
e) éter, hífen, propôs e saída.
4-)
08. (CORREIOS – CARTEIRO – CESPE/2011) São A) tevê – pôde – vê
acentuados graficamente de acordo com a mesma regra de Tevê = oxítona terminada em “e”; pôde (pretérito perfeito do
acentuação gráfica os vocábulos Indicativo) = acento diferencial (que ainda prevalece após o Novo
A) também e coincidência. Acordo Ortográfico) para diferenciar de “pode” – presente do
B) quilômetros e tivéssemos. Indicativo; vê = monossílaba terminada em “e”
C) jogá-la e incrível. B) únicas – histórias – saudáveis
D) Escócia e nós. Únicas = proparoxítona; história = paroxítona terminada em
E) correspondência e três. ditongo; saudáveis = paroxítona terminada em ditongo.
C) indivíduo – séria – noticiários
09. (IBAMA – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – Indivíduo = paroxítona terminada em ditongo; séria = paroxítona
CESPE/2012) As palavras “pó”, “só” e “céu” são acentuadas de terminada em ditongo; noticiários = paroxítona terminada em
acordo com a mesma regra de acentuação gráfica. ditongo.
(...) CERTO ( ) ERRADO D) diário – máximo – satélite
Diário = paroxítona terminada em ditongo; máximo =
GABARITO proparoxítona; satélite = proparoxítona.
01. E 02. D 03. E 04. C 05. E 5-) Análise = proparoxítona / mínimos = proparoxítona. Ambas
06. C 07. D 08. B 09. E são acentuadas pela mesma regra (antepenúltima sílaba é tônica,
“mais forte”).
RESOLUÇÃO RESPOSTA: “ERRADO”.

1-) Década = proparoxítona / relógios = paroxítona 6-) Indivíduo = paroxítona terminada em ditongo; diária =
terminada em ditongo / suíços = regra do hiato paroxítona terminada em ditongo; paciência = paroxítona terminada
(A) flexíveis e cartório = paroxítonas terminadas em em ditongo. Os três vocábulos são acentuados devido à mesma regra.
ditongo / tênis = paroxítona terminada em “i” (seguida de “s”) RESPOSTA: “CERTO”.
(B) inferência = paroxítona terminada em ditongo /
provável = paroxítona terminada em “l” / saída = regra do hiato 7-) Vamos classificar as palavras do enunciado:
(C) óbvio = paroxítona terminada em ditongo / após = 1-) Conferência = paroxítona terminada em ditongo
oxítona terminada em “o” + “s” / países = regra do hiato 2-) razoável = paroxítona terminada em “l’
(D) islâmico = proparoxítona / cenário = paroxítona 3-) países = regra do hiato
terminada em ditongo / propôs = oxítona terminada em “o” + 4-) será = oxítona terminada em “a”
“s”
(E) república = proparoxítona / empresária = paroxítona a) trajetória, inútil, café e baú.
terminada em ditongo / graúda = regra do hiato Trajetória = paroxítona terminada em ditongo; inútil = paroxítona
terminada em “l’; café = oxítona terminada em “e”
2-) Para que saibamos qual alternativa assinalar, primeiro b) exercício, balaústre, níveis e sofá.
temos que classificar as palavras do enunciado quanto à posição Exercício = paroxítona terminada em ditongo; balaústre = regra
de sua sílaba tônica: do hiato; níveis = paroxítona terminada em “i + s”; sofá = oxítona
Intercâmbio = paroxítona terminada em ditongo; terminada em “a”.
Antropológico = proparoxítona (todas são acentuadas). Agora, c) necessário, túnel, infindáveis e só.
vamos à análise dos itens apresentados: Necessário = paroxítona terminada em ditongo; túnel =
(A) Distúrbio = paroxítona terminada em ditongo; acórdão paroxítona terminada em “l’; infindáveis = paroxítona terminada em
= paroxítona terminada em “ão” “i + s”; só = monossílaba terminada em “o”.
(B) Máquina = proparoxítona; jiló = oxítona terminada em d) médio, nível, raízes e você.
“o” Médio = paroxítona terminada em ditongo; nível = paroxítona
(C) Alvará = oxítona terminada em “a”; Vândalo = terminada em “l’; raízes = regra do hiato; será = oxítona terminada
proparoxítona em “a”.
(D) Consciência = paroxítona terminada em ditongo; e) éter, hífen, propôs e saída.
características = proparoxítona
Éter = paroxítona terminada em “r”; hífen = paroxítona
(E) Órgão e órfãs = ambas: paroxítona terminada em “ão”
terminada em “n”; propôs = oxítona terminada em “o + s”; saída =
e “ã”, respectivamente.
regra do hiato.

Didatismo e Conhecimento 15
LÍNGUA PORTUGUESA
8-) Qualquer “povoação maior que vila, com muitas casas e
A) também e coincidência. edifícios, dispostos em ruas e avenidas” será chamada cidade. Isso
Também = oxítona terminada em “e + m”; coincidência = significa que a palavra cidade é um substantivo comum.
paroxítona terminada em ditongo Substantivo Comum é aquele que designa os seres de uma
B) quilômetros e tivéssemos. mesma espécie de forma genérica: cidade, menino, homem,
Quilômetros = proparoxítona; tivéssemos = proparoxítona mulher, país, cachorro.
C) jogá-la e incrível. Estamos voando para Barcelona.
Oxítona terminada em “a”; incrível = paroxítona terminada O substantivo Barcelona designa apenas um ser da espécie
em “l’ cidade. Esse substantivo é próprio. Substantivo Próprio: é aquele
D) Escócia e nós. que designa os seres de uma mesma espécie de forma particular:
Escócia = paroxítona terminada em ditongo; nós = monossílaba Londres, Paulinho, Pedro, Tietê, Brasil.
terminada em “o + s”
E) correspondência e três. 2 - Substantivos Concretos e Abstratos
Correspondência = paroxítona terminada em ditongo; três =
monossílaba terminada em “e + s” LÂMPADA MALA

Os substantivos lâmpada e mala designam seres com


9-) Pó = monossílaba terminada em “o”; só = monossílaba
existência própria, que são independentes de outros seres. São
terminada em “o”; céu = monossílaba terminada em ditongo
substantivos concretos.
aberto “éu”.
Substantivo Concreto: é aquele que designa o ser que existe,
RESPOSTA: “ERRADO”. independentemente de outros seres.

Obs.: os substantivos concretos designam seres do mundo


real e do mundo imaginário.
EMPREGO DAS CLASSES DE PALAVRAS. Seres do mundo real: homem, mulher, cadeira, cobra,
Brasília, etc.
Seres do mundo imaginário: saci, mãe-d’água, fantasma,
etc.

Tudo o que existe é ser e cada ser tem um nome. Substantivo Observe agora:
é a classe gramatical de palavras variáveis, as quais denominam Beleza exposta
os seres. Além de objetos, pessoas e fenômenos, os substantivos Jovens atrizes veteranas destacam-se pelo visual.
também nomeiam:
-lugares: Alemanha, Porto Alegre... O substantivo beleza designa uma qualidade.
-sentimentos: raiva, amor...
-estados: alegria, tristeza... Substantivo Abstrato: é aquele que designa seres que
-qualidades: honestidade, sinceridade... dependem de outros para se manifestar ou existir.
-ações: corrida, pescaria... Pense bem: a beleza não existe por si só, não pode ser
observada. Só podemos observar a beleza numa pessoa ou coisa
Morfossintaxe do substantivo que seja bela. A beleza depende de outro ser para se manifestar.
Portanto, a palavra beleza é um substantivo abstrato.
Nas orações de língua portuguesa, o substantivo em geral Os substantivos abstratos designam estados, qualidades,
exerce funções diretamente relacionadas com o verbo: atua como ações e sentimentos dos seres, dos quais podem ser abstraídos,
núcleo do sujeito, dos complementos verbais (objeto direto ou e sem os quais não podem existir: vida (estado), rapidez
(qualidade), viagem (ação), saudade (sentimento).
indireto) e do agente da passiva. Pode ainda funcionar como
núcleo do complemento nominal ou do aposto, como núcleo do
3 - Substantivos Coletivos
predicativo do sujeito, do objeto ou como núcleo do vocativo.
Também encontramos substantivos como núcleos de adjuntos Ele vinha pela estrada e foi picado por uma abelha, outra
adnominais e de adjuntos adverbiais - quando essas funções são abelha, mais outra abelha.
desempenhadas por grupos de palavras. Ele vinha pela estrada e foi picado por várias abelhas.
Ele vinha pela estrada e foi picado por um enxame.
Classificação dos Substantivos
Note que, no primeiro caso, para indicar plural, foi
1- Substantivos Comuns e Próprios necessário repetir o substantivo: uma abelha, outra abelha, mais
Observe a definição: s.f. 1: Povoação maior que vila, com outra abelha...
muitas casas e edifícios, dispostos em ruas e avenidas (no Brasil, No segundo caso, utilizaram-se duas palavras no plural.
toda a sede de município é cidade). 2. O centro de uma cidade (em No terceiro caso, empregou-se um substantivo no singular
oposição aos bairros). (enxame) para designar um conjunto de seres da mesma espécie
(abelhas).

Didatismo e Conhecimento 16
LÍNGUA PORTUGUESA
O substantivo enxame é um substantivo coletivo. Formação dos Substantivos
Substantivo Coletivo: é o substantivo comum que, mesmo
estando no singular, designa um conjunto de seres da mesma Substantivos Simples e Compostos
espécie. Chuva - subst. Fem. 1 - água caindo em gotas sobre a terra.
Substantivo coletivo Conjunto de: O substantivo chuva é formado por um único elemento ou
radical. É um substantivo simples.
assembleia pessoas reunidas
alcateia lobos Substantivo Simples: é aquele formado por um único
acervo livros elemento.
antologia trechos literários selecionados Outros substantivos simples: tempo, sol, sofá, etc. Veja agora:
arquipélago ilhas O substantivo guarda-chuva é formado por dois elementos (guarda
banda músicos + chuva). Esse substantivo é composto.
bando desordeiros ou malfeitores Substantivo Composto: é aquele formado por dois ou mais
banca examinadores elementos. Outros exemplos: beija-flor, passatempo.
batalhão soldados
cardume peixes
Substantivos Primitivos e Derivados
caravana viajantes peregrinos
Meu limão meu limoeiro,
cacho frutas
cáfila camelos meu pé de jacarandá...
cancioneiro canções, poesias líricas O substantivo limão é primitivo, pois não se originou de
colmeia abelhas nenhum outro dentro de língua portuguesa.
chusma gente, pessoas Substantivo Primitivo: é aquele que não deriva de nenhuma
concílio bispos outra palavra da própria língua portuguesa. O substantivo limoeiro
congresso parlamentares, cientistas. é derivado, pois se originou a partir da palavra limão.
elenco atores de uma peça ou filme Substantivo Derivado: é aquele que se origina de outra
esquadra navios de guerra palavra.
enxoval roupas
falange soldados, anjos Flexão dos substantivos
fauna animais de uma região
feixe lenha, capim O substantivo é uma classe variável. A palavra é variável
flora vegetais de uma região quando sofre flexão (variação). A palavra menino, por exemplo,
frota navios mercantes, ônibus pode sofrer variações para indicar:
girândola fogos de artifício Plural: meninos Feminino: menina
horda bandidos, invasores Aumentativo: meninão Diminutivo: menininho
junta médicos, bois, credores, examinadores
júri jurados Flexão de Gênero
legião soldados, anjos, demônios
leva presos, recrutas Gênero é a propriedade que as palavras têm de indicar
malta malfeitores ou desordeiros sexo real ou fictício dos seres. Na língua portuguesa, há dois
manada búfalos, bois, elefantes, gêneros: masculino e feminino. Pertencem ao gênero masculino os
matilha cães de raça substantivos que podem vir precedidos dos artigos o, os, um, uns.
molho chaves, verduras Veja estes títulos de filmes:
multidão pessoas em geral
O velho e o mar
ninhada pintos
Um Natal inesquecível
nuvem insetos (gafanhotos, mosquitos, etc.)
Os reis da praia
penca bananas, chaves
pinacoteca pinturas, quadros
quadrilha ladrões, bandidos Pertencem ao gênero feminino os substantivos que podem vir
ramalhete flores precedidos dos artigos a, as, uma, umas:
rebanho ovelhas A história sem fim
récua bestas de carga, cavalgadura Uma cidade sem passado
repertório peças teatrais, obras musicais As tartarugas ninjas
réstia alhos ou cebolas
romanceiro poesias narrativas Substantivos Biformes e Substantivos Uniformes
revoada pássaros
sínodo párocos Substantivos Biformes (= duas formas): ao indicar nomes de
talha lenha seres vivos, geralmente o gênero da palavra está relacionado ao
tropa muares, soldados sexo do ser, havendo, portanto, duas formas, uma para o masculino
turma estudantes, trabalhadores e outra para o feminino. Observe: gato – gata, homem – mulher,
vara porcos poeta – poetisa, prefeito - prefeita

Didatismo e Conhecimento 17
LÍNGUA PORTUGUESA
Substantivos Uniformes: são aqueles que apresentam uma Sobrecomuns:
única forma, que serve tanto para o masculino quanto para o feminino. Entregue as crianças à natureza.
Classificam-se em:
- Epicenos: têm um só gênero e nomeiam bichos: a cobra macho A palavra crianças refere-se tanto a seres do sexo masculino,
e a cobra fêmea, o jacaré macho e o jacaré fêmea. quanto a seres do sexo feminino. Nesse caso, nem o artigo nem um
- Sobrecomuns: têm um só gênero e nomeiam pessoas: a criança, possível adjetivo permitem identificar o sexo dos seres a que se refere
a testemunha, a vítima, o cônjuge, o gênio, o ídolo, o indivíduo. a palavra. Veja:
- Comuns de Dois Gêneros: indicam o sexo das pessoas por meio A criança chorona chamava-se João.
do artigo: o colega e a colega, o doente e a doente, o artista e a artista. A criança chorona chamava-se Maria.

Saiba que: Substantivos de origem grega terminados em ema Outros substantivos sobrecomuns:
ou oma, são masculinos: o fonema, o poema, o sistema, o sintoma, o a criatura = João é uma boa criatura. Maria é uma boa criatura.
teorema. o cônjuge = O cônjuge de João faleceu. O cônjuge de Marcela
- Existem certos substantivos que, variando de gênero, variam faleceu
em seu significado: o rádio (aparelho receptor) e a rádio (estação
emissora) o capital (dinheiro) e a capital (cidade) Comuns de Dois Gêneros:
Formação do Feminino dos Substantivos Biformes Motorista tem acidente idêntico 23 anos depois.
Quem sofreu o acidente: um homem ou uma mulher?
- Regra geral: troca-se a terminação -o por –a: aluno - aluna. É impossível saber apenas pelo título da notícia, uma vez que a
- Substantivos terminados em -ês: acrescenta-se -a ao masculino: palavra motorista é um substantivo uniforme.
freguês - freguesa A distinção de gênero pode ser feita através da análise do artigo
- Substantivos terminados em -ão: fazem o feminino de três ou adjetivo, quando acompanharem o substantivo: o colega - a colega;
formas: o imigrante - a imigrante; um jovem - uma jovem; artista famoso -
- troca-se -ão por -oa. = patrão – patroa artista famosa; repórter francês - repórter francesa
- troca-se -ão por -ã. = campeão - campeã - A palavra personagem é usada indistintamente nos dois gêneros.
-troca-se -ão por ona. = solteirão - solteirona a) Entre os escritores modernos nota-se acentuada preferência
Exceções: barão – baronesa ladrão- ladra sultão - sultana pelo masculino: O menino descobriu nas nuvens os personagens dos
contos de carochinha.
- Substantivos terminados em -or: b) Com referência a mulher, deve-se preferir o feminino: O
- acrescenta-se -a ao masculino = doutor – doutora problema está nas mulheres de mais idade, que não aceitam a
- troca-se -or por -triz: = imperador - imperatriz personagem.
- Diz-se: o (ou a) manequim Marcela, o (ou a) modelo fotográfico
- Substantivos com feminino em -esa, -essa, -isa: cônsul - Ana Belmonte.
consulesa / abade - abadessa / poeta - poetisa / duque - duquesa / Observe o gênero dos substantivos seguintes:
conde - condessa / profeta - profetisa
Masculinos: o tapa, o eclipse, o lança-perfume, o dó (pena),
- Substantivos que formam o feminino trocando o -e final por -a: o sanduíche, o clarinete, o champanha, o sósia, o maracajá, o clã,
elefante - elefanta o hosana, o herpes, o pijama, o suéter, o soprano, o proclama, o
pernoite, o púbis.
- Substantivos que têm radicais diferentes no masculino e no
feminino: bode – cabra / boi - vaca Femininos: a dinamite, a derme, a hélice, a omoplata, a
cataplasma, a pane, a mascote, a gênese, a entorse, a libido, a cal, a
- Substantivos que formam o feminino de maneira especial, faringe, a cólera (doença), a ubá (canoa).
isto é, não seguem nenhuma das regras anteriores: czar – czarina
réu - ré - São geralmente masculinos os substantivos de origem grega
terminados em -ma: o grama (peso), o quilograma, o plasma, o
Formação do Feminino dos Substantivos Uniformes apostema, o diagrama, o epigrama, o telefonema, o estratagema, o
dilema, o teorema, o trema, o eczema, o edema, o magma, o estigma, o
Epicenos: axioma, o tracoma, o hematoma.
Novo jacaré escapa de policiais no rio Pinheiros.
Exceções: a cataplasma, a celeuma, a fleuma, etc.
Não é possível saber o sexo do jacaré em questão. Isso ocorre
porque o substantivo jacaré tem apenas uma forma para indicar o Gênero dos Nomes de Cidades:
masculino e o feminino.
Alguns nomes de animais apresentam uma só forma para designar Com raras exceções, nomes de cidades são femininos.
os dois sexos. Esses substantivos são chamados de epicenos. No caso A histórica Ouro Preto.
dos epicenos, quando houver a necessidade de especificar o sexo, A dinâmica São Paulo.
utilizam-se palavras macho e fêmea. A acolhedora Porto Alegre.
A cobra macho picou o marinheiro. Uma Londres imensa e triste.
A cobra fêmea escondeu-se na bananeira. Exceções: o Rio de Janeiro, o Cairo, o Porto, o Havre.

Didatismo e Conhecimento 18
LÍNGUA PORTUGUESA
Gênero e Significação: - Os substantivos terminados em “s” fazem o plural de duas
maneiras:
Muitos substantivos têm uma significação no masculino e - Quando monossilábicos ou oxítonos, mediante o acréscimo
outra no feminino. Observe: o baliza (soldado que, que à frente da de “es”: ás – ases / retrós - retroses
tropa, indica os movimentos que se deve realizar em conjunto; o - Quando paroxítonos ou proparoxítonos, ficam invariáveis: o
que vai à frente de um bloco carnavalesco, manejando um bastão), lápis - os lápis / o ônibus - os ônibus.
a baliza (marco, estaca; sinal que marca um limite ou proibição - Os substantivos terminados em “ao” fazem o plural de três
de trânsito), o cabeça (chefe), a cabeça (parte do corpo), o maneiras.
cisma (separação religiosa, dissidência), a cisma (ato de cismar, - substituindo o -ão por -ões: ação - ações
desconfiança), o cinza (a cor cinzenta), a cinza (resíduos de - substituindo o -ão por -ães: cão - cães
combustão), o capital (dinheiro), a capital (cidade), o coma (perda - substituindo o -ão por -ãos: grão - grãos
dos sentidos), a coma (cabeleira), o coral (pólipo, a cor vermelha,
canto em coro), a coral (cobra venenosa), o crisma (óleo sagrado, - Os substantivos terminados em “x” ficam invariáveis: o látex
usado na administração da crisma e de outros sacramentos), a - os látex.
crisma (sacramento da confirmação), o cura (pároco), a cura
(ato de curar), o estepe (pneu sobressalente), a estepe (vasta Plural dos Substantivos Compostos
planície de vegetação), o guia (pessoa que guia outras), a guia
(documento, pena grande das asas das aves), o grama (unidade -A formação do plural dos substantivos compostos depende
de peso), a grama (relva), o caixa (funcionário da caixa), a caixa da forma como são grafados, do tipo de palavras que formam o
(recipiente, setor de pagamentos), o lente (professor), a lente composto e da relação que estabelecem entre si. Aqueles que são
(vidro de aumento), o moral (ânimo), a moral (honestidade, bons grafados sem hífen comportam-se como os substantivos simples:
costumes, ética), o nascente (lado onde nasce o Sol), a nascente aguardente/aguardentes, girassol/girassóis, pontapé/pontapés,
(a fonte), o maria-fumaça (trem como locomotiva a vapor), maria- malmequer/malmequeres.
fumaça (locomotiva movida a vapor), o pala (poncho), a pala O plural dos substantivos compostos cujos elementos são
(parte anterior do boné ou quepe, anteparo), o rádio (aparelho ligados por hífen costuma provocar muitas dúvidas e discussões.
Algumas orientações são dadas a seguir:
receptor), a rádio (estação emissora), o voga (remador), a voga
- Flexionam-se os dois elementos, quando formados de:
(moda, popularidade).
substantivo + substantivo = couve-flor e couves-flores
substantivo + adjetivo = amor-perfeito e amores-perfeitos
Flexão de Número do Substantivo
adjetivo + substantivo = gentil-homem e gentis-homens
numeral + substantivo = quinta-feira e quintas-feiras
Em português, há dois números gramaticais: o singular, que
indica um ser ou um grupo de seres, e o plural, que indica mais de
- Flexiona-se somente o segundo elemento, quando
um ser ou grupo de seres. A característica do plural é o “s” final. formados de:
verbo + substantivo = guarda-roupa e guarda-roupas
Plural dos Substantivos Simples palavra invariável + palavra variável = alto-falante e alto-
-falantes
- Os substantivos terminados em vogal, ditongo oral e “n” palavras repetidas ou imitativas = reco-reco e reco-recos
fazem o plural pelo acréscimo de “s”: pai – pais; ímã – ímãs; hífen
- hifens (sem acento, no plural). Exceção: cânon - cânones. - Flexiona-se somente o primeiro elemento, quando
formados de:
- Os substantivos terminados em “m” fazem o plural em “ns”: substantivo + preposição clara + substantivo = água-de-
homem - homens. colônia e águas-de-colônia
substantivo + preposição oculta + substantivo = cavalo-vapor
- Os substantivos terminados em “r” e “z” fazem o plural pelo e cavalos-vapor
acréscimo de “es”: revólver – revólveres; raiz - raízes. substantivo + substantivo que funciona como determinante do
primeiro, ou seja, especifica a função ou o tipo do termo anterior:
Atenção: O plural de caráter é caracteres. palavra-chave - palavras-chave, bomba-relógio - bombas-relógio,
notícia-bomba - notícias-bomba, homem-rã - homens-rã, peixe-
- Os substantivos terminados em al, el, ol, ul flexionam-se espada - peixes-espada.
no plural, trocando o “l” por “is”: quintal - quintais; caracol –
caracóis; hotel - hotéis. Exceções: mal e males, cônsul e cônsules. - Permanecem invariáveis, quando formados de:
verbo + advérbio = o bota-fora e os bota-fora
- Os substantivos terminados em “il” fazem o plural de duas verbo + substantivo no plural = o saca-rolhas e os saca-rolhas
maneiras:
- Quando oxítonos, em “is”: canil - canis - Casos Especiais
- Quando paroxítonos, em “eis”: míssil - mísseis. o louva-a-deus e os louva-a-deus
o bem-te-vi e os bem-te-vis
Obs.: a palavra réptil pode formar seu plural de duas maneiras: o bem-me-quer e os bem-me-queres
répteis ou reptis (pouco usada). o joão-ninguém e os joões-ninguém.

Didatismo e Conhecimento 19
LÍNGUA PORTUGUESA
Plural das Palavras Substantivadas Singular Plural
corpo (ô) corpos (ó)
As palavras substantivadas, isto é, palavras de outras classes esforço esforços
gramaticais usadas como substantivo, apresentam, no plural, as fogo fogos
flexões próprias dos substantivos. forno fornos
Pese bem os prós e os contras. fosso fossos
O aluno errou na prova dos noves. imposto impostos
Ouça com a mesma serenidade os sins e os nãos. olho olhos
osso (ô) ossos (ó)
Obs.: numerais substantivados terminados em “s” ou “z” ovo ovos
não variam no plural: Nas provas mensais consegui muitos seis e poço poços
alguns dez. porto portos
posto postos
Plural dos Diminutivos tijolo tijolos

Flexiona-se o substantivo no plural, retira-se o “s” final e Têm a vogal tônica fechada (ô): adornos, almoços, bolsos,
acrescenta-se o sufixo diminutivo. esposos, estojos, globos, gostos, polvos, rolos, soros, etc.
pãe(s) + zinhos = pãezinhos
animai(s) + zinhos = animaizinhos Obs.: distinga-se molho (ô) = caldo (molho de carne), de
botõe(s) + zinhos = botõezinhos molho (ó) = feixe (molho de lenha).
chapéu(s) + zinhos = chapeuzinhos
farói(s) + zinhos = faroizinhos Particularidades sobre o Número dos Substantivos
tren(s) + zinhos = trenzinhos
colhere(s) + zinhas = colherezinhas - Há substantivos que só se usam no singular: o sul, o norte, o
flore(s) + zinhas = florezinhas leste, o oeste, a fé, etc.
mão(s) + zinhas = mãozinhas - Outros só no plural: as núpcias, os víveres, os pêsames, as
papéi(s) + zinhos = papeizinhos espadas/os paus (naipes de baralho), as fezes.
nuven(s) + zinhas = nuvenzinhas - Outros, enfim, têm, no plural, sentido diferente do singular:
funi(s) + zinhos = funizinhos bem (virtude) e bens (riquezas), honra (probidade, bom nome) e
túnei(s) + zinhos = tuneizinhos honras (homenagem, títulos).
pai(s) + zinhos = paizinhos - Usamos às vezes, os substantivos no singular, mas com
pé(s) + zinhos = pezinhos sentido de plural:
pé(s) + zitos = pezitos Aqui morreu muito negro.
Celebraram o sacrifício divino muitas vezes em capelas
Plural dos Nomes Próprios Personativos improvisadas.

Devem-se pluralizar os nomes próprios de pessoas sempre Flexão de Grau do Substantivo


que a terminação preste-se à flexão.
Os Napoleões também são derrotados. Grau é a propriedade que as palavras têm de exprimir as
As Raquéis e Esteres. variações de tamanho dos seres. Classifica-se em:
- Grau Normal - Indica um ser de tamanho considerado
Plural dos Substantivos Estrangeiros normal. Por exemplo: casa

Substantivos ainda não aportuguesados devem ser escritos - Grau Aumentativo - Indica o aumento do tamanho do ser.
como na língua original, acrescentando-se “s” (exceto quando Classifica-se em:
terminam em “s” ou “z”): os shows, os shorts, os jazz. Analítico = o substantivo é acompanhado de um adjetivo que
indica grandeza. Por exemplo: casa grande.
Substantivos já aportuguesados flexionam-se de acordo Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo indicador de
com as regras de nossa língua: os clubes, os chopes, os jipes, os aumento. Por exemplo: casarão.
esportes, as toaletes, os bibelôs, os garçons, os réquiens.
Observe o exemplo: - Grau Diminutivo - Indica a diminuição do tamanho do ser.
Este jogador faz gols toda vez que joga. Pode ser:
O plural correto seria gois (ô), mas não se usa. Analítico = substantivo acompanhado de um adjetivo que
indica pequenez. Por exemplo: casa pequena.
Plural com Mudança de Timbre Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo indicador de
diminuição. Por exemplo: casinha.
Certos substantivos formam o plural com mudança de timbre
da vogal tônica (o fechado / o aberto). É um fato fonético chamado
metafonia (plural metafônico).

Didatismo e Conhecimento 20
LÍNGUA PORTUGUESA
Adjetivo é a palavra que expressa uma qualidade ou Gênero dos Adjetivos
característica do ser e se relaciona com o substantivo.
Ao analisarmos a palavra bondoso, por exemplo, percebemos Os adjetivos concordam com o substantivo a que se referem
que, além de expressar uma qualidade, ela pode ser colocada ao (masculino e feminino). De forma semelhante aos substantivos,
lado de um substantivo: homem bondoso, moça bondosa, pessoa classificam-se em:
bondosa.
Já com a palavra bondade, embora expresse uma qualidade, Biformes - têm duas formas, sendo uma para o masculino e
não acontece o mesmo; não faz sentido dizer: homem bondade, outra para o feminino. Por exemplo: ativo e ativa, mau e má, judeu
moça bondade, pessoa bondade. Bondade, portanto, não é adjetivo, e judia.
mas substantivo. Se o adjetivo é composto e biforme, ele flexiona no feminino
somente o último elemento. Por exemplo: o moço norte-americano,
Morfossintaxe do Adjetivo: a moça norte-americana.
Exceção: surdo-mudo e surda-muda.
O adjetivo exerce sempre funções sintáticas (função dentro
de uma oração) relativas aos substantivos, atuando como adjunto Uniformes - têm uma só forma tanto para o masculino como
adnominal ou como predicativo (do sujeito ou do objeto). para o feminino. Por exemplo: homem feliz e mulher feliz.
Se o adjetivo é composto e uniforme, fica invariável no
Adjetivo Pátrio (ou gentílico) feminino. Por exemplo: conflito político-social e desavença
político-social.
Indica a nacionalidade ou o lugar de origem do ser. Observe
alguns deles: Número dos Adjetivos

Estados e cidades brasileiros: Plural dos adjetivos simples


Alagoas alagoano Os adjetivos simples flexionam-se no plural de acordo com
Amapá amapaense as regras estabelecidas para a flexão numérica dos substantivos
Aracaju aracajuano ou aracajuense simples. Por exemplo: mau e maus, feliz e felizes, ruim e ruins
Amazonas amazonense ou baré boa e boas
Belo Horizonte belo-horizontino
Brasília brasiliense Caso o adjetivo seja uma palavra que também exerça função
Cabo Frio cabo-friense de substantivo, ficará invariável, ou seja, se a palavra que estiver
Campinas campineiro ou campinense qualificando um elemento for, originalmente, um substantivo,
ela manterá sua forma primitiva. Exemplo: a palavra cinza é
Adjetivo Pátrio Composto
originalmente um substantivo; porém, se estiver qualificando um
elemento, funcionará como adjetivo. Ficará, então, invariável.
Na formação do adjetivo pátrio composto, o primeiro
Logo: camisas cinza, ternos cinza.
elemento aparece na forma reduzida e, normalmente, erudita.
Veja outros exemplos:
Observe alguns exemplos:
Motos vinho (mas: motos verdes)
Paredes musgo (mas: paredes brancas).
África afro- / Cultura afro-americana
Alemanha germano- ou teuto-/Competições teuto-inglesas Comícios monstro (mas: comícios grandiosos).
América américo- / Companhia américo-africana
Bélgica belgo- / Acampamentos belgo-franceses Adjetivo Composto
China sino- / Acordos sino-japoneses
Espanha hispano- / Mercado hispano-português É aquele formado por dois ou mais elementos. Normalmente,
Europa euro- / Negociações euro-americanas esses elementos são ligados por hífen. Apenas o último elemento
França franco- ou galo- / Reuniões franco-italianas concorda com o substantivo a que se refere; os demais ficam na
Grécia greco- / Filmes greco-romanos forma masculina, singular. Caso um dos elementos que formam
Inglaterra anglo- / Letras anglo-portuguesas o adjetivo composto seja um substantivo adjetivado, todo o
Itália ítalo- / Sociedade ítalo-portuguesa adjetivo composto ficará invariável. Por exemplo: a palavra rosa é
Japão nipo- / Associações nipo-brasileiras originalmente um substantivo, porém, se estiver qualificando um
Portugal luso- / Acordos luso-brasileiros elemento, funcionará como adjetivo. Caso se ligue a outra palavra
por hífen, formará um adjetivo composto; como é um substantivo
Flexão dos adjetivos adjetivado, o adjetivo composto inteiro ficará invariável. Por
exemplo:
O adjetivo varia em gênero, número e grau. Camisas rosa-claro.
Ternos rosa-claro.
Olhos verde-claros.
Calças azul-escuras e camisas verde-mar.
Telhados marrom-café e paredes verde-claras.

Didatismo e Conhecimento 21
LÍNGUA PORTUGUESA
Obs.: - Azul-marinho, azul-celeste, ultravioleta e qualquer Analítica: a intensificação se faz com o auxílio de palavras que
adjetivo composto iniciado por cor-de-... são sempre invariáveis. dão ideia de intensidade (advérbios). Por exemplo: O secretário
- Os adjetivos compostos surdo-mudo e pele-vermelha têm os é muito inteligente.
dois elementos flexionados. Sintética: a intensificação se faz por meio do acréscimo de
sufixos. Por exemplo: O secretário é inteligentíssimo.
Grau do Adjetivo
Observe alguns superlativos sintéticos:
Os adjetivos flexionam-se em grau para indicar a intensidade benéfico beneficentíssimo
da qualidade do ser. São dois os graus do adjetivo: o comparativo bom boníssimo ou ótimo
e o superlativo. comum comuníssimo
cruel crudelíssimo
Comparativo difícil dificílimo
doce dulcíssimo
Nesse grau, comparam-se a mesma característica atribuída a fácil facílimo
dois ou mais seres ou duas ou mais características atribuídas ao fiel fidelíssimo
mesmo ser. O comparativo pode ser de igualdade, de superioridade
ou de inferioridade. Observe os exemplos abaixo: Superlativo Relativo: ocorre quando a qualidade de um ser
Sou tão alto como você. = Comparativo de Igualdade é intensificada em relação a um conjunto de seres. Essa relação
No comparativo de igualdade, o segundo termo da comparação pode ser:
é introduzido pelas palavras como, quanto ou quão. De Superioridade: Clara é a mais bela da sala.
De Inferioridade: Clara é a menos bela da sala.
Sou mais alto (do) que você. = Comparativo de Superioridade
Analítico Note bem:
No comparativo de superioridade analítico, entre os dois
substantivos comparados, um tem qualidade superior. A forma 1) O superlativo absoluto analítico é expresso por meio
é analítica porque pedimos auxílio a “mais...do que” ou “mais... dos advérbios muito, extremamente, excepcionalmente, etc.,
que”. antepostos ao adjetivo.
2) O superlativo absoluto sintético apresenta-se sob duas
O Sol é maior (do) que a Terra. = Comparativo de formas : uma erudita, de origem latina, outra popular, de
Superioridade Sintético origem vernácula. A forma erudita é constituída pelo radical do
adjetivo latino + um dos sufixos -íssimo, -imo ou érrimo. Por
Alguns adjetivos possuem, para o comparativo de exemplo: fidelíssimo, facílimo, paupérrimo. A forma popular é
superioridade, formas sintéticas, herdadas do latim. São eles: bom constituída do radical do adjetivo português + o sufixo -íssimo:
/melhor, pequeno/menor, mau/pior, alto/superior, grande/maior, pobríssimo, agilíssimo.
baixo/inferior. 3) Em vez dos superlativos normais seriíssimo,
Observe que: precariíssimo, necessariíssimo, preferem-se, na linguagem
a) As formas menor e pior são comparativos de superioridade, atual, as formas seríssimo, precaríssimo, necessaríssimo, sem o
pois equivalem a mais pequeno e mais mau, respectivamente. desagradável hiato i-í.
b) Bom, mau, grande e pequeno têm formas sintéticas
(melhor, pior, maior e menor), porém, em comparações feitas entre Artigo é a palavra que, vindo antes de um substantivo, indica
duas qualidades de um mesmo elemento, deve-se usar as formas se ele está sendo empregado de maneira definida ou indefinida.
analíticas mais bom, mais mau,mais grande e mais pequeno. Por Além disso, o artigo indica, ao mesmo tempo, o gênero e o
exemplo: número dos substantivos.
Pedro é maior do que Paulo - Comparação de dois
elementos. Classificação dos Artigos
Pedro é mais grande que pequeno - comparação de duas
qualidades de um mesmo elemento. Artigos Definidos: determinam os substantivos de maneira
precisa: o, a, os, as. Por exemplo: Eu matei o animal.
Sou menos alto (do) que você. = Comparativo de Inferioridade Artigos Indefinidos: determinam os substantivos de
Sou menos passivo (do) que tolerante. maneira vaga: um, uma, uns, umas. Por exemplo: Eu matei um
animal.
Superlativo
Combinação dos Artigos
O superlativo expressa qualidades num grau muito elevado ou
em grau máximo. O grau superlativo pode ser absoluto ou relativo É muito presente a combinação dos artigos definidos e
e apresenta as seguintes modalidades: indefinidos com preposições. Veja a forma assumida por essas
Superlativo Absoluto: ocorre quando a qualidade de um ser combinações:
é intensificada, sem relação com outros seres. Apresenta-se nas
formas:

Didatismo e Conhecimento 22
LÍNGUA PORTUGUESA
Preposições Artigos - Não se deve usar artigo antes das palavras casa ( no sentido
o, os de lar, moradia) e terra ( no sentido de chão firme), a menos que
a ao, aos venham especificadas.
de do, dos Eles estavam em casa.
em no, nos Eles estavam na casa dos amigos.
por (per) pelo, pelos Os marinheiros permaneceram em terra.
a, as um, uns uma, umas Os marinheiros permanecem na terra dos anões.
à, às - -
da, das dum, duns duma, dumas - Não se emprega artigo antes dos pronomes de tratamento,
na, nas num, nuns numa, numas com exceção de senhor(a), senhorita e dona: Vossa excelência
pela, pelas - - resolverá os problemas de Sua Senhoria.

- As formas à e às indicam a fusão da preposição a com o - Não se une com preposição o artigo que faz parte do nome
artigo definido a. Essa fusão de vogais idênticas é conhecida por de revistas, jornais, obras literárias: Li a notícia em O Estado de
crase. S. Paulo.

Morfossintaxe
Constatemos as circunstâncias em que os artigos se
manifestam:
Para definir o que é artigo é preciso mencionar suas relações
com o substantivo. Assim, nas orações da língua portuguesa,
- Considera-se obrigatório o uso do artigo depois do numeral
o artigo exerce a função de adjunto adnominal do substantivo
“ambos”: Ambos os garotos decidiram participar das olimpíadas. a que se refere. Tal função independe da função exercida pelo
substantivo:
- Nomes próprios indicativos de lugar admitem o uso do A existência é uma poesia.
artigo, outros não: São Paulo, O Rio de Janeiro, Veneza, A Bahia... Uma existência é a poesia.

- Quando indicado no singular, o artigo definido pode indicar Numeral é a palavra que indica os seres em termos numéricos,
toda uma espécie: O trabalho dignifica o homem. isto é, que atribui quantidade aos seres ou os situa em determinada
sequência.
- No caso de nomes próprios personativos, denotando a ideia Os quatro últimos ingressos foram vendidos há pouco.
de familiaridade ou afetividade, é facultativo o uso do artigo: O [quatro: numeral = atributo numérico de “ingresso”]
Pedro é o xodó da família. Eu quero café duplo, e você?
...[duplo: numeral = atributo numérico de “café”]
- No caso de os nomes próprios personativos estarem no A primeira pessoa da fila pode entrar, por favor!
plural, são determinados pelo uso do artigo: Os Maias, os Incas, ...[primeira: numeral = situa o ser “pessoa” na sequência de
Os Astecas... “fila”]

- Usa-se o artigo depois do pronome indefinido todo(a) para Note bem: os numerais traduzem, em palavras, o que os
conferir uma ideia de totalidade. Sem o uso dele (o artigo), o números indicam em relação aos seres. Assim, quando a expressão
pronome assume a noção de qualquer. é colocada em números (1, 1°, 1/3, etc.) não se trata de numerais,
Toda a classe parabenizou o professor. (a sala toda) mas sim de algarismos.
Toda classe possui alunos interessados e desinteressados. Além dos numerais mais conhecidos, já que refletem a
(qualquer classe) ideia expressa pelos números, existem mais algumas palavras
consideradas numerais porque denotam quantidade, proporção ou
ordenação. São alguns exemplos: década, dúzia, par, ambos(as),
- Antes de pronomes possessivos, o uso do artigo é facultativo:
novena.
Adoro o meu vestido longo. Adoro meu vestido longo.
Classificação dos Numerais
- A utilização do artigo indefinido pode indicar uma ideia de
aproximação numérica: O máximo que ele deve ter é uns vinte Cardinais: indicam contagem, medida. É o número básico:
anos. um, dois, cem mil, etc.
Ordinais: indicam a ordem ou lugar do ser numa série dada:
- O artigo também é usado para substantivar palavras oriundas primeiro, segundo, centésimo, etc.
de outras classes gramaticais: Não sei o porquê de tudo isso. Fracionários: indicam parte de um inteiro, ou seja, a divisão
dos seres: meio, terço, dois quintos, etc.
- Nunca deve ser usado artigo depois do pronome relativo Multiplicativos: expressam ideia de multiplicação dos seres,
cujo (e flexões). indicando quantas vezes a quantidade foi aumentada: dobro, triplo,
Este é o homem cujo amigo desapareceu. quíntuplo, etc.
Este é o autor cuja obra conheço. Leitura dos Numerais

Didatismo e Conhecimento 23
LÍNGUA PORTUGUESA
Separando os números em centenas, de trás para frente, obtêm-se conjuntos numéricos, em forma de centenas e, no início, também de
dezenas ou unidades. Entre esses conjuntos usa-se vírgula; as unidades ligam-se pela conjunção “e”.
1.203.726 = um milhão, duzentos e três mil, setecentos e vinte e seis.
45.520 = quarenta e cinco mil, quinhentos e vinte.

Flexão dos numerais


Os numerais cardinais que variam em gênero são um/uma, dois/duas e os que indicam centenas de duzentos/duzentas em diante:
trezentos/trezentas; quatrocentos/quatrocentas, etc. Cardinais como milhão, bilhão, trilhão, variam em número: milhões, bilhões, trilhões.
Os demais cardinais são invariáveis.
Os numerais ordinais variam em gênero e número:
primeiro segundo milésimo
primeira segunda milésima
primeiros segundos milésimos
primeiras segundas milésimas

Os numerais multiplicativos são invariáveis quando atuam em funções substantivas: Fizeram o dobro do esforço e conseguiram o triplo
de produção.
Quando atuam em funções adjetivas, esses numerais flexionam-se em gênero e número: Teve de tomar doses triplas do medicamento.
Os numerais fracionários flexionam-se em gênero e número. Observe: um terço/dois terços, uma terça parte/duas terças partes
Os numerais coletivos flexionam-se em número: uma dúzia, um milheiro, duas dúzias, dois milheiros.
É comum na linguagem coloquial a indicação de grau nos numerais, traduzindo afetividade ou especialização de sentido. É o que ocorre
em frases como:
“Me empresta duzentinho...”
É artigo de primeiríssima qualidade!
O time está arriscado por ter caído na segundona. (= segunda divisão de futebol)

Emprego dos Numerais


*Para designar papas, reis, imperadores, séculos e partes em que se divide uma obra, utilizam-se os ordinais até décimo e a partir daí os
cardinais, desde que o numeral venha depois do substantivo:

Ordinais Cardinais

João Paulo II (segundo) Tomo XV (quinze)


D. Pedro II (segundo) Luís XVI (dezesseis)
Ato II (segundo) Capítulo XX (vinte)
Século VIII (oitavo) Século XX (vinte)
Canto IX (nono) João XXIII ( vinte e três)

*Para designar leis, decretos e portarias, utiliza-se o ordinal até nono e o cardinal de dez em diante:
Artigo 1.° (primeiro) Artigo 10 (dez)
Artigo 9.° (nono) Artigo 21 (vinte e um)

*Ambos/ambas são considerados numerais. Significam “um e outro”, “os dois” (ou “uma e outra”, “as duas”) e são largamente
empregados para retomar pares de seres aos quais já se fez referência.

Pedro e João parecem ter finalmente percebido a importância da solidariedade. Ambos agora participam das atividades comunitárias
de seu bairro.

Obs.: a forma “ambos os dois” é considerada enfática. Atualmente, seu uso indica afetação, artificialismo.

Cardinais Ordinais Multiplicativos Fracionários


um primeiro - -
dois segundo dobro, duplo meio
três terceiro triplo, tríplice terço
quatro quarto quádruplo quarto
cinco quinto quíntuplo quinto
seis sexto sêxtuplo sexto
sete sétimo sétuplo sétimo
oito oitavo óctuplo oitavo

Didatismo e Conhecimento 24
LÍNGUA PORTUGUESA
nove nono nônuplo nono
dez décimo décuplo décimo
onze décimo primeiro - onze avos
doze décimo segundo - doze avos
treze décimo terceiro - treze avos
catorze décimo quarto - catorze avos
quinze décimo quinto - quinze avos
dezesseis décimo sexto - dezesseis avos
dezessete décimo sétimo - dezessete avos
dezoito décimo oitavo - dezoito avos
dezenove décimo nono - dezenove avos
vinte vigésimo - vinte avos
trinta trigésimo - trinta avos
quarenta quadragésimo - quarenta avos
cinqüenta quinquagésimo - cinquenta avos
sessenta sexagésimo - sessenta avos
setenta septuagésimo - setenta avos
oitenta octogésimo - oitenta avos
noventa nonagésimo - noventa avos
cem centésimo cêntuplo centésimo
duzentos ducentésimo - ducentésimo
trezentos trecentésimo - trecentésimo
quatrocentos quadringentésimo - quadringentésimo
quinhentos quingentésimo - quingentésimo
seiscentos sexcentésimo - sexcentésimo
setecentos septingentésimo - septingentésimo
oitocentos octingentésimo - octingentésimo
novecentos nongentésimo ou noningentésimo - nongentésimo
mil milésimo - milésimo
milhão milionésimo - milionésimo
bilhão bilionésimo - bilionésimo

Pronome é a palavra que se usa em lugar do nome, ou a ele se refere, ou que acompanha o nome, qualificando-o de alguma forma.

A moça era mesmo bonita. Ela morava nos meus sonhos!


[substituição do nome]
A moça que morava nos meus sonhos era mesmo bonita!
[referência ao nome]
Essa moça morava nos meus sonhos!
[qualificação do nome]

Grande parte dos pronomes não possuem significados fixos, isto é, essas palavras só adquirem significação dentro de um contexto,
o qual nos permite recuperar a referência exata daquilo que está sendo colocado por meio dos pronomes no ato da comunicação. Com
exceção dos pronomes interrogativos e indefinidos, os demais pronomes têm por função principal apontar para as pessoas do discurso ou a
elas se relacionar, indicando-lhes sua situação no tempo ou no espaço. Em virtude dessa característica, os pronomes apresentam uma forma
específica para cada pessoa do discurso.
Minha carteira estava vazia quando eu fui assaltada.
[minha/eu: pronomes de 1ª pessoa = aquele que fala]
Tua carteira estava vazia quando tu foste assaltada?
[tua/tu: pronomes de 2ª pessoa = aquele a quem se fala]
A carteira dela estava vazia quando ela foi assaltada.
[dela/ela: pronomes de 3ª pessoa = aquele de quem se fala]
Em termos morfológicos, os pronomes são palavras variáveis em gênero (masculino ou feminino) e em número (singular ou plural).
Assim, espera-se que a referência através do pronome seja coerente em termos de gênero e número (fenômeno da concordância) com o seu
objeto, mesmo quando este se apresenta ausente no enunciado.

Fala-se de Roberta. Ele quer participar do desfile da nossa escola neste ano.
[nossa: pronome que qualifica “escola” = concordância adequada]
[neste: pronome que determina “ano” = concordância adequada]

Didatismo e Conhecimento 25
LÍNGUA PORTUGUESA
[ele: pronome que faz referência à “Roberta” = concordância Pronome Oblíquo Átono
inadequada]
Existem seis tipos de pronomes: pessoais, possessivos, São chamados átonos os pronomes oblíquos que não são
demonstrativos, indefinidos, relativos e interrogativos. precedidos de preposição. Possuem acentuação tônica fraca: Ele
me deu um presente.
Pronomes Pessoais O quadro dos pronomes oblíquos átonos é assim configurado:
- 1ª pessoa do singular (eu): me
São aqueles que substituem os substantivos, indicando - 2ª pessoa do singular (tu): te
diretamente as pessoas do discurso. Quem fala ou escreve assume - 3ª pessoa do singular (ele, ela): o, a, lhe
os pronomes “eu” ou “nós”, usa os pronomes “tu”, “vós”, “você” - 1ª pessoa do plural (nós): nos
ou “vocês” para designar a quem se dirige e “ele”, “ela”, “eles” ou - 2ª pessoa do plural (vós): vos
“elas” para fazer referência à pessoa ou às pessoas de quem fala. - 3ª pessoa do plural (eles, elas): os, as, lhes
Os pronomes pessoais variam de acordo com as funções que
exercem nas orações, podendo ser do caso reto ou do caso oblíquo. Observações:
O “lhe” é o único pronome oblíquo átono que já se apresenta
Pronome Reto na forma contraída, ou seja, houve a união entre o pronome “o” ou
“a” e preposição “a” ou “para”. Por acompanhar diretamente uma
Pronome pessoal do caso reto é aquele que, na sentença, preposição, o pronome “lhe” exerce sempre a função de objeto
exerce a função de sujeito ou predicativo do sujeito. indireto na oração.
Nós lhe ofertamos flores. Os pronomes me, te, nos e vos podem tanto ser objetos diretos
como objetos indiretos.
Os pronomes retos apresentam flexão de número, gênero Os pronomes o, a, os e as atuam exclusivamente como objetos
(apenas na 3ª pessoa) e pessoa, sendo essa última a principal diretos.
flexão, uma vez que marca a pessoa do discurso. Dessa forma, o Os pronomes me, te, lhe, nos, vos e lhes podem combinar-se
quadro dos pronomes retos é assim configurado: com os pronomes o, os, a, as, dando origem a formas como mo,
mos , ma, mas; to, tos, ta, tas; lho, lhos, lha, lhas; no-lo, no-los,
- 1ª pessoa do singular: eu no-la, no-las, vo-lo, vo-los, vo-la, vo-las. Observe o uso dessas
- 2ª pessoa do singular: tu formas nos exemplos que seguem:
- 3ª pessoa do singular: ele, ela - Trouxeste o pacote?
- 1ª pessoa do plural: nós - Sim, entreguei-to ainda há pouco.
- 2ª pessoa do plural: vós - Não contaram a novidade a vocês?
- 3ª pessoa do plural: eles, elas - Não, no-la contaram.

Atenção: esses pronomes não costumam ser usados como No português do Brasil, essas combinações não são usadas;
complementos verbais na língua-padrão. Frases como “Vi ele até mesmo na língua literária atual, seu emprego é muito raro.
na rua”, “Encontrei ela na praça”, “Trouxeram eu até aqui”,
comuns na língua oral cotidiana, devem ser evitadas na língua Atenção: Os pronomes o, os, a, as assumem formas especiais
formal escrita ou falada. Na língua formal, devem ser usados os depois de certas terminações verbais. Quando o verbo termina em
pronomes oblíquos correspondentes: “Vi-o na rua”, “Encontrei-a -z, -s ou -r, o pronome assume a forma lo, los, la ou las, ao mesmo
na praça”, “Trouxeram-me até aqui”. tempo que a terminação verbal é suprimida. Por exemplo:
fiz + o = fi-lo
Obs.: frequentemente observamos a omissão do pronome fazeis + o = fazei-lo
reto em Língua Portuguesa. Isso se dá porque as próprias formas dizer + a = dizê-la
verbais marcam, através de suas desinências, as pessoas do verbo
indicadas pelo pronome reto: Fizemos boa viagem. (Nós) Quando o verbo termina em som nasal, o pronome assume as
formas no, nos, na, nas. Por exemplo:
Pronome Oblíquo viram + o: viram-no
repõe + os = repõe-nos
Pronome pessoal do caso oblíquo é aquele que, na sentença, retém + a: retém-na
exerce a função de complemento verbal (objeto direto ou indireto) tem + as = tem-nas
ou complemento nominal. Pronome Oblíquo Tônico
Ofertaram-nos flores. (objeto indireto)
Obs.: em verdade, o pronome oblíquo é uma forma variante Os pronomes oblíquos tônicos são sempre precedidos por
do pronome pessoal do caso reto. Essa variação indica a função preposições, em geral as preposições a, para, de e com. Por esse
diversa que eles desempenham na oração: pronome reto marca motivo, os pronomes tônicos exercem a função de objeto indireto
o sujeito da oração; pronome oblíquo marca o complemento da da oração. Possuem acentuação tônica forte.
oração. O quadro dos pronomes oblíquos tônicos é assim configurado:
Os pronomes oblíquos sofrem variação de acordo com a - 1ª pessoa do singular (eu): mim, comigo
acentuação tônica que possuem, podendo ser átonos ou tônicos. - 2ª pessoa do singular (tu): ti, contigo

Didatismo e Conhecimento 26
LÍNGUA PORTUGUESA
- 3ª pessoa do singular (ele, ela): ele, ela - 2ª pessoa do plural (vós): vos.
- 1ª pessoa do plural (nós): nós, conosco Vós vos beneficiastes com a esta conquista.
- 2ª pessoa do plural (vós): vós, convosco
- 3ª pessoa do plural (eles, elas): eles, elas - 3ª pessoa do plural (eles, elas): se, si, consigo.
Eles se conheceram.
Observe que as únicas formas próprias do pronome tônico são Elas deram a si um dia de folga.
a primeira pessoa (mim) e segunda pessoa (ti). As demais repetem
a forma do pronome pessoal do caso reto. A Segunda Pessoa Indireta
- As preposições essenciais introduzem sempre pronomes
pessoais do caso oblíquo e nunca pronome do caso reto. Nos A chamada segunda pessoa indireta manifesta-se quando
contextos interlocutivos que exigem o uso da língua formal, os utilizamos pronomes que, apesar de indicarem nosso interlocutor
pronomes costumam ser usados desta forma: (portanto, a segunda pessoa), utilizam o verbo na terceira pessoa.
Não há mais nada entre mim e ti. É o caso dos chamados pronomes de tratamento, que podem ser
Não se comprovou qualquer ligação entre ti e ela. observados no quadro seguinte:
Não há nenhuma acusação contra mim.
Não vá sem mim. Pronomes de Tratamento

Atenção: Há construções em que a preposição, apesar de Vossa Alteza V. A. príncipes, duques


surgir anteposta a um pronome, serve para introduzir uma oração Vossa Eminência V. Ema.(s) cardeais
cujo verbo está no infinitivo. Nesses casos, o verbo pode ter sujeito Vossa Reverendíssima V. Revma.(s) sacerdotes e bispos
expresso; se esse sujeito for um pronome, deverá ser do caso reto. Vossa Excelência V. Ex.ª (s) altas autoridades e
Trouxeram vários vestidos para eu experimentar. oficiais-generais
Não vá sem eu mandar. Vossa Magnificência V. Mag.ª (s) reitores
de universidades
- A combinação da preposição “com” e alguns pronomes Vossa Majestade V. M. reis e rainhas
originou as formas especiais comigo, contigo, consigo, conosco Vossa Majestade Imperial V. M. I. Imperadores
e convosco. Tais pronomes oblíquos tônicos frequentemente Vossa Santidade V. S. Papa
exercem a função de adjunto adverbial de companhia. Vossa Senhoria V. S.ª (s) tratamento
Ele carregava o documento consigo. cerimonioso
Vossa Onipotência V. O. Deus
- As formas “conosco” e “convosco” são substituídas por “com
nós” e “com vós” quando os pronomes pessoais são reforçados por Também são pronomes de tratamento o senhor, a senhora e
palavras como outros, mesmos, próprios, todos, ambos ou algum você, vocês. “O senhor” e “a senhora” são empregados no tratamento
numeral. cerimonioso; “você” e “vocês”, no tratamento familiar. Você e vocês são
Você terá de viajar com nós todos. largamente empregados no português do Brasil; em algumas regiões, a
Estávamos com vós outros quando chegaram as más notícias. forma tu é de uso frequente; em outras, pouco empregada. Já a forma
Ele disse que iria com nós três. vós tem uso restrito à linguagem litúrgica, ultraformal ou literária.

Pronome Reflexivo Observações:


a) Vossa Excelência X Sua Excelência : os pronomes de
São pronomes pessoais oblíquos que, embora funcionem tratamento que possuem “Vossa (s)” são empregados em relação
como objetos direto ou indireto, referem-se ao sujeito da oração. à pessoa com quem falamos: Espero que V. Ex.ª, Senhor Ministro,
Indicam que o sujeito pratica e recebe a ação expressa pelo verbo. compareça a este encontro.
O quadro dos pronomes reflexivos é assim configurado: *Emprega-se “Sua (s)” quando se fala a respeito da pessoa.
- 1ª pessoa do singular (eu): me, mim. Todos os membros da C.P.I. afirmaram que Sua Excelência, o
Eu não me vanglorio disso. Senhor Presidente da República, agiu com propriedade.
Olhei para mim no espelho e não gostei do que vi.
- Os pronomes de tratamento representam uma forma indireta de
- 2ª pessoa do singular (tu): te, ti. nos dirigirmos aos nossos interlocutores. Ao tratarmos um deputado
Assim tu te prejudicas. por Vossa Excelência, por exemplo, estamos nos endereçando à
Conhece a ti mesmo. excelência que esse deputado supostamente tem para poder ocupar
- 3ª pessoa do singular (ele, ela): se, si, consigo. o cargo que ocupa.
Guilherme já se preparou. - 3ª pessoa: embora os pronomes de tratamento dirijam-se à
Ela deu a si um presente. 2ª pessoa, toda a concordância deve ser feita com a 3ª pessoa.
Antônio conversou consigo mesmo. Assim, os verbos, os pronomes possessivos e os pronomes oblíquos
empregados em relação a eles devem ficar na 3ª pessoa.
- 1ª pessoa do plural (nós): nos. Basta que V. Ex.ª cumpra a terça parte das suas promessas, para
Lavamo-nos no rio. que seus eleitores lhe fiquem reconhecidos.

Didatismo e Conhecimento 27
LÍNGUA PORTUGUESA
- Uniformidade de Tratamento: quando escrevemos ou nos No espaço:
dirigimos a alguém, não é permitido mudar, ao longo do texto, a Compro este carro (aqui). O pronome este indica que o carro
pessoa do tratamento escolhida inicialmente. Assim, por exemplo, se está perto da pessoa que fala.
começamos a chamar alguém de “você”, não poderemos usar “te” ou Compro esse carro (aí). O pronome esse indica que o carro
“teu”. O uso correto exigirá, ainda, verbo na terceira pessoa. está perto da pessoa com quem falo, ou afastado da pessoa que
Quando você vier, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos teus fala.
cabelos. (errado) Compro aquele carro (lá). O pronome aquele diz que o carro
Quando você vier, eu a abraçarei e enrolar-me-ei nos seus está afastado da pessoa que fala e daquela com quem falo.
cabelos. (correto)
Quando tu vieres, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos teus Atenção: em situações de fala direta (tanto ao vivo quanto
cabelos. (correto) por meio de correspondência, que é uma modalidade escrita de
fala), são particularmente importantes o este e o esse - o primeiro
Pronomes Possessivos localiza os seres em relação ao emissor; o segundo, em relação ao
destinatário. Trocá-los pode causar ambiguidade.
São palavras que, ao indicarem a pessoa gramatical (possuidor), Dirijo-me a essa universidade com o objetivo de solicitar
acrescentam a ela a ideia de posse de algo (coisa possuída). informações sobre o concurso vestibular. (trata-se da universidade
Este caderno é meu. (meu = possuidor: 1ª pessoa do singular) destinatária).
Reafirmamos a disposição desta universidade em participar
NÚMERO PESSOA PRONOME no próximo Encontro de Jovens. (trata-se da universidade que
singular primeira meu(s), minha(s) envia a mensagem).
singular segunda teu(s), tua(s)
singular terceira seu(s), sua(s) No tempo:
plural primeira nosso(s), nossa(s) Este ano está sendo bom para nós. O pronome este se refere
plural segunda vosso(s), vossa(s) ao ano presente.
plural terceira seu(s), sua(s) Esse ano que passou foi razoável. O pronome esse se refere
a um passado próximo.
Note que: A forma do possessivo depende da pessoa gramatical a Aquele ano foi terrível para todos. O pronome aquele está se
que se refere; o gênero e o número concordam com o objeto possuído: referindo a um passado distante.
Ele trouxe seu apoio e sua contribuição naquele momento difícil.
- Os pronomes demonstrativos podem ser variáveis ou
Observações: invariáveis, observe:
1 - A forma “seu” não é um possessivo quando resultar da Variáveis: este(s), esta(s), esse(s), essa(s), aquele(s),
alteração fonética da palavra senhor: Muito obrigado, seu José. aquela(s).
Invariáveis: isto, isso, aquilo.
2 - Os pronomes possessivos nem sempre indicam posse. Podem
ter outros empregos, como: - Também aparecem como pronomes demonstrativos:
a) indicar afetividade: Não faça isso, minha filha. - o(s), a(s): quando estiverem antecedendo o “que” e puderem
ser substituídos por aquele(s), aquela(s), aquilo.
b) indicar cálculo aproximado: Ele já deve ter seus 40 anos. Não ouvi o que disseste. (Não ouvi aquilo que disseste.)
Essa rua não é a que te indiquei. (Esta rua não é aquela que
c) atribuir valor indefinido ao substantivo: Marisa tem lá seus te indiquei.)
defeitos, mas eu gosto muito dela.
- mesmo(s), mesma(s): Estas são as mesmas pessoas que o
3- Em frases onde se usam pronomes de tratamento, o pronome procuraram ontem.
possessivo fica na 3ª pessoa: Vossa Excelência trouxe sua mensagem?
- próprio(s), própria(s): Os próprios alunos resolveram o
4- Referindo-se a mais de um substantivo, o possessivo concorda problema.
com o mais próximo: Trouxe-me seus livros e anotações.
- semelhante(s): Não compre semelhante livro.
5- Em algumas construções, os pronomes pessoais oblíquos
átonos assumem valor de possessivo: Vou seguir-lhe os passos. (= - tal, tais: Tal era a solução para o problema.
Vou seguir seus passos.)
Note que:
Pronomes Demonstrativos
- Não raro os demonstrativos aparecem na frase, em
Os pronomes demonstrativos são utilizados para explicitar a construções redundantes, com finalidade expressiva, para
posição de uma certa palavra em relação a outras ou ao contexto. salientar algum termo anterior. Por exemplo: Manuela, essa é que
Essa relação pode ocorrer em termos de espaço, no tempo ou dera em cheio casando com o José Afonso. Desfrutar das belezas
discurso. brasileiras, isso é que é sorte!

Didatismo e Conhecimento 28
LÍNGUA PORTUGUESA
- O pronome demonstrativo neutro ou pode representar Os pronomes indefinidos podem ser divididos em variáveis
um termo ou o conteúdo de uma oração inteira, caso em que e invariáveis. Observe:
aparece, geralmente, como objeto direto, predicativo ou aposto: Variáveis = algum, nenhum, todo, muito, pouco, vário,
O casamento seria um desastre. Todos o pressentiam. tanto, outro, quanto, alguma, nenhuma, toda, muita, pouca,
vária, tanta, outra, quanta, qualquer, quaisquer, alguns, nenhuns,
- Para evitar a repetição de um verbo anteriormente expresso, todos, muitos, poucos, vários, tantos, outros, quantos, algumas,
é comum empregar-se, em tais casos, o verbo fazer, chamado, nenhumas, todas, muitas, poucas, várias, tantas, outras, quantas.
então, verbo vicário (= que substitui, que faz as vezes de): Invariáveis = alguém, ninguém, outrem, tudo, nada, algo,
Ninguém teve coragem de falar antes que ela o fizesse. cada.

- Em frases como a seguinte, este se refere à pessoa São locuções pronominais indefinidas:
mencionada em último lugar; aquele, à mencionada em primeiro
lugar: O referido deputado e o Dr. Alcides eram amigos íntimos; cada qual, cada um, qualquer um, quantos quer (que), quem
aquele casado, solteiro este. [ou então: este solteiro, aquele quer (que), seja quem for, seja qual for, todo aquele (que), tal
casado] qual (= certo), tal e qual, tal ou qual, um ou outro, uma ou outra,
etc.
Cada um escolheu o vinho desejado.
- O pronome demonstrativo tal pode ter conotação irônica: A
menina foi a tal que ameaçou o professor?
Indefinidos Sistemáticos
- Pode ocorrer a contração das preposições a, de, em com Ao observar atentamente os pronomes indefinidos,
pronome demonstrativo: àquele, àquela, deste, desta, disso, percebemos que existem alguns grupos que criam oposição
nisso, no, etc: Não acreditei no que estava vendo. (no = naquilo) de sentido. É o caso de: algum/alguém/algo, que têm sentido
afirmativo, e nenhum/ninguém/nada, que têm sentido negativo;
Pronomes Indefinidos todo/tudo, que indicam uma totalidade afirmativa, e nenhum/
nada, que indicam uma totalidade negativa; alguém/ninguém,
São palavras que se referem à terceira pessoa do discurso, que se referem à pessoa, e algo/nada, que se referem à coisa;
dando-lhe sentido vago (impreciso) ou expressando quantidade certo, que particulariza, e qualquer, que generaliza.
indeterminada. Essas oposições de sentido são muito importantes na
Alguém entrou no jardim e destruiu as mudas recém- construção de frases e textos coerentes, pois delas muitas vezes
plantadas. dependem a solidez e a consistência dos argumentos expostos.
Observe nas frases seguintes a força que os pronomes indefinidos
Não é difícil perceber que “alguém” indica uma pessoa de destacados imprimem às afirmações de que fazem parte:
quem se fala (uma terceira pessoa, portanto) de forma imprecisa, Nada do que tem sido feito produziu qualquer resultado
vaga. É uma palavra capaz de indicar um ser humano que prático.
seguramente existe, mas cuja identidade é desconhecida ou não se Certas pessoas conseguem perceber sutilezas: não são
quer revelar. Classificam-se em: pessoas quaisquer.
- Pronomes Indefinidos Substantivos: assumem o lugar do
ser ou da quantidade aproximada de seres na frase. São eles: algo, Pronomes Relativos
alguém, fulano, sicrano, beltrano, nada, ninguém, outrem, quem,
tudo. São aqueles que representam nomes já mencionados
Algo o incomoda? anteriormente e com os quais se relacionam. Introduzem as
Quem avisa amigo é. orações subordinadas adjetivas.
O racismo é um sistema que afirma a superioridade de um
grupo racial sobre outros.
- Pronomes Indefinidos Adjetivos: qualificam um ser
(afirma a superioridade de um grupo racial sobre outros =
expresso na frase, conferindo-lhe a noção de quantidade
oração subordinada adjetiva).
aproximada. São eles: cada, certo(s), certa(s). O pronome relativo “que” refere-se à palavra “sistema” e
Cada povo tem seus costumes. introduz uma oração subordinada. Diz-se que a palavra “sistema”
Certas pessoas exercem várias profissões. é antecedente do pronome relativo que.
Note que: Ora são pronomes indefinidos substantivos, ora O antecedente do pronome relativo pode ser o pronome
pronomes indefinidos adjetivos: demonstrativo o, a, os, as.
algum, alguns, alguma(s), bastante(s) (= muito, muitos), Não sei o que você está querendo dizer.
demais, mais, menos, muito(s), muita(s), nenhum, nenhuns, Às vezes, o antecedente do pronome relativo não vem expresso.
nenhuma(s), outro(s), outra(s), pouco(s), pouca(s), qualquer, Quem casa, quer casa.
quaisquer, qual, que, quanto(s), quanta(s), tal, tais, tanto(s),
tanta(s), todo(s), toda(s), um, uns, uma(s), vários, várias. Observe:
Menos palavras e mais ações. Pronomes relativos variáveis = o qual, cujo, quanto, os quais,
Alguns se contentam pouco. cujos, quantos, a qual, cuja, quanta, as quais, cujas, quantas.
Pronomes relativos invariáveis = quem, que, onde.

Didatismo e Conhecimento 29
LÍNGUA PORTUGUESA
Note que: O futebol é um esporte.
- O pronome “que” é o relativo de mais largo emprego, sendo O povo gosta muito deste esporte.
por isso chamado relativo universal. Pode ser substituído por o O futebol é um esporte de que o povo gosta muito.
qual, a qual, os quais, as quais, quando seu antecedente for um
substantivo. - Numa série de orações adjetivas coordenadas, pode ocorrer
O trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. (= o qual) a elipse do relativo “que”: A sala estava cheia de gente que
A cantora que acabou de se apresentar é péssima. (= a qual) conversava, (que) ria, (que) fumava.
Os trabalhos que eu fiz referem-se à corrupção. (= os quais)
As cantoras que se apresentaram eram péssimas. (= as quais) Pronomes Interrogativos

- O qual, os quais, a qual e as quais são exclusivamente São usados na formulação de perguntas, sejam elas diretas
pronomes relativos: por isso, são utilizados didaticamente para ou indiretas. Assim como os pronomes indefinidos, referem-
verificar se palavras como “que”, “quem”, “onde” (que podem -se à 3ª pessoa do discurso de modo impreciso. São pronomes
ter várias classificações) são pronomes relativos. Todos eles são interrogativos: que, quem, qual (e variações), quanto (e variações).
usados com referência à pessoa ou coisa por motivo de clareza ou Quem fez o almoço?/ Diga-me quem fez o almoço.
depois de determinadas preposições: Regressando de São Paulo, Qual das bonecas preferes? / Não sei qual das bonecas
visitei o sítio de minha tia, o qual me deixou encantado. (O uso de preferes.
“que”, neste caso, geraria ambiguidade.) Quantos passageiros desembarcaram? / Pergunte quantos
Essas são as conclusões sobre as quais pairam muitas passageiros desembarcaram.
dúvidas? (Não se poderia usar “que” depois de sobre.)
Sobre os pronomes:
- O relativo “que” às vezes equivale a o que, coisa que, e se
refere a uma oração: Não chegou a ser padre, mas deixou de ser O pronome pessoal é do caso reto quando tem função de sujeito
poeta, que era a sua vocação natural. na frase. O pronome pessoal é do caso oblíquo quando desempenha
função de complemento. Vamos entender, primeiramente, como o
- O pronome “cujo” não concorda com o seu antecedente, mas
pronome pessoal surge na frase e que função exerce. Observe as
com o consequente. Equivale a do qual, da qual, dos quais, das
orações:
quais.
1. Eu não sei essa matéria, mas ele irá me ajudar.
Este é o caderno cujas folhas estão rasgadas.
2. Maria foi embora para casa, pois não sabia se devia lhe
(antecedente) (consequente)
ajudar.
- “Quanto” é pronome relativo quando tem por antecedente
Na primeira oração os pronomes pessoais “eu” e “ele”
um pronome indefinido: tanto (ou variações) e tudo:
exercem função de sujeito, logo, são pertencentes ao caso reto.
Emprestei tantos quantos foram necessários.
(antecedente) Já na segunda oração, observamos o pronome “lhe” exercendo
Ele fez tudo quanto havia falado. função de complemento, e, consequentemente, é do caso oblíquo.
(antecedente) Os pronomes pessoais indicam as pessoas do discurso, o
pronome oblíquo “lhe”, da segunda oração, aponta para a segunda
- O pronome “quem” se refere a pessoas e vem sempre pessoa do singular (tu/você): Maria não sabia se devia ajudar....
precedido de preposição. Ajudar quem? Você (lhe).
É um professor a quem muito devemos. Importante: Em observação à segunda oração, o emprego do
(preposição) pronome oblíquo “lhe” é justificado antes do verbo intransitivo
“ajudar” porque o pronome oblíquo pode estar antes, depois ou
- “Onde”, como pronome relativo, sempre possui antecedente entre locução verbal, caso o verbo principal (no caso “ajudar”)
e só pode ser utilizado na indicação de lugar: A casa onde morava esteja no infinitivo ou gerúndio.
foi assaltada. Eu desejo lhe perguntar algo.
- Na indicação de tempo, deve-se empregar quando ou em Eu estou perguntando-lhe algo.
que. Os pronomes pessoais oblíquos podem ser átonos ou tônicos:
Sinto saudades da época em que (quando) morávamos no os primeiros não são precedidos de preposição, diferentemente dos
exterior. segundos que são sempre precedidos de preposição.
- Pronome oblíquo átono: Joana me perguntou o que eu estava
- Podem ser utilizadas como pronomes relativos as palavras: fazendo.
- como (= pelo qual): Não me parece correto o modo como - Pronome oblíquo tônico: Joana perguntou para mim o que
você agiu semana passada. eu estava fazendo.
- quando (= em que): Bons eram os tempos quando podíamos
jogar videogame. Verbo é a classe de palavras que se flexiona em pessoa,
número, tempo, modo e voz. Pode indicar, entre outros processos:
- Os pronomes relativos permitem reunir duas orações numa ação (correr); estado (ficar); fenômeno (chover); ocorrência
só frase. (nascer); desejo (querer).

Didatismo e Conhecimento 30
LÍNGUA PORTUGUESA
O que caracteriza o verbo são as suas flexões, e não os seus ** fazer, ser e estar (quando indicam tempo)
possíveis significados. Observe que palavras como corrida, Faz invernos rigorosos no Sul do Brasil.
chuva e nascimento têm conteúdo muito próximo ao de alguns Era primavera quando a conheci.
verbos mencionados acima; não apresentam, porém, todas as Estava frio naquele dia.
possibilidades de flexão que esses verbos possuem.
** Todos os verbos que indicam fenômenos da natureza
Estrutura das Formas Verbais são impessoais: chover, ventar, nevar, gear, trovejar, amanhecer,
Do ponto de vista estrutural, uma forma verbal pode apresentar escurecer, etc. Quando, porém, se constrói, “Amanheci mal-
os seguintes elementos: -humorado”, usa-se o verbo “amanhecer” em sentido figurado.
- Radical: é a parte invariável, que expressa o significado Qualquer verbo impessoal, empregado em sentido figurado, deixa
essencial do verbo. Por exemplo: fal-ei; fal-ava; fal-am. (radical de ser impessoal para ser pessoal.
fal-) Amanheci mal-humorado. (Sujeito desinencial: eu)
- Tema: é o radical seguido da vogal temática que indica a Choveram candidatos ao cargo. (Sujeito: candidatos)
conjugação a que pertence o verbo. Por exemplo: fala-r Fiz quinze anos ontem. (Sujeito desinencial: eu)
São três as conjugações: 1ª - Vogal Temática - A - (falar), 2ª
- Vogal Temática - E - (vender), 3ª - Vogal Temática - I - (partir). ** São impessoais, ainda:
- Desinência modo-temporal: é o elemento que designa o 1. o verbo passar (seguido de preposição), indicando tempo:
tempo e o modo do verbo. Por exemplo: Já passa das seis.
falávamos ( indica o pretérito imperfeito do indicativo.) 2. os verbos bastar e chegar, seguidos da preposição de,
falasse ( indica o pretérito imperfeito do subjuntivo.) indicando suficiência: Basta de tolices. Chega de blasfêmias.
- Desinência número-pessoal: é o elemento que designa a 3. os verbos estar e ficar em orações tais como Está bem, Está
pessoa do discurso ( 1ª, 2ª ou 3ª) e o número (singular ou plural): muito bem assim, Não fica bem, Fica mal, sem referência a sujeito
falamos (indica a 1ª pessoa do plural.) expresso anteriormente. Podemos, ainda, nesse caso, classificar o
falavam (indica a 3ª pessoa do plural.) sujeito como hipotético, tornando-se, tais verbos, então, pessoais.
4. o verbo deu + para da língua popular, equivalente de “ser
Observação: o verbo pôr, assim como seus derivados possível”. Por exemplo:
(compor, repor, depor, etc.), pertencem à 2ª conjugação, pois a Não deu para chegar mais cedo.
forma arcaica do verbo pôr era poer. A vogal “e”, apesar de haver Dá para me arrumar uns trocados?
desaparecido do infinitivo, revela-se em algumas formas do verbo:
* Unipessoais: são aqueles que, tendo sujeito, conjugam-se
põe, pões, põem, etc.
apenas nas terceiras pessoas, do singular e do plural.
A fruta amadureceu.
Formas Rizotônicas e Arrizotônicas
As frutas amadureceram.
Ao combinarmos os conhecimentos sobre a estrutura dos
Obs.: os verbos unipessoais podem ser usados como verbos
verbos com o conceito de acentuação tônica, percebemos com
pessoais na linguagem figurada: Teu irmão amadureceu bastante.
facilidade que nas formas rizotônicas o acento tônico cai no
radical do verbo: opino, aprendam, nutro, por exemplo. Nas
Entre os unipessoais estão os verbos que significam vozes de
formas arrizotônicas, o acento tônico não cai no radical, mas sim animais; eis alguns: bramar: tigre, bramir: crocodilo, cacarejar:
na terminação verbal: opinei, aprenderão, nutriríamos. galinha, coaxar: sapo, cricrilar: grilo
Classificação dos Verbos Os principais verbos unipessoais são:
Classificam-se em: 1. cumprir, importar, convir, doer, aprazer, parecer, ser
- Regulares: são aqueles que possuem as desinências normais (preciso, necessário, etc.):
de sua conjugação e cuja flexão não provoca alterações no radical: Cumpre trabalharmos bastante. (Sujeito: trabalharmos
canto cantei cantarei cantava cantasse. bastante.)
- Irregulares: são aqueles cuja flexão provoca alterações no Parece que vai chover. (Sujeito: que vai chover.)
radical ou nas desinências: faço fiz farei fizesse. É preciso que chova. (Sujeito: que chova.)
- Defectivos: são aqueles que não apresentam conjugação 2. fazer e ir, em orações que dão ideia de tempo, seguidos da
completa. Classificam-se em impessoais, unipessoais e pessoais: conjunção que.
* Impessoais: são os verbos que não têm sujeito. Normalmente, Faz dez anos que deixei de fumar. (Sujeito: que deixei de
são usados na terceira pessoa do singular. Os principais verbos fumar.)
impessoais são: Vai para (ou Vai em ou Vai por) dez anos que não vejo Cláudia.
** haver, quando sinônimo de existir, acontecer, realizar-se (Sujeito: que não vejo Cláudia)
ou fazer (em orações temporais).
Havia poucos ingressos à venda. (Havia = Existiam) Obs.: todos os sujeitos apontados são oracionais.
Houve duas guerras mundiais. (Houve = Aconteceram)
Haverá reuniões aqui. (Haverá = Realizar-se-ão) * Pessoais: não apresentam algumas flexões por motivos
Deixei de fumar há muitos anos. (há = faz) morfológicos ou eufônicos. Por exemplo:

Didatismo e Conhecimento 31
LÍNGUA PORTUGUESA
- verbo falir. Este verbo teria como formas do presente do indicativo falo, fales, fale, idênticas às do verbo falar - o que provavelmente
causaria problemas de interpretação em certos contextos.

- verbo computar. Este verbo teria como formas do presente do indicativo computo, computas, computa - formas de sonoridade
considerada ofensiva por alguns ouvidos gramaticais. Essas razões muitas vezes não impedem o uso efetivo de formas verbais repudiadas
por alguns gramáticos: exemplo disso é o próprio verbo computar, que, com o desenvolvimento e a popularização da informática, tem sido
conjugado em todos os tempos, modos e pessoas.

- Abundantes: são aqueles que possuem mais de uma forma com o mesmo valor. Geralmente, esse fenômeno costuma ocorrer no
particípio, em que, além das formas regulares terminadas em -ado ou -ido, surgem as chamadas formas curtas (particípio irregular). Observe:

INFINITIVO PARTICÍPIO REGULAR PARTICÍPIO IRREGULAR

Anexar Anexado Anexo


Dispersar Dispersado Disperso
Eleger Elegido Eleito
Envolver Envolvido Envolto
Imprimir Imprimido Impresso
Matar Matado Morto
Morrer Morrido Morto
Pegar Pegado Pego
Soltar Soltado Solto

- Anômalos: são aqueles que incluem mais de um radical em sua conjugação. Por exemplo: Ir, Pôr, Ser, Saber (vou, vais, ides, fui, foste,
pus, pôs, punha, sou, és, fui, foste, seja).

- Auxiliares: São aqueles que entram na formação dos tempos compostos e das locuções verbais. O verbo principal, quando acompanhado
de verbo auxiliar, é expresso numa das formas nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio.

Vou espantar as moscas.


(verbo auxiliar) (verbo principal no infinitivo)

Está chegando a hora do debate.


(verbo auxiliar) (verbo principal no gerúndio)

Os noivos foram cumprimentados por todos os presentes.


(verbo auxiliar) (verbo principal no particípio)

Obs.: os verbos auxiliares mais usados são: ser, estar, ter e haver.

Conjugação dos Verbos Auxiliares

SER - Modo Indicativo

Presente Pret.Perfeito Pretérito Imp. Pret.Mais-Que-Perf. Fut.do Pres. Fut. Do Pretérito


sou fui era fora serei seria
és foste eras foras serás serias
é foi era fora será seria
somos fomos éramos fôramos seremos seríamos
sois fostes éreis fôreis sereis seríeis
são foram eram foram serão seriam
SER - Modo Subjuntivo
Presente Pretérito Imperfeito Futuro
que eu seja se eu fosse quando eu for
que tu sejas se tu fosses quando tu fores
que ele seja se ele fosse quando ele for
que nós sejamos se nós fôssemos quando nós formos
que vós sejais se vós fôsseis quando vós fordes
que eles sejam se eles fossem quando eles forem

Didatismo e Conhecimento 32
LÍNGUA PORTUGUESA
SER - Modo Imperativo
Afirmativo Negativo
sê tu não sejas tu
seja você não seja você
sejamos nós não sejamos nós
sede vós não sejais vós
sejam vocês não sejam vocês

SER - Formas Nominais


Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio
ser ser eu sendo sido
seres tu
ser ele
sermos nós
serdes vós
serem eles

ESTAR - Modo Indicativo


Presente Pret. perf. Pret. Imperf. Pret.Mais-Que-Perf. Fut.doPres. Fut.do Preté.
estou estive estava estivera estarei estaria
estás estiveste estavas estiveras estarás estarias
está esteve estava estivera estará estaria
estamos estivemos estávamos estivéramos estaremos estaríamos
estais estivestes estáveis estivéreis estareis estaríeis
estão estiveram estavam estiveram estarão estariam

ESTAR - Modo Subjuntivo e Imperativo


Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo
esteja estivesse estiver
estejas estivesses estiveres está estejas
esteja estivesse estiver esteja esteja
estejamos estivéssemos estivermos estejamos estejamos
estejais estivésseis estiverdes estai estejais
estejam estivessem estiverem estejam estejam

ESTAR - Formas Nominais


Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio
estar estar estando estado
estares
estar
estarmos
estardes
estarem

HAVER - Modo Indicativo


Presente Pret. Perf. Pret. Imper. Pret.Mais-Que-Perf. Fut. Do Pres. Fut. Do Preté.
hei houve havia houvera haverei haveria
hás houveste havias houveras haverás haverias
há houve havia houvera haverá haveria
havemos houvemos havíamos houvéramos haveremos haveríamos
haveis houvestes havíeis houvéreis havereis haveríeis
hão houveram haviam houveram haverão haveriam

HAVER - Modo Subjuntivo e Imperativo


Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo
haja houvesse houver
hajas houvesses houveres há hajas
haja houvesse houver haja haja
hajamos houvéssemos houvermos hajamos hajamos
hajais houvésseis houverdes havei hajais
hajam houvessem houverem hajam hajam

Didatismo e Conhecimento 33
LÍNGUA PORTUGUESA
HAVER - Formas Nominais
Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio
haver haver havendo havido
haveres
haver
havermos
haverdes
haverem

TER - Modo Indicativo


Presente Pret. Perf. Pret. Imper. Preté.Mais-Que-Perf. Fut. Do Pres. Fut. Do Preté.
Tenho tive tinha tivera terei teria
tens tiveste tinhas tiveras terás terias
tem teve tinha tivera terá teria
temos tivemos tínhamos tivéramos teremos teríamos
tendes tivestes tínheis tivéreis tereis teríeis
têm tiveram tinham tiveram terão teriam

TER - Modo Subjuntivo e Imperativo


Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo
Tenha tivesse tiver
tenhas tivesses tiveres tem tenhas
tenha tivesse tiver tenha tenha
tenhamos tivéssemos tivermos tenhamos tenhamos
tenhais tivésseis tiverdes tende tenhais
tenham tivessem tiverem tenham tenham

- Pronominais: São aqueles verbos que se conjugam com os pronomes oblíquos átonos me, te, se, nos, vos, se, na mesma pessoa
do sujeito, expressando reflexibilidade (pronominais acidentais) ou apenas reforçando a ideia já implícita no próprio sentido do verbo
(reflexivos essenciais). Veja:
- 1. Essenciais: são aqueles que sempre se conjugam com os pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos, se. São poucos: abster-se, ater-se,
apiedar-se, atrever-se, dignar-se, arrepender-se, etc. Nos verbos pronominais essenciais a reflexibilidade já está implícita no radical do
verbo. Por exemplo: Arrependi-me de ter estado lá.
A ideia é de que a pessoa representada pelo sujeito (eu) tem um sentimento (arrependimento) que recai sobre ela mesma, pois não recebe
ação transitiva nenhuma vinda do verbo; o pronome oblíquo átono é apenas uma partícula integrante do verbo, já que, pelo uso, sempre é
conjugada com o verbo. Diz-se que o pronome apenas serve de reforço da ideia reflexiva expressa pelo radical do próprio verbo.
Veja uma conjugação pronominal essencial (verbo e respectivos pronomes):
Eu me arrependo
Tu te arrependes
Ele se arrepende
Nós nos arrependemos
Vós vos arrependeis
Eles se arrependem

- 2. Acidentais: são aqueles verbos transitivos diretos em que a ação exercida pelo sujeito recai sobre o objeto representado por
pronome oblíquo da mesma pessoa do sujeito; assim, o sujeito faz uma ação que recai sobre ele mesmo. Em geral, os verbos transitivos
diretos ou transitivos diretos e indiretos podem ser conjugados com os pronomes mencionados, formando o que se chama voz reflexiva. Por
exemplo: Maria se penteava.
A reflexibilidade é acidental, pois a ação reflexiva pode ser exercida também sobre outra pessoa. Por exemplo:
Maria penteou-me.

Observações:
- Por fazerem parte integrante do verbo, os pronomes oblíquos átonos dos verbos pronominais não possuem função sintática.
- Há verbos que também são acompanhados de pronomes oblíquos átonos, mas que não são essencialmente pronominais, são os verbos
reflexivos. Nos verbos reflexivos, os pronomes, apesar de se encontrarem na pessoa idêntica à do sujeito, exercem funções sintáticas. Por
exemplo:
Eu me feri. = Eu(sujeito) - 1ª pessoa do singular me (objeto direto) - 1ª pessoa do singular

Didatismo e Conhecimento 34
LÍNGUA PORTUGUESA
Modos Verbais Tempos Verbais

Dá-se o nome de modo às várias formas assumidas pelo verbo Tomando-se como referência o momento em que se fala, a
na expressão de um fato. Em Português, existem três modos: ação expressa pelo verbo pode ocorrer em diversos tempos. Veja:
Indicativo - indica uma certeza, uma realidade: Eu sempre
estudo. 1. Tempos do Indicativo
Subjuntivo - indica uma dúvida, uma possibilidade: Talvez eu - Presente - Expressa um fato atual: Eu estudo neste colégio.
estude amanhã. - Pretérito Imperfeito - Expressa um fato ocorrido num
Imperativo - indica uma ordem, um pedido: Estuda agora, momento anterior ao atual, mas que não foi completamente
menino. terminado: Ele estudava as lições quando foi interrompido.
- Pretérito Perfeito - Expressa um fato ocorrido num
Formas Nominais momento anterior ao atual e que foi totalmente terminado: Ele
estudou as lições ontem à noite.
Além desses três modos, o verbo apresenta ainda formas que - Pretérito-Mais-Que-Perfeito - Expressa um fato ocorrido
podem exercer funções de nomes (substantivo, adjetivo, advérbio), antes de outro fato já terminado: Ele já tinha estudado as lições
sendo por isso denominadas formas nominais. Observe: quando os amigos chegaram. (forma composta) Ele já estudara as
- Infinitivo Impessoal: exprime a significação do verbo de lições quando os amigos chegaram. (forma simples).
modo vago e indefinido, podendo ter valor e função de substantivo. - Futuro do Presente - Enuncia um fato que deve ocorrer
Por exemplo: num tempo vindouro com relação ao momento atual: Ele estudará
Viver é lutar. (= vida é luta) as lições amanhã.
É indispensável combater a corrupção. (= combate à) - Futuro do Pretérito - Enuncia um fato que pode ocorrer
posteriormente a um determinado fato passado: Se eu tivesse
O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presente (forma dinheiro, viajaria nas férias.
simples) ou no passado (forma composta). Por exemplo:
É preciso ler este livro. 2. Tempos do Subjuntivo
Era preciso ter lido este livro. - Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer no momento
atual: É conveniente que estudes para o exame.
- Infinitivo Pessoal: é o infinitivo relacionado às três - Pretérito Imperfeito - Expressa um fato passado, mas
pessoas do discurso. Na 1ª e 3ª pessoas do singular, não apresenta posterior a outro já ocorrido: Eu esperava que ele vencesse o jogo.
desinências, assumindo a mesma forma do impessoal; nas demais,
Obs.: o pretérito imperfeito é também usado nas construções
flexiona-se da seguinte maneira:
em que se expressa a ideia de condição ou desejo. Por exemplo: Se
2ª pessoa do singular: Radical + ES Ex.: teres(tu)
ele viesse ao clube, participaria do campeonato.
1ª pessoa do plural: Radical + MOS Ex.: termos (nós)
2ª pessoa do plural: Radical + DES Ex.: terdes (vós) 1
- Futuro do Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer
3ª pessoa do plural: Radical + EM Ex.: terem (eles)
num momento futuro em relação ao atual: Quando ele vier à loja,
Por exemplo: Foste elogiado por teres alcançado uma boa
levará as encomendas.
colocação.
Obs.: o futuro do presente é também usado em frases que
- Gerúndio: o gerúndio pode funcionar como adjetivo ou indicam possibilidade ou desejo. Por exemplo: Se ele vier à loja,
advérbio. Por exemplo: levará as encomendas.
Saindo de casa, encontrei alguns amigos. (função de advérbio)
Nas ruas, havia crianças vendendo doces. (função de adjetivo)

Na forma simples, o gerúndio expressa uma ação em curso; na


forma composta, uma ação concluída. Por exemplo:
Trabalhando, aprenderás o valor do dinheiro.
Tendo trabalhado, aprendeu o valor do dinheiro.
- Particípio: quando não é empregado na formação dos
tempos compostos, o particípio indica geralmente o resultado de
uma ação terminada, flexionando-se em gênero, número e grau.
Por exemplo:
Terminados os exames, os candidatos saíram.

Quando o particípio exprime somente estado, sem nenhuma


relação temporal, assume verdadeiramente a função de adjetivo
(adjetivo verbal). Por exemplo: Ela foi a aluna escolhida para
representar a escola.

Didatismo e Conhecimento 35
LÍNGUA PORTUGUESA
Presente do Indicativo
1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Desinência pessoal
CANTAR VENDER PARTIR
cantO vendO partO O
cantaS vendeS parteS S
canta vende parte -
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaIS vendeIS partIS IS
cantaM vendeM parteM M

Pretérito Perfeito do Indicativo


1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Desinência pessoal
CANTAR VENDER PARTIR
canteI vendI partI I
cantaSTE vendeSTE partISTE STE
cantoU vendeU partiU U
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaSTES vendeSTES partISTES STES
cantaRAM vendeRAM partiRAM RAM

Pretérito mais-que-perfeito
1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal
1ª/2ª e 3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantaRAS vendeRAS partiRAS RA S
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantáRAMOS vendêRAMOS partíRAMOS RA MOS
cantáREIS vendêREIS partíREIS RE IS
cantaRAM vendeRAM partiRAM RA M

Pretérito Imperfeito do Indicativo


1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação
CANTAR VENDER PARTIR
cantAVA vendIA partIA
cantAVAS vendIAS partAS
CantAVA vendIA partIA
cantÁVAMOS vendÍAMOS partÍAMOS
cantÁVEIS vendÍEIS partÍEIS
cantAVAM vendIAM partIAM

Futuro do Presente do Indicativo


1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação
CANTAR VENDER PARTIR
cantar ei vender ei partir ei
cantar ás vender ás partir ás
cantar á vender á partir á
cantar emos vender emos partir emos
cantar eis vender eis partir eis
cantar ão vender ão partir ão

Futuro do Pretérito do Indicativo


1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação
CANTAR VENDER PARTIR
cantarIA venderIA partirIA
cantarIAS venderIAS partirIAS
cantarIA venderIA partirIA
cantarÍAMOS venderÍAMOS partirÍAMOS
cantarÍEIS venderÍEIS partirÍEIS
cantarIAM venderIAM partirIAM

Didatismo e Conhecimento 36
LÍNGUA PORTUGUESA
Presente do Subjuntivo

Para se formar o presente do subjuntivo, substitui-se a desinência -o da primeira pessoa do singular do presente do indicativo pela
desinência -E (nos verbos de 1ª conjugação) ou pela desinência -A (nos verbos de 2ª e 3ª conjugação).

1ª conjug. 2ª conjug. 3ª conju. Des. temporal Des.temporal Desinên. pessoal


1ª conj. 2ª/3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantE vendA partA E A Ø
cantES vendAS partAS E A S
cantE vendA partA E A Ø
cantEMOS vendAMOS partAMOS E A MOS
cantEIS vendAIS partAIS E A IS
cantEM vendAM partAM E A M

Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

Para formar o imperfeito do subjuntivo, elimina-se a desinência -STE da 2ª pessoa do singular do pretérito perfeito, obtendo-se, assim,
o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -SSE mais a desinência de número e pessoa correspondente.

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal


1ª /2ª e 3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantaSSES vendeSSES partiSSES SSE S
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantáSSEMOS vendêSSEMOS partíSSEMOS SSE MOS
cantáSSEIS vendêSSEIS partíSSEIS SSE IS
cantaSSEM vendeSSEM partiSSEM SSE M

Futuro do Subjuntivo

Para formar o futuro do subjuntivo elimina-se a desinência -STE da 2ª pessoa do singular do pretérito perfeito, obtendo-se, assim, o
tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -R mais a desinência de número e pessoa correspondente.

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal


1ª /2ª e 3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaR vendeR partiR Ø
cantaRES vendeRES partiRES R ES
cantaR vendeR partiR R Ø
cantaRMOS vendeRMOS partiRMOS R MOS
cantaRDES vendeRDES partiRDES R DES
cantaREM vendeREM PartiREM R EM

Modo Imperativo

Imperativo Afirmativo

Para se formar o imperativo afirmativo, toma-se do presente do indicativo a 2ª pessoa do singular (tu) e a segunda pessoa do plural (vós)
eliminando-se o “S” final. As demais pessoas vêm, sem alteração, do presente do subjuntivo. Veja:

Presente do Indicativo Imperativo Afirmativo Presente do Subjuntivo


Eu canto --- Que eu cante
Tu cantas CantA tu Que tu cantes
Ele canta Cante você Que ele cante
Nós cantamos Cantemos nós Que nós cantemos
Vós cantais CantAI vós Que vós canteis
Eles cantam Cantem vocês Que eles cantem

Didatismo e Conhecimento 37
LÍNGUA PORTUGUESA
Imperativo Negativo 03. (Escrevente TJ SP Vunesp 2013-adap.) Sem querer
estereotipar, mas já estereotipando: trata-se de um ser cujas
Para se formar o imperativo negativo, basta antecipar a interações sociais terminam, 99% das vezes, diante da pergunta
negação às formas do presente do subjuntivo. “débito ou crédito?”.
Nesse contexto, o verbo estereotipar tem sentido de
Presente do Subjuntivo Imperativo Negativo (A) considerar ao acaso, sem premeditação.
Que eu cante --- (B) aceitar uma ideia mesmo sem estar convencido dela.
Que tu cantes Não cantes tu (C) adotar como referência de qualidade.
Que ele cante Não cante você (D) julgar de acordo com normas legais.
Que nós cantemos Não cantemos nós (E) classificar segundo ideias preconcebidas.
Que vós canteis Não canteis vós
Que eles cantem Não cantem eles 04. (Escrevente TJ SP Vunesp 2013) Assinale a alternativa
contendo a frase do texto na qual a expressão verbal destacada
Observações: exprime possibilidade.
(A) ... o cientista Theodor Nelson sonhava com um sistema
- No modo imperativo não faz sentido usar na 3ª pessoa capaz de disponibilizar um grande número de obras literárias...
(singular e plural) as formas ele/eles, pois uma ordem, pedido ou (B) Funcionando como um imenso sistema de informação e
conselho só se aplicam diretamente à pessoa com quem se fala. arquivamento, o hipertexto deveria ser um enorme arquivo virtual.
Por essa razão, utiliza-se você/vocês. (C) Isso acarreta uma textualidade que funciona por associação,
- O verbo SER, no imperativo, faz excepcionalmente: sê (tu), e não mais por sequências fixas previamente estabelecidas.
sede (vós). (D) Desde o surgimento da ideia de hipertexto, esse conceito
está ligado a uma nova concepção de textualidade...
Infinitivo Pessoal (E) Criou, então, o “Xanadu”, um projeto para disponibilizar
1ª conjugação 2ª conjugação 3 ª toda a literatura do mundo...
conjugação
CANTAR VENDER PARTIR 05.(Analista – Arquitetura – FCC – 2013-adap.). Está adequada
cantar vender partir a correlação entre tempos e modos verbais na frase:
cantarES venderES partirES A) Os que levariam a vida pensando apenas nos valores absolutos
cantar vender partir talvez façam melhor se pensassem no encanto dos pequenos bons
cantarMOS venderMOS momentos.
partirMOS B) Há até quem queira saber quem fosse o maior bandido entre
cantarDES venderDES os que recebessem destaque nos popularescos programas da TV.
partirDES C) Não admira que os leitores de Manuel Bandeira gostam
cantarEM venderEM partirEM tanto de sua poesia, sobretudo porque ela não tenha aspirações a ser
metafísica.
Questões sobre Verbo D) Se os adeptos da fama a qualquer custo levarem em conta
nossa condição de mortais, não precisariam preocupar-se com os
01. (Agente Polícia Vunesp 2013) Considere o trecho a seguir. degraus da notoriedade.
É comum que objetos ___________ esquecidos em locais E) Quanto mais aproveitássemos o que houvesse de grande
públicos. Mas muitos transtornos poderiam ser evitados se as nos momentos felizes, menos precisaríamos nos preocupar com
pessoas _____________ a atenção voltada para seus pertences, conquistas superlativas.
conservando-os junto ao corpo.
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, 06. (Escrevente TJ SP Vunesp 2013) Assinale a alternativa em
as lacunas do texto. que todos os verbos estão empregados de acordo com a norma-
(A) sejam … mantesse -padrão.
(B) sejam … mantivessem (A) Enviaram o texto, para que o revíssemos antes da impressão
(C) sejam … mantém definitiva.
(D) seja … mantivessem (B) Não haverá prova do crime se o réu se manter em silêncio.
(E) seja … mantêm (C) Vão pagar horas-extras aos que se disporem a trabalhar no
feriado.
02. (Escrevente TJ SP Vunesp 2012-adap.) Na frase –… (D) Ficarão surpresos quando o verem com a toga...
os níveis de pessoas sem emprego estão apresentando quedas (E) Se você quer a promoção, é necessário que a requera a seu
sucessivas de 2005 para cá. –, a locução verbal em destaque superior.
expressa ação
(A) concluída. 07. (Papiloscopista Policial Vunesp 2013-adap.) Assinale a
(B) atemporal. alternativa que substitui, corretamente e sem alterar o sentido da frase,
(C) contínua. a expressão destacada em – Se a criança se perder, quem encontrá-la
(D) hipotética. verá na pulseira instruções para que envie uma mensagem eletrônica
(E) futura. ao grupo ou acione o código na internet.

Didatismo e Conhecimento 38
LÍNGUA PORTUGUESA
(A) Caso a criança se havia perdido… 3-) Sem querer estereotipar, mas já estereotipando: trata-se de
(B) Caso a criança perdeu… um ser cujas interações sociais terminam, 99% das vezes, diante da
(C) Caso a criança se perca… pergunta “débito ou crédito?”.
(D) Caso a criança estivera perdida… Nesse contexto, o verbo estereotipar tem sentido de classificar
(E) Caso a criança se perda… segundo ideias preconcebidas.

08. (Agente de Apoio Operacional – VUNESP – 2013-adap.). 4-)


Assinale a alternativa em que o verbo destacado está no tempo futuro. (B) Funcionando como um imenso sistema de informação e
A) Os consumidores são assediados pelo marketing … arquivamento, o hipertexto deveria ser um enorme arquivo virtual.
B) … somente eles podem decidir se irão ou não comprar. = verbo no futuro do pretérito
C) É como se abrissem em nós uma “caixa de necessidades”…
D) … de onde vem o produto…? 5-)
E) Uma pesquisa mostrou que 55,4% das pessoas… A) Os que levam a vida pensando apenas nos valores absolutos
talvez fariam melhor se pensassem no encanto dos pequenos bons
momentos.
09. (Papiloscopista Policial – VUNESP – 2013). Assinale a
B) Há até quem queira saber quem é o maior bandido entre os
alternativa em que a concordância das formas verbais destacadas
que recebem destaque nos popularescos programas da TV.
se dá em conformidade com a norma-padrão da língua.
C) Não admira que os leitores de Manuel Bandeira gostem
(A) Chegou, para ajudar a família, vários amigos e vizinhos. tanto de sua poesia, sobretudo porque ela não tem aspirações a ser
(B) Haviam várias hipóteses acerca do que poderia ter metafísica.
acontecido com a criança. D) Se os adeptos da fama a qualquer custo levassem em conta
(C) Fazia horas que a criança tinha saído e os pais já estavam nossa condição de mortais, não precisariam preocupar-se com os
preocupados. degraus da notoriedade.
(D) Era duas horas da tarde, quando a criança foi encontrada.
(E) Existia várias maneiras de voltar para casa, mas a criança 6-)
se perdeu mesmo assim. (B) Não haverá prova do crime se o réu se mantiver em silêncio.
(C) Vão pagar horas-extras aos que se dispuserem a trabalhar
10. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VUNESP no feriado.
– 2013-adap.). Leia as frases a seguir. (D) Ficarão surpresos quando o virem com a toga...
I. Havia onze pessoas jogando pedras e pedaços de madeira (E) Se você quiser a promoção, é necessário que a requeira a
no animal. seu superior.
II. Existiam muitos ferimentos no boi.
III. Havia muita gente assustando o boi numa avenida 7-) Caso a criança se perca…(perda = substantivo: Houve
movimentada. uma grande perda salarial...)
Substituindo-se o verbo Haver pelo verbo Existir e este pelo
verbo Haver, nas frases, têm-se, respectivamente: 8-)
A) Existia – Haviam – Existiam A) Os consumidores são assediados pelo marketing = presente
B) Existiam – Havia – Existiam C) É como se abrissem em nós uma “caixa de necessidades”…
C) Existiam – Haviam – Existiam = pretérito do Subjuntivo
D) Existiam – Havia – Existia D) … de onde vem o produto…? = presente
E) Existia – Havia – Existia E) Uma pesquisa mostrou que 55,4% das pessoas… = pretérito
perfeito
GABARITO
9-)
(A) Chegaram, para ajudar a família, vários amigos e vizinhos.
01. B 02. C 03. E 04. B 05. E
(B) Havia várias hipóteses acerca do que poderia ter acontecido
06. A 07. C 08. B 09. C 10. D
com a criança.
(D) Eram duas horas da tarde, quando a criança foi encontrada.
RESOLUÇÃO (E) Existiam várias maneiras de voltar para casa, mas a criança
se perdeu mesmo assim.
1-) É comum que objetos sejam esquecidos em locais
públicos. Mas muitos transtornos poderiam ser evitados se as 10-)
pessoas mantivessem a atenção voltada para seus pertences, I. Havia onze pessoas jogando pedras e pedaços de madeira
conservando-os junto ao corpo. no animal.
II. Existiam muitos ferimentos no boi.
2-) os níveis de pessoas sem emprego estão apresentando III. Havia muita gente assustando o boi numa avenida
quedas sucessivas de 2005 para cá. –, a locução verbal em destaque movimentada.
expressa ação contínua (= não concluída) Haver – sentido de existir= invariável, impessoal;
existir = variável. Portanto, temos:

Didatismo e Conhecimento 39
LÍNGUA PORTUGUESA
I – Existiam onze pessoas... de negação : Não, nem, nunca, jamais, de modo algum, de
II – Havia muitos ferimentos... forma nenhuma, tampouco, de jeito nenhum
III – Existia muita gente...
de dúvida: Acaso, porventura, possivelmente, provavelmente,
O advérbio, assim como muitas outras palavras existentes quiçá, talvez, casualmente, por certo, quem sabe
na Língua Portuguesa, advém de outras línguas. Assim sendo, tal
qual o adjetivo, o prefixo “ad-” indica a ideia de proximidade, de afirmação: Sim, certamente, realmente, decerto,
contiguidade. Essa proximidade faz referência ao processo verbal, efetivamente, certo, decididamente, realmente, deveras,
no sentido de caracterizá-lo, ou seja, indicando as circunstâncias indubitavelmente (=sem dúvida).
em que esse processo se desenvolve.
O advérbio relaciona-se aos verbos da língua, no sentido de de exclusão: Apenas, exclusivamente, salvo, senão, somente,
caracterizar os processos expressos por ele. Contudo, ele não é simplesmente, só, unicamente
modificador exclusivo desta classe (verbos), pois também modifica
o adjetivo e até outro advérbio. Seguem alguns exemplos: de inclusão: Ainda, até, mesmo, inclusivamente, também
Para quem se diz distantemente alheio a esse assunto, você
está até bem informado. de ordem: Depois, primeiramente, ultimamente
Temos o advérbio “distantemente” que modifica o adjetivo de designação: Eis
alheio, representando uma qualidade, característica.
O artista canta muito mal. de interrogação: onde? (lugar), como? (modo), quando?
Nesse caso, o advérbio de intensidade “muito” modifica outro (tempo), por quê? (causa), quanto? (preço e intensidade), para
advérbio de modo – “mal”. Em ambos os exemplos pudemos quê? (finalidade)
verificar que se tratava de somente uma palavra funcionando
como advérbio. No entanto, ele pode estar demarcado por mais de Locução adverbial
uma palavra, que mesmo assim não deixará de ocupar tal função.
Temos aí o que chamamos de locução adverbial, representada por É reunião de duas ou mais palavras com valor de advérbio.
algumas expressões, tais como: às vezes, sem dúvida, frente a Exemplo:
frente, de modo algum, entre outras. Carlos saiu às pressas. (indicando modo)
Maria saiu à tarde. (indicando tempo)
Dependendo das circunstâncias expressas pelos advérbios,
eles se classificam em distintas categorias, uma vez expressas por:
Há locuções adverbiais que possuem advérbios
correspondentes. Exemplo: Carlos saiu às pressas. = Carlos saiu
de modo: Bem, mal, assim, depressa, devagar, às pressas,
apressadamente.
às claras, às cegas, à toa, à vontade, às escondidas, aos poucos,
desse jeito, desse modo, dessa maneira, em geral, frente a frente,
Apenas os advérbios de intensidade, de lugar e de modo são
lado a lado, a pé, de cor, em vão, e a maior parte dos que terminam
flexionados, sendo que os demais são todos invariáveis. A única
em -”mente”: calmamente, tristemente, propositadamente,
flexão propriamente dita que existe na categoria dos advérbios é
pacientemente, amorosamente, docemente, escandalosamente,
bondosamente, generosamente a de grau:
Superlativo: aumenta a intensidade. Exemplos: longe
de intensidade: Muito, demais, pouco, tão, menos, em - longíssimo, pouco - pouquíssimo, inconstitucionalmente -
excesso, bastante, pouco, mais, menos, demasiado, quanto, quão, inconstitucionalissimamente, etc.;
tanto, que(equivale a quão), tudo, nada, todo, quase, de todo, de Diminutivo: diminui a intensidade. Exemplos: perto -
muito, por completo. pertinho, pouco - pouquinho, devagar - devagarinho.

de tempo: Hoje, logo, primeiro, ontem, tarde outrora, amanhã, Preposição é uma palavra invariável que serve para ligar
cedo, dantes, depois, ainda, antigamente, antes, doravante, termos ou orações. Quando esta ligação acontece, normalmente
nunca, então, ora, jamais, agora, sempre, já, enfim, afinal, breve, há uma subordinação do segundo termo em relação ao primeiro.
constantemente, entrementes, imediatamente, primeiramente, As preposições são muito importantes na estrutura da língua,
provisoriamente, sucessivamente, às vezes, à tarde, à noite, de pois estabelecem a coesão textual e possuem valores semânticos
manhã, de repente, de vez em quando, de quando em quando, a indispensáveis para a compreensão do texto.
qualquer momento, de tempos em tempos, em breve, hoje em dia
Tipos de Preposição
de lugar: Aqui, antes, dentro, ali, adiante, fora, acolá, atrás, 1. Preposições essenciais: palavras que atuam exclusivamente
além, lá, detrás, aquém, cá, acima, onde, perto, aí, abaixo, aonde, como preposições: a, ante, perante, após, até, com, contra, de,
longe, debaixo, algures, defronte, nenhures, adentro, afora, desde, em, entre, para, por, sem, sob, sobre, trás, atrás de, dentro
alhures, nenhures, aquém, embaixo, externamente, a distância, à de, para com.
distancia de, de longe, de perto, em cima, à direita, à esquerda, ao 2. Preposições acidentais: palavras de outras classes
lado, em volta gramaticais que podem atuar como preposições: como, durante,
exceto, fora, mediante, salvo, segundo, senão, visto.

Didatismo e Conhecimento 40
LÍNGUA PORTUGUESA
3. Locuções prepositivas: duas ou mais palavras valendo Em + aquele(s) = naquele(s)
como uma preposição, sendo que a última palavra é uma delas: Em + aquela(s) = naquela(s)
abaixo de, acerca de, acima de, ao lado de, a respeito de, de Em + isto = nisto
acordo com, em cima de, embaixo de, em frente a, ao redor de, Em + isso = nisso
graças a, junto a, com, perto de, por causa de, por cima de, por Em + aquilo = naquilo
trás de. A + aquele(s) = àquele(s)
A + aquela(s) = àquela(s)
A preposição, como já foi dito, é invariável. No entanto pode A + aquilo = àquilo
unir-se a outras palavras e assim estabelecer concordância em
gênero ou em número. Ex: por + o = pelo por + a = pela. Dicas sobre preposição
Vale ressaltar que essa concordância não é característica da
preposição, mas das palavras às quais ela se une. 1. O “a” pode funcionar como preposição, pronome pessoal
Esse processo de junção de uma preposição com outra palavra oblíquo e artigo. Como distingui-los? Caso o “a” seja um artigo,
pode se dar a partir de dois processos: virá precedendo um substantivo. Ele servirá para determiná-lo
como um substantivo singular e feminino.
1. Combinação: A preposição não sofre alteração. A dona da casa não quis nos atender.
preposição a + artigos definidos o, os Como posso fazer a Joana concordar comigo?
a + o = ao
preposição a + advérbio onde - Quando é preposição, além de ser invariável, liga dois termos
a + onde = aonde e estabelece relação de subordinação entre eles.
2. Contração: Quando a preposição sofre alteração. Cheguei a sua casa ontem pela manhã.
Não queria, mas vou ter que ir à outra cidade para procurar
Preposição + Artigos um tratamento adequado.
De + o(s) = do(s)
De + a(s) = da(s) - Se for pronome pessoal oblíquo estará ocupando o lugar e/ou
De + um = dum a função de um substantivo.
De + uns = duns Temos Maria como parte da família. / Nós a temos como parte
De + uma = duma da família
De + umas = dumas Creio que conhecemos nossa mãe melhor que ninguém. /
Em + o(s) = no(s) Creio que a conhecemos melhor que ninguém.
Em + a(s) = na(s)
Em + um = num 2. Algumas relações semânticas estabelecidas por meio das
Em + uma = numa preposições:
Em + uns = nuns Destino = Irei para casa.
Em + umas = numas Modo = Chegou em casa aos gritos.
A + à(s) = à(s) Lugar = Vou ficar em casa;
Por + o = pelo(s) Assunto = Escrevi um artigo sobre adolescência.
Por + a = pela(s) Tempo = A prova vai começar em dois minutos.
Causa = Ela faleceu de derrame cerebral.
Preposição + Pronomes Fim ou finalidade = Vou ao médico para começar o tratamento.
De + ele(s) = dele(s) Instrumento = Escreveu a lápis.
De + ela(s) = dela(s) Posse = Não posso doar as roupas da mamãe.
De + este(s) = deste(s) Autoria = Esse livro de Machado de Assis é muito bom.
De + esta(s) = desta(s) Companhia = Estarei com ele amanhã.
De + esse(s) = desse(s) Matéria = Farei um cartão de papel reciclado.
De + essa(s) = dessa(s) Meio = Nós vamos fazer um passeio de barco.
De + aquele(s) = daquele(s) Origem = Nós somos do Nordeste, e você?
De + aquela(s) = daquela(s) Conteúdo = Quebrei dois frascos de perfume.
De + isto = disto Oposição = Esse movimento é contra o que eu penso.
De + isso = disso Preço = Essa roupa sai por R$ 50 à vista.
De + aquilo = daquilo
De + aqui = daqui Fonte:
De + aí = daí http://www.infoescola.com/portugues/preposicao/
De + ali = dali
De + outro = doutro(s) Conjunção é a palavra invariável que liga duas orações ou
De + outra = doutra(s) dois termos semelhantes de uma mesma oração. Por exemplo:
Em + este(s) = neste(s) A menina segurou a boneca e mostrou quando viu as
Em + esta(s) = nesta(s) amiguinhas.
Em + esse(s) = nesse(s)

Didatismo e Conhecimento 41
LÍNGUA PORTUGUESA
Deste exemplo podem ser retiradas três informações: - COMPARATIVAS
1-) segurou a boneca 2-) a menina mostrou 3-) viu as Principais conjunções comparativas: que, do que, tão...como,
amiguinhas mais...do que, menos...do que.
Ela fala mais que um papagaio.
Cada informação está estruturada em torno de um verbo:
segurou, mostrou, viu. Assim, há nessa frase três orações: - CONCESSIVAS
1ª oração: A menina segurou a boneca 2ª oração: e mostrou Principais conjunções concessivas: embora, ainda que,
3ª oração: quando viu as amiguinhas. mesmo que, apesar de, se bem que.
A segunda oração liga-se à primeira por meio do “e”, e a Indicam uma concessão, admitem uma contradição, um fato
terceira oração liga-se à segunda por meio do “quando”. As inesperado. Traz em si uma ideia de “apesar de”.
palavras “e” e “quando” ligam, portanto, orações. Embora estivesse cansada, fui ao shopping. (= apesar de estar
cansada)
Observe: Gosto de natação e de futebol. Apesar de ter chovido fui ao cinema.
Nessa frase as expressões de natação, de futebol são partes
ou termos de uma mesma oração. Logo, a palavra “e” está ligando - CONFORMATIVAS
termos de uma mesma oração. Principais conjunções conformativas: como, segundo,
conforme, consoante
Morfossintaxe da Conjunção Cada um colhe conforme semeia.
Expressam uma ideia de acordo, concordância, conformidade.
As conjunções, a exemplo das preposições, não exercem - CONSECUTIVAS
propriamente uma função sintática: são conectivos. Expressam uma ideia de consequência.
Classificação Principais conjunções consecutivas: que (após “tal”, “tanto”,
- Conjunções Coordenativas “tão”, “tamanho”).
- Conjunções Subordinativas Falou tanto que ficou rouco.

Conjunções coordenativas - FINAIS


Expressam ideia de finalidade, objetivo.
Todos trabalham para que possam sobreviver.
Dividem-se em:
Principais conjunções finais: para que, a fim de que, porque
- ADITIVAS: expressam a ideia de adição, soma. Ex. Gosto
(=para que),
de cantar e de dançar.
Principais conjunções aditivas: e, nem, não só...mas também,
- PROPORCIONAIS
não só...como também.
Principais conjunções proporcionais: à medida que, quanto
mais, ao passo que, à proporção que.
- ADVERSATIVAS: Expressam ideias contrárias, de oposição, À medida que as horas passavam, mais sono ele tinha.
de compensação. Ex. Estudei, mas não entendi nada.
Principais conjunções adversativas: mas, porém, contudo, - TEMPORAIS
todavia, no entanto, entretanto. Principais conjunções temporais: quando, enquanto, logo que.
- ALTERNATIVAS: Expressam ideia de alternância. Quando eu sair, vou passar na locadora.
Ou você sai do telefone ou eu vendo o aparelho.
Principais conjunções alternativas: Ou...ou, ora...ora, quer...
quer, já...já.
EMPREGO/CORRELAÇÃO DE TEMPOS
- CONCLUSIVAS: Servem para dar conclusões às orações. E MODOS VERBAIS
Ex. Estudei muito, por isso mereço passar.
Principais conjunções conclusivas: logo, por isso, pois (depois
do verbo), portanto, por conseguinte, assim.
- EXPLICATIVAS: Explicam, dão um motivo ou razão. Ex. Damos o nome de correlação verbal à coerência que, em uma
É melhor colocar o casaco porque está fazendo muito frio lá fora. frase ou sequência de frases, deve haver entre as formas verbais
Principais conjunções explicativas: que, porque, pois (antes utilizadas. Ou seja, é preciso que haja articulação temporal entre os
do verbo), porquanto. verbos, que eles se correspondam, de maneira a expressar as ideias
com lógica. Tempos e modos verbais devem, portanto, combinar
Conjunções subordinativas entre si.
Vejamos este exemplo:
- CAUSAIS Seu eu dormisse durante as aulas, jamais aprenderia a lição.
Principais conjunções causais: porque, visto que, já que, uma
vez que, como (= porque). No caso, o verbo dormir está no pretérito imperfeito do sub-
Ele não fez o trabalho porque não tem livro. juntivo. Sabemos que o subjuntivo expressa dúvida, incerteza,
possibilidade, eventualidade. Assim, em que tempo o verbo apren-
der deve estar, de maneira a garantir que o período tenha lógica?

Didatismo e Conhecimento 42
LÍNGUA PORTUGUESA
Na frase, aprender é usado no futuro do pretérito (aprende- (B) entrava − tinha visto
ria), um tempo que expressa, dentre outras ideias, uma afirmação (C) entrasse − veria
condicionada (que depende de algo), quando esta se refere a fatos (D) entraria − veria
que não se realizaram e que, provavelmente, não se realizarão. O (E) entrava − teria visto
período, portanto, está correto, já que a ideia transmitida por dor-
misse é exatamente a de uma dúvida, a de uma possibilidade que 2-) (UNESP/SP - ASSISTENTE TÉCNICO ADMINISTRA-
não temos certeza se ocorrerá. TIVO - VUNESP/2012) A correlação entre as formas verbais está
Para tornar mais clara a questão, vejamos o mesmo exemplo, correta em:
mas sem correlação verbal: (A) Se o consumo desnecessário vier a crescer, o planeta não
Se eu dormisse durante as aulas, jamais aprenderei a lição. resistiu.
(B) Se todas as partes do mundo estiverem com alto poder de
Temos dormir no subjuntivo, novamente. Mas aprender está consumo, o planeta em breve sofrerá um colapso.
conjugado no futuro do presente, um tempo verbal que expressa, (C) Caso todo prazer, como o da comida, o da bebida, o do
dentre outras ideias, fatos certos ou prováveis. jogo, o do sexo e o do consumo não conhecesse distorções patoló-
Ora, nesse caso não podemos dizer que jamais aprenderemos gicas, não haverá vícios.
a lição, pois o ato de aprender está condicionado não a uma certe- (D) Se os meios tecnológicos não tivessem se tornado tão efi-
za, mas apenas à hipótese (transmitida pelo pretérito imperfeito do cientes, talvez as coisas não ficaram tão baratas.
subjuntivo) de dormir. (E) Se as pessoas não se propuserem a consumir consciente-
Correlações verbais corretas mente, a oferta de produtos supérfluos crescia.
A seguir, veja alguns casos em que os tempos verbais são con- 3-) (TJ/SP – AGENTE DE FISCALIZAÇÃO JUDICIÁRIA
cordantes: – VUNESP/2010) Assinale a alternativa que preenche adequada-
mente e de acordo com a norma culta a lacuna da frase: Quando
presente do indicativo + presente do subjuntivo: Exijo que um candidato trêmulo ______ eu lhe faria a pergunta mais deli-
você faça o dever. ciosa de todas.
(A) entrasse
pretérito perfeito do indicativo + pretérito imperfeito do sub-
(B) entraria
juntivo: Exigi que ele fizesse o dever.
(C) entrava
(D) entrar
presente do indicativo + pretérito perfeito composto do sub-
(E) entrou
juntivo: Espero que ele tenha feito o dever.
4-) (TRF - 4ª REGIÃO – TÉCNICO JUDICIÁRIO –
pretérito imperfeito do indicativo + mais-que-perfeito com-
FCC/2010) Se a tendência se mantiver, teremos cada vez mais...
posto do subjuntivo: Queria que ele tivesse feito o dever.
Ao substituir o segmento grifado acima por “Caso a tendên-
futuro do subjuntivo + futuro do presente do indicativo: Se cia”, a continuação que mantém a correção e o sentido da frase
você fizer o dever, eu ficarei feliz. original é:
a) se mantenha, teremos cada vez mais...
pretérito imperfeito do subjuntivo + futuro do pretérito do in- b) fosse mantida, teríamos cada vez mais...
dicativo: Se você fizesse o dever, eu leria suas respostas. c) se manter, teremos cada vez mais...
d) for mantida, teremos cada vez mais...
pretérito mais-que-perfeito composto do subjuntivo + futuro e) seja mantida, teríamos cada vez mais...
do pretérito composto do indicativo: Se você tivesse feito o dever,
eu teria lido suas respostas. 5-) (PREFEITURA DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS/SP -
AGENTE OPERACIONAL – VUNESP/2012 - ADAPTADA)
futuro do subjuntivo + futuro do presente do indicativo: Quan- Assinale a alternativa que apresenta o trecho – ... o doutorando
do você fizer o dever, dormirei. enviou seu estudo para a Sociedade Britânica de Psicologia para
apreciação e não esperava que houvesse tanta publicidade. – rees-
futuro do subjuntivo + futuro do presente composto do indica- crito de acordo com a norma-padrão, com indicação de ação a se
tivo: Quando você fizer o dever, já terei dormido. realizar e correta correlação verbal.
(A) ... o doutorando enviaria seu estudo para a Sociedade Bri-
Atividades tânica de Psicologia para apreciação e não esperava que haveria
tanta publicidade.
1-) (MPE/AM - AGENTE DE APOIO ADMINISTRATIVO (B) ... o doutorando envia seu estudo para a Sociedade Bri-
- FCC/2013) “Quando a gente entra nas serrarias, vê dezenas de tânica de Psicologia para apreciação e não esperará que houvesse
caminhões parados”, revelou o analista ambiental Geraldo Motta. tanta publicidade.
Substituindo-se Quando por Se, os verbos sublinhados devem (C) ... o doutorando enviara seu estudo para a Sociedade Bri-
sofrer as seguintes alterações: tânica de Psicologia para apreciação e não esperara que haverá
(A) entrar − vira tanta publicidade.

Didatismo e Conhecimento 43
LÍNGUA PORTUGUESA
(D) ... o doutorando enviará seu estudo para a Sociedade Bri- 5-)
tânica de Psicologia para apreciação e não esperará que haja tanta O exercício quer que conjuguemos o verbo no futuro do pre-
publicidade. sente (ação a se realizar). Como o enunciado é específico (quer
determinado tempo verbal), não fiz as correções nas demais alter-
6-) (METRÔ/SP – ENGENHEIRO JÚNIOR CIVIL – nativas, pois, em um concurso, perderíamos tempo consertando os
FCC/2012) Está plenamente adequada a correlação entre tempos itens que não nos interessam. Vamos à construção: o doutorando
e modos verbais na frase: enviou (enviará) seu estudo para a Sociedade Britânica de Psicolo-
(A) Nem bem saí pela porta automática e subi as escadas ro- gia para apreciação e não esperava (esperará) que houvesse (haja)
lantes, logo me encontraria diante da luz do sol e do ar fresco da tanta publicidade. = enviará / esperará / haja.
manhã.
(B) Eu havia presumido que aquela viagem de metrô satisfi- RESPOSTA: “D”.
zesse plenamente as expectativas que venho alimentando.
(C) Se as minhocas dispusessem de olhos, provavelmente 6-)
não terão reclamado por as expormos à luz do dia. (A) Nem bem saí pela porta automática e subi as escadas ro-
(D) Não fossem as urgências impostas pela vida moderna, lantes, logo me encontraria (encontrei) diante da luz do sol e do ar
não teria sido necessário acelerar tanto o ritmo de nossas viagens fresco da manhã.
urbanas. (B) Eu havia presumido que aquela viagem de metrô satisfi-
(E) Como haveremos de comparar as antigas viagens de trem zesse (satisfaria) plenamente as expectativas que venho alimen-
com estas que realizássemos por meio de túneis entre estações tando.
subterrâneas? (C) Se as minhocas dispusessem de olhos, provavelmente não
RESOLUÇÃO terão (teriam) reclamado por as expormos à luz do dia.
(D) Não fossem as urgências impostas pela vida moderna, não
1-) teria sido necessário acelerar tanto o ritmo de nossas viagens ur-
Se a gente entrasse (verbo no singular) na serraria, veria = banas.
entrasse / veria. (E) Como haveremos de comparar as antigas viagens de trem
com estas que realizássemos (realizamos) por meio de túneis entre
estações subterrâneas?
RESPOSTA: “C”.
RESPOSTA: “D”.
2-)
Fiz as correções necessárias:
(A) Se o consumo desnecessário vier a crescer, o planeta não
resistiu = resistirá EMPREGO DO SINAL INDICATIVO
(B) Se todas as partes do mundo estiverem com alto poder de DE CRASE.
consumo, o planeta em breve sofrerá um colapso.
(C) Caso todo prazer, como o da comida, o da bebida, o do
jogo, o do sexo e o do consumo não conhecesse distorções patoló-
gicas, não haverá = haveria A palavra crase é de origem grega e significa “fusão”, “mistu-
(D) Se os meios tecnológicos não tivessem se tornado tão efi- ra”. Na língua portuguesa, é o nome que se dá à “junção” de duas
cientes, talvez as coisas não ficaram = ficariam (ou teriam ficado) vogais idênticas. É de grande importância a crase da preposição
(E) Se as pessoas não se propuserem a consumir consciente- “a” com o artigo feminino “a” (s), com o “a” inicial dos pronomes
mente, a oferta de produtos supérfluos crescia = crescerá aquele(s), aquela (s), aquilo e com o “a” do relativo a qual (as
quais). Na escrita, utilizamos o acento grave ( ` ) para indicar a
RESPOSTA: “B”. crase. O uso apropriado do acento grave depende da compreensão
da fusão das duas vogais. É fundamental também, para o entendi-
3-) mento da crase, dominar a regência dos verbos e nomes que exi-
O verbo “faria” está no futuro do pretérito, ou seja, indica gem a preposição “a”. Aprender a usar a crase, portanto, consiste
que é uma ação que, para acontecer, depende de outra. Exemplo: em aprender a verificar a ocorrência simultânea de uma preposição
Quando um candidato entrasse, eu faria / Se ele entrar, eu farei / e um artigo ou pronome. Observe:
Caso ele entre, eu faço... Vou a + a igreja.
Vou à igreja.
RESPOSTA: “A”.
No exemplo acima, temos a ocorrência da preposição “a”,
4-) exigida pelo verbo ir (ir a algum lugar) e a ocorrência do artigo
Ao empregarmos o termo “caso a”, conjugaremos o verbo “a” que está determinando o substantivo feminino igreja. Quando
utilizando o modo hipotético (Subjuntivo). A transformação será: ocorre esse encontro das duas vogais e elas se unem, a união delas
Caso a tendência se mantenha, teremos cada vez mais... é indicada pelo acento grave. Observe os outros exemplos:
Conheço a aluna.
RESPOSTA: “A”. Refiro-me à aluna.

Didatismo e Conhecimento 44
LÍNGUA PORTUGUESA
No primeiro exemplo, o verbo é transitivo direto (conhecer - na indicação de horas:
algo ou alguém), logo não exige preposição e a crase não pode Acordei às sete horas da manhã.
ocorrer. No segundo exemplo, o verbo é transitivo indireto (refe- Elas chegaram às dez horas.
rir--se a algo ou a alguém) e exige a preposição “a”. Portanto, a Foram dormir à meia-noite.
crase é possível, desde que o termo seguinte seja feminino e ad-
mita o artigo feminino “a” ou um dos pronomes já especificados. - em locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas de que
participam palavras femininas. Por exemplo:
Casos em que a crase NÃO ocorre: à tarde às ocultas às pressas à medida que
à noite às claras às escondidas à força
- diante de substantivos masculinos: à vontade à beça à larga à escuta
Andamos a cavalo. às avessas à revelia à exceção de à imitação de
Fomos a pé. à esquerda às turras às vezes à chave
Passou a camisa a ferro. à direita à procura à deriva à toa
Fazer o exercício a lápis. à luz à sombra de à frente de à proporção que
Compramos os móveis a prazo. à semelhança de às ordens à beira de

- diante de verbos no infinitivo: Crase diante de Nomes de Lugar


A criança começou a falar.
Ela não tem nada a dizer. Alguns nomes de lugar não admitem a anteposição do artigo
Obs.: como os verbos não admitem artigos, o “a” dos exem- “a”. Outros, entretanto, admitem o artigo, de modo que diante deles
plos acima é apenas preposição, logo não ocorrerá crase. haverá crase, desde que o termo regente exija a preposição “a”.
- diante da maioria dos pronomes e das expressões de tra- Para saber se um nome de lugar admite ou não a anteposição do ar-
tamento, com exceção das formas senhora, senhorita e dona: tigo feminino “a”, deve-se substituir o termo regente por um verbo
que peça a preposição “de” ou “em”. A ocorrência da contração
Diga a ela que não estarei em casa amanhã.
“da” ou “na” prova que esse nome de lugar aceita o artigo e, por
Entreguei a todos os documentos necessários.
isso, haverá crase. Por exemplo:
Ele fez referência a Vossa Excelência no discurso de ontem.
Vou à França. (Vim da [de+a] França. Estou na [em+a] França.)
Peço a Vossa Senhoria que aguarde alguns minutos.
Cheguei à Grécia. (Vim da Grécia. Estou na Grécia.)
Retornarei à Itália. (Vim da Itália. Estou na Itália)
Os poucos casos em que ocorre crase diante dos pronomes po-
Vou a Porto Alegre. (Vim de Porto Alegre. Estou em Porto
dem ser identificados pelo método: troque a palavra feminina por
Alegre.)
uma masculina, caso na nova construção surgir a forma ao, ocorrerá
crase. Por exemplo: *- Dica da Zê!: use a regrinha “Vou A volto DA, crase HÁ;
Refiro-me à mesma pessoa. (Refiro-me ao mesmo indivíduo.) vou A volto DE, crase PRA QUÊ?”
Informei o ocorrido à senhora. (Informei o ocorrido ao se- Ex: Vou a Campinas. = Volto de Campinas.
nhor.) Vou à praia. = Volto da praia.
Peça à própria Cláudia para sair mais cedo. (Peça ao próprio - ATENÇÃO: quando o nome de lugar estiver especificado,
Cláudio para sair mais cedo.) ocorrerá crase. Veja:
Retornarei à São Paulo dos bandeirantes. = mesmo que, pela
- diante de numerais cardinais: regrinha acima, seja a do “VOLTO DE”
Chegou a duzentos o número de feridos. Irei à Salvador de Jorge Amado.
Daqui a uma semana começa o campeonato.
Crase diante dos Pronomes Demonstrativos Aquele (s),
Casos em que a crase SEMPRE ocorre: Aquela (s), Aquilo

- diante de palavras femininas: Haverá crase diante desses pronomes sempre que o termo re-
Amanhã iremos à festa de aniversário de minha colega. gente exigir a preposição “a”. Por exemplo:
Sempre vamos à praia no verão. Refiro-me a + aquele atentado.
Ela disse à irmã o que havia escutado pelos corredores. Preposição Pronome
Sou grata à população. Refiro-me àquele atentado.
Fumar é prejudicial à saúde.
Este aparelho é posterior à invenção do telefone. O termo regente do exemplo acima é o verbo transitivo indire-
to referir (referir-se a algo ou alguém) e exige preposição, portan-
- diante da palavra “moda”, com o sentido de “à moda de” to, ocorre a crase. Observe este outro exemplo:
(mesmo que a expressão moda de fique subentendida): Aluguei aquela casa.
O jogador fez um gol à (moda de) Pelé. O verbo “alugar” é transitivo direto (alugar algo) e não exi-
Usava sapatos à (moda de) Luís XV. ge preposição. Logo, a crase não ocorre nesse caso. Veja outros
Estava com vontade de comer frango à (moda de) passarinho. exemplos:
O menino resolveu vestir-se à (moda de) Fidel Castro. Dediquei àquela senhora todo o meu trabalho.

Didatismo e Conhecimento 45
LÍNGUA PORTUGUESA
Quero agradecer àqueles que me socorreram. Casos em que a ocorrência da crase é FACULTATIVA
Refiro-me àquilo que aconteceu com seu pai.
Não obedecerei àquele sujeito. - diante de nomes próprios femininos:
Assisti àquele filme três vezes. Observação: é facultativo o uso da crase diante de nomes pró-
Espero aquele rapaz. prios femininos porque é facultativo o uso do artigo. Observe:
Fiz aquilo que você disse. Paula é muito bonita. Laura é minha amiga.
Comprei aquela caneta. A Paula é muito bonita. A Laura é minha amiga.
Crase com os Pronomes Relativos A Qual, As Quais Como podemos constatar, é facultativo o uso do artigo femi-
nino diante de nomes próprios femininos, então podemos escrever
A ocorrência da crase com os pronomes relativos a qual e as
as frases abaixo das seguintes formas:
quais depende do verbo. Se o verbo que rege esses pronomes exi-
Entreguei o cartão a Paula. Entreguei o cartão a Roberto.
gir a preposição “a”, haverá crase. É possível detectar a ocorrência
da crase nesses casos utilizando a substituição do termo regido Entreguei o cartão à Paula. Entreguei o cartão ao Roberto.
feminino por um termo regido masculino. Por exemplo:
A igreja à qual me refiro fica no centro da cidade. - diante de pronome possessivo feminino:
O monumento ao qual me refiro fica no centro da cidade. Observação: é facultativo o uso da crase diante de pronomes
possessivos femininos porque é facultativo o uso do artigo. Ob-
Caso surja a forma ao com a troca do termo, ocorrerá a crase. serve:
Veja outros exemplos: Minha avó tem setenta anos. Minha irmã está esperando
São normas às quais todos os alunos devem obedecer. por você.
Esta foi a conclusão à qual ele chegou. A minha avó tem setenta anos. A minha irmã está esperando
Várias alunas às quais ele fez perguntas não souberam res- por você.
ponder nenhuma das questões. Sendo facultativo o uso do artigo feminino diante de prono-
A sessão à qual assisti estava vazia. mes possessivos femininos, então podemos escrever as frases abai-
xo das seguintes formas:
Crase com o Pronome Demonstrativo “a” Cedi o lugar a minha avó. Cedi o lugar a meu avô.
Cedi o lugar à minha avó. Cedi o lugar ao meu avô.
A ocorrência da crase com o pronome demonstrativo “a” - depois da preposição até:
também pode ser detectada através da substituição do termo re-
Fui até a praia. ou Fui até à praia.
gente feminino por um termo regido masculino. Veja:
Acompanhe-o até a porta. ou Acompanhe-o até à porta.
Minha revolta é ligada à do meu país.
Meu luto é ligado ao do meu país. A palestra vai até as cinco horas da tarde. ou A palestra vai
As orações são semelhantes às de antes. até às cinco horas da tarde.
Os exemplos são semelhantes aos de antes.
Suas perguntas são superiores às dele. Questões sobre Crase
Seus argumentos são superiores aos dele.
Sua blusa é idêntica à de minha colega. 01.( Escrevente TJ SP – Vunesp/2012) No Brasil, as discus-
Seu casaco é idêntico ao de minha colega. sões sobre drogas parecem limitar-se ______aspectos jurídicos
ou policiais. É como se suas únicas consequências estivessem em
A Palavra Distância legalismos, tecnicalidades e estatísticas criminais. Raro ler ____
respeito envolvendo questões de saúde pública como programas
Se a palavra distância estiver especificada, determinada, a de esclarecimento e prevenção, de tratamento para dependentes e
crase deve ocorrer. Por exemplo: Sua casa fica à distância de de reintegração desses____ vida. Quantos de nós sabemos o nome
100km daqui. (A palavra está determinada) de um médico ou clínica ____quem tentar encaminhar um droga-
Todos devem ficar à distância de 50 metros do palco. (A pa- do da nossa própria família?
lavra está especificada.) (Ruy Castro, Da nossa própria família. Folha de S.Paulo,
17.09.2012. Adaptado)
Se a palavra distância não estiver especificada, a crase não
pode ocorrer. Por exemplo:
As lacunas do texto devem ser preenchidas, correta e respec-
Os militares ficaram a distância.
Gostava de fotografar a distância. tivamente, com:
Ensinou a distância. (A) aos … à … a … a
Dizem que aquele médico cura a distância. (B) aos … a … à … a
Reconheci o menino a distância. (C) a … a … à … à
Observação: por motivo de clareza, para evitar ambiguidade, (D) à … à … à … à
pode-se usar a crase. Veja: (E) a … a … a … a
Gostava de fotografar à distância.
Ensinou à distância. 02. (Agente de Apoio Administrativo – FCC – 2013).Leia o
Dizem que aquele médico cura à distância. texto a seguir.

Didatismo e Conhecimento 46
LÍNGUA PORTUGUESA
Foi por esse tempo que Rita, desconfiada e medrosa, correu C) a … à … à
______ cartomante para consultá-la sobre a verdadeira causa do D) à … à ... a
procedimento de Camilo. Vimos que ______ cartomante restituiu-- E) a … à … a
-lhe ______ confiança, e que o rapaz repreendeu-a por ter feito o
que fez. 06. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAU-
(Machado de Assis. A cartomante. In: Várias histórias. Rio LO - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – VUNESP/2013)
de Janeiro: Globo, 1997, p. 6) Assinale a alternativa que completa as lacunas do trecho a seguir,
empregando o sinal indicativo de crase de acordo com a norma-
Preenchem corretamente as lacunas da frase acima, na ordem -padrão.
dada: Não nos sujeitamos ____ corrupção; tampouco cederemos es-
A) à – a – a paço ____ nenhuma ação que se proponha ____ prejudicar nossas
B) a – a – à instituições.
C) à – a – à (A) à … à … à
D) à – à – a (B) a … à … à
E) a – à – à (C) à … a … a
(D) à … à … a
(E) a … a … à

03 (POLÍCIA CIVIL/SP – AGENTE POLICIAL - VU- 07. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VUNESP
NESP/2013) De acordo com a norma-padrão da língua portugue- – 2013-adap) O acento indicativo de crase está corretamente em-
sa, o acento indicativo de crase está corretamente empregado em: pregado em:
(A) A população, de um modo geral, está à espera de que, com A) Tendências agressivas começam à ser relacionadas com as
o novo texto, a lei seca possa coibir os acidentes. dificuldades para lidar com as frustrações de seus desejos.
B) A agressividade impulsiva deve-se à perturbações nos me-
(B) A nova lei chega para obrigar os motoristas à repensarem
canismos biológicos de controle emocional.
a sua postura.
C) A violência urbana é comparada à uma enfermidade.
(C) A partir de agora os motoristas estarão sujeitos à punições
D) Condições de risco aliadas à exemplo de impunidade ali-
muito mais severas.
mentam a violência crescente nas cidades.
(D) À ninguém é dado o direito de colocar em risco a vida dos
E) Um ambiente desfavorável à formação da personalidade
demais motoristas e de pedestres.
atinge os mais vulneráveis.
(E) Cabe à todos na sociedade zelar pelo cumprimento da
nova lei para que ela possa funcionar. 08. (Agente de Vigilância e Recepção – VUNESP – 2013). O
sinal indicativo de crase está correto em:
04. (Agente Técnico – FCC – 2013-adap.) Claro que não me A) Este cientista tem se dedicado à uma pesquisa na área de
estou referindo a essa vulgar comunicação festiva e efervescente. biotecnologia.
O vocábulo a deverá receber o sinal indicativo de crase se o B) Os pais não podem ser omissos e devem se dedicar à edu-
segmento grifado for substituído por: cação dos filhos.
A) leitura apressada e sem profundidade. C) Nossa síndica dedica-se integralmente à conservar as ins-
B) cada um de nós neste formigueiro. talações do prédio.
C) exemplo de obras publicadas recentemente. D) O bombeiro deve dedicar sua atenção à qualquer detalhe
D) uma comunicação festiva e virtual. que envolva a segurança das pessoas.
E) respeito de autores reconhecidos pelo público. E) É função da política é dedicar-se à todo problema que com-
prometa o bem-estar do cidadão.
05. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VUNESP
– 2013). 09. (TRF - 5ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO -
O Instituto Nacional de Administração Prisional (INAP) FCC/2012) O detetive Gervase Fen, que apareceu em 1944, é
também desenvolve atividades lúdicas de apoio______ ressocia- um homem de face corada, muito afeito ...... frases inteligentes
lização do indivíduo preso, com o objetivo de prepará--lo para e citações dos clássicos; sua esposa, Dolly, uma dama meiga e
o retorno______ sociedade. Dessa forma, quando em liberdade, sossegada, fica sentada tricotando tranquilamente, impassível ......
ele estará capacitado______ ter uma profissão e uma vida digna. propensão de seu marido ...... investigar assassinatos.
(Disponível em: www.metropolitana.com.br/blog/qual_e_a_ (Adaptado de P.D.James, op.cit.)
importancia_da_ressocializacao_de_presos. Acesso em:
18.08.2012. Adaptado) Preenchem corretamente as lacunas da frase acima, na ordem
dada:
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamen- (A) à - à - a
te, as lacunas do texto, de acordo com a norma-padrão da língua (B) a - à - a
portuguesa. (C) à - a - à
A) à … à … à (D) a - à - à
B) a … a … à (E) à - a – a

Didatismo e Conhecimento 47
LÍNGUA PORTUGUESA
10. (POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO ACRE – ALU- - Apoio a ? Regência nominal pede preposição;
NO SOLDADO COMBATENTE – FUNCAB/2012) Em qual das - retorno a? regência nominal pede preposição;
opções abaixo o acento indicativo de crase foi corretamente indi- - antes de verbo no infinitivo não há crase.
cado?
A) O dia fora quente, mas à noite estava fria e escura. 6-) Vamos por partes!
B) Ninguém se referira à essa ideia antes. - Quem se sujeita, sujeita-se A algo ou A alguém, portanto:
C) Esta era à medida certa do quarto. pede preposição;
D) Ela fechou a porta e saiu às pressas. - quem cede, cede algo A alguém, então teremos objeto direto
E) Os rapazes sempre gostaram de andar à cavalo. e indireto;
- quem se propõe, propõe-se A alguma coisa.
GABARITO Vejamos:
Não nos sujeitamos À corrupção; tampouco cederemos espaço
01. B 02. A 03. A 04. A 05. D A nenhuma ação que se proponha A prejudicar nossas instituições.
06.C 07. E 08. B 09.B 10. D * Sujeitar A + A corrupção;
* ceder espaço (objeto direto) A nenhuma ação (objeto indire-
to. Não há acento indicativo de crase, pois “nenhuma” é pronome
indefinido);
RESOLUÇÃO * que se proponha A prejudicar (objeto indireto, no caso, ora-
ção subordinada com função de objeto indireto. Não há acento
1-) limitar-se _aos _aspectos jurídicos ou policiais. indicativo de crase porque temos um verbo no infinitivo – “pre-
Raro ler __a__respeito (antes de palavra masculina não judicar”).
há crase)
de reintegração desses_à_ vida. (reintegrar a + a vida = à) 7-)
o nome de um médico ou clínica __a_quem tentar encaminhar A) Tendências agressivas começam à ser relacionadas com as
um drogado da nossa própria família? (antes de pronome indefini- dificuldades para lidar com as frustrações de seus desejos. (antes
do/relativo) de verbo no infinitivo não há crase)
B) A agressividade impulsiva deve-se à perturbações nos me-
2-) correu _à (= para a ) cartomante para consultá-la sobre a canismos biológicos de controle emocional. (se o “a” está no
verdadeira causa do procedimento de Camilo. Vimos que _a__car- singular e antecede palavra no plural, não há crase)
tomante (objeto direto)restituiu-lhe ___a___ confiança (objeto di- C) A violência urbana é comparada à uma enfermidade. (ar-
reto), e que o rapaz repreendeu-a por ter feito o que fez. tigo indefinido)
D) Condições de risco aliadas à exemplo de impunidade ali-
3-) mentam a violência crescente nas cidades. (palavra masculina)
(A) A população, de um modo geral, está à espera (dá para E) Um ambiente desfavorável à formação da personalidade
substituir por “esperando”) de que atinge os mais vulneráveis. = correta (regência nominal: desfavo-
(B) A nova lei chega para obrigar os motoristas à repensarem rável a?)
(antes de verbo)
(C) A partir de agora os motoristas estarão sujeitos à punições 8-)
(generalizando, palavra no plural) A) Este cientista tem se dedicado à uma pesquisa na área de
(D) À ninguém (pronome indefinido) biotecnologia. (artigo indefinido)
(E) Cabe à todos (pronome indefinido) B) Os pais não podem ser omissos e devem se dedicar à edu-
cação dos filhos. = correta (regência verbal: dedicar a )
4-) Claro que não me estou referindo à leitura apressada e sem C) Nossa síndica dedica-se integralmente à conservar as insta-
profundidade. lações do prédio. (verbo no infinitivo)
a cada um de nós neste formigueiro. (antes de pronome in- D) O bombeiro deve dedicar sua atenção à qualquer detalhe
definido) que envolva a segurança das pessoas. (pronome indefinido)
a exemplo de obras publicadas recentemente. (palavra mas- E) É função da política é dedicar-se à todo problema que com-
culina) prometa o bem-estar do cidadão. (pronome indefinido)
a uma comunicação festiva e virtual. (artigo indefinido)
a respeito de autores reconhecidos pelo público. (palavra 9-) Afeito a frases (generalizando, já que o “a” está no sin-
masculina) gular e “frases”, no plural)
Impassível à propensão (regência nominal: pede preposi-
5-) O Instituto Nacional de Administração Prisional (INAP) ção)
também desenvolve atividades lúdicas de apoio___à__ ressocia- A investigar (antes de verbo no infinitivo não há acento
lização do indivíduo preso, com o objetivo de prepará--lo para indicativo de crase)
o retorno___à__ sociedade. Dessa forma, quando em liberdade, Sequência: a / à / a.
ele estará capacitado__a___ ter uma profissão e uma vida digna.

Didatismo e Conhecimento 48
LÍNGUA PORTUGUESA
10-) Acima temos três orações correspondentes a três períodos
A) O dia fora quente, mas à noite = mas a noite (artigo e subs- simples ou a três frases. Mas, nem sempre oração é frase: “convém
tantivo. Diferente de: Estudo à noite = período do dia) que te apresses” apresenta duas orações, mas uma só frase, pois
B) Ninguém se referira à essa ideia antes.= a essa (antes de somente o conjunto das duas é que traduz um pensamento completo.
pronome demonstrativo) Outra definição para oração é a frase ou membro de frase que
C) Esta era à medida certa do quarto. = a medida (artigo e se organiza ao redor de um verbo. A oração possui sempre um verbo
substantivo, no caso. Diferente da conjunção proporcional: À me- (ou locução verbal), que implica na existência de um predicado, ao
dida que lia, mais aprendia) qual pode ou não estar ligado um sujeito.
D) Ela fechou a porta e saiu às pressas. = correta (advérbio de Assim, a oração é caracterizada pela presença de um verbo.
modo = apressadamente) Dessa forma:
E) Os rapazes sempre gostaram de andar à cavalo. = palavra Rua! = é uma frase, não é uma oração.
masculina Já em: “Quero a rosa mais linda que houver, para enfeitar
a noite do meu bem.” Temos uma frase e três orações: As duas
últimas orações não são frases, pois em si mesmas não satisfazem
um propósito comunicativo; são, portanto, membros de frase.
SINTAXE DA ORAÇÃO E DO PERÍODO.
Quanto ao período, ele denomina a frase constituída por
uma ou mais orações, formando um todo, com sentido completo.
O período pode ser simples ou composto.
Frase, período e oração:
Frase é todo enunciado suficiente por si mesmo para Período simples é aquele constituído por apenas uma oração,
estabelecer comunicação. Expressa juízo, indica ação, estado ou que recebe o nome de oração absoluta.
fenômeno, transmite um apelo, ordem ou exterioriza emoções. Chove.
Normalmente a frase é composta por dois termos – o sujeito A existência é frágil.
e o predicado – mas não obrigatoriamente, pois em Português há Os homens sensíveis pedem amor sincero às mulheres de
orações ou frases sem sujeito: Há muito tempo que não chove. opinião.
Enquanto na língua falada a frase é caracterizada pela entoação, Período composto é aquele constituído por duas ou mais
na língua escrita, a entoação é reduzida a sinais de pontuação. orações:
Quanto aos tipos de frases, além da classificação em verbais e “Quando você foi embora, fez-se noite em meu viver.”
nominais, feita a partir de seus elementos constituintes, elas podem Cantei, dancei e depois dormi.
ser classificadas a partir de seu sentido global:
- frases interrogativas: o emissor da mensagem formula uma Termos essenciais da oração:
pergunta: Que queres fazer?
- frases imperativas: o emissor da mensagem dá uma ordem ou O sujeito e o predicado são considerados termos essenciais
faz um pedido: Dê-me uma mãozinha! Faça-o sair! da oração, ou seja, sujeito e predicado são termos indispensáveis
- frases exclamativas: o emissor exterioriza um estado afetivo: para a formação das orações. No entanto, existem orações formadas
Que dia difícil! exclusivamente pelo predicado. O que define, pois, a oração, é a
- frases declarativas: o emissor constata um fato: Ele já chegou. presença do verbo.
O sujeito é o termo que estabelece concordância com o verbo.
Quanto à estrutura da frase, as frases que possuem verbo “Minha primeira lágrima caiu dentro dos teus olhos.”
(oração) são estruturadas por dois elementos essenciais: sujeito e “Minhas primeiras lágrimas caíram dentro dos teus olhos”.
predicado. O sujeito é o termo da frase que concorda com o verbo Na primeira frase, o sujeito é minha primeira lágrima. Minha
em número e pessoa. É o “ser de quem se declara algo”, “o tema e primeira referem-se ao conceito básico expresso em lágrima.
do que se vai comunicar”. O predicado é a parte da frase que
Lágrima é, pois, a principal palavra do sujeito, sendo, por isso,
contém “a informação nova para o ouvinte”. Ele se refere ao tema,
denominada núcleo do sujeito. O núcleo do sujeito relaciona-se
constituindo a declaração do que se atribui ao sujeito.
com o verbo, estabelecendo a concordância.
Quando o núcleo da declaração está no verbo, temos o
A função do sujeito é basicamente desempenhada por
predicado verbal. Mas, se o núcleo estiver num nome, teremos um
predicado nominal: substantivos, o que a torna uma função substantiva da oração.
Os homens sensíveis pedem amor sincero às mulheres de Pronomes, substantivos, numerais e quaisquer outras palavras
opinião. substantivadas (derivação imprópria) também podem exercer a
A existência é frágil. função de sujeito.
Ele já partiu;
A oração, às vezes, é sinônimo de frase ou período (simples) Os dois sumiram;
quando encerra um pensamento completo e vem limitada por ponto- Um sim é suave e sugestivo.
final, ponto de interrogação, ponto de exclamação e por reticências.
Um vulto cresce na escuridão. Clarissa encolhe-se. É Vasco. Os sujeitos são classificados a partir de dois elementos: o de
determinação ou indeterminação e o de núcleo do sujeito.

Didatismo e Conhecimento 49
LÍNGUA PORTUGUESA
Um sujeito é determinado quando é facilmente identificável - os verbos estar, fazer, haver e ser, quando indicam fenômenos
pela concordância verbal. O sujeito determinado pode ser simples meteorológicos ou se relacionam ao tempo em geral:
ou composto. Está tarde.
A indeterminação do sujeito ocorre quando não é possível Ainda é cedo.
identificar claramente a que se refere a concordância verbal. Isso Já são três horas, preciso ir;
ocorre quando não se pode ou não interessa indicar precisamente Faz frio nesta época do ano;
o sujeito de uma oração. Há muitos anos aguardamos mudanças significativas;
Estão gritando seu nome lá fora; Faz anos que esperamos melhores condições de vida;
Trabalha-se demais neste lugar.
O predicado é o conjunto de enunciados que numa dada
O sujeito simples é o sujeito determinado que possui um único oração contém a informação nova para o ouvinte. Nas orações sem
núcleo. Esse vocábulo pode estar no singular ou no plural; pode sujeito, o predicado simplesmente enuncia um fato qualquer:
também ser um pronome indefinido. Chove muito nesta época do ano;
Nós nos respeitamos mutuamente; Houve problemas na reunião.
A existência é frágil;
Ninguém se move; Nas orações que surge o sujeito, o predicado é aquilo que se
O amar faz bem. declara a respeito desse sujeito.
Com exceção do vocativo, que é um termo à parte, tudo o que
O sujeito composto é o sujeito determinado que possui mais difere do sujeito numa oração é o seu predicado.
de um núcleo. Os homens (sujeito) pedem amor às mulheres (predicado);
Alimentos e roupas andam caríssimos; Passou-me (predicado) uma ideia estranha (sujeito) pelo
Ela e eu nos respeitamos mutuamente; pensamento (predicado).
O amar e o odiar são tidos como duas faces da mesma moeda.
Para o estudo do predicado, é necessário verificar se seu
Além desses dois sujeitos determinados, é comum a referência núcleo está num nome ou num verbo. Deve-se considerar também
ao sujeito oculto ( ou elíptico), isto é, ao núcleo do sujeito que está se as palavras que formam o predicado referem-se apenas ao verbo
implícito e que pode ser reconhecido pela desinência verbal ou ou também ao sujeito da oração.
pelo contexto. Os homens sensíveis (sujeito) pedem amor sincero às mulheres
Abolimos todas as regras. = (nós) de opinião.
O sujeito indeterminado surge quando não se quer ou não se
O predicado acima apresenta apenas uma palavra que se
pode identificar claramente a que o predicado da oração refere-
refere ao sujeito: pedem. As demais palavras ligam-se direta ou
-se. Existe uma referência imprecisa ao sujeito, caso contrário,
indiretamente ao verbo.
teríamos uma oração sem sujeito.
A existência (sujeito) é frágil (predicado).
Na língua portuguesa o sujeito pode ser indeterminado de
duas maneiras:
O nome frágil, por intermédio do verbo, refere-se ao sujeito da
- com verbo na terceira pessoa do plural, desde que o sujeito
oração. O verbo atua como elemento de ligação entre o sujeito e a
não tenha sido identificado anteriormente:
palavra a ele relacionada.
Bateram à porta;
Andam espalhando boatos a respeito da queda do ministro.
O predicado verbal é aquele que tem como núcleo significativo
- com o verbo na terceira pessoa do singular, acrescido do um verbo:
pronome se. Esta é uma construção típica dos verbos que não Chove muito nesta época do ano;
apresentam complemento direto: Senti seu toque suave;
Precisa-se de mentes criativas; O velho prédio foi demolido.
Vivia-se bem naqueles tempos; Os verbos acima são significativos, isto é, não servem apenas
Trata-se de casos delicados; para indicar o estado do sujeito, mas indicam processos.
Sempre se está sujeito a erros.
O predicado nominal é aquele que tem como núcleo significativo
O pronome se funciona como índice de indeterminação do um nome; esse nome atribui uma qualidade ou estado ao sujeito, por
sujeito. isso é chamado de predicativo do sujeito. O predicativo é um nome
que se liga a outro nome da oração por meio de um verbo.
As orações sem sujeito, formadas apenas pelo predicado, Nos predicados nominais, o verbo não é significativo, isto é, não
articulam-se a partir de um verbo impessoal. A mensagem está indica um processo. O verbo une o sujeito ao predicativo, indicando
centrada no processo verbal. Os principais casos de orações sem circunstâncias referentes ao estado do sujeito:
sujeito com: “Ele é senhor das suas mãos e das ferramentas.”
- os verbos que indicam fenômenos da natureza:
Amanheceu repentinamente; Na frase acima o verbo ser poderia ser substituído por estar,
Está chuviscando. andar, ficar, parecer, permanecer ou continuar, atuando como
elemento de ligação entre o sujeito e as palavras a ele relacionadas.

Didatismo e Conhecimento 50
LÍNGUA PORTUGUESA
A função de predicativo é exercida normalmente por um O termo que integra o sentido de um nome chama-se
adjetivo ou substantivo. complemento nominal. O complemento nominal liga-se ao nome
que completa por intermédio de preposição:
O predicado verbo-nominal é aquele que apresenta dois núcleos Desenvolvemos profundo respeito à arte;
significativos: um verbo e um nome. No predicado verbo-nominal, A arte é necessária à vida;
o predicativo pode referir-se ao sujeito ou ao complemento verbal. Tenho-lhe profundo respeito.
O verbo do predicado verbo-nominal é sempre significativo,
indicando processos. É também sempre por intermédio do verbo que Termos acessórios da oração e vocativo:
o predicativo se relaciona com o termo a que se refere.
O dia amanheceu ensolarado; Os termos acessórios recebem esse nome por serem acidentais,
As mulheres julgam os homens inconstantes explicativos, circunstanciais. São termos acessórios o adjunto
adverbial, adjunto adnominal, o aposto e o vocativo.
No primeiro exemplo, o verbo amanheceu apresenta duas
funções: a de verbo significativo e a de verbo de ligação. Esse O adjunto adverbial é o termo da oração que indica uma
predicado poderia ser desdobrado em dois, um verbal e outro circunstância do processo verbal, ou intensifica o sentido de um
nominal: adjetivo, verbo ou advérbio. É uma função adverbial, pois cabe ao
O dia amanheceu; advérbio e às locuções adverbiais exercerem o papel de adjunto
O dia estava ensolarado. adverbial.
Amanhã voltarei de bicicleta àquela velha praça.
No segundo exemplo, é o verbo julgar que relaciona o
complemento homens como o predicativo inconstantes. As circunstâncias comumente expressas pelo adjunto
adverbial são:
Termos integrantes da oração: - acréscimo: Além de tristeza, sentia profundo cansaço.
- afirmação: Sim, realmente irei partir.
Os complementos verbais (objeto direto e indireto) e o - assunto: Falavam sobre futebol.
complemento nominal são chamados termos integrantes da oração. - causa: Morrer ou matar de fome, de raiva e de sede…
Os complementos verbais integram o sentido dos verbos - companhia: Sempre contigo bailando sob as estrelas.
transitivos, com eles formando unidades significativas. Esses
- concessão: Apesar de você, amanhã há de ser outro dia.
verbos podem se relacionar com seus complementos diretamente,
- conformidade: Fez tudo conforme o combinado.
sem a presença de preposição ou indiretamente, por intermédio de
- dúvida: Talvez nos deixem entrar.
preposição.
- fim: Estudou para o exame.
O objeto direto é o complemento que se liga diretamente ao
- frequência: Sempre aparecia por lá.
verbo.
- instrumento: Fez o corte com a faca.
Os homens sensíveis pedem amor às mulheres de opinião;
- intensidade: Corria bastante.
Os homens sinceros pedem-no às mulheres de opinião;
- limite: Andava atabalhoado do quarto à sala.
Dou-lhes três.
Houve muita confusão na partida final. - lugar: Vou à cidade.
- matéria: Compunha-se de substâncias estranhas.
O objeto direto preposicionado ocorre principalmente: - meio: Viajarei de trem.
- com nomes próprios de pessoas ou nomes comuns referentes - modo: Foram recrutados a dedo.
a pessoas: - negação: Não há ninguém que mereça.
Amar a Deus; - preço: As casas estão sendo vendidas a preços exorbitantes.
Adorar a Xangô; - substituição ou troca: Abandonou suas convicções por
Estimar aos pais. privilégios econômicos.
- com pronomes indefinidos de pessoa e pronomes de - tempo: Ontem à tarde encontrou o velho amigo.
tratamento:
Não excluo a ninguém; O adjunto adnominal é o termo acessório que determina,
Não quero cansar a Vossa Senhoria. especifica ou explica um substantivo. É uma função adjetiva,
pois são os adjetivos e as locuções adjetivas que exercem o papel
- para evitar ambiguidade: de adjunto adnominal na oração. Também atuam como adjuntos
Ao povo prejudica a crise. (sem preposição, a situação seria adnominais os artigos, os numerais e os pronomes adjetivos.
outra) O poeta inovador enviou dois longos trabalhos ao seu amigo
de infância.
O objeto indireto é o complemento que se liga indiretamente
ao verbo, ou seja, através de uma preposição. O adjunto adnominal liga-se diretamente ao substantivo a
Os homens sensíveis pedem amor sincero às mulheres; que se refere, sem participação do verbo. Já o predicativo do
Os homens pedem-lhes amor sincero; objeto liga-se ao objeto por meio de um verbo.
Gosto de música popular brasileira. O poeta português deixou uma obra originalíssima.
O poeta deixou-a.

Didatismo e Conhecimento 51
LÍNGUA PORTUGUESA
(originalíssima não precisou ser repetida, portanto: adjunto Estou comprando um protetor solar, depois irei à praia.
adnominal) (Período Composto)
O poeta português deixou uma obra inacabada. Podemos dizer:
O poeta deixou-a inacabada. 1. Estou comprando um protetor solar.
(inacabada precisou ser repetida, então: predicativo do 2. Irei à praia.
objeto) Separando as duas, vemos que elas são independentes.
É esse tipo de período que veremos agora: o Período
Enquanto o complemento nominal relaciona-se a um Composto por Coordenação.
substantivo, adjetivo ou advérbio; o adjunto nominal relaciona- Quanto à classificação das orações coordenadas, temos dois
se apenas ao substantivo. tipos: Coordenadas Assindéticas e Coordenadas Sindéticas.

O aposto é um termo acessório que permite ampliar, explicar, Coordenadas Assindéticas


desenvolver ou resumir a ideia contida num termo que exerça São orações coordenadas entre si e que não são ligadas
qualquer função sintática. através de nenhum conectivo. Estão apenas justapostas.
Ontem, segunda-feira, passei o dia mal-humorado.
Coordenadas Sindéticas
Segunda-feira é aposto do adjunto adverbial de tempo ontem. Ao contrário da anterior, são orações coordenadas entre si,
Dizemos que o aposto é sintaticamente equivalente ao termo que mas que são ligadas através de uma conjunção coordenativa. Esse
se relaciona porque poderia substituí-lo: Segunda-feira passei o caráter vai trazer para esse tipo de oração uma classificação. As
dia mal-humorado. orações coordenadas sindéticas são classificadas em cinco tipos:
O aposto pode ser classificado, de acordo com seu valor na aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas e explicativas.
oração, em:
a) explicativo: A linguística, ciência das línguas humanas, Orações Coordenadas Sindéticas Aditivas: suas principais
permite-nos interpretar melhor nossa relação com o mundo. conjunções são: e, nem, não só... mas também, não só... como,
b) enumerativo: A vida humana compõe-se de muitas coisas: assim... como.
amor, arte, ação. Não só cantei como também dancei.
c) resumidor ou recapitulativo: Fantasias, suor e sonho, Nem comprei o protetor solar, nem fui à praia.
tudo isso forma o carnaval. Comprei o protetor solar e fui à praia.
d) comparativo: Seus olhos, indagadores holofotes, fixaram-
se por muito tempo na baía anoitecida. Orações Coordenadas Sindéticas Adversativas: suas
O vocativo é um termo que serve para chamar, invocar ou principais conjunções são: mas, contudo, todavia, entretanto,
interpelar um ouvinte real ou hipotético. porém, no entanto, ainda, assim, senão.
A função de vocativo é substantiva, cabendo a substantivos, Fiquei muito cansada, contudo me diverti bastante.
pronomes substantivos, numerais e palavras substantivadas esse Ainda que a noite acabasse, nós continuaríamos dançando.
papel na linguagem. Não comprei o protetor solar, mas mesmo assim fui à praia.
João, venha comigo!
Traga-me doces, minha menina! Orações Coordenadas Sindéticas Alternativas: suas
principais conjunções são: ou... ou; ora...ora; quer...quer; seja...
PERÍODO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO seja.
Ou uso o protetor solar, ou uso o óleo bronzeador.
O período composto caracteriza-se por possuir mais de uma Ora sei que carreira seguir, ora penso em várias carreiras
oração em sua composição. Sendo assim: diferentes.
- Eu irei à praia. (Período Simples = um verbo, uma oração) Quer eu durma quer eu fique acordado, ficarei no quarto.
- Estou comprando um protetor solar, depois irei à praia.
(Período Composto =locução verbal, verbo, duas orações) Orações Coordenadas Sindéticas Conclusivas: suas
- Já me decidi: só irei à praia, se antes eu comprar um principais conjunções são: logo, portanto, por fim, por conseguinte,
protetor solar. (Período Composto = três verbos, três orações). consequentemente, pois (posposto ao verbo)
Cada verbo ou locução verbal corresponde a uma oração. Passei no concurso, portanto irei comemorar.
Isso implica que o primeiro exemplo é um período simples, pois Conclui o meu projeto, logo posso descansar.
tem apenas uma oração, os dois outros exemplos são períodos Tomou muito sol, consequentemente ficou adoentada.
compostos, pois têm mais de uma oração. A situação é delicada; devemos, pois, agir
Há dois tipos de relações que podem se estabelecer entre as
orações de um período composto: uma relação de coordenação Orações Coordenadas Sindéticas Explicativas: suas
ou uma relação de subordinação. principais conjunções são: isto é, ou seja, a saber, na verdade, pois
Duas orações são coordenadas quando estão juntas em um (anteposto ao verbo).
mesmo período, (ou seja, em um mesmo bloco de informações, Só passei na prova porque me esforcei por muito tempo.
marcado pela pontuação final), mas têm, ambas, estruturas Só fiquei triste por você não ter viajado comigo.
individuais, como é o exemplo de: Não fui à praia, pois queria descansar durante o Domingo.

Didatismo e Conhecimento 52
LÍNGUA PORTUGUESA
PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO Atenção:
Observe que a oração subordinada substantiva pode ser
Observe o exemplo abaixo de Vinícius de Moraes: substituída pelo pronome “ isso”. Assim, temos um período
“Eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto.” simples:
Oração Principal Oração Subordinada É fundamental isso. ou Isso é fundamental.

Observe que na oração subordinada temos o verbo “existe”, Dessa forma, a oração correspondente a “isso” exercerá a
que está conjugado na terceira pessoa do singular do presente função de sujeito
do indicativo. As orações subordinadas que apresentam verbo Veja algumas estruturas típicas que ocorrem na oração
em qualquer dos tempos finitos (tempos do modo do indicativo, principal:
subjuntivo e imperativo), são chamadas de orações desenvolvidas - Verbos de ligação + predicativo, em construções do tipo:
ou explícitas. É bom - É útil - É conveniente - É certo - Parece certo - É claro -
Podemos modificar o período acima. Veja: Está evidente - Está comprovado
Eu sinto existir em meu gesto o teu gesto. É bom que você compareça à minha festa.
Oração Principal Oração Subordinada
- Expressões na voz passiva, como: Sabe-se - Soube-se -
A análise das orações continua sendo a mesma: “Eu sinto” Conta-se - Diz-se - Comenta-se - É sabido - Foi anunciado - Ficou
é a oração principal, cujo objeto direto é a oração subordinada provado
“existir em meu gesto o teu gesto”. Note que a oração subordinada Sabe-se que Aline não gosta de Pedro.
apresenta agora verbo no infinitivo. Além disso, a conjunção
“que”, conectivo que unia as duas orações, desapareceu. As - Verbos como: convir - cumprir - constar - admirar - importar
orações subordinadas cujo verbo surge numa das formas nominais - ocorrer - acontecer
(infinitivo - flexionado ou não -, gerúndio ou particípio) chamamos Convém que não se atrase na entrevista.
orações reduzidas ou implícitas.
Obs.: as orações reduzidas não são introduzidas por Obs.: quando a oração subordinada substantiva é subjetiva,
conjunções nem pronomes relativos. Podem ser, eventualmente, o verbo da oração principal está sempre na 3ª. pessoa do singular.
introduzidas por preposição. b) Objetiva Direta
A oração subordinada substantiva objetiva direta exerce
função de objeto direto do verbo da oração principal.
1) ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS
Todos querem sua aprovação no concurso.
Objeto Direto
A oração subordinada substantiva tem valor de substantivo e
vem introduzida, geralmente, por conjunção integrante (que, se).
Todos querem que você seja aprovado. (Todos querem
Suponho que você foi à biblioteca hoje.
isso)
Oração Subordinada Substantiva
Oração Principal oração Subordinada Substantiva
Objetiva
Você sabe se o presidente já chegou? Direta
Oração Subordinada Substantiva
As orações subordinadas substantivas objetivas diretas
Os pronomes interrogativos (que, quem, qual) também desenvolvidas são iniciadas por:
introduzem as orações subordinadas substantivas, bem como os - Conjunções integrantes “que” (às vezes elíptica) e “se”: A
advérbios interrogativos (por que, quando, onde, como). Veja os professora verificou se todos alunos estavam presentes.
exemplos:
O garoto perguntou qual seu nome. - Pronomes indefinidos que, quem, qual, quanto (às vezes
Oração Subordinada Substantiva regidos de preposição), nas interrogações indiretas: O pessoal
queria saber quem era o dono do carro importado.
Não sabemos por que a vizinha se mudou. - Advérbios como, quando, onde, por que, quão (às vezes
Oração Subordinada Substantiva regidos de preposição), nas interrogações indiretas: Eu não sei
Classificação das Orações Subordinadas Substantivas por que ela fez isso.
De acordo com a função que exerce no período, a oração
subordinada substantiva pode ser: c) Objetiva Indireta
a) Subjetiva A oração subordinada substantiva objetiva indireta atua como
É subjetiva quando exerce a função sintática de sujeito do objeto indireto do verbo da oração principal. Vem precedida de
verbo da oração principal. Observe: preposição.
É fundamental o seu comparecimento à reunião. Meu pai insiste em meu estudo.
Sujeito Objeto Indireto

É fundamental que você compareça à reunião. Meu pai insiste em que eu estude. (Meu pai insiste nisso)
Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Oração Subordinada Substantiva Objetiva
Subjetiva Indireta

Didatismo e Conhecimento 53
LÍNGUA PORTUGUESA
Obs.: em alguns casos, a preposição pode estar elíptica na Note que o substantivo redação foi caracterizado pelo adjetivo
oração. bem-sucedida. Nesse caso, é possível formarmos outra construção,
Marta não gosta (de) que a chamem de senhora. a qual exerce exatamente o mesmo papel. Veja:
Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta Esta foi uma redação que fez sucesso.
Oração Principal Oração Subordinada Adjetiva
d) Completiva Nominal
A oração subordinada substantiva completiva nominal Perceba que a conexão entre a oração subordinada adjetiva e
completa um nome que pertence à oração principal e também o termo da oração principal que ela modifica é feita pelo pronome
vem marcada por preposição. relativo “que”. Além de conectar (ou relacionar) duas orações,
Sentimos orgulho de seu comportamento. o pronome relativo desempenha uma função sintática na oração
Complemento Nominal subordinada: ocupa o papel que seria exercido pelo termo que o
antecede.
Sentimos orgulho de que você se comportou. (Sentimos Obs.: para que dois períodos se unam num período composto,
orgulho disso.) altera-se o modo verbal da segunda oração.
Oração Subordinada Substantiva Completiva Atenção: Vale lembrar um recurso didático para reconhecer o
Nominal pronome relativo que: ele sempre pode ser substituído por: o qual
- a qual - os quais - as quais
Refiro-me ao aluno que é estudioso.
Lembre-se: as orações subordinadas substantivas objetivas
Essa oração é equivalente a:
indiretas integram o sentido de um verbo, enquanto que orações Refiro-me ao aluno o qual estuda.
subordinadas substantivas completivas nominais integram o
sentido de um nome. Para distinguir uma da outra, é necessário Forma das Orações Subordinadas Adjetivas
levar em conta o termo complementado. Essa é, aliás, a diferença
entre o objeto indireto e o complemento nominal: o primeiro Quando são introduzidas por um pronome relativo e
complementa um verbo, o segundo, um nome. apresentam verbo no modo indicativo ou subjuntivo, as orações
e) Predicativa subordinadas adjetivas são chamadas desenvolvidas. Além delas,
A oração subordinada substantiva predicativa exerce papel de existem as orações subordinadas adjetivas reduzidas, que não
predicativo do sujeito do verbo da oração principal e vem sempre são introduzidas por pronome relativo (podem ser introduzidas
depois do verbo ser. por preposição) e apresentam o verbo numa das formas nominais
Nosso desejo era sua desistência. (infinitivo, gerúndio ou particípio).
Predicativo do Sujeito Ele foi o primeiro aluno que se apresentou.
Ele foi o primeiro aluno a se apresentar.
Nosso desejo era que ele desistisse. (Nosso desejo era isso)
Oração Subordinada Substantiva No primeiro período, há uma oração subordinada adjetiva
Predicativa desenvolvida, já que é introduzida pelo pronome relativo “que”
e apresenta verbo conjugado no pretérito perfeito do indicativo.
No segundo, há uma oração subordinada adjetiva reduzida de
Obs.: em certos casos, usa-se a preposição expletiva “de” para infinitivo: não há pronome relativo e seu verbo está no infinitivo.
realce. Veja o exemplo: A impressão é de que não fui bem na prova.
Classificação das Orações Subordinadas Adjetivas
f) Apositiva
Na relação que estabelecem com o termo que caracterizam,
A oração subordinada substantiva apositiva exerce função de as orações subordinadas adjetivas podem atuar de duas maneiras
aposto de algum termo da oração principal. diferentes. Há aquelas que restringem ou especificam o sentido do
Fernanda tinha um grande sonho: a felicidade! termo a que se referem, individualizando-o. Nessas orações não
Aposto há marcação de pausa, sendo chamadas subordinadas adjetivas
(Fernanda tinha um grande sonho: isso.) restritivas. Existem também orações que realçam um detalhe
Fernanda tinha um grande sonho: ser feliz! ou amplificam dados sobre o antecedente, que já se encontra
Oração Subordinada Substantiva Apositiva suficientemente definido, as quais denominam-se subordinadas
reduzida de infinitivo adjetivas explicativas.

* Dica: geralmente há a presença dos dois pontos! ( : ) Exemplo 1:


Jamais teria chegado aqui, não fosse a gentileza de um
homem que passava naquele momento.
2) ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS
Oração Subordinada Adjetiva Restritiva
Uma oração subordinada adjetiva é aquela que possui valor Nesse período, observe que a oração em destaque restringe
e função de adjetivo, ou seja, que a ele equivale. As orações vêm e particulariza o sentido da palavra “homem”: trata-se de um
introduzidas por pronome relativo e exercem a função de adjunto homem específico, único. A oração limita o universo de homens,
adnominal do antecedente. Observe o exemplo: isto é, não se refere a todos os homens, mas sim àquele que estava
Esta foi uma redação bem-sucedida. passando naquele momento.
Substantivo Adjetivo (Adjunto Adnominal)

Didatismo e Conhecimento 54
LÍNGUA PORTUGUESA
Exemplo 2: Circunstâncias Expressas pelas Orações Subordinadas
O homem, que se considera racional, muitas vezes age Adverbiais
animalescamente. a) Causa
Oração Subordinada Adjetiva Explicativa A ideia de causa está diretamente ligada àquilo que
provoca um determinado fato, ao motivo do que se declara
Nesse período, a oração em destaque não tem sentido na oração principal. “É aquilo ou aquele que determina um
restritivo em relação à palavra “homem”; na verdade, essa oração acontecimento”.
apenas explicita uma ideia que já sabemos estar contida no Principal conjunção subordinativa causal: PORQUE
conceito de “homem”. Outras conjunções e locuções causais: como (sempre
Saiba que: A oração subordinada adjetiva explicativa é introduzido na oração anteposta à oração principal), pois, pois
separada da oração principal por uma pausa que, na escrita, é que, já que, uma vez que, visto que.
representada pela vírgula. É comum, por isso, que a pontuação As ruas ficaram alagadas porque a chuva foi muito forte.
seja indicada como forma de diferenciar as orações explicativas Como ninguém se interessou pelo projeto, não houve
das restritivas; de fato, as explicativas vêm sempre isoladas por alternativa a não ser cancelá-lo.
vírgulas; as restritivas, não. Já que você não vai, eu também não vou.

b) Consequência
3) ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS
As orações subordinadas adverbiais consecutivas
exprimem um fato que é consequência, que é efeito do que se
Uma oração subordinada adverbial é aquela que exerce a
declara na oração principal. São introduzidas pelas conjunções e
função de adjunto adverbial do verbo da oração principal. Dessa
forma, pode exprimir circunstância de tempo, modo, fim, causa, locuções: que, de forma que, de sorte que, tanto que, etc., e pelas
condição, hipótese, etc. Quando desenvolvida, vem introduzida estruturas tão...que, tanto...que, tamanho...que.
por uma das conjunções subordinativas (com exclusão das Principal conjunção subordinativa consecutiva: QUE
integrantes). Classifica-se de acordo com a conjunção ou (precedido de tal, tanto, tão, tamanho)
locução conjuntiva que a introduz. É feio que dói. (É tão feio que, em consequência, causa dor.)
Durante a madrugada, eu olhei você dormindo. Nunca abandonou seus ideais, de sorte que acabou
Oração Subordinada Adverbial concretizando-os.
Não consigo ver televisão sem bocejar. (Oração Reduzida
Observe que a oração em destaque agrega uma de Infinitivo)
circunstância de tempo. É, portanto, chamada de oração
subordinada adverbial temporal. Os adjuntos adverbiais são c) Condição
termos acessórios que indicam uma circunstância referente, Condição é aquilo que se impõe como necessário para a
via de regra, a um verbo. A classificação do adjunto adverbial realização ou não de um fato. As orações subordinadas adverbiais
depende da exata compreensão da circunstância que exprime. condicionais exprimem o que deve ou não ocorrer para que se
Observe os exemplos abaixo: realize ou deixe de se realizar o fato expresso na oração principal.
Naquele momento, senti uma das maiores emoções de Principal conjunção subordinativa condicional: SE
minha vida. Outras conjunções condicionais: caso, contanto que, desde
Quando vi a estátua, senti uma das maiores emoções de que, salvo se, exceto se, a não ser que, a menos que, sem que,
minha vida. uma vez que (seguida de verbo no subjuntivo).
No primeiro período, “naquele momento” é um adjunto Se o regulamento do campeonato for bem elaborado,
adverbial de tempo, que modifica a forma verbal “senti”. No certamente o melhor time será campeão.
segundo período, esse papel é exercido pela oração “Quando vi Uma vez que todos aceitem a proposta, assinaremos o
a estátua”, que é, portanto, uma oração subordinada adverbial contrato.
temporal. Essa oração é desenvolvida, pois é introduzida por
Caso você se case, convide-me para a festa.
uma conjunção subordinativa (quando) e apresenta uma forma
verbal do modo indicativo (“vi”, do pretérito perfeito do
d) Concessão
indicativo). Seria possível reduzi-la, obtendo-se:
As orações subordinadas adverbiais concessivas indicam
Ao ver a estátua, senti uma das maiores emoções de minha
vida. concessão às ações do verbo da oração principal, isto é, admitem
uma contradição ou um fato inesperado. A ideia de concessão
A oração em destaque é reduzida, pois apresenta uma está diretamente ligada ao contraste, à quebra de expectativa.
das formas nominais do verbo (“ver” no infinitivo) e não é Principal conjunção subordinativa concessiva: EMBORA
introduzida por conjunção subordinativa, mas sim por uma Utiliza-se também a conjunção: conquanto e as locuções
preposição (“a”, combinada com o artigo “o”). ainda que, ainda quando, mesmo que, se bem que, posto que,
Obs.: a classificação das orações subordinadas adverbiais apesar de que.
é feita do mesmo modo que a classificação dos adjuntos Só irei se ele for.
adverbiais. Baseia-se na circunstância expressa pela oração. A oração acima expressa uma condição: o fato de “eu” ir só
se realizará caso essa condição seja satisfeita.

Didatismo e Conhecimento 55
LÍNGUA PORTUGUESA
Compare agora com: À proporção que estudávamos, acertávamos mais questões.
Irei mesmo que ele não vá. Visito meus amigos à medida que eles me convidam.
A distinção fica nítida; temos agora uma concessão: irei Quanto maior for a altura, maior será o tombo.
de qualquer maneira, independentemente de sua ida. A oração
destacada é, portanto, subordinada adverbial concessiva. i) Tempo
Observe outros exemplos: As orações subordinadas adverbiais temporais acrescentam
Embora fizesse calor, levei agasalho. uma ideia de tempo ao fato expresso na oração principal, podendo
Conquanto a economia tenha crescido, pelo menos metade exprimir noções de simultaneidade, anterioridade ou posterioridade.
da população continua à margem do mercado de consumo. Principal conjunção subordinativa temporal: QUANDO
Foi aprovado sem estudar (= sem que estudasse / embora Outras conjunções subordinativas temporais: enquanto, mal e
não estudasse). (reduzida de infinitivo) locuções conjuntivas: assim que, logo que, todas as vezes que, antes
que, depois que, sempre que, desde que, etc.
e) Comparação Quando você foi embora, chegaram outros convidados.
As orações subordinadas adverbiais comparativas Sempre que ele vem, ocorrem problemas.
estabelecem uma comparação com a ação indicada pelo verbo da Mal você saiu, ela chegou.
oração principal. Terminada a festa, todos se retiraram. (= Quando terminou a
Principal conjunção subordinativa comparativa: COMO festa) (Oração Reduzida de Particípio)
Ele dorme como um urso.
Questões sobre Análise Sintática
Saiba que: É comum a omissão do verbo nas orações
subordinadas adverbiais comparativas. Por exemplo:
01. (Agente de Apoio Administrativo – FCC – 2013). Os
Agem como crianças. (agem)
trabalhadores passaram mais tempo na escola...
Oração Subordinada Adverbial Comparativa O segmento grifado acima possui a mesma função sintática
que o destacado em:
No entanto, quando se comparam ações diferentes, isso não A) ...o que reduz a média de ganho da categoria.
ocorre. Por exemplo: Ela fala mais do que faz. (comparação do B) ...houve mais ofertas de trabalhadores dessa classe.
verbo falar e do verbo fazer). C) O crescimento da escolaridade também foi impulsionado...
D) ...elevando a fatia dos brasileiros com ensino médio...
f) Conformidade E) ...impulsionado pelo aumento do número de
As orações subordinadas adverbiais conformativas indicam universidades...
ideia de conformidade, ou seja, exprimem uma regra, um modelo
adotado para a execução do que se declara na oração principal. 02.(Agente de Defensoria Pública – FCC – 2013). Donos
Principal conjunção subordinativa conformativa: CONFORME de uma capacidade de orientação nas brenhas selvagens [...],
Outras conjunções conformativas: como, consoante e segundo sabiam os paulistas como...
(todas com o mesmo valor de conforme). O segmento em destaque na frase acima exerce a mesma
Fiz o bolo conforme ensina a receita. função sintática que o elemento grifado em:
Consoante reza a Constituição, todos os cidadãos têm direitos A) Nas expedições breves serviam de balizas ou mostradores
iguais. para a volta.
g) Finalidade B) Às estreitas veredas e atalhos [...], nada acrescentariam
As orações subordinadas adverbiais finais indicam a intenção, a aqueles de considerável...
finalidade daquilo que se declara na oração principal. C) Só a um olhar muito exercitado seria perceptível o sinal.
Principal conjunção subordinativa final: A FIM DE QUE D) Uma sequência de tais galhos, em qualquer floresta,
Outras conjunções finais: que, porque (= para que) e a locução podia significar uma pista.
conjuntiva para que. E) Alguns mapas e textos do século XVII apresentam-nos a
Aproximei-me dela a fim de que ficássemos amigos. vila de São Paulo como centro...
Felipe abriu a porta do carro para que sua namorada entrasse.
03. Há complemento nominal em:
A)Você devia vir cá fora receber o beijo da madrugada.
h) Proporção
B)... embora fosse quase certa a sua possibilidade de ganhar
As orações subordinadas adverbiais proporcionais exprimem
a vida.
ideia de proporção, ou seja, um fato simultâneo ao expresso na
C)Ela estava na janela do edifício.
oração principal. D)... sem saber ao certo se gostávamos dele.
Principal locução conjuntiva subordinativa proporcional: À E)Pouco depois começaram a brincar de bandido e mocinho
PROPORÇÃO QUE de cinema.
Outras locuções conjuntivas proporcionais: à medida que, ao
passo que. Há ainda as estruturas: quanto maior...(maior), quanto 04. (ESPM-SP) Em “esta lhe deu cem mil contos”, o termo
maior...(menor), quanto menor...(maior), quanto menor...(menor), destacado é:
quanto mais...(mais), quanto mais...(menos), quanto menos... A) pronome possessivo
(mais), quanto menos...(menos). B) complemento nominal

Didatismo e Conhecimento 56
LÍNGUA PORTUGUESA
C) objeto indireto B) nada acrescentariam aqueles de considerável...= adjunto
D) adjunto adnominal adverbial
E) objeto direto C) seria perceptível o sinal. = predicativo
D) Uma sequência de tais galhos = sujeito
05. Assinale a alternativa correta e identifique o sujeito das E) apresentam-nos a vila de São Paulo como = objeto direto
seguintes orações em relação aos verbos destacados:
- Amanhã teremos uma palestra sobre qualidade de vida. 3-)
- Neste ano, quero prestar serviço voluntário. A) o beijo da madrugada. = adjunto adnominal
B)a sua possibilidade de ganhar a vida. = complemento
A)Tu – vós nominal (possibilidade de quê?)
B)Nós – eu C)na janela do edifício. = adjunto adnominal
C)Vós – nós D)... sem saber ao certo se gostávamos dele. = objeto indireto
D) Ele - tu E) a brincar de bandido e mocinho de cinema = objeto indireto

06. Classifique o sujeito das orações destacadas no texto 4-) esta lhe deu cem mil contos = o verbo DAR é bitransitivo,
seguinte e, a seguir, assinale a sequência correta. ou seja, transitivo direto e indireto, portanto precisa de dois
É notável, nos textos épicos, a participação do sobrenatural. complementos – dois objetos: direto e indireto.
É frequente a mistura de assuntos relativos ao nacionalismo Deu o quê? = cem mil contos (direto)
com o caráter maravilhoso. Nas epopeias, os deuses tomam Deu a quem? lhe (=a ele, a ela) = indireto
partido e interferem nas aventuras dos heróis, ajudando-os ou
atrapalhando- -os. 5-) - Amanhã ( nós ) teremos uma palestra sobre qualidade
A)simples, composto de vida.
B)indeterminado, composto - Neste ano, ( eu ) quero prestar serviço voluntário.
C)simples, simples
D) oculto, indeterminado 6-) É notável, nos textos épicos, a participação do sobrenatural.
É frequente a mistura de assuntos relativos ao nacionalismo com
07. (ESPM-SP) “Surgiram fotógrafos e repórteres”. o caráter maravilhoso. Nas epopeias, os deuses tomam partido e
interferem nas aventuras dos heróis, ajudando-os ou atrapalhando-
Identifique a alternativa que classifica corretamente a função
os.
sintática e a classe morfológica dos termos destacados:
Ambos os termos apresentam sujeito simples
A) objeto indireto – substantivo
B) objeto direto - substantivo
7-) Surgiram fotógrafos e repórteres.
C) sujeito – adjetivo
O sujeito está deslocado, colocado na ordem indireta (final
D) objeto direto – adjetivo
da oração). Portanto: função sintática: sujeito (composto); classe
E) sujeito - substantivo
morfológica (classe de palavras): substantivos.
GABARITO Questões sobre Orações Coordenadas
01. C 02. D 03. B 04. C 05. B 06. C 07. 01. A oração “Não se verificou, todavia, uma transplantação
E integral de gosto e de estilo” tem valor:
A) conclusivo
RESOLUÇÃO B) adversativo
C) concessivo
1-) Os trabalhadores passaram mais tempo na escola D) explicativo
= SUJEITO E) alternativo
A) ...o que reduz a média de ganho da categoria. = objeto
direto 02. “Estudamos, logo deveremos passar nos exames”. A
B) ...houve mais ofertas de trabalhadores dessa classe. = oração em destaque é:
objeto direto a) coordenada explicativa
C) O crescimento da escolaridade também foi impulsionado... b) coordenada adversativa
= sujeito paciente c) coordenada aditiva
D) ...elevando a fatia dos brasileiros com ensino médio... = d) coordenada conclusiva
objeto direto e) coordenada assindética
E) ...impulsionado pelo aumento do número de universidades...
= agente da passiva 03. (Agente Educacional – VUNESP – 2013-adap.) Releia o
seguinte trecho:
2-) Donos de uma capacidade de orientação nas brenhas Joyce e Mozart são ótimos, mas eles, como quase toda a
selvagens [...], sabiam os paulistas como... = SUJEITO cultura humanística, têm pouca relevância para nossa vida
A) Nas expedições breves = ADJUNTO ADVERBIAL prática.

Didatismo e Conhecimento 57
LÍNGUA PORTUGUESA
Sem que haja alteração de sentido, e de acordo com a norma- 08. Analise sintaticamente as duas orações destacadas
-padrão da língua portuguesa, ao se substituir o termo em destaque, no texto “O assaltante pulou o muro, mas não penetrou na
o trecho estará corretamente reescrito em: casa, nem assustou seus habitantes.” A seguir, classifique-as,
A) Joyce e Mozart são ótimos, portanto eles, como quase respectivamente, como coordenadas:
toda a cultura humanística, têm pouca relevância para nossa vida A) adversativa e aditiva.
prática. B) explicativa e aditiva.
B) Joyce e Mozart são ótimos, conforme eles, como quase C) adversativa e alternativa.
toda a cultura humanística, têm pouca relevância para nossa vida D) aditiva e alternativa.
prática.
C) Joyce e Mozart são ótimos, assim eles, como quase toda a 09. Um livro de receita é um bom presente porque ajuda as
cultura humanística, têm pouca relevância para nossa vida prática. pessoas que não sabem cozinhar. A palavra “porque” pode ser
D) Joyce e Mozart são ótimos, todavia eles, como quase toda a substituída, sem alteração de sentido, por
cultura humanística, têm pouca relevância para nossa vida prática. A) entretanto.
E) Joyce e Mozart são ótimos, pois eles, como quase toda a B) então.
cultura humanística, têm pouca relevância para nossa vida prática. C) assim.
D) pois.
04. (Analista Administrativo – VUNESP – 2013-adap.) E) porém.
Em – ...fruto não só do novo acesso da população ao automóvel
mas também da necessidade de maior número de viagens... –, os 10- Na oração “Pedro não joga E NEM ASSISTE”, temos a
termos em destaque estabelecem relação de presença de uma oração coordenada que pode ser classificada em:
A) explicação. A) Coordenada assindética;
B) oposição. B) Coordenada assindética aditiva;
C) alternância. C) Coordenada sindética alternativa;
D) conclusão. D) Coordenada sindética aditiva.
E) adição.
GABARITO
05. Analise a oração destacada: Não se desespere, que
estaremos a seu lado sempre. 01. B 02. E 03. D 04. E 05. D
06. A 07. B 08. A 09. D 10. D
Marque a opção correta quanto à sua classificação:
A) Coordenada sindética aditiva.
RESOLUÇÃO
B) Coordenada sindética alternativa.
C) Coordenada sindética conclusiva.
1-) “Não se verificou, todavia, uma transplantação integral
D) Coordenada sindética explicativa.
de gosto e de estilo” = conjunção adversativa, portanto: oração
coordenada sindética adversativa
06. A frase abaixo em que o conectivo E tem valor
adversativo é: 2-) Estudamos, logo deveremos passar nos exames = a oração
A) “O gesto é fácil E não ajuda em nada”. em destaque não é introduzida por conjunção, então: coordenada
B )“O que vemos na esquina E nos sinais de trânsito...”. assindética
C) “..adultos submetem crianças E adolescentes à tarefa de
pedir esmola”. 3-) Joyce e Mozart são ótimos, mas eles... = conjunção (e
D) “Quem dá esmola nas ruas contribui para a manutenção da ideia) adversativa
miséria E prejudica o desenvolvimento da sociedade”. A) Joyce e Mozart são ótimos, portanto eles, como quase
E) “A vida dessas pessoas é marcada pela falta de dinheiro, de toda a cultura humanística, têm pouca relevância para nossa vida
moradia digna, emprego, segurança, lazer, cultura, acesso à saúde prática. = conclusiva
E à educação”. B) Joyce e Mozart são ótimos, conforme eles, como quase
toda a cultura humanística, têm pouca relevância para nossa vida
07. Assinale a alternativa em que o sentido da conjunção prática. = conformativa
sublinhada está corretamente indicado entre parênteses. C) Joyce e Mozart são ótimos, assim eles, como quase toda a
A) Meu primo formou-se em Direito, porém não pretende cultura humanística, têm pouca relevância para nossa vida prática.
trabalhar como advogado. (explicação) = conclusiva
B) Não fui ao cinema nem assisti ao jogo. (adição) E) Joyce e Mozart são ótimos, pois eles, como quase toda a
C) Você está preparado para a prova; por isso, não se preocupe. cultura humanística, têm pouca relevância para nossa vida prática.
(oposição) = explicativa
D) Vá dormir mais cedo, pois o vestibular será amanhã. Dica: conjunção pois como explicativa = dá para eu substituir
(alternância) por porque; como conclusiva: substituo por portanto.
E) Os meninos deviam correr para casa ou apanhariam toda a
chuva. (conclusão) 4-) fruto não só do novo acesso da população ao automóvel
mas também da necessidade de maior número de viagens...
estabelecem relação de adição de ideias, de fatos

Didatismo e Conhecimento 58
LÍNGUA PORTUGUESA
5-) Não se desespere, que estaremos a seu lado sempre. Os modelos urbanos bem-sucedidos são aqueles com elevado
= conjunção explicativa (= porque) - coordenada sindética adensamento e predominância do transporte coletivo, como
explicativa mostram Manhattan e Tóquio.
6-) O centro histórico de São Paulo é a região da cidade mais
A) “O gesto é fácil E não ajuda em nada”. = mas não ajuda bem servida de transporte coletivo, com infraestrutura de
(ideia contrária) telecomunicação, água, eletricidade etc. Como em outras grandes
B )“O que vemos na esquina E nos sinais de trânsito...”. = cidades, essa deveria ser a região mais adensada da metrópole.
adição Mas não é o caso. Temos, hoje, um esvaziamento gradual do centro,
C) “..adultos submetem crianças E adolescentes à tarefa de com deslocamento das atividades para diversas regiões da cidade.
pedir esmola”. = adição A visão de adensamento com uso abundante de transporte
D) “Quem dá esmola nas ruas contribui para a manutenção da coletivo precisa ser recuperada. Desse modo, será possível reverter
miséria E prejudica o desenvolvimento da sociedade”. = adição esse processo de uso cada vez mais intenso do transporte individual,
E) “A vida dessas pessoas é marcada pela falta de dinheiro, de fruto não só do novo acesso da população ao automóvel, mas
moradia digna, emprego, segurança, lazer, cultura, acesso à saúde também da necessidade de maior número de viagens em função da
E à educação”. = adição distância cada vez maior entre os destinos da população.
(Henrique Meirelles, Folha de S.Paulo, 13.01.2013.
7-) Adaptado)
A) Meu primo formou-se em Direito, porém não pretende As expressões mais denso e menos trânsito, no título,
trabalhar como advogado. = adversativa estabelecem entre si uma relação de
C) Você está preparado para a prova; por isso, não se preocupe. (A) comparação e adição.
= conclusão (B) causa e consequência.
D) Vá dormir mais cedo, pois o vestibular será amanhã. (C) conformidade e negação.
= explicativa (D) hipótese e concessão.
E) Os meninos deviam correr para casa ou apanhariam toda a (E) alternância e explicação
chuva. = alternativa
02. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VUNESP
– 2013). No trecho – Tem surtido um efeito positivo por eles
8-) - mas não penetrou na casa = conjunção adversativa
se tornarem uma referência positiva dentro da unidade, já que
- nem assustou seus habitantes = conjunção aditiva
cumprem melhor as regras, respeitam o próximo e pensam melhor
nas suas ações, refletem antes de tomar uma atitude. – o termo em
9-) Um livro de receita é um bom presente porque ajuda as
destaque estabelece entre as orações uma relação de
pessoas que não sabem cozinhar.
A) condição. B) causa. C) comparação. D) tempo.
= conjunção explicativa: pois
E) concessão.
10-) E NEM ASSISTE= conjunção aditiva (ideia de adição, 03. (UFV-MG) As orações subordinadas substantivas que
soma de fatos) = Coordenada sindética aditiva. aparecem nos períodos abaixo são todas subjetivas, exceto:
A) Decidiu-se que o petróleo subiria de preço.
Questões sobre Orações Subordinadas B) É muito bom que o homem, vez por outra, reflita sobre sua
vida.
01. (Papiloscopista Policial – Vunesp/2013). C) Ignoras quanto custou meu relógio?
Mais denso, menos trânsito D) Perguntou-se ao diretor quando seríamos recebidos.
E) Convinha-nos que você estivesse presente à reunião
As grandes cidades brasileiras estão congestionadas e em
processo de deterioração agudizado pelo crescimento econômico 04. (Agente de Vigilância e Recepção – VUNESP – 2013).
da última década. Existem deficiências evidentes em infraestrutura, Considere a tirinha em que se vê Honi conversando com seu
mas é importante também considerar o planejamento urbano. Namorado Lute.
Muitas grandes cidades adotaram uma abordagem de
desconcentração, incentivando a criação de diversos centros
urbanos, na visão de que isso levaria a uma maior facilidade de
deslocamento.
Mas o efeito tem sido o inverso. A criação de diversos centros
e o aumento das distâncias multiplicam o número de viagens,
dificultando o investimento em transporte coletivo e aumentando a
necessidade do transporte individual.
Se olharmos Los Angeles como a região que levou a
desconcentração ao extremo, ficam claras as consequências. Numa
região rica como a Califórnia, com enorme investimento viário,
temos engarrafamentos gigantescos que viraram característica da
cidade.

Didatismo e Conhecimento 59
LÍNGUA PORTUGUESA
06. (Analista Administrativo – VUNESP – 2013). Em – É
fundamental que essa visão de adensamento com uso abundante de
transporte coletivo seja recuperada para que possamos reverter esse
processo de uso… –, a expressão em destaque estabelece entre as
orações relação de
A) consequência.
B) condição.
C) finalidade.
D) causa.
E) concessão.

07. (Analista de Sistemas – VUNESP – 2013 – adap.). Considere


o trecho: “Como as músicas eram de protesto, naquele mesmo ano
foi enquadrado na lei de segurança nacional pela ditadura militar
e exilado.” O termo Como, em destaque na primeira parte do
enunciado, expressa ideia de
A) contraste e tem sentido equivalente a porém.
B) concessão e tem sentido equivalente a mesmo que.
C) conformidade e tem sentido equivalente a conforme.
D) causa e tem sentido equivalente a visto que.
E) finalidade e tem sentido equivalente a para que.

(Dik Browne, Folha de S. Paulo, 26.01.2013) 08. (Analista em Planejamento, Orçamento e Finanças Públicas –
VUNESP – 2013-adap.) No trecho – “Fio, disjuntor, tomada, tudo!”,
É correto afirmar que a expressão contanto que estabelece insiste o motorista, com tanto orgulho que chega a contaminar-me.
entre as orações relação de –, a construção tanto ... que estabelece entre as construções [com
A) causa, pois Honi quer ter filhos e não deseja trabalhar tanto orgulho] e [que chega a contaminar-me] uma relação de
depois de casada. A) condição e finalidade.
B) comparação, pois o namorado espera ter sucesso como B) conformidade e proporção.
cantor romântico. C) finalidade e concessão.
C) tempo, pois ambos ainda são adolescentes, mas já pensam D) proporção e comparação.
em casamento. E) causa e consequência.
D) condição, pois Lute sabe que exercendo a profissão de músico
provavelmente ganhará pouco. 09. “Os Estados Unidos são considerados hoje um país bem
E) finalidade, pois Honi espera que seu futuro marido torne-se mais fechado – embora em doze dias recebam o mesmo número
um artista famoso. de imigrantes que o Brasil em um ano.” A alternativa que substitui
a expressão em negrito, sem prejuízo ao conteúdo, é:
05. (Analista Administrativo – VUNESP – 2013). Em – Apesar A) já que.
da desconcentração e do aumento da extensão urbana verificados B) todavia.
no Brasil, é importante desenvolver e adensar ainda mais os diversos C) ainda que.
centros já existentes... –, sem que tenha seu sentido alterado, o trecho D) entretanto.
em destaque está corretamente reescrito em: E) talvez.
A) Mesmo com a desconcentração e o aumento da Extensão
urbana verificados no Brasil, é importante desenvolver e adensar 10. (Escrevente TJ SP – Vunesp – 2013) Assinale a alternativa
ainda mais os diversos centros já existentes... que substitui o trecho em destaque na frase – Assinarei o
B) Uma vez que se verifica a desconcentração e o aumento da documento, contanto que garantam sua autenticidade. – sem que
extensão urbana no Brasil, é importante desenvolver e adensar ainda haja prejuízo de sentido.
mais os diversos centros já existentes... (A) desde que garantam sua autenticidade.
C) Assim como são verificados a desconcentração e o aumento (B) no entanto garantam sua autenticidade.
da extensão urbana no Brasil, é importante desenvolver e adensar (C) embora garantam sua autenticidade.
ainda mais os diversos centros já existentes... (D) portanto garantam sua autenticidade.
D) Visto que com a desconcentração e o aumento da extensão (E) a menos que garantam sua autenticidade.
urbana verificados no Brasil, é importante desenvolver e adensar
ainda mais os diversos centros já existentes... GABARITO
E) De maneira que, com a desconcentração e o aumento da
extensão urbana verificados no Brasil, é importante desenvolver e 01. B 02. B 03. C 04. D 05. A
adensar ainda mais os diversos centros já existentes... 06. C 07. D 08. E 09. C 10. A

Didatismo e Conhecimento 60
LÍNGUA PORTUGUESA
RESOLUÇÃO Ponto

1-) mais denso e menos trânsito = mais denso, 1- Indica o término do discurso ou de parte dele.
consequentemente, menos trânsito, então: causa e consequência - Façamos o que for preciso para tirá-la da situação em que
se encontra.
2-) já que cumprem melhor as regras = estabelece entre as - Gostaria de comprar pão, queijo, manteiga e leite.
orações uma relação de causa com a consequência de “tem um - Acordei. Olhei em volta. Não reconheci onde estava.
efeito positivo”.
2- Usa-se nas abreviações - V. Exª. - Sr.
3-) Ignoras quanto custou meu relógio? = oração subordinada
substantiva objetiva direta Ponto e Vírgula ( ; )
A oração não atende aos requisitos de tais orações, ou seja, não
se inicia com verbo de ligação, tampouco pelos verbos “convir”, 1- Separa várias partes do discurso, que têm a mesma
“parecer”, “importar”, “constar” etc., e também não inicia com as importância.
conjunções integrantes “que” e “se”. - “Os pobres dão pelo pão o trabalho; os ricos dão pelo pão
a fazenda; os de espíritos generosos dão pelo pão a vida; os de
4-) a expressão contanto que estabelece uma relação de nenhum espírito dão pelo pão a alma...” (VIEIRA)
condição (condicional)
2- Separa partes de frases que já estão separadas por vírgulas.
5-) Apesar da desconcentração e do aumento da extensão - Alguns quiseram verão, praia e calor; outros, montanhas,
urbana verificados no Brasil = conjunção concessiva frio e cobertor.
B) Uma vez que se verifica a desconcentração e o aumento da
extensão urbana no Brasil, = causal 3- Separa itens de uma enumeração, exposição de motivos,
C) Assim como são verificados a desconcentração e o aumento decreto de lei, etc.
da extensão urbana no Brasil = comparativa - Ir ao supermercado;
D) Visto que com a desconcentração e o aumento da extensão - Pegar as crianças na escola;
urbana verificados no Brasil = causal - Caminhada na praia;
E) De maneira que, com a desconcentração e o aumento da - Reunião com amigos.
extensão urbana verificados no Brasil = consecutivas
Dois pontos
6-) para que possamos = conjunção final (finalidade) 1- Antes de uma citação
- Vejamos como Afrânio Coutinho trata este assunto:
7-) “Como as músicas eram de protesto = expressa ideia de
causa da consequência “foi enquadrado” = causa e tem sentido 2- Antes de um aposto
equivalente a visto que. - Três coisas não me agradam: chuva pela manhã, frio à tarde
8-) com tanto orgulho que chega a contaminar-me. – a e calor à noite.
construção estabelece uma relação de causa e consequência. (a 3- Antes de uma explicação ou esclarecimento
causa da “contaminação” – consequência) - Lá estava a deplorável família: triste, cabisbaixa, vivendo a
rotina de sempre.
9-) Os Estados Unidos são considerados hoje um país bem
mais fechado – embora em doze dias recebam o mesmo número 4- Em frases de estilo direto
de imigrantes que o Brasil em um ano.” = conjunção concessiva: Maria perguntou:
ainda que - Por que você não toma uma decisão?
10-) contanto que garantam sua autenticidade. = conjunção
condicional = desde que Ponto de Exclamação

1- Usa-se para indicar entonação de surpresa, cólera, susto,


súplica, etc.
PONTUAÇÃO. - Sim! Claro que eu quero me casar com você!

2- Depois de interjeições ou vocativos


- Ai! Que susto!
- João! Há quanto tempo!
Os sinais de pontuação são marcações gráficas que servem
para compor a coesão e a coerência textual, além de ressaltar Ponto de Interrogação
especificidades semânticas e pragmáticas. Vejamos as principais
funções dos sinais de pontuação conhecidos pelo uso da língua Usa-se nas interrogações diretas e indiretas livres.
portuguesa. “- Então? Que é isso? Desertaram ambos?” (Artur Azevedo)

Didatismo e Conhecimento 61
LÍNGUA PORTUGUESA
Reticências Questões sobre Pontuação

1- Indica que palavras foram suprimidas. 01. (Agente Policial – Vunesp – 2013). Assinale a alternativa
- Comprei lápis, canetas, cadernos... em que a pontuação está corretamente empregada, de acordo com
a norma-padrão da língua portuguesa.
2- Indica interrupção violenta da frase. (A) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, embora,
“- Não... quero dizer... é verdad... Ah!” experimentasse, a sensação de violar uma intimidade, procurou
a esmo entre as coisinhas, tentando encontrar algo que pudesse
3- Indica interrupções de hesitação ou dúvida ajudar a revelar quem era a sua dona.
- Este mal... pega doutor? (B) Diante, da testemunha o homem abriu a bolsa e, embora
experimentasse a sensação, de violar uma intimidade, procurou
4- Indica que o sentido vai além do que foi dito a esmo entre as coisinhas, tentando encontrar algo que pudesse
- Deixa, depois, o coração falar... ajudar a revelar quem era a sua dona.
(C) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, embora
Vírgula experimentasse a sensação de violar uma intimidade, procurou
a esmo entre as coisinhas, tentando encontrar algo que pudesse
Não se usa vírgula ajudar a revelar quem era a sua dona.
(D) Diante da testemunha, o homem, abriu a bolsa e, embora
*separando termos que, do ponto de vista sintático, ligam-se
experimentasse a sensação de violar uma intimidade, procurou
diretamente entre si:
a esmo entre as coisinhas, tentando, encontrar algo que pudesse
- entre sujeito e predicado.
Todos os alunos da sala foram advertidos. ajudar a revelar quem era a sua dona.
Sujeito predicado (E) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, embora,
experimentasse a sensação de violar uma intimidade, procurou
- entre o verbo e seus objetos. a esmo entre as coisinhas, tentando, encontrar algo que pudesse
O trabalho custou sacrifício aos realizadores. ajudar a revelar quem era a sua dona.
V.T.D.I. O.D. O.I.
02. (CNJ – TÉCNICO JUDICIÁRIO – CESPE/2013 -
Usa-se a vírgula: ADAPTADA) Jogadores de futebol de diversos times entraram
- Para marcar intercalação: em campo em prol do programa “Pai Presente”, nos jogos do
a) do adjunto adverbial: O café, em razão da sua abundância, Campeonato Nacional em apoio à campanha que visa 4 reduzir
vem caindo de preço. o número de pessoas que não possuem o nome do pai em sua
b) da conjunção: Os cerrados são secos e áridos. Estão certidão de nascimento. (...)
produzindo, todavia, altas quantidades de alimentos. A oração subordinada “que não possuem o nome do pai em
c) das expressões explicativas ou corretivas: As indústrias não sua certidão de nascimento” não é antecedida por vírgula porque
querem abrir mão de suas vantagens, isto é, não querem abrir mão tem natureza restritiva.
dos lucros altos. ( ) Certo ( ) Errado
- Para marcar inversão:
a) do adjunto adverbial (colocado no início da oração): Depois 03.(BNDES – TÉCNICO ADMINISTRATIVO –
das sete horas, todo o comércio está de portas fechadas. BNDES/2012) Em que período a vírgula pode ser retirada,
b) dos objetos pleonásticos antepostos ao verbo: Aos mantendo-se o sentido e a obediência à norma-padrão?
pesquisadores, não lhes destinaram verba alguma. (A) Quando o técnico chegou, a equipe começou o treino.
c) do nome de lugar anteposto às datas: Recife, 15 de maio (B) Antônio, quer saber as últimas novidades dos esportes?
de 1982. (C) As Olimpíadas de 2016 ocorrerão no Rio, que se prepara
para o evento.
- Para separar entre si elementos coordenados (dispostos em
(D) Atualmente, várias áreas contribuem para o aprimoramento
enumeração):
do desportista.
Era um garoto de 15 anos, alto, magro.
(E) Eis alguns esportes que a Ciência do Esporte ajuda: judô,
A ventania levou árvores, e telhados, e pontes, e animais.
natação e canoagem.
- Para marcar elipse (omissão) do verbo:
Nós queremos comer pizza; e vocês, churrasco. 04. (BANPARÁ/PA – TÉCNICO BANCÁRIO – ESPP/2012)
- Para isolar: Assinale a alternativa em que a pontuação está correta.
- o aposto: São Paulo, considerada a metrópole brasileira, a) Meu grande amigo Pedro, esteve aqui ontem!
possui um trânsito caótico. b) Foi solicitado, pelo diretor o comprovante da transação.
- o vocativo: Ora, Thiago, não diga bobagem. c) Maria, você trouxe os documentos?
d) O garoto de óculos leu, em voz alta o poema.
Fontes: e) Na noite de ontem o vigia percebeu, uma movimentação
http://www.infoescola.com/portugues/pontuacao/ estranha.
http://www.brasilescola.com/gramatica/uso-da-virgula.htm

Didatismo e Conhecimento 62
LÍNGUA PORTUGUESA
05. (Papiloscopista Policial – Vunesp – 2013 – adap.). Assinale No período acima, as vírgulas foram empregadas em
a alternativa em que a frase mantém-se correta após o acréscimo “Paciência, minha filha, este é [...]”, para separar
das vírgulas. (A) aposto.
(A) Se a criança se perder, quem encontrá-la, verá na pulseira (B) vocativo.
instruções para que envie, uma mensagem eletrônica ao grupo ou (C) adjunto adverbial.
acione o código na internet. (D) expressão explicativa.
(B) Um geolocalizador também, avisará, os pais de onde o
código foi acionado. 09. (INFRAERO – CADASTRO RESERVA OPERACIONAL
(C) Assim que o código é digitado, familiares cadastrados, PROFISSIONAL DE TRÁFEGO AÉREO – FCC/2011) O período
recebem automaticamente, uma mensagem dizendo que a criança corretamente pontuado é:
foi encontrada. (A) Os filmes que, mostram a luta pela sobrevivência em
(D) De fabricação chinesa, a nova pulseirinha, chega primeiro condições hostis nem sempre conseguem agradar, aos espectadores.
às, areias do Guarujá. (B) Várias experiências de prisioneiros, semelhantes entre si,
(E) O sistema permite, ainda, cadastrar o nome e o telefone de podem ser reunidas e fazer parte de uma mesma história ficcional.
quem a encontrou e informar um ponto de referência (C) A história de heroísmo e de determinação que nem sempre,
é convincente, se passa em um cenário marcado, pelo frio.
06. (DNIT – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – ESAF/2013) (D) Caminhar por um extenso território gelado, é correr riscos
Para que o fragmento abaixo seja coerente e gramaticalmente iminentes que comprometem, a sobrevivência.
correto, é necessário inserir sinais de pontuação. Assinale a posição (E) Para os fugitivos que se propunham, a alcançar a liberdade,
em que não deve ser usado o sinal de ponto, e sim a vírgula, para nada poderia parecer, realmente intransponível.
que sejam respeitadas as regras gramaticais. Desconsidere os
ajustes nas letras iniciais minúsculas. GABARITO
O projeto Escola de Bicicleta está distribuindo bicicletas
de bambu para 4600 alunos da rede pública de São Paulo(A) o 01. C 02. C 03. D 04. C 05. E
programa desenvolve ainda oficinas e cursos para as crianças 06. D 07. A 08. B 09.B
utilizarem a bicicleta de forma segura e correta(B) os alunos
ajudam a traçar ciclorrotas e participam de atividades sobre RESOLUÇÃO
cidadania e reciclagem(C) as escolas participantes se tornam
também centros de descarte de garrafas PET(D) destinadas 1- Assinalei com um (X) as pontuações inadequadas
depois para reciclagem(E) o programa possibilitará o retorno (A) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, embora,
das bicicletas pela saúde das crianças e transformação das (X) experimentasse , (X) a sensação de violar uma intimidade,
comunidades em lugares melhores para se viver. procurou a esmo entre as coisinhas, tentando encontrar algo que
(Adaptado de Vida Simples, abril de 2012, edição 117) pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona.
a) A (B) Diante , (X) da testemunha o homem abriu a bolsa e,
b) B embora experimentasse a sensação , (X) de violar uma intimidade,
c) C procurou a esmo entre as coisinhas, tentando encontrar algo que
d) D pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona.
e) E (D) Diante da testemunha, o homem , (X) abriu a bolsa e,
embora experimentasse a sensação de violar uma intimidade,
07. (DETRAN - OFICIAL ESTADUAL DE TRÂNSITO – procurou a esmo entre as coisinhas, tentando , (X) encontrar algo
VUNESP/2013) Assinale a alternativa correta quanto ao uso da que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona.
pontuação. (E) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, embora
(A) Segundo alguns psicólogos, é possível, em certas , (X) experimentasse a sensação de violar uma intimidade,
circunstâncias, ceder à frustração para que a raiva seja aliviada. procurou a esmo entre as coisinhas, tentando , (X) encontrar algo
(B) Dirigir pode aumentar, nosso nível de estresse, porque que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona.
você está junto; com os outros motoristas cujos comportamentos,
são desconhecidos. 2-) A oração restringe o grupo que participará da campanha
(C) Os motoristas, devem saber, que os carros podem ser uma (apenas os que não têm o nome do pai na certidão de nascimento).
extensão de nossa personalidade. Se colocarmos uma vírgula, a oração tornar-se-á “explicativa”,
(D) A ira de trânsito pode ocasionar, acidentes e; aumentar os generalizando a informação, o que dará a entender que TODAS as
níveis de estresse em alguns motoristas. pessoa não têm o nome do pai na certidão.
(E) Os congestionamentos e o número de motoristas na rua, RESPOSTA: “CERTO”.
são as principais causas da ira de trânsito.
3-)
08. (ACADEMIA DE POLÍCIA DO ESTADO DE MINAS (A) Quando o técnico chegou, a equipe começou o treino. =
GERAIS – TÉCNICO ASSISTENTE DA POLÍCIA CIVIL - mantê-la (termo deslocado)
FUMARC/2013) “Paciência, minha filha, este é apenas um ciclo (B) Antônio, quer saber as últimas novidades dos esportes? =
econômico e a nossa geração foi escolhida para este vexame, você mantê-la (vocativo)
aí desse tamanho pedindo esmola e eu aqui sem nada para te dizer, (C) As Olimpíadas de 2016 ocorrerão no Rio, que se prepara
agora afasta que abriu o sinal.” para o evento.

Didatismo e Conhecimento 63
LÍNGUA PORTUGUESA
= mantê-la (explicação) (A) Os filmes que,(X) mostram a luta pela sobrevivência
(D) Atualmente, várias áreas contribuem para o aprimoramento em condições hostis nem sempre conseguem agradar, (X) aos
do desportista. espectadores.
= pode retirá-la (advérbio de tempo) (B) Várias experiências de prisioneiros, semelhantes entre si,
(E) Eis alguns esportes que a Ciência do Esporte ajuda: judô, podem ser reunidas e fazer parte de uma mesma história ficcional.
natação e canoagem. (C) A história de heroísmo e de determinação (X) que nem
= mantê-la (enumeração) sempre, (X) é convincente, se passa em um cenário marcado, (X)
pelo frio.
4-) Assinalei com (X) a pontuação inadequada ou faltante: (D) Caminhar por um extenso território gelado, (X) é correr
a) Meu grande amigo Pedro, (X) esteve aqui ontem! riscos iminentes (X) que comprometem, (X) a sobrevivência.
b) Foi solicitado, (X) pelo diretor o comprovante da transação. (E) Para os fugitivos que se propunham, (X) a alcançar a
c) Maria, você trouxe os documentos? liberdade, nada poderia parecer, (X) realmente intransponível.
d) O garoto de óculos leu, em voz alta (X) o poema.
e) Na noite de ontem (X) o vigia percebeu, (X) uma Recomendo a visualização do link abaixo para entender, de
movimentação estranha. uma maneira criativa, a importância da pontuação!

5-) Assinalei com (X) onde estão as pontuações inadequadas http://www.youtube.com/watch?v=JxJrS6augu0


(A) Se a criança se perder, quem encontrá-la , (X) verá na
pulseira instruções para que envie , (X) uma mensagem eletrônica
ao grupo ou acione o código na internet.
(B) Um geolocalizador também , (X) avisará , (X) os pais de CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL.
onde o código foi acionado.
(C) Assim que o código é digitado, familiares cadastrados ,
(X) recebem ( , ) automaticamente, uma mensagem dizendo que a
criança foi encontrada.
(D) De fabricação chinesa, a nova pulseirinha , (X) chega Ao falarmos sobre a concordância verbal, estamos nos
primeiro às , (X) areias do Guarujá. referindo à relação de dependência estabelecida entre um termo
e outro mediante um contexto oracional. Desta feita, os agentes
6-) principais desse processo são representados pelo sujeito, que no
O projeto Escola de Bicicleta está distribuindo bicicletas caso funciona como subordinante; e o verbo, o qual desempenha a
de bambu para 4600 alunos da rede pública de São Paulo(A). O função de subordinado.
programa desenvolve ainda oficinas e cursos para as crianças Dessa forma, temos que a concordância verbal caracteriza-se
utilizarem a bicicleta de forma segura e correta(B). Os alunos pela adaptação do verbo, tendo em vista os quesitos “número e
ajudam a traçar ciclorrotas e participam de atividades sobre pessoa” em relação ao sujeito. Exemplificando, temos: O aluno
cidadania e reciclagem(C). As escolas participantes se tornam chegou atrasado. Temos que o verbo apresenta-se na terceira
também centros de descarte de garrafas PET(D), destinadas pessoa do singular, pois faz referência a um sujeito, assim também
depois para reciclagem(E). O programa possibilitará o retorno expresso (ele). Como poderíamos também dizer: os alunos
das bicicletas pela saúde das crianças e transformação das chegaram atrasados.
comunidades em lugares melhores para se viver. Casos referentes a sujeito simples
A vírgula deve ser colocada após a palavra “PET”, posição
(D), pois antecipa um termo explicativo. 1) Em caso de sujeito simples, o verbo concorda com o núcleo
em número e pessoa: O aluno chegou atrasado.
7-) Fiz as indicações (X) das pontuações inadequadas:
(A) Segundo alguns psicólogos, é possível, em certas 2) Nos casos referentes a sujeito representado por substantivo
circunstâncias, ceder à frustração para que a raiva seja aliviada. coletivo, o verbo permanece na terceira pessoa do singular: A
(B) Dirigir pode aumentar, (X) nosso nível de estresse, multidão, apavorada, saiu aos gritos.
porque você está junto; (X) com os outros motoristas cujos Observação:
comportamentos, (X) são desconhecidos. - No caso de o coletivo aparecer seguido de adjunto adnominal
(C) Os motoristas, (X) devem saber, (X) que os carros podem no plural, o verbo permanecerá no singular ou poderá ir para o
ser uma extensão de nossa personalidade. plural:
(D) A ira de trânsito pode ocasionar, (X) acidentes e; (X) Uma multidão de pessoas saiu aos gritos.
aumentar os níveis de estresse em alguns motoristas. Uma multidão de pessoas saíram aos gritos.
(E) Os congestionamentos e o número de motoristas na rua,
(X) são as principais causas da ira de trânsito. 3) Quando o sujeito é representado por expressões partitivas,
8-) Paciência, minha filha, este é... = é o termo usado para se representadas por “a maioria de, a maior parte de, a metade
dirigir ao interlocutor, ou seja, é um vocativo. de, uma porção de” entre outras, o verbo tanto pode concordar
com o núcleo dessas expressões quanto com o substantivo que a
9-) Fiz as marcações (X) onde as pontuações estão inadequadas segue: A maioria dos alunos resolveu ficar. A maioria dos alunos
ou faltantes: resolveram ficar.

Didatismo e Conhecimento 64
LÍNGUA PORTUGUESA
4) No caso de o sujeito ser representado por expressões 11) Nos casos em que o sujeito estiver representado por
aproximativas, representadas por “cerca de, perto de”, o verbo pronomes de tratamento, o verbo deverá ser empregado na terceira
concorda com o substantivo determinado por elas: Cerca de mil pessoa do singular ou do plural: Vossas Majestades gostaram das
candidatos se inscreveram no concurso. homenagens. Vossa Majestade agradeceu o convite.

5) Em casos em que o sujeito é representado pela expressão 12) Casos relativos a sujeito representado por substantivo
“mais de um”, o verbo permanece no singular: Mais de um próprio no plural se encontram relacionados a alguns aspectos que
candidato se inscreveu no concurso de piadas. os determinam:
Observação: - Diante de nomes de obras no plural, seguidos do verbo ser,
- No caso da referida expressão aparecer repetida ou associada este permanece no singular, contanto que o predicativo também
a um verbo que exprime reciprocidade, o verbo, necessariamente, esteja no singular: Memórias póstumas de Brás Cubas é uma
deverá permanecer no plural: criação de Machado de Assis.
Mais de um aluno, mais de um professor contribuíram na - Nos casos de artigo expresso no plural, o verbo também
campanha de doação de alimentos. permanece no plural: Os Estados Unidos são uma potência
Mais de um formando se abraçaram durante as solenidades mundial.
de formatura. - Casos em que o artigo figura no singular ou em que ele nem
aparece, o verbo permanece no singular: Estados Unidos é uma
6) Quando o sujeito for composto da expressão “um dos potência mundial.
que”, o verbo permanecerá no plural: Esse jogador foi um dos que
atuaram na Copa América. Casos referentes a sujeito composto

7) Em casos relativos à concordância com locuções 1) Nos casos relativos a sujeito composto de pessoas
pronominais, representadas por “algum de nós, qual de vós, quais gramaticais diferentes, o verbo deverá ir para o plural, estando
de vós, alguns de nós”, entre outras, faz-se necessário nos atermos relacionado a dois pressupostos básicos:
a duas questões básicas: - Quando houver a 1ª pessoa, esta prevalecerá sobre as demais:
- No caso de o primeiro pronome estar expresso no plural, o Eu, tu e ele faremos um lindo passeio.
verbo poderá com ele concordar, como poderá também concordar - Quando houver a 2ª pessoa, o verbo poderá flexionar na 2ª ou
com o pronome pessoal: Alguns de nós o receberemos. / Alguns de na 3ª pessoa: Tu e ele sois primos. Tu e ele são primos.
nós o receberão.
- Quando o primeiro pronome da locução estiver expresso no 2) Nos casos em que o sujeito composto aparecer anteposto
singular, o verbo permanecerá, também, no singular: Algum de ao verbo, este permanecerá no plural: O pai e seus dois filhos
nós o receberá. compareceram ao evento.

8) No caso de o sujeito aparecer representado pelo pronome 3) No caso em que o sujeito aparecer posposto ao verbo, este
“quem”, o verbo permanecerá na terceira pessoa do singular ou poderá concordar com o núcleo mais próximo ou permanecer
poderá concordar com o antecedente desse pronome: Fomos nós no plural: Compareceram ao evento o pai e seus dois filhos.
quem contou toda a verdade para ela. / Fomos nós quem contamos Compareceu ao evento o pai e seus dois filhos.
toda a verdade para ela. 4) Nos casos relacionados a sujeito simples, porém com mais
9) Em casos nos quais o sujeito aparece realçado pela palavra de um núcleo, o verbo deverá permanecer no singular: Meu esposo
“que”, o verbo deverá concordar com o termo que antecede essa e grande companheiro merece toda a felicidade do mundo.
palavra: Nesta empresa somos nós que tomamos as decisões. / Em
casa sou eu que decido tudo. 5) Casos relativos a sujeito composto de palavras sinônimas ou
ordenado por elementos em gradação, o verbo poderá permanecer
10) No caso de o sujeito aparecer representado por expressões no singular ou ir para o plural: Minha vitória, minha conquista,
que indicam porcentagens, o verbo concordará com o numeral minha premiação são frutos de meu esforço. / Minha vitória,
ou com o substantivo a que se refere essa porcentagem: 50% minha conquista, minha premiação é fruto de meu esforço.
dos funcionários aprovaram a decisão da diretoria. / 50% do
eleitorado apoiou a decisão. Concordância nominal é o ajuste que fazemos aos demais
termos da oração para que concordem em gênero e número com o
Observações: substantivo. Teremos que alterar, portanto, o artigo, o adjetivo, o
- Caso o verbo apareça anteposto à expressão de porcentagem, numeral e o pronome. Além disso, temos também o verbo, que se
esse deverá concordar com o numeral: Aprovaram a decisão da flexionará à sua maneira.
diretoria 50% dos funcionários. Regra geral: O artigo, o adjetivo, o numeral e o pronome
- Em casos relativos a 1%, o verbo permanecerá no singular: concordam em gênero e número com o substantivo.
1% dos funcionários não aprovou a decisão da diretoria. - A pequena criança é uma gracinha.
- Em casos em que o numeral estiver acompanhado de - O garoto que encontrei era muito gentil e simpático.
determinantes no plural, o verbo permanecerá no plural: Os 50%
dos funcionários apoiaram a decisão da diretoria. Casos especiais: Veremos alguns casos que fogem à regra
geral mostrada acima.

Didatismo e Conhecimento 65
LÍNGUA PORTUGUESA
a) Um adjetivo após vários substantivos Comi muitas frutas durante a viagem.
- Substantivos de mesmo gênero: adjetivo vai para o plural ou Pouco arroz é suficiente para mim.
concorda com o substantivo mais próximo. Os sapatos estavam caros.
- Irmão e primo recém-chegado estiveram aqui.
- Irmão e primo recém-chegados estiveram aqui. - Como advérbios: são invariáveis.
Comi muito durante a viagem.
- Substantivos de gêneros diferentes: vai para o plural Pouco lutei, por isso perdi a batalha.
masculino ou concorda com o substantivo mais próximo. Comprei caro os sapatos.
- Ela tem pai e mãe louros.
- Ela tem pai e mãe loura. i) Mesmo, bastante
- Como advérbios: invariáveis
- Adjetivo funciona como predicativo: vai obrigatoriamente Preciso mesmo da sua ajuda.
para o plural. Fiquei bastante contente com a proposta de emprego.
- O homem e o menino estavam perdidos. - Como pronomes: seguem a regra geral.
- O homem e sua esposa estiveram hospedados aqui. Seus argumentos foram bastantes para me convencer.
b) Um adjetivo anteposto a vários substantivos Os mesmos argumentos que eu usei, você copiou.
- Adjetivo anteposto normalmente concorda com o mais
próximo. j) Menos, alerta
Comi delicioso almoço e sobremesa. - Em todas as ocasiões são invariáveis.
Provei deliciosa fruta e suco. Preciso de menos comida para perder peso.
Estamos alerta para com suas chamadas.
- Adjetivo anteposto funcionando como predicativo: concorda
com o mais próximo ou vai para o plural. k) Tal Qual
Estavam feridos o pai e os filhos. - “Tal” concorda com o antecedente, “qual” concorda com o
Estava ferido o pai e os filhos. consequente.
As garotas são vaidosas tais qual a tia.
Os pais vieram fantasiados tais quais os filhos.
c) Um substantivo e mais de um adjetivo
- antecede todos os adjetivos com um artigo.
l) Possível
Falava fluentemente a língua inglesa e a espanhola.
- Quando vem acompanhado de “mais”, “menos”, “melhor”
ou “pior”, acompanha o artigo que precede as expressões.
- coloca o substantivo no plural.
A mais possível das alternativas é a que você expôs.
Falava fluentemente as línguas inglesa e espanhola.
Os melhores cargos possíveis estão neste setor da empresa.
As piores situações possíveis são encontradas nas favelas da
d) Pronomes de tratamento cidade.
- sempre concordam com a 3ª pessoa. m) Meio
Vossa Santidade esteve no Brasil. - Como advérbio: invariável.
e) Anexo, incluso, próprio, obrigado Estou meio (um pouco) insegura.
- Concordam com o substantivo a que se referem.
As cartas estão anexas. - Como numeral: segue a regra geral.
A bebida está inclusa. Comi meia (metade) laranja pela manhã.
Precisamos de nomes próprios.
Obrigado, disse o rapaz. n) Só
- apenas, somente (advérbio): invariável.
f) Um(a) e outro(a), num(a) e noutro(a) Só consegui comprar uma passagem.
- Após essas expressões o substantivo fica sempre no singular
e o adjetivo no plural. - sozinho (adjetivo): variável.
Renato advogou um e outro caso fáceis. Estiveram sós durante horas.
Pusemos numa e noutra bandeja rasas o peixe.
Fonte:
g) É bom, é necessário, é proibido http://www.brasilescola.com/gramatica/concordancia-
- Essas expressões não variam se o sujeito não vier precedido verbal.htm
de artigo ou outro determinante.
Canja é bom. / A canja é boa. Questões sobre Concordância Nominal e Verbal
É necessário sua presença. / É necessária a sua presença.
É proibido entrada de pessoas não autorizadas. / A entrada 01.(TRE/AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2010) A
é proibida. concordância verbal e nominal está inteiramente correta na frase:
(A) A sociedade deve reconhecer os princípios e valores
h) Muito, pouco, caro que determinam as escolhas dos governantes, para conferir
- Como adjetivos: seguem a regra geral. legitimidade a suas decisões.

Didatismo e Conhecimento 66
LÍNGUA PORTUGUESA
(B) A confiança dos cidadãos em seus dirigentes devem ser 04 (Escrevente TJ SP – Vunesp/2012) Assinale a alternativa
embasados na percepção dos valores e princípios que regem a em que o trecho
prática política. – Ainda assim, ninguém encontrou até agora uma maneira de
(C) Eleições livres e diretas é garantia de um verdadeiro quantificar adequadamente os insumos básicos.– está corretamente
regime democrático, em que se respeita tanto as liberdades reescrito, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa.
individuais quanto as coletivas. (A) Ainda assim, temos certeza que ninguém encontrou até
(D) As instituições fundamentais de um regime democrático agora uma maneira adequada de se quantificar os insumos básicos.
não pode estar subordinado às ordens indiscriminadas de um único (B) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encontrou
poder central. até agora uma maneira adequada de os insumos básicos ser
(E) O interesse de todos os cidadãos estão voltados para o quantificados.
momento eleitoral, que expõem as diferentes opiniões existentes (C) Ainda assim, temos certeza que ninguém encontrou até
na sociedade. agora uma maneira adequada para que os insumos básicos sejam
quantificado.
02. (Agente Técnico – FCC – 2013). As normas de (D) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encontrou até
concordância verbal e nominal estão inteiramente respeitadas em: agora uma maneira adequada para que os insumos básicos seja
A) Alguns dos aspectos mais desejáveis de uma boa leitura, que quantificado.
satisfaça aos leitores e seja veículo de aprimoramento intelectual, (E) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encontrou
estão na capacidade de criação do autor, mediante palavras, sua até agora uma maneira adequada de se quantificarem os insumos
matéria-prima. básicos.
B) Obras que se considera clássicas na literatura sempre
delineia novos caminhos, pois é capaz de encantar o leitor ao 05. (FUNDAÇÃO CASA/SP - AGENTE ADMINISTRATIVO
ultrapassar os limites da época em que vivem seus autores, gênios - VUNESP/2011 - ADAPTADA) Observe as frases do texto:
no domínio das palavras, sua matéria-prima. I. Cerca de 75 por cento dos países obtêm nota negativa...
C) A palavra, matéria-prima de poetas e romancistas, lhe II. ... à Venezuela, de Chávez, que obtém a pior classificação
permitem criar todo um mundo de ficção, em que personagens do continente americano (2,0)...
se transformam em seres vivos a acompanhar os leitores, numa Assim como ocorre com o verbo “obter” nas frases I e II, a
verdadeira interação com a realidade. concordância segue as mesmas regras, na ordem dos exemplos,
D) As possibilidades de comunicação entre autor e leitor em:
somente se realiza plenamente caso haja afinidade de ideias entre (A) Todas as pessoas têm boas perspectivas para o próximo
ambos, o que permite, ao mesmo tempo, o crescimento intelectual ano. Será que alguém tem opinião diferente da maioria?
deste último e o prazer da leitura. (B) Vem muita gente prestigiar as nossas festas juninas. Vêm
E) Consta, na literatura mundial, obras-primas que constitui pessoas de muito longe para brincar de quadrilha.
leitura obrigatória e se tornam referências por seu conteúdo que (C) Pouca gente quis voltar mais cedo para casa. Quase todos
ultrapassa os limites de tempo e de época. quiseram ficar até o nascer do sol na praia.
03. (Escrevente TJ-SP – Vunesp/2012) Leia o texto para (D) Existem pessoas bem intencionadas por aqui, mas também
responder à questão. existem umas que não merecem nossa atenção.
_________dúvidas sobre o crescimento verde. Primeiro, não (E) Aqueles que não atrapalham muito ajudam.
está claro até onde pode realmente chegar uma política baseada
em melhorar a eficiência sem preços adequados para o carbono, 06. (TRF - 5ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO -
a água e (na maioria dos países pobres) a terra. É verdade que FCC/2012) Os folheteiros vivem em feiras, mercados, praças e
mesmo que a ameaça dos preços do carbono e da água em si locais de peregrinação.
___________diferença, as companhias não podem suportar ter de O verbo da frase acima NÃO pode ser mantido no plural
pagar, de repente, digamos, 40 dólares por tonelada de carbono, caso o segmento grifado seja substituído por:
sem qualquer preparação. Portanto, elas começam a usar preços- (A) Há folheteiros que
-sombra. Ainda assim, ninguém encontrou até agora uma maneira (B) A maior parte dos folheteiros
de quantificar adequadamente os insumos básicos. E sem eles a (C) O folheteiro e sua família
maioria das políticas de crescimento verde sempre ___________ (D) O grosso dos folheteiros
a segunda opção. (E) Cada um dos folheteiros
(Carta Capital, 27.06.2012. Adaptado)
07. (TRF - 5ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO -
De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, as FCC/2012) Todas as formas verbais estão corretamente
lacunas do texto devem ser preenchidas, correta e respectivamente, flexionadas em:
com: (A) Enquanto não se disporem a considerar o cordel sem
(A) Restam… faça… será preconceitos, as pessoas não serão capazes de fruir dessas
(B) Resta… faz… será criações poéticas tão originais.
(C) Restam… faz... serão (B) Ainda que nem sempre detenha o mesmo status atribuído
(D) Restam… façam… serão à arte erudita, o cordel vem sendo estudado hoje nas melhores
(E) Resta… fazem… será universidades do país.

Didatismo e Conhecimento 67
LÍNGUA PORTUGUESA
(C) Rodolfo Coelho Cavalcante deve ter percebido que a GABARITO
situação dos cordelistas não mudaria a não ser que eles mesmos
requizessem o respeito que faziam por merecer. 01. A 02. A 03. A 04. E 05. A
(D) Se não proveem do preconceito, a desvalorização 06. E 07. |B 08. D 09. D 10. C
e a pouca visibilidade dessa arte popular tão rica só pode ser
resultado do puro e simples desconhecimento. RESOLUÇÃO
(E) Rodolfo Coelho Cavalcante entreveu que os problemas
dos cordelistas estavam diretamente ligados à falta de 1-) Fiz os acertos entre parênteses:
representatividade. (A) A sociedade deve reconhecer os princípios e valores que
determinam as escolhas dos governantes, para conferir legitimidade
08. (TRF - 4ª REGIÃO – TÉCNICO JUDICIÁRIO – a suas decisões.
FCC/2010) Observam-se corretamente as regras de concordância (B) A confiança dos cidadãos em seus dirigentes devem (deve)
verbal e nominal em: ser embasados (embasada) na percepção dos valores e princípios que
a) O desenraizamento, não só entre intelectuais como entre regem a prática política.
os mais diversos tipos de pessoas, das mais sofisticadas às mais (C) Eleições livres e diretas é (são) garantia de um verdadeiro
humildes, são cada vez mais comuns nos dias de hoje. regime democrático, em que se respeita (respeitam) tanto as
b) A importância de intelectuais como Edward Said e Tony liberdades individuais quanto as coletivas.
Judt, que não se furtaram ao debate sobre questões polêmicas de (D) As instituições fundamentais de um regime democrático
seu tempo, não estão apenas nos livros que escreveram. não pode (podem) estar subordinado (subordinadas) às ordens
c) Nada indica que o conflito no Oriente Médio entre árabes indiscriminadas de um único poder central.
e judeus, responsável por tantas mortes e tanto sofrimento, (E) O interesse de todos os cidadãos estão (está) voltados
estejam próximos de serem resolvidos ou pelo menos de terem (voltado) para o momento eleitoral, que expõem (expõe) as diferentes
alguma trégua. opiniões existentes na sociedade.
d) Intelectuais que têm compromisso apenas com a verdade,
ainda que conscientes de que esta é até certo ponto relativa, 2-)
costumam encontrar muito mais detratores que admiradores. A) Alguns dos aspectos mais desejáveis de uma boa leitura, que
e) No final do século XX já não se via muitos intelectuais e satisfaça aos leitores e seja veículo de aprimoramento intelectual,
escritores como Edward Said, que não apenas era notícia pelos estão na capacidade de criação do autor, mediante palavras, sua
livros que publicavam como pelas posições que corajosamente matéria-prima. = correta
assumiam. B) Obras que se consideram clássicas na literatura sempre
delineiam novos caminhos, pois são capazes de encantar o leitor
09. (TRF - 2ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - ao ultrapassarem os limites da época em que vivem seus autores,
FCC/2012) O verbo que, dadas as alterações entre parênteses gênios no domínio das palavras, sua matéria-prima.
propostas para o segmento grifado, deverá ser colocado no plural, C) A palavra, matéria-prima de poetas e romancistas, lhes
está em: permite criar todo um mundo de ficção, em que personagens
(A) Não há dúvida de que o estilo de vida... (dúvidas) se transformam em seres vivos a acompanhar os leitores, numa
(B) O que não se sabe... (ninguém nas regiões do planeta) verdadeira interação com a realidade.
(C) O consumo mundial não dá sinal de trégua... (O consumo D) As possibilidades de comunicação entre autor e leitor
mundial de barris de petróleo) somente se realizam plenamente caso haja afinidade de ideias
(D) Um aumento elevado no preço do óleo reflete-se no custo da entre ambos, o que permite, ao mesmo tempo, o crescimento
matéria-prima... (Constantes aumentos) intelectual deste último e o prazer da leitura.
(E) o tema das mudanças climáticas pressiona os esforços E) Constam, na literatura mundial, obras-primas que
mundiais... (a preocupação em torno das mudanças climáticas) constituem leitura obrigatória e se tornam referências por seu
conteúdo que ultrapassa os limites de tempo e de época.
10. (CETESB/SP – ESCRITURÁRIO - VUNESP/2013)
Assinale a alternativa em que a concordância das formas verbais 3-) _Restam___dúvidas
destacadas está de acordo com a norma-padrão da língua. mesmo que a ameaça dos preços do carbono e da água em
(A) Fazem dez anos que deixei de trabalhar em higienização si __faça __diferença
subterrânea. a maioria das políticas de crescimento verde sempre ____
(B) Ainda existe muitas pessoas que discriminam os será_____ a segunda opção.
trabalhadores da área de limpeza. Em “a maioria de”, a concordância pode ser dupla: tanto no
(C) No trabalho em meio a tanta sujeira, havia altos riscos de se plural quanto no singular. Nas alternativas não há “restam/faça/
contrair alguma doença. serão”, portanto a A é que apresenta as opções adequadas.
(D) Eu passava a manhã no subterrâneo: quando era sete da
manhã, eu já estava fazendo meu serviço. 4-)
(E) As companhias de limpeza, apenas recentemente, começou (A) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encontrou
a adotar medidas mais rigorosas para a proteção de seus funcionários. até agora uma maneira adequada de se quantificar os insumos
básicos.

Didatismo e Conhecimento 68
LÍNGUA PORTUGUESA
(B) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encontrou c) Nada indica que o conflito no Oriente Médio entre árabes e
até agora uma maneira adequada de os insumos básicos serem judeus, responsável por tantas mortes e tanto sofrimento, estejam
quantificados. (esteja) próximos (próximo) de serem (ser) resolvidos (resolvido)
(C) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encontrou até ou pelo menos de terem (ter) alguma trégua.
agora uma maneira adequada para que os insumos básicos sejam d) Intelectuais que têm compromisso apenas com a verdade,
quantificados. ainda que conscientes de que esta é até certo ponto relativa,
(D) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encontrou costumam encontrar muito mais detratores que admiradores.
até agora uma maneira adequada para que os insumos básicos e) No final do século XX já não se via (viam) muitos
sejam quantificados. intelectuais e escritores como Edward Said, que não apenas era
(E) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encontrou (eram) notícia pelos livros que publicavam como pelas posições
até agora uma maneira adequada de se quantificarem os insumos que corajosamente assumiam.
básicos. = correta
9-)
5-) Em I, obtêm está no plural; em II, no singular. Vamos aos (A) Não há dúvida de que o estilo de vida... (dúvidas) = “há”
itens: permaneceria no singular
(A) Todas as pessoas têm (plural) ... Será que alguém tem (B) O que não se sabe ... (ninguém nas regiões do planeta) =
(singular) “sabe” permaneceria no singular
(B) Vem (singular) muita gente... Vêm pessoas (plural) (C) O consumo mundial não dá sinal de trégua ... (O consumo
(C) Pouca gente quis (singular)... Quase todos quiseram mundial de barris de petróleo) = “dá” permaneceria no singular
(plural) (D) Um aumento elevado no preço do óleo reflete-se no custo
(D) Existem (plural) pessoas ... mas também existem umas da matéria-prima... Constantes aumentos) = “reflete” passaria para
(plural) “refletem-se”
(E) Aqueles que não atrapalham muito ajudam (ambas as (E) o tema das mudanças climáticas pressiona os esforços
formas estão no plural) mundiais... (a preocupação em torno das mudanças climáticas) =
“pressiona” permaneceria no singular
6-)
A - Há folheteiros que vivem (concorda com o objeto 10-) Fiz as correções:
“folheterios”) (A) Fazem dez anos = faz (sentido de tempo = singular)
B – A maior parte dos folheteiros vivem/vive (opcional) (B) Ainda existe muitas pessoas = existem
C – O folheteiro e sua família vivem (sujeito composto) (C) No trabalho em meio a tanta sujeira, havia altos riscos
D – O grosso dos folheteiros vive/vivem (opcional) (D) Eu passava a manhã no subterrâneo: quando era sete da
E – Cada um dos folheteiros vive = somente no singular manhã = eram
(E) As companhias de limpeza, apenas recentemente, começou
7-) Coloquei entre parênteses a forma verbal correta: = começaram
(A) Enquanto não se disporem (dispuserem) a considerar o
cordel sem preconceitos, as pessoas não serão capazes de fruir
dessas criações poéticas tão originais. REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL.
(B) Ainda que nem sempre detenha o mesmo status atribuído
à arte erudita, o cordel vem sendo estudado hoje nas melhores
universidades do país.
(C) Rodolfo Coelho Cavalcante deve ter percebido que a
situação dos cordelistas não mudaria a não ser que eles mesmos Dá-se o nome de regência à relação de subordinação que
requizessem (requeressem) o respeito que faziam por merecer. ocorre entre um verbo (ou um nome) e seus complementos. Ocupa-se
(D) Se não proveem (provêm) do preconceito, a desvalorização em estabelecer relações entre as palavras, criando frases não ambíguas,
e a pouca visibilidade dessa arte popular tão rica só pode (podem) que expressem efetivamente o sentido desejado, que sejam corretas e
ser resultado do puro e simples desconhecimento. claras.
(E) Rodolfo Coelho Cavalcante entreveu (entreviu) que os
problemas dos cordelistas estavam diretamente ligados à falta de Regência Verbal
representatividade. Termo Regente: VERBO

8-) Fiz as correções entre parênteses: A regência verbal estuda a relação que se estabelece entre os
a) O desenraizamento, não só entre intelectuais como entre verbos e os termos que os complementam (objetos diretos e objetos
os mais diversos tipos de pessoas, das mais sofisticadas às mais indiretos) ou caracterizam (adjuntos adverbiais).
humildes, são (é) cada vez mais comuns (comum) nos dias de hoje. O estudo da regência verbal permite-nos ampliar nossa capacidade
b) A importância de intelectuais como Edward Said e Tony expressiva, pois oferece oportunidade de conhecermos as diversas
Judt, que não se furtaram ao debate sobre questões polêmicas de significações que um verbo pode assumir com a simples mudança ou
seu tempo, não estão (está) apenas nos livros que escreveram. retirada de uma preposição. Observe:

Didatismo e Conhecimento 69
LÍNGUA PORTUGUESA
A mãe agrada o filho. -> agradar significa acariciar, contentar. Na língua culta, esses verbos funcionam exatamente como o
A mãe agrada ao filho. -> agradar significa “causar agrado ou verbo amar:
prazer”, satisfazer. Amo aquele rapaz. / Amo-o.
Logo, conclui-se que “agradar alguém” é diferente de “agradar a Amo aquela moça. / Amo-a.
alguém”. Amam aquele rapaz. / Amam-no.
Ele deve amar aquela mulher. / Ele deve amá-la.
Saiba que:
O conhecimento do uso adequado das preposições é um dos Obs.: os pronomes lhe, lhes só acompanham esses verbos para
aspectos fundamentais do estudo da regência verbal (e também indicar posse (caso em que atuam como adjuntos adnominais).
nominal). As preposições são capazes de modificar completamente o Quero beijar-lhe o rosto. (= beijar seu rosto)
sentido do que se está sendo dito. Veja os exemplos: Prejudicaram-lhe a carreira. (= prejudicaram sua carreira)
Cheguei ao metrô. Conheço-lhe o mau humor! (= conheço seu mau humor)
Cheguei no metrô.
Verbos Transitivos Indiretos
No primeiro caso, o metrô é o lugar a que vou; no segundo caso, é Os verbos transitivos indiretos são complementados por objetos
o meio de transporte por mim utilizado. A oração “Cheguei no metrô”,
indiretos. Isso significa que esses verbos exigem uma preposição
popularmente usada a fim de indicar o lugar a que se vai, possui,
para o estabelecimento da relação de regência. Os pronomes
no padrão culto da língua, sentido diferente. Aliás, é muito comum
pessoais do caso oblíquo de terceira pessoa que podem atuar como
existirem divergências entre a regência coloquial, cotidiana de alguns
objetos indiretos são o “lhe”, o “lhes”, para substituir pessoas. Não
verbos, e a regência culta.
Para estudar a regência verbal, agruparemos os verbos de acordo se utilizam os pronomes o, os, a, as como complementos de verbos
com sua transitividade. A transitividade, porém, não é um fato absoluto: transitivos indiretos. Com os objetos indiretos que não representam
um mesmo verbo pode atuar de diferentes formas em frases distintas. pessoas, usam-se pronomes oblíquos tônicos de terceira pessoa
(ele, ela) em lugar dos pronomes átonos lhe, lhes.
Verbos Intransitivos Os verbos transitivos indiretos são os seguintes:
- Consistir - Tem complemento introduzido pela preposição
Os verbos intransitivos não possuem complemento. É importante, “em”: A modernidade verdadeira consiste em direitos iguais para
no entanto, destacar alguns detalhes relativos aos adjuntos adverbiais todos.
que costumam acompanhá-los. - Obedecer e Desobedecer - Possuem seus complementos
introduzidos pela preposição “a”:
- Chegar, Ir Devemos obedecer aos nossos princípios e ideais.
Normalmente vêm acompanhados de adjuntos adverbiais de Eles desobedeceram às leis do trânsito.
lugar. Na língua culta, as preposições usadas para indicar destino ou
direção são: a, para. - Responder - Tem complemento introduzido pela preposição
Fui ao teatro. “a”. Esse verbo pede objeto indireto para indicar “a quem” ou “ao
Adjunto Adverbial de Lugar que” se responde.
Respondi ao meu patrão.
Ricardo foi para a Espanha. Respondemos às perguntas.
Adjunto Adverbial de Lugar Respondeu-lhe à altura.
- Comparecer Obs.: o verbo responder, apesar de transitivo indireto quando
O adjunto adverbial de lugar pode ser introduzido por em ou a. exprime aquilo a que se responde, admite voz passiva analítica. Veja:
Comparecemos ao estádio (ou no estádio) para ver o último jogo. O questionário foi respondido corretamente.
Todas as perguntas foram respondidas satisfatoriamente.
Verbos Transitivos Diretos
Os verbos transitivos diretos são complementados por
- Simpatizar e Antipatizar - Possuem seus complementos
objetos diretos. Isso significa que não exigem preposição para o
introduzidos pela preposição “com”.
estabelecimento da relação de regência. Ao empregar esses verbos,
Antipatizo com aquela apresentadora.
devemos lembrar que os pronomes oblíquos o, a, os, as atuam
Simpatizo com os que condenam os políticos que governam
como objetos diretos. Esses pronomes podem assumir as formas
lo, los, la, las (após formas verbais terminadas em -r, -s ou -z) ou para uma minoria privilegiada.
no, na, nos, nas (após formas verbais terminadas em sons nasais),
enquanto lhe e lhes são, quando complementos verbais, objetos Verbos Transitivos Diretos e Indiretos
indiretos. Os verbos transitivos diretos e indiretos são acompanhados de
São verbos transitivos diretos, dentre outros: abandonar, um objeto direto e um indireto. Merecem destaque, nesse grupo:
abençoar, aborrecer, abraçar, acompanhar, acusar, admirar, Agradecer, Perdoar e Pagar. São verbos que apresentam objeto
adorar, alegrar, ameaçar, amolar, amparar, auxiliar, castigar, direto relacionado a coisas e objeto indireto relacionado a pessoas.
condenar, conhecer, conservar,convidar, defender, eleger, estimar, Veja os exemplos:
humilhar, namorar, ouvir, prejudicar, prezar, proteger, respeitar, Agradeço aos ouvintes a audiência.
socorrer, suportar, ver, visitar. Objeto Indireto Objeto Direto

Didatismo e Conhecimento 70
LÍNGUA PORTUGUESA
Paguei o débito ao cobrador. Obs.: na língua culta, o verbo “preferir” deve ser usado sem
Objeto Direto Objeto Indireto termos intensificadores, tais como: muito, antes, mil vezes, um
milhão de vezes, mais. A ênfase já é dada pelo prefixo existente
- O uso dos pronomes oblíquos átonos deve ser feito com no próprio verbo (pre).
particular cuidado. Observe:
Agradeci o presente. / Agradeci-o. Mudança de Transitividade X Mudança de Significado
Agradeço a você. / Agradeço-lhe.
Perdoei a ofensa. / Perdoei-a. Há verbos que, de acordo com a mudança de transitividade,
Perdoei ao agressor. / Perdoei-lhe. apresentam mudança de significado. O conhecimento das
Paguei minhas contas. / Paguei-as. diferentes regências desses verbos é um recurso linguístico
Paguei aos meus credores. / Paguei-lhes. muito importante, pois além de permitir a correta interpretação
de passagens escritas, oferece possibilidades expressivas a quem
Informar fala ou escreve. Dentre os principais, estão:
- Apresenta objeto direto ao se referir a coisas e objeto indireto
ao se referir a pessoas, ou vice-versa. AGRADAR
Informe os novos preços aos clientes. - Agradar é transitivo direto no sentido de fazer carinhos,
Informe os clientes dos novos preços. (ou sobre os novos preços) acariciar.
Sempre agrada o filho quando o revê. / Sempre o agrada
- Na utilização de pronomes como complementos, veja as quando o revê.
construções: Cláudia não perde oportunidade de agradar o gato. / Cláudia
Informei-os aos clientes. / Informei-lhes os novos preços. não perde oportunidade de agradá-lo.
Informe-os dos novos preços. / Informe-os deles. (ou sobre eles) - Agradar é transitivo indireto no sentido de causar agrado a,
Obs.: a mesma regência do verbo informar é usada para os satisfazer, ser agradável a. Rege complemento introduzido pela
seguintes: avisar, certificar, notificar, cientificar, prevenir. preposição “a”.
O cantor não agradou aos presentes.
Comparar O cantor não lhes agradou.
Quando seguido de dois objetos, esse verbo admite as
preposições “a” ou “com” para introduzir o complemento indireto. ASPIRAR
Comparei seu comportamento ao (ou com o) de uma criança. - Aspirar é transitivo direto no sentido de sorver, inspirar (o
ar), inalar: Aspirava o suave aroma. (Aspirava-o)
Pedir
Esse verbo pede objeto direto de coisa (geralmente na forma de - Aspirar é transitivo indireto no sentido de desejar, ter
oração subordinada substantiva) e indireto de pessoa. como ambição: Aspirávamos a melhores condições de vida.
Pedi-lhe favores. (Aspirávamos a elas)
Objeto Indireto Objeto Direto
Obs.: como o objeto direto do verbo “aspirar” não é pessoa,
Pedi-lhe que se mantivesse em silêncio. mas coisa, não se usam as formas pronominais átonas “lhe” e
Objeto Indireto Oração Subordinada Substantiva “lhes” e sim as formas tônicas “a ele (s)”, “ a ela (s)”. Veja o
Objetiva Direta exemplo: Aspiravam a uma existência melhor. (= Aspiravam a
Saiba que: ela)
- A construção “pedir para”, muito comum na linguagem ASSISTIR
cotidiana, deve ter emprego muito limitado na língua culta. No - Assistir é transitivo direto no sentido de ajudar, prestar
entanto, é considerada correta quando a palavra licença estiver assistência a, auxiliar. Por exemplo:
subentendida. As empresas de saúde negam-se a assistir os idosos.
Peço (licença) para ir entregar-lhe os catálogos em casa. As empresas de saúde negam-se a assisti-los.
Observe que, nesse caso, a preposição “para” introduz uma
oração subordinada adverbial final reduzida de infinitivo (para ir - Assistir é transitivo indireto no sentido de ver, presenciar,
entregar-lhe os catálogos em casa). estar presente, caber, pertencer. Exemplos:
Assistimos ao documentário.
- A construção “dizer para”, também muito usada Não assisti às últimas sessões.
popularmente, é igualmente considerada incorreta. Essa lei assiste ao inquilino.
Preferir
Na língua culta, esse verbo deve apresentar objeto indireto Obs.: no sentido de morar, residir, o verbo “assistir” é
introduzido pela preposição “a”. Por Exemplo: intransitivo, sendo acompanhado de adjunto adverbial de lugar
Prefiro qualquer coisa a abrir mão de meus ideais. introduzido pela preposição “em”: Assistimos numa conturbada
Prefiro trem a ônibus. cidade.

Didatismo e Conhecimento 71
LÍNGUA PORTUGUESA
CHAMAR - Nos sentidos de ter origem, derivar-se (rege a preposição”
- Chamar é transitivo direto no sentido de convocar, solicitar a de”) e fazer, executar (rege complemento introduzido pela
atenção ou a presença de. preposição “a”) é transitivo indireto.
Por gentileza, vá chamar sua prima. / Por favor, vá chamá-la. O avião procede de Maceió.
Chamei você várias vezes. / Chamei-o várias vezes. Procedeu-se aos exames.
O delegado procederá ao inquérito.
- Chamar no sentido de denominar, apelidar pode apresentar
objeto direto e indireto, ao qual se refere predicativo preposicionado QUERER
ou não. - Querer é transitivo direto no sentido de desejar, ter vontade
A torcida chamou o jogador mercenário. de, cobiçar.
A torcida chamou ao jogador mercenário. Querem melhor atendimento.
A torcida chamou o jogador de mercenário. Queremos um país melhor.
A torcida chamou ao jogador de mercenário.
- Querer é transitivo indireto no sentido de ter afeição, estimar,
CUSTAR amar.
- Custar é intransitivo no sentido de ter determinado valor Quero muito aos meus amigos.
ou preço, sendo acompanhado de adjunto adverbial: Frutas e Ele quer bem à linda menina.
verduras não deveriam custar muito. Despede-se o filho que muito lhe quer.

- No sentido de ser difícil, penoso, pode ser intransitivo ou VISAR


transitivo indireto. - Como transitivo direto, apresenta os sentidos de mirar, fazer
Muito custa viver tão longe da família. pontaria e de pôr visto, rubricar.
Verbo Oração Subordinada Substantiva Subjetiva O homem visou o alvo.
Intransitivo Reduzida de Infinitivo O gerente não quis visar o cheque.
Custa-me (a mim) crer que tomou realmente aquela
atitude. - No sentido de ter em vista, ter como meta, ter como objetivo,
Objeto Oração Subordinada Substantiva é transitivo indireto e rege a preposição “a”.
Subjetiva O ensino deve sempre visar ao progresso social.
Indireto Reduzida de Infinitivo Prometeram tomar medidas que visassem ao bem-estar
público.
Obs.: a Gramática Normativa condena as construções que
ESQUECER – LEMBRAR
atribuem ao verbo “custar” um sujeito representado por pessoa.
- Lembrar algo – esquecer algo
Observe:
- Lembrar-se de algo – esquecer-se de algo (pronominal)
Custei para entender o problema.
Forma correta: Custou-me entender o problema.
No 1º caso, os verbos são transitivos diretos, ou seja, exigem
complemento sem preposição: Ele esqueceu o livro.
IMPLICAR
No 2º caso, os verbos são pronominais (-se, -me, etc) e exigem
- Como transitivo direto, esse verbo tem dois sentidos:
complemento com a preposição “de”. São, portanto, transitivos
a) dar a entender, fazer supor, pressupor: Suas atitudes indiretos:
implicavam um firme propósito. - Ele se esqueceu do caderno.
b) Ter como consequência, trazer como consequência, - Eu me esqueci da chave.
acarretar, provocar: Liberdade de escolha implica amadurecimento - Eles se esqueceram da prova.
político de um povo. - Nós nos lembramos de tudo o que aconteceu.
- Como transitivo direto e indireto, significa comprometer, Há uma construção em que a coisa esquecida ou lembrada
envolver: Implicaram aquele jornalista em questões econômicas. passa a funcionar como sujeito e o verbo sofre leve alteração de
Obs.: no sentido de antipatizar, ter implicância, é transitivo sentido. É uma construção muito rara na língua contemporânea,
indireto e rege com preposição “com”: Implicava com quem não porém, é fácil encontrá-la em textos clássicos tanto brasileiros
trabalhasse arduamente. como portugueses. Machado de Assis, por exemplo, fez uso dessa
construção várias vezes.
PROCEDER - Esqueceu-me a tragédia. (cair no esquecimento)
- Proceder é intransitivo no sentido de ser decisivo, ter - Lembrou-me a festa. (vir à lembrança)
cabimento, ter fundamento ou portar-se, comportar-se, agir. Nessa O verbo lembrar também pode ser transitivo direto e indireto
segunda acepção, vem sempre acompanhado de adjunto adverbial (lembrar alguma coisa a alguém ou alguém de alguma coisa).
de modo.
As afirmações da testemunha procediam, não havia como SIMPATIZAR
refutá-las. Transitivo indireto e exige a preposição “com”: Não simpatizei
Você procede muito mal. com os jurados.

Didatismo e Conhecimento 72
LÍNGUA PORTUGUESA
NAMORAR
É transitivo direto, ou seja, não admite preposição: Maria namora João.
Obs: Não é correto dizer: “Maria namora com João”.

OBEDECER
É transitivo indireto, ou seja, exige complemento com a preposição “a” (obedecer a): Devemos obedecer aos pais.
Obs: embora seja transitivo indireto, esse verbo pode ser usado na voz passiva: A fila não foi obedecida.

VER
É transitivo direto, ou seja, não exige preposição: Ele viu o filme.

Regência Nominal
É o nome da relação existente entre um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e os termos regidos por esse nome. Essa relação é sempre
intermediada por uma preposição. No estudo da regência nominal, é preciso levar em conta que vários nomes apresentam exatamente o mesmo
regime dos verbos de que derivam. Conhecer o regime de um verbo significa, nesses casos, conhecer o regime dos nomes cognatos. Observe o
exemplo: Verbo obedecer e os nomes correspondentes: todos regem complementos introduzidos pela preposição a. Veja:
Obedecer a algo/ a alguém.
Obediente a algo/ a alguém.
Apresentamos a seguir vários nomes acompanhados da preposição ou preposições que os regem. Observe-os atentamente e procure, sempre
que possível, associar esses nomes entre si ou a algum verbo cuja regência você conhece.

Substantivos
Admiração a, por Devoção a, para, com, por Medo a, de
Aversão a, para, por Doutor em Obediência a
Atentado a, contra Dúvida acerca de, em, sobre Ojeriza a, por
Bacharel em Horror a Proeminência sobre
Capacidade de, para Impaciência com Respeito a, com, para com, por

Adjetivos
Acessível a Diferente de Necessário a
Acostumado a, com Entendido em Nocivo a
Afável com, para com Equivalente a Paralelo a
Agradável a Escasso de Parco em, de
Alheio a, de Essencial a, para Passível de
Análogo a Fácil de Preferível a
Ansioso de, para, por Fanático por Prejudicial a
Apto a, para Favorável a Prestes a
Ávido de Generoso com Propício a
Benéfico a Grato a, por Próximo a
Capaz de, para Hábil em Relacionado com
Compatível com Habituado a Relativo a
Contemporâneo a, de Idêntico a Satisfeito com, de, em, por
Contíguo a Impróprio para Semelhante a
Contrário a Indeciso em Sensível a
Curioso de, por Insensível a Sito em
Descontente com Liberal com Suspeito de
Desejoso de Natural de Vazio de

Advérbios
Longe de Perto de
Obs.: os advérbios terminados em -mente tendem a seguir o regime dos adjetivos de que são formados: paralela a; paralelamente a;
relativa a; relativamente a.

Fonte: http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint61.php

Questões sobre Regência Nominal e Verbal

01. (Administrador – FCC – 2013-adap.).


... a que ponto a astronomia facilitou a obra das outras ciências ...
O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que o grifado acima está empregado em:
A) ...astros que ficam tão distantes ...

Didatismo e Conhecimento 73
LÍNGUA PORTUGUESA
B) ...que a astronomia é uma das ciências ... (C) Não há dúvida de que as mulheres, ampliam rapidamente
C) ...que nos proporcionou um espírito ... seu espaço, na carreira científica, ainda que o avanço seja mais
D) ...cuja importância ninguém ignora ... notável, em alguns países: o Brasil é um exemplo, do que em
E) ...onde seu corpo não passa de um ponto obscuro ... outros.
(D) Não há dúvida de que as mulheres ampliam rapidamente
02.(Agente de Apoio Administrativo – FCC – 2013-adap.). seu espaço na carreira científica, ainda que o avanço seja mais
... pediu ao delegado do bairro que desse um jeito nos filhos notável em alguns países – o Brasil é um exemplo – do que em
do sueco. outros.
O verbo que exige, no contexto, o mesmo tipo de complementos (E) Não há dúvida que as mulheres ampliam rapidamente,
que o grifado acima está empregado em: seu espaço na carreira científica, ainda que, o avanço seja mais
A) ...que existe uma coisa chamada exército... notável em alguns países (o Brasil é um exemplo) do que em
B) ...como se isso aqui fosse casa da sogra? outros.
C) ...compareceu em companhia da mulher à delegacia...
D) Eu ensino o senhor a cumprir a lei, ali no duro... 06. (Papiloscopista Policial – VUNESP – 2013). Assinale a
E) O delegado apenas olhou-a espantado com o atrevimento. alternativa correta quanto à regência dos termos em destaque.
(A) Ele tentava convencer duas senhoras a assumir a
03.(Agente de Defensoria Pública – FCC – 2013-adap.). responsabilidade pelo problema.
... constava simplesmente de uma vareta quebrada em partes (B) A menina tinha o receio a levar uma bronca por ter se
desiguais... perdido.
O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que o (C) A garota tinha apenas a lembrança pelo desenho de um
grifado acima está empregado em: índio na porta do prédio.
A) Em campos extensos, chegavam em alguns casos a (D) A menina não tinha orgulho sob o fato de ter se perdido
extremos de sutileza. de sua família.
B) ...eram comumente assinalados a golpes de machado nos (E) A família toda se organizou para realizar a procura à
troncos mais robustos. garotinha.
C) Os toscos desenhos e os nomes estropiados desorientam,
não raro, quem... 07. (Analista de Sistemas – VUNESP – 2013). Assinale a
alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas do
D) Koch-Grünberg viu uma dessas marcas de caminho na
texto, de acordo com as regras de regência.
serra de Tunuí...
Os estudos _______ quais a pesquisadora se reportou já
E) ...em que tão bem se revelam suas afinidades com o gentio,
assinalavam uma relação entre os distúrbios da imagem corporal
mestre e colaborador...
e a exposição a imagens idealizadas pela mídia.
A pesquisa faz um alerta ______ influência negativa que a
04. (Agente Técnico – FCC – 2013-adap.).
mídia pode exercer sobre os jovens.
... para lidar com as múltiplas vertentes da justiça...
A) dos … na
O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que o da
B) nos … entre a
frase acima se encontra em: C) aos … para a
A) A palavra direito, em português, vem de directum, do D) sobre os … pela
verbo latino dirigere... E) pelos … sob a
B) ...o Direito tem uma complexa função de gestão das
sociedades... 08. (Analista em Planejamento, Orçamento e Finanças
C) ...o de que o Direito [...] esteja permeado e regulado pela Públicas – VUNESP – 2013). Considerando a norma-padrão da
justiça. língua, assinale a alternativa em que os trechos destacados estão
D) Essa problematicidade não afasta a força das aspirações corretos quanto à regência, verbal ou nominal.
da justiça... A) O prédio que o taxista mostrou dispunha de mais de dez
E) Na dinâmica dessa tensão tem papel relevante o sentimento mil tomadas.
de justiça. B) O autor fez conjecturas sob a possibilidade de haver um
homem que estaria ouvindo as notas de um oboé.
05. (Escrevente TJ SP – Vunesp 2012) Assinale a alternativa C) Centenas de trabalhadores estão empenhados de criar
em que o período, adaptado da revista Pesquisa Fapesp de junho de logotipos e negociar.
2012, está correto quanto à regência nominal e à pontuação. D) O taxista levou o autor a indagar no número de tomadas
(A) Não há dúvida que as mulheres ampliam, rapidamente, do edifício.
seu espaço na carreira científica ainda que o avanço seja mais E) A corrida com o taxista possibilitou que o autor reparasse
notável em alguns países, o Brasil é um exemplo, do que em a um prédio na marginal.
outros.
(B) Não há dúvida de que, as mulheres, ampliam rapidamente GABARITO
seu espaço na carreira científica; ainda que o avanço seja mais
notável, em alguns países, o Brasil é um exemplo!, do que em 01. D 02. D 03. A 04. A
outros. 05. D 06. A 07. C 08. A

Didatismo e Conhecimento 74
LÍNGUA PORTUGUESA
RESOLUÇÃO 6-)
(B) A menina tinha o receio de levar uma bronca por ter se perdido.
1-) ... a que ponto a astronomia facilitou a obra das outras (C) A garota tinha apenas a lembrança do desenho de um índio na
ciências ... porta do prédio.
Facilitar – verbo transitivo direto (D) A menina não tinha orgulho do fato de ter se perdido de sua
A) ...astros que ficam tão distantes ... = verbo de ligação família.
B) ...que a astronomia é uma das ciências ... = verbo de (E) A família toda se organizou para realizar a procura pela
ligação garotinha.
C) ...que nos proporcionou um espírito ... = verbo transitivo
direto e indireto 7-) Os estudos aos quais a pesquisadora se reportou já
E) ...onde seu corpo não passa de um ponto obscuro = verbo assinalavam uma relação entre os distúrbios da imagem corporal e a
transitivo indireto exposição a imagens idealizadas pela mídia.
A pesquisa faz um alerta para a influência negativa que a mídia
2-) ... pediu ao delegado do bairro que desse um jeito nos pode exercer sobre os jovens.
filhos do sueco.
Pedir = verbo transitivo direto e indireto 8-)
A) ...que existe uma coisa chamada EXÉRCITO... = transitivo B) O autor fez conjecturas sobre a possibilidade de haver um
direto homem que estaria ouvindo as notas de um oboé.
B) ...como se isso aqui fosse casa da sogra? =verbo de ligação C) Centenas de trabalhadores estão empenhados em criar
C) ...compareceu em companhia da mulher à delegacia... logotipos e negociar.
=verbo intransitivo D) O taxista levou o autor a indagar sobre o número de tomadas
E) O delegado apenas olhou-a espantado com o atrevimento. do edifício.
=transitivo direto E) A corrida com o taxista possibilitou que o autor reparasse em
um prédio na marginal.
3-) ... constava simplesmente de uma vareta quebrada em
partes desiguais...
Constar = verbo intransitivo SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS.
B) ...eram comumente assinalados a golpes de machado nos
troncos mais robustos. =ligação
C) Os toscos desenhos e os nomes estropiados desorientam,
não raro, quem... =transitivo direto
D) Koch-Grünberg viu uma dessas marcas de caminho na - Sinônimos
serra de Tunuí... = transitivo direto São palavras de sentido igual ou aproximado: alfabeto - abecedá-
E) ...em que tão bem se revelam suas afinidades com o gentio, rio; brado, grito - clamor; extinguir, apagar - abolir.
mestre e colaborador...=transitivo direto Observação: A contribuição greco-latina é responsável pela exis-
tência de numerosos pares de sinônimos: adversário e antagonista;
4-) ... para lidar com as múltiplas vertentes da justiça... translúcido e diáfano; semicírculo e hemiciclo; contraveneno e antído-
Lidar = transitivo indireto to; moral e ética; colóquio e diálogo; transformação e metamorfose;
B) ...o Direito tem uma complexa função de gestão das oposição e antítese.
sociedades... =transitivo direto
C) ...o de que o Direito [...] esteja permeado e regulado pela - Antônimos
justiça. =ligação São palavras de significação oposta: ordem - anarquia; soberba -
D) Essa problematicidade não afasta a força das aspirações da humildade; louvar - censurar; mal - bem.
justiça... =transitivo direto e indireto Observação: A antonímia pode originar-se de um prefixo de sen-
E) Na dinâmica dessa tensão tem papel relevante o sentimento tido oposto ou negativo: bendizer e maldizer; simpático e antipático;
de justiça. =transitivo direto progredir e regredir; concórdia e discórdia; ativo e inativo; esperar e
desesperar; comunista e anticomunista; simétrico e assimétrico.
5-) A correção do item deve respeitar as regras de pontuação http://www.coladaweb.com/portugues/sinonimos,-antonimos,
também. Assinalei apenas os desvios quanto à regência (pontuação -homonimos-e-paronimos
encontra-se em tópico específico)
(A) Não há dúvida de que as mulheres ampliam, Questões sobre Significação das Palavras
(B) Não há dúvida de que (erros quanto à pontuação)
(C) Não há dúvida de que as mulheres, (erros quanto à 01. Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacu-
pontuação) nas da frase abaixo:
(E) Não há dúvida de que as mulheres ampliam rapidamente, seu Da mesma forma que os italianos e japoneses _________ para
espaço na carreira científica, ainda que, o avanço seja mais notável em o Brasil no século passado, hoje os brasileiros ________ para a
alguns países (o Brasil é um exemplo) do que em outros. Europa e para o Japão, à busca de uma vida melhor; internamente,
__________ para o Sul, pelo mesmo motivo.

Didatismo e Conhecimento 75
LÍNGUA PORTUGUESA
a) imigraram - emigram - migram II. A frase – Todo preso deseja a libertação. – pode ser rees-
b) migraram - imigram - emigram crita da seguinte forma – Todo preso aspira à libertação.
c) emigraram - migram - imigram. III. No trecho – ... estou sendo olhado de forma diferente aqui
d) emigraram - imigram - migram. no presídio devido ao bom comportamento. – pode-se substituir a
e) imigraram - migram – emigram expressão em destaque por “em razão do”, sem alterar o sentido
do texto.
Agente de Apoio – Microinformática – VUNESP – 2013 - De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, está
Leia o texto para responder às questões de números 02 e 03. correto o que se afirma em
A) I, II e III.
Alunos de colégio fazem robôs com sucata eletrônica B) III, apenas.
C) I e III, apenas.
Você comprou um smartphone e acha que aquele seu celular D) I, apenas.
antigo é imprestável? Não se engane: o que é lixo para alguns E) I e II, apenas.
pode ser matéria-prima para outros. O CMID – Centro Marista
de Inclusão Digital –, que funciona junto ao Colégio Marista de 05. Leia as frases abaixo:
Santa Maria, no Rio Grande do Sul, ensina os alunos do colégio a 1 - Assisti ao ________ do balé Bolshoi;
fazer robôs a partir de lixo eletrônico. 2 - Daqui ______ pouco vão dizer que ______ vida em Marte.
Os alunos da turma avançada de robótica, por exemplo, 3 - As _________ da câmara são verdadeiros programas de
constroem carros com sensores de movimento que respondem à humor.
aproximação das pessoas. A fonte de energia vem de baterias de 4 - ___________ dias que não falo com Alfredo.
celular. “Tirando alguns sensores, que precisamos comprar, é tudo
reciclagem”, comentou o instrutor de robótica do CMID, Leandro Escolha a alternativa que oferece a sequência correta de vocá-
Schneider. Esses alunos também aprendem a consertar compu- bulos para as lacunas existentes:
tadores antigos. “O nosso projeto só funciona por causa do lixo a) concerto – há – a – cessões – há;
eletrônico. Se tivéssemos que comprar tudo, não seria viável”, b) conserto – a – há – sessões – há;
completou. c) concerto – a – há – seções – a;
Em uma época em que celebridades do mundo digital fazem d) concerto – a – há – sessões – há;
campanha a favor do ensino de programação nas escolas, é ins- e) conserto – há – a – sessões – a .
pirador o relato de Dionatan Gabriel, aluno da turma avançada
de robótica do CMID que, aos 16 anos, já sabe qual será sua pro- 06. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VU-
fissão. “Quero ser programador. No início das aulas, eu achava NESP – 2013-adap.). Considere o seguinte trecho para responder
meio chato, mas depois fui me interessando”, disse. à questão.
(Giordano Tronco, www.techtudo.com.br, 07.07.2013. Adolescentes vivendo em famílias que não lhes transmitiram
Adaptado) valores sociais altruísticos, formação moral e não lhes impuseram
limites de disciplina.
02. A palavra em destaque no trecho –“Tirando alguns sen- O sentido contrário (antônimo) de altruísticos, nesse trecho, é:
sores, que precisamos comprar, é tudo reciclagem”... – pode ser A) de desprendimento.
substituída, sem alteração do sentido da mensagem, pela seguinte B) de responsabilidade.
expressão: C) de abnegação.
A) Pelo menos D) de amor.
B) A contar de E) de egoísmo.
C) Em substituição a
D) Com exceção de 07. Assinale o único exemplo cuja lacuna deve ser preenchida
E) No que se refere a com a primeira alternativa da série dada nos parênteses:
A) Estou aqui _______ de ajudar os flagelados das enchentes.
03. Assinale a alternativa que apresenta um antônimo para o (afim- a fim).
termo destacado em – …“No início das aulas, eu achava meio cha- B) A bandeira está ________. (arreada - arriada).
to, mas depois fui me interessando”, disse. C) Serão punidos os que ________ o regulamento. (inflingi-
A) Estimulante. rem - infringirem).
B) Cansativo. D) São sempre valiosos os ________ dos mais velhos. (con-
C) Irritante. celhos - conselhos).
D) Confuso. E) Moro ________ cem metros da praça principal. (a cerca
E) Improdutivo. de - acerca de).

04. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VUNESP 08. Assinale a alternativa correta, considerando que à direita
– 2013). Analise as afirmações a seguir. de cada palavra há um sinônimo.
I. Em – Há sete anos, Fransley Lapavani Silva está preso a) emergir = vir à tona; imergir = mergulhar
por homicídio. – o termo em destaque pode ser substituído, sem b) emigrar = entrar (no país); imigrar = sair (do país)
alteração do sentido do texto, por “faz”. c) delatar = expandir; dilatar = denunciar

Didatismo e Conhecimento 76
LÍNGUA PORTUGUESA
d) deferir = diferenciar; diferir = conceder RESOLUÇÃO
e) dispensa = cômodo; despensa = desobrigação
1-) Da mesma forma que os italianos e japoneses imigra-
09. (Agente de Apoio Operacional – VUNESP – 2013). Leia ram para o Brasil no século passado, hoje os brasileiros emi-
o texto a seguir. gram para a Europa e para o Japão, à busca de uma vida melhor;
internamente, migram para o Sul, pelo mesmo motivo.
Temos o poder da escolha
2-) “Com exceção de alguns sensores, que precisamos com-
Os consumidores são assediados pelo marketing a todo mo- prar, é tudo reciclagem”...
mento para comprarem além do que necessitam, mas somente eles
podem decidir o que vão ou não comprar. É como se abrissem em 3-) antônimo para o termo destacado : “No início das aulas, eu
nós uma “caixa de necessidades”, mas só nós temos o poder da achava meio chato, mas depois fui me interessando”
escolha. “No início das aulas, eu achava meio estimulante, mas depois
Cada vez mais precisamos do consumo consciente. Será que fui me interessando”
paramos para pensar de onde vem o produto que estamos consu-
mindo e se os valores da empresa são os mesmos em que acredita- 4-)
mos? A competitividade entre as empresas exige que elas evoluam I. Em – Há sete anos, Fransley Lapavani Silva está preso por
para serem opções para o consumidor. Nos anos 60, saber fabri- homicídio. – o termo em destaque pode ser substituído, sem altera-
car qualquer coisa era o suficiente para ter uma empresa. Nos ção do sentido do texto, por “faz”. = correta
anos 70, era preciso saber fazer com qualidade e altos índices de II. A frase – Todo preso deseja a libertação. – pode ser reescri-
produção. Já no ano 2000, a preocupação era fazer melhor ou ta da seguinte forma – Todo preso aspira à libertação. = correta
diferente da concorrência e as empresas passaram a atuar com III. No trecho – ... estou sendo olhado de forma diferente aqui
responsabilidade socioambiental. no presídio devido ao bom comportamento. – pode-se substituir a
O consumidor tem de aprender a dizer não quando a sua re- expressão em destaque por “em razão do”, sem alterar o sentido
lação com a empresa não for boa. Se não for boa, deve comprar o do texto. = correta
produto em outro lugar. Os cidadãos não têm ideia do poder que
possuem. 5-)
É importante, ainda, entender nossa relação com a empresa
1 - Assisti ao concerto do balé Bolshoi;
ou produto que vamos eleger. Temos uma expectativa, um envolvi-
2 - Daqui a pouco vão dizer que há (= existe) vida
mento e aceitação e a preferência dependerá das ações que apro-
em Marte.
vamos ou não nas empresas, pois podemos mudar de ideia.
3 – As sessões da câmara são verdadeiros programas
Há muito a ser feito. Uma pesquisa mostrou que 55,4% das
de humor.
pessoas acreditam no consumo consciente, mas essas mesmas pes-
4- Há dias que não falo com Alfredo. (= tempo
soas admitem que já compraram produto pirata. Temos de refletir
passado)
sobre isso para mudar nossas atitudes.
(Jornal da Tarde 24.04.2007. Adaptado)
6-) Adolescentes vivendo em famílias que não lhes transmiti-
No trecho – Temos uma expectativa, um envolvimento e acei- ram valores sociais altruísticos, formação moral e não lhes impu-
tação... –, a palavra destacada apresenta sentido contrário de seram limites de disciplina.
A) vontade. O sentido contrário (antônimo) de altruísticos, nesse trecho,
B) apreciação. é de egoísmo
C) avaliação. Altruísmo é um tipo de comportamento encontrado nos seres
D) rejeição. humanos e outros seres vivos, em que as ações de um indivíduo
E) indiferença. beneficiam outros. É sinônimo de filantropia. No sentido comum
do termo, é muitas vezes percebida, também, como sinônimo de
10. (Agente de Apoio Operacional – VUNESP – 2013). Na solidariedade. Esse conceito opõe-se, portanto, ao egoísmo, que
frase – Os consumidores são assediados pelo marketing... –, a pa- são as inclinações específica e exclusivamente individuais (pes-
lavra destacada pode ser substituída, sem alteração de sentido, por: soais ou coletivas).
A) perseguidos.
B) ameaçados. 7-)
C) acompanhados. A) Estou aqui a fim de de ajudar os flagelados das en-
D) gerados. chentes. (afim = O adjetivo “afim” é empregado para indicar que
E) preparados. uma coisa tem afinidade com a outra. Há pessoas que têm tempe-
GABARITO ramentos afins, ou seja, parecidos)
B) A bandeira está arriada . (arrear = colocar arreio
1. A 02. D 03. A 04. A 05. D no cavalo)
06. E 07. E 08. A 09. D 10. A C) Serão punidos os que infringirem o regulamento.
(inflingirem = aplicarem a pena)

Didatismo e Conhecimento 77
LÍNGUA PORTUGUESA
D) São sempre valiosos os conselhos dos mais velhos; Aqui a palavra em destaque é utilizada em seu sentido próprio,
(concelhos= Porção territorial ou parte administrativa de um dis- comum, usual, literal.
trito).
E) Moro a cerca de cem metros da praça principal. (acer- Dica da Zê! - Procure associar Denotação com Dicionário: tra-
ca de = Acerca de é sinônimo de “a respeito de”.). ta-se de definição literal, quando o termo é utilizado em seu sentido
dicionarístico.
8-) - Conotação: verifica-se quando utilizamos a palavra com o
b) emigrar = entrar (no país); imigrar = sair (do país) = sig- seu significado secundário, com o sentido amplo (ou simbólico);
nificados invertidos usada de modo criativo, figurado, numa linguagem rica e expressi-
c) delatar = expandir; dilatar = denunciar = significados va. Veja este exemplo:
invertidos Seria aconselhável cortar as asas deste menino, antes que seja
d) deferir = diferenciar; diferir = conceder = significados tarde demais.
invertidos
Já neste caso o termo (asas) é empregado de forma figurada, fa-
e) dispensa = cômodo; despensa = desobrigação = signi-
zendo alusão à ideia de restrição e/ou controle de ações; disciplina,
ficados invertidos
limitação de conduta e comportamento.
9-) Temos uma expectativa, um envolvimento e aceitação...
–, a palavra destacada apresenta sentido contrário de rejeição. Fonte:
http://www.tecnolegis.com/estudo-dirigido/oficial-de-justica-
10-) Os consumidores são assediados pelo marketing... –, a tjm-sp/lingua-portuguesa-sentido-proprio-e-figurado-das-palavras.
palavra destacada pode ser substituída, sem alteração de sentido, html
por perseguidos.
Questões sobre Denotação e Conotação
Na língua portuguesa, uma PALAVRA (do latim parabola,
que por sua vez deriva do grego parabolé) pode ser definida como 01. (Agente de Apoio – Microinformática – VUNESP – 2013).
sendo um conjunto de letras ou sons de uma língua, juntamente Uma frase empregada – exclusivamente – com sentido figurado é:
com a ideia associada a este conjunto. A) Não é o tipo de companhia que se quer para tomar um vinho
ou ir ao cinema.
Sentido Próprio e Figurado das Palavras B) No início de maio, Buffett convidou um sujeito chamado
Doug Kass para participar de um dos painéis que compuseram a re-
Pela própria definição acima destacada podemos perceber união anual de investidores de sua empresa, a Berkshire Hathaway.
que a palavra é composta por duas partes, uma delas relacionada
C) Buffett queria entender o porquê.
a sua forma escrita e os seus sons (denominada significante) e a
D) Questiona.
outra relacionada ao que ela (palavra) expressa, ao conceito que
ela traz (denominada significado). E) Coloca o dedo na ferida.
Em relação ao seu SIGNIFICADO as palavras subdividem-se
assim: 02. (Agente de Apoio Operacional – VUNESP – 2013). As-
- Sentido Próprio - é o sentido literal, ou seja, o sentido co- sinale a alternativa que apresenta palavra empregada no sentido
mum que costumamos dar a uma palavra. figurado.
- Sentido Figurado - é o sentido “simbólico”, “figurado”, A)...somente eles podem decidir o que vão ou não comprar.
que podemos dar a uma palavra. B) Há consumidores que gastam rios de dinheiro com supér-
Vamos analisar a palavra cobra utilizada em diferentes con- fluos.
textos: C)… deve comprar o produto em outro lugar.
1. A cobra picou o menino. (cobra = réptil peçonhento) D)… de onde vem o produto que estamos consumindo…
2. A sogra dele é uma cobra. (cobra = pessoa desagradável, E) Temos de refletir sobre isso para mudar nossas atitudes.
que adota condutas pouco apreciáveis)
3. O cara é cobra em Física! (cobra = pessoa que conhece 03. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VUNESP –
muito sobre alguma coisa, “expert”) 2013). Leia o texto a seguir.
No item 1 aplica-se o termo cobra em seu sentido comum
(ou literal); nos itens 2 e 3 o termo cobra é aplicado em sentido “Xadrez que liberta”: estratégia, concentração e reeducação
figurado.
Podemos então concluir que um mesmo significante (parte
João Carlos de Souza Luiz cumpre pena há três anos e dois
concreta) pode ter vários significados (conceitos).
meses por assalto. Fransley Lapavani Silva está há sete anos preso
Denotação e Conotação por homicídio. Os dois têm 30 anos. Além dos muros, grades, ca-
deados e detectores de metal, eles têm outros pontos em comum:
- Denotação: verifica-se quando utilizamos a palavra com o tabuleiros e peças de xadrez.
seu significado primitivo e original, com o sentido do dicionário; O jogo, que eles aprenderam na cadeia, além de uma válvula
usada de modo automatizado; linguagem comum. Veja este exem- de escape para as horas de tédio, tornou-se uma metáfora para o
plo: Cortaram as asas da ave para que não voasse mais. que pretendem fazer quando estiverem em liberdade.

Didatismo e Conhecimento 78
LÍNGUA PORTUGUESA
“Quando você vai jogar uma partida de xadrez, tem que pen- Na FLIP, como na Copa
sar duas, três vezes antes. Se você movimenta uma peça errada,
pode perder uma peça de muito valor ou tomar um xeque-mate, RIO DE JANEIRO – Durante entrevista na Festa Literária
instantaneamente. Se eu for para a rua e movimentar a peça er- Internacional de Paraty deste ano, o cantor Gilberto Gil criticou
rada, eu posso perder uma peça muito importante na minha vida, as arquibancadas dos estádios brasileiros em jogos da Copa das
como eu perdi três anos na cadeia. Mas, na rua, o problema maior Confederações.
é tomaro xeque-mate”, afirma João Carlos. Poderia ter dito o mesmo sobre a plateia da Tenda dos Au-
O xadrez faz parte da rotina de cerca de dois mil internos tores, para a qual ele e mais de 40 outros se apresentaram. A au-
em 22 unidades prisionais do Espírito Santo. É o projeto “Xadrez diência do evento literário lembra muito a dos eventos Fifa: classe
que liberta”. Duas vezes por semana, os presos podem praticar a média alta.
atividade sob a orientação de servidores da Secretaria de Estado Na Flip, como nas Copas por aqui, pobre só aparece “como
da Justiça (Sejus). Na próxima sexta-feira, será realizado o pri- prestador de serviço”, para citar uma participante de um protesto
meiro torneio fora dos presídios desde que o projeto foi implan- em Paraty, anteontem.
tado. Vinte e oito internos de 14 unidades participam da disputa, Como lembrou outro dos convidados da festa literária, o me-
inclusive João Carlos e Fransley, que diz que a vitória não é o xicano Juan Pablo Villalobos, esse cenário é “um espelho do que
mais importante. é o Brasil”.
“Só de chegar até aqui já estou muito feliz, porque eu não (Marco Aurélio Canônico, Na Flip, como na Copa. Folha de
esperava. A vitória não é tudo. Eu espero alcançar outras coisas S.Paulo, 08.07.2013. Adaptado)
devido ao xadrez, como ser olhado com outros olhos, como estou
sendo olhado de forma diferente aqui no presídio devido ao bom O termo espelho está empregado em sentido
comportamento”. A) figurado, significando qualidade.
Segundo a coordenadora do projeto, Francyany Cândido B) próprio, significando modelo.
Venturin, o “Xadrez que liberta” tem provocado boas mudanças C) figurado, significando advertência.
no comportamento dos presos. “Tem surtido um efeito positivo por D) próprio, significando símbolo.
eles se tornarem uma referência positiva dentro da unidade, já que E) figurado, significando reflexo.
cumprem melhor as regras, respeitam o próximo e pensam melhor
nas suas ações, refletem antes de tomar uma atitude”. 05. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VUNESP
Embora a Sejus não monitore os egressos que ganham a li- – 2013). Leia o texto a seguir.
berdade, para saber se mantêm o hábito do xadrez, João Carlos já
Violência epidêmica
faz planos. “Eu incentivo não só os colegas, mas também minha
família. Sou casado e tenho três filhos. Já passei para a minha
A violência urbana é uma enfermidade contagiosa. Embora
família: xadrez, quando eu sair para a rua, todo mundo vai ter que
possa acometer indivíduos vulneráveis em todas as classes sociais,
aprender porque vai rolar até o torneio familiar”.
é nos bairros pobres que ela adquire características epidêmicas.
“Medidas de promoção de educação e que possibilitem que o
A prevalência varia de um país para outro e entre as cidades
egresso saia melhor do que entrou são muito importantes. Nós não
de um mesmo país, mas, como regra, começa nos grandes centros
temos pena de morte ou prisão perpétua no Brasil. O preso tem
urbanos e se dissemina pelo interior.
data para entrar e data para sair, então ele tem que sair sem re- As estratégias que as sociedades adotam para combater a vio-
tornar para o crime”, analisa o presidente do Conselho Estadual lência variam muito e a prevenção das causas evoluiu muito pouco
de Direitos Humanos, Bruno Alves de Souza Toledo. no decorrer do século 20, ao contrário dos avanços ocorridos no
(Disponível em: www.inapbrasil.com.br/en/noticias/xadrez- campo das infecções, câncer, diabetes e outras enfermidades.
que-liberta-estrategia-concentracao-e-reeducacao/6/noticias. A agressividade impulsiva é consequência de perturbações
Acesso em: 18.08.2012. Adaptado) nos mecanismos biológicos de controle emocional. Tendências
agressivas surgem em indivíduos com dificuldades adaptativas
Considerando o contexto em que as seguintes frases foram que os tornam despreparados para lidar com as frustrações de
produzidas, assinale a alternativa em que há emprego figurado das seus desejos.
palavras. A violência é uma doença. Os mais vulneráveis são os que
A) O xadrez faz parte da rotina de cerca de dois mil internos tiveram a personalidade formada num ambiente desfavorável ao
em 22 unidades prisionais do Espírito Santo. desenvolvimento psicológico pleno.
B) Além dos muros, grades, cadeados e detectores de metal, A revisão de estudos científicos permite identificar três fatores
eles têm outros pontos em comum... principais na formação das personalidades com maior inclinação
C) Nós não temos pena de morte ou prisão perpétua no Brasil. ao comportamento violento:
D) “Mas, na rua, o problema maior é tomar o xeque-mate”, 1) Crianças que apanharam, foram vítimas de abusos, humi-
afirma João Carlos. lhadas ou desprezadas nos primeiros anos de vida.
E) Já passei para a minha família: xadrez, quando eu sair para 2) Adolescentes vivendo em famílias que não lhes transmiti-
a rua, todo mundo vai ter que aprender... ram valores sociais altruísticos, formação moral e não lhes impu-
04. (Agente de Promotoria – Assessoria – VUNESP – 2013). seram limites de disciplina.
Leia o texto a seguir. 3) Associação com grupos de jovens portadores de comporta-
mento antissocial.

Didatismo e Conhecimento 79
LÍNGUA PORTUGUESA
Na periferia das cidades brasileiras vivem milhões de O humor deve visar à crítica, não à graça, ensinou Chico
crianças que se enquadram nessas três condições de risco. As- Anysio, o humorista popular. E disse isso quando lhe solicitaram
sociados à falta de acesso aos recursos materiais, à desigual- considerar o estado atual do riso brasileiro. Nos últimos anos de
dade social, esses fatores de risco criam o caldo de cultura que vida, o escritor contribuía para o cômico apenas em sua porção de
alimenta a violência crescente nas cidades. ator, impedido pela televisão brasileira de produzir textos. E o que
Na falta de outra alternativa, damos à criminalidade a ele dizia sobre a risada ajuda a entender a acomodação de mui-
resposta do aprisionamento. Porém, seu efeito é passageiro: o tos humoristas contemporâneos. Porque, quando eles humilham
criminoso fica impedido de delinquir apenas enquanto estiver aqueles julgados inferiores, os pobres, os analfabetos, os negros,
preso. Ao sair, estará mais pobre, terá rompido laços familiares os nordestinos, todos os oprimidos que parece fácil espezinhar,
e sociais e dificilmente encontrará quem lhe dê emprego. Ao não funcionam bem como humoristas. O humor deve ser o oposto
mesmo tempo, na prisão, terá criado novas amizades e conexões disto, uma restauração do que é justo, para a qual desancar aque-
mais sólidas com o mundo do crime. les em condições piores do que as suas não vale. Rimos, isso sim,
Construir cadeias custa caro; administrá-las, mais ainda. do superior, do arrogante, daquele que rouba nosso lugar social.
Obrigados a optar por uma repressão policial mais ativa, au- O curioso é perceber como o Brasil de muito tempo atrás sa-
bia disso, e o ensinava por meio de uma imprensa ocupada em
mentaremos o número de prisioneiros. As cadeias continuarão
ferir a brutal desigualdade entre os seres e as classes. Ao percor-
superlotadas. rer o extenso volume da História da Caricatura Brasileira (Gala
Seria mais sensato investir em educação, para prevenir a Edições), compreendemos que tal humor primitivo não praticava
criminalidade e tratar os que ingressaram nela. um rosário de ofensas pessoais. Naqueles dias, humor parecia ser
Na verdade, não existe solução mágica a curto prazo. Pre- apenas, e necessariamente, a virulência em relação aos modos
cisamos de uma divisão de renda menos brutal, motivar os po- opressivos do poder.
liciais a executar sua função com dignidade, criar leis que aca- A amplitude dessa obra é inédita. Saem da obscuridade os no-
bem com a impunidade dos criminosos bem-sucedidos e cons- mes que sucederam ao mais aclamado dos artistas a produzir arte
truir cadeias novas para substituir as velhas. naquele Brasil, Angelo Agostini. Corcundas magros, corcundas
Enquanto não aprendermos a educar e oferecer medidas gordos, corcovas com cabeça de burro, todos esses seres compos-
preventivas para que os pais evitem ter filhos que não serão ca- tos em aspecto polimórfico, com expressivo valor gráfico, eram os
pazes de criar, cabe a nós a responsabilidade de integrá-los na responsáveis por ilustrar a subserviência a estender-se pela Corte
sociedade por meio da educação formal de bom nível, das prá- Imperial. Contra a escravidão, o comodismo dos bem--postos e
dos covardes imperialistas, esses artistas operavam seu espírito
ticas esportivas e da oportunidade de desenvolvimento artístico.
crítico em jornais de todos os cantos do País.
(Drauzio Varella. In Folha de S.Paulo, 9 mar.2002. Adap- (Carta Capital.13.02.2013. Adaptado)
tado)
Na frase –… compreendemos que tal humor primitivo não
Assinale a alternativa em cuja frase foi empregada palavra praticava um rosário de ofensas pessoais. –, observa-se emprego
ou expressão com sentido figurado. de expressão com sentido figurado, o que ocorre também em:
A) Tendências agressivas surgem em indivíduos com difi- A) O livro sobre a história da caricatura estabelece marcos
culdades adaptativas ...(4.º parágrafo) inaugurais em relação a essa arte.
B) A revisão de estudos científicos permite identificar três B) O trabalho do caricaturista pareceu tão importante a seus
fatores principais na formação das personalidades com maior contemporâneos que recebeu o nome de “nova invenção artística.”
inclinação ao comportamento violento... (6.º parágrafo) C) Manoel de Araújo Porto-Alegre foi o primeiro profissional
C) As estratégias que as sociedades adotam para combater a dessa arte e o primeiro a produzir caricaturas no Brasil.
violência variam... (3.º parágrafo) D) O jornal alternativo em 1834 zunia às orelhas de todos e
atacava esta ou aquela personagem da Corte.
D) ...esses fatores de risco criam o caldo de cultura que ali-
E) O livro sobre a arte caricatural respeita cronologicamente
menta a violência crescente nas cidades. (10.º parágrafo) os acontecimentos da história brasileira, suas temáticas políticas
E) Os mais vulneráveis são os que tiveram a personalidade e sociais.
formada num ambiente desfavorável ao desenvolvimento psico-
lógico pleno. (5.º parágrafo) 08. (Analista em Planejamento, Orçamento e Finanças Públi-
cas – VUNESP – 2013). Leia o texto a seguir.
06. O item em que o termo sublinhado está empregado no
sentido denotativo é: Tomadas e oboés
A) “Além dos ganhos econômicos, a nova realidade rendeu
frutos políticos.” “O do meio, com heliponto, tá vendo?”, diz o taxista, apon-
B) “...com percentuais capazes de causar inveja ao presi- tando o enorme prédio espelhado, do outro lado da marginal: “A
dente.” parte elétrica, inteirinha, meu cunhado que fez”. Ficamos admi-
C) “Os genéricos estão abrindo as portas do mercado...” rando o edifício parcialmente iluminado ao cair da tarde e penso
menos no tamanho da empreitada do que em nossa variegada hu-
D) “...a indústria disparou gordos investimentos.”
manidade: uns se dedicam à escrita, outros a instalações elétricas,
E) “Colheu uma revelação surpreendente:...” lembro- -me do meu tio Augusto, que vive de tocar oboé. “Fio,
disjuntor, tomada, tudo!”, insiste o motorista, com tanto orgulho
07. (Analista em C&T Júnior – Administração – VUNESP – que chega a contaminar-me.
2013). Leia o texto a seguir.

Didatismo e Conhecimento 80
LÍNGUA PORTUGUESA
Pergunto quantas tomadas ele acha que tem, no prédio todo. RESOLUÇÃO
Há quem ria desse tipo de indagação. Meu taxista, não. É um ho-
mem sério, eu também, fazemos as contas: uns dez escritórios por 1-) Coloca o dedo na ferida.
andar, cada um com umas seis salas, vezes 30 andares. “Cada Frase empregada para dizer que acerta o ponto fraco, onde
sala tem o quê? Duas tomadas?” dói.
“Cê tá louco! Muito mais! Hoje em dia, com computador, es- 2-) Há consumidores que gastam rios de dinheiro com supér-
sas coisas? Depois eu pergunto pro meu cunhado, mas pode botar fluos.
aí pra uma média de seis tomadas/sala.” Exagero, hipérbole.
Ok: 10 x 6 x 6 x 30 = 10.800. Dez mil e oitocentas tomadas!
Há 30, 40 anos, uma hora dessas, a maior parte das tomadas 3-) Mas, na rua, o problema maior é tomar o xeque-mate”,
já estaria dormindo o sono dos justos, mas a julgar pelo núme- afirma João Carlos.
ro de janelas acesas, enquanto volto para casa, lentamente, pela É o lance que põe fim à partida, acaba com a liberdade, no
marginal, centenas de trabalhadores suam a camisa, ali no pré- caso.
dio: criam logotipos, calculam custos para o escoamento da soja,
negociam minério de ferro. Talvez até, quem sabe, deitado num 4-) O termo espelho está empregado em sentido figurado, sig-
sofá, um homem escute em seu iPod as notas de um oboé.
nificando reflexo do que é o país.
Alegra-me pensar nesse sujeito de olhos fechados, ouvindo
música. Bom saber que, na correria geral, em meio a tantos profis-
5-) criam o caldo de cultura que alimenta a violência crescente
sionais que acreditam estar diretamente envolvidos no movimento
nas cidades. (10.º parágrafo)
de rotação da Terra, esse aí reservou-se cinco minutos de contem-
plação. Criam o ambiente, as situações que alimentam, fortalecem a
Está tarde, contudo. Algo não fecha: por que segue no escri- violência.
tório, esse homem? Por que não voltou para a mulher e os filhos,
não foi para o chope ou o cinema? O homem no sofá, entendo ago- 6-) com percentuais capazes de causar inveja ao presidente.
ra, está ainda mais afundado do que os outros. O momento oboé Sentido denotativo = empregado com o sentido real da palavra
era apenas uma pausa para repor as energias, logo mais voltará à
sua mesa e a seus logotipos, à soja ou ao minério de ferro. 7-) O jornal alternativo em 1834 zunia às orelhas de todos e
“Onze mil, cento e cinquenta”, diz o taxista, me mostrando atacava esta ou aquela personagem da Corte.
o celular. Não entendo. “É o SMS do meu cunhado: 11.150 toma- Zunir: Produzir som forte e áspero. Empregado no sentido de
das.” “gritar” aos leitores as notícias.
Olho o prédio mais uma vez, admirado com a instalação elé-
trica e nossa heteróclita humanidade, enquanto seguimos, feito 8-) indispensáveis, que consideram realizar um trabalho de
cágados, pela marginal. grande importância.
(Antonio Prata, Folha de S.Paulo, 06.03.2013. Adaptado) Comparando-se ao movimento de rotação, que acontece sem
a intervenção de quaisquer trabalhadores, “importantes” ou não.
No trecho do sexto parágrafo – Bom saber que, na correria
geral, em meio a tantos profissionais que acreditam estar dire- 9-) A dureza dos corações.
tamente envolvidos no movimento de rotação da Terra, esse aí Corações de pessoas que parecem não ter sentimento.
reservou-se cinco minutos de contemplação. –, o segmento em
destaque expressa, de modo figurado, um sentido equivalente ao Consideremos as seguintes frases:
da expressão: profissionais que acreditam ser Paula tem uma mão para cozinhar que dá inveja!
A) incompreendidos, que são obrigados a trabalhar além do Vamos! Coloque logo a mão na massa!
expediente. As crianças estão com as mãos sujas.
B) desvalorizados, que não são devidamente reconhecidos.
Passaram a mão na minha bolsa e nem percebi.
C) indispensáveis, que consideram realizar um trabalho de
grande importância.
Chegamos à conclusão de que se trata de palavras idênticas no
D) metódicos, que gerenciam com rigidez a vida corporativa.
que se refere à grafia, mas será que possuem o mesmo significado?
E) flexíveis, que sabem valorizar os momentos de ócio.
Existe uma parte da gramática normativa denominada Semân-
09.Assinale a alternativa usada em sentido figurado: tica. Ela trabalha a questão dos diferentes significados que uma
A)A dureza das pedras. mesma palavra apresenta de acordo com o contexto em que se in-
B)O perfume das flores. sere.
C)O verde das matas. Tomando como exemplo as frases já mencionadas, analisa-
D)A dureza dos corações. remos os vocábulos de mesma grafia, de acordo com seu sentido
E)Nenhuma das alternativas anteriores. denotativo, isto é, aquele retratado pelo dicionário.
Na primeira, a palavra “mão” significa habilidade, eficiência
GABARITO diante do ato praticado. Nas outras que seguem o significado é de:
participação, interação mediante a uma tarefa realizada; mão como
01. E 02. B 03. D 04. E 05. D parte do corpo humano e por último simboliza o roubo, visto de
06. B 07. D 08. C 09. D maneira pejorativa.

Didatismo e Conhecimento 81
LÍNGUA PORTUGUESA
Reportando-nos ao conceito de Polissemia, logo percebemos
que o prefixo “poli” significa multiplicidade de algo. Possibilida- REDAÇÃO DE CORRESPONDÊNCIAS
des de várias interpretações levando-se em consideração as situa- OFICIAIS (CONFORME MANUAL DE
ções de aplicabilidade. REDAÇÃO DA PRESIDÊNCIA DA
Há uma infinidade de outros exemplos em que podemos veri- REPÚBLICA). ADEQUAÇÃO DA
ficar a ocorrência da polissemia, como por exemplo: LINGUAGEM AO TIPO DE DOCUMENTO.
O rapaz é um tremendo gato. ADEQUAÇÃO DO FORMATO DO TEXTO
O gato do vizinho é peralta. AO GÊNERO.
Precisei fazer um gato para que a energia voltasse.
Pedro costuma fazer alguns “bicos” para garantir sua so-
brevivência
O passarinho foi atingido no bico.
Pronomes de tratamento na redação oficial
Polissemia e homonímia
A redação Oficial é a maneira para o poder público redigir
A confusão entre polissemia e homonímia é bastante comum. atos normativos. Para redigi-los, muitas regras fazem-se
Quando a mesma palavra apresenta vários significados, estamos necessárias. Entre elas, escrever de forma clara, concisa, sem
na presença da polissemia. Por outro lado, quando duas ou mais muito comprometimento, bem como um uso adequado das formas
palavras com origens e significados distintos têm a mesma grafia e de tratamento. Tais regras, acompanhadas de uma boa redação,
fonologia, temos uma homonímia. com um bom uso da linguagem, asseguram que os atos normativos
A palavra “manga” é um caso de homonímia. Ela pode sig- sejam bem executados.
nificar uma fruta ou uma parte de uma camisa. Não é polissemia No Poder Público, a todo momento nós nos deparamos com
porque os diferentes significados para a palavra manga têm origens situações em que precisamos escrever – ou falar – com pessoas
diferentes, e por isso alguns estudiosos mencionam que a palavra com as quais não temos familiaridade. Nesses casos, os pronomes
manga deveria ter mais do que uma entrada no dicionário. de tratamento assumem uma condição e precisam estar adequados
“Letra” é uma palavra polissêmica. Letra pode significar o à categoria hierárquica da pessoa a quem nos dirigimos. E mais,
elemento básico do alfabeto, o texto de uma canção ou a caligrafia exige-se, em discurso falado ou escrito, uma homogeneidade na
de um determinado indivíduo. Neste caso, os diferentes significa- forma de tratamento, não só nos pronomes como também nos
dos estão interligados porque remetem para o mesmo conceito, o verbos.
da escrita. No entanto, as formas de tratamento não são do conhecimento
de todos. Para tanto, a partir do Manual da Presidência da
Polissemia e ambiguidade República, apresentaremos as discriminações de usos dos
pronomes de tratamento:
Polissemia e ambiguidade têm um grande impacto na inter-
pretação. Na língua portuguesa, um enunciado pode ser ambíguo, São de uso consagrado: Vossa Excelência, para as
ou seja, apresenta mais de uma interpretação. Essa ambiguidade seguintes autoridades:
pode ocorrer devido à colocação específica de uma palavra (por
exemplo, um advérbio) em uma frase. Vejamos a seguinte frase: a) do Poder Executivo
Pessoas que têm uma alimentação equilibrada frequentemente são Presidente da República;
felizes. Neste caso podem existir duas interpretações diferentes. Vice-Presidente da República;
As pessoas têm alimentação equilibrada porque são felizes ou são Ministro de Estado;
felizes porque têm uma alimentação equilibrada. Secretário-Geral da Presidência da República;
De igual forma, quando uma palavra é polissêmica, ela pode Consultor-Geral da República;
induzir uma pessoa a fazer mais do que uma interpretação. Para Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas;
fazer a interpretação correta é muito importante saber qual o con- Chefe do Gabinete Militar da Presidência da República;
texto em que a frase é proferida. Chefe do Gabinete Pessoal do Presidente da República;
Secretários da Presidência da República;
Procurador – Geral da República;
Governadores e Vice-Governadores de Estado e do Distrito
Federal;
Chefes de Estado – Maior das Três Armas;
Oficiais Generais das Forças Armadas;
Embaixadores;
Secretário Executivo e Secretário Nacional de Ministérios;
Secretários de Estado dos Governos Estaduais;
Prefeitos Municipais.

Didatismo e Conhecimento 82
LÍNGUA PORTUGUESA
b) do Poder Legislativo: Não se concebe que um ato normativo de qualquer natureza
Presidente, Vice–Presidente e Membros da Câmara dos seja redigido de forma obscura, que dificulte ou impossibilite sua
Deputados e do Senado Federal; compreensão. A transparência do sentido dos atos normativos,
Presidente e Membros do Tribunal de Contas da União; bem como sua inteligibilidade, são requisitos do próprio Estado de
Presidente e Membros dos Tribunais de Contas Estaduais; Direito: é inaceitável que um texto legal não seja entendido pelos
Presidente e Membros das Assembleias Legislativas cidadãos. A publicidade implica, pois, necessariamente, clareza e
Estaduais; concisão.
Presidente das Câmaras Municipais. Fica claro também que as comunicações oficiais são neces-
sariamente uniformes, pois há sempre um único comunicador (o
c) do Poder Judiciário: Serviço Público) e o receptor dessas comunicações ou é o próprio
Presidente e Membros do Supremo Tribunal Federal; Serviço Público (no caso de expedientes dirigidos por um órgão
Presidente e Membros do Superior Tribunal de Justiça; a outro) – ou o conjunto dos cidadãos ou instituições tratados de
Presidente e Membros do Superior Tribunal Militar; forma homogênea (o público).
Presidente e Membros do Tribunal Superior Eleitoral; A redação oficial não é necessariamente árida e infensa à evo-
Presidente e Membros do Tribunal Superior do Trabalho; lução da língua. É que sua finalidade básica – comunicar com im-
Presidente e Membros dos Tribunais de Justiça; pessoalidade e máxima clareza – impõe certos parâmetros ao uso
Presidente e Membros dos Tribunais Regionais Federais; que se faz da língua, de maneira diversa daquele da literatura, do
Presidente e Membros dos Tribunais Regionais Eleitorais; texto jornalístico, da correspondência particular, etc.
Presidente e Membros dos Tribunais Regionais do Trabalho; Apresentadas essas características fundamentais da redação
Juízes e Desembargadores; oficial, passemos à análise pormenorizada de cada uma delas.
Auditores da Justiça Militar.”
A Impessoalidade
O vocativo a ser empregado em comunicações dirigidas
aos Chefes do Poder é Excelentíssimo Senhor, seguido do cargo A finalidade da língua é comunicar, quer pela fala, quer pela
respectivo: Excelentíssimo Senhor Presidente da República; escrita. Para que haja comunicação, são necessários: a) alguém
Excelentíssimo Senhor Presidente do Congresso Nacional; que comunique, b) algo a ser comunicado, e c) alguém que receba
Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal. essa comunicação. No caso da redação oficial, quem comunica é
E mais: As demais autoridades serão tratadas com o vocativo sempre o Serviço Público (este ou aquele Ministério, Secretaria,
Senhor, seguido do cargo respectivo: Senhor Senador, Senhor Juiz, Departamento, Divisão, Serviço, Seção); o que se comunica é
Senhor Ministro, Senhor Governador. sempre algum assunto relativo às atribuições do órgão que comu-
O Manual ainda preceitua que a forma de tratamento nica; o destinatário dessa comunicação ou é o público, o conjunto
“Digníssimo” fica abolida para as autoridades descritas acima, dos cidadãos, ou outro órgão público, do Executivo ou dos outros
afinal, a dignidade é condição primordial para que tais cargos Poderes da União.
públicos sejam ocupados. Percebe-se, assim, que o tratamento impessoal que deve ser
Fica ainda dito que doutor não é forma de tratamento, mas dado aos assuntos que constam das comunicações oficiais decorre:
titulação acadêmica de quem defende tese de doutorado. Portanto, a) da ausência de impressões individuais de quem comunica:
é aconselhável que não se use discriminadamente tal termo. embora se trate, por exemplo, de um expediente assinado por Che-
fe de determinada Seção, é sempre em nome do Serviço Público
AS COMUNICAÇÕES OFICIAIS que é feita a comunicação. Obtém-se, assim, uma desejável padro-
nização, que permite que comunicações elaboradas em diferentes
1. ASPECTOS GERAIS DA REDAÇÃO OFICIAL setores da Administração guardem entre si certa uniformidade;
b) da impessoalidade de quem recebe a comunicação, com
O que é Redação Oficial duas possibilidades: ela pode ser dirigida a um cidadão, sempre
concebido como público, ou a outro órgão público. Nos dois casos,
Em uma frase, pode-se dizer que redação oficial é a maneira temos um destinatário concebido de forma homogênea e impes-
pela qual o Poder Público redige atos normativos e comunicações. soal;
Interessa-nos tratá-la do ponto de vista do Poder Executivo. c) do caráter impessoal do próprio assunto tratado: se o uni-
A redação oficial deve caracterizar-se pela impessoalidade, verso temático das comunicações oficiais restringe-se a questões
uso do padrão culto de linguagem, clareza, concisão, formalidade que dizem respeito ao interesse público, é natural que não caiba
e uniformidade. Fundamentalmente esses atributos decorrem da qualquer tom particular ou pessoal.
Constituição, que dispõe, no artigo 37: “A administração pública Desta forma, não há lugar na redação oficial para impressões
direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, pessoais, como as que, por exemplo, constam de uma carta a um
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos amigo, ou de um artigo assinado de jornal, ou mesmo de um texto
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade literário. A redação oficial deve ser isenta da interferência da indi-
e eficiência (...)”. Sendo a publicidade e a impessoalidade vidualidade que a elabora.
princípios fundamentais de toda administração pública, claro que A concisão, a clareza, a objetividade e a formalidade de que
devem igualmente nortear a elaboração dos atos e comunicações nos valemos para elaborar os expedientes oficiais contribuem, ain-
oficiais. da, para que seja alcançada a necessária impessoalidade.

Didatismo e Conhecimento 83
LÍNGUA PORTUGUESA
A Linguagem dos Atos e Comunicações Oficiais Formalidade e Padronização

A necessidade de empregar determinado nível de linguagem As comunicações oficiais devem ser sempre formais, isto é, obe-
nos atos e expedientes oficiais decorre, de um lado, do próprio decem a certas regras de forma: além das já mencionadas exigências de
caráter público desses atos e comunicações; de outro, de sua fi- impessoalidade e uso do padrão culto de linguagem, é imperativo, ainda,
nalidade. Os atos oficiais, aqui entendidos como atos de caráter certa formalidade de tratamento. Não se trata somente da eterna dúvida
normativo, ou estabelecem regras para a conduta dos cidadãos, quanto ao correto emprego deste ou daquele pronome de tratamento para
ou regulam o funcionamento dos órgãos públicos, o que só é al- uma autoridade de certo nível; mais do que isso, a formalidade diz res-
cançado se em sua elaboração for empregada a linguagem ade- peito à polidez, à civilidade no próprio enfoque dado ao assunto do qual
quada. O mesmo se dá com os expedientes oficiais, cuja finalida- cuida a comunicação.
de precípua é a de informar com clareza e objetividade. A formalidade de tratamento vincula-se, também, à necessária uni-
As comunicações que partem dos órgãos públicos federais formidade das comunicações. Ora, se a administração federal é una, é
devem ser compreendidas por todo e qualquer cidadão brasileiro. natural que as comunicações que expede sigam um mesmo padrão. O es-
Para atingir esse objetivo, há que evitar o uso de uma linguagem tabelecimento desse padrão exige que se atente para todas as caracterís-
restrita a determinados grupos. Não há dúvida de que um tex- ticas da redação oficial e que se cuide, ainda, da apresentação dos textos.
to marcado por expressões de circulação restrita, como a gíria, A clareza datilográfica, o uso de papéis uniformes para o texto de-
os regionalismos vocabulares ou o jargão técnico, tem sua com- finitivo e a correta diagramação do texto são indispensáveis para a pa-
dronização.
preensão dificultada.
Ressalte-se que há necessariamente uma distância entre a
Concisão e Clareza
língua falada e a escrita. Aquela é extremamente dinâmica, re-
flete de forma imediata qualquer alteração de costumes, e pode
A concisão é antes uma qualidade do que uma característica do
eventualmente contar com outros elementos que auxiliem a sua texto oficial. Conciso é o texto que consegue transmitir um máximo de
compreensão, como os gestos, a entoação, etc., para mencionar informações com um mínimo de palavras. Para que se redija com essa
apenas alguns dos fatores responsáveis por essa distância. Já a qualidade, é fundamental que se tenha, além de conhecimento do assun-
língua escrita incorpora mais lentamente as transformações, tem to sobre o qual se escreve, o necessário tempo para revisar o texto depois
maior vocação para a permanência e vale-se apenas de si mesma de pronto. É nessa releitura que muitas vezes se percebem eventuais re-
para comunicar. dundâncias ou repetições desnecessárias de ideias.
Os textos oficiais, devido ao seu caráter impessoal e sua fina- O esforço de sermos concisos atende, basicamente, ao princípio de
lidade de informar com o máximo de clareza e concisão, reque- economia linguística, à mencionada fórmula de empregar o mínimo de
rem o uso do padrão culto da língua. Há consenso de que o pa- palavras para informar o máximo. Não se deve, de forma alguma, en-
drão culto é aquele em que a) se observam as regras da gramática tendê-la como economia de pensamento, isto é, não se devem eliminar
formal e b) se emprega um vocabulário comum ao conjunto dos passagens substanciais do texto no afã de reduzi-lo em tamanho. Trata-se
usuários do idioma. É importante ressaltar que a obrigatoriedade exclusivamente de cortar palavras inúteis, redundâncias, passagens que
do uso do padrão culto na redação oficial decorre do fato de que nada acrescentem ao que já foi dito.
ele está acima das diferenças lexicais, morfológicas ou sintáticas A clareza deve ser a qualidade básica de todo texto oficial. Pode-se
regionais, dos modismos vocabulares, das idiossincrasias lin- definir como claro aquele texto que possibilita imediata compreensão
guísticas, permitindo, por essa razão, que se atinja a pretendida pelo leitor. No entanto a clareza não é algo que se atinja por si só: ela
compreensão por todos os cidadãos. depende estritamente das demais características da redação oficial. Para
Lembre-se de que o padrão culto nada tem contra a simplici- ela concorrem:
dade de expressão, desde que não seja confundida com pobreza - a impessoalidade, que evita a duplicidade de interpretações que
de expressão. De nenhuma forma o uso do padrão culto implica poderia decorrer de um tratamento personalista dado ao texto;
emprego de linguagem rebuscada, nem dos contorcionismos sin- - o uso do padrão culto de linguagem, em princípio, de entendimen-
táticos e figuras de linguagem próprios da língua literária. to geral e por definição avesso a vocábulos de circulação restrita, como
Pode-se concluir, então, que não existe propriamente um a gíria e o jargão;
- a formalidade e a padronização, que possibilitam a imprescindível
“padrão oficial de linguagem”; o que há é o uso do padrão culto
uniformidade dos textos;
nos atos e comunicações oficiais. É claro que haverá preferência
- a concisão, que faz desaparecer do texto os excessos linguísticos
pelo uso de determinadas expressões, ou será obedecida certa
que nada lhe acrescentam.
tradição no emprego das formas sintáticas, mas isso não implica,
É pela correta observação dessas características que se redige com
necessariamente, que se consagre a utilização de uma forma de clareza. Contribuirá, ainda, a indispensável releitura de todo texto redigi-
linguagem burocrática. O jargão burocrático, como todo jargão, do. A ocorrência, em textos oficiais, de trechos obscuros e de erros gra-
deve ser evitado, pois terá sempre sua compreensão limitada. maticais provém principalmente da falta da releitura que torna possível
A linguagem técnica deve ser empregada apenas em situa- sua correção.
ções que a exijam, sendo de evitar o seu uso indiscriminado. Cer- A revisão atenta exige, necessariamente, tempo. A pressa com que
tos rebuscamentos acadêmicos, e mesmo o vocabulário próprio são elaboradas certas comunicações quase sempre compromete sua cla-
a determinada área, são de difícil entendimento por quem não reza. Não se deve proceder à redação de um texto que não seja
esteja com eles familiarizado. Deve-se ter o cuidado, portanto, de seguida por sua revisão. “Não há assuntos urgentes, há assuntos
explicitá-los em comunicações encaminhadas a outros órgãos da atrasados”, diz a máxima. Evite-se, pois, o atraso, com sua inde-
administração e em expedientes dirigidos aos cidadãos. sejável repercussão no redigir.

Didatismo e Conhecimento 84
LÍNGUA PORTUGUESA
Pronomes de Tratamento Identificação do Signatário
Excluídas as comunicações assinadas pelo Presidente da
Concordância com os Pronomes de Tratamento República, todas as demais comunicações oficiais devem trazer
o nome e o cargo da autoridade que as expede, abaixo do local de
Os pronomes de tratamento (ou de segunda pessoa indireta) sua assinatura. A forma da identificação deve ser a seguinte:
apresentam certas peculiaridades quanto à concordância verbal, (espaço para assinatura)
nominal e pronominal. Embora se refiram à segunda pessoa gra- Nome
matical (à pessoa com quem se fala, ou a quem se dirige a comu- Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República
nicação), levam a concordância para a terceira pessoa. É que o
verbo concorda com o substantivo que integra a locução como seu (espaço para assinatura)
núcleo sintático: “Vossa Senhoria nomeará o substituto”; “Vossa Nome
Excelência conhece o assunto”. Ministro de Estado da Justiça
Da mesma forma, os pronomes possessivos referidos a pro-
nomes de tratamento são sempre os da terceira pessoa: “Vossa Para evitar equívocos, recomenda-se não deixar a assinatura
Senhoria nomeará seu substituto” (e não “Vossa ... vosso...”). em página isolada do expediente. Transfira para essa página ao
Já quanto aos adjetivos referidos a esses pronomes, o gênero menos a última frase anterior ao fecho.
gramatical deve coincidir com o sexo da pessoa a que se refere,
e não com o substantivo que compõe a locução. Assim, se nosso Forma de diagramação
interlocutor for homem, o correto é “Vossa Excelência está ata-
refado”, “Vossa Senhoria deve estar satisfeito”; se for mulher, Os documentos do Padrão Ofício devem obedecer à seguinte
forma de apresentação:
“Vossa Excelência está atarefada”, “Vossa Senhoria deve estar
- deve ser utilizada fonte do tipo Times New Roman de corpo
satisfeita”.
12 no texto em geral, 11 nas citações, e 10 nas notas de rodapé;
No envelope, o endereçamento das comunicações dirigidas às
- para símbolos não existentes na fonte Times New Roman
autoridades tratadas por Vossa Excelência, terá a seguinte forma:
poder-se-á utilizar as fontes Symbol e Wingdings;
- é obrigatório constar a partir da segunda página o número
A Sua Excelência o Senhor da página;
Fulano de Tal - os ofícios, memorandos e anexos destes poderão ser
Ministro de Estado da Justiça impressos em ambas as faces do papel. Neste caso, as margens
70.064-900 – Brasília. DF esquerda e direta terão as distâncias invertidas nas páginas pares
A Sua Excelência o Senhor (“margem espelho”);
Senador Fulano de Tal - o campo destinado à margem lateral esquerda terá, no
Senado Federal mínimo, 3,0 cm de largura;
70.165-900 – Brasília. DF - o início de cada parágrafo do texto deve ter 2,5 cm de
distância da margem esquerda;
Senhor Ministro, - o campo destinado à margem lateral direita terá 1,5 cm;
- deve ser utilizado espaçamento simples entre as linhas e de
Submeto a Vossa Excelência projeto (...) 6 pontos após cada parágrafo, ou, se o editor de texto utilizado
não comportar tal recurso, de uma linha em branco;
Fechos para Comunicações - não deve haver abuso no uso de negrito, itálico, sublinhado,
letras maiúsculas, sombreado, sombra, relevo, bordas ou qualquer
O fecho das comunicações oficiais possui, além da finalidade outra forma de formatação que afete a elegância e a sobriedade
de arrematar o texto, a de saudar o destinatário. Os modelos para do documento;
fecho que vinham sendo utilizados foram regulados pela Portaria - a impressão dos textos deve ser feita na cor preta em papel
no 1 do Ministério da Justiça, de 1937, que estabelecia quinze branco. A impressão colorida deve ser usada apenas para gráficos
padrões. Com o fito de simplificá-los e uniformizá-los, este Ma- e ilustrações;
nual estabelece o emprego de somente dois fechos diferentes para - todos os tipos de documentos do Padrão Ofício devem ser
todas as modalidades de comunicação oficial: impressos em papel de tamanho A-4, ou seja, 29,7 x 21,0 cm;
a) para autoridades superiores, inclusive o Presidente da - deve ser utilizado, preferencialmente, o formato de arquivo
Rich Text nos documentos de texto;
República: Respeitosamente,
- dentro do possível, todos os documentos elaborados devem
b) para autoridades de mesma hierarquia ou de hierarquia
ter o arquivo de texto preservado para consulta posterior ou
inferior: Atenciosamente,
aproveitamento de trechos para casos análogos;
- para facilitar a localização, os nomes dos arquivos devem
Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações dirigidas a
ser formados da seguinte maneira:
autoridades estrangeiras, que atendem a rito e tradição próprios, tipo do documento + número do documento + palavras-
devidamente disciplinados no Manual de Redação do Ministério chaves do conteúdo
das Relações Exteriores. Ex.: “Of. 123 - relatório produtividade ano 2002”

Didatismo e Conhecimento 85
LÍNGUA PORTUGUESA
Aviso e Ofício Exposição de Motivos

Definição e Finalidade Definição e Finalidade


Aviso e ofício são modalidades de comunicação oficial Exposição de motivos é o expediente dirigido ao Presidente
praticamente idênticas. A única diferença entre eles é que o da República ou ao Vice-Presidente para: a) informá-lo de
aviso é expedido exclusivamente por Ministros de Estado, para determinado assunto; b) propor alguma medida; ou c) submeter a
autoridades de mesma hierarquia, ao passo que o ofício é expedido sua consideração projeto de ato normativo.
para e pelas demais autoridades. Ambos têm como finalidade Em regra, a exposição de motivos é dirigida ao Presidente da
o tratamento de assuntos oficiais pelos órgãos da Administração República por um Ministro de Estado.
Pública entre si e, no caso do ofício, também com particulares. Nos casos em que o assunto tratado envolva mais de um
Ministério, a exposição de motivos deverá ser assinada por todos
Forma e Estrutura os Ministros envolvidos, sendo, por essa razão, chamada de
Quanto a sua forma, aviso e ofício seguem o modelo do padrão interministerial.
ofício, com acréscimo do vocativo, que invoca o destinatário,
seguido de vírgula. Forma e Estrutura
Exemplos: Formalmente, a exposição de motivos tem a apresentação
Excelentíssimo Senhor Presidente da República do padrão ofício. A exposição de motivos, de acordo com sua
Senhora Ministra finalidade, apresenta duas formas básicas de estrutura: uma para
Senhor Chefe de Gabinete aquela que tenha caráter exclusivamente informativo e outra para a
que proponha alguma medida ou submeta projeto de ato normativo.
Devem constar do cabeçalho ou do rodapé do ofício as No primeiro caso, o da exposição de motivos que simplesmente
seguintes informações do remetente: leva algum assunto ao conhecimento do Presidente da República,
– nome do órgão ou setor; sua estrutura segue o modelo antes referido para o padrão ofício.
– endereço postal;
– telefone e e-mail.
Mensagem
OBS: Estas informações estão ausentes no memorando, pois
Definição e Finalidade
trata-se de comunicação interna, destinatário e remetente possuem
É o instrumento de comunicação oficial entre os Chefes dos
o mesmo endereço. No caso se o Aviso é de um Ministério para
Poderes Públicos, notadamente as mensagens enviadas pelo Chefe
outro Ministério, também não precisa especificar o endereço. O
do Poder Executivo ao Poder Legislativo para informar sobre fato
Ofício é enviado para outras instituições, logo, são necessárias as
da Administração Pública; expor o plano de governo por ocasião
informações do remetente e o endereço do destinatário para que
o ofício possa ser entregue e o remetente possa receber resposta. da abertura de sessão legislativa; submeter ao Congresso Nacional
matérias que dependem de deliberação de suas Casas; apresentar
Memorando veto; enfim, fazer e agradecer comunicações de tudo quanto seja
de interesse dos poderes públicos e da Nação.
Definição e Finalidade Minuta de mensagem pode ser encaminhada pelos
O memorando é a modalidade de comunicação entre Ministérios à Presidência da República, a cujas assessorias
unidades administrativas de um mesmo órgão, que podem estar caberá a redação final.
hierarquicamente em mesmo nível ou em nível diferente. Trata-se, As mensagens mais usuais do Poder Executivo ao Congresso
portanto, de uma forma de comunicação eminentemente interna. Nacional têm as seguintes finalidades:
Pode ter caráter meramente administrativo, ou ser empregado - encaminhamento de projeto de lei ordinária, complementar
para a exposição de projetos, ideias, diretrizes, etc. a serem ou financeira;
adotados por determinado setor do serviço público. - encaminhamento de medida provisória;
Sua característica principal é a agilidade. A tramitação do - indicação de autoridades;
memorando em qualquer órgão deve pautar-se pela rapidez e - pedido de autorização para o Presidente ou o Vice-Presidente
pela simplicidade de procedimentos burocráticos. Para evitar da República ausentarem-se do País por mais de 15 dias;
desnecessário aumento do número de comunicações, os despachos - encaminhamento de atos de concessão e renovação de
ao memorando devem ser dados no próprio documento e, no caso concessão de emissoras de rádio e TV;
de falta de espaço, em folha de continuação. Esse procedimento - encaminhamento das contas referentes ao exercício anterior;
permite formar uma espécie de processo simplificado, assegurando - mensagem de abertura da sessão legislativa;
maior transparência à tomada de decisões, e permitindo que se - comunicação de sanção (com restituição de autógrafos);
historie o andamento da matéria tratada no memorando. - comunicação de veto;
- outras mensagens.
Forma e Estrutura
Quanto a sua forma, o memorando segue o modelo do Forma e Estrutura
padrão ofício, com a diferença de que o seu destinatário deve ser As mensagens contêm: a) a indicação do tipo de expediente
mencionado pelo cargo que ocupa. Ex: e de seu número, horizontalmente, no início da margem esquerda;
Ao Sr. Chefe do Departamento de Administração b) vocativo, de acordo com o pronome de tratamento e o cargo
Ao Sr. Subchefe para Assuntos Jurídicos do destinatário, horizontalmente, no início da margem esquerda

Didatismo e Conhecimento 86
LÍNGUA PORTUGUESA
(Excelentíssimo Senhor Presidente do Senado Federal); c) o texto, Correio Eletrônico
iniciando a 2 cm do vocativo; d) o local e a data, verticalmente a 2 Definição e finalidade
cm do final do texto, e horizontalmente fazendo coincidir seu final O correio eletrônico (“e-mail”), por seu baixo custo e
com a margem direita. celeridade, transformou-se na principal forma de comunicação
A mensagem, como os demais atos assinados pelo Presidente para transmissão de documentos.
da República, não traz identificação de seu signatário.
Forma e Estrutura
Telegrama Um dos atrativos de comunicação por correio eletrônico é
sua flexibilidade. Assim, não interessa definir forma rígida para
Definição e Finalidade sua estrutura. Entretanto, deve-se evitar o uso de linguagem
Com o fito de uniformizar a terminologia e simplificar os incompatível com uma comunicação oficial.
procedimentos burocráticos, passa a receber o título de telegrama O campo “assunto” do formulário de correio eletrônico
toda comunicação oficial expedida por meio de telegrafia, telex, mensagem deve ser preenchido de modo a facilitar a organização
etc. documental tanto do destinatário quanto do remetente.
Por tratar-se de forma de comunicação dispendiosa aos cofres Para os arquivos anexados à mensagem deve ser utilizado,
públicos e tecnologicamente superada, deve restringir-se o uso preferencialmente, o formato Rich Text. A mensagem que
do telegrama apenas àquelas situações que não seja possível o encaminha algum arquivo deve trazer informações mínimas sobre
uso de correio eletrônico ou fax e que a urgência justifique sua seu conteúdo.
utilização e, também em razão de seu custo elevado, esta forma de Sempre que disponível, deve-se utilizar recurso de confirmação
comunicação deve pautar-se pela concisão. de leitura. Caso não seja disponível, deve constar da mensagem
pedido de confirmação de recebimento.
Forma e Estrutura
Não há padrão rígido, devendo-se seguir a forma e a estrutura Valor documental
dos formulários disponíveis nas agências dos Correios e em seu Nos termos da legislação em vigor, para que a mensagem de
sítio na Internet. correio eletrônico tenha valor documental, e para que possa ser
aceito como documento original, é necessário existir certificação
Fax digital que ateste a identidade do remetente, na forma estabelecida
em lei.
Definição e Finalidade
ELEMENTOS DE ORTOGRAFIA E GRAMÁTICA
O fax (forma abreviada já consagrada de fac-símile) é uma
forma de comunicação que está sendo menos usada devido ao
Problemas de Construção de Frases
desenvolvimento da Internet. É utilizado para a transmissão de
mensagens urgentes e para o envio antecipado de documentos,
A clareza e a concisão na forma escrita são alcançadas
de cujo conhecimento há premência, quando não há condições
principalmente pela construção adequada da frase, “a menor
de envio do documento por meio eletrônico. Quando necessário
unidade autônoma da comunicação”, na definição de Celso Pedro
o original, ele segue posteriormente pela via e na forma de praxe. Luft.
Se necessário o arquivamento, deve-se fazê-lo com cópia A função essencial da frase é desempenhada pelo predicado,
do fax e não com o próprio fax, cujo papel, em certos modelos, que, para Adriano da Gama Kury, pode ser entendido como “a
deteriora-se rapidamente. enunciação pura de um fato qualquer”. Sempre que a frase possuir
pelo menos um verbo, recebe o nome de período, que terá tantas
Forma e Estrutura orações quantos forem os verbos não auxiliares que o constituem.
Os documentos enviados por fax mantêm a forma e a estrutura Outra função relevante é a do sujeito – mas não indispensável,
que lhes são inerentes. pois há orações sem sujeito, ditas impessoais –, de quem se diz
É conveniente o envio, juntamente com o documento algo, cujo núcleo é sempre um substantivo. Sempre que o verbo
principal, de folha de rosto, e de pequeno formulário com os dados o exigir, teremos nas orações substantivos (nomes ou pronomes)
de identificação da mensagem a ser enviada, conforme exemplo a que desempenham a função de complementos (objetos direto e
seguir: indireto, predicativo e complemento adverbial). Função acessória
desempenham os adjuntos adverbiais, que vêm geralmente ao final
[Órgão Expedidor] da oração, mas que podem ser ou intercalados aos elementos que
[setor do órgão expedidor] desempenham as outras funções, ou deslocados para o início da
[endereço do órgão expedidor] oração.
Destinatário:____________________________________ Temos, assim, a seguinte ordem de colocação dos elementos
No do fax de destino:_______________ Data:___/___/___ que compõem uma oração (Observação: os parênteses indicam os
Remetente: ____________________________________ elementos que podem não ocorrer):
Tel. p/ contato:____________ Fax/correio eletrônico:____ (sujeito) - verbo - (complementos) - (adjunto adverbial).
No de páginas: ________No do documento:____________ Podem ser identificados seis padrões básicos para as orações
pessoais (i. é, com sujeito) na língua portuguesa (a função que vem
Observações:___________________________________ entre parênteses é facultativa e pode ocorrer em ordem diversa):

Didatismo e Conhecimento 87
LÍNGUA PORTUGUESA
1. Sujeito - verbo intransitivo - (Adjunto Adverbial) Frases Fragmentadas
O Presidente - regressou - (ontem). A fragmentação de frases “consiste em pontuar uma oração
subordinada ou uma simples locução como se fosse uma frase
2. Sujeito - verbo transitivo direto - objeto direto - (adjunto completa”. Decorre da pontuação errada de uma frase simples.
adverbial) Embora seja usada como recurso estilístico na literatura, a
O Chefe da Divisão - assinou - o termo de posse - (na manhã fragmentação de frases deve ser evitada nos textos oficiais, pois
de terça-feira). muitas vezes dificulta a compreensão. Ex.:
Errado: O programa recebeu a aprovação do Congresso
3. Sujeito - verbo transitivo indireto - objeto indireto - (adjunto Nacional. Depois de ser longamente debatido.
adverbial). Certo: O programa recebeu a aprovação do Congresso
O Brasil - precisa - de gente honesta - (em todos os setores). Nacional, depois de ser longamente debatido.
Certo: Depois de ser longamente debatido, o programa
4. Sujeito - verbo transitivo direto e indireto - obj. direto - obj. recebeu a aprovação do Congresso Nacional.
indireto - (adj. Adv.) Errado: O projeto de Convenção foi oportunamente submetido
Os desempregados - entregaram - suas reivindicações - ao ao Presidente da República, que o aprovou. Consultadas as áreas
Deputado - (no Congresso). envolvidas na elaboração do texto legal.
Certo: O projeto de Convenção foi oportunamente submetido
5. Sujeito - verbo transitivo indireto - complemento adverbial ao Presidente da República, que o aprovou, consultadas as áreas
- (adjunto adverbial) envolvidas na elaboração do texto legal.
A reunião do Grupo de Trabalho - ocorrerá - em Buenos Aires
- (na próxima semana). Erros de Paralelismo
O Presidente - voltou - da Europa - (na sexta-feira) Uma das convenções estabelecidas na linguagem escrita
“consiste em apresentar ideias similares numa forma gramatical
6. Sujeito - verbo de ligação - predicativo - (adjunto adverbial) idêntica”, o que se chama de paralelismo. Assim, incorre-se em
O problema - será - resolvido - prontamente. erro ao conferir forma não paralela a elementos paralelos. Vejamos
alguns exemplos:
Esses seriam os padrões básicos para as orações, ou seja, as Errado: Pelo aviso circular recomendou-se aos Ministérios
frases que possuem apenas um verbo conjugado. Na construção
economizar energia e que elaborassem planos de redução de
de períodos, as várias funções podem ocorrer em ordem inversa
despesas.
à mencionada, misturando-se e confundindo-se. Não interessa
aqui análise exaustiva de todos os padrões existentes na língua
Nesta frase temos, nas duas orações subordinadas que
portuguesa. O que importa é fixar a ordem normal dos elementos
completam o sentido da principal, duas estruturas diferentes para
nesses seis padrões básicos. Acrescente-se que períodos mais
ideias equivalentes: a primeira oração (economizar energia) é
complexos, compostos por duas ou mais orações, em geral podem
reduzida de infinitivo, enquanto a segunda (que elaborassem planos
ser reduzidos aos padrões básicos (de que derivam).
de redução de despesas) é uma oração desenvolvida introduzida
Os problemas mais frequentemente encontrados na construção
de frases dizem respeito à má pontuação, à ambiguidade da ideia pela conjunção integrante que. Há mais de uma possibilidade de
expressa, à elaboração de falsos paralelismos, erros de comparação, escrevê-la com clareza e correção; uma seria a de apresentar as
etc. Decorrem, em geral, do desconhecimento da ordem das duas orações subordinadas como desenvolvidas, introduzidas pela
palavras na frase. Indicam-se, a seguir, alguns desses defeitos conjunção integrante que:
mais comuns e recorrentes na construção de frases, registrados em Certo: Pelo aviso circular, recomendou-se aos Ministérios que
documentos oficiais. economizassem energia e (que) elaborassem planos para redução
de despesas.
Sujeito
Como dito, o sujeito é o ser de quem se fala ou que executa a Outra possibilidade: as duas orações são apresentadas como
ação enunciada na oração. Ele pode ter complemento, mas não ser reduzidas de infinitivo:
complemento. Devem ser evitadas, portanto, construções como: Certo: Pelo aviso circular, recomendou-se aos Ministérios
Errado: É tempo do Congresso votar a emenda. economizar energia e elaborar planos para redução de despesas.
Certo: É tempo de o Congresso votar a emenda. Nas duas correções respeita-se a estrutura paralela na
Errado: Apesar das relações entre os países estarem coordenação de orações subordinadas.
cortadas, (...).
Certo: Apesar de as relações entre os países estarem Mais um exemplo de frase inaceitável na língua escrita culta:
cortadas, (...). Errado: No discurso de posse, mostrou determinação, não ser
Errado: Não vejo mal no Governo proceder assim. inseguro, inteligência e ter ambição.
Certo: Não vejo mal em o Governo proceder assim. O problema aqui decorre de coordenar palavras (substantivos)
Errado: Antes destes requisitos serem cumpridos, (...). com orações (reduzidas de infinitivo).
Certo: Antes de estes requisitos serem cumpridos, (...). Para tornar a frase clara e correta, pode-se optar ou por
Errado: Apesar da Assessoria ter informado em tempo, (...). transformá-la em frase simples, substituindo as orações reduzidas
Certo: Apesar de a Assessoria ter informado em tempo, (...). por substantivos:

Didatismo e Conhecimento 88
LÍNGUA PORTUGUESA
Certo: No discurso de posse, mostrou determinação, segurança, Ambiguidade
inteligência e ambição. Ambígua é a frase ou oração que pode ser tomada em mais de
Atentemos, ainda, para o problema inverso, o falso paralelismo, um sentido. Como a clareza é requisito básico de todo texto oficial,
que ocorre ao se dar forma paralela (equivalente) a ideias de deve-se atentar para as construções que possam gerar equívocos de
hierarquia diferente ou, ainda, ao se apresentar, de forma paralela, compreensão.
estruturas sintáticas distintas: A ambiguidade decorre, em geral, da dificuldade de identificar-
Errado: O Presidente visitou Paris, Bonn, Roma e o Papa. -se a que palavra se refere um pronome que possui mais de um
Nesta frase, colocou-se em um mesmo nível cidades (Paris, antecedente na terceira pessoa. Pode ocorrer com:
Bonn, Roma) e uma pessoa (o Papa). Uma possibilidade de - pronomes pessoais:
correção é transformá-la em duas frases simples, com o cuidado de Ambíguo: O Ministro comunicou a seu secretariado que ele
não repetir o verbo da primeira (visitar): seria exonerado.
Certo: O Presidente visitou Paris, Bonn e Roma. Nesta última Claro: O Ministro comunicou exoneração dele a seu
capital, encontrou-se com o Papa. secretariado.
Ou então, caso o entendimento seja outro:
Mencionemos, por fim, o falso paralelismo provocado pelo Claro: O Ministro comunicou a seu secretariado a exoneração
uso inadequado da expressão “e que” num período que não contém deste.
nenhum “que” anterior.
Errado: O novo procurador é jurista renomado, e que tem - pronomes possessivos e pronomes oblíquos:
sólida formação acadêmica. Ambíguo: O Deputado saudou o Presidente da República, em
seu discurso, e solicitou sua intervenção no seu Estado, mas isso
Para corrigir a frase, ou suprimimos o pronome relativo: não o surpreendeu.
Certo: O novo procurador é jurista renomado e tem sólida Observe-se a multiplicidade de ambiguidade no exemplo
formação acadêmica. acima, as quais tornam virtualmente inapreensível o sentido da
Outro exemplo de falso paralelismo com “e que”: frase.
Errado: Neste momento, não se devem adotar medidas Claro: Em seu discurso o Deputado saudou o Presidente da
precipitadas, e que comprometam o andamento de todo o programa. República. No pronunciamento, solicitou a intervenção federal em
Da mesma forma com que corrigimos o exemplo anterior aqui seu Estado, o que não surpreendeu o Presidente da República.
podemos ou suprimir a conjunção:
Certo: Neste momento, não se devem adotar medidas - pronome relativo:
precipitadas, que comprometam o andamento de todo o programa. Ambíguo: Roubaram a mesa do gabinete em que eu costumava
trabalhar.
Erros de Comparação Não fica claro se o pronome relativo da segunda oração refere-
A omissão de certos termos ao fazermos uma comparação, -se à mesa ou a gabinete. Essa ambiguidade se deve ao pronome
omissão própria da língua falada, deve ser evitada na língua relativo “que”, sem marca de gênero. A solução é recorrer às
escrita, pois compromete a clareza do texto: nem sempre é possível formas o qual, a qual, os quais, as quais, que marcam gênero e
identificar, pelo contexto, qual o termo omitido. A ausência indevida número.
de um termo pode impossibilitar o entendimento do sentido que se Claro: Roubaram a mesa do gabinete no qual eu costumava
quer dar a uma frase: trabalhar.
Errado: O salário de um professor é mais baixo do que um Se o entendimento é outro, então:
médico. Claro: Roubaram a mesa do gabinete na qual eu costumava
A omissão de termos provocou uma comparação indevida: “o trabalhar.
salário de um professor” com “um médico”. Há, ainda, outro tipo de ambiguidade, que decorre da dúvida
Certo: O salário de um professor é mais baixo do que o salário sobre a que se refere a oração reduzida:
de um médico. Ambíguo: Sendo indisciplinado, o Chefe admoestou o
Certo: O salário de um professor é mais baixo do que o de um funcionário.
médico. Para evitar o tipo de ambiguidade do exemplo acima, deve-se
Errado: O alcance do Decreto é diferente da Portaria. deixar claro qual o sujeito da oração reduzida.
Novamente, a não repetição dos termos comparados confunde. Claro: O Chefe admoestou o funcionário por ser este
Alternativas para correção: indisciplinado.
Certo: O alcance do Decreto é diferente do alcance da Portaria. Ambíguo: Depois de examinar o paciente, uma senhora
Certo: O alcance do Decreto é diferente do da Portaria. chamou o médico.
Errado: O Ministério da Educação dispõe de mais verbas do Claro: Depois que o médico examinou o paciente, foi chamado
que os Ministérios do Governo. por uma senhora.
No exemplo acima, a omissão da palavra “outros” (ou
“demais”) acarretou imprecisão: Fontes:
Certo: O Ministério da Educação dispõe de mais verbas do http://www.redacaooficial.com.br/redacao_oficial_
que os outros Ministérios do Governo. publicacoes_ver.php?id=2
Certo: O Ministério da Educação dispõe de mais verbas do http://portuguesxconcursos.blogspot.com.br/p/redacao-
que os demais Ministérios do Governo. oficial-para-concursos.html

Didatismo e Conhecimento 89
LÍNGUA PORTUGUESA
ATIVIDADES c) assunto: resumo do teor do documento
d) destinatário: o nome e o cargo da pessoa a quem é dirigida
1-) (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ACRE – a comunicação. No caso do ofício deve ser incluído também o
TÉCNICO EM MICROINFORMÁTICA - CESPE/2012) O correio endereço.
eletrônico é uma forma de comunicação célere, na qual deve ser e) texto;
utilizada linguagem compatível com a comunicação oficial, embora f) fecho;
não seja definida uma forma rígida para sua estrutura. g) assinatura do autor da comunicação; e
( ) Certo ( ) Errado h) identificação do signatário

O correio eletrônico (“e-mail”), por seu baixo custo e (Fonte: http://webcache.googleusercontent.com/


celeridade, transformou-se na principal forma de comunicação para search?q=cache:omaLJnt2UtQJ:www.planalto.gov.br/ccivil_03/
transmissão de documentos. manual/Manual_Rich_RedPR2aEd.rtf+&cd=1&hl=pt-
Um dos atrativos de comunicação por correio eletrônico é BR&ct=clnk&gl=br)
sua flexibilidade. Assim, não interessa definir forma rígida para RESPOSTA: “ERRADO”.
sua estrutura. Entretanto, deve-se evitar o uso de linguagem
incompatível com uma comunicação oficial (v. 1.2 A Linguagem 5-) (MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA
dos Atos e Comunicações Oficiais). E COMÉRCIO EXTERIOR – ANALISTA TÉCNICO
(Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/manual. ADMINISTRATIVO – CESPE/2014) Em “Vossa Excelência deve
htm) estar satisfeita com os resultados das negociações”, o adjetivo
RESPOSTA: “CERTO”. estará corretamente empregado se dirigido a ministro de Estado
do sexo masculino, pois o termo “satisfeita” deve concordar com a
2-) (POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DE ALAGOAS – AGENTE locução pronominal de tratamento “Vossa Excelência”.
DE POLÍCIA – CESPE/2012) O vocativo a ser empregado em ( ) Certo ( ) Errado
comunicações dirigidas ao chefe do Poder Executivo da República
Federativa do Brasil é Excelentíssimo Senhor. Se a pessoa, no caso o ministro, for do sexo feminino (ministra),
( ) Certo ( ) Errado o adjetivo está correto; mas, se for do sexo masculino, o adjetivo
sofrerá flexão de gênero: satisfeito. O pronome de tratamento é
(...) O vocativo a ser empregado em comunicações dirigidas apenas a maneira como tratar a autoridade, não regendo as demais
aos Chefes de Poder é Excelentíssimo Senhor, seguido do cargo concordâncias.
respectivo: RESPOSTA: “ERRADO”.
Excelentíssimo Senhor Presidente da República (...)
(Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/manual. 6-) (ACADEMIA DE POLÍCIA DO ESTADO DE MINAS
htm) GERAIS – TÉCNICO ASSISTENTE DA POLÍCIA CIVIL -
RESPOSTA: “CERTO”. FUMARC/2013) Sobre a Redação Oficial, NÃO é correto afirmar
que
3-) (GOVERNO DO ESTADO DE ALAGOAS – TÉCNICO (A) exige emprego do padrão formal de linguagem.
FORENSE - CESPE/2013) A concisão, uma das qualidades (B) deve permitir uma única interpretação e ser estritamente
essenciais ao texto oficial, para a qual concorrem o domínio do impessoal.
assunto tratado e a revisão textual, consiste em se transmitir, no (C) sua finalidade básica é comunicar com impessoalidade e
texto escrito, o máximo de informações empregando-se um mínimo máxima clareza.
de palavras. (D) dispensa a formalidade de tratamento, uma vez que o
( ) Certo ( ) Errado comunicador e o receptor são o Serviço Público.

É a qualidade esperada de um bom texto, assim ele não se torna As comunicações oficiais devem ser sempre formais, isto é,
prolixo: “fala, fala, mas não diz nada!”. obedecem a certas regras de forma: além das (...) exigências de
RESPOSTA: “CERTO”. impessoalidade e uso do padrão culto de linguagem, é imperativo,
ainda, certa formalidade de tratamento. Não se trata somente
4-) (GOVERNO DO ESTADO DE ALAGOAS – TÉCNICO da eterna dúvida quanto ao correto emprego deste ou daquele
FORENSE - CESPE/2013) Na parte superior do ofício, do aviso pronome de tratamento para uma autoridade de certo nível (...);
e do memorando, antes do assunto, devem constar o nome e o mais do que isso, a formalidade diz respeito à polidez, à civilidade
endereço da autoridade a quem é direcionada a comunicação. no próprio enfoque dado ao assunto do qual cuida a comunicação.
( ) Certo ( ) Errado (Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/manual.
htm_)
O aviso, o ofício e o memorando devem conter as seguintes RESPOSTA: “D”.
partes:
a) tipo e número do expediente, seguido da sigla do órgão que 7-) (ACADEMIA DE POLÍCIA DO ESTADO DE MINAS
o expede: GERAIS – TÉCNICO ASSISTENTE DA POLÍCIA CIVIL -
b) local e data em que foi assinado, por extenso, com FUMARC/2013 - adaptada) “Na revisão de um expediente,
alinhamento à direita: deve-se avaliar, ainda, se ele será de fácil compreensão por seu

Didatismo e Conhecimento 90
LÍNGUA PORTUGUESA
destinatário. O que nos parece óbvio pode ser desconhecido 10-) (TRE/PA- ANALISTA JUDICIÁRIO – FGV/2011)
por terceiros. O domínio que adquirimos sobre certos assuntos em Segundo o Manual de Redação da Presidência da República, NÃO
decorrência de nossa experiência profissional muitas vezes faz com se deve usar Vossa Excelência para
que os tomemos como de conhecimento geral, o que nem sempre é (A) embaixadores.
verdade. Explicite, desenvolva, esclareça, precise os termos técnicos, o (B) conselheiros dos Tribunais de Contas estaduais.
significado das siglas e abreviações e os conceitos específicos que não (C) prefeitos municipais.
possam ser dispensados.” (D) presidentes das Câmaras de Vereadores.
(Manual de Redação Oficial da Presidência da República. p. 14). (E) vereadores.

Sobre a Redação Oficial, pode-se concluir que (...) O uso do pronome de tratamento Vossa Senhoria
(A) a concisão de um texto está relacionada ao grau de especificação (abreviado V. Sa.) para vereadores está correto, sim. Numa Câmara
dos termos. de Vereadores só se usa Vossa Excelência para o seu presidente, de
(B) a padronização de termos e conceitos viabiliza a uniformidade acordo com o Manual de Redação da Presidência da República
dos documentos. (1991).
(C) a revisão possibilita a substituição de termos, muitas vezes, (Fonte: http://www.linguabrasil.com.br/nao-tropece-detail.
desconhecidos pelo leitor. php?id=393)
(D) claro é o texto que exige releituras mais aprofundadas. RESPOSTA: “E”.

Através da leitura do excerto e das próprias alternativas, chegamos


à conclusão de que um texto, principalmente oficial, deve priorizar a
revisão.
RESPOSTA: “C”.

8-) (CNJ – TÉCNICO JUDICIÁRIO – CESPE/2013) O expediente


adequado para a comunicação entre ministros de Estado é a mensagem.
( ) Certo ( ) Errado

Mensagem – é o instrumento de comunicação oficial entre os


Chefes dos Poderes Públicos, notadamente as mensagens enviadas pelo
Chefe do Poder Executivo ao Poder Legislativo para informar sobre
fato da Administração Pública; expor o plano de governo por ocasião
da abertura de sessão legislativa; submeter ao Congresso Nacional
matérias que dependem de deliberação de suas Casas; apresentar veto;
enfim, fazer e agradecer comunicações de tudo quanto seja de interesse
dos poderes públicos e da Nação.
Aviso e Ofício - são modalidades de comunicação oficial
praticamente idênticas. A única diferença entre eles é que o aviso é
expedido exclusivamente por Ministros de Estado, para autoridades de
mesma hierarquia, ao passo que o ofício é expedido para e pelas demais
autoridades. Ambos têm como finalidade o tratamento de assuntos
oficiais pelos órgãos da Administração Pública entre si e, no caso do
ofício, também com particulares.
(Fonte: http://www.fontedosaber.com/portugues/redacao-oficial-
dicas-e-macetes.html)
RESPOSTA: “ERRADO”.

9-) (ANP – CONHECIMENTO BÁSICO PARA TODOS OS


CARGOS – CESPE/2013) Na redação de uma ata, devem-se relatar
exaustivamente, com o máximo de detalhamento possível, incluindo-se
os aspectos subjetivos, as discussões, as propostas, as resoluções e as
deliberações ocorridas em reuniões e eventos que exigem registro.
( ) Certo ( ) Errado
Ata é um documento administrativo que tem a finalidade de
registrar de modo sucinto a sequência de eventos de uma reunião ou
assembleia de pessoas com um fim específico. É característica da Ata
apresentar um resumo, cronologicamente disposto, de modo infalível,
de todo o desenrolar da reunião.
(Fonte: https://www.10emtudo.com.br/aula/ensino/a_redacao_
oficial_ata/)
RESPOSTA: “ERRADO”.

Didatismo e Conhecimento 91
RACIOCÍNIO LÓGICO
RACIOCÍNIO LÓGICO

ESTRUTURAS LÓGICAS. LÓGICA DE ARGUMENTAÇÃO:


ANALOGIAS, INFERÊNCIAS,
DEDUÇÕES E CONCLUSÕES.

1. Proposição
Proposição ou sentença é um termo utilizado para exprimir Argumento é uma relação que associa um conjunto de propo-
ideias, através de um conjunto de palavras ou símbolos. Este con- sições (p1, p2, p3,... pn), chamadas premissas ou hipóteses, e uma
junto descreve o conteúdo dessa ideia. proposição C chamada conclusão. Esta relação é tal que a estrutura
São exemplos de proposições: lógica das premissas acarretam ou tem como consequência a pro-
posição C (conclusão).
p: Pedro é médico. Exemplo:
P1: Todos os cariocas são alegres.
q: 5 > 8
P2:Todas as pessoas alegres vão à praia.
r: Luíza foi ao cinema ontem à noite.
C: Todos os cariocas vão à praia.
Neste exemplo temos o famoso silogismo categórico de forma
2. Princípios fundamentais da lógica típica ou simplesmente silogismo. Os silogismos são os argumen-
Princípio da Identidade: A é A. Uma coisa é o que é. O que tos que têm somente duas premissas e mais a conclusão, e utilizam
é, é; e o que não é, não é. Esta formulação remonta a Parménides os termos: todo, nenhum e algum, em sua estrutura.
de Eleia.
Principio da não contradição: Uma proposição não pode ser 1. Analogias
verdadeira e falsa, ao mesmo tempo. Relaçao de semelhança (comparação) estabelecida entre dife-
Principio do terceiro excluído: Uma alternativa só pode ser rentes conjuntos de argumentos que obedecem uma mesma estru-
verdadeira ou falsa. tura lógica, isto é, organização de argumentos.
Por exemplo: “A luz está para o dia assim como a escuridão
3. Valor lógico  para a noite” é uma analogia no qual se estabelece que para uma
Considerando os princípios citados acima, uma proposição é fase do dia há um nível de luz. Então se pode-se estabelecer uma
classificada como verdadeira ou falsa. nova fase (ex: tarde) e um nível de luminosidade (“meia-luz”) para
Sendo assim o valor lógico será: estabelecer uma frase que permita fazer analogia com a antiga fra-
- a verdade (V), quando se trata de uma proposição verdadeira. se “a meia-luz está para a tarde”.
- a falsidade (F), quando se trata de uma proposição falsa.
2. Argumentos dedutivos e indutivos
4. Conectivos lógicos 
Os argumentos podem ser classificados em dois tipos: Dedu-
Conectivos lógicos são palavras usadas para conectar as pro-
tivos e Indutivos.
posições formando novas sentenças.
Os principais conectivos lógicos são:  1) O argumento será DEDUTIVO quando suas premissas for-
necerem informações suficientes para comprovar a veracidade da
~ não conclusão, isto é, o argumento é dedutivo quando a conclusão é
∧ e completamente derivada das premissas.

V Ou EXEMPLO:
  se…então
  se e somente se Todo ser humano têm mãe.
Todos os homens são humanos.
Todos os homens têm mãe.

2) O argumento será INDUTIVO quando suas premissas não


fornecerem o “apoio completo” para ratificar as conclusões. Por-
tanto, nos argumentos indutivos, a conclusão possui informações
que ultrapassam as fornecidas nas premissas. Sendo assim, não se
aplica, então, a definição de argumentos válidos ou não válidos
para argumentos indutivos.
EXEMPLO:
O Flamengo é um bom time de futebol.
O Palmeiras é um bom time de futebol.
O Vasco é um bom time de futebol.
O Cruzeiro é um bom time de futebol.

Didatismo e Conhecimento 1
RACIOCÍNIO LÓGICO
Todos os times brasileiros de futebol são bons. Pelo gráfico, observamos claramente que se todas as crian-
Note que não podemos afirmar que todos os times brasileiros ças gostam de passear no metrô e existem crianças inteligentes,
são bons sabendo apenas que 4 deles são bons. então  alguma criança que gosta de passear no Metrô de São
Paulo é inteligente. Logo, a alternativa correta é a opção B.
3. Validade de um argumento
Uma proposição é verdadeira ou falsa. No caso de um argu- 2- (CESPE) É válido o seguinte argumento: Se Ana cometeu
mento dedutivo diremos que ele é válido ou inválido. Atente- um crime perfeito, então Ana não é suspeita, mas (e) Ana não
-se para o fato que todos os argumentos indutivos são inválidos, cometeu um crime perfeito, então Ana é suspeita.
portanto não há de se falar em validade de argumentos indutivos. SOLUÇÃO:
A validade é uma propriedade dos argumentos que depende apenas Representando as premissas do enunciado na forma de dia-
da forma (estrutura lógica) das suas proposições (premissas e con- gramas lógicos (ver artigo sobre diagramas lógicos), obteremos:
clusões) e não do seu conteúdo.
 Premissas:
“Se Ana cometeu um crime perfeito, então Ana não é suspei-
Argumento Válido
ta” = “Toda pessoa que comete um crime perfeito não é suspeita”.
Um argumento será válido quando a sua conclusão é uma con-
sequência obrigatória de suas premissas. “Ana não cometeu um crime perfeito”.
Em outras palavras, podemos dizer que quando um argumen- Conclusão:
to é válido, a verdade de suas premissas deve garantir a verdade “Ana é suspeita”. (não se “desenha” a conclusão, apenas as
da conclusão do argumento. Isso significa que, se o argumento é premissas!)
válido, jamais poderemos chegar a uma conclusão falsa quando as
premissas forem verdadeiras.

Argumento Inválido
Dizemos que um argumento é inválido, quando a verdade das
premissas não é suficiente para garantir a verdade da conclusão,
ou seja, quando a conclusão não é uma consequência obrigató-
ria das premissas.

Exercícios Resolvidos:

1- (FCC) Considere que as seguintes afirmações são verdadeiras:


“Toda criança gosta de passear no Metrô de São Paulo.”
“Existem crianças que são inteligentes.”
Assim sendo, certamente é verdade que: O fato do enunciado ter falado apenas que “Ana não cometeu
(A) Alguma criança inteligente não gosta de passear no Metrô um crime perfeito”, não nos diz se ela é suspeita ou não. Por isso
de São Paulo. temos duas possibilidades (ver bonecos). Logo, a questão está er-
(B) Alguma criança que gosta de passear no Metrô de São rada, pois não podemos afirmar, com certeza, que Ana é suspeita.
Paulo é inteligente. Logo, o argumento é inválido.
(C) Alguma criança não inteligente não gosta de passear no
Metrô de São Paulo.
(D) Toda criança que gosta de passear no Metrô de São Paulo
é inteligente.
LÓGICA SENTENCIAL (OU PROPOSICIO-
(E) Toda criança inteligente não gosta de passear no Metrô de
São Paulo. NAL). PROPOSIÇÕES SIMPLES E
COMPOSTAS. TABELAS-VERDADE.
SOLUÇÃO: EQUIVALÊNCIAS. LEIS DE MORGAN.
Representando as proposições na forma de conjuntos (dia- DIAGRAMAS LÓGICOS.
gramas lógicos – ver artigo sobre diagramas lógicos) teremos:
“Toda criança gosta de passear no Metrô de São Paulo.”
“Existem crianças que são inteligentes.”
1. Proposições simples e compostas
As proposições simples são assim caracterizadas por apresen-
tarem apenas uma ideia. São indicadas pelas letras minúsculas: p,
q, r, s, t...
As proposições compostas são assim caracterizadas por apre-
sentarem mais de uma proposição conectadas pelos conectivos ló-
gicos. São indicadas pelas letras maiúsculas: P, Q, R, S, T...
Obs: A notação Q(r, s, t), por exemplo, está indicando que a
proposição composta Q é formada pelas proposições simples r, s
e t.

Didatismo e Conhecimento 2
RACIOCÍNIO LÓGICO
Exemplo:

Proposições simples:
p: Meu nome é Raissa 
q: São Paulo é a maior cidade brasileira 
r: 2+2=5 
s: O número 9 é ímpar 
t: O número 13 é primo

Proposições compostas 
P: O número 12 é divisível por 3 e 6 é o dobro de 12. 
Q: A raiz quadrada de 9 é 3 e 24 é múltiplo de 3. 
R(s, t): O número 9 é ímpar e o número 13 é primo.

2. Tabelas-verdade

A tabela-verdade é usada para determinar o valor lógico de uma proposição composta, sendo que os valores das proposições simples já
são conhecidos. Pois o valor lógico da proposição composta depende do valor lógico da proposição simples. 
A seguir vamos compreender como se constrói essas tabelas-verdade partindo da árvore das possibilidades dos valores lógicos das
preposições simples, e mais adiante veremos como determinar o valor lógico de uma proposição composta.

Proposição composta do tipo P(p, q)

Proposição composta do tipo P(p, q, r)

Didatismo e Conhecimento 3
RACIOCÍNIO LÓGICO
Proposição composta do tipo P(p, q, r, s)  P q pΛq
A tabela-verdade possui 24 = 16 linhas e é formada igualmente
as anteriores. F F F

Proposição composta do tipo P(p1, p2, p3,..., pn) 9. O conectivo ou e a disjunção


A tabela-verdade possui 2n  linhas e é formada igualmente as
anteriores. O conectivo ou e a disjunção de duas proposições p e q é outra
proposição que tem como valor lógico V se alguma das proposições
7. O conectivo não e a negação for verdadeira e F se as duas forem falsas. O símbolo p ∨ q (p ou
O conectivo não e a negação de uma proposição p é outra q) representa a disjunção, com a seguinte tabela-verdade: 
proposição que tem como valor lógico V se p for falsa e F se p é
verdadeira. O símbolo ~p (não p) representa a negação de p com P q pVq
a seguinte tabela-verdade: 
V V V
V F V
P ~P
F V V
V F
F F F
F V

Exemplo: Exemplo:
p = 7 é ímpar  p = 2 é par 
~p = 7 não é ímpar  q = o céu é rosa 
p ν q = 2 é par ou o céu é rosa 
P ~P
P q pVq
V F
V F V
q = 24 é múltiplo de 5 
~q = 24 não é múltiplo de 5  10. O conectivo se… então… e a condicional
A condicional se p então q é outra proposição que tem como
valor lógico F se p é verdadeira e q é falsa. O símbolo p → q re-
q ~q presenta a condicional, com a seguinte tabela-verdade: 
F V
P q p→q
8. O conectivo e e a conjunção
O conectivo e  e a conjunção de duas proposições p  e q é V V V
outra proposição que tem como valor lógico V se p e q forem V F F
verdadeiras, e F em outros casos. O símbolo p Λ q (p e q) repre- F V V
senta a conjunção, com a seguinte tabela-verdade: 
F F V
P q pΛq Exemplo:
V V V P: 7 + 2 = 9 
V F F Q: 9 – 7 = 2 
p → q: Se 7 + 2 = 9 então 9 – 7 = 2 
F V F
F F F
P q p→q
Exemplo V V V
p = 2 é par 
q = o céu é rosa p = 7 + 5 < 4 
p Λ q = 2 é par e o céu é rosa  q = 2 é um número primo 
p → q: Se 7 + 5 < 4 então 2 é um número primo. 
P q pΛq
V F F P q p→q
F V V
p = 9 < 6 
q = 3 é par p = 24 é múltiplo de 3 q = 3 é par 
p Λ q: 9 < 6 e 3 é par  p → q: Se 24 é múltiplo de 3 então 3 é par. 

Didatismo e Conhecimento 4
RACIOCÍNIO LÓGICO

P q p→q
V F F

p = 25 é múltiplo de 2 
q = 12 < 3 
p → q: Se 25 é múltiplo de 2 então 2 < 3. 

P q p→q
F F V

11. O conectivo se e somente se e a bicondicional


A bicondicional p se e somente se q é outra proposição que tem como valor lógico V se p e q forem ambas verdadeiras ou ambas falsas,
e F nos outros casos. 
O símbolo     representa a bicondicional, com a seguinte tabela-verdade: 

P q p↔q
V V V
V F F
F V F
F F V

Exemplo
p = 24 é múltiplo de 3 
q = 6 é ímpar  
= 24 é múltiplo de 3 se, e somente se, 6 é ímpar. 

P q p↔q
V F F

12. Tabela-Verdade de uma proposição composta

Exemplo
Veja como se procede a construção de uma tabela-verdade da proposição composta P(p, q) = ((p ⋁ q) → (~p)) → (p ⋀ q), onde p e q são
duas proposições simples.
Resolução
Uma tabela-verdade de uma proposição do tipo P(p, q) possui 24 = 4 linhas, logo: 

p q pVq ~p (p V p)→(~p) pΛq ((p V p)→(~p))→(p Λ q)


V V          
V F          
F V          
F F          

Agora veja passo a passo a determinação dos valores lógicos de P.

a) Valores lógicos de p ν q

p q pVq ~p (p V p)→(~p) pΛq ((p V p)→(~p))→(p Λ q)


V V V        
V F V        
F V V        
F F F        

Didatismo e Conhecimento 5
RACIOCÍNIO LÓGICO
b) Valores lógicos de ~P

p q pVq ~p (p V p)→(~p) pΛq ((p V p)→(~p))→(p Λ q)


V V V F      
V F V F      
F V V V      
F F F V      

c) Valores lógicos de (p V p)→(~p)

p q pVq ~p (p V p)→(~p) pΛq ((p V p)→(~p))→(p Λ q)


V V V F F    
V F V F F    
F V V V V    
F F F V V    

d) Valores lógicos de p Λ q

p q pVq ~p (p V p)→(~p) pΛq ((p V p)→(~p))→(p Λ q)


V V V F F V  
V F V F F F  
F V V V V F  
F F F V V F  

e) Valores lógicos de ((p V p)→(~p))→(p Λ q)

p q pVq ~p (p V p)→(~p) pΛq ((p V p)→(~p))→(p Λ q)


V V V F F V V
V F V F F F V
F V V V V F F
F F F V V F F

13. Tautologia

Uma proposição composta formada por duas ou mais proposições p, q, r, ... será dita uma Tautologia se ela for sempre verdadeira,
independentemente dos valores lógicos das proposições p, q, r, ... que a compõem.
Exemplos:
• Gabriela passou no concurso do INSS ou Gabriela não passou no concurso do INSS
• Não é verdade que o professor Zambeli parece com o Zé gotinha ou o professor Zambeli parece com o Zé gotinha.
Ao invés de duas proposições, nos exemplos temos uma única proposição, afirmativa e negativa. Vamos entender isso melhor.
Exemplo:
Grêmio cai para segunda divisão ou o Grêmio não cai para segunda divisão
Vamos chamar a primeira proposição de “p” a segunda de “~p” e o conetivo de “V”
Assim podemos representar a “frase” acima da seguinte forma: p V ~p

Exemplo
A proposição p ∨ (~p) é uma tautologia, pois o seu valor lógico é sempre V, conforme a tabela-verdade. 

p ~P pVq
V F V
F V V

Didatismo e Conhecimento 6
RACIOCÍNIO LÓGICO
Exemplo
A proposição (p Λ q) → (p  q) é uma tautologia, pois a última coluna da tabela-verdade só possui V. 

p q pΛq p↔q (p Λ q)→(p↔q)


V V V V V
V F F F V
F V F F V
F F F V V

14. Contradição

Uma proposição composta formada por duas ou mais proposições p, q, r, ... será dita uma contradição se ela for sempre falsa, inde-
pendentemente dos valores lógicos das proposições p, q, r, ... que a compõem
Exemplos:
• O Zorra total é uma porcaria e Zorra total não é uma porcaria
• Suelen mora em Petrópolis e Suelen não mora em Petrópolis
Ao invés de duas proposições, nos exemplos temos uma única proposição, afirmativa e negativa. Vamos entender isso melhor.
Exemplo:
Lula é o presidente do Brasil e Lula não é o presidente do Brasil
Vamos chamar a primeira proposição de “p” a segunda de “~p” e o conetivo de “^”
Assim podemos representar a “frase” acima da seguinte forma: p ^ ~p
Exemplo
A proposição (p Λ q) Λ (p Λ q) é uma contradição, pois o seu valor lógico é sempre F conforme a tabela-verdade. Que significa que
uma proposição não pode ser falsa e verdadeira ao mesmo tempo, isto é, o princípio da não contradição.

p ~P q Λ (~q)
V F F
F V F

15. Contingência
Quando uma proposição não é tautológica nem contra válida, a chamamos de contingência ou proposição contingente ou proposição
indeterminada.
A contingência ocorre quando há tanto valores V como F na última coluna da tabela-verdade de uma proposição. Exem-
plos: P∧Q , P∨Q , P→Q ...

16. Implicação lógica


Definição
A proposição P implica a proposição Q, quando a condicional P → Q for uma tautologia.
O símbolo P ⇒ Q (P implica Q) representa a implicação lógica. 
Diferenciação dos símbolos → e ⇒
O símbolo → representa uma operação matemática entre as proposições P e Q que tem como resultado a proposição P → Q, com valor
lógico V ou F.
O símbolo ⇒ representa a não ocorrência de VF na tabela-verdade de P → Q, ou ainda que o valor lógico da condicional P → Q será
sempre V, ou então que P → Q é uma tautologia. 
Exemplo
A tabela-verdade da condicional (p Λ q) → (p ↔ q) será: 

p q pΛq P↔Q (p Λ q)→(P↔Q)


V V V V V
V F F F V
F V F F V
F F F V V

Portanto, (p Λ q) → (p ↔ q) é uma tautologia, por isso (p Λ q) ⇒ (p ↔q)

Didatismo e Conhecimento 7
RACIOCÍNIO LÓGICO
17. Equivalência lógica

Definição
Há equivalência entre as proposições P e Q somente quando a bicondicional P ↔ Q for uma tautologia ou quando P e Q tiverem a
mesma tabela-verdade. P ⇔ Q (P é equivalente a Q) é o símbolo que representa a equivalência lógica. 
Diferenciação dos símbolos ↔ e ⇔
O símbolo ↔ representa uma operação entre as proposições P e Q, que tem como resultado uma nova proposição P ↔ Q com valor
lógico V ou F.
O símbolo ⇔ representa a não ocorrência de VF e de FV na tabela-verdade P ↔ Q, ou ainda que o valor lógico de P ↔ Q é sempre V,
ou então P ↔ Q é uma tautologia.
Exemplo
A tabela da bicondicional (p → q) ↔ (~q → ~p) será: 

p q ~q ~p p→q ~q→~p (p→q)↔(~q→~p)


V V F F V V V
V F V F F F V
F V F V V V V
F F V V V V V

Portanto, p → q é equivalente a ~q → ~p, pois estas proposições possuem a mesma tabela-verdade ou a bicondicional (p → q) ↔ (~q
→ ~p) é uma tautologia.
Veja a representação:
(p → q) ⇔ (~q → ~p)

18. Sentenças abertas

Definições
Supondo que U seja um conjunto e x um elemento desse conjunto, podemos considerar que:
- U é um conjunto-universo e x a variável. 
- a proposição p(x) será uma sentença aberta em U quando p(a) for verdadeira ou p(a) for falsa, ∀a ∈ U. 
- se a ∈ U e p(a) for verdadeira, nesse caso a confirma p(x) ou a é a solução de p(x). 
- O conjunto-verdade de p(x), em U, é formado por todos e somente os elementos de a ∈ U, onde p(a) é uma sentença verdadeira. Veja
a representação deste conjunto: {a ∈ U| p(a) é V}.

Exemplos: 

CONJUNTO
SENTENÇA ABERTA CONJUNTO UNIVERSO
VERDADE
x+2=1 Z {1}
x+3<6 N {0, 1, 2}
2x-4x-5=0 R+ {-1;5}
x é multiplo de 2 {0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8,} {0, 2, 4, 6, 8}

19. Operações lógicas com sentenças abertas


É possível efetuar as sentenças abertas de forma análoga à das proposições lógicas, através dos conectivos já apresentados: não, e, ou, se
então, se e somente se.

Exemplo 
Observando a condicional (x > 5) → (x > 2), em N, podemos notar que: 

x x>5 x>2 (x>5)→(x>2)


{0, 1, 2} F F V
{3, 4, 5} F V V
{6, 7, 8, 9, …} V V V

Didatismo e Conhecimento 8
RACIOCÍNIO LÓGICO
Exercícios resolvidos:

1-(SERPRO-2001/ESAF) Considere o seguinte argumento: “Se Soninha sorri, Sílvia é miss simpatia. Ora, Soninha não sorri. Logo,
Sílvia não é miss simpatia”. Este não é um argumento logicamente válido, uma vez que:
a) a conclusão não é decorrência necessária das premissas.
b) a segunda premissa não é decorrência lógica da primeira.
c) a primeira premissa pode ser falsa, embora a segunda possa ser verdadeira.
d) a segunda premissa pode ser falsa, embora a primeira possa ser verdadeira.
e) o argumento só é válido se Soninha na realidade não sorri.

Solução:
Trata-se de uma questão meramente conceitual, e de resolução, portanto, imediata.
Se o enunciado está afirmando que um argumento qualquer é inválido, isso significa, tão somente, que a conclusão não é decorrência
necessária (obrigatória) das premissas!
É o que diz a opção A.

2) Três alunos são suspeitos de não estarem matriculados no Curso de Raciocínio Lógico. O Aparecido entrevistou os três, para cobrar
a matrícula, e obteve os seguintes depoimentos:
AURO: “Joaquim não pagou e Cláudia pagou JOAQUIM”: “Se Auro não pagou, Cláudia também não pagou”.
CLÁUDIA: “Eu paguei, mas pelo menos um dos outros não pagou”
Pede-se:
1.         Exprimir simbolicamente os depoimentos
2.         Identificar os pagantes e os não pagantes, supondo que todos os depoimentos são verdadeiros
3.         Identificar os mentirosos, supondo que todos pagaram as matrículas.

Resolução:
a. Sejam as proposições
A = “Auro pagou a matrícula”
J = “Joaquim pagou a matrícula”
C = “Cláudia pagou a matrícula”

Depoimentos

Didatismo e Conhecimento 9
RACIOCÍNIO LÓGICO
b. Verificamos que se todos os depoimentos são verdadeiros estamos na terceira linha, logo VAL (A) = V, VAL (J) = F, VAL (C) = V
Portanto:
Os pagantes são Auro e Cláudia.
O não pagante é o Joaquim
c. Se todos pagaram a matrícula temos que VAL(A) = V, VAL(J) = V e VAL(C) = V, logo estamos na primeira linha, daí os depoimentos
mentirosos são do Auro e Cláudia.

3- (ESAF) José quer ir ao cinema assistir ao filme “Fogo Contra Fogo”, mas não tem certeza se o mesmo está sendo exibido. Seus ami-
gos, Maria, Luis e Julio têm opiniões discordantes sobre se o filme está ou não em cartaz. Se Maria estiver certa, então Julio está enganado.
Se Julio estiver enganado, então Luis está enganado. Se Luis estiver enganado, então o filme não está sendo exibido. Ora, ou o filme “Fogo
contra Fogo” está sendo exibido, ou José não ira ao cinema. Verificou-se que Maria está certa. Logo,
a. O filme “Fogo contra Fogo” está sendo exibido.
b. Luis e Julio não estão enganados.
c. Julio está enganado, mas Luis não.
d. Luis está enganado, mas Julio não.
e. José não irá ao cinema.

Resolução:
Se Maria está certa, então
Julio está enganado
Se Julio está enganado, então 
Luis está enganado
Se Luis estiver enganado, então 
O Filme não está sendo exibido.
Ora, ou o filme está sendo exibido ou José não irá ao cinema.
Logo, concluímos que:
José não irá ao cinema.
Resposta “E”

3. Diagramas lógicos
Definição:
Os diagramas de Venn foram criados pelo matemático inglês John Venn, no intuito de facilitar as relações de união e intersecção entre
conjuntos. Eles possuem um papel fundamental na organização de dados obtidos em pesquisas, principalmente nas situações em que o en-
trevistado opta por duas ou mais opções.

Didatismo e Conhecimento 10
RACIOCÍNIO LÓGICO
Solução:
Esta questão traz, no enunciado, duas proposições categóri-
cas:
1. Alguns A são R
2. Nenhum G é R
Devemos fazer a representação gráfica de cada uma delas por
círculos para ajudar-nos a obter a resposta correta.
Na verdade, para esta questão, não é necessário fazer repre-
sentações gráficas, pois se observarmos as alternativas, já pode-
mos excluir as alternativas “b” e “d” (pois algum A é G é equiva-
Exemplos:
lente a algum G é A, e não podemos ter duas respostas corretas),
e também excluir as alternativas “c” e “e” (pois nenhum A é G é o
1-(Especialista em Políticas Públicas Bahia 2004 FCC)
mesmo que nenhum G é A). Só restando-nos
Considerando “todo livro é instrutivo” como uma proposição ver- a alternativa “a” para marcar como correta.
dadeira, é correto inferir que: Mas para efeitos didáticos vamos também resolver esta ques-
a) “Nenhum livro é instrutivo” é uma proposição necessaria- tão por diagramas de círculos!
mente verdadeira. Vamos iniciar pela representação do Nenhum G é R, que é
b) “Algum livro é instrutivo” é uma proposição necessaria- dada por dois círculos separados, sem nenhum ponto em comum.
mente verdadeira.
c) “Algum livro não é instrutivo” é uma proposição verdadei-
ra ou falsa.
d) “Algum livro é instrutivo” é uma proposição verdadeira
ou falsa.
e) “Algum livro não é instrutivo” é uma proposição necessa-
riamente verdadeira.

Solução:
Como já foi visto, não há uma representação gráfica única
para a proposição categórica do Alguns A são R, mas geralmente
a representação em que os dois círculos se interceptam (mostrada
abaixo) tem sido suficiente para resolver qualquer questão.

Agora devemos juntar os desenhos das duas proposições ca-


A opção A é descartada de pronto: “nenhum livro é instrutivo” tegóricas para analisarmos qual é a alternativa correta. Como a
implica a total dissociação entre os diagramas. E estamos com a questão não informa sobre a relação entre os conjuntos A e G, en-
situação inversa! tão teremos diversas maneiras de representar graficamente os três
A opção B é perfeitamente escorreita! Percebam como todos conjuntos (A, G e R). A alternativa correta vai ser aquela que é
os elementos do diagrama vermelho estão inseridos no diagrama verdadeira para quaisquer dessas representações.
Para facilitar a solução da questão não faremos todas as repre-
azul. Resta necessariamente perfeito que algum livro é instrutivo.
sentações gráficas possíveis entre os três conjuntos, mas sim, uma
Resposta: opção B.
(ou algumas) representação(ões) de cada vez e passamos a analisar
qual é a alternativa que satisfaz esta(s) representação(ões), se ti-
2- (TTN-98 ESAF) Se é verdade que “Alguns A são R” e que vermos somente uma alternativa que satisfaça, então já achamos a
“Nenhum G é R”, então é necessariamente verdadeiro que: resposta correta, senão, desenhamos mais outra representação grá-
a) algum A não é G; fica possível e passamos a testar somente as alternativas que foram
b) algum A é G. verdadeiras no teste anterior.
c) nenhum A é G; Tomemos agora o seguinte desenho, em que fazemos duas
d) algum G é A; representações, uma em que o conjunto A intercepta parcialmente
e) nenhum G é A; o conjunto G, e outra em que não há intersecção entre eles.

Didatismo e Conhecimento 11
RACIOCÍNIO LÓGICO
Veja que há várias proposições categóricas, e devemos fazer
a representação gráfica de cada uma para encontrar a resposta cor-
reta.
Por qual proposição categórica devemos iniciar os desenhos
dos círculos? Não há uma ordem única na realização dos desenhos,
devemos ir rabiscando um a um, de forma que ao final dos dese-
nhos, tenhamos atendido a todas as proposições categóricas.
Após os rabiscos efetuados para cada proposição categórica,
chegamos ao seguinte desenho final:

Teste das alternativas:

1º) Teste da alternativa “a” (algum A não é G)


Observando os desenhos dos círculos, verificamos que esta
alternativa é verdadeira para os dois desenhos de A, isto é, nas duas
representações há elementos em A que não estão em G.
Passemos para o teste da próxima alternativa.
Teste das Alternativas
2º) Teste da alternativa “b” (algum A é G) 1°) Teste da alternativa “a” (pelo menos um aluno de portu-
guês é aluno de inglês)
Observando os desenhos dos círculos, verificamos que, para o Pelo desenho, já descartamos essa alternativa.
desenho de A que está mais a direita, esta alternativa não é verda- 2°) Teste da alternativa “b” (pelo menos um aluno de mate-
deira, isto é, tem elementos em A que não estão em G. mática é aluno de história) Também pelo desenho, descartamos
essa alternativa.
Pelo mesmo motivo a alternativa “d” não é correta.
3°) Teste da alternativa “c” (nenhum aluno de português é alu-
no de matemática)
Passemos para a próxima.
Observando o desenho, vemos claramente que este item é ver-
dadeiro.
3º) Teste da alternativa “c” (Nenhum A é G)
4°) Teste da alternativa “d” (todos os alunos de informática
são alunos de matemática)
Observando os desenhos dos círculos, verificamos que, para
Pelo desenho, temos que esta alternativa está errada.
o desenho de A que está mais a esquerda, esta alternativa não é 5°) Teste da alternativa “e” (todos os alunos de informática
verdadeira, isto é, tem elementos em A que estão em G. são alunos de português)
Pelo mesmo motivo a alternativa “e” não é correta. Pelo desenho, temos que esta alternativa também está errada.
Portanto, a resposta é a alternativa “A”.
Resposta: alternativa C.
3- (SERPRO 2001 ESAF) Todos os alunos de matemática
são, também, alunos de inglês, mas nenhum aluno de inglês é alu-
no de história. Todos os alunos de português são também alunos de
informática, e alguns alunos de informática são também alunos de LÓGICA DE PRIMEIRA ORDEM
história. Como nenhum aluno de informática é aluno de inglês, e
como nenhum aluno de português é aluno de história, então:
a) pelo menos um aluno de português é aluno de inglês.
b) pelo menos um aluno de matemática é aluno de história. Sentenças abertas e quantificadores
c)) nenhum aluno de português é aluno de matemática.
d) todos os alunos de informática são alunos de matemática. Sentenças Abertas
e) todos os alunos de informática são alunos de português. No capítulo um, comentamos sobre as sentenças abertas, que
são sentenças do tipo:
Solução: a) x + 3 = 10
b) x > 5
O enunciado traz as seguintes proposições categóricas: c) (x+1)² – 5 = x²
1. Todos os alunos de matemática são, também, alunos de in- d) x – y = 20
glês e) Em 2004 foram registradas 800+z acidentes de trânsito em
2. Nenhum aluno de inglês é aluno de história São Paulo.
3. Todos os alunos de português são também alunos de infor- f) Ele é o juiz do TRT da 5ª Região.
mática Tais sentenças não são consideradas proposições porque seu
4. Alguns alunos de informática são também alunos de história valor lógico (V ou F) depende do valor atribuído à variável (x, y,
5. Nenhum aluno de informática é aluno de inglês z,...). O pronome ele que aparece na última sentença acima, funcio-
6. Nenhum aluno de português é aluno de história na como uma variável, a qual se pode atribuir nomes de pessoas.

Didatismo e Conhecimento 12
RACIOCÍNIO LÓGICO
Há, entretanto, duas maneiras de transformar sentenças aber- Podemos simplificar a notação simbólica das proposições,
tas em proposições: conforme mostrado abaixo:
1ª) atribuir valor às variáveis; (x)(xN)(x + 3 = 10) pode ser escrita como (x N)(x + 3 = 10);
2ª) utilizar quantificadores. (x)(xZ)(x² x) pode ser escrita como (x Z) (x² x)
A primeira maneira foi mostrada no capítulo um, mas vejamos
outros exemplos: O Quantificador Existencial
Ao atribuir a x o valor 5 na sentença aberta x + 3 = 10, esta O quantificador existencial é indicado pelo símbolo que se lê:
transforma-se na proposição 5 + 3 = 10, cujo valor lógico é F. existe pelo menos um, existe um, existe, para algum.
Ao atribuir a x o valor 2 na sentença aberta (x+1)² – 5 = x², Passemos a exemplos de transformações de sentenças abertas
esta transforma-se na proposição (2+1)²– 5 = 2², que resulta em 4 em proposições usando o quantificador existencial:
= 4, tendo, portanto, valor lógico V.
A seguir, veremos a transformação de uma sentença aberta 1) (x)(xN)(x² = 4)
numa proposição por meio de quantificadores. O símbolo é o quantificador existencial, x é a variável, N é o
conjunto dos números naturais e x²=4 é a sentença aberta.
Quantificadores
A proposição (x)(xN)(x² = 4) se lê da seguinte maneira: “Exis-
Consideremos as afirmações:
te pelo menos um x pertencente ao conjunto dos números naturais
a) Todo sangue é vermelho.
b) Cada um dos alunos participará da excursão. tal que x² = 4”.
c) Algum animal é selvagem. Qual o valor lógico dessa proposição? Ao resolver a equação
d) Pelo menos um professor não é rico. x²= 4, encontramos como raízes os valores 2 e -2, sendo apenas o
e) Existe uma pessoa que é poliglota. primeiro um número natural. Como existe uma raiz que é um nú-
f) Nenhum crime é perfeito. mero natural, então a proposição tem valor lógico Verdade.

Expressões como “todo”, “cada um”, “algum”, “pelo menos 2) (y)(yR)(y + 1 = y + 2)


um”, “existe”, “nenhum” são quantificadores. O símbolo é o quantificador existencial, y é a variável, R é
Há fundamentalmente dois tipos de quantificadores: Univer- o conjunto dos números reais e y + 1 = y + 2 é a sentença aberta.
sal e Existencial. A proposição (y)(yR)(y + 1 = y + 2) se lê da seguinte maneira:
“Existe pelo menos um y pertencente ao conjunto dos números
O Quantificador Universal reais tal que y + 1 = y + 2”.
Podemos simplificar a sentença y + 1 = y + 2, cortando o y de
O quantificador universal é indicado pelo símbolo que se lê: cada lado da igualdade, resultando em 1 = 2. Não há y que dê jeito
para todo, para cada, qualquer que seja. de fazer 1 igual a 2, portanto a proposição é Falsa.
Veremos agora exemplos de transformações de sentenças
abertas em proposições: Há outro quantificador que deriva do quantificador existencial,
ele é chamado de quantificador existencial de unicidade, simboli-
1) (x)(xN)(x + 3 = 10) zado por | que se lê: existe um único, existe um e um só. Exemplos:
O símbolo “ é o quantificador universal, x é a variável, N é o
conjunto dos números naturais e x + 3 = 10 é a sentença aberta. (É 1) (| x)(xN)(x + 5 = 7) que se lê: “existe um único número x
frequente em questões de concurso a sentença aberta ser chamada pertencente ao conjunto dos números naturais tal que x + 5 = 7”.
de predicado ou propriedade.) Realmente, só existe o número 2 que satisfaz essa sentença, daí a
A proposição (x)(xN)(x² = 4) se lê da seguinte maneira: “Para proposição tem valor lógico Verdade.
todo elemento x do conjunto dos números naturais, temos que x +
3 = 10”.
Da mesma forma que o quantificador universal, também po-
Qual o valor lógico dessa proposição? É claro que é Falso,
demos simplificar a representação simbólica das proposições com
pois se fizermos, por exemplo, o x igual ao número natural 1, tere-
mos 1 + 3 = 10 (resultado falso!). quantificador existencial, por exemplo:

2) (x)(xZ)(x² x) - (| x)(xZ)(x³= 5x2) pode ser escrita como ((| x N)(x³= 5x2);
O símbolo é o quantificador universal, x é a variável, Z é o
conjunto dos números inteiros e x² xé a sentença aberta. Representação Simbólica das Proposições Categóricas
A proposição (x)(xZ)(x² x) se lê da seguinte maneira: “Para
todo elemento x do conjunto dos números inteiros, temos que x² x. A tabela abaixo mostra a representação simbólica (na lingua-
Qual o valor lógico dessa proposição? Os números inteiros gem da lógica de 1.ª ordem) de cada uma das proposições categó-
são {... -3, -2, -1, 0, 1, 2, 3...}. Se substituirmos qualquer um desses ricas.
números na sentença x² x, o resultado será sempre verdadeiro.
Portanto, o valor lógico da proposição é Verdade.
Se mudássemos do conjunto dos inteiros (Z) para o conjunto
dos números racionais (Q), a proposição (x)(xZ)(x² x) tornar-se-ia
Falsa. Pois, se substituirmos x por 1/2, teremos (1/2)² 1/2, que re-
sulta em 1/4 1/2 (resultado falso!).

Didatismo e Conhecimento 13
RACIOCÍNIO LÓGICO
Como era de se esperar a representação do todo A é B é uma Desse modo, podemos dizer que o número de formas diferente
condicional. O Algum A é B significa intersecção entre A e B, por- que pode ocorrer em um acontecimento é igual ao produto m . n. 
tanto é representado pela conjunção. O Nenhum A é B é a negação
do Algum A é B, por isso que sua representação é a do algum com Exemplo: 
um til (~) na frente. E por último, o Algum A não é B é a negação Alice decidiu comprar um carro novo, e inicialmente ela quer
de Todo A é B. Poder-se-ia colocar apenas um til (~) na frente. se decidir qual a modelo e a cor do seu novo veículo. Na conces-
sionária onde Alice foi há 3 tipos de modelos que são do interesse
Exercícios Resolvidos: dela: Siena, Fox e Astra, sendo que para cada carro há 5 opções de
1) (ICMS-SP 2006/FCC) Considere as seguintes frases: cores: preto, vinho, azul, vermelho e prata. 
I. Ele foi o melhor jogador do mundo em 2005. Qual é o número total de opções que Alice poderá fazer? 
II. (x+y)/5 é um número inteiro.
III. João da Silva foi o secretário da Fazenda do Estado de São Resolução: 
Paulo em 2000.
É verdade que apenas: Segundo o Principio Fundamental da Contagem, Alice tem 3×5
a) I e II são sentenças abertas. opções para fazer, ou seja,ela poderá optar por 15 carros diferentes. 
b) I e III são sentenças abertas Vamos representar as 15 opções na árvore de possibilidades: 
c) II e III são sentenças abertas
d) I é uma sentença aberta.
e) II é uma sentença aberta

Solução:
A frase I é uma sentença aberta, pois “Ele” pode, nesta ques-
tão, estar se referindo a uma homem qualquer. Não podemos
classificá-la em V ou F, porque não sabemos sobre quem estamos
falando. A frase I seria uma proposição se, por exemplo, o locutor
apontasse para uma pessoa e falasse “Ele foi o melhor jogador do
mundo em 2005”.
A frase II é, sem dúvida, uma sentença aberta, pois há duas variá-
veis e infinitos valores que podem tornar a frase verdadeira ou falsa. 
Já a frase III não é uma sentença aberta, pois facilmente podemos
verificar o sujeito e classificá-la em V ou F.

2) Identifique com F as sentenças fechadas e com A as abertas


a) ( ) 4 + 7 = 10      e) ( ) 18x + 3 = 3
b) ( ) 6 + x = 2        f) ( ) z - 6 = -10
c) ( ) 2 - 1 < 5         g) ( ) 5 - 2 = 9
d) ( ) y - 3 = 6         h) ( ) A baleia é um mamífero

Respostas:
1) A
2) a) F  b) A  c) F  d) A  e) A  f) A  g) F  h) F

PRINCÍPIOS DE CONTAGEM
E PROBABILIDADE.

Generalizações:
Um acontecimento é formado por k estágios sucessivos e in-
Princípio fundamental da contagem  dependentes, com n1, n2, n3, … , nk possibilidades para cada. O
total de maneiras distintas de ocorrer este acontecimento é n1 . n2 .
Princípio Fundamental da Contagem é o mesmo que a Regra n3 . … . nk. 
do Produto, um princípio combinatório que indica quantas vezes e
as diferentes formas que um acontecimento pode ocorrer.  Cálculo Combinatório
Técnicas de contagem 
O acontecimento é formado por dois estágios caracterizados
como sucessivos e independentes:  Na Técnica de contagem não importa a ordem. 
• O primeiro estágio pode ocorrer de m modos distintos.  Considere A = {a; b; c; d; …; j} um conjunto formado por 10
• O segundo estágio pode ocorrer de n modos distintos.  elementos diferentes, e os agrupamentos ab, ac e ca”. 

Didatismo e Conhecimento 14
RACIOCÍNIO LÓGICO
ab e ac são agrupamentos sempre distintos, pois se diferenciam pela natureza de um dos elemento. 
ac e ca são agrupamentos que podem ser considerados distintos ou não distintos pois se diferenciam somente pela ordem dos elementos. 
Quando os elementos de um determinado conjunto A forem algarismos, A = {0, 1, 2, 3, …, 9}, e com estes algarismos pretendemos obter
números, neste caso, os agrupamentos de 13 e 31 são considerado distintos, pois indicam números diferentes. 
Quando os elementos de um determinado conjunto A forem pontos, A= {A1, A2, A3, A4, A5…, A9}, e com estes pontos pretendemos obter
retas, neste caso os agrupamentos   são iguais, pois indicam a mesma reta.

Conclusão 

Os agrupamentos 
1. Em alguns problemas de contagem, quando os agrupamentos se diferirem pela natureza de pelo menos um de seus elementos, os
agrupamentos serão considerados distintos. 
Neste caso os agrupamentos são denominados combinações. 

Pode ocorrer: 
O conjunto A é formado por pontos e o problema é saber quantas retas esses pontos determinam. 
2. Quando se diferir tanto pela natureza quanto pela ordem de seus elementos, os problemas de contagem serão agrupados e conside-
rados distintos.
  Neste caso os agrupamentos são denominados arranjos. 

Pode ocorrer: 
O conjunto A é formado por algarismos e o problema é contar os números por eles determinados.

Arranjos Simples

Definição 
Arranjos Simples são agrupamentos sem repetições em que um grupo se torna diferente do outro pela ordem ou pela natureza dos ele-
mentos componentes. 
Seja A um conjunto com n elementos e k um natural menor ou igual a n. 
Os arranjos simples k a k dos n elementos de A, são os agrupamentos, de k elementos distintos cada, que diferem entre si ou pela natu-
reza ou pela ordem de seus elementos. 

Cálculos do número de arranjos simples:

Na formação de todos os arranjos simples dos n elementos de A, tomados k a k: 

No Princípio Fundamental da Contagem (An, k), o número total de arranjos simples dos n elementos de A (tomados k a k), temos: 

                         (é o produto de k fatores) 

Didatismo e Conhecimento 15
RACIOCÍNIO LÓGICO
Multiplicando e dividindo por (n – k)!.  Exemplo 

Considere A = {a, b, c, d} um conjunto com elementos dis-


tintos. Com os elementos de A podemos formar 4 combinações de
três elementos cada uma: 

Permutações

Definição 

Considere A como um conjunto com n elementos. Os arranjos


simples n a n dos elementos de A, são denominados permutações
simples de n elementos. 
De acordo com a definição, as permutações têm os mesmos
elementos. São os n elementos de A. As duas permutações diferem
entre si somente pela ordem de seus elementos. 

Cálculo do número de permutação simples:

O número total de permutações simples de n elementos indi- Se trocarmos os 3 elementos das 4 combinações obtemos to-
cado por Pn, e fazendo k = n na fórmula An , k = n (n – 1) (n – 2) . dos os arranjos 3 a 3:
… . (n – k + 1), temos: 

(4 combinações) x (6 permutações) = 24 arranjos 

Logo: 

Combinações simples 

Definição 

Combinação simples são agrupamentos formados com os ele-


mentos de um conjunto que se diferenciam somente pela natureza Cálculo do número de combinações simples: O número to-
de seus elementos.  tal de combinações simples dos n elementos de A representados
Considere A como um conjunto com n elementos k um na- por C n , k, tomados k a k, analogicamente ao exemplo apresen-
tural menor ou igual a n. Os agrupamentos de k elementos dis- tado, temos: 
tintos cada um, que diferem entre si apenas pela natureza de seus a) Trocando os k elementos de uma combinação k a k, obte-
elementos são denominados combinações simples k a k, dos n mos Pk arranjos distintos. 
elementos de A.  b) Trocando os k elementos das Cn , k . Pk arranjos distintos. 

Didatismo e Conhecimento 16
RACIOCÍNIO LÓGICO
Portanto:  Exercícios:

1- Quantos são os números naturais de dois algarismos que


são múltiplos de 5?
Como o zero à esquerda de um número não é significativo, para
que tenhamos um número natural com dois algarismos ele deve
começar com um dígito de 1 a 9, temos portanto 9 possibilidades.
Lembrando que: Para que o número seja um múltiplo de 5, o mesmo deve ter-
minar em 0 ou 5, portanto temos apenas 2possibilidades.
A multiplicação de 9 por 2 nos dará o resultado desejado.
Logo: São 18 os números naturais de dois algarismos que são
múltiplos de 5.

Também pode ser escrito assim: 2- Eu possuo 4 pares de sapatos e 10 pares de meias. De quan-
tas maneiras poderei me calçar utilizando um par de meias e um
de sapatos?
Pelo princípio fundamental da contagem temos que mul-
tiplicar 4, que é o número de elementos do primeiro conjunto,
por 10 que corresponde ao número de elementos do segundo
conjunto.
Combinações completas  Portanto: Poderei me calçar de 40 maneiras diferentes.

Combinações completas de n elementos, de k a k, são combi- 3- De quantas formas podemos dispor as letras da pala-
nações de k elementos não necessariamente distintos.  vra FLUOR de sorte que a última letra seja sempre a letra R?
Em vista disso, quando vamos calcular as combinações com- Para a última letra, segundo o enunciado temos apenas uma
pletas devemos levar em consideração as combinações com ele- possibilidade que é a letra R.
mentos distintos (combinações simples) e as combinações com Para a primeira, segunda, terceira e quarta letras temos respec-
elementos repetidos.  tivamente 4, 3, 2 e 1 possibilidades. Assim temos:
O total de combinações completas de n elementos, de k a k, 4.3.2.1.1=24
indicado por   : Note que este exemplo é semelhante ao caso dos livros, ex-
plicado no início da página, só que neste caso teríamos mais um
livro, digamos de ciências, que sempre seria colocado na pilha por
último.
Podemos dispor as letras da palavra FLUOR de 24 formas
diferentes, tal que a última letra seja sempre a letra R.
  4) Quantas palavras com significado ou não de 3 letras pode-
mos formar com as letras A,L,I? 
Arranjos completos  Resolução:
Vamos denotar o conjunto das letras A,L,I sendo X= {A,L,I}
Arranjos completos de n elementos, de k a k são os arranjos de Como estamos trabalhando com permutações, então P=n ,
k elementos não necessariamente distintos.  logo temos
Em vista disso, quando vamos calcular os arranjos completos, 3 possibilidades para a 1º posição
deve-se levar em consideração os arranjos com elementos distintos 3-1 possibilidades para a 2º posição
(arranjos simples) e os elementos repetidos.  3-2 possibilidades para a 3º posição
O total de arranjos completos de n elementos, de k a k, e indi- Note que sempre que tratarmos sobre permutações, e não
cado simbolicamente por A*n,k dado por:  existir nenhuma condição para permutar os elementos do conjun-
to, P(n) = n!
Considerando:  Ou seja se temos 3 elementos, então P3 =3! = 6 palavras dife-
α elementos iguais a a, β elementos iguais a b,  rentes.
γ elementos iguais a c, …, 
λ elementos iguais a l,  5) De quantas maneiras uma família de 5 pessoas pode sentar-
Totalizando em α + β + γ + … λ = n elementos.  -se num banco de 5 lugares para tirar uma foto?
Simbolicamente representado por Pnα, β, γ, …, λo número de Vamos denotar o conjunto destas cinco pessoas sendo X={
permutações distintas que é possível formarmos com os n elemen- P,M,F1,F2,F3}
tos:  Note que sempre que tratarmos sobre permutações, e não
existir nenhuma condição para permutar os elementos do conjun-
to, P(n) = n!
Ou seja se temos 5 elementos, então P5  =5! = 120 maneiras
diferentes.

Didatismo e Conhecimento 17
RACIOCÍNIO LÓGICO
A seguir indicaremos o numero de elementos comuns de (I n
OPERAÇÕES COM CONJUNTOS II), (I n III) e (II n III) por “x”. Logo, os elementos excedentes a “
x” , são, respectivamente: (21 - x); (13 - x) e (11 - x). Assim, então,
podemos representar o que se segue:

1. (CHESF – Administração – Cesgranrio/2012) Para


preencher vagas disponíveis, o departamento de pessoal de uma
empresa aplicou um teste em 44 candidatos, solicitando, entre ou-
tras informações, que o candidato respondesse se já havia traba-
lhado:
I - em setor de montagem eletromecânica de equipamentos;
II - em setor de conserto de tubulações urbanas;
III - em setor de ampliações e reformas de subestações de bai-
xa e de alta tensão.
Analisados os testes, o departamento concluiu que todos os Completando o restante do diagram a de Venn com os valores
candidatos tinham experiência em pelo menos um dos setores cita- citados no enunciado, temos:
dos anteriormente e que tinham respondido afirmativamente:
-28 pessoas a RESPOSTA: I;
-4 pessoas somente a RESPOSTA: I;
-1 pessoa somente a RESPOSTA: III;
-21 pessoas as RESPOSTA: s I e II;
-11 pessoas as RESPOSTA: s II e III;
-13 pessoas as RESPOSTA: s I e III.
Com base nas informações anteriores, assinale a opção incor-
reta:
A) Apenas 10 candidatos tem experiência nos 3 setores.
B)O Somente 36 candidatos tem experiência no setor de con-
serto de tubulações urbanas.
C) Apenas 15 candidatos tem experiência no setor de amplia-
ções e reformas de subestações. Para determinarmos os valores de “ x” e “ y ” , consideramos
D) Somente 2 candidatos tem experiência apenas nos setores o primeiro dado do enunciado:
de montagem e de ampliações e reformas de subestações. -28 pessoas a RESPOSTA: I.
E) Somente 1 candidato tem experiência apenas nos setores Logo, podemos dizer que:
de conserto de tubulações urbanas e de ampliações e reformas de 4 + (13 - x) + x + (21 - x) = 28 4 + 13 - x + x + 21 - x = 28 ^
subestações. 38 - x = 28 - x = 28-38 - x = - 10x(- 1) x = 10 candidatos.
De acordo com os dados da questão, a soma de todos os ele-
A representação dos três conjuntos, I, II e III, por diagrama s mentos contidos no diagrama de Venn acima e 44. Assim sendo,
de Venn, pode ser dada por: podemos determinar o valor de “ y ” :
4 + (13 - 10) + 10 + (21 - 10) + (11 - x) + 1 + y = 44, e substi-
tuindo “x = 10”, vem:
30 + y = 44 y = 44 - 30 -> y=14 candidatos
Concluímos, então, que o diagrama de Venn pode ser apresen-
tado das seguintes formas abaixo:

Convém indicar inicialmente por “ x” o numero de elementos


de (I n II n III), isto e, o numero de candidatos que tinham expe-
riência nos três setores classificados.

Assim sendo, a única RESPOSTA: que discorda do diagrama


de Venn acima e o item c, que afirma que somente 2 (e não 3!!!)
candidatos tem experiência apenas nos setores de montagem e de
ampliações e reformas de subestações.
RESPOSTA: “C”.

Didatismo e Conhecimento 18
RACIOCÍNIO LÓGICO
2. (HUB/EBSERH – Área administrativa - IBFC/2013) Devemos fazer o digrama, começando pelas interseções:
Numa pesquisa, sobre a preferência entre 2 produtos, foram entre- - Escolheram os dois produtos: x.
vistadas 320 pessoas e chegou-se ao seguinte resultado: 210 prefe- - Escolheram somente o produto A: 175 - x.
riram o produto A, 190 preferiram o produto B e 45 nenhum dos - Escolheram somente o produto B: 120 - x.
dois. Portanto, o total de entrevistados que preferiram somente um - Não opinaram: 35 pessoas.
dos produtos foi de: - Total: 320 pessoas.
A) 150
B) 125
C) 35
D) 85

Devemos fazer o digrama, começando pelas interseções:


- Preferiram os dois produtos: x.
- Preferiram somente o produto A: 210 - x.
- Preferiram somente o produto B: 190 - x
- Não opinaram: 45 pessoas.
- Total: 320 pessoas. 175 – x + x + 120 – x + 35 = 320
330 – x = 320
- x = -10
x = 10

Substituindo o valor de x, teremos:

210 – x + x + 190 - x + 45 = 320


445 – x = 320
- x = 320 – 445
- x = -125
x = 125
-10 pessoas escolheram os dois produtos.
- 165 pessoas escolheram somente o produto A.
Substituindo o valor de x, teremos:
- 110 pessoas escolheram apenas o produto B.
- 165 + 10 + 110 = 285 pessoas gostam do produto A ou do
produto B.
RESPOSTA: “B”.

4. (HUB/EBSERH – Área administrativa - IBFC/2013)


Dos 320 alunos de uma academia de ginástica, sabe-se que 170
praticam aeróbica, 148 praticam natação, 172 praticam boxe, 80
praticam aeróbica e boxe, 75 praticam natação e boxe, 62 praticam
aeróbica e natação e 23 praticam os três. Nessas condições pode-
O total de entrevistados que preferiram somente um dos pro- mos afirmar que:
dutos (ou o A ou o B) foi de: A) 40 alunos praticam somente natação.
85 + 65 = 150 B) 74 alunos praticam natação ou aeróbica.
RESPOSTA: “A”. C) 91 alunos praticam aeróbica ou boxe.
D) O total de alunos que não fazem aeróbica, boxe e natação
3. (HUB/EBSERH – Área administrativa - IBFC/2013) é igual a 34.
Numa pesquisa com 320 pessoas sobre a escolha entre dois produ- E) 51 alunos praticam somente boxe.
tos A e B constatou-se que: 175 escolheram o produto A, 120 esco-
lheram o produto B e 35 não opinaram, podemos dizer então que: Devemos fazer o digrama, começando pelas interseções de
A) 20 pessoas escolheram os dois produtos. dentro par fora:
B) 110 pessoas escolheram somente o produto B. - Praticam os três: 23 alunos
C) 155 pessoas escolheram somente o produto A. - Praticam somente aeróbica e natação = 62 – 23 = 39 alunos.
D) 275 pessoas gostam do produto A ou do produto B. - Praticam somente natação e boxe: 75 – 23 = 52 alunos.
E) Menos de 10 pessoas escolheram os dois produtos. - Praticam somente aeróbica e natação: 80 – 23 = 57 alunos.

Didatismo e Conhecimento 19
RACIOCÍNIO LÓGICO
- praticam somente natação: 34 alunos
- praticam natação ou aeróbica: 51 + 39 + 34 + 57 + 23 + 52
= 256 alunos.
- praticam aeróbica ou boxe: 51 + 39 + 57 + 23 + 52 + 40 =
262 alunos.
- O total de alunos que não fazem aeróbica, boxe e natação é
igual a 24.
- praticam somente boxe: 40 alunos
Essa questão não possui RESPOSTA: correta. Deveria ter
sido anulada. O gabarito apontado pela IBFC foi a letra C.

5. (HUB/EBSERH – Área administrativa - IBFC/2013)


Dois candidatos A e B disputaram um cargo numa empresa. Os
funcionários da empresa poderiam votar nos dois ou em apenas
um deles ou em nenhum deles. O resultado foi o seguinte: 55% dos
funcionários escolheram o candidato A, 75% escolheram o candi-
Prosseguindo, temos que: dato B, 10% dos votos foram em branco. Pode-se afirmar então
- 170 praticam aeróbica: 170 – (39 + 23 + 57) = 51 praticam que o total de funcionários que escolheram somente um dentre os
somente aeróbica. dois candidatos foi de:
- 148 praticam natação: 148 – (39 + 23 + 52) = 34 praticam A) 50%
somente natação. B) 40%
- 172 praticam boxe: 172 – (57 + 23 + 52) = 40 praticam so- C) 90%
mente boxe. D) 120%

Mais uma vez devemos fazer o digrama, começando pelas in-


terseções:
- Votaram nos dois candidatos: x %.
- Votaram somente no candidato A: 55% - x %.
- Escolheram somente o produto B: 75% - x %.
- Votos em branco: 10%
- Total: 100%

Somando todos os valores: 51 + 39 + 34 + 57 + 23 + 52 + 40 55 – x + x + 75 – x + 10 = 100


= 296, como no total são 320 alunos, podemos concluir que 320 – 140 – x = 100
296 = 24 alunos não praticam aeróbica, boxe, ou natação. - x = - 40
x = 40

Então:

Pode-se afirmar então que o total de funcionários que esco-


lheram somente um dentre os dois candidatos foi de: 15% + 35%
= 50%.
RESPOSTA: “A”.

Didatismo e Conhecimento 20
RACIOCÍNIO LÓGICO
6. (HUB/EBSERH – Área administrativa - IBFC/2013) 8. (ANVISA - Técnico Administrativo – CETRO/2013)
Uma pesquisa, envolvendo 1.000 pessoas, verificou que todas es- Considere as premissas:
tavam contaminadas por um dos vírus X ou Y ou por ambos. Se P1: Todos os ϫ são ¥.
havia 450 pessoas contaminadas pelo vírus X e, dessas, 60 esta- P2: Todos os ¥ são Ϯ.
vam contaminadas por ambos os vírus, qual o número de pessoas P3: Quem é € não é Ϯ.
contaminadas apenas pelo vírus Y? Assinale a RESPOSTA: que não é uma consequência lógica
A) 390 das três premissas apresentadas.
B) 490 A) Os ϫ não são €.
C) 510 B) Os ¥ não são €.
D) 550 C) Os Ϯ não são €.
E) 610 D) Os Ϯ são ¥.
E) Os ϫ são Ϯ.
Novamente devemos começar pela interseção: 60 pessoas es-
tavam contaminadas pelos dois vírus. Representando as premissas P1, P2 e P3 por diagramas lógi-
Contaminadas somente pelo vírus X: 450 – 60 = 390 cos, teremos:

P1: Todos os ϫ são ¥.

390 + 60 + y = 1000
450 + y = 1000
y = 1000 – 450
y = 550
RESPOSTA: “D”.

7. (HUB/EBSERH – Área administrativa - IBFC/2013)


Em uma escola, são praticados dois esportes – futebol e basquete
– do seguinte modo: 54 alunos praticam apenas um esporte; 32
praticam futebol; 12 praticam ambos e 74 não praticam basquete.
Qual é o total de alunos da escola?
A) 108.
B) 120.
C) 124.
D) 128.
E) 132.

- Praticam os dois: 12 alunos


- Praticam apenas futebol: 32 – 12 = 20 alunos
- Se 54 alunos praticam apenas um esporte e 20 alunos pra-
ticam apensa futebol, então 54-20=34 praticam apenas basquete.
- Os alunos que não praticam basquete são aqueles que pra-
ticam apenas futebol mais aqueles que não praticam nenhum dos
dois esportes, logo, 74 – 20 = 54 não praticam nenhum dos dois
esportes.

U = 20 + 12 + 34 + 54
U = 120 alunos
RESPOSTA: “B”.

Didatismo e Conhecimento 21
RACIOCÍNIO LÓGICO
Logo, podemos concluir que:
(a) Se todos os ϫ são ¥ e todos os ¥ são Ϯ, portanto, Todos os ϫ são Ϯ.
(b) Quem é € não é Ϯ, logo, também não será nem ϫ, nem ¥.
RESPOSTA: “D”.

9. (ANVISA - Técnico Administrativo – CETRO/2013) Em um pote de doces, sabe-se que existe pelo menos um chiclete que é de
hortelã. Sabe-se, também, que todos os doces do pote que são de sabor hortelã são verdes. Segue-se, portanto, necessariamente que
A) todo doce verde é de hortelã.
B) todo doce verde é chiclete.
C) nada que não seja verde é chiclete.
D) algum chiclete é verde.
E) Algum chiclete não é verde.

Sejam as premissas:
P1: Existe pelo menos um chiclete que é de hortelã.
P2: Todos os doces do pote que são de sabor hortelã são verdes.
Portanto, representando as premissas P1 e P2 na forma de diagramas lógicos,obteremos a seguinte situação conclusiva:

P2: Todos os doces do pote que são de sabor hortelã são verdes.

Podendo ser representa de duas formas:

Por esses diagramas, podemos concluir que:


(a) Nem todo chiclete é de hortelã e verde.
(b) algum chiclete é de hortelã e verde.
(c) todos os chicletes podem ser verdes ou não.
RESPOSTA: “D”.

Didatismo e Conhecimento 22
RACIOCÍNIO LÓGICO
DSI - DSP = 3
RACIOCÍNIO LÓGICO ENVOLVENDO E depois considerar que nessa distância de três metros o robô
PROBLEMAS ARITMÉTICOS, A é 10 segundos mais lento por metro, ou seja, a diferença total de
GEOMÉTRICOS E MATRICIAIS. tempo é igual a:
Diferença de tempo = ( DSI - DSP) * (30 - 20)
Sendo 30 o tempo que o robô A leva para percorrer o trecho
ímpar e 20 o tempo que o robô B leva para percorrer o trecho ímpar.
1. (TCU – ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - CES- Diferença de tempo = 3 * 10 = 30
PE/2013) Efetuando as multiplicações 2 × 2 , 4 × 4 , 6 × 6 , 8 × 8 , RESPOSTA: “C”.
... , obtemos uma sequência de números representada a seguir pelos
seus quatro primeiros elementos: (4 , 16 , 36 , 64 , ... ). 3. (MI - Assistente Técnico administrativo - Cespe/
Seguindo a mesma lógica, o 1000° elemento dessa sequência UnB/2013) A figura abaixo mostra quatro cilindros que rolam uns
será 4.000.000 e o 1001° elemento será 4.008.004. Dessa forma, o contra os outros, sem deslizamento. Sabe-se que os diâmetros de A
1002° elemento será e D medem 4 e 8 centímetros respectivamente; o diâmetro de B é
A) 4.016.008. quatro vezes o diâmetro de C; a soma dos diâmetros de A e D é a
B) 4.008.036. metade do diâmetro de B; e a velocidade de A é 180 rotações por
C) 4.016.036. minuto (r.p.m.). A velocidade de D, em r.p.m., é:
D) 4.008.016. A) 60;
E) 4.016.016. B) 90;
C) 120;
Temos multiplicação de números pares. D) 180;
Logo, an=2n.2n E) 360.
an=2n²
an=4n² Se os cilindros A e D somam 12 centímetros e o cilindro B tem
Então temos: o dobro desta soma, tem-se que B possui 24 centímetros de diâme-
RESPOSTA: “E”. tro. Logo, o cilindro C possui um quarto de 24 centímetros, ou seja,
6 centímetros. Quando um cilindro é maior que o anterior, deve-se
2. (TCE/SE – Técnico de Controle Externo – FCC/2012) O dividir a velocidade deste pela razão. Quando um cilindro é menor
robô A percorre um segmento de reta com medida par, em metros, que o anterior, deve-se multiplicar a velocidade deste pela razão.
em 20 segundos cada metro; um segmento de reta com medida ím-
par, em metros, é percorrido em 30 segundos cada metro. O robô
B percorre em 20 segundos cada metro os segmentos de medida Cilindro Diâmetro (cm) Razão Velocidade (RPM)
ímpar, em metros. Os segmentos de medida par, em metros, o robô A 4   180
B percorre em 30 segundos.
B 24 A/6 30
Um percurso com segmentos de reta de 2 metros, 3 metros, 4
metros, 7 metros, 4 metros e 3 metros será percorrido pelo robô mais C 6 B=4C 120
rápido, neste percurso, com uma vantagem, em segundos, igual a D 8 0,75C 90
A) 10
B) 20 RESPOSTA: ”B”.
C) 30
D) 35 4. (MI - Assistente Técnico administrativo - Cespe/
E) 40 UnB/2013) Uma empresa pretende construir um deposito de mate-
rial em forma de um paralelepípedo, cuja base retangular tem 40 m
A forma mais rápida de resolver a questão é começar fazendo a de comprimento. A base e a altura das tesouras do telhado do depo-
soma do total das distâncias pares e ímpares: sito tem, respectivamente, 32 m e 5 m, conforme ilustra a figura ao
Vamos chamar de DSP a soma dos segmentos pares e de DSI a lado. Considerando as informações acima e a figura apresentada, e
soma dos segmentos ímpares, assim temos: correto afirmar que a área do telhado a ser coberta, em m2, é:
DSP = 2 + 4 + 4 = 10
DSI = 3 + 7 + 3 = 13
Agora considerando a informação de que DSI é maior que DSP
podemos concluir que o robô B, que é mais rápido nos segmentos
ímpares, percorrerá o percurso em menor tempo.
A velocidade com que o robô A percorre os segmentos pares é
igual à velocidade com que o robô B percorre os segmentos ímpares
e vice-versa, dessa forma podemos concluir que se a distância dos
segmentos ímpares fosse igual à distância dos segmentos ímpares
os dois robôs percorreriam o percurso no mesmo tempo. Assim, po-
demos concluir que a forma mais rápida de calcular a diferença de
tempo entre um robô e outro consiste em calcular a diferença entre
DSI e DSP:

Didatismo e Conhecimento 23
RACIOCÍNIO LÓGICO
A) inferior a 900;
B) superior a 900 e inferior a 1.000;
C) superior a 1.000 e inferior a 1.100;
D) superior a 1.100 e inferior a 1.200;
E) superior a 1.200.

Área do telhado = 2x (b x l)

Calculo do lado (“l”) de um dos dois retângulos que compõem o telhado:

Aplicando o Teorema de Pitágoras em um dos triângulos retângulos formados pelas 2 tesouras, temos:
L² = 5² + 16² L² = 25 + 256 L² = 281 L = L = 16,76 m
L=2x40x 16,76=1.340,8 M²
RESPOSTA: “E”.

5. (MI - Assistente Técnico administrativo - Cespe/UnB/2013) Dadas as matrizes , calcule o deter-


minante do produto A.B.
A) 8
B) 12
C) 9
D) 15
E) 6

Ao multiplicarmos uma matriz quadrada A de ordem 2 por outra matriz quadrada B, também de ordem 2, o resultado obtido será uma
terceira matriz quadrada C, de mesma ordem:

Didatismo e Conhecimento 24
RACIOCÍNIO LÓGICO
onde, c11, c12, c21 e c22, são os elementos da matriz C formados pela multiplicação entre as linhas da matriz A pelas colunas da matriz B.

c11=2.2+3.1=7
c12=2.4+3.1=17
c21=1.2+3.1=5
c22=1.4+3.3=13

O determinante é o valor numérico de uma matriz de ordem quadrada. No caso de uma matriz de ordem 2, tem-se que o determinante
é calculado pela “diferença entre os produtos dos elementos que se encontram, respectivamente, nas diagonais principais e secundárias”:

RESPOSTA: “E”.

6. (MI - Assistente Técnico administrativo - Cespe/UnB/2013) Dado o sistema de equações lineares

O valor de x + y + z é igual a
A) 8
B) 16
C) 4
D) 12
E) 14

RESPOSTA: “E”.

Didatismo e Conhecimento 25
RACIOCÍNIO LÓGICO
7. (IBGE – Analista de sistemas - CESGRANRIO/2013) O carpinteiro José teve de dividir (sem sobras) uma placa retangular de
dimensões 7 dm por 6 dm, em quadrados de lados expressos por um número inteiro de decímetros, de modo a obter o menor número de
quadrados possível. Depois de vários ensaios, ele conseguiu resolver o problema, obtendo apenas 5 quadrados, cuja solução está indicada
na Figura abaixo, com as medidas em decímetros.

Agora José tem de resolver o mesmo problema, porém no caso do retângulo de dimensões 6 dm por 5 dm. Nesse caso, o menor número
de quadrados obtidos será
A) 12
B) 9
C) 6
D) 5
E) 4

Questão de percepção mesmo. Raciocínio lógico puro.


Segue desenho

RESPOSTA: “D”.

8. (IBGE – Analista de sistemas - CESGRANRIO/2013) Renato vai preencher cada quadrado da fila abaixo com um número, de
forma que a soma de quaisquer três números consecutivos na fila (vizinhos) sempre seja 2.014.

O número que Renato terá de colocar no lugar de N é


A) 287
B) 745
C) 982
D) 1.012
E) 1.032

Suponha soma 10 em três consecutivos.


5, 2, 3, 5, 2, 3. Veja que o “trio” se repete.
Veja que o 745 está no lugar do 5 no exemplo e o 287 está no lugar do 2 no exemplo. 
Logo o trio é 745 + 287 + X = 2014
X = 2014 – 745 – 287
X = 982 

Didatismo e Conhecimento 26
RACIOCÍNIO LÓGICO
Tendo como base o exemplo dado, teremos
745, 287, 982, 745, 287, 982…
O N está na 11ª posição.
O 745 assume a 1ª, 4ª, 7ª, 10ª posição
287 assume a 2ª, 5ª, 8ª, 11ª posição. Será 287.
RESPOSTA: “A”.

9. (Banco do Brasil – Escriturário - FCC/2013) – Depois


de ter comprado 15 livros de mesmo preço unitário, Paulo veri-
ficou que sobraram R$ 38,00 em sua posse, e faltaram R$ 47,00
para comprar outro livro desse mesmo preço unitário. O valor
que Paulo tinha inicialmente para comprar seus livros era, em
R$, de:
A) 1.225,00.
B) 1.305,00.
C) 1.360,00.
D) 1.313,00.
E) 1.228,00.

Sejam V o valor que Paulo dispunha para comprar os livros


e x o preço unitário do livro. Se comprando 15 livros sobraram
38 reais, então:
V = 15x + 38
Se comprando 16 livros faltaram 47 reais, então:
V = 16x – 47
Igualando as equações, temos:
16x – 47 = 15x + 38
16x – 15x = 38 + 47
x = 85
Se cada livro custava 85 reais, para encontrar o valor que
Paulo dispunha basta substituir x por 85 em qualquer uma das
equações anteriores. Substituindo na primeira, por exemplo, te-
mos:
V = 15x + 38
V = 15 . 85 + 38
V = 1313
Portanto, Paulo possuía 1313 reais.
RESPOSTA: “D”.

10. (Banco do Brasil – Escriturário - FCC/2013) Renato


aplicou R$ 1.800,00 em ações e, no primeiro dia, perdeu 1/2 do
valor aplicado. No segundo dia Renato ganhou 4/5 do valor que
havia sobrado no primeiro dia, e no terceiro dia perdeu 4/9 do
valor que havia sobrado no dia anterior. Ao final do terceiro dia
de aplicação, Renato tinha, em R$,
A) 820,00.
B) 810,00.
C) 800,00.
D) 900,00.
E) 1.200,00.

Início: 1800
1º dia: Perdeu , ou seja, sobrou 1800 – 900 = 900
2º dia: Ganhou , ou seja, ficou com 900 + 720 = 1620
3º dia: Perdeu , ou seja, ficou com 1620 – 720 = 900
Logo, ao final do terceiro dia Renato ficou com 900 reais.
RESPOSTA: “D”.

Didatismo e Conhecimento 27
ÉTICA E CONDUTA NO
SERVIÇO PÚBLICO
ÉTICA E CONDUTA NO SERVIÇO PÚBLICO
- Fornece as regras fundamentais da conduta humana. Deli-
Prof. Ma. Bruna Pinotti Garcia. mita o exercício da atividade livre. Fixa os usos e abusos da liber-
dade.
Advogada e pesquisadora. Mestre em Teoria do Direito e do - Doutrina do valor do bem e da conduta humana que o visa
Estado pelo Centro Universitário Eurípides de Marília (UNI- realizar.
VEM) – bolsista CAPES. Aluna especial do Doutorado do Pro- “Em seu sentido de maior amplitude, a Ética tem sido enten-
grama de Pós-Graduação em Direito da Universidade de Bra- dida como a ciência da conduta humana perante o ser e seus seme-
sília – UNB. Professora de curso preparatório para concursos lhantes. Envolve, pois, os estudos de aprovação ou desaprovação
(Maxi Educa) e universitária (Faculdade do Noroeste de Minas da ação dos homens e a consideração de valor como equivalente
– FINOM). Autora de diversos trabalhos científicos publicados de uma medição do que é real e voluntarioso no campo das ações
em revistas qualificadas, anais de eventos e livros, notadamente virtuosas”2.
na área do direito eletrônico, dos direitos humanos e do direito É difícil estabelecer um único significado para a palavra ética,
constitucional. mas os conceitos acima contribuem para uma compreensão geral
de seus fundamentos, de seu objeto de estudo.
Quanto à etimologia da palavra ética: No grego existem duas
vogais para pronunciar e grafar a vogal e, uma breve, chamada
ÉTICA E MORAL.
epsílon, e uma longa, denominada eta. Éthos, escrita com a vo-
gal longa, significa costume; porém, se escrita com a vogal breve,
éthos, significa caráter, índole natural, temperamento, conjunto das
disposições físicas e psíquicas de uma pessoa. Nesse segundo sen-
A ética é composta por valores reais e presentes na socieda- tido, éthos se refere às características pessoais de cada um, as quais
de, a partir do momento em que, por mais que às vezes tais valo- determinam que virtudes e que vícios cada indivíduo é capaz de
res apareçam deturpados no contexto social, não é possível falar praticar (aquele que possuir todas as virtudes possuirá uma virtude
em convivência humana se esses forem desconsiderados. Entre plena, agindo estritamente de maneira conforme à moral)3.
tais valores, destacam-se os preceitos da Moral e o valor do justo A ética passa por certa evolução natural através da história,
(componente ético do Direito). mas uma breve observação do ideário de alguns pensadores do
Se, por um lado, podemos constatar que as bruscas transfor- passado permite perceber que ela é composta por valores comuns
mações sofridas pela sociedade através dos tempos provocaram desde sempre consagrados.
uma variação no conceito de ética, por outro, não é possível negar Entre os elementos que compõem a Ética, destacam-se a Mo-
que as questões que envolvem o agir ético sempre estiveram pre- ral e o Direito. Assim, a Moral não é a Ética, mas apenas parte dela.
sentes no pensamento filosófico e social. Neste sentido, Moral vem do grego Mos ou Morus, referindo-se
Aliás, uma característica da ética é a sua imutabilidade: exclusivamente ao regramento que determina a ação do indivíduo.
a mesma ética de séculos atrás está vigente hoje. Por exemplo, Assim, Moral e Ética não são sinônimos, não apenas pela
respeitar o próximo nunca será considerada uma atitude antiética. Moral ser apenas uma parte da Ética, mas principalmente porque
Outra característica da ética é a sua validade universal, no sentido enquanto a Moral é entendida como a prática, como a realização
de delimitar a diretriz do agir humano para todos os que vivem no efetiva e cotidiana dos valores; a Ética é entendida como uma “fi-
mundo. Não há uma ética conforme cada época, cultura ou civili- losofia moral”, ou seja, como a reflexão sobre a moral. Moral é
zação. A ética é uma só, válida para todos eternamente, de forma ação, Ética é reflexão.
imutável e definitiva, por mais que possam surgir novas perspecti- Em resumo:
- Ética - mais ampla - filosofia moral - reflexão
vas a respeito de sua aplicação prática.
- Moral - parte da Ética - realização efetiva e cotidiana dos
É possível dizer que as diretrizes éticas dirigem o comporta-
valores - ação
mento humano e delimitam os abusos à liberdade, estabelecendo
No início do pensamento filosófico não prevalecia real distin-
deveres e direitos de ordem moral, sendo exemplos destas leis o
ção entre Direito e Moral, as discussões sobre o agir ético envol-
respeito à dignidade das pessoas e aos princípios do direito natural,
viam essencialmente as noções de virtude e de justiça, constituindo
bem como a exigência de solidariedade e a prática da justiça1.
esta uma das dimensões da virtude. Por exemplo, na Grécia antiga,
Outras definições contribuem para compreender o que signi- berço do pensamento filosófico, embora com variações de abor-
fica ética: dagem, o conceito de ética aparece sempre ligado ao de virtude.
- Ciência do comportamento adequado dos homens em socie- Aristóteles4, um dos principais filósofos deste momento histó-
dade, em consonância com a virtude. rico, concentra seus pensamentos em algumas bases:
- Disciplina normativa, não por criar normas, mas por desco- a) definição do bem supremo como sendo a felicidade, que
bri-las e elucidá-las. Seu conteúdo mostra às pessoas os valores e necessariamente ocorrerá por uma atividade da alma que leva ao
princípios que devem nortear sua existência. princípio racional, de modo que a felicidade está ligada à virtude;
- Doutrina do valor do bem e da conduta humana que tem por
objetivo realizar este valor. 2 SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed.
- Saber discernir entre o devido e o indevido, o bom e o mau, São Paulo: Atlas, 2010.
o bem e o mal, o correto e o incorreto, o certo e o errado. 3 CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. 13. ed.
1 MONTORO, André Franco. Introdução à ciên- São Paulo: Ática, 2005.
cia do Direito. 26. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 4 ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Tradução
2005. Pietro Nassetti. São Paulo: Martin Claret, 2006.

Didatismo e Conhecimento 1
ÉTICA E CONDUTA NO SERVIÇO PÚBLICO
b) crença na bondade humana e na prevalência da virtude so- busca torná-la mais justa e adequada ao ideário cristão. Assim, a
bre o apetite; atitude ética deve ser considerada de maneira coletiva, como im-
c) reconhecimento da possibilidade de aquisição das virtudes pulsora da sociedade justa, embora partindo da pessoa humana in-
pela experiência e pelo hábito, isto é, pela prática constante; d) dividualmente considerada como um ser capaz de agir conforme
afastamento da ideia de que um fim pudesse ser bom se utilizado os valores morais.
um meio ruim. Já a discussão sobre o conceito de justiça, intrínseca na do
Já na Idade Média, os ideais éticos se identificaram com os conceito de ética, embora sempre tenha estado presente, com
religiosos. O homem viveria para conhecer, amar e servir a Deus, maior ou menor intensidade dependendo do momento, possuiu di-
diretamente e em seus irmãos. Santo Tomás de Aquino5, um dos versos enfoques ao longo dos tempos.
principais filósofos do período, lançou bases que até hoje são in- Pode-se considerar que do pensamento grego até o Renasci-
vocadas quanto o tópico em questão é a Ética: mento, a justiça foi vista como uma virtude e não como uma ca-
a) consideração do hábito como uma qualidade que deverá racterística do Direito. Por sua vez, no Renascimento, o conceito de
determinar as potências para o bem; Ética foi bifurcado, remetendo-se a Moral para o espaço privado e
b) estabelecimento da virtude como um hábito que sozinho é remanescendo a justiça como elemento ético do espaço público. No
capaz de produzir a potência perfeita, podendo ser intelectual, mo- entanto, como se denota pela teoria de Maquiavel8, o justo naquele
ral ou teologal - três virtudes que se relacionam porque não basta tempo era tido como o que o soberano impunha (o rei poderia fazer o
possuir uma virtude intelectual, capaz de levar ao conhecimento que bem entendesse e utilizar quaisquer meios, desde que visasse um
único fim, qual seja o da manutenção do poder).
do bem, sem que exista a virtude moral, que irá controlar a facul-
Posteriormente, no Iluminismo, retomou-se a discussão da jus-
dade apetitiva e quebrar a resistência para que se obedeça à razão
tiça como um elemento similar à Moral, mas inerente ao Direito, por
(da mesma forma que somente existirá plenitude virtuosa com a
exemplo, Kant9 defendeu que a ciência do direito justo é aquela que
existência das virtudes teologais);
se preocupa com o conhecimento da legislação e com o contexto so-
c) presença da mediania como critério de determinação do cial em que ela está inserida, sendo que sob o aspecto do conteúdo
agir virtuoso; seria inconcebível que o Direito prescrevesse algo contrário ao impe-
d) crença na existência de quatro virtudes cardeais - a prudên- rativo categórico da Moral kantiana.
cia, a justiça, a temperança e a fortaleza. Ainda, Locke, Montesquieu e Rousseau, em comum defendiam
No Iluminismo, Kant6 definiu a lei fundamental da razão pura que o Estado era um mal necessário, mas que o soberano não possuía
prática, que se resume no seguinte postulado: “age de tal modo que poder divino/absoluto, sendo suas ações limitadas pelos direitos dos
a máxima de tua vontade possa valer-te sempre como princípio cidadãos submetidos ao regime estatal.
de uma legislação universal”. Mais do que não fazer ao outro o Tais pensamentos iluministas não foram plenamente seguidos,
que não gostaria que fosse feito a você, a máxima prescreve que o de forma que firmou-se a teoria jurídica do positivismo, pela qual
homem deve agir de tal modo que cada uma de suas atitudes reflita Direito é apenas o que a lei impõe (de modo que se uma lei for in-
aquilo que se espera de todas as pessoas que vivem em sociedade. justa nem por isso será inválida), que somente foi abalada após o fim
O filósofo não nega que o homem poderá ter alguma vontade ruim, trágico da 2ª Guerra Mundial e a consolidação de um sistema global
mas defende que ele racionalmente irá agir bem, pela prevalência de proteção de direitos humanos (criação da ONU + declaração uni-
de uma lei prática máxima da razão que é o imperativo categóri- versal de 1948). Com o ideário humanista consolidou-se o Pós-posi-
co. Por isso, o prazer ou a dor, fatores geralmente relacionados ao tivismo, que junto consigo trouxe uma valorização das normas prin-
apetite, não são aptos para determinar uma lei prática, mas apenas cipiológicas do ordenamento jurídico, conferindo-as normatividade.
uma máxima, de modo que é a razão pura prática que determina Assim, a concepção de uma base ética objetiva no comporta-
o agir ético. Ou seja, se a razão prevalecer, a escolha ética sempre mento das pessoas e nas múltiplas modalidades da vida social foi es-
será algo natural. quecida ou contestada por fortes correntes do pensamento moderno.
Quando acabou a Segunda Guerra Mundial, percebeu-se o Concepções de inspiração positivista, relativista ou cética e políticas
quão graves haviam sido as suas consequências, o pensamento voltadas para o homo economicus passaram a desconsiderar a impor-
filosófico ganhou novos rumos, retomando aspectos do passado, tância e a validade das normas de ordem ética no campo da ciência
mas reforçando a dimensão coletiva da ética. Maritain7, um dos e do comportamento dos homens, da sociedade da economia e do
Estado.
redatores da Declaração Universal de Direitos Humanos de 1948,
No campo do Direito, as teorias positivistas que prevaleceram a
defendeu que o homem ético é aquele que compõe a sociedade e
partir do final do século XIX sustentavam que só é direito aquilo que
5 AQUINO, Santo Tomás de. Suma teológica. o poder dominante determina. Ética, valores humanos, justiça são
Tradução Aldo Vannucchi e Outros. Direção Gabriel C. considerados elementos estranhos ao Direito, extrajurídicos. Pensa-
Galache e Fidel García Rodríguez. Coordenação Geral vam com isso em construir uma ciência pura do direito e garantir a
Carlos-Josaphat Pinto de Oliveira. Edição Joaquim Pe- segurança das sociedades.10
reira. São Paulo: Loyola, 2005. v. IV, parte II, seção I, 8 MAQUIAVEL, Nicolau. O príncipe. Tradução
questões 49 a 114. Pietro Nassetti. São Paulo: Martin Claret, 2007.
6 KANT, Immanuel. Crítica da razão prática. Tra- 9 KANT, Immanuel. Doutrina do Direito. Tradu-
dução Paulo Barrera. São Paulo: Ícone, 2005. ção Edson Bini. São Paulo: Ícone, 1993.
7 MARITAIN, Jacques. Humanismo integral. 10 KELSEN, Hans. Teoria pura do Direito. 6. ed.
Tradução Afrânio Coutinho. 4. ed. São Paulo: Dominus Tradução João Baptista Machado. São Paulo: Martins
Editora S/A, 1962. Fontes, 2003.

Didatismo e Conhecimento 2
ÉTICA E CONDUTA NO SERVIÇO PÚBLICO
Atualmente, entretanto, é quase universal a retomada dos es- O descumprimento das diretivas morais gera sanção, e caso
tudos e exigências da ética na vida pública e na vida privada, na ele se encontre transposto para uma norma jurídica, gera coação
administração e nos negócios, nas empresas e na escola, no esporte, (espécie de sanção aplicada pelo Estado). Assim, violar uma lei
na política, na justiça, na comunicação. Neste contexto, é relevante ética não significa excluir a sua validade. Por exemplo, matar al-
destacar que ainda há uma divisão entre a Moral e o Direito, que guém não torna matar uma ação correta, apenas gera a punição
constituem dimensões do conceito de Ética, embora a tendência daquele que cometeu a violação. Neste sentido, explica Reale13:
seja que cada vez mais estas dimensões se juntem, caminhando “No plano das normas éticas, a contradição dos fatos não anula a
lado a lado. validez dos preceitos: ao contrário, exatamente porque a normati-
Dentro desta distinção pode-se dizer que alguns autores, entre vidade não se compreende sem fins de validez objetiva e estes têm
eles Radbruch e Del Vechio são partidários de uma dicotomia ri- sua fonte na liberdade espiritual, os insucessos e as violações das
gorosa, na qual a Ética abrange apenas a Moral e o Direito. Contu- normas conduzem à responsabilidade e à sanção, ou seja, à concre-
do, para autores como Miguel Reale, as normas dos costumes e da ta afirmação da ordenação normativa”.
etiqueta compõem a dimensão ética, não possuindo apenas caráter Como se percebe, Ética e Moral são conceitos interligados,
secundário por existirem de forma autônoma, já que fazem parte do mas a primeira é mais abrangente que a segunda, porque pode
abarcar outros elementos, como o Direito e os costumes. Todas
nosso viver comum.11
as regras éticas são passíveis de alguma sanção, sendo que as in-
Em resumo:
corporadas pelo Direito aceitam a coação, que é a sanção aplicada
- Posição 1 - Radbruch e Del Vechio - Ética = Moral + Direito
pelo Estado. Sob o aspecto do conteúdo, muitas das regras jurí-
- Posição 2 - Miguel Reale - Ética = Moral + Direito + Cos- dicas são compostas por postulados morais, isto é, envolvem os
tumes mesmos valores e exteriorizam os mesmos princípios.
Para os fins da presente exposição, basta atentar para o binô-
mio Moral-Direito como fator pacífico de composição da Ética.
Assim, nas duas posições adotadas, uma das vertentes da Ética é a
Moral, e a outra é o Direito. ÉTICA, PRINCÍPIOS E VALORES.
Tradicionalmente, os estudos consagrados às relações entre o
Direito e a Moral se esforçam em distingui-los, nos seguintes ter-
mos: o direito rege o comportamento exterior, a moral enfatiza a A área da filosofia do direito que estuda a ética é conhecida
intenção; o direito estabelece uma correlação entre os direitos e as como axiologia, do grego “valor” + “estudo, tratado”. Por isso, a
obrigações, a moral prescreve deveres que não dão origem a di- axiologia também é chamada de teoria dos valores. Daí valores
reitos subjetivos; o direito estabelece obrigações sancionadas pelo e princípios serem componentes da ética sob o aspecto da exterio-
Poder, a moral escapa às sanções organizadas. Assim, as principais rização de suas diretrizes. Em outras palavras, a mensagem que a
notas que distinguem a Moral do Direito não se referem propria- ética pretende passar se encontra consubstanciada num conjunto
mente ao conteúdo, pois é comum que diretrizes morais sejam dis- de valores, para cada qual corresponde um postulado chamado
ciplinadas como normas jurídicas.12 princípio.
Com efeito, a partir da segunda metade do século XX (pós- De uma maneira geral, a axiologia proporciona um estudo dos
guerra), a razão jurídica é uma razão ética, fundada na garantia padrões de valores dominantes na sociedade que revelam princí-
da intangibilidade da dignidade da pessoa humana, na aquisição da pios básicos. Valores e princípios, por serem elementos que permi-
igualdade entre as pessoas, na busca da efetiva liberdade, na reali- tem a compreensão da ética, também se encontram presentes no
zação da justiça e na construção de uma consciência que preserve estudo do Direito, notadamente quando a posição dos juristas pas-
integralmente esses princípios. sou a ser mais humanista e menos positivista (se preocupar mais
Assim, as principais notas que distinguem Moral e Direito são: com os valores inerentes à dignidade da pessoa humana do que
a) Exterioridade: Direito - comportamento exterior, Moral - com o que a lei específica determina).
Os juristas, descontentes com uma concepção positivista, es-
comportamento interior (intenção);
tadística e formalista do Direito, insistem na importância do ele-
b) Exigibilidade: Direito - a cada Direito pode se exigir uma
mento moral em seu funcionamento, no papel que nele desempe-
obrigação, Moral - agir conforme a moralidade não garante direitos
nham a boa e a má-fé, a intenção maldosa, os bons costumes e
(não posso exigir que alguém aja moralmente porque também agi); tantas outras noções cujo aspecto ético não pode ser desprezado.
c) Coação: Direito - sanções aplicadas pelo Estado; Moral - Algumas dessas regras foram promovidas à categoria de princípios
sanções não organizadas (ex: exclusão de um grupo social). Em ou- gerais do direito e alguns juristas não hesitam em considerá-las
tras palavras, o Direito exerce sua pressão social a partir do centro obrigatórias, mesmo na ausência de uma legislação que lhes con-
ativo do Poder, a moral pressiona pelo grupo social não organizado. cedesse o estatuto formal de lei positiva, tal como o princípio que
ATENÇÃO: tanto no Direito quanto na Moral existem sanções. afirma os direitos da defesa. No entanto, a Lei de Introdução às
Elas somente são aplicadas de forma diversa, sendo que somente o Normas do Direito Brasileiro é expressa no sentido de aceitar a
Direito aceita a coação, que é a sanção aplicada pelo Estado. aplicação dos princípios gerais do Direito (artigo 4°).14
11 REALE, Miguel. Filosofia do direito. 19. ed. 13 REALE, Miguel. Filosofia do direito. 19. ed.
São Paulo: Saraiva, 2002. São Paulo: Saraiva, 2002.
12 PERELMAN, Chaïm. Ética e Direito. Tradução 14 PERELMAN, Chaïm. Ética e Direito. Tradução
Maria Ermantina Galvão. São Paulo: Martins Fontes, Maria Ermantina Galvão. São Paulo: Martins Fontes,
2000. 2000.

Didatismo e Conhecimento 3
ÉTICA E CONDUTA NO SERVIÇO PÚBLICO
É inegável que o Direito possui forte cunho axiológico, diante Claro, o Direito não é composto exclusivamente por postu-
da existência de valores éticos e morais como diretrizes do orde- lados éticos, já que muitas de suas normas não possuem qualquer
namento jurídico, e até mesmo como meio de aplicação da norma. cunho valorativo (por exemplo, uma norma que estabelece um pra-
Assim, perante a Axiologia, o Direito não deve ser interpretado zo de 10 ou 15 dias não tem um valor que a acoberta). Contudo, o
somente sob uma concepção formalista e positivista, sob pena de é em boa parte.
provocar violações ao princípio que justifica a sua criação e estru- A Moral é composta por diversos valores - bom, correto, pru-
turação: a justiça. dente, razoável, temperante, enfim, todas as qualidades esperadas
Neste sentido, Montoro15 entende que o Direito é uma ciência daqueles que possam se dizer cumpridores da moral. É impossível
normativa ética: “A finalidade do direito é dirigir a conduta hu- esgotar um rol de valores morais, mas nem ao menos é preciso:
mana na vida social. É ordenar a convivência de pessoas humanas. basta um olhar subjetivo para compreender o que se espera, num
É dar normas ao agir, para que cada pessoa tenha o que lhe é devi- caso concreto, para que se consolide o agir moral - bom senso que
do. É, em suma, dirigir a liberdade, no sentido da justiça. Insere-se, todos os homens possuem (mesmo o corrupto sabe que está con-
portanto, na categoria das ciências normativas do agir, também de- trariando o agir esperado pela sociedade, tanto que esconde e nega
nominadas ciências éticas ou morais, em sentido amplo. Mas o Di- sua conduta, geralmente). Todos estes valores morais se consoli-
reito se ocupa dessa matéria sob um aspecto especial: o da justiça”. dam em princípios, isto é, princípios são postulados determinantes
A formação da ordem jurídica, visando a conservação e o pro- dos valores morais consagrados.
gresso da sociedade, se dá à luz de postulados éticos. O Direito Segundo Rizzatto Nunes18, “a importância da existência e do
criado não apenas é irradiação de princípios morais como também cumprimento de imperativos morais está relacionada a duas ques-
força aliciada para a propagação e respeitos desses princípios. tões: a) a de que tais imperativos buscam sempre a realização do
Um dos principais conceitos que tradicionalmente se relacio- Bem - ou da Justiça, da Verdade etc., enfim valores positivos; b) a
na à dimensão do justo no Direito é o de lei natural. Lei natural possibilidade de transformação do ser - comportamento repetido e
é aquela inerente à humanidade, independentemente da norma im- durável, aceito amplamente por todos (consenso) - em dever ser,
posta, e que deve ser respeitada acima de tudo. O conceito de lei pela verificação de certa tendência normativa do real”.
natural foi fundamental para a estruturação dos direitos dos ho- Quando se fala em Direito, notadamente no direito constitu-
mens, ficando reconhecido que a pessoa humana possui direitos cional e nas normas ordinárias que disciplinam as atitudes espe-
inalienáveis e imprescritíveis, válidos em qualquer tempo e lugar, radas da pessoa humana, percebem-se os principais valores mo-
que devem ser respeitados por todos os Estados e membros da so- rais consolidados, na forma de princípios e regras expressos. Por
ciedade.16 exemplo, quando eu proíbo que um funcionário público receba
O Direito natural, na sua formulação clássica, não é um con- uma vantagem indevida para deixar de praticar um ato de interesse
junto de normas paralelas e semelhantes às do Direito positivo, do Estado, consolido os valores morais da bondade, da justiça e do
mas é o fundamento do Direito positivo. É constituído por aquelas respeito ao bem comum, prescrevendo a respectiva norma.
normas que servem de fundamento a este, tais como: “deve se fa- Uma norma, conforme seu conteúdo mais ou menos amplo,
zer o bem”, “dar a cada um o que lhe é devido”, “a vida social deve pode refletir um valor moral por meio de um princípio ou de uma
ser conservada”, “os contratos devem ser observados” etc., normas regra. Quando digo que “todos são iguais perante a lei [...]” (art.
essas que são de outra natureza e de estrutura diferente das do Di- 5°, caput, CF) exteriorizo o valor moral do tratamento digno a to-
reito positivo, mas cujo conteúdo é a ele transposto, notadamente dos os homens, na forma de um princípio constitucional (princí-
na Constituição Federal.17 pio da igualdade). Por sua vez, quando proíbo um servidor público
Importa fundamentalmente ao Direito que, nas relações so- de “Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indire-
ciais, uma ordem seja observada: que seja assegurada individual- tamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em
mente cada coisa que for devida, isto é, que a justiça seja realizada. razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vanta-
Podemos dizer que o objeto formal, isto é, o valor essencial, do gem” (art. 317, CP), estabeleço uma regra que traduz os valores
direito é a justiça. morais da solidariedade e do respeito ao interesse coletivo. No en-
No sistema jurídico brasileiro, estes princípios jurídicos fun- tanto, sempre por trás de uma regra infraconstitucional haverá um
damentais de cunho ético estão instituídos no sistema constitucio- princípio constitucional. No caso do exemplo do art. 317 do CP,
nal, isto é, firmados no texto da Constituição Federal. São os prin- pode-se mencionar o princípio do bem comum (objetivo da Repú-
cípios constitucionais os mais importantes do arcabouço jurídico blica segundo o art. 3º, IV, CF – “promover o bem de todos, sem
nacional, muitos deles se referindo de forma específica à ética no preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras
setor público. O mais relevante princípio da ordem jurídica bra- formas de discriminação”) e o princípio da moralidade (art. 37,
sileira é o da dignidade da pessoa humana, que embasa todos os caput, CF, no que tange à Administração Pública).
demais princípios jurídico-constitucionais (artigo 1°, III, CF). Conforme Alexy19, a distinção entre regras e princípios é uma
15 MONTORO, André Franco. Introdução à ciên- distinção entre dois tipos de normas, fornecendo juízos concretos
cia do Direito. 26. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, para o dever ser. A diferença essencial é que princípios são normas
2005. de otimização, ao passo que regras são normas que são sempre
16 LAFER, Celso. A reconstrução dos direitos 18 NUNES, Luiz Antonio Rizzatto. Manual de in-
humanos: um diálogo com o pensamento de Hannah trodução ao estudo do direito. 6. ed. São Paulo: Sarai-
Arendt. São Paulo: Cia. das Letras, 2009. va, 2006.
17 MONTORO, André Franco. Introdução à ciên- 19 ALEXY, Robert. Teoria dos direitos fundamen-
cia do Direito. 26. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, tais. Tradução Virgílio Afonso da Silva. 2. ed. São Paulo:
2005. Malheiros, 2011.

Didatismo e Conhecimento 4
ÉTICA E CONDUTA NO SERVIÇO PÚBLICO
satisfeitas ou não. Se as regras se conflitam, uma será válida e ou- Uma democracia pode existir num sistema presidencialista ou
tra não. Se princípios colidem, um deles deve ceder, embora não parlamentarista, republicano ou monárquico - somente importa
perca sua validade e nem exista fundamento em uma cláusula de que seja dado aos cidadãos o poder de tomar decisões políticas
exceção, ou seja, haverá razões suficientes para que em um juízo (por si só ou por seu representante eleito).
de sopesamento (ponderação) um princípio prevaleça. Enquanto ATENÇÃO: a principal classificação das democracias é a
adepto da adoção de tal critério de equiparação normativa entre que distingue a direta da indireta - a) direta, também chamada
regras e princípios, o jurista alemão Robert Alexy é colocado entre de pura, na qual o cidadão expressa sua vontade por voto dire-
os nomes do pós-positivismo. to e individual em casa questão relevante; b) indireta, também
Em resumo, valor é a característica genérica que compõe de chamada representativa, em que os cidadãos exercem individual-
alguma forma a ética (bondade, solidariedade, respeito...) ao passo mente o direito de voto para escolher representante(s) e aquele(s)
que princípio é a diretiva de ação esperada daquele que atende cer- que for(em) mais escolhido(s) representa(m) todos os eleitores;
to valor ético (p. ex., não fazer ao outro o que não gostaria que fos- c) semidireta, também conhecida como participativa, em que se
se feito a você é um postulado que exterioriza o valor do respeito; tem uma democracia representativa mesclada com peculiaridades
tratar a todos igualmente na medida de sua igualdade é o postulado e atributos da democracia direta (sistema híbrido).
do princípio da igualdade que reflete os valores da solidariedade A democracia direta tornou-se cada vez mais difícil, conside-
e da justiça social). Por sua vez, virtude é a característica que a rado o grande número de cidadãos, de modo que a regra é a de-
pessoa possui coligada a algum valor ético, ou seja, é a aptidão mocracia indireta. Na Grécia Antiga se encontra um raro exemplo
de democracia direta, que somente era possível porque embora
para agir conforme algum dos valores morais (ser bondoso, ser
a população fosse grande, a maioria dela não era composta de
solidário, ser temperante, ser magnânimo).
pessoas consideradas como cidadãs, como mulheres, escravos e
Ética, Moral, Direito, princípios, virtudes e valores são ele-
crianças, e somente os cidadãos tinham direito de participar do
mentos constantemente correlatos, que se complementam e estru-
processo democrático.
turam, delimitando o modo de agir esperado de todas as pessoas na Contemporaneamente, o regime que mais se aproxima dos
vida social, bem como preconizando quais os nortes para a atuação ideais de uma democracia direta é a democracia semidireta da
das instituições públicas e privadas. Basicamente, a ética é com- Suíça. Uma democracia semidireta é um regime de democracia
posta pela Moral e pelo Direito (ao menos em sua parte princi- em que existe a combinação de representação política com formas
pal), sendo que virtudes são características que aqueles que agem de democracia direta.
conforme a ética (notadamente sob o aspecto Moral) possuem, as Democracia é um conceito interligado à Ética no que tange
quais exteriorizam valores éticos, a partir dos quais é possível ex- ao elemento da justiça, valor do Direito. Pode-se afirmar isto se
trair postulados que são princípios. considerados os três conceitos de Aristóteles sobre as dimensões
da justiça (distributiva, comutativa e social), dos quais se origina
a dimensão da justiça participativa.
ÉTICA E DEMOCRACIA: Por esta dimensão da justiça participativa, resta despertada
EXERCÍCIO DA CIDADANIA. a consciência das pessoas para uma atitude de agir, de falar, de
atuar, de entrar na vida da comunidade em que se vive ou trabalha.
Enfim, busca despertar esta consciência de que há uma obrigação
de cada um para com a sociedade de participar de forma cons-
ciente e livre e de se interar total e habitualmente na vida social
Historicamente, nota-se que por volta de 800 a.C. as comu- que pertence.
nidades de aldeias começaram a ceder lugar para unidades políti- Quem deve participar é quem vive na sociedade, é o cidadão,
cas maiores, surgindo as chamadas cidades-estado ou polis, como aquele que pode ter direitos. Participar é ao mesmo tempo um
Tebas, Esparta e Atenas. Inicialmente eram monarquias, trans- direito e um dever. O cidadão deve participar, esta é uma obri-
formaram-se em oligarquias e, por volta dos séculos V e VI a.C., gação de todo aquele que vive em sociedade. E o cidadão deve
tornaram-se democracias. As origens da chamada democracia se ter espaço para participar, o fato de não participar em si já é uma
encontram na Grécia antiga, sendo permitida a participação dire- injustiça. Com a ampliação do conceito de soberania e cidadania
ta daqueles poucos que eram considerados cidadãos, por meio da e, consequentemente, da responsabilidade do cidadão, se torna
ainda mais evidente esta necessidade de participar.
discussão na polis.
A referência à justiça participativa, corolário do conceito de
Democracia (do grego, “demo” + “kratos”) é um regime de
cidadania, é de fundamental importância para o elemento moral
governo em que o poder de tomar decisões políticas está com os
da noção de ética, no sentido de possibilitar um agir voltado para
cidadãos, de forma direta (quando um cidadão se reúne com os de- o bem da sociedade.
mais e, juntos, eles tomam a decisão política) ou indireta (quando Ninguém é obrigado a suportar desonestidades. A cidadania
ao cidadão é dado o poder de eleger um representante). Com efei- tem um compromisso com a efetivação da democracia participa-
to, é um regime de governo em que se garante a soberania popular, tiva. E participar não é votar a cada eleição, não se interessar pelo
que pode ser conceituada como “a qualidade máxima do poder andamento da política e até se esquecer de quem mereceu seu
extraída da soma dos atributos de cada membro da sociedade esta- sufrágio.
tal, encarregado de escolher os seus representantes no governo por Com efeito, participar é um direito de todo aquele que é ci-
meio do sufrágio universal e do voto direto, secreto e igualitário”20. dadão, consolidando o conceito de democracia e reforçando os
20 BULOS, Uadi Lammêngo. Constituição federal valores éticos de preservação do justo e garantia do bem comum.
anotada. São Paulo: Saraiva, 2000. Mas, afinal, quem é cidadão?

Didatismo e Conhecimento 5
ÉTICA E CONDUTA NO SERVIÇO PÚBLICO
Inicialmente, é preciso levantar alguns conceitos correlatos: Na iniciativa popular, confere-se à população o poder de apre-
a) Nacionalidade: é o vínculo jurídico-político que liga um sentar projeto de lei à Câmara dos Deputados, mediante assina-
indivíduo a determinado Estado, fazendo com que ele passe a tura de 1% do eleitorado nacional, distribuído por 5 Estados no
integrar o povo daquele Estado, desfrutando assim de direitos e mínimo, com não menos de 0,3% dos eleitores de cada um deles.
obrigações. Em complemento, prevê o artigo 61, §2°, CF:
b) Povo: conjunto de pessoas que compõem o Estado, unidas
pelo vínculo da nacionalidade. Art. 61, § 2º A iniciativa popular pode ser exercida pela
c) População: conjunto de pessoas residentes no Estado, na- apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei subs-
cionais ou não. crito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional,
Cidadão, por sua vez, é o nacional, isto é, aquele que possui o distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de
vínculo político-jurídico da nacionalidade com o Estado, que goza três décimos por cento dos eleitores de cada um deles.
de direitos políticos, ou seja, que pode votar e ser votado.
Na disciplina constitucional, os direitos políticos garantidos Art. 14, § 1º O alistamento eleitoral e o voto são:
àquele que é cidadão encontram-se disciplinados nos artigos 14 I - obrigatórios para os maiores de dezoito anos;
e 15. Direitos políticos são os instrumentos por meio dos quais II - facultativos para:
a Constituição Federal permite o exercício da soberania popular, a) os analfabetos;
atribuindo poderes aos cidadãos para que eles possam interferir na b) os maiores de setenta anos;
condução da coisa pública de forma direta ou indireta21.
c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos.
A respeito da democracia brasileira, expõe Lenza22: “estamos
Embora os analfabetos não possam se candidatar, pos-
diante da democracia semidireta ou participativa, um ‘sistema híbri-
suem a faculdade de votar.
do’, uma democracia representativa, com peculiaridades e atributos
da democracia direta. Pode-se falar, então, em participação popular
no poder por intermédio de um processo, no caso, o exercício da Art. 14, § 2º Não podem alistar-se como eleitores os es-
soberania que se instrumentaliza por meio do plebiscito, referendo, trangeiros e, durante o período do serviço militar obrigató-
iniciativa popular, bem como outras formas, como a ação popular”. rio, os conscritos.
Destaca-se o caput do artigo 14: Conscritos são os convocados para serviço militar.

Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio uni- Art. 14, § 3º São condições de elegibilidade, na forma da
versal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, lei:
nos termos da lei, mediante: I - a nacionalidade brasileira;
I - plebiscito; II - o pleno exercício dos direitos políticos;
II - referendo; III - o alistamento eleitoral;
III - iniciativa popular. IV - o domicílio eleitoral na circunscrição;
V - a filiação partidária;
A democracia brasileira adota a modalidade semidireta, porque VI - a idade mínima de:
possibilita a participação popular direta no poder por intermédio a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente
de processos como o plebiscito, o referendo e a iniciativa popular. da República e Senador;
Como são hipóteses restritas, pode-se afirmar que a democracia in- b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de Es-
direta é predominantemente adotada no Brasil, por meio do sufrá- tado e do Distrito Federal;
gio universal e do voto direto e secreto com igual valor para todos. c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado Es-
Sufrágio universal é o direito de todos cidadãos de votar e ser tadual ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de paz;
votado. O voto, que é o ato pelo qual se exercita o sufrágio, deverá d) dezoito anos para Vereador.
ser direto e secreto. O parágrafo descreve os requisitos para que uma pessoa
O que diferencia o plebiscito do referendo é o momento da possa ser eleita.
consulta à população: no plebiscito, primeiro se consulta a popula-
ção e depois se toma a decisão política; no referendo, primeiro se
Art. 14, § 4º São inelegíveis os inalistáveis e os analfa-
toma a decisão política e depois se consulta a população. Embora
betos.
os dois partam do Congresso Nacional, o plebiscito é convocado,
ao passo que o referendo é autorizado (art. 49, XV, CF), ambos
Art. 14, § 5º O Presidente da República, os Governadores
por meio de decreto legislativo. O que os assemelha é que os dois
são “formas de consulta ao povo para que delibere sobre matéria de Estado e do Distrito Federal, os Prefeitos e quem os houver
de acentuada relevância, de natureza constitucional, legislativa ou sucedido, ou substituído no curso dos mandatos poderão ser
administrativa”23. reeleitos para um único período subsequente.
Não poder se eleger, não significa não poder votar.
21 LENZA, Pedro. Curso de direito constitucional
esquematizado. 15. ed. São Paulo: Saraiva, 2011. Art. 14, § 6º Para concorrerem a outros cargos, o Presi-
22 LENZA, Pedro. Curso de direito constitucional dente da República, os Governadores de Estado e do Distrito
esquematizado. 15. ed. São Paulo: Saraiva, 2011. Federal e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos man-
23 LENZA, Pedro. Curso de direito constitucional datos até seis meses antes do pleito.
esquematizado. 15. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.

Didatismo e Conhecimento 6
ÉTICA E CONDUTA NO SERVIÇO PÚBLICO
Art. 14, § 7º São inelegíveis, no território de jurisdição
do titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, ÉTICA E FUNÇÃO PÚBLICA.
até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da Repúbli-
ca, de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal,
de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses
anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e can-
didato à reeleição. Quando se fala em ética na função pública, não se trata do
Entre outras coisas, visa impedir que se burle a vedação à ree- simples respeito à moral social: a obrigação ética no setor público
leição daquele que já ocupou algum destes cargos por 2 mandatos. vai além e encontra-se disciplinada em detalhes na legislação, tan-
to na esfera constitucional (notadamente no artigo 37) quanto na
Art. 14, § 8º O militar alistável é elegível, atendidas as se- ordinária (em que se destaca a Lei n° 8.429/92 - Lei de Improbida-
guintes condições: de Administrativa, a qual traz um amplo conceito de funcionário
I - se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se público no qual podem ser incluídos os servidores do Banco do
da atividade; Brasil). Ocorre que o funcionário de uma instituição financeira da
II - se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela qual o Estado participe de certo modo exterioriza os valores esta-
autoridade superior e, se eleito, passará automaticamente, no ato tais, sendo que o Estado é o ente que possui a maior necessidade
da diplomação, para a inatividade. de respeito à ética. Por isso, o servidor além de poder incidir em
ato de improbidade administrativa (cível), poderá praticar crime
Art. 14, § 9º Lei complementar estabelecerá outros casos de contra a Administração Pública (penal). Então, a ética profissio-
inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a nal daquele que serve algum interesse estatal deve ser ainda mais
probidade administrativa, a moralidade para exercício de man- consolidada.
dato considerada vida pregressa do candidato, e a normalidade e Se a Ética, num sentido amplo, é composta por ao menos dois
legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico elementos - a Moral e o Direito (justo); no caso da disciplina da
ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na adminis- Ética no Setor Público a expressão é adotada num sentido estrito -
tração direta ou indireta. ética corresponde ao valor do justo, previsto no Direito vigente, o
O §9° é disciplinado pela LC n° 64/90 (Alterada pela LC n° qual é estabelecido com um olhar atento às prescrições da Moral
135/10 - Lei da Ficha Limpa). para a vida social. Em outras palavras, quando se fala em ética
no âmbito dos interesses do Estado não se deve pensar apenas na
Art. 14, § 10 O mandato eletivo poderá ser impugnado ante
Moral, mas sim em efetivas normas jurídicas que a regulamentam,
a Justiça Eleitoral no prazo de quinze dias contados da diploma-
o que permite a aplicação de sanções. Veja o organograma:
ção, instruída a ação com provas de abuso do poder econômico,
corrupção ou fraude.

Art. 14, § 11 A ação de impugnação de mandato tramitará


em segredo de justiça, respondendo o autor, na forma da lei, se
temerária ou de manifesta má-fé.

Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda


ou suspensão só se dará nos casos de:
I - cancelamento da naturalização por sentença transitada em
julgado;
II - incapacidade civil absoluta;
III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto
durarem seus efeitos;
IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou presta-
ção alternativa, nos termos do art. 5º, VIII;
V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º.
O inciso V se refere à ação de improbidade administrativa, As regras éticas do setor público são mais do que regulamen-
que tramita para apurar a prática dos atos de improbidade adminis- tos morais, são normas jurídicas e, como tais, passíveis de coação.
trativa, na qual uma das penas aplicáveis é a suspensão dos direitos A desobediência ao princípio da moralidade caracteriza ato de im-
políticos. probidade administrativa, sujeitando o servidor às penas previstas
Obs.: os direitos políticos somente são perdidos em dois em lei. Da mesma forma, o seu comportamento em relação ao Có-
casos, quais sejam cancelamento de naturalização por sentença digo de Ética pode gerar benefícios, como promoções, e prejuízos,
transitada em julgado (o indivíduo naturalizado volta à condição como censura e outras penas administrativas. A disciplina consti-
de estrangeiro) e perda da nacionalidade brasileira em virtude da tucional é expressa no sentido de prescrever a moralidade como
aquisição de outra (brasileiro se naturaliza em outro país e assim um dos princípios fundadores da atuação da administração pública
deixa de ser considerado um cidadão brasileiro, perdendo direitos direta e indireta, bem como outros princípios correlatos. Logo, o
políticos). Nota-se que não há perda de direitos políticos pela Estado brasileiro deve se conduzir moralmente por vontade ex-
prática de atos atentatórios contra a Administração Pública pressa do constituinte, sendo que à imoralidade administrativa
por parte do servidor, mas apenas suspensão. aplicam-se sanções.

Didatismo e Conhecimento 7
ÉTICA E CONDUTA NO SERVIÇO PÚBLICO
Assim, tem-se que a obediência à ética não deve se dar somen- Segundo Nalini26, o princípio fundamental seria o de agir de
te no âmbito da vida particular, mas também na atuação profissio- acordo com a ciência, se mantendo sempre atualizado, e de acordo
nal, principalmente se tal atuação se der no âmbito estatal, caso em com a consciência, sabendo de seu dever ético; tomando-se como
que haverá coação. O Estado é a forma social mais abrangente, a princípios específicos:
sociedade de fins gerais que permite o desenvolvimento, em seu - Princípio da conduta ilibada - conduta irrepreensível na
seio, das individualidades e das demais sociedades, chamadas de vida pública e na vida particular.
fins particulares. O Estado, como pessoa, é uma ficção, é um ar- - Princípio da dignidade e do decoro profissional - agir da me-
ranjo formulado pelos homens para organizar a sociedade de disci- lhor maneira esperada em sua profissão e fora dela, com técnica,
plinar o poder visando que todos possam se realizar em plenitude, justiça e discrição.
atingindo suas finalidades particulares.24 - Princípio da incompatibilidade - não se deve acumular fun-
O Estado tem um valor ético, de modo que sua atuação deve ções incompatíveis.
se guiar pela moral idônea. Mas não é propriamente o Estado que - Princípio da correção profissional - atuação com transparên-
é aético, porque ele é composto por homens. Assim, falta ética ou cia e em prol da justiça.
não aos homens que o compõe. Ou seja, o bom comportamento - Princípio do coleguismo - ciência de que você e todos os
profissional do funcionário público é uma questão ligada à ética no demais operadores do Direito querem a mesma coisa, realizar a
serviço público, pois se os homens que compõe a estrutura do Es- justiça.
tado tomam uma atitude correta perante os ditames éticos há uma - Princípio da diligência - agir com zelo e escrúpulo em todas
ampliação e uma consolidação do valor ético do Estado. funções.
Alguns cidadãos recebem poderes e funções específicas den- - Princípio do desinteresse - relegar a ambição pessoal para
tro da administração pública, passando a desempenhar um papel buscar o interesse da justiça.
de fundamental interesse para o Estado. Quando estiver nesta con- - Princípio da confiança - cada profissional de Direito é dota-
dição, mais ainda, será exigido o respeito à ética. Afinal, o Estado do de atributos personalíssimos e intransferíveis, sendo escolhido
é responsável pela manutenção da sociedade, que espera dele uma por causa deles, de forma que a relação estabelecida entre aquele
conduta ilibada e transparente. que busca o serviço e o profissional é de confiança.
Quando uma pessoa é nomeada como servidor público, passa - Princípio da fidelidade - Fidelidade à causa da justiça, aos
a ser uma extensão daquilo que o Estado representa na sociedade, valores constitucionais, à verdade, à transparência.
devendo, por isso, respeitar ao máximo todos os consagrados pre- - Princípio da independência profissional - a maior autonomia
ceitos éticos. no exercício da profissão do operador do Direito não deve impedir
Todas as profissões reclamam um agir ético dos que a exer- o caráter ético.
cem, o qual geralmente se encontra consubstanciado em Códigos - Princípio da reserva - deve-se guardar segredo sobre as in-
de Ética diversos atribuídos a cada categoria profissional. No caso formações que acessa no exercício da profissão.
das profissões na esfera pública, esta exigência se amplia. - Princípio da lealdade e da verdade - agir com boa-fé e de
Não se trata do simples respeito à moral social: a obrigação forma correta, com lealdade processual.
ética no setor público vai além e encontra-se disciplinada em de- - Princípio da discricionariedade - geralmente, o profissional
talhes na legislação, tanto na esfera constitucional (notadamente do Direito é liberal, exercendo com boa autonomia sua profissão.
no artigo 37) quanto na ordinária (em que se destacam o Decreto - Outros princípios éticos, como informação, solidariedade,
n° 1.171/94 - Código de Ética - a Lei n° 8.429/92 - Lei de Impro- cidadania, residência, localização, continuidade da profissão, li-
bidade Administrativa - e a Lei n° 8.112/90 - regime jurídico dos berdade profissional, função social da profissão, severidade consi-
servidores públicos civis na esfera federal). go mesmo, defesa das prerrogativas, moderação e tolerância.
Em verdade, “[...] a profissão, como exercício habitual de uma O rol acima é apenas um pequeno exemplo de atitudes que
tarefa, a serviço de outras pessoas, insere-se no complexo da socie- podem ser esperadas do profissional, mas assim como é difícil de-
dade como uma atividade específica. Trazendo tal prática benefí- limitar um conceito de ética, é complicado estabelecer exatamente
cios recíprocos a quem a pratica e a quem recebe o fruto do traba- quais as condutas esperadas de um servidor: melhor mesmo é ob-
lho, também exige, nessas relações, a preservação de uma conduta servar o caso concreto e ponderar com razoabilidade.
condizente com os princípios éticos específicos. O grupamento de Em suma, respeitar a ética profissional é ter em mente os prin-
profissionais que exercem o mesmo ofício termina por criar as dis- cípios éticos consagrados em sociedade, fazendo com que cada
tintas classes profissionais e também a conduta pertinente. Existem atividade desempenhada no exercício da profissão exteriorize tais
aspectos claros de observação do comportamento, nas diversas postulados, inclusive direcionando os rumos da ética empresarial
esferas em que ele se processa: perante o conhecimento, perante na escolha de diretrizes e políticas institucionais.
o cliente, perante o colega, perante a classe, perante a socieda- O funcionário que busca efetuar uma gestão ética se guia por
de, perante a pátria, perante a própria humanidade como conceito determinados mandamentos de ação, os quais valem tanto para a
global”25. Todos estes aspectos serão considerados em termos de esfera pública quant