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Curso Completo

Prof.ª Priscila Gomes


Português

LÍNGUA E LINGUAGEM (I)

Nesta primeira aula, vamos iniciar nossos estudos básicos envolvendo a principal ferramenta
capaz de fazer com que nos comuniquemos: a Língua – no nosso caso – a Portuguesa. Para isso,
tomemos por base o texto a seguir:

Língua
Esta língua é como um elástico
que espicharam pelo mundo.

No início era tensa,


de tão clássica.
Com o tempo, se foi amaciando,
foi-se tornando romântica,
incorporando os termos nativos
e amolecendo nas folhas de bananeira
as expressões mais sisudas.

Um elástico que já não se pode


mais trocar, de tão gasto;
nem se arrebenta mais, de tão forte.

Um elástico assim como é a vida


que nunca volta ao ponto de partida.
(Gilberto Mendonça Teles. Falavra. Lisboa: Dinalivro, 1989. p. 95-6.)

O texto de Gilberto Mendonça Teles trata de um relevante assunto para o nosso estudo: as
transformações pelas quais a língua passa com o decorrer do tempo. No poema, é criada uma imagem
desse sistema como algo mutante e, ao mesmo tempo, enriquecedor para a sociedade.
Na comunidade em que vivemos, utilizamos a Língua Portuguesa para que possamos nos
comunicar e interagir com os demais membros. Dessa forma:

Língua é um tipo de código, formado por palavras e por leis


combinatórias, capaz de gerar interação social.
A Língua é, hoje, o principal instrumento responsável pela comunicação. É um sistema formado
por signos e por combinações entre eles, permitindo, assim, a interlocução, ou seja, o “diálogo”.
Basicamente, começamos a traçar o sistema comunicativo da seguinte maneira:

MENSAGEM
EMISSOR RECEPTOR

CÓDIGO (= Língua)

A Língua mostra-se, portanto, como um código verbal (por utilizar a palavra), capaz de “traduzir”
informações (mensagem) do emissor (transmissor) para o receptor.

Signos linguísticos
Os signos linguísticos são os sinais que permitem a comunicação. Dividem-se em duas partes:
I) Significante: diz respeito às formas como percebemos a imagem do signo; a expressão por ele
representada, as marcas no papel ou o próprio som. É a parte perceptível.
II) Significado: é o conceito mental a que se refere o signo; é o conteúdo. É a parte inteligível.

Tomando como exemplo o signo “casa”, teríamos:

Significantes: “house”, “home” / k a z a /


Significado: lugar destinado à moradia.

Observe
Texto I
A Casa

Era uma casa


Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada
Ninguém podia entrar nela, não
Porque na casa não tinha chão
Ninguém podia dormir na rede
Porque na casa não tinha parede
Ninguém podia fazer pipi
Porque penico não tinha ali
Mas era feita com muito esmero
Na rua dos Bobos
Número zero
(Vinicius de Moraes)
O signo “casa”, no texto de Vinicius de Moraes, corresponde exatamente ao significado dado
acima (local de moradia). Veja agora o seguinte diálogo:

Dois amigos conversando:


– Cara, estou ferrado! Minha mulher descobriu toda a verdade!
– E agora?
– Agora? A casa caiu!

Repare que a expressão “A casa caiu” possui um significado diferente; um sentido figurado.
Nesse caso, quer dizer que a situação ficou bem complicada de se resolver. Dessa forma, podemos
perceber que um signo pode ter múltiplos significados, dependendo do contexto no qual esteja inserido.
Quando o sentido é o literal, damos o nome de denotação e, quando é o figurado, conotação.

Um termo ou uma palavra, além do seu significado denotativo, pode vir acrescido de
outros significados paralelos, pode vir carregado de impressões, valores afetivos,
negativos e positivos. Assim, sobre o signo linguístico, dotado de um plano de expressão
e um plano de conteúdo, pode-se construir outro plano de conteúdo constituído de
valores sociais, de impressões ou reações psíquicas que um signo desperta. Esses
valores sobrepostos ao signo constituem aquilo que denominamos de sentido conotativo
e esse acréscimo de um novo conteúdo constitui a conotação.
(Platão & Fiorin. Para entender o texto).

Como vimos, a língua é um sistema de signos e de combinações que permite a comunicação, no


entanto, ela é apenas uma das formas de representarmos nossos pensamentos. Observe a seguir:
A tira encena uma situação comunicativa entre os personagens. Para que seja compreendida, é
preciso que observemos um conjunto de informações, isto é, as diferentes linguagens utilizadas.
Quando nos comunicamos, podemos usar palavras, imagens, sons, gestos. Assim, concluímos:

Linguagem é a representação de ideias e de pensamentos


com o objetivo de realizar a comunicação.

Tipos de Linguagem
 Verbal: é aquela que utiliza a língua (oral ou escrita), ou seja, tem por unidade a palavra;
 Não Verbal: é a que possui outros tipos de unidade, como o gesto, o movimento, a imagem, a dança,
etc.
 Mista: é aquela que utiliza tanto a palavra quanto as demais unidades, como nas histórias em
quadrinhos, no teatro, na televisão, no cinema.

Tanto a linguagem verbal quanto as linguagens não verbais expressam sentidos e, para
isso, utilizam-se de signos, com diferença de que, na primeira, os signos são constituídos
dos sons da língua (por exemplo, mesa, fada, árvore), ao passo que nas outras
exploram-se outros signos, como as formas, a cor, os gestos, os sons musicais, etc. Em
todos os tipos de linguagem, os signos são combinados entre si, de acordo com certas
leis, obedecendo a mecanismos de organização.
(Platão & Fiorin. Para entender o texto)
DESENVOLVENDO COMPETÊNCIAS

1. (Enem 2005) Leia com atenção o texto:


[Em Portugal], você poderá ter alguns probleminhas se entrar numa loja de roupas
desconhecendo certas sutilezas da língua. Por exemplo, não adianta pedir para ver os ternos — peça
para ver os fatos. Paletó é casaco. Meias são peúgas. Suéter é camisola — mas não se assuste,
porque calcinhas femininas são cuecas. (Não é uma delícia?)
(Ruy Castro. Viaje Bem. Ano VIII, n.3, 78.)
O texto destaca a diferença entre o português do Brasil e o de Portugal quanto:
A) ao vocabulário
B) à derivação.
C) à pronúncia.
D) ao gênero.
E) à sintaxe.

2. (Enem 2001)

O problema enfrentado pelo migrante e o sentido da expressão “sustança” expressos nos


quadrinhos, podem ser, respectivamente, relacionados a:
a) rejeição / alimentos básicos.
b) discriminação / força de trabalho.
c) falta de compreensão / matérias-primas.
d) preconceito / vestuário.
e) legitimidade / sobrevivência.

3. (Enem 2016)
Mandinga — Era a denominação que, no período das grandes navegações, os portugueses davam
à costa ocidental da África. A palavra se tornou sinônimo de feitiçaria porque os exploradores lusitanos
consideravam bruxos os africanos que ali habitavam — é que eles davam indicações sobre a existência
de ouro na região. Em idioma nativo, manding designava terra de feiticeiros. A palavra acabou virando
sinônimo de feitiço, sortilégio.
COTRIM, M. O pulo do gato 3. São Paulo: Geração Editorial, 2009 (fragmento).

No texto, evidencia-se que a construção do significado da palavra mandinga resulta de um(a)


a) contexto sócio-histórico.
b) diversidade étnica.
c) descoberta geográfica.
d) apropriação religiosa.
e) contraste cultural.

4. (Enem 2008)

Considerando a diversidade cultural focalizada no texto e nas figuras acima, avalie as seguintes
afirmativas.
I. A mitologia guarani relaciona a presença da Ema no firmamento às mudanças das estações do
ano.
II. Em culturas indígenas e não-indígenas, o Cruzeiro do Sul, ou Cut'uxu, funciona como parâmetro
de orientação espacial.
III. Na mitologia guarani, o Cut'uxu tem a importante função de segurar a Ema para que seja
preservada a água da Terra.
IV. As três Marias, estrelas da constelação de Órion, compõem a figura da Ema.

É correto apenas o que se afirma em:


a) I.
b) II e III.
c) III e IV.
d) I, II e III.
e) I, II e IV.

5. (Enem 2013)

Pelas características da linguagem visual e pelas escolhas vocabulares, pode-se entender que o
texto possibilita a reflexão sobre uma problemática contemporânea ao
a) criticar o transporte rodoviário brasileiro, em razão da grande quantidade de caminhões nas estradas
b) ironizar a dificuldade de locomoção no trânsito urbano, devida ao grande fluxo de veículos.
c) expor a questão do movimento como um problema existente desde tempos antigos, conforme frase
citada.
d) restringir os problemas de tráfego a veículos particulares, defendendo, como solução, o transporte
público.
e) propor a ampliação de vias nas estradas, detalhando o espaço exíguo ocupado pelos veículos nas
ruas.
6. (Enem 2016)

Disponível em: www.paradapelavida.com.br. Acesso em: 15 nov. 2014


Nesse texto, a combinação de elementos verbais e não verbais configura-se como estratégia
argumentativa para
a) manifestar a preocupação do governo com a segurança dos pedestres.
b) associar a utilização do celular às ocorrências de atropelamento de crianças.
c) orientar pedestres e motoristas quanto à utilização responsável do telefone móvel.
d) influenciar o comportamento de motoristas em relação ao uso de celular no trânsito.
e) alertar a população para os riscos da falta de atenção no trânsito das grandes cidades.

Gabarito
1. A
2. B
3. A
4. D
5. B
6. D