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Brigada Escolar - Defesa Civil na Escola

BRIGADA ESCOLAR
DEFESA CIVIL NA ESCOLA

MANUAL DE PREVENÇÃO E
COMBATE A PRINCÍPIO DE
INCÊNDIO

1
Brigada Escolar - Defesa Civil na Escola

SUMÁRIO
1 COMBATE A PRINCÍPIO DE INCÊNDIO .................................................................................................. 4
2 FINALIDADE ............................................................................................................................................. 4
3 OBJETO ..................................................................................................................................................... 4
TEORIA BÁSICA DO FOGO ......................................................................................................................... 4
TÉCNICA DE COMBATE A PRINCÍPIO DE INCÊNDIO. ............................................................................. 4
4 INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................... 4
5 TEORIA BÁSICA DO FOGO ...................................................................................................................... 5
5.1 O FOGO .................................................................................................................................................. 5
5.1.1 ELEMENTOS ESSENCIAIS DO FOGO. ............................................................................................. 5
5.2 COMBURENTE ....................................................................................................................................... 6
5.2.1 OXIGÊNIO ............................................................................................................................................ 6
5.3 COMBUSTÍVEL ....................................................................................................................................... 7
5.3.1 COMBUSTÍVEIS SÓLIDOS ................................................................................................................. 7
5.3.2 COMBUSTÍVEIS LÍQUIDOS ................................................................................................................ 7
5.3.3 COMBUSTÍVEIS GASOSOS ............................................................................................................... 8
5.4 ENERGIA PARA IGNIÇÃO ..................................................................................................................... 9
6 TEMPERATURA ........................................................................................................................................ 9
6.1 TEMPERATURA DE IGNIÇÃO ............................................................................................................... 9
6.2 PONTO DE FULGOR .............................................................................................................................. 9
6.3 PONTO DE COMBUSTÃO ..................................................................................................................... 9
6.4 PONTO DE IGNIÇÃO ............................................................................................................................. 9
7 ESTUDO DA COMBUSTÃO ...................................................................................................................... 9
7.1 COMBUSTÃO ......................................................................................................................................... 9
7.2 TIPOS DE COMBUSTÃO .....................................................................................................................10
7.2.1 VIVAS .................................................................................................................................................10
7.2.2 LENTA OU LATENTE ........................................................................................................................10
7.2.3 ESPONTÂNEA ...................................................................................................................................10
7.3 FUMAÇA ...............................................................................................................................................10
8 CALOR .....................................................................................................................................................11
8.1 TRANSMISSÃO DE CALOR .................................................................................................................11
8.2 CONDUÇÃO..........................................................................................................................................11
8.3 CONVECÇÃO .......................................................................................................................................11
8.4 RADIAÇÃO OU IRRADIAÇÃO ..............................................................................................................11
9 GASES .....................................................................................................................................................12
9.1 GÁS CARBÔNICO OU BIÓXIDO DE CARBONO ( CO2 ). ..................................................................12
9.2 MONÓXIDO DE CARBONO OU ÓXIDO DE CARBONO (CO) ...........................................................12
10 CHAMA OU INCANDESCÊNCIA ...........................................................................................................12
11 INCÊNDIO ..............................................................................................................................................12
11.1 CLASSIFICAÇÃO DOS INCÊNDIOS ..................................................................................................13
11.1.1 QUANTO ÀS PROPORÇÕES .........................................................................................................13
11.1.2 PRINCÍPIO DE INCÊNDIO ..............................................................................................................13
12 QUANTO À DESTRUIÇÃO ....................................................................................................................13
13 QUANTO AS CAUSAS DE INCÊNDIO .................................................................................................14
13.1 CAUSAS MORAIS ..............................................................................................................................14
13.2 NATURAL ............................................................................................................................................14
13.3 DOLOSA..............................................................................................................................................14
13.4 ACIDENTAL ........................................................................................................................................14
13.5 CULPOSA ...........................................................................................................................................14
13.5.1 IMPRUDÊNCIA ................................................................................................................................14
13.5.2 NEGLIGÊNCIA .................................................................................................................................14
13.5.3 IMPERÍCIA .......................................................................................................................................14
14 CAUSAS MATERIAIS ............................................................................................................................15
14.1 FÍSICA .................................................................................................................................................15
14.2 QUÍMICA .............................................................................................................................................15
14.3 BIOLÓGICA .........................................................................................................................................15
15 QUANTO AS CLASSES .........................................................................................................................15
15.1 CLASSE “A”.........................................................................................................................................15
15.2 CLASSE “B”.........................................................................................................................................15
15.3 CLASSE “C” ........................................................................................................................................15

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15.4 CLASSE “D” ........................................................................................................................................16
14.5 CLASSE “K” .......................................................................................................................................16
16 MÉTODOS DE EXTINÇÃO DE INCÊNDIO ...........................................................................................16
16.1 RESFRIAMENTO ................................................................................................................................16
16.3 ABAFAMENTO ....................................................................................................................................17
16.4 RETIRADA DO MATERIAL .................................................................................................................17
17 EXTINTORES DE INCÊNDIO ................................................................................................................17
17.1 ÁREA DE AÇÃO DE UMA “UNIDADE EXTINTORA” .........................................................................18
18 AGENTES E APARELHOS EXTINTORES ............................................................................................18
18.1 AGENTES EXTINTORES ...................................................................................................................19
18.1.1 ÁGUA ...............................................................................................................................................19
18.1.2 ESPUMA QUÍMICA ..........................................................................................................................20
19 EXTINTORES DE INCÊNDIO ................................................................................................................20
19.1 EXTINTORES DE ÁGUA ....................................................................................................................21
19.1.2 ÁGUA PRESSURIZADA ..................................................................................................................21
19.1.3 ÁGUA GÁS .......................................................................................................................................21
19.2 EXTINTOR DE ESPUMA QUÍMICA ...................................................................................................22
19.3 EXTINTOR DE GÁS CARBÔNICO .....................................................................................................22
19.4 EXTINTOR DE PÓ QUÍMICO .............................................................................................................23
19.5 EXTINTOR DE PÓ MULTIUSO (ABC) ...............................................................................................24
20 TÉCNICA DE COMBATE A INCÊNDIO .................................................................................................25
20.1 CONCEITOS TÉCNICOS ...................................................................................................................25
20.2 PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS ...................................................................................................25
20.3 CARGA DE INCÊNDIO .......................................................................................................................26
20.4 INCÊNDIO ...........................................................................................................................................26
20.5 DESENVOLVIMENTO DOS INCÊNDIOS ..........................................................................................26
20.6 A ECLOSÃO DAS CHAMAS ...............................................................................................................26
20.7 A INCUBAÇÃO ....................................................................................................................................26
20.8 A DEFLAGRAÇÃO ..............................................................................................................................27
20.9 PROPAGAÇÃO DO INCÊNDIO ..........................................................................................................27
20.10 EXTINÇÃO ........................................................................................................................................27
21 RISCO DE INCÊNDIO ...........................................................................................................................27
21.1 RISCOS ...............................................................................................................................................27
21.2 OPERAÇÕES DE SALVAMENTO ......................................................................................................27
21.3 RISCO DE MORTE .............................................................................................................................27
21.4 FATOR TEMPO ..................................................................................................................................28
21.5 DANO PELO CALOR ..........................................................................................................................28
22 FUMAÇA E GASES DE INCÊNDIOS ....................................................................................................28
22.1 EFEITOS DA FUMAÇA E GASES DE INCÊNDIOS ...........................................................................29
22.2 FALTA DE VISIBILIDADE ...................................................................................................................29
22.3 TOXIDEZ DOS GASES.......................................................................................................................29
22.4 GASES AQUECIDOS .........................................................................................................................30
22.5 RISCOS DE MORTE ...........................................................................................................................30
22.6 RISCOS ADVINDOS DO PÂNICO .....................................................................................................30
22.7 PERIGO PARA A VIDA .......................................................................................................................31
22.8 OCUPAÇÃO DO EDIFÍCIO .................................................................................................................31
22.9 PROBLEMAS DE SALVAMENTO ......................................................................................................32
23 EVACUAÇÃO DOS OCUPANTES ........................................................................................................32
23.2 ESTABELECIMENTO DE ÁREAS DE REFÚGIO ..............................................................................32
23.3 USO DAS SAÍDAS ..............................................................................................................................33
23.4 CAPACIDADE DAS SAÍDAS ..............................................................................................................33
23.5 PONTO FINAL ....................................................................................................................................33

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1 COMBATE A PRINCÍPIO DE INCÊNDIO

O Combate a Princípio de Incêndio é uma das matérias mais importantes da


Brigada Escolar, pois sempre que houver a necessidade para o combate inicial ao
sinistro, as ações no atendimento os brigadistas deverão ser habilitados com técnicas
apropriadas para o reconhecimento das classes de Incêndio, seus extintores e a
melhor forma de sua extinção.
Também faz parte da matéria a identificação dos riscos no que diz respeito ao
estudo da causa e efeito sobre os impactos humanos, patrimonial e ambiental,
podendo assim fazer parte de uma cultura prevencionista.

2 FINALIDADE

Propiciar a aprendizagem dos alunos do Curso de Formação de Brigada


Escolar – Defesa Civil na Escola, com a disciplina de Combate a Principio de Incêndio,
e dinamizar conhecimentos relativos à teoria básica do fogo e técnica de emprego de
materiais de prevenção contra incêndio.

3 OBJETO DE ESTUDO

Teoria Básica do Fogo

Técnica de Combate a Princípio de Incêndio

4 INTRODUÇÃO

Estamos vivendo na Era do Consumo consciente onde a palavra


desenvolvimento sustentável impera, o despertar de uma consciência voltada para
seus direitos e para o exercício pleno da cidadania, o que o deixa mais exigente e
ativo. O cliente hoje está revolucionando as organizações e, as que não se adaptarem
aos novos tempos, certamente sucumbirão.
As questões de qualidade e de serviço, não podem ser desligadas da melhor
forma de consumo. O Brigadista deve oferecer um serviço de qualidade total, de forma
que a atuação de cada voluntário, principalmente o que atua diretamente com o
público, crie ou adicione valores para as pessoas. Devemos rever concepções, buscar
novas formas de pensar e agir adaptando-nos às transformações que ocorrem de
forma acelerada. É importante agirmos com uma visão de futuro que venha a nos
fortalecer e tornar nossos serviços e presença junto à comunidade cada vez mais
imprescindíveis.
Felizmente, nestes últimos anos, os setores da economia vêm sofrendo
inúmeras transformações, principalmente na estrutura de segurança. Busca novas
concepções, constrói vias de mão dupla com os diversos segmentos de sua
comunidade e vê em cada cidadão um parceiro, alguém também responsável pela
segurança pública. O bem comum de todos está justamente na permanência de
conceitos éticos e morais que estabelecem no seu meio. Sendo assim, este trabalho
pretende orientar com especial atenção aos participantes do Curso de Formação de
Brigada Escolar, assim como, a todos aqueles que queiram aprender os fundamentos
didáticos da missão fim, em conjunto com os conteúdos repassados pelos profissionais
do Corpo de Bombeiros do Paraná, a quem agradecemos.

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5 TEORIA BÁSICA DO FOGO

5.1 O FOGO

Um dos grandes marcos da história da civilização humana foi o domínio do


fogo pelo homem. A partir desse momento se aquecer, cozer seus alimentos, fundir
metal para fabrico de utensílios, instrumentos e máquinas que tornaram possível o
desenvolvimento do presente.
Mas, esse fogo tanto constrói como também pode causar inúmeros problemas.
Ele pode destruir tudo o que por utilização foi possível construir.
E, quando isso acontece, quando ele nos ameaça, a reação dos homens de
hoje ainda é igual à dos primitivos: fugir...
Com certeza, os primitivos fugiam ao vê-lo por desconhecerem sua natureza,
não sabiam que um simples punhado de terra bastaria para apagar uma pequena
chama. Por falta de conhecimento de como combatê-lo, deixavam que o mesmo se
propagasse tomando proporções gigantescas que só mesmo a natureza podia extingui-
lo.
Os incêndios primitivos eram originados por Vulcões ativos, terremotos,
tempestade, ciclones, por combustão espontânea etc...
Hoje o homem não mais precisa fugir, ele conhece o fogo como um fenômeno
físico químico e, a partir daí, descobriu-se outras maneiras de se lutar contra ele
através de métodos adequados e, ainda sabe, que no início sempre é mais fácil
combatê-lo.
Concluindo: o homem sabe por experiência ou observação que a fuga como
primeira reação será sempre uma atitude errada, tendo em vista que:

O homem conhece a natureza do fogo.


O fogo sempre começa pequeno (exceto em grandes explosões).
O homem possui os equipamentos necessários para combatê-los.

A explicação exata do conceito "fogo" é mais fácil do que parece, tratando de


um termo tão conhecido por todos. Após vários estudos, chegou-se a conclusão que o
fogo é tido como uma reação química denominada “combustão” onde os materiais
combustíveis combinam-se com o “ comburente “ (normalmente o oxigênio do ar) entre
si na presença de uma circunstância que favoreça a reação, produzindo Luz e Calor.

5.1.1 ELEMENTOS ESSENCIAIS DO FOGO.


Como vimos, o fogo é uma reação química e, portanto, são
necessários pelo menos quatro elementos que reajam entre si na
presença de alguma circunstância que favoreça a reação.
EL

CO

São os elementos essenciais à combustão:


TÍV

MB
US

 Combustível
UR
MB

 Comburente
EN
CO

TE

 Energia pele Ignição


 Reação em cadeia.
CALOR
Para efeito didático, adota-se o tetraedro (quatro faces) para exemplificar e
explicar a combustão, atribuindo-se, a cada face, um dos elementos essenciais da
combustão.

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A figura abaixo representa a união dos quatro elementos essenciais para a
combustão: Calor, Combustível, Comburente e Reação Química em Cadeia.

5.2 COMBURENTE

É o elemento que ativa e da vida a combustão. Além do oxigênio, há outros


gases que podem comportar-se como comburentes para determinados combustíveis.
Assim, o hidrogênio queima no meio do cloro, os metais leves (lítio, sódio, potássio,
magnésio, etc.) queimam no meio do vapor de água e o cobre queima no meio de
vapor de enxofre. O magnésio e o titânio, em particular, e se finamente divididos,
podem queimar ainda em atmosfera de gases normalmente inertes, como o dióxido de
carbono e o azoto.

5.2.1 Oxigênio
O mais comum é que o oxigênio desempenhe esse papel de comburente. A
atmosfera é composta por 21% de oxigênio, 78% de nitrogênio e 1% de outros
gases. Em ambientes com a composição normal do ar, a queima desenvolve-se com
velocidade e de maneira completa (notam-se chamas). Contudo, a combustão
consome o oxigênio do ar num processo contínuo. Quando a porcentagem do oxigênio
do ar do ambiente passa de 21% para a faixa compreendida entre 16% e 8%, a
queima torna-se mais lenta, notam-se brasas e não mais chamas.

Quando o oxigênio contido no ar do ambiente atinge concentração menor que


8%, não há combustão, salvo raras exceções de alguns combustíveis e mesmo assim
em altas temperaturas sem a produção de chamas. Há substâncias que libertam
oxigênio ao queimar, tais como a celulose e compostos dela derivados, a pólvora, os

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nitratos, os cromatos e os materiais pirotécnicos, entre outros. Verifica-se, assim, que a
percentagem de oxigênio mínima para que se mantenha a combustão depende do
combustível em questão.

5.3 COMBUSTÍVEL

É toda a substância capaz de queimar e alimentar a combustão. É o elemento


que serve de campo de propagação ao fogo.
Os combustíveis podem ser sólidos, líquidos ou gasosos, e a grande maioria
precisa passar pelo estado gasoso para, então, produzir vapores inflamáveis capazes
de se combinar com o oxigênio. A velocidade da queima de um combustível depende
de sua capacidade de combinar com oxigênio sob a ação do calor e da sua
fragmentação (área de contato com o oxigênio).

SÓLIDOS: estes combustíveis para entrarem em combustão, têm que


passar do estado SÓLIDO para o GASOSO.

Madeira Cereais Papel

A maioria dos combustíveis sólidos transforma-se em vapores e, então,


reagem com o oxigênio. Outros sólidos (ferro, parafina, cobre, bronze) primeiro
transformam-se em líquidos, e, posteriormente, em gases, para então se queimarem. A
classificação dos combustíveis também será tratada no capítulo extintores portáteis.

5.3.1 Combustíveis Sólidos

Quanto maior a superfície exposta, mais rápido será o aquecimento do


material e, consequentemente, o processo de combustão. Como exemplo: uma barra
de aço exigirá muito calor para queimar, mas, se transformada em palha de aço,
queimará com facilidade.
Assim sendo, quanto maior a fragmentação do material, maior será a
velocidade da combustão.

5.3.2 Combustíveis Líquidos

Os líquidos inflamáveis têm algumas propriedades físicas que dificultam a


extinção do fogo, aumentando o perigo para os bombeiros.
Os líquidos assumem a forma do recipiente que os contêm. Se derramados, os
líquidos tomam a forma do piso, fluem e se acumulam nas partes mais baixas.

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Tomando como base o peso da água, cujo litro pesa 1 Kgf, classificamos os
demais
líquidos como mais leves ou mais pesados.
É importante notar que a maioria dos líquidos inflamáveis é mais leve que
água e, portanto, flutuam sobre ela.
Outra propriedade a ser considerada é a solubilidade do líquido, ou seja, sua
capacidade de misturar-se com outros líquidos. No combate a incêndios em líquidos
combustíveis é muito importante saber sua solubilidade com a água.
Os líquidos derivados do petróleo (hidrocarbonetos), têm pouca solubilidade,
ao passo que líquidos como álcool, acetona (solventes polares), têm grande
solubilidade, isto é, podem ser diluídos até um ponto em que a mistura (solvente polar
+ água) não seja inflamável.
Esta propriedade dos líquidos inflamáveis apolares não se misturarem com a
água requer alguns cuidados no combate a incêndio em tanques de armazenagem
destes líquidos, pois a água que não se vaporizar descerá para o fundo do tanque. Se
este tanque que contém agora água e líquido inflamável atingir temperaturas acima de
100ºC ocorrerá a ebulição da água, por ter atingindo seu ponto de ebulição,
espalhando o líquido inflamável e aumentando mais ainda o incêndio, além de oferecer
maior risco à operação. Este fenômeno é conhecido como boilover.

A volatilidade, que é a facilidade com


que os líquidos liberam vapores, também é de
grande importância, porque quanto mais volátil
for o líquido, maior a possibilidade de haver
fogo, ou mesmo explosão. Quanto à
volatilidade os líquidos podem ser classificados
em líquidos inflamáveis, aqueles que têm
ponto de fulgor abaixo dos 38ºC (gasolina, álcool, acetona), e líquidos combustíveis,
aqueles que têm ponto de fulgor acima dos 38ºC (óleos lubrificantes e vegetais,
glicerina).

5.3.3 Combustíveis Gasosos

Os gases não têm volume definido, tendendo, rapidamente, a ocupar todo o


recipiente em que estão contidos Se o peso do gás é menor que o do ar (no caso do
GN), o gás tende a subir e dissipar-se. Mas, se o peso do gás é maior que o do ar (no
caso do GLP), o gás permanece próximo ao solo e caminha na direção do vento,
obedecendo aos contornos do terreno.

Para o gás queimar, há necessidade de que esteja em uma mistura ideal com
o ar atmosférico, e, portanto, se estiver numa concentração fora de determinados
limites, não queimará. Cada gás, ou vapor tem seus limites próprios. Por exemplo, se
num ambiente há menos de 1,4% ou mais de 7,6% de vapor de gasolina, não haverá
combustão, pois a concentração de vapor de gasolina nesse local está fora do que se
chama de mistura ideal; isto é, a concentração deste vapor é inferior ou é superior à
faixa de inflamabilidade do combustível. Porém, é prudente não confiar que uma
mistura gasosa não irá explodir por estar fora da faixa de inflamabilidade, pois esta
mistura possui diferentes concentrações pelas diferenças de densidade e algumas
delas poderão estar na faixa de inflamabilidade.

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5.4 ENERGIA PARA IGNIÇÃO

São todas as formas de energia calorífica capaz de inflamar ou provocar o


aumento de temperatura dos combustíveis, como por exemplo: fósforo, tocha de balão,
vela, fagulhas de chaminé, centelha elétrica, atrito, fricção, água na cal, etc.

6 TEMPERATURA

6.1 TEMPERATURA DE IGNIÇÃO

É a temperatura mínima à qual, a substância no ar deve ser aquecida afim de


entrar em ignição, ou causar a combustão autoalimentada, independentemente do
aquecimento ou do elemento aquecedor.
6.2 PONTO DE FULGOR

É a temperatura mínima na qual os corpos combustíveis começam a


desprender vapores que se inflamam em contato com uma fonte externa de calor,
entretanto, a combustão não se mantém, devido a insuficiência na quantidade de
vapores emanados dos combustíveis.
6.3 PONTO DE COMBUSTÃO

É a temperatura mínima na qual os vapores desprendidos dos corpos


combustíveis, ao entrarem em contato com uma fonte externa de calor se inflamam,
continuando a queima quando retirada a fonte calorífica externa.
6.4 PONTO DE IGNIÇÃO

É a temperatura mínima na qual os vapores desprendidos dos corpos


combustíveis entram em combustão apenas pelo contato com o oxigênio do ar,
independente de qualquer fonte externa de calor.

COMBUSTÍVEL Ponto de Fulgor Ponto de Ignção


GRAUS-C GRAUS-C
Éter................................. - 40º 160º
Álcool............................. 13º 371º
Gasolina.......................... - 42º 257º
Óleo Lubrificante............ 168º 417º
Óleo de Linhaça.............. 222º 343º
Óleo Diesel..................... 55º 300º

7 ESTUDO DA COMBUSTÃO

7.1 Combustão

É uma reação química entre corpos, muito frequente na natureza. ex: Fogo.

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É um processo que se realiza sobre temperatura elevada (temperatura de
ignição), na maioria das vezes entre o comburente e os átomos, principalmente os de
Carbono e de Hidrogênio de certos materiais que pelo fato de se prestarem a este
processo são chamados de "COMBUSTÍVEIS".
Pelo exposto, dizemos que combustão é uma combinação acompanhada de
“CALOR” e frequentemente de luz (chama ou incandescência).
7.2 Tipos de Combustão

As combustões podem se processar de três maneiras diferentes, que são:


VIVA
LENTA OU LATENTE
ESPONTÂNEA

7.2.1 VIVAS
Ocorrem com certa rapidez, produzindo "Calor, fumaça e luz", nas formas de
chama ou incandescência: ex. fósforo, vela, cigarro, tochas, quando acesos etc...

7.2.2 LENTA OU LATENTE


São aquelas cujo teor de calor desprendido é mínimo, ao ponto de se tornar
imperceptível a olho nu. Ex.: A oxidação de certos metais na presença de umidade.

7.2.3 ESPONTÂNEA
É aquela que ocorre em certos combustíveis orgânicos, independente de
chama ou centelha. É uma reação química que gera e desprende calor quando
favorecido pelo calor ambiente, umidade etc.
PRODUTOS RESULTANTES DA COMBUSTÃO

A combustão é uma reação química. Nesta reação química entre o


combustível e o comburente, ocorrerá a combinação dos elementos químicos (carbono,
hidrogênio, oxigênio) originando outros PRODUTOS DIFERENTES que são:
7.3 FUMAÇA

Mescla de gases, partículas sólidas e vapores d´ água.


A cor da fumaça, isto é, a sua maior ou menor transparência pode servir de
orientação prática para a intensificação do material combustível que está sendo
decomposto na combustão.

Fumaça Branca ou Cinza Clara


Indica que é uma queima de combustível
comum.
Ex: madeira, papel etc.

Fumaça Preta ou Cinza Escura


Originária de combustão incompleta,
geralmente de produtos derivados de petróleo, tais
como: graxa, óleos, pneus, gasolina, plásticos etc.

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Fumaça Amarela, Vermelha

Indica que está queimando um combustível e


que seus gases geralmente são tóxicos.

8 CALOR

É uma forma de energia que serve como uma constante desde o início de uma
combustão, que a mantém e incentiva sua propagação.
A procura das possíveis fontes de calor que possam dar partida a (espaço) um
incêndio constitui uma das colunas mestras da prevenção, pois conhecendo-as
poderemos tomar as medidas necessárias para seu controle ou sua eliminação,
evitando com isso o incêndio.
8.1 TRANSMISSÃO DE CALOR

É de importância indiscutível, quer nos trabalhos de extinção, ou nos trabalhos


de prevenção o conhecimento de quantas e quais as maneiras do CALOR poderá ser
transmitido. As formas de transmissão de calor de um corpo para o outro ou para um
meio, são:

CONDUÇÃO
CONVECÇÃO
RADIAÇÃO ou IRRADIAÇÃO.
8.2 CONDUÇÃO

É o fenômeno pelo qual o Calor se transmite de corpo para corpo ou em um


mesmo corpo, de molécula para molécula.
A quantidade de calor a se transferir por condução, dependendo da
condutibilidade do material por onde transita, o qual varia de material para material Ex:
se aquecermos uma barra de ferro em uma de suas extremidades e a outra estejam
em contato com o material combustível este poderá incendiar-se.
8.3 CONVECÇÃO

É a forma característica dos fluídos, sejam eles gases ou líquidos. O ar


aquecido diminui de densidade tornando-se leve tendendo a subir. Os incêndios que se
propagam pelo poço dos elevadores e pelas caixas das escadas e pela parte externa
dos edifícios, ocorrem em consequência da convecção.
De acordo com o princípio de Arquimedes, porções mais frias ocupam o lugar
próximo da fonte calorífica, antes ocupado pelas porções que subiram e forma-se
assim, o regime contínuo das “ Correntes de Convecção”.
8.4 RADIAÇÃO ou IRRADIAÇÃO

É a transmissão do calor por meio de ondas caloríficas, como por exemplo


(raios solares: sol x terra = 8 minutos) os raios solares. Ela se processa através do
espaço vazio não necessitando continuidade molecular entre a fonte calorífica e o

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corpo a receber Calor. O calor irradiado transmite-se em linha reta, até encontrar um
obstáculo, quando este começa a se transmitir por condução.
Ex: é o calor que nos é irradiado pelo sol.
Fogo em prédios vizinhos a um grande INCÊNDIO.

9 GASES

Os gases são encontrados na fumaça e variam de acordo com o material que


queima. Um dos elementos constituintes dos combustíveis mais comumente
encontrados é o carbono, que tem como símbolo a letra “C”.
Cada átomo de carbono se combina com dois átomos de oxigênio “O”, dando
um dos gases resultantes da combustão o CO² ( gás Carbônico ou bióxido de carbono)
C + O² = CO² - Esta é chamada “ Combustão Completa”
Em determinadas circunstâncias, a combinação é feita por átomo de carbono
com um átomo de oxigênio, dando como produto de combustão o “ CO” (monóxido de
carbono ou oxido de carbono ).
9.1 GÁS CARBÔNICO OU BIÓXIDO DE CARBONO (CO²)

Um gás imperceptível e inodoro quando misturado com o ar, mas é


ligeiramente picante. Não é combustível nem comburente, não é tóxico, porém, não
serve para a respiração. No passar do estado líquido para o gasoso (no caso do
extintor) sofre uma brusca queda de temperatura (- 70º c, isto é, setenta graus
centígrados abaixo de zero ).
9.2 MONÓXIDO DE CARBONO OU ÓXIDO DE CARBONO (CO)
É um gás incolor inodoro e insípido. É um dos primeiros gases que aparecem
em combustão comum. Um incêndio em compartimento fechado, isto é, sem
ventilação, quando demorado produz o “CO”, que não se denuncia facilmente. É
explosivo e altamente tóxico. Se respirado, mesmo em baixas concentrações, vai retirar
o oxigênio do sangue, levando o indivíduo à morte. Dois por cento, mata em uma hora
e dez por cento mata instantaneamente. O monóxido de carbono, quando misturado
com o ar atmosférico, em determinadas proporções ( 12,5 a 75 % ) forma uma mistura
explosiva. Por estes motivos, temos que tomar o máximo de cuidado com o CO, em
virtude do duplo risco que oferece. Devemos ter consciência da presença do “CO” para
tomarmos medida de proteção adequadas.

10 CHAMA OU INCANDESCÊNCIA

É uma porção de luz resultante da combustão de alguns materiais inflamáveis,


(radiação luminosa que se inicia num combustível sólido a altas temperaturas) Ex:
coque carvão vegetal, metais .

11 INCÊNDIO

Após o estudo superficial sobre a combustão passaremos a estudar o que seja


incêndio. Inicialmente, isso poderá parecer uma redundância, pois geralmente quem

12
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fala em incêndio, fala em fogo. Em princípio isto é verdade, porém, uma verdade que
não resiste ao argumento de que o fogo foi o primeiro elemento que o homem lançou
mão para dar início à sua evolução como ser humano inteligente, mas, também, é
verdade ter sido ele um dos primeiros elementos a causar a destruição daquilo que
produzira. Assim, podemos definir incêndio como sendo:
“TODA E QUALQUER DESTRUIÇÃO OCASIONADA PELO FOGO, QUE
PROVOQUE DANOS E MATERIAIS DE MONTA, E, ATÉ MESMO A PERDA DE
VIDAS HUMANAS".
11.1 CLASSIFICAÇÃO DOS INCÊNDIOS

Os incêndios podem ser classificados sob vários aspectos como veremos em


seguida:

11.1.1 QUANTO ÀS PROPORÇÕES


Os incêndios são classificados em proporções, tendo em vista a sua
intensidade, evolução e outros fatores técnicos que deixamos de abordar
propositadamente neste curso. A classificação quanto às proporções pode ser:

11.1.2 PRINCÍPIO DE INCÊNDIO


São aqueles que envolvem uma peça de vestuário, uma peça de mobiliário,
um motor etc., e que podem ser dominados facilmente com aparelhos extintores ou
baldes d’ água.

11.1.2.1PEQUENOS INCÊNDIOS
São os que envolvem um cômodo, um compartimento interno etc., os quais
exigem maior quantidade de agentes extintores e tempo.

11.1.1.2 MÉDIOS INCÊNDIOS


São aqueles que envolvem um andar, uma casa residencial, uma pequena
oficina etc. Neste caso, a presença de uma equipe de brigada de incêndio de uma
indústria que possua rede hidráulica e proteção por extintores poderá extinguir o
incêndio.

11.1.1.3 GRANDES INCÊNDIOS


São os que envolvem um edifício inteiro, grandes lojas, grandes barracões,
uma indústria, etc.

11.1.1.4 INCÊNDIOS EXTRAORDINÁRIOS


São aqueles que envolvem diversas indústrias, diversos quarteirões, cidades
inteiras etc.

12 QUANTO À DESTRUIÇÃO

Esta classificação é feita, levando-se em consideração a destruição material,


ocasionada pela ação do fogo.
Quanto às proporções podem ser: "INSIGNIFICANTES, PARCIAIS, TOTAIS."

13
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13 QUANTO AS CAUSAS DE INCÊNDIO

Recebe a denominação de “Causas de Incêndio”, o conjunto de ações


materiais, humanas e naturais, que possam produzir ou transmitir o fogo, ocasionando
o incêndio. Deste modo, podemos classificar as Causas de incêndio como:
13.1 CAUSAS MORAIS

Quanto a participação ou não do homem na origem do incêndio, dividem-se


em:
13.2 NATURAL

São as circunstâncias originadas pela natureza, independente da vontade ou


ação do homem. É o caso dos cataclismos, assim como os tufões, vulcões, terremotos,
inundações, ciclones etc., que tragam em suas consequências os incêndios.
13.3 DOLOSA

Caracteriza-se pela intenção e consumação do fato.


É o incêndio produzido pela vontade humana, por vingança, prazer mórbido
(piromania), crime, indenizações ilícitas de seguros, livros contábeis em irregularidade,
terrorismo etc.
13.4 ACIDENTAL

São as circunstâncias que, sem intenção ou atuação direta do homem, ocorre


um incêndio, não existindo DOLO nem CULPA.
Eles ocorrem em virtude de desgastes de máquinas, falhas mecânicas,
acidentes de veículos etc.
13.5 CULPOSA

São os fatores humanos que provocam os sinistros através da


"IMPRUDÊNCIA, NEGLIGÊNCIA, OU IMPERÍCIA."

13.5.1 IMPRUDÊNCIA
Os incêndios provocados por imprudência, se caracterizam pelo descuido,
esquecimento do ser humano. Exemplo: atirar a esmo uma ponto de cigarro acesa;
deixar um equipamento elétrico ligado; dirigir embriagado etc.

13.5.2 NEGLIGÊNCIA
Caracteriza-se pelo pouco caso, arrogância, menosprezo e pelo não
cumprimento das leis, normas, ordens ou determinações recebidas ou estabelecidas.
Ex: Fumar em local proibido, usar instalações elétricas provisórias, dirigir descalço ou
de chinelo etc.

13.5.3 IMPERÍCIA
Caracteriza-se pela inaptidão para o trabalho ou tarefa que exige os préstimos
de um profissional. Ex: reparo de instalações elétricas, manipulações de produtos
químicos, dirigir um carro sem saber etc.

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14 CAUSAS MATERIAIS

São aquelas que nos dão a natureza do fenômeno que produziu os incêndios.
Elas podem ser de natureza: "FÍSICA, QUÍMICA, BIOLÓGICA, SECUNDÁRIA."
14.1 FÍSICA

São aquelas que se originam através de um fenômeno físico qualquer. Ex:


atrito, choque, compressão, radiação etc.
14.2 QUÍMICA

São as que se originam de reações químicas, acompanhadas de combustão


ou acentuada elevação de temperatura, capaz de dar início a um incêndio. Ex: a CAL
etc.
14.3 BIOLÓGICA

São originadas por fenômeno biológico, onde intervém a ação de seres vivos
inferiores, geralmente bactérias. Fermentação que comumente produzem a chamada
“Combustão Espontânea”. Ex: feno, alfafa, farelo etc.

14.4 SECUNDÁRIOS
São produzidos por meio de corpos combustíveis incendiados. Ex: tochas de
balão, fósforos acesos, fagulhas de chaminés, velas acesas etc.

15 QUANTO AS CLASSES

Para se combater um incêndio usando os métodos adequados, há


necessidade de classificarmos os tipos de incêndio. usualmente, estão divididos em
quatro classes.
15.1 CLASSE “A”

São os incêndios ocorridos em materiais fibrosos ou


combustíveis sólidos, os quais queimam em razão do seu volume, isto é,
em superfície e profundidade. Sua característica principal é deixar
resíduos (cinzas ou brasas), Ex.: madeira, papel, borracha, cereais,
tecidos etc.

15.2 CLASSE “B”

São os incêndios ocorridos em combustíveis líquidos ou gases


combustíveis. A queima é feita através da sua superfície. Não deixa
resíduos. Ex: G. L. P., óleos, gasolina, éter, butano etc.

15.3 CLASSE “C”

São os incêndios ocorridos em equipamentos elétricos, quando


energizados, que ofereçam risco à vida na ação de combate, pela
presença de eletricidade. Ex: transformadores, motores interruptores etc.

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15.4 CLASSE “D”

São os incêndios ocorridos em metais pirofóricos, exigem para


sua extinção, agentes extintores especiais, os quais se fundem com o
metal combustível, formando uma película (capa) que protege e isola do
ar atmosférico, interrompendo aí a combustão. Ex: rodas de magnésio,
potássio, alumínio em pó, titânio, sódio etc.
15.5 CLASSE “k”

Uma nova classificação para atividade de incêndios em cozinha.


Incêndios que envolvem meios de cozinhar (banha, gordura e
óleo) têm sido por muito tempo a principal causa de danos materiais,
vítimas fatais ou não. Estes incêndios são muito especiais. A natureza
desta classe específica de incêndios envolve meios de cozinhar e
equipamentos. Incêndios envolvendo equipamentos de cozinha industrial
são diferentes na maior parte de outros incêndios.
Nessa classe não deve-se, em hipótese nenhuma, utilizar o agente água para
seu combate. O Abafamento é a melhor forma de combate a esse tipo de incêndio.

Acesse o vídeo em http://youtu.be/iw-uu0qn4ii e veja como combater esse tipo


de incêndio e quais os riscos do manejo incorreto.

16 MÉTODOS DE EXTINÇÃO DE INCÊNDIO

Quando estudamos o “TETRAEDRO DO FOGO”, concluímos que a


combustão só existiria quando estivessem presentes em proporções ideais, os 03 (três)
elementos básicos (combustíveis, comburente, energia para ignição). Calcado nesses
conhecimentos é que se baseiam os métodos modernos de Combate a Incêndios. Por
dedução lógica e simples, chegamos a conclusão que no momento em que
desfizermos o tetraedro, o fogo será extinto.
Para isto, existem 3 possibilidade para extinção de um incêndio, que são:
16.1 RESFRIAMENTO

É o método pelo qual, através de agentes extintores próprios, se faz absorção


do calor do corpo em combustão, baixando a um ponto de insatisfação a energia de
ignição.

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16.3 ABAFAMENTO

Este método consiste em se impedir que o comburente (oxigênio contido no ar


atmosférico), permaneça em contato com o combustível, numa porcentagem ideal para
a alimentação da combustão.
Como já observado, no momento em que a quantidade de oxigênio do ar
atmosférico se encontrar abaixo da proporção de aproximadamente 13% a 16%, a
combustão deixará de existir.
16.4 RETIRADA DO MATERIAL

Este método consiste na retirada do combustível inflamado, impedindo deste


modo que haja a propagação do fogo.
Este processo, embora ideal e econômico é pouco usado.
Ele não requer qualquer tipo de agente extintor.
É evidente que os incêndios de classe “A” (os que deixam resíduos como
brasas ou calor concentrado), devem ser muito bem resfriados, pois, do contrário, uma
vez extinto o fogo, as brasas remanescentes ou a caloria concentrada, reiniciariam o
incêndio ao entrarem em contato com o comburente pelo ar atmosférico.
O resfriamento deve atingir toda a massa incendiada que se encontra em
profundidade. Um serviço operado superficialmente, não atingirá a parte interna do
material incendiado, o qual continuará lentamente em combustão.
Convém salientar, a importância da operação final de um serviço de extinção
de incêndio. Referimo-nos na operação chamada “RESCALDO”, esta operação
consiste na movimentação de todo material sólido envolvido pelas chamas, a fim de se
ter certeza da não existência dos referidos resíduos e a facilidade de um melhor
resfriamento, cuja complementação poderá ser feita com baldes de água.
Nos incêndios de classe “B” (os que não deixam resíduos) deve ser feito o
abafamento, mas também, devido ao calor ainda existente nos corpos combustíveis, o
resfriamento deve ser eficiente
Por isso, em qualquer incêndio, por mais insignificante que ele seja, nunca dê
as costas de imediato para o local onde foi eliminado o fogo, pois, além do perigo da
reignição, poderá você ver-se envolvido pelas chamas inesperadas.
Após o término do RESCALDO, deve-se fazer uma inspeção em todas as
dependências atingidas para realmente comprovar que não haverá possibilidade
alguma de reignição.

17 EXTINTORES DE INCÊNDIO

A finalidade dos extintores é facilitar o combate imediato e rápido à pequenos


focos de fogo, não devendo ser considerados como sistemas de extinção mais
complexos, mais sim, como equipamento adicional que deve ser usado para eliminar
os princípios de incêndio no seu estado inicial, antes mesmo que se torne necessário
lançar mão de maiores recursos.
O êxito no emprego dos extintores depende dos seguintes fatores:
De uma distribuição apropriada dos aparelhos pelas áreas a proteger.
De manutenção adequada e eficiente.
O pessoal que é previsto para manejar os aparelhos, deverão receber
treinamento a fim de serem familiarizados com as técnicas de extinção.

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A aplicação dos extintores em princípios de incêndio não deve justificar
qualquer demora no acionamento dos dispositivos de alarme geral e na mobilização de
maiores recursos, mesmo quando parecer que o fogo pode ser dominado rapidamente.
É importante que os aparelhos estejam localizados em pontos perfeitamente
visíveis e de fácil acesso, devendo ser mantido sempre pronto para utilização.
Os extintores deverão ser colocados de modo que:
Facilite a sua visualização.
Seja de fácil acesso.
Haja menos probabilidade do fogo bloquear o seu acesso.
Os locais destinados aos extintores devem ser assinalados por círculo ou
por uma seta de cor vermelha com bardas amarelas.
Deverão ser pintadas uma grande área do piso abaixo do extintor, a qual
não poderá ser obstruída por forma nenhuma. Essa área deverá ser no mínimo de 01m
X 01m (um metro).
Os extintores não deverão ser localizados nas paredes das escadas.
Os extintores sobre rodas deverão ter garantido sempre o livre acesso a
qualquer ponto da indústria.
Os extintores não deverão ser encobertos por pilhas de materiais.
17.1 ÁREA DE AÇÃO DE UMA “UNIDADE EXTINTORA”

UNIDADE - EXTINTORA - TABELA - N.º MÍNIMO DE EXTINTORES.

SUBSTÂNCIA CAPACIDADE DOS N.º DE EXTINTORES


EXTINTORES UNID. EXTINTORA
ESPUMA 10 LITROS OU 01
5 LITROS 02
SODA ÁCIDA 10 LITROS OU 01
5 LITROS 02
TETRA CLORETO DE 03 LITROS OU 02
CARBONO 02 LITROS OU 03
01 LITRO. 04
GÁS CARBÔNICO (CO2) 06 QUILOS OU 01
04 QUILOS OU 02
02 QUILOS OU 03
01 QUILO. 04
PÓ QUÍMICO SECO 04 QUILOS 01
02 QUILOS 02
01 QUILO. 03
PÓ ABC 12 QUILOS. 01
08 QUILOS. 02
06 QUILOS. 02
04 QUILOS. 03

Classe “A”- 500 m2


Devendo os extintores ser dispostos de maneira tal que possam ser
alcançados de qualquer ponto da área protegida sem que haja necessidade de serem
percorridos pelo operador mais do que 20 metros.

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Classe “B” - 250 m2
Distância máxima percorrida- 15 metros.

Classe “C” - 150 m2


Distância máxima percorrida - 10 metros.

18 AGENTES E APARELHOS EXTINTORES

Os agentes e aparelhos extintores, bem como as fontes de aplicação, vêm se


desenvolvendo dia a dia, e esse desenvolvimento, está na razão direta do
aparecimento de novos combustíveis e consequentemente de novos agentes
extintores.
A água até bem pouco tempo era o mais eficiente dos agentes extintores e
porque não dizer o único. Com o desenvolvimento da indústria, dos transportes e dos
meios de comunicação começou a perder a sua eficiência. Isto aconteceu porque se
deu o aparecimento de novos produtos químicos e industriais que reagem com simples
contato com a água tornando-se muito perigoso.
Atualmente, existem um infinidade de agentes e aparelhos extintores que
variam do cobertor ao balde de areia. Porém, neste curso somente estudaremos os
mais conhecidos e empregados, tratando cada um por si, procurando enfocar seu
funcionamento, aplicação, manejo, manutenção e controle.
18.1 AGENTES EXTINTORES

Estudaremos a seguir os principais agentes extintores, como são aplicados, e


advertir sobre os perigos que podem oferecer às pessoas menos informadas sobre o
assunto.

18.1.1 ÁGUA
O mais antigo e eficiente meio na extinção de incêndios comuns, isto é, em
materiais sólidos que deixam resíduos com calor concentrado (brasa). Age por
resfriamento, abafamento e de acordo com pressão com que é lançado, produz
choque, deslocando as chamas.
É utilizado no combate a incêndios em forma de jatos sólidos, neblinados e em
forma de vapores.

18.1.1.1 JATOS SÓLIDOS


São empregados quando fazemos uso de mangueiras com esguicho tronco-
cônico ou em alguns aparelhos extintores.
Servem somente para combate de incêndios classe “A”, não devendo portanto,
ser usado nos incêndios de classe “B”.
Primeiro por ser mais pesado que os líquidos inflamáveis e segundo, porque
os líquidos infamáveis, como já estudamos, queimam em superfície,
consequentemente, se os utilizarmos, somente produziremos um aumento do volume e
espalharemos o fogo.
Já nos incêndios de classe “C” e “D”, não devem ser empregados de forma
alguma a água, que é condutora de eletricidade e reage com um grande número de
produtos químicos que se enquadram nos incêndios de classe “D”, colocando dessa

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forma em risco a vida do operador. É necessário que observemos que somente
podemos usar água em forma de jatos sólidos nos incêndios de classe “A”.

18.1.1.2 JATOS NEBLINADOS


São empregados para ações de abafamento, resfriamento e para proteção dos
operadores quando do combate ao incêndio. Seu emprego é um tanto quanto
complexo, devendo portanto, ficar restrito à profissionais de combate a incêndios.

18.1.1.3 VAPORES
O vapor também é um excelente agente extintor. É muito empregado para o
combate a incêndios a bordo de navios e refinarias.

18.1.2 Espuma Química


A espuma é proveniente de uma reação química, entre uma solução de sulfato
de alumínio e uma outra solução de Bicarbonato de Sódio, na presença de um agente
estabilizador, normalmente o Alcaçuz. O gás carbônico que se desprende nesta reação
gera pressão no interior do cilindro, atuando como propelente da carga líquida.
19 EXTINTORES DE INCÊNDIO

A finalidade dos extintores é facilitar o combate imediato e rápido nos


pequenos focos de fogo, não devendo ser considerados como substitutos de sistemas
de extinção mais complexos, mais sim, como equipamento adicional que deve ser
usado para eliminar os princípios de incêndios no estágio inicial, antes mesmo que se
torne necessário lançar mão de maiores recursos.
A aplicação dos extintores em princípio de incêndio não deve justificar
qualquer demora no acionamento no sistema de alarme geral e na mobilização de
maiores recursos, mesmo quando perecer que o fogo pode ser dominado rapidamente.
Os aparelhos chamados portáteis são de fácil transporte.
Os aparelhos de maior peso e maior quantidade de agente extintor, são as
carretas montadas sobre rodas, possibilitando serem movimentadas com maior
facilidade.
A segurança é o que todos desejam. É fácil prevenir-se contra incêndios.
Saiba usar adequadamente extintores de incêndio na sua casa, apartamento, no
escritório, na loja, na oficina, no consultório, no estúdio, na fábrica, no seu local de
trabalho. Conscientize-se que o fogo deve ser atacado no início empregando-se o
recurso mais prático:

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19 EXTINTORES PORTÁTEIS

São portáteis os extintores que ficam dispostos com suportes em paredes ou


em pedestais.

19.1 EXTINTORES DE ÁGUA

Extintor de incêndio do tipo carga de água é aquele cujo agente é a água


expelida por meio de um gás.
Quanto a operação eles podem ser:
19.1.2.ÁGUA PRESSURIZADA

É aquele que possui apenas um cilindro para a água e


o gás expelente. Sua carga é mantida sob pressão
permanente.
19.1.3 ÁGUA-GÁS

É aquele que possui uma câmara, recipiente de água


e um cilindro de alta pressão contendo o gás expelente. A
pressurização só se dá no momento da operação. Os
extintores de água, são aparelhos destinados à extinguir
pequenos focos de incêndio Classe “A”.
Ex.: madeira, papel, tecido etc.

a. MANEJO
Retirar o extintor do suporte e levá-lo até o local onde será utilizado.
Retirar o esguicho do suporte, apontando para a direção do fogo.
Romper o lacre da ampola do gás expelente.
Abrir totalmente o registro da ampola.
Dirigir o jato d’água para a base do fogo.

b. MANUTENÇÃO
Para que possamos manter o extintor de "Água-Gás" em perfeitas condições,
devemos:
 Inspecionar freqüentemente os extintores.
 Recarregar imediatamente após o uso.
 Anualmente verificar a carga e o cilindro.
 Periodicamente verificar o nível da água, avarias na junta de borracha, selo,
entupimento da mangueira e do orifício de segurança da tampa.
 Verificação do peso da ampola semestralmente.

c. OBSERVAÇÃO
Este tipo de extintor não pode e não deve ser usado em eletricidade em
hipótese alguma. Coloca em risco a vida do operador.
O alcance do jato é de aproximadamente 08 (oito) metros.

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19.2 EXTINTOR DE ESPUMA QUÍMICA
Indicado para princípios de incêndio “A” e “B”.
Neste tipo de aparelho extintor o cilindro contém uma solução de água com
bicarbonato de sódio mais o agente estabilizador.
A solução de sulfato de alumínio é colocado em um outro recipiente que vai
internamente no cilindro, separando a solução de bicarbonato de sódio e alcaçuz.

Tampa tipo volante.


Punho superior.
Bico (saída da espuma).
Recipiente contendo solução de sulfato de alumínio.
Solução de bicarbonato de sódio e alcaçuz.
Cilindro.

MANEJO
Retirar o aparelho do suporte, conduzi-lo até às proximidades do
incêndios, mantendo-o sempre na posição vertical, procurando evitar movimentos
bruscos durante o seu transporte.
Inverter a sua posição (de cabeça para baixo), agitando-o de modo a
facilitar a reação.
Dirigir o jato sobre a superfície do combustível, procurando,
principalmente nos líquidos, espargir a carga de maneira a formar uma camada em
toda a superfície para o abafamento.
Permaner com o aparelho na posição invertida até terminar a carga.

MANUTENÇÃO

Para que possamos ter um extintor em perfeitas condições de uso, devemos:


Vistoriar mensalmente;
Examinar anualmente o poder de reação das soluções;
Renovar anualmente a sua carga;
Após o uso, lavar o extintor de espuma internamente para que os
resíduos de reação química não afetem as paredes do cilindro pela corrosão;
Após o seu uso, fazer a recarga o mais breve possível.

OBS: “NÃO PODE SER USADO EM ELETRICIDADE,


ELE É UM BOM CONDUTOR DA MESMA”.

19.3 EXTINTOR DE GÁS CARBÔNICO

O agente extintor é o "Dióxido de Carbono" - CO2. É um


gás mais pesado que o ar, à temperatura e pressão normal é um
gás inerte, sem / cheiro, sem cor e devido à sua capacidade
condutora, o CO2 é muito usado em incêndios de Classe “C”.
Quando contido no aparelho devido a compressão em
estado líquido, sua pressão é de 50 a 60 Kg/cm2.

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Quando aliviado da compressão o líquido se vaporiza e baixa violentamente a
sua temperatura, cerca de -70º (setenta graus) abaixo de zero, neste caso parte do gás
se solidifica em pequenas partículas, formando uma neve carbônica, conhecida como
“GELO SECO”.
Indicado para princípio de incêndios das classes “B” e “C”. Ex.: Combustíveis
líquidos ou graxosos e equipamentos elétricos.
O CO2 deve ser aplicado de forma homogênea e rápida, principalmente no
combate à princípios de incêndios nos combustíveis de classe “B”
Uma vez acionado o gatilho, deve-se ser persistente na extinção pois o CO2
dissipa-se com muita facilidade.
É excelente para o combate a incêndio em máquina elétrica, computador etc.
Ele não deixa resíduos.

Manejo
Para utilizar o extintor de CO2, o operador deve proceder da seguinte maneira:
Remover o aparelho do suporte e levar até o local onde será utilizado.
Retirar o grampo de segurança.
Empunhar o difusor com firmeza.
Apertar o gatilho.
Dirijir a nuvem de gás para a base da chama, fazendo movimentos
circulares com o difusor.
Não encostar o difusor no equipamento.

Manutenção
Os extintores de "CO2" devem ser inspecionados e pesados mensalmente.
Se a carga do cilindro apresentar uma perda superior a 10% de sua
capacidade, deverá ser recarregado.
De 5 em 5 anos devem ser submetidos a testes hidrostático, este teste deve
ser feito por firma especializada, autorizada pela ABNT.
19.4 EXTINTOR DE PÓ QUÍMICO

Os extintores com pó químico, utilizam os agentes extintores bicarbonato de


sódio (o mais comum) ou o bicarbonato de potássio, ambos tratados com estearato a
fim de torná-los anti-higroscópicos e de fácil saída dos aparelhos.
Especialmente indicado para princípios de incêndio das classes B e C, como
p.ex.: B) Combustíveis líquidos ou graxosos e C) Material elétrico (energizado).
O extintor de pó químico pressurizado utiliza como propelente o nitrogênio,
que, sendo um gás seco e incombustível, pode ser acondicionado juntamente com o pó
no mesmo cilindro.
Estes tipos de extintores possuem um manômetro que indica a pressão que
está contida no seu interior.
O extintor de pó químico a pressurizar, utiliza como propelente o gás carbônico
(CO2), que, por ser um gás úmido, vem armazenado em uma ampola de aço ligada ao
extintor.

MANEJO
Os dois tipos de aparelhos citados são de fácil manejo:

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Pressurizado
Retira-se o extintor do suporte e o conduz até o local onde vai ser usado;
observar a direção do vento.
Rompe-se o lacre.
Destrava-se o gatilho, comprimindo a prava para a frente, com o dedo
polegar.
Aciona-se o gatinho, dirigindo o jato para a base do fogo.
À Pressurizar
Retira-se o extintor do suporte e o conduz até o local onde vai ser
utilizado; observar a direção do vento.
Aciona-se a válvula do cilindro de gás.
Destrava-se o gatilho, comprimindo a trava para frente, com o dado
polegar.
Empunha-se a pistola difusora.
Aciona-se o gatilho, dirigindo o jato para a base do fogo.

19.5 EXTINTOR DE PÓ MULTIUSO (ABC)

São os extintores que utilizam pó químico


multiuso à base de Monofosfato de Amônia siliconizado
como agente extintor.
É indicado para princípios de incêndio das
classes A, B e C.
O extintor multiuso pressurizado utiliza como
propelente o nitrogênio, que, sendo um gás seco e
incombustível, pode ser acondicionado juntamente com o
pó no mesmo cilindro.

19.5.1 MANEJO
Os dois tipos de aparelhos citados são de fácil
manejo:
Retira-se o extintor do suporte e o conduz
até o local onde vai ser usado; observar a direção do
vento.
Rompe-se o lacre.
Destrava-se o gatilho, comprimindo a trava para a frente, com o dedo
polegar.
Aciona-se o gatinho, dirigindo o jato para a base do fogo.

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20 TÉCNICA DE COMBATE A INCÊNDIO

20.1 CONCEITOS TÉCNICOS

Prevenção Contra Incêndio


Compreende uma série de medidas e uma determinada distribuição dos
equipamentos de COMBATE A INCÊNDIOS e dos materiais em estoque pertencentes
a um estabelecimento, visando impedir o aparecimento de um princípio de incêndio,
dificultar seu desenvolvimento e proporcionar a sua extinção ainda na fase inicial.
Faz-se prevenção quando se proíbe fumar em determinados locais; não
fazendo instalações precárias; não nos metendo a cientistas quando não somos sábios
e prudentes; quando se exige o armazenamento separado de materiais comuns e
inflamáveis; quando se exige recipientes especiais para determinados produtos
perigosos.
A prevenção de incêndios é um problema que deve ser encarado desde o
momento em que se planeja uma cidade, uma indústria, um estabelecimento comercial,
um prédio de divertimento público, enfim, qualquer local de trabalho, devendo finalizar
no próprio lar.
A prevenção tem início num prédio, quando da escolha dos materiais de
construção. Deve-se fazer o tratamento dos materiais combustíveis sempre com tintas
ignífugas.
Poderíamos citar muitos grandes incêndios que ocorreram por falta de
prevenção, quando do planejamento dos mesmos em suas construções: ASTÓRIA, no
Rio de Janeiro e ANDRAUS e JOELMA, em São Paulo, e recentemente os incêndios
das FERRAGENS NEGRÃO e UNIVERSIDADE TUIUTI em Curitiba são exemplos do
que acabamos de citar.
A prevenção se completa com a instalação de um eficiente sistema de
prevenção contra incêndios, distribuídos em pontos devidamente estudados, bem como
assinalados, tendo pessoal treinado para a sua utilização.
Pouca gente acredita na possibilidade de uma tragédia envolvendo uma
grande indústria, de modo que resta esperar que não seja necessária uma ocorrência
sinistra, causando dezenas de vítimas, despertando para a terrível possibilidade.
Portanto, "Prevenção contra incêndios é o conjunto de normas e ações
realizadas para evitar a ocorrência de incêndios, retardar a sua evolução, facilitar a
ação de combate e prover segurança do pessoal".
20.2 Proteção Contra Incêndios

É o conjunto de normas e ações preventivas, aliadas à disponibilidade de


material e pessoal adestrado para combate a incêndios.

A Proteção Contra Incêndio:


Por extintores.
Por hidrante.
Por instalação de fixa de CO2.
Por instalação fixa de espuma.
Por chuveiros automáticos.

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Existem ainda outros sistemas como, por exemplo, canalização de agentes
halogenados que, pelo seu uso restrito, deixarão de ser estudados.
20.3 CARGA DE INCÊNDIO

O tempo de duração de um incêndio é função da chamada carga-incêndio


(“FIRE LOAD”), que é quantidade de calor que será emitida pela unidade de área (m2)
de uma edificação, se totalmente consumidos os combustíveis nela existentes.
A carga-incêndio pode ser estimada com grande aproximação na inspeção de
riscos, e os valores assim obtidos servirão, não só para estimar a normalidade da
duração do incêndio, como para verificar grandes modificações nos estoques de
mercadorias.
A observação prática, ainda que empiricamente, nos tem demonstrado que a
destruição de um prédio de alvenaria e concreto, depois de completamente
generalizado o incêndio, dura aproximadamente quatro horas.
20.4 INCÊNDIO

Em uma conceituação complementar, incêndio é a destruição, pelo fogo, de


qualquer coisa que não seja a ele, fogo, destinada. Por isso podemos dizer que a
destruição dos combustíveis nas caldeiras é um incêndio.
Outro aspecto que é preciso considerar ao conceituar-se um incêndio, é a
sua relativa extensão, ou seja, as suas proporções.
20.5 DESENVOLVIMENTO DOS INCÊNDIOS

O desenvolvimento de um incêndio, tal como ficou acima conceituado,


compreende 05 (cinco) fases mais ou menos nítidas e que podem ser observadas:
ECLOSÃO;
INCUBAÇÃO;
DEFLAGRAÇÃO;
PROPAGAÇÃO;
EXTINÇÃO.
As duas primeiras fases, ou seja, ECLOSÃO e INCUBAÇÃO, constituem o
início do incêndio, compreendendo o estágio em que ele pode ser, ainda, debelado
com relativa facilidade. As três fases seguintes compreendem o desenvolvimento
propriamente dito do incêndio já instalado.
20.6 A ECLOSÃO DAS CHAMAS

É a fase inicial de qualquer incêndio. Por causas mais diversas, em um ponto


qualquer, a temperatura de um combustível atinge o seu ponto de ignição ou auto -
inflamação; ou um agente ígneo com capacidade suficiente inicia o processo de
combustão viva: produção de chama, emissão de gases aquecidos e, portanto, de
calor.
O ponto ou área circunscrita onde ocorre a ECLOSÃO inicial das chamas,
recebe a denominação de FOGO INICIAL ou FOGO PRINCIPAL.
20.7 A INCUBAÇÃO

É o aquecimento gradual do ambiente, partindo do fogo inicial, através de


transmissão de calor.

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Nos incêndios criminosos o foco inicial (ou focos) são preparados com um
inflamável de alta capacidade e de rápida combustão: - há uma produção imediata de
grande quantidade de calor, facilitando o desenvolvimento das chamas; daí a
denominação pelos peritos de "ACELERADORES".
20.8 A DEFLAGRAÇÃO

Ocorrerá quando a temperatura atingir 280/300oC e isso será notado porque os


materiais combustíveis de origem vegetal, principalmente a madeira, já estarão
emitindo gases, que em contato com o oxigênio, entrarão em combustão.
Poderá ainda ocorrer, quando a maioria dos materiais do ambiente possuírem
semelhantes pontos de ignição, o que se chama de "CADEIA DE FOGO".
20.9 PROPAGAÇÃO DO INCÊNDIO

É o processo de extensão do fogo aos materiais existentes e ocorrerá através


de métodos já vistos, obedecendo à regra fundamental: O FOGO SEMPRE SOBE".
20.10 EXTINÇÃO

É o nosso processo de redução dos gases emanados , através da destilação,


e consequente diminuição das chamas, até que reste somente brasas e cinzas.

21 RISCO DE INCÊNDIO

A prevenção incide, basicamente, sobre os fatores: RISCOS e CAUSAS;


notadamente controlando os riscos e eliminando as causas.
Teremos obtido uma eficiente prevenção, a partir do momento que
conseguirmos afastar, definitivamente, riscos e causas.
21.1 RISCOS

São considerados riscos, em termos de prevenção de incêndio, tudo o que


possa sofrer a ação destruidora do fogo.
21.2 OPERAÇÕES DE SALVAMENTO

Os problemas de risco de vida em pavimentos superiores são causados pelo


efeito de dispersão do calor em convecção. Em prédios lacrados o calor poderá gerar
nos pavimentos de cima um ponto que não permita a tolerância de vida. O ser humano
não pode inalar mais que uma ou duas vezes seguidas o ar saturado de umidade sem
sofrer sérias conseqüências. A ventilação rápida e adequada é essencial para livrar o
prédio do calor antes que a vida sofra sério risco.

21.3 RISCO DE MORTE

Vários estudos surgem que os Bombeiros não devem entrar em atmosferas


acima de 120ºC a 280ºC, sem trajes de proteção especiais e máscaras de respiração.
O Bombeiro equipado com máscaras e trajes de proteção pode operar em níveis de
temperaturas positivas mais elevadas por períodos de tempo relativamente curtos.

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21.4 FATOR TEMPO

As operações em edifícios altos tomam mais tempo do que as operações em


nível do térreo. O tempo necessário para iniciar a operação em tais prédios conjuga
com o problema de temperatura, o calor também é continuamente gerado pelo fogo e
fica confinado no interior do prédio. Assim, mais e mais áreas ficam expostas, e mais
materiais se tornam pré-aquecidos. Sob tais condições o dano pelo fogo aumenta
rapidamente durante o tempo necessário para se atingir seu controle.
21.5 DANO PELO CALOR

O dano pelo calor pode ocorrer em áreas remotas do local do incêndio. Este
dano geralmente ocorre em pavimentos acima do pavimento do foco de fogo ou no alto
do prédio quando a dispersão ocorre. As acumulações de calor tem também causado o
acionamento de sprinklers automáticos em pavimentos acima do foco causando
desperdícios de água, danos e problemas de salvamento em pavimentos
intermediários.
A acumulação de calor causa o funcionamento de sistema de alarmes por
elevação de temperatura de modo a dar localizações erradas do foco de fogo. O pré-
planejamento deverá incluir a identificação de áreas protegidas por alarmes
automáticos e considerar a possibilidade de falsos alarmes.
É extremamente perigoso responder a uma falsa localização e um pavimento
acima do foco real antes que o controle de áreas e artérias verticais do prédio seja
estabelecida. Nas artérias verticais, estas podem ser controladas através da ventilação
e do fechamento de portas. O controle das artérias verticais inibe a dispersão de
chamas, calor, fumaça e gases tóxicos. Isto é absolutamente essencial no sentido de
manter uma rota de fuga para os Bombeiros que possam entrar operando acima do
pavimento incendiado.

22 FUMAÇA E GASES DE INCÊNDIOS

Gases de incêndio são substâncias em estado vaporoso, resultantes da


combustão. Os produtos mais comuns da combustão contêm carbono que, quando
queimado forma o bióxido de carbono e o monóxido de carbono. Os principais fatores
que determinam os gases de incêndio formados pela combustão, são as composições
químicas do comburente, o percentual de oxigênio presente para a combustão, e a
temperatura da combustão (incêndio). Este tópico dará resposta as seguintes
indagações:
De que maneira os gases de incêndio afetam as operações de combate?
R:_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
Como é que estes se propagam através da estrutura do prédio?
R:_____________________________________________________________
_____________________________________________________________

Quais os processos de ventilação necessárias em edifícios altos?


R:____________________________________________________________
______________________________________________________________

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Quais são os efeitos do calor e dos gases em incêndios de edifícios altos?


R:____________________________________________________________
______________________________________________________________

Que tipos de comburentes e conteúdos geram a maior parte dos gases de


incêndios?
R:____________________________________________________________
______________________________________________________________

22.1 EFEITOS DA FUMAÇA E GASES DE INCÊNDIOS

A fumaça e os gases confinados no interior do prédio durante um incêndio


interferem no acesso e visibilidade para fins de resgate e operações de combate ao
incêndio. Essa mesma fumaça e gases superaquecidos, em um ambiente confinado,
em que o nível de oxigênio apresenta-se muito baixo para alimentar a combustão
adequadamente, podem entrar em ignição ou também explodir quando ocorrer
suprimento de oxigênio de forma repentina, quando, por exemplo, uma porta é aberta,
possibilitando a entrada de ar naquele ambiente confinado.
22.2 FALTA DE VISIBILIDADE

Durante os primeiros estágios do incêndio, a fumaça e os gases não


apresentam problemas sérios. Mesmo em edifícios lacrados, há várias áreas
disponíveis, através das quais a fumaça pode ser dissipada. Deste modo, a visibilidade
fica num nível mais tolerante para a operação de combate. A medida que o foco ganha
vulto, as áreas nas quais a fumaça se expandiu se tornarão mais densas. Assim, a
visibilidade é gradualmente reduzida até que a ventilação seja efetuada. A falta de
visibilidade pode encurralar pessoas e Bombeiros em edifícios tomados pelo fumo.
22.3 TOXIDEZ DOS GASES

Os edifícios lacrados podem ser capazes de reter toda a fumaça e gases do


incêndio, até que sejam ventilados. Outros tipos de edifícios geralmente retêm produtos
da combustão que podem ser taxadas de altamente perigosas.
O fogo produz inúmeros gases tóxicos, sendo o mais comum deles o
monóxido de carbono – CO. Um indivíduo exposto à concentrações de monóxido de
carbono em doses mínimas de 1% a 3 % no ar ambiente, se tornará inconsciente após
duas ou três inalações e provavelmente morrerá dentro de 1 a 3 minutos.
Além do mais, a fumaça e os gases tóxicos deslocam o oxigênio no interior de
uma estrutura. O efeito nocivo da falta de oxigênio não é geralmente entendida com
facilidade. Breves exposições à atmosferas onde o conteúdo de oxigênio foi reduzido
dos 21% normais para aproximadamente 15%, irá prejudicar o rendimento físico do
indivíduo que combate o incêndio; e afetar de modo enfático o seu poder de
discernimento. A perda do discernimento sob tais condições raramente se faz auto-
analisável ao Bombeiro que é seu paciente. Há casos registrados em que Bombeiros
realmente colocaram em risco suas vidas, sem consciência deste fato, após breves
exposições à atmosferas carente de oxigênio. Em cada um dos casos o Bombeiro
acreditava estar fazendo o trabalho de forma normal sem excessivo risco, porém seu
poder de discernimento estava totalmente falho.

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As máscaras de penetração para homens expostos à fumaça e a gases de
incêndios são absolutamente necessárias para proteger sua saúde e prover um
desempenho adequado de suas funções. O tempo do “coração devorador de fumaça”,
já era. Hoje em dia, no caso do CB, não pode haver vaga para indivíduos que recusem
usar uma máscara de proteção.
22.4 GASES AQUECIDOS

O calor é transportado para outras partes do edifício através da fumaça e dos


gases da combustão. A quantidade de calor transportado por tal meio de condução
esta em relação imediata com o espaço de tempo que o calor tem gerado e a distância
que este deve percorrer antes de ficar preso num dos pavimentos superiores. O calor
transportado por vapores é absorvido pelo ar do edifício e transportado pelas partículas
e vapores advindos deste.
Os dispositivos de proteção acionados através do princípio de elevação de
temperatura não respondem a gases de incêndio e propagação da fumaça, visto que
tais aparelhos geralmente não funcionam com a rapidez necessária para fechar portas
e vãos de ventilação a fim de bloquear a passagem para gases e fumaça. Tal
desvantagem é particularmente real em prédios elevados, nos quais a fumaça e o fogo
podem viajar grandes distâncias e transferir calor necessário para atingir outros
dispositivos.
22.5 RISCOS DE MORTE

Conforme foi mencionado anteriormente, é fato bem sabido que as mortes


causadas pela inalação de gases quentes são bem mais comuns do que mortes
através do fogo, e de todas as outras causas combinadas. Geralmente, pouca atenção
se dá à toxidade da fumaça fria e gases. A fumaça estratificada e os gases perdem
apenas o seu efeito calorífico; o monóxido de carbono, fatal à vida e os gases tóxicos,
ainda nela estão presentes. Visto que o fator temperatura não afeta a toxidade, os
gases frios ainda são tão perigosos como aqueles que estão quentes. Os ocupantes
das áreas do edifício onde a fumaça é estratificada, devem ser removidas de vez.
22.6 RISCOS ADVINDOS DO PÂNICO

Ocorrem mortes causadas pelo pânico quando os ocupantes de um edifício


são levados a crer que existe um incêndio quando na realidade não há incêndio algum.
A fumaça num prédio alto pode gerar tal crença e causar pânico. Porém o medo é a
maior causa de pânico. O pânico é contagioso, e quanto maior o número de pessoas
num prédio, maior será o potencial de pânico. Visto que os edifícios modernos
geralmente contém uma lotação diária de 100 ou mais pessoas por pavimento, o risco
de pânico sob tais circunstâncias e condições de fumaça é realmente verídico
A maioria das pessoas só conhece uma via de entrada e saída do prédio onde
moram ou trabalham. O acesso geralmente se dá através de um salão frontal de
acesso ao elevador, através de um hall, e para o interior de seus apartamentos ou
escritórios. A evasão geralmente também se processa pela rota. Sob condições de
incêndio, os outros meios de fuga são geralmente ignorados ou ainda, menosprezados
se desconhecidos.
Até o ponto que uma pessoa possa lograr acesso a uma área reconhecível, de
segurança, há pouco perigo de ocorrer pânico. Quando a rotina é desviada por
qualquer interferência pode desenvolver-se o pânico. Tal interferência pode advir da
fumaça densa, calor, visibilidade reduzida, filas excessivas ao elevador, demora em

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abrir as portas e assim por diante. Quando rompe o pânico, o indivíduo não raciocina
ou se comporta de modo lógico. O fluxo resultante de pessoas para as vias de fuga
conhecidas pode então rapidamente bloquear tais saídas e aprisionar todas as pessoas
dentro daquela área particular. Portanto, o pré-planejamento para o combate deve
incluir métodos de movimentação de ocupantes do edifício a fim de alternar as vias de
fuga.
Pode-se realizar exercícios de saída de emergência através de gráficos
montados em local de destaque de cada pavimento, que demonstrem as saídas
alternativas, para uso em edifícios altos. Os edifícios do Poder Judiciário de Nova York
não só prevêem tais exercícios de evasão como também estabelecem guardas em
cada pavimento que orientam a evasão em caso de emergência. A diretoria atribuiu
responsabilidades bem definidas com respeito à segurança contra o risco de vida dos
ocupantes de seus prédios.
22.7 PERIGO PARA A VIDA

Incêndios em arranha-céus apresentam numerosos riscos para a vida de seus


ocupantes (moradores). O tópico Perigo para a Vida da resposta as seguintes
perguntas:
Quais são os problemas encontrados para a evacuação dos ocupantes
dos edifícios altos?
Quais são os sérios problemas para a vida nas ocorrências de incêndios
nos altos edifícios?
Quais os meios de fuga nos altos edifícios?
Quais as saídas que devem ser usadas para o êxito das operações de
salvamento?
22.8 OCUPAÇÃO DO EDIFÍCIO

A ocupação dos edifícios, determina graves riscos de vida para os


ocupantes no caso de um incêndio. Os edifícios comerciais tem a mais variada
ocupação. Geralmente os altos edifícios são planejados antes de serem construídos,
da colocação de letreiros e de serem alugados. Somente após a construção é que ele é
alugado, o que faz com que o tipo de ocupação seja desvirtuada em função do
interesse econômico do proprietário. Internamente encontra-se móveis e acessórios
para o uso dos vários tipos de ocupantes e instalações.
O Projeto de Prevenção contra Incêndios deve determinar o lay out
ocupacional, de forma a dar a maior resistência ao fogo em cada andar. O estado e a
condição física dos ocupantes, para dar ao Corpo de Bombeiros, em caso de socorro, a
direção e ajuda necessária para a evacuação dos moradores a local seguro.
Em alguns edifícios os mais sérios problemas são durante o dia, em outras
durante a noite. Em qualquer dos casos, precisa ser presumido que muitos são os
problemas que põe em risco a vida dos ocupantes de altos edifícios.
Quando ocupados, os edifícios com andares fora do alcance normal das
escadas do Bombeiros trazem sérios riscos para a vida. Os riscos de vida estão
normalmente relacionados com a altura do edifício, resistência ao fogo, e número de
ocupantes. O ocupante normalmente não encara estes problemas seriamente. Não é
incomum haver mais de 100 pessoas em cada pavimento de uma estrutura comercial.
Se o edifício excede a 25 andares, os ocupantes podem ser superiores aos de muitas
comunidades. Um incêndio em uma alta estrutura deve ser considerado como um
incêndio numa cidade vertical onde toda população é envolvida.

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Brigada Escolar - Defesa Civil na Escola
22.9 PROBLEMAS DE SALVAMENTO

Para o sucesso das ações de salvamento, o Bombeiro deverá


antecipadamente conhecer a situação das vítimas e poder subir. Antes de preocupar-
se com o incêndio, o Bombeiro deve preocupar-se com o salvamento das vidas
humanas em perigo.
Comumente, para o Bombeiro, as fases de uma operação de salvamento
são:
a) Controle dos ocupantes;
b) Evacuação dos ocupantes;
c) Estabelecimento de áreas de refúgio.

23 EVACUAÇÃO DOS OCUPANTES

A população fixa e circulante da edificação, precisa sair das áreas perigosas.


Edifícios altos e mais populosos tendem a tornar as coisas mais difíceis. A
complexidade do problema esta diretamente ligada ao estimulo para que as pessoas
saiam ou não do edifício.
Para entendimento, são definidos como pessoas que podem andar, aquelas
capazes de abandonar o edifício durante uma situação de emergência sem auxilio de
Bombeiros. Que não podem andar, aquelas incapazes de abandonar o edifício durante
uma situação de emergência sem o auxilio de Bombeiros, aqui acham-se incluídas as
pessoas que dependem da assistência mecânica (muletas, cadeiras de rodas, etc),
cegos e surdos.
Pessoas incapazes temporariamente por uso de drogas ou excesso de álcool,
doenças e pessoas confinadas por razão de segurança devem ser consideradas
capazes. Em primeiro lugar deve-se dar prioridade as pessoas consideradas
incapazes, pois estas necessitam da maior ajuda dos Bombeiros.

23.1 CONTROLE DOS OCUPANTES


As pessoas em boas condições físicas devem ser orientadas de forma a
ganharem as áreas de refúgio. Não deve ser permitido retornar as áreas perigosas ou a
outras áreas de perigo. Colocar guardas em locais estratégicos do edifício, de forma a
poder controlar o pessoal evacuado.
23.2 ESTABELECIMENTO DE ÁREAS DE REFÚGIO

Por quatro razões principais, pode-se evacuar todos os ocupantes de um alto


edifício para a rua:
Fugir aos produtos da combustão.
O não conhecimento das substâncias encontradas pelos Bombeiros.
Muitas pessoas são incapazes de andar ou descer pelas escadas
mecânicas dos Bombeiros.
O elemento tempo não permite evacuar grande número de pessoas.
Se o incêndio esta localizado no topo do edifício, as áreas de refúgio são
normalmente estabelecidas 3 andares abaixo do andar em chamas. O risco de expor
os ocupantes muito tempo no telhado, é menor que expô-las aos riscos do fogo,
fumaça e gases na tentativa de levá-las para baixo, mesmo com o fogo extinto. A
evacuação dos ocupantes do telhado por helicópteros não é recomendada, a menos

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que esteja em perigo iminente. Usualmente os ocupantes do telhado estão a salvo da
fumaça severa e estão sob a supervisão do pessoal do Corpo de Bombeiros.
O tempo é o fator mais importante nas operações de salvamento. Em geral, o
Corpo de Bombeiros têm capacidade para retardar o desenvolvimento do incêndio até
que as pessoas estejam salvas ou fora das áreas de perigo. O tempo destinado ao
transporte dos ocupantes ao saguão depende das pessoas andarem rápido e sem
tropeços. Por exemplo: uma demonstração de abandono de local realizada no Canada,
em um edifício de 11 pavimentos, considerando-se 240 pessoas por andar, durou 6.12
minutos. Baseado nestes cálculos, para evacuação de um edifício de 30 pavimentos
com saídas simples, seria necessário 1 hora e 18 minutos, e 2 horas e 11 minutos para
o abandono de uma estrutura de 50 pavimentos. Com base nos resultados destes
cálculos, conclui-se que a completa evacuação de altos edifícios é irracional. Portanto o
estabelecimento de áreas de refúgio durante os incêndios, alguns andares abaixo do
incêndio ou no telhado, economiza tempo precioso.
23.3 USO DAS SAÍDAS

Deve-se lembrar que a maioria das pessoas (moradores) são alheios (não
conhecem) as varias saídas existentes em um edifício. Normalmente os ocupantes do
edifício só usam a sala de espera do elevador e o andar onde moram, sendo este o
caminho entre a casa e o trabalho. Assim não conhecem as outras saídas do edifício.
Os elevadores de serviço são interditados e só fazem os corredores internos, não
dando condições aos ocupantes de conhecerem o fim das escadas.
A entrada de fumaça nos corredores cria problema similar. O potencial de
pânico é muito real. A educação dos ocupantes no que diz respeito aos tipos e
localização das saídas existentes é necessário para o desempenho das funções do
Bombeiro. Deve-se dar ênfase ao fato de levar pelas escadas e portas até o 1º andar.
23.4 CAPACIDADE DAS SAÍDAS

A capacidade das saídas é dada pela divisão interior da escadas. As saídas


são dimensionadas de acordo com a NBR 9077 e como tal citamos a escada
enclausurada a prova de fumaça, a qual dá passagem a evacuação com segurança,
isolando o público de qualquer contato com o incêndio.
23.5 PONTO FINAL

A localização e ponto final de todas as escadas deve ser apontado em cada


andar, isso é fundamental para ocupantes e Bombeiros. As portas das escadas devem
ser diferentes das saídas e poços do elevador em todos os andares, desde o nível da
rua até o terraço, para facilitar a fuga do edifício.

Elaborado pela equipe da Brigada Escolar – Defesa Civil na Escola, 2012.

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