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DA III – Casos Práticos

Exercícios práticos

Responda sinteticamente às seguintes perguntas, indicando a(s) base(s) legal(ais) que


fundamenta(m) a sua resposta:

A) Prazo mínimo para apresentação de propostas


Qual o prazo mínimo para a apresentação de propostas:

a) Num concurso público sem publicidade internacional:


a.1) Para a celebração de um contrato de empreitada de obras públicas?
a.1.1) A lei prevê alguma possibilidade de redução deste prazo?
a.2) Para a celebração de outros contratos?

b) E num concurso público com publicidade internacional (independentemente do


tipo de contrato)?
b.1) A lei prevê alguma possibilidade de redução destes prazos?

c) Qual a regra geral (e norma legal correspondente) aplicável à fixação do prazo de


apresentação de propostas em qualquer procedimento pré-contratual?

B) Esclarecimentos
a) Qual o prazo para os interessados apresentarem pedidos de esclarecimento sobre
as peças do procedimento?
b) Qual é o órgão competente para prestar estes esclarecimentos? E em que prazo
devem os mesmos ser prestados?
c) Quais as consequências do incumprimento do prazo referido na alínea anterior?
d) Qual o valor jurídico dos esclarecimentos?
e) A resposta aos pedidos de esclarecimento está sujeita a algum tipo de
publicidade?

C) Erros e omissões
a) Qual o prazo para os interessados apresentarem listas de erros e omissões
constantes das peças do procedimento?
b) Qual a consequência que a apresentação de listas de erros e omissões tem sobre
o prazo para apresentação de propostas?
c) Qual deve ser o objecto das listas de erros e omissões apresentadas pelos
interessados?
d) Qual é o órgão competente para responder aos erros e omissões? E em que
prazo deve esta resposta ser dada?
e) Quais as consequências do incumprimento do prazo referido na alínea anterior?
f) Qual o valor jurídico da resposta aos erros e omissões?
g) A resposta aos erros e omissões está sujeita a algum tipo de publicidade?

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h) Quais as consequências, em sede de execução do contrato, da não apresentação


de lista de erros e omissões pelos interessados ou da sua rejeição por parte da
entidade adjudicante?

D) Preço anormalmente baixo


a) Quais os limites abaixo dos quais se considera que um preço é “anormalmente
baixo”:
a.1) Num procedimento para a celebração de um contrato de obras públicas?
a.2) Num procedimento para a celebração de outros contratos?
b) Estes limites são imperativos ou pode cada procedimento prever limites
diferentes?
c) É possível a entidade adjudicante considerar que uma proposta tem um preço
“anormalmente baixo” se o caderno de encargos não fixar o preço base e as
peças do procedimento não indicarem nenhum limiar abaixo do qual o preço seria
“anormalmente baixo”?
d) O que deve um interessado fazer quando pretende apresentar uma proposta
quando o seu preço é “anormalmente baixo” à luz das peças do procedimento em
causa?
d.1) Que tipo de fundamentos pode o interessado apresentar?
d.2) Qual a consequência caso o interessado não justifique o preço da proposta
apresentada? E esta consequência é automática?

E) Critério de adjudicação
a) Quais os critérios de adjudicação previstos no Código dos Contratos Públicos e
qual a diferença entre os mesmos?
b) Em que condições pode ser adoptado o critério do preço mais baixo?
c) Em que momento e por que órgão deve ser aprovado o critério de adjudicação e
de que peça do procedimento deve o mesmo constar?
c.1) Pode o critério de adjudicação ser alterado ou densificado pelo júri
durante o procedimento?
d) Quando é exigível a elaboração de um modelo de avaliação das propostas? E que
regras deve este modelo respeitar?

Caso Prático 1
Atendendo ao progressivo envelhecimento da população residente no concelho, o
Município A decidiu construir um lar municipal de terceira idade para acolhimento dos idosos
que, comprovadamente, não tivessem condições económicas para suportar os preços exigidos
por um lar privado.
Uma vez que as próximas eleições autárquicas seriam já no ano seguinte, e antevendo
que os votos da população mais idosa seriam decisivos para ser reconduzido no cargo, o
Presidente da Câmara Municipal determinou que a execução da obra se revestia de “urgência
imperiosa” e que o lar em causa deveria estar pronto a tempo de ser inaugurado na última
semana de campanha eleitoral.
Com este fundamento, o Município A lançou um procedimento de ajuste directo para a
celebração do contrato de empreitada de obras públicas para a construção do lar municipal,
com o preço-base de € 6.000.000,00.
Mais deliberou o Município A, atendendo à urgência na execução da obra e na sua
importância estratégica para o bem-estar da população municipal, no segmento etário da

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terceira idade, convidar apenas a empresa de construção civil “Cimentos&Betões, Lda.” para
apresentar proposta no procedimento de ajuste directo, com o fundamento de que apenas este
empreiteiro seria “de confiança” e daria suficientes garantias de conseguir levar a obra a bom
termo. Por mero acaso do destino, o gerente da “Cimentos&Betões, Lda.” era familiar do
Presidente da Câmara Municipal e, também por feliz coincidência, esta empresa tinha sido a
adjudicatária em todos os procedimentos de ajuste directo promovidos pela autarquia durante
este mandato, tendo recebido pela execução de todas essas empreitadas, no total dos últimos
três anos, o valor acumulado de € 3.000.000.
A proposta da “Cimentos&Betões, Lda.” foi adjudicada pelo Município A, em virtude de
ter sido a única proposta apresentada no procedimento, embora o júri tivesse notado que o
concorrente não tinha entregado o plano de trabalhos imperativamente exigido no convite.
Notificado para apresentar os documentos de habilitação, a “Cimentos&Betões, Lda.”
não entregou a certidão de registo criminal actualizada do seu gerente, mas apresentou, em
substituição deste documento, uma declaração através da qual o mesmo gerente garantia
solenemente que, apesar de ter sido condenado, por sentença transitada em julgado no ano
passado, pelo suborno de um Vereador da Câmara Municipal, tal não colocava em causa a sua
idoneidade para executar a obra, visto essa condenação resultar de uma “perseguição judicial”
de que o envolvido tinha sido vítima e que teria sido instigada pela “inveja” dos seus
concorrentes.
A Câmara Municipal aceitou esta justificação e procedeu à celebração do contrato com
o adjudicatário, o que não foi publicitado no portal da Internet dedicado aos contratos públicos.
Ao deparar-se com a montagem do estaleiro e o início das obras de construção do lar
de terceira idade, um dos administradores da “Muros&Telhados, S.A.”, empresa rival da
“Cimentos&Betões, Lda.”, vem consultá-lo sobre a legalidade do procedimento promovido pelo
Município A e da decisão de adjudicação proferida no âmbito do mesmo.
Tendo presente os factos acima expostos, esclareça as dúvidas colocadas pelo
administrador da “Muros&Telhados, S.A.”, pronunciando-se sobre:

a) A sujeição do contrato em causa ao regime procedimental previsto na Parte II do


Código dos Contratos Públicos;

b) A decisão de escolha do procedimento de ajuste directo para a execução da obra em


causa, tendo em conta o valor da empreitada e os fundamentos invocados pelo
Presidente da Câmara Municipal;

c) O envio de convite a um único concorrente, especificamente a “Cimentos&Betões,


Lda.”;

d) A admissão e adjudicação da proposta apresentada pela “Cimentos&Betões, Lda.”;

e) Os documentos de habilitação apresentados pela “Cimentos&Betões, Lda.”;

f) A falta de publicitação da celebração do contrato na Internet.

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Caso prático 2
Resolva o caso prático, fundamentando as suas respostas com base na lei e nos factos
referidos.
Os municípios de Lisboa, Loures e Oeiras constituíram a “Lixo, S. A.”, empresa pública
sob a forma de sociedade anónima, que tem por objecto social a gestão do sistema municipal
de serviço público de recolha de resíduos sólidos urbanos na área dos três municípios. O
capital social desta empresa pertence exclusivamente àqueles municípios, sendo o município
de Lisboa titular de 50% do capital social e o município de Loures e o município de Oeiras
titulares de 25% cada.
As receitas obtidas por esta empresa resultam dos pagamentos efetuados pelos
municípios acionistas, na proporção do lixo recolhido. Fica estabelecido nos estatutos da
empresa que quaisquer prejuízos da exploração desta serão cobertos por transferências dos
municípios que integram a empresa.
Nos termos dos respetivos estatutos, a “Lixo, S.A.” poderia proceder também ao
tratamento e reciclagem dos resíduos recolhidos, através de contrato a celebrar com os
municípios acionistas e mediante o pagamento de um preço por parte destes.

a) O contrato de constituição da “Lixo, S.A.” está submetido ao regime da contratação


pública?

b) E o contrato celebrado entre os municípios acionistas e a “Lixo, S.A.” com vista ao


tratamento e reciclagem dos resíduos?

c) A “Lixo, S.A.» pretende adquirir uma frota de 50 veículos para a recolha dos resíduos
sólidos urbanos. Este contrato está submetido ao regime da contratação pública?

d) No caso de se tratar de um contrato público, qual o procedimento pré-contratual que


pode ser adoptado para a adjudicação do contrato de aquisição de uma frota de 50
veículos pelo preço contratual de € 200.000?

Caso prático n.º 3


Imagine que o Director do Instituto dos Museus e da Conservação, com vista ao
melhoramento das condições de protecção da pintura medieval exposta no Museu de Arte
Antiga, decide adquirir um sistema de iluminação que aumenta substancialmente a
preservação dos quadros.
O anúncio do concurso, preparado e enviado pelos meios eletrónicos indicados no portal
da internet http://simap.eu.int, é publicado no JOUE. O critério de adjudicação fixado pelo júri é
o da proposta economicamente mais vantajosa, compreendendo uma ponderação de 60 %
para o preço, de 20% para a qualidade do sistema, 10 % para o prazo de entrega e 10 % para
a experiência da empresa. Não é fixado no caderno de encargos qualquer preço base.

a) Pode o júri convidar os concorrentes para a realização de um leilão eletrónico incidente


sobre o preço?

b) Pode considerar-se como juridicamente legítimo o critério de adjudicação adoptado


pelo júri?

c) Todas as propostas são excluídas com fundamento na apresentação de um preço


manifestamente desproporcionado e o Instituto decide convidar por ajuste directo

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apenas duas das empresas do sector que haviam participado no anterior concurso
público a apresentar propostas para a instalação de um sistema de iluminação que
abrangesse os quadros mais valiosos do museu.

d) É adjudicada a proposta apresentada por uma das empresas convidadas que doara no
ano anterior uma unidade de iluminação para a preservação de um dos quadros do
museu. Uma semana depois o contrato é celebrado, sendo efetuado o pagamento e a
entrega dos bens nesse mesmo dia.

Caso prático n.º 4


O Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INS) pretende adquirir quatro máquinas
de radiografia. Estimando-se que a despesa não ultrapasse os 60.000€, é aberto em Novembro
de 2012 um ajuste direto para adquirir os bens. O preço base do procedimento é fixado
precisamente naquele montante.
O INS convida a apresentar proposta sete empresas que fornecem aqueles bens.
Considere as seguintes hipóteses, que são independentes entre si:
a) Pode o INS convidar 7 entidades em vez de abrir um concurso público ou um
procedimento por negociação?

b) A empresa D, que tomou conhecimento do convite endereçado às diversas empresas,


alega que também deveria ter sido convidada a apresentar proposta, pois tem créditos
firmados no mercado do fornecimento de unidades de radiologia. Por outro lado,
considera que o concorrente A não poderia ter sido convidado, porque sabe que esse
concorrente, em fevereiro de 2010, forneceu ao INS duas unidades semelhantes às
agora contratadas, pelo preço de 30.000€. Quid iuris?

c) A empresa A apercebe-se, durante a consulta das peças do procedimento, do que


considera ser um erro de cálculo manifesto no caderno de encargos – exige-se 5 KV de
fotografia de tensão quando o mínimo exigível é de 50 KV e chama a atenção para o
facto, no décimo dia do prazo de 15 dias para apresentação das propostas.
O INS nada diz sobre esse suposto erro, razão pela qual a empresa apresenta a sua
proposta tomando como pressuposto o valor que considera correto (50 KV). Fez bem?

d) A empresa B apresentou uma proposta com preço contratual de € 70.000, que


justificou com a grande qualidade dos bens por si propostos. Contudo, a proposta é
excluída. A empresa B não compreende essa decisão, uma vez que o procedimento de
ajuste direto permite a celebração de contratos até ao valor de € 75.000.

e) A empresa C apresentou ao procedimento um equipamento fabricado com um material


de tecnologia de ponta, que oferece menos perigo para a saúde. Por essa razão, na
proposta apresentada o concorrente fez a seguinte menção: “A informação acerca do
processo de fabrico do material que compõe os equipamentos propostos é estritamente
confidencial e só pode ser acedida pelo júri do procedimento”.
Após a entrega das propostas, a empresa fica, pois, extremamente surpreendida
quando percebe que aquela documentação está disponível para consulta livre pelos
seus outros concorrentes, na plataforma electrónica utilizada pelo INS.

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DA III – Casos Práticos

f) O INS, após a apresentação das propostas, decide abrir uma fase de negociações com
a empresa D e a empresa E, que foram as que apresentaram preços mais baixos. O
júri propõe a ambas as empresas que baixem os respetivos preços, e, por sugestão do
concorrente E, numa reunião que corre em separado, propõe que baixe o preço e o
prazo de entrega dos bens.
Nas versões finais das propostas, o concorrente D baixa o preço e o concorrente E
baixa o preço e também o prazo de entrega, razão pela qual, em resultado da
aplicação do critério de adjudicação, a proposta daquele último fica classificada em
primeiro lugar.
Podem os outros concorrentes contestar a atuação da entidade adjudicante e quais as
vias legais previstas no CCP para tutela dos seus interesses?

g) Foi adjudicada uma proposta no valor de 50.000€, comprometendo-se o adjudicatário a


entregar todos os rádios num prazo de 15 dias a contar da adjudicação, tendo os bens
garantia de três anos contra defeitos de fabrico.
O INS pretende saber se está obrigado a celebrar o contrato por escrito, e quando
pode receber os bens.
O adjudicatário pretende ser pago imediatamente após a entrega dos bens.