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ESPECIALIZAÇÃO LATO SENSU

EM ENGENHARIA DE ESTRUTURAS DE CONCRETO E


FUNDAÇÕES

ESTRUTURAS DE FUNDAÇÕES E CONTENÇÕES I

Prof. CLAUDERSON BASILEU CARVALHO


Mestre em Engenharia de Estruturas – DEES/UFMG
Especialista em Geotecnia – UNICID/SP
Doutorando em Engenharia de Estruturas – DEES/UFMG
CONTATOS

 e-mail: profclauderson@gmail.com
 telefone: 31 9 9999-1979
Link curriculo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2759161121752780

site: www.basisengenharia.com.br
Bibliografia Básica

Apostilas Específicas
Fundações
Conceito: Elemento transmissor dos esforços de uma estrutura
ao solo base. São peças enterradas (ou não) que fazem a
intermediação entre a estrutura e o terreno.
Fundações

O engenheiro de fundações precisa adquirir conhecimentos de:


- Cálculo estrutural: dimensionamento das peças estruturais
- Geotecnia: mecânica dos solos e das rochas.
Fundações
Fundações
Variáveis para avaliação do
comportamento das fundações

1 – SUPER-ESTRUTURA CONSTITUÍDA
DE LAJES, VIGAS E PILARES, ACIMA DA
COTA 0,0;
2 – AMBIENTE OU VIZINHANÇA NO
ENTORNO DO LOCAL DE
CONSTRUÇÃO;
3 – INFRA-ESTRUTURA CONSTITUÍDA
DE CINTAS E PEÇAS ESTRUTURAIS DE
FUNDAÇÃO, COMO SAPATAS, BLOCOS,
ESTACAS, RADIER, ETC;
4 – SOLO DE FUNDAÇÃO OU ROCHA
Fundações
Fundações
Fundações
Fundações
ORIGEM DO SOLO  INTEMPERISMO

• NAS BORDAS DAS PLACAS TECTÔNICAS OCORREM RENOVAÇÃO DAS ROCHAS;


• JÁ NO INTERIOR DAS PLACAS O INTEMPERISMO CONSEGUE ATUAR.
Fundações
ORIGEM DO SOLO – PERFIS GEOLÓGICOS-GEOTÉCNICOS
Fundações
Fundações
Fundações
Segundo a NBR 6122/2010, fundação superficial, fundação rasa ou até mesmo fundação direta (três
termos similares) é o elemento estrutural em que a carga é transmitida ao terreno, pelas tensões
distribuídas sob a BASE da fundação, e a profundidade de assentamento em relação ao terreno
adjacente à fundação é inferior a duas vezes a menor dimensão da fundação.
Já as fundações consideradas profundas e/ou indiretas (estacas de diferentes características, por
exemplo), são aquelas em que a transmissão da carga para o solo é feita pela superfície lateral
(preponderantemente) e também pela base; podendo esta última ser negligenciada. Esta
transmissão será tratada por efeito de atrito lateral e efeito de ponta, respectivamente. As dimensões
são relativamente grandes exatamente devido à forma reação dos esforços solicitantes.
Fundações
Caso “ESPECIAL”: TUBULÃO  Fundação direta
profunda.
Pela NBR 6122/2010 o elemento tubulão é considerado uma peça de fundação profunda, escavado
no terreno em que, pelo menos na sua etapa final, há descida de pessoas, que se faz necessária
para executar o alargamento de base ou pelo menos a limpeza do fundo da escavação, uma vez
que neste tipo de fundação as cargas são transmitidas preponderantemente pela ponta (o atrito
lateral ocorre mas entra como parcela de segurança – não se considera no dimensionamento)
Fundações
Caso realmente ESPECIAL: FUNDAÇÕES MISTAS
 Aquelas que associam fundações superficiais e profundas

Estaca T

Radier estaqueado
Fundações
Condição Ideal:

1 Laje + 4 Vigas + 4 pilares + 4 elementos isolados de fundação = 1


Pórtico Espacial

Devido à resistência do solo de base


essa condição é na grande maioria
dos casos, improvável.
Fundações
Fundações
Fundações
Fundações
Fundações
Fundações Superficiais x Fundações Profundas
Orientações quanto à escolha
Fundações
Fundações Superficiais x Fundações Profundas
Orientações quanto à escolha
Fundações
Fundações Profundas x Fundações Profundas
Orientações quanto à escolha do tipo de Estaca
Fundações
Fundações Profundas x Fundações Profundas
Orientações quanto à escolha do tipo de Estaca
Fundações
(Live load)
(Dead load)
Fundações
Fundações
Fundações
Ações nas fundações

Segundo a NBR 6122/2010, os esforços determinados a partir das ações e suas


combinações, conforme prescrito na ABNT NBR 8681 (ações e segurança nas estruturas),
devem ser fornecidos pelo projetista da estrutura a quem cabe individualizar qual o
conjunto de esforços para verificação dos estados-limites últimos (ELU) e qual o conjunto
para verificação dos estados-limites de serviço (ELS). Esses esforços devem ser
fornecidos em termos de valores de projeto, já considerando os coeficientes de majoração
conforme prescreve a norma.
Para o caso do projeto de fundações ser desenvolvido em termos de fator de segurança
global, devem ser solicitados ao projetista estrutural os valores dos coeficientes pelos
quais as solicitações em termos de valores de projeto devem ser divididas, em cada caso,
para reduzi-las às solicitações características.
Os esforços devem ser fornecidos no nível do topo das fundações ou ao nível da interface
entre os projetos de superestrutura e infra-estrutura, devendo ficar bem caracterizado este
nível.

Ações nas fundações  ações nominais


Fundações
Ações nas fundações
NBR 8681/2003
Fundações
Investigação do subsolo

Ensaios in situ

SPT – “STANDARD PENETRATION TEST”  Avalia resistência dos solos perfurados;


CPT – “CONE PENETRATION TEST”  Avalia resistência dos solos perfurados e pode ou
não medir pressão intersticial da água;
PMT – “PRESSURE METER TEST”  Avalia resistência à partir de uma resposta a
compressão horizontal do solo na zona envolvente;
DMT – “DILATOMETER TEST”  Avalia resistência do solo à partir de uma resposta a
expansão de um membrana com intrusão de gás nitrogênio;

VST – “VANE SHEAR TEST”  Avalia resistência dos solos à partir da rotação de uma
palheta.
Fundações
Investigação do subsolo
Ensaios in situ
ENSAIOS DE PLACA

Fator de segurança = 2
Fundações
Investigação do subsolo
Ensaios de laboratório
Fundações
Investigação do subsolo
Ensaios de laboratório
Fundações
Investigação do subsolo
Ensaios de laboratório
Fundações
Investigação do subsolo
Ensaios de laboratório
Fundações
Investigação do subsolo
Ensaios de laboratório
Fundações
Investigação do subsolo

Ensaios de laboratório
Fundações
Investigação do subsolo

Ensaios de laboratório
Fundações
Investigação do subsolo
Ensaios de laboratório
Fundações
Investigação do subsolo
Ensaios de laboratório
Fundações
Investigação do subsolo
Ensaios de laboratório
Fundações
Investigação do subsolo
Ensaios de laboratório
Fundações
Investigação do subsolo
Ensaios de laboratório
Fundações
Investigação do subsolo
Ensaios de laboratório
Fundações
Investigação do subsolo
Métodos Indiretos - Geofísica

• Refração sísmica;
• Eletro-resistividade;
• Indução magnética.

Propriedades são estimadas por meio


de medição, análise e interpretação
dos campos físicos na superfície ou
próxima a ela.
Fundações
Investigação do subsolo
Ensaios in situ

 SPT

As sondagens às percussão (SPT) foram elaborados para


solos de resistência moderada. Um ou dois golpes para mais
ou para menos é considerado erro corriqueiro. Solos com 1, 2
ou 3 de NSPT (solos considerados “fracos”) podem ter mais
resistência que o esperado nos cálculos semi-empíricos
(estudados à diante).
Fundações
Investigação do subsolo
Fundações
Investigação do subsolo
Fundações
Investigação do subsolo
Fundações
Investigação do subsolo
Fundações
Investigação do subsolo
Fundações
Investigação do subsolo

Cálculo da Eficiência do equipamento de sondagem

em x Nm = e60 x N60

em mede-se com “analyzer” ou pode-se estimar (± 84% em média segundo artigos técnicos);
e60 é a eficiência de 60% (eficiência considerada pela norma americana);
N60 é o NSPT corrigido para uma eficiência de 60%.

No Brasil a eficiência aproximada é de 72%


Fundações
Investigação do subsolo

Solo resistente (15 golpes) a ± 6 m


profundidade.
Indicação para fundação profunda
Fundações
Investigação do subsolo
Solo resistente (15 golpes) a ± 1,5 m
profundidade.
Indicação para fundação rasa

Fundação Rasa
Observação (experiência autor):
Profundidade mínima é a
profundidade que as livre de
variações sazonais de volume de
solo, raízes e erosões (> 1,5m).
NBR 6122/2010:
Profundidade mínima nas divisas
com terrenos vizinhos é maior
que 1,5m, salvo assentamento
em rocha.
Fundações
Investigação do subsolo

Qual tipo de
Fundação?
Fundações
Investigação do subsolo
Número mínimo de furos de sondagem prescritos pela NBR 8036/1983

• 2 para área da projeção em planta do edifício até 200 m²;


• 3 para área entre 200 m² e 400 m²;
• Entre 400 m² e 1200 m² de área deve-se acrescentar 1 sondagem
para cada 200 m² aos 3 estabelecidos anteriormente;
• Entre 1200 m² e 2400 m² de área deve-se fazer 1 sondagem para
cada 400 m² que excederem de 1200 m²;
• Acima de 2400 m² o número de sondagens deve ser fixado de
acordo com o plano particular da construção.

Tabela prática de referência do número de furos em função da área de projeção do edifício


Intervalos em m² 0-200 200-400 400-600 600-800 800-1000 1000-1200 1200-1600 1600-2000 2000-2400

Nº de furos 2 3 3 4 5 6 7 8 9

Acima de 2400 m² deverá ser elaborado um plano específico, adequado ao tipo de edificação
Fundações
Investigação do subsolo
Sondagem rotativa  Utilizada para investigação geotécnica de
maciços rochosos e solos impenetráveis a percussão - SPT.
Recomenda-se uma amostragem mínima de aproximadamente 3
metros da rocha avaliada. Possibilita classificação da qualidade da
rocha à partir do RQD.
Rock Quality Designation (RQD) é definido como a percentagem de
recuperação obtida quando se eliminam da amostra as porções de solo
e os fragmentos de rocha menores que 10 cm.

Índices de qualidade de
maciços rochosos
Fundações
Investigação do subsolo
Fundações
Investigação do subsolo
Métodos Semi-empíricos – Correlações com o NSPT
RESPOSTAS
Compacidade e consistência Pesos específicos

Parâmetros de resistência
Fundações
Investigação do subsolo
Métodos Semi-empíricos – Correlações com o NSPT
Parâmetros de compressibilidade

Módulo de elasticidade
Fundações
Investigação do subsolo
Métodos Semi-empíricos – Correlações com o NSPT

Geral
Fundações
A tensão de ruptura ou capacidade de carga de um solo é, assim, a força que
aplicada a uma área de solo, causa o seu colapso. Adotando um adequado
coeficiente de segurança, da ordem de 2 a 3, obtém-se a tensão admissível, a qual
deverá ser “admissível” não só à ruptura como também às deformações excessivas
do solo.
“O material solo apresenta um comportamento Sólido = mecânica dos sólidos;
elasto-plástico-viscoso” Ar = fenômenos de transporte;
Água = mecânica dos fluidos.
Fundações
Fundações
Fundações
Mecanismos de Ruptura

O solo rompe por cisalhamento

(a)
(b)
Fundações

Solos rígidos Solos deformáveis (areias fofas ou argilas


(areia compacta ou argila rija a dura) moles a médias)

Solos sem resistência mecânica (areia


extremamente compressível ou argila mole)
Fundações
INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS DO ENSAIO DE PROVA DE CARGA

Ruptura Geral 

Ruptura local ou
puncionamento 

Reação insuficiente 
Fundações
Fundações
Formulação clássica de Terzaghi (1943)

Sobrecarga
solo
coesão Peso próprio adjacente
Fundações
Formulação clássica de Terzaghi (1943)
Fundações
Formulação clássica de Terzaghi (1943)

Em caso de ruptura local, utiliza-se


os seguintes parâmetros:
Fundações
Formulação clássica de Terzaghi (1943)
Fundações
Formulação de Vésic (1975)

Incorporou aos métodos anteriores as influências de:


1. Profundidade de assentamento;
2. Inclinação da carga em relação ao plano;
3. Inclinação do terreno adjacente;
4. Inclinação da base em relação a horizontal.
Fundações
Formulação de Vésic (1975)

Configuração geral para aplicação do método de Vésic


Fundações
Formulação de Vésic (1975)
Fundações
Formulação de Vésic (1975)

Segundo Wayne C. Teng em “Foundation Design este valor deve ser inferior a 5 tf/m²

Área efetiva (Af) é a área de interseção entre a área real e a área deslocada pela excentricidade
Fundações
Área Efetiva segundo a NBR 6122/1996 (não mais em vigor)

Curiosidade
Fundações
Formulação de Vésic (1975)
Fundações
DETERMINAÇÃO DA CAPACIDADE DE CARGA

1 – Prova de carga;
2 – Formulações teóricas (Terzaghi e Vésic);
Valor mais conservador
3 – Correlação com o NSPT, sem o bulbo;
4 – Correlação com o NSPT, com o bulbo .

Correlações com o NSPT


Fundações em sapatas, blocos e radier’s  s = NSPT/5 kgf/cm²
Fundações em tubulão  s = NSPT/4 kgf/cm²

Considerações:
• Não deve-se apoiar uma fundação em solos que apresentem NSPT < 5 (estendendo-se ao bulbo de
tensões). Caso ocorra deve-se reforçar o solo de base ou “movimentar” verticalmente a fundação).
• O valor máximo de NSPT a ser considerado nas correlações é limitado a 20.
• Se no bulbo de tensões ocorrerem valores de NSPT decrescentes deverá ser verificada a tensão
admissível nessas profundidades;
• Os NSPT dentro do bulbo de tensões devem ser analisados com coerência. Pegar valores médios à partir
de resultados com desvio padrão alto podem ser perigosos.
Fundações
Bulbo de Tensões

Definição: Conjunto de isóbaras; ou região de


concentração de isóbaras, onde as tensões superiores a
10% em relação à tensão de contato, estão localizadas.
Levando-se em conta os efeitos práticos de análise.

- A atuação do bulbo de tensões descrito acima, está


condicionada à deformabilidade do solo base; ou seja,
a(s) camada(s) suporte(s) deve(m) ser deformável(is).

• Sapatas quadradas, circulares e retangulares de lados menores que 1/5 de relação  2B


• Sapatas corridas (retangulares com relação de 1/5 entre os lados)  4B

onde B é a largura da base.


Fundações
Critérios de projeto
Fundações
Critérios de projeto
Fundações
Critérios de projeto
Fundações
Critérios de projeto
Fundações
Critérios de projeto

Base isolada
Fundações
Critérios de projeto
Fundações
Critérios de projeto

Distorções angulares em função dos danos associados


Fundações
Critérios de projeto
Fundações
Critérios de projeto

Recalque

Denomina-se recalque a deformação ou “afundamento” de uma fundação.

Os recalques podem ser classificados em:


- Recalque total (s): corresponde à máxima deformação observada em um dado ponto.
- Recalque diferencial (): corresponde à diferença entre os recalques totais de dois pontos quaisquer.
- Recalque diferencial específico ou distorção angular (β): corresponde ao recalque diferencial dividido pela
distância entre os pontos considerados.
- Inclinação (ω): corresponde ao recalque diferencial específico entre dois pontos extremos da estrutura
Fundações
Critérios de projeto

Recalque
Estrutura Global
Fundações – Rasas, diretas ou superficiais
Fundações Superficiais Rígidas e Flexíveis

Para as mesmas condições de solo e superfície de contato, a altura da fundação é que definirá se ela
será rígida ou flexível.
Fundações – Rasas, diretas ou superficiais
Fundações Superficiais Rígidas e Flexíveis
Em análise estrutural clássica, o coeficiente de rigidez (inverso de coeficiente de flexibilidade) é
definido como a relação entre uma ação aplicada e seu deslocamento provocado; ou seja:

Como a avaliação global da estrutura recomenda a interação entre a fundação e o solo,


sugere-se relacionar a rigidez da base com a rigidez do terreno, ou seja, relacionar a flecha do
elemento com o recalque do solo. À partir disso, pode-se aplicar a seguinte expressão:
Fundações – Rasas, diretas ou superficiais
Fundações Superficiais Rígidas e Flexíveis

Rigidez segundo a NBR 6118/2014


Segundo a norma NBR 6118 uma sapata será considerada rígida se atender às duas equações à
seguir. Caso contrário ela deverá ser considerada flexível.

B b

 3
e  d'
 A  a

 3

Obs: o d’ das fórmulas acima, não estão descritas na norma brasileira. Este parâmetro não influenciará
na classificação, devido à sua ordem de grandeza, mas é uma sugestão do autor para aplicação técnica mais
rigorosa.
Fundações – Rasas, diretas ou superficiais
Determinação dos Recalques

• Não leva-se em conta a flexibilidade da fundação;


• Recalque real para fundações rígidas e médio para fundações flexíveis;
• O recalque total é a soma do recalque imediato (imediatamente após o
carregamento) com o recalque ao longo do tempo (adensamento +
fenômenos viscosos);
• Previsão é tarefa difícil.
Fundações – Rasas, diretas ou superficiais
Determinação dos Recalques

Métodos racionais  associação com parâmetros de laboratório ou in situ;


Métodos semi-empíricos  associação com SPT ou CPT;
Métodos empíricos  uso de tabelas.
- Terzaghi (1955);
- Harr (1966);
- Giroud (1973);
- Poulos e Davis (1974);
- Perloff (1975);
- Schmertmann (1978);
- Padfield e Sharrock (1983);
etc...

 Utilizaremos os valores de Terzaghi (1955) com aplicação segundo o American


Concrete Institute (ACI,1988), associando o ks1, obtido no ensaio de placa com o kv
Fundações – Rasas, diretas ou superficiais
Determinação dos Recalques

Valores de kv de uma placa quadrada de 1 pé ( 30 cm)


Fundações – Rasas, diretas ou superficiais
Determinação dos Recalques

onde b é a menor dimensão da placa utilizada no ensaio; B é a menor dimensão da


fundação avaliada e n varia entre 0,5 e 0,7. Sendo que utiliza-se o menor valor de n
se a espessura da camada compressível, abaixo da fundação, for menor que 4B.

 Tensão
kv 


V
Deslocamento
A

Determinação da tensão solicitante:   k v   Estudo detalhado à diante


Fundações – Rasas, diretas ou superficiais
Determinação dos Recalques

No caso de radier, onde as dimensões são consideravelmente grandes, levando-


se a kv’s extremamente pequenos, recomenda-se a utilização do método
preconizado pelo ACI com a adoção de sapatas isoladas fictícias. Depois tira-se a
média dessas variáveis. Pode-se ainda utilizar, segundo Teixeira e Godoy (1996),
0,67kvb = Kv.

Com relação ao coeficiente horizontal de mola (kh) dos elementos de fundação, e


bastante utilizado nos modelos de análise e dimensionamento, recomenda-se
utilizar este parâmetro como sendo 20% do coeficiente vertical (kh= 0,2kv). Em
análises dinâmicas, este fator pode ser considerado como sendo 50% do kv (kh=
0,5kv), já que se sugere uma melhor acomodação do solo na avaliação em serviço.
Fundações – Rasas, diretas ou superficiais
Tensões de Contato – Fundações Flexíveis e Rígidas
onde:  é a tensão de contato em determinado ponto; ω é o
  kv  
deslocamento do solo em um determinado ponto (recalque) e kv é o
coeficiente de recalque do solo.

O cálculo de fundações flexíveis é bastante complexo, tendo sua aplicação difundida pelo
advento computacional (SAP 2000), utilizando os conceitos de placa (fundação) sobre
base elástica (solo).

Normalmente, evita-se projetar fundações superficiais flexíveis. Entretanto, quando a fundação


é assentada sobre rocha, não há como contornar o problema, sendo a fundação
obrigatoriamente flexível, visto que a espessura a ser adotada para torná-la rígida é inviável.
Fundações – Rasas, diretas ou superficiais
Tensões de Contato – Fundações Flexíveis e Rígidas

A fundação assentada sobre rocha, segundo a NBR 6122/96 recomendava que, no


cálculo estrutural, fosse adotado o diagrama de tensões mostrado abaixo. E o autor utiliza
esta recomendação nos dias atuais.
Fundações – Rasas, diretas ou superficiais
Tensões de Contato – Teoria da Elasticidade

Em fundações rígidas, a superfície de contato tende a permanecer plana, com isso, a tensão
em um determinado ponto sob a base será função do carregamento, da geometria e da
posição em relação ao centro de gravidade da seção da base.
Com isso, a equação das tensões oblíquas compostas, estudada em RESISTÊNCIA
DOS MATERIAIS, deve ser aplicada.

Equação Geral
Fundações – Rasas, diretas ou superficiais
Tensões de Contato – Teoria da Elasticidade

Revisão – Resistência dos Materiais


Fundações – Rasas, diretas ou superficiais
Tensões de Contato – Teoria da Elasticidade

Revisão – Resistência dos Materiais

Região de aplicação da carga para não apresentar tração na base


Fundações – Rasas, diretas ou superficiais
Tensões de Contato – Teoria da Elasticidade

Quando houver “tração ou descolamento” no fundo da base


- Deve-se garantir que 2/3 da base estejam em contato com o solo. Ou seja, 67% da
fundação/solo devem estar comprimida. Observa-se porém, que algumas empresas projetistas,
em seus “critérios de projeto”, indicam que no mínimo 80% e até 90% do solo sob a fundação,
seja comprimido. Isto eleva o nível de segurança, mas encarece o dimensionamento.

Excentricidade em relação a apenas um dos eixos principais de inércia (x ou y)

2N
 máx 
L
3 B (  e)
2

L 
X  3  e 
2 
Fundações – Rasas, diretas ou superficiais
Tensões de Contato – Teoria da Elasticidade
Excentricidade em relação aos dois eixos principais de inércia (x e y)

A determinação do diagrama de tensões no solo é, neste caso, mais complexa.


Quatro situações distintas podem ocorrer, dependendo da posição (região) onde se localizar a carga normal
excêntrica. A figura abaixo indica essas quatro regiões.

Caso a maior dimensão da sapata


(a) esteja na direção “y”, trocar “a”
por “b” em todas as expressões à
seguir.
Fundações – Rasas, diretas ou superficiais
Tensões de Contato – Teoria da Elasticidade
Excentricidade em relação aos dois eixos principais de inércia (x e y)
Região 1

Tensões nos pontos I e II

dI, dIII e dmáx podem ser obtidas em escala


Fundações – Rasas, diretas ou superficiais
Tensões de Contato – Teoria da Elasticidade
Excentricidade em relação aos dois eixos principais de inércia (x e y)
Região 2

Tensões no ponto I
Fundações – Rasas, diretas ou superficiais
Tensões de Contato – Teoria da Elasticidade
Excentricidade em relação aos dois eixos principais de inércia (x e y)
Região 3

Tensões no ponto III


Fundações – Rasas, diretas ou superficiais
Tensões de Contato – Teoria da Elasticidade
Excentricidade em relação aos dois eixos principais de inércia (x e y)
Região 4

Com a excentricidade nesta região, o cálculo das tensões conduziria a um diagrama de tensões
com área comprimida inferior a 67% da área total da fundação.
Quando a excentricidade cair nessa região as dimensões da fundação devem ser alteradas.
Para que seja garantido que a carga normal excêntrica não cai na região 4, basta que
as excentricidades “ex” e “ey” atendam à inequação:
Fundações – Rasas, diretas ou superficiais
Deslizamento

Após analisarmos as tensões de contato comparando-as com as tensões admissíveis, bem como
a porcentagem de área comprimida, fazendo referência a um possível “tombamento”; o último critério a
ser verificado nas fundações diretas seria o da estabilidade aos deslocamentos transversais (translação).
Assim:

 F v
 1,5
F h

onde  é o coeficiente de atrito entre o solo e o concreto armado, que pode ser tomado simplificadamente por
tg2/3 (mais conservador) ou tg (menos conservador);
Fv é o somatório de cargas verticais (Peso próprio + peso do solo + carga vertical + etc...);
Fh é o somatório de cargas horizontais.
Fundações – Rasas, diretas ou superficiais
Dimensionamento Geométrico
O dimensionamento geométrico de fundações superficiais consiste na definição da geometria
de sua superfície de contato (base), para que as tensões transmitidas ao solo não
ultrapassem sua tensão admissível ( adm). Esta geometria ainda deve ser capaz de garantir
a estabilidade às translações ou deslizamentos e às rotações ou tombamentos.
Além disso:
- nenhuma das dimensões deve ser menor do que 60 cm;
- apesar de não haver qualquer menção na NBR-6122, é cultura difundida
que, sempre que possível, a relação entre os lados do retângulo (a/b) seja
menor ou igual a 2,5;
- sempre que possível, os quatro balanços da fundação devem ser iguais (La
= Lb), pois isso conduz a um dimensionamento mais econômico;
- para que haja filosofia única de cálculo, em qualquer situação de solicitação,
a carga normal a ser considerada no projeto deve ser igual a:
Fundações – Rasas, diretas ou superficiais
Dimensionamento Geométrico
Fundações – Rasas, diretas ou superficiais
Dimensionamento Estrutural de Sapatas Rígidas

Considerações iniciais:
- Em sapatas rígidas o dimensionamento/verificação da punção é desnecessária,
segundo a NBR6118/2014.
- Se a espessura da sapata for maior que 0,5La ou 0,5Lb (vide figura anterior),
ocorrerá o surgimento de tensões elevadas de tração acima da face inferior do elemento,
exigindo dois níveis de armadura.
- o rodapé, ou espessura nas extremidades, mínimo das sapatas devem obedecer:
um terço da espessura abaixo da coluna ou 20 cm (em caso de sapatas em “tronco de
pirâmide”).
- espessura deve ser suficiente para ancorar 60% do comprimento básico de
ancoragem das armaduras verticais do pilar (≥ 0,6lb).
Fundações – Rasas, diretas ou superficiais
Dimensionamento Estrutural de Sapatas Rígidas – Método das bielas comprimidas

onde: P é a carga do pilar, “a” é a medida da sapata na direção estudada, “a0” é a medida do pilar na direção
estudada, “d” é a altura útil, Ta é força de tração na biela inferior, As é a área de aço projetada e fyd é a
tensão de escoamento de cálculo do aço.
Fundações – Rasas, diretas ou superficiais
Dimensionamento Estrutural de Sapatas Rígidas – Teoria da Flexão

Os métodos de cálculo e dimensionamento descritos abaixo referem-se a sapatas que apresentam


as características mostradas abaixo.

Se h ≥ 2Lmáx  bloco

Os momentos fletores em cada direção são calculados em relação a seção de referência S1


correspondente, considerando-se a reação do solo em toda a área da sapata definida por S1 e suas
bordas. Essas seções devem ser consideradas, em cada direção, do lado onde ocorrem as maiores
tensões no solo.
Fundações – Rasas, diretas ou superficiais
Dimensionamento Estrutural de Sapatas Rígidas – Teoria da Flexão

q  L²
M e V qL
2
Asmín = 0,1%Ac
Fundações – Rasas, diretas ou superficiais
Dimensionamento Estrutural de Sapatas Rígidas – Teoria da Flexão

Considerações:
- A relação entre as áreas das armaduras nas duas direções deve ser maior do que 1/5;
- Se o peso próprio da sapata e peso de terra sobre ela tiverem sido considerados na
determinação das tensões no solo, eles devem ser descontados na avaliação dos momentos.;
- Caso esta consideração resulte em algum momento negativo, a sapata deverá ser
dotada de armadura superior conforme figura abaixo.
Fundações – Rasas, diretas ou superficiais
Dimensionamento Estrutural de Sapatas Rígidas – Teoria da Flexão

Condições de aderência da armadura


A seguinte relação desse ser verificada

onde:
V1d= esforço cortante de cálculo relativo à seção de referência S1 (por unidade de comprimento);
d= altura útil da sapata;
n= número de barras por unidade de comprimento;
p= perímetro de uma barra = π ;
fcd em kgf/cm²

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Fundações – Rasas, diretas ou superficiais
Dimensionamento Estrutural de Sapatas Rígidas – Teoria da Flexão

Resistência ao esforço cortante


O esforço cortante de referência atua na sapata entre a seção de referência S2 e a
borda paralela mais próxima a esta seção. Deve-se verificar o cortante nos dois balanços
e analisar o maior entre eles.
A seção S2 é perpendicular à superfície de contato da sapata e situa-se a uma
distância, medida da face do pilar, igual a metade da altura útil (d/2). Se largura é
b2 = b0 + d; onde b0 é a dimensão do pilar paralela a S2 e d a altura útil junto ao pilar.
A altura útil d2 é a altura útil medida na seção S2. Este valor não deve ser maior do que
1,5 vezes a aba t2 da sapata (vide próxima figura).
Fundações – Rasas, diretas ou superficiais
Dimensionamento Estrutural de Sapatas Rígidas – Teoria da Flexão

Resistência ao esforço cortante


Fundações – Rasas, diretas ou superficiais
Dimensionamento Estrutural de Sapatas Rígidas – Teoria da Flexão

Resistência ao esforço cortante

Os esforços cortantes na seção considerada não devem ultrapassar os seguintes valores:


Fundações – Rasas, diretas ou superficiais
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Armaduras Secundárias
A princípio, armaduras secundárias não são exigidas nas sapatas.
Fundações – Rasas, diretas ou superficiais
Dimensionamento Estrutural de Sapatas Rígidas

Para utilização do método das bielas comprimidas e também da teoria da flexão, nos casos de
carga normal com excentricidade embutida (N + M), é preciso uniformizar o diagrama de tensões
no solo e transformar a carga aplicada em uma carga fictícia ( x A)
Fundações – Rasas, diretas ou superficiais
Dimensionamento Estrutural de Sapatas Rígidas – Teoria da Flexão

Revisão – Concreto Armado – Dimensionamento de seções retangulares

Md k  k L  k '  k  Armação simples


k 
f c  bw  d ²  k  k L  k '  k L  Armação dupla

 f c  bw  d
A
 s1   (1  1  2k ' )
f yd

As  As1  As 2   f c  bw  d ( k  k ' )
 As 2  
f yd d'
 (1  )
 d
As 2
A' s 

ESTRUTURAS DE FUNDAÇÕES E CONTENÇÕES I
AGRADECIMENTOS

OBRIGADO PELA ATENÇÃO!!