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DISCIPLINA: Estudo e ensino de criação poética

RESPONSÁVEL: Prof. Dr. Jamesson Buarque

CARGA HORÁRIA: 60 H.

EMENTA:

Estudo das condições de criação poética mediante a formação dos poetas. Estudo dos
procedimentos empregados pelos poetas na criação verbal. Estudo das restrições como
princípio valorativo benéfico à criatividade poética.

OBJETIVOS:

Estudar (investigar e pesquisar) a criação poética teoricamente, considerando-se as


condições de criação mediante a formação dos poetas, de modo a descrever o que estes
fazem em relação aos procedimentos que empregam em sua atividade criativa.
Descrever como restrições essenciais, como a autorrestrição, produzem benefícios à
criatividade poética. Descrever, mediante princípios de crítica literária, como poetas da
Literatura Brasileira se autorrestringem para serem mais criativos, com ênfase em
modernistas canônicos, alguns contemporâneos e poetas de Goiás. Produzir artigos,
capítulos e livros a cada edição do curso.

CONTEÚDO:

1. Condições de criação poética

1.1. Contingência de lugar e época que orientam valores de criação literária em


geral.
1.2. Estéticas e cânones vigentes no mundo de convívio do poeta, livros de
poesia que circulam socialmente, movimentos e vanguardas.

2. Formação ou educação de poetas

2.1. O estado de educação formal e informal do poeta quando estreia e seu


desenvolvimento.
2.2. O acesso à poesia de época sobre a qual o poeta tem conhecimento, espaços
institucionais, comunitários, políticos, grupos ou movimentos em que o
poeta está integrado enquanto desenvolve sua obra.

3. Monodia e polifonia poética

3.1. Sobre o eu lírico como sujeito do enunciado e da enunciação que controla as


vozes no poema.
3.2. Estudo das diferenças entre a criação narrativa ficcional e a criação poética.

4. Lírica como poesia (amorfia e condensação)

4.1. Estudo da lírica como domínio artístico verbal correspondente à própria


poesia, considerando-se sua distinção em relação às demais criações
literárias, pois estas são sempre narrativas de um modo ou de outro.
4.2. Abordagem tipológica textual da lírica como amórfica, pois não se
formaliza restritamente nem na narração, nem na descrição, nem na
argumentação, nem na injunção, nem na declaração, nem na evocação;
estudo da lírica como arte verbal da condensação da linguagem, pela
metáfora, alegoria, pelo ritmo e pela harmonia como modos de dizer do
máximo no mínimo.

5. Poesia e vida comum

5.1. Considerações sobre a poesia confirmar os usos mais recorrentes da


linguagem verbal, sem jamais reproduzi-la, dado seu princípio de
condensação.
5.2. Sobre como a poesia traz à cena e formula imagens de toda sorte de
interesse da vida em geral.

6. Autorrestrição e criação poética

6.1. Sobre como restrições essenciais podem ser benéficas à criatividade.


6.2. Autorrestrição como princípio de escolha para beneficiar a criação poética
racionalmente.
7. Restrição como princípio clássico e experimento

7.1. Estudo da restrição como autopredicação, criação de regras de práticas


criativas de composição poética.
7.2. Estudo da restrição como estratégia experimental de criação poética.

8. Restrição forte e moderada (forte e fraca)

8.1. Estudo das restrições em níveis próximos da predicação clássica (forte e


moderada)
8.2. Estudo da variação de restrições em níveis próximos do experimento
poético (moderação forte e fraca).

Primária:

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Editora UNESP/HUCITEC, 1998.
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Secundária:
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