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Igreja Lugar de amizade

O que vc pensa quando pensa na Igreja? Muitas pensam no templo, no culto, mas poucos
pensam nos amigos que temos dentro da Igreja.
Leia comigo Rm 16. 1-16. O que Paulo está fazendo aqui? Ele está citando amigos que ele
teve e que agora estavam em Roma.
Ele cita no v. 16 Febe e a chama de nossa irmã. Ele fala de modo íntimo de Priscila e Áquila
no v. 3 dizendo que eles chegaram ao ponto de arriscar a vida por causa dele.
No v. 5 ele chama Epêneto de querido, no v. 8 ele chama Ampliato de dileto amigo. Logo a
seguir no v. 9 ele fala do amado Estaquis. No v. 12 depois de saudar Trifena e Trifosa ele sa-
úda a estimada Pérside.
No v. 13 ele chama de minha mãe a mãe de Rufo. Paulo abre o coração e revela o quanto as
amizades foram importantes em sua vida.
Perceba que ele menciona esses amigos pelo nome, Paulo fala desses irmãos carinhosamen-
te e isso precisa nos ensinar que essa também deve ser nossa atitude em relação aos nossos
irmãos na Igreja.
Precisamos desenvolver relacionamentos fraternos onde conhecemos as pessoas pelos seus
nomes e onde demonstramos a essas pessoas o nosso amor e carinho.
“O homem faz muitos amigos; mas há amigo mais chegado do que irmão” (Pv 18:24).
Eu quero tratar desse assunto nessa manhã com vocês: Igreja Lugar de Amizade.
E eu quero começar dizendo algumas coisas que a Igreja não deve ser se queremos que a
nossa Igreja seja um local de amor e amizade entre nós e nossos irmãos.
a) A igreja não é um clube, onde cada um paga sua mensalidade e vive isoladamente;
b) A igreja não é um abrigo de salvos, onde cada um busca os seus próprios interesses;
c) A igreja não é uma prestadora de serviços, onde só a procuro para atender minhas neces-
sidades;
d) A igreja não é um supermercado, onde eu vou procurar aquilo que eu gosto;
e) A igreja não é uma casa de shows, onde sou apenas um espectador;
f) A igreja não é uma sala de obstetrícia, onde o pastor age como médico obstetra, mas on-
de os crentes desempenham o seu ministério;
g) A igreja é uma família, onde temos o mesmo Pai, o mesmo irmão mais velho e somos to-
dos irmãos.
O ambiente da igreja precisa ser como a nossa casa. Na igreja temos acolhimento, proteção
e, acima de tudo, Deus pode expressar seu amor e cuidado por nós através do cuidado dos
irmãos.
Como nos é dito em Gálatas 6:10, a Igreja é a família da fé. Deus tem uma família e, para
Ele, nós não somos estrangeiros ou peregrinos, pelo contrário, somos da família de Deus (Ef
2:19)! Isso é maravilhoso! Como um pai, Ele cuida de cada um de sua família e deseja que
cuidemos, também, uns dos outros.
Hoje quero mostrar a extrema importância de termos amigos íntimos na igreja com os quais
possamos compartilhar nossas alegrias, tribulações, fraquezas, dificuldades e experiências. Ve-
jamos, na Bíblia, o exemplo da amizade entre Paulo e Timóteo.
–5 lições extraídas da amizade de Paulo e Timóteo
Paulo, como sabemos, foi um apóstolo muito usado pelo Senhor no início da igreja. Na sua
segunda viagem missionária, na companhia de Silas, chegou à cidade de Listra, e ali encon-
trou o jovem Timóteo, “dele davam bom testemunho os irmãos em Listra e Icônio” (At 16:1-
2).
Paulo, então, quis levar Timóteo consigo para a continuação da viagem. Apesar da diferença
de idade, começava assim uma relação de intimidade, encorajamento e cuidado mútuo. Entre
alguns termos que ele usa para se relacionar a Timóteo, estão “meu cooperador”, “meu filho
amado e fiel no Senhor” e “irmão” (Rm 16:21, 1 Co 4:17, Fp 2:19, Cl 1:1).
Além disso, Paulo mostra conhecimento e proximidade com a família de Timóteo (2 Tm 1:5).
Em certo momento, pela necessidade do Senhor e da igreja na época, Timóteo foi enviado
por Paulo para cuidar da igreja em Éfeso e, assim, ajudar a resolver seus problemas.
Nesse tempo, havia pessoas que ensinavam outra doutrina e que se ocupavam com fábulas
e genealogias sem fim, o que promovia discussões entre os irmãos.
A missão de Timóteo era árdua: tratar com essas pessoas e trazer a Igreja em Éfeso de volta
ao amor procedente de coração puro, à boa consciência e à fé sem hipocrisia (1 Tm 1:3-5).
Todo esse cenário abalou a Timóteo (1 Tm 4:16), o que levou Paulo a escrever duas cartas
com recomendações e encorajamento.
Nessas duas cartas, podemos ver o cuidado de Paulo. Vemos que esse cuidado não era me-
ramente de um líder, mas de alguém que conhecia a situação e conhecia a necessidade de
Timóteo. Paulo promoveu o cuidado de amigo íntimo, pois esteve junto com Timóteo em
viagens, o que lhes concedeu experiência, aumentou a amizade e a intimidade.
O versículo 23 do capítulo 5 de 1 Timóteo mostra bem isso: “ Não continues a beber somente
água; usa um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas frequentes enfermida-
des”.
Paulo conhecia a Timóteo ao ponto de saber que vivia constantemente doente. Paulo ainda
exorta-o sobre a sua mocidade, para não desprezá-la, mas para se tornar padrão dos fiéis
(4:16).
Na segunda epístola, podemos ver mais ainda do encorajamento de Paulo para com Timó-
teo. De fato, Paulo foi um grande amigo para Timóteo.
Podemos tirar dessa amizade algumas lições sobre a importância de termos amigos na igre-
ja:
1. Precisamos de amigos que tenham a mesma visão que nós, que tenham o mesmo objeti-
vo, que vivam para o Reino e se envolvam com os serviços na igreja. LIÇÃO 1: amigos pos-
suem mesma visão e objetivo na vida cristã. 1 Tm 1.18-19
2. São esses amigos que nos encorajam nas dificuldades, quando estamos fracos e desani-
mados em prosseguir firmes na fé. LIÇÃO 2: amigos se encorajam nas dificuldades. 1
Tm 4.16
3. Precisamos estar perto dos irmãos, são as situações pelas quais passamos juntos que nos
tornam íntimos. Paulo e Timóteo, por exemplo, viajavam juntos, serviam juntos, cuidavam de
igrejas juntos. LIÇÃO 3: amigos fazem coisas juntos (inclusive, servem a Deus jun-
tos). 2 Tm 1.3-5
4. “Procura vir ter comigo depressa” (2 Tm 4:9). Nosso coração deve ser o de sempre poder
estar perto dos irmãos e poder cuidar pessoalmente. LIÇÃO 4: amigos tem o coração de
cuidar pessoalmente um do outro.
5. Mesmo com a distância, podemos cuidar daqueles a quem amamos e precisam de aten-
ção. Paulo usou uma carta para falar com Timóteo, era a ferramenta que tinha na época.
Hoje, nós temos meios que nos permitem comunicação mais rápida com os irmãos como as
redes sociais, o telefone, o celular, SMS, que podemos usar debaixo da luz do Senhor e com
moderação.
Mas também podemos usar cartas, muitos irmãos tem o hábito de mandar cartas e os que
recebem são muito encorajados. LIÇÃO 5: amigos mantém contato mesmo com a dis-
tância. 2 Tm 1.1-2.
Recomendamos a leitura das duas Epístolas de Paulo a Timóteo. São dois livros bem peque-
nos, um com 6 e outro com 4 capítulos, mas muito encorajadores.
–Lição 6 – Inclua Cristo nas suas amizades.
“Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus
amigos. Vós sois meus amigos” (Jo 15:13-14a). Uma amizade na igreja só é completa se
Cristo faz parte.
Nós temos um amigo que, sendo perfeito, deu a própria vida por nós e levou sobre si nossos
pecados, transgressões e iniquidades para que pudéssemos finalmente poder estar perto dele
e não se envergonha de chamar-nos de irmãos (Hb 2:11).
Não faz o menor sentido deixarmos Cristo de fora das nossas amizades. Por isso,
devemos buscar em cada amizade, especialmente com aqueles que são nossos companheiros
espirituais, orar um pelo outro, orar juntos e ter uma relação de intimidade com Cristo.
O Senhor quer ser nosso amigo, ele nos chama de irmãos e quer fazer parte das nossas ami-
zades. Definitivamente: não podemos deixá-lo de fora! Por isso, inclua Cristo nas suas amiza-
des.
–Lição 7 – Fuja de amizades destrutivas.
Infelizmente, o que temos visto muito nas igrejas são amizades destrutivas entre os jo-
vens. Por não ter o Senhor como amigo, muitos jovens na igreja usam as suas amizades com
outros jovens que também são irmãos para, juntos, desfrutarem do mundo e se envolverem
com o pecado.
É uma situação, infelizmente, recorrente no meio cristão, irmãos indo juntos para o mundo e
até parando de se reunir.
À respeito disso, Paulo exorta Timóteo: “Foge, outrossim, das paixões da mocidade.
Segue a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor” (2 Tm
2:22).
Há, sim, o perigo de estarmos andando com irmãos que não invocam o Senhor de coração
puro. É necessário que tenhamos discernimento quanto a isso, principalmente quando jovens,
para que não sejamos enganados e venhamos a nos envolver com as paixões da mocidade,
com o mundo e com o pecado, nos afastando do Senhor Jesus, que é o nosso verdadeiro
amigo.
Amigos influenciam muito uns aos outros. Por isso, para não ser influenciado negativamente,
fuja de amizades destrutivas que te levam para o mundo e te afastam de Deus.
–Lição 8 – A amizade cristã entre irmãos e irmãs é fraternal e na pureza.
Há ainda outro aspecto delicado nos relacionamentos na igreja: a amizade entre irmãos e
irmãs. Bom, quanto a isso, também temos a ajuda de nosso irmão Paulo na sua Segunda Epís-
tola a Timóteo: “às mulheres idosas, como a mães; às moças, como a irmãs, com toda a pure-
za” (1 Tm 5:2).
O tratamento entre os jovens na igreja, independentemente do gênero, deve ser como o de
irmãos, no amor fraternal, com toda pureza.
É necessário muito cuidado, se houver alguma impureza no relacionamento de um irmão pa-
ra com uma irmã, esse irmão deve fugir. O mesmo vale para irmãs.
Por um lado, somos irmãos e devemos nos relacionar como tais. Por outro, nossa carne é
fraca e Satanás, nosso inimigo, está ao redor esperando que nós abramos uma brecha para
que ele possa agir e nos trazer dano. Não podemos abrir essa brecha.
Um relacionamento onde há intenções impuras entre um irmão e uma irmã pode causar mui-
to dano, tanto para a vida dos dois, quanto para toda a igreja. Não usemos da liberdade que
temos em Cristo para dar espaço à nossa carne! Lembre-se: a amizade cristã entre irmãos e
irmãs é fraternal e na pureza.
–Conclusão – Faça suas amizades andarem sob a luz
“Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os ou-
tros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado.” (1 Jo 1:7)
Ter amizades na igreja nos garante um vínculo mais forte com a família da fé, à
qual nós podemos sempre recorrer e contar nas nossas necessidades.
No fim de tudo, podemos concluir que ter amizades na igreja é muito importante. Precisamos
de companheiros espirituais que nos ajudam a combater o bom combate, que correm co-
nosco a carreira que nos foi proposta.
Além disso, precisamos de Cristo em nossos relacionamentos com os irmãos, pois ele é a luz
(Jo 8:12). Por ser a luz, Ele nos vem mostrar quais relacionamentos vão trazer edificação ou
não. Se andamos nele, mantemos comunhão uns com os outros e Ele tem espaço pra cuidar
de nós por meio dos irmãos. Faça suas amizades andarem sob a luz.
Em todo relacionamento, tenhamos Cristo como nosso amigo e nossa luz!
Ainda queremos deixar uma estrofe de um hino, que expressa bem o nosso sentimento
quanto ao que foi falado neste texto:
“Na vida da igreja,
Caminho excelente é o amor;
Manifestação da vida de Deus.
Aqui todos somos um;
Amamos no amor fraternal os irmãos.
São nossa alegria,
Querida família,
Vivendo o amor fraternal.”