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ANÁLISE RICOEURIANA DO FENÔMENO DA IDEOLOGIA

Ivan Luis Romão1


Jocinei Godói de Lima2
Júlio Cézar Gomes Ferreira3
Vinicius Diniz4

RESUMO

Este trabalho busca analisar o conceito de ideologia e seus efeitos na práxis das relações do
cotidiano, sejam eles positivos ou negativos. Para isto recorreu-se a análise feita pelo filósofo
francês Paul Ricoeur acerca da origem e desdobramento deste fenômeno. Contudo, a macro
visão decorrente do filósofo revolucionário socialista alemão Karl Marx sobre a ideologia, de
certo modo será retratada devido seu impacto recorrente sobre o tema na contemporaneidade.
Dada à complexidade do tema, a partir de Ricoeur, pode-se perceber a dificuldade em
desvincular o fenômeno ideológico com as demais áreas do conhecimento, bem como dos
discursos por mais isentos que tentem ser. Falar da ideologia de um lugar “não-ideológico”
parece ser, em certa medida, improvável segundo propõe Ricoeur. O conjunto das análises
deste conceito levou a conclusão de que a ideologia tem sido encarnada e difundida mais pela
sua forma negativa, seja pelo sujeito que dela faz uso, seja pelo grupo que dela se serve para
expressar e afirmar suas ideias enquanto valores absolutos de verdade.

Palavras-chave: Fenômeno Ideológico. Distorção. Alienação. Dominação.

1 INTRODUÇÃO

O presente artigo trata da análise da ideologia como fenômeno intrínseco à experiência


humana e de suas características que impactam diretamente os rumos e consequências das
relações sociais. Apesar de serem identificados aspectos positivos inerentes à natureza deste

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Licenciando em Filosofia – PUC-Campinas, SP. Turma de 1º Ano. E-mail: ivaneomao@gmail.com.
2
Licenciando em Filosofia – PUC-Campinas, SP. Turma de 1º Ano. E-mail: joci.godoy@gmail.com.
3
Licenciando em Filosofia – PUC-Campinas, SP. Turma de 1º Ano. E-mail: jgomesferreira@ymail.com.
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Licenciando em Filosofia – PUC-Campinas, SP. Turma de 1º Ano. E-mail: vinicius_iluminar@hotmail.com.
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fenômeno é absolutamente claro e visível, o viés negativo vinculado a este conceito quando
observamos a sua prática e seus danosos efeitos na sociedade em geral.

A explicação de como a ideologia se dá na práxis do cotidiano, seja a partir do


individuo, seja das funções exercidas em e a partir de um grupo, foi baseada no livro
“Interpretação e Ideologias” de Paul Ricoeur. É fato que a maior parte da literatura que trata
acerca do fenômeno ideológico, está assentada nos escritos de Karl Marx, principalmente em
seu livro “A Ideologia Alemã”, bem como sua linha sucessória de teóricos marxistas, a
exemplo dos pensadores da Escola de Frankfurt5. Entretanto, baseado nos escritos
ricoeurianos, serão usados outros modos para tratar a questão da ideologia, que não
necessariamente partam do pressuposto de classes sociais. Isto se deve em função de o próprio
Ricoeur, registrar em seu livro, que o marxismo acaba por transformar-se em ideologia a
partir de seus próprios critérios de identificação de uma ideologia.

Dito isto, nossa contribuição no campo da questão de ideologia reside em trazer à tona
elementos para que o leitor atento perceba, enquanto protagonista de sua própria história, de
que forma tem assimilado o fenômeno da ideologia em sua subjetividade, além da
identificação dos efeitos “benéficos ou maléficos” expostos em suas relações decorrentes de
tal assimilação.

2 CONCEITO DE IDEOLOGIA

Em meio a uma “guerra de ideologias”, a necessidade de se afirmar e de se firmar para


um lado, é cada vez mais clara. Pessoas trocam a ponderação, o equilíbrio e até mesmo o bom
senso para defender suas causas e preferências. Obviamente, todos nós temos uma
cosmovisão, ou seja, uma maneira de enxergar o mundo e interpretá-lo. Isso não é defeito,
afinal temos uma espécie de lentes oculares, onde a realidade passa por elas nos dando
compreensão segundo nossos conceitos e pré-disposições. Isto é o que nos faz escolher por
certa ideologia ou ser “escolhido por ela”. Nada mais natural. Entretanto, percebem-se com
muita facilidade os problemas resultantes de exageros e ignorâncias, advindas do fenômeno
ideológico.

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Theodor Adorno, Max Horkheimer, Herbert Marcuse, Eric Fromm, Walter Benjamin, (que representam a
primeira geração da Escola de Frankfurt).
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Para melhor compreensão da origem e desdobramentos deste fenômeno é dito que:

Esse termo foi criado por Destut de Tracy (Idéologie, 1801) para designar "a análise
das sensações e das idéias" [...]. Como alguns ideologistas franceses fossem hostis a
Napoleão, este empregou o termo em sentido depreciativo, pretendendo com isso
identificá-los com "sectários" ou "dogmáticos", pessoas carecedoras de senso
político e, em geral, sem contato com a realidade. (ABBAGNANO, 2007, p.531).

Este conceito foi tomando novos significados até que, posteriormente, obteve a
interpretação segundo a filosofia de Marx, empregando a palavra como signo de um dos
instrumentos no confronto contra a burguesia. A conceituação vigente e mais utilizada remete
a um conjunto de ideias, pensamentos, doutrinas e valores de um indivíduo ou de determinado
grupo, valores estes que devem ser deferidos por tais integrantes.

O discurso e acepção ideológica são fenômenos essencialmente naturais de qualquer


homem e constituem parte do conhecimento geral que este possui. Ricoeur descreve e
sistematiza toda causa e conceituação do termo na estrutura social, a fim de elucidar toda
motivação e influência da ideologia para com a sociedade.

3 FUNÇÕES DA IDEOLOGIA

3.1. Função geral da ideologia


Pode-se entender a ideologia segundo sua função coercitiva e geral, diretamente ligada
à inevitabilidade do homem enquanto ser essencialmente político, como agente que tem por
propósito representar os diversos embates histórico-sociais de determinada sociedade que
sofre com estes. Esta faceta da ideologia, dentre muitas outras, tem como finalidade alimentar
o anseio pela melhoria mesmo após tais períodos de infelicidade. Como exemplificação para
tais eventos, podemos utilizar grandes conflitos e momentos históricos como as grandes
revoluções (industriais, francesa, etc.). Estas revoluções possuem certa coerência e são
subsequentes, o que de fato mostra o anseio pela mudança e a fluidez natural que o homem
tem para com movimentos ideológicos e sociais que buscam a melhoria no âmbito
socioeconômico e geral.

A ideologia possui relação de interdependência com o que se entende por teoria de


motivação social. Esse conjunto de valores e ideais é tido como motivação e
concomitantemente como justificativa do estado atual, designações estas que estão
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diretamente atreladas ao sucesso ou ao colapso do pensamento em questão. Aquele que segue


determinado ideal dispõe de certo dinamismo e mediação por parte desta e transmite a
respeito àqueles que se encontram em seu entorno, a fim de passá-lo adiante, além de lhe
utilizar como justificativa para suas respectivas escolhas políticas e sociais. Tal
comportamento é essencialmente comum a todos os homens e por consequência não deve ser
utilizado como contra-argumento à ideologia, visto que é natural.

Outra visão a respeito da ideologia é disposta por Jacques Ellul. Ele entende que
qualquer conhecimento ou percepção pode ter caráter ideológico quando translada da simples
escala do conhecimento à doutrina hegemônica. Em certo ponto do livro é dito "Essa mutação
de um sistema de pensamento em sistema de crença, diz Ellul, é o fenômeno ideológico”
(RICOEUR, 1990, p. 69), sendo assim, qualquer ideal tido como súpero e completo têm
natureza ideológica. Tal fenômeno pode afetar toda a escala do conhecimento humano, seja
ele de base cientifica, como na crença exacerbada nas ciências matemáticas; no caso da
religião, onde uma doutrina moral impõe-se ao pensamento individual e coletivo; e como na
filosofia em que um indivíduo segue piamente, sem pestanejar nem questionar, por pura
afetividade e conformismo algum filósofo em questão.

3.2 Função de dominação


Outro atributo da ideologia citado por Ricoeur é a simplicidade e esquematização do
conhecimento segundo um agente controlador. Tal característica traz certo conformismo e
comodidade àqueles que constituem o grupo ideológico, visto que todo conhecimento é de
certa forma mitigado perante estes, causando o empobrecimento do pensamento e do
conhecimento, a privação ou o extravio do que se entende por senso crítico e, por conseguinte
alto nível de dependência com o pensamento ideológico.

Quando tal fenômeno ocorre o valor para com o a ideologia é equivalente à adoção de
certas concepções e opiniões sem fundamentações argumentativas ou sem experimentação. É
mais fácil de entender este fenômeno com a seguinte analogia: “Suponhamos que
determinado individuo entre em uma sala de cinema, o filme já havia começado e encontra-se
na metade da exibição; este sujeito depara-se com um conhecido que faz parte de seu grupo
social e pergunta a ele o que se passara até então no filme. A problemática se dá justamente
neste ponto do pensamento. O conhecido dele pode passar qualquer informação de natureza
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ardilosa ou opinativa a este indivíduo que mudaria toda a percepção e entendimento acerca
do filme”. O mesmo pode acontecer com a relação individuo e ideologia, em que o primeiro
possui conhecimento e senso crítico limitado por fatores externos ou internos e recebe dada
quantidade de conhecimento mitigado segundo a reflexão de outrem. Decerto este indivíduo
terá toda construção intelectual e moral afetada por essas conceituações externas, posto que
conheceu algo numa visão maniqueísta e sustentada em uma opinião que não fora a sua.

Este fenômeno de mitigação e adoção de conhecimento segundo a ideia de um agente


controlador torna o individuo dependente da ideologia, posto que seu senso crítico e
especulativo acaba por se defasar gradativamente, tornando-se por fim, estéril de criticidade e
totalmente submisso à ideologia.

3.3 Função de deformação


Esta função da ideologia tem em sua base grande influência marxista e trata da
inversão dos pensamentos e idealizações do homem. Tal inversão interfere em todas as
esferas da vivência humana, posto que a ideologia seja um fenômeno ímpar e faz parte da
construção do homem, enquanto ser social, e age tendo como intuito a interpretação, segundo
a apreensão de imagens e representações de todo o aparato social e, posteriormente, da
sociedade.

Marx trata esse conceito com enfoque na distorção por inversão, sendo a ideologia
uma espécie de inversão dos homens e suas relações com o mundo. Neste caso, a
conceituação marxista é limitada posto que dispõe de especificidade para com um conceito
que, simplesmente, não é o de classe dominante (apenas), mas sim o que se entende por
religião. A função de deformação se fundamenta na inversão de perspectivas acerca da
realidade, obtendo grande exemplificação e morada no conceito de religião, que seria a
ideologia por excelência. Marx elenca esse fenômeno como a substituição de uma base real e
concreta por representações e pela imaginação, partindo de aspectos que constituem a
realidade, mas que acabam por possuir uma base imaginária e representativa, que não condiz
com a mesma. Em outras palavras “a ideologia é esse menosprezo que nos faz tomar a
imagem pelo real, o reflexo pelo original” (RICOEUR, 1990, p.73).
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O enfoque do marxismo trouxe à tona uma descoberta, uma constatação que


influenciou parte do pensamento da Escola de Frankfurt. Essa descoberta remete a ideia de
que a ciência e a tecnologia também podem funcionar como ideologias. A ciência, assim
como todo conhecimento humano, detém certo teor ideológico, mesmo possuindo
instrumentos e métodos imparciais, uma vez que aquele que a produz, o homem, é
essencialmente ideológico e este possui pretensões para com o resultado final, sejam elas
particulares ou coletivas, fazendo da ciência uma escola de conhecimento ideológico. Tal
fenômeno é mais bem compreendido a partir do exemplo de um cientista farmacêutico
buscando a cura de uma doença até então incurável; este dispõe de certo teor ideológico, uma
vez que traz um ideal consigo, no caso o de salvar vidas ou o de lucrar com este tratamento.

4 RELAÇÃO CIÊNCIA-IDEOLOGIA

Existe, atualmente, um problema recorrente sobre a confusão entre ciência e ideologia.


Paul Ricouer comenta que existe um caráter inconsciente nas motivações dos argumentos
usados numa ideologia, que faz com que prestamos atenção apenas no caráter consciente da
narrativa. Essa consciência da explicação com a realidade, não garante a cientificidade da
narrativa proposta, pelo contrario, faz com que caiamos numa espécie de armadilha
epistemológica. Isso acontece justamente porque nos deixamos levar inconscientemente pela a
ilusão que essa ideologia nos propõe. Vimos que essa armadilha epistemológica se estende
ainda mais quando um discurso é feito sem o sujeito do discurso, considerando apenas dados
de conjuntos de estruturas, eliminando qualquer subjetividade do agente que as propõe.

Por que seria uma armadilha se são apresentados esses conjuntos estruturais? Porque
isso não está assegurado em sujeito algum, enfraquecendo o que o autor chama de “vigilância
na ordem da verificação e falsificação”, ou seja, não se questionará por meio da
racionalização, uma vez que essa encontra um obstáculo: a própria exigência da verificação.
Esses dois tipos de discurso enfraquecem as teorias sociais no sentido de se alcançar a
autoridade que se fez separar astronomia de astrologia, por exemplo. Por isso, para se tentar
relacionar ciência e ideologia, filósofos hegelianos de esquerda, Karl Marx, entre outros usam
o que eles consideram a “crítica da crítica”. Uma modificação da crítica kantiana. Mas será
possível fazermos uma crítica partindo de algum ponto não-ideológico? Ricoeur dá a entender
que não, mas também não fecha questão sobre não pensar em alternativas para este problema.
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5 A TENTATIVA DA CRÍTICA PROBA

Se identificarmos a ideologia como um conjunto de ideias formadas a partir de uma


razão coletiva, devemos julgar seus atos como aquilo que buscam esses ideais. O que
podemos julgar na verdade, não é se os ideais são corretos ou não, mas se a forma ou a
medida aplicada em certos atos o são. Em primeiro lugar, o que motiva uma pessoa a agir, é
sua crença de que sua causa é verdadeira e que por se acreditar nessa “verdade” todo o esforço
é válido. O que temos visto é uma espécie de vale tudo ideológico, onde se pode até mesmo
infligir leis e prejudicar indivíduos, a começar por sua liberdade. Dizer: nossa causa é maior!
Soa um tanto quanto estranho se considerarmos que toda causa parte de indivíduos, uma vez
que pôr a causa defendida a frente de pessoas, é dizer que, aquelas – as causas defendidas –
estão de certa forma, sobre todos.

Mas como pode certas formas de se manifestar passar por cima de seu próprio
princípio que é a liberdade? Como um direito de liberdade pode transpassar outro? Cabe nós
discutirmos isso, discussão essa que não se leva a sério, já que “há algo maior” em jogo. Um
jogo onde o procedente se eleva a tal posição, que torna o criador do jogo peça chave para o
mesmo. É aí que entra a crítica e o juízo do próprio ato. Algo que se deve pensar de dentro e
não de fora, uma vez que, a crítica externa é considerada falsa, mesmo sendo verdadeira ou no
mínimo coerente. Em um mundo onde a pós-verdade é o mais correto e absoluto conforto
para todas e quaisquer ações.

A crítica pode e deve ser a partir do próprio individuo, mas para isso não gerar efeito
contrário, como o fortalecimento da alienação, é necessário buscar de fora e fazer uma espécie
de teste de resistência. Sim, resistência aos argumentos contrários, sejam eles quais forem, o
importante é estar certo de que sua ideologia sobrevive de maneira consistente à todas. Existe
um ponto que para ele ser entendido ou até mesmo admitido, é necessário não só maturidade,
mas honestidade intelectual. Saber que sua ideologia seguida à risca não resulta no modelo
perfeito e na garantia de felicidade para todos, é o mínimo que se deve ter consciência.

Talvez, isso não é muito levado em consideração, já que esses defeitos são sempre
vistos no oposto – está aí mais um motivo para a consideração da crítica externa – e se aquilo
que o oposto tem de pior, nós temos a solução, logo a necessidade da avaliação e consciência
madura se esvai. Portanto, quando se alcança essa maturidade e probidade intelectual, todos
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os atos virão como reflexos dessa consciência que levará em consideração as formas e
medidas tal como a necessidade em certas ocasiões.

6 AS FORMAS DE EXPLICAÇÕES TEÓRICO-SOCIAIS

Existem duas formas de explicar a teoria social. Uma em termos de projetos e outra
em termos de sistemas. A primeira corresponde a uma explicação onde o próprio teórico se
insere ou faz parte necessariamente desse projeto. Nesse caso, fica difícil conceber uma
interpretação social sem levar em conta a falta de neutralidade ideológica que se implica e
uma pressuposição que intervém numa completude reflexiva. Ora, o sujeito partirá daquilo
segundo sua própria situação pessoal. Como poderíamos reivindicar uma espécie de
neutralidade axiológica?

A segunda forma de explicação visa elucidar em uma teoria que explique a evolução
dos sistemas considerados tanto vias cientificas, como as filosóficas-dialéticas. Todavia,
ambas – seja cientifica, seja dialética - caem na exigência da completude reflexiva. Entretanto
a explicação em termos de sistemas não se sobressai com relação a de projetos, pois, ela
supõe que o cientista possa partir de um ponto definitivo capaz de expressar uma totalidade
que inclui as outras hipóteses. Também no caso da explicação de projetos, existe uma
intenção de explicação teórico social da totalidade, mas não se estabelece essa condição
devido à impossibilidade de atingir outros meios que não estejam projetados na sua história.

7 CONCLUSÃO

Esse itinerário, constituído em sua maioria por concepções ricoeurianas, é uma


exposição de parte da teoria exposta no livro “Interpretação e Ideologias”, e, assim como o
livro, não possui um final explícito, tampouco uma verdade definitiva. Trata-se de algo que
está em fluxo e, por conseguinte em aberto. Os apanágios mais gerais e interpretativos do
filósofo se resumem na função geral e de integração, ligada ao anseio social de um grupo, na
função de dominação, enquanto agente de empobrecimento intelectual e moral. Outro aspecto
relevante relacionado ao dinamismo é a acepção de opinião de outem e por fim, o último
aspecto ricoeuriano acerca do tema, a função de deformação do pensamento do homem
segundo um agente de controle, no caso a ideologia.
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Estes diversos aspectos agem simultaneamente e acarretam na dominação individual e


coletiva. As teorias de Ricoeur sistematizam e apresentam toda a conceituação e atuação da
ideologia ao longo da história, estruturando todo pensamento desta natureza.

Portanto, a partir da ciência, seja ela qual for é muito difícil pensar qualquer produção
de conhecimento ou discurso que não atravesse a questão ideológica de alguma forma.
Principalmente, quando falamos do ponto de vista das ciências sociais. Estas parecem ser
muito frágeis em relação à necessidade de estarem ligadas diretamente ao fenômeno
ideológico. Como exemplo claro disso, Ricoeur nos mostra que a Teoria Crítica, a ideia de
classes sociais (produtiva em determinado período da história), entre outras formas de
pensamento caíram na mesma armadilha e conceitos de ideologias que afirmaram sobre outras
formas “inimigas” de pensamento. Cabe a nós, fazermos uso dos instrumentos e informações
sobre os perigos e armadilhas explicitadas neste artigo sobre o fenômeno ideológico, a fim de
não incorrermos nos mesmos erros de bipolaridade política, debates intelectualmente
desonestos e até mesmo, na violência promovidas por indivíduos e grupos anestesiados pelo
efeito de justificação e autoridade decorrentes da ideologia.

8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

RICOEUR, Paul. Interpretação e ideologias. 4. ed. Rio de Janeiro-RJ: Francisco Alves,


1990. 61-86 p.