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Bráulio Wilker Silva

Análise de Investimento
Sumário
CAPÍTULO 1 – Qual o Significado da Análise de Investimentos?...........................................05

Introdução.....................................................................................................................05

1.1 Conceito de investimento, risco e retorno.....................................................................05

1.1.1 Conceituando o investimento.............................................................................05

1.1.2 Conceitos complementares................................................................................07

1.2 A estrutura do processo de investimento......................................................................10

1.2.1 Fornecedores e demandantes.............................................................................10

1.2.2 O conceito de liquidez......................................................................................12

1.2.3 Etapas de avaliação e seleção de investimentos...................................................12

1.3 Matemática financeira...............................................................................................14

1.3.1 Cálculo financeiro............................................................................................14

1.3.2 Regime de capitalização composta.....................................................................15

1.3.3 Equivalência de capitais....................................................................................16

1.3.4 Taxa de juros nominal e efetiva..........................................................................19

1.3.5 Equivalência de taxa de juros.............................................................................19

1.3.6 Cálculos financeiros - série de pagamentos uniformes..........................................20

Síntese...........................................................................................................................23

Referências Bibliográficas.................................................................................................24

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Capítulo 1 Qual o Significado da
Análise de Investimentos?

Introdução
Em nosso dia a dia encontramos situações que nos mostram a crise de recursos e o consumismo
acelerado praticado por várias parcelas da sociedade. Neste sentido, a administração eficaz e
a realização de uma análise de investimentos são fatores determinantes à saúde financeira da
população e das empresas. Aqui você pode se perguntar: mas qual seria o objetivo? Bem, se
ponderarmos acerca da aplicação de nossos recursos, aumentaremos nossos lucros e nossa
chance de sucesso, não é verdade?

Entenda, desde já, que as decisões de investimento tomadas sem uma acurada análise podem
gerar perdas severas ao investidor, seja ele pessoa jurídica ou física. Esta possibilidade deve ser
levada em conta na hipótese de um investimento e, portanto, devemos estar preparados para
lidar com tal situação. Os administradores desses recursos, por outro lado, devem zelar para que
os riscos assumidos estejam em patamares aceitáveis.

Neste capítulo, abordaremos os princípios e conceitos ligados a investimento, a risco (e sua mi-
nimização) e a retorno (e sua otimização). Veremos também algumas ferramentas da matemática
financeira que nos possibilitam realizar a análise financeira e calcular o valor do dinheiro no
tempo. Podemos nos questionar: mas por que investir? Esse investimento, realmente, pode ser
realizado a fim de serem alcançados os objetivos propostos? Reflita a respeito levando em con-
sideração o conteúdo que será apresentado.

Bons estudos!

1.1 Conceito de investimento, risco e retorno


O termo “investimento” pode nos remeter a diversas circunstâncias encontradas no cotidiano de
pessoas físicas ou no contexto de uma empresa, seja ela uma pequena ou uma grande corpo-
ração. Fatores como risco e retorno devem ser levados em consideração quando consideramos
realizar um investimento. O risco irá influenciar o investidor, fazendo-o realinhar suas ações com
base na probabilidade das perdas, considerando as incertezas que estão vinculadas à negocia-
ção. Na sequência, você irá verificar a conceituação de investimento. Vamos lá?

1.1.1 Conceituando o investimento


Saiba que investimento é todo gasto realizado com expectativa de retorno futuro. Um investimen-
to é, economicamente, viável quando o retorno da aplicação de capital é superior ao retorno
mínimo exigido pela empresa (superior ao custo de oportunidade do investimento). São exemplos
de investimentos: compra de máquinas e equipamentos, ampliação da capacidade de produção,
compra de ativos imobilizados, aquisição de estoques, aquisição de títulos financeiros (ações,
letras de câmbio, debentures etc.). Ou seja, o investimento pode ser considerado um capital
que, ao ser aplicado, tem o objetivo de gerar um retorno em um determinado período de tempo.

05
Análise de Investimento

As empresas, portanto, ao realizarem a compra de equipamentos necessários às tarefas adminis-


trativas estão investindo. Ao comprar máquinas, por exemplo, elas estarão investindo no aumen-
to de sua produção, o que gerará retorno e trará maior lucratividade.

Dessa forma, a análise de investimentos busca avaliar, por meio de métodos de avaliação eco-
nômica, os resultados, a atratividade e o risco dos investimentos para suportar decisões como
aceitar ou rejeitar propostas. Para serem aceitas, as propostas de investimento devem oferecer
um retorno maior ou igual ao retorno mínimo exigido pela empresa. O objetivo é escolher as
melhores propostas, ou seja, as que apresentam o maior retorno possível, dado certo nível de
risco e maturidade.

Entenda que o conceito de risco está ligado à ideia de que todo investimento apresenta algum
grau (maior ou menor) de incerteza. Risco nada mais é do que uma incerteza quantificada
relacionada ao retorno esperado de um investimento. Dois fatores são determinantes do risco de
um ativo: a volatilidade dos retornos e sua maturidade.

Considerando as aplicações em mesmo nível de risco e maturidade, cabe destacar que os inves-
timentos devem gerar um retorno maior em relação ao custo de oportunidade destas aplicações.
Ou seja, o custo de oportunidade aqui caracteriza-se como sendo os benefícios renunciados em
vista da escolha de outra opção de investimento. Em outras palavras, o custo de oportunidade é
o retorno do melhor investimento renunciado.

A volatilidade diz respeito às flutuações (variações) nos retornos e resultados futuros. Por exem-
plo, se o investimento Alfa gera um retorno anual de 11%, 12 % e 9% respectivamente, esse in-
vestimento é menos volátil (menor risco) que o investimento Beta, que apresenta retornos anuais
de 3%, 9% e 23% respectivamente. O investimento Beta apresenta maior flutuação (variou de 3
a 23%), ao passo que o investimento Alfa apresentou menor flutuação (variou de 9 a 12%).

A maturidade de um ativo diz respeito ao prazo de vencimento. O dinheiro disponível hoje tem mais
valor do que o dinheiro em alguma data futura. Ao adquirir investimentos, existe sempre o risco de
não se recuperar o valor aplicado. Esse risco é tanto maior quanto maior for o prazo da aplicação.

Os riscos de um investimento devem ser recompensados. Nas aplicações financeiras, a remu-


neração total de um ativo deve incluir a Taxa Livre de Risco acrescida do Prêmio pelo Risco. Ou
seja, Risco Total = Taxa Livre de Risco + Prêmio pelo Risco. A taxa livre de risco, normalmente, é
a remuneração dos títulos públicos, entendidos como títulos sem risco, e a taxa oferecida como
decorrente de flutuações deve ser entendida como Prêmio pelo Risco.

Saiba que qualquer decisão em investimento é tomada em um ambiente incerto, ou seja, é pre-
ciso considerar diversas variáveis, pois o cenário pode sofrer alterações a todo o momento em
função de questões políticas, econômicas, entre outras.

O conceito de risco aparece intuitivamente devido a nossa percepção de uma incerteza futura
– nossa incapacidade de saber o que nos reserve o futuro em resposta a uma decisão tomada
no presente. O risco implica a existência de mais de um resultado possível para dada ação
(MOTTA; GALÔBA, 2013, p. 246).

Saiba que um investimento poderá ser classificado como sendo de alto, médio ou de baixo risco.
Identificamos o baixo risco quando a operação apresenta segurança em relação ao recebimento
de um retorno; o risco médio é aquele em que o investidor tem um grau mediano de incerteza
quanto ao retorno e maturidade de um investimento; ao passo que um investimento de alto risco
é aquele entendido como sendo especulativo, cujos retornos são muito incertos. Podemos identi-
ficar o conceito de retorno como o montante a ser recebido em um momento no futuro.

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Trata-se, portanto, de uma “recompensa” pelo tempo em que os valores financeiros foram inves-
tidos. Essa recompensa ocorrerá por meio de algumas formas de retorno, tais como o fluxo de
caixa incremental (alterações no fluxo de caixa que ocorram em função de execução de proje-
tos), rendimento corrente (medida do recebimento decorrido de aplicações em relação ao custo
inicial), valor acrescido ou aumentado e a melhoria de eficiência e maior controle de operações.

Retorno % Retorno com


prêmios de
liquidez

Retorno com
base nas
expectativas

Prazo de vencimento

Figura 1 – Retornos, prêmio de liquidez e prazo de vencimento.


Fonte: Silva, 2015.

Associando ambos os conceitos, apresentamos uma das regras básicas de finanças. Grave bem:

• riscos maiores exigem que os retornos desejados sejam maiores, visando compensar a
possibilidade de perdas (prêmio pelo risco).

VOCÊ QUER VER?


O documentário Trabalho Interno (2010), dirigido por Charles Ferguson, apresenta
uma análise dos fatores que levaram à crise financeira de 2008. A tese do documentá-
rio é que os grandes bancos dos EUA sabiam o que poderia acontecer.

1.1.2 Conceitos complementares


Você já ouviu falar em rendimento corrente? Bem, podemos dizer que ele é obtido quando
existe o recebimento de juros periódicos, como quando investimos na caderneta de poupança.
O valor acrescido ou aumentado ocorre, por exemplo, em aplicações realizadas no mercado de
ações, pois se espera que o valor aplicado aumente entre o momento da compra e o da venda.

Será que podemos concluir que qualquer valor depositado em sua conta corrente, que não
pague juros, representa um investimento? Certamente, não. Compare com os conceitos de ren-
dimento corrente e de valor acrescido e ficará evidente que nenhuma das duas situações ocorre
em relação à sua conta corrente.

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Análise de Investimento

Curto Prazo

Maturidade Médio Prazo

Direto

Indireto

Investimento Tipo
Alto

Investimento

Risco
Baixo

Quadro 1 – Classificação dos investimentos quanto à maturidade, tipo (ou objeto) e risco.
Fonte: Silva, 2015.

Títulos ou obrigações, por outro lado, são investimentos que representam patrimônio, proprieda-
de, tratam da evidência de uma dívida ou direito legal. São exemplos de títulos: ações, opções
de compra de ações e títulos de dívida. Já investimento direto é aquele no qual o investidor
adquiriu direitos sobre um título ou obrigação perfeitamente identificada. Como exemplo, pode-
mos citar a compra de ações da empresa Alpha.

Direto: o investidor adquiri direitos sobre um


título ou obrigação perfeitamente identificada

O investimento
pode ser:
Direto: o investidor adquiri direitos sobre um
título ou obrigação perfeitamente identificada

Quadro 2 – Investimento direto e indireto: características.


Fonte: Silva, 2015.

Por fim, podemos definir investimento indireto como aquele no qual o investidor adquiriu direi-
tos sobre uma determinada participação em uma carteira de títulos ou obrigações. A carteira é
formada por um conjunto de diversos títulos ou obrigações, portanto ao investidor cabe o direito
sobre uma fração de toda a carteira e não sobre um título específico de uma empresa.

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VOCÊ QUER LER?
Investimentos Inteligentes, de Gustavo Cerbasi, 2013, é uma leitura muito interessante
aos investidores iniciantes, bem como aos experientes. O autor apresenta algumas técni-
cas de investimentos que podem ajudá-lo a compreender um pouco mais sobre o univer-
so do investimento, por meio da conceituação de termos e usos práticos dos métodos.

VOCÊ O CONHECE?
Gustavo Cerbasi é mestre em Administração/Finanças pela FEA/USP, formado em Ad-
ministração Pública pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), com especialização em Fi-
nanças pela Stern Schoolof Business - New York University e pela Fundação Instituto de
Administração (FIA). Cerbasi é autor de diversos livros e seu maior best-seller, Casais
Inteligentes Enriquecem Juntos, foi adaptado para o cinema na comédia Até que a Sor-
te nos Separe. Saiba mais em: <http://www.maisdinheiro.com.br/gustavo-cerbasi>.

Saiba que uma dívida representa valores de existência comprovada que são devidos a alguém,
pessoa física ou jurídica, sobre os quais existe a incidência de juros. Lembre-se de que o paga-
mento da dívida corresponde ao pagamento do principal, bem como dos juros da operação.

Quando você adquire um título de dívida o vendedor assume o compromisso do pagamento da


taxa de juros combinada, no prazo negociado, e logo podemos deduzir que você estará realizan-
do um empréstimo ao vendedor, certo? O capital próprio corresponde aos direitos do patrimô-
nio, ou seja, à propriedade. Como exemplo, podemos citar as ações ordinárias.

Títulos derivativos são aqueles que não possuem um valor próprio: seu valor é originário de ou-
tro título ou ativos reais, que “transferem” seu valor para o título derivativo, adquirindo este as
mesmas características do título “copiado”. Como exemplo, podemos citar as opções, situação
na qual o investidor possui, mediante contrato, o direito de compra ou venda de um determinado
ativo, por um preço em determinada data. Saiba que o preço acordado no contrato é chamado
de preço do exercício, ao passo que a data é denominada de data de vencimento, de exercí-
cio ou de maturidade.

Curto prazo: seu vencimento ocorre


dentro do período de um ano.

Maturidade de
um investimento
Longo prazo: vencimento superior a
um ano, ou sem data limite específica.

Quadro 3 – O investimento é feito sob uma perspectiva de tempo de maturação.


Fonte: Wilker, 2015.

09
Análise de Investimento

Os investimentos são denominados de curto ou longo prazo. Um investimento costuma ser


identificado como sendo de curto prazo quando seu vencimento ocorre dentro do período de um
ano. Já o investimento de longo prazo apresenta vencimento acima de um ano, ou mesmo não
apresenta uma data limite específica. Mas existem investimentos sem vencimento? Sim, seria o
caso da aplicação de recursos financeiros no mercado de ações, uma vez que elas não possuem
“data de vencimento”.

Com a integração cada vez maior dos mercados financeiros internacionais, há oportunidades
para que o investimento possa ser realizado no mercado doméstico ou internacional. A análise
dos riscos envolvidos é possível por meio das informações disponibilizadas pelas agências de
classificação de risco, que realizam pesquisas técnicas e acompanhamento constante das condi-
ções reais de pagamento de determinada empresa, ou mesmo de um determinado país.

O risco país, entenda, engloba os riscos associados a determinado país, incluindo o governo,
porém não se limitando a ele. São analisados também os riscos políticos, tributários e de in-
solvência financeira.

VOCÊ QUER LER?


No livro O Investidor Inteligente, de Benjamin Graham, 2007, o leitor poderá verificar
que um investimento inteligente ocorre a partir do momento no qual o investidor pos-
sui o conhecimento do mercado em que pretende inserir-se, bem como na compra de
ações e na aplicação de uma visão estratégica. O autor foi o guru de um dos mais
bem-sucedidos investidores já conhecidos, Warren Buffet.

VOCÊ O CONHECE?
Benjamin Graham estudou na Universidade de Columbia. Aos vinte anos, recebeu um
convite desta instituição de ensino para se tornar professor de inglês, matemática e
filosofia. Ele preferiu, no entanto, aceitar um emprego em Wall Street, onde fundou sua
empresa, a Graham-Newmann. Em 1934, Graham publicou, em coautoria com David
Dodd, o livro Security Analysis, que é considerado por muitos a Bíblia dos investidores
fundamentalistas.

1.2 A estrutura do processo de investimento


O processo de investimento como um todo baseia-se em decisões que envolvem a identificação,
a seleção e a avaliação das opções de investimento dos recursos disponíveis. A seguir, veremos
como ocorre a relação entre os fornecedores e os demandantes no processo de investimento.

1.2.1 Fornecedores e demandantes


Para que o processo de investimento possa ocorrer necessitamos da presença dos fornecedores
e dos demandantes ou tomadores de fundos. A intermediação entre eles ocorre por meio das
instituições e do mercado financeiro ou por transações diretas (sem intermediação), conforme
pode ser observado no quadro a seguir.

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Instituições Financeiros

Bancos
Cooperativa de crédito
Seguradoras
Fundos de pensão

Fornecedores Demandantes
Transações Diretas
de Fundos de Fundos

Dinheiro (Curto prazo)


Capital (Longo Prazo)

Mercados Financeiros
Quadro 4 – Estrutura do processo de investimento.
Fonte: Visibelli, 2015.

• Instituições Financeiras: organizações que intermedeiam os recursos disponíveis,


públicos e privados, para os demandantes de crédito.

• Mercado Financeiro: local onde os fornecedores e os demandantes de recursos financeiros


realizam suas transações.

Os participantes do processo são: o governo, pessoas jurídicas (empresas) e pessoas físicas (indi-
víduos), os quais podem agir em ambas as pontas do processo, ou seja, podem ser fornecedores
ou demandantes de recursos, conforme suas necessidades no momento. Vamos conhecer cada
um desses participantes?

Governo

Sabemos que todos os seus componentes estatais (federal, estadual e municipal) necessitam de
recursos para que possam operacionalizar suas atividades. Sua fonte primária de captação de
recursos provém da estrutura tributária, ou seja, do recolhimento dos diversos tributos concedi-
dos pela sociedade para sua atividade.

Contudo, em geral, o governo é demandante de fundos, ou seja, utiliza os mecanismos do pro-


cesso de financiamento para obter maior volume de recursos. Podemos resumir seus motivos para
tal ação em: excesso de gastos de custeio, pagamento de dívidas anteriores por meio de novos
financiamentos, e descasamento entre a entrada e a saída de recursos.

Podemos constatar que, como o volume de recursos necessários ao financiamento do governo


é, substancialmente, maior do que as necessidades dos agentes privados individuais, a tomada
desses recursos gera escassez de dinheiro para atender a totalidade das demandas privadas. O
que, por sua vez, resulta em restrições ao investimento e à ampliação de postos de trabalho e
da produção.

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Análise de Investimento

Empresas

A necessidade de capital de giro faz com que as empresas sejam grandes demandantes de recur-
sos, buscando o mercado e as instituições financeiras como fonte. Observe que suas necessida-
des, tais como as governamentais, apresentam características de curto e de longo prazo.

As necessidades de longo prazo estão ligadas a questões estratégicas, como a ampliação da


capacidade produtiva, desenvolvimento de produtos e instalações. Já os demandantes de crédito
de curto prazo necessitam de recursos para financiar operações de venda, estoques e eventual
descasamento entre contas a pagar e a receber etc. Visando obter esses recursos, as empresas
podem gerar um amplo espectro de títulos que serão oferecidos ao mercado.

Indivíduos

O papel do investidor, a pessoa física, é relevante no processo de financiamento, quer como


fornecedor, quer como demandante de recursos, posto que ele age para satisfazer suas neces-
sidades. Um registro curioso é que, como regra geral, o indivíduo possui maior conhecimento
sobre suas necessidades de financiamento do que sobre as possibilidades de aplicação de seus
recursos, padrão que podemos dizer que se repete no mundo todo.

O indivíduo que administra seus próprios recursos é identificado como sendo um investidor indi-
vidual. Tenha em mente que há pessoas que optam, motivadas por insegurança, falta de tempo
ou inexperiência, em transferir a administração de seus recursos para profissionais.

Esses profissionais são chamados de investidores institucionais, pois administram os recursos


de terceiros e trabalham com grandes volumes de dinheiro, compostos pela soma de diversos
participantes do processo de investimento. As instituições financeiras são investidores institucio-
nais clássicos.

VOCÊ QUER VER?


O filme MarginCall: O dia antes do fim (J. C. Chandor, 2011)acontece no início da
crise de 2008, quando uma empresa de investimentos faz uma demissão em massa de
funcionários. Neste cenário de crise, um dos empregados revela uma falha na compa-
nhia, enquanto algumas pessoas tentam esconder o problema.

1.2.2 O conceito de liquidez


Para a compreensão de investimentos, devemos sempre considerar o aspecto da liquidez da op-
ção de aplicação considerada. Liquidez, em finanças, possui o sentido de conversão da aplica-
ção ou do ativo em dinheiro, de forma rápida, preferencialmente sem a perda de valores. Possuir
liquidez é característica de qualquer plano financeiro.

1.2.3 Etapas de avaliação e seleção de investimentos


As decisões de investimento demandam avaliação e seleção das melhores propostas de investi-
mento com o objetivo de produzir, especialmente no médio e longo prazo, o maior retorno pos-
sível aos proprietários de capital, dado certo nível de risco e maturidade do investimento.

12 Laureate- International Universities


As decisões de investimento empresarial são, fundamentalmente, aquelas que podem gerar au-
mento no volume de capital dedicado à produção de bens e serviços. O capital, nesse contex-
to, envolve diferentes ativos, tais como máquinas e equipamentos, tecnologia, bens públicos,
educação, dentre outros. Sua característica marcante é sua capacidade de utilização futura de
produção de bens e serviços para toda a sociedade.

As decisões de investimento não são tomadas de forma intuitiva, mas sim de forma racional. Para
isso, devemos mensurar o fluxo de caixa incremental gerado por cada proposta de investimento
e determinar sua viabilidade econômica por meio da comparação com o custo do dinheiro. Uma
proposta viável, economicamente, é aquela que gera um retorno superior às taxas de remunera-
ção exigidas pelos proprietários de capital.

Desta forma, o processo de análise e seleção de investimentos envolve as seguintes etapas:

• Dimensionamento dos fluxos de caixa de cada proposta de investimento.


• Análise econômica dos fluxos de caixa por meio da aplicação das técnicas de análise de
investimentos.

• Determinação da taxa mínima de retorno requerida pelos proprietários de capital


(acionistas e credores) e sua utilização como critério para a decisão de investimento
(decisão de aceitar ou rejeitar as propostas).

• Análise do risco no processo de avaliação das propostas de investimento.

Definição da taxa de Análise do risco no


Dimensionamento Avaliação econômica
retorno e decisão processo de avaliação
dos fluxos de caixa dos fluxos de caixa
de aceitar ou rejeitar de investimentos

Quadro 5 – Processo de análise e seleção de investimentos.


Fonte: Silva, 2015.

VOCÊ QUER LER?


O Mercado das Crenças, de Eduardo Giannetti, 1991, lhe fará refletir acerca do mer-
cado como o conhecemos, bem como ponderar de forma crítica às previsões de ten-
dências das oscilações diárias na economia. Você compreenderá o marcado contempo-
râneo sob o foco das crenças criadas em torno das relações, especulações e filosofia.

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Análise de Investimento

1.3 Matemática financeira


Dentre os diversos fatores que influenciam no sucesso de um investimento financeiro está a
análise por meio da matemática financeira. Ou seja, a avalição dos métodos de análise de
investimentos está integralmente vislumbrada em cálculos precisos e minuciosos da matemática
financeira.

A seguir, você irá conferir como o cálculo financeiro básico representa o início de uma etapa tão
importante, que é a utilização da matemática financeira na análise de investimentos.

1.3.1 Cálculo financeiro


Nas palavras de Motta e Calôba (2013, p. 34), temos:

Considera-se investimento a situação na qual ocorre inversão de capital de alguma forma,


podendo ser em um projeto novo, na compra de uma empresa existente etc., buscando com isso
criação de valor, ou seja, recuperação do valor investido (principal), mais uma rentabilidade do
investimento (taxa de juros), em determinado prazo.

O cálculo financeiro básico é, portanto, imprescindível para uma análise do investimento e está
relacionado ao conceito do valor do dinheiro no tempo.

Capitalização

Juros

Valor Presente Tempo Valor Futuro

Desconto

Mercados Financeiros
Quadro 6 – Valor do dinheiro no tempo.
Fonte: Shutterstock, 2015.

Como princípio básico, retomaremos o conceito de liquidez apresentado anteriormente, pois os


indivíduos geralmente preferem a liquidez de seus ativos. Em outras palavras: há uma preferên-
cia pela capacidade de transformação rápida do valor monetário dos ativos em dinheiro, com o
menor índice de perda possível.

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Imagine da seguinte forma: a preferência dos indivíduos indica que R$ 1.000,00 hoje é um valor
preferível a R$ 1.000,00 a serem recebidos no futuro. Esta preferência justifica-se pelas seguintes
razões:

• existe o risco de que, no futuro, não se receba a quantia;


• o efeito inflacionário reduz o poder de compra do dinheiro ao longo do tempo;
• o custo de oportunidade do dinheiro, por meio do qual o dinheiro investido poderia
apresentar melhor rentabilidade em outra opção de investimento.

As ferramentas desenvolvidas pela matemática financeira nos permitem desenvolver as análises


necessárias para que possamos, de forma clara e racional, definirmos as melhores opções de
investimento disponíveis no mercado.

Essa preferência pela liquidez nos indica que o dinheiro possui um custo, certo? Quer no mo-
mento em que depositamos (ou investimos), quer no momento em que tomamos emprestados
recursos do sistema financeiro, temos consciência desse fator. Esse custo é determinado pela taxa
de juros. Em outras palavras, o custo do dinheiro é expresso pela taxa de juros.

Essa taxa, expressa em termos percentuais, é determinada por meio de uma série de fatores,
entre os quais podemos destacar:

• o volume de dinheiro disponível para a operação;


• os riscos envolvidos na operação.
Como o cálculo financeiro para análise de investimentos é fundamental para a continuidade do
processo de análise financeira, veremos a seguir os conceitos básicos de matemática financeira,
especialmente em relação ao processo denominado de capitalização composta.

1.3.2 Regime de capitalização composta


Trata-se do regime de capitalização mais amplamente utilizado no mercado financeiro e no
cálculo econômico. Existe também o regime de capitalização conhecido como capitalização
simples, porém ele possui menor amplitude de utilização no mercado. Assim, no regime de ca-
pitalização composta, os juros gerados a cada período de tempo são incorporados ao principal,
antes do cálculo dos juros relativos ao próximo período. Podemos dizer que: “... o rendimento
gerado pela aplicação será incorporado a ela, passando a participar de geração do rendimento
no período seguinte; dizemos então que os juros são capitalizados” (SAMANEZ, 2007, p. 4).

Para o cálculo, utilizamos um conjunto específico de expressões, conforme veremos a seguir. Para
que possamos apresentar as fórmulas utilizadas, vamos determinar os significados dos signos nas
expressões. Acompanhe!

• M = Montante, também expresso por FV = Valor Futuro (ou o valor resultante da aplicação,
após o tempo de aplicação, com determinada taxa de juros).

• C = Capital, também expresso por PV = Valor Presente (ou o valor original da aplicação,
antes do tempo de aplicação, com determinada taxa de juros).

• i = Taxa de juros.
• n = Período de tempo da aplicação.

15
Análise de Investimento

Por meio da expressão abaixo podemos calcular qualquer uma das variáveis acima, desde que
as demais sejam conhecidas.

FV = PV (1 + i )n

Podemos dizer que (1 + i )n classifica-se como fator de capitalização. Depois, multiplica-se o


valor do investimento para obter-se o montante. Lembre-se de que esta fórmula é utilizada a fim
de se obter somente o montante de um pagamento ao final do tempo analisado.

Exemplo: precisamos do montante ao final de um período de quatro meses, em uma taxa de juros
de 8% ao mês. Considere o valor inicial de R$ 2.500,00 no regime de capitalização composta.

Fluxo de caixa

0 4

PV = R$ 1.800

Substituindo os valores na fórmula, temos a seguinte equação:

FV= 1.800 x ( 1 + 0,08)4

FV= 1.800 x 1,3605

FV= 2.448,88

O resultado desta operação será de R$ 2.448,90. Agora, realize este cálculo em sua calculadora
financeira HP 12C.

F CLEAR FIN

STO EEX

1.800 CHS PV

8 i

4 n

FV

1.3.3 Equivalência de capitais


Trata-se de outro conceito fundamental para a análise financeira. Dizemos que capitais são equi-
valentes se, quando levados à mesma data de vencimento e à mesma taxa de juros, produzirem
o mesmo montante.

16 Laureate- International Universities


Figura 2 – Equivalências econômicas.
Fonte: Shutterstock, 2015.

Imagine: uma compra realizada à vista, no valor de R$ 1.500,00, ou financiada por meio de
uma entrada no valor de 30%, mais dois pagamentos mensais e iguais, com taxa de juros com-
postos de 5% ao mês.

Fluxo de Caixa
• Pagamento à vista
Pagamento à vista

R$ 1.500,00

• Pagamento a prazo
Pagamento a prazo

R$ 450,00 R$ 564,70 R$ 564,70

A loja somente realizará a operação caso exista a equivalência de capitais, ou seja, se o valor
de R$ 1.500,00 hoje for exatamente igual ao total da operação de financiamento. Para que isso
ocorra, formatamos a seguinte equação:

17
Antecipados
. 0 ↑PMT ↑PMT ↑PMT
Análise ↑PMT
de Investimento ↑PMT .
1 2 3 4 .............. n-1

Diferidos
. 0 ↑PMT ↑PMT ↑PMT ↑PMT .

[
] [ ][ ]
↓PV c
1.500 = 1.500 x 30 +
100
PMT
1+
c+1
5
100
+ PMT 2
1+
5
c+2

100
.......... c+n

[ ] [ ][ ]
1.500 = 1.500 x 30
100=
1200
(1de
PMT
+1
PMT
+ = R$ 564,70
PMT

+
0,05)
51 +
+PMT
1+
(1 +
PMT
5 2 +2
0,05)
PMT
(1 + 0,05)
+
mensais e (1
3
PMT
+ 0,05)4

[ [ ]
Portanto, a operação composta por 30% entrada
100e dois pagamentos
100 iguais, conse-
cutivos de R$ 564,70, descontados pela taxa de 5%, 30equivalem a uma compra à vista no valor

]
1.500,00Oxvalor da=entrada,
de R$ 1.500,00. Vamos comprovar a operação? 450,00composto por 30% do valor
do bem corresponde a: 100
1 1 1 1
1200 = PMT x + + +
(1 + 0,05) 1
(1 + 0,05) 2
(1 + 0,05) 3
(1 + 0,05)4

[ 1200
Juros
]
1.500,00 x 30 = 450,00
Pagos
Empréstimo Nominal
100
= PMT x (3,545950505)
=
58.000,00 - 50.000,00
50.000,00
= 16%
PMT = 338,41
Se o valor do bem à vista é igual a R$ 1.500,00 e você deu uma entrada de R$450,00, apenas
o saldo é objeto do financiamento.
Juros Pagos 58.000,00 - 50.000,00
=
Valores efetivamente Pagos = 16%
(8.000,00) + (0,4x50.000,00)
Empréstimo Nominal PMT= 50.000,00
PMT = 20,83%
Empréstimo 1.050,00
Efetivo= + 50v.000,00) - (0,4x50.000,00)
1,05 1,1025

1,05 PMT + PMT


1.050,00
Valores efetivamente Pagos = (8.000,00)
= 1,1025 + (0,4x50.000,00) = 20,83%
Empréstimo Efetivo
Postecipados 50v.000,00) - (0,4x50.000,00)
.0 ↑PMT 1.050,00
↑PMTx 1,1025↑PMT
= 2,05 PMT ↑PMT .
1 2 3 .............. n
PMT = 564,70
Postecipados
No esquemaAntecipados
a seguir, é apresentada outra forma de cálculo, através da calculadora financeira
. 0temos 0as↑PMT
,na qual ↑PMT ↑PMT
↑PMT
seguintes operações: ↑PMT
↑PMT ↑PMT
↑PMT .
↑PMT
. .
1 2 3 .............. n
f REG = limpa1 todos os registros armazenados;
2 3 4 .............. n-1

Antecipados
PV = calcula o valor presente;
Diferidos
. 0 ↑PMT
. a0taxa;
↑PMT
↑PMT ↑PMT
↑PMT ↑PMT
↑PMT ↑PMT
↑PMT . .
i = representa
1 ↓PV c 2 c3+1 c4+ ..............
2 ..........nc -+1n
n = demonstra o número de períodos inseridos no fluxo de caixa;
Diferidos
PMT = calcula pagamentos.
. 0 ↑PMT ↑PMT ↑PMT ↑PMT .
Agora, que c esse cálculo cem+ sua
↓PVtal treinar 1 calculadora ..........
c + 2financeira c+n
HP 12C?
PMT PMT PMT PMT
1200 = + + +
(1 + 0,05)1
(1 + 0,05)2
(1 + 0,05) 3
(1 + 0,05)4

12001200
PMT
(1 + 0,05)
1
PMT
[
(1 + 0,05)
1
PMT 1PMT 1
= = PMT x1 +(1 + 0,05)1 2++(1 + 0,05)2 3++(1 + 0,05)3 4+ (1 + 0,05)4
(1 + 0,05) (1 + 0,05) ]
[ ]
18 Laureate- International Universities
1200 = PMT x (3,545950505)
1 1 1 1
1200 = PMT x + + +
(1 + 0,05)1
(1 + 0,05)2
(1 + 0,05)3
(1 + 0,05)4
PMT = 338,41
f REG

1050CHS PV

5 i

2 n

PMT

Ao final irá surgir no visor o valor

564,70

[ [ ] [] [ ] [] [ ] ]
1.3.4 Taxa de juros nominal e efetiva
1.500 = 1.500 30 x+30 PMT
1.500 x= 1.500 + PMT + PMT+ PMT 2
100 100 52
51 +na5qual a15definição
A taxa de juros nominal é uma taxa referencial, do período de tempo (o pra-
1 + 1 + +
zo) da operação não coincide com o período 100 100da
100de referência 100taxa de juros, calculada com base
no valor nominal da operação. A taxa de juros efetiva corresponde à razão entre os valores reais
da operação e o valor do empréstimo efetivamente realizado.

[ [ ] ]
Um exemplo: uma empresa tomou crédito no mercado financeiro no valor de R$ 50.000,00, que
será integralmente pago após trinta dias, comxo 30
1.500,00 valor de R$ 58.000,00. As tarifas bancárias da
= 450,00
1.500,00
operação custam 4% sobre o valor x 30 =100
do empréstimo.450,00
100
Taxa nominal - 16% ao mês.

Juros Pagos 58.000,00 - 50.000,00


= = 16%
Empréstimo Nominal 50.000,00
Juros Pagos 58.000,00 - 50.000,00
= = 16%
Empréstimo Nominal 50.000,00
Taxa efetiva - 20,83% ao mês.
Valores efetivamente Pagos (8.000,00) + (0,4x50.000,00)
= = 20,83%
Empréstimo Efetivo 50v.000,00) - (0,4x50.000,00)
Valores efetivamente Pagos (8.000,00) + (0,4x50.000,00)
= = 20,83%
Empréstimo Efetivo 50v.000,00) - (0,4x50.000,00)

Postecipados
.0 ↑PMT ↑PMT ↑PMT ↑PMT .
1.3.5 1
Equivalência de taxa de2juros 3 .............. n
Postecipados
0 de ↑PMT
Duas .taxas juros ↑PMT
(i%) serão
Antecipados
↑PMT
consideradas equivalentes única ↑PMT .
e exclusivamente se, incidindo
sobre o mesmo valor 1
do
. 0 ↑PMT capital2 (S)
↑PMT e durante 3
o
↑PMT ..............
mesmo prazo
↑PMT n
(período de tempo
↑PMT “n”), produzirem
.
o mesmo montante
1 (valor final da2 operação3financeira).4 .............. n-1
Antecipados
Vamos supor queDiferidos
uma pessoa disponha do capital de R$ 1.000,00 pelo prazo de um ano e esteja
. 0 ↑PMT
em busca de opções ↑PMTinvestir seu↑PMT Em↑PMT ↑PMT . de que a
. 0 para↑PMT dinheiro.
↑PMT um
↑PMTbanco, ela recebe ↑PMT a informação
.
taxa de1juros oferecida será
2 de 3,1448% 3 ao mês, 4enquanto
..............
em n - 1a taxa de juros
outro
.......... c + n oferecida é
↓PV c c+1 c+2
de 45% ao ano. O investidor deverá saber realizar o cálculo, com o objetivo de definir a melhor
opçãoDiferidos
de investimento. Para isso, temos duas formas:
0 ↑PMT ↑PMT ↑PMT ↑PMT
• . utilizar a taxa de juros, aplicando o capital e o período de tempo. correspondente,
.......... c + n o caso, se as taxas forem
↓PV c
calculando o montante c+1 c+2
PMT (o qual deverá
PMT ser idêntico
PMT em ambos PMT
1200
equivalentes); = + + +
(1 + 0,05)1 (1 + 0,05)2 (1 + 0,05)3 (1 + 0,05)4

[ ]
19
1 1 1 1
1200 = PMT x + + +
PMT (1 +
PMT 0,05)1
(1 + 0,05)
PMT
2
(1 + 0,05)
PMT
3
(1 + 0,05)4
1200 = 1
+ 2
+ 3
+ 4
Análise de Investimento

• recalcular as taxas de juros, ajustando ambas para o mesmo período de tempo.


Utilizando a primeira opção:

Demonstração pela segunda opção. Fórmula para conversão das taxas de juros:

Nessa equação, temos os seguintes dados:

• iq = taxa de juros desejada, a que se quer calcular.


• it = taxa de juros que já se possui, a que se tem.
• nq = período de tempo relativo a taxa de juros desejada, a que se quer calcular.
• nt = período de tempo relativo a taxa de juros que já se possui, a que se tem.
Vamos utilizar a fórmula para ver qual é a taxa equivalente a uma taxa anual de 45%? Neste
caso, temos:

Iq = ?

it = 45% ou 0,45

nq = 1 mês

nt = 12 meses ou 1 ano

iq = (1+0,45)1/12 – 1

iq = 1,451/12 – 1

iq = 1,0314479 – 1 = 0,0314479 ou 3,14479%

Utilizando esses conceitos, convertemos a taxa de juros de 45% ao ano para taxa mensal, obten-
do o valor de exatamente 3,14479% ao mês. Se utilizarmos para a conversão a taxa de 3,14479
% ao mês e calcularmos a taxa mensal correspondente, obteremos o valor de 45 % ao mês.

1.3.6 Cálculos financeiros - série de pagamentos uniformes


Utilizamos esta modalidade para calcularmos o valor presente de uma série de pagamentos
uniformes ao longo de um período, ou seja, o valor do fluxo de pagamentos. Os fluxos de séries
uniformes podem apresentar pagamento postecipados, antecipados ou diferidos.

20 Laureate- International Universities


Juros Pagos 58.000,00 - 50.000,00
= = 16%

[ ]
Empréstimo Nominal 50.000,00
1.500,00 x 30 = 450,00
100
Valores efetivamente Pagos (8.000,00) + (0,4x50.000,00) = 20,83%
=
Empréstimo Efetivo 50v.000,00) - (0,4x50.000,00)

Juros Pagos 58.000,00 - 50.000,00


= = 16%
Empréstimo Nominal 50.000,00
Postecipados
.0 ↑PMT ↑PMT ↑PMT ↑PMT .
1
Valores efetivamente Pagos 2 3 .............. n
(8.000,00) + (0,4x50.000,00) = 20,83%
=
Empréstimo Efetivo 50v.000,00) - (0,4x50.000,00)
Antecipados
. 0 ↑PMT ↑PMT ↑PMT ↑PMT ↑PMT .
1 2 3 4 .............. n - 1
Postecipados
. 0 Diferidos
↑PMT ↑PMT ↑PMT ↑PMT .
. 0 1↑PMT 2 ↑PMT 3 ↑PMT
.............. n ↑PMT .
↓PV c c+1 c+2 .......... c + n
Antecipados
. 0 ↑PMT Quadro
↑PMT ↑PMT
7 – Visualização ↑PMTo momento em que↑PMT
gráfica: observe o pagamento .
está registrado em relação à data da operação.
1 2 3 Fonte: Visibelli,
4 ..............
2015.
n-1
PMT PMT PMT PMT
1200 =
Diferidos + + +
(1 + 0,05)1
(1 + 0,05)2
(1 + 0,05)
Podemos considerar cada PMT com um montante (FV) a ser pago em
3
(1 + 0,05)4
duas datas distintas, sendo
0 à soma
(PV). igual ↑PMT dos (PV’s)↑PMT ↑PMT Como exemplo,
de cada prestação. ↑PMTimagine que . o valor presente

[ ]
seja ↓PV c 1.200,00, pelo
igual a R$ c + 1período de
c +quatro
2 ..........
meses, ce +a ntaxa de juros igual a 5% ao mês.
1 1 1 1
Neste caso1200 = PMT
calcule x
a prestação +
correspondente +
(PMT). +
(1 + 0,05)1 (1 + 0,05)2 (1 + 0,05)3 (1 + 0,05)4
Substituindo os dados, teremos:

1200 = PMT x (3,545950505)


PMT PMT PMT PMT
1200 = + + +
(1 + 0,05)1
(1 +
PMT = 338,41 0,05)2
(1 + 0,05)3
(1 + 0,05)4

1200 = PMT x
[
1.050,00 =
1
(1 + 0,05)
PMT
1,05
1
+
+
(1
PMT+
1,1025
1
0,05)2
+
(1 +
1
0,05)3
+
(1 +
1
0,05)4 ]
1200 = PMT x (3,545950505)
1,05 PMT + PMT
1.050,00 =
1,1025
PMT = 338,41
1.050,00 x 1,1025 = 2,05 PMT
No esquema abaixo, é apresentada outra forma de cálculo, através da calculadora financeira,
PMToperações:
onde temos as seguintes = 564,70
PMT PMT
1.050,00 = +
f REG = limpa todos1,05 1,1025
os registros armazenados;

PV = calcula 1,05 PMT + PMT


o valor
1.050,00 = presente;
1,1025
i = representa a taxa;
1.050,00 x 1,1025 = 2,05 PMT
n = demonstra o número de períodos inseridos no fluxo de caixa;
PMT = 564,70
PMT = calcula pagamentos.

Agora, que tal treinar esse cálculo em sua calculadora financeira HP 12C?

21
Análise de Investimento

f REG

1200 CHS PV

5 i

4 n

PMT

Ao final irá surgir no visor o valor

338,41

Conforme pôde ser visto neste material, a correta abordagem do investimento apresenta-se como
um desafio a todo investidor. A definição de uma possibilidade de investimento e, por consequên-
cia, a necessidade de previsão, no médio e longo prazos, das atitudes do hoje, influenciarão boa
parte das próximas ações e demonstrarão a assertividade quanto ao uso adequado dos recursos,
ou seja, a escolha do melhor investimento.

CASO
A empresa HAX, ao estudar as possibilidades de investimento, ficou com receio de estar inves-
tindo corretamente. Quando investir? Como investir? Qual retorno esperar da aplicação? Para
que o investimento produza o retorno adequado, a empresa deve saber que alguns cuidados
são necessários. É de grande importância, por exemplo, analisar três fatores-chave: a liquidez,
a rentabilidade e o risco. O risco constitui o fato de seu investimento não realizar-se conforme o
planejado; a rentabilidade é o montante positivo em relação ao capital investido e esperado ao
final; e a liquidez diz respeito à capacidade do capital investido reverter-se em dinheiro.

Agora reflita: quando a empresa for investir deverá considerar esses fatores e as características
específicas do investimento escolhido, certo? Investir em ações, por exemplo, pode garantir uma
ótima liquidez, porém possui um alto risco.

22 Laureate- International Universities


Síntese Síntese
Neste capítulo, conferimos a definição de investimento e as possibilidades de sua utilização pelos
indivíduos, pelas empresas da iniciativa privada, bem como pelos órgãos do governo.

• Outro ponto abordado foi a relação entre risco e retorno.


• Identificamos a estrutura do processo de investimentos.
• Compreendemos a importância da matemática financeira.
• Estudamos a equivalência de capitais que, quando os capitais são levados à mesma data
de vencimento e à mesma taxa de juros, produzem o mesmo montante.

• Acompanhamos o cálculo de acordo com o regime de capitalização composta.


• Compreendemos a equivalência da taxa de juros.
• Conhecemos os cálculos financeiros sob a forma de série de pagamentos uniformes.

23
Referências Bibliográficas
BORNIA, Antônio Cesar. Análise gerencial de custos. São Paulo: Atlas, 2009.

CASAROTTO FILHO, N.; KOPITTKE, B. H. Análise de investimentos: matemática financeira,


engenharia econômica, tomada de decisão, estratégia empresarial. 11. ed. São Paulo: Atlas,
2010.

GITMAN, L. J. Princípios de administração financeira. 10. ed. São Paulo: Pearson Education
do Brasil: Addison Wesley, 2004.

MOTTA, R. R.; CALÔBA, G. M.. Análise de investimentos: tomada de decisão em projetos


industriais. São Paulo: Atlas, 2002.

ROSS, S. A.; WESTERFIELD, R. W.; JAFFE, J. F. Administração financeira: Corporate finance.


São Paulo: Atlas, 2000.

SAMANEZ, C. P.. Matemática Financeira: aplicação à análise de investimentos. 4. ed. São


Paulo: Pearson - Prentice Hall, 2007.

SECURATO, J. R. Decisões Financeiras em Condições de Risco. São Paulo: Atlas, 2000.

24 Laureate- International Universities