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CONTEÚDO MÓDULO 1

Supervisão e Direção Escolar: Reflexões sobre a Gestão do/no Cotidiano

INTRODUÇÃO
Este curso dá as Boas Vindas ao Supervisor Escolar e ao Diretor de Escola!

Iniciar o exercício em um novo cargo, por mais que se conheça a Rede Municipal de Ensino, traz a necessidade
de compreender as especificidades, atribuições e ações cotidianas do mesmo. Em relação aos cargos referentes
à equipe gestora, Supervisor e Diretor, recém-empossados, é importante o acolhimento, a apresentação de
contextos práticos que envolvem as ações cotidianas e a possibilidade de interagir com outros pares, também
iniciantes, mas em momentos diferentes de interações, vivências e experiências na sua trajetória na Rede
Municipal de Ensino.

Neste contexto, este curso tem como objetivo oferecer formação continuada aos ingressantes aprovados no
Concurso de Acesso para os cargos de Supervisor Escolar e Diretor de Escola, possibilitando a complementação,
a revisão e a renovação de conhecimentos e metodologias presentes em sua formação e a reflexão sobre sua
prática profissional, através da análise, estudo e propostas de intervenções em situações cotidianas do seu
contexto profissional, tendo como referência a legislação e os documentos oficiais vigentes na RME, que
regulam as ações nas unidades educativas desta rede.

Focando mais nas ações cotidianas, por considerar que os aprovados no concurso estão com a fundamentação
teórica bem estudada, propõe um diálogo que contribua para o enfretamento das importantes decisões com as
quais os gestores (supervisor e diretor) se deparam no cotidiano escolar.

A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Quando temos uma administração voltada para a coletividade, dizemos que temos uma administração pública.
A administração pública deve visar o bem comum dos cidadãos aos quais ela se destina, quer seja em nível
federal, estadual ou municipal.

A Administração Pública está embasada em regras de observância permanente e obrigatórias e é regida por
princípios básicos que deverão nortear suas ações, sendo eles: legalidade, moralidade, impessoalidade,
publicidade e eficiência.

Legalidade: enquanto para a administração privada é lícito praticar tudo o que a lei não proíbe, na administração
pública, todo ato, sob pena de ser invalidado, deve estar amparado na lei.
Moralidade: não podemos confundir o conceito de moralidade comum com o de moralidade administrativa,
visto que esta implica na prática de uma conduta de acordo com as normas internas da instituição.
Impessoalidade: é o princípio de que todo ato administrativo tenha como objetivo o interesse público, e não
promoções pessoais.
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Publicidade: é o que vemos comumente chamado como “transparência”. Todos os atos devem ser públicos para
que adquiram validade, exceção feita aos que admitem sigilo, como casos de segurança nacional,
investigações policiais ou processo declarado sigiloso nos termos da legislação vigente.
Eficiência: é o princípio que se explica por si, uma vez que através da eficiência o serviço público atenderá da
melhor forma possível a comunidade e os seus membros. Exige da Administração resultados positivos na
prestação do serviço público, com atendimento satisfatório da comunidade e de seus membros.
Os Art. 37, 39, 40, 41 e 42 da Constituição definem normas que dispõem sobre a organização do serviço público,
dentre as quais encontramos a obrigatoriedade do concurso público para a investidura no cargo ou emprego
público, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão, declarado em lei de livre nomeação e exoneração;
forma de remuneração e o teto de vencimentos; inacumulabilidade de cargos públicos; aposentadoria; exercício
de mandato eletivo e estabilidade.

No § 1º do Art. 41 encontraremos que “O servidor público estável só perderá o cargo:


I – em virtude de sentença judicial transitada em julgado;
II – mediante processo administrativo, em que lhe seja assegurada ampla defesa;
III – mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei complementar,
assegurada ampla defesa.

O tempo necessário para o servidor adquirir a estabilidade é de 3 (três) anos de efetivo exercício, desde que
tenha sido nomeado para o cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público.

Lei Orgânica

A Constituição da República Federativa do Brasil, publicada em 1988, é a conhecida Carta Magna e é através de
seus dispositivos que serão regidas todas as ações no território nacional.

Em nível de Estado de São Paulo, temos a Constituição do Estado de São Paulo e no Município de São Paulo, a
Lei Orgânica do Município de São Paulo, de 4 de abril de 1990, publicada no Diário Oficial do Município de 6 de
abril de 1990.

Toda a legislação municipal deverá atender às normas constitucionais e legais e, nesse caso, seguindo os
princípios ditados pela Lei Orgânica.

Na lei Orgânica do Município de São Paulo, a Educação está normatizada nos artigos 201 a 211 (abaixo
relacionados). Todos são importantes, mas destacamos o § 5º do Art. 201:
§ 5º - O atendimento da higiene, saúde, proteção e assistência às crianças será garantido, assim como a sua
guarda durante o horário escolar.

Percebemos no cotidiano escolar que muitas vezes estes cuidados são negligenciados, inclusive em relação a
guarda. Quando o professor se ausenta, mesmo que por poucos minutos, deixando seus alunos sozinhos, está
ferindo o princípio da guarda e proteção que esta legislação estabelece.

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Segue abaixo o trecho da lei orgânica que se refere à educação.

LEI ORGÂNICA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO DA EDUCAÇÃO


Art. 200 - A educação ministrada com base nos princípios estabelecidos na Constituição da República, na
Constituição Estadual e nesta Lei Orgânica, e inspirada nos sentimentos de igualdade, liberdade e solidariedade,
será responsabilidade do Município de São Paulo, que a organizará como sistema destinado à universalização do
ensino fundamental e da educação infantil.
§ 1º - O sistema municipal de ensino abrangerá os níveis fundamental e da educação infantil estabelecendo
normas gerais de funcionamento para as escolas públicas municipais e particulares nestes níveis, no âmbito de
sua competência.
§ 2º - Fica criado o Conselho Municipal de Educação, órgão normativo e deliberativo, com estrutura colegiada,
composto por representantes do Poder Público, trabalhadores da educação e da comunidade, segundo lei que
definirá igualmente suas atribuições.
§ 3º - O Plano Municipal de Educação previsto no art. 241 da Constituição Estadual será elaborado pelo Executivo
em conjunto com o Conselho Municipal de Educação, com consultas a: órgãos descentralizados de gestão do
sistema municipal de ensino, comunidade educacional, organismos representativos de defesa de direitos de
cidadania, em específico, da educação, de educadores e da criança e do adolescente e deverá considerar as
necessidades das diferentes regiões do Município. (Alterado pela Emenda 24/01)
§ 4º - O Plano Municipal de Educação atenderá ao disposto na Lei Federal nº 9.394/96 e será complementado
por um programa de educação inclusiva cujo custeio utilizará recursos que excedam ao mínimo estabelecido no
artigo 212, § 4º, da Constituição Federal.
§ 5º - A lei definirá as ações que integrarão o programa de educação inclusiva referido no parágrafo anterior.
(Acrescentados pela Emenda 24/01)
Art. 201 - Na organização e manutenção do seu sistema de ensino, o Município atenderá ao disposto no art. 211
e parágrafos da Constituição da República e garantirá gratuidade e padrão de qualidade de ensino.
§ 1º - A educação infantil, integrada ao sistema de ensino, respeitará as características próprias dessa faixa
etária, garantindo um processo contínuo de educação básica.
§ 2º - A orientação pedagógica da educação infantil assegurará o desenvolvimento psicomotor, sociocultural e
as condições de garantir a alfabetização.
§ 3º - A carga horária mínima a ser oferecida no sistema municipal de ensino é de 4 (quatro) horas diárias em 5
(cinco) dias da semana.
§ 4º - O ensino fundamental, atendida a demanda, terá extensão de carga horária até se atingir a jornada de
tempo integral, em caráter optativo pelos pais ou responsáveis, a ser alcançada pelo aumento progressivo da
atualmente verificada na rede pública municipal.
§ 5º - O atendimento da higiene, saúde, proteção e assistência às crianças será garantido, assim como a sua
guarda durante o horário escolar.
§ 6º - É dever do Município, através da rede própria, com a cooperação do Estado, o provimento em todo o
território municipal de vagas, em número suficiente para atender à demanda quantitativa e qualitativa do ensino
fundamental obrigatório e progressivamente à da educação infantil.
§ 7º - O disposto no § 6º não acarretará a transferência automática dos alunos da rede estadual para a rede
municipal.

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§ 8º - Compete ao Município recensear os educandos do ensino fundamental, fazer-lhes a chamada e zelar, junto
aos pais e responsáveis, pela frequência à escola.
§ 9º - A atuação do Município dará prioridade ao ensino fundamental e de educação infantil.
Art. 202 - Fica o Município obrigado a definir a proposta educacional, respeitando o disposto na Lei de Diretrizes
e Bases da Educação e legislação aplicável.
§ 1º - O Município responsabilizar-se-á pela integração dos recursos financeiros dos diversos programas em
funcionamento e pela implantação da política educacional.
§ 2º - O Município responsabilizar-se-á pela definição de normas quanto à autorização de funcionamento,
fiscalização, supervisão, direção, coordenação pedagógica, orientação educacional e assistência psicológica
escolar, das instituições de educação integrantes do sistema de ensino no Município.
§ 3º - O Município deverá apresentar as metas anuais de sua rede escolar em relação à universalização do ensino
fundamental e da educação infantil.
Art. 203 - É dever do Município garantir:
I - educação igualitária, desenvolvendo o espírito crítico em relação a estereótipos sexuais, raciais e sociais das
aulas, cursos, livros didáticos, manuais escolares e literatura;
II - educação infantil para o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico,
psicológico, intelectual e social;
III - ensino fundamental gratuito a partir de 6 *(seis) anos de idade, ou para os que a ele não tiveram acesso na
idade própria; * adequado conforme LDBEN
IV – educação inclusiva que garanta as pré-condições de aprendizagem e acesso aos serviços educacionais, a
reinserção no processo de ensino de crianças e jovens em risco social, o analfabetismo digital, a educação
profissionalizante e a provisão de condições para que o processo educativo utilize meios de difusão, educação e
comunicação;
V - a matrícula no ensino fundamental, a partir dos 6 (seis) anos de idade (...)
Art. 204 - O Município garantirá a educação visando o pleno desenvolvimento da pessoa, preparo para o exercício
consciente da cidadania e para o trabalho, sendo-lhe assegurado:
I - igualdade de condições de acesso e permanência;
II - o direito de organização e de representação estudantil no âmbito do Município, a ser definido no Regimento
Comum das Escolas.
Parágrafo único - A lei definirá o percentual máximo de servidores da área de educação municipal que poderão
ser comissionados em outros órgãos da administração pública.
Art. 205 - O Município proverá o ensino fundamental noturno, regular e adequado às condições de vida do aluno
que trabalha, inclusive para aqueles que a ele não tiveram acesso na idade própria.
Art. 206 - O atendimento especializado às pessoas com deficiência dar-se-á na rede regular de ensino e em
escolas especiais públicas, sendo-lhes garantido o acesso a todos os benefícios conferidos à clientela do sistema
municipal de ensino e provendo sua efetiva integração social.
§ 1º - O atendimento às pessoas com deficiência poderá ser efetuado suplementarmente, mediante convênios e
outras modalidades de colaboração com instituições sem fins lucrativos, sob supervisão dos órgãos públicos
responsáveis, que objetivem a qualidade de ensino, a preparação para o trabalho e a plena integração da pessoa
deficiente, nos termos da lei.

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§ 2º - Deverão ser garantidas às pessoas com deficiência as eliminações de barreiras arquitetônicas dos edifícios
escolares já existentes e a adoção de medidas semelhantes quando da construção de novos.
Art. 207 - O Município permitirá o uso pela comunidade do prédio escolar e de suas instalações, durante os fins
de semana, férias escolares e feriados, na forma da lei.
§ 1º - É vedada a cessão de prédios escolares e suas instalações para funcionamento do ensino privado de
qualquer natureza.
§ 2º - Toda área contígua às unidades de ensino do Município, pertencente à Prefeitura do Município de São
Paulo, será preservada para a construção de quadra poliesportiva, creche, centros de educação e cultura,
bibliotecas e outros equipamentos sociais públicos, como postos de saúde.
Art. 208 - O Município aplicará, anualmente, no mínimo 31% (trinta e um por cento) da receita resultante de
impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino
fundamental, da educação infantil e inclusiva.
Art. 209 - O Município publicará, até 30 (trinta) dias após o encerramento de cada semestre, informações
completas sobre receitas arrecadadas, transferências e recursos recebidos e destinados à educação nesse
período, bem como a prestação de contas das verbas utilizadas, discriminadas por programas.
Art. 210 - A lei do Estatuto do Magistério disciplinará as atividades dos profissionais do ensino.
Art. 211 - Nas unidades escolares do sistema municipal de ensino será assegurada a gestão democrática, na
forma da lei.

Servidores Municipais

É função do Município prestar um serviço público eficiente e eficaz, com servidores justamente remunerados e
profissionalmente valorizados.

A Administração pública municipal, na elaboração de sua política de recursos humanos, atenderá o princípio da
valorização do servidor público, investindo na sua capacitação, no seu aprimoramento e atualização profissional,
preparando-o para seu melhor desempenho e sua evolução funcional.

Os servidores públicos municipais terão ainda assegurado outros direitos como livre associação sindical,
vantagens decorrentes dos cargos que exercerem, adicional por tempo de serviço, gratificação de distância,
direitos previstos na Constituição Federal, no que couber, e aposentadoria.

Quem Somos Nós?


Funcionário público: é a pessoa legalmente investida em cargo público.
Cargo Público: é aquele criado por lei, em número certo, com denominação própria, remunerado pelos cofres
municipais, ao qual corresponde um conjunto de atribuições e responsabilidades cometidas a funcionário
público.
Classe: é o agrupamento de cargos da mesma denominação e idêntica referência de vencimento.

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Carreira: é o conjunto de classes da mesma natureza de trabalho, escalonadas segundo a responsabilidade e a
complexidade das atribuições.

Para trabalhar na Prefeitura do Município de São Paulo, a pessoa precisa ser nomeada e tomar posse, que é o
ato pelo qual ela é investida no cargo público.

A partir daí, ela deverá iniciar exercício, que é o desempenho das atribuições e responsabilidades do cargo para
o qual ela foi nomeada.

Todos os servidores públicos têm definidos em lei: direitos, deveres e proibições.

Do não cumprimento desses deveres ou da incorrência nessas proibições é que surge a falta disciplinar.

Aos servidores cabem os deveres dispostos no art. 178 do Estatuto dos Funcionários Públicos Municipais (Lei
nº 8.989/79), e proibições contidas no Art. 179 da mesma Lei.

Deveres dos Servidores Municipais (Art. 178)

 Ser assíduo e pontual;


 Cumprir as ordens superiores, representando quando forem manifestamente ilegais;
 Desempenhar com zelo e presteza os trabalhos de que for incumbido;
 Guardar sigilo sobre os assuntos da administração.
 Tratar com urbanidade os companheiros de serviço e o público em geral;
 Residir no Município ou mediante autorização, em qualquer localidade próxima;
 Manter sempre atualizada sua declaração de família, de residência e domicílio;
 Zelar pela economia do material do município e pela conservação do que for confiado à sua guarda
ou utilização;
 Apresentar-se convenientemente trajado em serviço, ou com uniforme quando for o caso;
 Cooperar e manter o espírito de solidariedade com os companheiros de trabalho;
 Estar em dia com as leis, regulamentos, regimentos, instruções e ordens de serviço que digam respeito
às suas funções;
 Proceder pública e particularmente de forma que dignifique a função pública.

Proibições (Art. 179)

“É proibida ao funcionário toda ação ou omissão capaz de comprometer a dignidade e o decoro da função
pública, ferir a disciplina e a hierarquia, prejudicar a eficiência do serviço ou causar dano a Administração
Pública, especialmente:”
 retirar, sem prévia permissão da autoridade competente, qualquer documento ou objeto existente
na unidade de trabalho;

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 valer-se da sua qualidade de funcionário para obter proveito pessoal;
 coagir ou aliciar subordinados com objetivos de natureza político-partidária;
 exercer comércio entre os companheiros de serviço, no local de trabalho;
 constituir-se procurador de partes, ou servir de intermediário perante qualquer Repartição Pública,
exceto quando se tratar de interesse do cônjuge ou de parente até segundo grau:
 cometer a pessoa estranha, fora dos casos previstos em lei, o desempenho de encargo que lhe
competir ou que competir a seus subordinados;
 entreter-se, durante as horas de trabalho, em palestras, leituras ou atividades estranhas ao serviço;
 empregar material do serviço público para fins particulares;
 fazer circular ou subscrever rifas ou listas de donativos no local de trabalho;
 receber estipêndios de fornecedores ou de entidades fiscalizadas;
 designar, para trabalhar sob suas ordens imediatas, parentes até segundo grau, salvo quando se tratar
de função de confiança e livre escolha, não podendo, entretanto, exceder a dois o número de auxiliares
nessas condições;
 aceitar representação de Estado estrangeiro, sem autorização do Presidente da República;
 fazer, com a Administração Direta ou Indireta, contratos de natureza comercial, industrial ou de
prestação de serviços com fins lucrativos, por si ou como representante de outrem;
 participar da gerência ou administração de empresas bancárias ou industriais ou de sociedades
comerciais, que mantenham relações comerciais ou administrativas com o Município, sejam por este
subvencionadas, ou estejam diretamente relacionadas com a finalidade da unidade ou serviço em que
esteja lotado;
 comerciar ou ter parte em sociedades comerciais nas condições mencionadas no item anterior,
podendo, em qualquer caso, ser acionista, quotista ou comanditário;
 exercer, mesmo fora das horas de trabalho, emprego ou função em empresas, estabelecimentos ou
instituições que tenham relações com o Município, em matéria que se relacione com a finalidade da
unidade ou serviço em que esteja lotado;
 requerer ou promover a concessão de privilégio, garantias de juros ou outros favores semelhantes,
estaduais ou municipais, exceto privilégio de invenção própria;
 trabalhar sob as ordens diretas do cônjuge ou de parentes até segundo grau, salvo quando se tratar de
função de imediata confiança e de livre escolha.

É assegurado o direito de greve aos servidores públicos municipais, observado o disposto no artigo 37, inciso
VII, da Constituição da República Federativa do Brasil.

Responsabilidade

O Servidor responde civil, penal e administrativamente pelo exercício irregular de suas atribuições,
responsabilizando-se pelos prejuízos que causar aos cofres municipais.

IMPORTANTE
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A responsabilidade administrativa não exime o funcionário da responsabilidade civil ou criminal; tampouco
o pagamento da indenização a que ficar obrigado o exime da pena disciplinar em que incorrer.
Ex.: Agressão física ou verbal a colega de trabalho, aluno ou membro da comunidade.

SITUAÇÕES DO COTIDIANO E O GRAU DE GRAVIDADE DAS INFRAÇÕES COMETIDAS

1 - Bens Patrimoniais

Obrigação do Servidor
- Zelar pela conservação do que lhe foi confiado à guarda; desempenhar com zelo e presteza os trabalhos de que
foi incumbido.

Em caso de furto e comprovado o desleixo do servidor, ao término da Apuração Preliminar será instaurado
procedimento disciplinar, que poderá acarretar a demissão do mesmo.

ATENÇÃO!
O servidor tem o dever de bem executar o serviço.
A chefia será sempre corresponsável pelos atos.
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2 - Relações pessoais entre Funcionários na Unidade de Trabalho

Obrigação do Servidor
- Tratar os companheiros de trabalho com urbanidade; manter o espírito de solidariedade e companheirismo.

Em caso de desavenças entre servidores, a chefia pode aplicar diretamente a Pena Disciplinar ou, se o fato for
considerado muito sério, iniciar a Apuração Preliminar. Pode correr, simultaneamente, processo na justiça
comum.

3 - Outras Situações
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A seguir, apresentamos um rol de situações que podem ocorrer com qualquer servidor público.
Leia atentamente e procure refletir sobre as mesmas.
 Faltar em dias consecutivos ou interpolados, sem comunicar a chefia;
 Faltar e não solicitar abono ou justificação de sua falta no dia de seu retorno à Unidade;
 Sistematicamente, não ministrar a(s) primeira(s) aulas do dia, ou ausentar-se antes da última aula de
sua responsabilidade;
 Atrasar-se sistematicamente para iniciar sua jornada de trabalho, em regime de acúmulo de cargos, por
não conseguir chegar a tempo;
 Não se registrar as faltas, atrasos ou saídas antecipadas dos servidores da Unidade;
 Não afixar o Quadro de Horário de Trabalho dos Servidores da Unidade em local visível e público;
 Não cumprir sua jornada de trabalho, constante do Quadro de Horário;
 Registrar o ponto pelo colega, por qualquer razão;
 Dispensar o servidor subordinado do registro do ponto, sem autorização superior;
 Ausentar-se da Unidade, sem autorização, para “tomar um lanche” ou ocupar-se de coisas estranhas ao
serviço;
 Ocupar-se de qualquer atividade estranha às suas atribuições, sem autorização, durante o seu horário e
no seu local de trabalho;
 Atrasar-se na chegada à sala de aula ou no encontro com alunos para desenvolver qualquer outro
trabalho, por estar envolvido com outras atividades;
 Ausentar-se da sala de aula ou de outro local onde se desenvolve atividades com alunos, sem
autorização e/ou sem providenciar a presença de outro servidor qualificado para assumir a
responsabilidade pelo grupo de alunos;
 Não assegurar atendimento contínuo para a população, na Secretaria da Escola ou outras repartições
em que haja atendimento;
 Ser ríspido no trato com o público ou com os colegas de trabalho;
 Acumular cargos públicos, sem declarar à Prefeitura;

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 Entrar em gozo de licença médica por motivo de doença em pessoa da família e exercer qualquer
atividade remunerada, por conta própria ou na iniciativa privada;
 Entrar em gozo de licença médica ou readaptar-se por um cargo público, e continuar trabalhando no
outro sem tomar qualquer providência, em regime de acúmulo de cargos (um municipal e outro
estadual, por exemplo);
 Não encaminhar em tempo hábil (72 horas) a documentação de Acidente de Trabalho, porque o
acidente que aconteceu com o servidor “não foi grave”;
 Pedir ao servidor operacional ou administrativo do Quadro de Apoio para “dar aula”, na ausência do
professor;
 Determinar que o servidor operacional preste serviços na Secretaria, já que ele tem escolaridade
suficiente e faltam servidores administrativos;
 Atribuir a servidor readaptado qualquer atividade não compatível com o seu laudo de readaptação;
 Aceitar, sendo servidor readaptado, exercer qualquer atividade não compatível com o seu laudo de
readaptação;
 Autorizar, praticar ou “fingir que não vê” a prática de propaganda política-partidária na Unidade;
 Repor o bem patrimonial, para evitar o trabalho de registrar a ocorrência de furto no Distrito Policial e
tomar outras providências;
 Não encaminhar (“engavetar”) requerimentos ou outros documentos de servidores, endereçados a
instâncias superiores;
 Negar-se a executar serviços determinados pela chefia, que se encontram dentro das atribuições do
cargo, ou executá-los de forma inconveniente;
 Exercer as prerrogativas de chefia ou assemelhada, na base do “faça o que eu mando, não faça como eu
faço”;
 Retirar documentos dos prontuários sem autorização;
 Divulgar informações dos prontuários dos alunos ou servidores, sem determinação judicial;
 Adulterar títulos para apressar a “progressão funcional”;
 Retirar qualquer bem patrimonial da Unidade, sem autorização escrita;
 Levar para casa a merenda escolar “que sobrou”, qualquer que seja a quantidade;
 Comparecer ao trabalho de bermuda e chinelos, porque “não teve tempo” de trocar-se
adequadamente;
 Comparecer ao trabalho alcoolizado;
 Perceber o recebimento indevido de qualquer quantia e não cientificar a chefia e/ou o apontador da
Unidade;
 Praticar qualquer comércio no interior da Unidade;
 Subscrever ou promover rifas ou listas de donativos no interior da Unidade;
 Manter o Diário de Classe incompleto, sem apontar a frequência dos alunos e/ou outros registros
necessários;
 Não documentar Reuniões formais ocorridas na Unidade, envolvendo servidores e/ou instituições
(Conselho de Escola/CEI, A.P.M. etc.), nos Livros de Atas competentes;
 Não divulgar as deliberações do Conselho de Escola/CEI;
 Promover evento através da A.P.M., sem que o mesmo tenha sido referendado pelo Conselho de
Escola/CEI;

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 Promover festa com venda de salgados e doces, e usar gêneros destinados à merenda escolar para a
preparação desses alimentos;
 Obrigar o aluno ou responsável a contribuir para a A.P.M., ou para adquirir materiais e outros recursos
no âmbito da escola;
 Não fornecer recibo para contribuições voluntárias em dinheiro destinadas à A.P.M., e entregues
diretamente na escola;
 Não divulgar regularmente os balancetes da A.P.M.;
 Gastar o dinheiro arrecadado pela A.P.M. naquilo para o qual foi destinado, antes de depositá-lo na
conta bancária da própria A.P.M.;
 Gastar recursos provenientes da Prefeitura, da A.P.M. ou de qualquer outra fonte, com Profissionais
informais e arrumar Recibos ou Notas Fiscais não condizentes para prestar contas;
 Prometer favores a outrem, relacionados com as suas atribuições, recebendo dinheiro ou presentes
como contrapartida;
 Montar uma firma visando prestar algum tipo de serviço para a Administração;
 Trabalhar em Unidade onde a chefia é exercida pelo(a) esposo(a), pai, mãe ou irmãos, em cargo que não
seja de confiança;
 Alegar que desconhece as leis e regulamentos, quando comete algum ato irregular;
 Utilizar horas destinadas à reposição de dias letivos para confraternização de servidores, sem a
participação obrigatória dos alunos;
 Deixar a classe sem aula, por razões disciplinares;
 Impedir o acesso do aluno à escola, por não portar uniforme ou a carteirinha escolar;
 Impedir o aluno de assistir às aulas, por não ter feito a lição, não ter trazido o material escolar, por
indisciplina ou razão semelhante;
 Agredir o colega, física ou verbalmente;
 Agredir os alunos ou membros da comunidade, física ou verbalmente;
 Expor a criança ou o jovem ao ridículo, junto aos seus pares, através de atos ou palavras;
 Proibir o aluno de tomar a merenda ou de participar de atividades extraclasse, porque “fez bagunça”;
 Encaminhar aluno com problema de saúde para receber assistência médica, sem preocuparse em avisar
a família;
 Dispensar das aulas o aluno menor que alega problemas de saúde, encaminhando-o para sua residência
sem o acompanhamento de um funcionário;
 Notar que a criança apresenta ferimentos de qualquer natureza ou sinais de espancamento, e não tomar
qualquer providência;
 Colocar o aluno no carro, em qualquer circunstância, sem a companhia de outra pessoa que sirva de
testemunha;
 Dispensar o aluno menor das aulas, sem expressa autorização dos pais ou responsáveis;
 Deixar a criança permanecer na escola após o encerramento do período de aulas, e até pernoitar,
porque os responsáveis “esqueceram” de vir buscá-la;
 Não comunicar os responsáveis pelos alunos, por escrito, em caso de repetidas faltas ou de sérios
problemas disciplinares;
 Excursionar com alunos, sem ter plena convicção da autenticidade das assinaturas dos responsáveis nos
respectivos Termos de Autorização.

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INFRAÇÕES E IRREGULARIDADES DISCIPLINARES (normalmente cometidas pelas Chefias):

1) Por omissão
- Omissão quanto a gestão da Unidade: folha de pagamento / frequência / documentação / recursos
financeiros / administração de bens materiais / segurança;
- Omissão de natureza disciplinar de servidores: observar/orientar denunciar/apurar / punir;
- Omissão quanto aos alunos: socorro/ cuidado / apurar/ denunciar.

2) Por ação:
- Assédio moral /sexual;
- Má gestão financeira (verbas de PTRF, Adiantamento Bancário, PDDE e APM, folha de pagamento, compra
de bens e serviços);
- Gestão administrativa insatisfatória (materiais/suprimentos/bens patrimoniais, segurança, serviços
contratados);
- Gestão de pessoas: servidores / alunos / comunidade;
- Gestão educacional (controle administrativo e encaminhamento de notas, frequência, disciplina,
aprovação/retenção e documentação dos discentes);
- Gestão de servidores: frequência e ponto dos funcionários / pagamento / vida funcional / avaliação de
desempenho / atuação / análise de condutas e/ou infrações / aplicação de penalidades.

PROCEDIMENTOS ADMINISTRATIVOS DISCIPLINARES (Lei n° 8989/79, de 29/10/79, Lei n° 14.141/06, de


27/03/06, Lei nº 14.402, de 21/05/07, Decreto n° 43.233, de 22/05/03 e Decreto nº 51.714, de 13/08/10)

I - SÃO PENAS DISCIPLINARES

- Repreensão;
- Demissão a bem do serviço público;
- Suspensão (não superior a 120 dias);
- Cassação da aposentadoria ou disponibilidade;
- Demissão.

II - SÃO PROCEDIMENTOS ADMINISTRATIVOS DISCIPLINARES

1) De preparação e investigação:
- Apuração preliminar (pela chefia imediata, mediata);
- Sindicância;
- Procedimento de investigação da Ouvidoria Geral do Município.

2) Do exercício da pretensão punitiva:


- Aplicação direta de penalidade (pela chefia imediata ou mediata);
- Processo Sumário;
- Procedimento Sumário;
- Inquérito Administrativo;
- Inquérito Administrativo Especial.
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3) Exoneração de servidor em Estágio Probatório (período probatório: 3 anos)

4) Anulação de Posse

III – COMPETÊNCIA

Os procedimentos disciplinares referentes a servidores da Administração direta serão processados pelas


Comissões Processantes Permanentes do Departamento de Procedimentos Disciplinares (PROCED),
excetuando-se a Apuração Preliminar e Aplicação Direta de Penalidade.

IV - FORMAÇÃO DO PROCEDIMENTO DISCIPLINAR

INÍCIO:
Pelo responsável da Unidade onde correram os fatos ou autoridade administrativa competente para determinar
sua instauração.

V - EXTINÇÃO DO PROCEDIMENTO DISCIPLINAR:

COM JULGAMENTO MÉRITO OU SEM JULGAMENTO MÉRITO


- Pela absolvição;
- Pela imposição de penalidade;
- Pela prescrição.

VI - DECISÃO (competências)

- Prefeito;
- Secretário de Negócios Jurídicos;
- Secretário da Pasta / Subprefeito;
- Ouvidor-Geral do Município;
- Diretores de Departamentos e Chefias imediata ou mediata do servidor (nos casos de aplicação direta de
penalidade).

OBS: Das decisões em procedimentos administrativos cabe pedido de reconsideração, recurso ou revisão de
inquérito administrativo, nos termos da legislação vigente, sem prejuízo de recorrer-se ao judiciário.

PROCEDIMENTOS DE RESPONSABILIDADE DA CHEFIA:

1) Aplicação Direta de Penalidade


- Responsabilidade: chefia imediata ou mediata que tiver conhecimento da infração;
- Penas: repreensão e suspensão até 5 dias;
- Procedimento:
Notificação, nos termos do anexo II do Decreto nº 43.233/03
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Defesa: escrita no prazo de 3 dias
- Decisão: chefia acata defesa ou decide pelo não acolhimento do mérito ou pela ausência de defesa no prazo
legal;
- Expedição da Portaria no DOC, anotação em prontuário da penalidade aplicada e ciência ao servidor.

2) Apuração Preliminar
- A autoridade (inclusive a chefia imediata) determinará a abertura da Apuração Preliminar, nomeando
comissão destinada para tal finalidade nos termos do Decreto nº 43.233/03, que no prazo de 20 dias,
confeccionará relatório circunstanciado sobre o apurado e encaminhará, via Diretoria Regional de Educação,
ao Secretário da Pasta;
- O Secretário da Pasta ou Subprefeito decidirá pela aplicação direta de penalidade, arquivamento do feito ou
pela remessa dos autos a PROCED.

3) Exoneração de servidor em Estágio Probatório ( Decreto 50.573/09)


- Instauração:
• Inassiduidade* (ausência reiterada e injustificada ao serviço);
• Ineficiência;
• indisciplina;
• insubordinação;
• falta de dedicação ao serviço;
• má conduta.

- Procedimento: Chefia imediata ou imediata formulará representação, que será encaminhada ao PROCED
(via Diretoria Regional de Educação)

- Decisão: absolvição ou exoneração

FALTAS AO SERVIÇO
Nos casos de faltas reiteradas e injustificadas
- Abandono de Cargo por faltar mais de 30 dias consecutivos;
- Faltas ao serviço sem justa causa, por mais de 60 dias interpolados durante o ano.

Procedimento:
- Chefia do setor de pessoal da unidade de exercício entregará carta advertindo das consequências do
processo de falta, nos termos do Anexo III do Decreto nº 43.233/03, quando o funcionário faltar:
15 dias consecutivos ou 40 dias interpolados

Ao atingir 31 faltas consecutivas ou 61 interpoladas, a chefia do servidor deverá formalizar a comunicação de


falta no formulário específico.
- Prazo: 5 dias (após 31ª ou 61ª falta).
- Descrever conduta do servidor no mesmo formulário específico.
- Autuar o processo nos termos do Artigo 146 do Decreto nº 43.233/03.
- Durante o processo de faltas, o servidor poderá reassumir suas funções, cuja comunicação deverá ser feita
pela chefia à Unidade de Recursos Humanos e a PROCED.

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* DECRETO Nº 50.573, DE 15/04/09
Estabelece procedimentos a serem observados pelas chefias na hipótese de o servidor público municipal, em
razão das faltas reiteradas ao serviço ou de uso de substâncias psicoativas, ocasionar prejuízo à eficiência e ao
bom andamento dos trabalhos em sua unidade

Princípios: eficiência do serviço – bem comum

Consequências: prejuízos ao desenvolvimento das tarefas e eficiência do serviço público

1) INASSIDUIDADE

Faltas reiteradas e injustificadas do servidor (independentemente da configuração das hipóteses previstas nos
incisos I e II do Artigo 188 da Lei nº 8989/79 – processo de faltas).

Dever da Chefia (diante da constatação de prejuízo causado ao serviço):


I- Verificar eventuais problemas de saúde: encaminhar para obter Licença Médica;
II- Informar sobre possibilidade de requerer exoneração e/ou dispensa do cargo;
III- Continuar a computar as faltas injustificadas e
IV- Proceder à aplicação direta de penalidade;
V- Aplicar novas punições na reincidência (limite 5 dias suspensão);
VI- Representar ao PROCED (continuidade de faltas mesmo após aplicação de suspensão de 5 dias).

OBS. As providências não interrompem a contagem de faltas injustificadas e nem impedem a instauração de
procedimento administrativo disciplinar próprio.

CASOS PRÁTICOS EM QUE AS CHEFIAS PODEM SER RESPONSABILIZADAS

Por ação ou omissão

- Patrimônio público
Há furto ou roubo na UE:
- Fica constatado que a chefia não providenciou aumentar a segurança adquirindo equipamentos (câmeras,
alarmes, cercas, muros, cadeados etc), oficiando a GCM para que se faça ronda, ou oficiando a DRE pela falta
de vigia;
- Chefia não providencia abertura de Boletim de Ocorrência;
- Há dano ao patrimônio ou bens públicos:

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Chefia não pune nem faz comunicação para ressarcimento de danos aos bens públicos, causados por servidores
ou terceiros.

- Frequência/pagamento de servidores:
Chefia não efetua desconto de faltas, atrasos dos servidores, permitindo “acordos” diversos ou assinaturas
indevidas nas FFIs.

- Assédio Moral / Sexual


Servidores representam contra a chefia.

- Omissão de Socorro
Ocorre acidente com aluno ou até mesmo decorrente de brigas durante a saída deles e a chefia não oferece
socorro, não comunica aos responsáveis e não registra no livro de ocorrências.

- Comunicação de maus-tratos / abandono de incapaz


Chefia não comunica ao Conselho Tutelar os casos de alunos que sofrem maus-tratos em casa ou abandono dos
responsáveis.

- Má gestão
Chefia é denunciada por má gestão/administração escolar de documentos [ponto/FFIs irregulares, pessoal
(horários, atribuições), verbas Adiantamento, APM, PTRF etc.

UM FILME PARA REFLETIR

Vídeo 1:
Funcionário Público Concursado X Comissionado
Link: http://youtu.be/-lto47d29JI

Vídeo 2:
Novo perfil do servidor público é tema do Especial Cidadania
Link: https://youtu.be/CoGNbjqyfGg

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