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Sumário

Apresentações

Observações sobre os Textos de Gustavo Giovannoni


Traduzidos nesta Edição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
Beatriz Mugayar Kühl

Atualidade de Gustavo Giovannoni . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31


Andrea Pane

O “Velhas Cidades” de Gustavo Giovannoni:


Algumas Notas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53
Renata Campello Cabral e
Carlos Roberto M. de Andrade

Gustavo Giovannoni e o Restauro Urbano . . . . . . . . . . . . 63


Manoela Rossinetti Rufinoni
  t  (VTUBWP(JPWBOOPOJ5FYUPT&TDPMIJEPT

Gustavo Giovannoni.
Textos Escolhidos

Velhas Cidades e Nova Construção Urbana . . . . . . . . . . . 91

O “Desbastamento” de Construções nos Velhos


Centros. O Bairro do Renascimento em Roma . . . . . . 137

A Restauração dos Monumentos na Itália . . . . . . . . . . . 179

Verbete: Restauro dos Monumentos . . . . . . . . . . . . . . . . . 191


Observações sobre os Textos
de Gustavo Giovannoni
Traduzidos nesta Edição
Beatriz Mugayar Kühl

Gustavo Giovannoni (1873-1947) teve atuação de


capital importância em variados campos, entre eles o
urbanismo, que ajudou a consolidar como disciplina na
Itália, a restauração, em geral, e o “restauro urbano”
em particular. Dando sequência às publicações na co-
leção Artes & Ofícios da Ateliê Editorial, pareceu de
especial interesse publicar alguns dos textos do autor
para oferecer uma visão, mesmo que limitada, de ele-
mentos importantes que compõem seu raciocínio sobre
esses temas.
Giovannoni foi autor muito prolífico, com produção
multifacetada e abundante, tendo escrito centenas de
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textos1. Foram escolhidos para esta publicação quatro


deles2:
t “Vecchie Città ed Edilizia Nuova”, Nuova An-
tologia, 1913, vol. CLXV, fascículo 995 (1o de
junho), pp. 449-472.
t “Il ‘Diradamento’ Edilizio dei Vecchi Centri. Il
Quartiere della Rinascenza in Roma”, Nuova
Antologia, 1913, vol. CLXVI, fascículo 997 (1o
de julho), pp. 53-76.
t “La Restauration des Monuments en Italie”, em
La Conservation des Monuments d’Art et d’Histoire,
Paris, Institut de la Coopération Intellectuelle,
Office International des Musées, 1933, pp. 60-66.
t “Restauro dei Monumenti”, em Enciclopedia Ita-
liana, Milano, Istituto della Enciclopedia Italia-
na (Treccani), 1936, vol. 29, pp. 127-130.
Os dois primeiros – publicados na revista quinzenal
Nuova Antologia3, voltada a várias temáticas, com ênfase
em letras, ciências e artes – estão intimamente relacio-

1. Contam-se mais de quinhentos títulos na produção de Giovannoni, entre


livros e artigos. Alessandro del Bufalo, em estudo de 1982, apontava 476
títulos (Alessandro del Bufalo, Gustavo Giovannoni, Roma, Kappa, 1982,
pp. 221-237), enquanto a bibliografia elaborada por Giuseppe Bonaccor-
so, de 1997, chega a 719 publicações, sem contar os artigos publicados
em jornais (Giuseppe Bonaccorso, “Gli scritti di Gustavo Giovannoni”,
em Guido Zucconi (org.), Gustavo Giovannoni. Dal Capitello ala Città,
Milano, Jaca, 1997).
2. O primeiro foi traduzido por Renata Campello Cabral e Carlos Roberto
M. de Andrade e os três últimos por Beatriz Mugayar Kühl.
3. Existe versão digitalizada da Nuova Antologia no endereço www.archive.
org.
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nados; “Vecchie Città ed Edilizia Nuova” é dirigido às


teorias relacionadas ao urbanismo, abrangendo temas
como a transformação da cidade existente, ampliação,
adensamento, circulação, coordenação entre “cidade
velha” e “cidade nova”, trabalhando também com os
conflitos entre as exigências de modernização e expansão
e a necessidade de preservar (e mostrando ser possível
e viável trabalhar através de uma chave conservativa); o
segundo, valendo-se da fundamentação teórica exposta
no primeiro, é o estabelecimento de uma metodologia
para intervenções em áreas urbanas de interesse para a
preservação. Foram escolhidos por serem uma primeira
exposição sistematizada de um modo de encarar a cidade
de maneira orgânica – Giovannoni retorna à temática de
modo mais extenso num livro, que retoma o título do pri-
meiro artigo Vecchie Città ed Edilizia Nuova, publicado
em 1931 pela Utet de Turim –, dando passos primordiais
na consolidação do urbanismo como campo disciplinar
na Itália.
Os dois últimos referem-se à fundamentação teórica
e estabelecimento de método para o restauro de obras
arquitetônicas; foram escolhidos por terem grande re-
percussão internacional, dando a conhecer aspectos do
pensamento giovannoniano em outros ambientes cultu-
rais que não o italiano. Um deles é o texto apresentado
em congresso que deu origem ao documento conhecido
como Carta de Atenas, de restauração, de 1931, em que a
participação de Giovannoni foi essencial; o outro, um ver-
bete de enciclopédia prestigiosa, de enorme difusão. Os
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preceitos teórico-metodológicos para a restauração estão


nesses textos expostos de maneira concisa e sistematizada.
Três ensaios precedem as traduções. No primeiro
deles, Andrea Pane, professor da Faculdade de Arqui-
tetura da Università degli Studi di Napoli Federico II,
faz uma abrangente análise da atuação de Giovannoni,
evidenciando sua atuação articulada em distintos cam-
pos disciplinares, sua relevante ação para uma formação
mais ampla dos arquitetos, a forma como suas proposi-
ções foram recebidas ao longo do tempo, os aspectos de
sua elaboração teórica que permanecem atuais e pros-
pectivos. Carlos Roberto M. de Andrade, professor do
Instituto de Arquitetura e Urbanismo da USP-São Carlos
e Renata Campello Cabral, doutoranda na mesma insti-
tuição, abordam questões relacionadas à fundamentação
teórica de Giovannoni, suas relações com proposições
do período, e perscrutam a estruturação do artigo “Vec-
chie Città”. Manoela Rossinetti Rufinoni, professora
da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da
Universidade Federal de São Paulo, por sua vez, analisa
as colocações do autor no que respeita ao restauro, tanto
na escala da edificação, quanto na escala urbana, e suas
repercussões.
Giovannoni formou-se em engenharia civil em
1895; fez especialização em história da arte com Adol-
fo Venturi de 1897 até 1899, ano em que começou a
atuar como assistente da cátedra de arquitetura técnica
na atual Faculdade de Engenharia da Universidade de
Roma. Desenvolveu atividades profissionais no campo da
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produção de novos edifícios (a partir de 1898), entre eles


o complexo para a fábrica de cerveja Peroni, em Roma,
e também da restauração, tema que começou a abordar
em seus escritos a partir de 1903, com artigo sobre o
Congresso Internacional de Ciências Históricas realiza-
do naquele mesmo ano4. Seus interesses e seus escritos
estendiam-se a variadas questões, como historiografia
da arquitetura e produção arquitetônica contemporânea;
voltaram-se também, com muita ênfase, às questões de
urbanismo e de restauro urbano.
Teve, ainda, atuação preponderante nas discussões
relacionadas ao ensino da arquitetura e à formação do
arquiteto, buscando uma figura profissional – a do “ar-
quiteto integral” – que possuísse não apenas o domínio
das questões técnicas e das ciências envolvidas, mas
também preparação teórica, histórica e artística, e em
questões urbanas e de restauração, abordando, em parte,
também aspectos econômicos e jurídicos. Trabalhava
em sintonia com o pensamento de Camillo Boito, ampli-
ficando-o, e dava vazão a uma ampla discussão sobre o
papel dos arquitetos, debate muito vivo na Itália de final
do século XIX e início do século XX. Boito, em suas pro-
postas sobre o ensino de arquitetura, buscou afastar a ar-

4. G. Giovannoni, “Il Restauro dei Monumenti e Il Recente Congresso


Storico”, Bolletino della Società degli Ingegneri e degli Architetti Italia-
ni, 1903. Para a análise das restaurações de Giovannoni, ver: Claudio
Varagnoli, “Sui Restauri di Gustavo Giovannoni”, em Maria Piera Sette
(org.), Gustavo Giovannoni. Riflessini agli Albori del XXI Secolo, Roma,
Bonsignori, 2005, pp. 21-35.
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quitetura do empirismo das Escolas de Belas-Artes, para


integrá-la às ciências e ao pensamento crítico, propondo
a filiação dos cursos ao ensino Universitário. Giovannoni
buscou, ainda, autonomia em relação às escolas de en-
genharia, em que a arquitetura era considerada apenas
um dos ramos da construção. Giovannoni considerava a
formação dos arquitetos insuficiente, pois lhes faltava
preparação teórica e humanística, domínio de aspectos
científicos ligados ao campo e preparo para trabalhar
com restauro, como pode ser visto em seus parágrafos
finais do texto sobre o “desbastamento” nos velhos cen-
tros aqui traduzido. Pelas deficiências que verificava na
formação dos profissionais, Giovannoni empenhou-se
em implementar esse projeto e foi um dos principais
promotores da criação da Escola Superior de Arquitetura
em Roma – criada por decreto de 1919, publicado em
1920, posteriormente transformada em Faculdade ligada
à Universidade e Roma –, sendo seu diretor entre 1927
e 1935, e na qual o ensino do restauro como disciplina
obrigatória foi instituído desde seus inícios5.

5. A Escola foi fundada como Escola Superior de Arquitetura de Roma,


passando depois a Real Escola Superior de Arquitetura até se consti-
tuir na Faculdade de Arquitetura de Roma, ligada à Universidade La
Sapienza. Sobre os desdobramentos da instituição ao longo do tempo,
regimentos, disciplinas e também sobre o ensino do restauro na Escola,
ver as importantíssimas contribuições presentes no livro organizado por
Vittorio Franchetti Pardo, Le Facoltà di Architettura dell’Università di
Roma “La Sapienza” dalle Origini al Duemilla, Roma, Gangemi, 2001.
Sobre o ensino de restauro, em especial, são de grande interesse os textos
do próprio Pardo (pp. 11-41) de Giovanni Carbonara (pp. 113-131), e de
Gaetano Miarelli Mariani (pp. 143-167). Miarelli mostra que a primeira
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Além disso, a ação de Giovannoni foi também no-


tável como consultor e no serviço público, tendo papel
importantíssimo no Conselho Superior das Antiguidades
e Belas-Artes6, e em variadas associações culturais, em
especial o atual Centro de Estudos para a História da
Arquitetura7, e, ainda, em conselhos editoriais de re-
vistas, algumas das quais ele ajudou a fundar (como a

escola na Itália a oferecer a disciplina Restauro não foi a de Roma pois,


a rigor, havia sido instituída antes em ambiente lombardo, talvez por
influência de Boito; no entanto, em Roma a disciplina atinge tal consis-
tência que transformou a escola numa referência incontornável no campo,
internacionalmente reconhecida, tanto no ensino de graduação, quanto
de pós-graduação (a partir da fundação da escola de especialização,
em 1957). As pesquisas conduzidas por Miarelli Mariani mostram que
o primeiro curso de restauração foi oferecido, em Roma, já no biênio
1920-1921, por Sebastiano Giuseppe Locati, que fora aluno de Boito na
Academia de Brera, através da disciplina de “Levantamento e Restauro
dos Monumentos”; no biênio sucessivo, o levantamento é separado da
disciplina de “Restauro dos Monumentos”, que passa a ser oferecida por
Giovannoni, que se manteve no ensino da matéria até 1943.
6. Consiglio Superiore delle Antichità e Belle Arti, ligado ao Ministero della
Pubblica Istruzione (Ministério da Educação).
7. O Centro de Estudos descende de uma associação, criada em 1890, a As-
sociazione Artistica tra i Cultori di Architettura, na qual Giovannoni viria
a desempenhar papel de extrema importância, assumindo o encargo de
vice-presidente em 1906. A associação teve importância crescente ao lon-
go do tempo, com especial empenho de Giovannoni, e, a partir de 1939,
quando se transferiu para a sua atual sede na Casa dei Crescenzi em
Roma, passou a se chamar Centro di Studi per la Storia dell’Architettura,
onde estão localizados os arquivos de Giovannoni, com numerosíssimos
desenhos. Nos anos 1980, Gianfranco Spagnesi, então presidente do
Centro, empreendeu a tarefa de realizar uma primeira fase de organização
e catalogação do arquivo Giovannoni e da Associação, trabalho que foi
retomado duas décadas depois, através da colaboração de vários profis-
sionais, que completa e agrupa numa única obra a catalogação de todos os
desenhos. A publicação, feita pela equipe que capitaneou os trabalhos, foi
organizada por Giorgio Simoncini, Calogero Bellanca, Giuseppe Bonac-
corso, Tommaso Manfredi, Maria Olimpia Zander e é intitulada, Centro
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prestigiosa Palladio). Teve, como mencionado, atuação


preponderante no urbanismo (a ser apresentada de modo
mais adequado nos textos introdutórios que se seguem),
lembrando-se de seu ativo papel em defesa do centro de
Roma, em especial do Bairro do Renascimento, tema do
segundo dos artigos aqui traduzidos, de 1913, para o qual
coordenaria ainda o plano de salvaguarda, elaborado no
final daquela década e efetivamente implementado.
Sua figura, de extrema importância no panorama
cultural italiano da primeira metade do século XX, multi-
facetada, quase tentacular, espraiava-se por várias áreas
e temas e acabou por, em alguns aspectos, ser mal rece-
bida, com críticas, por vezes, exacerbadas. Um dos as-
pectos que mais polêmicas despertou foi sua dificuldade
em entender manifestações arquitetônicas do modernis-
mo, como apontado por vários de seus contemporâneos, a
exemplo de Marcello Piacentini e Bruno Zevi. Após seu
falecimento, passa por certo período de ostracismo, mas
seu papel começou a ser reavaliado, de maneira mais
isenta8, a partir do final dos anos 1960, mas em especial

di Studi per la Storia dell’Architettura. Cattalogo Generale dei Disegni di


Architettura, 1890-1947, Roma, Gangemi, 2002.
8. Parte da virulência endereçada a Giovannoni vinham de suas críticas à
arquitetura do modernismo, de seu arraigamento em relação às tradições
do classicismo, e sua postura que foi percebida, durante muito tempo
como ambivalente em relação ao fascismo; as revisões historiográficas
recentes, através de leituras como as de Françoise Choay e de Zucconi,
por exemplo, mostram que, apesar das loas que tece a Mussolini no livro
Vecchie Città, ele não pode ser confundido com os arquitetos a serviço
do regime, devendo ser encarado como um profissional competente que
enxerga a possibilidade de realizar sua visão sobre o urbanismo através
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nos 1970, com os estudos de Alessandro Curuni, volta-


dos à reordenação do material de arquivo e ao projeto
de Giovannoni para a cervejaria Peroni, tema também
abordado por Alberto Maria Racheli, e, já nos anos 1980,
com o resultado da reordenação dos desenhos conserva-
dos no Centro de Estudos para a História da Arquitetura,
promovida por Gianfranco Spagnesi, com as pesquisas
de M. Centofanti, G. Cifani9 e Alessandro del Bufalo,
aos quais se seguiram outros estudos monográficos – que
procuram oferecer uma visão historiográfica mais atua-
lizada, e matizada, de sua figura – que se têm tornado
cada vez mais numerosos e aprofundados nos últimos
anos10, através dos trabalhos de variados autores, além

do governo fascista, e, não, ser considerado uma figura política do fascis-


mo. Giovannoni, no entanto, jamais apreciou de fato as manifestações do
modernismo, dando provas disso em variados textos, como ao criticar o
irracionalismo de obras de Le Corbusier e sua falta de preparo técnico,
além de, ao defender a arquitetura na Alemanha, em plena Segunda Guer-
ra Mundial, considerar “até que uma arquitetura nacional se afirme de
maneira segura, é melhor recorrer à Arquitetura clássica, do que àquela
difundida há até poucos anos pelas correntes democráticas internacio-
nais”, citando, em seu apoio, Mein Kampf de Adolf Hitler (ver Gustavo
Giovannoni, “Restauro dei Monumenti e Urbanística”, Le Arti, 1942, pp.
33-39, ver em especial, pp. 36; 39).
9. Alessandro Curuni, Riordino delle Carte di Gustavo Giovannoni, Roma,
1979; A. M. Racheli, “L’Opificio della Birra Peroni nel Quartiere Salario
in Roma”, Ricerche di Storia dell’Arte, 1978-79, n. 7, pp. 61-68; M.
Centofanti, G. Cifani, A. Del Bufalo, Catalogo dei Disegni di Gustavo
Giovannoni Conservati nell’Archivio del Centro di Studi per la Storia
dell’Architettura, Roma, 1985; A. Del Bufalo, Gustavo Giovannoni, op.
cit., 1982.
10. A autora agradece a Ana Paula Farah pelo levantamento das referências
bibliográficas sobre Giovannoni apresentadas nas notas deste texto e
também pelo contato com Andrea Pane e cópia de seus textos.
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dos supracitados (e dos autores citados nas notas), como


Gianfranco Spagnesi, Françoise Choay, Giusppe Bonac-
corso, Guido Zucconi, Claudio Varagnoli (em especial
para os temas de restauro) e Andrea Pane11, que escreve
ensaio introdutório neste volume.
O interesse estendeu-se também pelo âmbito in-
ternacional com a tradução francesa de trechos do livro
Vecchie Città ed Edilizia Nuova12, publicada em 1998, ou
de estudiosos brasileiros, caso dos autores que escrevem
para este volume, por exemplo. A introdução da edição
francesa foi escrita por Françoise Choay, que evidencia
o papel capital de Giovannoni para as teorias urbanís-
ticas, em especial para as relações entre urbanismo,
arquitetura e preservação do patrimônio, mostrando sua
contribuição para estabelecer a fundamentação teórico-
-metodológica da atuação prática, para estruturação da

11. Andrea Pane tem dedicado parte significativa de seus estudos à reava-
liação da obra, e da fortuna crítica, de Gustavo Giovannoni, tema de sua
tese de doutorado, intitulada Fortuna Critica di Gustavo Giovannoni e
del suo Contributo alla ‘Questione dei Vecchi Centri’ (orientadora: Profa.
Dra. S. Casiello), Napoli, Università degli Studi di Napoli ‘Federico II’,
Tese de Doutorado (XIV ciclo), novembro 2002. O autor publicou também
uma relação bibliográfica de escritos que tem por tema Giovannoni (em
M. P. Sette (org.), op. cit., pp. 261-279). Sobre os temas tratados neste
volume, ver, por exemplo, do autor: “Quartiere del Rinascimento a Roma;
Sistemazioni Viarie, Diradamenti, Ricostruzioni, 1925-1940”, em C. Di
Biase, Il Restauro e i Monumenti. Materiali per la Storia del Restauro,
Milano, Clup, 2003, pp. 239-257; “Dal Monumento all’Ambiente Urbano:
La Teoria del Diradamento Edilizio”, em S. Casiello (org.), La Cultura del
Restauro. Teorie e Fondatori, Venezia, Marsilio, 2005. Entre seus textos
mais recentes, ver: “Da Boito a Giovannoni: Una Difficile Eredità”,
‘ , 2009, n. 57, pp. 144-153.
12. G. Giovannoni, L’Urbanisme Face aux Villes Anciennes, Paris, Seuil, 1998.
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profissão do arquiteto e do urbanista, e para questões


legislativas.
Giovannoni, com efeito, entendia a cidade como um
organismo complexo, a ser trabalhado em sua inteireza,
abordando a relação entre cidade existente, novas áreas
de expansão e zonas de interesse para a preservação
de maneira articulada, e não como mera oposição13. O
tratamento dessas zonas é o tema abordado no segundo
dos textos aqui traduzidos “Il ‘Diradamento’ Edilizio Dei
Vecchi Centri. Il quartiere della Rinascenza in Roma”,
ou seja, o “desbastamento” de edificações. Giovannoni
estabelece uma proposta articulada para a sobrevivên-
cia das áreas urbanas de interesse para a preservação,
preconizando seu estudo minucioso, rua por rua, edi-
fício por edifício, para, então, chegar a soluções não-
-massificadas, estudadas ponto a ponto, para melhorar as
condições de salubridade, habitabilidade e circulação.
Propõe não ater-se a vias retilíneas de largura cons-
tante, e, através de demolições pontuais (justificáveis
e justificadas do ponto de vista da arte e da história),
ou seja, o “desbastamento”14, é possível, por exemplo,
criar pequenos largos, que permitem uma melhor inso-
lação e ventilação das edificações existentes, além de
melhorar a visibilidade de alguns edifícios notáveis e as

13. Ver em especial G. Giovannoni, Vecchie Città ed Edilizia Nuova, Torino,


Utet, 1931.
14. É recorrente no pensamento giovannoniano a comparação com ações re-
lacionadas ao trato de plantações ou áreas naturais, como desbastamento
e enxerto; por isso, esses termos foram traduzidos tal e qual neste volume.
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condições de tráfego. Propõe, ainda, que determinados


trechos sejam recompostos através de novas edificações,
que não deveriam, porém, destoar por cor ou volume,
aconselhando que se faça recurso a formas simples com
raízes na tradição arquitetônica local. Manifestou-se
contra a arquitetura pseudomedieval, assim como tam-
bém se contrapôs às “fachadas da moda” e aos “ornatos
artificiosos”; se o arquiteto não sabe fazer uma arqui-
tetura contemporânea que possa inserir-se de maneira
apropriada num ambiente historicizado, é melhor que
não o faça e que recorra a formas simples mais próximas
da tradição15.
Desse modo, nessas áreas, preserva-se a grande
maioria das edificações, seguindo o mesmo rigor de
aproximação metodológica para o tratamento tanto das
“grandes eminências”, quanto das demais edificações
que, por serem mais modestas, poderiam parecer admi-

15. Lembre-se que Giovannoni era bastante reticente quanto à arquitetura


moderna, algo que não é extensível a todos os profissionais que traba-
lhavam com temas de restauração no período. Por causa das questões
colocadas no segundo pós-guerra, em especial, por conta das destruições
maciças geradas pelo conflito, esse foi tema muito debatido a partir da
década de 1940. Verificou-se a impropriedade de trabalhar com “neu-
tros” (como propunha Giovannoni) em âmbito arquitetônico (e também
pictórico), ou o “moderno ambientado”, por resultar numa arquitetura
desprovida de qualidades intrínsecas e que acabava por deteriorar a
qualidade do ambiente como um todo. Muito se discutiu no período sobre
a licitude da presença de manifestações arquitetônicas contemporâneas
em ambientes historicizados. Para referências bibliográficas sobre esses
temas ver: Beatriz Mugayar Kühl, Preservação do Patrimônio Arquitetôni-
co da Industrialização: Problemas Teóricos de Restauro, Cotia (SP), Ateliê,
2009, pp. 151-175.
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tir maior liberdade de ação; mas, justamente pela sua


importância para a composição do ambiente16 urbano,
demandam acurados estudos. Concomitantemente, são
propostas algumas demolições pontuais e também novas
construções, restritas ao mínimo necessário. Giovannoni
estabelece, assim, a fundamentação teórica para guiar os
atos não-conservativos, que estão presentes nas ações
de preservação, seja na escala urbana, seja na escala do
edifício, e que devem, sempre, ser baseados num pensa-
mento de cunho cultural (as questões que dizem respeito
à arte e à história), também para resolver questões prá-
ticas, como a salubridade de edificações e os problemas
de circulação.
Ou seja, as questões práticas devem ser encaradas
de maneira articulada, sendo subordinadas às razões
de cunho cultural. Demonstrou isso também na atuação
concreta, ao participar de comissões de planos diretores
de diversas cidades e ao se tornar consultor para as
transformações do Bairro do Renascimento, colocando
em ação algumas das propostas esboçadas nesse texto de
1913. Na implementação, porém, alguns aspectos foram
sacrificados em nome de soluções de compromisso (da-
das as exigências do regime fascista), como evidenciado
no texto de Andrea Pane que se segue. Apesar da ambi-

16. Ambiente é outra palavra-chave nas propostas de Giovannoni e também


foi mantida na tradução neste livro. É algo muito mais amplo do que a
área envoltória de um monumento ou de simplesmente preservar as pers-
pectivas pitorescas, referindo-se à composição do ambiente urbano como
um todo, de maneira articulada.
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guidade dos resultados, a empreitada comprova, na prá-


tica, que uma ação fundamentada em aspectos culturais
pode ser viável também do ponto de vista econômico e
dá conta dos problemas práticos, sendo possível opor-se
às ações meramente especulativas.
Os dois últimos textos apresentados neste volume
são posteriores, da década de 1930, e voltados à res-
tauração de obras arquitetônicas. Dentre a numerosa
produção do autor sobre o tema, são escritos de enorme
interesse pela sua difusão em âmbito internacional. A
começar pelo texto sobre a restauração dos monumentos
da Itália, que foi apresentado no Congresso de Atenas de
1931, do qual resultou a Carta de Atenas de restauração.
O congresso – organizado pelo Escritório Internacional
de Museus da Sociedade das Nações17 – foi o primeiro

17. As cooperações internacionais em âmbito cultural tinham também como


objetivo um maior conhecimento recíproco que pudesse auxiliar na
manutenção da paz, como evidenciou Rosalia Varoli-Piazza (“Brandi e
l’Iccrom: Una Stretta Collaborazione per la Conservazione del Patrimonio
Culturale Internazionale”, em Caterina Bon Valsassina (org.), Omaggio
a Cesare Brandi nel Centenario della sua Nascita, Firenze, Edifir, 2008,
pp. 83-84). No entanto, contraditoriamente, ao ser criada, em 1920, a
Sociedade das Nações não tinha entre suas atribuições a cooperação
intelectual. Léon Bourgeois (membro da Academia de Ciências Morais
e Políticas da França, prêmio Nobel da paz em 1920) propôs, em 1921,
que a organização tivesse também a missão de colaborar no âmbito da
cultura e da educação. Sua proposta não foi levada adiante, pois alguns
países consideravam, então, a questão da educação como um problema
de soberania nacional. Somente em 1922 foi criada a Comissão de Coo-
peração Intelectual (que criou o Escritório Internacional de Museus),
também para tratar de problemas de países que tiveram seu patrimônio
cultural atingido pela Guerra. Henri Bergson foi designado para dirigir
essa Comissão e, por sua iniciativa, foi criado em 1924, em Paris, o
Instituto Internacional de Cooperação Intelectual (ver Jean Sirinelli, “La
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grande evento internacional18 que teve por resultado um


documento de tamanha significância. O papel de Giovan-
noni foi importantíssimo e é possível ver, nas conclusões
do Congresso, o quanto suas propostas foram relevantes
na conformação final da Carta de Atenas.
Giovannoni, expressamente, reafirma as proposi-
ções teóricas de Camillo Boito, formuladas desde as duas
últimas décadas do século XIX, consolidando uma linha
de pensamento que seria conhecida como “restauro cien-
tífico” ou, mas apropriadamente, “restauro filológico”.
Nessa corrente era dada grande atenção aos aspectos
documentais das obras e às marcas de sua passagem ao

Préhistoire de l’Unesco”, em Jacques Fontaine (org.), Bicentenaire de


l’Institut de France, Paris, Fayard, 1995, pp. 490-493).
18. Houve, porém, tentativas anteriores, como o Congresso Internacional so-
bre a Proteção de Obras de Arte e dos Monumentos (realizado na época da
Exposição Universal em Paris, de 24 a 28 de junho de 1889). Foi evento
importante para intercâmbio de dados e para verificar o estado em que
estava a salvaguarda e as leis de proteção dos bens culturais nos vários
países. Suscitou especial interesse a lei francesa, de 1887, que autorizava
o Ministro da Educação a expropriar, em favor do Estado, caso estivesse
em perigo um bem que pertencesse a um particular. Foi analisada ainda
uma forma específica de vandalismo, a dos restauradores. Os participan-
tes votaram a moção que, ao lidar com uma obra de arte (arquitetura,
escultura ou pintura), o autor da intervenção deveria ser assistido por
comissão multidisciplinar e elaborar relatório pormenorizado do estado
da obra antes, durante e depois da restauração. Foram ainda abordados
temas como a preservação do entorno dos monumentos públicos e a pro-
teção dos monumentos em tempos de guerra. Recomendou-se a criação
de convenção internacional e que, para cada país, uma comissão desig-
nasse edifícios a serem protegidos em caso de conflito. Esse congresso
foi relevante para o intercâmbio entre países e balão de ensaio para
reuniões posteriores, como a de Atenas (ver Paul Saintenoy, “Le Congrès
International pour la Protection des Œuvres d’Art et des Monuments tenu
à Paris en 1889”, L’Emulation, Bruxelles, 1889, n. 10, col. 149).
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longo do tempo, respeitando as várias fases e não mais,


como fora comum na prática do século XIX, tentar impor
na obra um estado completo idealizado, desconsiderando
muitas de suas etapas; afasta-se, portanto, das recom-
posições miméticas, evidenciando, na intervenção, o
momento em que foi realizada. A denominação “restauro
filológico” vem justamente do fato de a ação assemelhar-
-se a edições críticas de textos, pois, ao tratar as lacunas
do documento, as interpolações e interpretações são
feitas através de elementos diferenciados: tipo e cor da
letra, notas à margem do escrito.
No texto para a conferência, Giovannoni coloca
uma série de pontos que seriam reafirmados na Carta: a
importância da manutenção constante para a conserva-
ção dos bens, assim como dos trabalhos de consolidação
estrutural, fazendo uso de técnicas modernas; realizar o
mínimo possível de obras e de acréscimos, respeitando
a solução estrutural do bem; respeito pelas várias fases
da obra; ao tratar lacunas e completar elementos, utilizar
materiais diferenciados e adotar linhas simplificadas;
inserção de datas e epígrafes nos trabalhos realizados;
documentação precisa das obras executadas. Ou seja, o
programa que Boito vinha propondo desde 188319, acres-

19. Camillo Boito teve papel de enorme relevância no campo da restauração,


inclusive com repercussões normativas; durante o Congresso dos Enge-
nheiros e Arquitetos Italianos realizado em Roma em 1883, propôs crité-
rios (muito semelhantes aos retomados por Giovannoni na conferência de
Atenas) que depois seriam adotados pelo Ministério da Educação da Itália
(cf. Atti del Quarto Congresso degli Ingegneri ed Architetti Italiani Radu-
nato in Roma nel Gennaio del 1883, Roma, Centenari, 1884). Ver ainda,
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cido, ainda, do respeito pelas condições de ambientação


dos monumento.
Giovannoni, no verbete Restauro dos Monumentos,
da Enciclopedia Italiana, reafirma esses princípios e,
ademais, reitera a construção historiográfica, sugerida
por Boito e por ele consolidada, de que ambos, no campo
da restauração, abriram caminho para uma teoria “in-
termediária” entre as visões antitéticas de restauro de
John Ruskin e de Eugène Viollet-le-Duc20, construção
essa que teria grande repercussão na historiografia da
restauração. Giovannoni evidencia, desse modo, os dois
pólos extremos do restauro oitocentista e constrói a noção
de uma trilha intermediária entre eles, não mencionando,
nesses textos, as posições mais matizadas que existiram
ao longo do século XIX e no início o século XX. Salienta
ainda, nos dois textos, a importância de se ater, de ma-
neira rigorosa, ao método, baseado nos princípios acima
expostos, para poder enfrentar as questões particulares
de cada obra e os imprevistos que sempre surgem numa
restauração, mantendo a unidade de critérios.

de Boito: Os Restauradores, Cotia (SP), Ateliê Editorial, 2002; Questioni


Pratiche di Belle Arti, Milano, Hoepli, 1893; ou, ainda, o artigo “I Nostri
Vecchi Monumenti, Conservare o Restaurare”, La Nuova Antologia, 1885,
vol. 81, pp. 640-662; vol. 82, pp. 58-73; 1886, vol. 87, pp. 480-506. Para
uma análise do tema e referências bibliográficas complementares, ver B.
M. Kühl, “Os Restauradores e o Pensamento de Camillo Boito sobre a
Restauração”, em C. Boito, Os Restauradores, op. cit., 2002, pp. 9-28.
20. Para as definições antitéticas dos autores ver: John Ruskin, A Lâmpada da
Memória, Cotia (SP), Ateliê Editorial, 2008; Eugène Emmanuel Viollet-
-le-Duc, Restauração, Cotia (SP), Ateliê Editorial, 2000.
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São esses princípios enunciados por Boito e reite-


rados por Giovannoni que conformam o primeiro grande
documento internacional sobre a restauração, a Carta
de Atenas, e também, logo a seguir, a Carta Italiana de
Restauração, do Conselho Superior das Antiguidades
e das Belas-Artes (de dezembro de 1931 e efetivada
a partir de 1932), cujos principais pontos Giovannoni
retoma no verbete da Enciclopedia Italiana. A visão de
Giovannoni sobre o restauro teria repercussão normativa
ainda maior no final da década, através das Instruções
para a Restauração de Monumentos, da Direção Geral
das Antiguidades e das Belas-Artes; todo esse empenho
de construção normativa resultaria não apenas nessas
recomendações, mas repercutiria na nova lei de tutela,
incentivada pelo ministro Giuseppe Bottai, a lei n. 1089
de junho de 1939, sobre a tutela dos bens de interesse
histórico-artístico21.
O restauro filológico, apesar de ter muitos de seus
princípios ainda válidos, mostrou certos limites, que fica-
ram evidentes com as devastações geradas pela Segunda
Guerra Mundial; dada a vastidão das destruições, mos-
trou-se a insuficiência de considerar apenas as questões
documentais da obra, não trabalhando, concomitante-
mente, com meios conceituais mais elaborados para lidar
com seus aspectos figurativos. Desse modo, a corrente

21. Segundo as informações de Pane, no texto a seguir, a lei permaneceu


em vigor até 1999, sendo absorvida, com algumas alterações, no atual
Código dos Bens Culturais e Paisagísticos.
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que se seguiu, conhecida como “restauro crítico”, ao


mesmo tempo em que acolhe os princípios fundamentais
do restauro filológico – de respeito pelas várias estratifi-
cações do bem e de diferenciar a ação contemporânea –,
também os associa ao tratamento da dimensão formal das
obras, introduzindo, no processo metodológico, teorias
estéticas e questões relacionadas à percepção, como
desenvolvidas já na primeira metade do século XX. Essa
postura, que considera as dimensões – formal e docu-
mental – da obra de maneira concomitante, interagindo
através duma relação dialética, foi consolidada em outra
carta de restauro, a Carta de Veneza, de 1964, adotada
pelo Icomos (International Council on Monuments and
Sites, criado em 1965 e acolhido como órgão consultor
e de colaboração pela Unesco) que permanece em vigor
como documento-base da instituição22. A Carta de Ve-
neza, apesar de se colocar como uma superação da de
Atenas, reconhece o seu papel essencial ao oferecer um
conjunto coerente e rigoroso de critérios, incorporando
muitos deles – como a ênfase na manutenção constante
e o respeito pelas várias fases de uma mesma obra – que
permanecem como pilares fundamentais para a interven-
ção em edifícios de interesse cultural até os dias de hoje.

22. Para mais informações e bibliografia complementar sobre as formas


como elementos da Carta de Atenas, que é considerado um documento
ultrapassado, foram reinterpretados na Carta de Veneza, que continua a
ser um documento não-superado, ver: B. M. Kühl, “Notas sobre a Carta
de Veneza”, Anais do Museu Paulista, São Paulo, 2010, vol. 18, n. 2, pp.
287-320 (em versão eletrônica através de www.scielo.br).
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http://www.atelie.com.br/livro/gustavo5giovannoni7
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