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FISICOLOGIA
HUMANA

Fisiologia do Exercício
1. Sistemas de Energia
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1.1 BIOENERGÉTICA

Todas as plantas e animais, incluindo os seres humanos dependem da energia


para a manutenção da vida. Obtemos essa energia dos alimentos. Praticamente
todos os alimentos que ingerimos fornecem energia para a atividade celular normal
ou energia que pode ser armazenada para ser utilizada posteriormente.

Muitos dicionários definem o termo energia como a capacidade de realizar


trabalho. Infelizmente, isso não diz nada a respeito das muitas funções biológicas
que dependem da produção e da libertação de energia. A energia pode assumir
várias formas, como: Química, Elétrica, Eletromagnética, Térmica, Mecânica e
Nuclear.

Segundo as leis da termodinâmica, todas as formas de energia são


intercambiais. A energia elétrica armazenada numa bateria, a qual então pode ser
utilizada para a realização de um trabalho mecânico através da alimentação de um
motor. A energia nunca é perdida ou criada. Em vez disso, ela sofre uma degradação
constante de uma forma e, finalmente, transforma-se em calor. Tipicamente, 60% a
70% da energia total consumida pelo corpo humano são degradados em calor,
enquanto a energia remanescente é utilizada para a atividade muscular e os
processos celulares.

Toda energia é originária do sol sob a forma de energia luminosa. Reações químicas
nas plantas (fotossíntese) convertem a luz em energia química armazenada. De
nossa parte, obtemos a energia consumindo plantas ou animais que as ingerem. A
energia é armazenada nos alimentos sob a forma de carboidratos, gorduras e
proteínas. Esses componentes alimentares básicos podem ser clivados no interior de
nossas células para liberar a energia armazenada.

Como toda energia finalmente degrada sob a forma de calor, a quantidade de energia
liberada numa relação biológica é calculada a partir da quantidade de calor produzido.
Nos sistemas biológicos, a energia é mensurada em quilocalorias (kcal). Por
definição, 1 kcal é igual à quantidade de energia térmica necessária para elevar a
temperatura de 1 kg de água em 1ºC. A queima de um fósforo, por exemplo, libera
aproximadamente 0,5 kcal, enquanto a combustão completa de um grama de
carboidrato gera, aproximadamente, 4,0 kcal. (fator de Atwater).
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Alguma energia livre das células é utilizada para o crescimento e a reparação do


organismo. Tais processos aumentam a massa muscular durante o treinamento e
reparam a lesão muscular decorrente do exercício ou de uma lesão. A energia
também é necessária para o transporte ativo de muitas substâncias, como a glicose
e o cálcio, através das membranas celulares. O transporte ativo é fundamental
para a sobrevivência das células e para a manutenção da homeostasia.

As miofibrilas também utilizam alguma energia liberada no nosso corpo para produzir
o deslizamento dos filamentos de actina e de miosina, resultando na ação muscular e
na geração de força. Esse uso é o nosso principal interesse.

Os alimentos são compostos principalmente por carbono, hidrogênio, oxigênio e no


caso das proteínas, nitrogênio. As ligações moleculares dos alimentos são
relativamente fracas e produzem pouca energia quando rompidas.
Consequentemente, os alimentos não são utilizados diretamente nos processos
celulares. Em vez disso, a energia das ligações moleculares dos alimentos é liberada
quimicamente no interior de nossas células e, em seguida, ela é armazenada sob a
forma de um composto altamente energético denominado adenosina trifosfato
(ATP).

A formação de ATP equipa as células com um composto altamente energético


para o armazenamento e conservação de energia. Em repouso, a energia que seu
corpo necessita deriva tanto da degradação dos carboidratos quanto da degradação
das gorduras.

As proteínas são os tijolos do seu corpo, usualmente fornecendo pouca energia para a
função celular. Durante o esforço muscular moderado e severo, uma maior
quantidade de carboidratos é utilizada, com menor dependência das gorduras. No
exercício máximo de curta duração, a ATP é gerada quase que exclusivamente a
partir dos carboidratos.

Para ser útil, a energia deve ser liberada dos compostos químicos numa velocidade
controlada. Essa velocidade é parcialmente determinada pela escolha da fonte de
substrato principal. Grandes quantidades de um determinado substrato podem
fazer com que as células dependam mais dessa fonte do que de fontes alternativas.
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Essa influência da disponibilidade de energia é denominada efeito da ação de


massa.

Moléculas proteicas específicas denominadas enzimas controlam a velocidade da


liberação de energia livre. Muitas dessas enzimas facilitam a degradação
(catabolismo) de compostos químicos.

A maneira com que essas enzimas aumentam o catabolismo é caracterizada como


um mecanismo de “chave de fechadura”. No entanto, muitas enzimas também
sofrem uma alteração estrutural após se ligar ao composto químico.

1.2 TRIÂNGULO DO NÍVEL DE CONDICIONAMENTO

Fig. 01 – Nível de Condicionamento x Substratos Energéticos

1.3 CONCEITOS RELACIONÁDOS AO METABOLISMO

 METABOLISMO – É o conjunto de reações bioquímicas e processos físicos


que ocorrem em uma célula e consequentemente em um tecido. Podendo
ser entendido então como “o processo de entrada e saída de energia de um
sistema orgânico”. É através desse processo que o organismo consegue
ativar ou desativar as substâncias que absorve. O organismo durante o
processo de metabolismo emana uma quantidade determinada de energia
que é variável. Essa quantidade mínima é a que o organismo precisa
simplesmente por ser um organismo vivo, é o que se determina
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laboratorialmente como metabolismo basal, que na prática diária é analisado


como metabolismo de repouso, já que nem sempre o mesmo é mensurado
em situações de grande controle laboratorial. O processo da metabolização é
realizado nos seres humanos com enzimas. É o metabolismo do organismo
que decide se as substâncias ingeridas serão nutritivas ou não
para seu funcionamento, ou ainda se podem reagir de forma tóxica.

O processo do metabolismo se ativa normalmente depois da digestão e a


base desse processo é a transformação das substâncias alimentícias que
são absorvidas. O metabolismo apresenta dois componentes. Um que se
refere à criação das substâncias, chamado anabolismo, e outro relacionado
à destruição de substâncias, chamado catabolismo.

As substâncias indispensáveis para o organismo precisam ser renovadas


continuamente e é o processo anabólico que realiza a síntese na qual se
elaboram tais substâncias. No catabolismo existe a transformação das
substâncias ingeridas em energia a través do fracionamento de outras
substâncias.

O metabolismo humano é diferente para cada um e é suscetível a


constantes mudanças e mutações. Cada pessoa tem o seu próprio com suas
particularidades que vem inscritas nos gens de cada um. A prática de
exercício físico pode aumentar o funcionamento do metabolismo, por outro
lado o sono faz com que ela diminua.

Desta forma, é inadequado utilizar a expressão “metabolismo acelerado” e


“metabolismo lento”, pois se são mensurados em valores energéticos
(quilocalorias ou joules, normalmente) esses valores podem se apresentar
maiores ou menores que uma referência, e não mais acelerados ou mais
lentos.

A idade é outro fator que influencia no funcionamento do metabolismo.


Quanto mais jovem, maior atividade metabólica. Para o estudo do
metabolismo humano a referência é a análise da Taxa Metabólica Basal ou de
uma maneira menos laboratorial com pequena margem de diferença, a
análise da Taxa Metabólica de Repouso.
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 ATIVIDADE FÍSICA - Pode ser definida como qualquer movimento corporal


voluntário produzido pelos músculos esqueléticos, que resulta em gasto
energético maior do que os níveis de repouso. Ou seja, qualquer movimento
não automático de nosso corpo, acima dos valores de repouso é considerado
uma atividade física. Desta forma, basta estar vivo para estarmos
realizando atividade física. O que deve ficar claro é que para que
mantenhamos a aptidão física (normalidade para gênero e idade) que está
relacionada às valências de força, mobilidade articular e capacidade aeróbia, é
necessário uma determinada quantidade de atividade física. Se possuirmos um
valor quantitativo de atividade física que seja abaixo do mínimo para a
manutenção das referidas valências físicas, estaremos enquadrados em
possuidores de atividades físicas sedentárias.

 SEDENTARISMO – Baseado então no conceito de atividade física o indivíduo


sedentário é aquele que possui baixos valores da mesma. Isto é fundamental
para que entendamos que uma vez verificado que o indivíduo é sedentário,
independentemente de outros objetivos físicos que tenhamos com ele, como
diminuir dor, emagrecer e melhorar postura, por exemplo, devemos
providenciar que o mesmo receba dos profissionais do movimento humano
orientações (prescrições) ou intervenções (atendimentos) para que pelo menos
suplante o déficit de atividade física quantitativa. Ou seja, o indivíduo
sedentário deve realizar exercício físico.

 EXERCÍCIO FÍSICO - Mesmo apresentando alguns elementos em comum, a


expressão exercício físico não deve ser utilizada com conotação idêntica
da atividade física. É fato que tanto os exercícios físicos como a atividade
física implicam na realização de movimentos corporais produzidos pelos
músculos esqueléticos que levam a um gasto energético, e, desde que a
intensidade, a duração e a frequência dos movimentos apresentem algum
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progresso, ambos demonstram igual relação positiva com os índices de aptidão


física. No entanto, exercício físico não é sinônimo de atividade física, pois o
exercício físico é considerado uma subcategoria da atividade física.

Por definição, o exercício físico é toda atividade física planejada, estruturada e


repetitiva que tem por objetivo a melhoria e a manutenção de um ou mais
componentes da saúde funcional.

Não obstante, em determinadas situações outras categorias da atividade física


de nosso cotidiano podem, eventualmente, provocar adaptações positivas nos
índices de aptidão física, entendendo esta como uma faixa favorável/normal de
funcionamento do movimento humano. No entanto, mesmo assim não devem se
constituir como exercício físico. É o caso de algumas ocupações profissionais,
de tarefas domésticas específicas ou outras atividades do dia a dia que, pelo
seu envolvimento quanto á demanda energética, podem repercutir
favoravelmente na aptidão física.

Quando falamos em cinesioterapia, por exemplo, podemos entendê-la como


uma categoria de exercício físico. Veja que este termo também possui
objetivos, que para atingi-los deve ser igualmente planejado, estruturado e
mensurado para: diminuir a dor, melhorar a postura, diminuir a glicemia,
diminuir percentual de gordura dentre outros.

Da mesma forma, a cinesioatividade na Terapia Ocupacional ocupa esta


categoria. Fica fácil entender então que cinesioterapia e cinesioatividade
também são atividades físicas.

 DESPORTO - ESPORTE – Salvo discussões históricas e


semânticas, outro exemplo comum que gera confusão se mal aplicado é
sobre a diferença entre desporto e esporte. Enquanto o primeiro é
considerado exercício físico, pois possui objetivo, é planejado, é estruturado, o
segundo também o é, com a diferença do envolvimento do componente
“competição” no mesmo
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Interessante nesta discussão é que o desporto e o exercício físico nasceram


em sua maioria de movimentos elaborados pelo homem, sem necessariamente
os mesmos serem movimentos anatomofuncionais, como é o caso de alguns
jogos e “ginásticas” que predispõe a padrões de movimentos com riscos
(biomecânicos, metabólicos e neurológicos). Ou seja, exercício físico sem
competição e não enquadrado em denominações como cinesioterapia e
cinesioatividade, ou seja, não possui objetivo clínico/terapêutico e envolve
jogos singulares ou coletivos, pode ser entendido como Esporte.

De uma maneira geral então, a atividade física com objetivo passa ser
denominado exercício físico, e este por sua vez pode adquirir várias nôminas
de acordo com a área de atuação profissional.

 TREINAMENTO FÍSICO - O que é indiscutível dentro destes conceitos é a


existência do vocábulo treinamento físico como a intersecção de qualquer
exercício físico. Ou seja, como o treinamento físico já representa a
repetitividade para melhora, manutenção ou aumento dos níveis ótimos de uma
situação, ele está integrado ao formato de planejamento e estruturação de
qualquer exercício físico, seja ele terapêutico de manutenção da aptidão física
ou atlético.

 ATLETA - Discussão conceitual também deve ser levantada a respeito do


significado de ser atleta, metabolicamente falando. Deve ficar bem entendido
que o indivíduo que realiza um quantitativo calórico de movimentação fora dos
níveis de sedentarismo não pode ser considerado atleta. Pois a referência para
atleta é possuir um grau bem acima do normal se referenciada a taxa
metabólica de repouso do indivíduo (tal qual a análise do sedentarismo).

Assim, um indivíduo que possua um gasto calórico dia que seja equivalente a
mais do dobro de sua taxa metabólica de repouso, tem grandes condições de
ser enquadrado com atleta. É usual utilizar o termo “fator atividade” para
referenciar quantas vezes acima da taxa metabólica de repouso está o gasto
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calórico dia do indivíduo. Na situação atlética o fator atividade é equivalente


pelo menos a 2,0. Ou seja, o dobro da taxa metabólica de repouso.

O que verificamos no ambiente competitivo é um valor bem mais alto que este,
sendo quase três vezes o valor da taxa metabólica de repouso (fator atividade
acima de 3,0). Para que se possa mensurar o que isto representa, para o
indivíduo sair da faixa de sedentarismo basta ele ter um gasto calórico dia
equivalente a 40% de sua Taxa Metabólica de Repouso sobre ela mesma, ou
seja, um fator atividade 1,4.

1.4 MODALIDADES DE EXERCÍCIOS FÍSICOS

De uma maneira geral falar em exercícios físicos é falar em exercícios dinâmicos, ou


exercícios que utilizam vários grupamentos musculares ao mesmo tempo, sendo raras
as menções à RMR ou resistência muscular localizada, que é alvo de modalidades
esportivas bem distintas, como o fisiculturismo, por exemplo. Assim os exercícios
dinâmicos atualmente estão recebendo a denominação de cíclicos e acíclicos para
demonstrar mais nitidamente a diferença entre as modalidades de exercícios
dinâmicos muitas vezes inadequadamente chamados de aeróbios e anaeróbios.

 EXERCÍCIOS CÍCLICO - Em relação à estrutura dos movimentos os exercícios


cíclicos se caracterizam pela repetição múltipla dos ciclos de movimentos em
relação à biomecânica. Ao fim de cada ciclo de movimentos todas as
partes do corpo voltam à posição inicial, o que proporciona a possibilidade de
repetir durante muito tempo estes movimentos. Exercícios físicos construídos
com esta forma de movimento muitas vezes são confundidos como exercícios
aeróbios (inadequadamente denominados aeróbicos). Pois não podemos deixar
de interpretar que para um determinado exercício ser mais ou menos aeróbio
ou mais ou menos anaeróbio, o que prevalece é a intensidade do
desenvolvimento do mesmo. (ver triângulo do nível de condicionamento).
Quanto maior a intensidade do exercício físico mais anaeróbio e mais lático o
mesmo se apresentará. E nesta situação o substrato utilizado é
predominantemente o glicogênico (exercício glicolítico). Por isso exercícios
como a corrida, natação e o ciclismo são enquadrados nesta modalidade de
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exercício físico. E o inverso é verdadeiro, quanto mais baixa for a intensidade,


mais aeróbio o exercício será ou seja, menos lático e mais oxidativo, pois o
substrato de ação é o ácido graxo (gordura).

 EXERCÍCIO ACÍCLICOS - Estes caracterizam-se pela variação no final do


movimento em comparação com a inicial, o que exclui a possibilidade da
repetição reinterada e ligada de tais movimentos. Por exemplo, se realizarmos
um arremesso de peso não haverá mais possibilidade de reiniciar este ato, mas
se reproduzirmos intervaladamente este ato ele acaba por adquirir
características quase cíclicas, como é o caso de series de musculação de um
determinado padrão de movimento. E como neste caso os exercícios são
intervalados, também se aceita chamar a musculação de exercício acíclico.
Como normalmente a musculação é entendida como trabalho com grandes
pesos com objetivos de hipertrofia (fisiculturismo), e nestas condições o
substrato energético utilizado é o glicogênio (pois a intensidade é alta), é
comum confundir a atividade de musculação com exercícios anaeróbios. Isto
quer dizer que é possível realiza exercício acíclico de musculação sem a
característica anaeróbia, como é o caso dos diversos métodos de musculação
terapêutica. Nesta modalidade o objetivo do exercício não é a hipertrofia
muscular, mas a normalização trófica (trofismo funcional). Desta forma há
possibilidade de executar exercícios não puramente cíclicos e nem acíclicos. A
construção de intervenções físicas (exercícios físicos prescritos) pode então
adquirir caráter misto, que é na realidade, a forma mais funcional de promover
exercícios físicos gerais.

1.5 SUBSTRATOS ENERGÉTICOS

“(...) Uma molécula de ATP consiste na adenosina (uma molécula de adenina


unida a uma molécula de ribose) combinada a três grupos fosfato-inorgânicos
(Pi). Quando a enzima ATPase atua sobre a ATP, o último grupo fosfato
separa-se da molécula de ATP, liberando rapidamente uma grande quantidade
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de energia (7,6 kcal por mol de ATP). Isso reduz a ATP em adenosina
difosfato (ADP) e Pi. (...)”

O processo de armazenamento de energia através da formação de ATP a partir de


outras fontes químicas e denominado fosforilação. Através de várias reações químicas,
um grupo fosfato e adicionado a um composto de energia relativamente baixa, a
adenosina difosfato (ADP), convertendo-o em adenosina trifosfato (ATP). Quando essas
reações ocorrem sem oxigênio, o processo e chamado metabolismo anaeróbio. Quando
elas ocorrem com o auxílio do oxigênio, o processo global e denominado metabolismo
aeróbio, e a conversão aeróbia da ADP em ATP e a fosforilação oxidativa.

As células geram ATP através de três métodos:

1. O sistema ATP-CP

2. O sistema glicolítico

3. O sistema oxidativo

 SISTEMA ATP-CP - O sistema energético mais simples e o sistema ATP-CP.


Além da ATP, as células possuem outra molécula de fosfato de alta energia que
armazena energia. Essa molécula e denominada creatina fosfato ou CP
(também chamada fosfocreatina). Ao contrário da ATP, a energia liberada pela
degradação da creatina fosfato não e utilizada diretamente para a realização do
trabalho celular. Em razão disso, ela forma ATP para manter um suprimento
relativamente constante. A liberação de energia da creatina fosfato e facilitada
pela enzima creatina quinase (CK), a qual atua sobre a creatina fosfato para
separar Pi da creatina. A energia liberada pode então ser utilizada para ligar o Pi
a uma molécula de ADP, formando a ATP. Nesse sistema, quando a energia e
liberada da ATP por meio da separação de um grupo fosfato, as células podem
impedir a depleção de ATP através da redução da creatina fosfato, fornecendo
energia para a formação de mais ATP. Esse processo é rápido e pode ser obtido
sem qualquer estrutura especial no interior da célula. Embora ele possa ocorrer
na presença de oxigênio, esse processo não exige oxigênio e, por essa razão,
considera-se o sistema ATP-CP como sendo anaeróbio.
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Durante os primeiros segundos de atividade muscular intensa, como a corrida de


curta distância (sprint), a ATP é mantida numa concentração relativamente
constante, mas a concentração de creatina fosfato diminui de maneira constante
à medida que ela é utilizada para repor a ATP depletada. No entanto, na
exaustão, tanto a concentração de ATP quanto o de creatina fosfato são muito
baixos e incapazes de fornecer a energia para contrações e relaxamentos
adicionais.

Assim, a capacidade para manter as concentrações de ATP com a energia


derivada da creatina fosfato é limitada. Os estoques de ATP e de creatina fosfato
podem sustentar as necessidades energéticas dos músculos por apenas 3 a 15
segundos durante uma corrida de curta distância de esforço máximo. Além desse
ponto, os músculos passam a depender de outros processos para a formação de
ATP: a combustão glicolítica e oxidativa de substratos.

 O SISTEMA GLICOLÍTICO - Outro método de produção de ATP envolve a


liberação de energia através da degradação (lise) da glicose. Esse sistema é
denominado sistema glicolítico por envolver a glicólise, que é a degradação da
glicose por meio de enzimas glicolíticas especiais.

A glicose representa aproximadamente 99% de todos os açúcares circulantes no


sangue. A glicose sanguínea é originária da digestão de carboidratos e da
degradação do glicogênio hepático. O glicogênio é sintetizado a partir da glicose
por meio de um processo denominado glicogênese. O glicogênio é armazenado
no quebrado em glicose-1-fosfato através do processo da glicogenólise.

Antes da glicose ou do glicogênio poderem ser utilizados para gerar energia, eles
devem ser convertidos num composto denominado glicose-6-fosfato. A
conversão de uma molécula de glicose exige uma molécula de ATP. Na
conversão do glicogênio, a glicose-6-fosfato é formada a partir da glicose-1-fosfato
sem esse gasto energético. A glicólise começa quando a glicose-6-fosfato é
formada. A glicólise, em última instancia, produz ácido pirúvico. Esse processo
não exige oxigênio, mas o uso deste determina o destino do ácido pirúvico
formado pela glicólise. Nesse texto, quando nos referimos ao sistema glicolítico,
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estaremos nos referindo ao processo de glicólise anaeróbia, sem a necessidade


de oxigênio. Nesse caso o ácido pirúvico é convertido em ácido láctico.

A glicólise, que é muito mais complexa do que o sistema ATP-CP, exige 12


reações enzimáticas para a degradação do glicogênio em ácido láctico. Todas
essas enzimas atuam no interior do citoplasma celular. O ganho desse processo
é de 3 moles de ATP formados por cada mol de glicogênio degrado. Se a glicose
for utilizada no lugar do glicogênio, o ganho é de apenas 2 moles de ATP porque
um mol é utilizado para a conversão da glicose em glicose-6-fosfato.

Esse sistema energético não produz grandes quantidades de ATP. Apesar dessa
limitação, as ações combinadas dos sistemas glicolítico de ATP-CP permitem que
os músculos gerem força mesmo quando o suprimento de oxigênio é limitado.
Esses dois sistemas predominam durante os minutos iniciais do exercício de alta
intensidade.

Outra limitação importante da glicólise anaeróbia é que ela causa uma “acidose
metabólica” nos músculos e nos líquidos corporais. Nos eventos de explosão
máxima durante um a dois minutos, o sistema glicolítico é altamente solicitado e
as concentrações de ácido láctico podem aumentar de um valor de repouso de
cerca de 1 mmol/kg de músculo para mais de 25 mmol/kg. Essa acidificação das
fibras musculares inibe ainda mais a degradação do glicogênio, uma vez que ela
compromete a função da enzima glicolítica. Além disso o ácido reduz a
capacidade de ligação com o cálcio das fibras e, por essa razão, ele pode
impedir a contração muscular.

 O ÁCIDO LÁTICO - O ácido láctico e o lactato não são o mesmo componente. O


ácido láctico é um ácido com a fórmula química C3H6O3, e lactado é qualquer
sal do ácido láctico. Quando o ácido láctico libera H+ o componente
remanescente une-se com Na+ ou K+ para formar um sal. A glicose anaeróbia
produz ácido láctico, mais rapidamente se dissocia e o sal lactato é formado.
Por essa razão, os termos frequentemente são utilizados de forma
intercambiável, mas inadequada.
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A taxa de uso de energia da fibra muscular durante o exercício pode ser 200
vezes maior do que no repouso. Os sistemas ATP-CP e glicolítico sozinhos não
podem fornecer toda energia necessária. Sem outro sistema energético, nossa
capacidade de realizar exercícios pode ser limitada a apenas alguns
minutos.

 O SISTEMA OXIDATIVO (LIPOLÍTICO) - O sistema final de produção de


energia celular é o sistema oxidativo. Esse é o mais completo dentre os três
sistemas energéticos. O processo através do qual o organismo separa
substratos com o auxílio do oxigênio para gerar energia é denominado
respiração celular. Como o oxigênio é empregado, trata-se de um processo
aeróbio. A produção oxidativa de ATP ocorre no interior de organelas celulares
especiais: as mitocôndrias. Nos músculos, elas se localizam adjacentes às
miofibrilas e também se encontram difundidas no sarcoplasma.

Os músculos necessitam de um suprimento constante de energia para produzir


continuamente a força necessária durante a atividade de longa duração. Ao
contrário da produção anaeróbia de ATP, o sistema oxidativo possui uma
enorme capacidade de produção de energia e, por essa razão, o metabolismo
aeróbio é o principal método de energia durante os eventos de endurance.
Esse processo impõe considerável demanda sobre a capacidade do organismo
de liberar oxigênio aos músculos ativos.

 RESUMO DOS SISTEMAS ENERGÉTICOS

Quadro 01 – Resumo das vias energéticas - Substratos


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1.6 A FREQUÊNCIA CARDÍACA E O EXERCÍCIO FÍSICO

A prática da atividade física, exercício físico, ou atividade laboral há muito já utiliza


parâmetros de frequência cardíaca como preditor de carga e de evolução da
performance. Assim, se é capaz de verificar a importância dos dados de frequência
cardíaca, pois suas respostas e adaptações são objeto de investigação científica, sendo
inclusive apontada, como a mais destacada informação extraída de um teste de
exercício cardiopulmonar ou teste ergoespirométrico.

Desta forma, considerando ainda as controvérsias, entendemos que um trabalho físico


com objetivos reais deve possuir uma média mínima de consumo de oxigênio por volta
de 42% do VO2 Máximo, ou por volta de 60 % da FC Máxima.

A partir da década de 80, com a evolução tecnológica, inúmeros trabalhos científicos


baseados em evidências demonstraram o real valor deste sinal vital, verificando
inclusive a relação linear existente entre a elevação da frequência cardíaca e a
captação de oxigênio.

O controle da frequência cardíaca também serve para análise clínica do indivíduo,


onde os parâmetros dor e variabilidade (VFC) podem servir de pilares para esta
modalidade de evolução, ou seja, o controle contínuo da frequência cardíaca
(realizada com monitor portátil modelo cinta/relógio) potencializa as ações benéficas
de qualquer modalidade de exercício. Nas ciências do movimento humano verificamos
que quando um determinado exercício físico é aplicado, independentemente da
modalidade, ele pode desenvolver efeitos agudos e efeitos crônicos. Entende-se que
se estes efeitos podem ter caráter temporário ou duradouro, de acordo com sua
interrupção ou continuidade.
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Fig. 02 – Relação linear do VO2 com a FC. Fonte: Pini (1983); McArdle & Katch & Katch
(1986); Wallace (1993); Powers & Howley (2000).

1.7 O VO2 E O EXERCÍCIO FÍSICO

É sabido então que toda célula utiliza oxigênio para converter energia do alimento a ATP
utilizável para o trabalho celular. As células musculares, no momento da contração, têm
elevada demanda de ATP para execução do trabalho muscular. Quanto maior então a
demanda de oxigênio maior será o valor absoluto do batimento cardíaco e maior será
gasto calórico.

Desta forma, receber o oxigênio e usá-lo no processo de obtenção de energia (produção


de ATP) para contração muscular, depende de três fatores: um "sistema de entrega"
para trazer oxigênio da atmosfera para as células musculares, mitocôndrias em
número suficiente e atividade enzimática satisfatória para promover o processo de
transferência de energia aeróbia.

Nomeia-se VO2 máximo (VO2 Máx) o volume máximo de oxigênio consumido pelo
corpo durante exercício, enquanto no nível do mar. Como o consumo de oxigênio é
relacionado linearmente com o gasto energético, quando nós medirmos consumo de
oxigênio, nós estamos medindo diretamente a capacidade de um indivíduo utilizar seu
sistema aeróbio. Este é o principio da ergoespirometria, que permite avaliar o potencial
aeróbio e identificar as zonas ideais para treinamento leve, moderado e máximo dentro
de uma faixa. As informações mais relevantes para o individuo a ser treinado são o
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Limiar Ventilatório I (também conhecido por Limiar Anaeróbio1) e o Limiar Ventilatório II


(também conhecido por Limiar Anaeróbio2 ou Ponto de Compensação Respiratória),
pois indicam as zonas ideais para treinamento efetivo, correlacionado com a frequência
cardíaca:

Gráfico 01 – Curva ergoespirométrica básica

1.8 O QR PERANTE O EXERCÍCIO FÍSICO

Para avaliar a quantidade de energia utilizada pelo corpo, é necessário conhecer o tipo
de alimento (carboidratos, gorduras e proteínas) que está sendo oxidado. Os
conteúdos de carbono e de oxigênio na glicólise, dos ácidos graxos livres e dos
aminoácidos diferem acentuadamente. Como resultado, a quantidade de oxigênio
utilizada durante o metabolismo depende do tipo de substrato que estiver sendo
oxidado. A calorimetria indireta mensura a quantidade de CO2 liberado (VCO2) e de
O2 consumido (VO2). A relação entre esses dois valores é denominada razão de
troca respiratória, QR ou R.

QR=VCO2/VO2

Em geral, a quantidade de oxigênio necessária para oxidar completamente uma


molécula de carboidrato ou de gordura é proporcional à quantidade de carbono
existente no substrato. Por exemplo, a glicose (C6H12O6) contém seis átomos de
carbono. Durante a combustão da glicose, são utilizadas 6 moléculas de oxigênio para
produzir 6 moléculas de CO2, 6 moléculas de H2O e 38 moléculas de ATP.
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Quadro 02 – Relação QR e substratos energéticos


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FISICOLOGIA
HUMANA

Fisiologia do Exercício
2. Nutrição Aplicada
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2.1 CURVA METABÓLICA NORMAL

Um indivíduo apresenta uma cu rva metabólica normal quando a relação entre o seu
gasto energético diário (24 horas) e seu consume alimentar estão equilibrados e a
quantidade de energia gasta se encontra dentro do espectro de ausência de
sedentarismo. Ou seja, é necessário que o indivíduo não seja sedentário e esteja
gastando proporcional ao que ele está consumindo (comendo). A probabilidade deste
indivíduo se encontrar com um aspecto físico-funcional ideal é grande. Desta forma
ele deve possuir aptidão física e composição corporal compatíveis com o seu gênero
e faixa etária. Este é o estado de saúde que qualquer profissional do movimento
humano deve buscar em seus clientes, à exceção de situações relacionadas à prática
atlética de exercício físico.

Observe no exemplo abaixo que o indivíduo possuidor de uma Taxa Metabólica de


1200 Kcal deve possuir uma faixa de normalidade metabólica por volta de 1680 kcal,
que seria 1200 x 1,4. O multiplicador 1,4 seria o fator atividade mínimo para retirar o
indivíduo do sedentarismo. Obviamente o valor 1680 kcal não é fixo, e permite uma
variação superior e inferior que flutua entre 2,5% e 5%.

Fig. 03 – Exemplo de uma curva metabólica normal


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No exemplo abaixo é apresentada uma curva metabólica anormal. Nesta situação há


um duplo erro. O indivíduo deveria possuir um valor médio de 1680 Kcal/dia dentre os
valores relacionados à situação alimentar e à situação de atividade física, e o mesmo
possui valores mais altos para o consumo alimentar, e mais baixos em relação à
movimentação/atividade física. Este é o exemplo típico de um indivíduo que
necessitaria de intervenção nutricional e intervenção de exercícios físicos. O trabalho
nutricional objetivaria reduzir (progressivamente) o consumo de alimentos, e o objetivo
do exercício físico seria elevar (também progressivamente) o gasto calórico em
movimento. Desta forma, ambos normalizariam a situação metabólica do indivíduo.
Esta seria a atividade clássica de uma conduta de Assessoria Metabólica.

Fig. 04 – Exemplo de uma curva metabólica anormal superior e inferiormente


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2.2 BASES NUTRICIONAIS

 O QUE É NUTRIÇÃO?

É ação de se nutrir. Composta do processo de se retirar do meio em que vivemos


os alimentos necessários para a sustentação do nosso organismo, pela
assimilação das substâncias essenciais e pela eliminação daquelas que não
necessitam mais serem aproveitadas, via de regra.

 O QUE É ALIMENTO?

Resume-se a tudo o que podemos comer ou beber e que é indispensável para a


manutenção do processo de vida, de crescimento, de reprodução e à própria
saúde. Não existindo desta forma alimento que, sozinho forneça todos os
elementos que o organismo necessite. Portanto, se faz necessário dispor de perfil
variado de alimentação.

 O QUE SÃO NUTRIENTES?

São os elementos constituintes dos alimentos, que de uma forma didática são
chamados de “Hexagrama Nutricional”, divididos em macronutrientes
(Carboidratos Proteínas e Lipídeos) e micronutrientes (Vitaminas, Minerais e
Água);

Fig. 05 – O Hexagrama Nutricional


23

2.3 METABOLISMO E NECESSIDADE NUTRICIONAL DOS CARBOIDRATOS

Os carboidratos são as biomoléculas mais abundantes no planeta e estão presentes


em todos os vegetais. Em última instância seu principal objetivo metabólico é oferta
final de glicose ao organismo. A celulose então, como a maior parte integrante dos
vegetais, também é classificada como carboidrato. Por esta razão na construção
didática do hexagrama nutricional, não há necessidade de criar uma área para as
fibras, pois estas “são carboidratos”.

Os carboidratos são divididos metabolicamente pela velocidade em que ele é capaz de


ofertar glicose à corrente sanguínea. Assim podem ser considerados carboidratos: de
Baixo Índice Glicêmico, Moderado Índice Glicêmico e Alto Índice Glicêmico, que
respectivamente seriam de baixa, média e alta velocidade.

Os carboidratos de alto índice glicêmico são a base da dieta na maior parte do mundo
e a oxidação dos carboidratos é a principal via metabólica fornecedora de energia na
maioria das células não-fotossintéticas.

São grandes as evidências que mostram que os mecanismos da Obesidade e do


Diabetes Tipo II tem relação direta com o consumo desta modalidade de carboidrato,
em sua maioria processados, e que em função disso são compostos de baixa
quantidade de fibras vegetais.

As fibras, como polímeros insolúveis de carboidrato funcionam tanto como elementos


estruturais quanto de produção nas paredes celulares bacterianas e vegetais e nos
tecidos conjuntivo de animais.

Outros polímeros de carboidratos agem como lubrificantes das articulações


esqueléticas e participam do reconhecimento e coesão entre as células. Polímeros
mais complexos de carboidratos, ligados a covalentemente à lipídeos ou
proteínas, agem como sinais que determinam a localização intracelular ou o destino
metabólico dessas moléculas hibridas, denominadas glicoconjugadas.
24

Os carboidratos são poliidroxialdeídos ou poliidroxicetonas ou substâncias que


liberam essas substâncias por hidrólise. Muitos carboidratos, mais não todos, têm a
mesma base em sua fórmula; alguns também contêm nitrogênio, fósforo ou enxofre.

Os carboidratos são divididos em três classes principais, de acordo com seu tamanho:
Monossacarídeos, Oligossacarídeos e Polissacarídeos. Os monossacarídeos, ou
açucares simples, consistem de uma única unidade de poliidroxialdeído ou cetona. O
monossacarídeo mais abundante na natureza é o açúcar com seis átomos de carbono
na molécula. Os monossacarídeos com mais de quatro carbonos tende a ter
estruturas acíclicas.

Os oligossacarídeos são compostos por cadeias curtas de unidades


monossacarídeos, ou resíduos, unidos entre sim por ligações características,
chamadas ligações glicosídicas. Os mais abundantes são os dissacarídeos, formados
por duas unidades de monossacarídeos. A sacarose, ou açúcar de cana, é o
representante típico desta classe. Ela é composta de dois monossacarídeos, cada um
com seis atamos de carbono, Dextrose e Frutose. Todos os monossacarídeos e
dissacarídeos comuns têm nomes que terminam com o sufixo “ose”. Nas células, a
maioria dos oligossacarídeos com três ou mais unidades não ocorrem como
entidades livres, mas são unidos a moléculas de não-açúcares (lipídeos ou proteínas),
formando glicoconjugados.

O glicogênio é um polissacarídeo, assim como o amido e a celulose (contém mais de


20 unidades de monossacarídeos). E a diferença básica entre ambos é onde se
encontram. O amido e a celulose se encontram nos vegetais, enquanto o glicogênio é
armazenado no corpo (fígado e músculos).

De uma maneira geral, necessitamos consumir no mínimo 40% de toda a nossa


alimentação dia em carboidratos (preferencialmente os complexo-baixo a médio índice
glicêmico), e no máximo 60% de carboidrato. Metabolicamente, baseado nos Fatores
de Atwater, para simplificação dos cálculos fisiológicos, 01 (um) grama de carboidrato
possui um perfil energético de por volta de 04 (quatro) kcal.

Em relação ao processo de reparação e desenvolvimento do corpo humano, o


carboidrato é o macronutriente com o maior poder de anabolização. Qualidade esta
relativamente, óbvia já que o mesmo é o que mais devemos consumir e em função
25

disto está presente quantitativamente em vários processos biológicos: principal


combustível para o sistema nervoso, regulador do metabolismo dos lipídeos e das
proteínas, responsável pelo glicogênio armazenado nos músculos e no fígado
(consequentemente responsável por exercícios de moderada a alta intensidade e pela
nutrição do sistema nervoso no jejum).

2.4 METABOLISMO E NECESSIDADE NUTRICIONAL DOS LIPÍDEOS

Lipídeos são biomoléculas encontrados nos organismos vivos, insolúveis em água e


solúveis em solventes orgânicos. Nesta classe estão incluídos os óleos, gorduras,
ceras, hormônios esteroidais, colesterol, vitaminas lipossolúveis e os fosfolipídeos,
dentre outros que fogem ao interesse imediato do texto aplicado.

São caracterizados por suas funções, como: reservas alimentares, por fornecem
energia de 2 (duas) a 03 (três) vezes mais calorias do que os carboidratos e
proteínas; por fornecerem proteção mecânica contra choques (tecido adiposo); por
serem isolantes térmicos (ex. nos leões marinhos, focas, baleias, etc.); por serem
impermeabilizantes térmicos (óleos das penas de aves, ceras das folhas das
plantas, etc.); e por serem os principais componentes das membranas celulares,
representado pelos fosfolipídios.

Por esta razão, a ideia de achar que lipídios (ou lipídeos) e gorduras são a mesma
coisa, se caracteriza como um equívoco de proporções metabólicas. Como
componentes dos lipídios encontraram a presença comum dos ácidos graxos, que
somam o maior percentual estrutural nas categorias de lipídios. Então, no estudo do
metabolismo energético vemos que “gordura” é na realidade acúmulo de
triacilgliceróis (triglicerídeos) armazenados no tecido adiposo, e estes por sua vez são
compostos de combinações de ácidos graxos (que são os componentes lipídicos
estruturais) e glicerol (ou álcool doce), que se constitui em uma estrutura de
carboidrato.

Pelo fator de Atwater 01 (um) grama de ácido graxo equivale a 09 (nove) kcal. Isto,
quando lançado nos cálculos metabólicos para fins de emagrecimento, por exemplo,
pode fazer muito diferença. Pois 01 (um) grama de triglicerídeo armazenado tem por
26

volta de 7,75 kcal. Assim, se os profissionais da Assessoria Metabólica levarem em


consideração que “gordura” é ácido graxo, podem acabar expondo seus clientes a
uma superestimação em valores calóricos em sua atividade prescrita.

Invariavelmente o estudo dos lipídeos tem como foco primordial (e não somente) os
estudos dos ácidos graxos, e desta forma podemos dizer que os ácidos graxos são
divididos em 03 (três) classes:

 Ácidos Graxos Saturados,

 Ácidos Graxos Insaturados e

 Ácidos Graxos Transaturados.

Os Ácidos Graxos Saturados são geralmente sólidos à temperatura ambiente. As


“gorduras” contendo ácidos graxos saturados são chamadas de “gorduras saturadas”.
Exemplos de alimentos ricos em ácidos graxos saturados incluem banha, bacon,
toucinho, manteiga, leite integral, creme de leite, ovos, carne vermelha, chocolate e
“gorduras sólidas” que na realidade podem ser classificadas como ceras.

As evidências científicas confirmam que o excesso de “gorduras saturadas” tem um


peso determinante no aumento do risco cardiometabólico. Importante lembrar que o
aumento deste risco não tem as “gorduras saturadas” como o principal vilão, pois a
ingestão de carboidratos de alto índice glicêmico tem se comportado cientificamente
como um item de alta relevância nas doenças cardiometabólicas.

Não podemos deixar de levar em consideração que não é somente nas “gorduras” de
origem animal que temos a presença de Ácidos Graxos Saturados, pois alguns
vegetais também podem possuir índices elevados, tais como o coco e a palma.
Contudo, apesar de saturada, a “gordura” do coco e de palma contêm um tipo
especial de ácidos graxos, denominados de cadeia média (entre 8 e 12 átomos de
carbono) e que não causam aumento de níveis significantes de colesterol no
sangue.

Um detalhe metabólico é que a presença da “gordura saturada”, em quantidade ideal


na alimentação, é um bom elemento de saciedade (pela ativação da CCK entre outros
processos), sendo assim, retirá-la totalmente pode desregular todo o mecanismo de
27

“fome” do indivíduo. E pior é se este indivíduo não consome a “gordura saturada” e


consome em consequência muito carboidrato de alto índice glicêmico.

A construção de uma molécula de Ácido Graxo Saturado é caracterizada por uma


linha constante, de baixa angulação conformacional, e com a ausência de duplas
ligações, já o modelo de uma molécula de Ácido Graxo Insaturado (que pode ser
melhor dito como “menos saturado”) possui angulação e déficit de hidrogênio em sua
cadeia.

Fig. 06 – Moléculas de ácidos graxos saturados e insaturados.

Os Ácidos Graxos Insaturados podem ser divididos, para fins de estudo em:
Monoinsaturados e Polinsaturados. Os ácidos graxos monoinsaturados, pela
própria definição possuem somente uma dupla ligação, conforme o apresentado na
figura 06. Bons exemplos de uma molécula de ácido graxo monoinsaturado são
encontrados no abacate, nozes, azeite de oliva e nos óleos de canola e de amendoim.
Um muito conhecido é o azeite de oliva, pelo que a ciência demonstra é um óleo
neutro, capaz de benefícios oferecidos tanto ao ácido graxo saturado quanto ao
polinsaturado. Dentre outras denominações também é conhecido como Oleico ou
como Ω9, sendo este “ômega” o equivalente a posição da “primeira” dupla ligação,
contando o número de carbonos a partir da cauda. Veja:
28

Fig. 07 – Molécula de ácido graxo monoinsaturado oleico

É muito importante considerar que um determinado tipo de óleo possui as três


modalidades de ácidos graxos. Veja:

Fig. 08 – Percentual de ácidos graxos em alguns alimentos (Modificado de McArdle, 2006).

Os Ácidos Graxos Trans são um tipo especial de ”gordura”, que, em vez de serem
formadas por ácidos graxos saturados ou insaturados na configuração cis, (que
29

significa ao mesmo lado de) contém ácidos graxos insaturados na configuração trans.
São considerados especiais devido à sua conformação estrutural. Nos ácidos graxos
cis, que é como geralmente são encontrados os ácidos graxos na natureza, as
cadeias de carbono vizinhas à dupla ligação encontram-se do mesmo lado, de modo
que a molécula tenha uma conformação em curva, e nos ácidos graxos trans as
cadeias se encontram alinhadas, de forma que a molécula, em sua conformação mais
estável, é linear.

O ângulo das duplas ligações na posição trans é menor que em seu isômero cis e sua
cadeia de carboidratos é mais linear, resultando em uma molécula mais rígida, com
propriedades físicas diferentes, inclusive no que se refere à sua estabilidade
termodinâmica, e nas estruturas formadas a partir dela.

Os ácidos graxos trans não são sintetizados no organismo humano, sendo que são
resultantes de um processo chamado de hidrogenação. O objetivo desse processo é
adicionar átomos de hidrogênio nos locais das duplas ligações, eliminando-as. Mas a
hidrogenação é geralmente parcial, ou seja, há a conservação de algumas duplas
ligações da molécula original e estas podem formar isômeros, mudando da
configuração cis para transaturados. Veja:

Fig. 09 – Mudança de um ácido graxo monoinsaturado da forma cis para a forma trans.

Em consensos científicos há acordo que o volume consumido de lipídeos por dia deve
ser por volta da metade do que se consome em carboidrato. Sendo que a proporção
30

entre a ingestão de ácidos graxos saturados e insaturados deve ser desequilibrada,


onde por volta de 2/3 do consumo de “gorduras” deve ser de insaturados. Como regra
fácil em relação à orientação a clientes, pode-se dizer que o volume de “gordura”
saturada que acompanha a proteína animal já é suficiente, caso o volume proteico
esteja, obviamente, correto.

Os Ácidos Graxos Polinsaturados possuem mais de uma dupla ligação no seu arranjo
molecular. Os mais conhecidos no cenário metabólico são os denominados Ω3, ou
Linolênico e o Ω6, ou Linoleico, cujas denominações ômega seguem os mesmos
princípios, e em estudos mais aprofundados podem receber denominações
diversas, como prefixos alfa e gama. Podem ser encontrados em óleo de girassol,
óleo de milho, óleo de soja, óleos de peixe e também em oleaginosas como a
amêndoa e a castanha.

METABOLISMO E NECESSIDADE NUTRICIONAL DAS PROTEÍNAS

As proteínas são as moléculas orgânicas mais abundantes nas células e perfazem no


mínimo 40% da nossa massa corporal seca, mantendo uma média de 50%.
São compostos orgânicos (biomolécula/macromolécula) formados por pequenas
unidades de aminoácidos.

São encontradas em todas as partes de todas as células, uma vez que são
fundamentais sob todos os aspectos da estrutura e função celulares, com ênfase à
produção hormonal. Existem muitas espécies diferentes de proteínas, cada uma
especializada para uma função biológica diversa. Como exemplo, a maior parte de
nossa informação genética é expressa pelas proteínas.

As proteínas, diferente dos carboidratos, podem ter procedência vegetal ou


animal. As proteínas de origem vegetal costumam possui baixo valor biológico, em
função da carência de aminoácidos essenciais (aqueles que o corpo não é capaz de
produzir). Várias são as funções das proteínas no nosso organismo: Reparam
proteínas corpóreas gastas (anabolismo), resultantes do contínuo desgaste natural
(catabolismo) que ocorre no organismo; Constroem novos tecidos; Fonte de calor e
energia (fornecem 4 Kcal por grama); Contribuem para diversos fluídos e secreções
31

corpóreas essenciais, como leite, esperma e muco; Transportam substâncias;


Defendem o organismo contra corpos estranhos (anticorpos contra antígenos);
Exercem funções específicas sobre órgãos ou estruturas do organismo (hormônios);
Catalisam reações químicas (enzimas).

Na desempenhar de uma atividade físico-funcional, e de perfil terapêutico, alguns


conceitos envolvem o estudo das proteínas. Dentre eles podemos citar a
“Desnaturação Proteica e o Balanço Nitrogenado”.

O primeiro caracteriza-se pela quebra das cadeias lipoprotéicas com a consequente


desorganização da estrutura interna da proteína. Ocorre quando uma proteína é
modificada em sua conformação, de tal modo que perde suas funções biológicas. E o
segundo é a diferença de nitrogênio (das proteínas) que é ingerido e a quantidade que
é excretado, podendo ser caracterizado de 03 (três) formas:

 Balanço nitrogenado equilibrado - Quando a quantidade de nitrogênio ingerido


é igual a excretado. Ex.: adultos normais que não estão perdendo e nem
aumentando a sua massa magra (músculos).

 Balanço nitrogenado negativo - Quando a quantidade de nitrogênio ingerido é


menor que o excretado. Ex.: estado de jejum, dieta pobre em proteínas, dieta
restritiva, doenças altamente catabólicas como câncer e AIDS, etc.

 Balanço nitrogenado positivo - Quando a quantidade de nitrogênio ingerido é


maior que o excretado. Ex.: crianças (fase de crescimento), gestantes, treino de
musculação com o objetivo de hipertrofia muscular, etc.

Quando se fala de necessidades diárias de proteína, vamos encontrar na literatura


dados que informam que do consumo calórico total dia, em indivíduos não doentes e
não atletas, de 12,5 a no máximo 25% deve ser de proteína, se mantendo um
equilíbrio entre as de origem vegetal e as de origem animal. Também se encontram
dados relativos à massa corporal total (peso), dizendo que se situam em torno de 0,8
a 1,4 gramas por quilo de massa corporal.

Existem aminoácidos semi-essenciais e aminoácidos não essenciais, em número


de 11 (onze). Estes o ser humano consegue produzir a partir de sua alimentação:
32

Quadro 03 – Resumo de aminoácidos


33

Em relação às fontes alimentares, podemos dizer que de origem animal teríamos


proteínas advindas das carnes (mamíferos, aves, pescados, etc.), vísceras, ovos, leite
e derivados, e de origem vegetal teríamos leguminosas secas (feijões, ervilha, lentilha,
grão-de-bico, etc.) e cereais integrais (milho, trigo, etc.).

As proteínas de origem animal são consideradas completas, ou possuidoras de


grande valor biológico por conter todos os aminoácidos essenciais, que são em
número de 09 (nove):

1. isoleucina,
2. leucina,
3. lisina,
4. metionina,
5. fenilalanina,
6. treonina,
7. triptofano e
valina juntamente com a histidina que é essencial para as crianças.

2.6 COMPOSIÇÃO CORPORAL

O limite entre a massa corporal normal (massa corporal da população associado a


menor mortalidade para estatura) é arbitrário, podendo haver diferenças entre as
populações estudadas. Podem-se estabelecer basicamente dois tipos de diagnósticos
(ou limites) frente a um cliente/paciente: um diagnóstico quantitativo, que se refere à
massa corpórea ou à massa de tecido adiposo, e um diagnóstico qualitativo que se
refere ao padrão de distribuição de gordura corporal, que por sua vez é um forte
indicador da presença de adiposidade visceral.

A composição corporal fraciona massa corporal em seus diversos componentes.


Uma compreensão das bases teóricas e empíricas dos componentes da
composição corporal e as suas inter-relações são essenciais. E os métodos de
avaliação da composição corporal devem ser apropriados nesse sentido.

O corpo humano consiste de diferentes componentes que organizados entre si e


formam o corpo em cinco níveis:
34

Quadro 04 – Modelo da constituição química e anatômica do corpo humano (Eston et


al.2001).

Para efeito da mensuração de seus componentes, de maneira a controlar o


percentual de gordura, o corpo é basicamente dividido em dois componentes apenas:

 Massa Total de Gordura e

 Massa Isenta de Gordura.

A massa de gordura compreende toda forma de gordura no corpo (essencial –


considerada indispensável à manutenção da vida, e não essencial – sendo apenas as
reservas nutricionais). Os cálculos metabólicos e de atividade física, são realizados a
partir do tecido mais ativo presente no corpo. Este tecido ativo é conhecido como
massa magra, que na realidade é a soma da massa isenta de gordura com a gordura
essencial:
35

Fig. 10 – Fracionamento da massa corporal total. Base de dois componentes.


(Easton et al.2001).

A TAXA METABÓLICA DE REPOUSO

A taxa metabólica de repouso (TMR) é considerada como sendo a taxa metabólica


corporal no inicio da manhã, após um jejum noturno de aproximadamente 8 horas de
sono. O termo Taxa Metabólica Basal (TMB) é também utilizado, mas ele geralmente
indica que o indivíduo dorme num ambiente clínico onde a mensuração da taxa
metabólica será realizada. As maiorias das pesquisas atuais utilizam a taxa
metabólica de repouso. Esse valor representa a quantidade mínima de gasto
energético necessário para suportar os processos fisiológicos básicos. Ele
representa de 60 a 75% da energia total que nós despendemos diariamente.
36

Estimativas do gasto energético durante o repouso e o exercício baseiam-se na


mensuração do consumo de oxigênio total do organismo e de seu equivalente calórico.
Em repouso, uma pessoa media consome aproximadamente 0,3 L de O2/min. Isso e
igual a 18 L/h ou 432 L/dia. Calculemos, agora, o gasto calórico diário dessa pessoa.
Em repouso, lembre-se que o corpo geralmente queima uma mistura de carboidratos e
gorduras. Um QR de 0,80 em repouso e comum entre as pessoas submetidas a uma
dieta mista. A equivalência calórica de um QR de 0,80 e 4,80 Kcal por litro de O2
consumido. Utilizando esses valores comuns, podemos calcular esses gastos calóricos
desses indivíduos da seguinte maneira:

Kcal/dia = litros de O2 consumidos por dia x Valor do L em Kcal

Kcal/dia= 432 L de O2/dia . 4,80 Kcal/L de O2= 2074 Kcal/dia

Esse valor concorda intimamente com o consumo energético em repouso esperado


para um homem com 70 Kg (154 libras). Obviamente, ele não inclui a energia
necessária para a atividade diária normal.

A taxa metabólica basal/repouso está diretamente relacionada com a massa magra


(massa isenta de gordura + massa de gordura essencial) e geralmente é apresentada
em quilocalorias por quilograma de massa magra por minuto (Kcal. Kg-1. min-1).
Quanto maior for a massa magra, maior a quantidade de calorias gasta por dia. Como
as mulheres tendem a possuir maior massa gorda do que os homens, elas tendem a
apresentar uma TMR menor do que os homens com massa corporal similar.

A área da superfície corporal é igualmente importante no cálculo da TMR. Quanto


mais área superficial você possuir, mais perda de calor ocorre através da pele, o que
eleva a TMR porque é necessária uma maior quantidade de energia para manter a
temperatura corporal. Por essa razão, a TMR também é frequentemente apresentada
em quilocalorias por metro quadrado de área superficial corporal por hora (Kcal .m-2 .
h-1). Como estamos analisando o gasto energético diário, optamos por uma unidade
mais simples: Kcal/dia.

Muitos outros fatores afetam a TMB. Entre eles, estão incluídos:

 Idade: A TMR diminui gradualmente com o aumento da idade, geralmente


em decorrência de uma diminuição da massa magra.
37

 Temperatura corporal: a TMR aumenta com o aumento da temperatura.

 Estresse: ele aumenta a atividade do sistema nervoso simpático, o qual


aumenta a TMR.

 Hormônio: a tiroxina, produzida pela tireoide, e a adrenalina, produzida pelo


córtex da suprarrenal aumentam a TMR.

2.8 A CALORIMETRIA

O turnover de energia nas fibras musculares não pode ser mensurado diretamente. No
entanto, podem ser utilizados vários métodos laboratoriais indiretos para o cálculo da
taxa e da quantidade de consumo energético quando o corpo se encontra em repouso
e durante o exercício. Vários desses métodos vêm sendo utilizados desde o início do
século. Outros são novos e somente começaram a ser utilizados recentemente na
fisiologia do exercício.

 Calorimetria Direta - Somente cerca de 40% da energia liberada durante o


metabolismo da glicose e das gorduras são utilizados para a produção de ATP.
Os 60% restantes são convertidos em calor e, por isso, uma maneira de se medir
a taxa e a quantidade de produção de energia é mensurar a produção de calor
pelo corpo. Essa técnica é denominada calorimetria direta. Esse método foi
descrito pela primeira vez por Zuntz e Hagemann no final do século XIX.

A construção e a utilização dos calorímetros são dispendiosas e eles são lentos


na geração de resultados. A sua única vantagem real é que eles mensuram o
calor diretamente. Embora um calorímetro possa fornecer uma medida precisa
do consumo energético total do corpo, ele não consegue acompanhar as
alterações rápidas da liberação de energia. Por essa razão, o metabolismo
energético durante o exercício intenso não pode ser estudado com um
calorímetro. Consequentemente, esse método é raramente utilizado atualmente
porque é mais fácil e menos dispendioso mensurar o consumo energético
através da avaliação da troca de oxigênio e de dióxido de carbono durante a
fosforilação oxidativa.
38

 Calorimetria Indireta - O metabolismo da glicose e das gorduras depende da


disponibilidade de O2 e produz CO2 e água. A quantidade de O2 e de CO2
trocados nos pulmões normalmente é igual à utilizada e liberada pelos tecidos
corporais. Baseando-se nessa informação, o seu gasto calórico pode ser
estimado pela mensuração de seus gases respiratórios. Esse método de
estimação do gasto energético é denominado calorimetria indireta porque a
produção de calor não é mensurada diretamente. Ela é calculada a partir da
troca respiratória de CO2 e O2.

2.9 O DIAGNÓSTICO NUTRICIONAL (Q2H)

Além da história clínica, exame físico, análise bioquímica e metabólica de seu


consultado, para que a prescrição dietética e nutroterapêutica seja aplicada é
necessário que o profissional de nutrição compare a normalidade da curva metabólica
de seu cliente com a curva metabólica de movimentação/atividade física do mesmo.

Desta forma será possível verificar se o indivíduo está fazendo um consumo alimentar
abaixo ou acima do que está gastando com movimentos diários. Está análise é
chamada análise quantitativa, representando a primeira busca do profissional de
nutrição. É necessário ainda que o nutricionista verifique o perfil qualitativo da ingesta
alimentar de seu cliente. Para tanto é verificado através de instrumentos de coleta de
dados sobre o que o cliente ingere (registro alimentar, inquérito alimentar, recordatório
alimentar/histórico, recordatório fotográficos alimentares,...) e analisado se o indivíduo
cumpre os preceitos básicos do hexagrama nutricional, ou se faz consumo específico
alimentar pelo problema clínico que eventualmente já possua. O terceiro item da
consulta nutricional é a interpretação da ingesta alimentar em intervalos de horas (ou
minutos) adequados. A falta de análise deste item pode complicar o diagnóstico
nutricional e eventualmente a interação com demais profissionais que possam estar
assessorando metabolicamente o indivíduo.

Resumindo, além da história clínica do cliente e a análise dos dados físicos o


profissional de nutrição segue um roteiro de consulta marcado por analisar a
QUANTIDADE, QUALIDADE e HORÁRIOS. Por isso Q2H.
39

FISICOLOGIA
HUMANA

Diagnóstico Físico e Funcional


3. Consulta Física
40

3.1 DIAGNÓSTICO FÍSICO E FUNCIONAL

Para que possamos empreender um tratamento físico a um cliente é necessária a


execução de um procedimento prévio que é o diagnóstico. Ou seja, precisamos
identificar o que se encontra fora da normalidade em nosso universo de atuação. Isto
quer dizer que devemos quantificar o percentual de variação anormal para que
possamos emitir alta baseada na evolução positiva das anormalidades encontradas.

Importante ressaltar que diferentemente da alta de um procedimento médico, a alta no


ambiente dos profissionais relacionados ao movimento humano nem sempre ocorrem
em um único dia. Ou seja, pode ser emitido alta por evolução de um determinado
comprometimento físico-funcional e continuar o tratamento físico para outros
parâmetros ainda deficitários em relação à normalidade.

Podemos identificar, por exemplo, que um indivíduo possui déficit de força estática
dinamométrica de preensão manual e déficit de amplitude de movimento geral ântero-
posterior. Com a prescrição ou tratamento físico até determinado momento, ele pode
receber alta de um parâmetro e permanecer tratando outro. Isto inclusive possibilita
que os valores financeiros do tratamento se reduzam para o cliente, ao se adaptar o
os honorários da intervenção à situação atualizada do quadro físico-funcional do
cliente.

Os profissionais do movimento devem observar um organograma mínimo para a


consulta física ou fisioterapêutica. Obviamente a consulta deve ser ordenada também
perante a história nosológica ou acidentária do cliente, assim como todos os dados
clínicos e eventuais solicitações de pareceres de outros profissionais devem ser
analisados. Mas, como as valências físicas força muscular, mobilidade articular e
capacidade aeróbia são as que mais determinam estados de baixo nível de aptidão ou
de funcionalidade, um organograma (roteiro) para identificação destes pontos em uma
consulta física ou fisioterapêutica é fundamental e diminui a chance do profissional
deixar de fora dados físicos relevantes a serem tratados:
41

Fig. 11 – Esquema de Consulta Física (Lucas, RWC. 2009).

3.2 PROCEDIMENTOS COMUNS: IDENTIFICAÇÃO E DADOS RELEVANTES

De acordo com os Conselhos Federais das profissões relacionadas ao movimento


humano, para todos os clientes deve ser elaborado um Prontuário. E este deve ter
42

todas as informações sendo repassadas para o cliente/usuário/paciente, pois na


realidade ele é o detentor do mesmo. Não há impedimento do referido prontuário
ser confeccionado eletronicamente, com arquivos em pastas online ou em mídia
gravável. O importante é compreender que o prontuário estimula e fortalece o trabalho
em equipe e o diálogo entre profissionais, sustentando as condutas da equipe que
assiste o cliente e estimula o empenho no trabalho.

Fig. 12 – Exemplo de Ficha de Identificação


43

Obviamente a dinâmica da consulta depende da característica de cada serviço. O


importante é permitir que seja registrada a entrada do cliente no sistema para que
inclusive garantias legais e tributárias sejam consideradas.

Após a identificação do cliente o normal é iniciar a consulta com a entrevista. Esta


adquire características de anamnese, pois é direcionada ao comprometimento físico-
funcional atual do cliente. Convém então que exista espaço/fomulário/ficha para
que sejam adequadamente anotados dados relevantes à história da incapacidade:

Fig. 13 – Exemplo de Ficha de Anotações Relevantes


44

A PLANILHA DE CONSULTA SERIADA

A evolução do tratamento físico deve ser obrigatória de acordo com as


Resoluções dos respectivos Conselhos Profissionais. Desta forma convém que o
profissional desenvolva critérios de reanálise das incapacidades físico-funcionais para
que possa computar em percentual a evolução e eventualmente emitir alta de algum
parâmetro:

Fig. 14 – Exemplo de Planilha de Consultas/Avaliações Seriadas

ANÁLISES DA COMPOSIÇÃO CORPORAL

Diversos são os métodos para a determinação da composição corporal. A ênfase


para a maioria deles é para a determinação do percentual de gordura e de sua
relação com a massa corporal total (erroneamente chamada de peso). No mercado
45

as técnicas de composição corporal são divididas basicamente entre técnicas


antropométricas (perimetrias e dobras cutâneas), e técnicas laboratoriais e/ou
baseadas em equipamentos, como a pesagem hidrostática, a emissão de raio x de
dupla energia (DEXA), a ressonância magnética e o método da água deuterada.
Mas estes são muito caros e não estão acessíveis em muitos locais. Por isso
as técnicas antropométricas são mais utilizáveis em nosso mercado.

É consenso que existem técnicas mais precisas de acordo com o gênero, idade e
perfil étnico dos indivíduos avaliados. Porém sabe-se que existem técnicas mais
generalistas e que podem ser utilizadas de forma criteriosa pelos profissionais,
como é caso das análises antropométricas. Na planilha de Consultas Seriadas
apresentada há dois protocolos que utilizam técnicas antropométricas baseadas
por perimetria (fita métrica) divididas para homens (código 0 – Protocolo de Dotson
& Davis de 1991) e para mulheres (código 1 – Protocolo de Penroe, Nelson &
Ficher de 1985), não havendo na mesma a possibilidade de analisar crianças.

 PROTOCOLO DE PENROE – MULHERES

%G= ([0,55 x CG) - ( 0,24 x Est) + (0,28 x CA) - 8,43

Est = estatura (cm); CA = cintura alta (cm); CG=circ.glúteo (cm)

 PROTOCOLO DE DOTSON – HOMENS

G% = + [85,20969 . log (AB - Pç)] - [69,73016 . log (estatura em polegadas)] +


37,26673

AB = Circ. Abdome; Circ. Pç = pescoço

 BIOIMPEDÂNCIA (TETRAPOLAR MULTIFREQUENCIAL)

Dos métodos que conferem maior precisão à composição corporal, o


scaneamento por bioimpedância é o mais prático e acessível. Desta forma a
mais recomendada seria a “Bioimpedância Tetrapolar Multifrequencial
Multisegmentada de oito pontos de contato”. Como qualquer método de
46

composição corporal é muito importante a observação dos protocolos de


execução.

Fig. 15 – Exemplo de Scanner de Bioimpedância Tetrapolar Multifrequenciais de oito pontos.

3.5 CODIFICAÇÃO BÁSICA PELA CIF/2003

Para a composição adequada da codificação orientada pela CIF (Classificação


Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde) da OMS (Organização
Mundial da Saúde) é muito importante que o diagnóstico da estrutura comprometida
esteja claro. Ou seja, o diagnóstico do profissional médico será elucidador para a
complementação da codificação da estrutura relacionada ao movimento (ossos,
tendões articulações, tendões e músculos principalmente).

Para a emissão do diagnóstico físico-funcional, geralmente não há necessidade de se


adicionar códigos “d” e “e” da CIF. Podem existir vários códigos CIF. Sempre
procuramos achar os mais relevantes para o caso.

Exemplo: Vamos utilizar um indivíduo com fratura de úmero:

 1º - Se localiza CÓDIGOS CID: CID S42.3 - Fratura da diáfise do úmero


47

 2º - Se localiza códigos da CIF relacionados à Função (“b”): CIF b7101 -


Mobilidade Articular em várias articulações e CIF – b28016 – Dor nos Ombros

 3º - Se determina os qualificadores das Funções deficitárias: Verificam-se


quais movimentos são limitados, executando movimentação ativa. Por exemplo,
a Abdução e a Flexão. Na sequência quantifica-se o percentual destes déficits.
Por exemplo, a abdução deveria ter 180° e apresentou 60° à movimentação
ativa, isto significa um déficit de 67% de Abdução.

 4º - Equipara-se os déficits desta Função com os Qualificadores da CIF/2003

0 NÃO há problema (nenhum, ausente, insignificante) 0-4%

1 Problema LIGEIRO (leve, pequeno, ...) 5-24%

2 Problema MODERADO (médio, regular, ...) 25-49%

3 Problema GRAVE (grande, extremo, ...) 50-95%

4 Problema COMPLETO (total, ....) 96-100%

Pela equiparação o paciente possui déficit de 50 a 95% em Abdução e em


Flexão. Isto oferece para ambos o qualificador 3.

Então, o código de comprometimento da Função Mobilidade Articular (ADM)


será b7101-3 para a Abdução.

Para a Função Dor podemos utilizar a Escala Visual Analógica, que possui
marcadores de 0 a 10, perguntando ao paciente quanto ele refere sem a
realização de movimento provocativo. Por exemplo, ele referiu 4, que representa
40%. Pela equiparação o paciente possui déficit de 25 a 49% para Dor. Isto
oferece qualificador “2”. Então, o código de comprometimento será b28016.2.

5º - Se localiza códigos da CIF relacionados à Estrutura comprometida (“s”).


Encontrou-se o código s73000 relacionado a “ossos do braços”.

6º - Se determina os qualificadores da Estrutura deficitária

Primeiro qualificador - Qualificador comum com escala negativa utilizado para


indicar a extensão ou magnitude de uma deficiência:
48

0 NENHUMA deficiência (nenhuma, ausente, escassa…) 0-4 %

1 deficiência LIGEIRA (leve, pequena,…) 5-24 %

2 deficiência MODÉRADA (média, regular…) 25-49 %

3 deficiência GRAVE (grande, extrema…) 50-95 %

4 deficiência COMPLETA (total…) 96-100 %

Segundo qualificador - Utilizado para indicar a natureza da mudança na


estrutura corporal correspondente.

0 nenhuma mudança na estrutura

1 ausência total

2 ausência parcial

3 parte adicional

4 dimensões aberrantes

5 descontinuidade

6 posição desviada

7 mudanças qualitativas na estrutura, incluindo acumulação de


fluidos

8 não especificada

9 não aplicável

Terceiro qualificador – Indicador da localização

0 mais de uma região

1 direita

2 esquerda

3 ambos os lados

4 parte anterior

5 parte posterior

6 proximal

7 distal
49

8 não especificada

9 não aplicável

Se neste caso o CID é relacionado à fratura completa do úmero direito por exemplo. O
código do primeiro qualificador será “4”.

O código do segundo qualificador tem relação com a natureza da alteração da


estrutura, que neste caso cabe descontinuidade (fratura), valor “5”.

O código do terceiro qualificador seria em relação à posição, que, por exemplo, seria
à direita, valor “1”.

Então, o código de comprometimento da estrutura braço seria s73000.451

Em resumo, seriam as seguintes codificações para o comprometimento da abdução do


complexo articular do ombro direito, dor e estrutura óssea do úmero direito,
respectivamente:

b7101.3,

b28016.2 e

s73000.451.

3.6 FORÇA ESTÁTICA POR DINAMOMETRIA

Há possibilidade da utilização de diversos protocolos para a análise da força em uma


consulta física. Dentre estes a execução das mais diversas modalidades de
dinamometria são aplicáveis tendo em vista a praticidade e a relação direta da baixa
força isométrica com a força dinâmica. Usualmente utilizasse equipamentos portáteis
de dinamometria para membros inferiores e lombar, escapular e de preensão manual.

A dinamometria de preensão manual é a mais relevante para a consulta física, tendo


em vista a relação positiva de baixos valores normativos da mesma com baixa
qualidade de vida, já que pode representar déficits nutricionais e de movimentação. É
importante que o equipamento utilizado possua tabela de normalidade, e que o
protocolo de execução da análise seja validada. Na planilha de avaliação seriada
exemplificada utilizamos o equipamento Smedley digital que possui tabela normativa e
sugere o protocolo de Marques (2003) para sua execução.
50

Fig. 16 – Dinamômetro de Preensão Manual Smedley/Takey Digital

Fig. 17 – Tabela Dinamometria de Preensão Manual Smedley/Takey Digital


51

3.7 MOBILIDADE ARTICULAR GERAL E ESPECÍFICA

A mobilidade articular geral deve ser verificada pelo menos à análise do movimento
corporal em dois planos de ação: Plano Sagital e Plano Horizontal. O teste prático
para o primeiro plano é o clássico teste de “sentar e alcançar”, que pode ser realizado
de forma adaptada ou com a utilização do Banco de Wells. O diagnóstico pode ser
quantitativo pelos centímetros deficitários à direita ou à esquerda em relação a uma
referência (maléolo medial), ou único em uma régua representada, ou qualquer outro
método comparativo.

Fig. 18 – Sentar e alcançar – Plano Sagital

Para o segundo plano existem vários procedimentos aplicáveis, mas o mais importante
é saber como está a mobilidade de torção do tronco a partir da coluna lombar. O
diagnóstico será determinado como positivo ou negativo à direita e à esquerda.

Fig. 19 – Rotação – Plano Horizontal/transversal


52

A mobilidade articular específica deve ser analisada por solicitação da execução ativa
de todos os padrões de movimento dos complexos articulares padrão, ou somente de
um complexo alvo. É importante que cada padrão de movimento seja executado de
forma funcional. Ou seja, o movimento deve ser anatomocinesiologicamente normal.
Cada padrão de movimento considerado deficitário deve receber o diagnóstico
quantitativo, qualitativo e codificado pela CIF. Este é o procedimento primário para que
se possa determinar a evolução dos referidos nas consultas seriadas subsequentes.

3.8 FORÇA DINÂMICA ESPECÍFICA (PROVA DE FUNÇÃO MUSCULAR)

De acordo com a história clínica, a análise do estado de força para todos os padrões
de movimentos normais deve ser realizada pelo profissional do movimento humano.
Este deve se basear na prova de função muscular (teste de força) sem resistência
inicialmente e com resistência se houver ausência de dor. Existindo dor é preciso que o
profissional a quantifique pelo menos pela E.V.A Escala visual analógica, referenciando
em que angulação do movimento normal houve o referencial de dor:

Fig. 20 – Memento para equiparação para percentuais de gravidade da CIF: Força Muscular e
Dor.
53

3.9 NÍVEL DE CONDICIONAMENTO FÍSICO

A prescrição do exercício físico típico não deve ser realizada sem a verificação da
capacidade que o indivíduo possui para executá-lo. Isto se faz necessário tendo em
vista que erros metabólicos podem ocorrer caso o exercício utilize substratos
inadequados para executá-lo. Lembrando que quanto menor o nível de condicionamento
do indivíduo menor a possibilidade do mesmo realizar exercícios glicolíticos.

Ou seja, exercícios de intensidade moderada a alta que faz uso de carboidrato como
combustível. Caso esta intensidade de exercício seja executada (por prescrição
profissional ou intervenção profissional) o indivíduo procederá uma neoglicogênese
compensatória às custas de substrato corporal protéico. Isto é suficiente para promover
redução de tecido corporal ativo (massa magra) e predispor à, insatisfação com o
exercício, mau hálito, miopatias e à acidose metabólica e suas disfunções orgânicas
associadas.

Para a verificação do nível de condicionamento físico geral obviamente a história


clínica é soberana, e as análises dinâmicas e estáticas de força complementam o
diagnóstico. É importante compreender que o corpo do indivíduo pode possuir níveis
diferenciados de condicionamento físico entre suas partes. Pode por exemplo possuir
bom condicionamento físico para membros superiores e condicionamento ruim para
membros inferiores. Assim sendo, o correto diagnóstico do nível de condicionamento
determina execuções de exercícios físicos adequadas para segmentos corporais com
níveis de condicionamento diferentes.

Desta forma compreende-se que para se determinar efetivamente o nível de


condicionamento de um indivíduo, deveríamos saber qual a capacidade máxima
efetiva que ele possui para determinado exercício, ou seja, deveria haver uma
especificidade. Por exemplo, se o exercício proposto fosse corrida, deveríamos saber a
capacidade máxima do mesmo em realizar corrida, se natação seria a mesma coisa e
assim por diante, como é o caso das prescrições para o atleta de triathlon. Neste é
analisada a capacidade aeróbia máxima do atleta em cada modalidade, para que se
possa fazer a prescrição de forma específica.

Mas, de forma genérica, os testes ergoespirométricos são os mais utilizáveis para


população geral, sem levar em conta a especificidade, já que o mesmo parte da
54

solicitação de um esforço progressivo do indivíduo mobilizando toda sua massa


corporal total utilizando os grupamentos musculares mais fortes do corpo humano
(padrão de marcha). E nestes, os limiares alcançados são os determinantes da faixa
adequada de prescrição de exercícios para o indivíduo testado, principalmente para
os exercícios físicos cíclicos.

Quando há impossibilidade da execução do teste ergoespirométrico, e


consequentemente não possuímos os limiares adequados, utilizamos o formato
genérico das faixas de níveis de condicionamento físico:

 Abaixo de 60% da FCM – Prescrição para situações clínicas

 60 a 70% da FCM – Prescrição para baixos níveis de condicionamento

 70 a 80% da FCM – Prescrição para moderados níveis de condicionamento

 80 a 90% da FCM – Prescrição para altos níveis de condicionamento

 Acima de 90% da FCM – Prescrição para excelentes níveis de condicionamento

De uma maneira prática deve ser verificado o nível de condicionamento de membros


superiores, membros inferiores, musculatura abdominal e musculatura postural
bípede ortostática. Para tanto, um método prático é o Teste Funcional utilizado pelo
Método STS (Strength Training Strategies) de Musculação Terapêutica e Treinamento
Físico. Existem vários testes funcionais apresentados no universo da ciência do
exercício físico e outros podem ser desenvolvidos especificamente para a situação
clínica do indivíduo ou seu histórico desportivo, atlético ou de doença.

 O TESTE FUNCIONAL- Nem todos os examinados necessitam realizar o Teste


Funcional para determinar o nível de condicionamento de membros superiores e
de membros inferiores com abdominais, pois pode depender da relevância da
história. Da mesma forma indivíduos que não possuem capacidade de ficar nas
posições dos exercícios do teste não devem realizá-lo. É necessário que se
utilize:

1) Tornozeleiras de 2 kg,
2) Halteres de 2 kg e
3) 01 (um) Cronômetro.
4) 01 (um) Monitor de frequência cardíaca
55

Fig. 22 – Padrões de movimento do Teste Funcional do Método STS.


56

São quatro exercícios de testagem. Deve ser mantido um intervalo de 30 segundos


entre os exercícios e o número de repetição a se alcançar deve ser de 24 com cada
membro.

O Teste Funcional deve ser interpretado por regiões. Primeiro interpretamos as


médias das frequências cardíacas atingidas com Q1e Q2, e depois interpretamos as
médias das frequências cardíacas atingidas com D1 e D2. Para que o examinado seja
interpretado como possuidor de moderado nível de condicionamento, as médias
atingidas devem ficar entre os valores de 60% e 70% da FC Máx. Se as médias
permanecerem abaixo de 60% da FC Máx o examinado possui alto nível de
condicionamento físico. E se as médias ultrapassarem 70% da FC Máx o examinado
possui baixo nível de condicionamento.

Exemplo de Teste Funcional Executado:

Mulher de 35 anos, possui FCMáx prevista de 175 bpm. Assim, 60% da FCMax = 105
bpm; 70% da FCMax =123 bpm e 80% da FCMax = 140 bpm.

- Com Q1 realizou as 24 repetições e atingiu 112 bpm. 30segundos após


iniciou Q2, completou 24 repetições e atingiu 120 bpm.

- Com D1 realizou as 24 repetições e atingiu 130 bpm. 30segundo após iniciou


D2, ao completar 13 repetições já havia atingido 140 bpm e foi solicitado que
interrompesse os movimentos. Veja esquema abaixo:

Fig. 21 – Esquema dos valores do Teste Funcional


57

 PREDIÇÃO DE V02 - Tradicionalmente, o consumo máximo de oxigênio


(VO2máx) foi definido por Hill e Lupton em 1923 como sendo a taxa máxima de
oxigênio que pode ser consumida pelo corpo durante um exercício. Hill e seus
colaboradores foram os pioneiros ao descreverem que a habilidade do corpo em
consumir oxigênio é limitada pela atividade muscular, pela concentração de ácido
lático e pela suplementação e utilização de oxigênio. Independentemente do
método de análise do VO2 Máx há consenso entre os valores adequados
respeitando gênero e idade. Obviamente estes valores corroboram com a melhor
aptidão física (nível de condicionamento) do indivíduo:

Fig. 23 – Valores normais de VO2 Máx. (Fletcher et al. 2001).

O VO2 Máximo pode ser mensurado diretamente e indiretamente. Para


mensurá-lo indiretamente (ou por predição) é possível utilizar método com
exercícios e sem exercícios. Os métodos com exercícios podem ser realizados
em campo (Teste de Cooper, Banco de Balke, Banco de Katch, Banco de
Nagle...) ou em formato de laboratório (Protocolo de Bruce, Protocolo de
Elleastead, Protocolo de Naughton...). Já os métodos de predição de
58

VO2 Máximo sem a utilização de exercícios apresentam diversas equações


(Houston, UCLA, ..)

Os valores de VO2 Máximo na realidade se apresentam nas tabelas de


normalidade como relativos a quilogramas de massa corporal, quando o
indivíduo possuir massa corporal normal. Mas em situações em que existe
obesidade convém que a relativização seja feita pela massa magra (tecido
ativo) pois não corre o risco de superestimar o VO2 Máximo e valor mais
baixo que o relacionado à massa magra não existirá. O VO2 Máximo absoluto
é então o resultado em litros por minuto do VO2 Máximo relativo multiplicado
pela massa corporal adequada.

- CÁLCULO PELA EQUAÇÃO DO LAB. PERFORMANCE HUMANA /


UCLA:

Esta equação foi desenvolvida por pesquisadores do Human Performance


Lab, do campus Davis, da Universidade da Califórnia e foi validada por
LUCAS, RWC (2006), para população brasileira, para ser utilizada para a
maioria dos clientes submetidos ao Método STS (Strength Training
Strategies) de Musculação Terapêutica. Ela utiliza como parâmetros o
percentual de gordura do indivíduo e a sua idade. O resultado é dado como
VO2 Máximo relativo –

VO2 MÁX PREDITIVO (Quanto à idade e % de gordura corporal)

VO2 Máx = 57,50 – [(0,31 x Idade) - (0,37 x Percentual de Gordura)]

Exemplo: Um indivíduo do sexo masculino, de 1,70 m, 70 Kg de Massa Corporal


Total (conhecido erroneamente como Peso Corporal), de 25 anos de idade e
possuidor de percentual de gordura de 15% (determinado através de qualquer
modalidade válida) possui o seguinte VO2 Máximo Absoluto:
59

Primeiro Passo – Determina-se o VO2 de Pico/Relativo:

VO2 = 57,50 – (0,31 x 25) – (0,37 x


15) VO2 = 57,5 – (7,75) – (5,55)

VO2 Pico = 44,2 mlO2 / kg /min

Segundo Passo – Determina-se a Massa Magra, já que o indivíduo


apresenta percentual de gordura acima do normal (saudável pela tabela
Pollock de 1993). Para chegarmos até a “Massa Magra”, necessitamos
inicialmente achar qual a massa de gordura (em quilogramas) do
indivíduo, conhecida como “Massa Total de Gordura”. Isto é possível
através da análise do percentual de gordura:

100% do Indivíduo -----------------70 kg

15% de Gordura do Indivíduo -----X kg

(15 x 70) / 100 -------------------------X = 10,5 kg de Gordura

Então, se diminuirmos este valor da Massa Corporal Total teremos uma


massa corpórea sem gordura, conhecida como Massa Isenta de Gordura:
(70 kg – 10,5 kg) = 59,5 kg de Gordura (que na realidade é reserva de
triacilgliceróis no interior do tecido adiposo)

Para chegarmos ao número em quilogramas correspondente à Massa


Magra corporal, temos que adicionar um valor de massa de gordura
equivalente ao percentual mínimo de gordura que o indivíduo deve possuir,
conhecida como “Gordura Essencial”. Para a faixa etária, e o sexo deste
indivíduo, o valor percentual desta gordura seria de 4% de acordo com a
tabela de composição corporal de Pollock (1993).
60

Fig. 24 – Tabela de Composição corporal (Pollock, 1993)

100% do Indivíduo -----------------------70 kg

4% de Gordura do Indivíduo -----------X kg

(4 x 70) / 100 -----------------------------X = 2,8 kg de Gordura

Então a massa de gordura mínima que o indivíduo deve manter no


corpo, para a Massa Corporal Total que possui atualmente é de 2,8 kg de
Gordura. Desta forma, a Massa Magra será a composição da Massa Isenta
de Gordura com a Massa de Gordura Essencial.

Massa Magra = Massa Isenta de Gordura + Gordura Essencial

Massa Magra = 59,5 Kg + 2,8 Kg

Massa Magra = 62,3 Kg


61

Terceiro Passo – Acha-se o valor máximo em litros de oxigênio


que este paciente é capaz de consumir durante 01 (um) minuto
estando em sua frequência cardíaca máxima:

Volume de Oxigênio Máx/min = VO2 Pico/Relativo x Massa Magra

Volume de Oxigênio Máx/min = 44,2 x 62,3

Volume de Oxigênio Máx/min = 2754 ml/min Dividindo este valor por


1000 para se obter o dado em litros

Volume de Oxigênio Máx/min = 2,754 L/min

Para se encontrar o VO2 Máximo relativo também é possível utilizar a


tabela abaixo, localizando o cruzamento do percentual de gordura e da idade do
indivíduo:

Fig. 25. Tabela 01 de VO2 Relativo em ml/kg/min: % de Gordura x Idade.


62

F
ig. 26. Tabela 02 de VO2 Relativo em ml/kg/min: % de Gordura x Idade.

4.0 MEDIDAS DA ATIVIDADE FÍSICA PARA ANÁLISE DE SEDENTARISMO

Diversos são os métodos para auxílio da determinação do gasto calórico em


movimentação, ou mensuração do gasto calórico da atividade física. Todos os
procedimentos procuram se aproximar do padrão ouro para este objetivo que é
atualmente a “água duplamente marcada”: Sensores de movimento simples (Caltrac,
Tritac...); Sensores de movimento conjugados (Armband Sensewear, Bodymedia
Fit...); Pedômetros; Pulseiras de movimento (Loop Polar, Garmin Vivo Fit...);
Monitores de Frequência Cardíaca (Polar FT1, Polar RS800 CX, Garmin 405....);
63

Questionário de Atividade Física (IPAQ); Calorimetria Indireta Portátil (VO2000,


Medgen...); Calorimetria Direta (Câmaras calorimétricas, Termografia por
infravermelho...).

Fig. 27. Métodos para medidas da atividade física.

 MONITORIZAÇÃO CONTÍNUA DA FREQUÊNCIA CARDÍACA

Pela praticidade, pela margem de erros controláveis, baixo custo e simplicidade de


operação a monitorização contínua da frequência cardíaca, em repouso e em
atividade, é uma boa opção para análise da atividade física.

Vamos imaginar então um indivíduo que possua os seguintes dados metabólicos:


Taxa Metabólica de Repouso de 1200 kcal; Média FC repouso de 65 bpm; Média FC
atividade de 82 bpm e dorme 06 (seis) horas. Para calcular o gasto calórico/dia
devemos seguir os seguintes passos:

1. Passo – Determina-se o referencial de sedentarismo:


1200 x 1,4 = 1680 kcal/dia

2. Passo – Determina-se o gasto calórico por minuto em repouso:


1200 / 1440 = 0,83 kcal/min/repouso

3. Passo – Determina-se o gasto calórico por batimento em repouso:


0,83 / 65 = 0,012 kcal/batimento/repouso

4. Passo – Determina-se o gasto calórico por batimento em atividade: (82 x


0,012) / 65 = 0,015 kcal/batimento/atividade

5. Passo – Determina-se o gasto calórico por minuto em atividade:


64

0,015 x 82 = 1,23 kcal/min/atividade

6. Passo – Determina-se o gasto calórico dia em repouso:


0,83 x 480 min (8 horas de sono) = 398,4 kcal

7. Passo – Determina-se o gasto calórico dia em atividade:


1,23 x 960 min (16 horas em atividade) = 1180,8 kcal

8. Passo – Determina-se o gasto calórico dia/real:


398,4 + 1180,8 = 1579,2 kcal/dia

9. Passo – Realiza-se a comparação com o referencial de sedentarismo:


1680 - 1579,2 = 100,8 kcal de déficit (indivíduo sedentário)

10. Passo – Elabora-se a prescrição quantitativa mínima para


03 x semana: (100,8 x 7 = 705,6) / 3 = + 235 kcal/intervenção
(aula, consulta, encontro...)

É importante compreender que para caracterizar realmente sedentarismo, há


necessidade do valor matemático do déficit de atividade física ser significativo em
relação ao referencial de sedentarismo, ou seja, pelo menos 5% para baixo.
Neste exemplo deveria ser maior que 84 kcal. Para colher os valores da Média de
Frequência Cardíaca em atividade de vida diária (atividade), convêm que o
avaliador/prescritor ofereça o monitor de frequência cardíaca (Polar FT1, por
exemplo) para que o cliente realize a coleta em pelos menos 03 (três) dias
típicos. Convém também que seja oferecido formulário próprio para o indivíduo,
além de oferecer ensinamento sobre a operação do aparelho.

Da mesma forma, é viável a determinação de valores de taxa metabólica de


repouso através de método baseado no equivalente metabólica (MET) que
apresenta um valor que nunca será mais baixo que qualquer outro aplicado. Isto é
importante em relação à determinação de prognóstico (no caso de
emagrecimento como objetivo), pois os valores de gasto calórico sempre serão
acima do encontrado, promovendo uma margem de segurança adequada.
Obviamente, sabendo que há métodos mais precisos para a determinação da taxa
metabólica de repouso, como a Calorimetria Indireta e a Termografia por
Infravermelho, se houver a possibilidade de executá-lo os cálculos apresentados
seriam poupados e obviamente a margem de erros diminuiria.
65

O PARECER DE CONSULTA

Fig. 28. Exemplo de Parecer Físico-Funcional (folha 01)


66

Fig. 29. Exemplo de Parecer Físico-Funcional (folha 02).


67

O resultado da Consulta Física (ou Físico-Funcional) deve ser apresentado ao cliente


solicitante em forma de um Parecer. Este deve conter a conclusão do profissional
consultor e sua opinião sobre que direcionamento o cliente deve seguir em relação às
incapacidades físico-funcionais encontradas. Verifica-se então que a consulta é
desvinculada do tratamento. Ou seja, a consultoria determina a assessoria. Desta forma
não procede iniciar um tratamento físico (fisioterapêutico, nutroterapêutico ou de
treinamento desportivo) sem consulta prévia.
68

FISICOLOGIA
HUMANA

4. Prescrição Geral do
Exercício Físico
69

PRESCRIÇÃO GERAL DO EXERCÍCIO

Excetuando as situações clínicas onde alguns objetivos terapêuticos estão distantes


da busca pela melhora da aptidão física geral, para a prescrição geral de exercícios
físico é necessário observar 03 (três) componentes gerais:

 A quantidade (volume) – Em kcal


 A intensidade – Percentual de FC Máxima ou percentual de VO2 Máx
 O tempo – Em minutos

4.1 QUANTIDADE MÍNIMA NECESSÁRIA DE EXERCÍCIO FÍSICO

Obviamente o prescritor deve ter a noção adequada da quantidade mínima e máxima


de exercício físico que o seu cliente necessita. Para tanto, fica claro que o objetivo do
exercício será norteador deste item para emagrecimento, melhora do
condicionamento físico, trofismo funcional, hipertrofia, e mobilidade articular
(flexibilidade) dentre outros objetivos.

Mas, de uma maneira geral, a quantidade mínima de exercícios que qualquer


indivíduo necessita deve ser compatível ao menos com valores suficientes para retirá-
lo da faixa de sedentarismo. Uma vez sabendo a quantidade de exercícios que o
indivíduo necessita, para saber quanto tempo do exercício ele levará para atingir esta
quantidade, é necessário saber qual seria a intensidade do mesmo.

Desta forma, utilizando a fórmula do universal do gasto calórico chegaríamos ao


tempo de exercício, pois nela há o referencial da intensidade que é o valor gasto em
calorias por minuto. Este valor está diretamente relacionado ao consumo de oxigênio
do exercício, que por sua vez possui relação com a frequência cardíaca:

Q = (kcal/min) x T (tempo)

Por exemplo, se um indivíduo possui taxa metabólica de repouso (TMR) de 1200 kcal
deverá possuir um referencial metabólico para o sedentarismo em torno de 1680 kcal.
Ou seja, caso ele não possua um fator atividade que ultrapasse ao menos este valor,
será considerado um indivíduo sedentário. Se neste exemplo ele possuir Taxa
70

Metabólica de Repouso de 1580 kcal, estará na faixa de sedentarismo por um déficit


de 100 kcal por dia.

Desta forma, se faria necessário prescrever exercício de ao menos 100 kcal/dia.


Como normalmente isto é inviável, e invariavelmente o indivíduo sedentário possuem
baixíssimos níveis de condicionamento físico, convém oferecer um repouso
metabólico após os dias de exercício, como recomenda o ACSM (Colégio Americano
de Medicina Esportiva). Desta forma, caso a prescrição fosse realizada 03 (três) vezes
por semana, poderia ser quantificada cada sessão de exercício em + 233 kcal (100 x
7 dias / 3).

4.2 INTENSIDADE ADEQUADA DO EXERCÍCIO FÍSICO

Há evidências que a aplicação de intensidades inadequadas de exercícios físicos


contribui para a adesão negativa de sua prática e concorre com efeitos físico-
funcionais deletérios. Assim, é importante ressaltar que, de uma maneira geral, não se
deve elaborar uma prescrição de exercícios físicos sem o conhecimento do nível de
condicionamento físico do indivíduo.

Sabendo a quantidade de exercício que o indivíduo necessita é produto do gasto


calórico por minuto deste exercício físico multiplicado pelo tempo (normalmente em
minutos), e já sabendo qual é esta quantidade, devemos empreender a análise do seu
nível de condicionamento. Pois, quanto maior for este nível menor será o tempo de
exercício físico. E, em processo evolutivo, conforme este condicionamento físico
aumentar, podemos dispor de um consumo maior (quantidade) para o mesmo tempo
de exercício.

4.3 TEMPO ADEQUADO DE EXERCÍCIO FÍSICO

Também de uma forma generalizada, quando necessitarmos prescrever um exercício


contínuo ou cíclico (muitas vezes chamado equivocadamente aeróbio ou “aeróbico”)
se faz necessário conhecer quanto que o indivíduo consome em quilocalorias por
minuto. Para tanto, é fundamental possuir o valor do VO2 Máximo absoluto em
71

litros/minuto. Para este processo podemos utilizar equações de predição voltadas ao


perfil de nosso cliente.

É importante procurar trabalhar com uma margem de segurança que possibilite a


realização de seus cálculos, de modo nunca extrapolá-los. Por isso que para estas
mensurações de gasto energético na intervenção, o cálculo realizado é de gasto
calórico mínimo. Desta forma não corremos o risco de estarmos ultrapassando o limite
em relação aos exercícios propriamente ditos, ou a gradientes calóricos ofertados no
que diz respeito à alimentação.

Então, como o resultado que buscamos compreende o gasto calórico mínimo, a


equação de predição de VO2 Máx (de pico) do Human Performance Lab, do campus
Davis, da Universidade da Califórnia é bem indicada. Vamos desenvolver um exercício
para acompanhar os passos da determinação do tempo de exercício:

Exemplo:

“Um indivíduo do sexo masculino, de 1,70 m, 70 Kg de Massa Corporal Total, de 25


anos de idade e possuidor de percentual de gordura de 15%. Necessita de um gasto
calórico mínimo de 300 kcal, em um exercício físico contínuo de corrida, para uma
média de frequência cardíaca de 138 batimentos por minuto. O Teste Funcional fez
supor que o mesmo possui moderado nível de condicionamento físico.”

Qual seria o tempo de exercício necessário para na referida intensidade consumir a


quantidade calórica necessária?

 Primeiro Passo – Determina-se o VO2 de Pico:

VO2 = 57,50 – (0,31 x 25) – (0,37 x 15) VO2 = 57,5 – (7,75) – (5,55)

VO2 Pico = 44,2 mlO2 / kg / min

 Segundo Passo – Determina-se a Massa Magra:


72

Para chegarmos até a “Massa Magra”, necessitamos inicialmente achar qual a


massa de gordura (em quilogramas) do indivíduo, conhecida como “Massa Total
de Gordura”. Isto é possível através da análise do percentual de gordura:

100% do Indivíduo ----------------------------------- 70 kg

15% de Gordura do Indivíduo ----------------------- X kg

(15 x 70) / 100 -------------------------------------------X = 10,5 kg de Gordura

Massa Total de Gordura = 10,5 kg

Então, se diminuirmos este valor da Massa Corporal Total teremos uma massa
corpórea sem gordura, conhecida como Massa Isenta de Gordura: (70 kg – 10,5
kg) = 59,5 kg

Massa Isenta de Gordura = 59,5 kg

Para chegarmos ao número em quilogramas correspondente à Massa Magra


corporal, temos que adicionar um valor de massa de gordura equivalente ao
percentual mínimo de gordura que o indivíduo deve possuir, conhecida como
“Gordura Essencial”. Para a faixa etária, e o sexo deste indivíduo, o valor
percentual desta gordura seria de 4% de acordo com a tabela de composição
corporal de Pollock (1993).

100% do Indivíduo ----------------------------------- 70 kg

4% de Gordura do Indivíduo ------------------------- X kg

(4 x 70) / 100 -------------------------------------------X = 2,8 kg de Gordura

Massa de Gordura Essencial = 2,8 kg

Então a massa de gordura mínima que o indivíduo deve manter no corpo,


para a Massa Corporal Total que possui atualmente é de 2,8 kg de Gordura.

Desta forma, a Massa Magra será a composição da Massa Isenta de Gordura


com a Massa de Gordura Essencial.

Massa Magra = Massa Isenta de Gordura + Gordura Essencial


73

Massa Magra = 59,5 Kg + 2,8 Kg

Massa Magra = 62,3 Kg

 Terceiro Passo – Acha-se o valor máximo em litros de oxigênio que este


paciente é capaz de consumir durante 01 (um) minuto estando em sua
frequência cardíaca máxima:

Volume de Oxigênio Máx/min = VO2 Pico x Massa Magra

Volume de Oxigênio Máx/min = 44,2 x 62,3

Volume de Oxigênio Máx/min = 2754 ml/min

Dividindo este valor por 1000 para se obter o dado em litros

Volume de Oxigênio Máx/min = 2,754 l/min

 Quarto Passo – Determina-se a frequência cardíaca máxima:

FCMáx = 208 – (0,7 x idade) Tanaka, 2001.

FCMáx = 191 bpm

Obs. Caso o cliente fosse do sexo feminino, a fórmula a ser utilizada para a
predição da frequência cardíaca máxima seria 206 – (88% da idade), da
pesquisadora Martha Gulati (2010).

 Quinto passo - Descobre-se o limite inferior e superior de sua média


percentual de batimentos cardíacos:

100% ------------- 191

X ---------------138 x = 72%

Intensidade do exercício físico realizado = 72%

Assim o limite inferior do percentual de frequência cardíaca é 70% e limite


superior é 80%.
74

 Sexto Passo – Descobre-se o limite inferior e superior de sua média percentual


do Volume de Oxigênio Máx/min e calcula-se o percentual de consumo de
oxigênio do total, relativo ao exercício, por minuto:

%Frequência Cardíaca 70% 72% 80%

│ │ _│

% VO2 Máx 56% x% 70%

Podemos utilizar o método de correlação por regressão de intervalos múltiplos


para se determinar o percentual do VO2 de treino. Como nesta faixa da Relação
VO2/FC existem 14 intervalos (70% - 56%) de consumo de oxigênio para 10
intervalos (80% - 70%) frequência cardíaca, cada intervalo de percentual de
frequência cardíaca equivale a 1,4 intervalos de Volume de VO2 (14 dividido por
10). Assim, como existem 02 (dois) intervalos de frequência cardíaca (70% –
72%), soma-se ao limite inferior do Volume de O2 Máx (56%) 2,8 intervalos
percentuais (1,4 x 2), resultando em um valor de VO2 de treinamento de 58,8%
(56% + 2,8%). Assim o indivíduo consumiu um volume médio de 58,8% de 2,754
litros de oxigênio por minuto, em média.

VO2 de Treino/min = 1,454 litros/min

Obs. Utilizando-se o coeficiente de correlação de Pearson, poderia também


ser aplicada a seguinte formula para se determinar o percentual do VO2 de
treino (% VO2 treino = (% FC treino x 1,42) – 43,33)

 Sétimo Passo – Transformam-se os valores de litros por minuto para


quilocalorias por minuto, tomando como referencial a tabela de Zunts (1901) da
relação de equivalentes litros de oxigênio por calorias para uma dieta baseada
relativamente adequada entre os nutrientes carboidrato e gordura:

Em repouso (de 50 a 60% da frequência cardíaca máxima) 01 (um) litro de


oxigênio tem um valor equivalente ao consumo de 4,686 quilocalorias, e em
situações de utilização da máxima frequência cardíaca (100%), 01 (um) litro de
oxigênio equivale a 5,047 quilocalorias. Como o intervalo entre esta variação
75

equivale a 0,361 (5,047 –4,686), cada intervalo de consumo de oxigênio


equivale a por volta de 0,005 (0,361 dividido por 72 intervalos – 100% a 28% do
VO2 máximo). Assim, a 58,8% do VO2 máximo de treino teríamos um
equivalente oxigênio/quilocalorias de 4,826 (100 – 72 = 28; multiplicado por
0,005 = 0,14; somado ao limite inferior 4,686).

Desta forma, na média de frequência cardíaca trabalhada o indivíduo


consumiria uma média de:

Kcal / min = VO2 de Treino/min x Equivalente em Quilocalorias

Kcal / min = = 1,454 x 4,826

Kcal / min = 7,017

Obs. Utilizando-se o coeficiente de correlação de Pearson, poderia


também ser aplicada a seguinte formula para se determinar o valor em
quilocalorias de um litro de oxigênio na posição do VO2 máximo de treino
(1 litro por minuto vale = (% VO2 de treino x 0,005) + 4,5472)

 Oitavo Passo – Calcula-se o tempo adequado do exercício físico: Gasto


Calórico Mínimo = (Kcal/Minuto) x Tempo Total

300 = 7,017 x T

TEMPO ADEQUADO = 43 minutos

4.4 TABELA DE RELAÇÕES METABÓLICAS

Esta tabela simplifica os cálculos, pois para se encontrar quantas Kcal/min do


exercício físico, basta encontrar os valores em L/min e multiplicar por Kcal/L.
76

Fig. 30. Tabela de Relações Metabólicas


77

4.5 PERIODIZAÇÃO SEMANAL DO EXERCÍCIO

Sabendo qual deve ser o gasto calórico das intervenções do exercício físico
(quantidade) e sabendo o nível de condicionamento físico do indivíduo, é possível
prescrever cada um dos dias de exercício da semana. Partindo do princípio que para
evolução positiva da aptidão física há necessidade de variação no formato do exercício,
manipular a variável intensidade permitirá que não ocorra acomodação no período.

No enunciado do exercício anterior ficou claro que o indivíduo possuía nível moderado
de condicionamento físico. Assim podemos inferir que seu limite de exposição à
intensidade seria entre 70% e 80% da frequência cardíaca máxima. Isto nos
possibilita a elaborar as prescrições para (por exemplo) segunda-feira, quarta-feira e
sexta-feira. E para compor uma periodização progressiva até o meio do período
utilizaríamos respectivamente 60% da FC Máx,70% da FC Máx e 65% da FC Máx.

Sabendo disto ficaria faltando somente o cálculo do tempo de exercício para cada um
destes dias, já que a quantidade calórica solicitada é fixa. Exercite preenchendo o
quadro abaixo:

Segunda-feira Quarta-feira Sexta-feira


Quantidade 300 kcal 300 kcal 300 kcal
Intensidade % 60% 70% 65%
Intensidade bpm
Tempo em minutos

4.6 PRESCRIÇÃO BASEADA NA FREQUÊNCIA CARDÍACA LIMITE

Para o tratamento físico de um (ou mais) segmentos comprometidos a quantidade do


exercício em quilocalorias deixa de ser relevante, mas a intensidade do exercício
adquire uma importância crucial. Nesta situação fica claro que o tratamento físico é
fisioterapia e o exercício físico é denominado cinesioterapia.

É importante que o fisioterapeuta tenha em mente que eventualmente pode se


deparar com um cliente que possua um segmento comprometido mas precise
78

empreender tratamento nos demais segmentos corporais, aplicando intensidades


diferentes a do segmento lesado. Desta forma é fundamental que não pense somente
em “tratar a lesão”, pois a maior parte dos indivíduos também necessita de trabalhos
físicos globais além da “lesão”.

Podemos exemplificar comentando sobre um indivíduo possuidor de alto nível de


condicionamento físico e que sofreu um mecanismo de trauma em um dos joelhos.
O fisioterapeuta deve elaborar prescrição cinesioterapêutica para o membro
comprometido, mas deve também empreender tratamento físico com intensidade
mais alta nos demais segmentos corporais deste indivíduo. Isto não serve somente
para manter (ou aumentar) o nível de condicionamento das outras partes do corpo,
mas serve também para potencializar a melhora do segmento comprometido.

Normalmente um segmento lesado possui limiares de dor muito baixos, sendo esta
por si só limitando ao excesso de exercício. Sendo assim é importante que o
fisioterapeuta tenha conhecimento se o estímulo físico que está promovendo não
estaria ultrapassando o limite.

Um método de fácil utilização nesta situação é o controle contínuo da frequência


cardíaca, pois já é de conhecimento que em situações clínicas não convém
ultrapassar 60% da frequência cardíaca máxima do indivíduo tratado. Por volta de
60% da frequência cardíaca há o início do consumo de glicogênio pela musculatura
trabalhada e se inicia o processo indutor de acidificação metabólica.

Alguns autores focam o limite do estresse metabólico na chamada carga


cardiovascular. Referem que a carga de trabalho físico fora da situação de exercício
físico propriamente dito (em atividade laboral, por exemplo), não deve ultrapassar
40% da referida carga cardiovascular. Para a compreensão do que seria carga
cardiovascular é necessário saber que os valores de frequência cardíaca máxima
(FCM) também são utilizados. A diferença é a utilização de valores da frequência
cardíaca de repouso (FCR) também. Assim a frequência cardíaca limite (FCL), ou
frequência cardíaca máxima em situações clínicas pode se basear na seguinte
fórmula idealizada por Elias Simon Apud (1997):
79

FCL = [0,4 x (FCM – FCR)] + FCR

É interessante notar que a equação de Apud é apresentada no universo da fisiologia


do exercício como equação da “frequência cardíaca de reserva”. E se for feito um
comparativo da mesma com o referenciado pela fisiologia do exercício será verificado
que 60% da FCM equivale aproximadamente a 40% da carga cardiovascular, que é
representada pela seguinte fórmula onde CCV = Carga cardiovascular e FCT =
Frequência Cardíaca de Trabalho:

Na cinesioterapia os movimentos possíveis devem ser idealizados seguindo a


anatomocinesiologia do segmento corporal ou a situação especial que a lesão
demanda. É consenso neurológico e fisiológico que cada padrão de movimento na
intensidade adequada (entre repouso e FCL) deve compor pelo menos 03 (três)
séries e 08 (oito) repetições. Obviamente o número máximo de repetições devem
respeitar o limiar de dor do paciente e demais sinais clínicos se por qualquer razão o
controle da FC seja limitado.

Como exemplo de outras formas de limitar a intensidade do esforço sobre partes


corporais com lesões, há o acompanhamento pela oximetria, escala de esforço
percebido, escala visual analógica, e frequência respiratória. Todos estes parâmetros
podem ser utilizados largamente por serem práticos de monitorar.

É importante lembrar que os parâmetros de controle de carga na cinesioterapia


podem (e devem) ser quantificados em percentual, para inclusive promover uma
evolução quando for adicionar a descrição do trabalho no prontuário do cliente.

4.7 CÁLCULOS DE EVOLUÇÃO

A evolução do tratamento físico (fisioterapêutico ou de treinamento físico) é necessário


para o empreendimento da alta do cliente ou a passagem para a manutenção físico-
funcional. A alta pode ser parcial ou total. Existe então a necessidade de parâmetros
de normalidade para as referidas incapacidades físico-funcionais.
80

Veja o seguinte caso:

“A consulta física determinou que o Consultado do sexo masculino e de 25 anos


apresentasse no dia 13 de abril de 2014 13 kg/f de força dinamométrica de
preensão da mão direita, pelo dinamômetro de preensão manual
Smedley/Takey. Na Consulta Seriada do dia 28 de abril de 2014, após
prescrição de exercícios físicos cíclicos e acíclicos pelo Método STS de
Musculação Terapêutica e Treinamento Físico, o cliente apresentou 42 kg/f para
a mesma mão.”

Pela tabela de normalidade, para gênero e idade, do equipamento utilizado, o


indivíduo deveria possuir 50,2 kg/f. A diferença deste valor para o que apresentava
inicialmente era de 37,2 (50,2 – 13). Este então era o déficit em kg/f que ele deveria
vencer. Ou seja, se melhorasse 100% deveria sanar estes 37,2 kg/f. Assim, cada kg/f
que ele melhorasse com o tratamento equivaleria a uma melhora de 2,68% (100 /
37,2). Como o indivíduo melhorou 29 kg/f (42 – 13), podemos dizer que a melhora
percentual do cliente foi de 77,72% (2,68 x 29).

Inicial Atual Ideal


13 kg/f 42 kg/f 50,2 kg/f

 Primeiro Passo - 50,2 – 13 = 37,2

 Segundo Passo – 100 / 37,2 = 2,68

 Terceiro Passo – 42 – 13 = 29

 Quarto Passo – 2,68 x 29 = 77,72

Melhora de 77,72% - ÓTIMA


81

EXEMPLO DE RELATÓRIO DE EVOLUÇÃO

Fig. 31. Exemplo de Relatório de Evolução


82

4.8 CÁLCULO DA TAXA METABÓLICA PELO MET

O MET ou equivalente metabólico também é conhecido como VO2 Mínimo. Ele


representa o consumo de oxigênio de 01 (um) quilograma de tecido ativo (massa
magra) por minuto. É chamada de equivalente pelo achado metabólico que
independentemente de quem é a pessoa todas terão o mesmo consumo de oxigênio
para cada quilograma de sua massa magra. Para se determinar a Taxa Metabólica
de Repouso a partir da massa magra é necessário empreender os seguintes
cálculos:

 1º Passo – Determina-se a Massa Magra

Realiza-se a composição corporal do indivíduo, para que se possam obter os


dados de massa magra, pois o cálculo do gasto calórico mínimo se baseia no
pressuposto que a mesma equivale ao tecido corporal mais ativo. Em função
disto o mínimo valor a ser calculado para a ingesta alimentar e movimentação
diária, deverá ser o suficiente para manter a massa magra. O cálculo da massa
magra segue a mesma sequência da determinação do VO2 Máximo relativo
pela equação do Human Performance Lab, do campus Davis, da Universidade
da Califórnia.

 2º Passo – Multiplica-se a Massa Magra pelo MET

 3º Passo – Multiplica-se o resultado por 1440

 4º Passo – Divide-se o resultado por 1000

 5º Passo – Multiplica-se o resultado por 4,686

Se o indivíduo possuir, por exemplo, 62,3 kg de massa magra a operação seria:

62,3 kg x 3,5 mlO2 kg min = 218,05 mlO2 min

Como a Taxa Metabólica de Repouso é medida em 24 horas, isto equivale a


1440 minutos, assim se multiplicarmos o valor achado:

218,05 mlO2 min x 1440 = 313 992 mlO2 dia


83

Este valor é definido em mililitros (ml), para facilitar a operação convém


transformar em litros, dividindo por 1000, já que um litro possui 1000 ml:

313 992 mlO2 dia / 1000 = 313,992 litros de O2 dia

Supondo que o indivíduo esteja se alimentando com os nutrientes mínimos


necessários, na situação de repouso cada vez que ele utilizar 01 (um) litro de
oxigênio, ele terá consumido por volta de 4,686 quilocalorias. Desta forma, para
transformarmos o valor em litros para quilocalorias, multiplica-se este valor por 4,686:

313,992 litros de O2 dia x 4,686 = 1471,3665 Kcal

Taxa Metabólica de Repouso = 1471 Kcal

Para chegar a este mesmo valor também se poderia multiplicar a Massa Magra
pela constante 23,61744, que se ganharia tempo e pouparia as operações:

62,3 x 23,61744 = 1471, 3665


84

FISICOLOGIA
HUMANA

5. Assessoria Metabólica
Relação Alimento x Movimento
85

5.1 ENTREVISTA SOBRE ASSESSORIA METABÓLICA

Entrevista concedida pelo Dr. Ricardo Wallace das Chagas Lucas, Mestre em
Ciências do Movimento Humano, para o Diário de Florianópolis, em 20 de Maio de
2010, para a Jornalista Viviane Martins, sobre o tema Assessoria Metabólica.

Viviane: Bom dia Dr. Wallace, é um prazer poder conversar com o Senhor aqui em
nosso jornal, para esclarecimento sobre este tema que tem repercutido bastante em
nossa cidade.

Viviane: Gostaria que o Senhor nos explicasse o que exatamente é a Assessoria


Metabólica.

Dr. Wallace: Para que possamos entender do que se trata a Assessoria


Metabólica é necessário inicialmente ser dito que existe uma busca da população por
procedimentos mais científicos e menos populares no trato de sua saúde. E em
função disto é que estamos percebendo um crescimento pela busca da Assessoria
Metabólica, que se trata de um procedimento multiprofissional que objetiva, dentre
outros temas, a promoção de um emagrecimento controlado e duradouro.

Viviane: Então é uma técnica científica para emagrecimento?

Dr. Wallace: Podemos dizer genericamente que é um procedimento científico, e


multiprofissional, para melhora da saúde, onde na maior parte dos indivíduos o
emagrecimento se faz necessário.

Viviane: Entendo. Pois na realidade a maioria das pessoas está fora do peso e em
consequência disto a saúde pode estar comprometida, como sabemos. Mas Dr.
Wallace, por que multiprofissional? Não é responsabilidade do profissional de Nutrição
promover condutas que emagreçam?

Dr. Wallace: As pesquisas demonstram que para se atingir um patamar de “peso


ideal” na maioria dos clientes é necessário empreender ao menos com alterações no
consumo alimentar e no gasto calórico diário. Sendo assim, há necessidade de um
86

entrosamento mais próximo dos profissionais que lidam com o movimento humano, e
dos profissionais que lidam com a nutrição humana. Ou seja, ambos devem saber
como se ajudar para o objetivo final, que normalmente é o emagrecimento do cliente.

Viviane: Mas já não existem várias clínicas multiprofissionais que oferecem


emagrecimento?

Dr. Wallace: Sim. Mas o que observamos é que nestas clínicas (não todas, é
importante que se diga isso) existem sim vários profissionais, mas o que não existe é
o tratamento conjunto e interdisciplinar, ou transdisciplinar, dos seus clientes. E
quando se faz a tentativa correta, falta o conhecimento científico para a positivação
dos resultados. É este conhecimento científico que a Assessoria Metabólica prevê e
oferece.

Viviane: Então podemos dizer que é impossível se emagrecer, e obter resultados


duradouros, sem conhecimento científico. Estou correta?

Dr. Wallace: Sim. E as ferramentas científicas para este fim não estão na mão de
somente uma classe profissional.

Viviane: E quais seriam estas classes profissionais?

Dr. Wallace: Tecnicamente seriam de profissionais que estão envolvidos com o


movimento humano, se destacando os Profissionais de Educação Física e
Fisioterapeutas, e os profissionais de nutrição, sabidamente os Nutricionistas.

Viviane: O Senhor diz então que os Fisioterapeutas estão envolvidos com o processo
de emagrecimento?

Dr. Wallace: A contribuição do Fisioterapeuta é muito grande e necessária. Pois já se


sabe que o indivíduo portador de obesidade é também portador de alterações clínicas.
87

Alterações estas demonstradas por vários sinais metabólicos, como alteração de


hormônios importantes dentre outras alterações que comprometem sua mobilidade
normal. Isto tanto é verdade que hoje a obesidade é considerada uma doença.
Sendo assim, fica muito bem caracterizada a atuação do fisioterapeuta na obesidade.

Viviane: Então no processo da Assessoria Metabólica também devemos contar


com o profissional de medicina?

Dr. Wallace: Correto, pois são várias as situações onde o controle da nutrição e do
exercício terapêutico vão precisar do apoio do uso de medicamentos. Em algumas
situações alguns clientes já se apresentam para o tratamento de Assessoria
Metabólica em uso de medicamentos, e o controle da ação destes medicamentos
também faz parte do procedimento de Assessoria.

Viviane: Então, quando o cliente não está em uso de medicamentos, ou com algum
comprometimento clínico importante, a parte de exercício pode ser realizada tanto por
um Fisioterapeuta quanto de um Profissional de Educação Física.

Dr. Wallace: É muito interessante observar que estes profissionais, ambos formados
nas ciências no movimento humano, possuem plenas condições de atuarem na
Assessoria Metabólica. O que se vê na prática, é que quanto mais comprometido
físico-funcionalmente, mais chance tem do atendimento de exercício ser prestado por
um Fisioterapeuta que um Profissional de Educação Física. E o inverso é verdadeiro,
quanto menor o comprometimento físico-funcional e o maior nível de
condicionamento, mais chance tem do atendimento de exercício ser prestado por um
Profissional de Educação Física.

Viviane: O que o Senhor considera o principal fundamento da Assessoria Metabólica?

Dr. Wallace: É “com certeza o “Recordatório Metabólico”. Pois é a partir dele que
construímos a “Posologia” da Assessoria Metabólica.
88

Viviane: E o que vem a ser esta “Posologia”?

Dr. Wallace: Se nós entendemos que o exercício correto é a alimentação


correta são considerados os “remédios” para o emagrecimento controlado e para a
saúde, então é fundamental saber qual a “dose” correta a ser dada destes remédios.
Não me adianta nada prescrever um exercício (ou aplicá-lo), ou prescrever um
cardápio, com as doses incorretas para o estado que o cliente apresenta hoje. E isso
é muito comum quando observarmos os tratamentos corriqueiros de emagrecimento.

Viviane: E como este “Recordatório Metabólico” pode auxiliar nesta prescrição, nesta
receita de exercício e de comida?

Dr. Wallace: O Recordatório Metabólico analisa dois parâmetros fundamentais: O


recordatório nutricional, e o recordatório de atividade física. O primeiro faz um
rastreamento da quantidade, da qualidade e dos horários de ingesta alimentar, e o
segundo rastreia o gasto calórico médio do dia do indivíduo. Com estas bases nós
somos capazes de entender quanto de alimentação o indivíduo precisa para o gasto
calórico que ele possui. Assim os ajustes são realizados, normalmente com uma dieta
de regressão calórica, e com uma progressão dos exercícios físicos. E prescrição do
exercício é realizada com parâmetros de: Intensidade, Tempo de duração do exercício
e Quantidade calórica do mesmo.

Viviane: Quer dizer que uma consulta para Assessoria Metabólica não pode ser feita
em um só momento?. É necessário realizar estes recordatórios?

Dr. Wallace: Correto. Pois podemos incorrer em erro comum, que é prescrever sem
saber o “quanto”. Ou seja, não podemos generalizar cardápios e nem podemos
generalizar exercícios, pois quando o tratamento de Assessoria Metabólica se inicia,
realizamos avaliações seriadas, próximas uma das outras, para diminuirmos o erro
prescricional. Então não há como prescrever inicialmente sem o conhecimento prévio
destes parâmetros recordatório.
89

Viviane: Como há a interação entre os profissionais do exercício e os profissionais da


nutrição?

Dr. Wallace: Com o profissional do exercício sabendo quanto o cliente pode fazer de
exercício, ele solicita ao profissional da nutrição a regressão calórica (se necessário
for) para complementar o emagrecimento estipulado. E como o profissional da
nutrição tem o recordatório alimentar, ele elabora o cardápio para o período pré-
determinado, baseado no valor calórico necessário para auxiliar no emagrecimento,
solicitado pelo profissional do exercício. Isto também pode ser feito ao contrário,
quando o profissional da nutrição solicita um volume calórico necessário ao
emagrecimento do cliente, tudo baseado em quilocalorias ou quilo joules.

Viviane: Mais uma vez agradeço a presença do Senhor, que com certeza foi
esclarecedora e importante, e peço que nos deixe uma mensagem que resuma esta
nossa entrevista.

Dr. Wallace: O que posso dizer a respeito do tema é que se realmente exercício e
comida são remédios, eles devem ser tomados nas doses certas, e isto só é possível
com uma Assessoria Metabólica. Obrigado!

5.2 TIPOS DE ASSESSORIA METABÓLICA

Não é taxativo dizer que os processos de assessoria metabólica sejam direcionados


somente para o emagrecimento. Outros benefícios metabólicos são desencadeados
pelo processo, podendo então a assessoria metabólica ser utilizada para outros
objetivos. Obviamente quanto maior o comprometimento clínico, maior deve ser a
colaboração multiprofissional. Dentre outras situações que possuem necessidade de
assessoria metabólica podemos citar:

 PARA DIABETES TIPO I E TIPO II –


90

O tratamento do diabético baseia-se praticamente na assessoria metabólica,


focada na aplicação adequada dos chamados quatro pilares fundamentais para
seu tratamento e controle:

1) Educação;

2) Insulina ou hipoglicemiantes orais;

3) Dieta (regime) e

4) Exercícios físicos.

O exercício físico prescrito e executado corretamente provoca ajustes metabólicos


e fisiológicos imediatos no intuito que o organismo consiga atender a maior
demanda energética e manter a sua homeostase. Sabe-se, ainda, que o
treinamento é capaz de modificar o funcionamento metabólico e fisiológico no
repouso e durante o exercício. O controle metabólico durante o exercício físico
depende de complexa regulação neuroendócrina, onde se verifica a redução nos
níveis de insulina e aumento nos hormônios que têm ação antagônica à mesma
(contrarreguladores). Dentre estes hormônios incluem-se as catecolaminas; o
glucagon; o hormônio de crescimento e o cortisol.

A prática do exercício físico tem sido recomendada no tratamento de indivíduos


portadores de Diabetes Mellitus baseada principalmente em trabalhos que
abordam os mais diversos aspectos da fisiopatologia e o papel do exercício na
sua terapêutica.

O exercício físico pode gerar importantes mudanças nos aspectos biológico,


psicológico e sociocultural dos indivíduos, sendo que no âmbito fisiológico o
treinamento físico regular é responsável por proporcionar adaptações nos
sistemas metabólico, neuroendócrino e cardiovascular.

A prática adequada de exercícios físicos é recomendada aos pacientes pelas


mesmas razões às quais o é para a população em geral, ou seja, devido seus
benefícios aos sistemas cardiovascular, metabólico e neuroendócrino,
contribuindo assim para a melhora na qualidade de vida do indivíduo portador
da doença, este efeito relaciona-se não apenas às melhoras somáticas e
fisiológicas, mas também às psicológicas, a partir do momento que a pessoa se
sente mais ativa dentro da sociedade.
91

No entanto, este treinamento deve estar associado a um bom controle da dieta,


medicação oral hipoglicemiante e da administração de insulina, a fim de que o
mesmo tenha papel benéfico no controle da taxa glicídica desses pacientes. Ao
contrário, um desequilíbrio neste eixo poderá se constituir em mais um fator de
comprometimento para o paciente caso o controle do diabetes não esteja
satisfatório (diabetes descompensado).

 PARA DISTÚRBIOS ALIMENTARES: ANOREXIA E BULIMIA –

Problemas graves e com aumento de incidência nos últimos anos, as desordens


alimentares como anorexia e bulimia acometem particularmente meninas e são
frequentes em diabéticas. Tais transtornos podem cursar com eventos graves de
hipoglicemia e risco de vida por desnutrição e alterações metabólicas
associadas. Isto justifica a necessidade de outros profissionais em vossos
tratamentos.

a) Na anorexia nervosa há padrões peculiares de manuseio de alimentos,


medo intenso da obesidade e perturbação da imagem corporal. Os
anoréxicos cumprem dietas incessantes e abusam de diuréticos e laxantes.
Para o diagnóstico de anorexia nervosa é necessária uma redução de 15%
da massa corporal total (peso) original, e não pode existir qualquer doença
física intercorrente. Em geral, os pacientes manifestam um comportamento
incomum com relação à comida (cortam a carne em pedaços bem
pequenos, gostam de preparar refeições elaboradas para os outros,
tentam se livrar dos alimentos guardando-os em guardanapos ou
escondendo-os nos bolsos). Sua prevalência é maior em indivíduos de
classes socioeconômicas mais elevadas e é uma das poucas doenças
psiquiátricas que pode ter um curso progressivo até a morte. Acentuada
queda do interesse sexual, comportamento obsessivo-compulsivo,
ansiedade e depressão frequentemente acompanham a anorexia nervosa.
Quando a perda de massa corporal se agrava e o faz procurar o clínico, o
anoréxico frequentemente já apresenta outros problemas orgânicos
sobrepostos, como distúrbios cardiovasculares, alterações
hidroeletrolíticas, metabólicas e amenorréia em mulheres.
92

Acredita-se que o estresse seja o principal fator desencadeante da


anorexia. Um estudo de casos de anorexia relatou que subjacente ao
estresse que precipitou a anorexia, na maioria dos pacientes estava o
medo de um fracasso na vida profissional, baixo desempenho escolar e
perfeccionismo. A resistência ao tratamento manifestada pelos pacientes
anoréxicos ocorre, na maioria das vezes, porque o paciente não admite
estar acometido desta condição. O tratamento inicial é hospitalar e consiste
na restauração do estado nutricional do paciente, uma vez que este
desequilíbrio pode levar ao óbito. A seguir, deve ser instituída a terapia
familiar e o condicionamento comportamental, com repouso associado à
liberação de recompensas à medida que o paciente coopera e ganha
massa corporal.

b) A bulimia trata-se de um distúrbio caracterizado por comportamento


alimentar excessivo, compulsivo e episódico. O desconforto físico, como
dor abdominal ou sensação de náusea, encerra o episódio bulímico que é
seguido por depressão e pensamentos autodepreciativos. Exercícios
físicos, indução do vômito, uso regular de laxantes e diuréticos refletem a
preocupação do paciente com a forma e massas corporais (peso).

A bulimia geralmente ocorre na adolescência e início da idade adulta, e


acomete principalmente pessoas do sexo feminino. Entre os fatores
etiológicos relaciona-se a ansiedade associada com o término de uma fase
na vida do indivíduo ou o início de uma nova atividade, como término dos
estudos e início do emprego. Alguns pacientes quando não conseguem
voluntariamente controlar a ingestão de alimentos, sem que ninguém
saiba se fartam de comida para logo em seguida induzirem o vômito. O
tratamento da bulimia consiste de psicoterapia associada a técnicas de
modificação comportamental e farmacoterapia. A boa resposta de
pacientes com esta condição aos antidepressivos tricíclicos, como a
imipramina, sugere uma relação da bulimia com a depressão. À bulimia
pode seguir a anorexia nervosa, cujo curso e prognóstico são mais graves.
Desta forma, a assessoria metabólica não tem como ser realizada, sem a
atuação de profissionais da saúde mental (psicólogos e psiquiatras).
93

 PARA REABILITAÇÃO CARDIOPULMONAR E METABÓLICA


(REABILITAÇÃO CARDÍACA) –

O apoio multiprofissional que caracteriza a assessoria metabólica é evidente na


Diretriz de Reabilitação Cardiopulmonar e Metabólica, da Sociedade Brasileira de
Cardiologia. Onde é citado “Membros componentes da equipe” fica claro a
autonomia que cada profissional tem atuando neste universo. Dentre estes
profissionais podemos citar os fisioterapeutas, os profissionais de educação física,
os nutricionais, os enfermeiros e os psicólogos. Sendo que vossas atuações
dependem, obviamente, das fases da reabilitação cardiopulmonar:

Fig. 32. Responsabilidades dos membros da equipe em reabilitação cardiopulmonar e metabólica.

 PARA IDOSOS COMPROMETIDOS FÍSICO-FUNCIONALMENTE –

De acordo com o Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM) no ano


2030, o número de indivíduos acima de 65 anos pode alcançar 70 milhões
94

somente nos Estados Unidos. O segmento populacional que mais cresce é o de


pessoas com 85 anos e mais. Como mais indivíduos vivem mais, é necessário
determinar a amplitude e os mecanismos em que o exercício físico possa melhorar
a saúde, capacidade funcional, qualidade de vida e independência nesta
população. E este é motivo mais que suficiente para o empreendimento
multiprofissional para a obtenção deste objetivo.

O envelhecimento é um processo complexo que envolve muitas variáveis (por


exemplo, genética, estilo de vida, doenças crônicas) que interagem entre si e
influenciam significativamente o modo em que alcançamos determinada idade. A
participação em atividade física adequada regular, ou exercícios físicos
adequados (ênfase ao trabalho de força – Musculação Terapêutica) fornecem
um número de respostas favoráveis que contribuem para o envelhecimento
saudável. Muito tem sido aprendido recentemente em relação à adaptabilidade dos
vários sistemas biológicos, assim como os meios em que a assessoria metabólica
pode influenciá-los.

5.3 A OBESIDADE

A obesidade é uma condição caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura, e esta


se refere ao depósito de triglicerídeos (triacilglideróis) no tecido adiposo subcutâneo e
visceral:

Fig. 33 – Célula adiposa branca unilocular. O número 02 (dois) representa a parte mais ativa
metabolicamente, e o número 01 (um) representa a reserva de triglicerídeo armazenada.
95

Então é inadequado dizer que óleos, colesteróis ou ácidos graxos seja gordura. Na
realidade todos são tipos diferentes de lipídeos (ou lipídios). A gordura corporal (tecido
adiposo), embora desempenhe funções importantes no corpo humano, tais como fonte
e reserva de energia, proteção de órgãos vitais, isolamento térmico do organismo e
carreador de vitaminas lipossolúveis, quando em excesso pode causar sérios
distúrbios para a saúde, além de ser indesejável nos padrões estéticos da sociedade
contemporânea.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2002 definiu obesidade como um excesso


de gordura corporal acumulada no tecido adiposo, com implicações para a saúde.
Definiu ainda que a mesma seja caracterizada pela acumulação excessiva de gordura
corporal com potencial prejuízo à saúde, decorrente de vários fatores: Genéticos,
ambientais, padrões dietéticos, de atividade física, susceptibilidade biológica, e outros
que possam interagir na etiologia da patologia (doença).

A definição de obesidade cursa ainda como um excesso de peso, entendido como


massa corporal total, que resulta do aumento de células adiposas no corpo, e/ou seu
conteúdo, caracterizando uma acumulação de gordura de reserva para além da
fisiológica, isto é, além da necessária ao equilíbrio funcional e morfológico de um corpo
saudável. Há ainda consenso sobre a distinção entre obesidade e excesso de “peso”.
Enquanto o excesso de “peso” consistiria num aumento da massa corporal total acima
de um padrão estabelecido (relativamente à estatura), obesidade significaria a
existência de uma percentagem elevada de gordura corporal, podendo estar
generalizada ou localizada numa determinada zona do corpo. O tecido adiposo nada
mais é que uma forma de tecido conjuntivo composto por células adiposas (ou
adipócitos) separadas umas das outras por uma matriz de fibras colágenas e de fibras
elásticas amarelas, podendo a gordura (triglicérides) acumular-se no interior dos
adipócitos existentes aumentando-se em tamanho (hipertrofia) ou acumular-se por
intermédio da formação de novas células adiposas (hiperplasia).

O indivíduo normal eleva suas reservas de gordura por intermédio de uma combinação
entre hipertrofia e hiperplasia, do nascimento a maturidade. Ao atingir a maturidade a
pessoa obesa apresenta cerca de 60 a 100 bilhões de células gordurosas, enquanto a
pessoa não-obesa apresenta uma menor quantidade, equivalente entre 25 a 30
bilhões. As células adiposas formam camadas macias no corpo, envolvendo os órgãos
96

internos ou logo abaixo da pele (gordura subcutânea). Uma molécula de gordura é


composta de átomos de carbono (C), oxigênio (O) e hidrogênio (H). A maior parte
(95%) da gordura corporal está na forma de triglicerídeos (ou gordura neutra) formado
por três moléculas de ácidos graxos ligados quimicamente a uma molécula de glicerol.
Outras formas de lipídeos no corpo são os fosfolipídeos, glicolipídeos e lipoproteínas.

Os triglicerídeos são utilizados no organismo, principalmente para fornecer energia aos


diferentes processos metabólicos. Em razão da densidade calórica das gorduras,
pode-se possuir uma grande reserva de energia, tendo pouca massa. Assim, o
conteúdo energético de 454 gramas de tecido adiposo equivale a por volta de 3500
kcal, que é o suficiente para suprir o consumo da corrida de uma maratona. Por outro
lado, em decorrência de sua densidade calórica muito alta, leva mais tempo para
diminuir a massa de tecido adiposo. Interessante perceber que apesar de um grama
de gordura possuir a densidade energética de 9 kcal, 01 (um) quilograma de tecido
adiposo não possui 9000 (nove mil) kcal, e sim por volta de 7750 kcal. Isto é possível
exatamente porque a gordura a qual nos referimos é na realidade a combinação de
ácidos graxos com o glicerol, ou seja, triglicerídeos (triacilglicerol/triglicérides). E esta
combinação equivale a por volta de 86% do valor energético do ácido graxo puro (9
kcal), resultando em por volta de 7,75 kcal por grama (baseados no fator de Atwater
para os valores energéticos de gordura e carboidratos).

 HISTOLOGIA DA OBESIDADE

O tecido adiposo é um tipo especial de tecido conjuntivo que se caracteriza pela


presença de células especializadas em armazenar lipídios, conhecidas como
adipócitos. Os lipídeos funcionam como reservas energéticas e calóricas, sendo
utilizadas paulatinamente entre as refeições. Além desta importante função, os
adipócitos auxiliam na manutenção da temperatura corpórea, na produção de
hormônios, na formação dos coxins adiposos, além de apresentarem distribuições
diferenciadas no corpo do homem e no corpo da mulher, ligadas as características
sexuais secundárias.

Há 02 (duas) variedades de tecido adiposo: o tecido adiposo unilocular e o


multilocular. No tecido adiposo unilocular, os adipócitos armazenam o triglicerídeo
97

em uma gotícula única, que ocupa quase todo o espaço celular. Os adipócitos são
sustentados por uma trama de fibras reticulares e envolvidos por uma rede vascular
desenvolvida. Os adipócitos não se dividem num indivíduo adulto, o crescimento do
tecido se dá principalmente pelo acúmulo de lipídio nas células adiposas já
existentes e formadas durante a vida embrionária e num período curto após o
nascimento e na puberdade.

Além do tecido adiposo unilocular, também conhecido como tecido adiposo amarelo
(ou branco) observa-se também o tecido adiposo multilocular ou pardo (marrom).
Este tipo de tecido adiposo, ao contrário da gordura amarela que pode ser
encontrada espalhada no organismo, é observado em maiores quantidades em fetos
humanos recém-nascidos, mas em volumes menores do adulto. Há também certa
abundância em animais hibernantes.

Os adipócitos da gordura parda acumulam lipídios na forma de várias gotículas


espalhadas pelo citoplasma, e cercada por uma quantidade maior de citoplasma,
quando comparada ao adipócito unilocular. Outra característica importante é a
abundância em mitocôndrias, que são as responsáveis pela coloração parda do
tecido. A principal função do tecido adiposo multilocular é gerar calor.

Através de uma proteína específica nas mitocôndrias destes adipócitos, a energia


gerada pela cadeia de elétrons e que produz ATP em outras situações, aqui é
convertida em calor, que servirá para aquecer os recém nascidos ou os animais
hibernantes, pois quando o tecido adiposo é estimulado pela noradrenalina, ele gera
a lipólise e oxidação de ácidos graxos.

A oxidação de ácidos graxos produz calor e não ATP, isso porque as mitocôndrias
possuem a proteína desacopladora termogenina, que permite a volta dos prótons do
espaço intermembranoso para a matriz mitocondrial. O calor aquece o sangue da
rede capilar do tecido multilocular e distribui pelo corpo, aquecendo os órgãos e
aumentado a taxa metabólica de repouso.
98

Fig. 34 – Célula adiposa marrom/parda multilocular

 FISIOLOGIA DA OBESIDADE

No duodeno, a degradação dos triglicerídeos dá-se pela lipase pancreática em suas


unidades básicas (ácidos graxos e glicerol), que são absorvidos pelo epitélio
intestinal. Nas células deste epitélio ocorre a ressíntese dos triglicerídeos, que
brotam dentro de bolsas chamadas quilomicrons, junto com pequenas quantidades
de colesterol, fosfilopídeos e proteínas. Ao serem expulsos das células, os
quilomicrons são absorvidos pelos vasos linfáticos, por onde são conduzidos ao
sangue para serem levados até às células adiposas. As membranas destas células
possuem lipase lipoprotéica, que hidroliza os componentes dos quilomicrons. Pode
ainda hidrolizar lipoproteínas (VLDL) que transportam triglicerídeos oriundos do
fígado. O ácido graxo degradado entra no adipócito e é adicionado ao glicerolfosfato
existente na célula, remontando-se, assim, o triglicerídeo para ser armazenado. A
hidrólise dos Triglicerídeos pode ser desencadeada por:

a) ESTÍMULOS NEUROGÊNICOS: Mecanismos de desequilíbrio do sistema


nervoso visceral diminuia ação parassimpática e estimula a simpática. A
noradrenalina, quando estimula o tecido adiposo faz com que a enzima
lipase sensível a hormônio seja ativada pela adenil-ciclase. A enzima
hidroliza os triglicerídeos e os ácidos graxos são transportados para
99

outros tecidos, onde são usados como fonte de energia. O glicerol volta ao
fígado sendo reaproveitado.

b) ESTÍMULOS HORMONAIS: A deposição de gorduras é seletiva e atuante


com os hormônios sexuais e adrenocorticóides. Os hormônios adrenalina,
noradrenalina, glicorticóides, GH e insulina também podem participar do
processo de hidrólise de triglicerídeos.

A iniciação da alimentação (a fome) parece resultar de uma queda transitória da


concentração da glicose sérica e, com isso aciona-se o sistema nervoso
simpático com produção de catecolaminas que estimulam a gordura marrom a
produzir calor. Após a ingestão alimentar a temperatura atinge um limiar, cessando
a vontade e necessidade de continuar a alimentação. Este mecanismo parece
ocorrer no recém-nascido. Pesquisas em pacientes obesos e não obesos,
demonstraram que a proteína mitocondrial desacoplada, se encontra em
menor quantidade no tecido intraperitoneal de pacientes obesos quando
comparados aos controles. A proteína mitocondrial do tecido extraperitoneal não foi
diferente entre os obesos e não obesos. Isto sugere que pacientes obesos
apresentam uma quantidade menor desta proteína no tecido intraperitoneal e este
fato pode refletir o papel da gordura marrom no controle da obesidade. É sabido que
algumas pessoas engordam com mais facilidade que outras. Para que se entenda
esta tendência, é necessário ter em mente que na origem da obesidade estão
envolvidos fatores metabólicos, genéticos, culturais e comportamentais.

 ETIOPATOLOGIA DA OBESIDADE

- FATORES GENÉTICOS

Diversos estudos com resultados variados demonstraram haver


associação entre obesidade e hereditariedade. Bouchard em 1988
publicou no International Journal of Obesity um estudo que envolveu 1698
pessoas de 409 famílias diferentes e demonstrou haver participação
genética em até 25% dos casos. Quando analisada a distribuição andróide
de gordura, esta participação chegou a 30%. O trabalho de Stunkard,
100

publicado em 1986 no "The New England Journal of Medicine" partiu de


uma análise de 540 adultos adotados e mostrou maior correlação entre a
distribuição de gordura do filho e de seus pais verdadeiros.

- FATORES NEUROLÓGICOS

A tendência atual é considerar o hipotálamo como órgão regulador do


desejo de comer. No hipotálamo ventro-medial (núcleo paraventricular e
núcleo arqueado) estaria situado o centro da saciedade. Sua destruição
causa hiperfagia e obesidade, com hiperinsulinemia, alterações da
termogênese e do sistema nervoso autônomo. O hipotálamo lateral
compreenderia o centro da fome. Sua destruição leva a um estado de
diminuição de a ingesta alimentar e ao emagrecimento. A participação de
neurotransmissores, já identificados, atuando nos diversos tipos de
receptores é fundamental para o início e o término de uma alimentação.

- FATORES ÉTNICOS E SOCIAIS

No Brasil, a obesidade é mais prevalente em classes mais elevadas


economicamente, embora o seu crescimento esteja maior nas classes mais
pobres. Vários outros fatores estão envolvidos na gênese da obesidade.
Aspectos culturais e comportamentais podem facilitar ou dificultar a
manifestação de uma tendência. Observa-se ganho ponderal após o
casamento e com o envelhecer (em especial nas mulheres). A cessação
do vício de fumar e a gestação guardam relação com o aumento de
massa corporal total, assim como a adoção de um estilo de vida
sedentário. A preferência por alimentos ricos em carboidratos
processados (alto índice glicêmico) e com alto teor de gordura também é
característica dos obesos. A utilização de certas medicações como
glicocorticóides, antidepressivos tricíclicos, anticoncepcionais orais além
do lítio, pode também causar aumento de massa corporal total.

Estudos estatísticos mostram que, da variante transmissível total da doença, 25%


são atribuídos a fatores genéticos, 30% a fatores culturais e 45% a outros fatores
ambientais não transmissíveis e considera-se que exista uma influência maior da
genética no acúmulo de gordura visceral do que na subcutânea. O excesso de
101

gordura corporal, porém, está determinado pela herança cultural e pela herança
genética. A interação genético-ambiental promove o desenvolvimento de
obesidade no indivíduo.

As causas genéticas contêm todos os fatores orgânicos que podem contribuir


para uma ingestão alimentar excessiva ou uma tendência elevada de acúmulo de
gordura. Há muitos genes envolvidos com estes mecanismos de controle e
alterações nestes genes podem favorecer ou causar o desenvolvimento de
obesidade. Entre eles se inclui o gene que codifica a leptina e seu receptor. Este
hormônio é secretado pelo adipócito e aparentemente atua aumentando o gasto
energético e inibindo as ações do neuropeptídeo Y (NPY), cuja ação aumenta o
apetite e diminui a termogênese.

As causas ambientais mostradas são a inatividade física, a alimentação rica em


gordura e o estresse crônico. Numa pequena porcentagem dos casos, a
obesidade pode ser determinada por transtornos endócrinos. Alguns
medicamentos também podem ser causa de aumento de massa corporal total
(peso), como os glicocorticóides, os progestágenos sintéticos, e alguns tipos de
antidepressivos.

Em resumo, a obesidade exige fatores genéticos, psicossociais, culturais,


nutricionais, metabólicos e endócrinos, que lhe dão caráter multifatorial.

 FISIOPATOLOGIA DA OBESIDADE

Diversas alterações metabólicas e endócrinas estão vinculadas com a obesidade e


suas complicações:

a) Gasto energético reduzido.

b) Quociente respiratório elevado.

c) Resistência à insulina.

d) Hiperinsulinismo compensatório.
102

e) Acúmulo excessivo de gordura visceral.

f) Hipercortisolismo funcional.

g) Hipogonadismo secundário.

h) Hiperatividade do sistema nervoso simpático.

i) Hiperleptinemia.

j) Hiperestimulação do eixo hipotálamo-hipofisário-adrenal.

k) Atividade neurofisiológica aumentada do NPY.

Um dos pontos centrais de complicações metabólicas da obesidade aparece como


depósito visceral de gordura, associado com um aumento nos níveis de ácidos graxos
livres na circulação portal e resistência à ação da insulina. Outros fatores associados
ao quadro da síndrome metabólica são:

a) Aumento na reabsorção de sódio e água.

b) Níveis elevados da pressão arterial.

c) Intolerância aos carboidratos.

d) Atividade aterogênica elevada.

e) Doença arterial coronária prematura.

f) Aumento no risco de câncer de mama, endométrio e cólon.

g) Nutrição em etapas adiantadas da vida e obesidade.

h) Desnutrição intra-uterina (sobretudo a partir da 30ª semana de gestação).

Até o bebê humano completar um ano, se produz um aumento na sensibilidade para


a proliferação de adipócitos. Se estes bebês recebem um aporte calórico maior
do que o necessário de sua etapa pós-natal até dois anos de vida, desenvolvem
obesidade com maior facilidade. Aparentemente este fenômeno ocorre devido às
transformações dos centros reguladores de apetite no sistema nervoso central.
Muito provavelmente esses bebês, ao crescerem, terão uma incidência maior de
103

resistência à insulina, diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial e doença


coronária.

 FUNÇÕES DO TECIDO ADIPOSO

Além das funções clássicas atribuídas ao tecido adiposo, ele também desempenha
funções endócrinas ou endócrino-metabólicas. Estas funções são determinadas
por substâncias produzidas pelo mesmo, e recebem a denominação de
adipocitocinas e/ou adipocinas. Estas substâncias são semelhante às miocinas
produzidas pelo músculo esquelético (irisina, por exemplo), e têm ações diversas,
podendo agrupá-las de acordo com as características de suas funções:

a) Imunológicas - Dentro do primeiro grupo incluem-se a interleucina 6


(IL6), o fator de necrose tumoral α e os fatores do complemento B, C3 e D
(adipsina). A adipsina foi uma das primeiras proteínas produzida pelos
adipócitos a ser identificada. Estas moléculas têm funções bem definidas
nos estádios inflamatórios.

b) Cardiovasculares - É conhecida a forte associação entre


obesidade e o risco cardiovascular e evidenciada pela melhoria dos
fatores de risco associada à perda ponderal. No grupo das adipocinas com
função predominantemente cardiovascular, destacam-se as moléculas do
eixo renina-angiotensina e o inibidor de ativação do plasminogênio (PAI-
1).

c) Metabólicas - As moléculas com função metabólica são aquelas que


desempenham, ou se supõe que desempenham, um papel na homeostasia
energética. O tecido adiposo está sobretudo envolvido no metabolismo dos
lípidios e glícidios. As adipocinas envolvidas nesses processos são os
ácidos graxos livres (AGL), a adiponectina, a resistina, o AGRP e a
visfatina.

d) Endócrinas. O paradigma da função endócrina do tecido adiposo é a


leptina. A sua produção é quase exclusiva do tecido adiposo e
desempenha um papel fundamental na regulação dos depósitos
104

energéticos e da fertilidade. Para além da produção de leptina, o adipócito


tem um papel importante no metabolismo dos hormônios esteroides,
predominantemente de interconversão.

Apesar do recente aumento dos conhecimentos relativos a estas moléculas, como às


suas funções e relação com outros sistemas, são necessários mais estudos para
esclarecer mecanismos e aplicações práticas. Dessa forma será possível encontrar
formas eficazes de corrigir as diversas disfunções endócrinas e metabólicas associadas à
obesidade.

5.4 CONSIDERAÇÕES SOBRE O IMC

O principal instrumento utilizado para diagnóstico epidemiológico de obesidade no


Brasil é o IMC - Índice de Massa Corporal. Historicamente, este índice foi criado no
século XIX, em 1835, pelo matemático/astrônomo e estatístico Lambert Adolphe
Quetelet (1796-1874), que propôs uma estratégia de relacionar matematicamente a
massa corporal e a estatura do indivíduo, através da divisão da massa pelo quadrado
da estatura.

A criação deste índice, também chamado de índice de Quetelet, não possuía o objetivo
de determinar níveis de obesidade, mas foi criado para fins de estudos estatísticos
sobre a população humana, em perfis antropométricos, na tentativa de agrupar as
pessoas em uma “curva normal” já trabalhada por Gauss em 1809. Com a mesma
finalidade, posteriormente outros índices foram criados, como o Índice Ponderal de
Livi em 1898, que representava a massa corporal dividida pela raiz cúbica da estatura
(massa / 3√estatura), e o Índice Ponderal de Rohrer em 1908, que representava a
massa corporal dividida pela estatura elevada ao cubo (massa / estatura3). As relações
matemáticas destes índices se apresentam mais corretas que a utilizada pelo índice de
Quetelet, pois ambas utilizam grandezas matemáticas coerentes. Outros índices são
conhecidos na literatura, efetivando a relação estatuto/ponderal: Fórmula de Broca,
Índice de Kaup, Coeficiente de Pirquet, Índice ponderal recíproco e Índice Nutricional.

O índice de massa corporal possui ainda faixas de normalidade para adultos que têm
sido preconizadas por diferentes autores e organismos internacionais, supostamente
105

permitindo identificar indivíduos com subnutrição, excesso de massa corporal total


(peso) e obesidade, devendo manter a relação com a tabela de determinação normal
de percentuais de gordura, e conforme a página oficial da OMS se reproduz na íntegra
abaixo:

Fig. 36 – Cópia tabela IMC – Original OMS.

Traduzindo partes dos textos do arquivo original, se verifica que são feitas menções às
alterações de conteúdo de gordura em diferentes populações, e em diferentes partes do
corpo. E correlacionando os níveis de IMC com as faixas de percentual de gordura se
obtêm a tabela adaptada de Pollock de 1993.

Em função da tabela de IMC e de percentual de gordura ser formuladas para adultos,


os valores de normalidade em adolescentes e crianças são, todavia, distintos e na maior
parte dos estudos são baseados em percentis. Poucas são as tabelas que
determinam normalidade de percentuais de gordura para esta população, como
abaixo:
106

Fig. 37 – Tabela de percentual de gordura de crianças e adolescentes (Jebb et al. 2004).

Fig. 38 – Tabela de percentual de gordura de crianças e adolescentes (Jebb et al. 2004).


107

 VALIDADE DO IMC

De acordo com Trindade (2004), vários são os fatores capazes de afetar a


validade do IMC, dentre eles se destacam:

a) Pessoas negras ou ativas fisicamente, em geral, possuem maior densidade


mineral óssea, portanto tendem a apresentar uma massa óssea mais
elevada, e por consequência, maior IMC;

b) Atletas de força, como fisiculturistas e levantadores de “peso”,


possuem maior quantidade de massa muscular do que a média da
população. Pelo IMC a grande maioria é considerada obesa, percepção
facilmente refutada pela observação visual;

c) Pessoas com diâmetros transversais ósseos proporcionalmente maiores em


relação à estatura (diâmetro de tórax, ombros, bacia, joelhos, braços)
também tendem a ter um IMC elevado;

d) Indivíduos com estatura maior que a média e com diâmetros transversais


menores (os chamados ectomorfos), podem ser classificados como de baixa
massa corporal total (peso) pelo IMC;

e) Indivíduo com massa corporal total corporal adequada aos padrões do IMC
pode ter pouca massa magra e muita massa de gordura. É o chamado "falso
magro", pois tem aspecto visual de pessoas com massa corporal total normal
ou reduzida, no entanto, possui percentual de gordura elevado, fato muito
comum em mulheres adultas jovens.

f) De acordo com as fases da vida, podemos encontrar mais ou menos


situações que forneçam limitações à utilização do IMC:

I. Na adolescência - Massa corporal total (peso) e estatura crescem em


proporções distintas ao longo da vida; diferenças no crescimento
quanto ao processo maturacional (ex. idade da menarca e momento
do "peak height velocity"); Influência da estatura; proporcionalidade:
relação tronco e membros inferiores; Idade, dimorfismo sexual, origem
étnica e classe social.
108

II. Na vida adulta - Correlação com a estatura que, apesar de baixa,


ainda é significativa; massa magra elevada; proporcionalidade: relação
tronco/pernas; alta especificidade e uma baixa e variável sensibilidade;
não reflete a gordura corporal e muito menos sua distribuição.

III. Nos idosos - Sarcopenia: perda da massa muscular é acompanhada


pelo aumento da adiposidade; distribuição centrípeta da gordura

Mesmo que o Índice de Massa Corporal, nas populações mais diversas, apresente uma
boa correlação com medidas antropométricas de composição corporal, persiste a
dificuldade em definir, para populações específicas, pontos de corte a fim de determinar
o estado nutricional, incluindo baixa massa corporal total, normalidade, sobrepeso e
obesidade. Erros de conduta clínico/nutricional, prescrição de exercícios e prognósticos
de saúde podem ser decorrentes da utilização do Índice de Massa Corporal como
classificador de obesidade em indivíduos.

Além disso, a compleição física determina limites mais altos ou mais baixos dentro da
faixa do IMC saudável. Isto pode ser um fator que por si só permita uma variação na
balança que não permite uma generalização sobre o “ideal”. Se analisarmos um
indivíduo de compleição grande/endomorfo verificaremos que o mesmo possui
densidade óssea mais alta, facilidade de desenvolver músculos, mas também facilidade
em desenvolver adiposidade. Este indivíduo mesmo que esteja com o percentual de
gordura ideal para sua faixa etária e gênero, estará com um IMC sempre próximo ao
limite superior (IMC de 25).

O mesmo raciocínio faríamos para o indivíduo de compleição pequena/ectomorfo. Por


possuir densidade óssea mais baixa, possui dificuldade de desenvolver músculos e
baixa capacidade em desenvolver adiposidade. Certamente, mesmo mantendo o
percentual de gordura dentro da faixa saudável o seu IMC estará sempre próximo do
limite inferior (IMC de 20).

Assim. a análise intermediária é feita para os indivíduos de compleição


média/mesomorfos, que é o que apresenta o perfil de apelo mais estético dentre as
compleições.
109

Veja o quadro abaixo:

ECTOMORFO MESOMORFO ENDOMORFO


COMPLEIÇÃO Pequena Média Grande
IMC Limite Inferior Média Limite Superior
DENSIDADE Baixa Média Alta
MUSCULARIDADE Baixa Média Alta
ENGORDAR Dificuldade Média Facilidade
TAXA Baixa Média Alta
EMAGRECER Dificuldade Médio Facilidade
ÓSSEA
Quadro 05 – Relação do tipo físico e o perfil de compleição e metabolismo.

METABÓLICA
Desta forma, os métodos de determinação dos componentes corporais, devem ser
priorizadas em detrimento ao IMC, quando se tratar da análise de volume de gordura
presente na massa corporal total do indivíduo adulto, criança ou idoso. Políticas
públicas relacionadas à nutrição e dietética, podem ser as mais prejudicadas quando
baseadas em julgamentos decorrentes somente do Índice de Massa Corporal.

5.6 “PESO“ IDEAL?

Juntamente às considerações do IMC, existem às considerações relativas ao chamado


peso (massa corporal total) ideais, onde é usual utilizar tabelas de relação com a
estatura para sua determinação e outras de “peso” estimado por alguns autores. Se
levarmos em consideração que a massa corporal ideal deve possuir relação com a
composição corporal e com os perfis metabólicos, o indivíduo com massa corporal ideal
deve possuir um aspecto estético agradável (forma humana proporcional) e ser
funcional (aptidão física).

Desta forma a massa corporal ideal deve possui IMC na faixa do saudável e percentual
de gordura também na faixa do saudável.
110

5.7 CÁLCULO DE GASTO CALÓRICO TOTAL DO EXERCÍCIO FÍSICO

Para procedimentos de emagrecimento e para a manutenção ou melhora da aptidão


física ter conhecimento do gasto calórico do exercício é fundamental. Para o
emagrecimento serve como base para determinar o consumo dos substratos
energéticos lipídico (gordura), e para a manutenção ou melhora da aptidão serve para
saber se o objetivo do quantitativo calórico foi alcançado (principalmente para sair do
sedentarismo).

Para cálculo do gasto calórico de qualquer atividade física ou exercício físico, é


importante saber que o valor será menor que a capacidade máxima do indivíduo
gastar calorias por minuto. Desta forma, conhecer o VO2 Máximo é fundamental tendo
em vista que existe relação direta e proporcional entre o consumo de oxigênio com o
consumo calórico.

E como existe relação também proporcional entre a frequência cardíaca e o consumo


de oxigênio, ter conhecimento da intensidade da frequência cardíaca do treinamento
nos remete ao gasto calórico do exercício físico. Então é necessário inicialmente
termos conhecimento destes dois parâmetros: VO2 Máximo Absoluto (em L/min) e
percentual da frequência cardíaca média do exercício físico.

De posse destes valores devemos buscar o VO2 Máximo Absoluto do exercício físico
(em L/min) e buscar quanto vale cada litro deste VO2 em quilocalorias. Para concluir
este raciocínio devemos utilizar a Tabela de Relações Metabólicas ou calcular
manualmente. Exemplificaremos utilizando a referida Tabela.

Exemplo:

“Um indivíduo do sexo masculino de 1, 70 m, 70 Kg de Massa Corporal Total, de


25 anos de idade. É possuidor de percentual de gordura de 15%, foi submetido
à ergoespirometria e obteve o valor de 48, 35 mlO2/kg/min (VO2 Máximo
Relativo). Realizou uma intervenção de Musculação Terapêutica durante 55
minutos, obtendo uma média de frequência cardíaca de 138 batimentos por
minuto. Qual seria o gasto calórico mínimo desta intervenção?”
111

1. Procuramos o VO2 Máximo Absoluto através da multiplicação do VO2


Máximo Relativo pela Massa Magra do indivíduo. Mas como não possuímos o
valor da Massa Magra devemos calculá-la previamente:

Percentual de gordura atual – Percentual de gordura essencial (da tabela de


Pollock, 1993)

15% - 4% = 11%

2. Retiramos 11% da Massa Corporal Total

70 kg x 0,11 = 7,7 kg

3. Retiramos 7,7 kg da Massa Corporal Total

70 kg – 7,7 kg = 62,3 kg

4. Multiplicamos a Massa Magra pelo VO2 Máximo Relativo

62,3 kg x 48,35 mlO2/kg/min = 3012,205 mlO2/min

5. Transformamos o resultado em L/min: 3012,205/1000 = 3,01 L/min

6. Determinamos a frequência cardíaca máxima: FCMáx = 208 – (0,7 x idade)

FCMáx = 191 bpm

7. Determinamos a média percentual de batimentos cardíacos do exercício físico:

100% ------------- 191

X ---------------138 x = 72%

8. Procuramos o percentual da média do VO2 Absoluto do exercício físico na


tabela de relações metabólicas pela equivalência de 72% (coluna azul):

9. Calculamos o valor em L/min do VO2 do exercício físico aplicando o percentual


encontrado sobre o VO2 Máximo Absoluto:

(3, 01 L/min x 58,91)/100 = 1, 77 L/min


112

10. Procuramos o valor em Kcal/L (quilocalorias por litro de oxigênio) na tabela de


relações metabólicas pela equivalência de 72% (coluna roxa):

4,842 Kcal

11. Procuramos o valor em Kcal/min do exercício físico multiplicando L/min por Kcal/L

4,842 Kcal/L x 1,77 L/min = 8,57 Kcal/min

12. Aplicamos a equação geral do gasto calórico:

Gc = (Kcal/min) x T

Gc = 8,57 x 55

Gc = 371 Kcal

QR – QUOCIENTE RESPIRATÓRIO DO EXERCÍCIO FÍSICO

Partindo do princípio que um indivíduo ingere uma dieta mista (carboidrato, proteínas
e lipídeos) e realiza um exercício físico na intensidade adequada ao seu nível de
condicionamento físico, o QR deverá ser proporcional à intensidade do esforço.
Quanto mais alta a intensidade maior a produção de CO2 relacionado ao metabolismo
do carboidrato. Quanto mais baixa a intensidade menor a produção de CO2,
significando que o metabolismo está mais relacionado às gorduras.

Como o QR se refere às trocas respiratórias (R) ou à divisão da quantidade de CO2


produzido em relação ao O2 utilizado temos: R = VCO2/VO2

Em geral, a quantidade de oxigênio necessária para oxidar completamente uma


molécula de carboidrato ou de gordura é proporcional à quantidade de carbono
existente no substrato. Por exemplo, a glicose (C6H12O6) contém seis átomos de
carbono. Durante a combustão da glicose, são utilizadas 6 moléculas de oxigênio para
produzir 6 moléculas de CO2, 6 moléculas de H2O e 38 moléculas de ATP.

6O2 + C6H12O6 → 6 CO2 + 6H2O + 38 ATP

Avaliando-se quanto de CO2 é liberado em comparação a quantidade de O2


consumido, nós verificamos que a razão de troca respiratória é 1, 0:
113

R = VCO2/VO2 = 6CO2/ 6O2 = 1, 0 (QR = 1)

Nesta situação o indivíduo estaria realizando o exercício físico em alta intensidade


muito próxima à capacidade máxima (VO2 Máximo). Os ácidos graxos livres possuem
uma quantidade consideravelmente maior de carbono e de hidrogênio, mas possuem
menos oxigênio do que a glicose. Considere o ácido palmítico, C16H32O2. Para oxidar
essa molécula completamente em CO2 e H2O são necessárias 23 moléculas de
oxigênio para produzir 16 moléculas de CO2, 16 moléculas de H2O e 129 moléculas
de ATP.

C16H32O2 + 23 O2 → 16 CO2 + 16 H2O + 129 ATP

Avaliando-se quanto de CO2 é liberado em comparação a quantidade de O2


consumido, nós verificamos que a razão de troca respiratória é 1, 0:

R = VCO2/VO2 = 16/23 = 0, 70 (QR = 0,7)

Então, quando o exercício é realizado em baixas intensidades o QR é equivalente a 0,


7 (por volta de 50% da frequência cardíaca máxima, ou 28% do VO2 Máximo).
Observando a Tabela de Relações Metabólicas (coluna verde) encontramos os
valores de QR relacionado aos percentuais de frequência cardíaca, VO2, Kcal/L,
percentual de carboidrato utilizado e percentual de gordura utilizado. Então algumas
vezes poderemos encontrar referências a QR para referir intensidade de exercício e
substratos utilizados.

6.0 DETERMINAÇÃO QUANTITATIVA DOS SUBSTRATOS UTILIZADOS DURANTE O


EXERCÍCIO FÍSICO

Está claro que ocorre erro metabólico se um indivíduo realizar um exercício físico fora
do seu nível de condicionamento. Da mesma forma ocorre erro metabólico se um
indivíduo realiza um consumo alimentar de valores mais baixo do que gasta em
atividade física.
114

Fig. 39 – Representação de erro metabólico. Consumo excessivo de proteína no exercício.


Consumo de proteína por hipoalimentação

De uma maneira prática, utilizando a Tabela de Relações Metabólicas é possível


determinar o valor em quilocalorias utilizado pelos substratos energéticos, e utilizando
os fatores de Atwater é possível estimar a quantidade em gramas destes substratos
durante e após o exercício.

No exemplo utilizado para determinar o gasto calórico do exercício, foi encontrado um


valor médio de 471 kcal e uma intensidade média pela frequência cardíaca de 72%.
Com estes dados é possível estimar os achados mencionados. Partindo do princípio
que o intervalo de frequência cardíaca compatível com exercício físico seria pelo
menos a partir de 50% da frequência cardíaca máxima até 100% da frequência
cardíaca máxima, inferimos que existe então 50 (cinquenta) intervalos de percentuais
de frequência cardíaca (100% Máximo – 50% Mínimo).

Da mesma forma, didaticamente teremos intervalos de utilização de substrato gordura


de praticamente 100% a 50% da frequência cardíaca máxima, e 0% a 100% da
frequência cardíaca máxima. O inverso ocorre com o substrato carboidrato
(glicogênio). Praticamente 0% a 50% da frequência cardíaca máxima e praticamente
115

100% a 100% da frequência cardíaca máxima. Sabemos que estes limites não são
taxativos, pois outros substratos estão agindo em frequência cardíaca extrema (PC-
ATP) e não utilizamos somente gordura a 50% da frequência cardíaca máxima, pois um
mínimo de carboidrato é utilizado até para a mobilização da gordura. Se o exercício
fosse realizado a 75% da frequência cardíaca máxima e o indivíduo pudesse
efetivamente trabalhar com esta intensidade, utilizaria 50% de carboidrato e 50% de
gordura. Nesta situação o valor calórico para cada substrato seria 50% de 471 Kcal,
equivalendo então a 235,5 Kcal. Para saber quantos gramas seria de cada substrato
devemos dividir o resultado pelo valor em quilocalorias para cada grama.

Como 01 (um) grama de carboidrato vale 4 kcal, devemos dividir 235,5 por 4 =
58,88 g. Como 01 (um) grama de ácido graxo vale 7,75 Kcal devemos dividir
235,5 por 7,75 = 30,39 g.

Mas na situação do exercício apresentado o indivíduo apresentou uma intensidade de


72%. Como temos então 50 intervalos de frequência cardíaca percentual e 100
intervalos de substratos percentuais, cada intervalo de frequência cardíaca equivale a
02 (dois) intervalos de substratos. Então teríamos 22 intervalos de frequência
cardíaca (72% – 50%) que equivaleria a 44% de um determinado substrato. Como
a intensidade do exercício físico foi abaixo de 75% da frequência cardíaca em
intensidade, o substrato de menor utilização seria o carboidrato.

Desta forma, 44% de 471 Kcal determina um valor calórico em carboidrato de 207,24
Kcal. Para encontrar o total em gramas de carboidrato dividimos o valor por 4 Kcal,
resultando em 51,81 g. A diferença de 471 Kcal para 207,24 seria o consumo
calórico em gordura, que resulta em 263,76 Kcal. Para encontrar o total em gramas
de gordura dividimos o valor por 7,75 Kcal, resultando em 34 g.

Na ocorrência de erro metabólico haverá consumo de proteína para neoglicogênese.


Para estimação dos valores em gramas de proteínas, para que o profissional de
nutrição possa empreender uma adequação de aporte proteico, devemos buscar os
percentuais na coluna do carboidrato que tenha ultrapassado o limite previsto para o
indivíduo.
116

 ERRO METABÓLICO

Se o indivíduo do exemplo citado possuísse baixo nível de condicionamento


físico, e houvesse realizado o exercício físico com uma intensidade de 85%, ele
contabilizaria um percentual de intensidade em consumo de proteína (da massa
magra).
117

Pelo nível de condicionamento o indivíduo não deveria ultrapassar 70% da frequência


cardíaca em um exercício cíclico/contínuo/aeróbio. Desta forma, do intervalo
percentual que deveria ser de carboidrato houve consumo de proteína. Veja que na
realidade ele não poderia ultrapassar o consumo relativo a 40% de intervalo
percentual em carboidrato, que seria o equivalente a (70% - 50%) x 2. Então do
máximo possível de frequência cardíaca que ele poderia, que seria 70%, até 85%
tivemos uma extrapolação de 15%. Desta forma 15% x 2 equivaleria a 30% de
intervalo percentual calórico que ele utilizou às custas da proteína (massa magra). Isto
computaria 30% de 471 kcal que resultaria em 141,3 kcal. Este valor deve ser dividido
por 4 tendo em vista que 01 (um) grama de aminoácido equivale também a 4 kcal.
Seria então um valor de 35,33 g.

6.1 DETERMINAÇÃO QUANTITATIVA DOS SUBSTRATOS UTILIZADOS APÓS O


EXERCÍCIO FÍSICO

Apos o exercício físico alterações metabólicas permanecem aumentadas por um


determinado tempo, como pelas custas da quantidade de oxigênio emprestada das
reservas de oxigênio (hemoglobina e mioglobina). Esse oxigênio deve ser reposto
durante a recuperação. Além disso, a frequência respiratória permanece relativamente
elevada após o exercício, em parte por um esforço para eliminar o CO2 acumulado
nos tecidos como um subproduto do metabolismo do carboidrato. A temperatura
corporal também aumenta, o que mantém a taxa metabólica e a frequência
respiratória elevadas e, por essa razão, exigindo mais oxigênio. Concentrações
elevadas de noradrenalina e de adrenalina durante exercício exercem efeitos
similares. Em resumo existe um PECC (Post Exercise Calorie Consumption) ou
consumo calórico após o exercício físico.

Obviamente quanto mais intenso for o exercício, maior a QR e consequentemente


maior o consumo calórico apos o mesmo. Assim compreendemos que se após o
exercício a frequência cardíaca esta mais baixa, a produção de CO2 está baixa e a
QR está mais baixa, o gasto calórico após o exercício utilizará basicamente a gordura
como substrato. Podemos interpretar então que qualquer exercício possui potencial
para emagrecimento, podendo retirar gordura enquanto realiza o exercício e também
após o exercício.
118

Em situações onde o objetivo das prescrições e/ou das intervenções seja o


emagrecimento (redução de percentual de gordura), o prognóstico de emagrecimento
pode ser pautado na possibilidade de se contabilizar a diminuição de tecido gorduroso
pela possibilidade de se analisar o consumo de gordura durante o exercício e se
estimar o consumo de gordura após o exercício. E para a análise do
PECC/EPOC/Dívida de Oxigênio o valor mínimo a ser contabilizado é o mesmo valor
em quilocalorias utilizado durante o exercício pelo substrato carboidrato.

Por exemplo. Se e um determinado exercício foi consumido um valor de 300 Kcal a


partir do substrato carboidrato, para computar a perda de gordura mínima após o
exercício devemos dividir o valor por 7,75 conforme exercícios demonstrados.

6.2 BASES PARA O CÁLCULO PARA COMPLEMENTAÇÃO/REPOSIÇÃO


NUTRICIONAL

Fisiologicamente as refeições devem ser oferecidas durante a parte do dia (24 horas)
em que estamos efetivamente realizando atividade física, e preferencialmente durante
o dia claro. Ou seja, metabolicamente o período noturno não é compatível com
processos alimentares, mas sim para processos de reparação/recuperação corporal.

Nos procedimentos alimentares a divisão calórica e qualitativa das refeições tem


relação direta com o aproveitamento dos macro e micronutrientes. E como é consenso
que não é possível manter um processo alimentar inadequado sem consequências
metabólicas, a observação destes preceitos é mais do que necessária.

Se partirmos do pressuposto que um indivíduo está equilibrado metabolicamente, ele


faz um consumo alimentar proporcional ao seu gasto com movimentação e processos
basais. Um erro oriundo do padrão alimentar ou do padrão de movimentação deve ser
corrigido sempre de forma mais breve possível. Então se um indivíduo realiza um
exercício físico cujo gasto calórico ultrapassa o que ele vem ingerindo em suas
refeições/dia, este indivíduo necessita empreender atividade de reposição.

O primeiro passo para o desenvolvimento de uma reposição é ter o conhecimento do


valor calórico que ultrapassou o referencial do indivíduo. Vamos imaginar então que
um indivíduo gasta com movimentação/dia 2000 kcal e ingere as mesmas 2000 Kcal.
119

Imaginando também que ele está equilibrando em sua composição corporal e


funcionalidade. Exemplificando que o referido indivíduo tenha realizado uma atividade
de exercício físico no período que antecede o almoço, e que para esta atividade
obteve uma magnitude calórica de 800 Kcal.

Já na próxima refeição, que seria o almoço já deveria ser iniciado o processo de


reposição alimentar, que deve durar pelo menos até o horário da refeição anterior ao
exercício físico só que no dia seguinte. Ou seja, não há possibilidade de fazer a
reposição das 800 Kcal na refeição do almoço após o exercício, mas fazer uma
diluição até o dia seguinte. Desta feita, a refeição do almoço deverá ser acrescida de
uma parte das 800 Kcal, que normalmente para esta refeição equivale de 20% a 30%
do total calórico dia que vale 2000 Kcal. Assim a reposição/complementação do
almoço seria de 200 Kcal a 240 Kcal. As demais complementações seguiriam o
percentual das mesmas sobre o valor do gasto calórico do exercício.

6.3 A REGRESSÃO CALÓRICA

Não há mais dúvidas que o déficit calórico geral (alimentação e movimentação) é o


principal desencadeador de processos de emagrecimento. Mas não há como manter
uma prescrição dietética deficitária em relação ao grau de movimentação do indivíduo.
Muito menos abaixo dos valores de sua taxa metabólica de repouso (erro metabólico).
Desta forma, em indivíduos que apresentam obesidade (escores aumentados de
percentual de gordura para seu gênero e idade) e a consulta metabólica demonstrou
que faz ingestas alimentares muito acima do seu grau de movimentação, devem
empreender a regressão calórica alimentar.

O explicação para a redução alimentar progressiva (regressão calórica) consiste no


entendimento que algumas gastropeptídeos e enteropeptídeos (hormônios) possuem
relação direta com o centro da fome e seus hormônios (NPY por exemplo). Assim, se
a redução for brusca não permite adaptação hormonal do sistema neuro-entérico
periférico com central. Este choque neuro-humoral não permite que o indivíduo em
processo de emagrecimento permaneça muito tempo com este tipo de padrão
alimentar. Dentre as substâncias estudadas e que possuem relação direta com este
achado, citamos a Grelina (um dos hormônios da fome). Esta é produzida
120

principalmente pelo estômago e tem relação direta com o seu tamanho e tensão. Por
isso que em algumas dietas agressivas alguns profissionais médicos prescrevem
ansiolíticos para os clientes, pois a Grelina interage diretamente com os hormônios
relacionados à ansiedade como o NPY.

Várias são as técnicas que promovem a regressão calórica. O Nutricionista deve ter em
mente que as suas análises sucessivas é determinam o ajuste da regressão que ele
empreende. Além disso, em um cliente que possui graus significativos de obesidade, o
tratamento físico com a progressão da atividade física (fator atividade) também
auxiliará a aumentar o déficit calórico. Então o segredo são as reanálises sucessivas
para adequação da regressão. Mas, matematicamente pode ser estimada esta
regressão, de acordo com a quantidade de gordura que o profissional Nutricionista
objetivar reduzir.

6.4 DISCUSSÃO SOBRE A NECESSIDADE DE SUPLEMENTAÇÃO PARA O


EXERCÍCIO FÍSICO

De acordo com a Sociedade Brasileira e Medicina do Exercício e do Esporte (SBME),


é crescente o consumo de suplementos alimentares e drogas lícitas e ilícitas, que
interferem no rendimento e são utilizados por atletas de alto rendimento, academias,
clubes e escolas de esportes, nas mais variadas modalidades.

A alimentação saudável, adequada ao exercício e a modificação favorável da


composição corporal, otimizam o desempenho esportivo do atleta e devem ser
entendidos como o ponto de partida para obter o melhor desempenho.

A necessidade calórica dietética é influenciada pela hereditariedade, sexo, idade,


peso e composição corporal, condicionamento físico, fase de treinamento, frequência,
intensidade, duração e modalidade. Para esses o cálculo das necessidades calóricas,
corresponde a consumo entre 37 e 41 kcal/kg de peso/dia e, dependendo dos
objetivos, pode apresentar variações mais amplas, entre 30 e 50 kcal/kg/dia.

A restrição de calorias com objetivo de reduzir a massa gorda deve ser cautelosa e
periodicamente monitorada, para evitar que se perca também massa magra. A
redução de 10 a 20% das calorias totais, não causa prejuízos ao desempenho do
121

atleta e promove alteração na composição corporal, com redução de massa corporal


de gordura, não induzindo fome e fadiga.

Estima-se que a ingestão de carboidratos correspondente a 60 a 70% do aporte


calórico diário atende à demanda de um treinamento esportivo. Para otimizar a
recuperação muscular recomenda-se que o consumo de carboidratos esteja entre 5 e
8 g/kg de peso/dia. Em atividades de longa duração e/ou treinos intensos há
necessidade de até 10 g/kg de peso/dia para a adequada recuperação do glicogênio
muscular e/ou aumento da massa muscular. Para provas longas, os atletas devem
consumir entre 30 a 60g de carboidrato, para cada hora de exercício e após o
exercício exaustivo, recomenda-se a ingestão de carboidratos simples entre 0,7 e 1,5
g/kg peso no período de quatro horas.

As necessidades de proteína aumentam com o tipo de exercício praticado, sua


intensidade, duração e frequência e não há uma definição em relação a diferenças
quanto ao sexo. Para os exercícios físicos que têm por objetivo aumento de massa
muscular, sugere-se a ingestão de 1,6 a 1,7 gramas por quilo de peso, por dia. Para
os esportes em que o predomínio é a resistência, calculando-se ser de 1,2 a 1,6g/kg
de peso a necessidade de seu consumo diário. Os atletas devem ser conscientizados
de que o aumento do consumo proteico na dieta além dos níveis recomendados não
leva aumento adicional da massa magra. A ingestão proteica combinada com a
ingestão de carboidratos após os exercícios de hipertrofia favorece o aumento da
massa muscular. A recomendação é de 10 g de proteínas e 20 g de carboidratos. A
recomendação de lipídeos para atletas é a mesma para a população em geral, cerca
de 1g de gordura por kg/peso corporal, o que equivale a 30% do valor calórico total
(VCT) da dieta. A parcela de ácidos graxos essenciais deve ser de 8 a 10g/dia (10%
saturados, 10% de polinsaturados e 10% de monoinsaturados).

Com relação aos micronutrientes, ou seja, vitaminas e minerais, parte-se do


pressuposto que quando presentes em uma dieta equilibrada e diversificada são
suficientes para a demanda exigida e a suplementação não é necessária. Esta é
reservada apenas para atletas de alto desempenho, em que a ingestão na dieta
balanceada mostra-se insuficiente. É importante garantir uma hidratação apropriada
durante a atividade física, possibilitando que o desempenho esperado seja atingido e
que problemas de saúde sejam evitados.
122

A inclusão de sódio nas bebidas reidratantes promove maior absorção de água e


carboidratos pelo intestino durante e após o exercício. Em exercícios prolongados,
que ultrapassam uma hora de duração, recomenda-se beber líquidos contendo de 0,5
a 0,7g.l-1 (20 a 30 mEq·l-1) de sódio.

A utilização de gel energético vem sendo cada vez mais frequente e cumpre o papel
na reposição de carboidratos. Porém, seu uso deve ser acompanhado da ingestão
regular de água, para que a associação garanta a manutenção do desempenho de um
organismo corretamente hidratado.

Para garantir que o indivíduo inicie o exercício bem hidratado, recomenda-se que ele
beba cerca de 250 a 500 ml de água duas horas antes do exercício. Durante o exercício
recomenda- se iniciar a ingestão já nos primeiros 15 minutos e continuar bebendo a
cada 15 a 20 minutos. O volume a ser ingerido varia conforme as taxas de sudorese,
geralmente entre 500 e 2.000 ml/hora. Após a prática esportiva, deve-se continuar
ingerindo líquidos para compensar as perdas adicionais de água pela diurese e
sudorese.

O Consenso enfatiza também sobre as substâncias ilícitas, cuja utilização, de acordo


com a Agência Mundial Antidoping (WADA) e o Comitê Olímpico Internacional (COI),
caracteriza uma infração de códigos éticos e disciplinares. São exemplos dessas
substâncias: esteróides androgênicos anabólicos, eritropoitina, gonadotrofinas,
corticotrofinas, insulinas e diuréticos. Existem exceções a serem consideradas,
visando às eventuais solicitações de autorizações para uso terapêutico de fármacos
que constam nas listas de substâncias restritas e proibidas.
123

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