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RESUMO

Análise da constituição económica de 1975, 1990 e 2004

Os debates sobre a Lei da Constituição centram-se, geralmente, nas normas de ordem jurídica,
relativas à organização política e administrativa da sociedade e do Estado. Também se abordam
matérias sobre a organização económica, mas com um foco centrado, principalmente, na questão
do poder exercido pelo sistema político, o sistema de governo e o sistema eleitoral, bem como a
centralização e descentralização territorial a vários níveis.

Exemplo disto é a revisão constitucional em curso, por iniciativa do principal partido político em
Moçambique, o Partido Frelimo. Uma revisão constitucional que decorre, praticamente, sem
debate, principalmente, no espaço onde mais se esperava que o mesmo acontecesse, a
Assembleia da República. Os dois outros partidos da oposição, com assento parlamentar,
Renamo e MDM (Movimento Democrático de Moçambique), reagiram com alegada surpresa à
iniciativa de revisão constitucional, apresentada pela Frelimo.

Noção de Constituição Económica

Nesta reflexão, entende-se por Constituição Económica o conjunto de normas e princípios


relativos à economia, ou seja, a ordem constitucional económica. Do ponto de vista formal, a
Constituição Económica é a parte económica da Constituição do Estado, em que estão contidos
os dispositivos essenciais ao ordenamento da actividade económica, desenvolvida pelos actores
económicos.

É no conjunto dos dispositivos sobre a organização económica que se encontram escalpelizados


os direitos, deveres, liberdades, positivas e negativas, bem como as responsabilidades dos vários
actores, envolvidos no exercício da actividade económica, tais como: indivíduos, pessoas
colectivas, nacionais e estrangeiros, incluindo o Estado.

Evolução da Constituição Económica Moçambicana

Se o escritor moçambicano Mia Couto estiver certo, ao afirmar, algures, que em vez de
escangalhar o Aparelho de Estado Colonial, como se proclamava repetidamente nos primeiros
anos de independência, o que se fez foi, basicamente, escangalhar o estado do Aparelho, isto por

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si só justificaria abordar a evolução da Constituição económica tendo em conta o período
anterior a 1975.

Por razões de espaço, a presente reflexão circunscreve-se à evolução da Constituição económica


moçambicana, apenas no período do Estado Soberano, ou seja, desde a Independência de
Moçambique em 1975. Esta opção pode incorrer no erro muito comum de se assumir que o
Estado Soberano herdou do passado, unicamente, obstáculos, dificuldades e problemas tais que o
partido no poder desmantelou por completo a máquina administrativa e burocrática de
governação, tendo criado um novo Estado do nada. Todavia, é sabido que o Estado Soberano
começou por reconhecer a configuração fronteiriça, o Estadounitário, a máquina administrativa,
a língua oficial de comunicação, o sistema legal e de funcionalismo público, para só citar
algumas das características, definidas e desenvolvidas pelo Estado colonial entre 1891 e 1974

Constituição da República de 1975

A Constituição da República Popular de Moçambique (CRPM) entrou em vigor aquando da


proclamação da independência nacional, a 25 de Junho de 1975, tendo sido finalizada e definida
pelo Comité Central da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), em sessão realizada
na praia do Tofo, Província de Inhambane.

A partir de 1978 a responsabilidade pela revisão constitucional passou para a Assembleia


Popular, com poderes constituintes, mas, na prática, a liderança do Partido Frelimo manteve um
forte controlo das mudanças constitucionais realizadas nos anos seguintes. A CRPM75
consagrou postulados constitucionais de âmbito da soberania do Estado e do domínio
económico, assente na ideologia e projecto constitucional da então FRELIMO, dos quais
merecem particular destaque a seguinte característica jurídico-económica:

 Tendo como um dos objectivos fundamentais “a eliminação das estruturas de opressão e


exploração coloniais e a luta contínua contra o colonialismo e o imperialismo”, foi
estabelecida na República Popular de Moçambique (RPM) um Estado de democracia
popular e uma economia marcadamente socializante, onde o partido no poder declarou
propor-se eliminar a acumulação produtiva privada e proceder à redistribuição da riqueza.

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Constituição da República de 1990

A Constituição da República de Moçambique de 1990 (CRM90) introduziu alterações


suficientemente profundas, praticamente, em todos os campos da vida do País, para merecer a
designação de 2ª República de Moçambique independente (Assembleia Popular 1990).
Resumidamente, destacam-se os seguintes aspectos mais marcantes na CRM90:

 Para além de se abrir ao modelo de Estado de Direito, a CRM90 descriminalizou o


mercado privado, substituiu o sistema de economia centralmente planificada e socialista:
“A ordem económica da República de Moçambique assenta na valorização do trabalho,
nas forças do mercado, na iniciativa dos agentes económicos, na participação de todos os
tipos de propriedade e na acção do Estado como regulador e promotor do crescimento e
desenvolvimento económico e social, visando a satisfação das necessidades básicas da
população e a promoção do bem-estar social” (Artigo 41, No 1).
 No seu Capítulo III, “Direitos e deveres económicos e sociais”, o Artigo 86 da CRM90
declarou: “O Estado reconhece e garante o direito de propriedade”. Se bem que referido
num sentido genérico e abrangente, tratou-se de um importante passo relativamente à
Constituição de 1975 que, apenas, reconhecia e garantia a propriedade pessoal.

Constituição da República de 2004

A Constituição da República de 2004 (CRM2004), diferentemente da CRM90 em relação


CRPM75, não apresenta uma ruptura com o regime constitucional que substituiu. Surgiu com
disposições que supostamente procuraram reforçar e solidificar o regime de Estado de Direito e
democrático trazido em 1990, através de melhores especificações de disposições já existentes,
criação de novas figuras, princípios e direitos e elevação de alguns institutos e princípios
existentes na legislação ordinária à categoria constitucional (Assembleia da República 2004).

Relativamente à Constituição Económica, em particular, a CRM2004 não só perdeu a


oportunidade de introduzir alterações de fundo com vista a instaurar uma ordem económica mais
consistente com as políticas que visem desenvolver uma economia de mercado, mas também, no
caso específico da política de terra, retrocedeu em relação à CRM90. Em resumo, quatro pontos
relativos à propriedade, na CRM2004, merecem ser destacados, no âmbito desta reflexão.

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Sistema económico

Na altura da independência, em 1975, Moçambique era um dos países mais pobres do mundo. O
modelo de governo e a guerra civil pioraram a situação.

Em 1987, o governo empreendeu uma série de reformas macroeconómicas projectadas para


estabilizar a economia. Estas providências, a par da ajuda externa e da estabilidade política desde
as eleições, reflectiram-se no aumento da taxa de crescimento do país. A inflação foi reduzida a
dígitos únicos durante o fim dos anos 90. Em 2007, a inflação reduziu para 8 por cento, enquanto
o crescimento de PIB atingiu 7,5 por cento.

Apesar da melhoria assinalada, Moçambique permanece dependente da ajuda estrangeira, no que


diz respeito à maior parte do seu orçamento anual, com a maior parte da população (70%, de
acordo com o CIA – CIA – The World Factbook) a permanecer abaixo da linha de pobreza. A
agricultura de subsistência continua a empregar a maior parte da força de trabalho do país. Um
desequilíbrio comercial substancial persiste, embora a abertura da fundição de alumínio Mozal o
maior projecto de investimento estrangeiro do país até à data – tenha aumentado o lucro de
exportação.

Uma parte substancial da dívida estrangeira de Moçambique foi reduzida pelo facto do país estar
abrangido pelo programa dos Países Pobres Altamente Endividados do Fundo Monetário
Internacional (HIPC).

Em Setembro de 2010 os cidadãos revoltaram-se depois de terem sido anunciados aumentos nos
preços da água, electricidade, combustível e no pão. Numa tentativa de diminuir o impacto
negativo sobre a população, o governo implementou subsídios, reduziu impostos e tarifas, e
instituiu outras medidas fiscais. Moçambique cresceu a uma taxa média anual de 6% a 8% na
década até 2013, uma das performances mais fortes da África. A capacidade de Moçambique
para atrair grandes projectos de investimento em recursos naturais é esperada para abastecer um
elevado crescimento nos próximos anos.

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Sistema económico Moçambicano

Moçambique independente herdou uma estrutura económica colonial caracterizada por uma
assimetria entre o Norte e o Sul do País e entre o campo e a cidade.

O Sul mais desenvolvido que o Norte e a cidade mais desenvolvida que o campo. A ausência
duma integração económica e a opressão extrema da mão-de-obra constituíam as características
mais dominantes dessa assimetria.

A estratégia de desenvolvimento formulada para inverter esta assimetria apostou numa economia
socialista centralmente planificada. No entanto, as conjuntura regional e internacional
desfavorável, as calamidades naturais e um conflito militar interno de 16 anos inviabilizaram a
estratégia. O endividamento externo (cerca de 5,5 biliões em 1995) obrigou o País a uma
mudança radical para uma estratégia de desenvolvimento do mercado filiando-se nas Instituições
de Bretton Woods e a consequente adaptação dum Programa de Ajustamento Estrutural, a partir
de 1987.

Desde então, o País tem estado a registar um notável crescimento económico. O Produto Interno
Bruto (PIB) tem estado a crescer numa média acima de 7-8% ao ano, chegando mesmo a atingir
níveis de 2 dígitos. A inflação está abaixo de 10%. A tendência é mantê-la em um dígito.

Em termos monetários, Moçambique possui um dos regimes cambiais mais liberalizados de


África. Os parceiros comerciais externos têm motivos suficientes para inspirarem uma grande
confiança pelo País face à capacidade que as autoridades monetárias têm conseguido manter
volumes adequados de meios de pagamento sobre o exterior.

As reservas externas do Banco Central têm estado a situar-se acima dos seis meses de
importação de bens e serviços. O Estado, através da execução da sua política orçamental regula e
dinamiza as áreas sócio-económicas mais importantes e cria um bom ambiente de negócios
muito favorável ao desenvolvimento da iniciativa privada.

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Apesar do notável crescimento económico que o País vem registando, muitos moçambicanos
continuam vivendo abaixo da linha da pobreza. O combate à pobreza absoluta constitui uma das
grandes prioridades do Governo para o quinquénio 2005-2009. Para o efeito foi traçado a
segunda fase do Plano de Acção da Redução da Pobreza Absoluta (PARPA II).

Revisão constitucional Portuguesa

a) A Constituição da República Portuguesa prevê, nos artigos 284º a 289º, os mecanismos


em que assentam os processos da sua própria revisão.
b) A iniciativa de revisão deverá partir dos Deputados à Assembleia da República, a quem
compete preparar o projecto de revisão Constitucional. (CRP, artº 285)
c) Quaisquer alterações à Constituição deverão ser aprovadas por uma maioria de dois
terços dos Deputados em efectividade de funções. (CRP, artº 286)
d) A Constituição de 1976 foi objecto de sete processos de revisão: em 1982, 1989, 1992,
1997, 2001, 2004 sendo a sua última revisão efectuada em 2005.

A 25 de Abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas, coroando a longa resistência do povo
português e interpretando os seus sentimentos profundos, derrubou o regime fascista. Libertar
Portugal da ditadura, da opressão e do colonialismo representou uma transformação
revolucionária e o início de uma viragem histórica da sociedade portuguesa.

Portugal, ao longo da sua história, teve várias constituições políticas:

a) Constituição Política da Monarquia Portuguesa de 1822;


b) Carta Constitucional da Monarquia Portuguesa de 1826;
c) Constituição Política da Monarquia Portuguesa de 1838;
d) Constituição Política da República Portuguesa de 1911;
e) Constituição Política da República Portuguesa de 1933;
f) Constituição da República Portuguesa de 1976.

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