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19/03/2018 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.

MÓDULO 1 - CONCEITOS INICIAIS: A QUESTÃO DE RAÇA E ETNIA

Para começar, reflita sobre as seguintes questões: negros e brancos são tratados igualmente
em nossa sociedade? Negros e brancos possuem as mesmas oportunidades de acesso à
educação, emprego, saúde e outros direitos sociais? Afinal, somos um povo racista ou não?
Por que precisamos de uma lei que afirme que “o racismo é crime inafiançável”? E como
podemos realizar uma educação das relações étnico-raciais?

E então? Percebeu como questões complexas estão envolvidas nas relações étnico-raciais?
Essa será nossa preocupação nesta disciplina, desvendar os porquês da permanência do
racismo, suas causas e consequências, bem como as múltiplas implicações na promoção da
igualdade racial na escola e na comunidade.

A partir da aprovação da Lei Federal 10.639/2003, que inclui no currículo oficial da rede de
ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-brasileira, o interesse pela
questão das relações étnico-raciais e afrodescendência aumentou consideravelmente.
Nesse sentido, poder público, sociedade civil, movimentos sociais, enfim, toda a sociedade
deve estar envolvida no projeto de uma educação pela igualdade étnico-racial no Brasil. Leia
o que afirma o Parecer do Conselho Nacional de Educação, CNE-CP 3/2004 com as
Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o
Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana:

(...) um equívoco a superar é a crença de que a discussão sobre a questão racial se


limita ao Movimento Negro e a estudiosos do tema e não à escola. A escola, enquanto
instituição social responsável por assegurar o direito da educação a todo e qualquer
cidadão, deverá se posicionar politicamente, como já vimos, contra toda e qualquer
forma de discriminação. A luta pela superação do racismo e da discriminação racial é,
pois, tarefa de todo e qualquer educador, independentemente do seu pertencimento
étnico-racial, crença religiosa ou posição política. O racismo, segundo o Artigo 5º da
Constituição Brasileira, é crime inafiançável e isso se aplica a todos os cidadãos e
instituições, inclusive, à escola. (BRASIL, 2004, p. 7)

Nesse sentido, prossiga seus estudos e envolva-se pessoalmente nesse projeto.

1.1 Raça

A palavra raça será tomada a partir de uma perspectiva sócio-histórica, segundo preconizam
as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-raciais e para o
Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, aprovadas em junho de 2004 pelo
Ministério da Educação:

É importante destacar que se entende por raça a construção social forjada nas tensas
relações entre brancos e negros, muitas vezes simuladas como harmoniosas, nada
tendo a ver com o conceito biológico de raça cunhado no século XVIII e hoje
sobejamente superado. Cabe esclarecer que o termo raça é utilizado com frequência
nas relações sociais brasileiras, para informar como determinadas características
físicas, como cor de pele, tipo de cabelo, entre outras, influenciam, interferem e até
mesmo determinam o destino e o lugar social dos sujeitos no interior da sociedade
brasileira (Brasil, 2004).

Portanto, podemos assumir o uso do termo raça quando quisermos nos referir aos aspectos
físicos (à aparência exterior herdada e transmitida hereditariamente), que mostram
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repercussões negativas nas relações entre brancos e negros, ou seja, quando for necessário
demonstrar as tensões existentes a partir das diferenças na cor de pele, olhos, tipos de
cabelo etc., a partir de um padrão estético branco e europeu, que estabelece também
relações de dominação.

1.2 Etnia

Trata-se de um conceito que compreende as relações sociais estabelecidas entre sujeitos


que, entre outras coisas, se reconhecem possuidores de uma origem comum, em contraste
com outros, integrantes de grupos diferentes, na sociedade abrangente. Vejamos o verbete
“etnia” apresentado no Dicionário de Relações Étnicas e Raciais (apud Cashmore, 2000, p.
196):

Um grupo possuidor de algum grau de coerência e solidariedade, composto por


pessoas conscientes, pelo menos em forma latente, de terem origens e interesses
comuns. Um grupo étnico não é mero agrupamento de pessoas ou de um setor da
população, mas uma agregação consciente de pessoas unidas ou proximamente
relacionadas por experiências compartilhadas.

Fica claro, portanto, que etnia implica, por um lado, posicionamento, pertencimento, opção,
escolha, autodenominação do sujeito tendo por referência determinado grupo étnico. Nesse
sentido, a atribuição de pertença de determinada pessoa a determinado grupo étnico é, em
primeiro lugar, endógena, ou seja, parte do próprio sujeito, devendo ser necessariamente a
decisão de pertencimento da própria pessoa que se afirma como parte daquele grupo étnico.
Entretanto, a definição da identidade étnica não é somente endógena, mas diz respeito
também aos significados atribuídos por outros grupos, ou seja, é na mesma medida exógena.

Leitura obrigatória:

SANTOS, H. A busca de um caminho para o Brasil: a trilha do círculo vicioso. São


Paulo: Editora Senac, 2001 (Texto 1A: Preleção antes do embarque, p. 23-37).

MUNANGA, Kabengele (org.). Superando o Racismo na escola. 2. ed. rev. Brasília:


Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade,
2005. (Texto 1B: Algumas definições, conceituações básicas sobre o racismo e seus
derivados, p. 60-65). Disponível em:
<http://dominiopublico.qprocura.com.br/dp/86779/superando-o-racismo-na-escola.html>

LIMA, Marcus Eugênio Oliveira; VALA, Jorge. As novas formas de expressão do preconceito
e do racismo. Estudos de Psicologia (Natal), dez. 2004, v.9, n.3, p.401-411. (Texto 1C)
Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-
294X2004000300002>

ZENAIDE, Maria de Nazaré, et al. Direitos Humanos: capacitação de educadores. João


Pessoa: Editora Universitária/UFPB, 2008. (Texto 1D: FLORES, Elio Chaves. Nós e Eles:
etnia, etnicidade, etnocentrismo, p. 21-40). Disponível em:
<http://www.dhnet.org.br/dados/cursos/edh/redh/03/03_elio_etnicidade.pdf>

Leitura para aprofundamento:

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BRASIL. Lei 10.639 de 9 de janeiro de 2003. Ministério da Educação e Cultura:


Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

BRASIL. MEC – Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Conselho Pleno.


Parecer CNE/CP 3/2004 – Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações
Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Brasília, MEC,
2004.

Filmes e músicas sugeridos para atividades complementares:


Filme: Olhos Azuis. Dir.: Jane Elliott. EUA, 1985.
Filme: A Cor Púrpura. Dir.: Steven Spielberg. EUA: 1985.
Filme: Hotel Ruanda. Dir.: Terry George. Canadá / Reino Unido / Itália / África do Sul,
2004.
Filme: Um Grito de Liberdade. Direção: Richard Attenborough. Inglaterra: 1987.
Música: Lavagem Cerebral, Gabriel, o Pensador.
Música: A Mão da Limpeza, Gilberto Gil.
Música: Flor da Bahia, Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro.

Exercício comentado:

As afirmações abaixo apresentam definições adequadas para o termo etnia, exceto:

A) As relações sociais entre sujeitos que se denominam de uma origem comum, em contraste
com grupos diferentes dentro de uma sociedade abrangente.

B) Um grupo possuidor de algum grau de coerência e solidariedade, composto por pessoas


conscientes, pelo menos em forma latente, de terem origens e interesses comuns.

C) Carrega conteúdos significativos definidos pelo sujeito a partir de suas experiências


subjetivas, ou seja, suas práticas cotidianas.

D) A atribuição étnica pode ser endógena, que parte do próprio sujeito, ou exógena, quando
é atribuída por outros grupos.

E) Agrupamento de pessoas ou de um setor da população, com aspectos físicos comuns.

Comentário: Alternativa correta (E):

O termo etnia não diz respeito apenas a um agrupamento de pessoas ou setor da população,
mas uma agregação consciente de pessoas unidas ou proximamente relacionadas por
experiências compartilhadas. Também não importam os aspectos físicos comuns, mas a
origem e interesses comuns.

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Exercício 1:

O ano de 2011 foi definido como Ano Internacional dos Afrodescendentes pela
Organização das Nações Unidas (ONU). Qual foi considerada uma das principais
intenções para esse lançamento, segundo o secretário-geral das Nações Unidas,
Ban Ki-Moon, opinião amplamente divulgada pela grande mídia?

A)

Desconstruir o mito da democracia racial no Brasil.

B)

Despertar na comunidade internacional o interesse em ampliar os direitos


fundamentais aos afrodescendentes.

C)

Combater toda forma de Arpartheid nos países africanos.

D)

Promover um debate entre os países desenvolvidos sobre as diversas formas de


racismos presentes nas relações sociais.

E)

Fazer um levantamento estatístico em âmbito mundial sobre a condição social e


econômica dos afrodescendentes.

O aluno respondeu e acertou. Alternativa(B)

Comentários:

D) mhmhmhm
A) mhmhmhm
B) mhmhmhm

Exercício 2:

Todas as afirmações abaixo apresentam justificativas que explicam por que o


termo raça não pode ser compreendido segundo uma perspectiva biológica,
exceto:

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A)

Segundo os estudos mais recentes da genética, não existem raças, somos uma
única raça humana.

B)

A explicação dada pela biologia para o termo raça faz parte das concepções
construídas pelo chamado racismo científico, durante o século XIX.

C)

Não se pode atribuir características determinadas pela natureza a aspectos que


são resultados de um processo cultural.

D)

Todas as raças humanas devem ser respeitadas e merecem tratamento específico


da lei.

E)

A perspectiva racialista pressupõe uma hierarquização entre as diferentes raças, o


que é inconcebível para qualquer área do conhecimento.

O aluno respondeu e acertou. Alternativa(D)

Comentários:

E) mhmhmm
C) mhmhmm
A) mhmhmm
B) mhmhmm
C) mhmhmm
D) mhmhmm

Exercício 3:

Do que se trata, quando abordamos o termo raça sob uma perspectiva política?

A)

Trata-se do uso que a comunidade afrodescendente faz desse termo na luta por
seus direitos e contra toda forma de discriminação e racismo.

B)
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São os aspectos físicos, as características fenotípicas herdadas e transmitidas


hereditariamente pelos seres humanos.

C)

Dizem respeito às cotas separadas para os afrodescendentes, a partir da


aprovação do Estatuto da Igualdade Racial no Brasil.

D)

Se os estudos de genética já confirmaram que as raças humanas não existem,


não podemos utilizar o termo raça em hipótese alguma.

E)

Significa que quando utilizamos o termo raça, estamos sendo racistas.

O aluno respondeu e acertou. Alternativa(A)

Comentários:

A) mbmbmmm

Exercício 4:

Os principais aspectos que definem a identidade étnica são:

I - dimensão relacional e de fronteira

II - ancestralidade

III - símbolos identitários comuns

IV - realce ou saliência conforme a interação social

V - essência e substancialidade

Assinale apenas as afirmações corretas:

A)

I, III, IV e V.

B)

II, III, IV e V.

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C)

I, II, III e V.

D)

I, II, III e IV.

E)

II, III e IV.

O aluno respondeu e acertou. Alternativa(D)

Comentários:

A) jnjgjfjg
B) jnjgjfjg
C) jnjgjfjg
D) jnjgjfjg

Exercício 5:

TEXTO: Base para a questão

DNA de negros e pardos do Brasil é 60% a 80% europeu

(Folha.com, 18/02/2011, Reinaldo José Lopes, editor de Ciência)

No Brasil, faz cada vez menos sentido considerar que brancos têm origem
europeia e negros são "africanos". Segundo um novo estudo, mesmo quem se diz
"preto" ou "pardo" nos censos nacionais traz forte contribuição da Europa em seu
DNA.

O trabalho, coordenado por Sérgio Danilo Pena, da UFMG (Universidade Federal


de Minas Gerais), indica ainda que, apesar das diferenças regionais, a
ancestralidade dos brasileiros acaba sendo relativamente uniforme.

"A grande mensagem do trabalho é que [geneticamente] o Brasil é bem mais


homogêneo do que se esperava", disse Pena à Folha.

De Belém (PA) a Porto Alegre, a ascendência europeia nunca é inferior, em


média, a 60%, nem ultrapassa os 80%. Há doses mais ou menos generosas de
sangue africano, enquanto a menor contribuição é a indígena, só ultrapassando os
10% na região Norte do Brasil.

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QUASE MIL

Além de moradores das capitais paraense e gaúcha, foram estudadas também


populações de Ilhéus (BA) e Fortaleza (compondo a amostra nordestina), Rio de
Janeiro (correspondendo ao Sudeste) e Joinville (segunda amostra da região Sul).
Ao todo, foram 934 pessoas. (...)

Para analisar o genoma, os geneticistas se valeram de um conjunto de 40


variantes de DNA, os chamados indels (sigla de "inserção e deleção"). São
exatamente o que o nome sugere: pequenos trechos de "letras" químicas do
genoma que às vezes sobram ou faltam no DNA.

Cada região do planeta tem seu próprio conjunto de indels na população --


alguns são típicos da África, outros da Europa. Dependendo da combinação deles
no genoma de um indivíduo, é possível estimar a proporção de seus ancestrais
que vieram de cada continente.

Do ponto de vista histórico, o trabalho deixa claro que a chamada política do


branqueamento --defendida por estadistas e intelectuais nos séculos 19 e 20, com
forte conteúdo racista-- acabou dando certo, diz Pena.

Segundo os pesquisadores, a combinação entre imigração europeia desde o


século 16 e casamento de homens brancos com mulheres índias e negras gerou
uma população na qual a aparência física tem pouco a ver com os ancestrais da
pessoa.

Isso porque os genes da cor da pele e dos cabelos, por exemplo, são muito
poucos, parte desprezível da herança genética, embora seu efeito seja muito
visível. O trabalho está na revista "PLoS One".

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A partir da compreensão da pesquisa realizada pelo professor Sérgio Danilo Pena,


da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), podemos confirmar as ideias
que estudamos em nossa disciplina a respeito do conceito de raça. Todas as
alternativas abaixo trazem explicações a esse respeito, exceto:

A)

As mais recentes pesquisas dos especialistas no assunto, os geneticistas,


demonstram que nos genes não se comprovam as teorias das raças humanas.

B)

A diversidade biológica é, incomparavelmente, pequena quando analisada com as


experiências e as situações ambientais e culturais.

C)

Podemos concluir que não existem “raças humanas”, visto que nossa constituição
genética indica que somos uma única raça humana.

D)

Existem primordialmente três raças que compõem a humanidade: os brancos, os


negros e os indígenas.

E)

Não há motivos genéticos para acreditar que a espécie à qual pertencemos, Homo
sapiens, possa ser dividida em grupos biológicos distintos e separados.

O aluno respondeu e acertou. Alternativa(D)

Comentários:

D) chhgvhfhhfh

Exercício 6:

(Adap. Concurso Público - MPF – 2006) No que diz respeito aos crimes previstos na Lei n.
7.716/89:

A)

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nem todos eles são inafiançáveis, apenas aqueles de preconceito ou discriminação contra os
negros.

B)

induzir e instigar são ações menos graves do que praticar discriminação ou preconceito.

C)

discriminação racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em


raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica.

D)

após 5 anos, os crimes de racismo prescrevem, não sendo passíveis de punições posteriores a
esse período.

E)

são considerados crimes de racismo apenas as atitudes de preconceito ou discriminação praticadas


em espaços públicos.

O aluno respondeu e acertou. Alternativa(C)

Comentários:

C) hgfhfhhf

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