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CLASSIFICAÇÃO DA NORMA JURÍDICA - X

I. Normas gerais e singulares:

- Dentre os critérios de distinção da norma jurídica, como: a) o conteúdo das normas: entre
normas materiais e processuais, ou entre normas de comportamento e de organização; b) ao
modo como as normas são estabelecidas: entre normas consuetudinárias e as legislativas; c)
aos destinatários: entre as normas primárias e secundárias; d) a natureza e à estrutura da
sociedade regulada: entre normas de direito estatal, canônico, internacional, o autor
examina o critério formal, para distinguir dos critérios materiais, o que se relaciona
exclusivamente à estrutura lógica das proposições prescritivas;
- Para desenvolver este estudo o autor se serviu de algumas distinções referentes às
proposições descritivas e às estendeu às proposições normativas:

1. Distinção entre proposições universais e proposições singulares ou entre


normas universais e normas singulares:
a) Universais: são proposições em que o sujeito representa uma classe
composta por vários membros. Ex.: Os homens são mortais;
b) Singulares: são aquelas em o sujeito representa um sujeito singular. Ex:
Sócrates é mortal;
Assim temos, também, na norma jurídica, a classificação em normas universais e normas
singulares.
Toda a proposição prescritiva, e, portanto a norma jurídica, é formada por dois elementos
constitutivos e, portanto, imprescindíveis: o sujeito a quem a norma se dirige, ou seja, o
destinatário e o objeto da prescrição, ou seja, a ação prescritiva. Mesmo na mais simples
das prescrições, a exemplo: “levanta-se”, distinguem-se um destinatário-sujeito e uma ação-
objeto. Segundo o autor não se pode pensar em uma proposição que não se dirija a alguém
e não regule um certo comportamento, e que na norma jurídica, também, encontraremos
estes dois elementos, ou seja, a quem ela é dirigida (destinatário-sujeito) e qual o
comportamento que ela estabelece (ação-objeto), sob a forma singular ou plural. Desta
forma tanto o destinatário quanto o objeto podem figurar em uma proposição com sujeito
universal e com sujeito singular, assim teremos não duas mais quatro tipos de proposições
jurídicas:
a) prescrições com destinatário universal: exemplo: “o mandatário é obrigado a
executar o mandado com diligência do bom pai de família...” (art. 1710/CCI);
b) prescrições com destinatário singular: exemplo: a sentença do tribunal, com base
no art. 155/CCI, é ordenado ao cônjuge, de quem foi pronunciada a separação,
manter consigo o filho e prover o seu sustento, sua educação e instrução;
c) prescrições com ação universal: exemplo: “o marido tem o dever de proteger a
mulher, de mantê-la consigo e de proporcionar-lhe tudo que for preciso às suas
necessidades em proporção com seus rendimentos” (145/CCI);
d) prescrições com ação singular: exemplo: com base no art. 210/CPCI, o juiz
instrutor ordena, sob pedido de uma parte, à outra parte, a exibição em juízo de um
documento cuja obtenção julgue necessária ao processo.
A diferença entre o primeiro e o segundo exemplo está no seguinte: o mandatário, a quem
se dirige a norma do Código Civil, não é uma pessoa determinada, mas uma classe de

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pessoas, e, portanto a norma se volta simultaneamente a todos aqueles que adentrem
naquela classe. O destinatário a que se dirige o tribunal para ordenar manter o filho é um
individuo concreto, singularizado e a norma se dirige a ele e nenhum outro.
A diferença entre o terceiro e o quarto exemplo é que a ação prevista no art. 145/CCI é uma
ação-tipo, mas se repete no tempo, e valem para todos os comportamentos que podem ser
enquadrados na ação-tipo. A ação do art. 210 é uma ação singular, assim a exibição do
documento, e, portanto, o cumprimento da norma perde a sua eficácia;

2. Generalidade e abstração:

Uma outra distinção da norma jurídica, apontada pelo autor, é o da generalidade e


abstração, denominando-as em gerais e abstratas:
a) normas gerais são as normas que se dirigem a uma classe de pessoas,
contrapõem-se as que têm por destinatário um indivíduo singular, chamadas
normas individuais;
b) normas abstratas são aquelas que regulam uma ação-tipo, ou uma classe de
ações, contrapõem-se as que regulam uma ação singular, chamadas de
normas concretas;
Assim admitidas as normas gerais; individuais; abstratas e concretas, poderemos ter quatro
combinações, ou quatro tipos de normas jurídicas:
a) normas gerais e abstratas: são a maior parte das leis, como as leis penais;
b) normas gerais e concretas: como a lei que declara mobilização geral se volta a
uma classe de cidadãos e ao mesmo tempo prescreve uma ação singular, que uma
vez cumprida, exaure a eficácia da norma;
c) normas individuais e abstratas: uma lei que atribui a uma determinada pessoa um
ofício, como por exemplo, o de juiz da Corte constitucional, se dirige a um só
indivíduo e lhe prescreve não uma ação singular, mas todas aquelas que são
inerentes ao exercício da função;
d) normas individuais e concretas: o exemplo mais comum é o fornecido pelas
sentenças do juiz;

3. Normas afirmativas e negativas: constituem as proposições afirmativas e


negativas, onde se partindo de uma proposição, obtém-se outra com o uso variado
do não. A partir disto poderemos obter outras variações de proposições;

4. Normas categóricas e hipotéticas:

- Norma categórica: é aquela que estabelece que uma determinada ação deve ser
cumprida. Neste caso as normas podem ser formuladas sem condição. Temos como
exemplo o art. 154/CPPI, segundo o qual alguns funcionários são obrigados a observar as
normas do Código, mesmo quando a inobservância não importe em sanção, estas normas
são categóricas, ou seja, normas cuja obediência não está submetida a qualquer condição,
pelo menos ao sujeito a quem é dirigida;
- Norma hipotética: é aquela que estabelece que uma determinada ação deve ser cumprida
quando se verifica uma certa condição. As normas que possuem uma sanção podem ser
formuladas por proposição hipotéticas. Ex.: “Se você não quiser sujeitar-se à pena Y, deve
cumprir a ação X”;

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BOBBIO, Norberto. Teoria da Norma Jurídica, Bauru, SP: EDIPRO, 2001, p. 177-187