Você está na página 1de 11

AS PRINCIPAIS DIFICULDADES ENCONTRADAS NO ENSINO DE GENÉTICA

NA EDUCAÇÃO BÁSICA BRASILEIRA

Adriano Bruno Araujo¹


Fabio Alexandre Ferreira Gusmão²

GT3 − Educação e Ciências Matemáticas, Naturais e Biológicas.

RESUMO
A presente pesquisa tem como objetivo analisar quais são as dificuldades encontradas no ensino de
genética na educação básica brasileira. O método abordado trata-se de uma pesquisa bibliográfica,
pois se observam variáveis não controláveis de um fato ocorrido, analisando material bibliográfico.
Logo é uma pesquisa que se enquadra na abordagem qualitativa pois requer a interpretação e
atribuição de significados no processo de pesquisa. Como resultados, a pesquisa conclui que as
dificuldades em aprender os conteúdos relacionados à genética devem-se à má estruturação das
escolas brasileiras, bem como à má formação e ao preparo dos professores da educação básica para
trabalhar genética, os quais não possuem uma base sobre o que se está ensinando, além de uma
abordagem errônea das informações relacionadas à genética nos livros didáticos.

PALAVRAS-CHAVE: Ensino de genética. Dificuldades de aprendizagem. Formação de professores.


Educação científica.

ABSTRACT
The present research aims to analyze the difficulties encountered in genetic education in Brazilian
basic education. The method is a bibliographical research, since it is possible to observe non-
controllable variables of a fact, analyzing bibliographical material. It is therefore a research that falls
within the qualitative approach because it requires the interpretation and attribution of meanings in the
research process. As a result, the research concludes that the difficulties in learning the contents
related to genetics are due to the poor structuring of Brazilian schools, as well as the poor training and
preparation of teachers of basic education for genetic work, which do not have a base on What is being
taught, and an erroneous approach to genetics-related information in textbooks.

KEYWORDS: Genetic teaching. Learning difficulties. Teacher training. Scientific education.

1 INTRODUÇÃO

O ensino médio é a última etapa da educação básica e, de acordo com LDB/1996


(BRASIL, 1996), essa etapa tem por finalidade a formação humana, cidadã e ética dos alunos.
Logo, nessa etapa da educação básica, o ensino da genética representa uma oportunidade para
um trabalho direcionado à aprendizagem de genética.
Nessa etapa da formação básica, a aquisição de conhecimentos relacionados aos
conceitos, como genoma, transmissão de caracteres hereditários, clonagem, transgênicos,
terapia com células-tronco, dentre outros, precisam ser trabalhados de forma mais
1
aprofundada dentro da escola. Para que, desta forma, possibilite a aquisição dos
conhecimentos que estão carregados de questões éticas, culturais, sociais, políticas e humanas.
Logo, os conceitos abordados no ensino de genética são, geralmente, de difícil
assimilação, sendo necessárias práticas que auxiliem no entendimento. Por conseguinte, as
dificuldades para aprender genética são atribuídas ao fato de ser a genética uma área
caracterizada por uma grande quantidade de termos, que se restringem apenas aos
conhecimentos específicos da biologia, e que não estão presentes no cotidiano dos alunos.
Devido à rápida disseminação das informações veiculadas pela mídia, relacionadas à
genética, com temas como transgênicos, que passaram a fazer parte do cotidiano das pessoas.
Portanto, tal fato mostra a necessidade dos docentes de ciências e biologia da educação básica
em compreender os conhecimentos relacionados à genética.
A formação inadequada dos docentes de ciências e biologia nas áreas de genética e
biologia molecular faz com que exista um distanciamento entre a educação escolar e a
assimilação de conceitos informais pela mídia (KRASILCHICK, 2005).
Segundo Krasilchick (2005), a formação exclusivamente teórica, e com pouca
qualidade de informação, resulta na dificuldade em estabelecer relações entre o cotidiano e o
conhecimento adquirido na escola e faz com que os estudantes fiquem distantes das
informações sobre genética divulgadas pela mídia, distanciando a realidade dos alunos dos
acontecimentos.
Hoje em dia, o ensino tem sido visto como um objeto abstrato, longe da realidade dos
alunos, o que produz um desinteresse total pelo conhecimento ensinado na escola, fazendo
com que os alunos se preocupem apenas com a nota e com a promoção. Logo, as disciplinas
de biologia e ciências são carregadas de conceitos apresentados pela mídia.
A partir deste ponto, a ciência passa a ser frequente na sociedade e a bioética passa a
fazer parte da discussão científica e tecnológica. Logo, questões polêmicas de como seria o
futuro de uma pessoa que o genoma fosse conhecido desde o nascimento, controle da
reprodução e produção de alimentos transgênicos são alguns dos temas que envolvem as
potencialidades e os limites das pesquisas de manipulação do DNA sobre o futuro da
humanidade (GARCIA, CHAMAS, 1996).
A partir de tais considerações, o presente trabalho teve como objetivo analisar quais
são as dificuldades encontradas no ensino de genética na educação básica brasileira.

2
2 MÉTODOS

O método que foi utilizado neste estudo foi a pesquisa bibliográfica por recorrer no
uso de materiais, como livros, revistas e artigos. Logo é uma pesquisa que se enquadra na
abordagem qualitativa pois requer a interpretação e atribuição de significados no processo de
pesquisa, não requerendo o uso de métodos e técnicas estatísticas (LAKATOS; MARCONI,
2003). A pesquisa bibliográfica foi feita a partir da análise dos artigos disponibilizados pelo
SCIELO, e pelo portal periódicos CAPES no período de 1995 a 2015.
A análise do resultado foi feita por meio das leituras aos artigos, no qual se seleciona
as questões que se relacionam a esta pesquisa. Logo, a partir desta análise preliminar foi feito
um estudo dos artigos para ver se atendiam aos objetivos da pesquisa, e se sinalizavam as
dificuldades relacionadas ao ensino de genética.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Foram selecionados para a análise e discussão neste trabalho um total de 25 artigos


nesses artigos analisados pode-se observar que 17 artigos apontavam a dificuldades do ensino
de genética decorria da má formação dos professores e a dependência que esses possuem do
livro didático para dar sequência as suas aulas, e os outros 8 artigos destacavam que essa
dificuldade decorriam da falta de matérias adequados para o ensino, bem como da má
infraestrutura das escolas.
Banet e Ayuso (1995, p.144) ressaltam em sua pesquisa cujo o objetivo era analisar as
causas que dificultam a aprendizagem dos conteúdos de genética nos níveis de ensino e
também possíveis soluções e alternativas para essas dificuldades, apontou através de analises
que o ensino de genética nas escolas, está sendo orientada exclusivamente pelos livros
didáticos sem a devida adequação do docente, destacou ainda que a complexidade do ensino
da genética em grande parte deve-se à natureza dos seus conceitos, considerados complexos, e
a profissionalização dos profissionais de ensino, os quais não possuem conhecimento acerca
da genética.
Malaguth, Jannes e Pereira, (1997) e Costa e Diniz, (2000) apontam para a
necessidade dos debates acerca da relação entre ética, ciência e novas tecnologias em suas
pesquisas, buscando introduzir o ensino de genética no cotidiano dos alunos.

3
Além disso, as autoras destacam que os livros didáticos estão defasados porque não
fazem o debate entre a bioética e a sociedade. Garcia e Chamas (1996) também destacam em
sua pesquisa sobre os avanços e problemas no ensino de genética, e um dos grandes desafios
para o ensino de genética é romper o tabu ético, as consequências legais e morais, a partir de
uma expansão de diagnósticos genéticos.
Costa e Diniz (2000) pontuam que a dificuldade no ensino de genética no século XXI
está relacionada, ainda, com as questões éticas envolvidas no processo de ensino, eles
pontuam certo medo por parte dos professores acerca do ensino de genética nas suas aulas,
pois os temas relacionados à genética daquela época eram mal vistos pela sociedade.
Em sua pesquisa foram analisadas matérias extraídas dos principais jornais da mídia
brasileira sobre o tema clonagem. Na pesquisa, os autores constataram que houve uma difusão
do medo da clonagem em seres humanos e uma discussão ética do tema, o que demostra,
segundo o autor, um descompasso entre as questões e a mídia.
Manzke (1999) destacam a utilização de meios didáticos para facilitar o processo de
ensino de genética. Manzke (1999) sugere a utilização de modelos didáticos, como imagens,
jogos e aulas práticas, para uma maior aprendizagem dos mecanismos celulares, visto que
segundo eles, a genética para os docentes dessa época, constitui um dos blocos das ciências
mais difíceis de compreender no ensino fundamental e médio, tanto pela complexidade de
seus conteúdos como pelas dificuldades que caracterizam suas estratégias de ensino, em
particular as atividades de resolução de problemas. Além disso, o autor propõe a utilização de
um estudo dirigido para uma melhor compreensão do papel do RNA na síntese de proteínas,
salientando a importância do estudo da biologia molecular no ensino médio.
Costa e Diniz (2000), durante sua pesquisa salientam que a utilização de modelos
didáticos em genética facilita a compreensão e o aprendizado de processos complexos, como
a regulação da expressão gênica em bactérias, estimulando a curiosidade e a participação
efetiva dos alunos, o que, segundo os autores, diminuiriam as dificuldades de reconhecer a
localização do material hereditário nas células, de compreender e identificar as estruturas que
fazem parte da transmissão da hereditariedade e como se dá esse processo. Nessa pesquisa
pode-se notar que existia um medo por parte dos professores em se trabalhar a genética em
suas aulas, e as questões éticas tornaram-se consideráveis entraves para o desenrolar do
ensino de genética, devido ao preconceito (tabu) com que era explicitada e exposta pela mídia
na época. Além disso, os autores buscaram fazer uma análise de como a mídia aborda os

4
assuntos relacionados à clonagem e à bioética, os quais perceberam que essa exercia um papel
crucial para o processo de disseminação do conhecimento relacionado a genética.
A pesquisa de Justina (2001) buscava fazer uma análise na forma de como vinha
acontecendo o ensino de genética além da análise dos conceitos relativos à hereditariedade,
pode-se destacar que os livros didáticos e outras fontes detecta que o ensino de genética
encontra-se muito deficiente, pois está sendo transmitido de forma distorcida em sala de aula,
o que, segundo a autora, está causando dificuldades nos conhecimentos relacionados à
aprendizagem de genética. Sendo assim está se construindo uma interpretação da teoria
relacionada à genética de maneira distorcida, diante disto, os alunos não conseguem
compreender as abordagens em genética, quando não se apropriaram dos conceitos básicos
desta ciência.
Logo, os alunos não conseguem compreender as abordagens em genética, uma vez que
não se apropriaram dos conceitos básicos desta ciência. Cantiello e Trivelato (2002) destacam
que as dificuldades dos estudantes em relação aos conhecimentos relacionados à genética
devem-se ao fato dos mesmos não possuírem uma base adequada para a aquisição, portanto
observa-se que mesmo com a conclusão do ensino médio, os estudantes ainda não
reconhecem a localização do material hereditário na célula.
Justina e Rippel (2003), através da amostra de estudo onde os estudantes observados
frequentavam a terceira série do ensino médio, identifica que os mesmos ainda se mostravam
com pouco conhecimento sobre os conceitos da genética básica e verificou a falta de
alfabetização científica e tecnológica em genética dos aluno. Além disso, a pesquisa destaca
que existe uma compressão limitada de estruturas básicas e conceitos que poderiam e
auxiliariam a desenvolver uma compreensão acerca do conteúdo, bem como a falta de
abordagens dos assuntos relacionados a genética a educação.
Porque, segundo os autores uma possível explicação para isso é que o ensino tenha
sido conduzido de forma fragmentada, não proporcionando, assim, um vigamento conceitual.
Sem este vigamento é difícil que estes estudantes entendam realmente o processo. Sem esta
compreensão e interpretação, a teoria relacionada à genética de maneira distorcida, diante
disto, os alunos não conseguem compreender as abordagens em genética.
Justina e Rippel (2003) destacam que:

Na atualidade, há uma preocupação crescente com o baixo nível de


alfabetização científica e tecnológica na população geral. Na genética, dentre
as diversas pesquisas sobre o ensino, observa-se um interesse de parte dos
5
pesquisadores pela elaboração e/ou inserção de recursos didáticos que
facilitem e aumentem a compreensão dos alunos dos diferentes graus de
ensino. Estes incluem softwares, jogos, modelos didáticos, entre outros
recursos (p.03).

Ademais, os autores destacam que ao referir-se ao ensino de genética, a expectativa é a


de que os conceitos necessários para a compreensão dos temas relacionados à genética sejam
adquiridos na escola, por meio de práticas que contemplem a investigação científica e o
estudo dos problemas atuais para discussão dos aspectos éticos relacionados.
Justina e Barradas (2004), ao analisarem as opiniões sobre o ensino de genética numa
amostra de professores de biologia no nível médio, por meio de questionário aos professores
de biologia da educação básica do município de Cascavel, que fez um levantamento das
principais dificuldades no ensino de genética, encontraram dificuldades de relacionar a teoria
com a prática, além da falta de materiais didáticos apropriados para ministrar as aulas. Mas
também foi observado que a maioria dos professores não possui o conhecimento necessário de
genética, o que dificulta o planejamento das aulas. Logo, para solucionar esses problemas, os
autores propõem cursos de atualização em genética e em métodos de ensino.
Paiva e Martins (2005), ao realizarem uma análise sobre os conhecimentos prévios de
estudantes de ensino médio sobre a genética, verificaram que alguns alunos possuíam um bom
conhecimento sobre alguns fatos relacionados à genética, entretanto, a grande maioria ainda
apresentava várias concepções equivocadas sobre os temas relacionados à genética. Os dados
de pesquisa da pesquisa ressaltam que os alunos não viam sentido em estudar genética, por
apresentar muita quantidade de informações a respeito, o que tornava a genética
desinteressante.
Fabrício et al. (2006), por meio de questionários que foram aplicados em turmas de
ensino médio da cidade de Recife/PE, com o intuito de identificar as dificuldades dos alunos
relacionado ao ensino de genética, fizeram também apresentações de seminários, além de
entrevistas com os alunos.
Os autores verificaram que os alunos não viam sentido em estudar genética, por
apresentarem muita quantidade de informações a respeito, o que tornava a genética
desinteressante e muito complicada e os alunos não possuíam acesso a informações, o que
acabava por deixá-los sem uma base, não conseguindo relacionar os conteúdos com a prática,
não vendo sentido no que se estavam estudando.

6
Camargo e Infante-Malachias (2007), ao discutirem alguns dos problemas mais
comuns enfrentados pelo professor quando o assunto é genética humana, destacaram que
conceitos equivocados estão sendo passados, ou seja, a genética está sendo passada de forma
errada e descontextualizada. Ainda identificaram algumas maneiras para contorná-los, através
de algumas propostas sobre o ensino de genética humana no ensino médio. Ademais, os
autores destacam que por se tratar de genética humana, as explicações para os alunos tornam-
se mais fácil, pois, ao relacionarem ao dia a dia do aluno, poderão identificar a aplicação
dessa área em seu cotidiano, permitindo ao professor contextualizar os assuntos abordados em
aula, tornando essa contextualização fundamental para a realização das atividades.
Goldbach e Macedo (2008), em sua pesquisa sobre como os eventos acadêmicos
abordam o ensino de genética no ensino médio, notaram que é fundamental o estabelecimento
de interações entre vários atores, dando destaque aos pesquisadores, atuando como socializadores
de conhecimentos no exercício da docência. Perceberam que são poucos que trabalham com a
genética relacionando-a à área da educação, para eles é fundamental o estabelecimento dessas
interações, dando destaque aos pesquisadores atuando como socializadores de conhecimentos
no exercício da docência. Além disso, os autores destacam que problemas nos conceitos
básicos de localização dos elementos envolvidos com a herança/material genético, a falta de
integração da temática e também presença insuficiente e inadequada de tópicos da “nova
biologia”, ou seja, o ensino de genética estava sendo passado de forma defasada, também
salientam para carência em formação continuada dos professores, que possuem uma grande
dificuldade relacionada aos assuntos de genética
Melo et al. (2009, p.16) destacam que é necessária a condução de um maior número
de investigações acerca das abordagens de ensino da genética pois, os alunos do ensino médio
não possuem embasamento teórico suficiente quando estes termos, que são explanados dentro
do conteúdo relacionados em genética, falta de conhecimento científico e tecnológico.
Portanto, por meio dessa pesquisa foi possível constar que ainda é incipiente o número de
publicações voltadas ao ensino de genética e biologia molecular no ensino médio.
Goldbach e Macedo (2008) destacam a falta de formação dos professores como um
dos principais problemas para o processo de ensino de genética, eles destacam que os
conhecimentos relacionados à genética estão a quem do ideal, tornando-se assim um
empecilho a aprendizagem dos alunos, por isso:

7
Reforçamos a ideia que é na esfera da produção de conhecimentos, partindo da
necessária rede de diferentes saberes e de práticas, aliada à esfera da formação
permanente e constante do professor, que as abordagens destacadas têm chance de
serem revistas e “novos” discursos sobre a “genética escolar” podem e necessitam
ser construídos. (p. 14)

Diante disto, podemos destacar que a ausência de pesquisas, trabalhos de iniciação


cientifica dificulta a identificação dos problemas relacionados ao ensino de genética e a busca
de soluções para melhorar a aprendizagem dos conhecimentos relacionados à genética.
Moura et al. (2013) fizeram uma pesquisa do tipo bibliográfica, na qual fez uma
reflexão sobre o ensino de biologia abordado no ensino médio das escolas públicas brasileiras.
Nessa pesquisa, observa-se que os conhecimentos relacionados à genética são considerados de
difícil entendimento, o que gera uma alienação por parte de um grande número de alunos,
principalmente quando se refere aos conhecimentos produzidos pela genética.
Além disso, o autor destaca que o problema se deve em grande parte ao despreparo do
docente que ministra a disciplina, pela falta de associação dos conteúdos ministrados frente à
realidade em que o aluno está inserido, e pela forma abstrata de como os conteúdos são
apresentados em alguns livros didáticos.
Portanto, pode-se observar que a má formação dos professores, bem como o
despreparo para abordar os conteúdos de genética, são os principais fatores que estão
relacionados às dificuldades de ensino e aprendizagem de genética.
Em síntese, os principais problemas abordados pelas produções analisadas
demonstram que a principal dificuldade está relacionada à má formação dos professores, que
não possuem conhecimentos acerca do ensino de genética.
No entanto, também é muito citada a forma que os livros didáticos abordam os
conteúdos relacionados à genética, pois, segundo as pesquisas, os mesmos encontram-se
defasados ou descontextualizados, o que dificulta a compreensão por parte dos alunos.
Ainda, as pesquisas abordam que a falta de base dos alunos são um dos grandes
empecilhos no desenvolvimento dos conteúdos de genética, pois os mesmos não têm como
relacionar o que está em sala de aula, com o que se vê no cotidiano, sendo assim, não
conseguem ver sentido no que se estão estudando, pois não conseguem aplicar os
conhecimentos adquiridos com o ensino da genética em sua vida.

8
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pode-se observar que a má formação dos professores, bem como o despreparo para
abordar os conteúdos de genética, são os principais fatores que estão relacionados às
dificuldades de ensino e aprendizagem de genética.
Em síntese, os principais problemas abordados pelas produções analisadas
demonstram que a principal dificuldade está relacionada à má formação dos professores, que
não possuem conhecimentos acerca do ensino de genética.
No entanto, também é muito citada a forma que os livros didáticos abordam os
conteúdos relacionados à genética, pois, segundo as pesquisas, os mesmos encontram-se
defasados ou descontextualizados, o que dificulta a compreensão por parte dos alunos.
Ainda, as pesquisas abordam que a falta de base dos alunos são um dos grandes
empecilhos no desenvolvimento dos conteúdos de genética, pois os mesmos não têm como
relacionar o que está em sala de aula, com o que se vê no cotidiano, sendo assim, não
conseguem ver sentido no que se estão estudando, pois não conseguem aplicar os
conhecimentos adquiridos com o ensino da genética em sua vida.
Ao finalizar o estudo, pode-se concluir que alguns professores continuam distantes das
inovações em sala de aula e ainda repassam a seus alunos conceitos estáticos e errôneos
contidos em livros didáticos. Mesmo assim, a grande maioria acredita que são necessárias
mudanças no ensino da genética, ressaltando, principalmente, a relação do que fazer em sala
de aula entre a teoria e prática.
Para que esta relação seja consolidada, é necessário que o professor procure
compreender os avanços que vêm acontecendo em sua área, para proporcionar ao seu aluno
conhecimento adequado à compreensão destas novas tecnologias. Perante esta realidade,
propõem-se trabalhos de atualização, dentre os quais está o minicurso sobre modelos didáticos
numa metodologia de problematização, como recurso para a melhoria do ensino de genética
da região.
Outro empecilho para o ensino de genética que foi observado foi a falta de preparo dos
professores da educação básica para trabalhar genética. Muitos desses professores não são
formados em áreas específicas, o que dificulta o ensinamento, pois os mesmos não possuem
uma base para ensinarem os conhecimentos peculiares.
Vale destacar que o ensino de genética não e uma tarefa fácil, principalmente para
pessoas que não possuem um mínimo de conhecimento acerca desses.
9
Em suma, espera-se, portanto, que a presente pesquisa traga contribuições para um
amadurecimento das discussões sobre a melhor maneira de constituir os elementos da história
da ciência, em particular da história da genética, como aliados no ensino da genética,
considerando-se as particularidades epistemológicas desta área do conhecimento.

REFERÊNCIAS

BANET, E. AYUSO, E. Introdução à genética na escola secundária e alta: ensino e


conteúdo do conhecimento dos alunos. ENSENANZA DE LAS CIENCIAS, 1995,13 (2),
137-153

BIZZO, N. & KAWASAKI, C. S. Este artigo não contém colesterol: pelo fim das imposturas
intelectuais no ensino de Ciências. Revista de Educação, 1(1): 25-34. 1999.

BRASIL. Senado Federal. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: nº 9394/96.


Brasília: 1996

CAMARGO, S.S; INFANTE- MALACHIAS, M.G. A genética humana no Ensino Médio:


algumas propostas. Genética na Escola, v.2, n.1, p. 14-16, 2007.

CANTIELLO, A. C.; TRIVELATO, S. L. F. Dificuldades de vestibulandos em questões de


genética. In: CONGRESSO NACIONAL DE GENÉTICA, 48.º, 2002, Águas de Lindóia.
SBG – Sociedade Brasileira de Genética, 2002.

COSTA, S. I. F.; DINIZ D. Mídia, clonagem e bioética. Cad. Saúde Pública v.16 n. 1 Rio de
Janeiro jan./mar 2000.

FABRÍCIO, M., DE F., L. JÓFILI, Z., M., S. SEMEN, L., S., M. LEÃO. A., M., DOS A., C.:
A compreensão das leis de Mendel por alunos de biologia na educação básica e na
licenciatura. Ensaio – pesquisa em educação em ciências volume 0 8 / número 1 – julho de
2006.

GARCIA, E. S.; CHAMAS, C. I. Genética Molecular: avanços e problemas. Caderno de


Saúde pública, v. 12 n.1. Rio de Janeiro. Mai/jun 1996.

GOLDBACH, T.; MACEDO, A. G. A. Produção científica e saberes escolares na área de


ensino de Genética: olhares e tendências. In: VII Jornadas Latino-Americanas de Estudos
Sociais das Ciências e das Tecnologias, 2008, Rio de Janeiro.

JUSTINA, L, A, D, RIPPEL, J, L. Ensino de genética: representações da ciência da


hereditariedade no nível médio. IV ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM
EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS, 2003.

JUSTINA, L. A. D. Ensino de genética e história de conceitos relativos à hereditariedade.


Dissertação de Mestrado / UFSC, 2001.

10
JUSTINA, L. A. D.; BARRADAS, C. M. As opiniões sobre o ensino de genética numa
amostra de professores de biologia no nível médio. Porto Alegre: ABRAPEC, 2004.

KRASILCHIK, M. O professor e o currículo das ciências. São Paulo: EPU, 1987

LAKATOS, E., M MARCONI. M., DE A.: Fundamentos de metodologia científica. 5. ed. -


São Paulo: Atlas 2003.

MALAGUTH, I. F.; JANNES, C. E.; PEREIRA, J. E. D. Ciência crítica e a genética dos


livros didáticos. Coletânea do VI Encontro “Perspectivas do Ensino de Biologia”. FEUSP.
São Paulo. 1997. p. 102-105

MANZKE, V. H. B., Aspectos da interação entre o professor de biologia e o livro didático


no ensino de genética, na cidade de Pelotas, RS. Dissertação de mestrado, Universidade
Latino-Americano da IOESTE. FEUSP, São Paulo.2000. p.529-533.

MELO, J. R.; CARMO, E. M.: Investigações sobre o ensino de genética e biologia molecular
no ensino médio brasileiro: reflexões sobre as publicações científicas. Ciência & Educação,
v. 15, n. 3, p. 593-611, 2009.

MOURA, J. et al. Biologia/Genética: O ensino de biologia, com enfoque a genética, das


escolas públicas no Brasil – breve relato e reflexão. Ciências Biológicas e da Saúde,
Londrina, v. 34, n. 2, p. 167-174, jul./dez. 2013

PAIVA, A, L, B, MARTINS, C, M. DE C. Concepções prévias de alunos de terceiro ano do


Ensino Médio a respeito de temas na área de Genética. Rev. Ensaio | Belo Horizonte | v.07 |
n.03 | p.182-201 | set-dez | 2005.

VALADARES, B. L. B. Utilização de modelos didáticos para demonstrar recombinações


e alterações na estrutura cromossômica. Genetics and Moleculary Biology, 21 (3).1999.
p. 797

11