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História da

Arte Moderna
Material Teórico
Do Olhar Encantado ao Cérebro Pensante

Responsável pelo Conteúdo:


Prof. Ms. Pio de Souza Santana

Revisão Textual:
Profa. Esp. Natalia Conti
Do Olhar Encantado ao Cérebro Pensante

·· Introdução
·· O Impressionismo
·· O pós-impressionismo

Abordar o Impressionismo e o Pós-impressionismo; fazer reconhecer


seus artistas, suas especificidades e características; facilitar o aprendizado
estético entre os dois temas.

Nesta unidade você vai conhecer dois importantes movimentos artísticos que deram início
à História da Arte Moderna na Europa. São eles: o Impressionismo e o Pós-Impressionismo.
O principal objetivo desta unidade é levá-lo a compreender os aspectos mais relevantes
destes dois temas.

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Unidade: Do Olhar Encantado ao Cérebro Pensante

Contextualização

Toda vez que chega ao Brasil e em outros países uma exposição dos Impressionistas ou
dos artistas do Pós-impressionismo, podemos prever que, durante a exposição, teremos que
esperar até quatro horas numa fila gigante, para entrar no museu. Sabe por quê? Por conta do
grande sucesso que esses artistas fazem. Sobretudo os do Impressionismo, que é uma pintura
totalmente colorida e agradável para a nossa retina. Ela nos emociona.
Para entender esse sucesso, inicio esta unidade convidando você a conhecer os impressionistas.
Para isso, vamos focar primeiramente em Claude Monet, por ser considerado o artista mais
popular e significativo do movimento. Você perceberá como surge o termo Impressionismo e
muito mais! Portanto, vamos ver este vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=hcDqgfbD7GI

Gostou? A pintura impressionista é envolvente, empolgante para os nossos olhos, nos emociona
e nos remete à contemplação da luz e sobra do sol refletida em suas mais diversas paisagens
da vida cotidiana, trazendo consigo as vibrantes cores da natureza, captadas instantaneamente
pelo artista.
Além de Monet, vários outros artistas participaram desse movimento. Entre eles: Auguste
Renoir, Edgard Degas, Paul Cezanne, Camile Pissarro, Alfred Sisley, Édouard Manet e Gustave
Courbet. Estes dois últimos foram os pioneiros.
Na sequencia você verá o Pós-Impressionismo. Um mapeamento de grandes artistas que não
foram contra o impressionismo, mas sim, reagiram às limitações impostas por aquele movimento.
Tal reação trouxe a retomada de alguns aspectos acadêmicos, como a volta dos contornos e
estrutura da forma. O Pós-impressionismo abriu o leque para muitas outras descobertas artísticas
que revolucionaram a História da Arte Moderna. Vamos conhecer?

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Introdução

O Impressionismo e o Pós-impressionismo foram importantes eventos artísticos que


ocorreram na Europa, sem data precisa, na cidade de Paris, no final do Século XIX e
com muita força, influenciaram toda a arte do Século XX. Para iniciarmos nossa reflexão,
partiremos do Impressionismo.

O Impressionismo

Foi um movimento que surgiu como uma espécie de rebeldia artística de um grupo de jovens
amigos na faixa entre 23 e 31 anos de idade, que na época, se conheceram em Paris, numa
escola de arte de nome Academia Suíça, por volta de 1860. Os amigos almejavam produzir uma
pintura diferente daquela já consolidada há tempos na Europa e presente nos grandes museus.
Nessas instituições de até então, havia coleções de pinturas de diversos períodos da História,
abordando múltiplos temas da humanidade, pintadas de modo naturalista. Isto significa que
essas pinturas parecem fotografias do mundo real. Você pode ter uma ideia desse naturalismo,
obsevando as imagens abaixo. São de coleções pertencentes aos períodos da arte renascentista,
neoclássica e do realismo. Um sucesso naquele momento.

Renascentista: Neoclássica: Realismo:

“Mona Lisa” (1503-6), “O Juramento dos Horácios” (1784), “Bonjour, Monsieur Courbet” (1854),
Leonardo da Vinci (1452–1519) Jacques-Louis David (1748-1825) Gustave Courbet (1819–1877)

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Unidade: Do Olhar Encantado ao Cérebro Pensante

O Público, assim como os críticos de arte e os historiadores apreciavam com muito orgulho
esse tipo de pintura naturalista ou “do natural”, produzida pela academia. No Século XIX, para
ganhar notoriedade, respeito e fama, os artistas tinham que produzir pinturas com técnicas muito
apuradas, que revelassem detalhes de um realismo quase fotográfico e encantador conforme
essas imagens que vimos.
Mas, inconformados com esse modelo de pintura naturalista, os jovens queriam inovar. Assim
como hoje, o espírito do jovem de todos os tempos não muda! Eles queriam dar outro rumo
para a pintura, trazer para a cena artística uma nova forma de representar a realidade. Estavam
dispostos a mostrar no Salão Oficial da Real Academia Francesa, uma pintura que pudesse
revelar essa inquietação, uma vez que viviam na cidade de Paris, a mais moderna do mundo e
buscavam inovações para a arte e, sobretudo, por meio de suas pinturas.
É importante saber que o Salão Oficial era o espaço mais nobre da arte. O artista que
conseguia ser selecionado a participar com sua arte das grandes exposições do Salão, estava
com a vida artística encaminhada para o sucesso e o respeito do público e da crítica.
Para os jovens, a tarefa não foi fácil. Inscreveram-se para a seleção do Salão Oficial de
1863, apresentaram suas pinturas, mas, infelizmente ou felizmente, foram recusados. Para o
júri, que também era composto por artistas acadêmicos, as pinturas desses jovens mostravam-se
inacabadas, grotescas, rebeldes, de mau gosto, de quem não sabia mesmo pintar. Mas não ficou
assim tão fácil para o júri. Houve um forte barulho de tal modo que:

Seguiu-se uma onda de agitação que levou as autoridades a


expor todas as obras condenadas pelo júri numa mostra especial
que recebeu o nome de “Salon dos Recusados”. O público afluiu
principalmente para rir dos pobres e desiludidos principiantes que
se haviam recusado a aceitar o veredicto dos seus superiores. Esse
episódio marcou a primeira fase de uma batalha que duraria cerca
de 30 anos. (GOMBRICH, 1995, p. 514).

Como vemos, o Salão dos Recusados acabou acontecendo paralelamente ao Salão Oficial
dos Artistas Franceses, da Real Academia Francesa de Pintura e Escultura de 1863, e foi um
marco na História da Arte Moderna. Veja abaixo quem foi um dos jovens pintores e uma das
pinturas do Salão dos Recusados:

“Almoço na Relva” (1862/3), Édouar Manet

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Podemos ver que Almoço na Relva, de Manet, foge daquele rigor presente na pintura realista.
O primeiro estranhamento apontado pela crítica é o tema, onde se vê uma mulher nua num
bosque, conversando com dois homens vestidos. Um “escândalo” para a sociedade. O segundo
é o modo de pintar: sem sombreamentos, poucos contornos, sem profundidade a ponto de ter a
mulher vestida no centro, apesar de distante dos outros personagens, tem erro na representação
da perspectiva e parece quase voando...
Era isso mesmo que Manet queria. Ele não estava interessado em fazer uma pintura aos
moldes do realismo acadêmico, considerado para ele, coisa do passado e sim, uma pintura que,
segundo Janson (1996, p. 330) “é um manifesto de liberdade artística, afirmando o privilégio do
pintor de combinar quaisquer elementos que lhe agrade, visando apenas ao efeito estético”. Isto
significa que a pintura de Manet começava a se preocupar em ser um espaço de manifestações
e expressões pictóricas.
Além de Manet, outros dois nomes que hoje são muito conhecidos, também participaram do
Salão dos Recusados, são eles: Paul Cézanne e Camille Pissarro. Mas, como citou Gombrich,
as recusas repetiram-se em vários outros Salões, até que onze anos após, em 15 de abril
de 1874, aconteceu outro evento marcante na História da Arte e talvez o mais significativo,
que foi o seguinte:

Cansados de serem recusados nos Salões Oficiais, cerca de 30 artistas


resolveram fazer uma exposição no ateliê do Sr. Félix Tournachon, um
fotógrafo entusiasta da arte, mais conhecido pelo apelido de Nadar se
solidarizava com os artistas na situação de recusados. Entre eles estavam:
Claude Monet, Paul Cézanne, Auguste Renoir, Edgar Degas, Camille Pissarro,
Alfred Sisley e Berthe Morsot.

Nadar Claude Monet Paul Cézanne Auguste Renoir

Edgar Degas Camille Pissarro Alfred Sisley Berthe Morsot


Imagens: Wikimedia Commons

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Unidade: Do Olhar Encantado ao Cérebro Pensante

A exposição é inaugurada no ateliê de Nadar, porém não bem recebida pelo público e muito
menos pela crítica. Os visitantes muitas vezes ficavam indignados, zombavam da qualidade dos
trabalhos e riam. Somente alguns intelectuais e artistas apoiavam os artistas. Essa exposição
durou um mês de exibição.
O mais radical e inimigo da exposição foi o Sr. Louis Leroy, crítico popular da imprensa
parisiense naquele momento, escreveu um artigo intitulado “A exposição dos impressionistas”,
conforme vemos:

“Selvagens obstinados” - escreveu Louis Leroy - “não querem,


preguiça ou incapacidade, terminar os seus quadros. Contentam-se
com uns borrões que representam as suas impressões. Que farsantes!
Impressionistas!”. A denominação impressionista, dada assim
pejorativamente, fez sucesso nos meios artísticos. (CAVALCANTI,
1978, p. 72).

Nessa crítica, o termo “impressionistas” que Leroy usou foi fazendo referência ao título de um
quadro de Claude Monet: Impressão, sol nascente. Veja abaixo a imagem dessa pintura:

“Impressão, sol nascente” (1872), Claude Monet

É muito comum encontrarmos o título dessa obra traduzido como: Impressão, sol
nascente; Impressão, nascer do sol; Impressão, sol nascendo; Impressão de um
amanhecer. Mas o título original é: Impression, soleil levant.

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Como podemos ver em Impressão, sol nascente, Monet estava decidido a usar cores intensas
e ousadas, com pinceladas soltas, sem preocupação nenhuma com contornos e formas
estruturadas da imagem. Assim como ele, seus outros jovens amigos inovaram os rumos da
Pintura Moderna, tanto usando dessa técnica como também na temática, cujo objetivo era sair
do ateliê para pintar ao ar livre.
O artista Edgar Degas, além de produzir cenas urbanas e ao ar livre, fica muito conhecido
com as pinturas das bailarinas. Veja como a imagem abaixo mostra uma cena de momento
íntimo, de uma possível reunião para ouvir as orientações do mestre no ensaio da dança. É um
enquadramento da cena, semelhante a um flash fotográfico do cotidiano. Podemos ver bailarinas
com seus corpos incompletos, quase fora de cena. Degas estava interessado em registrar isso
mesmo: o momento, o movimento rápido e passageiro.

“A aula de dança” (1875), Edgar Degas

Para finalizar, é importante saber que os artistas de todos os tempos, por meio de sua arte, de
modo consciente ou não, anunciam ou apropriam-se das tecnologias disponíveis no seu tempo.
Portanto, os valores expressivos do impressionismo estão em diálogo com as experiências e
conquistas da ótica, da física e da química moderna daquele momento.
Portanto, a pintura impressionista é eminentemente visual, é para os olhos, numa relação
entre homem e natureza, ignora a alma. É inspirada no realismo momentâneo de registrar a
sensação da luz do sol, da cor e suas sombras fluidas na paisagem. Uma pintura compacta,
que imprime o dinamismo do universo, demonstra que tudo está em constante movimento.
Sem contornos e estrutura, simplifica a forma, dá a ideia de totalidade, colorida e, sobretudo,
produzida fora do ateliê do artista, em sua maioria ao ar livre.

Na segunda metade do Século XVIII, artigos de porcelana do Japão chegavam à


Europa e eram objetos de desejo dos colecionadores. As gravuras populares japonesas,
consideradas uma sensação à parte. Pois, ilustravam as histórias populares daquele
país, desconhecidas no Ocidente. Mostravam a moda e os entretenimentos da vida
urbana, de modo muito curioso, colorido e atraente. Chamava atenção a forma de
como eram elaboradas: transpareciam nitidamente o movimento preciso e rápido do
pincel do artista japonês. Os artistas europeus, sobretudo os franceses as adoravam.
Essas gravuras fizeram muito sucesso e influenciaram a Arte Moderna.

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O Pós-impressionismo
O Pós-impressionismo não foi um movimento, mas sim, um termo que mapeou o
surgimento de produções individuais e inovadoras, de alguns artistas que vinham ou eram
influenciados pelo impressionismo. Esses artistas não formavam um grupo e muito menos
compartilhavam de um objetivo comum. O termo “pós-impressionismo” é usado para
descrever as obras dos seguintes artistas: Paul Cézanne, Vicente Van Gogh, Paul Gauguin,
Georges-Pierre Seurat. Vamos conhecê-los?

Paul Cézanne
Paul Cézanne, francês (1839-1906), era um artista que vivia entediado
por conta de ser constantemente recusado dos Salões Oficiais e desejar o
reconhecimento que merecia. Descontente de tudo desliga-se definitivamente
dos impressionistas e em 1886, sendo de família rica, muda-se de Paris para
isolar-se em sua casa no sul da França, em Aix-en-Provença.

Paul Cézanne no início da carreira pertenceu ao grupo dos impressionistas,


por ter participado de duas exposições com eles. A primeira em 1874 e a
terceira em 1877. Depois disso abandonou o grupo.
Autorretrato (detalhe), 1875.

O objetivo desse isolamento era mergulhar numa experiência solitária com sua arte, uma vez
que não acreditava naquela pintura puramente visual dos amigos impressionistas. Fez questão
de manter contato apenas com alguns amigos mais próximos como Renoir, Monet e Pissaro,
mas preferia não conversar sobre pintura.
Mergulhado na produção solitária, Cézanne permitiu-se a observar com acuidade a natureza,
revê a literatura e, sobretudo, a pintura romântica, especialmente, Delacroix. Estava se propondo
a desenvolver uma pintura consistente, com muita pesquisa e que pudesse traspor a sensação
visual da natureza, ao nível da consciência da forma.

Numa carta de 1904, ele escreve que é preciso “tratar a natureza


conforme o cilindro, a esfera, o cone, o conjunto posto em
perspectiva”, e pretendeu-se ver nessa frase uma antecipação
teórica do Cubismo, movimento que inquestionavelmente descende
de sua pintura, mas interpreta-a em sentido racionalista. (ARGAN,
1992, p. 112).

Perceber que na natureza há uma geometrização mental do que se observa, Cézanne trabalhou
firmemente com os contornos e solidezes das formas que os impressionistas abandonaram.
Como exemplo disso, veja a imagem a seguir:

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“Mont Sainte-Victoire” (1902-1904), Paul Cézanne.

Cézanne produziu várias versões do Monte Sainte-Victoire. Essa versão nos mostra o grau de
lucidez estrutural que o artista desenvolveu. Como foi citado por Argan, o artista Picasso vai criar
o Cubismo com base nas pesquisas e obras de Cézanne. Veja agora mais obras dele nesse vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=5aI8k1V_usU

Vincent Van Gogh


Van Gogh (1853-1890) foi um importantíssimo pintor holandês que marcou
a história. De personalidade pouco sociável, pessoa inquieta, angustiada,
vivia questionando sua existência, a condição de estar no mundo e o sentido
da vida. Era do tipo que falava a verdade nua e crua, não media palavras e
nem poupava ninguém para se expressar. Mas desde criança interessava-se
por observar a natureza e era fascinado por flores raras.
De família protestante e burguesa, tentou ser comerciante de quadros,
vendedor de livros, pastor e missionário, mas nada deu certo. Até que em
1880 foi estudar arte, em Haia, na Holanda e começa a pintar a partir da
Autorretrato (detalhe), 1887-1888. observação dos camponeses, em seu dia-a-dia.
Em 1886 vai morar em Paris, onde encontra os impressionistas e faz amizade com alguns
pintores. Entre eles Toulouse-Lautrec e Gauguin. Nesse momento tem contato com os mais
importantes acontecimentos artísticos parisienses e chega à conclusão de que a pintura deveria
ser um instrumento de transformação social, verdadeira, viva, intensa e apaixonante. Como
podemos perceber, Van Gogh é movido pela emoção.
Em 1888, muda-se para Arles, uma cidade de belas paisagens que muito o impressionou. Assim
como Cézanne, estava ligado ao impressionismo e gostava das gravuras japonesas. Em Arles, por
volta de dois anos, produz uma grande quantidade de obras primas. Veja dois exemplos:

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Unidade: Do Olhar Encantado ao Cérebro Pensante

“Terraço do Café à Noite” (1888), Vincent van Gogh). “A noite Estrelada” (1889), Vincent van Gogh

Podemos perceber que tanto em Terraço do Café à Noite quanto em A noite Estrelada, a cor
é o elemento mais forte e mais significativo nas pinturas de Van Gogh, nos emociona e salta aos
nossos olhos. O outro elemento muito importante de se perceber é o modo como o artista pinta
suas obras. Por exemplo, a marca do pincel na obra, dá a sensação de que o artista acabou de
pintá-la. Quase sentimos a presença física de Van Gogh, nessas fortes, expressivas e espessas
camadas de tintas. Conforme Janson (1996, p. 346):

“para o próprio Van Gogh era a cor, não


a forma, que determinava o conteúdo
expressivo de seus quadros”.

Ele queria que sua pintura expressasse o que ele sentia, sobretudo, se apropriando das
distorções das imagens para favorecer a ideia de sentimento.

Esse modo de operar com densas camadas de tinta, distorções e o uso puro da cor na tela,
é a novidade e ao mesmo tempo, a grande contribuição que Van Gogh traz para a História
da Arte Moderna. Essa forma de expressão tão particular influenciou o que mais tarde vai se
chamar de expressionismo. Veja mais sobre as obras e a vida de Van Gogh, no seguinte vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=kWefnelh5M0

Viu como Van Gogh é um artista é importante para a história? Agora vamos ver outro grande
artista do Pós-impressionismo.

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Paul Gauguin
Eugène-Henri-Paul Gauguin (1848-1903), pintor Francês, de família de
intelectuais, nasceu em Paris. Seu pai era jornalista e a mãe escritora. O
Imperador Napoleão III exercia poder absoluto na França entre 1852 e
1858 e perseguia a imprensa. Por motivos autoritários desta política, com
a família Gauguin foi viver parte de sua infância em Lima, no Peru, até os 7
anos de idade.
Após mudanças no cenário político, em 1855, com a família volta a
viver na França e ainda adolescente, aos 17 anos, serviu a Marinha que
lhe oportunizou viajar por vários países. Essa experiência pode ter dado a
Autorretrato (detalhe), 1896. Gauguin o gosto pela observação da natureza e de colecionador de arte.
Chegou a comprar o quadro Fruteira, Copo e Maçãs, de Cézanne. Mais tarde foi corretor de Bolsa
com sucesso em Paris, casa-se em 1873 e tem cinco filhos. Dez anos depois de casado, em 1883:

Aos 35 anos, entretanto convenceu-se de que deveria dedicar-se


inteiramente à arte: abandonou a carreira de negociante e a família
e, por volta de 1889, era a figura central de um novo movimento
chamado Simbolismo. Seu estilo, embora menos intensamente
pessoal que o de Van Gogh, era um avanço ainda mais arrojado
para além do Impressionismo. (JANSON, 1996, P. 346).

A dedicação absoluta pela pintura autodidata fez Gauguin entrar numa profunda pobreza
e, assim como Cézanne, buscar o isolamento. Para isso, em 1888 foi morar com Van Gogh em
Arles, cidade onde a vida era mais barata e ali, viver uma experiência de convívio artístico com
o amigo. Essa convivência promoveu grandes produções aos dois pintores que admiravam a
gravura japonesa. Apesar da amizade que um tinha pelo outro, suas pinturas eram completamente
diferentes. Gauguin, além das gravuras japonesas:

Estudara também a arte medieval (escultura, tapeçaria e vitrais), a


xilogravura primitiva e certos tipos de arte exótica que tinha visto
na Feira Mundial de 1889; e sabia que a cor podia ser usada tanto
simbólica como expressivamente. (READ, 1974, p. 22).

Os estudos de Gauguin soma-se ao seu interesse por religiosidade e por cultura primitiva. Era
uma pessoa de ideias originais, dotada de inteligência e sensibilidade artística. Ele dizia que:

O pintor não deve ser apenas um olho, que registra as formas e as


cores, como acreditavam e faziam os impressionistas. Deve recriar
a natureza, conferindo a cada imagem visual um valor simbólico
e decorativo, inexistente na realidade, que poderá ser alterada e
deformada. (CAVALCANTI, 1978, P. 113).

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Unidade: Do Olhar Encantado ao Cérebro Pensante

Podemos perceber que a deformação e o colorido esplendoroso eram aspectos de interesse


comum nas pinturas dos dois colegas. Porém, uma das principais diferenças entre eles é que Van
Gogh pintava o que via, já Gauguin o que via, somado-se com o que estava em sua memória
e não existia na realidade, como citou Cavalcanti. Nessa convivência vieram as discórdias e
Van Gogh, num ataque de fúria quase mata Gauguin. Assustado, Gauguin volta a Paris e de lá,
em 1891, vai para a ilha de Taiti, na Oceania, mais tarde muda-se para outra ilha, a de Fatu-Iva,
onde morre em 1903, mergulhado numa absoluta pobreza.

Foi nessa briga com Gauguin que Van Gogh cortou parte de sua própria orelha.

Apesar da triste história de vida de Gauguin, sua pintura foi outro marco importante do Pós-
impressionismo. Para Janson (1996, p. 346), “em obras como O Cristo Amarelo, ele tentou
representar a fé simples e direta das pessoas do campo” veja abaixo como é uma imagem
simbólica e não tem a preocupação em imitar o modelo natural.

“O Cristo Amarelo” (1889), Paul Gauguin.

Plenamente confiante no que estava produzindo, Paul Gauguin traz para a cena artística uma
pintura consistente. Rica em detalhes, inovadora, com temas nada Europeus e como nos diz Janson
(Idem, p. 238) “ele aconselhou seus amigos simbolistas a afastarem-se dos Gregos e voltarem-se
para a Pérsia, o antigo Egito e o Extremo Oriente”. Veja mais sobre esse artista no vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=hjbQhyrJn0c

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Georges-Pierre Seurat
Seurat (1859-1891) foi pintor francês, viveu apenas 32 anos. Nasceu e
morreu em Paris, mas nessa curta vida colaborou para uma grande vertente
da arte no Pós-impressionismo, como veremos. Estudou desenho numa
escola municipal, depois foi para a Escola de Belas Artes e no museu do
Louvre estudou os grandes mestres como Ingres, Delacroix, entre outros.

Interessado por ciência, mergulhou em estudos de importantes teóricos


a respeito dos dados científicos sobre as cores. Em seus experimentos
entre 1882 e 1883, dedica-se ao desenho com o desejo de criar algo
diferente do desenho tradicional.
Retrato, 1888.

Nesse exercício, evita criar linhas e inicia desenhando com


formas. Ou seja, concentrando massas pretas de tinta e deixando
partes brancas da tela, criando assim, desenhos com efeitos de
luzes e sombras. Veja isso na imagem ao lado. Feliz com isso
resolve de vez abandonar a linha e vai criar suas obras, sobretudo
sua pintura, com essa técnica que é uma novidade para Paris
naquele momento.
Seurat, com os conhecimentos que adquiriu, vai criar uma
pintura se apropriando de técnicas científicas, seguindo a lei do
contraste, da degradação e da irradiação. E assim, de modo muito
especial, faz uma mistura óptica com minúsculos pontinhos de
cores, próximos uns dos outros. Essa aproximação de pequenos
pontinhos coloridos faz o nosso cérebro somar uma cor com a outra, “Il nodo nero, matita Conté su carta” (1882).
complementando o valor cromático da pintura. Seurat chama sua
técnica de divisionismo, popularmente conhecido por pontilhismo.
Veja na imagem abaixo essa forma de pintar do artista.

“Tarde de Domingo na Ilha de Grande Jatte” (1884-1886), Georges Seurat

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Unidade: Do Olhar Encantado ao Cérebro Pensante

O divisionismo ou pontilhismo de Seurat é a novidade que entusiasmou o amigo e também


artista Paul Signac. Os dois seguiram com essa forma de pintar cuja base de pesquisa foram os
estudos científicos. Veja mais obras de Seurat no vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=1liX4-pu_6o

Conhecemos os artistas Paul Cézanne, Vicente Van Gogh, Paul Gauguin e Georges Seurat,
como os principais artistas do Pós-impressionismo. Além deles tivemos outros nomes importantes
como Henri Rousseau, Gustav Klimt e Toulouse-lautrec.

Henri Rousseau
Henri Rousseau (1844 - 1910), pintor francês, mesmo residindo em Paris,
onde a novidade acontecia, interessou-se em desenvolver uma pintura
primitivista, uma vertente das ideias de Gauguin. Esta, porém, mais
conhecida por arte naïf, de caráter ingênuo e muito significativa para a
época. Veja abaixo a imagem de uma de suas obras e saiba mais sobre
esse artista no vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=aU-KgFyUvIg
Autorretrato, entre 1900-1903.

“A Guerra” (1894), Henri Rousseau

Gustav Klimt
Gustav Klimt (1862-1918), pintor austríaco, produziu uma arte de também
de caráter simbólico. Veja na imagem abaixo como ele se expressava.
Entenda mais sobre a vida e obra de Klimt, no video:

https://www.youtube.com/watch?v=7nUq_63xE-A

Retrato, 1914.

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“O beijo” (1907/8), Gustav Klimt/Wikimedia Commons

Toulouse-Lautrec
Toulouse-Lautrec (1864 - 1901), outro importante pintor francês,
interessou-se em retratar a cena boêmia parisiense com pinturas e também
com cartazes publicitários. Ele revolucionou o design gráfico e influenciou
a Art Nouveau. Na imagem abaixo veja um dos cartazes. Para saber
mais sobre ele, veja o vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=0ElV1m1uPFM

Retrato, entre 1880-90.

“Jane Avril”, (cartaz 1893), Henri de Toulouse-Lautrec.

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Unidade: Do Olhar Encantado ao Cérebro Pensante

A Art Nouveau ou Arte Nova surgiu na Europa entre 1890 e 1910, é essencialmente
decorativa, voltada ao design e à arquitetura. É um estilo floreado que imita formas orgânicas,
inspiradas em folhagens, flores, cisnes, fogo e outros elementos. Explora os novos materiais
da época, como o ferro e o vidro. Na área gráfica, com a técnica da litografia colorida, a Art
Nouveau influencia a confecção dos cartazes daquele momento. Veja um exemplo dessa arte,
empregada na arquitetura, na imagem abaixo e saiba mais:

http://www.dailymotion.com/video/x19l02j_the-history-of-art-nouveau-painting-drawing-artist-documentary_creation

Art Nouveau. Detalhe da fachada de um prédio do arquiteto Alfred Wagon,


construído em 1905/Wikimedia Commons

Chegamos ao final dos principais acontecimentos no Pós-impressionismo. Podemos perceber


que, seja nos museus, na arquitetura ou em cartazes, convivemos até hoje com essas estéticas
que foram consolidadas desde o final do Século XIX, chegando também ao Brasil. Diante desses
conhecimentos, convido-lhe a participar do fórum, que é um ótimo espaço no qual você vai
trocar ideias com seus colegas e aprender ainda mais sobre estes dois momentos da artes.

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Material Complementar
Vídeos sobre os artistas do Impressionismo:
Claude Monet:.................... https://www.youtube.com/watch?v=hcDqgfbD7GI
Edouard Manet:.................. https://www.youtube.com/watch?v=CO03cOY1CYo
Paul Cézzane:..................... https://www.youtube.com/watch?v=5aI8k1V_usU
Auguste Renoir:.................. https://www.youtube.com/watch?v=TRb-oQftjOk
Edgar Degas:...................... https://www.youtube.com/watch?v=CGqdi53WeaQ
Camille Pissarro:................. https://www.youtube.com/watch?v=HKOKiIcABY8
Alfred Sisley:...................... https://www.youtube.com/watch?v=N4ZoCHq7gkQ
Berthe Morsot:................... https://www.youtube.com/watch?v=BbSFTWqFTlQ

Mais um artista do Pós-Impressionismo:


Paul Signac.......................... https://www.youtube.com/watch?v=jv_j2_zQo3k

Indicação de livro importante:


A pintura da vida moderna. Paris na arte de Manet e de seus seguidores. Autor: T.J.
Clark. Editora Companhia das Letras. São Paulo.

Museu:

Museu dos Impressionistas:.http://www.mdig.fr

Sites de artistas:
Van Gogh:.......................... http://www.vangoghgallery.com
Paul Gauguin:..................... http://www.paul-gauguin.net
Cézanne (em construção):.. http://cezannerio.com.br/tapume-pv-2014
Klimt:................................. http://www.klimt.com
Toulouse-lautrec:................ http://www.toulouse-lautrec-foundation.org

Filme:
Os Impressionistas. Acesso em:
http://cantomagia.blogspot.com.br/2013/08/os-impressionistas-impressionismo-filme.html

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Unidade: Do Olhar Encantado ao Cérebro Pensante

Referências

ARGAN, G. C. Arte Moderna. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.


CHIPP, H. B. Teorias da Arte Moderna. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
STANGOS, N. Conceitos da Arte Moderna: Com 123 ilustrações. Rio de janeiro: Jorge
Zahar Editor, 2000.

Bibliografia Complementar
BELL, J. Uma Nova Historia da Arte . São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
DEMPSEY, A. Estilos, Escolas e Movimentos: Guia Enciclopédico da Arte Moderna. São
Paulo: Cosac & Naify, 2005.
SCHAPIRO, M. Arte Moderna: Século XIX e Xx: Ensaios Escolhidos. ,v. , São Paulo: Edusp,
1996.
HARRISON, C. Primitivismo, Cubismo, Abstração: Começo do Século XX. São Paulo:
Cosac & Naify, 1998.
LITTLE, S. Ismos. Entender a Arte. Lisboa: Lisma, 2006.

Webgrafia
A influência da arte japonesa na representação da espacialidade impressionista.
Disponível em: http://www.pucsp.br/iniciacaocientifica/20encontro/downloads/artigos/MARIA_
APARECIDA_CORDEIRO_KATSURAYAMA.pdf

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Anotações

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