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DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA

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Março de 2017

DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !1

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Índice

1. DEPARTAMENTO DAS CELEBRAÇÕES LITÚRGICAS DO SUMO

PONTÍFICE Como celebrar?/2: Canto e Música (CIC 1156-1158) Página 5

2. TRA LE SOLLICITUDE DO SUMO PONTÍFICE PIO X SOBRE A

MÚSICA SACRA Página 8

3. DISCURSO DO PAPA BENTO XVI AOS PROFESSORES E ESTUDANTES

DURANTE A VISITAÇÃO AO PONTIFÍCIO INSTITUTO DE MÚSICA

SACRA Sábado, 13 de Outubro de 2007 Página 17

4. CARTA DO PAPA JOÃO PAULO II AO CARDEAL JOSEPH HÖFFNER POR

MOTIVO DO VII CONGRESSO INTERNACIONAL DE MÚSICA SACRA

Página 21

5. HOMILIA DO CARDEAL TARCISIO BERTONE POR OCASIÃO DO

XXVIII CONGRESSO NACIONAL DE MÚSICA SACRA 26 de Novembro de

2006 Página 25

6. MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI AO CARDEAL FRANCIS ARINZE

POR OCASIÃO DA JORNADA DE ESTUDOS SOBRE O TEMA: «MÚSICA

SACRA: UM DESAFIO LITÚRGICO E PASTORAL» 1 de Dezembro de 2005

Página 29

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7. QUIRÓGRAFO DO SUMO PONTÍFICE JOÃO PAULO II NO

CENTENÁRIO DO MOTU PROPRIO «TRA LE SOLLECITUDINI»

SOBRE A MÚSICA SACRA 3 de dezembro de 2003 | João Paulo II Página 31

8. CARTA DO PAPA JOÃO PAULO II AOS ARTISTAS 4 de abril de 1999 Página

44

9. MENSAGEM DO PAPA PAULO VI NA CONCLUSÃO DO CONCÍLIO

VATICANO II AOS ARTISTAS 8 de Dezembro de 1965 Página 64

10. MUSICAE SACRAE DISCIPLINA ENCÍCLICA DE PIO XII 25 de dezembro

de 1955 Página 66

11. CONSTITUIÇÃO APOSTÓLICA DIVINI CULTUS SANCTITATEM

SOBRE LITURGIA, CANTO GREGORIANO E MÚSICA SACRA Papa Pio

XI, 1929 Página 87

12. INSTRUÇÃO "MUSICAM SACRAM" A Sagrada Congregação para os Ritos e o

Concilium publicaram a Instrução Musicam Sacram, sobre a música na sagrada

Liturgia. 5 de Março de 1967 Página 99.

13. DISCURSO DO PAPA FRANCISCO AOS PARTICIPANTES NO

CONGRESSO INTERNACIONAL DE MÚSICA SACRA Sala Clementina

Sábado, 4 de março de 2017 pagina 117


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14. MISSAL ROMANO RESTAURADO POR DECRETO DO CONCÍLIO

ECUMÊNICO VATICANO II, PROMULGADO PELA AUTORIDADE DE

PAULO VI E REVISTO POR MANDADO DO PAPA JOÃO PAULO II -

Tradução portuguesa para o Brasil da separata da terceira edição típica preparada

sob os cuidados da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos

ROMA 2002 página121


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DEPARTAMENTO DAS
CELEBRAÇÕES
LITÚRGICAS
DO SUMO PONTÍFICE

Como celebrar?/2: Canto e Música (CIC 1156-1158)

De um tempo remoto, o canto e a bela música ofereceram uma interface às sublimidades e
profundidades das emoções humanas. No entanto, se foram formativas na liturgia, o seu
objetivo mais elevado é aquele de dar glória a Deus no culto que, inevitavelmente, eclipsa o
seu nobre mas limitado destino, para ir satisfazer um desejo primário de um ótimo serviço.
Sobretudo a partir do momento que é dirigida a Deus, «A tradição musical da Igreja
universal criou um tesouro de inestimável valor, que excede todas as outras expressões de arte,
sobretudo porque o canto sagrado, intimamente unido com o texto, constitui parte necessária
ou integrante da liturgia solene» (Catecismo da Igreja Católica [CIC] 1156 e Sacrosanctum
Concilium [SC] 112. Segundo a tradição da Antiga Aliança, não somente os salmos e hinos
são centrais na liturgia hebraica e cristã, mas também a diversidade musical e dos registros
simbólicos dos vários instrumentos musicais (CIC 1156). Do ponto de vista moderno, é difícil
estabelecer quais sejam todos os instrumentos, ainda que um senso da sua sinfonia pode ser
captado graças à nossa apreciação pela versatilidade de um órgão de tubos que anuncia, de
uma forma tão amável, as atmosferas distintivas do ano litúrgico. Nunca se deveria perder de
vista o apelo de SC 120 sobre a particular estima que deveria ser garantida ao órgão de tubos,
ainda quando outros instrumentos sejam consentidos na liturgia sobre a base do fato de que
são aptos para o uso sagrado.

Os variados estados de ânimo expressos pelos diversos gêneros de instrumentos musicais na
liturgia do Antigo Testamento são indicados pela sua extensão. Entre os instrumentos de
corda, a lira, cítara ou kinnōr eram ouvidos no Templo durante as festas e os banquetes,
como indicado em 1 Crônacas 15, 16 e em Isaías 5, 12. E é o mesmo instrumento usado por
Davi para informar a Saul como indicado em 1 Samuel 16, 23. O nebel ou harpa muitas

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vezes era tocado junto com a cítara como sugerido no Salmo 108 (107). Enquanto que o
nebel com dez cordas como se encontra no Salmo 144 (143) pode ser comparado a uma
cítara e é semelhante a um alaúde. Entre os instrumentos de sopro estavam as trombetas em
Números 10 utilizada para festas e outras cerimônias importantes; a flauta, elencada no
grupo de instrumentos de Daniel 3,5 e o l'halīl ou flauta de tubo que foi usada para
simbolizar a dor em Jeremias 48, 36 e para proclamar a alegria em 1 Re 1, 40. E também
estavam presentes instrumentos de percussão como os Símbolos do Salmo 150 e as
campainhas sobre as vestes de Arão em Êxodo 28, 33-35

Os tesouros da liturgia palpitam vida quando são celebrados e enobrecem o canto e a música
de culto. O ato mesmo da troca entre nós e Deus faz presente um lugar onde Deus habita e
no qual os seres humanos são tocados pela vida única de Deus. Esta morada de Deus
encontra-se na liturgia. A liturgia não é um mero símbolo do mistério divino ou um mero
símbolo da verdade da revelação católica. Nos faz presentes a nós mesmos na e por meio da
celebração litúrgica. Estes componentes essenciais da liturgia nos mostram que as nossas
celebrações não podem ser limitadas pelos nossos sentimentos ou por um imperativo emotivo
pelo qual devemos nos sentir bem quando e como celebramos, não importa o quanto sejam
importantes estes aspectos no modo em que dirigimos uma mensagem a Deus. A liturgia deve
comunicar o significado da Igreja e, ao mesmo tempo, o seu significado entre os participantes
que, à sua vez, são alimentados no Espírito e na Verdade. Fidelidade àquilo que parece uma
relação a longa distância, na liturgia se tornará uma sensação transitória se as pessoas se
adequam à língua sacra da Missa. Não precisa subestimar as pessoas envolvidas que devem
reconhecê-la e, com o tempo, crescerá o amor pelos textos que serão conhecidos sempre mais.
Três critérios devem ser tidos em conta no canto e a música para realizar o seu potencial: “a
beleza expressiva da oração, a participação unânime da assembleia nos momentos previstos e
o carácter solene da celebração” (CIC 1157).

A liturgia descreve e forma relações. As relações têm necessidade de perseverança, com e
dentro dessas podem nascer equívocos. A liturgia é o lugar de encontro onde Deus mostra a
profundidade do pacto do seu amor, de modo que “os homens caídos possam levantar-se
sobre as asas da oração” (Stanbrook Abbey Hymnal, "Senhor Deus, a Tua luz que ofusca as
estrelas" (Lord God, your light which dims the stars), versículo 2, publicado em 1974). Na
liturgia, Deus encontra o anthropos (o homem) sobre uma terra santa. Portanto “promova-se
com esforço o canto popular religioso, de modo que nos piedosos e sagrados exercícios, e nas
mesmas ações litúrgicas”, conforme com as normas da Igreja, “possam ressoar as vozes dos
fiéis (SC 118, CIC 1158). Portanto, o nosso serviço à liturgia na celebração litúrgica não prevê
colocar os nossos gostos pessoais e as nossas escolhas particulares diante daquilo que a Igreja
transmitiu até nós. A autêntica participação litúrgica celebrará verdades transcendentes do
tempo e do espaço, porque “o Espírito Santo guia os fiéis à verdade integral e neles faz
habitar abundantemente a palavra de Cristo, e a Igreja perpetua e transmite tudo o que ela é

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e tudo o que ela crê, também quando oferece as orações de todos os fiéis a Deus, por meio de
Cristo e na potência do Espírito Santo” (SC 33; Liturgiam authenticam 19, tradução nossa).

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TRA LE SOLLICITUDE
(22 de novembro de 1903) | PIO X

MOTU PROPRIO
TRA LE SOLLICITUDE
DO SUMO PONTÍFICE
PIO X
SOBRE A MÚSICA SACRA

INTRODUÇÃO

Entre os cuidados do ofício pastoral, não somente desta Suprema Cátedra, que por
imperscrutável disposição da Providência, ainda que indigno, ocupamos, mas também de
todas as Igrejas particulares, é, sem dúvida, um dos principais o de manter e promover o
decoro da Casa de Deus, onde se celebram os augustos mistérios da religião e o povo cristão
se reúne, para receber a graça dos Sacramentos, assistir ao Santo Sacrifício do altar, adorar o
augustíssimo Sacramento do Corpo do Senhor e unir-se à oração comum da Igreja na
celebração pública e solene dos ofícios litúrgicos.

Nada, pois, deve suceder no templo que perturbe ou, sequer, diminua a piedade e a devoção
das fiéis, nada que dê justificado motivo de desgosto ou de escândalo, nada, sobretudo, que
diretamente ofenda o decoro e a santidade das sacras funções e seja por isso indigno da Casa
de Oração e da majestade de Deus.

Não nos ocupamos de cada um dos abusos que nesta matéria podem ocorrer. A nossa atenção
dirige-se hoje para um dos mais comuns, dos mais difíceis de desarraigar e que às vezes se
deve deplorar em lugares onde tudo o mais é digno de máximo encômio para beleza e
suntuosidade do templo, esplendor e perfeita ordem das cerimônias, freqüência do clero,
gravidade e piedade dos ministros do altar. Tal é o abuso em matéria de canto e Música
Sacra. E de fato, quer pela natureza desta arte de si flutuante e variável, quer pela sucessiva
alteração do gosto e dos hábitos no correr dos tempos, quer pelo funesto influxo que sobre a
arte sacra exerce a arte profana e teatral, quer pelo prazer que a música diretamente produz e
que nem sempre é fácil conter nos justos limites, quer, finalmente, pelos muitos preconceitos,
que em tal assunto facilmente se insinuam e depois tenazmente se mantêm, ainda entre
pessoas autorizadas e piedosas, há uma tendência contínua para desviar da reta norma,
estabelecida em vista do fim para que a arte se admitiu ao serviço do culto, e expressa nos

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como parte integrante da Liturgia solene. E debalde se espera que para isso desça sobre nós copiosa a bênção do Céu. e se consultarmos a nossa experiência pessoal e tivermos em conta as reiteradas queixas. a sua mais escrupulosa observância.BR cânones eclesiásticos. queremos que se lhe dê força de lei. I. em virtude da plenitude de Nossa Autoridade Apostólica. quando o nosso obséquio ao Altíssimo. julgamos oportuno indicar com brevidade os princípios que regem a Música Sacra nas funções do culto e recolher num quadro geral as principais prescrições da Igreja contra os abusos mais comuns em tal matéria. e para que desapareça qualquer equívoco na interpretação de certas determinações anteriores. Este progresso está todavia ainda muito longe de ser comum a todos. cremos que é nosso primeiro dever levantar a voz para reprovação e condenação de tudo que nas funções do culto e nos ofícios eclesiásticos se reconhece desconforme com a reta norma indicada. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. impondo a todos. é necessário prover antes de mais nada à santidade e dignidade do templo. Portanto. em vez de ascender em odor de suavidade.COM. com que uma vez o Divino Redentor expulsou do templo os indignos profanadores. por este Nosso quirógrafo. se uniram em florescentes sociedades e reconduziram ao seu lugar de honra a Música Sacra em quase todas as suas Igrejas e Capelas. nas prescrições várias vezes emanadas das Sagradas Congregações Romanas e dos Sumos Pontífices Nossos Predecessores. A música sacra. Princípios gerais 1. E por isso. participa do seu fim geral. também nesta nossa augusta cidade de Roma e em muitas Igrejas da Nossa pátria. vai pelo contrário repor nas mãos do Senhor os flagelos. sem protrairmos por mais tempo. onde os fiéis se reúnem precisamente para haurirem esse espírito da sua primária e indispensável fonte: a participação ativa nos sacrossantos mistérios e na oração pública e solene da Igreja. para que ninguém doravante possa alegar a desculpa de não conhecer claramente o seu dever. nas ordenações dos Concílios gerais e provinciais. Com verdadeira satisfação da alma nos apraz recordar o muito bem que nesta parte se tem feito nos últimos decênios. mas em modo muito particular em algumas nações. que de todas as partes Nos chegaram neste pouco tempo decorrido. de própria iniciativa e ciência certa. publicamos a Nossa presente instrução. A música concorre para aumentar o decoro e DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !9 . será ela como que um código jurídico de Música Sacra. com aprovação desta Santa Sé e dos Bispos. onde homens egrégios e zelosos do culto de Deus. que é a glória de Deus e a santificação dos fiéis. desde que aprouve ao Senhor elevar a Nossa humilde Pessoa à suprema culminância do Pontificado Romano. e. Sendo de fato nosso vivíssimo desejo que o espírito cristão refloresça em tudo e se mantenha em todos os fiéis.

inspiração e sabor da melodia gregoriana. embora seja permitido a cada nação admitir nas composições religiosas aquelas formas particulares. O canto gregoriano deverá. a fim de que por tal meio se excitem mais facilmente os fiéis à piedade e se preparem melhor para receber os frutos da graça. o qual estudos recentíssimos restituíram à sua integridade e pureza. que conservou cuidadosamente no decurso dos séculos em seus códigos litúrgicos e que. que é por conseqüência o canto próprio da Igreja Romana. restabelecer-se amplamente nas funções do culto. Mas seja. exerça no ânimo dos ouvintes aquela eficácia que a Igreja se propõe obter ao admitir na sua liturgia a arte dos sons.BR esplendor das sagradas cerimônias. que em certo modo constituem o caráter específico da sua música própria. Por tais motivos. e nomeadamente a santidade e a delicadeza das formas. e será tanto menos digna do templo quanto mais se afastar daquele modelo supremo. o canto gregoriano foi sempre considerado como o modelo supremo da música sacra. como seu. em grau eminente. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. e por isso excluir todo o profano não só em si mesma. universal no sentido de que. o único que ela herdou dos antigos Padres. não sendo possível que. a universalidade. doutra forma. Estas qualidades se encontram em grau sumo no canto gregoriano. Por isso a música sacra deve possuir. ao mesmo tempo. mesmo quando não é acompanhada senão da música gregoriana. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !10 . e. estas devem ser de tal maneira subordinadas aos caracteres gerais da música sacra que ninguém doutra nação. mas também no modo como é desempenhada pelos executantes. ao ouvi-las. próprios da celebração dos sagrados mistérios.COM. as qualidades próprias da liturgia. Gêneros de Música Sacra 3. assim o seu fim próprio é acrescentar mais eficácia ao mesmo texto. Deve ser arte verdadeira. sendo certo que uma função eclesiástica nada perde da sua solenidade. pois. assim como o seu ofício principal é revestir de adequadas melodias o texto litúrgico proposto à consideração dos fiéis. Deve ser santa. II. propõe diretamente aos fiéis. 2. podendo com razão estabelecer-se a seguinte lei geral: uma composição religiosa será tanto mais sacra e litúrgica quanto mais se aproxima no andamento. donde resulta espontaneamente outra característica. sinta uma impressão desagradável.

que no século XVI atingiu a sua maior perfeição com as obras de Pedro Luís de Palestrina. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !11 . para que os fiéis tomem de novo parte mais ativa nos ofícios litúrgicos. nas igrejas catedrais. onde não costumam faltar os meios necessários. sobretudo na Itália. deverá vigiar-se com maior cuidado por que as composições musicais de estilo moderno. juntamente com o canto gregoriano. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. por sua natureza. 5. não tenham reminiscências de motivos teatrais. A Igreja tem reconhecido e favorecido sempre o progresso das artes. A língua própria da Igreja Romana é a latina. principalmente nas mais insignes basílicas. salvas sempre as leis litúrgicas. seriedade e gravidade que não são de forma alguma indigna das funções litúrgicas. 6. Por isso é que a música mais moderna é também admitida na Igreja. mesmo nas suas formas externas. nas funções litúrgicas solenes.COM. Este. que se admitem na Igreja. que é o canto gregoriano. a íntima estrutura. quais são as da Capela Pontifícia. sobre o andamento das composições profanas. especialmente na da Escola Romana. Além disso. A polifonia clássica. mereceu por esse motivo ser admitida. e que continuou depois a produzir composições de excelente qualidade musical e litúrgica. não tenham coisa alguma de profana. III. As sobreditas qualidades verificam-se também na polifonia clássica. nas funções mais solenes da Igreja. Por isso também essa deverá restabelecer-se nas funções eclesiásticas. Por isso é proibido cantar em língua vulgar. o ritmo e o chamado convencionalismo de tal estilo não se adaptam bem às exigências da verdadeira música litúrgica. aproximando-se do modelo de toda a música sacra. e muito particularmente. Todavia. e não sejam compostas.BR Procure-se nomeadamente restabelecer o canto gregoriano no uso do povo. tratando-se das partes variáveis ou comuns da Missa e do Ofício. 4. o que parece menos próprio para acompanhar as funções do culto é o que tem ressaibos de estilo teatral. por isso mesmo às leis mais importantes de toda a boa música sacra. que durante o século XVI esteve tanto em voga. visto que apresenta composições de tal qualidade. seja o que for. nas dos Seminários e outros institutos eclesiásticos. como a música moderna foi inventada principalmente para uso profano. Texto Litúrgico 7. apresenta a máxima oposição ao canto gregoriano e à clássica polifonia. admitindo ao serviço do culto o que o gênio encontrou de bom e belo através dos séculos. Entre os vários gêneros de música moderna. como se fazia antigamente.

as normas seguintes: a) O Kyrie. contanto que. a forma que a tradição eclesiástica lhes deu. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !12 . É. Permite-se outrossim que. 11. que cada um dos salmos seja totalmente musicado. não é lícito alterar esta ordem. da Missa. um Hino. em particular. Observem-se. um breve motete sobre palavras aprovadas pela Igreja. um Salmo. se possa executar. Poderá também conceder-se. nem omiti-los na íntegra ou em parte. para cada função litúrgica. já com motivos tirados do canto gregoriano.BR 8. etc. Por conseguinte.COM. Sacramento depois do Benedictus da Missa solene. um Gradual. e que se encontra admiravelmente expressada no canto gregoriano. alternar o canto gregoriano do coro com os chamados "falsibordoni" ou com versos de modo semelhante convenientemente compostos. As várias artes da Missa e Ofício devem conservar. b) No ofício de Vésperas deve seguir-se. alguns versículos do texto. sem repetições indevidas. até musicalmente. o Credo. sem posposição ou alteração das palavras. e permite a música figurada nos versículos do Gloria Patri e no hino. O texto litúrgico tem de ser cantado como se encontra nos livros aprovados. no tempo que resta. a não ser que as Rubricas litúrgicas permitam suprir. isto é. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. pois. que os cantores pareçam salmodiar entre si. IV. segundo o costume romano. de modo que. etc. Forma externa das composições sacras 10. Estando determinados. devem conservar a unidade de composição própria do texto. nem substituir os textos prescritos por outros. nas maiores solenidades. diverso o modo de compor um Intróito. ordinariamente. o Glória. cantar um motete em honra do S. 9. já com motivos musicais novos.. sempre de modo inteligível. não é lícito compô-las como peças separadas. uma vez por outra. se conserve a forma própria da salmodia. um Glória in excelsis. depois de cantado o ofertório prescrito. ou imitados deste. em tais composições. cada uma destas forme uma composição musical tão completa que possa separar-se das restantes e ser substituída por outra. a norma do Caeremoniale Episcoporum que prescreve o canto gregoriano para a salmodia. uma Antífona. que são simplesmente recitados no coro. é permitido. os textos que hão de musicar-se e a ordem por que se devem cantar. sem deslocar as silabas. Contudo. com órgão. É permitido somente.

d) As antífonas de Vésperas têm de ser cantadas. com a melodia gregoriana que lhes é própria. Será. durante as funções litúrgicas. Por isso. ordinariamente. de todo. os cantores. Órgão e Instrumentos DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !13 . devendo as músicas. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. Os cantores 12. Finalmente. Querendo-se. com a sua devota e modesta atitude. VI. Não é permitido compor. empreguem-se os meninos. o Tantum ergo de modo que a primeira estrofe apresente a forma de romanza. c) Conserve-se.COM. os quais. por exemplo. 13. pois. Os cantores têm na Igreja um verdadeiro ofício litúrgico e. enquanto cantam na igreja. por isso. Excetuadas as melodias próprias do celebrante e dos ministros. além disso. os salmos de concerto. as mulheres sendo incapazes de tal ofício. ao menos na sua maior parte. cavatina ou adágio e o Genitori a de allegro. 14.BR Ficam proibidos. vistam hábito eclesiástico e sobrepeliz e que. seja resguardado por grades. conservar o caráter de música de coro. não podem ser admitidas a fazer parte do coro ou da capela musical. ter vozes agudas de sopranos e contraltos. nas cerimônias litúrgicas. segundo o uso antiquíssimo da Igreja. nem a amplitude dum motete ou de cantata. todo o restante canto litúrgico faz parte do coro dos levitas. deve antes ter o caráter de uma simples frase melódica e estar intimamente ligada ao resto da composição coral. não se admitam a fazer parte da capela musical senão homens de conhecida piedade e probidade de vida. não deverão nunca ter a forma de melodia de concerto. se mostrem dignos do santo ofício que exercem. ainda que leigos. se em algum caso particular se cantarem em música. Porém. as funções de coro eclesiástico. os solos. V. se o coro estiver muito exposto à vista do público. conveniente que os cantores. mas estes não devem nunca predominar de tal maneira que a maior parte do texto litúrgico seja assim executada. realizam. Não se entende com isto excluir. a forma tradicional do hino. propriamente. nas músicas da Igreja. que sempre devem ser em gregoriano. sem acompanhamento de órgão.

COM. 17. segundo a tradição gregoriana. Nalgum caso particular.BR 15. 20. deve ser relativamente breve. mas deve ainda participar de todas as qualidades que tem a verdadeira música sacra. A música da Glória e do Credo. grave. para fazer a elevação. judiciosa e proporcionada ao ambiente de instrumentos de sopro. Não é licito. Nas procissões. 18. É rigorosamente proibido que as bandas musicais toquem nas igrejas. o Sanctus deve ser cantado antes da elevação. Segundo as prescrições eclesiásticas. as campainhas e semelhantes. poderão admitir-se outros instrumentos nunca sem o consentimento especial do Ordinário. o órgão e os instrumentos devem simplesmente sustentá-lo. com o consentimento do Ordinário. e só em algum caso particular. o tambor. não só deve ser de harmonia com a própria natureza de tal instrumento. em latim ou vulgar. o uso do piano bem como o de instrumentos fragorosos. O som do órgão. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. ou interrompê-lo com peças de interlúdios. É proibido. nos prelúdios. por motivo do canto. Não é permitido antepor ao canto extensos prelúdios. conforme as prescrições do Caeremoniale Episcoporum. 19. fora da igreja. pode o Ordinário permitir a banda musical. e nunca encobri-lo. na Igreja. nos acompanhamentos do canto. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !14 . os pratos. com as convenientes cautelas. acima mencionadas. Amplitude da Música Sacra 22. conveniente e semelhante em tudo às do órgão. VII. proposto pelos cantores ou pias congregações que tomam parte na procissão. 16. Como o canto tem de ouvir-se sempre. interlúdios e outras passagens semelhantes. contanto que a composição seja em estilo grave. devendo o celebrante esperar que o canto termine. fazer esperar o sacerdote no altar mais tempo do que exige a cerimônia litúrgica. isto é. será permitida uma escolha limitada. Seria para desejar que a banda se restringisse a acompanhar algum cântico espiritual. 21. Posto que a música própria da Igreja é a música meramente vocal. o bombo. contudo também se permite a música com acompanhamento de órgão. uma vez que não se executem composições profanas.

de modo mais particular. segundo os verdadeiros princípios da arte sacra. as escolas superiores de música sacra. e procure-se completar a doutrina com alguma instrução especial acerca da estética da arte sacra. os Bispos. mesmo nas igrejas de menor importância. 28. em muitos lugares. consagrem-se todos os alunos ao estudo do canto gregoriano e os superiores sejam liberais em animar e louvar os seus súditos.BR 23. promova-se entre os clérigos a fundação de uma Schola Cantorum para a execução da sagrada polifonia e da boa música litúrgica. Igualmente. Para o exato cumprimento de quanto fica estabelecido. organistas e cantores. VIII. senão também a que correspondam ao valor dos cantores. uma comissão especial de pessoas verdadeiramente competentes na música sacra. quando é certo que a música é que é parte da liturgia e sua humilde serva. à qual confiarão o cargo de vigiar as músicas que se vão executando em suas igrejas para que sejam conformes com estas determinações. para que os clérigos não saiam dos seminários ignorando estas noções. onde for possível. Nos Seminários e nos Institutos eclesiásticos. que nas funções eclesiásticas a liturgia esteja dependente da música. 26. do melhor modo. É sumamente importante que a mesma igreja atenda à instrução dos seus mestres de música. como se há feito já. ao menos nas igrejas principais. se ainda não o fizeram. e concorrer para as fundar. É condenável. como abuso gravíssimo. Meios principais 24. Nem atender somente a que sejam boas as músicas. Nas lições ordinárias de Liturgia. Moral e Direito Canônico. nas suas dioceses. que se dão aos estudantes de teologia. 27. instituam. as antigas Scholae Cantorum. Procure-se sustentar e promover. dizem respeito aos princípios e leis da música sacra. para haver boa execução. não se deixe de tocar naqueles pontos que. com ótimo fruto. tão necessária à plena cultura eclesiástica. onde já existem.COM. Não é difícil. e até encontrará nelas um meio fácil para reunir em volta de si os meninos e os adultos. 25. onde as não há. com proveito para eles e edificação do povo. instituir tais Scholae. ao clero zeloso. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. Tenha-se o cuidado de restabelecer. IX Conclusão DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !15 . segundo as prescrições tridentinas.

primeiro ano do nosso pontificado. com todo o zelo. que favoreçam. aos superiores dos Seminários.BR 29. recomenda-se aos mestres de capela. para que não caia em desprezo a autoridade da Igreja que repetidamente as propôs e agora de novo as inculca. aos cantores. estas reformas de há muito desejadas e por todos unanimemente pedidas.COM. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. Por último. aos clérigos. na festa da Virgem e Mártir Santa Cecília. Institutos eclesiásticos e comunidades religiosas. aos cônegos das colegiadas e catedrais. e sobretudo aos Ordinários diocesanos. 22 de novembro de 1903. aos párocos e reitores de igrejas. Dado em o Nosso Palácio do Vaticano. PAPA PIO X DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !16 .

que ainda é. uma eleita comunidade de monges beneditinos tinha trabalhado alacremente na revisão da Bíblia Vulgata. Era o momento em que. o Papa João Paulo II veio visitar esta "aedes Sancti Hieronymi de Urbe". em 1932. por obra do Papa Pio XI. mesmo conservando na antiga sede do Palácio do Apollinare a histórica Sala Gregório XIII. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. onde. desde a fundação. oferecido ao DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !17 . o "santuário" no qual se realizam as solenes academias e os concertos. por assim dizer. por vontade da Santa Sé.COM. 13 de Outubro de 2007 Venerados irmãos no Episcopado e no Sacerdócio Estimados Professores e Alunos do Pontifício Instituto de Música Sacra! No dia memorável de 21 de Novembro de 1985 o meu amado Predecessor. O grande órgão.BR DISCURSO DO PAPA BENTO XVI AOS PROFESSORES E ESTUDANTES DURANTE A VISITA AO PONTIFÍCIO INSTITUTO DE MÚSICA SACRA Sábado. a Sala Académica ou Aula Magna do Instituto. o Pontifício Instituto de Música Sacra se tinha transferido.

com as suas crianças. reunido à volta do Reitor. A minha saudação dirige-se a todos vós aqui presentes: aos familiares. Prefeito da Congregação para a Educação Católica e vosso Grão-Chanceler.COM. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. entre os quais sobressai a "Fundação Pró-Música e Arte Sacra". Pontifício Instituto de Música Sacra. Numerosos estudantes. bem como aos representantes da Consociatio Internationalis Musicae Sacrae e da Foederatio Internationalis Pueri Cantores. foi agora integralmente restaurado com a contribuição generosa do Governo da "Generalitat de Catalunya". neste momento os representantes do mencionado Governo aqui presentes. completamente renovada. aos alunos e aos residentes. ela. e aos amigos que os acompanham. Sinto- me feliz por saudar. Pretendo inaugurar e abençoar idealmente os restauros efectuados na Sala Académica onde. aos oficiais. que se ocupou do restauro integral da Biblioteca. no palco. Desejo agora expressar o meu reconhecimento ao Senhor Cardeal Zenon Grocholewski. ao lado do mencionado grande órgão. activamente comprometido também hoje no cumprimento da sua missão originária ao serviço da Igreja universal. oferecido pela "Telecom Italia Mobile" ao amado Papa João Paulo II para o "seu" Instituto de Música Sacra. Foi com alegria que vim à sede didáctica do Pontifício Instituto de Música Sacra. se tornam por sua vez formadores DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !18 . me quis dirigir. Com esta minha visita são inaugurados e abençoados os imponentes trabalhos de restauro realizados nestes últimos anos por iniciativa da Santa Sé e com o significativo contributo de vários benfeitores.BR Papa Pio XI por M. tornou-se depois. Confirmo de bom grado nesta circunstância a minha estima e o meu apreço pelo trabalho que o Corpo académico. Justine Ward em 1932. O vosso Pontifício Instituto está a encaminhar-se a grandes passos rumo ao centenário da sua fundação por obra do Santo Pontífice Pio X. aqui reunidos de todas as partes do mundo para se formarem nas disciplinas da música sacra. com a Constituição apostólica Deus scientiarum Dominus do próprio Pio XI. ao pessoal. desempenha com sentido de responsabilidade e com apreciada profissionalidade. também em vosso nome. as gentis expressões de bons votos que. o qual erigiu em 1911 com o Breve Expleverunt desiderii a "Escola Superior de Música Sacra". foi colocado um magnífico piano. após sucessivas intervenções de Bento XV e de Pio XI.

BR nas respectivas Igrejas locais. Precisamente em vista disto. intimamente unido com o texto. apraz-me recordar quanto predispõe. Ao invocar sobre vós a materna protecção de Nossa Senhora do Magnificat e a intercessão de São Gregório Magno e de Santa Cecília. Domenico Bartolucci. na consciência de que ele constitui um valor de grande realce para a própria vida da Igreja. constitui parte necessária e integrante da Liturgia solene" (Sacrosanctum Concilium. hoje como sempre. sobretudo porque o canto sagrado. E foram tantos no espaço de quase um século! Neste momento. representam um pouco a "memória histórica" do Instituto e personificam muitos outros que trabalharam aqui: o Maestro Mons. em harmoniosa sintonia com a Congregação para o Culto Divino. a Autoridade eclesiástica deve comprometer-se a orientar sabiamente o desenvolvimento de um género e música tão exigentes. João Paulo II observava que. a "arte verdadeira". em relação à música sacra. 112). Tenho a certeza de que o Pontifício Instituto de Música Sacra. não "congelando" o seu tesouro. Nesta sede. a vós caríssimos professores e alunos deste Pontifício Instituto. Ao desejar que o novo ano DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !19 . não deixará de oferecer a sua contribuição para uma "actualização" adequada aos nossos tempos das preciosas tradições de que é rica a música sacra. na própria intimidade da vida de Deus! Bem consciente disto. Quirógrafo "Impelido por um profundo desejo". a possibilidade de ser proposta a qualquer povo ou tipo de assembleia (cf. por assim dizer. que excede todas as outras expressões de arte. garanto-vos da minha parte uma recordação constante na oração. o Concílio Vaticano II: movendo-se na esteira de uma secular tradição. na sua maravilhosa longevidade. de 22 de Novembro de 2003). três características distinguem a música sacra litúrgica: a "santidade". a "universalidade". o Concílio afirma que ela "é um tesouro de inestimável valor. mas procurando inserir na herança do passado as novidades valiosas do presente. Como é rica a tradição bíblica e patrística ao ressaltar a eficiência do canto e da música sacra para mover os corações e elevá-los a afundar. Portanto. para chegar a uma síntese digna da alta missão que lhe é reservada no serviço divino. confio esta tarefa exigente e ao mesmo tempo apaixonante. isto é.COM. sinto-me feliz por dirigir uma grata saudação a quantos. AUGUSTOCEZARCORNELIUS.

COM.BR académico que está para iniciar seja repleto de todas as graças. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !20 . AUGUSTOCEZARCORNELIUS. concedo a todos uma especial Bênção Apostólica.

beleza e dignidade. Sacrosanctum Concilium. 112). mais sublinhadas são por meio do canto e assim recebem especial expressão de solenidade. na sua Constituição Sacrosanctum Concilium. essa Arquidiocese receberá os participantes no VII Congresso Internacional de Música Sacra. Const. Na verdade a obra. Queremos pois que esta Nossa mensagem não só constitua manifestação de reconhecimento pelo esforço realizado neste campo. AUGUSTOCEZARCORNELIUS.COM. O Concílio Vaticano II. que os dirigentes da Associação Internacional de Música Sacra realizaram nos anos precedentes em favor da referida música.BR CARTA DO PAPA JOÃO PAULO II AO CARDEAL JOSEPH HÖFFNER POR MOTIVO DO VII CONGRESSO INTERNACIONAL DE MÚSICA SACRA Na feliz ocorrência do ano jubilar da veneranda catedral de Colónia. será com certeza notavelmente confirmada no mesmo Congresso. que tanta importância têm na celebração litúrgica. Concílio Vaticano II. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !21 . as palavras. exaltou vigorosamente o papel "ministerial" que se atribui à música sacra (cf. De facto. acontecimento que sem dúvida trará não só progresso mas também riquezas ao tesouro musical da Igreja. mas também incentivo para que o esforço seja continuado de maneira semelhante no futuro.

recolhido no andar. 116-117). o qual. a todos inculca o Concílio quanto é afinal necessário aplicar energias e actividades para se conservarem tais riquezas da Igreja. persuade que. além disso. "se conserve e valorize o tesouro da Música sacra com o maior dos cuidados" (ibid. como canto próprio da Liturgia Romana e ligado por estreitos vínculos com a língua latina (ibid. Na actualidade é sumamente necessário que o património musical da Igreja seja apresentado e desenvolvido não só entre as novas e juvenis Igrejas mas também entre aqueles que tiveram conhecimento DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !22 . O próprio empenho na matéria. 114). AUGUSTOCEZARCORNELIUS. Na verdade.BR que permitem à assembleia sentir-se de alguma sorte mais próxima da santidade do Mistério mesmo que actua na liturgia. ainda agora está em uso como reflexo da arte e da cultura dos vários povos. isto é. tanto pela prática quotidiana da Igreja como pelo ensino dele. Mas também o canto polifónico é tido como excelente recurso da enunciação sagrada e litúrgica. é especialmente necessário destinar promotores e cultores da música sacra (ibid. n..COM. dos séculos. Com razão julgou o Concílio ser convenientíssimo prevenir que se encontra enorme e rico tesouro de tradição musical nas diversas famílias litúrgicas orientais e ocidentais. muito eficazmente pode ajudar a que se descubram as riquezas internas da supramencionada tradição musical e a que se defina cada uma das suas partes a fim de que a música também se conserve cuidadosamente viva na liturgia da Igreja. n.. para isto. Mas o Concílio não recomenda apenas as vantagens da tradição plurissecular da música que ainda hoje se usa. para eles particularmente. Nisto os participantes no Congresso têm com certeza a mais vasta matéria para investigações e estudos. consciente da necessidade daquela que sempre vigorou na Igreja. 114). que leva a organizarem-se e realizarem-se Congressos de Música Sacra. de encontrar como que a justa incorporação dela na cultura humana e na arte dos povos que há pouco chegaram à fé de Jesus Cristo. n. E ao mesmo tempo.. Merece contudo especial menção o canto gregoriano que já pela sua importância e valor é reconhecido agora.

com a justa consideração. às melodias precedentes e sobretudo ao canto gregoriano. 119). Agora. Com toda a razão foi dito parecer-se o canto gregoriano com os outros cantos como uma estátua com uma pintura. Por último. pode e deve ir buscar a sua mais alta inspiração. uma especial Bênção Apostólica como sinal da nossa imutável caridade e penhor dos dons celestiais. tanto na educação do sentido religioso desses povos como na adaptação do culto à índole deles" (ibid. a qual tem excepcional importância na sua vida religiosa e social.BR dos séculos do canto gregoriano e polifónico em língua latina. Estime-se como se deve e atribua-se-lhe o lugar que lhe compete. de todo o coração transmitimos a ti. sobretudo nas Missões. vêem que se requerem outras formas idóneas de música na liturgia. que tais novas melodias são julgadas. n. essa que há-de servir à celebração da liturgia das várias Igrejas. cuja actividade se dirige toda para a África Central e Oriental.COM. Porque a música sacra nova. ao mesmo tempo que Nós desejamos que os estudos do VII Congresso de Música Sacra. Pois toda a cultura humana pôde encontrar nobilíssimas expressões recorrendo à música. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !23 . devem portanto fazer-se esforços. Venerável Irmão Nosso. Mas o estudo desta matéria. em conta. Todas as vezes. para se estabelecerem firmes princípios que além disso estejam em concordância com os verdadeiros valores nas múltiplas tradições musicais. os elementos próprios tradicionais e a natureza mesma dos diversos povos. para que se leve a termo conforme a ciência exige. há povos com tradição musical própria. tenham-se ao mesmo tempo. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. se tornem para as diversas comunidades eclesiais — não só nos países de antiga tradição cristã mas também naqueles onde o Evangelho foi recentemente propagado — fontes de incitamento e de estímulo para copiosa e excelente obra musical. porém. tanto no campo dos conhecimentos quanto no âmbito da acção pastoral. introduzido o costume das línguas vernáculas. e também aos dirigentes e participantes do Congresso.. a propriedade do que é sagrado e o legítimo sentimento religioso. Sobre este ponto ensinou o Concílio: "Em certas localidades. convém do mesmo modo que encerre ainda a investigação comparativa das formas recentes com as antigas.

na Solenidade do Pentecostes.COM. AUGUSTOCEZARCORNELIUS.BR Do Palácio do Vaticano. no dia 25 do mês de Maio. JOÃO PAULO PP. II DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !24 . no ano de 1980. segundo do Nosso Pontificado.

Disto os noticiários televisivos oferecem-nos abundantes exemplos quotidianos. Jesus veio para libertar o homem da escravidão do pecado. sem referência a Deus. que fez de nós um reino de sacerdotes para o seu Deus e Pai. Com efeito. O projecto de Deus é o homem livre. reconduzido para a plenitude da verdade e do amor: vivendo no amor e morrendo por amor. Todos nós sabemos o que acontece quando o homem "reina". AUGUSTOCEZARCORNELIUS. o Primogénito dos mortos e o Príncipe dos reis da terra. Ele venceu o medo da vida e da morte. Amém!".BR XXVIII Congresso Nacional de Música Sacra SECRETARIA DE ESTADO HOMILIA DO CARDEAL TARCISIO BERTONE POR OCASIÃO DO XXVIII CONGRESSO NACIONAL DE MÚSICA SACRA Domingo. a Testemunha fiel. ou até mesmo contra Ele. 26 de Novembro de 2006 Acabamos de ouvir este trecho do Apocalipse: "Jesus Cristo.COM. daqueles poderes do mundo que assustam o homem e o obrigam a fechar-se numa defesa egocêntrica de si mesmo: pensemos no medo da morte ou no temor da vida. do egoísmo e do predomínio. a Ele sejam dados a glória e o poder por todos os séculos. Àquele que nos ama e nos libertou dos nossos pecados com o seu sangue. com a pretensão de uma autonomia absoluta. O reino do homem é o reino da violência. da violência e do fracasso. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !25 .

que se realiza no tempo. solidário com a comunidade humana.COM. mas também à atitude daqueles que se sentem tentados a "servir-se" de Deus para as suas próprias finalidades mundanas. Rm 8. a plenitude das suas aspirações". para uma melhor convivência. o Homem novo. estão como que à espera ansiosa do momento em que os filhos. o fulcro do género humano. o ponto focal dos desejos da história e da civilização. na fraternidade e na paz. na colaboração. Reconhecer a realeza de Cristo significa trabalhar pela promoção da pessoa humana e animar as realidades temporais com o espírito evangélico. 19-20). as coisas deste mundo os bens patrimoniais dos filhos (cf. para assim dar testemunho concreto de que Cristo. "Cristo. desfrutando-as em todas as suas possibilidades e usando-as oportunamente.BR Quando. Por conseguinte. A solenidade de Cristo-Rei recorda-nos que a nossa existência e a história da nossa vida pessoal e social é um desígnio de amor eterno de Deus. voltarão a manifestar em si mesmos a total submissão à autoridade-realeza de Deus (cf. "por meio de quem Deus criou também o mundo". e que todo o universo vivo e inanimado está inserido sob a senhoria de Cristo. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !26 . Alfa e Ómega": este é o título do parágrafo que conclui a primeira parte da Constituição pastoral Gaudium et spes do Concílio Vaticano II. Pio XI tencionava reagir aos excessos do laicismo moderno que renuncia a Deus.) subtraídas ao domínio de Deus porque utilizadas impropriamente. 28 ss. Também a criação. que participam no XXVIII Congresso Nacional da Música Sacra. instituiu a festa de Cristo-Rei. que expressa a alegria da fé e da amizade com Deus. sinto-me particularmente feliz por receber em redor deste altar um número tão elevado de músicos e de amantes da música litúrgica. onde podemos ler: "O Senhor é a finalidade da história humana. Gn 1. a alegria de todos os corações. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. em 1925. esta Basílica de São Pedro constitui o sinal tangível de uma comunidade humana rica de valores e de talentos (artísticos). Hoje. no seu mistério pascal eleva e aperfeiçoa a actividade dos homens.

Não é o homem que inventa algo e depois canta. há um estreito vínculo entre música e fé. actual Bento XVI: "O transformar-se em música da Palavra é por um lado encarnação. do Cardeal Joseph Ratzinger. desde sempre em acto.. A liturgia celeste é isto somente pelo facto de que se insere no que já existe. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !27 . mas ao mesmo tempo. A "beleza" conjuga-se com a "verdade" quando. um atrair a si forças pré-racionais e metarracionais. Grandes artistas dedicaram-se principalmente à música como deixar de recordar o Maestro Lorenzo Perosi. Ela já existe antes deles: é uma entrada perene na liturgia celeste. Meu pai Pietro. as almas são enlevadas pela sensibilidade ao eterno. A este propósito cito um belíssimo texto. De facto.. com o sublime Hostias et preces. AUGUSTOCEZARCORNELIUS.BR A música contribui para a libertação daquelas energias positivas. "Mens nostra concordet voci nostrae". que se tornam também sensíveis. entre música e oração. Mas assim este mesmo transformar-se em música é já também tornar-se movimento: não é só encarnação da Palavra. através dos caminhos da arte.COM. Poder-se-ia dizer com São Paulino de Nola: "A nossa única arte é a fé e Cristo é o nosso canto". o descobrir o canto que repousa no fundo das coisas. Maestro de música. que edificam o Reino de Deus na terra. Ele deve elevar o seu coração a fim de que esteja em harmonia com esta tonalidade que lhe chega do alto. denso de significado. e executemos o nosso canto de modo que o nosso coração seja um uníssono com as nossas vozes". em cuja memória estais reunidos e que nos deixou obras de excelsa inspiração no campo da fé. naquilo que é maior. ensinou-me a amar a música de Perosi e disse-me: "Quando eu morrer. que dá sentido à vida. o atrair a si o som escondido da criação. São Bento comenta-o assim: "Reflictamos então sobre como se deva ser e estar diante da divindade e dos anjos. E foi assim que 15 Coros cantaram para ele! A liturgia não é algo feito pelos monges ou pelos fiéis. ao contrário é o canto que lhe provém dos anjos.". Na Liturgia da Igreja muitas vezes repetimos o versículo do salmo 137: "Na presença dos poderosos te hei-de louvar". A fé que se torna música é uma parte do processo de encarnação da Palavra. desejo que me canteis a Missa de requiem.

é o próprio Espírito divino que transformará todos nós em instrumentos bem harmonizados e em colaboradores responsáveis de uma admirável execução. Gostaria de concluir com as palavras de Bento XVI aos "Philharmonia Quartett Berlin". inclui hinos. repleta de significado" (Ratzinger J. sábado passado. Jaca Book 1996. pronunciadas após uma maravilhosa execução na Sala Clementina. a palavra sozinha é insuficiente. Inúmeras vezes a Palavra bíblica fez-se imagem. Cantate al Signore un canto nuovo. João Paulo II.COM. Por conseguinte.148). AUGUSTOCEZARCORNELIUS. penetramos na terra prometida conquistada. cantos de confiança. 18 de Novembro: "Vemos que a música pode conduzir-nos à oração: ela convida-nos a elevar a mente a Deus. música. Aliás. podemos construir juntos um mundo em que ressoe a melodia consoladora de uma transcendente sinfonia de amor.. súplicas. é justo que cada confirmação de alegria por um evento tenha uma sua manifestação exterior. Ela está a indicar que a Igreja se alegra pela salvação. ao evocar com a linguagem da arte o mistério do "Verbo feito carne". acção de graças. Quando o homem louva a Deus. Toda a Bíblia Antigo e Novo Testamentos e não somente o livro orante dos Salmos. o inconsciente e o indistinto tornam-se sonoridade harmoniosa. para chegar às portas do cristianismo com o canto do Magnificat de Maria. Por este motivo a palavra pede ajuda à música. o cantar conjuga-se com a voz da criação no som dos instrumentos. Tertio Millennio adveniente). Comecemos pelos patriarcas. A madeira e o metal tornam-se som.BR espiritualização da carne. A palavra dirigida a Deus transcende os limites da linguagem humana. Fiéis aos seus mandamentos e respeitosos do seu plano salvífico. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !28 . vagamos com os Judeus exilados "ao longo dos rios da Babilónia". passamos através da aventura do êxodo do Egipto. poesia. p. Convida todos à alegria e esforça-se por criar as condições a fim de que as energias salvíficas possam ser comunicadas a cada um (cf. em que o plano da salvação universal está a expressar-se ao longo dos séculos". para encontrar nele as razões da nossa esperança e a assistência nas dificuldades da vida.

AUGUSTOCEZARCORNELIUS. que terá lugar no Vaticano a 5 de Dezembro próximo. Senhor Cardeal. tomei conhecimento de que a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos promoveu uma Jornada de Estudos sobre a música sacra.COM. aos DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !29 . É-me grato dirigir a Vossa Eminência.BR MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI AO CARDEAL FRANCIS ARINZE POR OCASIÃO DA JORNADA DE ESTUDOS SOBRE O TEMA: «MÚSICA SACRA: UM DESAFIO LITÚRGICO E PASTORAL» Venerado Irmão Cardeal FRANCIS ARINZE Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos Com grande satisfação.

em constante entendimento e colaboração com as Conferências Episcopais das várias nações. desejo encorajar os cultores da música sacra a prosseguir neste caminho. garantindo uma recordação particular na oração. 1 de Dezembro de 2005 PAPA BENTO XVI DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !30 . O Congresso pretende corresponder à vontade do Venerado Papa João Paulo II que. Vaticano. pediu a essa Congregação para intensificar a atenção pelo sector da música sacra litúrgica. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. e a quantos intervêm nos trabalhos congressuais. no Quirógrafo emanado por ocasião do centenário do motu proprio "Tra le sollecitudini". Fazendo minha a instância do amado Predecessor.BR colaboradores dessa Congregação. É importante estimular. como também aos ilustres Relatores e a todos os participantes uma cordial saudação e a expressão da minha proximidade espiritual. para que essa oportuna iniciativa produza os frutos pastorais esperados. enquanto invoco a celeste intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria e de santa Cecília. para que seja uma profícua jornada de aprofundamento e de escuta e. como é intenção do presente Simpósio. vigiando sempre sobre a prática e as experimentações. Faço votos. Senhor Cardeal. de bom grado concedo a implorada Bênção Apostólica a Vossa Eminência.COM. de coração. a reflexão e o confronto sobre a relação entre música e liturgia.

Tal intervenção. Com isso. que ele tinha resumido no dístico:"Instaurare omnia in Christo". Impelido por um profundo desejo "de manter e de promover o decoro da Casa de Deus". igualmente. que tinha como objecto a renovação da música sacra nas funções do culto. há cem anos. ele pretendia oferecer à Igreja indicações concretas naquele sector vital da Liturgia. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. fazia parte do programa do seu pontificado. que São Pio X apresenta seja como um meio de elevação do espírito a Deus.COM. o Motu proprio Tra le sollecitudini. o meu Predecessor São Pio X emanava. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !31 . A data centenária do documento oferece-me a ocasião para destacar a importante função da música sacra. seja como ajuda para os fiéis na "participação activa nos sacrossantos mistérios e na oração pública e solene da Igreja"[2].BR QUIRÓGRAFO DO SUMO PONTÍFICE JOÃO PAULO II NO CENTENÁRIO DO MOTU PROPRIO «TRA LE SOLLECITUDINI» SOBRE A MÚSICA SACRA Quirógrafo pelo centenário do Motu Proprio "Tra le sollecitudini" sobre a música sacra (3 de dezembro de 2003) | João Paulo II 1. apresentando-a "quase como um código jurídico da música sacra"[1].

a Igreja. unido às palavras. Mt 26. com as Encíclicas Mediator Dei (20 de Dezembro de 1947) e Musicae sacrae disciplina (25 de Dezembro de 1955). Interpretando e expressando o sentido profundo do sagrado texto ao qual está intimamente unida. "como parte integrante da solene liturgia. que são próprios da celebração dos sacrossantos mistérios"[4]. seja ainda pelos Pontífices Romanos que recentemente. Paulo VI. especialmente pelo facto de que o canto sacro... 16). maravilhosos exemplos de comentário melódico dos textos sagrados. seja pelos Padres. Cl 3. a antiga tradição bíblica. especialmente destinada à Liturgia. os Papas Bento XIV. onde menciona com clareza a função eclesial da música sacra: "A tradição musical de toda a Igreja constitui um património de inestimável valor. sublinharam com insistência a tarefa ministerial da música sacra no serviço divino"[6]. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. ela é capaz de "acrescentar maior eficácia ao mesmo texto. é uma parte necessária e integral da liturgia solene"[5]. que sobressai entre as outras expressões de arte. com a Encíclica Annus qui (19 de Fevereiro de 1749). e.BR A especial atenção que é necessário reservar à música sacra recorda o Santo Pontífice. entre outros. nos ritos tanto do Ocidente como do Oriente. deriva do facto de que. Além do Papa São Pio X. que "o canto sacro é elogiado seja pela Sagrada Escritura. no capítulo VI da Constituição Sacrosanctum concilium sobre a sagrada Liturgia. a começar por São Pio X. de facto. a propósito do qual foram evocados os princípios fundamentais que devem animar a produção da música sacra. 19. ao longo de toda a sua história. à qual o mesmo Senhor e os Apóstolos se mantiveram apegados (cf. 2. foi constante a atenção dos meus Predecessores a este delicado sector. Este delineamento foi retomado pelo Concílio Ecuménico Vaticano II.COM. O Concílio recorda. Ef 5.] se disponham melhor para acolher em si os frutos da graça. para que os fiéis [. Continuando. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !32 . dela faz parte a finalidade geral que é a glória de Deus e a santificação e a edificação dos fiéis"[3]. finalmente. Portanto. Pio XII. devem ser recordados. 30. com os luminosos pronunciamentos que disseminou em múltiplas oportunidades. oferecendo segundo a criatividade de cada cultura. ainda. favoreceu o canto nas celebrações litúrgicas.

afirmava sabiamente o meu venerável Predecessor Paulo VI. agora mencionada[8]. também eu me referi à preciosa função e à grande importância da música e do canto para uma participação mais activa e intensa nas celebrações litúrgicas[9]. sobretudo por meio da Instrução Musicam sacram. encontra os critérios adequados de aplicação nos nn. também neste campo. O texto da Constituição Sacrosanctum concilium onde se afirma que a Igreja "aprova e admite no culto todas as formas de verdadeira arte. Em diferentes ocasiões. Por este exacto motivo. O Papa Paulo VI procedeu. É preciso voltar constantemente àqueles princípios de inspiração conciliar. Em tal perspectiva. comentando um decreto do Concílio de Trento[12] e destacava que "se não se possui ao mesmo tempo o sentido da oração. para assegurar dignidade e singeleza das formas à música litúrgica. e considerando em particular os pronunciamentos do Concílio Vaticano II.COM. à altura da tradição litúrgico musical da Igreja. da Constituição Sacrosanctum concilium. um desenvolvimento que esteja. "será tanto mais santa quanto mais estreitamente for unida à acção litúrgica"[11]. à luz do magistério de São Pio X e dos meus outros Predecessores. de facto. da DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !33 . 4. emanada com a sua aprovação em 5 de Março de 1967. "não é indistintamente tudo aquilo que está fora do templo (profanum) que é apto a ultrapassar-lhe os umbrais". 50-53 da Instrução Musicam sacram. o sexto. pois.BR Os Padres do Concílio Vaticano II não deixaram de reforçar tais princípios. com a intenção de fazer com que a música sacra corresponda cada vez mais à sua função específica. pela então Sagrada Congregação para os Ritos. é preciso sublinhar acima de tudo que a música destinada aos sagrados ritos deve ter como ponto de referência a santidade: ela. dotadas das devidas qualidades"[7]. à tradução daqueles princípios em normas concretas. desejo repropor alguns princípios fundamentais para este importante sector da vida da Igreja. Em conformidade com os ensinamentos de São Pio X e do Concílio Vaticano II. Fizeram-no num capítulo especial. para promover. das formas descuidadas de expressão. 3. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. em vista da sua aplicação às condições transitórias dos tempos. em conformidade com as exigências da reforma litúrgica. e sublinhei a necessidade de "purificar o culto de dispersões de estilos. de músicas e textos descurados e pouco conformes com a grandeza do acto que se celebra"[10].

Não pode existir uma música destinada à celebração dos sagrados ritos que não seja. "verdadeira arte". porém. 5. uma expressão musical própria. como a investigação de expressões musicais. é o da singeleza das formas. porém. Por outro lado. que em muitos países tinha poluído o repertório e a prática musical litúrgica. a mesma categoria de "música sacra" recebeu hoje um alargamento de significado. a música instrumental e vocal impede por si o ingresso na esfera do sagrado e do religioso"[13]. Também nos nossos tempos é preciso considerar atentamente. Os cantos e as músicas exigidos pela reforma litúrgica é bom sublinhá-lo devem corresponder também às legítimas exigências de adaptação e de inculturação. que nem todas as expressões de artes figurativas e de música são capazes de "expressar adequadamente o Mistério acolhido na plenitude da fé da Igrejas"[14]. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. ora manifestando sentimentos de louvor.BR dignidade e da beleza. Consequentemente. ora proclamando as maravilhas de Deus. princípio este intimamente ligado ao precedente. nem todas as formas musicais podem ser consideradas aptas para as celebrações litúrgicas. como evidenciei na Encíclica Ecclesia de Eucharistia.COM. 6. sempre apta a fazer emergir a natureza própria de um determinado rito. Outro princípio enunciado por São Pio X no Motu proprio Tra le sollecitudini. Os vários momentos litúrgicos exigem. A música litúrgica deve. uma experiência. que cada inovação nesta delicada matéria deve respeitar os critérios peculiares. a consonância com o tempo e o momento litúrgico para o qual é destinada. acolhendo na sua liturgia a arte dos sons"[15]. capaz de ter a eficácia "que a Igreja deseja obter. A reforma realizada por São Pio X visava especificamente purificar a música de igreja da contaminação da música profana teatral. de facto. a ponto de incluir repertórios que não podem entrar na celebração sem violar o espírito e as normas da mesma Liturgia. esta qualidade por si só não é suficiente. a adequada correspondência aos gestos que o rito propõe. que a fé abre à perspectiva da esperança cristã. que correspondam à participação necessária de toda a assembleia na celebração e DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !34 . É evidente. antes. responder aos seus requisitos específicos: a plena adesão aos textos que apresenta. de facto. Todavia. de súplica ou ainda de melancolia pela experiência da dor humana.

São Pio X ressaltava que a Igreja "o herdou dos antigos Padres". portanto. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. introduzidas sem uma verificação atenta.mesmo concedendo a cada nação ele considerava de admitir nas composições religiosas formas particulares que constituem de certo modo o carácter específico da música que lhes é própria. particularmente a litúrgica. O canto gregoriano. Entre as expressões musicais que mais correspondem à qualidade requerida pela noção de música sacra. É necessário. continua a ser também hoje. Por outras palavras. O Concílio Vaticano II reconhece-o como "canto próprio da liturgia romana"[17] à qual é preciso reservar. Como já fazia São Pio X. "guardando-o ciosamente durante os séculos nos seus códigos litúrgicos" e ainda hoje o "propõe aos fiéis" como seu. tenha uma impressão negativa"[16]. 7. também o Concílio Vaticano II reconhece que "os outros géneros de música sacra. São Pio X indicava usando o termo universalidade um ulterior requisito da música destinada ao culto: ". que ninguém de outra nação.COM. que introduzem na Liturgia composições antigas ou contemporâneas que possuem talvez um valor artístico. um elemento de unidade na liturgia romana. na igualdade das condições. ao mesmo tempo. avaliar com atenção as novas linguagens musicais. ao ouvi-la. o espaço sagrado da celebração litúrgica jamais deve tornar-se um laboratório de experiências ou de práticas de composição e de execução.. É preciso.BR que evitem. elas não devem estar de tal modo subordinadas ao carácter geral da música sacra. não estão excluídos de modo algum da celebração dos ofícios divinos"[20]. em sentido elitário. considerando-o "como supremo modelo de música sacra"[19]. em última análise. Neste sentido. para recorrer à possibilidade de expressar também com elas as inextinguíveis riquezas do Mistério reproposto na Liturgia e favorecer assim a participação activa dos fiéis nas diversas celebrações [21]. e especialmente a polifonia.. portanto. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !35 . qualquer concessão à leviandade e à superficialidade. aquelas formas de "inculturação". evitar. o canto gregoriano ocupa um lugar particular. o primeiro lugar nas acções litúrgicas celebradas com canto em língua latina [18]. mas que induzem a uma linguagem realmente incompreensível. portanto.

não pode ser relegado nem à improvisação nem ao arbítrio de pessoas individualmente. segundo os diversos tipos de cânticos. Por sua vez. um coro ou uma capela musical ou ainda uma schola cantorum". São Pio X insistia particularmente sobre a formação musical do clero. os músicos. nos seminários e nas casas de formação religiosas. os acólitos. sobretudo nas Igrejas Catedrais. quer dos pastores quer dos fiéis leigos. como significativo fruto de uma formação litúrgica adequada. o salmista. os ministros. desempenha a sua função específica.COM. se evidencia a urgência de promover uma formação sólida. de facto. o cantor e a assembleia decorre aquele clima espiritual que torna o momento litúrgico realmente intenso.. portanto. Esta indicação ainda deve ser plenamente realizada. considero oportuno recordá-la. desenvolve na assembleia a função de guia e de sustento e. O aspecto musical das celebrações litúrgicas. Também neste campo. participado e frutífero. portanto. nos Noviciados dos religiosos e das religiosas e nas casas de estudo. Portanto. realmente. assim como noutros institutos e escolas católicas"[24]. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. a Instrução Musicam sacram determina a função ministerial da schola: "É digno de particular atenção. e favorecer a participação activa dos fiéis no canto. as "Scholae Cantorum". o coro ou a capela musical ou ainda schola cantorum [23]. A tarefa da schola não foi diminuída: ela. prover à execução exacta das partes que lhe são próprias. mas há-de ser confiado a uma direcção harmoniosa.BR 8. 9. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !36 . nalguns momentos da Liturgia.. a schola cantorum. No que se refere às normas conciliares da reforma litúrgica. no respeito pelas normas e as competências. os leitores. para que os futuros pastores possam adquirir uma sensibilidade adequada também neste campo. para o serviço litúrgico que desenvolve. a sua tarefa tornou-se ainda mais relevante e importante: deve.] promova-se com especial cuidado especialmente nas catedrais e nas outras igrejas maiores. Da boa coordenação de todos o sacerdote celebrante e o diácono. Portanto [. Uma insistência neste sentido foi reforçada também pelo Vaticano II: "Dê-se-lhes grande importância nos Seminários. A importância de conservar e de incrementar o património secular da Igreja leva a ter em particular consideração uma exortação específica da Constituição Sacrosanctum concilium:[22] "Promovam-se com empenho.

existem muitas outras Escolas instituídas nas Igrejas particulares que merecem ser apoiadas e incrementadas para um melhor conhecimento e execução da boa música litúrgica. já quase centenária.BR Nesta obra formativa. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. com a renovação realizada pelo Concílio Vaticano II. 11. mas igualmente na própria Liturgia. desde que seja respeitosa do espírito litúrgico e dos verdadeiros valores da arte. do qual a Sacrosanctum concilium diz: "Promova-se com grande empenhamento o canto popular religioso.COM. de facto. "os numerosos e. não é de se admirar que. um papel especial é desempenhado pelas escolas de música sacra. tanto nos exercícios de piedade como nos próprios actos litúrgicos"[30]. "segundo as normas e o que se determina nas rubricas"[31]. Dado que a Igreja sempre reconheceu e favoreceu o progresso das artes. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !37 . em 1911. da "Pontifícia Escola Superior de Música Sacra". O canto popular. que desempenhou e ainda desempenha um serviço qualificado na Igreja. e que o Concílio Vaticano II recomenda a instituir onde for possível [26]. oito anos depois do Motu proprio. não apenas nas práticas devocionais. promove a proclamação de uma única fé e dá às grandes assembleias litúrgicas uma incomparável e recolhida solenidade"[32]. frequentemente. na Encíclica Ecclesia de Eucharistia. também eu. permite-se que as Igrejas nas diversas Nações valorizem. que São Pio X exortava a apoiar e promover[25]. Na linha do meu Predecessor e de quanto se estabeleceu mais recentemente na Constituição Sacrosanctum concilium [28]. mencionando juntamente com as inspiradas melodias gregorianas. Portanto. uma expressão alegre da comunidade orante. grandes autores que se afirmaram com os textos litúrgicos da Santa Missa"[29]. que em seguida se tornou "Pontifício Instituto de Música Sacra". além do canto gregoriano e da polifonia. Este canto apresenta-se particularmente apto para a participação dos fiéis. nas composições destinadas ao culto. admita nas celebrações também a música moderna. O século passado. Além desta instituição académica. "aquelas formas particulares que constituem de certo modo o carácter específico da música que lhes é própria"[27]. 10. constitui um "vínculo de unidade. para que os fiéis possam cantar. Fruto concreto da reforma de São Pio X foi a erecção em Roma. conheceu um desenvolvimento especial do canto popular religioso. procurei abrir espaço às novas formas musicais.

evidentemente. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. para que se empenhem com esmero em vista de aumentar o repertório de composições que sejam dignas da excelência dos mistérios celebrados e. Somente assim se poderá permitir que a expressão musical sirva de modo apropriado a sua finalidade última. por pessoas profundamente imbuídas pelo sentido do mistério! Crentes sem número alimentaram a sua fé com as melodias nascidas do coração de outros crentes. 13. 12). No que diz respeito às composições musicais litúrgicas. Sei ainda que também hoje não faltam compositores capazes de oferecer. Dirijo-lhes a expressão da minha confiança. unida à exortação mais cordial. com a finalidade de favorecer a aplicação efectiva das indicações apresentadas no Motu proprio. de amor. e tanto menos é digna do templo.COM. modelou aquele canto. é necessária uma renovada e mais profunda consideração dos princípios que devem estar na base da formação e da difusão de um repertório de qualidade. n.BR 12. Por fim. na inspiração e no sabor. 211. faço minha a "regra geral" que são Pio X formulava com estes termos: "Uma composição para a Igreja é tanto sacra e litúrgica quanto mais se aproximar. que "é a glória de Deus e a santificação dos fiéis"[36]. ao serviço da Liturgia cada vez mais intensamente vivida. No cântico. Não se trata. Rom. port. Dirigindo-se aos Bispos. de L'Osserv. ao mesmo tempo. mas muito mais de considerar que as novas composições sejam absorvidas pelo mesmo espírito que suscitou e. a fé é sentida como uma exuberância de alegria. n. na Carta aos Artistas escrevo: "Quantas composições sacras foram elaboradas. 18. Somente um artista profundamente mergulhado no sensus Ecclesiae pode procurar compreender e traduzir em melodia a verdade do Mistério que se celebra na Liturgia[34]. que se tornaram parte da Liturgia ou pelo menos uma ajuda muito válida para a sua decorosa realização. ele prescrevia que DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !38 . aptas para a sensibilidade hodierna. da melodia gregoriana. quanto mais se reconhece disforme daquele modelo supremo"[33]. a sua contribuição indispensável e a sua colaboração competente para incrementar o património da música. ao longo dos séculos. pouco a pouco. de segura esperança da intervenção salvífica de Deus" [35] (Ed. Portanto. neste espírito. no andamento. gostaria ainda de recordar aquilo que São Pio X dispunha no plano prático. pág. de copiar o canto gregoriano. Nesta perspectiva.

sobre cujo uso estabelece normas oportunas[42]. que as composições musicais utilizadas nas celebrações litúrgicas correspondam aos critérios enunciados por São Pio X e sabiamente desenvolvidos.COM. aborda também a questão dos instrumentos musicais a serem utilizados na Liturgia latina. peço à Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos que intensifique a atenção. À luz da experiência amadurecida nestes anos. Nesta perspectiva. valendo-se das competências das diversas Comissões e Instituições especializadas nesse campo. para melhor assegurar o cumprimento do importante dever de regulamentar e promover a sagrada Liturgia. favorecendo-lhes a eficácia no âmbito pastoral[38]. instrumento musical tradicional e cujo som é capaz de trazer às cerimónias do culto um esplendor extraordinário e elevar poderosamente o espírito a Deus e às coisas celestes"[43]. quer pelo Concílio Vaticano II quer pelo sucessivo Magistério da Igreja. porém. reconhecer que as composições actuais utilizam frequentemente modos musicais diversificados não desprovidos da sua DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !39 . o Motu proprio do qual se celebra o centenário. Onde a disposição pontifícia foi posta em prática. aos sectores da música sacra litúrgica. não faltaram os frutos. 14. na Igreja latina. Faço votos a fim de que os Bispos continuem a secundar o esforço destas Comissões. como também da contribuição do Pontifício Instituto de Música Sacra. de facto. É importante. são numerosas as Comissões nacionais.BR instituíssem nas suas dioceses "uma comissão especial de pessoas verdadeiramente competentes em matéria de música sacra"[37]. estabelecendo: "Tenha-se grande apreço. e prestar uma atenção especial à avaliação e promoção de melodias que sejam verdadeiramente aptas para o uso sacro[41]. reconhece sem hesitação a prevalência do órgão de tubos. Ainda no plano prático. segundo as suas finalidades institucionais[39]. Actualmente. diocesanas e interdiocesanas que oferecem a sua contribuição preciosa para a preparação dos repertórios locais. procurando realizar um discernimento que considere a qualidade dos textos e das músicas. Dentre eles. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. estou persuadido de que também as Conferências episcopais hão-de realizar cuidadosamente o exame dos textos destinados ao canto litúrgico[40]. O Concílio Vaticano II acolheu plenamente a orientação do meu Predecessor. Deve-se. pelo órgão de tubos.

[2] Ibidem. "a glória de Deus e a santificação dos fiéis"[44]. correspondam à dignidade do templo. experimentarão cada vez mais profundamente a riqueza e harmonizar-se-ão no esforço em vista de traduzir os seus impulsos nos comportamentos da vida quotidiana. memória de Santa Cecília. Na medida em que servem de ajuda para a oração da Igreja.. contribuem para o amadurecimento da vida espiritual do Povo de Deus. É preciso. Poder-se-á. dedicando-se com impulso renovado a um sector de relevância tão vital. IOANNES PAULUS II Notas [1] Pio X. no vigésimo sexto ano de Pontificado. por intercessão do seu santo Autor. que soube cantar de modo único. Desejo que a comemoração centenária do Motu proprio Tra le sollecitudini. graças ao compromisso concorde dos pastores de almas. expressando de modo harmónico e solene a sua própria fé com o canto. aquilo que a Constituição Sacrosanctum concilium qualifica como verdadeira "finalidade da música sacra". Os fiéis.COM. [3] Ibid. pág. Com estes bons votos. no Magnificat.BR dignidade. concedo-vos a todos a minha afectuosa Bênção. Os cultores da música sacra. podem revelar-se como um enriquecimento precioso. Padroeira da música sacra. por sua vez. sirva também de exemplo e modelo a Virgem Maria. vol. 15. alcançar. Pontificis Maximi Acta. 1. I. pág. n. conjuntamente com Santa Cecília. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. sirva de encorajamento e estímulo para aqueles que se ocupam deste importante aspecto das celebrações litúrgicas. assim. junto de São Pedro. as maravilhas que Deus realizou na história do homem. vigiar a fim de que os instrumentos sejam aptos para o uso sacro. isto é. no dia 22 de Novembro de 2003. 77. dos músicos e dos fiéis. porém. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !40 . Nisto. Dado em Roma. possam sustentar o canto dos fiéis e favoreçam a sua edificação. 78.

COM. Instrução sobre a música na sagrada Liturgia Musicam sacram (5 de Março de 1967). 78. [16] Ibid. 314. 124. 50. de 1. pág.. Congregação para os Ritos. 3: L'Osservatore Romano (ed. [11] Concílio Ecuménico Vaticano II. 1: Insegnamenti XXIV/1 (2001). pp. pág. AAS 59 (1967). pág. sobre a sagrada Liturgia Sacrosanctum concilium. em: AAS 59 (1967). 116. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !41 . 12. [5] N. 194. S.2003). 312-316. [8] Cf. pág. [18] Cf. em: AAS (2003). AUGUSTOCEZARCORNELIUS. [14] N. [15] N. [12] Discurso aos participantes da assembleia geral da Associação Italiana Santa Cecília (18 de Setembro de 1968). 50. Const. [13] Ibidem.BR [4] Ibidem. 467. por exemplo. 112.3. em: Insegnamenti VI (1968). 2. 78-79. Discurso ao Pontifício Instituto de Música Sacra no 90 aniversário de fundação (19 de Janeiro de 2001). [17] Const. pág. pp.. 479. [7] Ibidem. port. [10] Audiência geral de 26 de Fevereiro de 2003. [9] Cf. sobre a Liturgia Sacrosanctum concilium. [6] Ibidem.

[24] Const. 306. n. [21] Cf.. n. 30. 112. n. 118. [20] Const. 28. 466. n. 3. pág. pág. 2.. Motu proprio Tra le sollecitudini. [27] Pio X. 115. 114. n. 79. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !42 . sobre a sagrada Liturgia Sacrosanctum concilium. sobre a sagrada Liturgia Sacrosanctum concilium. Discurso no Congresso Internacional de Música Sacra (27 de Janeiro de 2001). 79. 86. 239-240. 718. 116. 119. n. 3. [23] N. pág. [31] Ibidem. pág. [26] Cf. [34] Cf. em: AAS 59 (1967). [32] João Paulo II. [33] Motu proprio Tra le sollecitudini. 49. 115. 12. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. pp. [35] N.BR [19] Motu proprio Tra le sollecitudini. em: Insegnamenti XXII/1 (1999). pág. [29] N. sobre a sagrada Liturgia Sacrosanctum concilium. em: AAS 95 (2003). [30] N. Ibid. pág. sobre a sagrada Liturgia Sacrosanctum concilium. [22] Ibid. 19. 79 [28] Cf. Concílio Ecuménico Vaticano II. Motu proprio Tra le sollecitudini. em: Insegnamenti XXIV/1 (2001). [25] Cf.COM. Const. n. Const. 4.

Instr. n. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. sobre a sagrada Liturgia Sacrosanctum concilium. [37] Motu proprio Tra le sollecitudini. [41] Institutio generalis Missalis Romani. [38] Cf.. 15-18. 50. João Paulo II. editio typica III. [43] Concílio Ecuménico Vaticano II. Const. pág. ap. 877. [42] Motu proprio Tra le sollecitudini. 745. Pastor Bonus (28 de Junho de 1988). João Paulo II. Carta enc. em: AAS 80 (1988). nn. 85. em: AAS 90 (1998). Carta ap. [44] Ibid. 112. Vicesimus quintus annus (4 de Dezembro de 1987). Liturgiam authenticam (28 de Março de 2001). 24. 20: AAS 81 (1989). Const. pág. 65. Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. [40] Cf. em: AAS (2001). João Paulo II. Const. 719. 112. [39] Cf. pág. Dies Domini (31 de Maio de 1998). sobre a sagrada Liturgia Sacrosanctum concilium. 393.BR [36] Concílio Ecuménico Vaticano II. pág. 84. pág. 120. pág. n. pág.COM. 108. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !43 . 916.

imagem de Deus Criador 1. a quem me sinto ligado por experiências dos meus tempos passados e que marcaram indelevelmente a minha vida. vos pusestes a admirar a obra nascida do vosso génio artístico. em dois mil anos de história. artistas. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !44 . Pareceu-me. na aurora da criação. desejo dar continuidade àquele fecundo diálogo da Igreja com os artistas que. maravilhados com o arcano poder dos sons e das palavras. os artistas de todos os tempos —. construtores geniais de beleza. das cores e das formas. O artista. vendo toda a sua obra. aliás. Infinitas vezes se espelhou um relance daquele sentimento no olhar com que vós — como.COM. que não havia palavras mais apropriadas do que as do livro do Génesis para começar esta minha Carta para vós. contemplou a obra das suas mãos. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. por isso.BR CARTA DO PAPA JOÃO PAULO II AOS ARTISTAS 4 de abril de 1999 A todos aqueles que apaixonadamente procuram novas « epifanias » da beleza para oferecê-las ao mundo como criação artística.31). Ao escrever-vos. único criador de todas as coisas. « Deus. de algum modo vos quis associar. considerou-a muito boa » (Gn 1. pode intuir algo daquele pathos com que Deus. Ninguém melhor do que vós. quase sentindo o eco daquele mistério da criação a que Deus.

Esta relação é claramente evidenciada na língua polaca. mais do que em qualquer outra actividade. a Bíblia acrescenta que Ele confiou-lhes a tarefa de dominarem a terra (cf. Javé tinha criado o universo. em sentido estrito. Com amorosa condescendência. Com efeito. Na « criação artística ». AUGUSTOCEZARCORNELIUS. Gn 1. Obviamente é uma participação.BR nunca se interrompeu e se prevê ainda rico de futuro no limiar do terceiro milénio. reflecte-se a sua imagem de Criador. Este modo de agir é peculiar do homem enquanto imagem de Deus. que a alma tem a sorte de albergar. a que dá forma e significado. como que marcando o ritmo da evolução cósmica. Foi no último dia da criação (cf. Na realidade.28). Gn 1. Nos dias anteriores. criou o homem.COM. e realiza aquela tarefa. tira algo do nada — ex nihilo sui et subiecti. Gn 1. o fruto mais nobre do seu projecto. chamando-o a partilhar do seu poder criador. como sublinhava o Cardeal Nicolau Cusano: « A arte criativa. é um modo de proceder exclusivo do Omnipotente. como se costuma dizer em latim — e isto. com a semelhança lexical das palavras stwórca (criador) e twórca (artífice). depois de ter afirmado que Deus criou o homem e a mulher « à sua imagem » (cf. que deixa intacta a infinita distância entre o Criador e a criatura. No final.28-31). ao contrário. em primeiro lugar plasmando a « matéria » estupenda da sua humanidade e depois exercendo um domínio criativo sobre o universo que o circunda. dando-lhe a tarefa de ser artífice. não se trata de um diálogo ditado apenas por circunstâncias históricas ou motivos utilitários. Qual é a diferença entre « criador » e « artífice »? Quem cria dá o próprio ser.27). O artífice. Deus chamou o homem à existência. a quem submeteu o mundo visível como um campo imenso onde exprimir a sua capacidade inventiva. Por conseguinte. mas constitui apenas comunicação e participação dela ». o homem revela-se como « imagem de Deus ».[1] DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !45 . o Artista divino transmite uma centelha da sua sabedoria transcendente ao artista humano. mas radicado na própria essência tanto da experiência religiosa como da criação artística. utiliza algo já existente. não se identifica com aquela arte por essência que é própria de Deus. A página inicial da Bíblia apresenta-nos Deus quase como o modelo exemplar de toda a pessoa que produz uma obra: no artífice.

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Por isso, quanto mais consciente está o artista do « dom » que possui, tanto mais
se sente impelido a olhar para si mesmo e para a criação inteira com olhos
capazes de contemplar e agradecer, elevando a Deus o seu hino de louvor. Só
assim é que ele pode compreender-se profundamente a si mesmo e à sua
vocação e missão.

A vocação especial do artista

2. Nem todos são chamados a ser artistas, no sentido específico do termo. Mas,
segundo a expressão do Génesis, todo o homem recebeu a tarefa de ser artífice
da própria vida: de certa forma, deve fazer dela uma obra de arte, uma obra-
prima.

É importante notar a distinção entre estas duas vertentes da actividade humana,
mas também a sua conexão. A distinção é evidente. De facto, uma coisa é a
predisposição pela qual o ser humano é autor dos próprios actos e responsável
do seu valor moral, e outra a predisposição pela qual é artista, isto é, sabe agir
segundo as exigências da arte, respeitando fielmente as suas regras específicas.
[2] Assim, o artista é capaz de produzir objectos, mas isso de per si ainda não
indica nada sobre as suas disposições morais. Neste caso, não se trata de
plasmar-se a si mesmo, de formar a própria personalidade, mas apenas de fazer
frutificar capacidades operativas, dando forma estética às ideias concebidas pela
mente.

Mas, se a distinção é fundamental, importante é igualmente a conexão entre as
duas predisposições: a moral e a artística. Ambas se condicionam de forma
recíproca e profunda. De facto, o artista, quando modela uma obra, exprime-se
de tal modo a si mesmo que o resultado constitui um reflexo singular do próprio
ser, daquilo que ele é e de como o é. Isto aparece confirmado inúmeras vezes na
história da humanidade. De facto, quando o artista plasma uma obra-prima,
não dá vida apenas à sua obra, mas, por meio dela, de certo modo manifesta
também a própria personalidade. Na arte, encontra uma dimensão nova e um
canal estupendo de expressão para o seu crescimento espiritual. Através das
obras realizadas, o artista fala e comunica com os outros. Por isso, a História da
Arte não é apenas uma história de obras, mas também de homens. As obras de

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arte falam dos seus autores, dão a conhecer o seu íntimo e revelam o contributo
original que eles oferecem à história da cultura.

A vocação artística ao serviço da beleza

3. Um conhecido poeta polaco, Cyprian Norwid, escreveu: « A beleza é para
dar entusiasmo ao trabalho, o trabalho para ressurgir ».[3]

O tema da beleza é qualificante, ao falar de arte. Esse tema apareceu já, quando
sublinhei o olhar de complacência que Deus lançou sobre a criação. Ao pôr em
relevo que tudo o que tinha criado era bom, Deus viu também que era belo.[4]
A confrontação entre o bom e o belo gera sugestivas reflexões. Em certo sentido,
a beleza é a expressão visível do bem, do mesmo modo que o bem é a condição
metafísica da beleza. Justamente o entenderam os Gregos, quando, fundindo os
dois conceitos, cunharam uma palavra que abraça a ambos: « kalokagathía »,
ou seja, « beleza-bondade ». A este respeito, escreve Platão: « A força do Bem
refugiou-se na natureza do Belo ».[5]

Vivendo e agindo é que o homem estabelece a sua relação com o ser, a verdade
e o bem. O artista vive numa relação peculiar com a beleza. Pode-se dizer, com
profunda verdade, que a beleza é a vocação a que o Criador o chamou com o
dom do « talento artístico ». E também este é, certamente, um talento que, na
linha da parábola evangélica dos talentos (cf. Mt 25,14-30), se deve pôr a render.

Tocamos aqui um ponto essencial. Quem tiver notado em si mesmo esta espécie
de centelha divina que é a vocação artística — de poeta, escritor, pintor,
escultor, arquitecto, músico, actor... —, adverte ao mesmo tempo a obrigação de
não desperdiçar este talento, mas de o desenvolver para colocá-lo ao serviço do
próximo e de toda a humanidade.

O artista e o bem comum

4. De facto, a sociedade tem necessidade de artistas, da mesma forma que
precisa de cientistas, técnicos, trabalhadores, especialistas, testemunhas da fé,
professores, pais e mães, que garantam o crescimento da pessoa e o progresso da
comunidade, através daquela forma sublime de arte que é a « arte de educar ».

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No vasto panorama cultural de cada nação, os artistas têm o seu lugar
específico. Precisamente enquanto obedecem ao seu génio artístico na
realização de obras verdadeiramente válidas e belas, não só enriquecem o
património cultural da nação e da humanidade inteira, mas prestam também
um serviço social qualificado ao bem comum.

A vocação diferente de cada artista, ao mesmo tempo que determina o âmbito
do seu serviço, indica também as tarefas que deve assumir, o trabalho duro a
que tem de sujeitar-se, a responsabilidade que deve enfrentar. Um artista,
consciente de tudo isto, sabe também que deve actuar sem deixar-se dominar
pela busca duma glória efémera ou pela ânsia de uma popularidade fácil, e
menos ainda pelo cálculo do possível ganho pessoal. Há, portanto, uma ética ou
melhor uma « espiritualidade » do serviço artístico, que a seu modo contribui
para a vida e o renascimento do povo. A isto mesmo parece querer aludir
Cyprian Norwid, quando afirma: « A beleza é para dar entusiasmo ao trabalho,
o trabalho para ressurgir ».

A arte face ao mistério do Verbo encarnado

5. A Lei do Antigo Testamento contém uma proibição explícita de representar
Deus invisível e inexprimível através duma « estátua esculpida ou fundida » (Dt
27,15), porque Ele transcende qualquer representação material: « Eu sou
Aquele que sou » (Ex 3,14). No mistério da Encarnação, porém, o Filho de
Deus tornou-Se visível em carne e osso: « Ao chegar a plenitude dos tempos,
Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher » (Gl 4,4). Deus fez-Se homem em
Jesus Cristo, que Se tornou assim « o centro de referência para se poder
compreender o enigma da existência humana, do mundo criado, e mesmo de
Deus ».[6]

Esta manifestação fundamental do « Deus-Mistério » apresenta-se como
estímulo e desafio para os cristãos, inclusive no plano da criação artística. E
gerou-se um florescimento de beleza, cuja linfa proveio precisamente daqui, do
mistério da Encarnação. De facto, quando Se fez homem, o Filho de Deus
introduziu na história da humanidade toda a riqueza evangélica da verdade e
do bem e, através dela, pôs a descoberto também uma nova dimensão da beleza:
a mensagem evangélica está completamente cheia dela.

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A Sagrada Escritura tornou-se, assim, uma espécie de « dicionário imenso » (P.
Claudel) e de « atlas iconográfico » (M. Chagall), onde foram beber a cultura e a
arte cristã. O próprio Antigo Testamento, interpretado à luz do Novo, revelou
mananciais inexauríveis de inspiração. Desde as narrações da criação, do
pecado, do dilúvio, do ciclo dos Patriarcas, dos acontecimentos do êxodo,
passando por tantos outros episódios e personagens da História da Salvação, o
texto bíblico atiçou a imaginação de pintores, poetas, músicos, autores de teatro
e de cinema. Uma figura como a de Job, só para dar um exemplo, com a
problemática pungente e sempre actual da dor, continua a suscitar
conjuntamente interesse filosófico, literário e artístico. E que dizer então do
Novo Testamento? Desde o Nascimento ao Gólgota, da Transfiguração à
Ressurreição, dos milagres aos ensinamentos de Cristo, até chegar aos
acontecimentos narrados nos Actos dos Apóstolos ou previstos no Apocalipse
em chave escatológica, inúmeras vezes a palavra bíblica se fez imagem, música,
poesia, evocando com a linguagem da arte o mistério do « Verbo feito carne ».

Tudo isto constitui, na história da cultura, um amplo capítulo de fé e de beleza.
Dele tiraram proveito sobretudo os crentes para a sua experiência de oração e
de vida. Para muitos deles, em tempos de escassa alfabetização, as expressões
figurativas da Bíblia constituíram mesmo um meio concreto de catequização.[7]
Mas para todos, crentes ou não, as realizações artísticas inspiradas na Sagrada
Escritura permanecem um reflexo do mistério insondável que abraça e habita o
mundo.

Entre Evangelho e arte, uma aliança profunda

6. Com efeito, toda a intuição artística autêntica ultrapassa o que os sentidos
captam e, penetrando na realidade, esforça-se por interpretar o seu mistério
escondido. Ela brota das profundidades da alma humana, lá onde a aspiração
de dar um sentido à própria vida se une com a percepção fugaz da beleza e da
unidade misteriosa das coisas. Uma experiência partilhada por todos os artistas
é a da distância incolmável que existe entre a obra das suas mãos, mesmo
quando bem sucedida, e a perfeição fulgurante da beleza vislumbrada no ardor
do momento criativo: tudo o que conseguem exprimir naquilo que pintam,

DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !49

. que S. não passa de um pálido reflexo daquele esplendor que brilhou por instantes diante dos olhos do seu espírito. fica cheia do Espírito Santo (. AUGUSTOCEZARCORNELIUS.24. quando Cristo é designado como « o Belíssimo de maior beleza que todos os mortais ». Boaventura comenta: « Contemplava nas coisas belas o Belíssimo e. segundo o qual Deus « não habita em santuários construídos pela mão do homem »..[8] S. seguindo o rasto impresso nas criaturas.[11] Toda a forma autêntica de arte é.. Por isso é que a plenitude evangélica da DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !50 . é igualmente significativa a lauda extasiada.COM. quanto mais Deus nas profundezas do seu mistério insondável! Já de natureza diversa é o conhecimento de fé: este supõe um encontro pessoal com Deus em Jesus Cristo. Vós sois beleza! ». à prata ou à pedra. Mas também este conhecimento pode tirar proveito da intuição artística. constitui um meio muito válido de aproximação ao horizonte da fé. a beleza transfigurante e libertadora que irradia do Ressuscitado: « A alma que foi plenamente iluminada pela beleza inexprimível da glória luminosa do rosto de Cristo. a seu modo. Francisco de Assis repete duas vezes na chartula.29).[10] Assim comenta Macário. toda luz. E. por exemplo. como tal. um caminho de acesso à realidade mais profunda do homem e do mundo. criam.[9] Uma perspectiva semelhante aparece na espiritualidade oriental.BR modelam. se o espírito fica de tal modo inebriado que não sabe exprimir-se senão por balbuciações? Ninguém mais do que o verdadeiro artista está pronto a reconhecer a sua limitação e fazer suas as palavras do apóstolo Paulo.) é toda olhos. pelo que « não devemos pensar que a Divindade seja semelhante ao ouro. redigida depois de ter recebido os estigmas de Cristo no monte Alverne: « Vós sois beleza. toda rosto ». Modelo eloquente duma contemplação estética que se sublima na fé são. o Grande. onde a existência humana encontra a sua plena interpretação. O crente não se maravilha disto: sabe que se debruçou por um instante sobre aquele abismo de luz que tem a sua fonte originária em Deus. Há porventura motivo para admiração. Se já a realidade íntima das coisas se situa « para além » das capacidades de compreensão humana. A este respeito. buscava por todo o lado o Dilecto ».. trabalhados pela arte e engenho do homem » (Act 17. as obras do Beato Fra Angélico.

que atinge frequentemente um alto valor não só teológico mas DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !51 . Ambrósio. o pastor.. um discernimento que não permitia a aceitação automática deste património. a Haghia Sophía de Constantinopla querida por Justiniano? Enquanto a arquitectura desenhava o espaço sagrado. Gregório de Nazianzo. a arte tornou-se um canal privilegiado de manifestação da fé. com base na Escritura. construídas pelo imperador Constantino? Ou. ditada pela necessidade que os crentes tinham de elaborar sinais para exprimirem. mas reajustados às exigências do novo culto.BR verdade não podia deixar de suscitar. faziam-se promotores de poesia cristã. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. era o fruto maduro do mundo clássico. que o cristianismo encontrou nos seus inícios. pelo édito de Constantino. Quem não recorda certos símbolos que foram os primeiros vestígios duma arte pictórica e plástica? O peixe.. sensíveis por natureza a todas as manifestações da beleza íntima da realidade. veiculava os seus valores. o interesse dos artistas. exprimia os seus cânones estéticos e. os pães.COM. foi concedido aos cristãos exprimirem-se com plena liberdade. começaram a despontar majestosas basílicas. para citar apenas alguns nomes. Ao mesmo tempo surgiam os primeiros esboços de uma arte da palavra e do som. e se Agostinho incluía também. Paulino de Nola. tanto no campo da vida e do pensamento como no da arte. no âmbito dos esplendores da arte bizantina. Efrém da Síria. nas quais os cânones arquitectónicos do antigo paganismo eram assumidos sim. tornando-se quase insensivelmente esboços de uma arte nova. Quando. Por todo o lado. Pedro e a de S. a necessidade de contemplar o mistério e de o propor de modo imediato aos simples levou progressivamente às primeiras expressões da arte pictórica e escultural. Prudêncio. entre as temáticas da sua produção. os mistérios da fé e simultaneamente de arranjar um « código simbólico » para se reconhecerem e identificarem especialmente nos tempos difíceis das perseguições. Como não recordar pelo menos a antiga Basílica de S. Os primórdios 7. Assim. ao mesmo tempo. A arte. Hilário. logo desde os primórdios. Evocavam o mistério. a arte de inspiração cristã começou em surdina. João de Latrão. um De musica. A fé impunha aos cristãos.

pela sua humanidade. Por isso mesmo. Não faltaram momentos difíceis neste caminho.[12] Algum tempo mais tarde. mas bebia na linfa pura do Evangelho. para que. com os candelabros que ardem e suscitam na penumbra infinitos reflexos de luz. e Cristo é o nosso canto ». A sua produção poética valorizava formas herdadas dos clássicos. a antiguidade conheceu uma áspera controvérsia. em determinado sentido.COM. No Oriente. o « belo » conjugava-se com o « verdadeiro ». ele torna presente o mistério da Encarnação nalgum dos seus aspectos. vinculada a significativos cânones teológicos e estéticos e apoiada na convicção de que. é possível pensar que analogamente uma representação do mistério pode ser usada. com a compilação do Antiphonarium. a beleza dum ícone pode ser apreciada sobretudo no interior de um templo. que passou à história com o nome de « luta iconoclasta ». também através dos caminhos da arte. O ícone não é venerado por si mesmo. que estabeleceu a legitimidade das imagens e do seu culto. mas reenvia ao sujeito que representa. escreve Pavel DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !52 . lançando. O argumento decisivo a que recorreram os Bispos para debelar a controvérsia. de modo análogo ao que sucede nos sacramentos. o Canto Gregoriano tornar-se-á. foram objecto de violenta contestação. O Concílio celebrado em Niceia no ano 787. como justamente sentenciava o Santo poeta de Nola: « A nossa única arte é a fé. Gregório Magno. A este respeito. com o passar dos séculos. Assim. pela dinâmica própria do sinal. como evocação sensível do mistério. As imagens sagradas. foi um acontecimento histórico não só para a fé mas também para a própria cultura.BR também literário. que ficou conhecida pelo nome dele. continuou a florescer a arte dos ícones. foi o mistério da Encarnação: se o Filho de Deus entrou no mundo das realidades visíveis. punha as premissas para o desenvolvimento orgânico daquela música sacra tão original. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. os ânimos fossem arrebatados do sensível ao eterno. uma ponte entre o visível e o invisível. já então difusas na devoção do povo de Deus. A propósito precisamente do tema da representação do mistério cristão. a expressão melódica típica da fé da Igreja durante a celebração litúrgica dos Mistérios Sagrados.[13] A Idade Média 8. Com as suas inspiradas modulações. Os séculos seguintes foram testemunhas dum grande desenvolvimento da arte cristã. o ícone é um sacramento: com efeito.

ou pelo menos como os mais importantes deles. a força criativa dos longos séculos da Idade Média cristã? Uma cultura inteira. não é minha intenção lembrar coisas que vós. Dentro destas formas. são muito variadas as perspectivas e os pontos donde partem os artistas. ao mesmo tempo que um poeta admirável como Dante Alighieri podia compor « o poema sagrado. intervêm certamente considerações de técnica estrutural. Naturalmente as inspirações são tão variadas como os seus estilos. Dado que vos escrevo deste DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !53 . situam-se as grandes construções do culto. Mas. mas também tensões próprias da experiência de Deus. O património artístico. para o qual concorreram céu e terra ». fazendo pressentir outras luzes não terrestres que enchem o espaço celeste ». conta um florescimento vastíssimo de obras sacras de alta inspiração.[14] No Ocidente. dependendo também das convicções fundamentais presentes no ambiente cultural do respectivo tempo. Como sintetizar em poucos traços. Em primeiro plano. Nos jogos de luzes e sombras. Nascem daí estilos bem conhecidos na História da Arte. o ouro reanima-se com a luz trémula dum candelabro ou duma vela. artistas.BR Florenskij: « Bárbaro. fútil à luz clara do dia. a arte das igrejas submetia a matéria à adoração do mistério. impregnara-se de Evangelho. que se foi acumulando ao longo dos séculos.[15] como ele próprio classifica a Divina Comédia. vai-se desenvolvendo gradualmente nas ogivas e esplendores do gótico. mistério « tremendo » e « fascinante ». não existe só o génio dum artista. embora com as limitações humanas sempre presentes. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. nas formas ora maciças ora ogivadas. expressa nas catedrais ou nas abadias. onde a funcionalidade sempre se une ao génio artístico. A feliz estação cultural. Humanismo e Renascimento 9. nas diversas expressões da arte. pesado. que deixam cheio de admiração mesmo o observador do nosso tempo. Tomás. que o faz cintilar aqui e ali com miríades de fulgores. e onde o pensamento teológico realizava a Summa de S. em que tem origem o florescimento artístico extraordinário do Humanismo e do Renascimento. A força e a simplicidade do românico. e este último se deixa inspirar pelo sentido do belo e pela intuição do mistério. apresenta também reflexos significativos do modo como os artistas desse período concebiam o tema religioso.COM. mas a alma dum povo. bem conheceis.

desde a Criação ao Juízo Universal. hospitaleira. Borromini. o mistério da revelação de Deus Trinitário. é um crescente interesse pelo homem. Sem contar tantos artistas que a ela se dedicaram amplamente (como não lembrar Pero Luís de Palestrina. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. para citar apenas os maiores. neste mesmo período de tempo. oferecendo plasticamente o sentido do mistério que faz da Igreja uma comunidade universal. centrada sobre o mistério da Encarnação e. quero antes fazer-me voz dos maiores artistas que por aqui disseminaram as riquezas do seu génio. apontando. retratando Deus Pai. e projecta luz sobre as questões e os anelos da inteligência humana. se da vertente das artes figurativas se passa a considerar o grande desenvolvimento que. O que vai caracterizando cada vez mais tal arte. a arte religiosa não cessou de avançar. Maderno. Orlando de Lasso.COM. na variedade das suas pinturas e de modo especial na « Disputa » da Sala da Assinatura. neste conjunto extraordinário. que na Capela Sistina de algum modo compendiou. permeado frequentemente de grande profundidade espiritual. Precisamente os maiores artistas acima mencionados no-lo demonstram. por si mesma. não é de modo algum um perigo para a fé cristã. o drama e o mistério do mundo. mesmo no novo clima dos últimos séculos quando parte da sociedade parece indiferente à fé. Daqui fala Miguel Ângelo. Daqui.[16] Aliás. sobre a valorização do homem por parte de Deus. mãe e companheira de viagem para todo o homem à procura de Deus. falam ainda Bramante. portanto. Daqui fala o génio delicado e profundo de Rafael. pela realidade histórica. Cristo Juiz. da colunata que sai dela como dois braços abertos para acolher a humanidade. que na Eucaristia Se faz companheiro do homem. escrínio de obras-primas talvez único no mundo. uma força expressiva excepcional.BR Palácio Apostólico. A arte sacra encontrou. o homem no seu fatigante caminho desde as origens até ao fim da História. a beleza do corpo humano. ou apenas relacionada com temas religiosos. sob o impulso do Humanismo e do Renascimento e das sucessivas tendências da cultura e da ciência. pelo mundo. é sabido que muitos dos grandes compositores — de DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !54 . da majestosa Basílica dedicada ao Príncipe dos Apóstolos. Bernini. Tomás Luís de Victoria?). A constatação torna-se ainda mais palpável. Esta atenção. teve a música sacra. composta para as necessidades litúrgicas. Bastaria pensar no modo como Miguel Ângelo exprime nas suas pinturas e esculturas. atingindo níveis de imorredoiro valor quer estético quer religioso.

de Mozart a Schubert. o artista torna-se de qualquer modo voz da esperança universal de redenção. durante um encontro especial na Capela Sistina a 7 de Maio de 1964. de modo que. fruto duma imaginação que voa mais acima do dia-a-dia. porque a Igreja está especialmente interessada no diálogo com a arte e quer que se realize na nossa época uma nova aliança com os artistas. Verdade é que. ao lado deste humanismo cristão que continuou a produzir significativas expressões de cultura e de arte. Mesmo quando perscruta as profundezas mais obscuras da alma ou os aspectos mais desconcertantes do mal. pelo menos no sentido de menor interesse de muitos artistas pelos temas religiosos. na Idade Moderna. por sua natureza. vós sabeis que a Igreja continuou a nutrir grande apreço pelo valor da arte enquanto tal. foi-se progressivamente afirmando também uma forma de humanismo caracterizada pela ausência de Deus senão mesmo pela oposição a Ele. Enquanto busca do belo. de Listz a Verdi — nos ofereceram obras de altíssima inspiração também neste campo.[17] A Igreja espera dessa colaboração uma renovada « epifania » de beleza para o nosso tempo e respostas adequadas às exigências próprias da comunidade cristã. O Concílio Vaticano II lançou as bases para uma renovada relação entre a Igreja e a cultura. A caminho dum renovado diálogo 10. a arte é. como o dizia o meu venerando predecessor Paulo VI no seu discurso veemente aos artistas. uma espécie de apelo ao Mistério. Tal relação é proposta na base da amizade.BR Händel a Bach. Na Constituição DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !55 . até mesmo nas condições de maior separação entre a cultura e a Igreja. com reflexos imediatos no mundo da arte. de Beethoven a Berlioz. mesmo fora das suas expressões mais tipicamente religiosas. De facto esta. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. da abertura e do diálogo. Compreende-se. mantém uma afinidade íntima com o mundo da fé. assim. é precisamente a arte que continua a constituir uma espécie de ponte que leva à experiência religiosa. Mas.COM. No espírito do Concílio Vaticano II 11. Este clima levou por vezes a uma certa separação entre o mundo da arte e o da fé.

[22] A Igreja precisa da arte 12. necessidades e energias. a arte possui uma capacidade muito própria de captar os diversos aspectos da mensagem. « vértice » da arte religiosa. tem de transpor para fórmulas significativas aquilo que. é a que traz alegria ao coração dos homens. os Padres Conciliares sublinharam a « grande importância » da literatura e das artes na vida do homem: « Elas procuram dar expressão à natureza do homem. é inefável. dirigiram aos artistas uma saudação e um apelo. [21] À luz disto. Para transmitir a mensagem que Cristo lhe confiou. e tentam identificar a sua situação na história e no universo. os Padres. De facto. aos seus problemas e à experiência das suas tentativas para conhecer-se e aperfeiçoar-se a si mesmo e ao mundo. falando mais especificamente da arte sacra. a Igreja tem necessidade da arte. [18] Baseados nisto.[20] Também através do seu contributo. traduzindo-os em cores. Por isso. mas verdadeiros “lugares” teológicos ».BR pastoral Gaudium et spes. no final do Concílio. que une as gerações e as faz comungar na admiração ». e desvendar um futuro melhor ». AUGUSTOCEZARCORNELIUS.[19] Neste mesmo espírito de profunda estima pela beleza. sons que estimulam a intuição de DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !56 .COM. quer literárias quer plásticas. é este fruto precioso que resiste ao passar do tempo. A beleza. nestes termos: « O mundo em que vivemos tem necessidade de beleza para não cair no desespero. como a verdade. se não dedicasse a devida atenção às realizações artísticas. Ora. quando as suas obras são capazes de reflectir de algum modo a beleza infinita de Deus e orientar para Ele a mente dos homens. que a seu modo constituem « não só ilustrações estéticas. do invisível. a Constituição sobre a sagrada liturgia Sacrosanctum Concilium lembrou a histórica amizade da Igreja pela arte e. de Deus. « o conhecimento de Deus é mais perfeitamente manifestado e a pregação evangélica torna-se mais compreensível ao espírito dos homens ». formas. em si mesmo. não surpreende a afirmação do Padre Marie-Dominique Chenu. não hesitou em considerar como « nobre ministério » a actividade dos artistas. deve tornar perceptível e até o mais fascinante possível o mundo do espírito. dar a conhecer as suas misérias e alegrias. segundo o qual o historiador da Teologia deixaria a sua obra incompleta.

A Igreja precisa de arquitectos. a Igreja tem necessidade da arte. confirmando a capacidade de inspiração que possui o tema religioso relativamente também aos critérios arquitectónicos do nosso tempo. Portanto. No cântico. A arte precisa da Igreja? 13. a fé é sentida como uma exuberância de alegria. que são simultaneamente lugares de oração e autênticas obras de arte. Quantas composições sacras foram elaboradas. Mas. Como não ver então a grande fonte de inspiração que pode ser. o artista vive sempre à procura do sentido mais íntimo das coisas. toda a sua preocupação é conseguir exprimir o mundo do inefável. E isto. Na realidade. Pode-se dizer também que a arte precisa da Igreja? A pergunta pode parecer provocatória. em plena coerência. obedece a uma motivação legítima e profunda. fizera d'Ele mesmo o ícone do Deus invisível. de amor. que se tornaram parte da Liturgia ou pelo menos uma ajuda muito válida para a sua decorosa realização. De facto.COM. para ele.BR quem os vê e ouve. A Igreja tem igualmente necessidade dos músicos. O próprio Cristo utilizou amplamente as imagens na sua pregação. ao longo dos séculos. pela Encarnação. A Igreja precisa particularmente de quem saiba realizar tudo isto no plano literário e figurativo. se for compreendida no seu recto sentido. Depois das terríveis destruições da última guerra mundial e com o crescimento das cidades. porque tem necessidade de espaços onde congregar o povo cristão e celebrar os mistérios da salvação. uma nova geração de arquitectos se amalgamou com as exigências do culto cristão. de segura esperança da intervenção salvífica de Deus. sem privar a própria mensagem do seu valor transcendente e do seu halo de mistério. trabalhando com as infinitas possibilidades das imagens e suas valências simbólicas. aliás. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. com a opção que. esta espécie de pátria da alma que é a religião? Não é porventura no âmbito religioso DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !57 . por pessoas profundamente imbuídas pelo sentido do mistério! Crentes sem número alimentaram a sua fé com as melodias nascidas do coração de outros crentes. não raro se construíram templos.

Esta colaboração tem sido fonte de mútuo enriquecimento espiritual. artistas da palavra escrita e oral. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !58 . independentemente das exigências funcionais. Em última instância. Todos os crentes são chamados a dar testemunho disto. e a arte ainda florescente das vetustas civilizações do Oriente. das artes plásticas e das mais modernas tecnologias de comunicação. homens e mulheres que dedicastes a vossa vida à arte. sobretudo grega e romana. Que grande empobrecimento seria para a arte o abandono desse manancial inexaurível que é o Evangelho! Apelo aos artistas 14. Com esta Carta dirijo-me a vós. Este apelo dirijo-o de modo especial a vós. basta recordar a arte antiga. da sua verdade. um desconhecido para si mesmo. Cada ser humano é. Sobressaiu também o laço peculiar que existe entre a arte e a revelação cristã. faço-vos um apelo a vós. artistas do mundo inteiro. dela tirou vantagem a compreensão do homem. Convido-vos a descobrir a profundeza da dimensão espiritual e religiosa que sempre caracterizou a arte nas suas formas expressivas mais nobres. Deus reconciliou consigo o mundo. implica o convite a penetrar.COM. mas compete a vós.BR que se colocam as questões pessoais mais importantes e se procuram as respostas existenciais definitivas? De facto. para vos confirmar a minha estima e contribuir para o restabelecimento duma cooperação mais profícua entre a arte e a Igreja. A Igreja tem feito sempre apelo às suas capacidades criativas. da sua imagem autêntica. A verdade é que o cristianismo. em virtude do dogma central da encarnação do Verbo de Deus. artistas cristãos: a cada um queria recordar que a aliança que sempre vigorou entre Evangelho e arte. oferece ao artista um horizonte particularmente rico de motivos de inspiração. de certo modo. do teatro e da música. Nesta perspectiva. mas « revela o homem a si mesmo ». Jesus Cristo não Se limita a manifestar Deus. afirmar com a riqueza da vossa genialidade que. Isto não quer dizer que o génio humano não tenha encontrado estímulos também noutros contextos religiosos. [23] Em Cristo. pela intuição criativa. no mistério de Deus encarnado e contemporaneamente no mistério do homem. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. o tema religioso é dos mais tratados pelos artistas de cada época. para interpretar a mensagem evangélica e a sua aplicação à vida concreta da comunidade cristã.

Fala-se então justamente. Espírito Criador e inspiração artística 15. Paulo escreveu que « aguarda ansiosa a revelação dos filhos de Deus » (Rm 8. já desde o início. de « momentos de graça ». embora de forma analógica. encerra em si qualquer frémito daquele « sopro » com que o Espírito Criador permeava.. Na perspectiva do terceiro milénio. Abençoa-o com uma espécie de iluminação interior. enchei da vossa graça os corações que criastes ». e acorda nele as energias da mente e do coração. Presidindo às misteriosas leis que governam o universo. « Vinde. faço votos de que todos os artistas possam receber em abundância o dom daquelas inspirações criativas donde tem início toda a autêntica obra de arte. a obra da criação. ressoa muitas vezes esta invocação ao Espírito Santo: Veni. a humanidade de todos os tempos — também a de hoje — espera ser iluminada acerca do próprio caminho e destino. porque o ser humano tem a possibilidade de fazer uma certa experiência do Absoluto que o transcende. Esta é a vossa tarefa. que junta a indicação do bem à do belo.19). está redimido o corpo humano. também através da arte e na arte. Na Igreja. AUGUSTOCEZARCORNELIUS.[24] Ao Espírito Santo. Espírito Criador. Toda a autêntica inspiração. Creator Spiritus. o mundo está redimido: está redimido o homem. A « Beleza » que salva DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !59 . Aguarda a revelação dos filhos de Deus.BR em Cristo. da qual S. está redimida a criação inteira. acena já o livro do Génesis: « A terra era informe e vazia. que podem inspirar o vosso talento. Em contacto com as obras de arte. Existe grande afinidade lexical entre « sopro — expiração » e « inspiração ».. Queridos artistas. as nossas mentes visitai. O Espírito é o misterioso artista do universo..COM. As trevas cobriam o abismo. tornando-o apto para conceber a ideia e dar-lhe forma na obra de arte. porém. interiores e exteriores. « o Sopro » (ruah).2). o sopro divino do Espírito Criador vem ao encontro do génio do homem e estimula a sua capacidade criativa. e o Espírito de Deus movia-Se sobre a superfície das águas » (1. como bem sabeis. são muitos os estímulos.

Acompanhe-vos a Virgem Santa. a humanidade poderá. em cuja contemplação se alegra a Igreja nestes dias. É convite a saborear a vida e a sonhar o futuro. por essas inspirações criativas. transfigure a matéria. depois de cada extravio. a beleza das coisas criadas não pode saciar. artistas do mundo.[25] A beleza é chave do mistério e apelo ao transcendente. onde o assombro se converte em admiração. que transmitireis às gerações futuras. Diante da sacralidade da vida e do ser humano. o assombro é a única atitude condigna. levantar-se de novo e retomar o seu caminho. que Adam Mickiewicz escrevera numa hora de grande aflição para a pátria polaca. ó Beleza tão antiga e tão nova.COM. como S.[26] Que as vossas múltiplas sendas. com particular intensidade. que « a beleza salvará o mundo ». cuja efígie inumeráveis artistas delinearam e o grande Dante contempla nos esplendores do Paraíso como « beleza. que sejais abençoados. desejo a todos vós. inebriamento. Já no limiar do terceiro milénio.[28] formulo um voto para vós: que a vossa arte contribua para a consolidação duma beleza autêntica que. Sirva-vos de guia e inspiração o mistério de Cristo ressuscitado. a « toda bela ». seja tal que avive nelas o assombro. diante das maravilhas do universo. A beleza. De tal assombro poderá brotar aquele entusiasmo de que fala Norwid na poesia. soube interpretar com expressões incomparáveis: « Tarde Vos amei. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. Agostinho. como revérbero do Espírito de Deus. abrindo os ânimos ao sentido do eterno! DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !60 . e suscita aquela arcana saudade de Deus que um enamorado do belo. para enfrentar e vencer os desafios cruciais que se prefiguram no horizonte. que alegria era dos olhos de todos os outros santos ». artistas caríssimos. tarde Vos amei! ». a que me referi ao início.[27] « Eleva-se do caos o mundo do espírito »! A partir destas palavras. alegria inexprimível.BR 16. Os homens de hoje e de amanhã têm necessidade deste entusiasmo. com profunda intuição. Precisamente neste sentido foi dito. Com tal entusiasmo. Por isso. possam conduzir todas àquele Oceano infinito de beleza.

dão ao sujeito a possibilidade de agir de harmonia com o critério do bem e do mal moral: segundo recta ratio agibilium (o justo critério dos comportamentos). 261 (Pádua 1982). [7] Este princípio pedagógico foi enunciado pela pena autorizada de S. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. [9] Legenda maior. 7 e 10: Fonti francescane. aquilo que não são capazes de ler nos livros » (Epistulæ. [8] Lodi di Dio Altissimo. [2] As virtudes morais. vv. 4 de Abril de 1999. JOÃO PAULO PP. 332. [3] Promethidion. pelo menos nas paredes. 911. 185-186: Pisma wybrane. p. n. Gregório Magno.BR Com os meus votos mais cordiais! Vaticano. 177. para que as pessoas analfabetas possam ler. 67. p. A arte. [5] Filebo. p. diversamente. escrita ao Bispo Sereno de Marselha: « A pintura é usada nas igrejas. Carta enc. 80: AAS 91 (1999). 65 A. II [1] Dialogus de ludo globi. n. particularmente a prudência.COM. numa carta. III (Viena 1967). [6] João Paulo II. 209: CCL 140A. Bogumil. 1162 (Pádua 1982). [4] A versão grega dos Setenta exprime claramente este aspecto. 1714). 216. II (Varsóvia 1968). 1: Fonti francescane. IX. ao traduzir o termo hebraico t(o-)b (bom) por kalón (belo). Fides et ratio (14 de Setembro de 1998). é definida pela filosofia como recta ratio factibilium (o justo critério das realizações). DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !61 . Solenidade da Páscoa da Ressurreição. vv. do ano 599. IX. p. II: Philosophisch-Theologische Schriften. liv.

2: PG 34. sobre a Igreja no mundo contemporâneo Gaudium et spes. [11] Homilia I. past. p. Vat. Duodecimum sæculum (4 de Dezembro de 1987). n. [17] Cf. [20] Cf. 1-2. Ecum. Const. Vat. Carta ap. Ecum. [13] Cf. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !62 . João Paulo II. 438-444. past. 13. 7. 247-249. 9.COM. II. de 16 de Abril de 1994). 122. 451. 31: CCL 203. port. [16] Cf. p. Const. Homilia da Missa celebrada na conclusão dos restauros dos frescos de Miguel Ângelo na Capela Sistina (8 de Abril de 1994): L'Osservatore Romano (ed. [14] A perspectiva invertida e outros escritos (Roma 1984). [19] Mensagem do Concílio aos artistas (8 de Dezembro de 1965): AAS 58 (1966). João Paulo II. sobre a Igreja no mundo contemporâneo Gaudium et spes. II. 62. 62. [15] Paradiso XXV. AAS 56 (1964). AUGUSTOCEZARCORNELIUS. [22] A teologia no século XII (Milão 1992). 144). 63.BR [10] Enkomia na celebração do Orthrós do Grande Sábado Santo. [21] Conc. p. [12] « At nobis ars una fides et musica Christus » (Carmen 20. [23] Conc. 22. [18] N. 8-9: AAS 80 (1988).

v. [26] « Sero te amavi! Pulchritudo tam antiqua e tam nova. 134-135. Dostoevskij.BR [24] Hino de Vésperas. V (Milão 1998). 645. p. cap. [25] F. parte III. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !63 . sero te amavi! » (Confessiones 10. 69: Wybór poezji. [27] Paradiso XXXI. I (Wroclaw 1986). 251). AUGUSTOCEZARCORNELIUS. [28] Ode à juventude. O Idiota.COM. 63. p. 27: CCL 27. na Solenidade de Pentecostes.

Desde há muito que a Igreja se aliou convosco. a Igreja do Concílio afirma pela nossa voz: se sois os amigos da autêntica arte. Não fecheis o vosso espírito ao sopro do Espírito Santo. . é a que traz alegria ao coração dos DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !64 . cineastas .COM. Hoje como ontem. . Não vos recuseis a colocar o vosso talento ao serviço da verdade divina. E diz-vos pela nossa voz: não permitais que se rompa uma aliança entre todas fecunda. O mundo em que vivemos tem necessidade de beleza para não cair no desespero.BR MENSAGEM DO PAPA PAULO VI NA CONCLUSÃO DO CONCÍLIO VATICANO II AOS ARTISTAS 8 de Dezembro de 1965 Aos artistas Para todos vós. enriquecido a sua Liturgia. a Igreja tem necessidade de vós e volta-se para vós. arquitectos. sois nossos amigos. como a verdade. pintores. artistas. homens do teatro. celebrado os seus dogmas. escultores. A todos vós. a tornar perceptível o mundo invisível. Tendes ajudado a Igreja a traduzir a sua divina mensagem na linguagem das formas e das figuras. que sois prisioneiros da beleza e que trabalhais para ela: poetas e letrados. agora. Vós tendes edificado e decorado os seus templos. músicos. A beleza. AUGUSTOCEZARCORNELIUS.

AUGUSTOCEZARCORNELIUS. é este fruto precioso que resiste ao passar do tempo. Lembrai-vos de que sois os guardiões da beleza no mundo: que isso baste para vos afastar dos gostos efémeros e sem valor autêntico. de graça e de bênção.COM. E isto por vossas mãos. Sede sempre e em toda a parte dignos do vosso ideal. e sereis dignos da Igreja. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !65 . que. que une as gerações e as faz comungar na admiração. vos dirige neste dia a sua mensagem de amizade. de salvação. pela nossa voz. para vos libertar da procura de expressões estranhas ou indecorosas. Que estas mãos sejam puras e desinteressadas.BR homens.

HISTÓRIA DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !66 . e.BR MUSICAE SACRAE DISCIPLINA ENCÍCLICA DE PIO XII Aos veneráveis irmãos Patriarcas.COM. receberão nova luz. nutrimos esperança de que as normas sabiamente fixadas por São Pio X no documento por ele com toda razão chamado "código jurídico da música sacra" (1) serão novamente confirmadas e inculcadas. Quisemos. na vossa sabedoria. adaptada às condições presentes e. e ao encontro também de tudo quanto a esse respeito têm aconselhado a experiência da vida pastoral e os progressos da ciência e dos estudos sobre esta arte. veneráveis irmãos. Bispos e outros Ordinários de lugar. I. ao mesmo tempo. de tal sorte que a nobre arte da música sacra. vir ao encontro dos votos que muitos de vós. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. elucidar com certa amplitude muitas questões surgidas e discutidas nestes últimos decénios. a fim de que esta nobre e respeitável arte contribua cada vez mais para o esplendor do culto divino e para uma mais intensa vida espiritual dos fiéis. Arcebispos. e serão corroboradas por novos argumentos. e que também insignes mestres desta arte liberal e exímios cultores de música sacra formularam por ocasião de congressos sobre tal matéria. Sempre tivemos sumamente em consideração a disciplina da música sacra. de certo modo. em paz e comunhão com a Sé Apostólica Pio XII INTRODUÇÃO 1. a um tempo. corresponda sempre mais à sua alta finalidade. enriquecida. donde haver-nos parecido oportuno tratar ordenadamente dela. Primazes. Assim. exprimistes.

e do canto. sistros e címbalos". isto confirma-o DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !67 . alguns entre vós cantam o salmo". o próprio rei e "todo Israel dançavam diante de Deus com instrumentos de madeira trabalhada. e fielmente conservadas até a vinda do divino Redentor. como anúncio de grandes coisas foi concedida pela divina liberalidade aos mortais dotados de alma racional". (8) E que o mesmo acontecesse após a idade apostólica é atestado por Plínio. posteriormente. Nada de admirar. em quem há harmonia de perfeita concórdia e suma coerência. dotada de espírito profético. cantou a Deus um cântico de vitória. que. juntamente com as outras artes liberais. (9) Essas palavras do procônsul romano da Bitínia mostram claramente que nem mesmo no tempo da perseguição emudecia de todo a voz do canto da Igreja. Depois. a saber: o costumarem a reunir-se num dado dia antes do aparecer da luz e cantarem um hino a Cristo como a Deus". cítaras. quando aos efésios assim escreve: "Sede cheios do Espírito Santo.COM. (3) No Antigo Testamento e na Igreja primitiva 3. irmã do guia Moisés. enriqueceu o homem. liras. conforme consta de muitos documentos antigos e recentes. acompanhada pelo canto do povo.BR 2. que escreve haverem os que tinham renegado a fé afirmado que "esta era a substância da falta de que eram inculpados. Com razão assim escreve dela Agostinho: "A música. indica-o ele com estas palavras: "Quando vos reunis. recitando entre vós salmos e hinos e cânticos espirituais" (7) e que esse uso de cantar salmos estivesse em vigor também nas assembléias dos cristãos. Entre os muitos e grandes dons de natureza com que Deus. (6) regras que foram restabelecidas após o regresso do povo do exílio. cantou ao som dos tímpanos. a doutrina e a arte de bem modular. O povo de Deus. é claramente indicado por são Paulo apóstolo. que na Igreja fundada pelo divino Salvador o canto sacro desde o princípio estivesse em uso e honra. (5) O próprio rei Davi fixou as regras da música a usar-se no culto sagrado. mesmo entre os povos pagãos. enquanto se conduzia a arca de Deus da casa de Abinadab para a cidade de Davi. para ornamento e decoro das cerimónias religiosas sempre e em toda parte. isto é. pois. criado à sua "imagem e semelhança". AUGUSTOCEZARCORNELIUS. que o canto sacro e a arte musical também tenham sido usados. e Maria. (4) E. contribui para o gozo espiritual e para o deleite da alma. e que sobretudo o culto do verdadeiro e sumo Deus desde a antiguidade se tenha valido dessa arte. (2) deve-se incluir a música. escapando incólume do mar Vermelho por milagre do poder divino. tímpanos.

(10) O canto gregoriano 4. cuja teoria e prática se precisaram cada vez mais nos séculos subseqüentes. porque à voz dos cantores se aditou. pouco a pouco se criaram mesmo novas formas e se excogitaram novos gêneros de cantos. muitos testemunhos se tem. são Gregório Magno. provendo. O canto polifónico 5. A partir do seculo IX. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. com oportunas leis e normas. com o acompanhamento do instrumento musical chamado "órgão". cantam-se salmos. são Gregório. adquiriu novo esplendor. dos padres e dos escritores eclesiásticos.BR Tertuliano quando narra que nas assembléias dos cristãos "se lêem as Escrituras. especialmente em Roma. e deu-lhe sábia ordenação. a assegurar a pureza e a integridade do canto sacro. O próprio canto coral. pouco a pouco a esse canto coral se juntou o canto polifónico. a começar dos séculos VIII e IX. Antes. o hino religioso. além do órgão. e não somente ali se enriqueceu de novas formas e melodias. e de bom grado admitiu-o para maior decoro dos ritos sagrados nas próprias basílicas romanas e nas cerimónias pontifícias. promove-se a catequese". A vigilância da Igreja DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !68 . A Igreja também teve sempre em grande honra este canto polifónico. Da santa cidade a modulação romana do canto aos poucos se introduziu em outras regiões do ocidente. cada vez mais aperfeiçoados pelas escolas de música. de feliz memória. o som de outros instrumentos musicais. por obra de sumos artistas alcançou admirável perfeição. e que. Restituída à Igreja a liberdade e a paz. O nosso predecessor. consoante a tradição reuniu cuidadosamente tudo o que havia sido transmitido. pelo nome do seu restaurador. às vezes em língua vulgar. que confirmam serem de usa quase diário os salmos e os hinos do culto litúrgico.COM. começou a chamar-se "Gregoriano". como também começou mesmo a ser usada uma nova espécie de canto sacro. sobretudo no século XV e no XVI. Com isso se lhe aumentaram a eficácia e o esplendor. em quase todas as regiões da Europa cristã. que.

de impedir que se ultrapassem nesse terreno os justos limites. se infiltrasse na música sacra. tal como o nosso imediato predecessor Pio XI. no qual. Pio VIII. (17) II. deturpando-a. (14) Todavia. A ARTE E SEUS PRINCÍPIOS NA LITURGIA 8. não se trata de ditar leis de carácter DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !69 . a que não só a voz humana. com a encíclica "Mediator Dei". se mistura algo de sensual e de impuro". quem realizou uma restauração e reforma orgânica da música sacra. por impulso e sob os auspícios da Igreja. ampliamos e corroboramos as prescrições dos pontífices precedentes. de feliz memória.BR 6. ao passo que mostra claramente o quanto a Igreja se tem preocupado com tornar cada vez mais esplêndido e agradável ao povo cristão o culto divino. (12) O mesmo caminho seguiram os nossos predecessores Leão XII. O progresso dessa arte musical. de 20 de novembro de 1947. (13) Gregório XVI. Com efeito. causará admiração o facto de interessar-se tanto a Igreja pela música sacra. a disciplina da música sacra no decurso dos séculos percorreu longo caminho. os reprováveis abusos que indebitamente se haviam introduzido na música. e que. Leão XIII. em preparação ao ano jubilar. ornamento e prodigiosa riqueza. Pio IX. são Pio X. de 20 de dezembro de 1929. embora talvez com lentidão e a custo. juntamente com o verdadeiro progresso. o nosso predecessor de feliz memória Bento XIV. ou no órgão ou no canto. 7. certo quê de profano e de alheio ao culto sagrado. (11) Deixando de parte não poucos outros papas. certamente. em carta encíclica de 19 de Fevereiro de 1749. (15) Finalmente.COM. Desse modo. (16) também nós mesmos. paulatinamente realizou contínuos progressos: das simples e ingênuas melodias gregorianas até às grandes e magníficas obras de arte. de feliz memória. A esse dever de solícita vigilância sempre foram fiéis os sumos pontífices. por outra parte explica como a mesma Igreja tenha tido. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. as vezes. A ninguém. em bom direito pode-se afirmar haver sido o nosso predecessor. mas também o órgão e os outros instrumentos aduzem dignidade. com abundante doutrina e cópia de argumentos exortou de modo particular os bispos a proibirem por todos os meios. com a constituição apostólica "Divini cultus sanctitatem". e também o concílio de Trento sabiamente proscreveu: "as músicas em que. tornando a inculcar os princípios e as normas transmitidos pela antiguidade. e oportunamente reordenando-os segundo as exigências dos tempos modernos.

por força de uma lei absoluta e necessária. antes à própria arte em geral. ao contrário. Procuram eles justificar esse deplorável modo de agir com argumentos especiosos. A liberdade do artista deve estar sujeita à lei divina 9.BR estético ou técnico a respeito da nobre disciplina da música. também a arte e as obras artísticas devem ser julgadas com base na sua conformidade.que é Deus . De facto. no seu agir. Na verdade. ordenando-as rectamente entre si. regra sagrada e inviolável de todo homem e de toda ação humana. sejam elas morais ou religiosas. Portanto. óbices ao livre curso da acção do artista sob a sagrada influência do estro. em louvor e glória do Criador. Por isso o homem. questão que não pode ser resolvida com argumentos tirados da arte e da estética. o homem diz ordem ao seu fim último . com o fim último do homem. que não é lícito subordiná-la a leis e normas estranhas à arte. que nem mesmo Deus poderia eximir alguém de observá-la.COM. deve ser examinada à luz do supremo postulado do fim último. Afinal. com vínculos e ligames. destinado por sua natureza a alcançar esse fim supremo. e devidamente domando-as para alcançar o do fim. e em pleno contraste até mesmo com as justas regras da arte. a infinita perfeição de Deus. porque desse modo se viria a lesar gravemente a dignidade da arte e a criar. Nisto a música sacra não obedece a leis e normas diversas das que regulam todas as formas de arte religiosa. como é. que eles pretendem fazer derivar da natureza e da própria índole da arte. 10. e. dizem eles que a inspiração artística é livre. é intenção da Igreja que esta seja defendida de tudo que possa diminuir-lhe a dignidade. fundada na infinita perfeição da natureza divina. não ignoramos que nestes últimos anos alguns artistas. Com argumentos tais é suscitada uma questão sem dúvida grave e difícil. e imitá-la tanto quanto possível. de maneira tão plena e perfeita. atinente a qualquer manifestação de arte e a qualquer artista. Com essa lei eterna e imutável fica estabelecido que o homem e todas as suas ações devem manifestar. chamada a prestar serviço num campo de tamanha importância como é o do culto divino. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. mas que. conformar-se ao divino arquétipo. por DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !70 . ousaram introduzir nas igrejas obras destituídas de qualquer inspiração religiosa. e nessa direção orientar todas as faculdades da alma e do corpo. em vez disso. sendo. com grave ofensa da piedade cristã. deve.

o artista sem fé. A arte religiosa exige artistas inspirados pela fé e pelo amor 11. fará todo o esforço para exprimir a sua fé e a sua piedade com tanta perícia. se vale para toda obra de arte. não possui ele aquele olho interior que lhe permite perceber o que é requerido pela majestade de Deus e pelo seu culto. . portanto. que é a guardiã e o árbitro da vida religiosa.com a qual. Criador e fim último. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. e estimulará grandemente o povo a professar a fé e a cultivar a piedade. de que é ela o revérbero. das linhas e da harmonia dos sons. que esse sagrado exercício da arte constituirá para ele um acto de culto e de religião. cego para a ação. posto de parte aquele fim que é ingênito em toda criatura. o artista que tem fé profunda e leva conduta digna de um cristão. destituídas de inspiração religiosa . Tais artistas são e sempre serão tidos em honra pela Igreja. porque atinente ao modo de exprimir por obras humanas a infinita beleza de Deus. ou arredio de Deus com a sua alma e com a sua conduta. agindo ela.COM.mesmo se revelam a perícia e uma certa habilidade exterior do autor -. a arte religiosa é ainda mais vinculada a Deus e dirigida a promover o seu louvor e a sua glória. e. erroneamente se afirma que a arte não tem outras leis senão aquelas que promanam da sua natureza.BR certo. deve a arte contar-se entre as mais nobres manifestações do engenho humano.essa expressão ou não tem valor algum. mas. Antes. beleza e suavidade. Isso. antes. esta lhes DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !71 . Daí que. claro é que deve aplicar-se também a respeito da arte sacra e religiosa. Razão pela qual. enobrecida e aperfeiçoada. possam inspirar aquela fé e aquela piedade que convêm à majestade da casa de Deus. de maneira alguma deve ocupar-se de arte religiosa. sobre os sentidos da vista e do ouvido. realmente. 12. Ao invés.liberdade que não é um instinto. Nem se pode esperar que as suas obras. por meio das suas manifestações. pelo facto de estar sujeita à lei divina em nada é coarctada ou sufocada. visto não ter outro escopo a não ser o de ajudar poderosamente os fiéis a elevar piedosamente a sua mente à Deus. nunca serão dignas de ser admitidas no templo da Igreja. agindo sob o impulso do amor de Deus e pondo os seus dotes a serviço da religião por meio das cores. ou importa grave ofensa ao próprio Deus. Depois. a conhecida expressão "a arte pela arte" . a liberdade do artista . regulado somente pelo arbítrio ou por certa sede de novidade -.

Portanto. Por isso. 14. providenciar para remover da música sacra. E. visto comprazer-se no contributo não pequeno que. A finalidade da música sacra 13. com toda diligência. nisto consiste a dignidade e a excelsa finalidade da música sacra. em tornar mais vivas e fervorosas as orações litúrgicas da comunidade cristã. eles dão para um mais eficaz desenvolvimento do seu ministério apostólico.por meio das suas belíssimas harmonias e da sua magnificência - trazer decoro e ornamento às vozes quer do sacerdote ofertante. a saber. estas procuram preparar uma digna sede para os ritos divinos. estimulados pelos sagrados acordes. com a sua arte e com a sua operosidade. ao passo que aquela ocupa lugar de primeira importância no próprio desenvolvimento das cerimónias e dos ritos sagrados. para que Deus uno e trino possa ser por todos louvado e invocado com mais intensidade e eficácia. visto estar esta mais próxima do culto divino do que as outras belas-artes. os fiéis tiram da sagrada liturgia e costumam manifestar por uma conduta de vida dignamente cristã. é aumentado o fruto que. justamente por ser esta a serva da sagrada liturgia. que os desperta por força de não sei que relação oculta e íntima". Falando dos cânticos "executados com voz límpida e com modulações apropriadas". tudo o que destoa do culto divino ou impede os féis de elevarem sua mente a Deus. quer do povo cristão que louva o sumo Deus. por obra da música sacra é aumentada a honra que a Igreja dá a Deus em união com Cristo seu chefe. como a arquitectura. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. em elevar os corações dos fiéis a Deus por uma intrínseca virtude sua. e todos os diversos sentimentos do nosso espírito acham no canto uma sua modulação própria. outrossim. (18) Seu papel litúrgico DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !72 . deve a Igreja.COM. assim se exprime santo Agostinho: "Sinto que as nossas almas se elevam na chama da piedade com um ardor e uma devoção maior por efeito daquelas santas palavras quando elas são acompanhadas pelo canto. em .BR abrirá as portas dos templos. como mostra a experiência cotidiana e como confirmam muitos testemunhos de escritores antigos e recentes. e. Essas leis da arte religiosa vinculam com ligame ainda mais estreito e mais santo a música sacra. de facto. a pintura e a literatura.

são freqüentemente repetidos e mais profundamente compreendidos. fixam-se na memória quase sem esforço e sem trabalho. no caso de exercer nas almas dos fiéis uma grande e salutar influência. pelo seu conteúdo e pelas suas finalidades. do que responder alegremente às suas perguntas juntamente com o povo que assiste ao sacrifício. e até às próprias famílias cristãs trazem santa alegria. Seu papel extralitúrgico 16.BR 15. pois. as melodias desses cantos. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. De facto. Da dignidade desse excelso serviço aproximam-se. e assim o apostolado catequético tira deles não leve vantagem. Na verdade. também este gênero de música religiosa popular constitui uma eficaz DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !73 . ao mesmo tempo também. nas várias solenidades e celebrações. também este género de música sacra . compostos as mais das vezes em língua vulgar. todavia. as palavras e os conceitos se imprimem na mente. isto é. e por isso com toda razão é chamada música "religiosa". seja tanto maior quanto mais de perto a sua ação se relaciona com o acto supremo do culto cristão. esses cânticos religiosos. Por aqui. realizar nada de mais alto e de mais sublime do que o oficio de acompanhar com a suavidade dos sons a voz do sacerdote que oferece a vítima divina. Não pode ela. enquanto recreiam a alma dos adolescentes e dos adultos. facilmente se pode compreender como a dignidade e a importância da música sacra. aprendendo na tenra idade esses cânticos sacros. Depois. e em primeiro lugar a recitação do breviário no coro. e. Por isso. embora não sendo destinada principalmente ao serviço da sagrada liturgia. emprestam certo tom de majestade religiosa às assembléias e reuniões mais solenes. quer seja usada nas igrejas durante as funções e as sagradas cerimónias não-litúrgicas. os ofícios que a mesma música sacra exerce quando acompanha e embeleza as outras cerimónias litúrgicas. essa musica "litúrgica" merece suma honra e louvor. em grande estima se deve ter também a música que.COM. como o demonstra a experiência. e que sob os auspícios desta pôde felizmente desenvolver-se está. pois. e do que tornar mais esplêndido com a sua arte todo o desenvolvimento do rito sagrado.que teve origem no seio da Igreja. Daí segue que até mesmo os meninos e as meninas. a apreciar e a recordar as verdades da nossa fé. são muito ajudados a conhecer. Não obstante isso. importa muitas vantagens à religião. doce conforto e espiritual proveito. quer fora da igreja. com o sacrifício eucarístico do altar. Razão pela qual. oferecem a estes um casto e puro deleite.

Por isso . caráter artístico e universalidade da música litúrgica 19. de Cristo nosso Senhor. III. Tal sendo. que o canto e a música sacra.como já sabiamente advertia o nosso predecessor são Pio X .essa música "deve possuir as qualidades próprias da liturgia. Por isso estimem eles grandemente essa sua incumbência.COM. sem dúvida. para tirar deles utilmente os frutos salutares. quando exaltamos as prendas múltiplas da música sacra e a sua eficácia em relação ao apostolado. QUALIDADE DA MÚSICA SACRA E REGRAS QUE PRESIDEM À SUA EXECUÇÃO NA LITURGIA 18. e esforcem-se por manifestar também pela conduta da vida a dignidade desse seu mister. assim. em virtude da qual não são apenas artistas e mestres de arte. A música sacra é um meio eficaz de apostolado 17. fazemos coisa que pode tornar-se de sumo prazer e conforto para aqueles que.BR ajuda para o apostolado católico. de qualquer maneira. com todo cuidado deve ser cultivado e desenvolvido. a universalidade". a dignidade e a eficácia da música sacra e do canto religioso. e por isso receberão em abundância. todos esses. Afinal. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. como já dissemos. Necessário é. exercitam um verdadeiro e real apostolado. e em primeiro lugar a santidade e a beleza da forma. mais intimamente unidos com o culto litúrgico da Igreja. mas também ministros de Cristo nosso Senhor e colaboradores no apostolado. todos quantos ou compõem música segundo o seu próprio talento artístico. e. Santidade. por onde de per si se chega a outra característica sua. (19) DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !74 . mesmo de modo vário e diverso. ou a dirigem ou a executam vocalmente ou por meio de instrumentos musicais. atinjam o alto fim a eles consignado. à medida que cada um houver desempenhado fielmente o seu cargo. grandemente necessário é cuidar-lhes diligentemente da estrutura em toda parte. Portanto. antes de tudo. as recompensas e as honras reservadas aos apóstolos. se hão dedicado a cultivá-la e a promovê-la.

a ponto de se poder dizê-lo patrimônio seu. e. e se tornam para os próprios entendedores e mestres de música sacra uma fonte inexaurível de novas melodias. em valor e pureza. seja isso feito por mestres verdadeiramente competentes. se em todas as igrejas católicas do mundo ressoar incorrupto e íntegro o canto gregoriano. e se providencie com todo cuidado para que ele seja executado com exatidão. com as antigas. que ela seja "verdadeira arte". esse canto não só quadra a este plenamente. vir-se-á outrossim a satisfazer pelo modo devido uma outra propriedade da música sacra. mas permeados de tão sublime e santa arte. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. instilando doçura na alma de quem o escuta. Deve ser "santa". terá a nota de "universalidade". de modo que os féis em qualquer parte do mundo ouçam essas harmonias como familiares e como coisa de casa. Por isso. também nós queremos e prescrevemos que se faça. 21. É esse um dos motivos principais por que a Igreja mostra tão vivo desejo de que o canto gregoriano esteja intimamente ligado às palavras latinas da sagrada liturgia. A essa santidade se presta sobretudo o canto gregoriano. e as novas composições porfiem. com espiritual conforto.BR 20. experimentando assim. a admirável unidade da Igreja. isto é.COM. Se em tudo essas normas forem realmente observadas. Conservar cuidadosamente esse precioso tesouro do canto gregoriano e fazer o povo amplamente participante dele. que desde tantos séculos se usa na Igreja. também ele. se para as festas recém-introduzidas se deverem compor novas melodias. aquilo que os nossos predecessores são Pio X. de modo que se observem fielmente as leis próprias do verdadeiro canto gregoriano. compete a todos aqueles a quem Jesus Cristo confiou a guarda e a dispensação das riquezas da Igreja. com toda a razão chamado restaurador do canto gregoriano. não admita ela em si o que soa de profano. nem permita se insinue nas melodias com que é apresentada. que em todos suscitam sentimentos de sincera admiração. Pela íntima aderência das melodias às palavras do texto sagrado. (21) sabiamente ordenaram e inculcaram. como a liturgia romana. e isso por meios musicais simples e fáceis. isto é. (20) e Pio XI . E. dignidade e piedade. que na celebração dos ritos litúrgicos se faça largo uso desse canto. prestando-se atenção às características que são próprias do genuíno canto gregoriano. mas parece quase interpretar-lhe a força e a eficácia. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !75 .

AUGUSTOCEZARCORNELIUS. Bem sabemos que. fazemos nossa a exortação dirigida pelos padres do concílio de Trento. esclarecerem algum mistério deste santo sacrifício. por graves motivos. e a sua explicação em manuais e livrinhos que. durante a celebração da missa. no sentido de. (22) permaneça a norma de que não se cantem em língua vulgar as próprias palavras da liturgia. depois das palavras litúrgicas cantadas em latim. algumas exceções bem determinadas. Depois. sejam eles explicados 24. e. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !76 . Todavia. de modo que também nisso brilhe sempre mais a unidade e a universalidade da Igreja.COM. a fim de que os cantores e o povo cristão entendam bem o significado das palavras litúrgicas ligadas à melodia musical. alguma parte daquilo que se lê na missa. a esse respeito. a própria Sé Apostólica tem concedido. entre outras coisas. não queremos sejam estendidas e aplicadas a outros casos sem a devida licença da mesma Santa Sé. entretanto.BR Somente a Santa Sé pode dispensar o uso do latim e do canto gregoriano nas missas solenes 22. que desde a infância os fiéis aprendam ao menos as melodias gregorianas mais fáceis e mais em uso. preparados por pessoas competentes em quase todas as nações. Para que os féis compreendam melhor os textos latinos. 23. Isso mais fácil e mais factível se torna hoje em dia do que nos séculos passados. directamente ou por intermédio de outros. explicarem.. as quais. (23) fazendo isso sobretudo no tempo em que se explica o catecismo ao povo cristão. especialmente "aos pastores e aos que têm simples cura de almas. especialmente nos domingos e nos dias de festa". lá mesmo onde se possam utilizar tais concessões. podem eficazmente ajudar e iluminar os fiéis. a fim de que também eles compreendam e como que compartilhem a dicção dos ministros sagrados em língua latina. onde quer que um costume secular ou imemorial permita que no solene sacrifício eucarístico. se insiram alguns cânticos populares em língua vulgar. permiti-lo-ão os ordinários "quando julgarem que pelas circunstâncias de lugar e de pessoas tal (costume) não possa ser prudentemente removido". com freqüência. cuidem atentamente os ordinários e os outros sagrados pastores. visto se terem as palavras da liturgia traduzidas em vulgar. como acima já foi dito. Antes. e saibam valer-se delas nos sagrados ritos litúrgicos.

brilham por tal pureza de arte e tal riqueza de melodias. conservam tesouros preciosos. no curso dos séculos. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !77 . felizmente ela como que se renovou. não é intenção nossa remover dos ritos da Igreja à polifonia sacra. lugar considerável os cantos litúrgicos dos vários ritos orientais. mas pode respectivamente aplicar-se aos cantos litúrgicos de outros ritos. como também de sofrerem qualquer atenuação ou deturpação. como o Ambrosiano. a genuína arte da polifonia pouco a pouco decaiu. que cumpre guardar e impedir não só de desaparecerem. pode contribuir bastante para a magnificência do culto divino e para suscitar piedosos afectos na alma dos fiéis.COM. o Moçarábico. bem sabido é que muitos cantos polifónicos. e não raramente lhe são entremeadas melodias profanas. ao mesmo passo que mostram a admirável riqueza da Igreja na ação litúrgica e nas fórmulas de oração. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. têm. De facto.seja felizmente levada a termo tanto na parte doutrinal como na parte prática. sem dúvida. A música polifónica 26. desde que exornada das devidas qualidades. de modo que os seminaristas do rito oriental. nos últimos decénios. mercê da obra indefesa de insignes mestres. por outra parte. Com o que havemos dito para louvar e recomendar o canto gregoriano. E. pelos diversos cantos litúrgicos. Óbvio é que o quanto aqui expusemos acerca do canto gregoriano diz respeito sobretudo ao rito latino romano da Igreja. também nisso. que são inteiramente dignos de acompanhar e como que de tornar mais perspícuos os ritos da Igreja. feitos um dia sacerdotes possam. Entre os mais antigos e importantes documentos da música sacra. eficazmente contribuir para aumentar o decoro da casa de Deus. quer do ocidente. compostos sobretudo no século XVI. quer aos vários ritos orientais. cujas melodias tiveram muita influência na formação das da Igreja ocidental.na qual está prazeirosamente trabalhando o Pontifício Instituto para os estudos orientais.BR A Santa Sé vigia para conservar e promover os cantos litúrgicos de outros ritos não-romanos 25. Afinal. o Galicano. a qual. se. bem preparados também no canto sacro. com o auxílio do Instituto Pontifício de Música Sacra . É nosso desejo que uma seleção de cantos dos ritos sagrados orientais . com as devidas adaptações à índole própria da liturgia latina. todos esses ritos.

coisas essas destoantes do rito sagrado e da gravidade do lugar. desde que nada tenham de profano. nas basílicas. de bom direito.(24) Estas leis exigem que. podem executar-se quer as obras-primas dos antigos mestres. realmente. 27. os quais. nesta importante matéria. outrossim. ou venham a obscurecer. porém compostos com dignidade e verdadeiro senso de arte: A Igreja favorece todos estes esforços. o violino e outros instrumentos de arco. quer composições polifónicas de autores recentes. ou interrompam a acção do rito sagrado. por conferir às cerimónias da Igreja notável esplendor e singular magnificência. em primeiro lugar. com decoro do rito sagrado. consoante às palavras do nosso predecessor de feliz memória são Pio X. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. Entre eles vêm. aviltem a habilidade dos cantores com desdouro do culto divino.COM. em primeiro lugar o órgão. por comover a alma dos fiéis com a gravidade e doçura do seu som. de rumoroso. Destarte sucede que. de barulhento. não raramente se executam cantos polifónicos mais simples. Entre os instrumentos a que é aberta a porta do templo vem.BR mediante um mais acurado estudo das obras dos antigos mestres. Outros instrumentos de música que podem ser utilizados 29. e por elevar fortemente à Deus e às coisas celestes. acolhendo no uso religioso tudo o que o engenho humano tem criado de bom e de belo no curso dos séculos. Além do órgão. por encher a mente de gozo quase celeste. se use de toda prudência e se tenha todo cuidado a fim de que se não introduzam na Igreja cantos polifónicos que. nas igrejas dos religiosos. as palavras sagradas da liturgia. por ser particularmente adequado aos cânticos sacros e aos sagrados ritos. nas catedrais. ou sozinhos ou juntamente com outros DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !78 . propostas à imitação e emulação dos compositores hodiernos. mesmo nas igrejas menores. antes sabemos que. Devem essas normas aplicar-se. ao uso do órgão e dos outros instrumentos musicais. há outros instrumentos que podem eficazmente vir em auxílio para se atingir o alto fim da música sacra. desde que ficassem salvas as leis litúrgicas". ela "sempre favoreceu o progresso das artes e ajudou-o. pelo modo túrgido e empolado. O órgão 28. com a sua prolixidade. ainda. ou.

como dissemos. para elevar a alma para o alto. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !79 . de tristeza ou de alegria. do que fazer coisa menos digna do culto divino e das reuniões sacras. Quando esses cânticos sacros possuem tais dotes. os cantos religiosos populares.COM. usar linguagem fácil e melodia simples. todavia nas missas celebradas em forma não-solene podem eles admiravelmente contribuir para que os fiéis assistam ao santo sacrifício não tanto como espectadores mudos e quase inertes.BR instrumentos e com o órgão. e isso desde que tais cantos sejam bem adaptados às várias partes do sacrifício. com grande júbilo espiritual. mas de forma que. quando faltarem a capacidade e os meios para tanto. unam a própria devoção às preces do sacerdote. Aliás. da alma. acerca das melodias musicais inadmissíveis no culto católico já falamos claramente na encíclica "Mediator Dei". devem ser plenamente conformes ao ensinamento da fé cristã. mesmo sendo breves e fáceis. quando se cantam como uma só voz nas funções religiosas da multidão reunida. melhor será abster-se de semelhantes tentativas. os quais se originam do próprio canto litúrgico. Os cânticos populares e seu uso 30. finalmente. e. "Quando eles não tiverem nada de profano ou de destoante da santidade do lugar e da ação litúrgica. expô-la e explicá-la rectamente. exprimem com indizível eficácia os sentimentos. nas missas cantadas solenes não possam eles ser usados sem especial permissão da Santa Sé. fugir da profusão de palavras empoladas e vazias. brotando como que do mais profundo da alma do povo. diferem não pouco entre si. e para afervorar a verdadeira piedade da alma". e excitam piedosos afectos. como sabemos que já se faz em muitas partes do mundo católico. ter uma certa dignidade e gravidade religiosa. como dissemos. A esses aspectos que têm mais estreita ligação com a liturgia da Igreja juntam-se. mas.(25) É o caso apenas de advertir que. comovem fortemente os sentimentos e a alma. tenham também acesso nas nossas igrejas. A fim de que semelhantes cânticos religiosos proporcionem fruto espiritual e vantagem ao povo cristão. embora. Por isso. podendo contribuir não pouco para o esplendor dos ritos sagrados. sendo mais adaptados à índole e aos sentimentos de cada povo em particular. escritos as mais das vezes em língua vulgar. conforme o caráter dos povos e a índole particular das nações. e não forem em busca do extravagante e do extraordinário. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. elevam com grande eficácia a alma dos fiéis às coisas celestes. acompanhando com a mente e com a voz a ação sacra.

que está no desejo de todos. honra.COM. com todo cuidado e por todos os meios.BR 31. a vos dignardes. Desse modo pode-se esperar obter mais outra vantagem. Condições especiais em países de missão 33. de modo que já aqui na terra o povo cristão comece a cantar aquele cântico de louvor que cantará eternamente no céu: "Àquele que se senta no trono e ao Cordeiro seja bênção. e que. costumam ser perigosas para os cristãos. como também nas associações juvenis e nas reuniões dos pios sodalícios. a saber: a de que sejam eliminadas essas canções profanas que. e isso tanto nas Igrejas como externamente. ou pela moleza do ritmo. Por isso. uma vez que correspondam às condições supraditas. Aqueles a quem está confiada a formação religiosa dos meninos e das meninas não deixem de valer- se. tal como muitas vezes o demonstra claramente a experiência. desses eficazes auxílios.13). cantados com desembaraço e bem gravados na memória. Nos países de missão. Quanto às cerimónias não estritamente litúrgicas. e sejam substituídas por essas outras que proporcionam um prazer casto e puro. glória e poder pelos séculos dos séculos" (Ap 5. de favorecer e promover nas vossas dioceses esse canto popular religioso. ou pelas palavras não raro voluptuosas e lascivas que o acompanham. para formá-lo numa sincera piedade. podem contribuir de modo notável para atrair salutarmente o povo cristão. alimentam a fé e a piedade. De modo especial serão eles úteis quando se tratar de instruir na verdade católica os meninos e as meninas. e para enchê-lo de santo regozijo. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. especialmente para os jovens. a fim de que por todos os fiéis possam eles ser mais facilmente aprendidos. para amestrá-lo. não podemos deixar de exortar-vos vivamente. ao mesmo tempo. pelo modo devido. 32. especialmente nas procissões e nas peregrinações aos santuários. certamente não será possível pôr tudo isso em prática antes de haver DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !80 . veneráveis irmãos. e os assistentes da juventude católica usem deles rectamente na grave tarefa que lhes foi confiada. O que até aqui escrevemos vigora sobretudo para as nações pertencentes à Igreja nas quais a religião católica já está solidamente estabelecida. e do mesmo modo nos congressos religiosos nacionais e internacionais. Não vos faltarão homens experientes para recolher e reunir juntos esses cânticos onde não se haja feito. tais cânticos religiosos.

É maravilhoso ver o quanto se deleitam com as melodias musicais os povos confiados aos cuidados dos missionários. antes de se haverem construído igrejas espaçosas. Todavia. seguindo as pegadas dos nossos predecessores. de modo que. aos cânticos religiosos nacionais. desde os antigos tempos a Igreja católica. deverão fomentar largamente este amor do canto religioso que é cultivado pelos homens confiados aos seus cuidados. da Bem- aventurada Virgem e dos santos na língua e nas melodias peculiares dos mesmos povos. entre os quais as melodias gregorianas. a vida de nosso Senhor Jesus Cristo. os missionários de que. com grande fruto são. como resulta da experiência. Por isso. com solícito empenho adotareis todas as disposições que vos impõe o alto encargo a vós confiado por Cristo e pela Igreja.BR crescido suficientemente o número dos cristãos. esses povos contraponham análogos cânticos sacros cristãos. RECOMENDAÇÕES AOS ORDINÁRIOS 35. em muitas igrejas do mundo cristão.COM. no desempenho do seu ministério. quis que eles levassem também os cantos litúrgicos. antes de haver lá um número de sacerdotes igual à necessidade. enviando os arautos do evangelho a regiões ainda não iluminadas pela luz da fé. 34. finalmente. Lembrem-se. IV. e que. vós. se dignarem de ocupar-se seriamente também dessa incumbência. Para que obtenha o desejado efeito tudo quanto. ou completamente descurado. pelos arautos de Cristo verdadeiro Deus. não raro admirados até mesmo pelas nações civilizadas. atraídos pela doçura do canto. juntamente com os ritos sagrados. antes de serem convenientemente freqüentadas pelos filhos dos cristãos as escolas fundadas pela Igreja. os mensageiros do evangelho nas regiões pagãs. entre os graves cuidados do seu ofício. que esse eficaz subsídio para o apostolado fosse tido em pouca conta. nós nesta carta encíclica recomendamos ou prescrevemos. os povos a chamar a fé fossem mais facilmente movidos a abraçar as verdades da religião cristã. portanto. e quão grande parte tem o canto nas cerimónias dedicadas ao culto dos ídolos. e isto no intuito de que. ó veneráveis irmãos. outrossim. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. e. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !81 . vivamente exortamos os obreiros apostólicos que lidam nessas vastas extensões da vinha do Senhor. Improvidente seria. nos quais se exaltam as verdades da fé. postas em prática.

BR Os coros dos fiéis 36. contudo. Antes de tudo tende o cuidado de que na igreja catedral e. a fim de que possais oferecer a esse tal ensejo de cultivar melhor tais dotes. possa cantar os textos litúrgicos na missa solene. se entre os alunos dos seminários e dos colégios religiosos houver algum dotado de particular tendência e paixão por essa arte. concede-se que "um grupo de homens e de mulheres ou meninas. usos e obedeçam em tudo às normas preceptivas da Santa Sé. haja uma distinta "Scholae cantorum". e todo inconveniente seja evitado. onerada nisso a consciência dos Ordinários". em lugar a isso destinado e localizado fora do balaústre. para que os ordinários e os superiores maiores dos institutos religiosos escolham alguém. disso não deixem de vos informar os reitores dos seminários ou dos colégios. nas maiores igrejas da vossa jurisdição. convirá providenciar. que sirva aos outros de exemplo e de estímulo para cultivar e executar com diligência o cântico sacro. Com grande solicitude é de providenciar-se. de cujo auxílio se sirvam em coisa de tanta importância a que. e possais enviá-lo ao Pontifício Instituto de música sacra nesta cidade. para que todos os que nos seminários e nos institutos missionários religiosos se preparam para as sagradas ordens sejam rectamente instruídos. segundo as diretrizes da Igreja. contanto que os homens fiquem inteiramente separados das mulheres e meninas. por mestres experimentados em tais disciplinas. E. contanto que ele se distinga por bons costumes e virtudes. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. Onde. não se puderem ter as "Scholae cantorum" nem se puder reunir número conveniente de "Pueri cantores". que estimem tradições. por força de circunstâncias eles não possam facilmente atender. e com isso dê motivo a se esperar venha a ser um ótimo sacerdote.(26) Nos seminários e colégios religiosos 37. entre outras tantas e tão graves ocupações. na medida em que as circunstâncias o permitirem. na música sacra e no conhecimento teórico e prático do canto gregoriano.COM. ou a algum outro ateneu do gênero. Coisa ótima para DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !82 . Além disso. Um perito em música sacra no seio do conselho diocesano de arte sacra 39. 38.

Assim. sucederá que essa arte tão nobre. se em qualquer diocese existir alguma dessas associações que sabiamente têm sido fundadas para cultivar a música sacra. esperamos achem nesta nossa carta encíclica incitamento para promover com novo e apaixonado ardor e com generosidade operosamente hábil esse importante apostolado. os quais. Aqueles. e conseguirá perfeição sempre mais alta. têm em suas mãos a direção do que concerne a música. veneráveis irmãos. e DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !83 . para que eles floresçam de vigorosa vida e obtenham ótimos mestres idôneos. e em toda a diocese diligentemente dêem desenvolvimento à música sacra e ao amor e ao costume dos cânticos religiosos. com caridade mais ardente. o qual possa habilmente vigiar na diocese em tal terreno e informar o ordinário de tudo o que se tem feito e se deva fazer.COM. na sua prudência poderá o ordinário ajudar-se dela para satisfazer as responsabilidades desse seu encargo. e que têm sido louvadas e recomendadas pelos sumos pontífices. sob a vossa direção. com fé mais firme. e com o seu contributo produzirá este feliz efeito: que. muito podem contribuir para dar incremento ao canto sacro. Tudo isso. Os pios sodalícios.BR esse fim é que no conselho diocesano de arte sacra haja alguém perito em música sacra e em canto. quisemos tratar com certa amplitude. os filhos da Igreja prestem nos templos a devida homenagem de louvores a Deus uno e trino. muito apreciada em todas as épocas pela Igreja. e promovei-os com o vosso favor. conforme auguramos. amparai-os. pois. veneráveis irmãos. E. com a devida obediência às leis da Igreja e às nossas prescrições. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. acolhendo-se e fazendo-se executar as prescrições e disposições dele. também nos nossos dias será cultivada de modo a ver-se reconduzida aos lídimos esplendores de santidade e de beleza. constituídos para a instrução do povo na música sacra ou para aprofundar a cultura desta última. com esperança mais viva. Os pios sodalícios consagrados à música sacra 40. movido por uma solicitude todo paternal. CONCLUSÃO 41. e nutrimos plena confiança de que vós. que na Igreja. com a difusão das idéias e com o exemplo. dedicareis todo o vosso cuidado pastoral a tal questão de interesse religioso muito importante para a celebração mais digna e mais esplêndida do culto divino.

161. (6) Cf.5. no dia 25 de dezembro. (2) Cf. Enquanto isso. veneráveis irmãos. em atestado do nosso paternal afecto e em penhor de dons celestes. pertençam ao rebanho a vós confiado. verifique-se aquilo que são Cipriano fazia objeto de uma famosa exortação a Donato: "Ressoe de salmos o sóbrio banquete: e. XII. secundando os nossos votos. PL 33. 725. Notas (1) Motu Proprio Entre as solicitudes do múnus pastoral: Acta Pii X. e em modo particular àqueles que. assume esse ofício segundo o costume em moda: a pessoas a ti caríssimas ofereces maior nutrimento se da nossa parte houver uma audição espiritual. no seio das famílias e nas reuniões cristãs. (5) 2Sm 6. Dado em Roma.5. (3) Epist. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !84 . vol. mesmo fora dos edifícios sagrados. (4) Cf. a quantos.16. Ex 15.COM. p.26. I.2-31.(27) 42.BR que. com efusão de alma concedemos a bênção apostólica a vós. De origine animae hominis. Gn 1.1-20. se preocupam de dar incremento à música sacra. l. do ano de 1955. 25. Col 3. como tens memória tenaz e voz canora. 2. na expectativa dos resultados sempre mais ricos e felizes que esperamos tenham origem desta nossa exortação. festa do Natal de nosso Senhor Jesus Cristo. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. 1Cr 23. 77. (7) Ef 5.18s. cf. PIO PP. e se a doçura religiosa deleitar o nosso ouvido". XVII do nosso pontificado. tomados singular e coletivamente. junto a São Pedro.

Acta Pii X. AAS 36(1903-04). 799ss. (21) Pio XI.78.17. 75-87.. Const.. Opera omnia. PL 1. 701. Prati. (9) Plínio. 329-339. Tertuliano.1. 33ss. 42-49. Trid. Carta apost. 68-74. Respighi. cf. 1. Acta Leonis XIII. Bento XIV. (23) Conc. Carta enc. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !85 .26. 7. c. PL 32. Bullarium Romanum. Trid.139ss. 33ss. Agostinho. t. Cf. X. AAS 36(1903-04). XXII: Decretum de obseruandis et vitandis in celebratione Missae.14(1895). PL 2. v. p.1. 237-247. apost. Sess. pp. Typ. AAS 39(1947). pp. (11) Conc. ed. vol. 325-329. Acta Pii X. 540. IX. Annus qui. (17) Cf. XXII. Prati. Bonum est confiteri Domino. AAS 21(1929). pp. Divini cultus. (19) Acta Pii X. c. 73ss. pp. (14) Cf. (18) S. pp. VIII.COM. (12) Cf. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. v pp. pp. Aldina. De sacrificio Missae. pp. 398. pp. 16). ed. Confess. Epist. X. AAS 27(1894). 9. Vol. (10) Cf. 39. c.. 1. pp. 395-398. (20) Carta ao Card. p. (13) Cf. De anima. (16) Cf. 5.BR (8) 1Cor 14. p. (15) Cf. e Apol. (ed. Sess. 96.. 33. 387-395. (2 de agosto de 1828). 521-595. cân. I. (22) CIC. AAS 21(1929}.

S. 590. ad Donatum (Epistola 1. Rituum.BR (24) Acta Pii X . 80. 3964.1. 4201. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. n. p. (27) S. XVI).C. (26) Decr. Epist. nn. Cipriano.COM. PL 4. 22 DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !86 . p. 4231. (25) AAS 39 (1947).

AUGUSTOCEZARCORNELIUS. tem indubitavelmente autoridade. A LITURGIA E A ARTE Autoridade da Igreja sobre assuntos litúrgicos (1) Havendo a Igreja recebido do seu fundador Jesus Cristo o encargo de velar pela santidade do culto divino. fórmulas. ritos. CANTO GREGORIANO E MÚSICA SACRA Papa Pio XI. Saudação e Benção Apostólica. 1929 Veneráveis Irmãos. preces e canto. cujo conjunto recebe o nome especial de Liturgia. para prescrever tudo aquilo que sirva para regular dignamente o dito augusto ministério público. O DOGMA.COM. concretamente em relação às cerimónias.BR CONSTITUIÇÃO APOSTÓLICA DIVINI CULTUS SANCTITATEM SOBRE LITURGIA. deixando sempre a salvo o substancial do Sacrifício e dos Sacramentos. ou seja a acção sagrada por excelência. A Liturgia e a sua união com o dogma e a vida É verdadeiramente coisa sagrada a liturgia. mas também como testemunho das nossas fé e gravíssima DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !87 . não só como elevação e união das almas até Deus.

onde quase todos os cidadãos formavam como que um imenso coro. faziam-se de dia e de noite com grande concurso de fiéis. Os pastores da grei cristã desempenham a missão que se lhes há encomendado. escultores e literatos aprenderam da liturgia aquele conjunto de conhecimentos teológicos que hoje tanto resplandecem e se admiram nos insignes monumentos da Idade Média. Por isso. que acompanhavam a sagradas preces e o Santo Sacrifício. semelhante àquela entre o culto cristão e a sanctificação do povo. onde Bispos. advogam ante a divina clemência pela causa do género humano. E é indizível o quão admiravelmente ajudavam aquelas ingénuas melodias. A Igreja fomentou sempre a vida litúrgica Por aqui se acaba de ver por quê os Romanos Pontífices mostraram tão grande solicitude em fomentar e proteger a Liturgia sagrada. Clero e povo se alternavam nos divinos louvores. como reza a História.COM. e assim como puseram tanto cuidado em expressar o dogma com palavras exactas. Participação do povo na Liturgia e no Canto. defendendo-as e DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !88 . e o certo é que aqueles mesmos himnos comoveram tanto Santo Agostinho que o fizeram decidir-se a abraçar a fé de Cristo. e depois officium divinum. o Imperador ariano Valente ficou como que anonadado [=chocado] ante a majestade com que São Basílio celebrou os divinos mistérios. e em Milão os herejes acusavam Santo Ambrósio de enfeitiçar as turbas com o canto dos seus himnos litúrgicos. e escrevia: «As normas da fé ficam estabelecidas pelas normas da oração. que primeiro se chamaram opus Dei(3). como dívida que devia ser paga diàriamente ao Senhor. também se aplicaram a pô-lo nas sagradas normas da liturgia. durante os primeiros séculos da Igreja. quando. arquitectos.BR dívida que para com Deus temos pelos benefícios recebidos e dos quais sempre necessitamos. era onde o própio opressor da família cristã sentia melhor o valor e a eficácia do dogma da comunhão dos santos. a incendiar a piedade cristã no povo. Ali. portanto. muitos dos bárbaros se educaram na civilização cristã. especialmente nas vetustas basílicas. no templo. fazem-no acompanhados dos gemidos de toda a Igreja»(2). AUGUSTOCEZARCORNELIUS. antigamente Estas orações colectivas. Foi também nas igrejas. pintores. Celestino I ensinava já que o canon da fé se encontrava expreso nas venerandas fórmulas da liturgia. Foi então. Daqui a íntima união que há entre o dogma e a liturgia. e quanto pedem e oram. Assim. o sítio em que os próprios artistas. e.

compenetrado por um mais profundo sentimento litúrgico. começou a tomar parte mais activa no rito eucarístico. o Sumo Pontífice Pio X. mas antes bem dará maior dignidade e esplendor ao desenvolvimento das artes elas mesmas. E Nós mesmos fizemos uma consoladora confirmação do facto. na oração pública e na salmodia. O MOTU PROPRIO DE PIO X E O CENTENÁRIO DE GUIDO DE AREZZO Pio X impulsionou há 25 anos o movimento litúrgico No que toca aos tempos modernos. propôs-se como fim principal fazer que reflorescesse e se conservasse nos fiéis o verdadeiro espírito cristão. As normas de PIO X DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !89 .COM. e o Concílio de Trento quis que aquela fosse exposta e explicada ao povo cristão. no lugar sagrado. posto que onde se observaram e cumpriram integralmente as disposições de Pio X se logrou a restauração das mais dilectas formas de arte e o consolador reflorescimento do espírito religioso. A música sacra e o canto. também se constata que os Santos Padres comentaram a liturgia nas suas homilias e escritos. como é seu dever essencial. quando no primeiro ano do Nosso Pontificado um imenso coro de clérigos de todas as nações acompanhou com melodias gregorianas o solene acto litúrgico celebrado por Nós na Basílica Vaticana. muitíssimo que quanto seja ornamento da sagrada liturgia esteja contido nas fórmulas e nos limites impostos e desejados pela Igreja. tendendo com oportunas ordens e sábias disposições a suprimir quanto pudesse opôr-se à dignidade do templo. sirvam verdadeiramente como nobilíssimas servas ao culto divino. portanto. de feliz memória.BR preservando-as de adulteração. coadjuvantes na renovação litúrgica Isto viu-se realizado e confirmado de maravilhosa maneira no que atem à música e ao canto litúrgicos. o qual não redundará em seu. Por isso. Importa. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. já que o povo cristão. para que as artes. onde os fiéis se reúnem cabalmente para beber desse fervor de piedade na sua primeira e indispensável fonte que é a participação activa nos sacrossanctos mistérios e na oração solemne da Igreja. ao promulgar há vinte e cinco anos o Motu proprio sobre a música sacra e o canto gregoriano.

que outros.BR Fere-Nos. todavia. aprovando e elogiando a inovação. ademais de se cumprir o primeiro quarto de século da citada restauração da música sacra. ordenando e aumentando o tesouro da monódia sagrada(5). e por isso não se obtiveram as melhoras esperadas. faz hoje cerca de novecentos anos que expôs os felizes resultados do sistema por ele habilmente inventado para fixar. finalmente. herança e monumento dos Santos Padres [da Igreja]. conservar e divulgar mais facilmente e com maior esplendor da Igreja e da Arte aquela melodia litúrgica que tem a sua origem nos primeiros dias do Cristianismo. instituiu a famosa Schola que haveria de perpetuar a interpretação genuína e tradicional dos cantos litúrgicos. Anúncio de novas normas DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !90 . procurou que esta se pudesse pouco a pouco difundir por todas as partes. ainda sendo formosas em si mesmas. Motivo da Constituição: O Motu Proprio e o Centenário de Arezzo Assim. depois dos primeiros anos de feliz emenda. que alguns pretenderam não estar obrigados à observância daquelas disposições e leis. precisamente para que o povo e o clero obedeçam em diante com mais exactidão às normas impostas por Pio X a toda a Igreja. procuraram pretextos para interpretar composições que. E isto fazemo-lo com tanto maior gosto. coleccionando. o qual. ali mesmo o monge Guido fez a primeira experiência do seu invento. nem à santidade das normas litúrgicas. advertir que as sábias disposições do Nosso antecessor não obtiveram em todas as partes a aplicação devida. não correspondem nem à majestade do lugar sagrado. por ocasião principalmente de comemorações centenárias de ilustres músicos. pois. com efeito. que em alguns sítios. diante do clero de Roma. chamado a Roma pelo Sumo Pontífice. e na presença do mesmo Sumo Pontífice. agrada-nos aqui dar algumas singulares disposições. o qual. voltaram insensivelmente a permitir certo género de música que deve ser totalmente desterrado do templo. com imensas vantagens para todo o género de música. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. e. quanto que este ano. se celebra também o centenário do monge Guido De Arezzo(4). Sabemos. No glorioso templo Lateranense.COM. e por tanto não devem ser interpretadas nas Igreja. primeiro lugar onde São Gregório Magno. sugeridas pela experiência de vinte e cinco anos. não obstante a solemnidade com que foram promulgadas.

e prosseguido-a no ginásio e no liceu. os quais seria impossível remediar depois. e especialmente do celebrado faz pouco tempo em Roma. Teoria e prácticas frequentes II. se é dada com espírito verdadeiramente litúrgico. feitos já. a todos os quais tributamos aqui o merecida homenagem. lhes prescrevemos aqui algumas normas. e assim mesmo conseguirá que nas Escolas e Capelas musicais [scholae et capellae musicorum] renasça a sua antigua glória e grandeza. que é parte principal do culto divino [quod pars est divini cultus praecipua]. não só nos Seminários. Quem quer que deseje iniciar-se no ministério sacerdotal. haja uma breve mas frequente e quase diária lição ou execução do canto gregoriano e da música sacra. a quem corresponde de modo singular a custódia [=guarda] da liturgia e o cuidado das artes sacras no templo. sem dúvida. lição que. temperados cantores. servirá mais de alívio que de pêsame para os alunos depois das fatigantes horas de outras aulas e estudos severos.COM. Iniciando-se assim esta aprendizagem do canto e da música desde as classes elementares. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. como resposta aos inumeráveis votos que de todos os Congressos de Música. mas também nas casas religiosas. Portanto. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !91 .BR Por isso a todos os Bispos e Ordinários. da polifonia e do órgão. conhecimentos que se tornaram hoje tão convenientes à cultura do clero. seja instruído no canto gregoriano e na música sacra desde os primeiros anos da sua juventude. sem sequer se darem conta disso. e ademais lhe seja menos dificultoso suprimir ou modificar defeitos naturais. em idade mais adulta. a fim de que em tal idade possa mais facilmente aprender quanto se refere ao canto e à melodia. nos enviaram muitos sagrados Pastores e ilustres heraldos da restauração musical. E prescrevemos que estas normas se cumpram e observem segundo os meios e métodos mais eficazes. se por casualidade deles padecer. A PARTE DISPOSlTIVA Cultura musical nos Seminários I. assim nos Seminários como nos demais institutos de educação eclesiástica. os futuros sacerdotes. que se recupere o seu antigo esplendor e dignidade o ofício do coro [chorale officium]. Esta mais completa e perfeita educação litúrgico-musical do clero conseguirá. que em seguida descriminamos. poderão receber sem fadiga nem dificuldade a cultura superior que bem pode chamar-se de estética da melodia gregoriana e da arte musical.

Sanctus. como rezar sempre o oficio divino com dignidade. hoje todavia vigentes. não só em quanto é de preceito genérico. uma pessoa competente que vele pela observância das regras litúrgicas e do canto coral. entenda-se só àquilo que DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !92 . ao menos na medida conveniente. aplicados aos louvores de Deus. A fim de que em diante ninguém possa alegar desculpas ou pretextos para se achar dispensado da obrigação de obedecer às leis da Igreja. E. devem empregar todo o seu esforço a fim de que se restaure o chorale officium segundo as prescripções da Igreja. Insistência no canto gregoriano autêntico E aqui é oportuno recordar que por antiga e constante disciplina da Igreja. ao qual hão de ajustar-se todas as Igrejas. ora. Pessoa responsável pela Liturgia e pelo canto IV. como também em virtude das mesmas Constituições Capitulares. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. o canto gregoriano. assim também no futuro haja em todos os coros. se tudo isso se cumprir nos seus mínimos pontos. Colegiatas e Conventos de religiosos.COM. à plena concórdia na recitação dos versículos salmódicos e das estrofes dos hinos. atenção e devoção [digne. por fim. é necessário que todos quantos estejam obrigados ao ofício coral conheçam. ou que de qualquer modo pertençam a elas. e corrija na práctica os defeitos de todo o coro e de cada um dos seus componentes. Porque. que em voz alta cantam alternadamente: "Santo. todos os Capítulos e Comunidades religiosas deveram tratar destas disposições em oportunas reuniões periódicas. salmodiando todos perfeitamente. mas também no equilibrado alternar de ambas as alas do coro parecerão emular a laude eterna dos Serafins.BR O OFÍCIO CORAL III. tanto de canónicos como de religiosos. Santo" [Sanctus. assim como noutro tempo havia um cantor ou mestre de coro. ora à pausa conveniente do asterisco. atente et devote]. Santo. sem exceptuar nenhuma. Sanctus]. Todos aqueles que estejam à frente de Basílicas. mas também em quanto concerne à arte do canto: posto que na salmódia se deve atender ora à precisão dos tons com as suas próprias cadências médias e finais. não só demonstrarão a unidade dos seus espíritos. Igrejas Catedrais.

Dos meninos do coro. sobretudo no século XVI. assim também se restaurem. se unam aos coros viris. Quanto às scholae puerorum. os melhores compositores de polifonia clássica. como é sabido. Nós cremo-Nos aqui no dever de afirmar que não é o canto com acompanhamento de instrumentos o ideal para a Igreja. como sucedeu sempre. como sendo aquelas que sucedendo no decurso dos tempos às antigas scholae se instituiram para este fim em Basílicas e nas Igrejas maiores. Também nos queremos dirigir aqui a todos aqueles a quem as Capelas musicais [Capellas musicorum] concernem. Por isso.COM.BR tiver sido restituído à fidelidade dos antigos códices. sendo o primeiro de todo eles o grande Pier Luigi da Palestrina [Ioannes Petrus Aloisius Praenestinus]. ou também do cantus. a este propósito. tal como floresceram desde o século XIV ao XVI. segundo o antigo costume da Igreja. e as quais se ajustaram especialmente à polifonia sacra. pois à frente do instrumento está a voz viva que deve ressoar no templo. que. especialmente onde quer que a maior frequência e esplendor do culto divino exijam maior número e mais requintada selecção de cantores. CAPELLAE MUSICORUM E SCHOLAE PUERORUM CANTORUM Capelas musicais V. a parte de soprano [suprema voce]. sobretudo quando na polifonia sacra lhes é confiada. desejamos Nós ardentemente que tais Capelas. a voz do DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !93 . AUGUSTOCEZARCORNELIUS. para que as suas vozes. costuma com toda a razão merecer a preferência depois das venerandas melodias gregorianas sobre todo e qualquer outro género de música eclesiástica. e já dado pela Igreja como edição autêntica [vaticanis typis]. As Escolas de meninos devem formar-se em todas as Igrejas VI. saíram. os meninos cantores serão educados no canto por mestres de capela. devem ser fundadas não só nas igrejas maiores e Catedrais. A MÚSICA INSTRUMENTAL E O ÓRGÃO A voz humana deve ressoar no templo VII. E porque sabemos ser verdade que nalguma região se tenta fomentar de novo um género de música não de todo sagrada por causa especialmente do imoderado uso dos instrumentos. mas também nas igrejas menores e paroquiais.

sobretudo quando dela se serve a alma para orar e louvar ao Deus omnipotente. assim também hoje se tente com moderníssimas formas voltar a introduzir no templo o espírito de dissipação e de mundanidade. difundindo suavíssimas harmonias. assim como acontecia noutros tempos com géneros de música que a Igreja com razão reprovou.BR clero. na DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !94 . que devida por um lado a modificações introduzidas pelos constructores organeiros. Somente assim a arte do órgão reencontrará o seu caminho e o seu novo esplendor. Mas também nisto há que evitar essa mescla de sagrado e de profano. Não podemos contudo deixar de lamentarmo-nos de que. e não se pense que a Igreja se opõe ao florescimento da arte musical quando procura dar a preferência à voz humana sobre todos os outros instrumentos. restitua-se para o povo o uso do canto gregoriano. É necessário. Se tais formas começassem novamente a infiltrar-se.COM. ora acompanhando ao canto. com vantagem verdadeira para a liturgia sagrada. no que ao povo tocar. referimo-nos ao órgão. Ressoem de novo nos templos só aqueles acentos do órgão que estão em harmonia com a majestade do lugar e com o santo perfume dos ritos. O tradicional instrumento da Igreja: o órgão VIII. e por outro a novidades musicais de alguns organistas. porque nenhum instrumento. salvas sempre as normas litúrgicas. a Igreja não tardaria um segundo a condená-las. Perigos do modernismo musical Também Nós desejamos que. a dos cantores e a do povo. e receba novos aperfeiçoamentos o quão se refere ao órgão. nem ainda o mais delicado e perfeito. vai ameaçando a pureza da santa missão a que o órgão está destinado a realizar na Igreja. A fim de que os fiéis tomem parte mais activa no culto divino. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. A PARTICIPAÇÃO DO POVO O povo de espectador deve passar a parte activa no canto litúrgico IX. A Igreja tem ademais o seu tradicional instrumento musical. que pela sua maravilhosa grandiosidade e majestade foi considerado digno de se enlaçar com os ritos litúrgicos. ora durante os silêncios dos coros e segundo as prescrições da Igreja. poderá alguma vez competir em vigor de expressão com a voz humana. se desenvolva cada dia mais.

dediquem toda a sua inteligente acção a restaurar a música sagrada segundo as normas da Igreja. também mereceu que Nós lhe outorgássemos o nosso especial favor. Deste modo sejam as comunidades de religiosos. mas verdadeiramente compreendedores e compenetrados da beleza da Liturgia. pois. ou apenas responde com um murmúrio fraco e confuso às orações mais comuns expressas na língua litúrgica e até em língua vulgar. Mas de maneira especialíssima queremos Nós aqui recordar e enaltecer a Escola Superior de Música Sacra(6). e acatando sempre as autoridades eclesiásticas. quer directamente. e à qual doou um novo e decoroso [=honroso] domicílio. que o nosso imediato antecessor Bento XV fervorosamente protegeu. se isto felizmente suceder. com a voz do sacerdote e a do coro. é indubitavelmente necessário que haja maestros. não haverá já mais que lamentar esse triste espectáculo em que o povo nada responde. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. mesmo em procissões e outros momentos solenes -. E isso será mesmo fácil de obter se esta instrução no canto litúrgico se der principalmente nas escolas. Porque. Para alcançar estes ditosos frutos. como coisa que está tão estreitamente unida à doutrina cristã. Apliquem-se activamente um e outro Clero. não como estranhos ou mudos espectadores.COM. formam sábios e meritíssimos maestros. esta catequese [institutionem] litúrgico-musical do povo.segundo as devidas normas e instruções. Igualmente confiamos que ajudarão não pouco a este fim as associações [societates] que nalgumas regiões. congregações piedosas e outras associações católicas. Institutos de música XI. a fomentar. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !95 . Formação musical. assistam às sagradas funções de tal modo que alternem a sua voz . ensinando com todo o esmero e diligência as musicais disciplinas. A este propósito. e que estes sejam muitíssimos. que os fiéis. quer por meio de pessoas entendidas. não podemos deixar de tributar as devidas exaltações àquelas Scholae e Institutos de Música fundados em muitas partes do mundo católico. com a guia e através do exemplo dos Bispos e Ordinários.BR verdade. de monjas e instituições femininas zelosas por conseguir este fim nos diversos estabelecimentos de educação que lhes estão confiados. instituição fundada por Pio X em Roma no ano de 1910. Esta Escola. e por isso a recomendamos calorosamente a todos os Ordinários do mundo. Ensino generalizado da música litúrgica X. enquanto preciosa herança que nos deixaram dois Papas.

em vez de abater. Mas quem não conhecerá as insignes obras mestras que deixaram à posteridade os Nossos Predecessores sem se deixarem arredar por dificuldade alguma. um acto legislativo como por exemplo a erecção de um bispado. Decanus Collegii Protonotariorum Apost. e isso cabalmente porque estavam imbuídos do fervor da piedade e do espírito litúrgico? E isto não é de espantar. decretando que esta Constituição Apostólica seja e permaneça sendo sempre de pleno valor e eficácia. Decreto Tudo isto Nós proclamamos. Dado em São Pedro de Roma. a Constituição Apostólica. declaramos e sancionamos. sem que obste nada em contrário. CAMILLUS Card.COM. deve muito mais excitar e elevar os ânimos dos Sagrados Pastores. é uma nova lei. FRÜHWIRTH. pois tudo o que emana da vida interior da Igreja transcende os mais perfeitos ideais desta vida terrena. FR. A dificuldade. R. desta santíssima empresa. pois. documento de importância e alcance gerais. R. a nomeação de um DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !96 . Pro Praefectus Ioseph Wilpert. Cancellarius S. nem contradizê-la com temerária audácia. Protonotarius Apostolicus. obtenha o seu efeito pleno. séptimo do nosso Pontificado. LAURENTI S. Notas (ausentes da versão latina) (1) O Motu Proprio deve considerar-se como uma recompilação de leis já dadas no transcurso dos séculos. A nenhum homem. Todos os quais. AUGUSTOCEZARCORNELIUS.BR Música sagrada maravilhosa do passado e vida interior Bem sabemos quanta inteligência e trabalho requer tudo o que acima ordenámos. E. lhe será lícito infringir esta Constituição por Nós promulgada. pois. prestarão ao Bispo supremo uma cooperação digníssima do seu ministério episcopal. secundando concorde e constantemente a nossa vontade. no quinquagésimo aniversário do nosso sacerdócio. C. em forma de Bula. Dominicus Spolverini. dia 20 de Dezembro de 1928. ANDREAS Card.

de cuja publicação se celebrou. dirige-se principalmente às pessoas que hão de executar a música sacra e logo aos que hão de vigiar a sua execução. consagrou esses termos na sua Regra. italiano (991-1033?). La) extraído das sílabas iniciais de cada hemistíquio do hino de São João Ut queant laxis. Sol. foi um monge benedictino que ficou na história da música como um dos mais importantes reformadores do sistema de notação musical. mais fácil de pronunciar (ainda que em França se continue a chamar por igual nome). o patriarca dos monges do Ocidente.porquanto estes representam nas suas respectivas dioceses a autoridade. Em 1029 retirou-se para o convento de Avellana.BR bispo. L. Migne. Ut foi sustituída no século XVII por Do. e obriga. em cerca de 1025 ingressou como maestro na escola catedralícia de Arezzo. ainda que de forma indirecta. e exige o cumprimento das disposições do Motu Proprio. no ano de 1928. Fa. em Ferrara. a promulgação de uma lei. A Constituição Apostólica. em primeiro lugar. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. Mi. Depois de ter terminado os estudos na abadia benedictina de Pomposa. também todos os fiéis. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !97 . o 25º aniversário. no qual possivelmente terá morrido em data imprecisa. (P. é dirigida directamente aos Bispos . onde sobressaiu no ensino da arte vocal e escreveu o seu tratado principal. naturalmente. ad Episcopos Galliarum. Re. não obstante. (3) "Obra de Deus" e "Ofício Divino" são termos que se empregam para significar as orações obrigatórias que o sacerdote deve elevar diariamente a Deus. o Micrologus de disciplina artis musicae. (4) Guido De Arezzo. responsáveis pela aplicação das leis eclesiásticas -. A nota Si formou-se quase um século e meio mais tarde com as maiúsculas do último verso. Conhecido também com o nome de Guido Aretinus. este documento. não se ocupa tanto da música sacra enquanto tal como dos problemas de organização. cuja nomenclatura (Ut ou Do. Patrol. 50. São Bento. lat. assinalando os meios necessários e convenientes pelos quais se chega a lograr a finalidade proposta pelo Motu Proprio de Pio X. sendo "instrução". 535. Por conseguinte. e são. (2) Epist. Este.). A Guido De Arezzo se deve a fórmula que permite memorizar a entoação precisa das notas do hexacordo maior. Teórico da música. o poder executivo. sendo lei.COM.

A 10 de Julho de 1914. com Rescrito da Secretaria de Estado. V das disposições. S. (6) A Escola Superior de Música Sacra foi fundada sob esta denominação em 1910 pela Associação Italiana de Santa Cecília. AAS. com o Motu Proprio de 22 de Novembro de 1922. S.COM. de 22- XI-1922 acha-se na AAS. (1920) 623-626. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. Pío XI confirmou a faculdade de conferir os graus académicos. S. Pío X aprovou-a com o Breve "Expleverunt" de 4 de Novembro de 1911. Hoje intitula-se Instituto Pontifício de Música Sacra. AAS. S. 3 (1911) 654-655. Abriu a 3 de Janeiro e S. 14. declarou-a "Pontifícia" e outorgou-lhe a faculdade de conferir os graus. Pio X dirigiu a "Epístola" Expleverunt desiderii Nostri. O Sumo Pontífice Bento XV outorgou-lhe como residência o Palácio do "Apollinare".BR (5) Monódia: Mús. S. 625. a faculdade de conferir títulos académicos vai no núm. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !98 . 4-XI-1911 ao Cardeal Rampolla um ano depois da fundação da Escola Superior de Música Sagrada. o Motu Proprio de Pio XI Ad musicae sacrae. Canto a uma só voz.

criada para o culto divino. As decisões do Concílio começaram já a ser postas em prática na renovação litúrgica recentemente iniciada. examinou cuidadosamente estes problemas e redigiu a presente instrução. 3. músicos e fiéis acolham com bom espírito estas normas e as ponham em prática. É de esperar que pastores. de modo que todos à uma se esforcem por conseguir o verdadeiro fim da Música Sacra. sobre a música na sagrada Liturgia. mas apenas estabelecer algumas normas principais. foi objecto de atento estudo no Concílio Vaticano II. no que respeita à renovação litúrgica. instituído pelo Sumo Pontífice para levar à prática a Constituição sobre a Sagrada Liturgia.BR INSTRUÇÃO "MUSICAM SACRAM" No dia 5 de Março de 1967 a Sagrada Congregação para os Ritos e o Concilium publicaram a Instrução Musicam Sacram. 2.[1] a) Entende-se por Música Sacra aquela que. que parecem nais oportunas de momento.COM.e publicada a 26 de Setembro de 1964 para regular correctamente a aplicação da Constiuição sobre a Sagrada Liturgia. é como que a continuação e o complemento da Instrução anterior desta Sagrada Congregação . Proémio 1. Por consequência. o Consilium.preparada por este mesmo Consilium . possui as qualidades de santidade e de perfeição de forma. Não pretende esta reunir toda a legislação sobre Música Sacra. Este esclareceu a sua função nos divinos ofícios. 4. A Música Sacra. que deverão resolver-se a fim de se conseguir uma melhor compreensão de alguns princípios da Constituição sobre a Sagrada Liturgia. "que é a glória de Deus e a santificação dos fiéis". onde lhe dedicou um capítulo inteiro.[2] DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !99 . promulgando princípios e leis sobre ela na Constituição sobre a Sagrada Liturgia. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. Mas as novas normas referentes à organização dos ritos sagrados e à participação activa dos fiéis levantaram problemas sobre a Música Sacra e sobre a sua função ministerial.

DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !100 . a música sagrada para órgão e outros instrumentos admitidos e o canto popular. mediante a união das vozes alcança-se mais profunda união dos corações. Entre a forma solene e mais plena das celebrações litúrgicas (em que se canta realmente tudo quanto exige canto) e a forma mais simples em que não se emprega o canto. toda a celebração prefigura com mais clareza a Liturgia santa da Nova Jerusalém. procurar-se-á. o Mistério da Sagrada Liturgia e o seu carácter hierárquico manifestam-se mais claramente.[4] Desta maneira. segundo a natureza do rito e as leis litúrgicas"[5] requer ainda que se observem bem o sentido e a natureza própria de cada parte e de cada canto. empregando o género e a forma pedidos pelo seu próprio carácter. hão-de esforçar-se por conseguir esta forma de celebração. ministro ou simples fiel.em que "cada um. portanto. se conservará de maneira apropriada a distribuição de ministérios e funções que caracteriza as acções sagradas realizadas com canto. sob a direcção do reitor da igreja. assim como se fomentará a participação activa do povo.BR b) Com o nome de Música Sacra designam-se aqui: o canto gregoriano. se cantem efectivamente. Para se conseguir isto. Algumas normas gerais 5. litúrgico e religioso. que haja os ministros necessários e capazes. 6. Uma organização autêntica da celebração litúrgica. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. como ao seu aspecto pastoral e musical. 7. Também nas celebrações sem canto. começar-se-á por aquelas que por sua natureza são de importância maior: em primeiro lugar. ao desempenhar o seu oficio. tanto no que se refere aos ritos. A preparação prática de cada celebração litúrgica far-se-á com espírito de colaboração entre todos os que nela hão-de intervir. a polifonia sagrada antiga e moderna nos seus vários géneros. pela beleza do sagrado. principalmente. é preciso antes de mais que os textos que por si mesmos devem ser cantados. para além da devida distribuição e desempenho das funções . finalmente. pode haver vários graus. A acção litúrgica reveste-se de maior nobreza quando é celebrada com canto: cada um dos ministros desempenha a sua função própria e o povo participa nela. mais facilmente o espírito se eleva ao invisível. a oração toma uma forma mais penetrante. fará tudo e só o que é da sua competência. na escolha das partes que se devem cantar. mas realizadas com o povo. conforme o canto tenha maior ou menor lugar. Todavia. Os pastores de almas.COM.[3] I.

sobretudo se se trata de acções litúrgicas mais solenes ou daquelas que exigem um canto mais difícil ou são transmitidas pela rádio ou pela televisão. Na selecção do género de Música Sacra. em conformidade com as normas tradicionais e especialmente com a Constituição sobre a Sagrada Liturgia. conforme a solenidade do dia e da assembleia. a execução de todas as suas partes segundo a sua natureza própria. Mas não se faça isto só por comodidade do sacerdote ou do ministro. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !101 . com resposta do povo. AUGUSTOCEZARCORNELIUS.BR por aquelas que devem ser cantadas pelo sacerdote ou pelos ministros. se mude ou se realize indevidamente algum dos elementos da acção litúrgica é contrário à sua verdadeira solenidade. podem recitar sem canto.[6] Se não puder fazer-se esta selecção e o sacerdote ou ministro não têm voz para cantar bem. mas com voz alta e clara. ou pelo sacerdote juntamente com o povo. Uma forma mais rica de canto e um desenvolvimento mais solene das cerimónias decerto que são desejáveis onde haja meios para bem os realizar.[8] 10. A fim de que os fiéis participem activamente com mais gosto e maior fruto. mas tudo quanto possa contribuir para que se omita. 11. quer dizer.COM. Compete exclusivamente à Sé Apostólica estabelecer os grandes princípios gerais. convém variar oportunamente. as formas de celebração e o grau de participação. ter-se-ão em conta as possibilidades dos que hão-de cantar. uma ou outra parte mais difícil das que lhes correspondem. contanto que corresponda ao seu espírito e à natureza de cada uma das suas partes [7] e não impeça a necessária participação activa do povo. pouco a pouco. que são como que o fundamento da Música Sacra. Tenha-se em conta que a verdadeira solenidade da acção litúrgica não depende de uma forma rebuscada do canto ou de um desenrolar magnificente das cerimónias. as que são próprias só do povo ou só do grupo de cantores. A Igreja não exclui das acções sagradas nenhum género de Música Sacra. quanto daquela celebração digna e religiosa que tem em conta a integridade da própria acção litúrgica. 9. tanto para o grupo de cantores como o povo. Sempre que possa fazer-se uma selecção de pessoas para a acção litúrgica que se celebra com canto. juntar-se-ão depois. 12. convém dar preferência àquelas que são mais competentes musicalmente. na medida do possível.

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A regulamentação da Música Sacra pertence também, segundo os limites
estabelecidos, às competentes assembleias territoriais de bispos legalmente
constituídas, assim como ao bispo.[9]

II. Os actores da celebração litúrgica

13. As acções litúrgicas são celebrações da Igreja, isto é, do povo congregado e
ordenado, sob a presidência do bispo ou de um presbítero.[10]
Ocupam na acção litúrgica um lugar especial: o sacerdote e seus ministros por
causa da Ordem Sagrada que receberam; por causa do seu ministério, os
ajudantes, os leitores, os comentadores e os que fazem parte do grupo de
cantores.[11]
14. O sacerdote preside à assembleia em representação de Cristo. As orações
que canta ou pronuncia em voz alta, uma vez que são ditas em nome de todo o
povo santo e de todos os que estão presentes,[12] devem ser escutadas
religiosamente por todos.
15. Os fiéis cumprem a sua acção litúrgica mediante a participação plena,
consciente e activa que a própria natureza da liturgia requer; esta participação é
um direito e um dever para o povo cristão, em virtude do seu Baptismo.[13]
Esta participação:
a) Deve ser antes de tudo interior; quer dizer que, por meio dela, os fiéis se
unem em espírito ao que pronunciam ou escutam e cooperam com a graça
divina.[14]
b) Mas a participação deve ser também exterior; quer dizer que a participação
interior deve expressar-se por meio de gestos e atitudes corporais, pelas respostas
e pelo canto.[15] Eduquem-se também os fiéis no sentido de se unirem
interiormente ao que cantam os ministros ou o coro, de modo que elevem os
seus espíritos para Deus, enquanto os escutam.
16. Nada mais festivo e mais desejável nas acções sagradas do que uma
assembleia, que, toda inteira, expressa a sua fé e a sua piedade por meio do
canto. Por conseguinte, a participação activa de todo o povo a expressar-se no
canto, há-de promover-se diligentemente da seguinte maneira:
a) inclua em primeiro lugar as aclamações, as respostas à saudação do
celebrante e dos ministros e às orações litânicas; e ainda as antífonas e os salmos;
e também os; versículos intercalares ou refrão que se repete, assim como os
hinos e os cânticos;[16]

DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !102

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b) por meio de uma catequese e de uma pedagogia adaptadas, levar-se-á
gradualmente o povo a participar cada vez mais nos cânticos que lhe
pertencem, até alcançar a participação plena;
c) no entanto, alguns cânticos do povo, sobretudo se os fiéis não estão ainda
suficientemente instruídos ou se se empregam composições musicais a várias
vozes, poderão confiar-se só ao coro, desde que não se exclua o povo das outras
partes que lhe correspondem. Não deve aprovar-se a prática de confiar só ao
grupo de cantores o canto de todo o Próprio e de todo o Ordinário, excluindo
totalmente o povo da participação cantada.
17. Observar-se-á também, na altura própria, um silêncio sagrado.[17] Por
meio deste silêncio, os fiéis não se vêem reduzidos a assistir à acção litúrgica
como espectadores mudos e estranhos, mas são associados intimamente ao
Mistério que se celebra, graças àquela disposição interior que nasce da Palavra
de Deus escutada, dos cânticos e das orações que se pronunciam e da união
espiritual com o celebrante nas partes por ele ditas. 18. Entre os fiéis, com
cuidado especial, sejam formados no canto sagrado os membros das associações
religiosas de leigos, de modo a que possam contribuir mais eficazmente para a
conservação e promoção da participação do povo.[18] A formação de todo o
povo no canto será desenvolvida séria e pacientemente ao mesmo tempo que a
formação litúrgica, segundo a idade dos fiéis, a sua condição, o seu género de
vida e o seu nível de cultura religiosa, começando logo nos primeiros anos de
formação nas escolas elementares.[19]
19. O coro - ou "Capela musical", ou "Schola Cantorum" - merece uma
atenção especial pelo ministério litúrgico que desempenha.
A sua função, segundo as normas do Concílio relativas à renovação litúrgica,
alcançou agora uma importância e um peso maiores. É a ele que compete
assegurar a justa interpretação das partes que lhe pertencem conforme os
distintos géneros de canto e promover a participação activa dos fiéis no canto.
Por conseguinte:
a) Ter-se-á um Coro, ou "Capella", ou "Schola Cantorum", e dele se cuidará
com diligência, sobretudo nas catedrais e outras igrejas maiores, nos Seminários
e nas Casas de Estudo dos religiosos;
b) É igualmente oportuno estabelecer tais coros, mesmo modestos, nas igrejas
pequenas. 20. As "Capelas musicais" existentes nas basílicas, catedrais, mosteiros
e demais igrejas maiores que adquiriram grande renome através dos séculos
conservando e cultivando um tesouro musical de valor incomparável, serão

DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !103

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conservadas segundo as suas normas próprias e tradicionais, aprovadas pelo
Ordinário do lugar, para tornar mais solenes as acções sagradas.
Os mestres de capela e os reitores das igrejas cuidem, no entanto, de que o povo
sempre se associe ao canto, ao menos nas peças fáceis que lhe pertencem.
21. Procure-se, sobretudo onde não haja possibilidades de formar ao menos um
pequeno coro, que um ou dois cantores bem formados possam assegurar alguns
cânticos mais simples com participação do povo e dirigir e aguentar o canto dos
fiéis.
Este cantor deve igualmente existir nas igrejas que podem contar com um coro,
a fim de que nas ocasiões em que o coro não pode intervir se assegure alguma
necessária solenidade e, portanto, o canto.
22. O grupo de cantores pode constar, conforme os costumes de cada país e as
circunstâncias, quer de homens e crianças, quer só de homens ou só de crianças,
quer de homens e mulheres, quer, onde seja de verdade conveniente, só de
mulheres.
23. Os cantores, tendo em conta a disposição da igreja, situem-se de tal maneira
que:
a) apareça claramente a sua função, a saber, que fazem parte da assembleia dos
fiéis e realizam uma função peculiar;
b) a realização do seu ministério litúrgico se torne mais fácil;[20]
c) a cada um dos seus membros se torne mais possível a plena participação na
missa quer dizer, a participação sacramental.
Quando neste grupo houver mulheres, tal grupo deve ficar fora do presbitério.
24. Além da formação musical, dar-se-á aos membros do coro uma formação
litúrgica e espiritual adaptadas de modo que, ao desempenhar perfeitamente a
sua função litúrgica, não se limitem a dar maior beleza à acção sagrada e um
excelente exemplo aos fiéis mas adquiram também eles próprios um verdadeiro
fruto espiritual.
25. Para se conseguir mais facilmente esta formação, tanto técnica como
espiritual, devem prestar a sua colaboração as associações de Música Sacra
diocesana, nacionais e internacionais, sobretudo aquelas que foram aprovadas e
repetidas vezes recomendadas pela Sé Apostólica.
26. O sacerdote, os ministros sagrados e os ajudantes, o leitor, os que pertencem
ao coro e o comentador pronunciarão os textos que lhes dizem respeito de
forma bem inteligível para que a resposta do povo, quando o rito o exige, resulte
mais fácil e natural. Convém que o sacerdote e os ministros de qualquer grau

DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !104

AUGUSTOCEZARCORNELIUS.COM.BR

unam a sua voz à de toda a assembleia dos fiéis nas partes que pertencem ao
povo.[21]

III. O canto na celebração da missa

27. Para a celebração da Eucaristia com o povo, sobretudo nos domingos e
festas, há-de preferir-se na medida do possível a forma de missa cantada, até
várias vezes no mesmo dia. 28. Conserve-se a distinção entre missa solene, missa
cantada e missa rezada estabelecida na Instrução de 1958 (n. 3), segundo as leis
litúrgicas tradicionais e em vigor. No entanto, para a missa cantada e por razões
pastorais propõem-se aqui vários graus de participação para que se torne mais
fácil, conforme as possibilidades de cada assembleia, melhorar a celebração da
missa por meio do canto.
O uso destes graus de participação regular-se-á da maneira seguinte: o primeiro
grau pode utilizar-se só; o segundo e o terceiro não serão empregados, íntegra
ou parcialmente, senão unidos com o primeiro grau. Deste modo, os fiéis serão
sempre orientados para uma plena participação no canto.
29. Pertencem ao primeiro grau:
a) nos ritos de entrada:
- a saudação do sacerdote com a resposta do povo;
- a oração;
b) na liturgia da Palavra:
- as aclamações ao Evangelho;
c) na liturgia eucarística:
- a oração sobre as oblatas,
- o prefácio com o respectivo diálogo e o "Sanctus",
- a doxologia final do cânone,
- a oração do Senhor - Pai nosso - com a sua admonição e embolismo,
- o "Pax Domini",
- a oração depois da comunhão,
- as fórmulas de despedida.
30. Pertencem ao segundo grau:
a) "Kyrie", "Glória" e "Agnus Dei";
b) o Credo;
c) a Oração dos Fiéis.
31. Pertencem ao terceiro grau:

DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !105

segundo as normas habituais. b) o cântico depois da leitura ou Epístola. desde que o povo não fique totalmente excluído da participação no canto. ter-se-á em conta o seguinte: o símbolo é uma fórmula de profissão de fé e convém que o cantem todos ou que se cante de uma forma que permita uma conveniente participação dos fiéis. O Pai nosso. A prática legitimamente em vigor em alguns lugares e muitas vezes confirmada por indultos. Nos outros casos. quanto possível. e) as leituras da Sagrada Escritura. de utilizar outros cânticos em lugar dos cânticos de entrada.BR a) os cânticos processionais da entrada e comunhão. podem ser interpretados pelo coro. Convém que a assembleia dos fiéis. Essa mesma Autoridade territorial deve aprovar os textos desses cânticos. o Sanctus é uma aclamação conclusiva do prefácio e convém que habitualmente o cante a assembleia juntamente com o sacerdote. pode conservar-se a juízo da Autoridade territorial competente. Os cânticos chamados "Ordinário da Missa". ofertório e comunhão previstos pelo "Graduale Romanum".COM. 33. deve executar-se estando todos sentados e escutando. o Agnus Dei pode repetir-se quantas vezes for necessário. na medida do possível. Dentro do Próprio tem particular importância o cântico situado depois das leituras em forma de Gradual ou de Salmo responsorial. ou acompanhamento de instrumentos. contanto que esses cânticos estejam de acordo com as partes da missa e com a festa ou tempo litúrgico. tomando parte nele. é bom que o diga o povo juntamente com o sacerdote. a não ser que se julgue mais oportuno proclamá-las sem canto. quando acompanha a fracção. empreguem-se as melodias oficiais já existentes. 34. melhor ainda. "a Capella". as peças do Ordinário da missa podem distribuir-se entre o coro e o povo ou também entre duas partes do mesmo povo. Por sua natureza é uma parte da liturgia da Palavra: por conseguinte. mas se for DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !106 . d) o cântico do ofertório. c) o "Alleluia" antes do Evangelho. sobretudo com respostas fáceis ou outras formas musicais adaptadas. Mas nestes casos. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. participe nos cânticos do próprio. sobretudo na concelebração. 32. assim se pode alternar seguindo os versículos ou outras divisões convenientes que distribuem o conjunto do texto por secções mais importantes. se forem cantados a vozes.[22] Se for cantado em latim. convém que o povo participe neste cântico ao menos com a invocação final. 35.

aos domingos e dias festivos. de modo que pouco a pouco se sintam como que conduzidos pela mão a apreciar e a praticar mais a oração pública da Igreja.[23] recomenda-se encarecidamente esta forma aos que têm de cumprir o ofício divino no coro ou em comum. os hinos. permanecendo o direito vigente para aqueles que têm obrigação de coro e também os indultos particulares. os versículos e os cânticos. Também os demais clérigos que vivam em comum por razão dos seus estudos ou que se reunam para fazer exercícios espirituais ou noutras reuniões. 36. santifiquem oportunamente as suas assembleias mediante a celebração cantada de algumas partes do ofício divino. à comunhão e no final da missa. IV. por sua natureza. A celebração cantada do oficio divino é a que mais se adapta à natureza desta oração e indício de maior solenidade e de mais profunda união dos corações no louvor do Senhor. recitando o restante.COM. O canto no Ofício Divino 37. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !107 . reclamem mais directamente o canto. conforme o desejo expresso pela Constituição da Sagrada Liturgia. Nada impede que nas missas rezadas se cante alguma parte do próprio ou do ordinário. pode seguir-se o princípio de uma solenização progressiva. nalgumas partes do ofício divino. Mais ainda: algumas vezes pode executar-se também outro cântico diferente ao princípio. interpretados no seu sentido cristão. Convém que estes cantem ao menos alguma parte do ofício divino e antes de tudo as horas principais. graças a uma boa formação. De maneira geral. Laudes e Vésperas. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. a empregar na sua oração os salmos.BR cantado em língua vernácula. principalmente aos domingos e dias festivos. isto é. conduzir-se-ão os fiéis. Os fiéis devem ser convidados e formados com a necessária catequese a tomar parte em comum. em especial as Vésperas. segundo os costumes dos lugares e das assembleias. 38. é necessário que esteja de acordo com as partes da missa e com a festa ou tempo litúrgico. mas não basta que este cântico seja "eucarístico". como sejam os diálogos. Na celebração cantada do ofício divino. cantando antes de mais as partes que. as melodias devem ser aprovadas pela autoridade territorial competente. 39. em especial os mais cultivados. ao ofertório. ou outras horas.

Assim. para obterem riquezas mais abundantes e crescerem na sua vida espiritual. caracterizada pela presença e activa participação dos fiéis. não se introduza na celebração nada que seja puramente profano ou pouco compatível com o culto divino. para participarem mais plenamente na oração pública da Igreja. os clérigos. os casamentos.quanto possível . esta deve preferir-se a uma celebração individual e como que privada desses ritos. Como declarou o Concílio. celebrar-se-ão com canto os sacramentos e sacramentais que têm particular importância na vida de toda a comunidade paroquial. sempre que os ritos comportam. uma celebração comunitária. Esta educação deve dar-se em particular aos membros dos Institutos que professam os conselhos evangélicos. No entanto. já que põe em especial relevo este carácter "eclesial" da celebração. a título de solenidade. isto se aplica em especial à celebração do matrimónio. mediante a celebração do Mistério Pascal. etc. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. nas sagradas celebrações da palavra de Deus e nos exercícios de piedade 42. cuidar-se-á especialmente que. E convém que.cantem as horas principais. V. Esta festividade dos ritos permitirá a sua maior eficácia pastoral. solenizem-se os sagrados ritos da Semana Santa. tanto por parte dos fiéis como das religiosas e dos membros de outros Institutos que professam os conselhos evangélicos e não são clérigos. conservem a língua latina. na medida do possível.COM. segundo a natureza particular de cada um. rezem e até . 43. Mas sobretudo. em acções especiais do ano litúrgico. como sejam as confirmações. Conforme a Constituição da Sagrada Liturgia e a tradição secular do rito latino. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !108 . as ordenações. 41. Igualmente se solenizarão com o canto aquelas celebrações a que a Liturgia concede especial relevo ao longo do Ano Litúrgico.A música sacra na celebração dos sacramentos e sacramentais. na celebração do ofício divino em coro. as consagrações de igrejas ou altares. visto que a mesma Constituição sobre a Sagrada Liturgia " prevê o uso da língua vernácula no ofício divino. 44.BR 40. os funerais.[24] Mas.[26] Deste princípio se deduz logicamente que se deve dar grande importância ao canto. procure-se preparar melodias que se utilizem no canto do ofício divino em língua vernácula.

mesmo em língua vernácula. salvo direito particular.BR os fiéis são conduzidos como que ao coração do Ano Litúrgico e da própria Liturgia. Os pastores de almas cuidarão de que. assim como o toque de órgão e de outros instrumentos apropriados. os fiéis sejam capazes também de recitar ou cantar juntos em latim as partes do Ordinário da missa que lhes pertencem. os Ordinários julgarão se é oportuno manter uma ou mais missas celebradas em DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !109 .[32] Observando exactamente estas normas. Onde já se introduziu o uso do vernáculo na celebração da missa.[31] "será da incumbência da competente autoridade eclesiástica territorial determinar se deve usar-se a língua vernácula e em que extensão. os cânticos religiosos populares. Conforme a Constituição sobre a Sagrada Liturgia. Nas celebrações da Palavra de Deus [27] tomar-se-á como modelo a Liturgia da Palavra da missa. Seguir-se-ão para isso as orientações dadas pela autoridade competente e ter-se- ão em conta as possibilidades de cada assembleia. A língua a empregar nas acções litúrgicas celebradas com canto e a conservação do tesouro da música sacra 47. A música sacra é também de grande eficácia para alimentar a piedade dos fiéis nas celebrações da Palavra de Deus e nos "pia et sacra exercitia". as obras de música sacra do tesouro antigo e moderno. sobretudo. confirmadas pela Sé Apostólica".[30] Mas como o "uso da língua vernácula é muito útil ao povo em não poucas ocasiões". 45. estas decisões têm de ser aceites. desenvolver o espírito religioso e ajudar à meditação do Mistério Sagrado. empregar-se-á. entretanto. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. Nestes mesmos "pia et sacra exercitia" e principalmente nas celebrações da Palavra poderão muito bem admitir-se certas obras musicais que já não encontram lugar na Liturgia. mas que podem. pois. a forma de participação que melhor corresponda às possibilidades de cada assembleia. solenidade maior.[28] nos "pia et sacra exercitia" serão muito úteis. os salmos. isto é.COM.[29] VI. conservar-se-á o uso da língua latina nos ritos latinos. hão-de preparar-se melodias apropriadas que permitam dar à celebração. 46. Para a Liturgia dos sacramentos e sacramentais e para as demais celebrações particulares do Ano Litúrgico.[33] 48. além da língua vernácula.

especialmente a missa cantada . sejam do tesouro musical tradicional ou novas.[37] Deve promover-se antes de mais o estudo e a prática do canto gregoriano. dada por esta Sagrada Congregação dos Ritos em 23 de Novembro de 1965. Por isso. nada impede que numa mesma celebração algumas peças se cantem em língua diferente. AUGUSTOCEZARCORNELIUS.[34] Empreguem-se oportunamente para isso as melodias que se encontram nas edições típicas. nos Institutos Superiores especialmente destinados a isto. mas. Os membros dos Institutos que professam os conselhos evangélicos observem nisto as normas das letras apostólicas "Sacrificium Laudis" de 15 de Agosto de 1966 e da instrução sobre a língua a usar pelos religiosos na celebração do ofício divino e da missa conventual ou comunitária.se grande importância nos Seminários. à formação e prática musical". 50. pelas suas qualidades próprias. Nas acções litúrgicas com canto que se celebram em latim: a) O canto gregoriano. "devem apresentar as características da verdadeira música sacra e não estar só ao alcance das maiores DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !110 . b) "Convém preparar uma edição com melodias mais simples para uso das igrejas menores". além da sua utilização nas acções litúrgicas celebradas em latim podem sem inconveniente ser utilizadas também naquelas que se realizam em vernáculo. As novas composições de Música Sagrada devem adequar-se plenamente aos princípios e às normas expostos acima.em algumas igrejas. em igualdade de circunstâncias ocupará o primeiro lugar. bem como noutros institutos e escolas católicas. 52. a utilidade pastoral dos fiéis e o carácter de cada língua. 53. sobretudo.[35] c) As outras composições musicais escritas a uma ou várias vozes.[36] 51.BR latim .COM. os pastores de almas julgarão se as peças do tesouro de Música Sacra compostas no passado para textos latinos. sobretudo nas grandes cidades. favorecidas e utilizadas conforme se julgue oportuno. 49. Para conservar o tesouro da Música Sacra e promover devidamente novas criações. já que. Tendo em conta as condições locais. continua a ser uma base de grande valor para o cultivo da Música Sagrada. "dê. Noviciados e casas de estudo de religiosos de ambos os sexos. No que se refere ao uso da língua latina ou da vernácula nas sagradas celebrações dos Seminários observem-se as normas da Sagrada Congregação dos Seminários e Universidades sobre a formação litúrgica dos alunos. Com efeito. serão tratadas com honra. como próprio da Liturgia romana. que reúnam suficiente número de fiéis de línguas diversas.

55.COM. Depois. A autoridade territorial competente cuidará. quer as cantem com a assembleia dos fiéis ou as dialoguem com ela.os peritos cuidarão de assegurar bem a fidelidade ao texto latino com a aptidão para o canto do texto em língua vernácula. Entre as melodias que devem preparar-se para os textos em vernáculo têm uma especial importância aquelas que pertencem ao sacerdote e aos ministros. haja peritos nas disciplinas citadas. Ao estabelecer as traduções populares que hão-de ser musicadas - especialmente a tradução do saltério . mas poder também ser cantadas pelos coros mais modestos e favorecer uma participação activa de toda a assembleia dos fiéis". A preparação de melodias para os textos elaborados em vernáculo 54. de que na Comissão encarregada de elaborar as traduções populares. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. a sua colaboração deve principiar logo nos começos do trabalho. pôr-se-ão em relevo em primeiro lugar as obras que respondam às exigências da renovação litúrgica. 56. podem sugerir soluções para executar estes mesmos textos em língua vernácula. Quanto às composições que não respondam à natureza da Liturgia ou à celebração Pastoral da Acção Litúrgica serão oportunamente trasladadas para os "pia exercitia" e. como em língua vernácula. em língua latina. mesmo que apresentem algumas variantes em relação às traduções litúrgicas oficiais em vigor. Ao elaborá-las.BR "Schola Cantorum".[38] No que se refere ao tesouro musical tradicional.[39] VII. aos quais estejam ligadas melodias tradicionais. Respeitar-se-ão o carácter e as leis de cada língua. para as celebrações da Palavra de Deus. quer as executem sós. juntamente com as leis da Música Sacra. melhor ainda. os músicos hão-de ter muito presentes estes dados.[40] DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !111 . Pertencerá à autoridade territorial competente decidir se podem utilizar-se ainda determinados textos em língua vernácula procedentes de épocas anteriores. As novas melodias destinadas ao sacerdote e aos ministros devem ser aprovados pela autoridade territorial competente. ter-se-ão em conta também os costumes e o carácter peculiar de cada povo: na preparação das novas melodias. os músicos devem verificar se as melodias tradicionais da língua latina. já utilizadas para o mesmo fim. pois. 57. os peritos especialmente competentes neste assunto estudarão cuidadosamente se outras peças podem adaptar-se a estas mesmas exigências.

se façam nas igrejas coisas que desdigam da santidade do lugar. por sua vez. 60. As Conferências Episcopais interessadas cuidarão que haja uma tradução apenas para uma mesma língua. o canto popular e o carácter simbólico do povo para o qual trabalham. AUGUSTOCEZARCORNELIUS.[41] e as obras novas. deve evitar-se que. naquelas regiões que possuam tradição musical própria. tanto a Liturgia e a tradição musical da Igreja. da dignidade da acção litúrgica e da piedade dos fiéis. A música sacra instrumental 62. necessitam evidentemente da experiência para chegar a uma suficiente maturidade e perfeição. de associar o sentido das realidades sagradas com o espírito. de modo nenhum indignas das antigas obterão. 61. VIII. quer acompanhem o canto. Os músicos abordarão este novo trabalho com o desejo de continuar uma tradição que proporcionou à Igreja um verdadeiro tesouro para a celebração do culto divino. sobretudo nos países de missão. Os que se consagram a este trabalho devem conhecer suficientemente. As novas melodias que se hão-de compor para os textos em língua vernácula. quer intervenham sós. na medida do possível. Os instrumentos musicais podem ser de grande utilidade nas celebrações sagradas." DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !112 .COM. 59. as tradições e o carácter simbólico de cada um destes povos. a ser utilizada nas diversas regiões onde se fala essa língua. como instrumento musical tradicional e cujo som é capaz de dar às cerimónias do culto um esplendor extraordinário e elevar poderosamente o espírito para Deus e para as realidades celestiais.BR 58. os seus géneros e as suas características. um ou vários tons comuns para as peças que dizem respeito ao sacerdote e aos ministros. Não obstante. exigirá dos peritos uma preparação especial:[42] trata-se. "Tenha-se em grande apreço na Igreja latina o órgão de tubos. com efeito. sob pretexto de ensaiar. A adaptação da música nas celebrações. mas considerarão também com atenção as novas leis e as novas necessidades da liturgia: deste modo "as novas formas como que surgirão organicamente a partir das já existentes". como a língua. o seu lugar no tesouro musical. Examinarão as obras do passado. Convém também que existam. assim como para as respostas e aclamações do povo: assim se facilitará a participação comum dos que falam um mesmo idioma.

contanto que esses instrumentos estejam adaptados ou sejam adaptáveis ao uso sacro. 63. não desdigam da dignidade do templo e favoreçam realmente a edificação dos fiéis". 67. Todo o instrumento se deve calar quando o sacerdote ou um ministro pronunciam em voz alta um texto que lhes pertença por sua função própria. durante o Tríduo Sagrado e nos ofícios ou missas de defuntos. O emprego de instrumentos no acompanhamento dos cânticos pode ser bom para sustentar as vozes. Pode tocar-se em solo antes da chegada do sacerdote ao altar. ao ofertório. Mas o som dos instrumentos jamais deve cobrir as vozes ou dificultar a compreensão do texto. nas demais acções sagradas.BR "Podem utilizar-se no culto divino outros instrumentos. durante a comunhão e no final da missa. enriqueçam a celebração segundo a verdadeira natureza de cada um aos seus elementos e favoreçam a participação dos fiéis. [45] IX. As comissões erectas para desenvolvimento da música sacra DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !113 . facilitar a participação e tornar mais profunda a unidade da assembleia. Os instrumentos que. Nas missas cantadas ou rezadas pode utilizar-se o órgão. No admitir de instrumentos e na sua utilização ter-se-ão em conta o carácter e os costumes de cada povo. A mesma regra se pode aplicar.[44] Todo o instrumento admitido no culto se utilizará de forma que corresponda às exigências da acção litúrgica. segundo o comum sentir e o uso normal. mesmo ao improvisar. mas conheçam e estejam intimamente penetrados pelo espírito da Liturgia para que. 66. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. O toque a solo destes instrumentos não é permitido durante o tempo do Advento e da Quaresma. serão excluídos de toda a acção litúrgica. ou qualquer outro instrumento legitimamente admitido para acompanhar o canto do coro e do povo.COM. sirva à beleza do culto e à edificação dos fiéis. 64. segundo o parecer e com o consentimento da autoridade territorial competente. ao exercer o seu ofício. 65. assim como dos "pia et sacra exercitia". É muito para desejar que os organistas e demais instrumentistas não sejam apenas peritos no instrumento que lhes é confiado. só são adequados para a música profana. adaptando-a correctamente.

Interessará que esta Comissão esteja em relação não só com as Comissões Diocesanas. 69. Sacrosanctum Concilium. Assim. 28. que possa realizar um plano de acção comum e agrupar as forças em ordem a um melhor resultado. II.mo. neste caso será constituída por peritos em ambas as disciplinas. S. deverão existir em cada diocese. Inst. Recomenda-se vivamente que onde pareça de maior utilidade várias dioceses de uma mesma região constituam uma comissão única. Conc. estabelecendo ao mesmo tempo que entraria em vigor no dia 14 de Maio de 1967. 112. n. Const. Frequentemente interessará inclusive que as duas comissões estejam reunidas numa só. II. O Sumo Pontífice Paulo VI aprovou a presente Instrução na audiência concedida ao Em. Musica sacra et sacra Liturgia. Vat. Motu próprio Tra le sollecitudini. n. II.BR 68. trabalharão. Congr. Referências [1] Conc. n. S. constará também de músicos peritos. Prefeito desta Sagrada Congregação. no dia 9 de Fevereiro de 1967. Set. 28. 116. 113. [3] Cf. de que se fala no artigo 44 da Constituição. assim se facilitará o progresso desejado. Inst. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. 1958). por conseguinte. II. [2] Cf. pois. dos Ritos. n. e na medida do possível. Vat. Sacrosanctum Concilium. 1958). [4] Conc. confirmou com a sua autoridade e mandou publicá-la. Sr. Const. n. Domingo de Pentecostes. Const. Cardeal Arcádio Maria Larraona. Vat. Sacrosanctum Concilium. 1903): AAS 36 (1903-1904) 332. Congr. 4 (3. Vat. Pio X. [6] S. [7] Conc. 95 (3. [8] Conc. A Comissão de Liturgia que as Conferências Episcopais devem estabelecer para ser consultada conforme as necessidades. Const. n. unindo os seus esforços aos da Comissão de Liturgia. [5] Cf. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !114 . As Comissões Diocesanas de Música Sacra trazem uma contribuição de grande valor para o progresso na diocese da música sacra de acordo com a pastoral litúrgica. Vat. Set.COM. Const. Musica sacra et sacra Liturgia. n. Sacrosanctum Concilium. dos Ritos. como com as demais associações que se ocupem da música na mesma região e o mesmo se diz do Instituto de Pastoral Litúrgica.[46] velará também pela música sacra. II. n. Nov. Sacrosanctum Concilium. 2 (22.

Inter oecumenici. n. [39] Cf. de Set. ibid. II. Const. n. [29] Cf. 30. 58). 116. dos Ritos. Sacrosanctum Concilium. Sacrosanctum Concilium. Const. II. Inter oecumenici. [18] Cf. 117. Sacrosanctum Concilium. [12] Conc. nn. ibid. [34] Conc. ibid. II. Congr. [11] Conc. 23. Inst. [20] S. 101. Conc. [36] Cf. n.. [42] Cf. 36 § 2. 115. S. 106-108 (3. Const. Const. Sacrosanctum Concilium. [31] Ibid. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. [22] Cf.n. 19 e 59. n. Vat. n. n.COM. 46 desta Instrução. 119. dos Ritos. n. S. Const. Inst. ibid. Sacrosanctum Concilium. Vat. nn. [41] Conc. [27] Cf. [38] Cf. dos Ritos. Sacrosanctum Concilium. 36. Sacrosanctum Concilium. 101. 44. Const. Vat. II. Conc. [40] S. [35] Ibid. [19] Cf. Sacrosanctum Concilium. n. 54. n. II. 59. 97. 37. n. [21] Cf.. Const. 30. Vat. 42. II. Inter oecumenici. Const.. n. [10] Conc. Const. n. II. 19. Musica sacra et sacra Liturgia. Sacrosanctum Conciliam. [33] Ibid. Sacrosanctum Conciliam. n. Lumen gentium. Const. dos Ritos. U. [16] Cf. Vat. II. Const. Vat. Sacrosanctum Concilium. Inst. n. [23] Cf. § 1. dos Ritos. ibid. n. n. 14. 99. ibid. Const. n. II. Congr. Const. Conc. Const.. Congr. n. Vat.. S. 29. Vat... 121. dos Ritos. Sacrosanctum Concilium. nn. [25] Cf. II. 48 g.. 26 e 41-42. 48 b. Vat. [30] Conc. [26] Cf. nn. Congr. 28. Vat. Vat. Inst. S. 85. Inst. § 2 e 3. Inter oecumenici. [15] Cf. II. n. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !115 .. n. Vat. 116. II. Congr. Conc. Conc. ibid. Sacrosanctum Concilium. [37] Cf. II. Inst. Sacrosanctum Concilium. Vat. n. Inst.. ibid.BR [9] Conc. 11. [24] Cf. n. Vat.. Congr. Vat. II. n. Inter oecumenici. II. Conc. [46] Cf. n. 53 desta Instrução. [14] Conc. Const. 27. n. II. 33. Sacrosanctum Concilium. n. Conc. n. [17] Cf. Const. 30. S. 37-39. n. Sacrosanctum Concilium. dos Ritos. § 1. n. Const. Const. Congr. 22. Vat. Inter oecumenici. n. [28] Cf. n. n. Conc. Sacrosanctum Concilium. Vat. [13] Conc. n.

S. dos Ritos.COM. 70 (3. Congr. [44] Cf.BR [32] Ibid. Inst. 120. n. de Set 58). nn.. Musica sacra et sacra Liturgia. n. [45] Cf. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !116 . [43] Ibid. 36 § 3. n. 24-25 desta Instrução. AUGUSTOCEZARCORNELIUS..

seja frutuosa para as comunidades eclesiais.COM. organizado pelo Pontifício Conselho para a Cultura e pela Congregação para a Educação Católica. Meio século depois da Instrução Musicam sacram. 4 de março de 2017 Estimados irmãos e irmãs! É com prazer que me encontro com todos vós. tanto DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !117 . na reflexão comum sobre a música sacra e particularmente sobre os seus aspetos culturais e artísticos. numa ótica interdisciplinar e ecuménica. De grande relevo foi também a reflexão sobre a formação estética e musical. em colaboração com o Pontifício Instituto de Música Sacra e o Pontifício Instituto Litúrgico do Ateneu Santo Anselmo. este congresso quis aprofundar. Faço votos a fim de que a experiência de encontro e de diálogo vivida nestes dias. entre o repertório musical adotado e utilizado pela comunidade cristã e as tendências musicais predominantes. a começar pelo Cardeal Gianfranco Ravasi. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. Saúdo cordialmente todos vós. a quem agradeço a sua introdução. a relação atual entre a música sacra e a cultura contemporânea.BR DISCURSO DO PAPA FRANCISCO AOS PARTICIPANTES NO CONGRESSO INTERNACIONAL DE MÚSICA SACRA Sala Clementina Sábado. vindos a Roma de vários países para participar no Congresso sobre «Música e Igreja: culto e cultura cinquenta anos depois da Instrução Musicam sacram».

Para concretizar as linhas fundamentais traçadas pela Constituição. o Documento salienta várias vezes a importância da participação de toda a assembleia dos fiéis. Ainda é de grande atualidade a premissa da mencionada Instrução: «A ação litúrgica reveste-se de maior nobreza quando é celebrada com o canto: cada um dos ministros desempenha a função que lhe é própria e o povo participa. através do esplendor das realidades sagradas. O primeiro documento emanado pelo Concílio Vaticano ii foi exatamente a Constituição sobre a Liturgia Sacrosanctum concilium. 5). as palavras e os sinais. e mais diretamente nas scholae cantorum. na qual o Senhor se torna presente no DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !118 . mediante a união das vozes alcança-se uma união mais profunda dos corações. 11). Por conseguinte. toda a celebração prefigura com maior clareza a sagrada Liturgia que se celebra na Jerusalém celeste» (n. houve diversas e significativas intervenções pontifícias que orientaram a reflexão e o compromisso pastoral. a oração adquire uma forma mais jubilosa. o espírito eleva-se mais facilmente até às realidades celestiais. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. Seguindo as indicações conciliares. na «teofania» que se realiza em cada celebração eucarística. Desta maneira. como dos leigos comprometidos na vida pastoral. quanto de uma celebração digna e religiosa» (n. entre as quais precisamente uma sobre a música sacra. consciente e plena».BR do clero e dos religiosos. Os Padres conciliares conheciam bem a dificuldade que os fiéis tinham em participar numa liturgia da qual já não compreendiam plenamente a linguagem. realçando também de maneira muito clara que a «verdadeira solenidade da ação litúrgica não depende tanto de uma forma rebuscada do canto ou de uma celebração magnificente das cerimónias. Desde 2 então. foram emanadas algumas Instruções.COM. trata-se antes de tudo de participar intensamente no Mistério de Deus. o Mistério da sagrada Liturgia e a sua natureza hierárquica manifestam-se mais claramente. definida «ativa. finalmente. embora não tenham sido redigidos novos documentos magisteriais sobre esta temática.

de vários modos. chamado a participar realmente na salvação atuada por Cristo morto e ressuscitado. trabalham neste setor. utilizando-a com equilíbrio no presente e evitando o risco de uma visão nostálgica ou «arqueológica». em detrimento da beleza e da intensidade das celebrações litúrgicas. em compreender o seu sentido.COM. superficialidade e banalidade. Sem dúvida. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. a participação ativa e consciente consiste em conseguir entrar profundamente neste Mistério. Por isso. É nesta perspetiva que se desenvolve a reflexão sobre a renovação da música sacra e a sua preciosa contribuição. maestros e coristas das scholae cantorum e animadores da liturgia podem oferecer uma contribuição preciosa para a renovação. no diálogo com as correntes DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !119 . da música sacra e do canto litúrgico. Por outro lado. Portanto. Às vezes chegou a predominar uma certa mediocridade. inclusive em quantos se preparam para se tornar sacerdotes. de formas e de géneros musicais. os vários protagonistas deste setor. de forma particular graças ao silêncio religioso e à «musicalidade da linguagem com que o Senhor nos fala» (Homilia em Santa Marta. Sob um certo ponto de vista. Para favorecer este percurso. criando inclusive um oportuno clima emotivo. A tal propósito. sons e harmonias que façam vibrar o coração dos nossos contemporâneos. em saber contemplá-lo.BR meio do seu povo. é necessário promover uma adequada formação musical. o encontro com a modernidade e a introdução das línguas faladas na Liturgia suscitou numerosos problemas: de linguagens. ou que saibam encarnar e traduzir a Palavra de Deus em cânticos. é necessário fazer com que a música sacra e o canto litúrgico sejam plenamente «inculturados» nas linguagens artísticas e musicais da atualidade. 3 músicos e compositores. sobressai a dúplice missão que a Igreja é chamada a cumprir especialmente através de quantos. trata-se de salvaguardar e de valorizar a rica e variegada herança legada do passado. 12 de dezembro de 2013). adorá-lo e recebê-lo. que predisponha para a fé e suscite o acolhimento e a plena participação no Mistério que se celebra. sobretudo qualitativa.

Libreria Editrice Vaticana DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !120 .BR musicais da nossa época. que rezeis por mim. por favor. Que vos acompanhe a Virgem Maria. com as instâncias das diferentes áreas culturais e em atitude de ecumenismo. a qual no Magnificat decantou a santidade misericordiosa de Deus. com todos os sentidos físicos e espirituais. da sua beleza e da sua santidade. Encorajo-vos a não perder de vista este objetivo importante: ajudar a assembleia litúrgica e o povo de Deus a experimentar e a participar. no Mistério de Deus. agradeço-vos mais uma vez o vosso compromisso no âmbito da música sacra. AUGUSTOCEZARCORNELIUS.COM. E concedo-vos de coração a Bênção apostólica. que nos envolve como uma «nuvem luminosa». Caros irmãos e irmãs. © Copyright . A música sacra e o canto litúrgico têm a tarefa de nos conferir o sentido da glória de Deus. Peço-vos.

estabelecendo como preparar as pessoas. A Igreja sempre julgou dirigida a si esta ordem.BR MISSAL ROMANO RESTAURADO POR DECRETO DO CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II. os ritos e os textos. os lugares. para a DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !121 . PROMULGADO PELA AUTORIDADE DE PAULO VI E REVISTO POR MANDADO DO PAPA JOÃO PAULO II Tradução portuguesa para o Brasil da separata da terceira edição típica preparada sob os cuidados da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos ROMA 2002 INSTRUÇÃO GERAL SOBRE O MISSAL ROMANO PROÊMIO 1.         Quando ia celebrar com seus discípulos a ceia pascal. o Cristo Senhor mandou preparar uma sala ampla e mobiliada (Lc 22. onde instituiu o sacrifício do seu Corpo e Sangue. AUGUSTOCEZARCORNELIUS.COM.12).

que a partir de agora será usado na Igreja de Rito romano para a celebração da Missa. exceto quanto ao modo de oferecer. que nos ensina a identidade. nestas preces. ou seja. no novo Missal a regra da oração da Igreja corresponde à regra perene da fé. mas também no espírito e manifestação de sumo respeito e adoração que ocorrem DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !122 . a oblação da  Igreja e a vítima por cuja imolação Deus quis ser aplacado4. renova-se a obra da nossa redenção"3.             O que o Concílio ensinou com estas palavras encontra-se expresso nas fórmulas da Missa. Por conseguinte a Missa é simultaneamente sacrifício de louvor. pelas quais o Cristo se torna presente através da transubstanciação. que o Cristo Senhor instituiu na última Ceia e mandou os Apóstolos fazerem em sua memória. de ação de graças. sua esposa muito amada. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. foi de novo proclamada pelo Concílio Vaticano II que proferiu sobre a Missa estas significativas palavras: "O nosso Salvador na última Ceia instituiu o sacrifício eucarístico do seu Corpo e Sangue para perpetuar o sacrifício da cruz através dos séculos até a sua volta. em concordância com a universal tradição da Igreja. são provas da solicitude da Igreja. no mesmo sentido e na mesma forma com que fora proposto à nossa fé pelo Concílio de Trento8.             Assim. entre o sacrifício da cruz e sua renovação sacramental na Missa. Com efeito. o memorial de usa morte e ressurreição"2.         A natureza sacrifical da Missa. e para confiar à Igreja. Testemunho de fé inalterada 2. Assim. o admirável mistério da presença real do Senhor sob as espécies eucarísticas foi confirmado pelo Concílio Vaticano II6 e por outros documentos do Magistério Eclesiástico7. não apenas nas palavras da consagração. ainda que algumas novidades sejam introduzidas.COM.BR celebração da Santíssima Eucaristia. dá-lhe graças e oferece o sacrifício vivo e santo. as normas atuais. e o Novo Missal. Este Mistério é proclamado na celebração da Missa. ao fazer a anamnese. de propiciação e de satisfação. e testemunhando uma contínua e ininterrupta tradição. manifestando sua fé e amor imutáveis para com o supremo mistério eucarístico. e ora também para que o Corpo e Sangue de Cristo sejam um sacrifício agradável ao Pai e salutar para todo o mundo5. conhecido como Leoniano: "Todas as vezes que se celebra a memória deste sacrifício. 3.         Igualmente. dirigindo-se a Deus em nome de todo o povo. prescritas segundo determinação do Concílio Vaticano II. é desenvolvida clara e cuidadosamente nas Orações eucarísticas. a doutrina já expressa concisamente nesta frase de antigo Sacramentário. que o Concílio de Trento solenemente afirmou1.

retomando assim as mesmas palavras com que S. onde cada um deve fazer tudo e só o que lhe compete. Este povo. cresce continuamente em santidade pela participação consciente e frutuosa do mistério eucarístico10. o Concílio Vaticano II ordenou. e dar graças em Cristo pelo mistério da salvação. povo chamado para elevar a Deus as preces de toda a família humana. pela eminência do lugar e da função do sacerdote. este povo é o Povo de Deus. Sumo Pontífice do Novo Testamento. segundo o lugar que ocupa no Povo de Deus. 4. Pio V. no decurso dos séculos. adquirido pelo Sangue de Cristo. Por esta coincidência de palavras pode-se observar como ambos os Missais Romanos. o  povo cristão é levado a prestar a este admirável Sacramento na Quinta-feira da Ceia do Senhor e na solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo um culto especial de adoração. povo enfim que cresce na unidade pela comunhão do Corpo e Sangue de Cristo. Com efeito. na Constituição Apostólica "Quo primum" de 1570. alimentado por sua palavra. em união com o sacrifício de Cristo. embora santo por sua origem.         A natureza do sacerdócio ministerial. ainda que separados por quatro séculos. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. próprio do bispo e do presbítero que oferecem o Sacrifício na pessoa de Cristo e presidem a assembléia do povo santo. As razões desta função são enunciadas e explicadas mais profusamente na ação de graças da Missa Crismal da Quinta-feira da Semana Santa. 5. se evidencia no próprio rito.BR na Liturgia eucarística. Por este mesmo motivo.         Esta natureza do sacerdócio ministerial esclarece ainda outra realidade de grande importância: o sacerdócio régio dos fiéis. foram negligenciados. promulgou o Missal Tridentino.COM. Aquele texto celebra a transmissão. dia em que se comemora a instituição do sacerdócio. do poder sacerdotal que é a continuação do poder de Cristo. pela imposição das mãos. Testemunho de uma tradição ininterrupta 6. único Mediador9. cujo sacrifício espiritual atinge a plena realização pelo ministério do Bispo e dos presbíteros. oferecendo o seu sacrifício. e enumera todas as suas funções. reunido pelo Senhor. entre outras coisas. que alguns ritos fossem restaurados "segundo a forma primitiva dos Santos Padres"11.         Ao enunciar as normas segundo as quais o Ordinário da Missa deveria ser reformado. a celebração da Eucaristia é uma ação de toda a Igreja. Por isso se deve prestar maior atenção a certos aspectos da celebração que. Na verdade. conservam uma única e mesma DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !123 .

            Além disso. aquela "norma dos Santos Padres" seguida pelos que corrigiram o Missal de São Pio V foi enriquecida por inúmeros trabalhos de eruditos. Esta visão mais ampla nos permite perceber como o Espírito Santo concede ao povo de Deus uma admirável fidelidade na conservação do imutável depósito da fé. anteriores à formação dos ritos do Oriente e do Ocidente.             Igualmente as tradições dos primeiros séculos.         Hoje. injustamente impugnada. verificam- se a sabedoria e a felicidade com que o segundo missal completa o primeiro.COM.         Naqueles tempos. Pio V conservasse uma tradição mais recente. 9.BR tradição. era necessário que S. pelo contrário. mas também que se assuma e se julgue do mais alto valor todo o passado da Igreja e todas as manifestações de fé. apesar da enorme variedade de orações e ritos. introduzindo o mínimo de modificações nos ritos sagrados. aquele Missal de 1570 pouco difere do primeiro Missal impresso em 1474. São Cirilo de Jerusalém e São João Crisóstomo. editado pela primeira vez em 1571. na investigação dos "antigos e provados autores". os antigos Sacramentários romanos e ambrosianos foram publicados em numerosas edições críticas. em formas tão variadas de cultura humana e civil como as semitas. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. Santo Ambrósio. não permitiam que se fosse além dos comentários litúrgicos medievais. trazendo assim à luz muitas preces de grande valor espiritual até então ignoradas. assim como os antigos livros litúrgicos espanhóis e galicanos. são agora melhor conhecidas. Porém. ainda que sugerissem algumas correções. gregas e latinas. Além disso. depois que se descobriram tantos documentos litúrgicos. como Santo Irineu. que por sua vez reproduz com fidelidade o do tempo do Papa Inocêncio III. Depois do Sacramentário Gregoriano. verdadeiramente difíceis. o sacerdócio ministerial e a presença real e permanente do Cristo sob as espécies eucarísticas. o progresso dos estudos patrísticos lançou sobre a teologia do mistério eucarístico a luz da doutrina dos Padres mais eminentes da antigüidade cristã. Na verdade. 8. "a norma dos Santos Padres" não exige apenas que se conserve o que os nossos antepassados mais recentes nos legaram. 7. ponderando-se os elementos internos desta tradição. os manuscritos da Biblioteca Vaticana. em que a fé católica corria perigo em relação à índole sacrifical da Missal.         Por isso. Adaptação às novas condições DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !124 .

por isso formularam.       O novo Missal. o Concílio. ordena o Santo Sínodo aos pastores e a todos os que têm cura de almas que freqüentemente. 12. O ardente entusiasmo com que esta deliberação foi acolhida por toda parte fez DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !125 . falaram numa época da história bastante diferente. ele se exprimiu com estas palavras firmes e moderadas: "Ainda que a Missa contenha um grande ensinamento para o povo fiel. como o Concílio de Trento. portanto. pediam que se permitisse o uso da língua vernácula na celebração do Sacrifício Eucarístico. ele pôde reconhecer que "não raro o uso da língua vernácula seria muito útil para o povo" e conceder a licença para usá-la16. os Padres não julgaram oportuno que seja celebrada em língua vernácula indistintamente"12. E condenou quem julgasse ser reprovável "o rito da Igreja romana. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. Muitos. reunido para adaptar a Igreja às necessidades de seu múnus apostólico nos nossos dias.BR 10. segundo a qual o Sacrifício Eucarístico é antes de tudo uma ação do próprio Cristo.       O Concílio Vaticano II.             Quando os Padres do Concílio Vaticano II reafirmaram os dogmas do Concílio Tridentino. o aspecto catequético e pastoral da sagrada Liturgia15. dando testemunho da norma de oração da Igreja romana e conservando o depósito da fé legado pelos concílios mais recentes. por ocasião deste pedido. julgou dever reafirmar a doutrina tradicional da Igreja. ou que a Missa devesse ser celebrada somente em língua vernácula"13. por si mesmos ou por outrem. Por isso. durante a celebração da Missa.       O Concílio de Trento já reconhecera o grande valor catequético da celebração da Missa... Porém. ao proibir o uso da língua vernácula na Missa. tendo em conta as circunstâncias daquele tempo. expliquem alguns dos textos que se lêem na Missa e ensinem entre outras coisas algo sobre o mistério do Santíssimo Sacrifício.. desejos e conselhos que há quatro séculos não se podiam prever. cuja eficácia não depende do modo de participação dos fiéis.COM. como nenhum católico negue a legitimidade e a eficiência de um rito sagrado realizado em língua latina. E. onde parte do Cânon e as palavras da consagração são proferidas em voz baixa. Contudo. 11. na verdade. examinou em profundidade. em matéria pastoral. mas não pudera tirar todas as suas conseqüências para a vida prática. constitui por sua vez uma etapa de grande importância na tradição litúrgica. principalmente nos Domingos e festas"14. ordenou aos pastores de almas que o substituíssem pela catequese em momento oportuno: "Para que as ovelhas de Cristo não sintam fome .

como o uso da língua vernácula na sagrada Liturgia é apenas um instrumento. 52).       Contudo. a fim de que.BR com que logo.COM. conservando "o que é antigo". para que mais plenamente se compreendesse o mistério celebrado. ou seja. em que os fiéis. ou a introdução de algumas explicações durante os ritos sagrados18.             Mas o Concílio Vaticano II. Isto acontece sobretudo com as Missas rituais e as Missas "para as diversas circunstâncias". pelo qual mais claramente se realiza a catequese do mistério contido na celebração. Outros. a Igreja. nas quais a tradição e a inovação harmoniosamente se associam. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. permitiu ele que se dê algumas vezes a Comunhão sob as duas espécies. Mt 13. com a homilia nos domingos e dias de festa17. depois da comunhão do sacerdote. Com efeito. urgiu que se pusesse em prática um outro desejo dos Padres de Trento. finalmente.       Movido pelo mesmo desejo e zelo pastoral. fossem postas em prática. sob a direção dos Bispos e da própria Sé Apostólica. o depósito da tradição. "os fiéis presentes em cada Missa não comunguem apenas espiritualmente. aconselhando "aquela participação mais perfeita na missa. 15. que. através de uma apresentação mais elucidativa do sinal sacramental. Por isso. 14. haja uma oportunidade para se compreender melhor o mistério de que os fiéis participam21. como as DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !126 . enquanto permanece fiel ao seu múnus de mestra da verdade. 13.             Na verdade. como hoje já não se põem mais em dúvida os princípios doutrinários quanto à plena eficácia da Comunhão recebida apenas sob a espécie de pão. isto é. outros foram adaptados às aspirações e condições hodiernas. o Concílio Vaticano II ordenou que algumas prescrições do Concílio de Trento.       Deste modo. ainda não cumpridas em todos os lugares. embora de grande importância. o Concílio Vaticano II pôde reexaminar o que o Tridentino determinara a respeito da Comunhão sob as duas espécies. mas também pela recepção sacramental da Eucaristia"20. cumpre também o seu dever de julgar e de prudentemente assumir "o que é novo" (cf. para participar mais plenamente na sagrada Eucaristia. todas as celebrações litúrgicas participadas pelo povo pudessem realizar-se em língua vernácula. enquanto muitos textos hauridos na mais antiga tradição da Igreja e divulgados pelas diversas edições do Missal Romano permanecem inteiramente intactos. recebem o Corpo do Senhor consagrado no mesmo sacrifício"19. certa parte do novo Missal relaciona mais claramente as preces da Igreja com as necessidades do nosso tempo.

Capítulo I IMPORTÂNCIA E DIGNIDADE DA CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA 16. que eles se tornam de certo modo presentes24. recebam mais plenamente aqueles frutos26 que o Cristo Senhor quis prodigalizar. participando cada um conforme sua condição. graças sobretudo à estima pelos estudos litúrgicos. e. das próprias palavras dos documentos conciliares. é o centro de toda a vida cristã tanto para a Igreja universal como local e também para cada um dos fiéis22. que levou a bom termo os esforços que visavam a aproximar os fiéis da sagrada Liturgia. Além disso. modificando-se algumas expressões de textos antiquíssimos. pelos leigos. adorando-o pelo Cristo. nela são de tal modo relembrados. devido à consciência da nova situação do mundo de hoje.             Deste modo. Pois nela se encontra tanto o ápice da ação pela qual Deus santifica o mundo em Cristo. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. no decorrer do ano. como ação de Cristo e do povo de Deus hierarquicamente ordenado. muitas vezes.       A celebração da Missa. não se julgou comprometer o venerável tesouro da tradição. Assim. mais apropriadas a outros tempos da Igreja. foram mudadas algumas expressões referentes à estima e ao uso dos bens terrenos. foram integralmente compostas a partir de pensamentos. dela decorrendo ou a ela sendo ordenadas25. os mistérios da redenção. Filho de Deus23. As demais ações sagradas e todas as atividades da vida cristã a ela estão ligadas. para que melhor se adaptassem à atual linguagem teológica e correspondessem melhor à atual disciplina eclesiástica. pela comunidade de todos os povos e por algumas necessidades do nosso tempo. empreendidos nos quatro últimos séculos.COM. pela santificação do trabalho humano. as normas litúrgicas do Concílio Tridentino foram em muitos pontos completadas e aperfeiçoadas pelas normas do Vaticano II. 17. Pio X e seus sucessores. promovidos por S.             Igualmente.BR orações pela Igreja. principalmente nos últimos tempos.       É por isso de máxima conveniência dispor a celebração da Missa ou Ceia do Senhor de tal forma que os ministros sagrados e os fiéis. como o do culto que os homens oferecem ao Pai. como também algumas fórmulas que acentuavam certas modalidades de penitência externa. ao instituir o sacrifício eucarístico de seu DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !127 .

Nas celebrações que se realizam sob a sua presidência. na medida do possível. os diáconos e os féis cristãos leigos compreendam sempre mais profundamente o sentido autêntico dos ritos e dos textos litúrgicos e assim sejam levados a uma celebração ativa e frutuosa da Eucaristia. dos diáconos e do povo.       De máxima importância é a celebração da Eucaristia na Igreja particular. promovam mais intensamente a participação ativa e plena dos fiéis. É. seu dever esforçar-se para que os presbíteros. é o moderador. bem como expor as regras para cada forma particular de celebração32. a Igreja. recomenda-se que ele.BR Corpo e Sangue. por meio de sinais sensíveis que alimentam. manifesta-se o mistério da Igreja. como também toda a Liturgia.       Embora às vezes não se possa contar com a presença dos fiéis e sua participação ativa. da esperança e da caridade. 19. deve- se escolher e dispor com o maior cuidado as formas e elementos propostos pela Igreja que. 18. a celebração eucarística conserva sempre sua eficácia e dignidade. Por isso. 22. O Bispo diocesano. que manifestam mais claramente a natureza eclesial da celebração29. pois. levando em conta a natureza e as circunstâncias de cada assembléia litúrgica. e que melhor respondam às suas necessidades espirituais.       A presente Instrução. Com a mesma finalidade cuide que cresça sempre a DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !128 . animada pelo fervor da fé. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. portanto. confiando-o à usa dileta esposa. ela constitui um direito e um dever do povo cristão em virtude do seu batismo28. como memorial de sua paixão e ressurreição27. Esta é a participação ardentemente desejada pela Igreja e exigida pela própria natureza da celebração.             Por isso. na qual o sacerdote cumpre seu múnus principal e age sempre pela salvação do povo. uma vez que é ação de Cristo e da Igreja. ativa e plena do corpo e do espírito. 21. 20.       Isto se conseguirá de modo adequado se. o promotor e guarda de toda a vida litúrgica33. sobretudo na celebração eucarística realizada por ele.COM. fortalecem e exprimem a fé31. o principal dispenseiro dos mistérios de Deus na Igreja particular a ele confiada. tais celebrações da Missa devem ser tidas como modelares para toda a diocese. visa apresentar as linhas gerais segundo as quais se deve ordenar a celebração da Eucaristia.       Realizando-se a celebração da Eucaristia. com a participação do presbitério. celebre mesmo diariamente o sacrifício eucarístico30. toda a celebração for disposta de tal modo que leve os fiéis à participação consciente. em vista das circunstâncias de pessoas e lugres.

AUGUSTOCEZARCORNELIUS. certas adaptações que. para cuja promoção muito contribui a beleza do espaço sagrado. n. a esta reunião local da santa Igreja aplica-se. infra. observe-se o que se expõe na Instrução "De Liturgia Romana et inculturatione"36 que vem exposto (n. preparação e índole dos participantes. 40 da Constituição sobre a Sagrada Liturgia. a serem por utilidade ou necessidade introduzidas à luz do art. 395-399) mais adiante. atribuídas ao sacerdote celebrante. sob as espécies eucarísticas39. Contudo o sacerdote deve estar lembrado de que ele é servidor da sagrada Liturgia e de que não lhe é permitido.       Estas adaptações.          ESTRUTURA GERAL DA MISSA 27. apresentam-se neste Instrução Geral e no Ordinário da Missa alguns ajustes e adaptações. ELEMENTOS E PARTES DA MISSA I. ou seja. de modo eminente.       Além disso. na sua palavra. para celebrar a memória do Senhor ou sacrifício eucarístico37. Pois. 26. sob a presidência do sacerdote que representa a pessoa de Cristo. 23. por própria conta. a saber. (cf.       A Missa consta. orações. 28. no Missal são indicadas. consistem na escolha de alguns ritos ou textos. da música e da arte. o povo de Deus é convocado e reunido. às diversidades e adaptações mais profundas. no devido lugar.BR dignidade das próprias celebrações. por assim dizer. de modo substancial e permanente. 24. e também. Por isso. de cantos. 25. porém. conforme a Constituição sobre a Sagrada Liturgia. que constituem DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !129 . munições e gestos mais correspondentes às necessidades. eu estou no meio deles" (Mt 18.       Na Missa ou Ceia do Senhor. de duas partes. a liturgia da palavra e a liturgia eucarística.       Além disso. na celebração da Missa. Cristo está realmente presente tanto na assembléia reunida em seu nome. CAPÍTULO II ESTRUTURA.       No que se refere. 387. que atendam às tradições e à índole dos povos e regiões. tirar ou mesmo mudar qualquer coisa na celebração da Missa34. acrescentar. em que se perpetua o sacrifício da cruz38. 20). como na pessoa do ministro. leituras. 388-293). tão intimamente unidas entre si. para que a celebração atenda mais plenamente às normas e ao espírito da sagrada Liturgia e aumente sua eficácia pastoral. a promessa de Cristo: "Onde dois ou três estão reunidos no meu nome. competem respectivamente ao Bispo diocesano ou à Conferência dos Bispos35.COM. na maioria.

o sacerdote de manter sempre o sentido da exortação proposta no Missal e a expresse em poucas palavras.        OS DIVERSOS ELEMENTOS DA MISSA Leitura e explanação da Palavra de Deus 29. Por isso.       A natureza das partes "presidenciais" exige que sejam proferidas em voz alta e distinta e por todos atentamente escutadas44. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. 32. que é parte da ação litúrgica42. pode ainda encerrar toda a ação sagrada antes da despedida. antes das leituras. com brevíssimas palavras. disso. enquanto o DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !130 . para ensinar e alimentar os fiéis41. e Cristo. Orações e outras partes próprias do sacerdote 30. A seguir. proferir certas admoestações previstas no próprio rito. que são chamadas "orações presidenciais". anuncia o Evangelho. contudo. presente em sua palavra. Embora a palavra divina contida nas leituras da Sagrada Escritura se dirija a todos os homens de qualquer época. a oração do dia (coleta). na Missa se prepara tanto a mesa da Palavra de Deus como a do Corpo de Cristo. presidindo a comunidade como representante de Cristo. cume de toda a celebração. isto é. isto é. além. Há também alguns ritos que abrem e encerram a celebração. antes do Prefácio. portanto. O sacerdote.       Entre as partes que competem ao sacerdote ocupa o primeiro lugar a Oração eucarística.       Da mesma forma cabe ao sacerdote. dirige a Deus estas orações em nome de todo o povo santo e de todos os circunstantes43. II. cuide. Pode. Cabe ao Sacerdote presidente também moderar a palavra de Deus e dar a bênção final. Quando estiver estabelecido pelas rubricas. 31. porém. introduzir os fiéis na missa do dia. É com razão. a oração sobre as oferendas e a oração depois da Comunhão.       Quando se lêem as Sagradas Escrituras na Igreja.             Por isso todos devem escutar com veneração as leituras da Palavra de Deus. a sua mais plena compreensão e eficácia é aumentada pela exposição viva. dentro da própria Oração. na Oração eucarística. no desempenho da função de presidente da assembléia. o celebrante pode adaptá-las um pouco para que atendam à compreensão dos participantes. e seja entendida por eles. vêm as orações. De fato. o próprio Deus fala a seu povo.COM.BR um só ato de culto40. a homilia. na liturgia da palavra. após a saudação inicial e antes do ato penitencial. elemento de máxima importância da Liturgia. nunca.

a voz corresponda ao gênero do próprio texto. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. propostas antes da proclamação do Evangelho. Estas orações. da fração (Agnus Dei) e da Comunhão. o Sanctus. a profissão de fé. o leitor ou toda a assembléia devem proferir em voz alta e distinta.       Sendo a celebração da Missa. conforme se trate de leitura.       Nos textos que o sacerdote. por sua natureza. aclamação ou canto. porém.       Na verdade. b) algumas. pois não constituem apenas sinais externos da celebração comum. 37. 36. reza em nome da Igreja e de toda a comunidade reunida e. também somente em seu nome para cumprir o seu ministério com atenção e piedade. 35.BR sacerdote as profere. Outras fórmulas que ocorrem na celebração 34. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !131 . são principalmente o ato penitencial. o diácono. oração. das oferendas. a aclamação da anamnese e o canto depois da Comunhão. como também à forma de celebração e à solenidade da assembléia. Além disso.       Outras partes. para que se promova e exprima claramente a ação de toda a comunidade47. como o hino do Glória. o salmo responsorial. bem como as aclamações46. levem-se em conta a índole das diversas línguas e o gênio dos povos. e nas normas que se seguem. portanto. muito úteis para manifestar e fomentar a participação ativa dos fiéis e que competem a toda a assembléia convocada.       Por fim. não haja outras orações nem cantos. mas promovem e realizam a comunhão entre o sacerdote e o povo. em qualquer forma de Missa. por vezes. e calem-se o órgão e qualquer outro instrumento. exortação. assumem grande importância os diálogos entre o sacerdote e os fiéis reunidos. o sacerdote. 33.COM. tais como o canto da entrada. Maneiras de proferir os diversos textos 38. acompanham um rito.       As aclamações e respostas dos fiéis às orações e saudações do sacerdote constituem o grau de participação ativa que os fiéis congregados. são rezadas em silêncio. na preparação das oferendas e antes e depois da Comunhão do sacerdote.             Nas rubricas. a oração universal e a oração do Senhor. como presidente. o Aleluia e o versículo antes do Evangelho. dentre as outras fórmulas:             a) algumas constituem um rito ou ato independente. observados os princípios acima propostos. de índole "comunitária"45. as palavras "dizer" ou "proferir" devem aplicar-se tanto ao canto como à recitação. devem realizar.

       Os gestos e posições do corpo tanto do sacerdote. reza duas vezes". Gestos e posições do corpo 42. se compreenda a verdadeira e plena significação de suas diversas partes e se favoreça a participação de todos52.             Uma vez que se realizam sempre mais freqüentemente reuniões internacionais de fiéis. por exemplo nas Missas dos dias de semana. o diácono. especialmente a polifonia.             A posição comum do corpo. ou então àquelas que o sacerdote e o povo devem proferir simultaneamente49.BR Importância do canto 39. 46). Cl 3. o canto gregoriano ocupa o primeiro lugar. dê-se grande valor ao uso do canto na celebração da Missa. a cantarem juntos salmos. empregando-se melodias mais simples51. convém que aprendam a cantar juntos em latim ao menos algumas partes do Ordinário da Missa. pois o canto constitui um sinal de alegria do coração (cf. de preferência ao próprio gosto ou arbítrio. pois. Por isso. como próprio da Liturgia romana. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. 16). hinos e cânticos espirituais (cf. que todos os participantes devem observar é sinal da unidade dos membros da comunidade cristã. tendo em vista a índole dos povos e as possibilidades de cada assembléia litúrgica. Deve-se. reunidos para a sagrada DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !132 .       Portanto. e há um provérbio antigo que afirma: "Quem canta bem. dizia com razão Santo Agostinho: "Cantar é próprio de quem ama"48. At 2.             Na escolha das partes que de fato são cantadas. que se reúnem em assembléia para aguardar a vinda do Senhor.       O Apóstolo aconselha os fiéis. como do povo devem contribuir para que toda a celebração resplandeça pelo decoro e nobre simplicidade. principalmente o símbolo da fé e a oração do Senhor. o leitor cantam com respostas do povo. deve-se dar preferência às mais importantes e sobretudo àquelas que o sacerdote. 41.COM. 40. do diácono e dos ministros. atender às diretrizes desta Instrução geral e da prática tradicional do Rito romano e a tudo que possa contribuir para o bem comum espiritual do povo de Deus.       Em igualdade de condições. não são absolutamente excluídos. Ainda que não seja necessário cantar sempre todos os textos de per si destinados ao canto. deve-se zelar para que não falte o canto dos ministros e do povo nas celebrações dos domingos e festas de preceito. contanto que se harmonizem com o espírito da ação litúrgica e favoreçam a participação de todos os fiéis50. Outros gêneros de música sacra.

AUGUSTOCEZARCORNELIUS.       Oportunamente.             Ajoelhem-se. a não ser que. ao canto do Aleluia antes do Evangelho. à índole e às legitimas tradições dos povos. e. porém. pelo diácono antes da proclamação do Evangelho ou ao levar o Livro dos evangelhos ao ambão. durante a profissão de fé e a oração universal. O silêncio 45. por um ministro leigo ou pelo sacerdote. Contudo.       Entre os gestos incluem-se também as ações e as procissões realizadas pelo sacerdote com o diácono e os ministros ao se aproximarem do altar. do início do canto da entrada. façam inclinação profunda enquanto o sacerdote faz genuflexão após a consagração. 43. exceto nas partes citadas em seguida. pois exprime e estimula os pensamentos e os sentimentos dos participantes. se for conveniente. ou enquanto o sacerdote se aproxima do altar. irmãos antes da oração sobre as oferendas até o fim da Missa. Onde for costume o povo permanecer de joelhos do fim da aclamação do Santo até ao final da Oração eucarística e antes da Comunhão quando o sacerdote diz Eis o Cordeiro de Deus. aqueles que não se ajoelham na consagração. de acordo com o que vem estabelecido no Missal. ao levarem os dons e enquanto se aproximam da Comunhão.             Para se obter a uniformidade nos gestos e posições do corpo numa mesma celebração. até a oração do dia inclusive.       Os fiéis permaneçam de pé.COM. segundo as normas do direito. obedeçam os fiéis aos avisos dados pelo diácono. é louvável que ele seja mantido. enquanto se executam cantos apropriados. porém. e do convite Orai. à Conferência dos Bispos adaptar. Cuide-se. durante a proclamação do Evangelho. 44. contudo.             Compete. durante da consagração. dos fiéis. Convém que tais ações e procissões sejam realizadas com dignidade. que correspondam ao sentido e à índole de cada parte da celebração. segundo as normas estabelecidas para cada uma.BR Liturgia. enquanto se observa o silêncio sagrado após a Comunhão. por motivo de saúde ou falta de espaço ou o grande número de presentes ou outras causas razoáveis não o permitam. como parte da celebração deve-se observar o silêncio sagrado54. os gestos e posições do corpo descritos no Ordinário da Missa53.             Sentem-se durante as leituras antes do Evangelho e durante o salmo responsorial. A sua natureza depende do momento em que ocorre em cada DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !133 . durante a homilia e durante a preparação das oferendas.

enfim. omitem-se os ritos iniciais ou são realizados de um modo próprio. introduzir no mistério do tempo litúrgico ou da festa.BR celebração. meditam brevemente o que ouviram. saudação. cujo texto tenha sido aprovado pela Conferência dos Bispos. o sacerdote. ou por alguns deles. o diácono e os ministros saúdam o altar com uma inclinação profunda. após a comunhão. ou pelo cantor e pelo povo. louvam e rezam a Deus no íntimo do coração. Saudação ao altar e ao povo reunido 49. ou só pelo grupo de cantores. reunindo-se em assembléia.       Chegando ao presbitério. constituam uma comunhão e se disponham para ouvir atentamente a palavra de Deus e celebrar dignamente a Eucaristia. n. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. têm o caráter de exórdio. 48. começa o canto da entrada. introdução e preparação. AS PARTES DA MISSA A)         RITOS INICIAIS 46. promover a união da assembléia.             Não havendo canto à entrada.             Em certas celebrações que. III.COM. Glória e oração do dia. ou então. isto é. Kýrie. Assim.       Os ritos que precedem a liturgia da palavra. que também pode adaptá-la a modo de exortação inicial (cf. A finalidade desse canto é abrir a celebração. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !134 .       Reunido o povo. entrada. no ato penitencial e após o convite à oração. 31). ou então outro canto condizente com a ação sagrada55 e com a índole do dia ou do tempo. ato penitencial. do Gradual romano ou do Gradual simples. a antífona proposta no Missal é recitada pelos fiéis.             Convém que já antes da própria celebração se conserve o silêncio na igreja.             Sua finalidade é fazer com que os fiéis. após uma leitura ou a homilia. pelo próprio sacerdote. Entrada 47. ou pelo leitor. na secretaria e mesmo nos lugares mais próximos. cada fiel se recolhe. enquanto o sacerdote entra com o diácono e os ministros. na sacristia. para que todos se disponham devota e devidamente para realizarem os sagrados mistérios. e acompanhar a procissão do sacerdote e dos ministros. de acordo com as normas dos livros litúrgicos se ligam com a Missa. Pode-se usar a antífona com seu salmo.       O canto é executado alternadamente pelo grupo de cantores e pelo povo.

pela saudação. pode com brevíssimas palavras introduzir os fiéis na Missa do dia. junto com toda a assembléia faz o sinal da cruz. particularmente. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !135 . absolvição que. ou pelo povo que o alterna com o grupo de cantores ou pelo próprio grupo de cantores. tende piedade. tomando parte nele o povo e o grupo de cantores ou o cantor. se for oportuno. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. congregada no Espírito Santo. Esta saudação e a resposta do povo exprimem o mistério da Igreja reunida. no tempo pascal. se for o caso. pelo qual a Igreja. deve ser recitado por todos juntos ou por dois coros dialogando entre si. é realizado por toda a assembléia através de uma fórmula de confissão geral.       Executado o canto da entrada. e o sacerdote. O texto deste hino não pode ser substituído por outro. não possui a eficácia do sacramento da penitência. glorifica e suplica a Deus Pai e ao Cordeiro. de pé junto à cadeira.             Feita a saudação do povo. a bênção e aspersão da água em recordação do batismo56. Tratando-se de um canto em que os fiéis aclamam o Senhor e imploram a sua misericórdia. Ato penitencial 51. por vezes. pode-se fazer.             Aos domingos. Entoado pelo sacerdote ou. o sacerdote convida para o ato penitencial. pelo cantor ou o grupo de cantores. a não ser que já tenha sido rezado no próprio ato penitencial.COM. o sacerdote. da música ou das circunstâncias.       O Glória. em lugar do ato penitencial de costume. contudo. Quando o Senhor é cantado como parte do ato penitencial. que após breve pausa de silêncio. é um hino antiquíssimo e venerável.       Depois do ato penitencial inicia-se sempre o Senhor. 50. é executado normalmente por todos. porém. tende piedade 52. o diácono. incensa a cruz e o altar.       Em seguida. cada aclamação é repetida duas vezes. é cantado por toda a assembléia. em sinal de veneração o sacerdote e o diácono beijam o altar. Senhor. o sacerdote. um número maior de repetições por causa da índole das diversas línguas. e concluído pela absolvição do sacerdote. Se não for cantado. não se excluindo. antepõe-se a cada aclamação uma "invocação"("tropo").             Via de regra. expressa à comunidade reunida a presença do Senhor.BR             Em seguida. Glória a Deus nas alturas 53. ou um ministro leigo. a seguir.

alimentado por essa palavra.             . revela o mistério da redenção e da salvação. por Cristo. isto é com uma conclusão mais longa. O silêncio 56. exceto no tempo do Advento e da Quaresma. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. faz sua a oração pela aclamação Amém. e o próprio Cristo.COM.       A liturgia da palavra deve ser celebrada de tal modo que favoreça a meditação. sob a ação do Espírito Santo. sendo desenvolvida e concluída pela homilia. todos se conservam em silêncio com o sacerdote por alguns instantes. pelos quais. tomando consciência de que estão na presença de Deus e formulando interiormente os seus pedidos. unindo-se à súplica. de acordo com a assembléia reunida. Conforme antiga tradição da Igreja. vosso Filho. pela qual se exprime a índole da celebração. e oferece alimento espiritual. por sua palavra. na unidade do Espírito Santo. Oração do dia (coleta) 54.BR             É cantado ou recitado aos domingos.             O povo. reza na oração universal pelas necessidades de toda a Igreja e pela salvação do mundo inteiro. a profissão de fé e a oração universal ou dos fiéis. a oração costuma ser dirigida a Deus Pai.             Na Missa sempre se diz uma única oração do dia. B)         LITURGIA DA PALAVRA 55. na unidade do Espírito Santo.quando se dirige ao Pai.quando se dirige ao Filho: Vós. no Espírito Santo57 e por uma conclusão trinitária. Integram-na também breves momentos de silêncio. mas no fim menciona o Filho: Que convosco vive e reina. se acha presente no meio dos fiéis59. que sois Deus com o Pai.       A parte principal da liturgia da palavra é constituída pelas leituras da Sagrada Escritura e pelos cantos que ocorrem entre elas.       A seguir.             . se acolhe DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !136 . Pois nas leituras explanadas pela homilia Deus fala ao seu povo58. do seguinte modo:             . na unidade do Espírito Santo. Depois o sacerdote diz a oração que se costuma chamar "coleta". nas solenidades e festas e ainda em celebrações especiais mais solenes. Pelo silêncio e pelos cantos o povo se apropria dessa palavra de Deus e a ela adere pela profissão de fé. por isso deve ser de todo evitada qualquer pressa que impeça o recolhimento. o sacerdote convida o povo a rezar.quando se dirige ao Pai: Por nosso Senhor Jesus Cristo.

            Depois de cada leitura. por exemplo. e que ouvem de pé a leitura. constituídos da palavra de Deus. por sua resposta. oferecendo uma grande importância litúrgica e pastoral. após a primeira e a segunda leitura.COM.       Por tradição.BR no coração a Palavra de Deus e se prepara a resposta pela oração. na sua ausência. o Evangelho seja anunciado pelo diácono ou.       À primeira leitura segue-se o salmo responsorial. de honra especial. como também após o término da homilia60. porém.       Mediante as leituras é preparada para os fiéis a mesa da palavra de Deus e abrem-se para eles os tesouros da Bíblia61. o ofício de proferir as leituras não é função presidencial. que é parte integrante da liturgia da palavra. As leituras sejam pois proclamadas pelo leitor. do diácono ou de outro sacerdote. acolhida com fé e de ânimo agradecido. na falta de outro leitor idôneo. igualmente. o próprio sacerdote celebrante leia o Evangelho. as leituras são sempre proferidas do ambão. A própria Liturgia ensina que se lhe deve manifestar a maior veneração. 58. por outros textos não bíblicos62. nem é permitido trocar as leituras e o salmo responsorial. mas ministerial. Leituras bíblicas 57. Na falta. 59. por outro sacerdote. Convém que tais momentos de silêncio sejam observados. Por isso. o povo reunido presta honra à palavra de Deus. é melhor conservar a disposição das leituras bíblicas pela qual se manifesta a unidade dos dois Testamentos e da história da salvação. por favorecer a meditação da palavra de Deus. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !137 . 60. Salmo responsorial 61.       Na celebração da Missa com povo.       A leitura do Evangelho constitui o ponto alto da liturgia da palavra. que se prepara pela bênção ou oração. o sacerdote celebrante proferirá também as demais leituras. tanto por parte do ministro delegado para anunciá-la. antes de se iniciar a própria liturgia da palavra.             O Salmo responsorial deve responder a cada leitura e normalmente será tomado do lecionário. ou ainda pelos sinais de veneração prestados ao Evangeliário. como por parte dos fiéis que pelas aclamações reconhecem e professam que o Cristo está presente e lhes fala. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. quem a leu profere a aclamação. uma vez que a cerca mais do que as outras.

            a) O Aleluia é cantado em todo o tempo.COM. a não ser que o salmo seja proferido de modo contínuo.       A seqüência que. exceto na Quaresma. geralmente participando pelo refrão. É cantado por todos.             c) O Aleluia ou o versículo antes do Evangelho podem ser omitidos quando não são cantados. primeiramente pelo grupo de cantores ou cantor. b) No Tempo da Quaresma. Homilia DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !138 . porém. pode haver um salmo e o versículo antes do Evangelho ou somente o salmo.       Após a leitura que antecede imediatamente o Evangelho. canta-se o Aleluia ou outro canto estabelecido pelas rubricas. o versículo. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. seja recitado do modo mais apto para favorecer a meditação da palavra de Deus. sendo repetido. é facultativa. é cantada antes do Aleluia. se for o caso. foram escolhidos alguns textos de refrões e de salmos para os diversos tempos do ano e as várias categorias de Santos. saúda-o e professa sua fé pelo canto. o salmista ou cantor do salmo. canta-se o versículo antes do Evangelho proposto no lecionário. b) no tempo em que não se diz o Aleluia.BR             De preferência. ao menos no que se refere ao refrão do povo. Aclamação antes da proclamação do Evangelho 62.             Em lugar do salmo proposto no lecionário pode-se cantar também um responsório gradual do Gradual romano ou um salmo responsorial ou aleluiático do Gradual Simples. O Versículo é tomado do lecionário ou do Gradual. exceto nos dias da Páscoa e de Pentecostes. de pé. isto é. 64. é cantado pelo grupo de cantores ou cantor. sempre que o salmo é cantado. enquanto toda a assembléia escuta sentada.       Havendo apenas uma leitura antes do Evangelho:             a) no tempo em que se diz o Aleluia. como se encontram nesses livros. 63. através do qual a assembléia dos fiéis acolhe o Senhor que lhe vai falar no Evangelho. como se encontra no Gradual. o salmo responsorial será cantado. Assim. que poderão ser empregados em lugar do texto correspondente à leitura. no lugar do Aleluia. ou um salmo e o Aleluia com seu versículo. pode haver um salmo aleluiático. Mas. Tal aclamação constitui um rito ou ação por si mesma. do ambão ou outro lugar adequado profere os versículos do salmo. conforme exigir o tempo litúrgico. Se o salmo não puder ser cantado. para que o povo possa mais facilmente recitar o refrão salmódico. Pode-se cantar também um segundo salmo ou trato. sem refrão.

COM. de tal sorte que se reze pela Santa Igreja. a um leigo65.       O símbolo ou profissão de fé tem por objetivo levar todo o povo reunido a responder à palavra de Deus anunciada da sagrada Escritura e explicada pela homilia.       A homilia. como ainda em outras festas e ocasiões em que o povo acorre à igreja em maior número66.       Na oração universal ou oração dos fiéis. antes de iniciar sua celebração na Eucaristia. Convém que normalmente se faça esta oração nas Missas com o povo. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. também é recomendada nos outros dias.BR 65. 66.       A homilia é uma parte da liturgia e vivamente recomendada63. como as necessidades particulares dos ouvintes64. Oração universal 69. Quaresma e Tempo pascal.             Quando cantado. a um diácono. 68.             Após a homilia convém observar um breve tempo de silêncio. se for oportuno. Profissão de fé 67. bem como. recordar e professar os grandes mistérios da fé. é entoado pelo sacerdote ou. nunca. não podendo ser omitida a não ser por motivo grave. Convém que seja uma explicação de algum aspecto das leituras da Sagrada Escritura ou de outro texto do Ordinário ou do Próprio da Missa do dia. ocasionalmente. sendo indispensável para nutrir a vida cristã. eleva preces a Deus pela salvação de todos.       O símbolo deve ser cantado ou recitado pelo sacerdote com o povo aos domingos e solenidades. proclamando a regra da fé através de fórmula aprovada para o uso litúrgico. ou pelo povo alternando com o grupo de cantores. o povo responde de certo modo à palavra de Deus acolhida na fé e exercendo a sua função sacerdotal. em todas as Missas celebradas com participação do povo. ou por dois coros alternando entre si. Em casos especiais e por motivo razoável a homilia também pode ser feita pelo Bispo ou presbítero que participa da celebração sem que possa concelebrar.             Aos domingos e festas de preceito haja homilia.             Se não for cantado. pode-se também dizer em celebrações especiais de caráter mais solene. levando em conta tanto o mistério celebrado. será recitado por todos juntos. pelo cantor ou pelo grupo de cantores. sobretudo nos dias de semana do Avento. via de regra é proferida pelo próprio sacerdote celebrante ou é por ele delegada a um sacerdote concelebrante ou. é cantado por todo o povo junto. porém. pelos DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !139 .

tal como Confirmação. As intenções propostas sejam sóbrias. de pé. C)        LITURGIA EUCARÍSTICA 72. pelo diácono. pelos que sofrem necessidades.             No entanto.BR governantes. de sua cadeira. dirigir a oração. seja por uma oração em silêncio. deu graças. isto é o meu Corpo.COM. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. pelo cantor. realiza aquilo mesmo que o Senhor fez e entregou aos discípulos para que o fizessem em sua memória69.       Normalmente serão estas as séries de intenções:             a) pelas necessidades da Igreja. exprime a sua súplica. Matrimônio. Fazei isto em memória de mim.             2) Na Oração eucarística rendem-se graças a Deus por toda a obra da salvação e as oferendas tornam-se Corpo e Sangue de Cristo. compostas por sábia liberdade e breves palavras e expressem a oração de toda a comunidade. De fato:             1) Na preparação dos dons levam-se ao altar o pão e o vinho com água. bebei.             O povo.       Na última Ceia. comei. 70. aqueles elementos que Cristo tomou em suas mãos. que tornam continuamente presente na Igreja o sacrifício da cruz. tomou o pão e o cálice.             b) pelos poderes públicos e pela salvação de todo o mundo.       Cabe ao sacerdote celebrante. em alguma celebração especial. por todos os seres humanos e pela salvação do mundo inteiro67. 71.             As intenções são proferidas. do ambão ou de outro lugar apropriado. partiu o pão e deu-o a seus discípulos dizendo: Tomai. pelo leitor ou por um fiel leigo68.             c) pelos que sofrem qualquer dificuldade. as intenções podem referir-se mais estreitamente àquelas circunstâncias. Ele a introduz com breve exortação. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !140 . na verdade. Por isso a Igreja dispôs toda a celebração da liturgia eucarística em partes que correspondem às palavras e gestos de Cristo.             d) pela comunidade local. represente do Cristo Senhor. convidando os fiéis a rezarem e depois a conclui. isto é.             Cristo. este é o cálice do meu Sangue. quando o sacerdote. Cristo instituiu o sacrifício e a ceia pascal. seja por uma invocação comum após as intenções proferidas. Exéquias.

para simbolizar que a oferta da Igreja e sua oração sobem. a cruz e o próprio altar. ao lado do altar. por causa do ministério sagrado e o povo.             A seguir. proferindo as fórmulas estabelecidas. exprimindo por esse rito o seu desejo de purificação interior. Oração sobre as oferendas 77. n. 74. das mãos do próprio Cristo. embora muitos.             Também são recebidos o dinheiro ou outros donativos oferecidos pelos fiéis para os pobres ou para a igreja. no entanto. em razão da dignidade batismal. 37. As normas relativas ao modo de cantar são as mesmas que para o canto da entrada (cf. n. ou recolhidos no recinto dela. o rito de levá-los ao altar conserva a mesma força e significado espiritual.       O pão e o vinho são depositados sobre o altar pelo sacerdote. O canto pode sempre fazer parte dos ritos das oferendas. É louvável que os fiéis apresentem o pão e o vinho que o sacerdote ou o diácono recebem em lugar adequado para serem levados ao altar. qual incenso. o missal e o cálice.COM. b) e se prolonga pelo menos até que os dons tenham sido colocados sobre o altar.       O canto do ofertório acompanha a procissão das oferendas (cf. 75. o sacerdote pode incensar as oferendas colocadas sobre o altar e. trazem-se as oferendas. colocando-se nele o corporal. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. colocados em lugar conveniente. podem ser incensados pelo diácono ou por outro ministro. Preparação dos dons 73.BR             3) Pela fração do pão e pela Comunhão os fiéis. 48). e com a oração sobre as oferendas. fora da mesa eucarística. em seguida. serão. que é o centro de toda a liturgia eucarística70. Embora os fiéis já não tragam de casa. recebem o Corpo e o Sangue do Senhor de um só pão e de um só cálice. do mesmo modo como os Apóstolos.             Primeiramente prepara-se o altar ou mesa do Senhor.       Depositadas as oferendas sobre o altar e terminados os ritos que as acompanham. também o sacerdote. 76. a não ser que se prepare na credência. mesmo sem a procissão dos dons. Em seguida.       No início da liturgia eucarística são levadas ao altar as oferendas que se converterão no Corpo e Sangue de Cristo. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !141 . à presença de Deus. o sacerdote lava as mãos. o purificatório.       Em seguida. conclui-se a preparação dos dons e prepara-se a Oração eucarística com o convite aos fiéis a rezarem com o sacerdote. como outrora. o pão e o vinho destinados à liturgia.

no fim. Oração eucarística 78. isto é.             f) A oblação. pela qual a Igreja.             d) A narrativa da instituição e consagração. centro e ápice de toda a celebração. pela qual. que termina com a conclusão mais breve. é proferida por todo o povo com o sacerdote. quando pelas palavras e ações de Cristo se realiza o sacrifício que ele instituiu na última Ceia. nosso Senhor. unindo-se aos espíritos celestes canta o Santo. de acordo com o dia. se.BR Na Missa se diz uma só oração sobre as oferendas.             c) A epiclese. O sentido desta oração é que toda a assembléia se una com Cristo na proclamação das maravilhas de Deus e na oblação do sacrifício.             O povo. A oração eucarística exige que todos a ouçam respeitosamente e em silêncio. oferece ao Pai. relembrando principalmente a sua bem-aventurada paixão. a festividade ou o tempo. 79. em nome de todo o povo santo. O sacerdote convida o povo a elevar os corações ao Senhor na oração e ação de graças e o associa à prece que dirige a Deus Pai. ao oferecer o seu Corpo e Sangue sob as espécies de pão e vinha. por Cristo. dando-lhes a ordem de perpetuar este mistério.COM. a conclusão será: Que vive e reina para sempre. na qual a Igreja implora por meio de invocações especiais a força do Espírito Santo para que os dons oferecidos pelo ser humano sejam consagrados. em particular a assembléia atualmente reunida. no Espírito Santo. e entregá-los aos apóstolos como comida e bebida. realizando esta memória. glorifica a Deus e lhe rende graças por toda a obra da salvação ou por um dos seus aspectos.       Inicia-se agora a Oração eucarística. se fizer menção do Filho.             e) A anamnese. e que a hóstia imaculada se torne a salvação daqueles que vão recebê-la em Comunhão. parte da própria Oração eucarística. isto é: Por Cristo. a Igreja faz a memória do próprio Cristo.       Podem distinguir-se do seguinte modo os principais elementos que compõem a Oração eucarística:             a) Ação de graças (expressa principalmente no Prefácio) em que o sacerdote. a gloriosa ressurreição e a ascensão aos céus. Esta aclamação. a hóstia DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !142 . AUGUSTOCEZARCORNELIUS. no Espírito Santo. prece de ação de graças e santificação.             b) A aclamação pela qual toda a assembléia. se tornem o Corpo e Sangue de Cristo. a faz sua pela aclamação Amém. em nome de toda a comunidade. unindo-se à oração. cumprindo a ordem recebida do Cristo Senhor através dos Apóstolos.

tanto celeste como terrestre. o seu Corpo e Sangue sejam recebidos como alimento espiritual pelos fiéis devidamente preparados. e se aperfeiçoem.             Quanto ao próprio sinal de transmissão da paz. para que finalmente Deus seja tudo em todos72. a fim de que as coisas santas sejam verdadeiramente dadas aos santos. que cada qual expresse a paz de maneira sóbria apenas aos que lhe estão mais próximos. que lembra para os cristãos antes de tudo o pão eucarístico. e pede-se a purificação dos pecados. o embolismo suplica que toda a comunidade dos fiéis seja libertada do poder do mal. Ritos da Comunhão 80. A Oração do Senhor 81. Esta é a finalidade da fração do pão e os outros ritos preparatórios. que os fiéis não apenas ofereçam a hóstia imaculada. AUGUSTOCEZARCORNELIUS.COM. Rito da paz 82. mas aprendam a oferecer-se a si próprios71. convém que. O sacerdote profere o convite.             g) As intercessões. Fração do pão DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !143 . o modo de realizá-lo*.BR imaculada. que a oblação é feita por ela e por todos os seus membros vivos e defuntos.       Sendo a celebração eucarística a ceia pascal. pelas quais se exprime que a Eucaristia é celebrada em comunhão com toda a Igreja. e o sacerdote acrescenta sozinho o embolismo. cada vez mais. que foram chamados a participar da redenção e da salvação obtidas pelo Corpo e Sangue de Cristo. de acordo com a índole e os costumes dos povos.             O convite. pela mediação do Cristo. na união com Deus e com o próximo.             h) A doxologia final que exprime a glorificação de Deus. antes de comungar do Sacramento. pelos quais os fiéis são imediatamente encaminhados à Comunhão. todos os fiéis recitam a oração com o sacerdote. que o povo encerra com a doxologia.       Segue-se o rito da paz no qual a Igreja implora a paz e a unidade para si mesma e para toda a família humana e os fiéis se exprimem a comunhão eclesial e a mútua caridade. segundo a ordem do Senhor. Desenvolvendo o último pedido do Pai-nosso. seja estabelecido pelas Conferências dos Bispos. no entanto. e é confirmada e concluída pela aclamação Amém do povo.       Na Oração do Senhor pede-se o pão de cada dia. porém. a própria oração.             Convém. ela deseja. o embolismo e a doxologia com que o povo encerra o rito são cantados ou proferidos em voz alta.

       Enquanto o sacerdote recebe o Sacramento. entoa-se o canto da comunhão que exprime. do Corpo vivente e glorioso de Cristo Jesus. para significar a unidade do Corpo e do Sangue do Senhor na obra da salvação.COM.BR 83. para que. ajudado. A fração se inicia terminada a transmissão da paz.       O sacerdote parte o pão eucarístico. também através dos sinais.       O sacerdote prepara-se por uma oração em silêncio para receber frutuosamente o Corpo e Sangue de Cristo. um hino após a Comunhão. pelo diácono ou um concelebrante. recebam o Corpo do Senhor em hóstias consagradas na mesma Missa e participem do cálice nos casos previstos (cf. diz em voz alta. ou seja. demonstra a alegria dos corações e realça mais a índole "comunitária" da procissão para receber a Eucaristia.       É muito recomendável que os fiéis. de modo que não se prolongue desnecessariamente nem seja considerada de excessiva importância. O gesto da fração realizado por Cristo na última ceia. Comunhão 84. à qual o povo responde. n. morto e ressuscitado pela salvação do mundo. contudo. usando as palavras prescritas do Evangelho. e. a união espiritual dos comungantes. pela unidade das vozes. e é realizada com a devida reverência. se for o caso. O canto prolonga-se enquanto se ministra a Comunhão aos fiéis74. 85. que é o Cristo. Havendo. A invocação acompanha a fração do pão. 17). a súplica Cordeiro de Deus. Este rito é reservado ao sacerdote e ao diácono. a Comunhão se manifeste mais claramente como participação no sacrifício celebrado atualmente73. significa que muitos fiéis pela Comunhão no único pão da vida. pode-se repetir quantas vezes for necessário até o final do rito. o sacerdote mostra aos fiéis o pão eucarístico sobre a patena ou sobre o cálice e convida-os ao banquete de Cristo. porém. A última vez conclui-se com as palavras dai-nos a paz. como também o próprio sacerdote deve fazer. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !144 . Os fiéis fazem o mesmo. 283). unindo-se aos fiéis.             A seguir. encerre-se em tempo o canto da Comunhão. O grupo dos cantores ou o cantor ordinariamente canta ou. faz um ato de humildade. rezando em silêncio.             O sacerdote faz a fração do pão e coloca uma parte da hóstia no cálice. por isso. ao menos. formam um só corpo ( 1Cor 10.             Haja o cuidado para que também os cantores possam comungar com facilidade. que no tempo apostólico deu o nome a toda a ação eucarística. 86.

mas no fim se fizer menção do Filho: Que vive e reina para sempre. antes de distribuir a Comunhão aos fiéis. toda a assembléia pode entoar ainda um salmo ou outro canto de louvor ou hino.       Terminada a distribuição da Comunhão. O canto é executado só pelo grupo dos cantores ou pelo grupo dos cantores ou cantor com o povo.             c) despedida do povo pelo diácono ou pelo sacerdote. unido e ordenado sob a direção do Bispo. para que cada qual retorne às suas boas obras. o diácono e os outros ministros.BR 87.COM. ou então pelo próprio sacerdote. depois de ter comungado. o povo santo. por alguns dentre eles ou pelo leitor. nosso Senhor. se forem necessárias. isto é. em que implora os frutos do mistério celebrado. pertence a todo o Corpo da Igreja e o manifesta e afeta.       Aos ritos de encerramento pertencem:             a) breves comunicações. a inclinação profunda ao altar pelo sacerdote. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. a antífona proposta no Missal pode ser recitada pelos fiéis.             O povo pela aclamação Amém faz sua a oração.se for dirigida ao Pai. o sacerdote profere a oração depois da Comunhão.             se for dirigida ao Filho: Que viveis e reinais para sempre.       Para completar a oração do povo de Deus e encerrar todo o rito da Comunhão.             Não havendo canto. ser for oportuno. o sacerdote e os fiéis oram por algum tempo em silêncio. CAPÍTULO III FUNÇÕES E MINISTÉRIOS NA MISSA 91.       Para o canto da comunhão pode-se tomar a antífona do Gradual romano. que termina com a conclusão mais breve.se for dirigida ao Pai: Por Cristo. aprovado pela Conferência dos Bispos. com ou sem o salmo.             b) saudação e bênção do sacerdote.       A Celebração eucarística constitui uma ação de Cristo e da Igreja. D)        RITOS DE ENCERRAMENTO 90. 88. ou por outra fórmula mais solene.             d) o beijo ao altar pelo sacerdote e o diácono e.             .             Na Missa se diz uma só oração depois da Comunhão. 89. mas atinge a cada um dos seus DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !145 . a antífona com o salmo do Gradual Simples ou outro canto adequado. Por isso. que em certos dias e ocasiões é enriquecida e expressa pela oração sobre o povo. em seguida. Se desejar. ou seja:             . louvando e bendizendo a Deus.

manifesta sua organização coerente e hierárquica76. o povo cristão. não para aumentar a solenidade exterior do rito. dá aos seus irmãos o pão da vida eterna e participa com eles do mesmo alimento. A sagrada Ordem do diaconado.             Se o Bispo não celebra a Eucaristia. ocupa o primeiro lugar entre aqueles que servem na celebração eucarística.             Quando o Bispo está presente à Missa com afluência do povo. no Espírito Santo. 93. conforme a diversidade de ordens. sacerdócio real. ele deve servir a Deus e ao povo com dignidade e humildade. façam tudo e só aquilo que lhes compete77.COM. servindo o sacerdote na preparação do altar e na celebração do sacrifício. pelo seu modo de agir e proferir as palavras divinas. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !146 . realmente. povo de conquista". Isto se faz. sobretudo sob a espécie do vinho e. exercendo suas funções e ministérios. I. e. portanto. ofícios e da participação atual75. seus auxiliares78. na pregação da palavra de Deus. associa a si o povo no oferecimento do sacrifício a Deus Pai. na proclamação das intenções da oração universal. foi tida em grande apreço na Igreja já desde os inícios da era apostólica82. mas para manifestar mais claramente o mistério da Igreja. de cruz peitoral. também está à frente do povo fiel reunido.          FUNÇÕES DE ORDEM SACRA 92. "sacramento da unidade"79. dê a bênção80. por vezes. na distribuição da Eucaristia aos fiéis.       O presbítero.       Toda celebração legítima da Eucaristia é dirigida pelo Bispo. convém que ele próprio. preside à sua oração. que na Igreja tem o poder sagrado da Ordem para oferecer o sacrifício em nome de Cristo81. mas delega outro para fazê-lo. e no fim da Missa. Todos. por vezes. é de máxima conveniência que ele celebre a Eucaristia e associe a si os presbíteros na sagrada ação como concelebrantes.       Depois do presbítero. Portanto. sugerir aos fiéis uma presença viva de Cristo. quer fiéis leigos. 94. o diácono. "geração escolhida. por Cristo. quando celebra a Eucaristia. anuncia-lhe a mensagem da salvação. Na Missa. quer ministros ordenados. Desta forma. o diácono tem partes próprias no anúncio do Evangelho e. gente santa. na orientação do povo quanto aos gestos e posições do corpo. presida a liturgia da palavra.BR membros de modo diferente. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. de estola e revestido do pluvial sobre a alva. pessoalmente ou através dos presbíteros. em virtude da sagrada ordenação recebida.

que ele mesmo deve exercer. que levem a cruz. da qual é ministro extraordinário84.       O acólito é instituído para o serviço do altar e auxiliar o sacerdote e o diácono. 187-193) que ele mesmo deve exercer. e.             Por isso. para dar graças a Deus e oferecer o sacrifício perfeito. o acólito possui partes próprias (cf. Tal unidade se manifesta muito bem quando todos os fiéis realizam em comum os mesmos gestos e assumem as mesmas atitudes externas. as DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !147 . distribuir aos fiéis a Eucaristia.       O leitor é instituído para proferir as leituras da sagrada Escritura.       Os fiéis não se recusem a servir com alegria ao povo de Deus.             No ministério do altar.       MINISTÉRIOS PARTICULARES O ministério do acólito e do leitor instituídos 98.     Não havendo acólito instituído. podem ser delegados ministros leigos para o serviço do altar e ajuda ao sacerdote e ao diácono. n. são todos irmãos entre si. o leitor tem uma função própria (cf. exceto o Evangelho. Esforcem-se. considerando sempre que todos têm um único Pai nos céus e. pois. por este motivo.BR II. 99. seja ouvindo a palavra de Deus. ou sobretudo na oblação comum do sacrifício e na comum participação da mesa do Senhor. proferir o salmo entre as leituras. 97. o povo adquirido e o sacerdócio régio. evitem qualquer tipo de individualismo ou divisão. Compete-lhe principalmente preparar o altar e os vasos sagrados. As demais funções 100. seja tomando parte nas orações e no canto. III. e aprender a oferecer-se a si próprios83. e faltando o salmista.       Na celebração da Missa os fiéis constituem o povo santo. não apenas pelas mãos do sacerdote. 194-198).       Formem um único corpo. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. sempre que solicitados para algum ministério particular ou função na celebração.             Na celebração eucarística. 96. mas também juntamente com ele. por manifestar isto através de um profundo senso religioso e da caridade para com os irmãos que participam da mesma celebração. n. se necessário.        FUNÇÕES DO POVO DE DEUS 95. Pode igualmente propor as intenções para a oração universal.COM.

dirige aos fiéis breves explicações e exortações. visando a introduzi-los na celebração e dispô-los para entendê-la melhor.COM. o pão. realmente capazes de exercerem esta função e cuidadosamente preparados. 106. com as devidas ressalvas.             b) O comentarista. não.     As funções litúrgicas. que. 102. que haja algum ministro competente ou mestre de cerimônias. sejam delegados outros leigos. o comentarista fica em pé em lugar adequado voltado para os fiéis.     Convém que haja um cantor ou regente de coro para dirigir e sustentar o canto do povo. Mesmo não havendo um grupo de cantores. a fim de que as ações sagradas sejam devidamente organizadas e exercidas com decoro.BR velas. os paramentos e outras coisas necessárias na celebração da Missa. com a devida participação do povo88. podem ser confiadas também pelo pároco ou reitor da igreja a leigos idôneos89 com bênção litúrgica ou designação DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !148 . 105. ao ouvirem as leituras divinas. 104. 103. oportunamente. 101. exerce sua função litúrgica o grupo dos cantores ou coral. Para bem exercer a sua função é necessário que o salmista saiba salmodiar e tenha boa pronúncia e dicção.     Exercem também uma função litúrgica:             a) O sacristão.     Compete ao salmista proclamar o salmo ou outro cântico bíblico colocado entre as leituras. sobretudo para o organista. no ambão.     Entre os fiéis. conforme os diversos gêneros de cantos. e promover a ativa participação dos fiéis no canto87. compete ao cantor dirigir os diversos cantos. Cabe-lhe executar as partes que lhe são próprias. O que se diz do grupo de cantores vale também. ordem e piedade pelos ministros sagrados e os fiéis leigos. 107. para proferir as leituras da Sagrada Escritura. Ao desempenhar sua função. porém.             c) Os que fazem as coletas na igreja. em certas regiões.             d) Os que. ou também sejam delegados como ministros extraordinários para a distribuição da sagrada Comunhão85. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. que dispõe com cuidado os livros litúrgicos.     Na falta de leitor instituído. o vinho e a água. para que os fiéis. sóbrias e claras. que não são próprias do sacerdote ou do diácono e das quais se trata acima (n.     É conveniente. para os outros músicos. Convém que as exortações do comentarista sejam cuidadosamente preparadas. concebam no coração um suave e vivo afeto pela Sagrada Escritura86. ao menos nas igrejas catedrais e outras igrejas maiores. acolhem os fiéis às portas da igreja e os levam aos seus lugares e organizam as suas procissões. 100-106). o turíbulo.

um após o outro. e assim por diante. 109. n. um diácono pode ser destinado a proferir as partes cantadas e outro. a não ser se trate da Paixão do Senhor. 111. por exemplo. 92). diáconos e ministros leigos91. ele mesmo exerça diversas funções. Mas não convém de modo algum que várias pessoas dividam entre si um único elemento da celebração. havendo várias leituras. ao ministério do altar. 110. com espírito dócil e diligente. CAPÍTULO IV AS DIVERSAS FORMAS DE CELEBRAÇÃO DA MISSA 112. observem-se as normas dadas pelo Bispo para sua diocese. ao sacerdote que preside a celebração.     Se na Missa com o povo houver apenas um ministro. seja quanto ao aspecto pastoral e musical.     Achando-se presentes várias pessoas aptas a exercerem o mesmo ministério. Contudo. visto que aí se dá a principal manifestação da Igreja. sob a direção do reitor da igreja e ouvidos também os fiéis naquilo que diretamente lhes concerne. a mesma leitura feita por dois. nada impede que distribuam entre si e exerçam as diversas partes do mesmo ministério ou ofício.COM. de acordo com o Missal e outros livros litúrgicos. cercado de seu presbitério.BR temporária. é bom que sejam distribuídas entre diversos leitores. por causa de sua significação. IV. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. acima. fica sempre o direito de dispor sobre aqueles elementos que lhe competem90.        A DISTRIBUIÇÃO DAS FUNÇÕES E A PREPARAÇÃO DA CELEBRAÇÃO 108. Por exemplo. Quanto à função de servir ao sacerdote junto ao altar.     A preparação prática de cada celebração litúrgica. e na qual o povo santo de Deus participa plena e ativamente. à Missa presidida pelo Bispo. com exceção daquelas que são próprias da Missa com a presença do Bispo (cf.     Na Igreja local deve-se dar o primeiro lugar. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !149 . seja feita de comum acordo por todos aqueles a quem diz respeito. seja quanto aos ritos.     Um e o mesmo sacerdote deve exercer a função presidencial sempre em todas as suas partes.

Além disso. ser realizada sem canto e com um ministro apenas. Sobre ele ou ao seu redor. Embora estas Missas nada tenham de especial em sua celebração. a não ser que estejam escusados por justa causa. isto é. exerçam normalmente a função da própria Ordem. I. porém.     O altar seja coberto ao menos com uma toalha de cor branca. Convém. pode. 113. Nessas Missas. ou a Missa chamada "da comunidade". revestidos das vestes sagradas.BR             Na Missa celebrada pelo Bispo. e sobretudo com a plena participação de todos os membros da comunidade. sobretudo a paroquial. que faz parte do Ofício cotidiano.COM. ou à qual ele se faz presente sem que celebre a Eucaristia. A MISSA COM POVO 115. ao menos dois castiçais DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !150 . possui dignidade particular a Missa conventual. Convém ainda que todos os sacerdotes.     Entende-se por Missa com povo a que é celebrada com participação de fiéis. concelebrem na medida do possível. Convém que os presbíteros que participam da celebração eucarística. 114. sobretudo nos domingos e festas de preceito. que a celebração. este exerça a sua função. é de suma conveniência que sejam celebradas com canto. principalmente quando se trata da celebração comunitária do dia do Senhor93. participando de preferência como concelebrantes. O rito descrito em seguida prevê. portam a veste coral própria ou sobrepeliz sobre a veste talar. todos os membros da comunidade. entretanto. religiosos ou cônegos. a possibilidade de maior número de ministros. em qualquer celebração.     Dê-se igualmente grande valor à Missa celebrada com uma comunidade. se realize com canto e conveniente número de ministros95.     Entre as Missas celebradas em certas comunidades. uma vez que esta representa a Igreja universal. porém. os sacerdotes obrigados a celebrar individualmente para o bem pastoral dos fiéis. observem-se as normas que se encontram no Cerimonial dos Bispos92. cada um exerça a sua função segundo a Ordem ou o ministério que recebeu. na medida do possível. podem também concelebrar a Missa conventual ou "da comunidade" no mesmo dia94. AUGUSTOCEZARCORNELIUS.     Na celebração de qualquer Missa em que esteja presente o diácono. Convém. em determinado tempo e lugar. 116. não obrigados a celebrar individualmente por motivo pastoral. um leitor e um cantor. que o sacerdote celebrante seja assistido normalmente por um acólito. Caso contrário. O que é necessário preparar 117. coloquem-se.

galhetas com vinho e água.             c) para os demais ministros: alva ou outras vestes legitimamente aprovadas96. dirigem ao altar na seguinte ordem:             a) o turiferário com o turíbulo aceso. Os castiçais e a cruz. uma cruz com a imagem do Cristo crucificado.             O cálice.     Reunido o povo. do diácono. pão para a Comunhão do sacerdote que preside. podem ser trazidos na procissão de entrada.     Preparem-se também:             a) junto à cadeira do sacerdote: o missal e.COM. n. o turíbulo e a naveta com incenso. preparem-se as vestes sagradas (cf. estola e dalmática. se for oportuno. o sacerdote e os ministros. que pode ser da cor do dia ou de cor branca. cibórios. 337-341) do sacerdote. cruz a ser levada na procissão e castiçais com velas acesas. como convém. revestidos das vestes sagradas. sobretudo quando se trata de Missa dominical ou festiva de preceito. pala. distinto do livro das outras leituras. 119. que pode ser dispensada em sua falta. um livro de cantos. ornada com a imagem do Cristo crucificado.BR com velas acesas.             Quando se realiza a procissão da entrada preparem-se também o Evangeliário. e o que for necessário para lavar as mãos. 118. ou então quatro ou seis. a não ser que todas estas coisas sejam apresentadas pelos fiéis na procissão das oferendas. seja coberto com um véu. Haja também sobre o altar ou em torno dele. nos domingos e dias festivos. se necessário. estola e casula ou planeta. do diácono e dos demais ministros:             a) para o sacerdote: alva. corporal. como também em celebrações menos solenes. A)         MISSA SEM DIÁCONO Ritos iniciais 120.     Na sacristia. dos ministros e do povo. quando se usa incenso. quando se usa incenso.             b) no ambão: o Lecionário. Pode-se também colocar sobre o altar o Evangeliário.             b) para o diácono: alva. colocam-se sete. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. ou quando celebrar o Bispo diocesano. recipiente com água a ser abençoada se houver aspersão. conforme as diversas formas de celebração. se for oportuno. patena para a Comunhão dos fiéis.             c) na credência: cálice. purificatório e. patena e. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !151 .

diz a oração do dia. de mãos unidas: Oremos. ela será guardada em lugar adequado.     O sacerdote sobe ao altar e beija-o em sinal de veneração. contornando-o. incensa a cruz e o altar. de modo que se torna a cruz do altar. com brevíssimas palavras. Ele mesmo ou outro ministro.     Chegando ao altar. E todos. e do Filho. introduzir os fieis na Missa do dia. O sacerdote pode. Então o sacerdote. n. Em seguida. 47-48). com brevíssimas palavras. caso contrário. é cantado ou recitado o Senhor.     Em seguida.     Enquanto se faz a procissão para o altar. os castiçais são colocados sobre o altar ou junto dele. todos se assentam.     Segue-se o ato penitencial.     Nas celebrações previstas. canta-se ou se recita o Glória (cf. sem nada dizer. n. 53). 124. O leitor. 123. ornada com a imagem do Cristo crucificado trazida eventualmente na procissão. que pode conduzir um pouco elevado o Evangeliário. pode. e estando todos de pé. conforme as rubricas (cf.     Concluída a oração do dia. 122. o sacerdote convida o povo a rezar. Liturgia da Palavra 128. que deve ser uma só. o sacerdote e os ministros fazem inclinação profunda. o acólito ou outro ministro com a cruz. 52). Terminado o canto da entrada. oram um momento em silêncio. antes de iniciar a procissão. tende piedade. 125. não. o sacerdote põe incenso no turíbulo. O povo responde: Amém. dizendo. o sacerdote e os fiéis fazem o sinal da cruz.             c) os acólitos e os outros ministros. o Evangeliário seja colocado sobre o altar. se for oportuno. O sacerdote diz: Em nome do Pai.             d) o leitor.BR             b) os ministros que portam as velas acesas e. abençoando-o com o sinal da cruz. porém.             Voltado para o povo e abrindo os braços. 126. introduzir os fiéis na liturgia da Palavra. o sacerdote saúda-o com uma das fórmulas propostas. o povo aclama: Amém.     Em seguida. Ao terminar. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. 121. entre eles.             e) o sacerdote que vai celebrar a Missa. e do Espírito Santo.             A cruz. juntamente com ele. abrindo os braços. n.COM. por sua DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !152 . o sacerdote dirige-se à cadeira. canta-se o canto da entrada (cf. 127.             Quando se usa incenso. pode ser colocada junto ao altar. o lecionário. Em seguida.

se for oportuno. o leitor profere a aclamação Palavra do Senhor. todos se põem de pé e canta-se o Aleluia ou outro canto. 136. ao terminar. No fim. se usar incenso. Senhor. na boca e no peito. A seguir. de pé junto à cadeira ou no próprio ambão. profere a aclamação: Palavra da Salvação. purificai-me. e profundamente inclinado diante do altar. manifestando uma especial reverência ao Evangelho de Cristo. então. diz todas as leituras bem como o salmo. 131.     Enquanto se canta o Aleluia ou outro canto.             Se for oportuno. o sacerdote.COM. se for oportuno. proclama o Evangelho e. Os presentes voltam-se para o ambão. n. e do Lecionário já aí colocado antes da Missa.     Se não houver leitor.     O sacerdote. coloca-o no turíbulo e o abençoa. respondendo. n. o próprio sacerdote. conforme as exigências do tempo litúrgico (cf. purificai-me. precedido dos ministros leigos. que podem levar o turíbulo e os castiçais. se usar incenso. com as mãos unidas. de mãos unidas. ele o coloca e abençoa e. fazendo com o polegar o sinal da cruz sobre o livro e sobre si mesmo. diz em silêncio: Ó Deus todo- poderoso.BR vez. 276-277). dirige-se para o ambão.     Toma. profere a homilia. 130. no fim. respondendo todos Graças a Deus. se estiver no altar e. de pé ao ambão. 132. respondendo todos: Glória a vós. pode-se.     Em seguida. com a aclamação. profundamente inclinado. o salmista ou o próprio leitor. O povo aclama. O sacerdote beija o livro.     Depois. pode-se observar um tempo de silêncio. dizendo em silêncio: Pelas palavras do Santo Evangelho. 135. pode-se observar um breve espaço de silêncio. profere os versículos do salmo ao que o povo normalmente responde com o refrão. enquanto todos escutam. Também aí.     No ambão. 133. ou ainda. 134. diz: O Senhor esteja convosco. respondendo o povo: Ele está no meio de nós e. que todos escutam. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. ao terminar. O sacerdote incensa o livro. a seguir. Senhor. conduzindo o Evangeliário um pouco elevado. então. como se disse acima (n. 62-64). dizendo: Glória a vós.     Se houver uma segunda leitura antes do Evangelho. acompanhado nisso por todos. observar um breve espaço de silêncio. 128). proclama a primeira leitura. o Evangeliário. se usar incenso (cf. na fronte. diz: Ó Deus todo-poderoso. A seguir. Proclamação do Evangelho. o leitor a proclama do ambão. dirige-se ao ambão. 129. em outro lugar adequado. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !153 . para que todos meditem o que ouviram. o sacerdote abre o livro e. Em seguida.

n. de pé junto à cadeira e de mãos unidas. todos se inclinam profundamente. de pé. responde suplicante. respondendo o povo: Bendito seja Deus para sempre. Contudo. se julgar oportuno. o sacerdote. 68). diz em silêncio: De coração contrito. enquanto o ministro lhe apresenta as galhetas.             O acólito ou outro ministro leigo coloca sobre o altar o corporal. mas nas solenidades da Anunciação do Senhor e do Natal do Senhor todos se ajoelham. o purificatório.             As oblações dos fiéis são recebidas pelo sacerdote. profundamente inclinado. do ambão ou de outro lugar apropriado e voltado para o povo propõe as intenções. derrama vinho e um pouco d'água no cálice. 138. AUGUSTOCEZARCORNELIUS.     Terminada a oração universal. às quais o povo. dizendo em silêncio: Bendito sejais. e a mantém levemente elevada sobre o altar com ambas as mãos. se não houver canto de preparação das oferendas ou não houver música de fundo do órgão. n. no lado do altar.     Ao altar. n. dizendo em silêncio: Bendito sejais. com breve exortação convida os fiéis à oração universal. o sacerdote. Liturgia eucarística 139.     Terminado o símbolo.     Convém que a participação dos fiéis se manifeste através da oferta do pão e vinho para a celebração da Eucaristia. 143.COM. 140. o sacerdote pode proferir em voz alta as fórmulas de bendição. Senhor. 73). dizendo em silêncio: Por esta água.     Depois de colocado o cálice sobre o altar. E depõe a patena com o pão sobre o corporal. A seguir. Por fim. que as depõe sobre o altar. Retornando ao centro do altar. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !154 . o sacerdote recebe a patena com pão. todos se assentam e tem início o canto do ofertório (cf. 142      Em seguida. 74). e depõe o cálice sobre o corporal. com ambas as mãos mantém um pouco elevado o cálice preparado. por sua vez.     O símbolo é cantado ou recitado pelo sacerdote com o povo (cf. o sacerdote. na apresentação do pão e do vinho.BR 137. o cálice. conclui a prece por uma oração. a pala e o missal. o leitor ou outra pessoa. cobrindo-o com a pala. o cantor. Às palavras E se encarnou pelo Espírito Santo. de mãos estendidas. estando todos de pé. 141. ou de outras dádivas para prover às necessidades da igreja e dos pobres. Senhor. O pão e o vinho para a Eucaristia são levados para o celebrante. ajudado pelo acólito ou outro ministro. enquanto as outras dádivas são colocadas em outro lugar adequado (cf.

o povo. de pé ao lado do altar.b). incensa o sacerdote e.     Após a oração De coração contrito. O povo responde: O nosso coração está em Deus.             É muito conveniente que o sacerdote cante as partes da Oração eucarística. canta ou diz em voz alta: Santo (cf. exige que somente o sacerdote. 145. 79. convida o povo a rezar. O povo põe-se de pé e responde. o sacerdote. o sacerdote.     Outra vez no centro do altar. em virtude de sua ordenação. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. que são as respostas no diálogo do Prefácio.. vosso indigno servo e por meu irmão N. ao lado do altar. que se encontram em cada uma dessas Orações. após as palavras: pelo vosso servo o Papa N.. Quando o Bispo celebra fora de sua diocese. se usar incenso. vosso indigno servo. Em seguida. acrescenta: por mim. 146. eleva as mãos. 365) ele escolhe uma das Orações eucarísticas do Missal Romano. Conforme as rubricas (cf. por sua natureza. o sacerdote. Enquanto prossegue: Corações ao alto. de mãos estendidas. ou aprovadas pela Sé Apostólica. continua o Prefácio. dizendo: Receba o Senhor. e a aclamação Amém.. bem como outras aclamações aprovadas pela Conferência dos Bispos e reconhecidas pela Santa Sé. 147. A Oração eucarística. 149. dizendo em silêncio: Lavai-me. O ministro. estendendo e unindo as mãos. estendendo as mãos. após a doxologia final. Em seguida.     Iniciando a Oração eucarística. diz a Oração sobre as oferendas. o sacerdote. No fim o povo aclama: Amém. Bispo desta Igreja N. irmãos e irmãs etc. nosso Deus. n. ou depois da incensação. Senhor. terminado este. de pé. O sacerdote. o Santo. enquanto o ministro derrama a água. n. por sua vez. canta ou diz: O Senhor esteja convosco. de mãos estendidas. enriquecidas pela música. o sacerdote. e o povo responde: É nosso dever e nossa salvação. dizendo: Orai. nas Preces.             Se o celebrante é Bispo. abençoa-o sem nada dizer e incensa as oferendas. sem seguida. de pé e voltado para o povo.     O sacerdote inicia a Oração eucarística. o sacerdote o coloca no turíbulo.     O sacerdote continua a Oração eucarística conforme as rubricas. a cruz e o altar. ou após as DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !155 . acrescenta: e por mim.     A seguir. e o povo responde: Ele está no meio de nós. 148. une as mãos e com todos os presentes. lava as mãos.COM.. a profira. se associe ao sacerdote na fé e em silêncio e por intervenções previstas no decurso da Oração eucarística. acrescenta: Demos graças ao Senhor. após as palavras: pelo vosso servo o Papa N. O povo.BR 144. de mãos estendidas. a aclamação após a consagração.

AUGUSTOCEZARCORNELIUS. de mãos estendidas.. tomando a patena com a hóstia e o cálice ou elevando ambos juntos profere sozinho a doxologia: Por Cristo. Prefeito.. de mãos estendidas. o povo profere a aclamação. 152..     Um pouco antes da consagração. Faz o mesmo em cada elevação. ou quem for de direito equiparado a ele. de mãos unidas. pode-se fazê-lo em forma geral: e o nosso Bispo N. o sacerdote. porém. Bispo desta Igreja N. usando uma das fórmulas prescritas. de mãos estendidas. diz a exortação que precede a Oração do Senhor e. deve ser nomeado com esta fórmula: com o Papa N. 153. e seus Bispos auxiliares. estas fórmulas se usam conforme exigirem as normas gramaticais.             Se for usado incenso. conforme o costume da região. saudai-vos em Cristo Jesus.             No fim da Oração eucarística. presentes. o sacerdote. Prelado.     Em seguida. 151. outros bispos. eventualmente. o sacerdote.             O Bispo diocesano.COM. voltado para o povo. proclama-a juntamente com o povo. Faça o mesmo DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !156 . anuncia a paz. 150. não.     Concluída a Oração eucarística. a seguir. 154. estendendo e unindo as mãos. diz sozinho. adverte os fiéis com um sinal da campainha. Quando vários devem ser nomeados.             Em cada Oração eucarística. dissestes.     Após a consagração. diz em voz alta a oração Senhor Jesus Cristo. O povo responde: O amor de Cristo nos uniu. ao serem mostrados ao povo a hóstia e o cálice após a consagração. Depois.             O sacerdote pode dar a paz aos ministros. acrescenta: de mim. podem ser nomeados na Oração eucarística. no fim do qual o povo aclama: Vosso é o reino.BR palavras: de nosso Papa N. terminada esta.     Terminada a Oração do Senhor. Ao término. o embolismo: Livrai-nos de todos os males. para que não se perturbe a celebração. Em seguida. mas sempre permanecendo no âmbito do presbitério. vosso indigno servo e de meu irmão N. o ministro os incensa. conforme o caso. o povo aclama: Amém. o sacerdote. Abade) N.             O Bispo Coadjutor e os Auxiliares. dizendo: A paz do Senhor esteja sempre convosco. o ministro. o sacerdote acrescenta: Meus irmãos e minhas irmãs. se for oportuno. o sacerdote depõe a patena e o cálice sobre o corporal. com o nosso Bispo (ou: Vigário. tendo o sacerdote dito: Eis o mistério da fé.

Os fiéis comungam ajoelhados ou de pé. a ser estabelecida pelas mesmas normas. 157. em silêncio.BR se por motivo razoável quiser dar a paz para alguns poucos fiéis. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. ou Senhor Jesus Cristo. e com as mãos juntas. onde for concedido. diz a oração da Comunhão: Senhor Jesus Cristo. pode-se dizer: A paz do Senhor esteja sempre contigo. parte-a sobre a patena e deixa cair uma partícula no cálice. A seguir. na boca ou. observe-se o rito descrito no lugar próprio (cf.     Em seguida. Todos. o sacerdote toma a hóstia. n. Se. e. 158.             Não é permitido aos fiéis receber por si mesmos o pão consagrado nem o cálice consagrado e muito menos passar de mão em mão entre si. a comunhão e a caridade. entoa-se o canto da Comunhão (cf. o sacerdote mostra a cada um a hóstia um pouco elevada.COM.     O sacerdote toma. assim que recebe a santa hóstia. o sacerdote faz genuflexão. e com reverência bebe o Sangue de Cristo. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !157 . no entanto. segura o cálice e diz em silêncio: Que o Sangue de Cristo me guarde para a vida eterna. o sacerdote. expressam mutuamente a paz.     Terminada a oração. a patena ou o cibório e se aproxima dos que vão comungar e que normalmente se aproximam em procissão. comungarem de pé.     Se a Comunhão é dada sob a espécie do pão somente. 83). 160. dizendo em silêncio: Esta união. 156. eu não sou digno. toma a hóstia consagrada na mesma missa e segurando-a um pouco elevada sobre a patena ou sobre o cálice. n. sendo a resposta: Amém. 284-287). e comunga com reverência o Corpo de Cristo. então. acrescenta uma só vez: Senhor.     Enquanto o sacerdote comunga o Sacramento. Enquanto isso. Quem vai comungar responde: Amém. Quando a Comunhão se fizer sob as duas espécies. o sacerdote diz em silêncio: O Corpo de Cristo me guarde para a vida eterna. 155. n. o coral e o povo cantam ou dizem o Cordeiro de Deus (cf.     A seguir. 159. Filho de Deus vivo. conforme for estabelecido pela Conferência dos Bispos. façam devida reverência. recomenda-se que. à sua livre escolha. antes de receberem o Sacramento. juntamente com o povo. conforme as normas estabelecidas pela Conferência dos Bispos. recebe o Sacramento. 86). diz voltado para o povo: Felizes os convidados etc. O comungante. 161. consome-a inteiramente. o vosso Corpo. porém.     De pé e voltado para o altar. Enquanto se dá a paz. na mão. dizendo: O Corpo de Cristo.

            Tendo voltado para o altar. as hóstias que sobram. o sacerdote pode delegar fiéis idôneos para o caso particular98.     Terminada a oração depois da comunhão. que para isso foram legitimamente delegados97. consome imediatamente todo o vinho consagrado que tenha sobrado. conforme as rubricas. 163. 165. se necessário.     A seguir.             O Bispo abençoa o povo com fórmula apropriada. Em caso de necessidade. 167.     Em seguida. recebendo sempre o vaso que contém as espécies da Santíssima Eucaristia a serem distribuídas aos fiéis.BR 162. e de mãos estendidas. saúda o povo. de mãos unidas Oremos. prossegue: Pai. que pode ser precedida de um momento de silêncio. o sacerdote diz. e traçando o sinal da cruz sobre o povo. e o povo responde: Ele está no meio de nós. ou seja. o sacerdote. acrescenta logo. e Filho. o próprio sacerdote. o sacerdote recolhe os f 164. voltado para o povo.     Terminada a distribuição da Comunhão. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. n. ele as consome ao altar ou as leva ao lugar destinado à conservação da Eucaristia. o sacerdote pode chamar ministros extraordinários para ajudá-lo. Todos respondem: Amém.     Em seguida. Se não houver e se o número dos comungantes for muito grande. estendendo as mãos. da mão do sacerdote celebrante. pela oração sobre o povo ou outra fórmula mais solene. Pode-se guardar durante algum tempo um sagrado silêncio.COM. de pé.             Estes ministros não se aproximem do altar antes que o sacerdote tenha tomado a Comunhão. breves comunicações ao povo. façam-se. unindo novamente as mãos. traçando três vezes o sinal da cruz sobre o povo99. esta bênção é enriquecida e expressa. No fim da oração o povo aclama: Amém.     Outros presbíteros eventualmente presentes podem ajudar o sacerdote na distribuição da Comunhão.             Em certos dias e ocasiões. Ritos finais 166. recita a Oração depois da Comunhão. 88). ou entoar um salmo ou outro canto ou hino de louvor (cf. no altar. o acólito instituído bem como outros fiéis. E o sacerdote. e Espírito Santo. dizendo: O Senhor esteja convosco. a não ser que já se tenha guardado silêncio após a Comunhão. recolhendo a mão esquerda sobre o peito e elevando a mão direita: Abençoe-vos Deus todo- poderoso. o sacerdote pode voltar à cadeira. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !158 . junto à cadeira ou ao altar.

serve o sacerdote na imposição do incenso. como de costume e.             f) se não houver outros ministros. venera-o com um ósculo. se for usado incenso.COM. como de costume. encarrega-se do cálice e do livro.     Se houver depois da Missa alguma ação litúrgica. tendo colocado o Evangeliário com deferência sobre o altar. o diácono. permanecendo aí ao lado do sacerdote e servindo-o quando necessário. caminha a seu lado. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. Em seguida. de mãos unidas. 170.             Se. profundamente DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !159 .             c) proclama o Evangelho e. não conduzir o Evangeliário.     Conduzindo o Evangeliário. 66). Assim. se não.     Incensado o altar.     Logo após a bênção.             b) ao altar. quando se usa incenso. assiste o sacerdote na colocação do incenso e na incensação da cruz e do altar. Liturgia da palavra 175. dirige-se para a sua cadeira com o sacerdote. B) MISSA COM DIÁCONO 171.             e) auxilia o sacerdote celebrante na distribuição da Comunhão e purifica e recolhe os vasos sagrados. n. porém. o diácono.             Por fim. feita a ele com os ministros leigos profunda inclinação. E. isto é. 173.     O sacerdote beija o altar. sobe ao altar. o diácono:             a) assiste o sacerdote e caminha a seu lado. omitem-se os ritos finais. faz. a bênção e a despedida.             d) orienta o povo fiel através de oportunas exortações e enuncia as intenções da oração universal.     Quando está presente à celebração eucarística.     Enquanto é proferido o Aleluia ou outro canto. conforme a necessidade. revestido das vestes sagras. o sacerdote. Ritos iniciais 172. com o sacerdote profunda inclinação ao altar e. acrescenta: Ide em paz e o Senhor vos acompanhe e todos respondem: Graças a Deus. com eles se retira.BR 168. se conduzir o Evangeliário. o diácono precede o sacerdote que se dirige ao altar. 174. exerce as funções deles. a saudação. omitida a reverência.     Chegando ao altar. exerça seu ministério. pouco elevado. com ele. com o sacerdote venera o altar com um ósculo. 169. por mandado do sacerdote celebrante. pode fazer a homilia (cf.

levando o livro um pouco elevado.BR inclinado diante do sacerdote.     Durante a Oração eucarística. em seguida. respondendo todos: Glória a vós. Senhor. dizendo: Dá-me a tua bênção. cabe-lhe ainda cuidar dos vasos sagrados. Assiste o sacerdote na recepção das dádivas do povo.             Quando o diácono serve ao Bispo. ele saúda o povo. apresenta o cálice ao sacerdote. mas um pouco atrás. dizendo em silêncio: Pelo mistério desta água e. dizendo: O Senhor esteja em teu coração. para cuidar do cálice ou do missal. Em seguida. as intenções da oração dos féis. incensa o livro e proclama o Evangelho.     Não havendo outro leitor preparado. e volta para junto do sacerdote. toma o Evangeliário.     Após a introdução do sacerdote. Ele pode fazer esta preparação do cálice também junto à credência. derrama vinho e um pouco d'água no cálice. o diácono prepara o altar com a ajuda do acólito. Em seguida. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. Quando se usa incenso. em voz baixa a bênção. conforme a oportunidade. feita uma inclinação ao altar. 177.COM. precedido do turiferário com o turíbulo fumegante e dos ministros com velas acesas. pede. dizendo em silêncio: Pelas palavras do santo Evangelho. 176.             Por fim. que louvavelmente se encontra colocado sobre o altar e dirige-se ao ambão. O sacerdote o abençoa. serve o sacerdote na incensação das oferendas. traça o sinal da cruz com o polegar sobre o livro e. aclama: Palavra da Salvação. Entrega ao sacerdote a patena com o pão que vai ser consagrado. o diácono propõe. em seguida. às palavras Proclamação do Evangelho. quando necessário.     Terminada a oração universal. Liturgia eucarística 178. leva-lhe o livro para ser osculado ou ele mesmo o beija. dizendo em silêncio: Pelas palavras do santo Evangelho. o diácono profere também as outras leituras. da cruz e do altar. abençoa o povo com o Evangeliário. O diácono faz o sinal da cruz e responde: Amém. beija o livro. Ao terminar. sobre si mesmo. enquanto o sacerdote permanece em sua cadeira. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !160 . o diácono permanece de pé junto ao sacerdote. sobre a boca e o peito. Em celebrações mais solenes o Bispo. o Evangeliário pode ser levado para a credência ou outro lugar adequado e digno. na fronte. e depois ele mesmo ou o acólito incensa o sacerdote e o povo. normalmente do ambão. dizendo de mãos unidas: O Senhor esteja convosco e. Ali. 179. a seguir.

o diácono recebe a Comunhão sob as duas espécies do próprio sacerdote e. junto com o sacerdote.     Se for usada a oração sobre o povo ou a fórmula da bênção solene. feita uma inclinação profunda. um deles na hora da consagração pode colocar incenso no turíbulo e incensar na apresentação da hóstia e do cálice. ao altar. de mãos juntas e voltado para o povo: Meus irmãos e minhas irmãs. sobre o corporal. recebe a paz do sacerdote e pode oferecê-la aos outros ministros que lhe estiverem mais próximos. 181. de pé ao lado do sacerdote. Sendo a Comunhão ministrada sob as duas espécies. 183. o diácono volta com o sacerdote ao altar e reúne os fragmentos. depois da despedida do povo. os vasos a purificar e purificá-los imediatamente após a Missa. se for o caso. 182. até que o povo tenha aclamado: Amém.BR             A partir da epiclese até a apresentação do cálice o diácono normalmente permanece de joelhos. o diácono despede o povo. dizendo de mãos unidas e voltado para o povo: Ide em paz e o Senhor vos acompanhe. retira-se como à entrada. 186. saudai-vos em Cristo Jesus. o diácono diz: Inclinai-vos para receber a bênção. Se houver vários diáconos. onde os purifica e compõe como de costume. venera com um ósculo o altar e. o diácono. A seguir. apresenta o cálice aos comungantes e. se os houver. leva o cálice e os outros vasos sagrados para a credência. por sua vez. o diácono faz breves comunicações que se fizerem necessárias ao povo. ajuda o sacerdote a distribuir a Comunhão ao povo. Ritos finais 184. enquanto o sacerdote regressa à cadeira. a não ser que o próprio sacerdote prefira fazê-lo. terminada a distribuição.     Depois que o sacerdote disse a oração pela paz e: A paz do Senhor esteja sempre convosco. faz o convite à paz. o povo responde: O amor de Cristo nos uniu. Dada a bênção pelo sacerdote.     À doxologia final da Oração eucarística.COM.     A seguir. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !161 . 180. Ele. dizendo.     Tendo o sacerdote comungado. se for o caso. com a ajuda. todo o Sangue de Cristo que tiver sobrado. consome logo com reverência. em seguida.     Após a Oração depois da Comunhão.     Concluída a distribuição da Comunhão. 185. enquanto o sacerdote eleva a patena com a hóstia. eleva o cálice. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. Podem-se deixar devidamente cobertos na credência. dos demais diáconos e dos presbíteros.

o acólito ministra o cálice aos comungantes. os enxuga e os arruma. depõe a cruz perto do altar. o acólito legalmente instituído. se for necessário. alguns deles podem ocorrer simultaneamente.COM. que.Se a Comunhão for dada sob as duas espécies. Depois de chegar ao altar. Em seguida. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !162 . mas se estiver presente um único acólito. o acólito pode levar a cruz.     O acólito legalmente instituído. este execute o que for mais importante. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. ocupe um lugar do qual possa comodamente cumprir o seu ministério. ajuda o sacerdote a receber os donativos do povo e. se for o caso. incensa o sacerdote e o povo.     Do mesmo modo. Liturgia eucarística 190. terminada a distribuição da Comunhão. como ministro extraordinário.     Não havendo diácono. portanto. ocupa o seu lugar no presbitério. na medida do possível. o acólito devidamente instituído leva os vasos sagrados para a credência e ali. ajuda o sacerdote ou o diácono a purificar e arrumar os vasos sagrados. Usando-se incenso. Na falta de diácono. Convém. o acólito põe sobre o altar o corporal. por isso.BR C)        FUNÇÕES DO ACÓLITO 187. a pala e o missal. na ausência do diácono. o cálice. guarda-a em lugar digno. entre dois ministros que levam velas acesas. pode. para lhes apresentar o livro e ajudá-los em outras coisas necessárias. como de costume. Convém. 192. ou segura o cálice. distribuindo-se as demais entre outros ministros. oportunamente. se a comunhão for dada por intinção. os purifica. leva para o altar o pão e o vinho e os entrega ao sacerdote. apresenta ao sacerdote o turíbulo e o auxilia na incensação das oferendas. da cruz e do altar. depois de concluída a oração universal. Ritos iniciais 188. quer junto à cadeira quer junto ao altar. se não. que sejam oportunamente distribuídas entre várias pessoas. o purificatório. enquanto o sacerdote permanece junto à cadeira.     Na procissão para o altar. cabe ao acólito aproximar-se do sacerdote ou do diácono. ajudar o sacerdote a distribuir a Comunhão ao povo100. 189. 191. A seguir. Em seguida.     Durante toda a celebração.     As funções que o acólito pode exercer são de diversos tipos. de modo que se torne a cruz do altar.

     Se não houver canto à Entrada e à Comunhão. faz com os outros profunda inclinação. D)        FUNÇÕES DO LEITOR Ritos iniciais 194. do ambão.BR 193. 48 e 87). do mesmo modo e na mesma ordem em que vieram.     A concelebração.             d) nas Missas de reuniões sacerdotais de qualquer tipo. e os fiéis não recitarem as antífonas propostas no missal.     Terminada a Missa. o leitor.     Na falta de diácono. neste caso.     Ao chegar ao altar. seu lugar no presbitério. Reuniões de Bispos e de Sínodos. as intenções da oração universal. se recomenda. MISSA CONCELEBRADA 199. caminha à frente do sacerdote. 197. voltam processionalmente à sacristia. com os demais ministros. ocupa. faltando o diácono. bem como a unidade de todo o povo de Deus. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !163 . AUGUSTOCEZARCORNELIUS. pode levar o Evangeliário um pouco elevado.     O acólito profere.             Além disso. Liturgia da palavra 196.             c) na Missa conventual e na Missa principal nas igrejas e oratórios. as leituras que precedem o Evangelho. a não ser que o bem pastoral dos fiéis exija ou aconselhe outra coisa:             a) na Missa vespertina na Ceia do Senhor. pode proferir também o salmo responsorial depois da primeira leitura.             b) na Missa de Concílios. depois que o sacerdote fez a introdução. o acólito e os demais ministros. A seguir. do ambão. com os demais ministros. o leitor as pode proferir no momento oportuno (cf. junto com o sacerdote e o diácono. 198. Não havendo salmista. do contrário. sobe ao altar e depõe o Evangeliário sobre ele.COM. Se levar o Evangeliário. é prescrita pelo próprio rito: na ordenação de Bispo e de Presbíteros.     Na procissão ao altar. pode proferir. que manifesta convenientemente a unidade do sacerdócio e do sacrifício. na bênção de Abade e na Missa do Crisma. revestido de vestes aprovadas. n. II. seja de seculares seja de religiosos101. 195.

     Tenha-se em particular apreço a concelebração em que os presbíteros de uma diocese concelebram com o próprio Bispo.     Por motivo especial. na Ceia do Senhor. segundo as normas do direito. contanto que sejam celebradas em suas horas próprias. na Missa vespertina.             b) se alguém celebrou ou concelebrou a Missa da Vigília pascal pode celebrar ou concelebrar a Missa no dia da Páscoa.     Onde houver grande número de sacerdotes. 200. mas não no mesmo tempo. Nesses casos se manifesta de forma ainda mais clara a unidade do sacerdócio e da Igreja.             d) na Comemoração de todos os fiéis defuntos. celebrou ou concelebrou a Missa do Crisma. na Quinta-feira. na Quinta-feira Santa. a concelebração pode realizar-se várias vezes no mesmo dia. que caracteriza cada concelebração103. principalmente nas maiores solenidades do ano litúrgico.BR             Contudo. nos aniversários do Bispo e por ocasião de um Sínodo ou visita pastoral. não é permitido oferecer o sacrifício de modo individual. na Missal do Crisma.     Os presbíteros em peregrinação.COM. nos seguintes casos:             a) se alguém. dirigir a disciplina da concelebração em todas as igrejas e oratórios de sua diocese. mas deve ser feita em momentos sucessivos ou em lugares sagrados diversos102.     Compete ao Bispo. por ocasião dos exercícios espirituais ou de algum encontro.             Pelo mesmo motivo. quer pela significação do rito. todos os sacerdotes podem celebrar ou concelebrar três Missas. 203. contanto que seja reconhecida sua condição sacerdotal. quer pela importância da festa. a cada sacerdote é permitido celebrar a Eucaristia de forma individual. 201. 204.             c) no Natal do Senhor. 202. em que na mesma igreja ou oratório. pode celebrar ou concelebrar a Missa vespertina. todos os sacerdotes podem celebrar ou concelebrar três Missas. nas celebrações do Santo Fundador da Igreja local ou Patrono da diocese. é permitido celebrar ou concelebrar mais vezes no mesmo dia. se realiza uma concelebração. onde a necessidade ou utilidade pastoral o aconselhar. contanto que as celebrações se DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !164 . na Missa estacional. recomenda-se a concelebração todas as vezes que os presbíteros se reúnem com o seu Bispo. No entanto. na Ceia do Senhor. sejam acolhidos de bom grado para a concelebração eucarística. na Missa de ordenação de um novo Bispo da diocese ou do seu Coadjutor ou Auxiliar. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. na Ceia do Senhor e na Missa da Vigília pascal.

209. vai até a cadeira. incensa a cruz e o altar e. n. O celebrante principal. os concelebrantes e o celebrante principal. Liturgia da palavra 212. grande número de concelebrantes e escassez de paramentos. 112-198). se for oportuno. segue as normas previstas (cf. nas suas diversas modalidades. partes que lhes são próprias podem ser confiadas a outros fiéis capacitados. O mesmo vale. como.     Ninguém se associe nem seja admitido a concelebrar. os concelebrantes ocupam os seus lugares e levantam-se com o celebrante principal. com as devidas ressalvas.     Preparem-se no presbitério:             a) cadeiras e livretes para os sacerdotes concelebrantes. e observado o que é prescrito a respeito da aplicação da segunda e da terceira Missa104. celebrar outra Missa. para o bem dos fiéis. Os sacerdotes concelebrantes seguem à frente do celebrante principal. pode. observando-se. dispensar a casula ou planeta. por exemplo. Se houver motivo justo. ou mudando-se o que vem exposto a seguir. os paramentos que usam normalmente ao celebrarem a Missa.             b) na credência: cálice de tamanho suficiente ou vários cálices.             Se também não houver outros ministros. 208. podem os concelebrantes.     Os concelebrantes vestem na secretaria ou noutro lugar adequado. depois de já iniciada a Missa. faz-se como de costume a procissão pela igreja até o altar. feita profunda inclinação. AUGUSTOCEZARCORNELIUS.     A Missa concelebrada. em seguida.     Estando tudo preparado. caso contrário.     Durante a liturgia da Palavra. serão desempenadas por alguns dos concelebrantes.COM. 205.     Ao chegarem ao altar. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !165 . para os encontros de religiosos. 206.     Se não houver diácono suas funções serão desempenhadas por alguns dos concelebrantes. e se encaminham para as suas cadeiras.BR façam em momentos diversos. Ritos iniciais 210.             e) se alguém concelebra com o Bispo ou seu delegado no Sínodo. e usar apenas a estola sobre a alva. veneram o altar com um ósculo. 211. exceto sempre o celebrante principal. 207. na visita pastoral ou em reuniões de sacerdotes.

     A homilia normalmente será feita pelo celebrante principal ou por um dos concelebrantes. 215. 213. 218. Contudo. um pouco atrás.     Depois que o celebrante principal concluiu a oração sobre as oferendas. Só o celebrante principal fará os gestos indicados. Liturgia eucarística 214. na sua ausência.COM. ao concelebrante que vai proclamar o Evangelho. mas o Santo é cantado ou recitado por todos os concelebrantes junto com o povo e o grupo de cantores. 139-146) é feita pelo celebrante principal. os sacerdotes concelebrantes prosseguem a Oração eucarística na maneira como se determina a seguir. Oração eucarística I. sejam ditas em voz tão baixa de tal modo que se ouça claramente a voz do celebrante principal.             O diácono exerce o sua função junto ao altar. o concelebrante que. 217. permanece de pé. os concelebrantes aproximam-se do altar e colocam-se em torno dele. nem impeçam o acesso do diácono ao altar ao exercer a sua função. O modo de proferir a Oração eucarística 216. que todos devem expressar. na ausência do diácono proclama o Evangelho. sem nada dizer e dá a bênção ao diácono ou. na concelebração presidida por um presbítero. sobretudo as palavras da consagração. ornadas com notas no missal. não pede nem recebe a bênção do celebrante principal. exceto o Bispo. quando forem recitadas. ministrando. de mãos estendidas. ou Cânon romano 219. após os sacerdotes concelebrantes. quanto possível. n. quando necessário. o Pai de misericórdia é dito somente pelo celebrante principal. caso não se determine outra coisa. colocados em torno do celebrante principal. Contudo. que coloca incenso.     Terminado o Santo. mas de tal forma que não dificultem a realização dos ritos e a visão das cerimônias sagradas por parte dos fiéis. Dessa forma as palavras são mais facilmente entendidas pelo povo. o cálice e o Missal.BR             Iniciado o Aleluia.     O Prefácio é cantado ou proclamado somente pelo sacerdote celebrante principal. AUGUSTOCEZARCORNELIUS.     A preparação dos dons (cf. todos se levantam. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !166 . enquanto os outros concelebrantes permanecem nos respectivos lugares.     As partes que são proferidas conjuntamente por todos os concelebrantes e. ou Cânon romano. são de preferência cantadas.     Na Oração eucarística I.             As partes a serem proferidas por todos os concelebrantes juntos.

AUGUSTOCEZARCORNELIUS. com as mãos estendidas para as oferendas. da seguinte forma:             a) o Santificai pois. o Na verdade. aceitar até o Nós vos suplicamos.             b) Na noite e Do mesmo modo. pois. se parecer oportuno. que. diz sozinho a sua parte.             e) o Nós vos suplicamos. 227. ó Pai.             b) o Estando para ser entregue e Do mesmo modo. é dito novamente apenas pelo celebrante principal de mãos estendidas.     Na Oração eucarística II.BR 220. 221.     O Lembrai-vos. aceitar. cada um. ó Pai. olham para a hóstia e o cálice e depois se inclinam profundamente. ó Pai e o E a todos nós pecadores convém que sejam confiados a um ou dois sacerdotes concelebrantes. à apresentação. à apresentação. da seguinte forma:             a) O Dignai-vos. ó Pai. de mãos estendidas em direção às oferendas.     Às palavras E a todos nós pecadores todos os concelebrantes batem no peito. de mãos unidas.COM. em voz alta e de mãos estendidas.             c) as palavras do Senhor. 224. olham para a hóstia e o cálice e depois se inclinam profundamente. inclinados e de mãos unidas até as palavras recebendo o Corpo e o Sangue e erguem-se fazendo o sinal da cruz às palavras sejamos repletos de todas as graças e bênçãos do céu. ó Pai. com a mão direita estendida para o pão e o cálice. 222. vós sois santo é proferido apenas pelo celebrante principal.             c) as palavras do Senhor. ó Pai e o Em comunhão convém que sejam confiados a um ou dois sacerdotes concelebrantes.             d) o Celebrando. ó Pai. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !167 . Do Dignai-vos. em voz alta e de mãos estendidas. 223. diz sozinho a sua parte.     O Lembrai-vos. de mãos estendidas. que. de mãos estendidas. o celebrante principal realiza os gestos. cada um.     O Por ele não cessais de criar é dito apenas pelo celebrante principal. de mãos unidas. se parecer oportuno. Oração eucarística II 226. 225.     Desde o Santificai pois até o E nós vos suplicamos os concelebrantes proferem tudo juntos. enquanto todos os concelebrantes dizem tudo juntos. a memória e o Recebei.     O Recebei. com a mão direita estendida para o pão e o cálice. esta oferenda.

Nós proclamamos até levando à plenitude a sua obra é proferido apenas pelo celebrante principal. cada um.             b) o Na noite em que ia ser entregue e o Do mesmo modo. diz sozinho a sua parte. em voz alta e de mãos estendidas.     Na Oração eucarística III. se parecer oportuno. que. convém que sejam confiados a um ou dois sacerdotes concelebrantes. cada um. ó Pai.     Do Por isso. com a mão direita estendida para o pão e o cálice.             c) as palavras do Senhor. à apresentação.     Do Por isso. 233.     Na Oração eucarística IV. de mãos estendidas. nós vos suplicamos até o Olhai com bondade.             c) as palavras do Senhor. 228.BR             d) o Celebrando. diz sozinho a sua parte. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !168 . de mãos estendidas. todos os concelebrantes proferem tudo juntos. em voz alta e de mãos estendidas.COM. à apresentação. até o Olhai com bondade. pois. olham para a hóstia e o cálice e depois se inclinam profundamente. e pelos falecidos: Lembrai-vos também dos nossos irmãos. de mãos unidas. de mãos unidas. o E agora nós vos suplicamos e o Acolhei com bondade. de mãos estendidas. Oração eucarística III 229. 230. de mãos estendidas. de mãos estendidas para as oferendas. que. todos os concelebrantes recitam tudo juntos. a memória e o E nós vos suplicamos. nós vos pedimos. 231. de mãos estendidas.             b) o Quando. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. com a mão direita estendida para o pão e o cálice. pois. convém que sejam confiados a um ou dois sacerdotes concelebrantes. chegou a hora e o Do mesmo modo. nós vos pedimos. Oração eucarística IV 232.             d) o Celebrando agora e o Olhai com bondade. vós sois santo é proferido apenas pelo celebrante principal. se parecer oportuno. olham para a hóstia e o cálice e depois se inclinam profundamente. com as mãos estendidas para as oferendas. o Na verdade.             d) o Celebrando agora e o Olhai com bondade. da seguinte maneira:             a) o Por isso. da seguinte maneira:             a) o Por isso.     As intercessões: Que ele faça de nós.     As intercessões pelos vivos: Lembrai-vos. nós vos suplicamos.

238. na sua ausência. Podem. segurando-o com a mão direita e colocando por baixo a esquerda.BR 234. o celebrante principal toma a hóstia. convém que sejam confiados a um mais concelebrantes.     O Livrai-nos é dito apenas pelo celebrante principal.COM. ou um ou vários dos concelebrantes seguram.     A seguir. de mãos unidas. Filho do Deus vivo.     Terminada a oração antes da Comunhão. diz a exortação que precede a Oração do Senhor e. lembrai-vos de todos. diz em silêncio a oração Senhor Jesus Cristo. mantendo-a um pouco elevada sobre a patena ou sobre o cálice. fazendo genuflexão e tomam do altar. no entanto. em voz alta. reza a Oração do Senhor com os demais concelebrantes. 236. 243. ou Senhor Jesus Cristo. junto com os demais concelebrantes.     A seguir. não. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !169 . de um dos concelebrantes: Meus irmãos e minhas irmãs. Os que se encontram mais próximos do celebrante principal recebem a sua saudação antes do diácono. e.     Depois do convite do diácono ou. passando diante deles. o celebrante principal faz genuflexão e afasta-se um pouco. Todos os concelebrantes dizem com o povo a aclamação final: Vosso é o reino. 240. também de mãos estendidas e com todo o povo. os concelebrantes se aproximam do centro do altar. permanecer nos respectivos lugares e tomar o Corpo de Cristo da patena que o celebrante principal. de mãos estendidas. 239. Rito da Comunhão 237. se se preferir. pelos fiéis.     Após depositar no cálice a fração da hóstia.     Intercessões: o E agora. 241. com reverência. observem-se a normas estabelecidas para cada uma delas. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. o Lembrai-vos também e o E a todos nós. retornam a seus lugares.     Quanto a outras Orações eucarísticas aprovadas pela Sé Apostólica. que as recita sozinho. os diáconos ou alguns dos concelebrantes podem auxiliar o celebrante principal a partir as hóstias para a Comunhão dos concelebrantes e do povo. todos se cumprimentam. Um após os outros. saudai-vos em Cristo Jesus. o Corpo de Cristo. de mãos estendidas. só o celebrante principal.     A doxologia final da Oração eucarística é proferida somente pelo sacerdote celebrante principal e. ou então passam a patena de um a outro até o último. com as mãos estendidas.     Durante o Cordeiro de Deus. o vosso Corpo e o vosso Sangue. ó Pai. 235. de mãos juntas. consagrada na própria Missa. 242. porém. o celebrante principal.

voltado para o altar. logo em seguida.COM. distribui a Comunhão aos fiéis (cf. Cada um. em cada caso. 245. ou também passando sucessivamente o cálice uns aos outros. se for preciso. como de costume (cf. tomam do Sangue. eu não sou digno. todo o Sangue que restar. ou ainda com uma cânula ou uma colher. dizendo: Senhor.     O diácono. diz em silêncio: Que o Corpo de Cristo me guarde para a vida eterna. à credência. no altar. O cálice é sempre enxugado. n.             Neste caso. A seguir. Depois deles. diz: Felizes os convidados. seja por aquele que bebe.     Quando a Comunhão é feita diretamente do cálice. o celebrante principal. fazem genuflexão. ou dois a dois quando se usam dois cálices. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. n. 158). DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !170 . leva-o. por alguns dos concelebrantes. toma normalmente o Sangue do Senhor.BR voltado para o povo. 244. o purifica. do Sangue de Cristo. toma o cálice e diz em silêncio: Que o Sangue de Cristo me guarde para a vida eterna.     O Sangue do Senhor pode ser tomado diretamente do cálice.             b) O celebrante principal. como de costume. seja por aquele que apresenta o cálice. o celebrante principal toma a Comunhão sob as duas espécies. 246. para a Comunhão do cálice. 247. Os concelebrantes fazem o mesmo. observando-se o rito escolhido. volta à sua cadeira. 183). no centro do altar. consome. com reverência. um a um. enxuga e compõe (cf.     Em seguida. que os demais concelebrantes hão de seguir. de pé ao meio do altar. n. bebendo do cálice que o diácono.             Os concelebrantes aproximam-se do altar. ou por intinção. de pé. tomando a Comunhão.             Os concelebrantes podem tomar o Sangue do Senhor nos seus respectivos lugares. junto ao altar. bebe um pouco do Sangue e entrega o cálice ao diácono ou a um concelebrante. o diácono recebe das mãos do celebrante principal o Corpo do Senhor. 248. e continua com os concelebrantes e o povo. pode-se usar um dos seguintes modos:             a) O celebrante principal. ajudado. em seguida. 160-162).     A Comunhão dos concelebrantes pode também realizar-se de modo que um depois do outro comunguem. onde ele mesmo ou um acólito legitimamente instituído. ou um dos concelebrantes lhes apresenta. do Corpo e. enxugam a borda do cálice e voltam para a respectiva cadeira. depois de ter comungado. e comunga com reverência o Corpo de Cristo.

como de costume. quando for o caso. leva-o.     Se a Comunhão dos concelebrantes se faz por intinção. com o diácono.     Na Missa celebrada por um sacerdote. em seguida. o celebrante principal comunga como de costume.BR             Assim. por alguns dos concelebrantes. MISSA COM ASSISTÊNCIA DE UM SÓ MINISTRO 252. III. sobre outro corporal. um depois do outro.             O diácono. o purifica. as partes do povo. com a patena sob a boca. observa-se o rito da Missa com povo (cf. mergulham-na parcialmente no cálice e.     Os Concelebrantes. conforme o rito escolhido para a Comunhão do cálice. 166-168). enxuga e compõe.             A Comunhão do diácono e a purificação do cálice se realizam também como foi descrito acima. 251. ajudado. se for preciso. fazem-lhe uma profunda inclinação. n. 249. com reverência. junto com a patena com as partículas. n. aproximam-se do altar. fazem genuflexão. antes de se afastarem do altar. ou um dos concelebrantes. terminada a Comunhão do celebrante principal. à credência. onde ele mesmo ou um acólito legitimamente instituído. respondendo Amém ao concelebrante que lhe diz: O Corpo e o Sangue de Cristo. permanecendo os concelebrantes em suas cadeiras.     O celebrante principal procede ao mais como de costume até o final da Missa (cf. o diácono. beija o altar em sinal de veneração. porém. cuidando que fique ainda bastante do precioso Sangue para a Comunhão dos concelebrantes.             O diácono também comunga por intinção. coloca-se o cálice num lado do altar. Um depois do outro. como se disse acima. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. tomam a partícula embebida e voltam aos seus lugares como no início da Missa. O celebrante principal. A seguir. Ritos finais 250. todo o Sangue que restar. consome. como de costume. proferindo o ministro.COM. dispõe o cálice. fazem genuflexão e comungam o Corpo do Senhor. 120-169). ao qual assiste e responde um só ministro. de modo conveniente. no meio do altar ou num dos lados sobre outro corporal.             Os concelebrantes. passam em seguida para o lado do altar e tomam o Sangue do Senhor. junto ao altar. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !171 . o Corpo e o Sangue do Senhor. tomam a partícula. os concelebrantes aproximam-se do centro do altar.

se dizem o Senhor e o Glória. dizendo: Em nome do Pai. O sacerdote introduz e conclui a oração.     Se o ministro for diácono. omitem-se as saudações. de pé. n. inclinado. 258. e o ministro responde: Glória a vós. Neste caso. beijando-o e dizendo em silêncio: Pelas palavras do santo Evangelho. seja na credência perto do altar. o sacerdote pode permanecer ao altar. e desempenha outrossim. aproxima-se do altar e. não se faça a não ser por causa justa e razoável. 261. lê o Evangelho. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. o ministro ou o sacerdote diz a antífona da entrada.     A seguir. as exortações e a bênção no final da Missa. Em seguida.     Os vasos sagrados necessários são preparados antes da Missa. seja sobre o altar. são proferidas do ambão ou da estante. profere a oração do dia. o ministro aclama: Amém. ao passo que o ministro profere as intenções. 263. realiza-se o ato penitencial e. ele exerce as funções que lhe são próprias (cf. o sacerdote diz: Ó Deus todo-poderoso. neste caso. diz Oremos e. Se preferir. prepara-se aí também o missal. voltado para o ministro. do lado direito. de mãos unidas. faz o sinal da cruz. 171-186). quando prescrita. feita profunda inclinação. com as mãos estendidas. que também pode ser dita nesta Missa. e. fazendo uma pausa conveniente. Ao terminar diz: Palavra da Salvação. purificai-me. 255. Em seguida.     As leituras. 262. o venera pelo ósculo e ocupa seu lugar na cadeira. na medida do possível. Ao terminar.BR 253. a segunda leitura e o versículo do Aleluia ou outro canto.     Depois da oração do dia. 254.     Depois. em seguida. 264. o ministro lê a primeira leitura e o salmo e.     A seguir. saúda-o com uma das fórmulas propostas. conforme as rubricas. de acordo com as rubricas. Liturgia da palavra 260.     A seguir. as outras partes do povo.COM.     Segue-se a oração universal. o sacerdote recita com o ministro o símbolo.     A celebração sem ministro ou ao menos de um fiel. Senhor. o sacerdote venera o livro.     Em seguida. Ritos iniciais 256. 257. Liturgia eucarística DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !172 . 259.     O sacerdote. o sacerdote com o ministro.

266. toma a hóstia e. 267.     Os ritos finais são realizados como na Missa com povo. o sacerdote parte a hóstia sobre a patena. o sacerdote saúda o ministro.COM. o vosso Corpo. acrescenta: A paz do Senhor esteja sempre convosco. eu não sou digno e O Corpo de Cristo me guarde e comunga o Corpo de Cristo. diz. exceto o que se segue. voltado para o altar. feita inclinação profunda. Depois toma o cálice e diz em silêncio: O Sangue de Cristo me guarde para a vida eterna. faz genuflexão. 268. o Ide em paz.BR 265. 269.     Feita a aclamação no final do embolismo.     Após a purificação do cálice. Se o cálice for purificado no altar.     O sacerdote purifica o cálice na credência ou ao altar ou.     Na liturgia eucarística tudo é feito como na Missa com povo. diz a Oração depois da Comunhão. como de costume. e toma o Sangue. porém. retira-se com o ministro. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. toma a hóstia e. se o ministro comungar.  Em seguida. tendo feito a genuflexão. dizendo em silêncio: Esta união. convém que o sacerdote observe algum tempo de silêncio. omitindo-se. CAPÍTULO IV ALGUMAS NORMAS MAIS GERAIS PARA TODAS AS FORMAS DE MISSA Veneração do altar e do Evangeliário DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !173 . pode ser levado para a credência pelo ministro ou ser colocado a um lado. 271. 270.     A seguir. o sacerdote diz em silêncio a oração Senhor Jesus Cristo. Ritos finais 272. venera o altar com um beijo e. depois. O sacerdote.     Em seguida. a que o ministro responde: O amor de Cristo nos uniu. sobre o altar. voltado para ele e segurando a hóstia um pouco elevada sobre o cálice: Felizes os convidados e diz com ele uma só vez: Senhor. o sacerdote diz a oração Senhor Jesus Cristo. em seguida.     Antes de ser dada a Comunhão ao ministro. Se o ministro não receber a Comunhão. depõe no cálice a fração da hóstia. eu não sou digno. que segue a Oração do Senhor. enquanto diz com o ministro o Cordeiro de Deus. comunga o Corpo de Cristo. dissestes. voltado para o altar. Se for oportuno. o sacerdote. Filho do Deus vivo ou Senhor Jesus Cristo. a seguir. é dita a antífona da Comunhão pelo ministro ou pelo próprio sacerdote. Terminado o Cordeiro de Deus. diz uma vez em silêncio: Senhor.

com o consentimento da Sé Apostólica. a não ser que caminhem processionalmente. 275. às palavras Nós vos suplicamos. Ap 8. onde esse sinal não se coadunar com as tradições ou a índole da região. na consagração. Além disso. às orações Ó Deus todo-poderoso. O diácono faz a mesma inclinação quando pede a bênção antes de proclamar o Evangelho.     Conforme uso consagrado. 2. houver no presbitério tabernáculo com o Santíssimo Sacramento. ou inclinação profunda. por isso. o diácono e os outros ministros fazem genuflexão. ou seja. 210-251). que se faz dobrando o joelho direito até o chão.3). quando chegam ao altar. compete à Conferência dos Bispos estabelecer outro sinal para substituí-lo. Mas. porém. da Virgem Maria e do Santo em cuja honra se celebra a Missa. significa adoração. o sacerdote. se faz: ao altar. o sacerdote inclina-se um pouco quando.     A genuflexão. a saber: depois da apresentação da hóstia. vêm indicadas nos respectivos lugares (cf. Incensação 276.             b) Inclinação de corpo. ao nome de Jesus. de cabeça e de corpo:             a) Faz-se inclinação de cabeça quando se nomeiam juntas as três Pessoas Divinas.             Na Missa o sacerdote celebrante faz três genuflexões. fazem inclinação da cabeça.             Os ministros que levam a cruz processional e as velas. e à santa Cruz. As particularidades a serem observadas na Missa concelebrada.             Também fazem genuflexão todos os que passam diante do Santíssimo Sacramento. desde a solene adoração na Ação litúrgica da Sexta-feira na Paixão do Senhor até o início da Vigília pascal. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !174 . AUGUSTOCEZARCORNELIUS. n.BR 273.     A turificação ou incensação exprime a reverência e a oração. se reserva ao Santíssimo Sacramento. em vez de genuflexão. purificai-me e De coração contrito. durante a própria celebração da Missa. e quando dele se retiram. a veneração do altar e do Evangeliário é feita pelo ósculo. não.     Pela inclinação se manifesta a reverência e a honra que se atribuem às próprias pessoas ou aos seus símbolos. no Cânon Romano. como é significada na Sagrada Escritura (cf. Genuflexão e inclinação 274. Há duas espécies de inclinação. no símbolo às palavras E se encarnou. Sl 140.COM. após a apresentação do cálice e antes da Comunhão. porém.             Se. profere as palavras do Senhor.

DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !175 . caminhando. Da mesma forma recolha os fragmentos. ou traçando com o turíbulo o sinal da cruz sobre as oferendas.             Antes e depois da turificação faz-se inclinação profunda à pessoa ou à coisa que é incensada. o sacerdote.             Se a cruz estiver sobre o altar ou junto dele. com exceção do altar e das oferendas para o sacrifício da Missa.             Com dois ductos são incensadas as relíquias e as imagens dos Santos expostas à veneração pública. é turificado antes da incensação do altar. após a consagração.     Ao colocar o incenso no turíbulo. andando ao seu redor.             b) se. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. caso contrário. o sacerdote limpe os dedos sobre a patena ou. se os houver fora da patena. bem como o sacerdote e o povo.COM. depois a parte esquerda. principalmente após a fração ou a Comunhão dos fiéis. o sacerdote o abençoa com o sinal da cruz.             As oferendas são incensadas pelo sacerdote com três ductos do turíbulo.             O altar é incensado.             c) à procissão e à proclamação do Evangelho.             São incensados com três ductos do turíbulo: o Santíssimo Sacramento. antes da incensação da cruz e do altar. a cruz e o altar. se necessário. as oferendas para o sacrifício da Missa. 277. incensa primeiro a parte direita do altar. o sacerdote e o povo. o sacerdote o incensa. a cruz do altar. Purificação 278. o círio pascal. as relíquias da santa Cruz e as imagens do Senhor expostas para veneração pública.             e) à apresentação da hóstia e do cálice. o Evangeliário. sem nada dizer. da seguinte maneira:             a) se o altar estiver separado da parede. quando o sacerdote passa diante dele.             d) depostos o pão e o cálice sobre o altar.             b) no início da Missa. lave-os. para incensar a cruz e o altar. contudo. para incensar as oferendas. cada vez com um só icto. mas somente uma vez no início da celebração. após a incensação do altar. o altar não estiver separado da parede.BR             O incenso pode ser usado facultativamente em qualquer forma de Missa:             a) durante a procissão de entrada.     Sempre que algum fragmento da hóstia aderir aos dedos.

salva a sua substância. quando sob as duas espécies.             c) aos membros das comunidade na Missa conventual ou na Missa chamada "da comunidade". a Comunhão sob as duas espécies é permitida nos seguintes casos:             a) aos sacerdotes que não podem celebrar ou concelebrar o santo sacrifício. Antes de tudo advirtam os fiéis de que a fé católica ensina que. também sob uma só espécie. no que concerne aos frutos da Comunhão. se recebe Cristo todo e inteiro. o que julgar conveniente à utilidade dos que os recebem e à veneração dos mesmos sacramentos. dos tempos e dos lugares107. assim como o verdadeiro sacramento. se for derramado um pouco do Sangue. Comunhão sob as duas espécies 281. por isso. Sob esta forma se manifesta mais perfeitamente o sinal do banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor.     Se a hóstia ou alguma partícula cair no chão. segundo o Concílio Ecumênico Tridentino. assim como a relação entre o banquete eucarístico e o banquete escatológico no reino do Pai105. A patena seja limpa normalmente com o sanguinho. seja recolhida com reverência.     Cuidem os pastores de lembrar. em razão da diversidade das coisas. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. aos alunos dos Seminários. 283. tem o poder de determinar e mudar. pelo qual se manifesta do modo mais perfeito o sinal do banquete eucarístico. a serem consumidos por aquele que purifica o cálice. a doutrina católica a respeito da forma da Sagrada Comunhão. ou com água e vinho.COM.     A Comunhão realiza mais plenamente o seu aspecto de sinal. da melhor forma possível.     Além dos casos previstos nos livros rituais. aos fiéis que participam do rito ou a ele assistem. 280. aqueles que recebem uma só espécie não ficam privados de nenhuma graça necessária à salvação106.BR 279.     Os vasos sagrados são purificados pelo sacerdote ou pelo diácono ou pelo acólito instituído depois da Comunhão ou da Missa. na administração dos sacramentos. na medida do possível junto à credência.             b) ao diácono e a todos que exercem algum ofício na Missa.             Cuide-se que a sobra do Sangue de Cristo que eventualmente restar após a distribuição da Comunhão seja tomado logo integralmente ao altar. e lance-se depois esta água na piscina construída na sacristia. Ao mesmo tempo exortem os fiéis a desejarem participar mais intensamente do rito sagrado. lave-se com água o lugar onde caiu. 282.             Ensinem ainda que a Igreja. A purificação do cálice é feita com água. a todos os que fazem DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !176 .

eventualmente. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. ou pelo diácono. como de costume. a serem reconhecidas pela Sé Apostólica*. em caso de necessidade. 285. enxuga e compõe os vasos sagrados. é confiado eventualmente este ofício. queiram comungar somente sob a espécie de pão. e à extensão da faculdade. ou outro fiel a quem. sempre que isso parecer oportuno ao sacerdote a quem. quanto ao modo de distribuir a sagrada Comunhão sob as duas espécies aos fiéis.     Para distribuir a Comunhão sob as duas espécies. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !177 . ou o rito se torne mais difícil. por causa do número de participantes ou por outro motivo. Ao mesmo Bispo se concede a faculdade de permitir a Comunhão sob as duas espécies. que o próprio comungando.BR exercícios espirituais ou que participam de alguma reunião espiritual ou pastoral. que serviu ao cálice e. o comungando responde: Amém. para que possam ser distribuídas comodamente depois de molhadas parcialmente no Sangue. ou também o acólito instituído ou outro ministro extraordinário da sagrada Comunhão. contanto que os fiéis tenham boa formação a respeito e esteja excluído todo perigo de profanação do Sacramento. tendo-se sempre o cuidado de prever que não sobre mais do Sangue de Cristo do que se possa tomar razoavelmente no fim da celebração. 284. seja-lhes oferecida a sagrada Comunhão dessa forma. ou pelo acólito instituído. o presbítero. e o ministro lhe estende o cálice. O Ministro diz: O Sangue de Cristo. purifica.             Aos fiéis que.     Se a Comunhão do Sangue se faz bebendo do cálice. 286.             Contudo. o comungando. preparem-se:             a) quando a Comunhão do cálice é feita tomando diretamente do cálice.     Quando a Comunhão é dada sob as duas espécies:             a) quem serve ao cálice é normalmente o diácono. as hóstias não sejam demasiado finas nem pequenas. na sua ausência.             b) quando a Comunhão se realiza por intinção. a comunidade está confiada.             b) o que por acaso sobrar do precioso Sangue é consumido ao altar pelo sacerdote. mas um pouco mais espessas que de costume. a serem observadas inclusive nas igrejas dos religiosos e nos pequenos grupos.             O Bispo diocesano pode baixar normas a respeito da Comunhão sob as duas espécies para a sua diocese. prepare-se um cálice de tamanho suficiente ou vários cálices. como pastor próprio. ou. as Conferências dos Bispos podem baixar normas. depois de ter recebido o Corpo de Cristo. aproxima-se do ministro do cálice e fica de pé diante dele.COM.

por sua vez. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !178 . enxuga a borda do cálice com o purificatório. na medida do necessário. 291.COM. 289. reformar e dispor convenientemente os edifícios sagrados. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. em outro lugar conveniente. leva à boca. Contudo. recebe do sacerdote o Sacramento. o comungando. procure-se uma verdadeira qualidade artística. que segura o vaso com as sagradas partículas e a cujo lado tem o ministro sustentando o cálice.     Por isso.     Todas as igrejas sejam dedicadas ou ao menos abençoadas. Ainda mais. mostrando-a.BR com as mãos.          PRINCÍPIOS GERAIS 288. As igrejas e os demais lugares devem prestar-se à execução das ações sagradas e à ativa participação dos féis. diz: O Corpo e o Sangue de Cristo.     Para edificar.     Para celebrar a Eucaristia o povo de Deus se reúne geralmente na igreja. mergulha-a parcialmente no cálice e. os edifícios sagrados e os objetos destinados ao culto sejam realmente dignos e belos. nos programas propostos aos artistas. para que alimentem a fé e a piedade e correspondam ao seu verdadeiro significado e ao fim a que se destinam112. CAPÍTULO V DISPOSIÇÃO E ORNAMENTAÇÃO DAS IGREJAS PARA A CELEBRAÇÃO DA EUCARISTIA I. as igrejas catedrais e paroquiais sejam solenemente dedicadas. Além disso. consultem os responsáveis a Comissão diocesana de Liturgia e Arte Sacra.             Portanto. 290. 287. bem como na seleção de obras a serem admitidas na igreja. também procura promover formas novas que se adaptem à índole de cada época111. o ministro.     Se a Comunhão do cálice é feita por intinção. o comungando responde: Amém. adaptá-las às novas necessidades. assim como se esforça por conservar as obras e tesouros artísticos legados pelos séculos precedentes110 e. ou na falta ou insuficiência desta. O Bispo diocesano recorra também ao parecer e auxílio da mesma Comissão. sinais e símbolos das coisas divinas108. O sacerdote toma a hóstia. aproxima-se do sacerdote. digno de tão grande mistério. na boca. O comungando toma um pouco do cálice. a Igreja não cessa de solicitar a nobre contribuição das artes e admite as expressões artísticas de todos os povos e regiões109. segurando a patena sob a boca. devolve-o ao ministro e se retira. e se retira.

COM. Por isso. onde se encontra localizado o altar.     O povo de Deus. seu número for grande. II. 294. as cadeiras serão dispostas em outro lugar da igreja. Seja bastante amplo para que a DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !179 . ou por especial estrutura e ornato. além de exprimir a ordenação hierárquica e a diversidade das funções. 292. se. Aí se prepararão as cadeiras dos concelebrantes. deve constituir uma unidade íntima e coerente pela qual se manifeste com evidência a unidade de todo o povo de Deus. constitui uma assembléia orgânica e hierárquica que se exprime pela diversidade de funções e ações. AUGUSTOCEZARCORNELIUS.        DISPOSIÇÃO DO PRESBITÉRIO PARA A ASSEMBLÉIA SAGRADA 295. Na escolha dessa ornamentação. mas também tudo o que contribua para uma justa comodidade dos fiéis. de aprovar projetos de novos edifícios sagrados ou resolver questões de certa importância113.             Os fiéis e o grupo dos cantores ocuparão lugares que lhes favoreçam uma participação ativa114. conforme cada parte da celebração.             O sacerdote celebrante. A natureza e beleza do local e de todas as alfaias alimentem a piedade dos fiéis e manifestem a santidade dos mistérios celebrados. como se costuma providenciar nos lugres onde se realizam reuniões. o diácono e demais ministros tomarão lugar no presbitério. permita uma conveniente disposição de todas as coisas e favoreça a cada um exercer corretamente a sua função.     A ornamentação da igreja deve visar mais a nobre simplicidade do que a pompa. que se reúne para a Missa.     Para corresponder às necessidade de nossa época. 293. e o sacerdote.     O presbitério é o lugar. cuide-se da autenticidade dos materiais e procure-se assegurar a educação dos fiéis e a dignidade de todo o local sagrado. é proclamada a palavra de Deus. Convém que se distinga do todo da igreja por alguma elevação. convém que a disposição geral do edifício sagrado seja tal que ofereça uma imagem da assembléia reunida. a organização da igreja e de suas dependências requer que não se tenha em vista apenas o que se refere às ações sagradas. porém.             Tudo isso. o diácono e os demais ministros exercem o seu ministério.BR quando se tratar de estabelecer normas nesta matéria. mas próximo do altar.

sempre. Ef 2. o que convém fazer em toda parte onde for possível. onde se torna presente o sacrifício da cruz sob os sinais sacramentais. Cuide-se. 299. Pedra vida (1Pd 2. 300. porém. 297. 301.     O altar.     Nas novas igrejas a serem construídas. Normalmente seja fixo e dedicado. O altar ocupe um lugar que seja de fato o centro para onde espontaneamente se volte a atenção de toda a assembléia dos fiéis116.             Chama-se altar fixo quando é construído de tal forma que esteja unido ao pavimento. a fim de ser facilmente circundado e nele se possa celebrar de frente para o povo.BR celebração da Eucaristia se desenrole comodamente e possa ser vista por todos115. fora do lugar sagrado. a mesa do altar fixo seja de pedra. 303. que na assembléia dos fiéis signifique um só Cristo e uma só Eucaristia da Igreja. convém erigir um só altar. 20). em lugar destinado ao culto. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !180 . Contudo. e não possa ser removido.     A celebração da Eucaristia. nos demais lugares dedicados às sagradas celebrações. contanto que digno e sólido. que significa de modo mais claro e permanente Jesus Cristo. cruz e castiçais. com toalha e corporal. pode se realizar sobre uma mesa apropriada. o altar pode ser móvel.COM. a juízo da Conferência dos Bispos. Os pés ou a base de sustentação da mesa. cf. contudo.     Tanto o altar fixo como o móvel seja dedicado conforme o rito apresentado no Pontifical Romano.     Segundo tradicional e significativo costume da Igreja.             O altar móvel pode ser construído de qualquer material nobre e sólido. deve ser feita num altar. 302. pode-se também usar outro material digno. 298. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. podem ser feitos de qualquer material.4. condizente com o uso litúrgico e de acordo com as tradições e costumes das diversas regiões. quando pode ser removido. O altar e sua ornamentação 296. o altar móvel pode também ser apenas abençoado. mantenha-se o uso de depositar sob o altar a ser dedicado relíquias de Santos.     Convém que em toda igreja exista um altar fixo. de verificar a autenticidade de tais relíquias. sólido e esmeradamente trabalhado. é também a mesa do Senhor na qual o povo de Deus é convidado a participar por meio da Missa. é ainda o centro da ação de graças que se realiza pela Eucaristia. e mesmo de pedra natural. móvel.     O altar seja construído afastado da parede. porém.     Se for oportuno. ainda que não sejam mártires.

a pala e o missal. 308. o purificatório. e. finalmente. nas igrejas já construídas.     Os castiçais requeridos pelas ações litúrgicas para manifestarem a reverência e o caráter festivo da celebração (cf. o domingo "Laetare" (IV na Quaresma).     Na ornamentação do altar observe-se moderação. ao invés de se dispor o ornamento sobre o altar. solenidades e festas. No Tempo do Advento se ornamente o altar com flores com moderação tal que convenha à índole desse tempo. o altar antigo não seja ornado de modo especial. O ambão DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !181 .             A ornamentação com flores seja sempre moderada e. o corporal. Convém que tal cruz que serve para recordar aos fiéis a paixão salutar do Senhor. sobre o altar ou junto dele. quando o altar antigo estiver colocado de tal maneira que torne difícil a participação do povo. ponha-se sobre o altar onde se celebra ao menos uma toalha de cor branca. ou seja: o Evangeliário. 305. o cibório. como parecer melhor. 307. de modo a formarem um conjunto harmonioso e que não impeça os fiéis de verem aquilo que se realiza ou se coloca sobre o altar. tamanho e decoração. 117). se disponham de modo discreto os aparelhos que possam ajudar a amplificar a voz do sacerdote. nem puder ser transferido sem detrimento de seu valor artístico. o cálice com a patena. n. por seu formato.     Sobre a mesa do altar podem ser colocadas somente aquelas coisas que se requerem para a celebração da Missa.COM. Excetuam-se.             Além disso. Para não distrair a atenção dos fiéis. de preferência seja colocado junto a ele. 306. construa-se outro altar fixo com valor artístico e a ser devidamente dedicado.     Haja também sobre o altar ou perto dele uma cruz com a imagem do Cristo crucificado que seja bem visível para o povo reunido. antecipar aquela plena alegria do Natal do Senhor. porém. 304. sem contudo. desde a apresentação das oferendas até a purificação dos vasos sagrados. com a forma do mesmo altar. permaneça junto ao altar também fora das celebrações litúrgicas. No Tempo da Quaresma é proibido ornamentar com flores o altar. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. que combine.BR             Contudo. do novo altar. e somente nele se realizem as sagradas celebrações. do início da celebração até a proclamação do Evangelho.     Em reverência para com a celebração do memorial do Senhor e o banquete em que se comungam o seu Corpo e Sangue. levando em conta as proporções do altar e do presbitério. sejam colocados. se necessário.

COM. revestidos de veste coral. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. A cadeira para o sacerdote celebrante e outras cadeiras 310. Evite-se toda espécie de trono119. as cadeiras sejam dispostas de modo que se distingam claramente das cadeiras do clero e eles possam exercer com facilidade a função que lhes é confiada121. ou se o tabernáculo ocupar o centro do presbitério atrás do altar.             A cadeira para o diácono esteja junto da cadeira do celebrante. a não ser que a estrutura do edifício sagrado ou outras circunstâncias o impeçam. participem da concelebração. Por isso.     Disponham-se os lugares dos fiéis com todo o cuidado. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !182 .             Convém que o novo ambão seja abençoado antes de ser destinado ao uso litúrgico conforme o rito proposto no Ritual Romano118. Antes de ser destinada ao uso litúrgico. bem como para presbíteros que. convém que se faça a bênção da cadeira da presidência segundo o rito descrito no Ritual Romano120. A dignidade do ambão exige que a ele suba somente o ministro da palavra. também se podem proferir a homilia e as intenções da oração universal ou oração dos fiéis.             Disponham-se também no presbitério cadeiras para os sacerdotes concelebrantes.     A dignidade da palavra de Deus requer na igreja um lugar condigno de onde possa ser anunciada e para onde se volte espontaneamente a atenção dos fiéis no momento da liturgia da Palavra117. O ambão seja disposto de tal modo em relação à forma da igreja que os ministros ordenados e os leitores possam ser vistos e ouvidos facilmente pelos fiéis.BR 309. o seu lugar mais apropriado é de frente para o povo no fundo do presbitério. se a demasiada distância torna difícil a comunicação entre o sacerdote e a assembléia. sem que concelebrem. Para os demais ministros. de sorte que possam participar devidamente das ações sagradas com os olhos e o espírito. convém que esse lugar seja uma estrutura estável e não uma simples estante móvel.             Do ambão são proferidas somente as leituras. o salmo responsorial e o precônio pascal. por exemplo.             De modo geral. III.     A cadeira do sacerdote celebrante deve manifestar a sua função de presidir a assembléia e dirigir a oração. A DISPOSIÇÃO DA IGREJA O lugar dos fiéis 311.

o domingo "Laetare" (IV na Quaresma). devidamente decorado e que favoreça a oração125. inamovível. isto é.BR Convém que haja habitualmente para eles bancos ou cadeiras. as solenidades e as festas.     De acordo com a estrutura de cada igreja e os legítimos costumes locais. suficientemente amplo. sem contudo. disponham-se os bancos ou as cadeiras de tal forma que os fiéis possam facilmente assumir as posições requeridas pelas diferentes partes da celebração e aproximar-se sem dificuldades da sagrada Comunhão. Convém. visível. Sobretudo nas novas igrejas que são construídas. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !183 .     O grupo dos cantores. Normalmente o tabernáculo seja um único. Convém que o órgão seja abençoado antes de ser destinado ao uso litúrgico. que faz parte da assembléia dos fiéis. segundo o rito descrito no Ritual Romano124. O lugar de conservação da Santíssima Eucaristia 314. ouvi-los com facilidade. além disso. reprova-se o costume de reservar lugares para determinadas pessoas122.     O órgão e outros instrumentos musicais legitimamente aprovados sejam colocados em tal lugar que possam sustentar o canto do grupo de cantores e do povo e possam ser facilmente ouvidos.             No Tempo do Advento o órgão e outros instrumentos musicais sejam usados com moderação tal que convenha à índole desse tempo. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. Excetuam-se. segundo o rito descrito no Ritual Romano127. 313. Mas. feito de material sólido e inviolável não transparente. participação sacramental123. mas também. ou seja. segundo a disposição de cada igreja. o Santíssimo Sacramento seja conservado num tabernáculo. antecipar aquela plena alegria do Natal do Senhor. porém. quando tocados sozinhos. onde desempenha um papel particular. O lugar do grupo de cantores e dos instrumentos musicais 312. e possa cada um de seus membros facilmente obter uma participação plena na Missa. e fechado de tal modo que se evite ao máximo o perigo de profanação126.COM. colocado em lugar de honra da igreja. que a execução de sua função se torne mais fácil. deve ser colocado de tal forma que se manifeste claramente sua natureza. graças aos instrumentos técnicos modernos.             Cuide-se que os fiéis possam não só ver o sacerdote.             No Tempo da Quaresma o toque do órgão e dos outros instrumentos é permitido somente para sustentar o canto. que seja abençoado antes de ser destinado ao uso litúrgico. o diácono ou os leitores.

espera fazer parte da sociedade deles132. se encaminha. Normalmente.     Além disso. fora do altar da celebração. antegozando.     Conforme antiga tradição mantenha-se perenemente acesa uma lâmpada especial junto ao tabernáculo. segundo as normas do direito. De modo geral. que esteja organicamente ligada com a igreja e visível aos fiéis. pois. a juízo do Bispo diocesano. peregrina. não haja mais de uma imagem do mesmo santo. e sua disposição se faça na devida ordem.          O PÃO E O VINHO PARA A CELEBRAÇÃO DA EUCARISTIA DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !184 .             Por isso. procure-se na ornamentação e disposição da igreja. quanto às imagens. a Igreja participa da liturgia celeste. pela qual se indique e se honre a presença de Cristo130. onde Cristo está sentado à direita de Deus. As imagens sagradas 318. 316.BR 315. cuide-se que o seu número não aumente desordenadamente. de modo algum se esqueça tudo o mais que se prescreve. as imagens do Senhor. 317. que se celebra na cidade santa de Jerusalém.     Na liturgia terrena. sobre a conservação da Santíssima Eucaristia131.     Em razão do sinal é mais conveniente que no altar em que se celebra a Missa não haja tabernáculo onde se conserva a Santíssima Eucaristia128. alimentada por óleo ou cera. na forma e no lugar mais convenientes. da Bem-aventurada Virgem Maria e dos Santos sejam legitimamente apresentadas à veneração dos fiéis nos edifícios sagrados133 e sejam aí dispostas de modo que conduzam os fiéis aos mistérios da fé que ali se celebram. Por isso. e venerando a memória dos Santos.             b) ou também numa capela apropriada para a adoração e oração privada dos fiéis129.COM. segundo antiquíssima tradição da Igreja. para a qual. colocar o tabernáculo:             a) no presbitério. CAPÍTULO VI REQUISITOS PARA A CELEBRAÇÃO DA MISSA I. a fim de não desviarem da própria celebração a atenção dos fiéis134. não estando excluído o altar antigo que não mais é usado para a celebração (n. favorecer a piedade de toda a comunidade e a beleza e a dignidade das imagens. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. 306).             É preferível.

derrame a água em algum recipiente. portanto.BR 319. possa de fato partir a hóstia em diversas partes e distribuí-las ao menos a alguns dos fiéis. que por si só designava a Eucaristia nos tempos apostólicos. coloque vinho com água no cálice. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !185 .        AS SAGRADAS ALFAIAS EM GERAL 325. 320. 323. da fração do pão. além dos tradicionais. manifestará mais claramente o valor e a importância do sinal da unidade de todos num só pão.     Na escolha dos materiais para as alfaias. Não se excluem. 321. embora ázimo e com a forma tradicional. aqueles que são considerados nobres pela mentalidade atual. a Igreja sempre utilizou pão e vinho com água para celebrar o banquete do Senhor. também em relação a todas as alfaias. consagrando-o com a parte da narração da instituição correspondente à consagração do cálice. II. contanto que tudo corresponda devidamente ao uso a que se destinam as alfaias135. admitem-se igualmente. natural e puro.     O vinho para a celebração eucarística deve ser de uva (cf. o sacerdote percebe que no cálice não foi colocado vinho.     Como na construção de igrejas.     Seguindo o exemplo de Cristo.COM. 322. isto é: que o vinho não azede.     Se depois da consagração ou quando vai comungar. as hóstia pequenas. 326. seja o pão eucarístico de tal modo preparado que o sacerdote. isto é. na Missa com povo. Convém. que. O gesto. recém-feito e ázimo conforme antiga tradição da Igreja latina. mas água. e da caridade fraterna pelo fato de um único pão ser repartido entre os irmãos. porém.     O pão para a celebração da Eucaristia deve ser de trigo sem mistura.     A verdade do sinal exige que a matéria da celebração eucarística pareça realmente um alimento. porém. 324. quando assim o exigirem o número dos comungantes e outras razões pastorais. sem ser obrigado a consagrar novamente o pão. nem o pão se corrompa ou se torne demasiado duro.             Também neste ponto cuide-se atentamente de obter a nobre simplicidade que se coadune perfeitamente com a verdadeira arte.     Cuide-se atentamente que o pão e o vinho destinados à Eucaristia sejam conservados em perfeito estado. a Igreja admite a expressão artística de cada região. 18). difícil de partir. sem mistura de substâncias estranhas. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. aceitando adaptações que concordem com a índole e as tradições de cada povo. Lc 22.

329. Neste caso. 334. prefiram-se sempre materiais que não se quebrem nem se alterem facilmente. entre eles. Compete à Conferência dos Bispos de cada região decidir a esse respeito (cf. contanto que coadunem com o uso litúrgico a que são destinados e se distingam claramente daqueles destinados ao uso cotidiano. o cálice e a patena. n.     Conserve-se o costume de construir na sacristia uma piscina. 332. 280).     Os cálices e outros vasos destinados a receber o Sangue do Senhor. 331.     Para consagrar as hóstias. 328. Se forem de metal oxidável ou menos nobres do que o ouro sejam normalmente dourados por dentro. AUGUSTOCEZARCORNELIUS.     Quanto à bênção dos vasos sagrados.     Os vasos sagrados sejam feitos de metal nobre. IV. por exemplo. com aprovação da Sé Apostólica. onde se coloca tanto o pão para o sacerdote e o diácono. tenham a copa feita de matéria que não absorva líquidos.     Entre as coisas necessárias para a celebração da Missa. o artista tem a liberdade de confeccioná-los de acordo com os costumes de cada região. Isso vale para todos os vasos destinados a receber as hóstias como patena. em que se lance a água da purificação dos vasos sagrados e da lavagem das toalhas de linho (cf.        AS VESTES SAGRADAS DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !186 . o ébano ou outras madeiras mais duras. é conveniente usar uma patena de maior dimensão.     A juízo da Conferência dos Bispos. n. III.COM. teca. ostensório e outros do gênero. 390). onde se oferecem. 330. consagram e consomem o vinho e o pão. cibório.BR são duráveis e se prestam bem para o uso sagrado. contanto que convenham ao uso sagrado. bem como para os demais ministros e fiéis. 333. observem-se os ritos prescritos nos livros litúrgicos136. O pé pode ser feito de outro material sólido e digno.       OS VASOS SAGRADOS 327.     Quanto à forma dos vasos sagrados. os vasos sagrados podem ser feitos também de outros materiais sólidos e considerados nobres em cada região. honram-se especialmente os vasos sagrados e.

     Na confecção das vestes sagradas. 338. bem como pelos ministros leigos são oportunamente abençoados antes que sejam destinados ao uso litúrgico. conforme as rubricas de cada rito.     Na Igreja. é a casula ou planeta sobre a alva e a estola. a não ser que o seu feitio o dispense. nem todos os membros desempenham a mesma função. pendendo diante do peito. A alva não poderá ser substituída pela sobrepeliz. 340. prendendo-a do lado direito. 343. além dos tecidos tradicionais.     A não ser que se disponha de outro modo. As vestes usadas pelos sacerdotes. conforme o rito descrito no Ritual Romano137. os leitores e os outros ministros leigos podem trajar alva ou outra veste legitimamente aprovadas pela Conferência dos Bispos em cada região (cf. o diácono usa a estola a tiracolo sobre o ombro esquerdo. as Conferências dos Bispos podem definir e propor à Sé Apostólica as adaptações que correspondam às necessidades e costumes da região138*. Antes de vestir a alva. que por isso devem ser um sinal da função de cada ministro. 337. tanto na Missa como em outras ações sagradas em conexão direta com ela.     A capa ou pluvial é usada pelo sacerdote nas procissões e outras ações sagradas.     Quanto à forma das vestes sagradas.COM. a juízo da Conferência dos Bispos139. 341. contudo.     A veste própria do diácono é a dalmática sobre a alva e a estola. ela será cingida à cintura pelo cíngulo. que é o Corpo de Cristo.BR 335. 336. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. nem sobre a veste talar. a veste própria do sacerdote celebrante. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !187 .     A estola é colocada pelo sacerdote em torno do pescoço. quando se deve usar casula ou dalmática. de acordo com as normas.     Os acólitos. caso ela não encubra completamente as vestes comuns que circundam o pescoço. 390). ou quando. Importa que as próprias vestes sagradas contribuam também para a beleza da ação sagrada. Esta diversidade de funções na celebração da Eucaristia manifesta-se exteriormente pela diversidade das vestes sagradas. podem-se usar. por necessidade ou em celebrações menos solenes a dalmática pode ser dispensada. 339. n. 342.     A alva é a veste sagrada comum a todos os ministros ordenados e instituídos de qualquer grau. se usa apenas a estola sem a casula ou dalmática. põe-se o amito. os diáconos. os materiais próprios de cada região e mesmo algumas fibras artificiais que se coadunem com a dignidade da ação sagrada e da pessoa.

da Cátedra de São Pedro (22 de fevereiro) e da Conversão de São Paulo (25 de janeiro).             c) O verde se usa nos Ofícios e Missas do Tempo comum.             b) O vermelho é usado no domingo da Paixão e na Sexta-feira da Semana Santa. no domingo de Pentecostes. se tiverem cunho penitencial. nas Missas dos Fiéis defuntos. 346. onde for costume. ou com a cor roxa. além disso. nas festas natalícias dos Apóstolos e Evangelistas e nas celebrações dos Santos Mártires. nas celebrações da Paixão do Senhor. com a cor própria do dia ou do Tempo. e também a consciência de uma vida cristã que progride com o desenrolar do ano litúrgico.             d) O roxo é usado no tempo do Advento e da Quaresma. nas celebrações do Senhor. de São João Batista (24 de junho).     As Missas rituais são celebradas com a cor própria. mas do material usado e da forma. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !188 .BR 344. a branca ou a festiva.             No que se refere às cores litúrgicas. nas solenidades de Todos os Santos (1º de novembro). as Missas por diversas necessidades. excluindo-se os que não se prestam bem a esse uso. 33 e 38. seja observado o uso tradicional. as Missas votivas. dos Santos não Mártires. a saber:             a) O branco é usado nos Ofícios e Missas do Tempo pascal e do Natal do Senhor. 31. ou também com a cor própria do dia ou do tempo. da Bem-aventurada Virgem Maria.     Convém que a beleza e nobreza de cada vestimenta decorram não tanto da multiplicidade de ornatos. as Conferências dos Bispos podem determinar e propor à Sé Apostólica adaptações que correspondam à necessidades e ao caráter de cada povo. exceto as de sua Paixão. nos domingos Gaudete (III do Advento) e Laetare (IV na Quaresma). por exemplo.     Com relação à cor das vestes sagradas.             g) Em dias mais solenes podem ser usadas vestes sagradas festivas ou mais nobres.             f) O rosa pode ser usado. nas festas de São João Evangelista (27 de dezembro). com a cor que convém à Missa a ser celebrada. mesmo que não sejam da cor do dia. Pode também ser usado nos Ofícios e Missas dos Fiéis defuntos. 345. n. Os ornatos apresentem figuras ou imagens ou então símbolos que indiquem o uso sagrado. dos Santos Anjos.             e) O preto pode ser usado. 347.COM. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. onde for costume.     As diferentes cores das vestes sagradas visam manifestar externamente o caráter dos mistérios celebrados.

o diácono. deve-se atender com todo o cuidado às coisas que estão ligadas diretamente com o altar e a celebração eucarística. como sejam. na medida do possível. para que nada se faça de improviso. de veneração peculiar. na organização da Missa. por isso. 350.             Por conseguinte. verdadeiramente dignos.BR V. por conseguinte. por exemplo.     Além disso.     Deve-se cuidar de modo especial que os livros litúrgicos. sejam na ação litúrgica realmente sinais e símbolos das realidades celestes. o sacerdote levará mais em conta o bem espiritual de toda a assembléia do que o seu próprio gosto.     Tenha-se o cuidado de observar as exigências da arte também em coisas de menor importância. sejam dignas e condizentes com o fim a que se destinam. para os quais se prescreve determinado material.         OUTROS OBJETOS USADOS NA IGREJA 348. o cantor. Isto se obterá mais facilmente usando-se a múltipla possibilidade de escolha que se descreve adiante. sem excluir absolutamente os fiéis naquilo que se refere a eles de modo mais direto. o Evangeliário e o lecionário. o comentarista. os leitores. 349. se os textos das leituras. as demais alfaias destinadas ao culto litúrgico140 ou a qualquer uso na igreja. artísticos e belos. e de sempre aliar uma nobre simplicidade a um apurado asseio. CAPÍTULO VII A ESCOLHA DA MISSA E DE SUAS PARTES 352. é necessário que antes da celebração. às necessidades. a cruz do altar e a cruz que é levada em procissão.             Sendo muito grande a possibilidade de escolha para as diversas partes da Missa. o salmista. das orações e dos cantos corresponderem. e. o grupo dos cantores.     A eficácia pastoral da celebração aumentará certamente.COM. saibam exatamente cada um quais os textos que lhes competem. 351. particularmente. à preparação espiritual e à mentalidade dos participantes.     Além dos vasos e das vestes sagradas. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. pois a DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !189 . gozando. destinados à proclamação da palavra de Deus. Lembre-se ainda de que a escolha das diversas partes deve ser feita em comum acordo com os que exercem alguma função especial na celebração.

a de algum Santo que conste do Martirológio naquele dia.BR harmoniosa organização e execução dos ritos muito contribuem para dispor os fiéis à participação da Eucaristia. ou ainda de qualquer outro que conste do Martirológio naquele dia. nos dias de semana do Tempo do Natal desde o dia 2 de janeiro e nos dias de semana do Tempo pascal. a da memória facultativa ocorrente. pode-se escolher entre a Missa do dia de semana.     Nos domingos.COM. o sacerdote siga o calendário da igreja em que celebra. o sacerdote pode escolher tanto o calendário da igreja como o calendário próprio. Nos dias de semana do Tempo pascal a memória dos Santos pode realizar-se integralmente conforme as rubricas. uma das Missas para diversas necessidades ou votiva. 355. nos dias da Oitava da Páscoa e nos dias de semana da Quaresma.             b) se a Missa é celebrada com a participação de um só ministro. exceto na Quarta-feira de Cinzas ou num dia de semana da Semana Santa. I. pode-se escolher tanto a Missa do Santo ou de um dos Santos cuja memória se celebra. exceto Quarta-feira de Cinzas e os dias de semana da Semana Santa.             b) Nos dias de semana do Advento anteriores a 17 de dezembro. AUGUSTOCEZARCORNELIUS.     Nas solenidades o sacerdote deve seguir o calendário da igreja em que celebra.             c) Nos dias de semana do Tempo comum. nos dias de semana do Advento. mas se poderá tomar a oração do dia da memória que conste no calendário geral para aquele dia. diz-se a Missa do dia litúrgico ocorrente. pois a Igreja deseja que a mesa da palavra de Deus seja oferecida aos fiéis com maior riqueza141.          A ESCOLHA DA MISSA 353.             Se o sacerdote celebra com povo. da Quaresma e da Páscoa. de 17 a 24 de dezembro. do Natal.     Nas memórias facultativas:             a) Nos dias de semana do Advento. 354. as leituras indicadas no lecionário cada dia para os dias de semana. nas festas e nas memórias obrigatórias:             a) se a Missa é celebrada com povo. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !190 . cuidará de não omitir muitas vezes e sem razão suficiente.

COM. no entanto. em lugar do Antigo Testamento. a leitura contínua da semana for interrompida por alguma solenidade. Em alguns casos propõem-se leituras apropriadas. nas quais se faça menção do Santo celebrado. Estas leituras sejam realmente feitas. tanto do Tempo como dos Santos. à memória particular. via de regra. conforme a tradição da Igreja. ou seja.             Quando houver liberdade de optar entre a memória do calendário universal e a do calendário diocesano ou religioso. 358. pois qualquer Missa é oferecida tanto pelos vivos como pelos falecidos. em pé de igualdade e segundo a tradição. No Tempo pascal. festa ou celebração particular. do Apóstolo e do Evangelho. II.     No Lecionário semanal propõem-se leituras para cada dia da semana durante todo o ano. acrescenta-se uma terceira leitura. a leitura tomada dos Atos dos Apóstolos. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !191 . e há um memento para eles em cada Oração eucarística. Leituras 357. que levam o povo cristão a compreender a continuidade da obra da salvação.        A ESCOLHA DAS PARTES DA MISSA 356. O uso destas leituras não deve ser urgido.BR             Pela mesma razão não tome com freqüência as Missas dos Fiéis defuntos.     Ao escolher os textos das diversas partes da Missa. Por isso. Mas. segundo a admirável pedagogia divina. observem-se as normas que se seguem. a não ser que ocorra uma solenidade ou festa ou memória que tenha leituras próprias do Novo Testamento.     Para os domingos e solenidades estão marcadas três leituras. que realçam um aspecto peculiar da vida espiritual ou da atividade do Santo.             Na memória dos Santos. se a festa. tais leituras serão tomadas nos dias em que estão marcadas.             Se. a não ser que uma razão pastoral realmente o aconselhe. tirada do Comum. dê-se preferência. do Profeta. isto é. for elevada ao grau de solenidade. ou seja. a não ser que haja próprias. segundo as normas. satisfaça-se a legítima piedade do povo. lêem-se normalmente as leituras indicadas para o dia de semana. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. poderá o sacerdote.             Para as festas são previstas duas leituras.             Onde os fiéis tiverem grande estima pelas memórias facultativas da Virgem Maria ou dos Santos.

ou de um texto a ser repetido ou reposto. contanto que sejam selecionados entre os que constem do lecionário aprovado. a compreender mais plenamente o mistério de que participam. ou quando se teme que algum dos textos escolhidos apresente dificuldades para a assembléia reunida. no DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !192 .             Nas Missas para grupos particulares. mantendo-se. será mister atender à utilidade dos que participam.             Por isso. sempre que a utilidade pastoral o aconselhe143.     Existe também uma seleção especial de textos da Sagrada Escritura no lecionário para as Missas rituais em que ocorra a celebração de algum Sacramento ou Sacramental ou para as Missas que são celebradas por alguma necessidade. por uma audição mais adequada da palavra de Deus.     Além das faculdades de escolher textos mais apropriados. algumas de suas partes sejam permanentemente excluídas. por exemplo.COM. juntar às outras as leituras omitidas. poderá o sacerdote escolher textos mais adaptados àquela celebração.             Isso pode acontecer quando o mesmo texto deva ser proclamado de novo dentro de alguns dias. é preciso atender à capacidade dos fiéis de ouvir com fruto a leitura mais ou menos longa. Cuide-se. No caso.BR considerando a disposição das leituras de toda a semana. dá-se às Conferências dos Bispos.     Por vezes se apresenta uma forma mais longa ou outra mais breve de um mesmo texto. levem-se em conta as razões de ordem pastoral e a faculdade de opção concedida nesta matéria. 359. ou então decidir quais os textos que deverão ser preferidos. 360. a faculdade de indicar algumas adaptações relativas às leituras. ou quando se deixa à escolha.     Quando se concede a faculdade de escolher entre um ou outro texto já determinado. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. e estimar cada vez mais a palavra de Deus. 361. porém. à sua capacidade de ouvir um texto mais completo a ser explicado pela homilia142.             Estes lecionários foram compostos para levar os fiéis. em circunstâncias peculiares. 362. ao determinar os textos a serem proferidos na celebração. que na escolha dos textos da Sagrada Escritura. indicado como próprio em alguma celebração ou seja leitura de livre escolha. Na escolha entre as duas formas tenha-se em vista o critério pastoral. Isso pode acontecer quando se trata de usar um texto que seja mais fácil ou mais adequado à assembléia reunida. no domingo e num dia de semana que se segue imediatamente. conforme foi exposto acima.

ou Cânon romano. também nos domingos. Embora tenha Prefácio próprio. ó Pai. nos dias em que a Oração eucarística tem o Em comunhão próprio ou nas Missas enriquecidas com o Recebei. é proclamada mais oportunamente. do Comum correspondente.     O grande número de prefácios com que o Missal Romano foi enriquecido tem por objetivo pôr em plena luz os temas da ação de graças na Oração eucarística e realçar os vários aspectos do mistério da salvação. os prefácios comuns. que se encontram no Ordinário da Missa. oportunamente. capazes de nutrir com maior abundância as preces dos fiéis.             Desta maneira se oferece maior riqueza de textos. por suas características particulares.     Em cada Missa.     A escolha entre as várias Orações eucarísticas. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !193 . a não ser que por motivos pastorais se prefira a Terceira Oração eucarística. como também nas celebrações dos Apóstolos e dos Santos mencionados na mesma Oração.             Nos dias de semana do Tempo comum. é mais apropriadamente usada nos dias de semana ou em circunstâncias especiais. próprio. pode-se usar a fórmula própria proposta no respectivo lugar. segue. Mas será sempre lícito tomar apenas a oração do dia das mesmas Missas. não sendo próprias. porém. podem ser tomadas do Comum ou dos dias de semana do Tempo comum. Quando se celebra a Missa por um fiel defunto. por exemplo. essa adaptação já é feita pelas orações que lhes são próprias. que sempre pode ser usada. 365. a saber antes do Lembrai-vos também. além das orações do domingo precedente. as seguintes normas:             a) A Oração eucarística I. dizem-se as orações que lhe são próprias. AUGUSTOCEZARCORNELIUS.             b) A oração eucarística II.BR entanto. podem tomar-se as orações de outro domingo do Tempo comum ou uma das orações para diversas necessidades consignadas o Missal. em sua falta. Orações 363. diz-se a oração do dia própria ou. a não ser que se indique outra coisa.             Nas memórias dos Santos. pode igualmente ser usada com outros prefácios.             Nos tempos mais importantes do ano. contidas no Missal para cada dia da semana. sobretudo aqueles que de maneira sucinta  apresentem o mistério da salvação. Oração eucarística 364.COM. as orações sobre as oferendas e depois da Comunhão. o princípio de que os textos sejam escolhidos do lecionário devidamente aprovado.

no devido lugar. o Missal fornece formulários de Missas e orações que. quando a oportunidade o exigir. CAPÍTULO VIII MISSAS E ORAÇÕES PARA DIVERSAS CIRCUNSTÂNCIAS E MISSAS DOS FIÉIS DEFUNTOS I. 87-88). Não se pode inserir nesta Oração.COM. da Igreja universal e da Igreja local. pode-se tomar a fórmula especial pelo falecido. convém que as Missas para as diversas circunstâncias sejam empregadas moderadamente. 367. 370. observem-se as normas estabelecidas nos respectivos lugares (cf.     Como a liturgia dos Sacramentos e Sacramentais obtém para os fiéis devidamente preparados que quase todos os acontecimentos da vida sejam santificados pela graça divina que flui do mistério pascal144. Dê-se preferência a ela nos domingos e festas. após as palavras: Reuni em vós.             d) A Oração eucarística IV possui um Prefácio imutável e apresenta um resumo mais completo da história da salvação. contudo. isto é. a não ser que se disponha de outro modo. Se. 47-48. n.     Em todas as Missas para as diversas circunstâncias. Pode ser usada quando a Missa não possui Prefácio próprio. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. devido à sua estrutura. uma fórmula especial por um fiel defunto. das Oferendas e da Comunhão. e como a Eucaristia é o sacramento dos sacramentos.     Não é lícito substituir os cantos colocados no Ordinário da Missa. por exemplo. 61-64.     Tendo em vista a mais ampla faculdade de escolher leituras e orações. bem como nos domingos do Tempo comum. 74. podem ser usadas pelas necessidades do mundo inteiro. 40-41. é permitido usar as leituras dos dias de semana bem como os seus cantos interlecionais. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !194 . ou seja.BR             c) A Oração eucarística III pode ser dita com qualquer Prefácio.     Na seleção dos cantos interlecionais e dos cantos da Entrada. nas diversas ocasiões da vida cristã. se combinarem com a celebração.          MISSAS E ORAÇÕES PARA DIVERSAS CIRCUNSTÂNCIAS 368. 369. esta Prece for usada nas Missas pelo fiéis defuntos. por outros cantos. Pai de misericórdia todos os vossos filhos e filhas dispersos pelo mundo inteiro. Cantos 366. o Cordeiro de Deus.

porém. e do Tempo pascal depois da oitava da Páscoa. cuja celebração. que ocorrem de tempos em tempos. da Quaresma e da Páscoa.COM. do Tempo de Natal desde o dia 2 de janeiro. na Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos. será decidida pela Conferência dos Bispos*. na Quarta-feira de Cinzas e nos dias de semana da Semana Santa. pode celebrar-se em qualquer dia a Missa conveniente com ordem ou permissão do Bispo diocesano. São proibidas nos domingos do Advento. 377. na Comemoração de Todos os Fiéis defuntos. dos Anjos. as normas contidas nos livros rituais e nas próprias Missas. na Quarta-feira de Cinzas e nos dias de semana da Semana Santa.     Entre essas Missas contam-se as Missas rituais. podem ser celebradas para favorecer a devoção dos fiéis nos dias de semana do Tempo comum. de algum Santo ou de todos os Santos. Contudo não podem ser celebradas como votivas as Missas que se referem aos mistérios da vida do Senhor ou da Bem-aventurada Virgem Maria. nos domingos do Advento. pelo fato de a sua celebração estar unida ao círculo do ano litúrgico. é permitido celebrar qualquer Missa DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !195 . ou em épocas estabelecidas. para as diversas circunstâncias e votivas. verdadeira necessidade ou utilidade pastoral o exigir. além disso. AUGUSTOCEZARCORNELIUS.     As Missas rituais estão unidas à celebração de certos Sacramentos e Sacramentais.     As Missas votivas sobre os mistérios do Senhor ou em honra da Bem- aventurada Virgem Maria. nos dias da oitava da Páscoa.     Nos dias em que ocorra uma memória obrigatório ou um dia de semana do Advento até ao dia 16 de dezembro.     As Missas para várias necessidades ou para diversas circunstâncias são usadas em algumas circunstâncias. observando-se. Se. mesmo que ocorra uma memória facultativa. a juízo do reitor da igreja ou do próprio sacerdote celebrante. 376. no decorrer do ano. exceto nas solenidades. da Quaresma e da Páscoa.     Nos dias de semana do Tempo comum em que ocorra uma memória facultativa ou se celebra o Ofício semanal. 373.BR 371. com exceção da Missa de sua Imaculada Conceição. poderá ser usada na celebração com povo a Missa que corresponda a tal necessidade ou utilidade. para diversas necessidades. 374. nas solenidades. 372. 375. Dentre elas a autoridade competente pode escolher as Missas para as rogações. nos dias da oitava da Páscoa. de per si são proibidas as Missas para diversas necessidades e votivas.     Ao ocorrer uma necessidade mais grave ou por utilidade pastoral.

384. tudo o que é de direito146. pela comunhão de todos os membros de Cristo entre si.             As outras Missas dos fiéis defuntos. o que obtém para uns o socorro espiritual traga aos outros a consolação da esperança. excluindo- se no entanto qualquer tipo de elogio fúnebre.        MISSAS PELOS FIÉIS DEFUNTOS 379. ou Missas "cotidianas". terminada a oração depois da Comunhão e omitidos os ritos finais. excetuando-se as Missas rituais. na Quinta-feira da Semana Santa.     Na organização e escolha das partes da Missa dos fiéis defuntos. pelo fato de se tributar na Liturgia da Igreja à Mãe do Redentor uma veneração acima e de preferência a todos os Santos145. uma breve homilia. exceto nas solenidades de preceito. que pode ser celebrada todos os dias. sejam convidados a participar também pela sagrada Comunhão do sacrifício eucarístico oferecido por um falecido. a fim de que. 382. realiza-se a última encomendação ou despedida. Este rito é celebrado apenas quando estiver presente o corpo.     Se a Missa exequial é imediatamente seguida pelo rito dos funerais. no Tríduo pascal e nos domingos do Advento. exceto Quarta-feira de Cinzas e os dias de semana da Semana Santa. 380. que podem variar (por exemplo.     Recomenda-se de modo particular a memória de Santa Maria no Sábado. 381. além disso. principalmente da Missa exequial. 378. nos dias em que ocorrer uma memória obrigatória ou um dia de semana.     A Igreja oferece o Sacrifício eucarístico da Páscoa de Cristo pelos defuntos. ou no dia do primeiro aniversário. II.     Os fiéis. pode ser celebrada também nos dias dentro da oitava de natal. ou por ocasião da sepultura definitiva. podem ser celebradas nos dias de semana do Tempo comum. 383. 385. normalmente.     A Missa dos fiéis defuntos ao receber-se a notícia da morte. orações. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !196 .BR ou usar qualquer oração para diversas circunstâncias.COM. sobretudo os da família do falecido.     Nas Missas exequiais haja. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. contanto que realmente sejam celebradas em intenção dos falecidos. da Quaresma e da Páscoa. observado. quando ocorre uma memória facultativa ou é rezado o Ofício semanal.     Entre as Missas dos fiéis defuntos ocupa o primeiro lugar a Missa de exéquias.

consciente e ativa participação que a própria natureza da Liturgia exige e à qual os próprios fiéis. aquela plena. estabelecer normas para o serviço do sacerdote ao altar (cf. do qual. AUGUSTOCEZARCORNELIUS.     As adaptações. na celebração eucarística. os pastores levem especialmente em conta aqueles que por ocasião das exéquias comparecem às celebrações litúrgicas e escutam o Evangelho.     A renovação do Missal Romano. 107). 388.             Para que a celebração corresponda mais plenamente às normas e ao espírito da sagrada Liturgia. as condições do falecido. Além disso. conforme as normas do direito. Mas. que pedem uma coordenação mais ampla. confiadas ao critério do Bispo diocesano ou às Conferências dos Bispos. Conforme esta instrução. que deve ser tido como o sumo sacerdote de sua grei. cabe-lhe antes de tudo alimentar o espírito da sagrada Liturgia nos sacerdotes. de sua família e dos presentes. 389. coordenar e vigiar a vida litúrgica em sua diocese.BR leituras e oração universal).COM. na Conferência dos Bispos. 387. tanto os não católicos. n. 291). deve fomentar. como católicos que nunca ou raramente participam da Eucaristia. 374). deriva e depende a vida de seus fiéis em Cristo148. sobre a distribuição da sagrada Comunhão sob as duas espécies (cf. n. de acordo com as normas do Concílio Vaticano II. de algum modo. por motivos pastorais.     O Bispo diocesano. têm direito e obrigação147. diáconos e fiéis. de que se trata abaixo. CAPÍTULO IX ADAPTAÇÕES QUE COMPETEM AOS BISPOS E ÀS SUAS CONFERÊNCIAS 386. reconhecidas pela Sé Apostólica.     Compete às Conferências dos Bispos antes de tudo preparar e aprovar a edição deste Missal Romano nas diversas línguas vernáculas. teve o máximo cuidado para que todos os fiéis pudessem garantir. por força de sua condição. devem ser especificadas. convém levar-se em conta. n. n. sejam usadas nas respectivas regiões149. 202. propõem-se nesta Instrução e no Ordinário da Missa algumas adaptações. 283) e sobre a construção e restauração de igrejas (cf. para que. realizada segundo as exigências do nosso tempo. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !197 . cabe a ele orientar a disciplina da concelebração (cf. ou parecem ter perdido a fé. pois os sacerdotes são ministros do Evangelho de Cristo para todos.

sobretudo dos vasos sagrados. 391. acima. da Preparação das oferendas e da Comunhão (cf. Na execução deste empreendimento é preciso considerar os diversos gêneros literários usados no Missal. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. 160 e 283). à proclamação ou ao canto no ato da celebração. 362).a escolha de leituras da Sagrada Escritura a serem usadas em circunstâncias peculiares (cf. acima. orações e hinos litúrgicos. 392.             . e é de sua inspiração e bafejo que surgiram as preces. consideradas úteis pelas Conferências dos Bispos. se transmita plenamente e com fidelidade o sentido do texto original latino.gestos e posições do corpo dos fiéis (cf. n. de modo que é dela que os atos e sinais recebem a sua significação150. antes. n. n. considerando. garantida a índole de cada língua.     Às mesmas Conferências compete cuidar com especial atenção das traduções dos textos bíblicos usados na celebração da Missa. acima. mas.COM.gestos de veneração ao altar e ao Evangeliário (cf. 301. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !198 . as aclamações.             . as respostas.             .a forma de dar a paz (cf. as antífonas. acima. com a aprovação da Sé Apostólica. 326.     Compete às Conferências dos Bispos definir as adaptações. para que.             . 82). em lugar apropriado.o modo de receber a sagrada Comunhão (cf. n.BR             O Missal Romano deve ser publicado integralmente tanto no texto latino como nas versões em vernáculo legitimamente aprovadas. Use-se uma linguagem que corresponda à compreensão dos fiéis e que se adapte à proclamação em público. no Missal Romano.textos dos cantos da Entrada. as preces litânicas etc. acima. 273). às Conferências dos Bispos preparar com muito cuidado a versão dos demais textos.             . 43).o material para a confecção do altar e das sagradas alfaias. Diretórios ou Instruções pastorais. e introduzi- las no próprio Missal. porém. pontos indicados nesta Instrução geral e no Ordinário da Missa.     Compete. e cantam-se os salmos. n. acima. da Sagrada Escritura são lidas as lições e explicadas na homilia.             Contudo. bem como a forma e a cor das vestes litúrgicas (cf. 390.             Deve-se ter em mente que a tradução dos textos não visa primeiramente à meditação. igualmente. 329. Pois. acima. 74 e 87).             . 342-346). n. poderão ser introduzidas. como as orações presidenciais. 48. como:             . as características próprias aos diversos modos de falar usados nos livros sagrados. 339. após prévia aprovação da Sé Apostólica. n.

melodias e instrumentos musicais. Igualmente se cuide que o ano litúrgico renovado por decreto do Concílio Vaticano II não seja obscurecido por elementos secundários.     Finalmente. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. como dia de festa primordial. na medida do possível. sobretudo para os textos bíblicos e para o Ordinário da Missa151.             Na elaboração do Calendário do país. na edição do Missal. permanecendo sempre a necessidade de alguma catequese sobre o sentido bíblico e cristão de certas palavras ou frases. a não ser que sejam de máxima importância. prepare o calendário próprio da nação. sejam indicados (cf.             Convém que.COM. 394.             Nesta iniciativa deve-se considerar e defender ao máximo o dia do Senhor. não se lhe anteponham154. de modo que outras celebrações.BR             Faça-se uso de uma linguagem adaptada aos fiéis da respectiva região. segundo o art.             Cabe-lhes igualmente decidir quanto aos gêneros musicais. para que a sagrada celebração responda à índole e às tradições dos diversos povos. 373) os dias das Rogações e das Quatro Têmporas do ano. em colaboração com outras Conferências um calendário mais amplo. como parte necessária ou integrante da liturgia152. as Conferências dos Bispos podem propô-las à Sé Apostólica. compete às Conferências dos Bispos aprovar melodias adequadas. as celebrações próprias de toda a nação ou de uma região mais ampla sejam inseridas no devido lugar entre as celebrações do calendário geral. que possam ser admitidos no culto divino e. n. ou.     Tendo em vista o lugar proeminente que o canto recebe na celebração. uma só versão para os textos litúrgicos. 40 da Constituição sobre a sagradas Liturgia. bem como as formas e os textos para celebrá-las155. e tenham-se em vista outras determinações peculiares. A Conferência dos Bispos.             É melhor que nas regiões em que se fala a mesma língua.     Convém que cada diocese tenha o seu calendário e o próprio das Missas. sobretudo em favor de DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !199 . para introduzi-las com o seu consentimento. por sua vez. sobretudo para os textos do Ordinário da Missa. até que ponto realmente são adequados ou poderão adaptar-se ao uso sagrado. ao passo que as celebrações próprias de uma região ou de uma diocese tenham lugar em Apêndice particular. mas que seja nobre e dotada de valor literário. 393. para as respostas e aclamações do povo e para celebrações peculiares que ocorrem durante o ano litúrgico. se a participação dos fiéis e o seu bem espiritual exigirem variações e adaptações mais profundas. 395. se tenha. a ser aprovado pela Sé Apostólica153.

esgotado o tempo de experimentação. AUGUSTOCEZARCORNELIUS. Se for o caso. realizem-se as experimentações nos períodos de tempos e lugares estabelecidos. apresentando à apreciação da Sé Apostólica uma formulação madura sobre o assunto158.BR povos a quem o Evangelho foi anunciado mais recentemente156. mas também quanto aos usos universalmente aceitos pela tradição apostólica e ininterrupta. a identidade e a expressão unitária deste rito encontra-se nas edições típicas dos livros litúrgicos promulgados pela autoridade do Sumo Pontífice e nos correspondentes livros litúrgicos aprovados pelas Conferências dos Bispos para suas dioceses e confirmados pela Sé Apostólica160. dever-se-á ter o grande cuidado de promover sábia e ordenadamente a devida formação do clero e dos fiéis. que devem ser observados não só para evitar os erros.COM. sobretudo. a Conferência dos Bispos determinará a continuação das adaptações. com a devida autorização. que as faculdades já previstas sejam levadas a efeito e as normas pastorais. segundo o qual cada Igreja particular deve estar de acordo com a Igreja universal não só quanto à doutrina da fé e os sinais sacramentais. 396. mas também para transmitir a integridade da fé. Nos tempos atuais.             Tal rito no decorrer dos séculos não só conservou os usos litúrgicos originários da cidade de Roma. Observem-se atentamente as normas peculiares emanadas pela Instrução "A Liturgia Romana e a Inculturação"157. 397.             Quanto ao modo de proceder neste ponto.             O Rito Romano constitui uma parte notável e preciosa do tesouro litúrgico e do patrimônio da Igreja católica. cujas riquezas contribuem para o bem da Igreja universal. antes que se dê início a novas adaptações. mais profundas.             Depois de estas propostas serem devidamente aprovadas pela Sé Apostólica.     Contudo. orgânico e harmonioso integrou também em si muitos outros que se derivavam dos costumes e da índole de povos diversos e de diferentes Igrejas particulares tanto do Ocidente como do Oriente. DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !200 . adquirindo assim um certo caráter supra-regional.     Observe-se também o princípio. proceder à elaboração de cada uma das adaptações. sejam plenamente aplicadas. mas de modo profundo. correspondentes ao espírito da celebração. para. a tal ponto que sua perda gravemente a prejudicaria. visto que a regra da oração da Igreja corresponde à sua regra da fé159. observe-se o seguinte:             Primeiramente se apresente um projeto pormenorizado à Sé Apostólica.

BR 398. para o futuro. segundo a qual as inovações na reforma litúrgica não se façam a não ser que a verdadeira e certa utilidade da Igreja o exija e tomando a devida cautela de que as novas formas de um certo modo brotem como que organicamente daquelas que já existiam161. a busca da inculturação não leva.     Assim pois. o Missal Romano. ainda que na diversidade de línguas e em certa variedade de costumes164.COM. a inculturação necessita de um tempo prolongado para que. Além disso.     A norma estabelecida pelo Concílio Vaticano II. na precipitação e imprudência. à criação de novas famílias rituais. 399. típico do Rito romano163. AUGUSTOCEZARCORNELIUS.             Finalmente. deverá ser conservado como instrumento e sinal preclaro da integridade e unidade do Rito romano165. mas ao tentar dar resposta às necessidades de determinada cultura o faz de tal modo que as adaptações introduzidas no Missal ou nos outros livros litúrgicos não prejudiquem o caráter proporcionado. não se prejudique a autêntica tradição litúrgica. de modo algum. também devem aplicar-se à inculturação do próprio Rito Romano162.   DOCUMENTOS SOBRE MÚSICA !201 .