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Discussão sobre análise de gênero

Os gêneros textuais

A retórica textual visa estudar figuras e técnicas de argumentação, organização


do discurso, articulação de raciocínio,entre outros. Algumas estratégias podem ajudar na hora
de elaborar um texto e fazer com que ele atinga o objetivo do emisor, podendo recorrer a
metáfora , modelos , exemplos e análogias, para auxiliar nos recursos argumentativos
Segundo Platão, a Retórica “é a arte de ganhar a alma pelo discurso”. Já
Aristóteles a concebeu como a “faculdade de descobrir em qualquer caso particular todos os
meios disponíveis de persuasão”. Modernamente, Barthes a define como uma
“metalinguagem cuja linguagem objeto é o discurso”. As transformações registradas na teoria
do conhecimento, iniciadas após o Renascimento com René Descartes e John Locke,
superaram algumas das idéias da retórica clássica. Nietzsche e filósofos contemporâneos
como Thomas Kuhn já não consideram a linguagem como simples espelho da realidade e
expressão da verdade absoluta, mas, pelo contrário, acreditam que atua como um filtro que
condiciona a percepção.
Apesar de se falar muito em gêneros textuais, muitas teorias ainda precisam ser
aprofundadas, muitos estudos estão sendo feitos, acerca desse assunto, mas ainda há uma série
de dúvidas em relação às suas definições. A teoria mais aplicada recentemente e aceita é a de
Sweles e de seu modelo de análise, oferecendo conceitos básicos para reconhecimentos de
gêneros textuais, que seria seu objetivo primordial.Cada gênero possui características
linguísticas responsáveis pela caracterização e identificação de cada gênero, conhecimentos
linguísticos não são suficientes para análise de gêneros textuais, o contexo situacional e o
conhecimento cognitivos são fundamentais para uma comunicação efetiva.
Grupos que fazem parte do mesmo propósito comunicativo, impõe certas regras
e limites para que se justifique a classificação de determinado gênero. Para Sweles o definidor
do gênero , são os participantes do gênero especifico, quem faz parte da comunidade
especifica. Para analisar um gênero é preciso criar um epaço de pesquisa, onde leva-se em
consideração, algumas característica primitivas de um gênero específico, como por exemplo o
folclore, para analisar esse tipo de gênero, é preciso levar em consideração tipos ideais e não
textos reais, levando em consideração , que nesse tipo de gênero , suas características
mantem-se a mesma, sofrendo pouca influência social.
A literatura é onde encontramos a maior variedade de estudos sobre
gênero, e o que ela nos mostra são justamente as trangressões das normas, para aproveitar a
originalidade e com isso contribuir com a evolução do gênero.Sweles formula seu próprio
conceito , baseando-se em cinco caracterícas a seguir:
A primeira é baseada em eventos comunicativos, onde suas caracteristicas
dependem do meio onde vive, onde se produz e recebe o discurso.
A segunda seria o propósito comunicativo do gênero, revisto pelo proprio autor ,
essa característica e bastante difífil de ser indentificada pois , existem vários propósitos que
motiva a criação de um gênero.
A terceira diz respeito as características mais fáceis de serem reconhecidas por
seus usuários, as características que melhor tipificam o gênero.
A quarta característica é o propósito do gênero relacionadas a estrutura e forma
textual.
A quinta característica é a terminologia , elaborada pela própria comunidade
participante do gênero.
Podemos dizer que Gêneros são frutos de comunidades discursivas e não de
indivíduos, isso nos da a noção de fato social( pessoas acreditam e passam tomam como se
fossem verdade), por exemplo todos que escrevem monografia de final de curso fazem mais
ou menos a mesma coisa (MARCUSCHI, 2008, p. 150).
Critérios de avaliaçãos de gêneros textuais são contestaveis, pois nem sempre
o propósito comunicativo é visível, podendo ter vários propósitos comunicativos, deixando
assim de ser critério principal para caracterizar gêneros textuais, em outro momento Sweles
propõe que além de propósito, estrutura, estilo e conteúdo , propõe que se inclua aí a
identificação da cumunidade e no final , revisar o texto a fim de fazer sua redefinição . Como
havia citado no começo deste texto , as comunidades discursivas evoluem e com elas sua
retórica , temos assim a importãncia da revisão no termino dos estudos de cada gênero.

O gênero conto

No ramo da literatura não foram poucos os que tentaram encontrar uma definição
satisfatória para o gênero conto. Sempre comparado ao romance e a novela, o conto, hoje,
parece ser visto com boa aceitação como a representação micro das narrativas literárias. Isso
se torna ainda mais fácil de ser deduzido, quando tomamos sua representação nominal na
língua inglesa: short-story (literalmente: história curta).
Outras considerações que entram no debate sobre o conto, é sua frequente tendência de
relatar fatos. Mas aí existe uma controvérsia, porque simplesmente contar não parece ser a
especialidade do conto. Pensar no conto dessa maneira o reduz a um apego ao realismo,
reduzindo-o à função de repassar histórias que já ocorreram em algum ponto da realidade.
Contam-se, sim, histórias. Mas não há norma ou orientação pré-estabelecida que determine o
conto em servidão dos eventos reais. Independente se vindo de uma realidade fantástica,
imaginária, do cotidiano, o conto literário serve de receptáculo para todas elas.
Antes de surgir encadernado e enfileirado em nichos nas estantes das bibliotecas, o
conto teve suas primeiras manifestações na cultura oral. As comunidades discursivas do conto
eram bem definidas nessa fase embrionária. Contar histórias podia significar transmitir
tradições, experiências, crenças, ritos etc. O ato de contar uma história era intimamente ligado
com o coletivo e a renúncia de uma parte fundamental do ser. Em certas culturas, contar
histórias era uma atividade tão ligada ao sagrado, que não era toda a comunidade discursiva
que estava permitida a exercê-la. Qualquer violação a essa regra poderia ser considerada
sacrilégio.
Mas essa particularidade perdeu um pouco da sua força inicial quando migrou para a
escrita. As valorizações passaram a ser outras, como o cuidado com a forma (artísticas), com
a estética, com os movimentos culturais de época. Houve também a perda do coletivo para o
individual. O conto passou a ser, em criação e apreciação, atividade solitária. A imagem do
escritor e leitor introspectivo, isolados da interação com o mundo exterior é forte ainda hoje.
A não ser quando as antigas práticas de contar histórias em público são retomadas, como os
saraus, por exemplo – mas mesmo assim, de modo intencional, nunca espontâneo. Não
podendo assim, estabelecer associação pertinente com suas origens.
Se tomarmos a história do conto dos seus primórdios até os dias de hoje, podemos
pensar na fase do conto maravilhoso como transitória. Ela serviu para consolidar a imagem do
contador de histórias que conhecemos na contemporaneidade. Principalmente associada aos
pais e avós que contam aos pequenos as famosas histórias de ninas. Os contos maravilhosos
possuíam caráter educativo, sempre muito didáticos, usando cenários e criaturas do
imaginário fantástico. Eram contados normalmente por um adulto da família, no intuito de
instruir as crianças sobre certo e errado, valores morais, obediência. E mesmo o conto
maravilhoso tendo forte influência cristã, conservava também alguns aspectos do conto
folclórico.
Como expoente renomado a realizar pesquisas e teorias sobre o conto maravilhoso,
podemos citar Vladimir Propp, estruturalista russo que, em seus estudos dedicou-se a
identificar as constantes e variantes dos contos populares.
Ó que conhecemos hoje por conto é resultado de desdobramentos seculares de
tradições e modalidades. Como é fácil de deduzir, o conto teve sua identidade recriada (e por
que não dizer, reinventada?) inúmeras vezes. Sua chegada à escrita talvez seja a mais
impactante desse processo evolutivo, pois passou a se condicionar em diversas configurações
de estilo e retórica, ou seja, de técnicas. Desde então o conto vem mostrando sua flexibilidade,
adequando-se às mais variadas civilizações, cada qual com suas exigências e normas sociais.
Complementando com Batella (2006, p.29) “O que caracteriza o conto é o seu movimento
enquanto uma narrativa através dos tempos”.

Análise dos contos propostos

Esta análise usa como corpus os seguintes contos e seus autores respectivos: “A
tumba” de H.P. Lovecraft; “O gato preto”, de Edgar Allan Poe; “Os desastres de Sofia”, de
Clarice Lispector; “Kid Foguete no matadouro” de Bukowski; “A hora de fechar” de Neil
Gaiman. O critério de escolha centrou-se em selecionar autores de subgêneros diversos, que
produzem seus textos em estruturas distintas, mas que mesmo assim, possuem semelhanças
que os enquadram dentro de um mesmo gênero. Todos os objetos de análise escolhidos
atingem uma amplitude de leitores com faixa etária variando entre jovens e adultos. Os
exemplares do corpus analisado foram retirados de livros em formato brochura. Mas
eventualmente poderão aparecer publicados em outras mídias e suportes, tais como: blogs,
revistas, murais, jornais, etc.
Os autores escolhidos têm papéis sociais que exercem grande influência no campo
cultural de suas obras. Tanto na obra em si, quanto no que ela se reflete na perspectiva e
preferências do seu público. O escritor deixa de cumprir o papel formal de criador e passa a
atuar também como sujeito inerente ao caráter de suas obras. Frequentemente, em diversas
mídias, nos deparamos com caricaturas de Poe sendo representado como uma figura sombria,
associado a elementos e criaturas presentes em suas obras de maior relevância: como um gato
preto ou corvo. Toda essa personalização condiz com a natureza dos seus contos. Dentro
desse mesmo padrão, temos Bukowski, cuja vida pessoal acabou servindo de ponte para suas
criações. É constantemente representado dentro de um plano boêmio, rodeado de cigarros,
álcool, prostitutas etc. Tudo isso permeado por uma atmosfera lírico-decadente que
caracterizou sua literatura, retratando a devastação do ser como elemento fundamental de sua
estética.
Essas e outras tendências acabam por influenciar intimamente sua comunidade leitora.
Em alguns casos os autores são figuras tão marcantes, que vão além de mera influência e
passam a ser modelos a serem imitados pela comunidade discursiva.
Na tentativa de definir o objetivo do conto, percebemos que hoje seu papel principal é
entreter, instigar o prazer da leitura. Em suas raízes primitivas o conto tinha papel essencial de
transmitir e fixar valores morais, rituais, conservar mitos etc. Esteve por muito tempo ligado
ao sagrado. Contar uma história consistia em transferir sabedoria e experiências. O emissor
abre mão do que possui para eternizá-lo através dessas transferências. No seu subseqüente, o
conto maravilhoso, parte desse papel foi preservado, mas limitado à condição de contar
histórias com fundo moralizante para educar crianças através dos valores nele reputados.
Após o ingresso do conto na escrita, submetido à transitoriedade das exigências de
forma e estéticas, hoje o conto evolveu para um gênero versátil e multifacetado. Não se pode
mais dizer em regras de forma ou estética para o conto. Tornou-se capaz de portar qualquer
temática e ser direcionado a qualquer público. Atualmente o conto serve não somente para a
concretização de uma história, mas também como veículo através do qual o autor transpõe
suas visões críticas e incide também fragmentos provindos de experiências pessoais – fator
que nos faz estabelecer uma conexão (mesmo que remota) com seus vínculos rudimentares. É
como se a força do sagrado e do fundo moralizante de outrora, agora se transfigurasse para
uma nova finalidade: a de impressionar o leitor, de deixar nele profundas marcas. Entraremos
com mais detalhes nesse ponto a seguir.
Entretanto, mesmo hoje trazendo consigo esse dinamismo e flexibilidade, o conto
possui características decisivas para sua classificação como tal. Em nossa pesquisa, pudemos
reafirmar a ocorrência das seguintes unidades retóricas:
● Brevidade (introdução, complicação, efeito);
● Precisão (discurso econômico, mas intenso);
● Efeito único (a excitação promovida pelo desfecho).
Quando falamos de brevidade não há confusão ou duplo sentido que nos faça entender
outra coisa: estamos falando de algo curto, conciso. Assim é o conto. Nos contos analisados,
por exemplo, nenhum deles ultrapassou o limite das dezoito páginas. Em “A tumba” de
Lovecraft, contamos 13 páginas; “O gato preto”, de Edgar Allan Poe, 17 páginas; “Os
desastres de Sofia”, de Clarice Lispector, 18 páginas; “Kid Foguete no matadouro” de
Bukowski, 6 páginas; “A hora de fechar” de Neil Gaiman, 11 páginas. É certo que existem
contos que vão além dessa limitação. Mas o que queremos evidenciar aqui é a concisão do
conto. Ser breve é uma característica presumível que toda uma comunidade discursiva tem do
gênero conto.
Não se conta histórias por acaso, mas muitas histórias surgem do acaso. Essa
casualidade é, hoje, bastante presente no gênero conto. Embora, ainda há a herança de abrir a
narrativa denunciando ao leitor que ele está prestes a ouvir uma pequena história.
Extraordinariamente, há casos onde o conto encapsula em si várias histórias dentro de uma
história, como é o caso do “A hora de fechar” de Neil Gaiman. O leitor detecta a presença de
várias camadas no desenvolver da trama, algumas são abandonadas no decorrer, enquanto as
outras continuam ocorrendo simultaneamente. Isso só demonstra o quão dinâmico o conto
pode ser, mesmo com seu espaço e tempo delimitados pela forma.
A brevidade é, talvez, o recurso de base que melhor sustenta a intencionalidade do
conto. Por ser curto, a narrativa tenta dizer muito em poucas palavras. Daí sua carga
emocional intensa e sempre precisa. No conto não há tempo a perder, cada frase ou fala
possuem razões concludentes para estarem ali. Tal procedimento não é resultado de mera
intuição, podemos afirmar que este é um método intencional e calculado usado pelo contista.
É preciso saber dosar o texto para o seu efeito não dissipar. Método esse, que, ancorado pela
brevidade, causa no leitor, numa medida mais ou menos exata, a sensação de transcendência.
Diz Ribeiro:
Moldado pela "noção de limite", o conto, tal como a fotografia, cede a esse limite para
encontrar, adiante, a síntese que possibilita uma transcendência e, portanto, a expressão de
uma realidade muito mais ampla do que a captada pela câmera ou pela cena refletida no texto.
Um bom conto não se esgota em si mesmo como simples registro factual ou naturalista de um
acontecimento. Ou como mera conceituação da realidade. Antes, ilumina a realidade, como
síntese desta. (RIBEIRO, 2007).
É dentro desse contexto onde a precisão se faz presente. Um dito popular sobre a
estrutura de um conto é que: no conto (micro) nada pode sobrar; e no romance (macro) nada
pode faltar. Em “Kid Foguete no matadouro” de Bukowski, a construção é objetiva, precisa; a
trama é fechada, o universo se abre somente até onde é necessário; os fatos sucedem com
rapidez, num fluxo ininterrupto e segmentado; as palavras utilizadas são simples, muito
próximas da linguagem coloquial. Mas carregam em si uma carga dramática penetrante, como
se houvessem nelas algo além do aparente.
No conto de Lispector, “Os desastres de Sofia” a precisão aparece como meio de
enfatizar a intensidade – característica recorrente nos trabalhos da autora. Podemos notar isso
em trechos como, (LISPECTOR, 1998. p. 107), “Meu sorriso cristalizara em silêncio, e
mesmo os ruídos que vinham do parque escorriam pelo lado de fora do silêncio” e “Ele me
olhava com os olhos despenteados, como se tivesse acordado”. Clarice extrai das palavras
uma sinceridade visceral. É na precisão e intensidade que essa natureza ganha forma em suas
obras.
Em "O gato preto" de Poe e "A tumba" de Lovecraft, os autores começam o conto com
os narradores alertando o leitor de que sua história pode chocar alguns, que sua veracidade
pode estar comprometida por seu estado mental, deixando a análise dos fatos a serem narrados
a mercê do julgamento de seu público. É como se dissesse: cuidado com que vai ler. Impõe
uma espécie de estrita confidência e responsabilidade ao leitor, prendendo assim atenção do
leitor. Esse movimento retórico é um dos principais propulsores da tensão da trama. Elemento
crucial para a unidade retórica da unidade de efeito (ou efeito único).
A retórica de Poe e Lovecraft (e de muitos contistas do subgênero horror) consiste em
antecipar um acontecimento, deixando pistas do que vai encontrar no final, instigando-o a não
abandonar a leitura. Por meio da técnica de manipular a narrativa, o contista escamoteia
pontos chave da narrativa, ao mesmo tempo em que deixa pairar uma suspeita de que os fatos
querem exprimir mais do que aparentam. Tudo isso para desencadear um efeito ao final do
conto, caracterísca encontrada em todos os outros exemplares analisados: o clímax (desfecho),
a solução do conflito e a quebra de tensão.
Retomando a natureza do sagrado e moralizante pela qual o conto passou pelos
séculos até o advento da unidade de efeito, é possível encontrar uma relação entre ambos.
Antes o que tinha intenção de perpetuar tradições e transmitir valores às crianças, hoje
transfigurou-se para o propósito de causar impacto, surpreender, deixar uma marca no leitor.
As comunidades discursivas do gênero conto remete às pessoas que estão insedidas em
comunidades literárias , e são comunidades que esperam surpreender com a retórica textual ,
proucurando sempre um final surprendente e também como característica de contos, finais
nem sempre explicativos.
Alguns autores, colocam seus narradores em primeira pessoa , que relata suas
experiências (muitas vezes duvidosas) , onde na maioria das vezes passadas sozinhas, alguns
confudem autor e narrador, pensando que seus autores relatam coisas de suas próprias vidas,
alguns autores realmente o fazem, colocando elementos que remetem a suas próprias vidas.
Uma caraterística comum dos contos é fazer com que seus narradores , conveçam seus
leitores de que a história relatada é uma "verdade", ou simplismente deixa seus leitores
interpretarem o conto , abrindo caminho para a dúvida o relato do narrador.
A retórica usada no conto do "gato preto" , é bastante aproximada do conto "a tumba",
os dois narradores relatam de forma a convencer o leitor, já supondo que a historia contada ,
irá gerar uma dúvida, precisa usar argumentos convincentes , para justificar seus erros.
O objetivo retórico dos contos é prender os leitores desde a primeira linha, até
encontrar o final surpreendente, pois seria algo como, deixe levar pelo que vem a seguir, e
maravilhe-se.
O tema também é muito importante, em comunidades dirscursivas de determinado
gênero textual, como no caso contos, os leitores ja esperam de seus autores linguagem textual
específicas, escolhas de temas , terror, comédia, suspense, assim como também a combinação
deles , ou vc também pode ler algo que remete a vida do autor , como no caso de Bucowiski .
O intertexto também é bastante utilizado como recurso , como estranhamento ou
reconhecimento textual, dois autores que escolhemos como análise, Neil Gaiman e Clarisse
Lispector fazem uso desse recurso.
Neil Gaiman utiliza uma influência na mitologia americana e fantasmas , usando como
retórica as historias contadas para fazer a ligação em seus textos. No conto analizado " hora
de fechar" , utiliza uma narrativa tradicional de fantasmas, onde o discurso ocorre num clube,
que eles chamam de historia de clube, formando assim dois gêneros textuais, em um, ele usa
uma retórica aproximando do real, apesar dos nomes de lugares terem sido mudado , eles
eram reais. O narrador conta essa história como se realmente tivesse em um bar, linguagem
usada normalmente, em conversa desse tipo de comunidade.
A retórica usada em contos do Bukowski, é totalmente autobiográfica , narrando os
lugares onde viveu, pessoas e situações , que para pessoas que também viveram em Los
Angeles em meio a pobreza ou até mesmo passaram pela mesma situação sem
necessáriamente ser no mesmo lugar, vão logo se indentificar com seus contos. Seu conto
também prende pela retórica angustiante, onde o efeito pretendido pelo autor é obtido, todos
leêm o texto afim se saber o que espera o personagem no fim do conto, quando chegam ao seu
final , foi apenas um recorte da vida de um cara onde duas horas pareceram durar uma
eternidade, o autor consegue essa senssação descrevendo minúncias do dia a dia , do trabalho
pesado das pessoas , que passam sua vida, que perdem sua vida em trabalhos duros, essa
retórica que Bukowski usa em seus contos prende seus leitores , justamente por arrancar
fragmentos cotidianos, facilmente indentificavéis pelo leitor.
As funções do Gêneros analizados são em sua maioria para entretenimento, mas
alguns tem a função também de informar ou apenas retratar o cotidiano, como no caso de
Bukowski e Clarisse Lispector, no caso de Allan Poe , Lovecraft e Neil Gaiman entreter.
Dois fatores essencias do conto são a brevidade e o efeito, a brevidade com
intensidade , dizer o minimo de forma concisa, usar o mínimo de meios e o máximo de
efeitos, para obter um final impactante.

Conclusão

A análise nos ajudou a compreender melhor o gênero conto, sua função, configuração
e teoria. A partir das referências pesquisadas, pudemos perceber a dificuldade de analisar o
conto sob o viés linguístico-textual. Portanto, diante da escassez de suporte teórico específico,
fomos buscar alguns dos referenciais na própria literatura. Mas, com o cuidado de restringir a
escolha em materiais voltados para a definição de conto como gênero textual.
Buscamos evidenciar os critérios mais explícitos, evitando cair na subjetividade
literária, expondo os recursos retóricos da maneira mais objetiva possível. No entanto, mesmo
o conto sendo um gênero de distinção bem estabelecida, ainda há o impasse com a palavra do
autor para ser resolvido. Há uma convenção nos meios onde o conto é veiculado que diz o
seguinte: um conto pode ser o que o autor quiser chamar de conto. Essa prática tem aceitação
quase generalizada pela comunidade discursiva. Mas nessa análise escolhemos não
aprofundar na problemática desta questão, por acreditar que ela exige uma atenção mais
específica.
No mais, esperamos que o conto venha a ganhar futuramente estudos mais detalhados,
eficientes, mantendo sua classificação como gênero sempre atualizada. Com a depuração
desses estudos, esperamos que a metodologia se refine, de modo que descubram caminhos
mais viáveis – não tão subordinados da perspectiva literária – para analisar o conto como
gênero textual.