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FLIRT– LAURELL K.

HAMILTON
ANITA BLAKE HUNTER VAMPIRES #19

2011
SINOPSE

Estou de volta á St. Louis e tentando viver uma vida normal - o mais normal possível
para alguém que é um caçador de vampiros legalizado e uma Marshal dos EUA. Tenho
meus amantes, meus amigos e seus filhos, programas escolares para participar. No meio
de toda essa felicidade comum, um vampiro do meu passado aparece. Ela deveria estar
morta, mas a Mãe de Todas as Trevas é o primeiro vampiro, e é difícil matar um deus.
A Mãe de Todas as Trevas acredita que o triunvirato criado pelo mestre vampiro Jean-
Claude comigo e o lobisomem Richard Zeeman tem poder suficiente para ela recuperar
um corpo e emigrar para o Novo Mundo. Mas o corpo que ela quer possuir já está...E se
a Mãe de Todas as Trevas não puder ter sucesso em assumir o meu corpo para si
mesma, ela quer que ninguém mais possa usar ele, nunca mais.

ANITA BLAKE TRADUÇÕES


TRADUÇÃO: Caroline
REVISAO: Anala, Anny, Carol, Clicia, Renata, Rayane, Monalisa, Marcia e
Dayane.
REVISÃO FINAL: Anny, Amanda e Dayane
https://anitablaketraducoes.wordpress.com/

2011
Não se deve olhar para o abismo, porque há no
fundo um charme inexprimível que nos atrai.
-Gustave Flaubert
Para Jonathon, que ficou ao meu lado, olhou para o abismo e encontrou tanto charme,
atração e amor, pois não somos feitos somente de nossa luz e felicidade, mas também de
escuridão e tristeza. Negar a escuridão de si mesmo é negar metade de quem você é. E
quando você ama verdadeiramente, precisa amar a pessoa inteira, não apenas a parte
que sorri e acena, mas a parte que tem pensamentos assassinos e sabe que a dor é tanto
um prazer quanto uma tentação, mas ainda pensa que cachorros são realmente bonitos.
AGRADECIMENTOS

Carri, que tomou ponto sobre este, e permaneceu ao meu lado durante algum tempo
bastante áspero. Eu continuo esperando que ela repense sobre eu parar de trabalhar
quando ela faz, porque aparentemente eu nunca desisto. Wendi e Daven, que deixam
que eu me esconda em sua casa para lamber minhas feridas. A minha filha, Trinity, que
já tem idade suficiente para dizer a mim: “Mãe, talvez você precise de férias.” Fora da
boca de bebês. . . Para Pili, que ajuda a nos manter nutridos com comida, amizade e
apenas sendo ela mesma. Ao resto da tripulação, Mary, Sherry e Teresa: Obrigada por
ficar em seus postos sob o fogo. Shawn, que mantém os incêndios em casa queimando a
alguma distância. Eu estou esperando tempos mais tranqüilos em breve, mas não posso
prometer. Para o meu grupo de redação, que viram algumas das batalhas: Tom Drennan,
Deborah Millitello, Marella Sands, Sharon Shinn e Mark Sumner.
CAPÍTULO 01

Eu estava abrindo caminho através de uma massa de pais e crianças. Tinha um chapéu
de palhaço minúsculo apertado em uma das mãos. Em meu terno, de saia azul marinho,
eu parecia com uma dúzia de outras mães que tiveram que vir direto do trabalho para o
recital de dança. Meu cabelo era um pouco encaracolado e um pouco negro demais se
comparado a todas as mães loiras, mas ninguém me deu uma segunda olhada. O
engraçado da situação era que, apesar de fazer meu caminho através da multidão de
pais, tias, tios, avós e irmãos, eu não era um dos pais. Eu estava aqui apenas como apoio
moral e salvadora de trajes de última hora. Esse era apenas o estilo de Mônica Vespucci,
deixar parte das roupas em sua casa e precisar de um salvamento de emergência. Micah
e eu estávamos atrasados por causa das reuniões com clientes, de modo que tivemos que
ir em seu socorro e agora, desde que a maioria dos artistas eram do sexo feminino, fui
eu quem tive que ir aos bastidores para não escandalizar as mães. O que as meninas que
só tinham parentes homens faziam em momentos como estes? Meu pai estaria perdido.

Uma menina e sua mãe quase me derrubaram pelas escadas em sua corrida para me
ultrapassar. A menina bateu em mim de maneira que meu paletó se abriu e ela ficou
olhando meu coldre com a arma e o distintivo de agente Federal dos EUA. Os olhos da
criança se arregalaram quando ela encontrou os meus. A mãe não reparou e continuou
arrastando a criança silenciosa pelas escadas. Deixei que elas fossem à minha frente, os
olhos enormes e escuros da menina me seguindo até que a multidão a escondeu da vista.
Ela não poderia ter mais do que cinco anos. Perguntei-me se ela iria tentar contar à mãe
que tinha visto uma mulher com uma arma e um distintivo.

Comecei a empurrar meu caminho até as escadas, mantendo a mão com o chapéu de
palhaço perto do meu casaco, para não mostrar a arma por acidente. Eu iria tentar
manter minha ocupação em segredo das crianças barulhentas e suas mães frenéticas.
Elas não precisavam saber que eu caçava vampiros malvados e metamorfos para o ramo
sobrenatural da agência federal americana e elas certamente não precisavam saber que
levantar zumbis era meu trabalho diurno. Eu consigo me misturar enquanto ninguém
sabe quem eu sou.

Eu cheguei ao corredor superior e havia um menino solitário, com uns doze anos, sendo
conduzido por sua mãe. Ela tinha um olhar quase embaraçado em seu rosto, como se
estivesse se desculpando por não ter uma menina. Eu sabia que havia mais homens aqui,
porque alguns deles eram meus, mas eles estavam a uma distância segura dessa sala de
meninas, rica em estrogênio.

O filho de Mônica tinha menos de cinco anos, então ele não contava como homem
ainda. Era apenas uma criança genérica. Agora, se eu conseguisse encontrar a criança
genérica, entregar à mãe o chapéu e fugir para nossos assentos onde todo mundo estava
esperando por mim, eu contaria como uma vitória, embora conhecendo Mônica, ela
provavelmente precisaria de alguma outra coisa. Eu não gosto dela. Mas, seu marido
tinha sido um dos vampiros de Jean-Claude que morreram no cumprimento do dever, de
modo que Jean-Claude se certificava de que ele e os outros cuidariam dela no lugar de
seu marido falecido. Era uma atitude honrada, eu mesma aprovava, mas evitava Mônica
sempre que podia. Ela traiu a mim e a uma amiga certa vez, compartilhado informações
com alguns vampiros maus. Ela pediu desculpas. Ela dependia do pessoal de Jean-
Claude para conseguir babás de emergência e para situações como as dessa noite. Ela
tinha sido má porque a velha Mestra da Cidade tinha sido má; agora que tínhamos um
bom Mestre na cidade, Jean-Claude, ela era boa. Claro. E o coelhinho da Páscoa é meu
amigo.

O fato de que eu tinha uma chave da casa dela para o caso de emergências, ainda me
incomodava, mas Jean-Claude estava certo; alguém que pudesse sair à luz do dia
precisava ter a chave. Ele também sabia que não importava o quanto eu não gostasse de
Mônica, eu ainda faria a coisa certa. Jean-Claude tinha razão, droga. Um bando de
meninas em cor-de-rosa e lantejoulas passou por mim. Apoiei-me à parede e deixei que
os professores as perseguissem. Havia tantas razões pelas quais eu não queria ter filhos
ainda.

Ouvi meu nome ser gritado naquela vozinha genérica de criança pequena, — Nita, Nita!
— Eu não fazia ideia do por que, mas ultimamente Matthew, o filho de Mônica, gostava
de mim.

Ele veio correndo em minha direção com seu traje de palhaço multicolorido e brilhante,
com as pequenas bolas na frente que combinavam com as do chapéu. Seu cabelo era um
castanho avermelhado como o de sua mãe, mas havia algo em seu rosto de três anos que
me fez pensar em seu pai morto. Robert não tinha sido meu vampiro favorito, mas ele
era bonito e Matthew era um garoto bonito. Ele veio correndo com os braços para cima
e se lançou em mim. Ele não era grande para sua idade, mas ainda foi surpreendente. Eu
o peguei e levantei em meus braços, porque fazendo qualquer outra coisa, ele teria
simplesmente me batido, além de ser grosseiro.

Ele colocou as pequenas mãos em meus ombros e se inclinou para um beijo. Eu ofereci
uma bochecha, mas ele tocou meu rosto e sacudiu a cabeça, muito solene.

— Eu já sou um menino grande, Nita. Eu beijo como um menino grande agora. — Ele
estava convencido de que beijos na bochecha eram beijos de bebê. Isso me fez pensar se
Mônica estava sendo muito amigável com o novo namorado na frente do garoto. Era
Mônica; haveria um namorado.

Ela achou que era bonito quando comentei sobre isso. Matthew franziu os lábios e
plantou um beijo em minha boca, o que significava que ele estava usando meu batom
muito vermelho.

— Agora meu batom está em você e isso é mais coisa de menina grande do que de
menino grande —, eu disse, enquanto olhava em volta a procura de um Kleenex ou
outra coisa para limpar sua boca. Eu também estava procurando por sua mãe. Onde
estava Mônica?

— É um menino grande se é seu batom.

Eu franzi o cenho para aquele rosto minúsculo a poucos centímetros do meu. — O que
você quer dizer, com, “é menino grande se é meu”?

— Todos os meninos grandes te beijam, Nita.


Eu tive a sensação de que talvez não fosse apenas Mônica e um namorado na frente de
Matthew que estavam lhe dando ideias.

— Onde está sua mãe?— Perguntei e comecei a procurar meio desesperadamente pelo
ambiente.

Ela finalmente se separou da massa de mulheres e meninas de várias idades e veio em


nossa direção, radiante. Surpreendia-me um pouco que Mônica parecesse pensar que eu
não guardava rancor por ela me trair a cinco anos. Eu guardava rancor e não confiava
nela, que parecia inconsciente disso.

Ela tinha os mesmos cabelos castanhos avermelhados e crespos de Matthew, cortados


mais curtos e mais estilizados. Entretanto seu rosto estava mais fino, um triângulo mais
afiado, como se tivesse perdido peso desde a última vez que a vi. Houve um tempo em
que poderia perguntar se ela estava se sentindo bem, mas agora as mulheres perdiam
peso sem nenhum motivo. Mônica era mais baixa que eu alguns centímetros e eu tinha
1,60m. Ela ainda estava usando blazer com saia, também, mas sua blusa era branca e a
minha, azul.

Matthew manteve os braços em volta do meu pescoço enquanto ela usava uma toalha
molhada para limpar sua boca. Então ela colocou uma sombra ínfima de brilho labial,
embora para mim não parecesse precisar de nada. Ela pegou o chapéu da minha mão e o
colocou sobre seus cachos. Se ele fosse mais velho a roupa teria sido embaraçosa para
qualquer garoto que eu já conheci, mas aos três anos era realmente. . . fofa. Eu não iria
admitir em voz alta, mas era.

— Muito obrigada, Anita — disse Mônica. — Não posso acreditar que eu esqueci.

Eu poderia, mas apenas sorri e fiquei quieta. O silêncio normalmente funcionava melhor
entre Mônica e eu. Uma massa de garotinhas vestidas com a versão feminina da roupa
de Matthew saltaram e ele se remexeu para ser posto no chão , o que eu fiz alegremente.

Mônica observou-o fugir com as outras crianças de sua classe, no rosto aquele
proverbial olhar de mãe: orgulho, amor e quase possessão. Eu nunca duvidei que ela
amava seu garotinho. Foi uma das razões pelas quais eu era legal com ela. Mônica
virou-se para mim, ainda sorrindo.

— Estou tão feliz que o recital é hoje à noite para que eu possa me concentrar nos
negócios amanhã.

Acenei e tentei fugir. Mônica, aparentemente, era uma advogada melhor do que ser
humano, ou pelo menos Jean-Claude confiou nela para fazer os contratos que poderiam
ou não, ser assinados amanhã. Eu confiava que Jean-Claude era um bom homem de
negócios.

— Concordo— eu disse, e tentei fugir.

Ela agarrou meu braço. Não gosto de ser tocada por pessoas de quem não sou próxima.
Enrijeci sob sua mão, mas ela não pareceu notar. Inclinando-se, sussurrou:
— Se me oferecessem um brinquedo de dezessete anos eu estaria mais animada, Anita.

Matthew estava fora de vista, então deixei meus olhos mostrarem o quão feliz esse
comentário me fez. Mônica soltou meu braço, seus olhos um pouco arregalados, no
rosto uma expressão surpreendida.

— Oh, vamos lá, Anita, que mulher não estaria lisonjeada?

— Primeiro, não concordei em deixá-lo ficar em St. Louis quando o trouxerem de


Vegas amanhã. Segundo, nunca mais o chame de menino-brinquedo.

— Sensível — disse ela, e então seu rosto se suavizou e seus olhos brilharam com um
pensamento que eu sabia, não iria gostar. — Defensiva sobre ele, Anita. Minha nossa,
ele deve ser melhor na cama do que eu me lembro naquela idade.

Eu me inclinei e sibilei em seu ouvido.

— Todos nós fomos mentalmente estuprados por um dos vampiros mais assustadores
que já existiu, Mônica. Ela me usou para alimentar seu poder como um homem-tigre.
Ela me usou, usou a ele e a todos os outros tigres em uma tentativa de sobreviver,
mesmo que isso significasse destruir a todos nós. Você me diz, que parte disso foi uma
coisa boa? — Agarrei seu braço em algum ponto do discurso.

— Você está me machucando. — Ela falou baixo.

Soltei-a e me afastei. Mônica me olhou e, momentaneamente, acho que ela me viu,


realmente me viu. Ela estava com raiva e eu soube que não gostava de mim mais do
que eu gostava dela. Assisti um olhar diferente cruzando seu rosto, um que a maioria
dos homens teria pensado ser um bom olhar. Mas uma mulher sabe quando outra
mulher está prestes a cravar a lâmina.

— Engraçado como nunca é sua culpa quando você tem que ter relações sexuais com
todos esses homens, Anita — e com isso ela se afastou. Ela se afastou com a faca
proverbial cravada profunda e duramente através do meu coração.
Nada é mais profundo do que quando outra pessoa diz exatamente o que você tem medo
de dizer em voz alta.

Inferno, Matthew tinha dito isso, também, do seu modo. “Todos os meninos grandes te
beijam, Nita”.

Fugi dos risonhos meninos fantasiados e dos olhos conhecedores de Mônica. Acenei
para Matthew enquanto ele chamava meu nome, todos alinhados com as meninas de sua
classe. Eu queria estar no meu lugar para vê-lo; ele seria o segundo. Sim, foi isso.

Corri para meu assento para ter certeza de que veria seu desempenho, mas eu sabia que
não era a verdade. Corri para o meu lugar e para os homens à minha espera, porque
parte de mim acreditava que Mônica estava certa e todas as minhas palavras foram
apenas um caso da “senhora protestando demais”.
CAPÍTULO 02

Eu voltei ao pé das escadas no lobby ainda lotado e examinei a multidão procurando por
Micah, mas, já que ele era do meu tamanho, nenhum de nós podia ver o outro sobre a
multidão. As pessoas se separaram e eu pude vê-lo. Ele estava do outro lado da sala,
conversando com uma família que eu não reconhecia e estava sorrindo. O rosto aceso
com bom humor. Ele riu, a cabeça jogada para trás, mas eu não o ouvi sobre o
murmúrio da multidão, que se fechou novamente e eu já não podia mais vê-lo.

Comecei a fazer meu caminho em sua direção e pude vê-lo novamente. Micah era um
daqueles raros homens que podiam parecer delicados, até que nos fixássemos nos
ombros largos que se afinavam para baixo, numa cintura delgada. Ele era constituído
como um nadador, embora seus esportes fossem corrida e levantamento de peso, como a
maioria dos metamorfos que eu conheço. Todos os seus ternos tinham de ser adaptados
para seu porte atlético.

Ternos italianos pareciam se encaixar melhor. Ternos americanos eram, na sua maioria,
em forma de caixas e ficavam horríveis em homens baixos com músculos. Embora
Micah fosse mais forte do que propriamente musculoso. Seu terno lhe servia
perfeitamente e eu peguei várias mulheres lhe lançando olhares disfarçados quando
passavam com suas famílias. Tive que sorrir porque eu sabia que ele ficava ainda
melhor fora do terno do que nele. Um homem passou olhando para sua bunda. Micah
tem muito disso, também. Eu acho que ele é baixo e belo, e eu poderia chamá-lo de
bonito se eu quisesse, mas isso não expressa, de fato, o tamanho de sua beleza. Seu
cabelo encaracolado quase tocava a cintura. Possuía aquele marrom rico, profundo, que
indicava a possibilidade de ter sido mais claro quando ele era um menino. O cabelo dele
era quase tão encaracolado quanto o meu e se derramava pelas costas, fazendo inveja
em muitas mulheres. Meu próprio cabelo quase tocava a cintura. Ele queria cortar o
próprio cabelo e eu não queria. Eu queria cortar alguns centímetros do meu cabelo e ele
não queria. Então, Micah me propôs um acordo. Se eu cortasse o cabelo, ele também
cortaria o dele. Nós tínhamos um impasse, meu cabelo não tinha estado tão longo desde
a escola.

Ele virou a cabeça em minha direção como se me sentisse olhando e eu pude finalmente
ver todas aquelas linhas delicadas de seu rosto. A linha da mandíbula, talvez um pouco
longa demais para ser considerada perfeita, mas essa mesma linha foi tudo o que o
salvou de se parecer com uma mulher bonita em vez de um homem. O ensino
fundamental deve ter sido um inferno, porque homens baixos e bonitos geralmente não
se saem bem. Ele me disse que seus olhos tinham sido originalmente castanhos, mas eu
nunca vi os olhos que ele nasceu. Quando ele veio a mim, já estava preso a estes olhos
de leopardo, com cílios escuros. Olhos chartreuse, verde e amarelo, dependendo da cor
que ele usasse perto do rosto ou como a luz os pegou. Na maioria das vezes ele usava
óculos de sol para esconder seus olhos, mas usá-los após escurecer, às vezes, atraía mais
atenção do que aquilo que escondiam. Micah ficava espantado por quantas pessoas
podiam olhá-lo nos olhos e simplesmente dizer, “que belos olhos”, ou “que lindo tom de
verde” e nunca fazerem a conexão.

Nathaniel diria: — As pessoas veem o que querem ver, ou o que suas mentes lhes dizem
que devem ver, a maior parte do tempo.
Micah me deu o sorriso que era todo para mim. Ele foi feito de amor, luxúria e essa
conexão que nós tínhamos quase que desde o momento em que nos conhecemos. Ele era
meu Nimir-Raj, meu rei leopardo e eu era sua Nimir-Ra, rainha leopardo. Embora eu
não tenha me transformado de nenhuma forma, eu ainda carregava uma parte leopardo
dentro de mim. Era essa parte que parecia reconhecê-lo. Micah nunca tinha questionado
e eu tinha feito algo sem precedentes: o deixei morar comigo. Estávamos nisso há dois
anos e contando. Dois anos e ainda felizes um com o outro. Foi um recorde para mim.

Normalmente, a essa altura, eu teria estragado tudo de alguma forma ou o homem teria
feito algo que eu poderia apontar e dizer que não ira funcionar. Micah conseguiu andar
no labirinto que era meu coração e não ser pego em qualquer das armadilhas.

Ele disse adeus às pessoas que o cercavam e veio até mim.

Ele sorriu, os cantos da boca se erguendo como fazia às vezes, seus olhos brilhando
como se a risada estivesse a apenas um pensamento de distância.

— O que você está olhando? — Ele perguntou em voz baixa.

Eu sorri de volta porque não pude evitar.

— Você.

Nossas mãos convergiram uma para a outra ao mesmo tempo, nossos dedos apenas
encontraram uns aos outros e se entrelaçaram. Brincando de tocar e sentindo um do
outro. Eu tinha um amigo que disse poder tirar mais proveito de nosso toque de mão que
do beijo de outros casais. Mas nós fizemos isso, também. Inclinamos-nos tomando
cuidado com meu batom. Micah passava a maioria das noites com um toque de meu
batom em sua boca e ele não parecia se importar.

— Quem eram? — Perguntei quando nos viramos e começamos a caminhar lado a lado
com os últimos da multidão em direção ao auditório.

— Uma das famílias do nosso grupo de apoio— disse ele.

Micah era o chefe/porta-voz da Coalizão para Melhor Compreensão entre Comunidades


de Licantropos, conhecida carinhosamente como Coalizão Peluda. A Coalizão ajudava
os novos metamorfos a se adaptarem às mudanças em suas vidas e os impedia de saírem
cedo demais das Casas Seguras. Um metamorfo recém transformado era imprevisível.
Poderia levar meses de luas cheias antes que tivessem controle suficiente para serem
confiáveis estando longe da vigilância dos mais velhos, dos metamorfos mais
experientes. E sim, imprevisível significava que eram consumidos por desejos de carne
e quanto mais fresca, melhor. Eles também desmaiavam e tinham poucas lembranças do
que faziam. A maioria dos novatos desmaiava depois de voltar à forma humana, então
precisavam estar em local seguro ou onde alguém poderia colocá-los em local seguro.

Micah e alguns dos outros líderes locais tiveram uma ideia para um grupo de apoio à
família, onde os membros das famílias que não eram metamorfos podiam falar
livremente sobre seus pais, irmãos ou mesmo avós. Era legal ser um metamorfo nos
Estados Unidos agora, mas a discriminação ainda ocorria. Havia profissões inteiras
onde ser pego em um exame de sangue iria excluí-lo para sempre.
Forças armadas, polícia, indústria alimentícia, assistência médica. Era difícil manter um
emprego se você fosse um professor de crianças e os pais descobrissem que você se
transformava em um grande lobo mau uma vez por mês. Esse tipo de discriminação era
ilegal, mas difícil de provar. Era uma das razões pelas quais Richard Zeeman, professor
de ciências e Ulfric local, rei dos lobos, não estaria aqui esta noite sentado do outro lado
de Jean-Claude. Richard era, tecnicamente, o lobo para chamar de Jean-Claude, assim
como eu era sua serva humana. Nós formávamos um triunvirato de poder e ambos
deveríamos estar aqui ao seu lado, mas Richard não se arriscaria a ser desprezado e
perder seu emprego. Isso e o fato de Richard realmente odiar ser um lobisomem, mas
este era um problema para mais tarde. Certamente, neste momento, ninguém que veio
com Jean-Claude teve algum problema com quem e o que eram.

A maioria dos assentos já estava cheia e foi o cabelo de Asher que avistei primeiro,
reluzindo dourado sob as luzes. Eu não estava brincando sobre o dourado. Ele não era
loiro, seu cabelo estava o mais perto do ouro verdadeiro quanto era possível sem deixar
de ser natural do que de qualquer outra pessoa que eu já conheci. Claro, uma vez que eu
tinha encontrado Asher, Jean-Claude estava ao seu lado.
Os cabelos pretos de Jean-Claude ondulavam sobre o encosto do banco, mais que o de
Asher, na altura dos ombros.

Jean-Claude tinha deixado seus cabelos crescerem porque eu gostava de cabelos


compridos em meus homens. Asher tinha me informado:

— É preciso energia para que os cabelos de um vampiro cresçam além do tamanho em


que estavam quando ele morreu. Eu não tenho esse tipo de energia sobrando.

O que implicava que Jean-Claude tinha? Seria interessante saber. Havia outra loira
sentada do outro lado. Era JJ, a namorada atual de Jason, que tinha viajado de New
York para vê-lo no palco. Eles tinham frequentado a escola juntos e se conheceram um
pouco mais durante a faculdade. Voltaram a se encontrar na festa de despedida de uma
amiga e agora ela veio para vê-lo no palco. Jason tinha viajado para vê-la no palco de
New York City Ballet três vezes. Essa era a terceira viagem a St. Louis em tantos
meses. Era tão sério como nunca tinha visto Jason ser sobre qualquer uma.

Ele estava quase envergonhado quando JJ disse que estaria vindo para o recital. Ele
disse: “É só uma coisas amadora. Você é que faz a coisa real.” Eu não sei o que ela
tinha respondido, porque eu o deixei terminar a conversa ao telefone em particular, mas
o que quer que tenha sido, lá estava ela sentada, pálida e bonita. Seus cabelos loiros e
retos em uma trança simples caindo abaixo da curva graciosa do pescoço e dos ombros.
Seu vestido era de um rosa pálido, quase branco, com finas alças. Ela era como a
maioria dos bailarinos, musculatura afiada e graça, de modo que podia usar o vestido
leve com quase nada por baixo e ter uma aparência ótima. Eu teria parecido estar
precisando desesperadamente de um sutiã. Minhas curvas só ficariam mais
pronunciadas.

Jean-Claude e Asher se levantaram antes que realmente chegássemos até o corredor.


Eles se viraram sem olhar como se tivessem nos sentido. Talvez tivessem. Ou, pelo
menos, Jean-Claude tinha. Outro homem se levantou na fila atrás deles e só então
percebi que era Truth. Ele tinha jogado seu comprido cabelo, na altura dos ombros, para
trás em um apertado e simples rabo de cavalo e estava completamente barbeado. O rosto
de Truth estava preso com aquela barba rala porque era assim que ele estava quando
morreu. Raspar, significava que ele não a teria de volta, mesmo que quisesse. Ele estava
usando um terno elegante também. Se seu cabelo não tivesse o habitual tom de marrom
eu poderia ter pensado que era seu irmão, Wicked. Eu fiquei ali olhando para seu rosto,
atordoada. Eu queria perguntar, onde estão suas botas? Onde está seu couro? Mas isso
parecia ser a coisa errada a dizer. Micah se inclinou e disse:

— Diga algo para ele.

— Hum, você está bonito, — eu disse e era desesperadamente inadequado. Tentei


novamente. — Acho que eu nunca vi você barbeado assim. Você parece ótimo.

Ele puxou a frente do paletó.

— Peguei emprestado de Wicked. Ele está na fila à frente deles.

Micah me desviou e eu caminhei até Asher e Jean-Claude, que ainda estavam de pé.
Truht sempre me parecera uma mistura de motociclista fora da lei e guarda florestal
medieval. Ele estava aqui como segurança. Será que Jean-Claude insistiu para que ele se
arrumasse?
Wicked deu um pequeno aceno de cabeça e um sorriso a partir da fileira na frente deles.
Ele parecia, mais do que nunca, gêmeo do seu irmão, embora eu sabia que, como seres
humanos, eles haviam nascido com um ano de diferença entre eles. Seu cabelo era liso e
loiro, de textura mais grossa do que a leve onda de seu irmão moreno. Ambos tinham os
mesmos olhos azul-cinzentos e agora que o queixo de Truth estava nu, a idêntica
covinha no queixo era muito óbvia.

Asher pegou minha mão na dele e eu estava de repente olhando para alguém que fez
tanto Wicked e Truth parecerem muito viris, muito modernos em comparação. Asher
tinha ombros quase tão largos quanto os irmãos, mas seu rosto; a massa do ondulado
cabelo de ouro; os olhos de um azul tão pálido que era como se o gelo ganhasse vida e
cor, sombreados por uma borda de cílios e sobrancelhas mais escuras. Mas era o rosto
que sempre foi de tirar o fôlego. Era uma beleza de fazer anjos chorarem ou querer
trocar de lado. Ele era simplesmente uma das pessoas mais lindas que eu já vi. Ele
achava que seu rosto estava arruinado porque cicatrizes de água benta marcavam o lado
direito de toda aquela beleza. Mas as cicatrizes estavam apenas de um lado e a curva
perfeita da boca permanecera intocada. Era quase como se o Inquisidor que tinha
tentado queimar o diabo para fora dele tivesse vacilado ao arruinar aquele rosto.

Eu sabia que as cicatrizes continuavam pelo lado direito de seu peito até a altura de seu
quadril e coxa. Ele dirigia o Circo dos Condenados e era o Anjo Mascarado, para que
pudesse ser bonito e misterioso e não mostrasse todas as cicatrizes. Para ele sair em
público como agora era um bom sinal. Embora fosse um mestre em usar a sombra, a
escuridão e o cabelo, de modo que as pessoas em torno dele provavelmente nunca
vissem as cicatrizes, se ele assim não quisesse. Asher estava usando uma camisa de seda
azul claro com gola alta e macia, segura por um alfinete com um diamante azul pálido,
quase da cor de seus olhos. Jean-Claude e eu tínhamos comprado para ele este ano.
Certamente, a maior parte do dinheiro para a pedra tinha vindo de Jean-Claude. Eu fazia
um bom dinheiro, mas o diamante era quase tão grande quanto a unha do meu polegar.
Vê-lo usar a jóia, atraindo atenção para o seu rosto, me fez sentir que cada centavo tinha
sido bem gasto. Eu sorri para ele e me ergui na ponta dos pés para que ele não tivesse
que curvar muito seu 1,85m.

Da cintura para baixo ele estava usando couro marrom escuro e botas que subiam até os
joelhos. O fato de que eu não tinha olhado abaixo da cintura até que ele me beijou disse
algo sobre o quão boa a sua parte superior parecia. Eu também sabia que Jean-Claude o
tinha vestido para esta noite. Asher preferia ternos, a menos que estivesse se vestindo
para um evento de fetiches então o elegante couro funcionaria, mas não este tipo de
couro.

O beijo era mais um toque na bochecha do que um beijo, para salvá-lo de usar meu
batom, mas isso me fez pensar no que Matthew tinha dito, sobre todo mundo me
beijando. Eu tinha feito sexo com cada um desses vampiros esperando por mim. Este
não era um pensamento confortável. Asher sussurrou,

— O que pôs uma carranca nesse rosto encantador?

— Algo que Matthew disse nos bastidores, — sussurrei de volta.

— Precoce, de fato, se ele pode fazer você tão infeliz.

Eu lhe dei um olhar e ele passou minha mão para Jean-Claude. Ele estava usando uma
camisa branca que era quase idêntica à azul que Asher vestia, mas ele colocou uma
jaqueta de veludo, preta e curta sobre a dele. O alfinete na gravata era um camafeu
antigo. Tinha sido um dos primeiros presentes de Natal que eu já tinha dado a ele. Era
bonito, mas nem sequer perto do mesmo tipo de bonito do diamante de Asher. Isto me
fez pensar que eu precisava ir às compras.

As calças de couro pretas de Jean-Claude pareciam fluir sobre suas pernas e suas botas
se erguiam por suas coxas como uma segunda pele. Eu não tive que ver a parte de trás
das botas para saber que elas estavam atadas por todo o caminho ao longo de sua perna.
Eu gostava destas botas e as tinha visto com e sem calças. Tropecei quando ele me
puxou para ele. Muitos pensamentos sobre ele, as botas e nada mais. E então houve o
momento em que eu tive que olhar para cima e ver o seu rosto. Ele e eu tínhamos estado
juntos por cinco anos, quase seis agora. E eu ainda estava esperava pelo momento em
que eu o olharia e não sentiria que havia algum engano. Alguém assim tão lindo não
poderia estar apaixonado por mim, quando havia um planeta inteiro de pessoas para
escolher. Eu pareço bem, mas Jean-Claude faz com que eu sinta como se tivesse entrado
furtivamente no Louvre e roubado uma obra-prima da parede para rolar nua sobre ela.

Seus olhos eram um azul meia-noite tão escuro que uma sombra mais os faria parecer
negros, mas nunca fazia. Seus olhos eram do azul mais escuro que eu já tinha visto,
assim como Asher era o mais pálido. A cabeça de sua linhagem, seu sourdre de sang,
literalmente “fonte de sangue”, tinha uma coisa para olhos azuis e tinha coletado tons
diferentes de olhos azuis e homens bonitos. Ela tinha tido séculos para encontrá-los e eu
tinha dois de seus mais incríveis aqui. Ela tinha desprezado Asher quando ele ficou com
cicatrizes e Jean-Claude tinha fugido dela. Agora ele era seu próprio sourdre de sang, o
primeiro novo mestre de sua própria linhagem a aparecer em mil anos.
Ele se inclinou e colocou um beijo gentil em meus lábios e eu o beijei de volta,
deixando meu corpo cair contra o dele, seus braços me cercarem e foi como respirar,
como se eu estivesse segurando a respiração até que nos beijamos.

Ele se afastou com meu batom nos lábios, mas era uma boa cor que lhe caia bem. Ele
sorriu para mim, seus olhos brilhando como se estivesse à beira do riso.

— Ma petite—. Isso foi tudo, só meu apelido, mas parecia conter anos de “eu amo
você”.

As luzes brilharam. Foi o sinal para nos dirigirmos a os nossos lugares antes da cortina
subir. JJ estava de pé para que Jean-Claude pudesse me guiar ao assento do lado do dele
onde ela estava sentada. JJ sorriu e disse oi. Eu lhe disse que estava contente por ela ter
conseguido.

— Eu não teria perdido ver Jason dançando novamente. — ela anunciou e seu rosto se
iluminou enquanto ela dizia seu nome. JJ estava sempre bonita, mas naquele momento,
ela estava linda. Jason e ela tinham os mesmos olhos azul-primavera. Ambos tinham a
beleza suave, que às vezes estava associada ao loiro e aos olhos azuis. Eles eram
parecidos o bastante para serem irmãos, mas então, eles compartilhavam um bisavô.
Muitas das crianças de sua escola pareciam irmãos. Aparentemente o bisavô tinha sido
um garoto muito ocupado.

Algo me fez virar e olhar para trás, em direção a Micah e Asher na entrada do corredor.
Asher tentou dar a Micah a mesma saudação que ele me deu, mas Micah se afastou.

Asher sentou-se rindo enquanto Micah passava por Jean-Claude e eu, para se sentar do
meu outro lado e do lado de JJ. Jean-Claude bateu nas costas de Micah, como se
dissesse: “Está tudo bem”. Em particular, Jean-Claude e Micah se cumprimentavam
muito intimamente, mas Micah tinha deixado claro que ele não era comida para todos.
Asher tinha tomado isso como um desafio para seduzir Micah e, quando isso não
funcionou, ele pareceu empenhado em envergonhá-lo. Eu amava Asher, mas ele tinha
uma veia sádica que eu nem sempre gostava.

Se ele não parasse de empurrar, estaria na lista negra de Micah permanentemente. Eu


não sabia o que fazer sobre a tensão crescente entre os dois homens, mas algo teria de
ser feito antes de Asher empurrar o meu Nimir-Raj longe o suficiente para fazer algo
desagradável. Micah e Jean-Claude tinham tentado rasgar a garganta um do outro na
primeira vez que se viram. Se Jean-Claude e eu não conseguíssemos que Asher
esfriasse, Micah cuidaria disso. E talvez não gostássemos da maneira como seria feito.
Ele não era homo fóbico, simplesmente não queria doar sangue para Asher e o outro
homem parecia ter tomado mal a rejeição.

Micah estava tenso ao meu lado, seu rosto esforçando-se para ficar neutro, mas
mostrando raiva se você soubesse onde procurar. Cobri sua mão com a minha, eu podia
senti-lo rígido e inflexível, mas então ele relaxou contra minha mão, me dando
finalmente um pequeno sorriso. Mas sua reação em público me mostrou o quão perto
Asher estava de empurrá-lo muito longe.
Olhei Jean-Claude para saber se ele tinha visto. Ele estava observando o palco como se
nada tivesse acontecido. Será que não tinha notado ou estava tentando ignorar o
problema um pouco mais? Eu precisava de algum apoio aqui, não a velha rotina de
avestruz, enfiando a cabeça na areia. Mas, se Jean-Claude tinha um ponto fraco, era
Asher. Para mim, tudo bem, talvez ele fosse o meu também. Nós dois relevamos coisas
nas quais, provavelmente, deveríamos ter colocado um ponto final há muito tempo.

Wicked estava olhando para mim. Ele tinha visto e compreendido o problema, tanto o
problema entre Asher e Micah, quanto o fato de que Jean-Claude parecia ignorá-lo. Eu
tinha certeza de que Wicked e Truth apoiariam o meu jogo se eu pudesse pensar em
algo que não destruísse o nosso pequeno e feliz carrinho de maçãs.

O problema era que, em terra de vampiros, eu era a serva humana de Jean-Claude e


Asher era um vampiro mestre com poder suficiente para ter seu próprio território. Ele
permaneceu como o segundo-em-comando de Jean-Claude porque nos amava e não
queria ficar de fora, mas isso significava que minha posição de autoridade era um pouco
instável.

Eu sou uma executora de vampiros, mas não mataria Asher e ele sabia disso. Então
minha ameaça era falha. Eu sou uma necromante e posso controlar os mortos-vivos, não
apenas zumbis, mas muitos mortos-vivos, incluindo alguns vampiros. Mas, eu também
sabia que se usasse o meu dom mais poderoso e controlasse Asher, ele nunca me
perdoaria. E uma vez que eu tenha tanto controle sobre alguém, às vezes esse alguém
não ia embora, o que era completamente perturbador para mim.

Mônica veio correndo pelo lado oposto do corredor. O que fez com que mais pessoas
tivessem que mover suas pernas ou se levantar. O lado que estava mais distante de todos
nós é onde, supostamente, estava o lugar dela. Isso era a cara da Mônica.
Aparentemente ela fez um movimento sério para Asher e foi rejeitada. Desde então ela
lhe dava muito espaço.

Mônica sorriu e acenou para todos nós quando se sentou ao lado de JJ. Ainda havia um
lugar guardado conosco.

As luzes voltaram a brilhar e Vivian estava em frente ao corredor de Asher. Ele e Jean-
Claude ficaram de pé, então fiquei também. Micah já estava de pé. Vivian era petite o
suficiente para que, provavelmente, pudéssemos ter permanecido em nossos assentos,
mas os vampiros mais velhos muitas vezes reagiam às mulheres como se o
cavalheirismo nunca tivesse saído de moda, e se eles podiam ser cavalheiros, então eu
também podia. Ela passou por mim com um apressado:

— Desculpe o atraso.

— Você não está atrasada, — disse Micah e eu acrescentei:

— Você chegou na hora. — O comentário me valeu um pequeno sorriso. Nada poderia


realmente fazer Vivian menos bonita, mas havia tensão em torno de seus olhos e boca,
linhas de preocupação marcando a bonita pele em tom de café com creme, suficiente
para torná-la quase branca. Ela era, tecnicamente, afro-americana, mas a miscigenação
foi por meio da Irlanda e isso era visível no cabelo grosso, quase reto e nos pálidos
olhos azul-claros. Ela era uma mulher-leopardo do nosso pard. Eu tive que resgatá-la de
um homem muito mau certa vez. Ele tinha feito coisas terríveis com ela. Eu o matei no
final, mas a vingança só faz as coisas melhor nos filmes. Na vida real, uma vez que o
vilão está morto o trauma vive dentro das vítimas.

Ela estava aqui para assistir ao namorado dela, Stephen, no palco. Ela falou com JJ
quando se sentou do outro lado de Mônica. Vivian tirou o casaco e, no momento em que
eu vi o vestido, soube por que ela estava atrasada. Ela tinha ido para casa de seu
trabalho, como assistente administrativo em uma agência de seguros, para se trocar.

O vestido era ligeiramente escorregadio, preto com um cordão de contas bronze e ouro,
de modo que brilhava quando ela se movia. Ver JJ e Vivian em seus vestidos de festa
me fez meio desejar ter me trocado para o show, mas eu teria ficado realmente atrasada.
Eu poderia ter levado algo para o trabalho, mas com toda a honestidade, a ideia não me
ocorreu até esse momento. Ah, bem. Micah se inclinou e sussurrou:

— Você está ótima.

E eu sussurrei de volta:

— Foi óbvio?

— Para mim— ele disse e apertou minha mão. Eu apertei de volta e nós
compartilhamos aquele sorriso que era apenas nosso. Nathaniel era o único que chegava
a compartilhar esse sorriso às vezes e ele não estava aqui porque estaria no palco.

A mão de Jean-Claude tocou meu ombro e eu aceitei a dica, apoiando minha cabeça em
seu ombro e pegando sua mão. Ele tinha sido um galanteador durante séculos e jurou
que eu era a primeira mulher a fazê-lo se sentir um pouco inseguro. Eu tendia a ser dura
com o ego de um certo tipo de homem. Aqueles que normalmente varriam mulheres
fora de seus pés, nunca me afetavam muito, porque eu sempre senti que, se eles me
varreram fora dos meus pés é porque tinham praticado em um monte de mulheres antes
de mim e iriam continuar praticando depois de mim. Eu raramente estive errada sobre
isso. Além do mais, os truques normais de varrer-você-fora-de-seus-pés muitas vezes
me deixavam perplexa. Eu ainda não tinha certeza se eu deveria pedir desculpas a Jean-
Claude por ter jogado tão mal o seu jogo ou se eu deveria ter um certo orgulho disso.

Havia uma parte minha que ainda acreditava que se eu tivesse caído facilmente em seus
braços, ele teria me cortejado, me ganhado e, a essa altura, já teria me deixado para ir
em busca de outra conquista.

Era injusto da minha parte? Ou eram minhas inseguranças falando apenas a verdade?

Sua mão estava quente na minha. Isso significava que ele tinha se alimentado de
alguém. Tinha sido de um doador disposto. As mulheres, especialmente, faziam fila
para alimentá-lo. Na verdade, uma das razões pelas quais eu tinha passado as últimas
semanas passando por uma pilha de fotografias e DVDs, com alguma ajuda dos outros
homens, tinha sido porque precisávamos de comida mais regularmente. Outros
vampiros e grupos de animais de todo o país enviaram pedidos para que algumas
pessoas se juntassem a nós. Os DVDs tinham sido de tudo, desde pornografia simples
até fitas de encontros, estranhamente embaraçosas. Era como a velha ideia de um
casamento arranjado, embora esta fosse mais uma amante disposta, mais ou menos. Os
grupos esperavam que isso lhes desse um vínculo mais forte com a nossa base de poder.
E poderia.

Eles já estavam enviando candidatos para Jean-Claude por um tempo e ele tinha,
educadamente, recusado a todos. Este último lote veio dirigido a mim, pessoalmente.
Pareciam sentir que Jean-Claude tinha recusado todo mundo por medo de me irritar,
talvez houvesse alguma verdade nisso, de modo que me sentei e estudei o material
enviado. Nathaniel, Micah e Jason estavam me ajudando, mas nenhum dos vampiros.
Eu não tinha feito isso de propósito, mas. . .

Com quem Jean-Claude se alimentou? Por um segundo eu quis perguntar, mas deixei
passar. Eu realmente não queria saber. Tomar sangue estava muito perto de preliminares
sexuais para os vampiros de sua linhagem. Claro, ele me compartilhava com muitos
outros homens, eu estar com ciúmes dele tomando sangue de outra mulher parecia
infantil e injusto. Mas só porque é infantil e injusto não significa que não é a maneira
como eu me sentia. Estúpido, mas é a verdade.

As luzes se apagaram e eu fui salva de ter que pensar muito com a cortina subindo. Eu
sentei no escuro segurando as mãos de dois dos homens que eu mais amava. Não foi
uma má maneira de começar o fim de semana. Notei Mônica nos observando. Era inveja
em seu rosto, ou raiva? Voltei-me para o palco e deixei que, como eu, Mônica fixasse
no rosto a sua habitual expressão polida. Geralmente, eu gosto da verdade de todos ao
meu redor, mas eu faria uma exceção para ela. Eu sabia que não confiava nela, mas para
que ela pudesse fingir que gostava de mim, eu fingiria gostar dela. Não era amizade, era
um entendimento.

A música surgiu; Aproximei Micah e Jean-Claude de mim e olhei Asher segurando a


outra mão de Jean-Claude. Mesmo no meio dos Estados mais Protestantes*, quando as
luzes se apagam, você ainda poderia segurar nas mãos.

*Bible Belt(Cinturão Bíblico)É uma região nos EUA onde o fundamentalismo


protestante é amplamente praticado.
CAPITULO 03

O primeiro grupo a se apresentar, foi a classe de dois anos de idade. Cinco menininhas
em calças justas cor de rosa com brilhantes e minúsculos tutus andaram no palco
segurando as mãos em uma linha. O público fez um grupo “Awww.” Elas estavam
quase que ilegalmente fofas. A professora de dança estava na frente do palco, visível
para o público e as meninas de olhos arregalados.

A Dança da Fada do Açúcar do Quebra-nozes de Tchaikovsky encheu o ar. Era uma das
poucas peças clássicas que eu conhecia bem o suficiente para nomear. A professora
começou a mover seus braços. A maioria das pequenas meninas seguiram-na, mas uma
delas apenas encarou a audiência com olhos enormes e cheios de medo. As crianças
eram boas? Não. Mas, nessa idade não é sobre ser um prodígio, é sobre aparecerem e
serem muito fofas para descrever. Eu não era muito fã de bebês, crianças mais velhas
eram definitivamente melhor, mas mesmo eu não podia negar que elas eram quase
dolorosamente adoráveis.

Micah começou a esfregar o polegar sobre a minha mão. Jean-Claude ainda estava
contra a minha outra mão. As pequenas marcharam para fora, segurando as mãos de
novo, para os aplausos, e, em seguida, foi a vez de Matthew. Ouvi Monica dizer a J.J.

—Normalmente eles têm que combinar a de dois e três anos de idade, mas eles tiveram
alunos suficientes este ano para ter duas classes. — Interessante, mas eu ouvindo isso
significava que Monica estava falando muito alto. Ela tinha um certo desejo de ser
notada.

As meninas que eu tinha visto mais cedo em seus tutus de palhaço vieram em bando
para fora, com Matthew no meio em seu traje de menino. Eles estavam de mãos dadas
apenas como o último grupo, e o instrutor de dança estava no fundo do palco visível
para as crianças e o público. Eu me perguntei quantos anos você teria que ter para o
professor se esconder

A música ainda era do Quebra-nozes, mas era uma das músicas para as bonecas que
dançavam no primeiro ato. Eu não conseguia me lembrar que dança esta era, apenas
vagamente que vinha do ballet. Bracinhos subiram em quase uníssono, e, em seguida,
eles dançaram. Nem todas as meninas dançavam, elas apenas se moviam, mas Matthew
e duas das meninas dançavam. Não era suave, ou perfeito, mas era real. Eles fizeram o
que o professor fez, com rostos sorridentes, mas quando eles continuaram Matthew
perdeu seu sorriso, sua concentração visível em seu rosto pequeno. Eu o assistir fazer
alguns dos movimentos que eu tinha visto ele praticar em nossa casa, com Nathaniel e
Jason trabalhando em seus movimentos com ele.

Eu me inclinei para Micah e sussurrei:

—É estúpido dizer que ele é bom?

Jean-Claude inclinou-se para perto de nós e sussurrou:

—Non, Ma petite, Matthew tem um certo talento.


A música parou, e as crianças seguraram as mãos e se curvaram. Os aplausos foram um
pouco mais sinceros desta vez, ou assim parecia para mim. Não é todo dia que você vê
alguém tão jovem exibindo o início de um verdadeiro talento. Quando eles estavam fora
do palco Asher inclinou-se sobre todos nós para falar com Monica.

—Ele é bom, o seu menino.

Ela sorriu para ele, e ela tinha todo o direito de se orgulhar. Micah felicitou-a também.
J.J. disse:

—Para três anos ele é incrível.

Falei na direção dela e de Monica.

—Queria que Jason e Nathaniel tivessem visto; Estive observando-os trabalhar com ele.

—Matthew realmente tem apreciado o seu tempo com seus tios, — disse Monica.

Afastei-me um pouco, porque eu não gostava de toda essa coisa de Tio Nathaniel e Tio
Jason, e eu tinha posto um fim ao Tia Anita. Matthew tinha nos dado a sua própria
versão de apelidos; Natty, Jason-Jason, e Nita para mim. Jean-Claude era mais Gene-
Clod. Asher era o mais próximo de obter todo o seu nome. Nós tínhamos visto bastante
Matthew recentemente.

A música voltou e o próximo grupo de meninas, um pouco mais velhas, saíram. E


houve um monte disso na próxima hora. As meninas mais velhas, às vezes as mesmas
meninas, porque tínhamos que vê-las fazer ballet, jazz, e jazz moderno e, até mesmo um
par de sapateado. Eu gostava de dançar, e não foi uma reflexão sobre as crianças, mas a
minha vontade de ver começou a afastar-se por volta do quinto grupo de crianças com
lantejoulas.

Eu tinha sido avisada que a escola de dança não permitia que qualquer pessoa pegasse
seus filhos e saísse até que o último estudante tivesse sua chance no palco. Eu só não
tinha entendido o que isso significava.

Entre os atos inclinei-me sobre J.J. para Monica e perguntei:

—Quanto tempo dura o show?

—No ano passado foi de quatro horas, — disse ela.

Dei-lhe olhos arregalados e cheios de terror. Ela deu uma risadinha. Sentei-me no meu
lugar e troquei um olhar com Micah. Ele disse:

—Nathaniel e Jason subirão em breve.

Wicked se inclinou para trás do assento na nossa frente e sussurrou:

—Você disse quatro horas?


Eu assenti. Ele parecia aflito quando se virou para trás para dar a sua atenção para o
palco, embora eu soubesse que como segurança ele estava realmente ciente de muito
mais do que a performance. Ele estaria consciente das coisas que eu iria perder, assim
como Truth atrás de nós.

Jean-Claude levantou minha mão e colocou um beijo na parte de trás dela. Ele estava
sorrindo para mim com uma tentativa de não rir. Eu olhei para ele e, em seguida, peguei
Asher me dando o mesmo olhar. Eu revirei os olhos para ambos e recostei-me na
cadeira.

Eu caí em uma espécie de torpor, e, em seguida, Micah levantou o programa aberto na


outra mão na frente do meu rosto. Eu tive que piscar para lê-lo. Jason Schuyler foi
listado como acompanhante da estudante sênior Alicia Snyder. Ele disse que os homens
eram realmente apenas adereços móveis assim as meninas seniores poderiam ter uma
escolha mais ampla de danças para a sua última apresentação antes de ir para a
faculdade. —Nós estamos lá apenas para fazer as meninas parecerem bem, carrega-las e
buscá-las.

Quando eu perguntei:

—Então, por que fazer isso? — Ele olhou para mim como se eu tivesse dito algo bobo.
Jason tinha estado em dança e teatro todo o caminho para a faculdade; aparentemente
era apenas algum tipo de coisa de dança que eu não ia entender, mas fazia sentido para
ele e para os outros homens que ele tinha falado para fazê-lo. Tinha sido ideia de Jean-
Claude e Jason fazer os dançarinos exóticos da Prazeres Malditos, e os dançarinos
menos exóticos do Dança Macabra, dois dos clubes de Jean-Claude, aprenderem
realmente a dançar. Jason e Nathaniel tinham trabalhado com eles e os professores na
escola durante todo o verão. Era a maior quantidade de homens que as meninas seniores
tinham tido acesso como parceiros, e a maioria delas tinham tomado nossos homens na
oferta.

A bailarina com Jason realmente era menor do que ele, e desde que ele era apenas dois
centímetros mais alto do que eu, ela era minúsculo em seu traje preto de bailarina com
meias brancas e um flash de brilho em seu cabelo amarrado. Ele amarrou seu próprio
cabelo loiro comprido em um suave rabo de cavalo de modo que deu a ilusão de ser
curto. Ele usava uma roupa que combinava com a dela e percebi que eu nunca tinha
visto Jason de preto antes. Ambos pareciam elegantes. Jason geralmente era sorridente,
brincalhão e um dos meus melhores amigos. Ele era meu amante também. Ele era fofo e
até mesmo bonito, mas eu nunca tinha percebido que ele poderia ser elegante e bonito.
A música começou e eu instantaneamente vi por que ela o queria como parceiro. Eu
sabia que Jason se movia bem, até mesmo dançava bem, e eu tinha visto algumas das
práticas, mas eu não tinha visto muito dele com a menina. Eu nunca tinha visto ele se
mover assim na dança.

Ele tinha a graça de tantos anos de formação em dança e de ser um lobisomem. Todos
os metamorfos se moviam bem, como se graça viesse com a doença em suas veias. Ele
não tinha muito o que fazer, senão mantê-la en pointe e ajudá-la a girar e fazer algumas
elevações, e finalmente levantá-la completamente sobre a cabeça com uma mão e levar
seu corpo arqueado pelo palco para trazê-la em uma queda de parar o coração e ser pega
a um centímetro acima do chão com seu corpo ainda gracioso e esticado em seus braços.
O último movimento fez toda a audiência suspirar. Houve um momento de silêncio
morto e aplausos estrondosos em seguida. J.J. inclinou-se e disse:

—Esse momento de silêncio vale mais do que os aplausos depois. Isso significa que
você acertou em cheio. — Ela estava batendo palmas enquanto falava, e quando o
público realmente ficou de pé nós nos juntamos a eles.

A menina fez uma reverência e foi dado um buquê de rosas por um dos estudantes
anteriores ainda em traje. Eles se beijaram nas bochechas e, em seguida, a bailarina
levou duas das rosas de haste longa para fora de seu buquê e entregou a Jason. Ele veio
para frente, levou as rosas, beijou a mão dela, e então ela insistiu em trazê-lo para frente
para que eles se curvassem juntos. Eu não preciso de ninguém para me explicar o que
Alicia estava mostrando que ela sabia que não poderia ter empolgado o público sem a
ajuda de Jason.

Ele estava radiante, olhos brilhando, mesmo enquanto seu peito ainda subia e descia
com o esforço de levantar e jogá-la, e fazer tudo parecer bonito e sem esforço.

J.J. disse:

—Eu não invejo quem vem depois.

Eu concordei e fiquei grata por ser uma menina sênior sozinha. Eu não queria ver um de
nossos próprios rapazes competir com o que acabara de ver. Parecia um ato
malditamente difícil para superar.

A menina sênior era boa, mas ela não era tão boa, e eu tive pena que em sua última
performance ela tinha que saber que não estava arrasando. Eu acho que me sentiria mal.

Mas a próxima garota sênior tinha Nathaniel Graison listado como seu parceiro, e eu
realmente encontrei-me inclinando-me no meu lugar. Já não era apenas sobre o
desempenho, mas como Nathaniel se sentiria depois de ver Jason no palco. Eles eram
melhores amigos e nada competitivos desse modo típico de cara, mas ainda assim,
Nathaniel era meu outro namorado, companheiro de casa e eu estava um pouco
preocupada. Nathaniel, ao contrário de Jason, nunca tinha feito aula de dança senão
quando Jason o levou. Ele tinha estado nas ruas antes dos dez anos, e tinha ido ladeira
abaixo desde então. Nathaniel foi um garoto de programa, estrela pornô, agora era um
dançarino exótico, de modo que ele tinha feito performances anteriores, mas não assim.

A mão de Micah estava tensa na minha, e trocamos um olhar. Micah disse em voz alta:

—Ele vai ficar bem. — Simplesmente por dizer isso eu sabia que ele estava preocupado
também. Eu percebi que era mais do que apenas estar apaixonada por Nathaniel; por
causa de sua infância horrível nos sentíamos quase paternalmente ansiosos. Soava
estúpido, mas ele nunca tinha tido a oportunidade de ser uma das crianças pequenas em
seus trajes vendo os pais sorrir. Ele havia perdido tanto como uma criança, e de certo
modo isso era ele tentando experimentar um pouco do que tinha perdido. Ele não tinha
manifestado qualquer medo do palco esta noite. Era tudo apenas meus nervos e os de
Micah, aparentemente.
Nathaniel entrou no palco de mãos dadas com sua bailarina. A menina usava um vestido
branco diáfano em torno de seu collant branco, assim tinha a aparência de trapos
brancos e prata, trapos elegantes, e moviam-se em volta dela como se estivesse
respirando. Ele usava calças justas brancas, mas sua camisa era de um material mais
áspero e solto em torno de sua parte superior do corpo, inclusive aberto no pescoço.
Seus ombros pareciam incrivelmente amplos, e o resto dele parecia ainda melhor nas
calças brancas, mas claro, poderia ter sido apenas minha opinião. Seu cabelo ruivo
quase no tornozelo estava em um coque na nuca. O cabelo louro da bailarina era cortado
curto e achatado em torno de seu rosto como um laço. De longe, na plateia, seus olhos
lavandas pareciam azuis.

A música começou e, embora fosse balé era um tipo muito diferente. Jason e sua
bailarina tinham sido sobre o movimento físico no espaço; eles tinham sido chamativos
e tecnicamente excelentes, mas agora vimos a diferença. Esta bailarina e Nathaniel
contavam uma história. Eu não conhecia a música e não precisava, porque eles
contaram a história com seus corpos, seus rostos e suas mãos. Era gracioso e bonito e
eles atuaram. Não era apenas dançar, era teatro.

Era um conto de amantes perdidos e achados, e de alguma grande tragédia. Nathaniel


segurou-a, mas era um toque suave, como se seus corpos fundissem um no outro, e seu
olhar fez o público prestar atenção a suas mãos quando subiram acima de suas cabeças
de forma que aqueles braços entrelaçando, mãos, dedos, pareciam terrivelmente
importantes.

Eu sabia que Nathaniel podia dançar, mas eu não sabia que poderia ser tão elegante
como Jason, eu não tinha percebido que Nathaniel poderia fazer isso. Era incrível e
maravilhoso, e me fez sentir a perda do que ele poderia ter sido em sua vida, se as coisas
tivessem sido diferentes. Claro, ele tinha apenas vinte e dois. Não era como se já fosse
tarde demais para ele mudar de profissão. Mas, parecia estranho pensar isso, como se
Nathaniel não trabalhando na Prazeres Malditos mudaria as coisas, como se o homem
que eu estava assistindo desfalecer e dançar no palco pudesse ser alguém diferente se
fizesse isso todas as noites.

Ele se deitou no palco e seu cabelo começou a desenrolar do coque, mas, foi uma
mudança muito repentina e eu percebi quando ela caiu em cima dele que o cabelo era
parte do show, da emoção. Seu cabelo derramou em torno deles através do pálido palco
de madeira e algo sobre as luzes incidindo neles, ou a cor do gel utilizado, tornou todo o
cabelo ruivo em vermelho, por isso foi como se ambos estivessem deitados em uma
poça de sangue grosso. Ela fez um último gesto fútil com os braços pálidos, e
novamente algo sobre a iluminação colocou-a em um brilho pálido, branco, de modo
que ela parecia quase translúcida. Era um truque com as luzes, ela brilhante e etérea
enquanto Nathaniel estava no mais rico vermelho, por isso tudo era morte e violência e
transcendência e beleza.

Houve outro desses silêncios ofegantes quando as luzes se desvaneceram assim não os
vimos deixar o palco. E, em seguida o público estava em pé novamente, e foi
maravilhoso.
—Oh meu Deus, — eu disse, enquanto eu ficava lá e batia palmas junto com todos os
outros. Micah ao meu lado estava balançando a cabeça. Eu me perguntei se ele estava
pensando as mesmas coisas que eu estava pensando.

Jean-Claude ao meu lado disse:

—Nosso gatinho se tornou um gato.

Debrucei-me em torno de Micah para J. J.

—Diga-me se eu estou apenas apaixonada por ele, ou isso foi incrível.

Ela assentiu.

—Isso foi realmente bom. Com mais tempo e trabalho poderia ser incrível.

Outro buquê de rosas foi trazido para a bailarina. Ela rasgou seu buquê no meio e
entregou a Natanael, e o fez agradecer com ela.

Monica inclinou-se em torno de J.J. e disse, baixo, mas não tão baixo que J.J. não iria
ouvir:

—E pensar que você vai levar isso para casa e brincar com ele.

Eu devo ter virado muito abruptamente, e o que eu estava prestes a dizer não seria
amigável, mas Micah agarrou meu braço e bloqueou minha visão dela. O olhar em seu
rosto foi suficiente. Isso me fez contar até dez. Mas enquanto eu contei J.J. disse:

—Você vai deixar que ela fale assim?

Olhei para Micah. Ele disse:

—Não, mas calma.

Eu concordei. Jean-Claude se inclinou e disse:

—Há algo errado?

Debrucei-me sobre todos.

—Nathaniel não é uma coisa, tudo bem.

Ela fez um pequeno gesto de distanciar-se, mas havia algo em seu rosto que deixou-me
saber que ela estava me provocando. A única questão era, por quê?

Vivian no outro lado dela tinha estado totalmente tranquila durante tudo isso. Ela estava
de pé e aplaudindo, mas ela não estava olhando para nós. Era quase como se ela não
estivesse realmente aqui.
Passei pela Monica e toquei o braço de Vivian. Ela se assustou e virou os olhos
arregalados para mim. Ela era uma mulher-leopardo, você não os pega desprevenidos,
mas eu realmente a assustei. No que ela estava pensando tão forte?

Asher disse algo para Jean-Claude. Eu peguei o suficiente para saber que era francês e
isso era tudo, mas o que for que ele disse, Jean-Claude parecia menos feliz do que eu fiz
sobre Monica. Eu observava o rosto de Asher enquanto ele olhava para o outro homem,
e eu conhecia o olhar. Era o mesmo olhar que ele tinha quando tentou beijar Micah esta
noite. O que diabos estava errado com Asher hoje à noite? Ele poderia ser insistente e
uma dor na bunda, mas geralmente tinha uma razão que eu podia descobrir. Hoje à noite
eu estava perdida.

A próxima garota sênior era a bailarina de Stephen. Eu me perguntava como eles


superariam ou mesmo chegariam próximo ao que Nathaniel e sua bailarina haviam
feito. Mas para sorte de todos os interessados, era um sapateado jazzy de algum dos
mais velhos número musical da Broadway. A menina e Stephen estavam ambos em
chapéu de feltro, camisa branca com mangas arregaçadas, golas abotoadas soltas,
coletes e calças com suspensórios. Ambos tinham cabelos abaixo dos ombros; o dele era
encaracolado e loiro, o dela era encaracolado e castanho. Seu terno era preto e o dela era
de finas riscas azul marinho.

O número era engraçado, com tropeções deslizando pelo palco. Eles deslizaram a partir
de um canto do palco para o outro, passando por cada um dos centímetros. Era atlético,
divertido e tão diferente dos outros dois números que funcionou.

Eles acabaram com ela pulando nos braços de Stephen e ele levando-a para fora do
palco. O aplauso foi imediato desta vez com o riso misturado; nós precisávamos de algo
leve após a tristeza do último número.

—Muito Gene Kelly, — disse Micah.

Eu disse:

— Eu nem sabia que Stephen poderia sapatear.

Vivian disse:

— Ele aprendeu para o show.

—Uau, — eu disse, —isso foi rápido.

Vivian sorriu e um olhar de orgulho tranquilo atravessou seu rosto, a emoção mais
positiva que eu tinha visto em seu rosto durante toda a noite. Stephen e a menina sênior
estavam tomando os seus arcos, e ele tinha um punhado de rosas de seu buquê. Vivian
sorriu para ele e você não tinha que saber nada sobre eles para ver que ela o amava.

O palco esvaziou, a música mudou, e isso foi o que fez Jason nervoso. Ele e a última
sênior estavam prestes a dançar um número que ele havia coreografado para eles. Ele
fazia um monte de coreografia na Prazeres Malditos, mas ele disse:
—Não é a mesma coisa, Anita. Os clientes realmente não se importam se nós dançamos,
não realmente, eles querem ver pele. Isso é diferente. — Eu nunca tinha visto ele
daquele jeito nervoso sobre apresentar-se em público antes. Tinha sido cativante e um
pouco enervante.

Eu peguei J.J. sorrindo e correndo o dedo sobre seu nome escrito no programa. Era um
sorriso melancólico, como se ela estivesse pensando em coisas que poderiam ter sido.

Ela e Jason tinham apenas vinte e três anos, mas aquele sorriso era triste como se portas
houvessem sido fechadas, as escolhas feitas, e não havia volta. Ou talvez eu estivesse
sendo excessivamente romântica. Nah, eu não, não sou romântica. Cada homem na
minha vida diria que não era o meu show.

A bailarina entrou para um estágio sombrio em uma corrida. Ela estava vestida com
uma camisola de seda branca, e seu rosto, seu corpo, tudo telegrafava medo. Mas, como
em qualquer bom filme de terror, a coisa assustadora nunca está atrás de você se é onde
você está procurando.

Jason saltou do teto. Eu sabia que ele tinha que estar na passarela, mas parecia que ele
simplesmente pulou do céu e pousou em pés e as mãos na frente dela. Seu grito quando
ela se virou e o viu cortou o silêncio súbito do público. Ainda não havia música,
enquanto ele se levantava, lentamente, vestido apenas calças justas assim os músculos
em seu torso se contorcia e moldava enquanto ficava mais perto de ficar de pé. Seu
cabelo estava solto, uma queda de amarelo ao redor de seus ombros, meio que
escondendo seu rosto. Ele ficou lá musculoso, bonito, feroz, e como ela irradiava medo,
ele emitia ondas de predador.

A menina se virou e correu. Jason foi um borrão de movimento e de repente estava na


frente dela. Ela deu outro grito, mas foi quase afogado pelo suspiro na plateia.

Música surgiu lentamente, quando ela começou a correr em volta do palco e ele estava
sempre lá, sempre à frente dela. Eu sabia que ele era um lobisomem. Eu sabia que ele
podia se mover mais rápido do que qualquer ser humano, mas eu nunca tinha visto ele
fazer isso, não Jason.

Ele sempre me pareceu mais humano do que a maioria, mas no palco, neste momento,
ele parou de fingir. Ele foi um borrão de músculos, cabelos voando ao redor dele
enquanto se movia.

A menina caiu no meio do palco finalmente. Seu peito magro subia e descia com tanta
força que eu poderia vê-lo. Ela estendeu um braço para fora como se para afastá-lo,
enquanto ele caminhava ao redor dela.

Ouvi a respiração de J.J. sair em um longo estremecimento. Eu olhei para longe do


palco para ela por um momento. Seu rosto era atento e cru com alguma emoção que eu
não conseguia definir.

Micah tocou minha mão e eu olhei para trás para descobrir que Jason e a menina
estavam dançando. Era como se ele tivesse visto um gato jogando com um rato e
coreografado isso, exceto que este gato estava pensando mais em sexo do que comida.
A menina jogou a vítima virgem, braços delgados subindo e descendo, escondendo o
rosto, seu corpo se inclinando para longe, apenas para descobrir seu braço, peito, o
corpo lá para pegar e segura-la, e, em seguida, quando a música cresceu, ela se fundiu
no corpo dele e dançaram. Eles dançaram, eles se moveram, e ele mostrou do que seu
corpo era capaz e ela também. Não havia muitos dançarinos humanos que poderiam ter
se mantido, e menos ainda que eram sênior na escola. Eu não tinha que saber mais sobre
dança do que eu fiz para perceber que eu estava vendo algo especial, alguém especial.
Inferno, dois deles. Era quase difícil para eu assistir e pensar, Esse é Jason, esse é o
nosso Jason.

A música mudou, sutilmente em primeiro lugar, e então era Jason que estava se
afastando, a garota que estava estendendo a mão para ele. Eu pensei que era o fim da
sedução até que percebi que Jason estava correndo agora, e a menina apenas estava de
repente lá. Não era velocidade sobre-humana que a colocava sempre na frente dele, mas
ele olhando para trás, ele relutando. Eles transformaram o sedutor na vítima e,
gradualmente, era Jason quem projetava o medo, e a menina que começou a persegui-lo.

A música construiu e construiu enquanto eles dançavam em torno de si no palco, e


então ele caiu. Era uma daquelas quedas graciosas onde ele se continha, seu cabelo
arrastando para baixo para que seu rosto ficasse completamente escondido, e seu forte
braço musculoso alcançado para fora como se para repelir um golpe, quando ela chegou
mais perto.

Sua mão se fechou sobre a dele, e era como se o mundo reduzisse a seus dedos
entrelaçados. Ele caiu no palco, seu braço em um ângulo duro enquanto ela segurava
sua mão e virou-se para olhar para a plateia. Seu rosto era claro e limpo, os olhos
desafiadores, tão diretos, tão altos, tão no controle com ele agachado aos seus pés. Ela
torceu seu braço puxando-o para trás das costas, e ele estava de joelhos, coluna curvada
como se em dor. Ela soltou sua mão abruptamente e ele quase caiu, e então ela começou
a andar para fora do palco. Dois focos sobre eles enquanto ela se afastava, as luzes
ficando mais fracas enquanto ela se movia orgulhosa e valente. Jason entrou em colapso
na luz e começou a chorar, grandes soluços silenciosos, que fizeram todo o seu corpo
subir e cair como a respiração dela tinha no início da dança.

As luzes estavam quase cinzas, quase apagadas, quando ela parou na beira do palco para
olhar para trás, e ele veio de joelhos, uma perna esticada, um braço estendendo a mão
para ela, o outro braço sobre o rosto, como se para esconder as lágrimas. Houve um
momento em que eles congelaram assim e a música parou. A menina virou-se e deixou
o palco, e Jason caiu em uma pilha no meio dele, e a luz apagou.

O silêncio desta vez foi mais longo, e eu juro que ouvi várias pessoas inalar como se
tivessem estado segurando a respiração. Jason e a menina vieram para o centro do palco
e pegaram as mãos um do outro ainda em silêncio, e foi apenas quando eles se moveram
em direção à frente do palco que o público reagiu. A multidão levantou-se em uma
massa estrondosa, gritando.

—Bravo, — e apenas gritando como se estivessem em um show de rock em vez


de um recital de dança.
Nós aplaudimos até nossas mãos ficarem doloridas. Micah abraçou J.J. e eu percebi que
ela estava chorando. Eu a abracei, também. O braço de Jean-Claude veio em volta dos
meus ombros e eu me virei para encontrar um beijo à minha espera. Ele falou acima do
burburinho da multidão morrendo.

—Eles estão todos crescendo, nossos jovens.

Eu podia apenas acenar. Eu conhecia Jason e Nathaniel desde que tinham dezenove
anos, e os meninos que eu conheci não eram os homens que eu tinha visto esta noite. Eu
não tinha certeza se crescer era o termo certo, talvez crescendo em si mesmos.

Asher já estava sentado. Eu olhei para ele e vi o brilho de lágrimas em seu rosto rosado.
Eu passei por Jean-Claude a inclinei-me sobre ele. Ele enxugou as lágrimas como se
não quisesse que eu visse, mas ele tomou o beijo que eu ofereci, embora seu coração
não estivesse nele. Eu perguntei: — Você está bem?

—Eu não sabia que o nosso pequeno lobo poderia ser tão bonito, — disse ele.

—Nem eu, — eu disse. Mas olhando para o rosto dele eu não tinha certeza que eu quis
dizer a mesma coisa que ele queria dizer. Foi um daqueles momentos em que as mesmas
palavras podem significar muitas coisas. Eu sabia que estava perdendo alguma coisa,
mas eu estava tão perdida que eu não poderia mesmo descobrir quais perguntas fazer
para superar o humor de Asher. Alguma coisa estava acontecendo, algo sério e emotivo,
e eu não sabia o que essa coisa era.

O público começou a se mover em direção ao palco. Os pais dos menores dançarinos


aparentemente podiam pegar seus filhos diretamente do palco. Monica veio para nós
com Matthew nos braços.

J.J. tinha encontrado Jason e estava sendo apresentada a sua parceira de dança. A
menina estava obviamente animada para conhecer J.J., que fazia o que a menina
sonhava em fazer. J.J. era uma dançarina profissional em uma das principais
companhias de dança nos Estados Unidos e talvez do mundo. A maioria dos dançarinos
nunca iria chegar lá.

Micah e eu nos movemos para frente de mãos dadas para encontrar Nathaniel. Vivian
estava de repente atrás de nós, como se nervosa por estar no meio da multidão por si
mesma. Ofereci-lhe a minha mão e ela aceitou com um sorriso agradecido. Vivian era
geralmente muito nervosa, mas eu não tinha percebido que ela não gostava de
multidões. Será que ela nunca gostou de multidões, ou era algo novo? Ela era um dos
nossos leopardos. Eu deveria saber essas coisas.

Wicked de repente estava com a gente.

—Você não deve fazer-nos dividir a segurança, Anita.

Olhei para trás, mas era muito baixa para ver Truth com Jean-Claude e Asher.

—Desculpa, — eu disse.
Micah levantou uma mão e eu sabia que ele tinha visto Nathaniel, ou Stephen. Wicked
nos ajudou a atravessar a multidão e lá estavam eles. Stephen desceu do palco para
abraçar e beijar Vivian. Ele estava tão absolutamente feliz como eu nunca tinha visto.
Então Nathaniel estava lá e foi a minha vez de ser abraçada. Ele levantou-me fora de
meus pés e me girou. Isso me fez rir em voz alta. Ele estava tão cheio de si mesmo, e ele
deveria estar.

Ele me beijou, enquanto ele ainda estava me segurando acima dele, de modo que eu
deslizei por seu corpo ainda o beijando, segura em seus braços. Ele me colocou de pé,
sem fôlego de suas atenções.

Micah bateu-lhe no ombro e de repente estava recebendo um abraço de corpo inteiro.


Houve um momento quando Micah hesitou e então ele só se soltou. Você via abraços
como este em cada campo de esportes no mundo, mas quando o abraço quebrou,
Nathaniel beijou-o, e isso você não vê muito em esportes. Em particular eles tinham se
beijado, mas nunca em público. Houve um momento em que Nathaniel olhou assustado,
e eu acho que ele ia se desculpar, mas Micah balançou a cabeça e colocou a mão na
parte de trás do pescoço do outro homem e se inclinou e beijou-o de volta, suave e
completamente. Micah se afastou sorrindo e Nathaniel parecia um pouco atordoado, e
depois o sorriso voltou, como quando ele tinha pulado do palco tão feliz que ele
irradiava.

Coloquei meus braços em torno de ambos e abracei-os. Algo atrás de mim me fez virar.
Eu encontrei Jean-Claude e Asher em pé com Truth ao lado deles. O rosto de Jean-
Claude era bonito e ilegível, o rosto que ele usava quando estava escondendo o que ele
estava pensando, mas o rosto de Asher mostrava tudo. Raiva, não, fúria. Algo tinha feito
Asher absolutamente furioso.

Voltei para abraçar os meus homens e desfrutei deste momento, mas eu sabia que o
momento passaria e eu teria que lidar com aquele olhar no rosto de Asher. Alguns
momentos são perfeitos, e, em seguida, alguém vem e fode tudo. Não é sempre assim?

*Eugene “Gene” Curran Kelly foi um dançarino, ator, cantor, diretor, produtor
e coreógrafo norte-americano. Iniciou bem cedo sua carreira na Broadway, com uma
aparição no espetáculo “Leave It To Me”, de Cole Porter, fazendo o papel de um
esquimó, ao lado de Mary Martin.
CAPÍTULO 04

Jean-Claude e Asher pegaram a limusine com Wicked e Truth, e foram na frente para o
Circo dos Condenados. Por que não manter a segurança? Um, nosso carro não comporta
tantas pessoas. Dois, eu estava armada e tinha três metamorfos comigo. Eu me sentia
muito seguro.

Jean-Claude disse que teria uma refeição leve preparada. Ele realmente disse isso. Ele
só falava assim quando estava tentando esconder as emoções, pensamentos, o que for.
Seria covarde deixá-lo no carro com Asher, sabendo que eles estariam discutindo por
todo o caminho de casa? Talvez, mas eu estava esperando que não fosse a minha luta.
Uma das graves desvantagens de dormir com tantos homens era a manutenção
emocional.

J.J., Micah, Vivian e eu esperamos para que os homens se trocassem. Stephen poderia
ter ido para casa em seu traje, mas Nathaniel e Jason não estava realmente seguros na
rua. Nós tínhamos presenciado um beijo homem a homem e não tivemos quaisquer
reações negativas, mas acho que todos nós sentimos que ir vestindo apenas calças justas
para casa seria empurrar demais a situação.

Todos os três foram para os chuveiros, e o resto de nós ficou no lobby esperando por
eles. Encontramos o único banco e só havia espaço para três de nós, e nenhum de nós
eram pessoas grandes. Banco pequeno. Micah insistiu em ficar de pé, e eu deixei desde
que eu ainda estava em saltos de seis centímetros do trabalho. Quando ele usasse saltos
eu o deixaria sentar-se.

J.J. e Vivian pareciam ainda mais delicadas e amáveis em seus vestidos de gaze. J.J.
parecia quase como se pudesse ter estado no palco em alguns dos números que vimos
esta noite. Vivian estava um pouco mais pesada com as miçangas brilhante sobre ela,
mas ambas pareciam as donzelas prontas para cumprimentar seus cavaleiros que tinham
lutado uma boa batalha. Eu parecia o que eu era, alguém que tinha se apressado do
trabalho para assistir ao evento.

Micah se inclinou contra a parede ao meu lado. Peguei a mão dele na minha, e só isso
me fez sentir melhor. Ele estava em suas roupas de trabalho também, afinal de contas, e
eu pensei que ele estava ótimo.

J.J. não se sentou muito antes de se levantar e começar a andar. Não era realmente
andar, era mais como se ela estivesse cantarolando em sua cabeça, mas sua ideia de
cantarolar precisava de movimento físico. Ela quase dançava enquanto se movia,
traçando alguma forma com suas sapatilhas e seu vestido rosa. Ela não era muito mais
alto que eu, mas ela parecia muito mais alta, mais longa, mais magra, todas as linhas
graciosas, como se alguém devesse pintá-la.

Vivian se moveu um pouco mais perto de mim no banco. Ela era uma metamorfa, e
nosso leopardo, e quando metamorfos se sentem para baixo eles gostam de toque. É
reconfortante. Eu entendi o recado e estendi a minha outra mão para ela. Ela aceitou
minha mão com um pequeno sorriso e tomou isso como um convite para sentar perto o
suficiente para os nossos quadris se tocarem. Houve um tempo em que isso teria me
assustado, mas eu sabia que Vivian não queria invadir meu espaço pessoal. Ela só
precisava de toque.

Eu levantei meu braço e a deixei se encaixar debaixo, assim meu braço estava sobre os
ombros delgados dela. Sentada eu era mais alta através do torso do que ela, assim eu
podia realmente manter meu braço em torno dela e tê-la escondida embaixo. Eu me
senti muito “cara”, de repente, mas o fato de que ela se aconchegou contra mim em
público significava que, para Vivian, algo estava errado.

A mão de Micah apertou a minha e eu olhei para cima para encontrar seu olhar. Eu
conhecia aquele olhar. Suspirei e abracei Vivian, colocando minha bochecha contra seu
cabelo.

— O que está errado, Vivian?

Ela endireitou-se e começou a se afastar. Eu apertei o meu braço em torno dela e fiz
disso um outro abraço.

—Está tudo bem, Vivian, basta falar com a gente.

Micah disse:

— Nós somos seu Nimir-Raj e Nimir-Ra, e seus amigos. Diga-nos.

Ela tomou uma respiração que fez seus ombros tremerem. Ela se abraçou e eu só puxei
seu braço contra mim. Seus braços deslizaram ao redor da minha cintura, hesitando na
sensação do coldre de arma, mas ela terminou o gesto e deitou a cabeça no oco de meu
ombro. O que quer que fosse tinha de ser ruim para este nível de exposição pública,
porque Vivian era uma pessoa muito reservada.

—Os homens-Tigres ajudaram Gina através de três luas cheias sem ela se transformar.
Ela ainda está grávida.

Eu fiz uma careta e olhei para Micah. Ele ergueu as sobrancelhas como se dissesse que
ele não entendia também.

—Sim, Crispin e Domino estão ajudando Gina a controlar sua besta para ela não se
metamorfosear e perder o bebê, — eu disse.

Vivian se agarrou firmemente a mim. Seu corpo começou a tremer, apenas um leve
tremor. Eu deixei de lado a mão de Micah e coloquei ambos os braços em volta dela.
Sua voz era pequena e apertada quando ela disse.

—Metamorfos podem engravidar, mas não podemos manter um bebê até o fim.
A mudança é muito violenta e nós abortamos.

—É por isso que alguns tigres estão tentando ensinar alguns de nós como fazer o que
eles fizeram durante séculos, para que possamos ajudar as mulheres em nossos grupos
de animais a ter filhos.
Quando Crispin e Domino vieram morar em St. Louis, nós pensamos apenas que
estávamos ganhando alguns novos doadores de sangue dispostos, um novo dançarino
para Prazeres Malditos em Crispin, e um novo segurança em Domino, mas os tigres
tinham contado um dos grandes segredos do seu clã. Os homens-Tigres eram o único
grupo de animais que pode reproduzir verdadeiramente. Eles tinham o que chamavam
de sangue puro, que nasciam com cabelo e olhos da cor que seriam quando tomassem a
forma de tigre, mas eles não se metamorfoseavam até atingir a puberdade. Esses puro
sangue não mudavam para a forma laranja e preta normal de tigre, mas suas vítimas
sim, normalmente. Eu nem sequer sabia que os tigres verdadeiramente procriavam até
que eu tive que ir encontra-los em Vegas, mas ninguém fora dos tigres sabia que eles
poderiam acalmar a besta de uma mulher. Os homens foram treinados desde a infância
para trabalhar com suas companheiras e ajudá-las a passar por uma gravidez inteira sem
se transformar, assim elas não abortavam. Crispin tinha acalmado a besta de Gina pela
primeira vez sem perceber que era uma grande surpresa para o resto de nós. Estávamos
agora em três meses e contando; se fizéssemos mais um mês seria mais do que qualquer
fêmea licantropo no registro fora dos Homens-Tigres. Os tigres estavam apavorados que
a sua capacidade psíquica trabalhava em qualquer outro metamorfo. Uma das razões
que um grupo deles estava visitando-nos amanhã era discutir as implicações da gravidez
de Gina e o que seu potencial de sucesso reprodutivo poderia fazer para toda a cultura
Tigre.

Vivian enterrou a cabeça mais apertada contra mim, então sua voz era abafada. —Eu
tinha aceitado que Stephen e eu nunca teríamos filhos, que eu não podia, que eu não
podia ter filhos.

—Vamos ajudar Gina passar por isso com seu bebê, — disse Micah, e ele parecia tão
certo. Eu não estava tão certa, porque não só Crispin ou Domino tinham que estar com
ela a cada lua cheia, mas alguém tinha que ser capaz de correr para o lado dela se ela
pedisse ajuda. Não era apenas a lua cheia que poderia fazer o seu animal subir; fortes
emoções, dor, muitas coisas poderiam desencadear essa resposta.

Eu era uma das pessoas tentando aprender a fazer o que Crispin e Domino faziam sem
esforço. Eu não estava fazendo muito progresso, talvez porque os meus animais estavam
presos em meu corpo humano e eu não podia dar-lhes forma animal. Embora Micah
estivesse aprendendo, e ele era bom nisso. Crispin pensava que ele iria conseguir em
mais alguns dias. Todos nós que estávamos aprendendo como acalmar a besta de Gina
estava estávamos na discagem rápida para ela, de modo que se ela se sentisse
começando a perder o controle poderíamos ir correndo. Os dois tigres realmente
estavam esperando que alguns outros dominantes dos grupos animais aprendessem a
habilidade em breve, assim eles teriam mais apoio. O tremor piorou quando Vivian
agarrou-se a mim.

—Se Gina tiver seu bebê, eu quero um também.

Eu coloquei minha bochecha contra seu cabelo.

—Então você pode ser a próxima.

Ela balançou a cabeça.


—Stephen não quer.

—O que? — Perguntei.

Ela levantou o rosto do meu ombro. Sua sombra e batom estavam manchados sobre essa
pele perfeita.

—Ele diz que com seus antecedentes não quer ter filhos. Ele tem medo que ele vai ser
como o pai.

—Stephen nunca poderia ser como o pai, — eu disse. Stephen e seu irmão gêmeo,
Gregory, tinham sido abusados sexualmente por seu pai na maior parte de suas vidas até
que saíram de casa. O pai continuava a tentar pedir desculpas a eles como parte de seu
programa de doze passos. Eles não queriam nada a ver com ele, e sua insistência em
tentar fazer as pazes pelo pesadelo de infância parecia-me outra maneira de colocar a
sua necessidade de pedir desculpas acima da necessidade deles de serem deixados
fodidamente sozinhos.

—Eu disse-lhe isso, mas ele tem medo. Ele trabalhou com Matthew um pouco de sua
dança e isso trouxe de volta memórias horríveis. Stephen está tendo os piores pesadelos.
Sua terapeuta diz que é um bom sinal, as coisas piorarem para que possam ficar melhor.

Soou como algo que um terapeuta diria, mas em voz alta eu tentei ser mais útil.

—Stephen não é seu pai.

—Isso é o que o terapeuta diz, mas ele está com medo. — Ela engoliu alto o suficiente
para eu ouvir. Parecia doloroso, como se ela estivesse tentando engolir algo que
machucasse. —Eu quero filhos, Anita. Eu quero eles, e se Stephen não quer, então eu
teria que perdê-lo para ter filhos. Eu não quero perdê-lo. Eu o amo, e sei que ele me
ama.

Eu não sabia o que dizer, mas felizmente Micah sabia. Ele veio e se agachou na frente
dela, colocando a mão em seu joelho.

—Nós temos mais seis meses antes de Gina ter o seu bebê. Isso é muito tempo em
terapia. Seis meses pode mudar tudo se Stephen trabalhar em seus problemas.

—Mas e se ele não trabalhar com isso?

Micah deu-lhe aquele paciente olhar que diz: tudo-irá-ficar-bem. Eu coloquei meu rosto
de volta contra seu cabelo enquanto ela olhava para ele. Eu não tinha nenhum rosto
reconfortante para dar a ela, então eu só a abracei.

—Ele vai trabalhar isso — disse ele, batendo no joelho dela em uma espécie de maneira
paternal. Como Nimir-Raj ele era suposto ser uma combinação de figura paterna, irmão
mais velho e namorado, mas sem o sexo.

—Como você pode ter tanta certeza? — Mas eu ouvi a nota em sua voz; ela queria
acreditar na sua confiança, seu rosto, seu toque.
Micah sorriu para ela e havia essa certeza nele que eu tinha visto quase desde o início.
Ele projetava absoluta confiança que o que ele disse, aconteceria. —Eu conheço
Stephen, e eu conheço você, e eu sei que vocês se amam. Vocês já passaram por muitas
coisas juntos; vocês vão passar por isso também.

—Você parece tão certo. — Sua voz ainda estava ofegante, mas também esperançosa
agora.

Ele sorriu mais amplamente.

—Eu estou.

Eu não poderia ter dito isso porque eu estava sempre disposta a acreditar que alguém
iria estragar tudo. E porque eu não podia adicionar a minha certeza a dele, eu beijei o
topo de sua cabeça onde ela se aninhou na curva do meu ombro.

Monica estava de repente na nossa frente. Olhei para cima e meu rosto já estava
definido para adverti-la a se calar, e Micah se levantou, acho que pronto para a mesma
coisa, mas o olhar no rosto dela não era mesquinho. Eu nunca atinha visto olhar
gentilmente antes.

Ela chamou J.J.

—Você pode manter Matthew ocupado por alguns minutos?

J.J. deslizou para nós e fez o garotinho correr atrás dela. Devo ter parecido surpresa,
porque Monica disse:

—Eu era casada com um vampiro centenário. Eu sei como é querer um bebê e acreditar
que você nunca vai ter um. Você sabe como é raro para um dos vampiros mais velhos
gerar um filho.

Eu sabia. Eu poderia apenas acenar

Micah se mudou para fora do caminho quando Monica tomou seu lugar ajoelhada na
frente de Vivian.

—Deixe-me levá-la para o banheiro das mulheres para que possamos corrigir sua
maquiagem antes de Stephen voltar.

Vivian piscou para ela e, em seguida, assentiu em silêncio.

—Eu não quero que Stephen saiba que eu contei a alguém.

—Eu não vou dizer a ele, — disse ela, e estendeu a mão. Vivian olhou para Micah, que
assentiu com a cabeça, depois para mim, e eu também concordei. Ela foi com Monica, e
nós confiamos em Monica para não foder isso. Foi um pouco como enviar a sua filha
com a menina má da escola e confiando-lhe para não ser perversa, mas, estranhamente,
eu fiz.
Micah sentou ao meu lado, e sua mão encontrou a minha. Nós nos sentamos lá e
assistimos J.J. atirar-se em torno do lobby enquanto Matthew a perseguia. Ele estava
gritando e feliz com isso, mas algo sobre o jogo me fez lembrar de Jason e o último
número com sua bailarina. Eu estava procurando semelhanças, ou o menino realmente
estava imitando o Tio Jason? Como sempre fazia, Micah falou como se tivesse lido
minha mente.

—Quando eu tinha a idade de Matthew eu implorei por um pequeno coldre com arma,
mais um crachá de plástico.

—Porque o seu pai era um xerife?

Ele assentiu.

—Ele não era xerife quando eu tinha três anos, mas ele estava na aplicação da lei e eu
queria ser como ele.

—Não é só comigo, então; Matthew está tentando imitar algumas das danças que viu
esta noite.

Micah assistiu a criança imitar o dançarino gracioso e ágil. —Ele está tentando
descobrir o que significa ser um menino. Ele está imitando os homens que ele vê.

Eu disse a ele o que Matthew tinha dito sobre a forma como todos os meninos grandes
me beijavam. Micah me abraçou, e eu percebi que era da mesma maneira que eu abracei
Vivian. Isso me fez sentar-me reta e até mesmo me afastar um pouco.

—O que há de errado? — Perguntou.

—Eu só estou querendo saber o que Matthew está aprendendo e como irá afetá-lo mais
tarde.

—Mas por que você se afastou?

Eu respirei fundo e disse:

—Porque eu não me deixarei ser abraçada como Vivian.

Ele sorriu e me atraiu para que pudesse me beijar na testa.

— Eu nunca te abraçaria como abraço Vivian, Anita.

Abracei-o, puxando-o para perto, e não tinha tanta certeza. Eu queria perguntar a ele se
ele queria filhos. Ele teve uma vasectomia anos atrás para que um metamorfo muito mal
não pudesse usá-lo para ter as mulheres de seu grupo animal gravidas. O bandido tinha
gostado delas grávida e gostava da dor e da tristeza dos abortos. Ele havia sido uma das
pessoas mais retorcidas que eu já conheci, e eu nunca me arrependi de matá-lo.

Eu não poderia ter filhos biológicos de Micah, mas estávamos compartilhando uma
cama e uma casa com Nathaniel por dois anos. Será que eles queriam ter filhos? Se eu
fosse realmente tão corajosa como todo mundo pensava que eu era, eu teria perguntado,
mas eu não perguntei, porque eu não queria saber. Eu estava com medo de já saber a
resposta.
CAPÍTULO 05

Uma hora depois, cinco de nós estavam andando pela porta do grande calabouço na
parte inferior das longas escadas que conduzem a partir das partes superiores do Circo
dos Amaldiçoados, onde havia um permanente carnaval e picadeiro, além de um show
de horrores que possuía principalmente criaturas mitológicas. O tranquilo subterrâneo
era o covil do Mestre da Cidade de St. Louis. A primeira vez que eu entrei por aquela
grande e assustadora porta, Jean-Claude tinha sido somente um dos asseclas da mestra
da cidade. Eu a tinha matado para salvar a minha vida e a de outros, mas eu tinha aberto
o caminho para Jean-Claude ser o novo mestre. Nem me diga sobre consequências não
intencionais.

Nós fechamos e trancamos a porta atrás de nós e estávamos em um espaço aberto


rodeado por enormes cortinas de gaze que corriam desde o chão até desaparecerem na
escuridão do teto. Quando eu chamei de subterrâneo eu não estava brincando. Ele tinha
sido esculpido através de cavernas existentes sob a cidade, e para adicionar um toque
caseiro, as cortinas eram as paredes da sala de estar.

Jason e J.J. estavam de mãos dadas à nossa frente quando ele abriu as cortinas, quase
sem perceber, algo causado pelo longo hábito. Se fosse novo para você, a “porta” era
quase impossível de encontrar pela primeira vez. Eles passaram por ela rindo, olhando
um para o outro de uma forma que eu nunca pensei que veria Jason olhar para ninguém.

Viemos atrás deles, a minha mão na de Nathaniel e meu braço através do de Micah. Nós
quase corremos para Jason e J.J. através das cortinas. Algo sobre a forma como eles
estavam de pé me fez soltar as mãos dos homens e ir para minha arma. Talvez eu
estivesse exagerando, mas um monte dos nossos inimigos são mais rápidos do que um
humano. Você não terá uma segunda chance para tirar a sua arma contra esse tipo de
velocidade. Eu usei Jason e J.J. para esconder as minhas mãos enquanto eu tentava ver
ao redor para o que tinha feito-os parar, e eu podia ver que o nível de tensão de Jason
era altíssimo. Eu sabia racionalmente que ele teria gritado uma advertência se fosse uma
situação para armas, mas uma arma era tudo o que eu tinha.

Quando eu pude ver ao redor deles não fez sentido. Wicked e Truth estavam em pé com
os nossos outros guardas de segurança de camisa preta, mas eles estavam todos no meio
da sala com Jean-Claude e Asher em lados opostos do grupo. Parecia para o mundo
inteiro como se os guardas estivessem tentando manter os dois vampiros separados. Que
diabos?

Saí com a arma apontada para o chão.

—O que está acontecendo? — Perguntei.

Alguns deles olharam para mim, mas a maioria olhou para um dos dois vampiros
mestres, esperando que eles me respondessem. Virei-me para Claudia, a única guarda
fêmea que tínhamos, e a única mulher que eu já conheci que tinha mais de 1,80m de
altura. Ela veio em minha direção, seu longo cabelo preto em um rabo de cavalo
apertado se movendo quando ela andou até a borda do grupo.
—Nós pensamos que eles iriam brigar.

—Brigar sobre o que? — Perguntei, e guardei minha arma. Eu não estava indo atirar em
qualquer um deles, e eles sabiam disso. A menos que você esteja disposto a usá-la, uma
arma é apenas um pedaço inútil de metal. Eu coloquei o meu pedaço inútil de metal no
coldre.

—Eu não estou inteiramente certa, — disse ela.

—Um de vocês fale comigo, — eu disse.

—Nós não chegaremos a golpes, — disse Jean-Claude, e ele afastou-se do grupo de


guarda-costas para sentar-se no grande sofá branco do outro lado da sala. Deixou-se cair
nele dessa forma graciosa de eu-não-me-importo, mas acabou parecendo que ele estava
esperando por algum fotógrafo passando para tirar uma foto dele. Ele sempre foi bonito,
mas este nível de cuidado e controle sobre como ele parecia geralmente era reservado
para hóspedes e convidados hostis.

—O que aconteceu? — Perguntei.

Asher recuou para o sofá branco com suas almofadas de ouro e prata. Ele colocou os
braços na parte de trás do sofá, descuidado, mas à sua maneira tão em pose como Jean-
Claude. O cabelo de ouro de Asher derramado sobre o lado com cicatrizes de seu rosto
para que ele parecesse com um anjo caído, perfeito e friamente belo.

—O que há de errado com vocês? O que aconteceu?

—Nada aconteceu, — disse Asher, —e isso é precisamente o problema.

Nós todos ficamos no quarto branco e dourado, e eu não tinha ideia do que estava
acontecendo. Os guarda-costas estavam amontoados entre a lareira falsa e as duas
cadeiras. Havia comida sobre a enorme mesa de centro de vidro e metal no meio de
tudo, mas ela também estava forçando os guardas a se mover em torno dela, tendo que
ter cuidado com a comida e os vampiros. Você não deveria ter que ficar na ponta dos
pés perto de refrescos quando você está de pé entre dois vampiros mestres, mas às vezes
você acaba entre as costeletas e os talheres, com nenhum lugar seguro para ficar.

Eu fiz uma careta de um para o outro e, finalmente, virei-me para os guardas. Claudia e
seu colega homem-rato, Fredo, olharam para mim. Os dois guardas mais recentes eram
ambos homens-hienas, um alto e loiro, o outro um pouco mais baixo com a pele alguns
tons mais escura do que a de Vivian, cabelo curto e encaracolado na cabeça. Ambos
estavam olhando para Asher. Wicked olhou de um vampiro para o outro, mas Truth
olhou para mim.

Eu disse:

—Truth, relatório.

O vampiro de cabelos escuros se afastou dos seguranças e me encarou.


—Asher está ameaçando retirar os homens-hienas e encontrar outra cidade.

Olhei para Asher.

—O que? Por quê?

Micah moveu-se ao meu lado.

—Os homens-hienas de Narciso são o terceiro grupo animal mais poderoso nesta
cidade. Ele não iria sair e começar de novo.

—Ele iria, por mim, — disse Asher.

—Você já o fez o seu animal para chamar? — Perguntou Micah.

Asher fez uma careta para Micah, e seus olhos azul-gelo brilharam com um toque de
luz, uma pitada de energia vampírica.

—Eu não tenho que responder à sua pergunta, gato.

—Tudo bem, então responda para mim, — eu disse.

Ele me deu um olhar hostil.

—Não, não, eu não fiz o que Narciso tão terrivelmente quer. Eu não fiz-lhe o meu
animal para chamar, mas se eu fizesse, e se eu fosse para a cama com ele como ele quer,
então ele estará disposto a deixar St. Louis e ir para onde eu for.

Eu não sabia o que dizer sobre isso. Micah disse:

—Narciso deve te amar muito para estar disposto a deixar uma cidade segura e lutar
pelo controle em outro lugar.

Asher riu, e como o riso de Jean-Claude poderia ser sensual e sexy, o riso de Asher
possuía tristeza como se a luz esmaecesse. Meu coração doeu por um momento.

—Eu não estou certo de que Narciso é capaz de amar verdadeiramente alguém, mas ele
me quer. Ele me quer o suficiente para destruir tudo o que ele construiu se eu fosse seu
em todos os sentidos.

A conversa tinha a sensação de algo que já tinha sido discutido antes, mas era
totalmente novo para mim. Olhei para Jean-Claude e disse o que eu estava pensando.

—Há quanto tempo você sabe sobre a oferta de Narciso?

—Tempo suficiente, — disse ele.

—E você estava indo mencionar isto quando?


—Ele não poderia dizer-lhe, — disse Asher, —porque isso o obrigaria a te falar a razão
de eu querer sair, e é uma conversa que ele não quer ter, não é isso, mon bellot? Ah, mas
você não é meu belo. Não mais, não é?

—O que é que isso quer dizer? — Perguntei.

—Isso significa que se eu não posso ser amado, eu quero o respeito que me é devido
como um vampiro mestre com seu próprio animal para chamar.

—Eu ainda estou perdida aqui, caras, expliquem-se, — eu disse.

—Eu quero uma saudação formal, — disse Asher.

—Somos todos amigos aqui, mon ami, — disse Jean-Claude.

—Não, não, nós não somos todos amigos aqui, — disse Asher. —Ou eu sou um
vampiro mestre ou o seu segundo em comando ou eu não sou nada. Se eu sou essas
coisas, então estou no meu direito de exigir uma saudação formal de todos na sala.

—Eu não acho que isto tenha haver com J.J., — disse Jason.

Todos olhamos para ele. Eu não tinha certeza do que eu teria dito, mas Jean-Claude
disse;

—Você tem toda a razão. Ela é sua convidada e isso não diz respeito a ela.

—Eu volto logo depois de acomodá-la, — disse ele, e levou-a para o outro lado das
cortinas e o corredor além. Ela estava lhe fazendo perguntas enquanto caminhavam, sua
voz baixa e séria. Ele apenas negou.

—O que você quer dizer sobre querer uma saudação formal de todos na sala? Isso é o
que temos que fazer para os hóspedes de fora da cidade ou outros dominantes e mestres.
Nós não fazemos isso uns para os outros.

Asher olhou para mim, e com o cabelo caindo sobre a metade de seu rosto, e toda a seda
azul, ele era todo sobre beleza e arrogância, mas eu sabia que esta era uma das emoções
nas quais ele se escondia atrás. Ele vinha a nós com isso como escudo quando tinha
medo de que algo iria machucar muito.

Isso me fez olhar sobre as cabeças dos guardas para a pintura acima da lareira, pela qual
toda a sala tinha sido projetada ao redor. Era uma foto de Jean-Claude e Asher, e sua
falecida Julianna, de quando todos se vestiam como se tivessem saído de Os Três
Mosqueteiros de Dumas.

O Asher na pintura era todo ouro e perfeição branca com Juliana sentada na frente dele,
e Jean-Claude atrás de ambos, em sua assinatura preta e branca, mesmo naquela época.
O Asher da pintura era sem cicatrizas, e o artista tinha capturado a arrogância que eu
estava olhando agora.

—Quando você diz todos na sala? Você realmente quer dizer todos? — Perguntei.
—Eu quero, — disse ele.

—Jean-Claude? — Eu disse.

—Nós somos muito informais aqui, mas ele está dentro de seus direitos como um
mestre de ser recebido formalmente em cada entrada, — disse Jean-Claude.

—A saudação formal é uma espécie de concurso de mijo, — eu disse. —Nós não temos
que fazer isso uns aos outros.

—Eu pensei que não precisávamos, — disse ele, e seu rosto estava vazio, me revelando
nada. Merda.

Voltei-me para Asher. —Você seriamente vai nos obrigar a fazer isso?

—Sim, — disse ele.

—Por quê? — Perguntei.

—Porque eu posso.

Olhei para ele por um momento, e então disse;

—Bem, bem, como é que vamos fazer isso?

—Quem me vê como dominante sobre eles pode me cumprimentar, e quem sente que
eles são dominantes ou iguais a mim, bem, veremos.

—Veremos o que? — Perguntei.

Micah respondeu:

—Veremos quem oferece a sua carne e sangue.

—A saudação é apenas uma formalidade, — eu disse. —O submisso oferece um pouco


de sangue, o vampiro ou metamorfo cheira ou beija, e nós seguimos em frente.

—Isso não é sempre o caso, Ma petite, — disse Jean-Claude.

—O que mais tem nisso? —Perguntei.

—Você sabe que alguns vampiros usam isso como uma forma de testar seu poder uns
contra os outros.

—Sim, eu vi isso.

—O ritual é uma oferenda de sangue. O dominante, ou mestre, está dentro de seus


direitos em levar o que é oferecido. Essa é a forma como foi originalmente feito séculos
atrás. O mestre iria pegar uma das ofertas e alimentar-se. Ao se oferecer para ser seu
submisso você lhe dá o direito de escolher se alimentar.
—Não foi assim que fizemos quando visitamos mestres fora da cidade, — disse eu.

—Asher está invocando seus direitos, e isso está dentro deles. — Jean-Claude fez um
sinal e os guardas se moveram, assim os dois vampiros podiam ver um ao outro. —Não
é isso o que você pretende fazer?

—Sim, — disse ele, e não havia nada agradável em sua voz.

—Eu sinto que entramos numa briga sobre algo que eu não sei nada. Se nós estamos
oferecendo nossa carne e sangue, eu quero saber por quê.

—Você só a oferece se você me vê como dominante para você, Anita, e você não o faz.

Eu fiz uma careta para ele, então me voltei para Jean-Claude.

—Ajude-me aqui. O que isso significa?

—Ele quer dizer que você só oferece uma parte de sangue se você se vê como inferior a
ele. Se você não acha que ele é o seu superior, então você não oferece sangue, e você
poderia insistir que ofereçam carne ou sangue para você.

Eu balancei a cabeça negando e virei-me para Micah e Nathaniel.

—Isso é uma surpresa para vocês também?

Ambos assentiram, mas Micah disse;

— Asher vem empurrando.

—Como quando ele tentou roubar um beijo no recital, — eu disse.

Micah assentiu.

Eu respirei fundo, deixei sair lentamente, e disse:

— Asher, não faça isso, basta falar comigo.

—Seu mestre me proibiu de trazer determinados temas. Ele me deixou algumas vias
para demonstrar o meu desagrado, e da maneira que ele deixou aberto para mim agora,
vou tomar. Eu quero saber onde todos nesta sala estão. Eu quero saber onde eu estou
com todos nesta sala, e eu quero saber agora.

—Jean-Claude, apenas diga a ele que ele pode falar comigo sobre o que quer que seja.
Se começarmos com esse tipo de coisa de dominância com o nosso próprio povo, vai
ressoar em todos.

—Guardas, nos deixem.

—Eu não tenho certeza de que é uma boa ideia, — disse Truth.
—Eu tenho certeza, — disse Claudia, —é uma má ideia.

—Nós precisamos discutir algumas questões muito pessoais. Vocês não tem acesso a
elas, agora vão.

Claudia e Truth olharam para mim. Fredo e Wicked mantiveram os vampiros em sua
linha de visão, o que não era fácil, já que eles estavam um em frente ao outro, mas os
homens conseguiram.

—Não olhe para ela, — disse Asher. —Seu mestre lhe disse para sair. Será que vocês
não o ouviram?

—Ele não é meu mestre, — disse Claudia. —Eu apenas trabalho aqui.

—Ele é o nosso, — Wicked disse.

—Não, ele não é, — disse Truth.

Os irmãos se entreolharam e, em seguida, os dois olharam para mim. Eu tive uma


sugestão do que talvez Asher estava querendo dizer.

—Se Jean-Claude diz para ir, vão. Vamos ficar bem.

—Má ideia, — disse Claudia.

—Muito má ideia, — disse Fredo.

—Eu confio em Jean-Claude e eu confio em Asher.

Isso me rendeu um olhar de Asher que não foi arrogante ou hostil. Era um olhar quase
triste, e então ele voltou a ser maravilhoso e ilegível.

Os guardas começaram a se mover em direção as cortinas no rumo em que Jason e J.J.


foram. Asher gritou:

— Perses, Dares, eu quero que vocês fiquem.

Os dois homens-hienas hesitaram. Foi o mais baixo e escuro, Perses, quem disse:

—Nós fomos contratados para proteger Jean-Claude e seu povo.

—Eu não estou falando de quem assina seus cheques de pagamento, — diz Asher. —Eu
estou falando sobre quem é o seu mestre nesta sala.

—Não faça isso, — disse Micah, e essa única sentença deixou-me saber que ele tinha
visto algum perigo que eu ainda estava alheia.

—Você vai vir aqui e oferecer o seu pescoço para mim, leopardo rei? — Perguntou
Asher.
Nathaniel se moveu na frente de Micah.

—Eu irei.

—E você é saboroso, mon minet, mas eu sei que você não vai brigar comigo. Você e eu
não temos nenhuma pendência sobre dominância.

Micah tomou seu braço e puxou-o para trás.

—Isto não é sobre sexo; é sobre poder, Nathaniel. Ele quer que eu o reconheça como
mais poderoso.

—Havia outras coisas que eu queria de você, Micah, mas não foi isso que Maquiavel
disse? “É melhor ser amado do que temido, mas se você não pode ser amado, então o
medo vai servir.” Bem, você não me ama, por isso eu vou resolver.

—Você não está fazendo tudo isso só porque eu não gosto de meninos, — disse Micah.

Asher riu de novo, e isso machucou, como se o som tivesse pedaços de vidro para
rasgar a pele. Era uma ilusão, um poder vampiro, e eu deveria já saber sobre isso. Que
eu não soubesse significava que Asher tinha ganhado poder desde a última vez que ele
tinha tentado uma merda como essa.

—Quando eu acreditava nisso eu o deixava ir, mas eu vi você hoje à noite no baile. Eu
vi você com o seu gatinho, e você gosta dele o suficiente.

—Espere, você está fazendo tudo isso porque você acha que Micah está… fodendo
Nathaniel, mas não você? Isso é um motivo tão de menina para uma briga.

—Não, não é, — disse Asher. —É uma razão muito masculina para uma briga. O ego
de um homem só pode aguentar certo tanto de rejeição Anita.

—Oh meu Deus, — disse Micah.

Mais uma vez, ele estava à minha frente.

—O que? O que você descobriu que eu não?

Micah olhou para Jean-Claude.

—Você dorme na mesma cama com ele quase todas as noites. Nós os encontramos nus
juntos, mortos para o mundo durante o dia quando nenhum de nós estão com vocês.
Você está realmente me dizendo que você e ele não são…

—Não são o que? — Perguntei.

Nathaniel respondeu:

— Amantes.
—O que? — Perguntei.

—Eles não são amantes.

—Quem não é amante?

—Jean-Claude e Asher, — disse Nathaniel.

Eu me virei e olhei para Jean-Claude. Eu apenas olhei para ele.

—Você está me dizendo que, mesmo quando eu não estou com você, você ainda não
tem…

—Não, ele não fez, —disse Asher, —e quando eu digo não, eu quero dizer nada. Ele
acha que se você entrasse no quarto e nos pegasse transando, isso poderia angustiar
você. — Desde que poderia ser uma longa lista, eu apenas olhei para Asher.

Asher riu, e dessa vez foi quase normal.

—Olhe para seus rostos, Jean-Claude. Nossos mais próximos e queridos, todos
pensavam que estávamos juntos como antigamente.

Virei-me para Jean-Claude.

—Você está dizendo que você o teve em nossa cama, em sua cama, nu por todo esse
tempo e você ainda não tem… sido, oh, inferno, vocês não são completamente amantes?

—E o que você teria feito se você entrasse no quarto conosco nos amando, Ma petite?

—Eu teria estado muito menos chateada do que se eu te pegasse com outra mulher, —
eu disse.

—Mas você ficaria chateada, — disse ele.

—Eu não sei, eu… nós transamos junto com Asher. Todos nós já estivemos na cama
juntos, nós cinco, de várias maneiras. Eu quero dizer… Eu honestamente pensei que
você estava poupando o material mais íntimo para quando eu não estava lá.

—Você me ensinou a temer a sua bússola moral, Ma petite. Eu gostaria de nunca estar
no lado errado de novo.

—Mas é Asher. É ele, você o ama, você o tem amado por séculos.

—Ele te ama mais, — disse Asher. —Ele te ama o suficiente para ter me recusado de
novo e de novo, ter parado meu toque, meu corpo. E se você atrair mais um homem
heterossexual no nosso pequeno grupo eu vou fazer algo violento, — disse Asher. Então
ele riu de novo, e detinha tristeza e algo amargo. —Mas espere, eu decidi fazer algo
violento esta noite. — Ele olhou para os guardas que estavam congelados perto das
cortinas tentando fingir que não estavam ouvindo. —Perses, Dares, venham ficar ao
meu lado.
Os dois homens-hienas olharam um para o outro, e então o loiro disse:

— Nós preferimos apenas deixar vocês dois discutirem as coisas. Isso soa mais pessoal
do que trabalho de guarda-costas.

—Eu não quero que você saia. Eu quero fazer o meu ponto e vocês dois vão me ajudar a
fazer isso. — Ele estendeu o braço e chamou-os para ele. Ele os chamou da maneira
como Jean-Claude poderia chamar lobos e eu poderia chamar tantos animais. Ele abriu
o seu poder e encheu a sala como algo gelado e espesso. Eu senti isso me tocar enquanto
fluía, quase como se eu devesse ser capaz de envolvê-lo em minhas mãos. Ele chamou
os homens-hienas e eles simplesmente se viraram e foram até ele. Eles se colocaram
atrás da namoradeira, nas costas de Asher. Eles enfrentaram o quarto assim, e ficou
muito claro que os dois homens-hienas estavam com Asher, e não conosco.

—Não faça isso, — disse Micah.

—Não há leopardos aqui para ajudá-lo, pequeno rei. Não há lobos para ajudar Jean-
Claude, e os ratos não pertencem a ninguém. Eu sou o único mestre nesta sala que tem
ajuda em mãos.

—Não é verdade, — disse Micah.

—Você quer dizer nosso gatinho? Eu acho que você não quer arriscá-lo contra mim.

—Eu não estou falando de mim, — disse Micah. Ele olhou para mim.

Eu balancei minha cabeça, negando.

—Não me faça fazer isso.

—Ele está estabelecendo as regras, não eu, — disse Micah.

—Se você quer dizer Anita, então salve sua respiração, leopardo. Ela e eu
estabelecemos que ela se dobrará a mim há muito tempo.

Olhei para o vampiro.

—O que isso significa exatamente?

—Você me deixou dominar você no quarto junto com nosso gatinho.

—No quarto é diferente.

—Uma vez você deixou-me alimentar até que eu quase a drenei. Você e eu sabemos que
eu me impedi de matá-la. Você teria me deixado fazê-lo, e teria adorado até o momento
em que você morresse.

Ele estava falando sobre a última vez que eu tinha estado sozinha e ele se alimentou de
mim. Seu poder de vampiro era fazer da sua mordida orgástica, e era, e o que ele apenas
havia dito era absolutamente certo. Naquele momento eu não teria lutado para viver, era
bom demais para parar. Ele e eu nunca tínhamos contado a ninguém toda a verdade
antes. Nós tínhamos evitado simplesmente estar sozinhos juntos para nos alimentar.

—Não me pressione, Asher.

—Ou o que? Você vai me matar? Eu acho que não.

—Assim como você não vai nos matar, — disse Jean-Claude, em voz baixa, — e se a
morte está fora da mesa, então o que resta para provar?

—Que eu me tornei muito poderoso para ser o seu segundo. Eu preciso de um território
próprio e amantes que não tenham vergonha de mim.

—Nós não temos vergonha de você.

—Os homens têm, e ele… — ele apontou para Jean-Claude, —diz recusar o meu corpo
porque você iria rejeitá-lo se você nos visse juntos. Eu disse a ele que vocês foderam
Augustine, o Mestre de Chicago, e você não recuou com o que aconteceu, ou de Jean-
Claude. Mas foi quando eu vi seus gatos se beijarem em público que eu sabia que Jean-
Claude estava mentido. Você não tem nenhum problema em dividir-se com os homens
que estão compartilhando entre si, é Jean-Claude que não quer estar comigo de novo.
Você é sua desculpa para me afastar dessa última parte dele.

—Eu não sei o que você pensou que você viu no recital, — disse Micah.

—Eu vi dois homens que se amam e não têm medo de mostrar isso em público. Não
negue.

—Eu não tinha intenção de negar o que sinto por Nathaniel. — Nathaniel deitou sua
cabeça no ombro de Micah, e Micah estendeu a mão para tocar o rosto do homem mais
alto. Sempre parece estranho que Nathaniel seja mais alto do que Micah, mas o domínio
não é sempre sobre a altura.

—Por favor, os guardas podem ir pelo resto desta discussão? — Perguntei.

—Veja, você está envergonhada de mim.

—Eu estou envergonhada em geral.

—Eu não estou.

Eu encontrei a sua demasiada calma, demasiada arrogante face e disse:

— Tudo bem, porra. Bem, vamos fazer isso. — Eu me virei para Jean-Claude. —Você
está me dizendo que você não tem sido seu amante porque você pensou que eu ia deixar
você?

—Você se afastou por meses por infrações muito menores por causa de sua moralidade
de cidade pequena.
—Isso foi há um tempo, Jean-Claude, me dê algum crédito aqui. Se você e Asher
querem estar juntos…

—Ser amantes, — disse Asher.

Eu dei-lhe um olhar hostil, mas voltei-me para Jean-Claude.

—Tudo bem, se você e Asher querem ser amantes quando eu não estou na cama, está
tudo bem comigo.

—Non, Ma petite, non.

—É você quem tem medo de estar comigo, — disse Asher. —Eu não posso viver assim,
e, eventualmente, eu vou ceder a Narciso se eu não tenho mais ninguém a quem
recorrer.

—Se eu disse que estou bem com isso, então por que não? — Perguntei.

—Asher assume que Micah e Nathaniel estão fazendo o que eu não estou. Eles são
amantes?

Eu queria me contorcer e lutei para não fazer.

—Por que você não lhes pergunta? Eles estão em pé bem aqui.

Ele olhou para os homens.

—Vocês são amantes?

Nathaniel disse que sim, e Micah disse que não, ao mesmo tempo. Asher riu, e este riso
tinha humor.

— Como vocês podem não saber?

—Micah me ama. Ele cuida de mim. Nós dormimos nus na cama, mesmo quando Anita
está fora da cidade. Eu limpo a casa dele, faço as suas refeições. Nós tocamos um ao
outro em privado. Nós simplesmente não fazemos certas coisas.

—Vocês não sodomizam um ao outro, — Asher ofereceu.

—Sim, — disse Nathaniel, e ele quase sorriu, mas não como se estivesse feliz. —Nós
não fazemos isso.

—Não é do gosto de todo homem. Mesmo aqueles que gostam de homens nem sempre
são sodomitas, — Jean-Claude disse.

—Mas Micah não acha que são amantes, você acha Micah? — Perguntou Asher.
Percebi que Asher não estava apenas tentando destruir o que ele, Jean-Claude e eu
tínhamos. Ele estava tentando destruir todos.
Micah respirou fundo e soltou o ar em uma corrida alta.

—Eu acho que eu pensei que se não estivéssemos transando, nós não seriamos amantes.

—Então Nathaniel está preso como eu estou preso, querendo, mas nunca tendo.

Nathaniel disse:

— Eu acho que eu gosto de meninas um pouco mais do que você, por isso não é um
problema tão grande para mim.

—Se Micah quisesse foder você na bunda, você diria que não?

Eu queria sair dessa conversa, mas era como um acidente de carro: uma vez que você
começa a girar você só poderia esperar e ver o que atingiria.

—Sim, — disse Nathaniel.

—Mentiroso, — disse Asher.

Nathaniel começou a sorrir, e disse:

— Você o viu nu. Eu nunca tive ninguém tão grande fazendo sexo anal em mim. Eu
acho que poderia machucar.

—Você é um masoquista. Você gosta que doa — disse Asher.

—Na maioria dos aspectos, sim, mas eu fui estuprado quando criança, então eu gosto de
anal, algumas vezes, e eu sinto falta disso, mas eu não gosto que machuque. Dor assim é
um gatilho. Isso me joga de volta às memórias de ser estuprado. — Ele balançou a
cabeça, um pouco rápido demais. —Eu acho que se eu tivesse sido tratado melhor,
então eu provavelmente iria gostar, mas eu não fui, e fazemos juntos quase tudo que eu
quero fazer.

Asher disse:

— Eu sinto muito, Nathaniel. Em meus próprios sentimentos feridos eu esqueci que


outras pessoas foram feridas também. Mas eu não vou deixar mesmo a sua história triste
parar esta conversa. Vamos tê-la, e então quando eu for rejeitado uma última vez, eu
partirei e ficarei com Narciso até que os arranjos possam ser feitos para nós partirmos.

—Os homens-hienas são um terço, ou mais, da segurança de Jean-Claude, — disse


Micah.

—Não é problema meu, — disse Asher.

—Você realmente vai cortar a nossa mão de obra de tal forma, sabendo que existem
mestres por aí que iriam ver isso como fraqueza e tentariam nos matar? — Perguntei.
—Eu não posso ficar aqui e ter meu coração partido mais e mais, Anita. Eu vou
enlouquecer. Ou eu devo ser amante de alguém, ou eu devo ir.

—Espere, — eu disse, —você é meu amante. Você é meu amante de todas as maneiras
que qualquer outro homem é. Eu não te nego qualquer parte de mim.

Ele olhou para mim, e eu lhe dei um olhar de volta.

—Oh, vamos lá, só porque eu não gosto de anal. Ninguém mais consegue fazer isso
também.

—Não é você que ele quer, — disse Micah.

Asher olhou para ele. —Você está dizendo que é você quem eu estou ansiando?

—Você disse que Jean-Claude ama Anita mais do que você. Bem, você não ama Jean-
Claude mais do que ama Anita?

Asher olhou para Micah e, finalmente, ele assentiu.

—Touché, Nimir-Raj. Eu amei Jean-Claude durante séculos, então sim. Você sabia que
eu escolhi Julianna como minha serva humana porque eu temia que eu estivesse
perdendo o amor de Jean-Claude?

Jean-Claude disse algo rápido em francês. Ele estava sentado em frente e ao menos
pareceu assustado.

Asher continuou. —Eu nunca te contei porque era muito patético. Você sabe que eu
gosto de mulheres, mas eu gosto mais de homens. Você nunca tentou entender porque
eu escolhi amarrar-me a uma mulher como meu servo humano?

—Você a amava, — disse Jean-Claude.

—Eventualmente, mas eu escolhi-a para você. Eu sabia que você gostava e a comprei
como uma forma de mantê-lo, não para satisfazer a mim mesmo, e funcionou.
Funcionou melhor do que eu poderia ter sonhado. Eu deveria ter percebido que eu
mesmo tinha juntado as duas pessoas que eu mais amava no mundo para amar um ao
outro mais do que eles me amavam.

Jean-Claude fez menção de estender a mão para o outro homem, e, em seguida, deixou a
mão cair para trás.

—Não tivemos a intenção de te machucar.

—Você nunca quis me machucar, Jean-Claude, mas você parece continuar fazendo isso.

Ele se virou para nós.

—O que Micah nega-lhe, Nathaniel? O que você quer que ele faça que ele não vai
fazer?
Nathaniel olhou para Micah, que apenas assentiu. Ninguém olhou para mim. Naquele
momento eram apenas os homens.

—Eu gostaria que ele me fizesse sexo oral e com a mão.

—Lhe é negado tudo que me é negado. Como você pode ser feliz?

—Eu só sou, — disse Nathaniel.

—Não lhe é negado tudo, — disse Micah.

—Eu ouvi a verdade, — disse Asher.

Esse primeiro rolo de poder escorria fora da pele de Micah. Sua besta espreitando para
fora com sua raiva.

—Ele disse que queria que eu lhe fizesse sexo oral e o masturbasse com a mão.

—Exactement.

—Você só ouve o que quer ouvir esta noite, Asher. Vamos apenas dizer que eu posso
provar que Nathaniel realmente não tem nenhum reflexo de vômito.

Houve um momento de silêncio ensurdecedor. Micah olhou para Asher. Nathaniel


parecia satisfeito e tentou não parecer. Eu não tinha nenhum lugar seguro para olhar e
nenhuma ideia de qual expressão usar.

—Anita estava com você? — Perguntou Jean-Claude.

—Sim, — disse Micah.

—Ma petite.

Eu não queria olhar para ele.

—Ma petite, olhe para mim.

Eu virei e olhei para os homens com armas quando levou menos coragem do que para
encontrar os olhos de Jean-Claude naquele momento.

—Esta é uma mudança recente?

Eu concordei.

—O que você acha? Como você se sente sobre isso?

Eu realmente não queria discutir isso na frente das pessoas, mas porra, se eu estava
realmente bem com isso, por que era embaraçoso? Droga.

—Sem o ardeur eu tenho reflexo de vômito, e Micah…


—É bien outillé, bem dotado, oui, — disse Jean-Claude.

—Sim, então uma tarde, nos revezamos fazendo boquete em Micah. — Eu disse isso
rápido como se isso fizesse parecer mais elegante, mas algumas coisas simplesmente
não são elegantes e chupar o pau de um homem é uma delas. Eu amei fazer isso, mas…
Oh inferno. Eu estava corando tanto que eu estava com a cabeça leve. Eu pensei que eu
tinha parado de corar assim, caramba.

Micah e Nathaniel tocaram um braço cada, o que significava que eu parecia tão instável
como eu me sentia.

—E você tem feito isso desde então? — Perguntou Jean-Claude.

Engoli em seco e me concentrei. Eu não iria desmaiar. Eu nunca desmaiava. Porra. Eu


mantive um bom agarro em ambos os braços e disse:

— Não a parte de revezar, mas Nathaniel chupando Micah, sim.

—E você está bem com isso?

—Jesus, Jean-Claude, eu não sou a virgem de cidade pequena que você encontrou anos
atrás. Dê-me algum crédito por ser um pouco mais aberta. Nós três compartilhamos uma
cama por mais de dois anos.

—Você está certa, Ma petite. Lembrei-me de você como antigamente e não confiei em
você.

—Então, você estaria bem com Jean-Claude e eu sendo amantes.

—Sim.

—Você estaria bem na cama conosco enquanto nos tocamos? — Perguntou Jean-
Claude.

—Depende do toque, mas eu gosto de homens. Quando você e eu fodemos Augustine


juntos, eu aprendi que eu gostava de ver homens se beijando, e eu adoro assistir
Nathaniel e Micah juntos. Eu amo… Olha, não me culpe por essa bagunça. Eu não o
mantive longe de Asher, você decidiu por si próprio.

—Eu pensei que era você que eu estava protegendo, mas Asher está certo, era a mim. —
Ele olhou para o outro homem. —Você quase me consumiu uma vez antes de Julianna.
Não era porque você foi um homem que me fez recuar, era porque o seu poder funciona
em vampiros também. Você estava muito perto de fazer-me seu escravo, e se eu não
estava disposto a ser escravo de Belle Morte, eu não seria o seu.

—Então outro homem teria funcionado tão bem? — Perguntou Asher.

Jean-Claude sorriu e balançou a cabeça.


—Não, você escolheu bem para o meu coração. Julianna era tudo que eu poderia ter
sonhado em uma mulher naquela época.

—Você não tem que adicionar o naquela época para meu benefício, Jean-Claude. Eu sei
que você a amava. Inferno, eu senti as memórias.

—A pessoa que amou Julianna morreu quando ela morreu.

—Nós todos morremos naquele dia, — disse Asher.

—Sim, — disse Jean-Claude.

O silêncio ficou no ar por um minuto cheio de tristeza e perda antiga. Em seguida,


Micah disse:

— Mas se Anita estivesse com você, você quereria ser amante de Asher?

Jean-Claude olhou para Micah, depois para mim, e, finalmente, ele olhou diretamente
através da sala para Asher.

—Sim.

—Apenas palavras vazias, — disse Asher, —para salvar as hienas e sua base de poder.

Jean-Claude levantou-se e estendeu a mão para mim.

—Ma petite. — Eu admito que hesitei, mas eu fui e peguei a mão dele. Em seguida,
Jean-Claude virou-se e estendeu a mão para o outro vampiro.

Asher disse, — Você quer dizer agora?

—Você diz que palavras são vazias. Deixe-me mostrar-lhe ações.

Olhei de um para o outro, e lutei com um sentimento súbito de pânico no meu


estômago. Não era que eu não queria, mas tudo estava se movendo um pouco rápido
demais para mim e eu tive um sentimento mesquinho de que eu estava perdendo alguma
coisa.

Asher se levantou. Os homens-hienas atrás dele perguntaram: — O que você quer que
façamos?

—Tudo o que vocês estavam fazendo. Façam o seu trabalho. — Ele foi para a mão
estendida de Jean-Claude sem olhar para trás para os dois metamorfos, e era por isso
que Asher provavelmente nunca teria seu próprio território. Não era a falta de poder,
mas a falta de querer poder. Ele sempre deixava seu coração ignorar a cabeça, e Mestres
da Cidade não sobrevivem tomando decisões como essa.

Jean-Claude levou-nos para as cortinas. Os guardas de pé ali espalharam-se como se


tivéssemos gritado Boo. Jason estava do outro lado deles. Ele ergueu as sobrancelhas, e
apenas sua expressão deixou-me saber que ele ouviu e sabia o que estava acontecendo.
Estendi a mão livre e ele me deu a dele. No momento em que toquei-lhe o seu poder
queimou em cima de mim como o calor em um prado do verão. Foi tão bom, e então eu
cheirava árvores, folhas, floresta, e sabia que havia mais lobos apenas fora da grande
porta do calabouço.

Jean-Claude, Jason e eu nos voltamos para as cortinas na medida em que Jamil e Shang-
Da as varriam. Ambos eram altos e musculosos. Jamil com suas longas tranças e terno,
Shang-Da o chinês mais alto que eu já conheci, corte de cabelo skater em linha reta, seu
casaco preto flutuando em torno dele mostrando vislumbres das armas embaixo. No
momento que vi os dois eu sabia quem estava por vir, e lá estava ele, Richard, nosso
Ulfric, nosso rei lobo. Ele estava vestido em calças jeans com uma jaqueta de couro e
jeans aberta sobre uma camiseta vermelho-sangue. Seu cabelo na altura dos ombros caía
em ondas, marrom com destaques de ouro e vermelho. Ele entrou com seus guardas de
ambos os lados, e foi como se meu coração parasse por um momento. Nada jamais faria
Richard menos do que bonito, desde as botas marrons curtas espreitando para fora do
jeans, aos perfeitos jeans e tudo o que eu sabia que estava neles, a parte superior do
corpo que de tanto ir à academia tornou-se ainda maior, ainda mais impressionante, e,
em seguida, o rosto. Uma vez eu pensei que eu ia casar com ele, e até mesmo agora o
meu coração e libido pulavam, mas minha mente dizia: “Não, o que seja que ele queira,
não.” Quando as coisa vão para o inferno, ninguém pode machucar você como o amor
de sua vida. Porra.
CAPÍTULO 06

Shang-Da se aproximou dos dois homens-hienas perto do sofá, seu casaco puxado para
trás para mostrar as armas de forma mais clara. O que estava acontecendo? Jamil ficou
ao lado do seu Ulfric, e havia algo muito formal, muito perigoso, sobre tudo isso para o
nosso normalmente menos-do-que-pronto-para-a-ação Richard.

Os guardas se espalharam e pareciam um pouco incertos. Eles tinham apanhado a


urgência também.

—Richard, o que aconteceu? — Perguntou Jean-Claude.

—Eu cheguei a tempo, por isso nada ainda, — disse ele.

Truth e Wicked se moveram na frente dele e Jamil.

—Você está se movendo como se tivesse um propósito, Ulfric, — Truth disse. —Qual é
esse propósito?

Ele os deixou pará-lo.

—Eu estou aqui para completar o triunvirato de poder de Jean-Claude.

—Eu esperava você amanhã para os homens-tigre, — disse Jean-Claude, —mas esta
noite é uma surpresa.

—Será que eu interrompi alguma coisa?

—Sim, — disse Asher, e essa palavra estava muito infeliz.

—Então cheguei na hora certa.

Micah veio a mim com Nathaniel literalmente na mão. Ele me ofereceu sua mão livre, e
eu deixei a de Jason para pegá-la. Micah e Nathaniel foram os que tinham me apoiado
mais enquanto Richard me magoava. Desde que ele deixou Jean-Claude quando me
deixou, parecia errado chorar nos ombros de Jean-Claude.

—Quem fez você trazer os guardas, Richard? — Perguntou Jean-Claude.

—Felizmente, ninguém, mas Anita está sempre reclamando que eu não sou cauteloso o
suficiente. Estou tentando mudar isso.

—Truth, Wicked, chega.

Os vampiros olharam para mim, e eu assenti. Só então eles se moveram de lado.

Micah apertou minha mão e eu me inclinei contra ele com a mão de Jean-Claude ainda
na minha. Richard olhou para Micah.
—Eu acho que eu ganhei esse olhar, Nimir-Raj, Micah.

—O que você quer? — Perguntou Micah.

—Ajudar. Eu te juro, eu estou aqui para fazer as coisas melhores, em vez de piorá-las.

—Isso seria uma mudança, — disse Micah.

Houve um flash de raiva em todo o belo rosto de Richard, e, então, ele assentiu.

—Eu mereci isso. — Ele olhou para mim depois e disse: — Anita, eu não sei o que
dizer a você.

Suspirei.

—Você disse que você veio aqui para fazer as coisas melhores. Faça isso, torne-as
melhores, e nós partiremos de lá. — Eu encontrei o marrom perfeito de seus olhos, e ele
concordou.

Ele virou-se para Jean-Claude.

—Eu não sei o que dizer a você também Jean-Claude.

—Comece com o que você está fazendo aqui, Richard, — disse ele.

Richard se voltou para o grupo. Asher realmente se moveu um pouco mais perto de
Jean-Claude, como se fosse bloquear o outro homem. Normalmente isso teria sido
suficiente para parar Richard em seu caminho, mas esta noite ele continuou vindo. Ele
varreu seu cabelo para um lado para expor a suave e muito musculosa linha de seu
pescoço.

—Em primeiro lugar, gostaria de saudar o Mestre da Cidade.

Senti Jean-Claude ficar muito parado ao meu lado, afundando-se nessa quietude que os
vampiros muito velhos podiam fazer. Isso provou que ele estava tão inseguro sobre o
que estava acontecendo como eu estava, e que ele não confiava neste novo Richard mais
cooperativo. Nós dois estávamos esperando que ele fosse chegar e tentar, mas que no
final ele nos deixaria mais feridos do que quando começamos, e fracassaria conosco no
momento mais crítico. Ele nos ensinou isso.

Jean-Claude soltou a minha mão e a de Asher. Ele receberia a saudação oferecida, o


mesmo tipo de saudação que Asher estava tentando forçar todos nós a fazer há poucos
minutos atrás. Era uma virada de eventos quase surreal, porque Richard não oferecia
esta saudação a ninguém, ou nunca tinha antes, não por vontade própria.

Jean-Claude pôs as mãos nos ombros do outro homem para se firmar, inclinou-se e pôs
o mais casto dos beijos no pescoço do outro homem. Então ele se inclinou para trás e
estudou Richard.

—Por que você está aqui?


—Eu estarei ao seu lado hoje à noite como eu vou estar amanhã. Você precisa do seu
lobo esta noite, Jean-Claude.

—Nós não precisamos de você hoje à noite, Ulfric, — disse Asher, e ele veio atrás de
Jean-Claude, deslizando seus braços ao redor da cintura do outro homem e colocando
seu rosto ao lado de Jean-Claude. Asher escondeu suas cicatrizes com seu cabelo, mas o
rosto que mostrava era arrogante, sensual, e possessivo.

Eu esperava que Richard reagisse com desgosto, ou raiva, e ele não estava confortável
com isso, mas ele disse:

— Oh, eu acho que Jean-Claude precisa, e Anita precisa. Eu acho que eles precisam um
monte de mim hoje à noite.

—Eles concordaram em ficar comigo esta noite, Ulfric. Jean-Claude e eu seremos


amantes hoje à noite com nada nos atrapalhando. — Ele sorriu, mais
desagradavelmente, ao outro homem.

Richard sorriu de volta, e o seu sorriso continha raiva enquanto o de Asher continha
crueldade. Realmente, quando queriam, ambos podiam ser bastante desagradáveis. Eu
nunca tinha pensado nisso dessa forma antes, mas era verdade.

Richard tinha engolido o seu poder de volta quando ele entrou pela porta, sendo
educado para variar. Agora, a primeira gota de energia quente, vibrando, fluiu sobre
nós. Eu tremi onde ela tocou, apertando a mão de Micah. Jean-Claude não tremeu tanto,
apenas suavizou as lapelas de sua jaqueta, mas era um gesto nervoso, eu sabia disso.

—Eu não vou oferecer sexo para você, Asher, mas diferente disso, eu não iria perdê-lo.

—Richard, — eu disse, —você não quer dizer isso.

Ele olhou para mim e estendeu a mão para mim.

—Se você e Jean-Claude estão indo fodê-lo, então eu quero dizer isso.

Olhei para sua mão.

—O que você está oferecendo? — Perguntei.

—Pegue minha mão, Anita, por favor, por poder, por poder compartilhado deixe o
triunvirato de Jean-Claude ser tudo o que era para ser hoje à noite enquanto ele abraça
Asher.

Micah apertou minha mão. Eu olhei para ele, e seus olhos me disseram: “Faça isso.” Eu
confiei nele, e assim eu estendi a mão. No momento em que a mão de Richard tocou a
minha, o poder correu sobre a minha pele como um banho quente que levantou todos os
pelos da minha cabeça. Minha cabeça foi para trás, os olhos fechados, e o poder acertou
a mão de Micah na minha e manteve-se derramando em Nathaniel. Leopardo era o meu
animal para chamar, e Nathaniel era para mim o que Richard era para Jean-Claude. A
última vez que tentamos combinar o meu triunvirato com o de Jean-Claude, Richard
não tinha colaborado.

A mão de Jean-Claude tocou meu ombro, e o poder se espalhou para ele. Ele moveu a
mão para o lado do meu rosto, e pele nua era sempre melhor. Era como se o poder fosse
uma profunda piscina de água, e o último toque fosse uma enorme rocha. A água caiu
para cima, derramando para fora, e os anéis de poder saíram para fora, e fora, e fora.

Alguém sussurrou:

— Oh, meu Deus, — e não foi nenhum de nós que estávamos nos tocando, porque nós
ainda não tínhamos palavras. Jason não estava tocando-nos, mas eu senti o poder puxá-
lo, e ele estendeu a mão, colocou a mão nas minhas costas para que ele pudesse se
tornar parte desse circuito. Era como jogar outra pedra menor nas águas antes que elas
tivessem se acalmado desde a primeira. Senti Wicked e Truth, quando o poder atingiu-
os, porque eles eram nossos, e Jamil era o lobo de Richard, e seu corpo reagiu ao poder,
e, em seguida, os homens-rato ressoaram com o poder porque tínhamos nos alimentado
deles através do seu rei rato, por isso sabíamos o gosto dos homens-rato e era bom, e,
em seguida, Shang-Da agarrou a parte de trás do sofá. Senti sua mão apertar o pano para
firmá-lo. E, finalmente, o poder encontrou Asher, porque todos os vampiros nesta
cidade eram nossos, mas ele deve ter se afastado de nós para estar perto de Shang-Da.
Nós sentimos ele tocar os homens-hienas e ele estava protegido contra nós, do
vazamento de nosso poder, do nosso calor, nossa vivacidade, nossa mistura de morte e
vida. Ele e suas hienas eram como pedregulhos formando uma barreira, de pé firme e
não sendo arrastados.

Eu ouvi um dos homens-hienas dizer:

— Precisamos ir, Asher.

Eu tive que piscar para limpar a minha visão, quase como você faz depois de um sexo
realmente bom, onde o orgasmo deixa você cega e incapaz de se concentrar. Mas não
era sexo, era puro poder.

Asher falou no silêncio atordoado.

—Você esteve se escondendo de nós, Ulfric

A mão de Richard apertou na minha e sobre a de Jean-Claude, e por um momento eu


não podia dizer qual era a minha mão, ou se ambas eram. Tivemos momentos com este
tipo de compartilhamento antes, e sempre Richard ou eu entravamos em pânico e
quebrávamos o poder, mas não havia o suficiente de mim sólida para ter medo, e
Richard estava eufórico como se tivesse funcionado até melhor do que ele havia
planejado.

Era a sua voz, rouca, crua do poder que respondeu por nós.

—Eu poderia dizer o mesmo para você, Asher.


Eu podia ver novamente, mas eu estava olhando para o peito de Richard, então tudo que
eu podia ver era sua camisa vermelha emoldurada pela jaqueta. A voz de Jean-Claude
veio serena, mas eu podia sentir a alegria feroz nele. Era por este poder que ele tinha
ligado Richard e eu a ele. Foi por isso que ele nos tinha trancado em nosso pequeno trio
de ódio, por essa possibilidade. Ele disse:

— Por que você cortou-se fora do nosso poder, Asher?

—Anita de seu próprio jeito fez de um escravo um homem-leão dominante, seu Nicky.
Vocês três juntos seriam poderosos o suficiente, mas com seu leopardo para chamar e
seu Nimir-Raj, eu temo que o meu pobre coração seja escravizado.

—Nós nunca faríamos isso com você, — eu disse. Richard se mudou para a curva do
braço de Jean-Claude, e houve um momento em que o vampiro não estava me tocando.
Isso mudou a forma como o poder se sentia, mas não quebrou a ligação, ambos
pertencíamos a Jean-Claude e tocar um era tocar o outro.

Eu podia ver Asher e suas hienas agora perto do sofá, perto das cortinas com a porta
apenas do outro lado. Ele estava nos observando, a face vazia e ilegível, mas estar lá tão
longe falou mais do que qualquer olhar poderia.

—A menos que você tente fazer isso para nós primeiro, — disse Richard. Ele apertou
minha mão e puxou Jean-Claude para mais perto dele. O outro homem se moveu para
que ele pudesse colocar seus braços em torno de ambas as nossas cinturas enquanto ele
estava entre nós. Eu mantive a minha mão em Micah, e Jason mudou-se para tocar a
mim e Jean-Claude.

—Você sabe de alguma coisa, mon ami, compartilhe conosco, — disse Jean-Claude.

—Narciso estava se gabando que seu mestre estava indo rolar o meu e, em seguida, os
homens-hienas possuiriam St. Louis.

—Narciso quer isso, é verdade, — Asher disse, —mas eu não concordei em fazê-lo.

—Meu informante pensa de forma diferente, e eu acreditei o suficiente para vir até aqui
hoje à noite com Shang-Da e Jamil. Eu acreditei o suficiente para ficar dormindo por
aqui, se eles quiserem.

—E se eu disser que iria para a cama com vocês três, quanto tempo seria necessário
para a sua recém-descoberta resolução desmoronar? — Perguntou Asher.

—Se a minha escolha é entre abrir uma veia para você com Jean-Claude e Anita, ou
fazer daquele bastardo sádico do Narcissus o rei dos animais de St. Louis, eu vou doar o
sangue.

Asher veio ao redor do sofá com as hienas de mãos dadas com ele, como se não tivesse
certeza do que iria acontecer se os deixasse ir, mas ele caminhou em direção a nós
colocando essa graça, essa sensualidade crua que ele possuía dentro dele, em cada
passo.
—Eu quis o seu pescoço debaixo da minha boca a partir do momento que eu vi você,
Richard.

—Eu sei. — Eu podia sentir seu pulso tentar aumentar a velocidade, sentir seu coração
enquanto ele se concentrava em retardá-lo para que o seu pulso ficasse quieto. Medo
significava comida para os vampiros e metamorfos, e Richard não tinha chegado hoje à
noite para ser comida. Ele poderia doar sangue, mas não seria algo tão submisso. Se o
seu hambúrguer pudesse morder de volta, pareceria com o que ele tinha em mente.

Asher parou de se mover para frente e estudou-nos.

— É só vocês três, ou cinco, não, seis de vocês?

—Eu não posso falar por mais ninguém além de mim mesmo, — disse Richard, —mas
eu estou com Jean-Claude e Anita.

—Os leopardos irão fazer o que sua Nimir-Ra precisa que eles façam, — disse Micah.

Jason disse:

— Eu sou o lobo pra chamar da Anita. Isso significa que onde eu durmo esta noite
depende dela.

—Jean-Claude e eu podemos foder e, em seguida, beber de cada um de vocês por sua


vez, e foder um pouco mais. Seria poder suficiente para nos manter indo até o
amanhecer acabar com a festa, — disse Asher.

Ele lutou por controle e finalmente perdeu. Seu rosto mostrava uma dor quase
requintada. Ele queria o que estávamos oferecendo. Eu vi suas mãos apertarem sobre os
homens-hienas. Eles pareciam enfeitiçados por ele, mas eu percebi que eles ainda eram
bastante eles mesmos para dar-lhe as mãos que não seguravam as armas, apenas no
caso.

Shang-Da estava arrastando-se atrás deles, como se esperando que eles precisassem das
armas. Para Richard estar aqui assim, e Shang-Da estar agindo assim, seria necessário
mais do que apenas rumores de Narciso se gabando. No momento em que eu tive esse
pensamento, não era apenas um pensamento, era mais como conhecimento. Fotos,
imagens, sensações, memórias, e Richard tinha ouvido dizer que Asher tinha um servo
humano em mente. Narciso queria que ele fizesse um triunvirato de poder como
tínhamos feito. Se eles pudessem retirá-lo, e se eles escolhessem bem o seu servo
humano, o equilíbrio de poder em St. Louis poderia mudar e não a nosso favor. Nós
tínhamos estado tão preocupados com os vampiros de fora da cidade tentando mover-se
na nossa estrutura de poder que não tínhamos notado um problema muito mais perto.

A adrenalina do conhecimento compartilhado me deixou abalada, e eu lutei para


esconder meu rosto chegando mais perto de Richard, enterrando meu rosto contra seu
peito. Mas, claro, estava perto demais para outras coisas. Você pensaria que ser capaz
de compartilhar pensamentos nos traria tão perto que nada poderia torná-lo pior, mas ao
enterrar meu rosto contra sua camiseta vermelho-sangue, eu podia sentir o cheiro de sua
pele logo abaixo. O cheiro dele apertou coisas lá em baixo no meu corpo, e nos
vinculou tão apertados que eu não podia escondê-lo. Não de Richard, e não de Micah,
que segurava a minha mão, e por meio dele, Nathaniel. Jason sabia, também, mas isso
não me incomodava tanto. Jean-Claude sabia, mas ele sabia desde o início e usou isso
para ligar a mim e a Richard a ele.

Eu fui deixada olhando para o rosto de Richard a centímetros de distância, com o olhar
em seus olhos que me avisou que ele me queria também. Nós sempre queríamos um ao
outro, sexo nunca tinha sido o nosso problema.

Virei-me dos olhos de Richard para Micah e Nathaniel ao lado dele. Comecei a dizer
alguma coisa, mas Micah disse:

— Está tudo bem.

Nathaniel assentiu.

Asher inspirou profunda e tremulamente e deixou o ar sair devagar, mas isso foi trêmulo
ao sair também.

—Como você não confia em mim ou Narciso, eu não confio em você, Ulfric. Isso é
bom demais para ser verdade, e isso significa que é uma armadilha. Uma encantadora
armadilha, mas uma armadilha, no entanto.

Richard olhou para o vampiro.

—Nenhuma armadilha, só nós.

—Eu gostaria de negociar apenas por você e Anita com Jean-Claude e eu hoje à noite.

—Eu gostaria de acrescentar mais uma metamorfo para vir depois de terem se
alimentado em Anita e eu.

—Por quê? — Perguntou Asher.

—Você só vai se alimentar de nós depois de ter sexo uma vez cada um, se tivermos
mais comida à espera, você pode transar de novo.

—Ousado, Ulfric, muito ousado. O que aconteceu com o nosso lobo homofóbico?

—Estou doando sangue, não sexo.

—Não vai incomodá-lo assistir Jean-Claude e eu juntos?

—Vamos ver, não é?

—Você realmente acha que seus nervos podem suportar que estejamos nós quatro na
cama? Você geralmente protege a sua virtude de mim como se fosse uma donzela
intocada e eu o vilão lascivo.
—Por seus padrões isso é exatamente o que eu sou. Lembre-se que eu compartilho
algumas das memórias de Jean-Claude. Você adora ser o primeiro homem a seduzir um
homem hétero. Quanto mais machista e homofóbico, melhor, porque cada vez que você
ganhava o jogo, você sabia que fora porque ninguém era tão bonito quanto você.

—Isso foi há muito tempo, Ulfric. Eu não sou mais a beleza perfeita que eu era então.

—Você é bonito o suficiente para fazer Jean-Claude e Anita temerem ficar sozinhos
com você individualmente, porque eles te amam. Isso dá a um vampiro com suas
habilidades uma grande vantagem em quem vai ser o dominante na cama.

—Você realmente vai me deixar tirar sangue de você hoje à noite? — Perguntou Asher.

—Você entende o que ele vai fazer para você, Richard? — Perguntou Jason. —Sua
mordida é incrível, mais orgástica do que a de Jean-Claude.

O pulso de Richard acelerou e empurrou para o lado de sua garganta.

—Assim eu ouvi.

—Eu posso provar o seu pulso, Ulfric. Eu o assusto.

—Um pouco.

—Tão arrogante, Ulfric. Você pensa que se livrará de mim? Eu me divertirei provando
que você está errado.

—Você pode tentar, — disse ele.

Asher esfregou seus polegares ao longo das juntas dos dois guardas. Parecia que para
ajudá-lo a se focar.

—Mas você não está certo de que vai ganhar esta batalha de vontades. Eu posso sentir a
sua dúvida. Então, por que você arriscaria sua carne bonita comigo?

—Anita e Jean-Claude te amam, o que lhe dá uma vantagem. Mas você os ama,
também, assim meio que equilibra. Eu nem sequer gosto de você, e você não gosta de
mim.

—Por isso, é um empate, — disse Asher.

—Não, porque nós temos uma coisa que você não tem.

—E isso seria o quê?

—Você me quer.

—Oh, isso é arrogante, — disse Asher.


—Você não me quer porque gosta de mim. Você me quer porque eu pertenço a Jean-
Claude e porque parte de você acredita que eu sou uma ameaça maior para suas afeições
para você do que Anita é. Ela é só uma garota, e o que realmente assusta você é que ele
vai encontrar um outro homem para amar. Você estava preocupado com Micah e
Nathaniel, mas você esteve na cama com eles e ele e Anita. Eu sou o único que você
não viu com ele. Até que você nos veja juntos, você nunca vai ter certeza.

—Eu nunca disse isso.

—Não com palavras, mas você está com mais ciúmes de mim, porque eu não vou
compartilhá-lo com vocês do jeito que Micah, Nathaniel e Jason fazem. Hoje à noite eu
estou oferecendo compartilhar, e você quer isso.

Foi um desafio, e Richard conhecia que o seu público-alvo queria. Asher queria o que
estava sobre a mesa, e ele não iria querer desistir do desafio, especialmente desde que
era Richard quem o estava lançando. Era uma armadilha, não uma que foi armada de
propósito, mas Asher poderia realmente afundar as presas em Richard pela primeira vez
e resistir a tentar o seu artifício de vampiro sobre ele? Seria quase tentador demais para
resistir.

—Venha para casa com a gente, Asher. Vamos voltar para Narcissus, — disse Perses.

—Esta é uma oferta de uma única noite Asher, — disse Richard.

Asher lambeu os lábios e disse:

— Isso pode esperar até depois dos homens-tigre chegarem e irem novamente para Las
Vegas.

—Não, — disse Richard, —esta noite, agora, ou nunca. — Richard encontrou o


completo olhar de Asher. Comigo e Jean-Claude tocando-lhe ele estava seguro contra o
olhar do vampiro mestre.

—Não faça isso, — disse o outro hiena.

—Deixe todos irem, menos vocês três, — disse Asher.

Jean-Claude pensou em nós. Micah apertou minha mão, e então ele deixou-me ir. Jason
deixou as mãos caírem e recuou. Era apenas Richard e nós agora, mas o poder ainda era
incrível, uma corrida quente de magia apenas esperando por nós decidirmos o que fazer
com isso.

—Não, — disse o homem-hiena.

—Eu sou o mestre, não você, — disse Asher, e ele se afastou deles. Ele ficou lá,
sozinho, e novamente eu sabia por que ele não era o mestre de sua própria cidade. Não
porque ele não seria poderoso o suficiente, mas porque ele deixava seu coração, ou o
seu desejo, ignorar o seu senso comum. Você pode parecer fora de controle e até mesmo
ser louco como o inferno. Eu conheci alguns Mestres da Cidade que eram, mas no final
eles eram todos sobre a sobrevivência. Mas Asher veio até nós. Ele parou a alguns
centímetros de nós como se tivesse chegado à borda de alguma coisa. Acho que foi a
borda do nosso poder.

—Eu quero isso, — disse ele, e sua voz já estava rouca com os princípios de
necessidade.

—Se nós ficarmos com você esta noite, você deve dar sua palavra de que não vai levar
os homens-hienas para outra cidade, até que tenhamos guardas suficientes para
substituí-los, — disse Jean-Claude.

—E se eu me recusar?

—Então você pode ir para Narcissus por esta noite e nós três vamos para o meu quarto
sem você. — Ele puxou-me contra seu corpo e passou a mão através das ondas do
cabelo de Richard, mas era Asher quem ele olhava. Éramos apenas adereços para o
jogo.

A respiração de Asher saiu em um longo tremor, e então ele simplesmente passou por
nós em direção às cortinas distantes. Ele as separou, depois hesitou na abertura com o
corredor de pedra enquadrado atrás dele.

—Você está vindo, ou seus nervos já quebraram, Ulfric?

Richard apertou minha mão e depois soltou-a e a de Jean-Claude. O link imediatamente


não foi mais tão grande. Era como estar de repente menos quente, como se uma nuvem
tivesse atravessado o sol. Richard foi para Micah e Nathaniel, inclinou-se e sussurrou
algo para eles. Micah assentiu com a cabeça e, em seguida Richard ofereceu primeiro a
Micah e depois a Nathaniel a sua mão. Eles apertaram e Richard voltou para nós. Seu
rosto estava estranhamente calmo, mas seu pulso não podia mentir. Ele estava pulando
no lado de seu pescoço. Por toda a sua corajosa conversa, ele estava com medo de
Asher.

Jean-Claude estendeu a mão para ele, e Richard a pegou. Ele começou a estender a mão
para mim, então hesitou e olhou para o outro homem. Isso fez Jean-Claude sorrir e, em
seguida, chegar a sua mão para mim. Fui até ele, e ele levou-nos pelas mãos até Asher
para as cortinas.

Jamil disse:

— O que você quer que façamos, Ulfric?

—Tenha guardas do lado de fora da porta, e se pedirmos ajuda, faça o seu trabalho.

Wicked disse;

— Anita, Jean-Claude, esta é uma má ideia.

Eu concordei.

—Sim.
—Por que fazer isso, então? — Perguntou Truth.

Eu não poderia explicar e eu não podia compartilhar a mente-para-mente com eles,


então tudo que eu podia dizer era:

— Vai dar tudo certo.

—Não minta para um mentiroso, Anita, — Wicked disse.

Jean-Claude disse;

— Chega. Se nós estamos fazendo isso, eu quero horas suficientes entre agora e o
amanhecer para me divertir.

Foi Claudia quem disse:

— Temos de dizer a Rafael.

—Faça isso, — disse Jean-Claude.

—Ele sabe que eu estou aqui, — disse Richard. —Eu fui ao seu rei por conselho.

—Rafael não lhe disse para vir aqui e transar com ele, — disse Fredo, apontando o
polegar para Asher.

Richard sorriu e disse:

— Ele sabe por que estou aqui e o que eu estou planejando fazer, eu lhe prometo.

Os homens-rato trocaram olhares, mas a promessa os pegou.

—Merdas misteriosas me incomodam, — disse Fredo.

Jason deu uma pequena saudação quando nós passamos através das cortinas e Asher
seguiu pelo corredor. Seria errado pensar que o traseiro de Asher parecia realmente bom
em suas calças de couro, enquanto caminhava à frente de nós até o corredor, ou era
apenas verdade?

Continua….
CAPÍTULO 07

A cama estava forrada de vermelho e preto esta noite. Jean-Claude havia mudado toda a
roupa de cama, incluindo as cortinas da cama entre diferentes combinações de cores. Eu
nunca tinha visto elas sendo trocadas. Eu só entrava no quarto e era azul, ou vermelho,
ou preto, ou mesmo dourado e prateado, ou várias combinações de todos os anteriores.
Era como mágica: sempre lençóis limpos e frescos, sempre impecavelmente arrumado.

Asher tinha parado no meio do caminho entre a porta e a cama. Ele virou-se para trás,
olhando para nós, seus olhos azul-gelo emoldurados por todo aquele cabelo dourado. O
olhar em seu rosto era ansioso, mas havia essa borda de crueldade que eu odiava nele.
Eu sabia que o que quer que ele estivesse prestes a dizer ou fazer, seria desagradável.
Ele disse que queria isso, mas estava prestes a fazer algo para destruí-lo.

—Eu quero ver você nu, — ele disse, e sua voz tinha um eco do que Jean-Claude podia
fazer, como se a última palavra acariciasse o corpo em uma linha de calafrios.

Esperei Jean-Claude dizer algo, fazer algo, ajudar. Mas foi Richard quem disse:

—Você está com raiva, Asher. Você diz que me quer, a todos nós, mas agora você está
com raiva e está sabotando isso.

Eu podia sentir uma espécie de tristeza em Richard, não chateação, apenas uma
profunda, quase calma, tristeza.

Senti a mão de Jean-Claude na minha, mas ele começou a blindar-se, para cortar a
conexão entre nós. Eu acho que ele tinha medo do que ia acontecer. Estávamos em pé
no quarto com os dois homens em nossas vidas com maior probabilidade de estragar
uma coisa boa.

—O que você sabe sobre o que eu vou fazer, Ulfric? — Perguntou Asher, e sua voz já
detinha aquela borda de escárnio que ele poderia fazer tão bem.

—É o que eu teria feito há alguns meses.

—Eu não sou você, lobo.

—Eu vim aqui para fazer as coisas melhores, não piores, Asher. Então, eu vou te contar
toda uma história.

—É uma história longa? —Disse Asher, a voz grossa com desprezo.

—Um pouco, — disse Richard.

—Então todos nós devemos sentar-nos. — Asher foi para a cama e deitou-se no meio de
todas as almofadas pretas e vermelhas. Seu cabelo derramado como uma moldura
dourada de espuma de ouro. Seu rosto cheio de cicatrizes estava pressionado contra os
travesseiros para que ele fosse uma vez mais o rosto perfeito que tinha ajudado Belle
Morte a quase governar a Europa séculos atrás. O azul de sua camisa brilhava, o alfinete
de safira e diamantes em sua garganta pegando a luz enquanto ele dava um tapinha na
cama ao lado dele e disse:

—Venha, Ulfric, sente-se ao meu lado. Eu não vou morder… ainda. — Ele sorriu para
Richard e fez tudo o que um homem heterossexual nunca quer ver no rosto de outro
homem.

Richard riu. Eu pulei e Jean-Claude ficou ainda mais parado ao meu lado, como se
quando eu deixasse ir sua mão, ele iria simplesmente desaparecer à vista. A maioria dos
vampiros não pode realmente fazer isso, mas os antigos poderiam ser tão quietos que
você seria forçado a lembrar que ele não era realmente um ser vivo, mas outra coisa.
Seres humanos vivos nunca me dão essa sensação assim com as mãos na minha.
Momentos como este eram uma das razões pelas quais eu tinha sido capaz de resistir a
seus encantos por tanto tempo. Sua mão ainda estava em volta da minha, mas era como
segurar um manequim “vivo”.

Eu puxei a minha mão, e ele me deixou ir. Ele sabia como eu me sentia sobre momentos
como este, e eu também sabia que era sua maneira de proteger-se do que estava prestes
a acontecer. Os dois homens que ele provavelmente estava mais atraído estavam prestes
a nos separar novamente. Porra.

—E o que foi que eu fiz para divertir você, Ulfric? — Não havia nenhuma provocação
agora, mas o começo de raiva fez os olhos de Asher brilharem.

Richard começou a ir para a cama, tirando sua jaqueta enquanto se movia, de modo que
pelo tempo que ele chegou até a cama a parte superior do seu corpo estava marcada
contra o vermelho de sua camisa. Ele estava frequentando a academia. Eu sabia disso
porque era um dos poucos lugares em que eu o tinha visto desde o verão. Quando você
pode levantar um carro pequeno, como ele podia, você não pode realmente ter um treino
desafiador em uma academia normal. Graças as marcas de vampiro de Jean-Claude eu
era mais forte do que eu deveria ser também. Micah, Jason e Nathaniel tinham me
levado à uma academia que tinha sido projetada para isso.

Richard jogou sua jaqueta no pé da cama e ficou ali olhando para Asher. Ele olhou para
trás, com o rosto trancado em uma máscara arrogante que significava que o que ele
estava pensando era algo que ele não queria compartilhar. Eu conhecia parte disso,
ninguém que fosse abalado por um homem bonito poderia olhar para Richard e não
desejá-lo.

Olhei para Jean-Claude. Ele estava mais ilegível que Asher. Não haveria ajuda dele, e
eu não tinha ideia do que fazer.

Richard virou-se e estendeu a mão para nós.

—Vocês estão se juntando a nós? — Ele estava sorrindo e não parecia zangado.

Dei de ombros e caminhei em direção à cama. Eu sabia que não ia ficar congelada na
porta como um coelho assustado. Se tudo estava prestes a explodir em chamas, o
mínimo que eu podia fazer era correr para dentro do prédio fumegante e tentar salvar
alguma coisa. Eu deixei Richard pegar a minha mão e me ajudar a subir na cama. Ela
era alta o suficiente para que nas cintas-ligas eu tendesse a deslizar para fora dos lençóis
de cetim preto.

Nos arrastamos para a cama, e Richard usou sua mão na minha para me dirigir para o
lado do Asher, mais próximo da porta, enquanto ele engatinhava pelas pernas de Asher
para que ele pudesse se apoiar nos travesseiros do outro lado. Sentei-me ali, um pouco
rígida, e tive um momento para compartilhar um olhar com Asher. Ele deixou-me ver
que ele estava se perguntando o que diabos estava acontecendo também. Ainda bem que
não era só eu.

Eu respirei fundo, deixando sair lentamente o ar, e deitei-me sobre os travesseiros, ainda
totalmente vestida incluindo saltos e minhas armas, então não exatamente confortável,
mas até agora não estávamos completamente fodidos. Era um recorde com nós quatro
sozinhos em um quarto.

Jean-Claude olhou para nós. Por um momento ele ficou nessa quietude quase
bidimensional, e, em seguida, ele deu um passo e de um momento para o outro era
como se ele viesse à vida. Era como a diferença entre uma fotografia e o cinema. Ele
tinha aquele sorriso fácil no rosto, e era tudo sobre calma e graça. Ele caminhou em
direção a nós, como ele provavelmente caminhou em mil quartos ao longo dos anos,
sorrindo, agradável, bonito, e ainda escondendo o que estava sentindo com a mesma
certeza.

Ele parou na cabeceira da cama, com as mãos acariciando as cortinas pretas e


vermelhas. Ele olhou para todos nós e balançou a cabeça.

—Bom demais para ser verdade, — ele disse.

Richard balançou a cabeça.

—Eu tenho sido um bastardo e eu sinto muito.

Todos nós olhamos para ele, inclusive Asher. Isso o assustou o suficiente para que ele
nem sequer se preocupasse com o seu cabelo caindo, de modo que suas cicatrizes
estavam nuas para o suave brilho das luzes de cabeceira.

—O pedido de desculpas é uma coisa maravilhosa, mon ami, mas perdoe este velho
vampiro se ele perguntar, do que exatamente você sente muito?

—O que ele disse, — eu disse.

—Quando você e eu nos conhecemos, Anita, eu tinha acabado de me distanciar de


Raina e Gabriel.

—Os vampiros ainda falam de Raina, a velha Lupa de seu pack, e Gabriel, o ex-líder
dos homens-leopardo. Eles fazem alguns da côrte de Belle Morte soarem gentis, e eles
não são gentis, — disse Asher.

Richard balançou a cabeça.


—Ambos eram verdadeiros sádicos sexuais.

—No sentido de verdadeiros assassinos em série, — acrescentei.

Asher virou a cabeça para olhar para mim.

—Ouvi dizer que você matou os dois enquanto eles estavam tentando fazer um filme de
estupro-e-assassinado estrelado por você e Gabriel. Eu pensei que a história tinha sido
exagerada na narrativa.

Eu neguei.

—Eu não sei se os detalhes foram exagerados, mas os princípios são verdadeiros. — Eu
tremi. Gabriel e Raina tinham sido um casal do inferno, e tinha sido em parte sorte o
que me ajudou a matá-los e salvar os outros. Eu tinha algumas cicatrizes de Gabriel que
eu teria para o resto da minha vida.

Asher estendeu a mão e pegou a minha na sua.

—Estou feliz que você os matou.

—Nós todos estamos, — disse Richard.

—Eles não são uma perda, — disse Jean-Claude.

—Como eu disse, quando eu conheci Anita eu tinha acabado de me distanciar deles.


Eles tentaram me transformar em uma versão mais dominante de Nathaniel, apenas
outro animal de estimação.

—Eles nunca entenderam que você nunca seria isso, — disse Jean-Claude.

Richard concordou e disse:

—Eu lutei o suficiente para subir na hierarquia da matilha para ter mais opções, e eu
bati para valer no Gabriel uma noite. Mas isso não impediu Raina de tentar me
machucar de outras maneiras. Ela fez o nosso Ulfric, Marcus, dar-me à Jean-Claude. Eu
tinha lutado o meu caminho para ter domínio suficiente para ficar de fora da cama de
pessoas com quem eu não queria dormir, e, em seguida, eles me dão a um vampiro cujo
poder gira em torno de sexo. Raina me disse que você ia me seduzir, eventualmente, e
ela poderia nos ver juntos.

—Eu era Mestre da Cidade àquela altura, Richard. Eu não a teria deixado fazer isso para
mim, ou para você.

Richard sentou-se, puxando os joelhos em seus braços fortes e bronzeados do verão,


abraçando-os ao seu peito, fazendo com que os músculos em seus braços trabalhassem.

—Eu sei disso agora, mas ela tinha sido minha Lupa por seis anos. Eu acreditei nela.
Então eu olhei para Jean-Claude como apenas mais uma pessoa que estava tentando me
corromper. Eu percebo que ele estava tão preso como eu, mas eu não podia ver isso
então. — Seus olhos pareciam assombrados.

Sentei-me, ainda segurando a mão de Asher, e estendi a mão sobre ele para tocar o
braço de Richard. Isso o fez sorrir, mas ele virou os graves olhos assombrados para
Jean-Claude.

—Você foi o único que restou dos três. Quase toda vez que eu olhava para você eu
pensava neles. Então eu o culpei por ter roubado Anita de mim. Eu sei agora que eu a
levei para você. Eu fiz ela me ver comer Marcus. — Ele sentou-se um pouco mais reto,
como se ele tivesse percebido que estava se encolhendo. Ele segurou minha mão contra
seu braço e olhou para mim.

—Eu fiz tudo que podia para certificar-me que a primeira vez que você me visse mudar
para a forma animal fosse assustador e terrível. Desculpe-me por isso.

—Você odeia ser um lobisomem. Você queria que eu odiasse isso também.

Ele assentiu.

—Eu fiz, eu simplesmente não percebi que era o que eu estava fazendo no momento.

—O seu médico deve ser muito mente aberta, — disse Jean-Claude.

Richard olhou para ele.

—Minha terapeuta? Sim, ela é mente aberta. Nós realmente não fizemos tanto progresso
até que Anita foi capaz de pegar de volta sua raiva no verão passado.

Uma das coisas sobre ser um triunvirato de poder é que você compartilha partes de si
mesmo e não apenas o poder. Eu tinha pego o ardeur e uma ânsia de sangue de Jean-
Claude. De Richard, eu tinha pego a sua besta e um gosto por carne. Jean-Claude tinha
conseguido certa crueldade de mim. Eu não tinha certeza do que ele tinha obtido de
Richard, ou o que Richard tinha obtido dele, mas o que Richard conseguiu de mim foi a
minha raiva.

Eu tinha ganhado a capacidade de alimentar-me de raiva, da mesma forma que Jean-


Claude podia se alimentar da luxúria. Eu poderia me alimentar do sexo, mas era mais
difícil alimentar-me da “emoção” da luxúria. Raiva, porém, eu entendia. Essa tinha sido
a minha opção de emoção por anos. No verão passado eu descobri como chamar a
minha raiva de volta de Richard para casa. Era a única coisa que compartilhamos um
com o outro que um de nós sabia como alimentar. As outras fomes eram literalmente
fome de carne, sangue e sexo. Você pode alimentar a fome, mas você não pode se
alimentar de uma fome.

Eu puxei de volta a minha mão e Richard me soltou. Eu me acomodei do lado de Asher.


O vampiro continuava a segurar minha mão enquanto observávamos Richard.

—Eu não tinha entendido o quanto a raiva me impedia de perdoar alguém, ou de


trabalhar as minhas questões, até que Anita alimentou-se e a pegou de volta. A raiva era
quase como outra besta dentro de mim, mas a lua cheia não trazia qualquer alívio. É
uma maneira horrível de viver, Anita.

Eu dei de ombros.

—Você se acostuma com isso.

Ele balançou a cabeça, fazendo seu cabelo deslizar sobre os ombros.

—Eu não fiz. Estava me matando. Eu tinha meus próprios problemas com a auto
aversão, mas a raiva tornou tudo pior.

—Eu sinto muito por isso, — eu disse. Eu quase não disse mais nada, mas eu sabia
agora que cada vez que deixava coisas não ditas entre nós, elas voltavam e mordia-nos
no caminho.

—A raiva se foi, Richard, eu entendo, — eu disse, —mas a auto aversão era toda sua.
Você odiava ser um lobisomem. Você terminou comigo porque eu estava mais à
vontade com os monstros do que você.

—É a minha vez de pedir desculpas novamente, — disse Richard. Seus braços soltos e
ele se sentou contra os travesseiros.

—Eu não posso deixar de ser um lobisomem. É como tentar parar de ser humano. É o
que eu sou. Eu poderia desistir de ser Ulfric, mas eu ainda teria que pertencer ao pack, e
ser rei é melhor do que ser um seguidor. Eu aprendi isso da pior maneira. Eu sou o
animal de Jean-Claude para chamar, e a terceira parte do triunvirato de poder que lhe
permite dirigir a cidade e ter energia suficiente para manter todos a salvo. — Ele olhou
para Jean-Claude agora. —Você é um bom Mestre da Cidade, Jean-Claude. Eu não
tinha percebido que o Mestre da Cidade é como o chefe de uma empresa. Se o chefe é
uma cadela louca, então ele contrata pessoas mais loucas, e mantêm todo mundo louco.
Nikolaos era esse tipo de Mestre da Cidade. Anita a matou para salvar a todos nós, mas
foi você que tomou o controle da cidade e fez tudo funcionar melhor do que nunca tinha
funcionado. Você tem comandado todas as empresas de vampiros na cidade há anos.
Você tem sido o líder financeiro o tempo todo.

—Obrigado, mon ami.

—Não, todos os líderes metamorfos acham que as coisas são mil vezes melhor com
você no comando.

Jean-Claude inclinou apenas o pescoço.

—Eu fiz o meu melhor.

—Você tem feito, você realmente tem, assim como Anita. O único que não tem ajudado
a garantir a nossa base de poder sou eu. Eu passei os últimos anos alternando, apertando
o meu domínio sobre os lobos como um tirano, e deixando de lado tanto controle que eu
estava praticamente forçando alguns dos meus lobos dominantes a desafiar-me pela
liderança. Eu pedi desculpas para Sylvie por isso. Ela é o meu segundo em comando, e
ela ganhou ter que me aturar.

Eu não o tinha visto em quase quatro meses, e agora ele estava sentado lá dizendo
coisas que eu tinha desistido de ouvir. Era tudo bom demais para ser verdade. Devo ter
ficado tensa, porque Asher começou a acariciar as costas da minha mão com a outra
mão enquanto ele me segurava.

—Tenho ansiado por você entender um pouco disso, Richard, — disse Jean-Claude, —
mas eu admito que eu tinha desistido.

—Alguns dos outros líderes metamorfos fizeram uma intervenção, eu acho que se
poderia chamar assim. Eles me disseram que eu estava pondo todos eles em perigo. Por
aleijar o melhor Mestre da Cidade que já tiveram, eu estava prejudicando a todos. Eu
lembrei a Rafael que sua maior restrição para todos os seus homens-rato tinha sido a de
que eles não alimentassem Nikolaos, assim, como ele podia deixar seus ratos serem
alimento para vocês?

Richard olhou para baixo, não encontrando os olhos de ninguém. —

—Rafael disse: “Nikolaos exigiu que eu lhe entregasse o meu povo. Jean-Claude nunca
pediu, eu ofereci, porque cada grupo animal que fica perto de Jean-Claude e Anita
ganha em poder. Eles não roubam o poder; eles ajudam todos a se tornarem mais
poderosos.” Eu pensei sobre o que ele disse, e era verdade. Vocês dois ajudam todos em
torno de vocês a serem melhores. Eu tentei pensar se eu já tinha ajudado alguém a ser
melhor, ou mais forte, nos últimos anos, e vocês sabem o quê?

Ele hesitou, então eu disse:

—O quê?

Ele me deu um sorriso rápido.

—Eu ajudei as crianças que eu ensinei, mas fora do meu trabalho eu não ajudei
ninguém, nem mesmo eu.

—Isso é maravilhoso, mon ami, — disse Jean-Claude, —mas eu tenho que perguntar.
Por que você está aqui esta noite? Por que você veio?

—Rafael me disse que ele gostaria de oferecer seu próprio corpo e sangue no meu lugar
se pudesse ajudar a tornar St. Louis um lugar mais seguro para o seu povo. Eu sei que o
rei cisne, Donovan Reece, já está alimentando Anita em uma base regular, e seus cisnes
estão agora fazendo doações de sangue para os vampiros. Micah e seus leopardos estão
com Anita, e através dela, com você. Todo mundo está tentando construir-nos em uma
unidade com você como cabeça, exceto eu.

—Grandiosa conversa, Ulfric, — Asher disse, —mas a conversa é muito barata, pelo
menos eu achei.

Richard olhou para o vampiro.


—Eu estou trabalhando meus problemas, Asher. Você precisa fazer o mesmo.

—O que significa isso? — Perguntou.

—Isso significa que você está chateado. Você quer que Jean-Claude ame somente você,
e ele não o faz. Eu queria que Anita amasse somente a mim e que nós deixássemos de
ser parte dos monstros. Nenhum de nós está recebendo o que queríamos. Precisamos
fazer o melhor com o que temos.

—Mon Dieu, você parece bom demais para ser verdade, Ulfric, e muito chato.

Eu tirei a minha mão da de Asher. Ele olhou para mim então.

—Você queria Richard para que você pudesse tocá-lo, mas é como se você estivesse
com raiva que você não pode estar aqui sozinho com Jean-Claude, ou Jean-Claude e eu.
Você está tão irritado e tão em conflito que você está tentando implicar com todos nós
até que algo se quebre. Você faz isso quando você está com raiva. Você sempre fez.

Ele sentou-se.

—Então, porque eu não passei os últimos quatro meses em terapia, eu estou para ser
lançado para fora da cama. Bem, enquanto você estava fazendo terapia, eu estava aqui
fazendo a minha parte como seu témoin, seu segundo em comando.

—Eu sei disso Asher, e eu sinto muito que eu não estava aqui para ajudar, — disse
Richard.

Asher começou a empurrar-se para fora dentre nós e moveu-se para o lado da cama.
Richard agarrou seu braço.

—Solte-me, lobo, — Asher assobiou.

—Eu pensei que você me queria tocando você.

Isso parou o vampiro e o fez voltar-se para olhar o outro homem. Ele fez com que seu
cabelo escondesse um lado de seu rosto quando eles olharam um para o outro.

—Eu quero.

—Então onde você está indo?

Asher olhou para a mão de Richard, onde ele ainda segurava seu braço. Ele relaxou um
pouco, mas disse:

—Será que a sua terapeuta te drogou? É esse o motivo dessa nova calma?

Richard sorriu.

—Não, nada disso funciona muito para os lobisomens. Nosso corpo processa-os muito
rápido.
—Então você não pode querer dizer isso, e se você foge de Anita, que você ama, e de
Jean-Claude, por quem você se sente verdadeiramente atraído, você não será capaz de
tolerar o meu toque.

—Há limites para o que você pode fazer para mim, e comigo, isso é verdade, mas eu
compartilho algumas das emoções e memórias de Jean-Claude. Lembro-me de te amar,
Asher, e eu ainda tenho um corpo que poderia fazê-lo.

Olhei para Richard, e depois para a expressão no rosto de Asher. Eu nunca tinha visto o
vampiro tão surpreso. Ele riu, um som selvagem, abrupto.

—Você está oferecendo o que Jean-Claude me negou?

Richard sorriu.

—Eu acho que isso seria empurrar as minhas recém-descobertas resoluções, mas eu
estou oferecendo tentar. Você é poderoso o suficiente para ter seu próprio território
agora com Narciso. Por ficar aqui você faz Jean-Claude mais forte, o que nos deixa a
todos mais seguros.

—E o que você está disposto a fazer para me fazer ficar, Richard? — Houve escárnio
em sua voz novamente.

Richard puxou-o para trás com a mão em seu braço. Asher se deixou ser puxado.
Richard recostou-se contra os travesseiros e trouxe as costas do outro homem contra seu
peito. Ele estava com as pernas para o lado, assim Asher estava apenas contra o peito
dele, mas era mais contato do que eu jamais o vi fazer com qualquer outro homem,
senão Jean-Claude. Richard envolveu esses braços fortes ao redor do vampiro e
segurou-o.

—Eu sou um metamorfo, nós gostamos de dormir em grandes pilhas de filhotinhos.

Asher acariciou os dedos sobre os braços nus de Richard. Richard recostou-se mais
profundamente contra os travesseiros, abraçando o outro homem para mais perto dele.
Asher inclinou a cabeça e deu um beijo contra o braço bronzeado, musculoso.

—Não morda, ainda não, lembre-se, — disse Richard, mas ele levantou o braço que
Asher não estava beijando e percorreu a mão pelo cabelo do outro homem.

Olhei para Jean-Claude e ele olhou para mim. Segurei meu braço para fora em direção a
ele.

—Belisque-me, porque isso tem que ser um sonho.

Jean-Claude assentiu.

—Você leu minha mente, Ma petite.

Asher esfregou seu rosto contra o braço de Richard como um gato marcando o perfume.
—Venha para a piscina, Jean-Claude, é quente e cheira tão bem.

—Não fique apenas olhando para a gente, venha se afagar, — disse Richard.

—Desculpe, Richard, eu só não confio muito na mudança, — eu disse.

—Quer dizer que você não confia em mim, — disse ele.

Asher estava acariciando seu braço com as mãos e dando pequenos beijos.

—Os americanos não têm um ditado, “Cavalo dado não se olha os dentes”?

—Sim, — eu disse.

—Então o que você está esperando, Anita, a menos que você não queira nenhum um de
nós. — Ele olhou para mim sobre o braço de Richard, dando-me o peso de seus lindos
olhos. Eu queria os dois? Sim, sim, eu queria.

Olhei para Jean-Claude que ainda estava de pé ao lado da cama a observá-los. Eu


segurei a mão para Jean-Claude.

—Se você confia nisso, então eu também.

—Confiança, — Jean-Claude sussurrou.

—Quando eu percebi o quão estúpido eu tinha sido com vocês dois, eu pensei em enviar
flores, mas não acho que haveria rosas suficientes no mundo para compensar o que eu
tinha feito para quase todos nós. — Ele levantou-se, e Asher fez um pequeno barulho
protestando quando ele pegou seu braço de volta. Richard pegou sua camiseta e puxou-a
sobre a sua cabeça em um movimento suave.

—Eu achei que você ia gostar disso mais do que de flores.

Asher hesitou, olhando para ele. Richard puxou-o contra o peito dele, como fizera antes.
Asher virou-se e pôs a mão hesitante em seu lado nu. Richard estendeu as mãos, uma
para mim e uma para Jean-Claude.

—Eu sempre posso ligar para um florista se vocês preferirem. — Suas palavras estavam
brincando, mas seu rosto estava tão sério. —Mas eu estava esperando que isso fosse
dizer; “Eu estraguei tudo e sinto muito”, melhor do que qualquer outra coisa.

Jean-Claude disse:

—Se você realmente quer dizer isso, então vai.

—Se você não quer dizer isso, — eu disse, —e nos deixar na mão novamente, então é
isso, Richard. Eu não posso deixá-lo continuar a nos machucar desse jeito.

Asher deitou sua cabeça no estômago nu do outro homem, seu braço em volta de toda
essa carne nua.
—Ah, pelo amor de Deus, parem de falar e se juntem a nós. Ele não vai sair de suas
calças só para mim.

Eu ri, eu não poderia impedir-me. Richard não riu. Ele passou a mão pelo cabelo do
outro homem e pegou um punhado dele, virando a cabeça para trás. Eu tive um
momento para ver o rosto de Asher. Eu conhecia aquele olhar, os olhos arregalados e
quase desfocados, os lábios entreabertos. Eu tinha visto isso no rosto de Nathaniel com
bastante frequência, e peguei no meu uma vez ou duas no espelho. Aquele olhar disse
que Asher tinha ido de dominante para submisso, sobrepujado pela dor, rapidez e força
na mão de Richard.

Richard usou o cabelo de Asher como uma alça para mover o outro homem para que
eles olhassem um para o outro. Eu vi os músculos de seu antebraço apertarem. Asher
fez um som pequeno, e apesar da dor causada, não era um som de dor. Era um bom
som. Um que eu ouvi Jean-Claude conseguir de Asher mais de uma vez. Um que
Nathaniel e eu tínhamos tirado dele quando trabalhávamos como uma unidade.

—Eu sou um dominante. Eu não sou submisso a ninguém, então se alguém está
perdendo suas calças, não sou eu. — Richard arrastou o homem um pouco para cima
usando esse doloroso, prazeroso aperto em seu cabelo. Richard baixou seu próprio rosto
um pouco para o vampiro e disse:

—Eu não sou comida. Não sou presa. Eu sou o Ulfric do Clã Rokke Thronos, e da
próxima vez que você se esquecer disso, eu vou te machucar. — Ele sussurrou o último
quase nos lábios do outro homem, perto o suficiente para beijar. Eu o vi usar toda essa
beleza em Asher como ele fez, de diferentes maneiras, comigo ao longo dos anos. A
beleza pode ser uma arma tão devastadora quanto qualquer outra arma.

Richard sentou-se e soltou Asher de forma tão abrupta que ele caiu no colo do outro
homem. Asher estava lá passivo, com o rosto para um lado perdido no emaranhado de
seu próprio cabelo dourado. Richard olhou para Jean-Claude e eu.

—Eu não tenho apenas corrido de ser um lobisomem ou o animal para chamar de Jean-
Claude. Se a dor e o prazer não me excitassem, Raina nunca poderia ter me seduzido.
Eu me culpava por ser um pervertido, mas ela não inventou essa parte de mim, ela só a
desencadeou. — Ele colocou sua grande mão na cabeça de Asher e acariciou seus
cabelos. O outro homem estremeceu sob esse pequeno toque. —Eu não quero ter
relações sexuais com Asher, mas causar dor nele tem seus apelos para mim. Faze-lo me
querer, e negar o que ele quer, isso agrada a mim também — Ele deitou sua cabeça
contra a parte de trás da cama e fechou os olhos. Quando ele os abriu tinham ido a um
âmbar escuro. —Isso me agrada muito.

Apenas o olhar em seus olhos me fez estremecer. Jean-Claude tocou meu braço e eu
pulei.

—Ma petite, vamos nos juntar a eles?

Eu só assenti, porque dizer wow em voz alta só não soava bom o suficiente para o que
estava deitado na cama olhando para nós com olhos âmbar de lobo.
CAPÍTULO 08

Asher perdeu sua calça e tudo o mais, embora houvesse um momento em que ele
hesitou em sua camisa porque as cicatrizes mais graves estavam em seu peito e de um
lado do estômago, e seu cabelo não era longo o suficiente para ser usado como um
escudo como ele fazia para o seu rosto. Jean-Claude e eu há meses havíamos
conseguido que se tranquilizasse. Foi Richard, com sua parte superior do corpo perfeito,
que fez Asher se sentir envergonhado, tímido, palavras que eu nunca pensei usar para
ele em qualquer circunstância.

Jean-Claude e eu olhamos um para o outro, e ambos estávamos querendo saber como


conseguir que os dois homens trabalhassem juntos, quando Richard disse:

—Jean-Claude disse para você tirar a roupa. Faça.

Asher fez uma careta para ele, segurando a camisa desabotoada fechada.

—Ele disse-me para me despir, na verdade.

Richard abriu a boca para dizer alguma coisa dura, penso eu, mas algo o fez olhar para
Jean-Claude. Mais do que um olhar passou entre eles. Eu acho que Jean-Claude
sussurrou em sua cabeça como ele podia fazer na minha. O que quer que foi dito
suavizou o rosto de Richard. Ele se virou para Asher.

—Você não conseguiu ver as cicatrizes das balas de prata que quase me mataram no
verão passado. — Ele traçou esse amplo e intocado músculo. —Essa metade estava uma
massa de cicatrizes. Eu pensei que seria permanente. Geralmente é se há qualquer
cicatriz. Eu não penso em mim como vaidoso, mas eu não gostava das cicatrizes. Eu não
gostava de ser menos do que perfeito. Quando Jean-Claude começou a usar energia para
curar suas próprias feridas, eu aprendi a curar as minhas. Ele deixou-me levar energia
suficiente do triunvirato para me colocar de volta a isto. — Ele estendeu as mãos,
enquadrando toda aquela pele lisa agradável.

Eu sabia que eles usaram a energia do nosso poder como uma unidade para curar-se. Era
uma das vantagens de ter as marcas vampiras, mas eu não tinha percebido que, se não
tivéssemos tido poder suficiente, haveria três homens na sala com cicatrizes graves
sobre toda a suave e bronzeada perfeição, respectivamente.

—Eu não tinha um triunvirato a quem recorrer, — disse Asher, segurando sua camisa
apertada, voz rouca.

Richard foi até ele. —Eu tentei ser agradável, mas simpatia apenas te deixa com raiva.
Eu entendo isso, então deixe-me tentar outra coisa. — Ele se moveu em um borrão, sua
mão agarrando um punhado do cabelo de Asher, sua outra mão indo ao redor da cintura
do homem, empurrando-o contra Richard. Foi súbito, violento, mas com uma borda de
proximidade para beijar novamente. A raiva de Asher parecia flutuar sobre a força das
mãos de Richard.
Richard olhou para aqueles olhos azul-claros a centímetros de distância e rosnou:

—Eu quero você nu. Quero ver tudo. Eu quero você amarrado e nu, e se você me fizer
dizer-lhe para se despir de novo eu vou rasgar suas roupas fora de suas costas. — Ele
quase jogou Asher longe dele e se afastou.

Asher cambaleou, pegou a cama para se firmar. Quando ele pôde ficar estável, a camisa
foi para o chão e o resto de suas roupas seguiu. Havia algo sobre Richard querendo vê-
lo nu e amarrado que o tranquilizou, o fez sentir-se desejado. Não havia mais hesitação.

Nós amarramos Asher de joelhos de um lado da cama, centrado entre as cabeceiras. Ele
estava perto o suficiente da beira da cama para que, se quiséssemos, poderíamos ter as
pernas para o lado, mas começamos com ele confortável, de joelhos. A cama era a
mesma, mas o quadro tinha sido alterado desde a última vez que tivemos Richard
conosco. O quadro era de metal e personalizado, construído de modo que havia lugares
distintos para prender coisas por todo o quadro. Tinha sido originalmente feita para que
Asher pudesse me ensinar a dominar Nathaniel, mas isso significava que todos nós
tínhamos experimentado a cama em ambos os lados. A regra era que você nunca tentava
algo em seu submisso que você não tivesse tentado em seu próprio corpo primeiro.
Houve algumas coisas que Nathaniel queria que eu não podia, ou não iria, tentar em
mim mesma porque o nível de dor era muito alto e eu não curava como ele fazia, mas
Asher tinha tomado mais do que uma pela equipe nessa área. Até mesmo ele já tinha
chamado a palavra segura, e Nathaniel ainda não tinha ido para o seu limite de dor com
a gente. Francamente, os limites de Nathaniel nesta área ainda me assustavam, mesmo
quando me intrigavam.

Jean-Claude tinha trazido o baú de brinquedos – não caixa de brinquedos, baú. Era um
daqueles enormes antiquados baús de navio, grandes o suficiente para esconder um
corpo dentro. Nós mudamos ele permanentemente para o quarto cerca de um mês atrás,
em vez de ter que pegar alguns brinquedos e traze-los para cá. Tinha sido um
reconhecimento tácito do que estávamos fazendo na cama um com o outro. Eu nunca
tinha sonhado que Richard estaria de joelhos cavando em torno dos brinquedos. Eu
sabia que ele gostava desse tipo de sexo, ele estava certo: Raina não tinha criado a
necessidade, ela a tinha deixado fora de sua caixa. Que ele estava suficientemente
confortável com ele mesmo para admitir isso em voz alta para nós era nada menos que
um milagre. Se milagres eram coisas que você pensava que nunca mais veria, como o
St. Louis Rams vencer o Super Bowl, ou patinação no gelo no inferno.

Jean-Claude tinha simplesmente tirado fora a sua camisa, e ele estava em calças de
couro e botas, muito BDSM. Com Asher amarrado nu, minha pequena saia de negócios
parecia tão fora do lugar, mas Jean-Claude tinha uma correção para isso. Era um vestido
de couro, curto, mas com uma saia cheia, e com cinto na cintura. Parecia que June
Cleaver fazia bondage. Eu fui para o banheiro para me trocar com um par de sapatos de
salto alto na mão. Os sapatos eu já tinha usado antes, mas o vestido era novo.

A verdadeira beleza do vestido não me bateu até que eu o coloquei e comecei a brincar
com o pesado zíper que percorria todo o caminho até a frente dele. A parte superior do
vestido era suficientemente apertada no peito para me segurar no lugar sem um sutiã,
mesmo quando o zíper ia quase até a metade. Meus seios ficaram amontoados, e não
importaria como eu me movesse, eles não iriam cair por acidente. Não, eu tinha que
abaixar o zíper e deixá-los para fora. Ou eu poderia fechar o vestido todo o caminho até
em cima e não mostrar decote algum. Era um belo vestido. Eu brincava com o zíper até
meus seios parecerem que estavam derramando-se ou que iriam a qualquer momento,
mas eu sabia que estavam firmes no lugar. Bem, tão firmes como seios reais podem
ficar. Eu peguei um vislumbre de mim mesma no espelho do banheiro enquanto eu me
movia para a porta, e isso me parou. Eu não era apenas seios, mas a visão do meu
próprio peito com esse vestido com o cinto de couro largo fez minha cintura parecer
ainda menor em todo esse couro com o saião atraente. Ok, isso fez até eu mesma pensar,
“Uau, olha para toda aquela macia belezura”. Não era algo que eu estava acostumada
a pensar sobre meus próprios seios.

Quando eu saí de vestido, Jean-Claude deixou-me ver em seu rosto exatamente o quanto
ele gostava da vista.

—Mon Dieu, ma petite. — Ele agarrou o cabelo de Asher e puxou-o para que ele
pudesse me ver. O ângulo era doloroso, mas como tinha feito com Richard, Asher não
respondeu como se machucasse. Jean-Claude colocou seus rostos juntos e disse:

—Olhe para ela, Asher. Olhe para ela e saiba que você não conseguirá tocá-la hoje à
noite. — Ele soltou o cabelo dourado e andou na minha direção, deixando Asher
pendurado lá como se não se importasse. Eu sabia que era parte do jogo, e eu confiei em
Jean-Claude para saber que tipo de submisso Asher era, mas se eu fosse a amarrada,
humilhação ou provocação iria despertar o pior de mim, e me puxar diretamente de
volta para minha atitude de foda-se-você-e-você-não-irá-me-foder.

Jean-Claude veio até mim e estendeu a mão. Os saltos eram de oito centímetros. Eu
parecia fabulosa neles, mas à medida que meu índice de sensualidade subia, meu índice
de graciosidade caia, ou foi assim que me senti. Ele assegurou-me que se eu usasse-os o
suficiente para praticar, eu ia ficar melhor nisso. Certo.

Com a mão para me firmar eu me senti muito segura neles. Os açoites e alguns chicotes
estavam dispostos ao lado da cama em fileiras. Eu peguei um vislumbre de Richard no
final da cama, escondido pelas cortinas.

—Eles não vão se encaixar, — disse Richard.

Jean-Claude tinha buscado um par de calças de couro que antes se encaixavam em


Richard. Eu percebi que deviam ter sido os mesmos que eu tinha visto ele usar mais de
uma vez. Mas isso tinha sido há mais de um ano atrás, e, aparentemente, não foram
apenas seus braços que ficaram maiores com o levantamento de peso.

Jean-Claude me levou até os pés da cama. Richard estava encostado nela, seu corpo
quase dobrado ao meio enquanto ele puxava o restante do couro sobre o tornozelo e pé.
Ele amarrou seu cabelo para trás em um rabo de cavalo, assim tinha uma longa curva de
pele lisa e bronzeada do verão aparecendo do pescoço até o meio da coxa.

Ele balançou a cabeça e disse:

—Não há jeito. Eu ganhei muito músculo. — Então ele olhou para cima e me viu no
vestido, e se o rosto de Jean-Claude tinha sido tudo o que eu queria ver, Richard era
tanto melhor quanto pior. Ele deslizou para fora da cama para pousar pesadamente no
chão. Ele sentou-se lá com as calças de couro em seu colo e olhou para mim como se eu
tivesse batido nele entre os olhos com um martelo. “Estupefato”, Byron, um dos nossos
vampiros britânicos mais recentes, teria dito. Se eu tinha alguma dúvida sobre o vestido,
Richard havia tratado de tirá-la.

Então Richard se recuperou e apoiou-se na cama para se levantar. Ele ainda estava
segurando as calças com uma mão na frente de seu corpo, mas ele levantou cada
centímetro do corpo de 1,85 de altura, ombros para trás, rosto definido nesse modelo de
olhar arrogante. Na maioria das vezes eu não tinha certeza que ele sabia exatamente
quão bonito ele era, mas, logo apareceu esse olhar em seu rosto, e eu sabia que ele
entendia exatamente o quão incrível ele parecia. Com a maior parte de suas pernas
mostrando, eu podia ver os músculos extras que o mantiveram fora das calças. Em
seguida ele deixou cair as calças e me deixou ver tudo dele. Ele deixou-me ver que não
era apenas seu rosto que tinha reagido à vista de mim no vestido.

Minha mão apertou na de Jean-Claude, porque de repente eu não estava firme o bastante
nos saltos agulha. Eu não podia ver meu rosto, mas eu suspeitava que era a minha vez
de parecer como se o martelo me tivesse pego entre os olhos, a minha vez de estar
estupefata. Ele tinha esse efeito em mim quase desde o primeiro momento em que eu o
vi, que tinha sido nu em uma cama. Agora que eu pensava sobre isso, eu nunca tinha
perguntado o que ele estava fazendo na cama com uma metamorfo feminina. Eu sempre
achei que eles tinham acabado desmaiados da mudança da forma animal para a forma
humana – a maioria dos metamorfos ficava quase em coma durante horas após a
mudança – e alguém os tinha posto entre os lençóis para dormir. Olhando para ele de pé
ali, eu percebi que a pressuposição provavelmente tinha sido ingênua.

—Seu rosto, — disse Richard, —por um momento era exatamente o que eu queria ver,
e então você começou a pensar em outra coisa. Você não me viu mais. O que… quem
você estava pensando enquanto me olhava? — Seu rosto ainda era quase incrivelmente
bonito, sem o cabelo, as maçãs do rosto tinham ajudado a dar-lhe o tom de pele mais
escuro, esculpindo o rosto com perfeição dolorosa, mas a raiva também estava lá agora,
e isso não era atraente. De todos os homens em minha vida, só ele já tinha usado sua
raiva contra mim.

—Ma petite, — disse Jean-Claude, e seu apelido para mim foi o suficiente. Ele quis
dizer para eu tentar corrigir isso. Eu entendi. Isso foi o mais próximo que já tínhamos
chegado com o nosso Richard a algo viável. No momento em que eu pensei nosso
Richard, eu sabia que não era o meu pensamento. Eu tinha deixado de pensar nele como
meu, mas estava tudo bem, precisávamos que isso funcionasse da maneira que as
crianças precisam de seus pais para fazer as pazes antes do divórcio dividir a família e
os pertences. O problema com nós três era que os “pertences” incluíam pessoas. Mais
do que qualquer criança, os vampiros e lobisomens e outros metamorfos nesta cidade
eram pertences. Precisávamos crescer e fazer as pazes.

—Você, Richard. Eu estava pensando sobre a primeira vez que te vi. Você estava na
cama de Jean-Claude nos escritórios do Circo dos Amaldiçoados com uma mulher
metamorfo ao lado. Vocês dois estavam nus, e eu nunca perguntei o que estava fazendo
na cama com uma mulher nua no quarto. Eu nunca perguntei como você acabou lá
assim.
A raiva começou a ir embora, deixando seu rosto confuso, mas real de alguma forma.

—O que você quer que eu diga sobre isso?

—Eu não sei. Eu só estava pensando que eu nunca questionei isso. Eu nunca perguntei
se você e Rashida eram amantes. Você me convidou para sair na mesma noite, então eu
assumi que você não estava namorando ninguém. Eu fui ingênua, Richard? Eu era tão
ingênua assim?

Seu rosto suavizou, e ele sorriu. Ele veio para nós, então, não com raiva, ou arrogante,
mas com cuidado. Eu era capaz de ver o rosto dele enquanto ele se movia em vez de
olhar fixamente para baixo. Ponto para mim, mas honestamente o olhar em seu rosto
naquele momento significou mais para mim do que vê-lo nu.

Ele tocou meu rosto, e sua pele era mais quente do que deveria ter sido. Um calor de
abraçar contra uma noite fria, e movi a minha face contra aquele toque, e ele virou a
mão para que eu pudesse colocar o lado do meu rosto na palma quente dele.

—Nós dois éramos, — disse ele em voz baixa, e eu percebi que a outra mão tinha sido
estendida além de mim. Virei a cabeça, e sua mão era grande o suficiente para que meu
rosto ainda descansasse contra ele ao mesmo tempo em que eu podia ver que ele estava
tocando o cabelo de Jean-Claude.

Richard atraiu-nos em direção a ele até que nossos rostos estavam juntos. Eles tiveram
que se abaixar para tocar suas faces contra a minha. Meu cabelo e de Jean-Claude se
misturavam, todos cachos negros, de modo que era difícil dizer qual cabelo era de
quem. As mãos de Richard estavam na parte de trás de nossas cabeças, dedos
trabalhando pelos cachos para que eu pudesse senti-los na parte de trás do meu crânio.
Seus dedos se moviam contra a minha pele como se estivesse massageando. Eu sabia
que ele estava fazendo o mesmo com Jean-Claude. Eu poderia ter usado a memória tátil,
realmente sentir o que Jean-Claude estava sentindo, mas ele sabia que isso me
assustava, por isso estávamos trabalhando para que eu apenas soubesse sem o show
completo. Eu só sabia o que Richard estava fazendo.

Ele pressionou nossos rostos juntos e sussurrou:

—Se soubéssemos o que iria acontecer, teríamos corrido uns dos outros?

Eu não sabia o que dizer sobre isso, mas Jean-Claude fez.

—Pergunte de outra forma, mon ami. Todos nós estaríamos vivos agora se não
tivéssemos uns aos outros, a quem recorrer em tempos de angústia? Pergunte: Quantos
vampiros e lobos nossos estariam mortos ou presos por mestres sádicos?

—Não apenas os meus lobos, — disse Richard. —Anita e Micah ajudaram um monte de
metamorfos na cidade. — Ouvi sua respiração sair em um longo suspiro. Ele moveu a
cabeça o suficiente para colocar os lábios na minha testa. Foi quase macio demais para
ser chamado de beijo. —Se você quiser manter Asher como seu segundo, seu témoin, e
manter os homens-hiena na cidade, temos que domá-lo.
—Oui, — disse Jean-Claude.

—Defina domar, — eu disse.

Richard riu, puxando-nos para trás o suficiente para olhar para nós dois, mas mais para
mim.

—Esse tom suspeito em sua voz, é tão você, Anita. Muito você.

Eu fiz uma careta para ele, uma mão no meu quadril, a outra ainda na mão de Jean-
Claude.

—Eu ainda sou eu, Richard. De que outra forma eu soaria?

—Como eu posso amar você e ainda querer fazer coisas tão terríveis para você e com
você? Como pode estar bem para você que eu goste do que eu gosto?

Jean-Claude ficou muito quieto ao meu lado.

—Eu não quero ter essa conversa de novo, Richard, — eu disse.

—Eu também, — disse ele. Ele olhou para Jean-Claude. —Eu quero ter sexo com
Anita. Eu estou disposto a te tocar e ser tocado. Eu quero atormentar Asher com o fato
de que ele não pode me ter. — Um olhar passou por aqueles olhos cor de chocolate e de
repente eles pareciam mais escuros. —Eu quero ver seu rosto enquanto Anita me fode, e
eu fodo Anita. Eu quero que ele veja você foder Anita e pense que não está recebendo
você. Eu quero causar-lhe dor enquanto você faz isso, e eu sei que ele vai desfrutar da
dor, também. — Aquele olhar escuro em seus olhos tornou-se feroz, não com raiva, mas
selvagem. —O pensamento me excita.

Suas palavras me fizeram olhar para baixo, e seu corpo estava respondendo ao
pensamento. Levei meus olhos de volta até seu rosto e encontrei-o olhando para mim.
Ele notou o que eu tinha feito, ou talvez ele tivesse percebido a maneira que eu senti
quando ele acariciou o cabelo de Jean-Claude.

—Você me quer?

—O quê? — Perguntei.

—Você me quer, Anita?

Eu não sabia o que dizer sobre isso, tampouco. Abri a boca, fechei-a. Jean-Claude disse,

—A verdade, ma petite, a verdade.

Eu disse a única verdade que eu tinha desde quase a primeira vez que vi Richard.

—Sim.

Ele sorriu, mas continha a ferocidade que eu não tinha certeza que entendia.
—Bom, — ele disse, —porque eu senti sua falta. — Ele se moveu tão rápido, eu dei
esse grito de menina. Ele estava apenas me segurando pela cintura de repente. Meu
pulso estava na minha garganta, batendo contra a minha pele. Meus pés estavam
balançando acima do solo e eu estava olhando em seus olhos a centímetros de distância.
Minhas mãos estavam em seus braços, mas não de uma forma útil.

—Isso assustou você. — Ele se inclinou o rosto contra o meu, não muito
carinhosamente, e cheirou o ar acima da minha pele. O gesto fez o pelo na parte de trás
do meu pescoço se eriçar. —Sua pele cheira tão bem porque você está com medo de
mim, Anita. Eu gosto disso, você entende isso?

Eu tive que engolir a sussurrar:

—Sim.

—Eu quero que você tenha medo, você entende isso?

—É aquela coisa de perseguição-à-presa, eu entendo, — e mais uma vez a minha voz


era um sussurro.

Um rosnado baixo escorreu por entre os lábios macios, humanos. Meu pulso acelerou de
novo, como se eu o estivesse sufocando.

—Você confia em mim? — Ele sussurrou, mas sua voz possuía a mesma borda de
rosnado, como se sua voz estivesse se aprofundando.

Engoli em seco duas vezes. Eu não confiava em minha voz, e sabia que a verdadeira
resposta era talvez, mas Jean-Claude estava lá e eu confiava nele para que as coisas não
saíssem do controle. Então, eu acenei que sim.

—Bom, — ele disse de novo. Senti seus músculos tensos, e então eu estava no ar e
caindo em direção à cama.
CAPÍTULO 09

Eu bati na cama, com as mãos espalmadas para segurar o impacto, mas a cama era
macia o suficiente para que não houvesse um impacto; foi apenas surpreendente como o
inferno. Se tivesse sido uma emergência real eu teria tido tempo para sentar-me e lutar,
mas não era esse tipo de emergência, então eu estava lá na cama tentando respirar sob a
batida quase dolorosa do meu pulso na minha garganta. Eu estava olhando para o corpo
de Asher. Não houve tempo para admirar a vista quando ele olhou para mim, porque a
cama se moveu e eu comecei a me sentar, e Richard estava lá.

Ele deixou cair todo o peso de seu corpo sobre mim e me beijou ao mesmo tempo. De
repente eu estava presa debaixo dele, e quase engasgando com seu beijo. Era muito
feroz, demais, e eu não estava nesse clima ainda. Eu o empurrei, lutei contra o beijo,
finalmente agarrei seu rabo de cavalo e fui capaz de usá-lo como alavanca para afasta-lo
de minha boca. Meus dentes estavam cerrados quando eu disse:

—Você não fez o suficiente para mim ainda, Richard.

Ele olhou para mim, e eu vi o pensamento passar por seus olhos, de que ele era grande o
suficiente para me forçar. Ele era maior do que eu, e eu estava desarmada; só a
confiança tinha o deixado chegar a este ponto comigo. Confiei nele e confiei em Jean-
Claude. O fato de que eu senti aquele pensamento cruzar através dele me deu um
vislumbre de alguns dos demônios que ele estava lutando. Não era apenas ser um
lobisomem, ou ser o lobo para chamar de Jean-Claude que assombrava Richard. Havia
partes dele que teria estado lá mesmo se ele fosse tão humano quanto ele queria ser. Eu
assisti essa parte deslizar através de seus olhos verdadeiramente marrons e senti o
arrepio de medo trilhar sobre a minha pele novamente.

Ele se inclinou para mim e embora meu aperto em seu rabo de cavalo o impedisse de
chegar ao meu rosto, isso não o impediu de deslizar para baixo. Quando conseguiu que
meu puxão afrouxasse o suficiente, ele beijou o topo do meu seio, delicadamente, muito
delicadamente. Ele beijou seu caminho para baixo da linha exposta de meus seios com o
zíper e o couro enquadrando-os, mas cada beijo era muito delicado. Eu deixei o cabelo
escorregar pelos meus dedos enquanto ele beijava seu caminho pelo meu corpo através
do couro. Ele deitou sua cabeça no meu colo sobre o couro macio do vestido, e apenas o
peso dele lá me fez fechar os olhos e estremecer. Quando os abri, minha cabeça deve ter
ido para trás porque eu estava olhando para a linha do corpo de Asher. Ele encontrou
meu olhar, e havia em seus olhos algo não tão submisso, ou mesmo inferior. O olhar
que ele deu era definitivamente dominante. Asher era um submisso melhor do que eu
jamais seria, e foi ele que me explicou que eu nunca seria uma submissa. Eu era uma
dominante que, por vezes, brincava de inferior, mas não é a mesma coisa que uma
verdadeira mudança para submissa. Asher poderia ser submisso, e coisas que
simplesmente me irritava o excitava, mas era uma linha tênue para ele. Ele podia mudar
no meio de uma cena mais rápido do que qualquer outro que eu já vi. Um minuto o
cordeiro e no próximo o leão. Eu estava olhando para o leão agora. Seu olhar foi para
baixo da linha do meu corpo para Richard, e eu estava quase certa que não fui eu que o
tinha mudado para predador. Era a visão do corpo nu de Richard deitado ali tão perto,
mas ainda tão longe.
Senti Richard levantar a cabeça. O movimento fez-me voltar para ele. Ele estava em
seus cotovelos com a bainha do vestido em suas mãos. Ele estava sorrindo para mim,
mas era o tipo de sorriso que um homem dá-lhe quando ele está certo de você, certo de
que haverá apenas sim, e nunca um não. Fazia meses desde que eu o vi, e a parte de
mim que estava sempre cutucando coisas, exigindo, reclamando, pensou, Ele não
ganhou esse olhar.

Jean-Claude estava de repente ali, inclinando-se ao redor das pernas de Asher, tocando
meu cabelo, meu rosto, de modo que eu olhei para ele. Eu olhei para aqueles olhos azul
meia-noite tão escuros, que alguns tons a mais e o azul teria sido perdido para o preto,
mas eles seriam para sempre o azul do céu quando a luz começa a sair, mas a escuridão
ainda está a poucas respirações de distância. Olhei para seus olhos e o senti sussurrar em
minha mente, enquanto suas mãos embalavam o meu rosto.

—Você pode estar certa, ou você pode ser feliz. Olhe para meu rosto e me diga que
você não o quer e eu vou parar com isso. Vamos encontrar outra maneira para selar
nosso triunvirato. Mas diga que você não o quer e isso termina.

Ele deslizou sobre a cama, e minha cabeça estava apoiada sobre o couro de sua coxa
enquanto sua outra mão descia sobre o meu braço nu. Ele virou-me para que eu pudesse
olhar para baixo, para Richard. Ele ainda estava apoiado em seus braços, a bainha do
meu vestido em suas mãos. Ele estava me observando, e embora seu rosto ainda estava
ansioso, havia desconfiança em torno daqueles olhos verdadeiramente marrons. Nós
ensinamos cuidado um ao outro.

Richard começou, muito lentamente, a deslizar o duplo zíper na parte inferior do


vestido. Ele observou meu rosto enquanto fez isso, como se estivesse esperando por
mim para protestar. Eu pensei sobre isso, eu realmente fiz. Eu não tinha certeza se
queria remexer essa bagunça de novo. Minha vida funcionava sem ele.

Jean-Claude respirava através de mim novamente. —Você quer que ele pare?

A resposta era sim, e não, e isso tinha sido Richard e eu quase desde o início. Sim e não;
não e sim, até que ambos quase enlouquecemos com isso. Sim e não.

Richard espalhou o vestido aberto e baixou o rosto para mim, os olhos ainda no meu
rosto, ainda à espera de eu dizer alguma coisa. As mãos de Jean-Claude continuaram a
acalmar meus braços nus. Eu percebi que ambos estavam me tratando como a mais
provável para explodir isso. Era quase como se tivessem discutido o assunto, mas Jean-
Claude tinha sido surpreendido esta noite também, não tinha? No momento em que eu
pensei eu fiquei tensa.

Richard beijou a borda da minha coxa, ainda olhando para o meu rosto. Jean-Claude se
inclinou sobre mim e sussurrou:

—Eu juro para você que eu não sabia que ele viria hoje à noite, mas eu quero isso, Ma
petite, eu quero esse Richard mais cooperativo. É sexo hoje à noite, não uma mudança
em nossas condições de vida. É sexo e magia, nada mais.
Houve um momento em que teria me irritado, mas isso foi antes de Micah e Nathaniel.
Antes que tivesse feito as pazes com Jean-Claude, antes de muita coisa, e agora suas
palavras me fizeram relaxar um pouco.

Richard beijou até o interior da minha coxa, ainda olhando para o meu rosto, ainda
sendo cauteloso. Deixei escapar um suspiro que eu não sabia que eu estava segurando,
alguma tensão foi embora, e quando eu relaxei assim ele fez. Ele sorriu para mim, suas
mãos deslizando pelas minhas pernas, para que ele pudesse colocar as mãos no lado de
fora delas, com os braços debaixo das minhas pernas. Ele baixou os olhos enquanto
beijava a minha coxa. Ele se sobressaltou, e seus dedos apertaram apenas um pouco,
mas não como se fizesse isso de propósito.

Ele olhou para cima da linha do meu corpo para mim.

—Você não está usando nada por baixo do vestido, — disse ele, a voz um pouco tensa.

O olhar em seu rosto me fez sorrir. Eu não poderia impedir-me. Ele parecia tão
surpreso. Eu disse:

—Não, eu não estou.

Ele finalmente sorriu para mim e baixou o rosto, e ele não estava tentando olhar para os
meus olhos, não mais. Jean-Claude relaxou contra mim, como se até mesmo ele estava
segurando a respiração que ele nem sempre precisa tomar.

—Você estava realmente com medo que eu estragasse isso? — Perguntei, deslizando
minha cabeça contra sua coxa para que eu pudesse ver seu rosto.

Seu rosto estava ilegível e agradável, mas ele disse:

—Sim.

Richard lambeu o oco de minha coxa e não parou até que ele lambeu entre as minhas
pernas. A sensação me fez fechar meus olhos, prendeu minha respiração em minha
garganta. Ele lambeu em cursos longos, lentos em torno das minhas bordas,
aproximando-se desse pequeno ponto no final de cada lambida. Ele fez seus golpes
menores, mais circulares, e minha respiração alterou, acelerando com o meu batimento
cardíaco.

Jean-Claude moveu debaixo da minha cabeça. Isso me fez abrir os olhos e olhar para
ele. Ele estava sorrindo para mim enquanto deslizava travesseiros debaixo da minha
cabeça.

—Eu não posso deixar o nosso Asher negligenciado. — Ele se inclinou e me beijou
quando deslizou para fora da cama. O movimento levou meu olhar para o homem preso
ao lado da cama tão perto de nós, mas quase esquecido. Eu peguei o olhar de Asher, e
ainda era aquele olhar predatório, mas com mais raiva nele. Eu o tinha esquecido, e
provavelmente isso era mais verdadeiro do que fingir pensar em nós todos.
Richard pôs a boca em torno de mim e começou a chupar, e de repente toda a minha
atenção estava para o meu corpo, para o homem entre as minhas pernas. Seus olhos
castanhos estavam voltados para cima, de modo que ele estava olhando para o meu
rosto enquanto ele me chupava. Havia uma escuridão, uma ferocidade, uma
possessividade naquele olhar. Não era posse de mim por Richard, era o prazer de um
homem em pensar: Eu estou fazendo-a fazer isso. Eu estou trazendo o prazer dela. Ela
está fazendo esses sons por minha causa. Todos os três estavam em seus olhos,
enquanto ele lambia e chupava-me sobre essa borda de prazer que curvou a minha
espinha, jogou a minha cabeça para trás, para os travesseiros, as mãos lutando para
segurar alguma coisa, enquanto a sensação de sua boca me trouxe em gritos irregulares
e sem palavras.

Ele me sugou até que eu estava mole contra a cama, desossada com o prazer. Ele
lambeu mais uma vez, e isso me fez gemer.

—Eu amo isso, — ele disse, a voz mais profunda.

Obriguei-me a concentrar-me em seu rosto, mas o mundo era suave e afiado com a
claridade. Eu ouvi a batida suave de um chicote e sabia que tinha que ser Jean-Claude
trabalhando com Asher, mas estava além de minha capacidade virar a cabeça o
suficiente para ver. Toda a minha luta nas almofadas durante o orgasmo tinha me
derramado para um lado do monte de travesseiros, por isso eles escondiam os outros
dois homens. Eu consegui dizer.

—O quê? — Minha voz soou grossa.

—Você simplesmente desfruta muito do sexo uma vez que você se deixa levar. Adoro
ver você. — Seu rosto brilhava sob as luzes. Seus dedos pressionaram em minhas coxas,
e foi muito para tão cedo; isso me jogou para trás contra os travesseiros em um pequeno
tremor. Ele riu aquele escuro e profundo riso que os homens têm apenas nesses
momentos. Era um bom som.

Ele pressionou os dedos mais forte, espalhando as minhas pernas um pouco mais. Isso
me fez gemer, e ele deu aquela risada sombria novamente. O som do chicote era mais
duro, carnudo, e houve pequenos sons de protesto, e não era eu.

Richard soltou minhas pernas, seus braços deslizando por debaixo de mim. Eu senti a
cama se mexer e esperei que ele se aproximasse de mim, mas o ouvi dizer:

—Jean-Claude, troca comigo.

Isso me fez abrir os olhos e olhar para ele. Ele estava de joelhos entre as minhas pernas,
e a frente de seu corpo estava longo, grosso, e mais do que pronto. Estendi a mão,
levantando da cama, mas ele se moveu para fora do alcance, rindo.

—Você faz isso e não vou fazer nada, senão foder você.

—Foda-me. — Eu disse a voz lânguida com o prazer.

Ele negou.
—Trocar de que maneira, Richard? — Perguntou Jean-Claude.

—Eu sei como usar um chicote.

—Eu o tenho no jeito que precisamos mon ami. Eu não irei perder terreno, nem mesmo
por uma oferta tão doce.

Isso me fez rastejar por entre os travesseiros para que eu pudesse ver o que estava
acontecendo. Asher ainda estava amarrado, mas seu rosto estava relaxado, os lábios
entreabertos, os olhos desfocados. Era perto do olhar que eu estava lutando para fazer
desaparecer do meu próprio rosto. Mas isso não havia sido provocado por um orgasmo
porque ele estava duro e ereto, e tão perfeito quanto o resto dele. Ele teria discutido
porque uma linha de cicatriz traçava a beira de seus testículos, mas para mim era apenas
algo extra para correr minha língua, uma textura a mais, não um defeito.

Jean-Claude colocou seu braço ao redor dele por trás. Ele ainda estava nas calças de
couro, mas apenas ser segurado perto de Jean-Claude fez os olhos de Asher rolarem
para trás. Ele tinha esperado muito tempo para Jean-Claude tocá-lo. Era irônico que o
poder de Asher fizesse que aqueles mais próximos e mais queridos tivessem medo de
ficar a sós com ele fisicamente, mas ele quase me matou, e ele quase possuiu Jean-
Claude dessa forma demoníaca. Nós tínhamos o direito de sermos cautelosos com ele,
mas vê-lo lá com tal reação a um toque tão inocente de Jean-Claude me fez perceber o
quanto ele precisava e não estava recebendo.

—Não é apenas sobre a dor, Richard, — disse Jean-Claude.

—Eu sei disso, — disse Richard, e ele mudou-se do outro lado da cama de joelhos,
ainda perfeitamente nu, embora seu corpo estivesse menos ereto, mas mesmo menos
ereto ele ainda era muito masculino quando moveu-se para os outros homens. Ele
chegou perto o suficiente para agarrar o queixo de Asher, fazendo-o olhar em seus
olhos.

—Você gostou de assistir-me indo para baixo nela, não é?

Asher falou um pouco acima de um sussurro:

—Sim.

—Eu tenho algumas das memórias de Jean-Claude. Eu sei que você gostava de assistir
outros homens terem relações sexuais com suas mulheres. — Em seguida, ainda
segurando o queixo de Asher em sua mão, ele se inclinou e beijou-o. Foi um beijo
suave, quase inocente, e ele manteve um monte de distância entre seus corpos, mas o
olhar no rosto de Asher quando Richard afastou-se não era inocente. Foi expectante,
surpreso, feliz, e, em seguida cauteloso.

—Você pode saboreá-la em minha boca? — Perguntou Richard.

—Sim, — Asher disse, e sua voz era o mesmo sussurro ofegante.


Richard deslizou para fora da cama, e Jean-Claude recuou para ele se mover para trás de
Asher. Deitei-me na cama assistindo o show, porque isso é o que era. Richard entendia
BDSM; no seu melhor era uma performance, um teatro. Richard moveu-se para trás de
Asher. Ele passou as mãos pelas costas do homem.

—Padrão legal.

—Obrigado, — disse Jean-Claude. Ele se moveu para mais perto dos dois homens, e eu
comecei a ver os três ali de pé, dois deles nus, Jean-Claude apenas nas calças de couro e
botas, e por um minuto eu não me importava com o amor, ou o quanto minha vida
trabalhava ou não; tudo que eu conseguia pensar era que todos eles eram tão bonitos.

Richard passou as mãos sobre as marcas nas costas de Asher novamente, e foi
provavelmente muito bom que Richard não podia ver a expressão no rosto de Asher,
porque apenas esse pequeno toque o fez fechar os olhos e lutar contra não exagerar na
reação ao toque, mas eu sabia quando alguém estava tentando ficar quieto sob o toque
de alguém.

Aparentemente eu não era a única, porque Richard inclinou seu rosto ao lado de Asher e
disse:

—Gosta que eu toque você, não gosta?

Asher não respondeu. Eu acho que ele estava com medo do que o outro homem iria
ouvir em sua voz. Ele estava tendo bastante dificuldade em controlar seu rosto e corpo.
Vampiros com mais de duzentos podem controlar tudo. O fato de que Asher estar
lutando tão duramente para encontrar algum tipo controle, disse o quanto a atenção de
Jean-Claude e agora Richard, significava para ele.

O braço de Richard deslizou ao redor da cintura de Asher, enquanto ele deslizava seu
outro braço em torno do ombro. Sentei-me, porque se Richard ia ficar mais perto de
Asher do que eu pensei, eu queria ver. Eu queria ver as linhas de seus corpos
pressionados um contra o outro. Eu rastejei sobre a cama, e não me importava se era
deselegante.

Eu meio que deslizei e meio que cai da cama, e o corpo bronzeado e musculoso de
Richard estava pressionado contra a parte traseira de um pálido Asher, de modo que não
havia nada, a não ser a linha de seus corpos como duas peças perfeitas de algum claro e
escuro quebra-cabeça.

Jean-Claude estava observando-os também, e seu rosto estava aflito, essa era a única
palavra. Era um olhar feito de querer, e surpresa, e a mesma coisa que eu senti apenas
um momento antes, que eles eram simplesmente lindos.

A voz de Richard caiu naquele momento.

—Diga-me que você gosta de me ter pressionado contra você, Asher?


A respiração de Asher saiu em um som entrecortado, não eram palavras, respiração ou
grito, mas parecia ter todo o desejo que você jamais iria querer ouvir na voz de um
amante.

—Bom, — disse Richard, e ele deu um passo atrás do outro homem. —Agora eu vou
bater em você enquanto Jean-Claude fode Anita e você assiste, e então eu vou fodê-la
enquanto Jean-Claude te fode.

Eu teria protestado, ou reclamado, mas, honestamente, para mim tudo bem.


CAPITULO 10

Jean Claude deslizou em mim, nu e perfeito, seu corpo se movendo dentro e fora do
meu, enquanto ele mantinha-se erguido sobre mim em seus braços. Um, ele sabia que eu
adorava vê-lo entrar e sair do meu corpo. Dois, ele era alto demais para papai e mamãe,
ou eu que era muito baixa. Seu cabelo espalhado sobre um ombro em uma massa de
espessos cachos negros. Olhei para baixo na linha de nossos corpos unidos, assistindo
toda essa perfeição pálida trabalhar dentro e fora de meu corpo. Apenas a visão disso
me fez gritar, como uma prévia do orgasmo por vir. Um grito do lado da cama ecoou o
meu e me fez virar a cabeça para ver Asher, com a cabeça jogada para trás, o corpo
tendo espasmos nas correntes. Seu corpo estremeceu com cada golpe pesado do flogger,
e depois o som do flogger acelerou até que era um som contínuo e Asher não podia
reagir a cada golpe individual, seu corpo tremendo sob tudo, seus olhos rolando para
trás.

Jean-Claude empurrou-se duro e completamente dentro de mim, me fazendo chorar e


voltar para ele, os olhos arregalados. Ele segurou o meu olhar e começou a trabalhar
mais rápido, mais profundo, levantando seus quadris a cada estocada para que ele
estivesse tocando tudo o que me fez ter orgasmos em relações sexuais. Os homens em
minha cama eram todos bons, mas Jean Claude podia atingir não só um ponto, mas
todos eles. Eu senti esse peso maravilhoso começar entre minhas pernas e sabia que
estava perto. O açoitamento parou e me fez virar para ver, mesmo quando Jean-Claude
trouxe-me mais próximo ao limite do prazer. Richard tinha se enrolado contra a traseira
de Asher novamente. Seu bronzeado parecia tão escuro contra a palidez do corpo de
Asher.

Senti o corpo de Jean-Claude perder um pouco desse ritmo suave. Isso me fez olhar para
ele, mas ele estava olhando para os outros homens, e a visão deles o fez perder o passo.
Então ele estava olhando para mim de novo, e em um momento estávamos olhando para
o rosto um do outro e no próximo o orgasmo me levou. Ele rolou sobre mim, através de
mim, em uma onda de calor e prazer que me fez agarrar os braços de Jean Claude,
segurando-me quando a sensação disso arrancou gritos de minha garganta, cravando
minhas unhas em seus braços, como se eu estivesse tentando ancorar-me a algo sólido;
Enquanto o mundo explodia em bordas brancas de prazer e meu corpo tentava absorver
a alegria feroz de tudo. Eu não desliguei exatamente, mas eu não estava ciente do que
quer que fosse, e quando pude ver de novo, esta em mim mesma novamente, Jean-
Claude estava sorrindo para mim.

Eu sorri de volta e tirei minhas unhas de seus braços. Eu tinha deixado linhas
vermelhas, algumas com sangue nelas, da altura de seus cotovelos até quase seus
pulsos. Uma vez eu teria me desculpado por isso, mas eu sabia que ele gostava das
marcas e da dor e prazer disso, e também que ele poderia levar-me a um prazer
profundo o suficiente para eu sangrá-lo. A maioria dos homens em minha vida tomava
isso como um elogio.

Ele retirou a si mesmo de mim o que me fez me contorcer sob ele, tendo outro pequeno
orgasmo somente por isso. Quando eu pude fazer meus olhos se concentrarem mais uma
vez ele tinha ido embora e Richard estava sobre mim, seus braços e pernas segurando
seu peso, não me tocando ainda, mas olhando para mim. Seu cabelo ainda estava para
trás em seu apertado rabo de cavalo, deixando seu rosto limpo e quase dolorosamente
bonito. Olhei para baixo em seu corpo, mas não cheguei tão longe como normalmente
iria, porque o seu peito e estômago estavam listrados com sangue. Por um momento eu
pensei que era o seu sangue, então percebi que tinha de ser de Asher. É preciso muita
força para tirar sangue com um flogger, ou ter um com nós, ou com partes de metal. Eu
sabia que tinha ambos na caixa de brinquedos, mas não tinha percebido que Richard
trouxe-o para jogar.

Ele abaixou apenas o rosto até o meu, mantendo seu corpo afastado. Ele me beijou e eu
ainda podia sentir o gosto do meu próprio corpo em sua boca, mas havia também o
gosto de outros lábios, e eu soube que tinha perdido pelo menos, mais um ou dois beijos
entre ele e Asher. Eu senti um pequeno pesar por isso e esperava que eu tivesse uma
chance de vê-los novamente. Nada era certeza com Richard, então eu o beijei com a
língua e lábios e dentes, e ele respondeu na mesma moeda, colapsando em cima de mim,
nossas bocas travadas e ansiosas uma pela outra. A sensação de seu corpo em cima do
meu me fez gritar e me contorcer, mas a diferença de altura era grande demais para o
ângulo que nós estávamos nos beijando, e o melhor que eu pude fazer foi esfregar-me
contra seu corpo em qualquer parte que eu poderia tocar. Ele se afastou do beijo com o
meu lábio inferior entre os dentes. Isso me fez gemer metade em protesto e metade em
prazer, naquela borda do bom e ruim, tão misturado que eu não poderia ter dito a você
em qual lado o beijo tinha terminado. Então eu senti aquele rolar quente de poder e isso
acariciou coisas mais profundas do meu corpo que ossos e músculos. Ele acariciou junto
à parte de mim que era o lobo, e eu senti / vi a loba que era parte das minhas bestas abrir
os olhos. Ela era na maior parte creme com manchas pretas em torno de seu rosto e
pescoço, e se olhar de relance, ela parecia como um grande cão husky, mas uma vez que
via os seus olhos como vidro âmbar você sabia que não era um cão.

— Richard. — disse eu, mas quando eu vi seus olhos eles eram lobo âmbar. Os olhos do
lobo estavam olhando para mim daquele bonito rosto humano. Talvez eu passasse muito
tempo olhando nos olhos de leopardo de Micah, em sua face humana, por isso os olhos
de lobo não me assustaram da forma como eles tinham a última vez que estiveram em
cima de mim assim.

Meu lobo começou a trotar no longo caminho metafísico que parecia estar dentro de
mim, mas eu sabia que era apenas a maneira que minha mente humana lidava com a
besta. Eu sabia que na verdade não era um caminho real, ou árvores reais que se
erguiam por cima do lobo, mas foi o que minha mente tinha feito para ajudar a todos
nós para manter a sanidade.

— Você vai trazer o meu lobo, Richard.

— Não. — ele disse. — Eu não vou, eu prometo, mas eu quero que você traga o meu.

Eu pisquei para ele.

— O quê?

Um som nos fez virar e olhar para o lado da cama. Jean-Claude estava atrás de Asher, e
eu sabia que ele não estava tendo relações sexuais com ele, o ângulo não era certo, mas
eu não podia ver o que ele estava fazendo para fazer Asher fechar os olhos, o rosto
quase amolecendo com prazer.
Meu lobo começou a trotar, um movimento contínuo que os lobos podem manter por
quilômetros. Lobos, como os primeiros seres humanos, vão se arrastar ao chão apenas
quando eles estão exaustos e prontos para a caçada. O problema é que se tratava do meu
corpo onde a loba teria que tentar fazer seu caminho para fora, eu não podia mudar de
forma, e quando um dos animais queria sair tratavam meu corpo como uma armadilha
que eles precisavam desesperadamente cavar seu caminho fora.

— Richard, você está trazendo meu lobo.

Ele olhou para mim com aqueles olhos cor de âmbar e senti o seu poder de novo, mas
era diferente do que eu lembrava. Seu poder pode picar ou formigar como eletricidade,
mas esta era apenas uma lavagem quente de poder suave, mas poderoso, como uma
onda de água quente do mar rolando através de mim. Seu poder tocou o lobo em mim, e
ela reduziu. A única imagem que minha mente pode formar era do lobo que está sendo
acariciado, aliviada. Ela se deitou de lado no caminho por entre as árvores altas e irreais,
contente com o desenvolvimento de sua energia sobre ela.

— Eu tenho praticado ajudando a besta de Gina não se levantar para que ela possa
manter o bebê. Seus Homens-Tigres me disseram que eu sou um “natural” para isso.

— Eu não sabia que você estava ajudando.

— Se as nossas mulheres puderem ter filhos, isso seria uma coisa maravilhosa. Como
eu poderia não ajudar?

Pensei em um monte de coisas para dizer, a mais suave delas de que era algo bom, mas
pode não ser suficiente se isso significava que ele tinha que usar sua besta para fazê-lo,
mas em voz alta eu disse:

— Sim, seria bom.

Asher gritou, e nós dois viramos. Jean-Claude tinha afrouxado as correntes e estava
atrás dele na cama, de joelhos. As pernas e quadris de Jean Claude se moviam, e eu
sabia que ele estava finalmente fazendo o que Asher queria há tanto tempo.

— Jean-Claude está à frente de nós. Eu quero alcançá-los.

— Você está perguntando se eu estou bem com isso?

— Sim.

Eu pensei sobre isso, mas com o peso dele prendendo-me à cama, e minhas mãos
acariciando a pele lisa e musculosa de suas costas, tudo o que eu podia dizer era:

— Precisamos de um preservativo.

Ele sorriu, e foi uma versão do sorriso que outrora me derreteu em minhas meias e fora
delas.

— Eles ainda estão no mesmo lugar?


Eu assenti.

— Sim.

Ele levantou o suficiente para que eu pudesse ver que seu corpo estava duro e ansioso
contra a frente dele.

— Espere ai. — disse ele.

Eu esperei lá.
CAPITULO 11

Richard estava sobre mim, segurando-se em seus braços, a parte inferior do corpo
empurrando para dentro e fora do meu corpo. Eu percebi que era a mesma posição que
Jean Claude havia usado, mas então eles eram ambos altos demais para “papai e
mamãe”, ou eu era muito baixa.

Eu assisti seu corpo trabalhar dentro e fora do meu. Ele era grande, largo, comprido e
belo, e a sensação dele entre as minhas pernas era incrível. Virei a cabeça de lado para
gritar o meu prazer, e de repente eu estava olhando para os outros homens.
As correntes estavam mais soltas agora, deixando o corpo de Asher inclinado para
frente de modo que eu tinha os corpos de ambos em perfil, toda a pálida e musculosa
graça. O corpo de Jean Claude estava empurrando o seu caminho em Asher, enquanto o
outro homem retesava-se nas correntes, seu corpo reagindo ao grosso, musculoso
impulso de Jean Claude. Seu cabelo tinha caído sobre o rosto, de modo que ambos os
seus rostos estavam escondidos pela queda de seu próprio cabelo, um preto e o outro
ouro.

Richard empurrou-se em mim em uma estocada profunda que me fez chorar e olhar para
ele. Tive um momento para ver meu rosto olhando para o seu, como se eu estivesse
usando seus olhos. Meus olhos estavam arregalados, a boca aberta em um pequeno “ o “
de surpresa, e eu assisti a dor e o prazer lutarem em meu rosto. O momento passou e eu
estava olhando para seu rosto novamente. Ele parecia feliz, ansioso, com uma ponta de
preocupação nos olhos, que tinham voltado ao marrom humano. Minha voz saiu sem
fôlego.

— Sem o ardeur, isso pode ferir, eventualmente.

— Todas as outras mulheres que estive com exceção de uma, diriam que dói a primeira
vez.

— Com a preparação certa não há problema em ser tão profundo. — eu disse.

— Você gozou com isso. — disse ele, e começou a trabalhar o seu caminho dentro e
fora de mim novamente, mais rápido do que ele havia sido antes, mas não tão profundo
como ele poderia ir, em primeiro lugar.

— Com a preparação certa. — eu disse.

Ele usou mais ação do quadril, erguendo o corpo para que eu pudesse ver apenas a linha
dele dentro e fora de mim, movendo-se rapidamente, ficando um pouco mais profundo
com cada impulso, até que ele chegou ao fim de mim novamente, gentilmente, de modo
que era como um toque. O peso quente do orgasmo começou a construir entre as minhas
pernas, profundamente em meu corpo. A largura dele esfregou o ponto doce dentro de
mim, e a cabeça dele começou a tocar tão profundo como podia, como uma carícia, mas
um pouco mais a cada vez.
Ele começou a perder seu ritmo, a cabeça arqueando, ombros curvando. Eu agarrei seus
braços, segurando-me enquanto o prazer construía quente, pesado, perto… Quase, e eu
estava dizendo isso, mais e mais, com a minha respiração:

— Quase, quase, quase…

Ele lutou contra o seu corpo para encontrar o ritmo novamente, e eu estava olhando em
seus olhos, observando-os perder o foco. Eu assisti eles nadarem para lobo âmbar, e
ouvi Asher gritar. Isso virou minha cabeça e me fez vê-lo lutar nas correntes enquanto
seu corpo montava o prazer.

Os quadris de Jean Claude ainda estavam se movendo, uma mão enrolada no cabelo de
Asher, a outra curvada por cima de seu ombro sobre seu peito. Vi Jean-Claude hesitar, e
tremores rolaram por seu corpo enquanto ele lutava para fazer esse momento durar.

Então Richard trouxe-me gritando, retesando-me debaixo dele. Senti os braços sob
minhas mãos tremerem enquanto ele lutava por manter-se apenas um pouco mais. Asher
e eu gritamos juntos, e só então ambos perderam o controle, e eles empurraram mais
uma vez tão profundo e duro como podiam. Nossos gritos ecoaram entre si e o ardeur
de repente estava lá em nós três que carregávamos. E nos alimentamos. Nós nos
alimentamos com a sensação de nossos corpos enterrados dentro uns dos outros.
Alimentamo-nos com a libertação de emoções, de como nós finalmente reconhecemos
como nos sentimos um pelo outro; houve um momento de honestidade tão crua que era
quase dolorosa, e então não havia nada além da liberação alegre, como se o mundo
fosse de repente dourado, e afiado com névoa branca, e tudo parecia bem. Eu senti as
correntes em meus pulsos, e minhas unhas deslizando nos braços de Richard, e os
homens dentro de mim e Asher. Por um momento éramos um, juntos em um mix
enorme de dor, prazer e confusão. Não havia nada além do prazer compartilhado,
tomado e devolvido. Eu compartilhei momentos como este com Richard e Jean Claude,
mas nunca durante o sexo, e nunca com Asher. Era como se todas as fronteiras caíram,
todos os escudos que nos mantiveram seguros um do outro apenas se foram.
Deveríamos ter ficado com medo, mas naquele momento não havia espaço para nada, só
prazer. Simplesmente, parecia bom demais para ter medo.

E então nós cheiramos flores, flores que não estavam na sala. Rosas e jasmins, e Jean-
Claude lutou para nos levar de volta ao controle, lutou para dominar a nós e a si mesmo
e ao prazer, mas era tarde demais; Estávamos abertos e indefesos, e ele e Asher já
sabiam que não tinha sido nenhum acidente. A voz de Belle Morte ecoou através de nós.

— Eu disse a você que eles não poderiam resistir um ao outro para sempre.

Continua em breve….^_^
CAPITULO 12

Nós ainda estávamos no quarto sob o Circo. Ainda na cama, ainda unidos uns aos
outros, mas eu sabia que todos podíamos ver Belle Morte em nossas cabeças como um
sonho ruim. Ela estava vestida de ouro, um cetim profundo e rico que fazia seus olhos
castanhos pálidos parecerem ainda mais ambarinos do que eram, mas eu tinha a cor de
âmbar dos olhos do lobo de Richard para comparar e eu sabia que ela poderia tentar,
mas seus olhos não eram nada além de marrons. Seu cabelo escuro estava enrolado em
cuidadosos cachos em cima da cabeça, para cascatear em torno de seu rosto oval.
Parecia complicado e não palpável, como se ela fosse gritar com você se estragasse
tudo.

Ela abriu os braços, levantando o queixo.

— Sou Belle Morte, sou a Morte Bonita, me contemple, me deseje, mas venha a mim,
meus pequeninos e eu lhe darei tudo o que desejam.

Eu tive um flash de memórias de Jean-Claude e Asher e um discurso como este para os


dois, separadamente. Eu a vi oferecer-se a outros na frente deles, inúmeros outros. Mas
nenhum de nós a queria, nenhum de nós estava tentado. Não tinha sido assim na última
vez que ela nos visitou. Entretanto, eu sabia que Jean-Claude sempre a amaria. Ele
poderia fugir dela, mas nunca seria livre. Agora, nós três, que havíamos sido tocados
por ela, não queríamos ser tocados de novo. E Richard era a diferença.

Ele não tinha estado lá nenhuma das outras vezes, e agora ele era nossa rocha na maré
da tentação, porque ele não foi tentado.

Jean-Claude usou a falta de interesse de Richard de tal modo, que todos nós pudéssemos
olhar para ela com frieza. Podíamos nos separar um do outro, de modo que Richard se
deitasse ao meu lado, segurando-me e Jean-Claude poderia abraçar Asher e estender a
mão para desfazer um pulso das correntes. De certa forma, nós a ignoramos, embora
fosse como ignorar um leopardo que acabou de passar por sua sala de estar. Talvez, se
você o ignorasse, o felino se manteria em movimento, mas, novamente, talvez ele
parasse para fazer um lanche.

A rejeição não era algo com que Belle Morte tenha tido muito contato nos últimos dois
mil anos. E ela não lidou bem com isso. Sua raiva encheu seus olhos com o pálido fogo
marrom, como olhar fixamente o sol através de vidro escuro, mas como o sol pode
queimar a pele através do vidro, assim era o poder de Belle se você ousasse rejeitá-la.

Belle tentou inundar-nos com o ardeur, mas este estava muito bem alimentado.
Estávamos saciados. Ela estendeu a mão para o quarto escuro. Eu peguei sombras e
percebi que a única luz era a tocha. Onde ela estava?

— A luxúria não é mais minha única arma, Jean-Claude. Sinta o meu novo poder e
aprenda a me temer novamente. — O cheiro de rosas era mais espesso, mas debaixo
disso estava o cheiro de jasmim, que nunca fora o perfume de Belle.

Uma nova emoção de medo pintou minha pele com arrepios. Jasmim era o cheiro da
Mãe de Todas as Trevas, mas ela estava morta, seu corpo destruído pelos mercenários
que o Conselho de Vampiros contratara para fazer o trabalho. Ouvi seu último grito em
minha mente a milhares de quilômetros de distância. Ela se foi, então, por que Belle
Morte cheirava a rosas e jasmim?

Jean-Claude tinha usado Richard e sua conexão com os lobos para nos ajudar, mas os
animais de Belle eram todos gatos. Senti o cheiro de leopardo e o felino correspondente
dentro de mim acordou e começou a caminhar nesse longo caminho em minha cabeça.
Minha besta gostava do cheiro do leopardo que tocava Belle. E nós gostávamos de
Belle. Pela primeira vez ela tentou me chamar como se eu fosse apenas um outro
metamorfo leopardo e ela, minha mestra.

— Você ainda está quente, Anita. Jean-Claude pode cortar sua conexão vampira de
mim, mas ele não tem o leopardo e você não sabe o suficiente para lutar comigo.

Pensei sobre meus leopardos, Micah e Nathaniel, e soube que eles estavam vindo.
Estendi a mão e provei o poder de Damian. Chamei-o para mim. Belle tinha nos aberto
amplamente e eu podia sentir tantas pessoas. Era como se ela tivesse afastado meus
escudos, como entrar em uma casa derrubando uma parede inteira. Eu não conseguia
mantê-la fora, mas de repente estava sentindo pessoas que eu nunca tinha sido capaz de
sentir antes. Eu sabia que Rafael, o Rei dos Ratos, estava sentado em uma mesa de
restaurante com outros membros de seu Rodere, o seu grupo de animais. Eu sabia que o
Rei Cisne estava em St. Louis visitando nossos cisnes locais. Era como se cada pessoa
com quem alimentei o ardeur alguma vez, de repente, estivesse claro em minha mente.
Cara a cara, corpo após corpo e eu percebi que Belle estava passando por eles como se
embaralhasse cartas.

— Você tem feito minha linhagem orgulhosa, Anita. Olhe para todos eles, saboreio-os,
sinta-os, — disse ela.

Jean-Claude desfez a amarra do outro pulso de Asher e Richard foi até ele, ajudando-o a
segurar o outro homem, que ainda estava perdido demais no resplendor. No momento
em que Richard deixou de me tocar, o leopardo dentro de mim começou a correr. Ele
iria bater na superfície de mim e irromper da minha pele em uma onda de dor e dano.
Belle riu aquela risada musical, esbelta, sedutora e assustadora.

Então Jean-Claude tocou a pele de Richard, até mesmo um leve roçar e ele empurrou
aquela frieza, aquela calma que Richard tinha aprendido com os tigres, em meu
leopardo e minha besta desacelerou, mas ainda caminhava em direção à luz com um
senso de propósito. Jean-Claude e Richard levaram Asher de volta para meu lado e
Richard deitou do outro. Asher deslizou para baixo na cama, para esfregar sua cabeça
contra meu ombro, seu braço em torno de minha cintura. Asher ainda estava mole e
lutando pela plena consciência. Como ele havia dito, não possuía um triunvirato, assim
não tinha a energia que nós tínhamos para lutar com ela. Ele precisava de um homem-
hiena, que era seu animal para chamar. Eu pensei em Nathaniel e Micah. E ainda mais
distante, em Damian.

Jean-Claude estava do outro lado de Asher, mas ele esticou um braço sobre a cama e
Richard e ele seguraram um do outro. Jean-Claude colocou a outra mão em Asher para
pegar a minha. No momento em que nos tocamos, nos tornamos mais sólidos. A
sombria sala iluminada por tochas estava enevoada nos cantos, começando a recuar
como um sonho ruim.

Então o aroma das flores do mal ficou mais forte, como se estivéssemos banhados em
perfume de jasmim, mas por baixo disso, havia calor, capim seco e depois, leão. A cena
em minha mente entrou em foco novamente como cristal, todos os contornos definidos
e com cores incrivelmente brilhantes, de maneira que os sonhos raramente são. Ela
ficou ali empurrando leão e leopardo para nós e só tínhamos lobo nos tocando. Não era
suficiente.

Ela sorriu e o cheiro de rosas e jasmim se fortaleceu. Jean-Claude disse:

— Belle, o que você fez?

— As rosas são o seu perfume, mas o jasmim é de Marmee Noir, — eu disse.

Jean-Claude disse novamente:

— O que você fez, Belle?

— Ela era a Mãe de todos nós. Se tivéssemos deixado seu poder morrer com ela, todos
teríamos morrido, — disse Belle Morte.

— Isso é mentira, — disse Jean-Claude, — uma mentira contada para nos impedir de
atacar aqueles que nos fizeram.

— Nós não estávamos dispostos a arriscar, — ela disse. Senti seu poder chegar até nós,
quase visível, como uma névoa maligna. Eu não sabia o que ela queria fazer com aquilo,
mas se ela realmente tivesse engolido algum poder da Mãe de Todas as Trevas, eu não
queria nenhum desse poder nos tocando. Mas era como se a névoa fosse um truque, um
truque de mão para me manter olhando na direção errada, porque seu poder de repente,
estava de encontro ao meu corpo. Eu podia sentir uma garra escavando sob minhas
costelas. Isso arrancou um suspiro de dor de mim e o sangue começou a derramar pela
frente do meu corpo. Belle nunca tinha sido capaz de cortar à distância usando seus
animais. Mas era mais do que isso, era como se a garra invisível fosse uma mão
estendida para o meu leopardo, dizendo, “venha, pegue minha mão, me deixe libertar
você”, e não importava quanto controle eu pensei que tivesse, todos os animais dentro
de mim queriam sair. Todos estavam frustrados com esse corpo humano, frustrados por
não saírem e jogar.

— Aqui, gatinho, gatinho, — Belle disse, e então ela chamou em francês, mas a
linguagem não importava, apenas o poder. Eu me contorci e lutei para não gritar.

Richard colocou a mão no meu estômago e eu senti aquele poder reconfortante


novamente. Ele acariciou meu leopardo como tinha acariciado o lobo antes. O leopardo
grunhiu para ele, mas parou de correr para a superfície. Ele circulou, rosnando em
frustração. Meu leopardo foi parado, mas Belle, não. Ela agarrou minha pele e linhas
apareceram em meu estômago.
— Eu não serei tão facilmente parada agora, necromante. Eu tenho o poder da Mãe de
todos nós em mim, e você não pode resistir.

A porta se abriu e Nathaniel, Micah e Damian estavam lá com uma de nossas novas
vampiras, segurando a mão de Damian. Seu nome era Cardinale com seus cachos
vermelhos, embora fossem mais dourados que os de Damian. Nada era tão vermelho
sangue quanto os longos cabelos lisos, da mesma forma que seus olhos eram verdes
como os de um gato e de uma beleza desumana, embora eu soubesse que os olhos eram
a cor que ele tinha quanto estava vivo. Ela tinha quase dois metros de altura, o que fazia
de Cardinale uma mulher muito alta no século em que ela morreu, muito magra, de
busto pequeno e com quadris de garoto, debaixo do manto de seda. Em seu tempo ela
teria sido muito magra, mas agora ela parecia um modelo.

Micah e Nathaniel chegaram à cama primeiro e subiram nela. Micah estava usando
boxers de seda roxa, mas Nathaniel estava nu, o que significava que eles estavam na
cama dormindo, ou tentando. A maioria dos metamorfos não vestiam nada para dormir
se eu não os obrigasse. Ultimamente eu tinha parado de insistir nisso. Apenas líderes de
grupos pareciam vestir alguma coisa para caminhar no Circo. Estendi minha mão e
Nathaniel me tocou primeiro. O poder inflamou-se como um vento quente sobre minha
pele.
No momento em que seu poder tocou o meu, as garras doeram um pouco menos, mas
Nathaniel encolheu-se e vi linhas vermelhas aparecem em sua pele. Ele estava dividindo
o dano, não o parando. Micah ajoelhou-se em minhas pernas, colocando a mão na
minha coxa e no ombro de Nathaniel. Seu poder era como uma calmante lavagem de
água, uma piscina calma e profunda. Sua besta saltou através de seu corpo e atravessou
aquela barreira em mim. Por um momento pude sentir sua besta deslizando por mim e
esfregando sua pele de seda contra o meu lado. Pude sentir nossos animais
cumprimentando-se com aquele esfregar sinuoso e longo de gato, da bochecha ao
quadril e, ao mesmo tempo, senti como se a pele estivesse esfregando o interior do meu
corpo, então houve um momento de desorientação, de ser meu leopardo e o leopardo
dele, ao mesmo tempo em que era eu. Os dois leopardos viraram-se rosnando para o
poder que estava tentando cavar seu caminho através de nós.

Micah e eu tínhamos sido suficientes para perseguir Belle uma vez antes, porque ela não
estava preparada para o fato de sermos um verdadeiro Nimir-Ra e Nimir-Raj. Com
Nathaniel como meu leopardo para chamar, nós éramos o bastante. Nós a empurramos
de volta. O cheiro de jasmim e rosas começou a desaparecer.

— Não desta vez, Anita — disse Belle e eu senti o sol na grama seca, um calor pulsante,
latejante. E havia garras maiores empurrando meu estômago. A leoa levantou os olhos
do fundo de mim e começou a andar pela estrada. — Você não tem nenhum leão para
chamar ainda. Você não juntou-se ao Rex local. Você não pode ganhar essa. Eu trarei
sua besta e farei de você meu animal para chamar, Anita.

Pensei em leão e senti dois deles, distantes, mas respondendo. Um deles era Haven,
nosso Rex local e o outro era Nicky, que era menos que um animal para chamar e algo
mais. Ele era uma Noiva, minha Noiva. Não significava casamento, significava que eu
tinha enfeitiçado sua mente tão completamente que ele era pior do que um escravo. Eu
tinha desejado enfeitiçá-lo, mas os resultados foram assustadores até para mim. Eu disse
a Nicky para vir até mim, mas para Haven eu disse, que não viesse. O Rex local estava
fora da minha programação de alimentação por começar uma briga com Nathaniel e
Micah uma manhã. E por se “casar” com uma leoa e mentir para ela e para mim,
dizendo que ela era a sua Regina. Tinha sido um estratagema para me deixar com
ciúmes, quando não funcionou, anulou o casamento e mandou-a fazer as malas. Era
como se ele estivesse preso em uma mentalidade de comédia televisiva e não soubesse
como se comportar no mundo real. Ele projetou o pensamento de que estava vindo. Eu
retornei o pensamento com um “Não, não venha”. Eu tinha um Homem-Leão mais
perto, eu não precisava de dois.

Damian estava ao lado da cama, usando um novo manto de seda que era quase do
mesmo tom de verde de seus olhos. Cardinale puxava sua mão. Ele se virou para ela e
eu o ouvi dizer: “Você viu a corte de Belle. Você quer que ela seja a responsável aqui
também?”

Ela piscou seus grandes olhos azuis e negou, mais e mais, com a cabeça, soltando a mão
pálida e deixando-o rastejar para a cama. Damian tinha a pele mais pálida do que
qualquer um dos vampiros no nosso grupo, provavelmente porque em vida, ele era mais
pálido também. Ele se deitou, colocando a parte superior do corpo sobre minhas pernas
nuas. No momento em que ele e Nathaniel me tocaram, juntamente com Jean-Claude e
Richard, foi como se nos tornássemos um vento, uma borda de tempestade que forçou
para trás o que quer que Belle estivesse tentando fazer. Damian era meu servo vampiro,
uma impossibilidade, mas com ele e Nathaniel eu formava meu próprio triunvirato. Eu
era o equivalente a um vampiro mestre para eles e Jean-Claude ainda tinha seu
triunvirato com Richard e eu. Triunviratos de poder eram raros entre vampiros. Nós
termos dois, era inédito. A imagem de Belle começou a escurecer novamente.

— Eu lhe disse que seria preciso mais gente. — disse uma voz de homem na visão de
Belle. Eu sentia o cheiro de grama e o calor do leão; do pinho grosso da floresta e o
almíscar do lobo; de chuva e de selva, densa e exótica. E de leopardo. Eu soube quem
eram antes que a visão desvanecesse e o Mestre das Feras aparecesse com Belle Morte.
Ele era um dos vampiros de pele mais escura que eu já conheci. Ele ficou mais pálido
com a morte, mas ele tinha sido tão escuro quando vivo, que não poderia ser tão pálido
quanto os outros. Ele era indiano, da Índia, não índio, nativo americano. Ele costumava
usar o que eu pensava ser algo como calças de harém com um colete brilhante
correspondente sobre uma camisa de seda. Teria parecido um traje barato, exceto que o
brilho em suas roupas não era de lantejoulas, mas verdadeiras pequenas joias costuradas
em padrões. Ele era outro membro do Conselho Vampiro. Na verdade, ele veio a St.
Louis uma vez e tentou assumir o controle, ou pelo menos nos atormentar. Tínhamos
matado seu filho, que ele trouxera junto, por estuprar e torturar algumas pessoas. Não
me surpreendeu que ele estivesse disposto a ajudar Belle a nos possuir. Até me
surpreendeu que ele não tivesse tentado fazer algo mais cedo contra nós.

Ele podia chamar quase todos os tipos de metamorfos, e ele tinha três deles agrupados
em torno de si agora. Ele sorriu para nós e foi um sorriso muito desagradável.

— Jean-Claude, Mestre da Cidade de St. Louis, saudações do Grande Conselho. Nós


viemos domesticá-lo esta noite, como eu domestico todos meus animais. — Exceto por
sua esposa, que tinha sido uma mulher rato e lhe deu seu filho, agora falecido, ele
governou através do medo e do poder, como
Belle governou através da sedução, do poder e do medo.
— Nós não somos tão facilmente domesticáveis quanto eles, — Jean-Claude respondeu,
acomodando-se novamente contra a cama, com todos nós aglomerados em torno dele,
tocando e sendo tocado. Senti seu pensamento de que a visão de nós incomodaria
Padma, o Mestre das Feras, porque sua linha de vampiros não usava sexo como uma de
suas ferramentas. Entretanto, nada do que estaria disposto a fazer escandalizaria Belle
Morte.

— Você diz isso, mas tem dois triunviratos em sua cama. Nós ainda estamos usando
apenas nossos animais para chamar e, no entanto, a visão permanece. — disse Padma.
Eu soube antes dele chamar quem viria até suas mãos. O capitão Thomas Carswell
ainda estava vestido com uma versão do uniforme britânico que usara quando era um
soldado para a rainha Vitória no ano de 1800. Seu cabelo dourado escuro ainda estava
cortado curto e simples, mas o bigode acastanhado que se enrolava em seu lábio
superior e seguia até encontrar suas costeletas sempre me fez incapaz de realmente ver
seu rosto. Ainda assim, você tinha que admirar um homem que tinha estado com a
mesma aparência por mais de um século.

Ele era o servo humano de Padma, mas a única vez que os tinha visto pessoalmente,
bem, não tinha sido um jogo de amor entre ele e seu mestre. De fato, nem ele nem
Gideon, o animal para chamar de Padma, estavam no amor com seu mestre. O cabelo de
Gideon ainda estava entre marrom e loiro, mas estava mais comprido que da última vez
que o vi. Tocava o ombro agora, grosso e reto com uma sugestão de onda, sugerindo
que se estivesse mais longo, teria mais ondulações. Seus olhos ainda estavam amarelos
com pinwheels laranja, olhos de tigre. Eu sabia que ele tinha as presas superiores e
inferiores de gato em sua boca. Seu mestre o forçou a ficar em forma de tigre por muito
tempo e agora Gideon não voltou completamente à forma humana.

Quanto mais vampiros eu conhecia, melhor mestre Jean-Claude parecia em comparação.


Padma fez um gesto e Gideon primeiro tocou seu ombro, ainda de pé atrás dele, e então
Thomas levantou uma mão lentamente, dizendo:

— Se eu tivesse uma escolha, eu não iria ajudá-lo a fazer isso.

— Eu acredito em você, — respondi e então não havia mais ar para falar. Não havia
nada além de poder. Padma era a tempestade agora, um vento quente soprando para fora
da borda de um inferno doloroso, fazendo Damian, Nathaniel e eu gritarmos. Micah
estendeu a mão para os outros leopardos da cidade e nos encheu com esse poder. Houve
um momento em que pude respirar, mas era como se cada animal dentro de mim
estivesse tentando vir a superfície de uma só vez. Padma murmurava em francês. Eu não
conseguia entender as palavras, mas meus animais podiam e eles se agarraram e lutaram
dentro de mim como uma multidão diante de uma porta estreita e fogo por atrás deles,
exceto que a porta diante da qual eles lutavam era o interior do meu corpo. Eu gritei e
então Micah estava lá junto com o lobo de Richard. Eles perseguiram dois dos animais e
os fizeram recuar, acalmando-os com o que nós tínhamos aprendido com os Homens-
Tigre. Eles deveriam ter sido capazes de acalmar todos eles, independente da forma
animal. Tínhamos descoberto ser possível, mas era como se a tigresa e a leoa dentro de
mim falassem uma língua diferente, que nenhum de nós poderia falar. Mas, Padma
falava.
Estendi a mão para o tigre e encontrei Crispin enrolado na cama com Gina e seu
namorado. Senti-o olhar para cima. Senti Domino mais distante com Nicky, e sabia que
Domino e o homem leão já estava correndo.

A única coisa boa era o fato de eu ser a única que se contorcia de dor. O ataque de
Padma era direcionado para mim. Sua voz veio através da dor.

— Eu controlo todas as bestas que você carrega, Anita. Eu sou a arma perfeita contra
você.

Não havia marcas de garras no exterior da minha pele. Este poder era diferente, minha
pele era empurrada para fora como se as coisas estivessem lutando para sair de dentro
do meu corpo. Assisti uma garra se esticar contra minha pele como se um bebê horrível
estivesse capturado dentro de mim. Parecia que as garras estavam rasgando coisas que
nenhuma mão deveria ter sido capaz de tocar com a minha pele ainda intacta. Eu gritei.
A dor tinha que sair de alguma forma, mas meu corpo não poderia libertar os animais
aprisionados dentro dele. Crispin estava de repente acima de mim, os olhos azuis
pálidos de tigre, arregalados. Ele tinha nascido com os olhos de sua besta. Seu cabelo
curto, encaracolado e branco, era da cor de sua forma tigre, e seus olhos nunca
mudavam. Eu não tinha ouvido ou o sentido entrar na sala. A dor era demais, estava
devorando o mundo. Ele segurou meu rosto entre suas mãos grandes e me forçou a
olhar para ele. Ele era meu tigre branco para chamar e havia sido treinado desde a
puberdade para ajudar as mulheres do clã do tigre branco a não mudar de forma
enquanto estavam grávidas.

Ele acalmou os animais, todos eles. E eu fiquei respirando com dificuldade, deitado na
cama olhando para a calma de seus olhos azuis pálidos. Ele sorriu para mim.

— Melhor. — disse ele.

Eu engoli e percebi que minha garganta estava crua de gritar.

— Melhor, eu respondi num sussurro.

A imagem de Belle e Padma desfocaram, como se eu estivesse olhando para eles através
de um painel de vidro fosco. Os grandes vampiros maus estavam crescendo novamente.
A voz de Belle chegou a mim.

— Juntos, Padma.

E a leoa dentro de mim de repente se atirou contra meu corpo como se estivesse
tentando usar seu ombro para esmagar uma porta, mas a porta era eu. O impacto fez
meu corpo subir na cama como se eu tivesse me transformado. As mãos estavam em
todos os lugares, me segurando, tentando acalmar, mas não havia nenhum leão e com a
energia de Padma e Belle eu precisava de um fósforo para o poder.

Ouvi a voz de Nicky antes de vê-lo.

— Anita, estou aqui, estou aqui!


Ele estava tirando as roupas enquanto se aproximava, entregando suas armas a Domino,
que estava bem atrás dele. Crispin saiu de cima de mim para que Nicky pudesse
pressionar seu corpo nu contra o meu. Seus cabelos loiros foram cortados mais curtos na
parte de cima, de modo que uma longa queda escondia a maior parte do lado direito de
seu rosto, como o corte de cabelo de um personagem de anime. Foi só quando ele ficou
por cima de mim e o cabelo caiu para frente que eu pude ver as cicatrizes onde seu olho
tinha estado uma vez. Era apenas uma mancha de cicatrizes. Ele me observou com seu
único olho.

— Dê-me sua besta, Anita, — disse ele. Nick me beijou como se estivesse rastejando
dentro de minha boca, eu retribui e deixei de tentar controlar minha leoa. Soltei meu
controle e deixei todo esse calor, todo esse poder, entrar em Nicky. Eu aprendi a ser
mais gentil quando trazia suas bestas, mas não havia tempo para gentileza, havia apenas
o leão de Padma e o meu, empurrando para cima, derramando na boca de Nicky,
transbordando do meu corpo para o dele. Eu não sentia a leoa de Belle. Houve um
momento, em que a dor devorou o mundo num nevoeiro de contornos sombrios, que eu
pude sentir garras enormes perfurando meu estômago e o de Nicky, como um gêmeo
macabro, e o corpo de Nicky explodiu. Num segundo, humano; no próximo, um homem
leão acima de mim . Aquele líquido espesso e quente, que sempre aparecia quando
mudavam para a forma animal, estava em toda parte. Eu pisquei para tirá-lo dos meus
cílios, mas eu ainda estava muito machucada para limpá-lo.

A mão de Nathaniel limpava o pior do meu rosto quando o corpo estranhamente seco de
Nicky desabou em cima de mim em um derramamento de espessas peles dourada. A
forma animal surgia do meio de toda a confusão de líquidos, mas a pele nunca estava
molhada. Sua juba tinha um pelo mais grosso, era um colar marrom e dourado pálido
que fazia cócegas no meu rosto.

Sua voz ficou sem fôlego com a dor de uma mudança tão violenta, mas ele ofegou.

— Veja… você deve… Manter-me ao seu lado… sempre. — Ele conseguiu levantar a
cabeça o suficiente para que eu pudesse ver seu rosto, uma mistura estranha de leão e
humano, mas os olhos eram um ouro rico e profundo, com uma borda de laranja ao
redor da pupila.

— Preciso do meu leão. — Eu disse. Minha própria voz estava ofegante e cheia de dor
como se eu tivesse corrido um longo caminho e tudo estivesse doendo.

— Você precisa… De mim, — ele disse. Essa era a pior parte do que eu tinha feito a
Nick. Ele teria ficado grudado ao meu lado se eu permitisse. Ele parecia não ter quase
nenhuma vontade própria. Por isso ele era chamado de minha Noiva, como aquelas
mulheres lamentáveis nos filmes de Drácula, as Noivas de Drácula. Os filmes
mostravam-nas como vampiras. Alguns vampiros podiam fazer isso com outros
vampiros, mas minha habilidade ultrapassava barreiras de espécies. Teoricamente,
qualquer pessoa que eu pudesse atrair, poderia ser transformada em uma Noiva. Nicky
tinha sido um assassino, um sociopata e agora ele fazia o que eu dizia a ele. Eu respondi
a única coisa em que pude pensar.

— Obrigada, Nicky.
Ele sorriu, e era o sorriso humano, capturado no rosto meio humano. Um sorriso
radiante, excitado por ele ter me satisfeito.

— Experimentei o tigre branco quando ele a tocou, — disse Padma, — então não vou
tentar o branco. Há outras cores de tigre, Anita.

— Gideon é um homem-tigre padrão [1] ([1] Homem-Tigre transformado. De cor


padrão. Diferente dos Homens-Tigres nascidos puro sangue das cores Branco, Preto,
Vermelho, Azul e Dourado)— falei com a voz firme agora. Bem, eu estava cansada de
parecer estar com medo.

— É verdade, mas eu não tinha um leão quando a ajudei a chamar seu leão, não
é?

Fiquei deitada sobre os lençóis de seda arruinados com o líquido claro e espesso sobre
nós, como se alguém tivesse manchado a cama com xarope de Karo fino. Tentei pensar
além da dor.

— Ela é minha serva humana, — disse Jean-Claude. — É contra todas as nossas leis
tentar roubá-la de mim. Não é permitido quebrar a ligação entre vampiros e seus servos
ou animais para chamar.

— Assim como devemos matar todos os necromantes assim que nascem, — Belle disse
— porque se não o fizermos, eles se tornarão algo que poderá nos controlar. Você
deveria ter nos contado no momento em que ela criou um servo vampiro, Jean-Claude.
Você deveria ter nos contado quando ela ganhou a habilidade de chamar todos os tipos
de animais.

— Você acha que poderia esconder seus poderes crescentes para sempre? — Perguntou
Padma.

— Ela é minha serva humana. Vocês todos concordaram em não matá-la só porque ela
era uma necromante, — Jean-Claude disse.

— Ela matou o Pai do Dia, Jean-Claude. — Disse Belle. — Você pensou que nós não o
sentiríamos recuperar o seu poder e depois sua morte?

— Se ela pode matar um dos maiores de nós, então devemos domesticá-la e a você, ou
destruir todos. — Disse Padma.

— Onde está o resto do Conselho? Por que você se escondeu para nos atacar? — Jean-
Claude perguntou. — Eles não sabem que vocês estão fazendo isso, não é?

Os dois vampiros mentiam bem, mas Jean-Claude disse;

— Você não estaria profundamente nas catacumbas fazendo isto se não estivesse se
escondendo. Você está tentando destruir minha serva humana e atacar outro mestre.
Ambas as ações são crimes entre nós. Mesmo o Conselho não está acima da lei.
— Ela tem os poderes de duas linhagens, Jean-Claude. Você não vê que devemos
domá-la? — Padma perguntou.

— Ela carrega o poder da linhagem de Belle, — Jean-Claude rebateu.

— Ela chama as bestas como se fosse uma das minhas, Jean-Claude. Você não entende
ainda como ela é perigosa para todos nós? Ela ganha poder de cada vampiro que a ataca.
Ela me tocou uma vez, usou seus laços com o lobo uma vez contra mim, me sentiu
chamar uma besta uma vez, e agora ela é capaz de chamar bestas como eu.

— Fui atacada por um panware. — disse eu.

— E por que ele se sentiu atraído para sua cidade, Anita? Por que ele atacou seu povo?
Ele foi atraído por você, necromante.

Engraçado, nunca me ocorreu que minha capacidade de chamar animais tenha vindo do
Mestre das Feras. Eu tinha posto toda a culpa em Chimera, um panwere que me cortou
e me deu o mesmo tipo de licantropia que ele tinha, um que se adaptava a qualquer cepa
do vírus metamorfo que me ferisse.

— Você está me dando muito crédito, — eu disse.

— A Mãe de Todas as Trevas queria Anita, queria possuir seu corpo, — disse Jean-
Claude. — Você comeu um pouco do seu poder e agora está obcecado com ela,
também. A Mãe desafiava o Conselho, mas os dois nunca fariam nada tão precipitado.
O que você está fazendo pode virar o resto do Conselho contra você e seu povo. Seria
uma guerra civil entre os vampiros. Por que você arriscaria tudo isso quando estamos na
América? Não estamos tentando tirar nada de você. Por que arriscaria tanto quando não
somos uma ameaça à Europa?

— Os vampiros americanos pediram ao Conselho permissão para matá-lo, Jean-Claude,


— Belle respondeu.

Padma disse:

— Eles não precisam saber disso.

— Se o Conselho tivesse concordado com a nossa destruição, você não estaria fazendo
isso escondido dos membros do Conselho, — Jean-Claude rebateu.

— Por que eles nos querem mortos? — Eu perguntei.

— Eles temem você — disse Belle.

— Belle Morte, não responda suas perguntas.

Algo passou por seu rosto, algum pensamento, alguma ideia. Foi Jean-Claude quem
juntou as peças.

— Quem entre o Conselho votou em nosso favor?


Belle simplesmente respondeu:

— O Dragão, o Viajante e eu. Ela pôs as mãos sobre a boca.

Senti Jean-Claude se acomodando contra a cama. Havia uma certa tensão em sua
displicência.

— Padma nos deseja mortos, mas você quer nos salvar, não é?

Ela apenas olhou para ele com as mãos sobre a encantadora boca. Percebi que ela estava
lutando para não responder a suas perguntas. O que estava acontecendo?

Asher se mexeu e disse:

— Você sente falta do Jean-Claude e de mim, Belle Morte?

Ela não podia deixar essa passar.

— Se eu tivesse sentido sua falta, Asher, eu poderia ter tido você de novo a qualquer
momento no século passado. Eu não levo o feio para a cama.

Jean-Claude e eu nos movemos em direção a Asher como uma unidade e eu percebi que
era o pensamento de Jean-Claude primeiro, mas não importou, eu concordava com ele.
Nós rodeamos Asher, seu corpo escorregadio com o lubrificante grosso que Nicky tinha
lançado sobre todos. Nós o abraçamos e olhamos para a visão de Belle Morte.

— Você sente falta de estar com os dois juntos? — Jean-Claude perguntou.

Ela lutou para não responder. A luta se mostrando em seu rosto, mas no final ela disse:

— Sim. — Então ela estava com raiva, muita. Essa raiva encheu seus olhos de fogo
marrom e ela lançou poder em mim novamente. — Se não posso domá-la, vou destruí-
la.

As garras me atacaram novamente, erguendo novos vergões em minha barriga, mas


então Jean-Claude estava lá, seu poder, não, nosso poder, se derramando sobre todos
nós. Ele extraiu poder dos dois triunviratos e usou-o para nos proteger.

— Obrigado, Padma, por nos mostrar como controlar melhor os triunviratos.

— Eu não mostrei a você.

— Anita é minha serva humana. Eu tenho sido capaz de ganhar poderes vampíricos
simplesmente por alguém os terem usado contra nós. Até agora, o poder não ficava
comigo, mas acredito que desta vez ele vai. Acho que você me mostrou algo que eu já
queria fazer. Como ligar vários triunviratos em uma coisa só, um único poder.
Obrigado.

Belle Morte gritou;


— Não! — Ela empurrou esse poder e não havia luxúria nele. Era raiva. Raiva e por
baixo, dor. Eu, nós, experimentamos seu pesar como algo amargo e doce em nossas
línguas. Conectei-me a toda aquela raiva sem sequer pensar. Era como ver algo
brilhante e apenas alcançá-lo. Senti Jean-Claude atrás de mim, mas foi o rígido controle
de Damian que nos estabilizou. Estendi a mão para toda aquela raiva de Belle, porque
eu podia me alimentar da raiva. Aquela era minha habilidade, não de Jean-Claude ou de
Belle.

Senti a calma de Nathaniel e o frio controle de Damian. Senti Richard mais temeroso,
mas decidido a não ser o elo mais fraco. E, além de todos, estava Jean-Claude, mais
determinado, mais certo, mais mestre do que nunca. Ele me deixou alcançar todo o
poder dessa ira e comê-lo. Eu absorvi essa raiva e todos nós nos alimentamos dela,
porque Jean-Claude compreendeu como compartilhar a energia com todos nós. Nesse
momento eu percebi que não era meu triunvirato e o triunvirato dele, mas o nosso e ele
sabia como dirigir o carro metafísico melhor do que eu. Eu estava bem sendo a
espingarda dessa situação, desde que eu chegasse a atirar em Belle Morte.

Sua raiva despertou a minha própria, aquela profunda raiva que eu carreguei durante
tantos anos. Ela gostou da raiva de Belle, gostou do sabor dela, então nós a bebemos.

Ela caiu no chão.

— Não, — ela disse, — isso não pode ser.

— O pedaço da Mãe que você tomou, Belle, quer Anita. — disse Jean-Claude. — E
essa parte está controlando vocês dois. Ela não está morta, ela vive em vocês. O restante
do conselho tomou seu poder dentro de si?

— Sim. — Belle respondeu, antes que pudesse se conter.

— Então vocês estão envenenados com o seu mal. — Eu pude sentir o medo dela. E
todos nós compartilhamos esse medo.

— Você deveria ter deixado ela morrer, — eu disse.

— Ela ofereceu seu poder para nós como um vento escuro, — disse Padma, — e ele
parecia perdido.

— Oh! Meu Deus! — Eu disse. — Ela realmente te possuiu.

Os dois vampiros olharam para mim.

— Mas é você que ela quer, necromante. — Eles falaram em uníssono. O cheiro de
jasmim estava em toda parte. E o cheiro de uma chuva que havia caído na terra há
milhares de anos. Era o cheiro da Mãe de Todas as Trevas. Marmee Noir não estava
morta. Ela estava em todos eles.

Eles me olharam fixamente e disseram nesse eco:


— O Amante da Morte se alimentaria do teu medo, necromante. Mas esses dois corpos
não podem, o que é uma pena. Gostaríamos de saborear o quanto de medo você tem de
nós.

— Você controla Padma e Belle mais completamente do que o resto?

Ambos responderam:

— Eles são os mais novos no Conselho, os mais distantes de mim no tempo.

— Eles não são tão poderosos quanto os outros, — disse Jean-Claude.

— Ele te odeia por destruir seu filho. Ele se abriu para mim. Ela quer você. Sua raiva e
arrependimento a abriram para mim. O Amante da Morte não sente nada por você,
exceto que matá-la seria inteligente. Mas ele tem fome de matança. Ele se alimenta da
morte. E este novo e mais moderno Conselho o controla. Eu lhe prometi morte. Morte
como ele não viu em séculos, se me deixasse montá-lo. O Dragão não sente nada para
você, exceto curiosidade. O Viajante sabe o que está acontecendo e se esconde de mim.
Ele tem um corpo e se for destruído, não retornará, mas minha alma preenche muitos
corpos agora. Você teria que matar todos eles para me destruir.

— Uma alma separável — disse Jean-Claude.

— Sim, — disse ela, — nem a morte de todo o Concelho eliminará todas as partes de
mim. — Eles me olharam e disseram: — Obrigada por matar o Pai do Dia. Ele era o
único que poderia ter me desafiado.

— Eu não fiz isso para te ajudar, — eu disse.

— Mas me ajudou, Anita, muito mais do que você jamais saberá.

— Você comeu seu poder quando ele morreu, — eu disse.

Os dois vampiros concordaram.

— Belle Morte, — Jean-Claude chamou, — você deve lutar com ela.

— Ela não pode, — disseram os vampiros.

Senti Jean-Claude abrir o ardeur e empurrá-lo em Belle Morte. A cabeça de Belle se


voltou, a coluna curvou-se e quando ela olhou para cima seus olhos eram o seu marrom
humano. — Ela não entende o ardeur, mas ela entende a luxúria, Jean-Claude.

Então os olhos de Belle se afogaram em um poder mais obscuro que o dela, seus olhos
ficaram como um mar de céu noturno. Eu tinha visto aqueles olhos antes e não era na
Mãe. Belle e Padma falaram em uníssono:

— Sabemos do passado, Anita. Lembra-se do que fizemos em Las Vegas com os


Homens-Tigre? Eu posso levantar o ardeur e afogar a todos nele por horas, até que o sol
se levante e meu poder cresça com cada tique taque de seus relógios.
Os dedos de Richard seguraram meu ombro. Percebi que, quando cada homem entrou
na sala, ele tinha sido empurrado para mais longe de mim. Não, não empurrado, ele
tinha se afastado para longe de mim. Agora, quando seus pensamentos tocaram os
meus, eu o senti compreender que era uma escolha. O medo percorreu Jean-Claude
como água fria. Eu ainda não sentia quase nada, empurrei minhas emoções para longe
como faço durante uma crise. Somente Richard, de nós três, estava calmo. Não, Micah,
eu podia senti-lo, estava calmo também. E Nathaniel além dele. Micah estava calmo
porque ele era quase sempre assim. Nós tivemos um vislumbre dos anos e do trabalho
que levou para que ele fosse assim. Ele era como uma lagoa profunda, onde ele absorvia
todos os problemas.

Nathaniel estava calmo porque ele, honestamente, acreditava que eu não iria falhar, que
eu iria encontrar um caminho. Sua fé inabalável já nos salvou antes, mas como sempre,
me assustava também, eu temia falhar com ele e com sua profunda e persistente crença
de que eu não o faria. E então havia Richard, calmo afinal. A dele era como a de Micah,
uma calma construída de trabalho, terapia, esforço. Ele tinha construído sua calma da
mesma maneira que ele construiu seus músculos, um peso de cada vez.

Senti a versão do ardeur de Richard pela segunda vez. Tratava-se de posse, não
demoníaca, apenas até que a morte nos separar, pertencer a você e não a outro. Era uma
vez o desejo do meu coração, mas quando o ardeur havia crescido em mim, eu
precisava de mais ajuda em minha vida do que qualquer pessoa poderia dar, então o
ardeur me deu Micah e Nathaniel e finalmente fez de mim alguém que poderia estar
com Jean-Claude.

Estendi a mão para Jason, porque eu sabia que ele ainda estava na sala em algum lugar,
mesmo que minha vista estivesse se afogando na visão de Belle e Padma naquele quarto
escuro tão distante. A mão de Jason encontrou a minha, como se ele tivesse sentido o
que eu precisava. A última vez que eu me deparei com o ardeur de “arroz e rosas” de
Richard, tinha sido o medo de Jason de ser consumido por uma única pessoa que me
ajudou a lutar contra aquilo. Tive um momento para duvidar, para me perguntar se J.J. o
tinha feito mudar de ideia, mas ela não tinha. Uma das razões pelas quais ele e J.J.
estavam funcionando um com o outro, era que eles não queriam monogamia, eles
queriam pertencer um ao outro, serem especiais, só não queriam queimar todas as suas
opções.

Mas Richard não jogou seu ardeur de “véu de casamento” em mim. Ele apontou para
aquele quarto distante. Ele apontou para Belle Morte. Em todos os séculos do ardeur,
algumas pessoas tentaram apanhar Belle com amor. Agostinho de Chicago tinha feito
isso e Jean-Claude e Asher tinham sido suas obsessões, mas ninguém tinha oferecido
isso, apenas Richard. Só ele poderia ter transformado algo que se destinava a alimentar
a luxúria em algo como quinquagésimos aniversários de casamento e fazer soar como
uma boa ideia.

Ele deitou na cama, curvando-se em torno de Jean-Claude, Asher e eu e enviou a ideia


de que você poderia ter isso para sempre, oferecendo a ideia de “para sempre” a Belle.
Esse tipo de amor Belle não entendia, e se ela não tinha ideia, Marmee Noir estava
perdida.

Belle olhou para nós com seus próprios olhos castanhos.


— Richard, — ela disse. Ela nunca tinha pronunciado seu nome com esse tipo de calor.
Ele a olhou mostrando aquela longa linha nua de seu corpo. Não era uma promessa
pequena o que ele oferecia.

— Belle, — ele sussurrou de volta. E ela sorriu para ele, mas falou com Jean-Claude.

— Eu continuo chamando você de tolo, mas você encontra força onde eu só encontrei
fraqueza. Qualquer poder que a Mãe possui é dela para comandar. Ela se alimenta de
emoções negativas, segue-as em sua mente e coração.

Padma estava atrás dela com uma espada nas mãos. Seus olhos eram fogo negro, não a
sua cor, não os seus olhos. Eu gritei e estendi a mão em direção a eles. Não tenho
certeza se foi eu ou Jean-Claude, mas nós gritamos:

— Atrás de você, Belle!

Nós sentimos seu ardeur afogar Padma. Ele caiu de joelhos, dominado pelo intenso
desejo. Observei Gideon e Thomas hesitarem. Eles odiavam Padma e agora entendiam
que tê-lo morto poderia ser melhor. Mas quando ele ordenou que o ajudassem, não
tinham escolha. Belle pegou suas saias e correu. Eles a deixaram correr. Eu sabia que
Padma os faria pagar mais tarde. Ela disse:

— Salve-se se puder, Jean-Claude. Entre em contato com o Viajante se você puder


encontrá-lo. Talvez ele possa te ajudar. Corra, esconda-se. Não somos descendentes da
Escuridão, lembre-se disso. — Então foi como se alguém tivesse desligado o quadro.
Estávamos de repente deitados na cama com apenas nós mesmos e nenhum sensação de
Belle, Padma ou da Mommie Querida. O mundo já não cheirava a flores.

Nós todos ficamos deitados em um silêncio tão denso que eu podia ouvir o sangue em
minha própria cabeça. No silêncio, eu me ouvi dizer;

— Filha da puta.

— Exactement, ma petite, exactement.— disse Jean-Claude.


CAPÍTULO 13

Se houve alguma vez em que eu desejei ceder à histeria, foi agora. Como você enfrenta
alguma coisa que nem mesmo tem corpo para poder matar? Como você luta contra algo
que pode possuir os vampiros mais poderosos do mundo e usá-los como marionetes?
Como diabos alguém luta contra algo assim? Acho que estávamos todos lá deitados
pensando na mesma coisa quando o celular de alguém tocou. Estava tocando a abertura
da versão antiga daquela série de TV “Mike Hammer” [1]. Nathaniel pulou da cama e
começou a vasculhar as roupas no chão.

– É o toque do Max, o Mestre de Las Vegas – ele disse.

– No seu telefone? – perguntei.

– No seu telefone – ele disse, e retirou meu telefone daquela bagunça de roupas. Ele
atendeu e disse:

– Este é o telefone da Anita, Max, só um segundo – e o estendeu para mim. Eu


perguntei só gesticulando com os lábios:

– A abertura do Mike Hammer?

Ele sacudiu o telefone e franziu a testa. Peguei o telefone, mas mais tarde a gente teria
uma longa conversa sobre esses toques de celular novos que ele estava colocando. Eu
tinha acabado de tirar “Wild Boys” do meu toque de celular e voltado ao toque padrão
de sinos de igreja.

– Max? – eu disse, o que soou mais como uma pergunta do que como uma afirmação.
Nicky ainda estava ocupando grande parte acima de mim, não recuperado por eu ter
trazido sua besta à força. Mudanças violentas doem. Peguei o telefone enquanto me
encurralava entre Jean Claude e Asher.

– Anita, que porra é essa que vocês estão fazendo hoje à noite? – sua voz era um
rosnado baixo e nem um pouco feliz. Ele era realmente bom em se expressar com sua
voz quase completamente careca, como em ‘eu-estou-me-descabelando-aqui’, e não em
um estilo declaração-de-moda.

Ele era grande e sólido como um linebacker [2] experiente. Se você não soubesse o que
estava procurando poderia dizer ‘gordo’, mas não era. Os músculos estavam escondidos,
mas estavam lá.

– Bem, olá para você também Max – eu disse, e minha voz não era feliz também, pronta
para ser rabugenta em retorno. Isso fez com que eu me sentisse um pouco melhor, saber
que eu podia ficar rabugenta por causa de um tom de voz rude como aquele. Se eu
pudesse continuar me irritando com essas pequenas coisas, talvez o mundo não tivesse
acabado devido a Mãe de Todas as Trevas ainda estar “viva”.

– Bibi acordou gritando algo sobre a escuridão tentando comê-la. Ela me fez te ligar,
Anita. Disse que você e Jean Claude saberiam o que estava acontecendo com ela. Vocês
sabem? Quero dizer? – Sua voz era incerta agora. Ele tinha começado a vida como um
chefão da máfia e não perdeu o emprego mesmo após a morte. Na verdade, ele era um
dos motivos de Las Vegas ainda ser uma cidade da máfia à moda antiga apesar do
sangue novo da Ucrânia e de outros lugares ao leste. Mas ele amava sua esposa e estava
preocupado sobre sua pequena rainha tigresa.

– Sim, eu sei o que aconteceu, mas quando Bibiana se acalmar eu adoraria ouvir
exatamente o que a escuridão fez para tentar engoli-la.

– A escuridão não pode ser quem costumava ser Anita. Você me disse que a Mãe de
Todas as Trevas estava morta. Me disse que sentiu ela morrer quando eles deram fim a
seu corpo – ele estava bravo agora. Melhor bravo comigo do que preocupado sobre sua
esposa. Melhor me culpar do que admitir que estava assustado.

– Te contei o que eu acreditava na época, Max. Nós tivemos nossa primeira visita da
Mamãe Querida agora à noite também. Acredite em mim, não foi só Bibiana quem teve
uma noite difícil.

– Já faz quase um ano Anita. Por que só agora? Por quê? – ele amaldiçoou após tomar
fôlego e então disse:

– O que aconteceu com vocês hoje à noite Anita?

Eu olhei a alguns centímetros, até o rosto de Jean Claude. Nós todos ainda estávamos
empilhados na cama com o líquido espesso que surgiu da mudança brusca de Nicky
começando a secar em nossos cabelos e peles. Eu pensei:

“O que eu digo?”

Sua resposta resfolegou através da minha mente:

“Conte-lhe a verdade. Ele é nosso aliado.”

Contei a Max uma versão abreviada do que havia acontecido. Jean-Claude disse aos
outros para irem se limpar antes que aquela meleca toda secasse por completo. Mais da
metade dos homens me olharam, como se verificassem se eu queria mesmo que eles
fossem. Honestamente, eu queria um pouco estar de “mãos-dadas”.

Jean-Claude sentou-se ao meu lado enquanto eu conversava com um de nossos aliados


mais fortes, ao mesmo tempo que os homens com quem eu mais queria estar e abraçar
estavam sentados nos lençóis de seda arruinados ao nosso redor, não obedecendo a
Jean-Claude. Eu não sabia o que fazer sobre isso, mas eu sabia que me sentiria melhor
com Nathaniel, Damian e Micah próximos a mim. Jason tinha ido se limpar e verificar
J.J., o que era bom. Cardinal tentava fazer Damian ir embora também, mas ele queria
saber o que iríamos fazer sobre Mamãe Querida e o conselho. Ele era vampiro a tempo
suficiente para saber que precisava saber antes que morresse para o dia. Cardinal era
mulher a tempo suficiente para saber que precisava mantê-lo o mais longe possível de
mim.

Richard me beijou a testa e sussurrou:


– Vou me limpar enquanto você atua na política vampira.

Eu queria dizer mais, apesar de já estar dizendo a Max o quanto essa merda toda era
profunda, mas parecia errado deixá-lo partir sem algo além de um adeus. Jean-Claude
deve ter pensado assim também porque ele deixou a cama para levar Richard até a
porta. Micah beijou meu rosto e os seguiu, o que me surpreendeu. Jean-Claude poderia
tentar um último abraço, mas nunca pensei que Micah e Richard iriam um até o outro.

Asher ocupou o lugar ao meu lado, mas seu rosto estava no modo-ouvinte. Os
metamorfos e vampiros na cama provavelmente podiam ouvir tudo o que se passava nos
dois lados do telefone. Eles podiam ter ficado para conforto, mas também ficaram
porque queriam ouvir.

Terminei de listar o desastre e Max disse:

– Filha da puta!

– Foi isso o que eu disse.

– Bibi insistiu que todos que estavam indo à St. Louis partissem mais cedo. Victor, Cyn,
Rick e os outros estão voando e chegando em breve.

– Max, sem querer insultar o seu povo, mas nós temos peixes maiores para fritar do que
consolidar algum tipo de tratado de casamento arranjado entre seu povo e o de Jean-
Claude.

– Bibi disse que nossa única esperança de nos defendermos da Escuridão é ter outro
Mestre dos tigres, outro Pai do Dia. Eu aprecio o voto de confiança de Jean-Claude, mas
tigre não é o animal a chamar dele, e o único vampiro que temos que é capaz de andar a
luz do dia não é mestre de coisa alguma. Seu servo vampiro, Damian, certo? Ele pode
andar a luz do dia?

– Sim.

– E quem tornou isso possível para ele? Não foi Jean-Claude, sem ofensa ao seu Mestre
da Cidade. Foi você quem deu a um vampiro fraco uma das habilidades mais raras entre
nós bebedores de sangue.

– Sim, mas…

– Não estamos mandando nossos meninos a Jean-Claude, Anita. Estamos lhes enviando
a você. Embora Auggie de Chicago diga que nós devíamos lhe mandar algumas de
nossas mulheres. Algo sobre ele ser capaz de herdar seu poder de chamar tigres assim
como você herdou sua habilidade de chamar lobos.

– O que? – perguntei.

Havia barulho do outro lado da linha. Um farfalhar de roupas e Max dizendo:

– Você está bem o suficiente, Bibi?


Um momento mais tarde Chang-Bibi do Clã dos Tigres Brancos estava no telefone,
então ela estava bem o suficiente. Ou Max não conseguiu pará-la de pegar o telefone.
Às vezes ele amava sua esposa até demais.

– Anita, – e sua voz estava embargada, até mesmo soluçando de emoção. Desde que ela
era uma das mulheres-tigre mais assustadoras que eu já encontrei, isso era
desconfortante.

– Olá Bibiana. Eu quero dizer, Chang-Bibi.

– É tarde demais para títulos entre nós, Anita. – Ela deu uma trêmula inspirada, expirou
e disse, – Você precisa adotar meus tigres quando eles chegarem a você. Você precisa
trazê-los a você, até atingirem seu pleno poder.

– Eu sei que é isso o que você queria, mas os outros clãs de tigres não querem que você
seja favorecida de algum modo sobre eles.

– Todos os Changs deles tiveram o mesmo pesadelo que eu, Anita. Eles viram a
Escuridão, e lembraram em seus corações de quando ela tentou manipular a todos nós.
O Pai do Dia nos salvou. Ele nos controlou e nos manteve longe da dominação que ela
planejava com todo o poder dos tigres. Ela só o derrotou destruindo a última rainha
dourada.

– Como você sabe tudo o que eu sei? Você não sabia disso antes.

– Eram lendas, contos de fadas, Anita. Eu não acreditava em histórias sobre a Escuridão
Viva, uma Deusa da Escuridão, e um Deus da Luz Viva, que criaram nosso povo. Quem
acreditaria em coisas assim?

Ela me pegou. Quero dizer, como uma boa cristã eu realmente deveria ter como certo
toda aquela coisa de Velho Testamento, mas eu pensava mais nisso como histórias
representativas que tentavam explicar porque um Deus de amor faria um mundo onde as
pessoas passassem por tanto sofrimento.

– Mas agora você acredita – eu disse.

– Que escolha eu tenho? – ela soava amarga.

– O que você sonhou? – perguntei.

– Não, falar sobre tais coisas lhes dá poder. Apenas a Luz, apenas o Deus, foi quem nos
manteve longe do poder dela da primeira vez. Foi a combinação de poder de todos os
clãs tigres que lhe deu o poder de impedi-la de conquistar o mundo.

– Olha, Bibiana, estamos todos em choque, mas ser capaz de chamar alguma
eletricidade e fogo não é o suficiente para deter a Mamãe Querida.

– Você só conseguiu ver o que o mais fraco do meu clã pode fazer, Anita. Você ainda
não viu do que o meu tigre negro Domino é capaz, mas se o Mestre dos Tigres e a
Escuridão Que Consome são reais, o poder que nossos clãs outrora tiveram pode ser
verdadeiro também.

– Bibiana, vamos voltar a falar sério – eu disse

– O tigre vermelho com quem você já dormiu pode chamar fogo de suas mãos, ele é um
pirocinético. Eles existem mesmo nos dias de hoje, entre os humanos.

– Tudo bem, nisso você está certa, mas tigres brancos são todos “metais”, o que parece
ser basicamente uma forma de eletricidade estática, na verdade. Isso não é uma arma.

– Tigres negros são “água”, Anita. O corpo humano é composto em sua maioria de
água.

– O que você está dizendo? – eu perguntei

– Estou dizendo que você apenas começou a tocar a superfície do que nós somos
capazes de fazer uma vez que você consiga trazer de volta nossos poderes.

– Cynric não tem ganhado nenhum poder novo.

– Ele é jovem e você dormiu com ele apenas uma vez, Anita.

– Uma vez já foi suficiente – eu disse.

– Tigres azuis têm o poder do ar. A lenda diz que os azuis podiam levantar tempestades
e fazê-las obedecer suas vontades. Os tigres dourados controlavam a terra e toda a
energia que dela provém.

– E qual o significado disso?

– Eles podiam fazer a própria terra obedecê-los.

– Você quer dizer terremotos? – eu nem tentava disfarçar a descrença na voz.

– Um dos membros do conselho que Jean-Claude derrotou em St. Louis era chamado
Earthmover, Anita. De onde você acha que veio esse nome?

Umedeci meus lábios, eu não tinha uma boa resposta para isso porque ela estava certa.
A única coisa que o impediu de tornar St. Louis uma pilha de destroços foi que
Earthmover deu sua palavra de honra de que não usaria aquele poder em particular para
derrotar Jean-Claude, mas ele cometeu o erro de quebrar minhas marcas vampíricas de
Jean-Claude e me tornar sua propriedade junto ao seu tenente vampiro. Seu erro foi
achar que eu colocaria uma estaca através do coração de Jean-Claude e não arriscaria
minha própria morte tentando matá-lo. Eles haviam me julgado mal.

– Okay, digamos que Cynric pudesse chamar tempestades, eu não tenho certeza como
me sinto sobre um menino de dezessete anos com esse tanto de poder na minha cidade.
– Mas não seria um poder dele, Anita, viria de você. Se você trazê-lo à tona os tigres
virão até você, e você será poderosa demais para que a Escuridão possa te engolir.

– Não sou uma vampira, Bibiana.

– Mas é exatamente o que você é, você apenas não bebe sangue, Anita. O tempo das
mentiras bonitas já passou. Já passou da hora, e a Escuridão está vindo. Se você não nos
salvar, ela então irá possuir todos os tigres, incluindo você, e uma vez que ela tiver uma
rainha dourada –você– como seu receptáculo, ela destruirá a todos nós.

– Eu não sou uma mulher-tigre. Não mudo de forma.

– Os amarelos foram feitos para serem nossos governantes. Algo como uma Rainha
Soberana. Alguns dizem que o poder de mover a terra pertence apenas aos amarelos.
Nós não teremos certeza de nada disso até que você traga mais dos nossos até atingir
todo o seu poder.

– Bibiana, isso tudo não passa de especulação. Você não sabe o que de tudo isso pode
ser possível.

– Não duvide, Anita. Você deve acreditar. Precisa ser algo real. Você precisa ser capaz
de guiar o poder de todos os clãs. Você precisa.

– Eu não preciso – eu disse.

– Sim, você precisa, porque se você falhar conosco, a Escuridão se levantará e


consumirá o mundo. Foi ela quem destruiu os tigres amarelos há muito tempo. Foi a
Escuridão quem sussurrou o mal nos ouvidos do Primeiro Imperador. Ela sabia que,
uma vez que perdêssemos os dourados, o Mestre dos Tigres não teria poder suficiente
para permanecer contra ela. Ela o esmagou, e chegou muito próxima de destruir a todos
nós, independentemente da cor.

– Você sabe como ela acabou em… coma nas cavernas? Porque lá era onde seu corpo
repousava, em uma caverna onde apenas a luz de tochas a tocavam. O conselho vampiro
havia tentando abandoná-la algumas vezes quando as guerras mundiais lhes forçaram a
se mudar para outros países, mas havia uma compulsão que não os deixava deixar seu
corpo para trás. Porém nenhum dos vampiros sabia por que ela havia caído no “sono”.
A única coisa que sabiam era que uma noite ela não despertou. Há mais de mil anos ela
dormia, até agora.

– Se toda a lenda é verdadeira, então foram os próprios guardas dela que fizeram isso.
Aqueles a quem os vampiros não são permitidos dizer o nome. Ela deixou alguns deles
mantendo os tigres dourados como animal a chamar, porque ela confiava totalmente
neles sendo leais a ela.

– Como eles a fizeram dormir?

– A história falava de um feitiço e sacrifício de vidas. Eles queriam matá-la, mas não
puderam fazê-lo.
– Não puderam, como em a-compaixão-não-deixou-com-que-o-fizessem ou como se ela
não pudesse morrer?

– Eles não conseguiram descobrir como matá-la permanentemente. Eles a ataram ao


corpo que habitou pela última vez e a deixaram lá.

– Por que os guardas contariam isso aos tigres?

– Porque caso eles tivessem se perdido haveria alguma memória do que acontecera e do
que seria necessário para derrotá-la.

– Bibiana, eu não posso ser algum tipo de salvadora dos homens-tigres.

– Uma salvadora não, Anita, uma mestra. Você precisa ser a Mestra dos Tigres.
Você deve ser a vampira que anda a luz do dia, que defende a noite de uma vez por
todas.

Eu perguntei o que tenho pensado desde que tudo aconteceu.

– Sua lenda conta como matar a Escuridão, ou como retorná-la ao sono em que
estava?

– Os guardas sem nome ainda existem. Pergunte a eles.

Eu balancei a cabeça e fiquei encarando minha mesinha de cabeceira. Na gaveta


superior estava minha cruz e uma peça antiga de metal. A Guarda Vampira Sem Nome
eram os Harlequin. Eles haviam me dado o amuleto na primeira vez em que a Mãe de
Toda a Escuridão bagunçou comigo. Supostamente isso a manteria fora da minha mente
e corpo. Funcionava, mas tinha que ser limpo e recarregado periodicamente, como uma
arma que precisa ser recarregada. Minha cruz apenas funcionava, mas era tudo sobre ter
fé, e o amuleto com o símbolo de um tigre de muitas cabeças impresso nele era sobre
mágica, não fé. Quanto mais bruxas eu conhecia, mais eu percebia que havia diferença.

Os Harlequin eram tão assustadores que apenas mencionar seu nome podia
trazê-los até sua porta com uma permissão para te matar. Eles eram a elite entre os
vampiros, fortes o suficiente para possuírem seus próprios territórios, ou mesmo serem
membros do conselho, mas escolheram cortar todos os laços com suas próprias
linhagens de sangue e serem uma combinação de espiões, policiais e executores para a
comunidade vampira. Supostamente apenas o conselho podia colocá-los na ativa, mas
isso ainda era verdade ou a Mãe de Toda a Escuridão já havia pego de volta seus
guardas? Se ela tivesse, nós estávamos ferrados, já era, acabou antes mesmo de
começar. A Mamãe Querida ainda estava fraca, mais fraca do que na época em que o
conselho contratou mercenários para acabar com ela antes de vir ao reino. No passado
ela tinha me possuído diretamente e mais facilmente. Talvez a perda de seu corpo não a
tenha destruído por completo, mas a enfraquecido. Ela precisava de outros vampiros
para falar conosco, nos dominar. Se havia uma maneira de destruí-la definitivamente,
nós tínhamos que fazê-lo rápido.

– Anita, você está aí?


– Desculpe-me Bibiana, você acabou de me dar muito para processar. Estou
pensando nisso tudo.

– Não pense tanto, Anita. Irei contatar as outras rainhas dos clãs e incitá-las a lhe
enviar pessoas. Nossa única esperança reside em uma rápida ascensão ao poder.

– Eu ainda não concordei com tudo isso, você sabe.

– Eu sei, e sei que você é cética por natureza, mas não há tempo Anita. Nosso
tempo de hesitação se foi. Temos apenas ação diante de nós, e eu rezo por uma ação
rápida da sua parte.

– Então o que, eu transo com todo mundo até que eles atinjam o próximo nível
de poder como algum jogo de computador pornô? – Tive a certeza de colocar todo o
desprezo que consegui direcionar na minha voz. Eu era boa em desprezar, era uma das
minhas especialidades.

Nathaniel e Damian me tocaram ao mesmo tempo, acalmando-me com suas


mãos e sua proximidade. Asher colocou sua cabeça em meu colo, como se eu não
estivesse toda coberta de gosma. Com todas essas coisas terríveis acontecendo e ele
parecia determinado a se concentrar nas coisas boas. Não era de seu feitio ser alegre,
mas ser sensual sim. Bibiana fez um barulho estridente para mim.

– Faça todas as piadas que quiser, mas faça o que precisamos que você faça, ou
da próxima vez a Escuridão irá começar a possuir todas as rainhas dos clãs.

– Ela não pode possuir alguém que não seja um vampiro – eu disse.

– Por que não? Por que o membro do conselho conhecido como Viajante é assim
tão limitado? – era a vez de Bibiana soar com desdém.

– Sim – eu disse, minha voz longe de demonstrar certeza.

Ela riu, mas era um som áspero.

– Você ainda não entende o que ela é. Ela é uma das originais. Tem poderes que
os outros imitam, mas nenhum deles tem o mesmo nível de habilidade. São apenas
pálidas imitações dela. Ela pode e vai possuir quem não é vampiro também se isso
servir ao seu propósito.

– Humanos? – perguntei.

– Acredito que não. Acredito que seja mais vampiros e metamorfos felinos. Os
animais a chamar dela e seu povo são todos como cavalos para cavalgar se nós
permitirmos que seu poder cresça o suficiente.

– Grande parte disso é adivinhação, Bibiana.

– Se Adão e Eva de repente entrassem por sua porta, você não teria acreditado
na serpente?
– O quê?

– Esta é uma história tão antiga para os tigres quanto o Jardim do Edén é para os
humanos. Nós acreditávamos que sua história fosse uma metáfora também, mas quando
o vilão daquela história se torna real, a história é simplesmente verdadeira, Anita. A
história é de verdade, e você precisa processar isso, ou tanto faz a palavra que você
escolher. O faça imediatamente e haja de acordo com a realidade. Você precisa fazer
isso por nós, Anita, ou ela irá tomar os vampiros, um por um, e então irá se mover
contra os tigres e tomá-los também. Quando ela tiver todo esse poder para manejar ela
se reerguerá e mergulhará o mundo nas Trevas. Você não entende isso?

– Toda história da criação tem uma cláusula de fim do mundo, Bibiana.


Geralmente são apenas histórias de inundações ou terremotos que eram locais para as
pessoas originais. Desastres que pareciam à destruição do mundo, mas se você viajasse
algumas centenas de quilômetros veria que não era.

– Você sentiu o poder, Anita. Você sentiu que ela não ama, ou se importa. Ela é
inteligente e o mais próximo de uma sociopata perfeita. Ela se preocupa apenas com sua
própria dor, todo o resto do mundo é apenas brinquedo para usar, não pessoas de
verdade, seres de verdade. Você realmente acredita que ela irá parar após ter destruído
apenas os vampiros?

Deixei que o silêncio se formasse enquanto o aperto frio no meu estômago


crescia e se espalhava em calafrios sobre minha pele.

– Não.

– Então pare de tentar utilizar lógica em pesadelos. Às vezes os monstros são


reais, Anita. Às vezes eles são de verdade, e o único jeito de vencê-los é ser um monstro
ainda maior.

– Espere, se eu puder fazer tudo o que você disse, por que eu seria o monstro
maior?

– Você acredita de verdade que você poderia lidar com todo esse poder e resistir
à tentação de usá-lo?

– Sim.

– Anita – ela disse meu nome do jeito que minha madrasta costumava dizer
quando eu tinha quinze anos.

—Você não me quer usando o poder se eu puder obtê-lo? Não é esse o ponto?

—Sim, mas eu não estou apenas confiando em você com o poder, Anita. Eu espero que
assim que você usá-lo para derrotar a Escuridão, você não vá virar toda a luz e poder
contra nós. Estou confiando em seu senso de honra e moralidade, tanto quanto estou
confiando em suas habilidades psíquicas.

– Você só me encontrou uma vez. Isso é uma baita de uma confiança.


– Coloquei meu filho e Cynric, o único tigre azul que ainda existe, e alguns dos
mais poderosos homens-tigre em um avião essa manhã. Se eu não tivesse fé em você, eu
te enviaria pessoas tão preciosas assim?

Eu não sabia o que dizer. Argumentar que ela estava enganada parecia
ingratidão, um “obrigada” parecia inadequado. O que você diz quando alguém confia
em você assim?

– Farei o meu melhor para não machucar ninguém.

– Vê, Anita? Você não diz que fará o seu melhor, mas que fará o seu melhor
para não machucar ninguém. Você acredita que seu compasso moral está quebrado por
causa do sexo, mas eu acredito que se você superar a ideia de que isso seja pecado, sua
bússola moral apontará para o norte.

– Não coloque toda a sua fé em mim, Bibiana.

– Em quem mais eu poderia colocar?

E para isso, não havia realmente nada a dizer. Não que eu me importasse tanto
com tentar salvar o mundo, mas a ideia de que se eu falhasse não haveria um plano
reserva… Nós precisávamos de um plano reserva.

[1] A Anita se refere ao tema de uma série clássica de detetive dos anos 80,
instrumental de saxofone

[2] Linebacker é o jogador defensivo no Futebol Americano.


CAPÍTULO 14

Eu mal desliguei o telefonema de Las Vegas antes do meu celular começar a tocar a
música-tema d’A Família Soprano. Olhei para Nathaniel e ele disse:

— Augustine, Mestre de Chicago.

— Porque ele é um chefe da máfia, — eu disse. Nathaniel assentiu.

Eu respondi ao telefonema. Estava realmente ficando congelada sentada aqui com


gosma de metamorfo me cobrindo. Tentei tirar um pouco da seda, agora arruinada, de
cima de mim. Os homens responderam, chegando mais perto de mim, até mesmo Asher
se derramou mais em meu colo, então fui forçada a colocar um braço em torno dele para
impedi-lo de cair. Eu respondi:

— Ei, Auggie.

— Fui visitado por alguém que você me assegurou que estava morto. — Ele não estava
na sua disposição provocadora habitual. Ele costumava ser muito casual, mas esse seu
tom de voz era muito mais sério, escolhendo as palavras com cuidado. Era a voz que ele
usou quando não se importou que eu soubesse que ele tinha visto Roma em seu auge.

— Foi uma surpresa para nós também, — eu disse, minha voz um pouco menos feliz
também. A seda molhada não era quente o suficiente para me embrulhar, então parei de
tentar. Damian, Nathaniel e Asher me abraçaram. Nicky, com sua pele macia de leão,
veio envolver-se com todos nós como se estivesse tentando ser o casaco de pele de
todos. Eu meio que esperava que um dos outros homens protestasse, mas ninguém
reclamou. Jean-Claude, Micah e Richard ainda estavam na porta conversando. Domino
ainda estava do lado de dentro como o guarda que ele era, mas Crispin tinha ido se
limpar.

— Se é suposto Jean-Claude ser, de fato, o nosso líder nos EUA, não deveria ter sido
uma surpresa, —disse Auggie.

— Ela foi explodida, Auggie. Deveria estar morta. — Nicky nos abraçou um pouco
mais apertado e eu me forcei a relaxar nos braços de todos para que Nicky também
relaxasse. Meu relaxamento pareceu liberar alguma tensão nele, porque ele suspirou e
esfregou seu rosto contra meu cabelo e a bochecha de Nathaniel. Como a maioria dos
animais de estimação, Nicky gostava de acariciar e não era sobre sexo. Não mais do que
uma pilha de gatinhos dormindo juntos seria.

— Bem, eu acho que não estava. — Auggie parecia zangado.

Percebi que ele estava fazendo um de meus truques, escondendo seu medo com a raiva.
Pensar isso me ajudou a não ficar com raiva.

— Olha, Auggie, nós todos tivemos um choque esta noite. Diga-me que lenda, sonho ou
seja lá o que você viu. O que ela fez ou tentou fazer com você?
— Ela fingiu ser Belle Morte, Anita. Mas não era ela. — Houve pesar na última palavra.
Auggie, como todos os vampiros que uma vez foram parte de seu círculo íntimo,
sempre lamentaram a sua perda, mesmo quando ela os aterrorizava. — Ela tentou entrar
em mim. Tentou me levar, Anita. Mas precisava de permissão. Tenho a impressão de
que se eu tivesse dito sim à sedução da falsa Belle, teria dado à ela a permissão de que
precisava para me levar. E então, ela foi arrancada de mim. Eu senti raiva e medo. Senti
que ela precisa de um vampiro que tenha gatos grandes como seu animal para chamar.
Ela está mais fraca do que costumava ser ou não precisaria de permissão, apenas abriria
seu caminho através de um de nós.

— Mamãe Querida levou um ano para fazer isso com o conselho. Eu acho que ela está
andando por aí como uma sombra ou fantasma de si mesma até estar forte o suficiente
para atacar. A explosão a machucou, Auggie.

— Mas não o suficiente, — disse ele.

— Concordo, — eu disse.

— O que ela faz para se manter viva e como ela se fortaleceu? Se pudéssemos descobrir
isso, poderiamos evitar que ela fique mais forte do que está neste momento. Apenas
impedi-la de se tornar mais forte já seria algo.

— Ela tem um ponto de apoio em Belle Morte e Padma. Eles são fortes o suficiente
para nos dar alguns grandes problemas. — eu disse.

Um telefone tocou e desta vez foi apenas um bom toque normal. Claro que não era o
meu telefone, eu ainda estava conversando com Auggie. Domino tirou o celular do
bolso.

Eu senti leão e não era Nicky. Senti a energia como se estivesse de pé no meio da grama
queimada pelo sol, com aquela luz quente batendo em mim. E sobre tudo, o cheiro de
gatos e peles. Leões.

Domino falou com Jean-Claude que apontou para mim. Ele veio ao redor da cama para
ficar em frente a nós.

— Haven está aqui com a maioria de seus leões. Os músculos, ou o que for. Ele está
exigindo que o deixem entrar. Os guardas na porta não o deixarão entrar com tantos
reforços.

— Posso senti-los. — Eu tremi e Nicky nos segurou mais apertado, rosnando em meu
ouvido.

— Se você me deixasse lutar com ele, eu seria seu novo Rex e ele estaria morto.

Auggie estava falando de novo. Coloquei o telefone mais perto para ouvi-lo.

— Eu sinto os leões, Anita. Você e Haven precisam resolver as coisas.

— Diga isso a ele — falei.


— Eu falei, — ele disse.

— O que diabos você disse para ele fazer? — Perguntei.

— Eu não disse a ele para vir com todos os seus homens e desafiá-los.

— O que você disse a ele?

— Que qualquer coisa que prejudique a base de poder de Jean-Claude agora é uma
coisa ruim. Disse a ele para encontrar um equilíbrio entre você, ele e o novo leão, Nick.
Mas você tem que domar Haven, Anita. Voce tem que se certificar de que os leões estão
sob seu controle e do seu mestre vampiro.

— Eu não sou um verdadeiro vampiro, Auggie. E eu não tenho todas as habilidades


loucas de que preciso.

— Você tem, só é humana demais para querer usá-las.

— O que quer dizer com isso?

— Significa que você sente pena das pessoas. Significa que você deixa seu coração
entrar no caminho dos negócios.

— E você não? — Perguntei.

— Eu não, — Respondeu ele.

— Vou me lembrar da próxima vez em que você nos visitar. — Eu disse suavemente.

— Jean-Claude te ajudou a envolver-me, Anita. Sem ele eu teria te tomado e nossa


estrutura de poder seria revertida. Você precisa dele para ajudá-la a controlar os gatos.

— Eu acho que Haven mataria a nós dois se tentássemos compartilhar sexo com ele.

— Mande Jean-Claude experimentar as novas fêmeas que Haven está recrutando para
seu orgulho. Elas não são como as cabeças de vento que ele levou para sua Regina.
Acho que você e Jean-Claude vão gostar mais dos dois.

— Você ajudou a selecionar?

— Sim.

— E você ia nos dizer quando?

Eu o ouvi respirar fundo e depois soltar. Tive um momento para sentir quão mais quente
sua energia poderia ser do que a da maioria dos vampiros. Sua energia podia segurar um
traço maior do calor de seu animal para chamar do que de qualquer outro mestre que eu
já conheci.
— Eu a sinto do lado de fora da sua porta. Apenas a deixe entrar. Ajudei a conseguir
mulheres com quem eu acredito que você poderia realmente se dar bem. E mulheres que
Jean-Claude realmente poderia gostar.

— Você quer dizer o que? — Perguntei.

— Jean-Claude é mais filho de Belle do que eu, Anita. Seu poder sobre seus animais,
sobre tudo, veio através do sexo. Deixe-o experimentar alguns dos gatos e veja se ele
ganha a habilidade de chamá-los. Isso o tornaria muito mais poderoso. Isso poderia
ajudá-lo a controlar todos os grupos de animais baseados em felinos.

— Você falou com ele sobre isso?

— Minha palavra de honra de que será uma grande surpresa para Jean-Claude, assim
como é para você.

— Não seja todo maquiavélico para cima de mim, Auggie, eu não gosto.

— Não é Maquiavel, Anita, mas Cupido. Pegue Jean-Claude e vá domar seus gatinhos
antes que alguém se machuque.

— Como vou domá-los? — Eu perguntei.

— Deixe-me lutar com ele, — Nicky rosnou.

Auggie disse:

— Se você pudesse ganhar a luta, domaria Haven, mas ele é bom lutando.

— Eu posso fazer, — Nicky disse, esfregando seu rosto contra meu cabelo.

— De que outro jeito? — Insisti.

— O sexo seria uma solução temporária. Isso suavizaria as coisas hoje à noite.

— Então devo recompensar seu mau comportamento, — eu disse.

— Qual é o seu objetivo para esta noite, Anita?

— O que você quer dizer? — Eu perguntei.

— O que você quer que aconteça com os leões neste momento?

— Quero que todos sobrevivam à essa noite. Ninguém morre. — Eu pensei mais um
pouco. — Eu gostaria de fazer de todos nós um grupo coeso. Precisamos levar nossas
coisas com ordem aqui, especialmente depois do que aconteceu com Mamãe Querida.

— Então lhe ofereça sexo em troca dele enviar a maioria dos leões para casa. Ele é Rex,
então tem o direito de manter um par de guarda-costas.
— Você realmente acha que fazer sexo comigo vai fazê-lo mandar os guardas para
casa?

— Lembre-se de com quem você está falando, Anita. Era tudo o que eu podia fazer,
depois de fazer sexo com você e Jean-Claude, para não ficar em St. Louis como um
animal de estimação. Confie em mim, ele vai dizer sim.

— Aquilo foi Jean-Claude fazendo jogos mentais metafísicos, Auggie. Haven não vai
por isso.

— Pergunte a Jean-Claude o que ele poderia fazer para ajudar a jogar com a mente de
Haven enquanto mantém as mãos longe. Além do mais, você enrolou completamente o
outro homem-leão. Ele é uma maldita noiva, Anita, ou eu acho que noivo, mas o que
quer que seja, você pode fazer isso se sair de seu próprio caminho.

— O que isso quer dizer?

— Isso significa que você se sente mal com o que fez com o outro homem-leão.

— Eu tomei seu livre arbítrio, Auggie. Ninguém tem esse direito.

— Eu não vou discutir certo e errado com você, garota, mas vou apontar que se Haven
não estivesse tão encantado com você quanto este Nick está, você não teria uma horda
de leões metamorfos irritados prestes a ultrapassar as ameias.

Eu não sabia o que responder a isso enquanto Nicky nos abraçava com mais força.

— Diabos, Anita, se você o tivesse levado como seu Rex da maneira como fez com seu
Nimir-Raj, ele seria mais manejável. Eu não o teria te enviado se pensasse que você
hesitaria. Ele é muito perigoso para se continuar brincando. Você precisa mantê-lo ou
matá-lo, Anita.

— Posso mandá-lo de volta para casa?

— Não, ele é um Rex. Se você o enviar de volta, meu Rex o matará. — Eu ouvi tecido
se mover ao telefone como se ele mudasse de posição. — Agora, se você quer enviá-lo a
mim para que o matemos por você, eu posso fazer isso.

— Não.

— Seria mais fácil para a sua consciência – disse ele.

— Se você acha isso, é porque não entende minha consciência, Auggie.

— Há tantos séculos que eu tive alguma consciência própria que eu já não compreendo
completamente.

— Não faria com que me sentisse melhor mandá-lo para casa para uma morte certa.

— Então o que você vai fazer? — Ele perguntou.


— Eu faço meu próprio assassinato.

— Então faça, Anita. Faça isso antes que ele rasgue sua casa.

— Não quero matá-lo.

— Mate-o, foda-o, faça-o seu Rex da maneira como fez com Micah, torne-o seu animal
para chamar como Nathaniel, faça dele seu noivo como Nick, mas você vai ter que fazer
alguma coisa.

O telefone de Domino voltou a tocar. Ele se virou para pegá-lo, mas a posição de seus
ombros me deixou saber que a notícia não tinha melhorado.

— Obrigado pela conversa, Auggie.

— Você tem que ajudar Jean-Claude a arrumar a casa, Anita, como ontem. Você tem
que fazer o que precisa fazer ou a Mãe de Toda as Trevas vai nos comer vivos, e
mortos-vivos.

— Certamente é muito bonito o que Bibiana disse.

Domino disse:

— O que você quer que façamos? Os leões dizem que vêm em seu socorro. Os guardas
podem abrir a porta ou podem deixar eles quebrarem-na, mas eles estão entrando.

— Quantos homens? — perguntei.

— Vinte e cinco.

— Merda, ele não tem muitos soldados, o que significa que ele trouxe bucha de canhão,
também.

— Se Jean-Claude tiver relações sexuais com uma das leoas ao mesmo tempo que você
está tendo com o Rex, ele pode ser capaz de usar seus poderes sem tocar em Haven, —
disse Auggie.

— Mais tarde vou suspeitar de que você e Jean-Claude montaram isso para que ele
pudesse foder outras mulheres, mas agora, eu tenho que pensar no que dizer aos leões.

Auggie disse:

— Eu falarei com você primeiro.

Olhei para Domino.

— Diga a Haven que precisamos de tempo para nos limpar, então vamos encontrá-lo e a
alguns de seus leões.

— Quantos deles você quer deixar entrar? — Domino perguntou.


Virei-me para olhar para Jean-Claude, Richard, e Micah perto da porta.

— Jean-Claude, quantos leões você quer aqui?

— O mínimo possível.

— Quantos seria isso? Eu estou tentando ter uma idéia de que quantidade é um bom
negócio, Jean-Claude.

Ele olhou para mim, a cabeça inclinada para um lado como se estivesse pensando, então
ele se virou para Domino.

— Quantos guardas temos aqui?

— Você quer dizer quantos corpos? — Ele perguntou.

— Sim, é isso que quero dizer.

— Doze.

— Em quanto tempo poderíamos conseguir mais? Eu gostaria, pelo menos, de uma


proporção de dois para um.

— Deixe-me perguntar a Cláudia. Ela conhece os recursos dos homens-rato melhor do


que eu.

Asher se voltou em meu colo para poder olhar para Jean-Claude.

— Temos mais de cem homens-hienas que podem lutar e vinte e cinco nos quais eu
confiaria contra Haven e seu povo.

Eu disse:

— Pensei que você estava ameaçando levar seus homens-hiena para ir jogar em outro
lugar.

Ele girou a cabeça e os ombros no meu colo e Nathaniel teve que me ajudar a impedi-lo
de deslizar para o chão. Asher me olhou com aqueles olhos azul pálidos.

— A Mãe de Todas as Trevas está atrás de todos nós. Eu não vou dividir nossas forças,
mas você sabe por que eu estava saindo, Anita. Você sabe o que eu precisava para ficar
e agora eu tenho. — Ele sorriu.

Eu sorri para ele, porque eu não o estava vendo através dos meus olhos, mas através
desse brilho de décadas de lembranças de um tempo em que Jean-Claude realmente o
amava.

— Então, quanto tempo para suas hyenas chegarem aqui?


— Meia hora, quarenta e cinco minutos, dependendo do quão armado você quer que
estejam.

Olhei para Jean-Claude.

— Quantas armas queremos?

— Podemos matar seus leões, ma petite?

Eu pensei sobre isso.

— Não quero machucá-los, mas se eles tentarem lutar contra nós, não serão mais meus
leões. Serão apenas um perigo para nós.

— Você sentirá falta do seu “Cookie Monster” se o matarmos.

Eu sorri quando ele usou meu apelido para Haven, mas balancei a cabeça.

— Sinto falta do que ele poderia ter sido para mim, mas ele nunca foi um namorado,
mal um amante. Hoje à noite ou eles respeitam a linha traçada, ou eles têm que ir.
Auggie diz que se o mandarmos para casa, o Rex local vai matá-lo. Não deixarei que
outra pessoa faça o meu trabalho sujo.

Jean-Claude tocou minha bochecha, então me virou para olhar para ele. Eu nem percebi
que tinha olhado para baixo.

— Se você quer dizer isso, então podemos terminar isso esta noite, antes que todos os
pequenos vampiros maus tenham de ser postos no chão.

Asher estendeu a mão, acariciando a coxa de Jean-Claude. Ele se aproximou de nós,


para que Asher pudesse passar a mão pela parte de trás de sua coxa.

Balancei a cabeça.

— Eu vou ligar para ele. Vamos nos limpar e faremos isso. — Eu não queria matar
Haven. Eu não queria matar nenhum deles. Mas ele não podia levar homens armados
para nossa casa e exigir que o deixássemos entrar. Não podíamos deixar isso passar e
ele tinha que saber disso. Enquanto tomava um banho rápido para não entrar na reunião
coberta de gosma de metamorfo, percebi que Haven decidiu encerrar as coisas hoje à
noite, também. Ele até tinha trazido seu pessoal mais forte com ele, de modo que se
matássemos todo o orgulho, estaríamos novamente do jeito que estávamos antes que ele
viesse. Seria um estado fraco, e faríamos com que fosse mais acessível para que outro
Rex chegasse e construísse o que ele queria. Haven estava fazendo a sua versão do
suicídio pela polícia, e nós éramos os policiais.
CAPÍTULO 15

Uma hora mais tarde estávamos na sala de estar de Jean-Claude esperando os leões.
Haven concordou com quase tudo o que eu pedi e quase sem nenhuma negociação. Ele
mantinha dois de seus guardas, o que era habitual para um líder metamorfo. Se ele não
tivesse pedido que eles o acompanhassem pela longa escada, eu não o teria deixado vir,
porque para mim, isso significaria que ele estava planejando me forçar a matá-lo. Eu
ainda estava esperando salvar a situação e impedir que se tornasse uma bagunça de
proporções gigantescas. Haven sugerira trazer as duas novas leoas para que nos
encontrássemos, e graças à pequena conversa que Auggie teve comigo, eu concordei.

Jean-Claude sentou-se ao meu lado no grande sofá branco que ficava de frente para as
cortinas e para a porta de saída. Nós tínhamos tomado banho, mas não tínhamos tido
tempo para fazer mais do que colocar gel nos cabelos e ir com os cachos ainda úmidos
em torno dos nossos ombros e descendo por nossas costas. O cabelo molhado impedia o
uso de camisas de seda, por isso Jean-Claude optou por outro par de suas calças de
couro sempre presentes e que pareciam ter sido pintadas em seu corpo. A camisa que ele
escolheu era de malha preta com mangas compridas. Elas cobriam todo aquele peito
pálido e permitiam um vislumbre fantasmagórico de sua pele através do tecido. Ele
tinha escolhido um dos meus pares de botas favoritos, aqueles que se atavam na parte de
trás de suas pernas, do tornozelo até o topo das coxas, de modo que as calças pareciam
quase excessivas, como se as botas tivessem sido projetadas para serem usadas com
short’s muito curtos.

Richard estava de volta ao jeans com que tinha começado a noite, mas sua camiseta
vermelha tinha ficado manchada além do reparo, assim, um colete de couro que ainda
coubesse na parte superior de seu corpo mais musculoso era o bastante. Seu cabelo
castanho parecia muito escuro, quase moreno, fresco da água. Ele tinha amarrado
novamente em um rabo de cavalo para que desse a ilusão de que ele tinha cabelos
curtos. Eu honestamente esperava que ele partisse antes de nos encontrarmos com os
leões. Ele havia dito: “Na última vez em que Haven esteve nesta sala ele tentou ferir
seriamente alguns de seus outros leões. Eu tive que bater a merda fora dele para impedi-
lo. Năo posso ir embora até saber que todos estăo seguros. Jean-Claude pode precisar de
seu triunvirato esta noite.”

Eu não podia discutir com sua lógica, mas pela primeira vez em muito tempo Richard
estava sentado do outro lado de Jean-Claude, de modo que o nosso “mestre” estava no
meio. Shang-Da e Jamil ficaram atrás do sofá em suas costas com Wicked e Truth atrás
de Jean-Claude. Cláudia e Domino estavam atrás de mim. Fredo, mais dois homens-rato
e um lobisomem estavam perto da porta. Os homens-rato não eram um animal que eu
pudesse chamar, mas provaram que eram leais a mim mais de uma vez. Ambos
tomavam minhas ordens antes de acatarem as de Jean-Claude. E Cláudia não gostava de
Richard. Ela achava que ele era apenas outro cara que queria sua namorada descalça e
grávida. Uma vez que eu também me senti dessa forma por um tempo, era difícil
discutir sobre isso.

Os cachos pretos e brancos de Domino combinavam com seu conjunto preto-sobre-


preto. Normalmente ele teria usado vermelho para mostrar que ele estava disposto a ser
um doador de sangue ou de sexo, mas Jean-Claude queria que nós mostrássemos estar
do mesmo lado. Eu não tinha discutido. Domino também não.
Crispin estava no corredor, fora da luta. Ele não fora treinado com uma arma. No mão a
mão ele era bom o suficiente, mas se tivéssemos de matar os leões, esta noite requereria
armas. Qualquer um ao nosso lado que não fosse um atirador tinha que ficar longe desta
reunião. Jason estava em seu quarto com J.J. Eu sugeri que ele a levasse a um hotel esta
noite, mas ela recusou. Cardinale estava no quarto de Damian esperando por ele. Nós
estávamos sendo tão civilizados quanto poderíamos ser.

Mesmo depois de tudo o que tínhamos feito juntos na cama, Richard ainda não queria
colocar Jean-Claude entre nós, mas Nathaniel estava ao meu lado com Damian ao lado
dele. Jean-Claude pensou que era hora de que eu levasse meu próprio triunvirato para
um passeio. Ele estaria lá para me ajudar e eu teria o exemplo do que ele tinha
aprendido comigo e Richard, mas Haven era meu gatinho para chamar, não de Jean-
Claude. Auggie estava certo, os gatos eram meus. Eu tinha que fazê-los se
comportarem. A menos que pudéssemos descobrir uma maneira de Jean-Claude ganhar
poder sobre os leões, a coisa era comigo. Eu pensei sobre ele dormindo com uma das
novas leoas. Tentei envolver minha cabeça com a idéia de ele dormir com outra mulher
e me perguntei honestamente se eu poderia deixar e como eu me sentiria sobre isso. Não
tinha certeza, mas ter algo a mais do que apenas eu para controlar os leões diretamente
teria sido uma coisa realmente boa de se ter à mão naquele minuto.

Nathaniel e eu estávamos ambos com camisetas pretas regulares feitas com esse
material de malha macia. A dele era quase demasiadamente confortável para os
músculos de seu peito, de modo que o pano o cobria e ainda assim conseguia dar dicas
de tudo o que estava por baixo. A minha me servia bem, mas felizmente não estava tão
apertada sobre o sutiã preto sem costura que eu usava. Eu estava de jeans pretos e um
par de botas pretas na altura dos tornozelos. Eram um meio termo entre os tênis que eu
queria usar e os saltos altos que Jean-Claude queria. As botas eram confortáveis e eu
podia me mover com elas. Nathaniel usava um par de jeans tão lavados que eram quase
brancos, com furos aqui e ali. Era o tipo de coisa que os metamorfos usavam quando
pensavam que poderiam ter que mudar rápido e não queriam arruinar algo de que
gostassem. Ele estava inclinado, descalço ao meu lado no sofá. Novamente, no caso de
ele ter que mudar rapidamente. Seu cabelo trançado descia por suas costas. Ele estava
pronto para lutar e eu não gostei disso. Richard era um lutador muito melhor e ele quase
perdeu para Haven. Se houvesse uma luta entre o leão e Nathaniel, eu acabaria atirando
em Haven. Eu já tinha tomado essa decisão.

Eu estava carregando minha Browning BDM em seu coldre de ombro feito sob medida
e também levava minha arma reserva em um coldre nas costas. O coldre personalizado
me deixava levar uma faca de ponta de prata do tamanho do meu antebraço ao longo da
minha espinha. Meu cabelo escondia o cabo. Eu estava munida ainda com minhas duas
bainhas de pulso carregadas com as lâminas de prata e gume duplo. Eu tinha vestido um
dos meus casacos pretos para não parecer tão bem armada. A única concessão para não
matar Haven, realmente, era a minha Browning carregada com chumbo regular. Seria
doloroso e seu corpo teria que se curar, mas não o mataria. Minha arma de reserva
estava carregada somente com prata. Assim, se eu usasse quatorze balas em Haven e
tivesse que ir para a minha arma de reserva, eu não estaria mais atirando para ferir.

Eu tinha deixado no quarto apenas uma coisa, que normalmente usava para uma luta: a
minha cruz. Como eu ia tentar fazer o meu próprio triunvirato se alinhar, o que era,
tecnicamente, um poder de vampiro, estar usando um objeto sagrado que brilhava
quando poderes vampiros eram usados parecia uma má idéia. Nunca tinha brilhado
quando eu fazia coisas com poderes vampiros antes, mas seria um mau momento para
que isso mudasse. A única coisa em volta do meu pescoço era uma corrente de ouro
com o pequeno amuleto do gato com várias cabeças que mantinha longe a mãe de toda a
escuridão. Parecia uma ideia muito boa. Na verdade, eu iria dormir com ele a partir de
agora e colocaria a cruz na mesa de cabeceira. O amuleto, o feitiço, o que quer que
fosse, não parecia se importar com que tipo de merda vampira acontecia em torno dele.

Damian estava do outro lado de Nathaniel usando calças pretas e casaco combinando,
sua camiseta branca muito rígida em todo esse preto. Seu cabelo comprido e molhado,
muito vermelho, parecia um néon rubro contra a jaqueta preta.

As duas cadeiras estofadas com suas almofadas de prata e ouro haviam sido arrumadas
em cada extremidade de sofá. Micah sentou-se na cadeira mais próxima de Damian. . .
isto é, do meu triunvirato. Ele estava de terno preto, mas com uma camiseta verde-pinho
profundo que fazia seus olhos verde-amarelados mais verdes do que amarelo.
Normalmente a camisa fazia seus olhos parecerem muito verdes, mas Damian estava
sentado muito perto dele e Damian tinha os olhos mais verdes que eu jamais vi. Asher
sentou-se na grande cadeira estofada na extremidade mais próxima de Richard e Jean-
Claude. Estava em frente à lareira artificial. Apesar do potencial desastre da Mãe de
Todas as Trevas erguendo sua cabeça assustadora hoje à noite, Asher era a pessoa mais
feliz e relaxada que eu já tinha visto. Bem, eu pessoalmente. Eu tinha lembranças do
passado de Jean-Claude, mas neste tempo e lugar Asher era um menino muito feliz.

Ele estava enrolado na cadeira, daquela maneira desossada e confortável que Jean-
Claude podia fazer, ou Nathaniel. Asher usava um par de calças de couro pintadas como
as de Jean-Claude, mas suas botas eram meio pretas. Asher tinha encabeçado o
equipamento com uma camiseta preta feita de algum material brilhante, agarrado.
Assim, talvez camiseta não fosse a palavra certa para isso.

Seu cabelo dourado, no comprimento dos ombros, parecia mais marrom porque ainda
estava molhado do chuveiro, mas contra o preto da camisa o ouro brilhou ainda mais.
Eu sabia que o contraste cresceria quando seu cabelo secasse.

O fato de que ele estava disposto a ser visto tão publicamente com o cabelo molhado o
suficiente para que não pudesse esconder as cicatrizes em seu rosto disse mais do que
quase qualquer coisa sobre quão bem ele estava se sentindo. Gostei de vê-lo assim.
Jean-Claude olhou para mim e eu peguei um sorriso. Eu não era a única a estar feliz
vendo nosso garoto mal-humorado mais otimista. Eu lutei para não olhar para o outro
garoto mal-humorado com seus guarda-costas lobisomens. Engraçado, eles estavam se
comportando muito bem. Haven parecia estar tentando compensar os dois. Talvez
devêssemos permitir apenas que todos estivessem muito felizes sem o mal-humor para
temperar? Algum dia eu gostaria de tentar que todos estivessem de bom humor ao
mesmo tempo, mas não seria hoje, ou melhor, não seria esta noite.

Os dois homens-hiena de Asher estavam em um lado de sua cadeira, mas ele parecia
mais interessado em Jean-Claude e até mesmo em Richard, a quem ele tinha perguntado
se poderia tocar fora do quarto. Richard tinha, sabiamente dito: “Defina toque.” O que
foi uma resposta legal que queria dizer não. Jean-Claude tinha dito a Asher para não
empurrá-lo, usando muitas palavras mais educadas, mas que equivaliam à mesma coisa.
Asher não tinha sequer ficado chateado, pela primeira vez.

Eu tinha feito Nicky descer mais para o subterrâneo, para a área onde os metaforfos
mantinham alimentos para novas mudanças. Os alimentos eram gado, a maioria belos e
pequenos ou carnes frescas. Nicky não queria deixar o meu lado, mas já que ele era um
dos principais pontos doloridos para Haven, tê-lo de pé ao meu lado em sua forma de
meio-leão, especialmente todo nu, provavelmente não iria ajudar as coisas.

Micah tinha dois guardas nas suas costas também, mas, como eu, ele não tinha
leopardos suficientes para todos. Ele tinha Lisandro, alto, escuro e bonito, com cabelos
negros até os ombros puxados para trás em um rabo de cavalo. Ele tinha cerca de dois
metros de altura. Somente Cláudia era mais alta, embora o guarda ao lado dele deu a
Lisandro uma corrida para seu dinheiro. Abraham, Bram para abreviar, era novo em St.
Louis. Seu cabelo estava raspado e apertado em sua cabeça, deixando as bochechas altas
e a aparência esculpida de seu rosto muito nu. Ele conseguia parecer tão rígido como
alguma peça de arte, como se sua estrutura óssea fosse perfeita e o cabelo apenas nos
teria distraído disso. Sua pele era tão perto de ser preta que brilhava com destaques azul
e roxo na luz brilhante. Eu nunca tinha visto ninguém tão escuro. Em forma de
leopardo, ele era loiro. Descobriu-se que não era a genética humana que ditava a cor da
forma animal. Era a genética do metamorfo que o infectou. Micah e Nathaniel foram
transformados por leopardos negros, então sua forma animal era preta. Bram tinha sido
transformado por um leopardo amarelo, então ele era amarelo. O mesmo ocorria com a
pele de lobo. Por isso Richard tinha a pele mais vermelha do que a de qualquer um em
seu bando. Ele tinha contraído licantropia de um lote ruim de vacina, e não de um
membro de sua alcatéia.

Micah explicou: “É por isso que algumas subespécies extintas ainda existem como
estirpes de licantropia mesmo quando o animal real está completamente extinto.”

Legal.

Bram ainda parecia inteiramente um militar. O corte de cabelo seguia assim também.
Ele não era civil há muito tempo, mas já que ele não poderia passar em um exame de
sangue sem evidenciar a licantropia, ele teve alta médica. Um dos novos homens-hiena,
Ares, estava nas vigias no topo do Circo, junto com homens-rato que eram atiradores
treinados. Asher o tinha chamado para vir quando não tínhamos certeza se os outros
homens-leão iriam apenas ir embora e deixar seu líder entrar sem eles.

Ares tinha sido parte de um grupo de franco-atiradores e seus observadores eram


enviados quando os homens maus tinham um metamorfo ao lado deles. Os atiradores
usavam munição revestida de prata para atirar nos metamorfos de uma boa distância
segura. Aparentemente, um homem-hiena tinha descoberto e a coisa não ficou muito
boa, nem tão segura, e acabou por ficar muito próxima. Então, quando o teste de sangue
de Ares mostrou licantropia, era política fazer uma alta médica mesmo que ele tenha
conseguido a “doença” no cumprimento do dever. Ares ainda tinha um bronzeado
dourado de algum lugar quente e seco, seus cabelos amarelos zumbiam tão baixos
quanto os de Bram, mas, para além de um determinado rumo militar, não eram muito
parecidos.
Bram tinha dito:

— Atiradores pensam de maneira diferente de quem está em minha especialidade.

— E qual é a sua especialidade? — Perguntei.

Ele me deu um pequeno sorriso e disse;

— Trabalho de perto. — E isso era tudo o que ele diria.

Micah parecia pequeno com Lisandro e Bram próximos a ele, mas acho que não parecia
menor do que eu mesma parecia com Cláudia e Domino atrás de mim ou, seguindo esse
caminho, sentados com os dois caras de mais de dois metros pairando de ambos os
lados de Nathaniel e eu. Micah tinha uma arma na parte de trás também. Uma das coisas
que eu mais gosto em Micah desde o início era o fato dele ser um atirador. Nós dois
passamos anos sendo as menores pessoas na sala e quando todos ao seu redor são mais
do que um humano-forte e treinados em luta como você ou melhor, você vai querer a
arma. E a regra é, se você leva uma arma, deve estar disposto a usá-la. Se você hesita
em usar a arma é melhor não carregar uma, porque a hesitação vai te matar mais
rapidamente do que estar desarmado. Todos os anos pessoas são alvejadas por suas
próprias armas quando o cara mau se apodera delas e em seguida puxa o gatilho. Se
você carrega, tem que estar disposto a puxar o gatilho. Se você acha que vai hesitar,
então não carregue. Micah não hesitava. E eu também não. Gostamos disso um no
outro.

Eu sabia que todo mundo nas minhas costas estava armado e não hesitaria. Se Haven
queria morrer hoje à noite, ele tinha vindo ao lugar certo. Eu senti aquela parte de mim,
que me ajudava a olhar para baixo, para o cano de uma arma e puxar o gatilho, se abrir
dentro de mim. Senti-me distante e vazia. Era quase um sentimento limpo, sem
distrações, sem dúvidas, apenas o que tinha que ser feito. Eu não queria ia para esse
centro branco-estático onde eu puxava o gatilho, mas eu estava indo de qualquer
maneira. No momento em que senti-me indo, distante e vazia, eu sabia que aquela parte
de mim tinha decidido matar Haven. Parte de mim queria mantê-lo vivo, mas não era
uma parte tão grande quanto eu pensava. Senti-me um pouco mal sobre isso, mas não
muito. Um ano atrás, eu teria cutucado o sentimento, mas agora não. Agora eu esperaria
para ver se Haven me daria uma razão para mantê-lo vivo ou me daria uma desculpa
para matá-lo.

Nós realmente tínhamos conseguido pequenos fones de ouvido para os guardas. Para
mim e Jean-Claude também. Era eu quem tinha que dar luz verde aos atiradores. Uma
voz no fone de ouvido me fez saltar. Eu ainda não estava acostumada.

— Águia falando, querida.

A fala lenta, sulista de Bobby-Lee foi quase surpreendente depois de tantos meses sem
ele, que tinha estado fora fazendo algum trabalho secreto para os homens-rato. Eles
faziam trabalho mercenário para trazer dinheiro para seu grupo. Bobby Lee esteve longe
por muito tempo. Ele voltara mais bronzeado do que quando tinha partido, mais magro,
mais desgastado também. O velho ditado britânico que dizia “Você esteve nas guerras”
estava, provavelmente, mais perto da verdade do que eu queria saber.
— Sim, — eu disse, meu pulso saltando na garganta, — digo, Rainha Negra falando. —
Águia era quem estava no comando geral dos guardas durante um turno. Rainha Negra
era meu nome de guerra. Não, não tinha sido idéia minha, mas até que eu pensase em
um melhor, eu não poderia reclamar. Sim, Jean-Claude era o Rei Negro e que ninguém
descobrisse isso.

— Os leões estão a caminho. É o Rex, dois guarda-costas, as duas novas leoas e dois
outros machos que tem a aprovação de Haven para alimentarem você, assim como você
negociou, querida, mas os dois machos alimentadores estão um pouco batidos para
alimentação.

— Pare de me chamar de querida e o que você quer dizer. . . Águia?

— Quaro dizer que alguém os espancou. Eles estão sendo carregados até vocês.

— Que merda, por que? — eu disse.

— Você está perguntando porque ele os espancou? — Quis saber Bobby Lee.

— Sim, estou, — eu disse.

— O Rei Branco parece pensar que você os fodeu mais do que você fodeu. Ele não
gostou disso.

Rei Branco não era um código específico para Haven, mas para qualquer VIP de um
grupo de vampiros ou grupo de animais visitante. Era um sinal de boas vindas ter sua
própria alcunha-código.

— Jesus, — eu sussurrei, — Eu não me alimentei de muitos. . . Ah merda, não, não!

— Rainha Negra, você vai ter que terminar a frase antes que eu possa lhe dar uma
resposta, — Bobby Lee disse.

— Merda, eu não sei como fazer isso e não dizer nomes. — Eu olhei para Jean-Claude
que cobriu o auricular e falou baixo.

— Quem você teme que seja?

— Noel e Travis – eu disse. Eles estavam na faculdade e eram dois que haviam
sobrevivido do antigo orgulho sob a liderança do novo regime de Haven. Eu os tinha
usado para me ajudar a controlar meu leão quando Nicky não estava disponível, mas eu
não tinha alimentado o ardeur com eles. Eram jovens demais. Eles eram legais, mas
muito inexperientes. Tanto quanto pude descobrir, Noel era virgem. Eu não ia ser sua
primeira. Eu tinha tentado persuadir o velho Rex, Joseph, de que eles eram
demasiadamente jovens para alimentar o ardeur, mas ele não tinha entendido.
Aparentemente Haven também não tinha entendido. Foi apenas um mal-entendido
diferente. Jean-Claude falou com aquela voz invisível.

— A Rainha Negra está preocupada que sejam Joe College e Noel.


— A preocupação se justifica, Rei Negro.

— Merda, — eu disse.

— Sim, — Bobby Lee disse, — isso cobre tudo.

Eu não queria ter que negar, em canal aberto, que eu tinha tido relações sexuais com
Travis e Noel, por assim dizer. Além disso, eu aprendi há muito tempo que você não
pode provar um negativo. Você pode provar que fez alguma coisa, mas é o diabo provar
que você não fez.

Nathaniel disse por mim, já que ele não estava no fone de ouvido.

— Você não fez sexo com Noel e Travis.

— Eu sei disso, mas aparentemente o Rei Branco não acredita. — Eu procurei no


pescoço, tentando desligar o fone por um minuto, mas não conseguia me lembrar como.
Eu estava com raiva. Eu não estave com raiva até esse momento. Tive uma idéia.

— Águia, quão zangado está o Rei Branco?

— Irritado o suficiente para fritar seu bacon à distância.

— Sabe, você pode dar descanso às pitorescas gírias sulistas, Águia.

— Você está depreciando minha herança, Rainha Negra?

— Não, só estou de mau humor. — Eu me virei para Jean-Claude. — Ajude-me a


desligar isso.

Ele pressionou algo e de repente eu estava sozinha em minha própria cabeça novamente.

— Você pensou em alguma coisa, — disse ele.

Balancei a cabeça.

— Posso me alimentar de raiva, lembra?

— Eu me lembro, ma petite.

— Haven está com raiva. Vou me alimentar disso.

— Se você se alimentar de sua raiva, ele pode tomar isso como uma forma de ataque, —
disse Richard.

Olhei para Jean-Claude.

— Se ele tiver ferido Noel e Travis tanto quanto Bobby Lee diz, eu não tenho certeza de
que me importo se ele acha que está sendo atacado.
— Se você quer matá-lo, tudo bem, mas certifique-se de matá-lo porque ele precisa
morrer, Anita, não só porque você está chateada com ele, — disse Richard.

Eu comecei a dizer algo com raiva, mas Nathaniel tocou meu braço e Damian tocou
meu ombro um momento depois. Ambos estavam mais calmos do que eu e parte
daquela calma se infiltrou em mim. Isso me ajudou a tomar uma respiração profunda e
deixar a raiva sair, lentamente. Balancei a cabeça.

— Você fez seu ponto, Richard, mas eu não posso deixar que Haven os machuque
assim e saia impune. Se eu fizer, não teremos controle sobre os leões e Haven fará algo
pior.

Micah disse:

— Ele está agindo como um adolescente, querendo a sua atenção, mesmo que seja uma
atenção negativa.

— Você está me culpando por isso? — Eu perguntei. A raiva estava lá novamente.


Damian apertou a mão em meu ombro. Nathaniel colocou a mão dele na minha. Isso me
ajudou a empurrar a raiva para baixo outra vez, mas estava lá e se eu não fosse
cuidadosa levantaria minhas bestas e então nós estaríamos em uma confusão.

— Estou apenas dizendo que Haven pensa como o menino de quinze anos que ele era
quando ele se tornou um metamorfo. Ele está emocionalmente preso naquele momento.
Isso o faz reagir às coisas dessa maneira.

— O que eu faço? — Perguntei a ele, e isso era uma evidência do que nós significamos
um para o outro. Eu não pergunto a opinião de muitas pessoas.

— Salve Noel e Travis primeiro. Tire-os desta sala, só então veja se Haven está disposto
a ser razoável.

— Razoável como? — Eu perguntei.

— Sexo, talvez.

— Eu não quero fazer sexo com ele. Estou tão brava com Haven que não consigo ver
direito.

— Posso oferecer uma opinião, ma petite?

Voltei-me para o homem ao meu lado.

— Por favor, neste momento eu estou aceitando sugestões. Estou fora da minha mente
aqui. — E eu disse em voz alta o que tinha pensado antes. — Isso seria mais fácil se
você tivesse um laço com os leões além de mim.

Jean-Claude olhou para mim. Seu rosto estava ilegível, mas foi um olhar longo e
considerável.
— Augustine disse que falou com você sobre os leões e certas possibilidades.

— Nós não temos tempo para ser tímidos, Jean-Claude. Ele me disse que havia uma
chance de que se você dormisse com as mulheres de alguns dos grupos animais
baseados em gato, você poderia ganhá-los como seu animal pra chamar também. Ele
pensa que você pode ser capaz de ganhar um animal através de mim, em vez de eu
sempre ganhar através de você.

— Você está dizendo que quer que durmamos com as gatas? – perguntou Richard.

Olhei para ele.

— Não, estou dizendo que talvez Jean-Claude deva dormir com elas. — Acrescentei,
porque ele estava olhando para mim, — Jean-Claude me faz sentir segura. Você não,
Richard. Jean-Claude permanece lá enquanto eu fodo um monte de homens. Ele tem
sido um bom esportista sobre isso, então talvez seja minha vez de ser uma boa
esportista.

— Ma petite, os leões estarão aqui em momentos. Quero que tudo esteja muito claro
entre nós. Você está dizendo que estaria aberta sobre eu dormir com as leoas enquanto
você dorme com os machos?

Eu lutei para não cruzar os braços ou ficar amuada.

— Eu acho que sim. Oh! inferno, eu não sei. Como uma teoria, eu acho que tem mérito.

— Merito? — Interpelou Jean-Claude. — Essa não é uma palavra suficientemente forte


para me colocar na cama de outra mulher, ma petite. E acho que o mérito se voltaria e,
como você diria, me morderia na bunda.

Eu não podia culpá-lo.

— Preciso de ajuda, Jean-Claude. Os leopardos funcionam porque Micah é razoável e


quer me ajudar e ele é rei dos leopardos para minha rainha. Os tigres funcionam porque
até agora os únicos machos na cidade são meus. Nós não temos um grupo de tigres para
ficarem irritados comigo. Os ratos e os cisnes não funcionam porque eles são nossos
animais para chamar, mas porque seus líderes valorizam a ordem que você trouxe para a
cidade e querem ajudar a mantê-la.

Jean-Claude falou em seu fone de ouvido, para quem quer que fosse:

— Dê-nos um momento. — Ele esqueceu tudo sobre nomes de código enquanto se


virava para mim. — Os leões estão do lado de fora da porta. Fazer Haven esperar não
vai ajudar com as coisas. Quer que eu tente seduzir uma das mulheres para minha cama?
É sim ou não.

— Posso pensar nisso? — Perguntei.

— Não pode. Sim ou não?


— Nada de sexo esta noite, mas fazer amigos para talvez uma outra noite em breve,
você pode.

— Não é preciso o suficiente, — disse ele. — Eu não serei punido por fazer o que você
me mandar fazer. Diga-me para seduzi-los ou diga-me que não, mas diga agora.

Olhei para ele e não sabia o que dizer. Mas ele estava certo. Eu tinha que decidir agora.
Porra.

— Não sei como me sinto sobre você com outra mulher que eu não conheci. Posso
encontrá-las primeiro e depois você pergunta novamente?

Ele sorriu para mim.

— Sim, pode. — Ele falou de volta para o capacete. — Deixe o Rei Branco entrar.

Silêncio e então ele disse:

— Sim, a Rainha e o Rei Negro estão de acordo, faça-os entrar.

Eu não me preocupei em ligar meu fone de ouvido novamente, porque eu tinha certeza
de que não iria querer nada do que eu dissesse nos próximos minutos em uma
freqüência aberta e eu não tinha que me preocupar em dar uma luz verde para um dos
nossos atiradores. Os leões tinham ido todos para casa exceto aqueles que passavam
através das cortinas agora. Todas as coisas perigosas estavam aqui conosco.
CAPÍTULO 16

Dois dos nossos guardas entraram primeiro segurando as longas cortinas de lado para
que Haven e seus leões pudessem passar. Ele tinha cerca de 1,80 de altura, um pouco
mais estreito nos ombros do que eu gostava, mas o quadro que ele passava era
musculoso. Ele tomava seu condicionamento a sério, mas os leões são mais propensos a
ter lutas pelo domínio a curto prazo. Ficar em forma poderia ser a diferença entre viver
ou morrer. A maioria dos leões tomava seu exercício muito seriamente por causa disso.

Ele estava vestindo um sobretudo longo e pálido sobre um belo terno. Ele estava todo
castanho e creme, como se a roupa fosse uma pré-visualização do leão dentro dele. Seu
cabelo ainda era em tons de azul, com mechas como se azul fosse uma cor natural para
o cabelo humano, de modo que o trabalho de tintura ainda era um dos melhores tons
antinaturais que eu já vi. O cabelo era raspado curto dos lados e maior em cima para que
ele pudesse deixa-lo espetado com gel. Seus olhos ainda eram azuis. Minha leoa cheirou
o ar logo que o vi, porque sendo uma primata eu queria vê-lo, mas a minha leoa queria
sentir o cheiro dele.

Seu poder se apoderou de mim como se o hálito quente de repente estivesse sobre cada
centímetro de minha pele. Eu tremia e minha leoa começou a andar para cima desse
longo caminho metafísico. Ela gostava de Haven desde o momento em que o conheci, já
eu conhecia má notícia quando eu via. Mas nada mudou o quanto meu corpo o queria.
Eu queria ficar nua e rolar cada centímetro de mim sobre cada centímetro dele da
maneira que um gato se deleita enquanto marca seu perfume. Ele era meu e eu era sua
do jeito que Micah e eu pertencíamos um ao outro. Meu pulso acelerou.

A mão de Nathaniel apertou-se na minha e Damian chegou mais perto, colocando o


braço em torno de nós dois. Isso me ajudou a pensar, ajudou a abrandar o meu pulso.
Jean-Claude colocou a mão na minha última mão livre, o que ajudou ainda mais. Eu não
tinha que olhar para saber que Richard tinha colocado o braço ao lado do sofá para estar
tocando Jean-Claude também. Eu sabia que estávamos todos nos tocando, e com cada
toque eu era um pouco menos vítima do leão dentro de mim, e daquele entrando na sala.

A energia de Haven soprou com força contra a minha pele. Senti o cheiro de sol
queimado, grama, poeira, e o rico cheiro de leão. Uma vez isso teria sido suficiente para
trazer minha leoa batendo contra as paredes do meu corpo. Com as mãos de todos sobre
mim, era tentador, mas eu não tinha que ceder a ela.

Um rosnado baixo vibrou por entre aqueles lábios humanos. O som dele parecia vibrar
ao longo da minha espinha, como se o meu corpo fosse um diapasão e esse som baixo
havia atingido apenas a nota certa. Tentei levantar-me e mãos me seguraram no meu
lugar. Virei-me sobre eles, rosnando, minha leoa alta na minha cabeça.

Haven atravessou o tapete em nossa direção, e eu sabia que ele queria me arrancar livre
de toda essa contenção. Seu poder chegou antes dele como um ataque antecipado. Eu
podia me levantar e ir ter com ele neste corpo, ou minha leoa poderia tentar ir com ele
em um diferente. Na verdade, eu cheguei para os meus pés. Jean-Claude e Nathaniel
ainda tinham minhas mãos, mas eu estava de pé, querendo Haven me tocando. Sua
energia parecia forte, e tocar um pouco tinha mantido o leão de tentar rasgar seu
caminho para fora de mim.
Bram foi um borrão escuro de repente aparecendo na minha frente, bloqueando o
caminho de Haven. Eu sabia que Micah dissera-lhe para fazê-lo. Uma pequena parte
lógica de mim sabia porque ele tinha feito isso, e até mesmo concordava como Nimir-
Ra, mas a leoa não concordava. Ela rosnou para Bram entre ela e seu Rex. Ela teria tido
a mesma reação se Bram ficasse entre ela e a presa. Eu puxei livre da mão de Nathaniel.
Apenas Jean-Claude me impediu de saltar sobre Bram ou apenas correr em volta dele.
Sinceramente, ataque por trás era o primeiro plano. O visual era de mim como um leão
em suas costas, garras cavando em sua carne, meus dentes afundando em seu couro
cabeludo, em sua cabeça, esmagando seu crânio.

A visceral quase-memória me ajudou a subir de volta na minha cabeça e empurrar a


leoa pra trás. Eu era uma pessoa, não um animal. Eu poderia controlar isso. Eu não
queria machucar Bram.

Quando Haven sentiu meu leão esfriar, a energia dele ainda estava lá, ainda buscando a
leoa. Isso encontrou os leões que ele havia trazido com ele. A energia deles queimou.
Eu podia ver, não com os olhos, mas com a parte de trás da minha cabeça. Eu sabia que
era Jesse, alto, moreno e bonito, e Payne, alto, pálido e bonito. Payne realmente era seu
sobrenome, não um apelido, desde que ele era um executor. Mas eu vi seus leões ao
redor deles como halos, um com uma juba que era quase preta e o outro tão pálido que
era um fantasma. Mas havia outros leões por trás deles: uma mulher que eu não
conhecia: alta, fortemente construída, mas cheia de curvas. Eu tinha uma impressão de
cabelos escuros curtos, mas sua leoa era principalmente castanha com marcas mais
escuras de forma que ela parecia quase manchada em alguns lugares. A outra mulher era
muito mais baixa, com um comprido cabelo loiro, mas sua leoa não era menor. Era uma
enorme forma dourada rosnando em torno de seu corpo humano como se fosse um
pavio e o leão a chama.

Então eu vi mais dois leões deitados no chão. Eles não queimavam brilhantes. Seus
leões vermelho-alaranjados brilhavam como um fogo que estava desaparecendo. Eles
eram leões mais jovens, com jubas menores, irregulares em comparação com as dos
outros homens. Seus leões viraram e olharam para mim, um com um halo de juba
escura, o outro mais pálido, mas os leões olharam para mim. Eles me conheciam.

De repente eu vi o mundo através de uma névoa dourada. Eu virei minha cabeça e eu


podia ver minha leoa sobre mim como um brilho apenas atrás dos meus olhos. Ela,
assim como a outra mulher baixa, não era um pequeno leão. Ela era uma grande besta
ouro escuro erguendo-se sobre e em torno de mim. Eu tinha visto o leopardo de Micah
uma vez assim em torno dele, mas nunca novamente. Agora tudo que eu podia ver eram
leões.

Um dos leões no chão se mexeu e levantou a cabeça, e eu tinha a imagem dupla de


Travis. Eram seus cachos marrom-dourados com aquela juba mais escura em torno dele,
como uma sobreposição. Ele me olhou e lutou para estender a mão para mim. Ferido,
era o mais perto que ele poderia chegar de fazer o gesto de implorar que a maioria dos
licantropos tinham. Era a maneira de um submisso pedir a um dominante para perdoá-
lo, ajudá-lo.

Noel ficou imóvel ao lado dele. A imagem de seu leão era uma sombra vermelho-escuro
se tornando mais fraca. Uma parte de mim sabia o que isso significava. Noel estava
morrendo. Naquele momento a leoa e eu estávamos de acordo. Você não matava o que
era nosso. Na selva, leoas vão unir-se para manter um intruso masculino de assumir um
pride. Elas vão lutar ao lado de seus homens escolhidos para manter suas terras, seus
filhotes, seguros.

Eu tentei ir ao redor de Bram e Haven. Eu só queria chegar a Noel antes que a energia
morresse completamente. Bram deixou-me contorna-lo, mas Haven agarrou-me, e ele
era mais rápido do que Bram ou eu pensamos, porque sua mão estava em torno de meu
braço antes que Bram pudesse reagir.

No momento em que ele me tocou, toda essa energia dourada rodou junta como uma
fogueira de ouro. Tanto poder, tanta energia. Sentia-se tão bem. Ele me beijou enquanto
meus olhos ainda estavam fechados da corrida de poder. Eu o beijei de volta e abrimos
nossos olhos e foi como se estivéssemos no centro do fresco fogo dourado.

Ele sorriu para mim, e eu tive que sorrir de volta. Então ouvi uma voz.

—Anita. — A voz soava quebrada, e eu olhei atrás de mim. Travis estava chegando
para mim e Noel…

Eu olhei para Haven.

—Nós salvamos Noel primeiro, depois vamos conversar.

A mão de Haven apertou ao meu redor.

—Mesmo agora, enquanto sente esse poder você quer ele. Eles?

—Ele está morrendo.

—O fraco morre. É como os leões funcionam.

—Com este poder podemos chamar sua besta. Podemos salvá-lo.

Seus braços se apertaram ainda mais ao meu redor.

—Eu não quero salvá-lo.

—Eu quero.

—Fique comigo e nós podemos salvá-lo.

Eu o beijei, sem pensar, e agora meus braços estavam presos entre os nossos corpos
com seus braços em volta de mim. Eu não podia chegar a qualquer arma ou a grande
faca nas minhas costas, mas eu poderia alcançar as bainhas de pulso. Fingi lutar
ineficazmente e sabia que Haven, de todos os homens em minha vida, iria comprar isso.
Um dos nossos problemas era que ele simplesmente não podia ver as mulheres como
iguais. Isto é, como igualmente perigosas.
Eu usei o esforço para esconder que eu estava tirando uma das finas lâminas de prata, e
só quando ele sentiu meu braço tenso para conduzir a lâmina em seu corpo ele percebeu
o perigo.

Ele começou a me deixar ir, para ficar longe, mas eu tinha tempo para começar a fincar
a lâmina em seu corpo. Tinha tempo para senti-la afundar. A lâmina afiada da navalha
cortou através de sua camisa e a carne por baixo, afundando em seu corpo do jeito que
tinha feito uma centena de outras vezes em grandes monstros ruins. A única coisa que o
salvou foi que ele tinha meus braços presos muito abaixo no seu corpo para que eu
chegasse ao seu coração, mesmo que ele não se movesse.

Ele me soltou, tropeçando para trás de mim. Eu tive tempo de ver o sangue na minha
faca, a primeira flor de vermelho em sua camisa, a surpresa em seu rosto. Seus dois
guardas estavam congelados, sem saber o que fazer. Era como se eles não tivessem
acreditado que eu o feriria.

Eu gritei para nossos guardas:

—Mantenha-o longe de mim até que eu tenha curado Noel. — Eu não virei as costas
para o wereleão ferido, mas eu me afastei o mais rápido que pude. Bram e os outros
guardas estavam se movendo em torno de Haven, prontos para fazer exatamente o que
eu tinha dito.

A wereleão fêmea mais alta estava ajoelhada ao lado de Noel. Ela estava acariciando
seu cabelo, e eu percebi que no momento em que eu tinha esfaqueado Haven a visão
dupla de leões brilhantes sobrepostas a forma humana tinham desaparecido, como se eu
tivesse feito alguma coisa para prejudicar todo esse poder.

A mulher levantou os olhos castanhos para mim. Eles estavam brilhantes com lágrimas
não derramadas. Ela sussurrou:

—Você está muito atrasada.

CONTINUA….
CAPÍTULO 17

Eu coloquei minha mão nas costas de Noel. Eu esperei por seu corpo respirar, mas ele
não fez.

—Merda — eu disse. —Chame a Dra. Lillian, arranjem alguém. Chame algum maldito
médico aqui agora!

Ouvi alguém em seu telefone celular fazendo o que eu tinha pedido. Por favor, Deus,
não deixe-o morrer. Ele tinha apenas vinte e quatro, um ano mais velho que Nathaniel.
A mulher de cabelos castanhos se ajoelhou ao lado de sua cabeça, as lágrimas
começando a trilhar pelo seu rosto.

—Não chore, ainda não — eu disse. Ela olhou para mim, assustada. Eu percebi que
ela estava usando um vestido vermelho. Era como se eu só estivesse vendo as coisas em
pedaços. A outra leoa veio ficar perto de nós. Seu longo cabelo loiro estava preso em
um rabo de cavalo, e ela estava usando quase tantas armas quanto eu.

—Isso não foi nossa escolha.

Eu percebi que os guardas e os outros três leões estavam lutando. Haven estava tentando
chegar até mim, seja para me machucar novamente ou tentar outro beijo, eu não sabia, e
eu não dava a mínima. Eu confiava nos guardas para mantê-lo longe de mim. Inferno,
eu confiava em Wicked e Truth para, sozinhos, manterem um pequeno exército de
Homens-Leões longe de mim. Três leões não eram nada.

—Se tivéssemos uma verdadeira Regina ou Rex, poderíamos salva-lo — disse a loira.

Eu assenti, porque em alguma parte de mim isso parecia lógico. Lembrei-me da energia
entre Haven e eu, e os fantasmas de fogo ao redor dos outros Homens-leão. Orei, Ajude-
me a salvá-lo. Eu visualizei minha leoa, mas não dentro de mim, tentei chamar esse
brilhante fogo de ouro que tinha estado em torno de nós todos a poucos minutos atrás.

A loira se ajoelhou perto de mim.

—Assim — disse ela, e de repente eu podia ver sua leoa novamente, muito maior do
que sua forma humana, uma energia dourada oscilando que olhava para mim com os
olhos dourados, enquanto seus olhos azuis olhavam para mim através de uma máscara
de leão.

Eu estendi a mão, e no momento que sua mão chegou perto o suficiente da minha era
como se eu pegasse fogo. Minha leoa alardeou em torno de nós, dourada, brilhante,
queimado cintilante. Virei os olhos de ouro escuro para a outra mulher e estendi minha
mão. Ela estendeu a mão e nós três nos ajoelhamos sobre Noel. Nós não tocamos as
mãos, mas era como se essa energia pulsante tocasse o fogo dos nossos leões.

—Nós colocamos energia dentro dele, forçando a sua besta, — disse a loira.
—Faça isso, — eu disse.

Ela estendeu a mão para a forma paralisada de Noel, e as nossas mãos foram com a
dela, assim todas nós o tocamos ao mesmo tempo. Mas era como tentar aquecer pedra;
não houve qualquer faísca de resposta. Eu sabia como trabalhar com os mortos, mas não
assim.

—É tarde demais — disse a mulher de cabelos escuros.

—Não! — Eu disse.

—Talvez, — disse a loira.

Gritei:

—Jean-Claude!

Ele veio até mim, ajoelhado ao meu lado.

—O que você quer de mim, Ma petite?

—Ele está muito longe. Ajude-me.

Ele não disse o óbvio, que ele não sabia como, ou que nunca tínhamos tentado algo
assim. Ele simplesmente chamou;

—Richard, Nathaniel, Damian, venham.

Nathaniel e Damian vieram imediatamente. Nathaniel perguntou:

—Onde você nos quer?

—Toque o seu mestre, — disse Jean-Claude.

Eles colocaram uma mão em cada um de meus ombros enquanto se ajoelhavam, e no


momento em que me tocaram eu senti meus olhos mudarem. Através do brilho dourado
dos leões eu sabia que meus olhos ardiam como estrelas castanhas escuras. Nathaniel e
Damian gritaram ao meu lado e eles viraram olhos incandescentes roxos e verdes para
mim. A energia do leão fluía sobre os dois. O leopardo de Nathaniel ganhou vida como
uma forma preta vacilante. Damian não tinha nenhum animal para fluir e ele só estava
coberto no ouro dos leões.

Jean-Claude ajoelhou-se atrás de nós três e colocou as mãos sobre a deles, então todos
nos tocamos. A energia fluiu sobre ele também, mas eu senti isso faiscar, como um
choque de eletricidade através de tudo. Eu não tive que ver para saber que seus olhos
haviam afundado ao fogo azul meia-noite.

Richard estava acima de nós, hesitando.

—O que eu faço?
—Toque Jean-Claude — eu disse

Eu não tinha certeza que ele faria isso, mas ele fez. Ele ficou de pé de modo que ele
pairava acima de todos nós, mas pôs as mãos sobre as de Jean-Claude e a energia
propagou, fluiu. Eu o ouvi dizer:

—Deus! — Então eu senti Jean-Claude se aproximar contra o meu corpo. Eu movi


minhas pernas para que ele pudesse pressionar o máximo de si mesmo contra o máximo
de mim possível. Eu sabia que Richard, ainda de pé, estava pressionado contra as costas
de Jean-Claude.

Os cinco de nós se ajoelharam em uma fogueira bruxuleante de energia de cor diferente,


mas não viajou aos leões. O seu poder fluiu para nós, mas não o contrário. Eu percebi
que a mão da mulher loura estava apenas acima da minha, não tocando.

Eu agarrei a mão dela. Ela se assustou e começou a se afastar, dizendo:

—Isso não funciona assim… — Mas, em seguida, a nossa energia saltou do circuito.
Ela desceu da minha mão para dentro dela. A mão dela convulsionou em torno da minha
e da mulher de cabelos escuros. Eu vi a chama negra do meu leopardo, a faísca dos
olhos de Jean-Claude, e o brilho esmeralda de Damian, e um brilho avermelhado que
tinha que ser o fluxo do lobo de Richard para os leões.

A mulher de cabelos escuros pôs as mãos sobre Noel. Seu corpo saltou quando o poder
empurrou nele. Seu corpo humano dividiu, jorrando grosso e quente líquido em torno de
nossos joelhos. Pelos fluíram sobre ele até que ele estava na forma de um enorme leão.
Sua juba escura não era muito grossa, não muito impressionante, mas eu não dava à
mínima. Eu só queria que ele respirasse.

Micah estava de repente lá. Ajoelhou-se do outro lado de Nathaniel e tomou a outra
mão. O poder saltou outro oitavo.

A mulher tocando-o, disse,

— O coração está batendo, mas ele não está respirando.

Eu senti leão, mais um leão, correndo pelo corredor em direção a nós. Eu sabia que era
Nicky ainda em forma de Homem-Leão. Ele estava vindo para a luta, vindo em direção
à energia que estávamos levantando. Eu sabia que os leões, mais do que os outros
grupos de animais, exalavam energia para atrair, ou advertir, outros leões, mas eu não
tinha entendido até esse momento que havia outras coisas que você podia fazer com
todo esse poder.

Noel cuspiu sangue no chão, mas ele tinha que estar respirando para fazer isso. A loira
manteve a energia concentrada nele quando me virei para olhar para Nicky. O dourado
Homem-Leão explodiu através das cortinas e encaminhou-se para a luta, mas eu disse:

—Nicky, eu preciso de você.

Ele nunca hesitou. Ele simplesmente virou-se para nós e disse:


— Onde eu fico?

Eu disse a primeira coisa que me veio à mente.

—Pilha de filhotinhos, toque tanto quanto você puder. — Era tudo que eu conseguia
pensar; o tipo de vampiro que éramos trabalhava melhor com toque, e mais toque não
poderia machucar. Ele deitou todo o corpo de homem-leão-dourado sobre o leão de
Noel, e colocou seu braço ao redor de Travis, puxando a forma parada conosco. Nicky
colocou uma mão para fora e agarrou meu cinto, colocando seus dedos grandes dentro
dele contra a minha cintura nua. Minha leoa queimou nessa fogueira de energia, e Nicky
levantou-se comigo. Não foi tão brilhante como tinha sido com Haven, mas era
brilhante, e era poder, e juntou-se a todos os outros poderes sem problemas. Eu percebi
o que tínhamos perdido, o que precisávamos, vontade, sim vontade própria. Nicky deu-
se a isso como ele deu-se a tudo o que eu tinha pedido desde que se tornou meu.

Barreiras, que eu nem sequer sabia que ainda estavam lá, quebraram. Richard parou de
segurar-se, Damian parou de ter medo, Jean-Claude deixou de ser tão cuidadoso, a loira
soltou um pouco de raiva profunda, a de cabelo escuro deixou o amor ir à procura de
amor, não havia o suficiente de Travis para desistir de qualquer outra coisa, Nathaniel
desistiu de seu último medo que eu um dia cansaria dele, Micah desistiu dessa tão dura
e profunda raiva que eu nunca tinha sabido que estava lá, e eu desisti de meu controle.
Eu queria Noel vivo mais do que eu queria estar no controle.

O poder queimou em torno de nós em um arco-íris de energia escura. Ele brilhou em


direção ao teto. Se fosse fogo real teria queimado o Circo até o chão. Nós pegamos esse
poder e empurramos em Noel. Eu já tinha trabalhado com outros animadores quando
precisávamos levantar um monte de zumbis, ou um muito velho, morto. Eu tinha sido
treinada para compartilhar poder com outros com talentos semelhantes e trabalhar como
uma unidade. Uma magia é surpreendentemente igual à outra.

Travis agarrou a leoa mais próxima. Eu pensei que ele queria ser curado até que eu vi o
seu próprio leão laranja-ouro brilhar e escurecer e percebi que ele estava desistindo de
sua própria energia para Noel. Com toda essa energia ele deu e não manteve para si
mesmo.

Nicky passou os braços peludos em torno dos dois leões. Seu domínio sobre mim
apertou e ele deu tudo para mim, não segurando nada, sem medo, sem hesitação. Ele me
deixou ter qualquer coisa, tudo, e ele ajudou o resto de nós a desistir, dar, e alimentar
isso em Noel. Noel estremeceu e então ele começou a respirar. Seu lado peludo subia e
descia, e eu podia ouvir seus batimentos cardíacos. Eu podia sentir a adrenalina e o
fluxo do sangue nas veias, sentir a ascensão e queda de sua vida que tínhamos lutado
tanto para dar a ele, e por fim havia um desejo de mordê-lo. Era um desejo de enterrar
meus dentes nessa pele morna até que eu encontrasse sangue, e eu percebi que tínhamos
desistido de nosso controle, todo ele. Eu estava ajoelhada em uma pilha de metamorfos
e vampiros que tinham desistido de seu controle. Queríamos carne e sangue. Queríamos
nos alimentar.

A voz de Richard, tensa, disse:

—Anita, mude. Altere para outra coisa, não deixe.


Jean-Claude disse;

—Mude a alimentação para algo que podemos sobreviver, Ma petite. Mude ou vamos
rasgar o leão em pedaços após salvá-lo.

Eu estava me afogando no cheiro do pelo, da sensação de carne. Percebi que Nicky


estava esfregando o rosto contra o lado de Noel. Nós queríamos tanto dar uma mordida.

—Ajude-me, ajude-nos a não fazer isso. Jean-Claude, me ajude!

—O ardeur, Ma petite, dessa forma será…

—Faça!

Eu não fui à única que gritou isso; Micah e Richard me ecoaram. Todos nós
valorizávamos nosso controle sobre quase tudo, mas neste momento estávamos fora de
controle. Era apenas uma questão de o que iriamos perder. Eu queria afundar presas e
garras nessa suave forma respirando. Era como se o poder tinha virado sobre si mesmo e
se transformou sobre a morte em vez da vida.

Senti o cheiro de flores, jasmim. Oh Deus. Mas não era ela, ou não ela sozinha, e não
foi a sua voz que ecoou pela minha cabeça. Era uma voz de homem que eu nunca tinha
ouvido antes.

—Alimente-se e eu vou festejar, — e então ele riu, um som maníaco, insano.

Eu ouvi Jean-Claude pensar: Morte d’Amour, que Deus nos ajude, e eu sabia da
maneira mais rápida que ele poderia se comunicar com seus servos como o Morte
d’Amour, alimentava-se com morte da maneira que Belle alimentava-se com luxúria.
Ele era o criador dos vampiros que apodreciam, que eram os mais difíceis de matar de
todos. Ele iria se alimentar de energia de toda vida que tirava. Ele era o corvo de
carniça, um abutre psíquico.

Jean-Claude tomou essa necessidade de esfaquear e rasgar e morder, de saborear carne


viva e ter o jorro de sangue fresco em nossas bocas e sobre nossos corpos, e
transformou-a da única outra fome que tínhamos. Num momento eu estava ajoelhado lá
com a sensação dele atrás de mim. Eu sabia onde todo mundo estava e o que estávamos
fazendo, e, em seguida, o ardeur bateu a energia que tínhamos levantado. Bateu e
explodiu todo esse poder para a sala.

Eu tive um momento para ouvir o Morte d’Amour lamentar:

—Não, eu não posso me alimentar com isso. — Senti o cheiro de jasmim e decepção,
porque a Mãe de Todas as Trevas só podia se alimentar do que seu anfitrião poderia se
alimentar. Belle tinha escapado de alguma forma e ninguém mais poderia se alimentar
na festa que estávamos prestes a dar-lhes.

Eu tive um momento de felicidade feroz sobre isso, e então não havia nada senão mãos
e corpos e coisas para fazer com dentes que não era matar, mas iria deixar uma marca.
CAPÍTULO 18

Eu sonhei. Eu sabia que era um sonho, mas eu também sabia que não estava sozinha no
sonho. Eu andava através de um edifício que eu nunca estive, acendendo as luzes, mas
logo atrás de mim cada quarto ficava escuro novamente. Eu não podia acender as luzes
rápido o suficiente, e no último quarto onde eu acendi a luz, houve um momento de
brilho e, em seguida, veio a escuridão.

Eu acordei, pulso na minha garganta e o amuleto em volta do meu pescoço brilhando


suavemente. O brilho desapareceu, mas eu sabia que tinha sido ela. A Mãe de Todas as
Trevas tinha me perseguido em meu sonho. Ela não era forte o suficiente para falar
comigo sem corpo ou poderes de outro vampiro para ajudá-la. Sozinha, ela era apenas
esse arrepio que faz você andar mais rápido à noite. Você não sabe por que faz isso, mas
alguma parte de você se lembra que a escuridão nunca está realmente vazia.

À medida que meu pulso desacelerou, e o brilho desapareceu, eu vi e senti onde estava,
e meu pulso voltou a subir na minha garganta. Havia um peso sobre meus ombros e algo
em toda a minha parte inferior das pernas e eu estava olhando para o rosto de Wicked a
centímetros de distância. O que eu podia ver dele parecia estar nu, e a única razão que
eu não conseguia ver abaixo de sua cintura era porque havia uma mulher desmaiada
com a face para baixo sobre ele. Seu longo cabelo amarelo escondia o quão nu ele
poderia estar, mas ela estava nua.

Ergui a cabeça do tapete branco, sabendo que ainda estavam na sala de estar do Circo.
Levantar a minha cabeça me mostrou que as cortinas que compunham os lados das
“paredes” tinham sido rasgadas. Havia mais corpos nas cortinas retorcidas, braços e
pernas, cabelo, um rosto que eu reconheci como sendo um dos vampiros do sexo
feminino que trabalhavam no Dança Macabra. Ela tinha estado na sala do caixão ontem
à noite se preparando para dormir durante o dia, o que significava que o ardeur se
espalhou para fora desta sala. Merda.

Eu estava quase com medo de me levantar mais. Quase amedrontada de descobrir qual
braço estava sobre meus ombros, porque eu podia sentir que era provavelmente do sexo
masculino, e a linha do corpo tocando o meu parecia estar nu, assim como eu estava.
Porra. O peso nas minhas pernas era dos pés de alguém, não, não apenas pés de outra
pessoa. Homem, quem quer que fosse. Merda.

Foda-se isso, eu tinha que me levantar. Eu tinha que ver quem era, eu não podia me
esconder. Não, era tarde demais para isso. Eu levantei em meus cotovelos. O braço
sobre meus ombros rolou frouxamente pelo meu corpo. Eu tomei uma respiração
profunda e me virei para ver a quem pertencia o braço.

As pessoas parecem diferentes fora de suas roupas, especialmente de bruços no tapete.


Cabelo curto escuro, encaracolado, ombros largos, mais escuro, alto… E uma pilha de
roupas rasgadas do meu outro lado, com o casaco pálido na parte superior que me
deixou saber que era Jesse, o homem-leão. Eu não tinha nenhuma memória de como ele
saiu de suas roupas. Isso significava que não tínhamos feito sexo e que ele somente
desabou aqui, ou que eu não me lembraria do que eu tinha feito?
Asher estava deitado perto da lareira do seu lado, enrolado em torno de Meng Die, que
estava deitada de costas. Seu cabelo preto comprido até o ombro estava espalhado ao
seu redor, seu corpo pálido e perfeito, e se eles fizeram sexo juntos, então tudo poderia
ter acontecido. Aparentemente, a noite passada não tinha sido sobre por quem você é
atraído. Havia mais alguém no outro lado do monte de roupas, mas eu não podia ver o
suficiente para saber quem era, e uma vez que eles não estavam me tocando eu parei de
tentar olhar. Eu olhei para o meu corpo e não tinha certeza, mas pensava que era o rosto
de Lisandro do meu lado nu. Seu longo cabelo preto foi desfeito de seu rabo de cavalo e
arrastava sobre os ombros, quase escondendo as marcas de arranhões em suas costas.
Uma de suas pernas estava parcialmente sobre a minha, sua virilha ainda pressionada
contra o meu quadril. Eu tive sexo o suficiente para ter certeza de que ele estava me
fodendo por trás e depois desabou ao meu lado, e, em seguida, as luzes apagaram-se.
Isso significava que as marcas de arranhões não eram minhas. Uma pequena bênção.
Ele não era um dos guardas que me alimentava voluntariamente. Algo sobre uma
esposa. Merda. Oh, me desculpe, querida, eu tive que ter sexo com meu chefe porque
houve essa explosão metafísica e era foder ou matar uns aos outros. Sim, essa era uma
conversa desastrosa esperando para acontecer.

Eu debati sobre se eles acordariam se eu tentasse rastejar para fora deles. Se eles fossem
vampiros, eu não teria me preocupado, mas metamorfos são como pessoas; eles
simplesmente acordam.

—Eu não acredito que eles vão acordar, Ma petite, se você deseja se mover.

Virei à cabeça, me esticando por cima do meu ombro. Meu pescoço doía. Eu levantei
minha mão e encontrei uma marca de mordida. Jean-Claude estava sentado em uma das
cadeiras estofadas. Ele estava nu, pernas cruzadas cuidadosamente, seus longos cachos
negros desalinhados de um lado, como se houvesse algo nele que… Eu só parei aquele
pensamento. Eu não queria pensar sobre isso, nada disso.

Eu explorei a ferida e sabia que era uma mordida de vampiro. À medida que comecei a
engatinhar entre Jesse e Lisandro, houve outras pequenas dores agudas em lugares
diferentes. Alguns deles não estavam em lugares típicos para um vampiro tirar sangue.
Que diabos foi isso?

Havia marca de mordida em um mamilo, e mais acima do peito. Eu estava de quatro,


olhando para baixo da linha do meu corpo, debatendo se minhas pernas me segurariam.
Havia sangue seco entre as minhas coxas, mas não tinha a sensação de alguém
demasiado grande e vigoroso. Parecia que eu tinha várias mordidas ao longo de ambos
os lados das minhas coxas. Tantas mordidas que eu não deveria ter acordado. Tantas
mordidas deveriam ter me drenado.

Eu tive um momento da minha pele ficando fria com medo, e então, de repente, eu me
sentia muito melhor sobre acordar nua, no meio do que parecia ser um inferno de uma
orgia. Era melhor do que não acordar.

Jean-Claude estava na minha frente, suas mãos nos meus braços, me ajudando a
levantar. Eu tive um momento de olhar para o rosto dele, ilegível, desligado, e então eu
passei meus braços em torno dele, coloquei minha cabeça contra seu peito, e comecei a
tremer. Ele me segurou, beijou o topo da minha cabeça, e murmurou:
—Ma petite, eu sinto muito.

—Não estou reclamando, — eu disse em uma voz que era muito menos sólida do que a
dele, — mas por que eu não sangrei até a morte com todas as mordidas de vampiros? Eu
tenho pelo menos oito. Isso é o suficiente para me drenar.

Ele acariciou meu cabelo, e me respondeu:

— Eu não estou certo. Eu acredito que o ardeur te salvou. Existem múltiplas mordidas
na maioria dos metamorfos, mas nenhuma delas é mortal. O ardeur é sobre a vida. Virei
o desejo de morte do Morte d’Amour para a vida. Meu último pensamento sólido foi
que não nos alimentássemos de morte; nos alimentássemos da vida, do amor, e eu não
teria o meu povo servindo as trevas. Serviremos a luz.

Eu virei minha cabeça para que eu pudesse olhar para o rosto dele.

—Você realmente pensou tudo isso? Eu não tive tempo para pensar muito de qualquer
coisa.

Ele sorriu para mim.

— Foi em francês, mas essa é a essência do que eu tentei fazer com o poder.

Eu o abracei mais apertado.

—É noite de novo?

—Não.

Eu fiz uma careta para ele.

—Você está acordado de novo. Que horas são?

—Nós todos desmaiamos do ardeur, mas eu não acredito que morri ao amanhecer.

—Às vezes você não morre ao amanhecer quando você e eu estamos nos tocando, mas
não estávamos, não é?

—Non, mas havia uma grande quantidade de energia para se alimentar, Ma petite.

Eu estava quase com medo de olhar ao redor, mas eu não seria uma covarde. Eu não ia
tolerar isso, então… Virei-me em seus braços e olhei mais para dentro do quarto. Havia
corpos por toda parte. Deitavam-se tão quietos que se Jean-Claude não tivesse me dito
que ninguém estava morto, eu teria começado a verificar os pulsos. Micah estava do
outro lado da sala, como se ele não tivesse se movido longe de onde tínhamos
começado tudo com os Homens-Leão. Havia uma pilha de corpos próximo dele, como
uma versão mais bonita das gravuras que retratam valas para despejar corpos por causa
de pragas. Micah estava parcialmente no topo dessa pilha. A princípio pensei que o
corpo entrelaçado com ele, braços e pernas, eram de um dos guardas do sexo masculino,
mas percebi que eu tinha o único homem com cabelo escuro comprido, liso, perto de
mim. Olhei para aquelas costas musculosas, aqueles ombros, aqueles braços, e de
repente pude ver que era Claudia. Sua cabeça estava no peito de Micah, seus braços e
uma perna ao redor dela, a cabeça para trás contra as costas de alguém.

—Onde está Nathaniel? — Perguntei.

—No corredor com Jason, J.J., e alguns outros.

—Richard, Damian?

Alguém gemeu, os corpos na namoradeira começaram a mover, e um bronzeado e


musculoso braço surgiu dentre todos os corpos mais pálidos. O rosto de Richard, seu
cabelo selvagem em torno dele, subiu dos outros corpos, como se estivesse lutando para
a superfície da água espessa. Ele olhou com os olhos turvos e confusos por um segundo,
e então eu assisti compreensão preencher seu rosto. Eu me perguntei se eu parecia tão
chocada.

Ele olhou para a mulher em seu colo, e eu percebi que era a vampira loira, Gretchen. Ela
estava completamente mole enquanto ele a segurava em seus braços. Seu movimento
fez os outros deslizarem para o local que ele tinha esvaziado no sofá de dois lugares. Eu
reconheci Byron, um dos strippers-vampiro na Prazeres Malditos. A mulher que caia
contra Byron tinha o cabelo vermelho brilhante. Tinha de ser Cardinal. Richard colocou
Gretchen suavemente no chão uma vez que não havia mais espaço no sofá de dois
lugares. Suas costas estavam cobertas de marcas de arranhões, algumas delas
sangrentas. Algumas delas eram minhas?

Ele se virou e havia sangue seco de um lado de seu pescoço e nas coxas. Ele tinha uma
mordida na curva do cotovelo, também. Ele como eu, deveria estar morto pela perda de
sangue.

Ele tinha mais arranhões em seus braços, e inclusive dos lados de seu corpo. Alguém,
ou “vários alguém”, gostava de unhas. Ele tinha que escolher seu caminho entre os
corpos. Eu percebi que a grande mesa de café de vidro estava faltando. Olhei ao redor
de Jean-Claude e encontrei os restos da mesa no emaranhado de cortinas rasgadas.

—Eu não acho que vou comprar outra mesa de vidro. — Disse Jean-Claude. —Metal,
talvez.

Richard estava quase em nós; ele só tinha que se concentrar em onde seus pés iam no
labirinto de corpos no chão.

—Eu não me lembro de nada depois que você virou o desejo de morte para o ardeur, —
disse ele, ainda olhando para o chão quando terminou os últimos passos cuidadosos.

—Eu também, — eu disse.

—Nem eu, — disse Jean-Claude.

Richard prendeu o pé em uma perna que havia estado escondida sob a pilha de roupas.
Jean-Claude e eu pegamos seus braços, um gesto automático. Eu tive um súbito lampejo
de memória: Jean-Claude e Richard se beijando apaixonadamente. Richard rasgando a
camisa preta de Jean-Claude para mostrar a pele branca através do preto esfarrapado, e,
em seguida, a parte de Richard tinha ido embora. De repente eu fui jogada mais
profundamente na memória sensorial de Jean-Claude atrás de mim, dentro de mim, e
Noel em forma humana na minha frente. Eu estava chupando ele, e a loura leoa fêmea
estava indo beijá-lo.

De repente eu estava de pé por mim mesma não tocando ninguém. Eu tive que piscar
forte para ver o aqui e agora.

—O que foi isso? — Perguntei.

—Memória, — disse Jean-Claude.

—Parou quando eu me afastei. Eu não quero ver o que aconteceu em seguida. —


Richard parecia tão irritado. O que ele acha que aconteceu? Oh, e se tivesse? Tudo que
eu lembrava era os dois se beijando e ele me ajudando a despir Jean-Claude, mas eu
tinha uma vaga lembrança de outras mãos puxando Richard, puxando-o para longe.

—Eu não acho que você fez o que você acha que fez, — eu disse.

Ele olhou para mim, e eu sabia que ele estava se protegendo tão duro como ele podia de
modo que sua raiva não nos tocasse com o calor, ou levantasse a minha besta. Apreciei
o controle, mas eu também sabia que se ele achava que ele e Jean-Claude tinham feito
sexo, isso poderia arruinar todo o trabalho positivo que ele tinha feito. Podia jogar tudo
de volta do jeito que tinha sido. Eu gostava de nós nos dando melhor, mas eu não tinha
certeza de como salvá-lo.

—Nós não tivemos sexo, Richard, — disse Jean-Claude.

—Eu nos vi, — disse ele.

—Você viu um beijo e um pouco de carinho, mas foi Gretchen quem tocou você e o
puxou para longe.

—Eu acordei com ela no meu colo. Ela adora-o de forma obcecada, como uma
perseguidora. A profundidade de seu amor por você não deveria mantê-la a salvo do
ardeur? Eu pensei que o amor mantinha você a salvo.

—Ela provavelmente estava puxando você para longe de mim, mas uma vez que ela
tocou-lhe o ardeur se propagou para ela, e ela gosta de homens o suficiente para que
não possuísse defesas para deixá-lo por mim. Ela não me ama; ela é obcecada por mim.
Obsessão não é amor, Richard, é um tipo de posse. O amor não é sobre possuir alguém,
mas sobre amá-los.

—Se o amor nos faz a prova contra isso, então… — Eu não poderia fazer-me terminar a
frase.

—Então isso significa que nenhum de nós ama um ao outro? — Disse Jean-Claude. —
Não, Ma petite. Este não foi ardeur para se alimentar, mas a alimentação tomando o
lugar do massacre que o Morte d’Amour queria que nós fizéssemos. Era toda a energia
que levantamos, mais a fome da besta, ou a sede do vampiro, transformada para o sexo.
Era um alimento que o Morte d’Amour não poderia engolir, por isso ele foi empurrado
para longe.

—Eu o ouvi e eu tenho as suas memórias dele, — disse Richard, e estremeceu.

—Eu só peguei o quão perigoso ele era e como ele se alimenta de morte da maneira que
Belle se alimenta de luxúria. Você pegou algo que eu não peguei? — eu perguntei.

Richard olhou para Jean-Claude. Ele não estava com raiva agora.

—Toda vez eu acho que eu fui abusado, então eu recebo outra lembrança de seu
passado e eu percebo que poderia ter sido pior.

Jean-Claude olhou para longe, o que significava que ele não estava certo se tinha
controle de seu rosto. Ele quase sempre tinha o controle de sua expressão. Ele me disse
uma vez que, depois de algumas centenas de anos das suas expressões faciais sendo
usadas contra você por vampiros maiores, mais perversos, você aprende a esconder suas
emoções tão profundamente que, às vezes, era difícil mostrar tudo.

—O que eu estou perdendo? — Perguntei.

Richard apenas olhou para o outro homem. Isso me fez olhar para Jean-Claude. Eu tive
um momento para pensar sobre isso, então disse,

— O Morte d’Amour não se alimenta de sexo.

—Você conheceu Yvette, sua assecla, — disse Jean-Claude.

—Ela era um sadista e se divertia em apodrecer nas pessoas, especialmente durante o


sexo.

Ele assentiu.

—Ela queria fazer isso para Jason porque isso o assustava.

—Mas você não a deixou, nós não iríamos deixar. Você o protegeu dela, — eu disse.

Ele finalmente olhou para mim, e seu rosto estava vazio, não charmoso, mas apenas
vazio.

—Quando eu voltei para Belle para salvar a vida de Asher, ela deixou de me proteger de
qualquer coisa por um tempo.

Eu só olhava para ele, e sabia que meu rosto mostrava o pensamento.

—Ela deu-lhe para…


—Ele verdadeiramente não gosta de sexo, mas ele ainda é funcional, e ele gosta de
medo.

Fui até ele, indo na ponta dos pés, e colocando meus braços ao redor de seus ombros,
puxando sua cabeça para baixo em minha direção. Naquele momento eu não estava
incomodada pelo que quer que seja que estava seco de um lado do seu cabelo. Nada do
que tínhamos feito era tão terrível como o que ele tinha passado.

—Eu sinto muito, — eu sussurrei.

Então houve outros braços em torno de nós, hesitante no início, e depois Richard
abraçou ambos.

—Eu não estou feliz com o que acabou de aconteceu, e isso me lembra de porque eu
ficava o inferno bem longe de você, mas nada do que já fizemos, inclusive hoje, é tão
terrível como os vislumbres que recebo de seu passado. — Richard levantou a cabeça
dele e isso me fez olhar para seu rosto. —Não é a maioria das piores memórias das
coisas que o conselho fez com você?

—A maioria, — disse ele em voz baixa.

—E agora eles estão tentando nos derrubar, — disse ele.

—Parece que sim.

—Não, — disse Richard, —o que for preciso, não.

Jean-Claude olhou para o outro homem. Seus rostos estavam perto, e eu me lembrei do
beijo, e não como parte da memória visceral, mas apenas como uma memória.

—Você não sabe o que pode ser necessário para combatê-los, Richard.

—Você pode ser um bastardo manipulador às vezes, mas você é o nosso bastardo
manipulador.

Jean-Claude realmente sorriu para isso.

—Tal lisonja irá subir até a cabeça de um homem, mon lupe.

Richard sorriu, mas seus olhos ficaram sérios.

—Morte d’Amour é mau, Jean-Claude. Eu o senti na minha cabeça, eu senti o que ele
queria que fizéssemos a Noel, e uma vez que matássemos Noel não teria parado com
ele. Ele teria nos feito matar uns aos outros e se alimentado de cada morte.

—Esse era o seu plano, — disse Jean-Claude.

—Sexo não é pior do que isso, — disse Richard.

—O que podemos fazer para mantê-los longe de nós? — Perguntei.


—Nós podemos mantê-los longe, eu acho, mas estou preocupado com o nosso pobre
país. São Mestres da Cidade mais fracos, Ma petite. Eu estou querendo saber como eles
se saíram esta noite.

—Você quer dizer que quando ele não pode nos enfeitiçar, ele caçou por outras presas?
— Perguntei.

—A Mãe nos quer, mas ele tem filhos de sua própria linha no comando de cidades aqui,
não muitas, mas algumas, e mais na Europa.

Richard disse;

— Você quer tentar proteger todos os Estados Unidos do Conselho Vampiro?

—Se pudermos, oui.

Richard e eu trocamos um olhar, e depois olhamos para Jean-Claude. Jean-Claude com


todas as suas roupas de fetiche e fantasia, ali de pé nu e coberto de mais fluidos
corporais do que um episódio de CSI. Deve ter parecido como um tiro no escuro que
ele, que nós, poderíamos descobrir uma forma de manter os vampiros mais poderosos
da Europa longe dos Estados Unidos metafisicamente, mas nós já tínhamos expulsado
três deles, mais o remanescente das Trevas.

Olhamos de novo nos olhos castanhos um do outro e, em seguida, de volta para o azul
de Jean-Claude.

—Eu estou dentro, — eu disse.

—O que vamos fazer? — Perguntou Richard.

—Eu acredito que nós tenhamos liberado Belle da influência da Mãe por agora, assim
tudo o que resta a eles é a morte, terror e violência. Nós vamos perder se tentarmos
jogar contra eles usando suas próprias forças.

—Você está dizendo para fazemos amor, não guerra? — Perguntei.

Ele assentiu.

—Eu prefiro simplesmente matá-los, mas a Escuridão só vai saltar para um corpo
diferente, não vai?

—Temo que sim.

—Podemos realmente mantê-la fora dos Estados Unidos? — Perguntou Richard.

—Se os outros Mestres da Cidade estiverem dispostos, há uma chance.

—Por que eles não iriam querer manter isso fora daqui? — Perguntei.

—Eles vão querer, Ma petite, mas eles não vão gostar do meu plano.
—Por que não? — Perguntou Richard.

—Seria necessário que eles abrissem mão de muito da sua autonomia e comandar a
América como a Europa é comandada.

—Por que, no que isso vai ajudar? — Perguntou Richard.

—Não é apenas da autonomia política que eles desistirão, não é? — Perguntei.

—Non, eles teriam que nos dar um pouco do seu poder.

—Você está falando sobre a criação de um conselho aqui na América com você como
líder, — disse Richard.

Ele assentiu.

—Alguns membros do conselho não tentaram nos matar quando eles apenas pensaram
que estávamos tentando fazer isso? — Perguntei.

—Eles vão nos matar de qualquer maneira, Ma petite, você não entende isso ainda? —
Ele olhou para nós, e seus olhos tinham algo que eu não via há muito: o medo. —Se não
pudermos ser conquistados, então eles devem nos destruir.

—Por medo que vamos fazer exatamente o que você está planejando fazer, — disse
Richard.

Jean-Claude concordou novamente.

—Vai ser uma corrida para ver se podem nos conquistar ou nos matar antes de termos
energia suficiente, — eu disse.

—Sim, — disse ele.

—Os outros Mestres da Cidade não vão querer desistir de seu poder para você, — eu
disse. —Se eles não sentiram o poder do conselho eles não vão acreditar em você. Eles
vão pensar que é apenas uma desculpa para tomar o poder.

—Exactement, — disse ele.

—Alguns deles irão lutar ao invés de dar-lhe o seu poder, — disse Richard.

—Alguns.

—Estamos prestes a iniciar uma guerra civil vampiro aqui? — Perguntei.

—Non, Ma petite, entre nós e nossos aliados eles não serão capazes de montar uma
defesa tão forte, nem se unir. A maioria vai viver ou morrer, em seus próprios
territórios.

—Você está planejando forçá-los a ceder o poder, mesmo se eles se recusarem?


—Para manter Morte d’Amour e a Mãe de Todas as Trevas de destruir este país, oh sim.

—Isso vai fazer de você o cara mau, — disse Richard.

—Eu estou ciente disso.

—Você está pensando em nós estuprarmos metafisicamente os mestres relutantes?

—Se necessário.

—Isso não é exatamente o que estamos lutando para impedir o conselho de fazer? —
Perguntou Richard.

—Sim, mas não estamos fazendo com propósitos malignos.

—Então, eles só têm que confiar que queremos fazer o bem, — disse Richard.

—Não, — disse Jean-Claude, —eles só têm de fazer o que eu digo a eles para fazer.

—Se você fizer o mal por uma boa razão, isso não a torna bom, — eu disse.

—Você quer Marmee Noir possuindo outros mestres neste país?

—Você sabe que eu não quero.

—Então a maldade de um homem torna-se a necessidade de outro, Ma petite. Temos de


ser tão cruéis como você sempre foi, e tão persuasivos como eu sempre fui.

—O que eu deveria ser? — Perguntou Richard.

—Seja honesto consigo mesmo e com a gente; ajude-nos a não nos tornarmos os
monstros que os outros mestres americanos têm medo que nos tornamos.

Richard estendeu sua mão, e depois de um momento de hesitação Jean-Claude a tomou.


Eu coloquei minha mão em cima da deles, e tudo que eu conseguia pensar era: É assim
que revoluções começam? Não com uma proclamação ou um motim, mas com algumas
pessoas em uma sala em algum lugar com as mãos juntas e um propósito. Nós
estávamos tentando salvar nosso país. Eu estava apostando que outros Mestres da
Cidade não iriam acreditar que estávamos salvando nada, senão nós mesmos, e patriotas
não seria o que eles nos chamariam. Não, seria mais como: bastardos filhos da puta.
CAPÍTULO 19

O banheiro de hóspedes era todo muito branco, moderno e despojado, mas eu estava no
chuveiro de azulejos brancos e eu não me importava. A água era quente e parecia bom e
ruim. Bom porque a água quente ajuda a vencer a rigidez de ficar deitada sobre pedra
fria durante horas, ruim que a água encontrava cada dor e hematoma. As marcas de
mordida eram as únicas feridas visíveis, mas a partir da sensação das coisas eu estaria
contundida eventualmente. Ou talvez não. Talvez a cura rápida mantivesse a maioria
das contusões como as mordidas de vampiro. Os hematomas são apenas vasos de
sangue estourados sob a pele, então como eu fazia para evitar hematomas antes de todas
as marcas de vampiro? Fiquei debaixo da chuva de água quente e não conseguia me
lembrar.

Por alguma razão me incomodou não ser capaz de lembrar se eu já tinha me ferido mais
antes. Estúpido, mas verdadeiro. Senti o poder deslizar sobre a minha pele. A água
estava subitamente muito quente. Eu virei para baixo para que ela ficasse fria. O calor
não estava na água, era do poder. Eu conhecia o gosto dele – Haven. Minha leoa olhou
para mim, e eu tive um momento para vê-la erguer o focinho de uma piscina onde ela
estava bebendo. Era como se colocando meu corpo humano na água me fizesse
visualizar minha leoa na água, também. A estranha visão dupla me fez estender minha
mão. Toquei o azulejo suave e fresco, e isso ajudou a me estabilizar. Eu estava aqui no
chuveiro. Eu era humana. Eu não era uma leoa bebendo em uma piscina no meio de
algum prado quente e nu. Merda. Era quase como se o mundo da leoa fosse mais real do
que tinha sido, e isso não era o que Haven estava fazendo, eram os leões e a cura que
tínhamos feito neles. Algo sobre isso tornara minha leoa mais “real”.

Ela rosnou baixo em seu peito. Nós não gostamos dele tanto quanto nós tínhamos
gostado antes. Mas gostar dele e querê-lo não eram a mesma coisa. Seu poder arrastava
como uma mão quente sobre minha pele nua, e todos os chuveiros frios no mundo não
iam fazer seu poder nada além de incrível. Qualquer outro homem em minha vida teria
batido, mas eu ouvi a maçaneta da porta girar. Ele só tinha tentado entrar, mas eu
trancara a porta. Velhos hábitos difíceis de morrer.

Ele chamou do outro lado:

— Anita, é o Haven, abra a porta.

Uma das razões que eu estava no chuveiro sem ninguém era que uma vez que Nathaniel,
Damian e Micah acordassem eu não saberia com quem tomar banho, então em uma
estranha tentativa de ser justa eu tinha ido sozinha. Agora isso parecia menos que uma
boa idéia. Eu não imaginava que Haven teria despertado tão rápido. Depois de sentir seu
poder na noite passada eu deveria ter. Porra.

—Anita, abra a porta.

— Eu só preciso lavar meu cabelo e eu terei terminado. Dê-me um minuto e você pode
tomar banho.

— Nós podemos dividir o chuveiro. — disse ele.


Eu sabia que era uma má idéia. Eu terminei meu cabelo em tempo recorde e desliguei a
água. O silêncio parecia mais alto do que deveria. Peguei uma das toalhas macias e
brancas e enrolei-a em torno do meu cabelo. Comecei a secar meu corpo com outra
toalha. Eu realmente queria me vestir, e eu estava realmente me chutando por ter
desistido tão facilmente em encontrar minhas armas na sala de estar, mas era uma
bagunça. Tantos de nós tinham estado armados que havia coldres e armas espalhados
entre os corpos atravessados como prêmios para mercenários em uma caixa carnuda de
Cracker Jack.

A porta chacoalhou como se ele tivesse se apoiado nela.

— Eu acho que você não quer compartilhar o chuveiro. — disse ele.

— Na verdade, não. — eu disse.

Eu estava seca o suficiente. Peguei as roupas que eu tinha deixado dobrada ao lado da
pia, e me amaldiçoei por ter roupas, mas nenhuma arma de apoio. Eu estava com medo
de Haven? Não exatamente, mas eu era menor e não tão forte. Há uma diferença entre
ter medo e ser cautelosa. Ou isso é o que eu disse a mim mesma enquanto eu deslizei
minha pele ainda úmida em roupas de baixo e jeans.

O aviso de Auggie estava em minha cabeça. Eu precisava fazer de Haven meu leão. Eu
precisava fazê-lo meu da forma que Micah era meu, mas isso faria com que ele se
comportasse? Foi a minha “magia” que fez Micah tão cooperativo, ou era apenas
Micah? Eu não podia imaginar Haven sendo tão razoável quanto meu Nimir-Raj. Micah
fez tudo melhor, mais fácil. Haven fez exatamente o oposto. Ele estar amarrado a mim
mais apertado metafisicamente não mudaria isso. Eu poderia ligá-lo a mim como eu
tinha feito com Nicky, e então ele seria meu de uma maneira que não o deixaria se
comportar mal. Mas eu acreditava que o que eu tinha feito a Nicky era mau.

Haven via-se como meu rei, mas eu já tinha um rei em minha vida. Ele pode superar
Micah em cem libras, e em uma briga ele teria vencido, mas às vezes ganhar a garota
não é sobre lutar.

Pensei no que ele tinha feito com Noel e Travis. Pensei no que ele tentara fazer com
Nathaniel e Micah, na manhã seguinte a ele ter dormido em minha casa, em uma das
últimas noites que todos nós ficamos lá. Pensei no fato de que quando eu o cortei ontem
à noite eu tentei matá-lo. Eu tinha tomado a decisão de que ele era muito perigoso para
tentar só ferir. Parecia que eu não deveria estar dormindo com ele se eu realmente
acreditasse nisso. Mas sexo era a única maneira que eu podia controlá-lo. Foi o meu
único ás neste jogo de poder metafísico. Foda-se, ou melhor, não.

— Se eu quisesse entrar eu poderia simplesmente derrubar a porta. — disse ele.

Eu deslizei meu sutiã, virando para frente para apertar os fechos, torcendo-o de volta
para deslizar meus braços através das alças.

— Sim, eu também. São portas interiores. Elas não são feitas para suportar tanta força.

Ele bateu na porta com força suficiente para que ela chacoalhasse.
— Você não vai me dar nem isso, não é?

Eu tinha colocado a camiseta preta agora, faltavam somente as botas para calçar e eu
estaria vestida.

— Eu não sei o que você quer dizer. — eu disse.

Ele bateu na porta mais uma vez e então eu senti ele se afastar. Por um segundo me
perguntei se ele estava se afastando para chutá-la abaixo, mas nada aconteceu. Estava
quieto – como a linha de filme antigo, muito quieto.

Eu poderia ter pensado que ele tinha ido, mas eu podia senti-lo do outro lado da porta.
Eu podia senti-lo como uma enorme energia no ar. Ele não tinha ido embora. Estávamos
indo conversar. E eu não conseguia pensar em nada agradável sobre o que falar com ele.
Porra.
CAPÍTULO 20

Sua energia tinha acalmado um pouco quando saí do banheiro. Ele estava sentado na
beirada da cama mais próxima a porta. Ele tinha penteado seu cabelo azulado e espetado
com os dedos, mas sem mais gel isso tinha apenas exposto as pontas e mostrado que seu
cabelo na verdade partia-se naturalmente para um lado. Ele era realmente muito longo
no topo para partir bem, mas estava lá. Seus ombros estavam curvados como se
estivesse encolhendo-se em si mesmo. Mas apenas quando ele se sentou mais reto que
eu vi que ele tinha encontrado sua arma no coldre, porque ela estava lá na cama ao lado
dele. Nada bom. Mas, honestamente ele não precisava da arma para me machucar.

— Você nunca vai me perdoar pelo que fiz com seus dois leões de estimação, não é?—
Ele disse.

—Você quer dizer quase bater neles até a morte?

— Sim, isso. — Ele parecia cansado.

—Você me disse uma vez que você pensava “O que Anita pensaria de mim se eu fizesse
isso ou aquilo?” Que você se preocupava que caso fizesse coisas ruins eu pensaria
menos de você. Como diabos você pensou que eu reagiria ao que você fez com Noel e
Travis?

— Eu não sei — ele disse.

—Você achou que eu ficaria feliz?

— Eu estava chateado. Eu não estava pensando muito à frente. Eu só queria te magoar,


Anita. Eu queria que você se machucasse da maneira que eu estava machucado, então
eu feri alguém que você se importava.

— Oh, isso torna tudo melhor então — eu disse, e o primeiro calor da raiva estava lá.
Respirei fundo e deixei sair lentamente. Eu tinha o direito de estar com raiva, mas eu
não tinha certeza do que faria com a minha leoa ficar com raiva dele. Eu não tenho
quaisquer outros animais no quarto para ajudar a distrair o meu leão. Eu com certeza
não queria me transformar em uma mulher-leoa de verdade agora.

—Você me deixa louco, Anita.

—Eu não faço nada para você, Haven. Você escolhe ferir as pessoas. Você decide que
quer me machucar então você vai e machuca o Noel. Ferir as pessoas é o que o músculo
faz, não um líder. Reis não deixam que a raiva os controle.

—Você sentiu o poder entre nós na noite passada, Anita. Você sabe que eu sou o leão
mais poderoso nesta cidade.

— Não é sempre sobre quem é o mais poderoso, Haven.

— Então é sobre o quê? — Ele perguntou.


—Controle — eu disse.

—O que, como seu ultra sensível Ulfric?

— Richard está se esforçando esta noite.

— E apenas por isso você o perdoa por tudo? Toda a merda que ele já fez acabou,
porque ele finalmente tentou.

— Eu dou pontos por tentar — eu disse.

—Você o perdoa porque você o ama — disse Haven. Ele olhou para o chão enquanto o
dizia.

— Eu não sei se eu amo Richard, mas eu o amei uma vez.

— Você nunca me amou, não é?

Eu não sabia o que dizer a isso. Esperei demais para responder, porque ele disse:

— Acho que não responder é uma resposta.

—Devo dizer que sinto muito? — Eu perguntei.

—Você não deveria ter me deixado matar o velho Rex, Anita. Você nunca deveria ter
deixado eu me mudar para cá.

Olhei para ele, todo aquele orgulho masculino curvado sobre si mesmo, e disse a única
coisa que eu tinha sobrando: a verdade.

—Você está certo. Eu deveria ter dito não.

Ele elevou olhar com isso. Parecia assustado e seu rosto parecia mais real dessa
maneira. Percebi que a maior parte do tempo ele usava uma máscara arrogante, nada-
me-incomoda, mas o rosto que ele virou para mim estava nu de sua máscara. Havia uma
dor real lá, e vê-la fez meu peito se apertar.

— Você alguma vez realmente me quis? — Ele perguntou.

— Sim — eu disse.

— Mas você não me quer agora — ele disse.

— Neste momento, não.

— Por que não? — Ele perguntou, e seus olhos estavam raivosos quando ele olhou para
mim.

Eu parei de avançar.
— Nada mudou, não é? O poder da noite passada e o conhecimento de que temos um
dos vampiros mais assustadores nos caçando não faz qualquer diferença para você.

— Por que deveria? — Ele perguntou, e suas mãos grandes estavam apertadas a sua
frente.

— Porque você é um dos líderes desta cidade. Porque você é o Rex, o rei, e é suposto
que você se preocupe com coisas que poderiam ferir ou destruir seus leões.

— Eu não me importo com meus leões. Eu não me importo com nada além de você. Eu
tentei ser um bom garoto para você. Eu tentei ser o tipo de homem que você precisava,
mas não importa o quão bom eu seja, nunca é o suficiente para você. Não há nada que
eu possa fazer para ser mais importante em sua vida.

— Sim, existe, mas você não vai fazer isso.

— O quê? Diga-me. O que eu tenho que fazer para subir em sua lista?

— Compartilhar melhor — eu disse.

Ele olhou para mim, e aquela energia quente e trêmula subiu um grau, então senti como
se o ar estivesse pressionando meu peito. Era difícil respirar atráves do calor de seu
poder.

Ele se levantou, e a energia irradiava dele como o calor de uma estrada no verão. Eu
podia vê-la no ar ao seu redor.

— Eu sou Rex, e eu não compartilho, porque eu não tenho que compartilhar. É o meu
orgulho e eu tenho que lidar com ele da maneira que eu quiser lidar com ele, e isso
significa que eu não compartilho minha Regina com ninguém.

— Então encontre uma pequena leoa boa e submissa para se envolver e você poderá ser
mestre de seu pequeno reino, mas eu não funciono dessa maneira.

Ele deu uma risada áspera.

— Eu pensei que eu era um presente de Deus para as mulheres antes de chegar a St.
Louis, e você. Mas eu não posso ser tão bom quanto eu penso que sou, ou você não teria
sido capaz de me chutar para fora de sua cama por quase um ano.

— Você tentou cortar Nathaniel e Micah, Haven. O que você achou que eu faria?

— Eu estava tentando fazer um ponto.

— E esse ponto seria?

— Que eu posso chutar o traseiro de ambos. Você sabe que eu poderia ter vencido
vocês três, mas eu não queria te machucar.
— Eu sei que você parou de lutar tão duramente quando eu me juntei à luta. Eu aprecio
isso, mas você precisa apreciar que eu não peguei uma arma e atirei em você quando
você começou a cortar os homens que eu amo.

— Eles não são homens, Anita. Eles são metamorfos, e em nosso mundo, se você não
pode lutar para sair, você não lidera, você não ganha, você não consegue foder a rainha.

— Então, por que todos os outros líderes ouvem Micah? — Eu perguntei. Eu estava
com raiva agora, também, ou apenas frustrada a um ponto onde eu não sabia o que mais
dizer além da verdade.

Suas mãos estavam flexionando em punhos em seus lados.

— Eles não deveriam.

— Mas eles ouvem. Por que isso, Haven?

Toda a energia, toda a luta pareceu sair dele de uma vez e ele se sentou de volta na
cama.

— Porque tudo o que me foi ensinado sobre o que significa ser um homem e um
Homem-Leão não funciona aqui. Rafael e seus homens-rato poderiam comer seus
Homens-Leopardo no café da manhã, mas ele se curva a Micah e a você. Fisicamente
ele poderia derrotar Micah. Inferno, todos os outros líderes lutaram para serem líderes,
mas não Micah.

— Quem lhe contou como Micah se tornou líder dos Homens-Leopardo?

— Merle, o líder do grupo antes de Micah. Ele é maior do que eu, e ele luta sujo. Eu
não gostaria de dar as costas a Merle em uma briga. — Isso foi um grande elogio de
Haven.

— Merle é um cara bom em uma luta, e ele está muito mais feliz por ser capaz de voltar
a um trabalho regular do que ser apenas músculo para o novo Nimir-Raj — eu disse.

— Sim, ele adora trabalhar nas motocicletas.

— Harleys. Ele sempre nos lembra que ele é um mecânico da Harley — eu disse.

Haven deu um pequeno sorriso.

— Sim. — O sorriso desapareceu quando ele olhou para mim. — Os animais do grupo
que Chimera trouxe para St. Louis ainda falam sobre ele. Eu sou um homem mau,
Anita, e eu fiz coisas ruins, mas nunca ouvi falar de alguém fazendo alguma das merdas
que ele fez.

— Ele era louco e malvado — eu disse.

— E você o matou pessoalmente e salvou a todos — disse ele.


Eu dei de ombros.

—Alguém tinha que fazer isso.

— Sim, mas a maioria das pessoas não poderia ter feito isso. — Ele olhou para mim
como se ele nunca tivesse me visto antes, e eu sabia que não era verdade. Ele tinha me
visto bastante.

— O quê? — Eu perguntei.

— Eu estava muito chateado com Micah, porque eu não entendia por que todos o
seguiam. Ia contra tudo o que eu sabia sobre metamorfos até Merle me contar a história.

— Micah me disse — eu disse.

Haven continuou falando como se eu não tivesse dito nada, como se ele estivesse
falando mais para repetir as palavras para si mesmo do que para mim.

— Chimera gostava de forçar os metamorfos em suas formas animais e mantê-los


assim. Ele iria forçar um dos leopardos menos poderosos de Merle em sua forma animal
por um longo tempo. Às vezes, os mais fracos de nós nunca voltam ao normal. Eles
ficam presos como animais. Não como o Homen-Lobo que engravidou Gina, mas a
forma completa do animal. Eles não podem falar, não podem escrever, eles estão presos
na forma de grandes animais. Já vi acontecer duas vezes. Você pode vê-los enlouquecer.
Eles acabam perdendo o controle depois de algum tempo, e você acaba tendo que matá-
los para impedi-los de ferir as pessoas.

— Eu pensei que só Chimera fizesse merdas desse tipo— eu disse.

Ele balançou sua cabeça.

— Não, não apenas ele, mas os únicos outros líderes que eu conheço fizeram isso como
punição. O Chimera não o fazia como punição, não de acordo com Merle. Ele só fazia
isso para ferir. Chimera ofereceu que Merle pudesse tomar o castigo pelo outro Homem-
Leopardo. Chimera envergonhou-o na frente de todos, porque Merle não iria se oferecer
no lugar do outro leopardo. Micah fez isso. Micah ofereceu-se para uma punição que ele
não merecia.

Eu conhecia a história. Micah tinha dito a mim e a Nathaniel na nessa noite, enquanto
nós o abraçávamos, ele revivia isso. Mas ele também nos contou como ficou com medo
depois de algum tempo, e como sua mente humana começou a escapar. Havia muito
mais medo na história quando Micah contou isso.

— Eu sei a história — eu disse suavemente.

Haven olhou para mim. Seus olhos estavam cheios de alguma emoção que eu não
conseguia ler.

— Mas você não entende o que ele estava arriscando, Anita. Micah não sabia se
Chimera iria mantê-lo em forma plena de leopardo por tanto tempo que ele nunca seria
humano novamente. Ele arriscou tudo por um de seus mais fraco leopardo. — Ele olhou
para as mãos entrelaçadas novamente. — Quando ele voltou com seus olhos congelados
como os de um leopardo, Merle exonerou-se. Ele apenas deu a liderança de seu bando a
Micah, e todo mundo com Chimera viu-o como seu líder depois disso. Você dividiu o
pessoal de Chimera depois que ele morreu. Você os enviou para seus grupos de animais
aqui em St. Louis. Eles já estavam seguindo Micah, e eles ainda o seguem.

— Eu não tinha pensado nisso desse jeito, mas eu acho que você está certo. Mas Rafael
e Reece dos Homens-Cisnes não o seguiriam se não valesse a pena segui-lo. Eles não
faziam parte do povo do Chimera. Mesmo esse tipo de bravura e sacrifício não o
cortaria com eles.

— Não, Micah é um bom líder em um tipo de maneira convencional. Ele toma boas
decisões e ele é bom na política humana. — Ele estava sendo tão razoável. Deixou-me
esperançosa.

— Ele é.

— Eu não sou um bom homem, Anita, não assim.

— A maioria das pessoas não é tão boa — eu disse.

— Ele é tão bom na cama quanto ele é como pessoa?

— O que? — Perguntei.

— Ele é melhor na cama do que eu, é isso? — Eu apenas pisquei para ele.

— Não faça isso.

— Ele é?

— Haven, não…

Ele gritou:

— Ele é?

Eu não queria fazer isso, mas. . .

— Sim.

— Porque ele é maior.

— Não, não é tamanho. Ele não é tão maior do que você. É que ele ouve na cama. Você
age como se toda vez que eu peço para você mudar alguma coisa, é uma crítica. Não é,
é só que algumas noites eu quero que seja gentil, algumas noites eu quero mais áspero.
Eu não quero a mesma coisa toda vez que faço amor.

— Eu nunca estive com uma mulher que quer tantas coisas diferentes na cama.
Eu dei de ombros.

— O sexo é o meu único hobby, pelo menos é o que os amigos me dizem.

— Não é o seu hobby, Anita, é a sua paixão. Você gosta de sexo, realmente gosta de
sexo, mais do que qualquer mulher com que já estive. Eu penso no passado agora e me
pergunto quantas das strippers e outras mulheres estavam fingindo na cama comigo,
como elas figiam no palco. Todas queriam algo de mim. Pagar seu aluguel, comprar
roupas, jóias, mas você não quer nada de mim. Não há nada que eu possa lhe comprar
que você não pode comprar você mesma.

— Não se trata de me comprar coisas, Haven.

— Jean-Claude dá-lhe rosas toda semana.

— Eu compro presentes para ele, também — eu disse.

— Você dá flores, jóias para a maioria dos homens. Você namora como um cara, Anita.

Eu pensei sobre isso, dei de ombros novamente.

— Eu acho que sim, eu não sei. Eu nunca entendi por que todos os presentes são
supostos vir apenas de uma via.

— Você não deixa um cara ser um cara, Anita.

— Nem sei o que isso significa — disse eu, e não sabia mesmo.

— Eu poderia viver com os outros homens, mas não com os outros leões, Anita. Você
entende o quão fraco isso me faz parecer para os outros machos? Eu poderia até viver
com você fodendo Payne, ou Jesse, mas Noel e Travis? — Ele se levantou e seu poder
se espalhou pelo quarto como se alguém tivesse girado o termostato para grelhar.

— Ontem à noite foi à primeira vez com Noel, Haven. Eu juro.

— Eu não acredito em você.

— Você deveria ser capaz de discernir a verdade da mentira, Haven. — Ele balançou a
cabeça.

— Eu não posso diferenciar mais. É como se minha própria raiva estivesse me cegando.

— O único leão além de você com quem estou dormindo é Nicky.

— Por que você não nos deixa lutar? Tem medo que eu o mate?

— Temo que um de vocês mate o outro e seja culpa minha.

— Somos leões, Anita, não pessoas. Você precisa nos deixar ser leões.
— O que isso significa? — Eu perguntei.

— Isso significa que um bando só tem um Rex e uma Regina. Não pode ficar com Nick
e comigo. Você não pode foder os leões mais fracos em meu bando e não me foder de
jeito nenhum.

Eu desisti de tentar explicar que eu não tinha tocado Noel e Travis antes da noite
passada. Eu aprendi há muito tempo que é quase impossível provar que você não fez
algo, especialmente se alguém está convicto que você fez. Inocente até que se prove o
contrário só funciona no tribunal, e mesmo assim cada júri tem seus preconceitos.
Todos nós julgamos.

— O que seria preciso para me levar de volta para sua cama?

A mudança de tópico foi muito rápida para mim.

— Eu pensei que estávamos brigando.

— Sim, mas você não faz sexo de reconciliação. Se você está brava com alguém você
pernanece brava. Tudo o que eu pensava que sabia sobre mulheres e relacionamentos
não funciona com você. Então me diga o que funciona. Diga-me como ganhar isso.

Eu puxei um monte de ar e deixei sair lentamente.

— Não se trata de vencer, Haven. Eu não sou um prêmio a ser ganhado. Eu não sou a
princesa que precisa ser resgatada do dragão. Eu sou o príncipe e eu mato meus próprios
monstros. Você precisa estar bem com isso.

— Eu entendi isso no dia em que você lutou ao lado dos outros homens contra mim. Eu
entendi isso na noite passada, quando você me cortou com uma lâmina prateada. Se
você e Jean-Claude não tivessem gastado tanta energia, eu ainda estaria machucado.

Ele estudou meu rosto, e algo sobre a seriedade desse olhar me fez querer desviar o
olhar, mas eu não desviei. Eu poderia olhar se ele pudesse sentir.

— Você realmente teria me matado na noite passada para manter Noel vivo?

— É suposto que protejamos aqueles mais fracos do que nós — eu disse.

— Isso é um sim, você teria me matado para salvar Noel?

— Bem, sim — eu disse.

— Ele é melhor na cama do que eu?

— Vou dizer isso mais uma vez. Eu não sei. Eu não tive relações sexuais com ele na
noite passada, então eu ainda não sei. Duvido que ele seja tão bom. Ele é muito suave.
Prefiro meus homens com mais experiência de vida.

— Ouvi dizer que Nathaniel tinha muita experiência.


— Você vai jogar o passado de Nathaniel no meu rosto?

— Se você fosse um cara, eu diria que o amor de sua vida era uma prostituta.

— Eu sei o que ele era e como ele ganhou seu dinheiro quando eu o conheci — eu disse.

— Viu, um cara estaria chateado mesmo se ele soubesse. Você não vai me deixar ser o
cara, mas no final, você não é o cara, também.

— Foda-se isso — eu disse, e fui em direção à porta. Eu não virei minhas costas para
ele, mas eu tinha terminado.

Haven subitamente se moveu em minha direção. Eu tive tempo suficiente, ou


velocidade, para estar fora da maior parte de seu alcance, mas ele agarrou meu pulso.
Acabamos comigo agachada para trás longe dele, e ele com uma mão no meu pulso. Seu
poder tremeu descendo na minha pele em um banho quente que fechou minha garganta
e fez minha leoa encarar acima com olhos escuros e âmbar. Ela rosnou, e isso escorreu
pela minha garganta e entre os meus lábios.

Ele fechou os olhos e um estremecimento passou através dele de cima para baixo. Ele
abriu os olhos e eles já eram o âmbar dos leões.

— Foda-me — ele disse.

Eu balancei a cabeça.

— Não.

Ele apertou a mão o suficiente para me deixar sentir o quão forte ele era.

— Sem armas, sem guardas, sem namorados, você não pode me impedir.

Eu esperei meu pulso acelerar, sentir medo, porque ele provavelmente estava certo. Eu
lutaria, mas no final, em uma luta justa, não havia nada justo sobre alguém superando-
me por mais de cem quilos de músculo e quase um pé de altura. Eu o tinha visto lutar, e
de um pra um ele ganharia a menos que eu tivesse muita, muita sorte. Mas a leoa em
mim rosnou novamente. Ela não tinha medo dele. Por quê? Então eu tive um
pensamento.

Parei de puxar contra sua mão e só me levantei. Ele retrocedeu meio passo como se não
esperasse.

— Eu não posso impedi-lo de fazer o quê? Você não quer apenas o meu corpo, Haven.
Você me quer. Você quer que eu te queira e te ame. Você não pode ganhar isso com
estupro.

— Por que acha que eu não posso apenas querer seu corpo? — Ele perguntou.

Eu respirei fundo e deixei sair lentamente.


— Você é o único que continua pressionando por mais de um relacionamento, não eu.
— Eu assisti seus olhos de leão deslizar de volta para o azul.

— Você me transformou na garota. — Ele soltou meu pulso e deu um passo para trás.
— Saia, saia, Anita, antes que eu mude de idéia.

Eu retrocedi até que eu senti a porta sob minhas mãos. Eu tive que olhar para trás para
encontrar a maçaneta, e de repente ele estava em pé na minha frente. Ele pressionou seu
corpo contra o meu, prendendo-me contra a porta, com a mão em um braço, e apenas
meu movimento rápido o impediu de agarrar o outro braço.

Meu pulso estava na minha garganta, e eu não podia esconder que ele tinha me
assustado. Ele inclinou o rosto sobre o meu cabelo e cheirou o ar.

— Você cheira a medo, sexo e comida. Você cheira bem.

Minha voz estava um pouco trêmula quando eu disse:

— Você cheira a suor e sexo de outras pessoas.

Ele me puxou para ele, prendendo meu braço entre nós. Ele me deixou manter o outro
braço como se não importasse.

— Então você deveria se sentir em casa. — Seu corpo me pressionou. Minhas opções
físicas estavam desaparecendo, mas havia outras opções.

— Você sabe por que eu não enfeiticei você do jeito que eu fiz com Nicky? — Eu
perguntei.

Eu senti todo o corpo dele hesitar. Eu o tinha surpreendido. Bom.

— Você gosta mais do Nicky — ele disse.

— Não, eu gosto mais de você. Roubei o livre-arbítrio de Nicky. Ele vive para me
agradar. Na verdade acho que isso é meio assustador. Auggie me disse que eu deveria
enfeitiçar você, mas eu gostava muito de você para roubá-lo de si mesmo.

— Por que me dizer isso agora? — Ele sussurrou contra meu cabelo, e eu podia sentir
que seu corpo não estava inteiramente infeliz ao estar pressionado contra mim.

— Não faça que o que eu fiz a Nicky se torne minha única opção, Haven.

— Eu sou um Rex. Você não poderia me enfeiticar assim — ele disse.

— Tem certeza? Tem certeza o suficiente para apostar tudo que você é que eu não posso
fazer você minha Noiva?

Ele ficou muito imóvel contra mim, e então ele estava no meio da sala em um borrão de
velocidade que era de tirar o fôlego. Eu me encostei na porta durante um batimento
cardíaco e depois procurei pela maçaneta sem olhar para longe dele. Eu abri e atravessei
a porta, ainda mantendo meu olhar nele como se isso o impedisse de vir para mim
novamente. O ar frio do corredor parecia ajudar a perseguir parte daquela energia
quente.

— Eu vou me limpar — ele disse, e ele não olhou para mim.

— Faça isso — eu disse, e fechei a porta lentamente, mas firmemente entre nós.
CAPÍTULO 21

Eu estava procurando por minhas armas e celular nos destroços. Eu tinha encontrado um
monte de armas, nenhuma delas minhas. Haven avançando em mim tinha realmente,
realmente me feito querer minhas armas de volta. Mas eu não era a única que tinha
perdido armas na corrida para se despir, e eu estava encontrando um monte de
brinquedos perigosos. Nathaniel me ajudou a procurar, seu cabelo recém-lavado e
arrastando-se com seu corpo em uma massa escura e molhada. Ele tinha colocado um
par de bermudas que pareciam ter começado a vida como um par de jeans. Micah estava
no chuveiro agora. Estávamos nos limpando na ordem de quem acordou. Os seis de nós
em triumviratos tinhamos acordado primeiro, e então parecia ir por dominância e nível
de poder. Perguntei-me em que ordem Haven acordara, mas não havia perguntado a
ninguém. Ele não tinha me machucado, então eu não tinha mencionado nosso encontro
com ninguém ainda. Tínhamos que fazer algo sobre Haven, mas eu não tinha certeza de
exatamente o quê.

Jean-Claude estava dando telefonemas para descobrir quais mestres de cidade estavam
vivos e quão cedo eles acordaram. Apenas por deixar mensagens no início do dia, Jean-
Claude estava deixando-os saber que ele tinha acordado primeiro. Era um tipo sutil de
liderança entre vampiros. Quanto mais cedo você acordava, mais poderoso você era,
como regra geral. Embora hoje em St. Louis houvesse um monte de despertares
antecipados que não tinham nada a ver com o poder individual dos vampiros e tudo a
ver com Jean-Claude. Ele empurrou um pouco do poder para todos os seus vampiros,
porque o poder tinha que ir a algum lugar. Se eu estivesse encarregada do poder eu teria
provavelmente levantado um exército de zumbis no cemitério mais próximo.

Algumas das coisas que estávamos procurando ainda estavam emaranhadas nos
vampiros e metamorfos desmaiados. Era como uma cena de crime com um monte de
mortos, já que os vampiros não respiravam. Eu tinha encontrado a minha Browning e a
faca grande, mas uma das bainhas de pulso e minha arma de reserva ainda estavam em
algum lugar. Eu também não tinha encontrado o meu celular, mas eu não estava tão
preocupada com isso. Celulares não podiam matar pessoas. Eu queria todas as coisas
letais de volta sob meu controle. Eu verificaria as mensagens do celular mais tarde.

Eu estava começando a me perguntar se a arma e a faca estavam escondidas de baixo de


alguém quando uma mão agarrou meu pulso. Eu pulei como se eu tivesse sido
esbofeteada e eu não sabia o que teria feito, mas eu tive um flashback, como o que eu
tive com Jean-Claude e Richard.

Lembrei-me da sensação de Noel na minha boca, o olhar em seu rosto quando seu corpo
se liberou, como ele tinha gritado. Eu tinha tudo isso na minha cabeça antes mesmo de
eu ver o rosto que veio com a mão que tinha tocado em mim.

Ele disse:

— Oh, meu Deus, o que foi isso?

— Um flashback — eu disse, minha própria voz um pouco trêmula. Eu me ajoelhei ao


lado dele. Ele ainda estava me segurando, mas a lembrança recuou. Os flashbacks
pareciam acontecer apenas por um momento e apenas com pessoas que eu tinha fodido
ontem à noite. Jean-Claude não tinha idéia do por que estava acontecendo, e se ele não
sabia, certo como o inferno que eu também não saberia.

Noel tinha perdido seus óculos, então seus olhos pareciam maiores, mais escuros.
Parecia mais jovem, mais inacabado sem a armação dourada ao redor de seus olhos.

Nathaniel tinha passado por nós, ainda procurando por minhas coisas. Eu acho que ele,
na verdade, nos deu um pouco de privacidade.

— Como você está se sentindo? — Eu perguntei.

— Pensei que estivesse morto. Eu estava morto?

— Quase — eu disse. Sua mão ainda estava em volta do meu pulso, apertando, a tensão
cantando em seu braço como se ele tivesse medo de soltar.

— Você me salvou.

— Com alguma ajuda, sim.

— Como?

— Quanto você se lembra? — Eu perguntei.

— Eu me lembro do sexo, mas não muito mais.

— Você pode sentar? — Eu perguntei.

Ele pareceu pensar nisso por um minuto.

— Eu acho que sim. — Ele começou a se sentar, e eu flexionei meu braço para ajudar a
puxá-lo para cima. Ele sentou-se ali por um momento, como se não estivesse seguro de
que sentar-se era uma boa idéia, e então disse:

— Não está doendo. Por que não dói?

— Você é um metamorfo. Vocês curam rapidamente.

— Eu não — disse ele. Eu o ajudei a ficar de pé e, enquanto ele se movia, as almofadas


rasgadas caíram e ele estava tão nu quanto na memória. Isso me incomodou um pouco,
porque eu tinha colocado Noel na categoria de proteção. Não, vamos ser honestos, eu
pensara nele como muito inocente para mim. Eu mantive um contato visual muito sério
enquanto ele se balançava em seus pés, segurando no meu braço.

Houve uma voz abafada.

— Noel cura lentamente, quase humanamente-lento. — Travis cavou o suficiente de si


mesmo para fora de roupas rasgadas e vampiros inconscientes para chegar a seus
joelhos, e depois ficou lá por um momento.
— Ow. —Ele tocou sua coxa interna e saiu com sangue seco. — O que há com todas as
mordidas de vampiros, e não estou reclamando, mas por que não me sinto pior com três
mordidas em mim?

— Richard e eu tínhamos oito cada.

Noel e Travis olharam para mim com olhos arregalados e eu tive aquele momento para
pensar em como eles eram jovens. Em idade eles eram apenas cinco ou seis anos mais
novos que eu, mas nem sempre é sobre a idade cronológica. Os dois apenas apitavam no
meu radar como muito inexperientes.

— Vocês dois deveriam estar mortos — disse Noel — com tanta perda de sangue.

— Nada diplomático — disse Travis, e usou a parte de trás do sofá para levantar-se.
Noel parecia desconfortável e murmurou:

— Desculpe, eu não queria. . .

— Tudo bem. Nós deveríamos ter sangrado até a morte.

— Por que não sangramos? — Isto veio de Nathaniel, que tinha vagueado de volta para
nós. Ele tinha seis mordidas em si mesmo.

— Eu já passei uma noite na qual eu tive muitos vampiros se alimentando de mim. Eu


me senti terrível e fiquei doente por um dia. Mas não só não me sinto doente agora,
como me sinto bem melhor.

— O Morte d’Amour continuava tentando fazer o poder nos forçar a comer uns aos
outros, a matar uns aos outros. Jean-Claude manteve o poder inclinado para o sexo e a
cura.

— Então, isso era destinado a nos sangrar até a morte? — Nathaniel disse.

Eu assenti com a cabeça, então estremeci, porque quem quer que tenha me mordido no
pescoço não tinha sido gentil. Aparentemente a cura principal tinha ido para os dois
homens-leão na minha frente, porque as mordidas ainda doíam. Eu tinha curativos na
parte interna da coxa para impedi-las de esfregar em minha calça jeans. A mão de Noel
tinha se movido do meu pulso e eu percebi que ou eu estava segurando sua mão por um
tempo, ou ele estava segurando a minha. Eu tive um daqueles momentos em que eu
debati comigo mesma: “Será que eu solto a mão dele ou continuo segurando?” Eu tive
sexo metafísico com ele e salvei sua vida. Quanta segurada de mão eu lhe devia?

Nathaniel estendeu meu telefone para mim.

— Eu vou continuar procurando a arma e a última faca, mas pelo menos encontramos
seu celular.

Eu peguei o celular, o que me deu uma desculpa para parar de segurar a mão de Noel.
Travis perguntou:
— O que você está procurando?

Nathaniel explicou, e os dois começaram a procurar no lado mais distante da sala. Noel
ficou comigo como se não soubesse por que, mas também não queria me deixar. Eu não
sabia se ele tinha medo de sair do meu lado, ou se havia alguma razão metafísica para
isso. Perguntaria a Jean-Claude mais tarde e esperaria que ele tivesse uma resposta.

Noel acariciou meu braço com seus dedos.

— Está tudo bem?

Eu não estava gostando que ele continuasse me tocando. Não era que a sensação fosse
ruim, na verdade era agradável, mas eu não precisava adotar outro leão. Eu já tinha
leões demais.

Como se fosse um sinal, Haven entrou novamente no quarto. Ele estava nu, como todos
os metamorfos preferiam, mas tinha a arma no coldre numa mão e uma toalha na outra.
Ele ainda estava esfregando seu cabelo azul curto com ela. Ele era bonito? Sim. Mas ter
todos os músculos e ser bem dotado não compensava as falhas de caráter. Às vezes você
apenas tem que dizer não.

Noel moveu-se para perto e atrás de mim. Ele não estava sendo sutil, ele estava se
escondendo atrás de mim. Ele me tocou e eu me movi para trás, fechando a pequena
distância entre nós. Ele tomou isso como convite e colocou o braço em volta da minha
cintura. Eu podia sentir ele tremendo, e mesmo que ele estivesse nu, não havia nada de
sexy nisso. Ele estava apavorado com o homem bonito, e apenas a sensação do medo de
Noel tornou Haven menos bonito para mim. Você é tão bonito quanto as suas ações, e o
que ele fez a Noel e Travis não tinha sido bonito. Haven franziu o cenho para nós. Seus
olhos azuis, ainda mais azuis pelos azul úmido e mais rico de seus cabelos, ficaram
instantaneamente irritados.

— Eu pensei que eu tinha sido claro, mas acho que não. Tudo bem, posso ser mais
claro.

Meu pulso e minha taxa de respiração aceleraram. Eu podia sentir o coração de Noel
batendo contra minhas costas. Travis veio para ficar perto de nós. Ele não se esconderia
atrás de mim como Noel, mas ele se aproximou de mim. Eu era o único outro
dominante no quarto. Os guardas estavam ou ainda inconscientes ou nos muitos
chuveiros e banheiras mais profundas no subsolo.

Eu tinha achado a Browning, mas tinha chumbo nela, não prata, o que significava que
eu poderia feri-lo, mas eu não poderia matá-lo. Eu tinha uma lâmina na bainha de pulso
e a faca grande. Elas eram prata, mas se eu tivesse que começar a usar lâminas em
Haven eu tinha poucas ilusões. Eu o tinha visto lutar e ele era treinado. Seu alcance de
braço era quase duas vezes o meu e suas pernas mais do que dobram meu alcance. Ele
tinha demonstrado sua incrível velocidade na sala de reposição.

Ouvi Nathaniel movendo coisas por trás de mim. Ele disse:


— Eu vou encontrar. — Ele estava procurando minha outra arma com as balas de prata
porque ele tinha feito a mesma matemática que eu tinha.

— Eu não posso deixar você machucá-los, Haven — eu disse, e minha voz era clara e
uniforme.

Ele jogou a toalha no chão, e ficou lá nu, bonito, e mortal.

— Eu sou o Rex nesta cidade, não você, Anita. Você tentou foder com a minha mente
na noite passada, e o sexo é fodidamente maravilhoso quando fazemos, mas nem
mesmo por isso eu vou deixar você me dominar pela boceta. Eu não posso.

— Então nós temos um problema, — eu disse. Noel escondeu o rosto contra o meu
cabelo. Eu sabia naquele momento que a única maneira dele machucar Noel era depois
de me machucar primeiro. Com a decisão, meu pulso e minha respiração diminuíram.
Eu estava em paz com a minha decisão. Eu tomaria uma surra antes de deixá-lo
machucá-los novamente. Às vezes não é sobre ganhar. Às vezes é apenas sobre fazer a
coisa certa mesmo se doer.

— Eles disseram que você não tinha fodido eles, mas eu sabia que eles mentiram.

— Eu protejo um monte de gente que eu não fodo, — eu disse.

Ele balançou a cabeça. Ele manteve sua arma envolvida no coldre, mas então, ele não
precisava de uma arma para nos machucar. Eu tinha segundos para decidir o que eu
faria em seguida. Se eu atirasse nele com chumbo, ele atiraria em mim de volta com
prata?

— Afaste-se, Noel. Preciso de espaço.

Travis veio e o apoiou. Eu saquei as facas e deixei a pistola e o coldre caírem ao chão.
Fixei minha posição e segurei as duas para trás para que as lâminas ficassem ao longo
dos meus braços. Uma vez eu pensei que as facas eram mantidas para fora do corpo
como espadas, mas isso dependia da lâmina e do tipo de luta.

Ele parou de avançar, estudando-me.

— O quê … Supõe-se que eu jogue minha arma para longe e vá para você com as mãos
nuas?

— Seu alcance é duas vezes o meu, e você terá garras, eu não. Eu acho que as lâminas
ajudam a tornar isso um pouco mais uniforme.

— Você acha que eu não vou te machucar? Você acha que já cortou minhas bolas? Que
eu sou apenas mais um gato de casa para sua grande coleção?

— Não, Haven, eu acho que você vai me machucar se você puder.

— Eles são tão bons assim na cama? Eles são melhores do que eu?
— Eu já lhe disse que não os tinha tocado antes da noite passada.

— Vadia mentirosa.

— Você é bom em foder, Haven, mas isso não é motivo suficiente para gostar de você.

— O que diabos isso significa?

— Você quase matou os dois ontem à noite. Você vai tentar terminar o trabalho?

— São homens-leão, machos do meu pride. Se eles não podem se defender, eles
morrem. É a maneira que os leões dirigem seus negócios.

— Agora quem está mentindo? — Era uma voz de mulher atrás dele: a mulher-leoa
loira e baixa. Ela estava tão nua quanto Haven. Seu corpo era magro e musculoso, seios
pequenos altos e apertados em seu corpo, à curva de seus quadris tão esguia quanto o
resto dela. Não era o esguio das dietas que lhe fazem passar fome, era o de pesos,
corrida e malhação que a esculpia. Eu sabia por que, embora eu tivesse mais curvas,
meu corpo tinha a mesma aparência. Como se tivéssemos nos esculpido em algo
pequeno, duro e perigoso.

— Fique fora disto — ele disse, e houve a primeira sugestão de rosnar na sua voz.

Ela caminhou passando a largo dele, se movendo em nossa direção.

— O pride de onde eu vim era dirigido pelas mulheres. Um monte de pride’s são
dirigidos pelas mulheres, porque os homens só querem foder e lutar.

— Nós não somos todos assim — Travis disse, e sua voz estava mais irritada do que
assustada, bom para ele.

Ela sorriu, mas manteve sua atenção em Haven enquanto vinha em nossa direção.

— Não, vocês não são.

— São os leões mais fracos do nosso bando — disse Haven.

— Preciso de um amante, eu já sou meu próprio lutador — disse ela. Ela estava quase
ao meu lado agora. — Eu sou Kelly, Kelly Reeder — ela disse.

— Você sabe o meu nome — eu disse — mas estou feliz em conhecê-la, Kelly Reeder.

Ela deu um rápido sorriso.

— Eu não estava lá quando eles começaram a bater em Noel, mas Payne me disse mais
tarde que Noel deveria ter sido o único. Travis não esteve em apuros até que entrou para
tentar impedir que Noel fosse espancado até a morte.

— Travis queria um pedaço. Ele conseguiu o que queria. Você quer um pedaço,
também, Kelly?
— Se Anita vai lutar com você, então sim.

— Conte comigo. — Era a segunda nova fêmea leoa. Seus cabelos castanhos curtos
haviam sido secados e estilizados de modo que emolduravam seu rosto, mas ela não se
incomodara com roupas. Mesmo se ela tivesse pedido, nenhuma de minhas roupas teria
se encaixado nela. Ela estava perto de 1,80 de altura e não tinha ido à academia para
ganhar músculos. Ela tinha se exercitado para estar em forma, mas era toda curvas,
seios e quadris. Havia apenas algo mais suave, mais feminino sobre ela, de modo que
teria sido errado para ela ser musculosa como Kelly e eu.

— Fique fora disso, Rosamond. Você não é uma lutadora — Haven rosnou.

Rosamond, — era um nome para uma princesa em um conto de fadas ou uma heroína
de uma novela de romance. Ela caminhou amplamente ao redor dele como Kelly tinha
feito. Ela não se movia como uma lutadora, mas ela ainda tinha essa graça que todos os
metamorfos poderiam ter. Ela se moveu cautelosamente, e bem.

— Eu não te interrompi quando você estava machucando Noel porque eu estava com
medo de você. Então Travis colocou-se entre você e Noel. Travis também não é um
lutador, mas ele fez isso. Ele fez isso sabendo que você o machucaria. Mas eu acho que
se ele não tivesse feito isso, você teria espancado Noel até a morte.

— Você quer que eu te machuque? — Ele perguntou.

— Não, eu não quero. Eu realmente não quero, mas não posso ficar de pé uma segunda
vez e deixá-lo machucá-los. Eu não gostei muito de mim ontem à noite, assistindo você
espancá-los. —Ela fez suas unhas cuidadosamente pintadas em punhos. — Mas a nossa
Regina está de pé contra você, e eu vou ficar com ela.

— Ela não é minha Regina — disse Haven.

— Ela me ajudou a curar dois de nossos leões com o poder de sua leoa — disse Kelly.
— Qualquer homem-leão pode machucar e mutilar, mas a cura é rara. Minha mãe podia
fazê-lo, e eu vou tomar uma Regina que pode levantar o poder e compartilhá-lo para
curar-nos ao invés de alguém que pode nos espancar até a morte. Podemos sempre
trazer mais homens-leão pelos músculos, Haven, mas cura e magia são difíceis de
encontrar.

— Ela não pode sequer libertar sua besta. Está presa dentro de seu corpo humano —
disse Haven.

— Sua besta é real. Ela surgiu acima de nós como uma fogueira de magia e poder.

— Eu cheirei sua leoa ontem à noite — Rosamond disse, e eu entendia o suficiente


sobre animais para saber que isso significava que algo era real. Se eles pudessem sentir
o cheiro, era real. Ela veio para ficar ao lado de Kelly.

— Um pride é para ser supostamente uma família — disse Kelly. — Você transformou
em um acampamento armado.
— Você realmente acha que não posso derrotar todos vocês?

— Não sei — disse ela — mas estou disposta a descobrir.

Eu não sabia o que dizer. Eu nunca tinha tido alguém vindo para o meu lado da cerca
desse jeito. Eu era sempre a única menina com todos os caras, com exceções raras como
Claudia. O que dizer para as duas mulheres que eu mal conhecia?

— É bom não ser a única garota na luta pela primeira vez — eu disse.

Kelly me deu um sorriso feroz, mais um mostrar de dentes, e isso me lembrou um


grunhido, mas estava tudo bem, era o que precisávamos agora.

— Esta é a idéia de Kelly de ligação feminina — Rosamond disse.

Kelly assentiu e encolheu os ombros, mas o encolher de ombros se transformou em um


soltar de ombros. Eu reajustei minha postura porque você não pode manter uma mesma
postura para sempre, e além disso, eu tinha que abrir espaço para ela estar ao meu lado.
Era um tipo diferente de luta, sabendo que havia pessoas ao seu lado que iriam ajudar.

— É uma luta particular, ou mais alguém pode se juntar? — Claudia saiu do corredor
vestida com uma camiseta preta e jeans. Ela vivia meio período aqui, então ela tinha
roupas. Seu longo cabelo preto estava de volta em um rabo de cavalo molhado. Ela era
mais alta do que Haven por centímetros, e mais larga pelos ombros. Eu percebi que até
mesmo seus bíceps eram maiores enquanto eles se esforçavam contra a camisa.

— Este é um assunto de leões — Haven rosnou, mas ele fez questão de manter um olho
nela enquanto ela se movia em torno dele. Isso significava que ele a via como mais
ameaçadora individualmente do que qualquer uma de nós. Acho que fui insultada.

— Eu sou a guarda-costas de Anita. Eu não seria muito boa em meu trabalho se


deixasse você machucá-la, seria? — Apenas o tom de sua voz me deixou saber que ela
gostava de Haven ainda menos do que ela gostava de Richard.

— Vocês acham que juntas vocês podem me vencer? — Ele perguntou.

Eu nunca tinha visto Kelly lutar, e Rosamond ia ser menos do que útil, mas Claudia eu
sabia. Eu disse:

— Eu acho que podemos.

— Talvez, mas eu vou te foder antes de eu cair.

— Leve sua má pessoa para fora.

— O quê? — Ele disse.

Eu me senti sorrir, e não era um sorriso agradável. Era um sorriso frio e antecipado. Foi
junto com o que eu disse em seguida.
— Você acha que pode ganhar esta luta, então venha aqui e prove isso.

Em um momento ele estava parado ali, e no outro ele era um borrão de movimento. Eu
tive tempo para um pensamento:

“Ele é muito rápido”, e então a luta começou.


CAPÍTULO 22

Rosamond caiu nos primeiros golpes. Ela se deitou no chão sangrando e atordoada.
Cortei Haven duas vezes antes de uma de suas longas pernas varrer a minha debaixo de
mim e então eu bati no chão. Com as facas em minhas mãos eu não podia bater no chão
e tentar amortecer a queda ao mesmo tempo. Eu tive apenas que cair. Há sempre algo
sobre bater numa superfície abruptamente que desnorteia você por um batimento
cardíaco. Eu não tinha um batimento cardíaco de sobra. Ele estava em cima de mim e
então ele não estava mais. Era como um truque de mágica, tão rápido, tão poderoso,
mas não era o seu poder. Claudia o havia chutado para longe de mim em direção à
lareira. A força disso abalou o quarto. Eu tive um vislumbre de suas longas pernas
cobertas de brim quando ela passou por cima de mim, ainda se movendo logo após o
seu próprio chute.

Eu rolei para os meus pés a tempo de ver Haven bloquear seu chute seguinte e prender
seu pé com o braço, o cotovelo descendo em direção a sua perna. Ela caiu no chão,
deixando-o segurar todo o seu peso. Ele poderia prendê-la, mas levaria um segundo para
manter o equilíbrio. Ela usou aquele segundo para chutar com a perna livre, de modo
que começou a formar um círculo para se conectar com seu rosto. Ele não podia
bloqueá-lo e quebrar sua perna. Ele o bloqueou, mas agora ele tinha as duas mãos
controlando suas pernas. Ela estava presa, mas nós não.

Kelly moveu-se em um borrão à sua direita, e eu estava movendo-me à sua esquerda,


trocando a posição da grande faca, então eu teria alcance suficiente para esfaqueá-lo
enquanto ele não podia bloquear com os braços. Eu realmente não esperava ser rápida o
suficiente para mirar o golpe, mas a ponta da faca apenas estava de repente afundando
entre as suas costelas e o treinamento assumiu. Você bate em alguém em um ângulo
para baixo, empurra para cima e vai para o coração.

Eu sabia que Kelly estava fazendo algo do seu lado, mas eu não tinha tempo para ver.
Então Haven usou Claudia como um taco e jogou-a em mim. Nós terminamos em uma
pilha no chão com ela em cima de mim. Era tudo que eu podia fazer para segurar ambas
as facas e impedi-las de cortar Claudia. Pelo menos desta vez um corpo inconsciente
amaciou a minha queda. Mas ter Claudia em cima de mim queria dizer que eu não
estaria levantando de imediato.

Ela rolou de cima de mim e chegou a seus pés. Eu fui mais lenta, mas eu me levantei.
Kelly e Haven estavam trocando golpes, cada um deles com rapidez suficiente para
bloquear o outro em movimentos borrados que meus olhos mal podiam seguir. Mas ela
era do meu tamanho e ele continuava a afastá-la com aquelas longas pernas. Ela
continuou tentando entrar nesse punitivo balanço de pernas, mas não conseguia.
Nenhum deles podia acertar o golpe que queriam, mas estavam acertando golpes o
suficiente nos braços e pernas de cada um. Quem cansasse primeiro, ou quem pudesse
quebrar o braço ou perna de alguém por força repetitiva pura, iria decidir a luta, se fosse
apenas entre Kelly e Haven.

Claudia chegou de seu outro lado. Ele chutou uma última vez, Kelly bloqueou com o
braço, e eu ouvi o afiado som de ossos se quebrando como o estalo de um lápis. Ela teve
um momento no qual a dor e choque da lesão retirou o seu foco. O outro pé de Haven
girou e bateu ao lado de seu rosto. Ela caiu e não voltou a levantar.
Claudia manteve sua postura, braços e punhos para o alto, prontos para bloquear, pernas
longas soltas e prontas, quase saltando no lugar.

Os braços de Haven estavam para cima, seus pés plantados. Os dois cortes rasos que eu
tinha feito no início estavam pingando escarlate para baixo de seu estômago e de um
braço. O último golpe profundo sobre a caixa torácica era estreito, mas sangrava
livremente. Quanto mais ele se movesse, mais rápido iria sangrar. Então eu vi, uma
pequena bolha de sangue no ferimento. Eu tinha cortado um pulmão?

A voz de Haven estava ofegante quando ele disse:

— Nenhuma mulher pode me vencer um a um. É por isso que eu sou o rei, e você está
errada.

—Eu o subestimei. Eu não vou fazer isso de novo, — disse ela.

—Você acha que pode me vencer?

—Sim, — disse ela.

—Claudia, — eu disse, —não faça disso uma porcaria machista entre caras.

—Eu queria bater a merda fora de um par de homens em sua vida já há um tempo,
Anita. Não é uma porcaria machista. É um alívio.

—Venha, cadela, — disse ele.

—Claudia… — Eu comecei a dizer.

Ela foi.
CAPÍTULO 23

Eu realmente não tinha entendido que não era só o fato de eu ser uma menina que me
impedia de competir com metamorfos e vampiros. Era que eu era uma menina pequena.
Claudia não era.

Ela era mais alta do que Haven. Suas pernas eram mais longas. Seus braços eram mais
longos, mas as pernas são o que dão a você o alcance em artes marciais. Ela tinha o
alcance. Ela usou para forçá-lo a bloquear uma e outra vez. A única forma que eu era
capaz de ter certeza de qual golpe pertencia a quem, era que seus braços e pernas eram
mais morenos e os dele eram mais pálidos. Seus tons de pele se transformaram em um
efeito doppler pela velocidade inacreditável.

Eu fui para trás do sofá caído para ficar mais longe da luta. Manter um olho sobre eles
para que eu não tivesse alguém jogado em cima de mim me fez viajar, e eu caí em um
pequeno monte de roupas e encontrei o único metal duro para aterrissar em toda essa
suavidade. Eu coloquei a lâmina de bainha de pulso de volta em sua bainha quando
cavei outra arma perdida debaixo de mim. Era uma Magnum 357. Quem diabos era
grande o suficiente para carregar isso escondido?

Nathaniel e Travis estavam ajoelhados perto de Rosamond e Kelly. Kelly acabara de


ficar inconsciente, mas Rosamond deveria ter levantado por agora. Poderia um
metamorfo morrer por um pescoço quebrado, ou um crânio rachado? Eu teria dito não,
mas eu realmente não sabia. Eu estava tão acostumada aos metamorfos realmente
poderosos que poderiam sobreviver a quase qualquer coisa que eu não sabia nada sobre
alguém no nível de poder de Rosamond. Eu não sabia onde Noel estava, mas enquanto
ele estivesse longe de Haven era melhor.

Houve um momento de clareza na luta. Um momento em que eu vi o pé de Claudia


conectar-se com o corpo de Haven e ele ir ao ar. Senti o ar enquanto ele passava. O som
dele batendo na parede distante foi o de carne sendo esmagada. Claudia passou correndo
por mim ao longo das ruínas do sofá para finalizá-lo.

Um tiro trovejou através da sala, ecoando nas paredes de pedra. Eu estava voltando-me
para o som, a 357 na mão. Eu tive tempo de ver Haven cair contra a parede, tossindo
sangue. Claudia estava no chão. Seu braço esquerdo pendurado inútil, sangue pulsando
para fora. Foi um daqueles momentos em que o mundo desacelera como se tudo fosse
pego em cristal. As coisas são afiadas, como se seus olhos fosse cortar as imagens em
seu cérebro para sempre. Haven trouxe a arma para cima novamente para apontar para
Claudia no chão. Eu estava apontando para ele, mas não tinha o tiro ainda. Eu gritei o
nome dele:

— Haven.

Isso fez com que ele hesitasse por uma fração de segundos. Os olhos dele foram para
mim, e então o mundo acelerou e tudo aconteceu de uma vez. Ele puxou o gatilho assim
como eu. O coice da grande arma me fez acabar apontando-a para o teto antes que eu
pudesse trazê-la de volta para baixo para mirar novamente.
Seu peito tinha um buraco no meio, mas ele ainda estava trazendo a arma para apontar
para mim. Quem atirasse primeiro ganharia. Eu nem sequer tive tempo para estar com
medo ou preocupada, toda a minha concentração reduziu-se a apontar, a respiração
presa, e eu puxei o gatilho. Sua arma explodiu logo depois da minha. Eu ouvi o
zumbido da bala e me encolhi quando ela bateu no sofá ao lado de minha cabeça. O
peito de Haven floresceu como uma maléfica flor carmesim. Incrivelmente, seu braço
voltou uma vez mais a apontar para mim. Eu não ia ser capaz de apontar a 357
novamente, não à tempo. Eu deixei o recuo da arma me levar para cima, voltar para
baixo, e estava tentando apontar, mesmo quando eu sabia que não ia ser rápida o
suficiente.

Sua arma disparou e eu saí no terceiro tiro, mas meu ombro ficou dormente, e eu pensei,
“oh, fui atingida”, mas eu dei o meu tiro e outras armas ecoaram a minha. Eu não me
incomodei em me virar. Se eles estivessem atirando em mim, eu estava morta. Se eles
estivessem atirando em Haven, ótimo. Eu me concentrei em fazer a minha contagem de
tiro. Meu ombro não estava funcionando muito bem, mas eu poderia usá-lo. Eu me
preocuparia com isso mais tarde.

O corpo de Haven pulava à medida que balas o atingiam. Eu não tinha certeza de qual
buraco era meu e qual não era. Todos nós mirávamos no centro de seu corpo, e aquele
belo peito musculoso e estômago se tornaram uma ruína vermelha.

Eu não conseguia ouvir nada. Meus ouvidos zumbiam de todos os tiros. Quando alguém
tocou meu ombro eu pulei e comecei a levar a arma ao redor. Wicked prendeu meu
braço e a arma em sua grande mão. Sua boca estava se movendo. Eu não conseguia
ouvir o que ele estava dizendo, mas quando ele pegou a arma da minha mão eu o deixei
fazer isso.

Olhei para o meu ombro esquerdo, mas não havia sangue. Doía, mas eu não podia ver
uma ferida. Wicked ainda estava falando comigo enquanto me ajudava a levantar, e eu
ainda não podia entendê-lo. Havia pessoas correndo por nós com armas em punho,
dirigindo-se para Haven. Fredo estava ajoelhado perto de Claudia. Eu perguntei:

— Claudia está bem? — Eu não tinha ideia de quão alto ou baixo eu estava falando. Eu
não poderia dizer.

Wicked balançou a cabeça, seu molhado cabelo loiro agarrado ao seu rosto, como se ele
não tivesse se preocupado em secá-lo. Ele estava vestido. Ele estava me afastando de
Claudia, e eu lutei contra seu aperto para ir ver como ela estava, mas ele apertou ainda
mais. Será que ele não queria que eu a visse? O quanto ela estava ferida? Em seguida,
ele me virou o suficiente para ver que Noel estava deitado de costas, com o peito
coberto de sangue. Comecei a ir em frente, e, em seguida, a multidão se moveu o
suficiente para eu perceber que eles estavam ajoelhados por outro corpo. Longos
cabelos ruivos espalhados para fora entre eles. Eu sabia agora por que meu ombro doía,
mas não havia nenhuma ferida.

Eu estava me movendo para frente, balançando para longe a mão de Wicked. Nesse
momento, se alguém quisesse atirar em mim, eles poderiam fazê-lo, porque eu me
esqueci de tudo, menos de Nathaniel.
CAPÍTULO 24

Eu empurrei através das pessoas ajoelhadas, nem mesmo vendo quem estava lá, caindo
de joelhos ao lado dele. Ele olhou para mim, olhos lavanda arregalados. Jason estava
segurando sua mão. Lisandro estava pondo pressão sobre o ferimento no ombro. Toquei
meu ombro, onde doía exatamente onde seu ferimento estava, mas eu senti dor quando
Richard e Jean-Claude tinham sido feridos e tinha sido pior. Este não era ruim. Eu tinha
o visto sobreviver a pior. Eu sabia disso, mas eu ainda precisava tocá-lo. Eu chorava e
não queria, mas Jason estava chorando também, então eu não me sentia tão mal.

Eu toquei o rosto de Nathaniel e ele sorriu para mim. A minha audição estava voltando
em pedaços. Eu ouvi gritos.

—Ele se foi! Ele se foi! — Virei-me para encontrar Jesse e Kelly e ajoelhando-se em
ambos os lados de Noel. Eu podia sentir sua energia, seus leões subindo.

—Vá, — Nathaniel disse, —ajude Noel.

Eu coloquei minha mão sobre o seu coração, como se precisasse sentir a batida dele
antes de eu ir, e então me movi os poucos metros até Noel. Era Kelly quem estava
gritando com Jesse:

—Ele se foi! É tarde demais! — Ela estava segurando seu braço.

Olhei para Noel, e no momento em que o vi eu sabia que ela estava certa. Cérebro não
pertence ao exterior. Fiquei olhando para o interior de sua cabeça derramando-se no
chão. Ele vinha tirando seu mestrado em literatura. Todo esse estudo, todo esse esforço,
vazando fora de sua cabeça quebrada e espalhando-se em uma massa sangrenta espessa
no chão. Mesmo um poderoso metamorfo não poderia ter curado isso. Quase tudo, mas
não isso.

Truth estava lá, seu cabelo preto do chuveiro.

—Ele estava escondido no corredor. Nós estávamos correndo para o som de luta, e
então ele disparou para fora. Ele protegeu Nathaniel, o salvou. Estávamos atrasados
demais.

Ajoelhei-me ao lado do corpo, porque isso é o que era agora. Não era mais Noel, era o
seu corpo, e era isso. Não haveria nenhum milagre para salvá-lo desta vez.

Eu ouvi gritos do outro lado da sala. Eu disse:

—Claudia?

—Ela vai viver, — Wicked disse. Ele vinha daquela direção. —E parece que o seu Rex
também.

Olhei para ele e Truth.

—O que? — Perguntei.
—Ele está curando o dano. O médico acha que ele vai sair dessa, — disse Wicked.

Jesse disse,

—Haven é forte assim.

Eu balancei a cabeça negando e levantei-me do corpo de Noel. Eu andei em direção aos


guardas agrupados em torno de Haven. Wicked e Truth me seguiram. Eu não tinha
certeza se eles estavam tentando me manter a salvo, ou se eles tentariam me parar. A
Dra. Lillian, nossa médica local, estava ajoelhada sobre Haven. Ela deve ter vindo
enquanto eu estava no chuveiro. Mas era um pensamento distante, eu realmente não me
importava sobre quando ela veio ou como ela sabia que precisávamos dela.

Eu me movi através dos guardas. Eu me ouvi dizer:

—Está tudo bem, Lillian, você não precisa fazer nada para ele.

—Ele está mais ferido do que Claudia. Eu preciso estabilizá-lo, — disse ela.

—Será que ele vai viver? — Perguntei.

—Eu acho que sim.

—Não, — eu disse.

Lillian olhou para mim, e eu vi algo em seu rosto, seus olhos.

—Anita, você não tem que fazer isso.

Eu balancei a cabeça.

—Sim.

Ela tentou me parar, e eu disse:

—Tire-a daqui. Deixe-a salvar alguém.

Mãos a afastaram. Haven olhou para mim, os olhos terrivelmente, incrivelmente azuis
contra o sangue em seu lábio inferior. Sangue fresco derramava fora de sua boca
enquanto ele tentava dizer alguma coisa.

Eu apontei a arma para seu rosto. Ele olhou para mim com aqueles olhos. Sua voz
estava grossa com coisas que não deveriam estar na garganta de uma pessoa viva. Ele
tossiu, sangue espalhando, e disse:

—Eu vou curar.

Eu balancei minha cabeça, negando.

—Não, você não vai.


—Eu matei o seu leopardo? — Perguntou.

—Você apontou nele? — Perguntei.

Ele sorriu, seus dentes vermelhos com seu próprio sangue.

—Sim.

—Por quê? — Perguntei.

—Porque você os ama mais do que você me ama. — Ele tossiu tão duro que algo
espesso e de carne caiu no chão como se tivesse tossido um pouco de pulmão. Qualquer
um que pudesse curar a partir de tanto dano de prata era muito poderoso.

—Adeus, Haven.

Ele rosnou para mim e começou a se metamorfosear. Seu poder tomou conta de minha
pele em uma lavagem de calor elétrico. Minha leoa rosnou. Seus olhos azuis preenchido
com âmbar de leão. Eu puxei o gatilho. O âmbar deslizou para longe e eu puxei o
gatilho pela segunda vez, olhando para os mesmos olhos azuis que eu assisti na cama
acima de mim mais de uma vez. O segundo tiro tornou impossível olhar em seus olhos.
Eu caí de joelhos e coloquei o cano contra o seu rosto para o terceiro tiro. A uma
distância tão curta, explodiu a parte de trás de sua cabeça para fora. Como Noel, assim
como Noel. Eu tive que tirar sangue e coisas mais grossas dos meus olhos. Muito perto.
O ricochete, foi o ricochete.

Eu atirei em seco duas vezes antes de perceber que o revólver estava vazio. Eu fiquei de
pé e deixei a arma vazia cair no chão. Sem balas era apenas uma pedra pesada, e não iria
me ajudar contra qualquer um nesta sala.

Todo mundo saiu do meu caminho. Ninguém tentou me tocar, ou me confortar, ou falar
comigo. Eles apenas se moveram e me observavam. Voltei para Nathaniel. Micah
estava lá agora, segurando sua mão. Nathaniel sorriu para mim. Eu sorri de volta.

—Eu te amo, — disse ele.

—Eu também te amo, — eu disse.

Micah pegou minha mão, mas eu disse não balançando a cabeça e me levantei. Eu disse
a ele:

—Fique com Nathaniel.

—Ele não te deixou uma escolha, — disse Micah.

Eu assenti.

—Eu sei. — Então eu comecei a andar em direção ao corredor. Eu apenas continuei


andando. Eu tinha uma vaga ideia que eu precisava me limpar novamente. Eu continuei
andando. Jason estava no corredor com J.J. Ela olhou para mim com os olhos
arregalados. Jason tentou levá-la de volta para o seu quarto, longe de todo o sangue e
morte.

Eu andei até que encontrei os novos chuveiros que Jean-Claude tinha colocado quando
percebemos quantas pessoas estavam vivendo no subterrâneo do Circo. Era um grande
chuveiro aberto como em uma academia. Liguei o chuveiro mais próximo e dei um
passo sob ele. Eu não tinha tirado a roupa, isso parecia errado, mas eu só peguei o
sabonete nos dispensadores de parede. Lavei o sangue de Nathaniel fora de minhas
mãos. Lavei o sangue de Haven fora do meu cabelo e da minha cara. O sangue de Noel
tinha encharcado a minha calça jeans do joelho para baixo e estava sobre os meus
sapatos. Eu não conseguia tirá-lo. Tirei os sapatos de corrida e joguei-os através da sala.
Tirei a calça e tentei esfregar os joelhos limpo.

—Anita, Anita.

Continuei esfregando na minha calça jeans.

—Eu não posso tirá-lo. Eu não posso tirar o sangue.

—Anita! — Richard agarrou meus braços, me virei para olhar para ele, enquanto a água
escorria pelo meu rosto e na parte da frente de seu corpo. Ele era alto o suficiente para
que a água não tocasse mais alto do que seu peito. Seus olhos castanhos tinham pena,
tristeza, coisas que eu não conseguia decifrar. Eu segurei o jeans até ele.

—Eu não posso tirar o sangue fora.

Ele pegou o jeans fora das minhas mãos.

—Está tudo bem, — disse ele.

Eu neguei.

—Não está.

Ele puxou-me contra seu peito enquanto a água batia nas minhas costas.

—Não, não está. Sinto muito, Anita, sinto muito.

Eu estava rígida em seus braços, e ele continuou me segurando apertado e perto, e,


gradualmente, meus braços se abriram e eu envolvi-os em torno de sua cintura. Eu
enterrei meu rosto contra a camiseta molhada e a força de seu peito musculoso. Ele era
apenas da altura certa para que meu ouvido ficasse contra seu peito. Eu me agarrei a ele,
ouvindo a batida forte e grossa de seu coração.

Ele acariciou o meu cabelo e murmurou:

—Estou aqui, estou aqui. Sinto muito, mas eu estou aqui.

Eu consegui dizer:
—Eu estou feliz por você estar aqui. — E então eu estava chorando. Eu chorei até as
minhas pernas caírem debaixo de mim e ele teve que me pegar.

Ele me levantou em seus braços, me segurando perto, colocando seu rosto contra o meu
e sussurrando:

—Eu estou aqui, eu estou aqui. — E, às vezes, isso é tudo que você pode dizer. Às
vezes, isso é todo o conforto que você tem para oferecer e tudo o que você pode esperar.
CAPÍTULO 25

Sentei-me na beira da cama de Jean-Claude. Mesmo depois de um ano vivendo aqui


quase todos os dias da semana eu ainda não penso nela como nossa cama. Eu estava
envolvida em um cobertor azul marinho macio porque um, meu cabelo estava molhado
de novo, e dois, todas as minhas vestes eram de seda. Jean-Claude ajoelhou-se atrás de
mim em seu manto de veludo preto com lapelas de pele que eram tão negras como o
resto do manto. Eu costumo gostar muito dele nesse manto, mas hoje eu não parecia me
importar. Ele segurou um monte de meus cachos em sua mão e descansou-os no grande
secador. Eu costumo deixar meu cabelo secar naturalmente, mas eu tinha estado
tremendo, então ele pediu para secar o meu cabelo. Por mim tudo bem, eu não me
importava. A melhor coisa sobre o secador, além do calor, era ser demasiado alto para
qualquer um falar ao meu redor. Falar parecia ser muito superestimado.

Jean-Claude pegou outro grupo de meus cachos e colocou-o sobre o secador. Eu sentei
lá e deixei o ar quente banhar meu couro cabeludo, o deixei brincar com o meu cabelo.
Ele esfregou algum tipo de condicionador nele, gentilmente, para o secador não
desidratar o meu cabelo. Ele perguntou primeiro, e minha resposta foi o que tinha sido
pela última hora:

—Tudo bem.

Para a pergunta:

—Você está bem? — Minha resposta foi:

—Eu estou bem.

Se fosse uma mentira, eu não sabia a verdade ainda. Eu estava bem. Ele virou o secador
fora e colocou-o na cama ao lado dele. Ele juntou meus cachos em suas mãos,
arrumando-os em alguma ordem que o deixou feliz. Sentei-me e pisquei. Eu raramente
tinha me importado menos sobre como o meu cabelo parecia do que agora.

Eu ouvi a porta abrir atrás de nós. Eu não virei. Não parecia importante o suficiente.
Então eu senti o cheiro de café. Meu pulso acelerou um pouco, e eu me sentei e percebi
o quanto eu estava me abraçando. Obriguei-me a sentar-me reta, ombros para trás,
coluna reta. Eu não me curvaria como um cão que tinha sido chutado com muita
frequência, o fato de que isso descrevia como partes de mim estavam se sentindo era
nem aqui nem lá. Minhas emoções pareciam chutar para o inferno, mas eu não podia
deixá-lo fazer-me parecer como se eu tivesse sido chutada.

Richard estava em frente a mim sem camisa, em um par de jeans tão desbotados que
tinham manchas brancas aqui e ali, como se houvesse algum tipo de acidente com cloro.
Richard jogava fora as calça jeans quando ficavam assim. Ele estava descalço também.

—Desculpe todas as suas roupas ficarem molhadas, — eu disse. Minha voz não soava
bem, como se houvesse um eco entre o que eu estava dizendo e dentro da minha cabeça.

Ele segurava uma caneca de café vermelha para baixo para mim. Era uma das novas
canecas que faziam jogo com os novos pratos que Nathaniel tinha escolhido para cá.
Assim como lá em na casa, ele tinha escolhido duas cores contrastantes de louça. Para a
nossa casa era verde e azul, mas para o circo ele tinha escolhido vermelho e preto. Os
pratos da cozinha recém-instalada que tinha ficado pronta ao mesmo tempo que todos os
novos banheiros. Ainda bem que nada deu tão errado quando todos os trabalhadores
estavam aqui.

Richard se ajoelhou na minha frente e estendeu a caneca.

—Café. Você precisa disso.

Eu assenti, mas não fiz nenhum movimento para pegá-lo. Tudo o que eu conseguia
pensar era que Nathaniel estava corredor abaixo com os médicos e Micah para segurar
sua mão. Eu estava esperando juntar as minhas merdas antes de ir vê-lo. Havia uma
parte tranquila de mim que repetia: —Haven tentou matar Nathaniel. Ele queria que
fosse Nathaniel ali com seu cérebro por todo o chão. — Então eu empurrava os
pensamentos para longe e tentava parar de pensar em qualquer coisa.

—Você não quer o café? — Perguntou.

—Cheira bem, — eu disse, e minha voz soava tão vazia como eu me sentia.

Richard tocou minha mão, onde aparecia ao redor da borda do cobertor e colocou meus
dedos ao redor do punho da caneca.

—Beba-o.

Minha mão começou a tremer enquanto eu levantava a caneca, então eu tive que usar a
outra mão para firmá-la. Duas mãos eram melhores. Eu levei um momento para sentir o
aroma: rico, escuro, café bom. Nathaniel estava fazendo minhas compras de café para
mim. Ele era o único que sempre conseguia o que queria.

—Como está Nathaniel? — Perguntei.

—Como eu já respondi antes, Ma petite, ele está bem. Ele vai ficar bem. Ele está ferido,
mas não é permanente.

—Beba o café enquanto está quente, Anita, — disse Richard.

Bebi o café e foi bom. Não havia a quantidade certa de açúcar, mas Richard não sabia
que eu tinha começado a colocar mais açúcar. Ele não tinha estado por perto tempo
suficiente para saber que eu tinha mudado.

—Como é que vamos manter todos seguros? — Perguntei, e eu não tinha certeza de que
eu estava perguntando.

—Nós vamos nos encontrar com os tigres quando estiver pronta, — disse Jean-Claude.

Eu neguei.
—Eu não quero dizer de Marmee Noir, quero dizer, a partir de coisas como o que
aconteceu. Pensei que Haven e eu resolveríamos as coisas. Eu pensei que era seguro.

—Nós todos pensamos, — disse Richard.

Jean-Claude sentou-se atrás de mim, para que ele pudesse enrolar seu corpo contra o
meu. Seus braços deslizaram cuidadosamente em volta dos meus ombros assim ele não
acotovelaria o café, mas ele ainda podia me segurar.

—Você não poderia ter sabido, Ma petite.

—Que Haven era um cara mau? Eu sabia disso, e ele espancá-los quase até a morte
mostrou que ele não tinha mudado.

Ele deitou sua cabeça contra o meu cabelo.

—Há homens maus entre os ratos de Rafael, mas eles nunca teriam se comportado
assim. Não é o passado dele que fez isso acontecer. Não é que ele passou a maior parte
de sua vida do lado errado da lei que fez isso acontecer.

—Então o que? Por quê?

—Não pergunte isso agora, Ma petite. Por favor, deixe-o descansar até que você tenha
tido mais tempo.

—Não, — eu disse, —se você sabe por que isso aconteceu, então me diga, porque eu
não entendo isso.

—Pegue o café, Richard, — disse ele.

Richard pegou e sentou-se no chão, sua mão encontrando meu jeans frescos sob o
cobertor. Eu tinha roupas para trocar, não importa quantas vezes eu as arruinasse. Eu
tinha todo um maldito guarda-roupa próprio aqui. Por isso eu podia ficar mudando após
cada banho de sangue. Richard esfregou minha perna através dos jeans. Eu deixei.

—Jean-Claude, me diga, — eu disse.

Ele passou os braços em volta dos meus ombros, seu rosto próximo ao meu.

—Acredito que ele nunca tinha se apaixonado antes, talvez não realmente amando
alguém na sua vida antes de você, Ma petite.

Eu franzi a testa, colocando minhas mãos em seus braços.

—Então, o que isso significa? Se eu fui o primeiro amor que ele já teve, por que ele
tentaria matar uma das outras pessoas que eu mais amo?

Ele me segurou mais apertado, e eu sabia qualquer coisa que ele fosse dizer que eu não
gostaria, mas eu precisava ouvi-lo. Eu precisava para tentar entender o que diabos
estava errado.
—Disseram-me que ele respondeu à pergunta de por que ele tinha feito isso, Ma petite.

Eu assenti.

—Ele disse, porque eu amei todos os outros homens mais do que eu o amava.

—Certo tipo de homem, quando ama pela primeira vez, o seu amor não é realmente
amor, é posse. Posses não têm certo ou sentimentos, eles são algo a ser possuído e
controlado. Ele passou mais de um ano tentando fazer exatamente isso, e falhando.

—Então, quando ele atacou Micah e Nathaniel da última vez que estávamos todos na
minha casa, era uma espécie de último esforço para tentar, o que, me ter?

—Quando você lutou ao lado deles contra ele, ele não conseguia entender isso, — disse
Richard em voz baixa.

—Ele machucou pessoas que eu amava. Eu não deixo isso acontecer.

—Mas ele era mais forte do que eles eram, ele poderia ter vencido a luta, se você não
tivesse se juntado a eles. Eu acho que se ele estivesse disposto a machucá-la
fisicamente, você não poderia ter vencido.

Eu assenti, segurando os braços de Jean-Claude, inclinando-me contra a solidez dele.


Richard continuava esfregando minha perna mais e mais.

—Ele estava disposto a me machucar hoje.

—Talvez, —disse Richard, —mas não era você que ele queria sangrando. Mesmo na
luta ele realmente não a fez sangrar, não é?

Fiquei olhando para ele.

—O que você quer dizer?

—Ele não queria machucá-la fisicamente, mesmo no final.

—Isso supostamente deveria me fazer sentir melhor? — Perguntei.

—Não, quero dizer, sim. Merda.

—Você está dizendo que Haven não teria me machucado? Que eu não tinha que matá-
lo? — Minha voz estava subindo, quase gritando.

—Não, — disse Richard, —não, ele tinha que morrer. Ele era muito perigoso.

—Então o que você está dizendo?

Richard pôs a caneca de café com cuidado na mesa de cabeceira e se ajoelhou na minha
frente, com as mãos nos meus joelhos sob o cobertor.
—Eu estou dizendo que ele não queria machucá-la fisicamente, mas queria te machucar,
Anita. Ele só queria machucá-la da maneira que você o machucava.

—O que significa isso? — Perguntei.

Jean-Claude falou com o rosto próximo ao meu.

—Isso significa, Ma petite, que ele sabia quem matar para quebrar mais seu coração.

Virei-me para que eu pudesse ver seu rosto.

—O que?

—Você me ama, eu sei disso, — ele disse, —mas o pensamento de Nathaniel morto e
enterrado, o pensamento de quão perto você chegou a perdê-lo hoje, é esse pensamento
que faz sua pele fria e faz você relutante de sentir.

Eu abri minha boca para dizer que ele era louco, mas eu fechei minha boca e tentei
pensar. Eu neguei.

—Eu não sei o que dizer sobre isso. Eu me sentiria tão ruim quanto estou se fosse um de
vocês ferido no outro quarto.

Richard deitou sua cabeça no meu colo. Minha mão desceu automaticamente para tocar
as ondas frondosas do seu cabelo.

—Eu sei que você gosta de mim, Anita, e talvez se eu parar de ser tão idiota você me
amará novamente, mas eu tive meus próprios maus momentos assistindo você se
apaixonar por Nathaniel e Micah. Micah eu entendo. Ele é Nimir-Raj. Ele pode ser
muito pequeno para ganhar uma briga comigo ou um dos dominantes maiores, mas ele é
um bom líder, melhor do que eu, melhor do que Haven era. Ambos reconhecemos isso,
e respeitamos, mas Nathaniel… demorei muito tempo para entender por que você o
amava.

Ele falou com a cabeça no meu colo, sua alta parte superior do corpo nu curvando-se
para que pudesse caber sua cabeça e um pouco desses ombros largos em meu colo. Eu
só conseguia ver o lado de seu rosto enquanto ele falava, e ele não podia ver o meu em
tudo. Isso era de propósito?

—Eu não queria magoar você, ou qualquer um, — eu disse.

—Eu sei disso, — disse ele, —e às vezes eu tive a intenção de te machucar, Anita. Sinto
muito sobre isso agora, mas Nathaniel ofendia a parte machista de mim. Haven tinha
muito mais machismo para conviver, em parte porque os leões são exatamente dessa
maneira, e em parte porque ele tinha sido da máfia desde que ele era um adolescente.
Ele simplesmente não podia compartilhar você com alguém que via como fraco. —
Richard passou os braços em volta dos meus pés, me abraçando. —Ele não podia
suportar ver você amando alguém que era mais fraco, menos dominante, submisso em
todos os sentidos, mas você o amava mais.
Eu pensei sobre isso.

—É por isso que ele estava convencido de que eu tinha tido relações sexuais com Travis
e Noel? Eles são fracos, submisso, ou Noel era, não tenho certeza sobre Travis. Eu não
acho que ele tem certeza sobre si mesmo ainda.

Richard acenou com a cabeça no meu colo.

—Eu acho que era parte disso. Ele olhou para os homens que você amava mais e os que
você pareciam se apaixonar mais facilmente, e são geralmente homens menos
dominantes. Micah é Nimir-Raj, mas ele não lutou com você sobre governar os
leopardos. Ele não discutiu com você do jeito que eu faço.

Jean-Claude estava muito quieto contra mim. Olhei para o homem no meu colo, e
finalmente disse:

—Não, ele não faz.

Ele levantou a cabeça para que ele pudesse olhar para o meu rosto.

—Eu pensava que você matava porque não a incomodava. Eu não entendi até hoje
quanto custa a você. — Ele engoliu em seco, e seus olhos estavam brilhantes. —Eu a
deixei fazer a minha matança por mim durante anos. Eu já o obriguei a fazer coisas
terríveis porque eu sou muito melindroso. Eu me consolei em um ponto dizendo que
não a incomodava, que não significava nada para você fazer o trabalho sujo da matilha
de lobos, mas isso era só para me fazer sentir melhor. Tudo que você já fez para nos
manter seguros, e fazer outros metamorfos e vampiros pensar duas vezes antes de atacar
St. Louis, teve um preço. Eu disse a mim mesmo que você não pagava esse preço, que
você era fria sobre isso. Hoje eu vi seu rosto quando percebeu que Noel estava morto.
Eu vi seu rosto depois que você matou Haven. Eu vi a dor. Eu vi o preço, e eu sinto
muito que você teve que pagar esse preço sozinha.

Eu olhei para aqueles olhos castanhos e não sabia se eu me beliscava ou ele.

—O que você está dizendo? Que você vai me ajudar a matar pessoas agora?

Ele balançou sua cabeça, negando.

—Eu vou defender os lobos com violência quando for necessário, mas eu nunca vou ser
um atirador, Anita. Eu não me arrependo disso, mas eu sinto muito que você tem que
pagar mais do preço para a nossa segurança do que eu, porque eu nunca vou ser… —
Ele parou como se ele não soubesse o que dizer.

—Você nunca vai ser um assassino como eu? — Eu disse.

Ele olhou para cima e negou.

—Eu não disse isso, eu não teria dito isso. Haven tinha que morrer. Ele era muito
perigoso, muito imprevisível para ser autorizado a permanecer como Rex.
—Eu não quis matá-lo por causa disso, — eu disse.

Richard estudou o meu rosto.

—Eu não entendo.

—Eu o matei porque Noel fez uma coisa corajosa. Noel empurrou Nathaniel fora do
caminho do tiro. Noel que era um dos mais fracos de todos vocês, mas ele era corajoso
quando precisava, e ele deveria ter vivido após isso. Ele deveria ter vivido e chegado a
ser corajoso e obter seu diploma de mestrado e ter uma vida. Ele tinha apenas vinte e
quatro anos e agora ele está morto, e nós não podemos sequer dizer a seus pais que ele
morreu como um herói, porque não podemos dizer-lhes a verdade sobre o que
aconteceu. Eles nunca saberão que ele morreu heroicamente, e ele morreu bem, e ele
morreu salvando o homem que eu amo, e tudo que eu pude fazer foi atravessar a sala e
atirar no assassino na cara até que ele morresse também. — Eu estava chorando e não
queria.

—Eu não matei Haven porque era a melhor coisa para a cidade, ou para os leões,
Richard. Eu o matei porque se Noel teve que morrer, era o mínimo que eu podia fazer
por ele. Eu matei Haven porque ele tentou matar Nathaniel, e isso não é permitido. Por
isso ele tinha que morrer, porque eu olhei nos olhos dele e sabia que enquanto ele
estivesse vivo, Nathaniel não estava seguro, e eu faria qualquer coisa para mantê-lo
seguro.

Jean-Claude me abraçou forte, murmurando palavras de conforto em francês. Richard


enterrou seu rosto contra as minhas pernas novamente e passou os braços em torno
delas. Eles me seguraram perto, e eu deixei-me chorar por Noel, e por Nathaniel, e por
saber que eu tinha matado um de meus próprios amantes, matado-o com o gosto de seu
corpo ainda em meus lábios, a sensação dele ainda como uma memória dentro de mim,
e eu olhei-o nos mesmos olhos que tinham olhado para mim na cama enquanto fazíamos
amor, e explodi seu rosto em carne e ossos.

E no final, esse último foi o que fez o choro se tornar em soluços.


CAPITULO 26

Eu finalmente fui aliviar Micah da cabeceira de Nathaniel. Tínhamos uma série de


cômodos que foram transformados em quartos de hospital, para que quando nosso
pessoal ficasse ferido, não tivéssemos que levá-los ao hospital que os Homens-Rato
haviam montado anos atrás para os metamorfos locais. Hospitais humanos nem sempre
gostavam muito de tratar licantropos. O quarto era muito pequeno, com um leito duplo e
iluminação suave no momento, mas eu sabia que as luzes mais brilhantes de todo o
subterrâneo estavam nesses quartos. Foi mais um projeto da remodelação quando
fizemos todo o resto. Jean-Claude estava realmente tentando fazer este o nosso lar. Eu
sentia falta de janelas.

Eu conseguir tirar minha histeria do caminho. Sentei-me lá segurando a mão que não
estava afetada pelo tiro recente no ombro. Nathaniel sorriu para mim, e isso era
suficiente. Lamentei ter que matar Haven da maneira que eu fiz, mas não podia
lamentar que ele estivesse morto. Ele atirou em Nathaniel. Ele pretendia tomar aquele
sorriso, aqueles olhos, e a mão que eu segurava longe de mim para sempre. Não, não me
arrependi dele estar morto. Se Noel não estivesse morto, eu acho que me sentiria muito
melhor sobre tudo isso.

— Sinto muito por você ter que matar Haven — disse Nathaniel.

Pisquei e percebi que não tinha certeza do que o meu rosto vinha mostrando nos últimos
minutos. Sorri para ele.

— Está tudo bem.

— Não, — ele disse — não está.

Eu dei de ombros, o equipamento no meu ombro estava um pouco apertado demais. O


coldre velho teria de ser reparado novamente. Pelo menos não o tinham cortado em uma
sala de emergência.

— É o que é.

— Você quer que eu deixe você ser todo macho sobre isso? — ele perguntou.

Eu balancei a cabeça.

— Por favor. Eu já tive meu colapso mais cedo.

Ele apertou minha mão.

— Sinto muito, que eu não estava lá para ajudar.

Isso me fez sorrir de novo.

—Jean-Claude e Richard me trataram.


Houve uma batida suave na porta, e eu não sabia quem era até Damian entrar por ela.
Ainda estava entorpecida por Marmee Noir, O Morte d’Amour, e por tudo mais. Percebi
que este era o mais próximo de ‘sozinha com minha mente e emoções’ que eu estive em
muito tempo. Eu costumava desejar estar separada de todos, agora me sentia estranha,
como se um pedaço de mim tivesse desaparecido.

Damian estava vestido em seu robe favorito. Parecia uma jaqueta vitoriana, exceto que
vinha até seus tornozelos. O veludo do robe chegava quase até os cotovelos e outros
lugares. Eu nunca perguntei, mas eu tinha certeza de que o robe não era uma
reprodução. Ele usava esse robe por mais de cem anos. Tornara-se um objeto de
conforto para ele, mas não o invejo. Poderia dormir com um certo pinguim de
brinquedo se eu alguma vez conseguisse dormir sozinha novamente.

Seu cabelo vermelho estava seco e brilhando sobre a escuridão do robe. Cabelos lisos
secam muito mais rápido do que encaracolados. Ele tinha uma pequena bandeja coberta.
O cheiro rico de café foi misturado com outros aromas. Eu cheirava principalmente
café, mas estava bastante segura que havia comida sob a toalha. Lutei para não franzir o
cenho. Eu não estava com fome.

— Não me olhe assim — disse ele. — Você tem que comer.

— Não quero comida, Damian.

Ele andou até a pequena mesa deslizante deixando a bandeja com a comida junto à
cama. Levantou a tampa e o perfume do café encheu a sala. Eu tinha que admitir que
cheirava bem. A bandeja estava cheia de croissants, vários queijos e frutas. Parecia
comida suficiente para todos nós, se Damian pudesse comer alimentos sólidos.

— Café, então — eu disse.

Ele balançou sua cabeça.

— Nathaniel nos drenou para curar a si mesmo. Se você quer que ele cure rapidamente,
e sem cicatrizes, precisamos de energia para alimentá-lo. Você e eu temos que comer
mais, então Nathaniel não nos drenará.

Ele colocou um croissant, um pequeno pedaço de queijo e algumas frutas em um


pequeno prato. Eu caí na cadeira e lutei para não fazer careta. Nathaniel apertou minha
mão. Isso me fez olhar para ele.

— Eu posso tentar parar de tomar tanta energia de vocês dois.

Eu balancei a cabeça.

— Não, esse é um dos benefícios do triunvirato — eu me fiz sentar direito. — Quero


ver você curado o mais rápido possível. Vou comer, mas eu realmente gostaria do café
primeiro.

Damian segurou o prato para mim.


— Um croissant inteiro, um pedaço de queijo, ou dois pedaços de fruta e só então você
pode tomar o café.

— Sim, papai — eu disse, franzindo o cenho enquanto pegava a comida.

— Eu poderia ter trazido salsicha. Proteína irá ajudá-lo a se curar mais rápido e nos dará
mais energia. Eu fui agradável, trazendo algo leve.

O pensamento de carne me fazia vagamente doente. Eu peguei a comida que ele


ofereceu com um pouco mais de gratidão.

— Obrigada, Damian.

Ele franziu o cenho para mim, quase desconfiado. — De nada.

Sua expressão me fez rir.

— Não pareça tão desconfiado. Você está certo e eu estou admitindo isso.

Ele sorriu, mas seus olhos verdes continham apenas uma sugestão de desconfiança.

— Você geralmente não cede tão rápido.

Olhei para Nathaniel e depois para a comida.

— Eu só quero todos bem, isso é tudo.

Eu peguei um morango e dei uma mordida. Era suculento e doce e tão maduro que no
outro dia já estaria maduro demais. Tinha um gosto tão bom que eu sabia que estava
muito mais faminta do que eu tinha percebido. Dois morangos e metade de um croissant
depois, perguntei:

— Posso tomar o café agora, por favor?

Ele sorriu e me entregou o copo. Era uma caneca de viagem realmente grande com
pinguins nela. As palavras em torno dos pinguins eram “Acorde e sinta o cheiro do
café”. Micah tinha encontrado ela para mim em uma de suas viagens de negócios.
Todos os que podiam tomar café tinham suas canecas de viagem, ou usavam as
genéricas vermelho e preto. A cozinha era muito longe de alguns dos quartos, portanto,
maneiras de manter as coisas quentes, eram importante.

Eu bebi o café, fechando os olhos para que o cheiro e o sabor pudessem ter seu jeito
comigo. Finalmente havia convencido a todos que um bom café era uma necessidade,
não um luxo.

— Assim é melhor — disse Damian.

Ouvi sons e abri meus olhos para descobrir que ele tinha puxado uma segunda cadeira
do quarto. Seu roupão abriu um pouco, mostrando um monte de peito pálido e nu. Ele
tinha aquela tez pêssego e creme da maioria dos ruivos, mas a pele não tinha visto a luz
do sol durante centenas de anos. Sua pele era tão branca que parecia quase brilhar contra
a escuridão do robe.

— Já tomei sangue outra vez — disse ele. — Seu trabalho é comer comida sólida, já
que não posso.

Eu assenti, tomando o café de novo, e voltei a segurar a mão de Nathaniel. Damian


estendeu a mão e a pôs na perna de Nathaniel, que estava debaixo das cobertas. No
momento em que ele o tocou, foi como se o circuito se completasse. O poder soprou
sobre nós, através de nós, então a corrida quente de Nathaniel, a energia fria de Damian
e meu próprio poder que parecia ser uma mistura de ambos de repente nos inundou
como três diferentes correntes de água se misturando até que eu não pudesse dizer onde
uma energia terminava e a outra começava.

Meu ombro doeu, muito. A dor era aguda e irritante ao mesmo tempo, e eu sabia que o
que os médicos tinham feito para corrigir a ferida custou a Nathaniel outra dor.

Então ela se foi, parou. Meu ombro era apenas uma memória maçante e dolorida. Eu
abri meus olhos sem perceber que eu os havia fechado. Damian estava de pé, sem tocar
em ninguém. Tirar a mão dele tinha parado tudo.

— Você é nossa mestra, Anita. Você tem que melhorar em controlar isso — disse ele do
outro lado do cômodo enquanto esfregava o ombro onde teria sido a ferida de Nathaniel.

—Desculpe — eu disse. — Era como se todas as luzes estivessem acesas de uma só


vez.

— Eu sei que coisas ruins aconteceram, Anita. Sinto muito por Haven e Noel, mas você
não pode recuar de suas habilidades psíquicas desse modo.

Eu me levantei, pronta para ficar com raiva.

— Estou fazendo o melhor que posso.

— Nós sabemos disso, — disse Nathaniel, baixinho. Me fez olhar para ele. Apenas vê-
lo ferido e deitado lá era o suficiente para acalmar a raiva. Nada poderia ser ruim hoje.
Nathaniel estava vivo, e ele se curaria. Só isso o tornava um dia realmente bom.

—Sinto muito, Nathaniel.

Olhei para Damian.

— Sinto muito, Damian. — eu balancei a cabeça. — Eu estou apenas cansada, mas eu


não deveria estar. Ficamos desmaiados por horas.

— Apagar não é a mesma coisa que dormir, Anita. Você está mais do que apenas
cansada.

Damian disse, e voltou através do quarto, embora não tentasse tocar em nenhum de nós
novamente.
— O que você quer dizer? — perguntei.

— Você precisa comer mais e depois dormir por algumas horas.

Eu balancei a cabeça.

— Da última vez que eu verifiquei, nós estamos tentando ficar à frente de alguns dos
vampiros mais poderosos do mundo. Não tenho tempo para uma soneca.

— Se você forçar a si mesma, Nathaniel não só não vai se curar tão bem nem tão rápido,
mas além disso você começará a me drenar também. Você não pode fazer como de
costume, Anita. Não comendo, não dormindo direito, apenas empurrando.

Nathaniel deu uma risada suave.

Eu olhei para ele.

—O que?

— É só que eu ouvi muito essa conversa no último ano. Você vai retrucar, Damian ou
eu iremos argumentar, e você finalmente cuidará de si mesma. Você não pode, apenas
desta vez, ceder agora?

Ele fechou os olhos, e um lampejo de dor atravessou seu rosto. Lembrei-me da dor que
sentia por aquela grande conexão entre nós. Suspirei e cai de volta na cadeira. Eu peguei
o prato que colocara na mesa de cabeceira.

— Eu vou terminar a minha refeição, e então o que você quer que eu faça?

Damian e Nathaniel trocaram um olhar. Damian disse:

— Uau, eu não estou acostumado a você ceder tão rápido. Supostamente apenas
conseguiria que você comesse e depois perguntaria a médica o que ela queria que
fizéssemos depois. Você come e enquanto isso eu voltarei com as instruções da
médica.—Ele foi até a porta.

— Eu realmente sou uma dor na bunda tão grande? — perguntei.

Eles falaram ao mesmo tempo. Damian disse:

—Sim. Nathaniel disse: — Você pode ser.

— Você sabe, os tigres de Vegas devem estar no chão agora — eu disse.

— Eles estão, — disse Damian — mas Jean-Claude os contou sobre o que está
acontecendo. Eles estão chamando os outros clãs de tigres para tentar obter o maior
número em St. Louis o mais rapidamente possível. Descanse um par de horas, antes de
você começar a trabalhar com os tigres.

— O que isso significa? — eu perguntei, com o croissant na mão.


— Significa que vou falar com a médica e você não precisa se preocupar com isso
agora. Coma, ajude Nathaniel a ficar melhor, e pare de ser uma dor na bunda.

Com isso ele saiu.

Pensei em um monte de coisas para dizer, mas todas elas soaram sem importância, então
eu comi minha comida e tentei não ser uma dor na bunda. Acho que cada homem na
minha vida, e a maioria das mulheres, diria que essa não era uma das minhas melhores
qualidades.
CAPÍTULO 27

As ordens do médico foram para nos enrolarmos ao lado de Nathaniel e compartilhar


energia com ele enquanto dormíamos. Eu temi que as ordens fossem piores. Micah
deitou-se ao lado dele enquanto eu cuidava das minhas coisas. Agora era a minha vez.
Faríamos turnos para dormir ao lado dos licantropos feridos até que estivessem curados.
Havia algo sobre a proximidade da energia de diferentes animais que acelerava a cura
dos metamorfos. Eles costumavam colocar dois metamorfos para cada ferido, mas não
tínhamos contingente no Circo para colocar dois para cada um, Nathaniel e Claudia e
ainda número suficiente para proteger o edifício. Cláudia estava mais abaixo no
corredor. Eu a tinha verificado, mas ela estava profundamente adormecida. Ela estaria
bem, eu tinha certeza. Além do mais, ela já tinha seu amigo de beliche, então para variar
eu fiz o que me disseram. Despi-me e deitei-me abraçando Nathaniel.

Eu me deixei afundar em seu lado, uma perna sobre sua coxa para que minha coxa
tocasse apenas a borda de sua virilha. Não por sexo, mas porque nos consolava. Um
braço foi em volta de sua cintura. O resto de mim se aconchegou contra seu corpo até
que se encaixam como duas peças do quebra-cabeça moldado para formar o canto da
imagem. Este era um lugar para começar, para que as outras peças pudessem se encaixar
ao nosso redor. E, eventualmente, se houvessem peças suficiente, a imagem estaria
inteira e tudo estaria bem.

Eu bebi da suavidade de sua pele, do doce perfume de baunilha que emanava dele. Mas
debaixo de tudo, havia outro cheiro doce. Uma fragrância de cobre. Sangue e carne. Seu
corpo aberto, ferido. Eu me aconcheguei mais perto de seu corpo para enterrar mais o
rosto contra sua pele, até tudo o que eu podia sentir era o cheiro de sua pele, completa e
doce.

Nathaniel adormeceu primeiro. Eu fiquei deitada no quarto escuro, sentindo seu corpo
subir e descer sob meu braço. Ouviu a exalação suave de sua respiração enquanto ele se
aprofundava no sono. Ele costumava adormecer antes de mim. Eu lutei contra o sono
apenas para senti-lo ao meu lado alguns minutos mais. Sabia o quão perto tinha estado
de nunca tê-lo ao meu lado outra vez. O pensamento me fez abraçá-lo mais apertado até
dormir.

Eu estava de volta à sala de estar olhando para os olhos azuis de Haven. Eu levantei a
arma e comecei a puxar o gatilho, mas não era mais Haven, era Jason. Eu tive um
momento para levantar a arma e não atirar em seus olhos azuis e então era Haven
novamente e ele estava atirando em mim.

Acordei ofegante e somente o corpo de Nathaniel ao meu lado me deixou saber que era
apenas um sonho, apenas um sonho. Fiquei ali com o pulso batendo na minha língua, o
peito dolorido com a batida do meu próprio coração. Ouvi a porta abrir suavemente e
minha mão foi, automaticamente, sob o travesseiro, para a arma que eu tinha colocado
lá. Mas era Nicky, de volta a forma humana e armado. Aparentemente ele estava de
guarda na porta. Ele fechou a porta suavemente atrás dele e caminhou em nossa direção.
Comecei a tirar a mão do travesseiro e parei. Eu gostei do peso da arma na minha mão
enquanto o Homem-Leão caminhava em minha direção. Nicky era meu de uma forma
que mais ninguém era, meu até o ponto de não restar quase nada de quem ele foi, mas
eu tinha pensado que Haven havia sido domesticado, também. Eu seria uma cadela se
estivesse errada duas vezes no mesmo dia.

Ele estendeu as mãos para os lados, mostrando que estava desarmado. Algo sobre como
eu estava deitada na cama ou talvez até mesmo a minha mão sob o travesseiro, tinha
deixado ele saber que eu estava assustada.

Ele sussurrou:

— Você gritou enquanto dormia. Está bem? — Ele ficou onde estava, as mãos ainda
afastadas do corpo.

Deixei escapar um suspiro que eu não percebi que estava segurando e assenti.

— Posso me aproximar?

Assenti novamente e tentei me forçar a soltar a arma debaixo do travesseiro, mas a


apertei mais em minha mão enquanto Nicky se movia em direção à cama. Ele sorriu
para mim e estendeu a mão para tocar meu braço.

Eu sussurrei,

— Não.

Ele parou de se mover, franzindo a testa.

— O que está errado?

— Pesadelos.

— Sobre mim?

— Não.

— Então por que não posso te tocar? — Ele sussurrou. Era uma boa pergunta. Pensei
sobre isso e finalmente percebi que eu precisava parar de estar assustada. Eu não
poderia funcionar direito assim. Ou eu confiava em Nicky ou não confiava. Nós nunca
confiamos em Haven o suficiente para colocá-lo de guarda aqui, mesmo que ele tivesse
feito isso. Na verdade, Nicky era o único Homem-Leão em quem confiávamos. Isso
tinha que mudar. Qualquer pessoa em quem não pudéssemos confiar, tinha que deixar
St. Louis. Com essa decisão, um pouco da tensão me deixou.

O som de sinos de igreja, melodioso e doce, tocou, mas acordaria Nathaniel. Nicky tirou
meu celular da roupa empilhada e me entregou sem que eu precisasse pedir. Eu esqueci
de silenciar o toque.

Peguei o telefone dele, forçando-me a soltar a arma para poder me equilibrar melhor.
Foi um mau sinal que eu me sentisse menos segura sem a arma na minha mão? Senti
Nathaniel se movendo atrás de mim e soube que o toque o havia acordado. Respondi à
chamada sem verificar quem era, apenas querendo que o barulho parasse.

— Eu estou aqui. — Eu sabia que era mais um grunhido do que uma saudação.

— Blake, é você? — Não reconheci a voz do homem no início.

— Sou eu. Quem é?

— Você ferra comigo e meu povo por completo e não se lembra de mim. Perfeito. —
Tive um momento para tentar pensar. A pista era o que ele disse, “eu e meu povo”.

— Jacob?

— Sim.

Nicky me olhou com seu único olho, sua franja se derramando no meio do seu rosto.
Ele estava me observando mais intensamente agora, como um gato que vê movimento.

Tentei imaginar o ex Rex de Nicky. Ele tinha cabelo loiro cinzento ao redor do rosto,
mas o corpo que acompanhava o cabelo grisalho ainda era musculoso e firme. Quando
você é um Rex dos Homens-Leões, tem que permanecer em forma. Além disso, todos os
metamorfos envelhecem mais lentamente do que os seres humanos normais, algo sobre
a mudança de forma reparar a estrutura celular.

— O que você quer?

— Você sempre é amigável ao telefone? — Ele perguntou.

— Sim, quando eu acabo de acordar.

— É dia, onde você está. — O que implicava que onde ele estava, era noite. Desde que
ele e seu Pride eram assassinos e sequestradores internacionais, entre outras coisas, ele
poderia estar em qualquer parte do mundo.

— Eu trabalho à noite, Jacob. O que você quer?

— Talvez eu não queira nada. Talvez eu simplesmente desligue e deixe que você cuide
de sua própria bagunça.

— Jacob, foi um dos meus dias mais difíceis, depois de uma noite ainda mais difícil.
Diga-me o porquê de você ter me ligado.

— Oferecerem-me um contrato para você e seus namorados, Blake.

— Que tipo de contrato? — Eu perguntei.

— Eles não queriam que nós seqüestrássemos ninguém desta vez, — ele disse, com voz
calma.
— Assassinato, — eu disse, minha voz soando entediada.

— Não parece surpresa. Você já sabia o que estava acontecendo?

— Não, eu não sabia. — Nathaniel colocou um braço ao redor de minha cintura,


puxando-me mais firme contra seu lado.

— Mas você não está surpresa, — disse ele.

— Vamos apenas dizer que minha surpresa está esgotada por um tempo. Vou assumir
que se você tivesse aceitado o contrato não teria me chamado.

— Eu recusei. E disse para a pessoa que ofereceu que ninguém deveria aceitá-lo, porque
se fizessem, você iria encontrar uma maneira de ferrá-los.

— Obrigada por isso, Jacob, mas eu acho que você não acredita que eles levarão seu
aviso á sério. — Eu tentei sentir alguma coisa sobre a idéia de que tinham tentado
contratar pessoas para nos matar, mas não senti nada, não realmente.

Ele não respondeu à minha pergunta, mas fez uma própria:

— Como está Nicky?

Eu pensei sobre um monte de respostas, mas finalmente disse:

— Pergunte a ele você mesmo. — E entreguei o telefone para Nicky, que disse:

— Um pouco ligado, mas estou bem.

Ficou em silêncio por alguns segundos.

— Não, realmente, Jacob, eu estou bem. Nunca estive tão relaxado. — Ele riu. — Sim,
eu acho que se está sempre feliz quando está com as drogas, mas eu não estou mais
nisso, Jacob.

Ele colocou a mão em meu ombro nu. No momento em que ele fez, senti-me um pouco
melhor, um pouco mais quente. Nathaniel abraçou-me mais apertado e foi ainda melhor.

— Tudo o que tenho que fazer é tocá-la e apenas na parte superior, — disse Nicky me
entregando o telefone.

— Ele quer falar com você.

Peguei o celular e fiz um espaço na cama para ele sentar. No momento em que tive
ambos me cercando, senti-me melhor ainda. Comecei a perceber que eu bem que
poderia ser a droga escolhida de Nicky, mas os homens que estavam conectados a mim
metafisicamente eram minhas também.

Jacob disse:
— Ele parece feliz.

— Faço o meu melhor.

— Acredito nisso, mas Blake, é muito dinheiro. Alguém vai aceitar.

— Obrigada pelo aviso.

— É minha culpa que você tenha seus ganchos em Nick. O mínimo que posso fazer é
mantê-lo vivo.

— Então você não ligou para me ajudar, mas para ajudar Nicky?

— Sim, porque honestamente, não tenho certeza se eu tive escolha ao te ligar. Você me
enfeitiçou um pouco, Blake. Não tenho certeza se estou livre de você. Eu liguei para
ajudar Nick ou por que, em algum nível, você é minha mestra também e eu tenho que te
proteger? Tentei apenas não aceitar o trabalho, mas tive que te ligar. Eu tinha que te
avisar, Blake, entende?

— Eu acho que sim.

— Entende? — Ele estava com raiva agora.

— Você me raptou, lembra? Voce ameaçou matar os homens que eu amo. Não venha
bancar a vítima para cima de mim, Jacob. Você começou a coisa mal, não eu. Eu apenas
me protegi e às pessoas que eu amo.

— Eu sei disso, droga! Eu sei que eu sou o vilão aqui, mas eu ainda te odeio. E ainda
me assusta que eu não consegui me impedir de te ligar, me assustou não avisá-la, como
se eu fosse seu Leão para chamar ou algo pior.

— Se eu dissesse para você vir a St. Louis e ajudar a nos proteger, sentiría-se compelido
a obedecer?

Eu ouvi sua respiração na outra extremidade do telefone, rápida e difícil.

— Você disse “se”. Por favor, Blake…— Ele parou e eu ouvi sua respiração sair em
uma linha trêmula. — Eu sei que você não me deve nada. Mesmo esta chamada, este
aviso, é provavelmente porque eu não posso ajudar a mim mesmo, mas, por favor, não
me pergunte novamente. Não tire o “se” dessa pergunta. Não faça um pedido completo,
por favor.

— Estamos procurando um novo Rex, Jacob.

— Não da última vez que chequei, Blake. Você tem um assassino frio como seu Rex.

— Não mais, — eu disse suavemente.

Nicky passou a mão pelo meu braço. Nathaniel me abraçou com mais força. Tudo
ajudou, mas… Eu ainda não sentia nada.
— Quem quer que o vença é o seu novo Rex, Blake.

— Meu cartão de dança está um pouco cheio, Jacob. Acho que não posso acrescentar
outra obrigação.

— Você não o venceu em uma luta justa.

— Ele trapaceou primeiro — eu disse.

Ele ficou quieto por um segundo ou dois.

— Então, você tem um Rex morto, mas nenhum de seus Leões ganhou a vaga?

— Sim.

— Você complica sua vida, Blake.

— As coisas só ficam estranhas com os Leões. Por que será?

— Nossa cultura é mais dura do que a maioria.

— Talvez, — eu disse, — mas ainda precisamos de um Rex. Você é um Rex com um


Pride e sem território próprio. Nós somos um território com um Pride e nenhum Rex.

Nicky tinha ficado muito quieto ao meu lado, sua mão ainda no meu braço. Ele estava
se concentrando na conversa agora.

— Não me pergunte, Blake. Por favor, você não me deve isso, mas… Não me pergunte.
Sua voz continha dor.

— Você realmente acredita que se eu te pedisse para vir aqui e ser nosso Rex, você não
poderia me recusar?

— Não sei, mas sei que não quero descobrir.

Pensei nisso, mas Jacob e seu povo eram caras maus. Não precisávamos de mais
assassinos em
St. Louis.

— Há quanto tempo eles te pediram para vir nos matar?

Ele soltou uma respiração trêmula, como se estivesse segurando o fôlego esperando que
eu perguntasse.

— Não é dinheiro suficiente para mim e meu povo ou qualquer um com talento próximo
ao nosso. E é disso que eles precisam para apanhar você e o seu povo, Blake, mas até os
amadores têm sorte.

— Quanto tempo temos antes de chegarem à cidade?


— Eles nos contactaram a quarenta e oito horas. Talvez, não haja tempo.

— Então você esperou dois dias para nos avisar? Obrigada.

— Eu sabia que você não gostaria disso. Tentei não avisá-la. O contrato é apenas sobre
você, seu mestre e seu lobo. Pensei que talvez Nick não estivesse na linha de tiro, mas
eu tinha que avisá-la. Eu não pude resistir ao desejo de ligar para você.

— Da próxima vez, ligue imediatamente, ok?

Ele engoliu em seco e foi forte o suficiente para eu o ouvisse.

— Ok.

— Dê-me um número onde eu sempre serei capaz de encontrá-lo.

— Não faça isso.

— Você esperou quarenta e oito horas para me avisar. E só o fez quando a compulsão se
tornou muito forte para evitar. Talvez eu não goste de você, mas você e seu pessoal são
bons em seus trabalhos. Fariam um bom músculo. Se o seu atraso tornar as coisas
piores, eu vou ligar. Se a sua espera nos deixar em apuros, eu vou pedir para você nos
ajudar a sair dela. Se não fizer diferença, deixo você em paz.

Eu o ouvi engolir novamente.

— Isso é justo, acho. — E me deu um número.

— Se você desligar o número e eu não puder alcançá-lo…

— Eu não sei se poderia me esconder de você, Blake. Não sei se o que você fez comigo
me deixaria me esconder.

— Então não tente, Jacob. Vou jogar justo enquanto eu puder.

— O que isso significa?

— Significa que uma merda ruim vai bater no ventilador em breve e talvez precisemos
de mais músculos. Vou tentar deixar você e seu povo de fora, porque francamente eu
posso ter te enfeitiçado, mas eu nem sequer conheço todo seu pessoal. Não estou certa
se quero trazer tantos cartões selvagens para minha cidade.

— Espero que você queira dizer isso.

— Normalmente não digo coisa a menos que queira dizê-las, Jacob.

— Eu acredito, — ele disse.

— Obrigada pelo aviso, — falei.


— Não me agradeça. Eu teria deixado você morrer se tivesse uma escolha.

— Ah, Jacob, você vai machucar os sentimentos de uma menina dessa maneira. Pensei
que você gostasse de mim.

— Eu gosto de você. É isso que me assusta.

— Adeus, Jacob.

— Adeus, Blake. — Ele desligou.

Deitei-me na cama por um minuto enquanto Nicky me observava na penumbra e


Nathaniel estava quieto em minhas costas. Ainda me fazia bem que eles me tocassem.
Eu ainda não estava com medo ou mesmo preocupada, o que, é claro, era um problema.
Demasiado medo vai te paralisar, mas pouco medo vai fazer você ser descuidado.
Segurei o braço de Nathaniel contra meu corpo e soube que com medo ou não, faria o
que fosse necessário para mantê-lo seguro, para manter as pessoas de quem que eu
gostava, seguras. Eu disse isso antes. Noite passada senti que provei minhas palavras.

— O que vamos fazer agora? — Nicky perguntou. Ele começou a acariciar meu braço
novamente.

— Nós avisamos aos outros e nos preparamos.

— Por quê? — perguntou Nathaniel suavemente.

— Mata-los, antes que eles nos matem. — Eu disse isso com minha voz firme, segura e
desprovida de quase qualquer emoção. Por uma vez eu não estava sendo corajosa, mas
soando como me sentia. Perguntei-me por quanto tempo eu me sentiria entorpecida. E o
que sentiria quando o torpor passase. Empurrei o pensamento para longe, fiz Nicky se
mover e peguei minhas roupas. Assassinos já estavam a caminho ou já estavam na
cidade. Eventualmente eu teria medo e antes disso eu queria ter um plano.
CAPÍTULO 28

Quando eu abri a porta, com Nicky logo atrás de mim, vi que ele estava compartilhando
a guarda com Graham. Alto e de ombros largos, ele usava seu cabelo preto e liso
cortado um pouco demais por entre as franjas, de modo que seus olhos espiavam através
dos cabelos como um gato observando da grama. Embora “gato” não fosse preciso. Ele
era um lobisomem. Com exceção de uma pequena inclinação nas bordas de seus olhos e
do cabelo preto e reto, a herança japonesa de sua mãe parecia ter passado por ele. A
maior parte de sua aparência tinha vindo de seu pai, alto e nórdico. Seus pais ainda eram
os únicos a irem a Prazeres Malditos para visitar seu filho no trabalho de segurança.

Graham tinha perdido a orgia porque ele morava em outro local e geralmente estava
sendo um segurança no clube de strip, em vez de guarda aqui. Ele estava usando uma
camiseta vermelha brilhante, o que significava que ele estava disponível para doações
de sangue ou sexo. Até agora eu tinha conseguido mantê-lo fora do meu menu. Coisa
que eu planejava manter dessa maneira. Ele sorriu para mim.

— Não posso acreditar que eu perdi a noite passada.

— Esteja feliz por isso, — eu disse.

Ele parecia aflito e muito mais jovem do que seus vinte e poucos anos.

— Foi uma orgia. Você fodeu pessoas que nunca tocou antes.

Olhei para Nicky, que estava ao meu lado.

— Ele sabe de tudo o que aconteceu na noite passada? — Nicky assentiu.

— Você guarde esta porta e se algo acontecer a Nathaniel porque você falhou em seu
trabalho, eu vou te matar.

Minha voz tinha apenas uma pequena inflexão no final, mas apenas um pouco. Graham
me olhou.

— O que eu disse para te irritar?

— Que você tenha que fazer essa pergunta, Graham, é a razão pela qual não durmo com
você.

Ele ainda parecia totalmente perdido. Foi Nicky quem disse:

— Ela se sente mal por Noel e Haven estarem mortos.

Sua voz era agradável quando ele disse isso. Percebi que sua inflexão nunca mudou,
tampouco, mas não estava entorpecido, apenas agradável como se nada do ele tinha
acabado de dizer o perturbasse.

— Precisamos de outro metamorfo para dormir com Nathaniel.


— Você me disse para ficar na porta — disse Graham.

— Desculpe, apenas pensando em voz alta. — Minha cabeça parecia barulhenta e cheia
de estática. O choque estava começando a desaparecer. O que era bom e ruim,
aparentemente.

— Se você quiser mais pessoas para dormir com Nathaniel enquanto ele se cura, a
enfermaria é o melhor lugar. As pessoas estão em turnos rotativos.

Abri aquela parte de mim que estava ligada a tantas pessoas, apenas jogando tudo para
ver quem estava perto. Nicky atingiu o radar primeiro porque ele estava bem ao meu
lado, mas a energia saiu e saiu. Eu sabia que Jean-Claude estava aqui. Ele sentiu minha
urgência e minha confusão e começou a caminhar. Encontrei Jason e senti sua tristeza.
Eu me perguntava o que estava errado. Encontrei Damian ainda acordado.

Aparentemente, nenhum dos vampiros que acordaram cedo iria dormir hoje. A energia
de Crispin e Domino veio e com aquela pincelada eu sabia que havia mais tigres aqui.
Eles brilharam mais intensamente na minha cabeça. Eles não deveriam ter sido mais
brilhantes em meu radar metafísico do que os metamorfos aos quais eu estava mais
próxima. Estreitando minha busca, deixando aquela energia brilhante fora do meu radar.
Eu toquei um monte de energia das pessoas dentro do Circo, mas uma pessoa que eu
não encontrei foi Richard. Ele não estava aqui. Merda.

Comecei a discar o número dele. Dentro do Circo era como um bunker subterrâneo,
quase impenetrável, mas fora dele todas as apostas estavam em alta e Richard era o
menos capaz de nós três para prestar atenção a este tipo de perigo. Ele ainda era muito
confiante e muito amarrado tentando ser “normal”.

Stephen desceu o corredor. Devia ter estado no apartamento que partilhava com Vivian.
Não, espere, estava de dia e desde que ele trabalhava nas noites ele costumava passar o
dia aqui sendo lanche para vampiros entre outras coisas. Ele não estava na minha lista
de alimentos. Stephen era bonito o suficiente, mas não era esse tipo de amigo. Ele
estava usando jeans e uma camiseta. Seu cabelo loiro encaracolado estava solto em
torno de seus ombros. Ele sempre parecia mais jovem com suas roupas de rua. Ele
olhou para o meu rosto e perguntou:

— O que há de errado?

O telefone foi para a caixa postal.

— Merda. — Eu esperei o beep. — Richard, é a Anita. Volte para o Circo. Temos


assassinos na cidade com um contrato para matar você, eu e Jean-Claude. Você não está
seguro. Chame-me de volta, maldição. — Desliguei.

— Mande um SMS — disse Graham.

— O quê? — Eu perguntei.

—Uma mensagem. Algumas pessoas verificam suas mensagens muito mais do que
verificam sua caixa postal.
Eu não tinha o telefone há tanto tempo, então entreguei a ele.

— Eu não sei como enviar um SMS. Me ajude. — Normalmente, ele teria dito algo
espertinho, mas sabiamente só começou a trabalhar no telefone.

— O que você quer que eu diga a ele?

— Assassinos na cidade. Você está em perigo. Volte para o Circo.

— Como se soletra assassinos?

— Deixe-me, será mais rápido se eu digitar a soletrar, — Stephen disse, e pegou o


telefone. Ele digitou o que eu havia dito. — Enviei.

Ele focou aquele olhar azul-centáurea em mim.

— Agora volte e me diga, por que há assassinos na cidade e como você sabe?

Balancei a cabeça.

— Eu não tenho tempo para explicar. Preciso encontrar Richard e trazê-lo de volta para
cá.

— Eu sou seu suposto substituto para a cura de Nathaniel, mas se você precisar de
mim…

Comecei a dispensá-lo, porque eu não pensava nele como um lutador, mas quando eu o
conheci ele tinha se lançado sobre uma cobra gigante e enfurecida no Circo dos
Condenados. Ele arriscou sua vida para ajudar a matá-la. Engraçado como eu comecei a
pensar nele como alguém que me ajudou a fazer o meu cabelo e maquiagem para os
eventos de fantasia de Jean-Claude, mas não como um lutador. Ele era do meu tamanho,
tão delicado em sua própria maneira como Vivian, mas ele também era um lobisomem e
isso significava algo.

— Obrigado, Stephen, mas acho que você ficar com Nathaniel será ótimo. Eu preciso
encontrar Richard e trazê-lo de volta para cá. Depois disso teremos uma reunião ou algo
assim. — Eu já estava andando pelo corredor. Nicky me seguia. Quase lhe disse para
ficar na porta, mas sinceramente eu acabaria tendo que ir para fora do Circo e, de nossos
guardas, ele não era uma má escolha. Ele pode estar assustadoramente preso a mim, mas
suas habilidades de luta eram excelentes e a única coisa que manteve sua matança sob
controle foi a minha consciência, porque ele não parecia ter uma consciência própria.
Eu não poderia ficar aqui para sempre. Eu tinha um emprego e eu tinha tirado a noite de
ontem de folga, mas eu tenho clientes para ver esta tarde. Claro, tudo o que precisaria
era que um dos assassinos se inscrevesse como um cliente e eles teriam a chance de
ficar sozinhos comigo. Ou tinham. Agora eu preciso de guardas comigo. Merda.

Uma pequena parte de mim estava gritando na minha cabeça, dizendo algo que eu
estava tentando com muito afinco não ouvir. Richard está em perigo. O único conforto
sobre ele não atendendo o telefone era que, se ele estivesse realmente machucado, eu
saberia, da mesma forma que eu sabia que Nathaniel tinha sido baleado no ombro. Eu
sentiria. Richard estava bem. Ele estava seguro, por enquanto.

Então eu percebi que estava sendo lenta. Bati na tela do telefone e abri minha lista de
contatos. Eu chamaria Jamil ou Shang-Da. Eram seus principais guarda-costas, seus
Sköll e Hatí. Um dos três pegaria seu maldito telefone.

Nicky já estava no seu próprio telefone. Eu o ouvi conversando com Bobby Lee sobre
os assassinos. Ele estava certo. Eu deveria ter contado aos nossos homens primeiro. Eu
tinha que me recompor e trabalhar esta emergência. Eu desmoronaria mais tarde.

O número de Jamil foi o primeiro da ordem alfabetica, então eu liguei. Ele atendeu no
segundo toque.

— Anita, o que se passa?

— Você precisa trazer Richard de volta ao Circo, agora.

Ouvi sua voz duas vezes, como um estranho eco, quando ele disse:

— Isso vai ser um problema. — Virei-me para encontra-lo saindo pelo corredor com
Shang-Da ao seu lado.

— Por que você não está com seu Ulfric? — Eu perguntei.

—Ele está em um encontro de almoço tardio. Não vamos aos encontros.

Eu empurrei toda a coisa de encontro. Eu me preocuparia com isso mais tarde. Eu disse
a eles o que estava acontecendo.

— Bem, merda, — Jamil disse.

— Isso cobre tudo — eu disse.

— Se ele está com a médica, não vai atender ao telefone, — disse Jamil. Eu queria
dizer, Richard está namorando uma médica? Mas não importava. Não era como se
fôssemos monogâmicos.

— Entre em contato com ele mente-a-mente, — Shang-Da disse.

— Vou tentar. Ele está me mantendo fora nos últimos meses.

— Talvez. Ou talvez você tenha parado de tentar. — disse ele.

Eu não tentei discutir. Nós decidiríamos quem estava certo e errado quando eu soubesse
que Richard estava a salvo. Senti Jean-Claude vindo em minha direção. Ele não tentou
me desligar e eu afastei o pensamento. Abri esse link entre Richard e eu. Shang-Da
estava certo, eu tinha parado de tentar um tempo atrás. Era mais fácil assim.
Senti cheiro de árvores, folhas, pinheiros, floresta. Era como eu sempre o encontrava
pelo cheiro, como se, onde quer que estivesse, ele cheirasse a terra do bando de lobos.
Senti-o atrás do volante de seu quatro por quatro. Eu o vi olhar para cima, como se de
alguma forma eu estivesse pairando perto do teto de sua caminhonete. Sempre
olhávamos para cima para nos vermos. Era a maneira como nos comunicávamos,
pensei. Isso me fez perder o foco por um momento e eu tive que lutar para vê-lo. Eu
sabia que Richard já estava perto de sua casa, por causa das árvores na estrada. Eu tive
um momento para vê-lo olhando para mim e de ver a estrada através de seus olhos. Ele
me empurrou um pouco, de modo que ele estava dirigindo com apenas ele mesmo em
sua cabeça.

— Desculpe, — ele disse para o ar vazio, — mas é difícil dirigir dessa maneira.

— Desculpe, mas há um assassino contratado para você, eu e Jean-Claude.

— O conselho trabalha rápido.

— Talvez, mas não importa.

— Eu não posso me esconder para sempre.

— Só por agora, por favor, Richard. Eu já tive bastante emergências por um dia.

Ele começou a fazer a curva para a última estrada e captou um flash nas árvores. Eu tive
um momento para sentir e ver e então, o pára-brisa rachou na frente dele e ele lutou com
a caminhonete para não entrar na vala.

Eu gritei,

— Arma!

O segundo tiro o atingiu e eu caí de joelhos no corredor. Não doeu exatamente. Na


verdade, eu sentia meu ombro e metade do meu peito entorpecidos. Eu não conseguia
recuperar o fôlego. Doeu respirar. Nicky estava me segurando. Seu rosto estava
frenético.

— Anita!

— Tiro. — Eu engasguei, não havia ar. Eles acertaram em seu pulmão, mas seu coração
ainda batia, forte e grosso em minha cabeça. Eu podia ver a luz do sol através das
árvores enquanto a caminhonete atravessava o lado da estrada. E havia árvores. E nós
estávamos caindo. E não havia ar.
CAPITULO 29

O rosto de Jean Claude estava sobre o meu.


- Ma petite, o que você fez? - Ele olhou em meus olhos e o viu, sentiu-o, mas ele me
arrastou para longe dele. Ele fechou o link. Ele deixou Richard sangrando e sozinho. Eu
engasguei com o ar nos pulmões que funcionavam, e disse:
- Não! Eles vão matá-lo. Eles vão arrastá-lo para fora do caminhão e matá-lo. - Eu cavei
minhas mãos em sua camisa branca.
- Se ele morrer, eu posso nos impedir de morrer com ele, mas se eu abrir a ligação entre
nós para alimentá-lo com energia suficiente para curar em tempo, se não funcionar, um
ou ambos de nós iremos morrer com ele.
- Nós não podemos deixá-lo morrer sabendo que nem sequer tentamos. Deixe-me
alimentar a energia, você me puxa de volta se não funcionar.
Eu assisti a luta em seus olhos.
- Jean Claude. - Eu disse.
Ele assentiu.
- Que energia será suficiente para fazê-lo se mover em tempo? Nathaniel ainda está
machucado; você não pode dar a energia de seu próprio triunvirato. Pode matar a todos.
- Ele é o nosso Ulfric e estamos sob juramento de protegê-lo com as nossas vidas. -
Disse Shang-Da, ajoelhando todo o longo e perigoso corpo junto a nós. - Se por minha
vida, ou minha morte, eu posso salvá-lo…
- Faça-o. - Disse Jamil, e ele estava ajoelhado mais perto do meu rosto.
- Não há tempo para sexo. - Eu disse.
- Nós vimos o que você fez para Chimera. Nós sentimos o poder que você tirou da
alimentação. Faça-o. - Ele disse.
Deveria ter havido tempo para olhar para seu rosto bonito, admirar o cabelo trançado e
tudo o que ele oferecia, mas a única coisa que não tínhamos era tempo. Eu disse:
- Eu sinto muito.
- Eu sei. - Disse ele.
Eu coloquei minhas mãos em seus braços, pele nua em pele nua, e assim como quando
eu tinha feito da primeira e única vez a Chimera, não houve tempo para encontrar o
poder, ou preocupar-me sobre a moral, era um momento de fazer ou morrer. Para
levantar zumbis eu colocava energia nos mortos; quanto mais energia, melhor o zumbi,
mais completos os mortos ressuscitarão. Este poder era quase o oposto a isso. Um
segundo era apenas a pele quente de Jamil sob minhas mãos, e no próximo minha
necromancia derramou pelas minhas mãos nessa escura e musculosa pele.
Os olhos castanhos de Jamil se arregalaram. Seus lábios se separaram. Ele sussurrou:
- Deus, isso dói.
Em seguida sua pele escura suave começou a correr com linhas finas. Eu estava
tomando fora o que fosse que me deixava preencher um cadáver para bochechas suaves,
gordas e rosadas. Eu tirei isso de Jamil, e ele ficou de joelhos e deixou-me fazer isso. A
primeira vez que eu tinha feito isso eu pensei que estava assistindo décadas apanhar
rapidamente um homem, mas observando a pele de Jamil colapsar em torno de seus
ossos, eu percebi que não era o tempo que eu tomava dele, mas literalmente a vida. Eu
me alimentava com a própria essência do que fazia seu corpo mover-se e funcionar. Eu
me alimentei dele, e a corrida de poder era tão forte que me senti melhor do que eu
lembrava. Eu acho que eu tinha medo de me lembrar quão bem se sentia. Com medo de
que se eu me lembrasse, eu ansiaria por isso.
O poder derramou pela minha pele e em meu corpo. Derramou em Jean Claude onde
seu corpo tocava o meu, de modo que a corrida de vida e energia, e tudo o que Jamil
era, preencheu nós dois. Era como se cada fibra do meu corpo se enchesse de sua
essência, e eu derramei isso em Jean Claude, até que se sentia como se nossos corpos
devessem brilhar como estrelas. Jean Claude abriu essa janela dentro de mim, dentro de
nós, e de repente eu estava de volta ao caminhão com metade da minha parte superior
do corpo não funcionando, e um pulmão virando um vazio doloroso dentro de mim. Eu
podia ouvir os homens, pelo menos dois, esmagando através das árvores em direção ao
caminhão. Jean Claude me ajudou a alimentar o poder em Richard. Seu corpo
convulsionou no assento do caminhão, a energia quase demais para seu corpo ferido
tomar. Ele tossiu sangue, e eu também, derramando-o em torno da pele murcha de
Jamil. Essa faísca que era a besta de Jamil reagiu ao cheiro de sangue fresco e deu um
salto de calor. Eu me senti puxar para ela. Eu poderia drenar toda a sua vida, ou eu
poderia deixar algo para trás para salvar mais tarde. Isso me fez hesitar.
Richard abriu a porta do passageiro e caiu no meio dos arbustos. Tínhamos que fugir do
caminhão antes deles chegarem aqui. Eu o senti rastejando pelo mato, lutando para
chegar mais longe, mas nós podíamos usar ambos os braços agora. Eu percebi que eu
estava com medo de levar tudo que eu podia de Jamil. Eu sabia como colocá-lo de volta,
teoricamente, mas eu nunca tinha feito isso.
Jamil de repente desapareceu, puxado longe, e Shang-Da pôs as mãos nas minhas. Eu
não tive tempo de pensar que isso era valente dele, eu só me alimentei. Eu alimentei-me
dele sem hesitar. Eu provei toda essa força, calor e vida, e Richard estava de joelhos, e
depois em seus pés e se movendo mais para dentro das árvores. Se ele pudesse chegar
longe o suficiente ele poderia mudar de forma e curar o resto do dano. Ele estava
disposto a fazer isso, mas haveria momentos durante a mudança em que ele seria
impotente, e nós não poderíamos dispor disso.
A energia precisava ir para algum lugar, e eu achei Nathaniel ainda em sua cama, ainda
abraçado com Stephen, e eu derramei a energia nele. Derramei até seu corpo correr com
pelo, e o último da lesão foi lavado em um rolar de músculos e pele e leopardo. O poder
era tanto, tanto, como se os dois juntos fizeram o mesmo tipo de energia que eu tinha
tomado naquela primeira vez. Tinha sido o suficiente para curar muitos. Eu achei os
leões deitados em suas camas. Rosamond estava muito parada, com Jesse enrolada ao
lado dela. O poder a encheu, fazendo fluir o seu corpo com pelo até que um grande leão
encheu a cama e expulsou Jesse fora dela. Kelly sentou-se na cama com Payne nu ao
seu lado, o braço dela engessado, o que significava que era um quebrado ruim. Eu
derramei a energia dentro dela e observei seu corpo tornar-se a leoa que eu tinha visto
em minha cabeça, a enorme pata rachando o agora inútil gesso.
Pensei em Claudia e o poder a encontrou. Eu empurrei o poder dentro dela também, e
sua pele correu para o pelo negro, e ela gritou quando a energia forçou seu corpo
quebrado a curar quase demasiado rápido. Eu sabia que ao mesmo tempo em que se
sentia bem, também doía. Eu estava perdendo a capacidade de ser gentil com isso.
Tanto poder, tanta energia. Jean Claude me ajudou a chegar em Richard novamente. Ele
estava longe dentro da floresta agora. Longe o suficiente que ele não podia ouvir ou
sentir o cheiro deles agora. Ele tomou a energia que oferecemos e seu corpo mudou para
um enorme lobo desgrenhado. Eu sempre tinha visto ele em forma homem lobo, nunca
assim, e eu o senti pensar que desta forma ele seria menos provável de ser denunciado à
polícia como um lobisomem vadio. Ele seria capaz de caçar na floresta e não assustar as
pessoas. Ele não disse nada disso, ele pensou nisso, e eu pensei também.
Um minuto eu estava andando através das folhas em quatro patas, o mundo vivo com
cheiros que eu tinha esquecido, no próximo eu estava nos braços de Jean Claude. Ele
me segurou perto, me balançando.
- Ma petite, Ma petite. - E só a partir do nível de emoção nele eu sabia que o que
tínhamos feito não tinha sido sem risco, que tinha havido um momento, ou dois, quando
ele sentiu ambos indo.
Eu empurrei para ele, para que eu pudesse virar em seus braços e ver o que eu tinha
feito a Jamil e Shang-Da. Pareciam múmias, murchos e mortos, cadáveres dessecados
em algum deserto, mas eles não estavam mortos. Jamil estava fazendo um alto barulho
de lamento.
- Deus. - Nicky disse. - Eles não estão mortos.
Ele estava pressionado contra a parede mais distante, como se não estivesse certo se ele
queria ficar perto de mim naquele momento. Talvez houvesse coisas terríveis o
suficiente para que mesmo o meu poder sobre ele não pudesse fazê-lo ver isso como
certo. Eu achei isso estranhamente reconfortante.
- Não. - Eu disse. - Eles não estão mortos. - Eu me arrastei para Jamil.
- Ma petite, você ganhou uma grande quantidade de energia, mas não podemos nos dar
ao luxo de perder mais vitalidade, ou você vai matar um de nós.
- Há poder em ressuscitar os mortos, Jean Claude. Você deve saber disso por agora. -
Borboleta Obsidiana, a vampira de quem eu tinha aprendido esta útil peça desagradável
de informação, tinha pensado que ela era uma deusa, de verdade, e parte do que a fez
pensar assim foi que ela ganhou o poder de tirar a vida e de dar-lhe de volta. Os olhos
de Jamil estavam secos e cegos, mas quando eu me inclinei sobre ele, ele gritou, alto e
barulhento, mas mais alto. Talvez ele cheirasse que era eu, e ele estava com medo de
mim agora. Eu não o culpo por ter medo, porque eu poderia tê-lo matado com este
segundo toque tão facilmente como o ajudado. Ambos seriam energia. Ambos se
sentiriam bem.
Eu rezei. Eu rezei para que eu pudesse dar isso de volta e ganhar energia através disso.
Eu nunca tinha realmente invertido o processo. Eu só tinha visto isto ser feito. Toquei
seu rosto, e sentia-se como couro seco; os fortes ossos de seu rosto sentiam-se frágeis
como varetas, como se eu pudesse quebrar seus ossos se segurasse seu rosto muito
apertado. Eu era tão gentil quanto eu sabia como ser, quando chamei minha
necromancia. Este era um tipo de energia, e não me ocorreu no momento, mas
Borboleta Obsidiana foi à primeira vampira que eu já conheci que podia trabalhar com
este tipo de energia.
Houve uma rajada de vento quente como se o início do verão enchesse a minha pele e o
homem sob minhas mãos. Era como assistir a um daqueles filmes onde as flores
florescem, exceto que era a sua pele, sua carne, seus ossos enchendo de volta para fora,
florescendo no homem forte, musculoso e bonito que eu conhecia. Ele voltou a si, os
olhos arregalados, e gritando. Quando ele pôde se mover, ele me empurrou e correu sob
as mãos e pés para trás, longe, até que ele bateu na parede, e então ele gritou de novo.
Ele estendeu as mãos na frente dele como se quisesse me afastar.
Eu deveria ter me sentido mal que ele estava com medo de mim, mas a energia sentia-se
boa demais para me sentir mal. Eu coloquei minhas mãos no rosto enrugado de Shang-
Da, seu cabelo preto brilhante reduzido à palha. Esse vento quente correu sobre minha
pele e dentro dele. A energia o encheu, o soldou, como a água retornando após uma seca
horrível. Ele engasgou de volta para si mesmo, tossindo e olhando para mim com seus
olhos castanhos largos e cheios de pânico. Eu nunca o tinha visto entrar em pânico
sobre qualquer coisa.
- Seus olhos. - Ele sussurrou. - Eles estão pretos e cheios de estrelas.
Eles não eram meus olhos. Eram os olhos de Borboleta Obsidiana. Todo poder vem
com um preço. Virei-me para Jean Claude e encontrei seus olhos preenchidos com o céu
noturno que foi derramado sobre a América do Sul quando os conquistadores haviam
conquistado o Novo Mundo. Senti o lobo de Richard na floresta a quilômetros de
distância, e eu sabia que seus olhos não eram o âmbar do lobo, eram do céu noturno
preto.
Damian cambaleou ao virar da esquina, limpando o sangue de uma nova alimentação de
sua boca. Seus olhos estavam cheios de escuridão e estrelas.
CAPÍTULO 30

Alguns dos outros metamorfos levaram Jamil e Shang-Da para um quarto dos fundos
para se deitar. Jamil não iria olhar para mim. Shang-Da fez, mas não foi uma boa
olhada. Era mais como se ele estivesse considerando como me mataria se fosse preciso,
e ponderando pela primeira vez que talvez pode não ser capaz de fazer. Um deles lidou
com seu medo ficando amedrontado, o outro calculando suas chances. De qualquer
maneira, eu tinha danificado o relacionamento que tive com os dois lobisomens. Eu
poderia ter apontado que eles ofereceram, e que isso salvou a vida de Richard, mas eu
não estava confortável o suficiente com o que eu tinha acabado de fazer para ser tão
lógica.
Eu deixei-os ser levados como crianças perdidas no shopping quando a segurança
finalmente encontra-os e leva-os de volta para a mamãe e o papai.
A visão de estrelas negras fez o que tinha feito da última vez: me ajudou a ver as coisas
mais claramente, como se tudo fosse com arestas vivas como pode acontecer em uma
situação de emergência. Você vê tudo, e percebe coisas que pode não ter notado de
outra maneira, por exemplo, eu sabia que Nicky tinha uma faca escondida em sua bota
no lado direito, porque sua calça jeans não mentia muito bem. Era uma faca pequena;
normalmente eu não teria percebido a ligeira elevação ao longo da costura da calça.
Eu me levantei para olhar para seu rosto, e ele não estava com medo agora. Embora seu
rosto não estava calmo; estava considerando.
- O quê? - Eu perguntei.
- A corrida de energia que você compartilha sente-se incrível. Será que se sente ainda
melhor para você?
- Eu não sei.
- Sim, você sabe. Senti-me bem da maneira que matar algo com dentes e garras se sente
bem. É bom para se alimentar.
Jean Claude andou entre nós, me pegou pelos ombros, e me fez olhar para ele.
- Ma petite, você salvou o nosso Ulfric. Você salvou a vida de Richard. Você não fez
qualquer dano duradouro para os lobos.
Eu olhei para ele, me perguntando se eu iria ver através de alguma ilusão com a nova
visão. Ele parecia o mesmo de sempre; incrível.
- Você realmente não utiliza quaisquer artifícios vampiro para fazer-se tão belo. - Eu
disse.
Ele sorriu.
- Eu disse isso há muito tempo, ma petite, que eu não tentaria aparecer para você
diferente do que eu sou.
Eu assenti. Damian veio ficar ao nosso lado. Os olhos negros pareciam ainda mais
surpreendentes em seu rosto, eu acho que é porque ele não tem cabelo preto para
equilibrá-lo. Eram apenas poças de escuridão em toda aquela pele branca e cabelos
ruivos.
- Foi quase melhor do que sangue. - Disse ele, e sua voz era distante. Esse era o real
perigo com alguns desses poderes; não era que ele se sentia mal. Sentia-se tão bom,
bom o suficiente que se você não fosse cuidadoso você pode ansiar aquela corrente de
energia. Se eu ansiasse por ela e cedesse, eu seria o monstro. Eu não queria ser o
monstro. Eu não queria Jamil e Shang-Da com medo de mim, não assim. Mas se a
escolha tivesse sido entre Richard morto e eles com medo, eu os escolheria com medo.
Isso era monstruoso? Não, ainda não, mas eu estava começando a entender que a única
diferença entre ser o monstro e ser poderosa era a escolha de não ser o monstro. Não
hoje. Mas há sempre o amanhã, e outra chance de escolher.
Meu celular tocou. Desta vez foi o toque de sinos de igreja, então eu sabia que não era
uma pessoa regular, ou Nathaniel teria escolhido um toque para ele. Estendi a mão para
ele sem pensar. Jean Claude e Damian apenas me assistiram chegar para ele. Eu acho
que eles estavam sendo cautelosos, e eu só precisava de algo comum.
- Aqui é a Blake.
- É a Marshall Anita Blake? - Perguntou uma voz de homem.
- Sim, e você é?
- Marshall Finnegan.
Levantei-me um pouco mais reto. Merda, por favor, não deixe o Serviço Marshall
precisar de mim agora. Olhos pretos brilhantes e um assassino para me pegar, como eu
iria explicar isso?
- O que posso fazer por você, Marshall Finnegan? - Minha voz soou plana e sem
emoção, negócios, como de costume. Bom para mim.
- Eu gostaria que você desse uma olhada em alguns vídeos da cena do crime.
Houve um pequeno jorro de alívio. Normalmente eu poderia fazer esse tipo de coisa à
distância. Distância era bom no momento.
- Eu estaria feliz em ajudar. Você deseja enviar um e-mail para mim, ou me dar um
endereço e senha para um site?
- Tem papel e caneta? – Ele perguntou. O que significava que ia ser uma senha e um
usuário de site.
- Não tenho comigo. Espere um minuto. - Eu imitei escrevendo no ar, e Nicky me
entregou seu iPhone com a tela definida para bloco de notas. Eu continuava esquecendo
que podia fazer isso. Eu usei o meu ombro para segurar meu telefone e tinha meus
dedos prontos para bater no minúsculo teclado.
- Pronta quando estiver.
Ele me deu um endereço da web e uma senha.
- Isso permitirá que você veja por hoje. Vamos alterar a senha mais tarde hoje. Apenas
protocolo padrão.
- Está tudo bem, Finnegan. Eu não iria querer alguém que eu não conheço pessoalmente
tendo acesso total ao meu material também.
- Sim, mas eu estou pedindo sua ajuda, e não o contrário.
Ele tinha um ponto. - Tudo bem, eu vou parar de tentar jogar bem com os outros.
- Há rumores de que vocês do ramo sobrenatural dos marechais não são jogadores de
equipe.
- Ser o Lone Ranger não te ensina boas habilidades de grupo. - Eu disse.
- Ele era um Texas Ranger na verdade, não um Marshall Federal. -disse ele.
- Eu sei, apenas tentando fazer o meu ponto de que estar por conta própria não nos
ensinou a jogar bem com os outros.
- Ponto tomado. - Disse ele.
- Quando você precisa de mim para chamar você? - Eu perguntei.
- O mais rápido possível. - Disse ele.
- Olha, Finnegan, todo mundo diz isso. Eu preciso de algum tipo de estrutura de tempo.
- Veja o vídeo, então você decide quão rápido você precisa me chamar. Eu acho que
você vai estar chamado o mais rápido possível.
- Tão ruim assim? - Perguntei.
- Sim, na verdade.
- Eu vou vê-lo e ligar para você assim que eu puder. - Eu disse.
- Ben Carter disse coisas boas sobre você.
- Eu só olhei algumas fitas de vigilância para Marshall Carter.
- Sim, mas ele disse que você viu coisas nelas que nenhum de seu pessoal pegou.
- Na verdade, eu vi o que todo mundo viu; eu só entendi o que significava.
- Nenhum do resto de nós sabia o suficiente sobre vampiros para pegá-lo.
- Mas eu sou uma merda em um caso de falsificação. Nós todos temos a nossa
experiência.
- Você sabe, Blake, eu acho que você joga muito bem com os outros.
- Obrigado, Finnegan, mas você não me disse o que eu deveria estar procurando.
- Nós estamos procurando por razões, Blake.
- Razões? Razões para quê? – Eu perguntei.
- Quando você tiver visto o vídeo você vai entender. Nós apenas queremos saber o que
diabos aconteceu, desculpe a minha linguagem.
- Está tudo bem, Finnegan, eu xingo como um marinheiro.
- Eu ouvi isso sobre você, mas minha mãe me ensinou que você não amaldiçoa na frente
de uma dama.
Eu estava lisonjeada que ele me chamou de dama, e me perguntando se isso iria fazê-lo
me tratar como menos do que um marshall por causa disso. Você tinha um problemas se
eles achavam que as mulheres eram damas, ou prostitutas; eram apenas diferentes
problemas. - Eu aprecio isso, mas só quero que você saiba que não é necessário.
- Eu acho que é, mas eu vou tentar não me desculpar com você novamente.
- Ei, eu estou bem de qualquer maneira. - Então eu tive um pensamento, e algo sobre a
estranheza do dia fez-me dizê-lo em voz alta. - Você sabe, isso nunca me ocorreu que eu
xingar poderia ofender outras mulheres. As mulheres idosas, sim, mas, huh, eu nunca
pensei sobre isso.
Ele riu.
- Eu não sei se as mulheres se ofendem quando outras mulheres falam palavrões.
- Eu também não, mas vale a pena um pensamento.
- Isso é, Blake, isso é.
- Eu vou olhar para o vídeo e voltar para você.
- Nós vamos estar ansiosos por quaisquer percepções que você possa nos dar.
- Finnegan, eu só percebi, eu não perguntei onde você estava? Quero dizer, em qual
cidade este crime aconteceu?
- Desculpe, Blake, eu pensei que eu tinha dito. Atlanta. Atlanta, Geórgia.
- Ok, eu vou chegar a um computador e olhá-lo.
- Eu estou em um telefone fixo, mas aqui está o meu celular. Você vai me alcançar a
qualquer momento.
Eu escrevi o número no iPhone de Nicky. - Entendi.
- Eu espero que você venha com alguma coisa.
- Eu também.
Nós desligamos. Eu segurei o telefone para Nicky.
- Faça essas notas aparecerem no meu telefone e exclua de seu telefone.
Ele pegou e começou a fazer o que eu tinha pedido. Jean Claude tocou meu braço, então
me virei para ele e Damian.
- Você está realmente indo tomar tempo para olhar este vídeo, ma petite?
- Eu estou.
- Nossos convidados de Las Vegas têm sido muito pacientes.
- Olha, eu não quero vê-los enquanto os nossos olhos ainda estão todo céu preto e
estrelas.
- Por que não? - Perguntou Damian.
Eu pensei sobre um monte de coisas, mas finalmente disse a verdade.
- Foi bom se alimentar de Jamil e Shang-Da, não é?
Damian assentiu.
- Eu não quero estar por perto de metamorfos por quem eu me sinto atraída enquanto
esse poder ainda está andando comigo.
- Você está com medo que suas fomes não vão parar no ardeur. - Disse Jean Claude.
Eu olhei para ele, e seus olhos ainda estavam um mar da noite. - Sim.
- Eu acredito que seu controle é melhor do que isso, ma petite. - Disse ele.
- Talvez, mas deixe-me olhar o vídeo, e por esse tempo eu devo estar pronta para
atender nossos visitantes.
Ele estudou o meu rosto, e eu me perguntei se ele me via de forma diferente com o
poder montando-o. Eu quase perguntei, e então eu pensei melhor. Eu tinha tido choques
suficientes para o sistema por um dia. Eu não estava indo pescar mais.
- Eu preciso de alguém para me ajudar a entrar no computador e, em seguida, deixar-me
sozinha para assistir.
- Eu não quero qualquer um de nós no triunvirato estando sozinho, ma petite.
- Você está com medo de que o Conselho ou Swett Mommy possam tentar outra coisa.
- Você não? – Ele perguntou.
Eu pensei sobre isso e pude apenas acenar. Ele sorriu e tocou meu rosto.
- Então eu vou assistir com você.
Eu neguei.
- Não, é uma investigação policial em curso. Eu não posso compartilhá-lo com civis.
Ele me deu uma olhada.
- Eu acho que dificilmente me qualifico como um civil.
- Mas você não é um policial também.
- Eu posso apoiar o nosso tão útil Micah com os homens tigre, mas você não pode ficar
sozinha. Se o conselho tentar algo com você quando você não tem ninguém para tocar,
eu não tenho certeza do que iria acontecer.
Debatemos, não exatamente discutindo, mas no final chegamos a um acordo. Nicky
ficava comigo, porque se eu ordenar que ele não conte para ninguém o que viu, ele teria
que fazer o que eu disse. Damian ficaria comigo pela mesma razão. Algo sobre ele ser
um servo vampiro tornava quase impossível para ele recusar uma ordem direta minha.
Tentei não lhe dar muitas ordens, mas eu parecia ter muito mais controle sobre ele do
que eu tinha sobre Nathaniel, e, pelo que importa, muito mais controle sobre Damian do
que Jean Claude tinha sobre Richard ou eu. Desde que eu era a primeira necromante na
história vampiro a ter um servo vampiro, nenhum de nós sabia porque Damian tinha que
me obedecer quando o resto de nós não têm que obedecer a ninguém. Foi apenas mais
um mistério. Quem pode saber a resposta para isso estava tentando nos matar agora, ou
correndo da Mãe de Todas as Trevas. Teremos que descobrir isso mais tarde, mas agora
eu tinha uma cena de crime para olhar.
Eu percebi que estava contente por ter outra coisa para me concentrar além dos nossos
problemas pessoais ou metafísicos. O trabalho da polícia nem sempre era simples, mas
tinha objetivos claros. Você descobria quem fez isso, ou o que fez, e você os pegava, ou
os matava. Problema resolvido. Quando pesquisa criminal é mais fácil do que a sua vida
pessoal, algo estava indo muito errado.
O fato de que o subterrâneo do Circo dos Malditos tinha uma sala de informática ainda
parecia estranho para mim. A maioria dos vampiros não é bom em tecnologia e
invenções modernas que não existiam quando eles estavam "vivos", mas Jean Claude
era bom em se adaptar e insistia que todo o seu povo soubesse o básico. Inferno, ele
tinha alguns dos bailarinos se revezando com blogs on-line. Eles estavam no Facebook,
MySpace, e até mesmo Twitter, o que quer que fosse. Estava chegando ao ponto onde
eu era a pessoa menos expert em tecnologia que tínhamos. Isso parecia estranho
também. Eu era o ser humano, mais ou menos; eu não deveria ser melhor com este tipo
de coisas do que os vampiros?
A única luz na sala de computadores era o brilho suave de monitores. Valentina estava
em um dos terminais com a cadeira tão alta quanto podia, assim o seu corpo de cinco
anos de idade, podia alcançar o teclado. Ela estava vestida com um vestido rosa que era
todo de rendas e ia até as meias brancas e sapatos de verniz. Ninguém fazia ela vestir-se
como a proverbial menininha. Na verdade, era um passo à frente da roupa antiquada que
ela usava quando veio para nós. O delicado triângulo de seu rosto estava
fantasmagoricamente pintado pelo fulgor do monitor. Ela estava olhando para algo na
tela com tanta intensidade que ela não parecia ouvir-nos.
Eu tive um pensamento horrível. Ela e Bartolome, que foi preso como vampiro em seus
doze anos, estavam ambos no subterrâneo quando o ardeur bateu em todos. O que
aconteceu com eles?
- Valentina. - Eu disse.
Ela visivelmente se sobressaltou e acertou alguns botões. A tela piscou, e então havia
fotos de pequenos animais dos desenhos animados flutuando sobre ela. Ela começou a
mover o mouse como se estivesse concentrada em jogo infantil. Ela pode realmente
desfrutar do jogo, mas o que ela estava assistindo momentos antes não tinha sido uma
tela cheia de desenhos animados de olhos grandes. Ela só parecia ter cinco. Na realidade
ela era mais velha do que Jean Claude. Na verdade, tanto ela quanto Bartolome eram
dois dos vampiros mais antigos de St. Louis. Eles foram presos em corpos de crianças,
mas eles não eram crianças.
Ela olhou para trás, sorrindo, a intensidade que eu tinha visto em seu rosto quando veio
pela primeira vez através da porta. Ela virou o rosto de uma perfeitamente boa menina
para mim. Ela pode até mesmo fazer seus olhos se encherem de luz ingênua, mas era
uma mentira. Ela havia sido transformada em um vampiro jovem demais para o sexo,
mas tinha algumas das urgências de um adulto. Essas urgências haviam sido traduzidas
para a dor. Ela era uma sadista sexual e tinha sido uma torturadora profissional durante
séculos. Tinha sido um chamado e um hobby. Eu me perguntei se isso era no que o
ardeur se traduziria para ela.
Ela sorriu docemente para mim.
- Anita, você quer jogar um jogo comigo?
- Desculpe, eu tenho trabalho da polícia para fazer.
Ela fez beicinho para mim.
- Ninguém quer jogar.
Eu não queria fazer a pergunta, mas o próprio pensamento que eu tinha me esquecido
dela em tudo isso me fez ter que perguntar.
- O que aconteceu com você e Bartolomeu noite passada?
Ela cruzou os braços sobre seu fino peito de criança e fez beicinho mais difícil. Havia
uma ponta de raiva nela agora.
- Ele me trancou no meu caixão por horas.
Deixei escapar um suspiro que eu não sabia que estava segurando. Eu lutei para não
parecer tão aliviada quanto eu me sentia. Mas ela notou. Ela teve séculos em assistir
adultos e manipulá-los.
- Eu sinto muito por isso. - Eu disse.
- Não, você não sente.
- Eu não me sinto que você estava trancada enquanto o ardeur passava por nós, não. -
Eu disse.
- Na corte de Belle Morte, quando o ardeur era desencadeado eles me davam alguém
para jogar enquanto eles tinham relações sexuais.
Eu pisquei para ela, sem saber o que dizer sobre isso.
- Ela não quis dizer jogar, Anita. - Disse Damian.
Virei-me para ele.
- O que ela quis dizer?
- Eles lhe davam alguém para torturar em uma área privada, onde ninguém pudesse
alcançá-la, ou sua vítima.
- Eu pensei que você só visitou a corte uma vez. - Eu disse.
- Uma vez foi o suficiente. - Disse ele. Ele estava olhando para a pequena vampira, e
mesmo através dos olhos negros e do vazio dos muito velhos vampiros ainda havia algo.
- Você não foi sua vítima. - Eu disse.
- Não, eu não fui.
- Seu amigo foi, no entanto. - Disse Valentina. - Eu ouvi o seu mestre o empurrar para a
luz solar e queimar todo depois.
Damian se enrijeceu ao meu lado, e eu toquei sua mão. A morte de seu melhor amigo e
irmão de armas era uma das suas piores lembranças.
- Precisamos usar a sala, Valentina.
Ela pulou da cadeira, afofando para fora a saia de seu vestido rosa. Ela veio até nós,
seus cachos escuros enquadrando essa face eterna. Ela parou olhando para Damian. - Eu
gostei do seu amigo. Foi um desperdício matá-lo assim. Eu o teria mantido mais seguro
do que isso.
A mão de Damian apertou na minha. Eu disse:
- O que Bartolome fez depois que trancou-a em seu caixão?
Ela olhou para mim, estreitando os olhos.
- Por que seus olhos estão todo escuro?
- Novo poder. - Eu disse.
Ou isso a satisfez ou ela não se importava.
- Bartolome fez o que sempre costumava fazer. Ele foi encontrar uma mulher. - Ela
revirou os olhos, o que era mais adolescente do que o resto do ato. - Ele está com ela
agora. Ela parece bastante apatetada com ele.
- Quem é? - Eu perguntei.
- Oh, eu não sei o nome dela, e eu não me importo. Ela não vai jogar comigo. - Ela
colocou sua pequena mão em torno de um dos dedos de Nicky. - Você não joga mais
comigo, também.
- Isso é porque você me enganou. - Disse ele.
- Mas nós poderíamos ter tanta diversão. - Disse ela, puxando sua mão e balançando um
pouco da maneira como as crianças fazem.
- Eu perdi alguma coisa? - Perguntei.
- Você sabia as regras, e você quebrou-as. - Ele segurou o ombro dela para que pudesse
tirar a mão sem ela cair.
Ela bateu o pé pequeno, as mãos nos quadris; poderia ter sido bonito, exceto que seus
olhos afogaram em fogo marrom como qualquer vampiro quando seu poder vem sobre
eles ou eles perdem o controle.
- Há uma abundância de metamorfos que desfrutam de dor. Você poderia me ajudar a
fazer isso.
- Eles gostam de dor por prazer, mas você não desce sobre isso. Você precisa deles
realmente machucados antes que você esteja satisfeita.
Olhei de um para o outro. Deve ter mostrado no meu rosto, porque ela disse: - Se eu
soubesse que você não tinha me dedurado para a Mamãe, eu não teria dito nada.
- Agora eu vou ter que dizer a ela. - Disse ele.
- Alguém me diga. - Eu disse.
- Você sabe que ela foi a torturadora de Belle Morte. - Disse Nicky.
- Eu sei. - Eu disse.
- Ela descobriu que eu era um interrogador antes de vir aqui. Ela queria comparar notas.
- Interrogador é um eufemismo para torturador, certo?
- Certo, mas eu vi isso mais como um trabalho. Para a Pequena V aqui, é uma paixão.
Sua única paixão. - Apenas dizer mostrou que ele entendia mais do que a maioria das
pessoas. Ele percebeu o verdadeiro quebrantamento dela.
- Sim. - Eu disse.
- Ela me queria a ajudando a seduzir algum dos outros metamorfos para sexo bondage e
então ela ia me ajudar a jogar com eles, mas sua ideia de jogo é algo que mesmo uma
puta de dor não seria capaz de desfrutar.
- Eles vão curar, Nicky. Eles vão curar se eu não usar prata. - Ela disse, as mãos ainda
em sua cintura, o rosto naquela perfeita carranca de menininha.
- Quando ela descobriu que eu não iria ajudá-la a atrair metamorfos para tortura, ela
tentou foder minha mente.
- Suponho que ela não pôde enfeitiçá-lo.
- Há muito de você nele. - Disse Valentina. Ela bateu o pé novamente. - Não há espaço
para mais ninguém em sua mente, ou na maioria de suas mentes. Você é como Belle
Morte era, Anita. Você preenche-os para que eles pensem só em você, mas ela lhes
daria a mim quando eles a desobedeciam ou enraiveciam. Eu tinha mais diversão lá.
- Eu não fiz você ficar aqui. - Eu disse.
- Não, nós temos que ajudar Stephen e Gregory. Nós temos que fazer algo certo por
assustá-los. - O rosto dela foi de beicinho a sério. Ela e Bartolome haviam tentado tomar
o sangue dos gêmeos, mas a alimentação para a linha de Belle é um tipo de sexo, e o
pensamento de crianças vampiros se alimentando deles tinha aterrorizado Stephen e
Gregory. Tinha sido muito perto de seu passado com o pai sexualmente abusivo.
Quando descobriram por que os gêmeos estavam com tanto medo deles, eles pararam de
atormentá-los e ficamos em St. Louis para fazer as pazes com os homens de algum
modo. Estávamos em dois anos, e os vampiros criança ainda estavam tentando
encontrar uma maneira de limpar sua honra com os irmãos. Agora, é claro, eles não
poderiam voltar a corte de Belle porque ela estava fugindo com a sua corte. - Se você
apenas deixasse-nos matar seu pai. - Disse ela.
- O terapeuta de Stephen diz que ele precisa lidar com seu pai pessoalmente. Que você
matá-lo pode realmente causar mais danos.
- Eu sei. Ela suspirou. – E assim estamos presos aqui. Pelo menos Bartolome terá uma
amante agora e eu ainda não tenho nada.
- Eu nunca sei o que dizer a você, Valentina. Eu não posso lhe dar pessoas para torturar.
- Você poderia, mas você não vai. - Disse ela. Ela jogou suas pequenas mãos no ar em
um gesto anos além de seu tamanho e pisou para a porta. Suas mãos eram um pouco
pequenas para a maçaneta da porta, mas ela abriu com força suficiente para que batesse
na parede.
- Nicky, descubra o que ela estava escondendo no computador.
Ele se aproximou e começou a digitar enquanto as ovelhas de desenho balançavam ao
redor da tela.
Damian me abraçou, enterrando seu rosto no meu cabelo. Eu o abracei de volta, meu
rosto pressionado contra seu peito. Nicky fez um ruído suave. Virei-me nos braços de
Damian para que eu pudesse ver a tela.
- O que é isso? - Perguntei.
- Basta manter o olhar na tela, seus olhos vão fazer sentido.
Damian colocou a mão na frente do meu rosto para que eu não pudesse ver. - E então
você nunca vai ser capaz de não vê-lo.
- Damian, mova a sua mão.
- Eu tenho que fazê-lo porque você me mandou, mas não olhe Anita. - Ele moveu a
mão, e eu olhei.
Nicky estava certo, minha mente eventualmente viu isso, e Damian estava certo
também. Era uma daquelas imagens que uma vez que você vê, você vai se lembrar. Eu
tinha visto corpos cortados em pessoa, mas ainda era horrível, mesmo pelos meus
padrões.
- Ela tem um arquivo desse tipo de coisa? - Perguntei.
Ele bateu mais teclas. Ele começou a abrir arquivos e todas as imagens eram assim.
Imagens de vítimas reais de guerra, fotos da cena do crime que tinha ido para a World
Wide Web (www), imagens bondage, mas apenas os que eram de assassinos em série.
Imagem após imagem tremulava em toda a tela.
- É tudo como isso. - Disse Nicky. - Até eu tenho imagens de outras coisas; mulheres,
armas, desenhos animados online. Não há nada, senão isso aqui.
- Você deve matá-la. - Disse Damian.
Nós dois estávamos de pé atrás de Nicky, olhando para a tela. Notei que os olhos de
Damian tinham voltado a seu verde normal. Senti o meu de volta ao normal também.
- Ela não fez nada aqui para ganhar uma execução, Damian.
- Eu não disse executá-la, eu disse matá-la. Os bebês vampiros sempre ficam loucos,
Anita. Eu não conheço nenhum tão jovem como ela que não teve que ser colocado para
baixo.
- Colocado para baixo? Você a faz soar como um cão raivoso. Ela não é um animal.
Ele apontou para a tela. - Sim ela é. Ela se parece com uma menininha, mas isso é o que
está dentro de sua cabeça. Isso é tudo o que está dentro de sua cabeça. Eventualmente,
ela vai encontrar uma maneira de fazer o que está dentro dela vir para fora, e então
pessoas vão se machucar.
- Eu gosto da Pequena V, mas ele está certo, Anita. O fato de que ela tem sido capaz de
controlar-se este tempo é impressionante, mas a pressão está construindo.
Eventualmente, ela não será capaz de parar a si mesma.
- Então você concorda com Damian, devemos matá-la?
Ele assentiu. - Você pode fazê-lo agora, ou você pode fazê-lo depois que ela cortar
alguém, mas, eventualmente, um de nós vai ter que fazer isso. Ela falou comigo sobre o
que ela queria fazer a alguém, e confie em mim, é tudo o que ela realmente pensa. Eu
acho que quanto mais tempo ela não pode agir sobre a urgência de alguma forma, maior
o impulso fica, mais vai levar para saciar a sua… sede de sangue.
- Eu não posso matá-la por algo que ela não fez. - Eu disse.
- Como você não podia me deixar matar Haven para você, porque você sentiu pena de
mim por foder minha mente e não foder Haven o suficiente.
Eu olhei para ele. - Obrigado, isso me faz sentir muito melhor.
- Ou você precisa enviar a Pequena V para outro mestre que vai deixá-la machucar as
pessoas, ou você precisa matá-la para se certificar de que ela não fere qualquer um do
seu povo. Mas seja com ou sem permissão, eventualmente, ela vai fazer isso com
alguém.
- Eu vi o que ela pode fazer para as pessoas, Anita. - Disse Damian.
- Não podemos matá-la pelo que ela poderia fazer. - Eu disse.
Nicky bateu mais algumas teclas e as imagens começaram a rodar na tela como uma
confusão sangrenta, uma assustada pessoa amarrada após a outra. - Ela estava sentada
no escuro olhando para isso, Anita. A única questão real é, ela estava apenas assistindo,
ou ela estava se masturbando com isso?
Eu olhei para ele em vez do computador. - Isso é… isso é doente. Isso é… Eu não
queria pensar nisso, ou saber disso. Foda-se, Nicky, por que…
- Eu quero que você entenda Anita, esta é a sua paixão. Eu não estava brincando. Isso é
um outro sexo para ela, ou tão perto como ela vem.
- Desligue isso. - Eu disse.
- Você não vai matá-la porque você sente pena dela. Nathaniel fala com ela também,
Anita. Eles não falam sobre as mesmas coisas. Ele é um submisso para o domínio dela,
mas ele permite que ela fale sobre machucá-lo. Ele permite que ela fale sobre algumas
de suas fantasias com ele, porque ele entende que ela só parece como uma criança. O
que você faria se ela pegasse Nathaniel sozinho? O que você faria se ela fizesse isso
com ele?
- Não faça isso. - Eu disse.
- Eu gosto de Nathaniel, e iria matá-la se algo acontecesse com ele. Lamentos são sobre
as decisões que você sabe que deveria ter feito diferente. Não faça deste um deles.
- Eu não posso matá-la por algo que ela poderia fazer, Nicky.
- Eu poderia. - Disse ele.
- Você gosta dela. - Eu disse.
- Sim, e eu entendo-a melhor do que você. Anita, se você não me tivesse fodido em uma
Noiva eu não poderia ser confiável em torno do seu povo também. Eu não sou um
sadista sexual. Eu não preciso de dor ou medo para desfrutar do sexo, mas eu gostava de
ter poder sobre as pessoas. A dor era mais sobre a tomada de orgulho em minha
habilidade nisso e obter informações das pessoas. Desci em quebrar o forte até que eles
eram fracos. Esse foi o meu chute, mas todo mundo quebra, Anita. Se você tem as
habilidades e tempo suficiente, não há tal coisa como alguém que não vai quebrar.
- E você tinha as habilidades. - Eu disse.
Ele deu de ombros tanto quanto os músculos de seu corpo superior iriam deixá-lo. -
Sim, eu tinha, mas ela é melhor. Você me entende, Anita? A Pequena V é melhor,
porque ela passou os últimos oitocentos anos praticando.
- Anita. - Damian disse, e ele tocou meus ombros, fazendo-me olhar para ele, como Jean
Claude tinha antes. - Você sabe como eles dizem que prática leva à perfeição?
- Sim. - Eu disse, mas essa única palavra era quase um sussurro.
- Valentina é perfeita.
CAPÍTULO 31

Eu fiz eles se calarem sobre Valentina, mas o pensamento de que Nathaniel a


tinha deixado sussurrar fantasias de assassinatos em série em seu ouvido para aliviar um
pouco de sua pressão era quase mais do que eu poderia lidar pelo dia. Eu queria gritar
para os dois que eu não precisava disso hoje. Que eu já tinha problemas suficientes sem
que me emprestassem outros. Se Valentina o machucasse, eu iria matá-la, mas matá-la
depois que o estrago estivesse feito seria um conforto frio.
Mas uma vez que o vídeo começou, nenhum de nós estava preocupado com o que
Valentina poderia fazer no futuro. Estávamos muito preocupados com o que alguns
outros vampiros tinham feito na noite passada. Nós nos sentamos nas três cadeiras de
computador que arrastamos para frente do monitor grande e plano e assistimos ao show
de horrores na agradável tela HD. Algumas coisas não são destinadas à alta definição.
Isso apenas torna a coisa pior. A toca do vampiro era no subterrâneo, abaixo de um
pequeno lance de escadas de pedra. Parecia haver umidade escorrendo de algumas das
paredes. O primeiro corpo estava ao pé da escada com alguma luz natural do sol
filtrando-se nos degraus superiores da escada. Os primeiros corpos eram obviamente
vítimas de vampiros com as elegantes marcas de mordida em ambos os lados da
garganta, pulso, curva do cotovelo, coxa interna e curva do joelho. A única coisa que
fez as mordidas ruins era que havia muitas delas. Nenhum ser humano poderia alimentar
tantos vampiros em uma noite e viver.
—É o mesmo número de mordidas que você e alguns dos outros metamorfos têm,
— disse Nicky. —Por que não estamos mortos?
—Metamorfos são mais difíceis de matar, por um lado, — eu disse, enquanto nós
assistimos mais corpos simplesmente deitados contra as paredes ou no meio do túnel.
Deitados como tinham caído. Ninguém tinha tirado algum tempo para reposicionar os
corpos. Eles os mataram e os deixaram pela próxima vítima.
—Eles queriam drenar essas pessoas, — disse Damian. Ele tinha ficado muito
quieto ao meu lado. Eu estava em dúvida se ele não tinha certeza de como eu me sentia
sobre ele me tocando enquanto assistíamos a isso, ou se a visão de todas as mordidas o
excitava e ele não queria que eu soubesse.
— De novo. Por que não estamos mortos? — Perguntou Nicky.
—Jean-Claude usou o ardeur para continuar alimentando-nos de toda a energia
para que o Amante de Morte não pudesse se alimentar com as nossas mortes, — eu
disse.
—As mordidas estão ficando mais confusas, — disse Damian com uma voz tão
imóvel quanto o seu corpo na cadeira ao lado da minha.
Ele estava certo. As mordidas não eram mais as elegantes pequenas perfurações.
Havia rasgos na pele em torno delas. O pescoço do próximo homem estava rasgado na
lateral, sangue tinha derramado fora dele. Havia um padrão no sangue seco.
—Pause-o aqui, Nicky.
Ele usou o mouse para pausá-lo.
—Eles nem sequer tentaram se alimentar dele, — disse Damian.
Eu me inclinei para frente e apontei para a tela.
—Aquelas são marcas de joelhos, como se quem tivesse rasgado sua garganta, se
ajoelhado e deixado o sangue derramar-se sobre ele?
—Eu acho que sim, — disse Damian.
—Pode ser, — disse Nicky.
—Comece de novo.
—Você quer dizer desde o início?
—Não, eu quero dizer apenas para começar novamente.
As imagens começaram a marchar pelo corredor novamente. A coxa de alguém
foi arrancada, o acúmulo de sangue entre as pernas do corpo em uma terrível paródia de
um parto. Tanto sangue, e em seguida a câmera se moveu e eu vi a segunda mulher com
seu próprio pescoço e coxas rasgadas, de tal forma que o sangue de ambas as mulheres
adultas tinham se misturado no corredor estreito. Não havia nenhuma jeito para que a
polícia ou as pessoas da cena do crime evitassem pisar no sangue. Era pisar nele ou
parar de seguir em frente.
Eu assisti o operador de câmara hesitar. A câmera apontou para baixo, depois para
cima no corredor onde a luz da câmera pegou mais corpos nus pálidos, tanto quanto a
luz podia tocar. Ele, ou ela, seguiu caminho através da mistura de sangue e corpos e
encontrou mais do mesmo até que o corredor entrou em uma abertura mais ampla.
Deixei escapar um suspiro que eu não tinha percebido que estava segurando. Eu
realmente não queria ver o circuito de mortes feito pelos vampiros, porque isso era o
que estávamos vendo. Isso não ia ficar nada melhor dentro da sala ao lado. O único
conforto que eu tinha era que eu não estava lá em pessoa. Tão ruim quanto o filme era,
pessoalmente teria sido pior. Era bom que os marechais tinham executores de vampiros
suficientes para que eu tivesse sido chamada para consultas em vez de ser a executora
principal. Fiquei muito feliz em delegar um pouco dessa merda.
A câmera passou pela abertura, e foi como uma mistura de Drácula: Príncipe das
Trevas com tortura pornô, e filme de terror. Havia tantos corpos que era apenas uma
massa de formas escuras no início, enquanto minha mente não podia dar sentido a isso.
Era como as fotos de Valentina, a mente não queria ver. A mente humana é muito boa
em se proteger e, às vezes, simplesmente se recusa a calcular todos os dados em uma vã
tentativa de salvar o resto da mente do que os olhos estão vendo. Mas era o meu
trabalho olhar.
Nicky disse um suave:
—Wow.
Damian se levantou de sua cadeira e se afastou da tela. Eu não poderia culpá-lo, se
eu pudesse ter ido embora antes da minha mente dar sentido a tudo isso, eu poderia ter
ido. Mas eu continuei assistindo até que eu pude ver corpos após corpos espalhados
como bonecos quebrados no chão de terra. Os corpos foram dilacerados, não por garras
e presas, mas pela força. Os vampiros lhes tinham rasgado membro a membro,
pulverizado sangue e órgãos internos como algum quebra-cabeça de carne e sangue. Eu
estava feliz de não ser capaz de sentir o cheiro. Porque quando você perfura o sistema
digestivo inferior não é só o sangue e aquele cheiro espesso de hambúrguer, mas
também o cheiro de fossa. Morte, esse tipo de morte, sem nenhum romance nisso. Foi
um abate.
Havia mais corpos empilhados em torno de um caixão central que estava em uma
plataforma elevada entre dois candelabros enormes que ainda estavam queimando,
embora a cera estivesse baixa. Eles arrumaram as luzes nos cantos da sala. Elas eram
impiedosas, fazendo brilhar o sangue que ainda estava secando, mostrando os órgãos
internos em grandes vertentes sangrentas.
Os corpos foram empilhados em pedaços quase à borda do caixão aberto. Havia
corpos por cima de corpos como se tivessem sido colocados lá.
—Pause isso, — eu disse.
Nicky fez o que eu pedi. Ele e eu nos inclinamos para a tela, tentando dar sentido
a tudo isso.
—Deus, eu acho que esses são os vampiros.
—Como você pode dizer? — Ele perguntou.
Eu entendi por que ele perguntou, os corpos intactos estavam cobertos de tanto
sangue e coágulos como os em pedaços.
—Eles não estão dilacerados, e olhe lá, um deles tem dentes afiados em sua boca.
É como se eles tivessem se deitado sobre o monte dos seus mortos. Além disso, se
fossem vítimas intactas, eles seriam movidos para cuidados médicos para o caso deles
não estarem mortos.
—Você já viu algo assim? — Perguntou Nicky.
—Não, — eu disse.
—Você quer que eu solte de novo?
—Não, mas faça-o de qualquer maneira.
Ele nem sequer pediu-me para explicar. Acho que o meu mais novo sociopata de
estimação não estava gostando do show também.
A câmera levantou e apontou para a figura no caixão. Sangue acumulado em torno
dele como se o corpo estivesse flutuando no sangue. Como tinham conseguido colocar
tanto sangue no caixão? Era como se eles tivessem pendurado os mortos sobre ele,
drenando-os, mas nada naquela sala tinha pensado o suficiente para fazer qualquer coisa
tão organizada.
—Dá um novo significado a“assassinato desorganizado”, — disse Nicky, e sua
voz tinha uma nota que eu não a tinha ouvido ter durante o ano em que ele esteve com a
gente: impressionada e assustada.
O cadáver no caixão parecia velho, como se tivessem encontrado um corpo mal
deteriorado para colocar no sangue. Então eu vi as presas no crânio aberto e sabia que
esse era o mestre. Ele tinha sido explodido com uma espingarda de modo que o topo de
sua cabeça estava faltando, mas as mandíbulas ainda estavam intactas. Seu peito tinha
sido baleado também, por isso o sangue espesso se reuniu na ruína de seu coração.
—Eu não achava que os vampiros apodreciam assim apenas por serem baleados,
mesmo quando eles morrem, — disse Nicky.
—A maioria não, — eu disse.
Damian estava atrás de nós. Ele disse:
—Somente os descendentes do Amante da Morte apodrecem assim.
—Quando eles estão mortos, — disse Nicky.
Então eu tive um péssimo, péssimo pensamento. Eu arrastei meu telefone para
fora do meu bolso de trás e disquei o número doMarshall Finnegan. Ele respondeu ao
primeiro toque.
—Blake, isso foi rápido.
—Eu sei que você tem que filmar as provas antes de queimar o lugar, mas diga-
me que o executor de vampiros já queimou o lugar.
—Morgan matou o Mestre da Cidade. Tomou a cabeça e o coração. Nós já
estamos ouvindo as queixas dos advogados do lugar sobre como a morte do vampiro
pode ter condenado todos os vampiros de baixo nível para a morte certa. Aparentemente
sem seu mestre eles não podem acordar ao anoitecer, mas nós descobrimos que os
vampiros menores que despertarem estão bem no geral. Quando o Mestre da Cidade fica
louco assim, mate-o, ou a ela, e a loucura morre com ele. Tentamos poupar a maioria
dos vampiros assassinos, e ainda estamos ouvindo de seus advogados durante o dia.
—Tudo potencialmente verdadeiro, mas, Finnegan, o Mestre da Cidade é um
vampiro que apodrece. Tomar apenas o seu coração e a cabeça com uma espingarda não
os mata, nunca. A única razão pela qual ele não se levantou e comeu o seu executorfoi
porque era dia e ele não podia subir da sepultura, mas se ele é tão antigo quanto a
maioria dos apodrecidos ele vai subir no final da tarde do subsolo, e definitivamente no
escuro completo. Pior ainda, alguns dos vampiros intactos podem não apodrecer a
menos que ele se levante, então você pode ter uma cripta inteira de apodrecidos quando
ele o fizer.
—Você faz isso soar ruim.
—Finnegan, tire o seu povo de lá.
—Você ajudou a escrever a nova lei que nos faz deixar os vampiros menores
vivos quando podemos provar que é o Mestre da Cidade a ficar louco, — disse ele. —
Agora você está me dizendo que isso vai fazer o meu pessoal ser morto.
—Eu estou dizendo que o enlouquecido Mestre da Cidade ainda está vivo, e
quando ficar escuro o suficiente, ele vai acordar e todos os seus vampiros vão acordar
com ele e continuarão abatendo pessoas. A nova lei só funciona se o Mestre da Cidade
está realmente, realmente morto.
—Vou tentar limpar a cena. Espero que esteja errada. — Ele desligou.
—Foda-se, — eu disse. —Quem ele disse que era o executor nesse caso?
—Morgan, — disse Nicky.
—Eu trabalhei com ele uma vez, a menos que tenhamos dois deles. — Eu
folheava meus contatos orando que o nome estivesse lá. Eu encontrei-o e disquei. Eu
estava rezando enquanto o telefone chamava. Por favor, atenda, por favor, atenda.
—Blake, acho que você viu a fita.
—Morgan, onde está você?
—Atlanta, — disse ele.
—Não, onde você está de pé.
—Estou fora da cripta no caso de alguns dos pequenos vampiros acordarem ainda
loucos.
—Ainda há técnicos lá embaixo?
—Vão estar por mais uma hora e depois todos sairão, a não ser por mim.
—Tire-os. Tire-os, agora!
—Eu cuidei disso, Blake. Ele não vai se levantar.
—Ele é um vampiro apodrecido, Morgan. Eles não morrem quando você destrói o
cérebro e o coração. Mesmo a luz solar pode não fazê-lo. O fogo é a única certeza e
então as cinzas devem ser espalhadas por diferentes fluxos de água corrente.
—Ele não apodreceu até que eu atirei nele, Blake. Uma vez que eles se pareçam
com um cadáver, eles estão mortos.
—Ele não se transformou em um cadáver, Morgan, ele apodreceu. É diferente.
Por favor, apenas confie em mim. Tire seu pessoal de lá e lance chamas em toda a
cripta.
—Nós ainda estamos arrastando corpos para fora de lá, Blake. Eu não posso fritar
as provas. Nós ainda nem sequer começamos a identificar os mortos.
Eu lutei contra a vontade de gritar.
—Morgan, apenas me alegre. Basta fingir que estou certa, e pelo menos limpe a
cripta de pessoal, tudo bem? Basta fazer isso e vamos debater a coisa toda de queimar
mais tarde. Por favor, Deus, por favor, basta fazer uma coisa para mim.
—Você realmente acha que ele é um verdadeiro vampiro apodrecendo. Aqueles
são realmente raros nos Estados Unidos, — disse ele.
—Eles são, mas apenas no caso, Morgan. Não faz mal retirar os técnicos e os
policiais.
—Tudo bem, mas ao contrário de você, eu não carrego um lança-chamas como
parte do meu kit de caçador de vampiros, Blake.
A verdade é que nem eu.
—Basta limpar a cripta e chamar uma equipe de exterminadores.
—Você quer dizer um pelotão de insetos. — Esse era um nome para os
exterminadores que faziam de tudo, de baratas a infestações de vampiros, homem-rato e
ghouls. Eles eram quem você chamava se encontrasse um zumbi apenas vagando pela
rua, uma vez que o fogo iria destruí-lo e a maioria dos animadores não poderia colocar o
zumbi de volta sem saber o túmulo de onde veio.
—Sim, — eu disse.
—Vou perguntar aos meus superiores se posso chamá-los como apoio, mas eles
não vão me deixar queimar tudo lá em baixo. Os vampiros menores podem acordar sãos
e bem agora que o mestre está morto.
—Ele não está morto, Morgan.
—Como você sabe disso?
Eu quase disse:
“Porque o Amante da Morte estava à procura da sua linhagem ontem à noite”,
mas eu não podia compartilhar isso sem explicar coisas que eu não podia falar para a
polícia em tudo.
—Se você está me perguntando se eu tenho cem por cento de certeza, eu não
tenho, mas tenho noventa e oito por cento de certeza e eu não teria meu pessoal naquele
buraco tão tarde do dia se fosse você.
—Vampiros apodrecendo levantam mais cedo do que a maioria, embora eles não
possam se passar por humanos até estar completamente escuro porque se parecem com
cadáveres decompostos até então. — Parecia que ele estava citando. Morgan era um dos
executores mais recentes que tinham sido recrutados para o trabalho, e não foi ensinado
como a maioria de nós. Ele fazia parte de uma nova geração de caçadores de vampiros,
formados em salas de aula com livros e palestras. Não era uma maneira ruim de
aprender, e você provavelmente tinha menos mortes na curva de aprendizagem, mas
neste momento eu teria tomado um antiquadocaçador de vampiros atire-primeiro-e-
pergunte-depois.
—Eu vou limpar a cripta, Blake, mas isso é tudo que posso fazer até eu esclarecer
isso com alguém.
—Eu vou levar o que eu posso conseguir, Morgan. Apenas tire suas pessoas de lá.
—Eu irei.
—Agora, — eu disse.
—Eu estou andando em direção à entrada para a cripta enquanto falamos. Bom o
bastante?
—Sim.
—Merda… — O telefone caiu contra algo alto o suficiente para que eu tivesse
que levá-lo longe do meu ouvido.
—Morgan, Morgan, você está bem? — Eu ouvi-o se movendo como se estivesse
de pé no cascalho e o telefone estivesse no chão.
—Morgan, você ainda está aí?
Ouvi barulhos no telefone como se ele o apanhasse.
—Morgan, fale comigo.
Ouvi alguém engolir como se sua garganta doesse. Era um som molhado.
—Eu temo que o Marshall Morgan não possa vir ao telefone. Com quem estou
falando? — A voz era do sexo masculino e grossa, como se ele tivesse um problema de
fala ou lesão na boca.
—Marshall Blake, — eu disse.
—Anita Blake. — A voz riu como se esclarecesse algo.
—Sim. Quem é?
Mas a minha pulsação veloz já sabia a resposta, antes dele dizer:
— Eu sou Clayton, Mestre da Cidade de Atlanta, em Georgia, mas meus
verdadeiros mestres me encheram de propósito. Sabe qual é esse propósito, Senhora
Blake?
—Matar tantas pessoas quanto você puder de modo que seus verdadeiros mestres
possam se alimentar da morte.
—Você sabe o que está acontecendo. — Ele desligou.
Eu gritei sem palavras ao telefone mudo. Levou tudo que eu tinha para não
arremessar o telefone do outro lado da sala. Eu disquei o número de Finnegan. Ele
pegou, a voz apressada.
—Morgan não está atendendo o telefone.
—Ele provavelmente está morto, — eu disse.
—Como você sabe disso?
Eu disse a ele como eu sabia.
—Clayton não deveria ser um vampiro apodrecendo. Ele nunca demonstrou
qualquer sinal disso.
—Ele estava se escondendo, Finnegan. As pessoas podem querer ser vampiros,
mas não se pensam que vão passar a eternidade parecendo cadáveres decompostos. Isso
não é sexy o suficiente para as pessoas se voluntariarem.
—Quantos outros estão se escondendo à plena vista, Blake?
—Eu não sei.
Eu ouvi sirenes, muitas sirenes.
—Eu estou quase lá. Eu te ligo e te informo sobre o quão ruim estiver.
—Finnegan, espere, você precisa de uma equipe de extermínio com lança-chamas.
Ele saiu à luz do dia, só fogo vai matá-lo.
—Isso não é equipamento padrão da polícia, — disse ele.
—Eu sei disso.
—Foda-se, — disse ele, e desta vez ele não se desculpou.
—Se todos nós vivermos depois disso eu irei retornar a ligação. — Ele desligou.
Nós estávamos a centenas de quilômetros de distância com nenhuma maneira de
ajudá-los.
—Filho da puta. — Ou podíamos? Estendi a mão para Jean-Claude por esse
caminho metafísico e ele estava lá. Ele olhou para cima e sussurrou:
—Ma petite. — Eu não tentei dizer-lhe tudo, eu simplesmente abri minha mente e
ele sabia o que eu sabia.
Eu perguntei em voz alta para o quarto:
—Existe alguma coisa que possamos fazer daqui? Você pode me ajudar a
controlá-lo a partir daqui?
—Eu sinto muito, ma petite, mas não. Ele é um Mestre da Cidade, como eu. Seus
laços com a terra e os vampiros de lá vão nos impedir de interferir.
—Droga!
—Eu sinto muito, ma petite.
Meu telefone tocou. Eu bati a tela quase gritando.
—Finnegan, o que está acontecendo?
—Sinto muito, eu não sou Finnegan, — disse uma voz masculina.
—Quem é?
—Desculpe pegá-la em um dia ruim, Anita, mas aqui é o Jake. Eu dei-lhe uma
joia uma vez.
Eu acho que eu parei de respirar por um momento. O rumo dos acontecimentos
estavam mudando muito rápido. Minha mão foi para o encanto em volta do meu
pescoço.
—Eu estou usando isso agora, — eu disse.
—Você se lembra, então, — disse ele.
—Sim, embora um número surpreendente de nosso povo não parece lembrar.
—Precisamos permanecer em segredo, Anita.
Jake era o lobo para chamar de um dos Harlequin. Eles eram a coisa mais próxima
à polícia que o mundo dos vampiros tinha. Eles deveriam ser alguns dos melhores
guerreiros vivos, ou não-vivos.
—Se você fosse vir para nos matar não estaria ligando, então qual o motivo da
ligação? — Jesus, eu não tenho desastres suficientes no meu prato sem o Harlequin?
Alguns dias não chovem, eles fodidamente te afogam.
—Seu Nimir-Raj divulgou que ele está querendo homens-tigre sem clãs. Ele quer
honrar todos os homens-tigre e não apenas os clãs.
—Micah é muito imparcial.
—Ele é, — disse Jake.
—Você só quer nos trazer alguns tigres, — eu disse.
—Eu também quero voltar a trabalhar como segurança para você.
—Por quê? — Perguntei.
—Você está dizendo que você não pode usar outro guarda-costas?
—Não, mão de obra extra vai vir a calhar.
—Quero os gatinhos seguros, Anita, e as coisas estão ficando muito perigosas
aqui fora.
—Gatinhos? — Eu fiz-lhe uma pergunta.
—Os homens-tigre, alguém está caçando-os e matando-os. Tudo começou na
Europa, mas eu tenho medo que isso vá se espalhar por aqui.
—Coincidência engraçada que estamos chamando os homens-tigre e alguém os
está matando.
—Você realmente acredita em coincidência? — Perguntou.
—Não. Quanto tempo você pode chegar aqui?
—Eu estou no seu estacionamento em uma van sendo vigiado por seus guardas.
Se você pedir-lhes para que nos permitam entrar, eu pediria uma audiência com você
sozinha antes de conhecer os meus tigres.
—Apenas eu?
—Acho que no início, sim.
—Jean-Claude não me deixará vê-lo sozinho.
—Tudo bem, escolha o guarda com o qual mais queira apostar sua vida, mas
quanto menos pessoas conhecerem a verdade, melhor.
—Que verdade? — Perguntei.
—Por favor, Anita, vamos para dentro, onde será mais seguro, e eu vou te contar
tudo.
Eu não tinha certeza se acreditava na última parte, mas não havia nada que eu
pudesse fazer pelos policiais em Atlanta. Inferno, eu não poderia nem mesmo deixar o
Circo até que tivéssemos um plano para os pistoleiros que quase mataram Richard. Eu
não tinha certeza de que ele e Jean-Claude seriam tão bons em me curar, e sempre havia
a possibilidade de que eu levaria Nathaniel e Damian para suas sepulturas. Não era mais
só a minha vida, de uma forma muito real.
—Tudo bem, eu vou dizer aos guardas para deixá-lo entrar, mas você não vai
entrar no subterrâneo com seus tigres até que eu saiba o que está acontecendo.
—Se você insistir, mas se não no subterrâneo, onde é que você deseja me
encontrar?
—Você sabe onde o escritório de Asher fica no Circo?
—Claro, eu fiz trabalho de segurança aqui uma vez.
—Vejo você lá, — eu disse. Eu desliguei o telefone e comecei a tentar encontrar
um número para um dos homens-rato que não foi ferido e poderia plausivelmente estar
no comando. Eu acho que nós estávamos com Bobby Lee, que estava finalmente de
volta de lugares desconhecidos após um trabalho demorado fora da cidade. Eu não sabia
dos detalhes, e com alguns dos negócios que os homens-rato faziam ao redor do mundo,
eu provavelmente não queria saber. Negação plausível é bom quando você joga com
criminosos, mas carrega um distintivo.
—Anita, não é seguro encontrar Jake assim. — Damian disse
—Ele salvou minha vida.
—Ele também é um assassino.
—Quem é esse cara? — Perguntou Nicky.
—Jake é como ele chama a si mesmo.
—Mas quem é ele?
—Já que você estará presente na conversa, você vai descobrir. Basta ficar no
canto e olhar intimidadoramente, a menos que ele faça algo ruim.
—E então o quê? — Perguntou.
—Se ele tentar me machucar, mate-o.
Ele arregalou seu olho bom.
—Você geralmente é toda sobre “pegá-los vivos”.
—Esse não. Se ele estiver do nosso lado, vamos estar muito felizes, mas se ele
não estiver, ele é muito perigoso para estar de qualquer outra forma senão morto.
—Ele deve ter te machucado muito da última vez que ele esteve na cidade.
—Na verdade ele salvou a minha vida e me deu isso. — Eu toquei o encanto
novamente.
—Mas você vai me deixar matá-lo se ele tentar qualquer coisa.
Eu concordei.
—Eu estou perdendo uma parte da história, não estou?
—Sim, e você pode não repetir nada do que ouvir no quarto a menos que ele me
mate, e nesse caso, diga a todos.
—Se ele é tão perigoso, por que se encontrar com ele? — Perguntou Nicky.
—Porque se ele realmente quer estar do nosso lado, talvez ele não seja o único.
—Anita, não faça isso, — disse Damian.
—Se ele quisesse nos fazer mal, ele não teria ligado, — eu disse.
—A menos que o conselho tenho o ordenado a atraí-la para uma falsa sensação de
segurança.
Ele tinha um ponto, mas…
— Eles não estavam muito felizes com a Mamãezinha da Escuridão da última vez
que Jake esteve na cidade. Eu estou pensando que tudo o que aconteceu não terá
melhorado isso.
—Você honestamente pensa que eles possam se juntar a nós? — Perguntou
Damian.
—É um pensamento.
—Quem são eles? — Perguntou Nicky.
Eu olhei para Bobby Lee quando eu disse:
—Você vai descobrir. — Bobby Lee não estava feliz por eu querer encontrar Jake
com apenas Nicky como apoio. Ele tinha estado fora da cidade da última vez que Jake
esteve aqui, mas eu era a chefe, ou a Rainha Negra, uma vez que estávamos de volta ao
uso de nomes em código, mesmo no telefone. Eu apontei:
—Você sabe, o fato de eu ser a Rainha Negra não é difícil de descobrir.
—Então apareça com um código melhor. — E esse foi o tema do dia. Eu
reclamando e as pessoas com quem eu estava reclamando jogando de volta na
minhacara e dizendo:
“Se você pode fazer melhor, então o faça.”
Eu iria tentar.
CAPÍTULO 32

Eu não deixei Damian vir comigo. Eu realmente não achava que Jake iria tentar me
machucar, mas apenas no caso, eu não colocaria Damian e eu ao alcance de um dos
melhores assassinos do mundo. Nathaniel pode sobreviver à minha morte, mas não
havia nenhuma maneira de que ele sobrevivesse à morte de ambos. Eu tinha quase
perdido Nathaniel há apenas algumas horas atrás. Eu não iria arriscar. Jean-Claude não
estava vindo pela mesma razão. Eu sabia que os guardas haviam pegado Richard ainda
em forma de lobo. Alguns deles estavam à espera de um caminhão de reboque e
estavam fazendo o seu melhor para impedi-lo de ser denunciado à polícia. Seria difícil
explicar todo o sangue nos assentos dianteiros sem Richard estar ferido. Mais uma vez,
brincar de Clark Kent era um problema para o nosso peludo Superman.
Mas neste momento eu estava mais preocupada com o lobisomem sentado do outro
lado da mesa do que com aquele no subterrâneo. O escritório de Asher estava acima dos
assentos em uma tenda permanente dentro do Circo dos Amaldiçoados. O escritório foi
criado quase como uma tribuna de imprensa* num jogo de futebol, mas havia cortinas
sobre todas as janelas de vidro e a porta na parede traseira levava para um quarto. O
escritório exterior ainda era muito simples: uma mesa e cadeira, duas cadeiras para
clientes, e um pequeno sofá contra uma parede. As cortinas na parte de trás da mesa
escondiam a porta da sala dos fundos. Parecia a mesma de quando eu entrei pela
primeira vez há anos atrás, quando era o escritório de Jean-Claude. Asher não tinha
acrescentado nada de si mesmo nele. Isso parecia triste.
Nicky encostou-se à parede, mais perto de mim do que de Jake, de modo que o outro
homem teria que passar por ele para chegar a mim. Jake se parecia como eu me
lembrava dele, o cabelo curto escuro, tez média e olhos castanhos, atraente de um jeito
viril, mas mesmo lá, ele era quase muito comum. Ele era indefinido. Ele era de uma
altura mediana. Ele iria se misturar, e desde que o Harlequin eram espiões, isso
provavelmente estava certo para o trabalho. Os homens-tigre que tinham vindo com ele
eram o oposto, loiros atraentes, altos, e bonitos, ou lindos, e de alguma forma nada
mundanos, como se apenas recentemente tivessem sido deixados fora de suas gaiolas.
Jake se deixou cair em uma das cadeiras reservadas aos clientes, olhando para tudo e
nada com seus olhos castanhos.
—Você tem certeza sobre falar na frente dele? — Perguntou.
—Nicky pode ouvir, — eu disse. Eu não senti a necessidade de explicar que ele era
minha Noiva e não conseguiria repetir qualquer coisa que nós disséssemos a menos que
eu lhe dissesse que podia.
Jake encolheu os ombros.
—Eu tenho que confiar em seu julgamento já que eu confio em você com os gatinhos
bonitos.
—Você é um lobisomem. Como você acabou com tantos homens-tigre?
—Eu conheço estes gatinhos por toda a vida deles. Eu acho que eles estarão mais
seguros aqui com você.
—Eu não sei, Jake, você pode estar trazendo seus cordeiros para o abate. — Eu disse
a ele sobre a tentativa de assassinato de Richard.
—Amadores, — disse ele.
—Eu concordo, mas eles quase o mataram. Se eles tivessem atingido seu coração
com essa segunda bala, eu não acho que poderia tê-lo salvo.
—Eu acho que Jean-Claude poderia ter mantido o resto de vocês vivos, mas ele teria
sido um lobo caído.
Eu fiz uma careta para ele.
—Você diz isso como se não fosse grande coisa.
—Eu não quis dizer desse jeito, Anita. — Ele esfregou os olhos como se estivesse
cansado, e eu percebi que havia linhas ao redor dos olhos que eu não me lembrava da
última vez.
—Por que você está aqui, Jake? Por que você me trouxe homens-tigre? A verdade.
—Eu realmente acho que eles estarão mais seguros aqui com você, mas me pergunte
por que eu acho que eles estarão mais seguros.
—Finja que eu perguntei, agora responda a pergunta.
Ele sorriu.
—Direta. Eu gosto disso depois de lidar com todos os vampiros velhos. Eles quase
nunca são diretos.
—Então seja direto em retorno, Jake, — eu disse.
—Eles não são sobreviventes de um ataque, Anita. Eles são tigres de sangue puro.
—Você disse que eles eram sem clãs. Todos os puros-sangue têm clãs.
—Uma cor não tem um clã.
Eu fiz uma careta.
—Nós só temos um tigre azul, então Cynric não tem seu próprio clã, mas fora isso,
todos eles têm clãs.
Ele negou.
—O amarelo não tem.
—Porque o último tigre amarelo morreu aqui em St. Louis depois que ela matou um
de nosso povo e fez o seu melhor para matar mais.
—Incluindo você, — disse ele.
Eu concordei.
—Incluindo eu.
—Ela pertencia a um dos Harlequin, — ele disse calmamente.
Eu pisquei.
—Da última vez que verifiquei era contra as regras dizer essa palavra em voz alta, a
menos que fossemos contatados por eles em primeiro lugar. Na verdade, dizer a palavra
fora disso é uma sentença de morte.
—Mas você sabe que eu sou o animal para chamar de um dos Harlequin.
Eu assenti.
—A maioria das pessoas não se lembra de que você revelou isso. Mesmo alguns dos
guardas metamorfos mais poderosos agiram como seres humanos comuns, como se
você os tivesse rolado e os feito esquecer.
—Meu mestre pensou que seria melhor assim.
—Você está nos contatando oficialmente?
—Sim e não. Estou aqui como agente de alguns dos Harlequin, mas eu não estou
sancionado pelo conselho para estar em St. Louis.
—Estou ouvindo.
Ele deu um pequeno sorriso.
—Quase ninguém mais faria perguntas.Pelo menos se espante que eu esteja dizendo
a você que os próprios espiões, policiais e executores do Conselho Vampiro quebraram
a aliança com eles.
—Vamos apenas dizer que tivemos algumas visitas de visão remota de alguns
membros do conselho.
—Então você sabe o que aconteceu, — disse ele.
—Você me diz o que você sabe, eu te digo o que sabemos e vamos ver quão
profunda a merda realmente é.
Ele balançou a cabeça, o sorriso desaparecendo.
—A Mãe de Todas as Trevas não está morta.
Eu assenti.
—Ela a visitou, — disse ele, ajeitando-se de sua posição confortável.
—Mais ou menos.
—Quando ela sentiu seu corpo destruído pela bomba, ela enviou sua essência em
busca de um lar. Ela encontrou um terreno fértil em alguns dos membros do conselho.
Uma vez, há tanto tempo que a maioria não se lembra, foi para isso que o conselho
serviu, Anita. Eles se sentariam em suas grandes cadeiras, mas o profundo segredo
escuro era que quando eles tomavam seus lugares no conselho a Mãe os possuía. Ela
teve mais problemas possuindo alguns do que outros, mas ela possuiu a todos. O
Conselho apenas fingia votar e ser justo.Na verdade, eles eram todos seus fantoches.
Eu respirei fundo, deixando sair devagar e assenti com a cabeça.
—Eu não estou surpresa.
—O Viajante parece livre dela.Ele e seu servo humano estão correndo por suas vidas.
Eles estão escondidos em algum lugar.Ainda não sabemos onde.
—Alguns dos Harlequin estão do lado dela?
Ele assentiu.
—Estamos em guerra uns com os outros. É uma muito tranquila e pequena guerra
mortal, mais como uma série de assassinatos, mas estamos em desacordo uns com os
outros.
—Você realmente acha que podemos escondê-los de alguns dos maiores guerreiros e
assassinos que já viveram? Nós somos bons, Jake, mas eu não tenho certeza de que
alguém seja tão bom.
—Não, eu vim oferecer a minha arma e minha força para ajudar a fortalecer a sua
segurança, e não o contrário.
—Você acha que os outros Harlequin virão para nós?
—Eu sei que eles vão.
—Quando? — Perguntei.
—Depende de quão rápido podemos matar os que querem matá-la. Se nosso lado
perder mão de obra suficiente, eles vêm para você. Agora eles veem nosso Harlequin
como sua maior ameaça. Assim que formos neutralizados eles se voltarão para você.
—Então, cabe a nós ajudar vocês.
Ele sorriu.
—Eu não vim aqui para isso, Anita. Nós vamos viver ou morrer como sempre
fizemos, por nossas próprias mãos.
—Então o que você quer de nós?
—Dependendo de como a nosso disputa privada for com o outro Harlequin, outros
de nós virão em seu auxílio, ou virão para espionar você. Há alguns que são mais
neutros, porque eles não acreditam que você e Jean-Claude e seus dois triunviratos
podem ser Mestres dos Tigres.
Eu olhei para ele.
—Vocês instalaram escutas nos nossos telefones de novo?
Ele sorriu.
—Não, seus homens-rato fazem varreduras de forma muito eficaz para que usemos
dispositivos de escuta agora.
—Nós podemos ser um pouco lentos, mas quando aprendemos algo, nós não
esquecemos.
Sua voz de repente estava toda séria.
—Os últimos tigres remanescentes que não são vermelho ou branco pertencem ao
Harlequin como seus animais para chamar. Quando a Mãe das Trevas tomou o poder do
Pai do Dia, ela deu um pouco desse poder para nós. Ganhamos os tigres através dele.
Seu menino azul não é o último dos azuis, há mais uma, mas ela está ocupada lutando
por sua vida ao lado de seu mestre, então logo o seu adolescente de Vegas pode ser o
único tigre azul restando no mundo.
—Ela e seu mestre estão do nosso lado?
—Eles estão, — disse ele.
—Então, você tem um tigre preto ou dois, — eu disse.
—Nós temos um. Tínhamos dois, mas quando o Pai do Dia recuperou parte de seu
poder, ele chamou Sebastian para longe de nós.
—Engraçado, Sebastian nunca mencionou que ele era um de vocês. — Eu senti um
pequeno surto de raiva, porque eu o tinha deixado ir quando eu poderia tê-lo entregue à
polícia, ou apenas o mantido.
—Sebastian era e não era um de nós. Ele tinha sido, mas o Pai do Dia era
verdadeiramente o seu mestre, então a Mãe de Todas as Trevas não confiava nele. Ela
permitiu-lhe viver, mas ele não tinha ninguém. O meu mestre e eu continuamos a par
dele, mas ele tem estado por conta própria por um tempo muito longo.
—Diga-me quem está do nosso lado e quem não está, Jake.
—O mestre do tigre preto restante não está. Temos um tigre dourado masculino, e ele
e seu mestre concordaram em estar ao seu lado se pudermos provar a eles que você pode
ser a Mestre dos Tigres.
—Como é que vamos fazer isso? — Perguntei.
—Engraçado você perguntar.
—Só mais uma resposta oblíqua, ou pergunta, e eu vou ficar chateada.
—Eu sinto muito. — Ele se sentou e balançou-se quase como um pássaro ajeitando
suas penas. —Quando a Mãe de Todas as Trevas declarou que o clã dourado deveria ser
destruído, alguns de nós esconderam alguns deles. Nós os ajudamos a fugir para várias
partes do mundo, incluindo o Novo Mundo. Estivemos ajudando-os a se esconder, à
espera de outro Mestre dos Tigres. Um que não fosse mau.
—Ou um sadista sexual, — eu ofereci.
Ele deu um pequeno sorriso.
—Isso também.
—Os outros clãs acham que o ouro foi destruído e a estirpe de licantropia dentro de
mim é o último remanescente deles, — eu disse.
—Eles estão errados.
—Você tem escondido os tigres de ouro desde o primeiro imperador da China.Isso
são dois mil e duzentos anos. Você vem planejando isso por tanto tempo?
—Nós estivemos esperando por algum tempo.
Eu levantei as sobrancelhas para ele.
—Isso é um tempomalditamente longo para esperar.
—Quando você vive para sempre e não envelhece, isso te dá o tempo para esperar.
Eu não sabia o que dizer a isso, então eu dei de ombros.
—Então você está dizendo que os tigres com você são ouro.Ou amarelo, que seja.
Ele assentiu.
—Eles são os mais puros de sua linhagem que fomos capazes de preservar. Há
alguns que são como o seu Domino, de mais de um clã. Descobrimos que os tigres
sobreviventes se acasalaram na maior parte com a raça de ouro.
—Eu sou uma americana, Jake. Isso significa que o sangue puro é meio que
superestimado. Somos uma nação que é toda miscigenada.
—Os tigres não são. É importante para eles.
—Então, eu escolho um e faço o que?
—Vincule-se a eles Anita. Faça-os de estimação, os foda, role suas mentes, o que
quer que você faça quando ganha um tigre para chamar.
—Eu também posso torná-los minhas Noivas.
—Como seu homem-leão, — disse Jake.
Eu lutei para manter meu rosto neutro.
—Como você descobriu?
—Rumores que você acabou de confirmar. E eu já vi outras Noivas ao longo dos
séculos, eles têm um certo odor sobre eles.
Nicky moveu-se contra a parede, como se ele fosse dizer alguma coisa, mas ele se
acomodou como um bom guarda-costas, visto e não ouvido.
—Acho que precisamos de um dos tigres para chamá-la de mestre da maneira que
seu lobo e leopardo chamam você de mestre. Eu não acho que fazer de um deles uma
Noiva seria tão impressionante.
—Você deixou de fora meu outro leão, — eu disse, e estudei seu rosto, embora não
importasse o quão humano ele parecesse, eu sabia que depois de séculos suficientes,
você poderia ficar muito bom em manter seus pensamentos fora de seu rosto.
—Sem brincadeiras, Anita. Ouvimos o que aconteceu com o seu Rex local. Nós
sabemos que você precisa de um novo Rex, e você não escolheu um leão para chamar,
que era uma das controvérsias do seu velho Rex.
—Você tem espiões conosco, — eu disse.
—Temos espiões em todos os lugares, Anita.Não se sinta especial.
—Oh, especial não é como eu me sinto, confie em mim.
—A Mãe de Todas as Trevas está tentando transformar o conselho de novo em seus
fantoches. Devemos detê-la.
—Como? Como você luta contra algo que não tem corpo próprio? Como você luta
contra algo que pode saltar de corpo em corpo? — Perguntei.
—Sendo poderoso o suficiente para cortá-la de cada corpo, um de cada vez, até que
ela não seja mais do que espírito e despeito. Nós acreditamos que depois disso ela vai
desaparecer.
—Mas você não sabe, — eu disse.
—Se eu dissesse que nós temos certeza, você saberia que eu estava mentindo.
—Como é que a cortamos de seus corpos?
—Da maneira como você a cortou de Belle Morte.
—Ninguém naquela sala lhe disse.
—Belle nos disse, Anita. Ela veio até nós para escondê-la.
Eu só olhava para ele.
—Por que você parece surpresa?
—Eu não tenho certeza, mas Jake, nós usamos os poderes da própria linhagem de
Belle Morte para libertá-la. Nós não temos o poder de qualquer outra pessoa.
—Agora, quem está mentindo?
—Eu não estou.
—Anita, você carrega o poder de cada linha que te atacou. Você recolhe poderes de
vampiros como borboletas. O Mestre das Bestas te atacou e agora você pode chamar
todos os tipos de metamorfos. O Dragão mal tocou-lhe de longe e você pode se
alimentar da raiva. Ouvi dizer que você até mesmo fez o truque bacana de utilizar a sua
própria aura vampírica contra eles para cortar como vidro.
—Só uma vez, e Jean-Claude estava dirigindo o ônibus metafísico.
—Queremos que ele ganhe os poderes também, Anita. Precisamos que eleseja
poderoso o suficiente.
—O suficiente para quê? — Perguntei.
—Para dirigir o Conselho na América.
Eu neguei, balançando a minha cabeça.
—Porra, palavras realmente viajam rápido. Você deve ter espiões em cada grande
cidade.
—Não em todas as cidades, mas naquelas que são poderosas o suficiente para ser
úteis, sim.
—Então eu escolho entre os meninos. Para quem é a menina tigre?
—Você pode escolher qualquer um que quiser, mas conhecendo as suas preferências
a menina é mais para Jean-Claude.
—Mais para… o que isso significa?
—Isso significa que isso funciona melhor se você gostar de todos em seu círculo de
poder. Sua linha de poder está baseada no sexo, na luxúria, até mesmo no amor, então
você gostar de todo mundo que dorme por perto é uma coisa boa. Talvez até mesmo
uma coisa necessária para você.
—Então, como isso funciona? Eu só vou lá e escolho o mais bonito? Não é como
pegar gatinhos de uma ninhada, Jake.
—Se você pudesse fazer isso, eu acho que você e Jean-Claude levariam todos para o
seu quarto e veriam qual deles você mais gosta. Esta seria a maneira mais rápida e mais
segura.
Eu apenas olhei para ele.
—Então, vamos partir de “Olá, meu nome é Anita e esse é Jean-Claude” para
“Vamos todos para o nosso quarto foder”? Eles não são parentes uns dos outros?Como
em muito próximos para foder uns aos outros?
—Nós não queremos que eles fodam uns aos outros. Queremos que eles fodam você
e Jean-Claude, e seus outros homens.
—Você está tendo uma baixa com meninas então, — eu disse.
—Nós podemos conseguir mais se eles saírem daqui vivos.
—Então, alguém está matando os homens-tigre sem clã porque suspeitam do que
você fez.
—Alguém, provavelmente outro Harlequin, descobriu que nós salvamos os tigres de
ouro, mas eles não sabem o quão fraca a linhagem ficou. Por isso estão apenas matando
todos os homens-tigre que encontram.
—Eu não ouvi nada sobre isso.
—Eles estão abatendo somente os sem clãs. Eles sabem das linhagens dos clãs, e
sabem sobre Cynric. Eles não estão preocupados com eles. Por favor, Anita, leve
Nathaniel para a cama com eles, ou Micah, quem quer que você precise para se sentir
melhor sobre isso, mas nós precisamos de você se ligando com um tigre de ouro o mais
rapidamente possível.
—Por que é tão importante?
—Porque assim que você tiver todas as cores sob seu controle, você ganhará uma
quantidade astronômica de poder, assim como os tigres.
—Bibiana disse isso também.
—Quando você tiver um tigre de ouro para chamar de seu, os outros não serão
capazes de resistir a você.
—Então por que o tigre de ouro que tentou me matar e seu mestre não tentaram
comandar os tigres?
—Porque ela era apenas ouro.
—Eu pensei que o ouro automaticamente lhe dava todas as outras cores.
—Não, se é um único tipo, é apenas como todos os outros tigres.
—Como você está tão certo de que me dar um tigre de ouro vai me dar todos os
tigres?
—Porque você já tem um branco e um preto.
—Eu não tenho certeza se eles são meus tigres para chamar, ou se estão mais perto
do que o Nicky é, — eu disse.
—Não importa, você tem poder sobre eles e o azul.
—Cynric tinha dezesseis anos e eu fui a sua primeira relação sexual. Qualquer garoto
de dezesseis anos de idade teria se ligado a mim.
Jake riu.
—Eu acho que você se subestima, mas é um bom ponto. O que quero dizer é que
você chama todas as cores que você conheceu, incluindo o vermelho. Você era Pequena
Rainha suficiente para emitir uma chamada nacional para todos os machos não
acasalados. Você quase causou um fodido de um tumulto com os nossos homens de
ouro. Eles estavam prontos para entrar em um ônibus ou um avião, o que fosse preciso,
e ir para você. Tivemos um inferno de tempo para pará-los. A Senhora de Soledad não
podia chamar todos os homens, e nem Soledad.
Eu pensei sobre isso, então disse:
— Nós o ajudamos com os tigres, e você nos ajuda com os assassinos.
—Os ratos de Rafael estão nisso agora. Se o seu Ulfric não insistisse em brincar de
humano, ele teria tido guardas com ele.
—Ele gosta de ser uma pessoa normal, mas eu acho que ele vai estar disposto a ter
guardas até que isso seja corrigido.
—Pode não estar terminado até o outono, Anita.
—Jake, se as pessoas continuarem tentando nos matar por mais dois, três meses
inteiros, o problema será corrigido, porque, eventualmente, um de nós vai estar morto.
—Você está muito calma quando diz isso. A maioria das pessoas ficaria com medo.
Eu dei de ombros.
—Eu vou ficar com medo quando eu tiver que estar.
—Então, você e Jean-Claude e quem mais quiser incluir pegará os tigres de ouro?
—Se nós estamos lutando contra o Conselho e a Mãe de Todas as Trevas,
precisaremos de toda a energia que pudermos obter.
—Eu me lembro de você discutir mais da última vez que estive na cidade.
Dei de ombros novamente.
—Talvez até eu fique cansada de discutir.
—Ou talvez as circunstâncias a colocaram para baixo, — disse ele.
Foi a minha vez de dar um pequeno sorriso.
—Isso também. Se você pretendia oferecer os tigres para Jean-Claude também, por
que não incluí-lo na conversa?
—Ele é seu mestre, Anita.Se você quisesse incluí-lo você faria. Se você quisesse
compartilhar informações com ele, você simplesmente pensaria isso e o deixa ouvir seus
pensamentos. Desta forma, ele foi capaz de falar com vários dos Mestres da Cidade
Americanos enquanto eu lhe disse tudo isso.
—Divisão do trabalho no seu melhor, — eu disse. Eu levantei-me. Ele levantou-se.
—Apresente-me aos seus tigres, Jake.
—Eles não são meus, — disse ele.
—Você os conhece desde que nasceram. Você não sente nada por eles?
—Eu assisti-os crescer. Claro que eu sinto.
—Então como você pode apenas oferecer-lhes para nós como se realmente não
fossem pessoas com sua própria vontade?
—Eles foram criados para este momento, Anita.
—Você faz soar como animais de fazenda.
—Eu não quero, mas nós não os mantivemos escondidos e protegidos por milhares
de anos por causa da bondade de nossos corações, Anita. Fizemos isso porque
precisamos deles. Nós precisamos deles para que pudéssemos dar-lhes a você, e você
pudesse usá-los como alimento.
—Meus animais para chamar não são alimentos, — eu disse.
—Bonito pensar assim, mas comida é apenas energia que você come, e eles são a
energia que alimenta a sua base de poder e de Jean-Claude.
—Você pensa neles como gado, — eu disse.
—Os acasalamos, criamos e assistimos como nosso pequeno rebanho de ovelhas
especial por mais de mil anos, Anita. Quando o novo Mestre dos Tigres surgisse, não
havia garantia de que ele, ou ela, seria um mestre gentil. Tivemos que ficar desapegados
porque quando chegasse o momento de dar-lhes a alguém, tínhamos que estar dispostos
a fazer isso. Se eu os amasse do jeito que você ama suas crianças, eu poderia não ter
sido capaz de fazer isso. Você entende isso?
—Eu entendo que o lobo mau tem vigiado o rebanho enquanto eles pensavam que
você era o cão pastor.
—Você está certa. Eles me chamam de Tio Jake.
—E se eu fosse uma pessoa honrada, mas cruel, você ainda os teria oferecido como
cordeiros para o abate.
Ele olhou para mim. Marrom supostamente é uma cor de olhos calorosa, mas naquele
momento não havia nada caloroso em seu olhar. Era um olhar tão frio e impiedoso
como nenhum que eu já tinha visto, e eu tinha visto alguns bons.
—Sim, eu teria, — ele disse.
—Velho Tio Jake mal — eu disse.
Ele assentiu.
—Sim.
—Eu não poderia ser a Tia Anita má, — eu disse.
—Mesmo para impedir a Mãe de Todas as Trevas de se espalhar por todo o mundo
como uma maléfica praga mortífera?
Eu queria olhar para longe, mas eu me forcei a continuar encontrando seus olhos. Eu
finalmente disse a única verdade que eu tinha.
—Eu não sei.
—Sim, você sabe, — disse ele. —Você simplesmente não gosta que sua resposta seja
a mesma que a minha.
—Se fazemos o mal em nome do bem, ainda é o mal, Jake.
—Para minha sorte, você é uma pessoa boa de coração, Anita Blake. Você vai fazer
o seu melhor para não prejudicá-los, para que eu possa fazer o meu dever e não ser o
mal desta vez. Mas eu nunca menti para mim mesmo. Eu sei que a única coisa que
impede que dar essas crianças para você seja algo ruim é a sua própria bondade inata.
Mas se você fosse o bastardo mais perverso no planeta e fosse salvar o resto de nós, eu
lhe daria todos os meus gatinhos dourados, e isso é perverso. — Ele me ofereceu sua
mão. Eu a segurei, esperando que ele a agitasse, mas ele levou-a à boca e pôs um breve
beijo em meus dedos.
—Obrigado por me deixar fazer o meu dever, e não ser o bastardo filho da puta que
eu temia que teria que ser.
Ele se levantou e virou-se, mas não antes que eu visse o brilho de lágrimas em seus
olhos. Ele disse que nunca mentia para si mesmo, mas ele fez. Ele disse que não os
amava como suas crianças, e eu soube naquele momento que ele amava-os.

*NT: Tribunas de imprensa nesse caso assume sentido de uma arquibancada


reservada à imprensa em estádios de futebol.
CAPÍTULO 33

Já estávamos fora da porta e descendo os degraus quando meu telefone tocou de


novo, aquele som de sinos de igreja. Eu fiz uma pequena oração e atendi.

— Blake, aqui.

— Verifique seu e-mail, Agente. — Era Clayton.

— O que você me enviou?

— Um vídeo. Eu adoro esses novos aparelhos, você não? — Ele desligou.

Suspirei.

— Vá falar com seus tigres. Tenho de ver o que o cara mau me mandou.

— Que cara mau? — Jake perguntou.

Eu balancei a cabeça e entreguei o telefone para Nicky.

— Ajude-me a reproduzir o vídeo que ele me enviou.

— Você sabe que temos espiões em quase todas as cidades, Anita. Estamos em
todas as grandes cidades.

Eu me virei e olhei para ele.

— O que você está oferecendo?

Ele olhou de volta para seus tigres com o círculo de nossos guardas ao redor
deles.

— Diga-me o que está acontecendo, e eu lhe direi se temos alguém ou alguma


coisa que possa ajudar.

— Eu abri o vídeo, Anita — Nicky cortou dentro.

— Segure esse pensamento — eu disse a Jake, e me virei para Nicky. Ele me


entregou o telefone, mas ficou perto para que ele pudesse olhar por cima do meu ombro.
Não reclamei. Se eu precisasse pausá-lo ou rodá-lo de novo, eu precisaria de sua ajuda
de qualquer maneira. Eu realmente tinha que aprender a mexer nessa maldita coisa.

A tela era surpreendentemente clara, como uma pequena TV. Havia uma figura
na cena do crime vestida de branco de cima para baixo, inclusive com umatouca, e uma
máscara facial. Ela estava rastejando no chão na frente da câmera. Eu sabia que era ela,
porque ela estava gritando: Não, por favor, não.

Uma mão decompondo-se com ossos aparecendo através da carne pútrida


alcançou além da câmera. Ela gritou, mexendo mais rápido em seus braços e uma perna
boa. A outra perna estava coberta de sangue, a artéria estava rasgada para que
pudéssemos ver o jorro de sangue sincronizado com a batida do coração dela na parte de
trás do joelho. Algo a tinha atacado na cripta. Os outros vampiros estavam vivos e ainda
enlouquecidos, e uma vez que a luz do dia acabasse, eles sairiam. Somente seu mestre
podia enfrentar a luz do dia.

Ele a agarrou pela perna ferida e a arrastou de volta para ele, enquanto ela
gritava. Ele se sentou na cintura dela, prendendo-a no chão. Ela apenas gritou, um grito
longo e áspero após o outro enquanto ele sacudia suatouca, derramando cabelos longos
e castanhos, e rasgava sua máscara com a mão apodrecida para que seu rosto estivesse
descoberto para a câmera. Ele queria que eu visse como ela estava assustada.

Eu estava sussurrando algo sob minha respiração repetidamente quando ele


alcançou sua garganta. Ele agarrou a frente de sua garganta e apertou até que seu rosto
ficou escuro, púrpura com falta de ar, e então ele a deixou ir. Ele a deixou respirar, e
então ele alcançou sua garganta novamente.

— Não — eu sussurrei.

— Ele a matou antes de mandar isso, Anita. Não está acontecendo agora. Você
não pode salvá-la — Nicky disse.

— Como você sabe?

— Ele precisaria de ambas as mãos para enviar o vídeo — disse ele.

Era uma razão tão prática para justificar que a mulher já estava morta que isso
me acalmou um pouco. Isso me ajudou a assistir, mas ele não a estrangulou desta vez;
ele enfiou seus dedos grossos, em decomposição na frente da garganta dela e a rasgou
para fora como você rasgaria um fruto maduro. Sangue jorrou para cima e para fora.
Seus olhos rolaram, e ela fez sons, sons horríveis, molhados, sufocantes.

A câmera permaneceu sobre ela até seus olhos ficarem vidrados e o único
movimento consistir em contrações involuntárias. Ela estava morta; ela apenas não tinha
parado de se mover ainda.

Ele colocou a câmera em seu próprio rosto, então eu pude ver a máscara de
Halloween que era tudo o que ele poderia ter como rosto à luz do dia. Até mesmo os
vampiros apodrecidos que podiam enfrentar a luz não podiam passar por humanos de
dia, mas não importava agora, porque Clayton não estava tentando mais se passar por
humano. O rosto que me olhava de volta era um monstro e estava feliz com isso.

— Venha e me pegue, Anita Blake. Venha e me pegue, porque eu e meus


vampiros mataremos o tanto quanto pudermos por tanto tempo quanto pudermos. —
Sua bochecha estava desmoronada de um lado, e eu podia ver sua língua trabalhando
em sua boca. Não deveria ter me incomodado, mas incomodou. Com tudo o que ele
tinha feito, isso me deixou doente. Você nunca sabe o que vai te empurrar sobre a borda
até você ver isso.

Um tiro explodiu sobre os alto-falantes e seu corpo se sacudiu. Ele moveu o


telefone assim eu vi o segundo tiro atravessar seu peito.
— Oh, olha, mais policiais para matar. — Ele se virou e a câmera girou para que
eu visse o oficial uniformizado atirando nele enquanto o vampiro caminhava em sua
direção, sem hesitar, como se as balas não significassem nada. Uma espingarda rugiu
fora da câmera, e o corpo do vampiro balançou e girou para um oficial mais velho
apontando para ele sobre o capô de seu carro. O vampiro riu dos dois e disse:

— Balas não podem me machucar enquanto eu estou assim. — Ele riu de novo,
e a tela apagou quando mais tiros dispararam.

Olhei para a tela.

— Porra, porra, porra!

Jake voltou para mim.

— O que aconteceu agora?

Disquei o número de telefone de Finnegan, perguntando-me se ele estava vivo


para atender. Foi para o correio de voz e meu estômago caiu em meus pés. Quando o
telefone tocou eu fiz um pequeno guincho. Porra.

— Blake — eu disse.

— Retornando sua chamada. — Era Finnegan.

— O vampiro ainda está na cripta? — Eu perguntei.

— Não. Ele abriu caminho atravésdos oficiais e se foi. Ele é um cadáver


apodrecendo e ele simplesmente desapareceu. Como podemos encontrá-lo? — Ele
estava quase gritando.

— Ele me enviou um vídeo — eu disse.

— O quê?

— Acho que ele usou o telefone do Morgan para me enviar um vídeo.

— Envie para mim.

— Você não quer vê-lo.

— Envie.

— É ele matando um de seus técnicos e prestes a matar alguns oficiais.


Enquanto ele está em forma de cadáver apodrecido, ele é quase invencível para balas.
Uma vez que ele pareça sólido, humano, então as balas vão funcionar novamente.

— Por quê? — Finnegan perguntou.

— Eu não sei. Eu só sei que é assim que esse tipo de vampiro funciona.

— Como podemos encontrá-lo, Blake? E que porra fazemos quando o


encontramos?
— Queime ele. Lança-chamas.

— Temos uma equipe de extermínio a caminho. Vamos queimar os vampiros na


cripta. Por que ele os deixou para trás?

— Eu acho que ele está louco. Vampiros enlouquecem do mesmo jeito que
pessoas vivas. Pense nele como um Serial Killer que teve uma recaída e se transformou
em um Spree Killer (Serial Killer que decide matar o maior numero de pessoas, no
menor espaço tempo em vários lugares).

— Então ele vai matar tudo o que ele vê.

— Provavelmente — eu disse.

— Como podemos encontrá-lo?

— Siga a trilha de corpos. Se ele se esconder, use cachorros. Ele é um cadáver se


decompondo, Finnegan. Agora é o que ele é; consiga alguns cachorros e rastreie o filho
da puta.

— Cães farejadores de cadáveres? — Ele fez uma pergunta.

— Sim.

— Essa é a melhor ideia que eu ouvi de alguém. Eu vou consegui-los.

— Balas não vão machucá-lo até escurecer. Só fogo, então cada equipe de cães
precisa de um lança-chamas com eles.

— Nós não temos muitos cães farejadores de cadáveres, ou muitas equipes com
lança-chamas.

— Nenhuma cidade tem. Como Morgan disse, esse tipo de vampiro é muito raro
nos EUA.

— Vou chamar os cães. Envie-me o vídeo, Blake.

— Eu poderia estar na área em um par de horas.

— Em um par de horas isso vai estar acabado.

—Finnegan — eu disse.

— Não, os cães são uma ótima ideia. Você não poderia fazer nada além de
seguir os cães e a equipe do lança-chamas ao redor como o resto de nós. — Ele
desligou.

Eu pensei, na verdade eu poderia ser capaz de rastrear o vampiro. Eu era uma


necromante, mas os outros agentes nem sempre estavam confortáveis com minhas
habilidades psíquicas, então deixei a mentira. Além disso, isso era uma armadilha. Se eu
fosse para Atlanta, ou o vampiro tentaria me matar ou tentaria me abrir para a Mãe de
Todas as Trevas. Sem o meu povo para tocar e obter toda a metafísica, eu não estaria
tão segura contra a Mommie Darkest. Eu sabia que era muito perigoso ir, mesmo que
não houvesse assassinos tentando nos pegar.

— Você sabe que é uma armadilha — Nicky disse.

— Eu sei.

— Você realmente iria se eles pedissem?

— Eu não sei. — Eu lhe entreguei meu telefone. — Envie o vídeo para o Agente
Finnegan.

Jake perguntou:

— O que é?

Eu disse a ele, porque não havia maneira de manter isso fora da mídia. Mortes
demais, sensacionalismo demais, e eles tinham que avisar a todos. Provavelmente não
faria nada além de fazer toda a cidade entrar em pânico, mas se a polícia não avisasse a
população em geral e as pessoas morressem, eles seriam processados, porque todos
acreditariam que, se soubessem, teriam conseguido se manterem seguros. Eu sabia
melhor, mas às vezes a ilusão de segurança é tudo o que as pessoas têm. Eu nem sequer
tinha isso, não o tinha por anos.
CAPÍTULO 34

— Esta noite Morte d’Amour atingiu Atlanta. Amanhã à noite ele vai atingir
outra cidade — Jake disse.

— Quantos outros Mestres da Cidade são descendentes de sua linhagem? — Eu


perguntei.

— Alguns.

— Ou compartilha suas informações, Jake, ou saia da minha frente.

— Nós podemos salvar os outros descendentes de Morte d'Amour neste país,


Anita.

— Como? — Eu perguntei.

— Escolha um dos meus gatinhos — ele disse.

— Você sabe, você chamá-los de gatinhos não ajuda.

Ele sorriu.

— Desculpa. Será que ajuda saber que eles são todos mais velhos do que Cynric
de Las Vegas?

— Ele é legal — eu disse, decidindo que um ataque frontal era a melhor defesa.

— Eu ouvi rumores que você estava incomodada por transar com alguém com
menos de dezoito anos. Se eu ouvi errado, sinto muito.

Suspirei.

— Não, você está certo. Não é apenas a idade. É o nível de inocência. Minha
vida não é sobre inocência. Prefiro alguém que conheça o seu caminho.

— Uma garota mais-triste-porém-mais-sábia para você, hein? — Nicky disse.

Nós dois olhamos para ele.

— Você está citando “The Music Man” para mim?

Se tivesse sido qualquer outra pessoa eu teria dito que ele parecia
envergonhado. Ele fez aquele encolher de ombros superficial em torno de todo esses
músculos novamente.

— O que? Eu não posso gostar de musicais?

Eu pisquei para ele.

— Eu meio que tinha você tendendo para death metal, ou musica eletrônica .
Ele sorriu.

— Eu gosto de musica eletrônica , mas você não pode dançar com a maioria dos
death metal. Silas gostava disso.

— Você esteve conosco um ano. Eu não sabia que você gostava de dançar.

— Você não gosta de dançar. Você vai dançar por Nathaniel, Micah e Jean-
Claude, mesmo Jason ou Asher, mas você não gosta disso. Minhas emoções primárias
parecem ser sobre agradá-la. Me deixa ansioso se sinto que você está infeliz comigo.
Pedir-lhe para dançar faria você desconfortável, o que me deixaria ansioso. Não vale a
pena.

Eu não sabia o que dizer a isso. Olhei para Jake.

— Você sabe algo sobre todo esse fenômeno da Noiva?

— Eu já vi isso. É muito raro. Só aparece em linhagens descendentes do Pai do


Dia, como Belle Morte ou o Dragão.

— Então é um poder que Mommie Darkest não tem? — Eu perguntei. Ele


assentiu.

— A Doce Escuridão não éde relacionamentos a longo prazo, realmente. Noivas


podem ser tratadas muito mal por seus mestres, mas muitas vezes o vampiro que as faz
se sente responsável por elas e se torna mais como um casamento de grupo, embora com
uma estrutura de poder unilateral.

— Existe um limite para quantas noivas eu posso fazer? — Eu perguntei.

— Geralmente é limitado apenas por recursos. Quanto sangue você pode colher
em uma área determina quantos vampiros você pode ter antes que eles comecem a
morrer de fome.

— Qual é o maior número que você viu?

— Doze — ele disse.

Eu o encarei com olhos arregalados. Ele estudou meu rosto.

— Você está atrasando o encontro com os homens-tigre; por quê?

— Sei que isso vai parecer grosseiro, ou infantil, ou simplesmente estúpido, mas
não sei como ir até seus tigres e pegar um para dormir comigo quando eu nem sequer
me apresentei.

— Há uma razão pela qual a maioria dos vampiros que têm Noivas são homens
— disse ele.

— E isso seria? — Eu perguntei.

— As mulheres complicam as coisas.


Nicky fez um som que ele transformou em uma tosse, mas eu tinha certeza que
começou como uma risada.

— Você tem alguma coisa a dizer, Nicky? — Perguntei. Ele segurou a


respiração, o rosto brilhando um pouco demais com sua "tosse".

— Não.

— Bem, se eu fosse um cara, eu simplesmente marcharia até lá e escolheria


alguém. Eu entendo.

— Por que você não deixa Jean-Claude ajudá-la a escolher? — Jake sugeriu.

Não era uma má ideia. Eu tendia a escolher animais e vampiros de baixo poder
para me relacionar, com algumas exceções raras como Micah. Sempre se podia confiar
em Jean-Claude para escolher o metamorfo ou o necromante mais provável a elevar seu
nível de poder, e se iríamos adicionar alguma outra pessoa a nossa cama então isso
poderia também incluir um aumento de poder para compensar a vergonha. Minha
vergonha, nunca de Jean-Claude.
CAPITULO 35

Os Homens-tigres estavam na sala de estar, mas o resto de nós encontrar-se no


quarto de Jean-Claude. Eu estava sentada em uma das cadeiras junto à lareira. Bebendo
café e observando os homens de minha vida discutir como escolher o próximo homem.
Jean-Claude estava na outra cadeira. Nathaniel se sentou, enrolado junto à lareira,
tomando chá e observando tudo. Damian, Asher e Micah se moviam pela sala enquanto
conversavam.
Richard ainda permanecia em forma de lobo, então sua parte da discussão era
sentar ao lado da cadeira e observar. Eu mantive a caneca de café em uma mão, mas a
outra jazia em seu pescoço. Ele era quente e vivo sob a minha mão. Seu pelo de canela
era mais áspero do que a maioria dos cães, mas o pulso e batida dele pareciam mais
próximos de sua pele do que em um cão. A maioria dos lobos é do tamanho de um
pastor alemão, mas Richard não era como a maioria dos lobisomens; Sua forma de lobo
estava em algum lugar entre um mastim e um grande dinamarquês em massa e altura.
Nenhum lobo moderno era tão grande. Deveria ter sido reconfortante toca-lo do jeito
que era reconfortante tocar um cão, mas não era. Porque este “cão” assistiu os outros
homens falar, seus olhos brilhantes de âmbar movendo-se para frente e para trás,
seguindo a conversa de uma maneira que nenhum cão, ou lobo, poderia, ou gostaria.
Um cão apenas não se importaria.
—Anita.— Era Micah se inclinando sobre mim.
Olhei para seus olhos amarelo esverdeado, e pisquei.
—Desculpa, o que?—
Ele tocou meu rosto.
—Sua pele está mais fria do que deveria estar. Você está em choque. —Ele
colocou a parte de trás de sua mão em minha testa. —Algo aconteceu com Jake que
você não está nos contando?
—Não, com Jake não—, eu disse, e minha voz soou distante.
Ele se ajoelhou e olhou para mim. O lobo se virou e olhou para mim com muita
“presença” em seus olhos. Com Micah de joelhos e o lobo sentado, o lobo era mais alto,
mas nenhum dos dois olhos era humano.
Jean-Claude olhou além de nós para alguém atrás da minha cadeira.
—Nicky, Anita fez mais com a polícia do que falar com eles pelo telefone?
—Eu não sei como responder a isso— disse Nicky.
—Basta responder— disse Micah, olhando de mim para o outro homem.
—Anita tem que me dizer para responder— disse ele.
—Ma petite, você proibiu Nicky de nos dizer algo?
Micah pegou a mão no meu colo em ambas as mãos. Eu não me lembro quando
eu tinha parado de tocar o lobo. Richard colocou aquela cabeça enorme ao lado da
minha e cheirou acima da minha pele.
—Anita, você disse a Nicky para não nos dizer algo?
Eu balancei a cabeça.
—Nicky— Jean-Claude disse —ela está mentindo?
— Sim — disse ele.
Eu virei muito rápido e Micah teve que pegar meu café ou eu teria derramado.
Eu olhei para Nicky.
— Eu não disse para não contar a eles.
—Você me disse para não mencionar o trabalho da polícia a ninguém, que era
uma investigação em curso e que eu não podia compartilhar a informação com ninguém.
Eu pensei sobre isso.
—Eu não quis dizer. . . isto é . . . Quero dizer. —Eu não conseguia organizar
meus pensamentos.
Micah tocou meu rosto e me fez olhar para ele.
—Diga a Nicky que ele pode nos dizer qualquer coisa que precisamos saber.—
Eu balancei a cabeça.
—Você tem que dizer isso em voz alta— disse Micah.
—Você pode dizer às pessoas nesta sala o que aconteceu— eu disse.
Nicky e Damian contaram sobre o vídeo da cena de crime, porque quando eu
disse que Nicky poderia dizer a todos, eu não especificamente seu nome, assim libertei
os dois para falar. Mas foi quando Nicky começou a falar sobre tudo o que tinha
acontecido no telefone que Micah segurou minha mão mais apertada, e Richard colocou
a cabeça no meu colo, os olhos virados como de um cão, embora houvesse muito nesses
olhos. Eu coloquei minha mão livre em cima do seu grande crânio peludo, mas eu
percebi que os cães confortavam não apenas por causa da pele e do pelo, mas porque
não havia nenhuma demanda neles. Os olhos no rosto de lobo de Richard exigiram
demais.
Jean-Claude colocou meu rosto em suas mãos, me levantando, então eu olhei
para aqueles olhos azuis.
— E você iria flertar com os novos homens-tigres e levar um para sua cama sem
tempo entre esses horríveis eventos?
Eu apenas olhei para ele.
Ele beijou minha testa e colocou seu rosto contra o meu.
—Ma petite, ma petite, você se dá muito pouco tempo.
Eu me afastei para poder olhar em seu rosto.
—Não há tempo para dar. Precisamos fazer isso agora, certo? —Eu comecei a
ficar irritada e eu nem sabia o por que. Eu me levantei, me livrando de todos eles.
Caminhei para o meio da sala e olhei para todos eles, e naquele momento eu os odiava.
Eu queria atacar. Eu queria machucar alguma coisa. Eu sabia que não era racional. Eu
sabia que não era justo. Mas a raiva precisava ir a algum lugar.
Nathaniel levantou-se, mostrando as mãos vazias como se quisesse provar que
estava desarmado. Ele colocou um par de shorts de corrida, sapatos e uma camiseta. Seu
cabelo estava de volta em uma trança apertada. Era o que ele usava quando trabalhava.
—Você precisa correr, ou bater no saco de areia. Você precisa liberar isso, não
mantê-lo dentro.
—Um treino não vai resolver isso!— Eu gritei para ele.
— Não, mas vai ajudar. A raiva tem que ir para algum lugar. Eu prefiro que não
seja em uma briga conosco, e até que você trabalhe isso de alguma forma, não podemos
coloca-la em um quarto com novos metamorfos. —Seu rosto era tão gentil quando ele
se moveu para mim. Ele se movia com cautela, da mesma forma que fazia com suicidas
em beiradas e animais selvagens, quando você não tem uma arma. Eu estava tão
horrível? Eu lhe ensinei a ter tanto medo de mim? A resposta, obviamente, foi sim.
Meus olhos ardiam e minha garganta estava apertada, mas eu não queria chorar
de novo. Eu já chorei e tinha ajudado, mas não o suficiente. Eu chorei por Haven, por
Noel, pelo que eu tinha que fazer. Por quase perder o homem que andava em minha
direção com tanto cuidado. Eu estava balançando a cabeça repetidamente.
Nathaniel pegou minha mão e começou a me levar para a porta.
— Vou leva-la para treinar. Vocês escolhem quais dos tigres mais gostam, mas
acho que Micah deveria escolher.
—Por que, porque ele é seu amante, ou porque ele é seu Nimir-Raj?—
Perguntou Asher.
—Nenhum. Porque Jean-Claude parece ser atraído por pessoas difíceis,
poderosas, mas com problemas pesados. Nós não temos tempo, ou energia, para
adicionar outra pessoa complicada ao nosso grupo. Eu só escolheria o mais dominante;
É o que mais me atrai. Damian só quer outra garota desesperadamente. Ele está estranho
com quantos caras Anita já tem em sua cama, então ele escolheria a única garota. Asher
disse antes, que ele gostaria de outro homem que não é tão heterossexual, mas um
homem que gosta principalmente de homens não vai funcionar com Anita. Nicky estará
conosco como guarda, e sua maior prioridade é agradar Anita de qualquer maneira,
então sua opinião é a opinião dela. Mesmo se Richard estivesse em forma humana, ele e
Anita não parecem gostar das mesmas pessoas, ou não querem admitir que gostam.
Então ele não vai querer ninguém. As duas últimas escolhas de Anita foram sociopatas.
—Ele apertou minha mão enquanto dizia, mas eu não podia discutir com ele, então eu
não tentei. —Micah é o único de nós que parece escolher bem, e com menos interesses
próprios. Ele nunca trouxe alguém para o nosso Pard que era louco, mal ou difícil. Ele
garante que cada novo membro funcione conosco. Isso é o que precisamos. Alguém que
trabalhe conosco, não contra nós. Então até que vocês se encontrem com os novos
homens-tigres; Anita não precisa estar lá, e nem eu. Eu dou meu voto e o voto de Anita
para Micah, se ela concordar.
Ele olhou para mim, e eu acenei.
— Confio em Micah.
Nicky disse:
—Eu vou com eles, mas Nathaniel tem razão. Meu voto, se eu conseguir um, vai
para Micah. Ele não deixa seus problemas se meterem em seu caminho como o resto de
nós.
—Jason deu seu voto para mim— Jean-Claude disse, —porque ele não se
preocupa com nada hoje, além de JJ e sua nova fascinação com a mulher-cisne.
Tinha esquecido de Jason e da sua namorada em tudo isto. Eu disse:
—Eles estão bem?—
—JJ e Bianca estão obcecados uma com a outra depois do ardeur de ontem à
noite. Acredito que vai passar com o tempo, mas por enquanto Jason não é inteiramente
bem-vindo em sua própria cama.
— Se tivesse sido qualquer outra das mulheres-cisne além de Bianca — disse
Nathaniel — elas teriam partilhado Jason muito bem, mas Bianca foi maltratada pelo
velho rei dos cisnes. Isso a deixou com medo de ter relações sexuais com um homem.
Eu suspirei e me movi contra seu corpo, então ele me segurou.
—Eu não queria ferrar chance de Jason de ser feliz.
Nathaniel me abraçou e disse:
—Você não fez nada de errado.
—Você ajudou a nos manter vivos— disse Asher —você Jean-Claude e toda sua
magia. A culpa vai para a Mãe de Todas as Trevas e Morte d'Amour, e para ninguém
mais.
Eu apertei meu rosto contra o doce calor do pescoço de Nathaniel e disse:
—Vou tentar acreditar nisso.— Eu me afastei e fui para a porta, sua mão ainda
na minha. —Tire-me daqui.
Micah me chamou:
—Eu te amo. Eu amo vocês dois.
Nathaniel lhe lançou aquele sorriso brilhante e disse:
—Eu também te amo.— Eu disse as palavras, mas não as senti. A raiva estava
desaparecendo e a única coisa que restava era o torpor. Eu queria estar em roupas de
ginástica e suando antes que o entorpecimento mudasse para algo mais doloroso.
Saímos pela porta com Nicky atrás de nós. Fredo e Bram estavam na porta.
— Como está Claudia?
—Nós sentimos sua energia, Anita. Você a curou, curou todos eles.
— Vamos treinar. — disse Nathaniel.
—Você quer treinar lutando com sua faca de novo, Anita?— Ele disse.
—Claro— eu disse.
—Depois que ela correr e bater o saco de areia— Nathaniel disse.
—Depois de tudo isso, ela estará muito cansada para lutar bem.
—Sim— eu disse.
Nathaniel olhou para mim.
—E se você lutar antes da corrida e do saco de areia, o que vai acontecer com a
luta apenas para praticar?
Eu desviei o olhar, franzi a testa, e então encontrei aquele olhar de lavanda. Foi
muito direto.
—Vou transformar em uma luta de verdadeira.
Nathaniel assentiu. — Então, suar primeiro, lutar depois.
— Sim, senhor — falei.
—Só, sim, senhor— disse Fredo, —sem discutir?
—Hoje não— eu disse.
—Ok, agora estou feliz por não lutar primeiro.
Olhei para ele.
—Por quê?
—Porque se você não quer discutir, a raiva terá que ir a algum lugar, e eu
realmente prefiro que não seja esculpida em minha pele.
—Você acha que eu fiquei boa o suficiente para ganhar uma luta de faca contra
você?— Eu perguntei.
— Não, mas não quero machucar você, e se você não tem a mesma moderação
comigo, você é boa o suficiente para me cortar.
—Eu agradeço pelo elogio, ou fico chateada, que você acha que eu perderia o
controle o suficiente para cortar você de verdade?
— Pegue o elogio — disse Nicky. —Eu nunca ouvi Fredo admitir que alguém
poderia machuca-lo com uma lâmina.
Eu peguei o elogio.
— Obrigada, Fredo.
—Sem problemas. Você tem um verdadeiro talento para lutar com lâminas,
Anita.
—Eu gosto de armas afiadas.
—A maioria das pessoas tem medo delas.
—Eu não sou a maioria das pessoas— eu disse.
—E essa é a porra da verdade— disse Nicky. Normalmente, eu ficaria louca por
esse último comentário, mas hoje eu apenas deixei ficar por isso. Se era verdade, por
que ficar louca?
CAPITULO 36

Uma das maiores cavernas tinha sido transformada em um ginásio completo,


com uma pista de corrida, pesos e outros brinquedos no meio. Havia ainda um vestiário.
Eu tinha um par de shorts de correr preto, sutiã esportivo preto, meias e sapatos de
corrida. Nicky saiu da sua área no vestiário em shorts e uma camiseta que parecia que
estava se esforçando para segurar todos os músculos em um pacote apertado. Fredo
tinha mudado para calças de treino preto e camiseta, mas ele não ia correr. Ele ia
levantar pesos e então ele procurar alguém para começar a lutar com ele. Nós todos
trancamos nossas armas nos armários. A ideia era que, aqui estávamos todos seguros o
suficiente para que não precisássemos estar armados, e honestamente, se alguém
tentasse me levar aqui com todos os guardas, meu dinheiro estava em nós, armados ou
desarmados.
Nathaniel, Nicky e eu estávamos nos alongando quando ouvi a multidão vindo
pelo corredor. Era aquele som turbulento de energia masculina. Os guardas
derramaram-se fora do corredor para nosso redor, rindo, e cheios de energia que os
homens grandes e atléticos têm. Algumas mulheres confundem com a agressão, mas
não é. É uma espécie de consciência de seus corpos, uma ânsia de usá-los, quase uma
antecipação animal. Serem metamorfos apenas aumentou isso.
Ares estava na frente com Lisandro e Graham. Eu voltei a esticar, quase tocando
o chão com minha testa sem dobrar meus joelhos. Esta era a primeira vez que via
Lisandro desde que tínhamos quebrado sua proibição de sexo. Eu não sabia o que dizer
a ele, então eu ignoraria se ele deixasse.
—Ei, Anita.— Eu me levantei do trecho para encontrar Gregory e Stephen se
aproximando de nós. Ambos tinham prendido seus longos cachos loiros em rabos de
cavalo. Seus olhos eram de um intenso azul e seus rostos bonitos eram delicados, e eu
tinha visto fotos suficientes para saber que eles se pareciam com a mãe. Ela morreu
quando eles eram pequenos, como a minha mãe. Eles eram da minha altura, uma
polegada mais ou a menos. Quando estivéssemos prontos, correríamos juntos.
—Ei, eu não sabia que você estava ficando conosco, Gregory— eu disse.
—Ouvi dizer que perdi uma orgia.— Ele fez um beicinho de cara para mim.
—Não comece— eu disse.
Ele abriu a boca para dizer algo, mas Nathaniel disse:
—Não, realmente hoje não.
Gregory olhou para ele e algo passou entre eles, porque Gregory apenas cedeu, o
que não era o habitual.
—Tudo bem, vou deixa-lo sozinha.
— Obrigado — disse Nathaniel.
Normalmente eu insistiria em saber o que Nathaniel fez para que o outro homem
se comportasse, mas hoje eu não me importava. Eu estava feliz por ele ter deixado para
lá.
Eles se juntaram a nós no alongamento. Eu vi Clay e Bram, perto da parte de
trás. Sócrates, que era um homem-hiena e um ex-policial, com a pele da cor de café com
um pingo de creme, estava lá também; Seu cabelo parecia quase longo comparado ao
estilo militar de Ares e Bram. A maioria eram homens-ratos, o resto homens-hienas.
Clay e Graham eram os únicos guardas lobisomens lá. Stephen era um lobisomem, mas
ele não era um guarda. Bram, Gregory e Nathaniel eram os únicos homens-leopardos.
Mais uma vez, apenas um era um guarda. Dependemos demais dos ratos e das hienas?
Sim. Devemos mudar isso? Provavelmente. Afastei o pensamento. Eu estava aqui para
treinar, isso era tudo. Tratava-se de mover o corpo. Sabia que o exercício ajudava com a
raiva, e até mesmo ajudava a liberar a energia que fazia ser mais difícil controlar os
animais.
Eu conhecia todos pelo nome, todos os ratos. Emmanuel era um dos poucos
hispanos de olhos azuis que eu já conheci. Sua pele era quase uma cor dourada, de
modo que ele tinha o mesmo tipo de vibração exótica que desprendia Vivian, a noiva de
Stephen. O fato de Stephen ainda estar aqui e não ter ido para casa não era um bom
sinal para eles. Eu deixei para lá também. Eu não conseguia nem mesmo consertar
minha própria vida amorosa, o que diabos eu poderia fazer por mais alguém?
Dino era tão escuro quanto Emmanuel era claro, mas onde o outro homem tinha
1,73 e era bem musculoso, Dino era grande. Não apenas 1,83, mas quase tão grande
quanto ele era alto. Ele correu como um elefante pesado, mas eu tinha visto ele lutar e
um dos meus objetivos era nunca, nunca ter Dino me batendo na cara de verdade. Ele
era um dos poucos lutadores que tínhamos que explodiu um dos novos sacos de areia
projetados para resistir à força sobrenatural.
O nome completo de God era Godofredo. Na verdade, ele era sobrinho de Fredo,
o que me fez especular se Fredo seria abreviação para o mesmo nome, mas quando
perguntei Fredo tinha dado um olhar plano que fez todo mundo deixar o assunto. Fredo
era esguio, não tão alto, de músculos afiados como as lâminas que era suas favoritas.
God era polegadas mais alto, mais largo, e cheio de músculos de forma que o apelido
não parecia engraçado quando você o via entrar no ringue de prática.
—Ei, velho, você não vai correr conosco?— God chamou.
Fredo fez uma pausa em seu levantamento de peso, com uma barra cheia com
aproximadamente o peso corporal da maioria dos homens menores aqui. Ele não o
colocou de volta na prateleira; Ele segurou-o parcialmente levantado e respondeu em
uma voz sem qualquer indício de tensão.
—Quando você puder me vencer no ringue de prática, então você pode me
chamar de velho; Até então, cala a boca. —Ele começou a fazer repetições com a barra.
God riu e o som retumbou em seu grande peito. Eles gostavam um do outro, mas
era o gostar cara, então havia um monte de xingamentos e brincadeiras bem-humoradas
trocadas. Até que eu sair com homens por tempo suficiente eu nunca percebi que um vá
se foder poderia ser um carinho da mais alta ordem.
Eu estava alongada devidamente. Eu me levantei e todos ao meu redor se
levantaram comigo. Parte de mim se perguntava se eles o faziam conscientemente ou se
havia algum motivo metafísico para isso. Eu deixei o pensamento para lá. Eu estava
aqui para correr.
Os guardas que haviam chegado um pouco atrás de nós não se alongaram tanto
quanto eu, mas então eles eram menos propensos a puxar um músculo, então estávamos
todos prontos para correr ao mesmo tempo.
Ares disse:
—Você vai correr conosco?— Ele soava duvidoso.
—Estou usando a pista ao mesmo tempo— eu disse. Olhei para toda aquela
altura para encontrar seus olhos pálidos em seu rosto bronzeado.
Ele tinha aquele sorriso cara, aquele que eu recebi a maior parte da minha vida
porque eu era pequena e geralmente a única menina.
—Você não pode acompanhar a gente, Anita.
—Se eu fosse humana, não— eu disse.
—Não é isso.— Ele veio para ficar ao meu lado. Ele apontou para onde meu
quadril batia em sua coxa. —A maioria de nós tem um passo muito mais longo. Nós só
vamos ser mais rápidos na pista.
—Eu não estou tentando competir, Ares, apenas suar algumas merdas.
Ele encolheu os ombros.
—Apenas dizendo.
Senti a raiva como uma onda quente fluindo sobre minha pele. Ele atingiu o
lugar onde os animais viveram, e eu tive que tomar respirações profundas, para acalmar
tudo.
—Eu não quis dizer nada com isso— disse ele. Sua voz soou estranha.
Olhei para cima e descobri que os cabelos em seu braço estavam de arrepiados.
Seu rosto não estava brincalhão agora.
—Está tudo bem, Ares, mas só para você saber, meu controle e meu humor, não
está tão bom hoje.
Ele recuou, balançando a cabeça.
— Desculpe, senhora.
Eu não discuti sobre a parte da senhora. Eu só virei e saí para a pista. Eu
comecei em um trote lento. Stephen, Gregory e Nathaniel entraram no mesmo ritmo
comigo. Nicky começou com a gente, mas seu passo natural não o manteria conosco.
Uma batida de pés soou atrás de nós, e a multidão de guardas derramou-se por nós. Eu
segui o meu ritmo lento para que todos tivéssemos uma boa volta de aquecimento, mas
eu não tinha ilusões sobre o tipo de ritmo que acabaríamos.
Começamos a nos dividir em dois grupos. Aqueles com mais de 1,80 estavam à
frente em um bando com pernas longas. O resto de nós ficou um pouco atrás deles a um
ritmo que funcionou para nós. A pessoa mais alta que ficou conosco foi Dino. Como eu
disse, ele corria como um elefante pesado e, eventualmente, ficaria para trás de todos
nós, mas sob essa camada de gordura de aparência dura era nada mais que músculo. Ele
foi construído como um linebacker dos velhos tempos.
Eu não era rápida, mas eu era implacável e eu tinha resistência. Quando eu era
apenas humana eu fazia um 1,6 Km em seis minutos. Agora eu era mais rápido, mas
então todos estavam na pista.
Eu não acelerei. Eu não tentei ficar à frente de ninguém. Quando Ares e alguns
outros nos passaram em uma volta completa eu só continuei correndo. Nathaniel,
Stephen, Gregory e Dino ficaram comigo. Em algum lugar no6km Dino perdeu um
pouco o ritmo e ficou atrás de nós, mas não muito atrás. Correr com a gente em
comparação aos outros guardas o ajudou a aumentar sua resistência; Pelo menos com a
gente, ele não ficava tão desanimado, e não pegamos no seu pé por não ser o homem
mais rápido na pista.
Concentrei em colocar um pé na frente do outro. Eu me concentrei na colocação
do meu corpo no espaço da pista. Eu deixei o mundo se limitar ao meu corpo
trabalhando na pista, os braços indo para frente e para trás, pernas se movendo, tudo
apenas se movendo. Eu estava ciente de Nathaniel em um lado e Stephen no outro. Eu
sabia que Gregory estava do outro lado dele. Eu podia ouvir a respiração de Dino atrás
de nós, mas era tudo periférico. Corri, e deixei todo o resto desaparecer.
Corri até meu cabelo levantar atrás de mim, sem necessidade de amarrá-lo
porque não estava tocando minhas costas. Corri até não ter ar para falar, ou qualquer
outra coisa. Corri até o suor escorrer pela minha espinha e ouvi as pernas mais longas de
Nathaniel estendidas para ficar ao meu lado. Todos os outros estavam agrupados perto
de mim.
Eu encontrei ar suficiente para dizer:
—Nathaniel, faça.
Ele não discutiu, ele apenas se esticou e correu. Ele tinha 1,70, e pelo menos
metade disso era de perna. Eu tive um momento de ver sua trança balançando à minha
frente, e então logo me superou. Aumentei o ritmo para chegar ao lado dele, me
esforçando para ficar lá. Stephen e Gregory me alcançaram, e nós quatro corremos.
Dino não tentou continuar agora.
Corremos ao redor da pista e encontramos os homens mais altos na beira dela,
recuperando a respiração. Passamos por eles e tudo se resumiu a correr. Era tudo sobre
ficar com Nathaniel, manter esse ritmo. Passamos os outros homens que descansavam
uma segunda vez.
Eu consegui dizer — Acelerar!
Nathaniel acelerou, e nós corremos. Corremos tão rápido que o ginásio ficou
turvo à minha volta. Nós corremos mais rápido do que eu já tinha tentado antes. Nós
corremos e eu não questionei se eu poderia fazer isso. Se eu poderia continuar, se eu
poderia empurrar todos nós. Quando passamos os homens uma terceira vez, eu ofeguei:
—Desacelerar.
Ele fez, e nós fizemos uma volta lenta para pararmos junto aos outros homens
que ainda estavam sentados, em pé, e nos observando.
— Nada mal — disse Ares.
—Nada mal?— Disse God. — Foda-se, Ares.
Eu ainda estava ofegando um pouco quando eu disse:
—Está tudo bem, God. Ares está apenas louco que ele é rápido na saída, mas
não tem a resistência para manter o ritmo.
Os homens fizeram ruídos apreciativos ao meu comentário. Eu observei Ares
pensar em ficar chateado sobre isso, e então ele riu.
— Acho que mereci isso.
—Malditamente certo— disse Emmanuel.
Gregory, ofegando ao meu lado, disse:
— Nunca vi você correr assim, Anita.
Eu me inclinei para trás, alongando a pontada que sentia nas costas.
—Eu também.
— Você precisava disso — disse Nathaniel. Havia um brilho de suor em seu
rosto. Eu nunca tinha visto os três tão cansados por correr comigo. Eu sempre senti que
eles se seguravam porque eu estava com eles, mas não hoje.
Nicky veio até nós. Ele não disse nada, só veio para ficar com a gente em vez
dos outros guardas.
— Preciso de uma fita, de luvas e de um saco — falei.
Nicky se virou e foi em busca do que eu pedi. Seria arrogância presumir que, ele
apenas me ensinou que ele faz exatamente tudo o que eu peço?
—Você quer bater o saco de areia depois dessa corrida?— Ares disse.
Eu ri, ainda esperando meu pulso voltar a um ritmo normal.
—Veja, sem resistência.
—Se você pode bater no saco depois disso, eu também posso.
—Você a viu batendo em um saco de areia?— Lisandro perguntou.
Ares parecia intrigado.
—Não.—
—Você vai tentar competir com ela?— Lisandro perguntou.
— Se eu disser que sim, então o que?
—Vamos começar a apostar.— Que Lisandro diria isso, e não God, ou Dino, ou
Graham, disse que Ares não tinha sido presunçoso apenas comigo. O problema não era
por eu ser uma menina e pequena, era ele.
—Como nós pontuamos isso?— Eu perguntei.
—Resistencia— disse Lisandro. —Perde quem sair primeiro.
Ares olhou para Lisandro e depois para mim. Ele estava franzindo as
sobrancelhas, como se estivesse tentando ver algo que ele estava perdendo.
— Você nunca me viu bater no saco de areia.
— Não — disse Lisandro — mas eu a vi.
Novamente, Ares olhou para mim.
—Só porque ela pode correr não significa que ela pode bater.
Lisandro encolheu os ombros.
—Se você acha que pode sobreviver à nossa gatita negra, coloque seu dinheiro
onde está sua boca.
—O que isso significa? Negra é preta, mas eu não sei a segunda palavra.
—Isso significa gatinha preta— eu disse, com meu pulso quase normal
novamente.
Ares estudou-me.
—E você está bem com eles chamando você de gatinha preta?
—Eles são homens-ratos, Ares.— eu disse.
Ele franziu o cenho para mim.
—Eles não estão me chamando de pequena rata preta. Pense bem — eu disse.
Fui encontrar uma fita para meus pulsos e algumas luvas.
CAPÍTULO 37

Os sacos estavam em um quarto menor da área principal. Ares e eu estávamos


enrolados com fitas e enluvados e eu tinha proteções acolchoadas em meus pés e
canelas, também. Tínhamos um saco pesado cada um, perto um do outro, mas não
muito. Nós não estaríamos usando apenas a parte superior de nossos corpos no saco ou
pelo menos eu não estaria. Se você está indo chutar um saco, você precisa de mais
espaço.
Ares se divertiu com o fato de eu estar usandoprotetores nas pernas e pés. Eu o
ignorei e comecei a bater no saco. Soquei como tinha sido ensinada,conduzindo com
meu ombro, girando todo o meu corpo, transformando a torção no impulso final do
pulso, não com o objetivo de bater no saco, mas através dele até o outro lado. Você
sempre deve visualizar qualquer golpe, arremesso ou movimento de força indo alguns
centímetros além. O objetivo era sempre ir através de seu alvo, não em cima dele.
Ares trabalhava o saco do mesmo jeito que ele tinha corrido, rapidamente,
batendo pesado, tentando tomar o controle do movimento. Tentando fazer a bolsa se
mover. Eu comecei mais lentamente, sentindo o saco, batendo os punhos, os braços,
trabalhando de perto e então, para fora. Comecei a dar pontapés, tentando chutar
através. A última vez em que trabalhei num saco, Haven estava ao meu lado no outro.
Empurrei o pensamento para longe e chutei, usando a lateral da minha perna, a frente,
trocando de pernas.
Ares era chamativo. Eu estava castigando. Ele balançava mais o seu saco, mas o
meu também se movia. Suas combinações eram mais rápidas, mas aquilo não era sobre
rapidez, era sobre resistência. Deixei o mundo se restringirao saco, aos meus punhos,
meus pés, minhas pernas, meus braços, ao meu corpo se erguendo perto do saco e
desferindojabs curtos, fazendo o trabalho de joelho que você precisaria usar se tivesse
que lutar e se manter longe de garras.
Meu pulso estava na minha garganta, o suor escorrendo pelo meu corpo e não
era suficiente. Não era suficiente. Comecei a mexer nas proteções das minhas pernas.
Ares disse triunfante:
— Pague.
— Eu não vou parar, — respondi. — Eu só quero tirar as proteções das minhas
pernas.
— Por quê?— Ele perguntou.
— Porque eu preciso, — eu disse.
Nicky me ajudou a soltar as proteções das pernas sem uma palavra ou pergunta.
Sem as proteções, cada golpe da minha perna no saco sacudia mais, atritava mais.
Dobrei meus braços perto do meu corpo e chutei, primeiro uma perna e depois a outra,
mais e mais. Escolhi uma perna e chutei repetidamente até que o saco se moveu para
mim e senti minha perna machucada, só então mudei para a outra. Quando minhas
pernas começaram a doer apesar de toda a endorfina, mudei e usei minhas mãos
enluvadas. Eu bati e bati, com os cotovelos e todas as outras partes de mim no saco.
Esqueci-me de Ares, esqueci-me da aposta, esqueci-me de tudo, exceto do saco à minha
frente e de bater nele.
O mundo começou a escurecer e eu vi estrelas. O miasma da exaustão comeu as
bordas do mundo. Agarrei a bolsa com os dois braços e me inclinei para não cair. Tudo
que eu podia ouvir era o meu sangue trovejando na minha cabeça. Pisquei, tentando
limpar a visão. Eu pisquei e através das estrelas e do escuro eu vi que o outro saco
estava vazio. Ares estava sentado contra a parede. Eu ganhei.
Eu me deixei cair, deslizando e caindo sobre meus joelhos. Coloquei a cabeça
para baixo. O mundo ainda estava cinzento com estrelas brancas. Eu precisava de água
ou alguma coisa com mais eletrólitos. Ou talvez eu só precisasse desmaiar. Coloquei a
cabeça entre as pernas para ver se conseguia evitar que isso acontecesse.
Senti uma mão nas minhas costas e soube que era Nathaniel antes de ouvi-lo
dizer:
— Você está bem?
— Sim, —Me ouvi responder. E, na maior parte, era verdade. Eu fiquei de
quatro, minha cabeça ainda pendurada. Nathaniel começou a pegar meu braço e eu
apenas olhei para ele.
Ele se apoiou nos joelhos e disse:
— Ninguém aqui pensaria menos de você se eu a ajudasse a ficar de pé.
— Eu pensaria, — respondi.
Ele suspirou, mas não tentou me ajudar enquanto eu debatia se aguentaria ficar
de pé.
— Você não vai estar no ringue de prática comigo hoje. Você não será capaz de
levantar os braços o suficiente para usar uma faca.
Virei-me lentamente para encontrar Fredo na entrada. Eu tive que lutar para
focalizá-lo através do cinza e branco.
— Adiar?— eu disse.
Ele sorriu.
— Isso.
Ouvi Lisandro dizer:
—Viu? Negra gatita.
Ares disse:
— Entendi. Os gatos comem ratos e você a está chamando de gata.
— Nós a estamos chamando de “nossa gata”, — respondeu Lisandro.
Eu rastejei até a parede e coloquei minhas costas contra ela enquanto esperava
minha visão limpar e lutava para não vomitar. Pessoas com alcunhas inteligentes como
a negra gatita não vomitam de exaustão e desidratação, ou pelo menos tentamos não
fazê-lo.
CAPÍTULO 38

De banho tomado, recém-vestida, com armas e facas de volta no lugar, eu estava


pronta para atender aos homens-tigre dourados. Ou tão pronta quanto eu iria estar,
porque, honestamente, eu ainda não queria fazê-lo. Eu tinha homens suficientes na
minha vida. Eu não queria mais. Eu não era monogâmica, o que era bom, já que não dá
para ser monogâmica e ter tantos homens em sua vida e poder ser justa com qualquer
um deles. Eu estava naquele ponto, ou perigosamente perto, e agora nós estávamos para
adicionar mais. Só soava como uma ideia ruim para mim.
Nathaniel me fez beber um Powerade do refrigerador perto dos vestiários, mas
também insistiu em parar na cozinha para que ele pudesse me fazer um shake de
proteína. Eles foram concebidos para substituir as coisas que um treino duro fariam
você perder, e a coisa interessante era que se você não precisava do shake, o gosto era
ruim, mas se o seu corpo precisava dele, chocolate tinha gosto de chocolate. O meu
tinha um gosto muito bom hoje.
Sentei-me à pequena mesa da cozinha enquanto Nathaniel e Nicky faziam shakes
para todos nós, incluindo Stephen e Gregory. Dino tinha se vestido e vindo conosco,
deixando Fredo praticar com as facas com os outros guardas. Ele era o nosso professor
para as aulas de lâmina curta. Para as aulas de espada eram Wicked e Truth. A formação
de espada não era obrigatória para os guardas metamorfos, mas era para os vampiros,
porque ainda era possível ser desafiado para um duelo no estilo antigo. Além disso,
Fredo estava certo, a maioria das pessoas tinha medo de facas e uma espada é apenas
uma maldita faca grande. Truth me disse uma vez que a única coisa que as pessoas
temem mais do que uma espada é um machado. Ele, na verdade, ofereceu-se para
ensinar aos guardas luta com machado, mas não havia pessoas suficientes para uma
classe regular.
Sentei-me e tomei um gole do meu shake e não pensei em nada. Era como um
vazio rugindo na minha cabeça. Lembrava-me quase o lugar na minha cabeça aonde eu
ia quando eu matava. Isso me mostrou melhor do que qualquer outra coisa que o que
havia de errado comigo não foi consertado. Eu estava quente e limpa e esticada e até
mesmo dolorida do saco pesado, mas eu não estava bem. Eu estava melhor, mas isso
não é a mesma coisa que estar realmente bem. Eu pensei sobre esse isso e então deixei
pra lá. Eu costumava me segurar a pensamentos como esse, como esconder roupas sujas
debaixo da cama, mas agora eu apenas deixei o pensamento ir. Eu não julguei ou me
preocupei com ele. Eu apenas pensei e deixei-o afastar-se.
Meu telefone estava tocando. Eu sabia que era o meu telefone porque estava
vibrando no bolso de trás, mas ele estava tocandoCat Scratch Fever,de Ted Nugent.
Quando eu deslizei o telefone aberto acabou por ser o toque de Micah.
—Hey, Micah, — eu disse.
—Você está se sentindo melhor?
Essa era uma resposta fácil.
—Melhor, sim.
—Nathaniel nos disse que você terminou com o seu treino. Desculpe-me por ter
perdido isso.
—Você estava ocupado escolhendo dentre os homens-tigres, — eu disse, e minha
voz era estranhamente inflexível, de modo que o que eu tinha a intenção que soasse
bem-humorado não soou.
—Nós reduzimos, — disse ele.
—Reduziram a quanto? — Perguntei, e eu ainda realmente não me importava.
—Três.
—A menina é um deles, — eu disse.
—Sim, você se importa?
Dei de ombros, percebi que ele não podia ver, e disse:
—É justo, e Deus sabe que temos homens suficientes.
—Ok, estaremos na sala de estar quando você puder chegar aqui.
—Estamos tomando um shake de proteína na cozinha, depois estaremos aí.
—Você não parece se importar, Anita.
—Eu não me importo.
—Você deve sentir algo sobre isso. Estamos escolhendo para que possamos
manter um deles ou mais.
—Nós vamos manter todos aqui no Circo para sua própria segurança. Você só
está escolhendo com quais vamos tentar dormir, — eu disse.
—Normalmente, você fica com raiva sobre isso, ou com vergonha, mas eu não
estou sentindo nada de você.
—Não há muito para sentir agora, — eu disse.
—A polícia de Atlanta chamou de volta? — Perguntou.
—Ainda não.
—Nós estaremos esperando por você.
—Estaremos lá.
—Você e Nathaniel?
—E Dino e Nicky, — eu disse.
—Anita, eu te amo.
—Eu também te amo, — eu disse, mas mesmo isso não tinha muito sentimento.
Eu me sentia como se algo tivesse morrido dentro de mim, como se o algo que me
deixava sentir apenas tivesse desaparecido.
Nós desligamos, mas poucos minutos depois o telefone de Nathaniel tocou com a
mesma canção, e desde que ele tinha colocado o toque no meu telefone eu tinha certeza
de que Micah estava ligando para me checar. Era uma vez, isso teria me incomodado,
mas eu estava sendo difícil. Talvez difícil de uma maneira diferente do meu normal,
mas essa atitude não exatamente ganharia os homens-tigres. No entanto, honestamente,
eu não estava tentando impressionar ninguém.
Nathaniel foi para a borda da cozinha e falou baixo, e de novo, eu não me
importei. Eu bebi o shake de chocolate até a última gota. Eu fui para a pia, abri a parte
superior do copo, e comecei a enxaguá-lo. Nós tínhamos descoberto que se você
deixasse a bebida ficar no copo, você nunca realmente conseguiria limpá-los. O resto da
proteína em pó endurecia nas rachaduras e fendas, e você tinha de jogar o copo fora. Eu
limpei-o, em seguida, coloquei no escorredor de louça ao lado da pia. Os movimentos
pareciam automáticos. Isso me disse que os meus braços ainda estavam um pouco
instáveis com a tentativa de bater no saco pesado até cair. Eu deveria ter me sentido
bem sobre superar Ares no saco. Eu deveria ter estado animada sobre a corrida e meu
recorde de tempo pessoal na pista, mas eu não estava. Eu não estava descontente com
isso, mas eu não estava contente, também.
Nathaniel disse:
—Eu vou lavar para você.
—Já fiz, — eu disse.
Ele tocou no meu braço, então me virei para olhar para ele.
—Anita, o que você quer fazer?
Eu pisquei para ele.
—Eu não entendi a pergunta.
—O que faria você se sentir melhor? — Ele inclinou sua bunda contra a pia, e
parecia bem em sua calça jeans preta e camiseta preta. Eu percebi que desde as botas até
as roupas, estávamos ambos vestidos como se tivéssemos começado a noite no mesmo
armário. Nós combinávamos. Ele provavelmente colocou minhas roupas para mim hoje,
então eu não deveria estar surpresa. Fiquei olhando para a camisa e percebi que era
decotada, não tanto como algumas que eu tinha, mas o suficiente para que houvesse um
monte de pele cremosa aparecendo na frente da minha camisa. No momento que eu
percebi que eu realmente não tinha visto o que eu estava usando todo o dia, isso meio
que me assustou.
—Estou em estado de choque? — Perguntei.
Ele colocou sua mão sobre a minha onde eu estava agarrando a pia.
—Eu não tenho certeza, mas eu acho que te machucou ter que… matar Haven. —
Ele passou os braços em volta de mim, me puxando para um abraço. Eu continuava
segurando a pia e fiquei rígida em seus braços. Ele deitou sua cabeça contra o meu
cabelo.
—Anita, por favor, fale comigo.
Eu soltei a pia e passei meus braços em torno de sua cintura. Agarrei-me e não
sabia o que dizer. Eu disse a verdade.
—Eu não sei o que dizer.
—Diga como você se sente.
—Eu não sinto nada.
Ele me segurou mais apertado, beijando meu cabelo, me pressionando contra ele.
—Ele tinha que morrer, Anita.
—Eu sei disso.
—Mas você não tinha que fazê-lo. Qualquer um dos guardas teria feito isso.
Eu empurrei ele, até que ele me deixou ir. Eu recuei, negando.
—Eu tinha. A culpa foi minha. Eu pensei que eu o tinha domado. Eu pensei que
iria dar tudo certo e eu estava errada. Eu estava tão errada, Nathaniel, tão errada.
—Ele não estava disposto a compartilhar, — disse Nathaniel.
—Foi mais do que isso e você sabe disso. Os sinais estavam todos lá. Ele atacou
você e Micah e ficou chateado porque eu te ajudei a vencer a luta. Ele continuou
querendo que eu o colocasse em primeiro em minha cama, se não no meu coração.
—Você disse a ele que não iria acontecer, — disse Nathaniel.
—Eu sei. Eu não menti para ele. Então como é que acabamos com ele tentando
matar você e Travis, e matando Noel? Como é que acabamos com Haven morto? Como
eu pude deixar isso ficar fora de controle, Nathaniel?
—Você não fez Haven fazer nada disso, — disse ele.
—Mas eu tenho que ser essa superdominante de todos os metamorfos, e eu acabei
falhando tanto com os leões. Como posso adicionar mais metamorfos? Eu não posso
lidar com o que já temos. Como posso adicionar mais quando eu não sei o que deu
errado com os leões?
—Haven deu errado com os leões, — disse Nicky.
Eu olhei para ele.
—Você me disse apenas uns dias atrás que se eu o tivesse deixado lutar com ele,
você o teria matado, e Noel estaria vivo e Nathaniel não teria se machucado.
—Eu não disse isso, — disse Nicky.
—Você disse que eu me sentia culpada por foder a sua mente e isso me fez não
querer deixá-lo lutar contra Haven, ou algo assim.
—Mas não deveria ser necessário que eu lutasse contra ele. Se ele tivesse o seu
pridebem organizado eu teria sido apenas mais músculo, mas ele deixou seus
sentimentos pessoais ficarem no caminho de ser um bom Rex. Ele deixou sua obsessão
por você estragar tudo.
—Hum, Nicky, isso me faz sentir muito melhor.
Ele suspirou, franzindo a testa.
—Eu não quis dizer isso. Quero dizer que Haven não era um bom Rex, você sabe
disso. O fato de que ele tentou bater em Noel e Travis até a morte por ter feito sexo com
você quando eles não tinham tido sexo com você diz que ele estava deixando seus
sentimentos cegá-lo.
—Eu não tive relações sexuais com eles.Não até ontem à noite de qualquer
maneira. Eu ainda não me lembro de tudo o que fiz ontem, mas eu sei que eu fiz algo
com Noel.
—Um metamorfo forte pode dizer quando alguém está mentindo, Anita. Nós
podemos cheirar, provar o excesso de velocidade dos pulsos, como um detector de
mentiras peludo.
—Eu sei disso, — eu disse.
—Mas Haven não poderia dizer que Travis e Noel estavam dizendo a verdade
sobre não dormir com você.
Olhei para Nicky.
—Diga isso de novo.
—Haven era um poderoso homem-leão. Ele deveria saber que Travis e Noel
estavam dizendo a verdade, Anita.
—Sim, — eu disse, —ele deveria. Por que ele não sabia?
—Ele deixou suas emoções sobrecarregarem o que ele cheirava ou provava, —
disse Nicky, e isso era um insulto entre os metamorfos. Dizer que alguém estava cego
olfativamente, ou que não podia se provar capaz quando posto à prova, essencialmente
significava que ele estava fazendo o equivalente humano de se recusar a ver a verdade.
Gregory disse:
—Alguns homens não querem acreditar que são eles que você não quer. Se eles
querem uma mulher o suficiente e ela não os quer, eles buscarão outro homem para
culpar. — Ele disse uma coisa muito inteligente e tomou outro gole de seu shake de
proteína. Os gêmeos juntos sorviam seus shakes e pareciam um anúncio sexy de uma
loja de malte.
—Contanto que outro homem lhes tenha roubado, — Nicky disse, — eles não têm
que olhar para si mesmos.
—Não há nada de errado com ele, — disse Stephen da mesa. —É apenas que você
prefere o outro homem, não que haja algo de errado com ele.
—Eu poderia entender isso se ele escolhesse brigar com Nicky, mas por que
Travis e Noel?
—Ele sabia que eu ia chutar a bunda dele.
Olhei para Nicky.
—Eu acho que eu teria, mas mais do que isso, Haven pensava assim também.
—Eu o proibi de lutar contra ele, — eu disse.
—Você me deu a opção de lutar caso ele ou seus leões me atacassem primeiro.
—Eu tinha medo de que você os deixasse te matar se eu não lhe desse essa opção.
Ele deu aquele meio encolher de ombros.
—Eu não sei, talvez. Você tinha me dito para não lutar com ele, mas da última
vez que Haven apareceu na minha frente no ginásio eu disse a ele o que você disse. Eu
disse a ele que se ele me atacasse no ringue de prática eu poderia lutar com ele. Que se
ele me atacasse primeiro, poderíamos resolver isso.
—O que ele disse? — Perguntei.
—Nada, e esse é o meu ponto. Se ele pensasse que poderia ganhar contra mim ele
teria empurrado, mas ele não fez.
—Eu estava lá naquele dia, — disse Dino.
Olhei para o grande homem.
—Você acha que Haven tinha medo de Nicky?
—Haven era um bom lutador, mas Nicky também é. Há mais de uma razão para
que nenhum dos homens-leões, senão Nicky, estarem de guarda aqui, Anita.
—Eu pensei que nós simplesmente não confiávamos neles, — eu disse.
—Isso, mas Bobby Lee, Fredo, e Claudia olharam para eles. Eles não gostaram do
que viram.
—Como assim?
—Eles eram musculosos e implacáveis, mas em uma luta justa mano a mano nós
não os vimos no mesmo nível que a gente.
—Com os homens-rato? — Perguntei.
—Não com o nível de formação que Rafael exige do seu povo. Qualquer um dos
guardas aqui tem que manter-se nessas normas, independentemente do seu grupo
animal.
Eu levantei as sobrancelhas para isso.
—Graham e Clay cumprem as normas.
Dino sorriu.
—Eles não são os nossos melhores lutadores mão amão, e Clay parece
estranhamente desajeitado com qualquer coisa que não seja uma arma, mas eles fazem o
treinamento. Eles vão ao ginásio assim como o resto de nós. Rafael não iria confiar à
segurança de Jean-Claude e você para qualquer guarda em que ele não confia.
Eu pensei sobre isso.
—Dos outros homens-leões, quem é o melhor? De quem é que vocês gostam?
—Payne é muito parecido com Haven, — disse Dino. —Ele é um bandido e não
um pensador profundo.
—Jesse é bom, — disse Nathaniel.
—Eu acho que ele seria mais suave se estivesse em um pride que permitisse isso,
— disse Dino.
—Eu concordo, — disse Nicky.
—E as mulheres?
—Nós não as vimos, — disse Dino.
—Haven comandava o seu pride como os pride’s ultramasculinos fazem, — disse
Nicky. —As mulheres são cidadãs de segunda classe, quase enclausuradas longe de
quaisquer outros metamorfos. A maioria dos homens-leões tem um monte de orgulho no
fato de que as suas leoas não querem ou precisam ir para fora do pridebuscar sexo.
—A maioria dos grupos animais permanecem dentro de seu próprio grupo animal,
certo? — Perguntei.
Todos concordaram.
—Há uma razão para isso, — disse Stephen calmamente. —Se formos para fora
do nosso grupo, podemos ter desentendimentos apenas por sermos bestas diferentes.
Eu quase deixei quieto, mas no final eu fiz a coisa de menina e disse:
—Você e Vivian não estão tendo problemas porque você é um lobo e ela é um
leopardo.
Ele desviou o olhar.
—Eu sei disso. — Seu tom de voz, sua linguagem corporal disse tudo:
“Deixa isso para lá.”
Eu fiz a coisa de cara. Deixei-o sozinho.
—Então, o fato de que muitos dos metamorfos de St. Louis tem encontros entre
espécies é incomum? — Perguntei.
—Muito, — disse Dino.
—Haven viu sua rejeição a ele por Nathaniel e Micah, e todo o resto de nós, como
um desafio direto a ambos: sua masculinidade e seu leão, — disse Nicky.
—Eu não poderia fazê-lo meu primeiro e único, e ele não compartilhava bem o
suficiente para dormir em grandes pilhas de gatinhos com a gente.
—Não, ele não fazia, — disse Nicky.
—Estou perdendo alguma coisa aqui?
—Anita, você não pode salvar a todos, — disse Nathaniel.
—Eu sou umaMarechal, eu sei disso.
—Você sabe? — Ele pegou minha mão na sua, e eu deixei desta vez. —Você está
se culpando por Haven e Noel, mas a única coisa que você poderia ter feito diferente
seria ter matado Haven mais cedo.
Encontrei esses sérios olhos de lavanda. Estudei seu rosto.
—Você acredita nisso, não é?
—Mesmo se você tivesse deixado Nicky lutar com ele, Haven ainda estaria morto.
—Mas Noel não estaria, — eu disse.
Pena e tristeza encheram seu rosto quando tomou as minhas duas mãos na sua.
—Anita, como você acha que eu me sinto? Noel morreu me salvando. Se tivesse
sido um dos guardas, eu ficaria triste, mas é o trabalho deles. Não era o trabalho de Noel
morrer por mim.
—Deus, Nathaniel, eu não tinha pensado… — Eu o abracei. —Me desculpe. Eu
estou sendo uma bastarda egoísta. Não foi culpa sua. Você não pediu a Noel para fazê-
lo.
Nathaniel me afastou dele o suficiente para ver meu rosto.
—Não é culpa sua, tampouco, e você não pediu a Noel para dar sua vida pela
minha.
Olhamos um para o outro, a centímetros de distância, nossas mãos nos braços um
do outro. Havia dor nos rostos de nós dois.
—Eu não quero ser insensível — disse Nicky, —mas o que vocês estão sentindo,
superem. Precisamos que atendam os tigres e sejam charmosos e sexys. Culpa não é
sexy.
Eu dei-lhe um olhar hostil, mas Nathaniel disse:
—Ele está certo.
Eu olhei para ele.
—Como você pode apenas…
—Esquecer?
Eu assenti.
—Eu não vou esquecer, mas nós precisamos fazer desta cidade, deste território, o
mais seguro possível. Isso significa que precisamos dos tigres, Anita. Precisamos que
você e Jean-Claude sejam os Mestres dos Tigres.
—Eu não sei se eu posso fazer isso.Ser isso.
—Basta ir fazer bonito com os tigres que Micah escolheu, isso é tudo.Não se
preocupe mais.
—Eu poderia ter relações sexuais com eles, eu acho, mas é a ideia de mantê-los
que me incomoda. Eles são estranhos e de repente eles começam a estar na cama com a
gente também. Eu não estou tendo tempo suficiente sozinha com você e Micah agora.
Ele sorriu e então me puxou para os seus braços.
—Eu sinto falta de ser apenas nos três também.
—Meus sentimentos deveriam estar feridos? — Perguntou Nicky.
Eu olhei para ele, mas ele estava sorrindo.
—Sim, deveriam, — eu disse, —mas não estão, não é?
—Não, porque a minha prioridade é que você seja feliz. Micah e Nathaniel fazem
você feliz.
—Você não está autorizado a trabalhar pela sua própria felicidade? — Perguntei.
—Eu não acho que é para isso que a Noiva de um vampiro serve, — ele disse, e
parecia tão calmo sobre isso.
—Para o que elas servem? — Perguntei.
—Para serem dispensáveis, oferecer obediência inquestionável, eu não sei.
—Você estava com medo do que eu fiz com Jamil e Shang-Da no corredor.
Ele franziu a testa e parecia desconfortável.
—Sim, isso me assustou.
—Mas se você tem que me obedecer, se eu pedisse você não poderia me recusar,
poderia?
Ele franziu a testa, pensando nisso.
—Eu acho que eu a deixaria fazer tudo o que quisesse para mim, mas eu prefiro
que não. Foi tanto poder e eu me senti tão bem quando você compartilhou, mas eu não
gostaria de ser o metamorfo do qual você estava sugando a energia.
—É de onde toda a energia veio? — Perguntou Dino.
Nós três concordamos.
—Foi mais poderoso do que o ardeur quando você compartilhou, — disse
Stephen.
—Eu não estava me alimentando do seu sexo. Eu estava alimentando-me de suas
vidas, de suas energias. É mais poderoso porque eu estava levando mais embora, eu
acho.
—Será que eles entendiam para o que estavam se voluntariando? — Perguntou
Nicky.
—Eles se ofereceram para salvar seu Ulfric, — disse Nathaniel.
—Eles são seu Skoll e Hati.Eles deveriam estar dispostos a dar suas vidas por seu
Ulfric, — disse Stephen.
—Depois de ver os olhares em seus rostos, eu não acho que eles vão querer me
alimentar novamente.
—Eles estavam com medo de você, — disse Nicky.
Eu concordei.
—Meus aliados não devem ter medo de mim.
—É melhor ser amado do que temido, mas se você não pode ser amado, o medo
vai servir, — disse Dino. —Estou massacrando a citação, mas eu gosto do que ela diz.
— Todos nós olhamos para ele, e devemos ter parecido surpresos porque ele disse:
—Ei, eu leio.
—Eu não sabia que você lia Maquiavel, — eu disse.
—Ele foi um cara interessante, — disse Dino.
—Essa é uma maneira de colocar. Mas, honestamente Dino, apesar de eu ter feito
isso sozinha, eu temo que quando você começa a citar Maquiavel para justificar suas
ações, você já deixou de ser um dos mocinhos.
—Não, citar Nietzsche faz isso. Maquiavel é apenas legal.
Nathaniel disse:
—Vamos ir atender os homens-tigres, Anita, sem amarras, sem expectativas.
Basta encontrá-los e seguir daí.
—Parece justo, — eu disse.
—Mas… — Disse ele, sorrindo.
Eu dei de ombros.
—Vamos fazer isso.
—Você está se sentindo um monstro porque você matou Haven, — disse Dino.
—Eu não tinha pensado exatamente nisso.
—Sim, você tinha, — disse ele, e tinha muito acontecendo nos olhosdesse grande
rosto escuro. Ele era tão grande e tão musculoso que às vezes você se esquecia de que
havia uma boa mente em toda essa embalagem pesada.
—Não é porque eu matei Haven. É porque eu fui capaz de olhá-lo em seus olhos
mortos, os mesmos olhos que eu olhei enquanto tinha sexo com ele. Eu olhei para
aqueles olhos e puxei o gatilho. Olhei-o nos olhos e transformei seu cérebro em mingau.
Como eu pude fazer isso? Como alguém pode fazer isso e não ser um monstro?
Nathaniel colocou os braços em volta de mim, e eu o deixei. Agarrei-me, porque
eu acreditava no que eu tinha dito.
—Eu diria que eu poderia ter feito isso, mas todos nós sabemos que sem o seu
controle eu sou um sociopata, — disse Nicky. — Então isso não é reconfortante.
—Se fosse uma mulher eu poderia hesitar, — disse Dino, —mas se ela tivesse
uma arma eu poderia fazê-lo.
—Não olhe para nós, — disse Gregory. —Armas não são nosso estilo.
Stephen apenas concordou.
—Eu não poderia matar alguém que eu amasse, — disse Nathaniel, —mas eu
mataria para proteger alguém que eu amo, e foi isso que você fez Anita. — Ele beijou
minha testa e colocou as mãos no meu rosto, deslizando seus dedos no meu cabelo para
que ele pudesse me fazer olhar para ele. —Você me protegeu.
—Havia guardas em todo o lugar, pelo que ouvi, — disse Dino, —e qualquer um
deles teria feito isso para você. Não teria lhe custado este tipo de dor.
Eu virei de costas para Nathaniel, suas mãos ainda no meu cabelo, para que eu
pudesse ver Dino.
—É por isso que tinha que ser eu. Supostamente deve importar. Supostamente
deve machucar.
—Você foi criada como católica, certo? — Perguntou Dino.
—Sim, por quê?
Ele balançou sua cabeça, negando.
—Nada. Mais uma citação, e esta é de Nietzsche: “É melhor colocar para fora o
monstro do monstro ou ser calmamente devorado?”
—O quê? — Perguntei.
—Você ouviu a pergunta, agora responda-a, — disse ele.
Eu tomei uma respiração profunda e deixei sair devagar, deitando a minha cabeça
contra o peito de Nathaniel com as mãos ainda a segurando cabeça. Abracei-o uma vez
e depois me afastei, então eu estava em pé sozinha.
—Eu não vou ser calmamente devorada.
—Então você vota no monstro, — disse ele.
Eu pensei sobre isso.
—Se existem apenas duas opções, sim.
—Eu também, — disse ele.
—Comigo, três, — disse Nathaniel.
Nós vimos pela sala e todos votaram em ser um monstro.
—Haven descontou em Travis e Noel porque eles o deixaram devorá-los
lentamente, — disse Dino.
—Eles não eram monstros bons o suficiente, — disse Nicky.
—Travis ainda está vivo, não fale sobre ele no tempo passado, — eu disse.
—Se ele quer permanecer assim, ele precisa ficar melhor em lutar, — disse Dino.
—Posso pedir-lhe para começar a ir às sessões de treinamento? — Perguntei.
—Você é a Regina local Anita, e eles estão recentemente sem rei, você pode
ordenar que Travis faça qualquer coisa, — Nicky disse.
E lá estava de novo, estar no comando da vida de alguém a um ponto que eu não
queria. Mas Dino e Nicky estavam certos, Travis tinha que aprender a defender-se
melhor ou encontrar um pride que fosse um pouco menos leonino.
Nathaniel pegou minha mão e começou a me levar para a porta.
—Travis está seguro aqui, então se preocupe com ele mais tarde.
—Você realmente está bem comigo adicionando mais pessoas para a nossa cama,
— eu disse.
Ele sorriu para mim.
—Eu gosto de fazer novos amigos.
Eu fiz uma careta para ele. Ele me beijou, suave e repentinamente. Eu não podia
franzir a testa enquanto ele me beijava. Eu não podia fazer nada, senão beijá-lo de volta.
Quando ele se afastou eu fui deixada olhando para aqueles olhos.
—Você realmente está um pouco animado para conhecê-los, não é?
Ele colocou sua testa contra a minha e sussurrou:
—Eu gosto de ver você com outras pessoas, e você sabe disso.
—Será que Micah gosta de assistir? — Perguntei.
—Ele gosta de nos assistir juntos, e ele gosta de Jean-Claude. Ele gosta de Jason.
Fechei os olhos e inclinei-me contra ele.
—Eu só quero dormir entre vocês dois por um par de dias.
—Vamos passar por isso e o faremos.
Mudei-me para trás o suficiente para que eu pudesse ver seu rosto.
—Prometa, — eu pedi.
Seu rosto ficou muito sério e ele disse:
—Prometo.
Eu assenti e me afastei. Me endireitei, porque eu estava amontoando em mim
mesma. Eu poderia fazer isso. Nós poderíamos fazer isso. E então quando isso estivesse
acabado nós encontraríamos uma cama apenas para nós três e dormiríamos até que eu
não estivesse mais cansada. Parecia que eu precisaria de cerca de cem anos para
recuperar o atraso, mas eu me contentaria com oito horas ininterruptas. Às vezes, você
pega o que você pode obter.
CAPÍTULO 39

As cortinas ao redor da sala haviam sido arrancadas, de modo que a área atapetada
parecia uma ilha no meio das paredes de pedra nuas e do chão sem o tapete, que levava
mais longe no subsolo. A luz e o calor da área pareciam um palco cercado por toda a
rocha nua.
Devo ter hesitado, porque a mão de Nathaniel apertou a minha e ele manteve-nos
seguindo em frente. Olhei para ele e encontrei um sorriso acolhedor apenas aparecendo
em seu rosto, entretanto, seu trabalho como stripper havia lhe ensinado como sorrir e ser
encantador mesmo quando ele realmente não se sentia assim. Estranhamente, nenhum
dos meus trabalhos me ensinou como ser encantadora.
Nicky e Dino estavam na retaguarda. Stephen e Gregory tinham ficado para trás
na cozinha, mas com os ombros de Nicky e Dino atrás de nós realmente não havia
espaço para mais ninguém.
Micah veio até nós. Era quase estranho vê-lo em agradáveis jeans e camiseta
pretos. Ele usava ternos para trabalhar e relaxava em jeans desbotados e camisetas
coloridas. Ele realmente não era tão afeiçoado ao preto fora de seus ternos. A camisa
preta abrigada na calça jeans preta com um cinto preto e fivela de prata fez sua cintura
parecer minúscula. Na verdade, a roupa toda enfatizava como quase delicado ele era,
especialmente para um homem. O que o salvava era a forma como a camiseta apertada
mostrava a parte superior do corpo musculoso, mas tudo parecia feito em miniatura,
especialmente depois de apenas se exercitar com muitos dos guardas. Na maioria das
vezes eu não penso em Micah como pequeno, porque nós éramos do mesmo tamanho,
mas quando ele caminhou em nossa direção, sorrindo, seu longo cabelo castanho escuro
enrolado solto sobre os ombros, emoldurando aquele rosto triangular com aqueles olhos
surpreendentes, ele era simplesmente belo de uma maneira muito feminina. Eu entendi
por que ele usava ternos na maior parte do tempo: ajudava a fazê-lo parecer um adulto.
O mesmo ao manter o cabelo para trás de seu rosto. Por que ele escolheu se vestir agora
de forma tão diferente de si mesmo? Sendo Micah, eu sabia que teria uma razão.
Ele me beijou, de leve, mas foi bom. Isso me fez sorrir. Ele sorriu de volta, e com
a mão ainda no meu braço, ele se inclinou e beijou Nathaniel. Ele endureceu por um
segundo, assustado eu acho, porque além do beijo no recital de dança eles não se
beijavam em público. Mas Nathaniel se recuperou quase que instantaneamente e beijou-
o de volta, até mesmo colocando a mão no ombro do outro homem. Talvez Micah
apenas estivesse mais confortável com isso, mas eu estava apostando que, como as
roupas, ele tinha feito isso de propósito. Eu sabia que depois eu ia perguntar e ele
explicaria, mas não agora, não na frente das companhias. Já que eles provavelmente
eram as pessoas para quem ele estava fazendo tudo isso.
Ele pegou a mão de Nathaniel para nos levar para frente porque para pegar na
minha ele teria que pegar minha mão da arma. Eu lhes tinha ensinado que eu não
gostava disso. Agora eu teria preferido sua mão na minha e não a mão da arma livre,
porque o que estava esperando por nós não era uma questão para armas.
Micah levou-nos para a área atapetada, mas eu não pude resistir a olhar em
direção ao canto onde Haven tinha morrido. Notei Nathaniel olhando para o chão onde
ele e Noel tinham caído. Tanto quanto eu poderia dizer o sangue havia sido limpo, mas
quando nós passamos pelo lugar onde Noel tinha sangrado senti o cheiro acentuado de
água sanitária. Eu sabia que se eu podia sentir o cheiro, todos os metamorfos iriam
senti-lo ainda mais. Nossos convidados saberiam que havia sangue por baixo de todo o
cloro, mas não havia mais nada que pudéssemos fazer sobre isso.
Jake estava do outro lado da sala com Claudia ao lado dele. Ele já tinha adotado a
camiseta preta que era o uniforme oficial dos nossos guardas. Claudia parecia estar em
seu estado normal, com seus músculos suaves e seu cabelo em uma trança apertada. Se
eu não a tivesse visto levar o tiro não iria sequer saber que ela tinha sido ferida. O fato
de que ela tinha se curado tão completamente e tão rápido dizia o quão poderosa
mulher-rato ela era. Ela deu um pequeno aceno para mim, e eu dei um de volta.
Wicked e Truth estavam perto da lareira porque a namoradeira tinha sido colocada
próxima a eles em um certo ângulo, e era alí que Jean-Claude estava sentado. Ao
contrário de Micah, ele optou por sua aparência normal: calças apertadas e botas pretas
altas, ambas feitas de couro intricadamente costuradas, de modo que a parte inferior do
seu corpo parecia estar presa em tiras finas de couro, e era difícil ver onde as botas
acabavam e as calças começavam. A camisa branca tinha uma frente laçada colocada
dentro do couro. Sua jaqueta era preta e de veludo, cortada curta o suficiente para que
mal chegasse em sua cintura. Ele prendeu o laço no lugar com o camafeu antigo que eu
tinha dado para ele em um dos primeiros Natais em que trocamos presentes. Asher
estava ao lado dele no sofá com seu cabelo dourado solto derramado ao longo de um
lado de seu rosto para que escondesse as cicatrizes. Ele tinha se vestido para combinar
com Jean-Claude, então também estava em calças de couro e botas, mas as suas eram de
couro liso, tão suaves que pareciam pintadas. A camiseta branca era de smoking com o
colarinho desabotoado no pescoço, mas apesar disso se encaixava apertada na parte
superior de seu corpo. Aos meus olhos você poderia ver a diferença em sua pele de um
lado para o outro do peito quando ele se levantou do sofá e deslizou em direção a nós,
sorrindo. Mas eu conhecia aquele sorriso, não era um de verdade. Era um sorriso que
poderia tanto ser de felicidade, quanto se transformar numa crueldade terrível. Havia
algo sobre os nossos convidados que Asher não gostava.
O grande lobo marrom-canela trotou ao lado de Asher. Por um momento eu não
soube como cumprimentar Richard em forma de lobo. Asher pegou minha mão livre, a
minha mão da arma, e levantou-a para um beijo, mas enquanto ele a levantava ele
deixou-me ver seus olhos. Eles estavam descontentes. Eu queria perguntar o que havia
de errado, mas desde que Asher e eu não éramos capazes de falar mente à mente eu teria
que esperar por privacidade.
O grande lobo bateu na minha perna com a cabeça. Eu não estava pronta para isso,
o que me fez cambalear um pouco. Cheguei a colocar minhas mãos para baixo para
acariciá-lo. Ele olhou para mim com olhos de lobo, mas o olhar neles era humano. Ele
não estava feliz também. O que diabos poderia ter colocado Asher e Richard infelizes
ao mesmo lado? Tirando o fato de ambos serem mal-humorados, eles não tinham muito
em comum.
Eu tive que lutar contra a vontade de perguntar-lhe “Qual é o problema, garoto?”,
como se ele fosse a Lassie ou algo assim. Asher me ofereceu o braço e eu deslizei
minha mão através do braço dele.Se eu tivesse que pegar uma arma eu estava ferrada,
mas com Wicked, Truth e Claudia na sala, se a minha arma fosse o que nos salvaria, as
coisas teriam ido muito errado para mais uma arma fazer a diferença. O lobo caminhava
à frente de nós e deitou-se ao lado do sofá de Jean-Claude como um bom cão.
Havia dois homens que eu não conhecia nas cadeiras estofadas, as quais tinham
sido movidas para o outro lado da sala onde a namoradeira normalmente ficava. Isso
colocou Jake e Claudia em suas costas. Eles tinham que ser os tigres dourados.
Já que eu ainda tinha a mão de Nathaniel e ele ainda tinha Micah pela mão, Asher
levou todos nós para Jean-Claude, como se os tigres não estivessem sentados lá.
Nathaniel pegou alguma sugestão, porque ele soltou a minha mão e Asher me girou
sobre o sofá ao lado de Jean-Claude. Asher beijou a minha mão novamente e afastou-se,
enquanto Micah sentava-se do meu outro lado. Talvez tenha sido isso que desagradou
Asher, que ele teve que sair de seu lugarno sofá. Talvez, mas o seu estado de espírito e o
de Richard tinham me deixado tensa, à procura de algo errado. É melhor realmente
haver algo de errado e não apenas esse mal-humor dos dois, porque para o meu nível de
tensão subir tanto era melhor ser por um motivo muito, muito bom. Eu não tinha energia
de sobra para pensar em mais nada além do fato de que por trás disso teriam boas
razões.
Jean-Claude colocou um braço sobre meus ombros, puxando-me para a curva de
seu corpo. Sua voz sussurrou em minha mente, espalhando arrepios na minha pele.
Comunicação mente a mente nem sempre era tão excitante com Jean-Claude. O que
estava acontecendo?
“Ma petite, estes tigres não são como os outros. Eu não sei o que há de diferente
sobre eles, mas há algo.”
Eu respondi mentalmente pra ele:
“Você está com medo deles.”
“Tigre não é o meu animal para chamar, ou o de Asher. Talvez você possa nos
dizer o que está errado com eles.”
Micah sentou-se do meu outro lado, colocando a mão na minha coxa, assim ele
não estava segurando a minha mão da arma. Nathaniel sentou-se aos nossos pés, apenas
com as pernas de Jean-Claude entre ele e o lobo de Richard.
Dino e Nicky assumiram os postos do outro lado dos dois visitantes, de modo que
eles foram flanqueados por quatro dos nossos guardas, embora, honestamente, eu não
tinha certeza se Jake nos ajudaria contra eles se a merda batesse no ventilador. Ele
poderia fingir que não se preocupava com eles, mas era uma mentira.
Eu olhei para os dois homens e eles olharam para mim. Ambos eram altos e
atléticos. Eles tinham essa sensação de energia contida que alguns dos metamorfos
tinham mesmo em repouso, como se a diferença entre sentado em silêncio e em ação
furiosa fosse apenas um pensamento.
Um deles tinha cabelo loiro encaracolado que caia em torno de suas orelhas, bem
longo, mas não muito para os meus padrões. O mesmo acontecia com o outro, embora
seu cabelo comprido fosse liso com apenas a menor ondulação, como se caso ficasse
mais longo as extremidades iriam ondular para cima. Ambos tinham rostos fortes.Um
tinha o maxilar um pouco mais triangular, o outro mais quadrado, mas eles pareciam
iguais.Até a expressão arrogante em seus rostos bonitos. Eles me olharam com olhos
claros. O de cabelo encaracolado com o queixo levemente triangular tinha os mais
pálidos olhos castanhos que eu já vi.Eu até queria dar outro nome para essa cor, mas não
tinha nenhuma palavra para ela. Olhos castanhos não devem parecer pálidos em um
rosto com um bronzeado dourado, mas estes o faziam. Os olhos do outro eram azuis e
dourados, ou marrons, como se olhos azuis pudessem ser cor de avelã. Sua pele era de
um suave bronzeado dourado também, até que quanto mais eu olhava para ele, mais eu
tinha dúvidas se era um bronzeado ou apenas a sua cor de pele. Mas ninguém, nem
mesmo os tigres do clã, tinham a pele de um dourado pálido quase amarelo, como se
suas peles fossem aquecidas por um sol interior.
— Eu sou Anita, — eu disse, finalmente.
Cabelo Liso com seus olhos azul-avelã disse:
— Mephistopheles.
Eu pisquei para ele.
— Do que podemos te chamar por aqui? — perguntei.
— Mephistopheles — disse ele.
Eu olhei para ele, esperando que ele abrisse um sorriso, mas ele só me deu sua
beleza séria e arrogante em retorno. Não havia nenhum sorriso vindo.
Virei-me para Cabelo Encaracolado.
—E você é?
— Pride — disse ele.
Eu fiz uma careta para eles.
— Repita.
— Meu nome é Pride — disse ele. Sua voz tinha um toque de desculpa como se
ele também não estivesse muito feliz com isso. Eu me perguntava se Mephistopheles
era tão inflexível sobre o seu nome porque só uma frente ousada iria fazê-lo funcionar.
Eu queria perguntar se sua mãe não gostava muito deles, mas resisti. Virei-me
para Micah. Eu dei-lhe um olhar que eu esperava que dissesse claramente: “Estes são os
melhores dos cinco?”
— Um dos outros tigres de ouro se chama Envy, — disse Micah, com a cara tão
vazia quanto ele poderia deixar.
Eu queria perguntar se ele estava brincando, mas sabia que não.
— O ensino fundamental deve ter sido interessante — eu disse, finalmente.
—Nós estudávamos em casa — disse Pride.
— Aposto que sim — eu disse.
Jean-Claude respirava através de minha mente.
“Você sente isso?”
Senti que eles eram arrogantes e muito cheios de si, mas suspeitava que parte
disso era bravata. Bravata sempre esconde o medo, ou pelo menos a incerteza.
“Sentir o quê” — perguntei.
“Algo” — disse ele.
Em voz alta, eu disse:
—Vocês estudavam em casa.
— Eu acabei de dizer isso — disse Pride.
—Beleza. Você já esteve tão longe de casa?
Eles olharam um para o outro, e Mephistopheles olhou para Jake e então
rapidamente de volta para mim.
— Não — disse Pride.
— Por que isso importa? — disse Mephistopheles, e sua arrogância subiu para
quase raiva. Ele estava escondendo isso muito bem, mas ele não estava confortável.
— Só tentando ter uma ideia das coisas — eu disse.
— Seu Nimir-Raj nos escolheu para você — disse Pride.
— E eu vou estar falando com ele sobre isso mais tarde — eu disse.
Micah se inclinou e sussurrou contra a minha orelha.
— Os outros estavam com mais medo, ou mais irritados.
Eu coloquei minha mão sobre a sua coxa através dos jeans. Eu queria confortá-lo
e ser confortada, e o toque fazia isso. Eu não gostava destes homens. Eu com certeza
não queria mantê-los permanentemente.
Nathaniel se inclinou contra ambas as nossas pernas, deixando sua mão começar a
jogar sobre a minha perna dentro das botas até o joelhos que ele tinha escolhido para
mim. Ele não gostava deles também.
Asher se moveu para ficar atrás de Jean-Claude, colocando a mão no ombro do
outro homem. Eu sabia por que Asher não estava feliz com eles, e por que Richard não
estava também. Nenhum de nós estava feliz com eles. Jake e eu com certeza teríamos
muuuito a conversar mais tarde.
— Vocês querem ficar com a gente? — perguntei.
Eles olharam um para o outro novamente, e Mephistopheles se conteve antes que
olhasse para Jake novamente. Pride disse:
— Nós fomos informados de que não temos uma escolha.
— Eu sou uma grande crente no que se refere à escolhas — eu disse.
— Se sairmos daqui eles vão nos matar — disse Mephistopheles.
— Se você quer ficar aqui até que seja seguro para sair, é uma coisa. Mas o que eu
quero saber é: vocês dois querem ficar aqui com a gente e ser nossos tigres?
— O que você vai fazer se dissermos que não? — perguntou Pride.
— Eu realmente não gosto de forçar as pessoas a fazer coisa alguma.
Eles olharam um para o outro novamente.
— Não foi isso que ouvimos — disse Mephistopheles.
— E o que você ouviu? — perguntei, e esse primeiro fio de raiva escorreu para
dentro das palavras.
— Será que você não fez dele a sua Noiva? — perguntou Pride. Ele balançou a
cabeça em direção a Nicky.
— Sim.
— Isso é forçar — disse ele.
Eu não poderia discutir com isso, e eu não os conhecia bem o suficiente para
explicar que eu tinha feito isso para salvar os dois homens sentados ao meu lado. Que
Nicky tinha me sequestrado e que eu tive que usar as armas que tinha ao meu alcance no
momento. Eu não poderia me explicar a eles, então o que eu poderia dizer?
— Sim.
— Mas você não quer nos forçar? — ele perguntou.
— Vamos dizer que eu não estou querendo adicionar nada à minha lista de
pecados hoje.
Eles franziram a testa para mim.
— Pecados? — disse Mephistopheles. — O que isso significa?
— Isso significa que tomar o livre arbítrio de alguém para sempre parece meio
que perverso para mim. Eu prefiro não fazê-lo novamente.
— O que faria com que você fizesse isso de novo? — perguntou Pride.
— Autopreservação, ou proteger as pessoas que eu amo.
Ele olhou além de mim para Nicky.
—Você ameaçou Anita e seu povo?
— Sim — disse Nicky.
— Como?
— Posso dizer a eles? — perguntou.
Eu pensei sobre isso e então disse:
— Claro.
—Eu ajudei a sequestrar Anita e nós ameaçamos matar Micah, Nathaniel e Jason,
que é o lobo de Anita para chamar. Tiramos suas armas, utilizamos magia para nos
certificar de que ela não poderia pedir ajuda, e a ferimos. Ela usou os poderes que ela
tinha sobrando para tornar disposto a fazer qualquer coisa para protegê-la e aos homens
que amava.
— Você não a culpa? — perguntou Mephistopheles.
— Não.
— Por que não?
— Eu não acho que eu possa.
— O que isso significa?
— Isso significa que eu não acho que possa culpar Anita por qualquer coisa. Eu só
quero agradá-la.
Pride olhou para mim.
— Então, ele realmente é uma Noiva no sentido pleno do termo.
Eu dei de ombros.
— Aparentemente sim.
— Mas você não gosta disso. Te incomoda que ele não tenha livre arbítrio, —
disse ele.
— Sim.
— Por quê? — Perguntou.
— Não te incomoda? — perguntei.
Ele apenas negou, e seu irmão fez o mesmo. Mas talvez eu estivesseapenas dando
um tiro nessa.
—Vocês são irmãos?
— Primos — disse Pride.
— Há uma forte semelhança de família — eu disse.
— Não é tão forte como com Wicked e Truth, — disse ele.
— É verdade — eu disse.
Olhei para Jake.
— Eles não querem ser encantados e nem eu, então como é que vamos fazer isso?
—Nos perguntando? — disse Pride.
Eu me virei para ele.
—Tudo bem, você não gosta de mim e eu não gosto de você, aparentemente, mas
eu tenho que descobrir como meu tigre interior se sente sobre o seu, então como é que
você quer fazer isso?
— Jake disse que você era bruta.
— Isso não é ser bruta, Pride, ainda não.
Ele olhou para mim e havia algo em seus olhos agora, talvez interesse.
— Estou ansioso para vê-la ficar bruta, então.
Eu sorri, não consegui evitar.
— Você diz isso agora.
Vozes soaram mais para baixo do corredor. Damian e Cardinal entraram, com ela
no braço de Damian, muito ao estilo “casal feliz”. Ela estava conversando
animadamente com outra mulher que só poderia ser outra mulher-tigre. A semelhança
familiar era grande demais para qualquer outra coisa. Ela tinha longos cachos amarelos
e brancos que derramavam em torno de seus ombros. Seus olhos eram do mesmo azul e
dourado dos olhos de Mephistopheles. Ela era alta e cheia de curvas, e emanou energia
quando me viu sentada lá. Havia emoção nela.Era medo. Por que ela estava com medo
de mim?
— Os quartos são agradáveis — disse ela, mas até mesmo sua voz tinha um fio de
nervosismo.
Jean-Claude disse:
— Estamos contentes que você goste deles. Anita, esta é a Envy.
— Envy? — Eu fiz-lhe uma pergunta.
— Sim — disse ele.
— Pride e Envy, dois dos pecados mortais — eu disse.
— Sim — disse Pride.
— Ela é sua irmã?
— Prima.
— Os sete pecados mortais e Mephistopheles. Qual é o tema para os nomes de seu
clã? “Vendendo sua alma ao diabo”?
— Dr. Faustus, por Christopher Marlowe — disse Pride. —Fomos todos
nomeados em homenagem à personagens da peça.
— Alguém deve ser um fã sério de Marlowe.
— O Mestre de Jake é — disse Pride.
Olhei para Jake.
— Não poderia ser Shakespeare?
— Ele prefere Marlowe, — disse Jake.
— Você está zombando dos nossos nomes? — Mephistopheles perguntou,
arrogante e carrancudo com seu lábio inferior franzido.
— Tentando fortemente não fazê-lo, na verdade.
— O que é que isso quer dizer? — ele perguntou.
— Tudo bem, do que as suas namoradas os chamam? Quero dizer, elas não
podem te chamar de Mephistopheles no calor da paixão, é muito longo. Você tem que
ter um apelido.
Ele realmente corou.
Eu tive uma ideia terrível. Olhei para Jake.
— Por favor me diga que eles não são virgens.
— Essa é uma pergunta para eles responderem, Anita.
Eu respirei fundo, deixei sair, e virei-me para os homens.
— Então?
— Nós não somos — disse Pride.
Olhei para Mephistopheles, que não parecia querer fazer contato visual.
— Ele parece terrivelmente desconfortável.
Mephistopheles levantou-se, e seu poder fluiu através do quarto como se alguém
tivesse acabado de ligar um chuveiro quente.
— Nós fomos treinados para atender as necessidades de cada linhagem, e isso
inclui a de Belle Morte.
Eu tive que pensar sobre isso por um momento, então disse:
— Então, treinados em sexo para Belle Morte. Combate para o Dragão. O que
você treinou para o Mestre das Feras e o Amante da Morte?
— O Amante da Morte é o guerreiro e o Mestre das Bestas é fraco — disse Pride.
— Nós sabíamos que ninguém em sua linhagem nunca nos confrontaria. O Earthmover
nunca fez vampiros suficientes para ser uma linhagem que nos alcançaria. A
descendência do Viajante está basicamente extinta. Ele não pode fazer mais de sua
própria linhagem a menos que use seu corpo original, e ele não vai fazer isso. Ele não
correrá o risco de ser destruído.
— E sobre a Mãe de Todas a Trevas? — perguntei.
— Ela não é de uma linhagem — disse Pride. — Ela é o inimigo.
— Então, realmente vocês têm treinado suas vidas inteiras apenaspara três
linhagens: O Dragão, o Amante da Morte, e Belle Morte.
Todos os três concordaram com isso.
— O que nos traz de volta ao nosso problema original.Como posso saber se o meu
tigre gosta do seu?
Pride, que era o único ainda sentado, disse:
— Um beijo pode fazê-lo, mas sexo pode ser necessário.
Ele disse isso como se estivesse falando sobre a diferença entre a obtenção de uma
vacina ou de ter que fazer uma cirurgia.
— Já que vocês parecem tão entusiasmados com a ideia quanto eu, por que nós
apenas não nos beijamos e deixamos assim?
Mephistopheles disse:
— Você não quer ter relações sexuais com a gente?
Esta era uma pergunta complicada vinda de um homem. Tentei responder com
cuidado.
—Vocês dois são bonitos. Não é nada pessoal, mas vocês só parecem vir com um
monte de bagagem e eu não quero mexer com ela.
—Bagagem, o que isso quer dizer?
—Você está com raiva só por isso. Já tenho meus próprios problemas com a raiva,
não preciso dos seus.
Ele cerrou os punhos, e seu poder subiu mais um nível. Algo se moveu dentro de
mim, uma sombra dourada entre árvores altas e escuras. Eu peguei um vislumbre do
tigre dourado, mas ela não estava tentando andar por esse longo caminho. Ela estava se
escondendo nas sombras, sua pele creme com listras de amarelo-ouro.
Pride levantou então e cheirou o ar.
— Você não cheira como vampiro.
— Ela cheira como nós — Envy disse da porta. Ela deu alguns passos sobre o
tapete branco.
Mephistopheles veio ficar na minha frente. Eu pensei que ele ia tentar me beijar,
mas sua mão disparou para fora em um movimento tão rápido que eu não tinha certeza
do que ele pretendia, mas não era um beijo. Minha arma de repente estava na minha
mão e apertada contra o peito dele. Meu pulso estava tentando empurrar para fora da
minha garganta.
— Não se mova — eu sussurrei, com medo de gritar porque o meu dedo estava no
gatilho.
— Nenhum ser humano, e poucos vampiros, teriam sido capazes de ver que eu
estava indo para a sua arma, muito menos chegar à ela e apontá-la para mim.
Ele parecia impressionado comigo.
—Se você deseja morrer, você está mexendo com a garota certa — eu disse.
— Nós temos que ter certeza de que qualquer vampiro que tente nos possuir é
digno de nós. — Ele estava com um pouco de medo, mas não realmente. Ele não
acreditava que eu iria matá-lo. Eu tinha passado no seu teste.
— Há mais testes dos quais eu deva ter conhecimento para que eu não te mate
acidentalmente? — perguntei.
— Você não quer que a provemos que somos dignos de você também? — ele
perguntou.
— Segure esse pensamento. — Me afastei dele, com cuidado, e comecei a tirar
minhas armas. — Se vamos acabar matando esses caras, não vamos fazê-lo porque nós
tivemos um mal-entendido cultural.
— O que você quer dizer? — perguntou Micah.
— Ele realmente acredita que eu quero que ele prove que ele é um guerreiro. Ele
realmente acredita que eu preciso me provar digna dele. É como se tivessem sido
criados em uma cultura que eu não entendo. — Eu dividi minhas armas entre Micah e
Nathaniel. Quando eu estava segura, ou pelo menos desarmada, voltei até os dois
homens.
— Acabamos com o assunto de guerreiro?
Eles olharam um para o outro.
Pride disse:
— Se você fosse macho nós provavelmente faríamos um corpo a corpo, mas nós
superamos você por uns cinquenta quilos no mínimo, e nós somos pelo menos quinze
centímetros mais altos. O corpoacorpo você não vai ganhar. Não se trata de treinamento.
É sobre tamanho, e você não pode impedir o fato de que você é pequena. Nós não
vamos usar isso contra você.
Mais uma vez, eu senti como se estivesse perdendo alguma coisa.
— Fico feliz em ouvir isso.Então, quem é o primeiro?
— O primeiro?
— Beijo, o beijo! Quem é o primeiro? — perguntei.
Eles olharam um para o outro novamente.
— Quando vamos para os clubes humanos, as mulheres ficam um pouco mais
ansiosas por isso — Pride disse.
Eu indiquei atrás de mim.
— Eles são os meus rapazes. Não é que você não seja bonito, mas quando isto já
está esperando em casa, bem… faz uma menina um pouco menos ansiosa para adicionar
novos homens.
Eles fizeram aquele olhar de novo. Pride assentiu.
— Isso parece razoável.
‘Razoável’ era uma escolha interessante de palavra, mas eu deixei quieto.
— Tudo bem, vamos ser razoáveis juntos. Quem me beija primeiro?
— Veja quem cheira melhor — disse Pride.
Era uma coisa perfeitamente razoável para um metamorfo dizer. Como eu não
tinha melhores sugestões a oferecer, essa era tão boa quanto qualquer outra. Eu esperava
que eles me oferecessem seus pulsos para cheirar, mas ambos puxaram suas camisas
sobre suas cabeças. De repente eu estava olhando parat os seus peitos nus a centímetros
de distância. Minha cabeça ia até um pouco abaixo dos músculos peitorais de Pride, e
um pouco mais para baixo das costelas de Mephistopheles. De qualquer maneira, de
repente eu estava olhando para um monte de músculos seminus. Você acharia que eu já
teria me acostumado com esse tipo de coisa.
Ambos se aproximaram mais. Coloquei a mão em ambos seus estômagos para
impedi-los de me prensar entre eles. Foi um erro tocá-los. Mas como tantos erros, tudo
parece inofensivo até que você o faz, e então é tarde demais.
CAPÍTULO 40

Cada um pressionou uma das minhas mãos em seu estômago. O tigre dentro de
mim olhou para cima e rosnou. Os outros tigres saíram da escuridão e farejaram o ar. Eu
nunca tinha visto todas as cores de uma só vez. O ouro ficava no meio, com as outras
cores se abrindo em meio círculo. Eles não tentaram trotar por aquele longo caminho
metafísico e se tornarem reais. Eles não fizeram nada além de ficar lá em uma linha
suave e cheirar o ar.
Senti os homens curvarem-se sobre mim e cheirarem minha pele. Tive que piscar
para limpar minha visão interior o suficiente para vê-los e não apenas aos tigres dentro
de mim.
— Ela cheira a todos os tigres - disse Mefistófeles.
— Não é possível, — disse Pride, mas seu rosto estava contra meu cabelo. Ele
esfregou sua bochecha contra mim, então pareceu se controlar e se endireitou.
— Não é possível, — ele repetiu afastando-se de mim, esfregando os braços como
se estivesse com frio, mas não era isso. Ele estava esfregando a linha de arrepios em sua
pele.
Olhei para os olhos azul-avelã de Mefistófeles e soube que ele não se afastaria.
Um par de mãos em meus ombros me viraram para encontrar Envy nas minhas costas.
Ela se inclinou sobre meu rosto virado para cima e me beijou. Ela tinha sabor de tigre e
batom doce. O fato de eu não me afastar a encorajou mais do que algo que eu pudesse
fazer e eu tive um momento para pensar, alto:
“Jean-Claude.”
Ele estava lá, seus braços deslizando em torno de sua cintura, puxando-a para
longe de mim e girando-a para ele. Auggie me perguntou como eu me sentiria ao ver
Jean-Claude com outra mulher. Naquele momento me senti aliviada.
Mefistófeles inclinou-se sobre mim, seus braços deslizando atrás das minhas
costas, atraindo-me para o calor dele.
— Nós deveríamos ser à prova de poderes vampíricos, mas eu quero te tocar e eu
quero que você me toque. Por quê?
Eu lhe respondi com sua boca a centímetros da minha.
— Os outros tigres estão procurando por alguém que cheire a casa.
— Eu tenho um lar, — ele disse. Seus lábios se moveram contra os meus quando
falou — Eu só quero colocar tanto do meu corpo contra o seu quanto você me permitir.
Tentei ser razoável. Tentei pensar, mas naquele momento soou como um bom
plano. Eu me ouvi dizer:
— Sim, por favor, — antes de eu terminar de pensar em qualquer coisa.
Envy fez um som de quarto e pelo canto do olho eu vi ela e Jean-Claude se
beijando. Ela estava empurrando o casaco dos ombros dele, enquanto fazia pequenos
ruídos ansiosos em sua boca. Jean-Claude recuou o suficiente para dizer:
— Ma petite, o quarto?
— Eu não sei, — eu disse, mas eu sabia. Ou pelo menos sabia o que eu queria
fazer.
Ouvi a voz de Micah.
— A cama é mais confortável.
Eu me virei e vi um dos amores da minha vida, calmamente meincentivando a ir
para a cama. Nathaniel estava de pé.
— Eu quero assistir.
— Sim, — concordei.
Mephistopheles disse:
— Claro. — E me beijou. Ele tinha um gosto tão bom, tão certo. Suas mãos
puxaram minha camiseta para fora da calça e no momento em que suas mãos deslizaram
em torno de minha cintura nua, era minha vez de fazer ruídos ansiosos.
Foi da mesma forma que eu estive com Micah desde o começo e com Haven. Esse
pensamento me ajudou a nadar através de toda essa fome de pele. Procurei Micah e o
encontrei observando com olhos calmos.
Jean-Claude disse:
— Ma petite.
Eu me virei nos braços de Mefistófeles enquanto ele brincava com meu cabelo e
beijava o lado do meu rosto. Envy estava beijando seu caminho pelos lados do pescoço
de Jean-Claude. Suas mãos conseguiram tirar a jaqueta e seus dedos estavam
procurando sua camisa.
— Os tigres parecem ansiosos, — ele conseguiu dizer.
— Você quer tocá-la, quer rolar nu com ela?
Seus olhos estavam de volta em sua cabeça quando ele respondeu:
— A ânsia pode ser contagiosa, ma petite.
Era uma maneira educada de dizer “sim”. Mefistófeles puxou minha camiseta
sobre a cabeça e a deixou cair no chão. O que quer que nós fossemos fazer,
precisávamos fazer logo. Ele caiu de joelhos para acariciar meus seios acima do laço
preto do meu sutiã. Sim, logo.
O lobo ficou de pé grunhindo suavemente, mas mesmo suave, foi como ouvir o
barulho profundo e grave de algum motor perigoso. Se você ouvisse aquele som no
escuro, ficaria com medo.
— Não faça isso ser mais difícil, Richard, — eu disse.
Ele me observou com seus olhos lupinos e ainda demasiadamente humanos. E,
apesar da pele e da cara de lobo, eu conhecia aquele olhar. Ele voltou a fazer cara feia.
Eu não precisava disto. Virei-me para Micah enquanto Mefistófeles mordia o monte dos
meus seios. Isso me fez ofegar. Olhei para baixo para encontrar seus olhos azuis e
dourados olhando para mim. Seus cílios eram muito longos, muito escuros, moldando
os olhos pálidos como se tivessem sido escolhidos especialmente para fazer seus olhos
se destacarem.Como se quem quer que os tenha comprado para ele tivesse pago extra
pelas peças bonitas.
Ele esfregou o rosto contra a minha mão, fechando os olhos e deleitando-se da
maneira como apenas um gato poderia. Ele era lindo e eu o queria, mas eu não o
conhecia. Eu estava cansada de confiar minha vida e tudo o que eu amava a estranhos,
não importando quão bonitos eles fossem. Ergui a outra mão para Micah. Ele colocou a
cabeça para um lado, fazendo todos aqueles cachos castanhos profundos deslizarem
sobre um ombro, mas ele veio até mim sem qualquer pergunta. Ele simplesmente pegou
minha mão. No momento em que ele fez isso foi como se cada animal dentro de mim
olhasse para cima de uma vez. Minha pele corria quente com o roçar de cada animal. Os
cabelos em meu corpo se ergueram me fazendo tremer. Percebi por que não consegui
me unir a Haven ou a qualquer outro rei animal.Porque eu era verdadeiramente Nimir-
Ra do Nimir-Raj de Micah. Eu tinha o meu rei.
Mefistófeles abriu os olhos e pude ver os cabelos em seus braços erguendo-se
num calafrio dourado.
— Você cheira a tudo de uma vez. O que é isso?
— Micah é meu Nimir-Raj. Nós somos um verdadeiro casal acoplado.
— Então não há lugar para mim, — disse ele parecendo triste.
— Sempre há espaço — disse Micah.
— Mas não para outro rei, — eu disse. — Você pode ser meu, mas eu já tenho um
rei.
— Ele é apenas um leopardo. Você precisa de um tigre dourado. — Pride disse, se
abraçando apertado. Eu não sabia se ele estava começando a sentir o choque da corrida
de energia ou se estava lutando para não tocar em um de nós.
Envy deu um suave gemido atrás de nós. Isso me fez virar para descobrir que ela
tinha escalado Jean-Claude, envolvendo suas pernas longas em torno de sua cintura.
Suas mãos estavam em seu traseiro, segurando-a no lugar. As roupas ainda estavam no
lugar, mas se não íamos para o quarto em breve ele estaria fazendo isso aqui.
— O que você acha, Mefistófeles?, — Perguntei ao homem ajoelhado aos meus
pés.
— Eu não sei, — ele respondeu, como se estivesse pensando. Ele esfregou o rosto
contra minha mão novamente. — Contanto que você me toque, eu não acho que me
importarei com o que quer que aconteça.
Apertei a mão de Micah. Ele estendeu a outra mão e tocou o lado do rosto de
Mefistófeles. Nossos leopardos se ergueram e derramaram de nossas mãos.
Normalmente, eles teriam deslizado para dentro e para fora um do outro como se
pudéssemos ser esfregados por dentro e por fora pelo pêlo morno e musculoso, mas
nossos animais se derramaram de nossas mãos e em Mefistófeles. Não deveria ter
acontecido. Ele era tigre, Micah e eu, Nimir-Raj e Nimir-Ra. Não deveria ser assim,
mas a pele musculosa fluía para ele, através dele, de modo que era como uma fita
metafísica fluindo de nós para ele e amarrando um nó suave, ansioso, sedoso dentro
dele, em torno do tigre dourado que nos olhava como uma névoa dourada ao redor de
seu rosto.
— Eles não vão chegar ao quarto, — disse Claudia se afastando de nós. —
Desculpe, mas não posso fazer isso de novo, não tão cedo.
Eu disse:
— Não é o ardeur.
— Ainda não, — ela disse e continuou caminhando. Os outros guardas se
espalharam pela sala para que Jake não fosse deixado sozinho, e Pride estava um pouco
mais perto deles.
Houve uma arremetida de energia e o cheiro de pinheiro e floresta estava espesso
na minha língua. Richard fluiu do lobo para o ser humano, mais suave e
instantaneamente do que eu jamais senti. Apoiando-se nos joelhos e em uma das mãos,
nua e humana, o cabelo derramando-se em volta do rosto. Temi ver, nos olhos humanos,
o mesmo olhar que tinha estado nos olhos do lobo quando ele levantou o rosto para a
luz. Houve um momento de raiva e ressentimento. Eu o vi lutando para se controlar até
conseguir. O esforço foi evidente, mas isso não o tornou menos admirável. Richard
disse:
— Sou eu quem deveria ser seu rei, Anita.
Eu não sei o que teria dito a isso, mas Richard afastou o olhar para longe de nós,
para Jean-Claude e Envy. Ele foi para o outro homem e nos deixou sozinhos. Esperei
ficar com ciúmes, mas não. Parte disso foi porque ele havia esgotado aquela parte de
mim que desperdiçava esse tipo de emoção com ele. A outra parte foi por causa daquele
olhar, que me fez lembrar do porquê não estávamos juntos e por que era Micah
segurando minha mão.
Nossas bestas entraram e saíram de nós três como uma criatura marinha sinuosa.
Era como se alguém tivesse uma luva de peles e estivesse acariciando-nos por toda
parte, exceto que a sensação era de que estava quente e vivo. Senti a construção nas
partes baixas do meu corpo e sabia que se continuássemos, isso iria funcionar para mim.
— Se vamos fazer mais do que isso, precisamos fazer logo, — eu disse em uma
voz que já estava com fôlego de antecipação.
— Você precisa de sexo para fazer dele seu tigre para chamar?
— Eu não fiz com Domino ou Haven.
Mefistófeles abriu os olhos e disse:
— Isso é incrível, mas Deus, por favor me diga que estarei fazendo sexo também.
Nós olhamos para aqueles lindos olhos, aquele rosto bonito e eu me lembrei dos
últimos animais que tinham dito algo semelhante para mim.Nosso Rex morto.
— Sexo, ma petite, não esperemos mais. Eles são nossos ou não são.
— Nossa, — disse uma voz rosnando. Eu sabia que era Richard. Apenas o som de
sua voz me fez olhar para eles. Jean-Claude ainda a segurava, mas Richard, de joelhos,
deslizava uma fina tanga de seda pelas coxas dela. Richard gostava de dar sexo oral e o
pensamento disso apertou as coisas no meu corpo tão súbita e afiadamente que Micah
teve que me estabilizar.
A energia que tinha sido tão quente e viva, de repente se tornou afiada e
Mephistopheles gritou. Suas mãos se estenderam segurando a frente do meu cinto e o
braço de Micah. Seus olhos estavam fechados e eu duvidava que ele soubesse o que ele
tinha agarrado. Era sexual porque sexo obrigava a entrar em contato, mas era mais sobre
se segurar para não cair.
Micah estabilizou o outro homem, agarrando-o pelo pulso. Para mim, ele disse:
— O que fez você reagir assim?
Mas ele olhou para trás quando perguntou e se virou para mim com um "Oh".
Olhei para trás também e encontrei Richard beijando seu caminho até as coxas de
Envy enquanto Jean-Claude despia o vestido de festa sobre sua cabeça para mostrar que
não havia sutiã para combinar com a tanga. Ela estava de repente nua, exceto pelos
saltos de prata. Jean-Claude agarrou um punhado de seus cachos e colocou seus lábios
contra a lateral de seu pescoço. Ele esperaria que Richard a fizesse gozar para, naquele
momento crítico, mordê-la. Ela não estava amarrada a ele como eu estava, seria como
um duplo orgasmo. O único vampiro em St. Louis que poderia me enfeitiçar assim era
Asher.
O pensamento me fez procurar por ele no quarto. Ele tinha voltado para o canto
distante, tão longe de nós como ele poderia sem sair do tapete. Seus cabelos se
derramaram em torno de seu rosto, deixando-o meio na sombra, a outra metade na forte
luz de modo que sua beleza era a mesma da pintura acima da lareira. A ilusão de que
toda a tristeza por vir não tinha acontecido. Ele se encostou na parede, as mãos atrás
dele como se não confiasse no que ele poderia fazer com elas. Nathaniel gostava de
assistir, mas Asher só gostava se soubesse que poderia jogar mais tarde.
Micah viu para onde eu estava olhando.
— Ele parece perdido novamente, — disse ele.
A mão de Mephistopheles se convulsionou no meu cinto com tanta força que
quase me puxou sobre ele. Nossos rostos estavam próximos e parecia natural que nos
curvássemos para beijar. Seus lábios eram macios e quentes. Ele tinha sabor de mel.
Aquilo tinha mudado? Ele não tinha esse delicioso sabor há alguns minutos, não é?
Ele soltou o braço de Micah e suas mãos foram para a fivela do meu cinto. Ele
começou a deslizar o couro pelo metal, seu rosto incerto, seus olhos virados para mim,
esperando que eu dissesse não.
Havia sons atrás de nós que me deixavam saber sem olhar que Richard estava
fazendo progresso com Envy. Eu queria estar fazendo algo antes de atingir aquele
momento de ouro. Ele era novo, e eu não era boa com os novos a menos que levantasse
o ardeur, mas eu era boa com o familiar.
Inclinei-me sobre Mefistófeles e sussurrei contra seus lábios:
— Eu te prometo sexo. Te prometo que teremos relações sexuais, mas eu não
conheço seu corpo ainda. Eu quero fazer as preliminares que eles estão fazendo.
Seus olhos se moveram para trás de mim e ele franziu o cenho.
— Temos um vampiro a menos, — disse ele.
— Não por muito tempo, — eu disse e liguei para Asher. Havia mais maneiras de
ganhar poder e solidariedade do que a coisa metafísica e a magia. O amor importava, no
final. Uma casa sem amor cairá sempre, talvez não hoje ou amanhã, mas no fim, sem
amor nada poderia resistir.
Asher afastou-se da parede com um sorriso no rosto que iluminou meu coração e
me fez sorrir de volta. Jean-Claude respirou através de minha mente:
— Obrigado, ma petite. — Eu tive um momento para sentir suas mãos sobre a
outra mulher. O corpo dela começando a se desfazer em pequenos precursores do
orgasmo com a boca de Richard entre as pernas. Eu estava com ciúmes? Talvez um
pouco, mas eu vi Asher caminhar em nossa direção, na minha e do novo tigre, e não
protestei. Afastei o ciúme. Não era quem nós éramos. Havia amor suficiente, sexo
suficiente. Havia o suficiente de tudto para todos e quando há o suficiente, você não
precisa ficar com ciúmes de ninguém.
CAPÍTULO 41

Eu percebi que sem o ardeur eu não queria fazer sexo na sala de estar. Nua com
a única porta principal das áreas superiores forçando as pessoas a caminharem direito
por nós. Eu estava mais tranquila em ficar nua na frente das pessoas, mas assim, não
funcionava para mim. Eu nunca ia ser a exibicionista que alguns dos meus namorados
eram, mas como Micah não era um exibicionista e Asher tinha problemas por causa de
suas cicatrizes, ir para o quarto funcionou para todos. Mephistopheles foi excelente
quando me levou pela mão e tornou claro que não estávamos parando apenas indo para
um lugar mais privado.

Era tarde demais para Jean-Claude e Richard, mesmo se eles quisessem


privacidade. O rosto e a linguagem corporal de Envy enquanto a abraçavam diziam que
ela estava muito longe para parar. Se eu tivesse sido a mulher no meio deles e tentassem
me fazer parar, eu teria ficado chateada. Fiz uma pausa, sem saber se precisava explicar
para Jean-Claude e Richard para onde íamos. Asher e Micah esperaram logo à minha
frente. Mefistófeles esperou com a mão dele na minha. Nathaniel estava atrás de mim.
Eu tive um daqueles instantes de senhorita-boas-maneiras-não-há-etiqueta-para-o-
momento. Como dizer ao namorado A e ao namorado B que você vai embora, não
porque não quer vê-los ter relações sexuais com outra mulher, mas porque você prefere
não ficar nua e foder na frente de quem quer que atravesse a porta?

Eu nunca assisti a nenhum dos meus homens com outra mulher. Eu nunca tinha
estado completamente confortável com mais nenhuma mulher além de mim. Acho que
Jean-Claude teria estado mais confortável com os outros homens, mas ele sempre foi
muito cuidadoso com seu nível de conforto. Pela primeira vez, com Richard, eles
estavam fazendo algo de que poderiam desfrutar, assim, nenhum cuidado parecia ser
necessário. Com os saltos altos Envy era tão alta quanto Jean-Claude, então ele tinha
dobrado seu corpo um pouco para trás e segurado seu queixo, os dedos traçando a longa
curva do pescoço, seu cabelo empurrado para um lado por seu braço que circundava o
pescoço. O outro braço estava ao redor da cintura dela, ajudando a curvar seu corpo
levemente para trás, inclinando a parte de baixo do corpo dela para a frente, de modo
que a longa linha nua dela estivesse estendida para Richard que estava ajoelhado a seus
pés, o marrom de verão dele parecendo ainda mais escuro contra toda aquela pele
pálida. Sua boca estava pressionada entre as pernas dela e o cabelo caía para frente,
impedindo-me de ver exatamente o que ele fazia, mas eu sabia. Uma das mãos estava
entre as coxas dela e a outra curvava-se em torno da parte externa da outra perna. Entre
os dois, eles a tinham com as pernas abertas, de modo que ela estava instável nos altos
sapatos prateados. Percebi que Jean-Claude estava segurando a maior parte do peso,
porque entre os dois, ela estava completamente fora de equilíbrio, mas Envy não
reclamava. Seus olhos estavam fechados, a boca entreaberta. Sua respiração rápida fazia
os seios subirem e descerem freneticamente.

Ela tinha uma altura melhor para ambos, já eu teria sido muito baixa para, de pé,
ser esticada entre eles. Havia algo gracioso nas curvas do corpo de Envy entre eles. Ela
gritou, seu corpo estremecendo. Richard apertou-se contra ela e a boca de Jean-Claude
fechou-se sobre a curva do pescoço. Seu corpo teve espasmos entre eles. Jean-Claude
girou apenas os olhos para mim. Fixei meu olhar naqueles olhos azul-escuros,
observando-os sangraram para o fogo da meia-noite. Dei um pequeno aceno e levei o
resto do grupo para o quarto. Ele me observava com diversão, mas eu queria mais
privacidade.

Nicky nos seguiu, mas Dino ficou. Foi Wicked que veio atrás de nós, ao lado de
Nicky, para fazer nossa proteção. Eu pensei que eles pretendiam tomar postos na porta
como costumavam fazer quando eu estava com Jean-Claude e os outros, mas eles nos
seguiram para dentro do quarto. Eu me virei e disse:

— Se eu quisesse uma plateia teria ficado lá fora.

— Ele parece manso, mas é um Homem-Tigre desconhecido que foi treinado em


combate por alguns guerreiros muito bons. Não podemos deixá-la estar com ele pela
primeira vez sem ninguém aqui para protegê-la.

— O que? Eu sou como a realeza que tinha que ter testemunhas para o processo
de cama?

— Eles não insistiram em testemunhas apenas por causa de alguma ideia


antiquada de que se não fosse testemunhado não era real, Anita. Às vezes, eles
colocavam testemunhas na sala para que a metade do novo casal real não pudesse,
acidentalmente, ferir ou matar o outro, — disse Wicked.

Eu o olhei e ele leu a pergunta em meu rosto.

— Nem todos estavam felizes com seus casamentos arranjados — disse ele.

Pensei nisso por um momento e balancei a cabeça.

— Não sei o que dizer sobre isso.

— Não diga nada. Só sei que Nicky e eu estaremos perto da porta mantendo
todos seguros. Só que deste lado da porta.

— Sim, nós seríamos terríveis guarda-costas se deixássemos você se machucar


porque somos muito maricas para assistir, — Nicky disse e eu fiz uma careta para ele
que apenas sorriu.

— Mas se você quer que eu faça mais do que guardar, você sabe que tudo que
tem a fazer é perguntar. Estarei feliz em emprestar uma mão ou uma boca extra.

Franzi o cenho com mais força, mas ele sabia que eu não estava aborrecida, não
realmente, porque seu sorriso se alargou. Se Nicky realmente tivesse pensado que eu
estava brava com ele, seria obrigado a reagir a isso. Ele foi projetado para me fazer mais
feliz, não infeliz. Era tudo muito razoável, os guardas deste lado da porta, enquanto eu
olhava para cima, para os dois metros de músculos que ainda estava segurando minha
mão. Mesmo se ele fosse apenas humano, teria me superado por um, mas ele não era
humano e isso o tornava potencialmente perigoso. Concordei com eles nos guardando
em princípio, mas na realidade algo sobre a caminhada até aqui e a conversa com eles
tinha levado algum brilho do meu humor.
Micah veio até mim. Ele me abraçou, beijou minha bochecha e sussurrou:

— Você está pensando demais.

Eu me virei com o cenho franzido, mas olhando para seu rosto daquela forma, eu
não consegui manter a expressão carrancuda. Senti meu rosto suavizar, senti um pouco
da tensão me deixar. Eu o abracei de volta, deixando Mefistófeles parado, sozinho,
enquanto eu me envolvia em torno de Micah e deixava que ele se envolvesse ao meu
redor. Agarrei-me, tentando decidir por que eu estava de repente tão tensa.

Teria me incomodado ver Jean-Claude e Richard com outra mulher? Não. E


então me ocorreu. O que me incomodou foi que não tinha me incomodado e eu sentia,
vagamente, que deveria ter me aborrecido, mais do que isso, eu pensava em como Envy
estava linda estendida entre eles. O pensamento deles fazendo o mesmo com um dos
outros homens, enquanto eu observava, fez pulsar coisas na parte de baixo do meu
corpo, de modo que me excitaria mais, entretanto, não achei desagradável ver Envy
entre os dois. Eu estava tendo um momento homo fóbico? Isso era realmente o que
estava errado? Ou eu apenas pensei que deveria ter estado ciumenta e fiquei surpresa de
que não estivesse?

Eu sussurrei na queda espessa de seu cabelo,

— Acho que estou incomodada por não estar incomodada.

Ele se afastou o suficiente para olhar meu rosto.

— Eu realmente entendo isso depois de estar com você dois anos.

Fiz uma careta para ele e Micha riu.

— Anita, você nunca viu nenhum de nós com outra mulher. Você acha que
deveria estar com ciúmes, mas não está.

Dei de ombros me afastando um pouco dele. Respirei fundo e disse:

— Eu gostaria de ver isso com um de vocês no meio. E isso me incomoda e ela


não estava... Ela estava linda. — Eu fiz uma careta e olhei para ele

Ele sorriu e se aproximou de mim.

— Você está incomodada por ter gostado de ver outra mulher assim?

— Acho que sim, ou estou incomodada porque que não me incomodou. Oh,
diabos, eu não sei.

— Estar incomodada por ver diversões e jogos com pessoas do mesmo sexo?
Bem-vinda ao nosso mundo.

Ele tentou me abraçar, mas eu saí do seu alcance.

— Isso te incomoda? — Perguntei.


— Não, — disse Nathaniel vindo até nós dois. — Nós não vamos fazer isso hoje
à noite.

— O quê? — Perguntei.

Ele me pegou em seus braços e disse:

— Eu te amo.

— Eu também te amo, — respondi estudando seu rosto, porque eu não tinha


certeza para onde estávamos indo.

— Mas você está tentando conversar para ficar fora do sexo.

— Não estou, — respondi, mas desviei o olhar, porque ele estava certo.

— Está, sim — disse ele.

Olhei para cima e o encontrei sorrindo para mim. Eu não queria que ele sorrisse
para mim. Não gostei da sensação de que ambos eram mais razoáveis que eu. Eu não
gostava de ser tratada como a difícil. Claro, se o sapato se encaixa. . . Mas este tamanho
trinta e cinco em especial, era um estilete apertado.

— Acho que sim, — eu disse.

— Por favor, não — ele pediu.

Eu o abracei, apoiando a cabeça na curva de seu ombro.

— Algo atingiu um problema, — eu disse.

Ele beijou minha cabeça, acariciando-me o cabelo.

— Eu sei, mas precisamos trazer Mefistófeles. — Levantei a cabeça olhando


para ele.

— O que você quer dizer com, “trazer”?

— Faça-o seu, nosso.

Estreitei os olhos.

— É importante, Anita.

— Por quê?

— Eu não tenho certeza, mas sei que para mim e para Damian o sexo é parte da
ligação. Foi necessário para completá-la. Talvez porque é com sexo que você alimenta
seu lado vampiro. Para torná-lo seu, você precisa se alimentar dele.

— Mas... — comecei a dizer.


Micah veio por trás de mim e insinuou seu corpo contra o meu, com os braços
deslizando em volta de mim e tanto quanto pode alcançar de Nathaniel, de modo que eu
estava presa entre eles. Senti-me relaxar quase imediatamente.

Micah sussurrou:

— Precisamos ter certeza de que qualquer novo animal ou vampiro,


especialmente poderoso, é completamente nosso, Anita.

— Você realmente acha que se eu tivesse fodido Haven antes ele não teria
ficado fora de controle?

Ambos me abraçaram mais apertado, mas foi Micah quem disse:

— Eu não sei. Talvez ele nunca tivesse se contentado em compartilhar você, mas
sei que o sexo é a cola que une a linhagem vampira de Jean-Claude. Precisamos jogar
com os nossos pontos fortes, querida. Não temos tempo para fingir que não somos o que
somos.

Eu enrijeci em seus braços e comecei a tentar me afastar deles, mas me obriguei


a não fazê-lo. Obriguei-me a tomar uma respiração profunda e lenta, depois outra. Não
relaxei, mas também não lutei.

— Diga-me que você não quer ter relações sexuais conosco e não faremos sexo,
— disse ele suavemente.

— Você sabe que isso seria uma mentira, — respondi quase num sussurro.

— Diga-me que você não acha o Homem-Tigre atraente e você não tem que
fazer qualquer coisa que não queira. Diga-me que você não o quer e isso para aqui, mas
se você o quer da maneira que eu senti que quer, então não minta para você mesma ou
para ele. Queira-o ou não o queira, mas se você o quiser, permita-se.

Engoli e quase doeu, como se estivesse tentando engolir algo duro. Virei-me e
olhei para Mefistófeles. Sua parte superior do corpo era lisa e musculosa. Linda. Ele não
tinha a definição muscular que alguns dos homens de minha vida tinham, mas a
promessa de que estava tudo lá no musculoso aumento de seu trapézio no alto dos
ombros ou no pescoço largo e forte. Ele tinha uma linha de músculos abdominais suaves
que se poderia seguir em sua pele. Seu cabelo amarelo era muito reto e percebia-se que
o loiro macio não era apenas loiro, mas tinha riscas de creme e quase branco, de modo
que o amarelo era ainda mais esmaecido.

O amarelo de Pride e Envy era mais brilhante. Com um nome diferente,


Mefistófeles poderia facilmente ter passado por humano. Mas o nome soava como algo
que você escolheria quando adolescente, quando estivesse passando pelo estágio de
escrever poesia gótica. Não correspondia a alguém que parecesse um universitário
normal.

Até mesmo seus olhos, com o círculo de azul ao redor da pupila e o anel de
pálido marrom dourado ao redor da borda externa não estavam tão longe do humano-
normal. A maior diferença era a cor dourada pálida da sua pele. Provavelmente era
permanente. Mas novamente poderia ser um bronzeado pálido do verão.
Ele era um daqueles homens altos que parecem grandes. Talvez fosse os ombros
ou aquele peito largo, mas ele era alguém que você não esqueceria. Era fisicamente
grande. Nicky e Richard tinham ombros mais largos, mas eles levantavam pesos.
Mephistopheles tinha o potencial de ser um cara realmente grande.

— Parece que você está fazendo uma lista, — disse ele.

Eu pisquei.

— Desculpe, o que?

— Você está olhando para mim, mas não está me vendo.

Isso foi realmente uma coisa inteligente a se dizer. Fez-me pensar melhor dele e
de suas possibilidades de se encaixar aqui. Ser esperto era bom, porque um pacote
bonito sem inteligência nunca tinha me atraído muito.

— Desculpe-me, você está certo. Você é bonito, lindo. O que seja, mas o
conheci a apenas alguns minutos e eu não sou tão rápida sem interferência metafísica.

— Se o ardeur é o que você precisa, então estou bem com isso. — Ele andou em
nossa direção lentamente, como se não quisesse me assustar. — Tudo o que você
precisar, Anita. O que você quiser, basta dizer.

Virei-me, mas não consegui ver Micah, de pé atrás de mim e tive que sair do seu
duplo abraço, então pude ver seu rosto.

— O que você fez? — Perguntei.

— Eu só queria alguém fácil de lidar, alguém que se encaixasse, que quisesse


estar aqui.

— Você estava pensando nisso enquanto colocávamos energia através disso?

— Sim.

Mephistopheles disse:

— Você disse que o resto dos tigres estão procurando por alguém que cheire
como casa. — Eu me virei para vê-lo. Ele estava quase sobre nós agora. Estendeu a mão
para mim. Novamente com lentidão, como se estivesse esperando que eu dissesse para
parar. — Mas os tigres de ouro não estão procurando uma casa.— Seus dedos traçaram
a borda da minha mandíbula e quando não o recusei, sua mão deslizou para trás em
volta do meu pescoço. Sua mão era grande o suficiente para que ele rodeasse a parte de
trás dela com centímetros de sobra. Ele estava tão quente.

— O que você está procurando? — Eu perguntei.

— Um mestre. — Ele começou a se curvar sobre mim, novamente lento, me


dando muito tempo para protestar.

— O que isso significa? — Perguntei.


— Pride e alguns dos outros disseram que devemos ser nossos próprios mestres,
que somos mais fortes do que a maioria dos vampiros no poder, o que, de fato, talvez
sejamos. — Seu rosto estava tão perto que seus cabelos se derramaram para frente,
fazendo cócegas ao longo das minhas bochechas. — Mas eu não quero ser mais forte do
que você. Eu não quero lutar com você. Parece que estive esperando minha vida inteira
para pertencer. — Sua boca pairou sobre a minha e eu sussurrei em seus lábios:

— Para pertencer a quê?

— A você. — e ele me beijou. Ele me beijou e sua boca tinha o sabor do mel.
CAPÍTULO 42

Começamos fazendo algo semelhante ao que Jean-Claude e Richard tinham


feito, mas usamos a cama. Um, eu era muito mais baixa que Asher. Dois, eu não era
rápida oralmente e, se você vai ficar de pé ou se ajoelhar em um chão de pedra, você
quer rapidez. Deitei-me, aconchegando-me contra o corpo de Asher. Suas calças de
couro eram macias e rugosas contra a parte de trás do meu corpo. Ele manteve suas
roupas. Tecnicamente, Jean-Claude ainda estava vestido durante as preliminares que
assistimos. Eu não queria dizer a Asher para permanecer vestido, mas nós tínhamos um
menino novo na cama conosco e ele era alto, atlético e fisicamente imponente, — muito
parecido com Richard. E Asher gostava desse tipo de corpo. Ele não discriminava, mas
sua primeira escolha ia para homens altos e atléticos. Entretanto, o cara novo estava
muito interessado em mim. Ele não parecia se importar com os outros homens e gostava
de Micah, mas ele não estava olhando para os outros homens da maneira que Asher
faria se estivéssemos sem companhia. Se Asher fosse mais interessado em meninas,
teria sido um daqueles homens que gostava de ser o primeiro de uma mulher. Mas ele
gostava de suas mulheres experientes e seus homens experientes com mulheres.
Contudo, ele gostava de ser o primeiro homem de um homem, eu tinha as memórias
disso para comprovar. Mefistófeles era exatamente o tipo de homem que Asher gostava.
Até que descobrisse quais eram suas chances, ele esconderia as cicatrizes.

Ocorreu-me, quando Micah e eu ajudávamos um ao outro a tirar nossas roupas,


que poderia haver outra razão para Asher permanecer vestido. Ele teve Jean-Claude da
maneira que ele queria a muito tempo, mas Jean-Claude e Richard estavam ambos
apreciando muito a nova menina. Será que o incomodou ver Jean-Claude mostrando
uma forte preferência por partes do corpo que ele não tinha ou eu estava imaginando
coisas? Talvez, mas considerando que era Asher, talvez não. Eu livrei Micah da camisa
dele e ele tirou meu sutiã, então ainda estávamos ajoelhados na cama nus da cintura para
cima. Corri minhas mãos pelos seus braços e ele se aproximou de mim para que
pudéssemos pressionar a parte superior de nossos corpos um contra o outro. O abraço se
transformou em um beijo que começou inocente, mas cresceu em boca e língua e dentes
suaves.

— Eu não sei onde você me quer, — Mephistopheles disse.

Isso nos fez parar o beijo e nos virar para ele quase como se tivéssemos
esquecido que ele estava lá e, por um momento, talvez tivéssemos.

— Desculpe, — eu disse, — não sei qual é o seu nível de conforto.

— Nível de conforto sobre o quê? — ele perguntou.

Eu olhei para Micah e depois de volta para Asher, que ainda estava perto da
cabeceira da cama, apenas assistindo. O que eu podia ver de seu rosto através de todo
aquele cabelo brilhante era absoluta e arrogante beleza. Isso me lembrou dos olhares
que Pride e Mefistófeles tinham trocado mais cedo. Asher estava escondendo o que
estava sentindo. Ele não queria assustar o cara novo.
Olhei para Nathaniel, que tinha levantado uma das cadeiras da lareira para que ele
tivesse uma boa visão da cama. Nathaniel encolheu os ombros e sorriu.

Olhei para Micah e ele disse:


— Você pode se juntar a nós, Mefistófeles, quando quiser.

Ele mostrou um sorriso brilhante e subiu na cama. Ele ainda estava usando calça
jeans, mas seus sapatos desapareceram. Ele rastejou em nossa direção e a cama era
grande o suficiente para que ele tivesse tempo de colocar um movimento sinuoso nele.
Era gracioso e lascivo, e prometia sexo como o ar poderia prometer chuva. Você sabia
que qualquer pessoa que pudesse se mover daquele jeito seria boa nisso. Eu ainda não
tinha visto ninguém se mover assim e não estar a altura da promessa.

Ele ficou de quatro, empurrando seu rosto contra meu estômago e depois
cheirando e esfregando apenas os lábios ligeiramente contra a minha pele. Ele beijou
meus seios enquanto subia por meu corpo, mas eram beijos leves, até que estivesse
ajoelhado na minha frente, então Mefistófeles me olhou e havia aquele calor que todos
os homens parecem ter em seus olhos em algum lugar. Ele se inclinou, eu levantei meu
rosto e ele me beijou e desta vez não foi gentil. Mefistófeles me beijou como Micah
tinha feito, todo lábios e língua e dentes. Suas mãos grandes foram para atrás, em
minhas costas, não para abraçar, mas para amassar contra a minha pele como um gato
faria. Ele se separou do beijo com um suspiro como se não tivesse conseguido ar
suficiente. Eu estava um pouco sem fôlego.

— Você tem uma cicatriz nas costas. Posso ver? — Eu apenas me virei para que
ele visse. — O que causou isso? — Perguntou, seus dedos já traçando os contornos
delicadamente.

— Uma estaca de madeira quebrada, — respondi.

— Você caiu sobre ela?

— Não, um humano sob o controle de um vampiro tentou me estaquear.

— Eu tenho uma também, e a minha é maior.

— O quê? — Eu perguntei.

Ele se virou para que eu pudesse ver suas costas. Ele tinha uma cicatriz e era
mais longa, embora a minha fosse mais larga. Homens, eles estão sempre mais
impressionados com o comprimento do que a largura. Ele parecia esperar por algo,
então eu a percorri com a ponta dos dedos. Era uma fina curva de tecido cicatrizado
branco, do lado direito, até a coluna vertebral.

— Como você foi cortado? — Perguntei.

Ele se virou.

— Meu primo Thorn fez isso em um treino prático.

— Você usa lâminas de prata verdadeiras para praticar? — Questionei.

— Se você não usar prata, não vai saber como reage quando for realmente
ferido. Toda a dor é teoria até que se machuque. Você tem que saber como vai reagir.

Estudei sua expressão tentando ler algo por trás desse rosto bonito e ansioso.
Micah disse:

— Thorn é um dos homens-tigre que não trouxemos para você conhecer.

Olhei para ele.

— O que havia de errado com o primo Thorn?

— Ele tem um temperamento e tentou me tratar como se eu fosse pequeno.

— Oh, então ele não ganha pontos comigo.

— Eu disse a Jake que Thorn só poderia ficar se não causasse problemas. Se


causar, então ele não será mais problema nosso e terá que ir embora, — disse Micah.

Mefistófeles tocou o monte de tecido cicatrizado no meu braço esquerdo.

— Um animal de estimação fez isso?

— Vampiro, assim como a cicatriz da clavícula.

Ele rastreou com as pontas dos dedos, tocando meu ombro e a brilhante e lisa
cicatriz.

— Tiro— eu disse.

— Prata?

— Não, foi antes de eu ser a serva humana de Jean-Claude.

Ele traçou a cicatriz de queimadura em forma de cruz com marcas de garra que a
distorciam um pouco agora.

— E isto?

— Um Renfield de vampiro achou que seria engraçado me marcar.

Ele traçou as marcas de garra com a ponta dos dedos.

— Isso foi de metamorfo.

— Bruxa metamorfoseada, não um licantropo.

— Você quer dizer como um cinto mágico feito de uma pele nossa?

— Sim— respondi.

— O que aconteceu com a bruxa?

— Morta, — eu disse.

— Eles estão todos mortos, todos que te machucam?

— Sim, — respondi.
Ele olhou para Asher.

— Jake nos contou o que a Igreja fez com você. Posso ver?

Asher ficou muito quieto, quieto da maneira como eles podem ficar depois de
algumas centenas de anos, mas ele moveu o cabelo para um lado, iluminando as
cicatrizes em seu rosto.

Mefistófeles foi até ele e, sem perguntar, tocou o rosto de Asher, riscou as
cicatrizes com as pontas dos dedos como fez comigo. Eu sabia o quão delicado era o
toque, como um roçar de borboleta. Asher não mostrou nada enquanto o outro traçava
as cicatrizes.

— Meu primo Martino vai ficar tão ciumento.

Asher olhou para mim.

E eu perguntei:

— Ciúmes de quê?

— Martino acha que é o homem mais bonito que já existiu, mas ele nem sequer
chega perto de Asher. Ou de Jean-Claude, nessa matéria, mas você é o homem mais
bonito que eu já vi.

Asher se afastou dele, deixando seu cabelo cair novamente sobre o lado do rosto.

— Você acabou de tocar as cicatrizes, sabe que isso não é verdade.

— As cicatrizes mal cobrem seu rosto, apenas uma pequena parte. — Ele
estendeu a mão para tocar as cicatrizes novamente. Asher virou a cabeça para que
Mefistófeles não o alcançasse. Mas ele era um menino persistente e seu polegar deslizou
através do lábio inferior de Asher.

Asher recuou bruscamente.

— Porque você fez isso?

— Porque eu quis — ele disse, como se isso fizesse sentido e eu acho que fazia.

— Eu não sou bonito. — Asher disse, começando a desabotoar a camisa. Ele


abriu o tecido branco justo e o puxou para expor tanto os músculos lisos quanto as
linhas profundas das cicatrizes, como um tiro antes e depois.

Mefistófeles disse:

— Uau, isso deve ter doído.

— Você não tem ideia — disse ele.

Mefistófeles estendeu a mão para voltar a tocá-lo, mas Asher começou a se


afastar e foi Nathaniel quem disse:
— Você quer que ele te toque, não é?

Asher lhe lançou um olhar não inteiramente amigável, mas deixou o homem-tigre correr
os dedos delicadamente sobre as cicatrizes e depois mover as mãos para o lado
intocado. Ele correu as mãos para cima e para baixo de ambos os lados, explorando a
diferença de textura.

— Quão longe vão as cicatrizes?

— Você está tentando me despir? — Perguntou Asher.

Mefistófeles olhou surpreso e disse:

— Não é essa a ideia? Não estamos todos saindo de nossas roupas?

— Sim, — disse Nathaniel e ele estava olhando para Asher. O olhar dizia
claramente, “não exploda isso para si mesmo, porque você é uma dor na bunda”.

— Então, eu posso ver? — Ele perguntou.

Asher olhou para mim e eu não sei por quê. Eu estava totalmente fora de minha
profundidade aqui. Foi Micah quem perguntou,

— Você não quer?

Asher olhou novamente para mim e eu entendi a súplica agora. Engatinhei até
ele, de modo que eu estava de um lado e Mefistófeles, do outro.

— Quer ajuda? — Perguntei.

Asher concordou e percebi que ele estava nervoso. Um homem que o atraía
estava tentando despi-lo, além de dizer que era o homem mais bonito que já tinha visto.
Acho que Asher pensou que era bom demais para ser verdade e isso o assustava. Eu não
podia culpá-lo, passei alguns anos observando-o perseguir os homens que não gostavam
tanto de homens quanto ele. E os homens que mais gostavam dele eram quase
desdenhados. Tinha sido uma receita para a infelicidade.

— Deite-se — eu disse.

Asher hesitou, mas fez o que pedi, deitando novamente contra os travesseiros.
Seus cabelos se derramaram em torno de seu rosto e ele não tentou se esconder. Ele
apenas deitou-se. Eu concordava com Mefistófeles. Ele era um dos homens mais
bonitos que eu já vi.

Micah se moveu ao lado das longas e esbeltas pernas de Asher.

— Botas primeiro, — disse ele.

Nathaniel subiu na cama, então ele estava ao meu lado, mas mais abaixo,
refletindo a posição de Micah.

— Eu pensei que você ia assistir, — eu disse.


— Mudei de ideia, a menos que você não queira todos nós?

Eu sorri para ele.

— Estou bem com isso se Mefistófeles estiver também.

Ele já estava correndo seus dedos sobre a borda das calças de couro de Asher.
Sentindo a textura do couro, com muito cuidado, ou talvez estivesse sentindo a textura
da peleapertada pelo couro ondeera a área do cinto, mas em vez de um cinto, as calças
tinham cordões entrelaçados.

Asher observava-o acariciar o couro. Faltava a expressão de desejo nu que ele


teve anteriormente nesse mesmoquarto com Jean-Claude e Richard. Seu rosto estava
muito cuidadoso, mas seus olhos seguiam os movimentos do outro homem.

— Eu acho que ele está bem com isso, — disse Nathaniel.

Nós três trocamos um olhar e então eu acenei.

— Botas primeiro, — eu disse.

Cada um deles começou a trabalhar uma das botas de couro macio por suas
pernas. Eu fui para o topo de suas calças e desfiz os laços dianteiros. Mefistófeles me
ajudou a abrir o couro.

— Eu gosto das calças.

— Você vai ver um monte de couro aqui, — respondi. Nós abrimos as calças de
Asher o suficiente para que Mephistopheles pudesse rastrear as cicatrizes, abaixo da
linha da calça. Seu toque ainda era delicado quando seus dedos deslizaram para dentro
da calça de Asher, traçando a linha de cicatrizes como se não estivesse incomodado em
colocar as mãos nas calças de outro homem.

Os olhos de Asher se fecharam e eu peguei um olhar em seu rosto. Se


Mephistopheles o tivesse apalpado de verdade, ele teria sido um vampiro muito feliz,
mas o outro homem disse:

— As cicatrizes acabaram. — Se ele as achava excitantes, não apareceu em sua


voz ou em sua reação quando sua mão reapareceu.

— Não exatamente, — eu disse, — mas teremos que tirar as calças dele para
mostrar a você o que eu quero dizer.

Micah e Nathaniel tiraram as botas de Asher e Nathaniel as colocou de lado.


Mefistófeles alegremente me ajudou a descascar as calças de couro do corpo de Asher.
Ele não reagiu quando o viu nu. Mas quando viu que as cicatrizes continuavam no lado
da coxa de Asher, começou a traçar a fina linha cicatrizada. Micah e Nathaniel tornaram
a puxar o couro para baixo ao longo daquelas longas pernas, até que a única coisa que
Asher estava vestindo era a camisa aberta.

Mefistófeles voltou às cicatrizes no peito e no estômago.


— Estas são muito mais profundas. — Seus dedos rastejaram para baixo, ao
longo da coxa, seguindo a linha fina que descia em direção à virilha. — Mas essa é leve.
Ele olhou para o rosto de Asher. — É como se eles não pudessem suportar arruinar seu
rosto e sua virilha.

— Eles não fizeram ao meu rosto o que eles fizeram com meu peito, — ele
disse, — mas não me pouparam em outro lugar. Eu não era circuncidado. O prepúcio
ficou horrivelmente cicatrizado. Eu estive... Arruinado por mais de um século.

— Mas as cicatrizes estavam todas no prepúcio? — Mefistófeles perguntou.

— Sim. — Ele respondeu.

— Por que eles fariam isso? — Ele perguntou.

— Eles queriam queimar o diabo de mim.

— Há um pouco mais de cicatrizes, — eu disse, movendo a coxa de Asher para


que a fina cicatriz no interior da coxa fosse visível.

Mefistófeles percorreu com a ponta dos dedos a parte interna da coxa de Asher
como tinha feito com todo o resto. Ele estava focado na textura e não parecia diferenciar
entre o que ele estava tocando, atento apenas na sensação.

Olhei para o rosto de Asher enquanto Mefistófeles fazia isso. Ele e eu


prendemos nossos olhares por um momento. Ele não me deu nenhuma pista, nenhum
encorajamento, mas não desencorajou o que eu estava pensando, e ele tinha que saber o
que eu estava pensando.

— Há mais uma cicatriz, — eu disse. Passei a mão pelos testículos de Asher e


ele reagiu a isso com um pequeno movimento contra a cama. Mefistófeles não reagiu de
nenhum modo que eu pudesse ver. Movi minha mão o suficiente para mostrar a fina
linha branca que rastreava a pele solta.

Seus dedos traçaram ao longo dessa cicatriz como tinham feito com todas as
outras. Não houve um momento de hesitação homofóbica. Eu não poderia dizer se ele
foi movido pela nudez de Asher ou não. Suas reações eram estranhas, e isso fazia com
que fosse difícil julgá-lo, mas também não o incomodava. Eu sabia por experiência que
a cicatriz nas bolas de Asher era mais difícil de tocar, porque a pele se movia. Para
realmente senti-la, você tinha que fazer mais do que apenas passar a ponta dos dedos
sobre ele.

Mefistófeles descobriu isso e tomou a pele suavemente entre seus dedos para
que pudesse seguir a cicatriz de um lado para o outro. O corpo de Asher estava
começando a reagir ao toque. Eu corri a mão pelo eixo dele e comecei a acariciá-lo
enquanto Mefistófeles brincava com suas bolas. Ele não estava brincando com elas do
jeito que Asher gostava, ele estava tocando apenas essa linha de cicatriz, mas ele
também não parou de explorar quando comecei a acariciar Asher com a mão. Mas por
minha vida, eu ainda não poderia dizer se Mefistófeles estava okey em tocar outro
homem ou se estava apenas sentindo a textura de uma maneira quase não sexual.
Asher cresceu longo e duro em minha mão. Mefistófeles continuava a explorar
mais baixo. Ele não estava apenas traçando a textura da cicatriz agora, mas a textura da
pele e as pequenas e delicadas porções de dentro. Na verdade, fechou os olhos para
poder concentrar-se apenas no toque.

Eu não tinha certeza de como nos levar adiante ou se eu deveria. Asher estava
tendo mais contato com o cara novo do que tinha tido com qualquer um até ontem. Eu
não queria estragar isso para ele, mas... Eu olhei para Micah buscando uma pista, ou
uma ajuda.

Foi Nathaniel quem disse:

— Nós estamos em número suficiente para fazer oral em dois de nós ao mesmo
tempo.

Isso fez Mefistófeles abrir os olhos, sua mão ainda em torno do corpo de Asher.

— Quem faz com quem? — Ele perguntou.

— Você quer chupar alguém ou ter alguém chupando você? — Nathaniel


perguntou e percebi que ele era o menos perturbado de nós três.

Mefistófeles sorriu. Sua mão parou de tocar Asher e descansou em seu quadril
num gesto que era muito confortável.

— É sexo oral. Eu gostaria que alguém fizesse em mim.

— Se você for oralmente, então não vai conseguir foder ninguém— disse
Nathaniel.

Ele franziu a testa.

— Escolha difícil.

— Você é bom em dar oral? — Perguntou Nathaniel.

Ele sorriu e o olhar foi suficiente.

— Não ouvi reclamações.

— Algum elogio? — Eu perguntei.

Isso pareceu fazê-lo quebrar a cabeça por um momento e, em seguida, ele disse:

— Alguns, sim, mas o elogio é principalmente gritaria e olhos rolando de volta


em sua cabeça.— Ele voltou a estar satisfeito com ele mesmo.

— Gritos, então eram garotas, — eu disse.

— Principalmente, — disse ele, — mas o sexo oral é como beijar, feche seus
olhos e você não pode dizer quem está te beijando, só que é bom. — Ele fez um rosto
infeliz. — Exceto por pelos faciais. Eu não consigo superar isso.
— Ninguém na cama tem pelos faciais, — eu disse e ele sorriu.

— Então funciona.

O que eu queria perguntar era se, honestamente, ele não tinha preferência por um
cara ou uma garota, mas eu estava com medo de que se eu fizesse a pergunta, ele, de
repente, decidisse que tinha. Achei que se continuássemos agindo como se não fosse
grande coisa, ele simplesmente seguiria a corrente. Eu nunca estive com alguém assim,
onde não havia uma forte preferência por um ou por outro. Era um pouco enervante.

Asher disse:

— Algum vampiro já chupou você?

— Não. — Ele respondeu

— Você gosta de dor?

— Você quer dizer com sexo?

—Sim.

— Nem tanto.

Asher abriu a boca largamente, mostrando as delicadas, mas muito presente


presas.

— Então você não vai querer que eu chupe você.

— Bom ponto, — e então ele riu de sua própria piada acidental. — Então, eu
chupo você?

Asher piscou para ele e disse sem mudar de expressão:

— Assim está bem para mim.


CAPÍTULO 43

Normalmente tenho dificuldade em ficar nua na frente de um estranho, mas


Mefistófeles estava tão desembaraçado, tão totalmente confortável com tudo, que era
quase impossível ficar desconfortável perto dele. Se ele estivesse, honestamente tão
desligado quanto parecia, ele seria malditamente refrescante.

As roupas saíram, e ele honrou a sua oferta. Alguns homens, como algumas
mulheres, chupam alguém como se fosse um dever, algo que é esperado, não algo que
eles gostem de fazer. O recém chegado fechou os olhos e tratou o corpo de Asher da
mesma maneira que ele tocou as nossas cicatrizes, como se quisesse sentir todas as
mudanças de textura no corpo do outro homem. Ele chupou e percorreu com os lábios,
beijou e apreciou tudo o que poderia fazer com Asher.

Foi somente quando Asher estremeceu, arqueando a coluna com a cabeça jogada
contra os travesseiros que Mefistófeles levantou o rosto e olhou para a longa linha do
corpo de Asher. Ele afastou a boca do corpo dele com um sorriso, a mão ainda
envolvendo a base de seu pênis.

— Você está perto.

Asher só pode assentir.

Mefistófeles olhou para nós três do outro lado da cama.

— Por que vocês estão apenas assistindo?

— Gosto de assistir — disse Nathaniel.

— Eu queria ver as reações de Asher ao que você estava fazendo — eu respondi.

Micah disse:

— Eu sabia que eles queriam assistir.

Mefistófeles sorriu para todos nós, suas mãos ainda brincando ao redor do corpo
de Asher de modo que ele o manteve longo e duro, sem perder qualquer terreno.

— Troquem comigo, — disse ele.

Micah e eu piscamos para ele.

Eu perguntei:

— O que?

Nathaniel disse:

— Ok. — Ele se moveu do lugar entre nós e rastejou em direção a eles. Eu


estava começando a ter a ideia de que talvez Nathaniel estivesse mais confortável com
um monte de coisas do que nós, mas sem ninguém na cama tão confortável quanto ele,
Nathaniel tinha sido gentil com a gente.

Micah me colocou muito firmemente na frente de seu corpo. Eu tenho a


impressão nítida de que uma coisa era atravessar certas pontes com Nathaniel depois de
dois anos, mas era uma questão diferente com um homem estranho. Eu poderia dizer
que estava projetando, mas o aperto firme que ele tinha em meus ombros e o fato de que
ele esticou meu corpo ao longo do seu enquanto estava deitado na cama, ambos
refletindo o que Jean-Claude e Richard tinham feito com Envy, usando meu corpo como
um escudo disposto.

Fiquei presa entre observar Mefistófeles rastejando para nós, nu e ereto pela
primeira vez e Nathaniel se acomodando entre as pernas de Asher. Eu assisti a boca de
Nathaniel deslizar sobre Asher e senti que a visão deles apertou as coisas duramente na
parte baixa do meu corpo. Eu adorei ver Mefistófeles cair sobre Asher, mas eu gostava
mais das reações de Asher a ele. Mas assistir Nathaniel e Asher fez mais
para mim. Não era apenas observar homens tocando um ao outro, eu estava assistindo
os homens que eu amava fazendo um com outro.

Mãos acariciaram meus quadris, então deslizaram dentro de minhas coxas. Fez-
me olhar para baixo para o homem que estava se estabelecendo entre as minhas pernas.
Ele deslizou suas mãos debaixo da minha bunda.

—Vocêé linda —eledisse,enquanto abaixava o rosto em minha direção.

Eu nunca tentei ser tão íntima com um estranho sem o ardeur. Eu nunca tinha
tentado algo assim com minha cabeça limpa. Senti meu corpo ficar tenso e as mãos de
Micah deslizaram sobre meus seios, acariciando-os, amassando-os. Isso me fez colocar
meu rosto de volta ao lado dele para que ele pudesse me beijar, enquanto Mefistófeles
abaixava a boca em mim. Consegui vislumbres de Asher e Nathaniel quando meus
olhos se abriram e fecharam. Então, entreguei-me aos homens que me tocavam e perdi o
controle de tudo o mais. Micah colocou a mão sob o meu queixo, mantendo meu rosto
virado para que ele pudesse beijar e explorar minha boca com seus lábios e língua. O
beijo me fez moer meu corpo contra o seu. Senti seu corpo começar a inchar contra
minhas costas.

Mefistófeles lambeu entre minhas pernas, arrancando de mim um pequeno som


que Micah comeu com seus beijos. Sua outra mão apertou meu peito da maneira que ele
sabia que eu gostava. Mefistófeles mergulhou a língua entre as minhas pernas e isso me
fez gritar novamente, empurrando contra o corpo de Micah, sua boca empurrando contra
a minha. A língua de Mefistófeles encontrou o centro entre minhas pernas e começou a
lamber. Longas e lentas lambidas. Eu me contorcia contra sua boca e contra o corpo, a
boca e as mãos de Micah.

Mefistófeles começou a encurtar seus golpes, lambendo e girando, para cima e


para baixo, por cima daquele doce ponto. Começou a dar lambidas curtas e rápidas. Eu
comecei a sentir aquela pressão quente,pesada, crescendo entre minhas pernas. Eu
choraminguei na boca de Micah enquanto ele continuava a me beijar e a me explorar.
Ele girou meu mamilo entre os dedos e beliscou, sabendo que um pouco de dor iria
empurrar o prazer em mim.
Mefistófeles fazia movimentos cada vez mais rápidos com a língua: em um
minuto havia um calor se construindo, pesado, delicioso. A próxima lambida me
empurrou por cima daquela doce borda. Eu gritei meu orgasmo na boca de Micah, meu
corpo tendo espasmos entre eles. Mefistófeles colocou a boca em volta de mim e sugou
fazendo o orgasmo crescer e crescer. Ele apertou suas mãos em torno de minhas coxas
para me impedir de bater muito forte contra ele e Micah me segurou com os dois braços
para me manter quieta ou tão quieta quanto possível. Ele finalmente deixou eu afastar
minha boca da dele para que eu pudesse gritar meu prazer.

Senti Mefistófeles hesitar como se eu o tivesse assustado e então voltar a chupar,


até que meus olhos girassem em minha cabeça e meu corpo estivesse mole e se
contorcendo entre eles.

Micah sussurrou contra meu rosto,

— Isso é suficiente?

Consegui tocar minha mão na cama, um dos nossos sinais quando ficamos sem
palavras com o orgasmo. Micah riu e disse:

— Ela terminou.

Mefistófeles deu um último “lambeijo” longo que me fez gritar de novo e me


contorcer contra o corpo de Micah. Eu podia senti-lo duro e pronto contra minhas costas
e eu queria aquilo entre minhas pernas. Eu queria muito. Senti a cama se mover e
Mefistófeles não estava mais entre minhas pernas. Se eu pudesse abrir os olhos, teria
olhado para ver onde ele tinha ido, mas no minuto seguinte eu não tinha que olhar, eu
podia sentir. A ponta dele estava empurrando contra a minha abertura enquanto eu
estava deitada novamente contra o corpo de Micah.

Esforcei-me para fazer meus olhos trabalharem o suficiente para vê-lo acima de
mim, mas enquanto eu tentava, a cabeça dele escorregou para dentro do meu corpo e
meus olhos giraram em minha cabeça, meu corpo sofreu espasmos contra Micah.

Mefistófeles começou a empurrar todo o caminho dentro de mim e ele era


grande e largo o suficiente para que apenas isso fizesse as réplicas do orgasmo oral
continuarem. Meu corpo teve espasmos ao redor dele e eu o senti tremer acima de mim.

Tentei abrir os olhos para olhá-lo e consegui ver seu rosto acima do meu, o
corpo sustentado por seus braços, a parte inferior de seu corpo pressionando contra
mim. Seus olhos estavam fechados, seu rosto virou-se.

Eu o ouvi murmurar:

— Deus, ela está tendo espasmos em volta de mim, tão apertada.

Micah respondeu: — A primeira vez é incrível.

— Ela é sempre assim? — Ele perguntou, a voz ofegante.

— Depois do sexo oral, sim, — disse Micah.


Mefistófeles trabalhou seu caminho até que eu senti chegar ao máximo de mim.
Isso me fez abrir os olhos e olhar para baixo, para descobrir que ele estava enterrado tão
profundamente dentro de mim quanto poderia ir, nossos corpos casados um com o
outro. Apenas ver isso me fez gemer, meu corpo empurrando contra o dele.

— Deus, — ele sussurrou — não quero machucá-la, mas, Deus!

—Você não vai machucá-la, — disse Micah.

Encontrei o suficiente de mim mesma para sussurrar,

— Foda-me.

— O que?

— Foda-me — repeti.

Mefistófeles olhou para Micah que disse simplesmente:

— Faça. — Micah estava muito grande e duro pressionado contra minhas costas.
O outro homem estava grande e duro dentro de mim. A combinação me fez gritar e
tentar enfiar minhas unhas na carne de alguém. Micah apertou meus braços contra meu
corpo e me segurou, mesmo que apenas um pouco, tornou tudo mais intenso ainda. Eu
rebolei entre eles, encorajando-os. Mefistófeles saiu de mim apenas um pouco e
começou a me foder. Ele encontrou um ritmo profundo, batendo meu corpo contra
Micah. Mefistófeles não conseguia se aprofundar o suficiente para me machucar. Era
apenas uma batida profunda, grossa, mas Micah tinha me inclinado para que
Mefistófeles não tivesse que mudar de posição para bater mais forte no final de cada
golpe. O próprio corpo de Micah foi empurrado contra mim. Não em mim, nem mesmo
perto disso, mas senti seu corpo ficando mais molhado e eu sabia que era sua própria
excitação lubrificando minhas costas. Isso me fez começar a mover mais para os dois.

O corpo de Mefistófeles começou a perder seu ritmo e o senti lutar para manter o
controle, para durar. Ele recuperou o ritmo agora familiar, acariciando seu corpo no meu
e eu senti a construção profunda, pesada do orgasmo começar.

Eu disse em uma voz sem fôlego:

— Quase, eu estou quase.

— Quando ela gozar você não vai durar, — disse Micah, — confie em mim.

— Eu acredito em você, — ele respondeu. Eu senti seu corpo tremer enquanto


ele lutava para continuar acariciando-se dentro e fora de mim, mais rápido, mais forte,
mais profundo, mas nunca muito profundo, nunca muito forte, como se ele pudesse
sentir aquele ponto doce dentro de mim e soubesse que estava acariciando mais e mais e
mais. O corpo de Micah dançou contra mim quando ficou mais duro e molhado. Então o
próximo golpe do corpo de Mefistófeles me encheu e me fez transbordar, de modo que
eu gritei e dirigi meu corpo mais duro contra o dele, empurrando minhas costas mais
forte contra Micah enquanto ele mantinha meus braços presos ao meu corpo. Eu briguei
e dancei entre eles, meu corpo torcendo e contorcendo enquanto o prazer me enchia, me
transbordava. Mefistófeles empurrou-se para mim uma última vez e seu corpo sofreu
espasmos sobre o meu, dentro de mim. Senti sua liberação e isso me fez gritar
novamente. Senti o espasmo de Micah atrás de mim se derramando em um banho
quente de prazer. Eu gritei outra vez com a sensação de que ambos vinham de uma vez
dentro de mim e sobre mim, finalmente, terminei em uma poça flácida e cheia de
espasmos de felicidade entre os dois. Micah estava deitado atrás de mim na cama. Eu
podia ouvi-lo respirar com dificuldade, sentir seu batimento cardíaco contra meu corpo.

Mefistófeles meio desmoronou, puxando-se para fora de mim enquanto se


movia. Isso me fez contorcer, e Micah gemeu atrás de mim enquanto meu corpo
dançava sobre ele. Mefistófeles estava caído sobre a parte inferior do meu corpo e sobre
Micah. Sua respiração era mais pesada, mais trabalhosa do que a de Micah, mas então
ele esteve trabalhando mais.

Asher gritou e eu me virei para ver seu corpo arqueado em uma linha de desejo e
libertação. Nathaniel o tomava tão profundamente em sua boca quanto ele poderia.
Levando-o a contorcer-se de olhos fechados, só então ele se ergueu do corpo do outro
homem. Os olhos de Nathaniel estavam suavemente desfocados, os lábios separados,
como se ele tivesse tido um orgasmo também.

— Devil — Mefistófeles ofegou.

— O quê? — Perguntou Micah.

— Anita... Perguntou como devia me chamar... A família me chama de Devil.

Consegui enfocar os olhos o suficiente para olhá-lo deitado sobre nós.

— Eu sei que Mefistófeles é o diabo na peça, mas por que o chamam assim?

— O nome completo da minha irmã gêmea é Good Angel. Quando eu era


pequeno, perguntei o que meu nome significava. Minha mãe me disse que era o nome
do diabo em uma peça. Minha irmã disse: “Eu sou o Anjo e você é o Diabo”. Além
disso, quase tudo é melhor do que Mefistófeles. —
Ele tinha um ponto, mas. . .

— Então, sua irmã gêmea é Angel e você é Devil?

— Sim.

— Isso lhe deu algum tipo de complexo quando criança? — Perguntei.

Custou duas tentativas para ele se virar um pouco mais sobre o seu lado para que
pudesse me ver melhor.

— Você quer dizer se nós vivemos de acordo com nossos nomes?

— Sim.

Ele sorriu, súbita e brilhantemente.

— Você está me perguntando se eu sou o gêmeo do mal?


Isso me fez sorrir.

— Sim — respondi.

O sorriso diminuiu um pouco e seus olhos ficaram sérios quando ele disse:

— É melhor você ter esperança do que não ter.


CAPÍTULO 44

Notícias do que aconteceu em Atlanta haviam se espalhado por toda a


comunidade vampírica mais rápido do que na humana. Aqueles que anteriormente
tinham sido relutantes em desistir de seu poder para Jean-Claude estavam de repente a
bordo com o plano. O Amante da Morte e seu cavaleiro escuro tinham feito em horas o
que teria levado dias ou mesmo semanas. Haviam assustado os vampiros obrigando-os a
recorrer à única pessoa que tinha um plano. Quando as pessoas estão com medo
suficiente, elas vão desistir de sua liberdade, seus direitos, tudo, em uma tentativa de
estarem seguros. Ser morto-vivo não muda isso. Cave a uma profundidade suficiente e
vampiros eram apenas pessoas, e pessoas vão seguir um líder calmo, com um plano.

A primeira parte do plano era introduzir eu e Jean-Claude aos clãs tigre agora
que eu tinha um tigre de ouro ligado a nós. Era um de nós. Micah e eu, eu e Jean-
Claude, ele e Richard, nós e Asher, eu e Nathaniel e Damian, ninguém estava sozinho.
Era como se o poder e a solidão do mundo dos vampiros fossem combinados com o
mundo orientado para o grupo de pilha de filhote dos metamorfos e fez algo novo.

Mas, como de costume com Jean-Claude e o mundo dos vampiros, o próximo


passo envolvia uma festa. Tudo bem, um grande encontro, mas se eu tinha que me vestir
bem era uma festa e não uma boa confraternização. Estávamos no quarto de Jean-
Claude quando a porta se abriu e os guardas deixaram entrar as mulheres que iam me
ajudar a vestir para impressionar.

O salto alto bateu acentuadamente sobre o chão de pedra. Cardinal veio a passos
largos em direção a nós em sandálias de oito centímetros como se estivesse em uma
passarela e fotógrafos estivessem tirando a foto dela. O vestido parecia que tinha sido
inspirado em um vestido melindroso frisado de 1920, mas as cores eram laranja e
amarelo, em todas as tonalidades que poderiam caber; com seus cachos vermelho
derramando sobre os ombros dela, ela parecia estar vestindo fogo. O vestido era curto o
suficiente para que suas pernas nuas parecerem infinitas. Com as sandálias ela estava
bem acima de 1,80 de altura.

Meng Die estava atrás dela em um vestido tão curto quanto, mas preto, com um
colar de claras pedras preciosas falsas que enfeitavam a parte superior do vestido. Seus
saltos altos pretos eram de bico fino, com pelo menos quatro centímetros de bico. Seu
cabelo preto e liso estava brilhando e balançando enquanto ela se movia. O cabelo
acariciava seus brancos ombros nus, as pontas do cabelo levemente invertidas. Ambas
estavam usando maquiagens sutis, mas artísticas, de modo que os olhos castanhos de
Meng Die pareciam enormes e ainda mais exóticos do que o habitual. Cardinal tinha ido
para o olhar fresco e sexy de garota-da-casa-ao-lado, o que significava que ela estava
usando mais maquiagem do que parecia, mas a maioria dos homens não iria descobrir
isso. Inferno, mesmo eu não sabia tudo o que ela que tinha no rosto.

O que realmente me incomodou foi que ela tinha um saco de roupa sobre um
braço e sua caixa de maquiagem na outra. Meng Die estava carregando uma sacola de
compras.

—Nós não temos tempo para que me enfeitem, — eu disse.


—Nós não temos tempo para você não se arrumar — disse Cardinal. Ela
levantou o saco de roupa no braço e começou a abri-lo enquanto ela se elevava sobre
mim.

—Não seja um bebê sobre isso, Anita. — disse Meng Die, quando ela se
ajoelhou no chão e começou a tirar caixas de sapato para fora do saco.

—Você tem a pele ótima. Não vamos precisar de muita maquiagem. Você estará
pronta em vinte minutos ou menos. — Cardinal disse quando balançou o vestido livre
de seu saco. Era tão curto como eu temia, mas o verdadeiro problema era que o material
preto era totalmente diáfano do decote até a bainha. Havia lantejoulas pretas que
refletiam a luz aqui e ali de forma aleatória em torno da bainha e saia e um pouco sobre
o corpete.

—Oh, não fique tão chocada — disse Meng Die, e tirou uma combinação preta
para fora do saco de sapatos, como se tivesse estado no fundo de tudo.

—Aonde as minhas armas vão nisso? — Perguntei.

—Se você precisar de uma arma hoje, então nós perdemos, — disse Meng Die
enquanto ela segurava a combinação para Cardinal.

—Eu estou perdida agora, — eu disse.

Meng Die olhou para mim de onde ela se ajoelhou.

—Anita, você precisa ir lá nos braços de Jean-Claude e vender este vestido, essa
atitude, tudo isso. Eu faria isso se eu pudesse, mas eu não sou a sua Senhora, você é. —
Havia real amargura nesse último, bem como a implicação de que se ela fosse, então
isso tudo seria muito mais suave.

—Tire as roupas — disse Cardinal.

—Quanto é que eu vou odiar tudo isso? — Perguntei.

—Você não tem ideia do que passamos para obter estes. Tivemos que mandar
alguém para fazer compras porque não podemos sair à luz do dia. — disse Cardinal. —
Os guardas podem ser bons em nos guardar, mas eles não são compradores. Você
deveria ver a porcaria que eles trouxeram de volta. Este é o melhor do lote, Anita. A
maioria dos vestidos não vai atender às suas curvas. Iria servir para algumas de nós, mas
uma vez que os seios passam de um tamanho G eles são apenas um verdadeiro desafio
para os vestidos de coquetel.

—Eu tenho vestidos, — eu protestei.

—Você tem vestidos da última temporada, ou o céu nos ajude, de três


temporadas atrás. Você nunca se livra de qualquer coisa contanto que caiba em você, —
disse Cardinal.

—Por que eu deveria?

As duas mulheres trocaram um olhar.


—Espere até ver o que as outras mulheres estão vestindo, — disse Meng Die. —
Você vai entender, então.

Olhei para Jean-Claude.

—Eles vieram para impressionar, ma petite. Eles vieram para ser bonitos.

—Como elas conseguiram vestidos novos tão rápido? — Perguntei.

—Elas já os tinham — disse Cardinal, e começou a puxar minha camisa para


fora da calça.

—Eu vou fazer isso, eu vou fazê-lo.

—Então faça isso — disse ela.

Meng Die começou segurando os sapatos contra o vestido, que estava pendurado
em sua outra mão.

—A maioria das mulheres tenta comprar pelo menos um belo vestido por
temporada, apenas para ter, Anita. Se tiverem dinheiro, e você tem. Algumas mulheres
trocam todo o seu guarda-roupa, uma ou duas vezes por ano.

—Eu gosto das minhas roupas, e, por vezes, o que está na moda para a
temporada é feio. — Tirei meu coldre de ombro, comecei a entregá-lo a Jean-Claude,
pensei melhor, e relutantemente entreguei a Nicky. Eu tive que empurrar as mãos de
Cardinal longe da minha camisa para que eu pudesse puxá-la sobre a minha cabeça eu
mesma.

—Veja, eu disse que ela teria agradáveis roupas de baixo, — disse Cardinal.

—Que bom que você aprova, — eu disse, e não tentei manter o sarcasmo longe
da minha voz.

—Você pode vestir-se como um dos meninos, mas você sempre tem lingeries
realmente agradáveis — disse Cardinal. —Contamos com isso.

—Os guardas não poderiam ter comprado lingerie, — disse Meng Die,
levantando-se com os sapatos em um lado, e o vestido no outro.

—Depressa, Anita, — disse Cardinal.

Eu não queria me apressar. Eu não gostava do vestido.

Micah me deu um beijo na bochecha. Ele estava vestido com um terno preto de
alta costura, exceto que ele era feito de couro preto macio. Sua camisa era branca e fez o
seu bronzeado de verão parecer muito escuro. O colarinho dele estava aberto para expor
as marcas de mordida em seu pescoço. A ideia era que todos nós iríamos mostrar as
mordidas de vampiro para demonstrar que Jean-Claude mantinha a melhor coisa para si
mesmo. Era uma maneira de enfatizar que ele ainda estava no comando, apesar de um
monte de coisas metafísicas com os tigres que parecem vir principalmente de mim.
—Você está bem com isso? — Perguntei.

—Anita, depois de ontem à noite e do que aconteceu em Atlanta, eu usaria o


vestido eu mesmo se fosse ajudar a nos salvar. — Jean-Claude olhou para mim, e havia
algo de peso, e triste, e apenas ele, que fez-me tomar sua mão.

—Se eu realmente pensasse que o vestido nos ajudaria a estarmos seguro, eu não
me importaria.

Micah me beijou.

—Anita, eu já lhe pedi para apenas fazer alguma coisa?

Eu pensei sobre isso e balancei a cabeça, negando.

—Eu estou pedindo agora. — Ele parecia triste.

—Perdi alguma coisa? Algo mais aconteceu?

—Anita, é tarde. Temos cerca de seis horas até escurecer completamente. O que
quer que vamos fazer com os tigres, precisamos fazer antes de escurecer.

—Mas a Europa não está no mesmo fuso horário que nós. — eu disse.

—Se eles estão no subterrâneo, ma petite, o conselho não precisar dormir muito.
Eles aguardam nossa escuridão, não a sua própria. — disse Jean-Claude.

—Richard está na outra sala vestindo um inferno de muito menos do que eu. Ele
está engolindo e está jogando de anfitrião enquanto o resto de nós está aqui segurando
sua mão. Você está prestes a ter um ataque porque o vestido é pequeno. Anita, querida
— e ele pegou minhas mãos nas suas — Richard está fazendo o que nós precisamos que
ele faça; você vai fazer menos?

Suspirei.

—Eu sinto muito, você está certo. Eu só não sou a exibicionista que… oh,
inferno, Micah. Eu apenas não estou confortável com tanta pele exposta na frente de
uma sala cheia de estranhos.

—Eu sinto muito por isso, mas temos de jogar com os nossos pontos fortes. E
eles são sexo, habilidade psíquica tão forte que eles não saberão o que os atingiu, e
praticidade. O vestido é sexy, e vai direto ao ponto. — Ele sorriu. —Querida, isso é
você. Vou ajudar os outros homens com os nossos convidados. Tudo bem?

Eu assenti.

—Tudo bem.

Ele beijou meu rosto de novo, deu a Jean-Claude um olhar que eu não consegui
entender, e voltou para o corredor para os nossos convidados. E assim, eu parei de
protestar. A atitude de Micah ajudou a me centrar mais do que qualquer outra coisa
poderia, a modéstia já não era uma virtude. Era a meia-noite proverbial, e o relógio
estava correndo. O que quer que nós íamos fazer antes do último badalar, tínhamos
cerca de seis horas para fazê-lo.
CAPÍTULO 45

A combinação não tinha dado certo com o vestido, então eu usava apenas com um
bom sutiã preto e calcinha. Os sapatos eram saltos de sete centímetros, um pouco mais
largos na ponta, graças a Deus, mas deixavam os dedos a mostra e eram de um prata tão,
tão visível no negro, que acabaram por serem tão brilhantes quanto o vestido, então o
que mais se notava nos sapatos eram os saltos. Meng Die tinha retirado um par de meias
que iam até a coxa de sua bolsa,então os sapatos não estavam friccionando enquanto eu
caminhava. Com o vestido diáfano, as meias pretas apenas faziam tudo parecer como
uma lingerie, mas impediam de produzir bolhas antes mesmo que eu andasse alguns
metros, que era o que os sapatos prometiam sem a meia.
Cardinal tinha aplicado maquiagem em uma velocidade recorde. Ela inclusive
tinha um espelho para que eu pudesse ver que ela tinha feito meus olhos ficarem
grandes e exóticos.O batom era de um vermelho tão profundo e rico que seria uma
distração apenas me assistir falar. Claro, meus seios podiam distrair qualquer homem
heterossexual na sala de sequer olhar para o meu rosto. Havia volume cremoso demais
naquele decote para que eu estivesse inteiramente confortável em conhecer uma sala
cheia de estranhos, mas eu não tinha protestado mais. Micah tinha feito o seu ponto. Eu
mantive a minha boca fechada e apenas deixei as duas mulheres fazerem seus trabalhos.
Além disso, o vestido não escondia nenhuma maldita coisa, por isso os meus seios
sendo óbvios deveriam ser a menor das minhas preocupações. Um dos efeitos colaterais
interessantes do vestido ser tão vulgar era que cada mordida de vampiro era muito
visível, assim como as cicatrizes que eu tinha conseguido na linha do dever, mas as
mordidas realmente receberiam mais atenção. Elas estavam frescas, depois de tudo. O
fato de que eu tinha começado a vestir tangas* desde que descobri que eram realmente
confortáveis significava que minha bunda estava nua, embora pelo menos a frente
estivesse bem coberta com renda preta. Eu tinha outras tangas que eram praticamente
nudez com decoração. Essas teriam sido pior, ou foi isso que eu disse a mim mesma.
Eu tinha dividido minhas armas entre Nicky, Wicked, e Truth. Eles giraram em
torno de mim e Jean-Claude. A única joia que eu tinha era a corrente de ouro com o
encanto. Eu me sentia muito nua sem as armas ou a minha cruz. Mas desde que Jean-
Claude podia ter que usar alguns fortes poderes de vampiro para me ajudar a domar os
tigres, um objeto sagrado que iria começar a brilhar parecia ser uma má ideia.
Os tigres dourados e Jake iriam ficar fora de vista até que tivéssemos terminado
com os outros tigres, porque estávamos bem certos de que haveria espiões entre eles. Já
que até o Arlequim nunca viu todos eles desmascarados, nem todo mundo sabia como
os outros pareciam, então Jake tinha uma alta chance de não conhecer o rosto nu dos
espiões. Foi uma das coisas que fizeram o Harlequin tão eficaz, mesmo uns contra os
outros.
A grande sala de jantar tinha começado a vida como um bar clandestino, quando a
Lei Seca os obrigou a se refugiarem em baixo da terra. Era uma enorme caverna natural
com lâmpadas de gás nas paredes, dando um brilho suave e quente para tudo. A grande
mesa tinha sido movida para um lado do quarto e tinha velas em cima, de modo que a
única luz na grande caverna vinha de gás e velas. Não havia luz suficiente para ver tudo,
mas havia pontos iluminados e muitas sombras, como se as chamas que iluminassem a
sala enchesse-a com ambos, luz e escuridão.
Exceto pela luz e as sombras essa era uma festa, com todos em pé ao redor
tomando uma bebida, comendo canapés e batendo papo. Eu odiava conversa fiada de
festa, principalmente porque eu sempre fui uma merda nisso, mas todos os homens da
minha vida pareciam realmente bons nisso. Quando Jean-Claude, ou Micah, ou
Nathaniel, ou Asher, ou Jason estava ao meu lado, eles levavam a conversa e eu apenas
sorria e acenava com a cabeça. Isso eu podia fazer.
Damian e eu éramos quase igualmente ruins nesse tipo de coisa, então ele
manteve Cardinal ao seu lado, e nós acenamos um para o outro.
Eu estava ao lado de Jean-Claude quando encontramos Victor, um homem-tigre e
filho do Mestre de Las Vegas e da rainha tigre branco, Bibiana. Victor ainda era alto, de
ombros largos e bonito, com o cabelo branco curto cortado cuidadosamente. Era como
se alguém tivesse cortado um fio de cabelo de cada vez. Seu terno era caro e sob
medida, e parecia quase tão bom nele como Micah ficava no dele, mas de maneiras
muito diferentes. Victor era construído mais como Richard. Os olhos do tigre de Victor
eram de um rico e profundo azul, mais azul que o de Crispin. Eu gostava dos olhos de
Victor. Na verdade, minha tigresa branca gostava de tudo sobre ele. Ele pegou minha
mão quando eu a ofereci, e no momento em que ele me tocou eu desejei que não tivesse.
Seu poder soprou ao longo da minha pele em uma lavagem quente, tornando difícil
respirar por um momento, e eu vi seus olhos ficarem um pouco mais amplos. Sua
respiração saiu em uma linha trêmula quando ele soltou minha mão. Levou um esforço
visível para ele parar de me tocar.
Ele riu, e isso me abalou também.
—É minha imaginação ou você está ainda mais cativante agora do que estava há
um ano?
—Obrigada, e eu não sei. — O tigre branco dentro de mim queria tocá-lo. Dei um
passo para frente sem perceber. Victor realmente recuou um passo, antes que se
contivesse.
—Você não vai nos apresentar? — Uma mulher veio inclinar-se contra ele da
forma possessiva que algumas namoradas têm. Meu tigre branco não gostou, e eu tive
um momento para lutar contra o instinto de marcá-lo como alguma espécie de território.
Eu o encontrei duas vezes, dormi com ele duas vezes, e tive relações sexuais apenas
numa dessas vezes. Eu não tinha direito de marcá-lo como meu, mas não era suposto
que eu fizesse exatamente isso? Merda, eu não sabia.
A mulher tinha longos cachos pálidos, quase todos brancos, mas com bordas de
castanho dourado aqui e ali, e eu sabia que isso significava que seu tigre branco teria
listras da cor de seus cachos escuros. Ela tinha as mesmas curvas exuberantes que
Bibiana, mas em um corpo que era quase trinta centímetros mais alto. Parte disso se
devia aos saltos agulha de prata, mas suas pernas eram quase mais longas do que eu.
Seu vestido era de prata também, e conseguia agarrar-se e ondular enquanto ela se
movia. Ela, como eu, tinha que vestir um sutiã sob o vestido ou as coisas não ficariam
no lugar.
Seus olhos eram de um azul tão pálido que eram cinza, mas com uma linha de
preto ao redor da íris ecoando o delineador envolta de seus grandes olhos inclinados
para cima. O efeito foi surpreendente e belo, mesmo para mim.
—Julia, esta é Anita Blake, senhora de Jean-Claude.
Ela estendeu a mão perfeitamente bem cuidada. As unhas estavam em
francesinhas com branco. Cardinal tinha lixado minhas unhas e declarou-as sem
esperança. Eu realmente não me importava com elas, então eu sorri docemente e estendi
minha mão.
Ela envolveu a mão na minha e enviou um flash de poder em mim. Meu tigre
branco só estava lá de repente, rugindo através da minha pele, não para me rasgar, mas
para derramar-se em torno de mim como um fantasma branco.
Julia tentou pegar a mão dela de volta, mas eu segurei, e meu tigre transbordou
sobre e através dela. Eu provei seu tigre, vi-a em suas listras pálidas, e sabia que ela não
era rainha. Ela tentou me bater como uma garota, mas meu outro braço estava lá
bloqueando o dela.
—Solta, — ela disse, mas sua voz era alta, e com medo. Medo significava
comida. Medo significava ser fraco.
Eu comecei a fazer isso, honestamente, mas Jean-Claude estava ao meu lado. Ele
disse:
—Ela começou isso, ma petite. Você deve terminá-lo.
Olhei para ele, e meu tigre parecia olhar para ele também.
—Ela desafiou você, — disse ele. —Responda.
Olhei sobre a mulher para Victor, que tinha se movido para que não estivesse
tocando-a.
—Você deve responder ao seu desafio, Anita. Ou você é rainha, ou você não é.
Era como se alguma leve peça de resistência se derretesse. Nós deveríamos jogar
para ganhar.
—Solte-me, — disse ela novamente.
—Me faça soltar, — eu disse, e eu sabia que embora palavras humanas estivessem
saindo da minha boca, a atitude não era humana. O tigre branco em mim sabia que Julia
tinha testado o meu poder com o dela. Era algo que você fazia apenas se pensasse que o
tigre em questão era menor. Julia estava prestes a aprender que ela tinha cometido um
erro.
Victor e Jean-Claude tinham se movido um pouco para trás de nós. Os outros
tigres brancos haviam formado um pequeno círculo ao nosso redor. Eu podia sentir o
resto dos tigres além do branco, como um zumbido distante, mas naquele momento os
tigres brancos eram o que eu queria, precisava. Uma cor de cada vez.
Ela tentou usar toda essa força sobrenatural para me fazer cair, mas a minha arte
marcial favorita era o judô, e ele era sobre alavancagem e equilíbrio. Ela puxou e eu fui
com ela, de modo que de repente eu estava contra ela, sua mão ainda na minha, e minha
perna foi atrás dela ao mesmo tempo que eu a empurrei com a outra mão e ela caiu. Ela
não sabia como cair, então foi um duro baque. De repente eu estava em cima dela,
montando sua cintura, minhas mãos em suas mãos. Eu não estava segurando-a no chão.
Eu não poderia só pela força, mas há outras maneiras de fazer alguém ficar no chão.
Eu estava debruçada sobre ela, meu rosto acima dela quando ela prendeu a
respiração. Mas não foi o meu rosto perto dela que arregalou seus olhos e a fez gritar.
Foi o meu tigre. Nós impulsionamos essa branca e quente energia em Julia. Nós
mergulhamos entre aqueles belos olhos e trouxemos o seu tigre, como tínhamos, eu
tinha, eles tinham, trazido o leão de Rosamond, em uma suave lavagem de
derramamento de pele sobre a pele, de uma forma que mal havia qualquer fluido, apenas
num momento humano, no próximo, pelo, músculos e rosto foram com aqueles olhos
cinzentos e pretos.
Ela se deitou debaixo de mim, ainda no vestido de prata, embora os sapatos
tivessem sido arrancados. Ela piscou para mim, e eu inclinei nossas testas juntas,
enquanto minhas mãos ainda estavam na dela. Eu esfreguei meu rosto contra o pelo
sedoso doseu. Ela ficou rígida sob mim por um momento e então se esfregou de volta e
esse profundo ronronar de trovão começou.
E um por um os outros tigres brancos se aglomeraram em torno de nós e
esfregaram seus rostos humanos contra mim e contra Julia. Victor foi o último. Ele não
se ajoelhou. Ele me pegou em seus braços enquanto os tigres brancos enrolaram-se em
torno de suas pernas. Eu podia ver seu tigre agora, branco e intocado por qualquer listra.
A grande besta branca rolou através de mim e levantou-se para a sua, tão branca e
intocada como a dele. Era como se ele e eu fossemos o centro de algum maravilhoso
fogo quente, e cada tigre aos nossos pés era combustível para isso. Seus braços se
fecharam em torno de mim tão, tão forte, e a energia cresceu, mais grossa, mais rica,
mais profunda, mais, até que sua boca tocou a minha e, em seguida, empurrou o nosso
poder de um para o outro, e foi como se a sua besta e a minha trocassem de lugar, uma
deslizando para a outra, de forma que se misturaram e se tornaram um, e depois dois, e
então nós éramos muitos. Eu podia sentir cada tigre em torno de nós, e tudo era
combustível, tudo energia, tudo meu.

*Tangas, na minha região, são chamadas de fio dental, mas como não queria colocar
uma expressão regional, deixei assim mesmo.
CAPÍTULO 46

Eu joguei essa energia para os outros tigres. Cynric já estava à beira do branco, e
quando o poder o dominou, meu tigre azul sabia que ele já era nosso. Ele era um ponto
tão fácil que o poder mal hesitou antes de varrer para encontrar presas mais difíceis.
Domino era um tigre meio preto e meio branco, então metade dele já estava
preparada para se dobrar à minha — à nossa — vontade. Tive um momento para me
perguntar se ter uma personalidade múltipla era assim, se perder nos pronomes até não
ter certeza do que você está fazendo e do que o outro está fazendo, ou do que estão
fazendo juntos. Eu deveria estar com medo, mas eu não estava. Isso era bom demais
para ter medo.
O tigre negro encheu Domino e ele escalou os tigres brancos para colocar uma
mão na minha pele, e no momento em que ele me tocou, o tigre negro cheirou a outra
coisa. Algo que era dela, que era nosso, estava aqui.
O poder procurou no exterior até encontrar os homens-tigre que não tinham clã.
Que eram apenas sobreviventes de ataques. O poder passou por eles como um vento
quente, e eles eram tigres e eles eram saborosos, mas o tigre negro estava procurando
algo mais, como se convidando a gostar.
Nós a encontramos pressionada contra a parede mais distante. Ela não era muito
alta, era delicada como eu, como Meng Die, com os mesmos cabelos negros retos e
brilhantes, exceto que os dela eram longos, passando por sua cintura para acariciar o
inchaço de seu traseiro. Ela estava até mesmo usando um desses vestidos curtos de
estilo oriental, em azul royal brilhante. Seus olhos pareciam castanhos e humanos daqui,
mas o poder sabia melhor, o tigre negro sabia melhor. Eu disse ao poder e ao tigre sobre
as lentes de contato, e nós queríamos vê-la mais de perto. Queríamos ver seus olhos.
Eu tentei varrer através dela do jeito que eu tinha feito com Domino e Cynric, mas
ela ficou perto da parede. Eu ... nós ... nos concentramos nela, e ainda assim não
poderíamos fazê-la vir até nós. Eu fiz Victor me colocar no chão, e caminhei através de
uma floresta de mãos e corpos, enquanto deixava os outros tigres. Caminhei na direção
dela. Os outros tigres já se separavam como água cortada po um barco rápido, deixando
a mulher sozinha contra a parede.
Seus lábios estavam pintados de um batom tão vermelhoquanto os meus tinham
começado a noite, embora eu tenha deixado a maioria do meu na boca de Victor. Eles
estavam separados, sua respiração mais rápida, seu batimento cardíaco acelerando,
apenas por recusar o chamado de todo esse poder. Mas o fato de ela ter sido capaz de
ficar contra nós disse mais do que qualquer outra coisa que ela era mais poderosa do que
qualquer tigre que eu já tinha tentado.
Caminhei em sua direção, a energia do tigre negro cavalgando pela força do
branco e do azul, assim cada cor crescia e se alimentava do poder dos outros. O tigre
negro era como uma imagem escura embaçada e se tornando mais sólida ao meu redor,
como se eu, Anita, estivesse de alguma forma dentro dela. Minha mão humana se
estendeu, envolta em uma imensa e negra pata fantasma.
— Não — ela sussurrou.
— Você é um tigre negro — eu disse em uma voz que era quase um eco, como se
minhas palavras estivessem saltando para fora do jeito que eu podia ver ao meu redor.
— Sim — ela sussurrou.
— Você esteve escondida às vistas, fingindo ser umm sobrevivente de um ataque
— eu disse.
— Sim.
Eu estendi minha mão para ela.
— Pegue minha mão.
Suas mãos saíram de trás de seu corpo que estivera inclinado sobre elas, como se
ela tivesse precisado do peso de seu próprio corpo para lembrar suas mãos de não me
tocar.
— Eu quero.
— Então faça. Toque-nos. — Estiquei a mão para ela com aquela sombra negra ao
redor, que eu podia ver por trás dos meus olhos. Ela podia ver isso?
As pontas de seus dedos tocaram nos nossos, e eu envolvi meus dedos com os
dela, puxei sua mão na minha, e meu tigre negro fluiu sobre sua pele, descendo em seu
braço, e encontrou sua besta. Era como se eu tivesse tentado pegar um gatinho vadio e
descoberto que eu tinha um tigre crescido em minhas mãos. Seu poder não apenas se
derramou no meu, ele veio como uma onda do mar tentando me afogar sob todo o seu
peso esmagador.
Eu estava de joelhos, sua mão ainda presa na minha. Eu pensei que Bibiana em
Las Vegas era poderosa, mas ela não era nada comparada a isso. Eu nunca sonhei com
nada tão poderoso quanto isso vindo de um metamorfo. Parecia mais um vampiro, e no
momento em que pensei nisso, eu soube. Ela pertencia a alguém. Alguém velho, e esse
alguém estava empurrando poder através dela e dentro de mim.
Eu falei com os dentes cerrados.
— Trapaça.
— Você não pode me domar como você fez com todos os outros? — Ela disse, e
sua voz era ridícula.
Meu tigre negro estendeu a mão e encontrou Domino. Ele veio até mim e meu
tigre, e nós o sentimos vir como uma coisa vibrante, tão cheia de energia.
A mulher olhou para mim e disse:
— Não a ajude, irmão.
— Você não é minha irmã — ele disse, e ele se ajoelhou atrás de mim. No
momento em que suas mãos tocaram meus ombros, pele nua contra a pele nua, foi como
tocar um fio vivo. O poder saltou e estalou através de mim e para dentro dela. Ela gritou
e caiu de joelhos na minha frente, e eu usei nossas mãos juntas para derramá-la contra
mim.
Seu rosto estava a centímetros do meu, minha mão na parte de trás de todo aquele
cabelo sedoso. Seu rosto era uma mistura de medo e necessidade. Ela tinha estado tão
sozinha sem outro tigre negro, tão solitária. Outros tinham a cor, mas ela não tinha
ninguém. Ela inspirou nosso cheiro, porque ambos cheirávamos como casa. Nós éramos
o que ela tinha procurado por mais de mil anos. Essa era a verdadeira força do ardeur,
poder ver em sua mente, em seu coração, em sua alma, o que você mais queria. E se eu
pudesse eu daria a você, e seria exatamente o que você mais queria. Quantas pessoas
podem resistir ao desejo de seu coração?
Os braços de Domino me envolveram, assim nós dois a abraçamos e a atraímos
para um beijo. Ela sussurrou:
— Mestre, me ajude. — Meus lábios tocaram os dela antes que eu percebesse que
ela não estava falando comigo.
Seu mestre vampiro empurrou seu poder para mim.Não como se eu fosse um
necromante, ou outro vampiro, mas como se eu fosse apenas outro tigre negro para
chamar, porque aquela era sua besta. Não apenas tigre, mas este tigre. Meu tigre rosnou
para ele, uma besta enorme e negra, e ele riu de nós. Esse riso tentou derramar-se de sua
boca e da minha garganta, mas eu a beijei. Eu a beijei porque ela era macia e frágil em
meus braços. Eu a beijei, porque Domino era sólido nas minhas costas, seus braços
fortes se dobrando sobre nós dois, de forma que ele não me deu apenas a força do seu
tigre negro, mas do seu branco, e o vampiro do outro lado deste cabo-de-guerra não
estava pronto para isso. Ele hesitou, um tropeço metafísico, e meus dois tigres se
derramaram na boca dela, e para baixo na curva longa e brilhante de poder que o ligava
à mulher em meus braços.
Tive um momento para ver seu rosto, erguido, assustado. Ele estava perto.Ele a
mandou para nós como um cavalo de Tróia. Não, ele não acreditara que algum de nós
pudesse ser um perigo para o laço que os ligava. Sua pele era escura e pálida, ele
parecia ter nascido como alguém muito escuro, mas vampiros empalideciam com a
idade, como se os séculos tentassem lambê-los até os ossos e o sangue. Seus olhos não
eram castanhos, eram pretos, o cabelo curto e bem enrolado, os lábios cheios e macios.
Eu beijei a mulher em meus braços, mas eu pensei nele enquanto fazia isso, e ele
levantou os dedos para sua própria boca como se ele sentisse aquele beijo distante.
Os braços dela traçaram sobre mim e Domino, sua boca alimentando a minha, até
ruídos pequenos e ansiosos caírem de seus lábios para os meus. Eu a pressionei contra o
chão, ela envolveu suas pernas em torno da minha cintura enquanto o beijo cresceu
entre nós e seu batom vermelho brilhante se espalhou em nossos rostos como sangue.
Seu vestido estava empurrado em torno de seu traseiro, que estava pálido e nu. Ela
provou que não estava usando nada sob o vestido quando se apoiou contra meu corpo e
a fricção extra do meu vestido.
Normalmente isso teria me assustado, mas Jean-Claude estava lá, assim como
Richard, Nathaniel, Damian e Micah, e eles gostavam bastante de meninas. Eles me
ajudaram a me acalmar, e o tigre negro dentro de mim já a enxergava como bonita.
Eu estava com mais controle do que eu jamais tinha tido sobre o ardeur. Era uma
arma, afinal. Então aconteceram duas coisas que eu não esperava. Ele empurrou seu
poder para dentro dela tão dura e afiadamente que arrancou sua boca da minha, e seu
corpo retorceu-se em baixo do meu como se ele quisesse matá-la se não pudesse mantê-
la.Mas ela era seu animal para chamar, a morte de um poderia significar a morte de
ambos. Então o poder atingiu minha besta negra, e eu percebi que ele não estava
tentando matá-la, ele estava tentando domesticá-la, e a mim, mas ele tinha usado a dor e
a força pura para domá-la uma vez antes, há muito tempo. Eu ofereci algo muito melhor
do que a violência.
Eu ajeitei meus quadris contra os dela, prendi-a no chão debaixo de mim,
empurrei minha besta dentro dela não para prejudicar, mas para dar prazer. Mesmo
então, acho que teria mantido o controle, mas eu não estava acostumada com outras
mulheres. Eu não entendia que algumas delas eram mais fáceis de se fazer gozar do que
eu. Em um momento eu estava montando à borda do sexo, usando-o para empurrar de
volta a ameaça que o vampiro tinha usado contra ela durante séculos, e no próximo seu
orgasmo me pegou. Eu estava muito amarrada à ela, muito longe naquela linha de poder
que a ligava ao seu mestre vampiro. Eu não consegui me afastar atempo, não consegui
nos separar.Então eu montei o prazer dela, e o peso de Domino subitamente estava em
cima de mim, enquanto o prazer se espalhava. Seu peso me pressionou mais forte contra
a parte mais íntima dela, e seu corpo começou a dançar sob o meu novamente.
Eu vi seu mestre cair ao lado da cama, uma mão segurando desesperadamente a
colcha, enquanto ele tentava não sentir o que ela estava sentindo. Não era apenas o
prazer. Ele sentia seu prazer, o prazer de uma mulher. Ele tentou dirigir seu poder para
machucá-la de novo, mas enquanto a dor feria a concentração dela, o prazer parecia ferir
a dele.
Domino se pôs de joelhos atrás de mim. Tive um momento para olhar para o rosto
da mulher. Seus olhos estavam desfocados, o corpo mole sob o meu. Ela viu algo atrás
dos meus ombros e sussurrou:
— Por favor.
Senti Domino deslizar minha calcinha para um lado, e soube antes que ele
pressionasse seu peso contra o meu corpo que ele estaria nu, ou nu o suficiente. O
vampiro em seu quarto de hotel distante gritou:
— Não!
A mulher debaixo de mim sussurrou:
— Sim.
Domino inclinou-se contra o meu corpo. Eu levantei meus quadris para ajudá-lo a
encontrar esse ângulo mágico e senti a borda de tristeza que sombreou o rosto dela
enquanto eu afastei meu corpo do seu. Senti o triunfo do vampiro no quarto distante.
Foda-se. Eu levei minhas mãos para baixo e levantei seus quadris em minhas mãos. Ela
sorriu para mim e inclinou seus próprios quadris para cima, envolvendo suas pernas
com mais força ao redor de minha cintura, pressionando-se contra mim. Domino
começou a empurrar-se dentro de mim. A sensação dele entrando em mim me fez
perder a concentração nela por um momento, curvando minha cabeça, fazendo-me
estremecer enquanto ele trabalhava dentro de mim.
Eu tive que colocar uma mão no chão para apoiar-me contra o impulso de seu
corpo. Eu mantive uma mão em sua bunda, pressionando-a contra meu corpo, ajudando-
a a ficar tão firme quanto ela queria. Domino deslizou dentro de mim, e eu já estava
molhada.Apertada, mas molhada. Isso o ajudou a encontrar um ritmo mais rápido,
longo, com estocadas profundas, acariciando aquele ponto dentro do meu corpo. Ela
colocou os braços no chão e usou-os para levantar seu corpo e começou a dançar seus
quadris contra a frente do meu enquanto Domino o fazia por trás.
Eu encontrei o meu próprio ritmo, moendo-me entre eles, ajudando a acariciar à
mim e a ele, e ajudando-a a esfregar-se contra a minha frente, e novamente ela
encontrou a sua felicidade antes de qualquer outro. Seu corpo tremia debaixo de mim, e
eu a segurei no lugar enquanto o ritmo de Domino crescia mais rápido, mais duro. Eu
senti aquele peso quente se construindo dentro do meu corpo.
O vampiro no chão daquela sala tentou tomar de volta a mulher uma última vez.
Senti-o juntar seu poder, e meu tigre e eu não gostavamos dele. Ele tinha oferecido à
gata debaixo de nós nada além de dor. Sentimos seu poder vir uma última vez. Os olhos
da mulher se arregalaram, o rosto assustado, como se ela sentisse o golpe chegar. Eu
queria empurrar o tigre negro naquela conexão metafísica e vencê-lo em seu próprio
jogo, mas Domino deu um último golpe e eu estava de repente empurrando contra o seu
corpo, o corpo dela, onde eu ainda a segurava contra mim, e foi o suficiente para que ela
se juntasse a nós, então todos nós gritamos em nosso orgasmo de uma vez, em um
derramamento longo e quente de prazer. Eu empurrei todo esse prazer para o vampiro, e
senti a conexão entre ela e ele quebrar. De repente, ela era minha, muito minha. Nós três
caímos no chão com ela presa debaixo do nosso peso duplo. Sua mente flutuava em
uma lavagem de felicidade quase líquida. Seu corpo, como o meu, estava mole e quase
desossado de prazer. Eu podia sentir nossos três batimentos cardíacos dentro da minha
cabeça como três tambores batendo em uníssono. E de um momento para o outro, a
mente dela se abriu para mim. Ela queria que eu soubesse.
Seu mestre era um dos Arlequim, e ele a mataria antes de deixá-la livre. Ela tinha
sido enviada para nos espionar, porque o Harlequin tinha rompido com o Concelho dos
Vampiros. Eles estavam fugindo da Mãe de Todas as Trevas. A calorosa borda do
prazer começou a desaparecer sob aquela revelação, e então veio outra.
Um dos outros tigres sobreviventes era um tigre dourado, e o animal para chamar
de um dos outros Harlequin. Seu mestre era mais gentil que o dela. Eles tinham sido
enviados para ver se Jean-Claude poderia realmente ficar contra a Escuridão, e se eu
podia realmente ser a Mestra dos Tigres. Ela me deixou ver seu rosto em sua mente. Ela
o traiu por mim, porque ele e seu mestre não fizeram nada para ajudá-la em todos
aqueles longos séculos. Eles respeitaram o vínculo entre servo e mestre, mesmo
sabendo que seu mestre havia abusado dela por mais de mil anos.
Eu sussurrei:
— Bastardos.
— Sim — disse ela.
Eu não precisava dizer uma palavra.Eu pensei:
“Jean-Claude.”
Eu apenas deixei ele ver o que eu sabia. Eu senti seu medo com a palavra
Harlequin, mas ele dirigiu Wicked e Truth e alguns dos homens-rato para os
sobreviventes encolhidos. Ele sabia que homem eles queriam, porque ela tinha me dado
o rosto, e eu tinha dado a ele. Eu também sabia o nome dela. Yiyú. Significava Jade.
Jade Negra.
CAPÍTULO 47

Minutos mais tarde eu estava de pé olhando para o nosso outro espião. Seu cabelo
liso era curto e de uma cor pálida indescritível. Eu estava apostando que o cabelo era
tingido. Os olhos eram de um marrom pálido, quase um âmbar de leão. Lembrei-me dos
olhos do tigre dourado que me cortou. Seus olhos tinham sido castanhos em forma
humana, também. Mas na forma de tigre ele tinha olhos amarelos e laranja como a
maioria dos tigres. Apenas os olhos de alguns dourados mudavam com a transformação,
como os humanos? Os olhos eram puxados e havia algo exótico na estrutura óssea, mas
ele não poderia ter se passado por chinês como Jade podia.
Eu balancei a cabeça.
— Você não é tão velho quanto ela.
— Como você sabe? — perguntou ele, e sua voz, como o resto dele, parecia
delicada. Ele era como a maioria dos antigos homens-tigre: não muito grande. Mais alto
que eu, mas a maioria dos homens também era.
— Você se sente mais jovem — eu disse.
Ele se moveu nas fixações de metal. Elas eram um novo tipo de algemas que
estava sendo testadas por agentes da lei para os sobrenaturalmente fortes. Tínhamos
algumas das nossas pessoas experimentando e até agora elas tinham segurado. Wicked
tocou o ombro do homem-tigre com uma mão. A outra tinha uma arma nua. O homem-
tigre havia desistido, apenas deixou-se capturar, mas ele era um dos Harlequin e isso
supostamente deveria significar algo.
Truth tinha uma espada curta nua na mão. Os irmãos estavam preparados. Eu me
senti muito segura com eles o segurando. Eu sabia que seu nome era Topaz. Eu sabia
que isso combinava com o amarelo profundo e dourado da cor de seu tigre. Através de
Jade eu sabia muitas coisas.
— Ele não é um tigre dourado — disse uma voz de mulher. Eu me afastei do
homem ajoelhado e me virei para que pudesse ver a quem pertencia a voz. Era uma das
duas tigresas vermelhas. Esta tinha um cabelo vermelho cortado logo acima de seus
ombros, então as bordas das extremidades do cabelo emolduravam seu rosto. Seu cabelo
era de um vermelho tão escuro que era quase uma espécie de preto. Os seres humanos
não vinham com cabelos como esse sem que fosse de uma garrafa de corante
A pele e o cabelo da mulher eram mais escuros do que o de qualquer outro tigre,
incluindo minhas lembranças do corpo de Alex, o primeiro tigre vermelho que eu
conheci e rolei acidentalmente. Seja lá o que eu tenha feito esta noite, não havia nada de
acidental nisso. Suas sobrancelhas eram negras e misturadas com o vermelho escuro de
seu cabelo. Seus olhos eram laranja e amarelo de fogo, mesmo a essa distância. Os
tigres brancos podiam passar seus olhos por humanos se você não soubesse o que estava
olhando, mas nada faria esses olhos de fogo parecerem humanos.
— Ele não é um tigre dourado — ela repetiu.
— Por que não? — Eu perguntei.
Ela fez um som de escárnio, cruzando os braços sobre o pano brilhante de seu
próprio vestido de grife. Eu achei que o vermelho escuro foi uma escolha infeliz para
sua coloração, mas ela não tinha me perguntado nada.
— Porque supostamente o dourado deve controlar todos nós. Se houvesse um
verdadeiro tigre dourado nesta sala, estaríamos todos presos à sua vontade. Eu não sinto
nada. Ele é apenas um sobrevivente com delírios.
Ela tinha um ponto. Eu não sentia muita energia do homem-tigre ajoelhado. Eu
acreditava nas lembranças de Jade, mas não tinha visto nenhuma prova além disso.
— Se ele deveria supostamente controlar todos os tigres, você tem certeza de que
quer que ele flexione os músculos metafísicos? — Eu perguntei.
— Eu gostei do show no chão, embora eu pensasse que as mulheres tivesse sido
enviadas para Jean-Claude, não pra você. Eu não transo com mulheres. — Ela fez soar
como se transar com ela fosse, de alguma forma, ruim.
Eu peguei movimento e encontrei Jade de pé com Domino de um lado. Ela estava
olhando para longe, para baixo, sua postura como se alguém tivesse batido nela.
Mulheres não eram minha xícara de chá normalmente, mas eu não podia me arrepender
de nada que tivesse feito com Jade. Mesmo agora eu queria tocá-la, e eu não lutei contra
o desejo. Eu apenas estendi a mão e pensei no cheiro de sua pele.
Ela sorriu para mim, e aquele sorriso tímido e contente fez valer a pena notar sua
dor. Ela veio até minha mão e se pressionou contra mim. Em saltos altos eu era
suficientemente mais alta para ela ser capaz de aconchegar-se contra o meu ombro do
jeito que eu fazia com alguns dos meus.
O olhar de desgosto no rosto da tigresa vermelha me fez sorrir. Ela não gostou que
eu sorrisse para ela.
— Eu senti seu poder sobre os outros tigres, mas o clã vermelho é feito de coisas
mais resistentes.
— Quem é você? — Eu perguntei.
— Ela é Reba — disse Victor — filha da Rainha Vermelha.
— Eu esperava seu irmão — eu disse.
— Alex está fora do país em algum trabalho de jornalista. Ele está pegando um
avião e interrompendo todos os seus planos porque você e seu mestre fizeram um
chamado.
Ela fez aquilo soar ridículo. Olhei para os homens com ela. Um deles tinha o
cabelo vermelho longo derramando-se sobre seus ombros. Não era tão escuro como o de
Reba, embora houvesse um toque de preto em suas bordas. Hunter - este era seu nome -
tinha o cabelo da cor que eles dizem que é vermelho na escola. Mais uma vez, os
humanos não têm cabelo assim. Seus olhos eram puro amarelo e apanhados à luz das
velas quando ele olhou para mim. Ele levantou a mão, deu uma pequeno aceno e sorriu.
Eu sorri de volta. Eu preferiria ter Alex, mas já tinha dormido com Hunter. Ele era um
dos poucos na sala do qual eu poderia dizer isso.
— Não flerte com ela — Reba disse, a voz cortando como um chicote de raiva em
seu sorriso. Ele parou de olhar para mim, mas disse:
— Eu pensei que era por isso que estávamos aqui.
— Minha mãe nos fez vir, mas eu sou a vermelha dominante aqui, e isso significa
que se eu disser não, é não. — Eu abracei Jade e coloquei um beijo suave em sua
têmpora, então a mandei de volta a Domino. Olhei para o homem-tigre na minha frente.
— Eu já volto.
Eu andei para o meio do quarto e ergui minha mão. Eu entendia agora que isso
teria funcionado com todos os outros com quem eu dormi em Vegas. Eu estava pronta
para algo um pouco menos dramático.
— Hunter, — eu disse — venha para mim.
Ele sorriu e começou a fazer o que eu tinha pedido. Reba disse aos outros homens
para agarrá-lo.
— Não deixem que ela o enfeitice também.
Minha tigresa vermelha circulou dentro de mim, olhando para cima, como se ela
tivesse que escalar para escapar. Ela deu um grunhido baixo e cheirou o ar. Eu ecoei e
nós duas queríamos os tigres vermelhos. Nós queríamos pessoas que cheiravam a casa.
Nós, a tigresa e eu, olhamos para os outros dois homens que tinham agarrado os
braços de Hunter. Ambos tinham cabelos mais curtos. Um tinha ondas que prometiam
ser como os da outra mulher com suas ondas suaves que caíam ao redor de seus ombros
caso crescessem mais. Ela e o primeiro homem tinham a pele que mais se aproximava
dos ruivos humanos, toda pêssego e creme.E o vermelho de seus cabelos tinham um
subtom laranja em vez de um preto. Seus olhos eram ambos quase amarelos sólidos.
Irmãos talvez, ou primos próximos, até a semelhança da estrutura óssea que fazia seus
rostos um pouco longos pelas das bochechas. Percebi que o rosto de Hunter tinha esse
formato também, e seus olhos eram fortemente amarelos. Quão inter-relacionados
estavam todos em seu clã?
O segundo homem tinha mais diferenças. Seu cabelo era o vermelho mais pálido
de todos, caindo ao redor de seus ouvidos em ondas e ondulações desordenadas como se
estivesse crescendo adiante em relação ao corte de cabelo mais curto do primeiro
homem. Cabelos encaracolados eram sempre uma cadela para crescer. Havia sempre um
estágio onde você não poderia fazer nada com ele. Seus olhos eram cinza com verde se
a luz os pegasse bem. De todos eles, eu gostava mais desse rosto. Era um pouco como
tentar pegar um gatinho de uma ninhada, exceto que você não está tentando decidir com
qual gatinho você gostaria de fazer sexo - bem, não a menos que algo esteja
horrivelmente errado com você e o gatinho.
— Você não é nossa mestra, Anita Blake. Você não pode sequer fazer um de nós
atravessar esta sala até você. Minha mãe nos enviou porque todos os outros tigres a
incitaram, mas ela acredita, como eu, que você é apenas mais uma aspirante ao nosso
trono. — Ela apontou um dedo para os tigres brancos. — São seus dois machos que
estão ensinando nossos segredos a pessoas de fora e dando a ela e ao seu vampiro
mestre ilusões de grandeza.
— Você ainda não provou seu poder — disse Victor. — Experimente e diga-nos
que Crispin e Domino ainda são nossos para comandar.
Eu decidi não escolher. Eu chamaria o que mais quisesse vir. Eu ergui minha mão
e senti o tigre vermelho inchar em torno de mim como uma névoa vermelha.
— Tigres vermelhos, tigres vermelhos, venham até mim.
Mas não eram as palavras que os chamavam, era a energia. Uma vez eu chamei
acidentalmente todas as cores de tigres machos não domesticados no país quando
Marmee Noir estava tentando me transformar em seu receptáculo perfeito, mas eu
aprendi a estreitar o foco. Eu reduzi o poder para o punhado de pessoas de pé ali.
Hunter se libertou dos outros dois homens e eles não lutaram com ele. Eles apenas
ficaram ali, com os braços ao lado olhando para ele, para mim.
— Hunter, não! — Reba gritou.
Ele a ignorou e correu para mim. Ele pegou minha mão entre as suas e deu um
beijo nela. Começou a colocar beijos no meu braço, e com 1,82 ele era alto o suficiente
para que fosse mais fácil cair de joelhos para beijar seu caminho até meu braço inferior
do que se curvar. Cada beijo aumentou a energia entre nós, de modo que eu vi uma
imagem de pequenas faíscas vermelhas atrás dos meus olhos, como se cada beijo
aquecesse minha pele. O sexo não fazia a energia do tigre crescer mais forte, aquilo era
meu pequeno extra, o ardeur de Jean-Claude, e minha súcubo.
O homem com o cabelo vermelho pálido começou a atravessar o quarto. Reba
gritou:
— Jared, volte aqui.
Hunter tinha ficado de pé para poder beijar até os meus ombros. Ele se moveu
para trás de mim, levantando meu cabelo para poder beijar meu pescoço. Jared tocou
minha mão, e Hunter grunhiu para ele por cima do meu ombro, um braço ao redor da
minha cintura me atraindo para mais perto de seu corpo. Jared caiu de joelhos, o que me
deixou saber que Hunter estava acima dele na hierarquia de seu clã, ou que Jared já
tinha perdido lutas para ele e não queria tentar de novo.
O tigre vermelho poderia ter tentado escolher, mas eu entendi agora que não tinha
por quê.Precisávamos de todos eles.
— Sem brigas por mim, Hunter; você sabe que eu compartilho bem.
Eu quase o senti fazendo beicinho por um momento, o corpo tenso, e então ele
deixou pra lá. Até o seu corpo relaxou. O calor vermelho derramou-se em minha mão e
me ajudou a atrair o outro homem-tigre para mais perto. Jared ficou de joelhos como se
não confiasse em Hunter, mas manteve minha mão, esfregando sua bochecha contra
mim, marcando-me com seu cheiro. O peso de Hunter nas minhas costas e Jared ao meu
lado ajudou a espalhar aquela energia quente e vermelha para mais longe, como uma
poça de água que se aproxima cada vez mais. O último homem veio em minha direção.
Reba gritou:
— Noa — Ela tinha a outra mulher pelo braço. Ela não estava deixando seu
último tigre fugir. Seguraria ela mesma.
O homem parou, obviamente despedaçado.
Hunter inclinou-se sobre meu pescoço e de repente me mordeu. Não de forma
dura, para não machucar, mas inclinou a energia para mais perto do sexo. Ele colocou
os dentes no meu pescoço até que eu fiz pequenos ruídos. Uma mão começou a deslizar
acima de minha perna, traçando a borda da minha meia-calça. Em algum momento no
meio disso tudo eu tinha fechado meus olhos, então quando um terceiro par de mãos
começou a tocar outra perna, eu tive que abrir os olhos para ver o último homem-tigre
de joelhos ao lado de Jared. Seus dedos tocaram a cavidade de minhas coxas, apenas na
borda do pano da calcinha. Ou era uma maneira de me provocar, ou ele estava
esperando permissão para atravessar aquela última barreira de renda.
Eu senti o pico de energia do tigre vermelho, quente e zangado, e não éramos nós.
Hunter parou de me morder para olhar através do quarto. Reba tinha uma faca na mão.
A bainha de seu vestido ainda estava deslocada de modo que eu vi o coldre de coxa. Ela
tinha cortado o rosto da outra mulher e estava segurando-a pelo pulso enquanto ela
sangrava. Reba girou seus olhos de tigre para mim e rugiu:
— Você não pode nos ter!
O macho sem nome levantou-se e começou a voltar para elas.
— Lacey.
— Ela é sua irmã, sua gêmea — disse Hunter.
— Você tinha que usar uma espada nela — eu disse. — Você não pode apenas
mudar suas mãos?
— Ela só tem uma forma — Jared disse.
Eu nunca vi um homem-alguma-coisa usar uma lâmina em outro metamorfo
antes. Reba tinha acabado de admitir que era muito fraca para mudar de forma rápido o
suficiente para lutar. Ela só se transformava em um grande tigre sem forma, meio
humano. Tão fraca.
Ela puxou o braço da mulher com força, querendo que machucasse. A mulher fez
um som pequeno e dolorido. Isso me irritou, e melhor ainda isso irritou o tigre
vermelho. Ela tinha sentido falta do seu próprio tipo. Todos eles cheiravam a casa, e ela
não gostava que eles se machucassem.
— Deixe-a ir — eu disse, e minha voz ecoou como se a névoa vermelha fosse
mais sólida do que parecia atrás dos meus olhos.
— Ela é minha!
— Não — eu disse — ela não é!
E aquela última palavra rugiu entre meus lábios. Eu podia sentir o ressoar daquilo
por todo o caminho até o meu peito. Eu não pensei no que eu faria em seguida, eu
apenas me movi em direção a eles mais rápido do que eu deveria ter sido capaz. Era
como se eu estivesse ali ao lado deles antes de ter tempo para pensar. Reba tentou
mover a mulher de novo para o seu ladoenquanto ela da um golpe. Esse único golpe me
permitiu perceber que ela não sabia lutar com uma faca.
Eu sorri, eu não pude evitar.
— Vou cortar você.
Eu balancei a cabeça.
— Não, você não vai.
Eu me movi contra ela, e ela tinha a velocidade, mas agora eu também, e eu tinha
o treinamento. Ela tentou manter o braço da garota entre os dela, como um refém, e isso
a desequilibrava ainda mais. Eu fiquei perto, e ela fez o que eu pensei que ela faria:
cortou o ar em sua frente. Era mais como se ela estivesse tentando me manter afastada
do que tentando me cortar. Bloqueei seu braço no pulso, agarrei seu cotovelo, apliquei
pressão e enganchei minha perna atrás da dela. Eu a trouxe para o chão com seu braço e
sua faca ainda presos em um bloqueio comum, então quando ela bateu no chão eu já
tinha pressão em seu cotovelo.
A mulher que ela cortou correu para os outros tigres vermelhos. Era apenas Reba
e eu.
— Largue a faca ou quebre o braço.
Ela não deixou cair a faca, então eu acrescentei um pouco mais de pressão ao
cotovelo. Ela gritou, então jogou a faca pelo chão. Eu a chutei para fora do alcance e
encontrei Truth lá para pegá-la. É tão difícil proteger alguém quando eles têm que lutar.
— É contra todas as regras que você use uma faca para disciplinar seu povo. Se
você não é rainha o suficiente para mudar de forma e fazê-lo direito,você não está
autorizada a ser rainha afinal — Eu disse.
— Olha quem está falando, humana!
Ela cuspiu essa última palavra para mim.
— A lâmina era de prata — um dos homens falou — Se ela estiver com cicatrizes
permanentes, Reba, eu prometo, você também terá.
Seus olhos se arregalaram e ela lutou. Eu inclinei um pouco mais a articulação, e
isso a impediu de se mover. Eu não poderia fazer garras crescerem e discipliná-la como
uma verdadeira rainha, mas eu poderia fazer algo que a maioria dos dominantes não
poderia fazer. Era um presente mais raro, e dependendo de como você o fazia, doeria
mais. Eu fui gentil com a tigresa branca, Julia. Eu não seria gentil com esta.
Eu olhei para ela e quase podia ver o tigre vermelho sobre mim como um capuz.
A energia dele chamou seu tigre. Eu sussurrei:
— Mude por mim.
— Eu não vou, e você não pode me obrigar. Você é uma sobrevivente de um
ataque. Você não é sangue puro.
Ela estava tão zangada, mas a raiva também era comida. Eu bebi sua raiva através
da sensação de minhas mãos em sua pele e o pulso de seu sangue batendo contra minhas
mãos. Não havia muita, era um disfarce fino para seu medo. Ela estava com tanto medo,
com medo de mim, com medo de quão fraca ela era, com medo de que sua mãe tivesse
mandado ela aqui para morrer.
— Me solte!
Eu soltei o bloqueio articular, mas não o braço. Eu o dirigi para baixo para que eu
estivesse sobre a cintura dela, prendendo ambos os braços ao chão. O medo e a raiva
lutavam em seus olhos, em sua pele, através da energia da tigresa vermelha. Ela tentou
ser corajosa, e disse:
— Você vai me foder, também? Isso é tudo o que você sabe fazer aqui em St.
Louis?
Eu ri, e senti meus olhos mudarem, não para tigre, mas para vampiro. Meus olhos
estavam como se eu fosse uma de verdade. Eu senti o medo ganhar da raiva quando eu
movi seu braço para baixo, assim eu poderia prendê-lo sob um joelho. Ela poderia ter
lutado comigo. Ela tinha a força, mas por tudo que ela tentou fazer ela poderia ter sido
humana. Inferno, a maioria das pessoas teria lutado, mas ela não. Coloquei minha mão
contra sua nuca. Sua pele estava quente, os pequenos cachos na parte de trás do
pescoço, sedosos contra a minha mão.
— O que você está fazendo? — ela sussurrou.
— Fazendo o meu ponto - eu disse, enquanto me inclinava para ela. Eu a beijei, e
ela congelou contra mim, como se não soubesse o que fazer. Eu deixei meu tigre
derramar em minha boca, e na dela. Não porque eu estivesse prestes a mudar de forma,
ou em perigo, mas porque eu precisava que ela nunca voltasse a lutar comigo.
Tentei pensar, mas o tigre vermelho a teria matado, e lá longe, por trás disso,
estava um pensamento muito prático de que se nós fizéssemos isso, não haveria mais
discussões. Olhei para cima da mulher debaixo de mim e encontrei Jean-Claude parado
ao meu lado. Eu sabia que esse não era o meu pensamento. O problema era que eu
concordava com esse pensamento muito prático, muito implacável. É difícil lutar contra
o mau pensamento quando você concorda com ele.
Eu tive um momento para escolher, e então eu fechei meus olhos e a beijei. Não
era apenas o tigre vermelho que se espalhava através de mim, eram todas as outras
cores, apenas o dourado recuou, mas os outros se derramaram em minha boca, através
de meus lábios para ela. As energias a separaram. Eu me endireitei um segundo antes
que uma onda de fluidos e sangue claro e quente explodisse em mim. A violência disso
arrancou gritos dela, seu corpo resistindo debaixo do meu, até que um tigre estava
debaixo de mim, tremendo como se tudo doesse. Sua pelagem era tão escura que era
quase tão negra quanto suas listras. Ela olhou para mim com os mesmos olhos, mas
agora eles estavam cheios de dor, e muito medo.
Eu me levantei, um pouco trêmula nos meus calcanhares. Jean-Claude estava lá
para pegar minha mão, para me firmar. Eu olhei em seus olhos e eles estavam tão azuis
e cegos com poder quanto os meus estavam castanhos e pretos. Eu estava coberta de
sangue e fluidos.
— O vestido está arruinado — eu disse.
Ele sorriu.
— Vamos comprar outro.
Ele me conduziu até que ficamos na frente do tigre dourado que ainda estava
ajoelhado entre os guardas. Seus olhos estavam um pouco largos, lábios entreabertos.
Ele estava com medo de nós.
— Eu preciso fazer meu ponto de novo? — Questionei.
— Que ponto você quer fazer? — ele perguntou
— Que os tigres são nossos. Que podemos ser os Mestres dos Tigres. Isso é o que
você e o resto do seu povo vieram descobrir em St. Louis, não é?
— Você leu isso da mente de Jade — ele disse.
— Nós lemos — disse Jean-Claude. Jake também tinha dito isso, mas deixamos
passar. Estávamos ganhando. Nunca explique demais quando você está ganhando.
— Meu mestre sabe o que eu sei. Ele sabe que você só precisa de um dourado
para completar os tigres.
Essa foi a nossa deixa, ou melhor, de Devil e Envy. Estávamos mantendo os
outros tigres dourados escondidos, mas os dois que eram nossos seriam expostos. O
resto poderia ficar escondido por enquanto.
Eu não precisava usar um telefone. Eu só pensei em Dev, e Jean-Claude fez o
mesmo por Envy. Micah pegou Dev pela mão e levou-o para mim. Sua mão se envolveu
em torno da minha e minha pele estava ruborizada e quente, como se estivesse
envolvida em um cobertor de poder confortável. Richard pegou Envy pela mão e
entregou-a a Jean-Claude.
O outro dourado olhou fixamente para ele.
— Os jovens dos quais cuidamos foram massacrados. Aqueles entre nós que os
escondiam nunca disseram aos outros. Dessa forma, se um fosse destruído os outros
estariam seguros. Meu mestre e eu não sabíamos se você teria mais da minha espécie
aqui.
— Jade viu você com seu mestre e estava com inveja por parecer que vocês se
amavam — eu disse.
— Eu não iria quebrar um amor que tem sobrevivido milhares de anos. Isso tem
que ser raro mesmo entre vampiros.
— Eu não queria desistir do nosso vínculo, mas eu não sabia que encontraríamos
outros tigres dourados a tempo de ajudá-la.
— Nós poderíamos separá-lo de seu mestre — Jean-Claude disse.
— Se for sua vontade, não acho que possamos impedi-lo. — Ele pareceu muito
calmo sobre isso.
— Você realmente veio aqui para se sacrificar pelo bem comum, não é?
— Os tigres dourados têm se escondido por séculos. Aprendemos com a nossa
ignorância anterior. Agora há mais de nós do que os clãs negros ou azuis. Queremos que
você seja o Mestre dos Tigres, Jean-Claude. Precisamos que você seja, porque se
fizermos isso, romperemos com a escuridão que nos fez, e se ela ganhar poder
novamente, ela nos fará ansiar pela verdadeira morte muito antes de nos dá-la.
— Por que você arriscaria a fúria dela para se juntar a nós? — Eu perguntei.
— Ela sabe agora o que nós fizemos.
— Que foi seu próprio Harlequin amado que a colocou nesse sono há muito
tempo — Jean-Claude disse.
Ele assentiu.
— Então o mito do tigre branco é verdade — disse eu.
— É — disse ele.
Levantei as sobrancelhas. Jade não sabia disso. Eu não acreditava que ele tenha
lido minha mente, mas ele disse:
— Nós ouvimos sobre como você separouo Mestre de Chicago de seu servo leão e
os dois tigres de Vegas de sua rainha e mestre. Sabíamos que havia uma chance de você
separar pelo menos um de nós de nossos mestres. Sempre foi um dos dons da Mãe,
romper todos os laços e uni-los apenas à ela.
— Jade não conhecia o seu plano inteiro — disse eu.
— Não, porque seu mestre saberia, e nós o consideramos corrupto.
— Sem a energia de Jade para elevar seu poder, você pode matá-lo — eu disse.
— Nós não poderíamos confiar nele.
— Você esperava que nós roubássemos Jade dele e o enfraquecessemos — eu
disse.
— Sim — disse ele.
— E você a queria livre dele para que, quando ele morresse, ela não morresse com
ele — eu disse.
— Ela já suportou o suficiente em suas mãos. Quando percebemos que havia
outro vampiro que poderia libertá-la dele, nos mobilizamos para fazer isso.
— Ela pensou que você não viu seu sofrimento — disse Jean-Claude.
— Nós vimos, mas não pudemos libertá-la dele.
— Você esperou a criação de outro vampiro que pudesse libertá-la — disse eu.
— Que pudesse libertar a todos nós — disse ele.
Dei-lhe o olhar que ele merecia.
— Nós somos bons, mas não somos a escuridão imortal.
— Você não tem que ser. Você apenas tem que ser capaz de cortar ligações entre
mestres e servos, todos os servos, e isso você pode fazer, você provou isso.
— O que você quer de nós? — Jean-Claude perguntou.
— Então você me pouparia e ao meu mestre, mesmo sentindo o poder que você
ganha de cada ligação quebrada?
— Nós já temos poder suficiente — eu disse. Ele nos estudou.
— Você tem muito poder, mas para fazer o que precisamos, mais seria melhor.
— Nós vamos encontrar mais — disse Micah. Ele estudou todos nós.
— Você me pouparia e ao meu amo porque nós nos amamos. Você nos pouparia
por amor — disse ele.
Olhei para Jean-Claude e meus outros homens mais por hábito do que por
necessidade.
— O que mais há além disso? — Eu perguntei.
Ele sorriu para nós. Era quase um sorriso beatífico, seu rosto brilhando de amor,
perto da adoração. Eu não acho que aqueilo vinha de olhar para nós. Acho que ele
estava pensando mais em seu mestre, em seu amor.
— Essa era a resposta que tínhamos esperança de encontrar.
— Então você apostou séculos de felicidade, seu livre arbítrio e sua própria
existência... no amor? — Eu disse.
Ele encolheu os ombros com os braços ainda amarrados atrás das costas, e os
guardas ainda pesados em seus ombros.
— Como você disse, há realmente alguma outra coisa pela qual valha a pena
apostar tudo?
O que eu poderia dizer além de:
— Não, não existe.
E de pé, segurando as mãos de todos, sentindo o zumbido da energia que erguemos
entre nós, eu acreditava nisso.
CAPÍTULO 48

O tigre de ouro do Harlequin voltou para o seu mestre. Jake e Jade ficaram
conosco. Jake se juntou a nós no ginásio como todos os bons guardas. Jade se juntou a
nós no ginásio também, mas ela não era uma dos seguranças. Ela pode lutar e é
assustadoramente boa, mas os séculos de abuso a deixaram com a mentalidade de uma
vítima, e isso não faz um bom guarda. Talvez eu possa apresentá-la à terapeuta de
Richard?
Cynric, que prefere ser chamado de Cyn, pronunciado Sin, ficou em St. Louis. Ele
é o único tigre azul que temos e precisamos dele perto de nós. Eu ainda não sei como
me sinto sobre isso, mas a menos que eu queira separar a fêmea tigre azul de seu mestre,
que ela também ama, Cyn é quem tem de se ligar a nós. Ele está treinando no ginásio, e
nós estamos pensando em matriculá-lo em seu último ano do ensino médio. Quando eu
percebi que ele era um júnior eu fiquei totalmente assustada, mas ele é legalmente
capaz, e seus guardiões Max e Bibiana fizeram o que tinham que fazer para tornar a sua
estadia conosco legalmente correta. Eu ainda estou trabalhando em meus problemas
com tudo isso. Mas um problema de cada vez.
Eles encontraram o Mestre de Atlanta usando os cães de cadáver como eu tinha
sugerido. O fritaram com uma equipe de exterminadores e foi notícia internacional. Ele
havia abatido outra dúzia de pessoas antes de localizá-lo. Os poucos vampiros que
sobreviveram à sua morte estão precisando de um novo Mestre da Cidade. Jean-Claude
e eu estamos debatendo sobre quem enviar. Meng Die quer que seja ela. Ela está mais
amigável comigo já que eu a ajudei a subir o seu nível de energia. O que ela realmente
disse foi:
—Quando você já está dançando com o diabo de qualquer forma, ele poderia
muito bem ser um demônio que pode lhe dar seu próprio canto do inferno para
governar. — Não é um endosso empolgante, mas vai servir.
Richard seguia bem. Eu soube que os três homens que tentaram matá-lo foram
mortos. Eu tinha assumido que os guardas que enviamos para resgatá-lo tinham-os
matado, mas eles só tinham ajudado a eliminar os corpos. Richard com seu lobo os tinha
caçado pela floresta e matado. Jean-Claude e eu o seguramos numa noite enquanto ele
chorava por isso. Ele não chorou por matá-los, ele o fez pelo quanto ele gostou de matá-
los. Do nosso jeito, nós três nos preocupávamos sobre ser um monstro.
Descobriu-se que os efeitos do ardeur e algumas das estranhas ligações
desapareceram. Oferecemos à toda mulher que não estivesse no controle de natalidade
uma pílula do dia seguinte. Eu era grata mais uma vez por estar tomando os remédios.
Preservativos para mim eram uma proteção adicional, não a única. J.J. estava de volta à
Nova York, e ela também estava de novo apaixonada apenas por Jason. Bianca, a
mulher cisne, estava um pouco infeliz com isso, mas não foi o ardeur que a fez perder
J.J. Ela só gostava de J.J., e quem poderia culpá-la?
Jake nos ajudou a caçar Padma, o Mestre das Feras. Não foi tão difícil quebrar a
ligação da Mãe com ele. Jake acha que funcionou tão bem porque o meu poder é
semelhante ao dele. Eu não tenho tanta certeza. Foi fácil demais, como diz o velho
ditado. Mas nós tomamos a nossa vitória, e o Dragão e o Viajante estão enviando
pessoas de suas linhas para St. Louis, por isso, se a Mãe tentar levá-los podemos ter
uma vantagem libertando-os em nossos próprios termos. Nós não encontramos Morte
d’Amour. Ele ainda carrega Marmee Noir nele, mas parou de tentar nos dominar. Se eu
não soubesse melhor eu diria que ele, e ela, tinham medo de nós. Ele assumiu o corpo
de outro de seus descendentes na Europa. Os vampiros mataram quase setenta pessoas
antes de serem detidos pelo exército. Países onde os vampiros ainda são ilegais não têm
executores de vampiros oficiais. Eles costumam chamar o equivalente à Guarda
Nacional.
Alguns tigres de todas as cores ficaram conosco. Temos doadores de sangue o
suficiente para que a maioria dos nossos vampiros se alimente de metamorfos. Somos o
único beijo vampiro no país que pode gabar-se de possuir tão rico alimento para todos
os nossos sanguessugas.
Eu ainda sinto falta de janelas e da luz e ar, mas até que encontremos e libertemos
o Morte d’Amour, o Circo dos Malditos é o lugar mais seguro para estar. Estamos
fazendo o melhor para fazer disso um lar.
Eu reorganizei minha agenda para que tivesse três tardes por semana livres de
clientes, assim eu poderia treinar com os guardas. Nathaniel tenta ter café pronto para
mim na cozinha quando eu chego em casa, por isso temos alguns minutos para visitar.
Em uma tarde Matthew estava na mesa da cozinha bebendo leite e comendo sanduíche
de manteiga de amendoim com geleia feito na hora.
—Ei, Matthew, — eu disse, e me assegurei de que o meu paletó estivesse sobre a
minha arma para que eu não o assustasse.
—Hey, ‘Nita, — disse ele, com a boca cheia de sanduíche. Ele saiu de sua cadeira
e levantou os braços para que eu o pegasse. Ele franziu os lábios para um beijo e eu lhe
dei um. Ele ganhou um pouco de batom e eu um pouco de geleia de uva.
Eu fui para perto de Nathaniel e comecei a beijá-lo, em seguida lembrei-me do
comentário de Matthew no recital de dança: “Todos os meninos grandes te beijam,
'Nita.”
Nathaniel me deu um olhar perplexo e depois me beijou, e eu o beijei de volta,
porque eu não sabia mais o que fazer. Além disso, o cheiro de sua pele me fez sentir
melhor do que o cheiro do café que ele me entregou. Nathaniel se sentou à mesa perto
de Matthew, e eu também.
—Mônica está pegando um depoimento fora do estado. Aparentemente é uma
testemunha que estiveram procurando em um caso de fraude.
Sentei-me à mesa e cheirei o café. Ele cheirava bem.
—Quanto tempo ela ficará fora?
—Uma noite. Nós o deixaremos na pré-escola amanhã e ela vai buscá-lo
normalmente.
Os guardas entraram na cozinha. Era mudança de turno. Eles tomariam um café e
talvez um lanche e então todos nós iríamos trabalhar fora. Os guardas chamaram:
—Ei, garoto. — Lisandro, que tinha dois filhos pequenos, esfregou os cachos
castanhos de Matthew. Ele conversou com eles, animado, como se tudo fosse normal.
Tirei meu casaco porque eu queria e porque cada guarda estava armado até os dentes e
não escondia. Minha pequena arma não parecia tão ruim.
Ele chamou Devil.
—Posso ir assistir você praticar?
—Claro, — disse ele, depois se inclinou e me beijou. E Nicky também. “Todos os
meninos grandes beijam 'Nita.”
Quando todo mundo tinha bebido café ou água, ou apenas levado alguns minutos
para descansar, todos nós levantamos e fomos para o ginásio. Nos movemos cercados
por homens armados e perigosos. Matthew pegou minha mão e de Nathaniel.
—O que estamos lendo esta noite, Natty? — Perguntou.
—Boa noite Lua?
—Não, isso é um livro infantil. Eu sou grande agora.
Nathaniel sorriu e disse:
—Que tal Peter Pan?
—Quer dizer como o dos desenhos animados?
Ele sorriu mais amplo.
—Sim, como o dos desenhos animados.
—Eu gosto de Peter Pan, ele pode voar!
Peter Pan foi o primeiro livro que Micah, Nathaniel, e eu lemos juntos, e agora
nós leríamos para Matthew. Eu não tinha certeza de que estava confortável com tudo o
que Matthew via e aprendia com a gente, mas sua mãe estava bem com isso. Quem era
eu para criticar?
O que me incomoda mais sobre manter Matthew é que Nathaniel está começando
a sugerir que talvez pudéssemos ter um nosso. Eu, uma mãe? Com certeza não estava
acontecendo. Mas se ele continuasse insinuando sobre crianças, ele poderia me
convencer sobre esse filhote de cachorro que ele estava querendo.
Eu posso nos ver com um filhotinho, mas um bebê? Não apenas não como o
inferno que não. Eu sou uma marechal dos Estados Unidos, uma executora de vampiros
legalizada, e eu ressuscito mortos para viver. Nenhum desses postos de trabalho iriam
funcionar com um bebê, e nem mesmo o pensamento de ter os olhos de lavanda de
Nathaniel olhando para mim de algum fedelho de cabelos encaracolados é suficiente
para mudar isso. Além disso, marrom bate os olhos claros geneticamente. Eu tinha mais
probabilidades de olhar para um par de olhos iguais ao meu próprio marrom escuro, e eu
posso ver isso a cada vez que olho em um espelho. Eu não gosto o bastante dos meus
próprios olhos para querer vê-los no rosto de outra pessoa.
FIM