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Versão Online ISBN 978-85-8015-080-3

Cadernos PDE

I
OS DESAFIOS DA ESCOLA PÚBLICA PARANAENSE
NA PERSPECTIVA DO PROFESSOR PDE
Artigos
FICHA PARA IDENTIFICAÇÃO

Título: Leitura e Encantamento: Desenvolvendo o Pensamento Crítico a partir das


Obras De Candido Portinari.

Autora: Valderez Saganski

Disciplina/Área: Arte

Escola de Implementação Colégio Estadual Idália Rocha – Ensino Fundamental e


do Projeto e sua Médio
localização:
Município da escola: Ivaiporã

Núcleo Regional de Ivaiporã


Educação:

Professor Orientador: Prof Dr Jardel Dias Cavalcanti

Instituição de Ensino UEL - Universidade Estadual de Londrina


Superior:

Relação Interdisciplinar:

O presente artigo é o resultado do projeto desenvolvido no


Resumo: Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE) do
Estado do Paraná realizado com os alunos do Ensino
Médio. O objetivo é criar a possibilidade de fazer com que
o educando possa contribuir com o meio no qual está
inserido, desenvolvendo a sua sensibilidade e tornando-se
indivíduo crítico. Também aprendendo assim a valorizar a
sua cultura através do contato com as obras do artista
brasileiro Candido Portinari que retrata a diversidade
cultural e as questões sociais do nosso país.
Desenvolvendo ainda no corpo discente um olhar crítico
em que compreenda as expressões e possibilidades
materiais que podem ser desenvolvidas em arte. Em
contato com a Arte, abrem-se os horizontes reflexivos e da
sensibilidade, fazendo com que o mundo contemporâneo
seja pensado criticamente.

Palavras-chave: Leitura de imagem; Candido Portinari; Ensino de Arte

Formato do Material Unidade Didática


Didático:

Público: Ensino Médio


LEITURA E ENCANTAMENTO: DESENVOLVENDO O PENSAMENTO
CRÍTICO A PARTIR DAS OBRAS DE CÂNDIDO PORTINARI
Valderez Saganski1
Jardel Dias Cavalcanti2

RESUMO

O presente artigo é o resultado do projeto desenvolvido no Programa de Desenvolvimento


Educacional (PDE) do Estado do Paraná realizado com os alunos do Ensino Médio. O objetivo é criar
a possibilidade de fazer com que o educando possa contribuir com o meio no qual está inserido,
desenvolvendo a sua sensibilidade e tornando-se indivíduo crítico. Também aprendendo assim a
valorizar a sua cultura através do contato com as obras do artista brasileiro Candido Portinari que
retrata a diversidade cultural e as questões sociais do nosso país. Desenvolvendo ainda no corpo
discente um olhar crítico em que compreenda as expressões e possibilidades materiais que podem
ser desenvolvidas em arte. Em contato com a Arte, abrem-se os horizontes reflexivos e da
sensibilidade, fazendo com que o mundo contemporâneo seja pensado criticamente.

Palavras-chaves: Leitura de imagem; Candido Portinari; Ensino de Arte

ABSTRACT

This article is the result of the project developed in the Educational Development Program (EDP) of
the State of Paraná conducted with high school students, thinking about the possibility of making the
student can contribute to the environment in which it is inserted, developing their sensitivity and
becoming critical individual, learning to value their culture through contact with the works of Brazilian
artist Candido Portinari that so well reflects the cultural diversity and social issues of our country.
Developing a critical eye and understanding the expressions and material possibilities that can be
developed into art. Contact Art opens up the reflective and sensitive horizons, making the
contemporary world is thinking critically.

Key words: Image Reading; Candido Portinari; Art Education


1 Licenciada em Educação Artística pela Universidade do Oeste Paulista – habilitação em Artes
Plásticas. Pós Graduada em Qualidade da Educação e Arte Educação pela Faculdade de Artes do
Paraná. Professora de Arte da Rede Pública do Estado do Paraná. Participante do PDE 2014. Email:
valderezsg@seed.pr.gov.br.

2
Professor da Universidade Estadual de Londrina. Orientador do PDE. Doutor em História da Arte
pela Unicamp. Emai: jardeldias1@hotmail.com.
1 INTRODUÇÃO

A Arte é resultado da necessidade do homem exprimir seus desejos, suas


angústias, seus anseios e seus medos, é também um instrumento de conhecimento
da realidade. Podemos observar isso desde as pinturas rupestres até hoje. Sendo
assim, o homem tem se expressado por meio da pintura, da música, da escultura, da
arquitetura, entre outros gêneros artísticos e em diferentes momentos históricos,
registrando e refletindo sobre o presente para fazer com que o espectador reflita
sobre o que acontece ao seu redor e que, a partir daí, possa transformá-lo. A arte
também pode ser um caminho para se resgatar a sensibilidade, despertando
sentimentos inerentes ao ser humano, como a alegria, o prazer, a tristeza, etc.
Diante dessa perspectiva é que este estudo se fez necessário. O que se
buscou foi inserir o educando numa rede de valores muitas vezes esquecidos de
forma que fossem mais valorizados, na própria escola, no convívio familiar, ou na
sociedade como um todo. Através da arte pode-se compreender melhor o mundo e,
conseqüentemente, tentar transformá-lo. Os alunos aceitam as imagens do mundo
como verdade sem questionar seu sentido. Saber ler imagens é necessário diante da
sociedade contemporânea. Segundo Mae Barbosa:

Em nossa vida diária estamos rodeados por imagens impostas pela mídia,
vencendo produtos, idéias, conceitos, comportamentos, slogans políticos
etc. Como resultado de nossa incapacidade de ler essas imagens, nós
aprendemos por meio delas inconscientemente. A educação deveria prestar
mais atenção ao discurso visual. Ensinar a gramática visual e sua sintaxe
através da arte e tornar as crianças conscientes da produção humana de
alta qualidade é uma forma de prepará-las para compreender e avaliar todo
o tipo de imagem, conscientizando-as de que estão aprendendo com estas
imagens. (BARBOSA, 1998).

Assim, através da leitura da imagem podemos compreender e analisar todo


tipo de imagens impostas ao nosso redor, tornando-nos ricos em conhecimento.
Evidencia-se neste projeto a leitura das obras de Candido Portinari no contexto da
preocupação social na arte brasileira, como também o movimento modernista no
processo de articulação de uma nova concepção de homem e mundo nacional.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 Ensino de Arte


O ensino de arte no Brasil até 1808 baseava-se em cópias que vinham de
Portugal e que aqui eram adaptados por nossos artistas. Assim, havia a
necessidade de se desenvolver artistas que defendessem o país culturalmente. Para
atender essa necessidade foi iniciada uma série de ações como, em 1808, a vinda
de um grupo de artistas franceses encarregado da fundação da Academia de Belas
Artes, na qual os alunos poderiam aprender as artes e ofícios artísticos. (DCE, 2008,
p.39).
Com a proclamação da Republica, em 1890, ocorreu a primeira reforma
educacional.

Tal reforma foi marcada pelos conflitos de idéias positivistas e liberais. Os


positivistas defendiam a necessidade do ensino de Arte valorizar o desenho
geométrico como forma de desenvolver a mente para o pensamento
científico. Os liberais preocupados com o desenvolvimento econômico e
industrial defendiam a necessidade de um ensino voltado para a preparação
do trabalhador. (DCE, 2008, p.40).

Arte e ciência eram interpretadas como espaços do conhecimento diferentes,


onde se achava que a ciência fosse uma obra da razão e a arte fosse uma obra da
emoção. Sendo que razão e emoção fazem parte da constituição do ser humano.
O ensino de arte nas escolas, no início do século XIX, era caracterizado pela
falta de atividades artísticas, o desenho era ensinado através de cópias, com a
precisão da linha. A partir do progresso da revolução industrial houve a necessidade
da formação de desenhistas e artesãos para atender a demanda, assim o ensino de
arte se resumia em atividades práticas, como o desenho geométrico.

Entretanto, o ensino de Arte nas escolas e os cursos de Arte oferecidos nos


mais diversos espaços sociais são influenciados, também, por movimentos
políticos e sociais. Nas primeiras décadas da República, por exemplo,
ocorreu a Semana de Arte Moderna de 1922, um importante marco para a
arte brasileira, associado aos movimentos nacionalistas da época. (DCE,
2008, p.40).

A Semana da Arte Moderna no Brasil ocorreu com grandes transformações,


segundo FERRAZ & FUSARI (2000, p.31): expandindo-se o movimento modernista
para várias regiões do país e organizando-se salões de arte com características
inovadoras e mais nacionalistas. O ensino de arte passa a ser direcionada na
expressividade, espontaneidade e criatividade. Em 1948, com a criação da
Escolinha de Arte trouxe como fundamento pedagógico a livre expressão de formas,
a individualidade, inspiração e sensibilidade. (DCE, 2008, p. 40-41).
A partir de 1971, com a Lei nº 5.692, o ensino de Arte passou a ser
obrigatoriedade nos currículos do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, mas traz
algumas dificuldades enfrentadas pelos professores a qual se torna uma forma
contraditória na educação em arte, tratando a mesma como “meras atividades
artísticas”. Apesar de considerar a arte como disciplina obrigatória, o Parecer
nº540/77, que fundamenta a LDB, apresenta-a com contornos indefinidos,
valorizando o “processo” de trabalho e a livre expressão. (FERRAZ & FUSARI, 2000,
p.37-38).

A conscientização política ocorre na prática social ampla e concreta do


cidadão. A educação escolar deve assumir o ensino do conhecimento
acumulado e em produção da humanidade, isto é, deve assumir a
responsabilidade de dar ao educando o instrumental necessário para que
ele exerça uma cidadania consciente, crítica e participante. (FERRAZ &
FUSARI, 2000, p.42).

Em meados dos anos 80, surge o movimento Arte-Educação, onde no início


tinha a finalidade de conscientizar e integrar os profissionais, resultando na
mobilização de grupos de educadores, tanto na educação formal e não-formal.
(PCN, 1998, p. 28). Esse movimento fez com que aumentassem as discussões
sobre a valorização e o aperfeiçoamento da disciplina e do professor de arte
revendo e propondo oportunidades para levar os alunos a se tornarem agentes
transformadores na escola e na sociedade.
Assim: “O ensino de arte constituirá componente curricular
obrigatório, nos diversos níveis da educação básica, de forma a promover o
desenvolvimento cultural dos alunos”. Lei nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996
(Artigo 26, Parágrafo 2).

A Educação Através da Arte é, na verdade, um movimento educativo e


cultural que busca a constituição de um ser humano completo, total, dentro
dos moldes do pensamento idealista e democrático. Valorizando no ser
humano os aspectos intelectuais, morais e estéticos, procura despertar sua
consciência individual, harmonizada ao grupo social ao qual pertence.
(FERRAZ & FUSARI, 2000, p. 15):

Nesse sentido é necessário que o aluno encontre através da Arte um caminho


para estar revendo sua participação no mundo o qual está inserido adquirindo um
conhecimento artístico e estético.

...a escola é a um só tempo, o espaço do conhecimento historicamente


produzido pelo homem e espaço de construção de novos conhecimentos,
no qual é imprescindível o processo de criação. (DCE, p.23).
Sendo assim a escola torna-se um espaço onde através da arte o aluno pode
formar um pensamento crítico em relação a um determinado contexto. Através da
leitura de obras de arte podemos fazer com que os alunos sejam levados a exercer
seu papel de sujeito crítico no meio o qual está inserido, despertando sua
sensibilidade.

Desta forma, a dimensão artística pode contribuir significativamente para a


humanização dos sentidos, ou seja, a superação da condição de alienação
e repressão à qual os sentidos humanos foram submetidos. (DCE, p.23).

A disciplina de Arte na escola é de suma importância, pois desperta no aluno


uma consciência crítica sobre os acontecimentos sociais tornando-o participativo no
seu papel com a sociedade, não sendo um expectador, mas podendo ser alguém
que participa desses acontecimentos dando-lhes a oportunidade de poder
transformá-los.

Desde os primórdios de nossa existência, como espécie, vimos


aprendendo, por experiência, que o contato com a arte e seus conteúdos
proporciona aos nossos olhos novos mundos de ver e compreender a
realidade, modos esses capazes de desvendar não apenas aquilo que
somos, mas também muito da matéria de que a própria realidade se
constitui. (Buoro, 2002, p.41).

É através da arte que os artistas se relacionam com o mundo, deixando um


pouco daquilo que vivem para que a sociedade possa fazer uma leitura tirando dela
aquilo que lhe é necessário para sua vivência no mundo.

2.2 Arte Moderna

A arte moderna surgiu durante o século XX num momento de grandes crises


no cenário brasileiro, através de diversos acontecimentos políticos e sociais.
Segundo Zillio (1997, p. 38): “Em algumas décadas, a escravatura havia sido
abolida, a República proclamada, a imigração crescera, as indústrias surgiram e as
cidades se modernizavam”. O objetivo dos artistas era realizar uma arte voltada para
a cultura de massa, lançando sobre ela um novo olhar valorizando a etnia e trazendo
a vontade de reconstruir uma identidade nacional e expressar globalmente novos
conceitos culturais. Nesse período surge uma grande luta entre as diferentes
ideologias presentes no campo das artes, pois existem maneiras diferentes de
pensar o mundo, deste modo a arte moderna surge da superação das contradições
que a arte ocidental vivia. Os artistas sentiam a falta de uma arte que mexesse com
a realidade desse momento. (Zilio, 1997, p. 23).
Assim, surgiu um olhar moderno trazendo obras inovadoras dentro da cultura
que estavam inspiradas em idéias e concepções européias.

(...) a ambição modernista não era outra senão a de criar um estilo e,


conseqüentemente, ser capaz de expressar globalmente o universo
simbólico brasileiro. Para tal os modernistas se lançam na investigação das
fontes formadoras da nossa cultura sem perder de vista as inovações que
se produziam na produção cultural dos principais centros europeus. (Zilio,
1997, p. 16).

Os artistas brasileiros ainda estavam mantendo ligações com a vanguarda


européia, pois existia um estado de dependência. Porém Zilio (1997, p. 27) afirma:
“Mas, à medida que o projeto de arte moderna vai-se formalizando, no início do
século XX, cresce entre os artistas a aproximação com outras culturas e em
particular com a arte primitiva.”
Aconteceu em São Paulo, no ano de 1922, a Semana de Arte Moderna, onde
ocorreram exposições de pintura, escultura e arquitetura, conferências e festivais
literários e musicais. Participaram desta semana literatos como Oswald de Andrade,
Menotti del Picchia, Manuel Bandeira, Mario de Andrade, Ronald de Carvalho e
Graça Aranha, o escultor Victor Brecheret, o músico Heitor Villa-Lobos, Guiomar
Novaes e os pintores Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, entre outros.
Esta semana ocorreu com algumas polêmicas, como diziam que predominava “uma
desobediência desorientada às velhas regras”. “E que, não sendo acadêmicos,
também não demonstravam uma compreensão real do significado e da linguagem
da arte moderna.” (Zilio, 1997, p. 43). Foi um novo momento na história da cultura
brasileira marcando o início de uma nova fase para a arte.
Os artistas que haviam participado da semana da arte moderna estavam em
contato com os movimentos de vanguarda da Europa e havia uma elite que não
aceitava as manifestações culturais populares. E assim ocorreu uma desunião da
sociedade brasileira. A elite brasileira rejeitou a produção cultural do país.

A arte moderna surge no Brasil dentro dessa materialidade social. Os


salões e o contato com Paris, mais que com o Rio, formam o seu circuito.
Protegidos pelos muros das mansões, despreocupados com a subsistência,
inseguros e mesmo com certo desprezo pelo publico da arte – que sabem
despreparado – os modernistas progridem com seu trabalho, isolados,
como num laboratório. (Zilio, 1997, p.55).
A arte moderna trouxe uma nova geração de artistas que propuseram seus
trabalhos dentro de uma temática social, foi um tempo de preocupações culturais
valorizando os acontecimentos que estavam ocorrendo naquele momento com a
arte social e a militância política.

Pouco depois da vitoriosa Revolução de 1930, algumas mudanças


importantes vão ter lugar no campo da arte. Lúcio Costa é nomeado para
diretor da Escola Nacional de Belas-Artes e começa a promover mudanças
no seu corpo docente e na orientação do ensino, até então voltado para o
Neoclássico. A seguir, continuando as reformas, Lucio Costa inclui
modernistas no júri de seleção do Salão Nacional de Belas-Artes, o que
resulta no incentivo à participação de artistas modernos e na retração dos
acadêmicos. (Zilio, 1997, p. 57.)

Após esse momento o modernismo começa a ganhar prestígio através dos


artistas modernos que passam a ocupar cargos nas instituições culturais tornando a
presença do Estado como árbitro nos conflitos surgidos entre modernistas e
acadêmicos.
Podemos concluir que a arte moderna procurava expressar em sua arte a
simplicidade dos temas de uma forma sem pretensão alguma, buscando se
aproximar de um pensar popular, trazendo uma visão de mundo por traços
simplificados remetendo as emoções e sentimentos. Uma arte voltada para o
cotidiano popular e as preocupações sociais através da crítica.

2.3 O Artista Candido Portinari

Candido Portinari nasceu em Brodowski, numa fazenda de café, no interior do


Estado de São Paulo, no dia 30 de dezembro de 1903. Filho de imigrantes italianos
que vieram para o Brasil para trabalhar nas lavouras de café. De família humilde,
teve uma infância pobre. Aos dez anos fez seu primeiro trabalho artístico
desenhando o poeta Carlos Gomes, tirando a imagem do compositor de uma
carteira de cigarros. Quatro anos mais tarde um grupo de pintores e escultores
italianos passa por Brodowski para decorar a igreja e convidam Portinari para ajudar.
(PROJETO PORTINARI, 2004).
Em 1919 decidiu ser pintor e parte para o Rio de Janeiro, matricula-se no
Liceu de Artes e Ofícios e no ano seguinte na Escola de Belas-Artes, como aluno
livre nas aulas de desenho figurado. Ali encontra um ambiente contraditório e tenso,
marcado por normas rígidas. (PROJETO PORTINARI, 2004).
Permaneceu neste ensino durante oito anos e nesse momento já acontecia
um movimento que se dizia moderno agitando a Europa, que se espalhava pela
América Latina e conseqüentemente pelo Brasil. Portinari então começa a se
destacar nesta instituição participando de exposições de telas, mas não se manteve
alheio ao Movimento Moderno que acontecia na Europa.

Aí, sua aproximação com aquela cultura vai ser indireta e imprecisa, pois se
daria principalmente naquilo que a Escola de Belas-Artes poderia lhe
transmitir. Se bem que não podemos esquecer que na sua convivência com
os meios intelectuais fora da Escola essa relação com a cultura francesa foi
provavelmente reforçada. (Zillio, 1997, p. 64).

Em 1928, conquista o Prêmio de Viagem ao Exterior, com o Retrato de


Olegário Mariano, onde permanece até o ano de 1930, viajando pela Inglaterra,
Itália, Espanha visitando museus e castelos até se radicar em Paris. Lá entre as
visitas, sente saudades de Palaninho, um dos mais humildes habitantes de
Brodowski e escreve a uma colega na Enba: “Daqui fiquei vendo melhor a minha
terra – fiquei vendo Brodowski como ela é (...). Vou pintar o Palaninho, vou pintar
aquela gente com aquela roupa e com aquela cor”. (Pedrosa e Rufinoni, 2013, p.
20).
Portinari voltou da viagem com apenas seis telas: três naturezas mortas, um
nu, um auto-retrato e um retrato de Maria, uma Uruguaiana que ele conheceu e que
passou a ser sua companheira por toda a vida. A partir daí começa a descobrir
verdadeiramente o modernismo e a ser reconhecido por grande parte dos
intelectuais da época. (PROJETO PORTINARI).

(...) a valorização de aspectos da nossa cultura até então recalcados pelo


academismo, possibilitará no campo da arte a libertação do olhar,
permitindo aos nossos artistas encontrar, na sua realidade cultural, os
traços que os fariam se distinguir dos modelos europeus. (Zillio, 1997,
p.66).

Portinari começa então a receber atenção especial de críticos acadêmicos e


modernistas da época. Pois alguns críticos acusavam os artistas modernos de
usarem traços livre com deformações no desenho para esconder a falta de
conhecimento técnico. Mas o que os artistas modernos faziam eram escolher uma
estética que fosse diferente.
Segundo Zillio (1997, p. 91): “Da primeira fase do Modernismo, Portinari
mantém uma intenção nacionalista, através da temática brasileira”. Assim a figura
humana se fará presente em quase todas as suas obras. O trabalhador rural, as
figuras populares e as cenas infantis seriam seus personagens principais. Temas
como a pobreza e o trabalho, o sofrimento do homem brasileiro, negro, mulato
comovia o artista que a partir de então começou a lutar pelas causas sociais através
de suas obras. (Zillio (1997, p. 91).
As origens formais do estilo de Picasso lhe trazem diversas influências. Como
o Cubismo, que segundo Amaral:

(...) não se pode descartar a poderosa importância que sobre ele exerce a
personalidade de Picasso, após ver sua exposição no Museu de Arte
Moderna de Nova Iorque, em 1939, (...). Essa influência picasseana alterará
profundamente o desenho, bem como a paleta de Portinari na década de
40, transparecendo, em particular, em sua série dramática dos Retirantes,
hoje no MASP. (Amaral, 1984, p. 62).

Além da influência de alguns artistas da Escola de Paris, do Muralismo


mexicano, do Quatrocento italiano e dos ensinamentos da Escola de Belas-Artes.
Portinari vai assimilar um pouco de cada, tornando seu estilo um tanto quanto
eclético, tendendo mesmo para o Pós-Cubismo. Quanto à influência mexicana Zillio
ressalta: ”Assim, a influência da arte mexicana sobre ele se fará num sentido mais
de objetivos gerais, tais como a afirmação de uma arte social e realista e no
interesse da pintura mural.” (ZILIO, 1997, p.91)
A pintura mural trouxe para o artista oportunidades de se desenvolver neste
suporte, sendo inclusive o único artista brasileiro que recebeu este reconhecimento.
Mas Portinari não imitava os mexicanos, a pintura mexicana era apenas uma fonte
de referência para o seu trabalho.
Em 1935, conquista a segunda menção honrosa na exposição do Instituto
Carnegie, em Pittisburgh (EUA), com seu trabalho CAFÉ e Portinari se torna o
primeiro modernista brasileiro premiado no exterior. A obra ira lhe conferir o estatuto
de pintor internacional. (Pedrosa e Rufinoni, 2013, p. 20).
Após essa premiação, o artista recebeu várias encomendas de
colecionadores privados e instituições de arte moderna norte-americanas.
(PROJETO PORTINARI, 2004).
As obras de Portinari manifestam um realismo que mais tarde se tornarão
com vários sentidos em seus trabalhos pós-cubistas. Mas que continuarão na
pretensão de se retratar a realidade brasileira. Sérgio Milliet em 1048 faz uma
análise da pintura de Portinari:
“Ao cerebralismo europeu, que se esgota em pesquisas admiráveis de
forma, Portinari ajuntou a sentimentalidade nacional, o não conformismo
ante a tragédia social do país. Sua pintura tornou-se assim uma pintura de
participação. E através dela, de sua força expressiva, de suas violências, de
suas deformações não raro sarcásticas, ele critica a sociedade, aponta as
falhas da organização política, instiga o público à revolta contra a ordem
que considera errada das coisas. Ele exprime e comunica a sua própria
inquietação.” (Sérgio Milliet, “Portinari”, in O Estado de São Paulo, 14 de
dezembro de 1948, citado por Anna Teresa Fabris, Portinari, pintor social,
tese de mestrado do Dep. DE Artes Plásticas da Escola de Comunicação e
Artes da USP, 1977. P. 107).

Participou em 1951, da exposição na I Bienal de São Paulo. Portinari começa


a apresentar problemas de saúde na década de cinqüenta, por intoxicação pelo
chumbo presentes nas tintas que usava. Mesmo doente e desobedecendo a ordens
médicas trabalhava intensamente e se lança com entusiasmo ao trabalho que lhe foi
oferecido a executar, os painéis Guerra e Paz, para a decoração da nova sede da
ONU.

Durante nove meses, com a ajuda de Enrico Bianco e Rosalina Leão,


Portinari pintou cada centímetro daqueles que seriam os maiores painéis de
sua carreira, com 14 metros de altura por 10 metros de largura cada um.
(Pedrosa e Rufinoni, 2013, p. 24).

Morreu no dia 06 de fevereiro de 1962, vítima de envenenamento pelas


próprias tintas.
Concluindo:

O relato visual de Portinari expressa os mais avançados conceitos da


cultura de seu tempo (...) aborda diferentes aspectos da alma humana e da
vida social, da miséria e da desgraça aos anseios da bem-aventurança
terrestre. O brilho do olhar de seus miseráveis e degradados seres
amoráveis tem a chama reivindicativa da esperança. Sua obra, expressão
coerente de sua generosa visão de mundo, não decorre apenas de um
“otimismo da vontade” em meio ao “pessimismo da razão”. É expressão de
uma razão combatente, que em meio à adversidade revela os lenitivos de
uma cantada do porvir. . (Pedrosa e Rufinoni, 2013, p. 24).

3 DESENVOLVIMENTO

As ações pedagógicas foram desenvolvidas dentro de três variáveis, olhar,


interpretar e criar. Foi realizada a mediação entre o professor e o aluno no sentido
de auxiliar a leitura de obras de arte instigando o pensamento crítico. O processo de
avaliação foi realizado em todas as etapas visando à integração das linguagens
artísticas.
1 – Linguagens artísticas
 Artes Visuais
2 – Forma e conteúdo
 Elementos da visualidade nas artes visuais e realidade social
3 - Saberes estéticos e culturais
 História da Arte
 Arte Moderna
4 – Conexões transdiciplinares
 Contexto cultural e político
5 – Processo de criação
 Ação criadora
 Arte como experiência de vida
 Interpretação poética
 Produção coletiva
 Atitude crítica
 Ativar sentidos
 Arte como forma de pensar
A aplicação do projeto LEITURA E ENCANTAMENTO: DESENVOLVENDO O
PENSAMENTO CRÍTICO A PARTIR DAS OBRAS DE CÂNDIDO PORTINARI foi
realizada no 1º ano do Ensino Médio, do Colégio Estadual Idália Rocha, Ensino
Fundamental e Médio, na cidade de Ivaiporã, no ano de 2015.
O projeto em questão tem como tema a leitura de imagem e foi desenvolvido
em quatro partes no intuito de organizá-las. Parte 1 – olho que vê; Parte 2 -
conhecendo o portfólio; Parte 3 – ler e produzir sentido e Parte 4 – arte crítica e
social.
Parte 1 - “Olho que vê”
Apresentei aos alunos a obra “Retirantes” de Candido Portinari, porém sem
identificar o artista, solicitando que apenas olhassem por alguns minutos e após
esse período realizei a mediação para análise a partir das seguintes questões: -
Quantos personagens há nesta obra? Quantos são homens, mulheres e crianças?
Como estão essas pessoas? Qual a idade delas? Qual a primeira sensação que
esta obra lhe causa? Onde se percebe a tristeza nas pessoas? Que pássaros vêem
no céu? Porque esses pássaros estão sobrevoando essas pessoas? Qual é o tema
representado nesta obra? Que cores se percebe? Se você fosse o artista, que nome
daria para a obra? Os alunos ficaram um pouco eufóricos, mas aos poucos foram se
acalmando e os objetivos sendo alcançados. Na questão: sobre a sensação
causada pela obra, ocorreram respostas como: terror, tristeza, injustiça entre outras
e foi muito interessante, a maioria dos alunos não conheciam esta obra muito menos
sabiam quem tinha realizado, então puderam falar aquilo que realmente estavam
vendo e sentindo.
Em seguida falei sobre a obra que tem como título “Retirantes” de Candido
Portinari, que foi realizada no ano de 1944, a técnica utilizada é óleo sobre tela, sua
medida 1,90. X 1,80 cm e que está localizada no Museu de Arte de São Paulo Assis
Chateaubriand. Em seguida realizamos uma análise e reflexão desta obra, falei
também sobre o que o artista conseguiu retratar, denunciando os problemas sociais
do nosso país, continuei com mais algumas questões: Como o problema dos
retirantes nordestinos é tratado atualmente pela sociedade brasileira? Esse
problema afeta a nossa vida? Como o problema da seca é tratado no Brasil? As
cidades acolhem ou excluem os retirantes? Estas questões são tratadas na mídia?
Estas questões refletem na violência, na pobreza e na desigualdade social? Existe
alguma relação encontrada nesta obra com a sua história pessoal? Como a questão
dos retirantes nordestinos e suas conseqüências afetam a nossa vida? Os alunos
contribuíram muito, pois sabem da importância e como estes temas são tratados
pela mídia.
Após esta análise a turma foi dividida em grupos e encaminhada à sala de
informática para a realização de uma pesquisa sobre a biografia cronológica de
Candido Portinari a fim de conhecer melhor a vida do artista, e em seguida foi
realizada a socialização da pesquisa para a turma. Nesta etapa notei o grande
interesse da turma, pois um grupo encontrou Memórias de Portinari “Retalhos da
minha vida de infância” e me questionou se poderia ser colocado no trabalho de
pesquisa, assim pude constatar o compromisso com a turma neste projeto.
Realizada a apresentação dos grupos e discussão passei o vídeo: Imaginário
Portinari para assistirem, e em seguida falamos um pouco sobre Portinari, e alguns
alunos não sabiam que o artista era brasileiro e ficaram sensibilizados com a sua
trajetória de vida, pois viram que ele era uma pessoa de família humilde. Solicitei
então que construíssem um texto verbal relatando suas aprendizagens sobre a vida
de Portinari.
Parte 2 - CONHECENTO O PORTFÓLIO
Neste momento discutimos sobre o Portfólio, que é um instrumento de
avaliação surgido no campo das artes nos meios escolares e universitários e que
traz uma nova forma de avaliar o desenvolvimento em relação a ensino e
aprendizagem. O portfólio não seria basicamente uma pasta onde se colocariam
apenas trabalhos feitos em uma sala de aula, mas diferentes tipos de documentos,
anotações pessoais, experiências de aula, controles de aprendizagem,
representações visuais, etc. Pensamos então a criação de uma capa pessoal para a
pasta. Esta pasta já havia sido solicitada na aula anterior, porém alguns alunos
pediram para fazer esta capa em casa. Discutimos como seria o processo de
avaliação onde instiguei os alunos para a sua responsabilidade no processo de
aprendizagem. Os alunos ficaram surpresos e receosos, pois nunca tinham sido
avaliados dessa forma e notei na expressão deles certa ansiedade, mas expliquei
que tudo aconteceria no momento certo, portanto não havia motivos para ficarem
apreensivos, em seguida realizamos o memorial, onde cada aluno escreveu em uma
folha um pouco de si mesmo, sua preferências musicais, seus gostos, sua família,
etc.. Esse momento foi muito gratificante, pois pude conhecer um pouco mais sobre
cada aluno, sua vida e suas expectativas para o futuro. Alguns alunos colocaram
fotografia do momento que eram ainda crianças. Assim, devemos saber que o
portfólio permite ao professor considerar o trabalho do aluno não como uma forma
pontual e isolada, mas como um processo de construção da aprendizagem em que
cada aluno decide que trabalhos e momentos são significativos para ele.
Parte 3 – LER E PRODUZIR SENTIDO
Nesta etapa identificamos os gêneros artísticos nas obras de Candido
Portinari como Natureza-morta, Paisagem e Figura Humana. Devemos estar
preparados para compreender as mais diversas formas de linguagens, pois estamos
inseridos dentro de uma cultura visual, nesse sentido é fundamental desenvolver
nossos sentidos de forma analítica e crítica. Saber identificar as características
estéticas numa obra de arte nos leva a tomar posições conscientes e coerentes com
a contemporaneidade. Então apresentei as obras “Natureza Morta”, “Paisagem de
Brodowski” e “Mulher com Criança” do artista Candido Portinari para análise e
discussão e após realizamos as atividades. Na atividade sobre natureza morta
solicitei que cada aluno trouxesse de casa um objeto. Foi separada a turma em
grupos onde cada grupo montou uma composição com esses objetos e em seguida
desenharam estas composições montadas através da observação. Na atividade
sobre paisagem fomos até o pátio da escola e cada aluno escolheu um lugar para
fazer sua paisagem de observação e na atividade figura humana realizamos a
análise da obra “Mulher com Criança” de Portinari, os alunos escreveram palavras
sobre a imagem e a seguir construíram um poema a partir dessas palavras. Foram
momentos especiais de muita imaginação e criatividade.
Parte 4 – ARTE CRÍTICA E SOCIAL
Neste momento analisamos aspectos históricos e culturais na formação do
modernismo brasileiro, pois segundo Ernest Fischer “a arte é uma forma de
consciência social”. A arte não esta só na função de transformar o mundo, mas está
no seu caráter mágico através da sua natureza original. A sociedade precisa do
artista, pois através da arte o homem consegue compreender a realidade, suportá-la
e até transformá-la em mais humana. A arte é necessária na medida em que se
torna a representação de um mundo culturalmente comprometido com significados,
com a imaginação. Arte é interpretação, é conhecimento do mundo, é a expressão
dos sentimentos. Nesse sentido é que a arte deve permitir a possibilidade de
contribuir para a preparação de indivíduos que compreendam melhor o mundo em
que estão inseridos, que saibam compreendê-lo e que nele possam atuar.
Apresentei algumas imagens de artistas do século XIX, XX e XXI, dando preferência
aos artistas do modernismo, como as obras de Tarsila do Amaral. Realizamos um
passeio pelas questões das cenas quotidianas e as festas populares retratadas em
suas obras. Questionei aos alunos se conheciam algumas dessas obras? Já tinham
ouvido falar sobre o Modernismo? Os alunos disseram que algumas obras já tinham
visto, mas não sabiam explicar onde. Então dividi a turma em grupos para que
pesquisasse sobre o Modernismo Brasileiro, a Semana de 22, a Antropofagia e a
critica de Monteiro Lobato à Anita Malfatti. Cada grupo pesquisou sobre um tema
que foi apresentado e em seguida assistimos ao vídeo Modernismo: anos 20.
Analisamos e discutimos a obra “Café” de Candido Portinari, e todos construíram um
texto relatando sobre a arte enquanto função social. Após, os alunos fizeram uma
composição retratando o texto e em seguida realizamos a socialização. Através dos
relatórios de suas opiniões pude perceber como os alunos já estavam envolvidos
com o projeto e haviam avançado em suas aprendizagens.
Nesse momento já estávamos envolvidos com a contemporaneidade então
realizamos uma análise e discussão sobre a obra “Lavrador de Café” de Candido
Portinari com uma fotografia de Sebastião Salgado. Realizamos um paralelo entre
os dois artistas com reflexões temáticas através de elementos de contraste e
similaridade entre as obras. Em seguida assistimos ao vídeo “Revelando Sebastião
Salgado” onde conheceram melhor a vida e as obras do fotógrafo e percebi mais
uma vez a sensibilidade de alguns alunos diante das fotos. Essa relação entre os
artistas nos remeteu a diferentes períodos, que se busca absorver a forma que cada
um utilizou para criticar a sociedade, transformando essas informações e
devolvendo ao mundo um novo formato artístico. Proporcionei aos alunos
oportunidades para identificar, relacionar e compreender as diferentes vozes
poéticas, bem como, os diferentes materiais utilizados, diferentes técnicas, assim os
alunos apreciaram e refletiram sobre a produção artística, conhecendo a
transformação da arte através dos tempos.
Após, realizamos a reprodução viva das obras de Candido Portinari. Dividi a
turma em grupos e cada grupo escolheu uma obra e realizou a sua montagem
cênica que foi fotografada. Enviei as fotos para impressão e realizamos a exposição
com os trabalhos. Todos os alunos se envolveram com muito entusiasmo.

CONSIDERAÇOES FINAIS

A arte na escola desperta no aluno uma consciência crítica sobre os


acontecimentos sociais tornando-o participativo no seu papel com a sociedade, não
sendo um expectador, mas podendo ser alguém que participa desses
acontecimentos dando-lhes a oportunidade de poder transformá-los. Nesta
perspectiva, acredito que o projeto de Intervenção Pedagógica, “LEITURA E
ENCANTAMENTO: DESENVOLVENDO O PENSAMENTO CRÍTICO A PARTIR
DAS OBRAS DE CÂNDIDO PORTINARI”, aplicado no Colégio Estadual Idália
Rocha, na cidade de Ivaiporã, cumpriu essa tarefa. Despertou nos alunos um
interesse maior pela obra de arte e também para o entendimento daquilo que nelas
contém. Como o projeto propõe leitura de imagem, olhar e interpretar foi preciso
trabalhar a importância do ver e do analisar, desafiando-os a este exercício tão
necessário num espaço coletivo. Os alunos construíram a capacidade de apreciar
compreender o que o artista quis transmitir em sua época, sua poética e o seu
contexto social. Os resultados desta implementação tiveram seus objetivos
alcançados. Notou-se o crescimento na aprendizagem à medida que os alunos
participavam das aulas práticas e das análises das obras.
A possibilidade de conhecer a vida e as obras do artista modernista Candido
Portinari ultrapassou uma dimensão não esperada. O conhecimento com certos
detalhes da biografia do artista como a figura humana que se faz presente em quase
todas as suas obras trás uma identificação com os alunos, como o trabalhador rural,
as figuras populares e as cenas infantis que são seus personagens principais.
Temas como a pobreza, o trabalho, o sofrimento do homem brasileiro, negro, mulato
o qual comovia o artista que a partir de então começou a lutar pelas causas sociais.
A sensibilidade e conteúdo poético de Portinari possibilitaram vários caminhos para
a evolução artística, pois muitos alunos não conheciam a obra desse artista o que os
fez sentirem-se atraídos pela análise e assim observei a inquietude de alguns em
relação aos problemas sociais.
Em relação ao artista Sebastião Salgado foi observado sua poética artística,
através da fotografia em preto e branco como uma forma de demonstrar os
acontecimentos mundiais, retratando os excluídos, os que se encontram à margem
da sociedade. Apontando um significado mais amplo do que está acontecendo com
essas pessoas que perdem a sua dignidade por meio da guerra, pobreza e outras
injustiças.
Sebastião Salgado diz:

"Mais do que nunca, sinto que a raça humana é somente uma. Há diferenças
de cores, línguas, culturas e oportunidades, mas os sentimentos e reações
das pessoas são semelhantes. Pessoas fogem das guerras para escapar da
morte, migram para melhorar sua sorte, constroem novas vidas em terras
estrangeiras, adaptam-se a situações extremas…"

Neste contexto, é preciso considerar que a leitura de imagem, amplia nossa


visão e o nosso conhecimento sobre as coisas do mundo e, por conseqüência, das
mais variadas culturas.
Como parâmetro para a avaliação foi utilizado uma avaliação diagnóstica
passando por vários momentos de reflexão pessoal e em grupo, finalizando com a
produção final (portfólio).
Os resultados desta implementação tiveram seus objetivos alcançados.
Notou-se o crescimento na aprendizagem à medida que os alunos participavam das
aulas demonstrando interesse e motivação, através da participação com perguntas
como também seus olhares de encantamento observados durante o exercício de
leitura visual.
A dificuldade que houve no decorrer do desenvolvimento das atividades foi a
falta de conhecimento na leitura de obras de arte, mas com a continuidade das
atividades que levaram à reflexão, pode-se notar que gradualmente existe a
possibilidade de tornar os educandos mais críticos e mais perceptivos do mundo em
que vivem.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

_____ Metodologia do Ensino da Arte. São Paulo: Cortez, 1997.

AMARAL, Aracy A. Arte para quê? A preocupação social na arte brasileira 1930
– 1970. 3. ed. São Paulo: Studio Nobel, 2003.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental, Parâmetros curriculares


Nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental, Arte. Brasília, MEC,
SEF, 1998.

BUORO, Anamelia Bueno. Olhos que pintam: a leitura de imagem e o ensino da


arte. São Paulo: Educ., FAPESP, Cortez, 2002.

FERRAZ, M.H.C.T.; FUSARI, M.F.R. Arte na educação escolar. 4. ed. São Paulo:
Cortez, 2000.

FISCHER, Ernst. A função da arte. 4ª ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1973.

HERNANDEZ, Fernando. Cultura Visual, Mudança Educativa e Projeto de


Trabalho, 2000.

Martins, M.C. PICOSQUE, G. (Coord.).

PARANÁ. Secretaria de Estado da Educação. Diretrizes Curriculares de Arte


para Educação Básica. Curitiba, 2008.

PEDROSA, Israel; RUFINONI, Priscila Rossinetti. Candido Portinari, Coleção


Folha Grandes Pintores Brasileiros. v. 4, Folha de São Paulo, Instituto Itaú
Cultural, São Paulo, 2013
ZILIO, Carlos. A querela do Brasil: A questão da identidade da arte brasileira: a
obra de Tarsila, Di Cavalcanti e Portinari/1922-1945. Rio de Janeiro: Relume-
Dumará, 1997.

LINKS:

https://www.casadeportinari.com.br
http://pt.wikipedia.org/wiki/Natureza-morta
http://pt.wikipedia.org/wiki/Paisagem
http://www.portinari.org.br/#/acervo/obra/2733
http://www.portinari.org.br/#/acervo/obra/2837
http://www.arte.seed.pr.gov.br/modules/galeria/uploads/1/cafe_portinari.png
http://www.arte.seed.pr.gov.br/modules/galeria/uploads/1/retirantes_portinari.png
https://www.youtube.com/watch?v=y8krV92mV6w
http://www.portinari.org.br/#/acervo/obra/1465
http://www.acervodearte.com.br/acervo/ver_obra.php?acervo=995
http://www.portinari.org.br/#/acervo/obra/2867
https://www.youtube.com/watch?v=SJcwwgI0Wog
http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/tvmultimidia/imagens/3portugu
es/7lavradordecafe.jpg
http://pt.slideshare.net/sotos1/sebastiao-salgado-1
https://www.youtube.com/watch?v=heuubyRdd3U
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sebastião_Salgado