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PARALISIA FACIAL

Dulcemara ribeiroI, Viviane Bressan PetenucciiII, Laura Maria MoreiraIII


RESUMO
Objetivo: Realizar uma revisão da literatura sobre a definição, etiologia, diagnóstico e
tratamento da fisioterapia na Paralisia Facial. Método: A metodologia utilizada foi revisão da
literatura em que foram utilizadas 6 referências entre revista e sites, com publicações entre
2003 até 2013. Conclusão: A paralisia facial é a perda temporária ou permanente da
sensibilidade, à mesma pode acometer pessoas de todas as idades, sendo frequente e podendo
causar alterações emocionais, sociais e profissionais, devido às sequelas existentes. O
tratamento fisioterapeutico utiliza-se de diferentes recursos e técnicas como estimulação
elétrica, massagens, exercícios faciais e reeducação neuromuscular isolado, ou combinações
desses e, ainda, variação de parâmetros para um mesmo recurso. Os métodos e recursos
fisioterapêuticos mais usados na reabilitação da PFP são: massagem, método Kabat e a
estimulação elétrica funcional (FES).
Descritores: Paralisia facial. Fisioterapia. Reabilitação
I
Academica de Fisioterapia
II
Professora do curso de fisioterapia ICEC, Cuiabá,MT,Brasil
III
Professora do curso de Fisioterapia ICEC, Cuiabá,MT,Brasil

1. INTRODUÇÃO

A paralisia facial pode ser classificada como central e periférica, a instalação dos
sintomas desta patologia é repentina. Alguns dos sintomas iniciais, e mais frequentes da
paralisia facial incluem a sensação de dormência ou fraqueza, sensação de pressão ou edema
da hemiface afetada, alterações no paladar ou, até mesmo, abolição deste em certas regiões
internas da Cavidade Bocal; intolerância a barulhos, olho ressecado ou com dores em torno do
mesmo, assim como no ouvido do lado afetado. No primeiro caso há lesões ou doenças no
cérebro, mais exatamente no encéfalo (sistema nervoso central), que envia informações para o
nervo facial. Sendo a paresia ou paralisia acometendo o quadrante inferir da face do lado
contra-lateral a lesão. Já na paralisia facial periférica, há lesões ou doenças no próprio nervo
facial, que inerva os músculos da face. O tratamento da Fisioterapia deve ser tomado condutas
adequadas a cada paciente, e ao estado em que se encontra, pois cada caso é um caso único e
singular, e devido ás diferenças existentes entre os indivíduos (desde diferenças anatómicas,
fisiológicas, biomecânicas, etc.) o mesmo tratamento pode não ter o mesmo resultado em
pacientes diferentes. O tratamento deverá ser adaptado e personalizado em função do déficit e
da colaboração do paciente. O nervo facial é um nervo misto sob a dependência de um
sistema voluntário e automático-reflexo que pode levar muito tempo a recuperar. O
tratamento pode durar de 15 dias a 3 semanas, nas paralisias faciais pouco severas, até 4 anos,
nas formas mais graves (1).
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2. MÉTODOS

Realizado uma busca em revistas científicas nas bases de dados scielo e sites, foram
utilizados 4 revistas publicadas no ano de 2008 a 2013 e 1 consulta em site publicado no ano
de 2003, Foram usadas como palavra chave Fisioterapia na paralisia facial.

3. DEFINIÇÃO

A Paralisia Facial engloba uma afecção aguda, total ou parcial dos músculos da face
por atingimento (inflamação e edema) do nervo facial (VII nervo craniano).

3.1 Paralisia Facial Central

Resulta de uma lesão que afeta as fibras fronto-nucleares. Atinge, sobretudo o


território do nervo facial inferior, respeitando na maioria dos casos o território do nervo facial
superior. Neste caso há alteração de mobilidade apenas dos músculos do 1/3 inferior da
hemiface contra-lateral (ou seja, apenas da boca) à lesão nervosa. Os movimentos do músculo
frontal e das pálpebras estão conservados e pode existir o sinal de Charles-Bell.

3.2 Paralisia Facial Periférica

A paralisia facial periférica (PFP) decorre da interrupção da trajetória nervosa de


qualquer um dos segmentos do nervo facial (VII par de nervos craniano). Caracteriza-se por
uma lesão do nervo facial da sua origem, do seu tronco ou, mais raramente dos seus ramos.
Caracteriza-se pelo comprometimento do nervo facial superior e do inferior. A face apresenta
assimetria tanto em repouso como durante a tentativa de movimento
voluntário. Acometimento do nervo facial pode resultar de uma lesão que afeta o nervo ou o
núcleo, isto é, uma lesão periférica.
A lesão periférica resulta numa paralisia flácida de todos os músculos da face do lado
da lesão. As lesões periféricas com demasiada frequência (porém nem sempre) resultam em
paralisia de todos os músculos faciais.
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4. VII NERVO DA FACE

Também um nervo misto, apresentando uma raiz motora e outra sensorial gustatória.
Ele emerge do sulco bulbo-pontino através de uma raiz motora, o nervo facial propriamente
dito, e uma raiz sensitiva e visceral, o nervo intermédio. Juntamente com o nervo vestíbulo-
coclear, os dois componentes do nervo facial penetram no meato acústico interno, no interior
do qual o nervo intermédio perde a sua individualidade, formando-se assim, um tronco
nervoso único que penetra no canal facial (2).
A raiz motora é representada pelo nervo facial propriamente dito, enquanto a sensorial
recebe o nome de nervo intermédio.
Ambos têm origem aparente no sulco pontino inferior e se dirigem paralelamente ao
meato acústico interno onde penetram juntamente com o nervo vestibulococlear (2).
No interior do meato acústico interno, os dois nervos (facial e intermédio) penetram
num canal próprio escavado na parte petrosa do osso temporal, que é o canal facial (2).
As fibras motoras atravessam a glândula parótida atingindo a face, onde dão dois
ramos iniciais: o temporo facial e cérvico facial, os quais se ramificam em leque para inervar
todos os músculos cutâneos da cabeça e do pescoço (2).
Algumas fibras motoras vão ao músculo estilo-hioideo e ao ventre posterior do
digástrico.
As fibras sensoriais (gustatórias) seguem um ramo do nervo facial que é a corda do
tímpano, que vai se juntar ao nervo lingual (ramo mandibular, terceiro ramo do trigêmeo),
tomando-se como vetor para distribuir-se nos dois terços anteriores da língua.
O nervo facial apresenta ainda fibras vegetativas (parassimpáticas) que se utilizam do
nervo intermédio e depois seguem pelo nervo petroso maior ou pela corda do tímpano (ambos
os ramos do nervo facial) para inervar as glândulas lacrimais, nasais e salivares (glândula
sublingual e submandibular) (2).
Em síntese, o nervo facial dá inervação motora para todos os músculos cutâneos da
cabeça e pescoço (músculo estilo-hioideo e ventre posterior do digástrico) (2).
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5. ANATOMIA DA FACE

5.1 OSSOS

O crânio é composto por um conjunto de doze ossos são eles: frontal, nasal, maxilar,
mandíbula, zigomático, temporal, concha nasal inferior, lacrimal. Vômer, etmoide, parietal e
esfenoide. Fazem parte da face os ossos: vômer, lacrimal, zigomático, maxilar, mandíbula e
concha nasal inferior que interligam através dos ossos do crânio Os músculos da expressão
facial geralmente se originam de osso ou cartilagem e se inserem na fáscia superficial ou um
dos músculos esfinctéricos da órbita e da boca. Esses músculos são muito delicados e o
sistema nervoso tem um controle bastante preciso sobre eles, como se sabe, é muito amplo o
número de expressões que se pode criar. A boca constitui a estrutura mais móvel da face,
portanto a maioria dos músculos faciais se insere no seu esfíncter (3).
Os músculos da face são inervados pelo nervo facial e a face é formada por 15
músculos cada um com sua função determinada sendo eles:

5.2 Prócero

Origina-se na fáscia que cobre a parte inferior do osso nasal e parte superior da
cartilagem nasal lateral e se insere na pele sobre a parte inferior da testa entre os supercílios.
Na prova deve-se pedir ao paciente que tracione a pele do nariz para cima, formando rugas
transversais sobre a ponte do nariz. A ação conjunta desses músculos acima é de grande
importância para expressão facial. Pois determinam a formação de rugas na região glabelar ou
interciliar (3).

5.3 Orbicular do olho

É o esfíncter do olho, estimula o fluxo da lágrima, ajudando a esvaziar o saco lacrimal.


Consiste em três porções: Parte orbital – fecha os olhos (protegendo contra excesso de luz e
poeira do ar); Parte palpebral – fecha levemente as pálpebras (evita o ressecamento da
córnea); Parte lacrimal – puxa as pálpebras e pontos lacrimais medialmente (3).
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5.4 Risório

Levanta e retrai o ângulo da boca (3).

5.5 Orbicular da boca

É constituído por fibras de outros músculos faciais e fibras próprias dos lábios. É um
esfíncter dos lábios, podendo apertá-los contra os dentes, como na raiva, ou protraí-lo como
no beijo. Nele insere três grupos musculares que traciona para cima, para os lados e para
baixo. Entre eles estão (3):

5.6 Zigomático Maior

Origina-se no osso zigomático. Para prova fazer o paciente tracionar o ângulo da boca
para cima e para fora como ao sorrir.

5.7 Levantador do ângulo da boca

Origina-se na fossa canina. Eleva-se na comissura labial, acentuando-se o sulco


nasolabial, como na expressão de arrogância. Para a prova pedir que tracione o ângulo
diretamente para cima, aprofundando o sulco desde o lado do nariz ao lado da boca. Sugerir
que o paciente mostre seu dente canino de um lado e depois do outro (3).

5.8 Levantador do lábio superior

Situa-se medialmente ao anterior. Eleva e everte o lábio superior e dilata a narina. Os


músculos que tracionam o orbicular dos lábios para baixo são:
a) Depressor do ângulo da boca: origina-se na linha obliqua da mandíbula. Traciona a
comissura labial para baixo e lateralmente, como na expressão de tristeza.
b) Depressor do lábio inferior: se origina na linha obliqua da mandíbula. Deprime e
everte o lábio inferior, como no beicinho (3).
c) Platisma: origina-se na fáscia que cobre a porção superior do peitoral maior e
deltoide. Chega-se inferiormente ao tórax e superiormente a face. Puxa a pele do mento e da
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comissura labial para baixo, como na tristeza e decepção. Na prova pede-se ao paciente que
tracione o lábio inferior e ângulo da boca para baixo e para fora, tensionando a pele sobre o
pescoço (3).
d) Mentoniano: origina-se na fossa da mandíbula e se insere no tegumento do mento.
Para a prova fazer o paciente elevar a pele do mento e após o lábio inferior fará protrusão
como na expressão de desdém, dúvida ou indecisão (3).

5.9 Os músculos que tracionam o orbicular dos lábios lateralmente

Bucinador: se origina na superfície externa dos processos alveolares da maxila e


mandíbula, e borda anterior da faixa tendínea pterigomandibular. Sua principal função é de
conservar ar as bochechas tensas durante as fases de abertura e fechamento da boca, evitando-
se que sejam lesadas pelos dentes durante a mastigação. Na prova fazer o paciente pressionar
as bochechas firmemente de encontro aos dentes laterais, tracionando para trás o ângulo da
boca como ao tocar uma corneta (3).
Risório: origina-se na fáscia sobre o masseter. Retrai a comissura labial lateralmente,
como num sorriso forçado ou irônico. Na provapede-se ao paciente que tracione o ângulo da
boca pra trás (3).
Nasal: se origina na cartilagem alar maior e se insere no tegumento da ponta do nariz.
Na prova pede-se ao paciente que alargue as aberturas do nariz, como em respiração forçada
ou difícil (3).
Frontal: faz parte do músculo do couro cabeludo denominado occiptofrontal. O ventre
occipital estende-se, póstero lateralmente, até a sua origem óssea na linha nucal suprema do
occipital. O ventre frontal insere-se na pele da fronte, e quando se contrai eleva os supercílios
e enruga a fronte. Para a prova pede-se ao paciente que eleve as sobrancelhas, enrugando a
testa como em surpresa, medo e atenção (3).
Corrugador do supercilio: este músculo se origina na extremidade medial da arcada
superciliar e se insere na superfície profunda da pele acima da arcada orbitária. Na contração
de suas fibras, produzem as rugas verticais da região glabelar cujo semblante se dá ao
sofrimento, severidade ou desaprovação. Para a prova pede-se ao paciente que tracione as
sobrancelhas para juntá-la como ao franzir a testa (3).
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5.10 Músculos da Mastigação

Os músculos da mastigação inserem-se na mandíbula. Os dois músculos maiores


aparecem à direita e os dois mais profundos aparecem acima da cabeça. A articulação
temporomandibular em forma de dobradiça permite movimento de elevação e depressão da
mandíbula e alguma protusão e ação lateral também. Só o pterigoide lateral representa um
papel na depressão da mandíbula, pois a gravidade desempenha no ser humano um papel
importante. Os músculos que fazem parte da mastigação são: temporal, pterigoideo medial,
pterigoideo lateral (3).

6. FISIOPATOLOGIA

Os músculos faciais superiores são inervados, principalmente, pelo sistema nervoso


periférico, através do nervo facial; no entanto, os músculos faciais inferiores são inervados
pelo nervo facial (sistema nervoso periférico) e pelo hemisfério cerebral ipsilateral (SNC).
Assim, quando a lesão é central ou supranuclear (p. ex., no acidente vascular cerebral), a face
inferior é geralmente mais afetada que a face superior. Por outro lado, quando a lesão é
periférica (envolvendo o nervo facial e/ou seu núcleo), as faces superior e inferior são
igualmente afetadas.

7. ETIOLOGIA

A etiologia da paralisia facial pode ser dividida em: idiopática; traumática; infecciosa;
neoplásica; metabólica; congênita; vascular e tóxicas.

7.1 Idiopática ou Paralisia de Bell

A paralisia de Bell, doença descrita em 1981 pelo pesquisador escocês Charles Bell, é
um tipo de inflamação que também pode causar paralisia facial. Acredita-se que essa doença
seja provocada por um vírus específico da família herpes, que ao ser adquirido inflama os
nervos da face, causando uma fraqueza nos músculos do rosto. É a causa mais comum,
representando 55% a 80% dos casos de PFP. Acomete todas as faixas etárias, sendo mais
frequente em mulheres, terceiro trimestre de gestação, homens acima de 40 anos e em
indivíduos diabéticos.
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Existem várias teorias para tentar explicá-la (vascular, viral, hereditária, inflamação,
imunomediada e psicossomática), mas permanece ainda como sendo de causa incerta. A
paralisia tem início abrupto e apresenta evolução favorável, sendo o diagnóstico de exclusão,
quando não se consegue definir outra etiologia possível para a PFP. A recuperação da função
do nervo facial é completa em 70% a 84% dos casos, sem nenhum tipo de tratamento, porém
as sequelas estão presentes em até 30% dos pacientes, o que justifica a necessidade do
tratamento, que possui o intuito de evitá-las (4,5).

7.2 Traumática

A paralisia facial de ordem traumática pode acometer os indivíduos sob várias formas,
como por exemplo, objetos cortantes, perfurantes, projéteis de arma de fogo na face, acidentes
automobilísticos, traumas cirúrgicos, entre outros (4,5).

7.3 Infecciosa

Podemos ter algumas lesões do nervo facial de origem infecciosa, como a


meningite, com comprometimento da bainha do nervo craniano, as reações inflamatórias ou
exudativas causam paralisia facial. A otite que ocorre compressão, inflamação ou mesmo
destruição do nervo facial, pois a otite pode se apresentar desde uma leve supuração até a
necrose dos ossos e também tem a herpes zoster que ocorre por um processo inflamatório
agudo em gânglios sensitivos, o vírus atinge por um processo desconhecido os nervos de um
mesmo lado de corpo. Ocorre o aparecimento de vesículas, dores, diminuição sensibilidade e
por fim a paralisia do nervo (4,5).

7.4 Neoplasias

A lesão ao nervo facial pelas neoplasias se dá por compressão do nervo, bem como
destruição do mesmo. As neoplasias mais comuns são: da glândula parótida, do tronco
cerebral e quarto ventrículo, do ângulo ponto cerebelar na base do crânio (4,5).
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7.5 Metabólicos
.
Em diabéticos, a paralisia facial é causada por disfunções metabólicas. De patogenia
mista, de um lado haveria insuficiente circulação no vasa-neverum do facial, e por outro
agiria a deficiência relativa de aneurisma (4,5).

7.6 Congênitas

Há dois tipos de paralisias faciais congênitas, como o não desenvolvimento dos


núcleos celulares pontinos, que dariam origem às fibras do nervo facial e a paralisia facial do
tipo "Heller", que consiste na não formação do pavilhão da orelha e outras estruturas
circunvizinhas (4,5).

7.7 Vascular

Um bloqueio na circulação arterial que nutre o nervo pode causar a paralisia facial
Tóxicas. Em relação à paralisia facial tóxica, somente a Toxicose pode causar lesão isolada do
nervo facial, pois as demais lesões por agentes tóxicos fariam com que o nervo facial fosse
mais um nervo afetado, já que há um quadro de polineuropatia (4,5).

8. SINAIS E SINTOMAS

Diversos são os estudos que confirmam que o paciente afetado pela paralisia facial
apresenta assimetria da face, tendo a hemiface paralisada. O olho do lado afetado está mais
aberto, sendo incapaz de fecha-lo, a comissura labial está repuxado assobiar. A
sintomatologia apresentada é de perda de sensibilidade no lado afetado e perda dos
movimentos musculares do lado afetado da face.
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9. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

O diagnóstico diferencial está na paralisia facial central, que como sinais, apresenta a
parte superior da face poupada (músculo orbicular dos olhos), sendo afetada somente o terço
inferior da face, pode haver contração involuntária da musculatura mímica como
manifestação emocional, ou seja, o paciente pode contrair a musculatura do lado afetado
quando ri ou chora, mas não os contrai voluntariamente e as paralisias centrais são
contralaterais, ocorrem do lado oposto da lesão. E a paralisia facial periférica a hemiface é
toda afetada, é homolateral, ocorrendo do mesmo lado da lesão (5).

10. DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO

Para que haja um diagnostico preciso o médico deve descartar qualquer distúrbio que
não esta associada à patologia através da história do paciente e da análise dos resultados de
estudos radiográficos, de uma Tomografia Axial Computorizada ou de uma Ressonância
Magnética (RM). Não tem testes ou exames específicos para a detecção da Paralisia Periférica
(5)
.
O tratamento fisioterapêutico tem como objetivo restituição total da simetria facial,
Para isso, a fisioterapia faz uso de técnicas de treinamento miofacial para hemiface afetada,
para favorecer a propagação da excitação nervosa. Também faz uso da crioestimulação, para
aumentar o tônus, bem como utiliza a Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (Método
Kabat) e Functional Eletrical Stimulation (FES). A prescrição de tais movimentos deve ser
cautelosa para se evitar a hipertrofia do lado não acometido. A FES é uma forma de
eletroterapia capaz de produzir contração muscular com objetivo funcional de restabelecer a
função neuromuscular prejudicada ou perdida, por meio de impulso elétrico. Esse impulso,
quando usado corretamente, retarda o processo de fibrose, além de acelerar o processo de
reinervação (1,5).
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10.1 Drenagem Linfática

Se há Ptose da Pálpebra inferior com edema ou se há edema Pós-cirúrgico, um


hematoma Pós-cicatricial ou traumático é necessário utilizar a drenagem linfática (1).

10.2 Massagem dos Pontos Centrais

Fazer uma massagem bastante suave começando pelo ponto central ao nível da Fronte
(perto da raiz das sobrancelhas). Ao mesmo tempo massajar um ponto situado ± no terço
anterior, linha mediana, do couro cabeludo (zona que apresenta um plano diferente,
facilmente notado ao tacto). Massajar bem estes pontos em fricções circulares, no sentido dos
ponteiros de um relógio, e terminar com manobras de mobilizações do Couro Cabeludo. Ao
nível da Face propriamente dita, as manobras devem ser muito leves. Ao nível da fronte, na
junção do ângulo temporomaxilar externo e ao nível do nariz fazer uma massagem em forma
de “8” (1).

10.3 Massagem Endobucal

Esta massagem far-se-á muito suavemente e permitirá verificar as eventuais


tetanizações que podem surgir nos músculo Grande Zigomático, Bucinador, Triangular e
Cutâneo do Pescoço. Se for este o caso, é necessário massagear fortemente estas hipertonias
intrabucais e seguidamente estirar a bochecha progressivamente para baixo e para dentro, para
o eixo de simetria, e mantê-la estirada durante alguns instantes, só depois relaxar a pressão
manual progressivamente (1).

10.4 Eletroterapia

A eletroterapia só será útil na forma periférica das Paralisias Faciais e caso a


estimulação manual não tenha dado resultado. Correntes Galvânicas, correntes excito-motoras
progressivas de base exponencial, no entanto, este tipo de técnica de tratamento também está
contra-indicada em situações como a estimulação de músculos desnervados por meio de
impulsos de curta duração e de frequências tetanizantes. As principais vantagens da utilização
de Eletroterapia neste tipo de tratamentos são: Diminuir o grau de atrofia muscular; Evitar a
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esclerose parcial do músculo; Manter a nutrição muscular e facilitar a eliminação dos


exsudados, devido à sua influência trófica (1).

10.5 Reeducação dos Músculos da Face

Esta Reeducação é Longa e Minuciosa, exigindo da parte do doente bastante


concentração, uma aprendizagem constante e, por tudo isto, um controle enorme em frente ao
espelho. Este tipo de tratamento, deve ser quotidiano e feito 2 vezes por dia (de manhã e à
tarde, caso seja possível), não devendo ter sessões de mais de 15 minutos (na fase inicial).
Previamente à reeducação, a hemiface afetada deve ser aquecida, aplicando-lhe calores
úmidos. A duração desta aplicação varia conforme a fase em que o doente se encontra, assim
sendo, na Fase Flácida deve ser aplicada calor húmido apenas durante 10 minutos, enquanto
que na Fase de Hipertonia não deve passar os 15 minutos. (é necessário ter em conta que o
calor não deve abranger a região do olho nem do ouvido) Os movimentos indicados ao doente
neste tipo de tratamento, deverão ser executados lenta e progressivamente na amplitude
indicada, como tal deve começar-se por um esboço, seguido de movimentos na amplitude
incompleta e por fim, movimentos na amplitude completa. Estes exercícios não devem ser
executados de forma forçada (1).

10.6 Método de Kabat

Este método, também designado de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (P. N.


F.), promove e acelera as respostas dos mecanismos neuromusculares através da Estimulação
dos receptores (1).

10.7 Facilitação

Significa aceleração ou promoção de um processo natural, na Reabilitação, visa a


melhoria do movimento e em Fisiologia tenta elevar o estado central de excitação, diminuindo
a resistência ao impulso nervoso nas sinapses. Este impulso prepara o axónio para o próximo
estimulo, visando o aparecimento da ação do músculo. Todas as vezes que se fala em
Facilitação (reabilitação), fala-se em inibição. Quando facilitamos, estamos a estimular, logo,
aumentamos a estimulação, assim sendo, alcança-se a mudança da permeabilidade da
membrana, ocorrendo a despolarização, caso o estímulo seja limiar. Neuromuscular: Este
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método utiliza sempre a unidade motora (motoneurónio mais as fibras musculares por ele
enervadas) que trabalha em relação a ser “tudo ou nada” (1).

10.8 Proprioceptiva

Usa a estimulação dos receptores proprioceptivos, embora utilize todos os outros


receptores(1).

10.9 Estimulação com Gelo

Neste tipo de tratamento podemos obter dois efeitos: o efeito analgésico e o efeito
estimulante. Se quisermos um efeito analgésico fazem-se movimentos circulares lentos sobre
uma pequena área (ventre muscular, ponto doloroso), mas se quisermos um efeito estimulante
(facilitar a atividade muscular) aplica-se o gelo de forma rápida e breve sobre o dermátomo da
pele com a mesma enervação do músculo em questão. O uso excessivo do gelo é um risco,
pois pode provocar nos pacientes queimaduras por gelo, a aplicação nunca de passar dos 10
minutos (1).

11. CONCLUSÃO

A paralisia facial pode ser causada por vários fatores, como mudanças bruscas de
temperatura; estresse; traumatismos ou acidente vascular cerebral (AVC); cirurgias
da glândula parótida (glândula da salivação); otites; infecções; alterações circulatórias ou
tumores próximos ao nervo facial ou no próprio nervo, entre outras causas.
Sabendo que esta neuropatia é de caráter benigno, porém com complicações
funcionais e psíquicas devastadoras, pode-se dizer que atualmente há recursos
fisioterapêuticos para o tratamento dela. A boa recuperação desses pacientes não depende
apenas da extensão da lesão e do tipo de lesão, mas também das técnicas empregadas e
estímulos fisioterapêuticos.
O tratamento fisioterapêutico tem como objetivo restituição total da simetria facial,
Para isso, a fisioterapia faz uso de técnicas de treinamento miofacial para hemiface afetada,
para favorecer a propagação da excitação nervosa. Também faz uso da crioestimulação, para
aumentar o tônus, bem como utiliza a Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (Método
Kabat) e Functional Eletrical Stimulation (FES) (1).
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Referências

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Anatomia do quadril
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Edmar Stieven Filho
19

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