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CURSO DE REVISÃO DE JUROS.

Aula Ministrada pelo Prof. Fábio B. Cáceres

1-) Introdução:

Trata-se de curso que visa a melhora da performance do


advogado atuante na área imobiliária, bancária, haja vista que há
crescente crescimento nessas áreas, sendo em muitas vezes em
decorrência de hiperendividamento.

2-) Estrutura dos contratos bancários:

O contrato possui 2 eixos, sendo eles, a normalidade que trata


do regular cumprimento do contrato e por fim o eixo da anormalidade,
onde encontra-se a fase de inadimplência.

O consumidor do empréstimo, do financiamento etc, pode ser


pessoa física ou jurídica.

Quando o consumidor tem o empréstimo aprovado o banco lhe


fornece o dinheiro e o consumidor, por sua vez, fica obrigado a restituir o
banco no valor que lhe foi emprestado mais o lucro que é provisionado
por meio de juros remuneratórios, computados ao mês em porcentagem.

Juros capitalizados/ anatocismo não é cabível nos contratos


bancários, segundo o professor Fábio Cáceres.

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No entanto, quando o consumidor encontra-se inadimplente,
poderá, o mesmo, suportar correção monetária, multa de até 2% e juros
moratórios de 1% ao mês, nos termos da súmula 379 do STJ.

Entenda que os juros moratórios são diversos dos


remuneratórios. Os juros remuneratórios tem a finalidade de gerar lucro,
já os moratórios possuem a finalidade de punir o consumidor pela sua
mora.

Mas, ainda, será possível, à este consumidor inadimplente, a


cobrança da taxa de comissão de permanência.

Para melhor entender, a correção monetária tem em sua


essência evitar perda.

Quanto a multa, sua finalidade básica é desestimular o


consumidor inadimplir a obrigação contratual, sua natureza é contratual,
pois advém do direito civil sendo verificada pela clausula penal, que
servirá de base para ressarcir possíveis prejuízos, sendo então chamada
de clausula penal compensatória ou poderá servir, somente, para punir o
consumidor inadimplente, passando a ser denominada de clausula penal
moratória.

No caso dos contratos bancários a clausula penal SEMPRE será


MORATÓRIA, e deverá ser observado pelo Código de Defesa do
Consumidor que esta multa não poderá superar o limite de 2% ao mês.

No que tange aos juros moratórios, estes também possuem a


finalidade de punição ao consumidor inadimplente, logo, a cada mês que
houver a percepção do descumprimento contratual haverá juros de
natureza moratória.

Por fim, quanto a comissão de permanência, leia a súmula 30 do


STJ, esta poderá ser cobrada, mas não poderá ser cobrada junto com
correção monetária, segundo o entendimento firmado pelo STJ, caso haja
as duas no contrato você poderá requer que seja retirada uma ou outra.

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Súmula 30 do STJ: A COMISSÃO DE PERMANENCIA E A
CORREÇÃO MONETARIA SÃO INACUMULAVEIS.

No ano 2012 de o STJ criou a súmula 472, conforme segue.

Súmula 472 do STJ: A cobrança de comissão de permanência - cujo


valor não pode ultrapassar a soma dos encargos remuneratórios e
moratórios previstos no contrato - exclui a exigibilidade dos juros
remuneratórios, moratórios e da multa contratual.

Quando você for discutir o valor dos juros do contrato de seu


cliente, discuta sempre o valor dos juros efetivos, que representa o valor
global da operação.

2-) Juros Remuneratórios:

Pode ser analisado por dois prismas.

 Limites: deve ser verificado cada contrato, pois cada um


possui sua peculiaridade nesta óptica;

 Incidência: pode ser por meio do regime simples ou por


meio do regime composto, por métodos de amortização
do saldo devedor;

No regime simples não há juros sobre juros.

No entanto, se for regime composto há juros sobre juros.

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Para o profissional do direito quando se fala em capitalização
de juros, fala-se em juros sobre juros.

BONS ESTUDOS!!!

Profa. Cristina Anita Schumann Lereno