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Roberto Nunes Costa Ligdes sobre 0 AGOSTINHO 4° Edigdo y EDITORA, VOZES ‘www.vozes.com.br COLECAO 10 LIGOES Coordenador: Flamarion Tavares Leite = 10 ligdes sobre Kant Flamarion Tavares Leite = 10 igdes sobre Mars Femando Magalhtes = 1D gies sobre Maguiavel Viniius Soares de Campos Barros 10 igdes sobre Bodin = 10 ligbes sobre Hannah Arendt “Alberto Ribeiro G. de Barros Luciano Oliveira = 10 ges sobre Hegel ~ 10 ides sobre Hume Deyve Redyson. Marconi Pequeno = 10iligdes sobre Schopenhauer ~ 10 ligdes sobre Carl Schmit Femando JS. Monteiro ‘Agassiz Almeida Filho = 10 icées sobre Santo Agostino ~ 10 ligdes sobre Hobbes “Marcos Roberto Nunes Costa Fernando Magalhies 10 lies sobre Foucault ~ 10 ligées sobre Heidegger ‘Andké Constantino Vazbek Roberto 8. Kahlmeyer-Mertens 0 igdes sobre Rousseau = 10 ligées sobre Walter Romulo de Araijo Lima Benjanin Renato Franco Dados Internacionais de Catalogacio na Publicagio (CIP) (Cimara Brasileira do Livro, SP, Bras) (Covi, Marcos Roberto Nunes 0 ides sobre Santo Agestnho/ Marcos Rober Nunes. 4 ed Petals, I: Vazes, 2014. (Coleg 10 Ligde) Bibligsaia ISBN97885-326-4822.3 1, Agostino, Sano, Bispo de Hipows, 354-430, 2. Deas 3 Flos 4 uminas3o (lose) 5 thimingsio diving 6. Teologia 7. Teadade L Talo. Te See 1483s epp-t992 Indices par cago sistem 1. Agostniansme : Filosofia medieval 1882 Marcos Roberto Nunes Costa 10 LIGOES SOBRE SANTO AGOSTINHO 1 Reimpressao EDITORA VOZES Petrépolis, saias de ti, mas volta para dentro de ti mesmo; a verdade habi- tano coragio do homem. E se no encontras Sendo a tua natu- reza sujeita a mudangas, vai além de ti mesmo, Em te ultra- passando, porém, ndo te esquegas que transcendes tua alma que raciocina. Portanto, dirige-te a fonte da prépria luz da ra- Zio" (De vera rel., VI, 39, 72). ‘Sendo a verdade ao mesmo tempo imanente ¢ transcen- dente ao homem, prega, mais uma vez, anecessidade de uma purificagio da alma como meio de participar do mundo das ‘Verdades etemas ~ Deus: “Faz-se mister, por isso, purificar ‘nossa mente para podermos contemplar inefavelmente 0 ine fivel” (De Trin. 1, 1,3). E para tal, otimisticamente, conta com dois elementos; a fé revelada: “Nao conseguindo ainda ‘essa purificagio, alimentamo-nos da fé, conduzidos por ca- ‘inhos mais praticaveis a fim de sermos eapazes de chegar- ‘mos a compreender a Deus” (De Trin, I, 1,3) ¢ a graga divi na, pois, dadas nossas fraquezas humanas, por sis6.o homem nio tem forgas para aleangar a Deus. Temos que contar com a ‘raga redentora de Deus, encamada no seu Filho, 0 Media dor, Cristo: “A alma no ser sibia por suas préprias luzes, ‘mas por participagao daquela luz suprema onde reinara eter. rnamente ¢ seré feliz” (De Trin., XIV 12,15). E para alcangar Deus é necessério transcender a razio, entregar-se gratuitamente na busca da face incompreensivel, ‘ou inefivel de Deus, E viver em Deus, embora ainda no 0 tendo plenamente. E para que isto aconteca s6 ha um cami- tho: a humildade cris. S6 os humildes de coragio contem- plardo a Deus ou a Verdade. No nivel da razio os homens se ‘contentardo com a ciéncia, 32 QUARTA LICAO O problema do mal Agostinho deparou-se, teoricamente, com o problema do ‘mal aos 19 anos de idade, por ocasido da leitura do Horten- sius. Nesse momento, o mal aparece a ele como um parado- Xo, pois como explicar a contradicdo existente entre o prin- cipio axiomatico ciceroniano, segundo o qual “todos 0s ho- ‘mens desejam, por natureza, a felicidade”, e a realidade dos, males praticados pelo homem, dentre os quais 08 cometi- dos pelo proprio Agostinho? ‘Na finsia de achar uma resposta ao referido problema, vai buscar, num primeiro momento, na seita gnéstica dos mani- queus, a qual, aparentemente, reunia os dois elementos que Agostinho tanto queria, Primeiro, o aprego a sabedoria, des- pertado pelo livro de Cicero. Fm segundo lugar, essa seta tra- ia, em seu bojo, o nome de Cristo, apresentando-se como uma ligido crista, ou melhor, como o verdadero ristianismo, Para explicar a origem do universo o maniqueismo criou uum sistema dualista, no qual aparecem dois prineipios onto- logicos originantes do cosmo: a Luz (0 Bem) eas trevas ou a ‘matéria (0 Mal), ambos de naturezas corpéreas, inetiadas ou ccoeternas, com iguais poderes de criago, ou melhor, de ema rages. Da mistura e luta entre esses dois reinos surgiram, 0s diversos seres no universo, sendo o segundo principio —a ‘matéria~o responsivel pelos males no mundo. A partt desse