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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS


DIREITO
PRIMEIRA FASE NOTURNO

Caio Fábio Ferreira Figueiredo


caioffigueiredo@outlook.com

Fichamento do Primeiro Capítulo – Uma


Discussão Célebre do Livro “Teoria das Formas de Governo” – Noberto Bobbio

Florianópolis
08/03/18
Fichamento do Capítulo I – Uma Discussão Célebre
O primeiro capítulo do livro de Noberto Bobbio disserta sobre uma história de
três persas (Otanes, Megabises e Dario) pelos relatos de Heródoto na discussão sobre
qualseria a melhor forma de governo para o reino deles após a morte do rei entre as
formas de governo clássicas (Democracia, Aristocracia e Monarquia). Otanes propôs o
poder ao povo, criticando a prepotência dos monarcas e o poder ilimitado e elogiando a
isonomia do governo popular. Megabises propôs o governo oligárquico, apoiando
Otanes sobre a crítica à monarquia, porém contestando a capacidade da massa plebeia
de tomar decisões sábias, esse poder deveria ser dado aos considerados por ele
melhores. Dario apoia Megabises em sua opinião sobre o governo popular mas não
sobre a oligarquia, ele critica os conflitos pessoas nas oligarquias onde todos querem ser
o chefe e quando o conseguem atingem a monarquia, melhor forma de governo segundo
ele. Além de concordar com Megabises sobre a democracia, ele critica o sistema
acrescentando o problema da corrupção e das conspirações por poder que acabam todos
por atingir o governo de um só, a monarquia tão defendida por Dario que manteria todas
instituições pátrias antigas.

Depois da apresentação da história narrada por Heródoto, Bobbio reflete sobre a


passagem focando na avaliação de cada uma forma de governo pelos persas, quem
apresenta a forma de governo considera boa a sua forma e os outros dois defensores das
outras formas consideram má, esse fato tem o efeito de apresentar a classificação
completa que será enunciada pelos próximos pensadores mas para eles não serão apenas
três formas (Democracia, Oligarquia e Monarquia) e sim seis formas de governo que
consideram que as três formas boas correspondem a três outras más. Portanto, a
diferença entre a apresentação do debate de Heródoto e as seis formas de governo dos
sucessivos pensadores está que no debate prescritivo cada constituição proposta como
boa pelos persas é correspondente a duas outras vistas como más para ele e em
Aristóteles, filósofo utilizado como exemplo, a linguagem é descritiva e cada
constituição boa corresponde a mesma na sua forma má.

A classificação sêxtupla demonstrada deriva do cruzamento entre dois critérios:


quem governa e como governa e elas podem considerar os argumentos em que os três
interlocutores do capítulo “Uma discussão celebre” expuseram sobre a sua forma de
governo escolhida e as outras que ele preteriu.
A representação de Otanes, critica a monarquia pelo seu aspecto negativo: um
governo irresponsável e portanto naturalmente arbitrário pois o monarca pode fazer o
que quiser, já o governo do povo (considerado na forma boa por ele) é baseado na
igualdade perante a lei e no controle pelo povo, portanto nem irresponsável nem
arbitrário. Enquanto Otanes caracteriza a monarquia com atributos psicológicos como
prepotente e invejoso, ele caracteriza o governo do povo com instituição igualitária e
popular.

Já as considerações de Megabises atribuem o governo popular por atributos


psicológicos como o desatino. Além disso, entre as duas formas de governo rejeitadas,
o governo popular é considerado pior que o governo monárquico, dando uma ideia de
gradação. A única coisa que falta na análise de Megabises, segundo Bobbio, é
caracterizar mais especificamente o governo por ele proposto mostrando o lado bom de
seu governo escolhido.

Dario, por outro lado, condena pela primeira vez o governo de poucos propostos
por Megabises, apontando sua fragilidade para fragmentar-se em facções gerando a falta
de unidade. Já sobre o governo popular, ele critica as conspirações dos maus que
acabam gerando a corrupção tanto do governo popular quanto do governo de poucos.
Para ele a única forma boa e necessária de governo é a monarquia para evitar a
corrupção das outras duas formas de governo, a monarquia seria a única forma de
assegurar a estabilidade do poder, resistir a corrupção, a degradação e manter sua
constituição.