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FUNDAÇÃO EDUCACIONAL PRESIDENTE CASTELO BRANCO

FACULDADE CASTELO BRANCO

Dialética do Iluminismo em Adorno

Amós Caldeira
Alessandro Silva
Beatriz Giurizatto
Carolina Ricarte
Núbia dos Santos
21/03/2018
Colatina - ES

Theodor W. Adorno e Max Horkheimer são dois membros da primeira geração da


“Escola de Frankfurt”. Uma escola de filosofia conhecida pela sua Teoria Crítica da
Sociedade. No livro “Dialético do Iluminismo” ou “Dialético do Esclarecimento”, de 1947,
Adorno e Horkheimer apresentam sua crítica ao processo racionalista do Iluminismo.

O Iluminismo, com origem no séc. XVII, foi uma revolução na história do


pensamento. A intenção era superar a visão teocêntrica para uma visão antropocêntrica de
mundo. O homem é o centro do universo. Buscava-se então desmistificar uma visão religiosa
de mundo, que para os iluministas significava um atraso, até mesmo um bloqueio para a
evolução do homem, para substitui-la por uma visão racional de mundo, pautado pela ciência.

A crítica que Adorno faz ao iluminismo não é uma crítica à razão em si, mas uma
crítica à razão instrumental, chamada também de “técnica”. Fica fácil entender essa crítica
tendo em vista o contexto em que ela foi formulada. Os membros da primeira geração da
Escola de Frankfurt viveram em um contexto de entre guerras na Europa, vivenciando os
horrores da ascensão de regimes totalitários no Velho Continente. Já que “o espírito de
domínio tecnológico da natureza não assegura uma existência verdadeiramente humana”, a
visão tecnocrática pode ter efeitos devastadores quando usada como instrumento de
dominação.

Com o avanço da sociedade capitalista as lógicas do progresso, do lucro, da


mecanização, da compartimentalização do tempo, foram contribuindo para homogeneização
da sociedade, não há tempo para parar e refletir, somente há a necessidade de seguir (sabe-se
lá em qual direção). O indivíduo, já desencantando com a natureza e “livre” de suas tradições
e crenças, pauta sua vida pela visão tecno-científica que é ditada por uma minoria detentora
do conhecimento técnico. Essa visão exacerbadamente racional deteriora as relações sociais,
pois faz com que indivíduo paute suas relações por uma lógica do cálculo e da previsibilidade.

Uma das expressões dessa sociedade burguesa é a chamada “Indústria Cultural”.


Terminologia que é usada para substituir o termo cultura de massa, já que este termo seria
equívoco, pois daria a impressão de que a cultura de massa é algo que surge espontaneamente
das massas, quando na verdade os veículos de comunicação em massa se baseiam em uma
lógica industrialista para produção do conteúdo, não só adaptando como também
determinando o que as massas vão consumir. Esse processo tolhe a autonomia individual,
mecanizando a consciência das massas. A cultura não existiria mais como arte, mas mero
negócio.

A Dialética do Iluminismo é uma visão pessimista que Adorno e Horkheimer têm da


sociedade capitalista, vendo o homem moderno como um ser sufocado pela dura realidade
que o cerca e controlado por mecanismos dos quais ele não tem consciência da existência.
Encarando o capitalismo como um modo de produção que “atomizava as pessoas, levando-as
a buscarem seus objetivos pessoais através do utilitarismo, de modo que acabavam
prisioneiras do próprio capital.”

REFERÊNCIAS

FERREIRA, Walace. Uma análise revisionista de Adorno e Horkheimer em “A Dialética


do Esclarecimento”. CSOnline – Revista Eletrônica de Ciências Sociais Ano 2, Volume 5,
Dezembro 2008. Disponível em:
<https://csonline.ufjf.emnuvens.com.br/csonline/article/viewFile/629/558> Acesso em: 20
mar. 2018.

MERQUIOR, José Guilherme. Arte e Sociedade em Marcuse, Adorno e Benjamin. 1. ed.


Rio de Janeiro: Editora Tempo Brasileiro, 1969.