Você está na página 1de 2

Departamento de Filosofia

Disciplina: História da Filosofia Moderna I

Professor: Diogo Gurgel

Aluno: Christian Athayde das Chagas

Matrícula: 11158019

2ª Avaliação 2014 / 2

Embora rejeite a validade de qualquer conhecimento absoluto ou metafísico, Hume admite a


possibilidade de uma investigação científica do mundo exterior e a necessidade de uma
aceitação não dubitativa das crenças cotidianas e do senso comum

Segundo ele a natureza não possui qualquer substância, essência, coisa-em-si ou realidade
permanente na constituição do universo, sendo apenas real e verídico o fenômeno, isto é, tudo
aquilo que se oferece à percepção humana.

Segundo Deleuze, para Hume ‘A natureza só pode ser cientificamente estudada em seus efeitos
sobre o espírito, mas a única e verdadeira ciência do espírito deve ter por objeto a natureza.’ E
porque ‘a natureza humana em seus princípios ultrapassa o espírito, que nada no espírito
ultrapassa a natureza humana; nada é transcendental.’

Por si mesmo, o espírito não é sujeito; é uma coleção dada de impressões e de ideias separadas,
e é passivo a ação delas, é por elas sujeitado. O sujeito mesmo é o produto da modulação desse
passamento no espírito (impressões e ideias) por três princípios ou modos de associação
(contiguidade, semelhança e causalidade) mas é também o espírito que se ultrapassa a si
mesmo.

O espírito devém sujeito ao ser afetado pelos princípios; o sujeito se constitui por través desse
passamento. Mas se o sujeito pode, assim, ultrapassar o dado, as afecções do passamento, é
porque ele, no espírito, é antes de mais nada o efeito de princípios que ultrapassam o espírito,
que o afetam. O que se desvela no espírito a partir da gestão conjunta e atravessada das
afecções todas é a ideia dessa subjetividade. O espírito não tem as qualidades próprias de um
sujeito prévio; a subjetividade empírica é determinada e se constitui no espírito sob o efeito dos
princípios, é uma impressão de reflexão.

Quem realiza uma psicologia do espírito intentando uma investigação das leis fundamentais (e
arbitrárias) do pensamento, à busca duma simples, direta e imediata descrição do modo pelo
qual os seres humanos efetivamente pensam, facilmente exercita uma prática autocrática e não
uma ciência humana.
Considerando o método das falsas psicologias do espírito, asserta Deleuze: ‘A essência e o
destino do empirismo não estão ligados ao átomo, mas à associação [...] o empirismo não coloca
o problema de uma origem do espírito, mas o problema de uma constituição do sujeito [...] ele
considera essa constituição no espírito como o efeito de princípios transcendentes, não como o
produto de uma gênese’.

Uma psicologia da natureza humana ou do espírito deve pesar o valor (ou valer o peso) das
impressões de reflexão, porquanto são elas que qualificam o espírito como um sujeito.

A verdadeira e única psicologia possível, a das afecções, ‘vai se duplicar em cada um dos seus
momentos com a crítica de uma falsa psicologia do espírito’ pois encontra a realidade do seu
objeto dada em todas as determinações que não surgem como consequência de uma ideia,
encontra a realidade do seu objeto em todas as qualidades que ultrapassam e antecedem o
espírito.